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Carlos Signor 
c.signor@hotmail.com 
DIREITO EMPRESARIAL II– 4º tópico 
PRINCIPAIS TÍTULOS DE CRÉDITO 
1. LETRA DE CÂMBIO 
 É um título à ordem, formal, autônomo e completo que se cria mediante 
o saque, emitido em favor de alguém, transferível por endosso, se completa 
pelo aceite e se garante pelo aval (Victor Eduardo Rios Gonçalves). 
- à ordem – quem cria o titulo assume a obrigação de fazer pagar determinada 
quantia; quem cria o título promete que outra pessoa irá efetuar esse 
pagamento, no tempo e lugar designados; 
- formal – o documento só vale como título de crédito, se obedecer a todos so 
requisitos legais; 
- autônomo e abstrato – porque não deriva de nenhum negócio jurídico 
específico, sendo as várias obrigações do título, independentes entre si; 
- completo – porque não precisa ser completado por nenhum outro 
documento. 
 
 É uma ordem de pagamento que o sacador dirige ao sacado para que 
este pague a importância consignada a um terceiro denominado tomador 
(Amador Paes de Almeida) 
 É uma ordem escrita, dada a uma determinada pessoa para que pague 
uma certa importância em dinheiro a alguém. Essa ordem pode ser dada a 
vista ou a prazo (Fernando Pereira Sodero Filho). 
 Com a emissão da letra de câmbio surgem três figuras com funções 
diversas: 
a) O sacador – aquele que dá a ordem, que cria a letra e que responde se o 
sacado não cumprir a determinação; 
b) O sacado – é o devedor, aquele que recebe a ordem do sacador para pagar 
a importância determinada na data aprazada; só se torna responsável se 
assinar o título 
c) O tomador – é o beneficiário, aquele em favor de quem a ordem é dada. 
Poderá ser o terceiro ou o próprio sacador. 
Exemplos: 
A – sacador 
B – sacado 
C – tomador – beneficiário 
A é credor de B e, antes do pagamento desta obrigação, A compra 
mercadorias de C para pagá-las no mesmo dia em que receberia de B. Para 
simplificar o procedimento, A emite uma Letra de Câmbio, na qual ele dá a B 
uma ordem para que ele pague C no vencimento. Assim, o C poderá procurar 
B para tentar receber dele o seu crédito. 
A mora em Cascavel e B mora em São Paulo. A vai a São Paulo e compra 
mercadoria de C, para pagar em 90 dias. A emite uma letra de câmbio para B 
pagar C na data acordada. 
 
 
 Requisitos 
 Às diversas características da letra de câmbio, como literalidade, 
autonomia, cartularidade e abstração, acrescenta-se a formalidade, que impõe 
requisitos intrínsecos e extrínsecos. 
 Os requisitos intrínsecos são os comuns a todas as obrigações, tais 
como sujeito, vontade e objeto. É preciso que o agente seja capaz, inexistindo 
vícios de vontade, tais como erro, dolo, coação, simulação ou fraude, devendo 
ser lícito o objeto, sob pena de nulidade da cambial. 
 Os requisitos extrínsecos são os previstos no artigo 1º do Decreto nº 
2.044/1908: 
 I. A denominação “letra de câmbio” ou a denominação equivalente na 
língua em que for emitida. 
 II. A soma de dinheiro a pagar e a espécie de moeda. 
 III. O nome da pessoa que deve pagá-la. Esta indicação pode ser inserida 
abaixo do contexto. 
 IV. O nome da pessoa a quem deve ser paga. A letra pode ser ao portador 
e também pode ser emitida por ordem e conta de terceiro. O sacador pode 
designar-se como tomador. 
 V. A assinatura do próprio punho do sacador ou do mandatário especial. A 
assinatura deve ser firmada abaixo do contexto. 
 A esses requisitos, a LUG acrescenta mais dois: 
a) A data do saque; 
b) O lugar onde é sacada. 
 No entanto, são considerados essenciais os requisitos do artigo 1º, 
alíneas 4 e 7 da LUG “á época do pagamento” e o “lugar do pagamento”, em 
face da redação do artigo 2º da mesma lei: 
“A letra em que se não indique a época do pagamento entende-se pagável à 
vista”. 
“Na falta de indicação especial, o lugar ao lado do nome do sacado considera-
se como sendo o lugar do pagamento e, ao mesmo tempo, o lugar do domicílio 
do sacado”. 
“A letra sem indicação do lugar onde foi passada considera-se como tendo-o 
sido no lugar designado, ao lado do nome do sacador”. 
 
 
Vencimento 
 De acordo com o Decreto nº 2.044, os vencimentos da letra de câmbio 
são: 
Art. 6º A letra pode ser passada: 
 I. À vista. 
 II. A dia certo. 
 III. A tempo certo da data. 
 IV. A tempo certo da vista. 
 A LUG manteve a regra, em seu artigo 33. 
>> À vista – aquele que ocorre na apresentação ao sacado (Art. 17 do 
Dec.2044/1908); 
>> No vencimento a dia certo, é o próprio sacador quem determina o prazo: 
“No dia...de...de..., V. Sª pagará por esta letra de câmbio...”; 
>> A tempo certo da data significa a tempo certo da emissão. Assim, o 
vencimento passa a correr da emissão ou do saque: “A 30 dias desta, V. Sª 
pagará por esta letra de câmbio...”. Não conta o dia da emissão; 
 >> No vencimento “a tempo certo da vista”, o prazo começa da data do aceite 
e, na falta deste, da data do protesto. Não conta o dia do aceite ou protesto. 
 A letra de câmbio deve ser apresentada ao sacado ou aceitante no dia 
do vencimento, conforme disposição legal do Dec. 2.044/1908: 
 Art. 20. A letra deve ser apresentada ao sacado ou ao aceitante para o pagamento, no lugar 
designado e no dia do vencimento ou, sendo este dia feriado por lei, no primeiro dia útil 
imediato, sob pena de perder o portador o direito de regresso contra o sacador, endossadores 
e avalistas. 
Prescrição 
 A obrigação cambial é de natureza quesível (quérable), ou seja, compete 
ao credor a iniciativa da cobrança. Portanto, é o credor quem deve procurar o 
devedor para receber o valor do título, ou informa-lhe o local para o 
pagamento. 
 A prescrição é a perda do direito de propor ação judicial em 
conseqüência do não uso dela, durante um determinado espaço de tempo 
previsto em lei. A prescrição da letra de câmbio é a perda da execução judicial 
pelo seu não-exercício. 
 A letra perde a natureza de título executivo extrajudicial, terá, ainda, o 
direito de propor ação monitória, que é ação de conhecimento, a partir de prova 
escrita sem eficácia de título executivo, para constituição de título judicial. 
O prejuízo assim será enorme: a correção monetária começa a incidir a 
partir da propositura da ação, enquanto que, propondo ação executiva em 
tempo, a correção monetária incidirá a partir da data do vencimento do título. 
O pior é o credor ter que provar a origem do título, pois, com a 
prescrição, o documento “letra de câmbio” deixou de ser um título de crédito. 
Também traz prejuízo a demora da penhora, pois antes poderá vir a 
contestação, a instrução, a sentença e o recurso. 
O art. 206, §3º, inciso VIII, do CC dispõe que o prazo prescricional é de 
3 (três) anos, a contar do vencimento, ressalvadas as disposições de lei 
especial, para haver o pagamento de títulos de crédito. 
 A prescrição do direito de se propor qualquer das ações de execução, 
nos termos da LUG, dá-se nos seguintes prazos: 
a) Contra o aceitante: três anos, a contar do vencimento da letra; 
b) Do portador contra os endossantes e o sacado: um ano, a contar do protesto 
feito em tempo hábil; 
c) Dos endossantes, contra os outros e contra o sacador: seis meses, a contar 
do dia em que o endossante pagou a letra ou em que ele próprio foi acionado.

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