Buscar

Aula 03

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes
Você viu 3, do total de 93 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes
Você viu 6, do total de 93 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes
Você viu 9, do total de 93 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes

Prévia do material em texto

Livro Eletrônico
Aula 03
Direito Penal p/ MP-SP (Analista Jurídico) - Com Videoaulas
Professor: Renan Araujo
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 AULA 03: CONCURSO DE PESSOAS E CONCURSO DE CRIMES. 
SUMçRIO 
1 CONCURSO DE PESSOAS ....................................................................................... 3 
1.1 Conceito, natureza e caracter’sticas ............................................................... 3 
1.2 Requisitos ...................................................................................................... 4 
1.2.1 Pluralidade de agentes .................................................................................... 4 
1.2.1.1 Autoria mediata ...................................................................................... 5 
1.2.2 Relev‰ncia causal da colabora‹o ..................................................................... 8 
1.2.3 V’nculo subjetivo (ou liame subjetivo) ............................................................... 8 
1.2.4 Identidade de infra‹o penal ........................................................................... 8 
1.2.5 Existncia de fato pun’vel ................................................................................ 9 
1.3 Modalidades ................................................................................................... 9 
1.3.1 Coautoria ...................................................................................................... 9 
1.3.2 Participa‹o ................................................................................................ 13 
1.4 Comunicabilidade das circunst‰ncias ........................................................... 16 
1.4.1 EspŽcies de elementares e de circunst‰ncias .................................................... 17 
1.5 Coopera‹o dolosamente distinta ................................................................ 18 
1.6 Multid‹o delinquente ................................................................................... 19 
2 CONCURSO DE CRIMES ....................................................................................... 19 
2.1 Conceito e natureza ..................................................................................... 19 
2.2 EspŽcies ....................................................................................................... 20 
2.2.1 Concurso material (ou real) de crimes ............................................................ 20 
2.2.2 Concurso formal de crimes ............................................................................ 21 
2.2.3 Aplica‹o da pena no concurso formal ............................................................. 22 
2.2.4 Crime continuado ......................................................................................... 23 
2.2.5 Requisitos para a configura‹o do crime continuado ......................................... 24 
2.2.6 Aplica‹o da pena no crime continuado ........................................................... 26 
2.2.7 Crime continuado e conflito de leis penais no tempo ......................................... 26 
2.2.8 Crime continuado e prescri‹o ....................................................................... 27 
2.2.9 Aplica‹o da pena de multa no concurso de crimes ........................................... 27 
3 DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES ............................................................... 28 
4 SòMULAS PERTINENTES ..................................................................................... 29 
4.1 Sœmulas do STF ............................................................................................ 29 
4.2 Sœmulas do STJ ............................................................................................ 30 
5 RESUMO .............................................................................................................. 30 
6 EXERCêCIOS PARA PRATICAR ............................................................................. 37 
7 EXERCêCIOS COMENTADOS ................................................................................. 55 
8 GABARITO .......................................................................................................... 91 
 
 
Ol‡, meus amigos! 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 Na aula de hoje vamos estudar dois temas muito importantes. O primeiro 
deles est‡ relacionado ˆ pr—pria figura delituosa e sua caracteriza‹o, que Ž o 
concurso de agentes. O segundo est‡ relacionado aos efeitos da pr‡tica 
criminosa, mais especificamente, ˆ aplica‹o da pena, que Ž o concurso de 
crimes. 
 
Bons estudos! 
Prof. Renan Araujo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 1! CONCURSO DE PESSOAS 
1.1!Conceito, natureza e caracter’sticas 
O concurso de pessoas pode ser conceituado como a colabora‹o de dois 
ou mais agentes para a pr‡tica de um delito ou contraven‹o penal. 
O concurso de pessoas Ž regulado pelos arts. 29 a 31 do CP: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 
11.7.1984) 
¤ 1¼ - Se a participa‹o for de menor import‰ncia, a pena pode ser diminu’da de um 
sexto a um tero. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
¤ 2¼ - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-‡ 
aplicada a pena deste; essa pena ser‡ aumentada atŽ metade, na hip—tese de ter sido 
previs’vel o resultado mais grave. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
Circunst‰ncias incomunic‡veis 
Art. 30 - N‹o se comunicam as circunst‰ncias e as condi›es de car‡ter pessoal, salvo 
quando elementares do crime. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
Casos de impunibilidade 
Art. 31 - O ajuste, a determina‹o ou instiga‹o e o aux’lio, salvo disposi‹o expressa 
em contr‡rio, n‹o s‹o pun’veis, se o crime n‹o chega, pelo menos, a ser tentado. 
(Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
 
Mas como compreender a natureza jur’dico-penal de uma conduta 
criminosa praticada por diversas pessoas? Trs teorias surgiram: 
¥! Pluralista (ou plural’stica) - Para esta teoria cada pessoa 
responderia por um crime pr—prio, existindo tantos crimes quantos 
forem os participantes da conduta delituosa, j‡ que a cada um 
corresponde uma conduta pr—pria, um elemento psicol—gico pr—prio 
e um resultado igualmente particular1. 
¥! Dualista (ou dual’stica) Ð Segundo esta teoria, h‡ um crime para 
os autores, que realizam a conduta t’pica emoldurada no 
ordenamento positivo, e outro crime para os part’cipes, que 
desenvolvem uma atividade secund‡ria. 
¥! Monista (ou mon’stica ou unit‡ria) Ð A codelinquncia (concurso 
de agentes) deve ser entendida, para esta teoria, como CRIME 
òNICO, devendo todos responderem pelo mesmo crime. ƒ a 
adotada pelo CP. Isso n‹o significa que todos que respondem pelo 
delito ter‹o a mesma pena.A pena de cada um ir‡ corresponder ˆ 
valora‹o de cada uma das condutas (cada um responde Òna medida 
de sua culpabilidade). Em raz‹o desta diferencia‹o na pena de cada 
um dos infratores, diz-se que o CP adotou uma espŽcie de teoria 
monista temperada (ou mitigada). 
 
1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal Ð Parte Geral. Ed. Saraiva, S‹o Paulo, 2015, p. 548 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 4 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 
O concurso de pessoas pode ser, basicamente, de duas espŽcies: 
¥! EVENTUAL Ð Neste caso, o tipo penal n‹o exige que o fato seja 
praticado por mais de uma pessoa. Isso n‹o impede, contudo, que 
eventual ele venha a ser praticado por mais de uma pessoa (Ex.: 
Furto, roubo, homic’dio). 
¥! NECESSçRIO Ð Nesta hip—tese o tipo penal exige que a conduta seja 
praticada por mais de uma pessoa. Divide-se em: a) condutas 
paralelas (crimes de conduta unilateral): Aqui os agentes praticam 
condutas dirigidas ˆ obten‹o da mesma finalidade criminosa 
(associa‹o criminosa, art. 288 do CPP); b) condutas convergentes 
(crimes de conduta bilateral ou de encontro): Nesta modalidade os 
agentes praticam condutas que se encontram e produzem, juntas, o 
resultado pretendido (ex. Bigamia); c) condutas contrapostas: 
Neste caso os agentes praticam condutas uns contra os outros (ex. 
Crime de rixa) 
 
1.2!Requisitos 
Mas quais s‹o os requisitos para que se possa falar em concurso de 
pessoas? Cinco s‹o os requisitos para que seja caracterizado o concurso de 
pessoas. Vejamos: 
 
1.2.1!Pluralidade de agentes 
Para que possamos falar em concurso de pessoas, Ž necess‡rio que 
tenhamos mais de uma pessoa a colaborar para o ato criminoso. ƒ necess‡rio 
que sejam agentes culp‡veis? A doutrina se divide, mas prevalece o 
entendimento de que todos os comparsas devem ter discernimento, de maneira 
que a ausncia de culpabilidade por doena mental, por exemplo, afastaria o 
concurso de agentes, devendo ser reconhecida a autoria mediata. 
Assim, se uma pessoa, perfeitamente mental e maior de 18 anos 
(penalmente imput‡vel) determina a um doente mental (sem qualquer 
discernimento) que realize um homic’dio, n‹o h‡ concurso de pessoas, mas 
autoria mediata, pois o autor do crime foi o mandante, que se valeu de 
uma pessoa sem vontade como mero instrumento2 para praticar o crime. 
N‹o h‡ concurso, pois um dos agentes n‹o era culp‡vel. 
Todavia, Ž bom ressaltar que, nos crimes plurissubjetivos3, se um dos 
colaboradores n‹o Ž culp‡vel por qualquer raz‹o, mesmo assim 
permanece o crime. Nos crimes eventualmente plurissubjetivos (crime de furto, 
por exemplo, que eventualmente pode ser um crime qualificado pelo concurso de 
 
2 WELZEL, Hans. Derecho Penal, parte general. Ed. Roque Depalma. Buenos Aires, 1956, p. 106 
3 Aqueles em que necessariamente deve haver mais de um agente, como no crime de associa‹o criminosa, 
por exemplo Ð art. 288 do CP 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 5 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 pessoas, embora seja, em regra, unissubjetivo) tambŽm n‹o Ž necess‡rio que 
todos os agentes sejam culp‡veis, bastando que apenas um o seja para 
que reste configurado o delito em sua forma qualificada. 
 
EXEMPLO: JosŽ, maior e capaz, perfeitamente imput‡vel, combina de realizar 
um roubo juntamente com Paulo, adolescente de 17 anos de idade e, portanto, 
inimput‡vel. O roubo se realiza. Neste caso, n‹o podemos falar em autoria 
mediata entre JosŽ e Paulo, eis que Paulo n‹o foi mero instrumento nas m‹os de 
JosŽ. Paulo quis participar da empreitada criminosa, e responder‡ por isso, de 
acordo com as regras pr—prias do ECA4. Neste caso, como n‹o houve autoria 
mediata, JosŽ dever‡ responder pelo crime roubo com a majorante de ter sido o 
crime praticado em concurso de pessoas5, ainda que Paulo responda de acordo 
com o ECA, e n‹o de acordo com a Lei Penal. 
 
Nessas duas œltimas hip—teses, no entanto, n‹o h‡ propriamente concurso 
de pessoas, mas o que a Doutrina chama de concurso impr—prio, ou concurso 
aparente de pessoas. Contudo, essa ressalva s— se aplica ao caso de concurso 
entre culp‡vel e Òn‹o culp‡vel que possui discernimentoÓ. Assim, se o agente 
culp‡vel se vale de alguŽm sem culpabilidade como mero instrumento, sem que 
ele possua qualquer discernimento, teremos sempre autoria mediata. 
 
1.2.1.1! Autoria mediata 
A autoria mediata ocorre quando o agente (autor mediato) se vale de uma 
pessoa como instrumento (autor imediato) para a pr‡tica do delito. 
EXEMPLO: JosŽ, maior e capaz, entrega uma arma de fogo a uma criana de 05 
anos, dizendo que ela deve colocar a arma na cabea de Maria e fazer uma 
brincadeira, pois ao apertar o gatilho, sair‡ ‡gua da arma. A criana aperta o 
gatilho e Maria morre. Neste caso, temos autoria mediata, pois JosŽ (autor 
mediato) se valeu da criana (executor) como mero instrumento para a pr‡tica 
do delito. 
 
 
Todavia, n‹o basta que o executor seja um inimput‡vel, ele deve ser um 
verdadeiro INSTRUMENTO do mandante, ou seja, ele n‹o deve ter 
qualquer discernimento no caso concreto. 
 
Ex.: JosŽ e Pedro (este menor de idade, com 17 anos) combinam de matar 
Maria. JosŽ arma o plano e entrega a arma a Pedro, que a executa. Neste caso, 
 
4 Estatuto da Criana e do Adolescente. 
5 Art. 157, ¤2¼, II do CP. 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 6 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 Pedro Ž inimput‡vel por ser menor de 18 anos, mas possui discernimento, n‹o 
se pode dizer que foi um mero ÒinstrumentoÓ de JosŽ. Assim, aqui n‹o 
teremos autoria mediata, mas concurso aparente de pessoas. 
Ex.2: JosŽ, maior e capaz, entrega a Mauro (um doente mental sem nenhum 
discernimento) uma arma e diz para ele atirar em Maria, que vem a —bito. 
Neste caso h‡ autoria mediata, pois Mauro (o inimput‡vel) foi mero 
instrumento nas m‹os de JosŽ. 
 
⇒!Mas esta Ž a œnica hip—tese de autoria mediata? A resposta Ž 
negativa. A melhor Doutrina divide a autoria mediata em trs hip—teses, 
basicamente6: 
 
1 Ð Autoria mediata por erro do executor Ð Neste caso, aquele que pratica a 
conduta foi induzido a erro pelo mandante (erro de tipo ou erro de proibi‹o). 
Ex.: MŽdico que entrega ˆ enfermeira uma inje‹o contendo determinada 
subst‰ncia t—xica, e determina que esta aplique no paciente, alegando que se 
trata de morfina, para aliviar a dor7. A enfermeira, aqui, n‹o atua dolosamente 
(do ponto de vista Òfinal’sticoÓ), pois apesar de dar causa ˆ morte do paciente 
(causalidade f’sica, pois foi ela quem injetou a subst‰ncia), n‹o dirigiu sua 
conduta a este resultado. O dom’nio do fato pertencia ao mŽdico, o real infrator. 
2 Ð Autoria mediata por coa‹o do executor Ð Aqui o infrator coage uma 
terceira pessoa a praticar um delito. Em se tratando de coa‹o MORAL irresist’vel, 
teremos um agente n‹o culp‡vel (a coa‹o moral irresist’vel afasta a 
culpabilidade). Desta forma, aquele que executa o faz em situa‹o de n‹o 
culpabilidade. A culpabilidade recai apenas sobre o coator, n‹o sobre o coagido. 
Ex.: MŽdico que determina ˆ enfermeira que aplique sobre o paciente uma dose 
cavalar de veneno. OmŽdico, porŽm, n‹o esconde da enfermeira que se trata de 
veneno, ao contr‡rio deixa isso bem claro. PorŽm, diz ˆ enfermeira que se ela 
n‹o fizer o que foi determinado, ir‡ matar sua filha. Vejam que, neste caso, a 
enfermeira sabe que est‡ injetando o veneno, de forma que age dolosamente, 
mas ainda assim sem culpabilidade, por inexigibilidade de conduta diversa. 
3 Ð Autoria mediata por inimputabilidade do agente Ð Nesta hip—tese o 
infrator se vale de uma pessoa inimput‡vel para a pr‡tica do delito. A 
inimputabilidade, aqui, pressup›e que o executor (inimput‡vel) n‹o tenha 
discernimento necess‡rio8. Caso o executor, mesmo inimput‡vel, possua 
discernimento, n‹o haver‡ autoria mediata. Ex.: JosŽ, 20 anos, organiza um 
plano para furtar uma loja de eletr™nicos, e combina com Marcelo, de 17, a 
execu‹o do plano. Neste caso, n‹o h‡ autoria mediata, pois Marcelo, a despeito 
de sua inimputabilidade legal, tem discernimento para n‹o ser considerado como 
ÒobjetoÓ. Por outro lado, no mesmo exemplo, imaginemos que Marcelo tenha 30 
 
6 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 560 
7 O exemplo Ž de Hans Welzel. (cf. WELZEL, Hans. Op. Cit.___, p. 106) 
8 WELZEL, Hans. Op. Cit.___, p. 107-108 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 7 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 anos, mas seja absolutamente incapaz de entender o que se passa (doente 
mental completo). Neste caso, a inimputabilidade de Marcelo afasta o 
reconhecimento do concurso de pessoas com JosŽ, que responder‡ como autor 
mediato do crime. 
 
ƒ cab’vel autoria mediata nos crimes pr—prios e de m‹o pr—pria? Em 
rela‹o aos crimes pr—prios se admite a autoria mediata, desde que o autor 
MEDIATO reœna as condi›es especiais exigidas pelo tipo penal. 
EXEMPLO: Paulo, servidor pœblico, coage moralmente Maria (coa‹o 
irresist’vel), obrigando-a a subtrair 10 notebooks da reparti‹o em que ele, 
Paulo, exerce suas fun›es. Paulo, para a execu‹o do delito, se valeu de sua 
fun‹o para facilitar a subtra‹o. Neste caso, Paulo poder‡ responder por 
peculato-furto na qualidade de autor mediato. 
 
Mas, e se Maria Ž quem fosse a servidora e Paulo fosse um 
particular? Poderia haver autoria mediata? N‹o, neste caso n‹o 
poder’amos falar em autoria mediata. 
Contudo, se n‹o h‡ autoria mediata e n‹o h‡ concurso de pessoas 
(pois n‹o h‡ concurso de pessoas entre coator e coagido), Paulo ficar‡ 
impune? N‹o, a Doutrina desenvolveu, para tais casos, a figura da AUTORIA 
POR DETERMINA‚ÌO. Consiste, basicamente, em punir aquele que, embora 
n‹o sendo autor nem part’cipe, exerce sobre a conduta dom’nio EQUIPARADO ˆ 
figura da autoria.9 
N‹o se pode considerar o agente como autor por n‹o reunir os elementos 
necess‡rios para tanto. TambŽm n‹o se pode considera-lo como part’cipe, eis 
que a participa‹o pressup›e o crime praticado por outro autor (e n‹o h‡). Ele 
ser‡ punido, portanto, por ser o autor da determina‹o para a conduta (ter 
sido o respons‡vel por sua ocorrncia). 
 
Em rela‹o aos crimes de m‹o pr—pria, contudo, n‹o se admite a figura 
da autoria mediata, eis que o crime n‹o pode ser realizado por interposta pessoa 
(Ex.: A testemunha, no crime de falso testemunho, n‹o pode coagir alguŽm a 
depor em seu lugar, prestando testemunho falso). 
Neste caso, porŽm, exemplificativamente, se a testemunha for coagida por 
terceira pessoa, esta terceira pessoa poder‡ ser considerada AUTOR por 
determina‹o, conforme explicado anteriormente. 
 
 
9 PIERANGELI, JosŽ Henrique. ZAFFARONI, Eugenio Raœl. Manual de Direito Penal Brasileiro. Ed. RT. S‹o 
Paulo, 2008, p. 580/581 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 8 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 1.2.2!Relev‰ncia causal da colabora‹o 
A participa‹o do agente deve ser relevante para a produ‹o do resultado, 
de forma que a colabora‹o que em nada contribui para o resultado Ž um 
indiferente penal. 
AlŽm disso, a colabora‹o deve ser prŽvia ou concomitante ˆ 
execu‹o, ou seja, anterior ˆ consuma‹o do delito. Se a colabora‹o for 
posterior ˆ consuma‹o do delito, como o fato j‡ ocorreu, n‹o h‡ concurso de 
pessoas, podendo haver, no entanto, outro crime (favorecimento real, 
recepta‹o, etc.). 
PorŽm, se a colabora‹o for posterior ˆ consuma‹o, mas combinada 
previamente, h‡ concurso de pessoas. Ex: Imagine que Poliana decide matar 
seus pais, e combina com seu namorado para que ele esteja ˆs 20h em ponto na 
porta de sua casa para lhe ajudar na fuga. Assim, a conduta do namorado 
(auxiliar na fuga) Ž posterior ˆ consuma‹o, mas fora combinada anteriormente, 
havendo, portanto, concurso de pessoas. Diversa seria a hip—tese, no entanto, 
se o namorado tivesse ido ˆ casa da namorada sem saber que deveria lhe ajudar 
na fuga. L‡ chegando, a namorada conta o ocorrido e ele, a partir da’, concorda 
em auxili‡-la na fuga. Nessa hip—tese, o namorado comete o crime de 
favorecimento pessoal (nos termos do art. 348 do CP). Cuidado com isso! 
 
1.2.3!V’nculo subjetivo (ou liame subjetivo) 
TambŽm Ž conhecido como concurso de vontades. Assim, para que haja 
concurso de pessoas, Ž necess‡rio que a colabora‹o dos agentes tenha sido 
ajustada entre eles, ou pelo menos tenha havido ades‹o de um ˆ conduta do 
outro. 
Deste modo, a colabora‹o meramente causal, sem que tenha havido 
combina‹o entre os agentes, n‹o caracteriza o concurso de pessoas. Trata-se 
do princ’pio da convergncia. Caso haja colabora‹o dos agentes para a 
conduta criminosa, mas sem v’nculo subjetivo entre eles, estaremos diante da 
autoria colateral, e n‹o da coautoria. 
 
1.2.4!Identidade de infra‹o penal 
TambŽm conhecido como unidade de infra‹o penal para todos os agentes, 
est‡ fundamentado no art. 29 do CP: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 
11.7.1984). 
 
Da’ podemos perceber que, se 20 pessoas colaboram para a pr‡tica de um 
delito (homic’dio, por exemplo), todas elas respondem pelo homic’dio, 
independentemente da conduta que tenham praticado (um apenas conseguiu a 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 arma, o outro dirigiu o ve’culo da fuga, outro atraiu a v’tima, etc.). As condutas 
dos agentes, portanto, devem constituir algo juridicamente unit‡rio10. 
 
1.2.5!Existncia de fato pun’vel 
Trata-se do princ’pio da exterioridade. Assim, Ž necess‡rio que o fato 
praticado pelos agentes seja pun’vel, o que de um modo geral exige pelo menos 
que este fato represente uma tentativa de crime, ou crime tentado. 
Para a caracteriza‹o do crime tentado, Ž necess‡rio que seja dado in’cio ˆ 
execu‹o do crime. Se o fato ficar meramente no plano abstrato, no plano da 
cogita‹o, n‹o h‡ fato pun’vel, nos termos do art. 14, II do CP. 
 O art. 31 do CP determina, ainda, de modo espec’fico para a hip—tese de 
concurso de pessoas, que a colabora‹o s— Ž pun’vel se o crime for, ao 
menos, tentado: 
Art. 31 - O ajuste, a determina‹o ou instiga‹o e o aux’lio, salvo disposi‹o expressa 
em contr‡rio, n‹o s‹o pun’veis, se o crime n‹o chega, pelo menos, a ser tentado. 
(Reda‹odada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984). 
!
 Importante ressaltar que, em alguns casos, os atos preparat—rios j‡ 
configuram fato pun’vel, seja porque a lei assim expressamente determina, seja 
porque eles constituem tipo penal aut™nomo. 
 
EXEMPLO: JosŽ e Paulo combinam de fabricar moeda falsa (crime do art. 289 
do CP) e, para tanto, adquirem o maquin‡rio necess‡rio, mas n‹o iniciam a 
produ‹o das notas falsas. Neste caso, a princ’pio, a conduta de JosŽ e Paulo 
seria impun’vel, eis que n‹o foi iniciada a execu‹o do crime de moeda falsa. 
Todavia, o CP j‡ criminaliza essa conduta como tipo penal aut™nomo. Trata-se do 
crime de Òpetrechos de falsifica‹oÓ, art. 291 do CP.11 
 
1.3!Modalidades 
1.3.1!Coautoria 
Para entendermos o fen™meno da coautoria, devemos, primeiramente, 
estudar o que seria a autoria do delito. 
V‡rias teorias, ao longo do tempo, procuraram definir o conceito de 
AUTOR. 
O conceito extensivo de autor n‹o diferencia autor e part’cipe, 
considerando que todos aqueles que concorrem para o crime s‹o autores do 
 
10 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 553 
11 Petrechos para falsifica‹o de moeda 
Art. 291 - Fabricar, adquirir, fornecer, a t’tulo oneroso ou gratuito, possuir ou guardar maquinismo, aparelho, 
instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado ˆ falsifica‹o de moeda: 
Pena - reclus‹o, de dois a seis anos, e multa. 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 delito. Esse conceito Ž baseado numa premissa Òcausal-naturalistaÓ de que todo 
aquele que d‡ causa ao delito (por qualquer forma), deve ser considerado autor 
do crime. 
Contudo, como pelo conceito extensivo de autor n‹o era poss’vel definir 
quem era autor e quem era part’cipe, surgiu a teoria subjetiva da participa‹o, 
que considerava como autor aquele que pratica o fato como pr—prio, que quer o 
crime Òcomo pr—prioÓ, como seu, e part’cipe aquele que quer o fato como alheio, 
pratica uma conduta acess—ria ao Òcrime de outra pessoaÓ.12 Isso era 
fundamental para a fixa‹o da pena de cada um, j‡ que aos autores deveriam 
ser aplicadas penas, em tese, mais severas. 
Como o conceito extensivo apresentou mais problemas que solu›es, surgiu 
o conceito restritivo de autor13. Para esta teoria restritiva14, autor e part’cipe 
n‹o se confundem. Autor ser‡ aquele que praticar a conduta descrita no nœcleo 
do tipo penal (subtrair, matar, roubar, etc.). Todos os demais, que de alguma 
forma prestarem colabora‹o (material ou moral), ser‹o considerados part’cipes. 
Esta foi a teoria adotada pelo CP. 
Agora que j‡ sabemos que o CP diferencia autor e part’cipe, precisamos 
saber qual Ž o critŽrio para se diferenciar um do outro. Trs teorias 
surgiram. 
A primeira teoria, a teoria objetivo-formal, estabelece que autor Ž quem 
realiza a conduta prevista no nœcleo do tipo, sendo part’cipes todos os outros que 
colaboraram para isso, mas n‹o realizaram a conduta descrita no nœcleo do tipo. 
Para esta teoria, por exemplo, no crime de homic’dio, somente seria autor aquele 
que efetivamente praticasse a conduta de ÒmatarÓ alguŽm. Todos os outros 
colaboradores seriam part’cipes. O grande problema desta teoria Ž considerar o 
autor intelectual (mandante) como part’cipe, e n‹o como autor. Mais que isso: 
Essa teoria n‹o explica o fen™meno da autoria mediata (quando alguŽm se vale 
de um inimput‡vel para cometer um crime). 
A segunda teoria, a teoria objetivo-material, entende que autor Ž quem 
colabora com participa‹o de maior import‰ncia para o crime, e part’cipe Ž quem 
colabora com participa‹o reduzida, independentemente de quem pratica o 
nœcleo do tipo (verbo que descreve a conduta criminosa Ð matar, subtrair, etc.). 
A terceira e œltima teoria, a teoria do dom’nio do fato, criada pelo pai do 
finalismo, Hans Welzel15, e posteriormente desenvolvida por Claus Roxin, defende 
que autor Ž todo aquele que possui o dom’nio da conduta criminosa, seja 
ele o executor (quem pratica a conduta prevista no nœcleo do tipo) ou n‹o16. Para 
esta teoria, o autor seria aquele que decide o tr‰mite do crime, sua pr‡tica ou 
n‹o, etc. Essa teoria explica, satisfatoriamente, o caso do mandante, por 
 
12 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 555 
13 PIERANGELI, JosŽ Henrique. ZAFFARONI, Eugenio Raœl. Manual de Direito Penal Brasileiro. Ed. RT. S‹o 
Paulo, 2008, p. 572. 
14 TambŽm chamada por alguns de teoria dualista ou objetiva. 
15 WELZEL, Hans. Op. Cit.___, p. 105 
16 MU„OZ CONDE, Francisco. Teor’a general del delito. Ed. Temis Editorial. Bogot‡, 1999, p. 155-156 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 11 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 exemplo, que mesmo sem praticar o nœcleo do tipo (Òmatar alguŽmÓ), possui o 
dom’nio do fato, pois tem o poder de decidir sobre o rumo da pr‡tica delituosa. 
Para esta teoria, o part’cipe existe, e Ž aquele que contribui para a pr‡tica 
do delito17, embora n‹o tenha poder de dire‹o sobre a conduta delituosa. O 
part’cipe s— controla a pr—pria vontade, mas a n‹o a conduta criminosa em si, 
pois esta n‹o lhe pertence. 
 
A teoria do dom’nio do fato tem por finalidade estabelecer uma diferencia‹o 
entre autor e part’cipe a partir da no‹o de Òcontrole da situa‹oÓ. Aquele 
que, mesmo n‹o executando a conduta descrita no nœcleo do tipo, possui todo 
o controle da situa‹o, inclusive com a possibilidade de intervir a qualquer 
momento para fazer cessar a conduta, deve ser considerado autor, e n‹o 
part’cipe. 
O controle (ou dom’nio) da situa‹o pode se dar mediante18: 
1 - Dom’nio da a‹o - O agente realiza diretamente a conduta prevista 
no tipo penal 
2 - Dom’nio da vontade - O agente n‹o realiza a conduta diretamente, 
mas Ž o "senhor do crime", controlando a vontade do executor, que Ž um mero 
instrumento do delito (hip—tese de autoria mediata). 
3 - Dom’nio funcional do fato - O agente desempenha uma fun‹o 
essencial e indispens‡vel ao sucesso da empreitada criminosa, que Ž dividida 
entre os comparsas, cabendo a cada um uma parcela significativa, essencial e 
imprescind’vel. 
Em todos estes casos, o agente ser‡ considerado autor do delito. 
 
A teoria do dom’nio do fato, porŽm, n‹o se aplica aos crimes culposos, pois 
neste n‹o h‡ dom’nio final do fato, pois o fato final (resultado) n‹o Ž buscado 
pelos agentes, que pretendiam outro resultado19. 
A teoria adotada pelo CP Ž a teoria objetivo-formal, considerando 
autor aquele que realiza a conduta descrita no nœcleo do tipo, j‡ que denota sua 
Òvontade de autorÓ (animus auctoris), em contraposi‹o ˆ Òvontade de 
colabora‹oÓ do part’cipe (animus socii). Entretanto, considera-se adotada a 
teoria do dom’nio do fato para os crimes em que h‡ autoria mediata, 
autoria intelectual, etc., de forma a complementar a teoria adotada. 
 
17 WELZEL, Hans. Op. Cit.___, p.117-119 
18 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 557-558 
19 Idem, p. 558 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 12 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 Esta Ž, portanto, a posi‹o doutrin‡ria a respeito da posi‹o do CP sobre 
a diferena entre autor e part’cipe. 
Desta maneira, ap—s entendermosquem seria considerado autor do delito 
para o CP, podemos definir a coautoria como a espŽcie de concurso de pessoas 
na qual duas ou mais pessoas praticam a conduta descrita no nœcleo do tipo 
penal. Assim, no crime de roubo, se duas ou mais pessoas entram num banco, 
portando armas, e anunciam um assalto, todas elas praticaram a conduta descrita 
no nœcleo do tipo do art. 157, ¤ 2¡, I e II do CP (subtrair para si ou para outrem, 
mediante violncia ou grave ameaa...). Logo, todas s‹o coautoras do delito. No 
mesmo exemplo, porŽm, o dono do carro, que emprestou o ve’culo para a fuga, 
Ž mero part’cipe. 
 
 
N‹o confundam coautoria com autoria colateral. Na coautoria, deve haver 
v’nculo subjetivo ligando as condutas de ambos os autores. Na autoria 
colateral, ambos praticam o nœcleo do tipo, mas um n‹o age em acordo 
de vontades com o outro. Imaginem que A e B, desafetos de C, sem que um 
saiba da existncia do outro, escondem-se atr‡s de ‡rvores esperando a 
passagem de C, a fim de mat‡-lo. Quando C passa, ambos atiram, e C vem a 
—bito. Nesse caso, n‹o houve coautoria, mas autoria colateral. Entretanto, a’ 
vai mais uma informa‹o: Imaginem que o laudo identifique que apenas uma 
bala atingiu C, direto na cabea, levando-o a —bito. Nesse caso, o laudo n‹o 
conseguiu apontar de qual arma saiu a bala que matou C. Nesse caso, como 
n‹o se pode definir quem efetuou o disparo fatal, ambos respondem pelo crime 
de homic’dio TENTADO, pois n‹o se pode atribuir a nenhum deles o homic’dio 
consumado, j‡ que o laudo Ž inconclusivo quanto a isto. Este Ž o fen™meno da 
autoria incerta. No entanto, se ambos estivessem agindo em conluio, com 
v’nculo subjetivo, ou seja, se houvesse concurso de pessoas, ambos 
responderiam por crime de homic’dio CONSUMADO, pois nesse caso seria 
irrelevante saber de qual arma partiu a bala que levou C a —bito. 
 
A coautoria pode ser funcional (ou parcial), que Ž aquela na qual a 
conduta dos agentes s‹o diversas e se somam, de forma a produzir o resultado. 
Assim, se Ricardo segura a v’tima para que Poliana a espanque, ambos s‹o 
coautores do crime de les‹o corporal, mediante coautoria funcional. 
PorŽm, a coautoria pode ser, ainda, material (direta), que Ž a hip—tese 
em que ambos os coautores realizam a mesma conduta. Assim, no exemplo 
acima, se Ricardo e Poliana espancassem a v’tima, ambos seriam coautores 
mediante coautoria material. 
No quadro abaixo vou mostrar para vocs algumas hip—teses polmicas 
de aplica‹o do instituto da coautoria: 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 
 
Ø! Admite-se a coautoria nos crimes pr—prios, desde que ambos os 
agentes possuam a qualidade exigida pela lei, ou que, aqueles que n‹o a 
possuem, ao menos tenham cincia de que o outro agente age nessa 
qualidade. 
Ø! N‹o se admite a coautoria nos crimes de m‹o-pr—pria, pois s‹o 
considerados de conduta infung’vel, s— podendo ser praticados pelo 
sujeito especificamente descrito pela lei. 
Ø! A Doutrina se divide quanto ˆ possibilidade de coautoria em crimes 
omissivos, da seguinte forma: 
1 Ð Parte entende que NÌO Hç POSSIBILIDADE DE COAUTORIA 
OU PARTICIPA‚ÌO (Concurso de agentes), pois TODAS AS 
PESSOAS PRATICAM O NòCLEO DO TIPO, DE MANEIRA 
AUTïNOMA; 
2 Ð Outra parte da Doutrina entende poderia haver concurso de 
pessoas, na modalidade de coautoria, mas Ž minorit‡rio; 
3 Ð A Doutrina ligeiramente majorit‡ria entende que Ž poss’vel 
PARTICIPA‚ÌO, mas NÌO COAUTORIA. 
 
Ø! Na autoria mediata n‹o h‡ concurso de pessoas entre autor mediato autor 
imediato, respondendo apenas o autor mediato, que se valeu de alguŽm 
sem culpabilidade para a execu‹o do delito. 
Ø! Entretanto, Ž poss’vel coautoria e tambŽm participa‹o na autoria 
mediata, desde que haja colabora‹o entre os agentes mediatos. 
NUNCA HAVERç CONCURSO DE PESSOAS ENTRE AUTOR MEDIATO 
E AUTOR IMEDIATO. 
Ø! CUIDADO! Na coa‹o f’sica irresist’vel, n‹o h‡ autoria mediata, mas 
autoria direta, pois o agente que realiza a a‹o n‹o possui conduta, j‡ 
que n‹o h‡ vontade. Nesse caso, aquele que pratica a coa‹o f’sica 
irresist’vel Ž autor direto, n‹o mediato; 
Ø! Admite-se a autoria mediata nos crimes pr—prios, mas n‹o nos crimes de 
m‹o pr—pria (h‡ alguns doutrinadores que entendem ser poss’vel). 
 
1.3.2!Participa‹o 
Conforme estudamos, no Brasil adotou-se o conceito restritivo de 
autor, distinguindo-se autor e part’cipe. Adotou-se, ainda, a teoria 
objetivo-formal, de forma que podemos definir a participa‹o como a 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 14 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 modalidade de concurso de pessoas na qual o agente colabora para a pr‡tica 
delituosa, mas n‹o pratica a conduta descrita no nœcleo do tipo penal. 
A participa‹o pode ser: 
¥! Moral Ð ƒ aquela na qual o agente n‹o ajuda materialmente na 
pr‡tica do crime, mas instiga ou induz alguŽm a praticar o crime. A 
instiga‹o ocorre quando o part’cipe age no psicol—gico do autor do 
crime, reforando a ideia criminosa, que j‡ existe na mente deste. O 
induzimento, por sua vez, ocorre quando o part’cipe faz surgir a 
vontade criminosa na mente do autor, que n‹o tinha pensado no 
delito; 
¥! Material Ð A participa‹o material Ž aquela na qual o part’cipe presta 
aux’lio ao autor, seja fornecendo objeto para a pr‡tica do crime, seja 
fornecendo aux’lio para a fuga, etc. ƒ tambŽm chamada de 
cumplicidade. Este aux’lio n‹o pode ser prestado ap—s a 
consuma‹o, salvo se o aux’lio foi previamente ajustado. 
 
⇒! J‡ que o part’cipe n‹o pratica a conduta descrita no nœcleo do tipo 
penal, como puni-lo? 
A punibilidade do part’cipe n‹o pode ser realizada diretamente pela 
descri‹o do fato t’pico. De fato, aquele que empresta uma arma para que alguŽm 
mate outra pessoa, n‹o poderia responder por homic’dio, pois o art. 121 do CP 
diz: Òmatar alguŽmÓ. Aquele que empresta a arma n‹o est‡ ÒmatandoÓ, por isso 
se diz que n‹o h‡, aqui, adequa‹o t’pica imediata. 
Contudo, a punibilidade do part’cipe Ž poss’vel porque h‡ normas de 
extens‹o da adequa‹o t’pica (no caso, o art. 29 do CP), que permitem a 
extens‹o do raio de aplica‹o do tipo penal para aqueles que, de alguma forma, 
tenham contribu’do para o delito. Trata-se da chamada adequa‹o t’pica 
mediata. 
Como a conduta do part’cipe Ž considerada acess—ria em rela‹o ˆ conduta 
do autor (que Ž principal), o part’cipe Ž punido em raz‹o da teoria da 
acessoriedade20. PorŽm, existem quatro teorias da acessoriedade: 
¥! Teoria da acessoriedade m’nima Ð Entende que a conduta 
principal deva ser um fato t’pico, n‹o importando se Ž ou n‹o um fato 
il’cito. EXEMPLO: Imagine que Marcio e Jo‹o combinam de matar 
Paulo. Na data combinada para a execu‹o, Marcio guia o carro atŽ o 
local e fica esperando do lado de fora. Jo‹o se dirige atŽ Paulo e, ap—s 
uma discuss‹o, Paulo comea a agredir Jo‹o, que na verdade mata 
Paulo em leg’tima defesa. Jo‹o matou Paulo em leg’tima defesa e 
n‹o em raz‹o do ajuste com Marcio (n‹o tendo praticado fato il’cito, 
mas apenas t’pico), mas por esta teoria, mesmo assim Marcio 
 
20 A teoria da acessoriedade deriva de uma das teorias dos FUNDAMENTOS da punibilidade do part’cipe, que 
Ž a TEORIA DO FAVORECIMENTO (ou da CAUSA‚ÌO), que diz que o part’cipe deve ser punido por ter 
coloborado para que o delito fosse realizado. Em contraposi‹o a esta, havia a teoria da participa‹o na 
culpabilidade,que defendia que o part’cipe deveria ser punido apenas por exercer Òinfluncia negativaÓ sobre 
o autor. Esta œltima foi abandonada pela Doutrina h‡ algumas dŽcadas. 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 responderia como part’cipe do crime. Veja que Jo‹o, de fato, matou 
Paulo. Contudo, o fato n‹o Ž il’cito, pois Jo‹o agiu em leg’tima defesa. 
PorŽm, para esta teoria, ainda que a conduta de Jo‹o seja 
considerada apenas t’pica, mas n‹o il’cita, Marcio deveria ser punido. 
O pior de tudo Ž que, neste caso, M‡rcio, que n‹o praticou a conduta 
seria punido, mas Jo‹o seria absolvido pela leg’tima defesa. 
¥! Teoria da acessoriedade limitada Ð Exige que o fato praticado 
(conduta principal) seja pelo menos uma conduta t’pica e il’cita. 
Assim, no exemplo dado acima, a conduta do part’cipe Marcio n‹o Ž 
pun’vel, pois a conduta principal, apesar de t’pica, n‹o Ž il’cita. Veja 
que, para esta corrente Doutrin‡ria, se o fato praticado pelo 
autor NÌO FOR ILêCITO (Ainda que seja um fato t’pico), em 
raz‹o de leg’tima defesa, etc., o part’cipe n‹o deve ser punido. 
¥! Teoria da acessoriedade m‡xima Ð Para esta teoria, o part’cipe s— 
ser‡ punido se o fato for t’pico, il’cito e praticado por agente culp‡vel. 
Essa teoria faz exigncia irrazo‡vel, pois a culpabilidade Ž uma 
quest‹o pessoal do agente, n‹o guardando rela‹o com o fato. Assim, 
imagine que Carlos, maior de idade, seja part’cipe de um roubo 
praticado por Lucas, menor de idade. Para esta corrente, Carlos 
n‹o poderia responder pelo roubo praticado (na qualidade de 
part’cipe), pois Lucas (o autor principal) Ž inimput‡vel (n‹o 
tem culpabilidade), sendo o fato apenas t’pico e il’cito, sem o 
complemento da culpabilidade. 
¥! Teoria da hiperacessoriedade Ð Exige que, alŽm de o fato ser 
t’pico e il’cito e o agente culp‡vel, o autor tenha sido efetivamente 
punido para que o part’cipe responda pelo crime. ƒ ainda mais 
irrazo‡vel que a œltima. Imagine que JosŽ seja part’cipe de um roubo 
praticado por Marcelo. No decorrer do processo, Marcelo vem a 
falecer (o que gera a extin‹o da punibilidade de Marcelo, nos termos 
do CP). Para esta corrente, como houve extin‹o da 
punibilidade em rela‹o a Marcelo (o autor do delito), o 
part’cipe (JosŽ) n‹o poder‡ mais ser punido. 
 
O Nosso CP n‹o adotou expressamente nenhuma das quatro 
teorias, mas com certeza n‹o adotou a teoria da acessoriedade m’nima nem a 
teoria da hiperacessoriedade (as extremas). 
A Doutrina entende que a teoria que mais se amolda ao nosso 
sistema Ž a teoria da acessoriedade limitada21, exigindo que o fato seja 
somente t’pico e il’cito para que o part’cipe responda pelo crime. 
Quest›es interessantes acerca da participa‹o: 
 
21 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 565 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 
 
Ø! A lei admite a redu‹o da pena de 1/6 a 1/3 se a participa‹o Ž de menor 
import‰ncia (art. 29, ¤ 1¡ do CP). Isto n‹o se aplica ˆs hip—teses de 
coautoria, mas apenas ˆ participa‹o; 
Ø! A Doutrina admite a participa‹o nos crimes comissivos por omiss‹o, 
quando o part’cipe devia e podia evitar o resultado (art. 13, ¤ 2¡ do CP). 
Ø! A participa‹o in—cua n‹o se pune. Assim, se A empresta uma faca a 
B, de forma a auxili‡-lo a matar C, e B mata C usando seu rev—lver, a 
participa‹o de A foi absolutamente in—cua, pois em nada auxiliou no 
resultado. Da mesma forma, se A instiga B a matar C, e B realiza a 
conduta porque j‡ estava determinado a isso, a instiga‹o promovida por 
A n‹o teve qualquer efic‡cia, pois B j‡ mataria C de qualquer forma. 
Ø! Participa‹o em cadeia Ž poss’vel: Assim, se A empresta uma arma a 
B, para que este a empreste a C, a fim de que este œltimo mate D, tanto 
A quanto B s‹o part’cipes do crime, por prestarem aux’lio material em 
cadeia. 
Ø! A participa‹o em a‹o alheia ocorre quando o part’cipe, sem qualquer 
liame subjetivo com o autor, contribui de maneira culposa para a pr‡tica 
do delito. Assim, o funcion‡rio pœblico que n‹o tranca a porta da 
reparti‹o ao final do expediente, e esta vem a ser furtada por um 
particular na madrugada, responde por peculato culposo (art. 312, ¤ 2¡ 
do CP), enquanto o particular responde por furto. N‹o h‡ concurso de 
pessoas pois falta o liame subjetivo entre ambos (coerncia de vontades). 
 
1.4!Comunicabilidade das circunst‰ncias 
O art. 30 do CP estabelece que: 
Art. 30 - N‹o se comunicam as circunst‰ncias e as condi›es de car‡ter pessoal, salvo 
quando elementares do crime. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
 
Antes de estudarmos a comunicabilidade ou n‹o das circunst‰ncias, 
devemos diferenciar a mera circunst‰ncia da circunst‰ncia elementar do crime. 
A circunst‰ncia elementar Ž aquela que se refere a algo 
indispens‡vel para a caracteriza‹o do crime. Assim, a circunst‰ncia 
ÒalguŽmÓ no crime de homic’dio, Ž uma elementar, pois se o fato for praticado 
contra um animal, por exemplo, n‹o haver‡ homic’dio. 
Por sua vez, a mera circunst‰ncia n‹o Ž indispens‡vel ˆ caracteriza‹o do 
crime, pois apenas agregam um fato que, se presente, aumenta ou diminui a 
pena. Assim, o Òmotivo torpeÓ Ž uma circunst‰ncia n‹o-elementar, ou mera 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 17 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 circunst‰ncia, pois caso o fato seja praticado sem essa circunst‰ncia, continua a 
existir homic’dio, no entanto, sem a qualificadora. 
 
1.4.1!EspŽcies de elementares e de circunst‰ncias 
Podem ser subjetivas (de car‡ter pessoal), quando relativas ˆ pessoa 
do agente. ƒ o caso da condi‹o de funcion‡rio pœblico, que Ž pessoal, pois se 
refere ao agente. 
Podem ser, ainda, objetivas (ou de car‡ter real), quando se referem ao 
fato criminoso em si, seu modus operandi, etc. Assim, o emprego de violncia, 
no crime de roubo (art. 157 do CP) Ž uma elementar objetiva. 
As condi›es pessoais n‹o se confundem com as circunst‰ncias ou 
elementares de car‡ter pessoal. As primeiras s‹o fatores pessoais do agente, 
que independem da pr‡tica da infra‹o penal. Assim, o fato de o agente ser 
menor de 21 anos Ž uma condi‹o pessoal, e n‹o uma circunst‰ncia de car‡ter 
pessoal, tampouco uma elementar. 
Com base nesses trs institutos (elementares, circunst‰ncias e condi›es 
pessoais), podemos extrair trs regras do CP: 
ü! As circunst‰ncias e condi›es de car‡ter pessoal n‹o se 
comunicam Ð Se A contrata B, para que este mate C, em raz‹o deste 
œltimo ter estuprado sua filha, A comete o crime de homic’dio 
privilegiado, em raz‹o do relevante valor moral (art. 121, ¤ 1¡ do 
CP). Entretanto, B n‹o comete o crime de homic’dio privilegiado, pois 
a circunst‰ncia Òrelevante valor moralÓ Ž pessoal, n‹o se estendendo 
ao coautor; 
ü! As circunst‰ncias de car‡ter real, ou objetivas, se comunicam 
Ð PorŽm, Ž necess‡rio que a circunst‰ncia tenha entrado na 
esfera de conhecimento dos demais agentes. Imagine que A 
contrata B para matar C. B informa a A que usar‡ de emboscada 
(portanto, homic’dio qualificado, nos termos do art. 121, ¤ 2¡ do CP), 
e A concorda com isto. Nesse caso, a circunst‰ncia objetiva 
ÒemboscadaÓ (relativa ao meio utilizado), se comunica,pois embora 
A n‹o tenha usado de emboscada, concordou com esta pr‡tica por B. 
Diversamente, se B praticasse o crime mediante emboscada sem 
nada comunicar ao mandante, A, esta circunst‰ncia n‹o se 
comunicaria, por n‹o ter entrado na esfera de conhecimento de A; 
ü! As elementares sempre se comunicam, sejam objetivas ou 
subjetivas Ð No entanto, mais uma vez se exige que estas 
elementares tenham entrado no ‰mbito de conhecimento dos demais 
agentes. Imaginem que Jœlio, servidor pœblico, convida Marcelo a 
entrar na reparti‹o onde trabalham, valendo-se da condi‹o de Jœlio, 
para subtrair alguns computadores. Caso Marcelo conhea a condi‹o 
de funcion‡rio pœblico de Jœlio, ambos respondem pelo crime de 
peculato-furto (art. 312, ¤ 1¡ do CP). Caso Marcelo desconhea essa 
circunst‰ncia elementar, responde ele apenas pelo crime de furto, 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 18 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 pois a ausncia dessa circunst‰ncia faz desaparecer o crime de 
peculato-furto, mas a conduta ainda Ž pun’vel como furto comum. 
 
1.5!Coopera‹o dolosamente distinta 
A coopera‹o dolosamente distinta, tambŽm chamada de Òparticipa‹o 
em crime menos graveÓ ou Òdesvio subjetivo de condutaÓ, ocorre quando ambos 
os agentes decidem praticar determinado crime, mas durante a execu‹o, um 
deles decide praticar outro crime, mais grave. Nesse caso, aplica-se o art. 29, ¤ 
2¡ do CP: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 
11.7.1984) 
(...) ¤ 2¼ - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-
‡ aplicada a pena deste; essa pena ser‡ aumentada atŽ metade, na hip—tese de ter 
sido previs’vel o resultado mais grave. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
 
EXEMPLO: Imaginem que Camila e Herval combinam de realizar um furto a uma 
casa que imaginam estar vazia. Camila espera no carro enquanto Herval adentra 
ˆ residncia. Entretanto, ao chegar ˆ residncia, Herval se depara com dois 
seguranas, e troca tiros com ambos, levando-os a —bito (sinistro esse cara). 
Ap—s, entra na casa e subtrai diversos bens. Volta ao carro e ambos fogem. 
Camila n‹o quis participar de um latroc’nio (que foi o que efetivamente 
ocorreu), mas apenas de um furto. Assim, segundo a primeira parte do ¤ 2¡ do 
art. 29 do CP, responder‡ somente pelo furto. 
Entretanto, se ficar comprovado que Camila podia prever que o latroc’nio 
era prov‡vel (se soubesse, por exemplo, que Herval estava armado e que havia 
a possibilidade de ter seguranas na casa), a pena do crime de furto (n‹o a do 
latroc’nio!!) ser‡ aumentada atŽ a metade. 
A lei diz ÒatŽ a metadeÓ, logo, o aumento pode n‹o chegar a esse patamar. 
O aumento de pena ir‡ variar conforme o grau de previsibilidade do crime 
mais grave para o qual Camila n‹o se predisp™s, mas era previs’vel. 
 
CUIDADO MASTER! Existe uma quest‹o muito controvertida no que se refere 
ao concurso de pessoas. ƒ a possibilidade (ou n‹o) de concurso de pessoas 
em crimes CULPOSOS. 
S‹o muitas, MUITAS ideias diferentes. Cada autor inventa alguma coisa para 
vender seu livro, certo? Bom, resumidamente, podemos definir a Doutrina 
majorit‡ria da seguinte forma: 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 COAUTORIA EM CRIMES CULPOSO Ð ƒ poss’vel, pois Ž poss’vel que duas 
pessoas, de comum acordo, resolvam praticar uma conduta imprudente, por 
exemplo. Ex.: Dois rapazes resolvem atirar um m—vel do 10¼ andar de um 
prŽdio, sem inten‹o de atingir ninguŽm, mas acabam lesionando uma pessoa. 
PARTICIPA‚ÌO EM CRIME CULPOSO Ð Depende. Podemos estar falando de 
participa‹o DOLOSA ou participa‹o CULPOSA. 
DOLOSA Ð N‹o cabe participa‹o dolosa em crime culposo, pois a 
Doutrina entende que n‹o h‡ Òunidade de vontadesÓ entre os agentes (um quer 
o resultado a t’tulo de dolo, e o outro, executor, Ž apenas um descuidado). 
Assim, n‹o h‡ Òv’nculo subjetivoÓ entre eles no que tange ao resultado. Logo, 
cada um responde por sua conduta. 
CULPOSA Ð ƒ poss’vel, pois Ž poss’vel que alguŽm, por culpa, induza, instigue 
ou preste aux’lio ao executor de uma conduta tambŽm culposa, e haveria 
Òunidade de vontadesÓ. 
CUIDADO: O STJ entende que NÌO cabe nenhum tipo de participa‹o 
em crime culposo. Parte da Doutrina tambŽm segue este entendimento. 
 
1.6!Multid‹o delinquente 
TambŽm chamada de Òmultid‹o criminosaÓ22, s‹o considerados pela 
doutrina como aqueles atos em que inœmeras (incont‡veis, uma multid‹o) 
pessoas praticam o mesmo delito, agindo em concurso de pessoas, muitas vezes 
sem um acordo prŽvio, mas cada uma aderindo tacitamente ˆ conduta da outra. 
Ex.: Linchamentos, brigas de torcidas organizadas, saques a lojas ou a carretas 
tombadas, etc. 
A Doutrina sustenta que, mesmo nestes casos, tm-se CONCURSO DE 
PESSOAS, pois h‡ v’nculo subjetivo entre estas pessoas, ainda que t‡cito (n‹o 
expl’cito). O agente que praticar o delito nestas condi›es, porŽm, dever‡ ter sua 
pena atenuada, nos termos do art. 65, e do CP, j‡ que se trata de situa‹o em 
que h‡ maior vulnerabilidade psicol—gica para que uma pessoa venha a aderir a 
uma conduta criminosa. Por outro lado, os que promoverem, organizarem ou 
liderarem a conduta criminosa ter‹o suas penas agravadas (art. 62, I do CP). 
 
2! CONCURSO DE CRIMES 
 
2.1!Conceito e natureza 
Assim como Ž plenamente poss’vel que duas ou mais pessoas se unam para 
praticar determinado delito, Ž plenamente poss’vel que de uma mesma conduta 
(ou de uma sŽrie de condutas interligadas) surjam v‡rios crimes. 
 
22 O termo Òmultid‹o criminosaÓ Ž utilizado, dentre outros, por RenŽ Ariel Dotti (cf. DOTTI, RenŽ Ariel. Curso 
de Direito Penal, Parte Geral. Ed. Revista dos Tribunais. 4¼ ed. S‹o Paulo. 2012, p. 459) 
e
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 20 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 O concurso de crimes pode ser de trs espŽcies: concurso formal, 
concurso material e crime continuado. 
A exata caracteriza‹o de cada um dos institutos Ž bastante importante, 
pois isso influenciar‡ na ado‹o do sistema de aplica‹o da pena. 
Trs tambŽm s‹o os sistemas de aplica‹o da pena: 
¥! Sistema do cœmulo material Ð Aqui, ao agente Ž aplicada a pena 
correspondente ao somat—rio das penas relativas a cada um dos 
crimes cometidos isoladamente. Foi adotado no que tange ao 
concurso material (art. 69 do CP), no concurso formal impr—prio ou 
imperfeito (art. 70, caput, 2¡ parte) e no concurso de penas de multa 
(art. 72 do CP); 
¥! Sistema da exaspera‹o Ð Aplica-se ao agente somente a pena da 
infra‹o penal mais grave, acrescida de determinado 
percentual. Foi acolhido no que se refere ao concurso formal pr—prio 
ou perfeito (art. 70, caput, primeira parte, do CP) e ao crime 
continuado (art. 71 do CP); 
¥! Sistema da absor‹o Ð Aplica-se somente a pena da infra‹o penal 
mais grave, dentre todas as praticadas, sem que haja qualquer 
aumento. Foi adotado (jurisprudencialmente) em rela‹o aos crimes 
falimentares. 
 
2.2!EspŽcies 
2.2.1!Concurso material (ou real) de crimes 
Est‡ regulado pelo art. 69 do CP: 
Art.69 - Quando o agente, mediante mais de uma a‹o ou omiss‹o, pratica dois ou 
mais crimes, idnticos ou n‹o, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de 
liberdade em que haja incorrido. No caso de aplica‹o cumulativa de penas de reclus‹o 
e de deten‹o, executa-se primeiro aquela. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 
11.7.1984) 
¤ 1¼ - Na hip—tese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa 
de liberdade, n‹o suspensa, por um dos crimes, para os demais ser‡ incab’vel a 
substitui‹o de que trata o art. 44 deste C—digo. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 
11.7.1984) 
¤ 2¼ - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprir‡ 
simultaneamente as que forem compat’veis entre si e sucessivamente as demais. 
(Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
 
Nesse fen™meno, o agente pratica duas ou mais condutas e produz dois ou 
mais resultados. Pode ser homogneo, quando todos os crimes praticados s‹o 
idnticos, ou heterogneo, quando os crimes s‹o diferentes. 
Esse cœmulo de penas deve ser aplicado pelo Juiz na hora da sentena, se 
os processos tiverem sido reunidos por conex‹o, ou pelo Juiz da execu‹o, caso 
tenham sido aplicadas as penas em processos diversos (nos termos do art. 66, 
III, a da LEP). 
d
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 21 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 Se for imposta pena de reclus‹o a um dos crimes e de deten‹o a outro, 
executa-se primeiramente a de reclus‹o, nos termos do art. 69, caput, segunda 
parte, do CP. 
S— ser‡ poss’vel a aplica‹o de penas restritivas de direitos a um dos crimes 
se em rela‹o aos outros foi aplicada pena tambŽm restritiva de direitos ou, em 
caso de ter sido aplicada pena privativa de liberdade, esta foi suspensa (Ž o 
chamado sursis), nos termos do art. 69, ¤ 1¡ do CP. 
As penas restritivas de direitos podem ser cumpridas simultaneamente, 
desde que compat’veis. Assim, a pena de limita‹o de final de semana n‹o pode 
ser cumprida simultaneamente com outra restritiva de direitos idntica (limita‹o 
de final de semana), pois nesse caso o agente estaria cumprindo apenas uma das 
penas (e pagando as duas o malandro!). Entretanto, Ž plenamente poss’vel o 
cumprimento simult‰neo de pena restritiva de direitos consistente em presta‹o 
de servios ˆ comunidade e outra consistente em presta‹o pecuni‡ria ($$), pois 
isso n‹o importa em preju’zo a ninguŽm (nem ao Estado nem ao infrator). 
S— Ž poss’vel a suspens‹o condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95) 
se o somat—rio das penas m’nimas previstas para todos os crimes for inferior a 
um ano. Assim, se o acusado praticou dois crimes em concurso material, sendo 
a pena m’nima de ambos estipulada em 03 meses de deten‹o, Ž poss’vel a 
suspens‹o condicional do processo. 
 
2.2.2!Concurso formal de crimes 
No concurso formal, ou ideal, o agente, mediante uma œnica conduta, 
pratica dois ou mais crimes, idnticos ou n‹o. Nos termos do art. 70 do CP: 
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma s— a‹o ou omiss‹o, pratica dois ou mais 
crimes, idnticos ou n‹o, aplica-se-lhe a mais grave das penas cab’veis ou, se iguais, 
somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto atŽ metade. As 
penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a a‹o ou omiss‹o Ž dolosa e os 
crimes concorrentes resultam de des’gnios aut™nomos, consoante o disposto no artigo 
anterior.(Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
Par‡grafo œnico - N‹o poder‡ a pena exceder a que seria cab’vel pela regra do art. 69 
deste C—digo. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
 
Primeiramente, deve ser esclarecido a vocs que deve haver unidade de 
conduta e pluralidade de resultados. No entanto, a unidade de conduta n‹o 
significa unidade de atos, pois existem condutas que podem ser fracionadas em 
diversos atos, como no caso de alguŽm que mata outra pessoa com diversas 
pauladas na cabea. Embora neste caso haja diversos atos, h‡ unidade de 
conduta. 
O concurso formal ser‡ homogneo se todos os crimes cometidos 
mediante a conduta œnica forem idnticos, e ser‡ heterogneo se os crimes 
praticados forem diversos. 
O concurso formal pode ser, ainda, perfeito ou imperfeito: 
¥! Concurso formal perfeito (pr—prio) Ð Aqui o agente pratica uma 
œnica conduta e acaba por produzir dois resultados, embora 
d
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 n‹o pretendesse realizar ambos, ou seja, n‹o h‡ des’gnios 
aut™nomos (inten‹o de, com uma œnica conduta, praticar 
dolosamente mais de um crime). Exemplo: Imaginem que Camila, 
dirigindo seu Bugatti pelas ruas de S‹o Paulo, em alt’ssima 
velocidade, atropela, sem querer, um pedestre, que vem a —bito, e 
causa les›es graves em outro pedestre. Nesse caso, Camila responde 
pelos crimes de homic’dio culposo e les‹o corporal culposa em 
concurso formal, aplicando-se a ela a pena do homic’dio culposo 
(mais grave) acrescida de 1/6 atŽ a metade23; 
¥! Concurso formal imperfeito (impr—prio) Ð Aqui o agente se vale 
de uma œnica conduta para, dolosamente, produzir mais de um 
crime. Imaginem que, no exemplo anterior, Camila desejasse matar 
o pedestre, antigo desafeto, bem como lesionar o outro pedestre (sua 
ex-sogra). Assim, com sua œnica conduta, Camila objetivou praticar 
ambos os crimes, respondendo por ambos em concurso formal 
imperfeito, e lhe ser‡ aplica a pena de ambos cumulativamente 
(sistema do cœmulo material), pois esse concurso formal Ž formal 
apenas no nome, j‡ que deriva de inten›es (des’gnios) aut™nomas, 
nos termos do art. 70, segunda parte, do CP. 
 
2.2.3!Aplica‹o da pena no concurso formal 
Via de regra, no concurso formal o sistema utilizado Ž o da 
exaspera‹o, utilizando-se como base a pena do crime mais grave, aumentada 
(exasperada) de 1/6 atŽ a metade (art. 70, primeira parte, do CP). 
O quantum do aumento (entre 1/6 e metade da pena usada como base) 
ser‡ definido mediante a an‡lise da quantidade de crimes praticados. Se 
praticados poucos crimes, aplica-se o aumento m’nimo; se praticados diversos 
crimes mediante a œnica conduta, aplica-se o aumento em seu montante m‡ximo. 
Trata-se, portanto, de uma f—rmula de aplica‹o da pena que visa a 
beneficiar o rŽu, em raz‹o do menor desvalor de sua conduta. 
Entretanto, se estivermos diante de concurso formal imperfeito 
(impr—prio), aplica-se a regra estabelecida pelo art. 70, segunda parte, 
do CP, ou seja, o sistema do cœmulo material, pois o agente se valeu de uma 
œnica conduta para praticar diversos crimes de maneira dolosa, agindo com 
inten›es aut™nomas (des’gnios aut™nomos). 
H‡, ainda, a figura que se denominou de cœmulo material benŽfico, que 
ocorre quando o sistema da exaspera‹o se mostra prejudicial ao rŽu em rela‹o 
ao sistema da cumula‹o. 
 
23 ƒ poss’vel o reconhecimento de concurso formal pr—prio entre crimes dolosos, desde que seja 
poss’vel compreender que houve uma œnica empreitada criminosa, ou seja, os crimes faziam 
parte de um œnico intento criminoso (ex.: JosŽ entra num ™nibus e rouba o dinheiro relativo ˆs 
passagens e tambŽm rouba o celular de um passageiro). N‹o h‡, aqui, crime œnico, ante a 
diversidade dos patrim™nios lesados, devendo, no entendimento do STJ, ser reconhecido o 
concurso formal de crimes. 
0
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujowww.estrategiaconcursos.com.br 23 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 EXEMPLO: Imaginem que o agente tenha cometido homic’dio doloso 
simples (pena de 06 a 20 anos) e tenha, culposamente, mediante a 
mesma conduta, lesionado levemente uma terceira pessoa, cometendo 
o crime de les›es corporais culposas em concurso formal com o 
homic’dio (art. 129, ¤ 6¡ do CP, pena de 02 meses a um ano de 
deten‹o). 
 
Nesse exemplo acima, o sistema da exaspera‹o Ž muito prejudicial ao rŽu. 
Imaginem que o infrator tenha sido condenado pelo crime de homic’dio a 10 anos 
de reclus‹o (crime mais grave). Nesse caso, pelo sistema da exaspera‹o, por 
ter havido concurso formal, essa pena deve ser aumentada de 1/6 atŽ a metade. 
Logo, a pena dele variar‡ de 11 anos e 08 meses a 15 anos de reclus‹o (pena 
base + 1/6 e pena base + metade). Pelo sistema do cœmulo material, como a 
pena de les›es culposas Ž bem pequena, a pena do agente variaria de 10 anos e 
dois meses a 11 anos de reclus‹o. Nesse caso, percebam, o sistema da 
exaspera‹o Ž prejudicial ao rŽu. Assim, a lei estabelece que, nesse caso, ELE 
NÌO SE APLICA, aplicando-se o sistema do cœmulo material, pois o sistema da 
exaspera‹o foi criado para beneficiar o rŽu e n‹o pode ser aplicado quando 
resultar em preju’zo a ele. Nos termos do ¤ œnico do art. 70 do CP: 
Art. 70 (...) Par‡grafo œnico - N‹o poder‡ a pena exceder a que seria cab’vel pela 
regra do art. 69 deste C—digo. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
 
2.2.4!Crime continuado 
TambŽm conhecido como continuidade delitiva, Ž a espŽcie de concurso 
de crimes na qual o agente pratica diversas condutas, praticando dois ou mais 
crimes, que por determinadas condi›es s‹o considerados pela Lei (por uma 
fic‹o jur’dica) como crime œnico. Nos termos do art. 71 do CP: 
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma a‹o ou omiss‹o, pratica dois ou 
mais crimes da mesma espŽcie e, pelas condi›es de tempo, lugar, maneira de 
execu‹o e outras semelhantes, devem os subseqŸentes ser havidos como 
continua‹o do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um s— dos crimes, se idnticas, ou a 
mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois teros. 
(Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
Par‡grafo œnico - Nos crimes dolosos, contra v’timas diferentes, cometidos com 
violncia ou grave ameaa ˆ pessoa, poder‡ o juiz, considerando a culpabilidade, os 
antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e 
as circunst‰ncias, aumentar a pena de um s— dos crimes, se idnticas, ou a mais 
grave, se diversas, atŽ o triplo, observadas as regras do par‡grafo œnico do art. 70 e 
do art. 75 deste C—digo.(Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
 
Duas teorias buscam explicar este instituto: 
¥! Teoria da fic‹o jur’dica Ð Para esta teoria, a continuidade 
delitiva Ž uma fic‹o, pois, na verdade, existem diversos crimes, 
tendo a Lei considerado os diversos atos como apenas um crime, para 
fins de aplica‹o da pena. Esta teoria foi desenvolvida por Francesco 
Carrara; 
f
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 24 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 ¥! Teoria da realidade, ou da unidade real Ð Para esta teoria, o crime 
continuado Ž, por sua pr—pria natureza, um œnico delito, n‹o havendo 
que se falar em fic‹o jur’dica. 
 
O nosso CP adotou a teoria da fic‹o jur’dica, pois a considera‹o dos 
diversos delitos como um œnico crime se d‡ apenas para fins de aplica‹o da 
pena, tanto que, no que tange ˆ prescri‹o, eles s‹o considerados crimes 
aut™nomos, nos termos do art. 119 do CP: 
Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extin‹o da punibilidade incidir‡ sobre a 
pena de cada um, isoladamente. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
 
2.2.5!Requisitos para a configura‹o do crime continuado 
A Doutrina entende serem trs os requisitos do crime continuado: a) 
pluralidade de condutas; b) pluralidade de crimes da mesma espŽcie; e 
c) condi›es semelhantes de tempo, lugar, modo de execu‹o e outras 
semelhanas. 
H‡ divergncia doutrin‡ria quanto ˆ necessidade de haver ou n‹o unidade 
de des’gnio. 
A pluralidade de conduta decorre da reda‹o do art. 71, que fala em 
Òmediante mais de uma a‹o ou omiss‹oÓ. 
A pluralidade de crimes causa polmica. O que seriam crimes da 
mesma espŽcie? A Doutrina e a Jurisprudncia n‹o s‹o pac’ficas. Parte 
minorit‡ria entende que crimes da mesma espŽcie s‹o aqueles que tutelam o 
mesmo bem jur’dico. Assim, para essa corrente, furto, estelionato, apropria‹o 
indŽbita, etc., seriam todos crimes da mesma espŽcie, pois seriam todos Òcrimes 
contra o patrim™nioÓ. 
No entanto, a corrente que prevalece, inclusive no STJ, Ž a de que 
crimes da mesma espŽcie s‹o aqueles tipificados pelo mesmo dispositivo 
legal, na forma simples, privilegiada ou qualificada, consumados ou 
tentados. Assim, seriam crimes da mesma espŽcie roubo e roubo qualificado. 
Vejamos: 
 
(...) N‹o h‡ continuidade delitiva porque os crimes de falsifica‹o de documento 
pœblico e falsidade ideol—gica n‹o s‹o da mesma espŽcie. 
(...) (AgRg no AREsp 311.775/SC, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 
27/05/2014, DJe 03/06/2014) 
 
Entretanto, essa corrente entende que, alŽm de serem tratados no 
mesmo dispositivo legal, devem tutelar o mesmo bem jur’dico. Assim, 
roubo simples (art. 157) e latroc’nio (art. 157, ¤ 3¡ do CP) n‹o seriam crimes da 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 25 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 mesma espŽcie, pois o latroc’nio tutela, ainda, o direito ˆ vida, e n‹o somente o 
patrim™nio. 
O STJ j‡ solidificou este entendimento: 
 
(...) 
1. Os crimes de roubo e latroc’nio, apesar de serem do mesmo gnero, n‹o s‹o da 
mesma espŽcie. No crime de roubo, a conduta do agente ofende o patrim™nio. No 
delito de latroc’nio, ocorre les‹o ao patrim™nio e ˆ vida da v’tima, n‹o havendo 
homogeneidade de execu‹o na pr‡tica dos dois delitos, raz‹o pela qual tem 
aplicabilidade a regra do concurso material. 
(...) 
(HC 186.575/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 27/08/2013, DJe 
04/09/2013) 
 
Por fim, a semelhana entre os delitos deve obedecer ˆ conex‹o de 
quatro gneros: temporal, espacial, modal e ocasional. 
A conex‹o temporal exige que os crimes tenham sido cometidos na 
mesma Žpoca. Mesma Žpoca n‹o implica mesmo momento. A jurisprudncia tem 
entendido que os crimes n‹o podem ter sido cometidos em um lapso temporal 
superior a 30 dias. No entanto, no que se refere aos crimes contra a ordem 
tribut‡ria, o STF j‡ entendeu que pode haver continuidade delitiva desde que os 
delitos tenham sido cometidos em lapso temporal n‹o superior a 03 anos. 
A conex‹o espacial indica que, para que seja considerada continuidade 
delitiva, os crimes devem ser cometidos no mesmo local. A Jurisprudncia 
entende que a conex‹o espacial s— estar‡ presente se os crimes forem cometidos 
na mesma cidade, ou, no m‡ximo, na mesma regi‹o metropolitana. 
A conex‹o modal se verifica quando o agente pratica o crime sempre da 
mesma maneira, seja pelo modo de execu‹o, pela utiliza‹o de comparsas, etc. 
A conex‹o ocasional n‹o possui previs‹o expressa na Lei, mas parte da 
Doutrina a entende como a necessidade de que os primeiros crimes tenham 
proporcionado uma ocasi‹o que gerou a pr‡tica doscrimes subsequentes. 
 
Com rela‹o ˆ unidade de des’gnios, ou seja, a necessidade de que todos os 
crimes praticados na verdade tenham sido partes de um œnico projeto 
criminoso, a Doutrina Ž dividida, mas a maioria da Doutrina, bem como a 
Jurisprudncia, entendem ser necess‡ria essa unidade de des’gnios, de 
forma que a mera reuni‹o dos demais requisitos n‹o configura a continuidade 
delitiva se os crimes foram praticados de maneira isolada, sem nenhum v’nculo 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 26 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 entre eles. Isso significa que a maioria da Doutrina e a Jurisprudncia adotam 
a teoria objetivo-subjetiva, desprezando a teoria objetiva pura, que n‹o prev 
a necessidade de unidade de des’gnios. 
 
2.2.6!Aplica‹o da pena no crime continuado 
Existem trs espŽcies de crime continuado: simples, qualificado e 
espec’fico. Entretanto, em todos os casos se aplica o sistema da 
exaspera‹o. 
No crime continuado simples, as penas dos delitos parcelares s‹o as 
mesmas. Exemplo: 10 furtos simples praticados em continuidade delitiva. Nesse 
caso, aplica-se a pena de apenas um deles, acrescida de 1/6 a 2/3 (varia 
conforme a quantidade de delitos). 
No crime continuado qualificado, as penas dos delitos praticados s‹o 
diferentes, de modo que se aplica a pena do mais grave deles, aumentada de 1/6 
a 2/3. 
Por fim, o crime continuado espec’fico est‡ previsto no ¤ œnico do art. 71 
do CP: 
Art. 71 (...) Par‡grafo œnico - Nos crimes dolosos, contra v’timas diferentes, cometidos 
com violncia ou grave ameaa ˆ pessoa, poder‡ o juiz, considerando a culpabilidade, 
os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos 
e as circunst‰ncias, aumentar a pena de um s— dos crimes, se idnticas, ou a mais 
grave, se diversas, atŽ o triplo, observadas as regras do par‡grafo œnico do art. 70 e 
do art. 75 deste C—digo.(Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
 
Assim, nos crimes dolosos cometidos com violncia ou grave ameaa ˆ 
pessoa, sendo as v’timas diferentes, poder‡ o Juiz aplicar a pena de um deles (ou 
a mais grave, se diversas), aumentada atŽ o triplo. Vejam que se adotou o 
mesmo sistema da exaspera‹o, entretanto, o ¤ œnico previu um quantum maior 
a ser acrescido ˆ pena-base. A lei n‹o estabelece a quantidade m’nima 
nesse caso, mas a Jurisprudncia, inclusive o STF, entende que o m’nimo 
aqui tambŽm Ž de 1/6. 
Aqui tambŽm se aplica a regra do Òconcurso material benŽficoÓ, ou seja, se 
o sistema da exaspera‹o se mostrar mais gravoso, dever‡ ser aplicado o sistema 
do cœmulo material. 
 
2.2.7!Crime continuado e conflito de leis penais no tempo 
Se durante a execu‹o do crime continuado sobrevir lei nova, mais gravosa 
ao rŽu, esta œltima Ž aplicada, pois se considera que o crime continuado est‡ 
sendo praticado enquanto n‹o cessa a continuidade delitiva. Assim, sendo o 
tempo do crime o momento em que cessa a continuidade, a lei nova chegou a 
vigorar antes de sua consuma‹o, aplicando-se a este, por ser a lei vigente ao 
tempo do crime. 
Este entendimento est‡, inclusive, sumulado pelo STF: 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 27 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 SòMULA N¼ 711 
A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO OU AO CRIME 
PERMANENTE, SE A SUA VIGæNCIA ƒ ANTERIOR Ë CESSA‚ÌO DA CONTINUIDADE OU 
DA PERMANæNCIA. 
 
2.2.8!Crime continuado e prescri‹o 
Nos crimes continuados, por haver mera fic‹o jur’dica de crime œnico, 
apenas para fins de aplica‹o da pena, a prescri‹o Ž calculada em rela‹o a 
cada crime isoladamente. 
Entretanto, para o c‡lculo da prescri‹o RETROATIVA (a que leva em 
considera‹o a pena Òem concretoÓ), leva-se em conta a pena m’nima 
estabelecida para a pena-base, desprezando-se o acrŽscimo que seria 
aplicado em decorrncia da continuidade delitiva. 
EXEMPLO: Se h‡ dois furtos qualificados praticados em continuidade 
delitiva (penas m’nimas de dois anos), tendo a sentena aplicado a pena 
m’nima, por exemplo (02 anos), acrescida de determinado percentual 
decorrente da continuidade delitiva (1/4), a prescri‹o Ž calculada tendo 
por base a pena aplicada, mas sem computar o acrŽscimo decorrente 
da continuidade delitiva (apenas 02 anos, e n‹o 02 anos + !, que seria 
02 anos e 06 meses). 
Para termos uma ideia de como isso influencia a prescri‹o, se 
utiliz‡ssemos os Òdois anos e seis mesesÓ como base para o c‡lculo da 
prescri‹o retroativa, ela ocorreria em 08 anos, por fora do art. 109, 
IV do CP. 
Como devemos considerar a pena aplicada, sem o acrŽscimo (02 anos), 
a prescri‹o retroativa ter‡ o prazo de 04 anos, por fora do art. 109, 
V do CP. 
 
Esta previs‹o consta do verbete n¡ 497 da sœmula do STF: 
SòMULA N¼ 497 
QUANDO SE TRATAR DE CRIME CONTINUADO, A PRESCRI‚ÌO REGULA-SE PELA PENA 
IMPOSTA NA SENTEN‚A, NÌO SE COMPUTANDO O ACRƒSCIMO DECORRENTE DA 
CONTINUA‚ÌO. 
 
2.2.9!Aplica‹o da pena de multa no concurso de crimes 
Assim prev o art. 72 do CP: 
Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa s‹o aplicadas distinta e 
integralmente. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
 
Assim, o art. 72 do CP prev a aplica‹o do sistema do cœmulo 
material no que tange ˆs penas de multa. Essa aplica‹o Ž inquestion‡vel no 
concurso material e no concurso formal. 
No entanto, no que se refere ao crime continuado, h‡ forte divergncia. 
`ˆÌi`ÊÕȘ}Ê̅iÊvÀiiÊÛiÀȜ˜ÊœvÊ�˜vˆÝÊ*��Ê
`ˆÌœÀʇÊÜÜÜ°ˆVi˜ˆ°Vœ“
 
 
 
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 28 de 92 
DIREITO PENAL P/ MP-SP (2018) Ð ANALISTA JURêDICO 
Teoria e quest›es 
Aula 03 Ð Prof. Renan Araujo 
 A primeira corrente (amplamente majorit‡ria na Doutrina) entende que 
esta regra tambŽm se aplica ao crime continuado, por n‹o ter a Lei feito qualquer 
distin‹o. 
A segunda corrente (majorit‡ria na Jurisprudncia, inclusive no STJ), 
entende que, nesse caso, n‹o se aplica a regra do art. 72, por ter a lei entendido 
que se trata de crime œnico, mediante fic‹o jur’dica. 
 
3! DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES 
CîDIGO PENAL 
Ä Arts. 29 a 31 do CP Ð Regulamentam o concurso de agentes no C—digo Penal: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 
11.7.1984) 
¤ 1¼ - Se a participa‹o for de menor import‰ncia, a pena pode ser diminu’da de 
um sexto a um tero. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
¤ 2¼ - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-‡ 
aplicada a pena deste; essa pena ser‡ aumentada atŽ metade, na hip—tese de ter sido 
previs’vel o resultado mais grave. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
Circunst‰ncias incomunic‡veis 
Art. 30 - N‹o se comunicam as circunst‰ncias e as condi›es de car‡ter pessoal, salvo 
quando elementares do crime. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
Casos de impunibilidade 
Art. 31 - O ajuste, a determina‹o ou instiga‹o e o aux’lio, salvo disposi‹o 
expressa em contr‡rio, n‹o s‹o pun’veis, se o crime n‹o chega, pelo menos, 
a ser tentado. (Reda‹o dada pela Lei n¼ 7.209, de 11.7.1984) 
 
Ä Arts. 69 a 72 do CP Ð Regulamentam o concurso de crimes no C—digo Penal: 
Concurso material 
Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma a‹o ou omiss‹o, pratica dois 
ou mais crimes, idnticos

Outros materiais