Consórcio Público
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Consórcio Público


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Consórcio público


Introdução



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Esquematização dos consórcios

Inicialmente, temos que, ao falarmos de consórcio público, precisamos saber qual a sua natureza jurídica e suas principais características.

Atualmente, boa parte da doutrina acredita que os consórcios, considerados públicos, são aqueles que possuem natureza distinta da de contratos, visto que nos contratos existe interesses opostos, assim como partes, uma que irá pretender o objeto e a remuneração e a outra que irá visar o lucro, havendo sempre obrigações que são consideradas recíprocas. Diante disso, quando tratamos de consórcios, existem interesses que são convergentes e não opostos, havendo sempre participantes que possuem as mesmas pretensões,não havendo partes, nem obrigações recíprocas.


Consórcios públicos, contratos e convênios



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Os consórcios públicos se consolidam pelo fato de existirem para realizar a reunião de entes públicos

Com isso, a maior parte da doutrina busca consolidar a ideia de que os consórcios públicos possuem natureza de contratos, pois, quando é tratado de interesses, toda a presença do poder público em um dos polos, levaria a raciocinar que existe o interesse público, que seria o fim que é visado pelos convênios e contratos de cunho administrativo.

Dessa forma, temos ainda que é defendido por Odete Medauar, que toda a dificuldade fixada entre as diferenças existentes entre contrato, convênio e consórcio, induz ao fato de que há conclusão de que são figuras consideradas de mesma natureza, as quais pertencem a mesma categoria, que seria a contratual. Logo, a característica que é atribuída aos convênios e consórcios está na sua especificidade, pois, buscam envolver duas ou mais entidades estatais ou pelo tipo de resultado que se pretende atingir com o acordo firmado.

Podemos ainda nos basearmos nas ideias de Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino, os quais afirmam que existe o intuito de compatibilizar, junto à Constituição, normas gerais para os consórcios públicos, consolidado pela Lei de número 11.107/2005, que atribuiu a eles uma natureza contratual, em que a competência da União estaria sendo exercida a partir do artigo 22, inciso XXVII da Constituição.


Lei 11.107/2005 e normas gerais

Quando tratamos da Lei 11,107/05, estamos nos referindo a redação realizada pela Emenda Constitucional de 1988 referente ao artigo 241 da Constituição Federal de 1988, que desenvolveu um problema dentro da doutrina, já que a simples leitura realizada do dispositivo citado, fazia com que houvesse um entendimento de que cada ente que fosse federado pudesse possuir competência para ajustar todas as condições necessárias e objetivos de acordo com suas particularidades, fazendo com que a União servisse apenas para legislar sobre as diretrizes consideradas gerais.

Dessa forma, temos que o entendimento que foi se consolidando foi aquele em que a União ficaria encarregada de traçar os parâmetros necessários, normas gerias, fazendo com que houvesse uma limitação da sua competência, para que os outros entes federados complementem tais normas gerais, fazendo com que houvesse uma adaptação das normas específicas de acordo com as peculiaridades que cada unidade da federação possua.

Por conseguinte, foi observado que não foi esse o entendimento que o legislador obteve, pois, esse entende que a promulgação da Lei 11.107/05, a partir de sua regulação e aplicação no artigo 241 da CF/88, fazia com que essa lei fosse de caráter nacional, sendo cogente para todas as unidades da federação, percebendo-se que o preceito que será reproduzido, ajudou a atribuir cada ente federado uma competência para disciplinar, a partir de lei própria, os consórcios públicos. Logo, podemos perceber que isso não é uma matéria que careça de complementação, mas de competência de cada ente da federação de forma abrangente e nacional.

Por fim, podemos observar que essa Lei 11.107/05, não trouxe nenhuma disposição geral, pois, essa lei cuida de preservar a autonomia das unidades da federação, principalmente quando tratamos de determinar os objetivos dos consórcios, suas respectivas atribuições referentes ao chefe do Poder Executivo, já que cada ente federado poderá, previamente, subscrever o protocolo de intencionalidade e, por conseguinte, o Poder Legislativo irá ratificar o disposto nesse protocolo, fazendo com que haja a alteração ou a extinção do consórcio, enquanto isso, a competência existente para a fiscalização dos consórcios ocorre a partir dos Tribunais de Contas no específico âmbito que ocorre a atuação do entes que são participantes dos consórcios públicos.