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CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 1 Gestão da Qualidade – Ferramentas Aula 1 Prof. Nelson Tadeu Galvão de Oliveira ġ CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 2 Conversa inicial Caros alunos, nesta disciplina – Gestão da qualidade (ferramentas) –, vocês poderão aprender sobre o histórico, os diversos conceitos e as diferentes dimensões da qualidade e como se estruturam os programas de qualidade total nas empresas. Nesta aula, conheceremos os fundamentos básicos para o entendimento de outros importantes assuntos que se sucederão. Compreendê-los vai facilitar o entendimento dos assuntos que virão na sequência. Assim, objetiva-se mostrar a importância da gestão da qualidade desde os tempos antigos até os dias atuais, para que todos saiam com a melhor compreensão dos conceitos e sobre a importância da qualidade em uma organização. Espero também que vocês compreendam, além dos diferentes conceitos, as diferentes dimensões da qualidade. Portanto, dedicação e bons estudos! Contextualizando A gestão da qualidade pode ser definida como qualquer atividade coordenada para dirigir e controlar uma organização, com a finalidade de possibilitar a melhoria de produtos/serviços com vistas a garantir a completa satisfação das necessidades dos clientes – relacionadas ao que está sendo oferecido – ou à superação de suas expectativas. Atualmente, os clientes exigem produtos com características que satisfaçam necessidades e expectativas. Elas são expressas nas especificações de produto e, geralmente, são designadas como requisitos do cliente. Cada vez mais, aumenta a velocidade das mudanças, o mundo torna-se mais interligado e os negócios mais complexos e dinâmicos. O trabalho está mais relacionado ao aprendizado e as organizações estão descobrindo a importância de despertar o empenho e a capacidade de aprender em todas as pessoas, de todos os níveis funcionais. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 3 Por essas questões, uma gestão da qualidade eficaz oferece benefícios, mas eles somente podem ser alcançados pelas organizações que dispõe de programas de gestão da qualidade efetivos. Os resultados de uma boa gestão da qualidade são: § Aumento da satisfação e lealdade dos clientes, porque assegura que seus requisitos são atendidos; § Redução dos custos operacionais, através da diminuição dos custos da qualidade e aumento da eficiência, alcançado como resultado da prevenção intensificada versus correção; § Melhoria da transferência de conhecimento dentro da empresa; § Melhora do estado de espírito e aumento da motivação dos empregados à medida em que eles trabalham com maior eficiência; Vamos então nesta aula conhecer os fundamentos da gestão da qualidade para depois podermos aprofundar os nossos estudos e vocês podem conhecer as principais ferramentas da qualidade para termos uma melhor Gestão da Qualidade em nossas empresas fazendo com que a sociedade como um todo seja beneficiada Tema 1: Histórico da qualidade Vamos conhecer como a busca pela qualidade começou desde épocas remotas da história da humanidade. A qualidade sempre esteve presente na vida do homem. Pela própria natureza, a busca pela melhoria, pelo aperfeiçoamento e pela realização sempre foi uma constante. Por volta de 2150 a.C., o código de Hamurabi já demonstrava uma preocupação com a durabilidade e funcionalidade das habitações produzidas na época, de tal forma que, se um construtor negociasse um imóvel que não fosse CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 4 sólido o suficiente para atender à sua finalidade e desabasse, o construtor seria imolado. Os fenícios imputavam a mão do fabricante de determinados produtos que não fossem produzidos segundo as especificações governamentais, com perfeição. Os egípcios já usavam sistemas de medição das pedras usadas na construção das pirâmides. Os gregos e romanos mediam construções e aquedutos para certificarem- se que estavam conforme especificação. Fonte: Aildefonso, 2006. Vamos estudar agora as fases do desenvolvimento da qualidade após a revolução industrial. Desenvolvimento histórico da qualidade: a evolução da qualidade após a Revolução Industrial A primeira era da qualidade: a era da inspeção Com a Revolução Industrial, ocorrem mudanças radicais na administração das empresas, que foram obrigadas a dividir o processo industrial em fases: marketing, concepção, projeto, aquisição, produção e comercialização. A produção torna-se padronizada e o número de opções colocadas à disposição do cliente é limitado. O trabalho é rotineiro e padronizado e o trabalhador perde o contato com o cliente e com a visão global dos objetivos da empresa. Aparecem os supervisores para controlar as atividades de produção, escolha da matéria-prima e seleção dos produtos. O conhecimento passou a ser propriedade da empresa. Estava criado o estágio extremo da relação capital/trabalho, o proprietário fornecia o capital – instalações, máquina, matéria-prima e tecnologia; e o trabalhador fornecia seu trabalho. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 5 Nesse contexto, a quantidade de falhas, de desperdício era elevada, em função das limitações das máquinas, do despreparo dos operários e do precário desenvolvimento das técnicas administrativas. Primeira Guerra Mundial: criação da inspeção Com o grande aumento da demanda de material bélico, os problemas com a falta da qualidade dos produtos cresceram de maneira tão assustadora, que foi necessária a criação da figura do inspetor, que assumiu o papel do supervisor no controle da qualidade. A inspeção, criada para evitar que produtos sem qualidade saíssem das fábricas e fossem utilizados pelos clientes. Fonte: Aildefonso, 2006. Em resumo, sobre a era da inspeção, afirmamos: § produtos são verificados um a um; § cliente participa da inspeção; § inspeção encontra defeitos, mas não produz qualidade A era do controle estatístico de processo Com a ascensão da empresa industrial e da produção massificada, tornou-se impraticável inspecionar a totalidade de produtos que saíam aos milhares das linhas de montagem, inviabilizando a execução da inspeção de produto a produto como na era anterior. Razão da introdução da estatística como ferramenta da indústria. O contexto tornou-se favorável ao surgimento do controle estatístico da qualidade (CEQ), com base em técnicas de amostragem. Em lugar de inspecionar todos os produtos, passou a ser selecionado por amostragem certa quantidade. O surgimento dos departamentos de controle da qualidade: a prevenção de defeitos Em 1951, Armand V. Feigenbaum, autor da frase “a qualidade, que era um trabalho de todo mundo, acabava sendo um trabalho de ninguém”, no livro CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 6 Quality Control, defende a ideia de que as empresas deveriam criar um departamento para cuidar exclusivamente da qualidade – departamento de engenharia da qualidade –, tendo como principal atribuição preparar e ajudar administrar o programa de qualidade. A questão mais importante levantada por ele no seu livro era: as empresas precisam dar mais ênfase à prevenção do que a correção de defeitos. Seria essa a essência do que ele já chamava de moderno controle da qualidade. Fonte: Aildefonso, 2006 Em resumo: § Produtos são verificados por amostragem. § Departamento especializado faz controle da qualidade. § Ênfase na localização de defeitos. A era da garantia daqualidade As empresas sempre preocuparam-se com a qualidade no "chão de fábrica", esquecendo-se que os grandes problemas surgiam das falhas, como de comunicação entre os diversos órgãos da empresa e entre diversos níveis hierárquicos. A garantia da qualidade assegura ao cliente que o fornecedor tem a capacidade de atender a todos os requisitos técnicos e organizacionais exigidos nas normas e nos contratos de fornecimento. Resultado da aplicação conjunta da teoria de sistemas, a administração da qualidade e os princípios do controle total da qualidade, baseava-se no princípio de que para se conseguir a verdadeira garantia de qualidade de um produto, o controle deve começar pelo projeto, estender-se à entrega e terminar quando o usuário demonstrar satisfação com o uso do produto. Em síntese, prevê ao fornecedor a confiança de que sua empresa poderá atender a todos os requisitos do contrato e das normas aplicáveis. Fonte: Aildefonso, 2006. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 7 Em resumo: § Processo produtivo é controlado. § Toda a empresa é responsável. § Ênfase na prevenção de defeitos. § Qualidade assegurada; sistema de administração da qualidade. A era da qualidade total – TQC Essa era começou a ser consolidada na década de 60 quando, através de uma versão evoluída das proposições publicadas por Feigenbaum, estruturava- se a expansão do controle de qualidade por toda a fábrica. Na era da qualidade total ou controle total da qualidade (TQC), a ênfase passa a ser o cliente, tornando-se o centro das atenções das organizações que dirigem seus esforços para satisfazer às necessidades e expectativas. A principal característica dessa era é que toda a empresa passa ser responsável pela garantia da qualidade dos produtos e serviços – todos os funcionários e todos os setores. Para tanto, é necessário que se pense sobre os processos relacionados à gestão da qualidade de forma sistêmica, de tal modo que os inter- relacionamentos e interdependências sejam considerados entre todos os níveis da empresa. Para chegar-se ao completo domínio de tais técnicas e incorporá-las ao processo produtivo, é necessário trilhar um longo caminho, que se inicia pela preparação cultural da empresa. A qualidade, então, passou a ser encarada não é apenas com estar em conformidade com as especificações, o que era uma visão tradicional, na qual predominava a atividade de inspeção. Nessa época, a história evidencia a existência de quatro movimentos distintos observados nesta época: a quantificação dos custos da qualidade, engenharia da confiabilidade e os programas motivacionais: Zero Defeito e círculos de controle de qualidade. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 8 Fonte: Aildefonso, 2006. Em resumo: § Departamento da qualidade. § Visão sistêmica dos processos. § Envolvimento da alta direção. § Motivação para a qualidade. A era da gestão estratégica da qualidade Com essa nova dimensão, a qualidade deixa de ser atributo do produto ou serviço, deixa de ser também responsabilidade exclusiva do departamento da qualidade. A qualidade passa a ser problema de todos e envolve todos os aspectos da operação da empresa. A qualidade passa a encarar de forma sistêmica, para integrar ações das pessoas, máquinas, informações e todos os outros recursos envolvidos na administração da qualidade. Essa ideia implica na existência de um sistema da qualidade. Desse modo, o papel da administração da qualidade é procurar garantir a satisfação do cliente e, ao mesmo tempo, garantir os interesses econômicos da empresa. O desenvolvimento de padrões continua a ser feito com bastante afinco, sobretudo, em busca de normalizações internacionais, a exemplo da ISO 9000. Fonte: Aildefonso, 2006. Em resumo: § Qualidade é associada ao negócio. § Envolvimento de todos na qualidade. § Satisfação do cliente interno e externo. § Qualidade para atingir objetivos estratégicos. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 9 Concluímos a primeira parte do estudo da disciplina. Agora, você já conhece como a qualidade desenvolveu-se ao longo do tempo até chegar aos nossos dias. Porém, há muito mais a ser aprendido. Tema 2: Conceitos da qualidade Será muito importante você fazer a leitura do texto que segue, pois você encontrará o pensamento de diversos autores, sobre o que cada um deles entende por qualidade, essa leitura deverá ser feita refletindo sempre sobre cada pensamento e conceito aprendido. Definir qualidade é um exercício desafiador. Segundo Gomes (2004), a qualidade é fácil de reconhecer, mas é difícil definir. De acordo com Reeves e Bednar (1994), não existe uma definição global e diferentes definições de qualidade surgem em diferentes circunstâncias. Sendo um assunto fundamental para o crescimento das organizações, a qualidade, tanto em produtos quanto em serviços, mostra-se um tema altamente importante, afinal vive-se em uma época de alta concorrência, e a qualidade revela-se como um dos principais diferenciais competitivos das empresas da atualidade. Mas afinal, o que é qualidade? Qualidade pode ser definida de diversas formas: • Qualidade como valor. • Qualidade como conformação de especificações. • Qualidade como conformação a requisitos prévios. • Qualidade como ajustamento do produto/serviço para o usuário. • Qualidade como redução de perdas. • Qualidade como atendimento e/ou superação das expectativas dos consumidores. É possível que não seja fundamental uma definição exata de qualidade, porém é importante seu entendimento por todos os profissionais dentro do CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 10 processo da empresa, independente do ramo que esta organização atue (Nadler; Tushman, 1994). Conceitos de qualidade Foi somente no século 20 que a qualidade passou a ser efetivamente foco das organizações. Com o crescimento do consumo e do mercado, as empresas viram-se obrigadas a tratarem o assunto qualidade com mais cuidado (Oakland, 1994). Surgiram então os principais nomes na área de qualidade. Dentre os citados, alguns se tornaram mais populares e, consequentemente, influenciaram significativamente a história da qualidade: W. Eduards Deming, Philip Crosby, Joseph M. Juran, Kaoru Ishikawa, e Genichi Taguchi são alguns deles. Demings baseava a qualidade no controle e melhoria dos processos, com o uso de técnicas estatísticas. Juran defendia a qualidade como adequação ao uso (“o que o cliente quer”). Crosby definia a qualidade como produto isento de defeitos (“zero defeito”). Ishikawa focava a qualidade na capacidade de atender as necessidades dos clientes. Taguchi considerava qualidade como a mínima perda de produtos (Avelino, 2005). Shiba, Graham e Walden (1997) constataram que em cada período da história, a qualidade foi definida de forma diferente: • Adequação ao padrão (anos 1950): qualidade era sinônimo da garantia que o produto executasse as funções previstas em projeto; • Adequação ao uso (anos 1960): produtos capazes de suportar as mais variadas formas de uso; • Adequação ao custo (anos 1970): foco na redução de custos, com controle sobre a variabilidade dos processos de fabricação e redução de desperdícios; CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 11 • Adequação às necessidades dos clientes (anos 1980): para se manter no mercado, as organizações passaram a anteciparem-se às necessidades dos clientes, satisfazendo-as. Constata-se desta forma que o termo qualidade tem sido utilizadoem diversas situações, nem sempre tendo uma definição clara e objetiva. Ou seja, a Qualidade não é simples de ser definida, é aparentemente intuitiva. Sua interpretação depende do ponto de vista de quem a analisa. Fonte: Mainardes; Lourenço; Tontini, 2010. O conceito de qualidade apresentado pelas principais autoridades da área são as seguintes: § Juran (1992) "qualidade é ausência de deficiências”. Ou seja, quanto menos defeitos, melhor a qualidade. § Feigenbaum (1994) "qualidade é a correção dos problemas e de suas causas ao longo de toda a série de fatores relacionados com marketing, projetos, engenharia, produção e manutenção, que exercem influência sobre a satisfação do usuário". § Crosby (1986) "qualidade é a conformidade do produto às suas especificações". As necessidades devem ser especificadas, e a qualidade é possível quando forem obedecidas essas especificações, sem ocorrência de defeito. § Deming (1993) "qualidade é tudo aquilo que melhora o produto do ponto de vista do cliente". Deming associa qualidade à impressão do cliente, portanto, não é estática. A dificuldade em definir qualidade está na renovação das necessidades futuras do usuário em características mensuráveis, de forma que o produto possa ser projetado e modificado para dar satisfação por um preço que o usuário possa pagar. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 12 § Ishikawa (1993) "qualidade é desenvolver, projetar, produzir e comercializar um produto de qualidade que é mais econômico, mais útil e sempre satisfatório para o consumidor". Tema 3: Dimensões da qualidade Garvin (1992, p. 59) identifica oito dimensões com vistas a identificar os elementos básicos da qualidade. São elas: Desempenho Refere-se às características operacionais básicas e finais de um produto ou de um serviço. Também, refere-se ao uso que o cliente deseja. Exemplos de aspectos básicos de desempenho: § Em automóveis: aceleração, retomada, estilo, acabamento, conforto etc. Revistas especializadas fazem comparações do desempenho de automóveis, dentro de uma mesma categoria § Em televisores: qualidade do som, nitidez de imagem etc. Características/especificações São os adicionais dos produtos, itens secundários que suplementam o funcionamento básico. Em alguns casos, é difícil separar as características do desempenho, pois as duas dimensões baseiam-se no funcionamento básico. Exemplos de diferenciação: § Especificações de engenharia que envolvem o uso de alta tecnologia. § Características complementares que superam as funções básicas do produto. Exemplo: TVs são fabricadas para diferenciarem-se uns dos outros no mercado. Em uma TV 14 polegadas: função de ajuste automático de imagem e som pode ser considerada como uma função básica atualmente. Teclas SAP, closed caption, entre outras, são funções complementares. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 13 No entanto, em uma linha de TVs 29 polegadas, a tecla SAP pode ser considerada uma função básica. Confiabilidade Reflete a probabilidade de um mau funcionamento do produto ou falha em determinado período. Envolve o conserto e a manutenção dele. O defeito deve ser corrigido com facilidade e o tempo de manutenção tem de ser o menor possível. Exemplos de confiabilidade: § Dimensão associada a bens de caráter durável. § Torna-se mais importante à medida que os custos de manutenção se tornam maiores. § A crescente importância dessa dimensão é atribuída ao sucesso da indústria japonesa, cuja superioridade nessa dimensão é bastante significativa. Conformidade É o grau em que o projeto e as características operacionais de um produto estão de acordo com padrões preestabelecidos. Nessa fase, chegamos ao campo da industrialização e da produção. Esse item está associado às técnicas de controle do processo e na verificação dos itens de controle e limites de especificações. Nessa visão, um defeito se tornará um problema. Exemplos de conformidade: § O grau em que um produto está de acordo com as especificações (padrões) incluindo características operacionais. § Reflete indiretamente o atendimento aos requisitos do cliente Durabilidade Uso proporcionado por um produto até ele deteriorar-se fisicamente, ou seja, o ciclo de vida útil do produto. Em certos produtos, fica difícil interpretar a durabilidade quando é possível fazer reparos ou quando têm uma vida útil CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 14 grande. Nesse caso, a durabilidade passa a ser o uso que se consegue de um produto antes de ele quebrar e, de preferência, ser substituído por outro em vez fazer reparos. Exemplos de durabilidade: § Medida da vida útil de um produto. § Aspectos técnicos. § Aspetos econômicos. § Quantidade de tempo de uso que pode ser obtida de um produto, antes de ele deteriorar-se fisicamente. § Torna-se difícil de interpretar a durabilidade por causa dos reparos. § Uso que se consegue de um produto antes de ele quebrar ou quando a substituição é preferível aos reparos constantes. A durabilidade tem uma forte ligação com a confiabilidade. § Um produto pode ser durável (vida útil longa), mas não ser confiável (quebras constantes), podendo assim ser substituído antes do previsto. Atendimento A rapidez, cortesia, competência e facilidade de reparo. Os consumidores não estão preocupados somente se o produto tem qualidade, mas com a pontualidade da entrega e um bom relacionamento com o pessoal de atendimento. Levam em consideração como eles reagem às reclamações dos consumidores e as formas de tratamento da empresa devido a esse fato. Inclui aspectos como: § Rapidez § Cortesia § Competência § Facilidade de reparo Os consumidores estão preocupados: CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 15 § se o produto tem qualidade; § com a pontualidade da entrega; § com um bom relacionamento com o pessoal de atendimento. Objetiva assegurar a continuidade dos serviços (além de funções) oferecidos pelo produto após sua venda: § Assistência técnica. § Serviço de atendimento aos clientes (através de canais como telefone, internet). § Velocidade, competência e cortesia com que um problema ocorrido num produto é resolvido. § Como reagem com as reclamações dos consumidores e as formas de tratamento da empresa. Estética Relaciona-se com a aparência do produto, o que se sente com ele, qual seu som, sabor, cheiro etc. É, sem dúvida, um julgamento pessoal e reflexo das preferências individuais. É uma dimensão subjetiva. Relaciona-se com: § a aparência do produto; § o que se sente com ele; § som, sabor, cheiro etc. É um julgamento pessoal e reflexo das preferências individuais. Qualidade percebida Uma dimensão subjetiva, resultado da falta de informações completas sobre um produto ou os atributos de serviço que levam os consumidores a fazer comparação entre marcas e inferir sobre qualidade. Reputação é um dos principais fatores que contribuem para a qualidade percebida. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 16 Exemplo: propaganda, marca do produto, participação no mercado, divulgação informal do produto etc. Essa lista das oito dimensões juntas envolve vários conceitos da qualidade. Tema 4: Programas de qualidade total (PGT) Os Programas de Qualidade Total (PQT) são também chamados de programas de Gestão pela Qualidade Total (GQT) ou do inglês Total Quality Management (TQM) ou ainda Total Quality Control (TQC). Usaremos indistintamente esses termos. Gestão da Qualidade Total (GQT) Seus primeirosmovimentos surgiram e foram consolidados no Japão, após o fim da Segunda Guerra Mundial, com os círculos de controle da qualidade, sendo difundida nos países ocidentais na década de 1970. A GQT significa criar, intencionalmente, uma cultura organizacional em que todas as transações são perfeitamente entendidas e corretamente realizadas e os relacionamentos entre funcionários, fornecedores e clientes são bem-sucedidos (Crosby, 1998). A qualidade total é uma filosofia de gestão baseada na satisfação dos clientes internos e externos envolvidos na empresa, ou seja, é um meio para atingir os objetivos e resultados desejados, e como tal, faz uso de um conjunto de técnicas e ferramentas integradas ao modelo de gestão. Fonte: Adaptado de Bardine, 2012. Podemos sintetizar o conceito de gestão da qualidade total: é uma filosofia de administração essencialmente participativa. A qualidade total é uma filosofia essencialmente participativa e fundamentada nesses princípio: aprendizagem e participação, foco no cliente, melhoria contínua e trabalho em equipe. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 17 Motivos e benefícios dos programas de qualidade total Vários autores especialistas (experts) na área de qualidade, como Deming, Crosby, Juran, Ishikawa entre outros, tem pontos de vista em comum sobre o tema qualidade: melhoria contínua, participação de todos da organização, os problemas geralmente associados à qualidade têm motivação gerencial, a educação dos colaboradores deve ser sempre trabalhada, comunicação falha na empresa resulta em problemas na área de qualidade. Olhando-se o tema de gestão da qualidade, pela ótica de suas razões e seus benefícios, pode-se listar os seguintes: Exigências internas (sócios, holding, diretores, melhoria de qualidade de vida dos colaboradores) e exigências externas (situação de crise, controle dos subcontratados, padrões impostos pelos clientes, melhoria da competitividade em um mercado, regras governamentais etc.); • Instrumento de marketing; • Internacionalização dos mercados; • Melhoria da produtividade e do desempenho; • Redução de reclamações e • Motivação exercida pelas matrizes no exterior. Fonte: Adaptado de Allemand, 2007. Os princípios da qualidade total Qualidade centrada no cliente: o cliente deve ser o centro de tudo para as organizações. O atendimento de suas necessidades não apenas faz com que CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 18 seja fidelizado, mas provoca à organização a possibilidade de aumentar seu mercado. Liderança: vários são os casos de malsucedidos de implantação de gestão de qualidade, no qual os sócios não se envolveram e não se comprometeram. Por isso, os sócios e o alto escalão devem sempre ser os líderes do processo. Melhoria contínua: uma organização é um sistema vivo e em permanente aprendizado diante das megatendências mundiais. Isso faz com que se precise estar “antenado” na absorção de novas tecnologias, técnicas e processos. Envolvimento das pessoas: para a implantação da gestão da qualidade, além da liderança dos sócios e do alto escalão, todos os níveis devem estar comprometidos e motivados, bem como atualizados por meio de vários tipos de valorização e capacitação pessoal e profissional. Enfoque proativo e resposta rápida: a implantação e permanência de uma filosofia de gestão de qualidade em uma organização exige iniciativa de todos. Prescinde também velocidade e precisão nas atividades, para que todo o processo resultante seja eficiente e eficaz. Visão de futuro: devido às fortes variações no ambiente em que se encontram as organizações, elas necessitam, além de acreditar que podem elaborar planejamentos audaciosos, em uma visão de futuro, para que transcendam os ciclos, as fases e as tendências mundiais. Gestão baseada em fatos: a gestão da informação a serviço da gestão da qualidade pode propiciar resultados esperados para o atendimento do mercado. Atualmente não se admite gestão empresarial baseada em dados e informações sem valor agregado e que não possam ser medidos. Isso exige das empresas a utilização de indicadores de desempenho. Responsabilidade social: antes do uso da responsabilidade social com fins de marketing institucional, deve-se levar em conta que é uma necessidade ética e cidadã em qualquer país, em qualquer setor ou atividade, para que a CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 19 esfera empresarial auxilie a sociedade a amenizar dificuldades e promover o bem-estar social. Foco nos resultados: qualquer organização (do tipo que for) sempre obterá sucesso em sua trajetória à medida que defina com precisão seus objetivos, suas metas e suas estratégias de atuação, ou seja, por meio da busca das metas, obter os resultados desejados. Abordagem sistêmica da empresa e gestão dos processos: com a utilização de métodos gerenciais necessários e suficientes, modernos, transparentes e por meio da participação de todos os envolvidos internamente e externamente à organização, é possível que se tenha mais chance de alcançar resultados, ou seja, o uso científico, profissional e empresarial das ferramentas gerenciais poderá trazer sucesso à empresa. Fonte: Adaptado de Allemand, 2007. Círculos de Controle de Qualidade – CCQ CCQ é a sigla de Círculos de Controle de Qualidade, sendo uma ferramenta muito difundida nas empresas. De origem japonesa, surgiram em 1962, por intermédio do Professor Kaoru Ishikawa, como resultado de um avanço da qualidade na indústria japonesa, envolvendo também as universidades e os operários das fábricas. No Brasil, seu uso começou em 1972, na empresa Johnson & Johnson, pela necessidade de um programa motivacional de apoio à qualidade. CCQs não são grupos de pessoas para buscar a solução de problemas, pois não têm compromisso com os resultados; utilizam-se dos problemas do dia a dia como “laboratório”, no qual aplicam técnicas com objetivo de aprendizado. Características São grupos que tem como objetivo principal treinar (desenvolver) as pessoas para, efetivamente, obterem o controle da qualidade. Suas principais características são: CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 20 • Os participantes são voluntários. • Operam por tempo indeterminado. • O grupo escolhe o líder e secretário. • O grupo escolhe o tema do trabalho. • O grupo decide sobre a evolução do trabalho. • O grupo implanta ou participa da implantação das melhorias. • O grupo analisa as ideias obtidas. • Não tem compromisso com resultados. Filosofia e Princípios As pessoas bem-motivadas trabalham alegres e satisfeitas. Os CCQs buscam essa motivação pelos méritos pessoais e coletivos, para a aplicação correta das ferramentas da qualidade. Fonte: Adaptado de Allemand, 2007 Síntese Concluímos aqui a nossa aula sobre fundamentos básicos a respeito de gestão da qualidade, para compreender os assuntos que virão. Agora, você já conhece o histórico e a evolução da qualidade após a Revolução Industrial e sobre a diversidade de conceitos do termo qualidade. Também, aprendeu sobre diferentes dimensões da qualidade e como se fundamentam e se estruturam os programas de qualidade total nas empresas. Com isso, você tem os fundamentos básicos para avançarmos em nosso estudo! CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 21 Referências AILDEFONSO, E. C. Gestão da qualidade. Espírito Santo, 2006. Apostila digitada. Disponível em: <ftp://ftp.cefetes.br/cursos/CodigosLinguagens/EAildefonso/HIST%D3RIA%20D A%20QUALIDADE.pdf>.Acesso em: 22 ago. 2016. ALLEMAND, R. E. Apostila sobre qualidade e produtividade. Brasília, 2007. Apostila digitada. Disponível em: <http://uab.ifsul.edu.br/tsiad/conteudo/modulo5/gne/biblioteca/apostila_qualidad e_e_produtividade.pdf >. Acesso em: 21 ago. 2016. BARDINE, R. Gestão pela Qualidade Total – GQT. Cola da web, 2012. Disponível em: <http://www.coladaweb.com/administracao/gestao-pela- qualidade-total-gqt>. Acesso em: 21 ago. 2016. CROSBY, P. B. Qualidade é investimento. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986. DEMING, W. E. Dr. Deming: o americano que ensinou a qualidade total aos japoneses. Rio de Janeiro: Record, 1993. _____. Qualidade: a revolução da administração. Rio de Janeiro: Saraiva, 1990. FEIGENBAUM, A. V. Controle da qualidade total. São Paulo: Makron Books, 1994. GARVIN, D. A. Gerenciando a qualidade. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1992. ISHIKAWA, K. Controle da qualidade total: a maneira japonesa. Rio de Janeiro: Campus, 1993. JURAN, J. M. Planejando para a qualidade. São Paulo: Livraria Pioneira, 1992. MAINARDES, E. W.; LOURENÇO, L.; TONTINI, G. Percepções dos conceitos de qualidade e gestão pela qualidade total: estudo de caso na universidade. Revista Gestão.org, Recife, v. 8, n. 2, p. 279-297, maio/ago. 2010. Disponível em: <http://www.revista.ufpe.br/gestaoorg/index.php/gestao/article/viewFile/200/181 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 22 >. Acesso em: 21 ago. 2016. PALADINI, E. P. Avaliação estratégica da qualidade. São Paulo: Ed. Atlas, 2002. SELEME, R. 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Contextualizando O tema qualidade é bastante falado e continuará a ser até que não seja necessário como elemento para lograr êxito. A organização deverá observar a abordagem da qualidade por processos, pois ela permitirá uma visão sistêmica do funcionamento completo da empresa, contribuindo para o alcance dos resultados. A abordagem sistêmica permitirá a identificação e o gerenciamento dos processos inter-relacionados; a abordagem factual para a tomada de decisão, tendo em vista que em uma organização as decisões eficazes são tomadas com base em fatos. Procuramos mostrar, por meio do conceito de processo e de problemas, o quão imprescindível a qualidade tornou-se às organizações pela padronização e melhoria dos processos. O constante desenvolvimento tecnológico permite que os consumidores se transformem em mais exigentes e conhecedores de seus desejos. Contudo, para que ela seja assegurada, acreditamos que um conjunto de procedimentos de controle de processo, eliminação de problemas pelas suas causas com o uso de métodos adequados devem ser seguidos. O uso integrado de métodos e ferramentas; a busca pela padronização e normalização fornecem os princípios da gestão da qualidade. Tema 1: Conceito de processo (6m) e de problemas Processo é organização lógica e detalhada de pessoas (mão de obra), máquinas, materiais, procedimentos e energia em uma série de atividades de CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 3 trabalho e funções, para produzir um trabalho final específico, ou seja, um conjunto de atividades planejadas e inter-relacionadas, realizadas com o objetivo de gerar produtos ou serviços que atendam às necessidades de clientes tanto internos quanto externos. A empresa é uma sequência de processos, conforme nos mostra a figura a seguir. Figura 1.1 – Sequência de processos de uma empresa Figura 1.2 – Diagrama de processo Figura 1.3 – Conceito de processo com base em Ishikawa CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 4 Assim, podemos então definir processo a partir de Ishikawa como um conjunto de seis causas que tem por objetivo produzir determinado efeito, o qual denominamos de produto do processo. Devemos considerar o conceito de processo interno, no qual o processo anterior é o fornecedor e o processo subsequente é o cliente do processo. Conceito de Problema de um processo É um resultado (efeito) indesejado e pode acontecer em qualquer um dos emes do processo. Ou então, é a diferença entre o resultado atual e um valor desejado (meta) esperada. Para tanto, existe a divisão 6 emes, que enumera onde os problemas de um processo podem estar localizados. São eles: Mão de obra: quando um colaborador realiza um procedimento inadequado, faz o trabalho com pressa, é imprudente etc. Material: quando o material não está em conformidade com as exigências para a realização do trabalho. Meio ambiente: quando o problema está relacionado ao meio externo, como poluição, calor, poeira etc., ou mesmo, ao ambiente interno, como falta de espaço, dimensionamento inadequado dos equipamentos etc. Método: quando o efeito indesejado é consequência da metodologia de trabalho escolhido. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 5 Máquina: quando o defeito está na máquina usado no processo. Medida: quando o efeito é causado por uma medida tomada anteriormente para modificar processo. Com base nisso, é preciso que os envolvidos comecem a avaliar quais as causas do problema, levando em consideração os 6 emes. Para tanto, se usa o desenho de uma espinha de peixe, onde o problema deve ser escrito dentro da cabeça do peixe e suas causas ao longo da espinha. É preciso identificar e separar as possíveis causas dos problemas como principais, secundárias, terciárias, etc. A equipe que participa do método deve ser estimulada a pensar: “O quê?”, “Por quê?”, “E o que mais?”. Fonte: O que é..., 2013. Resolver causas de problemas de processos é atingir metas na busca da padronização e desenvolver a melhoria continua do processo. Conceito de controle de processo Manter um processo sob controle é saber localizar o problema, analisar o processo, padronizar e estabelecer itens de controle de tal forma que o problema nunca mais ocorra. Existem causas que devem ser buscadas por todas as pessoas da empresa de forma voluntária. Por isso, controlar um processo é eliminar a variabilidade desse processo controlando-se cada um dos emes desse processo por meio da padronização. Encerramos aqui o estudo de mais um tema, no qual explicamos alguns conceitos aplicados nos programas de qualidade total. Tema 2: Matriz GUT Em sua rotina como gestor, você já deve ter se deparado com um processo que apresentava mais de um problema, não é mesmo? Quando isso acontece, costumamos ficar perdidos, tentando resolver tudo ao mesmo tempo. Mas essa não é a melhor estratégia, acredite! O melhor a fazer é colocar os problemas em ordem de prioridade e ir resolvendo um a um. CCDD – Centro de Criação e DesenvolvimentoDialógico 6 É nessa hora que você deve lançar mão da Matriz GUT. O que é: É uma ferramenta de auxílio na priorização de resolução de problemas. A matriz serve para classificar cada problema que você julga pertinente para a sua empresa pela ótica da gravidade (do problema), da urgência (de resolução dele) e pela tendência (dele piorar com rapidez ou de forma lenta). Fonte: Ávila, 2014. Essa ferramenta responde racionalmente as questões: § - O que devemos fazer primeiro? § - Por quê? § - Por onde devemos começar? Etapas a serem seguidas: § Listar os problemas, as causas ou as soluções ou outros pontos de analise a serem priorizados. § Pontuar cada tópico. § Classificar os problemas, causas ou soluções a serem priorizadas. § Elaborar um Plano de ação para solucionar a ação priorizada. Primeiro passo O primeiro passo para montar a Matriz GUT é listar todos os problemas (causas, soluções) relacionados às atividades. Segundo passo Em seguida, você precisa atribuir uma nota para cada problema, causa ou solução listado, dentro dos três aspectos principais que serão analisados: Gravidade, Urgência e Tendência. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 7 Figura 2.1 § Gravidade = impacto Representa o impacto do problema analisado caso ele venha a acontecer. Analisando sempre seus efeitos a médio e longo prazo, caso o problema em questão não seja resolvido. Qual impacto este problema irá gerar para as pessoas, processos da empresa, resultados a curto e longo prazo etc.? § Urgência = tempo Representa o prazo, o tempo disponível ou necessário para resolver um determinado problema analisado. Quanto maior a urgência, menor será o tempo disponível para resolvê-lo. Quanto tempo é necessário para resolver este problema e o tempo que você tem para resolvê-lo? § Tendência = desenvolvimento do problema Representa o potencial de crescimento do problema, a probabilidade de ele tornar-se maior com o passar do tempo. É a avaliação da tendência de crescimento, redução ou desaparecimento do problema. A filosofia da Matriz GUT é atribuir valores numéricos (pesos) de 1 a 5 para cada uma das variáveis “G”, “U” e “T”. As variáveis, por sua vez, são aplicadas a cada uma das ações listadas ou a um determinado problema. Quadro 2.1 Gravidade Urgência Tendência CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 8 Valor Gravidade Urgência Tendência 5 Os prejuízos ou dificuldade são extremamente graves É necessária uma ação imediata Se nada for feito, a situação piorará rapidamente 4 Muito graves Com alguma urgência Vai piorar a curto prazo 3 Graves O mais cedo possível Vai piorar a curto prazo 2 Pouco graves Pode esperar um pouco Vai piorar a longo prazo 1 Sem gravidade Não tem pressa Não vai piorar e/ou pode até melhorar Fonte: http://sesi.webensino.com.br/sistema/webensino/aulas/17590_11386/aula_12968/PROC_aula5 _PDF_cor_26_julho_2010.pdf Como montar a matriz GUT § Listar todos os problemas (causas ou soluções) relacionadas às atividades que você terá de realizar e montar uma matriz simples contemplando os aspectos GUT (conforme quadro 2.1). § Em seguida, você precisa atribuir uma nota para cada problema listado, dentro dos três aspectos principais que serão analisados: gravidade, urgência e tendência. § A pontuação deve seguir a escala crescente: 5 para os problemas de maiores valores e 1 para os de menores valores (conforme quadro 2.1) § O cálculo feito após a atribuição de notas para os respectivos problemas é da seguinte maneira: CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 9 G x U x T. Exemplo prático Análise das reclamações dos clientes de um restaurante. Quadro 2.2 Problema Gravidade (G) Urgência (U) Tendência (T) G x U x T Prioridade Demora na entrega da refeição 3 5 5 75 3º. Validade do produto 5 5 5 125 1º. Atendente bilíngue 2 2 1 4 9º. Ambiente desconfortável 2 3 3 18 6º. Não ter área para fumantes 3 3 3 27 5º. Falta de acesso para deficientes 2 1 3 6 8º. Cardápio em braile 1 1 1 1 10º. Opção light ou diet 1 2 2 4 8º. Inovação constante do cardápio 2 3 2 12 7º. Segurança 2 5 5 50 4º. Estacionamento 4 5 5 100 2º. Percebe-se: de acordo com as reclamações, o item que requer maior cuidado e prioridade é a validade do produto, pois ele afeta diretamente a saúde dos consumidores. E, em segundo lugar, o estacionamento, pois, não tendo onde estacionar, os clientes procuram outro estabelecimento. Isso não quer dizer que os outros itens não devam ser levados em conta; eles devem ser solucionados como os outros, apenas com menor urgência. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 10 Resumindo Saber priorizar é uma das boas práticas para uma gestão eficaz. Priorizar as ações e problemas diários é o foco proposto para a melhoria da gestão dos seus processos. Nesse sentido, saber utilizar a Matriz GUT é fundamental, pois é uma ferramenta simples e de fácil utilização. No momento da aplicação da matriz, é recomendado envolver os participantes do processo, a fim de que a priorização represente a realidade por diferentes visões. Com essa ferramenta, você, passará a solucionar problemas nos processos considerando os aspectos da Matriz GUT: gravidade, urgência e tendência. De agora em diante, não perderá seu tempo na solução de problemas que não são tão graves ou urgentes. Mas, para isso, refletir sobre as prioridades do dia, da semana ou do mês deverá ser uma prática constante. Depois de os problemas terem sido priorizados, é necessário soluciona- los por meio da eliminação da causa. É aí que entra o assunto do nosso próximo tema. Tema 3: Ciclo PDCA/MASP Ciclo PDCA O conceito PDCA é atualmente aplicado na melhoria contínua de processos de qualidade e de gestão. Ele foi criado na década de 1920 por Walter A. Shewhart e, mais tarde, foi disseminado por William Edward Deming. O PDCA é um ciclo que envolve quatro etapas: plan, do, check e act. O conceito de PDCA fica fácil de entender quando olhamos para o significado da sua sigla em inglês: § P: plan ou planejar. § D: do ou fazer. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 11 § C: check ou acompanhar. § A: act ou corrigir. O que o ciclo PDCA sugere é que, qualquer atividade de gestão ,de planejamento estratégico ou de qualidade que seja executada na empresa, seja conduzida seguindo essas quatro fases. Planejar Fazer Checar Corrigir Ações Cronograma Medir resultados Repetir o ciclo Responsáveis Guardar informações Acompanhamento As etapas do ciclo PDCA estão descritas a seguir. Plan – planejar O ciclo tem início com a definição de um plano, baseado em diretrizes ou políticas da empresa. A fase PLAN do ciclo PDCA é subdividida em cinco etapas, elencadas a seguir. Segundo Campos (2004): Identificação do Problema: é realizado todas as vezes que a empresa se deparar com um resultado (efeito) indesejado, provindo de um processo (conjunto de causas). Estabelecer meta: o problema será sempre a meta não alcançada, sendo a diferença entre o resultado atual e um valor desejado chamado meta. Toda meta a ser definida deverá sempre ser constituída de três partes: objetivo gerencial, prazo e valor. Análise do fenômeno: análise detalhada do problema detectado e suas características por meio de fatos e dados coletados. Análise de processo: buscar as causas maisimportantes que provocam o problema, através da análise das características importantes. Plano de ação: é o produto de todo processo referente à etapa PLAN em que estão contidas, em detalhes, todas as ações que deverão ser CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 12 tomadas para se atingir a meta proposta inicialmente. Para sua elaboração a metodologia mais indicada é o 5W1H ou 5W2H. Do – executar Execução do plano que consiste no treinamento dos envolvidos no método a ser empregado, a execução propriamente dita e a coleta de dados para posterior análise. Essa etapa se subdivide em duas: treinamento e execução da ação (Campos, 2004; Ishikawa, 1985). Check – verificação O terceiro passo do PDCA é a análise ou verificação dos resultados alcançados e dados coletados. Ela pode ocorrer concomitantemente com a realização do plano, quando se verifica se o trabalho está sendo feito da forma devida ou após a execução quando são feitas análises estatísticas dos dados e verificação dos itens de controle. Nessa fase, podem ser detectados erros ou falhas. Act – ações Último módulo do ciclo PDCA é caracterizado pela realização das ações corretivas, ou seja, a correção das falhas encontradas no passo anterior e pelo processo de padronização das ações executadas, cuja eficácia foi verificada anteriormente. É nessa fase que se inicia novamente o ciclo levando ao processo de melhoria contínua. MASP – Método de Análise e Solução de Problemas O método de análise e solução de problemas, também conhecido pela sigla MASP, é uma metodologia usada para aumentar, manter e controlar a qualidade de processos, dos serviços e dos produtos. Composto por ferramentas para o auxílio do aumento da qualidade, ele é um método utilizado em empresas CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 13 que recebe bastante influência do ciclo PDCA e tem influência da metodologia científica. Apesar de o MASP ter sido criado com base no ciclo PDCA, é importante que não se confundam os dois métodos. Ele é aplicado apenas em problemas crônicos, sistêmicos e/ou complexos. O uso do MASP na solução de problemas em empresas é devido, principalmente, ao baixo nível de sucesso de outras abordagens, como a tentativa-erro, intuição e a experimentação. O MASP foi introduzido no Brasil a partir dos anos 1970, com um movimento pela busca da melhoria da qualidade e, assim, é utilizado até os dias atuais. Fonte: Rodrigues, 2013. O MASP (Método de Análise e Solução de Problemas) é um processo de melhoria que apresenta 8 etapas, sendo que cada uma delas contribui para a identificação dos problemas e a elaboração de ações corretivas e preventivas para eliminá-los ou minimizá-los. Sequência do MASP Problema: identificar o problema. Observação: apreciar as características do problema. Análise: determinar as causas principais. Plano de ação: conceber um plano para eliminar as causas; Ação: agir para eliminar as causas; Verificação: confirmar a eficácia da ação; Padronização: eliminar definitivamente as causas; Conclusão: recapturar as atividades desenvolvidas e planejar para o futuro. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 14 Passos do MASP Pela metodologia do MASP, um problema é resolvido por meio dos seguintes passos: Identificação do problema: defina claramente o problema e mostre que ele é relevante ou de importância maior do que outros. Assim, é preciso estabelecer critérios para a seleção deles. Por exemplo: prejuízo causado, risco, insatisfação do cliente etc. Observação: investigue as características específicas do problema por meio de uma ampla gama de diferentes pontos de vista quantitativo (dados) e qualitativo. Vá ao local onde ocorre o problema, observe e colete informações necessárias que, eventualmente, não podem ser representadas por meio de dados. Tenha um entendimento completo das características (especificidades) do problema. Análise: levante, discuta e descubra as causas fundamentais (causas básicas, causa raiz) do problema. Plano de ação: elabore um plano de ação a fim de bloquear (eliminar, aprisionar) as causas fundamentais identificadas no passo anterior. Nesta etapa, pode-se usar o 5W1H para definir o plano de ação, ou seja, defina: o quê, quando, quem, onde, por que será feito e como será feito. Defina as metas a serem atingidas e os controles para acompanhamento dos resultados obtidos. Ação: atue para eliminar as causas fundamentais. Nessa etapa, é muito importante que exista cooperação entre todo o pessoal envolvido, para isso, é preciso que as pessoas estejam devidamente treinadas e de acordo com as medidas (soluções) propostas. Verificação: verifique se o bloqueio da causa fundamental do problema foi efetivo, até estar certo que ele não ocorrerá novamente. Em caso de resposta negativa, deve-se retornar ao passo 2. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 15 Padronização: elimine definitivamente a causa do problema para que ele não ocorra outra vez. Identifique e realize as alterações necessárias nos procedimentos de trabalho associados ao processo, para impedir a recorrência. Treine os envolvidos no novo procedimento. Conclusão: reflita sobre a experiência de aplicação da metodologia e verifique onde houve dificuldades e discuta o que deve ser aperfeiçoado no método para as próximas aplicações. Também verifique os problemas remanescentes associados, percebidos ao longo da aplicação do método sobre o problema inicial. Enfim, discuta o que pode ser melhorado no método e problema estudado. Figura 3.1 – Ferramentas Básicas da Qualidade dentro da Metodologia Análise de Solução de Problema – MASP Fonte: Rodrigues, 2013. Se esses passos são claramente entendidos e implementados nessa sequência, as atividades de melhoria dos processos serão consistentes do ponto de vista lógico e cumulativas ao longo do tempo. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 16 Lembrando que na aula prática sobre este tema faremos a aplicabilidade do MASP numa situação prática, onde você poderá comprovar a eficiência da metodologia para algumas situações do dia a dia das empresas. Tema 4: Plano de ação (5W2H) Plano de ação é o planejamento de todas as ações necessárias para atingir um resultado. O principal, sem dúvida, é saber o que fazer – identificar e relacionar as atividades. Para “problemas complexos” existem várias técnicas e métodos. O plano de ação 5W2H é um deles. Ele favorece o planejamento para a solução de determinado problema ou meta que se deseja alcançar. Inicia-se por intermédio do levantamento de dados que você pode fazer sozinho ou em reuniões. O que é o 5W2H A planilha 5W2H é uma ferramenta administrativa que pode ser utilizada em qualquer empresa para registrar de maneira organizada e planejada como serão efetuadas as ações, bem como por quem, quando, onde, por que, como e quanto irá custar. 5W2H é uma ferramenta para elaboração de planos de ação que, por sua simplicidade, objetividade e orientação à ação tem sido muito utilizada em gestão de projetos, análise de negócios, elaboração de planos de negócio, planejamento estratégico e outras disciplinas de gestão. Por que 5W2H? O nome desta ferramenta foi assim estabelecido por juntar as primeiras letras dos nomes (em inglês) das diretrizes utilizadas neste processo. A seguir, você de ver cada uma delas e o que elas representam: § What: o que será feito (etapas). § Why: por que será feito (justificativa). § Where: onde será feito(local). CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 17 § When: quando será feito (tempo). § Who: por quem será feito (responsabilidade). § How: como será feito (método). § How much: quanto custará fazer (custo). Um plano de ação pode ser implementado em qualquer setor da empresa, para solucionar os mais diversos problemas. Importância da planilha 5W2H Por sua praticidade, a planilha 5W2H pode ser feita em organizações de qualquer porte, pois não necessita de uma equipe técnica especializada desde que tenha alguém que saiba realizar todo o processo e organizá-lo de maneira a obter sucesso. É um método muito simples que agiliza todos os processos de uma empresa, ou seja, se tempo significa dinheiro, a empresa pode ganhar ainda mais dinheiro com a planilha. Como fazer a planilha 5W2H Para fazer a planilha 5W2H, é necessário ter em mente as causas do problema e realizar cada etapa de maneira cuidadosa sempre de forma correta. Após o término de sua planilha, ficará algo como o exemplo abaixo (a ordem das colunas não irá afetar o andamento da planilha, desde que o what seja feito em primeiro lugar). Quadro 4.1 What Why Where When Why Who How much O quê Como Onde Quando Por que Quem Quanto custa CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 18 O que será feito? Como isso será feito? Onde será feito? Quando será feito? Por que será feito? Quem fará? Quanto custa fazer isso? Para o preenchimento da planilha e elaboração do plano de ação 5W2H siga as orientações a seguir. What? Pergunta a ser respondida: o que será feito? A resposta nada mais é do que o objetivo que você deseja alcançar. Serão feitas melhorias na produção, aumento de vendas etc.? Why? Pergunta a ser respondida: por que isso será feito? Quais motivos justificam o que será feito? (What). É para melhorar algo, resolver um problema ou o quê? Where? Pergunta a ser respondida: onde (em que local) será feito? Muitos “pulam” esta parte da planilha 5W2H porque consideram que o local sempre será a empresa em si. É importante detalhar ainda mais o local onde será executada a ação, por exemplo, o departamento responsável. Se a empresa for micro ou pequena e não estiver dividida em departamentos, então, detalhe somente “empresa”. Who? Pergunta a ser respondida: quem irá fazer? Sabe o objetivo inicial (what)? Quem irá ajudar a alcançá-lo? Se para chegar lá é preciso a elaboração de diversos processos e ações, quem ficará responsável pelas ações? Cuidado para não designar pessoas erradas ou irresponsáveis para realizar determinadas ações, pois isso pode prejudicar o prazo (when) e custos (how much). When? CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 19 Pergunta a ser respondida: quando será feito? Todo bom planejamento tem um prazo determinado para que o objetivo principal seja alcançado. Assim, nessa parte, a resposta deve ser uma data para a execução da ação. How? Pergunta a ser respondida: como será feito? Detalhe qual processo será feito para atingir seu objetivo. Tente ser o mais específico possível. How much? Pergunta a ser respondida: quanto irá gastar? Chegou o momento de mexer no bolso e ver o quanto irá gastar com o plano de ação. Se você ainda não utiliza a 5W2H em suas atividades, comece a pensar quais planos de ação você poderia formalizar com essa ferramenta e coloque em prática na primeira oportunidade. Você perceberá que se trata de um excelente modo de formalização do planejamento, detalhamento da ação, comunicação de prazos e responsabilidades. Tema 5: Padronização de processos Conceito de controle de processo Manter um processo sob controle é saber localizar o problema, analisar o processo, padronizar e estabelecer itens de controle de tal forma que o problema nunca mais ocorra. Quando um problema ocorre, não existe um culpado! Existem causas que devem ser buscadas por todas as pessoas da empresa de forma voluntária. Controlar processo é: Estabelecer "diretriz do controle" [planejamento] a. meta; b. método. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 20 Desenvolver manutenção do nível de controle a. atuar no resultado [queimou o motor - troca o motor]; b. atuar na causa [queimou o motor - porque queimou o motor]. Alterar a diretriz de controle [melhoria] a. alterar a meta; b. alterar o método. Controlar um processo é eliminar a variabilidade desse processo controlando cada um dos emes desse processo por meio da padronização. O que é padronização? A padronização é uma técnica que visa reduzir a variabilidade dos processos de trabalho sem prejudicar sua flexibilidade, padronizar é controlar os 6 emes dos processos, conforme Ishikawa (1985). A competição internacional entre as empresas eliminou as tradicionais vantagens com base no uso de fatores abundantes e de baixo custo. A padronização é utilizada cada vez mais como um meio para se alcançar a redução de custo da produção e do produto final, mantendo ou melhorando a qualidade. Os benefícios da padronização podem ser quantitativos ou qualitativos. Qualitativos permitem: § utilizar adequadamente os recursos (equipamentos, materiais e mão de obra); § uniformizar a produção; § facilitar o treinamento da mão de obra, melhorando o nível técnico; § registrar o conhecimento tecnológico; § facilitar a contratação ou venda de tecnologia. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 21 Quantitativos permitem: § reduzir o consumo de materiais; § reduzir o desperdício; § padronizar componentes; § padronizar equipamentos; § reduzir a variedade de produtos; § aumentar a produtividade; § melhorar a qualidade; § controlar processos. Descrição do processo de padronização A padronização deve ser realizada para que todas as operações desenvolvidas pelos operadores na linha de produção estejam formalizadas e deverá ser descrita de forma a garantir que nenhuma anomalia ocorra no dia a dia. Mesmo para turnos diferentes de trabalho, o procedimento de realização das atividades deverá respeitar aquilo que foi definido na padronização. Quando se padroniza um processo significa dizer que aquele conjunto de operações é a melhor forma de serem realizadas até aquele momento. No entanto, ela deve ser objeto de melhoria constante para que seja possível promover o crescimento das competências operacionais, dos modos operatórios e ergonômicos e, em alguns casos, promover a melhoria/otimização dos equipamentos no respectivo setor. Síntese Concluímos aqui a nossa aula a respeito do que você precisa conhecer sobre processos, problemas, padronização e método de controle de variabilidade pela eliminação de causas de problemas, o MASP com sua CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 22 concepção e método, bem como com a Matriz GUT de priorização de problemas e planos de ação para implementação de soluções. Com isso, você amplia os conhecimentos a respeito de gestão da qualidade e permite o aprofundamento na próxima aula. Referências ÁVILA, R. O que é e como montar uma Matriz GUT (Gravidade, Urgência e Tendência). LUZ planilhas empresariais, 2014. Disponível em: <http://blog.luz.vc/o-que-e/matriz-gut-gravidade-urgencia-e- tendencia/#sthash.RDZEd7wQ.dpuf>. Acesso em 20 ago. 2016. DEMING, W. E. Qualidade: a revolução da administração. Rio de Janeiro: Saraiva, 1990. O QUE É o diagrama de Ishikawa. Indústria Hoje, 27 out.2013. Disponível em: <http://www.industriahoje.com.br/diagrama-de-ishikawa>. Acesso em: 20 ago. 2016. PALADINI, E. P. Avaliação estratégica da qualidade. São Paulo: Ed. Atlas, 2002. RODRIGUES, J. L. Metodologia de análise de solução de problema – MASP – como impulsionador da competitividade. TecHoje, 2013. Disponível em: <http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/1731>. Acesso em: 20 ago. 2016. SELEME, R. Gestão da qualidade e ferramentas essenciais. Curitiba: InterSaberes, 2012. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 1 Gestão da Qualidade – Ferramentas Aula 3 Prof. Nelson Tadeu Galvão de Oliveira ġ CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 2 Conversa inicial Caros alunos, nesta aula, vamos estudar os temas: melhoria continua (Kaizen), a relação entre qualidade, produtividade e competitividade, o programa 5 sensus (5S) e as ferramentas da qualidade dos mapas de processos e fluxogramas. Contextualizando Antes, a qualidade de produtos era obtida na inspeção final, gerando refugos e retrabalhos. Atualmente, tem-se plena consciência: qualidade e produtividade são dois pilares básicos para a competitividade, que pode ser vista como a capacidade de conservar ou ampliar a fatia de mercado para os produtos ou serviços de uma empresa, estando apta a enfrentar com sucesso a atuação dos concorrentes. O conceito de qualidade pode ser entendido de várias maneiras, tais como excelência, adequação ao uso e conformidade com as especificações, porém, pode ser associado ao ato de “fazer as coisas certas”, diretamente ligado à ideia de eficácia. O conceito de produtividade, por sua vez, admite diversas variantes do quociente resultados/insumos e pode ser associado ao ato de “fazer certo as coisas”, diretamente ligado à ideia de eficiência, ou bom uso dos recursos disponíveis. Existem as melhorias incrementais (Kaizen) Em geral, conseguidas por diversos métodos e técnicas, elas podem melhorar a produtividade e a competitividade. O uso de programas e ferramentas da qualidade farão com que se obtenha maiores produtividades e, por consequência, mais competitividade. Nesta aula, conheceremos algumas dessas metodologias que ajudarão na melhoria da inovação e da competitividade da empresa: o 5 sensu, o Kaizen, os mapas de processo e os fluxogramas. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 3 Tema 1: Melhoria contínua (Kaizen) “Hoje melhor do que ontem, amanhã melhor do que hoje!”. Essa é a premissa básica da metodologia Kaizen. De origem japonesa, esta palavra significa “melhoria contínua”, seja no aspecto pessoal, familiar, social ou no trabalho. Muito mais que um método, Kaizen é considerado por muitos como uma filosofia. Hoje melhor do que ontem, amanhã melhor do que hoje! Origem Depois da Segunda Guerra Mundial, o Kaizen, foi implementado nas empresas japonesas como uma medida para reerguer o país devastado. O programa foi um sucesso, transformando a atividade econômica no Japão e fazendo do país uma das mais poderosas economias do mundo. Sucesso que levou o método e o termo Kaizen a se espalhar pelo mundo e se popularizar. Assim, no âmbito das organizações, o Kaizen é um sistema que irá melhorar a produtividade em todos os aspectos, além de baixar custos de produção. É uma busca de uma melhoria constante visando a qualidade total. Todo dia deve haver alguma melhora, o hoje deve ser sempre melhor que o ontem e o amanhã deve ser melhor que hoje. O professor japonês Masaaki Imai (1990) é o grande responsável por trazer o Kaizen para o ocidente. Especialmente depois do sucesso do seu livro Kaizen: a chave para o sucesso competitivo do Japão, em 1986, e da fundação do Kaizen Institute, na Suíça, em 1985. Fontes: Adaptado de Maximiano, 2012; Imai, 1990. Para Masaaki Imai (1990), é no local de trabalho ou gemba – palavra japonesa que tem o significado de “local real” – onde se criam os verdadeiros valores. Por isso, para o Kaisen, é fundamental que se alcance os resultados esperados. Além disso, todos os colaboradores da empresa devem estar comprometidos com o processo, e não somente o alto escalão. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 4 Uma das características mais importantes do Kaizen é: os grandes resultados vêm de pequenas mudanças acumuladas ao longo do tempo. Fonte: Adaptado de Pereira, 2015. Objetivos da filosofia Kaizen A filosofia japonesa tem três elementos primordiais. São eles: o combate ao desperdício, o trabalho em equipe e o consenso no processo decisório. O combate ao desperdício ocorre em grande parte devido ao tamanho territorial do próprio Japão. Depois da Segunda Guerra Mundial, a escassez de recursos tornou-se dramática, provocando dificuldades que só foram amenizadas como resultado de um longo período de trabalho duro e metódico. Em toda organização japonesa, os trabalhadores são educados para usar o mínimo possível dos recursos que possuem. O trabalho em equipe já vem enraizado nos valores e hábitos japoneses desde os tempos feudais, que exerceram forte influência no trabalho dessa população. A vida familiar, a arquitetura residencial e a cultura do arroz, por exemplo, foram fatores que ajudaram a fortalecer a relação de interdependência entre as pessoas. O consenso no processo decisório é mais um reflexo do traço cultural japonês. A cultura do consenso dá ao nível hierárquico mais elevado a responsabilidade de estabelecer e manter a harmonia nas decisões. Com isso, o processo de decisão baseia-se mais no consenso em si do que na autoridade gerencial por trás dela. Basicamente, um gestor não precisa exercer autoridade em demasia, pois o subordinado sabe quem tem a tomada de decisão. Fonte: Kaizen..., 2014. Tema 2: Qualidade, produtividade e competitividade No início da era industrial, a preocupação dos gestores estava voltada aos volumes de produção. Com o aumento da competitividade, viu-se que a simples medição desses volumes não era suficiente para gerar ação, surgindo a medição CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 5 da produtividade que, até a Segunda Guerra Mundial, era entendida como a razão entre o volume produzido e o tempo gasto para a produção. Uma das formas mais simples de se definir produtividade é: a razão entre a saída ou o resultado de um processo e a entrada, que representa os recursos necessários à obtenção da saída. De outra forma: Produtividade = (saída/entrada) O resultado dessa pequena equação nos diz quantas unidades de “saída” conseguimos obter para uma unidade de “entrada”. Algumas pessoas interpretam de maneira equivocada a equação da produtividade. À primeira vista podemos afirmar: para aumentarmos a produtividade, é necessário fazer duas coisas: ou aumentamos a saída mantendo a mesma quantidade de recursos ou, para uma mesma saída, diminuímos os recursos. Porém, quando colocamos como recursos as pessoas necessárias para a produção de um bem ou serviço, essa interpretação pode levar a alguns problemas, pois, em busca de alta produtividade, uma empresa pode exigir muito mais que os seus colaboradores podem suportar ou então simplesmente demiti-los para se fazer mais com menos. Outra interpretação errônea é a organização buscar a alta produtividade sem levar em conta a qualidade. De que adianta aumentar a quantidade de exigências de um colaborador se ele produzirá mais defeitos em consequência do aumento do esforço? Enfim, a produtividade não deve ser entendida somente como a razãoentre resultados e recursos, mas sim de forma mais ampla, levando em conta todas as variáveis existentes nos processos, tendo em vista as necessidades de todas as partes interessadas no negócio, buscando melhorias e resultados relevantes para todos. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 6 A busca pelo aumento da produtividade deve ser feita com base no aumento da qualidade dos produtos e serviços em todo seu ciclo de vida. Essa busca começa quando a organização decide pela introdução de um novo produto ou processo, passando pelas mãos dos engenheiros, que devem projetar um produto robusto e à prova de falhas, pelo estudo dos processos necessários à fabricação do produto ou à oferta do serviço, sem esquecer a seleção e qualificação dos fornecedores e o cuidado com a entrega, pós-venda e assistência técnica. O aumento da produtividade é muito maior que o simples aumento dos níveis de produção. Ele está totalmente integrado ao conceito de qualidade total, levando a organização a buscar ganhos em todos os aspectos de suas operações. Não podemos nos esquecer do elemento principal para a busca do aumento da produtividade em qualquer organização: o elemento humano. São as pessoas e as atitudes que levam empresas a atingirem altos índices de produtividade. Processos, ferramentas e mecanismos de controle são elementos que devem servir somente apoio às pessoas. O modelo de gestão da qualidade visa atender prontamente aos requisitos da competitividade por meio da colocação de novos produtos e serviços, necessidade de oferecer produtos e serviços com alta qualidade e a custos relativamente baixos, tornando-os competitivos e com capacidade rápida de inovação. Quadro 2.1 – Competitividade, produtividade e qualidade Ferramentas Foco Objetivo Aprendizagem Trabalho em equipe Melhoria contínua Competitividade Planejamento Manutenção preventiva Eficiência e perdas Redução de custos Produtividade CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 7 Padrão técnico do processo Procedimentos operacionais Tempos e métodos Padronização Qualidade Os conceitos de qualidade, produtividade e competitividade caminham juntos, estão interligados e interdependentes, pois a competitividade decorre da produtividade e esta da qualidade. Podemos afirmar que a sobrevivência da empresa depende da competitividade. Esta, por sua vez, da produtividade, que depende, finalmente, da qualidade, conforme nos mostra a figura a seguir. Figura 2.1 Tema 3: Os 5 sensus (5S) O método 5S também é conhecido por outros nomes: housekeeping (pode-se traduzir por arrumação da casa) ou é também chamado de SOL (Segurança, Organização e Limpeza). As atividades de 5S tiveram início no Japão, logo após a Segunda Guerra Mundial, para combater a sujeira das fábricas. Foi formalmente lançado no Brasil em 1991 por meio Fundação Christiano Ottoni. No início de sua aplicação apenas os três primeiros "S" eram abordados, tendo sido incorporado depois o quarto e o quinto. Sobrevivência Competitividade Produtividade Qualidade (preferência do cliente) Projeto perfeito|Fabricação Perfeita|Segurança do cliente|Assistência perfeita|Baixo custo mpetitiv iente)(preferê odutivid Qualidad (p ferê CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 8 Como você deve ter percebido, cada "S" é conhecido por diversas denominações. Porém, neste texto, utilizaremos a terminologia de cada "S" da seguinte maneira: § Senso de utilização 1ºS SEIRI § Senso de ordenação 2º. S SEITON § Senso de limpeza 3º. S SEISO § Senso de Padronização/Saúde 4º. S SEIKETSU § Senso de autodisciplina 5º. S SHITSUKE Objetivos O principal objetivo da técnica dos 5S é melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, diminuir os desperdícios, reduzir os custos e melhorar a produtividade da empresa. Senso de utilização Ter senso de utilização é identificar materiais, equipamentos, ferramentas, utensílios, informações, dados necessários e desnecessários, descartando ou dando a devida destinação àquilo que não for útil ao exercício das atividades. No sentido mais amplo, o senso de utilização abrange outras dimensões. É preservar consigo apenas os sentimentos valiosos, como amor, amizade, sinceridade, companheirismo, compreensão, descartando os negativos e criando atitudes positivas para fortalecer e ampliar a convivência, apenas com sentimentos valiosos. Nessa fase, costuma-se usar a técnica do cartão vermelho (ou etiqueta vermelha): o grupo encarregado do trabalho vistoria o local e coloca cartões nas coisas que julga desnecessárias. Após um prazo determinado, as etiquetas são verificadas. Os objetos, ferramentas e equipamentos que não têm anotações de uso dentro do prazo estabelecido são retirados do local. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 9 Senso de organização/arrumação Ter Senso de Ordenação é definir locais apropriados e critérios para estocar, guardar ou dispor materiais, equipamentos, ferramentas, utensílios, informações e dados de modo a facilitar o seu uso e manuseio, facilitar a procura, localização e guarda de qualquer item. Popularmente significa "cada coisa no seu devido lugar". Na definição dos locais apropriados, adota-se como critério a facilidade para estocagem, identificação, manuseio, reposição, retorno ao local de origem após uso, consumo dos itens mais velhos primeiro, entre outros. Na dimensão mais ampla, ter Senso de Ordenação é distribuir adequadamente o seu tempo dedicado ao trabalho, ao lazer, à família, aos amigos. É ainda não misturar suas preferências profissionais com as pessoais, ter postura coerente, serenidade nas suas decisões, valorizar e elogiar os atos bons, incentivar as pessoas e não somente criticá-las. O objetivo dessa etapa é organizar os itens absolutamente necessários e identificar e colocar tudo em ordem, para que seja fácil localizá-los Fonte: Aildefonso, 2006. Algumas estratégias podem ser usadas nessa fase: utilização de rótulos, cores e painéis visíveis para facilitar a localização e identificação de itens. Um exemplo clássico é o painel com desenhos dos contornos das ferramentas. Uma simples olhada identifica a ferramenta que está faltando. Senso de limpeza Ter senso de limpeza é eliminar a sujeira ou objetos estranhos para manter limpo o ambiente (parede, armários, o teto, gaveta, estante, piso), bem como manter dados e informações atualizados, para garantir a correta tomada de decisões. O mais importante neste conceito não é o ato de limpar, mas o ato de "não sujar". Isso significa que, além de limpar, é preciso identificar a fonte de sujeira e as respectivas causas, de modo a podermos evitar que isso ocorra (bloqueio das causas). CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 10 No conceito amplo, ter senso de limpeza é procurar ser honesto ao expressar, ser transparente, sem segundas intenções com os amigos, com a família, com os subordinados, com os vizinhos etc. Fonte: Adaptado de Aildefonso, 2016. Senso de saúde/asseio/padronização Ter senso de asseio significa criar condições favoráveis à saúde física e mental, garantir ambiente não agressivo e livre de agentes poluentes, manter boas condições sanitárias nas áreas comuns (lavatórios, banheiros, cozinha, restaurante etc.), zelar pela higiene pessoal e cuidar para que as informações e comunicados sejam claros, de fácil leitura e compreensão. Significa aindater comportamento ético, promover um ambiente saudável nas relações interpessoais sociais, familiares ou profissionais, cultivando um clima de respeito mútuo nas diversas relações. Para isso, é preciso estabelecer padrões que permitam avaliar se as três fases anteriores estão sendo cumpridas: todas as normas e padrões devem ser reunidos em manuais que garantam que os procedimentos sejam seguidos corretos e regularmente. Senso de autodisciplina Ter senso de autodisciplina é desenvolver o hábito de observar e seguir normas, regras, procedimentos, atender especificações escritas ou informais. Disciplina significa fazer coisas simples, como: Ao sair, deixar tudo limpo e em ordem. Devolver as coisas, no mínimo, nas mesmas condições em que as encontrou. Reparar ou substituir qualquer coisa que você danifique ou quebre. Reabastecer qualquer item que usar até o fim: sabonete, papel higiênico, papel da copiadora, gasolina, alimentos, bebidas etc. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 11 Colocar as coisas de volta aos lugares, para que os outros possam achá- las. Tema 4: Mapas de processos Conceito de Processo Processo é um conjunto estruturado de atividades sequenciais que apresentam lógica entre si, com a finalidade de atender ou suplantar as necessidades e expectativas dos clientes externos e internos. Técnicas de Mapeamento do Processo Mapa de processo é uma maneira organizada de registrar todas as atividades executadas por uma pessoa e por uma máquina em uma estação de trabalho envolvendo um cliente ou materiais. As atividades são agrupadas em cinco categorias: Quadro 4.1 Operação Espera Armazenamento Transporte Inspeção O mapa de processo é uma técnica de mapeamento padronizada pela American Society of Mechanical Engineers (ASME), que originalmente foi publicado por Barnes em 1937, com o nome de Diagrama do fluxo do processo. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 12 Mapa de Processo Exemplo: Aluno realizando um processo de matrícula em uma escola. Quadro 4.2 Atividade Solicitação na secretaria x Preenche o formulário x Vai ao banco x Aguarda a fila do banco x Realiza o pagamento x Retorna x Entrega o comprovante x Confere a documentação x O foco que se dará será na melhoria dos processo e na satisfação do cliente, segue agora o processo com as melhorias: Quadro 4.3 – Eliminação da ida ao banco para pagamento e recebimento da matricula na própria escola Atividade Solicitação na secretaria x Preenche o formulário x Realiza o pagamento x Confere a documentação x CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 13 Considerando a comparação antes e depois da melhoria realizada: Quadro 4.4 Atividade 1ª. forma (antes da melhoria) 2ª. forma (depois da melhoria) Número de operações 04 03 Número de esperas 01 0 Número de armazenagens 0 0 Número de inspeções 01 01 Número de transportes 02 0 Considerando agora o tempo e a distância percorrida, na 1ª forma antes das melhorias. Quadro 4.5 Atividade Tempo ( min) Distância ( m) 1ª operação 5 1 2ª operação 8 0 3ª operação 6 3 4ª operação 4 3 Espera 22 - Inspeção 5 - 1º transporte 12 400 2º transporte 13 400 TOTAL 65 804 Considerando agora a 2ª forma depois das melhorias realizadas Quadro 4.6 Atividade Tempo ( min) Distância ( m) 1ª operação 5 1 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 14 2ª operação 8 0 3ª operação 6 3 Espera - - Inspeção 5 - 1º transporte - - TOTAL 24 4 Comparação: na melhoria de processo reduziu-se o tempo de 65 minutos para 24 minutos e a distância percorrida de 804 metros para somente 4 metros. Tema 5 – Fluxograma (blocos e ANSI)\ Define-se fluxograma como um método para descrever graficamente um processo existente – ou um novo processo proposto – usando símbolos simples – linhas e palavras – para apresentar graficamente as atividades e a sequência no processo (Harrington, 1993, p. 103). Ferramenta que representa através de símbolos, o fluxo ou a sequência de um processo ou trabalho realizado. Os símbolos têm por finalidade colocar em evidência: a origem, o processamento e o destino da informação. Possibilitam a visualização das etapas e das ocorrências observadas dentro de um processo; retratam uma situação de fato e procuram demonstrar como as coisas são realmente feitas. Tipos de fluxogramas Diagramas de blocos: são usados muitas vezes para definir um futuro fluxograma que consiga melhor detalhar as atividades. Segundo Arioli (1998, citado por Fridriczewski, 2012) são os mais simples para descrever as atividades do processo. “Normalmente são elaborados no início do processo de aperfeiçoamento para determinar e documentar a magnitude do mesmo [sic]” (Harrington, 1993, p. 105). São usadas formas gráficas como retângulos, círculos e setas para representar a ordem em que acontecem os processos produtivos. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 15 Fluxograma padrão ANSI: normalmente, o diagrama de blocos é usado como ponto de partida. Em sequência, é usado o fluxograma padrão ANSI para detalhar as atividades. Conforme Harrington (1993, p. 116), “um fluxograma padrão ANSI fornece uma compreensão detalhada de um processo, que excede aquela dada por um diagrama de blocos”. Cada tarefa estudada pode ser detalhada até um ponto em que o fluxograma torna-se [sic] parte do manual de treinamento dos funcionários. Para Harrington (1993), a elaboração do fluxograma detalhado só é feita quando o processo se aproxima de uma qualidade de padrão internacional, para assegurar que os aperfeiçoamentos não se deteriorem com o tempo. Fonte: Saidelles, 2014. Para que servem § Possibilitam a visualização das etapas e das ocorrências observadas dentro de um processo. § Retratam uma situação de fato e procuram demonstrar como as coisas são realmente feitas. § Preparação para o aperfeiçoamento de processos empresariais (é preciso conhecer para melhorar). § Identificação de atividades críticas para o processo. § Conhecimento da sequência e encadeamento das atividades dando uma visão do fluxo do processo. § Documentação do processo para análises futuras, adequação a normas e certificações. § Estudo para criação, alteração ou extinção de formulários. § Fortalecimento do trabalho em equipe quando o desenvolvimento dos fluxogramas é feito com a participação de todos os envolvidos. § Conforme ficam estabelecidas as rotinas dos processos. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 16 Vantagens § Permitem verificar como conectam-se e relacionam-se os componentes de um sistema, facilitando a análise de eficácia. § Facilitam a localização das deficiências pela fácil visualização dos passos, transportes, operações, formulários etc. § Propiciam o entendimento de qualquer alteração que se proponha nos sistemas existentes pela clara visualização das modificações introduzidas. Roteiro para elaboração COMUNICAÇÃO: as chefias envolvidas participam aos empregados a realização do trabalho e os seus objetivos. COLETA DE DADOS: as informações devem ser fornecidas pelos próprios executores dos trabalhos, mediante a utilização de um roteiro de entrevista que poderá conter as seguintes questões: a. Cargo e nome? b. De quem recebe o trabalho? c. Em queconsiste o trabalho? d. Para quem passa o trabalho após terminar sua parte? e. Quantas unidades de trabalho faz por dia? f. Quanto tempo gasta para realizar o seu trabalho? Se houver emissão de documentos, verificar o número de vias e o destino de cada uma para análise de seu fluxo. FLUXOGRAMAÇÃO: escolher o tipo de fluxograma e elaborar rascunho. O fluxograma também chamado de diagrama lógico e de fluxo, definido como método para descrever graficamente um processo existente, usando símbolos simples, linhas e palavras. Tem como tipos: diagramas de blocos; fluxograma CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 17 padrão (ANSI). Se algo não ficou claro, ficou incompleto ou incoerente voltar aos entrevistados e: a. certificar-se da correção dos dados; b. colher informações adicionais; c. 3uvir opiniões dos executores dos serviços; d. fazer observação pessoal dos aspectos não claros ou incompletos. ANÁLISE DO FLUXOGRAMA: com base no processo geral, examinar minuciosamente as diversas etapas indagando: a. Qual é a utilidade de cada etapa do processo? b. Haverá vantagem em se alterar a sequência das operações? c. As operações são executadas por pessoas adequadas às funções que ocupam? Elas têm treinamento suficiente para as técnicas utilizadas? d. Cada operação está sendo executada da maneira mais eficiente? e. Os formulários são adequados em número e vias e nos respectivos campos? RELATÓRIO DE ANÁLISE: após o estudo e novo fluxograma, preparar um relatório. APRESENTAÇÃO DO TRABALHO: ao expor os métodos atuais e o propostos, a apresentação deve ser clara e objetiva. Tipos de fluxogramas Há muitos tipos diferentes de fluxograma. Cada um para cada aplicação específica, os principais são: Diagrama de blocos que fornece uma rápida noção do processo. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 18 O fluxograma padrão da American National Standards Institute (ANSI), que analisa os inter-relacionamentos detalhados de um processo. Diagramas de blocos É o mais simples dos fluxogramas, indicando apenas as atividades realizadas sem diferencia-las por tipos. Ou seja: § Utiliza uma visualização rápida do processo. § Pode ser horizontal ou vertical. § Devem ser utilizadas frases curtas que identifiquem as atividades realizadas. Fluxograma padrão ANSI Um fluxograma padrão ANSI fornece uma compreensão detalhada de um processo, que excede em muito aquele dado por um diagrama de blocos. Este, na verdade, é usado como ponto de partida. Já um fluxograma padrão é usado para detalhar as atividades dentro de cada bloco até o nível desejado do detalhe. Seguem os principais símbolos usados para se desenhar um Fluxograma ANSI: Figura 5.1 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 19 Fonte: Barbian, 2013. Figura 5.2 Fonte: Barbian, 2013. Figura 5.3 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 20 Fonte: Barbian, 2013. Figura 5.4 Fonte: Barbian, 2013. Nível de detalhamento Não existe uma regra para definir o nível de detalhamento que deve ser observado ou mantido ao longo do fluxograma. Geralmente, o ideal é que se construa um fluxograma macro, considerando um tipo de visão (por área, por departamento, por documento, por informação) e, posteriormente, por módulos, efetuar o detalhamento de cada um deles. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 21 Síntese Concluímos aqui a nossa aula com a 3ª. rota de aprendizagem onde puderam conhecer temas importantes, tais como: § Programas Kaizen de melhoria contínua. § Inter-relações entre qualidade, produtividade e competitividade. § Os programas 5S. § Aplicar as ferramentas de mapas de processo e fluxogramas. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 22 Referências AILDEFONSO, E. C. Gestão da qualidade. Espírito Santo, 2006. Apostila digitada. Disponível em: <ftp://ftp.cefetes.br/cursos/CodigosLinguagens/EAildefonso/HIST%D3RIA%20D A%20QUALIDADE.pdf>. Acesso em: 22 ago. 2016. ALLEMAND, R. E. Apostila sobre qualidade e produtividade. Brasília, 2007. Apostila digitada. Disponível em: <http://uab.ifsul.edu.br/tsiad/conteudo/modulo5/gne/biblioteca/apostila_qualidad e_e_produtividade.pdf >. Acesso em: 21 ago. 2016. BARBIAN, E. Cinco modelos de fluxogramas para download. Oficina da net, 14 maio 2013. Disponível em: <https://www.oficinadanet.com.br/post/10652-5- modelos-de-fluxogramas-para-download>. Acesso em: 21 ago. 2016. BARDINE, R. Gestão pela Qualidade Total – GQT. Cola da web, 2012. Disponível em: <http://www.coladaweb.com/administracao/gestao-pela- qualidade-total-gqt>. Acesso em: 21 ago. 2016. CROSBY, P. B. Qualidade é investimento. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986. DEMING, W. E. Dr. Deming: o americano que ensinou a qualidade total aos japoneses. Rio de Janeiro: Record, 1993. _____. Qualidade: a revolução da administração. Rio de Janeiro: Saraiva, 1990. FEIGENBAUM, A. V. Controle da qualidade total. São Paulo: Makron Books, 1994. GARVIN, D. A. Gerenciando a qualidade. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1992. IMAI, M. Kaizen: a estratégia para o sucesso competitivo. São Paulo: Imam, CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 23 1990. ISHIKAWA, K. Controle da qualidade total: a maneira japonesa. Rio de Janeiro: Campus, 1993. JURAN, J. M. Planejando para a qualidade. São Paulo: Livraria Pioneira, 1992. KAIZEN: a filosofia melhoria continua. Portal Administração, out. 2015. Disponível em: <http://www.portal-administracao.com/2014/10/kaizen-filosofia- melhoria-continua.html>. Acesso em: 21 ago. 2016. MAINARDES, E. W.; LOURENÇO, L.; TONTINI, G. Percepções dos conceitos de qualidade e gestão pela qualidade total: estudo de caso na universidade. Revista Gestão.org, Recife, v. 8, n. 2, p. 279-297, maio/ago. 2010. Disponível em: <http://www.revista.ufpe.br/gestaoorg/index.php/gestao/article/viewFile/200/181 >. Acesso em: 21 ago. 2016. PALADINI, E. P. Avaliação estratégica da qualidade. São Paulo: Ed. Atlas, 2002. SAIDELLES, J. Uma ferramenta chamada fluxograma. Administradores, 22 jan. 2014. Disponível em: <https://www.administradores.com.br/producao- academica/uma-ferramenta-chamada-fluxograma/5935/>. Acesso em: 21 ago. 2016 SELEME, R. Gestão da qualidade e ferramentas essenciais. Curitiba: InterSaberes, 2012. UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Programa de Pós- graduação em Engenharia do Produção. Abordagens e dimensões da qualidade. Disponível em: CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 24 <http://jetaconsul.dominiotemporario.com/doc/Abordagens_da_qualidade.pdf>. Acesso em: 21 ago. 2016. MAXIMIANO, A. Teoria geral da Administração. São Paulo: Ed. Atlas, 2012. PEREIRA, I. Kaizen, Responsabilidade Social e a busca por Energia Limpa. Tópicos especiais em Administração, 2015. Disponível em: <http://gti.projetointegrador.com.br/~152M154200127/tea.htm>. Acesso em: 21 ago. 2016. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 1 Gestão da Qualidade Aula 4 Prof. Nelson Tadeu Galvão de Oliveira CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 2 Conversa inicial Caros alunos, iniciamos a quarta ala de Gestão da Qualidade, na qual vamos conhecer a metodologia do QFD – Desdobramento da Função Qualidade. Estudaremos também a respeito da coleta de dados, estratificação de dados e elaboração de folhas de verificação. Além disso, versaremos a respeitoferramenta da qualidade cartas de controle para avaliação de variabilidade de processo. Esses assuntos são muito importantes para a disciplina! Contextualizando A definição mais genérica e tradicional do QFD é um método de sistemático de projetar a qualidade de um produto ou serviço. Ele traduz as necessidades do cliente em características do produto ou serviço. Porém sua aplicação pode ser muito mais ampla do que essa definição tradicional indica. Seus princípios são tão gerais, que ele pode ter vários tipos de aplicações. As ferramentas da qualidade desde a coleta de dados, estratificação de dados e elaboração de folhas de verificação serão assuntos abordados nessa rota de aprendizagem, com eles iniciaremos as nossas ferramentas da qualidade, tão importantes para o controle de variabilidade de processos. Também as cartas de controle serão estudadas a seguir, dentre as ferramentas da qualidade é a de maior importância quando se deseja verificar o comportamento de um processo. TEMA 01: QFD (QUALITY FUNCTION DEPLAYMENT) O QFD (Quality Function Deployment – Desdobramento da Função Qualidade) é uma das ferramentas criadas na década de 1960 pelo japonês Yoji Akao. Tem como objetivo principal permitir que a equipe de desenvolvimento do produto incorpore as reais necessidades do cliente em seus projetos de melhoria. A primeira indústria a aplicá-lo foi a Mitsubishi Heavy, em 1972. Em 1983, o método chega aos EUA e é amplamente divulgado a partir dos anos 1980. As pioneiras americanas a adotarem o método foram a Ford e a Xerox. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 3 Podemos dizer que o QFD é uma ferramenta que possibilita “ouvir” a voz do cliente e ordená-la de modo a facilitar a análise de suas necessidades que são transformadas em requisitos para a melhoria do produto na forma de especificações técnicas do mesmo. Na prática, o QFD corresponde a quatro matrizes onde é feito o planejamento do produto e que costuma ser chamada genericamente de “casa da qualidade”. Fonte: Adaptado de Faria, 2016. Veja a seguir um modelo da matriz QFD original. Figura 1.1 – Modelo da matriz QFD Fonte: Reis, 2012. Passo a passo para a construção da casa da qualidade (QFT) Exemplo: analisar e desmembrar as expectativas de um cliente quanto a um cafezinho, utilizando o QFD na definição de metas e sugestões para novas ações e procedimentos. Produto: cafezinho. 1. Requisitos do cliente: são as expectativas, necessidades e grau de importância de cada requisito, explicitados pelo cliente e obtidos por meio de pesquisas. • Quente. • Estimulante. • Saboroso. • Baixo preço. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 4 Os graus de importância dos requisitos dos clientes também são obtidos por meio de pesquisa e refletem a hierarquização da opinião em uma escala de um (menor) a cinco (maior). 2. Requisitos do projeto: são as ações ou propriedades que agregam valor ao produto, sendo definidas pelos técnicos da organização que servem o cafezinho. • Temperatura do cafezinho. • Quantidade de cafeína. • Componente do sabor. • Componente do aroma. • Preço de venda. • Volume. 3. Relacionamento dos “o quê” e “como”: verificar a intensidade do relacionamento dos “o quê” e os “como”. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 5 4. Relacionamento dos “como”: verificar a intensidade do relacionamento entre si dos “como”. 5. Benchmarking externo: verificar o desempenho dos concorrentes na visão dos clientes. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 6 6. Benchmarking interno: verificar o desempenho dos concorrentes na visão dos técnicos da empresa. 7. Quantificação dos “como” – “quanto”: estabelecer as metas para cada “como”. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 7 8. Casa da qualidade: fim da análise Fonte: Adaptado de Rodrigues, 2004. Esse box ilustra como construir um QFD. Esperamos que o texto consiga trazer um melhor esclarecimento de que forma construir uma casa da qualidade. Tema 2: Obtenção e coleta de dados Em geral, manipulamos um conjunto de dados com o objetivo de extrairmos informação sobre o comportamento de um processo ou produto. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 8 A estatística utiliza a variabilidade presente nos dados para obter tal informação. A variabilidade está presente em todo lugar. A aplicação de técnicas estatísticas envolve várias etapas: • Coleta de dados. • Exposição dos dados. • Modelos Estatísticos. A qualidade da solução de problemas está diretamente relacionada com a qualidade dos dados obtidos. Podemos evitar que alguns problemas ocorram observando fatos. • Não se deve coletar dados sem que antes se tenha definido claramente o problema ou situação a ser enfrentada, bem como os objetivos com relação a eles. • Os sistemas de medição (instrumento, operadores, método, meio) devem ser avaliados e ter capacidade de medição suficiente. • Os cálculos e leituras devem ser feitos com muita atenção para evitar distorções. • Devem ser utilizados métodos adequados para coleta de dados de acordo com o problema estudado. Na estatística, trabalhamos com dados, os quais podem ser obtidos por meio de uma amostra da população em estudo. A seguir, definimos esses conceitos básicos. • População: conjunto de elementos que tem pelo menos uma característica em comum. Essa característica deve delimitar corretamente quais são os elementos da população. • Amostra: subconjunto de elementos de uma população, que são representativos para estudar a característica de interesse dela. A seleção de elementos que irão compor a amostra pode ser feita de várias maneiras e dependerá do conhecimento que se tem da população e da quantidade de recursos disponíveis. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 9 Fonte: Adaptado de Estatística..., 2015. Agora, vamos apresentar os elementos básicos da análise de dados Classificação dos dados Dados qualitativos Os dados qualitativos representam uma característica da qualidade (ou atributo) associado ao item pesquisado. Por exemplo, podemos classificar um produto em: bom, razoável ou ruim. Os dados qualitativos podem ser divididos em dois tipos: • Dado qualitativo nominal: para o qual não existe nenhuma ordenação nas possíveis realizações. • Dado qualitativo ordinal: para o qual existe uma ordem em seus resultados. Exemplo: Uma indústria de calculadoras eletrônicas, preocupada com vários defeitos que um de seus produtos apresenta, fez um levantamento e constatou os seguintes problemas: • Defeito na cobertura plástica. • Defeito no teclado. • Defeito na fonte de energia. • Soldas soltas. • Defeito na placa da unidade de processamento. • Defeito no visor. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 10 Estes são exemplos típicos de dados qualitativos nominais. Dados quantitativos Nesse caso, a característica observada assume valores numéricos que podem ser classificados em discretos ou contínuos. Dados quantitativos discretos Os dados quantitativos discretos assumem valores dentro de um conjunto com os números especificados. Por exemplo, o número de produtos produzidos por uma máquina em um determinado período de tempo pode ser 0,1,2,3,4,... Neste caso, os dados observados formam um conjunto finito (ou enumerável) de números. Geralmente, quando contamos defeitos, temos dados quantitativos discretos. Dados quantitativoscontínuos Os dados quantitativos contínuos assumem valores em um intervalo contínuo de números. Em geral, esse tipo de dado é proveniente de medições de uma característica da qualidade de uma peça ou produto. Os possíveis valores incluem "todos" os números do intervalo de variação da característica medida. Por exemplo, ao medirmos os diâmetros dos eixos de determinados motores com uma célula eletrônica, obtemos dados quantitativos contínuos. Os dados ainda podem ser classificados como numéricos e não numéricos. Eles só são úteis se geram algum tipo de informação e, consequentemente, alguma ação. Por isso, “quanto maior for o volume de dados, maior será a necessidade do emprego de ferramentas apropriadas para coletar, processar e gerar informações a fim de manter e melhorar os resultados”. Fonte: Adaptado de Nodari, 2013. Tema 3: Estratificação A estratificação de dados é uma ferramenta muito útil para gestão da qualidade. Ela consiste em dividir um grupo de dados em diversos subgrupos com base em características que as diferenciam das demais, ou seja, a criação de estratos. A estratificação é uma ferramenta da qualidade que tem por objetivo separar os dados levantados em grupos distintos, como por exemplo, estratificação por local, por data, por turno, por tipo, etc. Para que se usa? CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 11 • Dividir um grupo heterogêneo em subgrupos homogêneos internamente (estratos) e heterogêneos entre eles. • Permitir melhor entendimento do problema. Tipos de estratificação • Tempo: os resultados relacionados com o problema são diferentes de manhã, à tarde ou a noite? • Local: os resultados são diferentes nas linhas de produção? • Indivíduo: os resultados são diferentes dependendo do operador do processo? Você pode realizar a estratificação para ver, por exemplo, se o turno da manhã está com um desempenho mais adequado que o turno da tarde ou se as máquinas de marca A, B ou C produzem com a mesma variabilidade, ou também se determinadas matérias-primas de certos fornecedores estão ocasionando variabilidades. Se ainda não ficou claro, vamos ver um exemplo prático sobre a utilização de dados de forma estratificada a seguir. Exemplo: um restaurante na região do Centro de Curitiba decide aplicar uma pesquisa de satisfação com seus clientes para monitorar seu desempenho. Antes da aplicação da pesquisa de satisfação o coordenador da qualidade sugeriu que os dados fossem levantados de modo que permitissem avaliar o desempenho de forma estratificada, levando em consideração os seguintes aspectos: Turnos: almoço e janta. Equipes: gerente A e gerente B Nota Dia Turno Gerente 75 1 almoço A 86 1 jantar A 72 2 almoço A 94 2 jantar A 84 3 almoço A 91 3 jantar A 65 4 almoço B 86 4 jantar B 61 5 almoço B 96 5 jantar B 76 6 almoço B 75 6 jantar B CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 12 75 7 almoço A 82 7 jantar A 85 8 almoço A 92 8 jantar A 76 9 almoço A 97 9 jantar A 68 10 almoço B 88 10 jantar A 83 11 almoço B 90 11 jantar B 63 12 almoço B 91 12 jantar B 82 13 almoço A 89 13 jantar B 82 14 almoço A 89 14 jantar A 83 15 almoço A 90 15 jantar A 91 16 almoço A 98 16 jantar A 87 17 almoço A 94 17 jantar A 69 18 almoço B 95 18 jantar A 64 19 almoço B 89 19 jantar A 71 20 almoço B 78 20 jantar A 77 21 almoço A 84 21 jantar B 83 22 almoço A 90 22 jantar B 82 23 almoço A 89 23 jantar B 85 24 almoço A 92 24 jantar A 82 25 almoço A 89 25 jantar A 90 26 almoço A 97 26 jantar A 81 27 almoço B 88 27 jantar B CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 13 79 28 almoço B 86 28 jantar B 78 29 almoço B 85 29 jantar B 82 30 almoço A 89 30 jantar A Média de Satisfação 84 almoço 78 jantar 89 A 86 B 79 A média de satisfação foi de 84 %, mas a equipe de controle da qualidade sugeriu que os dados da pesquisa fossem analisados também de forma estratificada. A média do turno do almoço foi de 78 % e do turno do jantar de 89%. A média da Equipe A foi de 86 % e da Equipe B foi de 79%. Percebemos que a estratificação permite que os gestores do processo analisem os dados de forma mais inteligente. Agora você já deve imaginar qual o caminho a equipe da qualidade deveria seguir certo? Fonte: Adaptado de Rigoni, 2013. Tema 4: Folha de verificação A folha de verificação é uma das sete ferramentas da qualidade e é considerada a mais simples das ferramentas. Apresenta uma maneira de se organizar e apresentar os dados em forma de um quadro, tabela ou planilha, facilitando desta forma a coleta e análise dos dados. É uma ferramenta utilizada para facilitar e organizar o processo de coleta e registro de dados, de forma a otimizar para posterior análise. Fonte: Folha..., 2012. Tipos de folhas de verificação a. Distribuição do processo de produção: é usada para coletar dados de amostras de produção. Esse tipo de folha de verificação é aplicado quando queremos CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 14 conhecer a variação nas dimensões de certo tipo de peça. Exemplo: espessura da peça após prensada. Quadro 4.1 – Folha de verificação com dados obtidos em uma linha de montagem Tipo de defeito Tabulação Frequ. do item Class % individual % acumulada Parafuso solto ///// ///// //// ...///// /// 68 1º 34 % 34 % Sujeira ///// ///// ///// ...///// / 41 2º 20 % 54 % Riscos ///// ///// ///// ...///// //// 29 3º 14 % 68 % Solda ///// ///// ///// ///// / 21 4º 10 % 78 % Junção ///// ///// //// 15 5º 07 % 85 % Alinhamento ///// ///// // 12 6º 06 % 91 % Trinca ///// ///// 10 7º 05 % 96 % Rebarba ///// / 06 8º 03 % 99 % Bolha / 01 9º 01 % 100 % Totais 202 - 100% Fonte: Gráfico..., 2009. b. Verificação de itens defeituosos: é usada quando queremos saber quais são os tipos de defeitos mais frequentes e o número de vezes nos quais eles foram causados e por quais motivos. Exemplo: em uma peça de azulejo, os tipos de defeitos após o produto acabado. Quadro 4.2 – Outro exemplo de folha de verificação Tipo de defeito Verificação Total Trinca ///// ///// ///// 15 Risco ///// ///// ///// ///// ///// ///// 20 Mancha ///// ///// 10 Folga ///// ///// ///// ///// ///// // 27 Outros ///// /// 8 Total 9- Fonte: Sete..., 2013. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 15 c. Localização de defeito: usada para localizar defeitos externos, tais como: mancha, sujeira, riscos, pintas e outros. Esse tipo de lista tem um desenho do item a ser verificado, no qual é assinalado o local e a forma de ocorrência dos defeitos. Exemplo: Bolha estourada na superfície do vidrado, nas peças cerâmicas. Esta folha nos mostra o local onde mais aparece o tipo da bolha d. Causas de defeitos: é usada para investigar as causas de defeitos. Esses dados são dispostos de tal forma que se torna clara a relação entre causas e efeitos. Quadro 4.3 – Folha de verificação com as causas de defeitos identificadas Fonte: Datalyzer, 2016. Utilização das folhas de verificação Essas folhas são ferramentas que questionam o processo e são relevantes para alcançar a qualidade. São usadas para: • Tornar os dados fáceis de obter e de utilizar-se. • Dispor os dados de maneira mais organizada. • Verificar a distribuição do processo de produção: coleta de dados de amostra da produção. • Verificar itens defeituosos: saber o tipo de defeito esua percentagem. • Verificar a localização de defeito: mostrar o local e a forma de ocorrência dos defeitos. • Verificar as causas dos defeitos. • Fazer uma comparação dos limites de especificação. • Investigar aspectos do defeito: trinca, mancha e outros. • Obter dados da amostra da produção. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 16 • Determinar o turno, dia, hora, mês e ano, período em que ocorre o problema. • Criar várias ferramentas, tais como: diagrama de Pareto, diagrama de dispersão, diagrama de controle, histograma etc. Fonte: Adaptado de Folha..., 2011. Como fazer folha de verificação • Elaborar um tipo de folha de verificação de forma estruturada adequada a ser analisada, que permita um fácil preenchimento. • Definir a quantidade e o tamanho da amostra dos dados. • Definir onde será feita a coleta dos dados • Determinar a frequência com que serão coletados os dados (diário, semanal, ou mensal). • Escolher quem deverá coletar os dados. • Por meio da folha de verificação, realizar a coleta dentro do planejado. Vantagens da folha de verificação • A obtenção do fato, que é registrado no momento em que ocorre. Essa situação facilita a identificação da causa junto ao problema; • A atividade é muito simples de aplicar, bastando apenas pouca concentração. Desvantagens da folha de verificação • Os equipamentos de medida podem não estar aferidos. • O processo de coleta pode ser lento e demanda recursos de acordo com a amplitude da amostra. • Os dados resultantes da contagem só podem aparecer em pontos “discretos”. Em uma página de fatura, só é possível encontrar 0,1,2 etc., erros; não é possível encontrar 2,46 erros. Fonte: Adaptado de Folha..., 2011. Tema 5: Cartas de controle O que é e para que serve a carta de controle? O objetivo de uma carta de controle é detectar quaisquer alterações indesejadas em um processo, sendo que, quando ocorrerem mudanças, elas serão sinalizadas por pontos anormais em um gráfico. Como utilizar as cartas de controle CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 17 Primeiro, é importante determinar o que será controlado (diâmetro de um cilindro, altura de uma haste etc.). Após isso, é necessário definir o tamanho da amostra que será coletada e de quanto em quanto tempo serão realizadas as amostragens (1 hora, 1 dia, 1 semana etc.). Por último, basta definir o limite superior e o limite inferior da carta controle. Escolha do tipo de carta Devemos determinar qual tipo de carta de controle deverá ser utilizada. As cartas de controle podem conter dois tipos de dados: dados variáveis ou dados tipo atributos. Em geral, se for desejado utilizar dados variáveis, é necessário adotar medidas em unidades, tais como comprimento, temperatura, etc. Por outro lado, os dados do tipo atributos exigem uma decisão: “passa/não passa”, “aceitável/não aceitável”, “conforme/não conforme”, “sucesso/insucesso”. Construção da Carta Vamos construir dois tipos de cartas, ambas por variáveis, para exemplificar como funcionam. Para a construção das cartas de controle variáveis, a análise deve ser feita aos pares, observando a centralização e a dispersão. Sendo assim, dois gráficos são construídos para cada tipo: Gráfico de média e o de desvio padrão (X – S) Gráfico de média e o de amplitude (X – R) CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 18 Fórmulas aplicáveis à carta de controle por variável. Os passos para a construção podem ser descritos da seguinte forma: 1 – Coleta dos dados: nessa etapa são definidos o tamanho adotado para as amostras, que deverá ser constante, bem como a quantidade de amostras e a frequência de amostragem. A frequência de amostragem dependerá da quantidade de produtos defeituosos. Se houver bastante incidência de produtos defeituosos, a frequência deverá ser maior (de hora em hora etc.). Por outro lado, se forem poucos defeituosos, a frequência poderá ser menor, com intervalos maiores. Costuma-se adotar também uma relação entre a quantidade de amostras (k) com o tamanho da amostra (n), sendo k*n > 100. 2 – Cálculo das médias das amostras. A título de exemplo, vamos pegar uma quantidade pequena de amostras para demonstrar como fazer este cálculo. Ex.: supondo uma medição do diâmetro de uma haste em um dia, no qual tem-se seis amostras contendo cinco itens, coletadas de 4 em 4 horas, temos: A1 (32,30,31,34,32), A2 (30,33,32,31,31), A3 (34,32,31,33,30), A4 (29,33,32,30,31), A5 (30,33,29,31,33), A6 (33,30,32,31,30). A média da primeira amostragem será: X1 = CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 19 (32+30+31+34+32)/5 = 31.8. Portanto teremos: X1=31.8, X2=31.4, X3=32, X4=31, X5=31.2 e X6=31.2. 3 – Cálculo da média do processo. Para o nosso exemplo, esta média será: X = (X1 + X2 + X3 + X4 + X5 + X6)/6 = 31.43. 4 – A partir da quarta etapa, os tipos de carta já se diferenciam, partindo para o cálculo do desvio padrão de cada item da amostra (X-S) ou amplitude (X-R). No nosso exemplo, o tamanho da amostra (n) = 5. Sendo assim, o ideal seria utilizar a carta de amplitude (X-R), porém, vamos obter as duas cartas para exemplificar as diferenças entre um e outro. Tabela com os cálculos do exemplo. 5 – Agora, com os valores obtidos para cada amostra, o desvio padrão médio e a amplitude média deverão ser calculados. Utilizando as fórmulas do item 5 da Figura x, tem-se: s=(1,48+1,14+1,58+1,82+1,91+1,47)/6 = 1,56 e r=(4+3+4+4+4+3)/6=3,66. 6 – No sexto passo, vamos obter os limites de controle para as cartas de média. A partir daqui é necessário utilizar uma tabela contendo as constantes (A2, A3, B3, B4, D3, D4), conforme quadro a seguir. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 20 Com a tabela de constantes e as fórmulas descritas no passo 6 da tabela de fórmulas, podemos obter os valores para média. Teremos, então: Média (X-S) LSC=31,43+1,427*1,56=33,656; LIC=31,43- 1,427*1,56=29,20; Média (X-R) LSC=31,43+0,577*3,66=33,542; LIC=31,43- 0,577*3,66=29,32; 7 – No sétimo passo, finalmente serão calculados os limites de controle para as cartas de desvio padrão e amplitude: Desvio Padrão (X-S) LSC=2,089*1,56 = 3,259; LIC=0*1,56=0; Amplitude (X-R) LSC=3,66*2,114 = 7,737; LIC=3,66*0=0; 8 – Finalmente, agora é necessário desenhar os gráficos. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 21 Gráficos obtidos para média, desvio-padrão e amplitude. Para determinar se existem causas de variação em um processo utilizando a carta de controle, é muito importante observar sete “sinais” ou regras básicas que demonstram variabilidade nesse processo. A probabilidade de alguns desses sete eventos ocorrerem aleatoriamente é muito pequena. Este é o motivo pelo qual estes sinais indicam alguma mudança no processo. As sete regras são: • Um ou mais pontos fora dos limites de controle. • Sete ou mais pontos consecutivos acima ou abaixo da linha central. • Seis pontos consecutivos em linha ascendente ou descendente continuamente. • Quatorze pontos consecutivos alternando acima e abaixo. • Três pontos consecutivos sendo 2 deles do mesmo lado em relação a linha central e fora de 2/3 em relação à linha central. • Quinze ou mais pontos consecutivos contidos em um intervalo de 1/3 em relação à média. • 8 pontos em ambos os lados da região central com nenhum deles dentro do limite de 1/3 em relação à linha central. Fonte: Adaptado de Silveira, 2012. CCDD – Centro deCriação e Desenvolvimento Dialógico 22 Síntese Concluímos a nossa quarta aula de Gestão da Qualidade. Nela, conhecemos a metodologia do QFD – Desdobramento da Função Qualidade e estudamos a respeito de coleta, estratificação de dados e elaboração de folhas de verificação. Também, sobre a ferramenta cartas de controle, para avaliação de variabilidade de processo. Assuntos importantes na Gestão da Qualidade. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 23 Referências DATALYZER. Disponível em: <http://datalyzer.com.br>. Acesso em: 3 out. 2016. DEMING, W. E. Qualidade: A Revolução da Administração. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 1990. ESTATÍSTICA Básica. Portal Action, 2015. Disponível em: <http://www.portalaction.com.br/estatistica-basica>. Acesso em: 3 out. 2016. FARIA, C. Desdobramento da função qualidade. InfoEscola. Disponível em: <http://www.infoescola.com/administracao_/desdobramento-da-funcao-qualidade- qfd/>. Acesso em: 3 out. 2016. FOLHA de verificação: ferramenta da qualidade. Marketing futuro, 2011. Disponível em: <http://marketingfuturo.com/folha-de-verificacao-ferramenta-de-qualidade>. Acesso em: 3 out. 2016. FOLHA de verificação. Blog da qualidade, 2 out. 2016. Disponível em: <http://www.blogdaqualidade.com.br/folha-de-verificacao/>. Acesso em: 3 out. 2016. GRÁFICO de Pareto. Lugli, ago. 2009. Disponível em: <http://www.lugli.com.br/2009/08/grafico-de-pareto-2/>. Acesso em: 3 out. 2016. NODARI, C. T. Gerência de qualidade. UFRGS, 2013. Disponível em: <http://www.producao.ufrgs.br/disciplinas.asp?cod_turma=38>. Acesso em: 3 out. 2016. PALADINI, E. P. Avaliação estratégica da qualidade. São Paulo: Ed. Atlas, 2002. REIS, M. C. Curso de marketing. SlideShare, 31 jul. 2012. Disponível em: <http://pt.slideshare.net/CenneBrasil/curso-de-marketing-parte-1>. Acesso em: 3 out 2016. RIGONI, J. R. Estratificação: ferramentas da qualidade aplicadas. Total qualidade, maio 2013. Disponível em: <http://www.totalqualidade.com.br/2013/05/estratificacao- ferramentas-da-qualidade.html>. Acesso em: 3 out. 2016. RODRIGUES, M. V. Ações para a qualidade: GEIQ, gestão integrada para a qualidade – padrão seis sigma, classe mundial. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 24 SELEME, R. Gestão da qualidade e ferramentas essenciais. Curitiba: InterSaberes, 2012. SETE ferramenta da qualidade: folhas de verificação. SOS Pequenas Empresas, jun. 2013. Disponível em: <http://sospequenasempresas.blogspot.com.br/2013/06/7- ferramentas-da-qualidade-folhas-de.html>. Acesso em: 3 out. 2016. SILVEIRA, C. B. Cartas de controle. Citisystems, dez. 2012. Disponível em: <http://www.citisystems.com.br/cartas-de-controle/>. Acesso em: 3 out. 2016. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 1 Gestão da Qualidade – Ferramentas Aula 5 Prof. Nelson Tadeu Galvão de Oliveira CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 2 Conversa inicial Caros alunos, estamos iniciando a quinta aula. Nela, teremos como temas a serem desenvolvidos: gráfico de Pareto, diagrama causa e efeito, histograma e gráfico de dispersão. Nesta aula, estudaremos essas ferramentas da qualidade que são usadas no controle de processos. Contextualizando As ferramentas da qualidade são utilizadas para definir, mensurar, analisar e propor soluções aos problemas que interferem no desempenho dos processos organizacionais. Elas surgiram na década de 1950, com base nos conceitos e práticas existentes naquela época. A partir daí, vêm sendo utilizadas nos sistemas de gestão por meio de modelos estatísticos que auxiliam na melhoria dos serviços e processos. Essas ferramentas ajudam a estabelecer melhorias de qualidade. Por isso, as estudaremos, com o objetivo de apoiar o controle de processos. Fonte: Adaptado de As sete..., 2013. Tema 1: Diagrama de Pareto O princípio de Pareto é: para várias situações, 80% das consequências vêm de 20% das causas. Isso pode ser muito útil para tratar não conformidades, identificar pontos de melhoria e definir que planos de ação devem ser atacados no que diz respeito à prioridade. O diagrama de Pareto é uma ferramenta que apresenta um gráfico de barras e permite determinar, por exemplo, as prioridades dos problemas a serem resolvidos por meio das frequências das ocorrências, da maior para a menor, permitindo a priorização dos problemas, pois, na maioria das vezes, há muitos problemas menores diante de outros mais graves. Exemplo da construção de um diagrama de Pareto Uma empresa fabrica e entrega produtos para várias lojas de varejo e quer diminuir o número de devoluções. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 3 Para isso, investigou o número de ocorrências geradoras de devolução da entrega no último semestre, conforme apresentado na tabela a seguir. Passos para construção do diagrama de Pareto Primeiro passo: refazer a folha de verificação ordenando os valores por ordem decrescente de grandeza. Segundo passo: acrescentar mais uma coluna indicando os valores acumulados. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 4 Terceiro passo: acrescentar mais uma coluna onde serão colocados os valores percentuais referentes a cada tipo de ocorrência. O cálculo é feito dividindo-se o número de ocorrências de um determinado tipo pelo total de ocorrências no período. Quarto passo: acumulam-se os percentuais em uma última coluna. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 5 Com esses dados, pode ser construído o gráfico de Pareto, apresentado a seguir: Conforme apresentado no gráfico acima, para diminuir o problema de devolução de produtos, será necessário criar um programa de ação para a empresa diminuir atrasos de entrega da fábrica e da transportadora. Com isso, 53% do problema será resolvido. Fonte: Diagrama..., 2012. Tema 2: Diagrama causa/efeito O que é o diagrama causa efeito de Ishikawa CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 6 O diagrama de Ishikawa foi proposto pelo japonês Kaoru Ishikawa, um engenheiro de controle de qualidade, teórico da administração das companhias japonesas, que viveu entre os anos de 1915 e 1989. O Diagrama é uma ferramenta gráfica que ajuda a gerenciar e fazer o Controle da Qualidade (CQ) em diferentes processos, cujo principal objetivo é identificar quais são as causas para um efeito ou problema. Muitas das ferramentas que existem na indústria são utilizadas para aprimorar e manter a qualidade dos produtos, com esse não é diferente. A técnica também é conhecida pelos nomes diagrama de causa e efeito, diagrama espinha de peixe ou diagrama 6M. Efeito/problema: contém o indicador de qualidade e o enunciado do projeto (problema). É escrito no lado direito, desenhado no meio da folha. Eixo central: uma flecha horizontal, desenhada de forma a apontar para o efeito. Usualmente desenhada no meio da folha Categoria: representa os principais grupos de fatores relacionados com efeito. As flechas são desenhadas inclinadas com as pontas convergindo para o eixo central. Causa: causa potencial dentro de uma categoria. Pode contribuir com o efeito. As flechas são desenhadas em linhas horizontais, aportando para o ramo de categoria Subcausa: causa potencial que pode contribuir com uma causa específica. São ramificações de uma causa. O efeito, ou problema é fixo no lado direito do desenho e as influências ou causas maiores são listadasde lado esquerdo Mão de obra: quando um colaborador realiza um procedimento inadequado, faz o trabalho com pressa, é imprudente etc. Material: quando o material não está em conformidade com as exigências para a realização do trabalho. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 7 Meio ambiente: quando o problema está relacionado ao meio externo, como poluição, calor, poeira etc. ou ao ambiente interno, como falta de espaço, dimensionamento inadequado dos equipamentos etc. Método: quando o efeito indesejado é consequência da metodologia de trabalho escolhido. Máquina: quando o defeito está na máquina usada no processo. Medida: quando o efeito é causado por uma medida tomada anteriormente para modificar o processo. Fonte: Adaptado de O que é..., 2013. Tema 3: Histogramas O histograma é uma das sete ferramentas da qualidade. Trata-se de um gráfico do tipo barras verticais e representa a frequência de ocorrências individuais subdivididas em classes. Sendo assim, ele é uma representação gráfica da distribuição de frequências de uma massa de medições. O propósito de se utilizar o histograma é o ganho de conhecimento obtido com relação ao sistema. Ele é adquirido por intermédio de informações básicas determinadas pelo histograma (centralização, dispersão e forma de distribuição dos dados) e funcionará como um guia para melhorar o sistema em análise. Fonte: Adaptado de Silveira, 2012. Histogramas são gráficos de barras que mostram a variação sobre uma faixa específica. O histograma foi desenvolvido por Guerry, em 1833, para descrever sua análise de dados sobre crime. Desde então, os histogramas têm sido aplicados para descrever dados nas mais diversas áreas. Fonte: Adaptado de Histograma..., 2016. Quando usar o histograma São várias as aplicações, tais como: • Verificar o número de produto não-conforme. • Determinar a dispersão dos valores de medidas em peças. • Em processos que necessitam ações corretivas. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 8 • Para encontrar e mostrar por meio de gráfico o número de unidade em cada categoria. Pré-requisitos para construir um histograma • Coletar dados. • Calcular os parâmetros: amplitude “R”, classe “K”, frequência de cada classe, média e desvio padrão. Fonte: Adaptado de César, 2011. Como fazer um Histograma Esta ferramenta revela e ilustra a centralização, dispersão e a forma de distribuição dos dados. O histograma pode fornecer previsão de desempenho futuro de processos e auxiliar na identificação da ocorrência de alguma mudança no processo e, sobretudo, ajudar a responder se o processo é capaz de atender aos requisitos do cliente. Histograma para variáveis contínuas 1) Colete n dados referentes à variável cuja distribuição será analisada. É aconselhável que n seja superior a 50 para que possa ser obtido um padrão representativo da distribuição. Ex.: característica dimensional (mm) 2) Determine o maior e menor valor do conjunto de dados. Min = 20,2 e Max = 50 3) Defina o limite inferior da primeira classe (LI), que deve ser igual ou ligeiramente inferior ao menor valor das observações. LI = 20 4) Defina o limite superior da última classe (LS), que deve ser igual ou ligeiramente superior ao maior valor das observações. LS= 50 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 9 5) Define-se o número de classes (K), que pode ser calculado usando K = n e deve estar compreendido entre 5 e 20. 6) K = 60 = + ou – 8 para facilitar os cálculos foi escolhido k= 8. Conhecido o número de classes, define-se a amplitude de cada classe: a = (LS - LI) / K; 7) Calcule os limites de cada intervalo. 8) Construa uma tabela de distribuição de frequência. 9) Desenhe o histograma 10) Registre as informações importantes que devem constar no gráfico CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 10 Fonte: Adaptado de Zvirtes, 2010. Tema 4: Diagramas de dispersão Diagrama de dispersão O diagrama de dispersão ou de correlação também faz parte das sete ferramentas da qualidade e é utilizado para comprovar a relação entre uma causa e um efeito. É um gráfico no qual cada ponto representa um par observado de valores. Revela a direção, a forma e a inclinação do relacionamento entre as variáveis. Diz respeito à representação gráfica de valores simultâneos de duas variáveis relacionadas a um mesmo processo. Mostra o que acontece com uma variável quando a outra se altera, ajudando a verificar a relação entre elas. Os valores da variável preditora aparecem no eixo horizontal do gráfico; os valores da variável resposta no eixo vertical. Cada par de valores forma um ponto no gráfico. Como construir um diagrama de dispersão Vamos considerar uma clínica de Endocrinologia onde foi feita uma pesquisa com 5 mulheres de 50 anos de idade. Nessa pesquisa, foram feitas duas perguntas: • Qual é o nível de HDL – colesterol no sangue? • Quantas horas semanais você pratica exercícios físicos? Os resultados estão descritos a seguir. Tabela – HDL (em mg/dl) e número de horas de prática de exercícios físicos CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 11 Observação: no exame de colesterol, estão inclusas a fração HDL (bom colesterol) e a fração LDL (mau colesterol). Estudos apontam que, nas pessoas com HDL aumentado ou nas faixas superiores do que é considerado normal (>50 mg/dL), a ocorrência de doenças cardiovasculares é menor. Vamos determinar: a. O coeficiente de correlação. b. O diagrama de dispersão. c. A reta de regressão linear. d. O gráfico da reta de regressão linear. a) Para encontrarmos o coeficiente de correlação linear, vamos usar a tabela a seguir xi: quantidade de HDL – Colesterol, em mg/dl. yi: número de horas semanais gastos na prática de exercícios físicos. Abaixo, é apresentada a fórmula que nos permite calcular a correlação CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 12 O índice de correlação r pode variar de -1 até +1 O coeficiente de correlação linear “r” mede a intensidade da relação linear entre duas variáveis O coeficiente de correlação varia de -1 r +1: Valores de “r” próximos de +1 indicam uma forte correlação positiva entre x e y Valores de “r” próximos de -1 indicam uma forte correlação negativa entre x e y Valores de “r” próximos de 0 indicam uma fraca correlação entre x e y n = 5 (5 mulheres foram entrevistadas). Obs.: o valor de n deve ser normalmente maior que 30 para se ter uma maior representatividade do diagrama de dispersão Aplicando os resultados da tabela na fórmula teremos: CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 13 A correlação neste caso é positiva r=0,988. b) Diagrama de Dispersão Com os dados calculados passamos então a desenhar o gráfico de correlação c) Reta de regressão linear Vamos calcular agora o desvio padrão de xi Primeiro passo: encontrar a média e desvio-padrão de xi. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 14 Agora, calcularemos o desvio padrão de yi Passo 2: calcular a média e o desvio-padrão de yi. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 15 Vamos agora determinar o coeficiente linear para traçarmos a curva de regressão Coeficiente linear: A reta de regressão linear é: y*= 0,23xi - 9,42 d) Gráfico da reta de regressão linear.Desenhando agora a curva da regressão linear para analisarmos se os pontos se colocam próximos à curva, ou seja, se há ou não correlação entre as variáveis em estudo. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 16 Conclusão: há uma forte correlação linear positiva entre os dados analisados, ou seja, entre o nível de HDL – Colesterol em mg/dl e o tempo de exercícios físicos das mulheres pesquisadas. Os gráficos de dispersão poderão indicar um padrão de: • correlação positiva • correlação negativa • ausência de correlação • correlação não linear A existência de uma correlação entre duas variáveis não implica na existência de um relacionamento de causa e efeito entre elas Fonte: Estatística..., 2010. A correlação entre duas variáveis depende do intervalo de variação. Com isso, concluímos mais um dos nossos temas de estudo. Síntese Concluímos a quinta aula. Nela, conhecemos mais quatro importantes ferramentas da qualidade: diagrama de Pareto, diagrama causa efeito, histograma e diagrama de dispersão. Essas ferramentas são muito importantes no controle de processos nas empresas e todas elas são usadas com muita frequência. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 17 Referências AS SETE ferramentas da qualidade. Blog da qualidade, 19 dez. 2013. Disponível em: <http://www.blogdaqualidade.com.br/as-sete-ferramentas-da-qualidade/>. Acesso em: 3 out. 2016. CÉSAR, F. I. G. Ferramentas básicas de qualidade: instrumentos para gerenciamento de processo e melhoria contínua. São Paulo: Biblioteca 24 horas, 2011. DEMING, W. E. Qualidade: a revolução da administração. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 1990. DIAGRAMA de Pareto. Blog da qualidade, 27 set. 2012. Disponível em: <http://www.blogdaqualidade.com.br/diagrama-de-pareto/>. Acesso em: 3 out. 2016. ESTATÍSTICA indutiva. UNIP, 2010. Disponível em: < http://unipvirtual.com.br/material/UNIP/BACHARELADO/QUARTO_SEMESTRE/estat istica_indutiva/DOC/mod_5.doc>. Acesso em: 3 out. 2016. HISTOGRAMA: o que é? Quando usar? Como fazer um histograma. Marketing Futuro, 2016. Disponível em: <http://marketingfuturo.com/histograma-o-que-e- quando-usar-como-fazer/>. Acesso em 3 out. 2016. O QUE É o diagrama de Ishikawa? Indústria Hoje, 27 out. 2013. Disponível em: <http://www.industriahoje.com.br/diagrama-de-ishikawa>. Acesso em: 3 out. 2016. PALADINI, E. P. Avaliação estratégica da qualidade. São Paulo: Ed. Atlas, 2002. SELEME, R. Gestão da qualidade e ferramentas essenciais. Curitiba: InterSaberes, 2012. SILVEIRA, C. B. Histograma. Citisystems, dez. 2012. Disponível em: <http://www.citisystems.com.br/histograma>. Acesso em: 3 out. 2016. ZVIRTES, L. Ferramentas da qualidade. UDESC, 2010. Disponível em: <http://www.joinville.udesc.br/portal/professores/claudio_luis/materiais/Aula_10___F erramentas_da_Qualidade___P3.pdf>. Acesso em: 3 out. 2016. 1 Gestão da Qualidade - Ferramentas Aula 6 Prof. Nelson Tadeu Galvão de Oliveira 2 Conversa inicial Caros alunos estamos iniciando a nossa sexta e última rota de aprendizagem e nela vamos poder conhecer a metodologia do SIX SIGMA para redução de oportunidades de defeitos, o BSC – Balanced Scorecard é o método que vai ajudar a implementar os objetivos estratégicos da empresa entre eles os programas de qualidade, os sistemas de medidas baseados em indicadores de desempenho. Estudaremos também sobre qualidade de produtos e qualidade de serviços estudando diferenciando-as. Contextualizando Há muitas décadas que a qualidade e seus conceitos já são trabalhados pelas organizações no desenvolvimento de seus produtos e serviços. Segundo Maria Esmeralda Ballestero-Alvarez, autora do livro “Administração da qualidade e da produtividade: abordagens do processo administrativo”, a evolução da qualidade está dividida em cinco grandes preocupações, as quais surgem ao longo do tempo: na década de 1950, surge a preocupação com o controle do produto, em como fazer com que o produto final seguisse os padrões do projeto inicial; na década de 1960, a preocupação passa a ser com o atendimento ao uso deste produto pelo cliente, e mantém-se a preocupação com o controle do produto; em 1970, inicia-se a preocupação com os custos e surge o controle total da qualidade (qualidade praticada em toda a organização); em 1980, a preocupação é focada no desejo dos consumidores, aproximando as empresas de seu mercado consumidor e nos anos de 1990, são acentuadas as questões referentes ao quadro social, político, econômico e financeiro, e a qualidade passa a fazer parte da estratégia da organização. Ao longo dessa evolução foram surgindo diferentes metodologias para a Qualidade e algumas dessas como o six sigma e o BSC vamos estudar a seguir , também conheceremos a visão atual da qualidade de produtos e serviços. Fonte: Adaptado de Lima, 2016. 3 Tema 1: Six sigma A História do Six Sigma A Motorola desenvolveu um novo conceito e criou a METODOLOGIA SIX SIGMA que, associada à necessidade de uma mudança cultural, tem ajudado a companhia a atingir grandes resultados. A Metodologia: o que é exatamente o Six Sigma? Em sua forma mais fundamental, o Six Sigma é uma medida do número de defeitos em um processo ou operação específicos, por exemplo, um processo de fabricação usado para fazer uma peça específica. No Six Sigma, você não se preocupa com as peças defeituosas como um todo, mas com uma coisa chamada oportunidades de defeito. Uma oportunidade de defeito leva em conta três variáveis importantes: 1. Todos os diferentes defeitos que ocorrem em uma peça montada. 2. O número de lugares em que os defeitos podem ocorrer nessa peça. 3. Todos os passos de produção que poderiam causar um ou mais desses defeitos na peça. Cálculos do Six Sigma Para dar significados aos números, os engenheiros da Motorola formularam uma escala para avaliar a qualidade de um processo baseado nos resultados desses defeitos. No topo da escala está o Six Sigma, que equivale a 3.4 DPMO (Defeitos por Milhão de Oportunidade) ou 99,9997% livre de defeitos. Em outras palavras, se você tem um processo funcionando com o Six Sigma, então, eliminou quase todos os defeitos, ou seja, o processo é quase perfeito. Six Sigma = 3,4 DPMO ou 99,99997 % livre de defeitos. Five Sigma = 233 DPMO, ou 99,98% livre de defeitos. Four Sigma = 6.210 DPMO, ou 99,4% livre de defeitos. Three Sigma = 66.807 DPMO, ou 93,3% livre de defeitos. 4 Two Sigma = 308.538 DPMO, ou 69,1% livre de defeitos. One Sigma = 691.462 DPMO, ou 30,9% livre de defeitos. Os cálculos estão baseados na curva normal ou curva do sino. Modelo DEMAIC A maioria das equipes Six Sigma utiliza o que ficou conhecido como modelo DMAIC de melhoria de processo. DMAIC significa: 1. Definição de oportunidade. 2. Medição de desempenho. 3. Análise de oportunidade. 4. Implementação de melhoria de desempenho. 5. Controle de desempenho. Os cinco passos da metodologia Six Sigma (Método DMAIC) • Definir quem é o cliente. • Definir quais são seus requerimentos quanto aos produtos e serviços. • Definir quais são as suas expectativas. • Definir as fronteiras do projeto: O início e o fim do processo. • Definir o foco do projeto através do entendimento do fluxo de processo. Measure: Mensuração do desempenho do processo do negócio envolvido • Desenvolver o plano de coleta de dados relativo ao processo. • Coletar dados e determinar os tipos de erros que levam aosdefeitos. • Utilizar a voz do cliente (VOC), voz do processo (VOP) e voz do acionista (VOS). • Certificar-se do correto foco do projeto. Analyze: Análise dos dados e o mapeamento para a identificação das causas- raiz dos defeitos e das oportunidades de melhoria. • Identificar os gaps entre o desempenho atual e o desempenho esperado. 5 • Identificar fontes de variação. • Identificar e priorizar oportunidades de melhoria. Improve: Melhoramento do processo alvo através da criação de soluções preventivas para os problemas. • Criar soluções inovadoras por meio de análises e disciplina. • Priorizar melhorias. • Desenvolver e disseminar um plano de melhoria. Control: Implementação de ações corretivas e preventivas, controles de desempenho e de melhorias do processo • Implementar ações de melhoria. • Prevenir que o desempenho do processo melhorado volte ao desempenho pré-implementação. • Requerer o desenvolvimento, documentação e implementação de um plano de monitoramento. • Requerer o desenvolvimento, documentação e implementação de um plano de controle. • Institucionalizar as melhorias através da modificação de sistemas e estruturas. Fonte: A metodologia..., 2016. Infraestrutura • Campeões e patrocinadores: os campeões no sistema Six Sigma são indivíduos de nível hierárquico elevado na organização, entendem a ferramenta e estão comprometidos com seu sucesso. Os patrocinadores são os donos dos processos e sistemas que ajudam a iniciar e coordenar as atividades de melhoria Six Sigma nas áreas pelas quais são responsáveis. • Master black-belt: é o mais alto nível de domínio técnico e organizacional. Os master black-belts são a liderança técnica do programa Six Sigma. Logo, precisam saber tudo que sabem os black-belts e mais, pois também devem entender a teoria matemática na qual os métodos estatísticos se baseiam. · Black-belt: os candidatos ao status de black-belt são indivíduos com orientação técnica e muito estimados por seus pares. Devem estar ativamente envolvidos no processo de desenvolvimento e mudança organizacional. 6 · Green-belts: são os líderes de projetos Six Sigma capazes de formar e facilitar equipes e gerenciar os projetos desde a concepção até a conclusão. Fonte: Adaptado de Ayres, 2009. Tema 2: Balanced Scorecard O Balanced Scorecard surgiu de um estudo realizado por Robert Kaplan e David Norton desde 1990 no Instituto Nolan Norton e que foi publicado em 1992 na revista Harvard Business, sob o título: Measuring Perfomance in the Organizacion of the Future (Medindo Desempenho na Organização do Futuro). Por volta dos anos 1980, os tradicionais métodos de análise e avaliação de desempenho das empresas, baseados em indicadores financeiros começaram a ser questionados. O que se viu foi uma descrença na capacidade desses indicadores de retratar adequadamente o desempenho organizacional Foi nesse cenário que Kaplan e Norton aprimoraram os conceitos até então existentes e trouxeram a público, em 1992, o Balanced Scorecard. Fonte: Adaptado de Faria, 2006. Disso, surgem as chamadas perspectivas do BSC, conforme segue: O BSC estrutura a organização em quatro perspectivas. São elas: Financeira: trata da gestão de custos, de lucros e da aplicação. No setor público, é a gestão do orçamento. Cliente: identifica os segmentos de cliente onde quer competir e avalia o nível de atendimento e satisfação do cliente. No setor público, é o atendimento ao cidadão. Processos internos: mapeia e prioriza os processos mais importantes para atingir objetivos e metas do cliente e financeira. Aprendizado e crescimento: desenvolve a estratégia para o aprendizado e crescimento da equipe, para que se possa cumprir com os objetivos das outras perspectivas. 7 Fonte: Lima et al., 2004. Aplicação O desenho que segue mostra onde entra o balance scorecard no planejamento estratégico, ou seja, ele se agrega na fase de implementação, facilitando no desdobramento em planos e balançando as medidas de todos os planos pela criação de indicadores de desempenho adequados. Gráfico 2.1 – Gestão estratégica Quadro 2.1 – Balanced Scorecard (BSC): significado literal Balanced Equilibrado Scorecard Cartão de marcação Porque se implanta o Balance scorecard nas empresas, para que a metodologia é aplicada: Quadro 2.2 – Balanced Scorecard Balanced Scorecard Uma boa estratégia não basta Sua implementação é a chave 9 entre 10 empresas falham na execução da estratégia Por quê? Concepção Gestão do conhecimento Formulação Implementação Balanced Scorecard Avaliação e reavaliação 8 Porque não contam com um modelo de gestão que traduza a estratégia è Ação As quatro perspectivas do BSC O BSC traduz a missão e a estratégia em objetivos e medidas, organizados de acordo com quatro perspectivas diferentes: financeira, do cliente, dos processos internos e do aprendizado e crescimento, que representam as principais variáveis da organização que em equilíbrio, vão proporcionar aos gestores condições de planejar e controlar as ações estratégicas. § Perspectiva Financeira: corresponde aos aspectos financeiros da organização, aos impactos das decisões estratégicas nos indicadores e metas estabelecidas. § Perspectiva dos Clientes: relacionada à participação de mercado, à satisfação de clientes e à intensidade que cada unidade de negócio apresenta em termos de captação e retenção de clientes. § Perspectiva de Processos Internos: busca avaliar o grau de inovação nos processos de gestão da empresa e o nível de qualidade de suas operações. § Perspectiva de aprendizado e crescimento: corresponde à capacidade que a empresa possui para manter seu capital intelectual com elevado grau de motivação, satisfação interna e produtividade. Com base nas perspectivas podemos começar a desenvolver os mapas estratégicos da organização. Eles permitem visualizar os diferentes itens do BSC de uma organização, numa cadeia de causa e efeito que conecta os resultados almejados com os respectivos impulsionadores A seguir, representamos como se desenhamos mapas estratégicos, colocando o que deveremos fazer para atingirmos resultados em cada perspectiva. 9 Gráfico 2.2 Outros exemplos de mapas estratégicos de empresas: Gráfico 2.3 10 Tema 3: Indicadores de desempenho Para exemplificar o balanceamento de cada perspectiva com indicadores de desempenho, vamos considerar a perspectiva dos processos internos, conceituando inicialmente processo conforme aparece na tela abaixo: Para definir um processo, você precisa: § -Identificar e nomear o processo e indicar seu gestor; § -Detalhar o produto e identificar todos os clientes; § -Especificar os insumos e identificar os fornecedores; § -Estabelecer o diagrama de interação do processo; § -Desenhar e otimizar o fluxograma do processo; e, § -Descrever os indicadores de desempenho de todas as suas partes. Gráfico 3.1 – Exemplos de indicadores para o processo, respectivamente: foco na unidade, foco na organização e foco no servidor Vamos considerar o processo: Nome: elaboração do Plano de Treinamento. Perspectiva: aprendizado e crescimento. Gestor: responsável pelo setor de desenvolvimento pessoal. Produtos: Plano de treinamento de unidades aprovado, definindo servidores que serão treinados, curso que serão ministrados e objetivos que serão alcançados. Clientes: toda a organização e todos os servidores. Insumos: missão, objetivos, metas e regimento de cada unidade, estrutura de carreira, cargose funções, perfil dos servidores. Fornecedores: gestores das unidades e empresas fornecedoras de eventos de capacitação. Unidade organizacional Participação Custo total Horas treiandas Organização Retorno Investimento Servidor Crescimento Desempenho 11 Gráfico 3.2 – Fluxograma do processo. O passo seguinte é a construção de indicadores. Para construir indicadores é preciso identificar o que é preciso acompanhar, ou seja, o que é importante no processo para o resultado final. No processo exemplificado, existem 3 pontos de interesse: Unidade - Medir se as necessidades estão atendidas ou não Organização – Identificar custos e retorno; Servidor - Identificar presença, produtividade, crescimento. Foco na unidade organizacional a. Indicador de custo do treinamento por unidade: indica o percentual do valor gasto com todos os treinamentos de uma Unidade e relação ao total de gastos da Organização. b. Indicador de horas treinadas por unidade: indica o percentual de horas de treinamento de todos os Servidores de uma Unidade e relação ao total de horas treinadas da Organização. Foco na organização a. Indicador de custo do treinamento: mede o percentual do custo total de todos os treinamentos realizados em relação ao orçamento total da organização. 12 b. Indicador de retorno do investimento: mede a relação entre os benefícios obtidos com os resultados do treinamento e os custos totais de sua realização. Foco no servidor a. Indicador de necessidades individuais: mede o grau de necessidade de cada competência para que o servidor esteja preparado para executar suas funções na Unidade onde está locado. Permite montar uma estratégia de capacitação combinando as necessidades da pessoa com os do cargo e da unidade. b. Indicador do potencial do servidor: mede a partir do mapeamento das competências individuais, em quais unidades o Servidor poderia ser alocado ou que cargos poderia ocupar. Para construir um Indicador é preciso: § Nomear o indicador. § Definir seu objetivo. § Estabelecer sua periodicidade de cálculo. § Indicar o responsável pela geração e divulgação. § Definir sua fórmula de cálculo. § Indicar seu intervalo de validade. § Listar as variáveis que permitem o cálculo. § Apontar onde e como as variáveis serão capturadas. Construção do Indicador: exemplo 1 Indicador do Custo de Treinamento por Unidade Objetivo: Medir a participação da Unidade no custo total de treinamento. Periodicidade: anual. Responsável: gestores da unidade e de treinamento. Fórmula de cálculo: 13 Σ (CTs) / Vt * 100, onde: CTs = Somatório de custo de cada treinamento feito por cada servidor da Unidade. Vt = Custo total do treinamento no período Intervalo de validade: § Ideal = de 0,80 a 1,00 (da média por unidade). § Unidade pouco treinada = Abaixo de 0,80. § Unidade com excesso de treinamento = Acima de 1,20. Variáveis necessárias: § Nome da unidade. § Data de apuração dos dados. § Custo de treinamento por servidor. § Registro de curso feito por servidor. § Custo total do treinamento no período. Construção do indicador: exemplo 2 Indicador do custo de treinamento Objetivo: Medir qual o percentual do orçamento é aplicado em capacitação dos servidores. Periodicidade: anual. Responsável: gestor da unidade de treinamento e direção da organização. Fórmula de cálculo: Vt / LOA* 100, onde: Vt = Custo total do treinamento no período LOA = Dotação Orçamentária do período. 14 Intervalo de validade: § Adequado = Acima de 90 % da meta estabelecida § Razoável = Entre 75 % e 90 % da meta estabelecida § Ruim = Abaixo de 75 % da meta estabelecida Variáveis necessárias: § Data da apuração. § Custo de cada treinamento realizado. § Loa do período. § Meta estabelecida. Quadro 3.1 – Apresentação do resultado em forma de planilha Custo do treinamento Horas de treinamento Participação em treinamento Custo por servidor Unidade A 1,35 0,80 0,65 1,12 Unidade B 0,90 0,55 0,86 1,45 Unidade C 0,40 0,85 0,90 0,95 Unidade D 1,20 1,10 1,30 1,02 Unidade E 1,09 1,26 0,89 0,94 Tema 4: Qualidade de produtos Percebe-se atualmente um expressivo movimento em busca da qualidade. As organizações têm de produzir produtos e serviços de qualidade, não mais como uma estratégia de diferenciação de mercado, mas como uma condição de preexistência. 15 Qualidade é claramente um assunto importante no desenvolvimento de produtos para fins empresariais. Mas qual o caminho para um produto de qualidade? Como atingir a qualidade do produto? Além de responder a estas perguntas, pretende- se mostrar a importância dos processos para a geração de um produto, considerando três modalidades de qualidade: de produto, de processo e de projeto. Fonte: Martins; Laugeni, 2005. Quadro 4.1 Qualidade de projeto do produto Qualidade do produto Qualidade de projeto do processo Qualidade de conformação Qualidade dos serviços associados ao produto Fonte: Elaborado com base em Martins; Laugeni, 2005. O que é produto depende do ponto de vista de quem está observando, ou seja, se de um projetista, um administrador da produção ou um consumidor. Se de um lado os projetistas e administradores da produção estão mais preocupados com os aspectos técnicos do produto, de outro o consumidor tende a estar mais preocupado com a satisfação obtida com o produto A qualidade de um produto deve apresentar oito elementos: Características operacionais principais: todo produto deve apresentar bom desempenho relacionado às suas características. Por exemplo, um relógio deve marcar horas corretamente. Características operacionais adicionais: complementam o produto, tornando-o mais atrativo ou facilitando sua utilização. Por exemplo, televisor que proporciona acesso à internet. Confiabilidade: confiabilidade é a probabilidade de o produto não apresentar falhas durante um determinado período de tempo. Por exemplo, um produto que oferece garantia de 2 anos, durante este período não poderá apresentar falhas, senão perderá sua confiabilidade. Conformidade: é a adequação às normas e especificações definidas na elaboração do projeto. É medida pela quantidade de defeitos que o processo de produção apresenta. Durabilidade: está relacionada com o tempo de duração do produto até a sua deterioração física. 16 Assistência técnica: está relacionada a maneira de como o cliente e o produto são tratados no momento de um reparo. Idas regulares a uma assistência técnica, preços altos cobrados pelo conserto, mau atendimento, são fatores negativos que refletem na imagem do produto. Estética: o produto deverá ser bonito (bem apresentável) e ao mesmo tempo apresentar qualidade. Qualidade percebida: está associada ao lançamento de novos produtos que terão associados a eles sua marca. Por exemplo, se uma conhecida marca de eletrodomésticos lançar um celular no mercado, os clientes associarão ao celular sua marca, ou seja, se o eletrodoméstico apresenta qualidade, o celular será confiável porque aquela marca é reconhecida pela qualidade apresentada. Fonte: Martins; Laugeni, 2005. A avaliação da conformidade de um produto Com a promulgação da Norma Brasileira ABNT NBR ISO/IEC 17000, em 31 de outubro de 2005 (ABNT, 2005), esta passou a ser a melhor forma para apresentação dos conceitos, definições, vocabulário e princípios gerais da avaliação da conformidade. De acordo com essa norma, a avaliação da conformidade é a“demonstração de que requisitos especificados relativos a um produto são atendidos” (ABNT, 2005). Ela “é um processo sistematizado, com regras pré-estabelecidas, devidamente acompanhado e avaliado, de forma a propiciar adequado grau de confiança de que um produto, processo ou serviço, ou ainda um profissional, atende a requisitos pré- estabelecidos por normas ou regulamentos, com o menor custo possível para a sociedade” (ABNT, 2005). A avaliação da conformidade, por um lado, assegura ao consumidor que o produto, processo ou serviço está de acordo com as normas ou regulamentos previamente estabelecidos em relação a critérios que envolvam, principalmente, a saúde e a segurança do consumidor e a proteção do meio ambiente. De outro, aponta ao empresário as características técnicas que seu produto deve atender para se adequar às referidas normas ou regulamentos 17 Termos de avaliação da conformidade De acordo com a norma (ABNT, 2005): c. Amostragem: “fornecimento de uma amostra do objeto da avaliação da conformidade, de acordo com um procedimento”. d. Ensaio: “determinação de uma ou mais caraterísticas de um objeto de avaliação da conformidade, de acordo com um procedimento”. e. Inspeção: “exame de um projeto de produto, processo ou instalação e determinação de sua conformidade com requisitos específicos ou, com base no julgamento profissional, com requisitos gerais”. f. Auditoria: “processo sistemático, independente e documentado, para obter registros, afirmações de fatos ou outras informações pertinentes e avaliá-los de maneira objetiva para determinar a extensão na qual os requisitos especificados são atendidos”. Tema 5: Qualidade de serviços A qualidade de um serviço é percebida diferentemente da qualidade de um produto porque: · o serviço é intangível; · não pode ser armazenado; · não pode ser inspecionado; · não tem tempo médio de vida; · envolve relacionamento entre pessoas; · em geral, sua qualidade é subjetiva. Não podemos falar em serviço sem relacioná-lo a cliente, toda organização possui clientes internos e externos. Os clientes internos são os funcionários da organização, que utilizam resultados de processos criados por outros colaboradores da empresa, enquanto os clientes externos, são os que pagam pelo produto final, ambos são importantes e devem ser atendidos com qualidade. 18 Elementos da qualidade de um serviço Confiabilidade: prestar um serviço confiável ao cliente, por exemplo, quando contratar um prazo de entrega, esse terá que ser respeitado para que o serviço seja considerado confiável. Cortesia: ser gentil e paciente com o cliente, procurando entender suas necessidades. Comunicação: usar uma linguagem clara e acessível, simplificando a prestação do serviço. Capacidade para entender as necessidades dos clientes: colocar-se no lugar do cliente e procurar entender o que realmente ele precisa para atendimento de suas necessidades. Credibilidade: fazer com que o cliente acredite naquilo que está lhe oferecendo. Competência: apresentar competência, mostrando ser conhecedor do serviço prestado. Segurança: transmitir segurança ao cliente na prestação do serviço. Rapidez na resposta: sanar todas as dúvidas do cliente no momento em que for solicitado. Aspectos visíveis: percepção do serviço prestado, envolvendo vários aspectos que vão desde o vendedor e do local onde o serviço é prestado, até os aspectos sentidos pelo cliente na prestação do serviço. Todos esses elementos em conjunto, expressam o que os clientes esperam na prestação de um serviço, então surge uma nova dúvida, como medir a qualidade nos serviços? Medida da qualidade nos serviços 1. Medidas objetivas: muitos elementos da qualidade de um serviço podem ser avaliados somente de maneira subjetiva, através da aplicação de questionários com perguntas que serão respondidas pelos clientes. Mas a empresa precisa estabelecer também medidas objetivas para verificar a qualidade, tais como: 19 · Tempo de resposta do serviço. · Tempo de execução. · Quantidade de reclamações dos clientes. · Solicitações por cliente. · Quantidade de erros. 2. Indicador de qualidade: a empresa também deve procurar estabelecer um indicador de problemas apresentados por seus clientes e monitorá-lo ao longo do tempo. Ex.: Em um serviço de entrega de materiais realizado pelo almoxarifado, os clientes identificaram a seguinte situação: · Entrega de material errado. · Entrega na quantidade errada. · Entrega de material sujo ou sem condições de uso. · Entrega fora do prazo especificado. · Demora na entrega. · Material entregue sem identificação. · Descortesia na entrega. Desta forma, todos os problemas apresentados pelos clientes serão ponderados por meio da atribuição de pesos para cada um deles (de 0 a 100), sendo que as notas atribuídas a cada um dos quesitos deverão totalizar 100 pontos. Fonte: Martins; Laugeni, 2005. Quadro 5.1 Problemas Peso 1. Entrega de material errado 30 2. Entrega na quantidade errada 20 3. Entrega de material sujo ou sem condições de uso 20 4. Entrega fora do prazo especificado 15 5. Demora na entrega 5 6. Material entregue sem identificação 5 20 7. Descortesia na entrega 5 Total 100 Fonte: Martins; Laugeni, 2005. Também poderá ser apontado o número de vezes que cada problema ocorreu, onde multiplicando-se o número de ocorrências pelo peso atribuído, teremos o índice de serviço. 3. Itens em áreas administrativas: nas áreas administrativas, os itens mais relevantes para a medida da qualidade são: · Disponibilidade: grau de apoio que o fornecedor oferece ao cliente. · Atenciosidade: tempo de reação frente à solicitação do cliente. · Tempo de atendimento: prazo em que o serviço é realizado. · Completibilidade: nível de conclusão do serviço (total ou parcial). · Tecnicidade: grau de profissionalismo na relação com o cliente. Por meio de todos os aspectos apresentados, podemos medir a qualidade do serviço prestado e colocar em prática alguns aspectos que contribuirão para sua melhoria, eliminando desta forma a causa do problema e consequentemente, o grau de insatisfação apresentado pelos clientes. Fonte: Martins; Laugeni, 2005. Síntese Concluímos a sexta e última aula. Nela, estudamos a metodologia do SIX SIGMA, para reduzir oportunidades de defeitos. O BSC – Balanced Scorecard é um método que vai nos ajudar a implementar os objetivos estratégicos da empresa. Entre eles, os programas de qualidade, os sistemas de medidas baseados em indicadores de desempenho. Estudamos também sobre qualidade de produtos e qualidade de serviços, assuntos importantes que devemos conhecer em Gestão da Qualidade. 21 Referências A METODOLOGIA. SIX SIGMA BRASIL. Disponível em: <http://sixsigmabrasil.com.br/pag_metodologia.html>. Acesso em: 3 out. 2016. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO/IEC 1700: avaliação de conformidade – vocabulário e princípios gerais. Rio de Janeiro, 2005. AYRES, A. de P. S. Gestão de logística e operações. Curitiba: IESDE, 2009. DEMING, W. E. Qualidade: A Revolução da Administração. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 1990. FARIA, C. Balanced Scorecard. InfoEscola, 2006. Disponível em: <http://www.infoescola.com/administracao_/balanced-scorecard/>. Acesso em: 3 out. 2016. LIMA, A. C. C. et al. Da onda da gestão da qualidade a uma filosofia da qualidade da gestão: Balanced Scorecard promovendo mudanças. Revista Contabilidade Financeira, São Paulo, v. 15, p. 79-94,jun. 2004. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S1519-70772004000400006>. Acesso em: 3 out. 2016. MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P. Administração da produção. São Paulo: Saraiva, 2005. PALADINI, E. P. Avaliação estratégica da qualidade. São Paulo: Ed. Atlas, 2002. SELEME, R. Gestão da Qualidade e Ferramentas essenciais, Curitiba: InterSaberes, 2012. 1ª Semana 09/09 a 16/09 2ª Semana 16/09 a 23/09 3ª Semana 23/09 a 30/09 4ª Semana 30/09 a 07/10 5ª Semana 07/10 a 14/10 6ª Semana 14/10 a 21/10 2ª e 3ª Semanas 16/09 a 30/09 3ª e 4ª Semanas 23/09 a 07/10 4ª e 5ª Semanas 30/09 a 14/10 5ª e 6ª Semanas 07/10 a 21/10 6ª e 7ª Semanas 14/10 a 28/10 2ª e 7ª Semanas 16/09 a 28/10 Disciplina: Gestão da Qualidade A partir de 09/09 as aulas estarão disponíveis no AVA. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES SEMANAIS Módulo C - 2019 FASE I - Vigência da disciplina: 09/09 a 19/10 Após estudo do conteúdo das Aulas Teóricas 2 e 3, realizar a Segunda Atividade Pedagógica Online - APOL 2. Observe que a APOL2 tem prazo de duas semanas, acesse sua APOL quantas vezes achar necessário e FINALIZE apenas uma vez. O HORÁRIO DE ABERTURA DAS APOLs SERÁ SEMPRE ÀS 18:00HS E O FECHAMENTO SERÁ AS 23:59HS NO HORÁRIO DE BRASÍLIA. Prof. Me. Dayse Mendes CRONOGRAMA das AULAS TEÓRICAS/PRÁTICAS/eAulas Estudar a Aula TEÓRICA 1 e Materiais Complementares de Apoio disponibilizados online no AVA. Estudar a Aula TEÓRICA 2 e Materiais Complementares de Apoio disponibilizados online no AVA. Estudar a Aula Prática Um. Estudar a Aula TEÓRICA 3 e Materiais Complementares de Apoio disponibilizados online no AVA. Estudar a Aula TEÓRICA 4 e Materiais Complementares de Apoio disponibilizados online no AVA. Estudar a Aula Prática Dois. Estudar a Aula TEÓRICA 5 e Materiais Complementares de Apoio disponibilizados online no AVA. Estudar a Aula TEÓRICA 6 e Materiais Complementares de Apoio disponibilizados online no AVA. Estudar as Aulas Práticas Três e Quatro. CRONOGRAMA das Atividades Pedagógicas OnLine (APOLs) Após estudo do conteúdo das Aulas Teóricas 1 e 2, realizar a Primeira Atividade Pedagógica Online - APOL 1. (Observe que a APOL1 tem prazo de duas semanas), acesse sua APOL quantas vezes achar necessário e FINALIZE apenas uma vez. O HORÁRIO DE ABERTURA DAS APOLs SERÁ SEMPRE ÀS 18:00HS E O FECHAMENTO SERÁ AS 23:59HS NO HORÁRIO DE BRASÍLIA. Após estudo do conteúdo das Aulas Teóricas 3 e 4, realizar a Terceira Atividade Pedagógica Online - APOL 3. (Observe que a APOL3 tem prazo de duas semanas), acesse sua APOL quantas vezes achar necessário e FINALIZE apenas uma vez. O HORÁRIO DE ABERTURA DAS APOLs SERÁ SEMPRE ÀS 18:00HS E O FECHAMENTO SERÁ AS 23:59HS NO HORÁRIO DE BRASÍLIA. Após estudo do conteúdo das Aulas Teóricas 4 e 5, realizar a Quarta Atividade Pedagógica Online - APOL 4. (Observe que a APOL4 tem prazo de duas semanas), acesse sua APOL quantas vezes achar necessário e FINALIZE apenas uma vez. O HORÁRIO DE ABERTURA DAS APOLs SERÁ SEMPRE ÀS 18:00HS E O FECHAMENTO SERÁ AS 23:59HS NO HORÁRIO DE BRASÍLIA. Após estudo do conteúdo das Aulas Teóricas 5 e 6, realizar a Quinta Atividade Pedagógica Online - APOL 5. (Observe que a APOL5 tem prazo de duas semanas), acesse sua APOL quantas vezes achar necessário e FINALIZE apenas uma vez. O HORÁRIO DE ABERTURA DAS APOLs SERÁ SEMPRE ÀS 18:00HS E O FECHAMENTO SERÁ AS 23:59HS NO HORÁRIO DE BRASÍLIA. CRONOGRAMA da Atividade Prática (AP) CRONOGRAMA das AVALIAÇÕES | Módulo C - 2019 FASE I - Vigência da disciplina: 09/09 a 19/10 Realize a atividade prática conforme seu enunciado. Você poderá tirar dúvidas quanto a pontuação no documento APOLS, APS, PROVAS e MÉDIAS anexado na seção MATERIAL COMPLEMENTAR no seu ROTEIRO DE ESTUDOS As Provas Objetivas e Discursivas SÃO SEM CONSULTA. Se necessário, os formulários serão disponibilizados na própria prova. Caso o aluno não atinja a média mesmo após a prova de exame, deverá solicitar a Recuperação de Conceito Pago (RCP). As datas de solicitação para a RCP estão no calendário acadêmico. A solicitação deverá ser realizada no portal UNIVIRTUS - SERVIÇOS - SOLICITAÇÃO DE SERVIÇOS. Esta prova será liberada mediante o pagamento de taxa de serviço. PERÍODO DE REALIZAÇÃO DE PROVAS REGULARES (OBJETIVA E DISCURSIVA) entre os dias 21/10 e 08/11. Deverão ser realizadas no POLO, na presença do tutor responsável. Lembre que é necessário agendar junto ao seu POLO o dia e horário de cada prova. PERÍODO DE SOLICITAÇÃO DE PROVAS DE SEGUNDA CHAMADA / SUBSTITUTIVA entre os dias 11/11 e 20/11. A solicitação deve ser realizada no portal UNIVIRTUS - SERVIÇOS - SOLICITAÇÃO DE SERVIÇOS. Esta prova será liberada mediante o pagamento de taxa de serviço. PERÍODO DE REALIZAÇÃO de PROVAS de SEGUNDA CHAMADA / SUBSTITUTIVA entre os dias 25/11 e 29/11. Deverão ser realizadas no POLO, na presença do tutor responsável. Lembre que é necessário agendar junto ao seu POLO o dia e horário de cada prova. PERÍODO de REALIZAÇÃO de PROVAS de EXAME entre os dias 03/02 e 14/02. As provas de exame só se aplicam para os alunos que não atingiram a média. SEM Custo e com agendamento junto ao seu POLO. TABELA DE DATAS DE AVALIAÇÕES Dia Horário (Brasília) Dia Horário (Brasília) APOL 1 16/09/2019 18:00:00 30/09/2019 23:59:00 APOL 2 23/09/2019 18:00:00 07/10/2019 23:59:00 APOL 3 30/09/2019 18:00:00 14/10/2019 23:59:00 APOL 4 07/10/2019 18:00:00 21/10/2019 23:59:00 APOL 5 14/10/2019 18:00:00 28/10/2019 23:59:00 AP 16/09/2019 18:00:00 28/10/2019 23:59:00 PROVAS REGULARES 21/10/2019 AGENDAR com o POLO 08/11/2019 AGENDAR com o POLO SOLICITAÇÃO DE 2ª CHAMADA / SUBSTITUTIVA 11/11/2019 SOLICITAR no Portal UNIVIRTUS 20/11/2019 SOLICITAR no Portal UNIVIRTUS PROVAS DE 2ª CHAMADA / SUBSTITUTIVA 25/11/2019 AGENDAR com o POLO 29/11/2019 AGENDAR com o POLO PROVAS DE EXAME 03/02/2020 AGENDAR com o POLO 14/02/2020 AGENDAR com o POLO Início Término Observações A solicitação deverá ser realizada no portal UNIVIRTUS - SERVIÇOS - SOLICITAÇÃO DE SERVIÇOS. Esta prova deverá ser liberada mediante pagamento de taxa de serviço. Realização das Provas de 2ª chamada. Cada disciplina possui DUAS provas (OBJETIVA/DISCURSIVA) As provas de exame só se aplicam para os alunos que não atingiram a média. Conforme Material Complementar Cada disciplina possui DUAS provas regulares,sendo uma objetiva e outra discursiva