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Base das relações privadas Relações jurídicas Embora a base do direito civil esteja sobretudo no direito romano, que é um direito milenar, não foi o direito romano quem previu o conceito de relações jurídicas, ou seja, quem regulou de forma específica esse tema foi a escola histórica chamada de pandecistica, principalmente com o autor Savigny, Essa escola propôs a delimitação da relação jurídica como uma espécie de relação social à qual o direito regula através de normas jurídicas. Dentro dessa escola prevaleceu a teoria personalista em oposição a teoria normativista e essa teoria majoritária define relação jurídica como a relação que une dois sujeitos ( ativo e passivo) através de um vínculo jurídico que estabelece direitos em oposição à deveres jurídicos, por exemplo: numa relação jurídica contratual de locação, o locador é credor do pagamento a ser feito pelo locatário e devedor ao mesmo tempo da obrigação de ceder a pose/uso do seu bem pelo tempo e condições previstas no contrato. Conceito e Conteúdo Conceito: é um vínculo entre pessoas, em virtude do qual uma delas pode pretender algo a que a outra está obrigada (Savigny). As relações jurídicas são aquelas que, em decorrência de certos fatos, ligam pessoas, na medida em que criam, transmitem ou modificam direitos e obrigações, ou desvinculam pessoas, quando estinguem direitos e obrigações. Ex: ao se separar e não tiver acordo, é criado a obrigação do pai pagar pensão ao filho. Relação jurídica- Autor - Réu Juiz (estado) *Prescrição: perda do direito de ação em razão do tempo (lapso temporal). Seria uma forma de extinguir direitos. Toda relação jurídica é também uma relação social. Contudo, nem toda relação social se constitui em uma relação jurídica. Não há relação jurídica entre pessoa e coisa. A relação jurídica é vínculo entre pessoas. Conteúdo: é o poder conferido ao titular do direito subjetivo. Este conteúdo vem a ser, o poder ou os poderes em que o titular do direito é admitido a fazer ou a pretender. Ex: na propriedade, o conteúdo do direito são os poderes que competem ao proprietário sob a tutela do ordenamento jurídico (uso, fruição, transformação, disposição etc.) Assim, os homens ao estabelecerem uma relação jurídica, criam entre si direitos e obrigações. Tais direitos e obrigações compõem o conteúdo da relação jurídica. Autor Réu Direito subjetivo dever jurídico Sujeito ativo sujeito passivo Propõem ação Elementos: Pessoa Natural e Pessoa Jurídica Pessoa natural: O início da existência da pessoa natural se dá com a vida. É todo ente dotado de estrutura bi psicológica. Aquele que pode assumir obrigações e titularizar direitos. Pessoa jurídica: é uma entidade/grupo formada por individuo e reconhecida pelo estado como detentora de direitos (empresas, governos etc.). Obs.: aqueles que já completaram a maioridade civil (ou seja, já possuem 18 anos ou mais), porém, por conta de alguma doença mental – ou por alguma outra razão, listada em lei – não possuem capacidade de autodeterminação, de gerir seus próprios interesses. Embora eles sejam adultos, que, teoricamente, poderiam exercer os atos jurídicos, a doença (ou o outro motivo) lhes retira a “capacidade” para tanto. E por isso precisam de um representante. Este representante exercerá a “curatela” daquele incapaz. Objeto Jurídico O objeto pode ser explicado como a coisa sobre a qual recai o direito do sujeito ativo, e o dever do sujeito passivo. Vale dizer que o objeto da relação jurídica sempre será um bem, que pode ser patrimonial ou não, ou seja, pode possuir valor financeiro ou não. Com relação ao objeto, as relações jurídicas podem se distinguir em: relações jurídicas pessoais, quando o objeto da relação se refere a um modo de ser da pessoa (exemplo: honra, imagem, liberdade); relações jurídicas obrigacionais, nas quais o objeto da relação é uma prestação (obrigações de dar, fazer ou não fazer); relações jurídicas reais, aquelas em cujo objeto é uma coisa, como no caso da posse de uma casa. Mas deve-se atentar que, embora, o objeto da relação seja uma coisa, a relação jurídica não é entre coisa e pessoa, mas uma relação entre o titular da coisa e os não titulares, em que a titularidade da coisa, valerá contra qualquer pessoa, mesmo que não determinada. Vínculo Jurídico O vínculo jurídico é o elemento abstrato da relação obrigacional e é aquele que lhe confere exigibilidade e coercibilidade; preza, pois, pelo cumprimento do compromisso fixado entre os sujeitos em relação a determinado objeto, lançando a responsabilidade sobre aquele que violar o acordado. Traduz, por conseguinte, o direito subjetivo do credor de ver a obrigação adimplida e o dever do devedor de se comportar nessa direção. É no âmbito do vínculo jurídico que são mais sensíveis as mudanças e evoluções históricas ocorridas no Direito Obrigacional, levando em consideração as formas pelas quais atribuiu, ao longo da história, efeitos à inadimplência do devedor. Personalidade jurídica: 1.1 É uma criação social, exigida pela necessidade de por em movimento o aparelho jurídico. Personalidade jurídica, portanto, para a teoria geral do direito civil, é a aptidão genérica para titularizar direitos e contrair obrigações, ou, em outras palavras, é o atributo para ser sujeito de direito. Adquirida a personalidade, o ente passa a atuar, na qualidade de sujeito de direito (pessoa natural ou pessoa jurídica) Essa disposição, como já se infere, permite a ilação de que personalidade jurídica é atributo de toda e qualquer pessoa, seja natural ou jurídica. Aquisição da personalidade jurídica: 1.2 a pessoa natural, para o direito, é, portanto o ser humano, enquanto sujeito/destinatário de direito e obrigações. No instante em que principia o funcionamento do aparelho cardiorrespiratório, o recém-nascido adquire personalidade jurídica, tornando-se sujeito de direito, mesmo que venha a falecer minutos depois. O nascituro 1.3 LIMONGI FRANÇA citado por FRANCISCO AMARAL define os como sendo “o que está por nascer, mas já concebido no ventre materno” O código civil trata o nascituro quando, posto não o considere explicitamente pessoa, coloca a salvo os seus direitos desde a concepção. Adotada a teoria natalista, segundo a qual a aquisição da personalidade opera-se a partir do nascimento com vida, conclui-se que não sendo pessoa, o nascituro possuirá mera expectativa de direito. Tradicionalmente, a doutrina, no brasil, segue a teoria natalista, embora, a visão concepcionista ganhe mais força na jurisdição do nosso país. SILMARA CHINELATO E ALMEIDA, defensora da tese concepcionista: “juridicamente, entram em perplexidade total aqueles que tentam afirmar a impossibilidade de atribuir capacidade ao nascituro ‘por este não ser pessoa’. A legislação de todos os povos civilizados é a primeira a desmenti-lo. Não há nação que se preze (até a china) onde não se reconheça a necessidade de proteger os direitos do nascituro (código chinês, art. 1º). Ora, quem diz direitos, afirma capacidade, quem afirma capacidade, reconhece personalidade.)”. Termos: Direito objetivo Normas agendi ou normas de agir o conjunto de normas que regi uma sociedade. Refere-se ao ordenamento jurídico vigente. Tudo aquilo que está previsto por lei. Direito subjetivo Facultas agendi ou faculdade de agir Opção de agir ou não. É o poder do indivíduo de fazer valer seus direitos baseado no saber da existência do direito objetivo. Características evidentes do direito subjetivo: O direito subjetivo corresponde a uma pretensão conferida ao titular, paralelamentea um dever jurídico imposto a outrem; Admite violação, pois o terceiro pode não se comportar de acordo com a pretensão do titular (gerando o direito de indenização pelo prejuízo causado); É coercível, podendo o sujeito ativo coagir o passivo a cumprir seu dever; O seu exercício depende, fundamentalmente, da ação do titular. “A lei diz tal coisa (objetivo) então eu tenho direito (subjetivo) de exigir tal coisa.” Exemplificação CC “art.481. pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir certa coisa, e o outro a pagar-lhe certo preço em dinheiro.” Lei (direito objetivo) A elaboração de um contrato de compra e venda de um imóvel em que o pagamento se dará mediante a entrega das chaves (direito subjetivo) CC “art.389. não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos e honorários do advogado” Lei (direito objetivo) O ajuizamento de uma ação de cobrança pelo inadimplemento de um contrato de serviços de buffet para casamento, no qual o serviço foi pago, mas não foi realizado. Nota mental 1º no direito subjetivo há uma ideia de direito-dever.ao dever do direito passivo corresponde um direito do sujeito passivo. 2º Todo direito subjetivo implica na capacidade de relação ou omissão sob um direito.