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História de Roma, da Monarquia à República

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História de Roma 
Da Monarquia à República 
 
 
Roma: fundamentos 
 
Principais períodos da história de Roma. Situada na planície do Lácio, às 
margens do rio Tibre e próxima ao litoral (mar Tirreno), a cidade de Roma 
originou-se a partir da fusão de dois povos: os latinos e os sabinos. Inicialmente 
uma aldeia pequena e pobre, numa data difícil de precisar Roma foi conquistada 
pelos seus vizinhos do norte, os etruscos, que dela fizeram uma verdadeira 
cidade. Os romanos eram também vizinhos dos gregos, que, ao sul, haviam 
criado a chamada Magna Grécia, onde habitavam desde a época da fundação de 
Roma. Dos etruscos e dos gregos os romanos receberam importantes influências 
e, com base nelas, elaboraram a sua própria civilização. A sociedade romana, 
como a grega, é exemplo de sociedade escravista, embora difira desta em alguns 
aspectos fundamentais. O processo de concentração de terras pela aristocracia 
patrícia jamais foi bloqueado, e o poder e a influência daquela camada social 
permaneceram praticamente inalterados até o fim. O elemento central da grande 
estabilidade desfrutada por Roma foi a instituição do latifúndio escravista, que, 
estabelecido ali numa escala desconhecida pelos gregos, proporcionou aos 
patrícios o controle sobre os rumos da sociedade. À solidez econômica e política 
da situação dos patrícios somou-se o talento militar dos romanos, que fez de 
Roma, uma Cidade-Estado, a sede de um poderoso império. Como os gregos, os 
romanos iniciaram sua história sob o regime monárquico (fundado por Rômulo, 
segundo a lenda), experimentaram a república e terminaram os seus dias sob o 
domínio de um império universal despótico e muito parecido com os modelos 
orientais. Monarquia (753 - 509 a.C.), República (509 - 27 a.C.) e Império (27 
a.C. - 476 d.C.) são os três períodos em que se costuma dividir a história de 
Roma. O período do Império, por sua vez, é subdividido em Alto Império e 
Baixo Império. O Alto Império (27 a.C. - 235 d.C.) é a fase em que esteve em 
vigor o regime político do principado. O Baixo Império (235-476), o regime 
político do dominato. 
 
 
 
 
 
 
Monarquia 
 
1. Patrícios e plebeus. 
 
Desde o tempo da Monarquia, a sociedade romana encontrava-se dividida em 
patrícios e plebeus. Os patrícios pertenciam à camada superior da sociedade, e 
os plebeus, à camada inferior. O que distinguia a ambos era a gens uma 
instituição análoga ao genos grego. Somente os patrícios pertenciam às gentes 
(plural de gens). Uma gens congregava os indivíduos que descendiam, pela 
linha masculina, de um antepassado comum. Portanto, a gens nada mais era 
do que família em sentido amplo. Em outras palavras, gens era o nome que os 
romanos davam àquilo que conhecemos como clã. E, como qualquer clã, a 
gens era composta de várias famílias individuais. Uma gens distinguia-se de 
outra pelo nome: gens Lívia, gens Fábia, etc. e todos os seus membros traziam 
o nome da gens. O nome dos patrícios era composto de três elementos: o 
prenome, o nome gentílico, ou da gens, e o cognome ou designação especial, 
uma espécie de apelido. Exemplos: Lúcio Cornélio Sila, Caio Júlio César, etc. 
Quer dizer: Sila era membro da gens Cornélia, e César, da gens Júlia. Com a 
conquista etrusca de Roma e ao longo do governo dos três últimos reis 
etruscos, a desigualdade entre patrícios e plebeus se aprofundou. Os patrícios 
não cessavam de ampliar o seu poder com o recrutamento de clientes. Essa 
palavra para nós, sinônimo de “freguês”, designava, para os romanos, um 
conjunto de dependentes que, em troca de lealdade e serviços, recebia favores 
das famílias patrícias. A clientela formava uma categoria social especial de 
agregados dessas famílias, cuja origem parece não ser a mesma dos plebeus. 
Primitivamente, clientes e plebeus eram duas categorias diferentes que 
acabaram, com o tempo, fundindo-se numa só, como veremos adiante. Toda 
grande família patrícia tinha a sua clientela. Em 479 a.C. a gens Fábia, por 
exemplo, era constituída por 306 membros e tinha de 4 a 5 mil clientes. 
Porém, por volta do ano 100 a.C. era freqüente plebeus se dizerem clientes de 
uma família rica para receber dela algum amparo. Como categoria social, os 
plebeus continuaram sendo os que não pertenciam a nenhuma gens. A menor 
unidade social era, pois, a gens. Um certo número de gentes formava uma 
cúria, e dez cúrias formavam uma tribo. Há, portanto, nessa organização certo 
paralelismo com a da Grécia: Roma: gens - cúria - tribo Grécia: genos - fratria 
- tribo As tribos romanas Existiam em Roma, primitivamente, três tribos 
étnicas. Por volta de 470 a.C. elas foram substituídas por tribos territoriais. 
Em 241 a.C. atingiu-se, no total, 35 tribos territoriais (quatro urbanas e 31 
rurais). Esse total não foi mais ultrapassado. Cada gens era chefiada por um 
pater (“pai”). Os membros das cúrias reuniam-se em assembléias 
denominadas comícios curiatos, que votavam as leis. Os chefes das gentes, os 
patres (plural de pater e palavra da qual se origina patrício), formavam o 
Senado, ou seja, o conselho superior que atuava com o rei na época da 
Monarquia e que se converteu, durante a República, no órgão dirigente 
supremo. A palavra senado deriva do latim senex, que significa “velho”. O 
Senado era, pois, um conselho de anciãos, uma instituição muito comum na 
Antiguidade. Seu equivalente, na Grécia, era a Gerúsia, em Esparta. 
Inicialmente composto de cem membros, o Senado passou a ter depois 
trezentos e, mais tarde, seiscentos membros. Os que não pertenciam a 
nenhuma gens eram plebeus e, por esse motivo, estavam excluídos da vida 
política. Sem direitos políticos, eram considerados cidadãos de segunda 
classe. Mas, atenção, ser plebeu não significava ter uma condição econômica 
inferior ou de pobreza. 
 
2. As reformas servianas. 
 
Sérvio Túlio, o segundo rei etrusco, é tido como o realizador de diversas 
reformas que favoreceram os plebeus. Ele criou várias gentes, promovendo 
famílias plebéias à condição de nobres, organizou assembléias militares, os 
comícios centuriatos, e estimulou o comércio e o artesanato visando fortalecer 
economicamente os plebeus. Essas medidas, que a tradição atribuiu a Sérvio 
Túlio, ficaram conhecidas como reformas servianas. O objetivo do rei, 
entretanto, não era propriamente beneficiar os plebeus, mas fortalecer o poder 
monárquico. A criação de uma classe plebéia vigorosa tinha por fim a 
neutralização do poder dos patrícios, ou seja, algo semelhante ao pretendido 
pelos tiranos, como Pisístrato, na Grécia. Mas em Roma essa política não teve 
o mesmo efeito. 
 
Comícios Centuriatos 
 
Centúria era o nome de uma unidade de infantaria com oitenta combatentes e 
não cem, como a denominação sugere. Dos comícios centuriatos participavam 
todos os cidadãos mobilizáveis para o exército, incluindo os plebeus: Ao criar 
essas assembléias, Sérvio Túlio deu aos plebeus os meios para sua expressão 
política. 
 
3. A queda da Monarquia. 
 
Foi um movimento dos patrícios desejosos de manter seus privilégios contra a 
política “popular” de Sérvio Túlio. Tarquínio, chamado de “O Soberbo”, deu 
continuidade à política de seu antecessor. Os patrícios reagiram em 509 a.C. 
contra aquela política, destronando Tarquínio e dando fim à Monarquia. Para 
a felicidade dos patrícios, o êxito do movimento foi assegurado em boa parte 
pelo declínio da civilização etrusca, que não conseguiu realizar uma 
intervenção pronta e eficaz em Roma. Assim nasceu a República romana. A 
fundação da República. 
 
1. A reorganização dos poderes na República. 
 
Vitoriosos, os patrícios fizeram algumas
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