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gestão empresarial negócios internacionais Estratégias dE Entrada no MErcado intErnacional 5 ObjetivOs da Unidade de aprendizagem Apresentar e discutir as estratégias de entrada no mercado internacional: exportação, importação, licen- ciamento, aliança estratégica, aquisição e investi- mento direto. COmpetênCias Analisar as vantagens proporcionadas e as estratégias que podem ser utilizadas no processo de internacionali- zação dos negócios. Habilidades Descrever o processo de internacionalização dos negócios. Negócios iNterNacioNais Estratégias dE Entrada no MErcado intErnacional ApresentAção Nas Unidades anteriores você estudou que vivemos num mundo globalizado. A globalização dos mercados é um fe- nômeno mundial, um processo irreversível. A tecnologia da informação, o aumento do comércio mundial, os avanços na logística do transporte internacional são fatores que contri- buíram para a globalização de mercados. Você estudou que o planejamento estratégico é uma ferra- menta fundamental para que a empresa conduza os seus ne- gócios neste mundo globalizado e cada vez mais competitivo. Nesta Unidade você terá acesso a um conteúdo que permi- tirá você saber a importância da definição estratégica para a atuação de uma empresa no mercado internacional. Você terá a oportunidade de conhecer quais são as es- tratégias de internacionalização que uma empresa pode adotar, sendo que apresentaremos as características de cada uma das estratégias. Tudo isso a fim de possibilitar que você avalie qual estratégia melhor se adéqua a decisão da empresa em atuar internacionalmente. pArA ComeçAr Você viu nas Unidades anteriores que a globalização dos mercados é um fenômeno mundial e trata-se de um pro- cesso irreversível. O fenômeno da globalização foi motivado (ou provoca- do) pelo avanço da tecnologia, de maneira geral, e principal- mente da tecnologia da informação. O aumento do comér- cio mundial também é um fator motivador. Os avanços na logística do transporte internacional também contribuíram para a globalização de mercados, ou seja, vivemos em um mundo globalizado! Você estudou que a empresa tem que se posicionar estrategicamente neste mundo globalizado, mundo este que se mostra cada vez mais competitivo. Agora quais as estratégias que uma empresa pode adotar para atuar in- ternacionalmente? Negócios Internacionais / UA 04 Estratégias de Entrada no Mercado Internacional 4 Para começar propomos para você uma discussão: 1. Para você... O que é estratégia? 2. Para você... O que significa uma empresa se internacionalizar? Fez seus apontamentos? Ótimo! Avançaremos agora nesta Unidade e você terá acesso a um conteúdo que trará resposta a estas questões e permitirá você saber a importân- cia da definição estratégica para a atuação de uma empresa no merca- do internacional. Você terá, também, a oportunidade de conhecer quais são as estra- tégias de internacionalização que uma empresa pode adotar. As carac- terísticas de cada uma das estratégias são apresentadas de forma que você possa avaliar qual estratégia se adequa à decisão da empresa em atuar internacionalmente. Vamos aos estudos? FundAmentos 1. retOmandO O COnCeitO de estratégia Como disciplina neste semestre, você está tendo a disciplina “Planejamen- to e Gestão Estratégica”. Este Planejamento Estratégico, em linhas gerais, compreende a base sob a qual a empresa está desenvolvida, sendo o re- sultado da determinação da missão da empresa, bem como dos objetivos de cada área de negócio. Já estratégia pode ser definida segundo Hitt; Hireland e Hoskisson (2008) como “um conjunto integrado e coordenado de compromissos e ações, cujo objetivo é explorar as competências essenciais e alcançar uma vantagem competitiva”. Então podemos entender estratégia como as ações empreendidas por uma empresa para alcançar uma vantagem competitiva (diferencial competitivo). A definição de melhores estratégias possibilitará à empresa atingir os seus objetivos. 2. e sObre a estratégia de internaCiOnalizaçãO? Ao acompanhar o noticiário, seja na mídia impressa ou na eletrônica, você deve ter notado que com a globalização, cada vez mais, as empresas têm se envolvido com os negócios internacionais. Para tanto é importante que caso a empresa decida por atuar no mercado internacional ela incorpore essa sua decisão ao seu planejamento estratégico de forma a ter uma Negócios Internacionais / UA 04 Estratégias de Entrada no Mercado Internacional 5 melhor orientação. Em relação ao planejamento estratégico, você está co- nhecendo mais na disciplina “Planejamento e Gestão Estratégica”. Também você e seus colegas discutiram o que significa uma empresa se internacionalizar. Certo?! Bem agora que você já tem pontos de refe- rência deste significado a partir da discussão com seus colegas, nós pode- mos definir que a internacionalização de uma empresa como o processo pelo qual a empresa deixa de atuar apenas no seu mercado de origem e passa a atuar além das suas fronteiras, ou seja, passa a atuar nos mer- cados internacionais. Esta atuação pode acontecer por meio de diversos modos; desde uma exportação até uma subsidiária no exterior. ConCeito A internacionalização de uma empresa corresponde ao pro- cesso pelo qual a empresa deixa de atuar apenas no seu mercado de origem e passa a atuar além das suas fronteiras, ou seja, passa a atuar nos mercados internacionais. Como você pôde observar no conceito apresentado que a atuação inter- nacional de uma empresa pode acontecer de várias estratégias de inter- nacionalização, dentre as quais citamos a exportação, a importação, o acordo de licenciamento, as alianças estratégicas, a aquisição e os investi- mentos diretos no exterior, por meio de novas subsidiárias. Em breve trataremos de cada uma dessas estratégias de internaciona- lização. Antes, vamos falar um pouco sobre os motivos que levam uma empresa a se internacionalizar. Na Figura 1 poderá ser observado que a empresa que decidir por se internacionalizar deve identificar as oportunidades internacionais existen- tes e a partir disso definir quais as estratégias internacionais que ela pode adotar, definindo na sequência a estratégia ou o modo de entrada no mercado internacional. Se o processo de internacionalização for conduzi- do de maneira organizada e planejada, os resultados da competitividade estratégica serão alcançados. Atenção A identificação das oportunidades internacionais por parte da empresa e a definição adequada da estratégia internacio- nal a ser adotada pela empresa, melhor possibilitará que os resultados da competitividade estratégica sejam alcançados. Negócios Internacionais / UA 04 Estratégias de Entrada no Mercado Internacional 6 identifique as oportunidades internacionais Maior tamanho de mercado Retornos sobre investimentos Economias de escala e aprendizagem Vantagens na localização explore os recursos e estratégias internacionais Estratégia internacional no nível de unidades de negócios Estratégia multidoméstica Estratégia global Estratégia transnacional utilizar as competências modos de entrada Exportação Licenciamento Alianças estratégicas Aquisições Nova subsidiária integral resultados da competitividade estratégica Melhor desempenho Inovação 1 Problemas de riscos e de administração1 3. mOtivações na deCisãO de internaCiOnalizaçãO da empresa A literatura apresenta várias motivações que levam uma empresa a se internacionalizar. Hitt; Hireland e Hoskisson (2008) destacam como motivos para a in- ternacionalização de uma empresa: o aumento do tamanho do mercado, superando, por meio da atuação internacional, os limites de crescimento impostos por mercados já atendidos e que apresentam baixa taxa de cres- cimento. Outromotivo seria a melhoria da rentabilidade, ao permitir, por exemplo, a diluição dos custos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e a diminuição do risco das variações cambiais pela distribuição das atividades em vários países, bem como o aproveitamento das economias de escala e de escopo de atuação. Por fim, esses autores esclarecem que devem ser consideradas as vantagens de localização relacionada ao acesso a maté- rias-primas ou à proximidade em relação a importantes consumidores. Minervini (2008) também destacada vantagens na internacionalização dos negócios de uma empresa: Vantagens em internacionalizar um negócio1 → Economia de escala, pela expansão do mercado consumidor, dando à empresa maior competitividade; → Condições de a empresa programar melhor a produção, concentran- do seus esforços em poucos modelos e grandes quantidades; → Condições de obter preços mais rentáveis, principalmente se o pro- duto exportado for típico do país exportador; possibilidade de am- pliar o ciclo de vida de um produto; Figura 1. Oportunidades e Consequências da Estratégia Internacional. Fonte: Elaborado a partir de Hitt; Hireland e Hoskisson, 2008. 1. Elaborado a partir de Minervini (2008). Negócios Internacionais / UA 04 Estratégias de Entrada no Mercado Internacional 7 → Diversificação de riscos, já que a empresa não irá depender somente do mercado interno; → Melhoria na imagem para com os fornecedores, bancos e clientes, dado que internacionalizar requer qualidade e é veículo de com- petitividade; → Equilíbrio contra a entrada de competidores no mercado interno, reduzindo o impacto da presença dos concorrentes; → Maior desenvolvimento geral da empresa. 4. estratégias de entrada nO merCadO internaCiOnal 4.1. Exportação E Importação A exportação e a importação correspondem a estratégias que uma em- presa pode adotar para atuar no mercado internacional, podendo ser classificada em exportação e/ou importação direta ou indireta. 4.2. Exportação E Importação dIrEta A empresa que optar pela exportação direta será responsável por tudo o que se refere a exportação – prospecção de mercados, negociação in- ternacional, operacionalização da exportação. Desta forma, a exportação direta exigirá da empresa uma organização profissional, humana e finan- ceira. Mesmo trazendo uma maior responsabilidade para a empresa, a ex- portação direta permitirá um contato direto com o mercado internacional e, também, um aprendizado organizacional. Semelhante à exportação, na importação direta, a empresa que optar por esta modalidade, será responsável por tudo o que se refere a impor- tação, ou seja, desde a colocação do pedido no exterior até a entrada na sua fábrica ou armazém. 4.3. Exportação E Importação IndIrEta Ao decidir por atuar no mercador internacional por meio da exportação, a empresa poderá fazer uso da Exportação Direta ou da Exportação Indi- reta. Cada uma dessas alternativas será apresentada a seguir. 4.3.1. Exportação Indireta Na exportação indireta, a empresa pode atuar no mercado internacional por meio de uma empresa comercial (ou trading company) ou de um con- sórcio de exportação. Neste caso a empresa produtora das mercadorias que serão exportadas, não terá contato com o mercado internacional, pois haverá a figura do intermediário. A empresa produtora realiza uma Negócios Internacionais / UA 04 Estratégias de Entrada no Mercado Internacional 8 venda no mercado doméstico ao intermediário que será o responsável por colocar o produto no mercado internacional. 4.3.1.1. Empresa Comercial ou Trading Company Essas empresas têm como propósito de negócio a comercialização, poden- do comprar produtos fabricados por terceiros para revender no mercado interno ou destiná-los à exportação, assim como importar mercadorias e efetuar sua comercialização no mercado doméstico, ou seja, atividades tipicamente de uma empresa comercial. As empresas comerciais exportadoras que realizam a intermediação entre os produtores nacionais e os mercados externos mostram-se como uma alternativa estratégica importante para aquelas empresas que não se sentem capacitadas para atuar de maneira direta na exportação, pois essas empresas comerciais têm como negócio principal a atividade de co- mércio exterior (exportação e/ou importação), possuindo, assim, conheci- mento especializado, estrutura organizacional, profissionais e capacidade financeira que facilitam a colocação dos produtos no exterior. Um dos principais ganhos proporcionados por uma empresa comercial na exportação diz respeito a expertise destas empresas sobre a atividade de exportação. Como veremos mais adiante na unidade que tratará do “Sistema Brasileiro de Comércio Exterior”, os resultados favoráveis da ex- portação estão relacionados à boa condução da negociação internacional e do cumprimento das normas processuais que orientam esta atividade. Este motivo por si só já justificaria a decisão de atuar no exterior com a in- termediação de uma empresa comercial. No entanto, podemos observar que a minimização dos riscos (políticos, comerciais e financeiros) e o me- nor comprometimento de recursos apresentam-se como outros ganhos oferecidos pela exportação indireta. Em relação às desvantagens, com a exportação indireta há, por parte da empresa produtora, um distanciamento do mercado internacional. E empresa produtora também saberá como o seu composto mercadológico (produto, preço, promoção e ponto de distribuição) está sendo trabalhado no mercado internacional. 4.3.1.2. Consórcio de Exportação O consórcio de exportação é uma forma associativista de atuar nos negó- cios internacionais. O consórcio de exportação surgiu com uma alternativa para as empre- sas de menor porte que têm interesse de exportar os seus produtos, mas não se sentem preparadas e organizadas para atuar de modo direto. Negócios Internacionais / UA 04 Estratégias de Entrada no Mercado Internacional 9 Corresponde, segundo definição do Serviço Brasileiro de Apoio à Pe- quena e Média Empresa – SEBRAE, a um agrupamento de empresas com interesses comuns, reunidas em uma entidade estabelecida juridicamen- te sem fins lucrativos, trabalhados em cooperação, com objetivos comuns de melhoria da oferta exportável e de promoção de exportações. Silva (2008) em seu artigo “O Consórcio de Exportação Como Força Im- pulsora Para A Internacionalização das Empresas Produtoras de Joias e Pedras Preciosas do Estado de São Paulo”, apresenta as vantagens con- quistadas pelas empresas que decidem pela formação de um consórcio de exportação. As desvantagens também foram abordadas. Na Tabela 2 você encontrará as vantagens e desvantagens identificadas. As vantagens relacionadas representam as motivações percebidas pe- las empresas que veem no consórcio de exportação uma estratégia para os seus negócios internacionais. O sentido da cooperação, da união de esforços e do direcionamento de propósitos no que se refere a interna- cionalização das empresas consorciadas, representam os principais ga- nhos alcançados. vantagens desvantagens Divisão equitativa dos custos de exportação entre os associados. Escassez de financiamento. Aumento da oferta de produtos e maior diversificação. Discrepância no tamanho das empresas, as empresas temem sofrer concorrência das empresas maiores pertencentes a um mesmo consórcio. Contratação de profissionais de comércio exterior. Temor quanto à segurança de informações que as empresas membros consideram confidenciais. Maior poder de negociação com fornecedores, clientes, bancos, transportadoras e outras. Incerteza quanto a mudanças futuras nas empresas participantes, quando a desistência de uma empresa membro pode provocar o fracasso de todo o consórcio. Participação de cada associado a um conjunto comum, mais informações de mercado e aumentodas oportunidades de negócios comuns. Escassez de talento gerencial, a falta de pessoal qualificado nesta área. O consórcio deve ser considerado como parte auxiliar de cada empresa, como se fosse seu departamento de comércio exterior, realizando atividades para todos que um deles, isoladamente, não conseguiria custear. Acesso a importantes programas de ajuda técnica e financeira de governo ou de associações de classe. Após analisar as vantagens e desvantagens proporcionadas pelo consór- cio de exportação e considerando-o como uma alternativa viável para o ingresso no mercado internacional, a empresa que decidir por se associar a outras para a criação de um consórcio deve saber que será necessário o cumprimento de algumas etapas. As etapas para criação de um consórcio de exportação são indicadas na Tabela 2: Tabela 1. Vantagens e desvantagens oferecidas por um consórcio de exportação. Fonte: Silva, 2008. Negócios Internacionais / UA 04 Estratégias de Entrada no Mercado Internacional 10 primeira etapa Apoio à Criação do Consórcio Nessa fase, o principal objetivo é selecionar as empresas que formarão o consórcio (sensibilização, conscientização, diagnóstico e pré-pesquisa de mercado). segunda etapa Constituição do Consórcio É uma fase de curta duração, cujo objetivo é a instalação do consórcio, com ênfase nas ações administrativas e jurídicas (constituição da associação, estatuto e regimento interno). terceira etapa Apresentação do Projeto Complementar do Consórcio O objetivo nesta fase é comercializar os produtos do grupo. 4.4. acordo dE LIcEncIamEnto O licenciamento (licensing) é mais uma estratégia que pode ser adotada pela empresa no seu processo de internacionalização. Compreende a concessão do direito de uso da marca ou do know-how de uma empresa – a licenciadora, para uma empresa licenciada. O direito de uso implica- rá no pagamento de royalties ou alguma outra forma de remuneração à licenciadora. Como vantagens, podemos destacar o acesso mais facilitado por parte da licenciadora ao mercado externo, pois a empresa licenciada detém co- nhecimento do mercado alvo. Caso seja cedido o direito para que uma em- presa fabrique o produto da licenciadora no exterior, haverá a redução dos custos de produção. Os riscos dos investimentos para produzir, comercia- lizar e distribuir o produto e, por isso, é considerada a forma mais barata para iniciar o processo de comercialização externa. Entre as desvantagens do modelo está o pouco controle que a empresa tem sobre a produção e comercialização dos produtos (HITT, IRELAND e HOSKISSON, 2008). 4.5. aLIanças EstratégIcas As alianças estratégicas, segundo, Hitt, Ireland & Hoskisson (2008), repre- sentam mais uma alternativa estratégica para as empresas que preten- dem atuar internacionalmente. Podem ser entendidas como uma parceria firmada entre empresas, que irão combinar esforços, interesses, compe- tências e recursos no processo de internacionalização. Na formação de uma aliança estratégica, na maioria dos casos, nós te- remos uma empresa de um país anfitrião, que conhece e entende as con- dições competitivas e a natureza desse país, ou seja, os aspectos legais, políticos, econômicos, sociais e, também, culturais do país. Esse conheci- mento do mercado ajudará a empresa parceira a manufaturar e comer- cializar o seu produto de maneira mais competitiva. Para os autores, a parceria estabelecida numa aliança estratégi- ca permite às empresas compartilhar não só recursos, mas também Tabela 2. Etapas de criação de um consórcio de exportação. Fonte: Elaborado com base no Aprendendo a Exportar. Negócios Internacionais / UA 04 Estratégias de Entrada no Mercado Internacional 11 conhecimento. O propósito de adquirir novas capacidades, principalmen- te, as tecnológicas, apresenta-se como uma das principais motivações para uma aliança estratégica. Destacamos ainda, com base na referida fonte, que muitas as alianças fracassam, devido a incompatibilidade e os conflitos que surgem entre os parceiros. A dificuldade é maior ainda quando falamos de uma aliança estratégica internacional. 4.6. aquIsIçõEs Correspondendo a mais uma estratégia de internacionalização de empre- sa bastante utilizada, uma aquisição no exterior além de permitir um rá- pido avanço internacional, minimiza os riscos envolvidos no processo de internacionalização da empresa adquirente, pois por meio da aquisição esta empresa é favorecida do conhecimento de mercado – ambiente polí- tico, econômico e cultural – que a empresa adquirida detém. O rápido acesso a um novo mercado proporcionado pela estratégia de aquisição é destacado por Hitt, Ireland & Hoskisson (2008), que destacam também ser grande o risco de choque cultural entre a empresa adquiren- te e a empresa adquirida. 4.7. nova subsIdIárIa IntEgraL Esta estratégia de internacionalização também é conhecida como green- field venture. Segundo Hitt, Ireland & Hoskisson (2008), o estabelecimento de uma nova subsidiária totalmente própria é, muitas vezes, um processo complexo e potencialmente dispendioso, mas tem a vantagem de garantir à empresa o máximo controle e, portanto, possui o maior potencial para fornecer retornos acima da média. Isto é especialmente verdadeiro em relação a empresas com fortes capacidades intangíveis que poderiam ser alavancadas através de uma nova subsidiária. Os riscos também são elevados devido aos custos envolvidos no esta- belecimento de uma nova operação comercial num novo país. A empresa pode ter de adquirir o conhecimento e a habilidade no mercado existente, contratando ou pessoas naturais do país anfitrião, de empresas concor- rentes, ou consultores. Ainda assim, a empresa mantém controle sobre a tecnologia, marketing e distribuição de seus produtos. Alternativamente, a companhia deve construir novas instalações de manufatura, estabelecer redes de distribuição e aprender e implementar estratégias apropriadas de marketing para competir no novo mercado. antena pArAbóliCA Internacionalização das empresas brasileiras2 A internacionalização das empresas brasileiras é um dos aspectos fundamentais para a melhora da qualidade da inserção externa da economia. Há hoje uma pequena elite de empresas brasileiras internacionalizadas, mas isso ainda depende muito delas próprias. O país carece de uma estratégia mais integrada de internacionalização das empresas. A globalização da economia nos últimos dois decênios criou uma nova realidade competitiva. Os investimentos diretos estrangeiros (IDE), potencializados pelas estraté- gias de internacionalização das empresas, cresceram da média de US$ 100 bilhões no final da década de 1980 para cerca de US$ 600 bilhões nos anos 2000. Cerca de 30% desse volume é destinado a países em desenvolvi- mento. O Brasil conseguiu se colocar entre os principais recebedores desses recursos. No acumulado dos últimos sete anos, só perde para a China. No entanto, do outro lado da ponta, os investimentos brasileiros no exterior ainda são pouco expressivos. A questão é que há uma correlação cada vez maior entre IDE, comércio exterior e inovação. As mesmas em- presas que têm grande destaque nas operações de in- ternacionalização, são também as líderes no comércio internacional e na geração de inovações. Hoje, mais de 60% do comércio internacional é de responsabilidade das empresas transnacionais. Da mesma forma, a maio- ria absoluta das inovações, especialmente nas áreas de alta tecnologia, são geradas por essas empresas. A ino- vação constante passou a ser determinante para a su- premacia em um mercado cada vez mais competitivo. Entre os países em desenvolvimento, a Coréia do Sul é uma boa referência de criação de empresas e marcas globais. Apesar dos problemas, há empresas de origem coreana com atuação destacadainternacionalmente, inclusive no mercado brasileiro. As empresas chinesas 2. LACERDA, A. C. Internacionalização das empresas brasileiras. Disponível em: <http:// terramagazine.terra. com.br/interna/ 0,,OI2109468- EI7095,00-Internacio nalizacao+das+empre sas+brasileiras.html> começam a destacar-se internacionalmente, assim como a Índia é uma estrela potencial. No Brasil, há várias motivações adicionais para a in- ternacionalização das empresas. A primeira é superar barreiras tarifárias e não tarifárias às exportações, me- diante a produção in loco. A segunda motivação é de or- dem econômico-financeira. Gerar receitas em dólares se transforma em uma grande vantagem competitiva, da- dos o custo das operações de hedge e as oscilações de demanda no mercado doméstico. A terceira motivação é mercadológica. A melhor forma de garantir competitividade no mercado global é partici- par efetivamente dele. Isso implica não só exportar, mas criar frentes de produção e de serviços no exterior, ins- tituir canais de distribuição e de divulgação de marcas. É isso que vai ajudar a agregar valor às exportações e fortalecer nossas empresas. Assim como o Brasil precisa de investimento externo para complementar o investimento interno, é funda- mental criar empresas brasileiras de dimensão global. Daí a importância de elaborar uma clara estratégia nes- se sentido e eliminar os gargalos, para que as empresas brasileiras possam ampliar seus investimentos no Brasil e no exterior. Para isso é muito importante fortalecer o mercado de capitais como uma alternativa de capitalização das em- presas, o que pode ser complementado com linhas espe- cíficas do BNDES para esse fim. Da mesma forma, é pre- ciso reformar o sistema tributário, eliminando os efeitos cascata e desonerar investimentos, assim como diminuir os entraves burocráticos para a atuação das empresas. O Brasil pode ser muito mais conhecido no exterior. Para além do futebol, carnaval e samba, com suas marcas e empresas de sucesso! e AgorA, José? Nesta Unidade, você viu que cada vez mais empresas e estão buscando internacionalizar a sua atividade e que existem várias motivações para isso. Viu, também, que na decisão de se internacionalizar a empresa pode fa- zer uso de diversas estratégias ou modos de entrada no mercado internacional, sendo que destacamos a expor- tação, a importação, o acordo de licenciamento, as alian- ças estratégicas, a aquisição e os investimentos diretos no exterior, por meio de novas subsidiárias. Na próxima Unidade você conhecerá sobre “Contratos e cláusulas in- ternacionais de comércio”, um aspecto bastante impor- tante na atuação internacional das empresas. Negócios Internacionais / UA 04 Estratégias de Entrada no Mercado Internacional 15 glossário Hedge: instrumento que visa proteger opera- ções financeiras contra o risco de grandes variações de preço de determinado ativo. Know-how: conhecimento. Royalties: valor pago pela utilização de deter- minados direitos de propriedade. Subsidiária: empresa controlada por outra, a qual detém o total ou a maioria de suas ações. reFerênCiAs HITT, M. A., IRELAND, R. D., HOSKISSON, R. E. Ad- ministração Estratégica. São Paulo: Cen- gage Learning, 2008. MINERVINI, N. O Exportador: Ferramentas para atuar com sucesso nos mercados internacionais. São Paulo: Pearson, 2008 SILVA, G. A. F. O consórcio de exportação como força impulsora para a internacionaliza- ção das empresas produtoras de joias e pedras preciosas do Estado de São Paulo. In: XI SEMEAD Seminários em Administração FEA/USP, 2008, São Paulo. XI SEMEAD Semi- nários em Administração FEA/USP – Empre- endedorismo em organizações, 2008.