Logo Passei Direto

A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
16 pág.
PAPER COMPLETO - SEMINÁRIO DE PRÁTICA VII

Pré-visualização | Página 1 de 6

� PAGE \* MERGEFORMAT �13�
ECOS AFRICANOS NA LITERATURA BRASILEIRA
Acadêmicos¹: Sócrates Luiz de Melo
Tutor Externo²: Zeneida Martins da Silva
	
RESUMO
Este trabalho tem como cerne interpretativo analisar as influências culturais recíprocas que há entre o continente africano e o Brasil, principalmente no que diz respeito à literatura de língua portuguesa que é produzida nos países africanos, pautados neste mesmo raciocínio, verificaremos o interesse recente que essa literatura tem despertado no leitor brasileiro. Vamos analisar também qual a importância da criação da Lei 10.639/03, a qual traz a inserção da temática alusiva à História e a Cultura Afro-Brasileira e também Indígena, no currículo oficial da rede de ensino. Refletiremos sobre os avanços que ela trouxe à abordagem do ensino de Literatura dentro da sala de aula, com inferências pedagógicas dos professores, especificamente os de língua portuguesa, quanto ao uso da Literatura Afro-brasileira no processo ensino-aprendizagem, tendo em vista que um dos objetivos primordiais da educação é construir leitores proficientes que sejam capazes de desmitificar os preconceitos construídos historicamente em torno dessa Literatura.
Palavras-chave: Literatura Africana. Literatura Afro-Brasileira. Ensino de Literatura. 
1. INTRODUÇÃO
	Sabe-se que o ensino de literatura aqui no Brasil, ainda é algo a ser muito trabalhado e desenvolvido, há quem questione por que estudar a Literatura Portuguesa e os reflexos da literatura Africano na Brasileira? Ao abordarmos sobre Literatura, é imprescindível destacarmos que esse assunto foi, e ainda é, objeto de muitas discussões entre professores e pesquisadores da área. É conhecido, todavia, que nos diferentes momentos em que ela se manifesta, são-lhes dirigidas funções e características múltiplas, em convergência com a realidade cultural e social de cada época histórica/geográfica. Coaduna com essa propositura, o que diz Nicola (1999):
a literatura portuguesa, que já abrange oito séculos de produção, pode ser dividida em três longos espaços de tempo, acompanhando as grandes transformações vividas pela Europa: Era Medieval, Era Clássica e Era Romântica ou Moderna. Essas três grandes eras apresentam-se subdivididas em fases menores, chamadas de escolas literárias ou estilos de época. (NICOLA; 1999, p. 28).
	Os povos negros e indígenas brasileiros, por sua vez, exercem grandes influências tanto no folclórico como também no exótico, porém não sendo destacados como sujeitos históricos e partícipes, desse processo todo. Isso é um acontecimento que, infelizmente, arraigou-se há séculos na nossa cultura, poucos eram os professores, por exemplo, até uma década atrás, que discorriam a produção intelectual negra ou a colocavam, nas ementas escolares, fatos historicamente construídos e vividos por africanos e aqueles também escravizados no Brasil. Outro fato a ser destacado é que as práticas pedagógicas que são utilizadas aqui no Brasil têm, portanto, sua origem na filosofia ocidental. Os especialistas e intelectuais africanos são totalmente desconhecidos dos cursos universitários brasileiros, onde as abordagens acadêmicas que predominam são da história eurocêntrica, tomando como referências as quatro emblemáticas cronologias, quais sejam: antiga, medieval, moderna e contemporânea. Conforme mencionado por Gomes (2010), esta tradição histórica curricular é um dos fatores que tem impedido que o ensino de História da África e também sua Literatura, libertem-se das “armadilhas do quadripartismo histórico.”
	Diante disso, no item 2 (dois), na Fundamentação, iremos analisar as concepções tanto históricas quanto teóricas sobre a valorização das Produções Literárias Afro-brasileira, bem como a importância da Literatura dentro do contexto social e como nós professores podemos trabalhá-la em sala de aula. Depois disso, no item 3 (três), destacaremos quais foram os materiais e os métodos utilizados para a confecção deste Seminário de Prática VII. E por fim no item 4 (quatro), refletiremos quais foram os resultados e as discussões desenvolvidas.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
É sabido que a aprovação e valorização dos Escritos Literários, que são vindos da África, sofreram uma gama de preconceitos nefastos ao longo dos tempos, o filósofo Friedrich Hegel, que foi um dos criadores do idealismo absoluto em sua famosa Filosofia da História (2008), chegou a mencionar que a África era apenas um “rebento de selvageria, aquém da luz da história consciente”. Com respeito a isso, Achille Mbembe (2001) nos aponta que a discriminação, quanto aos escritos da Literatura Africana, representa um dos efeitos da filosofia eurocêntrica sobre a produção do conhecimento na África e sobre a África, que são frequentemente alicerçadas em vários significados normatizados e que se referem diretamente à escravidão e também ao colonialismo. 
	De acordo com o que ratificam Ali Mazrui e J. F. Ade Ajayi (2011), esse colonialismo provocou, dentre vários problemas, a inibição do desenvolvimento e criação de uma filosofia e também de uma ciência que fossem independentes da relação com o ocidente e à difusão africana moderna. Entre os fatores que impediram essa produção está, por exemplo, o processo de ensino utilizado na África e nas suas ex-colônias. Esses autores mencionam que a educação escolar, no continente africano, esteve mais relacionada à promoção religiosa que ao ensino científico propriamente dito, uma vez que a maior parte das escolas era na verdade subvencionada por missionários cristãos (MAZRUI ET AL., 2011, p. 769).
	As técnicas, tanto de leitura quanto da escrita, as quais são necessárias para a sociedade, atualmente seguem os avanços experimentados por elas. A variedade de propagação de informações, dos mais variados gêneros textuais, requer do leitor um maior grau de letramentos. Termo relativamente novo, colocado na Língua Portuguesa e utilizado para nomear essa habilidade da leitura, cujo significado ultrapassa o simples ato de alfabetizar, ou seja, atualmente o indivíduo necessita mais do que ser alfabetizado, precisa ser letrado.
(...) porque só recentemente passamos a enfrentar esta nova realidade social em que não basta apenas saber ler e escrever, é preciso também saber fazer uso do ler e do escrever. Saber responder às exigências de leitura e de escrita que a sociedade faz continuamente – daí o recente surgimento do termo. (SOARES, 2012, p. 20).
	Portanto, para a formação de um cidadão pleno, é necessário que se tenha a responsabilidade de capacitá-lo nas competências de uso da leitura e também da escrita, em todo o âmbito da sociedade, ou seja, estabelecer essas competências em instrumentos de vivência, com independência, dentro da sociedade. O teórico Goulart (2007, p. 40) apresenta-nos o processo de letramento como sendo “espectros de conhecimentos desenvolvidos pelos sujeitos nos seus grupos sociais, em relação com outros grupos e com instituições sociais diversas”. Explicitando, dessa forma, que os mesmos estão inseridos na vida cotidiana e também na vida social, com o manuseio do processo de linguagem escrita de forma tanto explícita como implícita em seus vários graus de maior ou menor complexidade. A escola, nesse víeis, é vista como a instituição principal responsável pelo estabelecimento desse processo de letramento, e para isso, apoia-se nas disciplinas que formam o currículo. A literatura, neste caso, corresponde a uma das maiores aliadas ao incentivo do hábito da leitura e, consequentemente, de leitores possuidores de várias competências. Cosson (2011) confirma a presença e importância da leitura literária no processo de letramento dos alunos em sala de aula.
Na escola, a leitura literária tem a função de nos ajudar a ler melhor, não apenas porque possibilita a criação do hábito de leitura ou porque seja prazerosa, mas sim, e sobretudo, porque nos fornece, como nenhum outro tipo de leitura faz, os instrumentos necessários para conhecer e articular com proficiência o mundo feito linguagem (COSSON,
Página123456