Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Proteção do Meio Ambiente 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Brasília-DF. 
 
 
 
 
Elaboração 
Luiz Roberto Pires Domingues Junior 
Marcel Anderson Borges Bento 
Paulo Celso dos Reis Gomes 
Produção 
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração 
 
 
Sumário 
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4 
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5 
INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7 
UNIDADE I 
PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE.............................................................................................................. 9 
CAPÍTULO 1 
MEIO AMBIENTE ....................................................................................................................... 9 
CAPÍTULO 2 
CAUSAS DOS PROBLEMAS AMBIENTAIS ................................................................................. 24 
CAPÍTULO 3 
CONTROLE DA POLUIÇÃO........................................................................................................ 38 
UNIDADE II 
GESTÃO AMBIENTAL............................................................................................................................. 56 
CAPÍTULO 1 
SUSTENTABILIDADE................................................................................................................ 56 
CAPÍTULO 2 
GESTÃO AMBIENTAL EM EMPRESAS/INSTITUIÇÕES.............................................................. 64 
UNIDADE III 
VENTILAÇÃO INDUSTRIAL E AS MEDIDAS DE PROTEÇÃO COLETIVA NO CONTROLE DE EMISSÕES ........... 97 
CAPÍTULO 1 
VENTILAÇÃO INDUSTRIAL E PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE .................................................... 97 
REFERÊNCIAS ............................................................................................................................... 156 
 
 
 
Apresentação 
Caro aluno 
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem 
necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela 
atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e 
modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – 
EaD. 
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos 
conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e 
atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a 
formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao 
mundo contemporâneo. 
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a 
facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira. Conselho Editorial4 
 
 
Organização do 
Caderno de Estudos e 
Pesquisa 
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, 
subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão 
abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre 
outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao 
final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os 
estudos com leituras e pesquisas complementares. 
A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos 
Cadernos de Estudos e Pesquisa. 
Provocação 
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado 
assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho 
pertinente para o autor conteudista. 
Para refletir 
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça 
uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o 
ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, 
suas experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a 
construção de suas conclusões. 
Sugestão de estudo complementar 
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para 
aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros 
presenciais quando for o caso. 
 
 
Praticando 
Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo 
didático de fortalecer o processo de aprendizagem do aluno. 
Atenção 
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam 
para a síntese/conclusão do assunto abordado. 
Saiba mais 
Informações complementares para elucidar a construção das 
sínteses/conclusões sobre o assunto abordado. 
Sintetizando 
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, 
facilitando o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos. 
Para (não) finalizar 
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar 
a aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o 
módulo estudado. 
 
 
Introdução 
O presente Caderno de Estudos e Pesquisa foi elaborado com o objetivo de 
propiciar conhecimentos acerca do contexto educacional com foco na 
Proteção do Meio Ambiente. 
A cada capítulo pensamos nas horas que você dedica ao trabalho destinado 
às atividades educativas bem como às práticas desenvolvidas no cotidiano de 
um ambiente universitário. Lembrando sempre de que você é protagonista 
da história que estamos construindo a partir de agora. 
Para nos conceituarmos, os estudantes de Engenharia de Segurança do 
Trabalho de hoje, serão a próxima geração de pesquisadores e profissionais 
altamente capacitados a exercer profissões diversas (áreas de segurança e 
saúde do trabalho). Ainda estamos longe de entender completamente os 
sistemas ambientais. Faz parte deste contexto, voltar-se ao meio ambiente 
como um todo para entender e integrar as funções de cada ecossistema. 
Desde o início dos tempos, quando o homem tentava dominar a energia 
através do controle do fogo, ele passou a interferir diretamente no meio 
ambiente. Os impactos ambientais sofridos pela Terra devido à ação 
antrópica já são discutidos há muito tempo, mas para confrontar a ideia de 
que os recursos naturais são ilimitados a questão ambiental passou a ser 
objeto de intensa preocupação para vários países, principalmente, após 1970, 
com a primeira crise do petróleo, quando a sociedade de uma forma geral 
despertou para os limites dos recursos naturais. 
A origem do movimento global de defesa do meio ambiente de forma 
pragmática se efetivou após o manifesto do Clube de Roma na década de 70, 
que fez uma previsão dos riscos decorrentes do crescimento econômico 
continuo sedimentado em recursos naturais escassos. 
Na última década do século XX, a tomada da consciência mundial quanto à 
importância das questões ambientais, dissemina as abordagens que se 
fundamentam na premissa que: “os custos da qualidade de vida em seu 
orçamento, pagando o preço de manter limpo o ambiente em que vive” (Vale, 
1996). Desta forma, várias instituições econômicas e produtivas (fábricas, 
 
 
firmas, comércio...) passaram a inserir em sua cadeia produtiva os custos 
necessários para manter a qualidade de vida e o bem-estar coletivo. Paradigma 
este que fez com que na metade da década de 90, diversos normativos 
internacionais, do porte da ISO, concretizassem de forma coerente tal 
demanda da sociedade, passando as instituições a buscarem marcosconceituais e metodológicos como: “certificação ambiental” e “gestão 
ambiental”. Esta apostila lhes fornecerá uma visão integrada da proteção do 
meio ambiente para o início de uma carreira profissional respeitado o real 
entendimento da complexidade deste processo. 
Bons estudos! 
 
 
 
Objetivo 
» capacitar o aluno para compreensão das principais conceitos 
associados à preservação do meio ambiente; à poluição 
ambiental, ao desenvolvimento sustentável e aos 
instrumentos de gestão ambiental. 
 
 
10 
 
 
 PROTEÇÃO UNIDADE I 
DO MEIO AMBIENTE 
CAPÍTULO 1 
Meio Ambiente 
Introdução 
O Engenheiro de Segurança do Trabalho tem um papel importante de avaliar a diversidade de 
ambientes laborais e garantir que um ou mais trabalhadores tenham qualidade em sua 
jornada de trabalho, para tanto uma das principais atribuições deste profissional visa: 
» assegurar que o trabalhador não corra riscos de acidentes em sua atividade 
profissional, sejam eles danos físicos ou psicológicos. 
» administrar e fiscalizar o atendimento aos requisitos de segurança no ambiente 
laboral (Indústria da Construção e Setor Industrial). 
» Elaborar e implementar programas de prevenção de acidentes. 
» Acompanhar e verificar a eficácia dos planos de prevenção de riscos ambientais. 
» Inspecionar e emitir laudos técnicos. 
Por meio deste arranjo de atribuições este profissional interage para que o meio ambiente do 
trabalho esteja em conformidade com os conceitos atuais e em conformidade com a 
legislação. 
Conforme artigo publicado no sítio do Ministério Público do Trabalho, o trabalho consiste em 
legítimo instrumento de concretização da dignidade da pessoa humana, erigido a fundamento 
da República Federativa do Brasil, na condição de Estado Democrático de Direito, nos termos 
do artigo 1o, inciso III, da Constituição da República. 
 
11 
No entanto, o direito ao trabalho, encontra-se previsto no artigo 6o da Carta Magna, deve ser 
interpretado à luz das diretrizes fundamentais da dignidade da pessoa humana e do valor 
social do trabalho. 
Logo, a todo cidadão tem o direito de possuir um trabalho digno ou decente, ou seja, que 
corresponda às condições mínimas de higiene, de saúde e de segurança, até porque a redução 
dos riscos inerentes ao trabalho também configura direito social constitucionalmente 
atribuído à classe trabalhadora (CF/1988, art. 7o, XXII). 
Para tanto, o atendimento protetivo conferido ao trabalhador, visa resguardar a sua 
integridade física e psíquica, esta tutela deve ser direcionada à manutenção da higidez do meio 
ambiente do trabalho, eliminando, ou neutralizando, a ação de agentes nocivos, e prevenindo 
a ocorrência de infortúnios e doenças ocupacionais. 
A implementação de medidas preventivas, que venham a reduzir os riscos à saúde e à 
segurança do trabalhador, é direito fundamental consolidado em nosso ordenamento jurídico 
pátrio. 
O objetivo principal de todos os atores envolvidos no meio ambiente do trabalho é garantir 
condições seguras e saudáveis ao trabalhador. Estas ações visam, sobretudo a prevenção de 
acidentes do trabalho e a ocorrência de doenças ocupacionais. 
Qualidade e preservação da vida do trabalhador, este e o único proposito entre as partes: 
Entidades públicas, privadas, o meio ambiente e os trabalhadores. 
O meio ambiente do trabalho e os princípios da precaução 
e prevenção 
A Política Nacional de Meio Ambiente conceitua meio ambiente como um conjunto de 
condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, 
abriga e rege a vida em todas as suas formas (Art. 3o, inciso I, da Lei no 6.938/1981, que instituiu 
a Política Nacional do Meio Ambiente). 
O conceito permitiu o surgimento de um espaço positivo de incidência da norma legal, 
tutelando todos os aspectos inerentes ao meio ambiente, sejam de ordem natural, artificial, 
cultural ou do trabalho. 
Entendendo-se o meio ambiente do trabalho como um conjunto de fatores físicos, climáticos 
ou quaisquer outros que interligados, ou não, estão presentes e envolvem o local de trabalho 
 
12 
do indivíduo, é natural admitir que o homem passou a integrar plenamente o meio ambiente 
no caminho para o desenvolvimento sustentável preconizado pela nova ordem ambiental 
mundial. Grott (2003), afirma que o meio ambiente do trabalho faz parte do conceito mais 
amplo de ambiente, de forma que deve ser considerado como bem a ser protegido pelas 
legislações para que o trabalhador possa usufruir de uma melhor qualidade de vida. 
A defesa do meio ambiente incorporou-se definitivamente como uma das principais 
reivindicações dos movimentos sociais no Brasil e no mundo. 
Tradicionalmente, classificado em quatro espécies distintas, quais sejam: 
1. Meio ambiente natural. 
2. Meio ambiente artificial. 
3. Meio ambiente cultural. 
4. Meio ambiente laboral. 
No quarto: cabe ao Ministério Público do Trabalho zelar pela defesa da ordem jurídica, do 
regime democrático e dos interesses sociais e individuais. 
Existe uma sinergia entre o meio ambiente do trabalho, dentro da conceituação de meio 
ambiente artificial. É o local onde o trabalhador exerce suas funções laborativas e que passa 
grande parte de sua vida. Não necessariamente o ambiente de uma empresa ou fábrica, mas 
o local onde se trabalha, que pode ser externo como o caso dos agricultores ou em máquinas 
como carros e ônibus. Vejamos cada definição para compreender estas quatro vertentes de 
meio ambiente. 
Meio ambiente natural ou físico 
É composto pelos recursos naturais: água, solo, ar atmosférico, fauna e flora. 
Está explicitado mediatamente no Art. 225 da Constituição Federal, sendo que sua tutela 
imediata se encontra no Parágrafo I, incisos I e VII do referido Artigo: 
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, 
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-
 
13 
se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para 
as presentes e futuras gerações. 
§ 1o – Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: 
I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo 
ecológico das espécies e ecossistemas 
(...) 
VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que 
coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies 
ou submetam os animais a crueldade. 
Meio ambiente artificial 
O meio ambiente artificial é formado pelos espaços urbanos, incluindo as edificações que são 
os espaços urbanos fechados, como por exemplo, um prédio residencial e os equipamentos 
públicos urbanos abertos, como uma via pública, uma praça, dentre outros. 
Meio ambiente cultural 
Considera-se meio ambiente cultural o patrimônio cultural nacional, incluindo as relações 
culturais, turísticas, arqueológicas, paisagísticas e naturais. 
Este patrimônio está previsto expressamente nos Artigos 215 e 216 da Constituição Federal: 
Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e 
acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a 
difusão das manifestações culturais. 
§ 1o - O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas 
e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo 
civilizatório nacional. 
§ 2o - A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação 
para os diferentes segmentos étnicos nacionais. 
 
14 
§ 3o - A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, 
visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do 
poder público que conduzem à:I defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro; 
II produção, promoção e difusão de bens culturais; 
III formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas 
múltiplas dimensões; 
IV democratização do acesso aos bens de cultura; 
V valorização da diversidade étnica e regional. 
Meio ambiente do trabalho 
O meio ambiente do trabalho é o local onde homens e mulheres desenvolvem suas atividades 
laborais. 
Deste modo, para que este local seja considerado adequado para o trabalho, deverá 
apresentar além de condições salubres, ausência de agentes que coloquem em risco o corpo 
físico e a saúde mental dos trabalhadores. 
A tutela mediata do meio ambiente do trabalho se encontra no Art. 225, já transcrito, em 
quanto que no Art. 200, VIII, a CF/1988, tutela imediatamente o meio ambiente do trabalho, 
ao afirmar que compete ao Sistema único de Saúde – SUS, colaborar na proteção do meio 
ambiente, nele compreendido o do trabalho. 
Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos 
termos da lei: 
(...) 
VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do 
trabalho. 
Proteger o meio ambiente do trabalho significa proteção aos trabalhadores, mas também à 
saúde de agentes indiretos (comunidades periféricas aos estabelecimentos de labor), posto 
que um meio ambiente poluído por indústrias, por exemplo, afeta o meio ambiente interno e 
externo. 
 
15 
Para tanto, entender-se importante o estudo e a aplicação dos princípios da “prevenção” e da 
“precaução” no âmbito do meio ambiente do trabalho. Necessário é distinguir tais princípios, 
sabendo-se que a prevenção diz respeito aos danos previsíveis, e a precaução aos danos sobre 
os quais ainda não há certeza científica. 
Precaução e prevenção 
O ordenamento jurídico brasileiro no âmbito do direito ambiental tem como pilares diversos 
princípios, dentre eles os da prevenção e da precaução. Milaré (2005, p. 165) afirma que 
especialistas fazem uso do princípio da prevenção, enquanto outros se reportam ao princípio 
da precaução. “Outros, utilizam a ambas as expressões, supondo ou não diferença entre elas”. 
Apesar de aparentemente terem o mesmo significado, são princípios distintos, mesmo que 
sutilmente, possuem relação entre si de gênero e espécie. Como bem destaca Sirvinskas 
(2008, p. 57): 
“prevenção é gênero das espécies, ou seja, agir de forma a antecipar um fato. 
Precaução é agir com cautela, ou seja, ser preditivo e tomar atitudes de 
forma antecipada para evitar danos ao meio ambiente ou a terceiros. O 
conceito de prevenção é mais amplo do que precaução ou cautela.” 
O princípio da prevenção é aquele que impõe a adoção de medidas mitigatórias de danos 
previsíveis. Antunes (2008) considera que o princípio está atrelado aos impactos ambientais 
já conhecidos e desta forma, é possível estabelecer um conjunto de ações baseadas na 
casualidade sendo suficientes para a identificação de impactos futuros. O processo de 
licenciamento ambiental pode ser considerado a uma ação focada no princípio da prevenção 
e, além disso, os estudos de impacto ambiental e os relatórios de controle ambiental são 
ferramentas importantes que integram a conceituação da prevenção. As condicionantes 
ambientais emitidas em cada fase do licenciamento ambiental tem o objetivo de prevenir os 
danos ambientais e age de forma a eliminar (sempre que possível) os danos que uma 
determinada atividade degradante causaria ao meio ambiente, caso não fosse solicitado ao 
órgão de licenciamento ambiental. 
É no âmbito da prevenção/precaução que se destacam os estudos de impacto ambiental, os 
processos de licenciamento prévio e também as medidas punitivas, como forma de 
“estimulante negativo contra a prática de agressões ao meio ambiente” (FIORILLO, 2009). 
 
16 
O princípio da precaução, segundo Milaré (2005) a incerteza científica milita em favor do meio 
ambiente, carregando-se ao interessado o ônus de provar que as intervenções pretendidas 
não trarão consequências indesejadas para o meio ambiente. Por sua vez, o postulado da 
precaução pretende-se evitar o risco mínimo ao meio ambiente, nos casos de incerteza 
científica acerca de sua degradação (RODRIGUES, 2002). 
Os princípios da prevenção e da precaução sejam eles entendidos como expressões sinônimas 
ou distintas, mas inter-relacionadas, apresentam-se como normas basilares do direito 
ambiental, ao passo que impõem que se deve priorizar medidas prévias de proteção ambiental 
ante a usual impossibilidade de reparação efetiva do meio ambiente. Nesse sentido, Milaré 
(2005), afirma que sua atenção está voltada para o momento anterior ao da consumação do 
dano – o do mero risco. Ou seja, diante da pouca valia da simples reparação, sempre incerta 
e, quando possível, excessivamente onerosa, a prevenção é a melhor, quando não a única, 
solução. 
Feitas essas considerações acerca dos princípios da prevenção e da precaução, abordar-se-á a 
sua aplicabilidade no meio ambiente do trabalho. 
Os conceitos e definições a respeito dos princípios da prevenção e da precaução no âmbito do 
direito ambiental podem e devem ser utilizados para o entendimento no meio ambiente do 
trabalho, visto que as ações aplicadas em saúde e segurança do trabalho possuem o objetivo 
principal de prevenção e precaução. As ferramentas utilizadas neste processo são os 
programas de prevenção, controle, laudos e registros para liberação e acompanhamento de 
atividades. 
Como exposto, os princípios da prevenção e da precaução apresentam-se como base do 
direito ambiental. O meio ambiente do trabalho, como aspecto do conceito amplo de meio 
ambiente, por óbvio, não poderia ser uma exceção da influência desses dois princípios. Com 
efeito, o meio ambiente, inclusive o do trabalho, é correlacionado diretamente na 
Constituição Federal ao bem objeto de direito sobre o qual incide o interesse da coletividade: 
a saúde humana (DINIZ, 2009). Sabe-se que a legislação constitucional atrelada às convenções 
internacionais e as normas regulamentadoras, procuram dar consistência ao meio ambiente 
do trabalho e desta forma, represente a garantia de um ambiente seguro e que apresente 
menos riscos. 
A constituição federal, ao tratar especificamente da saúde em seu art. 196, deixa claro o 
caráter preventivo das políticas públicas. Evidencia que as normas constitucionais impõem 
 
17 
caráter preventivo não só às políticas públicas diretamente relacionadas ao meio ambiente, 
mas também àquelas que com ele se relacionam: 
Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante 
políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de 
outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua 
promoção, proteção e recuperação. (...) 
Fonte: Constituição Federal, 1988. 
A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, em seu capítulo V, dispõe sobre as normas de 
segurança e a medicina do trabalho. De uma forma geral, esse capítulo se dedica a estabelecer 
a necessidade de promover os direitos e deveres dos empregados e empregadores a todas as 
normas legais vinculadas que tratem da segurança do trabalhador bem como da obrigação do 
Estado de regular, coordenar e fiscalizar a aplicação dessa normatização. 
Nele percebe-se o tratamento das medidas necessárias a prevenção de acidentes ou de 
doenças adquiridas no ambiente laboral. Para tanto, recorre-se a necessidade da realização 
de exames admissionais, periódicos, mudança de função, retorno ao trabalho. 
O capítulo aborda também a aquisição e fornecimento de equipamentos de proteção 
individuais e estabelece critérios para a construção de ambientes de trabalho, desde a 
estruturafísica até as condições de conforto acústico, térmico e de iluminação. 
As Normas Regulamentadoras – NR, aprovadas pela Portaria no 3.214/1978, tratam 
justamente do capítulo V, título II da CLT e tem como meta dar tratativa as condições 
ambientais do trabalho e apresentam caráter eminentemente preventivo. Destacam-se 
dentre elas as NR nos 2, 3, 7, 9, 15, 16 e 18, que prevê inspeções prévias nas instalações de 
estabelecimentos antes do início de suas atividades e ainda quando submetidas essas 
instalações a modificações substanciais; situações que existe a possibilidade de embargo e 
interdições; a proposta para a elaboração e gestão do controle de saúde médico ocupacional 
bem como a elaboração de programa de prevenção de riscos ambientais onde existe uma 
interface com os estudos de avaliações ambientais para a conclusão de ambiente laboral 
salubre ou insalubre e condições de trabalho periculosa. Por fim, a NR no 18, vem tratar 
justamente do projeto do meio ambiente do trabalho e das proteções coletivas necessárias 
para a condução segura. Para Diniz (2009) a mera semelhança advém, por exemplo, dos 
Estudos de Impactos Ambientais - EIA visto que a implementação de projetos depende 
efetivamente destes estudos para assim garantir a preservação e conservação dos recursos 
 
18 
naturais para as atuais e futuras gerações. Logo esta ação é uma imposição constitucional. A 
experiência jurídica brasileira, no entanto, demonstra que a norma constitucional tem 
suscitado muitas dúvidas e divergências no que se refere a sua adequada compreensão 
(ANTUNES, 2008). Assim, difícil é afirmar categoricamente que se trata de instituto preventivo 
e de precaução que presta a tutelar com eficiência prática o meio ambiente do trabalho, dadas 
as peculiaridades desse aspecto do meio ambiente e o fato de ter sido o EIA um instituto 
pensado especialmente para o meio ambiente em seu aspecto natural, porém as normas 
regulamentadoras buscaram tratar do assunto afim de, permitir que o meio ambiente do 
trabalho possua os seus institutos conforme um Laudo Ambiental, PPRA, PCMSO, PGR e/ou 
PCMAT. 
A Política Nacional de Meio Ambiente, instituída pela Lei no 6.938/1981, escolheu como um 
dos instrumentos de gestão ambiental as ações preventivas a serem realizadas pelo Estado, 
dentre elas a avaliação de impactos ambientais para a instalação de obras ou atividades 
potencialmente poluidoras. Milaré (2005, p. 482) ressalta que a avaliação de impacto 
ambiental: 
pode ser implementada tanto para projetos que envolvam execução física de 
obras e processos de transformação como para políticas e planos que 
contemplem diretrizes programáticas, limitadas ao campo das ideias, neste 
caso denominada Avaliação Ambiental Estratégica. 
Nos termos do art. 1o, III, da Resolução CONAMA no 23719/1997, a Avaliação de Impacto 
Ambiental, por ela denominada de “Estudos Ambientais”, é gênero do qual são espécies todos 
os estudos para análise da licença ambiental, tais como: relatório ambiental, plano e projeto 
de controle ambiental, relatório ambiental preliminar, diagnóstico ambiental, plano de 
manejo, plano de recuperação de área degradada e análise preliminar de risco. Essas outras 
espécies de Estudos Ambientais poderão ser requisitadas na hipótese de não se exigir o EIA. 
Nesse contexto, a conteúdo previsto na NR nos 9, 15 e 16 pode ser considerada como uma 
medida de avaliação de impacto sobre o ambiente do trabalho, funcionando como mecanismo 
de prevenção e também de precaução, na medida em que pode se prestar a apontar situações 
em que não se tenha certeza científica quanto aos possíveis danos ao ambiente e determinar 
a aplicação de medidas preventivas e até corretivas. 
 
19 
Meio Ambiente do trabalho e o princípio do poluidor 
pagador 
O conceito de Meio Ambiente do Trabalho, diferentemente das outras divisões didáticas do 
Direito Ambiental, relaciona-se direta e imediatamente com o ser humano trabalhador no seu 
cotidiano, em sua atividade laboral exercida em proveito de outrem. De acordo com Fiorillo 
(2003) o local onde as pessoas desempenham suas atividades laborais, sejam remuneradas ou 
não, cujo equilíbrio está baseado na salubridade do meio e na ausência de agentes que 
comprometem a incolumidade físico-psíquica dos trabalhadores, independentemente da 
condição individual (por gênero: homens ou mulheres, idade: maiores ou menores de idade, 
vínculo empregatício: celetistas, servidores públicos, autônomos etc.)”. 
Convém salientar que há distinção entre proteção ao meio ambiente de trabalho e a proteção 
do direito do trabalho, pois, o primeiro tem por objeto jurídico a saúde e a segurança do 
trabalhador, para que desfrute a vida com qualidade, por meio de processos adequados para 
que se evite a degradação e a poluição em sua vida. Já o direito do trabalho vincula-se a 
relações unicamente empregatícias com vínculos de subordinação (ENDO, 2014). 
A regulamentação dessa divisão – Meio Ambiente do Trabalho, segurança e saúde do 
trabalhador – está baseada na Constituição Federal de 1988, pois foi ela que elevou à categoria 
de direito fundamental a proteção à saúde do trabalhador e aos demais destinatários inseridos 
nas normas constitucionais (ENDO, 2014). 
Dois são os patamares dessa regulamentação. Como ação imediata está inserida no art. 200, 
VIII, que específica: Ao sistema único de saúde, compete, além de outras atribuições, nos 
termos da lei: VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do 
trabalho. 
O artigo 225, caput , IV, VI e § 3o: afirma que Todos têm direito ao meio 
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e 
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à 
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras 
gerações. (…) 
IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade 
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, 
estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; (…) 
 
20 
VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a 
conscientização pública para a preservação do meio ambiente. 
Cabe ao empregador atender ao estabelecido no inciso VI por meio da adoção e implantação 
de um programa de treinamento em atendimento aos requisitos estabelecidos no item 18.28 
(NR no 18) onde torna obrigatório o cumprimento de realizar treinamento admissional e 
periódico, visando a garantir a execução das atividades com segurança, no entanto, este 
treinamento deverá abordar os riscos a que estão submetidos os trabalhadores e as medidas 
de controle e prevenção. 
Convém também lembrar o art. 170 da Constituição, argumenta a necessidade de valorização 
do trabalho humano e ter, por finalidade, assegurar a todos existência digna conforme os 
ditames da justiça social, tendo como princípio a defesa do meio ambiente – no caso em tela 
o meio ambiente do trabalho como novo direito da personalidade. 
Outras fontes que direcionam para a proteção do meio ambiente do trabalho são encontradas, 
conforme a seguir: 
» Constituição Federal. 
» Leis estaduais, municipais e do Distrito Federal. 
» Consolidação das Leis do Trabalho, Capítulo V – Segurança e Medicina do Trabalho. 
» Normas Internacionais da Organização Internacional do Trabalho - OIT. 
» Normas Regulamentadoras – NR (Portaria no 3.214/1978). 
» Código de Penal. 
» Lei de Crimes Ambientais. 
Destaca-se, portanto, como princípio basilar o art. 1o, III da referida Carta Magna, que é o 
princípio fundamental da dignidade da pessoa humana. Portanto, todo ser humano tem 
direito a uma vida digna, e o meio ambiente do trabalho deve tê-lo como parte integrante de 
sua plataforma,pois, como preceitua o art. 225, a vida deve ser de qualidade, e para que o 
trabalhador tenha uma vida com qualidade, torna-se necessário um trabalho decente e em 
condições seguras (ENDO, 2014). 
 
21 
A validação deste contexto depende da compreensão de alguns princípios, para tanto, eles 
devem ser mencionados e avaliados, como o da Prevenção e da Precaução. Para Endo (2014) 
prevenção significa adoção de medidas tendentes a evitar riscos ao meio ambiente e ao ser 
humano. No meio ambiente do trabalho é o homem trabalhador que é atingido direta e 
imediatamente pelos danos ambientais, portanto esse princípio é um dos fundamentais 
previstos na Constituição Federal de 1988, inserido em seu artigo 7o, inciso XXII, que 
estabelece como direito do trabalhador urbano e rural a redução dos riscos inerentes ao 
trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança. 
Entretanto, dois outros princípios devem ser mencionados, o da informação e o princípio do 
poluidor-pagador. 
A informação é entendida pelo relacionamento entre os trabalhadores, sindicatos e 
federações, logo, ela acaba criando um elo entre os atores com o intuito comum de garantir a 
defesa da vida e da saúde dos próprios trabalhadores, e da população direta e indiretamente 
afetada, como é o caso da emissão de poluentes em ambientes fabris. 
O princípio do poluidor-pagador possui duas razões fundamentais: primeiro, prevenir o dano 
ambiental e segundo, em não havendo prevenção, impõe-se a reparação da forma mais 
integral possível, ou seja, o poluidor deve prevenir danos a sua atividade para evitar problemas 
maiores ao meio ambiente, cabendo-lhe o ônus de utilizar todos os equipamentos e meios 
necessários para evitá-lo. Por isso, o meio ambiente do trabalho deve ser visto e integrado às 
ações de prevenção, cabe ao empregador garantir total segurança no tocante a exposição do 
trabalhador aos agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. 
Infelizmente, no Brasil, a falta de cultura empresarial adequada para prevenir e precaver os 
riscos ambientais no trabalho, que ainda tem no lucro o foco principal e que acaba deixando 
de lado o fator humanitário, impossibilita uma aplicação adequada de regras voltadas à 
Educação Ambiental necessária nesse contexto. Necessitamos criar uma cultura 
ambientalista, destacando a do trabalho, pois é nesse enfoque que os danos atingem 
diretamente as pessoas, e os empresários devem criar uma cultura solidária e de 
responsabilidades para com todos os seres humanos, bem como para com o sistema em si. 
Assim, como indicam os índices, os acidentes do trabalho ocorrem por práticas inadequadas 
no meio ambiente do trabalho, podendo-se mencionar: 
a. falta de investimento na prevenção de acidentes por parte das empresas; 
 
22 
b. falta da criação do setor especializado em saúde e segurança do trabalho 
(SESMT); 
c. barreira entre a classe patronal e profissional no que diz respeito a priorização da 
prevenção dos acidentes do trabalho; 
d. falta de atendimento as normas regulamentadoras; 
e. foco no lucro e na produtividade elevada; 
f. ineficiência dos órgãos reguladores quanto a fiscalização dos ambientes de trabalho; 
g. falta de qualificação dos profissionais lotados nos ministérios e superintendências; 
h. normas com aplicação genérica sem embasamento técnico científico. 
Meio Ambiente do Trabalho e o Atendimento aos 
Requisitos 
A implementação de medidas preventivas, que venham a reduzir os riscos à saúde e à 
segurança do trabalhador, é direito fundamental (...). 
O que diz o Art. 157, inciso I, da CLT: 
» não basta o empregador (contratante e contratada) cumprir as normas de saúde 
e segurança do trabalho, mas também deve fazê-las cumprir, de modo a dar 
efetividade a às ações de qualquer das partes; 
» comprovado o descumprimento o empregador poderá ser julgado como poluidor 
pagador? Lei de Crimes Ambientais. 
O atendimento as normas regulamentadoras do trabalho denotam a adequação quando 
necessário de ambientes laborais que existam riscos, porém específicos para cada caso. O 
trabalho em espaços confinados requer avaliações ambientais constantes e o monitoramento 
intenso. A exposição de trabalhadores em altura superior a 2,0 m requer estudos detalhados 
conforme a evolução de um empreendimento, logo, as proteções coletivas e individuais 
deveram estar presentes no PCMAT, conforme NR 18. No tocante protetivo de máquinas e 
equipamentos, a NR no 12 visa garantir que todo o trabalhador faça uso de maquinários e 
equipamentos com a segurança necessária. 
 
 
23 
 
 Figura 1. Figura 2. Figura 3. 
 
Fonte: <https://twitter.com/ Fonte: <http://www.espacoconsultoria. 
Fonte: <santanasegurancadotrabalho. 
conectonline> 
com/texto.php?id=2> 
com.br> 
O cumprimento deverá ser comprovado por meio da emissão de listagem de presença, 
emissão de certificado e permissões de trabalho. 
 
Figura 4. Exemplo de Certificado de Trabalho em Altura. 
 
 
Fonte: <http://segurancadotrabalhonwn.com/certificado-para-curso-de-nr-35-download/> 
Este atendimento trata-se, pois, de direito de ordem fundamental cujos os titulares 
encontram-se dispersos no seio da sociedade, de nítido caráter difuso, transcendendo a esfera 
do direito meramente individual, de forma a beneficiar, de uma só vez, todos os componentes 
de um meio social. 
 
24 
Portanto, a impossibilidade de se assegurar um meio ambiente salubre e a apenas uma parte 
de determinada coletividade, sem alcançá-la em sua plenitude. A observância do direito de 
um perpassa necessariamente pelo cumprimento do direito de todos. 
O art. 225, caput, da Constituição da República, após destacar o direito de 
todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (...). 
(...) de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo 
ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as 
presentes e futuras gerações. 
Faça uma avaliação do seu ambiente de trabalho. Como a instituição onde você trabalha 
está atendendo a carta magna e as normas regulamentadoras? 
Atividades complementares 
 
Questão 1. Em sua opinião, como podemos atender aos requisitos da proteção do meio ambiente 
do trabalho? 
Questão 2. O que são ações Preditivas, preventivas e corretivas? Qual a sua importância na ótica da 
proteção do meio ambiente do trabalho? 
Questão 3. As atividades operacionais e de gestão em segurança do trabalho estão focadas em 
qual princípio (prevenção, precaução)? Na Segurança do Trabalho agimos com os princípios da 
prevenção ou da precaução? 
Questão 4. Você acha que os ambientes laborais estão inseridos no princípio do poluidor pagador? 
Questão 5. Quais as ferramentas de controle que estão intrinsecamente ligadas ao conceito de 
poluidor pagador? (Ex.: Programas de Gestão em SST). 
Questão 6. Quando é perceptível a conduta de poluidor pagador no meio ambiente do trabalho? 
Quais as medidas propostas para descaracterizar tal princípio? 
Questão 7. Como profissionais de segurança do trabalho, apenas o uso do EPI ou a Proteção Coletiva é 
o melhor meio para garantir às futuras gerações a qualidade de vida necessária? 
 
25 
CAPÍTULO 2 
Causa dos Problemas Ambientais 
Introdução 
A gestão ambiental deve ser entendida como uma atividade voltada para a formulação de 
princípios e diretrizes, estruturação de sistemas gerenciais (como gestão de custos, de 
recursos humanos...) e tomada de decisão (planejamento), tendo por objetivo final promover, 
de forma coordenada, o uso, proteção, conservação e monitoramento dos recursos naturais 
e socioeconômicos em um determinado espaço geográfico, com vistas ao desenvolvimento 
sustentável1 . 
Com a necessidadede a gestão embrenhar-se no processo de consolidação e crescimento das 
instituições econômicas, fez de suma importância a sua inserção no contexto organizacional 
liderado pela alta direção, por meio de planejamento estratégico. Por força do mercado 
consumidor em última instância, as instituições econômicas encontram-se na necessidade de 
aprimoramento continuo como um todo e particularmente de seus processos. Para se obter 
este aprimoramento, principalmente no que se refere atender ao mercado consumidor e 
assim obter resultados, é fundamental a conjunção das ações de planejar, executar, verificar 
e agir, de tal modo que ao se evidenciarem desvios, suas causas sejam eliminadas, 
principalmente os de cunho ambiental. 
Os problemas ambientais decorrem de deficiências (falta de definição de papéis e de 
mecanismos de articulação entre os agentes sociais envolvidos no processo). 
Os níveis de degradação ambiental encontrados não podem ser justificados, apenas, pelo 
estágio atual do conhecimento científico sobre o funcionamento dos ecossistemas e sua 
interação com os sistemas econômicos e sociais e pela dificuldade de acesso a tecnologias de 
prevenção e controle de danos ambientais. Nas condições atuais, certamente, o fator mais 
importante a ser considerado são as inequações e falhas no próprio processo de gestão 
ambiental, que dificultam ou impedem os diferentes agentes sociais de apossar-se do 
conhecimento e das tecnologias disponíveis, aplicando-os no cotidiano da gestão. 
 
1 É um processo de mudança no qual a exploração dos recursos, a orientação dos investimentos e do desenvolvimento 
tecnológico e a mudança institucional estão em harmonia e melhoram o potencial existente e futuro para satisfazer as 
necessidades humanas. Sendo, portanto, o cenário que associa ao crescimento econômico atual e futuro, a equidade social e 
a sustentabilidade ambiental. 
 
26 
O quadro 1 mostra os problemas ambientais brasileiros, que permanecem sem solução, que 
seriam passíveis de controle, ainda que muitas vezes, de forma parcial, se utilizados o 
conhecimento e a tecnologia atualmente disponíveis. 
QUADRO 1 – Alguns dos principais problemas ambientais brasileiros 
PROBLEMA CARACTERÍSTICAS EXEMPLOS DE FORMAS DE 
CONTROLE 
Poluição urbana, industrial e de 
mineração 
Contaminação continua do ar, das 
águas e do solo. 
Tratamento reciclagem dos 
resíduos, mudanças para 
tecnologias não poluentes e 
restrição à implantação de 
atividades agressivas em locais 
sensíveis ambientalmente. 
Impactos ambientais em 
empreendimentos de grande porte 
Ex: construção de reservatórios que 
inundam grandes áreas e/ou 
alteram as vazões líquidas e sólidas 
(sedimentos) dos cursos de água; 
desmatamentos, aterros e 
dragagens para implantação de 
rodovias, ferrovias e hidrovias; 
construção de polders para 
controle de cheias. 
Alterações ecológicas localizadas 
nos projetos, recomposição da 
vegetação, repovoamento de 
espécies, implantação de 
corredores de fauna etc. 
Poluição originada na atividade 
agropecuária 
Carreamento sazonal de 
agrotóxicos, contaminando o solo, 
águas superficiais e subterrâneas. 
Uso controlado de agrotóxicos, 
controle biológico de pragas 
mudança para agricultura orgânica 
ou ecológica. 
Diminuição das vazões fluviais pela 
irrigação 
Aumento do consumo de água em 
projetos de irrigação, causando 
conflitos com outros usos 
antrópicos e com o ambiente. 
Coordenação do uso da água por 
meio do sistema de outorga, dos 
direitos de uso; aumento da oferta 
mediante regularização de rios, 
controle de perdas e adoção de 
tecnologias de baixo consumo. 
Degradação do solo Degradação acelerada dos 
processos físicos químicos e 
biológico dos solos em decorrência 
da ação antrópica. 
Uso de técnicas de controle: manejo 
agrosilvopastoril, terraceamento. 
Desmatamentos Motivado, principalmente, para a 
formação de pastagens ou áreas 
agrícolas. 
Controle da população e criação de 
áreas para desmatamento. 
Ameaças a fauna Localização de empreendimentos 
que afetam os hábitos da fauna, 
muitas vezes desconhecidos, 
além da predação por caça e os 
problemas causados por 
desmatamentos. 
Controle e discriminação de áreas 
de preservação, criação de 
corredores, proteção de áreas de 
procriação, recomposição da flora. 
 
 
27 
Antes de prosseguirmos, é necessário a fixação de alguns conceitos, para que a 
linguagem seja a mesma: 
Gestão Ambiental – é o processo de articulação das ações dos diferentes 
agentes sociais que interagem em um dado espaço, visando garantir, com base 
em princípios e diretrizes previamente acordados/ definidos, a adequação dos 
meios de exploração dos recursos ambientais (naturais, econômicos e 
socioculturais) às especificidades do meio ambiente. 
Política Ambiental – é o instrumento legal que oferece um conjunto consistente 
de princípios doutrinários que conformam as aspirações sociais e/ou 
governamentais no que concerne à regulamentação ou modificação no uso, 
controle, proteção e conservação do ambiente. 
Impacto Ambiental – são as consequências sofridas, pelo meio ambiente, 
em função dos aspectos ambientais. 
Avaliação de Impactos Ambientais – é o instrumento orientador do 
processo de avaliação dos efeitos ecológicos, econômicos e sociais que 
podem advir da implantação de atividades antrópicas (projetos, planos e 
programas), bem como do monitoramento e controle desses efeitos pelo 
poder público e pela sociedade. 
Poluição – é a contaminação e consequentemente a degradação do meio 
ambiente por um ou mais fatores prejudiciais ao equilíbrio natural do meio. 
IMPACTOS AMBIENTAIS 
Antes de iniciar o estudo da gestão ambiental stricto senso, é preciso ter conhecimento dos 
considerados cinco maiores impactos ambientais da atualidade, onde após analisar os 
aspectos macro e suas consequências, poderemos fazer valiosas inferências no universo micro 
(empresa, escola, em casa), alterando inicialmente o local em que vivemos e trabalhamos. 
Neste caderno, voltaremos nossos esforços para os seguintes impactos ambientais: a explosão 
demográfica, a poluição do ar, do solo e da água e o uso da energia. Esses impactos serão 
discutidos um a um detalhando suas causas, seus efeitos e as suas formas de controle. 
2.1. Explosão Demográfica 
No início da era cristã, a população mundial era de apenas 200 milhões de pessoas, e essa 
população cresceu vagarosamente demorando cerca de 1650 anos para atingir o número de 
 
28 
500 milhões de habitantes sobre a Terra. O primeiro bilhão foi atingido em 1850, o segundo 
bilhão foi atingido em 1930, em um intervalo de 80 anos e a população dobrou chegando aos 
quatro bilhões de habitantes em 1975 em apenas 45 anos. 
Atualmente, a cada minuto nascem mais ou menos 190 crianças no mundo, 
em um único dia são 270 mil crianças a mais no planeta, a mortalidade 
mundial gira em torno de 143 mil pessoas por dia, gerando um aumento 
populacional de 127 mil pessoas, por dia, sobre a superfície da Terra. 
A população atual sete bilhões e a expectativa é de que em 2025 sejamos oito bilhões de 
habitantes no planeta. Considerando que a capacidade de saturação da Terra é de 10 a 12 
bilhões de pessoas, verificamos que temos de nos preocupar com medidas de controle para 
estabilizar a população mundial de forma a reduzir com o crescimento populacional. 
No Brasil, atualmente, a velocidade de crescimento populacional está em queda, na década 
de 1960 a taxa de crescimento era de 2,89% caindo para 1,17% em 2010 e a previsão é 
atingirmos a estabilidade em 2075, com uma populaçãoem torno de 265,5 milhões de 
habitantes no país. 
 Principais Causas para a redução: 
» taxas de mortalidade de forma significativa: 
No século XIX, epidemias de cólera, febre tifóide e febre amarela constituíam graves 
problemas nas cidades, levando maiores preocupações quanto à higiene, ao 
aprimoramento da legislação sanitária e à criação de uma estrutura administrativa 
para a aplicação das medidas preconizadas. A explicação das causas das doenças era 
disputadas entre os que defendiam a teoria dos miasmas2 e os que advogavam a 
dos germes3 . 
 
QUADRO 2: Causa mortis da população mundial (2005) 4 
 
 
2 Situa a origem das doenças na má qualidade do ar, proveniente de emanações oriundas da decomposição de animais e plantas. 
A malária, junção de mal e ar, deve seu nome a este modo de transmissão – Maurício Gomes Pereira – Epidemiologia Teoria 
e Prática. 
3 Teoria criada após o desenvolvimento do microscópio, em 1675, por Van Leeuwenhoek (1632 – 1723), que com este engenho 
conseguiu visualizar pequenos seres vivos, aos quais denominou “animálculos”. 
 
29 
DOENÇAS PAÍSES 
DESENVOLVIDOS EM 
% 
PAÍSES EM 
DESENVOLVIMENTO 
EM % 
BRASIL4 
Doenças parasitárias e 
infectocontagiosas 
5,2 40 5,3 
Câncer 15,9 5,0 16,5 
Doenças do sistema 
circulatório e 
degenerativas 
53 19 32,5 
Problemas de parto e 
puertério 
0,5 9,1 1,1 
Envenenamento e causas 
externas 
6,0 5,0 14,5 
Outros 19,4 21,9 30,1 
 
Louis Pasteur (1822 – 1895), considerado o pai da bacteriologia, foi quem assentou as bases 
biológicas para o estudo das doenças infecciosas, onde caracterizou definitivamente de que 
as doenças eram transmitidas por contagio. Pasteur isolou e identificou numerosas bactérias, 
além de realizar trabalhos pioneiros em imunologia. Verificou que líquidos sem germes se 
conservavam livres deles, quando devidamente protegidos de contaminação. Os trabalhos de 
Pasteur, seguidos por Robert Koch (1843 – 1910), defendiam que as doenças poderiam ser 
explicadas por uma única causa, o agente etiológico, possibilitando a comprovação 
laboratorial da presença de um agente. 
Tal descoberta alterou o quadro da saúde pública pois, quando a higiene passou a ser tratada 
de forma importante, foram eliminados, carpetes, tapetes dos hospitais, a roupa dos médicos 
e enfermeiros passou a ser branca e limpas com frequência, e no âmbito da cidade, fortaleceu 
o trabalho de John Snow5, onde destacou a importância do saneamento adequado na baixa 
taxa de incidência de doença. 
A melhoria das condições sanitárias, nas cidades, nas fábricas, corroboradas com uma 
legislação mais forte de saúde pública, fez com que os índices de mortalidade decrescessem 
rapidamente no passar dos anos, enquanto as taxas de natalidade permaneciam altas, 
devemos lembrar que era comum até meados do século XX, famílias com sete, nove, doze 
irmãos, ou mais. 
 
4 http://portaldocoracao.uol.com.br/materias.php?c=cardiologia-preventiva&e=2859 
5 Inglês (1813 * 1858) que determinou que o consumo de água poluída era responsável pelos episódios da doença cólera e traçou 
os princípios de prevenção e controle de novos surtos. 
 
30 
» Melhoria do sistema de transporte: 
Até o desenvolvimento e a proliferação de meios de transporte baratos e eficazes, 
as cidades se resumiam a pequenos espaços urbanos, pois os cidadãos não podiam 
se afastar muito do local de trabalho, se não tornaria inviável o seu deslocamento, 
fazendo com que estas tivessem de certo modo um tamanho pré-definido. As áreas 
destinadas à agricultura deveriam ficar próximas às cidades, pois os produtos 
pereciam e deviam ser vendidos rapidamente, o que impedia uma atividade agrícola 
muito distante dos centros urbanos. A maior cidade do mundo no início do século 
XX, era New York, com pouco mais de um milhão de habitantes. 
Com a melhoria dos sistemas de transporte, primeiramente com os trens no século 
XIX, e depois com os veículos automotores no século XX (graças ao desenvolvimento 
dos motores de combustão interna de ciclo Otto ou Diesel e a viabilidade econômica 
do petróleo6 ), o problema da distância foi quebrado, permitindo que as unidades 
de produção agrícola se afastassem mais das cidades, abrindo espaço físico para a 
ampliação e incremento das cidades. E no campo a ampliação da produção, pois o 
rendimento de um trabalhador, passou a corresponder a dez, doze, no modo de 
produção antiga. 
Crescimento da população mundial: 
* ano 1 200 milhões 
* ano de 1650 500 milhões 
* ano de 1850 1 bilhão 
* ano de 1930 2 bilhões 
* ano de 2000 6 bilhões 
* ano de 2005 6,45 bilhões 
* ano de 2010 7 bilhões 
 
 
6 Até início do século XX, a gasolina não tinha nenhum valor comercial, pois o principal produto extraído do petróleo era o 
querosene para iluminação pública, tornando deste modo, à gasolina um bem econômico muito barato, valendo a mesma 
lógica para o diesel. 
 
31 
» Produção Industrial Mecânica: 
A lógica da produção industrial até fins do século XX privilegiava a força muscular e 
não intelectual, fazendo com que a geração de filhos em uma família tivesse o 
enfoque de criar mais uma fonte de trabalho e, consequentemente, de aumento na 
renda familiar, fortalecendo uma cultura de família numerosa. Aliado a isso, os 
trabalhadores rurais eram atraídos para as cidades pela expectativa de melhoria das 
condições de vida e facilidades como acesso à educação, saúde e aposentadoria e 
pelas dificuldades cada vez maiores de vida nas áreas rurais. 
Atualmente, para cada 100 habitantes no Brasil, 84 vivem nas cidades contra 16 que 
ainda se mantém nas áreas rurais. O estado do Maranhão é o estado mais rural com 
uma população rural de 36,9% e o Distrito Federal o mais urbano, com 96,6% da 
população vivendo na cidade. 
» Revolução Verde: 
Durante a 1a Guerra Mundial, vários compostos químicos foram desenvolvidos e 
testados para serem utilizados como armas, tais como o THC e o gás mostarda. Com 
o termino da guerra esta tecnologia desenvolvida, foi direcionada para o combate 
de pragas da lavoura e no uso de fertilizantes químicos, onde o produto mais 
conhecido foi o DDT. O uso destes produtos fez em alguns casos a produção crescer 
mais que três vezes, quebrando a famosa teoria do Padre Maltus, onde a população 
cresce em progressão geométrica e a população em progressão aritmética, fazendo 
com que a disponibilidade de alimentos para a população mundial aumenta-se 
sobremaneira. Tal fenômeno foi denominado revolução verde e teve seu ápice na 
década de 1970, antes da primeira crise do petróleo. 
Em 1970, a disponibilidade de grãos era de 331 kg/hab/ano em 0,205 
hectares/hab/ano. Em 2005 a disponibilidade era de 344 kg/hab/ano com 0,106 
hectares/hab/ano, graças em grande parte ao plantio de transgênicos (Fonte: FAO). 
Apesar dos transgênicos serem considerados como a nova revolução verde por 
alguns autores, os reais efeitos benéficos e maléficos do seu uso e disseminação 
ainda não foram bem esclarecidos por pesquisas científicas consistentes, de longa 
duração. 
» Baixa escolaridade do sexo feminino: 
 
32 
A participação da mulher no mercado de trabalho e que tem acesso à educação, faz 
com que tenha outros objetivos de vida, pensando não só no número de filhos, mas 
na qualidade de vida dada a estes filhos, além de considerar que um filho adia os 
planos de crescimento profissional e até mesmo pessoal. Uma mulher alijada do 
sistema educacional e do mercado de trabalho, naturalmente vê o casamento e a 
criaçãodos filhos motivo de vida. Para efeito de comparação, uma mulher brasileira 
hoje tem em média 1,8 filhos (IBGE/2010) enquanto que uma do Iraque tem 4,54 
filhos. 
Em 1950, 33% da população mundial estava em países desenvolvidos, no ano 2000, esta 
proporção foi reduzida para 20% e a estimativa para 2025 é de 16% 
Principais Efeitos: 
» Capacidade de suporte do planeta. 
Cientistas alegam que a Terra tem capacidade de abrigar entre 10 e 12 bilhões de 
habitantes, mantendo um mínimo de qualidade de vida a este ser humano, e que 
pela nossa Carta Magna de 1988, incluí como direito básico de todo o cidadão 
brasileiro: alimentação, vestuário, seguridade social, educação, saúde, segurança, 
lazer, trabalho, transporte, habitação. E que em função do nosso “modus operande”, 
não haveria recursos naturais para todos em quantidades satisfatórias, a não ser 
que se mantivessem no mundo bolsões de pobreza e miséria como existentes na 
África, Ásia central e hindu e na América Latina. 
Segundo as Nações Unidas, um índice menor que 2.400 calorias diárias – cidadão médio 
global – pode resultar em desnutrição, reservadas as diferenças climáticas. A disponibilidade 
per capita de alimentos da população mundial considerando 1965 como o ano base, houve 
um incremento de 50% na Ásia, 33% na Europa, 9% na América Latina e houve um 
decréscimo de 30% na África. Na América do Norte o índice permaneceu estável. 
» Extinção de várias espécies vivas 
A devastação das florestas para construção de cidades, estradas e para o plantio 
causa a destruição de cerca de 100 espécies de animais e vegetais, por dia, e 
consequentemente a extinção de várias espécies, ocasionando um desequilíbrio 
ambiental de proporções incalculáveis. 
 
 
33 
» Desemprego 
Hoje já existe um déficit no número de empregos superior a um bilhão, e para 
equacionarmos esses números de forma a zerar e acompanhar esse crescimento 
populacional, seria necessário criar cerca de 38 milhões de empregos, por ano, nos 
próximos 50 anos. 
No Distrito Federal, de 1992 para 2001, a população economicamente ativa – PEA cresceu 
42%, a taxa de vagas na construção civil (que absorve mão de obra menos qualificada), houve 
redução de 32%, a de limpeza e conservação 8%, enquanto que o de serviços especializados 
teve um incremento de 62% (fonte: PED-DF outubro de 2001, trabalhado por 
GVST/DISAT/SES/GDF). 
» Poluição 
Com o aumento populacional cresce também a poluição em todo o meio ambiente, 
o aumento da emissão de dióxido de carbono oriundo dos combustíveis fósseis, 
termoelétricos, sistemas produtivos produz o efeito estufa. Os resíduos sólidos da 
população lançados no meio ambiente poluem o solo e a água e os resíduos líquidos 
descartados sem o devido tratamento poluem também o solo e a água. 
» Agricultura Intensiva 
Com a revolução agrícola os agricultores conseguiram obter uma quantidade maior 
de alimentos com a mesma porção de terra porém os problemas decorrentes dessa 
revolução também aumentaram: a degradação acelerada dos solos, a perda de sua 
fertilidade natural, a contaminação do solo, das águas e do ambiente por 
agrotóxicos e fertilizantes, o envenenamento dos alimentos e a extinção de plantas 
e animais silvestres em consequência da destruição dos seus habitats naturais. 
» Desequilíbrio no ecossistema marinho 
Devido à pesca excessiva e descontrolada para alimentar a população planetária os 
pescadores estão ultrapassando o limite dos oceanos o que tem acarretado um 
desequilíbrio no ecossistema marinho e exaurindo a capacidade de produção e 
fornecimento de alimento do mar. 
» Queda da qualidade de vida 
 
34 
Um terço dos habitantes da Terra não tem acesso à água limpa, com o crescimento 
populacional esse número tende a crescer, e a qualidade de vida tende a cair. 
Quadro 3. Ranking do Brasil comparados a 192 países do Mundo – colocação (2000 e 2010). 
Item 2000 2010 
Expectativa de vida 113 92 
Mortalidade infantil 121 106 
PIB per capita 71 63 
PIB per capita – paridade do poder de 
compra 
– 77 
Alfabetização 104 62 
Escolaridade 114 72 
Desenvolvimento Humano (índice GINI) 82 73 
Economia 11 8 
 
Formas de Controle Populacional: 
» Programas de Planejamento Familiar 
Com o acesso universal aos programas de planejamento familiar, saúde reprodutiva 
e sexual, principalmente, as mulheres passam a conhecer as diversas formas de 
evitar filhos e podem escolher a que melhor se adapta a suas necessidades, podendo 
planejar de forma segura quando e como ter seus filhos. 
» Crescimento Econômico apoiado no Desenvolvimento Sustentável 
O crescimento econômico apoiado no desenvolvimento sustentável é de suma 
importância quando se fala de controle da explosão demográfica. 
» Educação – sobretudo das mulheres 
Quando uma pessoa tem acesso à educação seus objetivos e ambições mudam, 
principalmente as mulheres, que passam a ter uma outra expectativa para suas vidas 
e de seus filhos, e passam a reduzir o número de filhos para poder dar melhor 
qualidade de vida para sua família. 
 
 
35 
» Igualdade entre os sexos 
Com a participação cada vez mais ativa das mulheres na vida da sociedade, faz-se 
necessário que ela tenha as mesmas oportunidades e direitos dos homens para que 
elas realmente assumam o seu papel na sociedade como mulher, trabalhadora, mãe 
e responsável pelo futuro da nação. 
2.2. Energia 
É o recurso natural que possibilita o processamento de materiais e o fornecimento de vários 
recursos utilizados pela sociedade; é a força da natureza que usamos para executar um 
trabalho que seria realizado com muito mais dificuldade pelo homem. 
A primeira fonte de energia utilizada pelo homem foi o fogo produzido pela queima de 
madeira, fornecendo calor para aquecer, cozinhar e espantar animais. Com o passar do tempo 
o homem começou a “domesticar/ controlar” outras fontes de energia como: os ventos para 
mover moinhos e embarcações e a água por meio das rodas d’água além da tração animal. 
O grande problema é que cada vez que o homem utiliza uma fonte de energia em prol de sua 
existência ele causa também um grande estrago na natureza com a poluição do meio 
ambiente e a redução e/ou extinção dos recursos naturais limitados. 
A matriz energética mundial é composta de recursos naturais renováveis e não renováveis, 
com participação maciça dos não renováveis, o que interfere diretamente na qualidade de 
meio ambiente exigido por nossa sociedade. 
A matriz energética mundial está centrada hoje na utilização dos sequintes recursos 
energéticos, classificadas de acordo com suas propriedades de transformação, sendo as mais 
importantes: 
3. energia potencial química – é devido a agregações moleculares: biomassa álcool, 
óleos vegetais, lenha, carvão vegetal, resíduos agrícolas e fl orestais, resíduos 
sólidos; fósseis petróleo, gás natural, carvão mineral, xisto; outras, hidrogênio, 
metanol etc. 
(energia química, calor mecânica e eletricidade); 
4. energia potencial nuclear – devido a agregações nucleares fi ssão e fusão (potencial 
nuclear calor eletricidade); 
 
36 
5. Hidroelétrica – devido a gravidade (mecânica eletricidade); 
6. energia solar direta – devido à ação direta da radiação solar. Célula fotovoltaica (luz 
eletricidade) e aquecedor solar (luz calor); 
7. biodigestores – devido a ação microbiana (matéria orgânica gás, adubo e alimento) 
8. eólica – devido ao movimento dos ventos (mecânica eletricidade e mecânica); 
9. marítima – devido ao gradiente térmico nos oceanos (calor eletricidade); 
10. mares – devido principalmente a gravidade da lua (mecânica eletricidade); 
11. geotérmica – devido ao calor interno da terra. Geiserse erupções vulcânicas (calor 
eletricidade); 
12. magneto-hidrodinâmica – devido à ionização dos plasmas. Carvão (calor 
eletricidade) 
A inclusão de biomassa como fonte de energia potencial química é devido à maneira como é 
transformada em energia útil, mas também podia ser enquadrada como energia solar por 
causa do modo como é produzida. Da mesma maneira, as energias hidráulicas, eólica e 
marítima são resultados da ação atual do sol na atmosfera e na superfície da Terra. Já os 
combustíveis fósseis são também resultado da ação do sol, mas os depósitos em exploração 
foram formados a centenas de milhões de anos. 
Petróleo e Gás Natural: é uma substancia formada principalmente por hidrocarbonetos 
(compostos de carbono e hidrogênio) combinados com diferentes cadeias moleculares. 
Composição do Petróleo: 
NÚMERO DE ÁTOMOS DE CARBONO DERIVADO DE PETRÓLEO FORMADO 
1 a 4 Gases (metano, butano – gás de cozinha, etano, 
propano) 
4 – 10 Gasolina 
10 - 50 Óleos leves (diesel) e lubrificantes 
51 – até centenas Óleos pesados, graxas e asfaltos 
 
 
 
37 
O sistema de exploração de petróleo promove uma verdadeira cadeia de impactos ambientais: 
potencial de poluição do mar (plataformas marítimas) e afundamento e vazamento de navios 
cargueiros; poluição do solo, por derramamento de óleo cru ou de seus derivados após o uso; 
poluição do ar no processo de craqueamento (quebra da molécula de hidrocarboneto) e na 
sua queima já como combustível. 
A capacidade de consumo das reservas mundiais de energia não renovável, 
conhecidas em 1999, indicam que neste ritmo de crescimento e consumo 
as reservas de petróleo se extinguiram em 2.052, a de gás natural em 2.068 
e a de carvão em 2.271. 
CARVÃO MINERAL, HULHA E TURFA: O carvão mineral é o combustível fóssil economicamente 
aproveitável mais abundante da Terra, porém, seu uso sofre algumas limitações sérias devido 
aos problemas de poluição. O carvão mineral tem esse nome porque seu processo de 
formação é similar ao de rochas sedimentares. Entretanto é constituído de compostos 
orgânicos formados a partir de plantas que viveram de 340 milhões a 80 milhões de anos atrás. 
Existem quatro tipos de carvão mineral: linhito, sub-betuminoso, betuminoso e antracito. 
Além da poluição causada pelo seu uso, devemos considerar que a sua extração, além de 
provocar desordem e impacto diretos no meio ambiente na qual se situa a mina, provoca 
sérios problemas de saúde ocupacional, como a silicose, que leva o trabalhador de mina a se 
aposentar com apenas 15 anos de serviço, sendo uma atividade extremamente insalubre. 
BIOMASSA: è a utilização de recursos naturais renováveis para a transformação de energia, 
sendo destaque a produção agrícola, como o álcool, o bagaço de cana, as cascas de arroz e o 
carvão vegetal, mas a sua exploração gera de maneira geral os seguintes impactos ambientais: 
aumento do índice de desmatamento (carvão vegetal), uso intensivo do solo, poluição por 
agrotóxicos, erosão e exportação de nutrientes nobres como fósforo e o potássio. No seu uso, 
os mesmos impactos causados pelo petróleo e o carvão mineral. 
HIDROELÉTRICA: Apesar de ser considerada uma fonte renovável de energia, a sua instalação 
altera grandemente o ecossistema na qual está presente: impedimento de desova de peixes 
(necessidade de construir escadas) rio acima; alagamento de grande área vegetal, provocando 
potencial de extinção de espécies, desabriga a fauna ali existente, diminuição do raio de 
comida para a fauna, empobrecendo a cadeia alimentar local; desvio de rios e córregos; 
possibilidade de introdução de espécies exógenas aquele habitat; deslocamento de 
populações humanas inteiras; necessidade de deslocamento da produção agrícola porventura 
 
38 
existente, ampliando o índice de desmatamento. Tais impactos não consideram ainda os 
impactos causados pelas linhas de transmissão, que indicadores e estudos iniciais, sinalizam 
para a propensão a câncer nas comunidades próximas aos fi os de alta tensão, devido a 
radiação não ionizante gerada por estes. 
NUCLEAR: Produz energia nuclear por meio da fi ssão ou da fusão dos núcleos dos átomos. A 
fi ssão consiste na desintegração de um núcleo de um átomo pesado em núcleos mais leves, 
acompanhada da liberação de nêutrons, enquanto a fusão é um processo em que núcleos 
leves se juntam para formar um núcleo mais pesado. Em ambos os casos, a massa inicial do 
processo é maior que a massa final, a diferença sendo transformada em energia, de acordo 
com a celebre equação de Einstein, ΔE = Δmc2. A liberação de energia, por sua vez, acelera 
violentamente as partículas finais, gerando calor. 
O processo de fusão é o processo que ocorre no interior do sol e a energia liberada é sentida 
na Terra na forma de luz e de ondas eletromagnéticas, processo este que está em estudos na 
Terra, mas com a dificuldade de que só se consegue tais resultados em altíssimas 
temperaturas, tornando este processo, no nosso estágio tecnológico inviável 
economicamente. 
Por outro lado, o processo de fissão, é o mesmo que ocorre na bomba nuclear ou dentro da 
usina nuclear. O princípio básico de funcionamento consiste na captura desta energia liberada 
na fissão nuclear que faz com que a água esquente a temperaturas de 300°C (mas que 
permanece em estado líquido devido a pressão de 150 atm), e em contato com a câmara dos 
geradores (turbinas) está água é descompresada tornando-se vapor o que faz girar as turbinas. 
Os maiores impactos da energia nuclear, consiste no tempo de meia vida do rejeito radioativo 
(maior que 200 anos), quando comparados a vida útil da própria usina (próximo dos 50 anos), 
além do potencial de risco de vazamento no ar e na água, por acidente e como fornecedora 
de plutônio matéria prima básica para a fabricação das bombas atômicas. 
As outras formas de energia de certa forma tem reduzido impacto ambiental, até devido a 
baixa participação na matriz energética mundial, que não ultrapassa a 1%, aconselhando uma 
leitura complementar em publicação mais especializada. 
 
 
39 
CAPÍTULO 3 
CONTROLE DA POLUIÇÃO 
3.1. Poluição do Ar 
É a contaminação provocada pela presença de gases e partículas que, quando 
aspiradas ou absorvidas pelo corpo humano, causam efeitos negativos à saúde. A 
fumaça dos escapamentos dos veículos, as emissões industriais e muitos outros 
tipos de impurezas são os grandes causadores da poluição atmosférica, hoje um grande 
problema de saúde pública. 
O planeta Terra está completamente envolto por uma camada composta de uma mistura de 
gases, dos quais, o nitrogênio é o mais abundante. A esta camada, que se estende a uma 
modesta altura de cerca de 9.600 Km, damos o nome de atmosfera. A atmosfera terrestre é 
composta de 75,51% de nitrogênio, 23,15% de oxigênio, 1,28% de argônio, 0,046% de dióxido 
de carbono, 0,014% dos demais (esta distribuição está em peso e não em volume, se assim 
fosse a distribuição seria 78,09%, 20,94%, 0,93%, 0,032% e 0,004%, respectivamente). O 
conteúdo de vapor d’água é altamente variável, atingindo valores que vão de 0,02% em zonas 
áridas até 6% em zonas equatoriais úmidas, e é este conteúdo que influenciará de maneira 
significativa no comportamento da atmosfera no que se refere a movimento de massas de ar, 
no espalhamento da luz, absorção de calor, e no comportamento aerodinâmico das partículas 
em suspensão e sobre reações térmicas e fotoquímicas. 
Existem referências a poluição da atmosfera, anteriores aos protestos feitos pela nobreza 
contra o uso do carvão durante o reinado de Eduardo (1272 – 1309). No entanto, foi a 
Revolução Industrial quem marcou o início do reconhecimento público dos chamados 
episódios de poluição do ar e cujos exemploshistóricos mais citados são os seguintes: 
Principais episódios: 
Vale do Meuse, 1930 (Bélgica): 
1. Duração: 5 dias. 
 
40 
2. Grande número de pessoas adoeceu com a seguinte sintomatologia: dores no peito, 
tosse, dificuldade de respiração, irritação nasal e dos olhos. 
3. Sessenta pessoas morreram, principalmente pessoas idosas que já estavam doentes 
do coração e pulmões. 
4. Morte do gado. 
5. Presumiu-se que uma combinação de poluentes esteve associada com o episódio; é 
destacada a presença de gotículas de ácido sulfúrico, resultante de altas 
concentrações de dióxido de enxofre em gotículas de água. 
Donora, 1948 (Pensilvânia, EUA). 
1. Duração: 5 dias. 
2. Adoeceu 43% da população de 14.000 habitantes, cuja sintomatologia era: irritação 
no trato respiratório e dos olhos. 
3. Vinte pessoas morreram, principalmente pessoas que já estavam doentes do 
coração e pulmões. 
4. Presumiu-se que a presença de dióxido de enxofre e material particulado em 
suspensão esteve associado ao episódio. 
Poza Rica, 1955 (México). 
1. Duração: 25 minutos. 
2. Foram hospitalizadas 320 pessoas das quais 22 morreram. 
3. A presença de gás sulfídrico, lançado na atmosfera acidentalmente, por uma 
indústria de recuperação de enxofre de gás natural, foi a responsável. 
Londres, 1952 (Inglaterra). 
1. Duração: 5 dias. 
2. Grande número de pessoas adoeceu, sendo que aumentou o número de internações 
por problemas respiratórios. 
3. 3.500 a 4.000 pessoas morreram a mais do que o esperado epidemiologicamente 
para este período, principalmente pessoas idosas que já eram portadoras de 
doenças do coração e pulmões. 
 
41 
4. Atribuiu-se o fato a presença de poeira em suspensão (4,46mg/m3) e de dióxido de 
enxofre (3,75mg/m3). 
Bauru, 1952 (Brasil). 
1. Foram registrados 150 casos de doença respiratória aguda e nove óbitos. 
2. Bronquite e manifestações alérgicas do trato respiratório foram os principais 
efeitos. 
3. O fato ocorreu devido à emissão na atmosfera de pó de mamona (Rícino), por uma 
indústria de extração de óleos vegetais. 
New York, 1953 (EUA). 
1. Duração: 5 dias. 
2. Excesso de mortes do esperado em todos os grupos etários. 
3. Presença de dióxido de enxofre (2,0mg/m3) associada ao fato. 
New Orleans, 1955 (Louziania, EUA). 
1. Aumentada a frequência de asma. 
2. Presumiu-se que o poluente do episódio foi poeira industrial de farinha. 
Bombaim, 1988 (Índia). 
» Diversas mortes de pessoas e animais devido à emissão acidental de ácidos e 
óxidos na atmosfera por uma indústria de produtos químicos. 
Cubatão, década de 1980 (Brasil). 
» Devido a grande concentração de poluentes na atmosfera, várias crianças 
começaram a nascer com hidrocefalia ou até mesmo acéfalas. 
PRINCIPAIS EFEITOS DA POLUIÇÃO DO AR: 
» Efeito Estufa 
É o aumento de temperatura da Terra, pela emissão de toneladas de gases, 
principalmente dióxido de carbono, resultante da queima de combustíveis fósseis. 
 
42 
Esses gases atuam como uma estufa de fl ores, permitindo a entrada da luz do sol, 
mas impedindo a Terra de devolver esse calor ao espaço 7 , podendo provocar 
aquecimento e alteração do clima, favorecendo a ocorrência de furacões 
tempestades e até terremotos; o degelo das calotas polares elevando o do nível do 
mar e inundando regiões litorâneas; afetando o equilíbrio ambiental com o 
surgimento de epidemias. 
Considerando que toda atividade econômica humana está centralizada na produção 
de dióxido de carbono, principalmente a indústria americana e chinesa, devido ao 
uso intensivo de fontes energéticas que na sua queima liberam CO2, como petróleo, 
carvão, hulha principalmente, faz com que medidas efetivas que corrijam esta 
distorção necessitem de tempo para serem implementadas, pois mexe com a 
economia dos países e consequentemente no “nível de qualidade de consumo” de 
suas populações. O grande projeto de reorientação da organização industrial 
mundial, com enfoque na redução do nível de emissão de CO2, é o Protocolo de 
Kyoto (Japão) – Vide anexo 1. 
» Chuva Ácida 
A queima incompleta dos combustíveis fosseis (petróleo, carvão mineral) pelas 
indústrias e pelos automóveis, resulta na emissão de gás carbônico junto com outros 
gases, principalmente o dióxido de enxofre (SO2) e formas oxidadas de nitrogênio 
(NOx) que são liberados para a atmosfera. O dióxido de enxofre junto com o vapor 
d’água forma ácido sulfúrico que precipitando cai sobre a superfície terrestre em 
forma de chuva ácida. Como consequência ocorre a acidez dos lagos ocasionando o 
desaparecimento das espécies que vivem neles, o desgaste do solo pela acidificação 
e diminuição e alteração da microfauna, na liberação de metais potencialmente 
tóxicos (do solo) para o lençol freático, como chumbo, cádmio e alumínio, da 
vegetação e dos monumentos, além de desgastar e corroer a infraestrutura baseada 
em concreto armado ou outros metais. A chuva ácida pode ser reduzida, de forma 
significativa, com a alteração do modo de produção industrial adotada, assim como 
 
7 A energia solar que nos chega a Terra, vem em vários comprimentos de onda, variando de ondas com comprimento de microns 
até de quilômetros, mas da faixa de comprimento dos 100mn até 1mm, com destaque para a luz visível (400nm até 700nm), 
passa pela atmosfera terrestre sem problemas, mas quando absorvida pelo solo, ela é reenviada para a atmosfera em 
comprimento de onda diferente, entre 750nm-1mm (infravermelho ou onda de calor), que devido a esta característica é 
refletida pela molécula de CO2, ficando portanto, presa na atmosfera terrestre até perder sua energia, o que aumenta a 
temperatura do planeta e quanto maior a quantidade de gás carbono, maior a intensidade de reflexão e “aprisionamento “ 
deste calor. 
 É bom lembrar que não é a luz solar incidente direta que aumenta a temperatura e sim a sua absorção/refl exão pela superfi 
cie terrestre 
 
43 
a utilização em larga escala de filtros industriais compatíveis com a carga de poluição 
emitida para a atmosfera. 
QUADRO 4: Emissão de gases poluidores que aquecem a atmosfera em %: 
SETOR GÁS 
CARBÔNICO 
METANO ÓXIDO DE 
NITROGÊNIO 
OUTROS TOTAL 
Energia 35 4 4 6 49 
Desmatamento 10 4 14 
Agricultura 3 8 2 13 
Industria 2 22 24 
Participação no efeito 
estufa 
50 16 6 28 100 
O problema da chuva ácida ganhou contornos internacionais, pois os gases tóxicos 
liberados pela indústria do leste americano, tem-se precipitado na Europa ocidental, 
causando grandes prejuízos, reforçando a tese de que todos são responsáveis por 
tudo, e que a soberania de um país não pode prejudicar a qualidade de vida de outro 
em função da poluição gerada por este. 
Os maiores emissores de dióxido de enxofre (SO2), são: EUA com 21 milhões de toneladas, 
ex-URSS com 18,0; a China com 14,0, a Alemanha com 6,7 e a Polônia com 3,9 milhões de 
toneladas. 
Os maiores emissores de dióxido de nitrogênio são: EUA com 19,8 milhões de toneladas ano, 
seguido da Ex-URSS com 6,3; Alemanha com 3,7; Inglaterra com 2,7 e o Canadá com 1,9. 
» Buraco na Camada de Ozônio 
A camada de ozônio atua como um protetor da Terra dos raios ultravioletas do sol, 
que são extremamente prejudiciais à vida de plantas, animais e do ser humano. Os 
gases como os clorofluorcarbonos (CFC), mistura de átomos de carbono e cloro, são 
compostos altamente nocivos a este escudo natural da Terra. O CFC, presente no ar 
poluído, é transportado até elevadas altitudes onde é bombardeado pelos raios 
solares ocasionando a separação do cloro e do carbono. O cloro por sua vez tem a 
capacidade de destruir as moléculas de ozônio, bastando um átomo de cloro paradestruir milhares de moléculas de ozônio formando um buraco, pelo qual, os raios 
ultravioletas passam chegando a atingir a superfície terrestre. 
 
44 
Podemos considerar este problema como uma grande vitória da humanidade em 
relação ao meio ambiente, sendo que atualmente esse problema já está 
equacionado, porém os efeitos da destruição dessa camada, ainda se mostrarão 
presentes pelos próximos vinte anos. 
O TIRO PELA CULATRA 
Os gases CFC foram festejados, na década de 1920, como uma grande 
descoberta para a indústria: são inertes, não inflamáveis, nem tóxicos, nem 
corrosivos. Seu uso disseminou-se rapidamente pelo setor de refrigeração 
e da indústria do frio, pela indústria de plásticos expandidos, de 
embalagens e espumas e de aerossóis, além de utilização, especificamente 
industrial, como desengraxante para a limpeza de circuitos integrados e 
outros. 
Como gás propelente no sistema de aerossóis, ainda hoje considerado o 
grande vilão pela destruição da camada de ozônio, na verdade já foi 
substituído em todos os países industrializados a até mesmo naqueles que 
tem menos pesos nas emissões globais como o Brasil. Desde 1988, a 
indústria brasileira de aerossóis vem usando como propelentes os gases 
propano e butano, derivados de petróleo. O único uso em aerossóis ainda 
permitido é em medicamentos como bombas para asmáticos, em que o 
CFC é de difícil substituição. 
Sabe-se hoje que os CFC demoram de dez a vinte anos para ser 
transportados da superfície até a estratosfera, a partir do momento em 
que são liberados. Isso significa dizer que os níveis medidos atualmente 
dizem respeito a emissões dos anos 1980 e 1990, na melhor das hipóteses. 
Revista Visão, 20 de maio de 1992. 
Quadro 5: Tabela de fontes de poluição: 
FONTE DE 
POLUIÇÃO 
FONTE PRODUTORA EFEITO CAUSADO FORMA DE 
CONTROLE 
Gás carbônico (CO2). Respiração, automóveis e 
indústrias. 
Efeito Estufa. Protocolo de Kyoto. 
Óxidos de 
nitrogênio(Nox) e 
Dióxidos de enxofre 
(SO2). 
Indústrias. Chuva ácida. Filtros e implantação do 
sistema de gestão 
ambiental pelas 
indústrias. 
Clorofluorcarbonos 
(CFCs). 
Aerossóis, espumas 
plástica e etc... 
Buraco na camada de 
ozônio (O3). 
 A não produção de CFCs. 
 
45 
Dioxinas e Furano. Queima incompleta de 
hidrocarbonetos (plástico 
e diesel) 
Câncer pela entrada e 
bioacumulação no 
organismo. 
Mudança no padrão de 
consumo. 
Partículas Radioativas. Explosões e acidentes 
nucleares. 
Chuva radioativa. Política de controle de 
armas. 
Poeira em suspensão. Desmatamento, 
queimadas. 
Problemas respiratórios. Política ambiental. 
» Chuva Radioativa 
A exposição de partículas radioativas no ar, seja por acidentes ou testes com bombas 
nucleares, são levadas pelo vento e depositadas no solo com a precipitação pluviométrica. 
O exemplo mais conhecido é o acidente em Chernobyl (1986), que provocou chuva 
radioativa até no norte de Roraima, e que contaminou até hoje as pastagens de países 
próximos como a Lituânia, Letônia, Estônia e Bielo Rússia, impedindo a exportação de carne 
destes países. Mais recentemente temos o caso das usinas de Fukushima no Japão. 
» Dioxinas e Furanos 
As dioxinas e os furanos são gerados a partir do processo de queima de produtos, 
principalmente nos processos de incineração. 
O termo dioxina é uma abreviação de dibenzo-p-dioxinas policloradas (PCDD) e dibenzo 
furanos policlorados (PCDF), classificadas como um grupo de substâncias químicas 
cloradas, totalizando 210 compostos individuais (congêneres) onde 75 são PCDD e 135 
PCDF. Estes compostos podem ser formados na presença do elemento cloro, 
hidrocarbonetos e oxigênio em elevadas temperaturas. Isto ocorre, principalmente, na 
faixa entre 180°C a 400°C. Em temperaturas acima de 800°C, as dioxinas e os furanos são, 
normalmente destruídos, mas durante o resfriamento dos gases, eles podem ser 
novamente formados. 
Fontes de dioxinas: as PCDD/F não são substâncias naturais e sim um produto secundário 
muitas vezes indesejável. As principais fontes para a formação de dioxina abrangem, 
essencialmente, processos industriais como a indústria química (produção de clorofenois, 
clorobenzenos, cloroalifaticos, entre outros), indústria de papel e celulose (principalmente 
durante os processos de branqueamento), lavagem de roupa a seco entre outras, e os 
processos de incineração de resíduos sólidos (GROSSI, 1993). 
A dioxina no organismo humano se instala de forma insidiosa, sendo que o peso da 
evidência da carcinogenicidade é baseada em estudos com animais, obtendo resposta 
 
46 
positiva, mas que estudos epidemiológicos em humanos mostram, ainda, uma evidência 
inadequada ou uma ausência de dados satisfatórios. 
Figura 1: Estrutura molecular das moléculas de dioxina e furanos 
 
Furano 
 
Dioxinas 
» Problemas respiratórios 
As poeiras e os aerodispersóides presentes no ar podem provocar problemas 
respiratórios, pois a entrada de partículas com diâmetro entre 10 a 50 micras 
entopem os alvéolos pulmonares e, as menores de 10 micras entram nos alvéolos 
danificando-os permanentemente, fazendo com que estes deixem de realizar as 
trocas gasosas, tornando o pulmão menos eficiente. 
 
 
47 
QUADRO 6 – Dano da poluição do ar a vários materiais: 
 
TIPO DE 
MATERIAL 
MANIFESTAÇÃO 
TÍPICA DO DANO 
MEDIDA DE 
DETERIORAÇÃO 
POLUENTE 
DANIFICANTE 
OUTROS 
FATORES 
AMBIENTAIS 
Vidros Alteração da aparência 
da superfície. 
Refletância. Substâncias ácidas Umidade. 
Metais Danificação da 
superfície; perda de 
metal; 
embasamento. 
Ganho de peso; 
redução da 
resistência; perda 
de peso; alteração 
da condutividade. 
Dióxido de enxofre; 
substâncias ácidas. 
Umidade; 
temperatura. 
Materiais de 
construção 
Descoloração; 
dissolução do 
carbonato. 
Não medido 
quantitativamente. 
Dióxido de 
enxofre, gás 
sulfídrico, 
partículas 
pegajosas 
Umidade. 
Pintura Descoloração. Não medido 
quantitativamente. 
Dióxido de 
enxofre, gás 
sulfídrico, 
partículas 
pegajosas. 
Umidade, fungos.. 
Couro Desintegração da 
superfície; 
enfraquecimento. 
Perda de 
resistência. 
Dióxido de enxofre; 
substâncias ácidas. 
– 
Papel Torna-se quebradiço. Diminuição da 
resistência ao 
dobramento. 
Dióxido de enxofre; 
substâncias ácidas. 
Luz solar. 
Tecidos Redução na resistência; 
tensão; formação de 
manchas. 
Perda da resistência 
à tensão. 
Dióxido de enxofre; 
substâncias ácidas. 
Luz solar; 
Umidade; fungos. 
Corantes desbotamento. Refletância. Dióxido de 
nitrogênio; 
oxidantes; Dióxido 
de enxofre; 
Luz solar. 
Borracha “craeking” 
enfraquecimento 
Perda de 
elasticidade. 
Oxidantes; ozônio. Luz solar. 
 
3.2. Poluição do Solo 
É a contaminação do solo por resíduos industriais, agrícolas ou domésticos 
transportado pelo ar, pela chuva e pelo homem. Ao receber todo o tipo de 
resíduos contendo produtos químicos, agrotóxicos, fertilizantes, pelo uso 
 
48 
de técnicas atrasadas na agricultura, pela destinação final inadequada de 
resíduos sólidos e líquidos industriais e domésticos, pelo desmatamento, 
pelas queimadas, pelas chuvas acidas e radioativas e pela mineração, o solo 
vai perdendo sua função filtradora, colocando em risco os lençóis freáticos 
e atraindo doenças para toda a população. 
A principal causa de poluição do solo é sem dúvida a destinação final inadequada de resíduos. 
O problema da destinação final assume uma magnitude alarmante. Considerando apenas os 
resíduos urbanos e públicos, o que se percebe é uma ação generalizada das administraçõespúblicas locais ao longo dos anos em apenas afastar das zonas urbanas o lixo coletado, 
depositando-o por diversas vezes em locais absolutamente inadequados, como encostas de 
florestas, manguezais, rios, baias e vales. Mais de 80% dos municípios brasileiros vazam seus 
resíduos em céu aberto, em cursos de água ou em áreas ambientalmente protegidas, a 
maioria com a presença de catadores, entre eles crianças, denunciando os problemas sociais 
que a má gestão do resíduo sólido acarreta. Segundo os dados do SNIS- Sistema Nacional de 
Informações em Saneamento, em 2015 através da coleta pública, cada brasileiro produz em 
média 1 Kg de lixo domiciliar por dia, ou seja, 350 kg por ano. Se somarmos também o lixo 
produzido pelas indústrias (principalmente da construção civil), comércios, hospitais, 
restaurantes, escolas, escritórios etc. esse número sobe para mais de 500 Kg/hab/ano. Os 
números são mais alarmantes quando verificamos que a quantidade de resíduos sólidos 
recolhidos e tratados apropriadamente representa uma pequena parcela do produzido 
porque de cada 100 Kg de lixo produzido, 66 Kg são lançados em córregos e rios, 34 Kg são 
depositados em terrenos baldios e apenas 3 Kg são recolhidos, tratados e dispostos de forma 
apropriada. A destinação final desses resíduos sólidos recolhidos é outro grande problema em 
mais 80% dos municípios brasileiros esses resíduos são dispostos a céu aberto, em cursos 
d’água ou em áreas ambientalmente protegidas. 
Define-se como Resíduos Sólidos: “Resíduos nos estados sólido e 
semissólido, que resultam de atividades da comunidade de origem: 
industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de 
varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas 
de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações 
de controle de poluição, bem como determinados líquidos, cujas 
particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de 
esgotos ou corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica e 
economicamente inviáveis, em face à melhor tecnologia disponível”. Desta 
 
49 
forma é importante salientar que quando se diz “resíduo sólido” nem 
sempre podemos associar de que o resíduo está no seu estado sólido. 
Os resíduos sólidos podem ser agrupados em cinco classes, de acordo com sua origem, que 
são: 
» Lixo doméstico ou residencial – gerados nas atividades domesticas diárias, em 
edificações residenciais. 
» Lixo comercial – gerados nas atividades de estabelecimentos comerciais. 
» Lixo público – presentes em logradouros públicos, geralmente vindos da própria 
natureza ou descartados irregularmente pela população. 
» Lixo domiciliar especial – grupo que compreende os entulhos de obras, 
pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes e pneus. Nesse grupo, os elementos 
químicos como o chumbo, o cádmio, o níquel, a prata, o lítio, o manganês, o 
zinco e o mercúrio presentes em pilhas baterias e o ultimo também nas 
lâmpadas fluorescentes, são os grandes vilões na contaminação do solo 
quando lançados diretamente sobre ele. 
» Lixo de fontes especiais – são resíduos que merecem atenção especial 
devido as suas peculiaridades são eles: lixo industrial, lixo radioativo, lixo de 
portos, aeroportos e terminais rodoviários, lixo agrícola e resíduo de serviços 
de saúde. 
Histórico e Aspectos Legais: 
No Brasil, a preocupação com os resíduos sólidos, teve início oficialmente em 25 de novembro 
de 1880, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do império, por meio do Decreto no 3024 
aprovando o contrato de limpeza e conservação que foi executado por Francisco Gary8 . No 
ano de 1954, com a publicação da Lei Federal nº 2.312 (BRASIL, 1954), que introduziu como 
uma de suas diretrizes em seu art. 12: “a coleta, o transporte, e o destino final do lixo, deverão 
processar-se em condições que não tragam inconvenientes à saúde e ao bem-estar públicos”. 
 
8 Nome que originou o termo gari para os limpadores de rua. 
 
50 
Em 1961, com a publicação do Código Nacional de Saúde – Decreto no 49.974-A (BRASIL, 1961), 
tal diretriz foi novamente confirmada, por meio do art. 40. 
No final da década de 1970, por meio do Ministério do Interior – MINTER, foi baixada a Portaria 
MINTER nº 53, de 1/3/1979 (BRASIL, 1979), que dispõe sobre o controle dos resíduos sólidos, 
provenientes de todas as atividades humanas, como forma de prevenir a poluição do solo, do 
ar e das águas. O Ministério do Interior abrigava àquela época a Secretaria Especial de Meio 
Ambiente - SEMA, atualmente extinta e substituída pelo Ministério de Meio Ambiente – MMA. 
A referida Portaria determina que os resíduos sólidos de natureza tóxica, bem como os que 
contêm substâncias inflamáveis, corrosivas, explosivas, radioativas e outras consideradas 
prejudiciais, devem sofrer tratamento ou acondicionamento adequado, no local de produção, 
e nas condições estabelecidas pelo órgão estadual de controle da poluição e de preservação 
ambiental. 
A Portaria MINTER Nº 53, de 1o de março de 1979, em seu inciso X, determina também, que 
os resíduos sólidos ou semissólidos de qualquer natureza não devem ser colocados ou 
incinerados a céu aberto, tolerando-se apenas: 
» a acumulação temporária de resíduos de qualquer natureza, em locais 
previamente aprovados, desde que isso não ofereça riscos à saúde pública 
e ao meio ambiente, a critério das autoridades de controle da poluição e 
de preservação ambiental ou de saúde pública; 
» a incineração de resíduos sólidos ou semissólidos de qualquer natureza, a céu 
aberto, em situações de emergência sanitária. 
Essa Portaria veio balizar o controle dos resíduos sólidos no país, seja de natureza industrial, 
domiciliar, de serviços de saúde, entre outros gerados pelas diversas atividades humanas. 
CONSTITUIÇÃO FEDERAL - 1988 
Com a promulgação da Constituição Federal – CF, em 1988, a questão dos resíduos sólidos, 
por meio de artigos relacionados à saúde e ao meio ambiente passou a ser matéria 
constitucional. Em seu art. 23, verifica-se que é competência comum da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios: » proteger o meio ambiente e combater a poluição em 
qualquer de suas formas, e o art. 200 determina que ao sistema único de saúde compete, além 
 
51 
de outras atribuições, nos termos da lei: “IV – participar da formulação da política e da 
execução das ações de saneamento básico; VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, 
nele compreendido o do trabalho”. 
Sendo assim, compete ao Poder Público no âmbito federal, estadual, distrital e municipal, 
fiscalizar e controlar as atividades efetiva ou potencialmente poluidoras, fixando normas, 
diretrizes e procedimentos a serem observados por toda a coletividade. 
A CF/88 também determina no seu art.30 que compete aos municípios: 
» organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, 
os serviços públicos de interesse local, que tem caráter essencial. 
Compete então ao poder municipal a prestação do serviço de limpeza pública, incluindo a 
varrição, coleta, transporte e o destino final dos resíduos sólidos gerados pela comunidade 
local, entendido como de caráter essencial, que diz respeito primordialmente à saúde pública 
e a degradação ambiental. 
No passado havia uma cultura bastante enraizada de que os resíduos sólidos, comumente 
denominados LIXO, deviam ser dispostos em áreas alagadas, nos mangues, encostas, beiras 
de rios e estradas, bem distante das áreas nobres residenciais. Hoje, sabe-se dos danos 
causados pela má disposição desses resíduos, e tanto a nível legal como a nível técnico têm-
se feito grandes avanços. As prefeituras locais têm mudado de posturae buscado alternativas 
de concepção e tecnológicas para o adequado manejo dos resíduos sólidos. 
Algumas iniciativas foram surgindo no início de 1990, por meio de emendas parlamentares 
destinadas a financiar a coleta e o tratamento de resíduos. Em 19 de setembro de 1990, foi 
sancionada a Lei Federal no 8.080, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção 
e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes, que 
regulamentou o art. 200, da Constituição Federal de 1988, conferindo ao SUS, além da 
promoção da saúde da população, dentre outros, a participação na formulação da política e 
na execução de ações de saneamento básico e na proteção do meio ambiente. Nessa época, 
a FUNASA/MS iniciava os primeiros passos para apoiar os municípios na implantação de 
unidades de compostagem em pequenas comunidades. 
RESOLUÇÃO CONAMA no 358, de 29 de abril de 2005 
 
52 
Na área da saúde, tornou-se imprescindível a adoção de procedimentos que visem controlar 
a geração e disposição dos resíduos de serviços de saúde, principalmente devido ao crescente 
aumento da complexidade dos tratamentos médicos, com o uso de novas tecnologias, 
equipamentos, artigos hospitalares e produtos químicos, aliado ao manejo inadequado dos 
resíduos gerados, como a queima a céu aberto, disposição em lixões, dentre outros. Assim 
sendo, o Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, órgão consultivo e deliberativo do 
Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA, criado por meio da Lei Federal no 6.938, de 
31/8/1981, aprovou a Resolução no 5, em 5/8/1993, que dispõe sobre o gerenciamento dos 
resíduos sólidos oriundos de serviços de saúde, portos, aeroportos e terminais ferroviários e 
rodoviários. 
É importante salientar que os Resíduos de Serviços de Saúde - Resíduos Sólidos de Serviços de 
Saúde não se restringem apenas aos resíduos gerados nos hospitais, mas também a todos os 
demais estabelecimentos geradores de resíduos de saúde, a exemplo de laboratórios 
patológicos e de análises clínicas, clínicas veterinárias, centros de pesquisas, laboratórios, 
bancos de sangue, consultórios médicos, odontológicos e similares. 
A Resolução CONAMA no 358/2005, traz em seu bojo alguns aspectos importantes que serão 
elencados a seguir e estabelece a classificação para os resíduos gerados nos estabelecimentos 
prestadores de serviços de saúde, em quatro grupos (biológicos, químicos, radioativos e 
comuns). 
Por sua vez a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, publicou a RDC no 306/2004, 
que determina o gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde. 
A lei federal Nº 11.445 de 5 de janeiro de 2007 estabeleceu as diretrizes nacionais para o 
saneamento básico e definiu uma Política Federal de Saneamento Básico. Esta lei não trata 
exclusivamente do setor de resíduos sólidos, como se pode perceber. Ela versa sobre todos os 
setores do saneamento básico (drenagem urbana, abastecimento de água, esgotamento 
sanitário e resíduos sólidos), conforme seu artigo 2º, que traz entre seus princípios 
fundamentais: 
“III - abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos 
sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente;” 
No artigo 7º, a Lei 11.445 especifica as atividades que constituem o serviço de limpeza urbana 
e manejo de resíduos sólidos urbanos: 
 
53 
“I - de coleta, transbordo e transporte dos resíduos relacionados na alínea c do inciso I do 
caput do art. 3o desta Lei; 
II - de triagem para fins de reuso ou reciclagem, de tratamento, inclusive por compostagem, e 
de disposição final dos resíduos relacionados na alínea c do inciso I do caput do art. 3o desta 
Lei; 
“III - de varrição, capina e poda de árvores em vias e logradouros públicos e outros eventuais 
serviços pertinentes à limpeza pública urbana.” 
Em seu artigo 19, a Lei 11.445 estabelece que a prestação de serviços públicos de saneamento 
básico observará plano, que poderá ser específico para cada serviço, o qual abrangerá, no 
mínimo: 
I - diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de 
indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as causas 
das deficiências detectadas; 
II - objetivos e metas de curto, médio e longo prazos para a universalização, admitidas 
soluções graduais e progressivas, observando a compatibilidade com os demais planos 
setoriais; 
III - programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas, de modo 
compatível com os respectivos planos plurianuais e com outros planos governamentais 
correlatos, identificando possíveis fontes de financiamento; 
IV - ações para emergências e contingências; 
V - mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações 
programadas. 
A Lei 11.445 define que os planos de saneamento básico serão editados pelos titulares, 
podendo ser elaborados com base em estudos fornecidos pelos prestadores de cada serviço. 
A Lei 12.305, de agosto de 2010, institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que 
estabelece princípios, objetivos, instrumentos e diretrizes para a gestão e gerenciamento dos 
resíduos sólidos, as responsabilidades dos geradores, do poder público, e dos consumidores, 
bem como os instrumentos econômicos aplicáveis. Ela consagra um longo processo de 
amadurecimento de conceitos: princípios como o da prevenção e precaução, do poluidor-
pagador, da eco-eficiência, da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto, 
 
54 
do reconhecimento do resíduo como bem econômico e de valor social, do direito à informação 
e ao controle social, entre outros. 
A Lei 12.305 estabelece uma diferenciação entre resíduo e rejeito num claro estímulo ao 
reaproveitamento e reciclagem dos materiais, admitindo a disposição final apenas dos 
rejeitos. Inclui entre os instrumentos da Política as coletas seletivas, os sistemas de logística 
reversa, e o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas e outras formas de 
associação dos catadores de materiais recicláveis. 
Todos têm responsabilidades segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos: o poder público 
deve apresentar planos para o manejo correto dos materiais (com adoção de processos 
participativos na sua elaboração e adoção de tecnologias apropriadas); às empresas compete 
o recolhimento dos produtos após o uso e, à sociedade cabe participar dos programas de 
coleta seletiva (acondicionando os resíduos adequadamente e de forma diferenciada) e 
incorporar mudanças de hábitos para reduzir o consumo e a consequente geração. 
Entre os aspectos relevantes da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a logística reversa é o 
instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado pelo conjunto de ações, 
procedimentos e meios para coletar e devolver os resíduos sólidos ao setor empresarial, para 
reaproveitamento em seu ciclo de vida ou em outros ciclos produtivos. Sua implementação 
será realizada de forma prioritária para seis tipos de resíduos, apresentados neste item. 
A Lei Federal 12.305, cria também uma hierarquia que deve ser observada para a gestão dos 
resíduos: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e 
disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, instituindo uma ordem de 
precedência que deixa de ser voluntária e passa a ser obrigatória. 
Os geradores ou operadores com resíduos perigosos estão obrigados, pela força da Lei 12.305, 
a comprovar capacidade técnica e econômica para o exercício da atividade, inscrevendo-se no 
Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos. Deverão elaborar plano de 
gerenciamento deresíduos perigosos, submetendo-o aos órgãos competentes. O cadastro 
técnico ao qual estarão vinculados é parte integrante do Cadastro Técnico Federal de 
Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais. 
É também extremamente importante na Lei 12.305 a ênfase dada ao planejamento em todos 
os níveis, do nacional ao local, e ao planejamento do gerenciamento de determinados 
resíduos. É exigida a formulação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, dos Planos Estaduais, 
dos Planos Municipais com as possibilidades de serem elaborados enquanto planos 
 
55 
intermunicipais, microrregionais, de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, além 
dos Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de alguns geradores específicos. 
Impacto na Saúde e no Ambiente 
Vários são os agravos relacionados aos resíduos sólidos que podem causar efeitos indesejáveis 
com possível repercussão na saúde. Embora do ponto de vista sanitário, a importância dos 
resíduos sólidos como causa direta de doenças não esteja comprovada, como fator indireto, 
os resíduos sólidos exercem grande importância na transmissão de doenças como, por 
exemplo, por meio de vetores como artrópodes – moscas, mosquitos, baratas – e roedores 
que encontram nos resíduos sólidos alimento e condições adequadas para proliferação 
(Forattini, 1969; Oliveira, 1975; Najm, 1982; Bertussi Filho, 1994). 
Gerado e manejado de forma inadequada no ambiente, os resíduos sólidos podem contribuir 
para a poluição biológica, física e química do solo, da água (subterrânea e superficial) e do ar, 
submetendo as pessoas às variadas formas de exposição ambiental, além do contato direto 
ou indireto com vetores biológicos e mecânicos. 
Os Resíduos de Serviços de Saúde – Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde, apesar de 
representarem uma pequena parcela dos resíduos sólidos gerados por uma comunidade são 
compostos por diferentes frações geradas nos estabelecimentos de saúde, compreendendo 
desde os materiais perfurocortantes contaminados com agentes biológicos, peças 
anatômicas, produtos químicos tóxicos e materiais perigosos como solventes, 
quimioterápicos, produtos químicos fotográficos, formaldeído, radionuclídeos, mercúrio etc. 
até vidros vazios, caixas de papelão, papel de escritório, plásticos descartáveis e resíduos 
alimentares, que se não forem gerenciados de forma adequada, representam fontes 
potenciais de impacto negativo no ambiente e de disseminação de doenças, podendo oferecer 
perigo para os trabalhadores dos estabelecimentos de saúde, bem como para os pacientes e 
para a comunidade em geral. 
Considerando que as ações preventivas são menos onerosas e minimizam os danos à saúde 
pública e ao meio ambiente (BRASIL, 1993), o estabelecimento de saúde 
contemporaneamente é visto como uma unidade ou um conjunto de unidades produtivas 
devendo funcionar com processos, produtos e procedimentos de produção limpa, utilizando 
tecnologias limpas9. Ênfase no uso adequado e conservação de recursos ambientais, dentre 
 
9 O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA conceitua tecnologias limpas ou ambientais como a aplicação, 
de forma contínua, de uma estratégia ambiental aos processos e produtos, visando prevenir a geração de resíduos e 
minimizar o uso de matériasprimas e energia, a fi m de reduzir riscos ao meio ambiente e ao ser humano. 
 
56 
eles, água e energia, além da instituição de processos, produtos e procedimentos econômicos 
e ambientalmente adequados, inclusive no gerenciamento de Resíduos Sólidos de Serviços de 
Saúde, por meio de não geração ou minimização dos mesmos, é uma nova forma de atuação 
exigida pela sociedade que se impõe. 
Na década de 1970, pensava-se na disposição correta dos resíduos. Na de 1980, o foco passou 
a ser a reciclagem. Porém na de noventa o foco voltou-se para a minimização dos resíduos, ou 
seja, reduzir o consumo de energia e matéria-prima em primeiro lugar, reutilizar em segundo 
e, por fi m, reciclar. Portanto, as tecnologias limpas ou ambientais rompem com o modelo 
tradicional, reordenam prioridades e sintetizam o desenvolvimento de políticas de gestão de 
resíduos havidas nas últimas três décadas. 
As informações de acidentes associados à infecção nos trabalhadores de saúde se referem em 
sua imensa maioria a países desenvolvidos. A documentação de casos da América Latina, 
África e Ásia é parcial ou praticamente inexistente. Este vazio de informações e de conteúdos 
estatísticos se deve em parte a carência de denúncias e a falta de registro de dados, 
redundando em uma redução da magnitude do problema. 
Evidências epidemiológicas no Canadá, Japão e Estados Unidos estabeleceram que os resíduos 
biológicos dos hospitais são causas diretas da transmissão dos agentes HIV, que produz a AIDS 
e, ainda com maior frequência, do vírus que transmite a Hepatite B ou C, por meio das lesões 
causadas por agulhas e outros perfurocortantes (Coad, 1992). 
Infecções Hospitalares 
O Sistema Único de Saúde – SUS tem gasto uma quantia considerável com doenças de possível 
erradicação, provenientes do gerenciamento inadequado de resíduos, e com aquelas 
causadas pela contaminação ambiental. 
Investigações efetuadas em hospitais do Brasil e da Espanha estimam que entre 5% e 8,5% dos 
leitos são ocupados por pacientes que contraíram alguma infecção hospitalar. A Associação 
Paulista de Estudos de Controle de Infecções Hospitalares assegura que 50% desses casos são 
atribuídos a problemas de saneamento e higiene ambiental, instalações inadequadas, 
negligência dos profissionais de Saúde ao manipular materiais, tratar pacientes ou transitar 
em lugares de risco e que o manejo inadequado dos resíduos é responsável direta ou 
indiretamente por 10% das enfermidades adquiridas pelos pacientes durante o internamento. 
As infecções hospitalares incrementam de maneira considerável os custos da atenção médica. 
 
57 
Segundo dados da OMS/OPAS, 50% das infecções hospitalares são evitáveis se houver 
implementação de medidas adequadas de saneamento e manejo dos Resíduos de Serviços de 
Saúde – Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde (PERU, s.d.). 
Entre as principais enfermidades ocasionadas pelo manejo incorreto dos resíduos sólidos e os 
de serviços de saúde contaminados podemos mencionar: hepatite B e C, AIDS, tuberculose e 
febre tifóide. 
A hepatite viral é uma infecção de repercussão sistêmica que afeta principalmente o fígado, 
causada pelo vírus hepatotropos, que tem uma afinidade especial pela célula hepática. 
Identificou-se vários agentes virais denominados A, B, C, D, E, F e G, mas a nível infeccioso, os 
mais frequentes são B e C. 
A infecção pelo agente da hepatite B pode ocasionar casos graves, do tipo hepatite fulminante, 
com destruição massiva do fígado, desenvolvimento clínico de coma hepático, com uma 
mortalidade, neste caso, de aproximadamente 80%. A cirrose pode ser desenvolvida entre 5 
a 10% dos infectados. Trata-se de uma enfermidade muito difundida no mundo, calculando-
se a presença de mais de 200 milhões de portadores. Existem vacinas disponíveis para a 
imunização ativa desta enfermidade. 
O agente da hepatite C é um vírus altamente persistente, de difícil tratamento. Esta 
enfermidade se caracteriza por sintomas mínimos ou ausentes. Em um alto percentual (50 a 
60%) se produz uma infecção crônica que, em aproximadamente a metade dos casos, causa 
uma cirrose com evolução lenta, associada às vezes com carcinoma hepático. É determinada 
por meio de uma análise específica de sangue; não existe vacina até o momento. 
A hepatite G foi recentemente identificada. Sua transmissão é fundamentalmente por via 
parenteral, com um quadro clínicopouco sintomático e com tendência à cronicidade. Há 
ocorrência de casos de hepatites fulminantes. Não existem vacinas e não há tratamento 
específico. 
 
 
58 
Quadro 8 – Comparação das hepatites mais comuns 
CARACTERÍSTICAS HEPATITE A HEPATITE B HEPATITE C 
INCUBAÇÃO 
COMEÇO 
IDADE 
TRANSMISSÃO 
PROFILAXIA 
15-45 dias 
(média 30) 
Agudo 
Crianças-jovens e adultos 
Fecal-oral 
Vacina 
30-180 dias 
(média 60-90) 
Lento-Insidioso 
Qualquer idade 
Pele perfurada 
Mucosa 
Pele não intacta 
Vacina 
 15-160 dias 
(média 50) 
Insidioso 
Qualquer idade 
Pele perfurada 
Mucosa 
Pele não intacta 
Não tem 
Fonte: Guia de Capacitación - Gestión y Manejo de Desechos Sólidos Hospitalarios (1996) 
HIV é o agente da imunodefi ciência humana, um retrovirus conhecido desde 1981. Ainda que 
seu índice de transmissibilidade seja relativamente baixo, comparado com outras 
enfermidades infecciosas, tem um elevado impacto de ordem psicológica. O risco de contágio 
nos estabelecimentos de saúde, como consequência de acidentes com perfurocortantes, é 
muito baixo: menor de 0,4%. 
Na maioria das pessoas infectadas se desenvolve lentamente, com períodos de incubação que 
podem ultrapassar os 10 anos. Durante este tempo, os infectados não apresentam sintomas 
(zero positivos), mas podem transmitir a infecção. Outras pessoas não apresentam sintomas 
claros, e a doença é diagnosticada quando o sistema imunológico não pode defendê-las, 
aparecendo então as enfermidades oportunistas ocasionadas principalmente, por vírus, 
fungos e parasitas. 
Tuberculose é uma enfermidade causada pelo bacilo de Koch (mycobacterium turbeculosis), 
que ataca preferencialmente o pulmão. Manifesta-se com febre vespertina média, com 
ataque progressivo ao estado geral, tosse produtiva, hemóptica. 
Febre tifóide é uma enfermidade muito frequente nos países em desenvolvimento, produzida 
por uma bactéria (Salmonella typhy). Manifesta-se com febre, mal estar geral contínuo, 
manchas vermelhas no tronco, tosse não produtiva e diarreia. Modo de transmissão: pela 
água e pelos alimentos contaminados com fezes ou urina de um enfermo ou portador 
assintomático. 
As enfermidades citadas anteriormente são as que por sua gravidade e incidência são 
consideradas geralmente as mais perigosas entre as relacionadas com Resíduos Sólidos de 
 
59 
Serviços de Saúde. Além destas, existem outras que podem ter a mesma ou maior incidência 
percentual. Estas enfermidades se transmitem de acordo com o relacionado no Quadro 2. 
Quadro 9 – Transmissão de algumas enfermidades 
Bactérias: Coliformes, Salmonellas e Shigella sp., Pseudomonas, 
Estreptococos e Staphylococcus aureus. 
Fungos: Cândida albicans. 
Vírus: Influenza, vírus entérico. 
Fonte: Programa de Fortalecimento de los servicios de salud, DIGEMA/MINSA, Lima, Perú, 1995. 
As infecções mencionadas podem afetar também aos trabalhadores hospitalares que não 
estão diretamente envolvidos no manejo de resíduos. Devem estabelecer, portanto, 
programas para a busca de portadores e relação de acidentes, com a adequada vigilância 
epidemiológica/ sanitária, suporte clínico, imunizações e as normas de proteção modernas 
disponíveis. 
Quadro 10 – Principais enfermidades transmissíveis pelo manejo de resíduos sólidos 
 
ASPECTOS DA 
ENFERMIDADE 
HEPATITE B HEPATITE C HIV 
DESCRIÇÃO Anorexia, moléstias 
abdominais vagas, 
icterícia, colúria, mal 
estado geral. Afeta o 
fígado. Pode se 
apresentar como: aguda, 
crônica, fulminante e 
além disso produz cirrose 
ou carcinoma hepático 
(1%) 
Mesma sintomatologia, 
mesmo assim pode 
demorar muitos anos 
para aparecer. Pode 
manifestar-se como 
aguda ou crônica. 
Perda de peso 
progressivo não 
especificado. 
Infecções frequentes na 
pele e mucosas, nas vias 
respiratórias, diarreia 
crônica. 
ETIOLOGIA Vírus da hepatite B. Vírus da hepatite C. Vírus da imunodeficiência 
humana (HIV). 
PERÍODO DE INCUBAÇÃO 30-180 dias. Já se 
detectou casos de 2 
semanas de incubação. 
Média 60-90 dias. 
15-160 dias. Média 50 
dias. 
Desconhecido. 
Dados epidemiológicos 
sugerem de 6 meses a 10 
anos 
MECANISMOS DE 
TRANSMISSÃO PARA 
TRABALHADORES 
HOSPITALARES 
Exposição subcutânea, 
como ocorre por 
acidentes com objetos 
perfurocortantes 
contaminados (picadas, 
cortes ou arranhões). 
Salpiques de resíduos 
contaminados nas 
Acidentes com objetos 
perfurocortantes 
(picadas, cortes ou 
arranhões). 
Salpiques de resíduos 
contaminados nas 
mucosas ou pele não 
intacta 
Acidentes com objetos 
perfurocortantes 
(picadas, cortes ou 
arranhões). 
Salpiques de resíduos 
contaminados nas 
mucosas ou pele não 
intacta 
 
60 
mucosas ou pele não 
intacta. 
MEDIDAS DE PREVENÇÃO 
 Aplicar as normas e procedimentos de manejo de 
resíduos perfurocortantes e não reencapar as 
agulhas. Caso isto seja indispensável, fazê-lo 
utilizando a técnica de uma só mão ou por meio de 
uma pinça. 
Usar a técnica de assepsia médica de forma correta. 
Despeje todo objeto perfurocortante em recipiente 
rígido, resistente a perfurantes, com tampa. 
Despeje as placentas ou outros materiais orgânicos, 
evitando os salpiques nas mucosas e pele não intacta. 
Usar todos os materiais equipamentos cumprindo as 
medidas de biossegurança. 
Vacinar contra a hepatite todo o pessoal envolvido no 
manejo dos resíduos sólidos 
Fonte: Guía de Capacitación - Gestión y Manejo de Desechos Sólidos Hospitalarios (1996) 
TRATAMENTO E DISPOSIÇÃO FINAL 
A segregação dos Resíduos Sólidos pode ser encarada como parte integrante do tratamento, 
pois permite maior leque de opções na atividade de tratamento propriamente dita. A 
finalidade de qualquer sistema de tratamento é eliminar as características de periculosidade 
dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde (Programa Regional de Desechos Sólidos 
Hospitalarios, 1996). Para efeito de tratamento, merecem destaque os resíduos do Grupo A 
(Resíduos Biológicos), do Grupo B (Resíduos Químicos) e do Grupo C (Rejeitos Radioativos). 
Cada um desses grupos de resíduos tem características próprias, o que implica em tratamento 
específico. O quadro 8, apresentado a seguir, resume os métodos de tratamento adequado 
aos diversos grupos de resíduos. 
 
 
61 
Quadro 11 – Resumo dos métodos de tratamento e disposição final recomendados segundo o 
grupo de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde perigoso. 
MÉTODOS DE 
TRATAMENTO 
GRUPOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE 
GRUPO A 
RESÍDUOS 
BIOLÓGICOS 
GRUPO B 
RESÍDUOS 
QUÍMICOS 
GRUPO C RESÍDUOS 
RADIOATIVOS 
INCINERAÇÃO X X 
AUTOCLAVE X 
TRATAMENTO 
QUÍMICO 
X 
MICROONDAS X 
IRRADIAÇÃO X 
DECAIMENTO X 
Fonte: Guía de Capacitación - Gestión y Manejo de Desechos Sólidos Hospitalarios (1996) 
Nesta publicação, o termo tratamento está associado ao tratamento dos Resíduos Biológicos 
(Grupo A). Todavia, é importante ressaltar que, no caso de incineração, esse método é 
adequado ao tratamento dos Resíduos Químicos (Grupo B). Com essas considerações iniciais, 
pode-se afirmar que os processos de tratamento dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde 
se subdividem substancialmente em dois tipos (Gandolla, 1997): 
1. tratamento “parcial” ou esterilizante, é um tratamento realizado antes do 
encaminhado do Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde para outra 
instalação de tratamento. A massa e as propriedades físico-químicas não 
são fundamentalmente modificadas; 
2. tratamento “completo” (inertização físico-química) com o objetivo de 
permitir a disposição finalao meio ambiente de uma maneira segura. 
Os tratamentos “parciais” atualmente existentes no mercado são geralmente autoclavagem, 
tratamentos químicos, irradiação e microondas. 
Os tratamentos “completos” existentes atualmente no mercado são geralmente do tipo 
térmico e alcançam temperatura entre 800 e 1200ºC. Nessa categoria estão o incinerador, o 
queimador elétrico e a tocha de plasma. Geralmente apenas os tratamentos “completos” 
garantem a realização de três objetivos: 
 
62 
Objetivo 1: esterilização do fluxo de saída (exemplo: sangue, restos da sala de cirurgia etc.). 
Em muitos casos, o tratamento médico de pessoas com doenças infecciosas, ou 
potencialmente infectadas, necessita de medidas concretas para evitar a transmissão da 
infecção a outras pessoas. 
Objetivo 2: destruição de moléculas altamente tóxicas e estabilização de elementos críticos 
(metais pesados presentes no fluxo de saída (exemplo: medicamentos vencidos ou 
parcialmente utilizados, materiais contaminados com tais medicamentos etc.). Alguns 
medicamentos utilizados para a cura de doenças especiais (exemplo: produtos citostáticos 
para tratar tumores) possuem substâncias ou elementos particularmente tóxicos ou 
perigosos. 
Objetivo 3: destruição das moléculas responsáveis do efeito curativo dos medicamentos 
geralmente presentes nos fluxos de saída (exemplo: medicamentos vencidos ou parcialmente 
utilizados). Alguns medicamentos (exemplo: antibióticos) utilizados para a cura de doenças 
especiais como a tuberculose, podem perder rapidamente a maior parte de sua eficácia, 
devido ao aparecimento de microorganismos resistentes. 
Análise dos Métodos de Tratamento dos Resíduos 
Sólidos de Serviços de Saúde 
Um grande número de métodos, procedimentos e equipamentos destinados ao tratamento 
dos resíduos biológicos, grupo A, aparecem no mercado. Tendo em conta as diferentes 
percepções dos riscos envolvidos e da complexidade das instalações oferecidas, os 
estabelecimentos e autoridades relacionadas não sabem frequentemente sobre quais 
critérios embasar sua escolha (Suíça, 1994). 
Qualquer que seja o método de tratamento ou o equipamento escolhido, este deverá ser 
de uso exclusivo para os Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde. 
Uma análise preliminar mostra que os procedimentos atuais de tratamento dos resíduos 
infectantes se dividem em duas categorias: a esterilização e a incineração (Suíça, 1994). 
Esterilização: 
» Autoclave; 
» Tratamento químico; 
 
63 
» Ionização; 
» Micro-ondas. 
Incineração: 
» Incineração no hospital: 
› Incineração centralizada para resíduos hospitalares de uma região;: 
› Incineração para resíduos perigosos; › 
Usinas de incineração de resíduos 
domésticos; › Novas técnicas. 
Esterilização 
A esterilização tem por objetivo suprimir todo microorganismo suscetível de se reproduzir 
(formas vegetativas e esporuladas). Na prática médica, fala-se de esterilização quando a 
probabilidade que uma unidade seja não estéril for inferior a 10-6 (Suíça, 1994). 
Existem diferentes processos de esterilização, podendo-se agrupá-los em: 
» meios físicos, que compreendem o calor e as radiações ionizantes; 
» meios químicos, que empregam gases (óxido de etileno, formaldeído) ou líquidos 
microbicidas, notadamente o glutaldeído. 
Qualquer que seja o procedimento utilizado, a esterilização só pode ser obtida se existir um 
contato efetivo entre o agente microbicida (físico ou químico) e os microorganismos. 
A ação microbicida de um agente reduz o número de microorganismos presentes em uma 
população numa proporção que depende do agente utilizado, das condições da experiência e 
do tempo. Praticamente, pode se determinar o número de microorganismos sobreviventes 
procedendo-se a coletas em determinado tempo (técnica de cultura quantitativa por diluições 
em série). 
Pode-se aqui relevar a importância da trituração em todos os procedimentos da esterilização, 
permitindo se: 
» reduzir o volume dos resíduos; 
 
64 
» romper volumes fechados que poderiam se opor à penetração do vapor ou dos 
agentes desinfetantes nos resíduos; 
» obter uma homogeneização e uma granulação apropriada para o tratamento dos 
resíduos; 
» uma banalização visual. 
Entretanto, vale observar que a trituração possibilita o aumento do risco de contaminação em 
face do manuseio dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde e da manutenção e conservação 
do triturador. 
Autoclave 
Consiste em submeter os resíduos biológicos a um tratamento térmico, sob certas condições 
de pressão, em uma câmara selada (autoclave) por um tempo determinado, com prévia 
extração do ar presente (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). 
Todos os tipos de microorganismos podem ser mortos pelo calor (seco ou úmido), se eles 
forem expostos a uma temperatura adaptada a seu nível de resistência. Para os esporos 
bacterianos, trata-se de temperaturas superiores a 100ºC (Suíça, 1994). 
A rapidez com a qual os microorganismos são mortos depende, em uma larga medida, do nível 
de umidade relativa. Ela é máxima quando a umidade é 100% (atmosfera saturada em vapor 
d’água). 
A autoclave a vapor é um método apropriado de tratamento de resíduos de laboratórios de 
microbiologia, de resíduos de sangue e de líquidos orgânicos humanos, de objetos 
perfurocortantes e de resíduos animais, que não podem ser triturados. Por outro lado, esse 
método não convém para tratar resíduos anatômicos humanos e animais. 
A efi ciência da operação de descontaminação dos resíduos depende da temperatura a qual 
eles são submetidos e também da duração do contato com o vapor. Considerando que os 
resíduos são aquecidos pela penetração do vapor e pela condução térmica, é necessário que 
todo o ar seja extraído e que os recipientes contendo os resíduos possam facilmente deixar 
penetrar o vapor. As condições habituais de funcionamento consistem em uma temperatura 
de pelo menos 121ºC durante mais de 60 minutos (SUIÇA, 1994). 
 
65 
Encontram-se disponíveis no mercado autoclaves de diferentes tamanhos que podem ser 
selecionadas de acordo com a quantidade de resíduos gerados por um estabelecimento ou 
grupo de estabelecimentos. As temperaturas de tratamento variam de 100 a 160ºC e a 
duração do tratamento de 20 a 120 minutos. As capacidades são muito variadas, desde a 
pequena instalação de 20 litros, até o contêiner de 800kg. 
A penetração do vapor nos resíduos é um elemento crítico de efi ciência da autoclave. É 
preciso dar uma atenção particular a embalagem, que deve permitir uma boa penetração do 
vapor. 
O volume e o tamanho da carga de resíduos na autoclave influenciam igualmente a eficiência 
da operação de descontaminação. No caso das autoclaves de laboratório de pequena 
capacidade, o tratamento pode ser eficaz quando se divide uma grande carga em duas 
pequenas cargas separadas. Em outro caso, como não existe "carga normalizada” para uma 
autoclave, o estabelecimento de saúde pode ter que se habituar aos parâmetros da autoclave. 
Como no caso de outras técnicas de tratamento, é essencial utilizar a autoclave de maneira 
adequada para obter a eficiência ótima, seguindo as instruções operacionais do manual de 
instruções. 
Para verificar a eficiência do ciclo da autoclave, utiliza-se habitualmente indicadores químicos 
ou biológicos. Certos indicadores químicos não são algumas vezes recomendados, pois eles 
indicam unicamente se a temperatura foi atingida, e não o tempo durante o qual ela foi 
mantida. Considera-se habitualmente que os indicadores biológicos, como a presença do 
Bacillus stearothermophilus, são mais confiáveis. A eficiência da autoclave deve ser verificada 
regularmente, de acordo com a frequência queela é utilizada. 
Os resíduos contendo citotóxicos, produtos químicos tóxicos ou perigosos, que possam 
emanar vapores ou se volatizar, não devem ser autoclavados, pois eles não são degradados 
nas temperaturas atingidas normalmente neste tipo de aparelho. Dentre esses resíduos, 
destacam-se tecidos, órgãos ou membros extraídos de pacientes submetidos à quimioterapia. 
Os fatores principais que devem ser considerados quando se tratam resíduos biológicos 
mediante a esterilização a vapor são (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 
1996): 
» o tipo de resíduo; 
» as embalagens e os recipientes; 
 
66 
» o volume de resíduos e o tipo de carregamento na câmara de tratamento. 
Os resíduos biológicos de baixa densidade, tais como muitos materiais plásticos, são mais 
adequados para a esterilização a vapor. Os resíduos de alta densidade, tais como partes 
grandes de corpos e quantidades grande de matéria animal ou de fluidos, dificultam a 
penetração do vapor e requer um tempo mais longo de esterilização. No caso em que se gere 
uma grande quantidade de resíduos de alta densidade, deve-se considerar métodos de 
tratamentos alternativos como, por exemplo, a incineração ou o uso prévio de trituradores 
(Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). 
Resíduos anatômicos – Não se recomenda autoclavar, nem tratar 
quimicamente, nem por microondas, nem dispor em aterro sanitário, por 
razões culturais e éticas. É desaconselhável a trituração preliminar, 
principalmente de fetos. Recomenda-se dispor em cemitério. 
Na autoclave a vapor se deve utilizar recipientes que permitam a penetração do vapor sem 
derretê-los. 
Quando os recipientes utilizados para conter os resíduos biológicos não respondem a essas 
características, deverá se proceder da seguinte forma: 
a. quando se utilizam recipientes que derretem com o calor, é recomendável 
coloca-los dentro de outros recipientes (plástico rígido ou bolsas 
resistentes ao calor) para evitar sujar ou danificar as paredes da autoclave 
e facilitar a extração dos resíduos tratados; 
b. no caso de recipientes de plástico (por exemplo, polietileno), que são 
resistentes ao calor, porém, impedem a penetração do vapor, é necessário 
primeiro destampá-los para que o processo de esterilização seja efetivado. 
O volume do resíduo é um fator importante na esterilização a vapor. Considerando que pode 
ser difícil atingir a temperatura de esterilização com grandes cargas, pode ser mais eficiente 
tratar uma quantidade grande de resíduos com cargas pequenas, em lugar de apenas uma 
(Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). 
Vantagens: 
» alto grau de eficiência; 
» é um equipamento simples de operar; 
 
67 
» é um equipamento conceitualmente similar a outros normalmente utilizados em 
estabelecimentos de saúde (autoclaves para esterilização). 
Desvantagens: 
» não reduz o volume dos resíduos tratados; 
» pode produzir maus odores e gerar aerossóis; 
» é necessário utilizar recipientes ou bolsas termo resistentes, que têm custos 
relativamente elevados; » não é conveniente para resíduos anatômicos 
porque continuam sendo reconhecíveis depois do tratamento; 
» os aparatos de vapores são escassamente utilizados em países tropicais, de tal 
maneira que não há familiaridade com os riscos que implicam. 
O pessoal envolvido com a esterilização a vapor deve ser educado em técnicas apropriadas 
para minimizar a exposição pessoal a perigos que o uso da autoclave pode gerar. Estas técnicas 
incluem uso de equipamento protetor, técnicas para reduzir ao mínimo a produção de 
aerossóis e técnicas para a prevenção de derramamento de resíduos durante a carga da 
autoclave (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). 
Tratamento Químico 
A descontaminação química pode ser um método apropriado para tratar os resíduos de 
laboratórios de microbiologia, os resíduos de sangue e de líquidos orgânicos humanos, assim 
como os objetos perfurocortantes. Este método não deve ser utilizado para tratar os resíduos 
anatômicos (Suíça, 1994). 
A descontaminação química é mais frequentemente utilizada para tratar os resíduos líquidos 
antes de sua eliminação. Ela é útil para descontaminar os lugares onde os resíduos foram 
deixados (desinfecção de superfície clássica). 
Quando se utiliza descontaminação química, deve ser levado em conta os seguintes fatores: o 
tipo de microorganismo, o grau de contaminação, o tipo de desinfetante, o mesmo para a 
concentração e a quantidade de desinfetante utilizado. Outros fatores podem ser pertinentes: 
a temperatura, o pH, o grau de mistura e a duração do contato do desinfetante com os 
resíduos contaminados. 
 
68 
O hipoclorito de sódio (água sanitária doméstica) é frequentemente utilizado como 
desinfetante. 
O óxido de etileno é um gás de efeito bactericida, mas precauções devem ser tomadas quando 
for empregado. Ele pode causar queimaduras, mutagênese e provavelmente carcinogênese. 
Um outro inconveniente do óxido de etileno é o risco de explosão. Para diminuir este risco, 
ele é misturado com CFC-12 (diclorodifl uormetano) ou com produtos de substituição menos 
nocivos para a camada de ozônio, conforme o protocolo de Montreal (por exemplo: HFC-
134a). 
Apesar destas desvantagens, a esterilização por óxido de etileno é muito eficaz e atua a baixa 
temperatura. É preciso ainda ressaltar que a concentração de óxido de etileno no ar ambiente 
não deve ultrapassar 1ppm, e que este gás é inodoro, mesmo em fortes concentrações. 
O formaldeído é igualmente um gás esterilizante, que se decompõe em forma de vapor a partir 
de uma solução aquosa de formol. A esterilização com ajuda de formaldeído se efetua a 80ºC 
em 45min. aproximadamente. Como para o óxido de etileno, os resíduos tóxicos são gerados 
e uma desabsorção é necessária. Por outro lado, os vapores de formaldeído não são 
inflamáveis. 
A eficácia de uma desinfecção química depende de três fatores (Programa Regional de 
Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996): 
» tipo de desinfetante utilizado; 
» sua concentração; 
» tempo de contato. 
Vantagens: 
» baixo custo; 
» pode ser realizada na fonte de geração. 
Desvantagens: 
» pode ser ineficaz contra cepas de patogênicos resistentes a determinados 
químicos; 
 
69 
» as oportunidades de desinfectar quimicamente o interior de uma agulha ou 
de uma seringa são muito baixas; 
» pode aumentar os riscos, porque há tendência a se considerar que os resíduos 
tratados com desinfetantes são seguros; 
» não reduz o volume dos resíduos tratados; 
» a disposição do desinfetante utilizado no sistema de esgotamento sanitário 
pode afetar o funcionamento do tratamento de águas residuárias, afetando 
o processo de degradação biológica. 
Ionização 
A ionização por bombardeamento iônico é um processo muito útil na indústria para o 
tratamento dos alimentos. A sua utilização para o tratamento dos resíduos está ainda em fase 
experimental (Suíça, 1994). 
Consiste em destruir os agentes patológicos presentes nos resíduos mediante sua exposição a 
radiações ionizantes (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). 
Deve-se realizar a trituração preliminar para melhorar a eficiência desse procedimento. 
A irradiação é um processo de alta tecnologia que deve ser operado com grandes precauções 
e necessita de estruturas físicas adequadas. Por tais razões não se recomenda, sobretudo, em 
situações nas quais não haja técnicos disponíveis e bem capacitados, ou onde os acessórios 
materiais de reposição não sejam fáceis de se obter. 
Os riscos que se enfrentam na utilização de substâncias radioativas são bem conhecidos: 
danos ao patrimônio genético, àmedula óssea, às células do sangue e à pele (enfermidades 
neoplásicas), entre outros. 
Vantagens: 
» alto grau de eficiência; 
» contaminação mínima; 
» é menos custosa do que uma desinfecção química. 
 
70 
Desvantagens: 
» requer máxima segurança ante o perigos das radiações; 
» tecnologia complexa e problemas de manutenção; 
» pessoal de operação altamente capacitado e estruturas físicas adequadas; 
» a fonte de irradiação se converte em resíduos perigosos ao terminar sua vida útil. 
Higienização por Micro-ondas 
Consiste em submeter os resíduos biológicos, previamente triturados e envolvidos com vapor, 
a vibrações eletromagnéticas de alta frequência, até alcançar e manter uma temperatura de 
95 a 100ºC, pelo tempo determinado pelo fabricante (Programa Regional de Desechos Sólidos 
Hospitalarios, 1996). 
Estas vibrações eletromagnéticas produzem como resultado o movimento, a grande 
velocidade, das moléculas de água presentes nos resíduos, gerando por fricção intenso calor. 
O higienizador por micro-ondas foi desenvolvido por uma empresa alemã e instalada 
originalmente no Hospital Universitário de Gottingen, compreende uma esteira de descarga 
dos recipientes, que faz o trabalho de trituração. Todos os resíduos são assim reduzidos ao 
estado de um granulado que, umedecido, avança durante uns vinte minutos, graças a um 
parafuso de Arquimedes, em uma câmara de desinfecção equipada com uma série de 
emissores de microondas. Todos os microorganismos, com exceção das formas esporuladas, 
são destruídos. O granulado assim tratado é descarregado em um recipiente comum que por 
sua vez é encaminhado diretamente a um compactador central para ser tratado 
posteriormente em um forno de incineração de resíduos domésticos (Suíça, 1994). 
A elevação da temperatura é obtida aquecendo os resíduos por exposição a um campo 
eletromagnético UHF de 2.450Mhz (gama de ondas centimétricas de 12,24cm e variação do 
campo magnético de 2,45 milhares de vezes por segundo). 
O emprego de micro-ondas permite aquecer muito rapidamente os resíduos, que devem, 
entretanto ser umidificados para atingir a temperatura de evaporação da água, a fi m de 
permitir a ação do campo eletromagnético sobre as moléculas de água. 
 
71 
A higienização por micro-ondas não é uma esterilização no sentido restrito. Quando as 
condições são preenchidas, os controles atestam a descontaminação eficiente dos resíduos, 
tratando-se de bactérias ou de virus. 
O processo não é apropriado para grandes quantidades de Resíduos Sólidos de Serviços de 
Saúde (mais de 800 a 1000kg por dia) e também para resíduos anatômicos. Existe, também, o 
risco de emissões de aerossóis que podem conter produtos orgânicos perigosos (Programa 
Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). 
Os sistemas de desinfecção por microondas são muito utilizados para o tratamento local dos 
resíduos de laboratório e são constituídos por fornos pequenos, cujo princípio de 
funcionamento é o mesmo dos fornos de microondas de uso doméstico. 
Nunca se deve colocar objetos metálicos nestes fornos, já que as microondas, ao atingirem 
o metal, geram cargas elétricas entre estes e as paredes do forno. Por conseguinte, os 
perfurocortantes, de forma alguma, devem ser tratados neste sistema. 
Vantagens: 
» alto grau de eficiência. 
Desvantagens: 
» custo de instalação superior ao da autoclave; 
» não é apropriado para tratar mais de 800 a 1000kg/d de resíduos; 
» riscos de emissões de aerossóis que podem conter produtos orgânicos perigosos; 
» requer pessoal especializado e estritas normas de segurança. 
Incineração 
Consiste em destruir os resíduos (biológicos e químicos) mediante um processo de combustão 
no qual estes são reduzidos a cinzas (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 
1996). 
Os incineradores podem queimar a maioria dos resíduos sólidos perigosos, incluindo os 
farmacêuticos e os químicos orgânicos, exceto os resíduos radioativos e os recipientes 
pressurizados. 
 
72 
Os incineradores modernos são equipados com uma câmara primária e outra secundária de 
combustão, providas de queimadores capazes de alcançar a combustão completa dos resíduos 
e uma ampla destruição das substâncias químicas nocivas e tóxicas (dioxinas e furanos etc.). 
Na câmara de combustão secundária se alcançam temperaturas em torno de 1.100ºC e opera 
com um tempo de permanência de no mínimo dois segundos. Para tratar o fluxo de gases e 
as partículas arrastadas, antes de serem liberadas na atmosfera, são agregados torres de 
lavagem química, ciclones, filtros etc. 
Os incineradores operam com uma máxima eficiência quando os resíduos que se queimam 
têm um poder calorífico sufi cientemente alto, ou seja, dizer, quando a combustão produz 
uma quantidade de calor sufi ciente para evaporar a umidade dos resíduos e manter a 
temperatura de combustão sem adicionar mais combustível. 
É preferível que os incineradores operem continuamente, já que as mudanças de temperatura 
provocadas pelas paradas deterioram rapidamente os revestimentos refratários. 
Um incinerador cuidadosamente operado tem uma vida útil de 10 a 15 anos. Necessita 
manutenção constante e uma manutenção anual, que implica uma parada do equipamento 
entre 20 e 30 dias. Para evitar que as paradas previstas e imprevistas possam causar grandes 
acúmulos de resíduos, seria desejável dispor de um segundo incinerador capaz de tratar os 
Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde pelo período de parada do incinerador principal. Como 
alternativa, uma Vala Séptica ou uma Célula Especial em Aterro Sanitário, para receber os 
Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde gerados entre os 20-30 dias de parada anual do 
incinerador. 
Os incineradores de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde oferecidos no mercado, cujas 
capacidades variam de alguns kg/h a 8t/h, comportam geralmente um forno de leito fixo, uma 
pós-combustão, um tratamento das emissões gasosas, e uma recuperação de calor opcional. 
As temperaturas de combustão, de 800 a 1200ºC, convêm para a incineração de resíduos 
deste tipo. Eles não devem entretanto ser inferiores a 800ºC (Suíça, 1994). 
Vantagens: 
» destrói qualquer material que contém carbono orgânico, incluindo os patogênicos; 
» produz uma redução importante de volume dos resíduos (80%-95%); 
» os restos ficam irreconhecíveis e definitivamente não recicláveis; 
 
73 
» sob certas condições, permite o tratamento dos resíduos químicos e farmacêuticos; 
» permite o tratamento dos resíduos anátomo-patológicos. 
Desvantagens: 
» custa duas ou três vezes mais que qualquer outro sistema; 
» supõe um elevado custo de funcionamento pelo consumo de combustível 
(sobretudo se for carregado com RRS perigosos com alto teor de umidade); 
» necessita de constante manutenção; 
» conserva o risco de possíveis emissões de substâncias tóxicas na atmosfera. 
Incineração in Situ 
Trata-se de uma incineração em unidades de fraca capacidade, implantadas no 
estabelecimento de saúde. Os antigos fornos hospitalares têm geralmente capacidade inferior 
a 1t/h e funcionam de maneira descontínua, causando poluição a cada fase de partida. Não 
possuem frequentemente performance de tratamento dos gases. Os resíduos são 
frequentemente incinerados a temperaturas de 300-400ºC, sendo necessário no mínimo uma 
temperatura de 800ºC para assegurar uma combustão efetuada em boas condições. 
Incineração Centralizada 
Neste caso, os Resíduos de Serviços de Saúde – Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde são 
agrupados tendo em vista o seu tratamento em instalações de maior capacidade, que são 
geralmente mais rentáveis e mais satisfatórias sob o ponto de vista da proteção do meio 
ambiente (Suíça, 1994).Pode-se recorrer a três tipos de soluções: 
» tratamento em incineradores para Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde que 
tratam vários estabelecimentos de saúde; 
» tratamento em incineradores para resíduos perigosos; trata-se de fornos 
rotativos destinados à incineração de resíduos perigosos industriais sólidos ou 
pastosos; 
 
74 
» tratamento em usinas de incineração de resíduos domésticos aptas a 
incinerar Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde, podendo ser instalações 
autônomas ou de linhas de fornos específicos localizados ao lado de usinas de 
incineração de lixo doméstico, com tratamento conjunto dos gases. 
Novas Técnicas 
Novas técnicas de incineração foram substituídas, permitindo o tratamento de resíduos 
contaminados: queimador elétrico, tocha de plasma em particular, permitindo atingir 
temperaturas muito mais elevadas que nos incineradores clássicos (Suíça, 1994). 
Queimador elétrico é um queimador alimentado por um arco elétrico, permitindo atingir 
temperaturas na ordem de 2.700ºC. 
O princípio da tocha de plasma é produzir um gás a uma temperatura muito alta (podendo 
atingir 10.000ºC), graças a um arco elétrico. Utilizado para incineração de resíduos, a tocha a 
plasma não produz escórias nem cinzas voláteis tóxicas, mas um resíduo vitrificado inerte. A 
temperatura de incineração varia entre 1.600 e 4.000ºC, assegurando assim a destruição das 
moléculas tóxicas e vitrificação dos metais pesados. 
Existe um tipo particular de tratamento térmico, de efeito pirolítico, que trata também 
resíduos contaminados, que permite tratar os resíduos a uma temperatura elevada 
produzindo escórias contendo teores bastante fracos de não incinerados. 
Critérios para Seleção do Tipo de Tratamento 
Para a seleção do tipo de tratamento mais adequado dos Resíduos Sólidos de Serviços de 
Saúde, convém avaliar os seguintes fatores (Programa Regional de Desechos Sólidos 
Hospitalarios, 1996): 
» impacto ambiental; 
» custos de instalação e manutenção; 
» número de horas diárias de utilização do sistema em função da quantidade de 
Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde que serão tratados; 
» fatores de segurança. 
Estas avaliações incluem: 
 
75 
» investigação dos locais e instalações disponíveis para o tratamento ou 
eliminação dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde; 
» cálculo dos custos de todas as opções viáveis para fazer comparações; 
» revisão dos requisitos normativos e as licenças exigidas para a opção viável; 
» determinação de custos e dificuldades adicionais que poderiam estar 
associadas às opções selecionadas. 
A partir destes dados, o responsável pelo planejamento pode desenvolver uma matriz de 
alternativas que incorporem as avaliações técnicas, os planos e as análises econômicas que 
conduzam a um grupo de opções apropriadas. 
Ao estimar custos, o responsável pelo planejamento deve determinar o investimento de bens 
de capital, assim como os custos anuais de manutenção, de operação, instalação e 
amortização do equipamento e considerar, além da conveniência econômica, os seguintes 
aspectos: 
» condições específicas locais ou referentes à composição dos resíduos a 
tratar, que podem causar paradas acidentais de operação ou baixo 
rendimento da mesma; » condições futuras e mudanças potenciais, tais como 
as relacionadas com regulamentos e padrões; 
» atitudes contrárias e a eventual oposição a uma ou mais opções de 
tratamento ou eliminação. 
 
 
76 
Quadro 12 
– Comparação das características de alguns processos de tratamento de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde 
 
PROCESSO REDUÇÃO 
VOLUME 
 EFICIÊNCIA 
DESINFECÇÃO 
IMPACTO 
AMBIENTAL 
CAPACITAÇÃO 
PESSOAL 
CAPACIDADE DE 
TRATAMENTO 
CUSTO DE 
INVESTIMENTO 
CUSTO OPERAÇÃO 
Autoclave baixo alta baixo Média(*) Média-baixa média média 
Tratamento 
Químico 
baixa incompleta média média Média-alta média média 
Irradiação baixa baixa média alta Pequenas 
unidades 
alta alta 
Micro-ondas baixa alta baixa alta Pequenas 
unidades 
alta alta 
Incineração alta Alta(**) baixa alta Sem limites alta alta 
 
Fonte: Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996 
(**) Com incineradores de bom nível tecnológico. 
(*) Não se considera a capacitação necessária para manejar equipamentos de produção de vapor. 
Disposição Final dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde 
A disposição final dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde se define como seu confinamento em aterro sanitário ou vala séptica, depois de 
haverem sido submetidos a algum tipo de tratamento como a desinfeção, esterilização ou incineração (Programa Regional de Desechos Sólidos 
Hospitalarios, 1996). 
Quando se utiliza um processo de tratamento diferente à incineração, é conveniente, como medida de precaução, dispor os Resíduos Sólidos de 
Serviços de Saúde em uma célula especial em aterro sanitário ou em vala séptica.
 
77 
A disposição de resíduos infectantes, sem tratamento prévio, em células especiais deve se 
constituir em um sistema independente, separado dos resíduos comuns e sem a utilização da 
técnica de compactação, mas garantindo seu recobrimento imediato com terra, seguindo uma 
metodologia de operação e controle próprios, visando evitar riscos para os operadores e 
garantindo condições ideais de proteção ao meio ambiente. 
Considerando que na grande maioria dos municípios brasileiros não existem aterros sanitários 
e que os resíduos sólidos são dispostos em lixões, é importante fomentar a mudança de 
atitude sobre a gestão dos aterros municipais, com o objetivo de garantir ao máximo a 
segurança. 
É fundamental que as Comissões de Controle de Infecção Hospitalar de cada estabelecimento 
de saúde desenvolvam um trabalho de sensibilização e envolvimento da municipalidade e 
comunidades, para encontrar conjuntamente soluções mais seguras. 
Aterro Sanitário 
Uma vez que os Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde tenham sofrido segregação prévia e 
tratamento, o destino final do produto resultante é um aterro sanitário. Esse método de 
disposição final consiste no confinamento dos resíduos, no menor volume possível, por meio 
da compactação realizada por tratores esteiras ou rolos compactadores e no isolamento dos 
detritos em relação ao ar livre, mediante sua cobertura diária com uma camada de solo, 
preferencialmente argila. 
Um aterro sanitário deve ter as seguintes características: 
» célula de segurança em terreno adequadamente impermeabilizado, a fi m de evitar 
contaminação do solo, em particular, do lençol freático; 
» totalmente cercado (altura mínima de 2,5 metros) e vigiado 24 horas por dia para 
evitar a entrada de pessoas não autorizadas; 
» dispor de um sistema de coleta e tratamento das águas de lixiviação antes 
de seu lançamento; » dispor de sistema adequado de captação de gases 
produzidos e posterior liberação na atmosfera; 
» dispor de sistema de proteção das águas subterrâneas; 
 
78 
» dispor de sistema de drenagem de águas pluviais; 
» dispor de sistema de monitorização do lençol freático e do tratamento de líquidos 
percolados. 
É importante ressaltar que Resíduos Químicos (Grupo B) e Rejeitos Radioativos (Grupo C) 
não devem ser dispostos em aterro sanitário. 
Valas Sépticas 
As valas sépticas são apontadas como uma das técnicas de engenharia para aterramento de 
resíduos biológicos dos estabelecimentos de saúde. 
Uma característica importante dessa técnica de disposição final é a sua utilização por 
pequenos municípios brasileiros, principalmente, por ser considerada uma alternativa 
simples, econômica e para pequenos volumes de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde com 
características infectantes. Essasolução é possível quando há eficiência na segregação dos 
resíduos biológicos pelas fontes geradoras, para que haja volumes reduzidos de Resíduos 
Sólidos de Serviços de Saúde a serem confinados 
3.3. Poluição da Água 
É o lançamento ou infiltração de substâncias nocivas na água. As atividades agrícolas, 
industriais, mineradoras, os esgotos e a intolerância do homem são as principais fontes de 
poluição das águas. 
A medida que crescem as populações, a sustentabilidade do uso humano de água depende 
fundamentalmente da adaptação das pessoas ao ciclo da água. As sociedades humanas 
precisam desenvolver a habilidade – conscientização, conhecimento, procedimentos e 
instituições – para administrar seu uso da terra, como também da água de forma integrada e 
abrangente, de modo a manter a qualidade do suprimento de água para as pessoas e para os 
ecossistemas que as suportam. 
Desde a antiguidade, o homem já lançava os seus detritos na água, porém, esse procedimento 
não causava muitos problemas, pois os rios, oceanos e lagos têm o poder de autolimpeza. 
Com o advento da Revolução Industrial, o volume de detritos despejados nas águas aumentou 
bruscamente, comprometendo a capacidade de purificação dos rio, oceanos e lagos. 
Diariamente são lançados cerca de 10 bilhões de litros de esgoto poluentes nas áreas de 
 
79 
mananciais, rios, lagos e oceanos, provocando um aumento no número de microrganismos 
decompositores que consomem todo o oxigênio dissolvidos na água, com isso, os peixes que 
habitam essas regiões podem morrer por asfixia ou pelo envenenamento. 
A saúde humana pode ser afetada pela grande quantidade de bactérias anaeróbicas que são 
capazes de viver sem a presença de oxigênio, e também pelas doenças transmitidas pela 
poluição, como: disenteria, amebíase, esquistossomose, malária, leishmaniose, cólera, entre 
outras. 
Na agricultura, os fertilizantes, os pesticidas e herbicidas são levados para os rios pelas chuvas, 
contaminando os rios e também o solo por onde passa, além de infiltrarem pelo solo podendo 
contaminar os lençóis freáticos. 
Controle: 
» Saneamento básico para todos 
» Coleta de lixo 
» Estações de tratamento de esgoto 
» Gestão ambiental integrada 
» Utilização de agrotóxicos e fertilizantes mais seguros 
 
80 
Gestão 
 Ambiental UNIDADE II 
 
CAPÍTULO 1 
Sustentabilidade 
 
O conceito de sustentabilidade tem origem nas Ciências Biológicas, aplica-se 
aos recursos renováveis, que podem se exaurir pela exploração 
descontrolada. Apóia-se na ideia de que só é possível uma exploração 
permanente, se esta se restringir apenas ao incremento dos recursos ocorrido 
em um período, preservando a base inicial dos recursos. O limite da 
exploração seria dado por meio dos estudos capazes de fixar uma taxa de 
Rendimento Máximo Sustentável, aplicável a cada espécie de recurso 
renovável. 
A IUCN, o WWF e o PNUMA publicaram em 1991, o documento Cuidando do Planeta Terra – 
Caring for the Earth, com as expressões: 
1. desenvolvimento sustentável, para indicar a melhoria da qualidade de vida respeitando 
os limites da capacidade dos ecossistemas; 
2. economia sustentável, para indicar a economia que resulta de um desenvolvimento 
sustentável e que, portanto, conserva a sua base de recursos naturais; 
3. uso sustentável, para indicar a utilização de recursos renováveis de acordo com a sua 
capacidade de reprodução. 
Para estas entidades, o desenvolvimento deve apoiar-se nas pessoas e suas comunidades e na 
conservação da biodiversidade e dos processos naturais que sustentam a vida na Terra, tais como 
os que reciclam a água, purificam o ar e regeneram o solo. 
O conceito de sustentabilidade não pode se limitar apenas à visão tradicional de estoques e fluxos 
de recursos naturais e de capitais, é necessário considerar simultaneamente as seguintes 
dimensões (Sachs): 
 
81 
1. sustentabilidade social, com o objetivo de melhorar substancialmente os direitos e as 
condições de vida das populações e reduzir as distâncias entre os padrões de vida dos 
diferentes grupos sociais; 
2. sustentabilidade econômica, viabilizada por uma alocação e gestão eficiente dos recursos e 
por fluxos regulares de investimentos públicos e privados, baseada muito mais em critérios 
sociais do que empresariais; 
3. sustentabilidade ecológica, envolvendo medidas para reduzir o consumo de recursos e a 
produção de resíduos, medidas para intensificar pesquisas e a introdução de tecnologias 
limpas e poupadoras de recursos e para definir regras que permitam uma adequada proteção 
ambiental; 
4. sustentabilidade espacial contemplando uma configuração mais equilibrada da questão rural-
urbana e uma melhor distribuição do território, envolvendo, entre outras preocupações, a 
concentração excessiva das áreas metropolitanas; e 
5. sustentabilidade cultural, para buscar concepções endógenas de desenvolvimento que 
respeitem as peculiaridades de cada ecossistema, de cada cultura e cada local. Para se alcançar 
estas dimensões da sustentabilidade, é necessário obedecer simultaneamente aos seguintes 
critérios: equidade social, prudência ecológica e eficiência econômica. 
Desenvolvimento Sustentável 
Substituiu a expressão eco desenvolvimento. A expressão surge pela primeira vez em 1980, no 
documento denominado World Wildlife Fund (hoje, World Wide Fund for Nature – WWF), por 
solicitação do PNUMA. Nele, uma estratégia mundial para a conservação da natureza deve 
alcançar os seguintes objetivos: 
1. manter os processos ecológicos essenciais e os sistemas naturais vitais necessários 
à sobrevivência e ao desenvolvimento do ser humano; 
2. preservar a diversidade genética; e 
3. assegurar o aproveitamento sustentável das espécies e dos ecossistemas que 
constituem a base da vida humana. 
O objetivo da conservação é manter a capacidade do planeta para sustentar o desenvolvimento, 
e este deve, por sua vez, levar em consideração a capacidade dos ecossistemas e as 
necessidades das futuras gerações. 
 
82 
Para a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), conhecida como 
Comissão Brundtland, desenvolvimento sustentável é: 
“...aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade 
das gerações futuras de atenderem as suas próprias necessidades...” 
A Comissão Brundtland encerrou seus trabalhos, em 1987, e o seu relatório, denominado Nosso 
futuro comum, tem como núcleo central a formulação dos princípios do desenvolvimento 
sustentável. Conforme o relatório: 
“...em essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual 
a exploração dos recursos, a direção dos investimentos a orientação do 
desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o 
potencial presente e futuro, a fi m de atender às necessidades e aspirações humanas...” 
Os principais objetivos de políticas derivados desse conceito de desenvolvimento recomendados 
pela comissão são os seguintes: 
» retomar o crescimento como condição necessária para erradicar a pobreza; » 
mudar a qualidade do crescimento para torná-lo mais justo, equitativo e menos 
intensivo em matérias-primas e energia; 
» atender às necessidades humanas essenciais de emprego, alimentação, energia, 
água e saneamento; 
» manter um nível populacional sustentável 
» conservar e melhorar a base de recursos; 
» reorientar a tecnologia e administrar os riscos; e 
» incluir o meio ambiente e a economia no processo decisório. 
A Comissão enfatiza a necessidade de modificar as relações econômicas internacionais e de 
estimular a cooperação internacional para reduzir os desequilíbrios entre os países. A ideia básica 
é a de se alcançar umaeconomia mundial sustentável. 
A Comissão recomenda que sejam criadas ou garantidas condições políticas que assegurem a 
participação de todos os cidadãos na busca das soluções para os problemas de desenvolvimento 
 
83 
das áreas comuns do globo, que se encontram fora das jurisdições nacionais, tais como, os 
oceanos, o espaço cósmico e o Continente Antártico. 
Os conceitos e recomendações da Comissão Brundtland foram aceitos pelas entidades da ONU, 
bem como por diversas organizações nacionais e internacionais, governamentais e não 
governamentais (a UICN, o WWF etc.) e também foram incorporados na Agenda 21. 
» Plano Verde Canadense para o período 1990-1995, elaborado com intensa 
participação da sociedade civil, desenvolvimento sustentável signifi ca 
planejamento de vida e o objetivo do Canadá é o de assegurar um meio 
ambiente saudável e seguro para a atual e futuras gerações e uma economia 
sólida e próspera. 
» No Brasil, a Constituição Federal de 1988 estabelece, (art. 225, caput): 
“...todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum 
ao povo, essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à 
coletividade o dever de defendê-lo para as presentes e futuras gerações...” 
 Agenda 21 Global 
 
A Comissão de Desenvolvimento e Meio Ambiente da América Latina e Caribe (PNUD e BID, 
1989), apresentou uma visão regional sobre o meio ambiente, no documento denominado 
“Nuestra Propria Agenda”, reconhecendo, entre outros: 
» que essa região perseguiu modalidades defeituosas de desenvolvimento; 
» que dentre as origens da penúria latino-americana e caribenha destaca-se a larga 
tradição de governos autoritários e insensíveis às mudanças sociais; 
» que o custo humano expresso em pobre, sofrimento, enfermidades e mortes 
evitáveis é o preço real da degradação ambiental e a melhor justificativa para 
a proteção ambiental; e 
» que a região está perdendo rapidamente o seu patrimônio cultural e a sua 
biodiversidade. 
 
84 
Diante de problemas como esses, “Nuestra Propria Agenda” recomenda as seguintes estratégias 
para a região: 
» erradicação da pobreza, 
» aproveitamento sustentável dos recursos naturais, 
» ordenamento do território, 
» desenvolvimento tecnológico compatível com a realidade social e natural, 
» nova estratégia econômica e social, 
» organização e mobilização social e reforma do Estado. 
A Agenda 21 Global foi aprovada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente 
e Desenvolvimento – CNUMAD (Rio de Janeiro – 1992), que teve a participação de 178 países, 
sendo considerada a maior conferência já realizada no âmbito da ONU. Ela é uma espécie de 
receituário abrangente para guiar a humanidade em direção a um desenvolvimento que seja ao 
mesmo tempo socialmente justo e ambientalmente sustentável pelo século XXI adentro. 
A Agenda 21 está voltada para os problemas prementes de hoje e tem o objetivo, ainda, de 
preparar o mundo para os desafios do século 21. Ela conclama a todos para uma associação 
mundial em prol do desenvolvimento sustentável. 
A Agenda 21 é um programa de ação para se implementar o desenvolvimento sustentável que 
baseia-se na ideia de que meio ambiente e desenvolvimento devem ser tratados conjuntamente. 
A Agenda 21 significa um distanciamento das propostas do desenvolvimento tradicional, 
predador da natureza, excludente e, por isso mesmo, gerador de profundos desequilíbrios sociais 
e regionais. Ela significa, também, um distanciamento das propostas ambientalistas tradicionais, 
preocupadas basicamente com os efeitos do crescimento econômico sobre os estoques de 
recursos naturais, com a manutenção de áreas protegidas e a preservação da vida selvagem. 
Todos documentos do CNUMAD apontam para a necessidade de uma ampla revisão das ações 
humanas com vistas a conceber novas teorias e práticas capazes de proporcionar um 
desenvolvimento com equidade e compatível com a capacidade limitada dos recursos da Terra. 
 
85 
A Agenda 21 adotou uma postura cautelosa em relação aos temas polêmicos como: a questão da 
dívida externa dos países em desenvolvimento e a proteção da propriedade intelectual na área 
de biotecnologia. 
O PROGRAMA 21 
O Programa 21, nova denominação da Agenda 21, não é um tratado ou convenção capaz de 
impor vínculos obrigatórios aos estados signatários; na realidade é um plano de intenções não 
mandatório cuja implementação depende da vontade política dos governantes e da mobilização 
da sociedade. 
Para implementar os seus programas e as suas recomendações é necessário desdobrar a Agenda 
21 Global em agendas regionais, nacionais e locais. 
No Brasil, foi criada em 1994, no âmbito do Executivo Federal, a Comissão Interministerial para o 
Desenvolvimento Sustentável (CIDES), com o objetivo de assessorar o Presidente da República 
na tomada de decisão sobre estratégias e políticas nacionais necessárias ao desenvolvimento 
sustentável, de acordo com a Agenda 21. O documento Agenda 21 Brasileira foi “oficializado” no 
ano de 2001 e agora está se desdobrando, com discussões regionais, estaduais e municipais para 
a elaboração das Agendas Locais. 
O Capítulo 28 da Agenda 21 dedica-se ao fortalecimento das autoridades locais como parceiros 
importantes do processo de desenvolvimento sustentável e recomenda que cada autoridade 
local deve iniciar um diálogo com os seus cidadãos, organizações comunitárias e empresas 
privadas locais para elaborar uma Agenda 21 Local. 
A Agenda 21 Local é um programa de ação, um instrumento de planejamento local, baseado em 
um grande pacto da sociedade, que visa: 
» realizar um diagnóstico da situação atual da localidade e 
» indicar diferentes formas da própria localidade viabilizar os seus potenciais de 
desenvolvimento sustentável, em parceria com a comunidade. 
A Agenda 21 também é clara quanto a necessidade de valorização das comunidades locais e dos 
povos em geral. As tecnologias são partes fundamentais dos valores das sociedades que as 
produzem, de modo que não é possível atribuir importância às comunidades locais sem respeitar 
os seus conhecimentos e práticas. Alguns Capítulos da Agenda 21 
 
86 
Muito do que foi acordado na Agenda 21 Global ainda não saiu do papel, pois grande parte dos 
países signatários pouco fizeram para implementá-la a nível nacional/local. A Agenda 21 
Brasileira ainda não é uma realidade, apesar de ter sido criado um fórum de discussões que gerou 
um documento-base, o qual foi “oficializado” pelo Governo Federal. A implementação das 
diretrizes da Agenda 21 Brasileira no âmbito federal continua distante, pois será necessária uma 
ampla revisão da regulamentação de diversas áreas. 
Um grande triunfo da Agenda 21 foi consolidar o conceito de inseparabilidade das questões 
afetas ao desenvolvimento e ao meio ambiente. A Agenda 21 Global consagrou em termos 
internacionais a importância das comunidades e do poder local, a representatividade das ONGs 
e a necessidade de uma visão pluralista em matéria de meio e recursos, particularmente a 
tecnologia. 
Em diversas ocasiões a Agenda menciona a importância das comunidades locais e destaca 
dezenas de vezes o papel das ONGs em áreas críticas para a promoção do desenvolvimento 
sustentável. 
Quase todos os capítulos da Agenda 21 Global trazem recomendações para as autoridades locais, 
algumas de modo específico, outras que devem ser tratadas pelos diferentes níveis de governo 
(governments at the appropriate level). 
Assim pode-se, com facilidade, relacionar as diferentes autoridades de uma comunidade ou de 
um Município com as recomendações da Agenda 21 e, com isso, dar início a um processo de 
elaboração de uma Agenda 21 local. 
Apesarde todos os problemas que envolvem a sua implementação, o Programa Agenda 21 Local 
constitui um grande guia para se alcançar o desenvolvimento sustentável. Ele é um grande 
inventário dos problemas que a localidade enfrenta e das providências necessárias para enfrentá-
los. Quase sempre todo o esforço para solucionar estes problemas acaba confinado nas esferas 
especializadas dos governos, distante, portanto, das populações que vivem o cotidiano desses 
problemas. 
Um dos grandes méritos da Agenda 21 Local é o de ser um documento elaborado com a 
colaboração/ participação dos três setores da sociedade (público, privado e sociedade civil 
organizada – ONGs), sendo, por essa razão, capaz de ser entendido e aplicado nas esferas locais, 
sem perder de vista a sua dimensão global. 
 
87 
A Agenda 21, transformada em Programa 21, instrumentaliza o ideal de pensar globalmente e 
agir localmente. A instância local é a esfera apropriada para a implementação de ações e a 
sociedade organizada, ao se “apropriar” do conteúdo deste Programa, terá nas mãos um 
excelente instrumento de cobrança das providências às autoridades competentes e, certamente, 
será mais ativa que os próprios governantes na implementação do Programa Agenda 21 Local. 
Em função do desconhecimento de que a Agenda 21 Local pode e deve ser concebida em outras 
áreas de atuação que não do meio ambiente, muitos programas/projetos são implementados 
empiricamente, alguns com ações “pulverizadas”, sem nenhuma vinculação com a Agenda 21, 
utilizando, entretanto, o mesmo enfoque. Estes programas apresentam, geralmente, 
características de não sustentabilidade, pois, atuando sobre os efeitos permitem que os 
problemas reapareçam, uma vez que a capacidade técnica local para enfrentá-los é limitada. 
A instância local é a mais adequada para tratar de seus próprios problemas. Porém, alguns 
obstáculos se interpõem, entre eles, o desaparelhamento das administrações, no que tange à sua 
capacidade de planejamento e gestão, o que acaba influenciando negativamente a eficiência dos 
seus produtos/serviços. 
O Programa Agenda 21 Local deve aproveitar as experiências bem-sucedidas, que já estão sendo 
implementadas na localidade, de programas similares, de forma a potencializar o 
desenvolvimento sustentável da localidade por meio de arranjos institucionais para a 
convergência e complementaridade das ações destes programas em uma mesma área de 
intervenção. 
Uma boa recomendação é sempre realizar um estudo comparativo entre o escopo da Agenda 21 
Local e os programas de atuação similar que existam na área, propor arranjos institucionais para 
a convergência e complementaridade das ações destes programas em uma mesma área de 
intervenção. 
 
 
88 
CAPÍTULO 2 
Gestão Ambiental em Empresas/Instituições 
 
2.1. Conceitos Básicos 
Meio Ambiente 
Existem diversas definições para meio ambiente, as mais recentes refletem uma “visão holística” 
englobando fatores físicos, biológicos, sociais, econômicos e culturais. 
Segundo a Lei no 6.938, de 31/10/1981, que estabelece a Política Nacional de Meio Ambiente, 
meio ambiente é: 
“...o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e 
biológica que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. 
Poluição Ambiental 
Pela mesma Lei nº 6.938/1981, poluição ambiental é: 
“...a degradação da qualidade ambiental (entendida como a alteração das características do meio 
ambiente) resultante de atividades que diretamente ou indiretamente: 
» Prejudiquem a saúde, a segurança e o bem estar da população; 
» Criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; 
» Afetem desfavoravelmente a biota; 
» Afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; 
» Lancem matéria ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos”. 
Poluidor 
Ainda pela mesma Lei no 6.938/1981, poluidor é: 
“... a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou 
indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental”. 
“...§ 1º – sem obstar da aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor 
obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos 
 
89 
causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério 
Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade 
civil e criminal por danos causados ao meio ambiente”. 
Salubridade Ambiental 
Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, salubridade ambiental é 
“...o estado de qualidade ambiental capaz de prevenir a ocorrência de doenças 
relacionadas ao meio ambiente e de promover as condições favoráveis ao pleno gozo da 
saúde e do bem estar da população”. 
Saneamento Ambiental 
Segundo a mesma OMS, saneamento ambiental é 
“...o conjunto de ações que visam alcançar níveis crescentes de salubridade ambiental, 
por meio de abastecimento de água potável; coleta, tratamento e disposição sanitária 
de resíduos líquidos, sólidos e gasosos, prevenção e controle do excesso de ruídos, 
drenagem urbana de águas pluviais, promoção da disciplina sanitária do uso e ocupação 
do solo, controle de vetores de doenças transmissíveis e demais serviços e obras 
especializados”. 
Crime Ambiental 
A Lei nº 9.605/1998, denominada Lei de Crimes Ambientais ou Lei da Natureza, dispõe sobre as 
sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. 
Alguns artigos desta Lei merecem ser pesquisados, são eles: 29, 30, 32, 33, 38, 41, 54, 56 e 60. 
Tecnologias ambientalmente saudáveis 
São as que protegem o meio ambiente, são menos poluentes, usam todos os recursos de forma 
mais sustentável, reciclam mais seus resíduos e produtos e tratam os despejos residuais de uma 
maneira mais aceitável do que as tecnologias que vierem a substituir (analogia ao Cleaner 
Production Programme, criado pelo PNUMA/1989). 
Produção mais limpa 
Cleaner Production refere-se a uma abordagem de proteção ambiental mais ampla, pois 
considera todas as fases do processo de manufatura e do ciclo de vida do produto, incluindo 
desde o seu uso nos domicílios e locais de trabalho até o seu descarte (conhecida também com 
abordagem de acompanhamento do produto “do berço ao túmulo”). 
Essa abordagem requer ações contínuas e integradas para: 
 
90 
» conservar energia e matéria-prima; 
» substituir recursos não renováveis por renováveis; 
» eliminar substâncias tóxicas; 
» reduzir os desperdícios e a poluição resultante dos produtos e dos processos produtivos. 
É uma estratégia tecnológica de caráter permanente que se contrapõe às soluções que objetivam 
apenas controlar a poluição atuando no fi nal do processo produtivo (end of pipe technology), 
remediando os seus efeitos, mas sem combater as causas que os produziram (transferência de 
poluição de um ambiente para outro). 
 
2.2. O Programa na Linha de Planejamento 
Um programa é uma das etapas do planejamento, situa-se geralmente dentro de um plano e 
pode incorporar no seu escopo projetos e outros programas a serem realizados. 
Para uma área específica, deve ser elaborado e desenvolvido na forma mais adequada à realidade 
do local (institucional, econômica, social etc.). Deve ser realizado um planejamento das etapas e 
atividades que deverão ser desenvolvidas no programa com a participação da população do local, 
estabelecendo prioridades e metas a serem alcançadas, bem como um cronograma físico-
financeiro a ser cumprido. 
O cronograma é fundamental para uma efetiva implementação do programa, ele deve indicar 
claramente os prazos para o desenvolvimento de cada etapa e os recursos necessários parao 
cumprimento das metas estabelecidas. 
Deve definir as estratégias e metodologias que serão utilizadas para o desenvolvimento das 
atividades nele previstas, bem como a forma de registro, manutenção e divulgação dos 
resultados obtidos. 
Devem ser estabelecidas as estratégias que serão adotadas para cumprir as metas e alcançar os 
objetivos do programa, assim como devem ser selecionadas as metodologias que forem mais 
adequadas às condições existentes na localidade. 
Devem ser estabelecidos mecanismos de monitoramento e avaliação do programa, visando 
analisar o seu desenvolvimento. Os procedimentos de avaliação devem permitir a verificação: 
 
91 
» do cumprimento das etapas; 
» da realização das atividades previstas; 
» da adequação das estratégias e metodologias 
adotadas; e » do atingimento das metas. 
A avaliação periódica tem o objetivo de subsidiar, sempre que necessário, os ajustes no 
programa, além de estabelecer novas metas e prioridades. A avaliação periódica deve ser 
documentada, em um relatóriosíntese contendo, no mínimo, as etapas, metas e atividades que 
foram cumpridas; as que não foram cumpridas, de forma integral ou parcial; e as que sofreram 
alterações. A avaliação de “Programas Sociais” deve ser realizada com metodologias próprias. 
Devido a sua utilização nas normas da série ISO, uma das formas mais difundidas de 
gerenciamento de programas está baseada no ciclo PDCA. 
» PLAN – etapa de planejamento do programa 
» DO – etapa de execução das ações planejadas 
» CHECK – etapa de monitoramento e avaliação da execução das ações 
» ACT – etapa de tomada de decisão 
Em cada ciclo de um programa, as três primeiras etapas – PLAN, DO e CHECK – são realizadas por 
técnicos, que ao fi nal da 3ª etapa elaboram um relatório gerencial, contendo para cada ação 
planejada e executada a efi cácia e a efi ciência atingida, confrontando metas planejadas e 
realizadas. Entretanto, a última etapa – ACT, que é de Tomada de Decisão – é realizada pela alta 
administração/alta gerência da empresa/ instituição que, com base nos relatórios gerenciais 
decide ou não pela modificação do planejamento para o próximo ciclo. Esta decisão deve ser 
sempre pautada pela perseguição do critério de melhoria contínua das metas estabelecidas, ou 
seja, pelo estabelecimento de metas cada vez mais exigentes. 
2.3. O Sistema de Gestão Ambiental 
Um Programa de Gestão Ambiental – PGA, deve estar inserido dentro de um Sistema de Gestão 
Ambiental. A seguir está descrito o fl uxo esquemático para o planejamento de um PGA. 
SGA – 1º PASSO Diagnóstico Geral 
 
92 
Para se elaborar um SGA é necessário se conhecer muito bem o processo produtivo do local. 
Deve, portanto ser feito um diagnóstico exato, e a melhor forma de fazê-lo é dividindo-o em duas 
partes: (i) um diagnóstico observando a interação da área interna sob responsabilidade da 
administração e sua circunvizinhança, que será denominado “diagnóstico de fora para dentro”; 
e (ii) um diagnóstico centrado nas minúcias do processo produtivo, observando o diagrama de 
processos do local, que será denominado “diagnóstico de dentro para fora”. 
Diagnóstico 1 – “de fora para dentro”: 
» USO E OCUPAÇÃO DO SOLO; 
» ÁREAS DE PRESERVAÇÃO/PROTEÇÃO OBRIGATÓRIAS (MÍNIMAS); 
» CURSOS D’ÁGUA E MANANCIAIS; 
» SUPERPOSIÇÃO DE LEIS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS. 
Diagnóstico 2 – “de dentro para fora”: 
» FLUXO DO PROCESSO PRODUTIVO (EMPREENDIMENTO); 
» PADRÕES DE EMISSÃO (MÁXIMOS); 
» AR; 
» ÁGUA; 
» SOLO; 
» SUPERPOSIÇÃO DE LEIS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS. 
SGA – 2º PASSO Programa de Gestão Ambiental 
De posse do diagnóstico pode-se, então, elaborar o programa de gestão ambiental do local. Deve-
se lembrar que é um programa, portanto, deve conter metas, estratégias e um cronograma bem 
definidos, além dos critérios de avaliação e controle. 
O PGA inicialmente deve estar concentrado em ações que visem melhorar o desempenho 
ambiental do local, conforme preconiza a abordagem de “tecnologia limpa”. Em uma abordagem 
resumida/simplista, o PGA, portanto, deve pretender otimizar a produção, ou seja, para uma 
 
93 
mesma quantidade de insumos deve resultar uma quantidade maior de produtos e menor de 
rejeitos. 
Uma boa estratégia para atingir esta meta é desdobrar o PGA em vários programas específicos, 
devido a facilidade de entendimento de suas atuações específicas. A sustentabilidade do PGA 
está baseada em, no mínimo, 4 programas específicos: 
» PROGRAMA DE REDUÇÃO NA GERAÇÃO DE RESÍDUOS; 
» PROGRAMA DE REDUÇÃO NO CONSUMO DE ÁGUA; » PROGRAMA 
DE REDUÇÃO NO CONSUMO DE ENERIA ELÉTRICA; » 1º PROGRAMA 
DE DESEMPENHO AMBIENTAL ESPECÍFICO. 
Os três primeiros programas específicos - gestão de resíduos, da água e de energia elétrica – 
podem ser implantados em qualquer ordem cronológica (1º, 2º e 3º), mas devem ser os três 
primeiros programas do PGA. Isto é essencial, pois estes três programas têm uma 
abordagem/estratégia poupadora, economizando insumos e “gerando” receita para as demais 
intervenções do PGA. 
PGA 1 – Programa de Gestão dos Resíduos 
Do ponto de vista de complexidade, em alguns casos o primeiro programa específico dentro de 
um PGA pode ser o programa de gestão de resíduos. Sua implantação deve observar, no mínimo, 
cinco pontos principais: (i) diagnóstico setorial; (ii) programa de ação; (iii) educação ambiental; 
(iv) monitoramento e avaliação; e (v) programa de manutenção das instalações. 
Diagnóstico setorial 
Uma metodologia simples para realizar o diagnóstico do potencial de implantação de um 
programa de gestão de resíduos, que pode ser aplicada em qualquer atividade produtiva, foi 
desenvolvida pelo CEMPRE – Centro Empresarial para a Reciclagem – e está apresentada em 
anexo. Ela é bem prática e baseada no levantamento das seguintes informações. 
» Pontos de geração; 
» Quantidade de resíduos gerados; 
» Composição dos resíduos; 
 
94 
» Custo atual para descarte. 
Programa de ação – Política dos 3 R 
» Redução ao máximo na geração de resíduos; 
» Reutilização de materiais descartados sempre que viável; e 
» Reciclagem de materiais descartados sempre que possível. 
A ideia central dessa política é a de atacar as causas da degradação ambiental por meio de uma 
abordagem preventiva que minimize a geração de poluição na fonte, o que significa reduzir o uso 
de insumos materiais e energéticos para um volume idêntico de produção. Isso exige a adoção 
de providências como as seguintes: 
» aperfeiçoamento dos processos produtivos para torná-los mais efi cientes; 
» revisão dos projetos dos produtos para facilitar a sua produção e ampliar o seu 
desempenho; 
» utilização de matérias-primas com maior grau de pureza; 
» eliminação ou minimização do uso de materiais perigosos; 
» recuperação das águas utilizadas nos processos; 
» manutenção preventiva; 
» procedimentos para conservação de energia; 
» gestão de estoques que minimize as perdas por quebra em manuseio, 
obsolescência e perecibilidade; 
» realização de monitorias e auditorias em bases sistemáticas; 
» treinamento e conscientização dos operadores, transportadores, fornecedores, 
empreiteiros e usuários. 
 
95 
Educação ambiental – “conscientização” 
» INFORMAR / CAPACITAR; 
» TREINAR; 
» FISCALIZAR. 
Monitoramento e Avaliação 
» CRONOGRAMA / METAS / RESPONSABILIDADES 
Programa de manutenção das instalações 
Deve ser elaborado e implantado um programa de manutenção de todas as instalações 
físicas relacionadas com a gestão de resíduos de maneira a não se perder nem 
eficiência nem eficácia nas atividades do programa de ação. 
PGA 2 – Programa de Gestão da Água 
O segundo programa específico dentrode um PGA pode ser o programa de gestão da água. O 
objetivo principal deste programa é reduzir o consumo e as perdas de água. Geralmente, após a 
implantação eficiente deste programa específico é gerada uma economia razoável para a 
administração nas contas relacionadas a prestação deste serviço (abastecimento de água). 
O responsável pelo SGA deve procurar fazer uma ligação entre a receita proveniente desta 
economia e os recursos necessários para investimento no SGA. 
Sua implantação também deve observar, no mínimo, os mesmos 5 pontos principais do programa 
de gestão de resíduos: (i) diagnóstico setorial; (ii) programa de ação; (iii) educação ambiental; (iv) 
monitoramento e avaliação; e (v) programa de manutenção das instalações. 
Diagnóstico setorial 
» “DO HIDRÔMETRO PARA DENTRO”; 
» PERDAS FÍSICAS; 
» PERÍODOS DE MAIOR CONSUMO; 
» “SETORIZAÇÃO”; 
 
96 
» PONTOS DE MAIOR CONSUMO. 
Programa de ação 
» REDUÇÃO DAS PERDAS FÍSICAS; 
» VIABILIDADE DE ADOÇÃO DE “EQUIPAMENTOS POUPADORES”; 
» REUSO (REDE ESPECÍFICA DIFERENCIADA); 
» EQUIPAMENTOS; » ÁGUAS DE CHUVA; 
» EFLUENTE TRATADO. 
Educação ambiental – “conscientização” 
Monitoramento e avaliação 
Programa de manutenção das instalações 
PGA 3 – Programa de Gestão da Energia Elétrica 
O terceiro programa específi co dentro de um PGA pode ser o programa de gestão da energia 
elétrica. O objetivo principal deste programa é reduzir o consumo de energia elétrica, bem como 
gerar mais segurança à população do local. Geralmente, após a implantação efi ciente deste 
programa específi co é gerada uma grande economia para a administração nas contas 
relacionadas a prestação deste serviço (abastecimento de energia elétrica). 
O responsável pelo SGA deve procurar fazer uma ligação entre a receita proveniente desta 
economia e os recursos necessários para investimento no SGA. 
Sua implantação também deve observar, no mínimo, os mesmos cinco pontos principais do 
programa de gestão de água: (i) diagnóstico setorial; (ii) programa de ação; (iii) educação 
ambiental; (iv) monitoramento e avaliação; e (v) programa de manutenção das instalações. 
Diagnóstico setorial 
» “DO RELÓGIO PARA DENTRO”; 
» “SETORIZAR”: CIRCUITOS DE LUZ E DE FORÇA; 
» PONTOS DE MAIOR CONSUMO; 
 
97 
» PERÍODOS DE MAIOR CONSUMO; » SEGURANÇA DOS CIRCUITOS. 
Programa de ação 
» REFORMA DO PROJETO PARA GARANTIR SEGURANÇA; 
» LUZ – VIABILIDADE DE “NOVO PROJETO” (ILUMINOTÉCNICA); 
» LUZ – LÂMPADAS, LUMINÁRIAS E REATORES DE MAIOR EFICIÊNCIA; 
» FORÇA – VIABILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR “EQUIPAMENTOS POUPADORES”; 
» VIABILIDADE DE MUDANÇA DE HORÁRIOS DE MAIOR CONSUMO. 
Educação ambiental – “conscientização” 
Monitoramento e avaliação 
Programa de manutenção das instalações 
PGA 4 – Programa de Gestão Específico 
O quarto programa específico dentro de um PGA deve ser o primeiro programa de gestão 
específico, cujo escopo deve ser definido de acordo com os potenciais/problemas da empresa na 
área ambiental. 
Sua implantação também deve observar, no mínimo, os mesmos cinco pontos principais do 
programa de gestão de energia elétrica: (i) diagnóstico setorial; (ii) programa de ação; (iii) 
educação ambiental; (iv) monitoramento e avaliação; e (v) programa de manutenção das 
instalações. 
Diagnóstico setorial 
Programa de ação 
Educação ambiental – “conscientização” 
Monitoramento e avaliação 
Programa de manutenção das instalações 
 
 
98 
 
VENTILAÇÃO INDUSTRIAL E 
AS MEDIDAS DE PROTEÇÃO 
COLETIVA NO CONTROLE DE 
EMISSÕES 
 
CAPÍTULO 1 
Ventilação industrial e proteção do meio 
ambiente 
Introdução 
O avanço industrial em conjunto com a adoção de novas tecnologias impulsionou todo processo 
produtivo, no entanto, o aumento na produção impõe perdas ao meio ocupacional participado 
pelas máquinas e operários. O que caracteriza as perdas está diretamente ligado ao meio 
ambiente laboral, que são gerados resíduos em forma de particulados distintos conforme as 
dimensões de fragmentação, na forma de aerossóis, tornam-se parte integrante do ar respirável 
do trabalhador. Esta “nova” interação desencadeará em resultados negativos à saúde do 
trabalhador. 
A necessidade de produção culminou na criação de ambientes insalubres e na redução drástica 
do setor fabril devido às baixas de funcionários expostos em ambientes insalubres, que vão desde 
a emissão de poluentes até as diferenças extremas de temperatura. No entanto, a implantação 
de novas tecnologias promoveu a evolução nos processos de ventilação e equipamentos, dos 
quais emanam contaminantes, tem se tornado, mais modernamente, uma importante 
ferramenta no campo de controle da poluição do ar. O controle da poluição do ar tem início com 
a implantação de uma adequada ventilação nas operações de processos poluidores da atmosfera 
laboral, além da escolha adequada do equipamento para controle dos poluentes até o seu 
destino final. 
UNIDADE III 
 
99 
A ventilação tem sido utilizada tradicionalmente no campo da higiene do trabalho não só para 
evitar a dispersão de contaminantes no ambiente industrial como também para promover a 
diluição das concentrações de poluentes e para a manutenção e promoção do conforto térmico. 
Um dos objetivos da ventilação industrial e do controle de emissão de poluentes visa atender a 
resolução do CONAMA no 3/1990 que define poluente atmosférico como sendo qualquer forma 
de matéria ou energia com intensidade e em quantidade, concentração, tempo ou características 
em desacordo com os níveis estabelecidos, e que tornem ou possam tornar o ar impróprio, nocivo 
ou ofensivo à saúde, inconveniente ao bem-estar público, danoso aos materiais, à fauna e à flora 
ou prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da comunidade. 
Sendo assim, os conhecimentos aplicados para a utilização adequada da ventilação industrial 
devem ser criteriosamente definidos e conhecidos afim de, possibilitar sua adequada utilização 
e a garantia da implantação de processos de proteção coletiva, garantindo o atendimento às 
normas existentes. 
Biologia pulmonar 
O aparelho respiratório começa no nariz e na boca e continua pelas outras vias respiratórias até 
aos pulmões, onde se troca o oxigênio da atmosfera com o anidrido carbónico dos tecidos do 
organismo. Os pulmões são os dois maiores órgãos do aparelho respiratório; a sua forma é 
semelhante a duas grandes esponjas que ocupam a maior parte da cavidade torácica. O pulmão 
esquerdo é ligeiramente menor que o direito porque partilha o espaço com o coração, no lado 
esquerdo do tórax. Cada pulmão está dividido em secções (lobos). O pulmão direito é composto 
por três lobos e o esquerdo por dois (MERCK, 2014). 
O ar entra no aparelho respiratório pelo nariz e pela boca e chega à garganta (faringe) para 
alcançar a caixa que produz a voz (laringe). A entrada da laringe está coberta por um pequeno 
fragmento de tecido muscular (epiglote) que se fecha no momento da deglutição, impedindo 
assim que o alimento se introduza nas vias respiratórias (MERCK, 2014). 
A traqueia é a maior das vias respiratórias; começa na laringe e acaba por se bifurcar nas duas 
vias aéreas de menor calibre (brônquios) que conduzem aos pulmões. Os brônquios dividem-se 
sucessivamente em um grande número de vias aéreas, cada vez de menor tamanho 
(bronquíolos), sendo os ramos terminais mais finos (de apenas 5 mm de diâmetro). Esta parte do 
 
100 
aparelho respiratório é conhecida como árvore brônquica, pelo seu aspecto de árvore ao 
contrário (MERCK, 2014). 
Na extremidade de cada bronquíolo encontram-se dezenas de cavidades cheias de ar, com a 
forma de pequeníssimas bolhas (alvéolos), semelhantesa cachos de uvas. Cada um dos pulmões 
contém milhões de alvéolos e cada alvéolo está rodeado por uma densa malha de capilares 
sanguíneos. O revestimento das paredes alveolares é extremamente fino e permite a troca entre 
o oxigênio que passa dos alvéolos para os capilares sanguíneos e o gás carbônico que passa dos 
capilares para os alvéolos. 
A pleura é uma dupla camada de membrana serosa que facilita o movimento dos pulmões em 
cada inspiração e expiração. Envolvem os dois pulmões e, ao dobrar-se sobre si própria, reveste 
a superfície interna da parede torácica (MERCK, 2014). 
Os músculos intercostais, situados entre as costelas, colaboram com o movimento da caixa 
torácica, participando desse modo na respiração. O diafragma, o músculo mais importante da 
respiração, é um tabique muscular em forma de sino que separa os pulmões do abdômen. O 
diafragma adere à base do esterno, à parte inferior da caixa torácica e à coluna vertebral. Quando 
se contrai, aumenta o tamanho da cavidade torácica e, portanto, os pulmões expandem-se 
(MERCK, 2014). 
 
 
101 
Figura 16. Modelo esquemático do sistema respiratório. 
 
Fonte: (MERCK, 2014). 
Doenças pulmonares de origem ocupacional 
As doenças pulmonares de origem ocupacional devem-se à inalação de partículas, vapores ou 
gases no local de trabalho. Geralmente, o tipo de doença associada à exposição de um 
determinado poluente depende do tamanho da partícula, do tempo de exposição e 
concentração. Contudo, sabe-se que as partículas maiores ficam retidas no nariz ou nas vias 
aéreas superiores, mas as pequenas podem atingir os pulmões. 
O organismo humano possui vários mecanismos para eliminar as partículas aspiradas. O 
particulado presente nas vias respiratórias é envolvido por um muco que cobre as partículas e 
deste modo contribui para a expulsão através da tosse. Nos pulmões, existem células 
depuradoras especiais que engolem a maioria das partículas e as tornam inofensivas. 
O organismo pode produzir diferentes reações dentre elas temos: 
» reações alérgicas; 
 
102 
» insuficiência respiratória; 
» parada respiratória e outros. 
Trabalhadores expostos ao pó de quartzo e de amianto podem adquirir fibrose pulmonar 
causando cicatrizes permanentes no tecido pulmonar. Em quantidades importantes, certas 
partículas, como o amianto, podem causar cancro nos pulmões. 
Silicose 
A silicose é a formação permanente de tecido cicatricial nos pulmões causada pela inalação de 
pó de sílica (quartzo). Esta doença é a ocupacional mais antiga que se conhece, desenvolve-se 
em ambientes com concentração de sílica prejudicial à saúde humana. A sílica pode ser 
encontrada em atividades de mineração como extração de calcário, beneficiamento de 
arenito/granito e na fabricação de cimento, vidro e no hidrojateamento. 
Os sintomas aparecem de acordo com a concentração e o tempo de exposição a este agente 
químico. 
A sílica presente nos pulmões promove a formação de tecido cicatricial nos pulmões. No 
princípio, as zonas cicatrizadas são pequenas protuberâncias redondas (silicose nodular simples), 
mas, finalmente, reúnem-se em grandes massas (conglomerados silicóticos). Estas áreas 
cicatrizadas não permitem a passagem do oxigénio para o sangue de forma normal. Assim os 
pulmões perdem elasticidade e requer-se mais esforço para respirar. 
Prevenção 
O controle da poluição pelo o uso de ventiladores/exaustores pode ajudar a prevenir a silicose. 
No caso da indústria de jactos de areia, os trabalhadores devem usar máscaras de respiração 
autônoma. Recomenda-se também a substituição do produto a ser utilizado no processo de 
trabalho. 
Trabalhadores expostos a sílica devem se submeter a radiografias do tórax com regularidade, 
conforme estabelecido no PCMSO da unidade, geralmente, aqueles que trabalham com 
jateamento de areia são submetidos a exames periódicos a cada 6 meses. Confirmada a silicose, 
o médico do trabalho, solicitará a intervenção imediata no ambiente laboral e recolocação do 
funcionário em outro ambiente de trabalho livre da exposição à sílica. 
 
103 
Tratamento 
A silicose é incurável. No entanto, pode deter-se a evolução da doença, interrompendo a 
exposição à sílica desde os primeiros sintomas. Uma pessoa com dificuldade em respirar pode 
sentir alívio com o tratamento utilizado para a doença pulmonar crónica obstrutiva, como são os 
medicamentos que dilatam os brônquios e expelem as secreções das vias aéreas. Dado que os 
indivíduos que sofrem de silicose têm um alto risco de contrair tuberculose, devem submeter-se 
periodicamente a revisões médicas que incluam a prova cutânea para a tuberculose. 
Bissinose 
A bissinose é um estreitamento das vias respiratórias causado pela aspiração de partículas de 
algodão, de linho ou de cânhamo. 
Embora a bissinose se verifique quase exclusivamente nas pessoas que trabalham com o algodão 
em bruto, aqueles que trabalham com linho ou cânhamo podem também desenvolver este tipo 
de afecção. Os operários que abrem fardos de algodão em rama ou que trabalham nas primeiras 
fases do processamento do algodão parecem ser os mais afetados. Aparentemente, algum 
elemento do algodão em rama provoca o estreitamento das vias aéreas nas pessoas propensas 
(MERCK, 2014). 
Sintomas e diagnóstico 
A bissinose pode causar sibilos ao respirar e opressão no peito, geralmente durante o primeiro 
dia de trabalho depois de um descanso. Ao contrário da asma, os sintomas tendem a diminuir 
após uma exposição repetida e a opressão no peito pode desaparecer para o fim da semana de 
trabalho. 
No entanto, quando se trata de uma pessoa que trabalhou com algodão durante muitos anos, a 
opressão no peito pode durar 2 ou 3 dias ou inclusive a semana completa. A exposição 
prolongada ao pó do algodão aumenta a frequência dos sibilos, mas não evolui para uma doença 
pulmonar incapacitante (MERCK, 2014). 
O diagnóstico estabelece-se através de um teste que mostre a diminuição da capacidade 
pulmonar ao longo da jornada laboral; de modo geral, essa diminuição é maior durante o 
primeiro dia de trabalho. 
 
104 
Prevenção e tratamento 
O controle do pó é o melhor modo de prevenir a bissinose. A respiração sibilante e a opressão no 
peito podem tratar-se com os mesmos fármacos utilizados para a asma. Os fármacos que abrem 
as vias aéreas (broncodilatadores) podem ser administrados num inalador (por exemplo, o 
albuterol) ou em comprimidos (por exemplo, a teofilina) (MERCK, 2014). 
Pulmão negro 
O pulmão negro (pneumoconiose dos carvoeiros) é uma doença pulmonar causada pela 
acumulação de pó de carvão nos pulmões. 
É consequência da aspiração do pó de carvão durante muito tempo. No pulmão negro simples, o 
pó do carvão acumula-se à volta das vias respiratórias inferiores (bronquíolos) dos pulmões. 
Apesar de o pó de carvão ser relativamente inerte e não provocar demasiadas reações, estende-
se por todo o pulmão e em uma radiografia observa-se sob a forma de pequenas manchas 
(MERCK, 2014). 
O pó de carvão não obstrui as vias respiratórias. Todos os anos, 1 % a 2 % das pessoas com pulmão 
negro simples desenvolvem uma forma mais grave da doença, denominada fibrose maciça 
progressiva, na qual se formam cicatrizes em áreas extensas do pulmão (com um mínimo de 1,5 
cm de diâmetro). A fibrose maciça progressiva piora mesmo que a pessoa já não esteja exposta 
ao pó de carvão. O tecido pulmonar e os vasos sanguíneos dos pulmões podem ficar destruídos 
pelas cicatrizes (MERCK, 2014). 
Na síndrome de Caplan (uma perturbação pouco frequente que pode afetar os mineiros do 
carvão que sofrem de artrite reumatoide) desenvolvem-se, rapidamente grandes nódulos 
redondos no pulmão. Tais nódulos podem formar-se nosindivíduos que sofreram uma exposição 
significativa ao pó do carvão, inclusive sem ter pulmão negro (MERCK, 2014). 
Sintomas e diagnóstico 
O pulmão negro simples, geralmente, não produz sintomas. Contudo, a tosse e a falta de ar 
aparecem, com facilidade, em muitos dos afetados com fibrose maciça progressiva, uma vez que 
também têm enfisema (causado pelo fumo dos cigarros) ou bronquite (causada pelos cigarros ou 
pela exposição tóxica a outros poluentes industriais). Por outro lado, na fase de maior gravidade 
há tosse e, às vezes, uma dispneia incapacitante (MERCK, 2014). 
 
105 
Prevenção e tratamento 
Pode prevenir-se o pulmão negro suprimindo o pó do carvão no local de trabalho. Os 
trabalhadores do carvão fazem radiografias ao tórax todos os 4 a 5 anos, de modo que a doença 
possa ser detectada no estádio inicial. Quando esta se detecta, o trabalhador deve ser transferido 
para uma zona com baixas concentrações de pó de carvão para prevenir a fibrose maciça 
progressiva. 
A prevenção é fundamental, pois não há cura para o pulmão negro. A pessoa que não pode 
respirar livremente pode beneficiar dos tratamentos utilizados para a doença pulmonar crónica 
obstrutiva, como os fármacos que permitem manter as vias aéreas abertas e livres de secreções. 
Asbestose 
A asbestose é uma formação extensa de tecido cicatricial nos pulmões causada pela aspiração do 
pó de amianto. 
O amianto é composto por silicato de mineral fibroso de composição química diversa. Quando se 
inala, as fibras de amianto fixam-se profundamente nos pulmões, causando cicatrizes. A inalação 
de amianto pode também produzir o espessamento dos dois folhetos da membrana que reveste 
os pulmões (a pleura) (MERCK, 2014). 
As pessoas que trabalham com o amianto correm o risco de sofrer doenças pulmonares. Os 
operários que trabalham na demolição de construções com isolamento de amianto também 
correm risco, embora menor. Quanto mais tempo um indivíduo estiver exposto às fibras de 
amianto, maior é o risco de contrair uma doença relacionada com o amianto (MERCK, 2014). 
Sintomas 
Os sintomas da asbestose aparecem gradualmente somente depois da formação de muitas 
cicatrizes e quando os pulmões perdem a sua elasticidade. Os primeiros sintomas são a dispneia 
ligeira e a diminuição da capacidade para o exercício. 
Os grandes fumadores que sofrem de bronquite crónica juntamente com asbestose podem tossir 
e ter uma respiração sibilante. A respiração torna-se, gradualmente, mais difícil. Cerca de 15 % 
das pessoas com asbestose têm dispneia e insuficiência respiratória (MERCK, 2014). 
 
106 
Por vezes a inalação de fibras de amianto pode fazer com que se acumule líquido no espaço que 
se encontra entre as camadas pleurais (cavidade pleural). Em raras ocasiões, o amianto causa 
tumores na pleura, denominados mesoteliomas, ou em membranas do abdômen, chamados 
mesoteliomas peritoneais (MERCK, 2014). 
Os mesoteliomas causados pelo amianto são um tipo de cancro que não se consegue curar. 
Geralmente, aparece depois da exposição à crocidolite, um dos quatro tipos de amianto. A 
amosite, outro tipo, também produz mesoteliomas. O crisótilo, provavelmente, não produz 
mesoteliomas, mas, às vezes, está contaminado com tremolite, e esta causa-os. Os mesoteliomas 
desenvolvem-se, de modo geral, ao fim de 30 ou 40 anos de exposição ao amianto (MERCK, 
2014). 
O cancro do pulmão está relacionado, em parte, com o grau de exposição às fibras de amianto; 
no entanto, entre as pessoas que sofrem de asbestose, o cancro do pulmão desenvolve-se quase 
exclusivamente naquelas que também fumam cigarros, em especial nas que fumam mais de um 
maço por dia (MERCK, 2014). 
Diagnóstico 
Nas pessoas com antecedentes de exposição ao amianto, o médico pode, às vezes, diagnosticar 
asbestose com uma radiografia ao tórax que mostre as alterações características. De modo geral, 
a função pulmonar da pessoa é anormal e, ao auscultar o pulmão, podem ouvir-se sons anormais, 
as chamadas crepitações. 
Para determinar se um tumor pleural é canceroso, o médico pratica uma biopsia (extração de 
uma pequena porção de pleura para ser examinada ao microscópio). Pode-se também extrair e 
analisar o líquido que rodeia os pulmões (um procedimento denominado toracentese); no 
entanto, este procedimento não é habitualmente tão rigoroso como a biopsia (MERCK, 2014). 
Prevenção e tratamento 
As doenças causadas pela inalação de amianto podem prevenir-se diminuindo ao máximo o pó e 
as fibras de amianto no local de trabalho. 
Dado que o controlo do pó melhorou nas indústrias que utilizam o amianto, atualmente é menor 
o número de pessoas que sofrem de asbestose, mas os mesoteliomas continuam a aparecer em 
indivíduos que estiveram expostos até há 40 anos. O amianto deveria ser extraído por 
 
107 
trabalhadores especializados em técnicas de extração. Os fumadores que estiveram em contato 
com o amianto podem reduzir o risco de cancro deixando de fumar. 
A maioria dos tratamentos para a asbestose alivia os sintomas; por exemplo, a administração de 
oxigênio alivia a dispneia. Drenar o líquido à volta dos pulmões pode também facilitar a 
respiração. 
Há casos em que o transplante do pulmão deu resultados muito positivos na asbestose. Os 
mesoteliomas são invariavelmente mortais; a quimioterapia não é eficaz e a extirpação cirúrgica 
do tumor não cura o cancro (MERCK, 2014). 
Classificação de aerodispersóides 
As substâncias emitidas no ambiente laboral geralmente estão na forma de partículas sólidas ou 
líquidas (aerossóis) ou na forma gasosa (gases e vapores) ou ambos. 
A forma como a sustância é emitida é importante do ponto de vista da implantação do sistema 
de proteção respiratória e da característica toxicológica do produto liberado na atmosfera. Para 
partículas maiores que 40 µm elas tenderam a se depositarem logo após a sua emissão e não 
representam a princípio um problema de saúde ocupacional. No entanto, partículas pequenas 
com diâmetros inferiores a 10 µm são consideradas inaláveis pelo organismo humano. Logo, 
quanto menor a partícula maior a probabilidade de penetração nas partes mais profundas do 
aparelho respiratório até causar danos à saúde dependendo do tempo de exposição, 
concentração e do grau de toxicidade. 
Poeiras 
São formadas por partículas sólidas, com diâmetro geralmente superior a 1µm. 
Resultante da desintegração mecânica de substâncias inorgânicas ou orgânicas. 
Formas de propagação: operações de britagem, moagem, trituração, esmerilhamento, 
peneiramento, usinagem mecânica, demolição e fundição. 
Fumos 
São partículas sólidas, geralmente com diâmetros < 10µm até 1µm. Resultam da condensação de 
partículas em estado gasoso, após processo de volatilização de metais fundidos. Um exemplo: 
Fumos metálicos provenientes do processo de soldagem (Cloreto de amônio). 
 
108 
Outro produto químico de risco é o Chumbo (Pb), ao derretê-lo, o seu vapor em contato com o 
ar reagem formando o Óxido de Chumbo (PbO) uma partícula altamente tóxica. 
Esta partícula é extremamente pequena em suspensão no ar. 
Portanto, deverá receber tratamento adequado em ambientes laborais (instalação de ventilação 
adequada). Os fumos de óxidos metálicos produzem a chamada “Febre dos fundidores ou 
latoeiros” – sinais: tremores (reação após a exposição ao fumo). 
Névoas e neblinas 
São partículas constituídas por gotículas líquidas com diâmetro variável entre: 0,1µm e 100µm. 
Resultantes da condensação de vapores (ex.: pulverização, nebulização). 
Reações: Irritação nos olhos, dificuldade respiratória e comprometimento da visão. 
Tipos de névoas: ácido sulfúrico, ácido crômico, câmaras de pinturas, entre outros. 
Fumaça 
Geralmente oriunda daqueima de combustíveis fósseis ou de outro material com características 
inflamáveis. Fuligem (partículas líquidas: madeira e carvão) + Fração Mineral (Cinzas – partículas 
divididas finamente de produtos de queima de carvão e óleo combustível). Fornos, Fornalhas e 
queimadores de caldeiras. 
 
 
109 
Quadro 2. Tamanho de Impureza em Suspensão no ar, método de controle, tipo de radiação conforme 
comprimento de onda. 
 
Fonte: Mesquita et al, 1988. 
Figura 17. Tamanho de partículas e o local de penetração no organismo humano. 
 
Fonte: Santos, 2005. 
 
110 
Ventilação industrial 
A ventilação industrial tem o objetivo de fornecer ar por meio de meios naturais e mecânicos 
para ambientes fechados afim de garantir o controle atmosférico de um ambiente 
proporcionando condições de acesso aos trabalhadores e maior durabilidade de máquinas e 
equipamentos. 
A ventilação é uma técnica disponível e bastante efetiva para o controle da poluição do ar de 
ambientes de trabalho assim como, no controle da concentração de substâncias explosivas, 
inflamáveis e/ou tóxicas. A sua adequada utilização promove a diluição ou retirada de substâncias 
nocivas ou incômodas presentes no ambiente de trabalho, de forma a não ultrapassar os limites 
de tolerância - LT estabelecidos na legislação. 
Além das características acima a ventilação industrial auxilia no conforto térmico de ambientes 
de trabalho. Plantas industriais antigas têm apresentado dificuldades de implantação de 
ventilações industriais eficazes devido a falha de projeto, ausência do projeto de ventilação, 
construção inadequada, funcionamento fora das condições de projeto, falta de manutenção e 
falta de conhecimento do funcionamento do processo. 
Para elaborar um projeto de ventilação industrial é necessário o atendimento de quatro 
premissas: 
» Levantamento das condições ambientais existentes (risco físico – ruído e 
calor/risco químico – aerodispersóides presentes) conforme o limite de tolerância 
estabelecido nos anexos da NR15. 
» Determinação da vazão de ar necessária. 
» Projeto e cálculo do sistema de ventilação. 
» Seleção do tipo de ventilação/exaustão adequado ao ambiente levantado. 
O responsável pela ventilação industrial deverá possuir conhecimento técnico para projetar a 
vazão necessária do sistema de ventilação e desenvolver técnicas para o controle das correntes 
de ar a serem introduzidas ou retiradas de um recinto para mantê-lo salubre. 
Em um ambiente de escritórios a implantação da ventilação visa garantir o bem estar dos 
funcionários e eliminar a presença de fumos, odores e calor. 
 
111 
Para instalações industriais a ventilação consiste em controlar concentrações de contaminantes, 
poluentes e das condições térmicas geralmente ou ambos os casos. A ventilação pode consistir 
em passar uma corrente de ar exterior (não contaminado) pelo interior do estabelecimento, 
diminuindo a concentração do poluente ou contaminante a uma taxa aceitável pelo organismo 
humano. 
Classificação dos poluentes 
Poluentes Primários – aqueles emitidos diretamente pelas fontes poluidoras. 
Poluentes Secundários – são aqueles formados na atmosfera por meio de reações químicas entre 
os poluentes primários e secundários. 
Quadro 3. Classificação dos poluentes do por fontes de emissão. 
Poluentes do Ar Fontes de Emissão 
Fumaça de Cigarro (Fuligem) Acender ou fumar cigarros. 
Contaminação pela Combustão Fornalhas, geradores, aquecedores a gás ou querosene, 
produtos derivados do tabaco, ar externo, veículos. 
Contaminação Biológica Materiais molhados ou úmidos, ar-condicionado, 
umidificadores, manta de isolação de dutos, respiros da 
tubulação de esgotos, excremento de pássaros, de baratas 
ou de roedores, odores do corpo. 
Compostos Orgânicos Voláteis (COV) Pinturas, vernizes, solventes, pesticidas, adesivos, 
ceras, produtos de limpeza, lubrificantes, purificadores 
de ar, combustíveis, plásticos, copiadoras, impressoras, 
produtos derivados do tabaco, perfumes. 
Aldeídos Chapas e compensados de madeira, aglomerados, carpetes 
de madeira, móveis, forros. 
Gases Ventilação da tubulação de esgoto, ralos com fecho hídrico 
seco, reservatórios subterrâneos com vazamento. 
Pesticidas Termicidas, inseticidas, rodenticidas, fungicidas, 
desinfetantes, herbicidas. 
Partículas e Fibras Impressoras, combustão em geral, ar externo, deterioração 
dos materiais, construção / reforma, limpeza, isolação. 
Fonte: EPA, 2002. 
Ventilação aplicada ao controle de contaminantes 
Ventilação – é um sistema elaborado e implantado para prevenir que doenças ocupacionais 
oriundas da concentração de agentes químicos (poeira, gases tóxicos ou venenosos, vapores 
presentes no ar (em suspensão). 
A ventilação industrial tem o objetivo de garantir a qualidade do ar no meio ambiente laboral, 
preservando a saúde dos trabalhadores. 
 
112 
A elaboração e implantação de sistemas de ventilação industrial devem fazer parte do programa 
de proteção respiratória visando a: 
» evitar a dispersão de contaminantes no ambiente industrial; 
» diluir concentrações de gases e vapores; 
» promover conforto térmico. 
Tipo de ventilação 
A definição para implantação do sistema de ventilação e/ou exaustão depende dos seguintes 
critérios: 
» tamanho da área fabril; 
» tipo de poluente; 
» concentração; 
» grau de purificação desejado (atendimento a legislações ambientais e normas 
regulamentadoras). 
Atualmente a tecnologia empregada consiste na aplicação de ventiladores, exaustores e 
coletores de ar e/ou ventilação natural utilizando-se das aberturas existentes em edificações 
diversas. 
Os sistemas de ventilação são classificados como: 
» Ventilação Geral (Natural ou Mecânica) – sistema empregado para ventilar o 
ambiente como um todo. Este sistema conhecido também como Ventilação Geral 
Diluidora. 
» Ventilação Local Exaustora – sistema empregado para retirar substâncias emitidas 
diretamente na fonte de geração, conduzindo-os para a atmosfera externa ou 
para sistemas de contenção de particulados. 
 
 
113 
Figura 18. Ventilação Local Exaustora. 
 
Fonte: <http://www.lincolnelectric.com/en-us/support/process-and-theory/Pages/controlling-welding-fume-detail.aspx> 
Figura 19. Ventilação Geral Diluidora 
 
 Fonte: <www.ventec.com.br>. 
Reaproveitamento de resíduos 
Na indústria de cimento, os sistemas empregados visam aproveitar todo o particulado no 
processo de produção. 
Na indústria de cerâmica, a captação do particulado suspenso será utilizado como matéria prima. 
Na indústria madeireira toda serragem e refugos oriundos no processo fabril são utilizados como 
combustíveis. 
 
114 
Ventilação geral diluidora 
A passagem de ar externo, não contaminado, para promover a purificação ou redução da 
concentração de substâncias em ambientes contaminados é o objetivo principal da ventilação 
geral diluidora. A sua aplicação deve-se ao fato do ambiente possuir uma grande quantidade de 
fontes de contaminação e em baixas concentrações. A diluição do contaminante deve-se ao fato 
da adição de ar no ambiente diminuindo-se a concentração presente. 
Na ausência de contaminante a ventilação geral poderá ser utilizada para retirar calor do 
ambiente, gerado por processos diversos em planta industrial ou por irradiação solar. 
Existem dois tipos de ventilação, por insuflamento e por exaustão. A ventilação geral comumente 
usada é a colocação de ventiladores que renovam o ar externo, este tipo de ventilação é baseia-
se no volume de ar necessário conforme o volume do ambiente a ser ventilado. 
Figura 20. Modelo de ventilação por exaustão. 
 
 Fonte: <www.solerpalau.pt> 
Figura 21. Modelo de ventilaçãopor insuflamento. 
 
Fonte: Lisboa, 2007. 
Um ambiente é considerado salubre quando a renovação do ar no recinto atinge todo o ambiente 
laboral, desta forma, a tendência é garantir a redução uniforme do contaminante em todos os 
pontos de um determinado ambiente. 
Limites de tolerância e aplicabilidade 
A Norma Regulamentadora no 15 em seus anexos estabelece limites de tolerância para atividades 
que podem ou não serem caracterizadas como insalubres. A concentração média de substâncias 
 
115 
suspensas ou dispersas em um ambiente fechado por um determinado período de tempo onde 
há ocupação humana e que esta relação cause efeito adverso ao organismo. 
A ACGIH - American Conference of Governmetal Industrial Hygienists definiu limites de tolerância 
– TLV’s - Threshold Limit Value para agentes químicos diversos no caso de gases tóxicos as 
concentrações máximas em ambientes do trabalho são assumidas para que não prejudiquem 
pessoas expostas. Os valores de referência assumidos devem ser seguidos como os limites 
máximos e a exposição prolongada a limites próximo do teto podem acarretar na ocorrência de 
doenças ocupacionais, conforme mencionado no item de doenças pulmonares. 
Segundo Lisboa (2007), o TLV refere-se às condições limites de qualidade do ar em ambientes de 
trabalho e representa os valores sobre os quais se acredita que a quase totalidade dos 
trabalhadores possa ser repetidamente exposta, dia após dia, sem efeito adverso. No entanto, 
devido a sua suscetibilidade individual, uma percentagem de indivíduos expostos pode reagir 
negativamente a concentrações iguais ou abaixo do valor limite. 
Macyntire (1990) afirma que o TLV-C conhecido como valor teto, não deverá exceder, nem 
instantaneamente. 
Áreas com manipulação de gases tóxicos devem receber atenção especial na disposição dos 
ambientes a serem construídos, recomenda-se: 
» garantir que o ambiente tenha renovação de ar (verificar o risco de explosão); 
» manter cilindros em capelas com exaustão permanente, caso o recinto esteja fechado; 
» estocar cilindros em ambientes abertos, conforme as recomendações de segurança do 
fabricante; 
» instalar sistema de monitoramento da atmosfera, principalmente para produtos 
inodoros. 
 
 
116 
Quadro 4. Limites de Tolerância estabelecidos pela ACGIH (MESQUITA et al, 1988). 
 
Substâncias 
TLV 
(ppm) 
Efeito 
Efeito / Inalação Diária (8:00h) 
TLV 2 x TLV 10 x TLV 
Aldeído Acético 200 
Irritação dos 
brônquios e 
dos pulmões 
Irritação dos 
olhos, nariz e 
garganta 
(odor 
perceptível) 
Nenhum 
Irritação dos 
brônquios e 
dos pulmões 
Acetona 1.000 Narcose 
Irritação dos 
olhos, nariz e 
garganta 
(odor 
perceptível) 
Nenhum 
Narcose, 
tontura e até 
inconsciência 
Diclorodifluor - 
metano 1.000 
Asfixia em 
altas 
concentrações 
Nenhum Nenhum Nenhum 
Niquelcarbonila 0,001 
Câncer e 
irritação dos 
brônquios e 
dos pulmões 
Nenhum Nenhum Nenhum 
Quinona 0,1 
Pigmentação 
dos olhos Nenhum 
Pigmentação 
dos Olhos 
Perda da 
acuidade 
visual 
Fumos Metálicos 5 mg/m³ Febre do 
Fumo 
Febre do 
Fumo 
Febre do 
fumo e 
alguma 
irritação dos 
olhos, nariz e 
garganta 
Irritação dos 
brônquios e 
dos pulmões 
Fonte: Mesquita et al 1988. 
Aplicação da ventilação geral 
1. Cálculo de volume de ar/pessoa, objetivo remoção de odores 
O ar externo necessário em m³/h pessoa conforme tabela abaixo: 
 
Atividade / 
Pessoa 
Ideal (m³/h) Mínimo (m³/h) 
Fumando 50 40 
Não Fumante 13 8 
 
2. Quantidade de ar para produzir correntes de ar com velocidades determinadas afim de 
melhorar o conforto térmico (ref: 1,5 a 15 m/min). 
3. Determinar a quantidade de troca de volume de ar em determinado tempo (MESQUITA 
et al, 1988). 
 
117 
Quadro 5. Trocas de ar recomendada por tipo de ambiente*. 
 
Tipo de Ambiente Ciclo de Troca (Troca/minuto) Ciclo de Troca (Troca/hora) 
Auditório 5 – 10 6 – 12 
Sala de Reunião 5 – 10 6 – 12 
Padaria 3 20 
Fundição 5 – 15 4 – 12 
Laboratório 3 – 10 6 – 20 
Lavanderia 5 12 
Oficina 15 – 20 6 – 12 
Túneis 1 – 10 6 – 60 
Escritório 5 – 10 6 – 12 
Fonte: Mesquita et al, 1988. 
* As trocas podem apresentar variações de acordo com o layout e com as barreiras (bancadas, móveis etc) disponível no ambiente. 
Exercício de fixação 
1. Uma empresa promoveu um congresso com um total de 60 participantes. Qual o 
volume de ar necessário para ventila-lo? Dado: dimensões do local – 50 x 50 x 4 m. 
Caso considere que todos os participantes são fumantes teremos, 50 m³/h pessoa o que 
representa um total de 60 x 50 = 3.000 m³/h 
Considere o volume do local e utilize a tabela 3 para definir o volume de ar necessário. 
Logo, temos: 50 x 50 x 4 = 10.000 m³ então, 12 x 10.000 m³ = 120.000 m³/h. 
Outra forma de cálculo é basear na velocidade de 1,5 a 15 m/min. Considere duas áreas de 
passagens de 4 x 10 = 40 m² x 2 = 80 m² 
Utilize a velocidade calculada pelo volume de ar encontrado. 
 0,62 m/min (velocidade menor que a mínima de 1,5 m / 
min). 
Considere o valor mínimo de velocidade e determine a velocidade, conforme abaixo: 
v = Q / A 
Portanto, 
Q = 1,5m/min x 80 m2 
Q = 120m3/min 
 
118 
Transformando tem-se: 
Q = 7.200 m3 /h 
Conclui-se que 3.000 < 7.200 < 120.000 sendo, portanto, um valor aceitável. 
Entretanto, sugere um valor na ordem de 72.000 m³/h o mais indicado, valor este 
que representa 60% do valor máximo. 
Ventilação para controle de substância explosiva 
O risco de explosão ou inflamação em determinadas concentrações devem ser controlados por 
meio de ventilação por diluição. 
 
Onde: 
Qn – Vazão necessária (m³/h). 
G – Taxa de geração da substancia a ser diluída. 
MM – Massa Molecular. 
LIE – Limite Inferior de Explosividade. 
Fs – Fator de segurança – fs = 4 para 25% do LIE / fs = 5 para 20% do LIE. 
B – Fator que considera a redução do LIE com o aumento da temperatura – B = 1 para T < 120 oC 
e B = 0,7 para T ≥ 120 oC. 
2 – Quatro litros de tolueno evaporam numa operação de secagem a 110o C. Sabe-se que a maior 
parte do solvente evapora nos primeiros 10 minutos. Determine a taxa de ventilação necessária 
para manter a concentração abaixo de 20% do LIE. Dados: LIE 1,27%; GE = 0,87; MM = 92. 
G = 4 L / 10 min x 60 min/h x 0,87 Kg/L = 20,88 Kg/h 
 
Qn = 2.153m3 /hQn = 2.153m3 /h (a 21 oC e 1 atm) 
Deve-se encontrar para 110 oC, então: 
 
119 
 
Quadro 6. Características de substâncias químicas. 
 
Substância Fórmula 
Peso 
Molecular 
Gravidade 
Específica 
LIE (% em volume) 
Inferior Superior 
Gás 
Clorídrico 
HCl 36,47 1,268 ---- --- 
Gás 
Cianídrico 
HCN 27,03 0,688 5,6 40,0 
Monóxido 
de Carbono 
CO 28,10 0,968 12,5 74,2 
Metanol CH3OH 32,04 0,792 6,72 36,5 
Propano 44,09 1,554 2,12 9,35 
Tolueno 92,13 0,866 1,27 6,75 
Xileno 106,16 0,881 1,0 6,0 
Fonte: Assunção et al, (1989). 
Ventilação exaustora 
Objetivos 
Os sistemas de ventilação por exaustão tem o objetivo de captar os poluentes diretamente na 
fonte e inibir a dispersão deles no ambiente de trabalho. Para tanto, este sistema de ventilação 
possui maior eficácia à proteção da saúde do trabalhador. 
Os sistemas de exaustão são compostos por 5 (cinco) componentes. Captores – local de entrada 
dos poluentes. 
1. Dutos – local por onde os poluentes são transportados. 
 
120 
2. Filtros – sistema destinado à retenção/coleta do ar contaminado antes do seu 
lançamento ou descarte na atmosfera ou área predefinida 10 . Estes sistemas 
deverão estar em conformidade com a legislação ambiental federal e local. 
3. Sistema Ventilador– Motor – este sistema fornecerá a energia necessária para 
garantir que o fluido em movimento siga a trajetória definida pelo sistema. 
4. Chaminé – local de lançamento do poluente (gás + particulado) na atmosfera. 
A elaboração de um projeto de exaustão dependerá do levantamento estimado da vazão de ar 
necessária para retirar o particulado emitido no processo. Mediante a esta estimativa pode-se 
definir a área de abertura do captor, a secção do duto e a potencial do conjunto motor e 
ventilador. 
Entretanto, a obtenção da vazão de ar depende ainda do reconhecimento e classificação do tipo 
de particulado/contaminante presente no processo. 
Classificação dos sistemas de captação 
A definição do sistema de captação depende do reconhecimento da vazão de ar conforme 
mencionado anteriormente e, além disso, outros fatores intrínsecos ao processo são importantes 
para garantir os melhores resultados. Escolha do tipo de captor e geometria. 
1. Posicionamento em relação à fonte. 
2. Velocidade de captura, sempre em relação ao ponto crítico (ponto desfavorável). 
3. Vazão de captação. 
4. Requisitos de energia do captor. 
Com relação aos requisitos: forma e posicionamento em relação à fonte temos os seguintes 
captores: 
 
10 Geralmente, toda fonte de poluição do ar deverá ser provida de sistema de ventilação local exaustora e o lançamento na atmosfera 
deverá ser realizado por meio de chaminé ou na existência de norma ou regulamento dele decorrente. 
 
121 
» Captores Cabines – possuem sistema de exaustão com grande abertura. Possuem 
o ambiente enclausurado e necessitam de um ponto superior para exaustão. Um 
caso típico são as câmaras ou cabines de pintura. 
» Captores Enclausurados – possuem sistema onde a emissão do poluente acontece 
dentro do sistema de enclausuramento. Possuem pequenas frestas para captação 
do poluente. Estes sistemas são comumente utilizados em laboratórios para o 
manuseio de produtos químicos (Capelas). 
» Captor Tipo Coifa ou Externo – são posicionados externamente à fonte de emissão. 
A corrente de ar deverá ser o suficiente para conduzir os poluentes para o interior 
do captor. 
» Captor Receptor – são posicionados estrategicamente de acordo com o fluxo de 
emissão dos poluentes, este tipo de captor pode ser utilizado nos processos de 
esmerilhamento e nos processos de emissão de gases quentes por fornos. 
Figura 22. Captor de saída lateral. 
 
Fonte: <www.exausfibra.com.br> 
Para pequenas vazões ou áreas com enclausuramento. Exemplo: capelas, balanças (pesagem de 
material) etc. 
Captor Receptor: usado nos casos de sucção de vapor, gases com material particulado (pó) onde 
existe a manipulação do trabalhador no processo. Fluxo do ar: Horizontal. 
 
122 
Figura 23. Captor Tipo Bancada. 
 
 Fonte: <www.exausfibra.com.br> 
Tipo de bancada para esmeril manual. Exaustão de particulados em suspensão gerados no 
processo de esmerilhar. A Vazão é calculada por m² da área da bancada. 
O captor tipo coifa não deverá ser usado quando o poluente for tóxico e quando houver a 
necessidade do trabalhador curvar-se sobre a estrutura (tanque). 
A vazão poderá ser encontrada através da seguinte fórmula: 
Q = 1,4 P x h x V 
Onde: 
P – perímetro do tanque ou estrutura. h – 
Distância entre o captor e o tanque. 
V – Velocidade de captura. 
ΔP = 0,25 Pc 
Onde: 
ΔP – Perda de entrada. 
Projeto e localização do captor 
Em geral, o captor deverá ser colocado o mais próximo possível da fonte poluidora. Deste modo, 
adquire-se uma captação com uma vazão reduzida gerando um menor custo operacional. A vazão 
em geral com o quadrado da distância, portanto, no caso de uma distância 2x a vazão requerida 
será o quádruplo em relação a uma determinada distância x. 
 
123 
Segundo Assunção (1989) a distância do captor em relação à fonte será determinante para que 
correntes de ar transversais prejudiquem na captação dos poluentes, para tanto, será necessária 
uma velocidade de captura maior, aumentando-se a vazão necessária e garantindo eficácia no 
processo. 
Figura 24. Relação da distância de captação e vazão necessária. 
 
Fonte: Assunção, 1989. 
A proteção do trabalhador em um ambiente laboral onde há riscos de inalação por meio das vias 
aéreas dependerá do posicionamento e do tipo de captor (área de captação). A influência da 
direção do fluxo do ar na vazão de exaustão uma vez posicionado adequadamente evitará que o 
poluente passe primeiro pela via respiratória do operador, entretanto, o uso de coifas poderá 
expor o operador a altas concentrações de poluentes devido a necessidade do mesmo se 
posicionar (posição curva) para retirar os materiais do tanque. 
Figura 25. Posicionamento de captores em tanques de galvanoplastia. 
 
Fonte: Assunção, 1989. 
Quando há possibilidade de implantação do sistema de captação por enclausuramento tem-se 
praticamente 100% de eficiência no processo de captação. Conforme mencionado 
 
124 
anteriormente, quanto maior a distância entre o captor e a fonte maior a probabilidade de 
interferência dos ventos e maior o dispêndio energético para a captação dos poluentes. As 
principais vantagens do enclausuramento são: diminuição da área de captura, o uso de menor 
vazão, ganho econômico, reaproveitamento no processo (quando possível). Abaixo representa a 
situação comum em processos de carreamento de materiais sólidos em “rolos de retorno”, por 
exemplo: esteiras de britagens, minérios e correias transportadoras. 
Figura 26. Definição para captação por enclausuramento. 
 
Fonte: ASsunção, 1989. 
Velocidade de captura 
Captar os poluentes conduzindo-os para dentro do captor depende da velocidade de captura e 
ela deve ser estabelecida no ponto de absorção mais desfavorável, desta forma todos os 
poluentes serão captados. 
Velocidade de controle é um termo muito utilizado no campo da ventilação e que no caso de 
captores externos é a própria velocidade de captura. No caso de captores, tipo enclausurante ou 
tipo cabine, a velocidade de controle pode ser entendida como a velocidade necessária para 
evitar a saída dos poluentes no captor já que o captor envolve a fonte. 
A velocidade de captura requerida depende do levantamento das seguintes condições: 
» Toxicidade do Poluente. 
» Tipo de Captor. 
» Velocidade de Emissão. 
» Grau de Movimentação do Ar no Ambiente (Correntes Transversais). 
 
125 
» Tamanho do Captor. 
» Quantidade Emitida. 
No quadro 6 abaixo representa velocidades de captura de acordo com as condições de dispersão 
e de correntes transversais do ar no ambiente, mostrando também exemplos em ambientes 
distintos. 
Vazão de exaustão 
De acordo com o volume ou massa de um determinado poluente emitido por uma fonte 
poluidora devemos encontrar a vazão de exaustão que representará o volume de ar necessário 
a ser movimentado para captar o poluente emitido. 
Desta forma, o conjunto fonte-captador exige uma determinada vazão de exaustão, logo a vazão 
total a ser movimentada será o somatório das vazões exigidas em cada captor. 
De acordo com Macintyre (1990) os elementos que classificam uma boa exaustão: 
» captar a totalidade dos poluentes emitidos; 
» não deve ser utilizado para auxiliar em processos e operações, ex.: arraste de 
matérias primas e produtos, diminuição da temperatura dos equipamentos etc.; 
» deve possuir uma vazão econômica afim de atender apenas os requisitos acima. 
A fórmula geral para vazão é dada por: 
Q = Ac x Vc 
Onde: 
Q – vazão necessária em um determinado captor. 
Ac – área da superficie de controle. 
Vc – velocidade do ar na superficie de controle (velocidade necessária paracaptar os poluentes 
para conduzir ao sistema de exaustão). 
 
126 
Quadro 7. Condições de dispersão e Velocidade de Captura. 
 
Condições de 
Dispersão de 
Poluentes 
Exemplos de 
Dispersão 
Velocidade (m/s) 
Emissão com ar 
parado. 
Evaporação 
(Tanques, 
desengraxe) 
0,25 – 0,5 
Emissão em baixa 
velocidade / Ar com 
velocidade 
moderada. 
Cabines de pintura, 
Enchimento de 
Tanques de 
Armazenagem 
(intermitente), 
Solda. 
0,5 – 1,0 
Emissão alta em 
zona de ar com 
velocidade alta. 
Enchimento de 
barris, carga de 
transportador. 
1,0 – 2,5 
Emissão em alta 
velocidade (inicial) 
em zona de ar com 
velocidade alta. 
Esmeril, Jateamento 
com Abrasivos 
2,5 – 10,0 
Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf Com adaptações>. 
Para cada categoria a definição dos valores na faixa depende dos seguintes fatores: 
Limite inferior da faixa 
1. Ambiente sem corrente de ar ou favorável à captura. 
2. Poluente de Baixa Toxidade. 
3. Intermitente, baixa emissão. 
4. Captor grande – grande vazão de ar. 
Limite superior da faixa 
1. Existência de corrente de ar. 
2. Poluente de Alta Toxidade. 
3. Alta Emissão. 
4. Captor pequeno – somente controle local. 
 
127 
Para captores do tipo enclausurantes a superfície de controle são as frestas conhecidas como 
área de aberturas. No captor tipo cabine a superfície de controle é a área da face da cabine e a 
área aberta que possa existir nas laterais da mesma. Nesses casos é fácil visualizar a superfície de 
controle através da qual se impõe uma determinada velocidade de controle e assim, determina-
se a vazão. 
Para os captores externos precisa-se de certo volume de ar passando pelo ponto mais 
desfavorável de emissão de forma a capturar e arrastar os poluentes para o captor, conforme a 
seguir. 
Figura 27.Exemplo de fluxo de ar e velocidade de captura para Captores Externos. 
 
Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> 
A vazão para captores externos é baseada em dados experimentais de determinação de área da 
superfície de controle, podem-se mencionar os estudos realizados para vários processos, 
operações e equipamentos em especial aqueles mencionados na Industrial Ventilation, da ACGIH 
– American Conference of Governmental Industrial Hygienists. 
Para exemplificar apresentaremos o modelo matemático desenvolvido por Dalla Valle para a área 
de superfície de controle para captores de abertura circular ou retangular. Considere um ponto 
localizado a uma distância X ao longo do eixo de um captor de ar penetrando em sua face com 
velocidade Vf. Segundo Dalla Valle, nessas condições a área da superfície de controle que passa 
pelo ponto X é dada por: 
Equação 1 - Ac = 10x2 + Af Equação 2 - 
Ac = (10x2 + Af) x 0,75 
Onde: 
Af – Área da face do captor. 
 
128 
A equação 1 deverá ser considerada para captores sem flange e a equação 2 para captores com 
flange. 
Estas equações são válidas somente para distâncias ≤ a 1,5d. Onde d é o diâmetro da face do 
captor. 
No caso de exaustão a velocidade do ar cai rapidamente à medida que se afasta da face do captor. 
Geralmente, a velocidade a uma distância igual ao diâmetro da face do captor é de 10% da 
velocidade da face do captor. 
Nas condições de sopro (Jato), a velocidade cai paulatinamente atingindo o valor de 10% da 
velocidade da face a distância de aproximadamente 30 vezes o diâmetro da face do captor. 
O quadro representa os tipos de captores e respectivas fórmulas para o cálculo da vazão de 
exaustão. 
Quadro 8. Tipos de captores e cálculo para a vazão de exaustão. 
 
TIPO/CAPTOR 
DESCRIÇÃO 
RAZÃO 
W/L 
VAZÃO 
 
COM FENDA 0,2 ou 
Menor Q = 3,7 L. V. X 
 
COM FENDA 
FLANGEADA 
0,2 ou 
Menor Q = 2,8 L. V. X 
 
ABERTURA SEM FLANGE 
0,2 ou Maior 
(Serve para a 
Circular) 
Q = V (10 X2 A) 
 
ABERTURA COM FLANGE 
0,2 ou Maior 
(Serve para a 
Circular) 
Q = 0,75 V (10 X22 A) 
 
CABINE 
0,2 ou Maior 
(Serve para a 
Circular) 
Q = V A F V.W.H 
 
129 
 
COIFA 
0,2 ou Maior 
(Serve para a 
Circular) 
Q = 1,4 P. H. V P – 
Perímetro do 
Tanque 
Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> (Com adaptações). 
Nota: vazão insuficiente significa captação deficiente e, portanto, maior poluição do ambiente de 
trabalho. 
O ambiente de trabalho que apresenta uma vazão deficiente necessita de avaliações periódicas 
de forma que permita a exposição dos trabalhadores a níveis aceitáveis. Conhecer os limites de 
tolerância e as concentrações permitidas por lei para a emissão de poluentes na atmosfera, 
tornam o embasamento técnico para discernir se os trabalhadores devem ou não estar expostos. 
A figura apresenta a forma esquemática de vazão. 
Figura 28. Efeito da vazão na captação dos poluentes. 
 
Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> 
A distribuição uniforme do ar na região frontal do captor é muito importante e isso pode ser 
realizado por meio da utilização de fendas. 
 
 
130 
Figura 29. Modelos de uniformização do ar em frente aos captores. 
 
 
Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> 
A ventilação de tanques e processos quentes (ex.: fornos de fundição, tanques de tratamento 
superficial11) 
Abaixo representa o tipo de captor em relação ao coeficiente de entrada (Ke) e perda de carga 
(Kc). 
Quadro 8. Captação conforme coeficiente de entrada e perda de carga. 
TIPO DE CAPTOR DESCRIÇÃO Ke Kc 
 
Boca Arredondada 0,98 0,04 
 Extremidade Plana sem Flange 0,72 0,93 
 
11 Galvanoplastia. 
 
131 
 
Extremidade do Duto Flangeada 0,82 0,49 
 
Cone Flangeado com α = 13o 
Cone Flangeado com α = 30o 
0,94 
0,90 
0,13 
0,24 
 
Cone Sem Flange com α = 13o 
Cone Sem Flange com α = 30o 
0,82 
0,79 
0,49 
0,60 
Fonte: Valle Pereira Filho; Melo, 1992, p. 66. Com adaptações. 
<http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> 
Dimensionamento de captores 
O pré-requisito para o dimensionamento adequado de captores depende em regra geral 
conhecer os tipos de operações poluidoras, as formas existentes de captores no mercado, o tipo 
de ventilação aplicada no processo (caso exista), as operações realizadas in loco e os 
equipamentos industriais existentes. 
Desta forma, pode ser classificado os processos especiais da seguinte forma: 
» Ventilação sopro-exaustora. 
» Ventilação de processos quentes (fornos). 
» Ventilação de tanques. 
» Ventilação de operações de manipulação e transporte de material fragmentado. 
» Sistemas de alta pressão e baixa vazão. 
A seleção do captor é baseada em três aspectos: 
» Toxidade do poluente. 
 
132 
» Espaço físico disponível. 
» Condições operacionais. 
A posição do captor pode ser definida por 6 (seis) critérios, são eles: 
» Menor vazão (menor custo). 
» Redução da influência de correntes de ar cruzadas. 
» Promover o maior enclausuramento possível. 
» Posição mais próxima da fonte. 
» Uso de anteparos e flanges possibilitar evitar a presença de correntes cruzadas. 
» Direção do fluxo de ar induzido e contaminado Figura 30. Posicionamento adequado do 
captor. 
 
Fonte: Mesquita et al (1988). 
<http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> 
A seleção do tipo de captor ideal para uma determinada fonte poluidora dependerá 
exclusivamente do tipo de fonte, toxicidade dopoluente emitido, condições operacionais 
(manutenção preditiva, preventiva e corretiva) e condições restritiva de espaço. Desta forma, o 
melhor captor é aquele que capta com eficiência desejada e que não ocasione problemas na 
fonte e na qualidade de vida dos funcionários garantindo assim, o trânsito de pessoas no 
ambiente laboral. 
 
133 
Além disso, os captores devem garantir a menor perda de carga e que necessitem a menor vazão 
de captação, visto que o custo operacional será fundamental para a definição do custo final do 
produto12 numa determinada organização. 
Dimensionamento de dutos 
Transporte de poluentes 
Segundo Macintyre (1990) o transporte de poluentes por meio de dutos depende da velocidade 
do ar na tubulação. Para poluentes gasosos a velocidade tem pouca importância uma vez que 
não ocorre sedimentação na tubulação mesmo para velocidades baixas, neste caso são utilizadas 
velocidades na faixa econômica, usualmente entre 5 a 10 m/s. 
No caso de poluentes na forma de partículas é importante manter a velocidade mínima de 
transporte que não ocorra sedimentação nos dutos. Essa velocidade varia de acordo com a 
densidade e granulometria das partículas que devem ser conhecidos, os valores usualmente 
utilizados estão representados no quadro a seguir. 
Quadro 9. Velocidades de transporte de partículas em dutos. 
Tipo de Partícula Velocidade Mínima (m/s) 
Partículas de Densidade Baixa: 
Fumaça, fumos de óxidos de zinco, fumos de 
óxidos de alumínio, pó de algodão. 
10 
Partículas de Densidade Média: 
Cereais, pó de madeira, pó de plástico, pó de 
borracha. 
15 
Partículas de densidade média / alta: 
Fumos metálicos, poeira de jateamento de 
areia e de esmerilhamento. 
20 
Partículas de densidade alta: 
Fumos de chumbo, poeiras de fundição de 
ferro. 
25 
Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf com adaptações>. 
Um ponto importante a destacar é que a velocidade no duto depende também da influência na 
perda de carga do sistema, ou seja, na energia requerida para o fluido percorrer todo o sistema 
de dutos. Quanto maior a velocidade maior será a perda de carga e maior a potência exigida do 
 
12 Produção final após o beneficiamento no processo produtivo e colocado no mercado à venda. 
 
134 
ventilado, desta forma, maior será o gasto energético aplicado no processamento industrial13 e 
maior o custo para a chegada do produto final. 
Contudo, o ideal é manter a velocidade próxima e acima da velocidade mínima de transporte 
requerida, de forma a atender os objetivos ambientais geralmente controlados e acompanhados 
pelas normas e órgãos ambientais da região. 
Esta definição poderá garantir o melhor uso das partículas geradas e a menor exposição dos 
trabalhadores a ambientes anteriormente classificados como “insalubres”. Isto proporciona ao 
SESMT a redução significativa do uso exagerado de equipamentos de proteção individuais e 
promove a aplicação de uma gestão contínua baseada na prevenção de acidentes atuando no 
comportamento dos funcionários por meio de treinamentos e campanhas educativas 
Perdas de carga em singularidades 
Singularidade é qualquer elemento do sistema que causa algum distúrbio no fluxo de ar, como 
por exemplo as junções, cotovelos e expansões. Elas representam pontos de perda de carga, 
desta forma, estes elementos devem ser projetados de forma a garantir uma geometria que 
ocasione a menor perda de carga possível. 
Os cotovelos devem possuir preferencialmente um raio de curvatura igual a 2,5d e as junções 
devem possuir um ângulo de entrada máximo de 30 graus. Deve-se ressaltar que os sistemas 
projetados com singularidades fora das recomendações podem funcionar bem, no entanto, 
podem custar à necessidade de elevar a potência do sistema de ventilação e como consequência 
elevar o custo operacional. Geralmente, a falta de planejamento e a disponibilidade do mercado 
conduzem à utilização de singularidades de maior perda de carga. 
 
 
13 Nos projetos de ventilação recomenda-se o uso de portas de inspeção em intervalos de 3 metros ou conforme a recomendação do 
setor técnico em áreas onde há maior probabilidade de deposição de particulado (risco de formação de placas, crostas) 
promovendo o entupimento do sistema. 
 
135 
Figura 33. Perda de carga em curvas (cotovelos). 
 
Fonte: MESQUITA et al., 1988. 
Equipamentos de controle da poluição atmosférica 
Os sistemas de filtragem em um processo serão sempre necessários quando as emissões 
atmosféricas não atenderem as condicionantes ambientais exigidas na legislação, como por 
exemplo as resoluções do CONAMA. 
Em relação ao sistema de ventilação, os filtros representam pontos de perda de carga que devem 
ser levados em consideração no cálculo de pressão exigida pelo sistema e na determinação da 
pressão e potência exigidas do ventilador e na potência do motor. 
A perda de carga do filtro pode-se alterar com o tempo de operação conforme a sua 
característica, nos filtros de manga, eles necessitam do acionamento do sistema de limpeza das 
mangas de forma periódica visando retirar o material coletado nas mangas e evitando-se a 
resistência excessiva. Outros sistemas filtrantes podem alterar devido a incrustação de poluentes 
ou pelo desgaste das peças ou superfícies internas do filtro. 
Uma forma de identificar a perda de carga limite nos filtros por meio de controle de pressões e 
potências, dar-se através da instalação de manômetros em “U” de baixo custo e fácil instalação. 
 
136 
Conjunto ventilador-motor 
O conjunto ventilador-motor fornece a energia necessária para movimentar o fluído e vencer 
todas as perdas de carga (resistência) do sistema. 
Através do ventilador é que criamos o diferencial de pressão por meio do sistema que faz o ar 
fluir através do sistema. Para tanto, a seleção do ventilador é fundamental para garantir a melhor 
efetividade do sistema. 
Os ventiladores são classificados de acordo com a direção de movimentação do fluxo através do 
rotor. Desta forma, os ventiladores são classificados da seguinte forma: 
» Ventiladores centrífugos – são destinados a movimentação do ar em uma ampla faixa 
de vazões e pressões. 
Figura 32. Ventilador centrífugo. 
 
Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> 
» Ventiladores axiais – se restringem a aplicações de baixa e média pressão até 150 
mmCA. 
Figura 33. Ventilador axial. 
 
Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> 
Para aplicação de ventilação local exaustora os ventiladores mais utilizados são os centrífugos, os 
quais estão disponíveis em quatro tipos segundo a classificação abaixo: 
 
137 
» Ventilador centrífugo radial – são ventiladores, robustos, para trabalho pesado e 
destinados a movimentar fluidos com grande carga de partícula (poeiras), 
partículas pegajosas (poeiras pegajosas) e corrosivas. Apresentam baixa 
eficiência, na ordem de 60% e elevado nível de ruído. Possuem baixa 
complexidade construtiva e alta resistência mecânica além de serem de fácil 
reparação. 
Figura 34. Rotor de pás radiais. 
 
Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> 
» Ventilador centrífugo de Pás para trás – possuem alta eficiência chegando a atingir 80% em seu 
funcionamento, equipamento possui baixa emissão de ruído. Este ventilador possui a 
característica de autolimitação de potência o que evita uma sobrecarga do motor. Ele possui 
dois tipos de pás, as aerodinâmicas e as planas. As pás aerodinâmicas são de granderendimento, pois permitem uma corrente mais uniforme. Estes ventiladores são empregados 
nos casos de grandes vazões e pressões médias, sendo que a economia de potência compensa 
o maior custo na aquisição. As pás planas podem ser utilizadas para transportar o ar sujo já 
que apresentam a característica autolimpante, entretanto, apresentam uma eficiência menor 
em relação aos de pás aerodinâmicas. 
Figura 35. Rotor de pás para trás. 
 
Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> 
» Ventilador centrífugo de pás curvadas para frente – estes modelos requerem pouco espaço 
para instalação, apresentam baixa velocidade periférica e são silenciosos. Devem ser utilizados 
 
138 
para pressões baixas a moderadas. Estes modelos não são recomendados para movimentar 
fluidos como poeiras e fumos devido a possibilidade de aderência do material ocasionando o 
desbalanceamento do rotor e consequente vibração. Este modelo não possui autolimitação 
de potência podendo sobrecarregar o motor. A eficiência desses ventiladores é menor que dos 
ventiladores de pás para trás. Para tanto, recomenda-se o seu uso em sistemas de ventilação 
geral e de ar condicionado onde a carga de poeiras e outras partículas é baixa. 
Figura 36. Rotor de pás para frente. 
 
Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> 
» Ventilador Radial Tip – são ventiladores de pás planas inclinadas para trás, no 
entanto, com pontas que se curvam até chegarem a ser radiais. Este tipo de 
ventilador possui queda de eficiência porém, proporciona maiores vazões. São 
amplamente empregados em fornos de cimento e fábricas de celulose e papel. 
Figura 37.Rotor radial tip. 
 
Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> 
 
139 
Classificação, vantagens e desvantagens dos 
equipamentos de controle da poluição do ar 
A escolha do equipamento de controle de poluição do ar, que melhor cumprirá sua função de 
coleta, nem sempre é um problema de simples solução, tendo-se em vista o número de fatores 
intervenientes (MUCCIACITO, 2016). 
De uma forma geral, pode-se dizer que a escolha depende de fatores relativos às propriedades 
do contaminante, relativos às propriedades do gás carreador e relativos a aspectos econômicos 
e práticos. Há que se considerar na escolha de equipamentos de controle, vários fatores, como 
segue (MUCCIACITO, 2016): 
» Estado físico do poluente: para coleta de gases e vapores, os equipamentos de 
controle mais usualmente utilizados são as torres de absorção, os leitos de 
adsorção, os condensadores e os incineradores. A coleta de material particulado, 
sólido ou líquido, é em geral feita por coletores inerciais, coletores centrífugos, 
lavadores, filtros e precipitadores eletrostáticos. 
» Grau de limpeza desejado: a eficiência de coleta fixada em função dos 
regulamentos limitantes da quantidade do poluente que pode ser emitida é um 
dos fatores importantes a ser considerado. Como veremos posteriormente, a 
eficiência dos equipamentos de controle dependem de várias propriedades do 
poluente e do gás carreador, e a escolha deve ser feita em função do que é 
requerido em termos de eficiência. 
» Composição Química: só é importante quando afeta as propriedades físicas e 
químicas do gás carreador. As propriedades químicas são importantes quando há 
a possibilidade de haver reações químicas entre o gás carreador, o contaminante 
e o coletor. 
» Temperatura: as principais influências são sobre volume do gás carreador e efeitos 
sobre os materiais de construção do coletor. O volume tem consequências sobre 
o tamanho do coletor que provocará alteração no custo do equipamento. A 
temperatura também afetará a viscosidade e a densidade, que por sua vez, 
afetará o rendimento da coleta. Assim, adsorção é impraticável a altas 
temperaturas. A resistividade elétrica de partículas varia com a temperatura, e é 
uma importante propriedade na precipitação elétrica de partículas. Coletores 
 
140 
úmidos algumas vezes não podem ser utilizados devido a grande quantidade de 
água que se evapora, e filtros podem ser danificados pela passagem de gases 
excessivamente quentes. 
» Viscosidade: as principais influências da viscosidade se relacionam com o aumento 
da potência requerida com o aumento da viscosidade, e com a alteração que 
provocará na eficiência de coleta de material particulado. 
» Umidade: alta umidade contribui para empastamento das partículas sobre o 
coletor, principalmente coletores inerciais e centrífugos, e filtros, provocando seu 
entupimento. Pode, ainda, agravar problemas de corrosão, além de ter grande 
influência sobre a resistividade elétrica das partículas e, portanto, em sua 
precipitação eletrostática. Em adsorção, pode agir como fator limitante da 
capacidade do leito se este adsorver vapor d’água. 
» Combustividade: quando o gás carreador é inflamável ou explosivo, a principal precaução é 
assegurar que se esteja acima do limite superior de explosividade ou abaixo do limite 
inferior de explosividade da mistura. Nesses casos, lavadores são preferidos e 
precipitadores eletrostáticos raramente usados. 
» Reatividade Química: é importante em alguns casos como, por exemplo, quando se filtra um 
gás contendo compostos de flúor com filtros de lã de vidro, danificando os mesmos. Em 
geral, deve-se evitar reação entre gás e coletor. 
» Propriedades Elétricas: são importantes quando se trata da coleta de partículas com 
precipitados eletrostáticos, pois a maior ou menor facilidade de ionização do gás influencia 
o mecanismo básico de coleta. Outros fatores, como pressão e densidade são de menor 
importância e não serão aqui absorvidos. 
Propriedades do contaminante 
» Carga: a carga, ou concentração do poluente, na entrada do equipamento de controle, e suas 
variações afetam diferentemente os vários tipos de coletores. Assim é que a eficiência de 
coleta de ciclones aumenta com a carga, mas aumenta também a possibilidade de 
entupimento do mesmo. Alguns equipamentos exigem mesmo a presença de pré-coletores 
para evitar sobrecarga em sua operação. 
 
141 
Figura 38. Representação esquemática de sistema de transporte e captação de poluentes. 
 
Fonte: MUCCIACITO, 2016. 
» Solubilidade: é importante em absorvedores e lavadores em geral, pois, na maioria 
das vezes, quanto maior a solubilidade do poluente, maior o rendimento da 
coleta. 
» Capacidade Adsortiva: importante em adsorção de gases e vapores. De uma forma 
geral, só se recomenda esse tipo de coletor para gases e vapores com massa 
molecular superior a 45 e, principalmente, na retenção de solventes e substâncias 
odoríferas. 
» Combustividade: importante para eliminar o poluente por incineração, sendo também 
um fator a considerar para evitar riscos de explosão. 
» Reatividade Química: a reatividade química constitui-se em um fator que pode ser 
utilizado na coleta do contaminante, por exemplo, na absorção química. Contudo, 
pode também criar problemas quando, por exemplo, o contaminante reage com 
o material de construção do corpo coletor, danificando-o. 
» Propriedades Elétricas: a resistividade elétrica de partículas tem uma influência 
decisiva em sua coleta, nos precipitadores eletrostáticos. Partículas com altíssima 
ou baixíssima resistividade apresentam dificuldades de coleta em precipitadores. 
» Higroscopicidade: é importante por influir na possibilidade de entupimento 
(principalmente coletores inerciais, centrífugos e filtros) por formação de pasta 
devido à absorção de umidade pelas partículas. 
 
142 
Tamanho, forma e densidade de partículas 
Estes são fatores fundamentais por exercereminfluência sobre a eficiência de coleta de partículas 
por quase todos os mecanismos utilizados na prática, podendo-se mesmo dizer que a variação 
da eficiência com o tamanho da partícula é um dos aspectos mais importantes a serem 
considerados na escolha do coletor (MUCCIACITO, 2016). 
O equacionamento acurado desses fatores é complexo e trabalhoso, e simplificações têm sido 
feitas no sentido de tornar mais fácil e rápida a escolha de um equipamento para a coleta de 
material particulado, levando-se em conta sua distribuição de tamanho (MUCCIACITO, 2016). 
Casos inusitados devem ser resolvidos por verdadeiros especialistas, a fim de evitar danos 
econômicos irreparáveis devido à escolha inadequada de um equipamento que, via de regra, 
após instalado, não terá qualquer outra utilização a não ser aquela para a qual foi projetado 
(MUCCIACITO, 2016). 
Figura 39. Lavadores de gases para tratamento de odores em ETE’s. 
 
Fonte: Mucciacito, 2016. 
Classificação dos sistemas de controle de poluição 
Coletores úmidos 
Princípio de funcionamento: O gás é forçado através de uma aspersão de gotas, com as quais as 
partículas se chocam, se depositam por difusão, e também agem como núcleo de condensação 
de água, consequentemente aumentando de tamanho, o que torna sua coleta mais fácil. 
Portanto, podemos dizer que os quatro mecanismos de coleta mais importantes no coletor 
úmido são impactação, a interceptação, a difusão e a condensação (MUCCIACITO, 2016). 
 
143 
Classificação: os tipos de lavadores de gases são inúmeros, havendo o contínuo aparecimento de 
novos modelos de eficiências similares apresentando algumas vantagens e desvantagens. 
N = 2,3log1/1 n 
N =αδty 
Onde: 
N = número de unidades de transferências. n = eficiência. y = constante admensional – 
coeficiente angular da reta plotada em papel logarítmico. α = valor de intercepção na ordenada. 
α,β = dependem do tamanho de outras propriedades das partículas. 
δt = potência de contato total. 
Características Gerais: visa expressar o rendimento dos diversos tipos de lavadores de gases para 
a coleta de material particulado. 
Quadro 10. Características de Câmaras de Borrifo. 
 
Parâmetro Faixa 
Vazão de gás > 70.000 pés³/min 
Temperatura do gás 2.000 °F, reduzindo para 300 
°F 
Velocidade do gás 2 – 5 pés/s 
Tempo de resistência 20 – 30s 
Perda de carga 1 pol de H2O 
Concentração Alta, > 5 grãos/pé³ 
Composição da partícula Sólido, líquido (corrosão) 
Água recirculada 2 – 18 gal/1.000 pés³ 
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). 
Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. 
Essas relações variam para cada um dos tipos de lavadores mencionados, dependendo de como 
se dá a aspersão do líquido, da direção e sentido do gás com relação ao líquido, entre vários 
outros fatores. 
Atualmente, o conceito mais difundido é a “potência de contato”, que, em essência, relaciona a 
eficiência de coleta de partículas com a energia gasta no processo de contato entre gás e líquido. 
 
144 
O conceito de potência de contato afirma que, no contato gás-líquido, potência é dissipada em 
turbulência dos fluidos e como calor. 
Essa potência consumida em termos de potência por unidade volumétrica do gás é denominada 
de potência de contato, não estando nela incluídas as potências por perdas elétricas e mecânicas, 
nem por perdas por atrito nas partes secas do lavador. Esse conceito, apesar de carecer de maior 
base teórica, tem se mostrado aproximadamente válido na prática. Matematicamente tem sido 
apresentado em termos de número de unidades de transferência (eficiência) e potência de 
contato (HP/1000 pés³/min). 
Os lavadores úmidos são conhecidos também como equipamentos de controle de poluição que 
usam o processo de absorção em líquido para separar os poluentes da corrente gasosa 
(MUCCIACITO, 2016). 
A absorção pode ser entendida como um íntimo contato dos gases com o líquido de absorção, o 
que permite que os gases poluentes fiquem dissolvidos no líquido. O fator responsável por este 
resultado é a solubilidade dos gases no líquido absorvedor, uma forma de demonstrar tal 
ocorrência é vista nas partículas de aerossóis que são transferidas da suspensão da corrente 
gasosa para o líquido de lavagem via mecanismos de impacto inercial, sedimentação 
gravitacional, difusão Browniana, eletrostática, difusividade térmica e transporte de massa. 
A taxa e a extensão da absorção é geralmente acompanhada de reação química. Conforme 
estudado os lavadores que podem ser citados são do tipo Venturi, Tipo Torre, de pulverização 
axial em cone, ou ainda com spray e chicanas. 
Os lavadores de via úmida possuem as seguintes vantagens e desvantagens: 
Quadro 11. Vantagens e desvantagens dos lavadores de via úmida. 
 
Vantagens Desvantagens 
Não gera fonte secundária de 
pó. 
Possibilidade de geração de 
problemas de poluição de 
águas. 
Necessita de espaço pequeno. 
Necessidade de alto custo de 
perda de carga para remover 
material particulado fino com 
alta eficiência. 
Coleta gases e material 
particulado. 
Geração de resíduos úmidos. 
 
145 
Oferece possibilidade de 
trabalho com correntes 
gasosas de elevada 
temperatura e umidade. 
Problemas de corrosão de 
forma severa em relação a via 
seca. 
Tem custo baixo 
(desconsiderando o tratamento 
de efluentes líquidos). 
Opacidade da pluma de vapor 
pode ser inconveniente. 
Geralmente a corrente gasosa já 
está em alta pressão. Consumo de energia elevado. 
Habilidade de remover com alta 
eficiência o material particulado 
fino. 
Acúmulo de sólidos na interface 
úmida-seca pode gerar 
problemas. 
 Alto custo de operação. 
 Consumo elevado de água. 
Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações). 
Câmara de borrifo 
É o mais simples dos coletores úmidos. As gotas, geralmente com diâmetro de 0,1 a 1 mm caem 
e se chocam com as partículas em movimento ascendente, sendo o impacto o principal 
mecanismo de coleta das partículas. São características gerais desses coletores: 
» velocidade ascendente do gás, 2 a 4 pés/s; 
» tamanho das gotas, 100 a 1000 µm; 
» tamanho da gota para a máxima eficiência, 800 a 900 µm. 
Quadro 12. Características de lavadores ciclônicos. 
 
Parâmetro 
Faixa 
Tipo Irrigado 
Tipo Pease – 
Anthony 
Vazão do gás Até 50.000 
pés³/min 
Até 25.000 
pés³/min 
Temperatura do gás Ilimitada Pré-resfriamento 
ou saturação 
necessária. 
Velocidade do gás 200 – 500 pés/min ------ 
Velocidade 
tangencial 
----- 50 – 200 pés/s 
Perda de carga 2,5 – 6 pol de H2O 2 – 6 pol de H2O 
Água recirculada 3-5 gal/1.000pés³ 3-10 gal/1.000pés³ 
Δp = f (vazão) Δp = KQ² ----- 
 
146 
Potência ----- 1-3 
HP/1.000pés³/min 
Eficiência 90% ≥5µm 95% ≥5µm 
Efeito da umidade 
na eficiência. 
Nenhum Nenhum 
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). 
Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. 
Lavadores ciclônicos 
Nesses coletores úmidos, lança-se mão de um aumento da velocidade relativa entre as gotas e 
as partículas. Dessa forma, consegue-se aumentar consideravelmente a eficiência de coleta em 
comparação com a obtida em câmaras de borrifo (MUCCIACITO, 2016). 
A coleta se dá principalmente por impactação, sendo que a difusão só é efetiva para as partículas 
da ordem de 0,001 µm. 
Há basicamente três tipos de lavadores ciclônicos, como segue. Um em que se movimenta 
tangencialmente o gás, fazendo-se com que ele entre de modo tangencial na base do corpo 
cilíndrico. O lavador mais comumdesse tipo é o chamado lavador ciclônico Pease Anthony 
(MUCCIACITO, 2016). 
No segundo tipo, o movimento espiralado é provocado no gás por meio de sua passagem por 
seções helicoidais: são os chamados lavadores ciclônicos irrigados. 
O terceiro tipo é um ciclone convencional em que o gás entra tangencialmente pela base e a 
injeção de água se faz na entrada. Nesses coletores, determinou-se experimentalmente que o 
mais efetivo tamanho de gota é da ordem de 100 µm. 
Por essa razão, não se recomenda sua utilização com fins de resfriamento, sendo mesmo 
recomendado que os gases estejam saturados na entrada do coletor, particularmente se o gás 
estiver a uma temperatura superior à do líquido (MUCCIACITO, 2016). 
Lavadores autoinduzidos 
São também chamados de lavadores inerciais de orifício. A aspersão de água é induzida pela 
própria passagem do fluxo gasoso através do líquido, “quebrando-o” em gotas. 
 
147 
A quantidade de subtipos desses lavadores é imensa, indo desde o mais simples wet cap usado 
no topo de fornos Cubilot até os tipos mais sofisticados. As velocidades de passagem por meio 
do líquido variam de um tipo para outro, sendo uma faixa comum entre 50 e 200 pés/s. 
Dados experimentais indicam que, para velocidades de 50 pés/s, as gotas formadas têm um 
diâmetro de 300 a 400µm. 
Quadro 13. Características de lavadores auto-induzidos 
 
Parâmetro 
Faixa 
Wet cap Rotoclone N Em geral 
Eficiência 
Alta > 15µm 93%, 5µm 94%, > 5µm 
 85%, 3µm 
 40%, 1µm 
Uso de água Variável 10-40 
gal/1.000pés³ 
----- 
Concentração 
de entrada 
Qualquer 40 grãos/pé³ ----- 
Perda de 
carga 
0,25 pol de H2O 2,5-6 pol de 
H2O 
2-8 pol de H2O 
Corrosão Sim Sim Sim 
Potência 
consumida 
----- ----- 2,3 
HP//1.000pés³/ 
min 
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). 
Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. 
Lavadores mecânicos 
São também chamados de lavadores equipados com aspersores mecânicos. O mecanismo 
predominante de coleta nesses lavadores é a impactação, os quais se valem de um dispositivo 
mecânico para promover a formação das gotas. Uma vantagem desses lavadores, tal como nos 
autoinduzidos, é o pequeno consumo de água e a pequena possibilidade de entupimento. Vale 
frisar que, na maior parte da bibliografia existente, esses coletores são subclassificados 
conjuntamente com os desintegradores e com os precipitadores dinâmicos úmidos. 
A eficiência e o consumo de potência estão relacionados com a rotação e a vazão do gás. 
 
148 
Coletores úmidos de impactação 
Os coletores de impactação são torres verticais equipadas com um ou mais obstáculos de 
impactação. O obstáculo de impactação corresponde a um prato perfurado com 600 a 3000 furos 
por pé², tendo sobre eles plaquetas a uma distância correspondente à seção da vena contracta 
do fluido que passa pelos furos (seção de maior velocidade). 
O fluxo gasoso entra pela base da torre, em uma câmara provida de bicos aspersores de baixa 
pressão para, inicialmente, sofrer um processo de resfriamento, umidificação e coleta das 
partículas mais grosseiras (MUCCIACITO, 2016). 
O gás, passando por meio dos furos a velocidades entre 75 e 100 pés/s, atomiza o líquido 
descendente em gotas da ordem de 100 µm. 
Quadro 14. Características de lavadores de impactação. 
 
Parâmetro Faixa 
Concentração de poeira 40 grãos/pé³ (fácil tratamento) 
Perda de carga 1,5 a 8 pol de H2O – 
geralmente 4-6 
Eficiência 95%, 4µm; 90%, 2µm; 80%, 
1µm. 
Consumo de água 0,25 gal/min para cada 
1.000pés³/ min 
Água recirculada 3 gal/min/1.000 pés³/min 
Capacidade 500 – 40.000 pés³/min 
Velocidade do gás nos furos 20 pés/s 
Velocidade de formação de 
gotas 
75-100 pés/s 
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). 
Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. 
A velocidade do gás, ao passar pelos furos, é da ordem de 20 pés/s. Convém salientar que a coleta 
do material particulado ocorre predominantemente pela impactação com as gotas, e menos pela 
impactação contra a plaqueta (cerca de 3/16 pol de dimensão). 
Percebe-se que o diâmetro do corpo coletor é muito grande, no caso da plaqueta, sendo, 
portanto, o parâmetro de impactação menor. 
 
149 
Lavador Venturi 
Nesses lavadores o fluxo gasoso tem sua velocidade aumentada ao passar por meio de uma 
constrição (garganta), onde o líquido é injetado e atomizado pela alta velocidade do gás. Os 
principais mecanismos de coleta são impactação (mais importante), intercepção e condensação. 
Em seguida, ao venturi um coletor secundário (normalmente um ciclone), é instalado para coletar 
as partículas (que tiveram seu tamanho aumentado no venturi). As velocidades do gás na 
garganta (da ordem de 12000 a 24000 pés/min) atomizam quantidades de água, que variam entre 
3 a 10 galões/1000 pés³, em gotas cujo tamanho médio pode ser estimado na faixa de 50 µm. 
Perdas de carga entre 10 e 30 pol de H2O são valores comuns, mas perdas mais elevadas não são 
raras e correspondem a maiores eficiências de coleta. 
A condensação é um mecanismo efetivo de coleta em um lavador venturi. Se o gás, na região de 
baixa pressão (correspondente à garganta do venturi), está completamente saturado (de 
preferência supersaturado), haverá condensação sobre as partículas na região de mais altas 
pressões (correspondente ao expansor do venturi). 
Desta forma, a partícula cresce, sua superfície molhada auxilia a aglomeração e sua posterior 
coleta. Para maior compreensão das vantagens e desvantagens deste mecanismo . 
Quadro 15. Características de lavadores Venturi. 
Parâmetro Faixa 
Temperatura de gás Ilimitada (conforme 
especificação) 
Perda de carga 10 a 30 pol de H2O 
Eficiência 98%, ≥ 1µm 
Água recirculada 2-10 gal/1.000 pés³ 
Capacidade / Volume de gás 200 – 145.000 pés³/min 
Velocidade na garganta 200 - 600 pés/s 
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). 
Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. 
 
 
150 
Quadro 16. Vantagens e desvantagens dos lavadores tipo Venturi. 
 
Vantagens Desvantagens 
Alta eficiência de remoção de 
material particulado. 
Alto consumo de energia 
devido à elevada perda de 
carga. 
Trabalha em processo de via 
úmida. Consumo elevado de água. 
 Gera efluentes líquidos. 
Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf (com adaptações)>. 
Lavadores tipo Jet 
A efetividade de um lavador está diretamente relacionada com a energia despendida no 
processo. 
 ∆ =Ec 1/ 2.Mg Mi. / (Mg + Mi).(Vg2 −Vi2) 
A mudança de energia cinética em um sistema de impactação gás-líquido vale: onde Mg é a massa 
de gás, Mi a massa de líquido, Vg a velocidade do líquido. Essa relação mostra que, se o líquido é 
injetado na garganta do venturi, o dispêndio de energia é grande, pois Vi=0. Isso faz com que, no 
lavador tipo jet, o líquido seja aspergido por um atomizador central com alta velocidade, desse 
modo fornecendo uma disponibilidade de pressão que varia de 1 a 3 pol de H2O. 
Quadro 17. Características dos lavadores tipo jet. 
 
Parâmetros Faixa 
Capacidade Até 100.000 pés³/min. 
Eficiência ------- 
Pressão disponível 1-3 pol de H2O 
Água recirculada 50-100 gal / 1.000 pés³ 
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c (com adaptações)>. 
Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. 
Lavadores de orifício inundado 
A regulagem possível na posição do disco possibilita uma variação na perda de carga e, portanto,na eficiência, permitindo a utilização do lavador em uma ampla faixa de eficiências de coleta. 
 
151 
Esses lavadores podem apresentar altas eficiências para altas perdas de carga, quando maiores 
velocidades de passagem do gás criam gotas de menores dimensões. 
Quadro 18. Características dos lavadores de pressão variável. 
 
Parâmetros Faixa 
Eficiência Comparável à do Venturi 
Perda de carga 10-60 pol de H2O 
Água recirculada 5-35 gal / 1.000 pés³ 
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). Nota: necessário login para acesso ao 
conteúdo completo. 
Torre de enchimento úmida 
Torres idênticas às utilizadas para absorção de gases e vapores podem ser utilizadas para a coleta 
de material particulado. O enchimento utilizado é do mesmo tipo e em condições normais, isto 
é, abaixo do ponto de inundação, as eficiências observadas são baixas para partículas menores 
que 5µm, tendo-se em conta os relativamente altos valores de perda de carga. 
Quadro 19. Características dos precipitadores dinâmicos úmidos. 
 
Parâmetros Faixa 
Capacidade 1.200-25.000 pés³/min 
Eficiência Aprox. 88% para névoa de 
H2SO4 
Perda de carga Calculada para torres de 
absorção 
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c (com adaptações)>. 
Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. 
O problema de entupimento é comum e, portanto, torres de enchimento são mais usadas para 
coleta de névoas que de poeira. Uma variante utilizada são as torres com leito flutuante, onde o 
enchimento é de material de baixa densidade e permanece continuamente em flutuação, 
evitando o problema de entupimento (∆p = 4 pol de H2O). 
Precipitadores dinâmicos úmidos 
Utilizam um ventilador para impactar as partículas contra suas pás, ao mesmo tempo em que se 
mantêm os atomizadores sobre elas. 
 
152 
Quadro 20. Características dos desintegradores. 
 
Parâmetros Faixa 
Eficiência Alta 
Perda de carga < 1 pol de H2O 
Potência consumida 10-20 HP/1.000 pés³/min 
Concentração 0,25-0,5 grãos/pés³ 
Temperatura Até 125° F 
Consumo de água Elevado 
Rotação do rotor 350-750 rpm 
Velocidade dos gases 200-300 pés/s 
Tamanho das gotas 50-80 µm 
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). 
Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. 
Desintegradores 
Para coleta de partículas da ordem de 1µm, as gotas devem ser de pequena dimensão, para 
possibilitar a coleta. 
Essas gotas podem ser obtidas nos desintegradores por meio da passagem do líquido injetado 
axialmente entre o estator e o rotor (girando entre 350 e 750 rpm). As principais características 
dos desintegradores serão mostradas a seguir. 
Quadro 21. Características de coletores de espuma. 
 
Parâmetros Faixa 
Eficiência 99%, > 2µm 
Perda de carga Pequena 
Capacidade 1.000-50.000 pés³/min 
Quantidade do espumante 0,001 gal / 1.000 pés³ 
Altura da camada de espuma 4-20 cm 
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). 
Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. 
 
153 
Lavadores de espuma 
Para coletar partículas finas, lavadores de espuma têm sido considerados de alta eficiência, em 
virtude da grande área superficial de coleta apresentada. Esses coletores geralmente possuem 
um pré-coletor para reter as partículas mais grossas, sendo as mais finas coletadas por uma 
camada de espuma. A espuma é geralmente obtida pela adição à água de 0,001 gal/1000pés³ de 
gás de óleo à base de terebintina. Eliminadores de gotas são colocados em seguida ao 
equipamento. 
Precipitadores eletrostáticos 
Removem o material particulado de uma corrente gasosa por meio da criação de alto diferencial 
de voltagem entre eletrodos. Quando o gás com partículas passa entre os eletrodos, as moléculas 
gasosas ficam ionizadas, resultando em cargas nas partículas. Logo, carregadas, são atraídas para 
o “prato” de carga oposta e removidas enquanto o gás prossegue. Durante a operação, os pratos 
devem ser limpos periodicamente para remover a camada de pó que fica sobreposta. 
O acesso nestes locais deve ser controlado de forma sistêmica e precisam seguir os 
procedimentos operacionais de segurança elaborados pelos responsáveis do processo de 
produção. Qualquer acesso aos precipitadores eletrostáticos devem ocorrer somente com a 
anuência da segurança do trabalho. 
Quadro 22. Vantagens e desvantagens dos precipitadores eletrostáticos. 
 
Vantagens Desvantagens 
Alta eficiência de coleta de 
material particulado (fino e 
grosso), e consumo de energia 
relativamente baixo. 
Elevado custo de implantação 
(projeto, engenharia e 
instalação). 
Coleta e disposição dos resíduos 
a seco. 
Alta sensibilidade às oscilações 
das condições da corrente de 
gás (taxas de fluxo, 
temperaturas, composição do 
gás e material particulado). 
Baixa perda de carga (< 13 
mmca) 
Baixa flexibilidade das faixas de 
operação. 
Capacidade de operação 
contínua com mínima 
necessidade de manutenção. 
Dificuldade de remoção de 
algumas partículas devido a 
propriedades resistivas 
extremas (muito altas ou muito 
baixas). 
Baixo custo de operação (se 
comparado a outros processos). 
Necessidade de espaço 
relativamente grande para 
instalação. 
 
154 
Habilidade para trabalhar em 
altas pressões (10 atm) quanto 
em condições de vácuo. 
Produção de ozônio pelo 
eletrodo negativo durante a 
ionização do gás. 
Possibilidade de ser operado 
em ampla faixa de temperatura 
e a altas (até 700° C). 
Manutenção relativamente 
sofisticada e personalizada 
(para a segurança do trabalho, 
possui elevado risco). 
Capacidade de tratar altas 
vazões de maneira eficaz. 
Incapacidade de controle das 
emissões de poluentes gasosos 
(Davis, 2000). 
 Risco de explosão quando trata 
gases ou partículas 
combustíveis. 
 Necessidade de precauções 
especiais para proteger pessoal 
dos riscos de alta voltagem. 
Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações). 
Filtros de mangas 
Os filtros de mangas removem o pó da corrente de gás passando a corrente gasosa carregada de 
material particulado por um tecido poroso (conforme descrição técnica do material/fabricante). 
As partículas de pó formam uma torta de porosidade maior, menor ou igual à manga (tecido 
poroso). Em geral, os métodos utilizados para limpeza são chacoalhar as mangas ou soprando ar 
limpo em corrente contrária. 
Figura 40. Modelo de filtros de mangas. 
 
Fonte: <http://www.ventec.com.br/downloads/manuais_ventec/alt27-10-08/Manual_Filtro_de_Mangas.pdf>. Acessado em: 9 jan.2015. 
 
 
155 
Quadro 23. Vantagens e desvantagens dos filtros de mangas. 
 
Vantagens Desvantagens 
Alta remoção de material particulado 
grosso ou fino (submicrons). 
Temperaturas acima de 300°C necessitam refratário mineral, 
especial ou mangas metálicas que estão ainda em estágio de 
desenvolvimento e valor elevado. 
Capacidade de operar com grande 
diversidade de pós. 
Alguns pós podem requerer tratamento especial das mangas 
para reduzir a infiltração de pó, ou, em outros casos, ajuda na 
remoção do pó coletado. 
Relativamente insensível a flutuação da 
vazão de gás. Eficiência e perda de carga 
são pouco afetadas devido a grandes 
variações de carregamento de cinzas para 
filtros continuamente limpos. 
Baixas concentrações de pó no coletor podem representar risco 
de fogo ou explosão se uma faísca ou chama for introduzida 
poracidente, as mangas podem queimar se pó oxidável já tiver 
sido coletado (ex.: Filtro de mangas de coque de petróleo). 
Possibilidade de recirculação da saída de ar 
do filtro pela planta para conservação de 
energia. 
Elevado custo de manutenção (troca das mangas). 
Material coletado seco, para subsequente 
processamento ou disposição. 
Baixa vida útil em altas temperaturas e na presença de ácidos e 
bases ou na presença de gases específicos. 
Não há problemas de disposição de 
resíduos líquidos, poluição de águas ou 
congelamento de líquidos, fator existente 
nos lavadores úmidos. 
Não pode trabalhar com gases úmidos. 
Em geral, corrosão e ferrugem não são 
problemas. 
Materiais hidroscópicos, condensação de mistura, 
componentes de alcatrão podem causar torta incrustante ou 
tampão na manga. Necessário o uso de aditivos especiais. 
Não há risco de alta voltagem, 
simplificando a operação e manutenção, 
além de permitir coleta de pó inflamável. 
A substituição das mangas necessita de sistemas de proteção 
coletiva visando a proteção respiratória e uso de EPI conforme 
avaliação do setor de segurança do trabalho. 
Uso de fibras selecionadas e cuidados com 
pré-coberturas de filtros granulares 
permitem alta eficiência de coleta de 
fuligem com dimensões de micrômetros e 
também de gases contaminantes. 
O diferencial de pressão em média é de 100 a 250 mmca. 
Filtros coletores possuem diversas 
configurações possíveis, resultando em 
dimensões e locais de flange de entrada e 
saída diversos, atendendo às necessidades 
de processo da instalação. 
As mangas podem ser destruídas em altas temperaturas ou na 
presença de produtos químicos corrosivos. 
Operação relativamente simples. 
O tempo de limpeza do filtro necessita de um sistema paralelo 
para manter o regime permanente de operação. 
Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações). 
Separadores inerciais 
Possuem o princípio básico a separação inercial, na qual o gás carregado de material particulado 
é forçado a mudar de direção. A inércia das partículas faz com que as mesmas sigam em frente 
enquanto o gás muda de direção, separando as partículas do gás. Os ciclones são principais 
separadores inerciais (mais comuns), nos quais o gás é forçado a girar em vórtex por meio de um 
tubo. 
 
156 
Figura 41. Ciclones. 
 
Fonte: <http://www.solerpalau.pt/formacion_01_37.html>. 
Quadro 24. Vantagens e desvantagens dos ciclones. 
 
Vantagens Desvantagens 
Baixo custo de implantação e de manutenção. Difícil remoção de partículas finas (baixa eficiência p/ 
partículas finas). 
Possibilidade de ser simples ou múltiplo. 
Perdas de carga variam em média de 50 mmc H2O (baixa 
eficiência) a 254 mmc H2O (alta eficiência) (DAVIS, 2000). 
Capacidade de prolongar a vida útil dos filtros quando 
usado para fazer a limpeza prévia. 
 
Habilidade de remoção de partículas grandes e médias 
com alta eficiência. 
 
Construção simples. 
Não possui peça móvel, exceto quando tem válvula tipo 
pêndulo ou rotativa na tiragem do pó. 
 
Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações). 
Adsorvedores 
No momento da adsorção, os poluentes gasosos são removidos da corrente de gás aderindo na 
superfície de um sólido. As moléculas gasosas são classificadas de adsorvantes, enquanto o sólido 
o adsorvedor. O sólido é altamente poroso. A adsorção ocorre em uma série de etapas: 
 
157 
inicialmente, os poluentes passam da corrente gasosa para a superfície externa da partícula 
adsorvedora. Em seguida, as moléculas dos poluentes migram para a superfície interna porosa, 
maior em relação a externa do adsorvedor. Por fim, as moléculas aderem na superfície dos poros. 
(DAVIS, 2000). Os compostos e produtos com características adsorventes são: 
» Bicarbonato de sódio. 
» Carvão lignitíco (sub-betuminoso). 
» Carvão ativo adsorvedores. 
Todos eles possuem área superficial específica entre 200 e 1.200m²/g (CALSSON, 2001). 
Quadro 25. Vantagens e desvantagens dos adsorvedores. 
 
Vantagens Desvantagens 
Possibilidade de reaproveitamento 
do adsorvedor. 
A recuperação do adsorvedor 
requer processo de destilação e 
extração (elevado custo). 
Controle e resposta para mudanças 
de processos. 
A capacidade de adsorção diminui 
progressivamente conforme o 
aumento de ciclos do processo. 
Não há problemas de disposição 
química quando o adsorvedor é 
recuperado e retorna ao processo. 
A adsorção regenerativa necessita 
de fonte de vapor ou vácuo. 
Controle automático (conforme 
necessidade). Custo elevado para implantação. 
Capacidade de remover 
contaminantes gasosos e na forma 
de vapor das correntes de processo 
até níveis extremamente baixos. 
Recomenda-se a pré-filtragem do 
material particulado para evitar o 
entupimento do recheio 
adsorvedor. 
 Necessário resfriamento do gás para 
manter dentro da faixa de operação 
(< 50°C). 
 Vapor consideravelmente alto é 
necessários para desabsorver 
hidrocarbonetos de alto peso 
molecular. 
Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações). 
 
 
158 
Figura 42. Etapas de adsorção. 
 
 Fonte: Davis, 2000. 
Condensadores 
Condensadores são trocadores de calor que promovem a mudança de fase dos poluentes 
gasosos, possibilitando a sua remoção. 
Quadro 26. Vantagens e desvantagens de condensadores. 
 
Vantagens Desvantagens 
Produto de condensação puro 
(condensadores de contato 
direto). 
Baixa eficiência na remoção de 
poluentes gasosos para 
controle de poluição do ar. 
A água usada como meio 
refrigerante, por não ter 
contato, pode ser reutilizada 
após resfriamento. 
Elevado custo para 
condensação. 
Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações). 
Lavadores a seco 
Este processo visa injetar cal virgem (CaO) ou hidróxido de cálcio (CaOH) no vapor dos gases de 
exaustão e é então capturada por filtro de mangas, formando uma camada de cal. No caso de 
gases ácidos, principalmente o HCl são neutralizados pela camada de cal, formando água (em 
processo de evaporação) e cloreto de cálcio. 
Os lavadores a seco são utilizados em processos de incineração de resíduos domésticos e 
perigosos (avaliar o resíduo preliminarmente). O controle de metais pode ser feito por meio de 
sistema de lavagem a seco e filtros de mangas, o qual inclui a injeção de cal virgem (CaO) e injeção 
de carbono ou carvão, ao invés de sistemas de lavagem via úmida. Importante destacar que o 
tipo de filtro usado deve ser hábil para capturar partículas extremamente finas de material 
particulado na qual muito da massa do metal é adsorvida. 
 
159 
A injeção de cal virgem (CaO) ou hidróxido de cálcio (CaOH) ajuda a neutralização de gases ácidos 
e promove remoção de material particulado mais eficiente devido à formação de camada 
filtrantes mais densa. No caso do Mercúrio, ele poderá existir na forma de vapor abaixo de 27°C, 
desta forma, a injeção de carbono ou carvão ativado ajuda a adsorver o mercúrio de forma 
eficiente. 
A mistura de carvão ou carbono com cal virgem ou hidróxido de sódio ajuda também a controlar 
orgânicos clorados, especialmente dioxinas e furanos (desde que o filtro de mangas não seja 
operado aquecido). Para os filtros de mangas à quente, dioxinas e furanos que foram coletados 
na torta do filtro podem revolatizar e serem emitidos para a atmosfera (ROBERTS et al, 1999). 
Quadro 27. Vantagens e desvantagens de lavadores a seco. 
 
Vantagens Desvantagens 
Não gera efluente líquido 
Forma cloreto de cálcio junto 
com cinzas, aumentando o 
volumetotal de resíduos para 
disposição adequada. 
Captura particulado fino. 
Neutraliza gases ácidos. 
Eficiente na remoção de 
metais, inclusive mercúrio. 
 
Remove dioxinas e furanos em 
baixa temperatura. 
 
Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações). 
Catalisadores 
O processo de lavagem de gases como HCl podem ser removidos da exaustão com soluções 
alcalinas aquosas ou pós alcalinos, este processo é feito em incineradores de resíduos perigosos. 
Um gás relativamente difícil de remoção é o NO2 ou NO. O principal controle para o NOX é 
minimizar sua formação através da operação adequada dos queimadores e fornalhas. A formação 
de NOX pode ser reduzida na zona de combustão por meio da redução do nível de oxigênio, 
recirculação dos gases de queima, combustão homogênea e por seleção de redução não catalítica 
com amônia, ureia, em temperatura aproximada de 950°C. Porém, para obter níveis baixos de 70 
mg/Nm³ calculado como NO2, o método mais comum é o uso de catalisador conforme figura 28 
localizado geralmente no final do processo de limpeza de gases. 
 
160 
Figura 43. Reações no catalisador de redução de NOX com amônia. 
 
Fonte: Dallago et al. 2004. 
 Atividade Complementar 
1. Qual a necessidade de realizarmos uma avaliação ambiental para funcionários expostos a agentes 
químicos? Que parâmetros deverão ser analisados? Quais as consequências a curto e longo 
prazo? (Faça uma breve pesquisa a respeito). 
2. Você considera uma ventilação industrial uma proteção coletiva? Por quê? 
3. Quais os objetivos da implantação da ventilação no interior de indústrias? 
4. Qual a diferença entre os objetivos de ventilação comercial e industrial. Argumente a este 
respeito. 
5. Quais as principais características para a utilização de sistemas de ventilação por exaustão? 
6. A velocidade num sistema de ventilação poderá otimizar ou não um processo. Quais as 
recomendações necessárias para que a velocidade do sistema de ventilação tenha eficácia? 
7. Qual a resolução do CONAMA que estabelece os limites máximos de emissão de poluentes 
atmosféricos? Você utilizaria esta resolução como referencia para o estudo de ambientes 
laborais? 
8. Quais são os fatores que podem influenciar no rendimento de uma coleta? 
9. Quais as vantagens e desvantagens do uso de umidificadores no controle da poluição industrial? 
10. Filtros de mangas e eletrofiltros são aplicáveis em que tipo de processo industrial? Descreva 
suscintamente o processo operacional de cada filtro. 
 
161 
Referências 
ACGIH, TLVs and BEIs: Guide to Occupational Exposure Values. Tradução pela Associação 
Brasileira de Higienistas Ocupacionais, 2007. 
ANDRADE, Laura Martins Maia de. Meio ambiente do trabalho e a ação civil publica 
trabalhista. São Paulo: Ed. Juarez de Oliveira, 2003. 
ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito ambiental. 7. ed. ve. ampl. atual. Rio de Janeiro: 
Lumen Juris, 2004. 
ASSUNÇÃO, J. V. Ventilação industrial: proteção à saúde do trabalhador. Revista Saúde 
Ocupacional e Segurança. no 3, ano XXIV, 9-22. 1989. 
BENTO; M. A. B. Apostila do curso de proteção do meio ambiente. 2016. 
CUNHA, E. Sino-Italian Ecological and Energy Efficient Building – SIEEB. Notas de Pesquisa, 
2012. 
DALLAGO, R. M; CONSUL, J. M. D; THIELE, D; VESES, R. C; BAIBICH, I. M. Decomposição 
catalítica de óxidos de nitrogênio. Quim. Nova, Vol. 27, no. 3, 432-440, 2004. 
DANIELSON, J. A. Air Pollution Enginnering Manual. Ed. Public Health Service Publication - 
Cincinnati. 1967. 
DAVIS, W.T. (ed.) Air Pollution Engineering Manual. 2nd ed. New York: John Wiley & Sons, 
2000. 
DERÍSIO, J.C. Introdução ao controle da poluição ambiental. Rio de Janeiro: 
Signus, 2000. 
FILHO, H. V. P.; MELO. C. Ventilação industrial – Apostila do curso de Engenharia Mecânica – 
UFS. 1992. 
FIORILLO, Celso Antônio Pacheco. Curso de direito ambiental brasileiro. 4. ed. 
São Paulo: Ed. Saraiva, 2003. 
FUNDACENTRO. Avaliação da exposição ocupacional ao ruído – NHO 1. 
Ministério do Trabalho e Emprego, 1999. 
Fundamentals of air Pollution Stern, A C - Ed. Academic Press NY. 1982. 
 
162 
REFERÊNCIAS 
GROTT, João Manoel. Meio ambiente do trabalho, prevenção e salvaguarda do trabalhador. 
1. ed. 2. tiragem. Curitiba: Juruá Editora, 2003. 
HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de Física. LTC. Vol. 2. 
1996. 
InfoEscola: <http://www.infoescola.com/fisica/ondulatoria-ondas/>. Acessado em: 
20 nov. 2013. 
HARRISON, B.; Wyatt, M.; Gough, G. Royal Society of Chemical 1982, 5, 127. 
HARRISON, R. M. Pollution: Causes, effects, and control, 2th ed., The Royal Society of 
Chemistry: Cambridge, 1995. 
MACINTYRE, A. J. Ventilação industrial e controle da poluição. Ed. LTC, 1990. 
Maria Lúcia Endo. Disponível em: <http://www.rumosustentavel.com.br/meioambiente-do-
trabalho-seguranca-e-saude-do-trabalhador-espaco-nao-adequado-aotrabalhador-
representa-agressao-a-sociedade/>. Acessado em: mai. 2014. 
Meio Ambiente do Trabalho – <http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/o-meioambiente-
do-trabalho-e-os-principios-da-prevencao-e-precaucao>. Acessado em: 
mai. 2014. 
MERCK. Manual Merck. Doenças do aparelho respiratório. Disponível em: 
http://www.manualmerck.net/?id=59 . Acesso em: 15 jul. 2014. 
MESQUITA, A. L. S.; GUIMARÃES, F. A.; NEFUSSI, N. Engenharia de ventilação industrial. 
Cetesb. São Paulo. 1988. 
MESQUITA, A. L. S.; GUIMARÃES, F. A.; NEFUSSI, N. Engenharia de ventilação industrial. 
Cetesb. São Paulo. 1985. 
MESQUITA, A. L. S.; GUIMARÃES, F. A.; NEFUSSI, N. Engenharia de ventilação industrial. Ed. 
Edgard Blücher, CETESB, São Paulo, 1977. 
MIRANDA, Alessandro Santos de. CODEMAT. Disponível para consulta, im: <http:// 
www.pgt.mpt.gov.br/pgtgc/> Ministério Público do Trabalho. Pesquisa realizada em: 
10 fev. 2008. 
 
163 
MTE. Norma Regulamentadora no 7: Programa de controle médico de saúde ocupacional. 
Ministério do Trabalho e Emprego, 1994. 
MTE. Norma Regulamentadora no 9: Programa de prevenção a riscos ambientais. 
Ministério do Trabalho e Emprego, 1994. 
MTE. Norma Regulamentadora no 15: Atividades e operações insalubres (Anexo I e II). 
Ministério do Trabalho e Emprego, 1978. 
MUCCIACITO, J. C. Escolha dos equipamentos de controle, químico. <http:// 
www.meiofiltrante.com.br/materias_ver.asp?action=detalhe&id=384>. Acessado em: 
11 jan. 2016. 
NOGUEIRA, Sandro D’Amato. Direito ambiental – Coleção Estudos Direcionados. 
São Paulo: Editora Saraiva, 2007. 
NOGUEIRA, Sandro D´Amato. Meio ambiente do trabalho - Aspectos relevantes. 
In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XI, no 51, mar 2008. Disponível em: <http://www. ambito-
juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_ id=2474>. Acesso em: 
mar 2014. 
OIT, Organicion Internacional del Trabajo. El Ruido em el lugar de Trabajo. 2001. 
RUÍDO, Disponível em :<http://paginas.fe.up.pt/~earpe/conteudos/ARE/ 
Apontamentosdadisciplina.pdf>. Acessado em 25 jul. 2013. 
USP. Teses e dissertações. Disponível em: <www.teses.usp.br/teses/.../ 
mestDipapendiceI_.pdf Acessado em: 11 jan. 2016.VENTEC, Ambiental. Disponível em: 
<http://www.ventec.com.br/downloads/manuais_ventec/alt27-10-08/Manual_ 
Filtro_de_Mangas.pdf>. Acessado em: 11 jan. 2016. 
VIEIRA, Paulo de Tarso Souza de Gouvêa - VIEIRA, Paulo de Tarso Souza de Gouvêa. O meio 
ambiente do trabalho e os princípios da prevenção e precaução. In: 
Âmbito Jurídico, Rio Grande, XV, n. 100, maio 2012. Disponível em: <http://www. ambito-
juridico.com.br/site/index.php/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_ 
id=11566&revista_caderno=5>. Acessado em: maio 2014. 
3M do Brasil, Programa de conservação auditiva: Guia Prático 3M, 2004.

Mais conteúdos dessa disciplina