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Proteção do Meio Ambiente Brasília-DF. Elaboração Luiz Roberto Pires Domingues Junior Marcel Anderson Borges Bento Paulo Celso dos Reis Gomes Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração Sumário APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4 ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7 UNIDADE I PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE.............................................................................................................. 9 CAPÍTULO 1 MEIO AMBIENTE ....................................................................................................................... 9 CAPÍTULO 2 CAUSAS DOS PROBLEMAS AMBIENTAIS ................................................................................. 24 CAPÍTULO 3 CONTROLE DA POLUIÇÃO........................................................................................................ 38 UNIDADE II GESTÃO AMBIENTAL............................................................................................................................. 56 CAPÍTULO 1 SUSTENTABILIDADE................................................................................................................ 56 CAPÍTULO 2 GESTÃO AMBIENTAL EM EMPRESAS/INSTITUIÇÕES.............................................................. 64 UNIDADE III VENTILAÇÃO INDUSTRIAL E AS MEDIDAS DE PROTEÇÃO COLETIVA NO CONTROLE DE EMISSÕES ........... 97 CAPÍTULO 1 VENTILAÇÃO INDUSTRIAL E PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE .................................................... 97 REFERÊNCIAS ............................................................................................................................... 156 Apresentação Caro aluno A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD. Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira. Conselho Editorial4 Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares. A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor conteudista. Para refletir Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões. Sugestão de estudo complementar Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso. Praticando Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer o processo de aprendizagem do aluno. Atenção Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a síntese/conclusão do assunto abordado. Saiba mais Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado. Sintetizando Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos. Para (não) finalizar Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado. Introdução O presente Caderno de Estudos e Pesquisa foi elaborado com o objetivo de propiciar conhecimentos acerca do contexto educacional com foco na Proteção do Meio Ambiente. A cada capítulo pensamos nas horas que você dedica ao trabalho destinado às atividades educativas bem como às práticas desenvolvidas no cotidiano de um ambiente universitário. Lembrando sempre de que você é protagonista da história que estamos construindo a partir de agora. Para nos conceituarmos, os estudantes de Engenharia de Segurança do Trabalho de hoje, serão a próxima geração de pesquisadores e profissionais altamente capacitados a exercer profissões diversas (áreas de segurança e saúde do trabalho). Ainda estamos longe de entender completamente os sistemas ambientais. Faz parte deste contexto, voltar-se ao meio ambiente como um todo para entender e integrar as funções de cada ecossistema. Desde o início dos tempos, quando o homem tentava dominar a energia através do controle do fogo, ele passou a interferir diretamente no meio ambiente. Os impactos ambientais sofridos pela Terra devido à ação antrópica já são discutidos há muito tempo, mas para confrontar a ideia de que os recursos naturais são ilimitados a questão ambiental passou a ser objeto de intensa preocupação para vários países, principalmente, após 1970, com a primeira crise do petróleo, quando a sociedade de uma forma geral despertou para os limites dos recursos naturais. A origem do movimento global de defesa do meio ambiente de forma pragmática se efetivou após o manifesto do Clube de Roma na década de 70, que fez uma previsão dos riscos decorrentes do crescimento econômico continuo sedimentado em recursos naturais escassos. Na última década do século XX, a tomada da consciência mundial quanto à importância das questões ambientais, dissemina as abordagens que se fundamentam na premissa que: “os custos da qualidade de vida em seu orçamento, pagando o preço de manter limpo o ambiente em que vive” (Vale, 1996). Desta forma, várias instituições econômicas e produtivas (fábricas, firmas, comércio...) passaram a inserir em sua cadeia produtiva os custos necessários para manter a qualidade de vida e o bem-estar coletivo. Paradigma este que fez com que na metade da década de 90, diversos normativos internacionais, do porte da ISO, concretizassem de forma coerente tal demanda da sociedade, passando as instituições a buscarem marcosconceituais e metodológicos como: “certificação ambiental” e “gestão ambiental”. Esta apostila lhes fornecerá uma visão integrada da proteção do meio ambiente para o início de uma carreira profissional respeitado o real entendimento da complexidade deste processo. Bons estudos! Objetivo » capacitar o aluno para compreensão das principais conceitos associados à preservação do meio ambiente; à poluição ambiental, ao desenvolvimento sustentável e aos instrumentos de gestão ambiental. 10 PROTEÇÃO UNIDADE I DO MEIO AMBIENTE CAPÍTULO 1 Meio Ambiente Introdução O Engenheiro de Segurança do Trabalho tem um papel importante de avaliar a diversidade de ambientes laborais e garantir que um ou mais trabalhadores tenham qualidade em sua jornada de trabalho, para tanto uma das principais atribuições deste profissional visa: » assegurar que o trabalhador não corra riscos de acidentes em sua atividade profissional, sejam eles danos físicos ou psicológicos. » administrar e fiscalizar o atendimento aos requisitos de segurança no ambiente laboral (Indústria da Construção e Setor Industrial). » Elaborar e implementar programas de prevenção de acidentes. » Acompanhar e verificar a eficácia dos planos de prevenção de riscos ambientais. » Inspecionar e emitir laudos técnicos. Por meio deste arranjo de atribuições este profissional interage para que o meio ambiente do trabalho esteja em conformidade com os conceitos atuais e em conformidade com a legislação. Conforme artigo publicado no sítio do Ministério Público do Trabalho, o trabalho consiste em legítimo instrumento de concretização da dignidade da pessoa humana, erigido a fundamento da República Federativa do Brasil, na condição de Estado Democrático de Direito, nos termos do artigo 1o, inciso III, da Constituição da República. 11 No entanto, o direito ao trabalho, encontra-se previsto no artigo 6o da Carta Magna, deve ser interpretado à luz das diretrizes fundamentais da dignidade da pessoa humana e do valor social do trabalho. Logo, a todo cidadão tem o direito de possuir um trabalho digno ou decente, ou seja, que corresponda às condições mínimas de higiene, de saúde e de segurança, até porque a redução dos riscos inerentes ao trabalho também configura direito social constitucionalmente atribuído à classe trabalhadora (CF/1988, art. 7o, XXII). Para tanto, o atendimento protetivo conferido ao trabalhador, visa resguardar a sua integridade física e psíquica, esta tutela deve ser direcionada à manutenção da higidez do meio ambiente do trabalho, eliminando, ou neutralizando, a ação de agentes nocivos, e prevenindo a ocorrência de infortúnios e doenças ocupacionais. A implementação de medidas preventivas, que venham a reduzir os riscos à saúde e à segurança do trabalhador, é direito fundamental consolidado em nosso ordenamento jurídico pátrio. O objetivo principal de todos os atores envolvidos no meio ambiente do trabalho é garantir condições seguras e saudáveis ao trabalhador. Estas ações visam, sobretudo a prevenção de acidentes do trabalho e a ocorrência de doenças ocupacionais. Qualidade e preservação da vida do trabalhador, este e o único proposito entre as partes: Entidades públicas, privadas, o meio ambiente e os trabalhadores. O meio ambiente do trabalho e os princípios da precaução e prevenção A Política Nacional de Meio Ambiente conceitua meio ambiente como um conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas (Art. 3o, inciso I, da Lei no 6.938/1981, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente). O conceito permitiu o surgimento de um espaço positivo de incidência da norma legal, tutelando todos os aspectos inerentes ao meio ambiente, sejam de ordem natural, artificial, cultural ou do trabalho. Entendendo-se o meio ambiente do trabalho como um conjunto de fatores físicos, climáticos ou quaisquer outros que interligados, ou não, estão presentes e envolvem o local de trabalho 12 do indivíduo, é natural admitir que o homem passou a integrar plenamente o meio ambiente no caminho para o desenvolvimento sustentável preconizado pela nova ordem ambiental mundial. Grott (2003), afirma que o meio ambiente do trabalho faz parte do conceito mais amplo de ambiente, de forma que deve ser considerado como bem a ser protegido pelas legislações para que o trabalhador possa usufruir de uma melhor qualidade de vida. A defesa do meio ambiente incorporou-se definitivamente como uma das principais reivindicações dos movimentos sociais no Brasil e no mundo. Tradicionalmente, classificado em quatro espécies distintas, quais sejam: 1. Meio ambiente natural. 2. Meio ambiente artificial. 3. Meio ambiente cultural. 4. Meio ambiente laboral. No quarto: cabe ao Ministério Público do Trabalho zelar pela defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais. Existe uma sinergia entre o meio ambiente do trabalho, dentro da conceituação de meio ambiente artificial. É o local onde o trabalhador exerce suas funções laborativas e que passa grande parte de sua vida. Não necessariamente o ambiente de uma empresa ou fábrica, mas o local onde se trabalha, que pode ser externo como o caso dos agricultores ou em máquinas como carros e ônibus. Vejamos cada definição para compreender estas quatro vertentes de meio ambiente. Meio ambiente natural ou físico É composto pelos recursos naturais: água, solo, ar atmosférico, fauna e flora. Está explicitado mediatamente no Art. 225 da Constituição Federal, sendo que sua tutela imediata se encontra no Parágrafo I, incisos I e VII do referido Artigo: Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo- 13 se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1o – Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas (...) VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. Meio ambiente artificial O meio ambiente artificial é formado pelos espaços urbanos, incluindo as edificações que são os espaços urbanos fechados, como por exemplo, um prédio residencial e os equipamentos públicos urbanos abertos, como uma via pública, uma praça, dentre outros. Meio ambiente cultural Considera-se meio ambiente cultural o patrimônio cultural nacional, incluindo as relações culturais, turísticas, arqueológicas, paisagísticas e naturais. Este patrimônio está previsto expressamente nos Artigos 215 e 216 da Constituição Federal: Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. § 1o - O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional. § 2o - A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes segmentos étnicos nacionais. 14 § 3o - A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que conduzem à:I defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro; II produção, promoção e difusão de bens culturais; III formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões; IV democratização do acesso aos bens de cultura; V valorização da diversidade étnica e regional. Meio ambiente do trabalho O meio ambiente do trabalho é o local onde homens e mulheres desenvolvem suas atividades laborais. Deste modo, para que este local seja considerado adequado para o trabalho, deverá apresentar além de condições salubres, ausência de agentes que coloquem em risco o corpo físico e a saúde mental dos trabalhadores. A tutela mediata do meio ambiente do trabalho se encontra no Art. 225, já transcrito, em quanto que no Art. 200, VIII, a CF/1988, tutela imediatamente o meio ambiente do trabalho, ao afirmar que compete ao Sistema único de Saúde – SUS, colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho. Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei: (...) VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho. Proteger o meio ambiente do trabalho significa proteção aos trabalhadores, mas também à saúde de agentes indiretos (comunidades periféricas aos estabelecimentos de labor), posto que um meio ambiente poluído por indústrias, por exemplo, afeta o meio ambiente interno e externo. 15 Para tanto, entender-se importante o estudo e a aplicação dos princípios da “prevenção” e da “precaução” no âmbito do meio ambiente do trabalho. Necessário é distinguir tais princípios, sabendo-se que a prevenção diz respeito aos danos previsíveis, e a precaução aos danos sobre os quais ainda não há certeza científica. Precaução e prevenção O ordenamento jurídico brasileiro no âmbito do direito ambiental tem como pilares diversos princípios, dentre eles os da prevenção e da precaução. Milaré (2005, p. 165) afirma que especialistas fazem uso do princípio da prevenção, enquanto outros se reportam ao princípio da precaução. “Outros, utilizam a ambas as expressões, supondo ou não diferença entre elas”. Apesar de aparentemente terem o mesmo significado, são princípios distintos, mesmo que sutilmente, possuem relação entre si de gênero e espécie. Como bem destaca Sirvinskas (2008, p. 57): “prevenção é gênero das espécies, ou seja, agir de forma a antecipar um fato. Precaução é agir com cautela, ou seja, ser preditivo e tomar atitudes de forma antecipada para evitar danos ao meio ambiente ou a terceiros. O conceito de prevenção é mais amplo do que precaução ou cautela.” O princípio da prevenção é aquele que impõe a adoção de medidas mitigatórias de danos previsíveis. Antunes (2008) considera que o princípio está atrelado aos impactos ambientais já conhecidos e desta forma, é possível estabelecer um conjunto de ações baseadas na casualidade sendo suficientes para a identificação de impactos futuros. O processo de licenciamento ambiental pode ser considerado a uma ação focada no princípio da prevenção e, além disso, os estudos de impacto ambiental e os relatórios de controle ambiental são ferramentas importantes que integram a conceituação da prevenção. As condicionantes ambientais emitidas em cada fase do licenciamento ambiental tem o objetivo de prevenir os danos ambientais e age de forma a eliminar (sempre que possível) os danos que uma determinada atividade degradante causaria ao meio ambiente, caso não fosse solicitado ao órgão de licenciamento ambiental. É no âmbito da prevenção/precaução que se destacam os estudos de impacto ambiental, os processos de licenciamento prévio e também as medidas punitivas, como forma de “estimulante negativo contra a prática de agressões ao meio ambiente” (FIORILLO, 2009). 16 O princípio da precaução, segundo Milaré (2005) a incerteza científica milita em favor do meio ambiente, carregando-se ao interessado o ônus de provar que as intervenções pretendidas não trarão consequências indesejadas para o meio ambiente. Por sua vez, o postulado da precaução pretende-se evitar o risco mínimo ao meio ambiente, nos casos de incerteza científica acerca de sua degradação (RODRIGUES, 2002). Os princípios da prevenção e da precaução sejam eles entendidos como expressões sinônimas ou distintas, mas inter-relacionadas, apresentam-se como normas basilares do direito ambiental, ao passo que impõem que se deve priorizar medidas prévias de proteção ambiental ante a usual impossibilidade de reparação efetiva do meio ambiente. Nesse sentido, Milaré (2005), afirma que sua atenção está voltada para o momento anterior ao da consumação do dano – o do mero risco. Ou seja, diante da pouca valia da simples reparação, sempre incerta e, quando possível, excessivamente onerosa, a prevenção é a melhor, quando não a única, solução. Feitas essas considerações acerca dos princípios da prevenção e da precaução, abordar-se-á a sua aplicabilidade no meio ambiente do trabalho. Os conceitos e definições a respeito dos princípios da prevenção e da precaução no âmbito do direito ambiental podem e devem ser utilizados para o entendimento no meio ambiente do trabalho, visto que as ações aplicadas em saúde e segurança do trabalho possuem o objetivo principal de prevenção e precaução. As ferramentas utilizadas neste processo são os programas de prevenção, controle, laudos e registros para liberação e acompanhamento de atividades. Como exposto, os princípios da prevenção e da precaução apresentam-se como base do direito ambiental. O meio ambiente do trabalho, como aspecto do conceito amplo de meio ambiente, por óbvio, não poderia ser uma exceção da influência desses dois princípios. Com efeito, o meio ambiente, inclusive o do trabalho, é correlacionado diretamente na Constituição Federal ao bem objeto de direito sobre o qual incide o interesse da coletividade: a saúde humana (DINIZ, 2009). Sabe-se que a legislação constitucional atrelada às convenções internacionais e as normas regulamentadoras, procuram dar consistência ao meio ambiente do trabalho e desta forma, represente a garantia de um ambiente seguro e que apresente menos riscos. A constituição federal, ao tratar especificamente da saúde em seu art. 196, deixa claro o caráter preventivo das políticas públicas. Evidencia que as normas constitucionais impõem 17 caráter preventivo não só às políticas públicas diretamente relacionadas ao meio ambiente, mas também àquelas que com ele se relacionam: Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. (...) Fonte: Constituição Federal, 1988. A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, em seu capítulo V, dispõe sobre as normas de segurança e a medicina do trabalho. De uma forma geral, esse capítulo se dedica a estabelecer a necessidade de promover os direitos e deveres dos empregados e empregadores a todas as normas legais vinculadas que tratem da segurança do trabalhador bem como da obrigação do Estado de regular, coordenar e fiscalizar a aplicação dessa normatização. Nele percebe-se o tratamento das medidas necessárias a prevenção de acidentes ou de doenças adquiridas no ambiente laboral. Para tanto, recorre-se a necessidade da realização de exames admissionais, periódicos, mudança de função, retorno ao trabalho. O capítulo aborda também a aquisição e fornecimento de equipamentos de proteção individuais e estabelece critérios para a construção de ambientes de trabalho, desde a estruturafísica até as condições de conforto acústico, térmico e de iluminação. As Normas Regulamentadoras – NR, aprovadas pela Portaria no 3.214/1978, tratam justamente do capítulo V, título II da CLT e tem como meta dar tratativa as condições ambientais do trabalho e apresentam caráter eminentemente preventivo. Destacam-se dentre elas as NR nos 2, 3, 7, 9, 15, 16 e 18, que prevê inspeções prévias nas instalações de estabelecimentos antes do início de suas atividades e ainda quando submetidas essas instalações a modificações substanciais; situações que existe a possibilidade de embargo e interdições; a proposta para a elaboração e gestão do controle de saúde médico ocupacional bem como a elaboração de programa de prevenção de riscos ambientais onde existe uma interface com os estudos de avaliações ambientais para a conclusão de ambiente laboral salubre ou insalubre e condições de trabalho periculosa. Por fim, a NR no 18, vem tratar justamente do projeto do meio ambiente do trabalho e das proteções coletivas necessárias para a condução segura. Para Diniz (2009) a mera semelhança advém, por exemplo, dos Estudos de Impactos Ambientais - EIA visto que a implementação de projetos depende efetivamente destes estudos para assim garantir a preservação e conservação dos recursos 18 naturais para as atuais e futuras gerações. Logo esta ação é uma imposição constitucional. A experiência jurídica brasileira, no entanto, demonstra que a norma constitucional tem suscitado muitas dúvidas e divergências no que se refere a sua adequada compreensão (ANTUNES, 2008). Assim, difícil é afirmar categoricamente que se trata de instituto preventivo e de precaução que presta a tutelar com eficiência prática o meio ambiente do trabalho, dadas as peculiaridades desse aspecto do meio ambiente e o fato de ter sido o EIA um instituto pensado especialmente para o meio ambiente em seu aspecto natural, porém as normas regulamentadoras buscaram tratar do assunto afim de, permitir que o meio ambiente do trabalho possua os seus institutos conforme um Laudo Ambiental, PPRA, PCMSO, PGR e/ou PCMAT. A Política Nacional de Meio Ambiente, instituída pela Lei no 6.938/1981, escolheu como um dos instrumentos de gestão ambiental as ações preventivas a serem realizadas pelo Estado, dentre elas a avaliação de impactos ambientais para a instalação de obras ou atividades potencialmente poluidoras. Milaré (2005, p. 482) ressalta que a avaliação de impacto ambiental: pode ser implementada tanto para projetos que envolvam execução física de obras e processos de transformação como para políticas e planos que contemplem diretrizes programáticas, limitadas ao campo das ideias, neste caso denominada Avaliação Ambiental Estratégica. Nos termos do art. 1o, III, da Resolução CONAMA no 23719/1997, a Avaliação de Impacto Ambiental, por ela denominada de “Estudos Ambientais”, é gênero do qual são espécies todos os estudos para análise da licença ambiental, tais como: relatório ambiental, plano e projeto de controle ambiental, relatório ambiental preliminar, diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de recuperação de área degradada e análise preliminar de risco. Essas outras espécies de Estudos Ambientais poderão ser requisitadas na hipótese de não se exigir o EIA. Nesse contexto, a conteúdo previsto na NR nos 9, 15 e 16 pode ser considerada como uma medida de avaliação de impacto sobre o ambiente do trabalho, funcionando como mecanismo de prevenção e também de precaução, na medida em que pode se prestar a apontar situações em que não se tenha certeza científica quanto aos possíveis danos ao ambiente e determinar a aplicação de medidas preventivas e até corretivas. 19 Meio Ambiente do trabalho e o princípio do poluidor pagador O conceito de Meio Ambiente do Trabalho, diferentemente das outras divisões didáticas do Direito Ambiental, relaciona-se direta e imediatamente com o ser humano trabalhador no seu cotidiano, em sua atividade laboral exercida em proveito de outrem. De acordo com Fiorillo (2003) o local onde as pessoas desempenham suas atividades laborais, sejam remuneradas ou não, cujo equilíbrio está baseado na salubridade do meio e na ausência de agentes que comprometem a incolumidade físico-psíquica dos trabalhadores, independentemente da condição individual (por gênero: homens ou mulheres, idade: maiores ou menores de idade, vínculo empregatício: celetistas, servidores públicos, autônomos etc.)”. Convém salientar que há distinção entre proteção ao meio ambiente de trabalho e a proteção do direito do trabalho, pois, o primeiro tem por objeto jurídico a saúde e a segurança do trabalhador, para que desfrute a vida com qualidade, por meio de processos adequados para que se evite a degradação e a poluição em sua vida. Já o direito do trabalho vincula-se a relações unicamente empregatícias com vínculos de subordinação (ENDO, 2014). A regulamentação dessa divisão – Meio Ambiente do Trabalho, segurança e saúde do trabalhador – está baseada na Constituição Federal de 1988, pois foi ela que elevou à categoria de direito fundamental a proteção à saúde do trabalhador e aos demais destinatários inseridos nas normas constitucionais (ENDO, 2014). Dois são os patamares dessa regulamentação. Como ação imediata está inserida no art. 200, VIII, que específica: Ao sistema único de saúde, compete, além de outras atribuições, nos termos da lei: VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho. O artigo 225, caput , IV, VI e § 3o: afirma que Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. (…) IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; (…) 20 VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente. Cabe ao empregador atender ao estabelecido no inciso VI por meio da adoção e implantação de um programa de treinamento em atendimento aos requisitos estabelecidos no item 18.28 (NR no 18) onde torna obrigatório o cumprimento de realizar treinamento admissional e periódico, visando a garantir a execução das atividades com segurança, no entanto, este treinamento deverá abordar os riscos a que estão submetidos os trabalhadores e as medidas de controle e prevenção. Convém também lembrar o art. 170 da Constituição, argumenta a necessidade de valorização do trabalho humano e ter, por finalidade, assegurar a todos existência digna conforme os ditames da justiça social, tendo como princípio a defesa do meio ambiente – no caso em tela o meio ambiente do trabalho como novo direito da personalidade. Outras fontes que direcionam para a proteção do meio ambiente do trabalho são encontradas, conforme a seguir: » Constituição Federal. » Leis estaduais, municipais e do Distrito Federal. » Consolidação das Leis do Trabalho, Capítulo V – Segurança e Medicina do Trabalho. » Normas Internacionais da Organização Internacional do Trabalho - OIT. » Normas Regulamentadoras – NR (Portaria no 3.214/1978). » Código de Penal. » Lei de Crimes Ambientais. Destaca-se, portanto, como princípio basilar o art. 1o, III da referida Carta Magna, que é o princípio fundamental da dignidade da pessoa humana. Portanto, todo ser humano tem direito a uma vida digna, e o meio ambiente do trabalho deve tê-lo como parte integrante de sua plataforma,pois, como preceitua o art. 225, a vida deve ser de qualidade, e para que o trabalhador tenha uma vida com qualidade, torna-se necessário um trabalho decente e em condições seguras (ENDO, 2014). 21 A validação deste contexto depende da compreensão de alguns princípios, para tanto, eles devem ser mencionados e avaliados, como o da Prevenção e da Precaução. Para Endo (2014) prevenção significa adoção de medidas tendentes a evitar riscos ao meio ambiente e ao ser humano. No meio ambiente do trabalho é o homem trabalhador que é atingido direta e imediatamente pelos danos ambientais, portanto esse princípio é um dos fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988, inserido em seu artigo 7o, inciso XXII, que estabelece como direito do trabalhador urbano e rural a redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança. Entretanto, dois outros princípios devem ser mencionados, o da informação e o princípio do poluidor-pagador. A informação é entendida pelo relacionamento entre os trabalhadores, sindicatos e federações, logo, ela acaba criando um elo entre os atores com o intuito comum de garantir a defesa da vida e da saúde dos próprios trabalhadores, e da população direta e indiretamente afetada, como é o caso da emissão de poluentes em ambientes fabris. O princípio do poluidor-pagador possui duas razões fundamentais: primeiro, prevenir o dano ambiental e segundo, em não havendo prevenção, impõe-se a reparação da forma mais integral possível, ou seja, o poluidor deve prevenir danos a sua atividade para evitar problemas maiores ao meio ambiente, cabendo-lhe o ônus de utilizar todos os equipamentos e meios necessários para evitá-lo. Por isso, o meio ambiente do trabalho deve ser visto e integrado às ações de prevenção, cabe ao empregador garantir total segurança no tocante a exposição do trabalhador aos agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. Infelizmente, no Brasil, a falta de cultura empresarial adequada para prevenir e precaver os riscos ambientais no trabalho, que ainda tem no lucro o foco principal e que acaba deixando de lado o fator humanitário, impossibilita uma aplicação adequada de regras voltadas à Educação Ambiental necessária nesse contexto. Necessitamos criar uma cultura ambientalista, destacando a do trabalho, pois é nesse enfoque que os danos atingem diretamente as pessoas, e os empresários devem criar uma cultura solidária e de responsabilidades para com todos os seres humanos, bem como para com o sistema em si. Assim, como indicam os índices, os acidentes do trabalho ocorrem por práticas inadequadas no meio ambiente do trabalho, podendo-se mencionar: a. falta de investimento na prevenção de acidentes por parte das empresas; 22 b. falta da criação do setor especializado em saúde e segurança do trabalho (SESMT); c. barreira entre a classe patronal e profissional no que diz respeito a priorização da prevenção dos acidentes do trabalho; d. falta de atendimento as normas regulamentadoras; e. foco no lucro e na produtividade elevada; f. ineficiência dos órgãos reguladores quanto a fiscalização dos ambientes de trabalho; g. falta de qualificação dos profissionais lotados nos ministérios e superintendências; h. normas com aplicação genérica sem embasamento técnico científico. Meio Ambiente do Trabalho e o Atendimento aos Requisitos A implementação de medidas preventivas, que venham a reduzir os riscos à saúde e à segurança do trabalhador, é direito fundamental (...). O que diz o Art. 157, inciso I, da CLT: » não basta o empregador (contratante e contratada) cumprir as normas de saúde e segurança do trabalho, mas também deve fazê-las cumprir, de modo a dar efetividade a às ações de qualquer das partes; » comprovado o descumprimento o empregador poderá ser julgado como poluidor pagador? Lei de Crimes Ambientais. O atendimento as normas regulamentadoras do trabalho denotam a adequação quando necessário de ambientes laborais que existam riscos, porém específicos para cada caso. O trabalho em espaços confinados requer avaliações ambientais constantes e o monitoramento intenso. A exposição de trabalhadores em altura superior a 2,0 m requer estudos detalhados conforme a evolução de um empreendimento, logo, as proteções coletivas e individuais deveram estar presentes no PCMAT, conforme NR 18. No tocante protetivo de máquinas e equipamentos, a NR no 12 visa garantir que todo o trabalhador faça uso de maquinários e equipamentos com a segurança necessária. 23 Figura 1. Figura 2. Figura 3. Fonte: <https://twitter.com/ Fonte: <http://www.espacoconsultoria. Fonte: <santanasegurancadotrabalho. conectonline> com/texto.php?id=2> com.br> O cumprimento deverá ser comprovado por meio da emissão de listagem de presença, emissão de certificado e permissões de trabalho. Figura 4. Exemplo de Certificado de Trabalho em Altura. Fonte: <http://segurancadotrabalhonwn.com/certificado-para-curso-de-nr-35-download/> Este atendimento trata-se, pois, de direito de ordem fundamental cujos os titulares encontram-se dispersos no seio da sociedade, de nítido caráter difuso, transcendendo a esfera do direito meramente individual, de forma a beneficiar, de uma só vez, todos os componentes de um meio social. 24 Portanto, a impossibilidade de se assegurar um meio ambiente salubre e a apenas uma parte de determinada coletividade, sem alcançá-la em sua plenitude. A observância do direito de um perpassa necessariamente pelo cumprimento do direito de todos. O art. 225, caput, da Constituição da República, após destacar o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (...). (...) de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Faça uma avaliação do seu ambiente de trabalho. Como a instituição onde você trabalha está atendendo a carta magna e as normas regulamentadoras? Atividades complementares Questão 1. Em sua opinião, como podemos atender aos requisitos da proteção do meio ambiente do trabalho? Questão 2. O que são ações Preditivas, preventivas e corretivas? Qual a sua importância na ótica da proteção do meio ambiente do trabalho? Questão 3. As atividades operacionais e de gestão em segurança do trabalho estão focadas em qual princípio (prevenção, precaução)? Na Segurança do Trabalho agimos com os princípios da prevenção ou da precaução? Questão 4. Você acha que os ambientes laborais estão inseridos no princípio do poluidor pagador? Questão 5. Quais as ferramentas de controle que estão intrinsecamente ligadas ao conceito de poluidor pagador? (Ex.: Programas de Gestão em SST). Questão 6. Quando é perceptível a conduta de poluidor pagador no meio ambiente do trabalho? Quais as medidas propostas para descaracterizar tal princípio? Questão 7. Como profissionais de segurança do trabalho, apenas o uso do EPI ou a Proteção Coletiva é o melhor meio para garantir às futuras gerações a qualidade de vida necessária? 25 CAPÍTULO 2 Causa dos Problemas Ambientais Introdução A gestão ambiental deve ser entendida como uma atividade voltada para a formulação de princípios e diretrizes, estruturação de sistemas gerenciais (como gestão de custos, de recursos humanos...) e tomada de decisão (planejamento), tendo por objetivo final promover, de forma coordenada, o uso, proteção, conservação e monitoramento dos recursos naturais e socioeconômicos em um determinado espaço geográfico, com vistas ao desenvolvimento sustentável1 . Com a necessidadede a gestão embrenhar-se no processo de consolidação e crescimento das instituições econômicas, fez de suma importância a sua inserção no contexto organizacional liderado pela alta direção, por meio de planejamento estratégico. Por força do mercado consumidor em última instância, as instituições econômicas encontram-se na necessidade de aprimoramento continuo como um todo e particularmente de seus processos. Para se obter este aprimoramento, principalmente no que se refere atender ao mercado consumidor e assim obter resultados, é fundamental a conjunção das ações de planejar, executar, verificar e agir, de tal modo que ao se evidenciarem desvios, suas causas sejam eliminadas, principalmente os de cunho ambiental. Os problemas ambientais decorrem de deficiências (falta de definição de papéis e de mecanismos de articulação entre os agentes sociais envolvidos no processo). Os níveis de degradação ambiental encontrados não podem ser justificados, apenas, pelo estágio atual do conhecimento científico sobre o funcionamento dos ecossistemas e sua interação com os sistemas econômicos e sociais e pela dificuldade de acesso a tecnologias de prevenção e controle de danos ambientais. Nas condições atuais, certamente, o fator mais importante a ser considerado são as inequações e falhas no próprio processo de gestão ambiental, que dificultam ou impedem os diferentes agentes sociais de apossar-se do conhecimento e das tecnologias disponíveis, aplicando-os no cotidiano da gestão. 1 É um processo de mudança no qual a exploração dos recursos, a orientação dos investimentos e do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional estão em harmonia e melhoram o potencial existente e futuro para satisfazer as necessidades humanas. Sendo, portanto, o cenário que associa ao crescimento econômico atual e futuro, a equidade social e a sustentabilidade ambiental. 26 O quadro 1 mostra os problemas ambientais brasileiros, que permanecem sem solução, que seriam passíveis de controle, ainda que muitas vezes, de forma parcial, se utilizados o conhecimento e a tecnologia atualmente disponíveis. QUADRO 1 – Alguns dos principais problemas ambientais brasileiros PROBLEMA CARACTERÍSTICAS EXEMPLOS DE FORMAS DE CONTROLE Poluição urbana, industrial e de mineração Contaminação continua do ar, das águas e do solo. Tratamento reciclagem dos resíduos, mudanças para tecnologias não poluentes e restrição à implantação de atividades agressivas em locais sensíveis ambientalmente. Impactos ambientais em empreendimentos de grande porte Ex: construção de reservatórios que inundam grandes áreas e/ou alteram as vazões líquidas e sólidas (sedimentos) dos cursos de água; desmatamentos, aterros e dragagens para implantação de rodovias, ferrovias e hidrovias; construção de polders para controle de cheias. Alterações ecológicas localizadas nos projetos, recomposição da vegetação, repovoamento de espécies, implantação de corredores de fauna etc. Poluição originada na atividade agropecuária Carreamento sazonal de agrotóxicos, contaminando o solo, águas superficiais e subterrâneas. Uso controlado de agrotóxicos, controle biológico de pragas mudança para agricultura orgânica ou ecológica. Diminuição das vazões fluviais pela irrigação Aumento do consumo de água em projetos de irrigação, causando conflitos com outros usos antrópicos e com o ambiente. Coordenação do uso da água por meio do sistema de outorga, dos direitos de uso; aumento da oferta mediante regularização de rios, controle de perdas e adoção de tecnologias de baixo consumo. Degradação do solo Degradação acelerada dos processos físicos químicos e biológico dos solos em decorrência da ação antrópica. Uso de técnicas de controle: manejo agrosilvopastoril, terraceamento. Desmatamentos Motivado, principalmente, para a formação de pastagens ou áreas agrícolas. Controle da população e criação de áreas para desmatamento. Ameaças a fauna Localização de empreendimentos que afetam os hábitos da fauna, muitas vezes desconhecidos, além da predação por caça e os problemas causados por desmatamentos. Controle e discriminação de áreas de preservação, criação de corredores, proteção de áreas de procriação, recomposição da flora. 27 Antes de prosseguirmos, é necessário a fixação de alguns conceitos, para que a linguagem seja a mesma: Gestão Ambiental – é o processo de articulação das ações dos diferentes agentes sociais que interagem em um dado espaço, visando garantir, com base em princípios e diretrizes previamente acordados/ definidos, a adequação dos meios de exploração dos recursos ambientais (naturais, econômicos e socioculturais) às especificidades do meio ambiente. Política Ambiental – é o instrumento legal que oferece um conjunto consistente de princípios doutrinários que conformam as aspirações sociais e/ou governamentais no que concerne à regulamentação ou modificação no uso, controle, proteção e conservação do ambiente. Impacto Ambiental – são as consequências sofridas, pelo meio ambiente, em função dos aspectos ambientais. Avaliação de Impactos Ambientais – é o instrumento orientador do processo de avaliação dos efeitos ecológicos, econômicos e sociais que podem advir da implantação de atividades antrópicas (projetos, planos e programas), bem como do monitoramento e controle desses efeitos pelo poder público e pela sociedade. Poluição – é a contaminação e consequentemente a degradação do meio ambiente por um ou mais fatores prejudiciais ao equilíbrio natural do meio. IMPACTOS AMBIENTAIS Antes de iniciar o estudo da gestão ambiental stricto senso, é preciso ter conhecimento dos considerados cinco maiores impactos ambientais da atualidade, onde após analisar os aspectos macro e suas consequências, poderemos fazer valiosas inferências no universo micro (empresa, escola, em casa), alterando inicialmente o local em que vivemos e trabalhamos. Neste caderno, voltaremos nossos esforços para os seguintes impactos ambientais: a explosão demográfica, a poluição do ar, do solo e da água e o uso da energia. Esses impactos serão discutidos um a um detalhando suas causas, seus efeitos e as suas formas de controle. 2.1. Explosão Demográfica No início da era cristã, a população mundial era de apenas 200 milhões de pessoas, e essa população cresceu vagarosamente demorando cerca de 1650 anos para atingir o número de 28 500 milhões de habitantes sobre a Terra. O primeiro bilhão foi atingido em 1850, o segundo bilhão foi atingido em 1930, em um intervalo de 80 anos e a população dobrou chegando aos quatro bilhões de habitantes em 1975 em apenas 45 anos. Atualmente, a cada minuto nascem mais ou menos 190 crianças no mundo, em um único dia são 270 mil crianças a mais no planeta, a mortalidade mundial gira em torno de 143 mil pessoas por dia, gerando um aumento populacional de 127 mil pessoas, por dia, sobre a superfície da Terra. A população atual sete bilhões e a expectativa é de que em 2025 sejamos oito bilhões de habitantes no planeta. Considerando que a capacidade de saturação da Terra é de 10 a 12 bilhões de pessoas, verificamos que temos de nos preocupar com medidas de controle para estabilizar a população mundial de forma a reduzir com o crescimento populacional. No Brasil, atualmente, a velocidade de crescimento populacional está em queda, na década de 1960 a taxa de crescimento era de 2,89% caindo para 1,17% em 2010 e a previsão é atingirmos a estabilidade em 2075, com uma populaçãoem torno de 265,5 milhões de habitantes no país. Principais Causas para a redução: » taxas de mortalidade de forma significativa: No século XIX, epidemias de cólera, febre tifóide e febre amarela constituíam graves problemas nas cidades, levando maiores preocupações quanto à higiene, ao aprimoramento da legislação sanitária e à criação de uma estrutura administrativa para a aplicação das medidas preconizadas. A explicação das causas das doenças era disputadas entre os que defendiam a teoria dos miasmas2 e os que advogavam a dos germes3 . QUADRO 2: Causa mortis da população mundial (2005) 4 2 Situa a origem das doenças na má qualidade do ar, proveniente de emanações oriundas da decomposição de animais e plantas. A malária, junção de mal e ar, deve seu nome a este modo de transmissão – Maurício Gomes Pereira – Epidemiologia Teoria e Prática. 3 Teoria criada após o desenvolvimento do microscópio, em 1675, por Van Leeuwenhoek (1632 – 1723), que com este engenho conseguiu visualizar pequenos seres vivos, aos quais denominou “animálculos”. 29 DOENÇAS PAÍSES DESENVOLVIDOS EM % PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO EM % BRASIL4 Doenças parasitárias e infectocontagiosas 5,2 40 5,3 Câncer 15,9 5,0 16,5 Doenças do sistema circulatório e degenerativas 53 19 32,5 Problemas de parto e puertério 0,5 9,1 1,1 Envenenamento e causas externas 6,0 5,0 14,5 Outros 19,4 21,9 30,1 Louis Pasteur (1822 – 1895), considerado o pai da bacteriologia, foi quem assentou as bases biológicas para o estudo das doenças infecciosas, onde caracterizou definitivamente de que as doenças eram transmitidas por contagio. Pasteur isolou e identificou numerosas bactérias, além de realizar trabalhos pioneiros em imunologia. Verificou que líquidos sem germes se conservavam livres deles, quando devidamente protegidos de contaminação. Os trabalhos de Pasteur, seguidos por Robert Koch (1843 – 1910), defendiam que as doenças poderiam ser explicadas por uma única causa, o agente etiológico, possibilitando a comprovação laboratorial da presença de um agente. Tal descoberta alterou o quadro da saúde pública pois, quando a higiene passou a ser tratada de forma importante, foram eliminados, carpetes, tapetes dos hospitais, a roupa dos médicos e enfermeiros passou a ser branca e limpas com frequência, e no âmbito da cidade, fortaleceu o trabalho de John Snow5, onde destacou a importância do saneamento adequado na baixa taxa de incidência de doença. A melhoria das condições sanitárias, nas cidades, nas fábricas, corroboradas com uma legislação mais forte de saúde pública, fez com que os índices de mortalidade decrescessem rapidamente no passar dos anos, enquanto as taxas de natalidade permaneciam altas, devemos lembrar que era comum até meados do século XX, famílias com sete, nove, doze irmãos, ou mais. 4 http://portaldocoracao.uol.com.br/materias.php?c=cardiologia-preventiva&e=2859 5 Inglês (1813 * 1858) que determinou que o consumo de água poluída era responsável pelos episódios da doença cólera e traçou os princípios de prevenção e controle de novos surtos. 30 » Melhoria do sistema de transporte: Até o desenvolvimento e a proliferação de meios de transporte baratos e eficazes, as cidades se resumiam a pequenos espaços urbanos, pois os cidadãos não podiam se afastar muito do local de trabalho, se não tornaria inviável o seu deslocamento, fazendo com que estas tivessem de certo modo um tamanho pré-definido. As áreas destinadas à agricultura deveriam ficar próximas às cidades, pois os produtos pereciam e deviam ser vendidos rapidamente, o que impedia uma atividade agrícola muito distante dos centros urbanos. A maior cidade do mundo no início do século XX, era New York, com pouco mais de um milhão de habitantes. Com a melhoria dos sistemas de transporte, primeiramente com os trens no século XIX, e depois com os veículos automotores no século XX (graças ao desenvolvimento dos motores de combustão interna de ciclo Otto ou Diesel e a viabilidade econômica do petróleo6 ), o problema da distância foi quebrado, permitindo que as unidades de produção agrícola se afastassem mais das cidades, abrindo espaço físico para a ampliação e incremento das cidades. E no campo a ampliação da produção, pois o rendimento de um trabalhador, passou a corresponder a dez, doze, no modo de produção antiga. Crescimento da população mundial: * ano 1 200 milhões * ano de 1650 500 milhões * ano de 1850 1 bilhão * ano de 1930 2 bilhões * ano de 2000 6 bilhões * ano de 2005 6,45 bilhões * ano de 2010 7 bilhões 6 Até início do século XX, a gasolina não tinha nenhum valor comercial, pois o principal produto extraído do petróleo era o querosene para iluminação pública, tornando deste modo, à gasolina um bem econômico muito barato, valendo a mesma lógica para o diesel. 31 » Produção Industrial Mecânica: A lógica da produção industrial até fins do século XX privilegiava a força muscular e não intelectual, fazendo com que a geração de filhos em uma família tivesse o enfoque de criar mais uma fonte de trabalho e, consequentemente, de aumento na renda familiar, fortalecendo uma cultura de família numerosa. Aliado a isso, os trabalhadores rurais eram atraídos para as cidades pela expectativa de melhoria das condições de vida e facilidades como acesso à educação, saúde e aposentadoria e pelas dificuldades cada vez maiores de vida nas áreas rurais. Atualmente, para cada 100 habitantes no Brasil, 84 vivem nas cidades contra 16 que ainda se mantém nas áreas rurais. O estado do Maranhão é o estado mais rural com uma população rural de 36,9% e o Distrito Federal o mais urbano, com 96,6% da população vivendo na cidade. » Revolução Verde: Durante a 1a Guerra Mundial, vários compostos químicos foram desenvolvidos e testados para serem utilizados como armas, tais como o THC e o gás mostarda. Com o termino da guerra esta tecnologia desenvolvida, foi direcionada para o combate de pragas da lavoura e no uso de fertilizantes químicos, onde o produto mais conhecido foi o DDT. O uso destes produtos fez em alguns casos a produção crescer mais que três vezes, quebrando a famosa teoria do Padre Maltus, onde a população cresce em progressão geométrica e a população em progressão aritmética, fazendo com que a disponibilidade de alimentos para a população mundial aumenta-se sobremaneira. Tal fenômeno foi denominado revolução verde e teve seu ápice na década de 1970, antes da primeira crise do petróleo. Em 1970, a disponibilidade de grãos era de 331 kg/hab/ano em 0,205 hectares/hab/ano. Em 2005 a disponibilidade era de 344 kg/hab/ano com 0,106 hectares/hab/ano, graças em grande parte ao plantio de transgênicos (Fonte: FAO). Apesar dos transgênicos serem considerados como a nova revolução verde por alguns autores, os reais efeitos benéficos e maléficos do seu uso e disseminação ainda não foram bem esclarecidos por pesquisas científicas consistentes, de longa duração. » Baixa escolaridade do sexo feminino: 32 A participação da mulher no mercado de trabalho e que tem acesso à educação, faz com que tenha outros objetivos de vida, pensando não só no número de filhos, mas na qualidade de vida dada a estes filhos, além de considerar que um filho adia os planos de crescimento profissional e até mesmo pessoal. Uma mulher alijada do sistema educacional e do mercado de trabalho, naturalmente vê o casamento e a criaçãodos filhos motivo de vida. Para efeito de comparação, uma mulher brasileira hoje tem em média 1,8 filhos (IBGE/2010) enquanto que uma do Iraque tem 4,54 filhos. Em 1950, 33% da população mundial estava em países desenvolvidos, no ano 2000, esta proporção foi reduzida para 20% e a estimativa para 2025 é de 16% Principais Efeitos: » Capacidade de suporte do planeta. Cientistas alegam que a Terra tem capacidade de abrigar entre 10 e 12 bilhões de habitantes, mantendo um mínimo de qualidade de vida a este ser humano, e que pela nossa Carta Magna de 1988, incluí como direito básico de todo o cidadão brasileiro: alimentação, vestuário, seguridade social, educação, saúde, segurança, lazer, trabalho, transporte, habitação. E que em função do nosso “modus operande”, não haveria recursos naturais para todos em quantidades satisfatórias, a não ser que se mantivessem no mundo bolsões de pobreza e miséria como existentes na África, Ásia central e hindu e na América Latina. Segundo as Nações Unidas, um índice menor que 2.400 calorias diárias – cidadão médio global – pode resultar em desnutrição, reservadas as diferenças climáticas. A disponibilidade per capita de alimentos da população mundial considerando 1965 como o ano base, houve um incremento de 50% na Ásia, 33% na Europa, 9% na América Latina e houve um decréscimo de 30% na África. Na América do Norte o índice permaneceu estável. » Extinção de várias espécies vivas A devastação das florestas para construção de cidades, estradas e para o plantio causa a destruição de cerca de 100 espécies de animais e vegetais, por dia, e consequentemente a extinção de várias espécies, ocasionando um desequilíbrio ambiental de proporções incalculáveis. 33 » Desemprego Hoje já existe um déficit no número de empregos superior a um bilhão, e para equacionarmos esses números de forma a zerar e acompanhar esse crescimento populacional, seria necessário criar cerca de 38 milhões de empregos, por ano, nos próximos 50 anos. No Distrito Federal, de 1992 para 2001, a população economicamente ativa – PEA cresceu 42%, a taxa de vagas na construção civil (que absorve mão de obra menos qualificada), houve redução de 32%, a de limpeza e conservação 8%, enquanto que o de serviços especializados teve um incremento de 62% (fonte: PED-DF outubro de 2001, trabalhado por GVST/DISAT/SES/GDF). » Poluição Com o aumento populacional cresce também a poluição em todo o meio ambiente, o aumento da emissão de dióxido de carbono oriundo dos combustíveis fósseis, termoelétricos, sistemas produtivos produz o efeito estufa. Os resíduos sólidos da população lançados no meio ambiente poluem o solo e a água e os resíduos líquidos descartados sem o devido tratamento poluem também o solo e a água. » Agricultura Intensiva Com a revolução agrícola os agricultores conseguiram obter uma quantidade maior de alimentos com a mesma porção de terra porém os problemas decorrentes dessa revolução também aumentaram: a degradação acelerada dos solos, a perda de sua fertilidade natural, a contaminação do solo, das águas e do ambiente por agrotóxicos e fertilizantes, o envenenamento dos alimentos e a extinção de plantas e animais silvestres em consequência da destruição dos seus habitats naturais. » Desequilíbrio no ecossistema marinho Devido à pesca excessiva e descontrolada para alimentar a população planetária os pescadores estão ultrapassando o limite dos oceanos o que tem acarretado um desequilíbrio no ecossistema marinho e exaurindo a capacidade de produção e fornecimento de alimento do mar. » Queda da qualidade de vida 34 Um terço dos habitantes da Terra não tem acesso à água limpa, com o crescimento populacional esse número tende a crescer, e a qualidade de vida tende a cair. Quadro 3. Ranking do Brasil comparados a 192 países do Mundo – colocação (2000 e 2010). Item 2000 2010 Expectativa de vida 113 92 Mortalidade infantil 121 106 PIB per capita 71 63 PIB per capita – paridade do poder de compra – 77 Alfabetização 104 62 Escolaridade 114 72 Desenvolvimento Humano (índice GINI) 82 73 Economia 11 8 Formas de Controle Populacional: » Programas de Planejamento Familiar Com o acesso universal aos programas de planejamento familiar, saúde reprodutiva e sexual, principalmente, as mulheres passam a conhecer as diversas formas de evitar filhos e podem escolher a que melhor se adapta a suas necessidades, podendo planejar de forma segura quando e como ter seus filhos. » Crescimento Econômico apoiado no Desenvolvimento Sustentável O crescimento econômico apoiado no desenvolvimento sustentável é de suma importância quando se fala de controle da explosão demográfica. » Educação – sobretudo das mulheres Quando uma pessoa tem acesso à educação seus objetivos e ambições mudam, principalmente as mulheres, que passam a ter uma outra expectativa para suas vidas e de seus filhos, e passam a reduzir o número de filhos para poder dar melhor qualidade de vida para sua família. 35 » Igualdade entre os sexos Com a participação cada vez mais ativa das mulheres na vida da sociedade, faz-se necessário que ela tenha as mesmas oportunidades e direitos dos homens para que elas realmente assumam o seu papel na sociedade como mulher, trabalhadora, mãe e responsável pelo futuro da nação. 2.2. Energia É o recurso natural que possibilita o processamento de materiais e o fornecimento de vários recursos utilizados pela sociedade; é a força da natureza que usamos para executar um trabalho que seria realizado com muito mais dificuldade pelo homem. A primeira fonte de energia utilizada pelo homem foi o fogo produzido pela queima de madeira, fornecendo calor para aquecer, cozinhar e espantar animais. Com o passar do tempo o homem começou a “domesticar/ controlar” outras fontes de energia como: os ventos para mover moinhos e embarcações e a água por meio das rodas d’água além da tração animal. O grande problema é que cada vez que o homem utiliza uma fonte de energia em prol de sua existência ele causa também um grande estrago na natureza com a poluição do meio ambiente e a redução e/ou extinção dos recursos naturais limitados. A matriz energética mundial é composta de recursos naturais renováveis e não renováveis, com participação maciça dos não renováveis, o que interfere diretamente na qualidade de meio ambiente exigido por nossa sociedade. A matriz energética mundial está centrada hoje na utilização dos sequintes recursos energéticos, classificadas de acordo com suas propriedades de transformação, sendo as mais importantes: 3. energia potencial química – é devido a agregações moleculares: biomassa álcool, óleos vegetais, lenha, carvão vegetal, resíduos agrícolas e fl orestais, resíduos sólidos; fósseis petróleo, gás natural, carvão mineral, xisto; outras, hidrogênio, metanol etc. (energia química, calor mecânica e eletricidade); 4. energia potencial nuclear – devido a agregações nucleares fi ssão e fusão (potencial nuclear calor eletricidade); 36 5. Hidroelétrica – devido a gravidade (mecânica eletricidade); 6. energia solar direta – devido à ação direta da radiação solar. Célula fotovoltaica (luz eletricidade) e aquecedor solar (luz calor); 7. biodigestores – devido a ação microbiana (matéria orgânica gás, adubo e alimento) 8. eólica – devido ao movimento dos ventos (mecânica eletricidade e mecânica); 9. marítima – devido ao gradiente térmico nos oceanos (calor eletricidade); 10. mares – devido principalmente a gravidade da lua (mecânica eletricidade); 11. geotérmica – devido ao calor interno da terra. Geiserse erupções vulcânicas (calor eletricidade); 12. magneto-hidrodinâmica – devido à ionização dos plasmas. Carvão (calor eletricidade) A inclusão de biomassa como fonte de energia potencial química é devido à maneira como é transformada em energia útil, mas também podia ser enquadrada como energia solar por causa do modo como é produzida. Da mesma maneira, as energias hidráulicas, eólica e marítima são resultados da ação atual do sol na atmosfera e na superfície da Terra. Já os combustíveis fósseis são também resultado da ação do sol, mas os depósitos em exploração foram formados a centenas de milhões de anos. Petróleo e Gás Natural: é uma substancia formada principalmente por hidrocarbonetos (compostos de carbono e hidrogênio) combinados com diferentes cadeias moleculares. Composição do Petróleo: NÚMERO DE ÁTOMOS DE CARBONO DERIVADO DE PETRÓLEO FORMADO 1 a 4 Gases (metano, butano – gás de cozinha, etano, propano) 4 – 10 Gasolina 10 - 50 Óleos leves (diesel) e lubrificantes 51 – até centenas Óleos pesados, graxas e asfaltos 37 O sistema de exploração de petróleo promove uma verdadeira cadeia de impactos ambientais: potencial de poluição do mar (plataformas marítimas) e afundamento e vazamento de navios cargueiros; poluição do solo, por derramamento de óleo cru ou de seus derivados após o uso; poluição do ar no processo de craqueamento (quebra da molécula de hidrocarboneto) e na sua queima já como combustível. A capacidade de consumo das reservas mundiais de energia não renovável, conhecidas em 1999, indicam que neste ritmo de crescimento e consumo as reservas de petróleo se extinguiram em 2.052, a de gás natural em 2.068 e a de carvão em 2.271. CARVÃO MINERAL, HULHA E TURFA: O carvão mineral é o combustível fóssil economicamente aproveitável mais abundante da Terra, porém, seu uso sofre algumas limitações sérias devido aos problemas de poluição. O carvão mineral tem esse nome porque seu processo de formação é similar ao de rochas sedimentares. Entretanto é constituído de compostos orgânicos formados a partir de plantas que viveram de 340 milhões a 80 milhões de anos atrás. Existem quatro tipos de carvão mineral: linhito, sub-betuminoso, betuminoso e antracito. Além da poluição causada pelo seu uso, devemos considerar que a sua extração, além de provocar desordem e impacto diretos no meio ambiente na qual se situa a mina, provoca sérios problemas de saúde ocupacional, como a silicose, que leva o trabalhador de mina a se aposentar com apenas 15 anos de serviço, sendo uma atividade extremamente insalubre. BIOMASSA: è a utilização de recursos naturais renováveis para a transformação de energia, sendo destaque a produção agrícola, como o álcool, o bagaço de cana, as cascas de arroz e o carvão vegetal, mas a sua exploração gera de maneira geral os seguintes impactos ambientais: aumento do índice de desmatamento (carvão vegetal), uso intensivo do solo, poluição por agrotóxicos, erosão e exportação de nutrientes nobres como fósforo e o potássio. No seu uso, os mesmos impactos causados pelo petróleo e o carvão mineral. HIDROELÉTRICA: Apesar de ser considerada uma fonte renovável de energia, a sua instalação altera grandemente o ecossistema na qual está presente: impedimento de desova de peixes (necessidade de construir escadas) rio acima; alagamento de grande área vegetal, provocando potencial de extinção de espécies, desabriga a fauna ali existente, diminuição do raio de comida para a fauna, empobrecendo a cadeia alimentar local; desvio de rios e córregos; possibilidade de introdução de espécies exógenas aquele habitat; deslocamento de populações humanas inteiras; necessidade de deslocamento da produção agrícola porventura 38 existente, ampliando o índice de desmatamento. Tais impactos não consideram ainda os impactos causados pelas linhas de transmissão, que indicadores e estudos iniciais, sinalizam para a propensão a câncer nas comunidades próximas aos fi os de alta tensão, devido a radiação não ionizante gerada por estes. NUCLEAR: Produz energia nuclear por meio da fi ssão ou da fusão dos núcleos dos átomos. A fi ssão consiste na desintegração de um núcleo de um átomo pesado em núcleos mais leves, acompanhada da liberação de nêutrons, enquanto a fusão é um processo em que núcleos leves se juntam para formar um núcleo mais pesado. Em ambos os casos, a massa inicial do processo é maior que a massa final, a diferença sendo transformada em energia, de acordo com a celebre equação de Einstein, ΔE = Δmc2. A liberação de energia, por sua vez, acelera violentamente as partículas finais, gerando calor. O processo de fusão é o processo que ocorre no interior do sol e a energia liberada é sentida na Terra na forma de luz e de ondas eletromagnéticas, processo este que está em estudos na Terra, mas com a dificuldade de que só se consegue tais resultados em altíssimas temperaturas, tornando este processo, no nosso estágio tecnológico inviável economicamente. Por outro lado, o processo de fissão, é o mesmo que ocorre na bomba nuclear ou dentro da usina nuclear. O princípio básico de funcionamento consiste na captura desta energia liberada na fissão nuclear que faz com que a água esquente a temperaturas de 300°C (mas que permanece em estado líquido devido a pressão de 150 atm), e em contato com a câmara dos geradores (turbinas) está água é descompresada tornando-se vapor o que faz girar as turbinas. Os maiores impactos da energia nuclear, consiste no tempo de meia vida do rejeito radioativo (maior que 200 anos), quando comparados a vida útil da própria usina (próximo dos 50 anos), além do potencial de risco de vazamento no ar e na água, por acidente e como fornecedora de plutônio matéria prima básica para a fabricação das bombas atômicas. As outras formas de energia de certa forma tem reduzido impacto ambiental, até devido a baixa participação na matriz energética mundial, que não ultrapassa a 1%, aconselhando uma leitura complementar em publicação mais especializada. 39 CAPÍTULO 3 CONTROLE DA POLUIÇÃO 3.1. Poluição do Ar É a contaminação provocada pela presença de gases e partículas que, quando aspiradas ou absorvidas pelo corpo humano, causam efeitos negativos à saúde. A fumaça dos escapamentos dos veículos, as emissões industriais e muitos outros tipos de impurezas são os grandes causadores da poluição atmosférica, hoje um grande problema de saúde pública. O planeta Terra está completamente envolto por uma camada composta de uma mistura de gases, dos quais, o nitrogênio é o mais abundante. A esta camada, que se estende a uma modesta altura de cerca de 9.600 Km, damos o nome de atmosfera. A atmosfera terrestre é composta de 75,51% de nitrogênio, 23,15% de oxigênio, 1,28% de argônio, 0,046% de dióxido de carbono, 0,014% dos demais (esta distribuição está em peso e não em volume, se assim fosse a distribuição seria 78,09%, 20,94%, 0,93%, 0,032% e 0,004%, respectivamente). O conteúdo de vapor d’água é altamente variável, atingindo valores que vão de 0,02% em zonas áridas até 6% em zonas equatoriais úmidas, e é este conteúdo que influenciará de maneira significativa no comportamento da atmosfera no que se refere a movimento de massas de ar, no espalhamento da luz, absorção de calor, e no comportamento aerodinâmico das partículas em suspensão e sobre reações térmicas e fotoquímicas. Existem referências a poluição da atmosfera, anteriores aos protestos feitos pela nobreza contra o uso do carvão durante o reinado de Eduardo (1272 – 1309). No entanto, foi a Revolução Industrial quem marcou o início do reconhecimento público dos chamados episódios de poluição do ar e cujos exemploshistóricos mais citados são os seguintes: Principais episódios: Vale do Meuse, 1930 (Bélgica): 1. Duração: 5 dias. 40 2. Grande número de pessoas adoeceu com a seguinte sintomatologia: dores no peito, tosse, dificuldade de respiração, irritação nasal e dos olhos. 3. Sessenta pessoas morreram, principalmente pessoas idosas que já estavam doentes do coração e pulmões. 4. Morte do gado. 5. Presumiu-se que uma combinação de poluentes esteve associada com o episódio; é destacada a presença de gotículas de ácido sulfúrico, resultante de altas concentrações de dióxido de enxofre em gotículas de água. Donora, 1948 (Pensilvânia, EUA). 1. Duração: 5 dias. 2. Adoeceu 43% da população de 14.000 habitantes, cuja sintomatologia era: irritação no trato respiratório e dos olhos. 3. Vinte pessoas morreram, principalmente pessoas que já estavam doentes do coração e pulmões. 4. Presumiu-se que a presença de dióxido de enxofre e material particulado em suspensão esteve associado ao episódio. Poza Rica, 1955 (México). 1. Duração: 25 minutos. 2. Foram hospitalizadas 320 pessoas das quais 22 morreram. 3. A presença de gás sulfídrico, lançado na atmosfera acidentalmente, por uma indústria de recuperação de enxofre de gás natural, foi a responsável. Londres, 1952 (Inglaterra). 1. Duração: 5 dias. 2. Grande número de pessoas adoeceu, sendo que aumentou o número de internações por problemas respiratórios. 3. 3.500 a 4.000 pessoas morreram a mais do que o esperado epidemiologicamente para este período, principalmente pessoas idosas que já eram portadoras de doenças do coração e pulmões. 41 4. Atribuiu-se o fato a presença de poeira em suspensão (4,46mg/m3) e de dióxido de enxofre (3,75mg/m3). Bauru, 1952 (Brasil). 1. Foram registrados 150 casos de doença respiratória aguda e nove óbitos. 2. Bronquite e manifestações alérgicas do trato respiratório foram os principais efeitos. 3. O fato ocorreu devido à emissão na atmosfera de pó de mamona (Rícino), por uma indústria de extração de óleos vegetais. New York, 1953 (EUA). 1. Duração: 5 dias. 2. Excesso de mortes do esperado em todos os grupos etários. 3. Presença de dióxido de enxofre (2,0mg/m3) associada ao fato. New Orleans, 1955 (Louziania, EUA). 1. Aumentada a frequência de asma. 2. Presumiu-se que o poluente do episódio foi poeira industrial de farinha. Bombaim, 1988 (Índia). » Diversas mortes de pessoas e animais devido à emissão acidental de ácidos e óxidos na atmosfera por uma indústria de produtos químicos. Cubatão, década de 1980 (Brasil). » Devido a grande concentração de poluentes na atmosfera, várias crianças começaram a nascer com hidrocefalia ou até mesmo acéfalas. PRINCIPAIS EFEITOS DA POLUIÇÃO DO AR: » Efeito Estufa É o aumento de temperatura da Terra, pela emissão de toneladas de gases, principalmente dióxido de carbono, resultante da queima de combustíveis fósseis. 42 Esses gases atuam como uma estufa de fl ores, permitindo a entrada da luz do sol, mas impedindo a Terra de devolver esse calor ao espaço 7 , podendo provocar aquecimento e alteração do clima, favorecendo a ocorrência de furacões tempestades e até terremotos; o degelo das calotas polares elevando o do nível do mar e inundando regiões litorâneas; afetando o equilíbrio ambiental com o surgimento de epidemias. Considerando que toda atividade econômica humana está centralizada na produção de dióxido de carbono, principalmente a indústria americana e chinesa, devido ao uso intensivo de fontes energéticas que na sua queima liberam CO2, como petróleo, carvão, hulha principalmente, faz com que medidas efetivas que corrijam esta distorção necessitem de tempo para serem implementadas, pois mexe com a economia dos países e consequentemente no “nível de qualidade de consumo” de suas populações. O grande projeto de reorientação da organização industrial mundial, com enfoque na redução do nível de emissão de CO2, é o Protocolo de Kyoto (Japão) – Vide anexo 1. » Chuva Ácida A queima incompleta dos combustíveis fosseis (petróleo, carvão mineral) pelas indústrias e pelos automóveis, resulta na emissão de gás carbônico junto com outros gases, principalmente o dióxido de enxofre (SO2) e formas oxidadas de nitrogênio (NOx) que são liberados para a atmosfera. O dióxido de enxofre junto com o vapor d’água forma ácido sulfúrico que precipitando cai sobre a superfície terrestre em forma de chuva ácida. Como consequência ocorre a acidez dos lagos ocasionando o desaparecimento das espécies que vivem neles, o desgaste do solo pela acidificação e diminuição e alteração da microfauna, na liberação de metais potencialmente tóxicos (do solo) para o lençol freático, como chumbo, cádmio e alumínio, da vegetação e dos monumentos, além de desgastar e corroer a infraestrutura baseada em concreto armado ou outros metais. A chuva ácida pode ser reduzida, de forma significativa, com a alteração do modo de produção industrial adotada, assim como 7 A energia solar que nos chega a Terra, vem em vários comprimentos de onda, variando de ondas com comprimento de microns até de quilômetros, mas da faixa de comprimento dos 100mn até 1mm, com destaque para a luz visível (400nm até 700nm), passa pela atmosfera terrestre sem problemas, mas quando absorvida pelo solo, ela é reenviada para a atmosfera em comprimento de onda diferente, entre 750nm-1mm (infravermelho ou onda de calor), que devido a esta característica é refletida pela molécula de CO2, ficando portanto, presa na atmosfera terrestre até perder sua energia, o que aumenta a temperatura do planeta e quanto maior a quantidade de gás carbono, maior a intensidade de reflexão e “aprisionamento “ deste calor. É bom lembrar que não é a luz solar incidente direta que aumenta a temperatura e sim a sua absorção/refl exão pela superfi cie terrestre 43 a utilização em larga escala de filtros industriais compatíveis com a carga de poluição emitida para a atmosfera. QUADRO 4: Emissão de gases poluidores que aquecem a atmosfera em %: SETOR GÁS CARBÔNICO METANO ÓXIDO DE NITROGÊNIO OUTROS TOTAL Energia 35 4 4 6 49 Desmatamento 10 4 14 Agricultura 3 8 2 13 Industria 2 22 24 Participação no efeito estufa 50 16 6 28 100 O problema da chuva ácida ganhou contornos internacionais, pois os gases tóxicos liberados pela indústria do leste americano, tem-se precipitado na Europa ocidental, causando grandes prejuízos, reforçando a tese de que todos são responsáveis por tudo, e que a soberania de um país não pode prejudicar a qualidade de vida de outro em função da poluição gerada por este. Os maiores emissores de dióxido de enxofre (SO2), são: EUA com 21 milhões de toneladas, ex-URSS com 18,0; a China com 14,0, a Alemanha com 6,7 e a Polônia com 3,9 milhões de toneladas. Os maiores emissores de dióxido de nitrogênio são: EUA com 19,8 milhões de toneladas ano, seguido da Ex-URSS com 6,3; Alemanha com 3,7; Inglaterra com 2,7 e o Canadá com 1,9. » Buraco na Camada de Ozônio A camada de ozônio atua como um protetor da Terra dos raios ultravioletas do sol, que são extremamente prejudiciais à vida de plantas, animais e do ser humano. Os gases como os clorofluorcarbonos (CFC), mistura de átomos de carbono e cloro, são compostos altamente nocivos a este escudo natural da Terra. O CFC, presente no ar poluído, é transportado até elevadas altitudes onde é bombardeado pelos raios solares ocasionando a separação do cloro e do carbono. O cloro por sua vez tem a capacidade de destruir as moléculas de ozônio, bastando um átomo de cloro paradestruir milhares de moléculas de ozônio formando um buraco, pelo qual, os raios ultravioletas passam chegando a atingir a superfície terrestre. 44 Podemos considerar este problema como uma grande vitória da humanidade em relação ao meio ambiente, sendo que atualmente esse problema já está equacionado, porém os efeitos da destruição dessa camada, ainda se mostrarão presentes pelos próximos vinte anos. O TIRO PELA CULATRA Os gases CFC foram festejados, na década de 1920, como uma grande descoberta para a indústria: são inertes, não inflamáveis, nem tóxicos, nem corrosivos. Seu uso disseminou-se rapidamente pelo setor de refrigeração e da indústria do frio, pela indústria de plásticos expandidos, de embalagens e espumas e de aerossóis, além de utilização, especificamente industrial, como desengraxante para a limpeza de circuitos integrados e outros. Como gás propelente no sistema de aerossóis, ainda hoje considerado o grande vilão pela destruição da camada de ozônio, na verdade já foi substituído em todos os países industrializados a até mesmo naqueles que tem menos pesos nas emissões globais como o Brasil. Desde 1988, a indústria brasileira de aerossóis vem usando como propelentes os gases propano e butano, derivados de petróleo. O único uso em aerossóis ainda permitido é em medicamentos como bombas para asmáticos, em que o CFC é de difícil substituição. Sabe-se hoje que os CFC demoram de dez a vinte anos para ser transportados da superfície até a estratosfera, a partir do momento em que são liberados. Isso significa dizer que os níveis medidos atualmente dizem respeito a emissões dos anos 1980 e 1990, na melhor das hipóteses. Revista Visão, 20 de maio de 1992. Quadro 5: Tabela de fontes de poluição: FONTE DE POLUIÇÃO FONTE PRODUTORA EFEITO CAUSADO FORMA DE CONTROLE Gás carbônico (CO2). Respiração, automóveis e indústrias. Efeito Estufa. Protocolo de Kyoto. Óxidos de nitrogênio(Nox) e Dióxidos de enxofre (SO2). Indústrias. Chuva ácida. Filtros e implantação do sistema de gestão ambiental pelas indústrias. Clorofluorcarbonos (CFCs). Aerossóis, espumas plástica e etc... Buraco na camada de ozônio (O3). A não produção de CFCs. 45 Dioxinas e Furano. Queima incompleta de hidrocarbonetos (plástico e diesel) Câncer pela entrada e bioacumulação no organismo. Mudança no padrão de consumo. Partículas Radioativas. Explosões e acidentes nucleares. Chuva radioativa. Política de controle de armas. Poeira em suspensão. Desmatamento, queimadas. Problemas respiratórios. Política ambiental. » Chuva Radioativa A exposição de partículas radioativas no ar, seja por acidentes ou testes com bombas nucleares, são levadas pelo vento e depositadas no solo com a precipitação pluviométrica. O exemplo mais conhecido é o acidente em Chernobyl (1986), que provocou chuva radioativa até no norte de Roraima, e que contaminou até hoje as pastagens de países próximos como a Lituânia, Letônia, Estônia e Bielo Rússia, impedindo a exportação de carne destes países. Mais recentemente temos o caso das usinas de Fukushima no Japão. » Dioxinas e Furanos As dioxinas e os furanos são gerados a partir do processo de queima de produtos, principalmente nos processos de incineração. O termo dioxina é uma abreviação de dibenzo-p-dioxinas policloradas (PCDD) e dibenzo furanos policlorados (PCDF), classificadas como um grupo de substâncias químicas cloradas, totalizando 210 compostos individuais (congêneres) onde 75 são PCDD e 135 PCDF. Estes compostos podem ser formados na presença do elemento cloro, hidrocarbonetos e oxigênio em elevadas temperaturas. Isto ocorre, principalmente, na faixa entre 180°C a 400°C. Em temperaturas acima de 800°C, as dioxinas e os furanos são, normalmente destruídos, mas durante o resfriamento dos gases, eles podem ser novamente formados. Fontes de dioxinas: as PCDD/F não são substâncias naturais e sim um produto secundário muitas vezes indesejável. As principais fontes para a formação de dioxina abrangem, essencialmente, processos industriais como a indústria química (produção de clorofenois, clorobenzenos, cloroalifaticos, entre outros), indústria de papel e celulose (principalmente durante os processos de branqueamento), lavagem de roupa a seco entre outras, e os processos de incineração de resíduos sólidos (GROSSI, 1993). A dioxina no organismo humano se instala de forma insidiosa, sendo que o peso da evidência da carcinogenicidade é baseada em estudos com animais, obtendo resposta 46 positiva, mas que estudos epidemiológicos em humanos mostram, ainda, uma evidência inadequada ou uma ausência de dados satisfatórios. Figura 1: Estrutura molecular das moléculas de dioxina e furanos Furano Dioxinas » Problemas respiratórios As poeiras e os aerodispersóides presentes no ar podem provocar problemas respiratórios, pois a entrada de partículas com diâmetro entre 10 a 50 micras entopem os alvéolos pulmonares e, as menores de 10 micras entram nos alvéolos danificando-os permanentemente, fazendo com que estes deixem de realizar as trocas gasosas, tornando o pulmão menos eficiente. 47 QUADRO 6 – Dano da poluição do ar a vários materiais: TIPO DE MATERIAL MANIFESTAÇÃO TÍPICA DO DANO MEDIDA DE DETERIORAÇÃO POLUENTE DANIFICANTE OUTROS FATORES AMBIENTAIS Vidros Alteração da aparência da superfície. Refletância. Substâncias ácidas Umidade. Metais Danificação da superfície; perda de metal; embasamento. Ganho de peso; redução da resistência; perda de peso; alteração da condutividade. Dióxido de enxofre; substâncias ácidas. Umidade; temperatura. Materiais de construção Descoloração; dissolução do carbonato. Não medido quantitativamente. Dióxido de enxofre, gás sulfídrico, partículas pegajosas Umidade. Pintura Descoloração. Não medido quantitativamente. Dióxido de enxofre, gás sulfídrico, partículas pegajosas. Umidade, fungos.. Couro Desintegração da superfície; enfraquecimento. Perda de resistência. Dióxido de enxofre; substâncias ácidas. – Papel Torna-se quebradiço. Diminuição da resistência ao dobramento. Dióxido de enxofre; substâncias ácidas. Luz solar. Tecidos Redução na resistência; tensão; formação de manchas. Perda da resistência à tensão. Dióxido de enxofre; substâncias ácidas. Luz solar; Umidade; fungos. Corantes desbotamento. Refletância. Dióxido de nitrogênio; oxidantes; Dióxido de enxofre; Luz solar. Borracha “craeking” enfraquecimento Perda de elasticidade. Oxidantes; ozônio. Luz solar. 3.2. Poluição do Solo É a contaminação do solo por resíduos industriais, agrícolas ou domésticos transportado pelo ar, pela chuva e pelo homem. Ao receber todo o tipo de resíduos contendo produtos químicos, agrotóxicos, fertilizantes, pelo uso 48 de técnicas atrasadas na agricultura, pela destinação final inadequada de resíduos sólidos e líquidos industriais e domésticos, pelo desmatamento, pelas queimadas, pelas chuvas acidas e radioativas e pela mineração, o solo vai perdendo sua função filtradora, colocando em risco os lençóis freáticos e atraindo doenças para toda a população. A principal causa de poluição do solo é sem dúvida a destinação final inadequada de resíduos. O problema da destinação final assume uma magnitude alarmante. Considerando apenas os resíduos urbanos e públicos, o que se percebe é uma ação generalizada das administraçõespúblicas locais ao longo dos anos em apenas afastar das zonas urbanas o lixo coletado, depositando-o por diversas vezes em locais absolutamente inadequados, como encostas de florestas, manguezais, rios, baias e vales. Mais de 80% dos municípios brasileiros vazam seus resíduos em céu aberto, em cursos de água ou em áreas ambientalmente protegidas, a maioria com a presença de catadores, entre eles crianças, denunciando os problemas sociais que a má gestão do resíduo sólido acarreta. Segundo os dados do SNIS- Sistema Nacional de Informações em Saneamento, em 2015 através da coleta pública, cada brasileiro produz em média 1 Kg de lixo domiciliar por dia, ou seja, 350 kg por ano. Se somarmos também o lixo produzido pelas indústrias (principalmente da construção civil), comércios, hospitais, restaurantes, escolas, escritórios etc. esse número sobe para mais de 500 Kg/hab/ano. Os números são mais alarmantes quando verificamos que a quantidade de resíduos sólidos recolhidos e tratados apropriadamente representa uma pequena parcela do produzido porque de cada 100 Kg de lixo produzido, 66 Kg são lançados em córregos e rios, 34 Kg são depositados em terrenos baldios e apenas 3 Kg são recolhidos, tratados e dispostos de forma apropriada. A destinação final desses resíduos sólidos recolhidos é outro grande problema em mais 80% dos municípios brasileiros esses resíduos são dispostos a céu aberto, em cursos d’água ou em áreas ambientalmente protegidas. Define-se como Resíduos Sólidos: “Resíduos nos estados sólido e semissólido, que resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos, cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis, em face à melhor tecnologia disponível”. Desta 49 forma é importante salientar que quando se diz “resíduo sólido” nem sempre podemos associar de que o resíduo está no seu estado sólido. Os resíduos sólidos podem ser agrupados em cinco classes, de acordo com sua origem, que são: » Lixo doméstico ou residencial – gerados nas atividades domesticas diárias, em edificações residenciais. » Lixo comercial – gerados nas atividades de estabelecimentos comerciais. » Lixo público – presentes em logradouros públicos, geralmente vindos da própria natureza ou descartados irregularmente pela população. » Lixo domiciliar especial – grupo que compreende os entulhos de obras, pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes e pneus. Nesse grupo, os elementos químicos como o chumbo, o cádmio, o níquel, a prata, o lítio, o manganês, o zinco e o mercúrio presentes em pilhas baterias e o ultimo também nas lâmpadas fluorescentes, são os grandes vilões na contaminação do solo quando lançados diretamente sobre ele. » Lixo de fontes especiais – são resíduos que merecem atenção especial devido as suas peculiaridades são eles: lixo industrial, lixo radioativo, lixo de portos, aeroportos e terminais rodoviários, lixo agrícola e resíduo de serviços de saúde. Histórico e Aspectos Legais: No Brasil, a preocupação com os resíduos sólidos, teve início oficialmente em 25 de novembro de 1880, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do império, por meio do Decreto no 3024 aprovando o contrato de limpeza e conservação que foi executado por Francisco Gary8 . No ano de 1954, com a publicação da Lei Federal nº 2.312 (BRASIL, 1954), que introduziu como uma de suas diretrizes em seu art. 12: “a coleta, o transporte, e o destino final do lixo, deverão processar-se em condições que não tragam inconvenientes à saúde e ao bem-estar públicos”. 8 Nome que originou o termo gari para os limpadores de rua. 50 Em 1961, com a publicação do Código Nacional de Saúde – Decreto no 49.974-A (BRASIL, 1961), tal diretriz foi novamente confirmada, por meio do art. 40. No final da década de 1970, por meio do Ministério do Interior – MINTER, foi baixada a Portaria MINTER nº 53, de 1/3/1979 (BRASIL, 1979), que dispõe sobre o controle dos resíduos sólidos, provenientes de todas as atividades humanas, como forma de prevenir a poluição do solo, do ar e das águas. O Ministério do Interior abrigava àquela época a Secretaria Especial de Meio Ambiente - SEMA, atualmente extinta e substituída pelo Ministério de Meio Ambiente – MMA. A referida Portaria determina que os resíduos sólidos de natureza tóxica, bem como os que contêm substâncias inflamáveis, corrosivas, explosivas, radioativas e outras consideradas prejudiciais, devem sofrer tratamento ou acondicionamento adequado, no local de produção, e nas condições estabelecidas pelo órgão estadual de controle da poluição e de preservação ambiental. A Portaria MINTER Nº 53, de 1o de março de 1979, em seu inciso X, determina também, que os resíduos sólidos ou semissólidos de qualquer natureza não devem ser colocados ou incinerados a céu aberto, tolerando-se apenas: » a acumulação temporária de resíduos de qualquer natureza, em locais previamente aprovados, desde que isso não ofereça riscos à saúde pública e ao meio ambiente, a critério das autoridades de controle da poluição e de preservação ambiental ou de saúde pública; » a incineração de resíduos sólidos ou semissólidos de qualquer natureza, a céu aberto, em situações de emergência sanitária. Essa Portaria veio balizar o controle dos resíduos sólidos no país, seja de natureza industrial, domiciliar, de serviços de saúde, entre outros gerados pelas diversas atividades humanas. CONSTITUIÇÃO FEDERAL - 1988 Com a promulgação da Constituição Federal – CF, em 1988, a questão dos resíduos sólidos, por meio de artigos relacionados à saúde e ao meio ambiente passou a ser matéria constitucional. Em seu art. 23, verifica-se que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: » proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas, e o art. 200 determina que ao sistema único de saúde compete, além 51 de outras atribuições, nos termos da lei: “IV – participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento básico; VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho”. Sendo assim, compete ao Poder Público no âmbito federal, estadual, distrital e municipal, fiscalizar e controlar as atividades efetiva ou potencialmente poluidoras, fixando normas, diretrizes e procedimentos a serem observados por toda a coletividade. A CF/88 também determina no seu art.30 que compete aos municípios: » organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, que tem caráter essencial. Compete então ao poder municipal a prestação do serviço de limpeza pública, incluindo a varrição, coleta, transporte e o destino final dos resíduos sólidos gerados pela comunidade local, entendido como de caráter essencial, que diz respeito primordialmente à saúde pública e a degradação ambiental. No passado havia uma cultura bastante enraizada de que os resíduos sólidos, comumente denominados LIXO, deviam ser dispostos em áreas alagadas, nos mangues, encostas, beiras de rios e estradas, bem distante das áreas nobres residenciais. Hoje, sabe-se dos danos causados pela má disposição desses resíduos, e tanto a nível legal como a nível técnico têm- se feito grandes avanços. As prefeituras locais têm mudado de posturae buscado alternativas de concepção e tecnológicas para o adequado manejo dos resíduos sólidos. Algumas iniciativas foram surgindo no início de 1990, por meio de emendas parlamentares destinadas a financiar a coleta e o tratamento de resíduos. Em 19 de setembro de 1990, foi sancionada a Lei Federal no 8.080, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes, que regulamentou o art. 200, da Constituição Federal de 1988, conferindo ao SUS, além da promoção da saúde da população, dentre outros, a participação na formulação da política e na execução de ações de saneamento básico e na proteção do meio ambiente. Nessa época, a FUNASA/MS iniciava os primeiros passos para apoiar os municípios na implantação de unidades de compostagem em pequenas comunidades. RESOLUÇÃO CONAMA no 358, de 29 de abril de 2005 52 Na área da saúde, tornou-se imprescindível a adoção de procedimentos que visem controlar a geração e disposição dos resíduos de serviços de saúde, principalmente devido ao crescente aumento da complexidade dos tratamentos médicos, com o uso de novas tecnologias, equipamentos, artigos hospitalares e produtos químicos, aliado ao manejo inadequado dos resíduos gerados, como a queima a céu aberto, disposição em lixões, dentre outros. Assim sendo, o Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA, criado por meio da Lei Federal no 6.938, de 31/8/1981, aprovou a Resolução no 5, em 5/8/1993, que dispõe sobre o gerenciamento dos resíduos sólidos oriundos de serviços de saúde, portos, aeroportos e terminais ferroviários e rodoviários. É importante salientar que os Resíduos de Serviços de Saúde - Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde não se restringem apenas aos resíduos gerados nos hospitais, mas também a todos os demais estabelecimentos geradores de resíduos de saúde, a exemplo de laboratórios patológicos e de análises clínicas, clínicas veterinárias, centros de pesquisas, laboratórios, bancos de sangue, consultórios médicos, odontológicos e similares. A Resolução CONAMA no 358/2005, traz em seu bojo alguns aspectos importantes que serão elencados a seguir e estabelece a classificação para os resíduos gerados nos estabelecimentos prestadores de serviços de saúde, em quatro grupos (biológicos, químicos, radioativos e comuns). Por sua vez a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, publicou a RDC no 306/2004, que determina o gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde. A lei federal Nº 11.445 de 5 de janeiro de 2007 estabeleceu as diretrizes nacionais para o saneamento básico e definiu uma Política Federal de Saneamento Básico. Esta lei não trata exclusivamente do setor de resíduos sólidos, como se pode perceber. Ela versa sobre todos os setores do saneamento básico (drenagem urbana, abastecimento de água, esgotamento sanitário e resíduos sólidos), conforme seu artigo 2º, que traz entre seus princípios fundamentais: “III - abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente;” No artigo 7º, a Lei 11.445 especifica as atividades que constituem o serviço de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos urbanos: 53 “I - de coleta, transbordo e transporte dos resíduos relacionados na alínea c do inciso I do caput do art. 3o desta Lei; II - de triagem para fins de reuso ou reciclagem, de tratamento, inclusive por compostagem, e de disposição final dos resíduos relacionados na alínea c do inciso I do caput do art. 3o desta Lei; “III - de varrição, capina e poda de árvores em vias e logradouros públicos e outros eventuais serviços pertinentes à limpeza pública urbana.” Em seu artigo 19, a Lei 11.445 estabelece que a prestação de serviços públicos de saneamento básico observará plano, que poderá ser específico para cada serviço, o qual abrangerá, no mínimo: I - diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as causas das deficiências detectadas; II - objetivos e metas de curto, médio e longo prazos para a universalização, admitidas soluções graduais e progressivas, observando a compatibilidade com os demais planos setoriais; III - programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas, de modo compatível com os respectivos planos plurianuais e com outros planos governamentais correlatos, identificando possíveis fontes de financiamento; IV - ações para emergências e contingências; V - mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações programadas. A Lei 11.445 define que os planos de saneamento básico serão editados pelos titulares, podendo ser elaborados com base em estudos fornecidos pelos prestadores de cada serviço. A Lei 12.305, de agosto de 2010, institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que estabelece princípios, objetivos, instrumentos e diretrizes para a gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos, as responsabilidades dos geradores, do poder público, e dos consumidores, bem como os instrumentos econômicos aplicáveis. Ela consagra um longo processo de amadurecimento de conceitos: princípios como o da prevenção e precaução, do poluidor- pagador, da eco-eficiência, da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto, 54 do reconhecimento do resíduo como bem econômico e de valor social, do direito à informação e ao controle social, entre outros. A Lei 12.305 estabelece uma diferenciação entre resíduo e rejeito num claro estímulo ao reaproveitamento e reciclagem dos materiais, admitindo a disposição final apenas dos rejeitos. Inclui entre os instrumentos da Política as coletas seletivas, os sistemas de logística reversa, e o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas e outras formas de associação dos catadores de materiais recicláveis. Todos têm responsabilidades segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos: o poder público deve apresentar planos para o manejo correto dos materiais (com adoção de processos participativos na sua elaboração e adoção de tecnologias apropriadas); às empresas compete o recolhimento dos produtos após o uso e, à sociedade cabe participar dos programas de coleta seletiva (acondicionando os resíduos adequadamente e de forma diferenciada) e incorporar mudanças de hábitos para reduzir o consumo e a consequente geração. Entre os aspectos relevantes da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a logística reversa é o instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado pelo conjunto de ações, procedimentos e meios para coletar e devolver os resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento em seu ciclo de vida ou em outros ciclos produtivos. Sua implementação será realizada de forma prioritária para seis tipos de resíduos, apresentados neste item. A Lei Federal 12.305, cria também uma hierarquia que deve ser observada para a gestão dos resíduos: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, instituindo uma ordem de precedência que deixa de ser voluntária e passa a ser obrigatória. Os geradores ou operadores com resíduos perigosos estão obrigados, pela força da Lei 12.305, a comprovar capacidade técnica e econômica para o exercício da atividade, inscrevendo-se no Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos. Deverão elaborar plano de gerenciamento deresíduos perigosos, submetendo-o aos órgãos competentes. O cadastro técnico ao qual estarão vinculados é parte integrante do Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais. É também extremamente importante na Lei 12.305 a ênfase dada ao planejamento em todos os níveis, do nacional ao local, e ao planejamento do gerenciamento de determinados resíduos. É exigida a formulação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, dos Planos Estaduais, dos Planos Municipais com as possibilidades de serem elaborados enquanto planos 55 intermunicipais, microrregionais, de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, além dos Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de alguns geradores específicos. Impacto na Saúde e no Ambiente Vários são os agravos relacionados aos resíduos sólidos que podem causar efeitos indesejáveis com possível repercussão na saúde. Embora do ponto de vista sanitário, a importância dos resíduos sólidos como causa direta de doenças não esteja comprovada, como fator indireto, os resíduos sólidos exercem grande importância na transmissão de doenças como, por exemplo, por meio de vetores como artrópodes – moscas, mosquitos, baratas – e roedores que encontram nos resíduos sólidos alimento e condições adequadas para proliferação (Forattini, 1969; Oliveira, 1975; Najm, 1982; Bertussi Filho, 1994). Gerado e manejado de forma inadequada no ambiente, os resíduos sólidos podem contribuir para a poluição biológica, física e química do solo, da água (subterrânea e superficial) e do ar, submetendo as pessoas às variadas formas de exposição ambiental, além do contato direto ou indireto com vetores biológicos e mecânicos. Os Resíduos de Serviços de Saúde – Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde, apesar de representarem uma pequena parcela dos resíduos sólidos gerados por uma comunidade são compostos por diferentes frações geradas nos estabelecimentos de saúde, compreendendo desde os materiais perfurocortantes contaminados com agentes biológicos, peças anatômicas, produtos químicos tóxicos e materiais perigosos como solventes, quimioterápicos, produtos químicos fotográficos, formaldeído, radionuclídeos, mercúrio etc. até vidros vazios, caixas de papelão, papel de escritório, plásticos descartáveis e resíduos alimentares, que se não forem gerenciados de forma adequada, representam fontes potenciais de impacto negativo no ambiente e de disseminação de doenças, podendo oferecer perigo para os trabalhadores dos estabelecimentos de saúde, bem como para os pacientes e para a comunidade em geral. Considerando que as ações preventivas são menos onerosas e minimizam os danos à saúde pública e ao meio ambiente (BRASIL, 1993), o estabelecimento de saúde contemporaneamente é visto como uma unidade ou um conjunto de unidades produtivas devendo funcionar com processos, produtos e procedimentos de produção limpa, utilizando tecnologias limpas9. Ênfase no uso adequado e conservação de recursos ambientais, dentre 9 O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA conceitua tecnologias limpas ou ambientais como a aplicação, de forma contínua, de uma estratégia ambiental aos processos e produtos, visando prevenir a geração de resíduos e minimizar o uso de matériasprimas e energia, a fi m de reduzir riscos ao meio ambiente e ao ser humano. 56 eles, água e energia, além da instituição de processos, produtos e procedimentos econômicos e ambientalmente adequados, inclusive no gerenciamento de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde, por meio de não geração ou minimização dos mesmos, é uma nova forma de atuação exigida pela sociedade que se impõe. Na década de 1970, pensava-se na disposição correta dos resíduos. Na de 1980, o foco passou a ser a reciclagem. Porém na de noventa o foco voltou-se para a minimização dos resíduos, ou seja, reduzir o consumo de energia e matéria-prima em primeiro lugar, reutilizar em segundo e, por fi m, reciclar. Portanto, as tecnologias limpas ou ambientais rompem com o modelo tradicional, reordenam prioridades e sintetizam o desenvolvimento de políticas de gestão de resíduos havidas nas últimas três décadas. As informações de acidentes associados à infecção nos trabalhadores de saúde se referem em sua imensa maioria a países desenvolvidos. A documentação de casos da América Latina, África e Ásia é parcial ou praticamente inexistente. Este vazio de informações e de conteúdos estatísticos se deve em parte a carência de denúncias e a falta de registro de dados, redundando em uma redução da magnitude do problema. Evidências epidemiológicas no Canadá, Japão e Estados Unidos estabeleceram que os resíduos biológicos dos hospitais são causas diretas da transmissão dos agentes HIV, que produz a AIDS e, ainda com maior frequência, do vírus que transmite a Hepatite B ou C, por meio das lesões causadas por agulhas e outros perfurocortantes (Coad, 1992). Infecções Hospitalares O Sistema Único de Saúde – SUS tem gasto uma quantia considerável com doenças de possível erradicação, provenientes do gerenciamento inadequado de resíduos, e com aquelas causadas pela contaminação ambiental. Investigações efetuadas em hospitais do Brasil e da Espanha estimam que entre 5% e 8,5% dos leitos são ocupados por pacientes que contraíram alguma infecção hospitalar. A Associação Paulista de Estudos de Controle de Infecções Hospitalares assegura que 50% desses casos são atribuídos a problemas de saneamento e higiene ambiental, instalações inadequadas, negligência dos profissionais de Saúde ao manipular materiais, tratar pacientes ou transitar em lugares de risco e que o manejo inadequado dos resíduos é responsável direta ou indiretamente por 10% das enfermidades adquiridas pelos pacientes durante o internamento. As infecções hospitalares incrementam de maneira considerável os custos da atenção médica. 57 Segundo dados da OMS/OPAS, 50% das infecções hospitalares são evitáveis se houver implementação de medidas adequadas de saneamento e manejo dos Resíduos de Serviços de Saúde – Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde (PERU, s.d.). Entre as principais enfermidades ocasionadas pelo manejo incorreto dos resíduos sólidos e os de serviços de saúde contaminados podemos mencionar: hepatite B e C, AIDS, tuberculose e febre tifóide. A hepatite viral é uma infecção de repercussão sistêmica que afeta principalmente o fígado, causada pelo vírus hepatotropos, que tem uma afinidade especial pela célula hepática. Identificou-se vários agentes virais denominados A, B, C, D, E, F e G, mas a nível infeccioso, os mais frequentes são B e C. A infecção pelo agente da hepatite B pode ocasionar casos graves, do tipo hepatite fulminante, com destruição massiva do fígado, desenvolvimento clínico de coma hepático, com uma mortalidade, neste caso, de aproximadamente 80%. A cirrose pode ser desenvolvida entre 5 a 10% dos infectados. Trata-se de uma enfermidade muito difundida no mundo, calculando- se a presença de mais de 200 milhões de portadores. Existem vacinas disponíveis para a imunização ativa desta enfermidade. O agente da hepatite C é um vírus altamente persistente, de difícil tratamento. Esta enfermidade se caracteriza por sintomas mínimos ou ausentes. Em um alto percentual (50 a 60%) se produz uma infecção crônica que, em aproximadamente a metade dos casos, causa uma cirrose com evolução lenta, associada às vezes com carcinoma hepático. É determinada por meio de uma análise específica de sangue; não existe vacina até o momento. A hepatite G foi recentemente identificada. Sua transmissão é fundamentalmente por via parenteral, com um quadro clínicopouco sintomático e com tendência à cronicidade. Há ocorrência de casos de hepatites fulminantes. Não existem vacinas e não há tratamento específico. 58 Quadro 8 – Comparação das hepatites mais comuns CARACTERÍSTICAS HEPATITE A HEPATITE B HEPATITE C INCUBAÇÃO COMEÇO IDADE TRANSMISSÃO PROFILAXIA 15-45 dias (média 30) Agudo Crianças-jovens e adultos Fecal-oral Vacina 30-180 dias (média 60-90) Lento-Insidioso Qualquer idade Pele perfurada Mucosa Pele não intacta Vacina 15-160 dias (média 50) Insidioso Qualquer idade Pele perfurada Mucosa Pele não intacta Não tem Fonte: Guia de Capacitación - Gestión y Manejo de Desechos Sólidos Hospitalarios (1996) HIV é o agente da imunodefi ciência humana, um retrovirus conhecido desde 1981. Ainda que seu índice de transmissibilidade seja relativamente baixo, comparado com outras enfermidades infecciosas, tem um elevado impacto de ordem psicológica. O risco de contágio nos estabelecimentos de saúde, como consequência de acidentes com perfurocortantes, é muito baixo: menor de 0,4%. Na maioria das pessoas infectadas se desenvolve lentamente, com períodos de incubação que podem ultrapassar os 10 anos. Durante este tempo, os infectados não apresentam sintomas (zero positivos), mas podem transmitir a infecção. Outras pessoas não apresentam sintomas claros, e a doença é diagnosticada quando o sistema imunológico não pode defendê-las, aparecendo então as enfermidades oportunistas ocasionadas principalmente, por vírus, fungos e parasitas. Tuberculose é uma enfermidade causada pelo bacilo de Koch (mycobacterium turbeculosis), que ataca preferencialmente o pulmão. Manifesta-se com febre vespertina média, com ataque progressivo ao estado geral, tosse produtiva, hemóptica. Febre tifóide é uma enfermidade muito frequente nos países em desenvolvimento, produzida por uma bactéria (Salmonella typhy). Manifesta-se com febre, mal estar geral contínuo, manchas vermelhas no tronco, tosse não produtiva e diarreia. Modo de transmissão: pela água e pelos alimentos contaminados com fezes ou urina de um enfermo ou portador assintomático. As enfermidades citadas anteriormente são as que por sua gravidade e incidência são consideradas geralmente as mais perigosas entre as relacionadas com Resíduos Sólidos de 59 Serviços de Saúde. Além destas, existem outras que podem ter a mesma ou maior incidência percentual. Estas enfermidades se transmitem de acordo com o relacionado no Quadro 2. Quadro 9 – Transmissão de algumas enfermidades Bactérias: Coliformes, Salmonellas e Shigella sp., Pseudomonas, Estreptococos e Staphylococcus aureus. Fungos: Cândida albicans. Vírus: Influenza, vírus entérico. Fonte: Programa de Fortalecimento de los servicios de salud, DIGEMA/MINSA, Lima, Perú, 1995. As infecções mencionadas podem afetar também aos trabalhadores hospitalares que não estão diretamente envolvidos no manejo de resíduos. Devem estabelecer, portanto, programas para a busca de portadores e relação de acidentes, com a adequada vigilância epidemiológica/ sanitária, suporte clínico, imunizações e as normas de proteção modernas disponíveis. Quadro 10 – Principais enfermidades transmissíveis pelo manejo de resíduos sólidos ASPECTOS DA ENFERMIDADE HEPATITE B HEPATITE C HIV DESCRIÇÃO Anorexia, moléstias abdominais vagas, icterícia, colúria, mal estado geral. Afeta o fígado. Pode se apresentar como: aguda, crônica, fulminante e além disso produz cirrose ou carcinoma hepático (1%) Mesma sintomatologia, mesmo assim pode demorar muitos anos para aparecer. Pode manifestar-se como aguda ou crônica. Perda de peso progressivo não especificado. Infecções frequentes na pele e mucosas, nas vias respiratórias, diarreia crônica. ETIOLOGIA Vírus da hepatite B. Vírus da hepatite C. Vírus da imunodeficiência humana (HIV). PERÍODO DE INCUBAÇÃO 30-180 dias. Já se detectou casos de 2 semanas de incubação. Média 60-90 dias. 15-160 dias. Média 50 dias. Desconhecido. Dados epidemiológicos sugerem de 6 meses a 10 anos MECANISMOS DE TRANSMISSÃO PARA TRABALHADORES HOSPITALARES Exposição subcutânea, como ocorre por acidentes com objetos perfurocortantes contaminados (picadas, cortes ou arranhões). Salpiques de resíduos contaminados nas Acidentes com objetos perfurocortantes (picadas, cortes ou arranhões). Salpiques de resíduos contaminados nas mucosas ou pele não intacta Acidentes com objetos perfurocortantes (picadas, cortes ou arranhões). Salpiques de resíduos contaminados nas mucosas ou pele não intacta 60 mucosas ou pele não intacta. MEDIDAS DE PREVENÇÃO Aplicar as normas e procedimentos de manejo de resíduos perfurocortantes e não reencapar as agulhas. Caso isto seja indispensável, fazê-lo utilizando a técnica de uma só mão ou por meio de uma pinça. Usar a técnica de assepsia médica de forma correta. Despeje todo objeto perfurocortante em recipiente rígido, resistente a perfurantes, com tampa. Despeje as placentas ou outros materiais orgânicos, evitando os salpiques nas mucosas e pele não intacta. Usar todos os materiais equipamentos cumprindo as medidas de biossegurança. Vacinar contra a hepatite todo o pessoal envolvido no manejo dos resíduos sólidos Fonte: Guía de Capacitación - Gestión y Manejo de Desechos Sólidos Hospitalarios (1996) TRATAMENTO E DISPOSIÇÃO FINAL A segregação dos Resíduos Sólidos pode ser encarada como parte integrante do tratamento, pois permite maior leque de opções na atividade de tratamento propriamente dita. A finalidade de qualquer sistema de tratamento é eliminar as características de periculosidade dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). Para efeito de tratamento, merecem destaque os resíduos do Grupo A (Resíduos Biológicos), do Grupo B (Resíduos Químicos) e do Grupo C (Rejeitos Radioativos). Cada um desses grupos de resíduos tem características próprias, o que implica em tratamento específico. O quadro 8, apresentado a seguir, resume os métodos de tratamento adequado aos diversos grupos de resíduos. 61 Quadro 11 – Resumo dos métodos de tratamento e disposição final recomendados segundo o grupo de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde perigoso. MÉTODOS DE TRATAMENTO GRUPOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE GRUPO A RESÍDUOS BIOLÓGICOS GRUPO B RESÍDUOS QUÍMICOS GRUPO C RESÍDUOS RADIOATIVOS INCINERAÇÃO X X AUTOCLAVE X TRATAMENTO QUÍMICO X MICROONDAS X IRRADIAÇÃO X DECAIMENTO X Fonte: Guía de Capacitación - Gestión y Manejo de Desechos Sólidos Hospitalarios (1996) Nesta publicação, o termo tratamento está associado ao tratamento dos Resíduos Biológicos (Grupo A). Todavia, é importante ressaltar que, no caso de incineração, esse método é adequado ao tratamento dos Resíduos Químicos (Grupo B). Com essas considerações iniciais, pode-se afirmar que os processos de tratamento dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde se subdividem substancialmente em dois tipos (Gandolla, 1997): 1. tratamento “parcial” ou esterilizante, é um tratamento realizado antes do encaminhado do Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde para outra instalação de tratamento. A massa e as propriedades físico-químicas não são fundamentalmente modificadas; 2. tratamento “completo” (inertização físico-química) com o objetivo de permitir a disposição finalao meio ambiente de uma maneira segura. Os tratamentos “parciais” atualmente existentes no mercado são geralmente autoclavagem, tratamentos químicos, irradiação e microondas. Os tratamentos “completos” existentes atualmente no mercado são geralmente do tipo térmico e alcançam temperatura entre 800 e 1200ºC. Nessa categoria estão o incinerador, o queimador elétrico e a tocha de plasma. Geralmente apenas os tratamentos “completos” garantem a realização de três objetivos: 62 Objetivo 1: esterilização do fluxo de saída (exemplo: sangue, restos da sala de cirurgia etc.). Em muitos casos, o tratamento médico de pessoas com doenças infecciosas, ou potencialmente infectadas, necessita de medidas concretas para evitar a transmissão da infecção a outras pessoas. Objetivo 2: destruição de moléculas altamente tóxicas e estabilização de elementos críticos (metais pesados presentes no fluxo de saída (exemplo: medicamentos vencidos ou parcialmente utilizados, materiais contaminados com tais medicamentos etc.). Alguns medicamentos utilizados para a cura de doenças especiais (exemplo: produtos citostáticos para tratar tumores) possuem substâncias ou elementos particularmente tóxicos ou perigosos. Objetivo 3: destruição das moléculas responsáveis do efeito curativo dos medicamentos geralmente presentes nos fluxos de saída (exemplo: medicamentos vencidos ou parcialmente utilizados). Alguns medicamentos (exemplo: antibióticos) utilizados para a cura de doenças especiais como a tuberculose, podem perder rapidamente a maior parte de sua eficácia, devido ao aparecimento de microorganismos resistentes. Análise dos Métodos de Tratamento dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde Um grande número de métodos, procedimentos e equipamentos destinados ao tratamento dos resíduos biológicos, grupo A, aparecem no mercado. Tendo em conta as diferentes percepções dos riscos envolvidos e da complexidade das instalações oferecidas, os estabelecimentos e autoridades relacionadas não sabem frequentemente sobre quais critérios embasar sua escolha (Suíça, 1994). Qualquer que seja o método de tratamento ou o equipamento escolhido, este deverá ser de uso exclusivo para os Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde. Uma análise preliminar mostra que os procedimentos atuais de tratamento dos resíduos infectantes se dividem em duas categorias: a esterilização e a incineração (Suíça, 1994). Esterilização: » Autoclave; » Tratamento químico; 63 » Ionização; » Micro-ondas. Incineração: » Incineração no hospital: › Incineração centralizada para resíduos hospitalares de uma região;: › Incineração para resíduos perigosos; › Usinas de incineração de resíduos domésticos; › Novas técnicas. Esterilização A esterilização tem por objetivo suprimir todo microorganismo suscetível de se reproduzir (formas vegetativas e esporuladas). Na prática médica, fala-se de esterilização quando a probabilidade que uma unidade seja não estéril for inferior a 10-6 (Suíça, 1994). Existem diferentes processos de esterilização, podendo-se agrupá-los em: » meios físicos, que compreendem o calor e as radiações ionizantes; » meios químicos, que empregam gases (óxido de etileno, formaldeído) ou líquidos microbicidas, notadamente o glutaldeído. Qualquer que seja o procedimento utilizado, a esterilização só pode ser obtida se existir um contato efetivo entre o agente microbicida (físico ou químico) e os microorganismos. A ação microbicida de um agente reduz o número de microorganismos presentes em uma população numa proporção que depende do agente utilizado, das condições da experiência e do tempo. Praticamente, pode se determinar o número de microorganismos sobreviventes procedendo-se a coletas em determinado tempo (técnica de cultura quantitativa por diluições em série). Pode-se aqui relevar a importância da trituração em todos os procedimentos da esterilização, permitindo se: » reduzir o volume dos resíduos; 64 » romper volumes fechados que poderiam se opor à penetração do vapor ou dos agentes desinfetantes nos resíduos; » obter uma homogeneização e uma granulação apropriada para o tratamento dos resíduos; » uma banalização visual. Entretanto, vale observar que a trituração possibilita o aumento do risco de contaminação em face do manuseio dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde e da manutenção e conservação do triturador. Autoclave Consiste em submeter os resíduos biológicos a um tratamento térmico, sob certas condições de pressão, em uma câmara selada (autoclave) por um tempo determinado, com prévia extração do ar presente (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). Todos os tipos de microorganismos podem ser mortos pelo calor (seco ou úmido), se eles forem expostos a uma temperatura adaptada a seu nível de resistência. Para os esporos bacterianos, trata-se de temperaturas superiores a 100ºC (Suíça, 1994). A rapidez com a qual os microorganismos são mortos depende, em uma larga medida, do nível de umidade relativa. Ela é máxima quando a umidade é 100% (atmosfera saturada em vapor d’água). A autoclave a vapor é um método apropriado de tratamento de resíduos de laboratórios de microbiologia, de resíduos de sangue e de líquidos orgânicos humanos, de objetos perfurocortantes e de resíduos animais, que não podem ser triturados. Por outro lado, esse método não convém para tratar resíduos anatômicos humanos e animais. A efi ciência da operação de descontaminação dos resíduos depende da temperatura a qual eles são submetidos e também da duração do contato com o vapor. Considerando que os resíduos são aquecidos pela penetração do vapor e pela condução térmica, é necessário que todo o ar seja extraído e que os recipientes contendo os resíduos possam facilmente deixar penetrar o vapor. As condições habituais de funcionamento consistem em uma temperatura de pelo menos 121ºC durante mais de 60 minutos (SUIÇA, 1994). 65 Encontram-se disponíveis no mercado autoclaves de diferentes tamanhos que podem ser selecionadas de acordo com a quantidade de resíduos gerados por um estabelecimento ou grupo de estabelecimentos. As temperaturas de tratamento variam de 100 a 160ºC e a duração do tratamento de 20 a 120 minutos. As capacidades são muito variadas, desde a pequena instalação de 20 litros, até o contêiner de 800kg. A penetração do vapor nos resíduos é um elemento crítico de efi ciência da autoclave. É preciso dar uma atenção particular a embalagem, que deve permitir uma boa penetração do vapor. O volume e o tamanho da carga de resíduos na autoclave influenciam igualmente a eficiência da operação de descontaminação. No caso das autoclaves de laboratório de pequena capacidade, o tratamento pode ser eficaz quando se divide uma grande carga em duas pequenas cargas separadas. Em outro caso, como não existe "carga normalizada” para uma autoclave, o estabelecimento de saúde pode ter que se habituar aos parâmetros da autoclave. Como no caso de outras técnicas de tratamento, é essencial utilizar a autoclave de maneira adequada para obter a eficiência ótima, seguindo as instruções operacionais do manual de instruções. Para verificar a eficiência do ciclo da autoclave, utiliza-se habitualmente indicadores químicos ou biológicos. Certos indicadores químicos não são algumas vezes recomendados, pois eles indicam unicamente se a temperatura foi atingida, e não o tempo durante o qual ela foi mantida. Considera-se habitualmente que os indicadores biológicos, como a presença do Bacillus stearothermophilus, são mais confiáveis. A eficiência da autoclave deve ser verificada regularmente, de acordo com a frequência queela é utilizada. Os resíduos contendo citotóxicos, produtos químicos tóxicos ou perigosos, que possam emanar vapores ou se volatizar, não devem ser autoclavados, pois eles não são degradados nas temperaturas atingidas normalmente neste tipo de aparelho. Dentre esses resíduos, destacam-se tecidos, órgãos ou membros extraídos de pacientes submetidos à quimioterapia. Os fatores principais que devem ser considerados quando se tratam resíduos biológicos mediante a esterilização a vapor são (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996): » o tipo de resíduo; » as embalagens e os recipientes; 66 » o volume de resíduos e o tipo de carregamento na câmara de tratamento. Os resíduos biológicos de baixa densidade, tais como muitos materiais plásticos, são mais adequados para a esterilização a vapor. Os resíduos de alta densidade, tais como partes grandes de corpos e quantidades grande de matéria animal ou de fluidos, dificultam a penetração do vapor e requer um tempo mais longo de esterilização. No caso em que se gere uma grande quantidade de resíduos de alta densidade, deve-se considerar métodos de tratamentos alternativos como, por exemplo, a incineração ou o uso prévio de trituradores (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). Resíduos anatômicos – Não se recomenda autoclavar, nem tratar quimicamente, nem por microondas, nem dispor em aterro sanitário, por razões culturais e éticas. É desaconselhável a trituração preliminar, principalmente de fetos. Recomenda-se dispor em cemitério. Na autoclave a vapor se deve utilizar recipientes que permitam a penetração do vapor sem derretê-los. Quando os recipientes utilizados para conter os resíduos biológicos não respondem a essas características, deverá se proceder da seguinte forma: a. quando se utilizam recipientes que derretem com o calor, é recomendável coloca-los dentro de outros recipientes (plástico rígido ou bolsas resistentes ao calor) para evitar sujar ou danificar as paredes da autoclave e facilitar a extração dos resíduos tratados; b. no caso de recipientes de plástico (por exemplo, polietileno), que são resistentes ao calor, porém, impedem a penetração do vapor, é necessário primeiro destampá-los para que o processo de esterilização seja efetivado. O volume do resíduo é um fator importante na esterilização a vapor. Considerando que pode ser difícil atingir a temperatura de esterilização com grandes cargas, pode ser mais eficiente tratar uma quantidade grande de resíduos com cargas pequenas, em lugar de apenas uma (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). Vantagens: » alto grau de eficiência; » é um equipamento simples de operar; 67 » é um equipamento conceitualmente similar a outros normalmente utilizados em estabelecimentos de saúde (autoclaves para esterilização). Desvantagens: » não reduz o volume dos resíduos tratados; » pode produzir maus odores e gerar aerossóis; » é necessário utilizar recipientes ou bolsas termo resistentes, que têm custos relativamente elevados; » não é conveniente para resíduos anatômicos porque continuam sendo reconhecíveis depois do tratamento; » os aparatos de vapores são escassamente utilizados em países tropicais, de tal maneira que não há familiaridade com os riscos que implicam. O pessoal envolvido com a esterilização a vapor deve ser educado em técnicas apropriadas para minimizar a exposição pessoal a perigos que o uso da autoclave pode gerar. Estas técnicas incluem uso de equipamento protetor, técnicas para reduzir ao mínimo a produção de aerossóis e técnicas para a prevenção de derramamento de resíduos durante a carga da autoclave (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). Tratamento Químico A descontaminação química pode ser um método apropriado para tratar os resíduos de laboratórios de microbiologia, os resíduos de sangue e de líquidos orgânicos humanos, assim como os objetos perfurocortantes. Este método não deve ser utilizado para tratar os resíduos anatômicos (Suíça, 1994). A descontaminação química é mais frequentemente utilizada para tratar os resíduos líquidos antes de sua eliminação. Ela é útil para descontaminar os lugares onde os resíduos foram deixados (desinfecção de superfície clássica). Quando se utiliza descontaminação química, deve ser levado em conta os seguintes fatores: o tipo de microorganismo, o grau de contaminação, o tipo de desinfetante, o mesmo para a concentração e a quantidade de desinfetante utilizado. Outros fatores podem ser pertinentes: a temperatura, o pH, o grau de mistura e a duração do contato do desinfetante com os resíduos contaminados. 68 O hipoclorito de sódio (água sanitária doméstica) é frequentemente utilizado como desinfetante. O óxido de etileno é um gás de efeito bactericida, mas precauções devem ser tomadas quando for empregado. Ele pode causar queimaduras, mutagênese e provavelmente carcinogênese. Um outro inconveniente do óxido de etileno é o risco de explosão. Para diminuir este risco, ele é misturado com CFC-12 (diclorodifl uormetano) ou com produtos de substituição menos nocivos para a camada de ozônio, conforme o protocolo de Montreal (por exemplo: HFC- 134a). Apesar destas desvantagens, a esterilização por óxido de etileno é muito eficaz e atua a baixa temperatura. É preciso ainda ressaltar que a concentração de óxido de etileno no ar ambiente não deve ultrapassar 1ppm, e que este gás é inodoro, mesmo em fortes concentrações. O formaldeído é igualmente um gás esterilizante, que se decompõe em forma de vapor a partir de uma solução aquosa de formol. A esterilização com ajuda de formaldeído se efetua a 80ºC em 45min. aproximadamente. Como para o óxido de etileno, os resíduos tóxicos são gerados e uma desabsorção é necessária. Por outro lado, os vapores de formaldeído não são inflamáveis. A eficácia de uma desinfecção química depende de três fatores (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996): » tipo de desinfetante utilizado; » sua concentração; » tempo de contato. Vantagens: » baixo custo; » pode ser realizada na fonte de geração. Desvantagens: » pode ser ineficaz contra cepas de patogênicos resistentes a determinados químicos; 69 » as oportunidades de desinfectar quimicamente o interior de uma agulha ou de uma seringa são muito baixas; » pode aumentar os riscos, porque há tendência a se considerar que os resíduos tratados com desinfetantes são seguros; » não reduz o volume dos resíduos tratados; » a disposição do desinfetante utilizado no sistema de esgotamento sanitário pode afetar o funcionamento do tratamento de águas residuárias, afetando o processo de degradação biológica. Ionização A ionização por bombardeamento iônico é um processo muito útil na indústria para o tratamento dos alimentos. A sua utilização para o tratamento dos resíduos está ainda em fase experimental (Suíça, 1994). Consiste em destruir os agentes patológicos presentes nos resíduos mediante sua exposição a radiações ionizantes (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). Deve-se realizar a trituração preliminar para melhorar a eficiência desse procedimento. A irradiação é um processo de alta tecnologia que deve ser operado com grandes precauções e necessita de estruturas físicas adequadas. Por tais razões não se recomenda, sobretudo, em situações nas quais não haja técnicos disponíveis e bem capacitados, ou onde os acessórios materiais de reposição não sejam fáceis de se obter. Os riscos que se enfrentam na utilização de substâncias radioativas são bem conhecidos: danos ao patrimônio genético, àmedula óssea, às células do sangue e à pele (enfermidades neoplásicas), entre outros. Vantagens: » alto grau de eficiência; » contaminação mínima; » é menos custosa do que uma desinfecção química. 70 Desvantagens: » requer máxima segurança ante o perigos das radiações; » tecnologia complexa e problemas de manutenção; » pessoal de operação altamente capacitado e estruturas físicas adequadas; » a fonte de irradiação se converte em resíduos perigosos ao terminar sua vida útil. Higienização por Micro-ondas Consiste em submeter os resíduos biológicos, previamente triturados e envolvidos com vapor, a vibrações eletromagnéticas de alta frequência, até alcançar e manter uma temperatura de 95 a 100ºC, pelo tempo determinado pelo fabricante (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). Estas vibrações eletromagnéticas produzem como resultado o movimento, a grande velocidade, das moléculas de água presentes nos resíduos, gerando por fricção intenso calor. O higienizador por micro-ondas foi desenvolvido por uma empresa alemã e instalada originalmente no Hospital Universitário de Gottingen, compreende uma esteira de descarga dos recipientes, que faz o trabalho de trituração. Todos os resíduos são assim reduzidos ao estado de um granulado que, umedecido, avança durante uns vinte minutos, graças a um parafuso de Arquimedes, em uma câmara de desinfecção equipada com uma série de emissores de microondas. Todos os microorganismos, com exceção das formas esporuladas, são destruídos. O granulado assim tratado é descarregado em um recipiente comum que por sua vez é encaminhado diretamente a um compactador central para ser tratado posteriormente em um forno de incineração de resíduos domésticos (Suíça, 1994). A elevação da temperatura é obtida aquecendo os resíduos por exposição a um campo eletromagnético UHF de 2.450Mhz (gama de ondas centimétricas de 12,24cm e variação do campo magnético de 2,45 milhares de vezes por segundo). O emprego de micro-ondas permite aquecer muito rapidamente os resíduos, que devem, entretanto ser umidificados para atingir a temperatura de evaporação da água, a fi m de permitir a ação do campo eletromagnético sobre as moléculas de água. 71 A higienização por micro-ondas não é uma esterilização no sentido restrito. Quando as condições são preenchidas, os controles atestam a descontaminação eficiente dos resíduos, tratando-se de bactérias ou de virus. O processo não é apropriado para grandes quantidades de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde (mais de 800 a 1000kg por dia) e também para resíduos anatômicos. Existe, também, o risco de emissões de aerossóis que podem conter produtos orgânicos perigosos (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). Os sistemas de desinfecção por microondas são muito utilizados para o tratamento local dos resíduos de laboratório e são constituídos por fornos pequenos, cujo princípio de funcionamento é o mesmo dos fornos de microondas de uso doméstico. Nunca se deve colocar objetos metálicos nestes fornos, já que as microondas, ao atingirem o metal, geram cargas elétricas entre estes e as paredes do forno. Por conseguinte, os perfurocortantes, de forma alguma, devem ser tratados neste sistema. Vantagens: » alto grau de eficiência. Desvantagens: » custo de instalação superior ao da autoclave; » não é apropriado para tratar mais de 800 a 1000kg/d de resíduos; » riscos de emissões de aerossóis que podem conter produtos orgânicos perigosos; » requer pessoal especializado e estritas normas de segurança. Incineração Consiste em destruir os resíduos (biológicos e químicos) mediante um processo de combustão no qual estes são reduzidos a cinzas (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). Os incineradores podem queimar a maioria dos resíduos sólidos perigosos, incluindo os farmacêuticos e os químicos orgânicos, exceto os resíduos radioativos e os recipientes pressurizados. 72 Os incineradores modernos são equipados com uma câmara primária e outra secundária de combustão, providas de queimadores capazes de alcançar a combustão completa dos resíduos e uma ampla destruição das substâncias químicas nocivas e tóxicas (dioxinas e furanos etc.). Na câmara de combustão secundária se alcançam temperaturas em torno de 1.100ºC e opera com um tempo de permanência de no mínimo dois segundos. Para tratar o fluxo de gases e as partículas arrastadas, antes de serem liberadas na atmosfera, são agregados torres de lavagem química, ciclones, filtros etc. Os incineradores operam com uma máxima eficiência quando os resíduos que se queimam têm um poder calorífico sufi cientemente alto, ou seja, dizer, quando a combustão produz uma quantidade de calor sufi ciente para evaporar a umidade dos resíduos e manter a temperatura de combustão sem adicionar mais combustível. É preferível que os incineradores operem continuamente, já que as mudanças de temperatura provocadas pelas paradas deterioram rapidamente os revestimentos refratários. Um incinerador cuidadosamente operado tem uma vida útil de 10 a 15 anos. Necessita manutenção constante e uma manutenção anual, que implica uma parada do equipamento entre 20 e 30 dias. Para evitar que as paradas previstas e imprevistas possam causar grandes acúmulos de resíduos, seria desejável dispor de um segundo incinerador capaz de tratar os Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde pelo período de parada do incinerador principal. Como alternativa, uma Vala Séptica ou uma Célula Especial em Aterro Sanitário, para receber os Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde gerados entre os 20-30 dias de parada anual do incinerador. Os incineradores de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde oferecidos no mercado, cujas capacidades variam de alguns kg/h a 8t/h, comportam geralmente um forno de leito fixo, uma pós-combustão, um tratamento das emissões gasosas, e uma recuperação de calor opcional. As temperaturas de combustão, de 800 a 1200ºC, convêm para a incineração de resíduos deste tipo. Eles não devem entretanto ser inferiores a 800ºC (Suíça, 1994). Vantagens: » destrói qualquer material que contém carbono orgânico, incluindo os patogênicos; » produz uma redução importante de volume dos resíduos (80%-95%); » os restos ficam irreconhecíveis e definitivamente não recicláveis; 73 » sob certas condições, permite o tratamento dos resíduos químicos e farmacêuticos; » permite o tratamento dos resíduos anátomo-patológicos. Desvantagens: » custa duas ou três vezes mais que qualquer outro sistema; » supõe um elevado custo de funcionamento pelo consumo de combustível (sobretudo se for carregado com RRS perigosos com alto teor de umidade); » necessita de constante manutenção; » conserva o risco de possíveis emissões de substâncias tóxicas na atmosfera. Incineração in Situ Trata-se de uma incineração em unidades de fraca capacidade, implantadas no estabelecimento de saúde. Os antigos fornos hospitalares têm geralmente capacidade inferior a 1t/h e funcionam de maneira descontínua, causando poluição a cada fase de partida. Não possuem frequentemente performance de tratamento dos gases. Os resíduos são frequentemente incinerados a temperaturas de 300-400ºC, sendo necessário no mínimo uma temperatura de 800ºC para assegurar uma combustão efetuada em boas condições. Incineração Centralizada Neste caso, os Resíduos de Serviços de Saúde – Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde são agrupados tendo em vista o seu tratamento em instalações de maior capacidade, que são geralmente mais rentáveis e mais satisfatórias sob o ponto de vista da proteção do meio ambiente (Suíça, 1994).Pode-se recorrer a três tipos de soluções: » tratamento em incineradores para Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde que tratam vários estabelecimentos de saúde; » tratamento em incineradores para resíduos perigosos; trata-se de fornos rotativos destinados à incineração de resíduos perigosos industriais sólidos ou pastosos; 74 » tratamento em usinas de incineração de resíduos domésticos aptas a incinerar Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde, podendo ser instalações autônomas ou de linhas de fornos específicos localizados ao lado de usinas de incineração de lixo doméstico, com tratamento conjunto dos gases. Novas Técnicas Novas técnicas de incineração foram substituídas, permitindo o tratamento de resíduos contaminados: queimador elétrico, tocha de plasma em particular, permitindo atingir temperaturas muito mais elevadas que nos incineradores clássicos (Suíça, 1994). Queimador elétrico é um queimador alimentado por um arco elétrico, permitindo atingir temperaturas na ordem de 2.700ºC. O princípio da tocha de plasma é produzir um gás a uma temperatura muito alta (podendo atingir 10.000ºC), graças a um arco elétrico. Utilizado para incineração de resíduos, a tocha a plasma não produz escórias nem cinzas voláteis tóxicas, mas um resíduo vitrificado inerte. A temperatura de incineração varia entre 1.600 e 4.000ºC, assegurando assim a destruição das moléculas tóxicas e vitrificação dos metais pesados. Existe um tipo particular de tratamento térmico, de efeito pirolítico, que trata também resíduos contaminados, que permite tratar os resíduos a uma temperatura elevada produzindo escórias contendo teores bastante fracos de não incinerados. Critérios para Seleção do Tipo de Tratamento Para a seleção do tipo de tratamento mais adequado dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde, convém avaliar os seguintes fatores (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996): » impacto ambiental; » custos de instalação e manutenção; » número de horas diárias de utilização do sistema em função da quantidade de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde que serão tratados; » fatores de segurança. Estas avaliações incluem: 75 » investigação dos locais e instalações disponíveis para o tratamento ou eliminação dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde; » cálculo dos custos de todas as opções viáveis para fazer comparações; » revisão dos requisitos normativos e as licenças exigidas para a opção viável; » determinação de custos e dificuldades adicionais que poderiam estar associadas às opções selecionadas. A partir destes dados, o responsável pelo planejamento pode desenvolver uma matriz de alternativas que incorporem as avaliações técnicas, os planos e as análises econômicas que conduzam a um grupo de opções apropriadas. Ao estimar custos, o responsável pelo planejamento deve determinar o investimento de bens de capital, assim como os custos anuais de manutenção, de operação, instalação e amortização do equipamento e considerar, além da conveniência econômica, os seguintes aspectos: » condições específicas locais ou referentes à composição dos resíduos a tratar, que podem causar paradas acidentais de operação ou baixo rendimento da mesma; » condições futuras e mudanças potenciais, tais como as relacionadas com regulamentos e padrões; » atitudes contrárias e a eventual oposição a uma ou mais opções de tratamento ou eliminação. 76 Quadro 12 – Comparação das características de alguns processos de tratamento de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde PROCESSO REDUÇÃO VOLUME EFICIÊNCIA DESINFECÇÃO IMPACTO AMBIENTAL CAPACITAÇÃO PESSOAL CAPACIDADE DE TRATAMENTO CUSTO DE INVESTIMENTO CUSTO OPERAÇÃO Autoclave baixo alta baixo Média(*) Média-baixa média média Tratamento Químico baixa incompleta média média Média-alta média média Irradiação baixa baixa média alta Pequenas unidades alta alta Micro-ondas baixa alta baixa alta Pequenas unidades alta alta Incineração alta Alta(**) baixa alta Sem limites alta alta Fonte: Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996 (**) Com incineradores de bom nível tecnológico. (*) Não se considera a capacitação necessária para manejar equipamentos de produção de vapor. Disposição Final dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde A disposição final dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde se define como seu confinamento em aterro sanitário ou vala séptica, depois de haverem sido submetidos a algum tipo de tratamento como a desinfeção, esterilização ou incineração (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996). Quando se utiliza um processo de tratamento diferente à incineração, é conveniente, como medida de precaução, dispor os Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde em uma célula especial em aterro sanitário ou em vala séptica. 77 A disposição de resíduos infectantes, sem tratamento prévio, em células especiais deve se constituir em um sistema independente, separado dos resíduos comuns e sem a utilização da técnica de compactação, mas garantindo seu recobrimento imediato com terra, seguindo uma metodologia de operação e controle próprios, visando evitar riscos para os operadores e garantindo condições ideais de proteção ao meio ambiente. Considerando que na grande maioria dos municípios brasileiros não existem aterros sanitários e que os resíduos sólidos são dispostos em lixões, é importante fomentar a mudança de atitude sobre a gestão dos aterros municipais, com o objetivo de garantir ao máximo a segurança. É fundamental que as Comissões de Controle de Infecção Hospitalar de cada estabelecimento de saúde desenvolvam um trabalho de sensibilização e envolvimento da municipalidade e comunidades, para encontrar conjuntamente soluções mais seguras. Aterro Sanitário Uma vez que os Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde tenham sofrido segregação prévia e tratamento, o destino final do produto resultante é um aterro sanitário. Esse método de disposição final consiste no confinamento dos resíduos, no menor volume possível, por meio da compactação realizada por tratores esteiras ou rolos compactadores e no isolamento dos detritos em relação ao ar livre, mediante sua cobertura diária com uma camada de solo, preferencialmente argila. Um aterro sanitário deve ter as seguintes características: » célula de segurança em terreno adequadamente impermeabilizado, a fi m de evitar contaminação do solo, em particular, do lençol freático; » totalmente cercado (altura mínima de 2,5 metros) e vigiado 24 horas por dia para evitar a entrada de pessoas não autorizadas; » dispor de um sistema de coleta e tratamento das águas de lixiviação antes de seu lançamento; » dispor de sistema adequado de captação de gases produzidos e posterior liberação na atmosfera; » dispor de sistema de proteção das águas subterrâneas; 78 » dispor de sistema de drenagem de águas pluviais; » dispor de sistema de monitorização do lençol freático e do tratamento de líquidos percolados. É importante ressaltar que Resíduos Químicos (Grupo B) e Rejeitos Radioativos (Grupo C) não devem ser dispostos em aterro sanitário. Valas Sépticas As valas sépticas são apontadas como uma das técnicas de engenharia para aterramento de resíduos biológicos dos estabelecimentos de saúde. Uma característica importante dessa técnica de disposição final é a sua utilização por pequenos municípios brasileiros, principalmente, por ser considerada uma alternativa simples, econômica e para pequenos volumes de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde com características infectantes. Essasolução é possível quando há eficiência na segregação dos resíduos biológicos pelas fontes geradoras, para que haja volumes reduzidos de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde a serem confinados 3.3. Poluição da Água É o lançamento ou infiltração de substâncias nocivas na água. As atividades agrícolas, industriais, mineradoras, os esgotos e a intolerância do homem são as principais fontes de poluição das águas. A medida que crescem as populações, a sustentabilidade do uso humano de água depende fundamentalmente da adaptação das pessoas ao ciclo da água. As sociedades humanas precisam desenvolver a habilidade – conscientização, conhecimento, procedimentos e instituições – para administrar seu uso da terra, como também da água de forma integrada e abrangente, de modo a manter a qualidade do suprimento de água para as pessoas e para os ecossistemas que as suportam. Desde a antiguidade, o homem já lançava os seus detritos na água, porém, esse procedimento não causava muitos problemas, pois os rios, oceanos e lagos têm o poder de autolimpeza. Com o advento da Revolução Industrial, o volume de detritos despejados nas águas aumentou bruscamente, comprometendo a capacidade de purificação dos rio, oceanos e lagos. Diariamente são lançados cerca de 10 bilhões de litros de esgoto poluentes nas áreas de 79 mananciais, rios, lagos e oceanos, provocando um aumento no número de microrganismos decompositores que consomem todo o oxigênio dissolvidos na água, com isso, os peixes que habitam essas regiões podem morrer por asfixia ou pelo envenenamento. A saúde humana pode ser afetada pela grande quantidade de bactérias anaeróbicas que são capazes de viver sem a presença de oxigênio, e também pelas doenças transmitidas pela poluição, como: disenteria, amebíase, esquistossomose, malária, leishmaniose, cólera, entre outras. Na agricultura, os fertilizantes, os pesticidas e herbicidas são levados para os rios pelas chuvas, contaminando os rios e também o solo por onde passa, além de infiltrarem pelo solo podendo contaminar os lençóis freáticos. Controle: » Saneamento básico para todos » Coleta de lixo » Estações de tratamento de esgoto » Gestão ambiental integrada » Utilização de agrotóxicos e fertilizantes mais seguros 80 Gestão Ambiental UNIDADE II CAPÍTULO 1 Sustentabilidade O conceito de sustentabilidade tem origem nas Ciências Biológicas, aplica-se aos recursos renováveis, que podem se exaurir pela exploração descontrolada. Apóia-se na ideia de que só é possível uma exploração permanente, se esta se restringir apenas ao incremento dos recursos ocorrido em um período, preservando a base inicial dos recursos. O limite da exploração seria dado por meio dos estudos capazes de fixar uma taxa de Rendimento Máximo Sustentável, aplicável a cada espécie de recurso renovável. A IUCN, o WWF e o PNUMA publicaram em 1991, o documento Cuidando do Planeta Terra – Caring for the Earth, com as expressões: 1. desenvolvimento sustentável, para indicar a melhoria da qualidade de vida respeitando os limites da capacidade dos ecossistemas; 2. economia sustentável, para indicar a economia que resulta de um desenvolvimento sustentável e que, portanto, conserva a sua base de recursos naturais; 3. uso sustentável, para indicar a utilização de recursos renováveis de acordo com a sua capacidade de reprodução. Para estas entidades, o desenvolvimento deve apoiar-se nas pessoas e suas comunidades e na conservação da biodiversidade e dos processos naturais que sustentam a vida na Terra, tais como os que reciclam a água, purificam o ar e regeneram o solo. O conceito de sustentabilidade não pode se limitar apenas à visão tradicional de estoques e fluxos de recursos naturais e de capitais, é necessário considerar simultaneamente as seguintes dimensões (Sachs): 81 1. sustentabilidade social, com o objetivo de melhorar substancialmente os direitos e as condições de vida das populações e reduzir as distâncias entre os padrões de vida dos diferentes grupos sociais; 2. sustentabilidade econômica, viabilizada por uma alocação e gestão eficiente dos recursos e por fluxos regulares de investimentos públicos e privados, baseada muito mais em critérios sociais do que empresariais; 3. sustentabilidade ecológica, envolvendo medidas para reduzir o consumo de recursos e a produção de resíduos, medidas para intensificar pesquisas e a introdução de tecnologias limpas e poupadoras de recursos e para definir regras que permitam uma adequada proteção ambiental; 4. sustentabilidade espacial contemplando uma configuração mais equilibrada da questão rural- urbana e uma melhor distribuição do território, envolvendo, entre outras preocupações, a concentração excessiva das áreas metropolitanas; e 5. sustentabilidade cultural, para buscar concepções endógenas de desenvolvimento que respeitem as peculiaridades de cada ecossistema, de cada cultura e cada local. Para se alcançar estas dimensões da sustentabilidade, é necessário obedecer simultaneamente aos seguintes critérios: equidade social, prudência ecológica e eficiência econômica. Desenvolvimento Sustentável Substituiu a expressão eco desenvolvimento. A expressão surge pela primeira vez em 1980, no documento denominado World Wildlife Fund (hoje, World Wide Fund for Nature – WWF), por solicitação do PNUMA. Nele, uma estratégia mundial para a conservação da natureza deve alcançar os seguintes objetivos: 1. manter os processos ecológicos essenciais e os sistemas naturais vitais necessários à sobrevivência e ao desenvolvimento do ser humano; 2. preservar a diversidade genética; e 3. assegurar o aproveitamento sustentável das espécies e dos ecossistemas que constituem a base da vida humana. O objetivo da conservação é manter a capacidade do planeta para sustentar o desenvolvimento, e este deve, por sua vez, levar em consideração a capacidade dos ecossistemas e as necessidades das futuras gerações. 82 Para a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), conhecida como Comissão Brundtland, desenvolvimento sustentável é: “...aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras de atenderem as suas próprias necessidades...” A Comissão Brundtland encerrou seus trabalhos, em 1987, e o seu relatório, denominado Nosso futuro comum, tem como núcleo central a formulação dos princípios do desenvolvimento sustentável. Conforme o relatório: “...em essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fi m de atender às necessidades e aspirações humanas...” Os principais objetivos de políticas derivados desse conceito de desenvolvimento recomendados pela comissão são os seguintes: » retomar o crescimento como condição necessária para erradicar a pobreza; » mudar a qualidade do crescimento para torná-lo mais justo, equitativo e menos intensivo em matérias-primas e energia; » atender às necessidades humanas essenciais de emprego, alimentação, energia, água e saneamento; » manter um nível populacional sustentável » conservar e melhorar a base de recursos; » reorientar a tecnologia e administrar os riscos; e » incluir o meio ambiente e a economia no processo decisório. A Comissão enfatiza a necessidade de modificar as relações econômicas internacionais e de estimular a cooperação internacional para reduzir os desequilíbrios entre os países. A ideia básica é a de se alcançar umaeconomia mundial sustentável. A Comissão recomenda que sejam criadas ou garantidas condições políticas que assegurem a participação de todos os cidadãos na busca das soluções para os problemas de desenvolvimento 83 das áreas comuns do globo, que se encontram fora das jurisdições nacionais, tais como, os oceanos, o espaço cósmico e o Continente Antártico. Os conceitos e recomendações da Comissão Brundtland foram aceitos pelas entidades da ONU, bem como por diversas organizações nacionais e internacionais, governamentais e não governamentais (a UICN, o WWF etc.) e também foram incorporados na Agenda 21. » Plano Verde Canadense para o período 1990-1995, elaborado com intensa participação da sociedade civil, desenvolvimento sustentável signifi ca planejamento de vida e o objetivo do Canadá é o de assegurar um meio ambiente saudável e seguro para a atual e futuras gerações e uma economia sólida e próspera. » No Brasil, a Constituição Federal de 1988 estabelece, (art. 225, caput): “...todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum ao povo, essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo para as presentes e futuras gerações...” Agenda 21 Global A Comissão de Desenvolvimento e Meio Ambiente da América Latina e Caribe (PNUD e BID, 1989), apresentou uma visão regional sobre o meio ambiente, no documento denominado “Nuestra Propria Agenda”, reconhecendo, entre outros: » que essa região perseguiu modalidades defeituosas de desenvolvimento; » que dentre as origens da penúria latino-americana e caribenha destaca-se a larga tradição de governos autoritários e insensíveis às mudanças sociais; » que o custo humano expresso em pobre, sofrimento, enfermidades e mortes evitáveis é o preço real da degradação ambiental e a melhor justificativa para a proteção ambiental; e » que a região está perdendo rapidamente o seu patrimônio cultural e a sua biodiversidade. 84 Diante de problemas como esses, “Nuestra Propria Agenda” recomenda as seguintes estratégias para a região: » erradicação da pobreza, » aproveitamento sustentável dos recursos naturais, » ordenamento do território, » desenvolvimento tecnológico compatível com a realidade social e natural, » nova estratégia econômica e social, » organização e mobilização social e reforma do Estado. A Agenda 21 Global foi aprovada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – CNUMAD (Rio de Janeiro – 1992), que teve a participação de 178 países, sendo considerada a maior conferência já realizada no âmbito da ONU. Ela é uma espécie de receituário abrangente para guiar a humanidade em direção a um desenvolvimento que seja ao mesmo tempo socialmente justo e ambientalmente sustentável pelo século XXI adentro. A Agenda 21 está voltada para os problemas prementes de hoje e tem o objetivo, ainda, de preparar o mundo para os desafios do século 21. Ela conclama a todos para uma associação mundial em prol do desenvolvimento sustentável. A Agenda 21 é um programa de ação para se implementar o desenvolvimento sustentável que baseia-se na ideia de que meio ambiente e desenvolvimento devem ser tratados conjuntamente. A Agenda 21 significa um distanciamento das propostas do desenvolvimento tradicional, predador da natureza, excludente e, por isso mesmo, gerador de profundos desequilíbrios sociais e regionais. Ela significa, também, um distanciamento das propostas ambientalistas tradicionais, preocupadas basicamente com os efeitos do crescimento econômico sobre os estoques de recursos naturais, com a manutenção de áreas protegidas e a preservação da vida selvagem. Todos documentos do CNUMAD apontam para a necessidade de uma ampla revisão das ações humanas com vistas a conceber novas teorias e práticas capazes de proporcionar um desenvolvimento com equidade e compatível com a capacidade limitada dos recursos da Terra. 85 A Agenda 21 adotou uma postura cautelosa em relação aos temas polêmicos como: a questão da dívida externa dos países em desenvolvimento e a proteção da propriedade intelectual na área de biotecnologia. O PROGRAMA 21 O Programa 21, nova denominação da Agenda 21, não é um tratado ou convenção capaz de impor vínculos obrigatórios aos estados signatários; na realidade é um plano de intenções não mandatório cuja implementação depende da vontade política dos governantes e da mobilização da sociedade. Para implementar os seus programas e as suas recomendações é necessário desdobrar a Agenda 21 Global em agendas regionais, nacionais e locais. No Brasil, foi criada em 1994, no âmbito do Executivo Federal, a Comissão Interministerial para o Desenvolvimento Sustentável (CIDES), com o objetivo de assessorar o Presidente da República na tomada de decisão sobre estratégias e políticas nacionais necessárias ao desenvolvimento sustentável, de acordo com a Agenda 21. O documento Agenda 21 Brasileira foi “oficializado” no ano de 2001 e agora está se desdobrando, com discussões regionais, estaduais e municipais para a elaboração das Agendas Locais. O Capítulo 28 da Agenda 21 dedica-se ao fortalecimento das autoridades locais como parceiros importantes do processo de desenvolvimento sustentável e recomenda que cada autoridade local deve iniciar um diálogo com os seus cidadãos, organizações comunitárias e empresas privadas locais para elaborar uma Agenda 21 Local. A Agenda 21 Local é um programa de ação, um instrumento de planejamento local, baseado em um grande pacto da sociedade, que visa: » realizar um diagnóstico da situação atual da localidade e » indicar diferentes formas da própria localidade viabilizar os seus potenciais de desenvolvimento sustentável, em parceria com a comunidade. A Agenda 21 também é clara quanto a necessidade de valorização das comunidades locais e dos povos em geral. As tecnologias são partes fundamentais dos valores das sociedades que as produzem, de modo que não é possível atribuir importância às comunidades locais sem respeitar os seus conhecimentos e práticas. Alguns Capítulos da Agenda 21 86 Muito do que foi acordado na Agenda 21 Global ainda não saiu do papel, pois grande parte dos países signatários pouco fizeram para implementá-la a nível nacional/local. A Agenda 21 Brasileira ainda não é uma realidade, apesar de ter sido criado um fórum de discussões que gerou um documento-base, o qual foi “oficializado” pelo Governo Federal. A implementação das diretrizes da Agenda 21 Brasileira no âmbito federal continua distante, pois será necessária uma ampla revisão da regulamentação de diversas áreas. Um grande triunfo da Agenda 21 foi consolidar o conceito de inseparabilidade das questões afetas ao desenvolvimento e ao meio ambiente. A Agenda 21 Global consagrou em termos internacionais a importância das comunidades e do poder local, a representatividade das ONGs e a necessidade de uma visão pluralista em matéria de meio e recursos, particularmente a tecnologia. Em diversas ocasiões a Agenda menciona a importância das comunidades locais e destaca dezenas de vezes o papel das ONGs em áreas críticas para a promoção do desenvolvimento sustentável. Quase todos os capítulos da Agenda 21 Global trazem recomendações para as autoridades locais, algumas de modo específico, outras que devem ser tratadas pelos diferentes níveis de governo (governments at the appropriate level). Assim pode-se, com facilidade, relacionar as diferentes autoridades de uma comunidade ou de um Município com as recomendações da Agenda 21 e, com isso, dar início a um processo de elaboração de uma Agenda 21 local. Apesarde todos os problemas que envolvem a sua implementação, o Programa Agenda 21 Local constitui um grande guia para se alcançar o desenvolvimento sustentável. Ele é um grande inventário dos problemas que a localidade enfrenta e das providências necessárias para enfrentá- los. Quase sempre todo o esforço para solucionar estes problemas acaba confinado nas esferas especializadas dos governos, distante, portanto, das populações que vivem o cotidiano desses problemas. Um dos grandes méritos da Agenda 21 Local é o de ser um documento elaborado com a colaboração/ participação dos três setores da sociedade (público, privado e sociedade civil organizada – ONGs), sendo, por essa razão, capaz de ser entendido e aplicado nas esferas locais, sem perder de vista a sua dimensão global. 87 A Agenda 21, transformada em Programa 21, instrumentaliza o ideal de pensar globalmente e agir localmente. A instância local é a esfera apropriada para a implementação de ações e a sociedade organizada, ao se “apropriar” do conteúdo deste Programa, terá nas mãos um excelente instrumento de cobrança das providências às autoridades competentes e, certamente, será mais ativa que os próprios governantes na implementação do Programa Agenda 21 Local. Em função do desconhecimento de que a Agenda 21 Local pode e deve ser concebida em outras áreas de atuação que não do meio ambiente, muitos programas/projetos são implementados empiricamente, alguns com ações “pulverizadas”, sem nenhuma vinculação com a Agenda 21, utilizando, entretanto, o mesmo enfoque. Estes programas apresentam, geralmente, características de não sustentabilidade, pois, atuando sobre os efeitos permitem que os problemas reapareçam, uma vez que a capacidade técnica local para enfrentá-los é limitada. A instância local é a mais adequada para tratar de seus próprios problemas. Porém, alguns obstáculos se interpõem, entre eles, o desaparelhamento das administrações, no que tange à sua capacidade de planejamento e gestão, o que acaba influenciando negativamente a eficiência dos seus produtos/serviços. O Programa Agenda 21 Local deve aproveitar as experiências bem-sucedidas, que já estão sendo implementadas na localidade, de programas similares, de forma a potencializar o desenvolvimento sustentável da localidade por meio de arranjos institucionais para a convergência e complementaridade das ações destes programas em uma mesma área de intervenção. Uma boa recomendação é sempre realizar um estudo comparativo entre o escopo da Agenda 21 Local e os programas de atuação similar que existam na área, propor arranjos institucionais para a convergência e complementaridade das ações destes programas em uma mesma área de intervenção. 88 CAPÍTULO 2 Gestão Ambiental em Empresas/Instituições 2.1. Conceitos Básicos Meio Ambiente Existem diversas definições para meio ambiente, as mais recentes refletem uma “visão holística” englobando fatores físicos, biológicos, sociais, econômicos e culturais. Segundo a Lei no 6.938, de 31/10/1981, que estabelece a Política Nacional de Meio Ambiente, meio ambiente é: “...o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. Poluição Ambiental Pela mesma Lei nº 6.938/1981, poluição ambiental é: “...a degradação da qualidade ambiental (entendida como a alteração das características do meio ambiente) resultante de atividades que diretamente ou indiretamente: » Prejudiquem a saúde, a segurança e o bem estar da população; » Criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; » Afetem desfavoravelmente a biota; » Afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; » Lancem matéria ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos”. Poluidor Ainda pela mesma Lei no 6.938/1981, poluidor é: “... a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental”. “...§ 1º – sem obstar da aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos 89 causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e criminal por danos causados ao meio ambiente”. Salubridade Ambiental Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, salubridade ambiental é “...o estado de qualidade ambiental capaz de prevenir a ocorrência de doenças relacionadas ao meio ambiente e de promover as condições favoráveis ao pleno gozo da saúde e do bem estar da população”. Saneamento Ambiental Segundo a mesma OMS, saneamento ambiental é “...o conjunto de ações que visam alcançar níveis crescentes de salubridade ambiental, por meio de abastecimento de água potável; coleta, tratamento e disposição sanitária de resíduos líquidos, sólidos e gasosos, prevenção e controle do excesso de ruídos, drenagem urbana de águas pluviais, promoção da disciplina sanitária do uso e ocupação do solo, controle de vetores de doenças transmissíveis e demais serviços e obras especializados”. Crime Ambiental A Lei nº 9.605/1998, denominada Lei de Crimes Ambientais ou Lei da Natureza, dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Alguns artigos desta Lei merecem ser pesquisados, são eles: 29, 30, 32, 33, 38, 41, 54, 56 e 60. Tecnologias ambientalmente saudáveis São as que protegem o meio ambiente, são menos poluentes, usam todos os recursos de forma mais sustentável, reciclam mais seus resíduos e produtos e tratam os despejos residuais de uma maneira mais aceitável do que as tecnologias que vierem a substituir (analogia ao Cleaner Production Programme, criado pelo PNUMA/1989). Produção mais limpa Cleaner Production refere-se a uma abordagem de proteção ambiental mais ampla, pois considera todas as fases do processo de manufatura e do ciclo de vida do produto, incluindo desde o seu uso nos domicílios e locais de trabalho até o seu descarte (conhecida também com abordagem de acompanhamento do produto “do berço ao túmulo”). Essa abordagem requer ações contínuas e integradas para: 90 » conservar energia e matéria-prima; » substituir recursos não renováveis por renováveis; » eliminar substâncias tóxicas; » reduzir os desperdícios e a poluição resultante dos produtos e dos processos produtivos. É uma estratégia tecnológica de caráter permanente que se contrapõe às soluções que objetivam apenas controlar a poluição atuando no fi nal do processo produtivo (end of pipe technology), remediando os seus efeitos, mas sem combater as causas que os produziram (transferência de poluição de um ambiente para outro). 2.2. O Programa na Linha de Planejamento Um programa é uma das etapas do planejamento, situa-se geralmente dentro de um plano e pode incorporar no seu escopo projetos e outros programas a serem realizados. Para uma área específica, deve ser elaborado e desenvolvido na forma mais adequada à realidade do local (institucional, econômica, social etc.). Deve ser realizado um planejamento das etapas e atividades que deverão ser desenvolvidas no programa com a participação da população do local, estabelecendo prioridades e metas a serem alcançadas, bem como um cronograma físico- financeiro a ser cumprido. O cronograma é fundamental para uma efetiva implementação do programa, ele deve indicar claramente os prazos para o desenvolvimento de cada etapa e os recursos necessários parao cumprimento das metas estabelecidas. Deve definir as estratégias e metodologias que serão utilizadas para o desenvolvimento das atividades nele previstas, bem como a forma de registro, manutenção e divulgação dos resultados obtidos. Devem ser estabelecidas as estratégias que serão adotadas para cumprir as metas e alcançar os objetivos do programa, assim como devem ser selecionadas as metodologias que forem mais adequadas às condições existentes na localidade. Devem ser estabelecidos mecanismos de monitoramento e avaliação do programa, visando analisar o seu desenvolvimento. Os procedimentos de avaliação devem permitir a verificação: 91 » do cumprimento das etapas; » da realização das atividades previstas; » da adequação das estratégias e metodologias adotadas; e » do atingimento das metas. A avaliação periódica tem o objetivo de subsidiar, sempre que necessário, os ajustes no programa, além de estabelecer novas metas e prioridades. A avaliação periódica deve ser documentada, em um relatóriosíntese contendo, no mínimo, as etapas, metas e atividades que foram cumpridas; as que não foram cumpridas, de forma integral ou parcial; e as que sofreram alterações. A avaliação de “Programas Sociais” deve ser realizada com metodologias próprias. Devido a sua utilização nas normas da série ISO, uma das formas mais difundidas de gerenciamento de programas está baseada no ciclo PDCA. » PLAN – etapa de planejamento do programa » DO – etapa de execução das ações planejadas » CHECK – etapa de monitoramento e avaliação da execução das ações » ACT – etapa de tomada de decisão Em cada ciclo de um programa, as três primeiras etapas – PLAN, DO e CHECK – são realizadas por técnicos, que ao fi nal da 3ª etapa elaboram um relatório gerencial, contendo para cada ação planejada e executada a efi cácia e a efi ciência atingida, confrontando metas planejadas e realizadas. Entretanto, a última etapa – ACT, que é de Tomada de Decisão – é realizada pela alta administração/alta gerência da empresa/ instituição que, com base nos relatórios gerenciais decide ou não pela modificação do planejamento para o próximo ciclo. Esta decisão deve ser sempre pautada pela perseguição do critério de melhoria contínua das metas estabelecidas, ou seja, pelo estabelecimento de metas cada vez mais exigentes. 2.3. O Sistema de Gestão Ambiental Um Programa de Gestão Ambiental – PGA, deve estar inserido dentro de um Sistema de Gestão Ambiental. A seguir está descrito o fl uxo esquemático para o planejamento de um PGA. SGA – 1º PASSO Diagnóstico Geral 92 Para se elaborar um SGA é necessário se conhecer muito bem o processo produtivo do local. Deve, portanto ser feito um diagnóstico exato, e a melhor forma de fazê-lo é dividindo-o em duas partes: (i) um diagnóstico observando a interação da área interna sob responsabilidade da administração e sua circunvizinhança, que será denominado “diagnóstico de fora para dentro”; e (ii) um diagnóstico centrado nas minúcias do processo produtivo, observando o diagrama de processos do local, que será denominado “diagnóstico de dentro para fora”. Diagnóstico 1 – “de fora para dentro”: » USO E OCUPAÇÃO DO SOLO; » ÁREAS DE PRESERVAÇÃO/PROTEÇÃO OBRIGATÓRIAS (MÍNIMAS); » CURSOS D’ÁGUA E MANANCIAIS; » SUPERPOSIÇÃO DE LEIS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS. Diagnóstico 2 – “de dentro para fora”: » FLUXO DO PROCESSO PRODUTIVO (EMPREENDIMENTO); » PADRÕES DE EMISSÃO (MÁXIMOS); » AR; » ÁGUA; » SOLO; » SUPERPOSIÇÃO DE LEIS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS. SGA – 2º PASSO Programa de Gestão Ambiental De posse do diagnóstico pode-se, então, elaborar o programa de gestão ambiental do local. Deve- se lembrar que é um programa, portanto, deve conter metas, estratégias e um cronograma bem definidos, além dos critérios de avaliação e controle. O PGA inicialmente deve estar concentrado em ações que visem melhorar o desempenho ambiental do local, conforme preconiza a abordagem de “tecnologia limpa”. Em uma abordagem resumida/simplista, o PGA, portanto, deve pretender otimizar a produção, ou seja, para uma 93 mesma quantidade de insumos deve resultar uma quantidade maior de produtos e menor de rejeitos. Uma boa estratégia para atingir esta meta é desdobrar o PGA em vários programas específicos, devido a facilidade de entendimento de suas atuações específicas. A sustentabilidade do PGA está baseada em, no mínimo, 4 programas específicos: » PROGRAMA DE REDUÇÃO NA GERAÇÃO DE RESÍDUOS; » PROGRAMA DE REDUÇÃO NO CONSUMO DE ÁGUA; » PROGRAMA DE REDUÇÃO NO CONSUMO DE ENERIA ELÉTRICA; » 1º PROGRAMA DE DESEMPENHO AMBIENTAL ESPECÍFICO. Os três primeiros programas específicos - gestão de resíduos, da água e de energia elétrica – podem ser implantados em qualquer ordem cronológica (1º, 2º e 3º), mas devem ser os três primeiros programas do PGA. Isto é essencial, pois estes três programas têm uma abordagem/estratégia poupadora, economizando insumos e “gerando” receita para as demais intervenções do PGA. PGA 1 – Programa de Gestão dos Resíduos Do ponto de vista de complexidade, em alguns casos o primeiro programa específico dentro de um PGA pode ser o programa de gestão de resíduos. Sua implantação deve observar, no mínimo, cinco pontos principais: (i) diagnóstico setorial; (ii) programa de ação; (iii) educação ambiental; (iv) monitoramento e avaliação; e (v) programa de manutenção das instalações. Diagnóstico setorial Uma metodologia simples para realizar o diagnóstico do potencial de implantação de um programa de gestão de resíduos, que pode ser aplicada em qualquer atividade produtiva, foi desenvolvida pelo CEMPRE – Centro Empresarial para a Reciclagem – e está apresentada em anexo. Ela é bem prática e baseada no levantamento das seguintes informações. » Pontos de geração; » Quantidade de resíduos gerados; » Composição dos resíduos; 94 » Custo atual para descarte. Programa de ação – Política dos 3 R » Redução ao máximo na geração de resíduos; » Reutilização de materiais descartados sempre que viável; e » Reciclagem de materiais descartados sempre que possível. A ideia central dessa política é a de atacar as causas da degradação ambiental por meio de uma abordagem preventiva que minimize a geração de poluição na fonte, o que significa reduzir o uso de insumos materiais e energéticos para um volume idêntico de produção. Isso exige a adoção de providências como as seguintes: » aperfeiçoamento dos processos produtivos para torná-los mais efi cientes; » revisão dos projetos dos produtos para facilitar a sua produção e ampliar o seu desempenho; » utilização de matérias-primas com maior grau de pureza; » eliminação ou minimização do uso de materiais perigosos; » recuperação das águas utilizadas nos processos; » manutenção preventiva; » procedimentos para conservação de energia; » gestão de estoques que minimize as perdas por quebra em manuseio, obsolescência e perecibilidade; » realização de monitorias e auditorias em bases sistemáticas; » treinamento e conscientização dos operadores, transportadores, fornecedores, empreiteiros e usuários. 95 Educação ambiental – “conscientização” » INFORMAR / CAPACITAR; » TREINAR; » FISCALIZAR. Monitoramento e Avaliação » CRONOGRAMA / METAS / RESPONSABILIDADES Programa de manutenção das instalações Deve ser elaborado e implantado um programa de manutenção de todas as instalações físicas relacionadas com a gestão de resíduos de maneira a não se perder nem eficiência nem eficácia nas atividades do programa de ação. PGA 2 – Programa de Gestão da Água O segundo programa específico dentrode um PGA pode ser o programa de gestão da água. O objetivo principal deste programa é reduzir o consumo e as perdas de água. Geralmente, após a implantação eficiente deste programa específico é gerada uma economia razoável para a administração nas contas relacionadas a prestação deste serviço (abastecimento de água). O responsável pelo SGA deve procurar fazer uma ligação entre a receita proveniente desta economia e os recursos necessários para investimento no SGA. Sua implantação também deve observar, no mínimo, os mesmos 5 pontos principais do programa de gestão de resíduos: (i) diagnóstico setorial; (ii) programa de ação; (iii) educação ambiental; (iv) monitoramento e avaliação; e (v) programa de manutenção das instalações. Diagnóstico setorial » “DO HIDRÔMETRO PARA DENTRO”; » PERDAS FÍSICAS; » PERÍODOS DE MAIOR CONSUMO; » “SETORIZAÇÃO”; 96 » PONTOS DE MAIOR CONSUMO. Programa de ação » REDUÇÃO DAS PERDAS FÍSICAS; » VIABILIDADE DE ADOÇÃO DE “EQUIPAMENTOS POUPADORES”; » REUSO (REDE ESPECÍFICA DIFERENCIADA); » EQUIPAMENTOS; » ÁGUAS DE CHUVA; » EFLUENTE TRATADO. Educação ambiental – “conscientização” Monitoramento e avaliação Programa de manutenção das instalações PGA 3 – Programa de Gestão da Energia Elétrica O terceiro programa específi co dentro de um PGA pode ser o programa de gestão da energia elétrica. O objetivo principal deste programa é reduzir o consumo de energia elétrica, bem como gerar mais segurança à população do local. Geralmente, após a implantação efi ciente deste programa específi co é gerada uma grande economia para a administração nas contas relacionadas a prestação deste serviço (abastecimento de energia elétrica). O responsável pelo SGA deve procurar fazer uma ligação entre a receita proveniente desta economia e os recursos necessários para investimento no SGA. Sua implantação também deve observar, no mínimo, os mesmos cinco pontos principais do programa de gestão de água: (i) diagnóstico setorial; (ii) programa de ação; (iii) educação ambiental; (iv) monitoramento e avaliação; e (v) programa de manutenção das instalações. Diagnóstico setorial » “DO RELÓGIO PARA DENTRO”; » “SETORIZAR”: CIRCUITOS DE LUZ E DE FORÇA; » PONTOS DE MAIOR CONSUMO; 97 » PERÍODOS DE MAIOR CONSUMO; » SEGURANÇA DOS CIRCUITOS. Programa de ação » REFORMA DO PROJETO PARA GARANTIR SEGURANÇA; » LUZ – VIABILIDADE DE “NOVO PROJETO” (ILUMINOTÉCNICA); » LUZ – LÂMPADAS, LUMINÁRIAS E REATORES DE MAIOR EFICIÊNCIA; » FORÇA – VIABILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR “EQUIPAMENTOS POUPADORES”; » VIABILIDADE DE MUDANÇA DE HORÁRIOS DE MAIOR CONSUMO. Educação ambiental – “conscientização” Monitoramento e avaliação Programa de manutenção das instalações PGA 4 – Programa de Gestão Específico O quarto programa específico dentro de um PGA deve ser o primeiro programa de gestão específico, cujo escopo deve ser definido de acordo com os potenciais/problemas da empresa na área ambiental. Sua implantação também deve observar, no mínimo, os mesmos cinco pontos principais do programa de gestão de energia elétrica: (i) diagnóstico setorial; (ii) programa de ação; (iii) educação ambiental; (iv) monitoramento e avaliação; e (v) programa de manutenção das instalações. Diagnóstico setorial Programa de ação Educação ambiental – “conscientização” Monitoramento e avaliação Programa de manutenção das instalações 98 VENTILAÇÃO INDUSTRIAL E AS MEDIDAS DE PROTEÇÃO COLETIVA NO CONTROLE DE EMISSÕES CAPÍTULO 1 Ventilação industrial e proteção do meio ambiente Introdução O avanço industrial em conjunto com a adoção de novas tecnologias impulsionou todo processo produtivo, no entanto, o aumento na produção impõe perdas ao meio ocupacional participado pelas máquinas e operários. O que caracteriza as perdas está diretamente ligado ao meio ambiente laboral, que são gerados resíduos em forma de particulados distintos conforme as dimensões de fragmentação, na forma de aerossóis, tornam-se parte integrante do ar respirável do trabalhador. Esta “nova” interação desencadeará em resultados negativos à saúde do trabalhador. A necessidade de produção culminou na criação de ambientes insalubres e na redução drástica do setor fabril devido às baixas de funcionários expostos em ambientes insalubres, que vão desde a emissão de poluentes até as diferenças extremas de temperatura. No entanto, a implantação de novas tecnologias promoveu a evolução nos processos de ventilação e equipamentos, dos quais emanam contaminantes, tem se tornado, mais modernamente, uma importante ferramenta no campo de controle da poluição do ar. O controle da poluição do ar tem início com a implantação de uma adequada ventilação nas operações de processos poluidores da atmosfera laboral, além da escolha adequada do equipamento para controle dos poluentes até o seu destino final. UNIDADE III 99 A ventilação tem sido utilizada tradicionalmente no campo da higiene do trabalho não só para evitar a dispersão de contaminantes no ambiente industrial como também para promover a diluição das concentrações de poluentes e para a manutenção e promoção do conforto térmico. Um dos objetivos da ventilação industrial e do controle de emissão de poluentes visa atender a resolução do CONAMA no 3/1990 que define poluente atmosférico como sendo qualquer forma de matéria ou energia com intensidade e em quantidade, concentração, tempo ou características em desacordo com os níveis estabelecidos, e que tornem ou possam tornar o ar impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde, inconveniente ao bem-estar público, danoso aos materiais, à fauna e à flora ou prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da comunidade. Sendo assim, os conhecimentos aplicados para a utilização adequada da ventilação industrial devem ser criteriosamente definidos e conhecidos afim de, possibilitar sua adequada utilização e a garantia da implantação de processos de proteção coletiva, garantindo o atendimento às normas existentes. Biologia pulmonar O aparelho respiratório começa no nariz e na boca e continua pelas outras vias respiratórias até aos pulmões, onde se troca o oxigênio da atmosfera com o anidrido carbónico dos tecidos do organismo. Os pulmões são os dois maiores órgãos do aparelho respiratório; a sua forma é semelhante a duas grandes esponjas que ocupam a maior parte da cavidade torácica. O pulmão esquerdo é ligeiramente menor que o direito porque partilha o espaço com o coração, no lado esquerdo do tórax. Cada pulmão está dividido em secções (lobos). O pulmão direito é composto por três lobos e o esquerdo por dois (MERCK, 2014). O ar entra no aparelho respiratório pelo nariz e pela boca e chega à garganta (faringe) para alcançar a caixa que produz a voz (laringe). A entrada da laringe está coberta por um pequeno fragmento de tecido muscular (epiglote) que se fecha no momento da deglutição, impedindo assim que o alimento se introduza nas vias respiratórias (MERCK, 2014). A traqueia é a maior das vias respiratórias; começa na laringe e acaba por se bifurcar nas duas vias aéreas de menor calibre (brônquios) que conduzem aos pulmões. Os brônquios dividem-se sucessivamente em um grande número de vias aéreas, cada vez de menor tamanho (bronquíolos), sendo os ramos terminais mais finos (de apenas 5 mm de diâmetro). Esta parte do 100 aparelho respiratório é conhecida como árvore brônquica, pelo seu aspecto de árvore ao contrário (MERCK, 2014). Na extremidade de cada bronquíolo encontram-se dezenas de cavidades cheias de ar, com a forma de pequeníssimas bolhas (alvéolos), semelhantesa cachos de uvas. Cada um dos pulmões contém milhões de alvéolos e cada alvéolo está rodeado por uma densa malha de capilares sanguíneos. O revestimento das paredes alveolares é extremamente fino e permite a troca entre o oxigênio que passa dos alvéolos para os capilares sanguíneos e o gás carbônico que passa dos capilares para os alvéolos. A pleura é uma dupla camada de membrana serosa que facilita o movimento dos pulmões em cada inspiração e expiração. Envolvem os dois pulmões e, ao dobrar-se sobre si própria, reveste a superfície interna da parede torácica (MERCK, 2014). Os músculos intercostais, situados entre as costelas, colaboram com o movimento da caixa torácica, participando desse modo na respiração. O diafragma, o músculo mais importante da respiração, é um tabique muscular em forma de sino que separa os pulmões do abdômen. O diafragma adere à base do esterno, à parte inferior da caixa torácica e à coluna vertebral. Quando se contrai, aumenta o tamanho da cavidade torácica e, portanto, os pulmões expandem-se (MERCK, 2014). 101 Figura 16. Modelo esquemático do sistema respiratório. Fonte: (MERCK, 2014). Doenças pulmonares de origem ocupacional As doenças pulmonares de origem ocupacional devem-se à inalação de partículas, vapores ou gases no local de trabalho. Geralmente, o tipo de doença associada à exposição de um determinado poluente depende do tamanho da partícula, do tempo de exposição e concentração. Contudo, sabe-se que as partículas maiores ficam retidas no nariz ou nas vias aéreas superiores, mas as pequenas podem atingir os pulmões. O organismo humano possui vários mecanismos para eliminar as partículas aspiradas. O particulado presente nas vias respiratórias é envolvido por um muco que cobre as partículas e deste modo contribui para a expulsão através da tosse. Nos pulmões, existem células depuradoras especiais que engolem a maioria das partículas e as tornam inofensivas. O organismo pode produzir diferentes reações dentre elas temos: » reações alérgicas; 102 » insuficiência respiratória; » parada respiratória e outros. Trabalhadores expostos ao pó de quartzo e de amianto podem adquirir fibrose pulmonar causando cicatrizes permanentes no tecido pulmonar. Em quantidades importantes, certas partículas, como o amianto, podem causar cancro nos pulmões. Silicose A silicose é a formação permanente de tecido cicatricial nos pulmões causada pela inalação de pó de sílica (quartzo). Esta doença é a ocupacional mais antiga que se conhece, desenvolve-se em ambientes com concentração de sílica prejudicial à saúde humana. A sílica pode ser encontrada em atividades de mineração como extração de calcário, beneficiamento de arenito/granito e na fabricação de cimento, vidro e no hidrojateamento. Os sintomas aparecem de acordo com a concentração e o tempo de exposição a este agente químico. A sílica presente nos pulmões promove a formação de tecido cicatricial nos pulmões. No princípio, as zonas cicatrizadas são pequenas protuberâncias redondas (silicose nodular simples), mas, finalmente, reúnem-se em grandes massas (conglomerados silicóticos). Estas áreas cicatrizadas não permitem a passagem do oxigénio para o sangue de forma normal. Assim os pulmões perdem elasticidade e requer-se mais esforço para respirar. Prevenção O controle da poluição pelo o uso de ventiladores/exaustores pode ajudar a prevenir a silicose. No caso da indústria de jactos de areia, os trabalhadores devem usar máscaras de respiração autônoma. Recomenda-se também a substituição do produto a ser utilizado no processo de trabalho. Trabalhadores expostos a sílica devem se submeter a radiografias do tórax com regularidade, conforme estabelecido no PCMSO da unidade, geralmente, aqueles que trabalham com jateamento de areia são submetidos a exames periódicos a cada 6 meses. Confirmada a silicose, o médico do trabalho, solicitará a intervenção imediata no ambiente laboral e recolocação do funcionário em outro ambiente de trabalho livre da exposição à sílica. 103 Tratamento A silicose é incurável. No entanto, pode deter-se a evolução da doença, interrompendo a exposição à sílica desde os primeiros sintomas. Uma pessoa com dificuldade em respirar pode sentir alívio com o tratamento utilizado para a doença pulmonar crónica obstrutiva, como são os medicamentos que dilatam os brônquios e expelem as secreções das vias aéreas. Dado que os indivíduos que sofrem de silicose têm um alto risco de contrair tuberculose, devem submeter-se periodicamente a revisões médicas que incluam a prova cutânea para a tuberculose. Bissinose A bissinose é um estreitamento das vias respiratórias causado pela aspiração de partículas de algodão, de linho ou de cânhamo. Embora a bissinose se verifique quase exclusivamente nas pessoas que trabalham com o algodão em bruto, aqueles que trabalham com linho ou cânhamo podem também desenvolver este tipo de afecção. Os operários que abrem fardos de algodão em rama ou que trabalham nas primeiras fases do processamento do algodão parecem ser os mais afetados. Aparentemente, algum elemento do algodão em rama provoca o estreitamento das vias aéreas nas pessoas propensas (MERCK, 2014). Sintomas e diagnóstico A bissinose pode causar sibilos ao respirar e opressão no peito, geralmente durante o primeiro dia de trabalho depois de um descanso. Ao contrário da asma, os sintomas tendem a diminuir após uma exposição repetida e a opressão no peito pode desaparecer para o fim da semana de trabalho. No entanto, quando se trata de uma pessoa que trabalhou com algodão durante muitos anos, a opressão no peito pode durar 2 ou 3 dias ou inclusive a semana completa. A exposição prolongada ao pó do algodão aumenta a frequência dos sibilos, mas não evolui para uma doença pulmonar incapacitante (MERCK, 2014). O diagnóstico estabelece-se através de um teste que mostre a diminuição da capacidade pulmonar ao longo da jornada laboral; de modo geral, essa diminuição é maior durante o primeiro dia de trabalho. 104 Prevenção e tratamento O controle do pó é o melhor modo de prevenir a bissinose. A respiração sibilante e a opressão no peito podem tratar-se com os mesmos fármacos utilizados para a asma. Os fármacos que abrem as vias aéreas (broncodilatadores) podem ser administrados num inalador (por exemplo, o albuterol) ou em comprimidos (por exemplo, a teofilina) (MERCK, 2014). Pulmão negro O pulmão negro (pneumoconiose dos carvoeiros) é uma doença pulmonar causada pela acumulação de pó de carvão nos pulmões. É consequência da aspiração do pó de carvão durante muito tempo. No pulmão negro simples, o pó do carvão acumula-se à volta das vias respiratórias inferiores (bronquíolos) dos pulmões. Apesar de o pó de carvão ser relativamente inerte e não provocar demasiadas reações, estende- se por todo o pulmão e em uma radiografia observa-se sob a forma de pequenas manchas (MERCK, 2014). O pó de carvão não obstrui as vias respiratórias. Todos os anos, 1 % a 2 % das pessoas com pulmão negro simples desenvolvem uma forma mais grave da doença, denominada fibrose maciça progressiva, na qual se formam cicatrizes em áreas extensas do pulmão (com um mínimo de 1,5 cm de diâmetro). A fibrose maciça progressiva piora mesmo que a pessoa já não esteja exposta ao pó de carvão. O tecido pulmonar e os vasos sanguíneos dos pulmões podem ficar destruídos pelas cicatrizes (MERCK, 2014). Na síndrome de Caplan (uma perturbação pouco frequente que pode afetar os mineiros do carvão que sofrem de artrite reumatoide) desenvolvem-se, rapidamente grandes nódulos redondos no pulmão. Tais nódulos podem formar-se nosindivíduos que sofreram uma exposição significativa ao pó do carvão, inclusive sem ter pulmão negro (MERCK, 2014). Sintomas e diagnóstico O pulmão negro simples, geralmente, não produz sintomas. Contudo, a tosse e a falta de ar aparecem, com facilidade, em muitos dos afetados com fibrose maciça progressiva, uma vez que também têm enfisema (causado pelo fumo dos cigarros) ou bronquite (causada pelos cigarros ou pela exposição tóxica a outros poluentes industriais). Por outro lado, na fase de maior gravidade há tosse e, às vezes, uma dispneia incapacitante (MERCK, 2014). 105 Prevenção e tratamento Pode prevenir-se o pulmão negro suprimindo o pó do carvão no local de trabalho. Os trabalhadores do carvão fazem radiografias ao tórax todos os 4 a 5 anos, de modo que a doença possa ser detectada no estádio inicial. Quando esta se detecta, o trabalhador deve ser transferido para uma zona com baixas concentrações de pó de carvão para prevenir a fibrose maciça progressiva. A prevenção é fundamental, pois não há cura para o pulmão negro. A pessoa que não pode respirar livremente pode beneficiar dos tratamentos utilizados para a doença pulmonar crónica obstrutiva, como os fármacos que permitem manter as vias aéreas abertas e livres de secreções. Asbestose A asbestose é uma formação extensa de tecido cicatricial nos pulmões causada pela aspiração do pó de amianto. O amianto é composto por silicato de mineral fibroso de composição química diversa. Quando se inala, as fibras de amianto fixam-se profundamente nos pulmões, causando cicatrizes. A inalação de amianto pode também produzir o espessamento dos dois folhetos da membrana que reveste os pulmões (a pleura) (MERCK, 2014). As pessoas que trabalham com o amianto correm o risco de sofrer doenças pulmonares. Os operários que trabalham na demolição de construções com isolamento de amianto também correm risco, embora menor. Quanto mais tempo um indivíduo estiver exposto às fibras de amianto, maior é o risco de contrair uma doença relacionada com o amianto (MERCK, 2014). Sintomas Os sintomas da asbestose aparecem gradualmente somente depois da formação de muitas cicatrizes e quando os pulmões perdem a sua elasticidade. Os primeiros sintomas são a dispneia ligeira e a diminuição da capacidade para o exercício. Os grandes fumadores que sofrem de bronquite crónica juntamente com asbestose podem tossir e ter uma respiração sibilante. A respiração torna-se, gradualmente, mais difícil. Cerca de 15 % das pessoas com asbestose têm dispneia e insuficiência respiratória (MERCK, 2014). 106 Por vezes a inalação de fibras de amianto pode fazer com que se acumule líquido no espaço que se encontra entre as camadas pleurais (cavidade pleural). Em raras ocasiões, o amianto causa tumores na pleura, denominados mesoteliomas, ou em membranas do abdômen, chamados mesoteliomas peritoneais (MERCK, 2014). Os mesoteliomas causados pelo amianto são um tipo de cancro que não se consegue curar. Geralmente, aparece depois da exposição à crocidolite, um dos quatro tipos de amianto. A amosite, outro tipo, também produz mesoteliomas. O crisótilo, provavelmente, não produz mesoteliomas, mas, às vezes, está contaminado com tremolite, e esta causa-os. Os mesoteliomas desenvolvem-se, de modo geral, ao fim de 30 ou 40 anos de exposição ao amianto (MERCK, 2014). O cancro do pulmão está relacionado, em parte, com o grau de exposição às fibras de amianto; no entanto, entre as pessoas que sofrem de asbestose, o cancro do pulmão desenvolve-se quase exclusivamente naquelas que também fumam cigarros, em especial nas que fumam mais de um maço por dia (MERCK, 2014). Diagnóstico Nas pessoas com antecedentes de exposição ao amianto, o médico pode, às vezes, diagnosticar asbestose com uma radiografia ao tórax que mostre as alterações características. De modo geral, a função pulmonar da pessoa é anormal e, ao auscultar o pulmão, podem ouvir-se sons anormais, as chamadas crepitações. Para determinar se um tumor pleural é canceroso, o médico pratica uma biopsia (extração de uma pequena porção de pleura para ser examinada ao microscópio). Pode-se também extrair e analisar o líquido que rodeia os pulmões (um procedimento denominado toracentese); no entanto, este procedimento não é habitualmente tão rigoroso como a biopsia (MERCK, 2014). Prevenção e tratamento As doenças causadas pela inalação de amianto podem prevenir-se diminuindo ao máximo o pó e as fibras de amianto no local de trabalho. Dado que o controlo do pó melhorou nas indústrias que utilizam o amianto, atualmente é menor o número de pessoas que sofrem de asbestose, mas os mesoteliomas continuam a aparecer em indivíduos que estiveram expostos até há 40 anos. O amianto deveria ser extraído por 107 trabalhadores especializados em técnicas de extração. Os fumadores que estiveram em contato com o amianto podem reduzir o risco de cancro deixando de fumar. A maioria dos tratamentos para a asbestose alivia os sintomas; por exemplo, a administração de oxigênio alivia a dispneia. Drenar o líquido à volta dos pulmões pode também facilitar a respiração. Há casos em que o transplante do pulmão deu resultados muito positivos na asbestose. Os mesoteliomas são invariavelmente mortais; a quimioterapia não é eficaz e a extirpação cirúrgica do tumor não cura o cancro (MERCK, 2014). Classificação de aerodispersóides As substâncias emitidas no ambiente laboral geralmente estão na forma de partículas sólidas ou líquidas (aerossóis) ou na forma gasosa (gases e vapores) ou ambos. A forma como a sustância é emitida é importante do ponto de vista da implantação do sistema de proteção respiratória e da característica toxicológica do produto liberado na atmosfera. Para partículas maiores que 40 µm elas tenderam a se depositarem logo após a sua emissão e não representam a princípio um problema de saúde ocupacional. No entanto, partículas pequenas com diâmetros inferiores a 10 µm são consideradas inaláveis pelo organismo humano. Logo, quanto menor a partícula maior a probabilidade de penetração nas partes mais profundas do aparelho respiratório até causar danos à saúde dependendo do tempo de exposição, concentração e do grau de toxicidade. Poeiras São formadas por partículas sólidas, com diâmetro geralmente superior a 1µm. Resultante da desintegração mecânica de substâncias inorgânicas ou orgânicas. Formas de propagação: operações de britagem, moagem, trituração, esmerilhamento, peneiramento, usinagem mecânica, demolição e fundição. Fumos São partículas sólidas, geralmente com diâmetros < 10µm até 1µm. Resultam da condensação de partículas em estado gasoso, após processo de volatilização de metais fundidos. Um exemplo: Fumos metálicos provenientes do processo de soldagem (Cloreto de amônio). 108 Outro produto químico de risco é o Chumbo (Pb), ao derretê-lo, o seu vapor em contato com o ar reagem formando o Óxido de Chumbo (PbO) uma partícula altamente tóxica. Esta partícula é extremamente pequena em suspensão no ar. Portanto, deverá receber tratamento adequado em ambientes laborais (instalação de ventilação adequada). Os fumos de óxidos metálicos produzem a chamada “Febre dos fundidores ou latoeiros” – sinais: tremores (reação após a exposição ao fumo). Névoas e neblinas São partículas constituídas por gotículas líquidas com diâmetro variável entre: 0,1µm e 100µm. Resultantes da condensação de vapores (ex.: pulverização, nebulização). Reações: Irritação nos olhos, dificuldade respiratória e comprometimento da visão. Tipos de névoas: ácido sulfúrico, ácido crômico, câmaras de pinturas, entre outros. Fumaça Geralmente oriunda daqueima de combustíveis fósseis ou de outro material com características inflamáveis. Fuligem (partículas líquidas: madeira e carvão) + Fração Mineral (Cinzas – partículas divididas finamente de produtos de queima de carvão e óleo combustível). Fornos, Fornalhas e queimadores de caldeiras. 109 Quadro 2. Tamanho de Impureza em Suspensão no ar, método de controle, tipo de radiação conforme comprimento de onda. Fonte: Mesquita et al, 1988. Figura 17. Tamanho de partículas e o local de penetração no organismo humano. Fonte: Santos, 2005. 110 Ventilação industrial A ventilação industrial tem o objetivo de fornecer ar por meio de meios naturais e mecânicos para ambientes fechados afim de garantir o controle atmosférico de um ambiente proporcionando condições de acesso aos trabalhadores e maior durabilidade de máquinas e equipamentos. A ventilação é uma técnica disponível e bastante efetiva para o controle da poluição do ar de ambientes de trabalho assim como, no controle da concentração de substâncias explosivas, inflamáveis e/ou tóxicas. A sua adequada utilização promove a diluição ou retirada de substâncias nocivas ou incômodas presentes no ambiente de trabalho, de forma a não ultrapassar os limites de tolerância - LT estabelecidos na legislação. Além das características acima a ventilação industrial auxilia no conforto térmico de ambientes de trabalho. Plantas industriais antigas têm apresentado dificuldades de implantação de ventilações industriais eficazes devido a falha de projeto, ausência do projeto de ventilação, construção inadequada, funcionamento fora das condições de projeto, falta de manutenção e falta de conhecimento do funcionamento do processo. Para elaborar um projeto de ventilação industrial é necessário o atendimento de quatro premissas: » Levantamento das condições ambientais existentes (risco físico – ruído e calor/risco químico – aerodispersóides presentes) conforme o limite de tolerância estabelecido nos anexos da NR15. » Determinação da vazão de ar necessária. » Projeto e cálculo do sistema de ventilação. » Seleção do tipo de ventilação/exaustão adequado ao ambiente levantado. O responsável pela ventilação industrial deverá possuir conhecimento técnico para projetar a vazão necessária do sistema de ventilação e desenvolver técnicas para o controle das correntes de ar a serem introduzidas ou retiradas de um recinto para mantê-lo salubre. Em um ambiente de escritórios a implantação da ventilação visa garantir o bem estar dos funcionários e eliminar a presença de fumos, odores e calor. 111 Para instalações industriais a ventilação consiste em controlar concentrações de contaminantes, poluentes e das condições térmicas geralmente ou ambos os casos. A ventilação pode consistir em passar uma corrente de ar exterior (não contaminado) pelo interior do estabelecimento, diminuindo a concentração do poluente ou contaminante a uma taxa aceitável pelo organismo humano. Classificação dos poluentes Poluentes Primários – aqueles emitidos diretamente pelas fontes poluidoras. Poluentes Secundários – são aqueles formados na atmosfera por meio de reações químicas entre os poluentes primários e secundários. Quadro 3. Classificação dos poluentes do por fontes de emissão. Poluentes do Ar Fontes de Emissão Fumaça de Cigarro (Fuligem) Acender ou fumar cigarros. Contaminação pela Combustão Fornalhas, geradores, aquecedores a gás ou querosene, produtos derivados do tabaco, ar externo, veículos. Contaminação Biológica Materiais molhados ou úmidos, ar-condicionado, umidificadores, manta de isolação de dutos, respiros da tubulação de esgotos, excremento de pássaros, de baratas ou de roedores, odores do corpo. Compostos Orgânicos Voláteis (COV) Pinturas, vernizes, solventes, pesticidas, adesivos, ceras, produtos de limpeza, lubrificantes, purificadores de ar, combustíveis, plásticos, copiadoras, impressoras, produtos derivados do tabaco, perfumes. Aldeídos Chapas e compensados de madeira, aglomerados, carpetes de madeira, móveis, forros. Gases Ventilação da tubulação de esgoto, ralos com fecho hídrico seco, reservatórios subterrâneos com vazamento. Pesticidas Termicidas, inseticidas, rodenticidas, fungicidas, desinfetantes, herbicidas. Partículas e Fibras Impressoras, combustão em geral, ar externo, deterioração dos materiais, construção / reforma, limpeza, isolação. Fonte: EPA, 2002. Ventilação aplicada ao controle de contaminantes Ventilação – é um sistema elaborado e implantado para prevenir que doenças ocupacionais oriundas da concentração de agentes químicos (poeira, gases tóxicos ou venenosos, vapores presentes no ar (em suspensão). A ventilação industrial tem o objetivo de garantir a qualidade do ar no meio ambiente laboral, preservando a saúde dos trabalhadores. 112 A elaboração e implantação de sistemas de ventilação industrial devem fazer parte do programa de proteção respiratória visando a: » evitar a dispersão de contaminantes no ambiente industrial; » diluir concentrações de gases e vapores; » promover conforto térmico. Tipo de ventilação A definição para implantação do sistema de ventilação e/ou exaustão depende dos seguintes critérios: » tamanho da área fabril; » tipo de poluente; » concentração; » grau de purificação desejado (atendimento a legislações ambientais e normas regulamentadoras). Atualmente a tecnologia empregada consiste na aplicação de ventiladores, exaustores e coletores de ar e/ou ventilação natural utilizando-se das aberturas existentes em edificações diversas. Os sistemas de ventilação são classificados como: » Ventilação Geral (Natural ou Mecânica) – sistema empregado para ventilar o ambiente como um todo. Este sistema conhecido também como Ventilação Geral Diluidora. » Ventilação Local Exaustora – sistema empregado para retirar substâncias emitidas diretamente na fonte de geração, conduzindo-os para a atmosfera externa ou para sistemas de contenção de particulados. 113 Figura 18. Ventilação Local Exaustora. Fonte: <http://www.lincolnelectric.com/en-us/support/process-and-theory/Pages/controlling-welding-fume-detail.aspx> Figura 19. Ventilação Geral Diluidora Fonte: <www.ventec.com.br>. Reaproveitamento de resíduos Na indústria de cimento, os sistemas empregados visam aproveitar todo o particulado no processo de produção. Na indústria de cerâmica, a captação do particulado suspenso será utilizado como matéria prima. Na indústria madeireira toda serragem e refugos oriundos no processo fabril são utilizados como combustíveis. 114 Ventilação geral diluidora A passagem de ar externo, não contaminado, para promover a purificação ou redução da concentração de substâncias em ambientes contaminados é o objetivo principal da ventilação geral diluidora. A sua aplicação deve-se ao fato do ambiente possuir uma grande quantidade de fontes de contaminação e em baixas concentrações. A diluição do contaminante deve-se ao fato da adição de ar no ambiente diminuindo-se a concentração presente. Na ausência de contaminante a ventilação geral poderá ser utilizada para retirar calor do ambiente, gerado por processos diversos em planta industrial ou por irradiação solar. Existem dois tipos de ventilação, por insuflamento e por exaustão. A ventilação geral comumente usada é a colocação de ventiladores que renovam o ar externo, este tipo de ventilação é baseia- se no volume de ar necessário conforme o volume do ambiente a ser ventilado. Figura 20. Modelo de ventilação por exaustão. Fonte: <www.solerpalau.pt> Figura 21. Modelo de ventilaçãopor insuflamento. Fonte: Lisboa, 2007. Um ambiente é considerado salubre quando a renovação do ar no recinto atinge todo o ambiente laboral, desta forma, a tendência é garantir a redução uniforme do contaminante em todos os pontos de um determinado ambiente. Limites de tolerância e aplicabilidade A Norma Regulamentadora no 15 em seus anexos estabelece limites de tolerância para atividades que podem ou não serem caracterizadas como insalubres. A concentração média de substâncias 115 suspensas ou dispersas em um ambiente fechado por um determinado período de tempo onde há ocupação humana e que esta relação cause efeito adverso ao organismo. A ACGIH - American Conference of Governmetal Industrial Hygienists definiu limites de tolerância – TLV’s - Threshold Limit Value para agentes químicos diversos no caso de gases tóxicos as concentrações máximas em ambientes do trabalho são assumidas para que não prejudiquem pessoas expostas. Os valores de referência assumidos devem ser seguidos como os limites máximos e a exposição prolongada a limites próximo do teto podem acarretar na ocorrência de doenças ocupacionais, conforme mencionado no item de doenças pulmonares. Segundo Lisboa (2007), o TLV refere-se às condições limites de qualidade do ar em ambientes de trabalho e representa os valores sobre os quais se acredita que a quase totalidade dos trabalhadores possa ser repetidamente exposta, dia após dia, sem efeito adverso. No entanto, devido a sua suscetibilidade individual, uma percentagem de indivíduos expostos pode reagir negativamente a concentrações iguais ou abaixo do valor limite. Macyntire (1990) afirma que o TLV-C conhecido como valor teto, não deverá exceder, nem instantaneamente. Áreas com manipulação de gases tóxicos devem receber atenção especial na disposição dos ambientes a serem construídos, recomenda-se: » garantir que o ambiente tenha renovação de ar (verificar o risco de explosão); » manter cilindros em capelas com exaustão permanente, caso o recinto esteja fechado; » estocar cilindros em ambientes abertos, conforme as recomendações de segurança do fabricante; » instalar sistema de monitoramento da atmosfera, principalmente para produtos inodoros. 116 Quadro 4. Limites de Tolerância estabelecidos pela ACGIH (MESQUITA et al, 1988). Substâncias TLV (ppm) Efeito Efeito / Inalação Diária (8:00h) TLV 2 x TLV 10 x TLV Aldeído Acético 200 Irritação dos brônquios e dos pulmões Irritação dos olhos, nariz e garganta (odor perceptível) Nenhum Irritação dos brônquios e dos pulmões Acetona 1.000 Narcose Irritação dos olhos, nariz e garganta (odor perceptível) Nenhum Narcose, tontura e até inconsciência Diclorodifluor - metano 1.000 Asfixia em altas concentrações Nenhum Nenhum Nenhum Niquelcarbonila 0,001 Câncer e irritação dos brônquios e dos pulmões Nenhum Nenhum Nenhum Quinona 0,1 Pigmentação dos olhos Nenhum Pigmentação dos Olhos Perda da acuidade visual Fumos Metálicos 5 mg/m³ Febre do Fumo Febre do Fumo Febre do fumo e alguma irritação dos olhos, nariz e garganta Irritação dos brônquios e dos pulmões Fonte: Mesquita et al 1988. Aplicação da ventilação geral 1. Cálculo de volume de ar/pessoa, objetivo remoção de odores O ar externo necessário em m³/h pessoa conforme tabela abaixo: Atividade / Pessoa Ideal (m³/h) Mínimo (m³/h) Fumando 50 40 Não Fumante 13 8 2. Quantidade de ar para produzir correntes de ar com velocidades determinadas afim de melhorar o conforto térmico (ref: 1,5 a 15 m/min). 3. Determinar a quantidade de troca de volume de ar em determinado tempo (MESQUITA et al, 1988). 117 Quadro 5. Trocas de ar recomendada por tipo de ambiente*. Tipo de Ambiente Ciclo de Troca (Troca/minuto) Ciclo de Troca (Troca/hora) Auditório 5 – 10 6 – 12 Sala de Reunião 5 – 10 6 – 12 Padaria 3 20 Fundição 5 – 15 4 – 12 Laboratório 3 – 10 6 – 20 Lavanderia 5 12 Oficina 15 – 20 6 – 12 Túneis 1 – 10 6 – 60 Escritório 5 – 10 6 – 12 Fonte: Mesquita et al, 1988. * As trocas podem apresentar variações de acordo com o layout e com as barreiras (bancadas, móveis etc) disponível no ambiente. Exercício de fixação 1. Uma empresa promoveu um congresso com um total de 60 participantes. Qual o volume de ar necessário para ventila-lo? Dado: dimensões do local – 50 x 50 x 4 m. Caso considere que todos os participantes são fumantes teremos, 50 m³/h pessoa o que representa um total de 60 x 50 = 3.000 m³/h Considere o volume do local e utilize a tabela 3 para definir o volume de ar necessário. Logo, temos: 50 x 50 x 4 = 10.000 m³ então, 12 x 10.000 m³ = 120.000 m³/h. Outra forma de cálculo é basear na velocidade de 1,5 a 15 m/min. Considere duas áreas de passagens de 4 x 10 = 40 m² x 2 = 80 m² Utilize a velocidade calculada pelo volume de ar encontrado. 0,62 m/min (velocidade menor que a mínima de 1,5 m / min). Considere o valor mínimo de velocidade e determine a velocidade, conforme abaixo: v = Q / A Portanto, Q = 1,5m/min x 80 m2 Q = 120m3/min 118 Transformando tem-se: Q = 7.200 m3 /h Conclui-se que 3.000 < 7.200 < 120.000 sendo, portanto, um valor aceitável. Entretanto, sugere um valor na ordem de 72.000 m³/h o mais indicado, valor este que representa 60% do valor máximo. Ventilação para controle de substância explosiva O risco de explosão ou inflamação em determinadas concentrações devem ser controlados por meio de ventilação por diluição. Onde: Qn – Vazão necessária (m³/h). G – Taxa de geração da substancia a ser diluída. MM – Massa Molecular. LIE – Limite Inferior de Explosividade. Fs – Fator de segurança – fs = 4 para 25% do LIE / fs = 5 para 20% do LIE. B – Fator que considera a redução do LIE com o aumento da temperatura – B = 1 para T < 120 oC e B = 0,7 para T ≥ 120 oC. 2 – Quatro litros de tolueno evaporam numa operação de secagem a 110o C. Sabe-se que a maior parte do solvente evapora nos primeiros 10 minutos. Determine a taxa de ventilação necessária para manter a concentração abaixo de 20% do LIE. Dados: LIE 1,27%; GE = 0,87; MM = 92. G = 4 L / 10 min x 60 min/h x 0,87 Kg/L = 20,88 Kg/h Qn = 2.153m3 /hQn = 2.153m3 /h (a 21 oC e 1 atm) Deve-se encontrar para 110 oC, então: 119 Quadro 6. Características de substâncias químicas. Substância Fórmula Peso Molecular Gravidade Específica LIE (% em volume) Inferior Superior Gás Clorídrico HCl 36,47 1,268 ---- --- Gás Cianídrico HCN 27,03 0,688 5,6 40,0 Monóxido de Carbono CO 28,10 0,968 12,5 74,2 Metanol CH3OH 32,04 0,792 6,72 36,5 Propano 44,09 1,554 2,12 9,35 Tolueno 92,13 0,866 1,27 6,75 Xileno 106,16 0,881 1,0 6,0 Fonte: Assunção et al, (1989). Ventilação exaustora Objetivos Os sistemas de ventilação por exaustão tem o objetivo de captar os poluentes diretamente na fonte e inibir a dispersão deles no ambiente de trabalho. Para tanto, este sistema de ventilação possui maior eficácia à proteção da saúde do trabalhador. Os sistemas de exaustão são compostos por 5 (cinco) componentes. Captores – local de entrada dos poluentes. 1. Dutos – local por onde os poluentes são transportados. 120 2. Filtros – sistema destinado à retenção/coleta do ar contaminado antes do seu lançamento ou descarte na atmosfera ou área predefinida 10 . Estes sistemas deverão estar em conformidade com a legislação ambiental federal e local. 3. Sistema Ventilador– Motor – este sistema fornecerá a energia necessária para garantir que o fluido em movimento siga a trajetória definida pelo sistema. 4. Chaminé – local de lançamento do poluente (gás + particulado) na atmosfera. A elaboração de um projeto de exaustão dependerá do levantamento estimado da vazão de ar necessária para retirar o particulado emitido no processo. Mediante a esta estimativa pode-se definir a área de abertura do captor, a secção do duto e a potencial do conjunto motor e ventilador. Entretanto, a obtenção da vazão de ar depende ainda do reconhecimento e classificação do tipo de particulado/contaminante presente no processo. Classificação dos sistemas de captação A definição do sistema de captação depende do reconhecimento da vazão de ar conforme mencionado anteriormente e, além disso, outros fatores intrínsecos ao processo são importantes para garantir os melhores resultados. Escolha do tipo de captor e geometria. 1. Posicionamento em relação à fonte. 2. Velocidade de captura, sempre em relação ao ponto crítico (ponto desfavorável). 3. Vazão de captação. 4. Requisitos de energia do captor. Com relação aos requisitos: forma e posicionamento em relação à fonte temos os seguintes captores: 10 Geralmente, toda fonte de poluição do ar deverá ser provida de sistema de ventilação local exaustora e o lançamento na atmosfera deverá ser realizado por meio de chaminé ou na existência de norma ou regulamento dele decorrente. 121 » Captores Cabines – possuem sistema de exaustão com grande abertura. Possuem o ambiente enclausurado e necessitam de um ponto superior para exaustão. Um caso típico são as câmaras ou cabines de pintura. » Captores Enclausurados – possuem sistema onde a emissão do poluente acontece dentro do sistema de enclausuramento. Possuem pequenas frestas para captação do poluente. Estes sistemas são comumente utilizados em laboratórios para o manuseio de produtos químicos (Capelas). » Captor Tipo Coifa ou Externo – são posicionados externamente à fonte de emissão. A corrente de ar deverá ser o suficiente para conduzir os poluentes para o interior do captor. » Captor Receptor – são posicionados estrategicamente de acordo com o fluxo de emissão dos poluentes, este tipo de captor pode ser utilizado nos processos de esmerilhamento e nos processos de emissão de gases quentes por fornos. Figura 22. Captor de saída lateral. Fonte: <www.exausfibra.com.br> Para pequenas vazões ou áreas com enclausuramento. Exemplo: capelas, balanças (pesagem de material) etc. Captor Receptor: usado nos casos de sucção de vapor, gases com material particulado (pó) onde existe a manipulação do trabalhador no processo. Fluxo do ar: Horizontal. 122 Figura 23. Captor Tipo Bancada. Fonte: <www.exausfibra.com.br> Tipo de bancada para esmeril manual. Exaustão de particulados em suspensão gerados no processo de esmerilhar. A Vazão é calculada por m² da área da bancada. O captor tipo coifa não deverá ser usado quando o poluente for tóxico e quando houver a necessidade do trabalhador curvar-se sobre a estrutura (tanque). A vazão poderá ser encontrada através da seguinte fórmula: Q = 1,4 P x h x V Onde: P – perímetro do tanque ou estrutura. h – Distância entre o captor e o tanque. V – Velocidade de captura. ΔP = 0,25 Pc Onde: ΔP – Perda de entrada. Projeto e localização do captor Em geral, o captor deverá ser colocado o mais próximo possível da fonte poluidora. Deste modo, adquire-se uma captação com uma vazão reduzida gerando um menor custo operacional. A vazão em geral com o quadrado da distância, portanto, no caso de uma distância 2x a vazão requerida será o quádruplo em relação a uma determinada distância x. 123 Segundo Assunção (1989) a distância do captor em relação à fonte será determinante para que correntes de ar transversais prejudiquem na captação dos poluentes, para tanto, será necessária uma velocidade de captura maior, aumentando-se a vazão necessária e garantindo eficácia no processo. Figura 24. Relação da distância de captação e vazão necessária. Fonte: Assunção, 1989. A proteção do trabalhador em um ambiente laboral onde há riscos de inalação por meio das vias aéreas dependerá do posicionamento e do tipo de captor (área de captação). A influência da direção do fluxo do ar na vazão de exaustão uma vez posicionado adequadamente evitará que o poluente passe primeiro pela via respiratória do operador, entretanto, o uso de coifas poderá expor o operador a altas concentrações de poluentes devido a necessidade do mesmo se posicionar (posição curva) para retirar os materiais do tanque. Figura 25. Posicionamento de captores em tanques de galvanoplastia. Fonte: Assunção, 1989. Quando há possibilidade de implantação do sistema de captação por enclausuramento tem-se praticamente 100% de eficiência no processo de captação. Conforme mencionado 124 anteriormente, quanto maior a distância entre o captor e a fonte maior a probabilidade de interferência dos ventos e maior o dispêndio energético para a captação dos poluentes. As principais vantagens do enclausuramento são: diminuição da área de captura, o uso de menor vazão, ganho econômico, reaproveitamento no processo (quando possível). Abaixo representa a situação comum em processos de carreamento de materiais sólidos em “rolos de retorno”, por exemplo: esteiras de britagens, minérios e correias transportadoras. Figura 26. Definição para captação por enclausuramento. Fonte: ASsunção, 1989. Velocidade de captura Captar os poluentes conduzindo-os para dentro do captor depende da velocidade de captura e ela deve ser estabelecida no ponto de absorção mais desfavorável, desta forma todos os poluentes serão captados. Velocidade de controle é um termo muito utilizado no campo da ventilação e que no caso de captores externos é a própria velocidade de captura. No caso de captores, tipo enclausurante ou tipo cabine, a velocidade de controle pode ser entendida como a velocidade necessária para evitar a saída dos poluentes no captor já que o captor envolve a fonte. A velocidade de captura requerida depende do levantamento das seguintes condições: » Toxicidade do Poluente. » Tipo de Captor. » Velocidade de Emissão. » Grau de Movimentação do Ar no Ambiente (Correntes Transversais). 125 » Tamanho do Captor. » Quantidade Emitida. No quadro 6 abaixo representa velocidades de captura de acordo com as condições de dispersão e de correntes transversais do ar no ambiente, mostrando também exemplos em ambientes distintos. Vazão de exaustão De acordo com o volume ou massa de um determinado poluente emitido por uma fonte poluidora devemos encontrar a vazão de exaustão que representará o volume de ar necessário a ser movimentado para captar o poluente emitido. Desta forma, o conjunto fonte-captador exige uma determinada vazão de exaustão, logo a vazão total a ser movimentada será o somatório das vazões exigidas em cada captor. De acordo com Macintyre (1990) os elementos que classificam uma boa exaustão: » captar a totalidade dos poluentes emitidos; » não deve ser utilizado para auxiliar em processos e operações, ex.: arraste de matérias primas e produtos, diminuição da temperatura dos equipamentos etc.; » deve possuir uma vazão econômica afim de atender apenas os requisitos acima. A fórmula geral para vazão é dada por: Q = Ac x Vc Onde: Q – vazão necessária em um determinado captor. Ac – área da superficie de controle. Vc – velocidade do ar na superficie de controle (velocidade necessária paracaptar os poluentes para conduzir ao sistema de exaustão). 126 Quadro 7. Condições de dispersão e Velocidade de Captura. Condições de Dispersão de Poluentes Exemplos de Dispersão Velocidade (m/s) Emissão com ar parado. Evaporação (Tanques, desengraxe) 0,25 – 0,5 Emissão em baixa velocidade / Ar com velocidade moderada. Cabines de pintura, Enchimento de Tanques de Armazenagem (intermitente), Solda. 0,5 – 1,0 Emissão alta em zona de ar com velocidade alta. Enchimento de barris, carga de transportador. 1,0 – 2,5 Emissão em alta velocidade (inicial) em zona de ar com velocidade alta. Esmeril, Jateamento com Abrasivos 2,5 – 10,0 Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf Com adaptações>. Para cada categoria a definição dos valores na faixa depende dos seguintes fatores: Limite inferior da faixa 1. Ambiente sem corrente de ar ou favorável à captura. 2. Poluente de Baixa Toxidade. 3. Intermitente, baixa emissão. 4. Captor grande – grande vazão de ar. Limite superior da faixa 1. Existência de corrente de ar. 2. Poluente de Alta Toxidade. 3. Alta Emissão. 4. Captor pequeno – somente controle local. 127 Para captores do tipo enclausurantes a superfície de controle são as frestas conhecidas como área de aberturas. No captor tipo cabine a superfície de controle é a área da face da cabine e a área aberta que possa existir nas laterais da mesma. Nesses casos é fácil visualizar a superfície de controle através da qual se impõe uma determinada velocidade de controle e assim, determina- se a vazão. Para os captores externos precisa-se de certo volume de ar passando pelo ponto mais desfavorável de emissão de forma a capturar e arrastar os poluentes para o captor, conforme a seguir. Figura 27.Exemplo de fluxo de ar e velocidade de captura para Captores Externos. Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> A vazão para captores externos é baseada em dados experimentais de determinação de área da superfície de controle, podem-se mencionar os estudos realizados para vários processos, operações e equipamentos em especial aqueles mencionados na Industrial Ventilation, da ACGIH – American Conference of Governmental Industrial Hygienists. Para exemplificar apresentaremos o modelo matemático desenvolvido por Dalla Valle para a área de superfície de controle para captores de abertura circular ou retangular. Considere um ponto localizado a uma distância X ao longo do eixo de um captor de ar penetrando em sua face com velocidade Vf. Segundo Dalla Valle, nessas condições a área da superfície de controle que passa pelo ponto X é dada por: Equação 1 - Ac = 10x2 + Af Equação 2 - Ac = (10x2 + Af) x 0,75 Onde: Af – Área da face do captor. 128 A equação 1 deverá ser considerada para captores sem flange e a equação 2 para captores com flange. Estas equações são válidas somente para distâncias ≤ a 1,5d. Onde d é o diâmetro da face do captor. No caso de exaustão a velocidade do ar cai rapidamente à medida que se afasta da face do captor. Geralmente, a velocidade a uma distância igual ao diâmetro da face do captor é de 10% da velocidade da face do captor. Nas condições de sopro (Jato), a velocidade cai paulatinamente atingindo o valor de 10% da velocidade da face a distância de aproximadamente 30 vezes o diâmetro da face do captor. O quadro representa os tipos de captores e respectivas fórmulas para o cálculo da vazão de exaustão. Quadro 8. Tipos de captores e cálculo para a vazão de exaustão. TIPO/CAPTOR DESCRIÇÃO RAZÃO W/L VAZÃO COM FENDA 0,2 ou Menor Q = 3,7 L. V. X COM FENDA FLANGEADA 0,2 ou Menor Q = 2,8 L. V. X ABERTURA SEM FLANGE 0,2 ou Maior (Serve para a Circular) Q = V (10 X2 A) ABERTURA COM FLANGE 0,2 ou Maior (Serve para a Circular) Q = 0,75 V (10 X22 A) CABINE 0,2 ou Maior (Serve para a Circular) Q = V A F V.W.H 129 COIFA 0,2 ou Maior (Serve para a Circular) Q = 1,4 P. H. V P – Perímetro do Tanque Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> (Com adaptações). Nota: vazão insuficiente significa captação deficiente e, portanto, maior poluição do ambiente de trabalho. O ambiente de trabalho que apresenta uma vazão deficiente necessita de avaliações periódicas de forma que permita a exposição dos trabalhadores a níveis aceitáveis. Conhecer os limites de tolerância e as concentrações permitidas por lei para a emissão de poluentes na atmosfera, tornam o embasamento técnico para discernir se os trabalhadores devem ou não estar expostos. A figura apresenta a forma esquemática de vazão. Figura 28. Efeito da vazão na captação dos poluentes. Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> A distribuição uniforme do ar na região frontal do captor é muito importante e isso pode ser realizado por meio da utilização de fendas. 130 Figura 29. Modelos de uniformização do ar em frente aos captores. Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> A ventilação de tanques e processos quentes (ex.: fornos de fundição, tanques de tratamento superficial11) Abaixo representa o tipo de captor em relação ao coeficiente de entrada (Ke) e perda de carga (Kc). Quadro 8. Captação conforme coeficiente de entrada e perda de carga. TIPO DE CAPTOR DESCRIÇÃO Ke Kc Boca Arredondada 0,98 0,04 Extremidade Plana sem Flange 0,72 0,93 11 Galvanoplastia. 131 Extremidade do Duto Flangeada 0,82 0,49 Cone Flangeado com α = 13o Cone Flangeado com α = 30o 0,94 0,90 0,13 0,24 Cone Sem Flange com α = 13o Cone Sem Flange com α = 30o 0,82 0,79 0,49 0,60 Fonte: Valle Pereira Filho; Melo, 1992, p. 66. Com adaptações. <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> Dimensionamento de captores O pré-requisito para o dimensionamento adequado de captores depende em regra geral conhecer os tipos de operações poluidoras, as formas existentes de captores no mercado, o tipo de ventilação aplicada no processo (caso exista), as operações realizadas in loco e os equipamentos industriais existentes. Desta forma, pode ser classificado os processos especiais da seguinte forma: » Ventilação sopro-exaustora. » Ventilação de processos quentes (fornos). » Ventilação de tanques. » Ventilação de operações de manipulação e transporte de material fragmentado. » Sistemas de alta pressão e baixa vazão. A seleção do captor é baseada em três aspectos: » Toxidade do poluente. 132 » Espaço físico disponível. » Condições operacionais. A posição do captor pode ser definida por 6 (seis) critérios, são eles: » Menor vazão (menor custo). » Redução da influência de correntes de ar cruzadas. » Promover o maior enclausuramento possível. » Posição mais próxima da fonte. » Uso de anteparos e flanges possibilitar evitar a presença de correntes cruzadas. » Direção do fluxo de ar induzido e contaminado Figura 30. Posicionamento adequado do captor. Fonte: Mesquita et al (1988). <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> A seleção do tipo de captor ideal para uma determinada fonte poluidora dependerá exclusivamente do tipo de fonte, toxicidade dopoluente emitido, condições operacionais (manutenção preditiva, preventiva e corretiva) e condições restritiva de espaço. Desta forma, o melhor captor é aquele que capta com eficiência desejada e que não ocasione problemas na fonte e na qualidade de vida dos funcionários garantindo assim, o trânsito de pessoas no ambiente laboral. 133 Além disso, os captores devem garantir a menor perda de carga e que necessitem a menor vazão de captação, visto que o custo operacional será fundamental para a definição do custo final do produto12 numa determinada organização. Dimensionamento de dutos Transporte de poluentes Segundo Macintyre (1990) o transporte de poluentes por meio de dutos depende da velocidade do ar na tubulação. Para poluentes gasosos a velocidade tem pouca importância uma vez que não ocorre sedimentação na tubulação mesmo para velocidades baixas, neste caso são utilizadas velocidades na faixa econômica, usualmente entre 5 a 10 m/s. No caso de poluentes na forma de partículas é importante manter a velocidade mínima de transporte que não ocorra sedimentação nos dutos. Essa velocidade varia de acordo com a densidade e granulometria das partículas que devem ser conhecidos, os valores usualmente utilizados estão representados no quadro a seguir. Quadro 9. Velocidades de transporte de partículas em dutos. Tipo de Partícula Velocidade Mínima (m/s) Partículas de Densidade Baixa: Fumaça, fumos de óxidos de zinco, fumos de óxidos de alumínio, pó de algodão. 10 Partículas de Densidade Média: Cereais, pó de madeira, pó de plástico, pó de borracha. 15 Partículas de densidade média / alta: Fumos metálicos, poeira de jateamento de areia e de esmerilhamento. 20 Partículas de densidade alta: Fumos de chumbo, poeiras de fundição de ferro. 25 Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf com adaptações>. Um ponto importante a destacar é que a velocidade no duto depende também da influência na perda de carga do sistema, ou seja, na energia requerida para o fluido percorrer todo o sistema de dutos. Quanto maior a velocidade maior será a perda de carga e maior a potência exigida do 12 Produção final após o beneficiamento no processo produtivo e colocado no mercado à venda. 134 ventilado, desta forma, maior será o gasto energético aplicado no processamento industrial13 e maior o custo para a chegada do produto final. Contudo, o ideal é manter a velocidade próxima e acima da velocidade mínima de transporte requerida, de forma a atender os objetivos ambientais geralmente controlados e acompanhados pelas normas e órgãos ambientais da região. Esta definição poderá garantir o melhor uso das partículas geradas e a menor exposição dos trabalhadores a ambientes anteriormente classificados como “insalubres”. Isto proporciona ao SESMT a redução significativa do uso exagerado de equipamentos de proteção individuais e promove a aplicação de uma gestão contínua baseada na prevenção de acidentes atuando no comportamento dos funcionários por meio de treinamentos e campanhas educativas Perdas de carga em singularidades Singularidade é qualquer elemento do sistema que causa algum distúrbio no fluxo de ar, como por exemplo as junções, cotovelos e expansões. Elas representam pontos de perda de carga, desta forma, estes elementos devem ser projetados de forma a garantir uma geometria que ocasione a menor perda de carga possível. Os cotovelos devem possuir preferencialmente um raio de curvatura igual a 2,5d e as junções devem possuir um ângulo de entrada máximo de 30 graus. Deve-se ressaltar que os sistemas projetados com singularidades fora das recomendações podem funcionar bem, no entanto, podem custar à necessidade de elevar a potência do sistema de ventilação e como consequência elevar o custo operacional. Geralmente, a falta de planejamento e a disponibilidade do mercado conduzem à utilização de singularidades de maior perda de carga. 13 Nos projetos de ventilação recomenda-se o uso de portas de inspeção em intervalos de 3 metros ou conforme a recomendação do setor técnico em áreas onde há maior probabilidade de deposição de particulado (risco de formação de placas, crostas) promovendo o entupimento do sistema. 135 Figura 33. Perda de carga em curvas (cotovelos). Fonte: MESQUITA et al., 1988. Equipamentos de controle da poluição atmosférica Os sistemas de filtragem em um processo serão sempre necessários quando as emissões atmosféricas não atenderem as condicionantes ambientais exigidas na legislação, como por exemplo as resoluções do CONAMA. Em relação ao sistema de ventilação, os filtros representam pontos de perda de carga que devem ser levados em consideração no cálculo de pressão exigida pelo sistema e na determinação da pressão e potência exigidas do ventilador e na potência do motor. A perda de carga do filtro pode-se alterar com o tempo de operação conforme a sua característica, nos filtros de manga, eles necessitam do acionamento do sistema de limpeza das mangas de forma periódica visando retirar o material coletado nas mangas e evitando-se a resistência excessiva. Outros sistemas filtrantes podem alterar devido a incrustação de poluentes ou pelo desgaste das peças ou superfícies internas do filtro. Uma forma de identificar a perda de carga limite nos filtros por meio de controle de pressões e potências, dar-se através da instalação de manômetros em “U” de baixo custo e fácil instalação. 136 Conjunto ventilador-motor O conjunto ventilador-motor fornece a energia necessária para movimentar o fluído e vencer todas as perdas de carga (resistência) do sistema. Através do ventilador é que criamos o diferencial de pressão por meio do sistema que faz o ar fluir através do sistema. Para tanto, a seleção do ventilador é fundamental para garantir a melhor efetividade do sistema. Os ventiladores são classificados de acordo com a direção de movimentação do fluxo através do rotor. Desta forma, os ventiladores são classificados da seguinte forma: » Ventiladores centrífugos – são destinados a movimentação do ar em uma ampla faixa de vazões e pressões. Figura 32. Ventilador centrífugo. Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> » Ventiladores axiais – se restringem a aplicações de baixa e média pressão até 150 mmCA. Figura 33. Ventilador axial. Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> Para aplicação de ventilação local exaustora os ventiladores mais utilizados são os centrífugos, os quais estão disponíveis em quatro tipos segundo a classificação abaixo: 137 » Ventilador centrífugo radial – são ventiladores, robustos, para trabalho pesado e destinados a movimentar fluidos com grande carga de partícula (poeiras), partículas pegajosas (poeiras pegajosas) e corrosivas. Apresentam baixa eficiência, na ordem de 60% e elevado nível de ruído. Possuem baixa complexidade construtiva e alta resistência mecânica além de serem de fácil reparação. Figura 34. Rotor de pás radiais. Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> » Ventilador centrífugo de Pás para trás – possuem alta eficiência chegando a atingir 80% em seu funcionamento, equipamento possui baixa emissão de ruído. Este ventilador possui a característica de autolimitação de potência o que evita uma sobrecarga do motor. Ele possui dois tipos de pás, as aerodinâmicas e as planas. As pás aerodinâmicas são de granderendimento, pois permitem uma corrente mais uniforme. Estes ventiladores são empregados nos casos de grandes vazões e pressões médias, sendo que a economia de potência compensa o maior custo na aquisição. As pás planas podem ser utilizadas para transportar o ar sujo já que apresentam a característica autolimpante, entretanto, apresentam uma eficiência menor em relação aos de pás aerodinâmicas. Figura 35. Rotor de pás para trás. Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> » Ventilador centrífugo de pás curvadas para frente – estes modelos requerem pouco espaço para instalação, apresentam baixa velocidade periférica e são silenciosos. Devem ser utilizados 138 para pressões baixas a moderadas. Estes modelos não são recomendados para movimentar fluidos como poeiras e fumos devido a possibilidade de aderência do material ocasionando o desbalanceamento do rotor e consequente vibração. Este modelo não possui autolimitação de potência podendo sobrecarregar o motor. A eficiência desses ventiladores é menor que dos ventiladores de pás para trás. Para tanto, recomenda-se o seu uso em sistemas de ventilação geral e de ar condicionado onde a carga de poeiras e outras partículas é baixa. Figura 36. Rotor de pás para frente. Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> » Ventilador Radial Tip – são ventiladores de pás planas inclinadas para trás, no entanto, com pontas que se curvam até chegarem a ser radiais. Este tipo de ventilador possui queda de eficiência porém, proporciona maiores vazões. São amplamente empregados em fornos de cimento e fábricas de celulose e papel. Figura 37.Rotor radial tip. Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> 139 Classificação, vantagens e desvantagens dos equipamentos de controle da poluição do ar A escolha do equipamento de controle de poluição do ar, que melhor cumprirá sua função de coleta, nem sempre é um problema de simples solução, tendo-se em vista o número de fatores intervenientes (MUCCIACITO, 2016). De uma forma geral, pode-se dizer que a escolha depende de fatores relativos às propriedades do contaminante, relativos às propriedades do gás carreador e relativos a aspectos econômicos e práticos. Há que se considerar na escolha de equipamentos de controle, vários fatores, como segue (MUCCIACITO, 2016): » Estado físico do poluente: para coleta de gases e vapores, os equipamentos de controle mais usualmente utilizados são as torres de absorção, os leitos de adsorção, os condensadores e os incineradores. A coleta de material particulado, sólido ou líquido, é em geral feita por coletores inerciais, coletores centrífugos, lavadores, filtros e precipitadores eletrostáticos. » Grau de limpeza desejado: a eficiência de coleta fixada em função dos regulamentos limitantes da quantidade do poluente que pode ser emitida é um dos fatores importantes a ser considerado. Como veremos posteriormente, a eficiência dos equipamentos de controle dependem de várias propriedades do poluente e do gás carreador, e a escolha deve ser feita em função do que é requerido em termos de eficiência. » Composição Química: só é importante quando afeta as propriedades físicas e químicas do gás carreador. As propriedades químicas são importantes quando há a possibilidade de haver reações químicas entre o gás carreador, o contaminante e o coletor. » Temperatura: as principais influências são sobre volume do gás carreador e efeitos sobre os materiais de construção do coletor. O volume tem consequências sobre o tamanho do coletor que provocará alteração no custo do equipamento. A temperatura também afetará a viscosidade e a densidade, que por sua vez, afetará o rendimento da coleta. Assim, adsorção é impraticável a altas temperaturas. A resistividade elétrica de partículas varia com a temperatura, e é uma importante propriedade na precipitação elétrica de partículas. Coletores 140 úmidos algumas vezes não podem ser utilizados devido a grande quantidade de água que se evapora, e filtros podem ser danificados pela passagem de gases excessivamente quentes. » Viscosidade: as principais influências da viscosidade se relacionam com o aumento da potência requerida com o aumento da viscosidade, e com a alteração que provocará na eficiência de coleta de material particulado. » Umidade: alta umidade contribui para empastamento das partículas sobre o coletor, principalmente coletores inerciais e centrífugos, e filtros, provocando seu entupimento. Pode, ainda, agravar problemas de corrosão, além de ter grande influência sobre a resistividade elétrica das partículas e, portanto, em sua precipitação eletrostática. Em adsorção, pode agir como fator limitante da capacidade do leito se este adsorver vapor d’água. » Combustividade: quando o gás carreador é inflamável ou explosivo, a principal precaução é assegurar que se esteja acima do limite superior de explosividade ou abaixo do limite inferior de explosividade da mistura. Nesses casos, lavadores são preferidos e precipitadores eletrostáticos raramente usados. » Reatividade Química: é importante em alguns casos como, por exemplo, quando se filtra um gás contendo compostos de flúor com filtros de lã de vidro, danificando os mesmos. Em geral, deve-se evitar reação entre gás e coletor. » Propriedades Elétricas: são importantes quando se trata da coleta de partículas com precipitados eletrostáticos, pois a maior ou menor facilidade de ionização do gás influencia o mecanismo básico de coleta. Outros fatores, como pressão e densidade são de menor importância e não serão aqui absorvidos. Propriedades do contaminante » Carga: a carga, ou concentração do poluente, na entrada do equipamento de controle, e suas variações afetam diferentemente os vários tipos de coletores. Assim é que a eficiência de coleta de ciclones aumenta com a carga, mas aumenta também a possibilidade de entupimento do mesmo. Alguns equipamentos exigem mesmo a presença de pré-coletores para evitar sobrecarga em sua operação. 141 Figura 38. Representação esquemática de sistema de transporte e captação de poluentes. Fonte: MUCCIACITO, 2016. » Solubilidade: é importante em absorvedores e lavadores em geral, pois, na maioria das vezes, quanto maior a solubilidade do poluente, maior o rendimento da coleta. » Capacidade Adsortiva: importante em adsorção de gases e vapores. De uma forma geral, só se recomenda esse tipo de coletor para gases e vapores com massa molecular superior a 45 e, principalmente, na retenção de solventes e substâncias odoríferas. » Combustividade: importante para eliminar o poluente por incineração, sendo também um fator a considerar para evitar riscos de explosão. » Reatividade Química: a reatividade química constitui-se em um fator que pode ser utilizado na coleta do contaminante, por exemplo, na absorção química. Contudo, pode também criar problemas quando, por exemplo, o contaminante reage com o material de construção do corpo coletor, danificando-o. » Propriedades Elétricas: a resistividade elétrica de partículas tem uma influência decisiva em sua coleta, nos precipitadores eletrostáticos. Partículas com altíssima ou baixíssima resistividade apresentam dificuldades de coleta em precipitadores. » Higroscopicidade: é importante por influir na possibilidade de entupimento (principalmente coletores inerciais, centrífugos e filtros) por formação de pasta devido à absorção de umidade pelas partículas. 142 Tamanho, forma e densidade de partículas Estes são fatores fundamentais por exercereminfluência sobre a eficiência de coleta de partículas por quase todos os mecanismos utilizados na prática, podendo-se mesmo dizer que a variação da eficiência com o tamanho da partícula é um dos aspectos mais importantes a serem considerados na escolha do coletor (MUCCIACITO, 2016). O equacionamento acurado desses fatores é complexo e trabalhoso, e simplificações têm sido feitas no sentido de tornar mais fácil e rápida a escolha de um equipamento para a coleta de material particulado, levando-se em conta sua distribuição de tamanho (MUCCIACITO, 2016). Casos inusitados devem ser resolvidos por verdadeiros especialistas, a fim de evitar danos econômicos irreparáveis devido à escolha inadequada de um equipamento que, via de regra, após instalado, não terá qualquer outra utilização a não ser aquela para a qual foi projetado (MUCCIACITO, 2016). Figura 39. Lavadores de gases para tratamento de odores em ETE’s. Fonte: Mucciacito, 2016. Classificação dos sistemas de controle de poluição Coletores úmidos Princípio de funcionamento: O gás é forçado através de uma aspersão de gotas, com as quais as partículas se chocam, se depositam por difusão, e também agem como núcleo de condensação de água, consequentemente aumentando de tamanho, o que torna sua coleta mais fácil. Portanto, podemos dizer que os quatro mecanismos de coleta mais importantes no coletor úmido são impactação, a interceptação, a difusão e a condensação (MUCCIACITO, 2016). 143 Classificação: os tipos de lavadores de gases são inúmeros, havendo o contínuo aparecimento de novos modelos de eficiências similares apresentando algumas vantagens e desvantagens. N = 2,3log1/1 n N =αδty Onde: N = número de unidades de transferências. n = eficiência. y = constante admensional – coeficiente angular da reta plotada em papel logarítmico. α = valor de intercepção na ordenada. α,β = dependem do tamanho de outras propriedades das partículas. δt = potência de contato total. Características Gerais: visa expressar o rendimento dos diversos tipos de lavadores de gases para a coleta de material particulado. Quadro 10. Características de Câmaras de Borrifo. Parâmetro Faixa Vazão de gás > 70.000 pés³/min Temperatura do gás 2.000 °F, reduzindo para 300 °F Velocidade do gás 2 – 5 pés/s Tempo de resistência 20 – 30s Perda de carga 1 pol de H2O Concentração Alta, > 5 grãos/pé³ Composição da partícula Sólido, líquido (corrosão) Água recirculada 2 – 18 gal/1.000 pés³ Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. Essas relações variam para cada um dos tipos de lavadores mencionados, dependendo de como se dá a aspersão do líquido, da direção e sentido do gás com relação ao líquido, entre vários outros fatores. Atualmente, o conceito mais difundido é a “potência de contato”, que, em essência, relaciona a eficiência de coleta de partículas com a energia gasta no processo de contato entre gás e líquido. 144 O conceito de potência de contato afirma que, no contato gás-líquido, potência é dissipada em turbulência dos fluidos e como calor. Essa potência consumida em termos de potência por unidade volumétrica do gás é denominada de potência de contato, não estando nela incluídas as potências por perdas elétricas e mecânicas, nem por perdas por atrito nas partes secas do lavador. Esse conceito, apesar de carecer de maior base teórica, tem se mostrado aproximadamente válido na prática. Matematicamente tem sido apresentado em termos de número de unidades de transferência (eficiência) e potência de contato (HP/1000 pés³/min). Os lavadores úmidos são conhecidos também como equipamentos de controle de poluição que usam o processo de absorção em líquido para separar os poluentes da corrente gasosa (MUCCIACITO, 2016). A absorção pode ser entendida como um íntimo contato dos gases com o líquido de absorção, o que permite que os gases poluentes fiquem dissolvidos no líquido. O fator responsável por este resultado é a solubilidade dos gases no líquido absorvedor, uma forma de demonstrar tal ocorrência é vista nas partículas de aerossóis que são transferidas da suspensão da corrente gasosa para o líquido de lavagem via mecanismos de impacto inercial, sedimentação gravitacional, difusão Browniana, eletrostática, difusividade térmica e transporte de massa. A taxa e a extensão da absorção é geralmente acompanhada de reação química. Conforme estudado os lavadores que podem ser citados são do tipo Venturi, Tipo Torre, de pulverização axial em cone, ou ainda com spray e chicanas. Os lavadores de via úmida possuem as seguintes vantagens e desvantagens: Quadro 11. Vantagens e desvantagens dos lavadores de via úmida. Vantagens Desvantagens Não gera fonte secundária de pó. Possibilidade de geração de problemas de poluição de águas. Necessita de espaço pequeno. Necessidade de alto custo de perda de carga para remover material particulado fino com alta eficiência. Coleta gases e material particulado. Geração de resíduos úmidos. 145 Oferece possibilidade de trabalho com correntes gasosas de elevada temperatura e umidade. Problemas de corrosão de forma severa em relação a via seca. Tem custo baixo (desconsiderando o tratamento de efluentes líquidos). Opacidade da pluma de vapor pode ser inconveniente. Geralmente a corrente gasosa já está em alta pressão. Consumo de energia elevado. Habilidade de remover com alta eficiência o material particulado fino. Acúmulo de sólidos na interface úmida-seca pode gerar problemas. Alto custo de operação. Consumo elevado de água. Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações). Câmara de borrifo É o mais simples dos coletores úmidos. As gotas, geralmente com diâmetro de 0,1 a 1 mm caem e se chocam com as partículas em movimento ascendente, sendo o impacto o principal mecanismo de coleta das partículas. São características gerais desses coletores: » velocidade ascendente do gás, 2 a 4 pés/s; » tamanho das gotas, 100 a 1000 µm; » tamanho da gota para a máxima eficiência, 800 a 900 µm. Quadro 12. Características de lavadores ciclônicos. Parâmetro Faixa Tipo Irrigado Tipo Pease – Anthony Vazão do gás Até 50.000 pés³/min Até 25.000 pés³/min Temperatura do gás Ilimitada Pré-resfriamento ou saturação necessária. Velocidade do gás 200 – 500 pés/min ------ Velocidade tangencial ----- 50 – 200 pés/s Perda de carga 2,5 – 6 pol de H2O 2 – 6 pol de H2O Água recirculada 3-5 gal/1.000pés³ 3-10 gal/1.000pés³ Δp = f (vazão) Δp = KQ² ----- 146 Potência ----- 1-3 HP/1.000pés³/min Eficiência 90% ≥5µm 95% ≥5µm Efeito da umidade na eficiência. Nenhum Nenhum Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. Lavadores ciclônicos Nesses coletores úmidos, lança-se mão de um aumento da velocidade relativa entre as gotas e as partículas. Dessa forma, consegue-se aumentar consideravelmente a eficiência de coleta em comparação com a obtida em câmaras de borrifo (MUCCIACITO, 2016). A coleta se dá principalmente por impactação, sendo que a difusão só é efetiva para as partículas da ordem de 0,001 µm. Há basicamente três tipos de lavadores ciclônicos, como segue. Um em que se movimenta tangencialmente o gás, fazendo-se com que ele entre de modo tangencial na base do corpo cilíndrico. O lavador mais comumdesse tipo é o chamado lavador ciclônico Pease Anthony (MUCCIACITO, 2016). No segundo tipo, o movimento espiralado é provocado no gás por meio de sua passagem por seções helicoidais: são os chamados lavadores ciclônicos irrigados. O terceiro tipo é um ciclone convencional em que o gás entra tangencialmente pela base e a injeção de água se faz na entrada. Nesses coletores, determinou-se experimentalmente que o mais efetivo tamanho de gota é da ordem de 100 µm. Por essa razão, não se recomenda sua utilização com fins de resfriamento, sendo mesmo recomendado que os gases estejam saturados na entrada do coletor, particularmente se o gás estiver a uma temperatura superior à do líquido (MUCCIACITO, 2016). Lavadores autoinduzidos São também chamados de lavadores inerciais de orifício. A aspersão de água é induzida pela própria passagem do fluxo gasoso através do líquido, “quebrando-o” em gotas. 147 A quantidade de subtipos desses lavadores é imensa, indo desde o mais simples wet cap usado no topo de fornos Cubilot até os tipos mais sofisticados. As velocidades de passagem por meio do líquido variam de um tipo para outro, sendo uma faixa comum entre 50 e 200 pés/s. Dados experimentais indicam que, para velocidades de 50 pés/s, as gotas formadas têm um diâmetro de 300 a 400µm. Quadro 13. Características de lavadores auto-induzidos Parâmetro Faixa Wet cap Rotoclone N Em geral Eficiência Alta > 15µm 93%, 5µm 94%, > 5µm 85%, 3µm 40%, 1µm Uso de água Variável 10-40 gal/1.000pés³ ----- Concentração de entrada Qualquer 40 grãos/pé³ ----- Perda de carga 0,25 pol de H2O 2,5-6 pol de H2O 2-8 pol de H2O Corrosão Sim Sim Sim Potência consumida ----- ----- 2,3 HP//1.000pés³/ min Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. Lavadores mecânicos São também chamados de lavadores equipados com aspersores mecânicos. O mecanismo predominante de coleta nesses lavadores é a impactação, os quais se valem de um dispositivo mecânico para promover a formação das gotas. Uma vantagem desses lavadores, tal como nos autoinduzidos, é o pequeno consumo de água e a pequena possibilidade de entupimento. Vale frisar que, na maior parte da bibliografia existente, esses coletores são subclassificados conjuntamente com os desintegradores e com os precipitadores dinâmicos úmidos. A eficiência e o consumo de potência estão relacionados com a rotação e a vazão do gás. 148 Coletores úmidos de impactação Os coletores de impactação são torres verticais equipadas com um ou mais obstáculos de impactação. O obstáculo de impactação corresponde a um prato perfurado com 600 a 3000 furos por pé², tendo sobre eles plaquetas a uma distância correspondente à seção da vena contracta do fluido que passa pelos furos (seção de maior velocidade). O fluxo gasoso entra pela base da torre, em uma câmara provida de bicos aspersores de baixa pressão para, inicialmente, sofrer um processo de resfriamento, umidificação e coleta das partículas mais grosseiras (MUCCIACITO, 2016). O gás, passando por meio dos furos a velocidades entre 75 e 100 pés/s, atomiza o líquido descendente em gotas da ordem de 100 µm. Quadro 14. Características de lavadores de impactação. Parâmetro Faixa Concentração de poeira 40 grãos/pé³ (fácil tratamento) Perda de carga 1,5 a 8 pol de H2O – geralmente 4-6 Eficiência 95%, 4µm; 90%, 2µm; 80%, 1µm. Consumo de água 0,25 gal/min para cada 1.000pés³/ min Água recirculada 3 gal/min/1.000 pés³/min Capacidade 500 – 40.000 pés³/min Velocidade do gás nos furos 20 pés/s Velocidade de formação de gotas 75-100 pés/s Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. A velocidade do gás, ao passar pelos furos, é da ordem de 20 pés/s. Convém salientar que a coleta do material particulado ocorre predominantemente pela impactação com as gotas, e menos pela impactação contra a plaqueta (cerca de 3/16 pol de dimensão). Percebe-se que o diâmetro do corpo coletor é muito grande, no caso da plaqueta, sendo, portanto, o parâmetro de impactação menor. 149 Lavador Venturi Nesses lavadores o fluxo gasoso tem sua velocidade aumentada ao passar por meio de uma constrição (garganta), onde o líquido é injetado e atomizado pela alta velocidade do gás. Os principais mecanismos de coleta são impactação (mais importante), intercepção e condensação. Em seguida, ao venturi um coletor secundário (normalmente um ciclone), é instalado para coletar as partículas (que tiveram seu tamanho aumentado no venturi). As velocidades do gás na garganta (da ordem de 12000 a 24000 pés/min) atomizam quantidades de água, que variam entre 3 a 10 galões/1000 pés³, em gotas cujo tamanho médio pode ser estimado na faixa de 50 µm. Perdas de carga entre 10 e 30 pol de H2O são valores comuns, mas perdas mais elevadas não são raras e correspondem a maiores eficiências de coleta. A condensação é um mecanismo efetivo de coleta em um lavador venturi. Se o gás, na região de baixa pressão (correspondente à garganta do venturi), está completamente saturado (de preferência supersaturado), haverá condensação sobre as partículas na região de mais altas pressões (correspondente ao expansor do venturi). Desta forma, a partícula cresce, sua superfície molhada auxilia a aglomeração e sua posterior coleta. Para maior compreensão das vantagens e desvantagens deste mecanismo . Quadro 15. Características de lavadores Venturi. Parâmetro Faixa Temperatura de gás Ilimitada (conforme especificação) Perda de carga 10 a 30 pol de H2O Eficiência 98%, ≥ 1µm Água recirculada 2-10 gal/1.000 pés³ Capacidade / Volume de gás 200 – 145.000 pés³/min Velocidade na garganta 200 - 600 pés/s Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. 150 Quadro 16. Vantagens e desvantagens dos lavadores tipo Venturi. Vantagens Desvantagens Alta eficiência de remoção de material particulado. Alto consumo de energia devido à elevada perda de carga. Trabalha em processo de via úmida. Consumo elevado de água. Gera efluentes líquidos. Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf (com adaptações)>. Lavadores tipo Jet A efetividade de um lavador está diretamente relacionada com a energia despendida no processo. ∆ =Ec 1/ 2.Mg Mi. / (Mg + Mi).(Vg2 −Vi2) A mudança de energia cinética em um sistema de impactação gás-líquido vale: onde Mg é a massa de gás, Mi a massa de líquido, Vg a velocidade do líquido. Essa relação mostra que, se o líquido é injetado na garganta do venturi, o dispêndio de energia é grande, pois Vi=0. Isso faz com que, no lavador tipo jet, o líquido seja aspergido por um atomizador central com alta velocidade, desse modo fornecendo uma disponibilidade de pressão que varia de 1 a 3 pol de H2O. Quadro 17. Características dos lavadores tipo jet. Parâmetros Faixa Capacidade Até 100.000 pés³/min. Eficiência ------- Pressão disponível 1-3 pol de H2O Água recirculada 50-100 gal / 1.000 pés³ Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c (com adaptações)>. Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. Lavadores de orifício inundado A regulagem possível na posição do disco possibilita uma variação na perda de carga e, portanto,na eficiência, permitindo a utilização do lavador em uma ampla faixa de eficiências de coleta. 151 Esses lavadores podem apresentar altas eficiências para altas perdas de carga, quando maiores velocidades de passagem do gás criam gotas de menores dimensões. Quadro 18. Características dos lavadores de pressão variável. Parâmetros Faixa Eficiência Comparável à do Venturi Perda de carga 10-60 pol de H2O Água recirculada 5-35 gal / 1.000 pés³ Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. Torre de enchimento úmida Torres idênticas às utilizadas para absorção de gases e vapores podem ser utilizadas para a coleta de material particulado. O enchimento utilizado é do mesmo tipo e em condições normais, isto é, abaixo do ponto de inundação, as eficiências observadas são baixas para partículas menores que 5µm, tendo-se em conta os relativamente altos valores de perda de carga. Quadro 19. Características dos precipitadores dinâmicos úmidos. Parâmetros Faixa Capacidade 1.200-25.000 pés³/min Eficiência Aprox. 88% para névoa de H2SO4 Perda de carga Calculada para torres de absorção Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c (com adaptações)>. Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. O problema de entupimento é comum e, portanto, torres de enchimento são mais usadas para coleta de névoas que de poeira. Uma variante utilizada são as torres com leito flutuante, onde o enchimento é de material de baixa densidade e permanece continuamente em flutuação, evitando o problema de entupimento (∆p = 4 pol de H2O). Precipitadores dinâmicos úmidos Utilizam um ventilador para impactar as partículas contra suas pás, ao mesmo tempo em que se mantêm os atomizadores sobre elas. 152 Quadro 20. Características dos desintegradores. Parâmetros Faixa Eficiência Alta Perda de carga < 1 pol de H2O Potência consumida 10-20 HP/1.000 pés³/min Concentração 0,25-0,5 grãos/pés³ Temperatura Até 125° F Consumo de água Elevado Rotação do rotor 350-750 rpm Velocidade dos gases 200-300 pés/s Tamanho das gotas 50-80 µm Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. Desintegradores Para coleta de partículas da ordem de 1µm, as gotas devem ser de pequena dimensão, para possibilitar a coleta. Essas gotas podem ser obtidas nos desintegradores por meio da passagem do líquido injetado axialmente entre o estator e o rotor (girando entre 350 e 750 rpm). As principais características dos desintegradores serão mostradas a seguir. Quadro 21. Características de coletores de espuma. Parâmetros Faixa Eficiência 99%, > 2µm Perda de carga Pequena Capacidade 1.000-50.000 pés³/min Quantidade do espumante 0,001 gal / 1.000 pés³ Altura da camada de espuma 4-20 cm Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo. 153 Lavadores de espuma Para coletar partículas finas, lavadores de espuma têm sido considerados de alta eficiência, em virtude da grande área superficial de coleta apresentada. Esses coletores geralmente possuem um pré-coletor para reter as partículas mais grossas, sendo as mais finas coletadas por uma camada de espuma. A espuma é geralmente obtida pela adição à água de 0,001 gal/1000pés³ de gás de óleo à base de terebintina. Eliminadores de gotas são colocados em seguida ao equipamento. Precipitadores eletrostáticos Removem o material particulado de uma corrente gasosa por meio da criação de alto diferencial de voltagem entre eletrodos. Quando o gás com partículas passa entre os eletrodos, as moléculas gasosas ficam ionizadas, resultando em cargas nas partículas. Logo, carregadas, são atraídas para o “prato” de carga oposta e removidas enquanto o gás prossegue. Durante a operação, os pratos devem ser limpos periodicamente para remover a camada de pó que fica sobreposta. O acesso nestes locais deve ser controlado de forma sistêmica e precisam seguir os procedimentos operacionais de segurança elaborados pelos responsáveis do processo de produção. Qualquer acesso aos precipitadores eletrostáticos devem ocorrer somente com a anuência da segurança do trabalho. Quadro 22. Vantagens e desvantagens dos precipitadores eletrostáticos. Vantagens Desvantagens Alta eficiência de coleta de material particulado (fino e grosso), e consumo de energia relativamente baixo. Elevado custo de implantação (projeto, engenharia e instalação). Coleta e disposição dos resíduos a seco. Alta sensibilidade às oscilações das condições da corrente de gás (taxas de fluxo, temperaturas, composição do gás e material particulado). Baixa perda de carga (< 13 mmca) Baixa flexibilidade das faixas de operação. Capacidade de operação contínua com mínima necessidade de manutenção. Dificuldade de remoção de algumas partículas devido a propriedades resistivas extremas (muito altas ou muito baixas). Baixo custo de operação (se comparado a outros processos). Necessidade de espaço relativamente grande para instalação. 154 Habilidade para trabalhar em altas pressões (10 atm) quanto em condições de vácuo. Produção de ozônio pelo eletrodo negativo durante a ionização do gás. Possibilidade de ser operado em ampla faixa de temperatura e a altas (até 700° C). Manutenção relativamente sofisticada e personalizada (para a segurança do trabalho, possui elevado risco). Capacidade de tratar altas vazões de maneira eficaz. Incapacidade de controle das emissões de poluentes gasosos (Davis, 2000). Risco de explosão quando trata gases ou partículas combustíveis. Necessidade de precauções especiais para proteger pessoal dos riscos de alta voltagem. Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações). Filtros de mangas Os filtros de mangas removem o pó da corrente de gás passando a corrente gasosa carregada de material particulado por um tecido poroso (conforme descrição técnica do material/fabricante). As partículas de pó formam uma torta de porosidade maior, menor ou igual à manga (tecido poroso). Em geral, os métodos utilizados para limpeza são chacoalhar as mangas ou soprando ar limpo em corrente contrária. Figura 40. Modelo de filtros de mangas. Fonte: <http://www.ventec.com.br/downloads/manuais_ventec/alt27-10-08/Manual_Filtro_de_Mangas.pdf>. Acessado em: 9 jan.2015. 155 Quadro 23. Vantagens e desvantagens dos filtros de mangas. Vantagens Desvantagens Alta remoção de material particulado grosso ou fino (submicrons). Temperaturas acima de 300°C necessitam refratário mineral, especial ou mangas metálicas que estão ainda em estágio de desenvolvimento e valor elevado. Capacidade de operar com grande diversidade de pós. Alguns pós podem requerer tratamento especial das mangas para reduzir a infiltração de pó, ou, em outros casos, ajuda na remoção do pó coletado. Relativamente insensível a flutuação da vazão de gás. Eficiência e perda de carga são pouco afetadas devido a grandes variações de carregamento de cinzas para filtros continuamente limpos. Baixas concentrações de pó no coletor podem representar risco de fogo ou explosão se uma faísca ou chama for introduzida poracidente, as mangas podem queimar se pó oxidável já tiver sido coletado (ex.: Filtro de mangas de coque de petróleo). Possibilidade de recirculação da saída de ar do filtro pela planta para conservação de energia. Elevado custo de manutenção (troca das mangas). Material coletado seco, para subsequente processamento ou disposição. Baixa vida útil em altas temperaturas e na presença de ácidos e bases ou na presença de gases específicos. Não há problemas de disposição de resíduos líquidos, poluição de águas ou congelamento de líquidos, fator existente nos lavadores úmidos. Não pode trabalhar com gases úmidos. Em geral, corrosão e ferrugem não são problemas. Materiais hidroscópicos, condensação de mistura, componentes de alcatrão podem causar torta incrustante ou tampão na manga. Necessário o uso de aditivos especiais. Não há risco de alta voltagem, simplificando a operação e manutenção, além de permitir coleta de pó inflamável. A substituição das mangas necessita de sistemas de proteção coletiva visando a proteção respiratória e uso de EPI conforme avaliação do setor de segurança do trabalho. Uso de fibras selecionadas e cuidados com pré-coberturas de filtros granulares permitem alta eficiência de coleta de fuligem com dimensões de micrômetros e também de gases contaminantes. O diferencial de pressão em média é de 100 a 250 mmca. Filtros coletores possuem diversas configurações possíveis, resultando em dimensões e locais de flange de entrada e saída diversos, atendendo às necessidades de processo da instalação. As mangas podem ser destruídas em altas temperaturas ou na presença de produtos químicos corrosivos. Operação relativamente simples. O tempo de limpeza do filtro necessita de um sistema paralelo para manter o regime permanente de operação. Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações). Separadores inerciais Possuem o princípio básico a separação inercial, na qual o gás carregado de material particulado é forçado a mudar de direção. A inércia das partículas faz com que as mesmas sigam em frente enquanto o gás muda de direção, separando as partículas do gás. Os ciclones são principais separadores inerciais (mais comuns), nos quais o gás é forçado a girar em vórtex por meio de um tubo. 156 Figura 41. Ciclones. Fonte: <http://www.solerpalau.pt/formacion_01_37.html>. Quadro 24. Vantagens e desvantagens dos ciclones. Vantagens Desvantagens Baixo custo de implantação e de manutenção. Difícil remoção de partículas finas (baixa eficiência p/ partículas finas). Possibilidade de ser simples ou múltiplo. Perdas de carga variam em média de 50 mmc H2O (baixa eficiência) a 254 mmc H2O (alta eficiência) (DAVIS, 2000). Capacidade de prolongar a vida útil dos filtros quando usado para fazer a limpeza prévia. Habilidade de remoção de partículas grandes e médias com alta eficiência. Construção simples. Não possui peça móvel, exceto quando tem válvula tipo pêndulo ou rotativa na tiragem do pó. Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações). Adsorvedores No momento da adsorção, os poluentes gasosos são removidos da corrente de gás aderindo na superfície de um sólido. As moléculas gasosas são classificadas de adsorvantes, enquanto o sólido o adsorvedor. O sólido é altamente poroso. A adsorção ocorre em uma série de etapas: 157 inicialmente, os poluentes passam da corrente gasosa para a superfície externa da partícula adsorvedora. Em seguida, as moléculas dos poluentes migram para a superfície interna porosa, maior em relação a externa do adsorvedor. Por fim, as moléculas aderem na superfície dos poros. (DAVIS, 2000). Os compostos e produtos com características adsorventes são: » Bicarbonato de sódio. » Carvão lignitíco (sub-betuminoso). » Carvão ativo adsorvedores. Todos eles possuem área superficial específica entre 200 e 1.200m²/g (CALSSON, 2001). Quadro 25. Vantagens e desvantagens dos adsorvedores. Vantagens Desvantagens Possibilidade de reaproveitamento do adsorvedor. A recuperação do adsorvedor requer processo de destilação e extração (elevado custo). Controle e resposta para mudanças de processos. A capacidade de adsorção diminui progressivamente conforme o aumento de ciclos do processo. Não há problemas de disposição química quando o adsorvedor é recuperado e retorna ao processo. A adsorção regenerativa necessita de fonte de vapor ou vácuo. Controle automático (conforme necessidade). Custo elevado para implantação. Capacidade de remover contaminantes gasosos e na forma de vapor das correntes de processo até níveis extremamente baixos. Recomenda-se a pré-filtragem do material particulado para evitar o entupimento do recheio adsorvedor. Necessário resfriamento do gás para manter dentro da faixa de operação (< 50°C). Vapor consideravelmente alto é necessários para desabsorver hidrocarbonetos de alto peso molecular. Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações). 158 Figura 42. Etapas de adsorção. Fonte: Davis, 2000. Condensadores Condensadores são trocadores de calor que promovem a mudança de fase dos poluentes gasosos, possibilitando a sua remoção. Quadro 26. Vantagens e desvantagens de condensadores. Vantagens Desvantagens Produto de condensação puro (condensadores de contato direto). Baixa eficiência na remoção de poluentes gasosos para controle de poluição do ar. A água usada como meio refrigerante, por não ter contato, pode ser reutilizada após resfriamento. Elevado custo para condensação. Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações). Lavadores a seco Este processo visa injetar cal virgem (CaO) ou hidróxido de cálcio (CaOH) no vapor dos gases de exaustão e é então capturada por filtro de mangas, formando uma camada de cal. No caso de gases ácidos, principalmente o HCl são neutralizados pela camada de cal, formando água (em processo de evaporação) e cloreto de cálcio. Os lavadores a seco são utilizados em processos de incineração de resíduos domésticos e perigosos (avaliar o resíduo preliminarmente). O controle de metais pode ser feito por meio de sistema de lavagem a seco e filtros de mangas, o qual inclui a injeção de cal virgem (CaO) e injeção de carbono ou carvão, ao invés de sistemas de lavagem via úmida. Importante destacar que o tipo de filtro usado deve ser hábil para capturar partículas extremamente finas de material particulado na qual muito da massa do metal é adsorvida. 159 A injeção de cal virgem (CaO) ou hidróxido de cálcio (CaOH) ajuda a neutralização de gases ácidos e promove remoção de material particulado mais eficiente devido à formação de camada filtrantes mais densa. No caso do Mercúrio, ele poderá existir na forma de vapor abaixo de 27°C, desta forma, a injeção de carbono ou carvão ativado ajuda a adsorver o mercúrio de forma eficiente. A mistura de carvão ou carbono com cal virgem ou hidróxido de sódio ajuda também a controlar orgânicos clorados, especialmente dioxinas e furanos (desde que o filtro de mangas não seja operado aquecido). Para os filtros de mangas à quente, dioxinas e furanos que foram coletados na torta do filtro podem revolatizar e serem emitidos para a atmosfera (ROBERTS et al, 1999). Quadro 27. Vantagens e desvantagens de lavadores a seco. Vantagens Desvantagens Não gera efluente líquido Forma cloreto de cálcio junto com cinzas, aumentando o volumetotal de resíduos para disposição adequada. Captura particulado fino. Neutraliza gases ácidos. Eficiente na remoção de metais, inclusive mercúrio. Remove dioxinas e furanos em baixa temperatura. Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações). Catalisadores O processo de lavagem de gases como HCl podem ser removidos da exaustão com soluções alcalinas aquosas ou pós alcalinos, este processo é feito em incineradores de resíduos perigosos. Um gás relativamente difícil de remoção é o NO2 ou NO. O principal controle para o NOX é minimizar sua formação através da operação adequada dos queimadores e fornalhas. A formação de NOX pode ser reduzida na zona de combustão por meio da redução do nível de oxigênio, recirculação dos gases de queima, combustão homogênea e por seleção de redução não catalítica com amônia, ureia, em temperatura aproximada de 950°C. Porém, para obter níveis baixos de 70 mg/Nm³ calculado como NO2, o método mais comum é o uso de catalisador conforme figura 28 localizado geralmente no final do processo de limpeza de gases. 160 Figura 43. Reações no catalisador de redução de NOX com amônia. Fonte: Dallago et al. 2004. Atividade Complementar 1. Qual a necessidade de realizarmos uma avaliação ambiental para funcionários expostos a agentes químicos? Que parâmetros deverão ser analisados? Quais as consequências a curto e longo prazo? (Faça uma breve pesquisa a respeito). 2. Você considera uma ventilação industrial uma proteção coletiva? Por quê? 3. Quais os objetivos da implantação da ventilação no interior de indústrias? 4. Qual a diferença entre os objetivos de ventilação comercial e industrial. Argumente a este respeito. 5. Quais as principais características para a utilização de sistemas de ventilação por exaustão? 6. A velocidade num sistema de ventilação poderá otimizar ou não um processo. Quais as recomendações necessárias para que a velocidade do sistema de ventilação tenha eficácia? 7. Qual a resolução do CONAMA que estabelece os limites máximos de emissão de poluentes atmosféricos? Você utilizaria esta resolução como referencia para o estudo de ambientes laborais? 8. Quais são os fatores que podem influenciar no rendimento de uma coleta? 9. Quais as vantagens e desvantagens do uso de umidificadores no controle da poluição industrial? 10. Filtros de mangas e eletrofiltros são aplicáveis em que tipo de processo industrial? Descreva suscintamente o processo operacional de cada filtro. 161 Referências ACGIH, TLVs and BEIs: Guide to Occupational Exposure Values. Tradução pela Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais, 2007. ANDRADE, Laura Martins Maia de. Meio ambiente do trabalho e a ação civil publica trabalhista. São Paulo: Ed. Juarez de Oliveira, 2003. ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito ambiental. 7. ed. ve. ampl. atual. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2004. 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