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Mediação e arbitragem - 2ª unidade

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de retirada do acionista dissidente não se aplica (art. 136-A):
- Inaplicabilidade caso a inserção seja condição para que os valores mobiliários da companhia sejam negociados em segmento de listagem de bolsa de valores ou de mercado de balcão organizado que exija dispersão acionária mínima de 25% (vinte e cinco por cento) das ações de cada espécie ou classe. 
- Inaplicabilidade caso as ações da companhia tenham liquidez e dispersão no mercado, nos termos do art. 137, II, “a” e “b”. 
Acordo de acionista: é um contrato plurilateral, assinado por sócios de uma companhia, que estabelece as aplicações entre os sócios. Ex. estabelecimento de direito de preferência, acordo de voto. É dotado de eficácia executiva (título executivo), por isso poderá ter cláusula compromissória (ação de conhecimento), mas isso não impede o judiciário (ação de execução). 
- Disputas sobre insolvência: Cláusula compromissória em plano de recuperação judicial. O credor que votou contra está vinculado à vontade da maioria, por força de lei. Se o plano prevê a cláusula compromissória em plano de recuperação judicial não há consensualismo, e por isso, para Gabriel, não vincula o credor que votou contra. 
- Disputas de família: depende do objeto, se for direito patrimonial disponível, poderá haver. Mas se não, não poderá. Ex. partilha de divórcio.
- Disputas de sucessões: Partilha nas sucessões ab intestato (LA, art. 1º; CPC, art. 610, § 1º; CC, art. 2.015) – os bens são partilhados de acordo com a lei, não havendo testamento. Se todos os herdeiros são maiores, é possível. 
Partilha nas sucessões testamentárias? (CPC, art. 610) – há uma discussão, por conta do que dispõe o art. 610 do CPC. Para Gabriel, não é possível, pois deve ser respeitada a vontade do de cujus. 
- Disputas ambientais: cabe arbitragem nos reflexos econômicos. Ex. não cabe arbitragem para a discussão se o IBAMA atuou corretamente ao fechar uma fábrica, pois é um ato ius imperii. 
- Disputas desportivas: cabe arbitragem. 
- Disputas administrativas? Se for disputa de ius imperii, não cabe. 
- Disputas tributárias? Em alguns países é possível, como em Portugal, mas não cabe no Brasil, ainda. Há vários grupos de estudo para que se produza uma lei para que torne esse direito disponível. 
ARBITRABILIDADE SUBJETIVA: 
1. Sujeitos da arbitragem: 
- Capacidade (art. 1º): tempus regit actum e locus regit actum (domicílio da pessoa). 
2. Situações polêmicas: Administração Pública:
- Cabe para entes da administração pública, direta e indireta. Mas nem sempre foi assim, pois havia na lei de arbitragem uma omissão, o que levou a alguns uma discussão na doutrina. O STF há muito tempo tinha um entendimento no caso Lage dizendo que era possível, mesmo que direta. O STJ se deparou sobre a matéria e entendeu que não teria qualquer razão que inviabilize o uso dos tribunais arbitrais por agentes do Estado, mas não seria qualquer direito público, somente os direitos disponíveis. No entanto, o TCU não acolhia, e somente em 2013 admitiu a possibilidade. 
Mas para evitar maiores discussões, a lei 13.129/2015 alterou a redação da LA: “Art. 1º (...) § 1º. A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. § 2º. A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações.”
Norma que define a arbitrabilidade subjetiva estabelece que qualquer pessoa capaz de contratar poderá participar da arbitragem, o que levaria a crer que somente se aplicaria a pessoas naturais e pessoas jurídicas. Mas existem alguns entes despersonalizados, ou seja, que não possuem personalidade jurídica, mas que tem capacidade processual. 
Pode acontecer com o espólio, que são entes que correspondem a massas de bens deixadas por alguém até que se realize a partilha. No espólio, a representação é pelo inventariante, que é um auxiliar, podendo ser um sucessor ou um inventariante dativo. O inventariante tem vários poderes de administração dos bens do espólio na forma do art. 991 e 992 do CPC, não podendo praticar certos atos sem a autorização judicial, tais quais: (i) disposição de bens do espólio; (ii) pagamento de dívidas; (iii) melhoramento dos bens do espólio; (iv) transigir, ou seja, não pode celebrar o contrato típico de transação dos art. 840 e ss. A ideia de arbitragem perpassa pela ideia de transação, por isso, como o inventariante precisa de uma autorização para transigir, entende-se que também seria necessária uma autorização judicial ou alvará judicial (autenticação) para poder arbitrar. 
Quando há a decretação da falência de uma pessoa jurídica temos a extinção dela, mas enquanto não ocorre a liquidação (encerramento do processo) existe uma massa falida objetiva, que não tem personalidade jurídica, mas tem capacidade processual. Acontece o mesmo que o espólio, quem fará a representação é o administrador judicial, tendo seus poderes definidos em lei. Discutiu-se que a falência se caracteriza pelo princípio do juízo universal, ou seja, todas as ações que possam implicar em constrição sobre bens da massa falida ou qualquer dos processos que são regulados pela lei 11.101 (ex. ação de restituição) são de competência exclusiva do juízo que decretou a falência. Por isso, alguns objetaram que massa falida não poderia fazer parte da arbitragem, mas não é verdade. O juízo universal não é tão universal assim, ele é universal apenas para as ações que resultam em constrição de bens ou que são regulamentadas na lei específica. Na arbitragem, não há um risco de constrição de bens, por ser uma ação de conhecimento fora do judiciário. Assim, entende-se que a arbitragem também continua a tramitar normalmente, embora haja decretação da falência. 
Esse assunto foi objeto do enunciado nº 75 da II Jornada de Direito Comercial do Conselho da Justiça Federal. “Havendo convenção de arbitragem, caso uma das partes tenha a falência decretada: (i) eventual procedimento arbitral já em curso não se suspende e novo procedimento arbitral pode ser iniciado, aplicando-se, em ambos os casos, a regra do art. 6º, § 1º, da Lei n. 11.101/2005; e (ii) o administrador judicial não pode recusar a eficácia da cláusula compromissória, dada a autonomia desta em relação ao contrato.”
Na lei 11.101, é dito que, uma vez decretada a falência, o juiz nomeia um administrador judicial, que deve analisar todos os contratos bilaterais dos quais o falido era parte e fazendo um juízo do que é conveniente para os credores e para a massa, tem o poder de denunciar (extinguir unilateralmente) esse contrato. Isso não se aplica, no entanto, à cláusula arbitral, não se aplicando à arbitragem. Além disso, uma corrente doutrinária acredita que a cláusula arbitral não é um contrato bilateral, e sim plurilateral, e por isso não se aplicaria à arbitragem. 
Também se aplica ao condomínio, que é representado por seu síndico. É cada vez mais comum a arbitragem para as disputas entre condôminos e condomínio. 
Portanto, não é o objetivo da lei a não aplicação da arbitragem a esses entes despersonalizados, 
ÁRBITRO
I. PODERES DO ÁRBITRO:
1. Poderes do árbitro e tutela jurisdicional: 
- Tutela de conhecimento (arts. 18 e 31): A tutela jurisdicional pode ser de conhecimento (quando o julgador toma conhecimento dos fatos, aplica o direito e profere decisão dizendo quem tem razão), pode ser tutela declaratória, tutela condenatória, constitutiva ou de urgência.
- Tutela de urgência (art. 22-B): todas as tutelas de conhecimento o árbitro pode conceder. Na redação original da LA dizia que os árbitros poderão pleitear ao poder judiciário medidas cautelares, e parecia que o próprio árbitro teria que ir ao judiciário para fazer esse pedido, mas não era isso. A doutrina e o STJ entenderam que o árbitro pode conceder tutelas de urgência, porém a sua execução deve ser feita pelo poder judiciário. Hoje, a redação é simples,

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