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@DeltaCaveira10
LEGISLAÇÃO BIZURADA
Observações:
- AMARELO1: Partes, Títulos, Capítulos, Seções e Subseções;
- AMARELO2: Súmulas Vinculantes;
- VERDE: Súmulas STF;
- AZUL: Súmulas STJ;
- LARANJA: Jurisprudência; Destaques Importantes.
CÓDIGO PENAL – DECRETO-LEI 2.848/40
CONCEITO DE DIREITO PENAL
O conceito de direito penal possui três aspectos:
Aspecto Formal/Estático
O direito penal é um conjunto de normas que qualificam certos
comportamentos humanos como infrações penais. São normas
que definem os agentes e fixam as sanções que serão cominadas
a estes agentes.
Aspecto Material
O direito penal se refere a comportamentos considerados
reprováveis, danosos ao organismo social, pois afetam bens
jurídicos indispensáveis à conservação e progresso do próprio
organismo social.
Aspecto Sociológico/Dinâmico O direito penal é instrumento de controle social.
CRIME CONTRAVENÇÃO
Sinônimos Delito
Crime Anão, Crime Vagabundo ou
Delito Liliputiano
Tipo pena privativa de
liberdade
Reclusão, Detenção e/ou Multa Prisão Simples e/ou Multa
Espécie de Ação Penal
Ação penal privada; e
Ação penal pública
(incondicionada e condicionada).
Ação penal pública incodicionada
Elemento Subjetivo Dolo ou Culpa Voluntariedade
Punição da tentativa Pune a tentativa Não pune a tentativa
Extraterritorialidade Admite Não admite
Competência
Justiça Estadual; e
Justiça Federal.
Justiça Estadual
(salvo foro por prerrogativa de
função federal)
Limite de cumprimento de
pena
30 anos 05 anos
Período de prova do Sursis 2 a 4 anos ou 4 a 6 anos 1 a 3 anos
Cabimento da prisão
preventiva
Cabe
(na hipóteses do art. 313 do CPP
e art. 1º, III, da lei 7.960/89)
Não cabe
Possibilidade de Confisco
Instrumentos de crime podem ser
confiscados
Instrumentos de contravenção
não podem ser confiscados
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PARTE GERAL
TÍTULO I
DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL
Anterioridade da Lei
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina (p. anterioridade). Não há pena sem prévia cominação
legal (p. legalidade).
- Art. 5º, XXXIX, CF: “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação
legal;”
- Leia-se: “Não há crime ou contravenção sem lei anterior que o defina. Não há pena ou medida de
segurança sem prévia cominação legal.”
- Desdobramentos do princípio da legalidade:
• Não há crime ou pena sem lei: Medida Provisória não pode criar crime, nem cominar pena;
• Não há crime ou pena sem lei anterior: Princípio da anterioridade;
• Não há crime ou pena sem lei escrita: proibe o costume incriminador;
• Não há crime ou pena sem lei estrita: proibe a utilização da analogia para criar tipo incriminador
(analogia in malam partem);
• Não há crime ou pena sem lei certa: Princípio da taxatividade – proibe tipos penais vagos e
indeterminados;
• Não há crime ou pena sem lei necessária: desdobramento do princípio da intervenção mínima.
EXTRA-ATIVIDADE DA LEI PENAL (gênero)
ULTRA-ATIVIDADE RETROATIVIDADE
A lei penal revogada continua sendo aplicada
para os fatos praticados na sua vigência, pois a
lei revogadora é prejudicial ao réu.
Ex.: Lei “A” comina pena de 1 a 4 anos → revogada
pela Lei “B” que anuncia uma pena de 3 a 8 anos.
A lei “A” é ultra-ativa para os fatos praticados na
sua vigência. Evita-se, assim, a retroatividade
maléfica da lei “B”.
A lei penal revogadora é aplicada aos fatos
pretéritos à sua vigência, pois é mais benéfica
quando comparada com a lei revogada.
Ex.: Lei “A” com pena de 3 a 8 anos → revogada
pela Lei “B” que passa a prever a pena de 1 a 4
anos.
A Lei “B” é retroativa para alcançar os fatos
pretéritos. Trata-se de retroatividade benéfica.
Pressupõem sucessão de leis no tempo e só podem agir em benefício do réu, salvo nos casos de lei
temporária ou excepcional.
Lei penal no tempo
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em
virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. (abolitio criminis)
- Súmula nº 611, STF: “Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao Juízo das execuções
a aplicação de lei mais benigna.”
- Súmula nº 711, STF: “A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente,
se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.”
ABOLITIO CRIMINIS CONTINUIDADE NORMATIVO-TÍPICA
Supressão da figura criminosa (formal e
material).
Supressão formal do tipo.
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A conduta criminosa não será mais punida (o
fato deixa de ser punível).
A conduta criminosa apenas migra para outro
tipo penal (o fato permanece punível).
A intenção do legislador é não mais considerar
o fato criminoso.
A intenção do legislador é manter o caráter
criminoso do fato, mas com outra roupagem.
ABOLITIO CRIMINIS ABOLITIO CRIMINIS TEMPORÁRIA
Descriminalização da conduta Suspensão dos efeitos da norma incriminadora
Causa extintiva da punibilidade Causa de atipicidade temporária
Retroage Não retroage
Ex.: Descriminalização do porte de simulacro
Ex.: Campanha do Desarmamento – art. 12 da Lei
10.826/03
Parágrafo único - A LEI POSTERIOR, que de qualquer modo FAVORECER O AGENTE, APLICA-SE aos
FATOS ANTERIORES, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.
TEMPO DA CONDUTA LEI POSTERIOR (IR) RETROATIVIDADE
Fato Atípico Fato Típico
IRREtroatividade da lei posterior.
- Novatio Legis Incriminadora: a lei ao tempo
da conduta é ultra-ativa e continua a regular os
fatos praticados durante a sua vigência.
Fato Típico
Tratamento mais
rigoroso ao agente. Ex.:
aumento de pena.
- IRREtroatividade da lei posterior.
- Novatio legis in pejus/Lex Gravior: a lei ao
tempo da conduta é ultra-ativa e continua a
regular os fatos praticados durante a sua
vigência.
Fato Típico
Supressão da figura
criminosa
- REtroatividade (art. 2º, caput, CP) da lei
posterior.
- Abolitio criminis: a lei posterior retroage para
alcançar os fatos praticados na vigência da lei
anterior.
Fato Típico
Tratamento mais
benéfico ao agente. Ex.:
diminuição de pena.
- REtroatividade (art. 2º, parágrafo único, CP)
da lei posterior.
- Novatio legis in mellius/Lex mitior: a lei
posterior retroage.
Fato Típico
Migra o conteúdo
criminoso para outro
tipo penal.
Princípio da Continuidade Normativo-Típica
Lei excepcional ou temporária
Art. 3º - A LEI EXCEPCIONAL ou TEMPORÁRIA, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas
as circunstâncias que a determinaram, APLICA-SE ao fato praticado durante sua vigência.
LEI TEMPORÁRIA LEI EXCEPCIONAL
Lei penal temporária é aquela que tem um prazo
de validade, isto é, tem uma vigência
predeterminada no tempo.
Lei penal excepcional é aquela que vigora
somente numa situação de anormalidade.
Ex.: art. 36 da Lei 12.663/12 (copa de 2014).
Ex.: Lei Y foi aprovada com vigência a partir de
01.12.2017 e perdurará até o fim do período de
estiagem.
São “leis intermitentes” dotadas de ultra-atividade.
Tempo do crime
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Art. 4º - Considera-se praticado o crime no MOMENTO da ação ou omissão, ainda que outro seja o
momento do resultado.
TEORIAS DO TEMPO DO CRIME
Teoria da Atividade ou da
Ação
Teoria do Resultado, do Evento
ou do EfeitoTeoria da Ubiquidade, Mista
ou Híbrida
Considera-se praticado o crime
no momento da ação ou
omissão, ainda que outro seja
o momento do resultado.
Adotada!
Considera-se praticado o crime
quando da ocorrênciado seu
resultado, pouco importando o
momento da ação.
Considera tempo do crime tanto
o momento da ação ou omissão
quanto o momento da
produção do resultado.
Territorialidade
Art. 5º - APLICA-SE a lei brasileira, SEM PREJUÍZO de convenções, tratados e regras de direito
internacional, ao crime cometido no território nacional. (p. da territorialidade mitigada ou
temperada)
TERRITORIALIDADE EXTRATERRITORIALIDADE INTRATERRITORIALIDADE
Local do crime: Brasil Local do crime: estrangeiro Local do crime: Brasil
Lei aplicável: brasileira
Lei aplicável: brasileira
Ex.: contra vida do PR.
Lei aplicável: estrangeira
Ex.: imunidade diplomática.
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como EXTENSÃO DO TERRITÓRIO NACIONAL as
embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro ONDE
QUER QUE SE ENCONTREM, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de
propriedade privada, QUE SE ACHEM, RESPECTIVAMENTE, NO ESPAÇO AÉREO CORRESPONDENTE
OU EM ALTO-MAR.
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações
ESTRANGEIRAS de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em
vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil.
Lugar do crime
EMBARCAÇÕES E AERONAVES APLICA-SE A LEI BRASILEIRA DISPOSITIVO
Públicas Brasileiras ou a Serviço
do Estado Brasileiro
(Extensão do Território Nacional)
Em qualquer lugar que se encontrem.
Art. 5º, § 1º,
primeira parte, CP.
Particulares Brasileiras
(Extensão do Território Nacional)
Que se encontrem em alto-mar ou em
espaço aéreo correspondente.
Art. 5º, § 1º, segunda
parte, CP.
Públicas Estrangeiras Nunca –
Particulares Estrangeiras
Que se encontrem em território
brasileiro.
Obs.: salvo, para o caso de navios, na
passagem inocente.
Art. 5º, § 2º, CP.
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no LUGAR em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em
parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
TEORIAS DO LUGAR DO CRIME
Teoria da Atividade ou da
Ação
Teoria do Resultado, do
Evento ou do Efeito
Teoria da Ubiquidade, Mista ou
Híbrida
Lugar do crime aquele em que o
agente desenvolveu a atividade
criminosa.
Lugar do crime é o lugar da
ocorrência do resultado.
Considera-se praticado o crime no
lugar em que ocorreu a ação ou
omissão, no todo ou em parte,
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bem como onde se produziu ou
deveria produzir-se o resultado.
Adotada!
CRIMES À DISTÂNCIA OU DE
ESPAÇO MÁXIMO
CRIMES EM TRÂNSITO
CRIMES PLURILOCAIS OU DE
ESPAÇO MÍNIMO
O crime percorre o território
de dois Estados Soberanos.
Ex.: Brasil e Argentina.
O crime percorre o território de
mais de dois Estados Soberanos.
Ex.: Brasil, Argentina e Uruguai.
O crime percorre dois ou mais
territórios do mesmo país
Soberano.
Ex.: Comarcas de São Paulo, São
Bernardo e Guarulhos.
Gera conflito internacional
de jurisdição
(Qual país aplicará sua lei?)
Gera conflito internacional de
jurisdição
(Qual país aplicará sua lei?)
Gera conflito interno de
competência
(Qual comarca aplicará a lei do
país?)
Aplica-se o art. 6º do CP
Teoria da Ubiquidade ou
Mista – Lugar do Crime
Aplica-se o art. 6º do CP
Teoria da Ubiquidade ou Mista
– Lugar do Crime
Aplica-se, em regra, o art. 70 do
CPP
Teoria do Resultado
Obs.1:
Art. 4º: Tempo do Crime
Art. 6º: Lugar do Crime
Mnemônico: LU.TA
LU = Teoria da Ubiquidade = lugar do crime (art. 6º)
TA = Teoria da Atividade = tempo do crime (art. 4º)
Obs.2: Teoria da Atividade: Só tem relevância nos crimes materiais ou causais (crimes de resultado =
STF), isto é, nos crimes materiais que o resultado naturalístico é obrigatório. Há nos crimes formais e de
mera conduta, praticada a conduta, o crime está automaticamente consumado.
Extraterritorialidade
Art. 7º - FICAM SUJEITOS à LEI BRASILEIRA, embora cometidos no estrangeiro:
I - os crimes: (EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA)
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República (P. Defesa, Proteção ou Real);
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de
Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo
Poder Público (P. Defesa, Proteção ou Real);
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço (P. Defesa, Proteção ou Real);
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil (P. Justiça
Universal/Cosmopólita);
II - os crimes: (EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA)
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir (P. Justiça Universal/Cosmopólita);
b) praticados por brasileiro (P. Nacionalidade Ativa ou Personalidade);
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada,
quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados (P. da Representação, Pavilhão, Bandeira
ou Substituição).
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente É PUNIDO segundo A LEI BRASILEIRA, ainda que absolvido ou
condenado no estrangeiro.
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§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira DEPENDE do concurso das seguintes
condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado (P. da Dupla Tipicidade);
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição;
d) NÃO TER SIDO o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a
punibilidade, segundo a lei mais favorável.
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil,
se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior (P. Nacionalidade Passiva ou Personalidade):
(EXTRATERRITORIALIDADE HIPERCONDICIONADA)
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) HOUVE requisição do Ministro da Justiça.
Pena cumprida no estrangeiro
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando
diversas, ou nela é computada, quando idênticas.
Eficácia de sentença estrangeira
Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas
conseqüências, PODE SER homologada no Brasil para:
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis;
II - sujeitá-lo a medida de segurança.
Parágrafo único - A homologação DEPENDE:
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada;
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade
judiciária emanou a sentença, OU, na falta de tratado, de requisição do Ministro da Justiça.
Contagem de prazo
Art. 10 - O dia do começo INCLUI-SE no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos
pelo calendário comum.
Prazo Penal (art. 10, CP) Prazo Processual Penal (art. 798, CPP)
Inclue o do começo Exclui o do começo
Exclui o do final Inclui o do final
Frações não computáveis da pena
Art. 11 - DESPREZAM-SE,nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações de
dia, e, na pena de multa, as frações de cruzeiro (leia-se: real, desprezando-se os centavos na
liquidação da sanção patrimonial).
Legislação especial
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados por lei especial, se esta não
dispuser de modo diverso (p. da especialidade).
PRINCÍPIOS PARA SOLUCIONAR O CONFLITO APARENTE DE NORMAS PENAIS
Subsidiariedade
Atua no plano concreto. O crime tipificado pela lei subsidiária, além de menos grave
do que o narrado pela lei primária, dele também difere quanto à forma de execução,
já que corresponde a uma parte deste. Em outras palavras, a figura subsidiária está
inserida na principal. No princípio da subsidiariedade a comparação sempre deve
ser efetuada no caso concreto, buscando-se a aplicação da lei mais grave. A
subsidiariedade pode ser tanto expressa (por exemplo, disparo de arma de fogo),
como tácita.
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Especialidade
Atua no plano abstrato, ou seja, para saber qual lei é geral e qual é especial,
prescinde-se da análise do fato praticado. Pouco importa também a quantidade de
sanção penal reservada para as infrações penais. A comparação entre as leis não se
faz da mais grave para a menos grave, pois a lei específica pode narrar um ilícito
penal mais rigoroso ou mais brando.
Consunção
Atua no plano concreto. Difere-se da subsidiariedade em dois aspectos. Na regra
da subsidiariedade, em função do fato concreto praticado, comparam-se as leis
para saber qual é a aplicável. Por seu turno, na consunção, sem buscar auxílio nas
leis, comparam-se os fatos, apurando-se que o mais amplo, completo e grave
consome os demais. O fato principal absorve o acessório, sobrando apenas a lei
que o disciplina. Lei consuntiva é aquela que define o todo, o fato mais amplo. Lei
consumida define a parte, o fato menos amplo. A consunção é aplicada nos casos
de crimes progressivos, na progressão criminosa ou nos atos impuníveis.
Na subsidiariedade, o constrangimento ilegal só pode ser praticado se houver a
ameaça. Um crime está obrigatoriamente dentro do outro, a ameaça é elemento do
constrangimento ilegal. Por outro lado, na consunção, tomemos como exemplo a
lesão corporal e o homicídio. A lesão corporal não é um elemento do homicídio. O
homicídio pode ser praticado por outro modo que não a lesão corporal. Um crime
não está obrigatoriamente dentro do outro, comparam-se os fatos.
Obs.1: um crime não pode ser absorvido por uma contravenção penal;
Obs.2: Quando o falso se exaure no descaminho, sem mais potencialidade lesiva, é
por este absorvido, como crime-fim, condição que não se altera por ser menor a
pena a este cominada. STJ. 3ª Seção. REsp 1.378.053-PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
julgado em 10/8/2016 (Info 587).
Obs.3: Súmula nº 17, STJ: Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais
potencialidade lesiva, é por este absorvido.
Alternatividade
Se refere aos crimes plurinucleares, ou seja, aqueles crimes que apresentam vários
verbos, a exemplo do artigo 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. A prática de mais de
uma dessas condutas configura crime único, podendo a pena ser majorada em
razão dos vários núcleos praticados na fase da dosimetria da pena. É também
chamado de “tipo penal misto alternativo”. #NÃOCONFUNDIR com o princípio da
alteridade, segundo o qual não se deve punir condutas que prejudicam apenas o
próprio agente. Ex: autolesão.
Mnemônico → SECA
TÍTULO II
DO CRIME
CONCEITO DE CRIME
Conceito Formal
Crime é aquilo que assim está rotulado em uma norma penal incriminadora,
sob ameaça de pena. Ou seja, é aquilo em que o Estado descreve literalmente
como crime na lei penal.
Conceito Material
Crime é o comportamento humano causador de relevante e intolerável lesão
ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado, passível de sanção penal.
Conceito Analítico
Leva em consideração os elementos estruturais que compõem o crime. Em
relação a essa espécie de conceituação temos basicamente duas correntes:
- Corrente Bipartite → crime é fato típico + ilícito (a culpabilidade é
pressuposto para a aplicação da pena);
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- Corrente Tripartite → crime é fato típico, ilícito e culpável. É a corrente
amplamente adotada no Brasil.
Relação de causalidade
Art. 13 - O RESULTADO (obs.: naturalístico), de que depende a existência do crime, somente É
IMPUTÁVEL a quem lhe deu causa. CONSIDERA-SE CAUSA a ação ou omissão sem a qual o resultado
não teria ocorrido (teoria da equivalência dos antecedentes causais ou conditio sine qua non).
Obs.: Diante de uma possível regressão ao infinito para descobrir quais causas contribuíram para o
cometimento do delito criou-se a teoria da proibição do regresso. Assim, para explicar a teoria, na
melhor do que as claras lições de Rogério Greco: "... para que seja evitada tal regressão, devemos
interromper a cadeia causal no instante em que não houver dolo ou culpa por parte daquelas pessoas
que tiveram alguma importância na produção do resultado. Frank citado por Fragoso 'procurando
estabelecer limitações à teoria, formulou a chamada proibição de regresso (Regressverbot), segundo a
qual não é possível retroceder além dos limites de uma vontade livre e consciente, dirigida à produção
do resultado. Não seria lícito considerar como causas do resultado as condições anteriores'".
Superveniência de causa independente
§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente EXCLUI a imputação quando, POR SI
SÓ, PRODUZIU O RESULTADO; os fatos anteriores, entretanto, IMPUTAM-SE a quem os praticou
(teoria da causalidade adequada).
CONCAUSAS
Absolutamente Independente
A causa efetiva do resultado não se origina, direta ou indiretamente, do comportamento concorrete.
A causa que produz o resultado não tem ligação com a conduta do agente. Podem ser:
Causa Conceito Exemplo Consequência
Preexistente
A causa efetiva
(elemento propulsor
do resultado)
antecede o
comportamento
concorrente do
agente.
Indivíduo ingere veneno ministrado por
“A” e depois é alvejado por “B”. Causa da
morte no laudo médico:
envenenamento. O veneno é concausa
preexistente (anterior à conduta de “B”),
independente, pois, por si só, foi capaz
de matá-lo, e é absoluta, pois não há
nenhuma relação com a conduta de “B”.
Aplica-se a teoria
da equivalência
dos antecedentes
causais (Art. 13,
caput).
As concausas
rompem o nexo
causal.
Em todas as
espécies, o agente
só responde pelos
atos praticados.
Concomitante
A causa efetiva
(elemento propulsor
do resultado) é
simultânea o
comportamento
concorrente do
agente.
Indivíduo é alvejado por arma de fogo
disparada por “A” e atingido
concomitantemente por um raio. Causa
da morte no laudo médico: descarga
elétrica. O raio é concausa concomitante
(ocorre no mesmo instante em que é
alvejado), independente, pois, por si só,
foi capaz de matá-lo, e é absoluta, pois
não há nenhuma relação com a conduta
de “A”.
Superveniente
A causa efetiva
(elemento propulsor
do resultado) é
posterior o
comportamento
Indivíduo é alvejado e logo após é
atingido por um tsunami. Causa da
morte no laudo médico: afogamento. O
tsunami é concausa superveniente
(ocorre posteriormente à conduta do
agente), independente, pois, por si só,
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concorrente do
agente.
foi capaz de matá-lo, e é absoluta, poisnão há nenhuma relação com a conduta.
Relativamente Independente
A causa efetiva do resultado se origina, ainda que indiretamente, do comportamento concorrete.
A causa que produz o resultado tem ligação com a conduta do agente. Podem ser:
Causa Conceito Exemplo Consequência
Preexistente
A causa efetiva
(elemento propulsor
que se conjulga para
produzir o resultado)
antecede o
comportamento
concorrente do
agente.
“A” com intenção de matar, alveja com
um disparo de arma de fogo o pé de “B”,
que é portador de hemofilia. “B” falece
em decorrência da conjugação do
disparo com a hemofilia preexistente.
“A” responde por homicídio
consumado.
Aplica-se a teoria
da equivalência
dos antecedentes
causais (Art. 13,
caput).
As causas não
rompem o nexo
causal.
O agente
responde pelo
resultado
consumado.
Concomitante
A causa efetiva
(elemento propulsor
que se conjulga para
produzir o resultado)
é simultânea ao
comportamento
concorrente do
agente.
“A”, com a intenção de matar, dispara
contra “B”, não o atingindo. “B”,
entretanto, se assusta e morre em
decorrência de um ataque cardíaco. “A”,
responde por homicídio consumado,
pois se não tivesse atirado, a vítima não
teria sofrido um colapso cardíaco.
Superveniente
A causa efetiva
(elemento propulsor
que se conjulga para
produzir o resultado)
é posterior ao
comportamento
concorrente do
agente.
Pode ser de duas
hipóteses: Que por si
só e Que não por si
só produziu o
resultado.
- Que não por si só produz o
resultado: A causa efetiva
superveniente encontra-se na mesma
linha de desdobramento causal da causa
concorrente.
Ex.: “A” atira em “B” que morre no
hospital em decorrência de infecção
hospitalar. “A” responde por homicídio
consumado, pois de acordo com a
experiência da vida, é provável que do
fato ocorra um resultado dessa índole. O
resultado é consequência normal,
provável e previsível da manifestação de
vontade do agente.
- Que por si só produz o resultado: A
causa efetiva superveniente é
considerada um evento imprevisível,
que não se encontra na mesma linha de
desdobramento causal da causa
concorrente.
Ex.: “A” atira em “B” que morre no
hospital em decorrência de incêndio. “A”
responde por homicídio tentado,
estando o incêndio fora da linha de
desdobramento causal do tiro. O
Rompem o nexo
causal.
Aplica-se a teoria
da causalidade
adequada (art. 13,
§1º).
O agente só
responde pelos
atos praticados.
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resultado é consequência anormal,
improvável e imprevisível da
manifestação de vontade do agente.
Relevância da omissão
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente DEVIA e PODIA agir para evitar o
resultado. O dever de agir incumbe a quem: (crimes omissivos impróprios)
Obs.1: Em todas as hipóteses previstas no art. 13, § 2º, do CP, a lei pressupõe a possibilidade de ação
por parte do agente. Logo, se na situação concreta a atuação do agente era fisicamente impossível, não
há se falar em omissão penalmente relevante, excluindo-se a tipicidade da conduta. Para ser (ou não)
punido, deve o agente ter conhecimento da situação causadora do perigo; consciência de sua
posição de garantidor e ter possibilidade física de impedir a ocorrência do resultado.
Obs.2: É norma penal aberta, de adequação típica mediata ou indireta, na espécie norma de
extensão causal.
Obs.3: O art. 13, § 2º, do CP, no tocante à natureza jurídica da omissão, acolheu a teoria normativa,
pela qual a omissão é um nada, e “do nada, nada surge”. Não é punível de forma independente, ou seja,
não se pune alguém pelo simples fato de ter se omitido. Só tem importância jurídico-penal quando
presente o dever de agir. Daí a preferência pela teoria normativa. A omissão somente interessa ao Direito
Penal quando, diante da inércia do agente, o ordenamento jurídico lhe impunha uma ação, um fazer.”
(Fonte: Cleber Masson, 2016, p. 260).
a) tenha por lei obrigação de Cuidado, Proteção ou Vigilância; (Mnemônico: P.V.C.)
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.
CRIME OMISSIVO PRÓPRIO CRIME OMISSIVO IMPRÓPRIO
Puro ou Simples
Impuro, Qualificado, Espúrio, Promíscuo,
Comissivo-omissivo ou Comissivo por Omissão
O agente tem o dever genérico de agir, que
atinge a todos indistitamente, em razão do
dever de solidariedade
O agente tem o dever jurídico especial/específico
de impedir o resultado
A omissão está prevista no tipo incriminador
A omissão não está prevista no tipo incriminador,
sendo descrita em cláusula geral (art. 13, § 2º, CP)
A subsunção do fato (omissão) à norma é
direta
(Tipicidade Direta ou Imediata)
A subsunção do fato (omissão) à norma é indireta,
se valendo de uma norma de extensão causal
(Tipicidade Indireta ou Mediata)
Crimes de mera conduta, em regra Crimes materiais
Crimes Unissubsistentes - Não admite
tentativa e por consequência Desistência
Voluntária e Arrependimento Eficaz
Crimes Plurissubsistentes - Admite tentativa e
por consequência Desistência Voluntária e
Arrependimento Eficaz
Em regra, pode ser praticado por qualquer
pessoa (crimes comuns ou gerais)
Só pode ser praticado por garantidor do art. 13, §
2º, do CP (crimes próprios ou especiais)
Ex.: Omissão de Socorro – Art. 135, CP
Ex.: Mãe que deixa filho morrer por inanição:
Homicídio – Art. 121, CP.
Art. 14 - Diz-se o crime:
Crime consumado
I - CONSUMADO, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal;
Tentativa
Sinônmos: conatus, crime imperfeito, crime incompleto e crime manco.
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II - TENTADO, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do
agente.
Obs: É norma penal aberta, de adequação típica mediata ou indireta, na espécie norma de extensão
temporal.
CRIMES QUE NÃO ADMITEM
TENTATIVA
- Culposo (salvo culpa imprópria);
- Contravenções penais (possível, mas não punível);
- Habituais;
- Omissivos próprios;
- Unissubsistentes;
- Preterdolosos/Preterintencionais;
- Atentado/Empreendimento.
Mnemônico → vou beber um C.C.H.O.U.P.A.
TENTATIVA – PRINCIPAIS ESPÉCIES
Tentativa Imperfeita, Inacabada ou
Propriamente Dita
Tentativa Perfeita, Acabada ou
Crime-falho
O agente é impedido de prosseguir no seu
intento, deixando de praticar todos os atos
executórios à sua disposição.
Ex.: João, munindo com seis projéteis a arma
escolhida para matar Antônio, é impedido, por
populares, de efetuar o segundo disparo,
evitando a morte da vítima.
O agente, apesar de praticar todos os atos
executórios à sua disposição, não consegue
consumar o crime por circunstâncias alheias à sua
vontade.
Ex.: João dispara os seis tiros que tinha à disposição
para matar Antônio, porém, ainda assim, não
consegue alcançar o seu objetivo, sendo a vítima
socorrida eficazmente.
Tentativa Branca ou Incruenta Tentativa Vermelha ou Cruenta
O golpe desferido (facada, tiro etc) não atinge a
vítima
O golpe desferido (facada, tiro etc) atinge a vítima.
Pena de tentativa
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, PUNE-SE a TENTATIVA com a pena correspondente
ao CRIME CONSUMADO, DIMINUÍDA de um a dois terços. (causa de diminuição de pena)
Obs.: O critério dediminuição da pena no crime tentato levará em consideração o iter criminis
percorrido pelo agente. Quanto mais percorrer o inter, menor será a diminuição e vice-versa.
Desistência voluntária e arrependimento eficaz
Art. 15 - O agente que, VOLUNTARIAMENTE, DESISTE de prosseguir na execução (desistência
voluntária) ou IMPEDE que o resultado se produza (arrependimento eficaz), SÓ RESPONDE pelos
atos já praticados. (Ponte de Ouro)
PONTES DO DIREITO PENAL
PONTE DE
OURO
(Franz Von Liszt)
PONTE DE
PRATA
(Franz Von Liszt)
PONTE DE
BRONZE
PONTE DE
DIAMANTE
(LFG)
- Desistência Voluntária
(art. 15, 1ª parte, CP);
- Arrependimento Eficaz
(art. 15, 2ª parte, CP).
Arrependimento
Posterior
(art. 16, CP).
Confisão Espontânea
(art. 65, III, “d”, CP).
Colaboração Premiada
(diversas previsões)
Excludente da Tipicidade Atenuante Genérica Depende
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Causa Geral de
Diminuição de Pena
(Perdão judicial,
substituição de pena
etc)
FÓRMULA DE FRANK
Tentativa Desistência Voluntária
Quero prosseguir, mas não posso! Posso prossefuir, mas não quero
Arrependimento posterior
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, REPARADO o dano ou
RESTITUÍDA a coisa, ATÉ O RECEBIMENTO da denúncia ou da queixa, POR ATO VOLUNTÁRIO do
agente, a pena SERÁ REDUZIDA de um a dois terços. (Ponte de Prata)
DESISTÊNCIA
VOLUNTÁRIA
ARREPENDIMENTO
EFICAZ
ARREPENDIMENTO
POSTERIOR
Previsão Legal Art. 15, 1ª parte Art. 15, 2ª parte Art. 16
Sinônimos
Tentativa Abandonada,
Qualificada ou Ponte de
Ouro
Tentativa Abandonada,
Qualificada, Ponte de Ouro
ou Resipiscência
Ponte de Prata
Definição
Conduta daquele que,
voluntariamente, desiste
de proseguir na
execução do crime.
Conduta daquele que,
voluntariamente, impede
que o resultado material se
produza.
Conduta daquele que,
voluntariamente e até o
recebimento da
denúncia/queixa , repara o
dano ou restitui a coisa,
salvo nos crimes
cometidos com violência
ou grave ameaça à pessoa.
Natureza
Jurídica
Excludente da Tipicidade Excludente da Tipicidade
Causa Geral de Diminuição
de Pena
Momento
Início dos atos
executórios até o fim dos
atos executórios
Fim dos atos executórios
até a consumação
Consumação até o
recebimento da
denúncia/queixa
Quanto à
Consumação
Não consuma por
circunstâncias inerentes à
vontade do agente.
Não consuma por
circunstâncias inerentes à
vontade do agente.
Há consumação do crime.
Consequência
Responde pelos atos já
praticados
Responde pelos atos já
praticados
Responde pelo crime
praticado + minorante
(1/3 a 2/3)
Exemplo
Agente entra em uma
casa para furtar mas
depois desiste –
responde por violação de
domicílio.
Agente efetua todos os
disparos contra a vítima,
mas depois decide evitar a
morte socorrendo-a
efetivamente – responde
por lesão corporal.
Agente autor de furto que,
depois do flagrante
devolve voluntariamente
os bens subtraídos.
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13
#INFO
- Não se aplica o arrependimento posterior em homicídio culposo na direção de veículo.
Não se aplica o instituto do arrependimento posterior (art. 16 do CP) para o homicídio culposo na
direção de veículo automotor (art. 302 do CTB) mesmo que tenha sido realizada composição civil entre
o autor do crime a família da vítima.
Para que seja possível aplicar a causa de diminuição de pena prevista no art. 16 do CP é indispensável
que o crime praticado seja patrimonial ou possua efeitos patrimoniais.
O arrependimento posterior exige a reparação do dano e isso é impossível no caso do homicídio.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.561.276-BA, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/6/2016 (Info
590).
- Não se aplica o arrependimento posterior ao crime de moeda falsa.
Imagine que o réu tenha utilizado uma nota de R$ 100 falsificada para pagar uma dívida. Após alguns
dias, descobriu-se que a cédula era falsa e, antes que houvesse denúncia, o agente ressarciu o credor
por seus prejuízos. O réu praticou o crime de moeda falsa. É possível aplicar a ele o benefício do
arrependimento posterior (art. 16 do CP)?
NÃO. Não se aplica o instituto do arrependimento posterior ao crime de moeda falsa. No crime de
moeda falsa – cuja consumação se dá com a falsificação da moeda, sendo irrelevante eventual dano
patrimonial imposto a terceiros –, a vítima é a coletividade como um todo, e o bem jurídico tutelado é
a fé pública, que não é passível de reparação. Desse modo, os crimes contra a fé pública, semelhantes
aos demais crimes não patrimoniais em geral, são incompatíveis com o instituto do arrependimento
posterior, dada a impossibilidade material de haver reparação do dano causado ou a restituição da coisa
subtraída.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.242.294-PR, Rel. originário Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/11/2014 (Info 554).
Crime impossível
Sinônmos: quase-crime, tentativa inidônea.
Art. 17 - NÃO SE PUNE a tentativa quando, POR INEFICÁCIA ABSOLUTA DO MEIO ou POR
ABSOLUTA IMPROPRIEDADE DO OBJETO, É IMPOSSÍVEL consumar-se o crime.
- Súmula nº 145, STF: “Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível
a sua consumação.”
- Súmula nº 567, STJ: “Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência
de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a configuração
do crime de furto.”
Crime Impossível – Formas
Ineficácia Absoluta
do Meio
Se verifica quando falta potencialidade causal, pois os instrumentos postos à
serviço da conduta não são eficazes, em hipótese alguma, para a produção
do resultado.
Ex.: João, para matar Antônio, se vale (sem saber) de uma arma de brinquedo.
Impropriedade
Absoluta do Objeto
Se dá quando a pessoa ou a coisa que representa o ponto de incidência da
ação delituosa (objeto material) não serve à consumação do delito. A
inidoneidade do objeto se verifica tanto em razão das circunstâncias em que
se encontra (objeto impróprio) quanto em razão da sua inexistência (objeto
inexistente).
Ex.: João atira em Antônio, que, entretanto, já se encontrava morto no
momento do disparo.
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Crime Impossível – Teorias
Teoria Sintomática
Com a sua conduta, demonstra o agente ser perigoso, razão pela qual deve ser
punido, ainda que o crime se mostre impossível de ser consumado. Por ter
como fundamento a periculosidade do agente e não o fato praticado, esta
teoria se relaciona diretamente com o direito penal do autor. Leva em
consideração a PERICULOSIDADE do agente.
Teoria Subjetiva
Sendo a conduta subjetivamente perfeita (vontade consciente de praticar o
delito), deve o agente sofrer a mesma pena cominada à tentativa, sendo
indiferente os dados (objetivos) relativos à impropriedade do objeto ou
ineficácia do meio, ainda quando absolutas. Leva em consideração a
INTENÇÃO do agente.
Teoria Objetiva
Crime é conduta e resultado. Este configura dano ou perigo de dano ao bem
jurídico. A execução deve ser idônea, ou seja, trazer a potencialidade do evento.
Caso inidônea, temos configurado o crime impossível. Subdivide-se em:
- Objetiva Pura: Não há tentativa, mesmo que a inidoneidade seja relativa,
considerando-se, neste caso, quenão houve conduta capaz de causar lesão.
Como o Direito Penal tem por fundamento a tutela de bens jurídicos, a
inidoneidade do meio ou do objeto, absoluta ou relativa, impedem a
configuração da tentativa;
- Objetiva Temperada: A ineficácia do meio e a impropriedade do objeto
devem ser absolutas para que não haja punição. Sendo relativas, pune-se
a tentativa. Adotada!
Art. 18 - Diz-se o crime:
Crime doloso
I - DOLOSO, quando O AGENTE quis o resultado (Teoria da Vontade – Dolo Direto) ou assumiu o
risco de produzi-lo (Teoria do Assentimento ou Consentimento – Dolo Eventual);
Dolo Direto ou Determinado
Ocorre quando o agente prevê um resultado, dirigindo sua conduta na busca de realizar esse evento.
De 1º Grau De 2º Grau De 3º Grau
É o dolo por excelência: o
agente tem a intenção
(vontade consciente) de
produzir o resultado e
dirige sua conduta para este fim.
O dolo abrange o
fim e os meios escolhidos.
O agente quer um resultado,
mas sabe que a sua
produção necessariamente
dará causa a outros
resultados. Também chamado
de dolo de
consequências necessárias.
Trata-se da inevitável violação
de bem jurídico em decorrência
do resultado colateral produzido
à título de dolo direto
de segundo grau. Também
chamado de dolo de duplas
consequências necessárias.
Ex.: quero matar meu desafeto, passageiro de um avião, para tanto, coloco uma bomba no avião.
- Dolo de 1º grau: morte do desafeto;
- Dolo de 2º grau: morte dos demais passageiros;
- Dolo de 3º grau: morte do feto de uma passageira.
Dolo Indireto ou Indeterminado
O agente não dirige sua vontade a um resultado determinado.
Alternativo Eventual
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O agente quer alcançar um ou outro resultado
(alternatividade objetiva) ou atingir uma ou
outra pessoa (alternatividade subjetiva).
O agente prevê pluralidade de resultados, dirigindo
a sua conduta para realizar um deles, assumindo o
risco de realizar o outro.
Aplica-se a teoria do assentimento.
Dolo NORMATIVO, híbrido, colorido,
cromático, cinzento, valorado ou dolus malus
Dolo NATURAL, neutro, acromático ou
avalorado
Adotado pela teoria neokantista, integra a
culpabilidade, trazendo, a par dos elementos
consciência e vontade, também a consciência
atual da ilicitude (elemento normativo).
Adotado pela teoria finalista, integra a conduta e
necessariamente o fato típico, despido da
consciência da ilicitude (elemento da
culpabilidade), pressupondo somente consciência
e vontade.
Em resumo:
Teoria adotada → Neokantista;
Elemento do Crime → Culpabilidade;
Elementos → Consciência, Vontade e
Consciência ATUAL da ilicitude.
Em resumo:
Teoria adotada → Finalista;
Elemento do Crime → Fato Típico;
Elementos → Consciência e Vontade.
Crime culposo
II - CULPOSO, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia.
ELEMENTOS DO CRIME CULPOSO
- Conduta humana voluntária;
- Resultado involuntário;
- Violação do dever de cuidado objetivo;
- Nexo causal;
- Previsibilidade objetiva;
- Tipicidade
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como
crime, senão quando o pratica dolosamente.
Agravação pelo resultado
Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver causado
ao menos culposamente.
Erro sobre elementos do tipo
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime EXCLUI O DOLO, mas PERMITE a
punição POR CRIME CULPOSO, se previsto em lei.
ERRO DE TIPO ESSENCIAL ERRO DE TIPO ACIDENTAL
É o erro que recai sobre as elementares do tipo. É o erro que recai sobre dados secundários do
tipo.
Pode excluir o crime. Não exclui o crime.
Deve-se perquirir se o erro foi inescusável ou
escusável, utilizando-se o parâmetro do homem
médio.
1) Erro escusável ou inevitável: exclui o dolo e a
culpa (exclui o crime);
2) Erro inescusável ou evitável: exclui o dolo, mas
permite a punição por culpa, se houver previsão.
Espécies:
1) Erro sobre a pessoa ou error in persona;
2) Erro sobre o objeto ou error in objecto;
4) Erro na execução ou aberratio ictus;
5) Resultado diverso do pretendido (aberratio
Criminis ou aberratio delicti).
3) Erro sobre o nexo causal (aberratio causae, dolo
geral ou erro sucessivo);
Descriminantes putativas
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§ 1º - É ISENTO DE PENA quem, POR ERRO PLENAMENTE JUSTIFICADO PELAS CIRCUNSTÂNCIAS,
SUPÕE situação de fato que, se existisse, TORNARIA a ação legítima. NÃO HÁ ISENÇÃO DE PENA
quando O ERRO DERIVA de culpa e o fato é punível como crime culposo. (culpa imprópria, por
extensão, por assimilação, ou por equiparação)
#SeLigaNoConceito:
Culpa imprópria (por extensão, por assimilação ou por equiparação): o agente, por erro evitável,
fantasia certa situação de fato, supondo estar agindo acobertado por uma excludente de ilicitude
(descriminante putativa por erro de fato), e, em razão disso, provoca intencionalmente um resultado
ilícito. A estrutura do crime é dolosa, mas, em razão de política criminal, é punido como culposo.
DESCRIMINANTE PUTATIVA
TEORIA LIMITADA DA
CULPABILIDADE
TEORIA EXTREMADA DA
CULPABILIDADE
Erro relativo aos
PRESSUPOSTOS FÁTICOS de
uma causa de exclusão da
ilicitude
Erro de Tipo Permissivo
Erro de Proibição Indireto ou
Erro de Permissão
Erro relativo à EXISTÊNCIA de
uma causa de exclusão da
ilicitude
Erro de Proibição Indireto ou
Erro de Permissão
Erro de Proibição Indireto ou
Erro de Permissão
Erro relativo aos LIMITES de
uma causa de exclusão da
ilicitude
Erro de Proibição Indireto ou
Erro de Permissão
Erro de Proibição Indireto ou
Erro de Permissão
Erro determinado por terceiro
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.
Erro sobre a pessoa
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram,
neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria
praticar o crime.
ERRO SOBRE A PESSOA (ART. 20, § 3º, CP) ERRO NA EXECUÇÃO (ART. 73, CP)
Há equivoco na representação da vítima
pretendida.
Representa-se corretamente a vítima
pretendida.
A execução do crime é correta – não há falha
operacional.
A execução do crime é errada – há falha
operacional (erro na execução).
A pessoa visada não corre perigo, porque foi
confundida com outra.
A pessoa visada corre perigo.
Obs.: Nos dois casos, o agente responde pelo crime considerando as qualidades da vítima
virtual/pretendida (teoria da equivalência).
Erro sobre a ilicitude do fato
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O ERRO SOBRE A ILICITUDE DO FATO, SE
INEVITÁVEL, isenta de pena; SE EVITÁVEL, PODERÁ DIMINUÍ-LA de um sexto a um terço.
ERRO DE TIPO ERRO DE PROIBIÇÃO
Art. 20, caput, CP. Art. 21, CP.
O erro recai sobre elementar do tipo. O erro recai sobre a ilicitude do fato.
O agente se equivoca quanto ao que
faz.
O agente se equivoca quanto ao que
é permitido fazer.
O agente não sabe o que faz.
O agente sabe o que faz, mas ignora ser
proibido.
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Recai sobre o Fato Típico, especificamente na
Conduta.
Recai sobre a Culpabilidade, especificamente na
Potencial Consciência da Ilicitude.
Consequências:
- Inevitável, Invencível, Perdoável, Escusável
(Exclui o dolo e a culpa);
- Evitável, Vencível,Imperdoável, Inescusável
(Exclui o dolo, mas permite a punição na
modalidade culpa, se houver previsão).
Consequências:
- Inevitável, Invencível, Perdoável, Escusável
(Isenta de pena – causa de exclusão da
culpabilidade);
- Evitável, Vencível, Imperdoável, Inescusável
(Reduz a pena de 1/6 a 1/3 – causa geral de
diminuição de pena).
ERRO DE TIPO ESSENCIAL DELITO PUTATIVO POR ERRO DE TIPO
Em ambos, há uma falsa percepção da realidade. O agente não sabe o que faz.
O agente imagina praticar o indiferente penal.
Acha que estar agindo licitamente.
O agente imagina praticar um fato típico. Acha
estar agindo ilicitamente.
O agente ignora a presença de uma elementar. O agente ignora a ausência de uma elementar.
O agente pratica o fato típico sem querer. O agente pratica o fato atípico sem querer.
Ex.: O agente atira contra pessoa imaginando ser
boneco de cera.
Ex.: O agente atira contra boneco de cera
imaginando ser pessoa.
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da
ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.
Coação irresistível e obediência hierárquica
Art. 22 - Se o fato é cometido sob COAÇÃO IRRESISTÍVEL ou EM ESTRITA OBEDIÊNCIA A ORDEM, não
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, SÓ É PUNÍVEL o autor da coação ou da ordem.
COAÇÃO FÍSICA IRRESISTIVEL
(VIS ABSOLUTA)
COAÇÃO MORAL IRRESISTIVEL
(VIS COMPUSIVA)
O coagido não tem vontade, sendo esta
totalmente retirada e, assim, a própria conduta.
O coagido tem vontade, mas é viciada, faltando
exigibilidade de conduta diversa.
Exclui a tipicidade
(por falta de conduta)
Exclui a culpabilidade
(por inexigibilidade de conduta diversa)
O fato é atípico O fato é típico, ilícito, porém não culpável
Ex.: colocar uma pistola na mão de uma pessoa
amarrada e puxar o gatilho junto a mão da
mesma.
Ex.: pai que é bancário e tem sua filha sob a mira
de uma pistola e caso não passe a senha do cofre
sua filha será morta.
Exclusão de ilicitude
Obs.: Norma penal não incriminadora permissiva justificante.
Art. 23 - NÃO HÁ CRIME quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
Excesso punível
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso
ou culposo.
Estado de necessidade
Art. 24 - CONSIDERA-SE em ESTADO DE NECESSIDADE quem pratica o fato para salvar DE PERIGO
ATUAL, que NÃO PROVOCOU por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou
alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, NÃO ERA razoável exigir-se.
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.
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§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um
a dois terços.
Legítima defesa
Art. 25 - Entende-se em LEGÍTIMA DEFESA quem, usando moderadamente dos meios necessários,
REPELE injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
ESTADO DE NECESSIDADE LEGÍTIMA DEFESA
Há um conflito entre titulares de bens ou
interesses juridicamente protegidos.
Há um conflito entre titular de bem ou interesse
juridicamente protegido e um agressor que
age ilicitamente.
A atuação do agente do fato necessário pode
voltar-se contra pessoas, animais e coisas.
A atuação do titular do bem volta-se contra o
agressor.
O agente do fato necessário pode voltar-se contra
terceira pessoal totalmente inocente (ESTADO
DE NECESSIDADE OFENSIVO).
O titular do bem ou interesse ameaçado somente
está autorizado a se voltar contra o agressor.
O bem ou interesse juridicamente tutelado está
exposto a um perigo atual.
O bem ou interesse juridicamente tutelado está
exposto a uma agressão atual e iminente.
Poder haver ação contra agressão justa (ESTADO
DE NECESSIDADE RECÍPROCO).
Deve haver somente ação contra agressão
injusta.
O agente do fato necessário, se possível, deve
fugir da situação de perigo para salvar o bem ou
interesse juridicamente tutelado. É o chamado
COMMODUS DISCESSUS.
O agredido não está obrigado a fugir, podendo
enfrentar o agressor, que atua ilicitamente.
POSSIBILIDADES DE COEXISTÊNCIA DE LEGITIMA DEFESA, ESTADO DE NECESSIDADE E
ABERRATIO ICTUS
INSTITUTO X INSTITUTO POSSÍVEL
Legítima defesa autêntica/real Legítima defesa autêntica/real
Não
(legítima defesa
recíproca)
Legítima defesa excessiva Legítima defesa autêntica/real
Sim
(legítima defesa
sucessiva)
Legítima defesa putativa Legítima defesa autêntica/real Sim
Legítima defesa putativa Legítima defesa putativa
Sim
(legítima defesa
putativa recíproca)
Estado de necessidade autêntico/real Legítima defesa autêntica/real Não
Estado de necessidade autêntico/real Legítima defesa putativa Sim
Legítima defesa autêntica/real Erro na execução ou Aberratio Ictus Sim
TÍTULO III
DA IMPUTABILIDADE PENAL
CULPABILIDADE
ELEMENTOS EXCLUDENTES/DIRIMENTES OBSERVAÇÕES
Imputabilidade
Doença Menta (Art. 26, caput);
Menoridade (Art. 27); e
Embriaguez Acidental (Art. 28, § 1º).
Rol Taxativo
O índio não é considerado
inimputável, salvo se possuir
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alguma das dirimentes da
imputabilidade.
Potencial Consciência
da Ilicitude
Erro de Proibição Inevitável, Invencível ou
Escusável (art. 21).
Rol Taxativo
Exiguibilidade de
Conduta Diversa
Coação Moral Irresistível; e
Obediência Hierárquica.
Rol Exemplificativo
Inimputáveis
Art. 26 - É ISENTO DE PENA o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto
ou retardado, ERA, ao tempo da ação ou da omissão, INTEIRAMENTE incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Redução de pena
Parágrafo único - A pena pode ser REDUZIDA de um a dois terços, se o agente, em virtude de
perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado NÃO ERA
INTEIRAMENTE capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
Menores de dezoito anos
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas
estabelecidas na legislação especial.
- Súmula nº 74, STJ: “Para efeitos penais, o reconhecimento da menoridade do réu requer prova por
documento hábil.”
- Súmula nº 605, STJ: “A superveniência da maioridade penal não interfere na apuração de ato
infracional nem na aplicabilidade de medida socioeducativa em curso, inclusive na liberdade assistida,
enquanto não atingida a idade de 21 anos.”
Emoção e paixão
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:
I - a emoção ou a paixão;
Embriaguez
EMBRIAGUEZ
NÃO ACIDENTAL ACIDENTAL
Voluntária
Completa ou Incompleta → Não exclui a
imputabilidade;
Culposa
Completa ou Incompleta → Não exclui a
imputabilidade.
Caso Fortuito ou Força Maior
Completa → Exclui a imputabilidade – art. 28, § 1° do
CP;
Incompleta → Reduz a pena de 1 a 2/3 – art. 28, § 2°
do CP.
PATOLÓGICA PREORDENADA
Inteiramente incapacidade → Exclui a
imputabilidade;
Reduzida capacidade → Reduz a pena de 1 a 2/3.
Completa ou Incompleta → Não exclui a
imputabilidade;
É agravante – art. 61, II, “L” do CP.
II - a embriaguez, voluntária ou culposa,pelo álcool ou substância de efeitos análogos.
§ 1º - É ISENTO DE PENA o agente que, por embriaguez COMPLETA (= absoluta), proveniente de CASO
FORTUITO ou FORÇA MAIOR, ERA, ao tempo da ação ou da omissão, INTEIRAMENTE incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
§ 2º - A pena pode ser REDUZIDA de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de
CASO FORTUITO ou FORÇA MAIOR, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade
de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
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CAUSAS DE INIMPUTABILIDADE
Menoridade
Menores de 18 anos
(Art. 27)
Inimputáveis
Doença Mental
Discernimento algum
(Ar. 26, caput)
Inimputável
Discernimento parcial
(Ar. 26, p. único)
Redução de pena
(um a dois terços)
Embriaguez
Voluntária
(dolosa ou culposa)
Não afasta a imputabilidade
Acidental
(caso fortuito ou força maior)
Discernimento algum
(Art. 28, § 1º)
Inimputável
Discernimento parcial
(Art. 28, § 2º)
Redução de pena
(um a dois terços)
#SeLigaNoConceito:
Teoria actio libera in causa: se caracteriza quando o agente comete o crime em estado de embriaguez
não proveniente de caso fortuito ou força maior. No momento do crime o sujeito está inconsciente. A
teoria antecipa o momento da análise da imputabilidade. A imputabilidade não será analisada no
momento em que o crime foi praticado. Nesse momento ele estava inconsciente. É antecipada para o
momento anterior àquele em que o agente livremente se colocou no estado de embriaguez. Para a
embriaguez preordenada essa teoria é perfeita, pois no momento anterior já existia o dolo - o
fundamento é a causalidade mediata. Antes de começar a beber já havia o dolo de cometer crime.
TÍTULO IV
DO CONCURSO DE PESSOAS
CONCURSO DE PESSOAS – REQUISITOS
Pluralidade de agentes e
condutas
É necessário uma coletividade (dois ou mais) de agentes, que empreendam
condutas relevantes.
Relevância causal das
condutas
Os agentes devem praticar condutas relevantes para o resultado fático.
Liame subjetivo
É o vínculo psicológico ou normativo entre os agentes.
Não há necessidade de ajuste prévio (pactum sceleris).
Identidade de infração
penal
Todos os agentes devem contribuir para o mesmo evento criminoso.
Regras comuns às penas privativas de liberdade
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, CONCORRE para o crime INCIDE nas penas a este cominadas, NA
MEDIDA DE SUA CULPABILIDADE.
CONCURSO DE PESSOAS – AUTORIA
Autoria Colateral,
Paralela ou Imprópria
Ocorre quando duas pessoas agem ao mesmo tempo, uma sem saber da
existência da outra. Não há liame subjetivo e não há concurso de
pessoas.
Ex.: José e João se colocam em tocaia, no mesmo local, ignorando-se
mutuamente, para matar Chico. Quando o mesmo passa pelo local, José e
João disparam, causando a morte da vítima.
Responsabilização → cada um responde individualmente (Aquele que
efetuou o disparo fatal - homicídio consumado; Aquele que efetuou o
outro disparo - homicídio tentado).
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Autoria Incerta
Ocorre quando não é possível identificar quem causou o resultado na
autoria colateral.
Responsabilização → ambos respondem por homicídio tentado.
Autoria Ignorada ou
Desconhecida
Ocorre quando não se consegue identificar quem são os autores do
evento criminoso.
§ 1º - Se a participação FOR DE MENOR IMPORTÂNCIA, a pena PODE SER DIMINUÍDA de um sexto
a um terço.
§ 2º - Se algum dos concorrentes QUIS PARTICIPAR de CRIME MENOS GRAVE, SER-LHE-Á APLICADA
a pena deste; essa pena SERÁ AUMENTADA até metade, na hipótese de TER SIDO previsível o
RESULTADO MAIS GRAVE.
DICAS:
1. regra: coautores e partícipes respondem pelo mesmo crime na medida de sua culpabilidade;
2. Participação de menor importância: causa de diminuição de 1/6 a 1/3
3. "Cooperação dolosamente distinta":
a) responde pelo crime menos grave, ou;
b) em sendo previsível o resultado mais grave, aplica-se o aumento até metade.
- Admite-se a coautoria no crime culposo.
TEORIAS SOBRE A PUNIBILIDADE DO PARTÍCIPE
Acessoriedade Mínima O agente prática → Fato Típico
Acessoriedade Limitada O agente prática → Fato Típico + Ilícito (adotada)
Acessoriedade Máxima O agente prática → Fato Típico + Ilícito + é Cupável
Hiperacessoriedade O agente prática → Fato Típico + Ilícito + é Cupável + é Punido
Circunstâncias incomunicáveis
Art. 30 - NÃO SE COMUNICAM as CIRCUNSTÂNCIAS e as CONDIÇÕES DE CARÁTER PESSOAL, SALVO
quando ELEMENTARES DO CRIME.
Obs.: Nos crimes funcionais a condição de servidor público do autor não se comunica ao partícipe não
funcionário, se este desconhecia a condição daquele. A qualidade de funcionário público é circunstância
de caráter pessoal, que, nos crimes funcionais, é elementar e se comunica àqueles que, embora não a
ostentem, tomem parte na ação criminosa. Para que o particular responda como coautor ou partícipe
do crime funcional, todavia, a circunstância deve se inserir em sua esfera de conhecimento.
Casos de impunibilidade
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário,
não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser TENTADO.
TÍTULO V
DAS PENAS
CAPÍTULO I
DAS ESPÉCIES DE PENA
SANÇÃO PENAL
Pena Medidade de Segurança
1 – Privativas de Liberdade:
- Reclusão;
- Detenção;
- Prisão simples (LCP).
1 – Restritiva
2 – Detentiva
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2 – Retritivas de Direitos:
- Prestação pecuniária;
- Perda de bens e valores;
- Prestação de serviço à comunidade ou a
entidades públicas;
- Interdição temporária de direitos;
- Limitação de fim de semana.
3 – Multa
TEORIAS DAS FINALIDADES DA PENA
TEORIA ABSOLUTA
Finalidade → RETRIBUTIVA
O crime é um mal que é pago com outro mal que é a pena.
TEORIA RELATIVA
Finalidade → PREVENTIVA
Subdivide-se em:
a) Prevenção Geral: mensagem para a
SOCIEDADE:
a.1) Negativa ou Prevenção por Intimidação:
inibir/intimidar potenciais criminosos;
a.2) Positiva ou Prevenção Integradora:
demonstrar a vigência/integração da lei penal.
b) Prevenção Especial: mensagem para o
CONDENADO:
b.1) Negativa: neutralização do condenado, para
evitar a reincidência;
b.2) Positiva: ressocialização do condenado.
TEORIA MISTA, ECLÉTICA ou UNIFICADORA (adotada)
Finalidade → RETRIBUTIVA e PREVENTIVA
Conjuga necessidade de reprovação com a prevenção do crime, fazendo assim, com que se unifiquem
as teorias absolutas e relativas, que se pautam, respectivamente, pelos critérios da retribuição e da
prevenção”.
Art. 32 - As penas são:
I - privativas de liberdade;
II - restritivas de direitos;
III - de multa.
SEÇÃO I
DAS PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE
Reclusão e detenção
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto. A de
detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, SALVO necessidade de transferência a regime fechado.
§ 1º - CONSIDERA-SE:
a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança máxima ou média;
b) regime semi-aberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar;
c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento adequado.
§ 2º - As penas privativas de liberdade DEVERÃO SER EXECUTADAS em formaprogressiva, segundo o
mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a
regime mais rigoroso:
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a) o condenado a pena SUPERIOR a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado;
b) o condenado NÃO REINCIDENTE, cuja pena seja SUPERIOR a 4 (quatro) anos e NÃO EXCEDA a 8
(oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
c) o condenado NÃO REINCIDENTE, cuja pena seja IGUAL OU INFERIOR a 4 (quatro) anos, poderá,
desde o início, cumpri-la em regime aberto.
- Súmula nº 269, STJ: É admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes
condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais.
- Súmula nº 440, STJ: Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime
prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade
abstrata do delito.
- Súmula nº 718, STF: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui
motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada.
- Súmula nº 719, STF: A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada
permitir exige motivação idônea.
RECLUSÃO
O regime INICIAL pode
ser:
- Fechado: pena SUPERIOR a 8 anos;
- Semi-aberto: pena SUPERIOR a 4 e MENOR ou IGUAL a 8 anos;
Obs.: se o condenado for REINCIDENTE, o regime inicial será o fechado.
- Aberto: pena ATÉ 4 anos.
Obs.: se o condenado for REINCIDENTE, o regime inicial será o semi-
aberto ou fechado. O que irá decidir serão as circunstâncias judiciais:
• Se favoráveis: semi-aberto (súmula nº 269, STJ);
• Se desfavoráveis: fechado.
- Súmula nº 269, STJ: É admissível a adoção do regime prisional
semiaberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro
anos se favoráveis as circunstâncias judiciais.
DETENÇÃO
O regime INICIAL pode
ser:
- Fechado: não há previsão;
- Semi-aberto: pena SUPERIOR a 4 anos;
- Aberto: pena for ATÉ 4 anos.
Obs.: se o condenado for reincidente, o regime inicial será o semi-aberto.
§ 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos critérios
previstos no art. 59 deste Código.
§ 4o O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do
cumprimento da pena CONDICIONADA à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto
do ilícito praticado, com os acréscimos legais.
- Súmula nº 491, STJ: “É inadmissível a chamada progressão per saltum de regime prisional.”
Regras do regime fechado
Art. 34 - O condenado será submetido, no início do cumprimento da pena, a exame criminológico de
classificação para individualização da execução.
§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho no período diurno e a isolamento durante o repouso
noturno.
§ 2º - O trabalho será em comum dentro do estabelecimento, na conformidade das aptidões ou
ocupações anteriores do condenado, desde que compatíveis com a execução da pena.
§ 3º - O trabalho externo é admissível, no regime fechado, em serviços ou obras públicas.
Regras do regime semi-aberto
Art. 35 - Aplica-se a norma do art. 34 deste Código, caput (exame criminológico), ao condenado que
inicie o cumprimento da pena em regime semi-aberto.
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§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho em comum durante o período diurno, em colônia agrícola,
industrial ou estabelecimento similar.
§ 2º - O trabalho externo é admissível, bem como a freqüência a cursos supletivos profissionalizantes,
de instrução de segundo grau ou superior.
Regras do regime aberto
Art. 36 - O regime aberto baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado.
§ 1º - O condenado deverá, fora do estabelecimento e sem vigilância, trabalhar, freqüentar curso ou
exercer outra atividade autorizada, permanecendo recolhido durante o período noturno e nos dias de
folga.
§ 2º - O condenado será transferido do regime aberto, se praticar fato definido como crime doloso,
se frustrar os fins da execução ou se, podendo, não pagar a multa cumulativamente aplicada.
RECLUSÃO DETENÇÃO PRISÃO SIMPLES
Nota
Reservada para os
crimes mais graves
Reservada para os crimes
menos graves
Reservada para as
contravenções penais
Regime inicial
de
cumprimento
da pena
Fechado, semiaberto ou
aberto.
Semiaberto ou aberto.
Obs.: não cabe regime
inicial fechado, mas por
meio da regressão é
possível cumprimento da
detenção em regime
fechado.
Semiaberto ou aberto.
Obs.1: não cabe regime
inicial fechado, nem
mesmo por meio da
regressão.
Obs.2: deve ser
cumprido em local
distinto dos apenados
por crime, sem os rigores
penitenciários (art. 6º da
LCP).
Efeitos
extrapenais da
condenação
Pode ter como efeito a
incapacidade para o
exercício do poder
familiar, da tutela ou
da curatela nos crimes
dolosos sujeitos à pena
de reclusão cometidos
contra outrem
igualmente titular do
mesmo poder familiar,
contra filho, filha ou
outro descendente ou
contra tutelado ou
curatelado
(art. 92, II, do CP).
Esse efeito não é possível
no crime doloso punido
com detenção.
A prisão simples não
sofre os efeitos
extrapenais da
condenação dos arts. 91
e 92 do CP.
Interceptação
Telefônica
Admite.
Não admite.
Exceção: se conexo com
crime apenado com
reclusão, que justificaram a
interceptação (STF, HC
83.515).
Não admite.
Regime especial
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Art. 37 - As mulheres cumprem pena em estabelecimento próprio, observando-se os deveres e direitos
inerentes à sua condição pessoal, bem como, no que couber, o disposto neste Capítulo.
Direitos do preso
Art. 38 - O preso conserva todos os direitos não atingidos pela perda da liberdade, impondo-se a todas
as autoridades o respeito à sua integridade física e moral.
Trabalho do preso
Art. 39 - O trabalho do preso será sempre remunerado, sendo-lhe garantidos os benefícios da
Previdência Social.
Legislação especial
Art. 40 - A legislação especial regulará a matéria prevista nos arts. 38 e 39 deste Código, bem como
especificará os deveres e direitos do preso, os critérios para revogação e transferência dos regimes e
estabelecerá as infrações disciplinares e correspondentes sanções.
Superveniência de doença mental
Art. 41 - O CONDENADO a quem sobrevém doença mental deve ser recolhido a hospital de custódia
e tratamento psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento adequado.
Detração
Art. 42 - COMPUTAM-SE, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, O TEMPO de
prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em
qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo anterior.
SEÇÃO II
DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS
Penas restritivas de direitos
Art. 43. As penas restritivas de direitos são:
I – prestação pecuniária;
II – perda de bens e valores;
III – limitação de fim de semana;
IV – prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas;
V – interdição temporária de direitos;
VI – limitação de fim de semana.
Art. 44. As PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS são autônomas e SUBSTITUEM as privativas de
liberdade, quando:
I – aplicada pena privativa de liberdade NÃO SUPERIOR a quatro anos e o crime não for cometido com
violência ou grave ameaça à pessoa ou,qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo;
II – o réu não for reincidente em crime doloso;
#INFO
- STF reconheceu o princípio da insignificância, mas, como o réu era reincidente, em vez de
absolvê-lo, o Tribunal utilizou esse reconhecimento para conceder a pena restritiva de direitos,
afastando o óbice do art. 44, II, do CP.
Em regra, o reconhecimento do princípio da insignificância gera a absolvição do réu pela atipicidade
material. Em outras palavras, o agente não responde por nada.
Em um caso concreto, contudo, o STF reconheceu o princípio da insignificância, mas, como o réu era
reincidente, em vez de absolvê-lo, o Tribunal utilizou esse reconhecimento para conceder a substituição
da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, afastando o óbice do art. 44, II, do CP:
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando:
(...) II – o réu não for reincidente em crime doloso;
Situação concreta: Antônio foi denunciado por tentar furtar quatro frascos de xampu de um
supermercado, bens avaliados em R$ 31,20. O réu foi condenado pelo art. 155 c/c art. 14, II, do CP a
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uma pena de 8 meses de reclusão. Foi aplicado o regime inicial semiaberto e negada a substituição por
pena restritiva de direitos em virtude de ele ser reincidente (já possuía uma condenação anterior por
furto), atraindo a vedação do art. 44, II, do CP.
Em razão da reincidência, o STF entendeu que não era o caso de absolver o condenado, mas, em
compensação, determinou que a pena privativa de liberdade fosse substituída por restritiva de direitos,
afastando a proibição do art. 44, II, do CP.
STF. 1ª Turma. HC 137217/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 28/8/2018 (Info 913).
III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como
os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente.
§ 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por MULTA ou por UMA
PENA RESTRITIVA DE DIREITOS; se superior a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser
substituída por UMA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS E MULTA ou por DUAS RESTRITIVAS DE
DIREITOS.
Pena = ou < 1 ano
Multa; ou
1 PRD.
Pena > 1 ano
Multa e PRD; ou
2 PRD
§ 3o Se o condenado for REINCIDENTE, o juiz PODERÁ APLICAR A SUBSTITUIÇÃO, desde que, em face
de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a REINCIDÊNCIA NÃO SE TENHA
OPERADO em virtude da prática do mesmo crime (reincidente específico).
§ 4o A pena restritiva de direitos CONVERTE-SE em privativa de liberdade quando OCORRER o
descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade a
executar SERÁ DEDUZIDO o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, RESPEITADO o saldo
mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão.
§ 5o SOBREVINDO condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o JUIZ DA EXECUÇÃO
PENAL decidirá sobre a CONVERSÃO, PODENDO DEIXAR DE APLICÁ-LA se for possível ao condenado
cumprir a pena substitutiva anterior.
Conversão das penas restritivas de direitos
Art. 45. Na aplicação da substituição prevista no artigo anterior, proceder-se-á na forma deste e dos arts.
46, 47 e 48.
§ 1o A PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA consiste no pagamento em dinheiro À VÍTIMA, A SEUS
DEPENDENTES ou A ENTIDADE PÚBLICA ou PRIVADA COM DESTINAÇÃO SOCIAL, de importância
fixada pelo juiz, NÃO INFERIOR a 1 (um) salário mínimo NEM SUPERIOR a 360 (trezentos e sessenta)
salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual condenação em ação de
reparação civil, se COINCIDENTES OS BENEFICIÁRIOS.
#INFO
- Juiz não deve decretar o arresto dos bens do condenado como forma de cumprimento forçado
da prestação pecuniária (pena restritiva de direitos).
Em caso de descumprimento injustificado da pena restritiva de direitos (ex: prestação pecuniária), o CP
prevê, como consequência, a reconversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade. Logo,
o juiz não deve decretar o arresto dos bens do condenado como forma de cumprimento forçado da
pena substitutiva. A possibilidade de reconversão da pena já é a medida que, por força normativa, atribui
coercividade à pena restritiva de direitos.
Ex: João foi condenado a pena de 3 anos de reclusão, tendo o juiz substituída a pena privativa de
liberdade por duas restritivas de direitos. Uma delas foi o pagamento de prestação pecuniária no valor
total de R$ 100 mil, parceladamente em 36 prestações mensais. O Ministério Público afirmou que o
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prazo para cumprimento da prestação pecuniária é muito longo e que haveria o risco de o condenado
não pagar. Diante disso, pediu ao juiz que decretasse o arresto dos bens do sentenciado. Este
requerimento deverá ser indeferido.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.699.665-PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
07/08/2018 (Info 631).
§ 2o No caso do parágrafo anterior, SE HOUVER ACEITAÇÃO do beneficiário, a prestação pecuniária
PODE CONSISTIR em prestação de outra natureza.
§ 3o A PERDA DE BENS E VALORES pertencentes aos condenados dar-se-á, ressalvada a legislação
especial, em favor do Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor terá como teto – o que for maior – o
MONTANTE do prejuízo causado ou do provento obtido pelo agente ou por terceiro, em
conseqüência da prática do crime.
Prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas
Art. 46. A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE OU A ENTIDADES PÚBLICAS É APLICÁVEL às
condenações SUPERIORES a seis meses de privação da liberdade.
§ 1o A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas consiste na atribuição de tarefas
gratuitas ao condenado.
§ 2o A prestação de serviço à comunidade dar-se-á em entidades assistenciais, hospitais, escolas,
orfanatos e outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais.
§ 3o As tarefas a que se refere o § 1o serão atribuídas conforme as aptidões do condenado, devendo ser
cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação, fixadas de modo a não prejudicar a
jornada normal de trabalho.
§ 4o Se a pena SUBSTITUÍDA for SUPERIOR a um ano, É FACULTADO ao condenado cumprir a pena
substitutiva em menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada.
Interdição temporária de direitos
Art. 47 - As penas de INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS são:
I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo;
II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de
licença ou autorização do poder público;
III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo.
IV – proibição de freqüentar determinados lugares.
V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos.
Limitação de fim de semana
Art. 48 - A LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA consiste na obrigação de permanecer, aos sábados e
domingos, por 5 (cinco) horas diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado.
Parágrafo único - Durante a permanência poderão ser MINISTRADOS ao condenado cursos e palestras
ou atribuídas atividades educativas.
SEÇÃO III
DA PENA DE MULTA
Multa
- Súmula nº 171, STJ: “Cominadas cumulativamente, em lei especial, penas privativa de liberdade e
pecuniária, é defeso a substituição da prisão por multa.”
- Súmula nº 499, STF: “Não obsta a concessão do sursis condenação anterior apena de multa.”
- Súmula nº 693, STF: “Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou
relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.”
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Art. 49 - A PENA DE MULTA consiste no pagamento ao FUNDO PENITENCIÁRIO da quantia fixada na
sentença e calculada em dias-multa. Será, no mínimo, de 10 (dez) e, no máximo, de 360 (trezentos e
sessenta) dias-multa.
§ 1º - O VALOR do dia-multa será fixado pelo juiz não podendo ser INFERIOR a um trigésimo do maior
salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem SUPERIOR a 5 (cinco) vezes esse salário.
§ 2º - O valor da multa será atualizado, quando da execução, pelos índices de correção monetária.
Pagamento da multa
Art. 50 - A multa DEVE SER paga dentro de 10 (dez) dias depois de transitada em julgado a sentença.
A requerimento do condenado e conforme as circunstâncias, o juiz pode permitir que o pagamento se
realize em parcelas mensais.
§ 1º - A cobrança da multa pode efetuar-se mediante desconto no vencimento ou salário do condenado
quando:
a) aplicada isoladamente;
b) aplicada cumulativamente com pena restritiva de direitos;
c) concedida a suspensão condicional da pena.
§ 2º - O desconto não deve incidir sobre os recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua
família.
Conversão da Multa e revogação
Modo de conversão.
Art. 51 - Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada DÍVIDA DE VALOR,
aplicando-se-lhes as normas da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que
concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição.
#INFO
- MP é quem deve executar a pena de multa e, apenas se ficar inerte por mais de 90 dias, essa
legitimidade é transferida para a Fazenda Pública. #MUDANÇA DE ENTENTIMENTO
O Ministério Público possui legitimidade para propor a cobrança de multa decorrente de sentença penal
condenatória transitada em julgado, com a possibilidade subsidiária de cobrança pela Fazenda Pública.
Quem executa a pena de multa?
• Prioritariamente: o Ministério Público, na vara de execução penal, aplicando-se a LEP.
• Caso o MP se mantenha inerte por mais de 90 dias após ser devidamente intimado: a Fazenda
Pública irá executar, na vara de execuções fiscais, aplicando-se a Lei nº 6.830/80.
STF. Plenário. ADI 3150/DF, Rel. para acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 12 e 13/12/2018
(Info 927).
STF. Plenário. AP 470/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 12 e 13/12/2018 (Info 927).
Obs: a Súmula nº 521-STJ fica superada e deverá ser cancelada. Súmula nº 521, STJ: A legitimidade
para a execução fiscal de multa pendente de pagamento imposta em sentença condenatória é exclusiva
da Procuradoria da Fazenda Pública.
- Legitimidade do MP para promover medida que garanta o pagamento de multa penal.
O Ministério Público tem legitimidade para promover medida assecuratória que vise à garantia do
pagamento de multa imposta por sentença penal condenatória.
É certo que, com a edição da Lei 9.268/1996, que deu nova redação ao art. 51 do CP, a legitimidade para
a cobrança da pena de multa passou a ser da Fazenda Pública. No entanto, a pena de multa continua
tendo natureza jurídica de sanção penal e, no caso em tela, não se está discutindo a legitimidade do MP
para cobrança de pena de multa, mas sim para promover medida assecuratória, providência que está
assegurada pelo art. 142 do CPP e pela própria CF/88, quando esta prevê que o MP é titular da ação
penal.
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Enquanto não há trânsito em julgado da condenação, a Fazenda Pública não pode tomar qualquer
providência relacionada com a cobrança da pena de multa. Assim, se não fosse permitido que o MP
atuasse nesse caso, ninguém mais teria legitimidade para essas medidas acautelatórias, já que a atuação
da Fazenda Pública na execução da multa penal só ocorre muito mais tarde, após o trânsito em julgado.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.275.834-PR, Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ-
SP), julgado em 17/3/2015 (Info 558).
Suspensão da execução da multa
Art. 52 - É SUSPENSA A EXECUÇÃO da pena de multa, se sobrevém ao condenado doença mental.
CAPÍTULO II
DA COMINAÇÃO DAS PENAS
Penas privativas de liberdade
Art. 53 - As PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE têm seus limites estabelecidos na sanção
correspondente a cada tipo legal de crime.
Penas restritivas de direitos
Art. 54 - As penas restritivas de direitos são aplicáveis, independentemente de cominação na parte
especial, em SUBSTITUIÇÃO à pena privativa de liberdade, fixada em quantidade INFERIOR a 1 (um)
ano, ou nos crimes culposos.
Art. 55. As penas restritivas de direitos referidas nos incisos III, IV, V e VI do art. 43 terão a mesma
duração da pena privativa de liberdade substituída, ressalvado o disposto no § 4o do art. 46.
Art. 56 - As penas de INTERDIÇÃO, previstas nos incisos I e II do art. 47 deste Código, aplicam-se para
todo o crime cometido no exercício de profissão, atividade, ofício, cargo ou função, sempre que
houver violação dos deveres que lhes são inerentes.
Art. 57 - A pena de INTERDIÇÃO, prevista no inciso III do art. 47 deste Código, aplica-se aos crimes
culposos de trânsito.
Pena de multa
Art. 58 - A multa, prevista em cada tipo legal de crime, tem os limites fixados no art. 49 e seus
parágrafos deste Código.
Parágrafo único - A multa prevista no parágrafo único do art. 44 e no § 2º do art. 60 deste Código
aplica-se INDEPENDENTEMENTE de cominação na parte especial.
CAPÍTULO III
DA APLICAÇÃO DA PENA
Fixação da pena
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do
agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da
vítima, estabelecerá, conforme seja NECESSÁRIO E SUFICIENTE para REPROVAÇÃO E PREVENÇÃO do
crime:
- Súmula nº 444, STJ: “É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar
a pena-base.”
ATENÇÃO:
Inquéritos policiais e/ou ações penais em cursos podem ser utilizados no processo penal?
Para agravar a pena-base
(1ª fase da dosimetria)
NÃO
(Súmula nº 444, STJ)
Para decretação da prisão preventiva como garantia da ordem
pública
SIM
(RHC 70.698, STJ)
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Para afastar a causa de diminuição de pena do art. 33, § 4º
(tráfico privilegiado), da Lei de Drogas
SIM
(EREsp 1.431.091)
#INFO
- Condenações anteriores transitadas em julgado não podem ser utilizadas como conduta social
desfavorável.
A circunstância judicial "conduta social", prevista no art. 59 do Código Penal, representa o
comportamento do agente no meio familiar, no ambiente de trabalho e no relacionamento com outros
indivíduos.
Os antecedentes sociais do réu não se confundem com os seus antecedentes criminais. São
circunstâncias distintas, com regramentos próprios.
Assim, não se mostra correto o magistrado utilizar as condenações anteriores transitadas em julgado
como "conduta social desfavorável".
STF. 2ª Turma. RHC 130132, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 10/5/2016 (Info 825).
- Vulnerabilidade emocional e psicológica da vítima como circunstância negativa na dosimetria
da pena.
O fato de o agente ter se aproveitado, para a prática do crime, da situação de vulnerabilidade emocional
e psicológica da vítima decorrente da morte de seu filho em razão de erro médico pode constituir motivo
idôneo para a valoração negativa de sua culpabilidade.STJ. 5ª Turma. HC 264.459-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/3/2016 (Info
579).
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível.
APLICAÇÃO DA PENA – CRITÉRIO TRIFÁSICO
1ª Fase 2ª Fase 3ª Fase
Pena-Base Pena Intermediária Pena Definitiva
É fixada com base nas
circunstâncias judiciais do
art. 59, CP.
Atenuantes e agravantes
genéricas
Causas de aumento e
diminuição
O julgador não pode fixar a pena fora dos limites máximos e
mínimo cominados pelo legislador.
O julgador pode fixar a pena
além do limite máximo ou
aquém do limite mínimo.
Critérios especiais da pena de multa
Art. 60 - Na FIXAÇÃO DA PENA DE MULTA o juiz DEVE ATENDER, principalmente, à SITUAÇÃO
ECONÔMICA DO RÉU.
§ 1º - A MULTA PODE SER AUMENTADA ATÉ O TRIPLO, se o juiz considerar que, em virtude da situação
econômica do réu, é ineficaz, embora aplicada no máximo.
Multa substitutiva
§ 2º - A pena privativa de liberdade aplicada, NÃO SUPERIOR a 6 (seis) meses, pode ser SUBSTITUÍDA
pela de multa, observados os critérios dos incisos II e III do art. 44 deste Código.
PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA MULTA
Natureza Jurídica É espécie de pena restritiva de direitos É pena propriamente dita
Destinação
1. Vítima;
2. Dependentes; ou
Estado
(Fundo Penitenciário Nacional).
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3. Entidade pública ou privada com
destinação social.
Valor 1 a 360 salários mínimos.
1/30 a 5x o valor do maior salário
mínimo vigente ao tempo do fato.
Cálculo Em salários mínimos
Em dias-multa, que podem variar de
10 a 360 dias-multa.
Possibilidade de
dedução
O valor pago é deduzido em eventual
ação de reparação de danos no cível,
se coincidentes os benefíciários.
O valor pago não é deduzido em
eventual ação de reparação de danos
no cível
Conversão em PPL
Pode ser convertida, caso
descumprida.
Não pode ser convertida, caso
descumprida.
Deve ser executada como dívida ativa
(Fazenda Pública).
Pode efetuar-se
mediante deconto
no vencimento ou
salário do
condenado?
Não
Sim, quando:
- Aplicada isoladamento;
- Aplicada cumulativamente com
pena restritiva de direitos;
- Concedida a suspensão condicional
da pena.
Possibilidade de HC
Cabe HC
(porque pode ser convertida em PPL –
Não se aplica a súmula 693 do STF)
Não cabe HC
(Aplica-se a súmula 693 do STF: “Não
cabe habeas corpus contra decisão
condenatória a pena de multa, ou
relativo a processo em curso por
infração penal a que a pena pecuniária
seja a única cominada.” – ex.: drogas
para consumo)
Circunstâncias agravantes
Art. 61 - São CIRCUNSTÂNCIAS que SEMPRE AGRAVAM a pena, quando não CONSTITUEM ou
QUALIFICAM o crime:
I - a reincidência;
- Súmula nº 220, STJ: “A reincidência não influi no prazo da prescrição da pretensão punitiva.”
- Súmula nº 241, STJ: “A reincidência penal não pode ser considerada como circunstância agravante e,
simultaneamente, como circunstância judicial.”
#INFO
- As agravantes (tirante a reincidência) não se aplicam aos crimes culposos.
As circunstâncias agravantes genéricas não se aplicam aos crimes culposos, com exceção da reincidência.
STF. 1ª Turma. HC 120165/RS, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2014 (Info 735).
II - TER o agente cometido o crime:
a) por MOTIVO fútil ou torpe;
b) para FACILITAR ou ASSEGURAR a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro
crime;
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou tornou
impossível a defesa do ofendido;
d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que
podia resultar perigo comum;
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e) CONTRA ascendente, descendente, irmão ou cônjuge;
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de
hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica;
#INFO
- Ausência de bis in idem na aplicação do art. 1º, § 4º, II, da Lei de Tortura em conjunto com a
agravante do art. 61, II, "f", do Código Penal.
No caso de crime de tortura perpetrado contra criança em que há prevalência de relações domésticas e
de coabitação, não configura bis in idem a aplicação conjunta da causa de aumento de pena prevista no
art. 1º, § 4º, II, da Lei nº 9.455/1997 (Lei de Tortura) e da agravante genérica estatuída no art. 61, II, "f",
do Código Penal.
STJ. 6ª Turma. HC 362.634-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 16/8/2016
(Info 589).
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão;
h) CONTRA criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida;
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade;
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de desgraça
particular do ofendido;
l) em estado de embriaguez preordenada.
Agravantes no caso de concurso de pessoas
Art. 62 - A pena será ainda AGRAVADA em relação ao agente que:
I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes;
#INFO
Compatibilidade entre a agravante do art. 62, I, do CP e a condição de mandante do delito.
A incidência da agravante do art. 62, I, do Código Penal é compatível com a autoria intelectual do delito
(mandante).
No entanto, o mandante do crime somente deverá ser punido com a agravante se, no caso concreto,
houver elementos que sirvam para caracterizar a situação descrita pelo inciso I do art. 62, ou seja, é
necessário que fique demonstrado que ele promoveu, organizou o crime ou dirigiu a atividade dos
demais agentes.
Em outras palavras, o mandante poderá responder pela agravante do inciso I do art. 62 do CP, mas isso
nem sempre acontecerá, dependendo das circunstâncias do caso concreto.
STJ. 5ª Turma. REsp 1.563.169-DF, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/3/2016
(Info 580).
II - coage ou induz outrem à execução material do crime;
III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou não-punível em virtude
de condição ou qualidade pessoal;
IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de recompensa.
Reincidência
Art. 63 - VERIFICA-SE a REINCIDÊNCIA quando o agente COMETE NOVO CRIME, depois de transitar
em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o TENHA CONDENADO POR CRIME
ANTERIOR.
Se a pessoa é condenada
definitivamente por
E depois da condenação
definitiva pratica novo(a)
Qual será a consequência?
CRIME
(no Brasil ou exterior)
CRIME
Reincidência
(Art. 63, CP)
CRIME
(no Brasil ou exterior)
CONTRAVENÇÃO
(no Brasil)
Reincidência
(Art. 7º, CLP)
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CONTRAVENÇÃO
(no Brasil)
CONTRAVENÇÃO
(no Brasil)
Reincidência
(Art. 7º, CLP)
CONTRAVENÇÃO
(no Brasil)
CRIME
Não há Reincidência
(maus antecedentes)
CONTRAVENÇÃO
(no estrangeiro)
CRIME ou CONTRAVENÇÃO
Não há Reincidência
(contravenção no esterior não
influi aqui)
Art. 64 - Para efeito de REINCIDÊNCIA:
I - NÃO PREVALECE a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da pena e
a infração posterior TIVER DECORRIDO período de temposuperior a 5 (cinco) anos, COMPUTADO o
período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer revogação;
A existência de condenação anterior, ocorrida em prazo superior a 5 anos, contado da extinção
da pena, poderá ser considerada como maus antecedentes? Após o período depurador, ainda será
possível considerar a condenação como maus antecedentes?
- STJ: SIM! Incide o PRINCÍPIO DA PERPETUIDADE para os maus antecedentes.
- STF: NÃO! Incide o PRINCÍPIO DA TEMPORARIEDADE para a reincidência e para os maus
antecedentes (Info 799 do STF).
II - NÃO SE CONSIDERAM os crimes militares próprios e políticos.
Circunstâncias atenuantes
- Súmula nº 231, STJ: “A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena
abaixo do mínimo legal.”
Art. 65 - São CIRCUNSTÂNCIAS que SEMPRE ATENUAM a pena:
I - SER o agente MENOR de 21 (vinte e um), NA DATA DO FATO, ou MAIOR de 70 (setenta) anos, NA
DATA DA SENTENÇA;
II - o desconhecimento da lei;
III - TER o agente:
a) COMETIDO o crime por motivo de relevante valor social ou moral;
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe
as conseqüências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano;
c) COMETIDO o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade
superior, ou sob a INFLUÊNCIA de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima;
#NãoConfunda:
Atenuante Genérica
(art. 65, III, c, 2ª parte)
Causa de Diminuição do Homicídio
(art. 121, § 1º)
Sob a INFLUÊNCIA de violenta emoção,
provocada por ato injusto da vítima.
Sob o DOMÍNIO de violenta emoção, logo em
seguida a injusta provocação da vítima.
A intensidade é menor (influência) A intensidade é maior (domínio)
Dispensa o requisito temporal Reação imediade (logo em seguida)
Aplica-se a qualquer crime Aplica-se ao homicídio doloso
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade (Juiz, MP ou Delegado), a autoria do crime;
- Súmula nº 545, STJ: “Quando a confissão for utilizada para a formação do convencimento do julgador,
o réu fará jus à atenuante prevista no art. 65, III, d, do Código Penal.”
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#INFO
- Compensação da atenuante da confissão espontânea com a agravante da promessa de
recompensa.
É possível compensar a atenuante da confissão espontânea (art. 65, III, "d", do CP) com a agravante da
promessa de recompensa (art. 62, IV).
STJ. 5ª Turma. HC 318.594-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 16/2/2016 (Info 577).
- Compensação entre a atenuante da confissão espontânea e a agravante de violência contra a
mulher.
O réu praticou o crime com violência contra a mulher. Isso configura uma agravante (art. 61, I, "f", do
CP). No entanto, ele confessou a prática do crime, o que é uma atenuante (art. 65, III, "d"). Diante disso,
qual dessas circunstâncias irá prevalecer?
Nenhuma delas. Elas irão se compensar. Segundo decidiu o STJ, compensa-se a atenuante da confissão
espontânea (art. 65, III, "d", do CP) com a agravante de ter sido o crime praticado com violência contra
a mulher (art. 61, II, "f", do CP).
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 689.064-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
6/8/2015 (Info 568).
- A reincidência e a confissão espontânea se compensam ou prepondera a reincidência?
Caso o réu tenha confessado a prática do crime (o que é uma atenuante), mas seja reincidente (o que
configura uma agravante), qual dessas circunstâncias irá prevalecer?
1ª) Posição do STJ: em regra, reincidência e confissão se COMPENSAM.
Exceção: se o réu for multirreincidente, prevalece a reincidência.
2ª Posição do STF: a agravante da REINCIDÊNCIA prevalece.
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.424.247-DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 3/2/2015 (Info
555).
STF. 2ª Turma. RHC 120677. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 18/03/2014.
Em Resumo:
Confissão x Promessa de recompensa Compensa
Confissão x Violência contra a mulher Compensa
Confissão x Reincidência Compensa (prevalece)
.
e) COMETIDO o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o provocou.
Art. 66 - A pena PODERÁ SER AINDA ATENUADA em razão de circunstância relevante, ANTERIOR
ou POSTERIOR AO CRIME, embora não prevista expressamente em lei. (ATENUANTE INOMINADA)
Concurso de circunstâncias agravantes e atenuantes
Art. 67 - NO CONCURSO DE AGRAVANTES E ATENUANTES, a pena DEVE APROXIMAR-SE do limite
indicado pelas CIRCUNSTÂNCIAS PREPONDERANTES, ENTENDENDO-SE como tais as que resultam
dos MOTIVOS DETERMINANTES DO CRIME, da PERSONALIDADE DO AGENTE e da REINCIDÊNCIA.
Cálculo da pena
Art. 68 - A PENA-BASE SERÁ FIXADA atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em seguida
SERÃO CONSIDERADAS as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de
diminuição e de aumento.
Parágrafo único - No CONCURSO DE CAUSAS DE AUMENTO ou DE DIMINUIÇÃO previstas na parte
especial, PODE O JUIZ LIMITAR-SE a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia,
a causa que mais aumente ou diminua.
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AGRAVANTES E ATENUANTES CAUSAS DE AUMENTO E DIMINUIÇÃO
Sinônimos Circunstâncias legais Majorantes e Minorantes
Momento
2ª fase da aplicação da pena, tomando
por base a pena-base.
3ª fase da aplicação da pena, tomando por
base a pena intermediária.
Localização
Estão localizadas apenas na Parte Geral
do CP.
(Sem prejuízo de outras circunstâncias
na Legislação Extravagante)
Estão localizadas tanto na Parte Geral como
na Parte Especial do CP.
(Sem prejuízo de outras circunstâncias na
Legislação Extravagante)
Limites Legais
Devem respeitar os limites de pena
previstos.
Súmula 231 do STJ: “A incidência da
circunstância atenuante não pode
conduzir à redução da pena abaixo do
mínimo legal.”
Não devem respeitar os limites de pena
previstos.
A pena definitiva pode ficar aquém do
mínimo ou além do máximo.
Quantum
O quantum de aumento e diminuição de
pena fica a critério do juiz, não sendo
previsto em lei.
O quantum de aumento e diminuição de
pena está previsto em lei, e pode ser:
- Fixo: ex.: art. 121, §4º (no homicídio
doloso, a pena é aumentada de 1/3 quando
a vítima é menor de 14 anos)
- Variável: ex.: art. 14, p. único (na tentativa,
a pena do crime é reduzida de 1/3 a 2/3).
Exemplos
Agravantes → Arts. 61 e 62, CP;
Atenuantes → Arts. 65 e 66, CP.
Art. 14, p. único → Punição da tentativa;
Art. 157, §2º → Roubo majorado.
SÚMULAS SOBRE PENA
STF STJ
- Súmula nº 499: “Não obsta a concessão do sursis
condenação anterior a pena de multa.”
- Súmula nº 693: “Não cabe habeas corpus contra
decisão condenatória a pena de multa, ou relativo
a processo em curso por infração penal a que a
pena pecuniária seja a única cominada.”
- Súmula nº 695: “Não cabe habeas corpus
quando já extinta a pena privativa de liberdade.”
- Súmula nº 697: “A proibição de liberdade
provisória nos processos por crimes hediondos
não veda o relaxamento da prisão processual por
excesso de prazo.”
- Súmula nº 711: “A lei penal mais grave aplica-se
ao crime continuado ou ao crime permanente, se a
sua vigência é anterior à cessação da continuidade
ou da permanência.”
- Súmula nº 715: “A pena unificada para atender
ao limite de trinta anos de cumprimento,
determinado pelo art. 75 do CP, não é considerada
para a concessão de outros benefícios, como o
- Súmula nº 171: “Cominadas cumulativamente,
em lei especial,penas privativa de liberdade e
pecuniária, é defeso a substituição da prisão por
multa.”
- Súmula nº 220: “A reincidência não influi no
prazo da prescrição da pretensão punitiva.”
- Súmula nº 231: “A incidência da circunstância
atenuante não pode conduzir à redução da pena
abaixo do mínimo legal.”
- Súmula nº 241: “A reincidência penal não pode
ser considerada como circunstância agravante e,
simultaneamente, como circunstância judicial.”
- Súmula nº 269: “É admissível a adoção do
regime prisional semi-aberto aos reincidentes
condenados a pena igual ou inferior a quatro anos
se favoráveis as circunstâncias judiciais.”
- Súmula nº 440: “Fixada a pena-base no mínimo
legal, é vedado o estabelecimento de regime
prisional mais gravoso do que o cabível em razão
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livramento condicional ou regime mais favorável
de execução.”
- Súmula nº 718: “A opinião do julgador sobre a
gravidade em abstrato do crime não constitui
motivação idônea para a imposição de regime
mais severo do que o permitido segundo a pena
aplicada.”
- Súmula nº 719: “A imposição do regime de
cumprimento mais severo do que a pena aplicada
permitir exige motivação idônea.”
da sanção imposta, com base apenas na gravidade
abstrata do delito.”
- Súmula nº 443: “O aumento na terceira fase de
aplicação da pena no crime de roubo
circunstanciado exige fundamentação concreta,
não sendo suficiente para a sua exasperação a
mera indicação do número de majorantes.”
- Súmula nº 444: “É vedada a utilização de
inquéritos policiais e ações penais em curso para
agravar a pena-base.”
- Súmula nº 493: “É inadmissível a fixação de pena
substitutiva (art. 44 do CP) como condição especial
ao regime aberto.”
- Súmula nº 545: “Quando a confissão for utilizada
para a formação do convencimento do julgador, o
réu fará jus à atenuante prevista no art. 65, III, d, do
Código Penal.”
- Súmula nº 588: “A prática de crime ou
contravenção penal contra a mulher com violência
ou grave ameaça no ambiente doméstico
impossibilita a substituição da pena privativa de
liberdade por restritiva de direitos.”
Concurso material
Art. 69 - Quando o agente, mediante MAIS DE UMA ação ou omissão, pratica DOIS OU MAIS crimes,
idênticos ou não, aplicam-se CUMULATIVAMENTE as penas privativas de liberdade em que haja
incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro
aquela.
§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de liberdade, não
suspensa, por um dos crimes, para os demais será INCABÍVEL a substituição de que trata o art. 44
(PPL p/ PRD) deste Código.
§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá
SIMULTANEAMENTE as que forem compatíveis entre si e SUCESSIVAMENTE as demais.
Aplicadas PRD
Compatíveis entre si Cumpridas SIMULTANEAMENTE
As demais Cumpridas SUCESSIVAMENTE
Espécies
Homogêneo
Pluralidade de crimes da mesma espécie.
Ex.: vários furtos praticados sem elo de continuidade.
Heterogêneo
Pluralidade de crimes de espécies distintas.
Ex.: agente pratica estupro + roubo.
Concurso formal
Art. 70 - Quando o agente, mediante UMA só ação ou omissão, pratica DOIS OU MAIS crimes, idênticos
ou não, aplica-se-lhe a MAIS GRAVE DAS PENAS CABÍVEIS ou, SE IGUAIS, SOMENTE UMA DELAS, mas
AUMENTADA, em qualquer caso, de um sexto até metade. As PENAS APLICAM-SE, entretanto,
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CUMULATIVAMENTE, se a ação ou omissão É DOLOSA e os crimes concorrentes RESULTAM de
DESÍGNIOS AUTÔNOMOS, consoante o disposto no artigo anterior.
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 (concurso
material) deste Código. (concurso material benéfico)
Espécies
Homogêneo Crimes da mesma espécie.
Heterogêneo Crimes de espécies distintas.
Próprio, Perfeito ou
Normal
o agente, apesar de provocar dois ou mais resultados, não tem intenção
independente em relação a cada crime (não há desígnios autônomos).
Impróprio, Imperfeito ou
Anormal
o agente age com desígnios autônomos em relação a cada crime.
#INFO
- Roubo mediante uma só ação contra vítimas distintas.
Segundo o STJ, praticado o crime de roubo mediante uma só ação contra vítimas distintas, no mesmo
contexto fático, resta configurado o concurso formal próprio, e não a hipótese de crime único, visto que
violados patrimônios distintos.
(5ª Turma. HC 455.975/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 02/08/2018).
Crime continuado
Art. 71 - Quando o agente, mediante MAIS DE UMA ação ou omissão, pratica DOIS OU MAIS crimes
da MESMA ESPÉCIE e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes,
devem os subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, AUMENTADA, em qualquer caso, de um sexto a
dois terços. (crime continuado genérico)
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave
ameaça à pessoa, PODERÁ o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, AUMENTAR a pena de um só dos
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único
do art. 70 e do art. 75 deste Código. (crime continuado específico)
Crime Continuado Genérico (art. 71, caput) Crime Continuado Específico (art. 71, p. ú.)
Requisitos:
a) Pluralidade de condutas;
b) Pluralidade de crimes da mesma espécie:
crimes previstos no mesmo tipo, protegendo igual
bem jurídico.
c) Elo de continuidade:
• Mesmas condições de TEMPO: em regra, a
jurisprudência entende que não pode decorrer
prazo superior a 30 dias.
• Mesmas condições de LUGAR: os crimes
parcelares devem ser praticados na mesma
comarca ou em comarcas vizinhas.
• Mesma maneira de EXECUÇÃO: mesmo “modus
operandi”.
• Outras CIRCUNSTÂNCIAS SEMELHANTES.
Requisitos:
a) Pluralidade de condutas;
b) Pluralidade de crimes da mesma espécie;
c) Elo de continuidade;
d) Crimes dolosos;
e) Contra vítimas diferentes;
f) Cometidos com violência ou grave ameaça.
Regras de fixação da pena: Regras de fixação da pena:
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Aplica-se o SISTEMA DA EXASPERAÇÃO
(aumento de 1/6 a 2/3)
Quanto mais crimes, mais o aumento se aproxima
de 2/3, e vice-versa.
Aplica-se o SISTEMA DA EXASPERAÇÃO
(aumento de 1/6 a 3x)
Obs.: Deve observar o cúmulo material benéfico,
ou seja, o sistema da exasperação não pode ser
mais rigoroso que o cúmulo material.
1 De acordo com a Teoria Mista, adotada pelo Código Penal, mostra-se imprescindível, para a aplicação
da regra do crime continuado, o preenchimento de requisitos não apenas de ordem objetiva — mesmas
condições de tempo, lugar e forma de execução — como também de ordem subjetiva — unidade de
desígnios ou vínculo subjetivo entre os eventos (STJ. 6ª Turma. HC 245156/ES, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
julgado em 15/10/2015).
2 Inexistência de continuidade delitiva entre roubo e extorsão.
Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em conjunto.
Isso porque, os referidos crimes, apesar de serem da mesma natureza, são de espécies diversas.
STJ. 5ª Turma. HC 435.792/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/05/2018.
STF. 1ª Turma. HC 114667/SP, rel. org. Min. Marco Aurélio, red.p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 24/4/2018 (Info 899).
3 Inexistência de continuidade delitiva entre roubo e latrocínio.
Não há como reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de roubo e o de latrocínio porquanto
são delitos de espécies diversas, já que tutelam bens jurídicos diferentes.
STJ. 5ª Turma. AgInt no AREsp 908.786/PB, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 06/12/2016.
SÚMULAS SOBRE CONCURSO DE CRIMES
- Súmula nº 497, STF: “Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena imposta
na sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação.”
- Súmula nº 711, STF: “A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente,
se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.”
- Súmula nº 723, STF: “Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se
a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um sexto for superior a um
ano.”
- Súmula nº 243, STJ: “O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações
penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena
mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um
(01) ano.”
CONCURSO DE CRIMES
ESPÉCIES REQUISITOS SISTEMA PENA
Concurso Material
(Art. 69, CP)
2 ou + condutas;
2 ou + resultados.
Cúmulo Material Penas somadas
Concurso Formal Próprio
(Art. 70, 1ª p, CP)
1 conduta;
2 ou + resultados.
Exasperação
Aumento de 1/6
até 1/2
Concurso Formal
Impróprio
(Art. 70, 2ª p, CP)
1 conduta;
2 ou + resultados;
Desígnios autônomos.
Cúmulo Material Penas somadas
Concurso Continuado
Genérico ou Simples
2 ou + condutas;
2 ou + resultados;
Exasperação
Aumento de 1/6
até 2/3
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(Art. 71, caput, CP) Continuidade.
Concurso Continuado
Específico ou Qualificado
(Art. 71, p.ú., CP)
2 ou + condutas;
2 ou + resultados;
Continuidade;
Crimes dolosos;
Vítimas diferentes;
Violência ou grave ameaça à
pessoa.
Exasperação
Aumento de 1/6
até o triplo
Multas no concurso de crimes
Art. 72 - No concurso de crimes, AS PENAS DE MULTA SÃO APLICADAS distinta e integralmente.
Obs.: Segundo o STJ, a aplicação da hipótese do art. 72 do Código Penal restringe-se aos casos dos
concursos material e formal, não lhe estando no âmbito de abrangência da continuidade delitiva (REsp
909.327/PR, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 07/10/2010,
DJe 03/11/2010).
Erro na execução
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a
pessoa que pretendia ofender, ATINGE PESSOA DIVERSA, RESPONDE como se tivesse praticado o
crime contra aquela, ATENDENDO-SE ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser
também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
Erro sobre a Pessoa (ART. 20, § 3º, CP) Erro na Execução (ART. 73, CP)
Não representa bem a vítima pretendida. Representa-se bem a vítima pretendida.
A execução do crime é perfeita
(Não há falha operacional)
A execução do crime não é imperfeita
(Há falha operacional)
A pessoa visada não corre perigo, pois é
confundida com outra.
A pessoa visada corre perigo, pois não é
confundida com outra.
Obs.: Nos dois casos, o agente responde pelo crime considerando as qualidades da vítima
virtual/pretendida.
Resultado diverso do pretendido
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime,
sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como
crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
Erro na Execução (Art. 73, CP) Resultado Diverso do Pretendido (Art. 74, CP)
O agente, apesar do erro, atinge o mesmo
bem jurídico de pessoa diversa.
O agente, em razão do erro, atinge bem jurídico
diverso.
O resultado produzido (vida) coincide com o
resultado pretendido (vida).
O resultado produzido é diverso (vida) do
resultado pretendido (patrimônio).
Há uma relação pessoa X pessoa. Há uma relação coisa X pessoa.
Limite das penas
Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser SUPERIOR a 30
(trinta) anos.
- Súmula nº 715, STF: “A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento,
determinado pelo art. 75 do CP, não é considerada para a concessão de outros benefícios, como o
livramento condicional ou regime mais favorável de execução.”
§ 1º - Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 30 (trinta)
anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo.
§ 2º - Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-á nova
unificação, desprezando-se, para esse fim, o período de pena já cumprido.
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Concurso de infrações
Art. 76 - No concurso de infrações, executar-se-á primeiramente a pena mais grave.
CAPÍTULO IV
DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA
Requisitos da suspensão da pena
Art. 77 - A EXECUÇÃO da pena privativa de liberdade, NÃO SUPERIOR a 2 (dois) anos, PODERÁ SER
SUSPENSA, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que:
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso;
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e
as circunstâncias autorizem a concessão do benefício;
III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código (substituição de PRD
por PPL).
#NãoConfunda:
SURSIS – PRAZOS DO PERÍODO DE PROVA
Contravenções Penais (Decreto-Lei 3.688/41) Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98)
1 a 3 anos – Art. 11. 2 a 4 anos – Art. 16¹
Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40) Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170/83)
2 a 4 anos (Sursis Simples/Especial) – Art. 77, caput”;
4 a 6 anos (Sursis Etário/Humanitário) – Art. 77, § 2°.
2 a 6 anos – Art. 5°.
¹A lei de crimes ambientais não estipulou o prazo do período de prova, razão pela qual aplica-se o
prazo do sursis comum do CP → 2 a 4 anos.
§ 1º - A condenação anterior a pena de multa NÃO IMPEDE a concessão do benefício.
§ 2o A execução da pena privativa de liberdade, NÃO SUPERIOR a quatro anos, PODERÁ SER SUSPENSA,
por quatro a seis anos, desde que o condenado SEJA maior de setenta anos de idade (sursis etário), ou
razões de saúde justifiquem a suspensão (sursis humanitário).
Art. 78 - Durante o prazo da suspensão, o condenado ficará sujeito à observação e ao cumprimento das
condições estabelecidas pelo juiz.
§ 1º - No primeiro ano do prazo, deverá o condenado prestar serviços à comunidade (art. 46) ou submeter-
se à limitação de fim de semana (art. 48).
§ 2° Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do
art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência do parágrafo
anterior pelas seguintes condições, aplicadas cumulativamente:
a) proibição de freqüentar determinados lugares;
b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz;
c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades.
Art. 79 - A sentença poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que
adequadas ao fatoe à situação pessoal do condenado.
Art. 80 - A suspensão não se estende às penas restritivas de direitos nem à multa.
Revogação obrigatória
Art. 81 - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário:
I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso;
II - frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem motivo justificado, a
reparação do dano;
III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste Código.
Revogação facultativa
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§ 1º - A SUSPENSÃO PODERÁ SER REVOGADA se o condenado DESCUMPRE qualquer outra condição
imposta ou é irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por contravenção, a pena privativa de
liberdade ou restritiva de direitos.
Prorrogação do período de prova
§ 2º - Se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, considera-se prorrogado
o prazo da suspensão até o julgamento definitivo.
§ 3º - Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o período de prova
até o máximo, se este não foi o fixado.
Cumprimento das condições
Art. 82 - Expirado o prazo sem que tenha havido revogação, considera-se extinta a pena privativa de
liberdade.
SURSIS – ESPÉCIES
SURSIS
SIMPLES
SURSIS
ESPECIAL
SURSIS
ETÁRIO
SURSIS
HUMANITÁRIO
Previsão legal:
art. 77, c/c art. 78, § 1º,
CP
Previsão legal:
art. 77, c/c art. 78, § 2º,
CP
Previsão legal:
art. 77, § 2º, CP
Previsão legal:
art. 77, § 2º, in fine, CP
Pressupostos:
- Pena imposta não
superior a 2 anos,
considerando-se o
concurso de delitos.
Pressupostos:
- Pena imposta não
superior a 2 anos. Deve
ser considerado-se o
concurso de delitos.
- reparação do dano ou
impossibilidade de fazê-
lo.
Pressupostos:
- Pena imposta não
superior a 4 anos,
considerando-se o
concurso de delitos.
- Ser idoso com mais de
70 anos.
Pressupostos:
- Pena imposta não
superior a 4 anos,
considerando-se
concurso de delitos.
- Condições de saúde
do condenado.
Período de Prova:
varia 2 a 4 anos.
Período de Prova:
varia de 2 a 4 anos.
Período de Prova:
varia de 4 a 6 anos.
Período de Prova:
varia de 4 a 6 anos.
No primeiro ano da
suspensão:
- prestação de serviços à
comunidade; ou
- limitação de fim-de-
semana.
No primeiro ano da
suspensão:
- proibição de
frequentar determinados
lugares;
- proibição de se
ausentar da comarca
sem autorização do juiz;
e
- comparecimento
mensal em juízo
para comprovar
atividades.
No primeiro ano da
suspensão:
- Se reparou o dano ou
mostrou impossibilidade
de fazê-lo: art. 78, §2º.
- Se não reparou o dano
ou não mostrou
impossibilidade de fazê-
lo: art. 78, §1º.
No primeiro ano da
suspensão:
- Se reparou o dano ou
mostrou
impossibilidade de
fazê-lo: art. 78, §2º.
- Se não reparou o
dano ou não mostrou
impossibilidade de
fazê-lo: art. 78, §1º.
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Requisitos:
- Condenado não
reincidente em crime
doloso.
- Circunstâncias judiciais
favoráveis.
- Não cabível ou não
indicada restritiva de
direitos.
Requisitos:
- Condenado não
reincidente em crime
doloso.
- Circunstâncias judiciais
favoráveis.
- Não cabível ou não
indicada restritiva de
direitos.
Requisitos:
- Condenado não
reincidente em crime
doloso.
- Circunstâncias judiciais
favoráveis.
- Não cabível ou não
indicada restritiva de
direitos.
Requisitos:
- Condenado não
reincidente em crime
doloso.
- Circunstâncias
judiciais favoráveis.
- Não cabível ou não
indicada restritiva de
direitos.
SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA
SUSPENSÃO CONDICIONAL DO
PROCESSO
Sinônimos Sursis Penal Sursis Processual
Previsão Legal Arts. 77 ao 82, CP e Arts. 156 a 163, LEP Art. 89, da Lei nº 9.099/95
Nat. Jurídica Causa extintiva da pena Causa extintiva da punibilidade
Momento
Após a condenação, em audiência
admonitória
No início do processo, no oferecimento
da denúncia
Legitimidade É concedido pelo Juiz da Execução É proposto pelo MP
Sistema
Adotado
Franco-Belga
(O acusado é processado, condenado, há
reconhecimento de culpa, mas a
execução da pena é suspensa)
Non Contendere ou Probation Of First
Offender Act
(O acusado é processado, não é
condenado, não há reconhecimento de
culpa, suspendendo-se a ação penal)
Requisitos
- Condenação à pena privativa de
liberdade não superior à 2 (dois) anos
(sursis simples/especial) ou não superior à
4 (quatro) anos (sursis
etário/humanitário);
- Não reincidente em crime doloso;
- Não seja indicada ou cabível a
substituição por PRD;
- Circunstâncias judiciais favoráveis.
- Pena miníma cominada igual ou inferior
a 1 (um) ano;
- Acusado não esteja sendo processado
ou não tenha sido condenado por outro
crime;
- Requisitos do sursis penal
(não reincidente em crime doloso;
não seja indicada ou cabível a substituição
prevista no art. 44 deste Código;
circunstâncias judiciais favoráveis.)
Período de
Prova
1 - Sursis Simples/Especial → 2 a 4 anos;
2 a 4 anos 2 - Sursis Etário/Humanitário → 4 a 6
anos
Revogação
Obrigatória
- Condenado, em sentença irrecorrível,
por crime doloso;
- Frustra, embora solvente, a execução de
pena de multa ou não efetua, sem motivo
justificado, a reparação do dano;
- No primeiro ano do prazo, não prestar
serviços à comunidade ou à limitação de
fim de semana.
Obrigatória
- Processado por outro crime;
- Não efetuar, sem motivo justificado, a
reparação do dano.
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Facultativa
- Descumpre qualquer outra condição
imposta;
- Condenado irrecorrivelmente, por crime
culposo ou por contravenção, a pena
privativa de liberdade ou restritiva de
direitos.
Facultativa
- Processado, no curso do prazo, por
contravenção;
- Descumprir qualquer outra condição
imposta.
Efeitos da
Revogação
Se revogado: cumpre a pena; Se revogado: é processado;
Se não revogado: extingue a pena.
Se não revogado: extingue a
punibilidade.
Prescrição Não influência Suspende o prazo
Efeitos da
Condenação
Aplicam-se os arts. 91 e 92, do CP
Não aplicam-se os arts. 91 e 92 do CP,
pois não houve condenação
CAPÍTULO V
DO LIVRAMENTO CONDICIONAL
- Súmula nº 499, STF: “Não obsta a concessão do sursis condenação anterior a pena de multa.”
Requisitos do livramento condicional
Art. 83 - O juiz PODERÁ CONCEDER livramento condicional ao condenado a pena privativa de
liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que:
I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e tiver
bons antecedentes (LC simples);
II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso (LC qualificado);
#INFO
- Influência da reincidência no cálculo do livramento condicional.
Na definição do requisito objetivo para a concessão de livramento condicional, a condição de
reincidente em crime doloso deve incidir sobre a somatória das penas impostas ao condenado, ainda
que a agravante da reincidência não tenha sido reconhecida pelo juízo sentenciante em algumas das
condenações. Isso porque a reincidênciaé circunstância pessoal que interfere na execução como um
todo, e não somente nas penas em que ela foi reconhecida.
A condição de reincidente, uma vez adquirida pelo sentenciado, estende-se sobre a totalidade das penas
somadas, não se justificando a consideração isolada de cada condenação e tampouco a aplicação de
percentuais diferentes para cada uma das reprimendas.
STJ. 5ª Turma. HC 307.180-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 16/4/2015 (Info 561).
III - comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom desempenho no
trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para prover à própria subsistência mediante trabalho honesto;
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração;
V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática de
tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o apenado
NÃO FOR reincidente específico em crimes dessa natureza (LC específico).
São requisitos objetivos o cumprimento de:
-1/3 da pena quando o condenado NÃO é reincidente e crime é considerado comum;
-1/2 quando o condenado É reincidente e o crime é considerado comum;
-2/3 quando o crime é considerado hediondo, equiparado ou tráfico de pessoas.
Obs.1: Quando o sentenciado é reincidente específico, ou seja, reincidente em crimes considerados
hediondos ele não tem direito a Livramento Condicional.
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Obs.2: Quando o sentenciado deixa de cumprir as condições impostas pelo juiz ele tem a revogação do
Livramento Condicional e a cassação do benefício.
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à pessoa,
a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de condições pessoais que façam
presumir que o liberado não voltará a delinqüir.
Soma de penas
Art. 84 - As penas que correspondem a infrações diversas devem somar-se para efeito do livramento.
Especificações das condições
Art. 85 - A sentença especificará as condições a que fica subordinado o livramento.
Revogação do livramento
Art. 86 - Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de liberdade, em
sentença irrecorrível:
I - por crime cometido durante a vigência do benefício;
II - por crime anterior, observado o disposto no art. 84 deste Código.
Revogação facultativa
Art. 87 - O juiz PODERÁ, também, REVOGAR O LIVRAMENTO, se o liberado deixar de cumprir qualquer
das obrigações constantes da sentença, ou for irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção,
a pena que não seja privativa de liberdade.
Efeitos da revogação
Art. 88 - Revogado o livramento, não poderá ser novamente concedido, e, salvo quando a revogação
resulta de condenação por outro crime anterior àquele benefício, não se desconta na pena o tempo em
que esteve solto o condenado.
Extinção
Art. 89 - O juiz NÃO PODERÁ DECLARAR extinta a pena, enquanto não passar em julgado a sentença em
processo a que responde o liberado, por crime cometido na vigência do livramento.
Art. 90 - Se até o seu término o livramento não é revogado, considera-se extinta a pena privativa de
liberdade.
- Súmula nº 617, STJ: “A ausência de suspensão ou revogação do livramento condicional antes do
término do período de prova enseja a extinção da punibilidade pelo integral cumprimento da pena.”
SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA LIVRAMENTO CONDICIONAL
Previsão Legal Arts. 77 ao 82, CP e Arts. 156 a 163, LEP Arts. 83 a 90, CP e Arts. 131 a 146, LEP
Nat. Jurídica Causa extintiva da pena Causa extintiva da pena
Momento Antes do início da execução da pena Durante a execução da pena
Condenação
Pena privativa de liberdade não superior
a 2 anos – sursis simple/especial – (= ou
– 2); ou
Pena privativa de liberdade não superior
a 4 anos – sursis etário/humanitário – (=
ou – 4).
Pena privativa de liberdade igual ou
superior a 2 anos (= ou + 2).
Legitimidade É concedido pelo Juiz da Execução É concedido pelo Juiz da Execução
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Requisitos
Condenação à pena privativa de
liberdade não superior à 2 (dois) anos
(sursis simples/especial) ou não superior
à 4 (quatro) anos (sursis
etário/humanitário);
Não reincidente em crime doloso;
Não seja indicada ou cabível a
substituição por PRD;
Circunstâncias judiciais favoráveis.
Objetivos
Mais de 1/3 da pena se o condenado
não for reincidente em crime doloso +
tiver bons antecedentes;
Mais da 1/2 se o condenado for
reincidente em crime doloso;
Mais de 2/3 se condenado por crimes
hediondos e equiparados e tráfico de
pessoas (vedado ao reincidente
específico).
Subjetivos
Comprovado comportamento
satisfatório durante a execução da pena
+ bom desempenho no trabalho que lhe
foi atribuído + aptidão para prover à
própria subsistência mediante trabalho
honesto;
Reparação do dano, salvo efetiva
impossibilidade de fazê-lo.
Período de
Prova
1 - Sursis Simples/Especial: 2 a 4 anos;
Restante da pena
2 - Sursis Etário/Humanitário: 4 a 6 anos
Revogação
Obrigatória
- Condenado, em sentença irrecorrível,
por crime doloso;
- Frustra, embora solvente, a execução
de pena de multa ou não efetua, sem
motivo justificado, a reparação do dano;
- No primeiro ano do prazo, não prestar
serviços à comunidade ou à limitação de
fim de semana.
Obrigatória
Condenado a pena privativa de
liberdade, em sentença irrecorrível:
- por crime cometido durante a vigência
do benefício;
- por crime anterior, cuja soma impeça o
benefício.
Facultativa
- Descumpre qualquer outra condição
imposta;
- Condenado irrecorrivelmente, por
crime culposo ou por contravenção, a
pena privativa de liberdade ou restritiva
de direitos.
Facultativa
- Deixar de cumprir qualquer das
obrigações constantes da sentença;
- For irrecorrivelmente condenado, por
crime ou contravenção, a pena que não
seja privativa de liberdade.
Efeitos da
Revogação
Se revogado: cumprimento da pena
inicialmente imposta;
Se revogado: cumprimento do restante
da pena;
Se não revogado: extingue a pena. Se não revogado: extingue a pena.
CAPÍTULO VI
DOS EFEITOS DA CONDENAÇÃO
Efeitos genéricos e específicos
Art. 91 - São EFEITOS DA CONDENAÇÃO (GENÉRICOS – AUTOMÁTICOS):
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime;
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé:
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a) dos INSTRUMENTOS DO CRIME, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte
ou detenção constitua fato ilícito;
b) do PRODUTO DO CRIME ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente
com a prática do fato criminoso.
NãoConfunda:
Perda de bens e valores Confisco (art. 91, II, CP)
- É uma PRD; - É um efeito da condenação;
- Recai sobre o patrimônio lícito do condenado. - Incide sobre o patrimônio Ilícito do condenado.
§ 1o PODERÁ ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime
quando estes não forem encontrados ou quando se localizarem no exterior.
§ 2o Na hipótese do § 1o, as medidas assecuratórias previstas na legislação processual poderão
abranger bens ou valores equivalentes do investigado ou acusado para posterior decretação de
perda.
Art. 92 - São também EFEITOS DA CONDENAÇÃO (ESPECÍFICOS – NÃO AUTOMÁTICOS):
I - a perda decargo, função pública ou mandato eletivo:
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes
praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública;
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais
casos.
II – a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela nos crimes DOLOSOS
sujeitos à pena de RECLUSÃO cometidos contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar,
contra filho, filha ou outro descendente ou contra tutelado ou curatelado; (Lei nº 13.715/2018)
#INFO
- Inaplicabilidade do art. 92, I, do CP a servidor público aposentado antes da condenação criminal.
Réu, servidor público, foi denunciado pela prática de crime contra a Administração Pública. Durante o
curso do processo criminal, ele se aposenta. O juiz profere sentença, condenando-o à pena de 5 anos
de reclusão.
É possível que o juiz o condene também à perda da aposentadoria com base no art. 92, I, do CP?
NÃO. Ainda que condenado por crime praticado durante o período de atividade, o servidor público não
pode ter a sua aposentadoria cassada com fundamento no art. 92, I, do CP, mesmo que a sua
aposentadoria tenha ocorrido no curso da ação penal.
O rol do art. 92 do CP é taxativo e nele não está prevista a perda da aposentadoria.
STJ. 5ª Turma. REsp 1.416.477-SP, Rel. Min. Walter de Almeida Guilherme (Desembargador
convocado do TJ/SP), julgado em 18/11/2014 (Info 552).
- Promotor de Justiça condenado e regras especiais sobre a perda do cargo.
Em ação penal decorrente da prática de corrupção passiva praticada por membro vitalício do Ministério
Público Estadual, não é possível determinar a perda do cargo com fundamento no art. 92, I, a, do CP.
As regras sobre a perda do cargo de membro do Ministério Público estadual estão previstas na Lei
8.625/93, que, por ser norma especial, prevalece sobre o Código Penal (norma geral).
STJ. 5ª Turma. REsp 1.251.621-AM, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 16/10/2014 (Info 552).
III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como MEIO para a prática de crime DOLOSO.
Parágrafo único - Os EFEITOS de que trata este artigo NÃO SÃO automáticos, DEVENDO SER
motivadamente declarados na sentença.
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#NãoConfunda:
EFEITOS NÃO AUTOMÁTICOS DA
CONDENAÇÃO (ART. 92, CP)
INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS – PRD
(ART. 47, CP)
- perda de cargo, função pública ou mandato
eletivo;
- incapacidade para o exercício do poder familiar,
da tutela ou da curatela nos crimes dolosos
sujeitos a pena de reclusão cometidos contra
outrem igualmente titular do mesmo poder
familiar, contra filho, filha ou outro descendente ou
contra tutelado ou curatelado;
- A inabilitacão para dirigir veículo, quando
utilizado como meio para a pratica de crime
doloso.
- Proibicao do exercício de cargo, função ou
atividade pública, bem como de mandato eletivo;
- Proibição do exercício de profissão, atividade
ou ofício que dependam de habilitação especial,
de licenca ou autorização do poder público;
- Suspensão de autorização ou de habilitação para
dirigir veículo;
- Proibição de frequentar determinados lugares;
- Proibição de inscrever-se em concurso,
avaliação ou exame públicos.
EFEITOS DA CONDENAÇÃO
PREVISÃO EFEITOS AUTOMÁTICO
CP – Art. 91, I e II
(Efeitos Genéricos)
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime;
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de
terceiro de boa-fé:
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo
fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito;
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua
proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso.
SIM
CP – Art. 92, I, II e III
(Efeitos Específicos)
I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo:
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou
superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou
violação de dever para com a Administração Pública;
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo
superior a 4 (quatro) anos nos demais casos.
II - a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou
curatela, nos crimes dolosos, sujeitos à pena de reclusão, cometidos
contra filho, tutelado ou curatelado;
III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio
para a prática de crime doloso.
NÃO
CP – Art. 218-B, § 3º
O proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se
verifiquem a prática de prostituição ou outra forma de exploração
sexual de menor de 18 anos ou enfermo ou deficiente mental sem
o necessário discernimento mental sujeitar-se-á a cassação da
licença de localização e de funcionamento do estabelecimento.
NÃO
Lei de Tortura (Lei
9.455/97) – Art. 1º, §
5º
Perda do cargo, função ou emprego público;
Interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.
SIM
Lei de Organizações
Criminosas (Lei
12.850/13) – Art. 2º, §
6º
Perda do cargo, função, emprego ou mandato eletivo;
Interdição para o exercício de função ou cargo público pelo prazo
de 8 (oito) anos subsequentes ao cumprimento da pena.
SIM
Lei de Lavagem de
Dinheiro (Lei 9.613/98)
– Art 7º, I e II
I - Perda, em favor da União - e dos Estados, nos casos de
competência da Justiça Estadual -, de todos os bens, direitos e
valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática dos crimes
SIM
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previstos nesta Lei, inclusive aqueles utilizados para prestar a fiança,
ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé;
II - Interdição do exercício de cargo ou função pública de qualquer
natureza e de diretor, de membro de conselho de administração ou
de gerência das pessoas jurídicas referidas no art. 9º, pelo dobro do
tempo da pena privativa de liberdade aplicada.
NÃO
Lei de Crimes
Licitatórios (Lei
8.666/93) – Art. 83
Perda do cargo, emprego, função ou mandato eletivo. Obs.: ainda
que tentatos.
Sim
Lei de Racismo (Lei
7.716/89) – Art. 16
Perda do cargo ou função pública, para o servidor público;
Suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por
prazo não superior a três meses.
NÃO
Lei de Falência (Lei
11.101/05) – Art. 181
Inabilitação para o exercício de atividade empresarial;
Impedimento para o exercício de cargo ou função em conselho de
administração,
diretoria ou gerência das sociedades sujeitas a Lei;
Impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de
negócio.
NÃO
Lei de
Telecomunicações (Lei
9.472/ - Art. 184, I e II
I - Tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime;
II - Perda, em favor da Agência, ressalvado o direito do lesado ou
de terceiros de boa-fé, dos bens empregados na atividade
clandestina, sem prejuízo de sua apreensão cautelar.
NÃO
Crimes Praticados por
Prefeito (Decreto-Lei
201/67) – Art. 1º, § 2º
Perda de cargo;
Inabilitação, pelo prazo de cinco anos, para o exercício de cargo ou
função pública, eletivo ou de nomeação, sem prejuízo da reparação
civil do dano causado ao patrimônio público ou particular.
NÃO
Lei de Abuso de
Autoridade (Lei
4.898/65) – Art. 6º,
§3º, c
Perda do cargo;
Inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por
prazo até três anos.
Obs.: Não é EFEITODA CONDENAÇÃO, é SANÇÃO PENAL.
–
CAPÍTULO VII
DA REABILITAÇÃO
Reabilitação
Art. 93 - A reabilitação alcança quaisquer penas aplicadas em sentença definitiva, assegurando ao
condenado o sigilo dos registros sobre o seu processo e condenação.
Parágrafo único - A reabilitação poderá, também, atingir os efeitos da condenação, previstos no art.
92 deste Código, vedada reintegração na situação anterior, nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo.
Art. 94 - A reabilitação poderá ser requerida, decorridos 2 (dois) anos do dia em que for extinta, de
qualquer modo, a pena ou terminar sua execução, computando-se o período de prova da suspensão e
o do livramento condicional, se não sobrevier revogação, desde que o condenado:
I - tenha tido domicílio no país no prazo acima referido;
II - tenha dado, durante esse tempo, demonstração efetiva e constante de bom comportamento
público e privado;
III - tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstre a absoluta impossibilidade de o fazer,
até o dia do pedido, ou exiba documento que comprove a renúncia da vítima ou novação da dívida.
Parágrafo único - Negada a reabilitação, poderá ser requerida, a qualquer tempo, desde que o pedido
seja instruído com novos elementos comprobatórios dos requisitos necessários.
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Art. 95 - A reabilitação será revogada, de ofício ou a requerimento do ministério público, se o
reabilitado for condenado, como reincidente, por decisão definitiva, a pena que não seja de multa.
TÍTULO VI
DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA
Espécies de medidas de segurança
Art. 96. As medidas de segurança são:
I - Internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, em outro estabelecimento
adequado (detentiva);
II - sujeição a tratamento ambulatorial (restritiva).
Parágrafo único - Extinta a punibilidade, NÃO SE IMPÕE medida de segurança NEM SUBSISTE a que
tenha sido imposta.
Imposição da medida de segurança para inimputável
Art. 97 - Se o agente for INIMPUTÁVEL, o juiz determinará sua internação (art. 26). Se, todavia, o fato
previsto como crime FOR PUNÍVEL com detenção, PODERÁ o juiz SUBMETÊ-LO a tratamento
ambulatorial.
Prazo
§ 1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, SERÁ por tempo indeterminado, perdurando enquanto
não for averiguada, mediante perícia médica, a cessação de periculosidade. O prazo mínimo deverá ser
de 1 (um) a 3 (três) anos.
PRAZO
Mínima
1 a 3 anos (art. 97, § 1º)
Máxima
CP → enquanto não cessar a periculosidade
(art. 97, § 1º);
STF → 30 anos
(aplica-se o art 75 do CP);
STJ → Prazo máximo da pena em abstrato
(Súmula nº 527, STJ).
- Súmula nº 527, STJ: “O tempo de duração da medida de segurança não deve ultrapassar o limite
máximo da pena abstratamente cominada ao delito praticado.”
Perícia médica
§ 2º - A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em
ano, ou a qualquer tempo, se o determinar o juiz da execução.
Desinternação ou liberação condicional
§ 3º - A desinternação, ou a liberação, será sempre condicional devendo ser restabelecida a situação
anterior se o agente, antes do decurso de 1 (um) ano, pratica fato indicativo de persistência de sua
periculosidade.
§ 4º - Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, poderá o juiz determinar a internação do
agente, se essa providência for necessária para fins curativos.
Substituição da pena por medida de segurança para o semi-imputável
Art. 98 - Na hipótese do parágrafo único do art. 26 deste Código e necessitando o condenado de especial
tratamento curativo, a pena privativa de liberdade PODE SER SUBSTITUÍDA pela internação, ou
tratamento ambulatorial, pelo prazo mínimo de 1 (um) a 3 (três) anos, nos termos do artigo anterior e
respectivos §§ 1º a 4º.
Direitos do internado
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Art. 99 - O internado será recolhido a estabelecimento dotado de características hospitalares e será
submetido a tratamento.
#INFO
- Pessoa que havia recebido medida de segurança, mas que, no recurso, teve extinta a
punibilidade por prescrição não pode permanecer internada no hospital de custódia.
É inconstitucional a manutenção em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico – estabelecimento
penal – de pessoa com diagnóstico de doença psíquica que teve extinta a punibilidade. Essa situação
configura uma privação de liberdade sem pena.
STF. 2ª Turma. HC 151523/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 27/11/2018 (Info 925).
TÍTULO VII
DA AÇÃO PENAL
Ação pública e de iniciativa privada
Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido.
§ 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o exige, de
representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça.
§ 2º - A ação de iniciativa privada é promovida mediante queixa do ofendido ou de quem tenha qualidade
para representá-lo.
§ 3º - A ação de iniciativa privada pode intentar-se nos crimes de ação pública, se o Ministério Público não
oferece denúncia no prazo legal.
§ 4º - No caso de morte do ofendido ou de ter sido declarado ausente por decisão judicial, o direito de
oferecer queixa ou de prosseguir na ação passa ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
A ação penal no crime complexo
Art. 101 - Quando a lei considera como elemento ou circunstâncias do tipo legal fatos que, por si mesmos,
constituem crimes, cabe ação pública em relação àquele, desde que, em relação a qualquer destes, se deva
proceder por iniciativa do Ministério Público.
Irretratabilidade da representação
Art. 102 - A representação será irretratável depois de oferecida a denúncia.
Decadência do direito de queixa ou de representação
Art. 103 - Salvo disposição expressa em contrário, o ofendido decai do direito de queixa ou de
representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do dia em que veio a saber
quem é o autor do crime, ou, no caso do § 3º do art. 100 deste Código, do dia em que se esgota o prazo
para oferecimento da denúncia.
Renúncia expressa ou tácita do direito de queixa
Art. 104 - O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou tacitamente.
Parágrafo único - Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a
vontade de exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o ofendido a indenização do dano causado
pelo crime.
Perdão do ofendido
Art. 105 - O perdão do ofendido, nos crimes em que somente se procede mediante queixa, obsta ao
prosseguimento da ação.
Art. 106 - O perdão, no processo ou fora dele, expresso ou tácito:
I - SE CONCEDIDO a qualquer dos querelados, a todos aproveita;
II - SE CONCEDIDO por um dos ofendidos, NÃO PREJUDICA o direito dos outros;
III - se o querelado O RECUSA, não produz efeito.
§ 1º - Perdão tácito é o que resulta da prática de ato incompatível com a vontade de prosseguir na ação.
§ 2º - Não é admissível o perdão depois que passa em julgado a sentença condenatória.
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TÍTULO VIII
DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
Extinção da punibilidade
Art. 107 - EXTINGUE-SE A PUNIBILIDADE:
I - pela morte do agente;
II - pela anistia, graça ou indulto;
ANÍSTIA
GRAÇA
(INDULTO INDIVIDUAL)
INDULTO
(INDULTO COLETIVO)
É um benefício, por meio do qual, o Estado
perdoa a prática de um crime.
São benefícios, por meio dos quais, o Estado
renúncia ao seu direito de punir.
Quem concede? Congresso Nacional,com
sanção do Presidente da República – Art. 48,
VIII, CF.
Quem concede? Presidente da República – Art. 84,
XII, CF.
Meio de Concessão: Lei Federal Ordinária
(lei penal anômala)
Meio de Concessão: Decreto Presidencial
Passível de delegação?
Não.
Passível de delegação?
Sim.
Ministros de Estado; Advogado Geral da União;
Procurador Geral da República.
Classificações:
Própria: quando concedida antes da
condenação;
Imprópria: quando concedida depois da
condenação.
Irrestrita: quando atinge indistintamente a
todos os criminosos, não exigindo condições
pessoais do agente;
Restrita: quando atinge certos criminosos,
exigindo-se determinadas condições
pessoais do agente para a obtenção do
benefício. Ex.: primariedade.
Incondicionada: quando a lei não impõe
qualquer requisito;
Condicionada: quando a lei impõe algum
requisito. Ex.: ressarcimento do dano.
Comum: incide sobre delitos comuns;
Especial: incide sobre delitos políticos.
Classificações:
Plenos: quando extinguem totalmente a pena;
Parciais: quando concedem apenas diminuição da
pena ou sua comutação.
Irrestritos: quando atinge indistintamente a todos os
criminosos, não exigindo qualquer condições
pessoais do agente;
Restritos: quando atinge certos criminosos,
exigindo-se determinadas condições pessoais do
agente para a obtenção do benefício. Ex.:
primariedade.
Incondicionados: quando a lei não impõe qualquer
requisito;
Condicionados: quando a lei impõe algum
requisito. Ex.: ressarcimento do dano.
- Extingue os efeitos penais (principais e
secundários) do crime.
- Não extingue efeitos extrapenais.
- Extinguem o efeito principal do crime – a pena.
- Não extingue os efeitos secundários e extrapenais.
O réu condenado que foi anistiado, se cometer
novo crime, não será reincidente.
O réu condenado que foi beneficiado com graça ou
indulto, se cometer novo crime, será reincidente.
É um benefício coletivo.
É um benefício
individual
É um benefício coletivo
(sem destinatário certo).
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(com destinatário certo).
Independe de pedido do interessado.
Depende de pedido do
interessado.
Independe de pedido do
interessado.
Não aplicam-se aos crimes HEDIONDOS e EQUIPARADOS – Art. 5°, XLIII, CF e Art. 2°, I, Lei 8.072/90.
#INFO
- O indulto da pena privativa de liberdade não alcança a pena de multa se o condenado parcelou
este valor para ter direito à progressão de regime.
O indulto da pena privativa de liberdade não alcança a pena de multa que tenha sido objeto de
parcelamento espontaneamente assumido pelo sentenciado.
O acordo de pagamento parcelado da sanção pecuniária deve ser rigorosamente cumprido sob pena
de descumprimento de decisão judicial, violação ao princípio da isonomia e da boa-fé objetiva.
STF. Plenário. EP 11 IndCom-AgR/DF, rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 8/11/2017 (Info 884).
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso (abolitio criminis);
IV - pela prescrição, decadência ou perempção;
PRESCRIÇÃO DECADÊNCIA
É a perda da pretensão punitiva e executória
do Estado em face do decurso do tempo.
É a perda do direito de representação ou
queixa (ação) em face do decurso do tempo.
É aplicável ao Estado É aplicável ao querelante
Aplica-se a todos os crimes, salvo os crimes
imprescritíveis.
Aplica-se a crimes de ação privada (exclusiva,
perssonalíssima e subsidiária) ou pública
condicionada à representação.
Pode ocorrer antes (PPP) ou depois (PPE) do
trânsito em julgado.
Só pode ocorrer antes da ação penal, pois ela
atinge o direito de queixa ou de representação.
Tem natureza jurídica de causa de extinção da
punibilidade que se baseia em prazos mais
longos (varia de 03 a 20 anos)
Tem natureza jurídica de causa de extinção da
punibilidade que se baseia em prazos mais
curtos (06 meses)
Termo inicial – consumação do crime, em
regra.
Termo inicial – conhecimento da autoria
delitiva.
Se sujeita a causas interruptivas e
suspensivas.
Não se sujeita a causas interruptivas e
suspensivas.
É o primeiro instituto que ataca o direito de
punir.
Primeiro ataca o direito de ação e como
consequência atinge o direito material.
Prescrição da Pretensão Punitiva – PPP Prescrição da Pretensão Executória – PPE
Ocorre antes do trânsito para as duas partes,
evitando coisa julgada
Ocorre após o trânsito para as duas partes,
fazendo coisa julgada
Rescinde eventual condenação Não rescinde a condenação
Extingue o direito de punir Extingue o direito de executar a pena
Impede qualquer efeito da condenação (penal
ou extrapenal)
Extingue a pena aplicada, preservando os
demais efeitos da condenação (penais e
extrapenais)
A sentença não serve como título executivo A sentença serve como título executivo
Não gera reincidência Gera reincidência
Divide-se em quatro espécies:
a) Em abstrato (PPPA) – art. 109, CP;
Única forma
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b) Retroativa (PPPR) – art. 110, § 1º, CP;
c) Superveniente (PPPS) – art. 110, § 1º, CP;
d) Virtual, Antecipada ou Em Perspectiva
(PPPV) – não tem previsão legal, sendo rechaçada
pelos Tribunais Superiores.
Espécies de PPP
Enquanto não transitar em
julgado a sentença (art. 109)
Prescrição em Abstrato
(pena em abstrato)
Após o trânsito em julgado
da sentença (art. 110)
Prescrição Retroativa
(pena em concreto)
- conta-se da publicação da sentença
condenatória para trás;
- pressupõe trânsito em julgado para a
acusação.
Prescrição Superviniente
(pena em concreto)
- conta-se da publicação da sentença
condenatória para frente;
- pressupõe trânsito em julgado para a
acusação.
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada;
Renúncia
(Art. 107, V, primeira parte, CP)
Perdão do Ofendido
(Art. 107, V, segunda parte, CP)
Decorre do Princípio da Oportunidade Decorre do Princípio da Disponibilidade
Ato Unilateral Ato Bilaterial
Cabível, em regra, na ação penal privava;
Exceção – Art. 74, da lei 9.099/95, abrangendo a
ação penal condicionada a representação.
Cabível apenas na ação penal privada.
Não pressupõe processo penal em curso,
obstando-o.
Pressupõe processo penal em curso,
fuminando-o.
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;
IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.
- Súmula nº 18, STJ: “A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da
punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório.”
Perdão Aceito Perdão Judicial
Concedido pela vítima ou representante legal. Concedido pelo Juiz.
Precisa ser aceito – ato bilateral. Não precisa ser aceito – ato unilateral.
Cabível somente em casos de crimes de ação
penal privada.
Cabível nos casos expressamente previstos em
lei, não importando a espécie e ação penal.
Obs.: As causas extintivas da punibilidade do art. 107 do CP são exemplificativas, podendo ser
encontradas outras causas esparsas e na jurisprudência:
Ex. de causas extintivas esparsas:
- Art. 168-A, § 2° (Apropriação Indébita Previdenciária);
- Art. 312, § 3º (Peculato Culposo);
- Art. 337-A, § 1°, CP (Sonegação de Contribuição Previdenciária).
Ex. de causas extintivas na jusriprudência:
- Súmula nº 554, STF: “O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o recebimento
da denúncia, não obsta ao prosseguimento daação penal.”
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Art. 108 - A extinção da punibilidade de crime que é pressuposto, elemento constitutivo ou
circunstância agravante de outro não se estende a este. Nos crimes conexos, a extinção da
punibilidade de um deles não impede, quanto aos outros, a agravação da pena resultante da
conexão.
Prescrição antes de transitar em julgado a sentença
Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no § 1o do art.
110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime,
verificando-se:
I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze;
II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a doze;
III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito;
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a quatro;
V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois;
VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano.
Prescrição das penas restritivas de direito
Parágrafo único - Aplicam-se às penas restritivas de direito os mesmos prazos previstos para as
privativas de liberdade.
Prescrição depois de transitar em julgado sentença final condenatória
Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a sentença condenatória regula-se pela pena
aplicada e verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se aumentam de um terço, se o
condenado é reincidente.
§ 1o A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou depois
de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por
termo inicial data anterior à da denúncia ou queixa.
Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado a sentença final
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a correr:
I - do dia em que o crime se consumou;
Obs.: quanto à prescrição, o Código Penal adotou a Teoria do Resultado.
II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa;
III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência;
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil, da data em
que o fato se tornou conhecido.
V - nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes, previstos neste Código ou em
legislação especial (ECA), da data em que a vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo se a esse tempo
já houver sido proposta a ação penal.
Crime Termo Inicial da Prescrição
Consumado data da consumação
Tentato data do último ato executório
Permanente data em que cessou a permanência
Bigamia, Falsificação ou Alteração de
Assentimento de Registro Civil
data em que o fato se tornou conhecido
Contra a Dignidade Sexual de Crianças ou
Adolescentes, previstos no CP ou Legislação
Especial
data em que a vítima completar 18 anos, salvo
se a esse tempo já houver sido proposta a ação
Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória irrecorrível
Art. 112 - No caso do art. 110 (Prescrição da pretensão punitiva) deste Código, a prescrição começa
a correr:
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I - do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a ACUSAÇÃO, ou a que revoga a
suspensão condicional da pena ou o livramento condicional;
II - do dia em que se interrompe a execução, SALVO quando o tempo da interrupção deva computar-
se na pena.
#INFO
- Interpretação do art. 112 do CP.
Se o Ministério Público não recorreu contra a sentença condenatória, tendo havido apenas recurso da
defesa, qual deverá ser o termo inicial da prescrição da pretensão executiva? O início do prazo da
prescrição executória deve ser o momento em que ocorre o trânsito em julgado para o MP? Ou o início
do prazo deverá ser o instante em que se dá o trânsito em julgado para ambas as partes, ou seja, tanto
para a acusação como para a defesa?
• Posicionamento pacífico do STJ: o termo inicial da prescrição da pretensão executória é a data do
trânsito em julgado da sentença condenatória para a acusação, ainda que a defesa tenha recorrido e
que se esteja aguardando o julgamento desse recurso. Aplica-se a interpretação literal do art. 112, I, do
CP, considerando que ela é mais benéfica ao condenado.
• Entendimento da 1ª Turma do STF: o início da contagem do prazo de prescrição somente se dá
quando a pretensão executória pode ser exercida. Se o Estado não pode executar a pena, não se pode
dizer que o prazo prescricional já está correndo. Assim, mesmo que tenha havido trânsito em julgado
para a acusação, se o Estado ainda não pode executar a pena (ex: está pendente uma apelação da
defesa), não teve ainda início a contagem do prazo para a prescrição executória. É preciso fazer uma
interpretação sistemática do art. 112, I, do CP. Vale ressaltar que, com o novo entendimento do STF
admitindo a execução provisória da pena, para essa segunda corrente (Min. Roberto Barroso) o termo
inicial da prescrição executória será a data do julgamento do processo em 2ª instância. Isso porque se
estiver pendente apenas recurso especial ou extraordinário, será possível a execução provisória da pena.
Logo, já poderia ser iniciada a contagem do prazo prescricional.
STF. 1ª Turma. RE 696533/SC, Rel. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em
6/2/2018 (Info 890).
Prescrição no caso de evasão do condenado ou de revogação do livramento condicional
Art. 113 - No caso de evadir-se o condenado ou de REVOGAR-SE o LIVRAMENTO CONDICIONAL, a
prescrição É REGULADA pelo tempo que resta da pena.
Prescrição da multa
Art. 114 - A prescrição da pena de multa ocorrerá:
I - em 2 (dois) anos, quando a multa for a única COMINADA ou APLICADA;
II - no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena privativa de liberdade, quando a multa for
ALTERNATIVA ou CUMULATIVAMENTE COMINADA ou CUMULATIVAMENTE APLICADA.
Obs.: Se os fatos objeto da denúncia foram praticados enquanto a Paciente e o corréu eram menores
de vinte e um anos de idade, fato reconhecido na sentença condenatória, o prazo da prescrição, que
seria de quatro anos, deve ser reduzido à metade, a dizer, para dois anos (art. 115 do Código Penal), o
que também ocorre com o prazo prescricional da pena de multa (art. 114, inc. II, do Código Penal).
(STF, HC 92316, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, 1ª Turma, j. 11/09/2007).
PRESCRIÇÃO DA PENA DE MULTA
1. Prescrição da Pretensão Punitiva da Multa
Hipotése Prescrição Fundamento
Pena de multa é a única cominada
2 anos – conta-se de acordo com o art.
111 do CP.
Art. 114, I, CP
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Pena de multa cominada
cumulativamente com pena privativa de
liberdade
Prescreve junto com a pena mais grave Art. 118, CP
Pena de multa cominada
alternativamente com a pena privativa
de liberdade
Prescreve junto com a pena mais grave Art. 118, CP
2. Prescrição da Pretensão Executória da Multa
Hipotése Prescrição Fundamento
Pena de multa é a única aplicada
2 anos – conta-se da data do trânsito
em julgado para a acusação
Art. 114, I, CP
Pena de multa aplicada
cumulativamente com a pena privativa
de liberdade
Prescreve junto com a pena mais grave Art. 118, CP
Redução dos prazos de prescrição
Art. 115 - SÃO REDUZIDOS DE METADE os prazos de prescrição quando o criminoso ERA, AO TEMPO
DO CRIME, menor de 21 (vinte e um) anos, ou, NA DATA DA SENTENÇA, maior de 70 (setenta) anos.
Causas impeditivasda prescrição
Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, A PRESCRIÇÃO NÃO CORRE:
I - enquanto NÃO RESOLVIDA, em outro processo, QUESTÃO de que DEPENDA o reconhecimento
da existência do crime;
II - enquanto o agente CUMPRE pena no estrangeiro.
Parágrafo único - Depois de passada em julgado a sentença condenatória, a prescrição não corre durante
o tempo em que o condenado está preso por outro motivo.
Causas interruptivas da prescrição
Art. 117 - O curso da prescrição INTERROMPE-SE:
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa;
II - pela pronúncia;
III - pela decisão confirmatória da pronúncia;
IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis;
Obs.: A sentença que, a teor do disposto no art. 117, IV, CP, interrompe o prazo prescricional é a
condenatória. A sentença absolutória (mesmo que imprópria) não provoca qualquer efeito sobre a
prescrição.
#INFO
- A publicação do acórdão condenatório para fins de prescrição ocorre no dia da sessão de
julgamento.
A prescrição da pretensão punitiva do Estado, em segundo grau de jurisdição, se interrompe na data da
sessão de julgamento do recurso e não na data da publicação do acórdão.
Para efeito de configuração do marco interruptivo do prazo prescricional a que se refere o art. 117, IV,
do CP, considera-se como publicado o “acórdão condenatório recorrível” na data da sessão pública de
julgamento, e não na data de sua veiculação no Diário da Justiça ou em meio de comunicação
congênere.
A publicação do acórdão nos veículos de comunicação oficial deflagra o prazo recursal, mas não
influencia na contagem do prazo da prescrição.
STF. 1ª Turma. RHC 125078/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 3/3/2015 (Info 776).
V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena;
VI - pela reincidência.
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- Súmula nº 592, STF: “Nos crimes falimentares, aplicam-se as causas interruptivas da prescrição,
previstas no Código Penal.”
§ 1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a interrupção da prescrição produz efeitos
relativamente a todos os autores do crime. Nos crimes conexos, que sejam objeto do mesmo processo,
estende-se aos demais a interrupção relativa a qualquer deles.
#INFO
- Interrupção de prescrição de pretensão punitiva em crimes conexos.
No caso de crimes conexos que sejam objeto do mesmo processo, havendo sentença condenatória para
um dos crimes e acórdão condenatório para o outro delito, tem-se que a prescrição da pretensão
punitiva de ambos é interrompida a cada provimento jurisdicional (art. 117, § 1º, do CP).
STJ. 5ª Turma. RHC 40.177-PR, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 25/8/2015 (Info
568).
§ 2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do inciso V deste artigo, todo o prazo começa a correr,
novamente, do dia da interrupção.
Art. 118 - As penas mais leves prescrevem com as mais graves.
PRESCRIÇÃO
Prescrição Termo Inicial Interrupação Suspensão
Pretensão
Punitiva:
- PPPA;
- PPPS;
- PPPR.
a) Consumado: dia em que o
crime se consumou;
b) Tentado: dia em que cessou a
atividade criminosa;
c) Permanentes e Habituais: dia
que cessar a permanência ou
habitualidade;
d) Bigamia e
Falsificação/Alteração de
assentamento no Registro Civil:
data do conhecimento do fato;
e) Contra a Dignidade Sexual de
Crianças e Adolescentes
previstos no CP ou LE: data em
que a vítima completar 18 anos,
salvo se a esse tempo já houver
sido proposta a ação penal.
a) Recebimento da
denúncia ou queixa;
b) Pronúncia;
c) Confirmação da
pronúncia;
d) Publicação da
sentença ou acórdão
condenatórios
recorríveis.
a) Enquanto não
resolvida questão
prejudicial (obrigatória
ou facultativa);
b) Enquanto o agente
cumpre pena no
estrangeiro.
Pretensão
Executória:
- PPE.
a) Trânsito em julgado de sentença
condenatória para acusação.
Obs.: Prevalece que é o trânsito
em julgada para ambas as partes,
acusação e defesa.
b) Trânsito em julgado da
sentença que revoga o sursis (total
a) Início ou continuação
do cumprimento da
pena;
b) Reincidência.
a) Enquanto o
condenado está preso
por outro motivo.
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58
da pena) ou livramento
condicional (restante da pena)
c) do dia da interrupção da
execução – da evasão do cárcere.
SÚMULAS SOBRE PRESCRIÇÃO
STF STJ
- Súmula nº 146, STF: “A prescrição da ação penal
regula-se pela pena concretizada na sentença,
quando não há recurso da acusação.”
- Súmula nº 497, STF: “Quando se tratar de crime
continuado, a prescrição regula-se pela pena
imposta na sentença, não se computando o
acréscimo decorrente da continuação.”
- Súmula nº 592, STF: “Nos crimes falimentares,
aplicam-se as causas interruptivas da prescrição,
previstas no Código Penal.”
- Súmula nº 191, STJ: “A pronúncia é causa
interruptiva da prescrição, ainda que o Tribunal do
Júri venha a desclassificar o crime.”
- Súmula nº 220, STJ: “A reincidência não influi no
prazo da prescrição da pretensão punitiva.”
- Súmula nº 338, STJ: “A prescrição penal é
aplicável nas medidas sócio-educativas.”
- Súmula nº 415, STJ: “O período de suspensão
do prazo prescricional é regulado pelo máximo da
pena cominada.”
- Súmula nº 438, STJ: “É inadmissível a extinção
da punibilidade pela prescrição da pretensão
punitiva com fundamento em pena hipotética,
independentemente da existência ou sorte do
processo penal.”
Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade INCIDIRÁ sobre a pena de CADA
UM, isoladamente.
Perdão judicial
Art. 120 - A sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efeitos de reincidência.
PARTE ESPECIAL
TÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
CAPÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA A VIDA
Homicídio simples
Art. 121. Matar alguém:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Obs.: O homicídio simples, em regra, não é crime hediondo, salvo quando praticado em atividade de
grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente. É o chamado homicídio condicionado.
#INFO
- Dirigir alcoolizado na contramão: reconhecimento de dolo eventual.
Verifica-se a existência de dolo eventual no ato de dirigir veículo automotor sob a influência de álcool,
além de fazê-lo na contramão. Esse é, portanto, um caso específico que evidencia a diferença entre a
culpa consciente e o dolo eventual. O condutor assumiu o risco ou, no mínimo, não se preocupou com
o risco de, eventualmente, causar lesões ou mesmo a morte de outrem.
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STF. 1ª Turma. HC 124687/MS, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado
em 29/5/2018 (Info 904).
- O simples fato do condutor do veículo estar embriagado não gera a presunção de que tenha
havido dolo eventual.
A embriaguez do agente condutor do automóvel, por si só, não pode servir de premissa bastante para
a afirmação do dolo eventual em acidente de trânsito com resultado morte.
A embriaguez do agente condutor do automóvel, sem o acréscimo de outras peculiaridades, não pode
servir como presunção de que houve dolo eventual.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.689.173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 21/11/2017 (Info
623).
- Juiz da 1ª fase do Júri deve examinar se o agente que conduzia o veículo embriagado praticou
homicídio doloso ou culposo.
Na primeirafase do Tribunal do Júri, ao juiz togado cabe apreciar a existência de dolo eventual ou culpa
consciente do condutor do veículo que, após a ingestão de bebida alcoólica, ocasiona acidente de
trânsito com resultado morte.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.689.173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 21/11/2017 (Info
623).
Caso de diminuição de pena (homicídio privilegiado)
§ 1º Se o agente COMETE o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode REDUZIR
a pena de um sexto a um terço. (As privilegiadoras são subjetivas: não se comunicam no caso de
concurso de pessoas)
Valor Moral Valor Social
É o motivo nobre de caráter individual. É o motivo nobre de caráter coletivo.
Ex.: eutanásia Ex.: matar um traidor da pátria
#NãoConfunda:
Atenuante Genérica
(art. 65, III, c, 2ª parte)
Causa de Diminuição do Homicídio
(art. 121, § 1º)
Sob a INFLUÊNCIA de violenta emoção,
provocada por ato injusto da vítima.
Sob o DOMÍNIO de violenta emoção, logo em
seguida a injusta provocação da vítima.
A intensidade é menor (influência) A intensidade é maior (domínio)
Dispensa o requisito temporal Reação imediata (logo em seguida)
Aplica-se a qualquer crime Aplica-se ao homicídio doloso
Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe (interpretação analógica);
(qual. subjetiva – motivos do crime)
Motivo torpe: é o vil, ignóbil, repugnante, abjeta.
Ex.: o próprio homicídio mediante paga ou promessa de recompensa, onde o executor pratica o crime
movido pela ganância de lucro.
Homicídio mediante paga ou promessa de recompensa → homicídio mercenário ou por mandato
remunerado;
Executor → matador de aluguel ou sicário;
Crime de concurso necessário ou bilateral → mandante e executor.
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#INFO
- Incidência da qualificadora do motivo torpe em relação ao mandante de homicídio mercenário.
O reconhecimento da qualificadora da "paga ou promessa de recompensa" (inciso I do § 2º do art. 121)
em relação ao executor do crime de homicídio mercenário não qualifica automaticamente o delito em
relação ao mandante, nada obstante este possa incidir no referido dispositivo caso o motivo que o tenha
levado a empreitar o óbito alheio seja torpe.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.209.852-PR, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 15/12/2015 (Info
575).
- Motivo torpe e feminicídio: inexistência de bis in idem.
Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e de feminicídio no
crime de homicídio praticado contra mulher em situação de violência doméstica e familiar.
Isso se dá porque o feminicídio é uma qualificadora de ordem OBJETIVA - vai incidir sempre que o crime
estiver atrelado à violência doméstica e familiar propriamente dita, enquanto que a torpeza é de cunho
subjetivo, ou seja, continuará adstrita aos motivos (razões) que levaram um indivíduo a praticar o delito.
STJ. 6ª Turma. HC 433.898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018 (Info 625).
II - por motivo fútil; (qual. subjetiva – motivos do crime)
Motivo fútil: é o insignificante, apresentando desproporção entre o crime e sua causa moral. É, pois, o
motivo banal, ridículo por sua insignificância.
Exs.: incidente de trânsito; rompimento de namoro; pequenas discussões entre familiares; fato de a
vítima ter rido do homicida; discussão a respeito de bebida alcoólica, etc.
#INFO
- Incompatibilidade entre dolo eventual e a qualificadora de motivo fútil.
A qualificadora do motivo fútil (art. 121, § 2º, II, do CP) é compatível com o homicídio praticado com
dolo eventual? A pessoa que cometeu homicídio com dolo eventual pode responder pela qualificadora
de motivo fútil?
1ª corrente: SIM. O fato de o réu ter assumido o risco de produzir o resultado morte, aspecto
caracterizador do dolo eventual, não exclui a possibilidade de o crime ter sido praticado por motivo fútil,
uma vez que o dolo do agente, direto ou indireto, não se confunde com o motivo que ensejou a conduta,
mostrando-se, em princípio, compatíveis entre si. STJ. 5ª Turma. REsp 912.904/SP, Rel. Min. Laurita Vaz,
julgado em 06/03/2012.
2ª corrente: NÃO. A qualificadora de motivo fútil é incompatível com o dolo, tendo em vista a ausência
do elemento volitivo. STJ. 6ª Turma. HC 307.617-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info 583).
STJ. 6ª Turma. HC 307.617-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis
Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info 583).
- Inexistência de motivo fútil em homicídio decorrente da prática de "racha".
Não incide a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2º, II, do CP), na hipótese de homicídio
supostamente praticado por agente que disputava "racha", quando o veículo por ele conduzido - em
razão de choque com outro automóvel também participante do "racha" - tenha atingido o veículo da
vítima, terceiro estranho à disputa automobilística. Motivo fútil corresponde a uma reação
desproporcional do agente a uma ação ou omissão da vítima. No caso de "racha", tendo em conta
que a vítima (acidente automobilístico) era um terceiro, estranho à disputa, não é possível considerar
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a presença da qualificadora de motivo fútil, tendo em vista que não houve uma reação do agente a
uma ação ou omissão da vítima.
STJ. 6ª Turma. HC 307.617-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis
Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info 583).
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou
de que possa resultar perigo comum (interpretação analógica); (qual. objetiva – meio de execução)
Emprego de Veneno (venefício): será qualificado apenas quando a vítima não sabe está sendo
envenenada. Caso seja forçada a ingerir o veneno, o homicídio será qualificado pelo meio cruel.
Emprego de Asfixia: pode ser – mecânica (enforcamento, afogamento, estrangulamento, esganadura
ou sufocação) – tôxica (produzida por gases deletérios).
Meio que possa resultar perigo comum: número ideterminado de pessoas.
#NãoConfunda:
Homicídio Qualificado pela Tortura
(Art. 121, § 2º, III, CP)
Tortura Qualificada pela Morte
(Art. 1º, § 3º, Lei 9.455/97)
Crime Hediondo Crime Equiparado a Hediondo
Crime Doloso Crime Preterdoloso
O dolo é de Matar O dolo é de Torturar
Há dolo de matar e a tortura é o meio de
execução escolhido para matar.
Há dolo de torturar e a morte é resultado culposo
decorrente da tortura.
Pena → Reclusão, de 12 a 30 anos. Pena → Reclusão, de 8 a 16 anos.
Competência do Júri Competência do Juiz Singular
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne
impossivel a defesa do ofendido; (qual. objetiva – meios de execução)
Homicídio qualificado pela traição → homicídio prodtorium.
O dolo eventual não se compatibiliza com a qualificadora do art. 121, § 2º, IV (traição, emboscada,
dissimulação).
STF. 2ª Turma. HC 111.442/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/8/2012 (Info 677).
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime; (qual.
subjetiva – motivos do crime)
CRIMES CONEXOS
São aqueles que estão ligados entre si. Podem ser:
De Conexão Teleológica
(Ideológica ou por Sucessão)
de Conexão Consequencial
(ou Causal)
de Conexão Ocasional
É aquele praticado para
assegurar aexecução de outro
crime, sucessivo/futuro.
Ex.: Agente que pratica um
crime de falsificação, para
posterior prática do crime de
estelionato.
É aquele praticado para assegurar
a ocultação, a impunidade ou a
vantagem de outro crime,
passado.
Ex.: Agente que mata policiais
para escapar da prisão em
flagrante por um crime de
trânsito.
É aquele praticado como
consequência da ocasião, da
oportunidade proporcionada
por outro delito. O agente
responde pelos dois delitos em
concurso material. Não há
conexão entre os crimes, mas
uma mera proximidade física
entre os dois crimes.
Ex.: Agente que mata e, em
seguida, aproveita a
oportunidade para subtrair bens
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da vitima. Responde por
Homicídio e Furto em concurso
material de crimes.
No caso do homicídio, é
qualificadora
(art. 121, § 2º, V, CP)
No caso do homicídio, é
qualificadora
(art. 121, § 2º, V, CP)
No caso do homicídio, não é
qualificadora
Feminicídio
Feminicídio Femicídio
Praticar homicídio contra mulher por “razões da
condição de sexo feminino” (por razões de
gênero).
Praticar homicídio contra mulher (matar mulher).
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino:
#INFO
- Motivo torpe e feminicídio: inexistência de bis in idem.
Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e de feminicídio no
crime de homicídio praticado contra mulher em situação de violência doméstica e familiar.
Isso se dá porque o feminicídio é uma qualificadora de ordem OBJETIVA - vai incidir sempre que o crime
estiver atrelado à violência doméstica e familiar propriamente dita, enquanto que a torpeza é de cunho
subjetivo, ou seja, continuará adstrita aos motivos (razões) que levaram um indivíduo a praticar o delito.
STJ. 6ª Turma. HC 433.898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018 (Info 625).
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 (Exército, Marinha e Aeronáutica) e 144 (PF,
PRF, PFF, PC, PM e BM) da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional
de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge,
companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição:
Obs.: Não abrange parente por afinidade.
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
§ 2o-A considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve:
I - violência doméstica e familiar;
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Competência:
Se o feminicídio ocorre com base no inciso I do § 2º-A do art. 121, ou seja, se envolveu violência
doméstica, a competência para processar este crime será da vara do Tribunal do Júri ou do Juizado
Especial de Violência Doméstica (“Vara Maria da Penha”)?
Dependerá da Lei estadual de Organização Judiciária.
• Situação 1: existem alguns Estados que, em sua Lei de Organização Judiciária preveem que, em caso
de crimes dolosos contra a vida praticados no contexto de violência doméstica, a Vara de Violência
Doméstica será competente para instruir o feito até a fase de pronúncia. A partir daí, o processo será
redistribuído para a Vara do Tribunal do Júri. Segundo já decidiu o STF, essa previsão é válida:
- Competência para o processamento de crimes dolosos contra a vida praticados no contexto de
violência doméstica.
A Lei de Organização Judiciária poderá prever que a 1ª fase do procedimento do júri seja realizada na
Vara de Violência Doméstica em caso de crimes dolosos contra a vida praticados no contexto de
violência doméstica. Não haverá usurpação da competência constitucional do júri. Apenas o julgamento
propriamente dito é que, obrigatoriamente, deverá ser feito no Tribunal do Júri
STF. 2ª Turma. HC 102150/SC, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 27/5/2014 (Info 748).
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• Situação 2: se a lei de organização judiciária não prever expressamente essa competência da Vara
de Violência Doméstica para a 1ª fase do procedimento do Júri, aplica-se a regra geral e todo o
processo tramitará na Vara do Tribunal do Júri.
Homicídio culposo
§ 3º Se o homicídio é CULPOSO:
Pena - detenção, de um a três anos.
- Cabe suspensão condicional do processo;
Aumento de pena
§ 4o No HOMICÍDIO CULPOSO, a pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço), se o crime RESULTA de
inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato
socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em
flagrante. Sendo DOLOSO O HOMICÍDIO, a pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço) se o crime é
praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.
Homicídio Culposo
- crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão;
- agente deixa de prestar imediato socorro à vítima;
- agente não procura diminuir as conseqüências do seu ato; ou
- agente foge para evitar prisão em flagrante.
Homicídio Doloso
crime é praticado contra pessoa:
• menor de 14 (quatorze); ou
• maior de 60 (sessenta) anos.
#INFO
A morte instantânea da vítima nem sempre irá afastar a causa de aumento de pena do § 4º do
art. 121 do CP.
No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 se o agente deixa de prestar imediato socorro à
vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante (§ 4º
do art. 121 do CP). Se a vítima tiver morte instantânea, tal circunstância, por si só, é suficiente para afastar
a causa de aumento de pena prevista no § 4º do art. 121? NÃO. No homicídio culposo, a morte
instantânea da vítima não afasta a causa de aumento de pena prevista no art. 121, § 4º, do CP, a não ser
que o óbito seja evidente, isto é, perceptível por qualquer pessoa.
STJ. 5ª Turma. HC 269.038-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 2/12/2014 (Info 554).
Obs.: O § 4º não incide para o feminicídio, pois há o parágrafo próprio, qual seja, o § 7º.
§ 5º - Na hipótese de HOMICÍDIO CULPOSO, o juiz PODERÁ DEIXAR DE APLICAR a pena, se as
consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne
desnecessária (perdão judicial).
§ 6o A pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço) ATÉ a metade se o crime for praticado por milícia
privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.
§ 7o A pena do feminicídio é AUMENTADA de 1/3 (um terço) ATÉ a metade se o crime for praticado:
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto;
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou
portadora de doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física
ou mental; (Lei nº 13.771/2018)
Obs.: não haverá a causa de aumento se o crime é praticado na presença de colateral (ex: irmão, tio) ou
na presença do cônjuge da vítima.
III - na presença FÍSICA OU VIRTUAL de descendente ou de ascendente da vítima; (Lei nº 13.771/2018)
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IV - em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do
art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. (Lei nº 13.771/2018)
Art. 22. CONSTATADA a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta
Lei, o juiz PODERÁ APLICAR, DE IMEDIATO, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes
MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA, entre outras:
I - suspensão da posseou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos
termos da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003;
II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida;
III - proibição de determinadas condutas, entre as quais:
a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância
entre estes e o agressor;
b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação;
c) freqüentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da
ofendida;
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio
Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da
tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.
Parágrafo único - A pena é duplicada:
Aumento de pena
I - se o crime é praticado por motivo egoístico;
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.
Infanticídio
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:
Pena - detenção, de dois a seis anos.
Crim Bipróprio – Suj. ativo (mãe); Suj. passivo (filho).
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
Pena – detenção, de um a três anos.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Aborto provocado por terceiro
Art. 125 - Provocar aborto, SEM o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de três a dez anos.
Art. 126 - Provocar aborto COM o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
- Cabe suspensão condicional do processo.
- O “aborto com consentimento” da gestante constitui exceção à teoria monística adotada pelo Código
Penal. Em regra, o Código Penal adota a teoria monista, ou seja, todos respondem pelo mesmo tipo
penal. Contudo, quanto ao aborto o Código Penal adotou a teoria pluralista. Portanto, quem pratica
o aborto com o consentimento da gestante (terceiro) enquadra no art. 126 (Provocar aborto com o
consentimento da gestante), já a gestante incorre no art. 124 (Provocar aborto em si mesma ou
consentir que outrem lho provoque).
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ABORTO CRIMINOSO
Art. 124 Art. 125 Art. 126
Pune a gestante pelo
autoaborto ou pelo
consentimento para que terceiro
lhe provoque
Pune o terceiro provocador,
que pratica o aborto SEM o
consentimento da gestante.
Pune o terceiro provocador,
que pratica o aborto COM o
consentimento da gestante.
Pena → Detenção, de 1 a 3
anos.
Pena → Reclusão, de 3 a 10
anos.
Pena → Reclusão, de 1 a 4
anos.
Não cabe prisão preventiva para
a gestante primária.
Cabe prisão preventiva. Cabe prisão preventiva
Cabe suspensão condicional do
processo.
Não cabe suspensão
condicional do processo.
Cabe suspensão condicional do
processo.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a GESTANTE NÃO É maior de quatorze anos,
ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou
violência
Forma qualificada
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são AUMENTADAS de um terço, se, em
conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal
de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.
Art. 128 - NÃO SE PUNE o ABORTO praticado por médico:
Aborto necessário (ou terapêutico)
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro (Aborto sentimental, humanitário, ético ou
piedoso)
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando
incapaz, de seu representante legal.
ABORTO – ESPÉCIES
ABORTO PREVISÃO CONCEITO CRIME?
Aborto Terapêutico
ou Necessário
Art. 128, I, CP
É aborto legal realizados nos casos em que a
gravidez traz risco a vida da gestante.
Requisitos:
a) praticado por médico;
b) risco de vida da gestante; e
c) impossibilidade do uso de outro meio para
salvá-la.
Não
(Exclud. de
Ilicitude)
Aborto Sentimental,
Humanitário, Ético
ou Piedoso
Art. 128, II, CP
É aborto legal realizados nos casos em que a
gravidez é resultante de estupro.
Requisitos:
a) praticado por médico;
b) gravidez resultante de estupro; e
c) consentimento da gestante ou quando
incapaz, por seu representante legal.
Não
(Exclud. de
Ilicitude)
Aborto Qualificado Art. 127, CP
Quando o aborto resulta lesão corporal grave
ou morte culposa da gestante (crime
preterdoloso).
Sim
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66
Aborto Natural –
Interrupção da gravidez espontânea,
normalmente causada por problemas de
saúde.
Não
Aborto Acidental –
Interrupção da gravidez decorre de quedas,
acidentes e traumatimos em geral.
Não
Aborto de Feto
Anencéfalo
–
Interrupção da gravidez em razão do feto ser
portador de anencefalia.
Não
(STF)
Aborto Miserável ou
Econômico-social
–
Interrupção da gravidez em virtude de
carência financeira, impossibilitando a
criação futura.
Sim
Aborto Eugênico ou
Eugenésico
–
Interrupação da gravidez em casos de suspeita
de que a criança porte algumas anomalia.
Sim
Aborto Honoris
Causa
–
Interrupação da gravidez para esconder
adultério.
Sim
Aborto Ovular – Praticado até a 8ª semana de gestação. –
Aborto Embrionário – Praticado até a 15ª semana de gestação. –
Aborto Fetal – Praticado após a 15ª semana de gestação. –
CAPÍTULO II
DAS LESÕES CORPORAIS
Lesão corporal
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Lesão corporal de natureza grave
§ 1º Se resulta:
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;
II - perigo de vida;
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;
#INFO
Perda de dois dentes configura lesão grave (e não gravíssima).
A lesão corporal que provoca na vítima a perda de dois dentes tem natureza grave (art. 129, § 1º, III, do
CP), e não gravíssima (art. 129, § 2º, IV, do CP). A perda de dois dentes pode até gerar uma debilidade
permanente (§ 1º, III), ou seja, uma dificuldade maior da mastigação, mas não configura deformidade
permanente (§ 2º, IV). § 1º Se resulta: III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; § 2º
Se resulta: IV - deformidade permanente;
STJ. 6ª Turma. REsp 1.620.158-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/9/2016 (Info
590).
IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 2° Se resulta (lesão corporal gravíssima):
I - incapacidade permanente para o trabalho;
II - enfermidade incurável;
III - perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente;
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#INFO
Lesão corporal qualificado pela deformidade permanente e posterior cirurgia plástica reparadora.
A qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal (art. 129, § 2º, IV, do CP) não é
afastada por posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou minimizea deformidade na vítima.
Isso porque, o fato criminoso é valorado no momento de sua consumação, não o afetando providências
posteriores, notadamente quando não usuais (pelo risco ou pelo custo, como cirurgia plástica ou de
tratamentos prolongados, dolorosos ou geradores do risco de vida) e promovidas a critério exclusivo da
vítima.
STJ. 6ª Turma. HC 306.677-RJ, Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ-SP),
Rel. para acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/5/2015 (Info 562).
V - aborto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
GRAVE - § 1° GRAVÍSSIMA - § 2°
Incapacidade para as ocupações habituais, por
mais de trinta dias;
Perigo de vida;
Debilidade permanente de membro, sentido ou
função;
Aceleração de parto.
Incapacidade permanente para o trabalho;
Enfermidade incurável;
Perda ou inutilização do membro, sentido ou
função;
Deformidade permanente;
Aborto.
Pena → Reclusão, de 1 a 5 anos. Pena → Reclusão, de 2 a 8 anos.
Cabe Suspensão Condicional do Processo Não Cabe Suspensão Condicional do Processo
Lesão corporal seguida de morte
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o
risco de produzi-lo: (crime preterdoloso)
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Diminuição de pena
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode REDUZIR
a pena de um sexto a um terço.
Substituição da pena
§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de DETENÇÃO pela de MULTA, de
duzentos mil réis a dois contos de réis:
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
II - se as lesões são recíprocas.
Lesão corporal culposa
§ 6° Se a lesão é CULPOSA:
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Aumento de pena
§ 7o AUMENTA-SE a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4o e 6o do art.
121 (homicídio) deste Código.
§ 8º - Aplica-se à LESÃO CULPOSA o disposto no § 5º do art. 121 (homicídio).
Violência Doméstica
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§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou
com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas,
de coabitação ou de hospitalidade:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos.
- Cabe suspensão condicional do processo.
- Súmula nº 542, STJ: “A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência
doméstica contra a mulher é pública incondicionada.”
A qualificadora prevista no § 9º do art. 129 do CP aplica-se também às lesões corporais cometidas contra
HOMEM no âmbito das relações domésticas.
STJ. 5ª Turma. RHC 27.622-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 7/8/2012.
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o (Lesão grave, gravíssima e seguida de morte) deste artigo, se
as circunstâncias são as indicadas no § 9o deste artigo, AUMENTA-SE a pena em 1/3 (um terço).
§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será AUMENTADA de um terço se o crime for cometido
contra pessoa portadora de deficiência.
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 (Exército, Marinha e
Aeronáutica) e 144 (PF, PRF, PFF, PC, PM e BM) da Constituição Federal, integrantes do sistema
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela,
ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa
condição, a pena é AUMENTADA de um a dois terços.
CAPÍTULO III
DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE
Perigo de contágio venéreo
Art. 130 - EXPOR alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, A CONTÁGIO DE
MOLÉSTIA VENÉREA, de que sabe ou deve saber que está contaminado:
Pena - detenção, de três meses a um ano, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo;
- se consuma com a prática da relação sexual ou de ato libidinoso, independentemente do efetivo
contágio que, se ocorrer, será simples exaurimento do delito.
- crime de forma vinculada: a forma de praticar o delito já está delimitada no tipo penal: “por meio de
relações sexuais ou qualquer ato libidinoso”.
§ 1º - Se é INTENÇÃO do agente transmitir a moléstia:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 2º - Somente se procede mediante representação.
- Ação → pública condicionada a representação;
- Condição de procedibilidade.
Perigo de contágio de moléstia grave
Art. 131 - PRATICAR, com o fim de transmitir a outrem MOLÉSTIA GRAVE de que está contaminado,
ato capaz de produzir O CONTÁGIO:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa.
Perigo para a vida ou saúde de outrem
Art. 132 - EXPOR a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:
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Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Crime subsidiário.
Parágrafo único. A pena é AUMENTADA de um sexto a um terço se a exposição da vida ou da saúde
de outrem a perigo DECORRE do transporte de pessoas para a prestação de serviços em
estabelecimentos de qualquer natureza, em desacordo com as normas legais.
Abandono de incapaz
Art. 133 - ABANDONAR PESSOA que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por
qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono:
Pena - detenção, de seis meses a três anos.
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1º - Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Aumento de pena
§ 3º - As penas cominadas neste artigo AUMENTAM-SE de um terço:
I - se o abandono ocorre em lugar ermo;
II - se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador da vítima.
III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos
Exposição ou abandono de recém-nascido
Art. 134 - EXPOR ou ABANDONAR RECÉM-NASCIDO, para ocultar desonra própria:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - detenção, de um a três anos.
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - detenção, de dois a seis anos.
Omissão de socorro
Art. 135 - DEIXAR DE PRESTAR ASSISTÊNCIA, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança
abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo;
ou NÃO PEDIR, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - A pena é AUMENTADA de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza
grave, e triplicada, se resulta a morte.
Condicionamento de atendimento médico-hospitalar emergencial
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Art. 135-A. EXIGIR cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem como o
preenchimentoprévio de formulários administrativos, como condição para o atendimento médico-
hospitalar emergencial:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, E multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único. A pena é AUMENTADA até o dobro se da negativa de atendimento resulta lesão
corporal de natureza grave, e até o triplo se resulta a morte.
Maus-tratos
Art. 136 - EXPOR A PERIGO a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância,
para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados
indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de
correção ou disciplina:
Pena - detenção, de dois meses a um ano, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
§ 3º - AUMENTA-SE a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze)
anos.
CAPÍTULO IV
DA RIXA
Rixa
Art. 137 - Participar de rixa, salvo para separar os contendores:
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
- crime plurissubjetivo, plurilateral ou de concurso necessário: o tipo penal reclama a pluralidade de
agentes; De conduta contraposta: os agentes atuam uns contra os outros.
Parágrafo único - Se ocorre morte ou lesão corporal de natureza grave, aplica-se, pelo fato da
participação na rixa, a pena de detenção, de seis meses a dois anos.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
CAPÍTULO V
DOS CRIMES CONTRA A HONRA
Calúnia
Art. 138 - CALUNIAR alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, E multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.
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§ 2º - É PUNÍVEL a calúnia contra os mortos.
Exceção da verdade
§ 3º - ADMITE-SE a PROVA DA VERDADE, salvo:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença
irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.
#NãoConfunda:
CALÚNIA (Art. 138) DENUCIAÇÃO CALUNIOSA (Art. 339)
Crime contra a honra Crime contra a Administração da Justiça
O agente faz imputação falsa de crime
unicamente para ofender a honra objetiva da
vítima
O agente faz imputação falsa de crime ou de
contravenção penal para movimentar o aparelho
estatal
Imputação falsa de crime
Imputação falsa de crime ou de contravenção
penal
Ação penal privada (em regra) Ação penal pública incondicionada
Difamação
Art. 139 - DIFAMAR alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, E multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
- A falsa imputação de contravenção penal caracteriza o crime de difamação, que consiste em imputar
a alguém fato ofensivo à sua reputação.
Exceção da verdade
Parágrafo único - A EXCEÇÃO DA VERDADE SOMENTE SE ADMITE se o ofendido é funcionário
público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.
Injúria
Art. 140 - INJURIAR alguém, OFENDENDO-LHE a dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1º - O juiz PODE DEIXAR de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, PROVOCOU diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado,
se considerem aviltantes: (INJÚRIA REAL)
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
- Crime de fato transitório: aquele que não deixa vestígios.
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a
condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (INJÚRIA PRECONCEITUOSA OU
DESCRIMINATÓRIA)
Pena - reclusão de um a três anos e multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
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#NãoConfunda:
INJÚRIA PRECONCEITUOSA RACISMO
Previsão Legal Art. 140, § 3º, do CP Art. 20, da Lei 7.716/89
Conduta
O agente atribui à vítima qualidade
negativa
O agente segrega ou incentiva a
segregação
Vítimas Número de vítimas determinadas Número de vítimas indeterminadas
Preconceito
Raça, cor, etnia, religião, condição de
pessoa idosa ou portadora de
deficiência
Raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional
Bem Jurídico Honra subjetiva Dignidade humana
Fiança Afiançável Inafiançável
Prescrição Prescritível Imprescritível
Ação Penal Pública condicionada à representação Pública incondicionada
Disposições comuns
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo AUMENTAM-SE de um terço, se qualquer dos crimes
é cometido:
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;
II - contra funcionário público, em razão de suas funções;
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou
da injúria.
IV – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, EXCETO no caso de injúria.
Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante PAGA ou PROMESSA DE RECOMPENSA, APLICA-
SE a pena em dobro.
Exclusão do crime
Art. 142 - NÃO CONSTITUEM injúria ou difamação punível:
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador;
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção
de injuriar ou difamar;
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que preste
no cumprimento de dever do ofício.
Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá
publicidade.
Retratação
Art. 143 - O querelado que, ANTES DA SENTENÇA, SE RETRATA cabalmente da CALÚNIA ou da
DIFAMAÇÃO, fica ISENTO DE PENA.
Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação utilizando-
se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, SE ASSIM DESEJAR O OFENDIDO, pelos mesmos
meios em que se praticou a ofensa.
Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga
ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá
satisfatórias, responde pela ofensa.
Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante QUEIXA, salvo quando, no
caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal.
Parágrafo único. PROCEDE-SE mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso I do
caput do art. 141 deste Código, e mediante representação do ofendido, no caso do inciso II do mesmo
artigo, bem como no caso do § 3o do art. 140 deste Código.
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-5173
- Súmula nº 714, STF: “É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do Ministério
Público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de
servidor público em razão do exercício de suas funções.”
AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A HONRA
Privada Regra
Cond. Representação do Ofendido
- Funcionário público, em razão de suas funções;
Injúria preconceituosa.
Cond. Requisição do MJ
- PR; ou
- Chefe de governo estrangeiro.
CALÚNIA
(Art. 138, CP)
DIFAMAÇÃO
(Art. 139, CP)
INJURIA
(Art. 140, CP)
Bem Jurídico Honra Objetiva Honra Objetiva Honra Subjetiva
Sujeito Ativo
Qualquer Pessoa
(crime comum)
Qualquer Pessoa
(crime comum)
Qualquer Pessoa
(crime comum)
Sujeito Passivo
Qualquer Pessoa
(Admite PJ)
Qualquer Pessoa
(Admite PJ - majoritária)
Qualquer Pessoa
(Não admite PJ)
Conduta
Imputação de fato
determinado criminoso,
falso.
Imputação de fato
determinado ofensivo à
reputação, verdadeiro ou
falso.
Juízo de valor
depreciativo.
Imputação Falsa Falsa ou Verdadeira Não há
Elemento
Subjetivo
Dolo específico Dolo específico Dolo específico
Consumação
Quando a ofensa chega ao
conhecido de terceiro.
Quando a ofensa chega
ao conhecido de terceiro.
Quando a ofensa chega
ao conhecido da vítima.
Tentativa
Regra: Não;
Exceção: forma escrita.
Regra: Não;
Exceção: forma escrita.
Regra: Não;
Exceção: forma escrita.
Exceção da
Verdade
Regra: Admite;
Exceção: art. 138, § 3º, do
CP.
Regra: Não admite;
Exceção: se a contuda for
dirigida contra
funcionário público no
exercício da função.
Não admite
Retratação
Cabível
(antes da sentença)
Cabível
(antes da sentença)
Não é cabível
Exclusão do
Crime – Art. 142
Não se aplica Aplica-se Aplica-se
Punível contra
os Mortos
Punível Não punível Não punível
CAPÍTULO VI
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL
SEÇÃO I
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL
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74
Constrangimento ilegal
Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido,
por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a NÃO FAZER O QUE A LEI PERMITE, ou a
FAZER O QUE ELA NÃO MANDA:
Pena - detenção, de três meses a um ano, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Aumento de pena
§ 1º - As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, quando, para a execução do crime, SE
REÚNEM MAIS DE TRÊS PESSOAS, ou HÁ EMPREGO DE ARMAS.
§ 2º - Além das penas cominadas, aplicam-se as correspondentes à violência.
§ 3º - Não se compreendem na disposição deste artigo:
I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu representante legal,
se justificada por iminente perigo de vida;
II - a coação exercida para impedir suicídio.
Ameaça
Art. 147 - AMEAÇAR alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de
causar-lhe mal injusto e grave:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Ação penal pública condicionada à representação.
Parágrafo único - SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE REPRESENTAÇÃO.
Seqüestro e cárcere privado
Art. 148 - PRIVAR alguém de sua liberdade, mediante seqüestro ou cárcere privado:
Pena - reclusão, de um a três anos.
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1º - A pena é de reclusão, de dois a cinco anos:
I – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente ou maior de 60
(sessenta) anos;
II - se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital;
III - se a privação da liberdade dura mais de quinze dias.
IV – se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos;
V – se o crime é praticado com fins libidinosos.
§ 2º - Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção, grave sofrimento físico
ou moral:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
#INFO
- Extradição - Se a vítima do sequestro não foi encontrada, o prazo prescricional não começou a
correr.
O crime de sequestro, por ser permanente, não prescreve enquanto não for encontrada a pessoa ou o
corpo.
Assim, se o Estado requerer a extradição de determinado indivíduo pelo crime de sequestro, se a vítima
ou o corpo nunca foi encontrado, não terá começado a correr o prazo prescricional.
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STF. 1ª Turma. Ext 1270/DF, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 12/12/2017 (Info 888).
Redução a condição análoga à de escravo
Art. 149. REDUZIR alguém a CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO, quer SUBMETENDO-O a trabalhos
forçados ou a jornada exaustiva, quer SUJEITANDO-O a condições degradantes de trabalho, quer
RESTRINGINDO, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o
empregador ou preposto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, E multa, além da pena correspondente à violência.
§ 1o Nas mesmas penas INCORRE quem:
I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no
local de trabalho;
II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos
pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho.
§ 2o A pena é AUMENTADA de metade, se o crime é cometido:
I – contra criança ou adolescente;
II – por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem.
#INFO
- Redução a condição análoga à de escravo: Competência da Justiça Federal.
De quem é a competência para julgar o crime de redução à condição análoga à de escravo?
Justiça Federal. O crime de redução à condição análoga a de escravo é previsto no art. 149 do Código
Penal. Desse modo, tal delito encontra-se encartado no Titulo I, que trata sobre os "crimes contra a
pessoa" e não no Titulo IV ("Dos crimes contra a organização do trabalho§).
Apesar disso, o STF entende que a topografia do delito (ou seja, sua posição no Código Penal), por si
só, não tem o condão de fixar a competência da Justiça Federal.
Em suma, a competência da Justiça Federal para julgar os crimes de redução à condição análoga à de
escravo, considerando que quaisquer condutas que violem não só o sistema de órgãos e instituições
que preservam, coletivamente, os direitos e deveres dos trabalhadores, mas também o homem
trabalhador, atingindo-o nas esferas em que a Constituição lhe confere proteção máxima, enquadram-
se na categoria dos crimes contra a organização do trabalho, se praticadas no contexto de relações de
trabalho.
STF. Plenário. RE 459510/MT. Rel. Orig. Min. Cezar Peluso, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli.
julgado em 26/11/2015 (lnfo 809).
STJ. 6ª Turma. RHC 25.583/MT. Rel. Min. Maria Therezo De Assis Moura. julgado em 09/08/2012.
Tráfico de Pessoas
Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa,
mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, COM A FINALIDADE DE:
I - REMOVER-LHE órgãos, tecidos ou partes do corpo;
II - SUBMETÊ-LA a trabalho em condições análogas à de escravo;
III - SUBMETÊ-LA a qualquer tipo de servidão;
IV - adoção ilegal; ou
V - exploração sexual.
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, E multa.
§ 1o A pena é AUMENTADA de um terço até a metade se:
I - o crime forcometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-
las;
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II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com deficiência;
III - o agente se prevalecer de relações de parentesco, domésticas, de coabitação, de hospitalidade,
de dependência econômica, de autoridade ou de superioridade hierárquica inerente ao exercício de
emprego, cargo ou função; ou
IV - a vítima do tráfico de pessoas for retirada do território nacional. (tráfico internacional)
§ 2o A pena é REDUZIDA de um a dois terços se o agente for primário e não integrar organização
criminosa.
SEÇÃO II
DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO
Violação de domicílio
Art. 150 - ENTRAR ou PERMANECER, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou
tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências:
Pena - detenção, de um a três meses, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1º - Se o crime É COMETIDO durante a noite, ou em lugar ermo, ou com o emprego de violência ou
de arma, ou por duas ou mais pessoas:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da pena correspondente à violência.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 2º - AUMENTA-SE a pena de um terço, se o fato é cometido por funcionário público, fora dos casos
legais, ou com inobservância das formalidades estabelecidas em lei, ou com abuso do poder.
§ 3º - NÃO CONSTITUI CRIME a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências:
I - durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão ou outra diligência;
II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência de
o ser.
§ 4º - A expressão "CASA" COMPREENDE:
I - qualquer compartimento habitado;
II - aposento ocupado de habitação coletiva;
III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade.
§ 5º - NÃO SE COMPREENDEM na expressão "CASA":
I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do n.º
II do parágrafo anterior;
II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.
#INFO
- Configura invasão de domicílio a invasão de gabinete de Delegado de Polícia.
Configura o crime de violação de domicílio (art. 150 do CP) o ingresso e a permanência, sem autorização,
em gabinete de Delegado de Polícia, embora faça parte de um prédio ou de uma repartição públicos.
No caso concreto, dezenas de manifestantes foram até a Delegacia de Polícia Federal cobrar agilidade
na conclusão de um inquérito policial. Como não foram recebidos, decidiram invadir o gabinete do
Delegado.
STJ. 5ª Turma. HC 298.763-SC, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 7/10/2014 (Info 549).
SEÇÃO III
DOS CRIMES CONTRA A
INVIOLABILIDADE DE CORRESPONDÊNCIA
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Violação de correspondência
Art. 151 - Devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada, dirigida a outrem:
Pena - detenção, de um a seis meses, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Sonegação ou destruição de correspondência
§ 1º - Na mesma pena incorre:
I - quem se apossa indevidamente de correspondência alheia, embora não fechada e, no todo ou em parte,
a sonega ou destrói;
Violação de comunicação telegráfica, radioelétrica ou telefônica
II - quem indevidamente divulga, transmite a outrem ou utiliza abusivamente comunicação telegráfica ou
radioelétrica dirigida a terceiro, ou conversação telefônica entre outras pessoas;
III - quem impede a comunicação ou a conversação referidas no número anterior;
IV - quem instala ou utiliza estação ou aparelho radioelétrico, sem observância de disposição legal.
- Ação penal pública condicionada à representação.
§ 2º - As penas AUMENTAM-SE de metade, se há dano para outrem.
§ 3º - Se o agente comete o crime, com abuso de função em serviço postal, telegráfico, radioelétrico
ou telefônico:
Pena - detenção, de um a três anos.
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Ação penal pública condicionada à representação.
§ 4º - SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE REPRESENTAÇÃO, salvo nos casos do § 1º, IV, e do § 3º.
Correspondência comercial
Art. 152 - Abusar da condição de sócio ou empregado de estabelecimento comercial ou industrial para,
no todo ou em parte, desviar, sonegar, subtrair ou suprimir correspondência, ou revelar a estranho seu
conteúdo:
Pena - detenção, de três meses a dois anos.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Ação penal pública condicionada à representação.
Parágrafo único - SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE REPRESENTAÇÃO.
SEÇÃO IV
DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DOS SEGREDOS
Divulgação de segredo
Art. 153 - Divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou de correspondência
confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa produzir dano a outrem:
Pena - detenção, de um a seis meses, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Ação penal pública condicionada à representação.
§ 1º SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE REPRESENTAÇÃO.
§ 1o-A. Divulgar, sem justa causa, informações sigilosas ou reservadas, assim definidas em lei, contidas ou
não nos sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública:
Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
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§ 2o Quando RESULTAR PREJUÍZO para a Administração Pública, a AÇÃO PENAL SERÁ
INCONDICIONADA.
Violação do segredo profissional
Art. 154 - REVELAR alguém, sem justa causa, SEGREDO, de que tem ciência em razão de função,
ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Ação penal pública condicionada à representação.
Parágrafo único - SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE REPRESENTAÇÃO.
Violação de dispositivo informático
Art. 154-A. Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante
violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou
informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para
obter vantagem ilícita:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, E multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Ação penal pública condicionada à representação.
§ 1o NA MESMA PENA INCORRE quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde dispositivo ou
programa de computador com o intuito de permitir a prática da conduta definida no caput.
§ 2o AUMENTA-SE a pena de um sexto a um terço se da invasão resulta prejuízo econômico.
§ 3o Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas privadas, segredos
comerciais ou industriais, informações sigilosas, assim definidas em lei, ou o controle remoto não
autorizado do dispositivo invadido:
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, E multa, se a conduta não constitui crime mais grave.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 4o Na hipótese do § 3o, AUMENTA-SE a pena de um a dois terços se houver divulgação,
comercializaçãoou transmissão a terceiro, a qualquer título, dos dados ou informações obtidos.
§ 5o AUMENTA-SE a pena de um terço à metade se o crime for praticado contra:
I - Presidente da República, governadores e prefeitos;
II - Presidente do Supremo Tribunal Federal;
III - Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Assembleia Legislativa de Estado,
da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou de Câmara Municipal; ou
IV - dirigente máximo da administração direta e indireta federal, estadual, municipal ou do Distrito
Federal.
Ação penal
Art. 154-B. Nos crimes definidos no art. 154-A, SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE
REPRESENTAÇÃO, SALVO se o crime é cometido contra a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA OU
INDIRETA de qualquer dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios ou contra
EMPRESAS CONCESSIONÁRIAS DE SERVIÇOS PÚBLICOS.
TÍTULO II
DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
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CAPÍTULO I
DO FURTO
Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
#INFO
- Momento consumativo.
Consuma-se o crime de furto com a posse de fato da res furtiva, ainda que por breve espaço de tempo
e seguida de perseguição ao agente, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada.
STJ. 3ª Seção. REsp 1.524.450-RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 14/10/2015 (recurso
repetitivo) (Info 572).
- Súmula nº 567, STJ: “Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por
existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível
a configuração do crime de furto.”
TEORIAS DA CONSUMAÇÃO DO FURTO/ROUBO
Contrectacio
A consumação se dá pelo simples contato entre o agente
e a coisa alheia. Se tocou, já consumou.
Tocar
Apprehensio, Amotio
ou Inversão da Posse
A consumação ocorre no momento em que a coisa
subtraída passa para o poder do agente, ainda que por
breve espaço de tempo, mesmo que o sujeito seja logo
perseguido pela polícia ou pela vítima. O crime se
consuma mesmo que o agente não fique com a posse
mansa e pacífica. A coisa é retirada da esfera de
disponibilidade da vítima (inversão da posse), mas não é
necessário que saia da esfera de vigilância da vítima (não
se exige que o agente tenha posse desvigiada do bem).
Inversão da
Posse
Ablatio
A consumação ocorre quando a coisa, além de
apreendida, é transportada de um lugar para outro.
Transportar
Ilatio
A consumação só ocorre quando a coisa é levada ao local
desejado pelo ladrão para tê-la a salvo.
Lugar Seguro
§ 1º - A pena AUMENTA-SE de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.
#INFO
- Causa de aumento do § 1º pode ser aplicada tanto para furto simples como qualificado. É legítima
a incidência da causa de aumento de pena por crime cometido durante o repouso noturno (art. 155, §
1º) no caso de furto praticado na forma qualificada (art. 155, § 4º). Não existe nenhuma
incompatibilidade entre a majorante prevista no § 1º e as qualificadoras do § 4º. São circunstâncias
diversas, que incidem em momentos diferentes da aplicação da pena. Assim, é possível que o agente
seja condenado por furto qualificado (§ 4º) e, na terceira fase da dosimetria, o juiz aumente a pena em
1/3 se a subtração ocorreu durante o repouso noturno. A posição topográfica do § 1º (vem antes do §
4º) não é fator que impede a sua aplicação para as situações de furto qualificado (§ 4º).
STF. 2ª Turma. HC 130952/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 13/12/2016 (Info 851).
STJ. 6ª Turma. HC 306.450-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 4/12/2014
(Info 554).
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80
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena
de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.
(furto privilegiado ou mínimo)
- Súmula nº 511, STJ: É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP
nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno
valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva.
FURTO PRIVILEGIADO ou MÍNIMO
Critérios
- Agente primário; e
- De pequeno valor a coisa furtada.¹
Benefícios
- Substituição da pena de Reclusão p/ de Detenção;
- Diminuição da pena de 1/3 a 2/3; ou
- Aplicação somente da pena de Multa.
Furto qualificado
privilegiado?
- Agente primário;
- De pequeno valor a coisa furtada;
- Qualificadora objetiva.² (Súmula nº 511, STJ)
Outros crimes em que se
aplica o privilégio
- Capítulo V – Da Apropriação Indébita (art. 170);
- Art. 171, caput – Estelionato (art. 171, § 1º);
- Art. 175 – Fraude no Comério (art. 175, § 2º);
- Art. 180 – Receptação Dolosa (art. 180, § 5º);
Obs.¹: Para a maioria da doutrina, pequeno valor é aquela que não ultrapassa a importância de um
salário mínimo a época do crime;
Obs.²: Não aplica-se no caso de qualificadoras de ordem subjetiva. Ex.: Furto qualificado pelo abuso
de confiança (Art. 155, § 4º, II), que para o STJ possível natureza subjetiva (HC 200895/RJ, DJe
27/05/2013).
§ 3º - EQUIPARA-SE à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico.
#INFO
- O pagamento do débito oriundo de furto de energia elétrica antes do oferecimento da denúncia
é causa de extinção da punibilidade?
O pagamento do débito oriundo de furto de energia elétrica (art. 155, § 3º do CP) antes do oferecimento
da denúncia é causa de extinção da punibilidade, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.684/2003?
6ª Turma do STJ: SIM
O valor fixado como contraprestação de serviços públicos essenciais como a energia elétrica e a água,
conquanto não seja tributo, possui natureza jurídica de preço público, aplicando-se, por analogia, as
causas extintivas da punibilidade previstas para os crimes tributários.
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 796.250/RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 26/09/2017.
5ª Turma do STJ: NÃO
O furto de energia elétrica não pode receber o mesmo tratamento dado aos crimes tributários,
considerando serem diversos os bens jurídicos tutelados e, ainda, tendo em vista que a natureza jurídica
da remuneração pela prestação de serviço público, no caso de fornecimento de energia elétrica, é de
tarifa ou preço público, não possui caráter tributário, em relação ao qual a legislação é expressa e
taxativa. Nos crimes patrimoniais existe previsão legal específica de causa de diminuição da pena, qual
seja, o instituto do arrependimento posterior, previsto no art. 16 do CP.
STJ. 5ª Turma. HC 412.208-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 20/03/2018 (Info 622).
Furto qualificado
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
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- Furto qualificado pela destruição ou rompimento de obstáculo → furto por efração.
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
#INFO
- Para que configure a qualificadora da destreza, é necessário que o agente tenha subtraído o bem
com excepcional habilidade sem ser descoberto:
No crime de furto, não deve ser reconhecida a qualificadora da “destreza” (art. 155, § 4º, II, do CP) caso
inexista comprovação de que o agente tenha se valido de excepcional – incomum – habilidade para
subtrair a coisa que se encontrava na posse da vítima sem despertar-lhea atenção. Destreza, para fins
de furto qualificado, é a especial habilidade física ou manual que permite ao agente subtrair bens em
poder direto da vítima sem que ela perceba o furto. É o chamado “punguista”.
STJ. 5ª Turma. REsp 1.478.648-PR, Rel. para acórdão Min. Newton Trisotto (desembargador
convocado do TJ/SC), julgado em 16/12/2014 (Info 554).
#NãoConfunda:
FURTO MEDIANTE FRAUDE ESTELIONATO
Previsão Legal Art. 155, 4º, II, 2ª parte, CP Art. 171, CP
Bem Jurídico Patrimônio Patrimônio
Ação Penal Pública Incodicionada Pública Incodicionada
Natureza da Fraude Qualificadora do Crime Elementar do Tipo
Finalidade da Fraude
Fazer com que a vítima diminua sua
vigilância e não perceba a
subtração
Fazer com que a vítima incida em
erro e entregue a coisa
espontaneamente
Momento da Fraude
Empregada antes ou durante da
subtração da coisa
Empregada antes da
apossamento/entrega da coisa
Vontade de Alterar a
Posse
Unilateral (agente) Bilateral (agente + vítima)
Exemplo Saque via internet Bilhete premiado
III - com emprego de chave falsa;
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.
- Súmula nº 442, STJ: “É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a
majorante do roubo.”
#INFO
- Não aplicação do princípio da insignificância ao furto qualificado.
Como regra, a aplicação do princípio da insignificância tem sido rechaçada nas hipóteses de furto
qualificado, tendo em vista que tal circunstância denota, em tese, maior ofensividade e reprovabilidade
da conduta. Deve-se, todavia, considerar as circunstâncias peculiares de cada caso concreto, de maneira
a verificar se, diante do quadro completo do delito, a conduta do agente representa maior
reprovabilidade a desautorizar a aplicação do princípio da insignificância.
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 785.755/MT, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j. 22/11/16
(Sem Info).
§ 4º-A A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se houver emprego de explosivo
ou de artefato análogo que cause perigo comum. (Lei nº 13.654/2018)
§ 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a
ser transportado para outro Estado ou para o exterior.
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§ 6o A pena é de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos se a subtração for de semovente domesticável
de produção, ainda que abatido ou dividido em partes no local da subtração.
§ 7º A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se a subtração for de substâncias
explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem
ou emprego. (Lei nº 13.654/2018)
SÚMULAS SOBRE O FURTO
- Súmula nº 442, STJ: “É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a
majorante do roubo.”
- Súmula nº 511, STJ: É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP
nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno
valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva.
- Súmula nº 567, STJ: “Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por
existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível
a configuração do crime de furto.”
Furto de coisa comum
Art. 156 - Subtrair o CONDÔMINO, CO-HERDEIRO OU SÓCIO, para si ou para outrem, a quem
legitimamente a detém, a coisa comum:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Ação penal pública condicionada à representação.
§ 1º - SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE REPRESENTAÇÃO.
§ 2º - NÃO É PUNÍVEL a subtração de coisa comum fungível, cujo valor não excede a quota a que tem
direito o agente. (causa de exclusão da ilicitude)
CAPÍTULO II
DO ROUBO E DA EXTORSÃO
Roubo
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a
pessoa (violência própria), ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de
resistência (violência imprópria):
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, E multa.
- Súmula nº 582, STJ: Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante
emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição
imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou
desvigiada.
TEORIAS DA CONSUMAÇÃO DO FURTO/ROUBO
Contrectacio
A consumação se dá pelo simples contato entre o agente
e a coisa alheia. Se tocou, já consumou.
Tocar
Apprehensio, Amotio
ou Inversão da Posse
A consumação ocorre no momento em que a coisa
subtraída passa para o poder do agente, ainda que por
breve espaço de tempo, mesmo que o sujeito seja logo
perseguido pela polícia ou pela vítima. O crime se
consuma mesmo que o agente não fique com a posse
mansa e pacífica. A coisa é retirada da esfera de
Inversão da
Posse
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disponibilidade da vítima (inversão da posse), mas não é
necessário que saia da esfera de vigilância da vítima (não
se exige que o agente tenha posse desvigiada do bem).
Ablatio
A consumação ocorre quando a coisa, além de
apreendida, é transportada de um lugar para outro.
Transportar
Ilatio
A consumação só ocorre quando a coisa é levada ao local
desejado pelo ladrão para tê-la a salvo.
Lugar Seguro
CRIME FATO TÍPICO OU ATÍPICO EXCEÇÃO
Furto de Uso Atípico É crime no CPM, em seu art. 241.
Roubo de Uso Típico –
Peculato de Uso Atípico
Sujeito ativo → Prefeito, o fato será
TÍPICO, tendo em vista que tal conduta
é considerada crime de
Responsabilidade no art. 1º, II, do
Decreto-Lei 201/67.
#INFO
- Grave ameaça/violência contra mais de uma pessoa, mas subtração de um só patrimônio.
No delito de roubo, se a intenção do agente é direcionada à subtração de um único patrimônio, estará
configurado apenas um crime, ainda que, no modus operandi (modo de execução), seja utilizada
violência ou grave ameaça contra mais de uma pessoa para a obtenção do resultado pretendido. Ex:
Maria estava saindo do banco, acompanhada de seu segurança. João, de arma em punho, deu uma
coronhada no segurança, causando lesão leve, e subtraiu a mala que pertencia a Maria. O agente
praticou um único roubo majorado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, § 2º, I do CP), considerando
que somente um patrimônio foi atingido.
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.490.894-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/2/2015
(Info 556).
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa
ou grave ameaça (violência própria), a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da
coisa para si ou para terceiro. (ROUBO IMPRÓPRIO)
NãoConfunda:
ROUBO PRÓPRIO
(Art. 157, Caput, CP)
ROUBO IMPRÓPRIO
(ART. 157, § 1º, CP)
Meios de Execução
Violência (Própria ou Imprópria); e
Grave Ameaça.
Violência (Própria)¹; e
Grave Ameaça.
Momento do
Emprego do Meio de
Execução
Ante ou durante a subtração. Após a subtração.
Finalidade do Meio
de Execução
Permitir a subtração do bem.
Assegurar a impunidade do crime
ou a detenção da coisa.
¹Não existe violência imprópria no roubo impróprio.
ROUBO x FURTO
QUANTO AO MOMENTO DA SUBTRAÇÃO E EMPREGO DE SUBSTÂNCIA
1º Momento 2º Momento Crime
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Emprego de substância
(violênciaimprópria)
Subtração Roubo (Art. 157, caput)
Subtração
Emprego de substância
(violência imprópria)
Furto (Art. 155)¹
Subtração
Emprego de violência/grave
ameaça (violência própria)
Roubo Impróprio – Art. 157,
§1°²
Obs1.: Não é Roubo Impróprio, pois este não admite Violência Imprópria, mas tão somente a Violência
Própria;
Obs2.: No Roubo Impróprio, a violência ou grave ameaça são empregadas para assegurar a impunidade
do crime ou detenção da coisa.
§ 2º - A pena AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) até metade: (Lei nº 13.654/2018)
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
- Súmula nº 442, STJ: “É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a
majorante do roubo.”
#INFO
- Se um maior de idade pratica o roubo juntamente com um inimputável, esse roubo será
majorado pelo concurso de pessoas (art. 157, § 2º do CP).
A participação do menor de idade pode ser considerada com o objetivo de caracterizar concurso de
pessoas para fins de aplicação da causa de aumento de pena no crime de roubo.
STF. 1ª Turma. HC 110425/ES, rel. Min. Dias Toffoli, 5/6/2012.
STJ. 6ª Turma. HC 150.849/DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 16/08/2011.
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância.
#INFO
- Causa de aumento incidente no caso de a vítima estar em serviço de transporte de valores.
O inciso III do § 2º do art. 157 do Código Penal prevê que a pena do delito de roubo é majorada se a
vítima estava em serviço de transporte de valores e o agente conhecia essa circunstância. Quando o
dispositivo fala em “transporte de valores” não se restringe a dinheiro em espécie, abrangendo outros
bens e produtos que possuam expressão econômica. No caso concreto, o STJ reconheceu que incide a
majorante prevista no inciso III do § 2º do art. 157 do CP na hipótese em que o autor praticou o roubo
ciente de que as vítimas, funcionários dos Correios, transportavam grande quantidade de produtos
cosméticos de expressivo valor econômico e liquidez.
STJ. 5ª Turma. REsp 1.309.966-RJ, Min. Rel. Laurita Vaz, julgado em 26/8/2014 (Info 548).
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para
o exterior;
Dica:
- se o carro for transportado para outro Estado ou para o exterior, objeto de FURTO, vira FURTO
QUALIFICADO (QUALIFICADORA), com pena de reclusão de 3 a 8 anos (155, § 5º, CP).
- se o carro for transportado para outro Estado ou para o exterior, objeto de ROUBO, vira ROUBO
MAJORADO (AUMENTO DE PENA), de 1/3 até 1/2 (157, § 2º, IV, CP).
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.
VI - se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente,
possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. (Lei nº 13.654/2018)
- Súmula nº 443, STJ: “O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo
circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua exasperação a mera
indicação do número de majorantes.”
§ 2º-A A pena AUMENTA-SE de 2/3 (dois terços): (Lei nº 13.654/2018)
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I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de ARMA DE FOGO; (Lei nº 13.654/2018)
#INFO
- Abolitio criminis promovida pela Lei 13.654/2018 no roubo.
O emprego de arma branca deixou de ser majorante do crime de roubo com a modificação operada
pela Lei nº 13.654/2018, que revogou o inciso I do § 2º do art. 157 do Código Penal.
Diante disso, constata-se que houve abolitio criminis, devendo a Lei nº 13.654/2018 ser aplicada
retroativamente para excluir a referida causa de aumento da pena imposta aos réus condenados por
roubo majorado pelo emprego de arma branca.
Trata-se da aplicação da novatio legis in mellius, prevista no art. 5º, XL, da Constituição Federal.
STJ. 5ª Turma. REsp 1519860/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/05/2018 (Info 626).
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1.249.427/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
19/06/2018.
ROUBO MEDIANTE EMPREGO DE ARMA
Antes da Lei 13.654/2018 Depois da Lei 13.654/2018
Tanto a arma de fogo como a arma branca eram
causas de aumento de pena.
Apenas o emprego de arma de fogo e causa de
aumento de pena.
O emprego de arma branca não é causa de
aumento de pena.
O emprego de arma (seja de fogo, seja branca)
era punido com um aumento de 1/3 a 1/2 da
pena.
O emprego de arma de fogo e punido com um
aumento de 2/3 da pena.
ROUBO MEDIANTE EMPREGO DE ARMA
Antes da Lei 13.654/2018 Depois da Lei 13.654/2018
Arma de FOGO
Era causa de aumento de pena.
A pena aumentava de 1/3 a 1/2.
Continua sendo causa de aumento de pena.
Mas agora a pena aumenta 2/3.
Arma Branca
Era causa de aumento de pena.
A pena aumentava de 1/3 a 1/2.
Deixou de ser causa de aumento de pena.
A Lei 13.654/2018 e mais benéfica e irá
retroagir neste ponto.
ROUBO CIRCUNSTANCIADO PELO EMPREGO DE ARMA DE FOGO
ART. 157, §2º-A, I, DO CP – PONTOS IMPORTANTES
1. A partir do advento da Lei 13.654/18, a pena é aumentada de 2/3, e não mais de 1/3 até a metade.
2. Para configuração da causa de aumento, é necessário que se trate de arma de fogo (Lei 13.654/18),
não abrangendo mais arma imprópria (arma branca, vidro etc).
3. O emprego de arma branca no roubo, configura o crime em seu tipo fundamental.
4. Para a maioria da doutrina é necessário o emprego efetivo da arma de fogo, sendo insuficiente o
simples portar.
5. A apreensão e perícia da arma de fogo não são essenciais para caracterização da causa de aumento,
sendo suficiente outros meios de prova (Ex.: prova testemunhal).
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6. Caso apreendida e periciada a arma de fogo, demonstrada a sua inaptidão para efetuar disparos, fica
afastada a majorante.
Cuidado: se a ineficácia for relativa, pode ocorrer a incidência da majorante.
7. Arma de fogo desmuniciada configura a causa de aumento?
STF → SIM (RHC 115077/MG);
STJ → NÂO (AgRg no REsp 1536939/SC).
8. Arma de brinquedo impede a configuração da causa de aumento.
9. É possível a cumulação da majorante do roubo com o emprego de arma com a qualificadora da
associação criminosa armada (Art. 157, § 2º-A, I c/c Art. 288, p.ú, ambos do CP).
II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato
análogo que cause perigo comum. (Lei nº 13.654/2018)
§ 3º Se da violência resulta: (Lei nº 13.654/2018)
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, E multa; (Lei nº
13.654/2018)
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, E multa. (Lei nº 13.654/2018)
- Súmula nº 603, STF: “A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz singular e
não do Tribunal do Júri.”
- Súmula nº 610, STF: Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não se realize
o agente a subtração de bens da vítima.
Subtração consumada + Morte tentada Latrocínio tentado
Subtração tentada + Morte tentada Latrocínio tentado
Subtração consumada + Morte consumada Latrocínio consumado
Subtração tentada + Morte consumada Latrocínio consumado
#INFO
- Agente que participou do roubo pode responder por latrocínio ainda que o disparo que matou
a vítima tenha sido efetuado pelo corréu.
Aquele que se associa a comparsa para a prática de roubo, sobrevindo a morte da vítima, responde pelo
crime de latrocínio, ainda que não tenha sido o autor do disparo fatal ou que sua participação serevele
de menor importância. Ex: João e Pedro combinaram de roubar um carro utilizando arma de fogo. Eles
abordaram, então, Ricardo e Maria quando o casal entrava no veículo que estava estacionado. Os
assaltantes levaram as vítimas para um barraco no morro. Pedro ficou responsável por vigiar o casal no
cativeiro enquanto João realizaria outros crimes utilizando o carro subtraído. Depois de João ter saído,
Ricardo e Maria tentaram fugir e Pedro atirou nas vítimas, que acabaram morrendo. João pretendia
responder apenas por roubo majorado alegando que não participou nem queria a morte das vítimas,
devendo, portanto, ser aplicado o art. 29, § 2º do CP. O STF, contudo, não acatou a tese. Isso porque
João assumiu o risco de produzir resultado mais grave, ciente de que atuava em crime de roubo, no qual
as vítimas foram mantidas em cárcere sob a mira de arma de fogo.
STF. 1ª Turma. RHC 133575/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/2/2017 (Info 855).
- Se há uma única subtração patrimonial, mas com dois resultados morte, haverá concurso formal
de latrocínios ou um único crime de latrocínio?
STF → Crime Único.
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Caracterizada a prática de latrocínio consumado, em razão do atingimento de patrimônio único. O
número de vítimas deve ser sopesado por ocasião da fixação da pena-base, na fase do art. 59 do CP. (...)
STF. 2ª Turma. HC 109539, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 07/05/2013.
(...) Segundo entendimento acolhido por esta Corte, a pluralidade de vítimas atingidas pela violência no
crime de roubo com resultado morte ou lesão grave, embora único o patrimônio lesado, não altera a
unidade do crime, devendo essa circunstância ser sopesada na individualização da pena (...)
STF. 2ª Turma. HC 96736, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 17/09/2013.
STJ → Concurso Formal.
É pacífico na jurisprudência do STJ o entendimento de que há concurso formal impróprio no latrocínio
quando ocorre uma única subtração e mais de um resultado morte, uma vez que se trata de delito
complexo, cujos bens jurídicos tutelados são o patrimônio e a vida.
STJ. 5ª Turma. HC 336.680/PR, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/11/2015.
Prevalece, no STJ, o entendimento no sentido de que, nos delitos de latrocínio - crime complexo, cujos
bens jurídicos protegidos são o patrimônio e a vida -, havendo uma subtração, porém mais de uma
morte, resta configurada hipótese de concurso formal impróprio de crimes e não crime único.
STJ. 6ª Turma. HC 185.101/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 07/04/2015.
- Inexistência de continuidade delitiva entre roubo e latrocínio.
Não há como reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de roubo e o de latrocínio porquanto
são delitos de espécies diversas, já que tutelam bens jurídicos diferentes.
STJ. 5ª Turma. AgInt no AREsp 908.786/PB, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 06/12/2016.
SÚMULAS SOBRE O ROUBO
STF STJ
- Súmula nº 603, STF: “A competência para o
processo e julgamento de latrocínio é do juiz
singular e não do Tribunal do Júri.”
- Súmula nº 610, STF: Há crime de latrocínio,
quando o homicídio se consuma, ainda que não se
realize o agente a subtração de bens da vítima.
- Súmula nº 442, STJ: “É inadmissível aplicar, no
furto qualificado, pelo concurso de agentes, a
majorante do roubo.”
- Súmula nº 443, STJ: “O aumento na terceira fase
de aplicação da pena no crime de roubo
circunstanciado exige fundamentação concreta,
não sendo suficiente para a sua exasperação a
mera indicação do número de majorantes.”
- Súmula nº 582, STJ: Consuma-se o crime de
roubo com a inversão da posse do bem mediante
emprego de violência ou grave ameaça, ainda que
por breve tempo e em seguida à perseguição
imediata ao agente e recuperação da coisa
roubada, sendo prescindível a posse mansa e
pacífica ou desvigiada.
Extorsão
Art. 158 - CONSTRANGER alguém, mediante VIOLÊNCIA ou GRAVE AMEAÇA, e COM O INTUITO DE
OBTER para si ou para outrem INDEVIDA VANTAGEM ECONÔMICA, a fazer, tolerar que se faça ou
deixar fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, E multa.
- Súmula nº 96, STJ: O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem
indevida.
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#INFO
- Inexistência de continuidade delitiva entre roubo e extorsão.
Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em conjunto.
Isso porque, os referidos crimes, apesar de serem da mesma natureza, são de espécies diversas.
STJ. 5ª Turma. HC 435.792/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/05/2018.
STF. 1ª Turma. HC 114667/SP, rel. org. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 24/4/2018 (Info 899).
Não há como reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de roubo e o de latrocínio porquanto
são delitos de espécies diversas, já que tutelam bens jurídicos diferentes.
STJ. 5ª Turma. AgInt no AREsp 908.786/PB, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 06/12/2016.
- A extorsão pode ser praticada mediante a ameaça feita pelo agente de causar um "mal
espiritual" na vítima.
Configura o delito de extorsão (art. 158 do CP) a conduta do agente que submete vítima à grave ameaça
espiritual que se revelou idônea a atemorizá-la e compeli-la a realizar o pagamento de vantagem
econômica indevida.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.299.021-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/2/2017 (Info
598).
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, AUMENTA-SE a
pena de um terço até metade.
§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior.
§ 3o Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária
para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da
multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o,
respectivamente. (SEQUESTRO RELÂMPAGO)
#INFO
- Incide a majorante do § 1º do art. 158 do CP no caso da extorsão qualificada pela restrição da
liberdade da vítima (§ 3º).
O § 1º do art. 158 do CP prevê que se a extorsão é cometida por duas ou mais pessoas, ou com emprego
de arma, a pena deverá ser aumentada de um terço até metade. Essa causa de aumento prevista no §
1º do art. 158 do CP pode ser aplicada tanto para a extorsão simples (caput do art. 158) como também
para o caso de extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima (§ 3º). Assim, é possível que o
agente seja condenado por extorsão pela restrição da liberdade da vítima (§ 3º) e, na terceira fase da
dosimetria, o juiz aumente a pena de 1/3 até 1/2 se o crime foi cometido por duas ou mais pessoas, ou
com emprego de arma (§ 1º).
STJ. 5ª Turma. REsp 1.353.693-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 13/9/2016
(Info 590).
Extorsão mediante seqüestro
Art. 159 - Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como
CONDIÇÃO OU PREÇO DO RESGATE:
Pena - reclusão, de oito a quinze anos.
§ 1o Se o seqüestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas, se o seqüestrado é menor de 18 (dezoito)
ou maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha.
Pena - reclusão, de doze a vinte anos.
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§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos.
§ 3º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos.§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a
libertação do seqüestrado, terá sua pena REDUZIDA de um a dois terços.
NãoConfunda:
ROUBO (Art. 157, CP)
EXTORSÃO MEDIANTE RESTRIÇÃO
DA LIBERDADE DA VÍTIMA –
SEQUESTRO RELÂMPAGO (Art. 158,
§ 3°, CP)
EXTORSÃO MEDIANTE
SEQUESTRO (Art. 159, CP)
Agente subtrai com violência Agente constrange com violência Agente sequestra
Colaboração da vítima é
dispensável
Colaboração da vítima é indispensável
Colaboração da vítima é
dispensável
Não depende de terceiro Não depende de terceiro Depende de terceiro
A vantagem buscada é
imediata
A vantagem buscada é
Mediata
A vantagem buscada é
mediata
Não é hediondo
(na forma simples)
Não é hediondo
É hediondo
(em todas formas)
Pena – Reclusão, 4 a 10 anos
e multa.
Pena – Reclusão, 6 a 12 anos e
multa.
Pena – Reclusão, 8 a 15 anos.
Extorsão indireta
Art. 160 - EXIGIR ou RECEBER, como garantia de dívida, ABUSANDO DA SITUAÇÃO DE ALGUÉM,
documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra terceiro:
Pena - reclusão, de um a três anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
CAPÍTULO III
DA USURPAÇÃO
Alteração de limites
Art. 161 - Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória,
para apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, E multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem:
Usurpação de águas
I - desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem, águas alheias;
Esbulho possessório
II - invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou mediante concurso de mais de duas pessoas,
terreno ou edifício alheio, para o fim de esbulho possessório.
§ 2º - Se o agente usa de violência, incorre também na pena a esta cominada.
§ 3º - Se a propriedade é particular, e não há emprego de violência, SOMENTE SE PROCEDE
MEDIANTE QUEIXA.
Supressão ou alteração de marca em animais
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Art. 162 - Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou rebanho alheio, marca ou sinal indicativo de
propriedade:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
CAPÍTULO IV
DO DANO
Dano
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Dano qualificado
Parágrafo único - Se o crime é cometido:
I - com violência à pessoa ou grave ameaça;
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave;
III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia,
fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de
serviços públicos;
IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, E multa, além da pena correspondente à violência.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Introdução ou abandono de animais em propriedade alheia
Art. 164 - Introduzir ou deixar animais em propriedade alheia, sem consentimento de quem de direito,
desde que o fato resulte prejuízo:
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico
Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade competente em virtude de valor
artístico, arqueológico ou histórico:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
Obs.: TACITAMENTE REVOGADO pela Lei nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais)
Alteração de local especialmente protegido
Art. 166 - Alterar, sem licença da autoridade competente, o aspecto de local especialmente protegido por
lei:
Pena - detenção, de um mês a um ano, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Ação penal
Art. 167 - Nos casos do art. 163, do inciso IV do seu parágrafo e do art. 164, SOMENTE SE PROCEDE
MEDIANTE QUEIXA.
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CAPÍTULO V
DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA
Apropriação indébita
Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
É atípica a conduta do advogado que, contratado para patrocinar os interesses de determinada
pessoa em juízo, abstenha-se de cumprir o pactuado, apesar do recebimento de parcela do valor
dos honorários contratuais. Com efeito, nessa hipótese, trata-se de simples inadimplemento
contratual, a ser objeto de discussão no âmbito cível, não se justificando, assim, que se submeta o
referido advogado à persecução penal, diante da falta de tipicidade material da conduta em análise
(STJ, 6ª Turma, HC 174013, j. 20/06/2013).
Aumento de pena
§ 1º - A pena é AUMENTADA de um terço, quando o agente recebeu a coisa:
I - em depósito necessário;
II - na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário
judicial;
III - em razão de ofício, emprego ou profissão.
Apropriação indébita previdenciária
Art. 168-A. DEIXAR DE REPASSAR à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes,
no PRAZO E FORMA legal ou convencional:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, E multa.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem DEIXAR DE:
I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha
sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público;
II – recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou custos
relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços;
III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido
reembolsados à empresa pela previdência social.
§ 2o É EXTINTA A PUNIBILIDADE se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o
pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência
social, na forma definida em lei ou regulamento, ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
NãoConfunda:
APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA
(Art. 169-A, CP)
SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO
PREVIDENCIÁRIA
(Art. 337-A, CP)
Extinção da punibilidade – § 2°
É extinta a punibilidade se o agente,
espontaneamente, declara, confessa e efetua o
pagamento das contribuições, importâncias ou
valores e presta as informações devidas à
previdência social, na forma definida em lei ou
regulamento, antes do início da ação fiscal.
Extinção da punibilidade – § 1°
É extinta a punibilidade se o agente,
espontaneamente, declara e confessa as
contribuições, importâncias ou valores e presta as
informações devidas à previdência social, na forma
definida em lei ou regulamento, antes do início da
ação fiscal.
SEMELHANÇAS
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- Exige espontaneidade;
- Agente declara e confessa as contribuições,
importâncias ou valores e presta as informações
devidas à previdência social;
- Até que momento?
Antes do início da ação fiscal.
- Exige espontaneidade;
- Agente declarae confessa as contribuições,
importâncias ou valores e presta as informações
devidas à previdência social;
- Até que momento?
Antes do início da ação fiscal.
DIFERENÇA
exige-se o pagamento dos débitos para extinção
da punibilidade → SIM.
exige-se o pagamento dos débitos para extinção
da punibilidade → NÃO.
§ 3o É FACULTADO AO JUIZ deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for
primário e de bons antecedentes, desde que:
I – tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da
contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou
II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela
previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções
fiscais.
§ 4o A faculdade prevista no § 3o deste artigo não se aplica aos casos de parcelamento de contribuições
cujo valor, inclusive dos acessórios, seja superior àquele estabelecido, administrativamente, como sendo o
mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (Lei nº 13.606/2018)
APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA
- crime omissivo próprio;
- crime instatâneo;
- crime material, que exige o lançamento definitivo do tributo (SV nº 24);
- o dolo é genérico;
- prescinde de dolo específico;
- não admite tentativa (crime unisubsistente);
- competência da Justiça Federal;
- é doloso. Não há modalidade culposa;
- não há necessidade do animus rem sibi habendi, o que o deiferencia da apropriação indébita comum;
- é possível a continuidade delitiva de crimes de apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do CP),
bem como é possível a continuidade delitiva entre o crime de apropriação indébita previdenciária e o
crime de sonegação previdenciária (art. 337-A do CP) praticados na administração de empresas
distintas, mas pertencentes ao mesmo grupo econômico.
- aplica-se o princípio da insignificância, respeitado o limite de 20 mil;
#INFO
- Efeitos da suspensão da exigibilidade de crédito tributário na prescrição da pretensão punitiva
do crime de apropriação indébita previdenciária.
A prescrição da pretensão punitiva do crime de apropriação indébita previdenciária (art. 168- A do CP)
permanece suspensa enquanto a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa em razão de
decisão de antecipação dos efeitos da tutela no juízo cível. Isso porque a decisão cível acerca da
exigibilidade do crédito tributário repercute diretamente no reconhecimento da própria existência do
tipo penal, visto ser o crime de apropriação indébita previdenciária um delito de natureza material, que
pressupõe, para sua consumação, a realização do lançamento tributário definitivo.
STJ. 5ª Turma. RHC 51.596-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 3/2/2015 (Info 556).
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Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou força da natureza
Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por ERRO, CASO FORTUITO OU
FORÇA DA NATUREZA:
Pena - detenção, de um mês a um ano, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - Na mesma pena incorre:
Apropriação de tesouro
I - quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no todo ou em parte, da quota a que tem direito
o proprietário do prédio;
Apropriação de coisa achada
II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao
dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no prazo de quinze
dias.
- Crime a prazo: tendo em vista que somente se aperfeiçoa se o agente não devolver o bem à vítima
depois de 15 dias do achado.
Art. 170 - Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o disposto no art. 155, § 2º (furto
privilegiado).
- Substituição da pena de Reclusão p/ de Detenção;
- Diminuição da pena de 1/3 a 2/3; ou
- Aplicação somente da pena de Multa.
CAPÍTULO VI
DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES
Estelionato
Art. 171 - OBTER, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo
alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, E multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis.
- Cabe suspensão condicional do processo.
NãoConfunda:
ESTELIONATO
(Art. 171, CP)
TRÁFICO DE INFLUÊNCIA
(Art. 332, CP)
EXPLORAÇÃO DE PRESTÍGIO
(Art. 357, CP)
Crime contra o Patrimônio
Crime contra a Administração
Pública
Crime contra a Administração
da Justiça
Consiste em "obter" vantagem
ilícita em prejuízo alheio
mediante fraude (artifício, ardil
ou qualquer outro meio
fraudulento).
Consiste em solicitar, exigir, cobrar
ou obter vantagem ou promessa de
vantagem a pretexto de influir em
ato praticado por funcionário
público.
Consiste em solicitar ou receber
(dinheiro ou utilidade) a
pretexto de influir em juiz,
jurado, órgão do Ministério
Público, funcionário de justiça,
perito, tradutor, intérprete ou
testemunha.
O agente visa obter vantagem
ilícita em prejuízo alheio.
O agente visa obter vantagem ilícita.
O agente visa obter vantagem
ilícita.
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Consuma-se com o duplo
resultado - vantagem ilícita e
prejuízo alheio (delito material).
Consuma-se com a solicitação,
exigência, cobrança (delito formal)
ou com a obtenção da vantagem
(delito material).
Consuma-se com a solicitação
(delito formal) ou com o
recebimento (delito material).
#INFO
- Hipótese de inaplicabilidade do princípio da consunção com o furto/roubo.
O delito de estelionato não será absorvido pelo de roubo na hipótese em que o agente, dias após roubar
um veículo e os objetos pessoais dos seus ocupantes, entre eles um talonário de cheques, visando obter
vantagem ilícita, preenche uma de suas folhas e, diretamente na agência bancária, tenta sacar a quantia
nela lançada. A falsificação da cártula não é mero exaurimento do crime antecedente. Isso porque há
diversidade de desígnios e de bens jurídicos lesados. Dessa forma, inaplicável o princípio da consunção.
STJ. 5ª Turma. HC 309.939-SP, Rel. Min. Newton Trisotto (Desembargador convocado do TJ-SC),
julgado em 28/4/2015 (Info 562).
§ 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz PODE APLICAR a pena conforme
o disposto no art. 155, § 2º (furto privilegiado).
- Substituição da pena de Reclusão p/ de Detenção;
- Diminuição da pena de 1/3 a 2/3; ou
- Aplicação somente da pena de Multa.
§ 2º - Nas mesmas penas INCORRE quem:
Disposição de coisa alheia como própria
I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria;
Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria
II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou
litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em prestações, silenciando
sobre qualquer dessas circunstâncias;
Defraudação de penhor
III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia,
quando tem a posse do objeto empenhado;
Fraude na entrega de coisa
IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém;
Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro
V - DESTRÓI, total ou parcialmente, ou OCULTA COISA PRÓPRIA, ou LESA O PRÓPRIO CORPO ou a
SAÚDE, ou agrava as conseqüênciasda lesão ou doença, COM O INTUITO DE HAVER indenização ou
valor de seguro;
Fraude no pagamento por meio de cheque
VI - EMITE CHEQUE, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o
pagamento.
- Súmula nº 246, STF: “Comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão de
cheque sem fundos.”
PONTOS IMPORTANTES
- Estelionato simples e emissão de cheque: configuram estelionato na forma fundamental (art. 171,
caput) as seguintes hipóteses: a) pagamento com cheque roubado; b) emissão de cheque de conta
cancelada; c) emissão de cheque sem fundos com nome falso ou assinatura falsa; d) emissão de cheque
de conta aberta com características pessoais falsas do correntista. Para configurar a modalidade
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específica de estelionato (§ 2°, VI), o cheque emitido se refere a conta corrente aberta
legitimamente.
- Pagamento de dívida (prejuízo passado) mediante emissão de cheque: emissão de cheque sem
fundos para pagamento de dívida não configura o delito, uma vez que o prejuízo é anterior à sua
emissão, ou seja, a emissão do cheque (fraude) não proporcionou nenhuma vantagem ao agente. Nesse
sentido: STJ, 6ª T., RHC 19314/CE, j. 22/03/2012.
- Cheque "pós-datado" ou "pré-datado": 1ª posição (predominante): não configura o crime, uma
vez que o cheque deixa de ser uma ordem de pagamento à vista, transformando-se em uma espécie de
garantia da dívida (STJ, HC 121628, j. 09/03/2010); 2° posição: não configura o delito na forma
prevista no art. 171, § 2°, inciso VI, mas, dependendo da intenção do agente e das circunstâncias,
pode configurar estelionato na forma fundamental (art. 171, caput). Nesse sentido: STJ, REsp 693.804, j.
15/03/2005.
- Endossante: o endosso não é emissão de cheque, de tal forma que o endossante não responde por
esta forma especial de estelionato, salvo na forma de partícipe.
- Ação Penal:
- Súmula nº 554, STF: "O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o
recebimento da denúncia, não obsta ao prosseguimento da ação penal."
Na verdade, após a consumação do delito, o pagamento deveria ser considerado como causa de
diminuição de pena (art. 16 do CP) e não como forma de obstar o prosseguimento da ação penal. A
Súmula 554 do STF somente incide na forma prevista no art. 171, § 2°, inciso VI, não se aplicando
ao estelionato simples (art. 171, caput). Obs.: O STJ já decidiu que a frustração no pagamento de
cheque pós-datado e de nota promissória, por si sós, não caracteriza a fraude para fins de estelionato.
Isso porque “A simples emissão de cheques e notas promissórias para fins de futuro pagamento, pelo
recebimento de mercadorias, decorrente da celebração de um contrato de compra e venda não é
suficiente para caracterizar a fraude, visto que era de conhecimento das partes envolvidas os atos que
estavam sendo realizados - venda de mercadorias e recebimento de títulos de crédito (cheque pós-
datado e nota promissória) - como promessa de pagamento" (STJ, 5ª T., REsp 1098792/RS, j.
03/09/2013).
- Competência: local da recusa do pagamento.
- Súmula nº 521, STF: “O foro competente para o processo e o julgamento dos crimes de estelionato,
sob a modalidade de emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos, é o do local onde se deu a
recusa do pagamento pelo sacado.”
- Súmula nº 244, STJ: “Compete ao foro do local da recusa processar e julgar o crime de estelionato
mediante cheque sem provisão de fundos.”
#NãoConfunda: no caso de uso de cheque na prática de estelionato simples (art. 171, caput), a
competência é do local da obtenção da vantagem ilícita.
- Súmula nº 48, STJ: “Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar
crime de estelionato cometido mediante falsificação de cheque.”
§ 3º - A pena AUMENTA-SE de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito
público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência. (ESTELIONATO
PREVIDENCIÁRIO)
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- Súmula nº 24, STJ: Aplica-se ao crime de estelionato, em que figure como vítima entidade autárquica
da Previdência Social, a qualificadora do § 3° do art. 171 do Código Penal.
- Súmula nº 107, STJ: “Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime de estelionato
praticado mediante falsificação das guias de recolhimento das contribuições previdenciárias, quando
não ocorrente lesão à autarquia federal.”
ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO (Art. 171, § 3º, CP)
Agente do Crime Classificação Qt. à Consumação Início do Prazo Prescricional
Quando praticado
pelo próprio
beneficiário
Permanente
(STF: HC 117.168/ES).
Dia em que cessar a permanência
(art. 111, III, do CP)
Quando praticado
por terceiro não
beneficiário
Instantâneo de Efeitos Permanentes
(STF: HC 112.095/MA)
Dia em que o crime se consumar
(art. 111, I, do CP)
Obs.: utilizar o cartão de benefício de outrem, após sua morte, para efetuar saques de valores
provenientes da Previdência Social → crime continuado (STJ).
Estelionato contra idoso
§ 4o APLICA-SE a pena em dobro se o crime for cometido contra idoso.
SÚMULAS SOBRE O ESTELIONATO
STF STJ
- Súmula nº 246, STF: “Comprovado não ter
havido fraude, não se configura o crime de emissão
de cheque sem fundos.”
- Súmula nº 521, STF: “O foro competente para o
processo e o julgamento dos crimes de estelionato,
sob a modalidade de emissão dolosa de cheque
sem provisão de fundos, é o do local onde se deu
a recusa do pagamento pelo sacado.”
- Súmula nº 554, STF: "O pagamento de cheque
emitido sem provisão de fundos, após o
recebimento da denúncia, não obsta ao
prosseguimento da ação penal."
- Súmula nº 17, STJ: “Quando o falso se exaure no
estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por
este absorvido.”
- Súmula nº 24, STJ: Aplica-se ao crime de
estelionato, em que figure como vítima entidade
autárquica da Previdência Social, a qualificadora
do § 3° do art. 171 do Código Penal.
- Súmula nº 48, STJ: “Compete ao juízo do local
da obtenção da vantagem ilícita processar e
julgar crime de estelionato cometido mediante
falsificação de cheque.”
- Súmula nº 73, STJ: “A utilização de papel moeda
grosseiramente falsificado configura, em tese, o
crime de estelionato, da competência da Justiça
Estadual.”
- Súmula nº 107, STJ: “Compete à Justiça Comum
Estadual processar e julgar crime de estelionato
praticado mediante falsificação das guias de
recolhimento das contribuições previdenciárias,
quando não ocorrente lesão à autarquia federal.”
- Súmula nº 244, STJ: “Compete ao foro do local
da recusa processar e julgar o crime de estelionato
mediante cheque sem provisão de fundos.”
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Duplicata simulada
Art. 172 - Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à mercadoria vendida, em
quantidade ou qualidade, ou ao serviço prestado.
Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, E multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrerá aquêle que falsificar ou adulterar a escrituração do Livro
de Registro de Duplicatas.
Obs.: Consuma-se com a simples colocação da duplicata em circulação, independentemente de prejuízo.
Configura o delito mesmo no caso de inexistência da venda de mercadoria ou de prestação de serviço.
STJ, 6ª T., RHC 16053/SP. j. 2/8/05; REsp 1.267.626-PR, j. 5/12/2013.
Abuso de incapazes
Art. 173 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, de necessidade, paixão ouinexperiência de menor, ou
da alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo qualquer deles à prática de ato suscetível de
produzir efeito jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, E multa.
Induzimento à especulação
Art. 174 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, da inexperiência ou da simplicidade ou inferioridade
mental de outrem, induzindo-o à prática de jogo ou aposta, ou à especulação com títulos ou mercadorias,
sabendo ou devendo saber que a operação é ruinosa:
Pena - reclusão, de um a três anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Fraude no comércio
Art. 175 - Enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou consumidor:
I - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada;
II - entregando uma mercadoria por outra:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a qualidade ou o peso de metal ou substituir, no mesmo
caso, pedra verdadeira por falsa ou por outra de menor valor; vender pedra falsa por verdadeira; vender,
como precioso, metal de ou outra qualidade:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 2º - É aplicável o disposto no art. 155, § 2º (furto privilegiado).
- Substituição da pena de Reclusão p/ de Detenção;
- Diminuição da pena de 1/3 a 2/3; ou
- Aplicação somente da pena de Multa.
Outras fraudes
Art. 176 - Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem
dispor de recursos para efetuar o pagamento:
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
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Parágrafo único - SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE REPRESENTAÇÃO, e o juiz pode, conforme as
circunstâncias, deixar de aplicar a pena (perdão judicial).
Fraudes e abusos na fundação ou administração de sociedade por ações
Art. 177 - Promover a fundação de sociedade por ações, fazendo, em prospecto ou em comunicação ao
público ou à assembléia, afirmação falsa sobre a constituição da sociedade, ou ocultando
fraudulentamente fato a ela relativo:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa, se o fato não constitui crime contra a economia popular.
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1º - Incorrem na mesma pena, se o fato não constitui crime contra a economia popular:
I - o diretor, o gerente ou o fiscal de sociedade por ações, que, em prospecto, relatório, parecer, balanço
ou comunicação ao público ou à assembléia, faz afirmação falsa sobre as condições econômicas da
sociedade, ou oculta fraudulentamente, no todo ou em parte, fato a elas relativo;
II - o diretor, o gerente ou o fiscal que promove, por qualquer artifício, falsa cotação das ações ou de
outros títulos da sociedade;
III - o diretor ou o gerente que toma empréstimo à sociedade ou usa, em proveito próprio ou de terceiro,
dos bens ou haveres sociais, sem prévia autorização da assembléia geral;
IV - o diretor ou o gerente que compra ou vende, por conta da sociedade, ações por ela emitidas, salvo
quando a lei o permite;
V - o diretor ou o gerente que, como garantia de crédito social, aceita em penhor ou em caução ações da
própria sociedade;
VI - o diretor ou o gerente que, na falta de balanço, em desacordo com este, ou mediante balanço falso,
distribui lucros ou dividendos fictícios;
VII - o diretor, o gerente ou o fiscal que, por interposta pessoa, ou conluiado com acionista, consegue a
aprovação de conta ou parecer;
VIII - o liquidante, nos casos dos ns. I, II, III, IV, V e VII;
IX - o representante da sociedade anônima estrangeira, autorizada a funcionar no País, que pratica os atos
mencionados nos ns. I e II, ou dá falsa informação ao Governo.
§ 2º - Incorre na pena de detenção, de seis meses a dois anos, e multa, o acionista que, a fim de obter
vantagem para si ou para outrem, negocia o voto nas deliberações de assembléia geral.
Emissão irregular de conhecimento de depósito ou "warrant"
Art. 178 - Emitir conhecimento de depósito ou warrant, em desacordo com disposição legal:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Fraude à execução
Art. 179 - Fraudar execução, alienando, desviando, destruindo ou danificando bens, ou simulando dívidas:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE QUEIXA.
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CAPÍTULO VII
DA RECEPTAÇÃO
Receptação
Art. 180 - Adquirir, RECEBER, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que
sabe ser produto de crime (1ª parte), ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte
(2ª parte):
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Crime parasitário, acessório ou delito de fusão, pois depende de delito anterior. Se a infração
anterior for contravenção não haverá receptação. O crime anterior não precisa ser contra o
patrimônio. Igualmente, é dispensável que haja sequer inquérito policial, bastando a prova da
origem criminosa. O STF já decidiu entendendo inexistir receptação de bem imóvel (RHC 58.329). É
admissível a receptação de receptação.
Receptação própria (art. 180, caput, 1ª parte) Receptação imprópria (art. 180, caput, 2ª parte)
Adquirir (ocorre a transmissão de propriedade),
receber (não ocorre transmissão da
propriedade), transportar (levar de um lugar
para outro), conduzir (dirigir algum meio de
locomoção) ou ocultar (esconder), em proveito
próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de
crime.
Influir para que terceiro de boa-fé a adquira, receba
ou oculte. Se o terceiro estiver de má-fé, será punido
como receptador próprio, caso em que o
influenciador será partícipe.
A receptação própria consuma-se quando o
agente pratica uma das condutas. Nas formas
aquisição e recebimento o crime é instantâneo.
Nas modalidades transportar, conduzir e ocultar
o crime é permanente.
A receptação imprópria consuma-se com a simples
influência idônea, independente de o terceiro
adquirir, receber ou ocultar (crime formal). A
tentativa não é admitida, por se tratar de crime
unissubsistente. Porém, há decisões no sentido de
se tratar de crime material, exigindo, assim, que o
terceiro pratique a conduta típica.
#NãoConfunda:
LAVAGEM DE DINHEIRO RECEPTAÇÃO
É crime contra a Ordem Econômico-financeira. É crime contra o Patrimônio.
Pode ser cometido pelo autor da infração
antecedente (autolavagem ou selflaundering).
Não pode ser cometido pelo autor da infração
antecedente.
Tem como objeto material bens móveis ou
imóveis, direitos ou valores provenientes, direta ou
indiretamente, de infração penal.
Tem como objeto apenas coisas móveis.
O elemento subjetivo está voltado à ocultação e
dissimulação da origem ilícita de bens, direitos ou
valores provenientes da infração penal.
O elemento subjetivo consiste na vontade livre
e consciente de adquirir, receber, transportar
ou ocultar a coisa, ou de influir para que
terceiro de boa-fé a adquira, receba ou oculte,
sem a intenção, todavia, de conferir
aparência lícita a esses bens.
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Receptação qualificada
§ 1º -Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar,
vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de
atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime:
Pena - reclusão, de três a oito anos, E multa.
§ 2º - EQUIPARA-SE À ATIVIDADE COMERCIAL, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma de
comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercício em residência.
§ 3º - ADQUIRIR ou RECEBER coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o
preço, ou pela condição de quem a oferece, DEVE PRESUMIR-SE OBTIDA POR MEIO CRIMINOSO:
(RECEPTAÇÃO CULPOSA)
Pena - detenção, de um mês a um ano, OU multa, ou AMBAS AS PENAS.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Único crime contra o patrimônio culposo;
- Tipo culposo fechado (exceção).
§ 4º - A receptação É PUNÍVEL, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que
proveio a coisa.
§ 5º - Na hipótese do § 3º (receptação culposa), se o criminoso é PRIMÁRIO, pode o juiz, tendo em
consideração as circunstâncias, DEIXAR DE APLICAR A PENA (perdão judicial). Na RECEPTAÇÃO
DOLOSA APLICA-SE o disposto no § 2º do art. 155 (furto privilegiado).
Receptação CULPOSA - Perdão judicial.
Receptação DOLOSA
- Substituição da pena de Reclusão p/ de Detenção;
- Diminuição da pena de 1/3 a 2/3; ou
- Aplicação somente da pena de Multa.
§ 6o Tratando-se de bens do patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de
autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa
concessionária de serviços públicos, aplica-se em dobro a pena prevista no CAPUT deste artigo.
Art. 180-A. Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito ou vender, COM A
FINALIDADE de produção ou de comercialização, semovente domesticável de produção, ainda que
abatido ou dividido em partes, que deve saber ser produto de crime:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, E multa.
CAPÍTULO VIII
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 181 - É ISENTO DE PENA quem comete qualquer dos crimes previstos neste título (Crimes contra
o Patrimônio), em prejuízo:(IMUNIDADE ABSOLUTA/ESCUSA ABSOLUTÓRIA)
I - do CÔNJUGE, na constância da sociedade conjugal;
II - de ASCENDENTE ou DESCENDENTE, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural.
Art. 182 - Somente se procede mediante REPRESENTAÇÃO, se o crime previsto neste título é
cometido em prejuízo:(IMUNIDADE RELATIVA)
I - do CÔNJUGE desquitado ou judicialmente separado;
II - de IRMÃO, legítimo ou ilegítimo;
III - de TIO ou SOBRINHO, com quem o agente coabita.
Art. 183 - NÃO SE APLICA o disposto nos dois artigos anteriores:
I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave ameaça ou
violência à pessoa;
II - ao estranho que participa do crime.
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101
III – se o crime é praticado contra pessoa com idade IGUAL ou SUPERIOR a 60 (sessenta) anos.
IMUNIDADES PATRIMONIAIS
IMUNIDADES ABSOLUTAS – ART 181 IMUNIDADES RELATIVAS – ART 182
Causa de Extinção da Punibilidade Condição de Procedibilidade da Ação
Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer
dos crimes previstos neste título, em prejuízo:
I - do cônjuge, na constância da sociedade
conjugal;
II - de ascendente ou descendente, seja o
parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou
natural.
Art. 182 - Somente se procede mediante
representação, se o crime previsto neste título é
cometido em prejuízo:
I - do cônjuge desquitado ou judicialmente
separado;
II - de irmão, legítimo ou ilegítimo;
III - de tio ou sobrinho, com quem o agente
coabita.
EXCLUDENTES DAS IMUNIDADES
Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores:
I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave ameaça ou
violência à pessoa;
II - ao estranho que participa do crime.
III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.
TÍTULO III
DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL
CAPÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE INTELECTUAL
Violação de direito autoral
Art. 184. VIOLAR direitos de autor e os que lhe são conexos:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1o Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por
qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização
expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os
represente:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, E multa.
§ 2o Na mesma pena do § 1o incorre quem, com o intuito de lucro direto ou indireto, distribui, vende,
expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra
intelectual ou fonograma reproduzido com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou
executante ou do direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual
ou fonograma, sem a expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente.
§ 3o Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou
qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para recebê-la em
um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda, com intuito de lucro, direto
ou indireto, sem autorização expressa, conforme o caso, do autor, do artista intérprete ou executante, do
produtor de fonograma, ou de quem os represente:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, E multa.
§ 4o O disposto nos §§ 1o, 2o e 3o NÃO SE APLICA quando se tratar de exceção ou limitação ao direito de
autor ou os que lhe são conexos, em conformidade com o previsto na Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de
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1998, nem a cópia de obra intelectual ou fonograma, em um só exemplar, para uso privado do copista,
sem intuito de lucro direto ou indireto.
- Súmula nº 502, STJ: “Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime
previsto no artigo 184, parágrafo 2º, do Código Penal, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas.”
- Súmula nº 574, STJ: “Para a configuração do delito de violação de direito autoral e a comprovação
de sua materialidade, é suficiente a perícia realizada por amostragem do produto apreendido, nos
aspectos externos do material, e é desnecessária a identificação dos titulares dos direitos autorais
violados ou daqueles que os representem.”
Art. 186. Procede-se mediante:
I – QUEIXA, nos crimes previstos no caput do art. 184;
II – ação penal pública incondicionada, nos crimes previstos nos §§ 1o e 2o do art. 184;
III – ação penal pública incondicionada, nos crimes cometidos em desfavor de entidades de direito
público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo
Poder Público;
IV – ação penal pública condicionada à representação, nos crimes previstos no § 3o do art. 184.
TÍTULO IV
DOS CRIMES CONTRA
A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO
Obs.: todos os crimes são dolosos.
Atentado contra a liberdade de trabalho
Art. 197 - CONSTRANGER ALGUÉM, mediante violência ou grave ameaça:
I - a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalharou não trabalhar durante
certo período ou em determinados dias:
Pena - detenção, de um mês a um ano, E multa, além da pena correspondente à violência;
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
II - a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou paralisação de
atividade econômica:
Pena - detenção, de três meses a um ano, E multa, além da pena correspondente à violência.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta
Art. 198 - CONSTRANGER ALGUÉM, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato de
trabalho, ou a não fornecer a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial
ou agrícola:
Pena - detenção, de um mês a um ano, E multa, além da pena correspondente à violência.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Atentado contra a liberdade de associação
Art. 199 - CONSTRANGER ALGUÉM, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou deixar de
participar de determinado sindicato ou associação profissional:
Pena - detenção, de um mês a um ano, E multa, além da pena correspondente à violência.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
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Paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem
Art. 200 - Participar de suspensão (obs.: paralisão realizada pelos empregadores = “lockout”) ou
abandono coletivo de trabalho (obs.: paralisão promovida pelos empregados = “greve”), praticando
violência contra pessoa ou contra coisa:
Pena - detenção, de um mês a um ano, E multa, além da pena correspondente à violência.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - Para que se considere coletivo o abandono de trabalho é indispensável o concurso
de, pelo menos, três empregados.
Paralisação de trabalho de interesse coletivo
Art. 201 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a interrupção de obra
pública ou serviço de interesse coletivo:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, E multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Sabotagem
Art. 202 - Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com o intuito de impedir
ou embaraçar o curso normal do trabalho, ou com o mesmo fim danificar o estabelecimento ou as
coisas nele existentes ou delas dispor:
Pena - reclusão, de um a três anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Frustração de direito assegurado por lei trabalhista
Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação do trabalho:
Pena - detenção de um ano a dois anos, E multa, além da pena correspondente à violência.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1º Na mesma pena incorre quem:
I - obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento, para impossibilitar o
desligamento do serviço em virtude de dívida;
II - impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação ou por meio da
retenção de seus documentos pessoais ou contratuais.
§ 2º A pena é AUMENTADA de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa,
gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental.
Frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho
Art. 204 - Frustrar, mediante fraude ou violência, obrigação legal relativa à nacionalização do trabalho:
Pena - detenção, de um mês a um ano, E multa, além da pena correspondente à violência.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Exercício de atividade com infração de decisão administrativa
Art. 205 - Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, OU multa.
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- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Aliciamento para o fim de emigração
Art. 206 - Recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para território estrangeiro.
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional
Art. 207 - Aliciar trabalhadores (Obs.: recrutar somente um trabalhador é considerado fato atípico),
com o fim de levá-los de uma para outra localidade do território nacional:
Pena - detenção de um a três anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1º Incorre na mesma pena quem recrutar trabalhadores fora da localidade de execução do trabalho,
dentro do território nacional, mediante fraude ou cobrança de qualquer quantia do trabalhador, ou, ainda,
não assegurar condições do seu retorno ao local de origem.
§ 2º A pena é AUMENTADA de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa,
gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental.
COMPETÊNCIA: Os crimes contra a organização do trabalho previstos neste Título IV do CP serão
sempre julgados pela Justiça Federal?
R: NÃO. Segundo entende o STJ, os “crimes contra a organização do trabalho” (arts. 197 a 207 do CP)
somente serão de competência da Justiça Federal quando ficar demonstrado, no caso concreto, que o
delito provocou lesão à:
- direito dos trabalhadores coletivamente considerados; ou
- organização geral do trabalho.
OBS: Tanto o STJ quanto o STF consideram que, se atingido interesse individual do trabalhador, a
competência para processo e julgamento é dos ESTADOS".
TÍTULO V
DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO
RELIGIOSO E CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS
CAPÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO
Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo
Art. 208 - ESCARNECER de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; IMPEDIR ou
PERTURBAR cerimônia ou prática de culto religioso; VILIPENDIAR publicamente ato ou objeto de culto
religioso:
Pena - detenção, de um mês a um ano, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é AUMENTADA de um terço, sem prejuízo da
correspondente à violência.
CAPÍTULO II
DOS CRIMES CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS
Impedimento ou perturbação de cerimônia funerária
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Art. 209 - IMPEDIR ou PERTURBAR enterro ou cerimônia funerária:
Pena - detenção, de um mês a um ano, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é AUMENTADA de um terço, sem prejuízo da
correspondente à violência.
Violação de sepultura
Art. 210 - VIOLAR ou PROFANAR sepultura ou urna funerária:
Pena - reclusão, de um a três anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Destruição, subtração ou ocultação de cadáver
Art. 211 - DESTRUIR, SUBTRAIR ou OCULTAR cadáver ou parte dele:
Pena - reclusão, de um a três anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Vilipêndio a cadáver
Art. 212 - VILIPENDIAR cadáver ou suas cinzas:
Pena - detenção, de um a três anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
TÍTULOVI
DOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL
CAPÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL
Estupro
Art. 213. CONSTRANGER alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter CONJUNÇÃO CARNAL
ou a PRATICAR ou PERMITIR que com ele se pratique OUTRO ATO LIBIDINOSO:
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
§ 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou
maior de 14 (catorze) anos:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.
§ 2o Se da conduta resulta morte:
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
#INFO
- Legitimidade ativa do Ministério Público e crime de estupro sem lesão corporal.
A Súmula 608 do STF prevê que “no crime de estupro, praticado mediante violência real, a ação penal é
pública incondicionada.”
O entendimento dessa súmula pode ser aplicado independentemente da existência da ocorrência de
lesões corporais nas vítimas de estupro. A violência real se caracteriza não apenas nas situações em que
se verificam lesões corporais, mas sempre que é empregada força física contra a vítima, cerceando-lhe
a liberdade de agir segundo a sua vontade.
Assim, se os atos foram praticados sob grave ameaça, com imobilização de vítimas, uso de força física
e, em alguns casos, com mulheres sedadas, trata-se de crime de estupro que se enquadra na Súmula
608 do STF e que, portanto, a ação é pública incondicionada.
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STF. 2ª Turma. RHC 117978, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 05/06/2018 (Info 905).
- Em caso de estupro praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada.
A Súmula 608 do STF permanece válida mesmo após o advento da Lei nº 12.015/2009.
Assim, em caso de estupro praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada
mesmo após a Lei nº 12.015/2009.
STF. 1ª Turma. HC 125360/RJ, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 27/2/2018 (Info 892).
- Aumento de pena no máximo pela continuidade delitiva em crime sexual.
No caso de crime continuado, o art. 71 do CP prevê que o juiz deverá aplicar a pena de um só dos
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de 1/6 a 2/3. O STJ
entende que, em regra, a escolha da quantidade de aumento de pena deve levar em consideração o
número de infrações praticadas pelo agente. Porém, nem sempre será fácil trazer para os autos o número
exato de crimes que foram praticados, especialmente quando se trata de delitos sexuais. É o caso, por
exemplo, de um padrasto que mora há meses ou anos com a sua enteada e contra ela pratica
constantemente estupro de vulnerável. Nessas hipóteses, mesmo não havendo a informação do número
exato de crimes que foram cometidos, o juiz poderá aumentar a pena acima de 1/6 e, dependendo do
período de tempo, até chegar ao patamar máximo. Assim, constatando-se a ocorrência de diversos
crimes sexuais durante longo período de tempo, é possível o aumento da pena pela continuidade
delitiva no patamar máximo de 2/3 (art. 71 do CP), ainda que sem a quantificação exata do número de
eventos criminosos.
STJ. 5ª Turma. HC 311.146-SP, Rel. Min. Newton Trisotto (Desembargador convocado do TJ-SC),
julgado em 17/3/2015 (Info 559).
- Estupro (art. 213) e a Lei 12.015/2009.
O estupro (art. 213 do CP), com redação dada pela Lei 12.015/09, é tipo penal misto alternativo. Logo,
se o agente, no mesmo contexto fático, pratica conjunção carnal e outro ato libidinoso contra uma só
vítima, pratica um só crime do art. 213 do CP. A Lei 12.015/09, ao revogar o art. 214 do CP, não promoveu
a descriminalização do atentado violento ao puder (não houve abolitio criminis). Ocorreu, no caso, a
continuidade normativo-típica, considerando que a nova Lei inseriu a mesma conduta no art. 213.
Houve, então, apenas uma mudança no local onde o delito era previsto, mantendo-se, contudo, a
previsão de que essa conduta se trata de crime. É possível aplicar retroativamente a Lei 12.015/09 para
o agente que praticou estupro e atentado violento ao pudor, no mesmo contexto fático e contra a
mesma vítima, e que havia sido condenado pelos dois crimes (arts. 213 e 214) em concurso. Segundo
entende o STJ, como a Lei 12.015/09 unificou os crimes de estupro e atentado violento ao pudor em um
mesmo tipo penal, deve ser reconhecida a existência de crime único na conduta do agente, caso as
condutas tenham sido praticadas contra a mesma vítima e no mesmo contexto fático, devendo-se aplicar
essa orientação aos delitos cometidos antes da vigência da Lei 12.015/2009, em face do princípio da
retroatividade da lei penal mais benéfica.
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1262650/RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 05/08/2014.
STJ. 6ª Turma. HC 212.305/DF, Rel. Min. Marilza Maynard (Des. Conv. TJ/SE), julgado em
24/04/2014 (Info 543).
Violação sexual mediante fraude
Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, MEDIANTE FRAUDE ou
OUTRO MEIO QUE IMPEÇA OU DIFICULTE A LIVRE MANIFESTAÇÃO DE VONTADE DA VÍTIMA:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.
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Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também
multa.
Importunação sexual (Lei nº 13.718/2018)
Art. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a
própria lascívia ou a de terceiro: (Lei nº 13.718/2018)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o ato não constitui crime mais grave. (Lei nº 13.718/2018)
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Ocorreu a revogação do art. 61 da Lei de contravenções penais;
- Não se pode falar em abolitio criminis, relativa à contravenção, mas em princípio da continuidade
normativo-típica, pois o art. 61 da lei de contravenções penais foi formalmente revogado, mas seu
conteúdo migrou para o art. 215-A do CP.
Assédio sexual
Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual,
prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao
exercício de emprego, cargo ou função.
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 2o A pena é AUMENTADA em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos.
CAPÍTULO I-A
DA EXPOSIÇÃO DA INTIMIDADE SEXUAL (Lei nº 13.772/2018)
Registro não autorizado da intimidade sexual
Art. 216-B. Produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou
ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado SEM AUTORIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES: (Lei
nº 13.772/2018)
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, E multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Novatio Legis Incriminadora (não retroage).
Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem realiza montagem em fotografia, vídeo, áudio ou
qualquer outro registro com o fim de incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de
caráter íntimo. (Lei nº 13.772/2018)
CAPÍTULO II
DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL
Estupro de vulnerável
Art. 217-A. Ter CONJUNÇÃO CARNAL ou Praticar OUTRO ATO LIBIDINOSO com menor de 14
(catorze) anos:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por
enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou
que, por qualqueroutra causa, não pode oferecer resistência.
§ 3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos.
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§ 4o Se da conduta resulta morte:
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
§ 5º As penas previstas no caput e nos §§ 1º, 3º e 4º deste artigo aplicam-se INDEPENDENTEMENTE
do consentimento da vítima ou do fato de ela ter mantido relações sexuais anteriormente ao crime.
(Lei nº 13.718/2018)
- Súmula nº 593, STJ: “O crime de estupro de vulnerável se configura com a conjunção carnal ou prática
de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante eventual consentimento da vítima para a
prática do ato, sua experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o agente.”
#INFO
- Passar as mãos nas coxas e seios da vítima.
O agente que passa as mãos nas coxas e seios da vítima menor de 14 anos, por dentro de sua roupa,
pratica, em tese, o crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do CP). Não importa que não tenha havido
penetração vaginal (conjunção carnal).
STF. 1ª Turma. RHC 133121/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/o acórdão Min. Edson Fachin
julgado em 30/8/2016 (Info 837).
- Contato físico entre autor e vítima não é indispensável para configurar o delito.
A conduta de contemplar lascivamente, sem contato físico, mediante pagamento, menor de 14 anos
desnuda em motel pode permitir a deflagração da ação penal para a apuração do delito de estupro de
vulnerável. Segundo a posição majoritária na doutrina, a simples contemplação lasciva já configura o
“ato libidinoso” descrito nos arts. 213 e 217-A do Código Penal, sendo irrelevante, para a consumação
dos delitos, que haja contato físico entre ofensor e ofendido.
STJ. 5ª Turma. RHC 70.976-MS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 2/8/2016 (Info 587).
- Atentado violento ao pudor mediante violência presumida (antes da Lei 12.015/2009). Praticar
conjunção carnal ou qualquer outro ato libidinoso contra menor de 14 anos é crime. Antes da Lei
12.015/09, tais condutas poderiam se enquadrar nos crimes previstos no art. 213 c/c art. 224, “a” (estupro
com violência presumida por ser menor de 14 anos) ou art. 214 c/c art. 224, “a” (atentado violento ao
pudor com violência presumida por ser menor de 14 anos). Depois da Lei 12.015/09, essa conduta é
criminalizada como estupro de vulnerável (art. 217-A do CP). Se o agente pratica conjunção carnal ou
atentado violento ao pudor com um adolescente de 13 anos, existe crime mesmo que a vítima consinta
com o ato sexual? Mesmo que a vítima e o adulto sejam namorados? Mesmo que a vítima já tenha tido
outras experiências sexuais? SIM. Antes ou depois da Lei 12.015/2009, quem manteve ou mantiver
relação sexual com menor de 14 anos comete crime e não importa se a vítima consentiu, se mantinham
relacionamentos ou se a vítima já tinha tido outros atos sexuais pretéritos. O STJ em sede de recurso
repetitivo fixou a seguinte tese: "Para a caracterização do crime de estupro de vulnerável previsto no art.
217-A, caput, do Código Penal, basta que o agente tenha conjunção carnal ou pratique qualquer ato
libidinoso com pessoa menor de 14 anos. O consentimento da vítima, sua eventual experiência sexual
anterior ou a existência de relacionamento amoroso entre o agente e a vítima não afastam a ocorrência
do crime."
STJ. 3ª Seção. REsp 1.480.881-PI, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, j. em 26/8/2015 (recurso
repetitivo) (Info 568).
Corrupção de menores
Art. 218. INDUZIR alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de OUTREM:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.
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Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente
Art. 218-A. PRATICAR, na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos, ou INDUZI-LO A
PRESENCIAR, conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia PRÓPRIA ou de
OUTREM:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos.
Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente
ou de vulnerável.
Art. 218-B. SUBMETER, INDUZIR ou ATRAIR à prostituição ou outra forma de exploração sexual
alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o
necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos.
§ 1o Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa.
§ 2o Incorre nas mesmas penas:
I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior
de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo;
#INFO
- Art. 218-B do CP.
O cliente que conscientemente se serve da prostituição de adolescente, com ele praticando conjunção
carnal ou outro ato libidinoso, incorre no tipo previsto no inciso I do § 2º do art. 218-B do CP
(favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de
vulnerável), ainda que a vítima seja atuante na prostituição e que a relação sexual tenha sido eventual,
sem habitualidade.
STJ. 6ª Turma. HC 288.374-AM, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 5/6/2014 (Info 543).
II - o PROPRIETÁRIO, o GERENTE ou o RESPONSÁVEL PELO LOCAL em que se verifiquem as práticas
referidas no caput deste artigo.
§ 3o Na hipótese do inciso II do § 2o, constitui EFEITO OBRIGATÓRIO DA CONDENAÇÃO a cassação
da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento.
Divulgação de cena de estupro ou de cena de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de
pornografia (Lei nº 13.718/2018)
Art. 218-C. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou
divulgar, por qualquer meio - inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática
ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de
estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da
vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia: (Lei nº 13.718/2018)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o fato não constitui crime mais grave. (Lei nº
13.718/2018)
- Cabe suspensão condicional do processo.
Aumento de pena (Lei nº 13.718/2018)
§ 1º A pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se o crime é praticado por agente
que mantém ou tenha mantido RELAÇÃO ÍNTIMA DE AFETO com a vítima ou com o fim de vingança
ou humilhação. (Lei nº 13.718/2018)
Exclusão de ilicitude (Lei nº 13.718/2018)
§ 2º NÃO HÁ CRIME quando o agente pratica as condutas descritas no caput deste artigo em publicação
de natureza jornalística, científica, cultural ou acadêmica com a adoção de recurso que impossibilite
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a identificação da vítima, ressalvada sua prévia autorização, caso seja maior de 18 (dezoito) anos. (Lei
nº 13.718/2018)
CAPÍTULO IV
DISPOSIÇÕES GERAIS
Ação penal
Art. 225. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-se mediante AÇÃO PENAL
PÚBLICA INCONDICIONADA. (Lei nº 13.718/2018)
Aumento de pena
Art. 226. A pena É AUMENTADA:
I – de quarta parte, se o crime é cometido com o concurso de 2 (duas) ou mais pessoas;
II - de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro,
tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade
sobre ela;(Lei nº 13.718/2018)
IV - de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado: (Lei nº 13.718/2018)
Estupro coletivo (Lei nº 13.718/2018)
a) mediante concurso de 2 (dois) ou mais agentes; (Lei nº 13.718/2018)
Estupro corretivo (Lei nº 13.718/2018)
b) para controlar o comportamento social ou sexual da vítima. (Lei nº 13.718/2018)
CAPÍTULO V
DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOA PARA FIM DE
PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE
EXPLORAÇÃO SEXUAL
Mediação para servir a lascívia de outrem
Art. 227 - INDUZIR alguém a satisfazer a lascívia de outrem:
Pena - reclusão, de um a três anos.
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1o Se a vítima é maior de 14 (catorze) e menor de 18 (dezoito) anos, ou se o agente é seu ascendente,
descendente, cônjuge ou companheiro, irmão, tutor ou curador ou pessoa a quem esteja confiada
para fins de educação, de tratamento ou de guarda:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos.
§ 2º - Se o crime é cometido com emprego de violência, grave ameaça ou fraude:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, além da pena correspondente à violência.
§ 3º - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa.
Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual
Art. 228. INDUZIR ou ATRAIR alguém à prostituição ou outra forma de exploração sexual, facilitá-la,
impedir ou dificultar que alguém a abandone:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, E multa.
§ 1o Se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou
curador, preceptor ou empregador da vítima, ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de
cuidado, proteção ou vigilância:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos.
§ 2º - Se o crime, é cometido com emprego de violência, grave ameaça ou fraude:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, além da pena correspondente à violência.
§ 3º - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa.
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Casa de prostituição
Art. 229. MANTER, por conta própria ou de terceiro, estabelecimento em que ocorra exploração
sexual, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, E multa.
#INFO
- Casa de Prostituição – Somente ocorre o delito do art. 229 do CP se houver exploração sexual,
ou seja, violação à dignidade sexual.
Não se tratando de estabelecimento voltado exclusivamente para a prática de mercancia sexual,
tampouco havendo notícia de envolvimento de menores de idade, nem comprovação de que o réu
tirava proveito, auferindo lucros da atividade sexual alheia mediante ameaça, coerção, violência ou
qualquer outra forma de violação ou tolhimento à liberdade das pessoas, não há falar em fato típico a
ser punido na seara penal. Não se trata do crime do art. 229 do CP.
Mesmo após as alterações legislativas introduzidas pela Lei nº 12.015/2009, a conduta consistente em
manter “Casa de Prostituição” segue sendo crime tipificado no art. 229 do Código Penal. Todavia, com
a novel legislação, passou-se a exigir a “exploração sexual” como elemento normativo do tipo, de modo
que a conduta consistente em manter casa para fins libidinosos, por si só, não mais caracteriza crime,
sendo necessário, para a configuração do delito, que haja exploração sexual, assim entendida como a
violação à liberdade das pessoas que ali exercem a mercancia carnal.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.683.375-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 14/08/2018
(Info 631).
Rufianismo
Art. 230 - TIRAR PROVEITO da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros ou fazendo-
se sustentar, no todo ou em parte, por quem a exerça:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1o Se a vítima é menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos ou se o crime é cometido por
ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador,
preceptor ou empregador da vítima, ou por quem assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de
cuidado, proteção ou vigilância:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, E multa.
§ 2o Se o crime é cometido mediante violência, grave ameaça, fraude ou outro meio que impeça ou
dificulte a livre manifestação da vontade da vítima:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, sem prejuízo da pena correspondente à violência.
Art. 232-A. PROMOVER, por qualquer meio, com o fim de obter vantagem econômica, a ENTRADA
ILEGAL de estrangeiro em território nacional ou de brasileiro em país estrangeiro:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, E multa.
§ 1o Na mesma pena incorre quem PROMOVER, por qualquer meio, com o fim de obter vantagem
econômica, a saída de estrangeiro do território nacional para ingressar ilegalmente em país
estrangeiro.
§ 2o A pena é AUMENTADA de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço) se:
I - o crime é cometido com violência; ou
II - a vítima é submetida a condição desumana ou degradante.
§ 3o A pena prevista para o crime será aplicada sem prejuízo das correspondentes às infrações
conexas.
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CAPÍTULO VI
DO ULTRAJE PÚBLICO AO PUDOR
Ato obsceno
Art. 233 - Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público:
Pena - detenção, de três meses a um ano, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Escrito ou objeto obsceno
Art. 234 - Fazer, importar, exportar, adquirir ou ter sob sua guarda, para fim de comércio, de distribuição
ou de exposição pública, escrito, desenho, pintura, estampa ou qualquer objeto obsceno:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - Incorre na mesma pena quem:
I - vende, distribui ou expõe à venda ou ao público qualquer dos objetos referidos neste artigo;
II - realiza, em lugar público ou acessível ao público, representação teatral, ou exibição cinematográfica de
caráter obsceno, ou qualquer outro espetáculo, que tenha o mesmo caráter;
III - realiza, em lugar público ou acessível ao público, ou pelo rádio, audição ou recitação de caráter
obsceno.
CAPÍTULO VII
DISPOSIÇÕES GERAIS
Aumento de pena
Art. 234-A. Nos crimes previstos neste Título a pena é AUMENTADA:
III - de metade a 2/3 (dois terços), se do crime resulta gravidez; (Lei nº 13.718/2018)
IV - de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o agente transmite à vítima doença sexualmente
transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador, ou se a vítima é idosa ou pessoa com
deficiência. (Lei nº 13.718/2018)
Art. 234-B. Os processos em que se apuram crimes definidos neste Título correrão em segredo de
justiça.
TÍTULO VII
DOS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA
Obs.: Os crimes contra a família são, em sua maioria crimes de perigo, já que o dano, aí, funcionará,
muitas vezes, apenas como elemento qualificador do delito.
CAPÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA O CASAMENTO
Bigamia
Art. 235 - Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
§ 1º - Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada, conhecendo essa
circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de um a três anos.
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 2º - ANULADO por qualquer motivo o PRIMEIRO CASAMENTO, ou o outro por motivo que NÃO A
BIGAMIA, considera-se INEXISTENTE o crime.
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113Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento
Art. 236 - Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe
impedimento QUE NÃO SEJA CASAMENTO ANTERIOR:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - A AÇÃO PENAL DEPENDE DE QUEIXA do contraente enganado e não pode ser
intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento,
anule o casamento.
Obs.: Ação penal priva personalíssima (único crime no ordenamento jurídico);
Ação penal privada personalíssima: É aquela que somente pode ser oferecida pelo próprio ofendido,
não permitindo representação, nem mesmo substituição nas hipóteses de morte e de ausência. Depois
da abolição do crime de adultério, restou apenas um delito que comporta essa natureza: induzimento a
erro essencial ou ocultação de impedimento (art. 236, do CP).
Conhecimento prévio de impedimento
Art. 237 - Contrair casamento, conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade
absoluta:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Simulação de autoridade para celebração de casamento
Art. 238 - Atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento:
Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não constitui crime mais grave.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Simulação de casamento
Art. 239 - Simular casamento mediante engano de outra pessoa:
Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não constitui ELEMENTO de crime mais grave.
- Cabe suspensão condicional do processo.
CAPÍTULO II
DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO
Registro de nascimento inexistente
Art. 241 - Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
Parto suposto. Supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido
Art. 242 - Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho de outrem; ocultar recém-
nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
Parágrafo único - Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza:
Pena - detenção, de um a dois anos, podendo o juiz deixar de aplicar a pena.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
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Sonegação de estado de filiação
Art. 243 - Deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência filho próprio ou alheio,
ocultando-lhe a filiação ou atribuindo-lhe outra, com o fim de prejudicar direito inerente ao estado
civil:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
CAPÍTULO III
DOS CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR
Abandono material
Art. 244. Deixar, sem justa causa, de PROVER A SUBSISTÊNCIA do cônjuge, ou de filho menor de 18
(dezoito) anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos,
não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia
judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, DE SOCORRER descendente ou
ascendente, gravemente enfermo:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de uma a dez vezes o maior salário mínimo
vigente no País.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - Nas mesmas penas incide quem, sendo solvente, frustra ou ilide, de qualquer
modo, inclusive por abandono injustificado de emprego ou função, o pagamento de pensão
alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada.
Entrega de filho menor a pessoa inidônea
Art. 245 - Entregar filho menor de 18 (dezoito) anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber
que o menor fica MORAL OU MATERIALMENTE EM PERIGO:
Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1º - A pena é de 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão, se o agente pratica delito para obter lucro,
ou se o menor é enviado para o exterior.
§ 2º - Incorre, também, na pena do parágrafo anterior quem, embora excluído o perigo moral ou
material, auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior, com o fito de
obter lucro.
Abandono intelectual
Art. 246 - Deixar, sem justa causa, de PROVER À INSTRUÇÃO PRIMÁRIA de filho em idade escolar:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Art. 247 - Permitir alguém que menor de dezoito anos, sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou
vigilância:
I - freqüente casa de jogo ou mal-afamada, ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida;
II - freqüente espetáculo capaz de pervertê-lo ou de ofender-lhe o pudor, ou participe de representação
de igual natureza;
III - resida ou trabalhe em casa de prostituição;
IV - mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração pública:
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Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
CAPÍTULO IV
DOS CRIMES CONTRA O
PÁTRIO PODER, TUTELA CURATELA
Induzimento a fuga, entrega arbitrária ou sonegação de incapazes
Art. 248 - Induzir menor de dezoito anos, ou interdito, a fugir do lugar em que se acha por determinação
de quem sobre ele exerce autoridade, em virtude de lei ou de ordem judicial; confiar a outrem sem ordem
do pai, do tutor ou do curador algum menor de dezoito anos ou interdito, ou deixar, sem justa causa, de
entregá-lo a quem legitimamente o reclame:
Pena - detenção, de um mês a um ano, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Subtração de incapazes
Art. 249 - SUBTRAIR menor de dezoito anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda
em virtude de lei ou de ordem judicial:
Pena - detenção, de dois meses a dois anos, se o fato não constitui elemento de outro crime.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1º - O fato de ser o agente pai ou tutor do menor ou curador do interdito não o exime de pena, se
destituído ou temporariamente privado do pátrio poder, tutela, curatela ou guarda.
§ 2º - No caso de restituição do menor ou do interdito, se este não sofreu maus-tratos ou privações,
o juiz pode deixar de aplicar pena.
TÍTULO VIII
DOS CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA
CAPÍTULO I
DOS CRIMES DE PERIGO COMUM
Incêndio
Art. 250 - Causar incêndio, EXPONDO A PERIGO a vida, a integridade física ou o patrimônio de
outrem:
Pena - reclusão, de três a seis anos, E multa.
Aumento de pena
§ 1º - As penas AUMENTAM-SE de um terço:
I - se o crime é cometido com intuito de obter vantagem pecuniária em proveito próprio ou alheio;
II - se o incêndio é:
a) em casa habitada ou destinada a habitação;
b) em edifício público ou destinado a uso público ou a obra de assistência social ou de cultura;
c) em embarcação, aeronave, comboio ou veículo de transporte coletivo;
d) em estação ferroviária ou aeródromo;
e) em estaleiro, fábrica ou oficina;
f) em depósito de explosivo, combustível ou inflamável;
g) em poço petrolífico ou galeria de mineração;
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h) em lavoura, pastagem, mata ou floresta.
Incêndio culposo§ 2º - SE CULPOSO o incêndio, é pena de detenção, de seis meses a dois anos.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Explosão
Art. 251 - EXPOR A PERIGO a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante
explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos
análogos:
Pena - reclusão, de três a seis anos, E multa.
§ 1º - Se a substância utilizada NÃO É dinamite ou explosivo de efeitos análogos:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Aumento de pena
§ 2º - As penas AUMENTAM-SE de um terço, se ocorre qualquer das hipóteses previstas no § 1º, I, do
artigo anterior, ou é visada ou atingida qualquer das coisas enumeradas no nº II do mesmo
parágrafo (causas de aumento do incêndio).
Modalidade culposa
§ 3º - No caso DE CULPA, se a explosão é de dinamite ou substância de efeitos análogos, a pena é de
detenção, de seis meses a dois anos; nos demais casos, é de detenção, de três meses a um ano.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Uso de gás tóxico ou asfixiante
Art. 252 - EXPOR A PERIGO a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, usando de gás
tóxico ou asfixiante:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Modalidade Culposa
Parágrafo único - Se o crime É CULPOSO:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Fabrico, fornecimento, aquisição posse ou transporte de explosivos ou gás tóxico, ou asfixiante
Art. 253 - Fabricar, fornecer, adquirir, possuir ou transportar, sem licença da autoridade, substância ou
engenho explosivo, gás tóxico ou asfixiante, ou material destinado à sua fabricação:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, E multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Inundação
Art. 254 - Causar inundação, EXPONDO A PERIGO a vida, a integridade física ou o patrimônio de
outrem:
Pena - reclusão, de três a seis anos, E multa, no caso de DOLO, ou detenção, de seis meses a dois
anos, no caso de CULPA.
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Quanto à modalidade culposa:
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Perigo de inundação
Art. 255 - Remover, destruir ou inutilizar, em prédio próprio ou alheio, EXPONDO A PERIGO a vida, a
integridade física ou o patrimônio de outrem, obstáculo natural ou obra destinada a impedir
inundação:
Pena - reclusão, de um a três anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Desabamento ou desmoronamento
Art. 256 - Causar desabamento ou desmoronamento, EXPONDO A PERIGO a vida, a integridade física
ou o patrimônio de outrem:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Modalidade culposa
Parágrafo único - Se o crime É CULPOSO:
Pena - detenção, de seis meses a um ano.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Subtração, ocultação ou inutilização de material de salvamento
Art. 257 - Subtrair, ocultar ou inutilizar, por ocasião de incêndio, inundação, naufrágio, ou outro
desastre ou calamidade, aparelho, material ou qualquer meio destinado a serviço de combate ao
perigo, de socorro ou salvamento; ou impedir ou dificultar serviço de tal natureza:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, E multa.
Formas qualificadas de crime de perigo comum
Art. 258 - Se do CRIME DOLOSO de perigo comum resulta lesão corporal de natureza grave, a pena
privativa de liberdade é AUMENTADA de metade; se resulta morte, é aplicada em dobro. No caso de
CULPA, se do fato resulta lesão corporal, a pena AUMENTA-SE de metade; se resulta morte, aplica-se
a pena cominada ao homicídio culposo (detenção, de um a três anos), AUMENTADA de um terço.
Obs.: Causas de aumento de pena nos crimes CULPOSOS de perigo comum (2ª parte do art. 258 do
CP): Verifica-se que tal dispositivo somente valerá para os crimes de perigo comum culposos, quais
sejam: incêndio (art. 250, § 2º); explosão (art. 251, § 3º); uso de gás tóxico ou asfixiante (art. 252, § único);
inundação (art. 254) e desabamento ou desmoronamento (art. 256, § único).
Difusão de doença ou praga
Art. 259 - DIFUNDIR doença ou praga que possa causar dano a floresta, plantação ou animais de
utilidade econômica:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, E multa.
Modalidade culposa
Parágrafo único - No caso DE CULPA, a pena é de detenção, de um a seis meses, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
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CAPÍTULO II
DOS CRIMES CONTRA A
SEGURANÇA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
E TRANSPORTE E OUTROS SERVIÇOS PÚBLICOS
Perigo de desastre ferroviário
Art. 260 - Impedir ou perturbar serviço de estrada de ferro:
I - destruindo, danificando ou desarranjando, total ou parcialmente, linha férrea, material rodante ou de
tração, obra-de-arte ou instalação;
II - colocando obstáculo na linha;
III - transmitindo falso aviso acerca do movimento dos veículos ou interrompendo ou embaraçando o
funcionamento de telégrafo, telefone ou radiotelegrafia;
IV - praticando outro ato de que possa resultar desastre:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, E multa.
Desastre ferroviário
§ 1º - Se do fato resulta desastre:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos e multa.
§ 2º - No caso de culpa, ocorrendo desastre:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
§ 3º - Para os efeitos deste artigo, entende-se por estrada de ferro qualquer via de comunicação em que
circulem veículos de tração mecânica, em trilhos ou por meio de cabo aéreo.
Atentado contra a segurança de transporte marítimo, fluvial ou aéreo
Art. 261 - Expor a perigo embarcação ou aeronave, própria ou alheia, ou praticar qualquer ato tendente
a impedir ou dificultar navegação marítima, fluvial ou aérea:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos.
Sinistro em transporte marítimo, fluvial ou aéreo
§ 1º - Se do fato resulta naufrágio, submersão ou encalhe de embarcação ou a queda ou destruição de
aeronave:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Prática do crime com o fim de lucro
§ 2º - Aplica-se, também, a pena de multa, se o agente pratica o crime com intuito de obter vantagem
econômica, para si ou para outrem.
Modalidade culposa
§ 3º - No caso de culpa, se ocorre o sinistro:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
Atentado contra a segurança de outro meio de transporte
Art. 262 - Expor a perigo outro meio de transporte público, impedir-lhe ou dificultar-lhe o funcionamento:
Pena - detenção, de um a dois anos.
§ 1º - Se do fato resulta desastre, a pena é de reclusão, de dois a cinco anos.
§ 2º - No caso de culpa, se ocorre desastre:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
Forma qualificada
Art. 263 - Se de qualquer dos crimes previstos nos arts. 260 a 262, no caso de desastre ou sinistro, resulta
lesão corporal ou morte, aplica-se o disposto no art. 258.
Arremesso de projétil
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Art. 264 - Arremessar projétil contra veículo, em movimento, destinado ao transporte público por terra,
por água ou pelo ar:
Pena - detenção, de um a seis meses.
Parágrafo único - Se do fato resulta lesão corporal, a pena é de detenção, de seis meses a dois anos; se
resulta morte, a pena é a do art. 121, § 3º, aumentadade um terço.
Atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública
Art. 265 - Atentar contra a segurança ou o funcionamento de serviço de água, luz, força ou calor, ou
qualquer outro de utilidade pública:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
Parágrafo único - Aumentar-se-á a pena de 1/3 (um terço) até a metade, se o dano ocorrer em virtude
de subtração de material essencial ao funcionamento dos serviços.
Interrupção ou perturbação de serviço telegráfico, telefônico, informático, telemático ou de
informação de utilidade pública
Art. 266 - Interromper ou perturbar serviço telegráfico, radiotelegráfico ou telefônico, impedir ou
dificultar-lhe o restabelecimento:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
§ 1o Incorre na mesma pena quem interrompe serviço telemático ou de informação de utilidade pública,
ou impede ou dificulta-lhe o restabelecimento.
§ 2o Aplicam-se as penas em dobro se o crime é cometido por ocasião de calamidade pública.
CAPÍTULO III
DOS CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA
Epidemia
Art. 267 - CAUSAR EPIDEMIA, mediante a propagação de germes patogênicos:
Pena - reclusão, de dez a quinze anos.
§ 1º - Se do fato resulta MORTE, a pena é aplicada em dobro.
- Crime Hediondo quando resultado morte (art. 1º, VII, Lei nº 8.072/90).
- Crime preterdoloso.
§ 2º - No caso de CULPA, a pena é de detenção, de um a dois anos, ou, se resulta MORTE, de dois a
quatro anos.
- Crime preterdoloso (quanto ao resultado morte culposa).
Infração de medida sanitária preventiva
Art. 268 - Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação
de doença contagiosa:
Pena - detenção, de um mês a um ano, E multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - A pena é AUMENTADA de um terço, se o agente é FUNCIONÁRIO DA SAÚDE
PÚBLICA ou EXERCE a profissão de MÉDICO, FARMACÊUTICO, DENTISTA ou ENFERMEIRO.
Omissão de notificação de doença
Art. 269 - DEIXAR O MÉDICO de denunciar à autoridade pública DOENÇA cuja notificação é
compulsória:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, E multa.
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- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do process;
- Crime próprio – somente o médico.
- Crime omissivo próprio;
- Não cabe tentativa.
Envenenamento de água potável ou de substância alimentícia ou medicinal
Art. 270 - ENVENENAR água potável, de uso comum ou particular, ou substância alimentícia ou
medicinal destinada a consumo:
Pena - reclusão, de dez a quinze anos.
§ 1º - Está sujeito à mesma pena quem ENTREGA a consumo ou TEM EM DEPÓSITO, para o fim de ser
distribuída, a água ou a substância envenenada.
Modalidade culposa
§ 2º - Se o crime é CULPOSO:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Corrupção ou poluição de água potável
Art. 271 - CORROMPER ou POLUIR água potável, de uso comum ou particular, tornando-a imprópria
para consumo ou nociva à saúde:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos.
Modalidade culposa
Parágrafo único - Se o crime é CULPOSO:
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de substância ou produtos alimentícios
Art. 272 - CORROMPER, ADULTERAR, FALSIFICAR ou ALTERAR substância ou produto alimentício
destinado a consumo, tornando-o nociva à saúde ou reduzindo-lhe o valor nutritivo:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, E multa.
§ 1º-A - Incorre nas penas deste artigo quem fabrica, vende, expõe à venda, importa, tem em depósito
para vender ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a consumo a substância alimentícia ou o
produto falsificado, corrompido ou adulterado.
§ 1º - Está sujeito às mesmas penas quem pratica as ações previstas neste artigo em relação a bebidas,
com ou sem teor alcoólico.
Modalidade culposa
§ 2º - Se o crime é CULPOSO:
Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, E multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou
medicinais
Art. 273 - FALSIFICAR, CORROMPER, ADULTERAR ou ALTERAR produto destinado a fins terapêuticos
ou medicinais:
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121
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, E multa.
- Crime Hediondo quanto ao caput, §§ 1º, 1º-A e 1º-B (art. 1º, VII-B, Lei nº 8.072/90).
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem importa, vende, expõe à venda, tem em depósito para vender
ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a consumo o produto falsificado, corrompido, adulterado
ou alterado.
§ 1º-A - INCLUEM-SE entre os produtos a que se refere este artigo os medicamentos, as matérias-
primas, os insumos farmacêuticos, os cosméticos, os saneantes e os de uso em diagnóstico.
§ 1º-B - Está sujeito às penas deste artigo quem pratica as ações previstas no § 1º em relação a
produtos em qualquer das seguintes condições:
I - SEM REGISTRO, quando exigível, no órgão de vigilância sanitária competente;
II - em DESACORDO COM A FÓRMULA CONSTANTE DO REGISTRO previsto no inciso anterior;
III - SEM AS CARACTERÍSTICAS DE IDENTIDADE E QUALIDADE admitidas para a sua comercialização;
IV - com REDUÇÃO DE SEU VALOR TERAPÊUTICO OU DE SUA ATIVIDADE;
V - de PROCEDÊNCIA IGNORADA;
VI - ADQUIRIDOS DE ESTABELECIMENTO SEM LICENÇA da autoridade sanitária competente.
Modalidade culposa
§ 2º - Se o crime é CULPOSO:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
#INFO
- Venda de substâncias que estão na Portaria SVS/MS 344/98 e princípio da consunção.
Se o agente criou farmácia de fachada para vender produtos falsificados destinados a fins terapêuticos
ou medicinais, ele deverá responder pelo delito do art. 273 do CP (e não por este crime em concurso
com tráfico de drogas), ainda que fique demonstrado que ele também mantinha em depósito e vendia
alguns medicamentos e substâncias consideradas psicotrópicas no Brasil por estarem na Portaria
SVS/MS nº 344/1998.
Assim, mesmo tendo sido encontradas algumas substâncias que podem ser classificadas como droga, o
crime do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 ficará absorvido pelo delito do art. 273 do CP, que possui maior
abrangência. Aplica-se aqui o princípio da consunção.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.537.773-SC, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Rogerio
Schietti Cruz, julgado em 16/8/2016 (Info 590).
Emprego de processo proibido ou de substância não permitida
Art. 274 - EMPREGAR, no fabrico de produto destinado a consumo, revestimento, gaseificação artificial,
matéria corante, substância aromática, anti-séptica, conservadora ou qualquer outra não expressamente
permitida pela legislação sanitária:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Invólucro ou recipiente com falsa indicação
Art. 275 - Inculcar, em invólucro ou recipiente de produtos alimentícios, terapêuticos ou medicinais, a
existência de substância que não se encontra em seu conteúdo ou que nele existe em quantidade menor
que a mencionada:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
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122
Produto ou substância nas condiçõesdos dois artigos anteriores
Art. 276 - Vender, expor à venda, ter em depósito para vender ou, de qualquer forma, entregar a consumo
produto nas condições dos arts. 274 e 275.
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Substância destinada à falsificação
Art. 277 - Vender, expor à venda, ter em depósito ou ceder substância destinada à falsificação de produtos
alimentícios, terapêuticos ou medicinais:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Outras substâncias nocivas à saúde pública
Art. 278 - Fabricar, vender, expor à venda, ter em depósito para vender ou, de qualquer forma, entregar a
consumo coisa ou substância nociva à saúde, ainda que não destinada à alimentação ou a fim medicinal:
Pena - detenção, de um a três anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Modalidade culposa
Parágrafo único - Se o crime é CULPOSO:
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Medicamento em desacordo com receita médica
Art. 280 - Fornecer substância medicinal em desacordo com receita médica:
Pena - detenção, de um a três anos, OU multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Modalidade culposa
Parágrafo único - Se o crime é CULPOSO:
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica
Art. 282 - EXERCER, ainda que a título gratuito, a profissão de MÉDICO, DENTISTA ou FARMACÊUTICO,
SEM AUTORIZAÇÃO LEGAL ou EXCEDENDO-LHE OS LIMITES:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Sujeito ativo:
• Crime comum (qualquer pessoa): na modalidade “sem autorização legal”;
• Crime próprio (médico, dentista e farmacêutico): na modalidade “excedendo-lhe os limites”.
Parágrafo único - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se também multa.
#INFO
- Atipicidade penal do exercício da acupuntura.
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O exercício da acupuntura por indivíduo que não é médico não configura o delito previsto no art. 282
do CP (exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica). Não existe lei federal prevendo que
a acupuntura é uma atividade privativa de médico (art. 22, XVI, da CF/88).
STJ. 6ª Turma. RHC 66.641-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 3/3/2016 (Info 578).
Charlatanismo
Art. 283 - INCULCAR ou ANUNCIAR cura por meio secreto ou infalível:
Pena - detenção, de três meses a um ano, E multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Curandeirismo
Art. 284 - EXERCER o curandeirismo:
I - prescrevendo, ministrando ou aplicando, HABITUALMENTE, qualquer substância;
II - usando gestos, palavras ou qualquer outro meio;
III - fazendo diagnósticos:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - Se o crime é praticado mediante remuneração, o agente fica também sujeito à multa.
Forma qualificada
Art. 285 - Aplica-se o disposto no art. 258 aos crimes previstos neste Capítulo, SALVO quanto ao
definido no art. 267.
Formas qualificadas de crime de perigo comum
Art. 258 - Se do CRIME DOLOSO de perigo comum resulta lesão corporal de natureza grave, a pena
privativa de liberdade é AUMENTADA de metade; se resulta morte, é aplicada em dobro. No caso de
CULPA, se do fato resulta lesão corporal, a pena AUMENTA-SE de metade; se resulta morte, aplica-
se a pena cominada ao homicídio culposo (detenção, de um a três anos), AUMENTADA de um
terço.
- Não aplica-se ao crime de Epidemia (art. 267).
PERIGO CONCRETO PERIGO ABSTRATO
- Epidemia;
- Falsificação ou adulteração de produto
alimentício.
- Todos os demais crimes do Capítulo.
TÍTULO IX
DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA
Incitação ao crime
Art. 286 - INCITAR, publicamente, a prática de crime:
Pena - detenção, de três a seis meses, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Apologia de crime ou criminoso
Art. 287 - FAZER, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime:
Pena - detenção, de três a seis meses, OU multa.
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- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Associação Criminosa
Art. 288. ASSOCIAREM-SE 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer CRIMES:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Crime Plurissubjetivo ou de concurso necessário;
- Não é possível uma associação criminosa com o fim de cometer contravenção.
#NãoConfunda:
ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA
(Art. 288, CP)
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA
(Art. 1°, § 1º, Lei 12.850/13)
Associação de 3 ou mais pessoas Associação de 4 ou mais pessoas
Estabilidade e permanência Estabilidade e permanência
Dispensa estrutura ordenada e divisão de
tarefas
Pressupõe estrutura ordenada e divisão de tarefas,
ainda que informalmente
Destina-se à prática de crimes,
independentemente da pena cominada
Destina-se à prática de infrações penais, cuja pena
máxima é superior a 4 anos ou que tenha caráter
transnacional
Exige o especial de fim de agir de cometer
crimes
Exige o especial fim de agir de obter, direta ou
indiretamente, vantagem de qualquer natureza
Pena → Reclusão, de 1 a 3 anos Pena → Reclusão, de 3 a 8 anos
Admite sursis processual Não admite sursis processual
Parágrafo único. A pena AUMENTA-SE até a metade se a associação é armada ou se houver a
participação de criança ou adolescente.
Constituição de milícia privada
Art. 288-A. CONSTITUIR, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia
particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste
Código:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos.
MILÍCIA
PRIVADA
ASSOCIAÇÃO
CRIMINOSA
ASSOCIAÇÃO
P/ TRÁFICO
ASSOCIAÇÃO
P/ GENOCÍDIO
ORGANIZAÇÃO
CRIMINOSA
Previsão Art. 288-A, CP Art. 288, CP
Art. 35 - Lei
11.343/06
Art. 2° - Lei
2.889/56
Art. 1°, § 1° e 2º -
Lei 12.850/13
Quant. de
Agentes
– 3 ou + 2 ou + + de 3 (4 ou +) 4 ou +
Conduta
Constituir,
organizar, integrar,
manter ou custear
organização
paramilitar, milícia
particular ou
grupo ou
esquadrão de
extermínio
Associarem-se
três ou mais
pessoas
Associarem-se
duas ou mais
pessoas
Associarem-se
mais de três
pessoas
Promover,
constituir,
financiar ou
integrar,
pessoalmente ou
por interposta
pessoa,
organização
criminosa
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Estruturação
Apesar de
dispensar, em
regra apresenta
divisão de tarefas
Dispensa
estrutura
ordenada e
divisão de
tarefas
Dispensa
estrutura
ordenada e
divisão de
tarefas
Dispensa
estrutura
ordenada e
divisão de
tarefas
Pressupõe
estrutura
ordenada e
divisão de tarefas,
ainda que
informalmente
Vantagem
A busca da
vantagem é
dispensável
A busca da
vantagem é
dispensável,
porém comum
A busca da
vantagem é
dispensávelA busca da
vantagem é
dispensável
Com o objetivo
de obter
vantagem de
qualquer natureza
Finalidade
Com a finalidade
de praticar
qualquer dos
crimes previstos no
CP
Com o fim
específico de
cometer crimes
Com o fim de
praticar,
reiteradamente
ou não,
qualquer dos
crimes previstos
nos arts. 33,
caput e § 1o, e
34 da Lei:
Com a
finalidade de
praticar os
crimes
mencionados
no artigo
anterior da lei
(genocídio)
Mediante a
prática de
infrações penais
cujas penas
máximas sejam
superiores a 4
anos, ou de
caráter
transnacional
Pena
Reclusão – 4 a 8
anos.
Crime Comum
(Reclusão – 1 a
3 anos);
Crime Hediondo
ou Equiparado
(Reclusão – 3 a
6 anos).
Reclusão – 3 a
10 anos.
Metade da pena
comida aos
delitos.
Reclusão – 3 a 8
anos, e multa,
sem prejuízo das
penas
correspondentes
às demais
infrações penais
praticadas..
Causas de
Aumento de
Pena
–
Art. 288, p.ú., CP
Art. 40, I a VII,
Lei 11.343/06
–
Art. 2º, §§ 2º e 4º,
Lei 12.850/13
TÍTULO X
DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA
CAPÍTULO I
DA MOEDA FALSA
Moeda Falsa
Art. 289 - FALSIFICAR, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal
no país ou no estrangeiro:
Pena - reclusão, de três a doze anos, E multa.
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou exporta, adquire, vende,
troca, cede, empresta, guarda ou introduz na circulação moeda falsa.
§ 2º - Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à
circulação, DEPOIS DE CONHECER A FALSIDADE, é punido com detenção, de seis meses a dois anos,
E multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 3º - É punido com reclusão, de três a quinze anos, E multa, o funcionário público ou diretor, gerente,
ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a fabricação ou emissão:
I - de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei;
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126
II - de papel-moeda em quantidade superior à autorizada.
§ 4º - Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja circulação não estava ainda
autorizada.
- Súmula nº 73, STJ: “A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o
crime de estelionato, da competência da Justiça Estadual.”
#INFO
- Não se aplica o arrependimento posterior ao crime de moeda falsa.
Imagine que o réu tenha utilizado uma nota de R$ 100 falsificada para pagar uma dívida. Após alguns
dias, descobriu-se que a cédula era falsa e, antes que houvesse denúncia, o agente ressarciu o credor
por seus prejuízos. O réu praticou o crime de moeda falsa. É possível aplicar a ele o benefício do
arrependimento posterior (art. 16 do CP)?
NÃO. Não se aplica o instituto do arrependimento posterior ao crime de moeda falsa. No crime de
moeda falsa – cuja consumação se dá com a falsificação da moeda, sendo irrelevante eventual dano
patrimonial imposto a terceiros –, a vítima é a coletividade como um todo, e o bem jurídico tutelado é
a fé pública, que não é passível de reparação. Desse modo, os crimes contra a fé pública, semelhantes
aos demais crimes não patrimoniais em geral, são incompatíveis com o instituto do arrependimento
posterior, dada a impossibilidade material de haver reparação do dano causado ou a restituição da coisa
subtraída.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.242.294-PR, Rel. originário Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/11/2014 (Info 554).
Crimes assimilados ao de moeda falsa
Art. 290 - Formar cédula, nota ou bilhete representativo de moeda com fragmentos de cédulas, notas ou
bilhetes verdadeiros; suprimir, em nota, cédula ou bilhete recolhidos, para o fim de restituí-los à circulação,
sinal indicativo de sua inutilização; restituir à circulação cédula, nota ou bilhete em tais condições, ou já
recolhidos para o fim de inutilização:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, E multa.
Parágrafo único - O máximo da reclusão é elevado a doze anos e multa, se o crime é cometido por
funcionário que trabalha na repartição onde o dinheiro se achava recolhido, ou nela tem fácil
ingresso, em razão do cargo.
Petrechos para falsificação de moeda
Art. 291 - Fabricar, adquirir, fornecer, a título oneroso ou gratuito, possuir ou guardar maquinismo,
aparelho, instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, E multa.
#INFO
- Petrechos para Falsificação de Moeda – Para tipificar o crime do art. 291 do CP, basta que o
agente detenha a posse de petrechos destinados à falsificação de moeda, sendo prescindível que
o maquinário seja de uso exclusivo para esse fim.
O art. 291 do Código Penal tipifica, entre outras condutas, a posse ou guarda de maquinismo, aparelho,
instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda.
A expressão “especialmente destinado” não diz respeito a uma característica intrínseca ou inerente do
objeto. Se assim fosse, só o maquinário exclusivamente voltado para a fabricação ou falsificação de
moedas consubstanciaria o crime, o que implicaria a absoluta inviabilidade de sua consumação (crime
impossível), pois nem mesmo o maquinário e insumos utilizados pela Casa de Moeda são direcionados
exclusivamente para a fabricação de moeda.
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127
A dicção legal está relacionada ao uso que o agente pretende dar ao objeto, ou seja, a consumação
depende da análise do elemento subjetivo do tipo (dolo), de modo que, se o agente detém a posse de
impressora, ainda que manufaturada visando ao uso doméstico, mas com o propósito de a utilizar
precipuamente para contrafação de moeda, incorre no referido crime.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.758.958-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 11/09/2018 (Info
633).
Emissão de título ao portador sem permissão legal
Art. 292 - EMITIR, sem permissão legal, nota, bilhete, ficha, vale ou título que contenha promessa de
pagamento em dinheiro ao portador ou a que falte indicação do nome da pessoa a quem deva ser pago:
Pena - detenção, de um a seis meses, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - Quem recebe ou utiliza como dinheiro qualquer dos documentos referidos neste
artigo incorre na pena de detenção, de quinze dias a três meses, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
CAPÍTULO II
DA FALSIDADE DE TÍTULOS E OUTROS PAPÉIS PÚBLICOS
Falsificação de papéis públicos
Art. 293 - FALSIFICAR, fabricando-os ou alterando-os:
I – selo destinado a controle tributário, papel selado ou qualquer papel de emissão legal destinado à
arrecadação de tributo;
II - papel de crédito público que não seja moeda de curso legal;
III - vale postal;
IV - cautela de penhor, caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro estabelecimento mantido
por entidade de direito público;
V - talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro documento relativo a arrecadação de rendas públicas ou
a depósito ou caução por que o poder público seja responsável;
VI - bilhete, passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada pela União, por Estado ou por
Município:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, E multa.
§ 1o Incorre na mesma pena quem:
I – usa, guarda, possui ou detém qualquerdos papéis falsificados a que se refere este artigo;
II – importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda, fornece ou restitui à circulação selo
falsificado destinado a controle tributário;
III – importa, exporta, adquire, vende, expõe à venda, mantém em depósito, guarda, troca, cede, empresta,
fornece, porta ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade
comercial ou industrial, produto ou mercadoria:
a) em que tenha sido aplicado selo que se destine a controle tributário, falsificado;
b) sem selo oficial, nos casos em que a legislação tributária determina a obrigatoriedade de sua aplicação.
§ 2º - SUPRIMIR, em qualquer desses papéis, quando legítimos, com o fim de torná-los novamente
utilizáveis, carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
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§ 3º - Incorre na mesma pena quem usa, depois de alterado, qualquer dos papéis a que se refere o
parágrafo anterior.
§ 4º - Quem usa ou restitui à circulação, embora recibo de boa-fé, qualquer dos papéis falsificados ou
alterados, a que se referem este artigo e o seu § 2º, depois de conhecer a falsidade ou alteração, incorre
na pena de detenção, de seis meses a dois anos, OU multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 5o EQUIPARA-SE a atividade comercial, para os fins do inciso III do § 1o, qualquer forma de comércio
irregular ou clandestino, inclusive o exercido em vias, praças ou outros logradouros públicos e em
residências.
Petrechos de falsificação
Art. 294 - Fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guardar objeto especialmente destinado à falsificação
de qualquer dos papéis referidos no artigo anterior:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Art. 295 - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, AUMENTA-
SE a pena de sexta parte.
CAPÍTULO III
DA FALSIDADE DOCUMENTAL
Falsificação do selo ou sinal público
Art. 296 - FALSIFICAR, fabricando-os ou alterando-os:
I - selo público destinado a autenticar atos oficiais da União, de Estado ou de Município;
II - selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público, ou a autoridade, ou sinal público de
tabelião:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, E multa.
§ 1º - Incorre nas mesmas penas:
I - quem faz uso do selo ou sinal falsificado;
II - quem utiliza indevidamente o selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de outrem ou em proveito
próprio ou alheio.
III - quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou quaisquer outros símbolos
utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública.
§ 2º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, AUMENTA-SE
a pena de sexta parte.
Falsificação de documento público
Art. 297 - FALSIFICAR, no todo ou em parte, DOCUMENTO PÚBLICO, ou ALTERAR DOCUMENTO
PÚBLICO VERDADEIRO:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
Obs.: A falsificação de documento é também chamada de falsidade material.
- Tentativa: É cabível, apesar de ser um crime formal.
§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, AUMENTA-SE
a pena de sexta parte.
§ 2º - Para os efeitos penais, EQUIPARAM-SE a DOCUMENTO PÚBLICO o emanado de entidade
paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os
livros mercantis e o testamento particular.
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§ 3o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir:
I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a
previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;
II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito
perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita;
III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa
perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado.
§ 4o Nas mesmas penas incorre quem OMITE, nos documentos mencionados no § 3o, nome do
segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação
de serviços.
#INFO
De quem é a competência para julgar o crime de omissão de anotação de vínculo empregatício
na CTPS (art. 297, § 4º, do CP)?
• STJ: Justiça FEDERAL. 3ª Seção. CC 135.200-SP, Rel. originário Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão
Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 22/10/2014 (Info 554).
Obs.: Com esse entendimento, o STJ contrária a sua própria súmula nº 62 (deve ser cancelada em
breve).
• 1ª Turma do STF: Justiça ESTADUAL. 1ª Turma. Ag.Reg. na Pet 5084, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 24/11/2015.
Falsificação de documento particular
Art. 298 - FALSIFICAR, no todo ou em parte, DOCUMENTO PARTICULAR ou ALTERAR DOCUMENTO
PARTICULAR VERDADEIRO:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Falsificação de cartão
Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, EQUIPARA-SE a DOCUMENTO PARTICULAR o cartão
de crédito ou débito.
Falsidade ideológica
Art. 299 - OMITIR, em DOCUMENTO PÚBLICO ou PARTICULAR, declaração que dele devia constar,
ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, COM O FIM DE
PREJUDICAR direito, CRIAR obrigação ou ALTERAR a verdade sobre fato juridicamente relevante:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, E multa, se o documento é público, e reclusão de um a três
anos, E multa, se o documento é particular.
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Exige a finalidade específica de PREJUDICAR direito, CRIAR obrigação ou ALTERAR a verdade sobre
fato juridicamente relevante.
Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou
se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, AUMENTA-SE a pena de sexta parte.
#INFO
- Inserir informação falsa em currículo Lattes não configura crime de falsidade ideológica.
Não é típica a conduta de inserir, em currículo Lattes, dado que não condiz com a realidade. Isso não
configura falsidade ideológica (art. 299 do CP).
STJ. 6ª Turma. RHC 81.451-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 22/8/2017
(Info 610).
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Falso reconhecimento de firma ou letra
Art. 300 - RECONHECER, como verdadeira, no exercício de função pública, firma ou letra que o não
seja:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, E multa, se o documento é público; e de um a três anos, E multa,
se o documento é particular.
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Crime próprio.
Certidão ou atestado ideologicamente falso
Art. 301 - ATESTAR ou CERTIFICAR FALSAMENTE, EM RAZÃO DE FUNÇÃO PÚBLICA, fato ou
circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter
público, ou qualquer outra vantagem:
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Falsidade material de atestado ou certidão
§ 1º - FALSIFICAR, no todo ou em parte, atestado ou certidão, ou ALTERAR o teor de certidão ou de
atestado verdadeiro, para prova de fato ou circunstância que habilitealguém a obter cargo público,
isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem:
Pena - detenção, de três meses a dois anos.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 2º - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se, além da pena privativa de liberdade, a de
multa.
Falsidade de atestado médico
Art. 302 - DAR o médico, no exercício da sua profissão, ATESTADO FALSO:
Pena - detenção, de um mês a um ano.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa.
Reprodução ou adulteração de selo ou peça filatélica
Art. 303 - Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica que tenha valor para coleção, salvo quando a
reprodução ou a alteração está visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou peça:
Pena - detenção, de um a três anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - Na mesma pena incorre quem, para fins de comércio, FAZ USO do selo ou peça
filatélica.
Uso de documento falso
Art. 304 - FAZER USO de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297
a 302:
Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.
- Súmula nº 104, STJ: “Compete a Justiça Estadual o processo e julgamento dos crimes de falsificação
e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino.”
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- Súmula nº 546, STJ: “A competência para processar e julgar o crime de uso de documento falso é
firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o documento público, não importando
a qualificação do órgão expedidor.”
Supressão de documento
Art. 305 - DESTRUIR, SUPRIMIR ou OCULTAR, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo
alheio, documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, se o documento é público, e reclusão, de um a cinco
anos, e multa, se o documento é particular.
- Quanto ao documento particular → Cabe suspensão condicional do processo.
CAPÍTULO IV
DE OUTRAS FALSIDADES
Falsificação do sinal empregado no contraste de metal precioso ou na fiscalização alfandegária, ou
para outros fins
Art. 306 - Falsificar, fabricando-o ou alterando-o, marca ou sinal empregado pelo poder público no
contraste de metal precioso ou na fiscalização alfandegária, ou usar marca ou sinal dessa natureza,
falsificado por outrem:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, E multa.
Parágrafo único - Se a marca ou sinal falsificado é o que usa a autoridade pública para o fim de fiscalização
sanitária, ou para autenticar ou encerrar determinados objetos, ou comprovar o cumprimento de
formalidade legal:
Pena - reclusão ou detenção, de um a três anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Falsa identidade
Art. 307 - ATRIBUIR-SE ou ATRIBUIR A TERCEIRO falsa identidade para obter vantagem, em proveito
próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, OU multa, se o fato não constitui elemento de crime mais
grave.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
- Súmula nº 522, STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica,
ainda que em situação de alegada autodefesa.
Art. 308 - Usar, como próprio, passaporte, título de eleitor, caderneta de reservista ou qualquer
documento de identidade alheia ou ceder a outrem, para que dele se utilize, documento dessa natureza,
próprio ou de terceiro:
Pena - detenção, de quatro meses a dois anos, E multa, se o fato não constitui elemento de crime mais
grave.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Fraude de lei sobre estrangeiro
Art. 309 - Usar o estrangeiro, para entrar ou permanecer no território nacional, nome que não é o seu:
Pena - detenção, de um a três anos, E multa.
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- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único - Atribuir a estrangeiro falsa qualidade para promover-lhe a entrada em território
nacional:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Art. 310 - Prestar-se a figurar como proprietário ou possuidor de ação, título ou valor pertencente a
estrangeiro, nos casos em que a este é vedada por lei a propriedade ou a posse de tais bens:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
Adulteração de sinal identificador de veículo automotor
Art. 311 - ADULTERAR ou REMARCAR número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo
automotor, de seu componente ou equipamento:
Pena - reclusão, de três a seis anos, E multa.
Segundo a jurisprudência atual do STJ e do STF, a conduta de colocar uma fita adesiva ou isolante
para alterar o número ou as letras da placa do carro e, assim, evitar multas, pedágio, rodízio etc,
configura o delito do art. 311 do CP.
STF. 2ª Turma. RHC 116371/DF, rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/8/2013.
§ 1º - Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão dela, a pena é
AUMENTADA de um terço.
§ 2º - Incorre nas mesmas penas o funcionário público que contribui para o licenciamento ou registro
do veículo remarcado ou adulterado, fornecendo indevidamente material ou informação oficial.
CAPÍTULO V
DAS FRAUDES EM CERTAMES DE INTERESSE PÚBLICO
Fraudes em certames de interesse público
Art. 311-A. UTILIZAR ou DIVULGAR, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de
comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de:
I - concurso público;
II - avaliação ou exame públicos;
III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou
IV - exame ou processo seletivo previstos em lei:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem PERMITE ou FACILITA, por qualquer meio, o acesso de pessoas
NÃO AUTORIZADAS às informações mencionadas no caput.
§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à administração pública:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, E multa.
§ 3o AUMENTA-SE a pena de 1/3 (um terço) se o fato é cometido por funcionário público.
TÍTULO XI
DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
CAPÍTULO I
DOS CRIMES PRATICADOS
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POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
CRIME FUNCIONAL (DELICTA IN OFFICIO)
É aquele cometido por funcionário público.
PRÓPRIO IMPRÓPRIO
É aquele que afastada a qualidade de funcionário
público, o fato será atípico.
Ex.: Prevaricação (art. 319, CP).
Aquele que afastada a qualidade de funcionário
público, o fato poderá configurar outro crime.
Ex.: Peculato (art. 312, CP). Poderá caracterizar Furto
(art. 155, CP).
- Súmula nº 599, STJ: “O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração
pública.”
Peculato
PECULATO – ESPÉCIES
Apropriação ou Próprio
(art. 312, caput)
O agente apropria-se de dinheiro, valor ou bem móvel de que tem a
posse.
Desvio ou Próprio
(art. 312, caput)
O agente desvia dinheiro, valor ou bem móvel de que tem a posse.
Furto ou Impróprio
(art. 312, § 1°)
O agente subtraí ou concorre dolosamente para a subtração de dinheiro,
valor oubem móvel de que não tem a posse.
Culposo
(art. 312, §2°)
O agente concorre culposamente para o crime de outrem, tendo ou não
a posse de dinheiro, valor ou bem móvel.
Estelionato ou Mediante
Erro de Outrem
(art. 313)
O agente apropria-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício
do cargo, recebeu por erro de outrem, de onde tem a posse.
Eletrônico ou Inserção de
Dados Falsos
(art. 313-A)
O agente modifica indevidamente os dados dos sistemas informatizados
da Administração Pública, de que tem acesso ao sistema.
Eletrônico ou Modificaçaõ
de Sistema
(art. 313-B)
O agente modifica indevidamente o próprio sistema de informações ou
programa de informática, de que não tem acesso ao sistema.
Malservação
(doutrina)
O agente apropria-se de dinheiro, valor ou bem móvel pertencente a
particular.
Art. 312 - APROPRIAR-SE (PECULATO-APROPRIAÇÃO) o funcionário público de dinheiro, valor ou
qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou DESVIÁ-
LO (PECULATO-DESVIO), em proveito próprio ou alheio: (PECULATO PRÓPRIO)
Pena - reclusão, de dois a doze anos, E multa.
#INFO
- NÃO se admite princípio da insignificância para o crime de peculato.
É pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de não ser possível a aplicação do princípio da
insignificância ao crime de peculato e aos demais delitos contra Administração Pública, pois o
bem jurídico tutelado pelo tipo penal incriminador é a moralidade administrativa, insuscetível de
valoração econômica.
(HC 310.458/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, 5ª TURMA, j. em 06/10/2016, DJe 26/10/2016).
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134
- Empréstimos consignados retidos pelo Município e dinheiro utilizado para pagamento de
despesas da Administração, sem repasse ao banco mutuante.
Diversos servidores municipais tinham empréstimos consignados cujos valores eram descontados da
folha de pagamento. O Prefeito ordenou que fosse feita a retenção, mas que tais valores não fossem
repassados à instituição e sim gastos com o pagamento de despesas do Município. Isso foi feito no
último ano do mandato do Prefeito, quando não havia mais recursos para pagar o banco, o que só foi
feito no mandato seguinte.
O STF entendeu que, nesta situação, restou configurada a prática de dois delitos: arts. 312 e 359-C do
Código Penal.
STF. 1ª Turma. AP 916/AP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/5/2016 (Info 826).
- Depositário judicial que vende os bens não pratica peculato.
O depositário judicial que vende os bens sob sua guarda não comete o crime de peculato (art. 312 do
CP).
O crime de peculato exige, para a sua consumação, que o funcionário público se aproprie de dinheiro,
valor ou outro bem móvel em virtude do “cargo”.
Depositário judicial não é funcionário público para fins penais, porque não ocupa cargo público, mas a
ele é atribuído um munus, pelo juízo, em razão do fato de que determinados bens ficam sob sua guarda
e zelo.
STJ. 6ª Turma. HC 402.949-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018
(Info 623).
Obs.: vale ressaltar que o STJ decidiu apenas que a conduta do depositário judicial que vende os bens
sob sua guarda não comete o crime de peculato, pois não é funcionário público e não ocupa cargo
público. No entanto, a depender das peculiaridades do caso concreto, a conduta pode configurar, em
tese, os tipos penais dos arts. 168, § 1º, II, 171 ou 179 do Código Penal.
§ 1º - APLICA-SE a mesma pena, se o funcionário público, embora NÃO TENDO a posse do dinheiro,
valor ou bem, o SUBTRAI, ou CONCORRE para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio,
VALENDO-SE de facilidade que lhe PROPORCIONA a QUALIDADE DE FUNCIONÁRIO. (PECULATO-
FURTO OU IMPRÓPRIO)
Peculato culposo
§ 2º - Se o funcionário CONCORRE culposamente para o crime de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo;
- Peculato culposo é o ÚNICO crime culposo contra a Administração Pública.
§ 3º - No caso do parágrafo anterior (PECULATO CULPOSO), A REPARAÇÃO DO DANO, se precede à
sentença irrecorrível, EXTINGUE A PUNIBILIDADE; se lhe é posterior, REDUZ DE METADE A PENA
IMPOSTA.
PECULATO CULPOSO – REPARAÇÃO DO DANO
ANTES da sentença transitada em julgado APÓS a sentença transitada em julgado
Extinção da Punibilidade Diminuição pela metade da pena imposta
Peculato mediante erro de outrem
Art. 313 - APROPRIAR-SE de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por
ERRO DE OUTREM: (PECULATO-ESTELIONATO)
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa.
- Cabe suspensão condicional do processo;
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Inserção de dados falsos em sistema de informações
Art. 313-A. INSERIR ou FACILITAR, o funcionário autorizado, A INSERÇÃO de dados falsos, alterar ou
excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da
Administração Pública COM O FIM de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar
dano:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, E multa.
Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informações
Art. 313-B. MODIFICAR ou ALTERAR, o funcionário, sistema de informações ou programa de
informática SEM AUTORIZAÇÃO OU SOLICITAÇÃO de autoridade competente:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, E multa.
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95;
- Cabe suspensão condicional do processo.
Parágrafo único. As penas são AUMENTADAS de um terço até a metade SE DA modificação ou
alteração resulta dano para a Administração Pública ou para o administrado.
PECULATO ELETRÔNICO
Crime
INSERÇÃO DE DADOS FALSOS EM
SISTEMA DE INFORMAÇÕES
(Art. 313-A, CP)
MODIFICAÇÃO OU ALTERAÇÃO NÃO
AUTORIZADA DE SISTEMA DE
INFORMAÇÕES
(Art. 313-B, CP)
Sujeito Ativo
Funcionário público autorizado
(crime próprio)
Funcionário público em sentido amplo -
não precisa ser autorizado
(crime próprio)
Sujeito Passivo
Primário → Estado;
Secundário → Pessoa eventualmente
prejudicada pelo comportamento do
agente.
Primário → Estado;
Secundário → Pessoa eventualmente
prejudicada pelo comportamento do
agente.
Objeto Jurídico
Administração Pública, mais
especificamente a guarda de
dados nos sistemas informatizados
ou banco de dados.
Administração Pública, mais
especificamente seus
sistemas de informações ou programas
de informática.
Conduta
Inserir ou facilitar a inserção de dados
falsos;
Alterar ou excluir indevidamente
dados corretos.
Nos sistemas informatizados ou
bancos de dados.
Modificar ou alterar
Sistema de informações ou pragrama de
informática.
Voluntariedade
Dolo + fim específico de obter
vantagem indevida para si ou para
outrem ou causar dano
Dolo (não se exige fim específico)
Consumação
Prática de qualquer núcleo do tipo
(crime formal), dispensando a
obtenção da vantagem ou
provocação do dano.
Prática de qualquer núcleo do tipo (crime
formal).
Resultando dano (caso ocorra), a pena é
aumentada de 1/3 até 1/2.
Tentativa Sim, é possível Sim, é possível
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Pena Reclusão, de 2 a 12 anos, e multa.
Detenção, de 3 meses a 2 anos, e multa.
(Impo: aplica-se a Lei nº 9.099/95)
Ação Penal Pública incondicionada Pública incondicionada
Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento
Art. 314 - EXTRAVIAR