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DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
1 
 
 
 
@DeltaCaveira10 
 
LEGISLAÇÃO BIZURADA 
 
Observações: 
- AMARELO1: Partes, Títulos, Capítulos, Seções e Subseções; 
- AMARELO2: Súmulas Vinculantes; 
- VERDE: Súmulas STF; 
- AZUL: Súmulas STJ; 
- LARANJA: Jurisprudência; Destaques Importantes. 
 
CÓDIGO PENAL – DECRETO-LEI 2.848/40 
 
CONCEITO DE DIREITO PENAL 
O conceito de direito penal possui três aspectos: 
Aspecto Formal/Estático 
O direito penal é um conjunto de normas que qualificam certos 
comportamentos humanos como infrações penais. São normas 
que definem os agentes e fixam as sanções que serão cominadas 
a estes agentes. 
Aspecto Material 
O direito penal se refere a comportamentos considerados 
reprováveis, danosos ao organismo social, pois afetam bens 
jurídicos indispensáveis à conservação e progresso do próprio 
organismo social. 
Aspecto Sociológico/Dinâmico O direito penal é instrumento de controle social. 
 
CRIME CONTRAVENÇÃO 
Sinônimos Delito 
Crime Anão, Crime Vagabundo ou 
Delito Liliputiano 
Tipo pena privativa de 
liberdade 
Reclusão, Detenção e/ou Multa Prisão Simples e/ou Multa 
Espécie de Ação Penal 
Ação penal privada; e 
Ação penal pública 
(incondicionada e condicionada). 
Ação penal pública incodicionada 
Elemento Subjetivo Dolo ou Culpa Voluntariedade 
Punição da tentativa Pune a tentativa Não pune a tentativa 
Extraterritorialidade Admite Não admite 
Competência 
Justiça Estadual; e 
Justiça Federal. 
Justiça Estadual 
(salvo foro por prerrogativa de 
função federal) 
Limite de cumprimento de 
pena 
30 anos 05 anos 
Período de prova do Sursis 2 a 4 anos ou 4 a 6 anos 1 a 3 anos 
Cabimento da prisão 
preventiva 
Cabe 
(na hipóteses do art. 313 do CPP 
e art. 1º, III, da lei 7.960/89) 
Não cabe 
Possibilidade de Confisco 
Instrumentos de crime podem ser 
confiscados 
Instrumentos de contravenção 
não podem ser confiscados 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
2 
 
 
 
 
PARTE GERAL 
 
TÍTULO I 
DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL 
Anterioridade da Lei 
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina (p. anterioridade). Não há pena sem prévia cominação 
legal (p. legalidade). 
- Art. 5º, XXXIX, CF: “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação 
legal;” 
- Leia-se: “Não há crime ou contravenção sem lei anterior que o defina. Não há pena ou medida de 
segurança sem prévia cominação legal.” 
 
- Desdobramentos do princípio da legalidade: 
• Não há crime ou pena sem lei: Medida Provisória não pode criar crime, nem cominar pena; 
• Não há crime ou pena sem lei anterior: Princípio da anterioridade; 
• Não há crime ou pena sem lei escrita: proibe o costume incriminador; 
• Não há crime ou pena sem lei estrita: proibe a utilização da analogia para criar tipo incriminador 
(analogia in malam partem); 
• Não há crime ou pena sem lei certa: Princípio da taxatividade – proibe tipos penais vagos e 
indeterminados; 
• Não há crime ou pena sem lei necessária: desdobramento do princípio da intervenção mínima. 
 
EXTRA-ATIVIDADE DA LEI PENAL (gênero) 
ULTRA-ATIVIDADE RETROATIVIDADE 
A lei penal revogada continua sendo aplicada 
para os fatos praticados na sua vigência, pois a 
lei revogadora é prejudicial ao réu. 
Ex.: Lei “A” comina pena de 1 a 4 anos → revogada 
pela Lei “B” que anuncia uma pena de 3 a 8 anos. 
A lei “A” é ultra-ativa para os fatos praticados na 
sua vigência. Evita-se, assim, a retroatividade 
maléfica da lei “B”. 
A lei penal revogadora é aplicada aos fatos 
pretéritos à sua vigência, pois é mais benéfica 
quando comparada com a lei revogada. 
Ex.: Lei “A” com pena de 3 a 8 anos → revogada 
pela Lei “B” que passa a prever a pena de 1 a 4 
anos. 
A Lei “B” é retroativa para alcançar os fatos 
pretéritos. Trata-se de retroatividade benéfica. 
Pressupõem sucessão de leis no tempo e só podem agir em benefício do réu, salvo nos casos de lei 
temporária ou excepcional. 
Lei penal no tempo 
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em 
virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. (abolitio criminis) 
- Súmula nº 611, STF: “Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao Juízo das execuções 
a aplicação de lei mais benigna.” 
- Súmula nº 711, STF: “A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, 
se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.” 
 
ABOLITIO CRIMINIS CONTINUIDADE NORMATIVO-TÍPICA 
Supressão da figura criminosa (formal e 
material). 
Supressão formal do tipo. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
3 
 
 
 
A conduta criminosa não será mais punida (o 
fato deixa de ser punível). 
A conduta criminosa apenas migra para outro 
tipo penal (o fato permanece punível). 
A intenção do legislador é não mais considerar 
o fato criminoso. 
A intenção do legislador é manter o caráter 
criminoso do fato, mas com outra roupagem. 
 
ABOLITIO CRIMINIS ABOLITIO CRIMINIS TEMPORÁRIA 
Descriminalização da conduta Suspensão dos efeitos da norma incriminadora 
Causa extintiva da punibilidade Causa de atipicidade temporária 
Retroage Não retroage 
Ex.: Descriminalização do porte de simulacro 
Ex.: Campanha do Desarmamento – art. 12 da Lei 
10.826/03 
Parágrafo único - A LEI POSTERIOR, que de qualquer modo FAVORECER O AGENTE, APLICA-SE aos 
FATOS ANTERIORES, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. 
TEMPO DA CONDUTA LEI POSTERIOR (IR) RETROATIVIDADE 
Fato Atípico Fato Típico 
IRREtroatividade da lei posterior. 
- Novatio Legis Incriminadora: a lei ao tempo 
da conduta é ultra-ativa e continua a regular os 
fatos praticados durante a sua vigência. 
Fato Típico 
Tratamento mais 
rigoroso ao agente. Ex.: 
aumento de pena. 
- IRREtroatividade da lei posterior. 
- Novatio legis in pejus/Lex Gravior: a lei ao 
tempo da conduta é ultra-ativa e continua a 
regular os fatos praticados durante a sua 
vigência. 
Fato Típico 
Supressão da figura 
criminosa 
- REtroatividade (art. 2º, caput, CP) da lei 
posterior. 
- Abolitio criminis: a lei posterior retroage para 
alcançar os fatos praticados na vigência da lei 
anterior. 
Fato Típico 
Tratamento mais 
benéfico ao agente. Ex.: 
diminuição de pena. 
- REtroatividade (art. 2º, parágrafo único, CP) 
da lei posterior. 
- Novatio legis in mellius/Lex mitior: a lei 
posterior retroage. 
Fato Típico 
Migra o conteúdo 
criminoso para outro 
tipo penal. 
Princípio da Continuidade Normativo-Típica 
Lei excepcional ou temporária 
Art. 3º - A LEI EXCEPCIONAL ou TEMPORÁRIA, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas 
as circunstâncias que a determinaram, APLICA-SE ao fato praticado durante sua vigência. 
LEI TEMPORÁRIA LEI EXCEPCIONAL 
Lei penal temporária é aquela que tem um prazo 
de validade, isto é, tem uma vigência 
predeterminada no tempo. 
Lei penal excepcional é aquela que vigora 
somente numa situação de anormalidade. 
Ex.: art. 36 da Lei 12.663/12 (copa de 2014). 
Ex.: Lei Y foi aprovada com vigência a partir de 
01.12.2017 e perdurará até o fim do período de 
estiagem. 
São “leis intermitentes” dotadas de ultra-atividade. 
Tempo do crime 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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Art. 4º - Considera-se praticado o crime no MOMENTO da ação ou omissão, ainda que outro seja o 
momento do resultado. 
TEORIAS DO TEMPO DO CRIME 
Teoria da Atividade ou da 
Ação 
Teoria do Resultado, do Evento 
ou do EfeitoTeoria da Ubiquidade, Mista 
ou Híbrida 
Considera-se praticado o crime 
no momento da ação ou 
omissão, ainda que outro seja 
o momento do resultado. 
Adotada! 
Considera-se praticado o crime 
quando da ocorrênciado seu 
resultado, pouco importando o 
momento da ação. 
Considera tempo do crime tanto 
o momento da ação ou omissão 
quanto o momento da 
produção do resultado. 
Territorialidade 
Art. 5º - APLICA-SE a lei brasileira, SEM PREJUÍZO de convenções, tratados e regras de direito 
internacional, ao crime cometido no território nacional. (p. da territorialidade mitigada ou 
temperada) 
TERRITORIALIDADE EXTRATERRITORIALIDADE INTRATERRITORIALIDADE 
Local do crime: Brasil Local do crime: estrangeiro Local do crime: Brasil 
Lei aplicável: brasileira 
Lei aplicável: brasileira 
Ex.: contra vida do PR. 
Lei aplicável: estrangeira 
Ex.: imunidade diplomática. 
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como EXTENSÃO DO TERRITÓRIO NACIONAL as 
embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro ONDE 
QUER QUE SE ENCONTREM, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de 
propriedade privada, QUE SE ACHEM, RESPECTIVAMENTE, NO ESPAÇO AÉREO CORRESPONDENTE 
OU EM ALTO-MAR. 
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações 
ESTRANGEIRAS de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em 
vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil. 
Lugar do crime 
EMBARCAÇÕES E AERONAVES APLICA-SE A LEI BRASILEIRA DISPOSITIVO 
Públicas Brasileiras ou a Serviço 
do Estado Brasileiro 
(Extensão do Território Nacional) 
Em qualquer lugar que se encontrem. 
Art. 5º, § 1º, 
primeira parte, CP. 
Particulares Brasileiras 
(Extensão do Território Nacional) 
Que se encontrem em alto-mar ou em 
espaço aéreo correspondente. 
Art. 5º, § 1º, segunda 
parte, CP. 
Públicas Estrangeiras Nunca – 
Particulares Estrangeiras 
Que se encontrem em território 
brasileiro. 
Obs.: salvo, para o caso de navios, na 
passagem inocente. 
Art. 5º, § 2º, CP. 
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no LUGAR em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em 
parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. 
TEORIAS DO LUGAR DO CRIME 
Teoria da Atividade ou da 
Ação 
Teoria do Resultado, do 
Evento ou do Efeito 
Teoria da Ubiquidade, Mista ou 
Híbrida 
Lugar do crime aquele em que o 
agente desenvolveu a atividade 
criminosa. 
Lugar do crime é o lugar da 
ocorrência do resultado. 
 
Considera-se praticado o crime no 
lugar em que ocorreu a ação ou 
omissão, no todo ou em parte, 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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bem como onde se produziu ou 
deveria produzir-se o resultado. 
Adotada! 
 
CRIMES À DISTÂNCIA OU DE 
ESPAÇO MÁXIMO 
CRIMES EM TRÂNSITO 
CRIMES PLURILOCAIS OU DE 
ESPAÇO MÍNIMO 
O crime percorre o território 
de dois Estados Soberanos. 
Ex.: Brasil e Argentina. 
O crime percorre o território de 
mais de dois Estados Soberanos. 
Ex.: Brasil, Argentina e Uruguai. 
O crime percorre dois ou mais 
territórios do mesmo país 
Soberano. 
Ex.: Comarcas de São Paulo, São 
Bernardo e Guarulhos. 
Gera conflito internacional 
de jurisdição 
(Qual país aplicará sua lei?) 
Gera conflito internacional de 
jurisdição 
(Qual país aplicará sua lei?) 
Gera conflito interno de 
competência 
(Qual comarca aplicará a lei do 
país?) 
Aplica-se o art. 6º do CP 
Teoria da Ubiquidade ou 
Mista – Lugar do Crime 
Aplica-se o art. 6º do CP 
Teoria da Ubiquidade ou Mista 
– Lugar do Crime 
Aplica-se, em regra, o art. 70 do 
CPP 
Teoria do Resultado 
 
Obs.1: 
Art. 4º: Tempo do Crime 
Art. 6º: Lugar do Crime 
Mnemônico: LU.TA 
LU = Teoria da Ubiquidade = lugar do crime (art. 6º) 
TA = Teoria da Atividade = tempo do crime (art. 4º) 
 
Obs.2: Teoria da Atividade: Só tem relevância nos crimes materiais ou causais (crimes de resultado = 
STF), isto é, nos crimes materiais que o resultado naturalístico é obrigatório. Há nos crimes formais e de 
mera conduta, praticada a conduta, o crime está automaticamente consumado. 
Extraterritorialidade 
Art. 7º - FICAM SUJEITOS à LEI BRASILEIRA, embora cometidos no estrangeiro: 
I - os crimes: (EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA) 
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República (P. Defesa, Proteção ou Real); 
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de 
Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo 
Poder Público (P. Defesa, Proteção ou Real); 
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço (P. Defesa, Proteção ou Real); 
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil (P. Justiça 
Universal/Cosmopólita); 
II - os crimes: (EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA) 
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir (P. Justiça Universal/Cosmopólita); 
b) praticados por brasileiro (P. Nacionalidade Ativa ou Personalidade); 
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, 
quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados (P. da Representação, Pavilhão, Bandeira 
ou Substituição). 
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente É PUNIDO segundo A LEI BRASILEIRA, ainda que absolvido ou 
condenado no estrangeiro. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira DEPENDE do concurso das seguintes 
condições: 
a) entrar o agente no território nacional; 
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado (P. da Dupla Tipicidade); 
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; 
d) NÃO TER SIDO o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; 
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a 
punibilidade, segundo a lei mais favorável. 
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, 
se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior (P. Nacionalidade Passiva ou Personalidade): 
(EXTRATERRITORIALIDADE HIPERCONDICIONADA) 
a) não foi pedida ou foi negada a extradição; 
b) HOUVE requisição do Ministro da Justiça. 
Pena cumprida no estrangeiro 
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando 
diversas, ou nela é computada, quando idênticas. 
Eficácia de sentença estrangeira 
Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas 
conseqüências, PODE SER homologada no Brasil para: 
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis; 
II - sujeitá-lo a medida de segurança. 
Parágrafo único - A homologação DEPENDE: 
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada; 
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade 
judiciária emanou a sentença, OU, na falta de tratado, de requisição do Ministro da Justiça. 
Contagem de prazo 
Art. 10 - O dia do começo INCLUI-SE no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos 
pelo calendário comum. 
Prazo Penal (art. 10, CP) Prazo Processual Penal (art. 798, CPP) 
Inclue o do começo Exclui o do começo 
Exclui o do final Inclui o do final 
Frações não computáveis da pena 
Art. 11 - DESPREZAM-SE,nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações de 
dia, e, na pena de multa, as frações de cruzeiro (leia-se: real, desprezando-se os centavos na 
liquidação da sanção patrimonial). 
Legislação especial 
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados por lei especial, se esta não 
dispuser de modo diverso (p. da especialidade). 
PRINCÍPIOS PARA SOLUCIONAR O CONFLITO APARENTE DE NORMAS PENAIS 
Subsidiariedade 
Atua no plano concreto. O crime tipificado pela lei subsidiária, além de menos grave 
do que o narrado pela lei primária, dele também difere quanto à forma de execução, 
já que corresponde a uma parte deste. Em outras palavras, a figura subsidiária está 
inserida na principal. No princípio da subsidiariedade a comparação sempre deve 
ser efetuada no caso concreto, buscando-se a aplicação da lei mais grave. A 
subsidiariedade pode ser tanto expressa (por exemplo, disparo de arma de fogo), 
como tácita. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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Especialidade 
Atua no plano abstrato, ou seja, para saber qual lei é geral e qual é especial, 
prescinde-se da análise do fato praticado. Pouco importa também a quantidade de 
sanção penal reservada para as infrações penais. A comparação entre as leis não se 
faz da mais grave para a menos grave, pois a lei específica pode narrar um ilícito 
penal mais rigoroso ou mais brando. 
Consunção 
Atua no plano concreto. Difere-se da subsidiariedade em dois aspectos. Na regra 
da subsidiariedade, em função do fato concreto praticado, comparam-se as leis 
para saber qual é a aplicável. Por seu turno, na consunção, sem buscar auxílio nas 
leis, comparam-se os fatos, apurando-se que o mais amplo, completo e grave 
consome os demais. O fato principal absorve o acessório, sobrando apenas a lei 
que o disciplina. Lei consuntiva é aquela que define o todo, o fato mais amplo. Lei 
consumida define a parte, o fato menos amplo. A consunção é aplicada nos casos 
de crimes progressivos, na progressão criminosa ou nos atos impuníveis. 
Na subsidiariedade, o constrangimento ilegal só pode ser praticado se houver a 
ameaça. Um crime está obrigatoriamente dentro do outro, a ameaça é elemento do 
constrangimento ilegal. Por outro lado, na consunção, tomemos como exemplo a 
lesão corporal e o homicídio. A lesão corporal não é um elemento do homicídio. O 
homicídio pode ser praticado por outro modo que não a lesão corporal. Um crime 
não está obrigatoriamente dentro do outro, comparam-se os fatos. 
Obs.1: um crime não pode ser absorvido por uma contravenção penal; 
Obs.2: Quando o falso se exaure no descaminho, sem mais potencialidade lesiva, é 
por este absorvido, como crime-fim, condição que não se altera por ser menor a 
pena a este cominada. STJ. 3ª Seção. REsp 1.378.053-PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, 
julgado em 10/8/2016 (Info 587). 
Obs.3: Súmula nº 17, STJ: Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais 
potencialidade lesiva, é por este absorvido. 
Alternatividade 
Se refere aos crimes plurinucleares, ou seja, aqueles crimes que apresentam vários 
verbos, a exemplo do artigo 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. A prática de mais de 
uma dessas condutas configura crime único, podendo a pena ser majorada em 
razão dos vários núcleos praticados na fase da dosimetria da pena. É também 
chamado de “tipo penal misto alternativo”. #NÃOCONFUNDIR com o princípio da 
alteridade, segundo o qual não se deve punir condutas que prejudicam apenas o 
próprio agente. Ex: autolesão. 
Mnemônico → SECA 
 
TÍTULO II 
DO CRIME 
CONCEITO DE CRIME 
Conceito Formal 
Crime é aquilo que assim está rotulado em uma norma penal incriminadora, 
sob ameaça de pena. Ou seja, é aquilo em que o Estado descreve literalmente 
como crime na lei penal. 
Conceito Material 
Crime é o comportamento humano causador de relevante e intolerável lesão 
ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado, passível de sanção penal. 
Conceito Analítico 
Leva em consideração os elementos estruturais que compõem o crime. Em 
relação a essa espécie de conceituação temos basicamente duas correntes: 
- Corrente Bipartite → crime é fato típico + ilícito (a culpabilidade é 
pressuposto para a aplicação da pena); 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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- Corrente Tripartite → crime é fato típico, ilícito e culpável. É a corrente 
amplamente adotada no Brasil. 
Relação de causalidade 
Art. 13 - O RESULTADO (obs.: naturalístico), de que depende a existência do crime, somente É 
IMPUTÁVEL a quem lhe deu causa. CONSIDERA-SE CAUSA a ação ou omissão sem a qual o resultado 
não teria ocorrido (teoria da equivalência dos antecedentes causais ou conditio sine qua non). 
Obs.: Diante de uma possível regressão ao infinito para descobrir quais causas contribuíram para o 
cometimento do delito criou-se a teoria da proibição do regresso. Assim, para explicar a teoria, na 
melhor do que as claras lições de Rogério Greco: "... para que seja evitada tal regressão, devemos 
interromper a cadeia causal no instante em que não houver dolo ou culpa por parte daquelas pessoas 
que tiveram alguma importância na produção do resultado. Frank citado por Fragoso 'procurando 
estabelecer limitações à teoria, formulou a chamada proibição de regresso (Regressverbot), segundo a 
qual não é possível retroceder além dos limites de uma vontade livre e consciente, dirigida à produção 
do resultado. Não seria lícito considerar como causas do resultado as condições anteriores'". 
Superveniência de causa independente 
§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente EXCLUI a imputação quando, POR SI 
SÓ, PRODUZIU O RESULTADO; os fatos anteriores, entretanto, IMPUTAM-SE a quem os praticou 
(teoria da causalidade adequada). 
CONCAUSAS 
Absolutamente Independente 
A causa efetiva do resultado não se origina, direta ou indiretamente, do comportamento concorrete. 
A causa que produz o resultado não tem ligação com a conduta do agente. Podem ser: 
Causa Conceito Exemplo Consequência 
Preexistente 
A causa efetiva 
(elemento propulsor 
do resultado) 
antecede o 
comportamento 
concorrente do 
agente. 
Indivíduo ingere veneno ministrado por 
“A” e depois é alvejado por “B”. Causa da 
morte no laudo médico: 
envenenamento. O veneno é concausa 
preexistente (anterior à conduta de “B”), 
independente, pois, por si só, foi capaz 
de matá-lo, e é absoluta, pois não há 
nenhuma relação com a conduta de “B”. 
Aplica-se a teoria 
da equivalência 
dos antecedentes 
causais (Art. 13, 
caput). 
 
As concausas 
rompem o nexo 
causal. 
 
Em todas as 
espécies, o agente 
só responde pelos 
atos praticados. 
Concomitante 
A causa efetiva 
(elemento propulsor 
do resultado) é 
simultânea o 
comportamento 
concorrente do 
agente. 
Indivíduo é alvejado por arma de fogo 
disparada por “A” e atingido 
concomitantemente por um raio. Causa 
da morte no laudo médico: descarga 
elétrica. O raio é concausa concomitante 
(ocorre no mesmo instante em que é 
alvejado), independente, pois, por si só, 
foi capaz de matá-lo, e é absoluta, pois 
não há nenhuma relação com a conduta 
de “A”. 
Superveniente 
A causa efetiva 
(elemento propulsor 
do resultado) é 
posterior o 
comportamento 
Indivíduo é alvejado e logo após é 
atingido por um tsunami. Causa da 
morte no laudo médico: afogamento. O 
tsunami é concausa superveniente 
(ocorre posteriormente à conduta do 
agente), independente, pois, por si só, 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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concorrente do 
agente. 
foi capaz de matá-lo, e é absoluta, poisnão há nenhuma relação com a conduta. 
Relativamente Independente 
A causa efetiva do resultado se origina, ainda que indiretamente, do comportamento concorrete. 
A causa que produz o resultado tem ligação com a conduta do agente. Podem ser: 
Causa Conceito Exemplo Consequência 
Preexistente 
A causa efetiva 
(elemento propulsor 
que se conjulga para 
produzir o resultado) 
antecede o 
comportamento 
concorrente do 
agente. 
“A” com intenção de matar, alveja com 
um disparo de arma de fogo o pé de “B”, 
que é portador de hemofilia. “B” falece 
em decorrência da conjugação do 
disparo com a hemofilia preexistente. 
“A” responde por homicídio 
consumado. 
Aplica-se a teoria 
da equivalência 
dos antecedentes 
causais (Art. 13, 
caput). 
 
As causas não 
rompem o nexo 
causal. 
 
 
O agente 
responde pelo 
resultado 
consumado. 
Concomitante 
A causa efetiva 
(elemento propulsor 
que se conjulga para 
produzir o resultado) 
é simultânea ao 
comportamento 
concorrente do 
agente. 
“A”, com a intenção de matar, dispara 
contra “B”, não o atingindo. “B”, 
entretanto, se assusta e morre em 
decorrência de um ataque cardíaco. “A”, 
responde por homicídio consumado, 
pois se não tivesse atirado, a vítima não 
teria sofrido um colapso cardíaco. 
Superveniente 
A causa efetiva 
(elemento propulsor 
que se conjulga para 
produzir o resultado) 
é posterior ao 
comportamento 
concorrente do 
agente. 
 
Pode ser de duas 
hipóteses: Que por si 
só e Que não por si 
só produziu o 
resultado. 
- Que não por si só produz o 
resultado: A causa efetiva 
superveniente encontra-se na mesma 
linha de desdobramento causal da causa 
concorrente. 
Ex.: “A” atira em “B” que morre no 
hospital em decorrência de infecção 
hospitalar. “A” responde por homicídio 
consumado, pois de acordo com a 
experiência da vida, é provável que do 
fato ocorra um resultado dessa índole. O 
resultado é consequência normal, 
provável e previsível da manifestação de 
vontade do agente. 
- Que por si só produz o resultado: A 
causa efetiva superveniente é 
considerada um evento imprevisível, 
que não se encontra na mesma linha de 
desdobramento causal da causa 
concorrente. 
Ex.: “A” atira em “B” que morre no 
hospital em decorrência de incêndio. “A” 
responde por homicídio tentado, 
estando o incêndio fora da linha de 
desdobramento causal do tiro. O 
Rompem o nexo 
causal. 
 
Aplica-se a teoria 
da causalidade 
adequada (art. 13, 
§1º). 
 
O agente só 
responde pelos 
atos praticados. 
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10 
 
 
 
resultado é consequência anormal, 
improvável e imprevisível da 
manifestação de vontade do agente. 
Relevância da omissão 
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente DEVIA e PODIA agir para evitar o 
resultado. O dever de agir incumbe a quem: (crimes omissivos impróprios) 
Obs.1: Em todas as hipóteses previstas no art. 13, § 2º, do CP, a lei pressupõe a possibilidade de ação 
por parte do agente. Logo, se na situação concreta a atuação do agente era fisicamente impossível, não 
há se falar em omissão penalmente relevante, excluindo-se a tipicidade da conduta. Para ser (ou não) 
punido, deve o agente ter conhecimento da situação causadora do perigo; consciência de sua 
posição de garantidor e ter possibilidade física de impedir a ocorrência do resultado. 
Obs.2: É norma penal aberta, de adequação típica mediata ou indireta, na espécie norma de 
extensão causal. 
Obs.3: O art. 13, § 2º, do CP, no tocante à natureza jurídica da omissão, acolheu a teoria normativa, 
pela qual a omissão é um nada, e “do nada, nada surge”. Não é punível de forma independente, ou seja, 
não se pune alguém pelo simples fato de ter se omitido. Só tem importância jurídico-penal quando 
presente o dever de agir. Daí a preferência pela teoria normativa. A omissão somente interessa ao Direito 
Penal quando, diante da inércia do agente, o ordenamento jurídico lhe impunha uma ação, um fazer.” 
(Fonte: Cleber Masson, 2016, p. 260). 
a) tenha por lei obrigação de Cuidado, Proteção ou Vigilância; (Mnemônico: P.V.C.) 
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; 
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. 
CRIME OMISSIVO PRÓPRIO CRIME OMISSIVO IMPRÓPRIO 
Puro ou Simples 
Impuro, Qualificado, Espúrio, Promíscuo, 
Comissivo-omissivo ou Comissivo por Omissão 
O agente tem o dever genérico de agir, que 
atinge a todos indistitamente, em razão do 
dever de solidariedade 
O agente tem o dever jurídico especial/específico 
de impedir o resultado 
A omissão está prevista no tipo incriminador 
A omissão não está prevista no tipo incriminador, 
sendo descrita em cláusula geral (art. 13, § 2º, CP) 
 A subsunção do fato (omissão) à norma é 
direta 
(Tipicidade Direta ou Imediata) 
A subsunção do fato (omissão) à norma é indireta, 
se valendo de uma norma de extensão causal 
(Tipicidade Indireta ou Mediata) 
Crimes de mera conduta, em regra Crimes materiais 
Crimes Unissubsistentes - Não admite 
tentativa e por consequência Desistência 
Voluntária e Arrependimento Eficaz 
Crimes Plurissubsistentes - Admite tentativa e 
por consequência Desistência Voluntária e 
Arrependimento Eficaz 
Em regra, pode ser praticado por qualquer 
pessoa (crimes comuns ou gerais) 
Só pode ser praticado por garantidor do art. 13, § 
2º, do CP (crimes próprios ou especiais) 
Ex.: Omissão de Socorro – Art. 135, CP 
Ex.: Mãe que deixa filho morrer por inanição: 
Homicídio – Art. 121, CP. 
Art. 14 - Diz-se o crime: 
Crime consumado 
I - CONSUMADO, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal; 
Tentativa 
Sinônmos: conatus, crime imperfeito, crime incompleto e crime manco. 
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11 
 
 
 
II - TENTADO, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do 
agente. 
Obs: É norma penal aberta, de adequação típica mediata ou indireta, na espécie norma de extensão 
temporal. 
 
CRIMES QUE NÃO ADMITEM 
TENTATIVA 
- Culposo (salvo culpa imprópria); 
- Contravenções penais (possível, mas não punível); 
- Habituais; 
- Omissivos próprios; 
- Unissubsistentes; 
- Preterdolosos/Preterintencionais; 
- Atentado/Empreendimento. 
Mnemônico → vou beber um C.C.H.O.U.P.A. 
 
TENTATIVA – PRINCIPAIS ESPÉCIES 
Tentativa Imperfeita, Inacabada ou 
Propriamente Dita 
Tentativa Perfeita, Acabada ou 
Crime-falho 
O agente é impedido de prosseguir no seu 
intento, deixando de praticar todos os atos 
executórios à sua disposição. 
Ex.: João, munindo com seis projéteis a arma 
escolhida para matar Antônio, é impedido, por 
populares, de efetuar o segundo disparo, 
evitando a morte da vítima. 
O agente, apesar de praticar todos os atos 
executórios à sua disposição, não consegue 
consumar o crime por circunstâncias alheias à sua 
vontade. 
Ex.: João dispara os seis tiros que tinha à disposição 
para matar Antônio, porém, ainda assim, não 
consegue alcançar o seu objetivo, sendo a vítima 
socorrida eficazmente. 
Tentativa Branca ou Incruenta Tentativa Vermelha ou Cruenta 
O golpe desferido (facada, tiro etc) não atinge a 
vítima 
O golpe desferido (facada, tiro etc) atinge a vítima. 
Pena de tentativa 
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, PUNE-SE a TENTATIVA com a pena correspondente 
ao CRIME CONSUMADO, DIMINUÍDA de um a dois terços. (causa de diminuição de pena) 
Obs.: O critério dediminuição da pena no crime tentato levará em consideração o iter criminis 
percorrido pelo agente. Quanto mais percorrer o inter, menor será a diminuição e vice-versa. 
Desistência voluntária e arrependimento eficaz 
Art. 15 - O agente que, VOLUNTARIAMENTE, DESISTE de prosseguir na execução (desistência 
voluntária) ou IMPEDE que o resultado se produza (arrependimento eficaz), SÓ RESPONDE pelos 
atos já praticados. (Ponte de Ouro) 
PONTES DO DIREITO PENAL 
PONTE DE 
OURO 
(Franz Von Liszt) 
PONTE DE 
PRATA 
(Franz Von Liszt) 
PONTE DE 
BRONZE 
PONTE DE 
DIAMANTE 
(LFG) 
- Desistência Voluntária 
(art. 15, 1ª parte, CP); 
- Arrependimento Eficaz 
(art. 15, 2ª parte, CP). 
Arrependimento 
Posterior 
(art. 16, CP). 
Confisão Espontânea 
(art. 65, III, “d”, CP). 
Colaboração Premiada 
(diversas previsões) 
Excludente da Tipicidade Atenuante Genérica Depende 
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12 
 
 
 
Causa Geral de 
Diminuição de Pena 
 
(Perdão judicial, 
substituição de pena 
etc) 
 
FÓRMULA DE FRANK 
Tentativa Desistência Voluntária 
Quero prosseguir, mas não posso! Posso prossefuir, mas não quero 
Arrependimento posterior 
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, REPARADO o dano ou 
RESTITUÍDA a coisa, ATÉ O RECEBIMENTO da denúncia ou da queixa, POR ATO VOLUNTÁRIO do 
agente, a pena SERÁ REDUZIDA de um a dois terços. (Ponte de Prata) 
 
DESISTÊNCIA 
VOLUNTÁRIA 
ARREPENDIMENTO 
EFICAZ 
ARREPENDIMENTO 
POSTERIOR 
Previsão Legal Art. 15, 1ª parte Art. 15, 2ª parte Art. 16 
Sinônimos 
Tentativa Abandonada, 
Qualificada ou Ponte de 
Ouro 
Tentativa Abandonada, 
Qualificada, Ponte de Ouro 
ou Resipiscência 
Ponte de Prata 
Definição 
Conduta daquele que, 
voluntariamente, desiste 
de proseguir na 
execução do crime. 
Conduta daquele que, 
voluntariamente, impede 
que o resultado material se 
produza. 
Conduta daquele que, 
voluntariamente e até o 
recebimento da 
denúncia/queixa , repara o 
dano ou restitui a coisa, 
salvo nos crimes 
cometidos com violência 
ou grave ameaça à pessoa. 
Natureza 
Jurídica 
Excludente da Tipicidade Excludente da Tipicidade 
Causa Geral de Diminuição 
de Pena 
Momento 
Início dos atos 
executórios até o fim dos 
atos executórios 
Fim dos atos executórios 
até a consumação 
Consumação até o 
recebimento da 
denúncia/queixa 
Quanto à 
Consumação 
Não consuma por 
circunstâncias inerentes à 
vontade do agente. 
Não consuma por 
circunstâncias inerentes à 
vontade do agente. 
Há consumação do crime. 
Consequência 
Responde pelos atos já 
praticados 
Responde pelos atos já 
praticados 
Responde pelo crime 
praticado + minorante 
(1/3 a 2/3) 
Exemplo 
Agente entra em uma 
casa para furtar mas 
depois desiste – 
responde por violação de 
domicílio. 
Agente efetua todos os 
disparos contra a vítima, 
mas depois decide evitar a 
morte socorrendo-a 
efetivamente – responde 
por lesão corporal. 
Agente autor de furto que, 
depois do flagrante 
devolve voluntariamente 
os bens subtraídos. 
 
 
 
 
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13 
 
 
 
#INFO 
- Não se aplica o arrependimento posterior em homicídio culposo na direção de veículo. 
Não se aplica o instituto do arrependimento posterior (art. 16 do CP) para o homicídio culposo na 
direção de veículo automotor (art. 302 do CTB) mesmo que tenha sido realizada composição civil entre 
o autor do crime a família da vítima. 
Para que seja possível aplicar a causa de diminuição de pena prevista no art. 16 do CP é indispensável 
que o crime praticado seja patrimonial ou possua efeitos patrimoniais. 
O arrependimento posterior exige a reparação do dano e isso é impossível no caso do homicídio. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.561.276-BA, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/6/2016 (Info 
590). 
 
- Não se aplica o arrependimento posterior ao crime de moeda falsa. 
Imagine que o réu tenha utilizado uma nota de R$ 100 falsificada para pagar uma dívida. Após alguns 
dias, descobriu-se que a cédula era falsa e, antes que houvesse denúncia, o agente ressarciu o credor 
por seus prejuízos. O réu praticou o crime de moeda falsa. É possível aplicar a ele o benefício do 
arrependimento posterior (art. 16 do CP)? 
NÃO. Não se aplica o instituto do arrependimento posterior ao crime de moeda falsa. No crime de 
moeda falsa – cuja consumação se dá com a falsificação da moeda, sendo irrelevante eventual dano 
patrimonial imposto a terceiros –, a vítima é a coletividade como um todo, e o bem jurídico tutelado é 
a fé pública, que não é passível de reparação. Desse modo, os crimes contra a fé pública, semelhantes 
aos demais crimes não patrimoniais em geral, são incompatíveis com o instituto do arrependimento 
posterior, dada a impossibilidade material de haver reparação do dano causado ou a restituição da coisa 
subtraída. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.242.294-PR, Rel. originário Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão 
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/11/2014 (Info 554). 
Crime impossível 
Sinônmos: quase-crime, tentativa inidônea. 
Art. 17 - NÃO SE PUNE a tentativa quando, POR INEFICÁCIA ABSOLUTA DO MEIO ou POR 
ABSOLUTA IMPROPRIEDADE DO OBJETO, É IMPOSSÍVEL consumar-se o crime. 
- Súmula nº 145, STF: “Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível 
a sua consumação.” 
- Súmula nº 567, STJ: “Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência 
de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a configuração 
do crime de furto.” 
 
Crime Impossível – Formas 
Ineficácia Absoluta 
do Meio 
Se verifica quando falta potencialidade causal, pois os instrumentos postos à 
serviço da conduta não são eficazes, em hipótese alguma, para a produção 
do resultado. 
Ex.: João, para matar Antônio, se vale (sem saber) de uma arma de brinquedo. 
Impropriedade 
Absoluta do Objeto 
Se dá quando a pessoa ou a coisa que representa o ponto de incidência da 
ação delituosa (objeto material) não serve à consumação do delito. A 
inidoneidade do objeto se verifica tanto em razão das circunstâncias em que 
se encontra (objeto impróprio) quanto em razão da sua inexistência (objeto 
inexistente). 
Ex.: João atira em Antônio, que, entretanto, já se encontrava morto no 
momento do disparo. 
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Crime Impossível – Teorias 
Teoria Sintomática 
Com a sua conduta, demonstra o agente ser perigoso, razão pela qual deve ser 
punido, ainda que o crime se mostre impossível de ser consumado. Por ter 
como fundamento a periculosidade do agente e não o fato praticado, esta 
teoria se relaciona diretamente com o direito penal do autor. Leva em 
consideração a PERICULOSIDADE do agente. 
Teoria Subjetiva 
Sendo a conduta subjetivamente perfeita (vontade consciente de praticar o 
delito), deve o agente sofrer a mesma pena cominada à tentativa, sendo 
indiferente os dados (objetivos) relativos à impropriedade do objeto ou 
ineficácia do meio, ainda quando absolutas. Leva em consideração a 
INTENÇÃO do agente. 
Teoria Objetiva 
Crime é conduta e resultado. Este configura dano ou perigo de dano ao bem 
jurídico. A execução deve ser idônea, ou seja, trazer a potencialidade do evento. 
Caso inidônea, temos configurado o crime impossível. Subdivide-se em: 
- Objetiva Pura: Não há tentativa, mesmo que a inidoneidade seja relativa, 
considerando-se, neste caso, quenão houve conduta capaz de causar lesão. 
Como o Direito Penal tem por fundamento a tutela de bens jurídicos, a 
inidoneidade do meio ou do objeto, absoluta ou relativa, impedem a 
configuração da tentativa; 
- Objetiva Temperada: A ineficácia do meio e a impropriedade do objeto 
devem ser absolutas para que não haja punição. Sendo relativas, pune-se 
a tentativa. Adotada! 
Art. 18 - Diz-se o crime: 
Crime doloso 
I - DOLOSO, quando O AGENTE quis o resultado (Teoria da Vontade – Dolo Direto) ou assumiu o 
risco de produzi-lo (Teoria do Assentimento ou Consentimento – Dolo Eventual); 
Dolo Direto ou Determinado 
Ocorre quando o agente prevê um resultado, dirigindo sua conduta na busca de realizar esse evento. 
De 1º Grau De 2º Grau De 3º Grau 
É o dolo por excelência: o 
agente tem a intenção 
(vontade consciente) de 
produzir o resultado e 
dirige sua conduta para este fim. 
O dolo abrange o 
fim e os meios escolhidos. 
O agente quer um resultado, 
mas sabe que a sua 
produção necessariamente 
dará causa a outros 
resultados. Também chamado 
de dolo de 
consequências necessárias. 
Trata-se da inevitável violação 
de bem jurídico em decorrência 
do resultado colateral produzido 
à título de dolo direto 
de segundo grau. Também 
chamado de dolo de duplas 
consequências necessárias. 
Ex.: quero matar meu desafeto, passageiro de um avião, para tanto, coloco uma bomba no avião. 
- Dolo de 1º grau: morte do desafeto; 
- Dolo de 2º grau: morte dos demais passageiros; 
- Dolo de 3º grau: morte do feto de uma passageira. 
 
Dolo Indireto ou Indeterminado 
O agente não dirige sua vontade a um resultado determinado. 
Alternativo Eventual 
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15 
 
 
 
O agente quer alcançar um ou outro resultado 
(alternatividade objetiva) ou atingir uma ou 
outra pessoa (alternatividade subjetiva). 
O agente prevê pluralidade de resultados, dirigindo 
a sua conduta para realizar um deles, assumindo o 
risco de realizar o outro. 
Aplica-se a teoria do assentimento. 
 
Dolo NORMATIVO, híbrido, colorido, 
cromático, cinzento, valorado ou dolus malus 
Dolo NATURAL, neutro, acromático ou 
avalorado 
Adotado pela teoria neokantista, integra a 
culpabilidade, trazendo, a par dos elementos 
consciência e vontade, também a consciência 
atual da ilicitude (elemento normativo). 
Adotado pela teoria finalista, integra a conduta e 
necessariamente o fato típico, despido da 
consciência da ilicitude (elemento da 
culpabilidade), pressupondo somente consciência 
e vontade. 
Em resumo: 
Teoria adotada → Neokantista; 
Elemento do Crime → Culpabilidade; 
Elementos → Consciência, Vontade e 
Consciência ATUAL da ilicitude. 
Em resumo: 
Teoria adotada → Finalista; 
Elemento do Crime → Fato Típico; 
Elementos → Consciência e Vontade. 
Crime culposo 
II - CULPOSO, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. 
ELEMENTOS DO CRIME CULPOSO 
- Conduta humana voluntária; 
- Resultado involuntário; 
- Violação do dever de cuidado objetivo; 
- Nexo causal; 
- Previsibilidade objetiva; 
- Tipicidade 
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como 
crime, senão quando o pratica dolosamente. 
Agravação pelo resultado 
Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver causado 
ao menos culposamente. 
Erro sobre elementos do tipo 
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime EXCLUI O DOLO, mas PERMITE a 
punição POR CRIME CULPOSO, se previsto em lei. 
ERRO DE TIPO ESSENCIAL ERRO DE TIPO ACIDENTAL 
É o erro que recai sobre as elementares do tipo. É o erro que recai sobre dados secundários do 
tipo. 
Pode excluir o crime. Não exclui o crime. 
Deve-se perquirir se o erro foi inescusável ou 
escusável, utilizando-se o parâmetro do homem 
médio. 
1) Erro escusável ou inevitável: exclui o dolo e a 
culpa (exclui o crime); 
2) Erro inescusável ou evitável: exclui o dolo, mas 
permite a punição por culpa, se houver previsão. 
Espécies: 
1) Erro sobre a pessoa ou error in persona; 
2) Erro sobre o objeto ou error in objecto; 
4) Erro na execução ou aberratio ictus; 
5) Resultado diverso do pretendido (aberratio 
Criminis ou aberratio delicti). 
3) Erro sobre o nexo causal (aberratio causae, dolo 
geral ou erro sucessivo); 
Descriminantes putativas 
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§ 1º - É ISENTO DE PENA quem, POR ERRO PLENAMENTE JUSTIFICADO PELAS CIRCUNSTÂNCIAS, 
SUPÕE situação de fato que, se existisse, TORNARIA a ação legítima. NÃO HÁ ISENÇÃO DE PENA 
quando O ERRO DERIVA de culpa e o fato é punível como crime culposo. (culpa imprópria, por 
extensão, por assimilação, ou por equiparação) 
#SeLigaNoConceito: 
Culpa imprópria (por extensão, por assimilação ou por equiparação): o agente, por erro evitável, 
fantasia certa situação de fato, supondo estar agindo acobertado por uma excludente de ilicitude 
(descriminante putativa por erro de fato), e, em razão disso, provoca intencionalmente um resultado 
ilícito. A estrutura do crime é dolosa, mas, em razão de política criminal, é punido como culposo. 
 
DESCRIMINANTE PUTATIVA 
TEORIA LIMITADA DA 
CULPABILIDADE 
TEORIA EXTREMADA DA 
CULPABILIDADE 
Erro relativo aos 
PRESSUPOSTOS FÁTICOS de 
uma causa de exclusão da 
ilicitude 
Erro de Tipo Permissivo 
Erro de Proibição Indireto ou 
Erro de Permissão 
Erro relativo à EXISTÊNCIA de 
uma causa de exclusão da 
ilicitude 
Erro de Proibição Indireto ou 
Erro de Permissão 
Erro de Proibição Indireto ou 
Erro de Permissão 
Erro relativo aos LIMITES de 
uma causa de exclusão da 
ilicitude 
Erro de Proibição Indireto ou 
Erro de Permissão 
Erro de Proibição Indireto ou 
Erro de Permissão 
Erro determinado por terceiro 
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. 
Erro sobre a pessoa 
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, 
neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria 
praticar o crime. 
ERRO SOBRE A PESSOA (ART. 20, § 3º, CP) ERRO NA EXECUÇÃO (ART. 73, CP) 
Há equivoco na representação da vítima 
pretendida. 
Representa-se corretamente a vítima 
pretendida. 
A execução do crime é correta – não há falha 
operacional. 
A execução do crime é errada – há falha 
operacional (erro na execução). 
A pessoa visada não corre perigo, porque foi 
confundida com outra. 
A pessoa visada corre perigo. 
Obs.: Nos dois casos, o agente responde pelo crime considerando as qualidades da vítima 
virtual/pretendida (teoria da equivalência). 
Erro sobre a ilicitude do fato 
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O ERRO SOBRE A ILICITUDE DO FATO, SE 
INEVITÁVEL, isenta de pena; SE EVITÁVEL, PODERÁ DIMINUÍ-LA de um sexto a um terço. 
ERRO DE TIPO ERRO DE PROIBIÇÃO 
Art. 20, caput, CP. Art. 21, CP. 
O erro recai sobre elementar do tipo. O erro recai sobre a ilicitude do fato. 
O agente se equivoca quanto ao que 
faz. 
O agente se equivoca quanto ao que 
é permitido fazer. 
O agente não sabe o que faz. 
O agente sabe o que faz, mas ignora ser 
proibido. 
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Recai sobre o Fato Típico, especificamente na 
Conduta. 
Recai sobre a Culpabilidade, especificamente na 
Potencial Consciência da Ilicitude. 
Consequências: 
- Inevitável, Invencível, Perdoável, Escusável 
(Exclui o dolo e a culpa); 
- Evitável, Vencível,Imperdoável, Inescusável 
(Exclui o dolo, mas permite a punição na 
modalidade culpa, se houver previsão). 
Consequências: 
- Inevitável, Invencível, Perdoável, Escusável 
(Isenta de pena – causa de exclusão da 
culpabilidade); 
- Evitável, Vencível, Imperdoável, Inescusável 
(Reduz a pena de 1/6 a 1/3 – causa geral de 
diminuição de pena). 
 
ERRO DE TIPO ESSENCIAL DELITO PUTATIVO POR ERRO DE TIPO 
Em ambos, há uma falsa percepção da realidade. O agente não sabe o que faz. 
O agente imagina praticar o indiferente penal. 
Acha que estar agindo licitamente. 
O agente imagina praticar um fato típico. Acha 
estar agindo ilicitamente. 
O agente ignora a presença de uma elementar. O agente ignora a ausência de uma elementar. 
O agente pratica o fato típico sem querer. O agente pratica o fato atípico sem querer. 
Ex.: O agente atira contra pessoa imaginando ser 
boneco de cera. 
Ex.: O agente atira contra boneco de cera 
imaginando ser pessoa. 
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da 
ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. 
Coação irresistível e obediência hierárquica 
Art. 22 - Se o fato é cometido sob COAÇÃO IRRESISTÍVEL ou EM ESTRITA OBEDIÊNCIA A ORDEM, não 
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, SÓ É PUNÍVEL o autor da coação ou da ordem. 
COAÇÃO FÍSICA IRRESISTIVEL 
(VIS ABSOLUTA) 
COAÇÃO MORAL IRRESISTIVEL 
(VIS COMPUSIVA) 
O coagido não tem vontade, sendo esta 
totalmente retirada e, assim, a própria conduta. 
O coagido tem vontade, mas é viciada, faltando 
exigibilidade de conduta diversa. 
Exclui a tipicidade 
(por falta de conduta) 
Exclui a culpabilidade 
(por inexigibilidade de conduta diversa) 
O fato é atípico O fato é típico, ilícito, porém não culpável 
Ex.: colocar uma pistola na mão de uma pessoa 
amarrada e puxar o gatilho junto a mão da 
mesma. 
Ex.: pai que é bancário e tem sua filha sob a mira 
de uma pistola e caso não passe a senha do cofre 
sua filha será morta. 
Exclusão de ilicitude 
Obs.: Norma penal não incriminadora permissiva justificante. 
Art. 23 - NÃO HÁ CRIME quando o agente pratica o fato: 
I - em estado de necessidade; 
II - em legítima defesa; 
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. 
Excesso punível 
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso 
ou culposo. 
Estado de necessidade 
Art. 24 - CONSIDERA-SE em ESTADO DE NECESSIDADE quem pratica o fato para salvar DE PERIGO 
ATUAL, que NÃO PROVOCOU por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou 
alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, NÃO ERA razoável exigir-se. 
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. 
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18 
 
 
 
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um 
a dois terços. 
Legítima defesa 
Art. 25 - Entende-se em LEGÍTIMA DEFESA quem, usando moderadamente dos meios necessários, 
REPELE injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. 
ESTADO DE NECESSIDADE LEGÍTIMA DEFESA 
Há um conflito entre titulares de bens ou 
interesses juridicamente protegidos. 
Há um conflito entre titular de bem ou interesse 
juridicamente protegido e um agressor que 
age ilicitamente. 
A atuação do agente do fato necessário pode 
voltar-se contra pessoas, animais e coisas. 
A atuação do titular do bem volta-se contra o 
agressor. 
O agente do fato necessário pode voltar-se contra 
terceira pessoal totalmente inocente (ESTADO 
DE NECESSIDADE OFENSIVO). 
O titular do bem ou interesse ameaçado somente 
está autorizado a se voltar contra o agressor. 
O bem ou interesse juridicamente tutelado está 
exposto a um perigo atual. 
O bem ou interesse juridicamente tutelado está 
exposto a uma agressão atual e iminente. 
Poder haver ação contra agressão justa (ESTADO 
DE NECESSIDADE RECÍPROCO). 
Deve haver somente ação contra agressão 
injusta. 
O agente do fato necessário, se possível, deve 
fugir da situação de perigo para salvar o bem ou 
interesse juridicamente tutelado. É o chamado 
COMMODUS DISCESSUS. 
O agredido não está obrigado a fugir, podendo 
enfrentar o agressor, que atua ilicitamente. 
 
POSSIBILIDADES DE COEXISTÊNCIA DE LEGITIMA DEFESA, ESTADO DE NECESSIDADE E 
ABERRATIO ICTUS 
INSTITUTO X INSTITUTO POSSÍVEL 
Legítima defesa autêntica/real Legítima defesa autêntica/real 
Não 
(legítima defesa 
recíproca) 
Legítima defesa excessiva Legítima defesa autêntica/real 
Sim 
(legítima defesa 
sucessiva) 
Legítima defesa putativa Legítima defesa autêntica/real Sim 
Legítima defesa putativa Legítima defesa putativa 
Sim 
(legítima defesa 
putativa recíproca) 
Estado de necessidade autêntico/real Legítima defesa autêntica/real Não 
Estado de necessidade autêntico/real Legítima defesa putativa Sim 
Legítima defesa autêntica/real Erro na execução ou Aberratio Ictus Sim 
 
TÍTULO III 
DA IMPUTABILIDADE PENAL 
CULPABILIDADE 
ELEMENTOS EXCLUDENTES/DIRIMENTES OBSERVAÇÕES 
Imputabilidade 
Doença Menta (Art. 26, caput); 
Menoridade (Art. 27); e 
Embriaguez Acidental (Art. 28, § 1º). 
Rol Taxativo 
O índio não é considerado 
inimputável, salvo se possuir 
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19 
 
 
 
alguma das dirimentes da 
imputabilidade. 
Potencial Consciência 
da Ilicitude 
Erro de Proibição Inevitável, Invencível ou 
Escusável (art. 21). 
Rol Taxativo 
Exiguibilidade de 
Conduta Diversa 
Coação Moral Irresistível; e 
Obediência Hierárquica. 
Rol Exemplificativo 
Inimputáveis 
Art. 26 - É ISENTO DE PENA o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto 
ou retardado, ERA, ao tempo da ação ou da omissão, INTEIRAMENTE incapaz de entender o caráter 
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 
Redução de pena 
Parágrafo único - A pena pode ser REDUZIDA de um a dois terços, se o agente, em virtude de 
perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado NÃO ERA 
INTEIRAMENTE capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse 
entendimento. 
Menores de dezoito anos 
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas 
estabelecidas na legislação especial. 
- Súmula nº 74, STJ: “Para efeitos penais, o reconhecimento da menoridade do réu requer prova por 
documento hábil.” 
- Súmula nº 605, STJ: “A superveniência da maioridade penal não interfere na apuração de ato 
infracional nem na aplicabilidade de medida socioeducativa em curso, inclusive na liberdade assistida, 
enquanto não atingida a idade de 21 anos.” 
Emoção e paixão 
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: 
I - a emoção ou a paixão; 
Embriaguez 
EMBRIAGUEZ 
NÃO ACIDENTAL ACIDENTAL 
Voluntária 
Completa ou Incompleta → Não exclui a 
imputabilidade; 
Culposa 
Completa ou Incompleta → Não exclui a 
imputabilidade. 
Caso Fortuito ou Força Maior 
Completa → Exclui a imputabilidade – art. 28, § 1° do 
CP; 
Incompleta → Reduz a pena de 1 a 2/3 – art. 28, § 2° 
do CP. 
PATOLÓGICA PREORDENADA 
Inteiramente incapacidade → Exclui a 
imputabilidade; 
Reduzida capacidade → Reduz a pena de 1 a 2/3. 
Completa ou Incompleta → Não exclui a 
imputabilidade; 
É agravante – art. 61, II, “L” do CP. 
II - a embriaguez, voluntária ou culposa,pelo álcool ou substância de efeitos análogos. 
§ 1º - É ISENTO DE PENA o agente que, por embriaguez COMPLETA (= absoluta), proveniente de CASO 
FORTUITO ou FORÇA MAIOR, ERA, ao tempo da ação ou da omissão, INTEIRAMENTE incapaz de 
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 
§ 2º - A pena pode ser REDUZIDA de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de 
CASO FORTUITO ou FORÇA MAIOR, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade 
de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 
 
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CAUSAS DE INIMPUTABILIDADE 
Menoridade 
Menores de 18 anos 
(Art. 27) 
Inimputáveis 
 
Doença Mental 
 
Discernimento algum 
(Ar. 26, caput) 
Inimputável 
Discernimento parcial 
(Ar. 26, p. único) 
Redução de pena 
(um a dois terços) 
Embriaguez 
Voluntária 
(dolosa ou culposa) 
Não afasta a imputabilidade 
Acidental 
(caso fortuito ou força maior) 
Discernimento algum 
(Art. 28, § 1º) 
Inimputável 
Discernimento parcial 
(Art. 28, § 2º) 
Redução de pena 
(um a dois terços) 
 
#SeLigaNoConceito: 
Teoria actio libera in causa: se caracteriza quando o agente comete o crime em estado de embriaguez 
não proveniente de caso fortuito ou força maior. No momento do crime o sujeito está inconsciente. A 
teoria antecipa o momento da análise da imputabilidade. A imputabilidade não será analisada no 
momento em que o crime foi praticado. Nesse momento ele estava inconsciente. É antecipada para o 
momento anterior àquele em que o agente livremente se colocou no estado de embriaguez. Para a 
embriaguez preordenada essa teoria é perfeita, pois no momento anterior já existia o dolo - o 
fundamento é a causalidade mediata. Antes de começar a beber já havia o dolo de cometer crime. 
 
TÍTULO IV 
DO CONCURSO DE PESSOAS 
CONCURSO DE PESSOAS – REQUISITOS 
Pluralidade de agentes e 
condutas 
É necessário uma coletividade (dois ou mais) de agentes, que empreendam 
condutas relevantes. 
Relevância causal das 
condutas 
Os agentes devem praticar condutas relevantes para o resultado fático. 
Liame subjetivo 
É o vínculo psicológico ou normativo entre os agentes. 
Não há necessidade de ajuste prévio (pactum sceleris). 
Identidade de infração 
penal 
Todos os agentes devem contribuir para o mesmo evento criminoso. 
Regras comuns às penas privativas de liberdade 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, CONCORRE para o crime INCIDE nas penas a este cominadas, NA 
MEDIDA DE SUA CULPABILIDADE. 
CONCURSO DE PESSOAS – AUTORIA 
Autoria Colateral, 
Paralela ou Imprópria 
Ocorre quando duas pessoas agem ao mesmo tempo, uma sem saber da 
existência da outra. Não há liame subjetivo e não há concurso de 
pessoas. 
Ex.: José e João se colocam em tocaia, no mesmo local, ignorando-se 
mutuamente, para matar Chico. Quando o mesmo passa pelo local, José e 
João disparam, causando a morte da vítima. 
Responsabilização → cada um responde individualmente (Aquele que 
efetuou o disparo fatal - homicídio consumado; Aquele que efetuou o 
outro disparo - homicídio tentado). 
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Autoria Incerta 
Ocorre quando não é possível identificar quem causou o resultado na 
autoria colateral. 
Responsabilização → ambos respondem por homicídio tentado. 
Autoria Ignorada ou 
Desconhecida 
Ocorre quando não se consegue identificar quem são os autores do 
evento criminoso. 
§ 1º - Se a participação FOR DE MENOR IMPORTÂNCIA, a pena PODE SER DIMINUÍDA de um sexto 
a um terço. 
§ 2º - Se algum dos concorrentes QUIS PARTICIPAR de CRIME MENOS GRAVE, SER-LHE-Á APLICADA 
a pena deste; essa pena SERÁ AUMENTADA até metade, na hipótese de TER SIDO previsível o 
RESULTADO MAIS GRAVE. 
DICAS: 
1. regra: coautores e partícipes respondem pelo mesmo crime na medida de sua culpabilidade; 
2. Participação de menor importância: causa de diminuição de 1/6 a 1/3 
3. "Cooperação dolosamente distinta": 
a) responde pelo crime menos grave, ou; 
b) em sendo previsível o resultado mais grave, aplica-se o aumento até metade. 
- Admite-se a coautoria no crime culposo. 
 
TEORIAS SOBRE A PUNIBILIDADE DO PARTÍCIPE 
Acessoriedade Mínima O agente prática → Fato Típico 
Acessoriedade Limitada O agente prática → Fato Típico + Ilícito (adotada) 
Acessoriedade Máxima O agente prática → Fato Típico + Ilícito + é Cupável 
Hiperacessoriedade O agente prática → Fato Típico + Ilícito + é Cupável + é Punido 
Circunstâncias incomunicáveis 
Art. 30 - NÃO SE COMUNICAM as CIRCUNSTÂNCIAS e as CONDIÇÕES DE CARÁTER PESSOAL, SALVO 
quando ELEMENTARES DO CRIME. 
Obs.: Nos crimes funcionais a condição de servidor público do autor não se comunica ao partícipe não 
funcionário, se este desconhecia a condição daquele. A qualidade de funcionário público é circunstância 
de caráter pessoal, que, nos crimes funcionais, é elementar e se comunica àqueles que, embora não a 
ostentem, tomem parte na ação criminosa. Para que o particular responda como coautor ou partícipe 
do crime funcional, todavia, a circunstância deve se inserir em sua esfera de conhecimento. 
Casos de impunibilidade 
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, 
não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser TENTADO. 
 
TÍTULO V 
DAS PENAS 
 
CAPÍTULO I 
DAS ESPÉCIES DE PENA 
SANÇÃO PENAL 
Pena Medidade de Segurança 
1 – Privativas de Liberdade: 
- Reclusão; 
- Detenção; 
- Prisão simples (LCP). 
 
1 – Restritiva 
 
2 – Detentiva 
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22 
 
 
 
2 – Retritivas de Direitos: 
- Prestação pecuniária; 
- Perda de bens e valores; 
- Prestação de serviço à comunidade ou a 
entidades públicas; 
- Interdição temporária de direitos; 
- Limitação de fim de semana. 
 
3 – Multa 
 
TEORIAS DAS FINALIDADES DA PENA 
TEORIA ABSOLUTA 
Finalidade → RETRIBUTIVA 
O crime é um mal que é pago com outro mal que é a pena. 
TEORIA RELATIVA 
Finalidade → PREVENTIVA 
Subdivide-se em: 
a) Prevenção Geral: mensagem para a 
SOCIEDADE: 
 
a.1) Negativa ou Prevenção por Intimidação: 
inibir/intimidar potenciais criminosos; 
 
a.2) Positiva ou Prevenção Integradora: 
demonstrar a vigência/integração da lei penal. 
b) Prevenção Especial: mensagem para o 
CONDENADO: 
 
b.1) Negativa: neutralização do condenado, para 
evitar a reincidência; 
 
b.2) Positiva: ressocialização do condenado. 
TEORIA MISTA, ECLÉTICA ou UNIFICADORA (adotada) 
Finalidade → RETRIBUTIVA e PREVENTIVA 
Conjuga necessidade de reprovação com a prevenção do crime, fazendo assim, com que se unifiquem 
as teorias absolutas e relativas, que se pautam, respectivamente, pelos critérios da retribuição e da 
prevenção”. 
Art. 32 - As penas são: 
I - privativas de liberdade; 
II - restritivas de direitos; 
III - de multa. 
 
SEÇÃO I 
DAS PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE 
Reclusão e detenção 
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto. A de 
detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, SALVO necessidade de transferência a regime fechado. 
§ 1º - CONSIDERA-SE: 
a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança máxima ou média; 
b) regime semi-aberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar; 
c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento adequado. 
§ 2º - As penas privativas de liberdade DEVERÃO SER EXECUTADAS em formaprogressiva, segundo o 
mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a 
regime mais rigoroso: 
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23 
 
 
 
a) o condenado a pena SUPERIOR a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado; 
b) o condenado NÃO REINCIDENTE, cuja pena seja SUPERIOR a 4 (quatro) anos e NÃO EXCEDA a 8 
(oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto; 
c) o condenado NÃO REINCIDENTE, cuja pena seja IGUAL OU INFERIOR a 4 (quatro) anos, poderá, 
desde o início, cumpri-la em regime aberto. 
- Súmula nº 269, STJ: É admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes 
condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais. 
- Súmula nº 440, STJ: Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime 
prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade 
abstrata do delito. 
- Súmula nº 718, STF: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui 
motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada. 
- Súmula nº 719, STF: A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada 
permitir exige motivação idônea. 
 
RECLUSÃO 
O regime INICIAL pode 
ser: 
- Fechado: pena SUPERIOR a 8 anos; 
- Semi-aberto: pena SUPERIOR a 4 e MENOR ou IGUAL a 8 anos; 
Obs.: se o condenado for REINCIDENTE, o regime inicial será o fechado. 
- Aberto: pena ATÉ 4 anos. 
Obs.: se o condenado for REINCIDENTE, o regime inicial será o semi-
aberto ou fechado. O que irá decidir serão as circunstâncias judiciais: 
• Se favoráveis: semi-aberto (súmula nº 269, STJ); 
• Se desfavoráveis: fechado. 
- Súmula nº 269, STJ: É admissível a adoção do regime prisional 
semiaberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro 
anos se favoráveis as circunstâncias judiciais. 
DETENÇÃO 
O regime INICIAL pode 
ser: 
- Fechado: não há previsão; 
- Semi-aberto: pena SUPERIOR a 4 anos; 
- Aberto: pena for ATÉ 4 anos. 
Obs.: se o condenado for reincidente, o regime inicial será o semi-aberto. 
§ 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos critérios 
previstos no art. 59 deste Código. 
§ 4o O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do 
cumprimento da pena CONDICIONADA à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto 
do ilícito praticado, com os acréscimos legais. 
- Súmula nº 491, STJ: “É inadmissível a chamada progressão per saltum de regime prisional.” 
Regras do regime fechado 
Art. 34 - O condenado será submetido, no início do cumprimento da pena, a exame criminológico de 
classificação para individualização da execução. 
§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho no período diurno e a isolamento durante o repouso 
noturno. 
§ 2º - O trabalho será em comum dentro do estabelecimento, na conformidade das aptidões ou 
ocupações anteriores do condenado, desde que compatíveis com a execução da pena. 
§ 3º - O trabalho externo é admissível, no regime fechado, em serviços ou obras públicas. 
Regras do regime semi-aberto 
Art. 35 - Aplica-se a norma do art. 34 deste Código, caput (exame criminológico), ao condenado que 
inicie o cumprimento da pena em regime semi-aberto. 
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§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho em comum durante o período diurno, em colônia agrícola, 
industrial ou estabelecimento similar. 
§ 2º - O trabalho externo é admissível, bem como a freqüência a cursos supletivos profissionalizantes, 
de instrução de segundo grau ou superior. 
Regras do regime aberto 
Art. 36 - O regime aberto baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado. 
§ 1º - O condenado deverá, fora do estabelecimento e sem vigilância, trabalhar, freqüentar curso ou 
exercer outra atividade autorizada, permanecendo recolhido durante o período noturno e nos dias de 
folga. 
§ 2º - O condenado será transferido do regime aberto, se praticar fato definido como crime doloso, 
se frustrar os fins da execução ou se, podendo, não pagar a multa cumulativamente aplicada. 
RECLUSÃO DETENÇÃO PRISÃO SIMPLES 
Nota 
Reservada para os 
crimes mais graves 
Reservada para os crimes 
menos graves 
Reservada para as 
contravenções penais 
Regime inicial 
de 
cumprimento 
da pena 
Fechado, semiaberto ou 
aberto. 
Semiaberto ou aberto. 
Obs.: não cabe regime 
inicial fechado, mas por 
meio da regressão é 
possível cumprimento da 
detenção em regime 
fechado. 
Semiaberto ou aberto. 
Obs.1: não cabe regime 
inicial fechado, nem 
mesmo por meio da 
regressão. 
Obs.2: deve ser 
cumprido em local 
distinto dos apenados 
por crime, sem os rigores 
penitenciários (art. 6º da 
LCP). 
Efeitos 
extrapenais da 
condenação 
Pode ter como efeito a 
incapacidade para o 
exercício do poder 
familiar, da tutela ou 
da curatela nos crimes 
dolosos sujeitos à pena 
de reclusão cometidos 
contra outrem 
igualmente titular do 
mesmo poder familiar, 
contra filho, filha ou 
outro descendente ou 
contra tutelado ou 
curatelado 
 (art. 92, II, do CP). 
Esse efeito não é possível 
no crime doloso punido 
com detenção. 
A prisão simples não 
sofre os efeitos 
extrapenais da 
condenação dos arts. 91 
e 92 do CP. 
Interceptação 
Telefônica 
Admite. 
Não admite. 
Exceção: se conexo com 
crime apenado com 
reclusão, que justificaram a 
interceptação (STF, HC 
83.515). 
Não admite. 
Regime especial 
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25 
 
 
 
Art. 37 - As mulheres cumprem pena em estabelecimento próprio, observando-se os deveres e direitos 
inerentes à sua condição pessoal, bem como, no que couber, o disposto neste Capítulo. 
Direitos do preso 
Art. 38 - O preso conserva todos os direitos não atingidos pela perda da liberdade, impondo-se a todas 
as autoridades o respeito à sua integridade física e moral. 
Trabalho do preso 
Art. 39 - O trabalho do preso será sempre remunerado, sendo-lhe garantidos os benefícios da 
Previdência Social. 
Legislação especial 
Art. 40 - A legislação especial regulará a matéria prevista nos arts. 38 e 39 deste Código, bem como 
especificará os deveres e direitos do preso, os critérios para revogação e transferência dos regimes e 
estabelecerá as infrações disciplinares e correspondentes sanções. 
Superveniência de doença mental 
Art. 41 - O CONDENADO a quem sobrevém doença mental deve ser recolhido a hospital de custódia 
e tratamento psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento adequado. 
Detração 
Art. 42 - COMPUTAM-SE, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, O TEMPO de 
prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em 
qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo anterior. 
 
SEÇÃO II 
DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS 
Penas restritivas de direitos 
Art. 43. As penas restritivas de direitos são: 
I – prestação pecuniária; 
II – perda de bens e valores; 
III – limitação de fim de semana; 
IV – prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas; 
V – interdição temporária de direitos; 
VI – limitação de fim de semana. 
Art. 44. As PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS são autônomas e SUBSTITUEM as privativas de 
liberdade, quando: 
I – aplicada pena privativa de liberdade NÃO SUPERIOR a quatro anos e o crime não for cometido com 
violência ou grave ameaça à pessoa ou,qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; 
II – o réu não for reincidente em crime doloso; 
#INFO 
- STF reconheceu o princípio da insignificância, mas, como o réu era reincidente, em vez de 
absolvê-lo, o Tribunal utilizou esse reconhecimento para conceder a pena restritiva de direitos, 
afastando o óbice do art. 44, II, do CP. 
Em regra, o reconhecimento do princípio da insignificância gera a absolvição do réu pela atipicidade 
material. Em outras palavras, o agente não responde por nada. 
Em um caso concreto, contudo, o STF reconheceu o princípio da insignificância, mas, como o réu era 
reincidente, em vez de absolvê-lo, o Tribunal utilizou esse reconhecimento para conceder a substituição 
da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, afastando o óbice do art. 44, II, do CP: 
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: 
(...) II – o réu não for reincidente em crime doloso; 
Situação concreta: Antônio foi denunciado por tentar furtar quatro frascos de xampu de um 
supermercado, bens avaliados em R$ 31,20. O réu foi condenado pelo art. 155 c/c art. 14, II, do CP a 
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26 
 
 
 
uma pena de 8 meses de reclusão. Foi aplicado o regime inicial semiaberto e negada a substituição por 
pena restritiva de direitos em virtude de ele ser reincidente (já possuía uma condenação anterior por 
furto), atraindo a vedação do art. 44, II, do CP. 
Em razão da reincidência, o STF entendeu que não era o caso de absolver o condenado, mas, em 
compensação, determinou que a pena privativa de liberdade fosse substituída por restritiva de direitos, 
afastando a proibição do art. 44, II, do CP. 
STF. 1ª Turma. HC 137217/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, 
julgado em 28/8/2018 (Info 913). 
III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como 
os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. 
§ 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por MULTA ou por UMA 
PENA RESTRITIVA DE DIREITOS; se superior a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser 
substituída por UMA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS E MULTA ou por DUAS RESTRITIVAS DE 
DIREITOS. 
Pena = ou < 1 ano 
Multa; ou 
1 PRD. 
Pena > 1 ano 
Multa e PRD; ou 
2 PRD 
§ 3o Se o condenado for REINCIDENTE, o juiz PODERÁ APLICAR A SUBSTITUIÇÃO, desde que, em face 
de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a REINCIDÊNCIA NÃO SE TENHA 
OPERADO em virtude da prática do mesmo crime (reincidente específico). 
§ 4o A pena restritiva de direitos CONVERTE-SE em privativa de liberdade quando OCORRER o 
descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade a 
executar SERÁ DEDUZIDO o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, RESPEITADO o saldo 
mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão. 
§ 5o SOBREVINDO condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o JUIZ DA EXECUÇÃO 
PENAL decidirá sobre a CONVERSÃO, PODENDO DEIXAR DE APLICÁ-LA se for possível ao condenado 
cumprir a pena substitutiva anterior. 
Conversão das penas restritivas de direitos 
Art. 45. Na aplicação da substituição prevista no artigo anterior, proceder-se-á na forma deste e dos arts. 
46, 47 e 48. 
§ 1o A PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA consiste no pagamento em dinheiro À VÍTIMA, A SEUS 
DEPENDENTES ou A ENTIDADE PÚBLICA ou PRIVADA COM DESTINAÇÃO SOCIAL, de importância 
fixada pelo juiz, NÃO INFERIOR a 1 (um) salário mínimo NEM SUPERIOR a 360 (trezentos e sessenta) 
salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual condenação em ação de 
reparação civil, se COINCIDENTES OS BENEFICIÁRIOS. 
#INFO 
- Juiz não deve decretar o arresto dos bens do condenado como forma de cumprimento forçado 
da prestação pecuniária (pena restritiva de direitos). 
Em caso de descumprimento injustificado da pena restritiva de direitos (ex: prestação pecuniária), o CP 
prevê, como consequência, a reconversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade. Logo, 
o juiz não deve decretar o arresto dos bens do condenado como forma de cumprimento forçado da 
pena substitutiva. A possibilidade de reconversão da pena já é a medida que, por força normativa, atribui 
coercividade à pena restritiva de direitos. 
Ex: João foi condenado a pena de 3 anos de reclusão, tendo o juiz substituída a pena privativa de 
liberdade por duas restritivas de direitos. Uma delas foi o pagamento de prestação pecuniária no valor 
total de R$ 100 mil, parceladamente em 36 prestações mensais. O Ministério Público afirmou que o 
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prazo para cumprimento da prestação pecuniária é muito longo e que haveria o risco de o condenado 
não pagar. Diante disso, pediu ao juiz que decretasse o arresto dos bens do sentenciado. Este 
requerimento deverá ser indeferido. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.699.665-PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 
07/08/2018 (Info 631). 
§ 2o No caso do parágrafo anterior, SE HOUVER ACEITAÇÃO do beneficiário, a prestação pecuniária 
PODE CONSISTIR em prestação de outra natureza. 
§ 3o A PERDA DE BENS E VALORES pertencentes aos condenados dar-se-á, ressalvada a legislação 
especial, em favor do Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor terá como teto – o que for maior – o 
MONTANTE do prejuízo causado ou do provento obtido pelo agente ou por terceiro, em 
conseqüência da prática do crime. 
Prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas 
Art. 46. A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE OU A ENTIDADES PÚBLICAS É APLICÁVEL às 
condenações SUPERIORES a seis meses de privação da liberdade. 
§ 1o A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas consiste na atribuição de tarefas 
gratuitas ao condenado. 
§ 2o A prestação de serviço à comunidade dar-se-á em entidades assistenciais, hospitais, escolas, 
orfanatos e outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais. 
§ 3o As tarefas a que se refere o § 1o serão atribuídas conforme as aptidões do condenado, devendo ser 
cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação, fixadas de modo a não prejudicar a 
jornada normal de trabalho. 
§ 4o Se a pena SUBSTITUÍDA for SUPERIOR a um ano, É FACULTADO ao condenado cumprir a pena 
substitutiva em menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada. 
Interdição temporária de direitos 
Art. 47 - As penas de INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS são: 
I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo; 
II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de 
licença ou autorização do poder público; 
III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo. 
IV – proibição de freqüentar determinados lugares. 
V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos. 
Limitação de fim de semana 
Art. 48 - A LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA consiste na obrigação de permanecer, aos sábados e 
domingos, por 5 (cinco) horas diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado. 
Parágrafo único - Durante a permanência poderão ser MINISTRADOS ao condenado cursos e palestras 
ou atribuídas atividades educativas. 
 
SEÇÃO III 
DA PENA DE MULTA 
Multa 
- Súmula nº 171, STJ: “Cominadas cumulativamente, em lei especial, penas privativa de liberdade e 
pecuniária, é defeso a substituição da prisão por multa.” 
- Súmula nº 499, STF: “Não obsta a concessão do sursis condenação anterior apena de multa.” 
- Súmula nº 693, STF: “Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou 
relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.” 
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Art. 49 - A PENA DE MULTA consiste no pagamento ao FUNDO PENITENCIÁRIO da quantia fixada na 
sentença e calculada em dias-multa. Será, no mínimo, de 10 (dez) e, no máximo, de 360 (trezentos e 
sessenta) dias-multa. 
§ 1º - O VALOR do dia-multa será fixado pelo juiz não podendo ser INFERIOR a um trigésimo do maior 
salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem SUPERIOR a 5 (cinco) vezes esse salário. 
§ 2º - O valor da multa será atualizado, quando da execução, pelos índices de correção monetária. 
Pagamento da multa 
Art. 50 - A multa DEVE SER paga dentro de 10 (dez) dias depois de transitada em julgado a sentença. 
A requerimento do condenado e conforme as circunstâncias, o juiz pode permitir que o pagamento se 
realize em parcelas mensais. 
§ 1º - A cobrança da multa pode efetuar-se mediante desconto no vencimento ou salário do condenado 
quando: 
a) aplicada isoladamente; 
b) aplicada cumulativamente com pena restritiva de direitos; 
c) concedida a suspensão condicional da pena. 
§ 2º - O desconto não deve incidir sobre os recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua 
família. 
Conversão da Multa e revogação 
Modo de conversão. 
Art. 51 - Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada DÍVIDA DE VALOR, 
aplicando-se-lhes as normas da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que 
concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição. 
#INFO 
- MP é quem deve executar a pena de multa e, apenas se ficar inerte por mais de 90 dias, essa 
legitimidade é transferida para a Fazenda Pública. #MUDANÇA DE ENTENTIMENTO 
O Ministério Público possui legitimidade para propor a cobrança de multa decorrente de sentença penal 
condenatória transitada em julgado, com a possibilidade subsidiária de cobrança pela Fazenda Pública. 
Quem executa a pena de multa? 
• Prioritariamente: o Ministério Público, na vara de execução penal, aplicando-se a LEP. 
• Caso o MP se mantenha inerte por mais de 90 dias após ser devidamente intimado: a Fazenda 
Pública irá executar, na vara de execuções fiscais, aplicando-se a Lei nº 6.830/80. 
STF. Plenário. ADI 3150/DF, Rel. para acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 12 e 13/12/2018 
(Info 927). 
STF. Plenário. AP 470/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 12 e 13/12/2018 (Info 927). 
Obs: a Súmula nº 521-STJ fica superada e deverá ser cancelada. Súmula nº 521, STJ: A legitimidade 
para a execução fiscal de multa pendente de pagamento imposta em sentença condenatória é exclusiva 
da Procuradoria da Fazenda Pública. 
 
- Legitimidade do MP para promover medida que garanta o pagamento de multa penal. 
O Ministério Público tem legitimidade para promover medida assecuratória que vise à garantia do 
pagamento de multa imposta por sentença penal condenatória. 
É certo que, com a edição da Lei 9.268/1996, que deu nova redação ao art. 51 do CP, a legitimidade para 
a cobrança da pena de multa passou a ser da Fazenda Pública. No entanto, a pena de multa continua 
tendo natureza jurídica de sanção penal e, no caso em tela, não se está discutindo a legitimidade do MP 
para cobrança de pena de multa, mas sim para promover medida assecuratória, providência que está 
assegurada pelo art. 142 do CPP e pela própria CF/88, quando esta prevê que o MP é titular da ação 
penal. 
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Enquanto não há trânsito em julgado da condenação, a Fazenda Pública não pode tomar qualquer 
providência relacionada com a cobrança da pena de multa. Assim, se não fosse permitido que o MP 
atuasse nesse caso, ninguém mais teria legitimidade para essas medidas acautelatórias, já que a atuação 
da Fazenda Pública na execução da multa penal só ocorre muito mais tarde, após o trânsito em julgado. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.275.834-PR, Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ-
SP), julgado em 17/3/2015 (Info 558). 
Suspensão da execução da multa 
Art. 52 - É SUSPENSA A EXECUÇÃO da pena de multa, se sobrevém ao condenado doença mental. 
 
CAPÍTULO II 
DA COMINAÇÃO DAS PENAS 
Penas privativas de liberdade 
Art. 53 - As PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE têm seus limites estabelecidos na sanção 
correspondente a cada tipo legal de crime. 
Penas restritivas de direitos 
Art. 54 - As penas restritivas de direitos são aplicáveis, independentemente de cominação na parte 
especial, em SUBSTITUIÇÃO à pena privativa de liberdade, fixada em quantidade INFERIOR a 1 (um) 
ano, ou nos crimes culposos. 
Art. 55. As penas restritivas de direitos referidas nos incisos III, IV, V e VI do art. 43 terão a mesma 
duração da pena privativa de liberdade substituída, ressalvado o disposto no § 4o do art. 46. 
Art. 56 - As penas de INTERDIÇÃO, previstas nos incisos I e II do art. 47 deste Código, aplicam-se para 
todo o crime cometido no exercício de profissão, atividade, ofício, cargo ou função, sempre que 
houver violação dos deveres que lhes são inerentes. 
Art. 57 - A pena de INTERDIÇÃO, prevista no inciso III do art. 47 deste Código, aplica-se aos crimes 
culposos de trânsito. 
Pena de multa 
Art. 58 - A multa, prevista em cada tipo legal de crime, tem os limites fixados no art. 49 e seus 
parágrafos deste Código. 
Parágrafo único - A multa prevista no parágrafo único do art. 44 e no § 2º do art. 60 deste Código 
aplica-se INDEPENDENTEMENTE de cominação na parte especial. 
 
CAPÍTULO III 
DA APLICAÇÃO DA PENA 
Fixação da pena 
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do 
agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da 
vítima, estabelecerá, conforme seja NECESSÁRIO E SUFICIENTE para REPROVAÇÃO E PREVENÇÃO do 
crime: 
- Súmula nº 444, STJ: “É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar 
a pena-base.” 
 
ATENÇÃO: 
Inquéritos policiais e/ou ações penais em cursos podem ser utilizados no processo penal? 
Para agravar a pena-base 
(1ª fase da dosimetria) 
NÃO 
(Súmula nº 444, STJ) 
Para decretação da prisão preventiva como garantia da ordem 
pública 
SIM 
(RHC 70.698, STJ) 
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Para afastar a causa de diminuição de pena do art. 33, § 4º 
(tráfico privilegiado), da Lei de Drogas 
SIM 
(EREsp 1.431.091) 
 
#INFO 
- Condenações anteriores transitadas em julgado não podem ser utilizadas como conduta social 
desfavorável. 
A circunstância judicial "conduta social", prevista no art. 59 do Código Penal, representa o 
comportamento do agente no meio familiar, no ambiente de trabalho e no relacionamento com outros 
indivíduos. 
Os antecedentes sociais do réu não se confundem com os seus antecedentes criminais. São 
circunstâncias distintas, com regramentos próprios. 
Assim, não se mostra correto o magistrado utilizar as condenações anteriores transitadas em julgado 
como "conduta social desfavorável". 
STF. 2ª Turma. RHC 130132, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 10/5/2016 (Info 825). 
 
- Vulnerabilidade emocional e psicológica da vítima como circunstância negativa na dosimetria 
da pena. 
O fato de o agente ter se aproveitado, para a prática do crime, da situação de vulnerabilidade emocional 
e psicológica da vítima decorrente da morte de seu filho em razão de erro médico pode constituir motivo 
idôneo para a valoração negativa de sua culpabilidade.STJ. 5ª Turma. HC 264.459-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/3/2016 (Info 
579). 
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; 
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos; 
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; 
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível. 
APLICAÇÃO DA PENA – CRITÉRIO TRIFÁSICO 
1ª Fase 2ª Fase 3ª Fase 
Pena-Base Pena Intermediária Pena Definitiva 
É fixada com base nas 
circunstâncias judiciais do 
art. 59, CP. 
Atenuantes e agravantes 
genéricas 
Causas de aumento e 
diminuição 
O julgador não pode fixar a pena fora dos limites máximos e 
mínimo cominados pelo legislador. 
O julgador pode fixar a pena 
além do limite máximo ou 
aquém do limite mínimo. 
Critérios especiais da pena de multa 
Art. 60 - Na FIXAÇÃO DA PENA DE MULTA o juiz DEVE ATENDER, principalmente, à SITUAÇÃO 
ECONÔMICA DO RÉU. 
§ 1º - A MULTA PODE SER AUMENTADA ATÉ O TRIPLO, se o juiz considerar que, em virtude da situação 
econômica do réu, é ineficaz, embora aplicada no máximo. 
Multa substitutiva 
§ 2º - A pena privativa de liberdade aplicada, NÃO SUPERIOR a 6 (seis) meses, pode ser SUBSTITUÍDA 
pela de multa, observados os critérios dos incisos II e III do art. 44 deste Código. 
PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA MULTA 
Natureza Jurídica É espécie de pena restritiva de direitos É pena propriamente dita 
Destinação 
1. Vítima; 
2. Dependentes; ou 
Estado 
(Fundo Penitenciário Nacional). 
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3. Entidade pública ou privada com 
destinação social. 
Valor 1 a 360 salários mínimos. 
1/30 a 5x o valor do maior salário 
mínimo vigente ao tempo do fato. 
Cálculo Em salários mínimos 
Em dias-multa, que podem variar de 
10 a 360 dias-multa. 
Possibilidade de 
dedução 
O valor pago é deduzido em eventual 
ação de reparação de danos no cível, 
se coincidentes os benefíciários. 
O valor pago não é deduzido em 
eventual ação de reparação de danos 
no cível 
Conversão em PPL 
Pode ser convertida, caso 
descumprida. 
Não pode ser convertida, caso 
descumprida. 
Deve ser executada como dívida ativa 
(Fazenda Pública). 
Pode efetuar-se 
mediante deconto 
no vencimento ou 
salário do 
condenado? 
Não 
Sim, quando: 
- Aplicada isoladamento; 
- Aplicada cumulativamente com 
pena restritiva de direitos; 
- Concedida a suspensão condicional 
da pena. 
Possibilidade de HC 
Cabe HC 
(porque pode ser convertida em PPL – 
Não se aplica a súmula 693 do STF) 
Não cabe HC 
(Aplica-se a súmula 693 do STF: “Não 
cabe habeas corpus contra decisão 
condenatória a pena de multa, ou 
relativo a processo em curso por 
infração penal a que a pena pecuniária 
seja a única cominada.” – ex.: drogas 
para consumo) 
Circunstâncias agravantes 
Art. 61 - São CIRCUNSTÂNCIAS que SEMPRE AGRAVAM a pena, quando não CONSTITUEM ou 
QUALIFICAM o crime: 
I - a reincidência; 
- Súmula nº 220, STJ: “A reincidência não influi no prazo da prescrição da pretensão punitiva.” 
- Súmula nº 241, STJ: “A reincidência penal não pode ser considerada como circunstância agravante e, 
simultaneamente, como circunstância judicial.” 
 
#INFO 
- As agravantes (tirante a reincidência) não se aplicam aos crimes culposos. 
As circunstâncias agravantes genéricas não se aplicam aos crimes culposos, com exceção da reincidência. 
STF. 1ª Turma. HC 120165/RS, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2014 (Info 735). 
II - TER o agente cometido o crime: 
a) por MOTIVO fútil ou torpe; 
b) para FACILITAR ou ASSEGURAR a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro 
crime; 
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou tornou 
impossível a defesa do ofendido; 
d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que 
podia resultar perigo comum; 
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e) CONTRA ascendente, descendente, irmão ou cônjuge; 
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de 
hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica; 
#INFO 
- Ausência de bis in idem na aplicação do art. 1º, § 4º, II, da Lei de Tortura em conjunto com a 
agravante do art. 61, II, "f", do Código Penal. 
No caso de crime de tortura perpetrado contra criança em que há prevalência de relações domésticas e 
de coabitação, não configura bis in idem a aplicação conjunta da causa de aumento de pena prevista no 
art. 1º, § 4º, II, da Lei nº 9.455/1997 (Lei de Tortura) e da agravante genérica estatuída no art. 61, II, "f", 
do Código Penal. 
STJ. 6ª Turma. HC 362.634-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 16/8/2016 
(Info 589). 
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão; 
h) CONTRA criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida; 
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade; 
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de desgraça 
particular do ofendido; 
l) em estado de embriaguez preordenada. 
Agravantes no caso de concurso de pessoas 
Art. 62 - A pena será ainda AGRAVADA em relação ao agente que: 
I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes; 
#INFO 
Compatibilidade entre a agravante do art. 62, I, do CP e a condição de mandante do delito. 
A incidência da agravante do art. 62, I, do Código Penal é compatível com a autoria intelectual do delito 
(mandante). 
No entanto, o mandante do crime somente deverá ser punido com a agravante se, no caso concreto, 
houver elementos que sirvam para caracterizar a situação descrita pelo inciso I do art. 62, ou seja, é 
necessário que fique demonstrado que ele promoveu, organizou o crime ou dirigiu a atividade dos 
demais agentes. 
Em outras palavras, o mandante poderá responder pela agravante do inciso I do art. 62 do CP, mas isso 
nem sempre acontecerá, dependendo das circunstâncias do caso concreto. 
STJ. 5ª Turma. REsp 1.563.169-DF, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/3/2016 
(Info 580). 
II - coage ou induz outrem à execução material do crime; 
III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou não-punível em virtude 
de condição ou qualidade pessoal; 
IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de recompensa. 
Reincidência 
Art. 63 - VERIFICA-SE a REINCIDÊNCIA quando o agente COMETE NOVO CRIME, depois de transitar 
em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o TENHA CONDENADO POR CRIME 
ANTERIOR. 
Se a pessoa é condenada 
definitivamente por 
E depois da condenação 
definitiva pratica novo(a) 
Qual será a consequência? 
CRIME 
(no Brasil ou exterior) 
CRIME 
Reincidência 
(Art. 63, CP) 
CRIME 
(no Brasil ou exterior) 
CONTRAVENÇÃO 
(no Brasil) 
Reincidência 
(Art. 7º, CLP) 
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CONTRAVENÇÃO 
(no Brasil) 
CONTRAVENÇÃO 
(no Brasil) 
Reincidência 
(Art. 7º, CLP) 
CONTRAVENÇÃO 
(no Brasil) 
CRIME 
Não há Reincidência 
(maus antecedentes) 
CONTRAVENÇÃO 
(no estrangeiro) 
CRIME ou CONTRAVENÇÃO 
Não há Reincidência 
(contravenção no esterior não 
influi aqui) 
Art. 64 - Para efeito de REINCIDÊNCIA: 
I - NÃO PREVALECE a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da pena e 
a infração posterior TIVER DECORRIDO período de temposuperior a 5 (cinco) anos, COMPUTADO o 
período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer revogação; 
A existência de condenação anterior, ocorrida em prazo superior a 5 anos, contado da extinção 
da pena, poderá ser considerada como maus antecedentes? Após o período depurador, ainda será 
possível considerar a condenação como maus antecedentes? 
 
- STJ: SIM! Incide o PRINCÍPIO DA PERPETUIDADE para os maus antecedentes. 
 
- STF: NÃO! Incide o PRINCÍPIO DA TEMPORARIEDADE para a reincidência e para os maus 
antecedentes (Info 799 do STF). 
II - NÃO SE CONSIDERAM os crimes militares próprios e políticos. 
Circunstâncias atenuantes 
- Súmula nº 231, STJ: “A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena 
abaixo do mínimo legal.” 
Art. 65 - São CIRCUNSTÂNCIAS que SEMPRE ATENUAM a pena: 
I - SER o agente MENOR de 21 (vinte e um), NA DATA DO FATO, ou MAIOR de 70 (setenta) anos, NA 
DATA DA SENTENÇA; 
II - o desconhecimento da lei; 
III - TER o agente: 
a) COMETIDO o crime por motivo de relevante valor social ou moral; 
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe 
as conseqüências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano; 
c) COMETIDO o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade 
superior, ou sob a INFLUÊNCIA de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima; 
#NãoConfunda: 
Atenuante Genérica 
(art. 65, III, c, 2ª parte) 
Causa de Diminuição do Homicídio 
(art. 121, § 1º) 
Sob a INFLUÊNCIA de violenta emoção, 
provocada por ato injusto da vítima. 
Sob o DOMÍNIO de violenta emoção, logo em 
seguida a injusta provocação da vítima. 
A intensidade é menor (influência) A intensidade é maior (domínio) 
Dispensa o requisito temporal Reação imediade (logo em seguida) 
Aplica-se a qualquer crime Aplica-se ao homicídio doloso 
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade (Juiz, MP ou Delegado), a autoria do crime; 
- Súmula nº 545, STJ: “Quando a confissão for utilizada para a formação do convencimento do julgador, 
o réu fará jus à atenuante prevista no art. 65, III, d, do Código Penal.” 
 
 
 
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#INFO 
- Compensação da atenuante da confissão espontânea com a agravante da promessa de 
recompensa. 
É possível compensar a atenuante da confissão espontânea (art. 65, III, "d", do CP) com a agravante da 
promessa de recompensa (art. 62, IV). 
STJ. 5ª Turma. HC 318.594-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 16/2/2016 (Info 577). 
 
- Compensação entre a atenuante da confissão espontânea e a agravante de violência contra a 
mulher. 
O réu praticou o crime com violência contra a mulher. Isso configura uma agravante (art. 61, I, "f", do 
CP). No entanto, ele confessou a prática do crime, o que é uma atenuante (art. 65, III, "d"). Diante disso, 
qual dessas circunstâncias irá prevalecer? 
Nenhuma delas. Elas irão se compensar. Segundo decidiu o STJ, compensa-se a atenuante da confissão 
espontânea (art. 65, III, "d", do CP) com a agravante de ter sido o crime praticado com violência contra 
a mulher (art. 61, II, "f", do CP). 
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 689.064-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 
6/8/2015 (Info 568). 
 
- A reincidência e a confissão espontânea se compensam ou prepondera a reincidência? 
Caso o réu tenha confessado a prática do crime (o que é uma atenuante), mas seja reincidente (o que 
configura uma agravante), qual dessas circunstâncias irá prevalecer? 
1ª) Posição do STJ: em regra, reincidência e confissão se COMPENSAM. 
Exceção: se o réu for multirreincidente, prevalece a reincidência. 
2ª Posição do STF: a agravante da REINCIDÊNCIA prevalece. 
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.424.247-DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 3/2/2015 (Info 
555). 
STF. 2ª Turma. RHC 120677. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 18/03/2014. 
 
Em Resumo: 
Confissão x Promessa de recompensa Compensa 
Confissão x Violência contra a mulher Compensa 
Confissão x Reincidência Compensa (prevalece) 
. 
e) COMETIDO o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o provocou. 
Art. 66 - A pena PODERÁ SER AINDA ATENUADA em razão de circunstância relevante, ANTERIOR 
ou POSTERIOR AO CRIME, embora não prevista expressamente em lei. (ATENUANTE INOMINADA) 
Concurso de circunstâncias agravantes e atenuantes 
Art. 67 - NO CONCURSO DE AGRAVANTES E ATENUANTES, a pena DEVE APROXIMAR-SE do limite 
indicado pelas CIRCUNSTÂNCIAS PREPONDERANTES, ENTENDENDO-SE como tais as que resultam 
dos MOTIVOS DETERMINANTES DO CRIME, da PERSONALIDADE DO AGENTE e da REINCIDÊNCIA. 
Cálculo da pena 
Art. 68 - A PENA-BASE SERÁ FIXADA atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em seguida 
SERÃO CONSIDERADAS as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de 
diminuição e de aumento. 
Parágrafo único - No CONCURSO DE CAUSAS DE AUMENTO ou DE DIMINUIÇÃO previstas na parte 
especial, PODE O JUIZ LIMITAR-SE a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, 
a causa que mais aumente ou diminua. 
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AGRAVANTES E ATENUANTES CAUSAS DE AUMENTO E DIMINUIÇÃO 
Sinônimos Circunstâncias legais Majorantes e Minorantes 
Momento 
2ª fase da aplicação da pena, tomando 
por base a pena-base. 
3ª fase da aplicação da pena, tomando por 
base a pena intermediária. 
Localização 
Estão localizadas apenas na Parte Geral 
do CP. 
(Sem prejuízo de outras circunstâncias 
na Legislação Extravagante) 
Estão localizadas tanto na Parte Geral como 
na Parte Especial do CP. 
(Sem prejuízo de outras circunstâncias na 
Legislação Extravagante) 
Limites Legais 
Devem respeitar os limites de pena 
previstos. 
Súmula 231 do STJ: “A incidência da 
circunstância atenuante não pode 
conduzir à redução da pena abaixo do 
mínimo legal.” 
Não devem respeitar os limites de pena 
previstos. 
A pena definitiva pode ficar aquém do 
mínimo ou além do máximo. 
Quantum 
O quantum de aumento e diminuição de 
pena fica a critério do juiz, não sendo 
previsto em lei. 
O quantum de aumento e diminuição de 
pena está previsto em lei, e pode ser: 
- Fixo: ex.: art. 121, §4º (no homicídio 
doloso, a pena é aumentada de 1/3 quando 
a vítima é menor de 14 anos) 
- Variável: ex.: art. 14, p. único (na tentativa, 
a pena do crime é reduzida de 1/3 a 2/3). 
Exemplos 
Agravantes → Arts. 61 e 62, CP; 
Atenuantes → Arts. 65 e 66, CP. 
Art. 14, p. único → Punição da tentativa; 
Art. 157, §2º → Roubo majorado. 
 
SÚMULAS SOBRE PENA 
STF STJ 
- Súmula nº 499: “Não obsta a concessão do sursis 
condenação anterior a pena de multa.” 
- Súmula nº 693: “Não cabe habeas corpus contra 
decisão condenatória a pena de multa, ou relativo 
a processo em curso por infração penal a que a 
pena pecuniária seja a única cominada.” 
- Súmula nº 695: “Não cabe habeas corpus 
quando já extinta a pena privativa de liberdade.” 
- Súmula nº 697: “A proibição de liberdade 
provisória nos processos por crimes hediondos 
não veda o relaxamento da prisão processual por 
excesso de prazo.” 
- Súmula nº 711: “A lei penal mais grave aplica-se 
ao crime continuado ou ao crime permanente, se a 
sua vigência é anterior à cessação da continuidade 
ou da permanência.” 
- Súmula nº 715: “A pena unificada para atender 
ao limite de trinta anos de cumprimento, 
determinado pelo art. 75 do CP, não é considerada 
para a concessão de outros benefícios, como o 
- Súmula nº 171: “Cominadas cumulativamente, 
em lei especial,penas privativa de liberdade e 
pecuniária, é defeso a substituição da prisão por 
multa.” 
- Súmula nº 220: “A reincidência não influi no 
prazo da prescrição da pretensão punitiva.” 
- Súmula nº 231: “A incidência da circunstância 
atenuante não pode conduzir à redução da pena 
abaixo do mínimo legal.” 
- Súmula nº 241: “A reincidência penal não pode 
ser considerada como circunstância agravante e, 
simultaneamente, como circunstância judicial.” 
- Súmula nº 269: “É admissível a adoção do 
regime prisional semi-aberto aos reincidentes 
condenados a pena igual ou inferior a quatro anos 
se favoráveis as circunstâncias judiciais.” 
- Súmula nº 440: “Fixada a pena-base no mínimo 
legal, é vedado o estabelecimento de regime 
prisional mais gravoso do que o cabível em razão 
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36 
 
 
 
livramento condicional ou regime mais favorável 
de execução.” 
- Súmula nº 718: “A opinião do julgador sobre a 
gravidade em abstrato do crime não constitui 
motivação idônea para a imposição de regime 
mais severo do que o permitido segundo a pena 
aplicada.” 
- Súmula nº 719: “A imposição do regime de 
cumprimento mais severo do que a pena aplicada 
permitir exige motivação idônea.” 
da sanção imposta, com base apenas na gravidade 
abstrata do delito.” 
- Súmula nº 443: “O aumento na terceira fase de 
aplicação da pena no crime de roubo 
circunstanciado exige fundamentação concreta, 
não sendo suficiente para a sua exasperação a 
mera indicação do número de majorantes.” 
- Súmula nº 444: “É vedada a utilização de 
inquéritos policiais e ações penais em curso para 
agravar a pena-base.” 
- Súmula nº 493: “É inadmissível a fixação de pena 
substitutiva (art. 44 do CP) como condição especial 
ao regime aberto.” 
- Súmula nº 545: “Quando a confissão for utilizada 
para a formação do convencimento do julgador, o 
réu fará jus à atenuante prevista no art. 65, III, d, do 
Código Penal.” 
- Súmula nº 588: “A prática de crime ou 
contravenção penal contra a mulher com violência 
ou grave ameaça no ambiente doméstico 
impossibilita a substituição da pena privativa de 
liberdade por restritiva de direitos.” 
Concurso material 
Art. 69 - Quando o agente, mediante MAIS DE UMA ação ou omissão, pratica DOIS OU MAIS crimes, 
idênticos ou não, aplicam-se CUMULATIVAMENTE as penas privativas de liberdade em que haja 
incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro 
aquela. 
§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de liberdade, não 
suspensa, por um dos crimes, para os demais será INCABÍVEL a substituição de que trata o art. 44 
(PPL p/ PRD) deste Código. 
§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá 
SIMULTANEAMENTE as que forem compatíveis entre si e SUCESSIVAMENTE as demais. 
Aplicadas PRD 
Compatíveis entre si Cumpridas SIMULTANEAMENTE 
As demais Cumpridas SUCESSIVAMENTE 
 
Espécies 
Homogêneo 
Pluralidade de crimes da mesma espécie. 
Ex.: vários furtos praticados sem elo de continuidade. 
Heterogêneo 
Pluralidade de crimes de espécies distintas. 
Ex.: agente pratica estupro + roubo. 
 
Concurso formal 
Art. 70 - Quando o agente, mediante UMA só ação ou omissão, pratica DOIS OU MAIS crimes, idênticos 
ou não, aplica-se-lhe a MAIS GRAVE DAS PENAS CABÍVEIS ou, SE IGUAIS, SOMENTE UMA DELAS, mas 
AUMENTADA, em qualquer caso, de um sexto até metade. As PENAS APLICAM-SE, entretanto, 
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37 
 
 
 
CUMULATIVAMENTE, se a ação ou omissão É DOLOSA e os crimes concorrentes RESULTAM de 
DESÍGNIOS AUTÔNOMOS, consoante o disposto no artigo anterior. 
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 (concurso 
material) deste Código. (concurso material benéfico) 
Espécies 
Homogêneo Crimes da mesma espécie. 
Heterogêneo Crimes de espécies distintas. 
Próprio, Perfeito ou 
Normal 
o agente, apesar de provocar dois ou mais resultados, não tem intenção 
independente em relação a cada crime (não há desígnios autônomos). 
Impróprio, Imperfeito ou 
Anormal 
o agente age com desígnios autônomos em relação a cada crime. 
 
#INFO 
- Roubo mediante uma só ação contra vítimas distintas. 
Segundo o STJ, praticado o crime de roubo mediante uma só ação contra vítimas distintas, no mesmo 
contexto fático, resta configurado o concurso formal próprio, e não a hipótese de crime único, visto que 
violados patrimônios distintos. 
(5ª Turma. HC 455.975/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 02/08/2018). 
Crime continuado 
Art. 71 - Quando o agente, mediante MAIS DE UMA ação ou omissão, pratica DOIS OU MAIS crimes 
da MESMA ESPÉCIE e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, 
devem os subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos 
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, AUMENTADA, em qualquer caso, de um sexto a 
dois terços. (crime continuado genérico) 
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave 
ameaça à pessoa, PODERÁ o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a 
personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, AUMENTAR a pena de um só dos 
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único 
do art. 70 e do art. 75 deste Código. (crime continuado específico) 
Crime Continuado Genérico (art. 71, caput) Crime Continuado Específico (art. 71, p. ú.) 
Requisitos: 
a) Pluralidade de condutas; 
b) Pluralidade de crimes da mesma espécie: 
crimes previstos no mesmo tipo, protegendo igual 
bem jurídico. 
c) Elo de continuidade: 
• Mesmas condições de TEMPO: em regra, a 
jurisprudência entende que não pode decorrer 
prazo superior a 30 dias. 
• Mesmas condições de LUGAR: os crimes 
parcelares devem ser praticados na mesma 
comarca ou em comarcas vizinhas. 
• Mesma maneira de EXECUÇÃO: mesmo “modus 
operandi”. 
• Outras CIRCUNSTÂNCIAS SEMELHANTES. 
Requisitos: 
a) Pluralidade de condutas; 
b) Pluralidade de crimes da mesma espécie; 
c) Elo de continuidade; 
d) Crimes dolosos; 
e) Contra vítimas diferentes; 
f) Cometidos com violência ou grave ameaça. 
Regras de fixação da pena: Regras de fixação da pena: 
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38 
 
 
 
Aplica-se o SISTEMA DA EXASPERAÇÃO 
(aumento de 1/6 a 2/3) 
Quanto mais crimes, mais o aumento se aproxima 
de 2/3, e vice-versa. 
Aplica-se o SISTEMA DA EXASPERAÇÃO 
(aumento de 1/6 a 3x) 
Obs.: Deve observar o cúmulo material benéfico, 
ou seja, o sistema da exasperação não pode ser 
mais rigoroso que o cúmulo material. 
1 De acordo com a Teoria Mista, adotada pelo Código Penal, mostra-se imprescindível, para a aplicação 
da regra do crime continuado, o preenchimento de requisitos não apenas de ordem objetiva — mesmas 
condições de tempo, lugar e forma de execução — como também de ordem subjetiva — unidade de 
desígnios ou vínculo subjetivo entre os eventos (STJ. 6ª Turma. HC 245156/ES, Rel. Min. Nefi Cordeiro, 
julgado em 15/10/2015). 
 
2 Inexistência de continuidade delitiva entre roubo e extorsão. 
Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em conjunto. 
Isso porque, os referidos crimes, apesar de serem da mesma natureza, são de espécies diversas. 
STJ. 5ª Turma. HC 435.792/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/05/2018. 
STF. 1ª Turma. HC 114667/SP, rel. org. Min. Marco Aurélio, red.p/ o ac. Min. Roberto Barroso, 
julgado em 24/4/2018 (Info 899). 
 
3 Inexistência de continuidade delitiva entre roubo e latrocínio. 
Não há como reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de roubo e o de latrocínio porquanto 
são delitos de espécies diversas, já que tutelam bens jurídicos diferentes. 
STJ. 5ª Turma. AgInt no AREsp 908.786/PB, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 06/12/2016. 
 
SÚMULAS SOBRE CONCURSO DE CRIMES 
- Súmula nº 497, STF: “Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena imposta 
na sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação.” 
- Súmula nº 711, STF: “A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, 
se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.” 
- Súmula nº 723, STF: “Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se 
a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um sexto for superior a um 
ano.” 
- Súmula nº 243, STJ: “O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações 
penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena 
mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um 
(01) ano.” 
 
CONCURSO DE CRIMES 
ESPÉCIES REQUISITOS SISTEMA PENA 
Concurso Material 
(Art. 69, CP) 
2 ou + condutas; 
2 ou + resultados. 
Cúmulo Material Penas somadas 
Concurso Formal Próprio 
(Art. 70, 1ª p, CP) 
1 conduta; 
2 ou + resultados. 
Exasperação 
Aumento de 1/6 
até 1/2 
Concurso Formal 
Impróprio 
(Art. 70, 2ª p, CP) 
1 conduta; 
2 ou + resultados; 
Desígnios autônomos. 
Cúmulo Material Penas somadas 
Concurso Continuado 
Genérico ou Simples 
2 ou + condutas; 
2 ou + resultados; 
Exasperação 
Aumento de 1/6 
até 2/3 
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(Art. 71, caput, CP) Continuidade. 
Concurso Continuado 
Específico ou Qualificado 
(Art. 71, p.ú., CP) 
2 ou + condutas; 
2 ou + resultados; 
Continuidade; 
Crimes dolosos; 
Vítimas diferentes; 
Violência ou grave ameaça à 
pessoa. 
Exasperação 
Aumento de 1/6 
até o triplo 
Multas no concurso de crimes 
Art. 72 - No concurso de crimes, AS PENAS DE MULTA SÃO APLICADAS distinta e integralmente. 
Obs.: Segundo o STJ, a aplicação da hipótese do art. 72 do Código Penal restringe-se aos casos dos 
concursos material e formal, não lhe estando no âmbito de abrangência da continuidade delitiva (REsp 
909.327/PR, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 07/10/2010, 
DJe 03/11/2010). 
Erro na execução 
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a 
pessoa que pretendia ofender, ATINGE PESSOA DIVERSA, RESPONDE como se tivesse praticado o 
crime contra aquela, ATENDENDO-SE ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser 
também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. 
Erro sobre a Pessoa (ART. 20, § 3º, CP) Erro na Execução (ART. 73, CP) 
Não representa bem a vítima pretendida. Representa-se bem a vítima pretendida. 
A execução do crime é perfeita 
(Não há falha operacional) 
A execução do crime não é imperfeita 
(Há falha operacional) 
A pessoa visada não corre perigo, pois é 
confundida com outra. 
A pessoa visada corre perigo, pois não é 
confundida com outra. 
Obs.: Nos dois casos, o agente responde pelo crime considerando as qualidades da vítima 
virtual/pretendida. 
Resultado diverso do pretendido 
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime, 
sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como 
crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. 
Erro na Execução (Art. 73, CP) Resultado Diverso do Pretendido (Art. 74, CP) 
O agente, apesar do erro, atinge o mesmo 
bem jurídico de pessoa diversa. 
O agente, em razão do erro, atinge bem jurídico 
diverso. 
O resultado produzido (vida) coincide com o 
resultado pretendido (vida). 
O resultado produzido é diverso (vida) do 
resultado pretendido (patrimônio). 
Há uma relação pessoa X pessoa. Há uma relação coisa X pessoa. 
Limite das penas 
Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser SUPERIOR a 30 
(trinta) anos. 
- Súmula nº 715, STF: “A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento, 
determinado pelo art. 75 do CP, não é considerada para a concessão de outros benefícios, como o 
livramento condicional ou regime mais favorável de execução.” 
§ 1º - Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 30 (trinta) 
anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo. 
§ 2º - Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-á nova 
unificação, desprezando-se, para esse fim, o período de pena já cumprido. 
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40 
 
 
 
Concurso de infrações 
Art. 76 - No concurso de infrações, executar-se-á primeiramente a pena mais grave. 
 
CAPÍTULO IV 
DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA 
Requisitos da suspensão da pena 
Art. 77 - A EXECUÇÃO da pena privativa de liberdade, NÃO SUPERIOR a 2 (dois) anos, PODERÁ SER 
SUSPENSA, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que: 
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; 
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e 
as circunstâncias autorizem a concessão do benefício; 
III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código (substituição de PRD 
por PPL). 
#NãoConfunda: 
SURSIS – PRAZOS DO PERÍODO DE PROVA 
Contravenções Penais (Decreto-Lei 3.688/41) Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) 
1 a 3 anos – Art. 11. 2 a 4 anos – Art. 16¹ 
Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40) Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170/83) 
2 a 4 anos (Sursis Simples/Especial) – Art. 77, caput”; 
4 a 6 anos (Sursis Etário/Humanitário) – Art. 77, § 2°. 
2 a 6 anos – Art. 5°. 
¹A lei de crimes ambientais não estipulou o prazo do período de prova, razão pela qual aplica-se o 
prazo do sursis comum do CP → 2 a 4 anos. 
§ 1º - A condenação anterior a pena de multa NÃO IMPEDE a concessão do benefício. 
§ 2o A execução da pena privativa de liberdade, NÃO SUPERIOR a quatro anos, PODERÁ SER SUSPENSA, 
por quatro a seis anos, desde que o condenado SEJA maior de setenta anos de idade (sursis etário), ou 
razões de saúde justifiquem a suspensão (sursis humanitário). 
Art. 78 - Durante o prazo da suspensão, o condenado ficará sujeito à observação e ao cumprimento das 
condições estabelecidas pelo juiz. 
§ 1º - No primeiro ano do prazo, deverá o condenado prestar serviços à comunidade (art. 46) ou submeter-
se à limitação de fim de semana (art. 48). 
§ 2° Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do 
art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência do parágrafo 
anterior pelas seguintes condições, aplicadas cumulativamente: 
a) proibição de freqüentar determinados lugares; 
b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; 
c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. 
Art. 79 - A sentença poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que 
adequadas ao fatoe à situação pessoal do condenado. 
Art. 80 - A suspensão não se estende às penas restritivas de direitos nem à multa. 
Revogação obrigatória 
Art. 81 - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário: 
I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso; 
II - frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem motivo justificado, a 
reparação do dano; 
III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste Código. 
Revogação facultativa 
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§ 1º - A SUSPENSÃO PODERÁ SER REVOGADA se o condenado DESCUMPRE qualquer outra condição 
imposta ou é irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por contravenção, a pena privativa de 
liberdade ou restritiva de direitos. 
Prorrogação do período de prova 
§ 2º - Se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, considera-se prorrogado 
o prazo da suspensão até o julgamento definitivo. 
§ 3º - Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o período de prova 
até o máximo, se este não foi o fixado. 
Cumprimento das condições 
Art. 82 - Expirado o prazo sem que tenha havido revogação, considera-se extinta a pena privativa de 
liberdade. 
SURSIS – ESPÉCIES 
SURSIS 
SIMPLES 
SURSIS 
ESPECIAL 
SURSIS 
ETÁRIO 
SURSIS 
HUMANITÁRIO 
Previsão legal: 
art. 77, c/c art. 78, § 1º, 
CP 
Previsão legal: 
art. 77, c/c art. 78, § 2º, 
CP 
Previsão legal: 
art. 77, § 2º, CP 
Previsão legal: 
art. 77, § 2º, in fine, CP 
Pressupostos: 
- Pena imposta não 
superior a 2 anos, 
considerando-se o 
concurso de delitos. 
Pressupostos: 
- Pena imposta não 
superior a 2 anos. Deve 
ser considerado-se o 
concurso de delitos. 
 
- reparação do dano ou 
impossibilidade de fazê-
lo. 
Pressupostos: 
- Pena imposta não 
superior a 4 anos, 
considerando-se o 
concurso de delitos. 
 
 
- Ser idoso com mais de 
70 anos. 
Pressupostos: 
- Pena imposta não 
superior a 4 anos, 
considerando-se 
concurso de delitos. 
 
- Condições de saúde 
do condenado. 
Período de Prova: 
varia 2 a 4 anos. 
Período de Prova: 
varia de 2 a 4 anos. 
Período de Prova: 
varia de 4 a 6 anos. 
Período de Prova: 
varia de 4 a 6 anos. 
No primeiro ano da 
suspensão: 
- prestação de serviços à 
comunidade; ou 
 
- limitação de fim-de-
semana. 
 
No primeiro ano da 
suspensão: 
- proibição de 
frequentar determinados 
lugares; 
 
- proibição de se 
ausentar da comarca 
sem autorização do juiz; 
e 
 
- comparecimento 
mensal em juízo 
 para comprovar 
atividades. 
No primeiro ano da 
suspensão: 
- Se reparou o dano ou 
mostrou impossibilidade 
de fazê-lo: art. 78, §2º. 
 
- Se não reparou o dano 
ou não mostrou 
impossibilidade de fazê-
lo: art. 78, §1º. 
No primeiro ano da 
suspensão: 
- Se reparou o dano ou 
mostrou 
impossibilidade de 
fazê-lo: art. 78, §2º. 
 
- Se não reparou o 
dano ou não mostrou 
impossibilidade de 
fazê-lo: art. 78, §1º. 
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42 
 
 
 
Requisitos: 
- Condenado não 
reincidente em crime 
doloso. 
 
- Circunstâncias judiciais 
favoráveis. 
 
- Não cabível ou não 
indicada restritiva de 
direitos. 
Requisitos: 
 - Condenado não 
reincidente em crime 
doloso. 
 
- Circunstâncias judiciais 
favoráveis. 
 
- Não cabível ou não 
indicada restritiva de 
direitos. 
Requisitos: 
- Condenado não 
reincidente em crime 
doloso. 
 
- Circunstâncias judiciais 
favoráveis. 
 
- Não cabível ou não 
indicada restritiva de 
direitos. 
Requisitos: 
- Condenado não 
reincidente em crime 
doloso. 
 
- Circunstâncias 
judiciais favoráveis. 
 
- Não cabível ou não 
indicada restritiva de 
direitos. 
 
SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA 
SUSPENSÃO CONDICIONAL DO 
PROCESSO 
Sinônimos Sursis Penal Sursis Processual 
Previsão Legal Arts. 77 ao 82, CP e Arts. 156 a 163, LEP Art. 89, da Lei nº 9.099/95 
Nat. Jurídica Causa extintiva da pena Causa extintiva da punibilidade 
Momento 
Após a condenação, em audiência 
admonitória 
No início do processo, no oferecimento 
da denúncia 
Legitimidade É concedido pelo Juiz da Execução É proposto pelo MP 
Sistema 
Adotado 
Franco-Belga 
(O acusado é processado, condenado, há 
reconhecimento de culpa, mas a 
execução da pena é suspensa) 
Non Contendere ou Probation Of First 
Offender Act 
(O acusado é processado, não é 
condenado, não há reconhecimento de 
culpa, suspendendo-se a ação penal) 
Requisitos 
- Condenação à pena privativa de 
liberdade não superior à 2 (dois) anos 
(sursis simples/especial) ou não superior à 
4 (quatro) anos (sursis 
etário/humanitário); 
- Não reincidente em crime doloso; 
- Não seja indicada ou cabível a 
substituição por PRD; 
- Circunstâncias judiciais favoráveis. 
- Pena miníma cominada igual ou inferior 
a 1 (um) ano; 
- Acusado não esteja sendo processado 
ou não tenha sido condenado por outro 
crime; 
- Requisitos do sursis penal 
(não reincidente em crime doloso; 
não seja indicada ou cabível a substituição 
prevista no art. 44 deste Código; 
circunstâncias judiciais favoráveis.) 
Período de 
Prova 
1 - Sursis Simples/Especial → 2 a 4 anos; 
2 a 4 anos 2 - Sursis Etário/Humanitário → 4 a 6 
anos 
Revogação 
Obrigatória 
- Condenado, em sentença irrecorrível, 
por crime doloso; 
- Frustra, embora solvente, a execução de 
pena de multa ou não efetua, sem motivo 
justificado, a reparação do dano; 
- No primeiro ano do prazo, não prestar 
serviços à comunidade ou à limitação de 
fim de semana. 
Obrigatória 
- Processado por outro crime; 
- Não efetuar, sem motivo justificado, a 
reparação do dano. 
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43 
 
 
 
Facultativa 
- Descumpre qualquer outra condição 
imposta; 
- Condenado irrecorrivelmente, por crime 
culposo ou por contravenção, a pena 
privativa de liberdade ou restritiva de 
direitos. 
Facultativa 
- Processado, no curso do prazo, por 
contravenção; 
- Descumprir qualquer outra condição 
imposta. 
Efeitos da 
Revogação 
Se revogado: cumpre a pena; Se revogado: é processado; 
Se não revogado: extingue a pena. 
Se não revogado: extingue a 
punibilidade. 
Prescrição Não influência Suspende o prazo 
Efeitos da 
Condenação 
Aplicam-se os arts. 91 e 92, do CP 
Não aplicam-se os arts. 91 e 92 do CP, 
pois não houve condenação 
 
 
CAPÍTULO V 
DO LIVRAMENTO CONDICIONAL 
- Súmula nº 499, STF: “Não obsta a concessão do sursis condenação anterior a pena de multa.” 
Requisitos do livramento condicional 
Art. 83 - O juiz PODERÁ CONCEDER livramento condicional ao condenado a pena privativa de 
liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que: 
I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e tiver 
bons antecedentes (LC simples); 
II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso (LC qualificado); 
#INFO 
- Influência da reincidência no cálculo do livramento condicional. 
Na definição do requisito objetivo para a concessão de livramento condicional, a condição de 
reincidente em crime doloso deve incidir sobre a somatória das penas impostas ao condenado, ainda 
que a agravante da reincidência não tenha sido reconhecida pelo juízo sentenciante em algumas das 
condenações. Isso porque a reincidênciaé circunstância pessoal que interfere na execução como um 
todo, e não somente nas penas em que ela foi reconhecida. 
A condição de reincidente, uma vez adquirida pelo sentenciado, estende-se sobre a totalidade das penas 
somadas, não se justificando a consideração isolada de cada condenação e tampouco a aplicação de 
percentuais diferentes para cada uma das reprimendas. 
STJ. 5ª Turma. HC 307.180-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 16/4/2015 (Info 561). 
III - comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom desempenho no 
trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para prover à própria subsistência mediante trabalho honesto; 
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração; 
V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática de 
tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o apenado 
NÃO FOR reincidente específico em crimes dessa natureza (LC específico). 
São requisitos objetivos o cumprimento de: 
-1/3 da pena quando o condenado NÃO é reincidente e crime é considerado comum; 
-1/2 quando o condenado É reincidente e o crime é considerado comum; 
-2/3 quando o crime é considerado hediondo, equiparado ou tráfico de pessoas. 
Obs.1: Quando o sentenciado é reincidente específico, ou seja, reincidente em crimes considerados 
hediondos ele não tem direito a Livramento Condicional. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
44 
 
 
 
Obs.2: Quando o sentenciado deixa de cumprir as condições impostas pelo juiz ele tem a revogação do 
Livramento Condicional e a cassação do benefício. 
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, 
a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de condições pessoais que façam 
presumir que o liberado não voltará a delinqüir. 
Soma de penas 
Art. 84 - As penas que correspondem a infrações diversas devem somar-se para efeito do livramento. 
Especificações das condições 
Art. 85 - A sentença especificará as condições a que fica subordinado o livramento. 
Revogação do livramento 
Art. 86 - Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de liberdade, em 
sentença irrecorrível: 
I - por crime cometido durante a vigência do benefício; 
II - por crime anterior, observado o disposto no art. 84 deste Código. 
Revogação facultativa 
Art. 87 - O juiz PODERÁ, também, REVOGAR O LIVRAMENTO, se o liberado deixar de cumprir qualquer 
das obrigações constantes da sentença, ou for irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção, 
a pena que não seja privativa de liberdade. 
Efeitos da revogação 
Art. 88 - Revogado o livramento, não poderá ser novamente concedido, e, salvo quando a revogação 
resulta de condenação por outro crime anterior àquele benefício, não se desconta na pena o tempo em 
que esteve solto o condenado. 
Extinção 
Art. 89 - O juiz NÃO PODERÁ DECLARAR extinta a pena, enquanto não passar em julgado a sentença em 
processo a que responde o liberado, por crime cometido na vigência do livramento. 
Art. 90 - Se até o seu término o livramento não é revogado, considera-se extinta a pena privativa de 
liberdade. 
- Súmula nº 617, STJ: “A ausência de suspensão ou revogação do livramento condicional antes do 
término do período de prova enseja a extinção da punibilidade pelo integral cumprimento da pena.” 
 
SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA LIVRAMENTO CONDICIONAL 
Previsão Legal Arts. 77 ao 82, CP e Arts. 156 a 163, LEP Arts. 83 a 90, CP e Arts. 131 a 146, LEP 
Nat. Jurídica Causa extintiva da pena Causa extintiva da pena 
Momento Antes do início da execução da pena Durante a execução da pena 
Condenação 
Pena privativa de liberdade não superior 
a 2 anos – sursis simple/especial – (= ou 
– 2); ou 
Pena privativa de liberdade não superior 
a 4 anos – sursis etário/humanitário – (= 
ou – 4). 
Pena privativa de liberdade igual ou 
superior a 2 anos (= ou + 2). 
Legitimidade É concedido pelo Juiz da Execução É concedido pelo Juiz da Execução 
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45 
 
 
 
Requisitos 
Condenação à pena privativa de 
liberdade não superior à 2 (dois) anos 
(sursis simples/especial) ou não superior 
à 4 (quatro) anos (sursis 
etário/humanitário); 
 
Não reincidente em crime doloso; 
 
Não seja indicada ou cabível a 
substituição por PRD; 
 
Circunstâncias judiciais favoráveis. 
Objetivos 
Mais de 1/3 da pena se o condenado 
não for reincidente em crime doloso + 
tiver bons antecedentes; 
Mais da 1/2 se o condenado for 
reincidente em crime doloso; 
Mais de 2/3 se condenado por crimes 
hediondos e equiparados e tráfico de 
pessoas (vedado ao reincidente 
específico). 
Subjetivos 
Comprovado comportamento 
satisfatório durante a execução da pena 
+ bom desempenho no trabalho que lhe 
foi atribuído + aptidão para prover à 
própria subsistência mediante trabalho 
honesto; 
Reparação do dano, salvo efetiva 
impossibilidade de fazê-lo. 
Período de 
Prova 
1 - Sursis Simples/Especial: 2 a 4 anos; 
Restante da pena 
2 - Sursis Etário/Humanitário: 4 a 6 anos 
Revogação 
Obrigatória 
- Condenado, em sentença irrecorrível, 
por crime doloso; 
- Frustra, embora solvente, a execução 
de pena de multa ou não efetua, sem 
motivo justificado, a reparação do dano; 
- No primeiro ano do prazo, não prestar 
serviços à comunidade ou à limitação de 
fim de semana. 
Obrigatória 
Condenado a pena privativa de 
liberdade, em sentença irrecorrível: 
- por crime cometido durante a vigência 
do benefício; 
- por crime anterior, cuja soma impeça o 
benefício. 
Facultativa 
- Descumpre qualquer outra condição 
imposta; 
- Condenado irrecorrivelmente, por 
crime culposo ou por contravenção, a 
pena privativa de liberdade ou restritiva 
de direitos. 
Facultativa 
- Deixar de cumprir qualquer das 
obrigações constantes da sentença; 
- For irrecorrivelmente condenado, por 
crime ou contravenção, a pena que não 
seja privativa de liberdade. 
Efeitos da 
Revogação 
Se revogado: cumprimento da pena 
inicialmente imposta; 
Se revogado: cumprimento do restante 
da pena; 
Se não revogado: extingue a pena. Se não revogado: extingue a pena. 
 
CAPÍTULO VI 
DOS EFEITOS DA CONDENAÇÃO 
Efeitos genéricos e específicos 
Art. 91 - São EFEITOS DA CONDENAÇÃO (GENÉRICOS – AUTOMÁTICOS): 
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; 
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: 
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a) dos INSTRUMENTOS DO CRIME, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte 
ou detenção constitua fato ilícito; 
b) do PRODUTO DO CRIME ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente 
com a prática do fato criminoso. 
NãoConfunda: 
Perda de bens e valores Confisco (art. 91, II, CP) 
- É uma PRD; - É um efeito da condenação; 
- Recai sobre o patrimônio lícito do condenado. - Incide sobre o patrimônio Ilícito do condenado. 
§ 1o PODERÁ ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime 
quando estes não forem encontrados ou quando se localizarem no exterior. 
§ 2o Na hipótese do § 1o, as medidas assecuratórias previstas na legislação processual poderão 
abranger bens ou valores equivalentes do investigado ou acusado para posterior decretação de 
perda. 
Art. 92 - São também EFEITOS DA CONDENAÇÃO (ESPECÍFICOS – NÃO AUTOMÁTICOS): 
I - a perda decargo, função pública ou mandato eletivo: 
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes 
praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública; 
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais 
casos. 
II – a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela nos crimes DOLOSOS 
sujeitos à pena de RECLUSÃO cometidos contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar, 
contra filho, filha ou outro descendente ou contra tutelado ou curatelado; (Lei nº 13.715/2018) 
#INFO 
- Inaplicabilidade do art. 92, I, do CP a servidor público aposentado antes da condenação criminal. 
Réu, servidor público, foi denunciado pela prática de crime contra a Administração Pública. Durante o 
curso do processo criminal, ele se aposenta. O juiz profere sentença, condenando-o à pena de 5 anos 
de reclusão. 
É possível que o juiz o condene também à perda da aposentadoria com base no art. 92, I, do CP? 
NÃO. Ainda que condenado por crime praticado durante o período de atividade, o servidor público não 
pode ter a sua aposentadoria cassada com fundamento no art. 92, I, do CP, mesmo que a sua 
aposentadoria tenha ocorrido no curso da ação penal. 
O rol do art. 92 do CP é taxativo e nele não está prevista a perda da aposentadoria. 
STJ. 5ª Turma. REsp 1.416.477-SP, Rel. Min. Walter de Almeida Guilherme (Desembargador 
convocado do TJ/SP), julgado em 18/11/2014 (Info 552). 
 
- Promotor de Justiça condenado e regras especiais sobre a perda do cargo. 
Em ação penal decorrente da prática de corrupção passiva praticada por membro vitalício do Ministério 
Público Estadual, não é possível determinar a perda do cargo com fundamento no art. 92, I, a, do CP. 
As regras sobre a perda do cargo de membro do Ministério Público estadual estão previstas na Lei 
8.625/93, que, por ser norma especial, prevalece sobre o Código Penal (norma geral). 
STJ. 5ª Turma. REsp 1.251.621-AM, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 16/10/2014 (Info 552). 
III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como MEIO para a prática de crime DOLOSO. 
Parágrafo único - Os EFEITOS de que trata este artigo NÃO SÃO automáticos, DEVENDO SER 
motivadamente declarados na sentença. 
 
 
 
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#NãoConfunda: 
EFEITOS NÃO AUTOMÁTICOS DA 
CONDENAÇÃO (ART. 92, CP) 
INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS – PRD 
(ART. 47, CP) 
- perda de cargo, função pública ou mandato 
eletivo; 
- incapacidade para o exercício do poder familiar, 
da tutela ou da curatela nos crimes dolosos 
sujeitos a pena de reclusão cometidos contra 
outrem igualmente titular do mesmo poder 
familiar, contra filho, filha ou outro descendente ou 
contra tutelado ou curatelado; 
- A inabilitacão para dirigir veículo, quando 
utilizado como meio para a pratica de crime 
doloso. 
- Proibicao do exercício de cargo, função ou 
atividade pública, bem como de mandato eletivo; 
- Proibição do exercício de profissão, atividade 
ou ofício que dependam de habilitação especial, 
de licenca ou autorização do poder público; 
- Suspensão de autorização ou de habilitação para 
dirigir veículo; 
- Proibição de frequentar determinados lugares; 
- Proibição de inscrever-se em concurso, 
avaliação ou exame públicos. 
 
EFEITOS DA CONDENAÇÃO 
PREVISÃO EFEITOS AUTOMÁTICO 
CP – Art. 91, I e II 
(Efeitos Genéricos) 
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; 
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de 
terceiro de boa-fé: 
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo 
fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito; 
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua 
proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso. 
SIM 
CP – Art. 92, I, II e III 
(Efeitos Específicos) 
I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: 
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou 
superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou 
violação de dever para com a Administração Pública; 
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo 
superior a 4 (quatro) anos nos demais casos. 
II - a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou 
curatela, nos crimes dolosos, sujeitos à pena de reclusão, cometidos 
contra filho, tutelado ou curatelado; 
III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio 
para a prática de crime doloso. 
NÃO 
CP – Art. 218-B, § 3º 
O proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se 
verifiquem a prática de prostituição ou outra forma de exploração 
sexual de menor de 18 anos ou enfermo ou deficiente mental sem 
o necessário discernimento mental sujeitar-se-á a cassação da 
licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. 
NÃO 
Lei de Tortura (Lei 
9.455/97) – Art. 1º, § 
5º 
Perda do cargo, função ou emprego público; 
Interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada. 
SIM 
Lei de Organizações 
Criminosas (Lei 
12.850/13) – Art. 2º, § 
6º 
Perda do cargo, função, emprego ou mandato eletivo; 
Interdição para o exercício de função ou cargo público pelo prazo 
de 8 (oito) anos subsequentes ao cumprimento da pena. 
SIM 
Lei de Lavagem de 
Dinheiro (Lei 9.613/98) 
– Art 7º, I e II 
I - Perda, em favor da União - e dos Estados, nos casos de 
competência da Justiça Estadual -, de todos os bens, direitos e 
valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática dos crimes 
SIM 
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previstos nesta Lei, inclusive aqueles utilizados para prestar a fiança, 
ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé; 
II - Interdição do exercício de cargo ou função pública de qualquer 
natureza e de diretor, de membro de conselho de administração ou 
de gerência das pessoas jurídicas referidas no art. 9º, pelo dobro do 
tempo da pena privativa de liberdade aplicada. 
NÃO 
Lei de Crimes 
Licitatórios (Lei 
8.666/93) – Art. 83 
Perda do cargo, emprego, função ou mandato eletivo. Obs.: ainda 
que tentatos. 
 
Sim 
Lei de Racismo (Lei 
7.716/89) – Art. 16 
Perda do cargo ou função pública, para o servidor público; 
Suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por 
prazo não superior a três meses. 
 
NÃO 
Lei de Falência (Lei 
11.101/05) – Art. 181 
Inabilitação para o exercício de atividade empresarial; 
Impedimento para o exercício de cargo ou função em conselho de 
administração, 
diretoria ou gerência das sociedades sujeitas a Lei; 
Impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de 
negócio. 
NÃO 
Lei de 
Telecomunicações (Lei 
9.472/ - Art. 184, I e II 
I - Tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; 
II - Perda, em favor da Agência, ressalvado o direito do lesado ou 
de terceiros de boa-fé, dos bens empregados na atividade 
clandestina, sem prejuízo de sua apreensão cautelar. 
NÃO 
Crimes Praticados por 
Prefeito (Decreto-Lei 
201/67) – Art. 1º, § 2º 
Perda de cargo; 
Inabilitação, pelo prazo de cinco anos, para o exercício de cargo ou 
função pública, eletivo ou de nomeação, sem prejuízo da reparação 
civil do dano causado ao patrimônio público ou particular. 
NÃO 
Lei de Abuso de 
Autoridade (Lei 
4.898/65) – Art. 6º, 
§3º, c 
Perda do cargo; 
Inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por 
prazo até três anos. 
Obs.: Não é EFEITODA CONDENAÇÃO, é SANÇÃO PENAL. 
– 
 
CAPÍTULO VII 
DA REABILITAÇÃO 
Reabilitação 
Art. 93 - A reabilitação alcança quaisquer penas aplicadas em sentença definitiva, assegurando ao 
condenado o sigilo dos registros sobre o seu processo e condenação. 
Parágrafo único - A reabilitação poderá, também, atingir os efeitos da condenação, previstos no art. 
92 deste Código, vedada reintegração na situação anterior, nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo. 
Art. 94 - A reabilitação poderá ser requerida, decorridos 2 (dois) anos do dia em que for extinta, de 
qualquer modo, a pena ou terminar sua execução, computando-se o período de prova da suspensão e 
o do livramento condicional, se não sobrevier revogação, desde que o condenado: 
I - tenha tido domicílio no país no prazo acima referido; 
II - tenha dado, durante esse tempo, demonstração efetiva e constante de bom comportamento 
público e privado; 
III - tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstre a absoluta impossibilidade de o fazer, 
até o dia do pedido, ou exiba documento que comprove a renúncia da vítima ou novação da dívida. 
Parágrafo único - Negada a reabilitação, poderá ser requerida, a qualquer tempo, desde que o pedido 
seja instruído com novos elementos comprobatórios dos requisitos necessários. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
49 
 
 
 
Art. 95 - A reabilitação será revogada, de ofício ou a requerimento do ministério público, se o 
reabilitado for condenado, como reincidente, por decisão definitiva, a pena que não seja de multa. 
 
TÍTULO VI 
DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA 
Espécies de medidas de segurança 
Art. 96. As medidas de segurança são: 
I - Internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, em outro estabelecimento 
adequado (detentiva); 
II - sujeição a tratamento ambulatorial (restritiva). 
Parágrafo único - Extinta a punibilidade, NÃO SE IMPÕE medida de segurança NEM SUBSISTE a que 
tenha sido imposta. 
Imposição da medida de segurança para inimputável 
Art. 97 - Se o agente for INIMPUTÁVEL, o juiz determinará sua internação (art. 26). Se, todavia, o fato 
previsto como crime FOR PUNÍVEL com detenção, PODERÁ o juiz SUBMETÊ-LO a tratamento 
ambulatorial. 
Prazo 
§ 1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, SERÁ por tempo indeterminado, perdurando enquanto 
não for averiguada, mediante perícia médica, a cessação de periculosidade. O prazo mínimo deverá ser 
de 1 (um) a 3 (três) anos. 
PRAZO 
Mínima 
1 a 3 anos (art. 97, § 1º) 
Máxima 
CP → enquanto não cessar a periculosidade 
(art. 97, § 1º); 
STF → 30 anos 
(aplica-se o art 75 do CP); 
STJ → Prazo máximo da pena em abstrato 
(Súmula nº 527, STJ). 
 
- Súmula nº 527, STJ: “O tempo de duração da medida de segurança não deve ultrapassar o limite 
máximo da pena abstratamente cominada ao delito praticado.” 
Perícia médica 
§ 2º - A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em 
ano, ou a qualquer tempo, se o determinar o juiz da execução. 
Desinternação ou liberação condicional 
§ 3º - A desinternação, ou a liberação, será sempre condicional devendo ser restabelecida a situação 
anterior se o agente, antes do decurso de 1 (um) ano, pratica fato indicativo de persistência de sua 
periculosidade. 
§ 4º - Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, poderá o juiz determinar a internação do 
agente, se essa providência for necessária para fins curativos. 
Substituição da pena por medida de segurança para o semi-imputável 
Art. 98 - Na hipótese do parágrafo único do art. 26 deste Código e necessitando o condenado de especial 
tratamento curativo, a pena privativa de liberdade PODE SER SUBSTITUÍDA pela internação, ou 
tratamento ambulatorial, pelo prazo mínimo de 1 (um) a 3 (três) anos, nos termos do artigo anterior e 
respectivos §§ 1º a 4º. 
Direitos do internado 
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Art. 99 - O internado será recolhido a estabelecimento dotado de características hospitalares e será 
submetido a tratamento. 
#INFO 
- Pessoa que havia recebido medida de segurança, mas que, no recurso, teve extinta a 
punibilidade por prescrição não pode permanecer internada no hospital de custódia. 
É inconstitucional a manutenção em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico – estabelecimento 
penal – de pessoa com diagnóstico de doença psíquica que teve extinta a punibilidade. Essa situação 
configura uma privação de liberdade sem pena. 
STF. 2ª Turma. HC 151523/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 27/11/2018 (Info 925). 
 
 
TÍTULO VII 
DA AÇÃO PENAL 
Ação pública e de iniciativa privada 
Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido. 
§ 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o exige, de 
representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça. 
§ 2º - A ação de iniciativa privada é promovida mediante queixa do ofendido ou de quem tenha qualidade 
para representá-lo. 
§ 3º - A ação de iniciativa privada pode intentar-se nos crimes de ação pública, se o Ministério Público não 
oferece denúncia no prazo legal. 
§ 4º - No caso de morte do ofendido ou de ter sido declarado ausente por decisão judicial, o direito de 
oferecer queixa ou de prosseguir na ação passa ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. 
A ação penal no crime complexo 
Art. 101 - Quando a lei considera como elemento ou circunstâncias do tipo legal fatos que, por si mesmos, 
constituem crimes, cabe ação pública em relação àquele, desde que, em relação a qualquer destes, se deva 
proceder por iniciativa do Ministério Público. 
Irretratabilidade da representação 
Art. 102 - A representação será irretratável depois de oferecida a denúncia. 
Decadência do direito de queixa ou de representação 
Art. 103 - Salvo disposição expressa em contrário, o ofendido decai do direito de queixa ou de 
representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do dia em que veio a saber 
quem é o autor do crime, ou, no caso do § 3º do art. 100 deste Código, do dia em que se esgota o prazo 
para oferecimento da denúncia. 
Renúncia expressa ou tácita do direito de queixa 
Art. 104 - O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou tacitamente. 
Parágrafo único - Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a 
vontade de exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o ofendido a indenização do dano causado 
pelo crime. 
Perdão do ofendido 
Art. 105 - O perdão do ofendido, nos crimes em que somente se procede mediante queixa, obsta ao 
prosseguimento da ação. 
Art. 106 - O perdão, no processo ou fora dele, expresso ou tácito: 
I - SE CONCEDIDO a qualquer dos querelados, a todos aproveita; 
II - SE CONCEDIDO por um dos ofendidos, NÃO PREJUDICA o direito dos outros; 
III - se o querelado O RECUSA, não produz efeito. 
§ 1º - Perdão tácito é o que resulta da prática de ato incompatível com a vontade de prosseguir na ação. 
§ 2º - Não é admissível o perdão depois que passa em julgado a sentença condenatória. 
 
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TÍTULO VIII 
DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE 
Extinção da punibilidade 
Art. 107 - EXTINGUE-SE A PUNIBILIDADE: 
I - pela morte do agente; 
II - pela anistia, graça ou indulto; 
ANÍSTIA 
GRAÇA 
(INDULTO INDIVIDUAL) 
INDULTO 
(INDULTO COLETIVO) 
É um benefício, por meio do qual, o Estado 
perdoa a prática de um crime. 
São benefícios, por meio dos quais, o Estado 
renúncia ao seu direito de punir. 
Quem concede? Congresso Nacional,com 
sanção do Presidente da República – Art. 48, 
VIII, CF. 
Quem concede? Presidente da República – Art. 84, 
XII, CF. 
Meio de Concessão: Lei Federal Ordinária 
(lei penal anômala) 
Meio de Concessão: Decreto Presidencial 
Passível de delegação? 
Não. 
Passível de delegação? 
Sim. 
Ministros de Estado; Advogado Geral da União; 
Procurador Geral da República. 
Classificações: 
Própria: quando concedida antes da 
condenação; 
Imprópria: quando concedida depois da 
condenação. 
 
Irrestrita: quando atinge indistintamente a 
todos os criminosos, não exigindo condições 
pessoais do agente; 
Restrita: quando atinge certos criminosos, 
exigindo-se determinadas condições 
pessoais do agente para a obtenção do 
benefício. Ex.: primariedade. 
 
Incondicionada: quando a lei não impõe 
qualquer requisito; 
Condicionada: quando a lei impõe algum 
requisito. Ex.: ressarcimento do dano. 
 
Comum: incide sobre delitos comuns; 
Especial: incide sobre delitos políticos. 
Classificações: 
Plenos: quando extinguem totalmente a pena; 
Parciais: quando concedem apenas diminuição da 
pena ou sua comutação. 
 
Irrestritos: quando atinge indistintamente a todos os 
criminosos, não exigindo qualquer condições 
pessoais do agente; 
Restritos: quando atinge certos criminosos, 
exigindo-se determinadas condições pessoais do 
agente para a obtenção do benefício. Ex.: 
primariedade. 
 
Incondicionados: quando a lei não impõe qualquer 
requisito; 
Condicionados: quando a lei impõe algum 
requisito. Ex.: ressarcimento do dano. 
- Extingue os efeitos penais (principais e 
secundários) do crime. 
- Não extingue efeitos extrapenais. 
- Extinguem o efeito principal do crime – a pena. 
- Não extingue os efeitos secundários e extrapenais. 
O réu condenado que foi anistiado, se cometer 
novo crime, não será reincidente. 
O réu condenado que foi beneficiado com graça ou 
indulto, se cometer novo crime, será reincidente. 
É um benefício coletivo. 
É um benefício 
individual 
É um benefício coletivo 
(sem destinatário certo). 
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52 
 
 
 
(com destinatário certo). 
Independe de pedido do interessado. 
Depende de pedido do 
interessado. 
Independe de pedido do 
interessado. 
Não aplicam-se aos crimes HEDIONDOS e EQUIPARADOS – Art. 5°, XLIII, CF e Art. 2°, I, Lei 8.072/90. 
 
#INFO 
- O indulto da pena privativa de liberdade não alcança a pena de multa se o condenado parcelou 
este valor para ter direito à progressão de regime. 
O indulto da pena privativa de liberdade não alcança a pena de multa que tenha sido objeto de 
parcelamento espontaneamente assumido pelo sentenciado. 
O acordo de pagamento parcelado da sanção pecuniária deve ser rigorosamente cumprido sob pena 
de descumprimento de decisão judicial, violação ao princípio da isonomia e da boa-fé objetiva. 
STF. Plenário. EP 11 IndCom-AgR/DF, rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 8/11/2017 (Info 884). 
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso (abolitio criminis); 
IV - pela prescrição, decadência ou perempção; 
PRESCRIÇÃO DECADÊNCIA 
É a perda da pretensão punitiva e executória 
do Estado em face do decurso do tempo. 
É a perda do direito de representação ou 
queixa (ação) em face do decurso do tempo. 
É aplicável ao Estado É aplicável ao querelante 
Aplica-se a todos os crimes, salvo os crimes 
imprescritíveis. 
Aplica-se a crimes de ação privada (exclusiva, 
perssonalíssima e subsidiária) ou pública 
condicionada à representação. 
Pode ocorrer antes (PPP) ou depois (PPE) do 
trânsito em julgado. 
Só pode ocorrer antes da ação penal, pois ela 
atinge o direito de queixa ou de representação. 
Tem natureza jurídica de causa de extinção da 
punibilidade que se baseia em prazos mais 
longos (varia de 03 a 20 anos) 
Tem natureza jurídica de causa de extinção da 
punibilidade que se baseia em prazos mais 
curtos (06 meses) 
Termo inicial – consumação do crime, em 
regra. 
Termo inicial – conhecimento da autoria 
delitiva. 
Se sujeita a causas interruptivas e 
suspensivas. 
Não se sujeita a causas interruptivas e 
suspensivas. 
É o primeiro instituto que ataca o direito de 
punir. 
Primeiro ataca o direito de ação e como 
consequência atinge o direito material. 
 
Prescrição da Pretensão Punitiva – PPP Prescrição da Pretensão Executória – PPE 
Ocorre antes do trânsito para as duas partes, 
evitando coisa julgada 
Ocorre após o trânsito para as duas partes, 
fazendo coisa julgada 
Rescinde eventual condenação Não rescinde a condenação 
Extingue o direito de punir Extingue o direito de executar a pena 
Impede qualquer efeito da condenação (penal 
ou extrapenal) 
Extingue a pena aplicada, preservando os 
demais efeitos da condenação (penais e 
extrapenais) 
A sentença não serve como título executivo A sentença serve como título executivo 
Não gera reincidência Gera reincidência 
Divide-se em quatro espécies: 
a) Em abstrato (PPPA) – art. 109, CP; 
Única forma 
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53 
 
 
 
b) Retroativa (PPPR) – art. 110, § 1º, CP; 
c) Superveniente (PPPS) – art. 110, § 1º, CP; 
d) Virtual, Antecipada ou Em Perspectiva 
(PPPV) – não tem previsão legal, sendo rechaçada 
pelos Tribunais Superiores. 
 
Espécies de PPP 
Enquanto não transitar em 
julgado a sentença (art. 109) 
Prescrição em Abstrato 
(pena em abstrato) 
Após o trânsito em julgado 
da sentença (art. 110) 
Prescrição Retroativa 
(pena em concreto) 
- conta-se da publicação da sentença 
condenatória para trás; 
- pressupõe trânsito em julgado para a 
acusação. 
Prescrição Superviniente 
(pena em concreto) 
- conta-se da publicação da sentença 
condenatória para frente; 
- pressupõe trânsito em julgado para a 
acusação. 
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada; 
Renúncia 
(Art. 107, V, primeira parte, CP) 
Perdão do Ofendido 
(Art. 107, V, segunda parte, CP) 
Decorre do Princípio da Oportunidade Decorre do Princípio da Disponibilidade 
Ato Unilateral Ato Bilaterial 
Cabível, em regra, na ação penal privava; 
Exceção – Art. 74, da lei 9.099/95, abrangendo a 
ação penal condicionada a representação. 
 
Cabível apenas na ação penal privada. 
Não pressupõe processo penal em curso, 
obstando-o. 
Pressupõe processo penal em curso, 
fuminando-o. 
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite; 
IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei. 
- Súmula nº 18, STJ: “A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da 
punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório.” 
 
Perdão Aceito Perdão Judicial 
Concedido pela vítima ou representante legal. Concedido pelo Juiz. 
Precisa ser aceito – ato bilateral. Não precisa ser aceito – ato unilateral. 
Cabível somente em casos de crimes de ação 
penal privada. 
Cabível nos casos expressamente previstos em 
lei, não importando a espécie e ação penal. 
 
Obs.: As causas extintivas da punibilidade do art. 107 do CP são exemplificativas, podendo ser 
encontradas outras causas esparsas e na jurisprudência: 
Ex. de causas extintivas esparsas: 
- Art. 168-A, § 2° (Apropriação Indébita Previdenciária); 
- Art. 312, § 3º (Peculato Culposo); 
- Art. 337-A, § 1°, CP (Sonegação de Contribuição Previdenciária). 
Ex. de causas extintivas na jusriprudência: 
- Súmula nº 554, STF: “O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o recebimento 
da denúncia, não obsta ao prosseguimento daação penal.” 
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Art. 108 - A extinção da punibilidade de crime que é pressuposto, elemento constitutivo ou 
circunstância agravante de outro não se estende a este. Nos crimes conexos, a extinção da 
punibilidade de um deles não impede, quanto aos outros, a agravação da pena resultante da 
conexão. 
Prescrição antes de transitar em julgado a sentença 
Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no § 1o do art. 
110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, 
verificando-se: 
I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze; 
II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a doze; 
III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito; 
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a quatro; 
V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois; 
VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano. 
Prescrição das penas restritivas de direito 
Parágrafo único - Aplicam-se às penas restritivas de direito os mesmos prazos previstos para as 
privativas de liberdade. 
Prescrição depois de transitar em julgado sentença final condenatória 
Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a sentença condenatória regula-se pela pena 
aplicada e verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se aumentam de um terço, se o 
condenado é reincidente. 
§ 1o A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou depois 
de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por 
termo inicial data anterior à da denúncia ou queixa. 
Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado a sentença final 
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a correr: 
I - do dia em que o crime se consumou; 
Obs.: quanto à prescrição, o Código Penal adotou a Teoria do Resultado. 
II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa; 
III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência; 
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil, da data em 
que o fato se tornou conhecido. 
V - nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes, previstos neste Código ou em 
legislação especial (ECA), da data em que a vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo se a esse tempo 
já houver sido proposta a ação penal. 
Crime Termo Inicial da Prescrição 
Consumado data da consumação 
Tentato data do último ato executório 
Permanente data em que cessou a permanência 
Bigamia, Falsificação ou Alteração de 
Assentimento de Registro Civil 
data em que o fato se tornou conhecido 
Contra a Dignidade Sexual de Crianças ou 
Adolescentes, previstos no CP ou Legislação 
Especial 
data em que a vítima completar 18 anos, salvo 
se a esse tempo já houver sido proposta a ação 
Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória irrecorrível 
Art. 112 - No caso do art. 110 (Prescrição da pretensão punitiva) deste Código, a prescrição começa 
a correr: 
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I - do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a ACUSAÇÃO, ou a que revoga a 
suspensão condicional da pena ou o livramento condicional; 
II - do dia em que se interrompe a execução, SALVO quando o tempo da interrupção deva computar-
se na pena. 
#INFO 
- Interpretação do art. 112 do CP. 
Se o Ministério Público não recorreu contra a sentença condenatória, tendo havido apenas recurso da 
defesa, qual deverá ser o termo inicial da prescrição da pretensão executiva? O início do prazo da 
prescrição executória deve ser o momento em que ocorre o trânsito em julgado para o MP? Ou o início 
do prazo deverá ser o instante em que se dá o trânsito em julgado para ambas as partes, ou seja, tanto 
para a acusação como para a defesa? 
• Posicionamento pacífico do STJ: o termo inicial da prescrição da pretensão executória é a data do 
trânsito em julgado da sentença condenatória para a acusação, ainda que a defesa tenha recorrido e 
que se esteja aguardando o julgamento desse recurso. Aplica-se a interpretação literal do art. 112, I, do 
CP, considerando que ela é mais benéfica ao condenado. 
• Entendimento da 1ª Turma do STF: o início da contagem do prazo de prescrição somente se dá 
quando a pretensão executória pode ser exercida. Se o Estado não pode executar a pena, não se pode 
dizer que o prazo prescricional já está correndo. Assim, mesmo que tenha havido trânsito em julgado 
para a acusação, se o Estado ainda não pode executar a pena (ex: está pendente uma apelação da 
defesa), não teve ainda início a contagem do prazo para a prescrição executória. É preciso fazer uma 
interpretação sistemática do art. 112, I, do CP. Vale ressaltar que, com o novo entendimento do STF 
admitindo a execução provisória da pena, para essa segunda corrente (Min. Roberto Barroso) o termo 
inicial da prescrição executória será a data do julgamento do processo em 2ª instância. Isso porque se 
estiver pendente apenas recurso especial ou extraordinário, será possível a execução provisória da pena. 
Logo, já poderia ser iniciada a contagem do prazo prescricional. 
STF. 1ª Turma. RE 696533/SC, Rel. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 
6/2/2018 (Info 890). 
Prescrição no caso de evasão do condenado ou de revogação do livramento condicional 
Art. 113 - No caso de evadir-se o condenado ou de REVOGAR-SE o LIVRAMENTO CONDICIONAL, a 
prescrição É REGULADA pelo tempo que resta da pena. 
Prescrição da multa 
Art. 114 - A prescrição da pena de multa ocorrerá: 
I - em 2 (dois) anos, quando a multa for a única COMINADA ou APLICADA; 
II - no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena privativa de liberdade, quando a multa for 
ALTERNATIVA ou CUMULATIVAMENTE COMINADA ou CUMULATIVAMENTE APLICADA. 
Obs.: Se os fatos objeto da denúncia foram praticados enquanto a Paciente e o corréu eram menores 
de vinte e um anos de idade, fato reconhecido na sentença condenatória, o prazo da prescrição, que 
seria de quatro anos, deve ser reduzido à metade, a dizer, para dois anos (art. 115 do Código Penal), o 
que também ocorre com o prazo prescricional da pena de multa (art. 114, inc. II, do Código Penal). 
(STF, HC 92316, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, 1ª Turma, j. 11/09/2007). 
 
PRESCRIÇÃO DA PENA DE MULTA 
1. Prescrição da Pretensão Punitiva da Multa 
Hipotése Prescrição Fundamento 
Pena de multa é a única cominada 
2 anos – conta-se de acordo com o art. 
111 do CP. 
Art. 114, I, CP 
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Pena de multa cominada 
cumulativamente com pena privativa de 
liberdade 
Prescreve junto com a pena mais grave Art. 118, CP 
Pena de multa cominada 
alternativamente com a pena privativa 
de liberdade 
Prescreve junto com a pena mais grave Art. 118, CP 
2. Prescrição da Pretensão Executória da Multa 
Hipotése Prescrição Fundamento 
Pena de multa é a única aplicada 
2 anos – conta-se da data do trânsito 
em julgado para a acusação 
Art. 114, I, CP 
Pena de multa aplicada 
cumulativamente com a pena privativa 
de liberdade 
Prescreve junto com a pena mais grave Art. 118, CP 
Redução dos prazos de prescrição 
Art. 115 - SÃO REDUZIDOS DE METADE os prazos de prescrição quando o criminoso ERA, AO TEMPO 
DO CRIME, menor de 21 (vinte e um) anos, ou, NA DATA DA SENTENÇA, maior de 70 (setenta) anos. 
Causas impeditivasda prescrição 
Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, A PRESCRIÇÃO NÃO CORRE: 
I - enquanto NÃO RESOLVIDA, em outro processo, QUESTÃO de que DEPENDA o reconhecimento 
da existência do crime; 
II - enquanto o agente CUMPRE pena no estrangeiro. 
Parágrafo único - Depois de passada em julgado a sentença condenatória, a prescrição não corre durante 
o tempo em que o condenado está preso por outro motivo. 
Causas interruptivas da prescrição 
Art. 117 - O curso da prescrição INTERROMPE-SE: 
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa; 
II - pela pronúncia; 
III - pela decisão confirmatória da pronúncia; 
IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis; 
Obs.: A sentença que, a teor do disposto no art. 117, IV, CP, interrompe o prazo prescricional é a 
condenatória. A sentença absolutória (mesmo que imprópria) não provoca qualquer efeito sobre a 
prescrição. 
 
#INFO 
- A publicação do acórdão condenatório para fins de prescrição ocorre no dia da sessão de 
julgamento. 
A prescrição da pretensão punitiva do Estado, em segundo grau de jurisdição, se interrompe na data da 
sessão de julgamento do recurso e não na data da publicação do acórdão. 
Para efeito de configuração do marco interruptivo do prazo prescricional a que se refere o art. 117, IV, 
do CP, considera-se como publicado o “acórdão condenatório recorrível” na data da sessão pública de 
julgamento, e não na data de sua veiculação no Diário da Justiça ou em meio de comunicação 
congênere. 
A publicação do acórdão nos veículos de comunicação oficial deflagra o prazo recursal, mas não 
influencia na contagem do prazo da prescrição. 
STF. 1ª Turma. RHC 125078/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 3/3/2015 (Info 776). 
V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena; 
VI - pela reincidência. 
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57 
 
 
 
- Súmula nº 592, STF: “Nos crimes falimentares, aplicam-se as causas interruptivas da prescrição, 
previstas no Código Penal.” 
§ 1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a interrupção da prescrição produz efeitos 
relativamente a todos os autores do crime. Nos crimes conexos, que sejam objeto do mesmo processo, 
estende-se aos demais a interrupção relativa a qualquer deles. 
#INFO 
- Interrupção de prescrição de pretensão punitiva em crimes conexos. 
No caso de crimes conexos que sejam objeto do mesmo processo, havendo sentença condenatória para 
um dos crimes e acórdão condenatório para o outro delito, tem-se que a prescrição da pretensão 
punitiva de ambos é interrompida a cada provimento jurisdicional (art. 117, § 1º, do CP). 
STJ. 5ª Turma. RHC 40.177-PR, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 25/8/2015 (Info 
568). 
§ 2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do inciso V deste artigo, todo o prazo começa a correr, 
novamente, do dia da interrupção. 
Art. 118 - As penas mais leves prescrevem com as mais graves. 
PRESCRIÇÃO 
Prescrição Termo Inicial Interrupação Suspensão 
Pretensão 
Punitiva: 
- PPPA; 
- PPPS; 
- PPPR. 
a) Consumado: dia em que o 
crime se consumou; 
 
 b) Tentado: dia em que cessou a 
atividade criminosa; 
 
c) Permanentes e Habituais: dia 
que cessar a permanência ou 
habitualidade; 
 
d) Bigamia e 
Falsificação/Alteração de 
assentamento no Registro Civil: 
data do conhecimento do fato; 
 
e) Contra a Dignidade Sexual de 
Crianças e Adolescentes 
previstos no CP ou LE: data em 
que a vítima completar 18 anos, 
salvo se a esse tempo já houver 
sido proposta a ação penal. 
a) Recebimento da 
denúncia ou queixa; 
 
b) Pronúncia; 
 
c) Confirmação da 
pronúncia; 
 
d) Publicação da 
sentença ou acórdão 
condenatórios 
recorríveis. 
a) Enquanto não 
resolvida questão 
prejudicial (obrigatória 
ou facultativa); 
 
b) Enquanto o agente 
cumpre pena no 
estrangeiro. 
Pretensão 
Executória: 
- PPE. 
a) Trânsito em julgado de sentença 
condenatória para acusação. 
Obs.: Prevalece que é o trânsito 
em julgada para ambas as partes, 
acusação e defesa. 
 
b) Trânsito em julgado da 
sentença que revoga o sursis (total 
a) Início ou continuação 
do cumprimento da 
pena; 
 
b) Reincidência. 
a) Enquanto o 
condenado está preso 
por outro motivo. 
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da pena) ou livramento 
condicional (restante da pena) 
 
c) do dia da interrupção da 
execução – da evasão do cárcere. 
 
SÚMULAS SOBRE PRESCRIÇÃO 
STF STJ 
- Súmula nº 146, STF: “A prescrição da ação penal 
regula-se pela pena concretizada na sentença, 
quando não há recurso da acusação.” 
- Súmula nº 497, STF: “Quando se tratar de crime 
continuado, a prescrição regula-se pela pena 
imposta na sentença, não se computando o 
acréscimo decorrente da continuação.” 
- Súmula nº 592, STF: “Nos crimes falimentares, 
aplicam-se as causas interruptivas da prescrição, 
previstas no Código Penal.” 
- Súmula nº 191, STJ: “A pronúncia é causa 
interruptiva da prescrição, ainda que o Tribunal do 
Júri venha a desclassificar o crime.” 
- Súmula nº 220, STJ: “A reincidência não influi no 
prazo da prescrição da pretensão punitiva.” 
- Súmula nº 338, STJ: “A prescrição penal é 
aplicável nas medidas sócio-educativas.” 
- Súmula nº 415, STJ: “O período de suspensão 
do prazo prescricional é regulado pelo máximo da 
pena cominada.” 
- Súmula nº 438, STJ: “É inadmissível a extinção 
da punibilidade pela prescrição da pretensão 
punitiva com fundamento em pena hipotética, 
independentemente da existência ou sorte do 
processo penal.” 
Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade INCIDIRÁ sobre a pena de CADA 
UM, isoladamente. 
Perdão judicial 
Art. 120 - A sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efeitos de reincidência. 
 
PARTE ESPECIAL 
 
TÍTULO I 
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA 
 
CAPÍTULO I 
DOS CRIMES CONTRA A VIDA 
Homicídio simples 
Art. 121. Matar alguém: 
Pena - reclusão, de seis a vinte anos. 
Obs.: O homicídio simples, em regra, não é crime hediondo, salvo quando praticado em atividade de 
grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente. É o chamado homicídio condicionado. 
 
#INFO 
- Dirigir alcoolizado na contramão: reconhecimento de dolo eventual. 
Verifica-se a existência de dolo eventual no ato de dirigir veículo automotor sob a influência de álcool, 
além de fazê-lo na contramão. Esse é, portanto, um caso específico que evidencia a diferença entre a 
culpa consciente e o dolo eventual. O condutor assumiu o risco ou, no mínimo, não se preocupou com 
o risco de, eventualmente, causar lesões ou mesmo a morte de outrem. 
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STF. 1ª Turma. HC 124687/MS, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado 
em 29/5/2018 (Info 904). 
 
- O simples fato do condutor do veículo estar embriagado não gera a presunção de que tenha 
havido dolo eventual. 
A embriaguez do agente condutor do automóvel, por si só, não pode servir de premissa bastante para 
a afirmação do dolo eventual em acidente de trânsito com resultado morte. 
A embriaguez do agente condutor do automóvel, sem o acréscimo de outras peculiaridades, não pode 
servir como presunção de que houve dolo eventual. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.689.173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 21/11/2017 (Info 
623). 
 
- Juiz da 1ª fase do Júri deve examinar se o agente que conduzia o veículo embriagado praticou 
homicídio doloso ou culposo. 
Na primeirafase do Tribunal do Júri, ao juiz togado cabe apreciar a existência de dolo eventual ou culpa 
consciente do condutor do veículo que, após a ingestão de bebida alcoólica, ocasiona acidente de 
trânsito com resultado morte. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.689.173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 21/11/2017 (Info 
623). 
Caso de diminuição de pena (homicídio privilegiado) 
§ 1º Se o agente COMETE o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o 
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode REDUZIR 
a pena de um sexto a um terço. (As privilegiadoras são subjetivas: não se comunicam no caso de 
concurso de pessoas) 
Valor Moral Valor Social 
É o motivo nobre de caráter individual. É o motivo nobre de caráter coletivo. 
Ex.: eutanásia Ex.: matar um traidor da pátria 
 
#NãoConfunda: 
Atenuante Genérica 
(art. 65, III, c, 2ª parte) 
Causa de Diminuição do Homicídio 
(art. 121, § 1º) 
Sob a INFLUÊNCIA de violenta emoção, 
provocada por ato injusto da vítima. 
Sob o DOMÍNIO de violenta emoção, logo em 
seguida a injusta provocação da vítima. 
A intensidade é menor (influência) A intensidade é maior (domínio) 
Dispensa o requisito temporal Reação imediata (logo em seguida) 
Aplica-se a qualquer crime Aplica-se ao homicídio doloso 
Homicídio qualificado 
§ 2° Se o homicídio é cometido: 
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe (interpretação analógica); 
(qual. subjetiva – motivos do crime) 
Motivo torpe: é o vil, ignóbil, repugnante, abjeta. 
Ex.: o próprio homicídio mediante paga ou promessa de recompensa, onde o executor pratica o crime 
movido pela ganância de lucro. 
Homicídio mediante paga ou promessa de recompensa → homicídio mercenário ou por mandato 
remunerado; 
Executor → matador de aluguel ou sicário; 
Crime de concurso necessário ou bilateral → mandante e executor. 
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#INFO 
- Incidência da qualificadora do motivo torpe em relação ao mandante de homicídio mercenário. 
O reconhecimento da qualificadora da "paga ou promessa de recompensa" (inciso I do § 2º do art. 121) 
em relação ao executor do crime de homicídio mercenário não qualifica automaticamente o delito em 
relação ao mandante, nada obstante este possa incidir no referido dispositivo caso o motivo que o tenha 
levado a empreitar o óbito alheio seja torpe. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.209.852-PR, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 15/12/2015 (Info 
575). 
 
- Motivo torpe e feminicídio: inexistência de bis in idem. 
Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e de feminicídio no 
crime de homicídio praticado contra mulher em situação de violência doméstica e familiar. 
Isso se dá porque o feminicídio é uma qualificadora de ordem OBJETIVA - vai incidir sempre que o crime 
estiver atrelado à violência doméstica e familiar propriamente dita, enquanto que a torpeza é de cunho 
subjetivo, ou seja, continuará adstrita aos motivos (razões) que levaram um indivíduo a praticar o delito. 
STJ. 6ª Turma. HC 433.898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018 (Info 625). 
II - por motivo fútil; (qual. subjetiva – motivos do crime) 
Motivo fútil: é o insignificante, apresentando desproporção entre o crime e sua causa moral. É, pois, o 
motivo banal, ridículo por sua insignificância. 
Exs.: incidente de trânsito; rompimento de namoro; pequenas discussões entre familiares; fato de a 
vítima ter rido do homicida; discussão a respeito de bebida alcoólica, etc. 
 
#INFO 
- Incompatibilidade entre dolo eventual e a qualificadora de motivo fútil. 
A qualificadora do motivo fútil (art. 121, § 2º, II, do CP) é compatível com o homicídio praticado com 
dolo eventual? A pessoa que cometeu homicídio com dolo eventual pode responder pela qualificadora 
de motivo fútil? 
1ª corrente: SIM. O fato de o réu ter assumido o risco de produzir o resultado morte, aspecto 
caracterizador do dolo eventual, não exclui a possibilidade de o crime ter sido praticado por motivo fútil, 
uma vez que o dolo do agente, direto ou indireto, não se confunde com o motivo que ensejou a conduta, 
mostrando-se, em princípio, compatíveis entre si. STJ. 5ª Turma. REsp 912.904/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, 
julgado em 06/03/2012. 
2ª corrente: NÃO. A qualificadora de motivo fútil é incompatível com o dolo, tendo em vista a ausência 
do elemento volitivo. STJ. 6ª Turma. HC 307.617-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. 
Sebastião Reis Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info 583). 
STJ. 6ª Turma. HC 307.617-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis 
Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info 583). 
 
- Inexistência de motivo fútil em homicídio decorrente da prática de "racha". 
Não incide a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2º, II, do CP), na hipótese de homicídio 
supostamente praticado por agente que disputava "racha", quando o veículo por ele conduzido - em 
razão de choque com outro automóvel também participante do "racha" - tenha atingido o veículo da 
vítima, terceiro estranho à disputa automobilística. Motivo fútil corresponde a uma reação 
desproporcional do agente a uma ação ou omissão da vítima. No caso de "racha", tendo em conta 
que a vítima (acidente automobilístico) era um terceiro, estranho à disputa, não é possível considerar 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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a presença da qualificadora de motivo fútil, tendo em vista que não houve uma reação do agente a 
uma ação ou omissão da vítima. 
STJ. 6ª Turma. HC 307.617-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis 
Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info 583). 
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou 
de que possa resultar perigo comum (interpretação analógica); (qual. objetiva – meio de execução) 
Emprego de Veneno (venefício): será qualificado apenas quando a vítima não sabe está sendo 
envenenada. Caso seja forçada a ingerir o veneno, o homicídio será qualificado pelo meio cruel. 
Emprego de Asfixia: pode ser – mecânica (enforcamento, afogamento, estrangulamento, esganadura 
ou sufocação) – tôxica (produzida por gases deletérios). 
Meio que possa resultar perigo comum: número ideterminado de pessoas. 
 
#NãoConfunda: 
Homicídio Qualificado pela Tortura 
(Art. 121, § 2º, III, CP) 
Tortura Qualificada pela Morte 
(Art. 1º, § 3º, Lei 9.455/97) 
Crime Hediondo Crime Equiparado a Hediondo 
Crime Doloso Crime Preterdoloso 
O dolo é de Matar O dolo é de Torturar 
Há dolo de matar e a tortura é o meio de 
execução escolhido para matar. 
Há dolo de torturar e a morte é resultado culposo 
decorrente da tortura. 
Pena → Reclusão, de 12 a 30 anos. Pena → Reclusão, de 8 a 16 anos. 
Competência do Júri Competência do Juiz Singular 
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne 
impossivel a defesa do ofendido; (qual. objetiva – meios de execução) 
Homicídio qualificado pela traição → homicídio prodtorium. 
 
O dolo eventual não se compatibiliza com a qualificadora do art. 121, § 2º, IV (traição, emboscada, 
dissimulação). 
STF. 2ª Turma. HC 111.442/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/8/2012 (Info 677). 
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime; (qual. 
subjetiva – motivos do crime) 
CRIMES CONEXOS 
São aqueles que estão ligados entre si. Podem ser: 
De Conexão Teleológica 
(Ideológica ou por Sucessão) 
de Conexão Consequencial 
(ou Causal) 
de Conexão Ocasional 
É aquele praticado para 
assegurar aexecução de outro 
crime, sucessivo/futuro. 
 
Ex.: Agente que pratica um 
crime de falsificação, para 
posterior prática do crime de 
estelionato. 
É aquele praticado para assegurar 
a ocultação, a impunidade ou a 
vantagem de outro crime, 
passado. 
 
Ex.: Agente que mata policiais 
para escapar da prisão em 
flagrante por um crime de 
trânsito. 
É aquele praticado como 
consequência da ocasião, da 
oportunidade proporcionada 
por outro delito. O agente 
responde pelos dois delitos em 
concurso material. Não há 
conexão entre os crimes, mas 
uma mera proximidade física 
entre os dois crimes. 
Ex.: Agente que mata e, em 
seguida, aproveita a 
oportunidade para subtrair bens 
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62 
 
 
 
da vitima. Responde por 
Homicídio e Furto em concurso 
material de crimes. 
No caso do homicídio, é 
qualificadora 
(art. 121, § 2º, V, CP) 
No caso do homicídio, é 
qualificadora 
(art. 121, § 2º, V, CP) 
No caso do homicídio, não é 
qualificadora 
Feminicídio 
Feminicídio Femicídio 
Praticar homicídio contra mulher por “razões da 
condição de sexo feminino” (por razões de 
gênero). 
Praticar homicídio contra mulher (matar mulher). 
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: 
#INFO 
- Motivo torpe e feminicídio: inexistência de bis in idem. 
Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e de feminicídio no 
crime de homicídio praticado contra mulher em situação de violência doméstica e familiar. 
Isso se dá porque o feminicídio é uma qualificadora de ordem OBJETIVA - vai incidir sempre que o crime 
estiver atrelado à violência doméstica e familiar propriamente dita, enquanto que a torpeza é de cunho 
subjetivo, ou seja, continuará adstrita aos motivos (razões) que levaram um indivíduo a praticar o delito. 
STJ. 6ª Turma. HC 433.898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018 (Info 625). 
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 (Exército, Marinha e Aeronáutica) e 144 (PF, 
PRF, PFF, PC, PM e BM) da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional 
de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, 
companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição: 
Obs.: Não abrange parente por afinidade. 
Pena - reclusão, de doze a trinta anos. 
§ 2o-A considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: 
I - violência doméstica e familiar; 
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. 
Competência: 
Se o feminicídio ocorre com base no inciso I do § 2º-A do art. 121, ou seja, se envolveu violência 
doméstica, a competência para processar este crime será da vara do Tribunal do Júri ou do Juizado 
Especial de Violência Doméstica (“Vara Maria da Penha”)? 
Dependerá da Lei estadual de Organização Judiciária. 
 
• Situação 1: existem alguns Estados que, em sua Lei de Organização Judiciária preveem que, em caso 
de crimes dolosos contra a vida praticados no contexto de violência doméstica, a Vara de Violência 
Doméstica será competente para instruir o feito até a fase de pronúncia. A partir daí, o processo será 
redistribuído para a Vara do Tribunal do Júri. Segundo já decidiu o STF, essa previsão é válida: 
- Competência para o processamento de crimes dolosos contra a vida praticados no contexto de 
violência doméstica. 
A Lei de Organização Judiciária poderá prever que a 1ª fase do procedimento do júri seja realizada na 
Vara de Violência Doméstica em caso de crimes dolosos contra a vida praticados no contexto de 
violência doméstica. Não haverá usurpação da competência constitucional do júri. Apenas o julgamento 
propriamente dito é que, obrigatoriamente, deverá ser feito no Tribunal do Júri 
STF. 2ª Turma. HC 102150/SC, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 27/5/2014 (Info 748). 
 
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• Situação 2: se a lei de organização judiciária não prever expressamente essa competência da Vara 
de Violência Doméstica para a 1ª fase do procedimento do Júri, aplica-se a regra geral e todo o 
processo tramitará na Vara do Tribunal do Júri. 
Homicídio culposo 
§ 3º Se o homicídio é CULPOSO: 
Pena - detenção, de um a três anos. 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
Aumento de pena 
§ 4o No HOMICÍDIO CULPOSO, a pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço), se o crime RESULTA de 
inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato 
socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em 
flagrante. Sendo DOLOSO O HOMICÍDIO, a pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço) se o crime é 
praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. 
Homicídio Culposo 
- crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão; 
- agente deixa de prestar imediato socorro à vítima; 
- agente não procura diminuir as conseqüências do seu ato; ou 
- agente foge para evitar prisão em flagrante. 
Homicídio Doloso 
crime é praticado contra pessoa: 
• menor de 14 (quatorze); ou 
• maior de 60 (sessenta) anos. 
 
#INFO 
A morte instantânea da vítima nem sempre irá afastar a causa de aumento de pena do § 4º do 
art. 121 do CP. 
No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 se o agente deixa de prestar imediato socorro à 
vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante (§ 4º 
do art. 121 do CP). Se a vítima tiver morte instantânea, tal circunstância, por si só, é suficiente para afastar 
a causa de aumento de pena prevista no § 4º do art. 121? NÃO. No homicídio culposo, a morte 
instantânea da vítima não afasta a causa de aumento de pena prevista no art. 121, § 4º, do CP, a não ser 
que o óbito seja evidente, isto é, perceptível por qualquer pessoa. 
STJ. 5ª Turma. HC 269.038-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 2/12/2014 (Info 554). 
 
Obs.: O § 4º não incide para o feminicídio, pois há o parágrafo próprio, qual seja, o § 7º. 
§ 5º - Na hipótese de HOMICÍDIO CULPOSO, o juiz PODERÁ DEIXAR DE APLICAR a pena, se as 
consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne 
desnecessária (perdão judicial). 
§ 6o A pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço) ATÉ a metade se o crime for praticado por milícia 
privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio. 
§ 7o A pena do feminicídio é AUMENTADA de 1/3 (um terço) ATÉ a metade se o crime for praticado: 
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; 
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou 
portadora de doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física 
ou mental; (Lei nº 13.771/2018) 
Obs.: não haverá a causa de aumento se o crime é praticado na presença de colateral (ex: irmão, tio) ou 
na presença do cônjuge da vítima. 
III - na presença FÍSICA OU VIRTUAL de descendente ou de ascendente da vítima; (Lei nº 13.771/2018) 
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IV - em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do 
art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. (Lei nº 13.771/2018) 
Art. 22. CONSTATADA a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta 
Lei, o juiz PODERÁ APLICAR, DE IMEDIATO, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes 
MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA, entre outras: 
I - suspensão da posseou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos 
termos da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003; 
II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; 
III - proibição de determinadas condutas, entre as quais: 
a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância 
entre estes e o agressor; 
b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; 
c) freqüentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da 
ofendida; 
 
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio 
Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da 
tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. 
Parágrafo único - A pena é duplicada: 
Aumento de pena 
I - se o crime é praticado por motivo egoístico; 
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência. 
 
Infanticídio 
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após: 
Pena - detenção, de dois a seis anos. 
Crim Bipróprio – Suj. ativo (mãe); Suj. passivo (filho). 
 
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento 
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: 
Pena – detenção, de um a três anos. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Aborto provocado por terceiro 
Art. 125 - Provocar aborto, SEM o consentimento da gestante: 
Pena - reclusão, de três a dez anos. 
Art. 126 - Provocar aborto COM o consentimento da gestante: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
- O “aborto com consentimento” da gestante constitui exceção à teoria monística adotada pelo Código 
Penal. Em regra, o Código Penal adota a teoria monista, ou seja, todos respondem pelo mesmo tipo 
penal. Contudo, quanto ao aborto o Código Penal adotou a teoria pluralista. Portanto, quem pratica 
o aborto com o consentimento da gestante (terceiro) enquadra no art. 126 (Provocar aborto com o 
consentimento da gestante), já a gestante incorre no art. 124 (Provocar aborto em si mesma ou 
consentir que outrem lho provoque). 
 
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ABORTO CRIMINOSO 
Art. 124 Art. 125 Art. 126 
Pune a gestante pelo 
autoaborto ou pelo 
consentimento para que terceiro 
lhe provoque 
Pune o terceiro provocador, 
que pratica o aborto SEM o 
consentimento da gestante. 
Pune o terceiro provocador, 
que pratica o aborto COM o 
consentimento da gestante. 
Pena → Detenção, de 1 a 3 
anos. 
Pena → Reclusão, de 3 a 10 
anos. 
Pena → Reclusão, de 1 a 4 
anos. 
Não cabe prisão preventiva para 
a gestante primária. 
Cabe prisão preventiva. Cabe prisão preventiva 
Cabe suspensão condicional do 
processo. 
Não cabe suspensão 
condicional do processo. 
Cabe suspensão condicional do 
processo. 
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a GESTANTE NÃO É maior de quatorze anos, 
ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou 
violência 
Forma qualificada 
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são AUMENTADAS de um terço, se, em 
conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal 
de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte. 
Art. 128 - NÃO SE PUNE o ABORTO praticado por médico: 
Aborto necessário (ou terapêutico) 
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; 
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro (Aborto sentimental, humanitário, ético ou 
piedoso) 
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando 
incapaz, de seu representante legal. 
ABORTO – ESPÉCIES 
ABORTO PREVISÃO CONCEITO CRIME? 
Aborto Terapêutico 
ou Necessário 
Art. 128, I, CP 
É aborto legal realizados nos casos em que a 
gravidez traz risco a vida da gestante. 
Requisitos: 
a) praticado por médico; 
b) risco de vida da gestante; e 
c) impossibilidade do uso de outro meio para 
salvá-la. 
Não 
(Exclud. de 
Ilicitude) 
Aborto Sentimental, 
Humanitário, Ético 
ou Piedoso 
Art. 128, II, CP 
É aborto legal realizados nos casos em que a 
gravidez é resultante de estupro. 
Requisitos: 
a) praticado por médico; 
b) gravidez resultante de estupro; e 
c) consentimento da gestante ou quando 
incapaz, por seu representante legal. 
Não 
(Exclud. de 
Ilicitude) 
Aborto Qualificado Art. 127, CP 
Quando o aborto resulta lesão corporal grave 
ou morte culposa da gestante (crime 
preterdoloso). 
Sim 
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66 
 
 
 
Aborto Natural – 
Interrupção da gravidez espontânea, 
normalmente causada por problemas de 
saúde. 
Não 
Aborto Acidental – 
Interrupção da gravidez decorre de quedas, 
acidentes e traumatimos em geral. 
Não 
Aborto de Feto 
Anencéfalo 
– 
Interrupção da gravidez em razão do feto ser 
portador de anencefalia. 
Não 
(STF) 
Aborto Miserável ou 
Econômico-social 
– 
Interrupção da gravidez em virtude de 
carência financeira, impossibilitando a 
criação futura. 
Sim 
Aborto Eugênico ou 
Eugenésico 
– 
Interrupação da gravidez em casos de suspeita 
de que a criança porte algumas anomalia. 
Sim 
Aborto Honoris 
Causa 
– 
Interrupação da gravidez para esconder 
adultério. 
Sim 
Aborto Ovular – Praticado até a 8ª semana de gestação. – 
Aborto Embrionário – Praticado até a 15ª semana de gestação. – 
Aborto Fetal – Praticado após a 15ª semana de gestação. – 
 
CAPÍTULO II 
DAS LESÕES CORPORAIS 
Lesão corporal 
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Lesão corporal de natureza grave 
§ 1º Se resulta: 
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; 
II - perigo de vida; 
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; 
#INFO 
Perda de dois dentes configura lesão grave (e não gravíssima). 
A lesão corporal que provoca na vítima a perda de dois dentes tem natureza grave (art. 129, § 1º, III, do 
CP), e não gravíssima (art. 129, § 2º, IV, do CP). A perda de dois dentes pode até gerar uma debilidade 
permanente (§ 1º, III), ou seja, uma dificuldade maior da mastigação, mas não configura deformidade 
permanente (§ 2º, IV). § 1º Se resulta: III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; § 2º 
Se resulta: IV - deformidade permanente; 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.620.158-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/9/2016 (Info 
590). 
IV - aceleração de parto: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 2° Se resulta (lesão corporal gravíssima): 
I - incapacidade permanente para o trabalho; 
II - enfermidade incurável; 
III - perda ou inutilização do membro, sentido ou função; 
IV - deformidade permanente; 
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#INFO 
Lesão corporal qualificado pela deformidade permanente e posterior cirurgia plástica reparadora. 
A qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal (art. 129, § 2º, IV, do CP) não é 
afastada por posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou minimizea deformidade na vítima. 
Isso porque, o fato criminoso é valorado no momento de sua consumação, não o afetando providências 
posteriores, notadamente quando não usuais (pelo risco ou pelo custo, como cirurgia plástica ou de 
tratamentos prolongados, dolorosos ou geradores do risco de vida) e promovidas a critério exclusivo da 
vítima. 
STJ. 6ª Turma. HC 306.677-RJ, Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ-SP), 
Rel. para acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/5/2015 (Info 562). 
V - aborto: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos. 
GRAVE - § 1° GRAVÍSSIMA - § 2° 
Incapacidade para as ocupações habituais, por 
mais de trinta dias; 
 
Perigo de vida; 
 
Debilidade permanente de membro, sentido ou 
função; 
 
Aceleração de parto. 
Incapacidade permanente para o trabalho; 
Enfermidade incurável; 
 
Perda ou inutilização do membro, sentido ou 
função; 
 
Deformidade permanente; 
 
Aborto. 
Pena → Reclusão, de 1 a 5 anos. Pena → Reclusão, de 2 a 8 anos. 
Cabe Suspensão Condicional do Processo Não Cabe Suspensão Condicional do Processo 
Lesão corporal seguida de morte 
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o 
risco de produzi-lo: (crime preterdoloso) 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. 
Diminuição de pena 
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o 
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode REDUZIR 
a pena de um sexto a um terço. 
Substituição da pena 
§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de DETENÇÃO pela de MULTA, de 
duzentos mil réis a dois contos de réis: 
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior; 
II - se as lesões são recíprocas. 
Lesão corporal culposa 
§ 6° Se a lesão é CULPOSA: 
Pena - detenção, de dois meses a um ano. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Aumento de pena 
§ 7o AUMENTA-SE a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4o e 6o do art. 
121 (homicídio) deste Código. 
§ 8º - Aplica-se à LESÃO CULPOSA o disposto no § 5º do art. 121 (homicídio). 
Violência Doméstica 
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§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou 
com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, 
de coabitação ou de hospitalidade: 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
- Súmula nº 542, STJ: “A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência 
doméstica contra a mulher é pública incondicionada.” 
 
A qualificadora prevista no § 9º do art. 129 do CP aplica-se também às lesões corporais cometidas contra 
HOMEM no âmbito das relações domésticas. 
STJ. 5ª Turma. RHC 27.622-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 7/8/2012. 
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o (Lesão grave, gravíssima e seguida de morte) deste artigo, se 
as circunstâncias são as indicadas no § 9o deste artigo, AUMENTA-SE a pena em 1/3 (um terço). 
§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será AUMENTADA de um terço se o crime for cometido 
contra pessoa portadora de deficiência. 
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 (Exército, Marinha e 
Aeronáutica) e 144 (PF, PRF, PFF, PC, PM e BM) da Constituição Federal, integrantes do sistema 
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, 
ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa 
condição, a pena é AUMENTADA de um a dois terços. 
 
CAPÍTULO III 
DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE 
Perigo de contágio venéreo 
Art. 130 - EXPOR alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, A CONTÁGIO DE 
MOLÉSTIA VENÉREA, de que sabe ou deve saber que está contaminado: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- se consuma com a prática da relação sexual ou de ato libidinoso, independentemente do efetivo 
contágio que, se ocorrer, será simples exaurimento do delito. 
- crime de forma vinculada: a forma de praticar o delito já está delimitada no tipo penal: “por meio de 
relações sexuais ou qualquer ato libidinoso”. 
§ 1º - Se é INTENÇÃO do agente transmitir a moléstia: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 2º - Somente se procede mediante representação. 
- Ação → pública condicionada a representação; 
- Condição de procedibilidade. 
 
Perigo de contágio de moléstia grave 
Art. 131 - PRATICAR, com o fim de transmitir a outrem MOLÉSTIA GRAVE de que está contaminado, 
ato capaz de produzir O CONTÁGIO: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa. 
 
Perigo para a vida ou saúde de outrem 
Art. 132 - EXPOR a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente: 
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Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Crime subsidiário. 
Parágrafo único. A pena é AUMENTADA de um sexto a um terço se a exposição da vida ou da saúde 
de outrem a perigo DECORRE do transporte de pessoas para a prestação de serviços em 
estabelecimentos de qualquer natureza, em desacordo com as normas legais. 
 
Abandono de incapaz 
Art. 133 - ABANDONAR PESSOA que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por 
qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono: 
Pena - detenção, de seis meses a três anos. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1º - Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 2º - Se resulta a morte: 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. 
Aumento de pena 
§ 3º - As penas cominadas neste artigo AUMENTAM-SE de um terço: 
I - se o abandono ocorre em lugar ermo; 
II - se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador da vítima. 
III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos 
 
Exposição ou abandono de recém-nascido 
Art. 134 - EXPOR ou ABANDONAR RECÉM-NASCIDO, para ocultar desonra própria: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: 
Pena - detenção, de um a três anos. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 2º - Se resulta a morte: 
Pena - detenção, de dois a seis anos. 
 
Omissão de socorro 
Art. 135 - DEIXAR DE PRESTAR ASSISTÊNCIA, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança 
abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; 
ou NÃO PEDIR, nesses casos, o socorro da autoridade pública: 
Pena - detenção, de um a seis meses, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - A pena é AUMENTADA de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza 
grave, e triplicada, se resulta a morte. 
 
Condicionamento de atendimento médico-hospitalar emergencial 
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Art. 135-A. EXIGIR cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem como o 
preenchimentoprévio de formulários administrativos, como condição para o atendimento médico-
hospitalar emergencial: 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, E multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único. A pena é AUMENTADA até o dobro se da negativa de atendimento resulta lesão 
corporal de natureza grave, e até o triplo se resulta a morte. 
 
Maus-tratos 
Art. 136 - EXPOR A PERIGO a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, 
para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados 
indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de 
correção ou disciplina: 
Pena - detenção, de dois meses a um ano, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 2º - Se resulta a morte: 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. 
§ 3º - AUMENTA-SE a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) 
anos. 
 
CAPÍTULO IV 
DA RIXA 
Rixa 
Art. 137 - Participar de rixa, salvo para separar os contendores: 
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
- crime plurissubjetivo, plurilateral ou de concurso necessário: o tipo penal reclama a pluralidade de 
agentes; De conduta contraposta: os agentes atuam uns contra os outros. 
Parágrafo único - Se ocorre morte ou lesão corporal de natureza grave, aplica-se, pelo fato da 
participação na rixa, a pena de detenção, de seis meses a dois anos. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
CAPÍTULO V 
DOS CRIMES CONTRA A HONRA 
Calúnia 
Art. 138 - CALUNIAR alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, E multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga. 
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§ 2º - É PUNÍVEL a calúnia contra os mortos. 
Exceção da verdade 
§ 3º - ADMITE-SE a PROVA DA VERDADE, salvo: 
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença 
irrecorrível; 
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141; 
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. 
#NãoConfunda: 
CALÚNIA (Art. 138) DENUCIAÇÃO CALUNIOSA (Art. 339) 
Crime contra a honra Crime contra a Administração da Justiça 
O agente faz imputação falsa de crime 
unicamente para ofender a honra objetiva da 
vítima 
O agente faz imputação falsa de crime ou de 
contravenção penal para movimentar o aparelho 
estatal 
Imputação falsa de crime 
Imputação falsa de crime ou de contravenção 
penal 
Ação penal privada (em regra) Ação penal pública incondicionada 
 
Difamação 
Art. 139 - DIFAMAR alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, E multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
- A falsa imputação de contravenção penal caracteriza o crime de difamação, que consiste em imputar 
a alguém fato ofensivo à sua reputação. 
Exceção da verdade 
Parágrafo único - A EXCEÇÃO DA VERDADE SOMENTE SE ADMITE se o ofendido é funcionário 
público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. 
 
Injúria 
Art. 140 - INJURIAR alguém, OFENDENDO-LHE a dignidade ou o decoro: 
Pena - detenção, de um a seis meses, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1º - O juiz PODE DEIXAR de aplicar a pena: 
I - quando o ofendido, de forma reprovável, PROVOCOU diretamente a injúria; 
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria. 
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, 
se considerem aviltantes: (INJÚRIA REAL) 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência. 
- Crime de fato transitório: aquele que não deixa vestígios. 
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a 
condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (INJÚRIA PRECONCEITUOSA OU 
DESCRIMINATÓRIA) 
Pena - reclusão de um a três anos e multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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#NãoConfunda: 
INJÚRIA PRECONCEITUOSA RACISMO 
Previsão Legal Art. 140, § 3º, do CP Art. 20, da Lei 7.716/89 
Conduta 
O agente atribui à vítima qualidade 
negativa 
O agente segrega ou incentiva a 
segregação 
Vítimas Número de vítimas determinadas Número de vítimas indeterminadas 
Preconceito 
Raça, cor, etnia, religião, condição de 
pessoa idosa ou portadora de 
deficiência 
Raça, cor, etnia, religião ou 
procedência nacional 
Bem Jurídico Honra subjetiva Dignidade humana 
Fiança Afiançável Inafiançável 
Prescrição Prescritível Imprescritível 
Ação Penal Pública condicionada à representação Pública incondicionada 
 
Disposições comuns 
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo AUMENTAM-SE de um terço, se qualquer dos crimes 
é cometido: 
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro; 
II - contra funcionário público, em razão de suas funções; 
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou 
da injúria. 
IV – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, EXCETO no caso de injúria. 
Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante PAGA ou PROMESSA DE RECOMPENSA, APLICA-
SE a pena em dobro. 
Exclusão do crime 
Art. 142 - NÃO CONSTITUEM injúria ou difamação punível: 
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador; 
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção 
de injuriar ou difamar; 
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que preste 
no cumprimento de dever do ofício. 
Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá 
publicidade. 
Retratação 
Art. 143 - O querelado que, ANTES DA SENTENÇA, SE RETRATA cabalmente da CALÚNIA ou da 
DIFAMAÇÃO, fica ISENTO DE PENA. 
Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação utilizando-
se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, SE ASSIM DESEJAR O OFENDIDO, pelos mesmos 
meios em que se praticou a ofensa. 
Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga 
ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá 
satisfatórias, responde pela ofensa. 
Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante QUEIXA, salvo quando, no 
caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal. 
Parágrafo único. PROCEDE-SE mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso I do 
caput do art. 141 deste Código, e mediante representação do ofendido, no caso do inciso II do mesmo 
artigo, bem como no caso do § 3o do art. 140 deste Código. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-5173 
 
 
 
- Súmula nº 714, STF: “É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do Ministério 
Público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de 
servidor público em razão do exercício de suas funções.” 
 
AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A HONRA 
Privada Regra 
Cond. Representação do Ofendido 
- Funcionário público, em razão de suas funções; 
Injúria preconceituosa. 
Cond. Requisição do MJ 
- PR; ou 
- Chefe de governo estrangeiro. 
 
CALÚNIA 
(Art. 138, CP) 
DIFAMAÇÃO 
(Art. 139, CP) 
INJURIA 
(Art. 140, CP) 
Bem Jurídico Honra Objetiva Honra Objetiva Honra Subjetiva 
Sujeito Ativo 
Qualquer Pessoa 
(crime comum) 
Qualquer Pessoa 
(crime comum) 
Qualquer Pessoa 
(crime comum) 
Sujeito Passivo 
Qualquer Pessoa 
(Admite PJ) 
Qualquer Pessoa 
(Admite PJ - majoritária) 
Qualquer Pessoa 
(Não admite PJ) 
Conduta 
Imputação de fato 
determinado criminoso, 
falso. 
Imputação de fato 
determinado ofensivo à 
reputação, verdadeiro ou 
falso. 
Juízo de valor 
depreciativo. 
Imputação Falsa Falsa ou Verdadeira Não há 
Elemento 
Subjetivo 
Dolo específico Dolo específico Dolo específico 
Consumação 
Quando a ofensa chega ao 
conhecido de terceiro. 
Quando a ofensa chega 
ao conhecido de terceiro. 
Quando a ofensa chega 
ao conhecido da vítima. 
Tentativa 
Regra: Não; 
Exceção: forma escrita. 
Regra: Não; 
Exceção: forma escrita. 
Regra: Não; 
Exceção: forma escrita. 
Exceção da 
Verdade 
Regra: Admite; 
 
Exceção: art. 138, § 3º, do 
CP. 
Regra: Não admite; 
 
Exceção: se a contuda for 
dirigida contra 
funcionário público no 
exercício da função. 
Não admite 
Retratação 
Cabível 
(antes da sentença) 
Cabível 
(antes da sentença) 
Não é cabível 
Exclusão do 
Crime – Art. 142 
Não se aplica Aplica-se Aplica-se 
Punível contra 
os Mortos 
Punível Não punível Não punível 
 
CAPÍTULO VI 
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL 
 
SEÇÃO I 
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL 
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Constrangimento ilegal 
Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, 
por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a NÃO FAZER O QUE A LEI PERMITE, ou a 
FAZER O QUE ELA NÃO MANDA: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Aumento de pena 
§ 1º - As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, quando, para a execução do crime, SE 
REÚNEM MAIS DE TRÊS PESSOAS, ou HÁ EMPREGO DE ARMAS. 
§ 2º - Além das penas cominadas, aplicam-se as correspondentes à violência. 
§ 3º - Não se compreendem na disposição deste artigo: 
I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu representante legal, 
se justificada por iminente perigo de vida; 
II - a coação exercida para impedir suicídio. 
 
Ameaça 
Art. 147 - AMEAÇAR alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de 
causar-lhe mal injusto e grave: 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Ação penal pública condicionada à representação. 
Parágrafo único - SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE REPRESENTAÇÃO. 
 
Seqüestro e cárcere privado 
Art. 148 - PRIVAR alguém de sua liberdade, mediante seqüestro ou cárcere privado: 
Pena - reclusão, de um a três anos. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1º - A pena é de reclusão, de dois a cinco anos: 
I – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente ou maior de 60 
(sessenta) anos; 
II - se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital; 
III - se a privação da liberdade dura mais de quinze dias. 
IV – se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos; 
V – se o crime é praticado com fins libidinosos. 
§ 2º - Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção, grave sofrimento físico 
ou moral: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos. 
#INFO 
- Extradição - Se a vítima do sequestro não foi encontrada, o prazo prescricional não começou a 
correr. 
O crime de sequestro, por ser permanente, não prescreve enquanto não for encontrada a pessoa ou o 
corpo. 
Assim, se o Estado requerer a extradição de determinado indivíduo pelo crime de sequestro, se a vítima 
ou o corpo nunca foi encontrado, não terá começado a correr o prazo prescricional. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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STF. 1ª Turma. Ext 1270/DF, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, 
julgado em 12/12/2017 (Info 888). 
 
Redução a condição análoga à de escravo 
Art. 149. REDUZIR alguém a CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO, quer SUBMETENDO-O a trabalhos 
forçados ou a jornada exaustiva, quer SUJEITANDO-O a condições degradantes de trabalho, quer 
RESTRINGINDO, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o 
empregador ou preposto: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, E multa, além da pena correspondente à violência. 
§ 1o Nas mesmas penas INCORRE quem: 
I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no 
local de trabalho; 
II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos 
pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. 
§ 2o A pena é AUMENTADA de metade, se o crime é cometido: 
I – contra criança ou adolescente; 
II – por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem. 
#INFO 
- Redução a condição análoga à de escravo: Competência da Justiça Federal. 
De quem é a competência para julgar o crime de redução à condição análoga à de escravo? 
Justiça Federal. O crime de redução à condição análoga a de escravo é previsto no art. 149 do Código 
Penal. Desse modo, tal delito encontra-se encartado no Titulo I, que trata sobre os "crimes contra a 
pessoa" e não no Titulo IV ("Dos crimes contra a organização do trabalho§). 
Apesar disso, o STF entende que a topografia do delito (ou seja, sua posição no Código Penal), por si 
só, não tem o condão de fixar a competência da Justiça Federal. 
Em suma, a competência da Justiça Federal para julgar os crimes de redução à condição análoga à de 
escravo, considerando que quaisquer condutas que violem não só o sistema de órgãos e instituições 
que preservam, coletivamente, os direitos e deveres dos trabalhadores, mas também o homem 
trabalhador, atingindo-o nas esferas em que a Constituição lhe confere proteção máxima, enquadram-
se na categoria dos crimes contra a organização do trabalho, se praticadas no contexto de relações de 
trabalho. 
STF. Plenário. RE 459510/MT. Rel. Orig. Min. Cezar Peluso, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli. 
julgado em 26/11/2015 (lnfo 809). 
STJ. 6ª Turma. RHC 25.583/MT. Rel. Min. Maria Therezo De Assis Moura. julgado em 09/08/2012. 
 
Tráfico de Pessoas 
Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, 
mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, COM A FINALIDADE DE: 
I - REMOVER-LHE órgãos, tecidos ou partes do corpo; 
II - SUBMETÊ-LA a trabalho em condições análogas à de escravo; 
III - SUBMETÊ-LA a qualquer tipo de servidão; 
IV - adoção ilegal; ou 
V - exploração sexual. 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, E multa. 
§ 1o A pena é AUMENTADA de um terço até a metade se: 
I - o crime forcometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-
las; 
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II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com deficiência; 
III - o agente se prevalecer de relações de parentesco, domésticas, de coabitação, de hospitalidade, 
de dependência econômica, de autoridade ou de superioridade hierárquica inerente ao exercício de 
emprego, cargo ou função; ou 
IV - a vítima do tráfico de pessoas for retirada do território nacional. (tráfico internacional) 
§ 2o A pena é REDUZIDA de um a dois terços se o agente for primário e não integrar organização 
criminosa. 
 
SEÇÃO II 
DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO 
Violação de domicílio 
Art. 150 - ENTRAR ou PERMANECER, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou 
tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências: 
Pena - detenção, de um a três meses, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1º - Se o crime É COMETIDO durante a noite, ou em lugar ermo, ou com o emprego de violência ou 
de arma, ou por duas ou mais pessoas: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da pena correspondente à violência. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 2º - AUMENTA-SE a pena de um terço, se o fato é cometido por funcionário público, fora dos casos 
legais, ou com inobservância das formalidades estabelecidas em lei, ou com abuso do poder. 
§ 3º - NÃO CONSTITUI CRIME a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências: 
I - durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão ou outra diligência; 
II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência de 
o ser. 
§ 4º - A expressão "CASA" COMPREENDE: 
I - qualquer compartimento habitado; 
II - aposento ocupado de habitação coletiva; 
III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade. 
§ 5º - NÃO SE COMPREENDEM na expressão "CASA": 
I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do n.º 
II do parágrafo anterior; 
II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero. 
#INFO 
- Configura invasão de domicílio a invasão de gabinete de Delegado de Polícia. 
Configura o crime de violação de domicílio (art. 150 do CP) o ingresso e a permanência, sem autorização, 
em gabinete de Delegado de Polícia, embora faça parte de um prédio ou de uma repartição públicos. 
No caso concreto, dezenas de manifestantes foram até a Delegacia de Polícia Federal cobrar agilidade 
na conclusão de um inquérito policial. Como não foram recebidos, decidiram invadir o gabinete do 
Delegado. 
STJ. 5ª Turma. HC 298.763-SC, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 7/10/2014 (Info 549). 
 
SEÇÃO III 
DOS CRIMES CONTRA A 
INVIOLABILIDADE DE CORRESPONDÊNCIA 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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Violação de correspondência 
Art. 151 - Devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada, dirigida a outrem: 
Pena - detenção, de um a seis meses, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Sonegação ou destruição de correspondência 
§ 1º - Na mesma pena incorre: 
I - quem se apossa indevidamente de correspondência alheia, embora não fechada e, no todo ou em parte, 
a sonega ou destrói; 
Violação de comunicação telegráfica, radioelétrica ou telefônica 
II - quem indevidamente divulga, transmite a outrem ou utiliza abusivamente comunicação telegráfica ou 
radioelétrica dirigida a terceiro, ou conversação telefônica entre outras pessoas; 
III - quem impede a comunicação ou a conversação referidas no número anterior; 
IV - quem instala ou utiliza estação ou aparelho radioelétrico, sem observância de disposição legal. 
- Ação penal pública condicionada à representação. 
§ 2º - As penas AUMENTAM-SE de metade, se há dano para outrem. 
§ 3º - Se o agente comete o crime, com abuso de função em serviço postal, telegráfico, radioelétrico 
ou telefônico: 
Pena - detenção, de um a três anos. 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Ação penal pública condicionada à representação. 
§ 4º - SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE REPRESENTAÇÃO, salvo nos casos do § 1º, IV, e do § 3º. 
Correspondência comercial 
Art. 152 - Abusar da condição de sócio ou empregado de estabelecimento comercial ou industrial para, 
no todo ou em parte, desviar, sonegar, subtrair ou suprimir correspondência, ou revelar a estranho seu 
conteúdo: 
Pena - detenção, de três meses a dois anos. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Ação penal pública condicionada à representação. 
Parágrafo único - SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE REPRESENTAÇÃO. 
 
SEÇÃO IV 
DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DOS SEGREDOS 
Divulgação de segredo 
Art. 153 - Divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou de correspondência 
confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa produzir dano a outrem: 
Pena - detenção, de um a seis meses, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Ação penal pública condicionada à representação. 
§ 1º SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE REPRESENTAÇÃO. 
§ 1o-A. Divulgar, sem justa causa, informações sigilosas ou reservadas, assim definidas em lei, contidas ou 
não nos sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública: 
Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
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§ 2o Quando RESULTAR PREJUÍZO para a Administração Pública, a AÇÃO PENAL SERÁ 
INCONDICIONADA. 
Violação do segredo profissional 
Art. 154 - REVELAR alguém, sem justa causa, SEGREDO, de que tem ciência em razão de função, 
ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Ação penal pública condicionada à representação. 
Parágrafo único - SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE REPRESENTAÇÃO. 
Violação de dispositivo informático 
Art. 154-A. Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante 
violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou 
informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para 
obter vantagem ilícita: 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, E multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Ação penal pública condicionada à representação. 
§ 1o NA MESMA PENA INCORRE quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde dispositivo ou 
programa de computador com o intuito de permitir a prática da conduta definida no caput. 
§ 2o AUMENTA-SE a pena de um sexto a um terço se da invasão resulta prejuízo econômico. 
§ 3o Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas privadas, segredos 
comerciais ou industriais, informações sigilosas, assim definidas em lei, ou o controle remoto não 
autorizado do dispositivo invadido: 
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, E multa, se a conduta não constitui crime mais grave. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 4o Na hipótese do § 3o, AUMENTA-SE a pena de um a dois terços se houver divulgação, 
comercializaçãoou transmissão a terceiro, a qualquer título, dos dados ou informações obtidos. 
§ 5o AUMENTA-SE a pena de um terço à metade se o crime for praticado contra: 
I - Presidente da República, governadores e prefeitos; 
II - Presidente do Supremo Tribunal Federal; 
III - Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Assembleia Legislativa de Estado, 
da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou de Câmara Municipal; ou 
IV - dirigente máximo da administração direta e indireta federal, estadual, municipal ou do Distrito 
Federal. 
Ação penal 
Art. 154-B. Nos crimes definidos no art. 154-A, SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE 
REPRESENTAÇÃO, SALVO se o crime é cometido contra a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA OU 
INDIRETA de qualquer dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios ou contra 
EMPRESAS CONCESSIONÁRIAS DE SERVIÇOS PÚBLICOS. 
 
TÍTULO II 
DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO 
 
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CAPÍTULO I 
DO FURTO 
Furto 
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
#INFO 
- Momento consumativo. 
Consuma-se o crime de furto com a posse de fato da res furtiva, ainda que por breve espaço de tempo 
e seguida de perseguição ao agente, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada. 
STJ. 3ª Seção. REsp 1.524.450-RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 14/10/2015 (recurso 
repetitivo) (Info 572). 
 
- Súmula nº 567, STJ: “Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por 
existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível 
a configuração do crime de furto.” 
 
TEORIAS DA CONSUMAÇÃO DO FURTO/ROUBO 
Contrectacio 
A consumação se dá pelo simples contato entre o agente 
e a coisa alheia. Se tocou, já consumou. 
Tocar 
Apprehensio, Amotio 
ou Inversão da Posse 
A consumação ocorre no momento em que a coisa 
subtraída passa para o poder do agente, ainda que por 
breve espaço de tempo, mesmo que o sujeito seja logo 
perseguido pela polícia ou pela vítima. O crime se 
consuma mesmo que o agente não fique com a posse 
mansa e pacífica. A coisa é retirada da esfera de 
disponibilidade da vítima (inversão da posse), mas não é 
necessário que saia da esfera de vigilância da vítima (não 
se exige que o agente tenha posse desvigiada do bem). 
Inversão da 
Posse 
Ablatio 
A consumação ocorre quando a coisa, além de 
apreendida, é transportada de um lugar para outro. 
Transportar 
Ilatio 
A consumação só ocorre quando a coisa é levada ao local 
desejado pelo ladrão para tê-la a salvo. 
Lugar Seguro 
§ 1º - A pena AUMENTA-SE de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno. 
#INFO 
- Causa de aumento do § 1º pode ser aplicada tanto para furto simples como qualificado. É legítima 
a incidência da causa de aumento de pena por crime cometido durante o repouso noturno (art. 155, § 
1º) no caso de furto praticado na forma qualificada (art. 155, § 4º). Não existe nenhuma 
incompatibilidade entre a majorante prevista no § 1º e as qualificadoras do § 4º. São circunstâncias 
diversas, que incidem em momentos diferentes da aplicação da pena. Assim, é possível que o agente 
seja condenado por furto qualificado (§ 4º) e, na terceira fase da dosimetria, o juiz aumente a pena em 
1/3 se a subtração ocorreu durante o repouso noturno. A posição topográfica do § 1º (vem antes do § 
4º) não é fator que impede a sua aplicação para as situações de furto qualificado (§ 4º). 
STF. 2ª Turma. HC 130952/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 13/12/2016 (Info 851). 
STJ. 6ª Turma. HC 306.450-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 4/12/2014 
(Info 554). 
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80 
 
 
 
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena 
de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa. 
(furto privilegiado ou mínimo) 
- Súmula nº 511, STJ: É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP 
nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno 
valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva. 
 
FURTO PRIVILEGIADO ou MÍNIMO 
Critérios 
- Agente primário; e 
- De pequeno valor a coisa furtada.¹ 
Benefícios 
- Substituição da pena de Reclusão p/ de Detenção; 
- Diminuição da pena de 1/3 a 2/3; ou 
- Aplicação somente da pena de Multa. 
Furto qualificado 
privilegiado? 
- Agente primário; 
- De pequeno valor a coisa furtada; 
- Qualificadora objetiva.² (Súmula nº 511, STJ) 
Outros crimes em que se 
aplica o privilégio 
- Capítulo V – Da Apropriação Indébita (art. 170); 
- Art. 171, caput – Estelionato (art. 171, § 1º); 
- Art. 175 – Fraude no Comério (art. 175, § 2º); 
- Art. 180 – Receptação Dolosa (art. 180, § 5º); 
Obs.¹: Para a maioria da doutrina, pequeno valor é aquela que não ultrapassa a importância de um 
salário mínimo a época do crime; 
Obs.²: Não aplica-se no caso de qualificadoras de ordem subjetiva. Ex.: Furto qualificado pelo abuso 
de confiança (Art. 155, § 4º, II), que para o STJ possível natureza subjetiva (HC 200895/RJ, DJe 
27/05/2013). 
§ 3º - EQUIPARA-SE à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. 
#INFO 
- O pagamento do débito oriundo de furto de energia elétrica antes do oferecimento da denúncia 
é causa de extinção da punibilidade? 
O pagamento do débito oriundo de furto de energia elétrica (art. 155, § 3º do CP) antes do oferecimento 
da denúncia é causa de extinção da punibilidade, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.684/2003? 
6ª Turma do STJ: SIM 
O valor fixado como contraprestação de serviços públicos essenciais como a energia elétrica e a água, 
conquanto não seja tributo, possui natureza jurídica de preço público, aplicando-se, por analogia, as 
causas extintivas da punibilidade previstas para os crimes tributários. 
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 796.250/RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 26/09/2017. 
5ª Turma do STJ: NÃO 
O furto de energia elétrica não pode receber o mesmo tratamento dado aos crimes tributários, 
considerando serem diversos os bens jurídicos tutelados e, ainda, tendo em vista que a natureza jurídica 
da remuneração pela prestação de serviço público, no caso de fornecimento de energia elétrica, é de 
tarifa ou preço público, não possui caráter tributário, em relação ao qual a legislação é expressa e 
taxativa. Nos crimes patrimoniais existe previsão legal específica de causa de diminuição da pena, qual 
seja, o instituto do arrependimento posterior, previsto no art. 16 do CP. 
STJ. 5ª Turma. HC 412.208-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 20/03/2018 (Info 622). 
Furto qualificado 
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido: 
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; 
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- Furto qualificado pela destruição ou rompimento de obstáculo → furto por efração. 
 
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza; 
#INFO 
- Para que configure a qualificadora da destreza, é necessário que o agente tenha subtraído o bem 
com excepcional habilidade sem ser descoberto: 
No crime de furto, não deve ser reconhecida a qualificadora da “destreza” (art. 155, § 4º, II, do CP) caso 
inexista comprovação de que o agente tenha se valido de excepcional – incomum – habilidade para 
subtrair a coisa que se encontrava na posse da vítima sem despertar-lhea atenção. Destreza, para fins 
de furto qualificado, é a especial habilidade física ou manual que permite ao agente subtrair bens em 
poder direto da vítima sem que ela perceba o furto. É o chamado “punguista”. 
STJ. 5ª Turma. REsp 1.478.648-PR, Rel. para acórdão Min. Newton Trisotto (desembargador 
convocado do TJ/SC), julgado em 16/12/2014 (Info 554). 
 
#NãoConfunda: 
FURTO MEDIANTE FRAUDE ESTELIONATO 
Previsão Legal Art. 155, 4º, II, 2ª parte, CP Art. 171, CP 
Bem Jurídico Patrimônio Patrimônio 
Ação Penal Pública Incodicionada Pública Incodicionada 
Natureza da Fraude Qualificadora do Crime Elementar do Tipo 
Finalidade da Fraude 
Fazer com que a vítima diminua sua 
vigilância e não perceba a 
subtração 
Fazer com que a vítima incida em 
erro e entregue a coisa 
espontaneamente 
Momento da Fraude 
Empregada antes ou durante da 
subtração da coisa 
Empregada antes da 
apossamento/entrega da coisa 
Vontade de Alterar a 
Posse 
Unilateral (agente) Bilateral (agente + vítima) 
Exemplo Saque via internet Bilhete premiado 
III - com emprego de chave falsa; 
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas. 
- Súmula nº 442, STJ: “É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a 
majorante do roubo.” 
 
#INFO 
- Não aplicação do princípio da insignificância ao furto qualificado. 
Como regra, a aplicação do princípio da insignificância tem sido rechaçada nas hipóteses de furto 
qualificado, tendo em vista que tal circunstância denota, em tese, maior ofensividade e reprovabilidade 
da conduta. Deve-se, todavia, considerar as circunstâncias peculiares de cada caso concreto, de maneira 
a verificar se, diante do quadro completo do delito, a conduta do agente representa maior 
reprovabilidade a desautorizar a aplicação do princípio da insignificância. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 785.755/MT, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j. 22/11/16 
(Sem Info). 
§ 4º-A A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se houver emprego de explosivo 
ou de artefato análogo que cause perigo comum. (Lei nº 13.654/2018) 
§ 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a 
ser transportado para outro Estado ou para o exterior. 
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§ 6o A pena é de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos se a subtração for de semovente domesticável 
de produção, ainda que abatido ou dividido em partes no local da subtração. 
§ 7º A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se a subtração for de substâncias 
explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem 
ou emprego. (Lei nº 13.654/2018) 
SÚMULAS SOBRE O FURTO 
- Súmula nº 442, STJ: “É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a 
majorante do roubo.” 
- Súmula nº 511, STJ: É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP 
nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno 
valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva. 
- Súmula nº 567, STJ: “Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por 
existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível 
a configuração do crime de furto.” 
 
Furto de coisa comum 
Art. 156 - Subtrair o CONDÔMINO, CO-HERDEIRO OU SÓCIO, para si ou para outrem, a quem 
legitimamente a detém, a coisa comum: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Ação penal pública condicionada à representação. 
§ 1º - SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE REPRESENTAÇÃO. 
§ 2º - NÃO É PUNÍVEL a subtração de coisa comum fungível, cujo valor não excede a quota a que tem 
direito o agente. (causa de exclusão da ilicitude) 
 
CAPÍTULO II 
DO ROUBO E DA EXTORSÃO 
Roubo 
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a 
pessoa (violência própria), ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de 
resistência (violência imprópria): 
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, E multa. 
- Súmula nº 582, STJ: Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante 
emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição 
imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou 
desvigiada. 
 
TEORIAS DA CONSUMAÇÃO DO FURTO/ROUBO 
Contrectacio 
A consumação se dá pelo simples contato entre o agente 
e a coisa alheia. Se tocou, já consumou. 
Tocar 
Apprehensio, Amotio 
ou Inversão da Posse 
A consumação ocorre no momento em que a coisa 
subtraída passa para o poder do agente, ainda que por 
breve espaço de tempo, mesmo que o sujeito seja logo 
perseguido pela polícia ou pela vítima. O crime se 
consuma mesmo que o agente não fique com a posse 
mansa e pacífica. A coisa é retirada da esfera de 
Inversão da 
Posse 
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disponibilidade da vítima (inversão da posse), mas não é 
necessário que saia da esfera de vigilância da vítima (não 
se exige que o agente tenha posse desvigiada do bem). 
Ablatio 
A consumação ocorre quando a coisa, além de 
apreendida, é transportada de um lugar para outro. 
Transportar 
Ilatio 
A consumação só ocorre quando a coisa é levada ao local 
desejado pelo ladrão para tê-la a salvo. 
Lugar Seguro 
 
CRIME FATO TÍPICO OU ATÍPICO EXCEÇÃO 
Furto de Uso Atípico É crime no CPM, em seu art. 241. 
Roubo de Uso Típico – 
Peculato de Uso Atípico 
Sujeito ativo → Prefeito, o fato será 
TÍPICO, tendo em vista que tal conduta 
é considerada crime de 
Responsabilidade no art. 1º, II, do 
Decreto-Lei 201/67. 
 
#INFO 
- Grave ameaça/violência contra mais de uma pessoa, mas subtração de um só patrimônio. 
No delito de roubo, se a intenção do agente é direcionada à subtração de um único patrimônio, estará 
configurado apenas um crime, ainda que, no modus operandi (modo de execução), seja utilizada 
violência ou grave ameaça contra mais de uma pessoa para a obtenção do resultado pretendido. Ex: 
Maria estava saindo do banco, acompanhada de seu segurança. João, de arma em punho, deu uma 
coronhada no segurança, causando lesão leve, e subtraiu a mala que pertencia a Maria. O agente 
praticou um único roubo majorado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, § 2º, I do CP), considerando 
que somente um patrimônio foi atingido. 
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.490.894-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/2/2015 
(Info 556). 
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa 
ou grave ameaça (violência própria), a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da 
coisa para si ou para terceiro. (ROUBO IMPRÓPRIO) 
NãoConfunda: 
ROUBO PRÓPRIO 
(Art. 157, Caput, CP) 
ROUBO IMPRÓPRIO 
(ART. 157, § 1º, CP) 
Meios de Execução 
Violência (Própria ou Imprópria); e 
Grave Ameaça. 
Violência (Própria)¹; e 
Grave Ameaça. 
Momento do 
Emprego do Meio de 
Execução 
Ante ou durante a subtração. Após a subtração. 
Finalidade do Meio 
de Execução 
Permitir a subtração do bem. 
Assegurar a impunidade do crime 
ou a detenção da coisa. 
¹Não existe violência imprópria no roubo impróprio. 
 
ROUBO x FURTO 
QUANTO AO MOMENTO DA SUBTRAÇÃO E EMPREGO DE SUBSTÂNCIA 
1º Momento 2º Momento Crime 
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Emprego de substância 
(violênciaimprópria) 
Subtração Roubo (Art. 157, caput) 
Subtração 
Emprego de substância 
(violência imprópria) 
Furto (Art. 155)¹ 
Subtração 
Emprego de violência/grave 
ameaça (violência própria) 
Roubo Impróprio – Art. 157, 
§1°² 
Obs1.: Não é Roubo Impróprio, pois este não admite Violência Imprópria, mas tão somente a Violência 
Própria; 
Obs2.: No Roubo Impróprio, a violência ou grave ameaça são empregadas para assegurar a impunidade 
do crime ou detenção da coisa. 
§ 2º - A pena AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) até metade: (Lei nº 13.654/2018) 
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas; 
- Súmula nº 442, STJ: “É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a 
majorante do roubo.” 
 
#INFO 
- Se um maior de idade pratica o roubo juntamente com um inimputável, esse roubo será 
majorado pelo concurso de pessoas (art. 157, § 2º do CP). 
A participação do menor de idade pode ser considerada com o objetivo de caracterizar concurso de 
pessoas para fins de aplicação da causa de aumento de pena no crime de roubo. 
STF. 1ª Turma. HC 110425/ES, rel. Min. Dias Toffoli, 5/6/2012. 
STJ. 6ª Turma. HC 150.849/DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 16/08/2011. 
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância. 
#INFO 
- Causa de aumento incidente no caso de a vítima estar em serviço de transporte de valores. 
O inciso III do § 2º do art. 157 do Código Penal prevê que a pena do delito de roubo é majorada se a 
vítima estava em serviço de transporte de valores e o agente conhecia essa circunstância. Quando o 
dispositivo fala em “transporte de valores” não se restringe a dinheiro em espécie, abrangendo outros 
bens e produtos que possuam expressão econômica. No caso concreto, o STJ reconheceu que incide a 
majorante prevista no inciso III do § 2º do art. 157 do CP na hipótese em que o autor praticou o roubo 
ciente de que as vítimas, funcionários dos Correios, transportavam grande quantidade de produtos 
cosméticos de expressivo valor econômico e liquidez. 
STJ. 5ª Turma. REsp 1.309.966-RJ, Min. Rel. Laurita Vaz, julgado em 26/8/2014 (Info 548). 
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para 
o exterior; 
Dica: 
- se o carro for transportado para outro Estado ou para o exterior, objeto de FURTO, vira FURTO 
QUALIFICADO (QUALIFICADORA), com pena de reclusão de 3 a 8 anos (155, § 5º, CP). 
- se o carro for transportado para outro Estado ou para o exterior, objeto de ROUBO, vira ROUBO 
MAJORADO (AUMENTO DE PENA), de 1/3 até 1/2 (157, § 2º, IV, CP). 
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade. 
VI - se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, 
possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. (Lei nº 13.654/2018) 
- Súmula nº 443, STJ: “O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo 
circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua exasperação a mera 
indicação do número de majorantes.” 
§ 2º-A A pena AUMENTA-SE de 2/3 (dois terços): (Lei nº 13.654/2018) 
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I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de ARMA DE FOGO; (Lei nº 13.654/2018) 
 
#INFO 
- Abolitio criminis promovida pela Lei 13.654/2018 no roubo. 
O emprego de arma branca deixou de ser majorante do crime de roubo com a modificação operada 
pela Lei nº 13.654/2018, que revogou o inciso I do § 2º do art. 157 do Código Penal. 
Diante disso, constata-se que houve abolitio criminis, devendo a Lei nº 13.654/2018 ser aplicada 
retroativamente para excluir a referida causa de aumento da pena imposta aos réus condenados por 
roubo majorado pelo emprego de arma branca. 
Trata-se da aplicação da novatio legis in mellius, prevista no art. 5º, XL, da Constituição Federal. 
STJ. 5ª Turma. REsp 1519860/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/05/2018 (Info 626). 
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1.249.427/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 
19/06/2018. 
 
ROUBO MEDIANTE EMPREGO DE ARMA 
Antes da Lei 13.654/2018 Depois da Lei 13.654/2018 
Tanto a arma de fogo como a arma branca eram 
causas de aumento de pena. 
Apenas o emprego de arma de fogo e causa de 
aumento de pena. 
O emprego de arma branca não é causa de 
aumento de pena. 
O emprego de arma (seja de fogo, seja branca) 
era punido com um aumento de 1/3 a 1/2 da 
pena. 
O emprego de arma de fogo e punido com um 
aumento de 2/3 da pena. 
 
ROUBO MEDIANTE EMPREGO DE ARMA 
 Antes da Lei 13.654/2018 Depois da Lei 13.654/2018 
Arma de FOGO 
Era causa de aumento de pena. 
A pena aumentava de 1/3 a 1/2. 
Continua sendo causa de aumento de pena. 
Mas agora a pena aumenta 2/3. 
Arma Branca 
Era causa de aumento de pena. 
A pena aumentava de 1/3 a 1/2. 
Deixou de ser causa de aumento de pena. 
A Lei 13.654/2018 e mais benéfica e irá 
retroagir neste ponto. 
 
ROUBO CIRCUNSTANCIADO PELO EMPREGO DE ARMA DE FOGO 
ART. 157, §2º-A, I, DO CP – PONTOS IMPORTANTES 
1. A partir do advento da Lei 13.654/18, a pena é aumentada de 2/3, e não mais de 1/3 até a metade. 
 
2. Para configuração da causa de aumento, é necessário que se trate de arma de fogo (Lei 13.654/18), 
não abrangendo mais arma imprópria (arma branca, vidro etc). 
 
3. O emprego de arma branca no roubo, configura o crime em seu tipo fundamental. 
 
4. Para a maioria da doutrina é necessário o emprego efetivo da arma de fogo, sendo insuficiente o 
simples portar. 
 
5. A apreensão e perícia da arma de fogo não são essenciais para caracterização da causa de aumento, 
sendo suficiente outros meios de prova (Ex.: prova testemunhal). 
 
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6. Caso apreendida e periciada a arma de fogo, demonstrada a sua inaptidão para efetuar disparos, fica 
afastada a majorante. 
Cuidado: se a ineficácia for relativa, pode ocorrer a incidência da majorante. 
 
7. Arma de fogo desmuniciada configura a causa de aumento? 
STF → SIM (RHC 115077/MG); 
STJ → NÂO (AgRg no REsp 1536939/SC). 
 
8. Arma de brinquedo impede a configuração da causa de aumento. 
 
9. É possível a cumulação da majorante do roubo com o emprego de arma com a qualificadora da 
associação criminosa armada (Art. 157, § 2º-A, I c/c Art. 288, p.ú, ambos do CP). 
II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato 
análogo que cause perigo comum. (Lei nº 13.654/2018) 
§ 3º Se da violência resulta: (Lei nº 13.654/2018) 
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, E multa; (Lei nº 
13.654/2018) 
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, E multa. (Lei nº 13.654/2018) 
- Súmula nº 603, STF: “A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz singular e 
não do Tribunal do Júri.” 
- Súmula nº 610, STF: Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não se realize 
o agente a subtração de bens da vítima. 
 
Subtração consumada + Morte tentada Latrocínio tentado 
Subtração tentada + Morte tentada Latrocínio tentado 
Subtração consumada + Morte consumada Latrocínio consumado 
Subtração tentada + Morte consumada Latrocínio consumado 
 
#INFO 
- Agente que participou do roubo pode responder por latrocínio ainda que o disparo que matou 
a vítima tenha sido efetuado pelo corréu. 
Aquele que se associa a comparsa para a prática de roubo, sobrevindo a morte da vítima, responde pelo 
crime de latrocínio, ainda que não tenha sido o autor do disparo fatal ou que sua participação serevele 
de menor importância. Ex: João e Pedro combinaram de roubar um carro utilizando arma de fogo. Eles 
abordaram, então, Ricardo e Maria quando o casal entrava no veículo que estava estacionado. Os 
assaltantes levaram as vítimas para um barraco no morro. Pedro ficou responsável por vigiar o casal no 
cativeiro enquanto João realizaria outros crimes utilizando o carro subtraído. Depois de João ter saído, 
Ricardo e Maria tentaram fugir e Pedro atirou nas vítimas, que acabaram morrendo. João pretendia 
responder apenas por roubo majorado alegando que não participou nem queria a morte das vítimas, 
devendo, portanto, ser aplicado o art. 29, § 2º do CP. O STF, contudo, não acatou a tese. Isso porque 
João assumiu o risco de produzir resultado mais grave, ciente de que atuava em crime de roubo, no qual 
as vítimas foram mantidas em cárcere sob a mira de arma de fogo. 
STF. 1ª Turma. RHC 133575/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/2/2017 (Info 855). 
 
- Se há uma única subtração patrimonial, mas com dois resultados morte, haverá concurso formal 
de latrocínios ou um único crime de latrocínio? 
STF → Crime Único. 
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Caracterizada a prática de latrocínio consumado, em razão do atingimento de patrimônio único. O 
número de vítimas deve ser sopesado por ocasião da fixação da pena-base, na fase do art. 59 do CP. (...) 
STF. 2ª Turma. HC 109539, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 07/05/2013. 
(...) Segundo entendimento acolhido por esta Corte, a pluralidade de vítimas atingidas pela violência no 
crime de roubo com resultado morte ou lesão grave, embora único o patrimônio lesado, não altera a 
unidade do crime, devendo essa circunstância ser sopesada na individualização da pena (...) 
STF. 2ª Turma. HC 96736, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 17/09/2013. 
STJ → Concurso Formal. 
É pacífico na jurisprudência do STJ o entendimento de que há concurso formal impróprio no latrocínio 
quando ocorre uma única subtração e mais de um resultado morte, uma vez que se trata de delito 
complexo, cujos bens jurídicos tutelados são o patrimônio e a vida. 
STJ. 5ª Turma. HC 336.680/PR, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/11/2015. 
Prevalece, no STJ, o entendimento no sentido de que, nos delitos de latrocínio - crime complexo, cujos 
bens jurídicos protegidos são o patrimônio e a vida -, havendo uma subtração, porém mais de uma 
morte, resta configurada hipótese de concurso formal impróprio de crimes e não crime único. 
STJ. 6ª Turma. HC 185.101/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 07/04/2015. 
 
- Inexistência de continuidade delitiva entre roubo e latrocínio. 
Não há como reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de roubo e o de latrocínio porquanto 
são delitos de espécies diversas, já que tutelam bens jurídicos diferentes. 
STJ. 5ª Turma. AgInt no AREsp 908.786/PB, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 06/12/2016. 
 
SÚMULAS SOBRE O ROUBO 
STF STJ 
- Súmula nº 603, STF: “A competência para o 
processo e julgamento de latrocínio é do juiz 
singular e não do Tribunal do Júri.” 
- Súmula nº 610, STF: Há crime de latrocínio, 
quando o homicídio se consuma, ainda que não se 
realize o agente a subtração de bens da vítima. 
 
- Súmula nº 442, STJ: “É inadmissível aplicar, no 
furto qualificado, pelo concurso de agentes, a 
majorante do roubo.” 
- Súmula nº 443, STJ: “O aumento na terceira fase 
de aplicação da pena no crime de roubo 
circunstanciado exige fundamentação concreta, 
não sendo suficiente para a sua exasperação a 
mera indicação do número de majorantes.” 
- Súmula nº 582, STJ: Consuma-se o crime de 
roubo com a inversão da posse do bem mediante 
emprego de violência ou grave ameaça, ainda que 
por breve tempo e em seguida à perseguição 
imediata ao agente e recuperação da coisa 
roubada, sendo prescindível a posse mansa e 
pacífica ou desvigiada. 
 
Extorsão 
Art. 158 - CONSTRANGER alguém, mediante VIOLÊNCIA ou GRAVE AMEAÇA, e COM O INTUITO DE 
OBTER para si ou para outrem INDEVIDA VANTAGEM ECONÔMICA, a fazer, tolerar que se faça ou 
deixar fazer alguma coisa: 
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, E multa. 
- Súmula nº 96, STJ: O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem 
indevida. 
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#INFO 
- Inexistência de continuidade delitiva entre roubo e extorsão. 
Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em conjunto. 
Isso porque, os referidos crimes, apesar de serem da mesma natureza, são de espécies diversas. 
STJ. 5ª Turma. HC 435.792/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/05/2018. 
STF. 1ª Turma. HC 114667/SP, rel. org. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, 
julgado em 24/4/2018 (Info 899). 
Não há como reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de roubo e o de latrocínio porquanto 
são delitos de espécies diversas, já que tutelam bens jurídicos diferentes. 
STJ. 5ª Turma. AgInt no AREsp 908.786/PB, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 06/12/2016. 
 
- A extorsão pode ser praticada mediante a ameaça feita pelo agente de causar um "mal 
espiritual" na vítima. 
Configura o delito de extorsão (art. 158 do CP) a conduta do agente que submete vítima à grave ameaça 
espiritual que se revelou idônea a atemorizá-la e compeli-la a realizar o pagamento de vantagem 
econômica indevida. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.299.021-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/2/2017 (Info 
598). 
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, AUMENTA-SE a 
pena de um terço até metade. 
§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior. 
§ 3o Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária 
para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da 
multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o, 
respectivamente. (SEQUESTRO RELÂMPAGO) 
#INFO 
- Incide a majorante do § 1º do art. 158 do CP no caso da extorsão qualificada pela restrição da 
liberdade da vítima (§ 3º). 
O § 1º do art. 158 do CP prevê que se a extorsão é cometida por duas ou mais pessoas, ou com emprego 
de arma, a pena deverá ser aumentada de um terço até metade. Essa causa de aumento prevista no § 
1º do art. 158 do CP pode ser aplicada tanto para a extorsão simples (caput do art. 158) como também 
para o caso de extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima (§ 3º). Assim, é possível que o 
agente seja condenado por extorsão pela restrição da liberdade da vítima (§ 3º) e, na terceira fase da 
dosimetria, o juiz aumente a pena de 1/3 até 1/2 se o crime foi cometido por duas ou mais pessoas, ou 
com emprego de arma (§ 1º). 
STJ. 5ª Turma. REsp 1.353.693-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 13/9/2016 
(Info 590). 
 
Extorsão mediante seqüestro 
Art. 159 - Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como 
CONDIÇÃO OU PREÇO DO RESGATE: 
Pena - reclusão, de oito a quinze anos. 
§ 1o Se o seqüestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas, se o seqüestrado é menor de 18 (dezoito) 
ou maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha. 
Pena - reclusão, de doze a vinte anos. 
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§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: 
Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos. 
§ 3º - Se resulta a morte: 
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos.§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a 
libertação do seqüestrado, terá sua pena REDUZIDA de um a dois terços. 
NãoConfunda: 
ROUBO (Art. 157, CP) 
EXTORSÃO MEDIANTE RESTRIÇÃO 
DA LIBERDADE DA VÍTIMA – 
SEQUESTRO RELÂMPAGO (Art. 158, 
§ 3°, CP) 
EXTORSÃO MEDIANTE 
SEQUESTRO (Art. 159, CP) 
Agente subtrai com violência Agente constrange com violência Agente sequestra 
Colaboração da vítima é 
dispensável 
Colaboração da vítima é indispensável 
Colaboração da vítima é 
dispensável 
Não depende de terceiro Não depende de terceiro Depende de terceiro 
A vantagem buscada é 
imediata 
A vantagem buscada é 
Mediata 
A vantagem buscada é 
mediata 
Não é hediondo 
(na forma simples) 
Não é hediondo 
É hediondo 
(em todas formas) 
Pena – Reclusão, 4 a 10 anos 
e multa. 
Pena – Reclusão, 6 a 12 anos e 
multa. 
Pena – Reclusão, 8 a 15 anos. 
 
Extorsão indireta 
Art. 160 - EXIGIR ou RECEBER, como garantia de dívida, ABUSANDO DA SITUAÇÃO DE ALGUÉM, 
documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra terceiro: 
Pena - reclusão, de um a três anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
CAPÍTULO III 
DA USURPAÇÃO 
Alteração de limites 
Art. 161 - Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória, 
para apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia: 
Pena - detenção, de um a seis meses, E multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1º - Na mesma pena incorre quem: 
Usurpação de águas 
I - desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem, águas alheias; 
Esbulho possessório 
II - invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou mediante concurso de mais de duas pessoas, 
terreno ou edifício alheio, para o fim de esbulho possessório. 
§ 2º - Se o agente usa de violência, incorre também na pena a esta cominada. 
§ 3º - Se a propriedade é particular, e não há emprego de violência, SOMENTE SE PROCEDE 
MEDIANTE QUEIXA. 
 
Supressão ou alteração de marca em animais 
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Art. 162 - Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou rebanho alheio, marca ou sinal indicativo de 
propriedade: 
Pena - detenção, de seis meses a três anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
CAPÍTULO IV 
DO DANO 
Dano 
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia: 
Pena - detenção, de um a seis meses, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Dano qualificado 
Parágrafo único - Se o crime é cometido: 
I - com violência à pessoa ou grave ameaça; 
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave; 
III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, 
fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de 
serviços públicos; 
IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima: 
Pena - detenção, de seis meses a três anos, E multa, além da pena correspondente à violência. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Introdução ou abandono de animais em propriedade alheia 
Art. 164 - Introduzir ou deixar animais em propriedade alheia, sem consentimento de quem de direito, 
desde que o fato resulte prejuízo: 
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico 
Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade competente em virtude de valor 
artístico, arqueológico ou histórico: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. 
Obs.: TACITAMENTE REVOGADO pela Lei nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais) 
 
Alteração de local especialmente protegido 
Art. 166 - Alterar, sem licença da autoridade competente, o aspecto de local especialmente protegido por 
lei: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Ação penal 
Art. 167 - Nos casos do art. 163, do inciso IV do seu parágrafo e do art. 164, SOMENTE SE PROCEDE 
MEDIANTE QUEIXA. 
 
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CAPÍTULO V 
DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA 
Apropriação indébita 
Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
É atípica a conduta do advogado que, contratado para patrocinar os interesses de determinada 
pessoa em juízo, abstenha-se de cumprir o pactuado, apesar do recebimento de parcela do valor 
dos honorários contratuais. Com efeito, nessa hipótese, trata-se de simples inadimplemento 
contratual, a ser objeto de discussão no âmbito cível, não se justificando, assim, que se submeta o 
referido advogado à persecução penal, diante da falta de tipicidade material da conduta em análise 
(STJ, 6ª Turma, HC 174013, j. 20/06/2013). 
Aumento de pena 
§ 1º - A pena é AUMENTADA de um terço, quando o agente recebeu a coisa: 
I - em depósito necessário; 
II - na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário 
judicial; 
III - em razão de ofício, emprego ou profissão. 
 
Apropriação indébita previdenciária 
Art. 168-A. DEIXAR DE REPASSAR à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, 
no PRAZO E FORMA legal ou convencional: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, E multa. 
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem DEIXAR DE: 
I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha 
sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público; 
II – recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou custos 
relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços; 
III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido 
reembolsados à empresa pela previdência social. 
§ 2o É EXTINTA A PUNIBILIDADE se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o 
pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência 
social, na forma definida em lei ou regulamento, ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. 
NãoConfunda: 
APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA 
(Art. 169-A, CP) 
SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO 
PREVIDENCIÁRIA 
(Art. 337-A, CP) 
Extinção da punibilidade – § 2° 
É extinta a punibilidade se o agente, 
espontaneamente, declara, confessa e efetua o 
pagamento das contribuições, importâncias ou 
valores e presta as informações devidas à 
previdência social, na forma definida em lei ou 
regulamento, antes do início da ação fiscal. 
Extinção da punibilidade – § 1° 
É extinta a punibilidade se o agente, 
espontaneamente, declara e confessa as 
contribuições, importâncias ou valores e presta as 
informações devidas à previdência social, na forma 
definida em lei ou regulamento, antes do início da 
ação fiscal. 
SEMELHANÇAS 
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- Exige espontaneidade; 
 
- Agente declara e confessa as contribuições, 
importâncias ou valores e presta as informações 
devidas à previdência social; 
 
- Até que momento? 
Antes do início da ação fiscal. 
- Exige espontaneidade; 
 
- Agente declarae confessa as contribuições, 
importâncias ou valores e presta as informações 
devidas à previdência social; 
 
- Até que momento? 
Antes do início da ação fiscal. 
DIFERENÇA 
exige-se o pagamento dos débitos para extinção 
da punibilidade → SIM. 
exige-se o pagamento dos débitos para extinção 
da punibilidade → NÃO. 
§ 3o É FACULTADO AO JUIZ deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for 
primário e de bons antecedentes, desde que: 
I – tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da 
contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou 
II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela 
previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções 
fiscais. 
§ 4o A faculdade prevista no § 3o deste artigo não se aplica aos casos de parcelamento de contribuições 
cujo valor, inclusive dos acessórios, seja superior àquele estabelecido, administrativamente, como sendo o 
mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (Lei nº 13.606/2018) 
APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA 
- crime omissivo próprio; 
- crime instatâneo; 
- crime material, que exige o lançamento definitivo do tributo (SV nº 24); 
- o dolo é genérico; 
- prescinde de dolo específico; 
- não admite tentativa (crime unisubsistente); 
- competência da Justiça Federal; 
- é doloso. Não há modalidade culposa; 
- não há necessidade do animus rem sibi habendi, o que o deiferencia da apropriação indébita comum; 
- é possível a continuidade delitiva de crimes de apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do CP), 
bem como é possível a continuidade delitiva entre o crime de apropriação indébita previdenciária e o 
crime de sonegação previdenciária (art. 337-A do CP) praticados na administração de empresas 
distintas, mas pertencentes ao mesmo grupo econômico. 
- aplica-se o princípio da insignificância, respeitado o limite de 20 mil; 
 
#INFO 
- Efeitos da suspensão da exigibilidade de crédito tributário na prescrição da pretensão punitiva 
do crime de apropriação indébita previdenciária. 
A prescrição da pretensão punitiva do crime de apropriação indébita previdenciária (art. 168- A do CP) 
permanece suspensa enquanto a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa em razão de 
decisão de antecipação dos efeitos da tutela no juízo cível. Isso porque a decisão cível acerca da 
exigibilidade do crédito tributário repercute diretamente no reconhecimento da própria existência do 
tipo penal, visto ser o crime de apropriação indébita previdenciária um delito de natureza material, que 
pressupõe, para sua consumação, a realização do lançamento tributário definitivo. 
STJ. 5ª Turma. RHC 51.596-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 3/2/2015 (Info 556). 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou força da natureza 
Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por ERRO, CASO FORTUITO OU 
FORÇA DA NATUREZA: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - Na mesma pena incorre: 
Apropriação de tesouro 
I - quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no todo ou em parte, da quota a que tem direito 
o proprietário do prédio; 
Apropriação de coisa achada 
II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao 
dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no prazo de quinze 
dias. 
- Crime a prazo: tendo em vista que somente se aperfeiçoa se o agente não devolver o bem à vítima 
depois de 15 dias do achado. 
Art. 170 - Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o disposto no art. 155, § 2º (furto 
privilegiado). 
- Substituição da pena de Reclusão p/ de Detenção; 
- Diminuição da pena de 1/3 a 2/3; ou 
- Aplicação somente da pena de Multa. 
 
CAPÍTULO VI 
DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES 
Estelionato 
Art. 171 - OBTER, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo 
alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, E multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
NãoConfunda: 
ESTELIONATO 
(Art. 171, CP) 
TRÁFICO DE INFLUÊNCIA 
(Art. 332, CP) 
EXPLORAÇÃO DE PRESTÍGIO 
(Art. 357, CP) 
Crime contra o Patrimônio 
Crime contra a Administração 
Pública 
Crime contra a Administração 
da Justiça 
Consiste em "obter" vantagem 
ilícita em prejuízo alheio 
mediante fraude (artifício, ardil 
ou qualquer outro meio 
fraudulento). 
Consiste em solicitar, exigir, cobrar 
ou obter vantagem ou promessa de 
vantagem a pretexto de influir em 
ato praticado por funcionário 
público. 
Consiste em solicitar ou receber 
(dinheiro ou utilidade) a 
pretexto de influir em juiz, 
jurado, órgão do Ministério 
Público, funcionário de justiça, 
perito, tradutor, intérprete ou 
testemunha. 
O agente visa obter vantagem 
ilícita em prejuízo alheio. 
O agente visa obter vantagem ilícita. 
O agente visa obter vantagem 
ilícita. 
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Consuma-se com o duplo 
resultado - vantagem ilícita e 
prejuízo alheio (delito material). 
Consuma-se com a solicitação, 
exigência, cobrança (delito formal) 
ou com a obtenção da vantagem 
(delito material). 
Consuma-se com a solicitação 
(delito formal) ou com o 
recebimento (delito material). 
 
#INFO 
- Hipótese de inaplicabilidade do princípio da consunção com o furto/roubo. 
O delito de estelionato não será absorvido pelo de roubo na hipótese em que o agente, dias após roubar 
um veículo e os objetos pessoais dos seus ocupantes, entre eles um talonário de cheques, visando obter 
vantagem ilícita, preenche uma de suas folhas e, diretamente na agência bancária, tenta sacar a quantia 
nela lançada. A falsificação da cártula não é mero exaurimento do crime antecedente. Isso porque há 
diversidade de desígnios e de bens jurídicos lesados. Dessa forma, inaplicável o princípio da consunção. 
STJ. 5ª Turma. HC 309.939-SP, Rel. Min. Newton Trisotto (Desembargador convocado do TJ-SC), 
julgado em 28/4/2015 (Info 562). 
§ 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz PODE APLICAR a pena conforme 
o disposto no art. 155, § 2º (furto privilegiado). 
- Substituição da pena de Reclusão p/ de Detenção; 
- Diminuição da pena de 1/3 a 2/3; ou 
- Aplicação somente da pena de Multa. 
§ 2º - Nas mesmas penas INCORRE quem: 
Disposição de coisa alheia como própria 
I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria; 
Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria 
II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou 
litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em prestações, silenciando 
sobre qualquer dessas circunstâncias; 
Defraudação de penhor 
III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, 
quando tem a posse do objeto empenhado; 
Fraude na entrega de coisa 
IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém; 
Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro 
V - DESTRÓI, total ou parcialmente, ou OCULTA COISA PRÓPRIA, ou LESA O PRÓPRIO CORPO ou a 
SAÚDE, ou agrava as conseqüênciasda lesão ou doença, COM O INTUITO DE HAVER indenização ou 
valor de seguro; 
Fraude no pagamento por meio de cheque 
VI - EMITE CHEQUE, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o 
pagamento. 
- Súmula nº 246, STF: “Comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão de 
cheque sem fundos.” 
 
PONTOS IMPORTANTES 
- Estelionato simples e emissão de cheque: configuram estelionato na forma fundamental (art. 171, 
caput) as seguintes hipóteses: a) pagamento com cheque roubado; b) emissão de cheque de conta 
cancelada; c) emissão de cheque sem fundos com nome falso ou assinatura falsa; d) emissão de cheque 
de conta aberta com características pessoais falsas do correntista. Para configurar a modalidade 
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específica de estelionato (§ 2°, VI), o cheque emitido se refere a conta corrente aberta 
legitimamente. 
 
- Pagamento de dívida (prejuízo passado) mediante emissão de cheque: emissão de cheque sem 
fundos para pagamento de dívida não configura o delito, uma vez que o prejuízo é anterior à sua 
emissão, ou seja, a emissão do cheque (fraude) não proporcionou nenhuma vantagem ao agente. Nesse 
sentido: STJ, 6ª T., RHC 19314/CE, j. 22/03/2012. 
 
- Cheque "pós-datado" ou "pré-datado": 1ª posição (predominante): não configura o crime, uma 
vez que o cheque deixa de ser uma ordem de pagamento à vista, transformando-se em uma espécie de 
garantia da dívida (STJ, HC 121628, j. 09/03/2010); 2° posição: não configura o delito na forma 
prevista no art. 171, § 2°, inciso VI, mas, dependendo da intenção do agente e das circunstâncias, 
pode configurar estelionato na forma fundamental (art. 171, caput). Nesse sentido: STJ, REsp 693.804, j. 
15/03/2005. 
 
- Endossante: o endosso não é emissão de cheque, de tal forma que o endossante não responde por 
esta forma especial de estelionato, salvo na forma de partícipe. 
 
- Ação Penal: 
- Súmula nº 554, STF: "O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o 
recebimento da denúncia, não obsta ao prosseguimento da ação penal." 
Na verdade, após a consumação do delito, o pagamento deveria ser considerado como causa de 
diminuição de pena (art. 16 do CP) e não como forma de obstar o prosseguimento da ação penal. A 
Súmula 554 do STF somente incide na forma prevista no art. 171, § 2°, inciso VI, não se aplicando 
ao estelionato simples (art. 171, caput). Obs.: O STJ já decidiu que a frustração no pagamento de 
cheque pós-datado e de nota promissória, por si sós, não caracteriza a fraude para fins de estelionato. 
Isso porque “A simples emissão de cheques e notas promissórias para fins de futuro pagamento, pelo 
recebimento de mercadorias, decorrente da celebração de um contrato de compra e venda não é 
suficiente para caracterizar a fraude, visto que era de conhecimento das partes envolvidas os atos que 
estavam sendo realizados - venda de mercadorias e recebimento de títulos de crédito (cheque pós-
datado e nota promissória) - como promessa de pagamento" (STJ, 5ª T., REsp 1098792/RS, j. 
03/09/2013). 
 
- Competência: local da recusa do pagamento. 
- Súmula nº 521, STF: “O foro competente para o processo e o julgamento dos crimes de estelionato, 
sob a modalidade de emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos, é o do local onde se deu a 
recusa do pagamento pelo sacado.” 
- Súmula nº 244, STJ: “Compete ao foro do local da recusa processar e julgar o crime de estelionato 
mediante cheque sem provisão de fundos.” 
#NãoConfunda: no caso de uso de cheque na prática de estelionato simples (art. 171, caput), a 
competência é do local da obtenção da vantagem ilícita. 
- Súmula nº 48, STJ: “Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar 
crime de estelionato cometido mediante falsificação de cheque.” 
§ 3º - A pena AUMENTA-SE de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito 
público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência. (ESTELIONATO 
PREVIDENCIÁRIO) 
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- Súmula nº 24, STJ: Aplica-se ao crime de estelionato, em que figure como vítima entidade autárquica 
da Previdência Social, a qualificadora do § 3° do art. 171 do Código Penal. 
 
- Súmula nº 107, STJ: “Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime de estelionato 
praticado mediante falsificação das guias de recolhimento das contribuições previdenciárias, quando 
não ocorrente lesão à autarquia federal.” 
 
ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO (Art. 171, § 3º, CP) 
Agente do Crime Classificação Qt. à Consumação Início do Prazo Prescricional 
Quando praticado 
pelo próprio 
beneficiário 
Permanente 
(STF: HC 117.168/ES). 
 
Dia em que cessar a permanência 
(art. 111, III, do CP) 
 
Quando praticado 
por terceiro não 
beneficiário 
Instantâneo de Efeitos Permanentes 
(STF: HC 112.095/MA) 
 
Dia em que o crime se consumar 
(art. 111, I, do CP) 
 
 
Obs.: utilizar o cartão de benefício de outrem, após sua morte, para efetuar saques de valores 
provenientes da Previdência Social → crime continuado (STJ). 
Estelionato contra idoso 
§ 4o APLICA-SE a pena em dobro se o crime for cometido contra idoso. 
SÚMULAS SOBRE O ESTELIONATO 
STF STJ 
- Súmula nº 246, STF: “Comprovado não ter 
havido fraude, não se configura o crime de emissão 
de cheque sem fundos.” 
- Súmula nº 521, STF: “O foro competente para o 
processo e o julgamento dos crimes de estelionato, 
sob a modalidade de emissão dolosa de cheque 
sem provisão de fundos, é o do local onde se deu 
a recusa do pagamento pelo sacado.” 
- Súmula nº 554, STF: "O pagamento de cheque 
emitido sem provisão de fundos, após o 
recebimento da denúncia, não obsta ao 
prosseguimento da ação penal." 
 
- Súmula nº 17, STJ: “Quando o falso se exaure no 
estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por 
este absorvido.” 
- Súmula nº 24, STJ: Aplica-se ao crime de 
estelionato, em que figure como vítima entidade 
autárquica da Previdência Social, a qualificadora 
do § 3° do art. 171 do Código Penal. 
- Súmula nº 48, STJ: “Compete ao juízo do local 
da obtenção da vantagem ilícita processar e 
julgar crime de estelionato cometido mediante 
falsificação de cheque.” 
- Súmula nº 73, STJ: “A utilização de papel moeda 
grosseiramente falsificado configura, em tese, o 
crime de estelionato, da competência da Justiça 
Estadual.” 
- Súmula nº 107, STJ: “Compete à Justiça Comum 
Estadual processar e julgar crime de estelionato 
praticado mediante falsificação das guias de 
recolhimento das contribuições previdenciárias, 
quando não ocorrente lesão à autarquia federal.” 
- Súmula nº 244, STJ: “Compete ao foro do local 
da recusa processar e julgar o crime de estelionato 
mediante cheque sem provisão de fundos.” 
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Duplicata simulada 
Art. 172 - Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à mercadoria vendida, em 
quantidade ou qualidade, ou ao serviço prestado. 
Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, E multa. 
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrerá aquêle que falsificar ou adulterar a escrituração do Livro 
de Registro de Duplicatas. 
Obs.: Consuma-se com a simples colocação da duplicata em circulação, independentemente de prejuízo. 
Configura o delito mesmo no caso de inexistência da venda de mercadoria ou de prestação de serviço. 
STJ, 6ª T., RHC 16053/SP. j. 2/8/05; REsp 1.267.626-PR, j. 5/12/2013. 
 
Abuso de incapazes 
Art. 173 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, de necessidade, paixão ouinexperiência de menor, ou 
da alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo qualquer deles à prática de ato suscetível de 
produzir efeito jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, E multa. 
 
Induzimento à especulação 
Art. 174 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, da inexperiência ou da simplicidade ou inferioridade 
mental de outrem, induzindo-o à prática de jogo ou aposta, ou à especulação com títulos ou mercadorias, 
sabendo ou devendo saber que a operação é ruinosa: 
Pena - reclusão, de um a três anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Fraude no comércio 
Art. 175 - Enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou consumidor: 
I - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada; 
II - entregando uma mercadoria por outra: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a qualidade ou o peso de metal ou substituir, no mesmo 
caso, pedra verdadeira por falsa ou por outra de menor valor; vender pedra falsa por verdadeira; vender, 
como precioso, metal de ou outra qualidade: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 2º - É aplicável o disposto no art. 155, § 2º (furto privilegiado). 
- Substituição da pena de Reclusão p/ de Detenção; 
- Diminuição da pena de 1/3 a 2/3; ou 
- Aplicação somente da pena de Multa. 
 
Outras fraudes 
Art. 176 - Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem 
dispor de recursos para efetuar o pagamento: 
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
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Parágrafo único - SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE REPRESENTAÇÃO, e o juiz pode, conforme as 
circunstâncias, deixar de aplicar a pena (perdão judicial). 
 
Fraudes e abusos na fundação ou administração de sociedade por ações 
Art. 177 - Promover a fundação de sociedade por ações, fazendo, em prospecto ou em comunicação ao 
público ou à assembléia, afirmação falsa sobre a constituição da sociedade, ou ocultando 
fraudulentamente fato a ela relativo: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa, se o fato não constitui crime contra a economia popular. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 § 1º - Incorrem na mesma pena, se o fato não constitui crime contra a economia popular: 
I - o diretor, o gerente ou o fiscal de sociedade por ações, que, em prospecto, relatório, parecer, balanço 
ou comunicação ao público ou à assembléia, faz afirmação falsa sobre as condições econômicas da 
sociedade, ou oculta fraudulentamente, no todo ou em parte, fato a elas relativo; 
II - o diretor, o gerente ou o fiscal que promove, por qualquer artifício, falsa cotação das ações ou de 
outros títulos da sociedade; 
III - o diretor ou o gerente que toma empréstimo à sociedade ou usa, em proveito próprio ou de terceiro, 
dos bens ou haveres sociais, sem prévia autorização da assembléia geral; 
IV - o diretor ou o gerente que compra ou vende, por conta da sociedade, ações por ela emitidas, salvo 
quando a lei o permite; 
V - o diretor ou o gerente que, como garantia de crédito social, aceita em penhor ou em caução ações da 
própria sociedade; 
VI - o diretor ou o gerente que, na falta de balanço, em desacordo com este, ou mediante balanço falso, 
distribui lucros ou dividendos fictícios; 
VII - o diretor, o gerente ou o fiscal que, por interposta pessoa, ou conluiado com acionista, consegue a 
aprovação de conta ou parecer; 
VIII - o liquidante, nos casos dos ns. I, II, III, IV, V e VII; 
IX - o representante da sociedade anônima estrangeira, autorizada a funcionar no País, que pratica os atos 
mencionados nos ns. I e II, ou dá falsa informação ao Governo. 
§ 2º - Incorre na pena de detenção, de seis meses a dois anos, e multa, o acionista que, a fim de obter 
vantagem para si ou para outrem, negocia o voto nas deliberações de assembléia geral. 
 
Emissão irregular de conhecimento de depósito ou "warrant" 
Art. 178 - Emitir conhecimento de depósito ou warrant, em desacordo com disposição legal: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 
Fraude à execução 
Art. 179 - Fraudar execução, alienando, desviando, destruindo ou danificando bens, ou simulando dívidas: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - SOMENTE SE PROCEDE MEDIANTE QUEIXA. 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO VII 
DA RECEPTAÇÃO 
Receptação 
Art. 180 - Adquirir, RECEBER, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que 
sabe ser produto de crime (1ª parte), ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte 
(2ª parte): 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Crime parasitário, acessório ou delito de fusão, pois depende de delito anterior. Se a infração 
anterior for contravenção não haverá receptação. O crime anterior não precisa ser contra o 
patrimônio. Igualmente, é dispensável que haja sequer inquérito policial, bastando a prova da 
origem criminosa. O STF já decidiu entendendo inexistir receptação de bem imóvel (RHC 58.329). É 
admissível a receptação de receptação. 
 
Receptação própria (art. 180, caput, 1ª parte) Receptação imprópria (art. 180, caput, 2ª parte) 
Adquirir (ocorre a transmissão de propriedade), 
receber (não ocorre transmissão da 
propriedade), transportar (levar de um lugar 
para outro), conduzir (dirigir algum meio de 
locomoção) ou ocultar (esconder), em proveito 
próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de 
crime. 
Influir para que terceiro de boa-fé a adquira, receba 
ou oculte. Se o terceiro estiver de má-fé, será punido 
como receptador próprio, caso em que o 
influenciador será partícipe. 
A receptação própria consuma-se quando o 
agente pratica uma das condutas. Nas formas 
aquisição e recebimento o crime é instantâneo. 
Nas modalidades transportar, conduzir e ocultar 
o crime é permanente. 
A receptação imprópria consuma-se com a simples 
influência idônea, independente de o terceiro 
adquirir, receber ou ocultar (crime formal). A 
tentativa não é admitida, por se tratar de crime 
unissubsistente. Porém, há decisões no sentido de 
se tratar de crime material, exigindo, assim, que o 
terceiro pratique a conduta típica. 
 
#NãoConfunda: 
LAVAGEM DE DINHEIRO RECEPTAÇÃO 
É crime contra a Ordem Econômico-financeira. É crime contra o Patrimônio. 
Pode ser cometido pelo autor da infração 
antecedente (autolavagem ou selflaundering). 
Não pode ser cometido pelo autor da infração 
antecedente. 
Tem como objeto material bens móveis ou 
imóveis, direitos ou valores provenientes, direta ou 
indiretamente, de infração penal. 
Tem como objeto apenas coisas móveis. 
O elemento subjetivo está voltado à ocultação e 
dissimulação da origem ilícita de bens, direitos ou 
valores provenientes da infração penal. 
O elemento subjetivo consiste na vontade livre 
e consciente de adquirir, receber, transportar 
ou ocultar a coisa, ou de influir para que 
terceiro de boa-fé a adquira, receba ou oculte, 
sem a intenção, todavia, de conferir 
aparência lícita a esses bens. 
 
 
 
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Receptação qualificada 
§ 1º -Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, 
vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de 
atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime: 
Pena - reclusão, de três a oito anos, E multa. 
§ 2º - EQUIPARA-SE À ATIVIDADE COMERCIAL, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma de 
comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercício em residência. 
§ 3º - ADQUIRIR ou RECEBER coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o 
preço, ou pela condição de quem a oferece, DEVE PRESUMIR-SE OBTIDA POR MEIO CRIMINOSO: 
(RECEPTAÇÃO CULPOSA) 
Pena - detenção, de um mês a um ano, OU multa, ou AMBAS AS PENAS. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Único crime contra o patrimônio culposo; 
- Tipo culposo fechado (exceção). 
§ 4º - A receptação É PUNÍVEL, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que 
proveio a coisa. 
§ 5º - Na hipótese do § 3º (receptação culposa), se o criminoso é PRIMÁRIO, pode o juiz, tendo em 
consideração as circunstâncias, DEIXAR DE APLICAR A PENA (perdão judicial). Na RECEPTAÇÃO 
DOLOSA APLICA-SE o disposto no § 2º do art. 155 (furto privilegiado). 
Receptação CULPOSA - Perdão judicial. 
Receptação DOLOSA 
- Substituição da pena de Reclusão p/ de Detenção; 
- Diminuição da pena de 1/3 a 2/3; ou 
- Aplicação somente da pena de Multa. 
§ 6o Tratando-se de bens do patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de 
autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa 
concessionária de serviços públicos, aplica-se em dobro a pena prevista no CAPUT deste artigo. 
Art. 180-A. Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito ou vender, COM A 
FINALIDADE de produção ou de comercialização, semovente domesticável de produção, ainda que 
abatido ou dividido em partes, que deve saber ser produto de crime: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, E multa. 
 
CAPÍTULO VIII 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
Art. 181 - É ISENTO DE PENA quem comete qualquer dos crimes previstos neste título (Crimes contra 
o Patrimônio), em prejuízo:(IMUNIDADE ABSOLUTA/ESCUSA ABSOLUTÓRIA) 
I - do CÔNJUGE, na constância da sociedade conjugal; 
II - de ASCENDENTE ou DESCENDENTE, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural. 
Art. 182 - Somente se procede mediante REPRESENTAÇÃO, se o crime previsto neste título é 
cometido em prejuízo:(IMUNIDADE RELATIVA) 
I - do CÔNJUGE desquitado ou judicialmente separado; 
II - de IRMÃO, legítimo ou ilegítimo; 
III - de TIO ou SOBRINHO, com quem o agente coabita. 
Art. 183 - NÃO SE APLICA o disposto nos dois artigos anteriores: 
I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave ameaça ou 
violência à pessoa; 
II - ao estranho que participa do crime. 
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III – se o crime é praticado contra pessoa com idade IGUAL ou SUPERIOR a 60 (sessenta) anos. 
IMUNIDADES PATRIMONIAIS 
IMUNIDADES ABSOLUTAS – ART 181 IMUNIDADES RELATIVAS – ART 182 
Causa de Extinção da Punibilidade Condição de Procedibilidade da Ação 
Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer 
dos crimes previstos neste título, em prejuízo: 
I - do cônjuge, na constância da sociedade 
conjugal; 
II - de ascendente ou descendente, seja o 
parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou 
natural. 
Art. 182 - Somente se procede mediante 
representação, se o crime previsto neste título é 
cometido em prejuízo: 
I - do cônjuge desquitado ou judicialmente 
separado; 
II - de irmão, legítimo ou ilegítimo; 
III - de tio ou sobrinho, com quem o agente 
coabita. 
EXCLUDENTES DAS IMUNIDADES 
Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores: 
I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave ameaça ou 
violência à pessoa; 
II - ao estranho que participa do crime. 
III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. 
 
TÍTULO III 
DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL 
 
CAPÍTULO I 
DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE INTELECTUAL 
Violação de direito autoral 
Art. 184. VIOLAR direitos de autor e os que lhe são conexos: 
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1o Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por 
qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização 
expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os 
represente: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, E multa. 
§ 2o Na mesma pena do § 1o incorre quem, com o intuito de lucro direto ou indireto, distribui, vende, 
expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra 
intelectual ou fonograma reproduzido com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou 
executante ou do direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual 
ou fonograma, sem a expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente. 
§ 3o Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou 
qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para recebê-la em 
um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda, com intuito de lucro, direto 
ou indireto, sem autorização expressa, conforme o caso, do autor, do artista intérprete ou executante, do 
produtor de fonograma, ou de quem os represente: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, E multa. 
§ 4o O disposto nos §§ 1o, 2o e 3o NÃO SE APLICA quando se tratar de exceção ou limitação ao direito de 
autor ou os que lhe são conexos, em conformidade com o previsto na Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 
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1998, nem a cópia de obra intelectual ou fonograma, em um só exemplar, para uso privado do copista, 
sem intuito de lucro direto ou indireto. 
- Súmula nº 502, STJ: “Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime 
previsto no artigo 184, parágrafo 2º, do Código Penal, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas.” 
- Súmula nº 574, STJ: “Para a configuração do delito de violação de direito autoral e a comprovação 
de sua materialidade, é suficiente a perícia realizada por amostragem do produto apreendido, nos 
aspectos externos do material, e é desnecessária a identificação dos titulares dos direitos autorais 
violados ou daqueles que os representem.” 
Art. 186. Procede-se mediante: 
I – QUEIXA, nos crimes previstos no caput do art. 184; 
II – ação penal pública incondicionada, nos crimes previstos nos §§ 1o e 2o do art. 184; 
III – ação penal pública incondicionada, nos crimes cometidos em desfavor de entidades de direito 
público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo 
Poder Público; 
IV – ação penal pública condicionada à representação, nos crimes previstos no § 3o do art. 184. 
 
TÍTULO IV 
DOS CRIMES CONTRA 
A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO 
Obs.: todos os crimes são dolosos. 
Atentado contra a liberdade de trabalho 
Art. 197 - CONSTRANGER ALGUÉM, mediante violência ou grave ameaça: 
I - a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalharou não trabalhar durante 
certo período ou em determinados dias: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, E multa, além da pena correspondente à violência; 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
II - a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou paralisação de 
atividade econômica: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, E multa, além da pena correspondente à violência. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta 
Art. 198 - CONSTRANGER ALGUÉM, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato de 
trabalho, ou a não fornecer a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial 
ou agrícola: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, E multa, além da pena correspondente à violência. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Atentado contra a liberdade de associação 
Art. 199 - CONSTRANGER ALGUÉM, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou deixar de 
participar de determinado sindicato ou associação profissional: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, E multa, além da pena correspondente à violência. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
103 
 
 
 
 
Paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem 
Art. 200 - Participar de suspensão (obs.: paralisão realizada pelos empregadores = “lockout”) ou 
abandono coletivo de trabalho (obs.: paralisão promovida pelos empregados = “greve”), praticando 
violência contra pessoa ou contra coisa: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, E multa, além da pena correspondente à violência. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - Para que se considere coletivo o abandono de trabalho é indispensável o concurso 
de, pelo menos, três empregados. 
 
Paralisação de trabalho de interesse coletivo 
Art. 201 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a interrupção de obra 
pública ou serviço de interesse coletivo: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, E multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Sabotagem 
Art. 202 - Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com o intuito de impedir 
ou embaraçar o curso normal do trabalho, ou com o mesmo fim danificar o estabelecimento ou as 
coisas nele existentes ou delas dispor: 
Pena - reclusão, de um a três anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Frustração de direito assegurado por lei trabalhista 
Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação do trabalho: 
Pena - detenção de um ano a dois anos, E multa, além da pena correspondente à violência. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1º Na mesma pena incorre quem: 
I - obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento, para impossibilitar o 
desligamento do serviço em virtude de dívida; 
II - impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação ou por meio da 
retenção de seus documentos pessoais ou contratuais. 
§ 2º A pena é AUMENTADA de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa, 
gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental. 
 
Frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho 
Art. 204 - Frustrar, mediante fraude ou violência, obrigação legal relativa à nacionalização do trabalho: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, E multa, além da pena correspondente à violência. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Exercício de atividade com infração de decisão administrativa 
Art. 205 - Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa: 
Pena - detenção, de três meses a dois anos, OU multa. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Aliciamento para o fim de emigração 
Art. 206 - Recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para território estrangeiro. 
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional 
Art. 207 - Aliciar trabalhadores (Obs.: recrutar somente um trabalhador é considerado fato atípico), 
com o fim de levá-los de uma para outra localidade do território nacional: 
Pena - detenção de um a três anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1º Incorre na mesma pena quem recrutar trabalhadores fora da localidade de execução do trabalho, 
dentro do território nacional, mediante fraude ou cobrança de qualquer quantia do trabalhador, ou, ainda, 
não assegurar condições do seu retorno ao local de origem. 
§ 2º A pena é AUMENTADA de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa, 
gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental. 
COMPETÊNCIA: Os crimes contra a organização do trabalho previstos neste Título IV do CP serão 
sempre julgados pela Justiça Federal? 
R: NÃO. Segundo entende o STJ, os “crimes contra a organização do trabalho” (arts. 197 a 207 do CP) 
somente serão de competência da Justiça Federal quando ficar demonstrado, no caso concreto, que o 
delito provocou lesão à: 
- direito dos trabalhadores coletivamente considerados; ou 
- organização geral do trabalho. 
OBS: Tanto o STJ quanto o STF consideram que, se atingido interesse individual do trabalhador, a 
competência para processo e julgamento é dos ESTADOS". 
 
TÍTULO V 
DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO 
RELIGIOSO E CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS 
 
CAPÍTULO I 
DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO 
Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo 
Art. 208 - ESCARNECER de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; IMPEDIR ou 
PERTURBAR cerimônia ou prática de culto religioso; VILIPENDIAR publicamente ato ou objeto de culto 
religioso: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é AUMENTADA de um terço, sem prejuízo da 
correspondente à violência. 
 
CAPÍTULO II 
DOS CRIMES CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS 
Impedimento ou perturbação de cerimônia funerária 
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Art. 209 - IMPEDIR ou PERTURBAR enterro ou cerimônia funerária: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é AUMENTADA de um terço, sem prejuízo da 
correspondente à violência. 
 
Violação de sepultura 
Art. 210 - VIOLAR ou PROFANAR sepultura ou urna funerária: 
Pena - reclusão, de um a três anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Destruição, subtração ou ocultação de cadáver 
Art. 211 - DESTRUIR, SUBTRAIR ou OCULTAR cadáver ou parte dele: 
Pena - reclusão, de um a três anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Vilipêndio a cadáver 
Art. 212 - VILIPENDIAR cadáver ou suas cinzas: 
Pena - detenção, de um a três anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
TÍTULOVI 
DOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL 
 
CAPÍTULO I 
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL 
Estupro 
Art. 213. CONSTRANGER alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter CONJUNÇÃO CARNAL 
ou a PRATICAR ou PERMITIR que com ele se pratique OUTRO ATO LIBIDINOSO: 
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. 
§ 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou 
maior de 14 (catorze) anos: 
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. 
§ 2o Se da conduta resulta morte: 
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. 
#INFO 
- Legitimidade ativa do Ministério Público e crime de estupro sem lesão corporal. 
A Súmula 608 do STF prevê que “no crime de estupro, praticado mediante violência real, a ação penal é 
pública incondicionada.” 
O entendimento dessa súmula pode ser aplicado independentemente da existência da ocorrência de 
lesões corporais nas vítimas de estupro. A violência real se caracteriza não apenas nas situações em que 
se verificam lesões corporais, mas sempre que é empregada força física contra a vítima, cerceando-lhe 
a liberdade de agir segundo a sua vontade. 
Assim, se os atos foram praticados sob grave ameaça, com imobilização de vítimas, uso de força física 
e, em alguns casos, com mulheres sedadas, trata-se de crime de estupro que se enquadra na Súmula 
608 do STF e que, portanto, a ação é pública incondicionada. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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STF. 2ª Turma. RHC 117978, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 05/06/2018 (Info 905). 
 
- Em caso de estupro praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada. 
A Súmula 608 do STF permanece válida mesmo após o advento da Lei nº 12.015/2009. 
Assim, em caso de estupro praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada 
mesmo após a Lei nº 12.015/2009. 
STF. 1ª Turma. HC 125360/RJ, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, 
julgado em 27/2/2018 (Info 892). 
 
- Aumento de pena no máximo pela continuidade delitiva em crime sexual. 
No caso de crime continuado, o art. 71 do CP prevê que o juiz deverá aplicar a pena de um só dos 
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de 1/6 a 2/3. O STJ 
entende que, em regra, a escolha da quantidade de aumento de pena deve levar em consideração o 
número de infrações praticadas pelo agente. Porém, nem sempre será fácil trazer para os autos o número 
exato de crimes que foram praticados, especialmente quando se trata de delitos sexuais. É o caso, por 
exemplo, de um padrasto que mora há meses ou anos com a sua enteada e contra ela pratica 
constantemente estupro de vulnerável. Nessas hipóteses, mesmo não havendo a informação do número 
exato de crimes que foram cometidos, o juiz poderá aumentar a pena acima de 1/6 e, dependendo do 
período de tempo, até chegar ao patamar máximo. Assim, constatando-se a ocorrência de diversos 
crimes sexuais durante longo período de tempo, é possível o aumento da pena pela continuidade 
delitiva no patamar máximo de 2/3 (art. 71 do CP), ainda que sem a quantificação exata do número de 
eventos criminosos. 
STJ. 5ª Turma. HC 311.146-SP, Rel. Min. Newton Trisotto (Desembargador convocado do TJ-SC), 
julgado em 17/3/2015 (Info 559). 
 
- Estupro (art. 213) e a Lei 12.015/2009. 
O estupro (art. 213 do CP), com redação dada pela Lei 12.015/09, é tipo penal misto alternativo. Logo, 
se o agente, no mesmo contexto fático, pratica conjunção carnal e outro ato libidinoso contra uma só 
vítima, pratica um só crime do art. 213 do CP. A Lei 12.015/09, ao revogar o art. 214 do CP, não promoveu 
a descriminalização do atentado violento ao puder (não houve abolitio criminis). Ocorreu, no caso, a 
continuidade normativo-típica, considerando que a nova Lei inseriu a mesma conduta no art. 213. 
Houve, então, apenas uma mudança no local onde o delito era previsto, mantendo-se, contudo, a 
previsão de que essa conduta se trata de crime. É possível aplicar retroativamente a Lei 12.015/09 para 
o agente que praticou estupro e atentado violento ao pudor, no mesmo contexto fático e contra a 
mesma vítima, e que havia sido condenado pelos dois crimes (arts. 213 e 214) em concurso. Segundo 
entende o STJ, como a Lei 12.015/09 unificou os crimes de estupro e atentado violento ao pudor em um 
mesmo tipo penal, deve ser reconhecida a existência de crime único na conduta do agente, caso as 
condutas tenham sido praticadas contra a mesma vítima e no mesmo contexto fático, devendo-se aplicar 
essa orientação aos delitos cometidos antes da vigência da Lei 12.015/2009, em face do princípio da 
retroatividade da lei penal mais benéfica. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1262650/RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 05/08/2014. 
STJ. 6ª Turma. HC 212.305/DF, Rel. Min. Marilza Maynard (Des. Conv. TJ/SE), julgado em 
24/04/2014 (Info 543). 
 
Violação sexual mediante fraude 
Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, MEDIANTE FRAUDE ou 
OUTRO MEIO QUE IMPEÇA OU DIFICULTE A LIVRE MANIFESTAÇÃO DE VONTADE DA VÍTIMA: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
107 
 
 
 
Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também 
multa. 
 
Importunação sexual (Lei nº 13.718/2018) 
Art. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a 
própria lascívia ou a de terceiro: (Lei nº 13.718/2018) 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o ato não constitui crime mais grave. (Lei nº 13.718/2018) 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Ocorreu a revogação do art. 61 da Lei de contravenções penais; 
- Não se pode falar em abolitio criminis, relativa à contravenção, mas em princípio da continuidade 
normativo-típica, pois o art. 61 da lei de contravenções penais foi formalmente revogado, mas seu 
conteúdo migrou para o art. 215-A do CP. 
 
Assédio sexual 
Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, 
prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao 
exercício de emprego, cargo ou função. 
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/9; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 2o A pena é AUMENTADA em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos. 
 
CAPÍTULO I-A 
DA EXPOSIÇÃO DA INTIMIDADE SEXUAL (Lei nº 13.772/2018) 
Registro não autorizado da intimidade sexual 
Art. 216-B. Produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou 
ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado SEM AUTORIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES: (Lei 
nº 13.772/2018) 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, E multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Novatio Legis Incriminadora (não retroage). 
Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem realiza montagem em fotografia, vídeo, áudio ou 
qualquer outro registro com o fim de incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de 
caráter íntimo. (Lei nº 13.772/2018) 
 
CAPÍTULO II 
DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL 
Estupro de vulnerável 
Art. 217-A. Ter CONJUNÇÃO CARNAL ou Praticar OUTRO ATO LIBIDINOSO com menor de 14 
(catorze) anos: 
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. 
§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por 
enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou 
que, por qualqueroutra causa, não pode oferecer resistência. 
§ 3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: 
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
108 
 
 
 
§ 4o Se da conduta resulta morte: 
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. 
§ 5º As penas previstas no caput e nos §§ 1º, 3º e 4º deste artigo aplicam-se INDEPENDENTEMENTE 
do consentimento da vítima ou do fato de ela ter mantido relações sexuais anteriormente ao crime. 
(Lei nº 13.718/2018) 
- Súmula nº 593, STJ: “O crime de estupro de vulnerável se configura com a conjunção carnal ou prática 
de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante eventual consentimento da vítima para a 
prática do ato, sua experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o agente.” 
 
#INFO 
- Passar as mãos nas coxas e seios da vítima. 
O agente que passa as mãos nas coxas e seios da vítima menor de 14 anos, por dentro de sua roupa, 
pratica, em tese, o crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do CP). Não importa que não tenha havido 
penetração vaginal (conjunção carnal). 
STF. 1ª Turma. RHC 133121/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/o acórdão Min. Edson Fachin 
julgado em 30/8/2016 (Info 837). 
 
- Contato físico entre autor e vítima não é indispensável para configurar o delito. 
A conduta de contemplar lascivamente, sem contato físico, mediante pagamento, menor de 14 anos 
desnuda em motel pode permitir a deflagração da ação penal para a apuração do delito de estupro de 
vulnerável. Segundo a posição majoritária na doutrina, a simples contemplação lasciva já configura o 
“ato libidinoso” descrito nos arts. 213 e 217-A do Código Penal, sendo irrelevante, para a consumação 
dos delitos, que haja contato físico entre ofensor e ofendido. 
STJ. 5ª Turma. RHC 70.976-MS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 2/8/2016 (Info 587). 
 
- Atentado violento ao pudor mediante violência presumida (antes da Lei 12.015/2009). Praticar 
conjunção carnal ou qualquer outro ato libidinoso contra menor de 14 anos é crime. Antes da Lei 
12.015/09, tais condutas poderiam se enquadrar nos crimes previstos no art. 213 c/c art. 224, “a” (estupro 
com violência presumida por ser menor de 14 anos) ou art. 214 c/c art. 224, “a” (atentado violento ao 
pudor com violência presumida por ser menor de 14 anos). Depois da Lei 12.015/09, essa conduta é 
criminalizada como estupro de vulnerável (art. 217-A do CP). Se o agente pratica conjunção carnal ou 
atentado violento ao pudor com um adolescente de 13 anos, existe crime mesmo que a vítima consinta 
com o ato sexual? Mesmo que a vítima e o adulto sejam namorados? Mesmo que a vítima já tenha tido 
outras experiências sexuais? SIM. Antes ou depois da Lei 12.015/2009, quem manteve ou mantiver 
relação sexual com menor de 14 anos comete crime e não importa se a vítima consentiu, se mantinham 
relacionamentos ou se a vítima já tinha tido outros atos sexuais pretéritos. O STJ em sede de recurso 
repetitivo fixou a seguinte tese: "Para a caracterização do crime de estupro de vulnerável previsto no art. 
217-A, caput, do Código Penal, basta que o agente tenha conjunção carnal ou pratique qualquer ato 
libidinoso com pessoa menor de 14 anos. O consentimento da vítima, sua eventual experiência sexual 
anterior ou a existência de relacionamento amoroso entre o agente e a vítima não afastam a ocorrência 
do crime." 
STJ. 3ª Seção. REsp 1.480.881-PI, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, j. em 26/8/2015 (recurso 
repetitivo) (Info 568). 
 
Corrupção de menores 
Art. 218. INDUZIR alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de OUTREM: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente 
Art. 218-A. PRATICAR, na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos, ou INDUZI-LO A 
PRESENCIAR, conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia PRÓPRIA ou de 
OUTREM: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. 
 
Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente 
ou de vulnerável. 
Art. 218-B. SUBMETER, INDUZIR ou ATRAIR à prostituição ou outra forma de exploração sexual 
alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o 
necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone: 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. 
§ 1o Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa. 
§ 2o Incorre nas mesmas penas: 
I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior 
de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo; 
#INFO 
- Art. 218-B do CP. 
O cliente que conscientemente se serve da prostituição de adolescente, com ele praticando conjunção 
carnal ou outro ato libidinoso, incorre no tipo previsto no inciso I do § 2º do art. 218-B do CP 
(favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de 
vulnerável), ainda que a vítima seja atuante na prostituição e que a relação sexual tenha sido eventual, 
sem habitualidade. 
STJ. 6ª Turma. HC 288.374-AM, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 5/6/2014 (Info 543). 
II - o PROPRIETÁRIO, o GERENTE ou o RESPONSÁVEL PELO LOCAL em que se verifiquem as práticas 
referidas no caput deste artigo. 
§ 3o Na hipótese do inciso II do § 2o, constitui EFEITO OBRIGATÓRIO DA CONDENAÇÃO a cassação 
da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. 
 
Divulgação de cena de estupro ou de cena de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de 
pornografia (Lei nº 13.718/2018) 
Art. 218-C. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou 
divulgar, por qualquer meio - inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática 
ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de 
estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da 
vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia: (Lei nº 13.718/2018) 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o fato não constitui crime mais grave. (Lei nº 
13.718/2018) 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Aumento de pena (Lei nº 13.718/2018) 
§ 1º A pena é AUMENTADA de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se o crime é praticado por agente 
que mantém ou tenha mantido RELAÇÃO ÍNTIMA DE AFETO com a vítima ou com o fim de vingança 
ou humilhação. (Lei nº 13.718/2018) 
Exclusão de ilicitude (Lei nº 13.718/2018) 
§ 2º NÃO HÁ CRIME quando o agente pratica as condutas descritas no caput deste artigo em publicação 
de natureza jornalística, científica, cultural ou acadêmica com a adoção de recurso que impossibilite 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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a identificação da vítima, ressalvada sua prévia autorização, caso seja maior de 18 (dezoito) anos. (Lei 
nº 13.718/2018) 
 
CAPÍTULO IV 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
Ação penal 
Art. 225. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-se mediante AÇÃO PENAL 
PÚBLICA INCONDICIONADA. (Lei nº 13.718/2018) 
Aumento de pena 
Art. 226. A pena É AUMENTADA: 
I – de quarta parte, se o crime é cometido com o concurso de 2 (duas) ou mais pessoas; 
II - de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, 
tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade 
sobre ela;(Lei nº 13.718/2018) 
IV - de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado: (Lei nº 13.718/2018) 
Estupro coletivo (Lei nº 13.718/2018) 
a) mediante concurso de 2 (dois) ou mais agentes; (Lei nº 13.718/2018) 
Estupro corretivo (Lei nº 13.718/2018) 
b) para controlar o comportamento social ou sexual da vítima. (Lei nº 13.718/2018) 
 
CAPÍTULO V 
DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOA PARA FIM DE 
PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE 
EXPLORAÇÃO SEXUAL 
Mediação para servir a lascívia de outrem 
Art. 227 - INDUZIR alguém a satisfazer a lascívia de outrem: 
Pena - reclusão, de um a três anos. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1o Se a vítima é maior de 14 (catorze) e menor de 18 (dezoito) anos, ou se o agente é seu ascendente, 
descendente, cônjuge ou companheiro, irmão, tutor ou curador ou pessoa a quem esteja confiada 
para fins de educação, de tratamento ou de guarda: 
Pena - reclusão, de dois a cinco anos. 
§ 2º - Se o crime é cometido com emprego de violência, grave ameaça ou fraude: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, além da pena correspondente à violência. 
§ 3º - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa. 
 
Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual 
Art. 228. INDUZIR ou ATRAIR alguém à prostituição ou outra forma de exploração sexual, facilitá-la, 
impedir ou dificultar que alguém a abandone: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, E multa. 
§ 1o Se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou 
curador, preceptor ou empregador da vítima, ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de 
cuidado, proteção ou vigilância: 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos. 
§ 2º - Se o crime, é cometido com emprego de violência, grave ameaça ou fraude: 
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, além da pena correspondente à violência. 
§ 3º - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa. 
 
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111 
 
 
 
Casa de prostituição 
Art. 229. MANTER, por conta própria ou de terceiro, estabelecimento em que ocorra exploração 
sexual, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente: 
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, E multa. 
#INFO 
- Casa de Prostituição – Somente ocorre o delito do art. 229 do CP se houver exploração sexual, 
ou seja, violação à dignidade sexual. 
Não se tratando de estabelecimento voltado exclusivamente para a prática de mercancia sexual, 
tampouco havendo notícia de envolvimento de menores de idade, nem comprovação de que o réu 
tirava proveito, auferindo lucros da atividade sexual alheia mediante ameaça, coerção, violência ou 
qualquer outra forma de violação ou tolhimento à liberdade das pessoas, não há falar em fato típico a 
ser punido na seara penal. Não se trata do crime do art. 229 do CP. 
Mesmo após as alterações legislativas introduzidas pela Lei nº 12.015/2009, a conduta consistente em 
manter “Casa de Prostituição” segue sendo crime tipificado no art. 229 do Código Penal. Todavia, com 
a novel legislação, passou-se a exigir a “exploração sexual” como elemento normativo do tipo, de modo 
que a conduta consistente em manter casa para fins libidinosos, por si só, não mais caracteriza crime, 
sendo necessário, para a configuração do delito, que haja exploração sexual, assim entendida como a 
violação à liberdade das pessoas que ali exercem a mercancia carnal. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.683.375-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 14/08/2018 
(Info 631). 
 
Rufianismo 
Art. 230 - TIRAR PROVEITO da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros ou fazendo-
se sustentar, no todo ou em parte, por quem a exerça: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1o Se a vítima é menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos ou se o crime é cometido por 
ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador, 
preceptor ou empregador da vítima, ou por quem assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de 
cuidado, proteção ou vigilância: 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, E multa. 
§ 2o Se o crime é cometido mediante violência, grave ameaça, fraude ou outro meio que impeça ou 
dificulte a livre manifestação da vontade da vítima: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, sem prejuízo da pena correspondente à violência. 
 
Art. 232-A. PROMOVER, por qualquer meio, com o fim de obter vantagem econômica, a ENTRADA 
ILEGAL de estrangeiro em território nacional ou de brasileiro em país estrangeiro: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, E multa. 
§ 1o Na mesma pena incorre quem PROMOVER, por qualquer meio, com o fim de obter vantagem 
econômica, a saída de estrangeiro do território nacional para ingressar ilegalmente em país 
estrangeiro. 
§ 2o A pena é AUMENTADA de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço) se: 
I - o crime é cometido com violência; ou 
II - a vítima é submetida a condição desumana ou degradante. 
§ 3o A pena prevista para o crime será aplicada sem prejuízo das correspondentes às infrações 
conexas. 
 
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CAPÍTULO VI 
DO ULTRAJE PÚBLICO AO PUDOR 
Ato obsceno 
Art. 233 - Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Escrito ou objeto obsceno 
Art. 234 - Fazer, importar, exportar, adquirir ou ter sob sua guarda, para fim de comércio, de distribuição 
ou de exposição pública, escrito, desenho, pintura, estampa ou qualquer objeto obsceno: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - Incorre na mesma pena quem: 
I - vende, distribui ou expõe à venda ou ao público qualquer dos objetos referidos neste artigo; 
II - realiza, em lugar público ou acessível ao público, representação teatral, ou exibição cinematográfica de 
caráter obsceno, ou qualquer outro espetáculo, que tenha o mesmo caráter; 
III - realiza, em lugar público ou acessível ao público, ou pelo rádio, audição ou recitação de caráter 
obsceno. 
 
CAPÍTULO VII 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
Aumento de pena 
Art. 234-A. Nos crimes previstos neste Título a pena é AUMENTADA: 
III - de metade a 2/3 (dois terços), se do crime resulta gravidez; (Lei nº 13.718/2018) 
IV - de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o agente transmite à vítima doença sexualmente 
transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador, ou se a vítima é idosa ou pessoa com 
deficiência. (Lei nº 13.718/2018) 
Art. 234-B. Os processos em que se apuram crimes definidos neste Título correrão em segredo de 
justiça. 
 
TÍTULO VII 
DOS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA 
Obs.: Os crimes contra a família são, em sua maioria crimes de perigo, já que o dano, aí, funcionará, 
muitas vezes, apenas como elemento qualificador do delito. 
 
CAPÍTULO I 
DOS CRIMES CONTRA O CASAMENTO 
Bigamia 
Art. 235 - Contrair alguém, sendo casado, novo casamento: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos. 
§ 1º - Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada, conhecendo essa 
circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de um a três anos. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 2º - ANULADO por qualquer motivo o PRIMEIRO CASAMENTO, ou o outro por motivo que NÃO A 
BIGAMIA, considera-se INEXISTENTE o crime. 
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113Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento 
Art. 236 - Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe 
impedimento QUE NÃO SEJA CASAMENTO ANTERIOR: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - A AÇÃO PENAL DEPENDE DE QUEIXA do contraente enganado e não pode ser 
intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, 
anule o casamento. 
Obs.: Ação penal priva personalíssima (único crime no ordenamento jurídico); 
Ação penal privada personalíssima: É aquela que somente pode ser oferecida pelo próprio ofendido, 
não permitindo representação, nem mesmo substituição nas hipóteses de morte e de ausência. Depois 
da abolição do crime de adultério, restou apenas um delito que comporta essa natureza: induzimento a 
erro essencial ou ocultação de impedimento (art. 236, do CP). 
 
Conhecimento prévio de impedimento 
Art. 237 - Contrair casamento, conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade 
absoluta: 
Pena - detenção, de três meses a um ano. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Simulação de autoridade para celebração de casamento 
Art. 238 - Atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento: 
Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não constitui crime mais grave. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Simulação de casamento 
Art. 239 - Simular casamento mediante engano de outra pessoa: 
Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não constitui ELEMENTO de crime mais grave. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
CAPÍTULO II 
DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO 
Registro de nascimento inexistente 
Art. 241 - Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos. 
 
Parto suposto. Supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido 
Art. 242 - Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho de outrem; ocultar recém-
nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos. 
Parágrafo único - Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza: 
Pena - detenção, de um a dois anos, podendo o juiz deixar de aplicar a pena. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
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Sonegação de estado de filiação 
Art. 243 - Deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência filho próprio ou alheio, 
ocultando-lhe a filiação ou atribuindo-lhe outra, com o fim de prejudicar direito inerente ao estado 
civil: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
CAPÍTULO III 
DOS CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR 
Abandono material 
Art. 244. Deixar, sem justa causa, de PROVER A SUBSISTÊNCIA do cônjuge, ou de filho menor de 18 
(dezoito) anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos, 
não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia 
judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, DE SOCORRER descendente ou 
ascendente, gravemente enfermo: 
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de uma a dez vezes o maior salário mínimo 
vigente no País. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - Nas mesmas penas incide quem, sendo solvente, frustra ou ilide, de qualquer 
modo, inclusive por abandono injustificado de emprego ou função, o pagamento de pensão 
alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada. 
 
Entrega de filho menor a pessoa inidônea 
Art. 245 - Entregar filho menor de 18 (dezoito) anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber 
que o menor fica MORAL OU MATERIALMENTE EM PERIGO: 
Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1º - A pena é de 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão, se o agente pratica delito para obter lucro, 
ou se o menor é enviado para o exterior. 
§ 2º - Incorre, também, na pena do parágrafo anterior quem, embora excluído o perigo moral ou 
material, auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior, com o fito de 
obter lucro. 
 
Abandono intelectual 
Art. 246 - Deixar, sem justa causa, de PROVER À INSTRUÇÃO PRIMÁRIA de filho em idade escolar: 
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Art. 247 - Permitir alguém que menor de dezoito anos, sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou 
vigilância: 
I - freqüente casa de jogo ou mal-afamada, ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida; 
II - freqüente espetáculo capaz de pervertê-lo ou de ofender-lhe o pudor, ou participe de representação 
de igual natureza; 
III - resida ou trabalhe em casa de prostituição; 
IV - mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração pública: 
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Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
CAPÍTULO IV 
DOS CRIMES CONTRA O 
PÁTRIO PODER, TUTELA CURATELA 
Induzimento a fuga, entrega arbitrária ou sonegação de incapazes 
Art. 248 - Induzir menor de dezoito anos, ou interdito, a fugir do lugar em que se acha por determinação 
de quem sobre ele exerce autoridade, em virtude de lei ou de ordem judicial; confiar a outrem sem ordem 
do pai, do tutor ou do curador algum menor de dezoito anos ou interdito, ou deixar, sem justa causa, de 
entregá-lo a quem legitimamente o reclame: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Subtração de incapazes 
Art. 249 - SUBTRAIR menor de dezoito anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda 
em virtude de lei ou de ordem judicial: 
Pena - detenção, de dois meses a dois anos, se o fato não constitui elemento de outro crime. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1º - O fato de ser o agente pai ou tutor do menor ou curador do interdito não o exime de pena, se 
destituído ou temporariamente privado do pátrio poder, tutela, curatela ou guarda. 
§ 2º - No caso de restituição do menor ou do interdito, se este não sofreu maus-tratos ou privações, 
o juiz pode deixar de aplicar pena. 
 
TÍTULO VIII 
DOS CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA 
 
CAPÍTULO I 
DOS CRIMES DE PERIGO COMUM 
Incêndio 
Art. 250 - Causar incêndio, EXPONDO A PERIGO a vida, a integridade física ou o patrimônio de 
outrem: 
Pena - reclusão, de três a seis anos, E multa. 
Aumento de pena 
§ 1º - As penas AUMENTAM-SE de um terço: 
I - se o crime é cometido com intuito de obter vantagem pecuniária em proveito próprio ou alheio; 
II - se o incêndio é: 
a) em casa habitada ou destinada a habitação; 
b) em edifício público ou destinado a uso público ou a obra de assistência social ou de cultura; 
c) em embarcação, aeronave, comboio ou veículo de transporte coletivo; 
d) em estação ferroviária ou aeródromo; 
e) em estaleiro, fábrica ou oficina; 
f) em depósito de explosivo, combustível ou inflamável; 
g) em poço petrolífico ou galeria de mineração; 
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h) em lavoura, pastagem, mata ou floresta. 
Incêndio culposo§ 2º - SE CULPOSO o incêndio, é pena de detenção, de seis meses a dois anos. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Explosão 
Art. 251 - EXPOR A PERIGO a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante 
explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos 
análogos: 
Pena - reclusão, de três a seis anos, E multa. 
§ 1º - Se a substância utilizada NÃO É dinamite ou explosivo de efeitos análogos: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Aumento de pena 
§ 2º - As penas AUMENTAM-SE de um terço, se ocorre qualquer das hipóteses previstas no § 1º, I, do 
artigo anterior, ou é visada ou atingida qualquer das coisas enumeradas no nº II do mesmo 
parágrafo (causas de aumento do incêndio). 
Modalidade culposa 
§ 3º - No caso DE CULPA, se a explosão é de dinamite ou substância de efeitos análogos, a pena é de 
detenção, de seis meses a dois anos; nos demais casos, é de detenção, de três meses a um ano. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Uso de gás tóxico ou asfixiante 
Art. 252 - EXPOR A PERIGO a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, usando de gás 
tóxico ou asfixiante: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Modalidade Culposa 
Parágrafo único - Se o crime É CULPOSO: 
Pena - detenção, de três meses a um ano. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Fabrico, fornecimento, aquisição posse ou transporte de explosivos ou gás tóxico, ou asfixiante 
Art. 253 - Fabricar, fornecer, adquirir, possuir ou transportar, sem licença da autoridade, substância ou 
engenho explosivo, gás tóxico ou asfixiante, ou material destinado à sua fabricação: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, E multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Inundação 
Art. 254 - Causar inundação, EXPONDO A PERIGO a vida, a integridade física ou o patrimônio de 
outrem: 
Pena - reclusão, de três a seis anos, E multa, no caso de DOLO, ou detenção, de seis meses a dois 
anos, no caso de CULPA. 
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Quanto à modalidade culposa: 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Perigo de inundação 
Art. 255 - Remover, destruir ou inutilizar, em prédio próprio ou alheio, EXPONDO A PERIGO a vida, a 
integridade física ou o patrimônio de outrem, obstáculo natural ou obra destinada a impedir 
inundação: 
Pena - reclusão, de um a três anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Desabamento ou desmoronamento 
Art. 256 - Causar desabamento ou desmoronamento, EXPONDO A PERIGO a vida, a integridade física 
ou o patrimônio de outrem: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Modalidade culposa 
Parágrafo único - Se o crime É CULPOSO: 
Pena - detenção, de seis meses a um ano. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Subtração, ocultação ou inutilização de material de salvamento 
Art. 257 - Subtrair, ocultar ou inutilizar, por ocasião de incêndio, inundação, naufrágio, ou outro 
desastre ou calamidade, aparelho, material ou qualquer meio destinado a serviço de combate ao 
perigo, de socorro ou salvamento; ou impedir ou dificultar serviço de tal natureza: 
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, E multa. 
 
Formas qualificadas de crime de perigo comum 
Art. 258 - Se do CRIME DOLOSO de perigo comum resulta lesão corporal de natureza grave, a pena 
privativa de liberdade é AUMENTADA de metade; se resulta morte, é aplicada em dobro. No caso de 
CULPA, se do fato resulta lesão corporal, a pena AUMENTA-SE de metade; se resulta morte, aplica-se 
a pena cominada ao homicídio culposo (detenção, de um a três anos), AUMENTADA de um terço. 
Obs.: Causas de aumento de pena nos crimes CULPOSOS de perigo comum (2ª parte do art. 258 do 
CP): Verifica-se que tal dispositivo somente valerá para os crimes de perigo comum culposos, quais 
sejam: incêndio (art. 250, § 2º); explosão (art. 251, § 3º); uso de gás tóxico ou asfixiante (art. 252, § único); 
inundação (art. 254) e desabamento ou desmoronamento (art. 256, § único). 
 
Difusão de doença ou praga 
Art. 259 - DIFUNDIR doença ou praga que possa causar dano a floresta, plantação ou animais de 
utilidade econômica: 
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, E multa. 
Modalidade culposa 
Parágrafo único - No caso DE CULPA, a pena é de detenção, de um a seis meses, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
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CAPÍTULO II 
DOS CRIMES CONTRA A 
SEGURANÇA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO 
E TRANSPORTE E OUTROS SERVIÇOS PÚBLICOS 
Perigo de desastre ferroviário 
Art. 260 - Impedir ou perturbar serviço de estrada de ferro: 
I - destruindo, danificando ou desarranjando, total ou parcialmente, linha férrea, material rodante ou de 
tração, obra-de-arte ou instalação; 
II - colocando obstáculo na linha; 
III - transmitindo falso aviso acerca do movimento dos veículos ou interrompendo ou embaraçando o 
funcionamento de telégrafo, telefone ou radiotelegrafia; 
IV - praticando outro ato de que possa resultar desastre: 
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, E multa. 
Desastre ferroviário 
§ 1º - Se do fato resulta desastre: 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos e multa. 
§ 2º - No caso de culpa, ocorrendo desastre: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. 
§ 3º - Para os efeitos deste artigo, entende-se por estrada de ferro qualquer via de comunicação em que 
circulem veículos de tração mecânica, em trilhos ou por meio de cabo aéreo. 
 
Atentado contra a segurança de transporte marítimo, fluvial ou aéreo 
Art. 261 - Expor a perigo embarcação ou aeronave, própria ou alheia, ou praticar qualquer ato tendente 
a impedir ou dificultar navegação marítima, fluvial ou aérea: 
Pena - reclusão, de dois a cinco anos. 
Sinistro em transporte marítimo, fluvial ou aéreo 
§ 1º - Se do fato resulta naufrágio, submersão ou encalhe de embarcação ou a queda ou destruição de 
aeronave: 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. 
Prática do crime com o fim de lucro 
§ 2º - Aplica-se, também, a pena de multa, se o agente pratica o crime com intuito de obter vantagem 
econômica, para si ou para outrem. 
Modalidade culposa 
§ 3º - No caso de culpa, se ocorre o sinistro: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. 
 
Atentado contra a segurança de outro meio de transporte 
Art. 262 - Expor a perigo outro meio de transporte público, impedir-lhe ou dificultar-lhe o funcionamento: 
Pena - detenção, de um a dois anos. 
§ 1º - Se do fato resulta desastre, a pena é de reclusão, de dois a cinco anos. 
§ 2º - No caso de culpa, se ocorre desastre: 
Pena - detenção, de três meses a um ano. 
Forma qualificada 
Art. 263 - Se de qualquer dos crimes previstos nos arts. 260 a 262, no caso de desastre ou sinistro, resulta 
lesão corporal ou morte, aplica-se o disposto no art. 258. 
 
Arremesso de projétil 
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Art. 264 - Arremessar projétil contra veículo, em movimento, destinado ao transporte público por terra, 
por água ou pelo ar: 
Pena - detenção, de um a seis meses. 
Parágrafo único - Se do fato resulta lesão corporal, a pena é de detenção, de seis meses a dois anos; se 
resulta morte, a pena é a do art. 121, § 3º, aumentadade um terço. 
 
Atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública 
Art. 265 - Atentar contra a segurança ou o funcionamento de serviço de água, luz, força ou calor, ou 
qualquer outro de utilidade pública: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. 
Parágrafo único - Aumentar-se-á a pena de 1/3 (um terço) até a metade, se o dano ocorrer em virtude 
de subtração de material essencial ao funcionamento dos serviços. 
 
Interrupção ou perturbação de serviço telegráfico, telefônico, informático, telemático ou de 
informação de utilidade pública 
Art. 266 - Interromper ou perturbar serviço telegráfico, radiotelegráfico ou telefônico, impedir ou 
dificultar-lhe o restabelecimento: 
Pena - detenção, de um a três anos, e multa. 
§ 1o Incorre na mesma pena quem interrompe serviço telemático ou de informação de utilidade pública, 
ou impede ou dificulta-lhe o restabelecimento. 
§ 2o Aplicam-se as penas em dobro se o crime é cometido por ocasião de calamidade pública. 
 
CAPÍTULO III 
DOS CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA 
Epidemia 
Art. 267 - CAUSAR EPIDEMIA, mediante a propagação de germes patogênicos: 
Pena - reclusão, de dez a quinze anos. 
§ 1º - Se do fato resulta MORTE, a pena é aplicada em dobro. 
- Crime Hediondo quando resultado morte (art. 1º, VII, Lei nº 8.072/90). 
- Crime preterdoloso. 
§ 2º - No caso de CULPA, a pena é de detenção, de um a dois anos, ou, se resulta MORTE, de dois a 
quatro anos. 
- Crime preterdoloso (quanto ao resultado morte culposa). 
 
Infração de medida sanitária preventiva 
Art. 268 - Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação 
de doença contagiosa: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, E multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - A pena é AUMENTADA de um terço, se o agente é FUNCIONÁRIO DA SAÚDE 
PÚBLICA ou EXERCE a profissão de MÉDICO, FARMACÊUTICO, DENTISTA ou ENFERMEIRO. 
 
Omissão de notificação de doença 
Art. 269 - DEIXAR O MÉDICO de denunciar à autoridade pública DOENÇA cuja notificação é 
compulsória: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, E multa. 
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- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do process; 
- Crime próprio – somente o médico. 
- Crime omissivo próprio; 
- Não cabe tentativa. 
 
Envenenamento de água potável ou de substância alimentícia ou medicinal 
Art. 270 - ENVENENAR água potável, de uso comum ou particular, ou substância alimentícia ou 
medicinal destinada a consumo: 
Pena - reclusão, de dez a quinze anos. 
§ 1º - Está sujeito à mesma pena quem ENTREGA a consumo ou TEM EM DEPÓSITO, para o fim de ser 
distribuída, a água ou a substância envenenada. 
Modalidade culposa 
§ 2º - Se o crime é CULPOSO: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Corrupção ou poluição de água potável 
Art. 271 - CORROMPER ou POLUIR água potável, de uso comum ou particular, tornando-a imprópria 
para consumo ou nociva à saúde: 
Pena - reclusão, de dois a cinco anos. 
Modalidade culposa 
Parágrafo único - Se o crime é CULPOSO: 
Pena - detenção, de dois meses a um ano. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de substância ou produtos alimentícios 
Art. 272 - CORROMPER, ADULTERAR, FALSIFICAR ou ALTERAR substância ou produto alimentício 
destinado a consumo, tornando-o nociva à saúde ou reduzindo-lhe o valor nutritivo: 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, E multa. 
§ 1º-A - Incorre nas penas deste artigo quem fabrica, vende, expõe à venda, importa, tem em depósito 
para vender ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a consumo a substância alimentícia ou o 
produto falsificado, corrompido ou adulterado. 
§ 1º - Está sujeito às mesmas penas quem pratica as ações previstas neste artigo em relação a bebidas, 
com ou sem teor alcoólico. 
Modalidade culposa 
§ 2º - Se o crime é CULPOSO: 
Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, E multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou 
medicinais 
Art. 273 - FALSIFICAR, CORROMPER, ADULTERAR ou ALTERAR produto destinado a fins terapêuticos 
ou medicinais: 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
121 
 
 
 
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, E multa. 
- Crime Hediondo quanto ao caput, §§ 1º, 1º-A e 1º-B (art. 1º, VII-B, Lei nº 8.072/90). 
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem importa, vende, expõe à venda, tem em depósito para vender 
ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a consumo o produto falsificado, corrompido, adulterado 
ou alterado. 
§ 1º-A - INCLUEM-SE entre os produtos a que se refere este artigo os medicamentos, as matérias-
primas, os insumos farmacêuticos, os cosméticos, os saneantes e os de uso em diagnóstico. 
§ 1º-B - Está sujeito às penas deste artigo quem pratica as ações previstas no § 1º em relação a 
produtos em qualquer das seguintes condições: 
I - SEM REGISTRO, quando exigível, no órgão de vigilância sanitária competente; 
II - em DESACORDO COM A FÓRMULA CONSTANTE DO REGISTRO previsto no inciso anterior; 
III - SEM AS CARACTERÍSTICAS DE IDENTIDADE E QUALIDADE admitidas para a sua comercialização; 
IV - com REDUÇÃO DE SEU VALOR TERAPÊUTICO OU DE SUA ATIVIDADE; 
V - de PROCEDÊNCIA IGNORADA; 
VI - ADQUIRIDOS DE ESTABELECIMENTO SEM LICENÇA da autoridade sanitária competente. 
Modalidade culposa 
§ 2º - Se o crime é CULPOSO: 
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
#INFO 
- Venda de substâncias que estão na Portaria SVS/MS 344/98 e princípio da consunção. 
Se o agente criou farmácia de fachada para vender produtos falsificados destinados a fins terapêuticos 
ou medicinais, ele deverá responder pelo delito do art. 273 do CP (e não por este crime em concurso 
com tráfico de drogas), ainda que fique demonstrado que ele também mantinha em depósito e vendia 
alguns medicamentos e substâncias consideradas psicotrópicas no Brasil por estarem na Portaria 
SVS/MS nº 344/1998. 
Assim, mesmo tendo sido encontradas algumas substâncias que podem ser classificadas como droga, o 
crime do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 ficará absorvido pelo delito do art. 273 do CP, que possui maior 
abrangência. Aplica-se aqui o princípio da consunção. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.537.773-SC, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Rogerio 
Schietti Cruz, julgado em 16/8/2016 (Info 590). 
 
Emprego de processo proibido ou de substância não permitida 
Art. 274 - EMPREGAR, no fabrico de produto destinado a consumo, revestimento, gaseificação artificial, 
matéria corante, substância aromática, anti-séptica, conservadora ou qualquer outra não expressamente 
permitida pela legislação sanitária: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Invólucro ou recipiente com falsa indicação 
Art. 275 - Inculcar, em invólucro ou recipiente de produtos alimentícios, terapêuticos ou medicinais, a 
existência de substância que não se encontra em seu conteúdo ou que nele existe em quantidade menor 
que a mencionada: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
122 
 
 
 
Produto ou substância nas condiçõesdos dois artigos anteriores 
Art. 276 - Vender, expor à venda, ter em depósito para vender ou, de qualquer forma, entregar a consumo 
produto nas condições dos arts. 274 e 275. 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Substância destinada à falsificação 
Art. 277 - Vender, expor à venda, ter em depósito ou ceder substância destinada à falsificação de produtos 
alimentícios, terapêuticos ou medicinais: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Outras substâncias nocivas à saúde pública 
Art. 278 - Fabricar, vender, expor à venda, ter em depósito para vender ou, de qualquer forma, entregar a 
consumo coisa ou substância nociva à saúde, ainda que não destinada à alimentação ou a fim medicinal: 
Pena - detenção, de um a três anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Modalidade culposa 
Parágrafo único - Se o crime é CULPOSO: 
Pena - detenção, de dois meses a um ano. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Medicamento em desacordo com receita médica 
Art. 280 - Fornecer substância medicinal em desacordo com receita médica: 
Pena - detenção, de um a três anos, OU multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Modalidade culposa 
Parágrafo único - Se o crime é CULPOSO: 
Pena - detenção, de dois meses a um ano. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica 
Art. 282 - EXERCER, ainda que a título gratuito, a profissão de MÉDICO, DENTISTA ou FARMACÊUTICO, 
SEM AUTORIZAÇÃO LEGAL ou EXCEDENDO-LHE OS LIMITES: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Sujeito ativo: 
• Crime comum (qualquer pessoa): na modalidade “sem autorização legal”; 
 
• Crime próprio (médico, dentista e farmacêutico): na modalidade “excedendo-lhe os limites”. 
Parágrafo único - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se também multa. 
#INFO 
- Atipicidade penal do exercício da acupuntura. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
123 
 
 
 
O exercício da acupuntura por indivíduo que não é médico não configura o delito previsto no art. 282 
do CP (exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica). Não existe lei federal prevendo que 
a acupuntura é uma atividade privativa de médico (art. 22, XVI, da CF/88). 
STJ. 6ª Turma. RHC 66.641-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 3/3/2016 (Info 578). 
 
Charlatanismo 
Art. 283 - INCULCAR ou ANUNCIAR cura por meio secreto ou infalível: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, E multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Curandeirismo 
Art. 284 - EXERCER o curandeirismo: 
I - prescrevendo, ministrando ou aplicando, HABITUALMENTE, qualquer substância; 
II - usando gestos, palavras ou qualquer outro meio; 
III - fazendo diagnósticos: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - Se o crime é praticado mediante remuneração, o agente fica também sujeito à multa. 
Forma qualificada 
Art. 285 - Aplica-se o disposto no art. 258 aos crimes previstos neste Capítulo, SALVO quanto ao 
definido no art. 267. 
Formas qualificadas de crime de perigo comum 
Art. 258 - Se do CRIME DOLOSO de perigo comum resulta lesão corporal de natureza grave, a pena 
privativa de liberdade é AUMENTADA de metade; se resulta morte, é aplicada em dobro. No caso de 
CULPA, se do fato resulta lesão corporal, a pena AUMENTA-SE de metade; se resulta morte, aplica-
se a pena cominada ao homicídio culposo (detenção, de um a três anos), AUMENTADA de um 
terço. 
- Não aplica-se ao crime de Epidemia (art. 267). 
 
PERIGO CONCRETO PERIGO ABSTRATO 
- Epidemia; 
- Falsificação ou adulteração de produto 
alimentício. 
- Todos os demais crimes do Capítulo. 
 
TÍTULO IX 
DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA 
Incitação ao crime 
Art. 286 - INCITAR, publicamente, a prática de crime: 
Pena - detenção, de três a seis meses, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Apologia de crime ou criminoso 
Art. 287 - FAZER, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime: 
Pena - detenção, de três a seis meses, OU multa. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Associação Criminosa 
Art. 288. ASSOCIAREM-SE 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer CRIMES: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Crime Plurissubjetivo ou de concurso necessário; 
- Não é possível uma associação criminosa com o fim de cometer contravenção. 
 
#NãoConfunda: 
ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA 
(Art. 288, CP) 
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA 
(Art. 1°, § 1º, Lei 12.850/13) 
Associação de 3 ou mais pessoas Associação de 4 ou mais pessoas 
Estabilidade e permanência Estabilidade e permanência 
Dispensa estrutura ordenada e divisão de 
tarefas 
Pressupõe estrutura ordenada e divisão de tarefas, 
ainda que informalmente 
Destina-se à prática de crimes, 
independentemente da pena cominada 
Destina-se à prática de infrações penais, cuja pena 
máxima é superior a 4 anos ou que tenha caráter 
transnacional 
Exige o especial de fim de agir de cometer 
crimes 
Exige o especial fim de agir de obter, direta ou 
indiretamente, vantagem de qualquer natureza 
Pena → Reclusão, de 1 a 3 anos Pena → Reclusão, de 3 a 8 anos 
Admite sursis processual Não admite sursis processual 
 
Parágrafo único. A pena AUMENTA-SE até a metade se a associação é armada ou se houver a 
participação de criança ou adolescente. 
 
Constituição de milícia privada 
Art. 288-A. CONSTITUIR, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia 
particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste 
Código: 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. 
MILÍCIA 
PRIVADA 
ASSOCIAÇÃO 
CRIMINOSA 
ASSOCIAÇÃO 
P/ TRÁFICO 
ASSOCIAÇÃO 
P/ GENOCÍDIO 
ORGANIZAÇÃO 
CRIMINOSA 
Previsão Art. 288-A, CP Art. 288, CP 
Art. 35 - Lei 
11.343/06 
Art. 2° - Lei 
2.889/56 
Art. 1°, § 1° e 2º - 
Lei 12.850/13 
Quant. de 
Agentes 
– 3 ou + 2 ou + + de 3 (4 ou +) 4 ou + 
Conduta 
Constituir, 
organizar, integrar, 
manter ou custear 
organização 
paramilitar, milícia 
particular ou 
grupo ou 
esquadrão de 
extermínio 
Associarem-se 
três ou mais 
pessoas 
Associarem-se 
duas ou mais 
pessoas 
Associarem-se 
mais de três 
pessoas 
Promover, 
constituir, 
financiar ou 
integrar, 
pessoalmente ou 
por interposta 
pessoa, 
organização 
criminosa 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
125 
 
 
 
Estruturação 
Apesar de 
dispensar, em 
regra apresenta 
divisão de tarefas 
Dispensa 
estrutura 
ordenada e 
divisão de 
tarefas 
Dispensa 
estrutura 
ordenada e 
divisão de 
tarefas 
Dispensa 
estrutura 
ordenada e 
divisão de 
tarefas 
Pressupõe 
estrutura 
ordenada e 
divisão de tarefas, 
ainda que 
informalmente 
Vantagem 
A busca da 
vantagem é 
dispensável 
A busca da 
vantagem é 
dispensável, 
porém comum 
A busca da 
vantagem é 
dispensávelA busca da 
vantagem é 
dispensável 
Com o objetivo 
de obter 
vantagem de 
qualquer natureza 
Finalidade 
Com a finalidade 
de praticar 
qualquer dos 
crimes previstos no 
CP 
Com o fim 
específico de 
cometer crimes 
Com o fim de 
praticar, 
reiteradamente 
ou não, 
qualquer dos 
crimes previstos 
nos arts. 33, 
caput e § 1o, e 
34 da Lei: 
Com a 
finalidade de 
praticar os 
crimes 
mencionados 
no artigo 
anterior da lei 
(genocídio) 
Mediante a 
prática de 
infrações penais 
cujas penas 
máximas sejam 
superiores a 4 
anos, ou de 
caráter 
transnacional 
Pena 
Reclusão – 4 a 8 
anos. 
Crime Comum 
(Reclusão – 1 a 
3 anos); 
 
Crime Hediondo 
ou Equiparado 
(Reclusão – 3 a 
6 anos). 
Reclusão – 3 a 
10 anos. 
Metade da pena 
comida aos 
delitos. 
Reclusão – 3 a 8 
anos, e multa, 
sem prejuízo das 
penas 
correspondentes 
às demais 
infrações penais 
praticadas.. 
Causas de 
Aumento de 
Pena 
– 
 
Art. 288, p.ú., CP 
Art. 40, I a VII, 
Lei 11.343/06 
– 
Art. 2º, §§ 2º e 4º, 
Lei 12.850/13 
 
TÍTULO X 
DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA 
 
CAPÍTULO I 
DA MOEDA FALSA 
Moeda Falsa 
Art. 289 - FALSIFICAR, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal 
no país ou no estrangeiro: 
Pena - reclusão, de três a doze anos, E multa. 
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou exporta, adquire, vende, 
troca, cede, empresta, guarda ou introduz na circulação moeda falsa. 
§ 2º - Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à 
circulação, DEPOIS DE CONHECER A FALSIDADE, é punido com detenção, de seis meses a dois anos, 
E multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 3º - É punido com reclusão, de três a quinze anos, E multa, o funcionário público ou diretor, gerente, 
ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a fabricação ou emissão: 
I - de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei; 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
126 
 
 
 
II - de papel-moeda em quantidade superior à autorizada. 
§ 4º - Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja circulação não estava ainda 
autorizada. 
- Súmula nº 73, STJ: “A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o 
crime de estelionato, da competência da Justiça Estadual.” 
 
#INFO 
- Não se aplica o arrependimento posterior ao crime de moeda falsa. 
Imagine que o réu tenha utilizado uma nota de R$ 100 falsificada para pagar uma dívida. Após alguns 
dias, descobriu-se que a cédula era falsa e, antes que houvesse denúncia, o agente ressarciu o credor 
por seus prejuízos. O réu praticou o crime de moeda falsa. É possível aplicar a ele o benefício do 
arrependimento posterior (art. 16 do CP)? 
NÃO. Não se aplica o instituto do arrependimento posterior ao crime de moeda falsa. No crime de 
moeda falsa – cuja consumação se dá com a falsificação da moeda, sendo irrelevante eventual dano 
patrimonial imposto a terceiros –, a vítima é a coletividade como um todo, e o bem jurídico tutelado é 
a fé pública, que não é passível de reparação. Desse modo, os crimes contra a fé pública, semelhantes 
aos demais crimes não patrimoniais em geral, são incompatíveis com o instituto do arrependimento 
posterior, dada a impossibilidade material de haver reparação do dano causado ou a restituição da coisa 
subtraída. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.242.294-PR, Rel. originário Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão 
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/11/2014 (Info 554). 
 
Crimes assimilados ao de moeda falsa 
Art. 290 - Formar cédula, nota ou bilhete representativo de moeda com fragmentos de cédulas, notas ou 
bilhetes verdadeiros; suprimir, em nota, cédula ou bilhete recolhidos, para o fim de restituí-los à circulação, 
sinal indicativo de sua inutilização; restituir à circulação cédula, nota ou bilhete em tais condições, ou já 
recolhidos para o fim de inutilização: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, E multa. 
Parágrafo único - O máximo da reclusão é elevado a doze anos e multa, se o crime é cometido por 
funcionário que trabalha na repartição onde o dinheiro se achava recolhido, ou nela tem fácil 
ingresso, em razão do cargo. 
 
Petrechos para falsificação de moeda 
Art. 291 - Fabricar, adquirir, fornecer, a título oneroso ou gratuito, possuir ou guardar maquinismo, 
aparelho, instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, E multa. 
#INFO 
- Petrechos para Falsificação de Moeda – Para tipificar o crime do art. 291 do CP, basta que o 
agente detenha a posse de petrechos destinados à falsificação de moeda, sendo prescindível que 
o maquinário seja de uso exclusivo para esse fim. 
O art. 291 do Código Penal tipifica, entre outras condutas, a posse ou guarda de maquinismo, aparelho, 
instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda. 
A expressão “especialmente destinado” não diz respeito a uma característica intrínseca ou inerente do 
objeto. Se assim fosse, só o maquinário exclusivamente voltado para a fabricação ou falsificação de 
moedas consubstanciaria o crime, o que implicaria a absoluta inviabilidade de sua consumação (crime 
impossível), pois nem mesmo o maquinário e insumos utilizados pela Casa de Moeda são direcionados 
exclusivamente para a fabricação de moeda. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
127 
 
 
 
A dicção legal está relacionada ao uso que o agente pretende dar ao objeto, ou seja, a consumação 
depende da análise do elemento subjetivo do tipo (dolo), de modo que, se o agente detém a posse de 
impressora, ainda que manufaturada visando ao uso doméstico, mas com o propósito de a utilizar 
precipuamente para contrafação de moeda, incorre no referido crime. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.758.958-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 11/09/2018 (Info 
633). 
 
Emissão de título ao portador sem permissão legal 
Art. 292 - EMITIR, sem permissão legal, nota, bilhete, ficha, vale ou título que contenha promessa de 
pagamento em dinheiro ao portador ou a que falte indicação do nome da pessoa a quem deva ser pago: 
Pena - detenção, de um a seis meses, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - Quem recebe ou utiliza como dinheiro qualquer dos documentos referidos neste 
artigo incorre na pena de detenção, de quinze dias a três meses, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
CAPÍTULO II 
DA FALSIDADE DE TÍTULOS E OUTROS PAPÉIS PÚBLICOS 
Falsificação de papéis públicos 
Art. 293 - FALSIFICAR, fabricando-os ou alterando-os: 
I – selo destinado a controle tributário, papel selado ou qualquer papel de emissão legal destinado à 
arrecadação de tributo; 
II - papel de crédito público que não seja moeda de curso legal; 
III - vale postal; 
IV - cautela de penhor, caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro estabelecimento mantido 
por entidade de direito público; 
V - talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro documento relativo a arrecadação de rendas públicas ou 
a depósito ou caução por que o poder público seja responsável; 
VI - bilhete, passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada pela União, por Estado ou por 
Município: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, E multa. 
§ 1o Incorre na mesma pena quem: 
I – usa, guarda, possui ou detém qualquerdos papéis falsificados a que se refere este artigo; 
II – importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda, fornece ou restitui à circulação selo 
falsificado destinado a controle tributário; 
III – importa, exporta, adquire, vende, expõe à venda, mantém em depósito, guarda, troca, cede, empresta, 
fornece, porta ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade 
comercial ou industrial, produto ou mercadoria: 
a) em que tenha sido aplicado selo que se destine a controle tributário, falsificado; 
b) sem selo oficial, nos casos em que a legislação tributária determina a obrigatoriedade de sua aplicação. 
§ 2º - SUPRIMIR, em qualquer desses papéis, quando legítimos, com o fim de torná-los novamente 
utilizáveis, carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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§ 3º - Incorre na mesma pena quem usa, depois de alterado, qualquer dos papéis a que se refere o 
parágrafo anterior. 
§ 4º - Quem usa ou restitui à circulação, embora recibo de boa-fé, qualquer dos papéis falsificados ou 
alterados, a que se referem este artigo e o seu § 2º, depois de conhecer a falsidade ou alteração, incorre 
na pena de detenção, de seis meses a dois anos, OU multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 5o EQUIPARA-SE a atividade comercial, para os fins do inciso III do § 1o, qualquer forma de comércio 
irregular ou clandestino, inclusive o exercido em vias, praças ou outros logradouros públicos e em 
residências. 
 
Petrechos de falsificação 
Art. 294 - Fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guardar objeto especialmente destinado à falsificação 
de qualquer dos papéis referidos no artigo anterior: 
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Art. 295 - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, AUMENTA-
SE a pena de sexta parte. 
 
CAPÍTULO III 
DA FALSIDADE DOCUMENTAL 
Falsificação do selo ou sinal público 
Art. 296 - FALSIFICAR, fabricando-os ou alterando-os: 
I - selo público destinado a autenticar atos oficiais da União, de Estado ou de Município; 
II - selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público, ou a autoridade, ou sinal público de 
tabelião: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, E multa. 
§ 1º - Incorre nas mesmas penas: 
I - quem faz uso do selo ou sinal falsificado; 
II - quem utiliza indevidamente o selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de outrem ou em proveito 
próprio ou alheio. 
III - quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou quaisquer outros símbolos 
utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública. 
§ 2º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, AUMENTA-SE 
a pena de sexta parte. 
 
Falsificação de documento público 
Art. 297 - FALSIFICAR, no todo ou em parte, DOCUMENTO PÚBLICO, ou ALTERAR DOCUMENTO 
PÚBLICO VERDADEIRO: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. 
Obs.: A falsificação de documento é também chamada de falsidade material. 
- Tentativa: É cabível, apesar de ser um crime formal. 
§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, AUMENTA-SE 
a pena de sexta parte. 
§ 2º - Para os efeitos penais, EQUIPARAM-SE a DOCUMENTO PÚBLICO o emanado de entidade 
paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os 
livros mercantis e o testamento particular. 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
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§ 3o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: 
I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a 
previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; 
II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito 
perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; 
III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa 
perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. 
§ 4o Nas mesmas penas incorre quem OMITE, nos documentos mencionados no § 3o, nome do 
segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação 
de serviços. 
#INFO 
De quem é a competência para julgar o crime de omissão de anotação de vínculo empregatício 
na CTPS (art. 297, § 4º, do CP)? 
• STJ: Justiça FEDERAL. 3ª Seção. CC 135.200-SP, Rel. originário Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão 
Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 22/10/2014 (Info 554). 
Obs.: Com esse entendimento, o STJ contrária a sua própria súmula nº 62 (deve ser cancelada em 
breve). 
• 1ª Turma do STF: Justiça ESTADUAL. 1ª Turma. Ag.Reg. na Pet 5084, Rel. Min. Marco Aurélio, 
julgado em 24/11/2015. 
 
Falsificação de documento particular 
Art. 298 - FALSIFICAR, no todo ou em parte, DOCUMENTO PARTICULAR ou ALTERAR DOCUMENTO 
PARTICULAR VERDADEIRO: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Falsificação de cartão 
Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, EQUIPARA-SE a DOCUMENTO PARTICULAR o cartão 
de crédito ou débito. 
 
Falsidade ideológica 
Art. 299 - OMITIR, em DOCUMENTO PÚBLICO ou PARTICULAR, declaração que dele devia constar, 
ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, COM O FIM DE 
PREJUDICAR direito, CRIAR obrigação ou ALTERAR a verdade sobre fato juridicamente relevante: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, E multa, se o documento é público, e reclusão de um a três 
anos, E multa, se o documento é particular. 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Exige a finalidade específica de PREJUDICAR direito, CRIAR obrigação ou ALTERAR a verdade sobre 
fato juridicamente relevante. 
Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou 
se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, AUMENTA-SE a pena de sexta parte. 
#INFO 
- Inserir informação falsa em currículo Lattes não configura crime de falsidade ideológica. 
Não é típica a conduta de inserir, em currículo Lattes, dado que não condiz com a realidade. Isso não 
configura falsidade ideológica (art. 299 do CP). 
STJ. 6ª Turma. RHC 81.451-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 22/8/2017 
(Info 610). 
 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
130 
 
 
 
Falso reconhecimento de firma ou letra 
Art. 300 - RECONHECER, como verdadeira, no exercício de função pública, firma ou letra que o não 
seja: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, E multa, se o documento é público; e de um a três anos, E multa, 
se o documento é particular. 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Crime próprio. 
 
Certidão ou atestado ideologicamente falso 
Art. 301 - ATESTAR ou CERTIFICAR FALSAMENTE, EM RAZÃO DE FUNÇÃO PÚBLICA, fato ou 
circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter 
público, ou qualquer outra vantagem: 
Pena - detenção, de dois meses a um ano. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Falsidade material de atestado ou certidão 
§ 1º - FALSIFICAR, no todo ou em parte, atestado ou certidão, ou ALTERAR o teor de certidão ou de 
atestado verdadeiro, para prova de fato ou circunstância que habilitealguém a obter cargo público, 
isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem: 
Pena - detenção, de três meses a dois anos. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 2º - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se, além da pena privativa de liberdade, a de 
multa. 
 
Falsidade de atestado médico 
Art. 302 - DAR o médico, no exercício da sua profissão, ATESTADO FALSO: 
Pena - detenção, de um mês a um ano. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa. 
 
Reprodução ou adulteração de selo ou peça filatélica 
Art. 303 - Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica que tenha valor para coleção, salvo quando a 
reprodução ou a alteração está visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou peça: 
Pena - detenção, de um a três anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - Na mesma pena incorre quem, para fins de comércio, FAZ USO do selo ou peça 
filatélica. 
 
Uso de documento falso 
Art. 304 - FAZER USO de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 
a 302: 
Pena - a cominada à falsificação ou à alteração. 
- Súmula nº 104, STJ: “Compete a Justiça Estadual o processo e julgamento dos crimes de falsificação 
e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino.” 
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- Súmula nº 546, STJ: “A competência para processar e julgar o crime de uso de documento falso é 
firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o documento público, não importando 
a qualificação do órgão expedidor.” 
 
Supressão de documento 
Art. 305 - DESTRUIR, SUPRIMIR ou OCULTAR, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo 
alheio, documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, se o documento é público, e reclusão, de um a cinco 
anos, e multa, se o documento é particular. 
- Quanto ao documento particular → Cabe suspensão condicional do processo. 
 
CAPÍTULO IV 
DE OUTRAS FALSIDADES 
Falsificação do sinal empregado no contraste de metal precioso ou na fiscalização alfandegária, ou 
para outros fins 
Art. 306 - Falsificar, fabricando-o ou alterando-o, marca ou sinal empregado pelo poder público no 
contraste de metal precioso ou na fiscalização alfandegária, ou usar marca ou sinal dessa natureza, 
falsificado por outrem: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, E multa. 
Parágrafo único - Se a marca ou sinal falsificado é o que usa a autoridade pública para o fim de fiscalização 
sanitária, ou para autenticar ou encerrar determinados objetos, ou comprovar o cumprimento de 
formalidade legal: 
Pena - reclusão ou detenção, de um a três anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Falsa identidade 
Art. 307 - ATRIBUIR-SE ou ATRIBUIR A TERCEIRO falsa identidade para obter vantagem, em proveito 
próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, OU multa, se o fato não constitui elemento de crime mais 
grave. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
- Súmula nº 522, STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, 
ainda que em situação de alegada autodefesa. 
 
Art. 308 - Usar, como próprio, passaporte, título de eleitor, caderneta de reservista ou qualquer 
documento de identidade alheia ou ceder a outrem, para que dele se utilize, documento dessa natureza, 
próprio ou de terceiro: 
Pena - detenção, de quatro meses a dois anos, E multa, se o fato não constitui elemento de crime mais 
grave. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Fraude de lei sobre estrangeiro 
Art. 309 - Usar o estrangeiro, para entrar ou permanecer no território nacional, nome que não é o seu: 
Pena - detenção, de um a três anos, E multa. 
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- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único - Atribuir a estrangeiro falsa qualidade para promover-lhe a entrada em território 
nacional: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Art. 310 - Prestar-se a figurar como proprietário ou possuidor de ação, título ou valor pertencente a 
estrangeiro, nos casos em que a este é vedada por lei a propriedade ou a posse de tais bens: 
Pena - detenção, de seis meses a três anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
 
Adulteração de sinal identificador de veículo automotor 
Art. 311 - ADULTERAR ou REMARCAR número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo 
automotor, de seu componente ou equipamento: 
Pena - reclusão, de três a seis anos, E multa. 
Segundo a jurisprudência atual do STJ e do STF, a conduta de colocar uma fita adesiva ou isolante 
para alterar o número ou as letras da placa do carro e, assim, evitar multas, pedágio, rodízio etc, 
configura o delito do art. 311 do CP. 
STF. 2ª Turma. RHC 116371/DF, rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/8/2013. 
§ 1º - Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão dela, a pena é 
AUMENTADA de um terço. 
§ 2º - Incorre nas mesmas penas o funcionário público que contribui para o licenciamento ou registro 
do veículo remarcado ou adulterado, fornecendo indevidamente material ou informação oficial. 
 
CAPÍTULO V 
DAS FRAUDES EM CERTAMES DE INTERESSE PÚBLICO 
Fraudes em certames de interesse público 
Art. 311-A. UTILIZAR ou DIVULGAR, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de 
comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de: 
I - concurso público; 
II - avaliação ou exame públicos; 
III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou 
IV - exame ou processo seletivo previstos em lei: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem PERMITE ou FACILITA, por qualquer meio, o acesso de pessoas 
NÃO AUTORIZADAS às informações mencionadas no caput. 
§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à administração pública: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, E multa. 
§ 3o AUMENTA-SE a pena de 1/3 (um terço) se o fato é cometido por funcionário público. 
 
TÍTULO XI 
DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
 
CAPÍTULO I 
DOS CRIMES PRATICADOS 
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133 
 
 
 
POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO 
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL 
CRIME FUNCIONAL (DELICTA IN OFFICIO) 
É aquele cometido por funcionário público. 
PRÓPRIO IMPRÓPRIO 
É aquele que afastada a qualidade de funcionário 
público, o fato será atípico. 
Ex.: Prevaricação (art. 319, CP). 
Aquele que afastada a qualidade de funcionário 
público, o fato poderá configurar outro crime. 
Ex.: Peculato (art. 312, CP). Poderá caracterizar Furto 
(art. 155, CP). 
 
- Súmula nº 599, STJ: “O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração 
pública.” 
 
Peculato 
PECULATO – ESPÉCIES 
Apropriação ou Próprio 
(art. 312, caput) 
O agente apropria-se de dinheiro, valor ou bem móvel de que tem a 
posse. 
Desvio ou Próprio 
(art. 312, caput) 
O agente desvia dinheiro, valor ou bem móvel de que tem a posse. 
Furto ou Impróprio 
(art. 312, § 1°) 
O agente subtraí ou concorre dolosamente para a subtração de dinheiro, 
valor oubem móvel de que não tem a posse. 
Culposo 
(art. 312, §2°) 
O agente concorre culposamente para o crime de outrem, tendo ou não 
a posse de dinheiro, valor ou bem móvel. 
Estelionato ou Mediante 
Erro de Outrem 
(art. 313) 
O agente apropria-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício 
do cargo, recebeu por erro de outrem, de onde tem a posse. 
Eletrônico ou Inserção de 
Dados Falsos 
(art. 313-A) 
O agente modifica indevidamente os dados dos sistemas informatizados 
da Administração Pública, de que tem acesso ao sistema. 
Eletrônico ou Modificaçaõ 
de Sistema 
(art. 313-B) 
O agente modifica indevidamente o próprio sistema de informações ou 
programa de informática, de que não tem acesso ao sistema. 
Malservação 
(doutrina) 
O agente apropria-se de dinheiro, valor ou bem móvel pertencente a 
particular. 
Art. 312 - APROPRIAR-SE (PECULATO-APROPRIAÇÃO) o funcionário público de dinheiro, valor ou 
qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou DESVIÁ-
LO (PECULATO-DESVIO), em proveito próprio ou alheio: (PECULATO PRÓPRIO) 
Pena - reclusão, de dois a doze anos, E multa. 
#INFO 
- NÃO se admite princípio da insignificância para o crime de peculato. 
É pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de não ser possível a aplicação do princípio da 
insignificância ao crime de peculato e aos demais delitos contra Administração Pública, pois o 
bem jurídico tutelado pelo tipo penal incriminador é a moralidade administrativa, insuscetível de 
valoração econômica. 
(HC 310.458/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, 5ª TURMA, j. em 06/10/2016, DJe 26/10/2016). 
 
DANIELLY ALVES DE LIMA - 034.791.761-51 
134 
 
 
 
- Empréstimos consignados retidos pelo Município e dinheiro utilizado para pagamento de 
despesas da Administração, sem repasse ao banco mutuante. 
Diversos servidores municipais tinham empréstimos consignados cujos valores eram descontados da 
folha de pagamento. O Prefeito ordenou que fosse feita a retenção, mas que tais valores não fossem 
repassados à instituição e sim gastos com o pagamento de despesas do Município. Isso foi feito no 
último ano do mandato do Prefeito, quando não havia mais recursos para pagar o banco, o que só foi 
feito no mandato seguinte. 
O STF entendeu que, nesta situação, restou configurada a prática de dois delitos: arts. 312 e 359-C do 
Código Penal. 
STF. 1ª Turma. AP 916/AP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/5/2016 (Info 826). 
 
- Depositário judicial que vende os bens não pratica peculato. 
O depositário judicial que vende os bens sob sua guarda não comete o crime de peculato (art. 312 do 
CP). 
O crime de peculato exige, para a sua consumação, que o funcionário público se aproprie de dinheiro, 
valor ou outro bem móvel em virtude do “cargo”. 
Depositário judicial não é funcionário público para fins penais, porque não ocupa cargo público, mas a 
ele é atribuído um munus, pelo juízo, em razão do fato de que determinados bens ficam sob sua guarda 
e zelo. 
STJ. 6ª Turma. HC 402.949-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018 
(Info 623). 
Obs.: vale ressaltar que o STJ decidiu apenas que a conduta do depositário judicial que vende os bens 
sob sua guarda não comete o crime de peculato, pois não é funcionário público e não ocupa cargo 
público. No entanto, a depender das peculiaridades do caso concreto, a conduta pode configurar, em 
tese, os tipos penais dos arts. 168, § 1º, II, 171 ou 179 do Código Penal. 
§ 1º - APLICA-SE a mesma pena, se o funcionário público, embora NÃO TENDO a posse do dinheiro, 
valor ou bem, o SUBTRAI, ou CONCORRE para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, 
VALENDO-SE de facilidade que lhe PROPORCIONA a QUALIDADE DE FUNCIONÁRIO. (PECULATO-
FURTO OU IMPRÓPRIO) 
Peculato culposo 
§ 2º - Se o funcionário CONCORRE culposamente para o crime de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
- Peculato culposo é o ÚNICO crime culposo contra a Administração Pública. 
§ 3º - No caso do parágrafo anterior (PECULATO CULPOSO), A REPARAÇÃO DO DANO, se precede à 
sentença irrecorrível, EXTINGUE A PUNIBILIDADE; se lhe é posterior, REDUZ DE METADE A PENA 
IMPOSTA. 
PECULATO CULPOSO – REPARAÇÃO DO DANO 
ANTES da sentença transitada em julgado APÓS a sentença transitada em julgado 
Extinção da Punibilidade Diminuição pela metade da pena imposta 
 
Peculato mediante erro de outrem 
Art. 313 - APROPRIAR-SE de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por 
ERRO DE OUTREM: (PECULATO-ESTELIONATO) 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, E multa. 
- Cabe suspensão condicional do processo; 
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Inserção de dados falsos em sistema de informações 
Art. 313-A. INSERIR ou FACILITAR, o funcionário autorizado, A INSERÇÃO de dados falsos, alterar ou 
excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da 
Administração Pública COM O FIM de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar 
dano: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, E multa. 
 
Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informações 
Art. 313-B. MODIFICAR ou ALTERAR, o funcionário, sistema de informações ou programa de 
informática SEM AUTORIZAÇÃO OU SOLICITAÇÃO de autoridade competente: 
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, E multa. 
- IMPO: aplica-se a Lei nº 9.099/95; 
- Cabe suspensão condicional do processo. 
Parágrafo único. As penas são AUMENTADAS de um terço até a metade SE DA modificação ou 
alteração resulta dano para a Administração Pública ou para o administrado. 
PECULATO ELETRÔNICO 
Crime 
INSERÇÃO DE DADOS FALSOS EM 
SISTEMA DE INFORMAÇÕES 
(Art. 313-A, CP) 
MODIFICAÇÃO OU ALTERAÇÃO NÃO 
AUTORIZADA DE SISTEMA DE 
INFORMAÇÕES 
(Art. 313-B, CP) 
Sujeito Ativo 
Funcionário público autorizado 
(crime próprio) 
Funcionário público em sentido amplo - 
não precisa ser autorizado 
(crime próprio) 
Sujeito Passivo 
Primário → Estado; 
Secundário → Pessoa eventualmente 
prejudicada pelo comportamento do 
agente. 
Primário → Estado; 
Secundário → Pessoa eventualmente 
prejudicada pelo comportamento do 
agente. 
Objeto Jurídico 
Administração Pública, mais 
especificamente a guarda de 
dados nos sistemas informatizados 
ou banco de dados. 
Administração Pública, mais 
especificamente seus 
sistemas de informações ou programas 
de informática. 
Conduta 
Inserir ou facilitar a inserção de dados 
falsos; 
Alterar ou excluir indevidamente 
dados corretos. 
 
Nos sistemas informatizados ou 
bancos de dados. 
Modificar ou alterar 
 
Sistema de informações ou pragrama de 
informática. 
Voluntariedade 
Dolo + fim específico de obter 
vantagem indevida para si ou para 
outrem ou causar dano 
Dolo (não se exige fim específico) 
Consumação 
Prática de qualquer núcleo do tipo 
(crime formal), dispensando a 
obtenção da vantagem ou 
provocação do dano. 
Prática de qualquer núcleo do tipo (crime 
formal). 
Resultando dano (caso ocorra), a pena é 
aumentada de 1/3 até 1/2. 
Tentativa Sim, é possível Sim, é possível 
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Pena Reclusão, de 2 a 12 anos, e multa. 
Detenção, de 3 meses a 2 anos, e multa. 
(Impo: aplica-se a Lei nº 9.099/95) 
Ação Penal Pública incondicionada Pública incondicionada 
 
Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento 
Art. 314 - EXTRAVIAR

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