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Slides sobre o espectro da esquizofrenia e transtornos psicóticos: apresenta os cinco domínios do DSM‑5 (delírios, alucinações, pensamento desorganizado, comportamento motor/catatonia, sintomas negativos), descreve desorganização do pensamento, catatonia e sintomas negativos e lista os transtornos.

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ESPECTRO DA ESQUIZOFRENIA E 
OUTROS TRANSTORNOS PSICÓTICOS 
Profa. Simone Biangolino 
ESPECTRO DA ESQUIZOFRENIA E OUTROS 
TRANSTORNOS PSICÓTICOS 
 Neste grupo de processos psicopatológicos encontramos: 
 
 
 
 
 
 
 
 Esses transtornos são definidos por anormalidades em 
um ou mais dos cinco domínios a seguir: 
Esquizofrenia 
Outros Transtornos sicóticos 
Transtorno (da personalidade) esquizotípica 
 Delírios alucinações pensamento (discurso) desorganizado 
comportamento motor grosseiramente desorganizado ou anormal (incluindo catatonia) 
sintomas negativos. 
ESPECTRO DA ESQUIZOFRENIA E OUTROS 
TRANSTORNOS PSICÓTICOS 
 Esses transtornos são definidos por anormalidades em 
um ou mais dos cinco domínios a seguir: 
 
Delírios 
Alucinações 
Pensamento 
(discurso) 
desorganizado 
Comportamento 
motor 
grosseiramente 
desorganizado ou 
anormal (incluindo 
catatonia) 
Sintomas 
negativos. 
DESORGANIZAÇÃO DO PENSAMENTO 
(DISCURSO) 
 A desorganização do pensamento (transtorno do 
pensamento formal) costuma ser inferida a partir do 
discurso do indivíduo. 
 
 Este pode mudar de um tópico a outro 
(descarrilamento ou afrouxamento das associações). 
 As respostas a perguntas podem ter uma relação 
oblíqua ou não ter relação alguma (tangencialidade). 
 
 Raras vezes, o discurso pode estar tão gravemente 
desorganizado que é quase incompreensível, 
lembrando a afasia receptiva em sua desorganização 
linguística (incoerência ou "salada de palavras"). 
 Uma vez que o discurso levemente desorganizado é 
comum e inespecífico, o sintoma deve ser 
suficientemente grave a ponto de prejudicar de forma 
substancial a comunicação efetiva. 
 
 A gravidade do prejuízo pode ser de difícil avaliação 
quando a pessoa que faz o diagnóstico vem de um 
contexto linguístico diferente daquele de quem está 
sendo examinado. 
 Pode ocorrer desorganização menos grave do 
pensamento ou do discurso durante os períodos 
prodrômicos ou residuais da esquizofrenia. 
COMPORTAMENTO MOTOR GROSSEIRAMENTE 
DESORGANIZADO OU ANORMAL 
(INCLUINDO CATATONIA) 
 Pode se manifestar de várias formas, desde o comportamento 
"tolo e pueril" até a agitação imprevisível. 
 
 
 
 
 
 
 Os problemas podem ser observados em qualquer forma de 
comportamento dirigido a um objetivo, levando a dificuldades 
na realização das atividades cotidianas. 
 Comportamento catatônico é uma redução acentuada 
na reatividade ao ambiente. 
Varia da resistência a instruções (negativismo), passando por 
manutenção de postura rígida, inapropriada ou bizarra, até a falta total 
de respostas verbais e motoras (mutismo e estupor) 
Pode, ainda, incluir atividade motora sem propósito e excessiva 
sem causa óbvia (excitação catatônica). 
Outras características incluem movimentos estereotipados repetidos, 
olhar fixo, caretas, mutismo e eco da fala. 
 Ainda que a catatonia seja historicamente associada à 
esquizofrenia, os sintomas catatônicos são inespecíficos, 
podendo ocorrer em outros transtornos mentais (p. ex., 
transtornos bipolar ou depressivo com catatonia) e em 
condições médicas (transtorno catatônico devido a outra 
condição médica). 
SINTOMAS NEGATIVOS 
 Respondem por uma porção substancial da morbidade 
associada à esquizofrenia, embora sejam menos 
proeminentes em outros transtornos psicóticos. 
 
 
 
 
 
 
 
 Dois sintomas negativos são especialmente proeminentes 
na esquizofrenia: expressão emocional diminuída e 
avolia. 
 Expressão emocional diminuída inclui reduções na 
expressão de emoções pelo rosto, no contato visual, na 
entonação da fala (prosódia) e nos movimentos das 
mãos, da cabeça e da face, os quais normalmente 
conferem ênfase emocional ao discurso. 
 
 
 
 
 
 
 
 A avolia é uma redução em atividades motivadas, 
autoiniciadas e com uma finalidade. 
 A pessoa pode ficar sentada por períodos longos e 
mostrar pouco interesse em participar de atividades 
profissionais ou sociais. 
 
 Outros sintomas negativos incluem alogia, anedonia e 
falta de sociabilidade. 
 A alogia é manifestada por produção diminuída do discurso. 
A anedonia é a capacidade reduzida de ter prazer resultante de 
estímulos positivos, ou degradação na lembrança do prazer 
anteriormente vivido. 
A falta de sociabilidade refere-se à aparente ausência de interesse 
em interações sociais, podendo estar associada à avolia, embora 
possa ser uma manifestação de oportunidades limitadas de interações 
sociais. 
Espectro da esquizofrenia e outros 
Transtornos Psicóticos 
DSM - V 
TRANSTORNO 
DA 
PERSONALIDAD
E 
ESQUIZOTÍPICA 
TRANSTORNO 
DELIRANTE 
 
TRANSTORNO 
PSICÓTICO 
BREVE 
 
TRANSTORNO 
ESQUIZOFRENI
FORME 
ESQUIZO 
FRENIA 
 TRANSTORNO 
ESQUIZOAFETI
VO 
 
TRANSTORNO 
PSICÓTICO 
INDUZIDO POR 
SUBSTÂNCIA 
MEDICAMENTO 
TRANSTORNO 
PSICÓTICO 
DEVIDO A 
OUTRA 
CONDIÇÃO 
MÉDICA 
PSICOSE 
 A psicose, de acordo com alguns autores, é uma doença 
mental caracterizada pela distorção do senso de realidade, 
uma inadequação e falta de harmonia entre o pensamento 
e a afetividade. 
 
 De acordo com E. Uchôa, a importância de fatores como a 
constituição, temperamento, caráter, peculiaridades 
de ordem tipológica, experiências anteriormente 
vividas e ambiente familiar e/ou social na formação e 
estruturação das psicoses. 
 
 A articulação desta causalidade múltipla nas psicoses tem 
sido objeto de atenção constante dos pesquisadores em 
psicopatologia e tem resultado em discussões intermináveis 
entre as mais diversas escolas do pensamento psicológico 
TENTATIVAS DE EXPLICAÇÕES 
 Sociogênese: a sociedade complexa e exigente é a 
responsável exclusiva pelo enlouquecimento humano. 
 Organogênese: os elementos orgânicos da função 
cerebral seriam os responsáveis absolutos pelo adoecer 
psíquico. 
 Psicogênese: a dinâmica psíquica é responsável 
exclusiva pela doença e as disposições constitucionais 
pessoais pouco importam. 
 Organodinâmica: compatibiliza os três anteriores 
num enfoque bio-psico-social. 
 Tem sido quase unanimemente aceito na psiquiatria 
clínica a associação de determinadas configurações de 
personalidade predispostas e a eclosão de psicoses. 
 Trata-se de constituições de personalidades 
problemáticas que, por si só, acabam transtornando a 
vida do indivíduo, incapacitando um desenvolvimento 
pleno e, ainda, em certas circunstâncias, encerrando 
uma maior aptidão para o desenvolvimento de 
determinadas doenças psíquicas. 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS TTPP 
Grupo A: “estranhos ou excêntricos” 
 - Transtorno da personalidade paranóide 
 - Transtorno da personalidade esquizóide 
 - Transtorno da personalidade esquizotípica 
 
Grupo B: “teatrais, volúveis ou impulsivos” 
 - Transtorno da personalidade histriônica 
 - Transtorno da personalidade narcisista 
 - Transtorno da personalidade anti-social 
 - Transtorno da personalidade boderline 
 
Grupo C: “ ansiosos” ou “temerosos” 
 - Transtorno da personalidade esquiva 
 - Transtorno da personalidade dependente 
 - Transtorno da personalidade obsessivo-compulsivo 
 
Transtorno de personalidade não especificados 
 - Transtorno da personalidade passivo-agressiva 
 - Transtorno da personalidade depressiva 
 
Transtornos incluídos no apêndice do DSM-III-R, mas eliminados do DSM-IV 
 - Transtorno da personalidade autodestrutiva 
 - Transtornoda personalidade sádica 
GRUPO A 
Paranóide, esquizóide, 
esquizotípico 
GRUPO B 
Anti-social, boderline, 
histriônico e narcisista 
GRUPO C 
Esquiva, dependente e 
obsessiva-compulsiva 
POSSUEM 
CARACTERÍSTICAS 
COMUNS SEMELHANTES 
AOS SINTOMAS 
PSICÓTICOS DA 
ESQUIZOFRENIA. 
APRESENTAM 
COMPORTAMENTOS 
DESCRITOS COMO 
“DRAMÁTICOS”, 
“EMOTIVOS” OU 
“IMPREVISÍVEIS. AS 
DEMOSTRAÇÕES, NESTE 
GRUPO DE 
TRANSTORNO, 
COSTUMAM SER 
EXAGERADAS. 
PARTILHAM 
CARACTERÍSTICAS 
COMUNS COM 
PORTADORES DE 
TRANSTORNOS DA 
ANSIEDADE. NESTE 
SENTIDO, PODEM SER 
DESCRITOS COMO 
TRANSTORNOS DA 
PERSONALIDADE 
“ANSIOSA” OU 
“AMEDRONTADA” 
 Perfis de características dos Transtornos de Personalidade 
TRANSTORNO 
DE 
PERSONALIDA
DE 
VISÃO DO SELF VISÃO DOS 
OUTROS 
PRINCIPAIS CRENÇAS ESTRATÉGIAS 
HIPERDESENVOLVI
DA 
EVITATIVO Inapto socialmente 
Incompetente 
Vulnerável (à 
depreciação, 
rejeição, 
reprovação) 
Críticos 
Superiores 
Cruéis 
Exigentes 
Se conhecerem meu 
verdadeiro eu, serei rejeitada. 
Sentimentos desagradáveis 
são insuportáveis. 
É terrível ser rejeitada. 
Evitar avaliações 
Evitar sentimentos e 
pensamentos 
desagradáveis 
DEPENDENTE Necessitada 
Fraca 
Desamparada 
Incompetente 
Carente 
Frágil 
(Idealizada) 
Provedores 
Suportivas 
Apoiadores 
Competentes 
Preciso de pessoas fortes para 
viver e ser feliz. 
Preciso de um fluxo contínuo 
de apoio e encorajamento 
Cultivar relações de 
dependência. 
Buscar ajuda 
Apoiar-se 
PASSIVO-
AGRESSIVO 
Auto-suficiente 
Vulnerável à 
interferência, ao 
controle 
Intrusivos 
Cobradores 
Controladores 
Dominadores 
Exigentes 
Interferentes 
Tenho que fazer as coisas do 
meu jeito. 
Tenho que defender minha 
liberdade a qualquer custo. 
O controle de outros é 
intolerável 
Resistência passiva 
Circundar regras 
Submissão superficial 
Autonomia 
Sabotagem 
NARCISISTA Especial 
Superior[Único 
Solar 
Admiradores 
Inferiores 
Estou acima de regras. 
Mereço regras especiais. 
Transcender regras 
Competitividade 
Usar os outros 
Auto-engrandecimento 
ANTI-SOCIAL Solitário 
Autônomo 
Forte 
Esperto 
Vulneráveis 
Exploráveis 
Otários 
Regras não são para mim. 
O negócio é levar vantagem 
em tudo. 
Enganar 
Manipular 
Atacar 
Roubar 
PARANÓIDE Correto 
Inocente 
Nobre 
Vulnerável 
Interferentes 
\maliciosos 
Discriminadores 
Abusadores 
Esteja em guarda. 
Motivos são suspeitos 
Desconfie. 
Procurar motivos 
subjacentes 
Acusar 
Desconfiar 
Suspeitar 
OBSESSIVO-
COMPULSIVO 
Responsável 
Confiante 
Competente 
Meticuloso 
Irresponsáveis 
Incompetentes 
Casuais 
Auto-
indulgentes 
Eu sei o que é melhor. 
Detalhes são cruciais. 
As pessoas deveriam esforçar-
se mais 
Aplicar regras 
Perfeccionismo 
Avaliar 
Controlar 
“Deverias” 
Criticar 
Punir 
HISTRIÔNICO Glamourosa 
Cativante 
Seduzíveis 
Receptivos 
Admiradores 
Preciso impressionar. 
As pessoas devem me admirar. 
Ninguém tem o direito de 
negar satisfação a meus justos 
desejos. 
Usar charme 
Dramatizar 
Chorar 
Gestos suicidas 
Exibicionismo 
Expressividade 
ESQUIZÓIDE Auto-suficiente 
Solitário 
Intrusivos Os outros não são 
gratificantes. 
Relações são confusas e 
indesejáveis 
Ficar longe 
Isolamento 
Autonomia 
BODERLINE Vulnerável (à 
rejeição, à traição, à 
dominação) 
Destituído (do 
apoio emocional 
necessário) 
Desamparado 
Fora de controle 
Defeituoso 
Indigno de amor 
Mau 
(idealizada) 
Poderosos 
Amorosos, 
Perfeitos 
(Desvalorizada) 
Rejeitadores 
Controladores 
Traidores 
Abandonadores 
Não consigo enfrentar as 
coisas sozinho. 
Preciso de alguém em quem 
confiar. 
Não tolero sentimentos 
desagradáveis. 
Se confiar em alguém serei 
maltratado, considerado 
insignificante e me 
abandonarão. 
A pior coisa possível seria o 
abandono. 
É impossível me controlar. 
Eu mereço ser punido 
Subjulgar as próprias 
Mostrar necessidades, 
para manter conexão. 
Protestar 
dramaticamente, 
ameaçar ou tornar-se 
punitivo em relação 
àqueles que sinalizam 
possível rejeição. 
Aliviar a tensão por 
meio da automutilação 
e do comportamento 
autodestrutivo. 
Tentar o suicídio como 
escape 
TRANSTORNO 
DE 
PERSONALIDA
DE 
VISÃO DO SELF VISÃO DOS 
OUTROS 
PRINCIPAIS CRENÇAS ESTRATÉGIAS 
HIPERDESENVOLVI
DA 
(continuação
) 
TRANSTORNO 
DE 
PERSONALIDA
DE 
VISÃO DO SELF VISÃO DOS 
OUTROS 
PRINCIPAIS CRENÇAS ESTRATÉGIAS 
HIPERDESENVOLVI
DA ESQUIZOTÍPIC
A 
Irreal 
Isolado 
Solitário 
Vulnerável 
Socialmente 
conspícuo (notável, 
eminente) 
Sobrenaturalmente 
sensível e talentoso 
(Inconfiáveis 
Malevolentes 
(Pensamento idiográfico, 
peculiar, superticioso, mágico; 
por exemplo, crenças na 
clarividência, telepatia ou 
“sexto sentido” são centrais na 
estrutura de crenças) 
Ficar atento e 
neutralizar a atenção 
malevolente dos outros. 
Ficar consigo mesmo. 
Estar vigilante quanto a 
forças ou eventos 
sobrenaturais 
 Clinicamente e a grosso modo, podemos dizer que 
as neuroses diferenciam-se das psicoses pelo 
grau de envolvimento da personalidade, 
sendo sua desorganização e desagregação muito 
mais pronunciadas nas psicoses. 
 
 
 O vínculo com a realidade é 
muito mais tênue e frágil nas 
psicoses que nas neuroses. 
 Nas psicoses, alguns aspectos da realidade 
são negados totalmente e substituídos por 
concepções particulares e peculiares que 
atendem unicamente às características da 
doença. 
 A sintomatologia psicótica se caracteriza, 
principalmente, pelas alterações a nível do 
PENSAMENTO e da AFETIVIDADE e, 
conseqüentemente, todo comportamento e toda 
performance existencial do indivíduo serão 
comprometidos. 
 
 O processo psicótico impõe ao paciente uma maneira 
patológica de representar a realidade, de elaborar 
conceitos e de relacionar-se com o mundo objectual. 
 Na psicose, a característica psicológica que 
apresenta um nível de comprometimento mais 
preocupante é o juízo da realidade apresentado pelo 
paciente. 
 
 
 A comunicação fica quase 
totalmente prejudicada, 
porque esta síndrome 
provoca a incapacidade de 
reconhecer fatos e fazer 
relações entre eles. 
 
 
 A principal alteração do juízo é caracterizada pelo 
aparecimento do delírio, onde o paciente distorce 
totalmente a realidade e acredita plenamente nas 
suas fantasias, ficando irredutível a qualquer 
tentativa de argumentação lógica. 
 
 
 
A psicose não se refere a uma 
doença específica, trata-se de 
uma síndrome, ou seja, de um 
conjunto de doenças 
diferentes, que possuem 
sinais e sintomas 
semelhantes. 
SÍNDROMES PSICÓTICAS 
(PAULO DALGALARRONDO) 
Caracterizam-se por sintomas típicos como: 
 Alucinações 
 Delírios 
 Pensamento desorganizado 
 Comportamento claramente bizarro 
 Fala e risos imotivados 
 
 Os sintomas paranóides são muito comuns como idéias delirantes e 
alucinações auditivas de conteúdo persecutório. 
 Autores de orientação psicodinâmica tendem a dar ênfase à perda de 
contato com a realidade como dimensão central da psicose 
Nesta perspectiva, o psicótico passaria a viverfora da 
realidade, sem ser regido pelo princípio de realidade, mas 
viveria predominantemente sob a égide do princípio do prazer 
e do narcisismo 
A ESQUIZOFRENIA 
é um dos quadros 
psicóticos de maior 
importância, tanto pela 
sua frequência quanto 
por sua clínica. 
 Do grego σχιζοφρενία; σχίζειν, "dividir"; e φρήν, 
"phren", "phrenés", no antigo grego, parte do 
corpo identificada por fazer a ligação entre o 
corpo e a alma, literalmente significa "diafragma” 
 
 O termo "ESQUIZOFRENIA" foi criado em 1911 
pelo psiquiatra suíço Eugen Bleuler 
significando mente dividida. Ao propor esse 
termo, Bleuler quis ressaltar a dissociação 
percebida pelo paciente entre si mesmo e a 
pessoa que ocupa seu corpo. 
 É uma doença mental que se caracteriza por uma 
desorganização ampla dos processos mentais. 
 
 É um quadro complexo apresentando sinais e 
sintomas na área do pensamento, percepção e 
emoções, causando marcados prejuízos 
ocupacionais, na vida de relações interpessoais e 
familiares. 
 
 É um transtorno psíquico severo que se 
caracteriza classicamente pelos seguintes 
sintomas: alterações do pensamento, alucinações 
(visuais, cinestésicas, e sobretudo auditivas), 
delírios e alterações no contato com a realidade. 
 
 É hoje encarada não como doença, no sentido clássico 
do termo, mas sim como um TRANSTORNO MENTAL, 
podendo atingir diversos tipos de pessoas, sem exclusão 
de grupos ou classes sociais. 
 
 De acordo com algumas estatísticas, a esquizofrenia 
atinge 1% da população mundial, manifestando-se 
habitualmente entre os 15 e os 25 anos, nos homens e 
nas mulheres, podendo igualmente ocorrer na 
infância ou na meia-idade. 
 
 Caracteriza-se essencialmente por uma fragmentação 
da estrutura básica dos processos de pensamento, 
acompanhada pela dificuldade em estabelecer a 
distinção entre experiências internas e externas. 
 
 Embora primariamente um transtorno que afeta os 
processos cognitivos[de conhecimento], seus efeitos 
repercutem-se também no comportamento e nas 
emoções. 
 
Considera-se que alguns sintomas são muito significativos para o diagnóstico 
da ESQUIZOFRENIA, particularmente aqueles que Kurt Scheneider 
denominou “sintomas de primeira ordem”. São eles: 
1. Percepção delirante: Uma percepção absolutamente normal recebe uma significação 
delirante, que ocorre simultaneamente ao ato perceptivo, como uma experiência de 
“revelação”. 
2. Alucinações auditivas características: Como as “vozes que comentam a ação” do 
paciente e as “vozes que comandam a ação” do doente. 
3. Eco do pensamento ou sonorização do pensamento: O paciente escuta seus 
pensamentos ao pensá-los 
4. Difusão do pensamento: Neste caso, o doente sente que seus pensamentos são ouvidos 
ou percebidos claramente pelos outros, no momento em que os pensa. 
5. Roubo do pensamento: Experiência na qual o indivíduo sente que seu pensamento é 
inexplicavelmente extraído de sua mente, como se fosse roubado. 
6. Vivências de influência: São várias as vivências de influência características da 
esquizofrenia, entre elas pode-se destacar, a vivência de influência sob o corpo e o 
pensamento. 
SIGNIFICAÇÃO DOS “SINTOMAS DE PRIMEIRA 
ORDEM” PARA AS SÍNDROMES PSICÓTICAS 
Os sintomas de primeira ordem indicam uma profunda 
alteração da relação eu-mundo, uma danificação radical 
das “membranas” que delimitam o eu em relação ao 
mundo, uma perda marcante da dimensão da intimidade 
 Ao sentir que algo é imposto de fora, feito à sua revelia, o doente vivencia a perda do 
controle sobre si mesmo, a invasão do mundo sobre sua intimidade. 
 
 Ao vivenciar que seus pensamentos mais íntimos são imediatamente percebidos pelas 
pessoas, verifica-se uma fusão com o mundo, um avançar terrível do mundo público sobre 
o privado, um extravasamento involuntário da experiência pessoal e interior sobre o 
mundo circundante. 
ESQUIZOFRENIA 
Entre as mais importantes definições de sintomas essenciais 
na esquizofrenia, pode-se destacar: 
 Alterações da vontade (perda do elã vital, 
negativismo, impulsividade, etc.) 
 Embotamento afetivo 
 Alterações da atenção e da compreensão 
 Transtorno do pensamento, no sentido de 
associações frouxas 
 Alucinações, especialmente auditivas 
 Sonorização do pensamento 
 Evolução deteriorante (83% dos casos), no 
sentido de um embotamento geral da 
personalidade. 
 EMIL KRAEPELIN 
 Idéias delirantes primárias, não deriváveis ou 
compreensíveis psicologicamente. 
 Humor delirante precedendo o delírio 
 Alucinações verdadeiras primárias 
 Vivências de influência, vivências do “feito” 
 Ocorrência ou intuição delirante 
 Ocorre quebra na curva existencial, 
instauram-se surtos ou o processo insidioso que 
transforma radicalmente a existência dos doentes 
 
 KARL JASPERS 
 Alterações formais do pensamento, no sentido de afrouxamento até dissociação das associações. 
 Ambivalência afetiva; afetos contraditórios vivenciados intensamente ao mesmo tempo 
 Autismo, como tendência a um isolamento psíquico global em relação ao mundo, um 
“ensimesmamento” radical 
 Dissociação ideoafetiva, desarmonia profunda entre as idéias e ao afetos. 
 Evolução muito heterogênea, podendo muitos casos apresentarem evolução benigna 
EUGEN E MANFRED BLEULER 
Percepção delirante 
Vozes que comentam a ação 
Vozes que comandam a ação 
Eco ou sonorização do pensamento 
Difusão do pensamento 
Roubo do pensamento 
Vivências de influência no plano ideativo, afetivo, volitivo e corporal 
KURT SCHNEIDER 
Alteração das funções mais básicas que dão à pessoa 
senso de individualidade, unicidade e de direção de sí 
mesmo. 
Eco, inserção, irradiação ou roubo do pensamento 
Delírios de influência, controle ou passividade 
Vozes que comentam a ação 
Delírios persistentes culturalmente inapropriados 
Alucinações persistentes de qualquer modalidade, 
sem claro conteúdo afetivo (não-catatímica) 
Intercepções ou bloqueios do pensamento 
Comportamento catatônico, com flexibilidade 
cérácea, negativismo, mutismo, etc. 
Sintomas negativos (empobrecimento afetivo, 
autonegligência, diminuição da fluência verbal, etc.) 
Alteração significativa na qualidade global do 
comportamento pessoal, perda de interesse, retração 
social. 
Os sintomas devem estar presentes por pelo menos 
um mês. 
CID-10 
Dois ou mais dos seguintes sintomas (de 1 a 5) 
devem estar presentes com duração 
significativa, por pelo menos um mês: 
1.Delírios 
2. Alucinações 
3. Discurso desorganizado 
4. Comportamento amplamente desorganizado 
ou catatônico 
5. Sintomas negativos (embotamento afetivo, 
alogia, avolição) 
6. Disfunções sociais, no trabalho e/ou no 
estudo, denotando perdas nas habilidades 
interpessoais e produtivas 
 
Duração dos sintomas principais (de 1 a 5), de 
pelo menos um mês, e do quadro deficitário 
(sintomas negativos, déficit funcional, etc.), por 
pelo menos seis meses) 
 
DSM-IV 
SUBTIPOS DE ESQUIZOFRENIA 
(DALGALARRONDO) 
Distingue-se classicamente quatro subtipos de esquizofrenia 
 Paranóide 
 Catatônica 
 Hebefrênica 
 Simples 
Forma Paranóide: caracteriza-se por alucinações e idéias delirantes, principalmente de 
conteúdo persecutório. 
Forma catatônica: marcada por alterações motoras, hipertonia, flexibilidade cerácea e 
alterações da vontade, como negativismo, mutismo e impulsividade. 
Forma Hebefrênica: caracterizada por um pensamento desorganizado, comportamento 
bizarro e afeto pueril. 
Simples: Apesar de faltarem sintomas característicos,observa-se um lento e progressivo 
empobrecimento psíquico e comportamental, com autonegligência, empobrecimento 
afetivo e distanciamento social. 
As DOENÇAS AFETIVAS, 
que se caracterizam por fases 
de depressão e mania, podem 
também se apresentar como 
quadros psicóticos, 
apresentando os conteúdos 
afetivos da doença como 
características do delírio. 
 A fase depressiva apresenta delírios de ruína, de 
culpa, prejuízo, morte, o paciente se sente responsável 
por grandes catástrofes mundiais, por guerras e 
desastres. 
 
 Na fase maníaca os delírios são de grandeza ou de 
poder. 
 
 Os quadros psicóticos são caracterizados também por 
visões de situações fúnebres, por depressão, a pessoa 
pode chorar muito e ouvir vozes que podem ser de 
comando ou podem estar chamando pessoas que já 
morreram, além de outros delírios. 
 
 A psicose pode aparecer em qualquer fase da vida.

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