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2 
 
SUMÁRIO 
1 A ARTE ....................................................................................................... 3 
1.1 Arte nas Imagens do Cotidiano ......................................................... 6 
1.2 A Beleza, o Feio e o Gosto ................................................................ 8 
1.3 Artes Liberais ................................................................................... 10 
1.4 Arte Contemporânea ........................................................................ 11 
2 ARTE ERUDITA, ARTE POPULAR E ARTE DE MASSA ....................... 13 
3 TÉCNICAS E MATERIAIS ARTÍSTICOS E EXPRESSIVOS NAS ARTES 
VISUAIS 20 
3.1 Desenho ............................................................................................ 20 
3.2 Gravura .............................................................................................. 24 
3.3 Pintura ............................................................................................... 26 
3.4 Colagem ............................................................................................ 39 
3.5 Escultura ........................................................................................... 42 
3.6 Arquitetura ........................................................................................ 44 
3.7 Fotografia Artística........................................................................... 46 
4 BIBLIOGRAFIA BÁSICA ......................................................................... 46 
 
 
 
 
3 
 
1 A ARTE 
 
Fonte: www.jornaldafotografia.com.br 
A frente de Poéticas Visuais se forma a partir da necessidade do Circuito Fora 
do Eixo de qualificar e ampliar sua produção visual. Inicia-se em 2009 o processo de 
elaboração da frente a partir da formação do núcleo de design, criado inicialmente 
para suprir a demanda de peças gráficas do próprio circuito. Em 2010 amplia seu 
leque de atuação para suprir também a necessidade de expressão e representação 
dos designers e artistas envolvidos na rede, incorporando também outras linguagens 
visuais. A fotografia soma-se à frente em movimento de natural expansão, firmando 
suas práticas a partir de 2011, ligando-se ao tripé que hoje forma a Poéticas Visuais 
– fotografia, design e arte urbana. 
Para existir a arte são precisos três elementos: o artista, o observador e a 
obra de arte. O primeiro elemento é o artista, aquele que cria a obra, partindo do seu 
conhecimento concreto, abstrato e individual transmitindo e expressando suas ideias, 
sentimentos, emoções em um objeto artístico (pintura, escultura, desenho etc.) que 
 
 
4 
 
simbolize esses conceitos. Para criar a obra o artista necessita conhecer e 
experimentar os materiais com que trabalha, quais as técnicas que melhor se 
encaixam à sua proposta de arte e como expor seu conhecimento de maneira formal 
no objeto artístico. 
O outro elemento é o observador, que faz parte do público que tem o contato 
com a obra, partindo num caminho inverso ao do artista – observa a obra para chegar 
ao conhecimento de mundo que ela contém. Para isso o observador precisa de 
sensibilidade, disponibilidade para entendê-la e algum conhecimento de história e 
história da arte, assim poderá entender o contexto em que a obra foi produzida e fazer 
relação com o seu próprio contexto. 
Por fim, a obra de arte ou o objeto artístico, faz parte de todo o processo, 
indo da criação do artista até o entendimento e apreciação do observador. A obra de 
arte guarda um fim em si mesma sem precisar de um complemento ou “tradução”, 
desde que isso não faça parte da proposta do artista. 
Dentre os possíveis e variados conceitos que a arte pode ter podemos sintetizá-
los do seguinte modo – a arte é uma experiência humana de conhecimento 
estético que transmite e expressa ideias e emoções na forma de um objeto 
artístico (desenho, pintura, escultura, arquitetura etc.) e que possui em si o seu 
próprio valor. Portanto, para apreciarmos a arte é necessário aprender sobre ela. 
Aprender a observar, a analisar, a refletir, a criticar e a emitir opiniões fundamentadas 
sobre gostos, estilos, materiais e modos diferentes de fazer arte. 
Uma tela pintada na Europa no séc. XIX pode não ter o mesmo valor artístico 
para uma comunidade indígena ou para uma sociedade africana que conservem seus 
valores e tradições originais. Por que isso pode acontecer se a arte é universal? Para 
esses grupos étnicos os significados da arte como a entendemos podem não ser os 
mesmos por não pertencerem ao contexto em que eles vivem. Cada sociedade possui 
seus próprios valores morais, religiosos, artísticos entre outros. Isso forma o que 
chamamos de cultura de um povo. Mas uma cultura não fica isolada e sofre influências 
de outras, portanto, nenhuma cultura é estática e sim dinâmica e mutável. A arte, ao 
longo dos tempos, tem se manifestado de modos e finalidades diversas. Na 
Antiguidade, em diferentes lugares a arte era vislumbrada em manifestações e formas 
variadas – na Grécia, no Egito, na Índia, na Mesopotâmia... Os grupos sociais veem 
a arte de um modo diferente, cada qual segundo a sua função. 
 
 
5 
 
Nas sociedades indígenas e africanas originais, por exemplo, a arte não era 
separada do convívio do dia-a-dia, mas presente nas vestimentas, nas pinturas, nos 
artefatos, na relação com o natural e o sobrenatural, onde cada membro da 
comunidade podia exercer uma função artística. Somente no séc. XX a arte foi 
reconhecida e valorizada por si, como objeto que possibilita uma experiência de 
conhecimento estético. Ao longo da história da arte podemos distinguir três funções 
principais para a arte – a pragmática ou utilitária, a naturalista e a formalista. 
 Pela ação da tecnologia, ao nível do seu desempenho, o indivíduo passou a 
ser mais um elemento disponível na panóplia de elementos que integram a raiz da 
constituição das obras de arte. A sua importância deixou de ser meramente vista como 
pertencendo ao mundo da finalização/destino da arte - a obra passou a integrá-lo de 
um ponto de visto diferente, o seu papel deixou de ser passivo e passou a ser ativo. 
Através do design das interfaces dos computadores, iniciado em 1960 por J. C. R. 
Licklider, podemos facilmente perceber como a barreira da comunicação entre o 
indivíduo e máquina necessita de compreender uma linguagem que utilize no seu 
espectro uma metalinguagem, uma convergência de ambos os lados, "seja onde for 
que o computador esteja, o design de interface mais eficaz resultará da combinação 
das forças da riqueza sensorial a da inteligência da máquina" 
• Função pragmática ou utilitária: a arte serve como meio para se alcançar 
um fim não artístico, não sendo valorizada por si mesma, mas pela sua finalidade. 
Segundo este ponto de vista a arte pode estar a serviço para finalidades pedagógicas, 
religiosas, políticas ou sociais. Não interessa aqui se a obra tem ou não qualidade 
estética, mas se a obra cumpre seu papel moral de atingir a finalidade a que ela se 
prestou. Uma cultura pode ser chamada pragmática quando o comportamento, as 
produções intelectuais ou artísticas de um povo são determinadas por sua utilidade. 
• Função naturalista: o que interessa é a representação da realidade ou da 
imaginação o mais natural possível para que o conteúdo possa ser identificado e 
compreendido pelo observador. A obra de arte naturalista mostra uma realidade que 
está fora dela retratando objetos, pessoas ou lugares. Para a função naturalista o que 
importa é a correta representação (perfeição da técnica) para que possamos 
reconhecer a imagem retratada; a qualidade de representar o assunto por inteiro; e o 
vigor, isto é, opoder de transmitir de maneira convincente o assunto para o 
observador. 
 
 
6 
 
• Função formalista: atribui maior qualidade na forma de apresentação da obra 
preocupando-se com seus significados e motivos estéticos. A função formalista 
trabalha com os princípios que determinam a organização da imagem – os elementos 
e a composição da imagem. Com o formalismo nas obras, o estudo e entendimento 
da arte passaram a ter um caráter menos ligado às duas funções anteriores 
importando-se mais em transmitir e expressar ideias e emoções através de objetos 
artísticos. Foi só a partir do séc. XX que a função formalista predominou nas 
produções artísticas através da arte moderna, com novas propostas de criação. O 
conceito de arte que temos hoje em dia é derivado desta função. 
1.1 Arte nas Imagens do Cotidiano 
1.1.1 Ampliando os conhecimentos 
Uma imagem guarda uma semelhança com algo, representando aquilo que o 
nosso sentido da visão pode captar, aquilo que podemos ver, ou que nossa 
imaginação pode criar. Assim, o reflexo de nosso rosto na água é uma imagem que a 
natureza se encarregou de criar. 
O ser humano, ao longo de seu desenvolvimento, tem procurado encontrar 
formas de registrar essa imaginação ou realidade captada, através de pinturas, 
desenhos, esculturas, gravuras ou filmes, ou seja, através de representações 
imagéticas. 
 
A principal diferença entre imagem e representação imagética é que imagem é 
tudo aquilo que nosso sentido da visão pode captar registrando tanto o que é realidade 
quanto imaginação, e representação imagética são imagens carregadas de 
significados organizados ou não de maneira consciente – com valores artísticos. 
Os significados e intenções na criação variam de acordo com o período, lugar 
e pessoas, ou seja, de acordo com o contexto histórico. Desde tempos remotos, o ser 
humano já procurava fazer representações imagéticas nas paredes das cavernas. 
Essas imagens podiam ter finalidades místicas e de sobrevivência. Na Idade Média, 
as imagens das obras de arte possuíam um cunho educativo a serviço da religião. Já 
no Renascimento as imagens artísticas procuravam elevar a condição do ser humano 
 
 
7 
 
a um nível maior. No Romantismo e Modernismo, as obras de arte possuíam fins 
diversos, como protestos e denúncias dos problemas políticos e sociais. 
Na atualidade existem várias maneiras de se representar a realidade ou a 
imaginação. Hoje em dia, além das formas tradicionais (desenho, pintura, escultura, 
gravura, arquitetura), existe o cinema, a televisão, o computador e a Internet. Através 
dessas novas tecnologias surgiram também várias manifestações artísticas que são 
produzidas basicamente utilizando-se das suas possibilidades e inovações. 
Através da TV encontramos várias manifestações de produções artísticas, 
como, por exemplo, telenovelas, seriados, filmes ou desenhos animados. Estes 
ligados diretamente às artes cênicas, porém utilizando mecanismo de representação 
imagética das artes visuais, como o vídeo. Nesse caso, são linguagens artísticas que 
se fundem, se unem. Podemos denominar essa linguagem artística como 
“audiovisual” – união de som e de imagem. Outras manifestações com elementos 
artísticos que estão presentes nas imagens do nosso cotidiano são as publicações 
gráficas como os jornais, as revistas, os livros, os outdoors, os panfletos, entre outras. 
Nessas publicações encontramos várias formas de representação, que vão desde o 
desenho até a fotografia. 
Nos jornais, por exemplo, nos divertimos frequentemente com as tiras de 
histórias em quadrinhos, os cartuns e as charges políticas. Em contrapartida, também 
podemos nos chocar vendo imagens com cenas de violência captadas com precisão 
pela câmera do fotógrafo. Nas revistas utiliza-se dessas mesmas imagens, porém, 
com um pouco mais de sofisticação, elaborando o visual da página junto com texto, 
fotografias e gráficos para que se torne mais interessante ao leitor. As próprias 
histórias em quadrinhos (também conhecidas por HQ’s), que inicialmente surgiram 
para entreter os leitores de antigos jornais norte-americanos, alcançaram um nível 
artístico elevado, em que artistas fazem uso de sua linguagem para expressarem suas 
criações. 
Para saber mais 
Você já reparou que as roupas variam de acordo com várias situações: o 
ambiente, a época, o nível social, o poder de aquisição, o grupo cultural, os lugares. 
Esta variação nos gostos, estilos e modos de se vestir possui um nome: moda. 
Geralmente atribuímos a moda a algo fútil, sem conteúdo e passageiro, que se 
 
 
8 
 
preocupa apenas com a beleza exterior do “modelo”. De certa maneira isto tem um 
sentido. 
Contudo, também podemos pensar na moda como um registro de impressões 
e características de grupos humanos que convivem socialmente e que procuram 
transmitir e expressar, pelas suas vestimentas, elementos artísticos no cotidiano. O 
homem pré-histórico tinha uma moda ou um modo de vestir para atrair a caça, para 
vencer uma guerra ou para cultuar os mortos, o homem moderno se veste de jeito 
diferente para seduzir, para fechar um negócio ou para passear. Estar na moda é 
incorporar os símbolos de determinado grupo social. É como afirmar aos outros, 
através das roupas, que você está bem informado sobre o que se passa no mundo. 
Em qualquer que seja a época a moda está relacionada ao conceito de status, o nível 
social a que pertence à pessoa. 
A moda, tanto nas vestimentas quanto nos acessórios e peças de decoração, 
tem mostrado diferentes faces ao longo das épocas, funcionando como registro diário 
do convívio em sociedade, com suas diferenças de classe, de nível cultural, financeiro 
etc. O que devemos preservar e respeitar é a diversidade existente nas manifestações 
da moda pelo mundo, já que ela possui elementos artísticos que também devem se 
manter. As diversas formas de tecidos, cortes, peças de roupas e cores são usadas 
para identificar a que grupo uma pessoa pertence, não que isto resuma a 
personalidade dela, nem que seja motivo para excluí-la de outros grupos, mas como 
questão de atitude perante os demais. 
 
1.2 A Beleza, o Feio e o Gosto 
Pensando sobre o tema 
O que você considera como belo? Um rosto feminino ou masculino? Um corpo 
saudável? Um pôr do sol na praia? Uma roupa que está na moda? 
 
Ampliando os conhecimentos 
Quando você sabe que algo possui beleza? Quando a imagem é agradável de 
ser vista, quando você sente uma emoção ao vê-la, quando você entende o que está 
 
 
9 
 
vendo? Se você encontrou dificuldades para formular uma resposta, saiba que ela não 
é a mesma para todos. Alguns estudiosos de arte dizem que existe uma “beleza 
universal”, um “padrão de beleza” que mantém o mesmo valor para qualquer pessoa. 
Você concorda com esta afirmação? Assim como o conceito de arte, o conceito de 
beleza vem mudando de acordo com as épocas e os lugares, assumindo diferentes 
rostos e personalidades. Você já deve ter ouvido a expressão “gosto não se discute”, 
que podemos entender como o que é belo para você pode não ser para outra pessoa, 
portanto não podemos julgar. Você já deve também ter ouvido a frase “a beleza está 
nos olhos de quem vê”, isto é, a beleza não está no objeto, pessoa ou paisagem que 
vemos, mas no entendimento da pessoa que observa sobre o que é beleza. Você já 
conseguiu criar um conceito e entender o que é a beleza? 
Como foi mencionado anteriormente, a arte é uma experiência de 
conhecimento estético de transmissão e expressão de ideias e sentimentos. 
Associamos a palavra estética à arte e também à beleza. A palavra estética vem do 
grego aisthesis e significa “faculdade de sentir”, “compreensão pelos sentidos”,“percepção totalizante”. Quando observamos uma obra de arte ou uma imagem 
qualquer ela primeiro é sentida (percepção pelos sentidos), depois ela é analisada 
(interpretação simbólica do mundo) e, por fim, entendida e apreciada (conhecimento 
intuitivo). Para apreciarmos algo “belo” não usamos imediatamente nossa razão, mas 
os sentimentos, nossa intuição, nossa imaginação. Desta maneira é que temos uma 
experiência estética com a obra de arte ou imagem. 
 
O conceito de beleza teve várias modificações ao longo dos tempos. O que 
uma cultura pode considerar como feio outra cultura pode considerar como belo. São 
as diferenças nos contextos de espaço e tempo das variadas culturas e etnias 
existentes no planeta que tornam difícil uma conceituação para o que é belo. A beleza 
pode ser algo objetivo, isto é, que pertence ao objeto, suas características físicas e de 
conteúdo; ou algo subjetivo, ou seja, que pertence ao sujeito, àquele que observa. 
Para os estudiosos de arte o belo, a beleza é uma qualidade que atribuímos 
aos objetos para exprimir certo estado da nossa subjetividade, não havendo, portanto, 
uma ideia de belo nem regras para produzi-lo. Não existe a ideia de um único valor 
estético a partir do qual podemos julgar todas as obras de artes visuais. Cada objeto 
artístico vai estabelecer seu próprio tipo de beleza. 
 
 
10 
 
Quando falamos no belo associamos imediatamente a ideia do “feio”, o seu 
contrário. Assim como o belo o feio vem sido discutido ao longo das épocas e 
atualmente podemos destacar três modos de entender o que é “feio” dentro das artes 
visuais: 
Quando a representação do assunto é “feia”, isto é, quando um tema escolhido 
é mal trabalhado e não transmite a proposta do criador; 
Quando a forma de representação é “feia”, ou seja, quando o criador não tem 
conhecimento da técnica e dos materiais que escolheu para trabalhar e não consegue 
transmitir sua proposta; e 
Quando o observador não possui o conhecimento ou sensibilidade para 
apreciar e entender a proposta do criador da obra. 
Como podemos então julgar se uma obra é “feia”, quando podemos chamá-la 
de arte? A partir do séc. XIX, quando a arte deixa de ter puramente uma função 
utilitária e naturalista e passa a se preocupar mais com a forma da representação 
estética, ela passa a ser avaliada pela sua proposta e capacidade de falar ao 
sentimento. Assim, a arte passa a ser autêntica, deixa de ser uma cópia do real. Então, 
só haverá obras “feias” quando forem malfeitas, isto é, quando não corresponderem 
à proposta de criação do artista (por falta de conhecimento, técnica, etc.). Se houver 
uma obra “feia”, não existe uma obra de arte. 
O gosto é capacidade de julgarmos a beleza de uma obra entendendo-a e 
apreciando-a. O gosto pode ser subjetivo, mas ele parte da observação e experiência 
objetiva com a obra de arte. O que não devemos é criar pré-conceitos sobre 
determinadas obras antes de vivenciá-las esteticamente, ou seja, com sentimento. 
Para podermos adquirir o gosto devemos refiná-lo com informações, conhecimento e 
a experiência com obras de arte. Não devemos nos impedir de termos contato com o 
universo da arte, pois ele é muito rico e vivo, através dele descobrimos o que o mundo 
pode ser e, também, o que nós podemos ser e conhecer. 
1.3 Artes Liberais 
Conceito aplicado às disciplinas chamadas trivium - gramática, retórica e lógica 
- e quadrivium - aritmética, geometria, música e astronomia - introduzido por 
Marciano Capella, no século V, com a publicação de sua famosa obra De nuptiis 
 
 
11 
 
Mercurii et Philologiae. Nela são estabelecidas as sete disciplinas liberais dignas dos 
homens livres, sendo um grupo dedicado à palavra e outro à ciência dos números e 
medidas. Durante o século XV, Leon Battista Alberti (1404-1472), publica o livro De 
pictura (1436), seguido de De statua (1464) e De re edificatória (1485). O pintor e 
escritor italiano tenta conquistar para as artes visuais um novo lugar na sociedade, 
defendendo-a e explicando-a intelectualmente - através de tratados como os que 
defendiam a poesia - de forma inédita. A partir do início do século XVI, 
disciplinas como História, Filosofia Moral e Literatura passam a integrar as artes 
liberais e a fazer parte da educação considerada ideal para o homem daquela época. 
Pintura, escultura e arquitetura, consideradas artes vulgares por sua relação com os 
trabalhos manuais, elevam-se ao universo das artes liberais com a ajuda 
dos humanistas italianos, principalmente de Leonardo da Vinci (1452-1519) que, a 
partir do argumento de Alberti, luta com mais empenho e disciplina, pela dignidade da 
pintura e por uma nova posição social para o artista, que deve ser aceito como um 
criador, dotado de inteligência e nobreza, e não mais como alguém limitado ao 
trabalho manual. 
As atividades classificadas como artes mecânicas são socialmente 
desprestigiadas e pouco honrosas, enquanto os profissionais ligados às artes liberais 
gozam de honras, distinções e privilégios. Com a ascensão da atividade artística à 
categoria das artes liberais, os artistas passam a ocupar uma nova posição 
hierárquica na sociedade, ganhando poder e respeito. No século XVIII, as principais 
artes liberais são a pintura, a escultura, a arquitetura, a navegação, a retórica, a 
poesia, a geometria, a picaria (arte da equitação), a impressão e a cunhagem de 
moedas. 
1.4 Arte Contemporânea 
Os balanços e estudos disponíveis sobre arte contemporânea tendem a fixar-
se na década de 1960, sobretudo com o advento da arte pope do minimalismo, um 
rompimento em relação à pauta moderna, o que é lido por alguns como o início do 
pós-modernismo. Impossível pensar a arte a partir de então em categorias como 
"pintura" ou "escultura". Mais difícil ainda pensá-la com base no valor visual, como 
quer o crítico norte-americano Clement Greenberg. A cena contemporânea - que se 
 
 
12 
 
esboça num mercado internacionalizado das novas mídias e tecnologias e de variados 
atores sociais que aliam política e subjetividade (negros, mulheres, homossexuais 
etc.) - explode os enquadramentos sociais e artísticos do modernismo, abrindo-se a 
experiências culturais díspares. As novas orientações artísticas, apesar de distintas, 
partilham um espírito comum: são, cada qual a seu modo, tentativas de dirigir a arte 
às coisas do mundo, à natureza, à realidade urbana e ao mundo da tecnologia. As 
obras articulam diferentes linguagens - dança, música, pintura, teatro, escultura, 
literatura etc. -, desafiando as classificações habituais, colocando em questão o 
caráter das representações artísticas e a própria definição de arte. Interpelam 
criticamente também o mercado e o sistema de validação da arte. 
Tanto a arte pop quanto o minimalismo estabelecem um diálogo crítico com 
o expressionismo abstrato que as antecede por vias diversas. A arte pop - Andy 
Warhol, Roy Lichtenstein, Claes Oldenburg e outros - traduz uma atitude contrária ao 
hermetismo da arte moderna. A comunicação direta com o público por meio de signos 
e símbolos retirados da cultura de massa e do cotidiano - histórias em quadrinhos, 
publicidade, imagens televisivas e cinematográficas - constitui o objetivo primeiro de 
um movimento que recusa a separação arte e vida, na esteira da estética anti-arte 
dos dadaístas e surrealistas. Trata-se também da adoção de outro tipo de figuração, 
que se beneficia de imagens, comuns e descartáveis, veiculadas pelas mídias e novas 
tecnologias, bem como de figuras emblemáticas do mundo contemporâneo, a Marilyn 
Monroe de Andy Warhol, por exemplo. A figuração é retomada, com sentido 
inteiramente diverso, nos anos 1980 pela transvanguarda, no interior dochamado neo-expressionismo internacional. O minimalismo de Donald Judd, Tony 
Smith, Carl Andre e Robert Morris, por sua vez, localiza os trabalhos de arte no terreno 
ambíguo entre pintura e escultura. Um vocabulário construído com base em idéias de 
despojamento, simplicidade e neutralidade, manejado com o auxílio de materiais 
industriais, define o programa da minimal art. Uma expansão crítica dessa vertente 
encontra-se nas experiências do pós-minimalismo, em obras como as de Richard 
Serra e Eva Hesse. Parte da pesquisa de Serra, sobretudo suas obras públicas, toca 
diretamente às relações entre arte e ambiente, em consonância com uma tendência 
da arte contemporânea que se volta mais decididamente para o espaço - 
incorporando-o à obra e/ou transformando-o -, seja ele o espaço da galeria, o 
ambiente natural ou as áreas urbanas. Preocupações semelhantes, traduzidas em 
 
 
13 
 
intervenções sobre a paisagem natural, podem ser observadas na land art de Walter 
De Maria e Robert Smithson. Outras orientações da arte ambiente se verificam nas 
obras de Richard Long e Christo. 
Se os trabalhos de Eva Hesse não descartam a importância do espaço, 
colocam ênfase em materiais, de modo geral, não rígidos, alusivos à corporeidade e 
à sensualidade. O corpo sugerido em diversas obras de E. Hesse - Hang Up, 1966 - 
toma o primeiro plano no interior da chamada body art. É o próprio corpo do artista o 
meio de expressão em trabalhos associados freqüentemente 
a happenings e performances. Nestes, a tônica recai, uma vez mais, sobre o 
rompimento das barreiras entre arte e não-arte, fundamental para a arte pop, e sobre 
a importância decisiva do espectador, central já para o minimalismo. A percepção do 
observador, pensada como experiência ou atividade que ajuda a produzir a realidade 
descoberta, é largamente explorada pelas instalações. Outro desdobramento direto 
do minimalismo é a arte conceitual, que, como indica o rótulo, coloca o foco sobre a 
concepção - ou conceito - do trabalho. Sol LeWitt em seus Parágrafos sobre Arte 
Conceitual (1967), esclarece: nessas obras, "a idéia torna-se uma máquina de fazer 
arte". É importante lembrar que o uso de novas tecnologias - vídeo, televisão, 
computador etc. - atravessa parte substantiva da produção contemporânea, trazendo 
novos elementos para o debate sobre o fazer artístico. 
Os desafios enfrentados pela arte contemporânea podem ser aferidos na 
produção artística internacional. Em relação ao cenário brasileiro, as Bienais 
Internacionais de São Paulo ajudam a mapear as diversas soluções e propostas 
disponíveis nos últimos anos. Na década de 1980, a exposição Como Vai Você, 
Geração 80?, no Parque Lage, Rio de Janeiro, e a participação dos artistas do Ateliê 
da Lapa e Casa 7 na Bienal Internacional de São Paulo, em 1985, evidenciam 
as pesquisas visuais. 
 
2 ARTE ERUDITA, ARTE POPULAR E ARTE DE MASSA 
A arte erudita refere-se àquela produzida e apreciada pela elite de uma 
sociedade. Mas não necessariamente uma elite econômica, compreendida pelas 
pessoas ricas, e sim por uma pequena parcela, uma minoria de pessoas que 
 
 
14 
 
conhecem vários estilos artísticos e que são bem informadas, ou seja, a elite cultural. 
Os artistas eruditos são reconhecidos por grande parte da população, possuem 
estudos refinados de diversas técnicas, materiais, estudos e de história da arte. 
Geralmente esses artistas são homenageados postumamente com seu nome na 
História cultural de um povo, como é o caso de Sandro Botticelli, Leonardo da Vinci, 
Michelangelo, Salvador Dalli, Pablo Picasso, Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Tarsila 
do Amaral entre outros. 
 
 
Fonte: vejabh.abril.com.br 
 
A arte erudita é facilmente encontrada em grandes museus e galerias e 
possuem um valor artístico e qualidade estética incontestável pelos críticos e pelos 
apreciadores mais exigentes. A arte erudita caracteriza-se por: 
• apresentar esforço para captar o significado da existência humana; 
• instigar o público apreciador a mudar sua visão de mundo; 
• envolver o desenvolvimento dos códigos artísticos; 
• abarcar a expressão individual do artista. 
No outro extremo encontra-se a arte popular, ou seja, aquela feita pelo povo e 
para o povo. O artista popular mantém raízes com a comunidade que faz parte sendo 
 
 
15 
 
grandemente influenciado na sua criação pelos seus motivos e significados simbólicos 
e estéticos. 
A arte popular faz referência a uma herança cultural das diferentes etnias que 
consistem um povo, como no caso do Brasil. Os temas da arte popular são dos mais 
variados desde a representação do sagrado e místico, como nas figuras de santos e 
ex-votos, passando por cenas do cotidiano, como nas estatuetas de cerâmica ou 
madeira, até nas indumentárias e artefatos de festas folclóricas, como no Bumba meu 
boi, festa do Divino Espírito Santo ou Maracatu. 
Dentro do estudo da arte, a arte popular tem sido encarada como a “prima 
pobre” da arte erudita, devido à sua origem junto a comunidades consideradas “sem 
instrução”. As manifestações da arte popular como o artesanato, a cerâmica em argila, 
as peças de madeira, as xilogravuras na literatura de cordel etc. têm sido consideradas 
como “artes menores” em relação à arte erudita e as pessoas que produzem esse tipo 
de arte não são reconhecidas como artistas e, sim, como artesãos. 
Esta diferenciação acontece, principalmente, pela maneira e intenção que a 
arte popular é produzida já que, na maioria das vezes, a pessoa que cria a arte popular 
aprendeu seu “ofício” com os pais ou outra pessoa mais experiente. O que tem se 
discutido em arte é que a arte popular, assim como a arte erudita, tem seus valores 
estéticos próprios oriundos da maneira como é produzida, dos materiais e técnicas 
empregados e da intenção do criador. De fato, a arte popular facilmente é encontrada 
e comercializada nos centros das comunidades a que pertence sendo também 
exportada para os apreciadores da arte erudita. 
Podemos afirmar então, que a arte popular é atribuída à produção estética de 
uma parte da população que não é formalmente intelectualizada, nem urbana, nem 
industrial. A arte popular possui como principais características: 
• ser geralmente anônima, pois é resultado de várias colaborações que passam 
de geração em geração ao longo do tempo, geralmente feita oralmente; 
• apresentar visão de mundo de um determinado grupo social, ou seja, o 
conteúdo da tradição cultural e folclórica expressa os sentimentos comuns de uma 
coletividade; 
• desenvolver-se dentro de convenções tradicionais; 
• ter como maior público apreciador pessoas de seu próprio grupo ou 
comunidade; 
 
 
16 
 
• resistir às influências dos modismos ditados pela elite dirigente. 
 
 
Fonte: speglich.blogspot.com.br 
A arte popular pode ser considerada o retrato de uma nação, pois guarda 
características peculiares e genuínas do povo que formou esse grupo durante anos. 
Muitas pessoas acreditam que esse tipo de arte é produto apenas de pessoas que 
vivem na zona rural ou de povos imigrantes. No entanto, grande parte da população 
que vive na zona urbana, de grandes cidades, é composta de pessoas que vieram do 
interior ou de outros países, incorporando à cidade manifestações de sua cultura. 
Curiosidade 
Arte popular e o folclore: No Brasil a produção de arte popular é muito rica. 
Esse tipo de produção atrai a atenção de muitas pessoas e, de modo especial, os 
turistas. Em cada região do país existe um tipo de arte popular que se destaca, e por 
isso mesmo pode ser vista como uma peculiaridade dos costumes desse lugar, a 
característica cultural e folclóricadesse povo. 
 
 
17 
 
Essas manifestações artísticas populares compreendem além de artes visuais, 
a música, a dança, artes cênicas e até mesmo a arquitetura. Na cidade de São Luís, 
Maranhão, intitulada pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, por 
exemplo, o que se destaca como arte popular são os vasos cerâmicos, feitos em argila 
e com desenhos variados, herança dos povos indígenas e africanos. As indumentárias 
e adereços das festas e folguedos folclóricos de São João e do Carnaval são 
confeccionados por grupos comunitários que preservam e divulgam a tradição cultural 
do povo. Os azulejos nas paredes dos casarões antigos do centro histórico possuem 
diferentes desenhos padronizados com técnicas de produção oriundas dos 
portugueses. Todo este conjunto de elementos forma um acervo que conta um pouco 
da história do povo ludovicense. 
Algumas manifestações artísticas durante a história da arte possuíram e 
possuem alcance muito grande, ou seja, atingem a uma quantidade maior de pessoas, 
de diferentes classes sociais e culturais por isso são consideradas como arte popular 
e, ao mesmo tempo, arte de massa. O termo arte de massa - significando “ao alcance 
de todos e para todos” - é recente, surgido no século XX com o advento da fotografia, 
cinema e televisão, mas o seu conceito remonta à Antiguidade quando os faraós 
egípcios representavam sua autoridade política e religiosa ao povo na forma de 
pirâmides, templos e outras obras monumentais para serem observadas e entendidas 
por todos de uma só vez. Portanto, a intenção da produção do objeto artístico era 
utilitária e buscava atingir à grande massa da população que, em geral, não tinha 
acesso às produções mais refinadas destinadas à elite dominante. O império romano 
fez muito uso da imagem como símbolo de poder na representação de estátuas dos 
imperadores para impressionar os povos dominados, a Igreja Católica fez uso das 
representações imagéticas do sagrado para assegurar e converter fiéis à sua fé cristã, 
já que na Idade Média, por exemplo, grande parte da população era analfabeta e a 
Bíblia impressa não existia. 
Nos tempos modernos, com a evolução tecnológica dos meios de comunicação 
de massa – rádio, televisão, jornais, revistas e cinema – a arte pôde ser explorada no 
sentido de ampliar o público que pretende conhecê-la, entendê-la e apreciá-la. 
Contudo, mesmo com a arte ao alcance de quase todos, ela continua sendo produzida 
por uma minoria que forma uma elite cultural. A grande diferença entre “arte popular” 
e “arte de massa” seria sua origem, ou seja, quem as produz. As demais pessoas não 
 
 
18 
 
adquirem conhecimentos suficientes para usufruir a arte de maneira plena em todos 
os seus sentidos. 
A arte só é percebida e compreendida pela massa enquanto se mantém 
figurativa e guarda referências ao cotidiano e experiências mais imediatas e concretas 
das pessoas tornando difícil o acesso ao entendimento de manifestações artísticas 
mais complexas e sofisticadas como a arte abstrata. Por isso os filmes de cinema ou 
telenovelas com pouco conteúdo conceitual e argumentos simples são mais 
consumidos pela massa, salvas exceções que extrapolam o mercado comum e 
lançam propostas inovadoras em termos de roteiro, narrativa e visual. Podemos citar 
como características da arte de massa: 
• ter um alcance abrangente; 
• ser de rápida visualização e de fácil acesso; 
• ser produzida por uma minoria cultural para entretenimento e apreciação de 
muitos; 
• ser interpretada por vários pontos de vista diferentes em relação aos seus 
significados; 
• poder se utilizar de todas as manifestações artísticas como as artes visuais, 
as artes cênicas, a dança e a música através dos meios audiovisuais; 
• acompanhar tendências e mudanças contemporâneas que influenciam a sua 
criação; 
• ser comercializada fazendo parte de um grande mercado consumidor. 
 
 
 
 
19 
 
Fonte: speglich.blogspot.com.br 
Além das manifestações artísticas de massa já citadas existem também outras 
que fazem parte de grupos específicos. Uma dessas forma de arte de massa é o 
graffiti (técnica de pintura mural usando tintas spray) ligada ao movimento cultural Hip 
Hop, surgido na década de 1970, nos centros urbanos dos Estados Unidos, que inclui 
também o Rap (música), Break (dança) e DJ (Disc Jóquei – música). 
Atualmente a arte de massa possui algumas mídias que atingem um número 
impressionante de pessoas. Uma produção cinematográfica ou televisa, por exemplo, 
pode atingir facilmente milhões de espectadores, dos mais variados níveis culturais e 
sociais, tendo seus significados interpretados em diferentes graus de entendimento e 
apreciação. 
Outra mídia que já existe há quase um século no seu formato atual são as 
revistas de histórias em quadrinhos, originalmente feitas com um fim puramente de 
entretenimento e sem pretensões artísticas maiores. Com a evolução da linguagem 
dos quadrinhos (comics, formato americano ou mangá, no formato japonês) muitos 
escritores (argumentistas ou roteiristas) deram um direcionamento mais literário às 
tramas, diálogos e personagens e os artistas visuais passaram a utilizar tanto técnicas 
tradicionais – desenho, pintura à óleo ou aquarela – quanto técnicas contemporâneas 
– pintura digital usando softwares (programas) gráficos avançados. Estes tipos de 
revistas em quadrinhos são vendidos na forma de Graphic Novels, que poderia ser 
traduzido como “romances gráficos”. 
Mas nenhuma mídia divulga a arte com mais intensidade e democracia do que 
a Internet. Na Internet você pode encontrar desde imagens de obras de arte dos 
grandes pintores quanto o trabalho mais novo de um jovem artista. Você pode visitar 
virtualmente galerias e museus, pode divulgar suas próprias obras, debater sobre arte, 
receber e emitir críticas e comentários, além de aprender com outros profissionais ou 
amadores da arte. 
 
 
20 
 
3 TÉCNICAS E MATERIAIS ARTÍSTICOS E EXPRESSIVOS NAS ARTES 
VISUAIS 
Nas artes visuais quase todo material e técnica podem ser utilizados para criar 
uma obra, mas existem aqueles que são mais conhecidos, considerados como 
tradicionais ou convencionais e os modernos ou contemporâneos. Entre os meios 
artísticos tradicionais ou convencionais, três deles manifestam-se em duas dimensões 
(bidimensional – altura e comprimento): o desenho, a gravura e a pintura. Embora o 
resultado formal de cada um deles seja bastante diferente (embora o desenho e a 
gravura sejam similares), a grande diferença entre eles se encontra na técnica 
envolvida. Os outros meios tradicionais – a escultura e a arquitetura – manifestam-
se nas três dimensões do espaço (tridimensional – altura, comprimento e largura ou 
profundidade). 
3.1 Desenho 
 
Fonte: giovanatoffoli.blogspot.com.br 
É o processo pelo qual uma superfície é marcada aplicando-se sobre ela a 
pressão de uma ferramenta (em geral, um lápis, carvão, nanquim, grafite, pastel, 
caneta, pincel etc.) e movendo-a, de forma a surgirem pontos, linhas e formas planas. 
O resultado deste processo (a imagem obtida) também pode ser chamado de 
desenho. Desta forma, um desenho manifesta-se essencialmente como uma 
 
 
21 
 
composição bidimensional. Quando esta composição possui uma certa intenção 
estética, o desenho passa a ser considerado uma expressão artística. 
A escolha dos meios e materiais está intimamente relacionada à técnica 
escolhida para o desenho. Um mesmo objeto desenhado a bico de pena e a grafite 
produz resultados absolutamente diferentes. As ferramentas de desenho mais 
comuns são o lápis, o carvão, os pastéis, crayons e pena e tinta. Muitos materiais de 
desenho são à base de águaou óleo e são aplicados secos, sem nenhuma 
preparação. 
Existem meios de desenho à base d'água (o "lápis-aquarela", por exemplo), 
que podem ser desenhados como os lápis normais, e então umedecidos com um 
pincel molhado para produzir vários efeitos. Há também pastéis oleosos e lápis de 
cera. Desde a invenção do papel, no século XIV, ele se torna o suporte dominante 
para a realização de desenhos. É possível classificar o desenho em função dos 
instrumentos utilizados para a sua execução, ou da ausência deles. Pode-se pensar 
ainda em modalidades distintas do registro de acordo com as finalidades almejadas. 
• Desenho técnico ou industrial: uma forma padronizada e normatizada de 
desenho, voltado à representação de peças, objetos e projetos inseridos em um 
processo de produção. 
• Desenho arquitetônico: desenho voltado especialmente ao projeto de 
arquitetura realizado, de modo geral, com o auxílio de réguas, compassos, esquadros 
e outros instrumentos. 
• Desenho científico: empregado na zoologia, na botânica e anatomia 
(fartamente empregados como ilustrações de manuais didáticos) 
• Ilustração: um tipo de desenho que pretende expressar alguma informação, 
normalmente acompanhado de outras mídias, como o texto. 
• Croqui ou esboço: um desenho rápido, normalmente feito à mão sem a ajuda 
de demais instrumentos que não propriamente os de traçado e o papel, feito com a 
intenção de discutir determinadas ideias gráficas ou de simplesmente registrá-las. 
Normalmente são os primeiros desenhos feitos dentro de um processo para se chegar 
a uma pintura ou ilustração mais detalhada. 
Vários são os materiais empregados na elaboração de desenhos. Eles podem 
ser feitos com pena ou ponta de prata, para a obtenção de traços finos; com lápis, giz 
ou carvão, quando a linha se torna mais espessa; também com pastel ou pincel, 
 
 
22 
 
quando o objetivo é um traço mais grosso. Desde a invenção do papel, no século XIV, 
ele se torna o suporte dominante para a realização de desenhos. É possível classificar 
o desenho em função dos instrumentos utilizados para sua execução, ou da ausência 
deles, e pensar em modalidades distintas do registro de acordo com as finalidades 
almejadas. Há o desenho científico, usado na zoologia, botânica e anatomia 
(fartamente empregados como ilustrações de manuais didáticos); o desenho técnico, 
industrial e arquitetônico (realizado, de modo geral, com o auxílio de réguas, 
compassos, esquadros e outros instrumentos); o desenho utilizado pela imprensa e 
pelos livros (ilustrações, retratos e caricaturas), o desenho artístico etc. Desenhos são 
também utilizados por cineastas, designers, coreógrafos e cenógrafos em esboços, 
maquetes e projetos auxiliares. Desse modo, conclui-se que o desenho invade os 
mais diferentes campos e áreas de atuação - ciências, artes aplicadas, belas-artes, 
indústria, publicidade etc. -, nas mais diversas etapas da história da humanidade. É a 
partir do século XVI, com o advento do Renascimento, que o desenho se desenvolve 
como obra de arte. 
Os artistas do Renascimento, se orientam por ideais de perfeição, harmonia, 
equilíbrio e graça - representados com o auxílio dos sentidos de simetria e proporção 
das figuras - de acordo com os parâmetros ditados pelo belo clássico. Nesse contexto, 
os estudos (leia-se: desenhos) de anatomia para composições maiores são bastante 
utilizados no período. Podem ser citados como exemplos o Estudo para uma das 
Sibilas no teto da capela Sistina, de Michelangelo Buonarroti, os desenhos feitos por 
Rafael em seu caderno de esboços para a posterior realização da Virgem do Prado, 
1505, ou os estudos de Correggio para afresco, os de 1526, parte do acervo do Museu 
do Louvre. 
O desenvolvimento de pesquisas científicas nesse período, fornece subsídios 
para a elaboração de novos métodos e técnicas. A perspectiva central, sistematizada 
por Fillippo Brunelleschi e descrita por Leon Battista Alberti no tratado Della Pittura, 
1435, altera de modo radical os modos de representação e as concepções de espaço, 
o que se reflete nos desenhos realizados na época. Os rendimentos do uso da 
perspectiva podem ser observados, entre outros, na obra de Leonardo da Vinci. 
Responsável por ampla produção artística e científica, célebre por seus escritos, pelos 
retratos e pela invenção da técnica do sfumato, Da Vinci se vale sistematicamente do 
desenho - sobretudo dos desenhos com giz - para a realização de investigações e 
 
 
23 
 
esboços. Estudos de proporção e anatomia são feitos com base na observação 
minuciosa de corpos humanos e de animais como em Estudos Anatômicos - Laringe 
e Perna, 1510. Do mesmo modo, desenhos preparatórios de gestos e expressões são 
sistematicamente executados por ele. 
A arte do desenho ganha extrema importância nesse momento, mas 
fundamentalmente como atividade preparatória para a realização das obras principais, 
pinturas e esculturas. Atividade de apoio, é verdade, mas considerada imprescindível 
na formação dos artistas, que, por meio do desenho, registram a realidade observada, 
treinam as medidas e proporções dos corpos humanos. Por essa razão as academias 
de arte, nos séculos XVI, XVII e XVIII, fazem do desenho uma disciplina obrigatória 
para o aprimoramento da atividade artística. As novas instituições defendem a 
possibilidade de ensino de todo e qualquer aspecto da criação artística por meio de 
regras comunicáveis. Nesse contexto, as aulas de desenho de observação e cópia de 
moldes são fundamentais para o treinamento dos novos artistas. O desenho como 
aprendizado técnico ou como exercício acadêmico da forma tem lugar nas academias 
com a realização de nus, naturezas-mortas e paisagens, assim como pela cópia de 
esculturas antigas. 
Diante do papel proeminente da pintura no decorrer da história da arte 
ocidental, o desenho figura em boa parte desse percurso como designação genérica 
para as etapas intermediárias: apontamentos, estudos preparatórios ou contornos de 
figuras e objetos posteriormente cobertos pela tinta. A despeito desse movimento mais 
geral, alguns artistas, como o paisagista inglês Joseph Mallord William Turner, 
conferem ao desenho lugar destacado em sua obra, como é possível perceber pela 
enorme quantidade de desenhos que realiza entre 1814 e 1830, alguns publicados 
na Picturesque Views of the Southern Coast of England, 1826. Turner concebe 
desenhos para a coleção de gravuras Portos da Inglaterra e para uma edição ilustrada 
de Italy, poema de Samuel Rogers. Na tradição paisagística, o desenho ocupa lugar 
importante na obra de Fragonard, que obtém efeitos originais em seus desenhos de 
paisagem, como em O Parque da Villa d'Este em Tivoli, 1760. O surgimento da 
caricatura é responsável por uma relativa independência do desenho em relação à 
pintura, como indica a obra de Honoré Daumier, famoso por suas charges e sátiras 
políticas feitas por meio de desenhos, gravuras e escultura. 
 
 
24 
 
A arte moderna e sua ênfase na autonomia da pintura, sobretudo com Éduard 
Manet e com os impressionistas - que alçam a pintura ao ar livre ao primeiro plano - 
descartam o recurso de esboços e estudos preliminares para a confecção da tela. No 
momento em que se torna dispensável ao pintor, o desenho pode efetivamente se 
autonomizar, adquirindo status independente como obra de arte. Os nanquins de 
Vincent van Gogh - Vista de Saintes-Maries, 1888 - ou os desenhos a carvão de 
Georges Seurat são sinais explícitos do novo lugar que o desenho passa a ocupar na 
cena moderna. Ligados à arte figurativa, mas também às pesquisas abstracionistas, 
os artistas modernos se lançam ao desenho, experimentando as possibilidades 
abertaspela linha, contornos, contrastes e materiais. Pablo Picasso, Paul Klee e 
André Masson são alguns dos inúmeros artistas que experimentam o desenho em 
suas obras. O desenho moderno no Brasil encontra expressão em artistas de 
vocações estilísticas variadas, como Tarsila do Amaral, Lasar Segall, Flávio de 
Carvalho, Oswaldo Goeldi, Guignard, Djanira, Iberê Camargo, Mira Schendel, entre 
outros. 
 
3.2 Gravura 
Difere do desenho na medida em que ela é produzida pensando-se na sua 
impressão e reprodução. Uma gravura é produzida a partir de uma matriz que pode 
ser feita de metal (calcografia), pedra (litografia), madeira (xilogravura) ou seda 
(serigrafia). O artista trabalha nesses suportes fazendo uma gravação da imagem de 
acordo com as ferramentas que utiliza com o propósito de imprimir uma tiragem de 
exemplares idênticos podendo ser feita pelo próprio artista ou orientando um 
impressor especializado. 
 
 
25 
 
 
Fonte: www.reidosquadros.com.br 
Uma gravura é considerada original quando é assinada e numerada pelo artista 
dentro de conceitos estabelecidos internacionalmente. Após aprovar uma gravura o 
artista tira várias provas que são chamadas p. a. (prova do artista). Ao chegar ao 
resultado desejado é feita uma cópia "bonne à tirer" (boa para imprimir – b.p.i.). A 
tiragem final deve ser aprovada pelo artista, que, então, assina a lápis, coloca a data, 
o título da obra e numera a série. Finda a edição, a matriz deve ser destruída ou 
inutilizada. Cada imagem impressa é um exemplar original de gravura e o conjunto 
destes exemplares é denominado tiragem ou edição. Em uma tiragem de 100 
gravuras, as obras são numeradas em frações: 1/100, 2/100 etc. Conheça um pouco 
mais sobre as quatro técnicas de gravura: 
• Litografia (matriz de pedra): a litografia (lithos = pedra e graphein = escrever) 
foi criada no ano de 1796 por Alois Senefelder. 
• Xilogravura (matriz de madeira): surgiu como consequência da demanda cada 
vez maior de consumo de imagens e livros sacros a partir da invenção da imprensa 
por Gutenberg, quando as iluminuras e códigos manuscritos passaram a ser um luxo 
de poucos. A gravura em madeira seria um meio econômico de substituir o desenho 
 
 
26 
 
manual, imitando-o de forma ilusória e permitindo a reprodução mecânica de originais 
consagrados. 
• Calcografia (matriz de metal): surgiu nos ateliês de ourivesaria e de 
armaduras, no século XV, onde era usual imprimir-se os desenhos das joias e brasões 
em papel para melhor visualização das imagens. 
• Serigrafia (matriz de seda ou náilon): também conhecida como silkscreen (tela 
de seda) é um processo de impressão no qual a tinta é vazada - pela pressão de um 
rodo ou puxador - através de uma tela preparada. É utilizada na impressão em 
variados tipos de materiais (papel, plástico, borracha, madeira, vidro, tecido, etc.), 
superfícies (cilíndrica, esférica, irregular, clara, escura, opaca, brilhante, etc.) 
espessuras ou tamanhos, com diversos tipos de tintas ou cores. Também pode ser 
feita de forma mecânica (por pessoas) ou automática (por máquinas). 
3.3 Pintura 
Refere-se genericamente à técnica de aplicar pigmento em forma líquida a uma 
superfície bidimensional, a fim de colori-la, atribuindo-lhe matizes, tons e texturas. Em 
um sentido mais específico, é a arte de pintar uma superfície, tais como papel, tela, 
ou uma parede (pintura mural ou de afrescos). A pintura é considerada por muitos 
como uma das expressões artísticas tradicionais mais importantes; muitas das obras 
de arte mais importantes do mundo, tais como a Mona Lisa, são pinturas. Diferencia-
se do desenho pelo uso dos pigmentos líquidos e do uso constante da cor, enquanto 
aquele se apropria principalmente de materiais secos. Enquanto técnica, a pintura 
envolve um determinado meio de manifestação (a superfície onde ela será produzida) 
e um material para lidar com os pigmentos (os vários tipos de pincéis e tintas). 
A escolha dos materiais e técnicas adequadas está diretamente ligada ao 
resultado final desejado para o trabalho como se pretende que ele seja entendido. 
Desta forma, a análise de qualquer obra artística passa pela identificação do suporte 
e da técnica utilizadas. Enquanto técnica, a pintura envolve um determinado meio de 
manifestação (a superfície onde ela será produzida) e um material para lidar com os 
pigmentos (os vários tipos de pincéis e tintas). 
O suporte mais comum é a tela (normalmente uma superfície de madeira 
coberta por algum tipo de tecido), embora durante a Idade Média e o Renascimento o 
 
 
27 
 
afresco tenha tido mais importância. É possível também usar o papel (embora seja 
muito pouco adequado à maior parte das tintas). Quanto aos materiais, a escolha é 
mais demorada e, normalmente, envolve uma preferência pessoal do pintor e sua 
disponibilidade. Materiais comuns são: a tinta a óleo, a tinta acrílica, o guache e a 
aquarela. É também possível lidar com pastéis e crayons, embora estes materiais 
estejam mais identificados com o desenho. 
No entanto, há controvérsias sobre essa definição de pintura. Com a variedade 
de experiências entre diferentes meios e o uso da tecnologia digital, a ideia de que 
pintura não precisa se limitar à aplicação do "pigmento em forma líquida". Atualmente 
o conceito de pintura pode ser ampliado para a representação visual através das 
cores. Mesmo assim, a definição tradicional de pintura não deve ser ignorada. O 
elemento fundamental da pintura é a cor. A relação formal entre as massas coloridas 
presentes em uma obra constitui sua estrutura fundamental, guiando o olhar do 
espectador e propondo-lhe sensações de calor, frio, profundidade, sombra, entre 
outros. Estas relações estão implícitas na maior parte das obras da História da Arte e 
sua explicitação foi uma bandeira dos pintores abstratos. 
Para saber mais 
Conheça as principais técnicas e materiais da pintura: 
• Muralismo, pintura mural ou parietal: é a pintura executada sobre uma 
parede, quer diretamente na sua superfície, como num afresco, quer num painel 
montado numa exposição permanente. Ela difere de todas as outras formas de arte 
pictórica por estar profundamente vinculada à arquitetura, podendo explorar o caráter 
plano de uma parede ou criar o efeito de uma nova área de espaço. A técnica 
tradicional de uso mais generalizado é a do afresco, que consiste na aplicação de 
pigmentos de cores diferentes, diluídos em água, sobre argamassa ainda úmida. 
• Tinta a óleo: é uma mistura de pigmento pulverizado e óleo de linhaça ou 
papoula. É uma massa espessa, da consistência da manteiga, e já vem pronta para o 
uso, embalada em tubos ou em pequenas latas. Dissolve-se com óleo de linhaça ou 
terebintina para torná-la mais diluída e fácil de espalhar. O óleo acrescenta brilho à 
tinta; o solvente tende a torná-la opaca. A grande vantagem da pintura a óleo é a 
flexibilidade, pois a secagem lenta da tinta permite ao pintor alterar e corrigir o seu 
trabalho. 
 
 
28 
 
• Acrílico: é uma tinta sintética solúvel em água que pode ser usada em 
camadas espessas ou finas, permitindo ao artista combinar as técnicas da pintura a 
óleo e da aquarela. Se você quiser fazer tinta acrílica, você pode misturar tinta guache 
com cola. 
• Aquarela: é uma técnica de pintura na qual os pigmentos se encontram 
suspensos ou dissolvidos em água. Os suportes utilizados na aquarela são muito 
variados, embora o mais comum seja o papel com elevada gramatura (espessura do 
papel). São também utilizados como suporte o papiro, casca de árvore, plástico, 
couro, tecido, madeira e tela. 
• Guache: é um tipo de aquarela opaca. Seu grau de opacidade varia com aquantidade de pigmento branco adicionado à cor, geralmente o suficiente para evitar 
que a textura do papel apareça através da pintura, fazendo com que não tenha a 
luminosidade das aquarelas transparentes. 
3.3.1 Pintura Histórica 
O termo se aplica à pintura que representa fatos históricos, cenas mitológicas, 
literárias e da história religiosa. Em acepção mais estrita, refere-se ao registro pictórico 
de eventos da história política. Batalhas, cenas de guerra, personagens célebres, 
fatos e feitos de homens notáveis são descritos em telas de grandes dimensões. 
Realizadas, em geral, sob encomenda, as pinturas históricas evidenciam um tipo de 
produção plástica comprometida com a tematização da nação e da política. Se os 
acontecimentos domésticos, o cotidiano e os personagens anônimos são registrados 
pela pintura de gênero, os grandes atos e seus heróis são narrados em tom elevado 
e estilo grandioso pela pintura histórica. O desafio pictórico colocado por essas telas 
reside na experimentação simultânea de diferentes gêneros artísticos: 
das paisagens e naturezas-mortas (nos panos de fundo e elementos do cenário); 
dos retratos e cenas de gênero (ensaiados na caracterização dos personagens e 
ambiências). A realização de telas com grande número de elementos, por sua vez, 
incita os pintores a procurarem soluções inéditas em termos de composição. 
Figura: Batalha dos Guararapes , 1875 , Victor Meirelles 
Reprodução fotográfica Eduardo Marques 
 
 
29 
 
 
Fonte: enciclopedia.itaucultural.org.br 
A pintura histórica adquire prestígio nas academias de arte, alçada ao primeiro 
plano na hierarquia acadêmica a partir do século XVII, com a criação da Real 
Academia de Pintura e Escultura em Paris, 1648. Verifica-se aí um estreitamento das 
relações entre arte e poder político, e uma associação mais nítida entre a instituição 
e uma doutrina particular. A paixão pela Antigüidade - revelada nos temas mitológicos 
e nos motivos históricos - associada à clareza expressiva e à obediência às regras 
definem o estilo que se converterá no eixo da doutrina acadêmica. A pintura 
neoclassica, que tem como centro a França do século XVIII, explora fartamente os 
temas históricos. Diante da Revolução Francesa, o modelo clássico adquire sentido 
ético e moral. A busca de um ideal estético da Antigüidade vem acompanhada de 
ideais de justiça e civismo, como mostram as telas do pintor Jacques-Louis David 
(1748 - 1825). Os retratos dos mártires da revolução realizados por ele atestam a face 
engajada de sua pintura (A Morte de Lepetier, A Morte de Marate A Morte de Bara, 
1793). David é também o pintor oficial de Napoleão, como mostra a série sobre o 
imperador realizada entre 1802 e 1807, na qual se destaca a gigantesca Coroação de 
Napoleão (1805-1807). Antoine-Jean Gros (1771 - 1835), seguidor da forma austera 
de David, inclina-se às cores e vibrações dramáticas nas batalhas napoleônicas que 
executa - por exemplo, A Batalha de Eylau (1808) -, o que faz dele um elemento 
central no desenvolvimento do romantismo francês. 
Na Espanha, pinturas históricas são realizadas a partir do século XVI por 
diversos artistas. Cenas de batalhas são executadas pelos pintores da corte de Felipe 
IV, comprometidos com a representação da invencibilidade do exército espanhol em 
suas campanhas militares. Nesse contexto, Francisco de Zurbarán (1598 - 1664) 
 
 
30 
 
realiza A Defesa de Cádiz e Diego Velázquez (1599 - 1660), A Rendição de 
Breda (1634-1635), ambas glorificando os triunfos do reinado de Felipe. 
Posteriormente, cenas históricas têm lugar no interior da variada produção de 
Francisco José de Goya y Lucientes (1746 - 1828), por meio das dramáticas telas 
sobre a ocupação francesa da Espanha (1808-1814), em que o pintor coloca a sua 
ênfase na revolta dos cidadãos de Madri contra os ocupantes (Fuzilamento, 1808). 
Com esses trabalhos de Goya, a dimensão heróica e celebrativa da pintura histórica 
encontra sua primeira contestação. Mas é na série de 65 água-fortes, Os Desastres 
da Guerra (1810-1814), que o pintor revela sua visão realista dos acontecimentos: as 
cenas de pesadelos e as figuras macabras falam das atrocidades da guerra, pelas 
quais são responsáveis franceses e espanhóis. A própria opção por uma "técnica 
menor", a gravura - procedimento que Goya dignifica -, revela o quanto a pintura 
histórica poderia estar comprometida com a apologia do poder. 
A preocupação com o passado e com as origens, assim como a interferência 
no tempo presente, marcam a visão de mundo romântica. O impacto da Revolução 
Francesa e o mito napoleônico se refletem nos temas históricos e nas cenas de 
batalhas, explorados pelos pintores. Théodore Géricault (1791 - 1824) retoma a 
história em telas como A Jangada da Medusa (1819). O quadro trata de um 
acontecimento contemporâneo (um naufrágio ocorrido em 1817), narrando, em tom 
épico, o embate entre vida e morte, assim como as relações hostis entre o homem e 
a natureza. Eugène Delacroix (1798 - 1863) se detém sobre a história política desde 
o início de sua carreira (O Massacre de Quios, 1824, A Grécia Sobre as Ruínas de 
Missolongi, 1827). Mas é o célebre A Liberdade Guia o Povo (1850) que evidencia o 
compromisso do pintor com a história de seu tempo; a tela registra a insurreição de 
1830 contra o poder monárquico. A liberdade, representada pela figura feminina que 
ergue a bandeira da França sobre as barricadas, converte-se em alegoria da 
independência nacional. 
Marcas neoclássicas e românticas se fazem sentir na pintura histórica 
exercitada pelos pintores acadêmicos brasileiros. A produção inscrita no interior 
da Academia Imperial de Belas Artes - Aiba possui fortes vínculos com o governo 
imperial de Dom Pedro II (1825 - 1891), para o qual os artistas criam uma iconografia 
nacional - A Coroação de D. Pedro II, de Porto Alegre (1806 - 1879). Os nomes 
de Pedro Américo (1843 - 1905) e Victor Meirelles (1832 - 1903) associam-se 
 
 
31 
 
diretamente à pintura histórica no país. Pedro Américo tem no desenho, e na 
preocupação com a execução das figuras, um dos traços característicos de sua 
pintura. A Guerra do Paraguai serve de modelo para as narrativas épicas de suas 
telas, por exemplo, aquelas realizadas em 1871: Batalha do Campo Grande, Batalha 
do Avaí e Passagem do Chaco. Nota-se aí uma atenção aos detalhes, 
minuciosamente descritos: os trajes militares, os cavalos, a fisionomia dos 
personagens. O uso de fotografias como apoio para realização de suas telas históricas 
revela a preocupação de Pedro Américo em diminuir a distância entre uma arte 
celebrativa e a documentação histórica. Victor Meirelles também se deteve no registro 
da história nacional, na representação do império e na guerra do Paraguai. Do ponto 
de vista da composição, observam-se afinidades de sua pintura com o espírito 
romântico. Dentre suas principais obras estão: A Primeira Missa no Brasil (1860), A 
Batalha dos Guararapes(1879), Passagem do Humaitá e Combate Naval do 
Riachuelo (ambas de 1882). A expressividade da cor e a atenção às paisagens estão 
entre as marcas do pintor. O tom grandioso e o ímpeto da ação aparecem como 
elementos fortes de suas narrativas visuais, que, longe de assinalarem a crueldade 
da guerra, visam enobrecê-la. 
3.3.2 Pintura a óleo 
Tipo de pintura na qual os pigmentos de cor são aglutinados por tipos 
específicos de óleo que, ao oxidar, passam também a protegê-los. Ela se caracteriza 
pela maior possibilidade de mistura e sobreposição de cores, por ser transparente 
(velaturas). Por não secar rapidamente, também possibilita maior fusão entre as 
camadas de tinta. Sua origem é indefinida, mas seu uso torna-sepopular por toda a 
Europa durante o século XV, primeiro sendo utilizada na pintura de retábulos de 
madeira e depois em tela, papel e na pintura mural. Até então, os artistas trabalhavam 
principalmente com a têmpera, na pintura de cavalete. 
3.3.3 Pintura de Interior 
O termo designa uma ramificação da pintura de gênero, especificamente as 
obras que representam cenas do cotidiano doméstico e aquelas ocorridas em espaços 
interiores: salas, quartos, cozinhas etc. Ainda que seja possível localizar registros de 
 
 
32 
 
ambientes interiores em diversas tradições e épocas, a expressão faz referência 
sobretudo à pintura da Holanda protestante do século XVII, onde se desenvolve um 
estilo sóbrio e realista, comprometido com a descrição de cenas rotineiras, de 
situações da vida diária, de homens realizando seus ofícios, de mulheres no interior 
das casas e de festas comunitárias. As imagens se particularizam pela riqueza de 
detalhes, pela precisão e apuro técnico, na contramão das formas barrocasque tomam 
os países da Europa católica. Vale lembrar que a expressão pintura de interior, ainda 
que parte integrante do vocabulário da crítica e da história da arte, é empregada de 
modo esporádico, encontrando-se ausente em boa parte dos dicionários e 
enciclopédias dedicadas às artes visuais. De modo geral, o termo pintura de gênero é 
aquele mais amplamente adotado. 
A pintura flamenga, já nos séculos XV e XVI, mostra-se sensível à descrição 
dos registros triviais do cotidiano. O célebre quadro Giovanni Arnolfini e Sua 
Esposa (1434) de Jan van Eyck (ca.1390-1441) é revelador dessa orientação 
descritiva da pintura holandesa. Basta notarmos o cuidado do pintor com as texturas 
reais das faces do casal em primeiro plano e de suas vestimentas, bem como a 
composição detalhada do ambiente interior: os móveis, os candelabros, o cão e o 
espelho ao fundo em que se encontram refletidos o casal (de costas) e duas outras 
figuras. Peter Bruegel, o velho (ca.1525-1569), se notabiliza pelas cenas de gênero 
que realiza, em especial, as cenas da vida camponesa: os aldeões no trabalho e em 
festejos variados. Dentre elas, algumas podem ser mais claramente classificadas 
como pinturas de interior, por exemplo, Um Casamento Aldeão (1565). A cena, 
ocorrida no interior de um celeiro, repleta de personagens e situações, exemplifica a 
opção primeira de sua pintura: a riqueza de detalhes, o colorido e a técnica precisa. 
Muita coisa ocorre simultaneamente: em primeiro plano, os pratos transportados por 
dois homens de avental branco; no canto esquerdo, um homem serve cerveja e um 
menino brinca; à mesa, as pessoas comem e conversam, enquanto um grupo de 
músicos toca, de pé; no fundo, outros tentam entrar pela porta. O filão aberto por 
Bruegel vai ser explorado pelas obras animadas e humorísticas de Jan Steen (1626-
1679), popular pelas tavernas e ambientes festivos que descreve com atenção aos 
coloridos, gestos e poses. Dentre suas obras, algumas são pinturas de interiores, 
como A Festa na Osteria (1674) e A Festa de Batizado (1664). Jan Vermeer (1622-
1669 ou 1670) deixou registros antológicos de cenas de interior como A 
 
 
33 
 
Leiteira (ca.1660), Mulher Lendo Diante da Janela (ca.1657), Jarro de 
Vinho (ca.1658-1660), A Lição de Música (ca.1662-1665), entre outras. O registro de 
cenas da vida doméstica, por meio de imagens harmoniosas, o foco colocado em uma 
ou duas figuras - que realizam tarefas domésticas ou em momentos de lazer - e a luz 
que entra pelas janelas, á esquerda da composição - em que predominam amarelos, 
azuis e tons acinzentados - são traços destacados da pintura de Vermeer. 
No Brasil, a pintura de gênero é realizada pelos pintores do final do século XIX 
e início do século XX. No interior da ampla produção de Debret (1768-1848), por 
exemplo, o registro de cenas da vida cotidiana, dos ambientes domésticos e do mundo 
do trabalho está presente em diversos trabalhos, como Uma Senhora Brasileira em 
seu Lar (ca.1823), Botica e Interior de uma Casa de Ciganas (1823). Almeida Júnior 
(1850-1899), por sua vez, realiza pinturas de interior em diferentes momentos: Quarto 
do Artista em Paris (1886), O Importuno (1898). A pintura de gênero, e nesse caso 
mais detidamente o registro de ambientes interiores, encontra expressão em obras 
de Modesto Brocos (1852-1936) - Engenho de Mandioca (1892) -, de Belmiro de 
Almeida (1858-1935) - A Tagarela (1893) e Arrufos (1887) - e de Henrique Bernardelli 
(1858-1936), por exemplo Interior Italiano (s.d.). E nos anos 1920 convém recordar a 
produção francesa de Anita Malfatti (1889-1964). 
3.3.4 Pintura Sacra 
Convenciona-se chamar de pintura sacra aquela que representa assuntos ou 
personagens religiosos. Uma parcela significativa dessa produção é realizada sob 
encomenda para decorar forros das igrejas e capelas. Nesse sentido falar em pintura 
sacra significa referir-se a praticamente toda a história da arte cristã pois é na religião, 
nas cenas e figuras bíblicas, que os pintores vão buscar a maior parte de seus temas. 
Algumas representações transformaram-se em verdadeiros tópicos da pintura sacra, 
trabalhadas pelos artistas em diferentes períodos: a virgem; a virgem com o menino, 
a santa ceia, a crucificação, a conversação sacra (onde a virgem, o menino e os 
santos estão dispostos numa única cena). Desde que o imperador Constantino 
estabelece a Igreja Cristã como um poder do Estado, no ano 311 d.C., o 
relacionamento entre religião e arte se redefine. Trata-se de pensar a partir de então 
os lugares de culto e o modo de decorá-los, o que dá origem a uma série de disputas. 
 
 
34 
 
Afinal, seria lícito colocar imagens esculpidas e pintadas no interior das basílicas? O 
papa Gregório Magno, que vive em fins do século VI, tem grande importância na 
história da arte sacra na medida em que defende o uso de imagens nas igrejas, por 
seu sentido didático. As imagens são úteis para ensinar a palavra sagrada aos leigos. 
Diz ele: "A pintura pode fazer pelos analfabetos o que a escrita faz pelos que sabem 
ler". Isso leva a que a arte apele para métodos narrativos, contando e explicando os 
episódios da história bíblica (por exemplo, O Milagre dos Pães e dos Peixes, ca. 520 
d.C., mosaico da Basílica de Santo Apolinário, o Novo, em Ravena, Itália). 
 
 
 
35 
 
 
 
Apóstolo São Paulo , 1869 , Almeida Júnior 
Reprodução fotografica Romulo Fialdini 
 
 
Fonte: enciclopedia.itaucultural.org.br 
 
A arte cristã da Idade Média se beneficia da arte grega e romana, misturando 
processos e métodos, o que pode ser aferido pelo modo de representação das figuras 
humanas nos manuscritos e nas ilustrações da Bíblia em várias partes da Europa. 
Mas antes de conferir verossimilhança à imagem representada, o artista medieval visa 
transmitir de forma convincente a mensagem da história sagrada. A busca de clareza 
na apresentação dos conteúdos acompanha a arte religiosa desse período: 
iluminuras, calendários, esculturas, tapeçarias etc. Se a longa Idade Média é o tempo 
das catedrais isso quer dizer que a arquitetura é a arte mais importante de todo o 
período, prevalecendo na maior parte da Europa dos séculos XI e XII com o estilo 
românico e, entre os séculos XII e meados do XVI, com o gótico. Tendo a França 
como fonte de irradiação, toda a primeira fase do novo estilo gótico pode ser definida 
 
 
36 
 
como a linguagem artística da sólida estrutura monárquica francesa e do poder da 
Igreja, que se via como depositária das ciências e das artes, além de mediadora entre 
Deus e os homens. A proeminência da Igreja é enfatizada pela intensificação do culto 
à Virgem Maria, queassume o primeiro plano na iconografia sacra. Se é na arquitetura 
religiosa que o gótico vai predominar ao longo dos séculos XII e XIII - dialogando de 
perto com a escultura na decoração das catedrais -, entre os pintores o nome de Giotto 
(1266 ou 1267 - 1337) se destaca por lograr traduzir para a pintura as figuras realistas 
da escultura gótica. A obra do pintor florentino representa um corte em relação às 
convenções da tradição bizantina pela introdução de novos ideais naturalistas e pelo 
novo sentido atribuído ao espaço pictórico. Entre os trabalhos a ele atribuídos estão 
os afrescos da Capela de Arena, em Pádua (provavelmente concluídos em 1306). As 
idéias de Giotto influenciariam pintores como Simone Martini (ca.1284 - 1344) e Lippo 
Memmi. O retábulo representando a anunciação é pintado por ambos, em 1333, para 
a catedral de Siena. Nota-se a predileção por formas delicadas, corpos esguios, pela 
graça de movimentos e harmonia da composição, de acordo com os ensinamentos do 
gótico. 
Mas é ao longo do Renascimento, primeiro na Itália e depois no resto da 
Europa, entre os séculos XIV e XVI, que a pintura assume lugar destacado entre as 
artes e, com ela, os temas bíblicos, que se associam muitas vezes às figuras da 
mitologia greco-romana. Os ideais de perfeição, harmonia, equilíbrio e graça - 
representados com o auxílio dos sentidos de simetria e proporção das figuras - 
definem a orientação geral da arte do período e também da pintura sacra. Em 
Florença, Masaccio (1401 - 1428) efetua uma revolução na representação pictórica. 
A proximidade com arte escultórica de Donatello (ca.1386 - 1466), leva-o a projetar 
figuras vigorosas e robustas, que rejeitam a elegância gótica. Em sua breve trajetória, 
Masaccio deixa três obras reveladoras de seu estilo: um políptico, 1426, para a Igreja 
Carmelita de Pisa; um ciclo de afrescos sobre a vida de São Pedro (Capela Brancacci 
de Santa Maria dela Carmine, Florença, ca.1425/1428) e um afresco da Trindade em 
Santa Maria Novella, Florença, ca.1428. Marcas da pintura de Masaccio - sobretudo 
a representação pictórica da perspectiva arquitetônica - podem ser encontradas nas 
obras de Fra Angelico (ca.1400 - 1455), por exemplo, na Anunciação, ca.1435 (Museu 
Diocesano, Cortona). As obras mais famosas desse frei dominicano estão em São 
Marco, Florença (hoje Museu de Angelico), onde ele pinta mais de 50 afrescos. Um 
 
 
37 
 
dos maiores pintores do Quattrocento, responsável por vigorosas pinturas sacras, é 
Piero della Francesca (ca.1415 - 1492), que imortaliza um estilo em que se combinam 
grandeza, naturalidade, cor e luz. A série de afrescos sobre A Lenda da Verdadeira 
Cruz, ca.1452/ca.1465, no coro da Igreja de S. Francesco, em Arezzo, é considerada 
uma de suas maiores obras. Entre as imagens sacras que realiza estão: Flagelação, 
1455 e Nossa Senhora e o Menino com Federico da Montefeltro, ca.1475. 
Leonardo da Vinci (1452 - 1519) é autor de ampla obra artística e científica, 
célebre por seus escritos, pelos retratos e pela invenção da técnica 
do esfumato ("fumo", "fumaça"), em que se vale da justaposição de tons e cores 
diferentes, de modo que se misturem "sem limites ou bordas, à maneira da fumaça". 
Com isso Leonardo logra suavizar os contornos característicos da pintura do início do 
XV, revelando as potencialidades da tinta a óleo. Ele é autor de grandes obras da 
pintura com temas religiosos: Anunciação, ca.1475, em Uffizi, o retábulo A Adoração 
dos Magos (encomendado em 1478 e inacabado), A Virgem dos Rochedos, iniciada 
em 1483, Última Ceia, ca.1495, entre outras. As imagens de Rafael (1483 - 1520) dão 
plena expressão aos valores da arte renascentista, destacando-se pela beleza 
projetada segundo os padrões idealizados do universo clássico. A seu período 
florentino remontam célebres representações da virgem com o menino e pinturas da 
sagrada família, em que os personagens bíblicos são representados como seres 
humanos. Datam do período florentino, algumas de suas mais famosas imagens 
da Virgem com o Menino [Madona Sistina], ca.1512/1514. As obras de Michelangelo 
Buonarroti (1475 - 1564), exemplificam em várias modalidades mais uma realização 
bem-sucedida do modelo clássico. O afresco para o forro da Capela Sistina, 
1508/1512, está entre as mais importantes obras da pintura sacra e da arte pictórica 
em geral. Executa para Paulo III suas últimas pinturas: a Conversão de S. Paulo e 
a Crucificação de S. Pedro, 1542/1550, afrescos na capela Paolina, no Vaticano. Na 
escola veneziana, o nome de Ticiano (ca.1488 - 1576) deve ser lembrado pela 
execução de uma série de obras-primas da pintura religiosa: a Assunção, 1518, 
a Virgem Aparecendo a São Francisco e a Santo Alviso, 1520 e a Apresentação da 
Virgem no Templo, 1534/1538. 
Falar em pintura sacra fora da Itália é referir-se imediatamente a Matthias 
Grünewald (ca.1480 - 1528), pintor alemão que se concentra exclusivamente em 
temas religiosos, em particular no tópico da crucificação. Sua mais famosa 
 
 
38 
 
representação do tema é o painel central do retábulo para a igreja do hospital de 
Isenheim, Alsácia - A Crucificação, ca.1515. O pintor neerlandês Hieronymus Bosch 
(ca.1450 - 1516), imortaliza episódios bíblicos, representados de forma alegórica e 
não-convencional. Cenas da vida de Cristo e dos santos são narradas em parte de 
suas telas como base em representações do mal e das tentações (As Tentações de 
Santo Antão, por exemplo). Na escola espanhola, El Greco (1541- 1614) amadurece 
um estilo próprio em telas repletas de figuras alongadas pintadas com cores frias. A 
execução do retábulo-mor da Igreja de S. Domingo El Antiguo leva-o a Toledo, em 
1577, onde realiza a famosa Ascensão da Virgem, 1577. Outro retábulo célebre é o El 
Espolio [Cristo Despojado de Suas Vestes], 1577/1579, da catedral de Toledo. Diego 
Velázquez (1599 - 1660), com A Imaculada Conceição, ca.1618 e a Adoração dos 
Magos, 1619, cria uma arte religiosa naturalista, em que as figuras, menos do que 
tipos idealizados, são retratos. 
O barroco talvez seja a última expressão contundente da pintura sacra. 
Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571 - 1610), mais original e influente pintor 
italiano do século XVII, é responsável por duas encomendas públicas em seu segundo 
período romano (1599-1606) - decoração da Capela Contarelli, em S. Luigi dei 
Francesi (Vocação de S. Mateus e Martírio de São Mateus, 1599/1600) e duas 
pinturas para a Capela Cerasi em Santa Maria del Popolo (Crucificação de São 
Pedro e Conversão de São Paulo, 1600/1601) - a partir das quais se dedica quase 
que exclusivamente à pintura de obras religiosas de grande porte, entre elas: 
o Sepultamento, 1602/1604 (Vaticano), a Virgem de Loreto, 1603/1605 (S. Agostino, 
Roma), a Virgem dos Palafreneiros, 1605 (Galeria Borghese, Roma) e a Morte da 
Virgem, 1605/1606. Oriundo de Bolonha, Annibale Carraci (1560 - 1609) realiza obras 
religiosas, como o retábulo da virgem chorando sobre o corpo do Cristo morto (Pietá, 
1599/1600), que não oferece os horrores da morte e da dor - como em Grünewald - 
mas uma cena plácida a ser contemplada. Guido Reni (1575 - 1642) flerta com o estilo 
de Caravaggio em várias obras religiosas, por exemplo na Crucificação de São Pedro, 
1603 (Vaticano). 
Ainda que seja difícil definir os marcos temporais exatos, é possível verificar o 
declínio da pintura sacra a partir do fim do século XVII e início do século XVIII, 
explicável em função da redefinição da sociedade européia, no interior da qual a Igreja 
- e com ela a arte religiosa - perde progressivamente a importância. As transformações 
 
 
39 
 
econômicas, políticas e sociais em curso se aprofundam nos séculos posteriores,originando uma "era das revoluções", nos termos empregados pelo historiador inglês 
Eric Hobsbawn para fazer referência ao período compreendido entre 1789 e 1848. 
Assiste-se ao triunfo da indústria capitalista, da sociedade burguesa liberal e do 
Estado moderno e, com eles, à crença na idéia de progresso, de conhecimento 
científico e à crescente laicização da sociedade. Nesse contexto transformado, os 
temas religiosos prevalentes na pintura até então perdem força, ainda que a pintura 
sacra se mantenha como um gênero, entre outros, concorrendo com a pintura 
histórica, a pintura de gênero, a pintura documental etc. 
No Brasil, o barroco e o rococó são fontes privilegiadas da produção de arte 
religiosa. No campo da pintura sacra especificamente, destaca-se o nome de Manoel 
da Costa Athaide (1762 - 1830), um dos mais talentosos pintores barrocos, 
responsável, entre outros, pela pintura ilusionista do teto da nave (1802) da Igreja da 
Ordem Terceira de São Francisco de Assis da Penitência, de Ouro Preto, Minas 
Gerais. Da chamada "escola baiana de pintura" destacam-se José Joaquim da Rocha 
(1737 - 1807) - responsável pelo óleo Coroação de Nossa Senhora, ca.1790 - 
e Teófilo de Jesus (1758 - 1847), autor de O Sumo Sacerdote Melquisedeque e Jesus 
Institui a Eucaristia, ambas de 1793, obras pertencentes ao acervo do Museu de Arte 
Sacra, em Salvador. 
 
3.4 Colagem 
 
 
Fonte: www.zupi.com.br 
 
 
40 
 
A colagem como procedimento técnico tem uma história antiga, mas sua 
incorporação na arte do século XX, com o cubismo, representa um ponto de inflexão 
na medida em que liberta o artista do jugo da superfície. Ao abrigar no espaço do 
quadro elementos retirados da realidade - pedaços de jornal e papéis de todo tipo, 
tecido, madeira, objeto e outros -, a pintura passa a ser concebida como construção 
sobre um suporte, o que dificulta o estabelecimento de fronteiras rígidas entre pintura 
e escultura. Fruteira e Copo(1912), de Georges Braque (1882-1963), é considerada 
uma das primeiras colagens da arte moderna. A partir desse momento, a técnica é 
largamente empregada em diferentes escolas e movimentos artísticos, com sentidos 
muito variados. Pablo Picasso (1881-1973) encontra no novo recurso um instrumento 
de experimentação inigualável, que tem início com Copo e Garrafa de Suze (1912), 
parte de uma série em que são utilizados papéis e desenhos a carvão. 
O uso de papéis colados abre pesquisas cubistas em novas direções. A 
utilização cada vez mais livre de materiais heterogêneos, não só papel, dá origem a 
objetos tridimensionais e relevos. Nessa direção, Juan Gris (1887-1927), outro grande 
nome do cubismo que trabalha exaustivamente com colagens, define a pintura como 
"espécie de arquitetura plana com cor". As colagens de Braque, Picasso e Gris 
despertam o interesse de artistas dos círculos cubistas mais próximos e mais 
distantes. Albert Gleizes (1881-1953), Louis Marcoussis (1883-1941), André Derain 
(1880-1954), Robert Delaunay (1885-1941) e Sonia Delaunay-Terk (1885-1979), entre 
outros nomes do circuito parisiense, passam a fazer uso de colagens em suas 
composições. Na escultura - também realizada por Braque e Picasso -, os trabalhos 
de Alexander Archipenko (1887-1964), Jacques Lipchitz (1891-1973), Vladimir Tatlin 
(1885-1953), Pablo Gargallo (1881-1934) e Henri Laurens (1885-1954) são exemplos 
da articulação entre superfícies e volumes, em consonância com o programa das 
colagens cubistas. 
Os princípios de composição inaugurados pelas colagens encontram 
seguidores em todo o mundo, o que não significa falar em generalização uniforme, 
mas em interpretações distintas de um mesmo procedimento. Na Itália, um diálogo 
cerrado com o meio francês leva os artistas reunidos em torno do futurismo a praticar 
colagens em sentido cubista estrito. Um traço destacado da produção futurista - em 
Umberto Boccioni (1882-1916) e Gino Severini (1883-1966), por exemplo - diz respeito 
à atenção dedicada ao mundo moderno, sobre o qual os artistas se debruçam 
 
 
41 
 
sistematicamente, por meio de comentários que fazem à guerra, - tecnologia, 
velocidade, violência etc. Os trabalhos de Giacomo Balla (1871 ou 1874-1958) e Luigi 
Russolo (1885-1947) apontam rumo às pesquisas abstratas. Na Rússia de Kazimir 
Malevich (1878-1935) e Tatlin, as conquistas cubistas adquirem novas feições. As 
colagens aderem às tendências construtivas em pauta, ganhando destaque os 
princípios de composição propriamente ditos e o poder expressivo dos materiais, por 
exemplo nos "relevos pictóricos" de Tatlin. 
Diverso é o resultado da técnica no interior do movimento dada. Em Marcel 
Duchamp (1887-1968) e Francis Picabia (1879-1953), nota-se uma radicalização dos 
procedimentos usuais da colagem, numa clara recusa ao que eles consideram a 
rigidez cubista. Nos trabalhos de Kurt Schwitters (1887-1948), a ênfase recai sobre 
elementos e materiais diversos, que encontram seu exemplo mais acabado nas 
obras Merz (1919). "A pintura Merz", diz ele, "não utiliza só a cor e a tela, o pincel e a 
paleta, senão todos os materiais percebidos pelos olhos e todas as ferramentas 
necessárias." Com Max Ernst (1891-1976), ampliam-se as possibilidades da colagem. 
Nota-se uma articulação imprevista dos elementos e uma abertura mais direta ao 
irracional, no que é seguido pelos surrealistas, que levam ao limite a idéia de 
associação de elementos díspares e de construção de uma "realidade irreal", por 
exemplo, em Joán Miró (1893-1983), Yves Tanguy (1900-1955), René Magritte (1898-
1967), André Masson (1896-1987) e Salvador Dalí (1904-1989). Diferente é a 
trajetória seguida pelos artistas ligados a Bauhaus quando empregam a colagem e a 
montagem como parte de seu programa pedagógico. Distinto também o sentido que 
Henri Matisse (1869-1954) atribui aos papéis colados que utiliza na obra de 
maturidade, em que a pesquisa da forma liga-se diretamente à exploração da cor. 
Nas artes plásticas brasileiras, as colagens foram testadas por diferentes 
artistas, por exemplo, nas obras de Carlos Scliar (1920-2001), Piza (1928), Guignard 
(1896-1962), Jorge de Lima (1893-1953) e Athos Bulcão (1918-2008). São elas que 
também oferecem possibilidades aos relevos espaciais de Hélio Oiticica (1937-
1980) e os casulos e bichos de Lygia Clark (1920-1988). 
 
 
42 
 
3.5 Escultura 
 
Fonte: incrivel.club 
É uma arte que representa imagens plásticas em relevo total ou parcial usando 
a tridimensionalidade do espaço. Os processos da arte em escultura datam da 
Antiguidade e sofreram poucas variações até o século XX. Estes processos podem 
ser classificados segundo o material empregado: pedra, metal, argila, gesso ou 
madeira. A técnica da modelagem consiste em elaborar esculturas inéditas através 
desta técnica. São utilizados materiais macios e flexíveis, facilmente modeláveis, 
como a cera, o gesso e a argila. 
No caso da argila, a escultura será posteriormente cozida, tornando-se 
resistente. A modelagem é, também, o primeiro passo para a confecção de esculturas 
através de outras técnicas, como a fundição e a moldagem. 
A técnica do entalhe é um processo que requer tempo e esforço, já que o artista 
trabalha minuciosamente numa escultura, cortando ou extraindo o material supérfluo 
(madeira, por exemplo) até obter a forma desejada. O material é sempre rígido e, com 
frequência, pesado. A arte de esculpir em madeira utiliza poucas espécies de árvores, 
que são selecionadas em função da sua textura, da beleza do material proporcionado 
pelos veios e pela tonalidade da matéria prima. As madeiras comumente utilizadas 
são o cedro e o mogno, por serem fáceisde trabalhar e mais leves. O acabamento da 
obra é dado com tintas e vernizes preparados com resinas químicas ou naturais. 
 
 
43 
 
 Outra técnica utilizada para a escultura é fundição de metal (ferro, cobre, 
bronze etc.) em que se faz um processo complexo que começa com um modelo em 
argila, passando por um molde que será preenchido com cera, obtendo-se outra peça 
idêntica neste material, que poderá ser retocada, para corrigir algumas imperfeições 
derivadas do molde. Depois de modelada em cera. 
 
 
Fonte: blog.usenatureza.com 
Em seguida, o metal líquido é vazado dentro de um molde, ocupando o lugar 
deixado pela cera. O gesso é dissolvido em uma lavagem a jato de água, revelando a 
peça com seus contornos. A escultura de metal passa, então, por um processo final 
de recorte e de acabamento. 
 
 
44 
 
3.6 Arquitetura 
 
Fonte: www.anchieta.br 
Entre muitas outras coisas, a Arquitetura é a organização do espaço 
tridimensional. É uma atividade humana existente desde que o homem passou a se 
abrigar das intempéries do clima. Uma definição mais precisa da área envolve todo o 
design do ambiente construído pelo homem, o que engloba desde o desenho de 
mobiliário (desenho industrial) até o desenho da paisagem (paisagismo) e da cidade 
(urbanismo), passando pelo desenho dos edifícios e construções (considerada a 
atividade mais comum dos arquitetos). O trabalho do arquiteto envolve, portanto, toda 
a escala da vida do homem, desde a manual até a urbana. 
A arquitetura se manifesta de dois modos diferentes: a atividade (a arte, o 
campo de trabalho do arquiteto) e o resultado físico (o conjunto construído de um 
arquiteto, de um povo e da humanidade como um todo). 
A Arquitetura depende ainda, necessariamente, da época da sua ocorrência, 
do meio físico e social a que pertence, da técnica decorrente dos materiais 
empregados e, finalmente, dos objetivos e dos recursos financeiros disponíveis para 
a realização da obra, ou seja, do programa proposto. 
Bem mais do que planejar uma construção ou dividir espaços para sua melhor 
ocupação, a Arquitetura fascina, intriga e, muitas vezes, revolta as pessoas envolvidas 
pelas paredes. Isso porque ela não é apenas uma habilidade prática para solucionar 
os espaços habitáveis, mas encarna valores. A Arquitetura desenha a realidade 
 
 
45 
 
urbana que acomoda os seres humanos no presente. É o pensamento transformado 
em pedra, mas também a criação do pensamento. 
3.6.1 Arquitetura Racionalista 
O racionalismo arquitetônico corresponde a uma tendência introduzida na 
Europa, no início do século XX, que mantém forte compromisso com as conquistas da 
estética do cubismo. A experiência da Bauhaus (1919) é decisiva para o 
desenvolvimento de uma linhagem racionalista no campo da arquitetura. As pesquisas 
formais e as tendências construtivistas realizadas com o máximo de economia na 
utilização do solo e na construção; a atenção às características específicas de 
diferentes materiais (madeira, ferro, vidro, metais etc.), a idéia de que a forma artística 
deriva de um método, ou problema, previamente definido, o que leva à 
correspondência entre forma e função; e o recurso permanente às novas tecnologias 
estão entre os principais postulados da escola criada e dirigida por Walter Gropius 
(1883 - 1969). O léxico de matriz cubistae construtivista adotado pelos arquitetos traz 
o uso sistemático de formas elementares na composição arquitetônica de modo a 
obter simetria, equilíbrio e regularidade no conjunto projetado. A utilização de 
materiais novos, a estrutura aparente, as coberturas planas, o despojamento da 
ornamentação, as grandes superfícies envidraçadas e a preocupação com o espaço 
interno do edifício constituem outros pontos centrais da chamada arquitetura 
racionalista. 
Além de Gropius, os nomes de Mies van der Rohe (1886 - 1969) e Le Corbusier 
(nascido Charles-Édouard Jeanneret, 1887-1966) estão entre os mais importantes 
expoentes da arquitetura moderna - de corte racionalista e funcionalista -, que se 
dissemina nas primeiras décadas do século XX por todo o mundo. Le Corbusier, 
especialmente, conhece proeminência na cena internacional, entre 1920 e 1960. 
Pintor e escultor, além de arquiteto e urbanista, ele tem intensa participação nos 
debates das artes visuais, sobretudo em função da revista L'Esprit Nouveau (1920-
1925) e do purismo que defende no manifesto Après le cubisme(1918). Mas são os 
ensaios reunidos em Vers une Architecture (1923) que lhe conferem reconhecimento 
internacional como formulador dos princípios da nova arquitetura, ancorada no plano 
racional e na funcionalidade. Os cinco elementos que definem seu programa são os 
 
 
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pilotis, a planta livre, o terraço-jardim, a fachada livre e as janelas horizontais. Os 
princípios centrais do método de trabalho e da filosofia urbanística de Le Corbusier - 
o uso racional dos materiais, métodos econômicos de construção, linguagem formal 
sem ornamentos e diálogo sistemático com a tecnologia industrial - têm forte influência 
na arquitetura moderna brasileira, sobretudo por suas sucessivas vindas ao país. 
3.7 Fotografia Artística 
Denominação equivocada e desprovida de sentido profundo, surgida em 
meados do século XIX para designar as canhestras tentativas daqueles fotógrafos que 
procuravam a valorização de seus trabalhos como arte através da imitação da estética 
consagrada da pintura. Termos mais indicados para designar a fotografia criativa na 
atualidade são: fotografia de autor ou fotografia de expressão pessoal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 BIBLIOGRAFIA BÁSICA 
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