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GABARITO – 1ª LISTA DE EXERCÍCIOS 
Data de entrega: 03/05/2017; Data de divulgação do gabarito: 04/05/2017 
 
Capítulo 2 – Exercício 2 
O México e o Brasil possuem parceiros econômicos bastante distintos. O México comercializa 
principalmente com os Estados Unidos, enquanto o Brasil tem um comércio equilibrado entre 
os Estados Unidos e a União Europeia; o México comercializa muito mais em relação ao seu 
PIB. Explique essas diferenças utilizando o modelo de gravidade. 
O modelo de gravidade busca explicar o volume de comércio entre países ou regiões pelo 
tamanho das economias envolvidas e a distância entre elas. Segundo o modelo, quanto 
maiores forem as economias, maior tende a ser o volume de comércio entre elas. Isto porque, 
considerando a ótica da produção, economias com grandes produções tendem a ter grandes 
volumes de exportação. A ótica da renda indica que economias ricas (grandes) tendem a 
demandar maior nível de importação, também intensificando o volume de comércio. 
O volume de comércio também é explicado, segundo o modelo, pela distância entre as 
economias: quanto maior a distância entre as economias, maiores são os custos de transporte 
e consequentemente, menor o volume de comércio. 
É possível analisar volume de comércio do Brasil e México em relação aos Estados Unidos 
(EUA) e União Europeia (UE) com base no modelo de gravidade, considerando os fatores 
distância e tamanho (PIB). 
Os PIBs dos EUA e da UE são semelhantes, portanto o fator tamanho da economia não deve 
influenciar a análise da relação comercial dos países nesta questão. 
Para o Brasil, a distância do país em relação aos EUA ou UE é semelhante e sendo também o 
PIB destas duas regiões semelhantes, o modelo de gravidade deve indicar um comércio 
equilibrado entre o Brasil com relação aos EUA e UE. 
Para o México, a distância é bastante mais curta com os EUA (fronteira física) do que com a UE, 
o que, segundo o modelo, deve indicar maior volume de comércio mexicano com os EUA do 
que com a UE. 
 O modelo de gravidade também é útil ao apontar situações de relações comerciais muito mais 
intensas (ou fracas) do que as esperadas. No caso do México, o maior volume de comércio 
observado com os EUA pode ser explicado pelo Nafta, acordo de livre comércio que envolve 
esses países, e que intensifica o volume de comércio além do que o modelo de gravidade 
consegue prever pelos fatores tamanho e distância. 
 
 
Capítulo 2 – Exercício 4 
Ao longo das últimas décadas, as economias do leste asiático aumentaram a sua quota do PIB 
mundial. Da mesma forma, o comércio intraleste asiático – ou seja, o comércio entre as nações 
do leste asiático – tem crescido como uma parte do comércio mundial. Mais do que isso, os 
países do leste asiático têm uma quota crescente das suas trocas comerciais entre si. Explique 
o porquê, usando o modelo de gravidade. 
 Uma vez que a participação dos países do Leste Asiático no PIB mundial aumentou, a 
participação nas relações comerciais também aumentou. A mesma lógica explica porque estes 
países comercializam mais entre eles. 
No passado estas economias eram menores, o que significa que os seus mercados domésticos 
também eram menores. Portanto, elas importavam menos (porque consumiam menos) e 
também exportavam menos (porque produziam menos). Conforme estes países ficaram mais 
ricos e a demanda de consumo aumentou, as importações cresceram substancialmente. Do 
lado da oferta, o crescimento de suas quotas no PIB mundial, implica em maior produção, o 
que possibilita mais exportações para o mundo. 
A maior comercialização ente eles decorre, pelo lado da demanda, de importar produtos que 
anteriormente não consumiam. As exportações que eles costumavam vender a países ricos 
começaram a ser vendidas a os seus vizinhos, pois seus mercados domésticos também 
aumentaram. 
 
 
Capítulo 3 – Exercício 1 
Doméstica possui 1.200 unidades de mão de obra disponíveis. Pode produzir dois bens, maçãs 
e bananas. Os requisitos de mão de obra unitária na produção de maçã são 3 , enquanto na de 
banana são 2. 
a) Faça o gráfico da FPP da Doméstica. 
b) Qual é o custo de oportunidade de maçãs em termos de bananas? 
c) Na ausência de comércio, qual seria o preço das maçãs em termos de bananas? Por quê? 
 
L = 1200 L* = 800 
aLm = 3 a*Lm = 5 
aLb = 2 a*Lb = 1 
 
Ex1. a) ��� ∗ �� + ��� ∗ �� = 1200 Ex2. a) ���∗ ∗ �� + ���∗ ∗ �� = 800 
�� = 400 − 2 3� ∗ �� ��∗ = 160 − 1 5� ∗ ��∗ 
 
 
b) Custo de oportunidade de maçãs em termos de bananas = necessidade unitárias de trabalho 
em cada setor (modelo de Ricardo) 
���
��� =
3
2� 
 
c) Na ausência de comércio, o preço relativo é igual ao custo relativo que, por sua vez, é igual 
às necessidades unitárias de trabalho multiplicada pelo salário do setor. 
Os salários são iguais nos dois setores (devido a plena mobilidade do trabalho), então, 
��
��
� 3 2� 
 
Capítulo 3 – Exercício 2 
Considere Doméstica conforme descrita no problema 1. Há também outro país, Estrangeira, 
com uma força de trabalho de 800 mãos de obra. Os requisitos de mão de obra unitária de 
Estrangeira na produção de maçã são 5, enquanto na produção de banana são 1. 
a) Faça o gráfico da FPP de Estrangeira. 
b) Construa a curva de oferta relativa mundial. 
a) Acima. 
b) Curva de oferta relativa mundial é baseada nos custos de oportunidade dos dois países: 
���
���
� 3 2� ‹ 
���
∗
���
∗ � 5 1� Portanto, o local tem vantagem comparativa na 
produção de maçã e o estrangeiro tem vantagem comparativa na produção de banana. 
• 
��
��
� 3 2� : custo de oportunidade de produzir maçãs em termos de bananas é maior que o 
preço relativo nos dois países, portanto, ninguém oferta maçãs. 
 
• 
��
��
� 3 2� : Local é indiferente entre produzir maçã ou banana (poderia produzir até 400 
maçãs) porque seu custo de oportunidade de produzir maçã em termos de banana é igual 
ao preço relativo; Estrangeiro só produz banana (um total de 800 bananas) porque o seu 
custo de oportunidade de produzir maçãs em termos de bananas é maior do que o preço 
relativo. 
 
• 3 2� <
��
�� < 5 1� : trecho em que há especialização das economias: Local só produz maçãs 
porque o seu custo de oportunidade de produzir maçã em termos de banana é menor do 
que o preço relativo da maçã (oferta 400 maçãs). Estrangeiro só produz bananas porque o 
seu custo de oportunidade de produzir maçã (banana) em termos de banana (maçã) é 
maior (menor) do que o preço relativo da maçã (oferta 800 maçãs). 
 
• 
��
�� = 5 1� : Local só oferta maçãs (custo de oportunidade maior do que o preço relativo, 
400). Estrangeiro é indiferente entre produzir um bem ou outro e oferta um pouco de cada 
(pois seu custo de oportunidade é igual ao preço relativo). 
 
• 
��
�� > 5 1� : Ambos os países produzem maçãs, pois seus custos de oportunidade de 
produção de maçã em termos de banana é menor do que o preço relativo da maçã. A 
oferta total de maçãs é 400 (Local) + 160 (Estrangeiro) = 560. 
 
Capítulo 3 – Exercício 3 
Agora suponha que a demanda mundial relativa assume a seguinte forma: Demanda por 
maçãs/Demanda por bananas = preço de bananas/preço de maçãs. 
a) Faça o gráfico da curva de demanda relativa junto com a curva de oferta relativa. 
b) Qual é o preço de equilíbrio relativo de maçãs? 
c) Descreva o padrão de comércio. 
d) Demonstre que Doméstica e Estrangeira ganham com o comércio. 
 
a) Curva de demanda relativa mundial é negativamente inclinada. Para desenharmos a curva, 
podemos sugerir alguns valores de preços relativos. 
Curva de demanda relativa mundial: 
��
�� =
��
��. Pontos da curva 
• 
��
�� = 3 2� →
��
�� = 2 3� =
��
�� ∴ (2/3, 3/2) 
• 
��
�� = 5 1� →
��
�� = 1 5�=
��
�� ∴ (1/5, 5/1) 
• 
��
�� = 2 →
��
�� = 1 2� =
��
�� ∴ (1/2, 2) 
 
 
b) Equilíbrio ocorre no ponto em que a curva de oferta relativa mundial intercepta a curva de 
demanda relativa mundial, ou seja: 
����� �
�
= ����� �
�
= ���� 
Se há especialização, 
!"�"� #
� = $%%&%% =
'
( =
��
�� ∴ 
��
�� = 2 
 
c) Segundo o modelo de Ricardo, com o comércio, os países especializam sua produção no 
bem que possuem vantagem comparativa, que depende, por sua vez, do custo de 
oportunidade de produzir um bem em relação ao outro. 
Temos as seguintes informações: 
���
��� = 3 2� ‹ 
��
�� = 2 ‹ 
���∗
���∗
= 5 1� 
 
No Local, o preço relativo da maçã é maior do que seu custo de oportunidade. Portanto, o 
Local se especializa na produção de maçã e oferta 400 maçãs. 
No Estrangeiro, o preço relativo da banana é maior do que seu custo de oportunidade. 
Portanto o Estrangeiro se especializa na produção de banana e oferta 800 bananas. 
 
d) Há ganhos de comércio se mostrarmos que a produção indireta (permitindo trocas 
comerciais) gera maior produção do que a produção direta (não se permitem trocas 
comerciais). 
 
Local (produção direta): precisa de aLm = 3 horas para produzir 1 Kg de maçã 
 1 hora, produz 1/3 kg de maçã 
Qm+Q*m 
Qb+Q*b 
Com comércio (produção indireta): 1/3 Kg de maçã troca por 1 3� ∗ �� ��� = 2 3� Kg banana 
- 2/3 Kg de banana é mais do que Local conseguiria produzir por produção direta de banana: 
 Produção direta de banana no Local em 1 hora = ½ Kg 
 
Estrangeiro (produção direta): precisa de a*Lb= 1 hora para produzir 1 Kg de banana 
 1 hora, produz 1 kg de banana 
Com comércio (produção indireta): 1 Kg de banana troca por 1 ∗ �� ��� = 2 Kg maçãs 
- 2 Kgs de maçãs é mais do que Estrangeiro conseguiria produzir por produção direta de 
maçãs: 
 Produção direta de maçãs no Estrangeiro em 1 hora = 1/5 Kg 
 
Capítulo 3 – Exercício 4 
Suponha que, em vez de 1.200 trabalhadores, Doméstica tem 2.400. Encontre o preço de 
equilíbrio relativo. O que você pode dizer sobre a eficiência da produção mundial e a divisão 
dos fanhos do comércio entre Doméstica e Estrangeira neste caso? 
 
 
L = 2400 L* = 800 
aLm = 3 a*Lm = 5 
aLb = 2 a*Lb = 1 
 
O aumento do número de trabalhadores no mercado doméstico desloca para a direita a curva 
da oferta relativa de tal modo que os pontos no cruzamento são (1; 3/2) e (1; 5) em vez de 
(1/2; 3/2) e (1/2; 5). 
Os valores de 3/2 e 5 se mantêm porque as tecnologias de produção não foram alteradas. No 
entanto, no eixo horizontal, temos que, com a especialização de cada país na produção do 
bem em que possuem vantagem comparativa. Assim, o Local oferta somente maçãs, na 
quantidade de 2400/3 = 800. O Estrangeiro oferta somente bananas, na quantidade de 
800/1=800. 
Assim, a oferta relativa mundial, com comércio, é de Qm/Qb = 800 /800 =1 
 
Da curva de demanda, sabemos que 
Se Pm/Pb = 1, então DR = Pb/Pm = 1 
Se DR = Pb/Pm. Se Pm/Pb = 3/2, então DR = 2/3 
Então a curva de demanda relativa intercepta a de oferta relativa na seção horizontal inferior, 
conforme o gráfico. Neste caso, o novo preço de equilíbrio do mercado mundial é 3/2. 
A este preço, o país Local produz como se não estivesse no mercado mundial, ou seja, produz 
bananas e maçãs. Então o Local não prede nem ganha com o comércio, ou seja, não há ganhos 
de comércio no Local. Já para o Estrangeiro, o preço relativo da maçã é menor do que seu 
custo de oportunidade. Com o comércio, o preço relativo da maçã em termos de banana 
diminuiu, sendo ainda mais vantajoso para o Estrangeiro continuar se especializando na 
produção de banana. Todo o ganho de comércio gerado é apropriado pelo Estrangeiro. 
 
Capítulo 3 – Exercício 5 
Suponha que Doméstica tenha 2.400 trabalhadores, mas que eles sejam apenas 50% tão 
produtivos em ambas as indústrias em relação aos valores supostos anteriormente. Construa a 
curva de oferta relativa mundial e determine o preço de equilíbrio relativo. Como os ganhos do 
comércio se comparam com aqueles do caso descrito no problema 4? 
Dobrando os trabalhadores, mas reduzindo sua produtividade à metade não altera o resultado 
em relação às respostas vistas no exercício 3, visto que o custo de oportunidade de maçãs em 
termos de bananas não mudou. Assim, o preço de equilíbrio de mercado mundial é 2 e ambos 
os países se beneficiam do comércio. Basta, portanto, comparar as respostas do exercício 3 
diretamente com as do exercício 4. 
 
 
Capítulo 4 – Exercício 3 
O produto marginal das curvas de mão de obra correspondentes às funções de produção no 
problema 2 são as seguintes. 
a) Suponha que o preço da mercadoria 2 em relação ao da mercadoria 1 é 2. Determine 
graficamente a taxa salarial e a alocação de mão de obra entre os dois setores. 
b) Usando o gráfico desenhado para o Problema 2, determine a produção de cada setor. Então, 
confirme graficamente que a inclinação da FPP nesse ponto é igual ao preço relativo. 
c) Suponha que o preço relativo da mercadoria 2 caia para 1,3. Repita a e b. 
d) Calcule os efeitos da mudança de preço de 2 para 1,3 sobre os rendimentos dos fatores 
específicos nos setores 1 e 2. 
 
 
a) 
 
Trabalho PmgL1 PmgL2 2*PmgL2 Invertendo ordem 2*PmgL2 
 
100 0.80 
10 1.51 1.59 3.18 90 0.86 
20 1.14 1.05 2.10 80 0.92 
30 1.00 0.82 1.64 70 1.00 
40 0.87 0.69 1.38 60 1.08 
50 0.78 0.60 1.20 50 1.20 
60 0.74 0.54 1.08 40 1.38 
70 0.69 0.50 1.00 30 1.64 
80 0.66 0.46 0.92 20 2.10 
90 0.63 0.43 0.86 10 3.18 
100 0.60 0.40 0.80 
 
 
 
 
 
Salário de equilíbrio: w = MPL1*P1 = MPL2*P2 
Como P2 = 2*P1, temos w = MPL1*P1 = 2* MPL2*P1 
 MPL1 = 2*MPL2 
Comparando a coluna 2 com a 6 da tabela acima, vemos que esse equilíbrio é satisfeito 
quando: 
 
Mercadoria 1: L=30 trabalhadores; MPL1=1,0 
Mercadoria 2: L=70 trabalhadores; MPL2=0,5 
 
Portanto, salário de equilíbrio: w = MPL1*P1 = 1*P1 = P1 
 
 
b) O equilíbrio ocorre na interseção das duas curvas de valor de produto marginal (para o bem 
1 e para o bem 2), conforme o gráfico acima. É possível supor que P1=1 e P2=2. Pode ser 
qualquer valor, apenas é necessário manter a relação. 
 
Mercadoria 1: L1=30 ; Q1 = 48,6 
Mercadoria 2: L2=70 ; Q2 = 86,7 
Equilíbrio (Q1,Q2)= (48,6; 86,7) 
 
No ponto de produção, P1/P2 deve ser igual a MPL2/MPL1. 
 
P1/P2 = ½ (do enunciado do exercício) 
 
Inclinação da FPP com L1=30 e L2=70: MPL2/MPL1 = 0,5/1 = ½ (dos dados do exercício) 
 
Gráfico problema 2, funções de produção: 
 
 
Gráfico problema 2: FPP 
 
 
 
c) P2=1,3P1 
 
Trabalho PmgL1 PmgL2 1.3*PmgL2 Invertendo ordem 1.3*PmgL2 
 
100 0.52 
10 1.51 1.59 2.067 90 0.56 
20 1.14 1.05 1.365 80 0.60 
30 1.00 0.82 1.066 70 0.65 
40 0.87 0.69 0.897 60 0.70 
50 0.78 0.60 0.78 50 0.78 
60 0.74 0.54 0.702 40 0.90 
70 0.69 0.50 0.65 30 1.07 
80 0.66 0.46 0.598 20 1.37 
90 0.63 0.43 0.559 10 2.07 
100 0.6 0.4 0.52 
 
Mercadoria 1: L=50 trabalhadores; MPL1 = 0,78 
Mercadoria 2: L=50 trabalhadores; MPL2 = 0,60 
 
Weq = MPL1*P1 Weq = MPL2*P2 
 = 0,78*P1 = 0,6*1,3*P1 
 =0,78*P1 
 
Mercadoria 1: L1=50 ; Q1 = 66 
Mercadoria 2: L2=50 ; Q2 = 75,8 
Equilíbrio (Q1,Q2)=(66; 75,8) 
P1/P2 = 1/1.3 = 0,77 
 
Inclinação da FPP com L1=50 e L2=50: MPL2/MPL1 = 0,60/0,78 = 0,77 
 
 
d) 
situação 1: P1/P2 = 0,5 
situação 2: P1/P2=0,77 
Portanto, passamos para um ponto mais inclinado da FPP. 
 
Mercadoria 1 (L, K) sendo L fator móvel e K fator fixo 
Mercadoria 2 (L, T) sendo L fator móvel e T fator fixo 
 
Segundo o modelo, 
O fator específico para o setor cujo preço relativo aumentou está melhor. 
 Para o setor 1, o preço relativo aumentou. Fator específico = K 
 Portanto, osproprietários de capital estão melhores com a mudança do preço relativo 
 
O fator específico para o setor cujo preço relativo diminuiu está pior. 
 Para o setor 2, o preço relativo diminuiu. Fator específico = T 
 Portanto, os proprietários de terra estão piores com a mudança do preço relativo 
 
 
 
Capítulo 4 – Exercício 4 
Considere dois países (Doméstica e Estrangeira) que produzem as mercadorias 1 (com mão de 
obra e capital) e 2 (com mão de obra e terra), de acordo com as funções de produção descritas 
nos Problemas 2 e 3. Inicialmente, os dois países têm o mesmo fornecimento de mão de obra 
(100 unidades de cada), capital e terra. O estoque de capital em Doméstica então cresce. Essa 
mudança desloca-se para fora a curva de produção da mercadoria 1 em função da mão de 
obra empregada e o produto marginal associado da curva de mão de obra. Nada acontece com 
a produção e as curvas de produto marginal para a mercadoria 2. 
a) Mostre como o aumento da oferta de capital para Doméstica afeta sua FPP. 
b) No mesmo gráfico, trace a curva de fornecimento relativo para a economia de Doméstica e 
de Estrangeira. 
c) Se essas duas economias se abrem ao comércio, o que acontecerá com os padrões de 
comércio (ou seja, qual país exportará que mercadoria)? 
d) Descreva como a abertura ao comércio afeta todos os três fatores (mão de obra, capital, 
terra) em ambos os países. 
 
 
a) O aumento do estoque de capital em Doméstica aumentará a possível produção de bem 1, 
mas não terá efeito sobre a produção de bem 2, pois o bem 2 não utiliza capital na produção 
(o exercício é explícito em dizer que a função de produção da mercadoria 2 não se altera, 
então o crescimento só pode ser viesado no sentido da mercadoria 1). Como resultado, o FPP 
se desloca para a direita, representando a maior quantidade de bem 1 que Doméstica pode 
agora produzir. 
 
 
 
b) Comparando a Doméstica com a Estrangeira, dado que a Doméstica passa a poder produzir 
mais de Q1, a oferta relativa (Q1/Q2) da Doméstica é mais à direita do que a oferta relativa de 
Estrangeira (na verdade, para termos certeza absoluta, teríamos que saber que o estoque de 
capital em Doméstica cresceu além do que Estrangeira tinha, mas o exercício ignora esse 
detalhe). 
 
 
Para uma determinada quantidade de oferta relativa mundial (linha tracejada), o preço 
relativo do bem 1 é menor em Doméstica do que no Estrangeira. 
 
c) O preço relativo mundial tende a estar entre os preços relativos de cada país. Portanto, com 
a abertura comercial, P1/P2 aumenta para Doméstica e diminui para Estrangeira. 
Dessa forma, com o aumento do preço relativo de 1, Doméstica produz mais 1 em relação a 2 
e os consumidores consomem menos de 1 em relação à 2. Assim, Doméstica vai exportar o 
bem 1, e, pela lógica inversa, Estrangeira vai exportar o bem 2. 
 
d) Proprietários de capital em Doméstica e proprietários de terras em Estrangeira se 
beneficiarão de comércio, pois são os fatores fixos do bem exportado (preço relativo 
aumentou). Por outro lado, proprietários de terra em Doméstica e proprietários de capital em 
Estrangeira serão prejudicados. 
Os efeitos sobre o trabalho serão ambíguos, porque o salário real em termos de bem 1 cairá 
(subirá) em Doméstica (Estrangeira) e o salário real em termos de bem 2 subirá (cairá) em 
Doméstica (Estrangeira), visto que P1/P2 aumenta. 
O efeito de bem-estar líquido para o trabalho dependerá das preferências em cada país. Por 
exemplo, se o trabalho em Doméstica consome relativamente mais do bem 2, eles ganharão 
com o comércio. Se o trabalho em Doméstica consome relativamente mais do bem 1, eles 
perderão do comércio. 
 
 
Capítulo 4 – Exercício 5 
Em Doméstica e Estrangeira existem dois fatores de produção, terra e mão de obra, usados 
para produzir apenas uma mercadoria. O fornecimento de terra em cada país e a tecnologia de 
produção são exatamente os mesmos. O produto marginal da mão de obra em cada país varia 
de acordo com o emprego da seguinte forma. Inicialmente, existem 11 trabalhadores 
empregados em Doméstica, mas apenas 3 em Estrangeira. Determine o efeito da livre 
circulação de mão de obra de Doméstica para Estrangeira na produção, emprego, salários reais 
e a renda dos proprietários de terras em cada país. 
 
Doméstica: L=11 e MPL=10 
Estrangeira: L=3 e MPL=18 
O salário na economia Estrangeira é maior do que na economia Doméstica, portanto há 
migração de trabalhadores da economia Estrangeira para a Doméstica. Os trabalhadores se 
deslocam até quando o incentivo (diferença salarial) cessa. Isso ocorre quando há 7 
trabalhadores em cada economia, momento em que a MPL=14 em cada país. 
 
 
Capítulo 5 – Exercício 3 
“Os países mais pobres do mundo não possuem nada para exportar. Não há recurso 
abundante – certamente nem capital nem terra, e em nações pequenas e pobres nem mesmo 
o trabalho é abundante”. Discuta. 
A afirmação apenas considera a abundância absoluta de fatores. Para determinar o padrão de 
comércio, e a exportação, portanto, é preciso considerar a abundância relativa dos fatores de 
produção nos dois países. Normalmente, os países pobres têm abundância de trabalho em 
relação ao capital quando comparado com os países mais ricos. 
 
 
 
Capítulo 5 – Exercício 5 
Recentemente os programadores de computadores em países em desenvolvimento, como a 
Índia, começaram a executar um trabalho que antes era feito nos EUA. Sem dúvida, esse 
deslocamento acarretou substancial redução salarial a programadores norte-americanos. 
Responda a estas duas perguntas: Como isso é possível, se o salário de trabalhadores 
qualificados está aumentando nos EUA como um todo? Que argumentos os economistas 
especializados em comércio usariam para contrapor a visão de que esses cortes salariais 
constituem um motivo para bloquear a terceirização da programação de computadores? 
 
O modelo de Heckscher-Ohlin consegue explicar os efeitos distributivos de renda a partir da 
existência de comércio entre países. De acordo com o modelo, e necessário identificar a 
abundância relativa dos países por seus fatores de produção. Neste caso, podemos considerar 
dois fatores: trabalhadores qualificados em programação e o restante dos trabalhadores 
qualificados (que chamaremos simplesmente de trabalhadores qualificados). Ou seja, os 
programadores são uma parte dos trabalhadores qualificados. 
Os programadores podem sofrer uma perda de salário nos EUA por causa da competição com 
a Índia, mas isso não é inconsistente com o aumento do salário do trabalho qualificado como 
um todo nos EUA. 
Segundo o enunciado, recentemente, a Índia tem abundância relativa em programadores, 
enquanto os EUA têm abundância relativa em trabalhadores qualificados. De acordo com o 
modelo, os proprietários do fator abundante de um país obtêm ganhos de comércio, enquanto 
os proprietários do fator escasso sofrem perdas com o comércio. 
Portanto, nos EUA, sendo os trabalhadores qualificados abundantes relativamente, estes 
ganham com o comércio e experimentam aumento de seus salários. Já os programadores, nos 
EUA sofreriam perdas salarias. Na Índia, ocorre o inverso: os programadores obtêm ganhos 
salariais, enquanto que os demais trabalhadores qualificados sofrem redução de salários. 
Por que não impor medidas restritivas? Primeiro porque o livre comércio gera ganhos para o 
agregado da economia, sendo possível compensar a perda sofrida pelos programadores nos 
EUA e mesmo assim, obter maior bem estar nacional. Segundo porque essas ações restritivas 
podem também ser demandadas por outros setores internos ao país, gerando distorções de 
incentivos na economia. Terceiro porque essas ações podem gerar retaliação em outros países. 
 
 
 
Capítulo 6 – Exercício 1Suponha que a Noruega e a Suécia comercializam entre si, com a Noruega exportando peixe 
para a Suécia e esta exportando Volvos (automóveis) para a Noruega. Ilustre os ganhos da 
troca entre os dois países utilizando o modelo padrão de comércio, supondo primeiro que 
gostos por bens são os mesmo em ambos os países, mas que as fronteiras de possibilidade de 
produção diferem: a Noruega tem uma costa longa que faz fronteira com o Atlântico Norte, o 
que a torna relativamente mais produtiva na pesca. A Suécia tem uma grande doação de 
capital, o que a faz mais produtiva em automóveis. 
 
 
O preço relativo é dado por Pa/Pf. A Noruega (Suécia), sendo mais produtiva na pesca, exporta 
peixe (automóveis) e importa automóveis (peixe). Com a abertura comercial, para a Noruega, 
aumenta o preço do peixe em relação ao de automóveis comparado à economia fechada. Se o 
preço relativo é definido como Pa/Pf, então há uma redução do preço relativo (há uma 
redução da inclinação). A economia produzia, quando fechada, no ponto 1, por exemplo. Com 
a abertura, passa a produzir no ponto 2 sobre a FPP, mas pode consumir no ponto 2 da curva 
de indiferença, ou seja, consome em uma curva de indiferença mais afastada da origem. 
A mesma lógica é aplicada no caso da Suécia, mas desta vez, a abertura comercial provoca um 
aumento do preço dos automóveis em relação a peixe, o que torna a curva de restrição 
orçamentária, cuja inclinação é Pa/Pf, mais inclinada (curva pontilhada). 
 
Capítulo 6 – Exercício 2 
No cenário de comércio no Problema 1, por causa da sobrepesca, a Noruega ficou 
impossibilitada de coletar a quantidade de peixes que pegava nos anos anteriores. Essa 
mudança causa tanto uma redução no potencial de quantidade de peixe que pode ser 
produzido na Noruega quanto um aumento em relação ao preço mundial para o peixe, Pf/Pa. 
a) Mostre como o problema de sobrepesca pode resultar em um declínio do bem-estar para a 
Noruega. 
b) Também mostre como é possível que o problema da sobrepesca possa resultar em um 
aumento do bem estar para a Noruega. 
Os dois problemas são vistos conjuntamente, conforme abaixo. A abertura do comércio faz 
com que o preço do peixe aumente em relação ao de automóveis para a Noruega. Sendo o 
preço relativo definido por Pa/Pf, essa razão diminui com o comércio, o que reduz a inclinação 
da restrição orçamentária (da linha contínua para a linha tracejada, nos dois casos). Por outro 
lado, o problema da sobrepesca reduz a FPP da Noruega na produção de peixe. 
A redução ou aumento do bem estar, isto é, deslocar-se para uma curva de indiferença menos 
ou mais afastada, respectivamente, vai depender de quanto o país é atingido por essa redução 
da produção de peixes. 
Na figura abaixo, a FPP contínua e as linhas contínuas de restrição orçamentária e curva de 
indiferença são idênticas. A inclinação da restrição orçamentária da linha tracejada também é 
idêntica. No entanto, na figura a, com uma redução mais acentuada na produção de peixe, a 
nova curva de indiferença está em uma posição inferior (a melhora que deveria vir pelo 
aumento do preço relativo do peixe não foi forte o suficiente para contrapor a redução da 
produção de peixe). Já na figura b, a redução não tão acentuada da produção de peixe, ainda 
permite que o aumento do preço relativo do peixe deixe a Noruega em melhor situação. 
 
 
 Capítulo 6 – Exercício 5 
O Japão exporta principalmente bens manufaturados, enquanto importa matérias-primas, 
como alimentos e petróleo. Analise o impacto dos seguintes eventos nos termos de comércio 
do Japão: 
Termos de troca para o Japão é definido como preço de manufaturados sobre preço de 
matérias primas. 
a) uma guerra no Oriente Médio interrompe o fornecimento de petróleo. 
Reduzindo o fornecimento de matéria prima, a oferta relativa de manufaturas sobre matérias 
primas se desloca para a direita, o preço internacional relativo da manufatura deve reduzir, o 
que diminui os termos de troca do Japão e, portanto, o seu bem estar. 
b) a Coreia do Sul desenvolve a habilidade de produzir automóveis que podem ser vendidos no 
Canadá e nos EUA. 
Aumentando o fornecimento de bens manufaturados, a oferta relativa de manufaturas sobre 
matérias primas se desloca para a direita, o preço internacional relativo da manufatura deve 
reduzir, o que diminui os termos de troca do Japão e, portanto, o seu bem estar. 
c) engenheiros americanos desenvolvem um reator de fusão que substitui fábricas de 
eletricidade de combustível fóssil. 
A substituição do petróleo faz aumentar a demanda relativa da manufatura em relação a 
petróleo, deslocando a curva de demanda relativa para a direita, aumentando o preço relativo 
internacional da manufatura, o que provoca aumento dos termos de troca do Japão e, 
portanto, o seu bem estar. 
d) uma quebra na safra da Rússia. 
Reduzindo o fornecimento de matéria prima, a oferta relativa de manufaturas sobre matérias 
primas se desloca para a direita, o preço internacional relativo da manufatura deve reduzir, o 
que diminui os termos de troca do Japão e, portanto, o seu bem estar. 
e) uma redução nas tarifas aduaneiras do Japão para carne e frutas cítricas importadas. 
A redução das tarifas sobre alimentos faz com que o Japão aumente o preço relativo da 
manufatura interno do Japão. Isso aumenta a oferta relativa de manufatura do Japão e reduz 
sua demanda relativa, provocando o mesmo movimento nas ofertas e demandas relativas 
mundiais (oferta se desloca para a direita e demanda para a esquerda). O preço relativo 
internacional da manufatura cai, reduzindo os termos de troca do Japão e, portanto, seu bem 
estar. 
 
Capítulo 6 – Exercício 9 
De um ponto de vista econômico a Índia e a China são um pouco similares: ambos são países 
enormes e de baixos salários, provavelmente com padrões similares de vantagem 
comparativa, e que até pouco tempo atrás eram relativamente próximos do comércio 
internacional. A China foi a primeira a tornar-se acessível. Agora que a Índia também está se 
tornando acessível para o comércio mundial, como você esperaria que isso afetasse o bem-
estar da China? E dos EUA? (Dica: pense em adicionar uma nova economia idêntica à da China 
na economia mundial). 
Considerando que China e Índia competem nas exportações enviadas aos EUA, o bem estar da 
China deve ser reduzido, pois havendo maior oferta relativa mundial do bem de exportação, 
seu preço relativo cai e, portanto, os termos de troca da China também se reduzem. Para os 
EUA, seus termos de troca aumentam, melhorando seu bem estar.