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Resumo vulvovaginites, doença inflamatória pélvica aguda, ISTs e atendimento à vítima de violência

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Vivianne Beatriz – Medicina ufal – P6 
 
As vulvovaginites são uma das principais causas de consulta 
ginecológica, sendo comuns em cerca de 70-80% das mulheres. 
É importante fazer o diagnóstico diferencial de secreções 
fisiológicas e secreções patológicas. O médico deve estar 
atento para as alterações hormonais, comportamentais, 
psíquicas e orgânicas que influenciam na secreção vaginal. 
 
A secreção fisiológica tem como características: secreção 
sebácea, esfoliação vaginal e cervical, secreção das células de 
Bartholin e Skene. 
 
 
 
A flora normal é rica em lactobacilos, com algumas bactérias, 
predominando as bactérias aeróbicas. 
 
Alterações não necessariamente patológicas: mucorréia 
(aumento da secreção vaginal), vaginite atrófica (“atrofia”, 
ocorre na gestação, pós-parto e menopausa, pode ser tratada 
com reposição local de estriol – creme intravaginal 20 noites 
seguidas, depois 2x/semana), vaginite química (sabonetes, 
desodorantes), vaginite irritativa e alérgica. 
 
VAGINOSE BACTERIANA 
 ETIOPATOGENIA: desequilíbrio da microbiota vaginal, com 
redução acentuada dos lactobacilos, e aumento de 
Gardnella vaginallis (principalmente); 
 Peptostreptococcus, Prevotella sp., Bacterioides sp., 
Garnerella vaginallis, Mobiluncus sp. 
 Não há inflamação! 
 Não é IST!!! 
 QUEIXA CLÍNICA: odor fétido com piora pós coito e pós 
menstruação, com corrimento discreto amarelado ou 
branco acinzentado; 
 PH VAGINAL: > 4,5; 
 ÉPOCA PREFERENCIAL DE APARECIMENTO: pós coito ou pós 
menstrual; 
 CORRIMENTO: fluido branco acinzentado, quantidade 
discreta a moderada, sem sinais inflamatórios em paredes 
vaginais, odor de peixe podre. 
 DIAGNÓSTICO: Exame a fresco do conteúdo vaginal pode 
mostrar as células guia (células da mucosa vaginal com 
bactérias no citoplasma), Teste das Aminas positivo 
(secreção vaginal + KOH = odor fétido de peixe podre por 
causa da putrescina e cadaverina); 
 
 
 
 
 
 CRITÉRIOS DE AMSEL (pelo menos 3 dos 4 para fechar 
diagnóstico): Corrimento acinzentado, microbolhoso e 
fétido + pH > 4,5 + Teste das Aminas positivo (gota de KOH, 
liberação das aminas voláteis que tem odor fétido) + 
Presença de células guia (clue cells); 
 TRATAMENTO 
o Tratar as sintomáticas! 
o Quando tratar assintomáticas? Gestantes, colocação 
de DIU e cirurgias ginecológicas; 
o Não trata parceiro! 
o Metronidazol 500mg VO ou 400mg 12/12h por 7 dias; 
o Metronidazol gel 0,75% por 7 noites; 
o Metronidazol é contraindicado no 1º trimestre de 
gestação: Clindamicina VO 300mg 12/12h por 7 dias 
OU Clindamicina creme 2% 5g por 7 dias; 
 
TRICOMONÍASE 
 ETIOPATOGENIA: IST; 
 AGENTE: Trichomonas vaginalis; 
 QUEIXA CLÍNICA: Corrimento vaginal abundante, amarelo-
esverdeado, fétido, com sintomas irritativos locais 
(prurido), eritema, com eventual disúria, polaciúria e 
dispareunia; 
 PH VAGINAL: > 5 (tendendo ao básico); 
 ÉPOCA PREFERENCIAL DE APARECIMENTO: Pós coito ou pós 
menstrual; 
 CORRIMENTO: amarelo-esverdeado, abundante, fluido, 
bolhoso e fétido, acompanhado de sinais inflamatórios 
exuberantes (mucosa em framboesa); 
 DIAGNÓSTICO: Exame a fresco do conteúdo vaginal, 
evidenciando meio rico em leucócitos, podendo visualizar 
protozoários com flagelos, cultura de secreção e PCR; 
 TRATAMENTO 
o Metronidazol 2g VO dose única; 
o Metronidazol 500mg VO 12/12h por 7 dias; 
Vivianne Beatriz – Medicina ufal – P6 
o Em casos com sintomatologia intensa: metronidazol 
via vaginal por 7 noites consecutivas; 
o Tratar parceiro SEMPRE. 
 
 
CANDIDÍASE VULVOVAGINAL 
 AGENTE: C. albicans (90% dos casos) ou C. glabrata, C. 
tropicalis; 
 ETIOPATOGENIA: Intensa proliferação do patógeno, 
levando a leucorreia característica; 
 QUEIXA CLÍNICA: prurido ou ardor vaginal, associado a 
corrimento esbranquiçado, sem odor, em grumos, de 
discreto a moderado, com vermelhidão e aumento da 
temperatura local, com possível desconforto miccional e 
prurido; 
 PH VAGINAL: 3,5 – 4,5 (ácido); 
 ÉPOCA PREFERENCIAL DE APARECIMENTO: Pré menstrual 
(aumento de hormônios); 
 FATORES DE RISCO: DM, uso de antibióticos, 
anticoncepcionais, atividade sexual e uso de contraceptivos 
como diafragma ou intrauterinos; 
 CORRIMENTO: branco ou branco amarelado, grumoso, em 
placas aderentes, semelhante a “leite talhado”, com 
hiperemia, prurido e ardor importantes; 
 CANDIDÍASE RECORRENTE: > 4 EVENTOS NO ANO; 
 DIAGNÓSTICO: Exame a fresco, com visualização dos 
filamentos do fungo (adicionar 1 gota de soro fisiológico), 
bacterioscopia com coloração de gram, cultura. Em geral, o 
quadro clínico é bem específico, podendo dispensar exames 
adicionais; 
 
 
 
 
 TRATAMENTO: 
o Mudanças de hábitos de higiene, evitar roupas íntimas 
de tecidos sintéticos, roupas muito justas ou úmidas, 
protetores diários e uso constante de sabonete 
íntimo; 
o Fluconazol 150mg VO em dose única; 
o Miconazol creme 2% de 7-14 noites; 
o CANDIDÍASE DE REPETIÇÃO: Investigar patologias 
imunossupressoras, uso de CTC, antibióticos, ACHO, 
IST e estilo de vida. 
 TTO C. ALBICANS: supressão com Fluconazol 
150mg VO nos dias 1, 4 e 7, manutenção com 
1cp de 150mg 1x por semana durante 6 
meses! 
 TTO C. NÃO ALBICANS: ácido bórico cápsula 
de 600mg por 14 dias, intravaginal, com 
manutenção de fluconazol 150mg 1cp 1x por 
semana por 6 meses. 
 
VAGINITE ATRÓFICA 
 CAUSAS: Hipoestrogenismo, principalmente pós 
menopausa e no pós parto; 
 SINAIS E SINTOMAS: Dispareunia, secura, prurido/ardor 
vaginal, mucosa vaginal pálida, seca, delgada e com 
diminuição da rugosidade e elasticidade; 
 CITOLOGIA: Células escamosas profundas + grande 
quantidade de leucócitos mal preservados e corpos azuis; 
 TRATAMENTO: Estrogênio tópico e lubrificantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Vivianne Beatriz – Medicina ufal – P6 
 
 Síndrome clínica 2ª à ascensão de microorganismos da 
vagina ou endocérvice ao trato genital feminino, 
acometendo útero, tubas uterinas, ovários, superfície 
peritoneal e/ou estruturas contíguas do trato genital 
superior. 
 10-40% das mulheres com infecções não tratadas por 
gonorreia e/ou clamídia desenvolvem DIPA. 
 Mulheres que tiveram DIPA tem probabilidade de 6-10 
vezes maior de desenvolvimento de gravidez ectópica. 
 Há um risco aumentado de dor pélvica crônica e 
infertilidade tubária. 
 12% das mulheres são inférteis após um episódio de DIP, 
25% após 2 episódios e 50% após 3 ou + episódios. 
 Rara em mulheres que não menstruam, grávidas e pós 
menopáusicas. 
 
Agentes Etiológicos 
A DIPA geralmente inicia com infecção cervical por clamídia ou 
gonococo e ascende ao trato genital superior, levando à 
infecção polimicrobiana na maior parte dos casos. 
→ Neisseria gonorrhoeae 
→ Chlamydia trachomatis 
→ Micoplasma hominis 
→ Ureaplasma Urealyticum 
→ Bactérias da microbiota endógena (E. coli, Gardnerela 
vaginalis) 
→ Actinomices israeli (importante em mulheres que usam 
DIU) 
 
Patogênese 
 A ascensão de microorganismos da endocérvice, infectando 
endométrio, trompas, ovários e peritônio pode vir 
acompanhada de envolvimento de órgãos vizinhos na 
pelve; 
 Há uma destruição do endossalpinge, com produção de 
exsudato purulento, resultando em pelviperitonite; 
 Para proteção do abdome superior, as fímbrias se fecham, 
formando a piossalpinge e, havendo envolvimento do 
ovário, forma-se o abscesso tubo-ovariano; 
 Fatores que contribuem para a ascensão bacteriana: 
instrumentação uterina (DIU), alterações hormonais 
durante o ciclo menstrual alterando o muco cervical, 
gestação, menstruação retrógrada e virulência dos 
microorganismos. 
 
Fatores de Risco 
 Múltiplos parceiros sexuais; 
 Adolescência; 
 15-25 anos;