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533 CardiotocografiaUnidade 6 - Obstetrícia 1. DEfINIçãO: Registro contínuo e simultâneo da Frequência Cardíaca Fetal, Contratilidade Uterina e Movimentos Fetais, no período anteparto ou intraparto. 2. CLASSIfICAçãO: » Repouso ou Basal. » Estimulada: Estímulo Mecânico ou Vibroacústico. » Com Sobrecarga: • Teste do esforço (Stemberg) • Teste do estímulo mamilar • Teste da Ocitocina (Prova de Pose) 3. IMpORTâNCIA: » Orientação eicaz ao tocólogo. » Análise imediata. » Acurácia. » Simplicidade e inocuidade. » Facilidade de repetição. 4. épOCA IDEAL pARA REALIzAçãO: » INICIO: 26 a 28 semanas de gestação » PERIODICIDADE: variável, depende da patologia materna e/ou fetal e do resultado dos testes anteriores. Intervalos de 07 dias (a nível ambulatorial), diários, repetições no mesmo dia e até registros contínuos podem ser necessários. CAPÍTULO 5 CARDIOTOCOGRAFIA Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas Maternidade Escola Assis Chateaubriand 534 5. OUTRAS RECOMENDAçÕES: » Evitar jejum prolongado. » Anotar medicamentos usados durante o exame que possam interferir no resultado, como também alterações de temperatura e pressão arterial maternas. » Duração do exame: recomenda-se o mínimo de 20 minutos. » Velocidade do registro: 1, 2, ou 3 cm/minuto. » Posição da paciente: sentada em poltrona confortável ou em decúbito lateral esquerdo. » Colocação correta dos transdutores para evitar traçados duvidosos. 6. INDICAçÕES: » Anteparto - Patologias maternas, fetais e/ou placentárias. » Intraparto - Trabalho de parto distócico, induzido ou estimulado. » Para mulheres maudáveis, sem complicações na gestação, recomenda-se mobilograma no período anteparto e ausculta fetal intermitente no período intraparto. A CTG está indicada, neste grupo, nas gestantes com alterações nas condutas recomendadas. 7. pARâMETROS ANALISADOS NA CTG » Contrações Uterinas: avaliar frequência, duração e coordenação das contrações. » Movimentos Fetais: avaliar o comportamento fetal (repouso, vigília) através do número e tipo dos movimentos fetais (isolados, múltiplos, ausentes, soluços, etc). » Frequência Cardíaca Fetal • Nível da linha de base (média da frequência dos BCF) Frequência Cardíaca Fetal Normal 110 a 160 (TERMO) 120 A 60 (PRÉ-TERMO) Bradicardia Leve: 100 a 110 (120) Acentuada: < 100 Taquicardia Leve: 160 a 180 Acentuada: > 180 535 Unidade 6 - Obstetrícia Cardiotocografia Obs. Afastar situações, que não estão relacionadas com sofrimento fetal e que podem causar bradicardia (drogas, bloqueios cardíacos fetais, etc) e taquicardia (prematuridade, drogas, febre materna, somatório de acelerações, etc). » Variabilidade - Normal: 5 bpm • Alterada - lisa (ausente) • Mínima: < 5 bpm • Padrão sinusoidal Obs. Afastar situações que não estão relacionadas com sofrimento fetal e que podem diminuir a variabilidade (prematuridade, repouso fetal, medicamentos sedativos do Sistema nervoso central, etc). » Alterações da FCF • Acelerações: ▪ Podem estar relacionadas com movimentos fetais (transitórias) ou contrações uterinas (periódicas). ▪ Início: 20 semanas de gestação ▪ Primeiro parâmetro a alterar frente a hipóxia. ▪ Padrão normal: amplitude 15 bpm e duração 15 segundos ( 10 bpm e 10 segundos antes de 32 semanas de gestação) • Desacelerações: ▪ Periódicas: relacionadas com contrações uterinas - Precoce ou cefálico (DIP I): queda uniforme, gradual (inicio até nadir > 30 segundos), coincide com o pico da contração. Fisiopatologia Contração uterina Compressão do pólo cefálico Hipertensão intracraniana Redução do luxo sanguíneo cerebral Hipóxia local (estimula centro vagal) Resposta vagal Desaceleração Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas Maternidade Escola Assis Chateaubriand 536 - Tardio (DIP II): uniforme, queda gradual (início até nadir > 30 segundos), ocorre após o pico da contração (decalagem 20 segundos) - Variável (DIP III ou Umbilical): início, decalagem e forma variáveis, queda abrupta (início para nadir < 30 segundos) ▪ Não Periódicas: - Espica ou DIP 0: desaceleração com duração < 15 segundos relacionada com compressão funicular de curta duração ou soluço fetal, mais comum no prematuro. - Desaceleração prolongada: desacelerações com duração maior que 3 minutos, relacionada com hipotensão postural materna, bloqueios anestésicos, hiperatividade uterina, compressões funiculares intensas e duradouras. Quando espontânea são sempre patológicas. Fisiopatologia Contração uterina Cessa a circulação útero - placentária Feto utiliza 02 do espaço interviloso p02 normal p02 diminuído Não há hipóxia Hipóxia Ausência desaceleração Desaceleração Fisiopatologia Contração uterina Compressão do cordão umbilical Hipóxia temporária Hipertensão arterial fetal Desaceleração 537 Unidade 6 - Obstetrícia Cardiotocografia 8. INTERpRETAçãO DOS RESULTADOS 9. CONCLUSãO DO TRAçADO: normal: CTG onde todos os 4 parâmetros são da categoria reativa Subnormal: CTG onde 1 dos parâmetros é da categoria hiporreativa e os outros 3 são da categoria reativa. Patológica: CTG onde 2 ou mais parâmetros são da categoria hiporreativa ou 1 ou mais parâmetros são da categoria não reativa. Reativo Hiporreativo Não reativo FCF 110-150 (termo) 120-160 (pré termo) 100 - 109 161 - 180 <100 >180 Variabilidade ≥5 <5 (≥ 40 min mas < 90 min) <5 minutos (≥ 90 minutos) Lisa Padrão Sinusoidal Aceleraçãoes Presentes Hipoaceleraçãoes (< 15 bpm < 15 segundos) Ausentes Desacelerações Ausentes DIP I DIP III favoráveis isoladas Desaceleração prolongada, < 3 minutos DIP II DIP III desfavoraveis, repe- titivas. Desacelera- ção prolongada > 3 minutos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas Maternidade Escola Assis Chateaubriand 538 - Quando a CTG subnormal é repetida e continua com o mesmo padrão considerar propedêutica complementar antes de indicar a interrupção da gestação: peril biofísico fetal, dopplerluxometria, CTG com sobrecarga (conforme o caso). - Quando a CGT intraparto é subnormal ou patológica veriicar se há hipercontratilidade uterina e corrigí-la, antes de indicar a interrupção da gestação, através das seguintes medidas: suspender indução, administrar uterolítico, oxigenação e hidratação maternas, decúbito lateral esquerdo. NÃO CTG SIM Anteparto: Mobilograma Intraparto: Asculta Fetal Inermitente Ocitocina? Prostaglandina? - Suspender Indução - Uterolítico Alterados Presença de patologias maternas, fetais ou fatores de risco intraparto? Indica resolução da gestação (avaliar caso a caso) Hipercontratilidade Uterina? Patológica Subnormal Normal Repetir conforme o caso Especiicidade (resultado perinatal bom) de quase 100% Qualidade do traçado inadequado? Febre? Desitratação? Hipotensão? Bloqueio anestésico? vômitos? Jejum prolongado? Corrigir Repetir CTG Repetir CTG Corrigir Trandutores Observar condições maternas 539 Unidade 6 - Obstetrícia Cardiotocografia EXEMPLOS ESQUEMÁTICOS DE CARDIOTOCOGRAFIA Tarquicardia Grave Bradicardia Grave Tarquicardia Leve Normal Bradicardia Leve 1 cm Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas Maternidade Escola Assis Chateaubriand 540 CARDIOTOCOGRAFIA ANTEPARTO Padrão Comprimido DIP 0 AT AT AT Aceleração Transitória (≥15 batimentos/15s) Movimentação fetal registrada pela mãe Contração de Braxton-Hicks Espicas (Movimento Fetal) 541 Unidade 6 - Obstetrícia Cardiotocografia CARDIOTOCOGRAFIAINTRAPARTO DIP I 3 contrações / 70’’ / 10’ Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas Maternidade Escola Assis Chateaubriand 542 CARDIOTOCOGRAFIA INTRAPARTO DIP II DIP III DIP III Aceleração Inicial Aceleração Inicial 543 Unidade 6 - Obstetrícia Cardiotocografia PADRÕES DE GRAVIDADE Recuperação lenta Ausência de retorno à linha de base D e s a c e l e r a ç ã o bifásica Ausência de aceleração inicial e tardia Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas Maternidade Escola Assis Chateaubriand 544 PADRÕES DE GRAVIDADE (regra dos 60) Cai 60bat Dura 60s Atinge os 60bat/min Taquicardia Compensatória 545 Unidade 6 - Obstetrícia Cardiotocografia DESACELERAÇÃO PROLONGADA (Hipotensão Materna) Padrão Sinusoidal (Anemia fetal) Morte fetal iminente Taquissistolia Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas Maternidade Escola Assis Chateaubriand 546 DESACELERAÇÃO PROLONGADA (Hipotensão Materna) Taquicardia -Febre materna -medicamentos taquicardizantes Bradicardia -Medicamentos bradicardizantes