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Semana 01 2024.1 1 SUMÁRIO 2024.1 CIRURGIA APENDICITE AGUDA 3 CLÍNICA MÉDICA TUBERCULOSE 8 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA VITALIDADE FETAL 12 PEDIATRIA TRIAGENS NEONATAIS 22 PREVENTIVA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA 28 SEMANA 01 1 CIRURGIA APENDICITE AGUDA 2 CIRURGIA APENDICITE AGUDA Epidemiologia • Causa mais comum de abdome agudo de cirúrgico • Principal emergência cirúrgica • > Comum entre 10 e 30 anos • Obstrução intraluminal de apêndice, fecalito (11-52%) • Principal causa de abdome agudo não obstétrico na gestante Fisiopatologia • Obstrução da luz apendicular • Aumento da pressão intraluminal + congestão venosa(edema) • Isquemia + proliferação bacteriana • Necrose e Abscesso • Peritonite e perfuração Sinais Clássicos Sinal de Blumberg Dor a descompressão a brusca na fossa ilíaca direita Sinal de rovsing Dor na fossa iliaca direita a compressão da fossa ilíaca esquerda Sinal de Obturador Dor a rotação interna da coxa direita flexionada Sinal de Iliopsoas Em decúbito lateral esquerdo, dor à extensão + abdução do MID Sinal de Dunphy Dor à percussão abdominal ou ao tossir Sinal de Lapinsky Dor à palpação com MID estendido e elevado Sinal de Lenander Diferença de temperatura axilar e retal > 1oC Sinal de Ten Horn Dor à tração suave do testiculo direito Sinal de Aaron Dor epigástrica à palpação da FID Sinal de Murphy Som não timpânico à palpação da zona apendicular Quadro Clínico Dor epigástrica e periumbilical – migra para FID Sintomas associados: Anorexia, inapetência, náuseas, vômitos, disúria e febre Dor pode ser em local diferente (por causa das variações anatômicas) Idosos, diabéticos e gestantes podem fazer quadro APENDICITE AGUDA 3 CIRURGIA Clínica atípico: Pode não ter dor (idoso), ter dor em cólica (gestante) Diagnóstico é CLÍNICO Escala de Alvarado: Migração da dor (1 ponto) Anorexia (1 ponto) Náusea/Vômito (1 ponto) Dor à palpação/DB em FID (2 ponto) Dor à descompressão brusca (DB +) ( vale 1 pontos) Febre (1 ponto) Leucocitose ( vale 2 pontos) Desvio a esquerda (1 ponto) Se 7 pontos: alta probabilidade Exames de Imagem: USG Principalmente crianças e mulheres Achados: Apêndice de diâmetro > 6mm Espessura ou parede > 2mm Aumento da ecogenicidade da parede Sinal em alvo Apendicolito Líquido pericecal ou perivesical Tomografia Se dúvida diagnóstica e em paciente em que o USG não é efetivo ou não é indicado. ( não fazer em gestante) Achados Apêndice de diâmetro > 6mm Espessamento focal apical do ceco Apendicolito Líquido pericecal Borramento de gordura periapendicular Adenopatia regional e abscesso. APENDICITE AGUDA 4 CIRURGIA Diagnóstico Diferencial: Doença inflamatória Pélvica: mulher sexualmente ativa, não usa preservativo e corrimento vaginal. Gravidez Ectópica: mulher sexualmente ativa, não usa método contraceptivo e sangramento. Torção de ovário. Abscesso tubo-ovariano. Pielonefrite: cistite prévia, giordano + e disúria. Litíase renal: dor intensa que irradia para escroto/hipogastro, giordano + e hidronefrose. Adenite mesentérica: dor abdominal com quadro de infecção de vias aéreas prévia, é o motivo de grande parte das laparotomias brancas. Diverticulite de meckel: mais comum nas crianças ( sangramento) Tumor: síndrome consumptiva. Divertículo de Meckel: • Malformação congênita + comum TGI • É um remanescente do ducto onfalomesentérico • Divertículo verdadeiro da borda antimesentérica a 45- 60 cm da válvula ileocecal • Normalmente assintomático Complicações: Criança: + comum sangramento retal Adulto: + comum obstrução e inflamação Tratamento: diverticulectomia ou ressecção do intestino e anastomose primária A “regra dos dois” é usada para descrever a epidemiologia do divertículo de Meckel: ocorre em dois por cento (2%) da população com uma proporção de homens para mulheres de 2: 1, é encontrada a 2 feet (1 ft = 30,48 cm) da válvula ileocecal, envolve dois tipos de tecido (epitélio gástrico e intestinal) e tem duas polegadas de comprimento. E, aproximadamente 2% dos indivíduos com divertículo de Meckel, desenvolvem uma complicação ao longo de suas vidas. Conduta na Apendicite Aguda 1) Prescrição Jejum Soro de manutenção Sintomáticos Antibiótico* Se fase flegmatoso ou supurado: cefazolina apenas na indução como profilaxia antibiótica Se complicação ( gangrena ou perfuração): ceftriaxona + metronidazol como antibioticoterapia 2) Cirurgia Apendicectomia aberta ou videolaparoscópica ( preferível) APENDICITE AGUDA 5 CIRURGIA Apendicectomia de Intervalo História arrastada, massa palpável e paciente grave ? Suspeitar de apendicite complicada: Se sepse: cirurgia Se estável: Fazer TC + Exames Laboratoriais Se complicado e condições Avaliar apendicectomia de intervalo, pois normalmente cirurgia na urgência em apendicite complicada acaba evoluindo frequentemente com coletoria direita e frequentemente associado a neoplasia. Se coleção menor que 4 cm. 1. Antibiótico por 14 dias 2. Colonoscopia eletiva se > 40 anos 3. Cirurgia Eletiva Se coleção > 4cm Fazer drenagem percutânea da coleção. 6 CLÍNICA MÉDICA TUBERCULOSE TUBERCULOSE 7 CLÍNICA MÉDICA DIAGNÓSTICO 2 DE 3 CRITÉRIOS Tosse > = 3 semanas ( No Brasil primeira hipótese diagnóstica) Febre Perda ponderal / Sudorese RX DE TÓRAX Imagem mostrada sinais: tuberculose com cavitação em ápice em região superior. Sinais sugestivos de tuberculose ativa: • Cavidades de paredes espessas • Nódulos • Nódulos centrolobulares de distribuição segmentar; • Nódulo centrolobulares confluentes • Consolidações • Espessamento de paredes brônquicas; • Aspecto de “árvore brônquicas” • Aspecto de “árvore em brotamento” • Massas • Bronquiectasias Sinais sugestivos de sequela de tuberculose: • Bandas • Nódulos calcificados • Cavidades de paredes finas • Bronquiectasias de tração • Espessamento pleural; Escarro • Baciloscopia BAAR pelo Ziehl-Nielsen • Pelo menos 2 amostras para garantir o diagnóstico • Cultura em casos duvidosos • Teste Rápido -> Teste de Escolha atualmente; TRATAMENTO: Pulmonar: RIPE por 6 meses • 2 primeiros meses : RIPE • 4 meses seguintes : RI Meníngea ou Osteoarticular • Corticoide 1-3 Meses • RIPE por 12 meses TUBERCULOSE 8 9 CLÍNICA MÉDICA • 2 primeiros meses • RIPE 10 meses seguintes RI DOSES: • RIFAMPICINA : 600 mg • ISONIAZIDA: 300 mg • PIRAZINAMIDA: 1600 mg • ETAMBUTOL : 1100 mg EFEITOS ADVERSOS: • INTOLER NCIA GÁSTRICA • HEPATOTOXICIDADE (R/I/P) • SUOR LARANJA E ALERGIA (R) • NEUROPATIA PERIFÉRICA (I) • HIPERURICEMIA (P) • NEURITE ÓPTICA (E) CONTROLE: • Tratar bacilíferos - Principal método de controle • Vacina de BCG : Lembrar que ela não impede de ter a TB más im- pede as formas graves. • Avaliar contactantes por meio de convocação, lembrar da Prova tu- berculínica PPD. Avaliamos o tamanho do enduramento. • Retorno mensal com baciloscopia mensalmente; Todo paciente deve ser tratado com TDO podendo ser observado por qualquer pessoa da Equipe da saúde da família; TUBERCULOSE 9 CLÍNICA MÉDICA TRATAMENTO DE TUBERCULOSE LATENTE: ISONIAZIDA • 5 a 10 mg/kg ATÉ A DOSE MÁXIMA DE 300 mg/dia em tomada única diária; • POR 6 MESES (6H) OU 9 MESES (9H); RIFAMPICINA • 10 mg/kg, até a dose máxima de 600 mg/dia • POR 4 MESES (4R) RIFAPENTINA associada á Isoniazida • Isoniziada : 900 mg/semana + Rifapentina: 900mg/semana • POR 3 MESES ( 3HP) 10 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA VITALIDADE FETAL 2 REVALIDA 2011 EXAME NACIONAL DE REVALIDAÇÃO D E D I P L O M A S M É D I C O S EXAME NACIONAL DE REVALIDAÇÃO DE DIPLOMAS MÉDICOS EXPEDIDOS POR INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SUPERIOR ESTRANGEIRAS QUESTÃO 2 Gestante, com 18 anos de idade, negra, G1P0A0, com 36 semanas e um dia de gestação, de acordo com exame ecográfi co de primeiro trimestre e tempo de amenorreia, procura o Pronto-Atendimento Obstétrico queixando-se de cefaleia intensa, de início súbito há mais ou menos duas horas. Relata epigastralgia com início aproximado de meia hora e informa estarem seguimento no Ambulatório de Gestação de Alto Risco. Sua última consulta ocorreu há uma semana. Informa fazer uso de Alfa-Metil-Dopa 250mg, de 6/6h associada a Nifedipina 10 mg, ambos por via oral, de 12/12h. Os exames realizados após a última consulta mostram: Hemograma (Hb = 12,2 g/dL; Ht = 32 %; leucócitos = 12.200 /mm³; plaquetas = 98.000 /mm³); proteinúria de 24h =1,2 g; creatinina sérica = 1,5 mg/dL, ácido úrico sérico= 7,0 mg/dl, AST = 200 U/L, ALT = 350 U/L, Exame ultrassonográfi co com biometria fetal compatível para 33 semanas, oligoâmnio acentuado, exame dopplervelocimétrico sem alterações na artéria umbilical e cerebral média do feto. Ao exame: Pressão arterial = 160 x 120 mmHg, pulso=85 bpm; altura uterina = 30 cm; Batimentos cardíacos fetais= 170 bpm; dinâmica uterina = ausente; Toque vaginal = colo fechado, grosso, posterior; edema em MMII ++++/4+; ausculta cardíaca e ausculta pulmonar sem alterações. Parte I - Com base no quadro clínico-obstétrico, exame físico da mãe e exames complementares apresentados, descreva a) duas suspeitas diagnósticas: 1 - 2 - b) três informações que justifi quem corretamente a principal suspeita diagnóstica para esse quadro clínico: 1 - 2 - 3 - c) duas medidas imediatas a serem tomadas pelo médico em relação à paciente ainda na sala de Pronto-Atendimento Obstétrico: 1 - 2 - Parte II - Após as medidas iniciais de assistência à paciente, realizou-se exame de Cardiotocografi a, reproduzida à seguir: d) descreva o observado no traçado cardiotocográfi co representado. Parte III - Com base nos dados apresentados, estabeleça a conduta defi nitiva para o caso: e) de forma justifi cada, se há necessidade de internação da gestante. f) qual é a conduta a ser tomada. VITALIDADE FETAL 11 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA CARDIOTOCOGRAFIA, PERFIL BIOFÍSICO FETAL, DOPPLER Introdução São exames que avaliam o bem estar fetal intra útero, seja antes ou após o trabalho de parto. Cardiotocografia Características É um registro gráfico dos batimentos cardíacos fetais (BCF) obtido através de um eletrodo que capta o BCF e outro que registra as contrações uterinas, sendo capaz de avaliar alterações agudas fetais. Consegue analisar o efeito da hipoxemia no sistema nervoso fetal, que altera a frequência cardíaca fetal, podendo ser aplicada no período ante e intraparto É um método simples e não invasivo. Exige maturidade cardíaca e neurológica fetal - não é usado em todas as idades gestacionais → a partir da viabilidade fetal. O maior problema na cardiotocografia são os falsos positivos, por isso não é recomendado para gestações de baixo risco, por aumentar procedimentos e cesáreas indesejadas. No Anteparto: Non stress test Avaliamos em repouso Parâmetros • Linha de base • Acelerações transitórias • Desacelerações • Variabilidade Em gemelares, o ideal é ser feita em dois fetos simultaneamente Linha de base: É a média aproximada dos valores de FC fetal - é necessário ter pelo menos 10 minutos, excluindo acelerações e desacelerações • Normal - 110 e 160 bpm • Taquicardia - acima de 160 bpm • Causas podem ser hipertermia materna, corioamnionite, drogas parassimpáticas (atropina), uterolíticos (terbutalina), excesso de movimentação fetal, taquiarritmia (geralmente fica acima de 200 bpm) • Uma das principais causas é hipóxia fetal crônica → estímulo de FC fetal através do SNC • Bradicardia - abaixo de 110 bpm VITALIDADE FETAL 12 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA • Causas: pós-datismo (acima de 40 semanas), uso de betabloqueadores (pode passar a barreira placentária), bloqueio atrioventricular (fica bem baixa - cerca de 50-60 bpm), casos finais de sofrimento fetal. Variabilidade: Oscilação da frequência cardíaca fetal em relação à linha de base • Regulação pelo nó sinoatrial • Excluímos acelerações e desacelerações para analisar a variabilidade da linha de base • Interação entre SNA simpático e parassimpático • Normal: os dois sistemas estão íntegros, com menor chance de hipóxia Classificação • Ausente: indetectável → patológica. Hipoxia grave ou sono muito profundo. • Mínima: menor ou igual a 5 bpm • Moderada: 6-25 bpm • Aumentada: acima de 25 bpm - não é tão patológica. Pode ser sinal de aumento de movimentação fetal. (Excesso de movimentação fetal - vigília, uso de drogas estimulantes, hipoglicemia, aumento de catecolaminas circulantes) • Padrão sinusoidal: monótono, ritmo fixo e regular → sofrimento fetal, duração maior de 20 min Causas: • Reduzida: hipóxia fetal, sono fisiológico fetal (tentamos estimulá-lo), drogas (barbitúricos e opióides), imaturidade do SNA parassimpático - prematuridade extrema. • Aumentada: movimentação fetal excessiva, hipoxemia aguda (se o feto não se movimenta • Sinusoidal: formato de sino, 5-15 bpm, traçado mais raro por ser típico de fetos hidrópicos, aloimunização grave ou anemia fetal • Aloimunização é a formação de anticorpos quando há a exposição do indivíduo a antígenos não próprios, como ocorre, por exemplo, na transfusão de sangue incompatível e nas gestantes, cujos fetos expressam em suas células sanguíneas antígenos exclusivamente de origem paterna • Hidropsia: acúmulo de líquido no feto - devido à diferença de fator RH Aceleração transitória: Ascensão abrupta da frequência cardíaca fetal em relação à linha de base • Parâmetro que indica boa vitalidade fetal quando presente - ativo • A importância está na ausência ou presença de aceleração • Desencadeado por movimentação fetal ou por contração uterina • Via aferente e eferente do SNC funcionando adequadamente VITALIDADE FETAL 13 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA • Maior ou igual a 32 semanas: aumento de FCF de 15 bpm por pelo menos 15 seg e no máximo 2 min - 15/15 • Menor que 32 semanas: aumento de FCF 10 bpm por pelo menos 10 seg e um tempo máximo de 2 min - 10/10 • Não tem maturidade suficiente • Prolongada: maior que 2 minutos e menor que 10 minutos • Mais que 10 min, há alteração da linha de base - troca da linha de base Desaceleração: Quedas abruptas e transitórias da FCF • Geralmente são desencadeadas por contrações uterinas - no período intraparto • Contrações de braxton hicks não apresentam desacelerações porque não são intensas - menos intensas e sem tríplice gradiente descendente • Contração uterina → redução do fluxo sanguíneo → menor PO2 → restrição de O2 → redução da FCF em relação `linha base • Decalagem: início da contração e início da desaceleração → tempo para queda da PO2 fetal. • Contração uterina interrompe o fluxo sanguíneo • Artéria ilíaca interna → artéria uterina → artérias espiraladas → placenta (espaço interviloso, que atua como um tampão, uma reserva de O2). • Classificação: • Precoce - DIP I: secundária à compressão do polo cefálico quando há contração. • Simétrica, gradual • Aumento da pressão intracraniana → redução do fluxo cerebral → redução de pO2 → estímulo ao centro vagal no assoalho do IV ventrículo → redução da FCF. • Pode acontecer na bolsa rota, no período expulsivo, ou no oligoâmnio extremo. • Não tem relação com hipóxia ou acidose fetal - é fisiológica quando está em trabalho de parto com as membranas rotas → fora disso é considerado patológico • decalagem menor que 15 seg • Nadir da desaceleração = pico de contração • Duração maior ou igual a 30 seg • Tardia - DIP II: VITALIDADE FETAL 14 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA • Descompasso - primeiro a contração e depois a desaceleração. O nadir não bate com o pico da contração - o nadir é após o pico. • Gradual - maior ou = 30 seg • Pode ser pontual, isolada - problema se é de repetição • Associada à hipoxemia fetal - pontual, acidose, maior morbidade e mortalidade fetal • o mecanismo é a hipoxemia: fetos com baixa reserva de O2, que não suportam a contração. • Contração e depois desaceleração • São simétricas, frequentes, com períodos de decalagem maior que 20-30 seg • Indica sofrimento fetal - deve ser ultimado o parto • Variável: não tem relação com contrações • Inícioe término abruptos • Acontece pela compressão da veia umbilical - bolsa rota, oligoâmnio, compressão fetal • Compressão de cordão umbilical ou por pouco líquido amniótico (oligoâmnio). • Se for repetitiva, pode ser patológica • Com relação a contração - periódica • Queda maior que 15 bpm por pelo menos 15 seg até 2min • Prolongada: • Mais que 2 min e menos que 10 min • Associado a hipotensão materna e quadros de hipertonia uterina (muitas contrações seguidas) • Não é bom VITALIDADE FETAL 15 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Com estímulo Fetos inativos, com variabilidade reduzida Durante 40 minutos para esperar o feto sair do sono fisiológico Estímulo sonoro ou mecânico para diferenciar se há sofrimento fetal ou sono fisiológico - pelo menos 3 segundos • Quando acelera bastante, é ótimo Classificação da vitalidade do feto • Hipoativo → reativo: aumento da FCF > 20 bpm por pelo menos 3 min • Hipoativo → Hiporreativo: aumenta FC por menos que 20 bpm • Não reativo: sem resposta - sem mudança Resposta • Bifásica: presença de AT após estímulo • Monofásica: sem AT pós estímulo Com sobrecarga Injeção intravenosa de ocitocina Entender a reserva de O2 do feto Classificação atual: Precisamos saber bem a categoria I e III Categoria I (normal): VITALIDADE FETAL 16 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA • FCF 110 a 160 bpm, variabilidade moderada (6 a 25 bpm) • Ausência de desacelerações tardias ou variáveis • Não exige aceleração por ser intraparto - se tem contração e não há desaceleração, ele não está em hipoxemia Categoria II (indeterminado): • Taquicardia ou bradicardia com variabilidade mínima; • Variabilidade ausente mas sem desacelerações recorrentes; • Variabilidade mínima ou aumentada; • Ausência de acelerações após estimulação fetal; • Desacelerações, recorrentes ou não, com variabilidade mínima ou moderada ou com acelerações ‘ombro’ Categoria III (anormal) • Variabilidade ausente com: desacelerações tardias ou variáveis recorrentes • Bradicardia • Padrão sinusoidal Conduta: Perfil biofísico fetal VITALIDADE FETAL 17 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Baseado na ultrassonografia com cardiotocografia. Avalia marcadores agudos e crônicos. Marcador crônico • Líquido amniótico • ILA > 5cm • Maior bolsão > 2cm Parâmetros ultrassonográficos + cardiotocografia = score Tem associação com acidose fetal e hipóxia Determinar o reflexo da oxigenação do bebê naquele momento. Score Mão fechada - tônus presente/mão aberta - tônus ausente Varia de 0 a 10 e somente números pares Marcadores: • O líquido amniótico é um marcador crônico • Reduz a perfusão fetal do rim e do pulmão VITALIDADE FETAL 18 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA • Redução da diurese fetal → redução do líquido amniótico • Cada ponto normal - 2 pontos. Cada parâmetro alterado 0 pontos • Em hipoxemia, o que se altera primeiro é • Cardiotocografia • Movimentos respiratórios • Movimentos corporais • Tônus Interpretação do score Se for 0, 2 ou 4 - alta probabilidade de asfixia e sofrimento fetal • 80% de morte fetal Dopplervelocimetria Sofrimento fetal é um quadro clínico decorrente de reações feitas frente a uma hipoxemia Pode ser agudo ou crônico: • Agudo geralmente em trabalho de parto, distúrbios hemodinâmicos, hemorragias • Crônico: em gestações de alto risco Paralisia cerebral • Anoxia aguda durante o parto por encefalopatia hipóxico-isquêmica • Anoxia crônica ante e pós parto Desnutrição do feto em 40% dos casos não tem causa conhecida VITALIDADE FETAL 19 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Diagnóstico de insuficiência placentária É importante para encontrar tal condição para evitar sofrimento fetal Rastreamento clínico: • Síndromes hipertensivas • RCF anterior • Diabetes com vasculopatia • Trombofilia • Colagenoses • Anemia falciforme • Pneumopatias restritivas Placentação: Invasão trofoblástica das arteríolas espiraladas: quando adequada, ocorre uma invasão, com fluxo de baixa resistência, rico em O2 e com troca entre mãe e feto. Isso permite expansão vilositária. Dopplervelocimetria: avaliar o fluxo das artérias umbilicais até as vilosidades • Caracterização de alta resistência: queda abrupta, invasão incompleta, incisura protodiastólica (no início da diástole) • Velocidade diastólica decresce - anormal Classificação Centralização da circulação fetal - proteção de coração, adrenais e SNC • Avaliamos se há essa compensação por cardiotocografia • Pode haver isquemia renal e pulmonar → menor produção de líquido • Doppler arterial leva ao diagnóstico da centralização da circulação e a doppler venoso mostra descompensação do ducto venoso (até antes) 20 PEDIATRIA TRIAGENS NEONATAIS TRIAGENS NEONATAIS 21 PEDIATRIA TESTE DO CORAÇÃOZINHO Realizado para diagnóstico precoce de cardiopatias congênitas críticas (necessitam de abordagem cirúrgica / cateterismo no 1º ano de vida). ● Fluxo pulmonar dependente de canal: Atresia de valva pulmonar ou estenose pulmonar de grau acentuado > comprometimento do coração direito ● Fluxo sistêmico dependente de canal: Atresia ou estenose crítica da valva aórtica ou obstrução crítica no arco aórtico > comprometimento do coração esquerdo ● Circulação em paralelo: transposição de grandes vasos Rotina de realização ● Todos RN com mais de 34 semanas de idade gestacional a partir de 24 horas de vida ● Oximetria de membro superior direito + algum membro inferior ● SatO2 ≥ 95% em ambos membros ou diferença entre eles 5 dias ● Necessidade de ventilação extracorpórea, ventilação assistida, exposição a drogas ototóxicas (aminoglicosídeo, diurético de alça), hiperbilirrubinemia importante, anóxia neonatal grave ● Peso nascimento avaliação a via de condução da audição (orelha externa até cóclea) ● PEATE = potencial evocado de tronco encefálico > avalia a via neurossensorial da audição (cóclea até tronco encefálico) ● Acompanhamento = rotina de puericultura habitual ● Monitoramento = rotina de puericultura habitual + avaliação fonoaudiológica entre 7-12 meses REFLEXO DO OLHO VERMELHO Rastreia alterações que comprometem transparência dos meios oculares (catarata congênita, glaucoma congênito, toxoplasmose congênita, retinoblastoma) ● Realizado com oftalmoscópio direto com distância de 30 cm do olho do paciente em sala escura ● Normal: reflexo vermelho bilateral ● Resultado alterado: solicitar avaliação do oftalmologista TESTE DO PEZINHO Diagnóstico de doenças assintomáticas com testes de boa sensibilidade sendo capaz de interferir no curso da doença permitindo tratamento precoce específico ou eliminação de sequelas HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO ● Etiologias: ○ Disgenesia (85%): agenesia tireoide, tireoide ectópica, hipoplasia de tireoide ○ Disormonogênese (10-15%): alterações na produção de hormônios tireoidianos ○ Transitório: mãe com uso de amiodarona, mãe com hipotireoidismo com presença de anticorpos● Quadro clínico: hipotonia muscular, dificuldade respiratória, cianose, icterícia prolongada, constipação, atraso para eliminação de mecônio, bradicardia, sopro cardíaco, anemia, sonolência e dificuldade de amamentação, choro rouco, hérnia umbilical, alargamento de fontanela, déficit de crescimento, retardo da maturação óssea, atraso desenvolvimento neuropsicomotor, deficiência intelectual ● Diagnóstico: dosagem de TSH no teste do pezinho ○ 20 = avaliação médica + TSH e T4L séricos ● Iniciar Levotiroxina o mais precoce possível (preferencialmente nas primeiras 2-4 semanas de vida) para evitar sequelas neurológicas e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor HIPERPLASIA ADRENAL CONGÊNITA ● O tipo mais comum ocorre por mutação na enzima 21 hidroxilase que participa do metabolismo da progesterona na adrenal. A ausência dessa enzima leva uma redução na TRIAGENS NEONATAIS 24 PEDIATRIA produção da aldosterona e cortisol, levando a crise adrenal, e aumento na produção de testosterona e 17 OH progesterona, levando a virilização ● Diagnóstico: elevação de 17 OH progesterona > confirmação com dosagem sérica ● Quadro clínico: ○ Forma clássica perdedora de sal: virilização da genitália externa + crise adrenal (desidratação, hiponatremia, hipercalemia) ○ Forma clássica não perdedora de sal: virilização da genitália ○ Forma não clássica: pubarca precoce, oligossintomática em meninos ● Tratamento: reposição hormonal (hidrocortisona / fludrocortisona) ○ Crise adrenal: expansão volêmica + correção glicemia + correção distúrbios hidroelétricos + corticoide (hidrocortisona / fludrocortisona) HEMOGLOBINOPATIAS ● Alteração na quantidade ou formação de cadeias de hemoglobina ● Diagnóstico confirmado com eletroforese de hemoglobina aos 6 meses de vida, quando há queda na Hb fetal FENILCETONÚRIA ● Fenilanina é um aminoácido essencial que através da fenilalanina hidroxilase leva a formação de neurotransmissores. Na Fenilcetonúria há uma ausência dessa enzima levando a um acúmulo de fenilalanina associado a uma redução de produção de neurotransmissores o que causa um atraso global do DNPM e deficiência intelectual ● Diagnóstico: dosagem de Fanilalanina no teste do pezinho > confirmação do diagnóstico repetindo a dosagem ○ 10-20 = Fenilcetonúria leve ○ > 20 = Fenilcetonúria clássica ● Tratamento com redução da ingestão do aminoácido com dieta hipoproteica ○ Não há contraindicação ao aleitamento materno FIBROSE CÍSTICA ● Doença autossômica recessiva com mutação do canal de condutância transmembrana (CFTR) responsável pelo transporte de cloro e fluidificação das secreções ● Quadro clínico: variável e extenso pelo acometimento de vários órgãos e diferentes mutações com diferentes graus de acometimento da função do canal RESPIRATÓRIO INFECÇÕES CRÔNICAS E DE REPETIÇÃO, BRONQUIECTASIA Pancreático Insuficiência endócrina e exócrina Nutricional Desnutrição TRIAGENS NEONATAIS 25 PEDIATRIA RESPIRATÓRIO INFECÇÕES CRÔNICAS E DE REPETIÇÃO, BRONQUIECTASIA Hepatobiliar Esteatose, cirrose biliar Intestinal Íleo meconial Sistema reprodutor Infertilidade Glândulas sudoríparas Desidratação ● Diagnóstico: 2 testes do pezinho com IRT aumentando + teste do cloro no suor alterado ○ Na presença de íleo meconial diagnóstico somente com teste de cloro no suor ● Tratamento: acompanhamento multidisciplinar em centro de referência com manejo nutricional, tratamento de complicações, fisioterapia respiratória e tratamento direcionado a mutação em vigência TOXOPLASMOSE CONGÊNITA ● Quadro clínico: maioria assintomático ○ Clássico: Coriorretinite + calcificações intracerebrais + proteinorraquia ● Diagnóstico: IgM para toxoplasmose no teste do pezinho ○ Teste alterado: solicitar sorologia materna e fetal, fundo de olho, USG de crânio, TC de crânio, liquor, PEATE, hemograma e transaminases DEFICIÊNCIA DE BIOTINIDASE ● Deficiência do metabolismo de biotina levando a quadro de crise convulsiva, hipotonia, microcefalia, atraso DNPM, distúrbios visuais e auditivos ● Diagnóstico: 2 testes do pezinho alterados ● Tratamento: reposição de biotina 26 PREVENTIVA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA 27 PREVENTIVA DEFINIÇÃO ● Modelo assistencial da atenção básica, fundamentado no trabalho de equipes multiprofissionais de um território ● Tem um papel de desenvolver ações de saúde a partir da realidade local e das necessidades da sua população COMPOSIÇÃO DA eSF – EQUIPE DE SAÚDE DA FAMÍLIA CARGA DE TRABALHO ● Cada equipe de ESF deve ter no máximo 4.000 pessoas ● Média recomendada de 3.000 pessoas. PAPEL DA ESF ● Equipe multidisciplinar que trabalha em prevenção e promoção de saúde ● Profissionais aumentam a abrangência da UBS → Visitas domiciliares e Consultório de Rua ● Médico do ESF pode atender qualquer demanda → UBS É a porta de entrada para o sistema único de saúde NASF • Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica • Equipe Multiprofissional da Atenção Básica • Pode ser composto por diversos Profissionais ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA 28 PREVENTIVA “Realizar discussão de casos, atendimento individual, compartilhado, interconsulta, construção conjunta de projetos terapêuticos, educação permanente, intervenções no território e na saúde de grupos populacionais de todos os ciclos de vida, e da coletividade, ações intersetoriais, ações de prevenção e promoção da saúde, discussão do processo de trabalho das equipes dentre outros, no território.” Não é um local ou serviço independente. Faz PARTE da UBS e recebe casos referenciados pelas equipes que compõe a estratégia Tem como objetivo Aumentar a Resolutividade na Atenção Primária COMPOSIÇÃO DA eSF – EQUIPE DE SAÚDE DA FAMÍLIA Modelo assistencial da atenção básica, fundamentado no trabalho de equipes multiprofissionais de um território Tem um papel de desenvolver ações de saúde a partir da realidade local e das necessidades da sua população. APENDICITE AGUDA TUBERCULOSE VITALIDADE FETAL TRIAGENS NEONATAIS ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA