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1 
UNIMSB - Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos 
Rua Engenheiro Trindade, nº 229 - Campo Grande - RJ - Brasil 
 
GRADUAÇÃO EM DIREITO 
DISCIPLINA: TEORIA GERAL DO PROCESSO (80h) 
PROFESSOR: RODRIGO PLAZA (professorrodrigoplaza@gmail.com) 
 
BIBLIOGRAFIA INDICADA: 
 
▪ CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; DINAMARCO, Cândido e GRINOVER, Ada Pellegrini. Teoria Geral 
do Processo. Ed Malheiros: SP. 
▪ GRECO FILHO, Vicente. Direito Processual Civil Brasileiro. Vol I, Ed Saraiva: SP. 
▪ CÂMARA, Alexandre. Lições de Direito Processual Civil. Vol I. Ed. Lúmen Iuris: RJ. 
 
APOSTILA CONTENDO MATERIAL DE APOIO PARA A DISCIPLINA TEORIA GERAL DO 
PROCESSO – UNIMSB 
 
INTRODUÇÃO GERAL 
 
A fim de garantir a existência e a sobrevivência do indivíduo e do grupo social, a sociedade 
organizou-se (idéia de pacto social), dando origem ao Estado, ente responsável pelo bem estar geral 
e que, para isso, estabeleceu normas gerais, abstratas e obrigatórias, fundando direitos e deveres. 
É a esse conjunto de normas que disciplinam a vida em sociedade que se dá o nome “Direito”. 
Aprofundando tal conceito, podemos classificar o direito em: 
A) Direito Objetivo: conjunto total de normas (Constituição, leis ordinárias, leis complementares, 
decretos, regulamentos, tratados, etc) que disciplinam as condutas dos indivíduos em 
sociedade. 
O direito objetivo encontra-se, por sua vez, dividido em dois grandes grupos: as normas 
de direito material, que definem os direitos e obrigações de cada indivíduo, bem como o que 
é lícito ou ilícito; e as normas de direito processual que regulamentam o exercício da 
jurisdição, ou seja, disciplinam a atividade dos órgãos jurisdicionais (juízes e 
desembargadores), das partes (autor e réu), dos auxiliares dos órgãos jurisdicionais 
(escreventes, oficiais de justiça, peritos, etc), do Ministério Público, etc. 
B) Direito Subjetivo: trata-se da faculdade, do poder, da prerrogativa que a pessoa tem de 
praticar ou não, certos atos da vida civil. 
 
“A tarefa da ordem jurídica é exatamente a de harmonizar as 
relações sociais intersubjetivas, a fim de ensejara a máxima realização 
dos valores humanos com o mínimo de sacrifício e desgaste. O critério 
que deve orientar essa coordenação ou harmonização é o critério do 
justo e do eqüitativo, de acordo com a convicção prevalente em 
determinado momento e lugar. 
Por isso, pelo aspecto sociológico o direito é geralmente 
apresentado como uma das formas do chamado controle social, 
entendido como o conjunto de instrumentos de que a sociedade dispõe 
na sua tendência à imposição dos modelos culturais, dos ideais coletivos 
e dos valores que persegue, para a superação das antinomias, das 
 2 
tensões e dos conflitos.” (CINTRA, DINAMARCO e GRINOVER, 1996, 
p.19) 
 
Embora um dos objetivos primordiais do Direito seja prevenir a ocorrência de conflitos entre os 
indivíduos que compõem a sociedade1, é de fato impossível evitar que estes ocorram. 
“A eliminação dos conflitos ocorrentes na vida em sociedade 
pode-se verificar por obra de um ou de ambos os sujeitos dos interesses 
conflitantes, ou por ato de terceiro. Na primeira hipótese, um dos sujeitos 
(ou cada um deles) consente no sacrifício total ou parcial do próprio 
interesse (autocomposição)” ou pode ainda ocorrer a solução do conflito 
mediante decisão emitida por terceiro (heterocomposição). (CINTRA, 
DINAMARCO e GRINOVER, 1996, p.20 
 
ESPÉCIES DE RESOLUÇÃO DE CONFLITO 
 
1) AUTOTUTELA 
É a solução do conflito imposta por um dos conflitantes. É portanto, uma solução conseguida 
através da força (“justiça de mão própria”). Trata-se do meio de resolução de conflitos mais antiga. 
“Nas fases primitivas da civilização dos povos, inexistia um 
Estado suficientemente forte para superar os ímpetos individualistas dos 
homens impor o direito acima da vontade dos particulares: por isso não 
só inexistia um órgão estatal que, com soberania e autoridade, garantisse 
o cumprimento do direito, como ainda não havia sequer as leis. Assim, 
quem pretendesse alguma coisa que outrem o impedisse de obter 
haveria de, com sua própria força e na medida dela, tratar de conseguir, 
por si mesmo, a satisfação de sua pretensão. [..] A esse regime chama-
se autotutela (ou autodefesa) e hoje, encarando-a do ponto de vista da 
cultura do século XX, é fácil ver como era precária e aleatória, pois não 
garantia a justiça, mas a vitória do mais forte, mais astuto ou mais ousado 
sobre o mais fraco ou mais tímido.” (CINTRA, DINAMARCO e 
GRINOVER, 1996, p.21) 
 
A autotutela possui duas características fundamentais: a ausência de um juiz (distinto das 
próprias partes) e a imposição da decisão por uma das partes à outra. 
Trata-se de prática que é, em regra, proibida, chegando em muitos casos, ser considerada 
crime (Ex. exercício arbitrário das próprias razões – art 345, CP). A exceção são algumas hipóteses 
previstas em lei: legítima defesa, greve, desforço incontinenti (reação imediata a uma violência em 
sua posse, também conhecida como “legítima defesa da posse” – art. 1.210, §1º CC), retenção de 
bagagem pelo dono do hotel, quando o hospede não paga, etc. 
 
OBS.: Os casos de autotutela considerados lícitos estão sujeitos ao controle do Poder Judiciário. 
 
Bem, antes do Estado conquistar para si o poder de declarar o direito aplicável ao caso 
concreto, várias foram as formas que foram sendo utilizadas no sentido da pacificação social até se 
 
1 lembrando que a formação do Estado está ligada à saída do homem de seu “estado de natureza”, onde cada um abre mão 
de uma parcela de sua liberdade e autonomia em nome da formação da figura estatal. 
 3 
chegar ao ponto do monopólio exclusivo do Estado nesta tarefa. Porém vale ressaltar que essa 
evolução não se deu de forma linear, a história seguiu seu curso com “marchas e contramarchas”, 
com várias fases em que os mecanismos de solução conviviam simultaneamente. 
Porém nosso histórico mostrou uma formação cultural baseada no enorme fortalecimento do 
Estado e da quase absoluta exclusividade do Estado no papel de solucionar os conflitos surgidos entre 
os particulares. Porém atualmente, vêm ganhando força as modalidades de soluções não-
jurisdicionais dos conflitos (“meios alternativos de pacificação social). 
 
“Vai ganhando corpo a consciência de que, se o que importa é 
pacificar, torna-se irrelevante que a pacificação venha por obra do Estado 
ou por outros meios -, desde que eficientes. Por outro lado, cresce 
também a percepção de que o Estado tem falhado muito na sua missão 
pacificadora, que ele tenta realizar mediante o exercício da jurisdição e 
através das formas do processo civil, penal ou trabalhista. 
O processo é necessariamente formal, porque suas formas 
constituem o modo pelo qual as partes têm a garantia de legalidade em 
imparcialidade no exercício da jurisdição [...] 
Mas isso toma tempo e tempo é inimigo da efetividade da função 
pacificadora. A permanência de situações indefinidas constitui [...] fator 
de angústia e infelicidade pessoal. 
O ideal seria a pronta solução dos conflitos, tão logo 
apresentados ao juiz. Mas como isso não é possível, eis aí a demora na 
solução dos conflitos como causa de enfraquecimento do sistema. 
Ao lado, da duração do processo, o seu custo constitui outro óbice 
à plenitude do cumprimento da função pacificadora através dele [...]. 
Essas e outras dificuldades têm conduzido os processualistas 
modernos a cogitar novos meios para a solução de conflitos. Trata-se 
dos meios alternativos [...].”(CINTRA, DINAMARCO e GRINOVER, 1996, 
p.26-7) 
 
 
2) AUTOCOMPOSIÇÃO 
 
A autocomposição também é chamada de conciliação extraprocessual, por ocorrer fora do 
âmbito do Poder Judiciário.Neste caso, a solução do conflito é negociada pelas partes envolvidas no conflito. 
A autocomposição é tida como a forma ideal para resolução de conflitos e, ao contrário da 
autotutela, é prática estimulada. 
É um exemplo do que em inglês se chama de ADR (alternative dispute resolution), ou seja, 
uma maneira alternativa e não-jurisdicional de resolução dos conflitos. 
A autocomposição pode se apresentar de duas maneiras: pode ser uma transação (na qual 
ambas as partes fazem concessões recíprocas em nome da solução do conflito) ou pode ser uma 
renúncia (situação em que o autor abdica de seu direito em nome do requerido/réu) ou um 
reconhecimento da procedência do pedido do autor (quando o réu abre mão do direito em nome do 
autor). 
 
 4 
 
 
3) MEDIAÇÃO 
Ocorre quando um terceiro, estranho ao conflito, é chamado para ajudar as partes a chegar a 
pacificação da questão existente. É mecanismo que tem muita aplicabilidade nos conflitos 
internacionais. 
Deve-se observar que na mediação não é o terceiro quem vai decidir. Seu papel é somente 
de auxiliar as partes, para que elas por si só decidam. 
Também é uma ADR. 
OBS.: A conciliação (que ocorre dentro de uma audiência) é um exemplo de mediação visto que ´é 
conduzida por um terceiro, embora dentro do campo jurisdicional. 
 
4) ARBITRAGEM (Lei 9307/96) 
Na arbitragem um terceiro imparcial, escolhido pelas partes em conflito, impõe a solução ao 
caso concreto, decidindo-o. 
- Quem pode escolher a arbitragem como meio de resolução de conflitos? Qual pode ser o 
objeto da arbitragem? 
Tal meio de solução de conflitos só pode ser adotado por pessoas capazes e, quando o direito 
envolvido for disponível. 
- Quem pode ser árbitro? 
A figura do árbitro pode recair sobre qualquer pessoa capaz, dentro dos moldes estabelecidos 
no Código Civil) e alfabetizada. A lei nada exige em relação à formação jurídica do árbitro, portanto, 
não é necessário que este seja advogado, bem como o “curso de arbitragem” não oferece nenhuma 
capacitação profissional que seja exigida pela Lei, pois a competência será estabelecida pelas partes 
conflitantes (“qualquer um pode ser árbitro”, desde que tenha capacidade, seja alfabetizado e tenha 
sido eleito pelas partes). 
- Quais são os limites da atuação do árbitro? 
Logo, a arbitragem é um mecanismo de heterocomposição2, na qual a decisão é imposta por 
um terceiro, que terá o limite de atuação para o caso estabelecida pelas próprias partes, podendo 
inclusive julgar por equidade (ou seja, fora das regras de direito material). Os únicos limites aos quais 
o árbitro deve estar atento durante o ato decisório são os bons costumes e os princípios de ordem 
pública. 
- Se as partes não concordarem com a decisão do árbitro, podem entrar com algum recurso 
no Poder Judiciário? 
O Judiciário não poderá rever a situação solucionada por meio da arbitragem. O máximo que 
pode chegar a atuação jurisdicional é avaliar a legalidade da arbitragem (se foram cumpridas as 
exigências formais da Lei 9307/93), anulando a sentença arbitral por um vício formal. Ou seja, ao 
 
2 Na autocomposição são as próprias partes que chegam a um consenso sobre o conflito. Na heterocomposição, a decisão 
vem de um terceiro. 
 5 
Poder Judiciário caberá tão somente fazer uma análise dos aspectos formais daquela atuação arbitral, 
sem entrar no aspecto meritório (se a sentença foi “justa” ou “injusta”) em virtude do princípio da 
autonomia de vontades (vontade dos litigantes). 
Vale observar que tal invalidação só pode ser feita dentro do prazo decadencial de 90 dias a 
partir da intimação da sentença emanada pelo árbitro. Vencido este prazo a decisão arbitral torna-se 
estável e definitiva, não havendo meios possíveis de impugná-la. 
Sobre essa sentença arbitral é necessário mencionar sua força executiva, não sendo 
necessária a homologação do Judiciário desta decisão que, por si só já nasce com todo o poder 
coercitivo em que se fundam os títulos executivos. 
 
PRINCÍPIOS PROCESSUAIS GERAIS 
 
Princípios processuais gerais são normas jurídicas, escritas ou não, que informam e guiam 
todo o sistema processual (processo e procedimento), servindo tanto de parâmetro para o legislador 
quanto para a atuação dos operadores do Direito em suas várias funções (advogados, promotores, 
magistrados, etc). Trazem as direções mais amplas a serem seguidas na atuação prática para o 
alcance da Justiça. 
Atualmente, vive-se no campo do Direito uma fase que pode ser chamada de 
Neoconstitucionalismo, que possui metodologia muito distinta das que já foram aplicadas nas Ciências 
Jurídicas até então. Há por meio deste novo pensamento, uma consagração dos direitos fundamentais 
previstos na Constituição, ampliando a força normativa deste diploma legal, num intuito de tirar tais 
proteções do papel e implementá-las na prática. 
Embora não haja uma lista taxativa destes princípios, apontaremos a seguir aqueles mais 
citados na doutrina brasileira: 
 
A) Princípio do Devido Processo Legal 
Também conhecido pela expressão em inglês “due process of law”, encontra-se expresso no 
art. 5º, LIV, CRFB. 
Traz como seu conteúdo a idéia de que a pessoa só pode ser privada de seus bens (materiais 
ou imateriais) por meio de processo cujos procedimentos e cujas conseqüências estejam em 
conformidade com o Direito (CRFB, leis ordinárias, tratados internacionais, etc), ou seja com o 
conteúdo moral3 das normas (ultrapassando-se a interpretação literal dos dispositivos legais) tanto no 
sentido de respeitar as garantias processuais no decorrer da prestação jurisdicional, quanto na 
preocupação de ter por resultado uma decisão que seja adequada, razoável e equilibrada para os 
padrões sociais vigentes. 
 
 
3 Entenda-se por conteúdo moral a interpretação do texto legal pelo operador do Direito, de acordo com as circunstâncias 
históricas e culturais de um dado momento, ultrapassando os dados da data de elaboração da lei, de maneira a promover 
uma “atualização” do dispositivo para que ele se mantenha fiel aos interesses do grupo social a que ele visa regular.. 
 6 
B) Princípio da Efetividade 
Não existe texto legal que proteja a efetividade processual, porém foi uma das metas mais 
importantes do movimento de reforma do Código de Processo Civil, que modificou a sistemática dos 
recursos e o processo de execução. 
Dispõe que todo aquele que possui um direito reconhecido tem a prerrogativa de vê-lo 
efetivado na prática, num prazo que seja razoável para que o bem jurídico não pereça com o passar 
excessivo do tempo e a lide se resolva em perdas e danos. 
 
C) Princípio da Adequação 
O processo deve ser adequado às especificidades do direito que está sendo tutelado (EX.: 
direito patrimonial, tutela coletiva, direitos personalíssimos, etc), dos sujeitos que estão formando a 
lide (EX.: direitos do incapaz, interesses de uma empresa multinacional, idoso, etc), bem como às 
finalidades de seus procedimentos (EX.: Juizado Especial e sua idéia de simplicidade e celeridade 
processual, audiência de conciliação onde as partes deixam clara a impossibilidade de composição 
da lide, etc). 
 
D) Princípio da Duração Razoável do Processo (Celeridade) 
O processo deve durar o tempo suficiente (razoável, necessário) para proporcionar o 
contraditório, a dilação probatória, a verificação dos fatos, de forma a conseguir alcançar a decisão 
mais justa possível. 
Para se averiguar o “tempo razoável” é preciso verificara complexidade da causa, a estrutura 
(bem como os problemas estruturais) do órgão jurisdicional, analisar se está ocorrendo algum 
comportamento protelatóriodos funcionários da Justiça, do juiz ou das partes, etc. 
OBS.: Quais são os instrumentos para proteger o direito a um prazo razoável de duração do processo? 
1. Representação por excesso de prazo a ser interposta em instância hierarquicamente superior. 
Se esta representação não houver surtido efeito e a procrastinação (demora) for absurda, pode 
se tentar: 
2. Recurso ao CNJ. 
Em sede jurisdicional, caberá ainda: 
3. Mandado de segurança, requerendo ao tribunal que o juiz seja intimado a decidir. 
 
E) Princípio da Boa-Fé Processual ou da Lealdade (art 5º CPC) 
A boa-fé objetiva, conceito consagrado no Direito Civil, consiste em norma de conduta que 
impõe às partes de uma relação jurídica o dever de comportarem-se de acordo com a lealdade, ou 
seja respeitando a ética da relação. 
 
 
 7 
A lealdade também está ligada à idéia de cooperação, segundo a qual todos têm o dever de 
cooperar para a justacomposição do litígio, se eximindo de criar obstáculos irrazoáveis para o bom 
andamento do processo, respeitados os interesses próprios das partes. 
 
F) Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa (art. 5º, LV, CRFB) 
Garantem às partes o direito de participar de um processo que lhe possa ser útil, lhe prejudicar 
ou que de alguma forma lhe diga respeito. Contudo, vale observar que não é suficiente a mera 
participação na relação processual, é fundamental que seja assegurada uma atuação efetiva da parte, 
que dê a ela capacidade de intervir no conteúdo da decisão a ser emanada, através de prazo para 
vista e análise dos fatos contra ele impostos, tempo razoável para produção de provas que 
fundamentem sua argumentação, etc. 
O contraditório estabelece que deve o réu ter oportunidade para se contrapor a todas as 
afirmações feitas pelo autor contra ele. A ampla defesa funda-se na idéia de que esta contraposição 
deve ser feita de maneira irrestrita, não podendo o Poder Judiciário criar ou permitir que existam óbices 
à comprovação dos fatos alegados. 
 
G) Princípio da Instrumentalidade 
O processo deve ser um instrumento para a realização do direito material e, por isso, na 
medida da razoabilidade, deve abrir mão de seu formalismo típico em nome de uma melhor prestação 
jurisdicional (EX.: art. 188, CPC). 
 
OBS.: O direito material e o direito processual são complementares, sem relação de subalternação 
ou hierarquia, vez que exercem funções distintas. 
 
H) Princípio do Duplo Grau de Jurisdição 
É facultado às partes de um processo judicial o direito de recorrer das decisões judiciais, 
provocando seu reexame por órgão hierarquicamente superior. 
Tal princípio tem como finalidade garantir, tanto quanto possível, o acerto das decisões 
judiciais e, ao mesmo tempo, satisfazer os anseios de justiça dos litigantes. 
 
I) Princípio da Demanda ou da Inércia (art. 2º CPC) 
Cabe à pessoa interessada provocar o Poder Judiciário, por meio do ajuizamento de uma ação 
(cujo instrumento processual é a petição inicial nos moldes dos arts. 282 e 283, CPC), para que este 
venha a realizar a prestação da tutela jurisdicional e resolver a lide formada. 
 
J) Princípio Dispositivo ou Do Impulso Oficial 
Embora o processo deva necessariamente começar por iniciativa da parte interessada, uma 
vez ajuizada a ação, esta se desenvolve por impulso oficial, ou seja, cabe ao juiz cuidar para que esta 
siga a sua marcha até que seja prolatada a sentença. 
 8 
 
L) Princípio da Identidade Física do Juiz (art. 139, CPC) 
O juiz que colhe as provas deve julgar a lide, uma vez que seu contato direto com as partes e 
testemunhas lhe oferece melhores condições de avaliar as provas produzidas e, portanto, de 
sentenciar de forma mais satisfatória. 
 
M) Princípio da Publicidade (art. 93, IX, CRFB) 
Traduz-se pela idéia de dar conhecimento, assegurara a comunicação dos atos jurídicos aos 
titulares do direito e interessados, a fim de garantir a veracidade, correção e transparência dos atos 
processuais, estes devem ser preferencialmente públicos, inclusive as audiências. O princípio 
comporta algumas exceções, previstas no CPC, que são os casos que o interesse público exigir o 
segredo de justiça (EX.: situações de comoção pública, hipóteses em que a publicidade pode 
atrapalhar a colheita de provas e testemunhos, etc) e nos casos que dizem respeito a casamento, 
filiação, separação dos cônjuges, divórcio, alimentos e guarda de menores. 
 
N) Princípio da Imparcialidade do Julgador 
 O magistrado ao conduzir e decidir a lide deve-se manter numa posição eqüidistante entre o 
autor e o réu, sem beneficiar ou prejudicar qualquer uma das partes sub judice. 
 
O) Princípio da Isonomia (Igualdade Material) (art 5º, caput, CRFB) 
Corresponde à máxima de Rui Barbosa “tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma 
desigual, na medida de sua desigualdade”, fazendo com que deva haver um tratamento equilibrado 
entre os sujeitos da relação processual. Por essa razão, aliás, dispõe o art. 139 do CPC, que é dever 
do juiz assegurar às partes um tratamento isonômico. (cf. CÂMARA, 2002, p. 37) 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIMSB - Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos 
Rua Engenheiro Trindade, nº 229 - Campo Grande - RJ - Brasil 
 
GRADUAÇÃO EM DIREITO 
DISCIPLINA: TEORIA GERAL DO PROCESSO (80h) 
PROFESSOR: RODRIGO PLAZA – (professorrodrigoplaza@gmail.com) 
 
TRILOGIA ESTRUTURAL DO DIREITO PROCESSUAL 
 
 9 
O Direito Processual está todo estruturado sobre três conceitos fundamentais, também 
conhecidos por “trilogia estrutural do Direito Processual”: jurisdição, ação e processo. 
Tratam-se de conceitos básicos para a compreensão da relação processual, pela qual se 
objetiva a proteção dos direitos materiais dos indivíduos. 
 
O direito processual, em sua lógica já referida, se assenta em três 
conceitos fundamentais que se relacionam e interagem: a ação, a 
jurisdição e o processo. Esses três elementos compõem todo o 
processo, de modo que se pode dizer que nada no direito processual 
está fora de um deles e de seguir seus princípios. O seu relacionamento 
é tão íntimo que não se pode sequer definir cada m deles sem referir o 
outro. (GRECO FILHO, 2008, p. 77) 
 
 
JURISDIÇÃO (arts. 1º e 2º CPC) 
 
A. Histórico, Conceito e Finalidade 
 
Com o desenvolvimento da sociedade e o surgimento do Estado, este tomou para si o monopólio 
de resolver os conflitos de interesses que surgissem. Deste modo, ficou vedada a autotutela, não 
cabendo mais aos indivíduos fazer justiça com as próprias mãos, ou mesmo nomear terceiros fora da 
estrutura jurisdicional, salvo quando expressamente autorizado pelo próprio Estado4. 
“Tendo sido proibida a autotutela, passou o Estado a prestar jurisdição, 
substituindo a atividade das partes e realizando em concreto a vontade 
do direito objetivo. Em outros termos: o Estado, ao exercer a função 
jurisdicional, está praticando uma atividade que anteriormente não lhe 
cabia, a defesa de interesses juridicamente relevantes. Ao agir assim, o 
Estado substitui a atividade das partes, impedindo a justiça privada.” 
(CÂMARA, 2009, p. 71) 
 
O Poder Judiciário exerce a função de julgar (“dizer o Direito”), chamada de jurisdição, que é 
delegada aos juizes. Tal papel do Estado tem como objetivo a composição das lides em juízo (ou 
seja, resolver os conflitos de interesses caracterizados por uma pretensão resistida). 
Às vezes duas ou mais pessoas têm os mesmos interesses sobre os mesmos bens. Se 
nenhum dos dois abrir mão desse bem, ambos se enfrentarão na discussão de seus interesses. urge 
aqui a pretensão, que é a exigência de subordinação de um interesse alheio ao interesse próprio. 
Quando ocorre a resistência de um sujeito a essa subordinação surgea lide. 
A jurisdição é a busca da justa composição da lide. O litígio coloca em perigo a paz social e a 
ordem jurídica, o que reclama a atuação do Estado, que se valerá da jurisdição para aplicar as normas 
abstratas aos casos concretos. 
 
4 Como são os casos da legítima defesa da posse e da greve, instrumentos de autotutela autorizados pelo Direito, bem como 
a Arbitragem, mecanismo não-jurisdicional previsto pela lei. Outros mecanismos de resolução de conflitos podem vir a existir, 
desde que com previsão legal. O poder jurisdicional pertence ao Estado, mas este pode autorizar que entes não-
estatais pratiquem a jurisdição. Ex Arbitragem. 
 10 
A função jurisdicional é a responsável por aplicar concretamente a norma abstrata e genérica, 
criada pelo legislador, nos conflitos concretos (“É a atuação concreta da vontade da lei”). 
O Estado não pode exercer a jurisdição de oficio. Ele precisa ser provocado através do 
exercício do direito de ação para prestar a atividade jurisdicional. Ou seja, o Estado precisa de um 
instrumento através do qual ele possa prestar a atividade jurisdicional e esta ferramenta é o processo. 
(Trilogia estrutural do direito processual) 
 
B. Classificação, Espécies e Características da Jurisdição 
 
A jurisdição pode ser: 
▪ Quanto ao tipo de pretensão – Penal ou civil (trabalhista e jurisdição strito senso; 
estadual e federal). 
▪ Quanto ao Grau – Inferior (juízo de 1º grau e competência originaria dos tribunais) ou 
superior (2º grau ou grau recursal) 
▪ Quanto ao órgão – Especial (eleitoral, trabalhista, militar) e comum (Estadual e Federal) 
▪ Quanto à forma: 
Jurisdição Contenciosa → é aquela espécie de jurisdição pela qual o Estado procura solucionar 
um litígio que lhe é apresentado pelas partes. Função substitutiva do Estado com o objetivo de dirimir 
o conflito. 
Ou seja, é a jurisdição propriamente dita. Os itens que a caracteriza são: lide, partes e 
processo. 
 
Jurisdição Voluntária → Criação, modificação ou extinção de uma relação jurídica que não é 
realizada através do juiz, mas com a participação do juiz. O legislador elencou no CPC situações que 
precisam ser apreciadas pelo Poder Judiciário, em virtude dos direitos envolvidos. Essas relações 
jurídicas só produziriam efeitos se fossem realizadas perante o juiz. Na jurisdição voluntária, não 
existe conflito; é uma relação inter-volentes, ou seja, entre os que querem. As pessoas querem a 
produção daqueles efeitos jurídicos, não havendo resistência. 
Características: é uma atividade administrativa (e não jurisdicional, pois o Estado não julga 
nada); finalidade constitutiva (não atua a vontade concreta da lei, ela cria, modifica ou extingue 
relações jurídicas); não tem partes e sim requerentes ou interessados, pois não há resistência. Ou 
seja, não há conflito, há um interesse administrado pelo Judiciário, Ex: separação consensual, 
alienação de bens de incapaz. Em virtude dos interesses envolvidos o Poder Judiciário tem que 
autorizar. 
 
OBS.: Logo, podemos perceber que há a possibilidade de existir jurisdição e processo sem lide, pois 
nos casos da jurisdição voluntária nos são todos os casos que se traduzirão em uma pretensão 
resistida. Ex. separação consensual. 
 
 11 
Uma das mais importantes características da jurisdição é sua inércia: 
Princípio da Inércia ou Princípio da Demanda: (art. 2º CPC) – O Estado não presta de ofício a 
tutela jurisdicional, ou seja, o juiz tem que ser provocado pela parte ou interessado para poder prestar 
a jurisdição. 
“Em primeiro lugar, há que se tratar da inércia. O Estado-juiz só atua se 
for provocado. Ne procedat iudex ex officio, ou seja, o juiz não procede 
de ofício. Esta regra geral, conhecida pelo nome de princípio da 
demanda, ou princípio da inércia, está consagrada no art. 2º do Código 
de Processo Civil, segundo o qual ‘nenhum juiz prestará a tutela 
jurisidicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos 
casos e formas legais’.” (CÂMARA, 2009, p. 70) 
 
 
“O Estado tomou para si a função de resolver a lide. Entretanto, o 
Estado só exerce a jurisdição quando provocado pela parte 
interessada, a quem fica facultado agir, buscando a tutela jurisdicional 
junto ao Poder Judiciário” (ARAÚJO JUNIOR, 2006, p. 14) 
 
 A jurisdição é una, no entanto, por motivos de ordem prática, principalmente pela necessidade 
da divisão dessa atuação jurisdicional (competência), costuma-se dividir a jurisdição. 
 Numa primeira etapa, o legislador dividiu a jurisdição em comum e especial. 
A jurisdição comum, subdivide-se em civil e penal. 
Já a jurisdição especial se subdivide em militar, trabalhista e eleitoral. 
 
OBS.: O âmbito de abrangência de cada uma destas espécies de jurisdição é feito por exclusão, ou 
seja, o que não for jurisdição especial, será jurisdição comum, o que não for jurisdição federal, será 
estadual. 
 
 As regras que disciplinam a organização do Poder Judiciário, sua composição, atribuições, 
etc. encontram-se previstas na Constituição Federal (arts. 92 e seguintes), nas Constituições dos 
Estados, nas Leis de Organização Judiciária de cada Estado, nos Regimentos Internos de cada 
Tribunal, etc. 
 
C. Princípios Processuais ligados à Jurisdição: 
 
1. Princípio da investidura: O juiz precisa estar investido da função jurisdicional para 
prestá-la. 
2. Princípio da aderência ao território: O juiz só pode exercer a jurisdição dentro de 
um limite territorial previsto na lei. Exceção é a citação em comarcas contíguas. 
3. Princípio da indelegabilidade: A atividade jurisdicional entregue a um magistrado 
não pode ser delegada a outrem. OBS.: Porém, vale observar que o tribunal pode expedir cartas de 
ordem para que o juiz de 1º grau realize determinado ato, sem que isso represente delegação, visto 
que não é transferida a função de julgar. 
 12 
4. Princípio da indeclinabilidade : O juiz não pode se furtar a julgar a causa que lhe é 
apresentada (art 140 CPC), alegando lacuna ou obscuridade. Ele terá que recorrer à analogia, aos 
costumes, princípios, etc. O fato de não haver previsão legal não impede o julgamento, o magistrado 
enquanto representante do Estado-Juiz tem o dever de resolver a lide, dando solução ao conflito 
apresentado. 
 
AÇÃO (arts. 3º CPC e art. 5º, XXXV, CRFB) 
 
A. Conceito 
 
É o mecanismo criado pelo Estado para provocar o exercício da jurisdição, exatamente porque 
o juízo só funciona por provocação. 
 
“(...) este direito, esta faculdade, concedido a todas as pessoas, de 
requerer, demandar, exigir a tutela jurisdicional, suscitando o processo, 
é que se chama de ação” (Idem, p.14) 
 
“A ação é uma posição jurídica capaz de permitir a qualquer pessoa a 
prática de atos tendentes a provocar o exercício, pelo Estado, da 
função jurisdicional, existindo ainda que inexista o direito material 
afirmado.” (CÂMARA, 2009, p. 112) 
 
B. Características 
 
Então, a jurisdição é provocada através do exercício constitucional do direito de ação, sendo o 
direito de ação um direito público (direito que pertence a todos) subjetivo (porque depende da 
provocação da pessoa interessada para que o Estado possa exercer a jurisdição) de invocar a 
prestação da tutela jurisdicional, autônomo (ou abstrato, pois o direito de ação não está na 
dependência do reconhecimento ou não da procedência do pedido do autor. Isto quer dizer que 
mesmo que o pedido do autor seja julgado improcedente ao final do processo, ele terá exercido seu 
direito de ação, uma vez que lhe foi garantido o direito de invocar e obter a atuação do Estado-juiz.) e 
incondicional (pois, tendo o Estado interesse que o indivíduo exerça o direito de ação, a fim de 
garantira manutenção da ordem pública, não impõe qualquer condição para o exercício deste direito). 
 
C. Condições da Ação 
 
 O direito de ação, falando em termos amplos, é incondicional. Porém, para que a parte possa 
obter um pronunciamento judicial quanto ao mérito do seu pedido, é necessária a presença das 
seguintes condições: interesse processual, legitimidade das partes e possibilidade jurídica do pedido. 
 Vale observar que estas condições não impedem que o autor ajuíze a ação (pois este é um 
direito incondicional), mas que representam requisitos impostos ao autor para que este consiga um 
pronunciamento quanto ao mérito do seu pedido: 
 13 
 
“(...) não se nega ao indivíduo acesso ao Poder Judiciário, (...) o que se 
nega é a possibilidade de que o Estado-juiz venha a conhecer do 
pedido, porque não estão presentes aspectos fundamentais de 
viabilidade do processo”. (Idem, p. 15) 
 
- Legitimidade (legitimatio ad causam): art. 3º CPC - Está associada a quem pode propor a ação 
(parte legítima ativa) e contra quem a ação deve ser proposta (parte legítima passiva). As espécies 
são: 
a) ordinária: . 
A regra é que ninguém pode pleitear, em nome próprio, direito alheio. Tem que pleitear em seu nome 
o direito que possui, porém, em alguns casos a parte legítima tem que ser representada (menores) ou 
assistida (incapazes). 
b) extraordinária: (também conhecida como substituição processual) 
Em circunstâncias excepcionais previstas em lei, pode-se pleitear em nome próprio, direito alheio. Ex: 
mandado de segurança coletivo, investigação de paternidade (A lei permite que o Ministério Público - 
promotor de justiça - possa entrar com essa ação requerendo direitos de caráter coletivo). 
 
A legitimidade “refere-se às partes, sendo denominada também, 
legitimação para agir ou, na expressão latina, legitimatio ad causam [...] 
Cada um deve propor as ações relativas a seus direitos. Salvo casos 
excepcionais expressamente previstos em lei, quem está autorizado a 
agir é o sujeito da relação jurídica discutida. Assim, quem pode propor 
ação de cobrança de um crédito é o credor, quem pode propor a ação 
de despejo é o locador, quem pode pleitear a reparação do dano é 
aquele que o sofreu. 
[...] 
A regra geral é a de que está autorizado a demandar quem for o titular 
da relação jurídica, dizendo-se então, que a legitimação é ordinária. 
Há casos, porém, em que o texto expresso de lei autoriza alguém que 
não seja o sujeito da relação jurídica de direito material a demandar. 
Nestes casos, diz-se que a legitimação é extraordinária. 
A legitimação extraordinária foi denominada por Chiovenda ‘substituição 
processual’, e ocorre quando alguém, em virtude de texto legal expresso, 
tem qualidade para litigar, em nome próprio, sobre direito alheio.” 
(GRECO FILHO, 2008, p.81) 
 
- interesse de agir: arts. 3º CPC – O interesse processual traduz-se no binômio 
necessidade/adequação, ou seja, a prestação tem que preencher os requisitos de necessidade e 
adequação. 
Necessidade: a prestação jurisdicional tem que ser imprescindível, seja porque o devedor ou 
obrigado se recusa a cumprir a obrigação ou a reconhecer o direito do autor (que já tentou receber a 
prestação de forma extrajudicial e não conseguiu), bem como nas hipóteses de jurisdição voluntária, 
que independente de haver pretensão resistida, o Estado por imposição legal exige a atuação do 
Poder Judiciário. 
Interesse necessidade é a parcela do interesse caracterizado pela necessidade da atuação 
jurisdicional: “não se tem outro meio para obter a defesa do direito”. 
 14 
 
“O interesse processual é, portanto, a necessidade de se recorrer ao 
Judiciário para a obtenção do resultado pretendido, independentemente 
da legitimidade ou legalidade da pretensão. [...]. Não se indaga, pois, 
ainda, se o pedido é legítimo ou ilegítimo, se é moral ou imoral. Basta 
que seja necessário, isto é que o autor não possa obter o mesmo 
resultado por outro meio extraprocessual. .” (GRECO FILHO, 2008, 
p.84) 
 
Adequação: está ligada a escolha da via correta para fazer valer o seu direito. Ex: cobrança de 
um cheque (título executivo) através da ação de execução, vez que o cheque é título executivo 
extrajudicial, não sendo preciso ação prévia de conhecimento. 
 
“[...] é preciso que o demandante tenha ido a juízo em busca do 
provimento adequado para tutela da posição jurídica de vantagem 
narrada por ele na petição inicial, valendo-se da via processual 
adequada. Assim, por exemplo, o locador que pretenda recuperar a 
posse do imóvel locado terá de postular o despejo do locatário, sendo 
inadequada a propositura da demanda de reintegração de posse, da 
mesma forma que o cônjuge que pretenda desfazer seu casamento por 
fim dos laços sentimentais deverá pleitear a separação judicial, e não a 
anulação de casamento.” (CÂMARA, 2009, p. 119) 
 
Interesse adequação é a parcela do interesse caracterizada pela forma adequada de pleitear 
a prestação jurisdicional. Se não for usado o meio adequado, teremos falta do interesse de agir. 
 
- possibilidade jurídica do pedido: – Nem todos os tipos de conflitos são tutelados pelo Direito 
(como é o caso das questões morais, de foro íntimo, envolvendo religião, etc.) e outros são inclusive, 
proibidos (tráfico de entorpecentes, agiotagem, jogo do bicho, terrorismo, etc) . Deste modo, o pedido 
do autor terá que ser possível juridicamente, ou seja, não deve estar proibido direta ou indiretamente 
no ordenamento jurídico. Ex.: cobrança de dívida de jogo, pedido de penhora de bens públicos, prisão 
civil de devedor por dívida não alimentícia, etc. 
Em fim, possibilidade jurídica do pedido é a admissibilidade, em tese, do pedido formulado. O 
pedido sem previsão legal é perfeitamente possível. A impossibilidade significa que é proibido pela 
lei. Em tese, se não houver proibição legal, o pedido será possível. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 15 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIMSB - Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos 
Rua Engenheiro Trindade, nº 229 - Campo Grande - RJ - Brasil 
 
GRADUAÇÃO EM DIREITO 
DISCIPLINA: TEORIA GERAL DO PROCESSO (80h) 
PROFESSOR: RODRIGO PLAZA (professorrodrigoplaza@gmail.com) 
 
PROCESSO E PROCEDIMENTO 
 
A. CONCEITOS 
 
Relembrando que a lide nada mais é que o conflito de interesses caracterizado pela resistência 
da parte demandada, e que é tarefa do Estado solucionar os conflitos entre as pessoas, através da 
jurisdição. O Direito Processual Civil pode ser conceituado como o conjunto de normas que 
regulam o exercício da jurisdição quanto às lides de natureza civil. 
Enquanto o processo se apresenta como o método, o instrumento pelo qual o Estado exerce 
a jurisdição (uma vez que a autotutela está impedida em nome da paz social e a jurisdição se encontra 
sob o monopólio estatal), procedimento é a forma material pela qual o processo se realiza em cada 
caso concreto. 
 
B. ESPÉCIES DE PROCESSOS PREVISTAS NO CPC 
 
De acordo com o tipo de provimento solicitado pelo autor, bem como da atuação que o Estado-
juiz terá frente ao caso concreto, há três espécies de processos previstas no CPC: 
O processo de conhecimento ou de cognição constitui atividade típica da jurisdição, cujo 
objetivo é a formulação da norma jurídica concreta que deve disciplinar a situação conflituosa. São os 
 16 
processos que invocam uma tutela jurisdicional de conhecimento, em que o Estado-juiz, após 
ponderar sobre o conflito, prolata decisão que resolve a lide. 
Dentro das ações de conhecimento, ainda podemos citar outra classificação, baseada na 
natureza da sentença proferida pelo juiz: 
- Ação Declaratória: art. 20 CPC - visa atestar se um documento existe ounão, ou se é 
verdadeiro ou falso, conferindo certeza jurídica, ou seja, nela o autor busca apenas a declaração 
judicial sobre a existência ou inexistência de uma relação jurídica ou sobre a autenticidade ou falsidade 
de documento. 
- Ação Constitutiva - é aquela que visa à criação, extinção ou modificação de uma situação 
jurídica. Ex: Ação de separação – modifica a relação de casado para separado. Ação de anulação de 
um contrato, etc. 
- Ação Condenatória – nela o autor não busca apenas a declaração de seu direito, mas 
principalmente a imposição de uma obrigação ao réu, visando o cumprimento de uma prestação (de 
dar, fazer ou não fazer). 
O processo de execução é o que tem por finalidade fazer com que se concretize o direito 
reconhecido pela lei (título executivo judicial e extrajudicial) normalmente através da expropriação de 
bens do devedor. Ou seja, são os casos em que se invoca uma tutela de execução (força estatal), 
procurando realizar na prática o direito já reconhecido em certos títulos extrajudiciais com eficácia 
executiva e em decisões proferidas em desfavor da Fazenda Pública5. 
 
OBS.: A partir da Lei Nº 11.232 de 2005, o processo de execução baseado em título judicial foi 
transformado em fase do processo de conhecimento, que não mais termina com a sentença, 
estendendo-se até a efetiva realização do direito, visando trazer maior celeridade para a resolução 
dos processos e formando o novo Processo Sincrético. 
 
 
 
 
PROCEDIMENTO COMUM 
 
O procedimento comum ordinário é o rito padrão do processo de conhecimento, sendo que 
todos os outros procedimentos especiais ou comum sumário, são variações dele. 
O presente rito de procedibilidade geral se subdivide em 4 fases: Postulatória, Ordinatória, 
Instrutória e Decisória. Vale observar que a partir da Lei nº 11.232/2005, deve-se ainda incluir uma 
quinta fase chamada executória, vez que o processo de execução fundado em título executivo judicial 
passou a fazer parte do módulo de conhecimento (Processo Sincrético). 
 
 
5 As ações cuja sentença é desfavorável à Fazenda Pública não admitiram o Processo Sincrético (onde o módulo de 
execução foi incorporado ao módulo de conhecimento) e, por isso são hipóteses obrigatórias de processo de execução. 
 17 
- Postulatória → é a mais ampla das quatro fases porque ela abrange três elementos 
estruturais. Ela abrange a Demanda/Petição Inicial, a Citação e a Resposta do réu. 
A) Demanda: é representada pela petição inicial (arts. 319, CPC). 
Protocolada a petição inicial e formados os autos, estes vão conclusos para o juiz, que poderá: 
* determinar que o autor emende a inicial no prazo de 15 dias (art. 321, CPC); 
* não receber a inicial, extinguindo o feito (art. 330 CPC) 
* receber a inicial prolatando imediatamente sentença de improcedência (art. 332, CPC); 
* ou, receber a petição inicial, determinando a citação do réu (art. 334 CPC). 
B) Citação (arts 334 e ss, CPC): trata-se do chamamento do réu ao processo, para se defender. 
Citado o réu poderá: 
* permanecer inerte, sofrendo os efeitos da revelia (art. 344, CPC); 
* confessar, reconhecendo o pedido do autor; 
* responder à petição inicial (art. 335, CPC) 
C) Resposta do réu (arts. 335 e ss, CPC): A resposta do réu pode envolver a apresentação de 
contestação (art. 335 CPC), reconvenção (art. 343, CPC), exceções (art. 337, CPC) e impugnações 
(art. 337 CPC). Esgotado o prazo de resposta do réu, com ou sem resposta, inicia-se a fase 
ordinatória. 
 
- Ordinatória → Também é chamada de fase saneadora ou de saneamento, e é caracterizada 
por atos inquisitivos (ou inquisitórios). Esses atos inquisitórios são realizados de ofício; com base no 
poder estatal no qual o juiz está investido; com a finalidade de evitar o surgimento ou a propagação 
de nulidades no processo, permitindo assim o julgamento do mérito. 
A) Esses atos inquisitivos são o que conhecemos com o nome de providências preliminares 
que o juiz deve adotar, mandando ouvir o autor quanto a eventuais documentos juntados pelo réu ou 
determinando a produção de provas pelo autor nos casos de revelia. (OBS.: As providências 
preliminares estão no CPC a partir do artigo 23. Realizadas as providências preliminares, o juiz fica 
diante de duas situações: 
- A realização das providências preliminares pode levar ao julgamento antecipado da lide (art 
347 CPC), o que pode acarretar a extinção do processo com ou sem o julgamento do mérito. 
- Encerrada as providências preliminares, se a matéria discutida nos autos for de fato (e não 
de direito), se houver necessidade de provas, ou se as partes tenham pedido realização de provas 
(uma oitiva de testemunhas, por exemplo), nestes casos o juiz não realizará o julgamento antecipado 
da lide. 
Na audiência preliminar haverá uma tentativa de conciliação entre as partes. Se não houver 
conciliação o juiz fixará os pontos controvertidos (sobre os quais haverá dilação probatória), decidirá 
as questões processuais pendentes e determinará as provas a serem produzidas, designando 
audiência de instrução e julgamento, se necessário (art 358, CPC). 
 
 18 
Instrutória → é a fase de instrução do processo. A produção das provas é apenas uma das 
possibilidades que surgirá na fase instrutória. Além da produção das provas (instrução), temos a fase 
das alegações finais (que também é uma fase instrutória). O pedido de provas é feito na fase 
ordinatória e a produção das provas é realizada na fase instrutória. 
É nesta fase que ocorre a Audiência de instrução e julgamento (arts. 358 e ss, CPC), na qual, 
o juiz após tentar novamente a conciliação, deverá colher o depoimento pessoal das partes, se 
requerido, e proceder com a oitiva das testemunhas eventualmente arroladas, abrindo em seguida 
oportunidade para apresentação das alegações finais. 
Encerrada a fase de alegações finais temos a fase decisória. 
 
Decisória → é a fase onde ocorrerá o julgamento da causa; sendo prolatada a sentença (arts. 
485 e ss, CPC), proferida na própria audiência de instrução e julgamento ou após a mesma quando 
não for possível fazê-la em audiência. 
 
Executória (arts. 513 e seguintes CPC) → A partir da formação do processo sincrético, dentro 
do próprio módulo de cognição haverá uma fase executória trazendo uma maior celeridade processual 
e a concretização do direito reconhecido à parte em sede de sentença. 
 
 
 
 
 
 
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GRADUAÇÃO EM DIREITO 
DISCIPLINA: TEORIA GERAL DO PROCESSO (80h) 
PROFESSOR: RODRIGO PLAZA (professorrodrigoplaza@gmail.com) 
 
SUJEITOS DO PROCESSO 
1. Juiz 
 
O juiz é a pessoa física que exerce, de forma imparcial, a função jurisdicional. 
 Porém, para representar o Estado nessa atuação, o juiz deve ter sido regularmente 
investido, ou seja, ter ingressado na carreira, no cargo inicial de juiz substituto, através de 
concurso público de provas e provas e títulos, (com a participação da OAB em todas as suas fases), 
exigindo-se do bacharel em Direito, no mínimo três anos de atividade jurídica (art. 93, I, CRFB). 
 É essa investidura regular que garante ao magistrado a competência para julgar as lides 
em consonância com o princípio do juiz natural. 
 19 
 Visando assegurar que o juiz possa atuar no processo com absoluta independência, a ele a 
Constituição assegura uma série de garantias: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de 
vencimentos. 
 O Código de processo Civil em seus arts. 139 e seguintes, prevê os poderes e deveres 
processuais do juiz. 
 
“Ao juiz compete, em relação ao processo, especialmente,assegurar 
às partes igualdade de tratamento, velar pela rápida solução do litígio 
e prevenir ou reprimir qualquer ato atentatório à dignidade da 
justiça.” (GRECO FILHO, 2008, p.233) 
 
 Não pode o juiz declinar da jurisdição, deixando de cumprir o seu dever, sob alegação de 
lacuna ou obscuridade na lei. Pois, como estabelece o art. 140, CPC, no julgamento da lide caberá 
ao juiz aplicar as normas legais e, não havendo estas, deverá o magistrado recorrer à analogia, 
aos costumes e aos princípios gerais do direito. 
 Um dos pressupostos básicos para que o Estado possa prestar adequadamente a tutela 
jurisdicional é a imparcialidade do juiz, por isso, é vedada a participação do juiz suspeito ou do 
juiz impedido no processo. 
“O juiz que de qualquer modo estiver vinculado à causa, por razões 
de ordem subjetiva, tem comprometida a sua imparcialidade e, 
portanto, não deve atuar no processo. As razões que comprometem, 
ou pelo menos colocam em risco a imparcialidade do juiz são as razões 
de impedimento e suspeição, conforme relacionadas no Código.” 
(GRECO FILHO, 2008, p.241) 
 
A. IMPEDIMENTO – art. 144, CPC 
 
Juiz impedido é aquele que está absolutamente proibido de exercer as suas funções no 
processo, por existir presunção absoluta (juris et de jure) de que ele, ao julgar a lide seria parcial. 
“Os casos de impedimento são mais graves e têm como conseqüência 
a subtração do poder de decidir do juiz em relação à determinada 
causa. 
Nos casos em que a lei considera o juiz impedido, está ele proibido de 
exercer sua função jurisdicional. A violação dos casos de impedimento 
acarreta a nulidade do processo”. (Idem) 
 
 
B. SUSPEIÇÃO – art. 144, CPC 
 
 20 
O juiz suspeito não está proibido de exercer suas funções no processo, como acontece com 
o juiz impedido, uma vez que neste caso existe apenas uma presunção relativa (juris tantum) de 
que o magistrado possa atuar com parcialidade. Nesta hipótese, cabe à parte interessada tomando 
conhecimento do fato que pode gerar a suspeição, decidir se vai ou não oferecer exceção de 
suspeição; Diante da inércia da parte, ocorrerá a preclusão, passando o juiz a ser considerado 
imparcial. 
 
“Já os casos de suspeição não inibem o poder jurisdicional do juiz, 
suscitando apenas a dúvida quanto à imparcialidade, o que é suficiente 
para afastá-lo do processo, mas não para tornar a sentença nula. A 
suspeição deve ser argüida e resolvida no curso do processo, 
tornando-se impossível a alegação após o trânsito em julgado da 
sentença”. (Id Ibdem) 
 
OBS.: O impedimento e a suspeição devem ser alegadas em sede de exceção, ou seja, peça de 
defesa que consiste em petição autônoma endereçada ao próprio juiz da causa. (. Além disso, as 
causas de impedimento e suspeição aplicam-se também a outras pessoas que funcionam dentro 
do processo e que estão comprometidas com uma atuação igualmente imparcial: ao órgão do 
Ministério Público, aos peritos e aos serventuários da justiça (art. 149, CPC). 
 
2. Auxiliares de Justiça 
São todos aqueles que de alguma forma auxiliam o juiz na prestação da atividade jurisdicional. 
Os auxiliares de justiça podem ser: 
- Permanentes: habitualmente auxiliam o juiz na sua função (Ex: escrivão, oficial de justiça). 
- Temporários: Esporadicamente auxiliam o juiz na sua função (Ex: Perito, interprete). 
 
“A figura central do juízo é evidentemente, o juiz; todavia, sua atuação 
depende de órgãos de apoio, em caráter permanente ou eventual, para a 
prática de determinados atos. 
São, pois, auxiliares do juízo todas as pessoas que são convocadas a 
colaborar com a justiça, ou por dever funcional permanente ou por 
eventualidade de determinada situação”. (GRECO FILHO, 2008, p.247) 
 
	APOSTILA CONTENDO MATERIAL DE APOIO PARA A DISCIPLINA TEORIA GERAL DO PROCESSO – UNIMSB
	INTRODUÇÃO GERAL
	A fim de garantir a existência e a sobrevivência do indivíduo e do grupo social, a sociedade organizou-se (idéia de pacto social), dando origem ao Estado, ente responsável pelo bem estar geral e que, para isso, estabeleceu normas gerais, abstratas e o...
	É a esse conjunto de normas que disciplinam a vida em sociedade que se dá o nome “Direito”.
	Aprofundando tal conceito, podemos classificar o direito em:
	A) Direito Objetivo: conjunto total de normas (Constituição, leis ordinárias, leis complementares, decretos, regulamentos, tratados, etc) que disciplinam as condutas dos indivíduos em sociedade.
	O direito objetivo encontra-se, por sua vez, dividido em dois grandes grupos: as normas de direito material, que definem os direitos e obrigações de cada indivíduo, bem como o que é lícito ou ilícito; e as normas de direito processual que regulamentam...
	B) Direito Subjetivo: trata-se da faculdade, do poder, da prerrogativa que a pessoa tem de praticar ou não, certos atos da vida civil.
	“A tarefa da ordem jurídica é exatamente a de harmonizar as relações sociais intersubjetivas, a fim de ensejara a máxima realização dos valores humanos com o mínimo de sacrifício e desgaste. O critério que deve orientar essa coordenação ou harmonizaçã...
	Por isso, pelo aspecto sociológico o direito é geralmente apresentado como uma das formas do chamado controle social, entendido como o conjunto de instrumentos de que a sociedade dispõe na sua tendência à imposição dos modelos culturais, dos ideais co...
	Embora um dos objetivos primordiais do Direito seja prevenir a ocorrência de conflitos entre os indivíduos que compõem a sociedade , é de fato impossível evitar que estes ocorram.
	“A eliminação dos conflitos ocorrentes na vida em sociedade pode-se verificar por obra de um ou de ambos os sujeitos dos interesses conflitantes, ou por ato de terceiro. Na primeira hipótese, um dos sujeitos (ou cada um deles) consente no sacrifício t...
	ESPÉCIES DE RESOLUÇÃO DE CONFLITO
	1) AUTOTUTELA
	É a solução do conflito imposta por um dos conflitantes. É portanto, uma solução conseguida através da força (“justiça de mão própria”). Trata-se do meio de resolução de conflitos mais antiga.
	“Nas fases primitivas da civilização dos povos, inexistia um Estado suficientemente forte para superar os ímpetos individualistas dos homens impor o direito acima da vontade dos particulares: por isso não só inexistia um órgão estatal que, com sobera...
	A autotutela possui duas características fundamentais: a ausência de um juiz (distinto das próprias partes) e a imposição da decisão por uma das partes à outra.
	Trata-se de prática que é, em regra, proibida, chegando em muitos casos, ser considerada crime (Ex. exercício arbitrário das próprias razões – art 345, CP). A exceção são algumas hipóteses previstas em lei: legítima defesa, greve, desforço incontinent...
	OBS.: Os casos de autotutela considerados lícitos estão sujeitos ao controle do Poder Judiciário.
	Bem, antes do Estado conquistar para si o poder de declarar o direito aplicável ao caso concreto, várias foram as formas que foram sendo utilizadas no sentido da pacificação social até se chegar ao ponto do monopólio exclusivo do Estado nesta tarefa. ...
	Porém nosso histórico mostrou uma formação cultural baseada no enorme fortalecimento do Estado e da quase absoluta exclusividade do Estado no papel de solucionar os conflitos surgidos entre os particulares. Porém atualmente, vêm ganhando força as moda...
	“Vai ganhando corpo a consciência de que, se o que importa é pacificar, torna-se irrelevante que a pacificação venha por obra do Estado ou por outros meios -, desde que eficientes. Por outro lado, cresce também a percepção de que o Estado tem falhado ...
	O processo é necessariamente formal, porque suas formas constituem o modo pelo qual as partes têm a garantia de legalidade em imparcialidade no exercício da jurisdição [...]
	Mas isso toma tempo e tempo é inimigo da efetividade da função pacificadora. A permanênciade situações indefinidas constitui [...] fator de angústia e infelicidade pessoal.
	O ideal seria a pronta solução dos conflitos, tão logo apresentados ao juiz. Mas como isso não é possível, eis aí a demora na solução dos conflitos como causa de enfraquecimento do sistema.
	Ao lado, da duração do processo, o seu custo constitui outro óbice à plenitude do cumprimento da função pacificadora através dele [...].
	Essas e outras dificuldades têm conduzido os processualistas modernos a cogitar novos meios para a solução de conflitos. Trata-se dos meios alternativos [...].”(CINTRA, DINAMARCO e GRINOVER, 1996, p.26-7)
	2) AUTOCOMPOSIÇÃO
	A autocomposição também é chamada de conciliação extraprocessual, por ocorrer fora do âmbito do Poder Judiciário.
	Neste caso, a solução do conflito é negociada pelas partes envolvidas no conflito.
	A autocomposição é tida como a forma ideal para resolução de conflitos e, ao contrário da autotutela, é prática estimulada.
	É um exemplo do que em inglês se chama de ADR (alternative dispute resolution), ou seja, uma maneira alternativa e não-jurisdicional de resolução dos conflitos.
	A autocomposição pode se apresentar de duas maneiras: pode ser uma transação (na qual ambas as partes fazem concessões recíprocas em nome da solução do conflito) ou pode ser uma renúncia (situação em que o autor abdica de seu direito em nome do requer...
	3) MEDIAÇÃO
	Ocorre quando um terceiro, estranho ao conflito, é chamado para ajudar as partes a chegar a pacificação da questão existente. É mecanismo que tem muita aplicabilidade nos conflitos internacionais.
	Deve-se observar que na mediação não é o terceiro quem vai decidir. Seu papel é somente de auxiliar as partes, para que elas por si só decidam.
	Também é uma ADR.
	OBS.: A conciliação (que ocorre dentro de uma audiência) é um exemplo de mediação visto que ´é conduzida por um terceiro, embora dentro do campo jurisdicional.
	4) ARBITRAGEM (Lei 9307/96)
	Na arbitragem um terceiro imparcial, escolhido pelas partes em conflito, impõe a solução ao caso concreto, decidindo-o.
	- Quem pode escolher a arbitragem como meio de resolução de conflitos? Qual pode ser o objeto da arbitragem?
	Tal meio de solução de conflitos só pode ser adotado por pessoas capazes e, quando o direito envolvido for disponível.
	- Quem pode ser árbitro?
	A figura do árbitro pode recair sobre qualquer pessoa capaz, dentro dos moldes estabelecidos no Código Civil) e alfabetizada. A lei nada exige em relação à formação jurídica do árbitro, portanto, não é necessário que este seja advogado, bem como o “cu...
	- Quais são os limites da atuação do árbitro?
	Logo, a arbitragem é um mecanismo de heterocomposição , na qual a decisão é imposta por um terceiro, que terá o limite de atuação para o caso estabelecida pelas próprias partes, podendo inclusive julgar por equidade (ou seja, fora das regras de direit...
	- Se as partes não concordarem com a decisão do árbitro, podem entrar com algum recurso no Poder Judiciário?
	O Judiciário não poderá rever a situação solucionada por meio da arbitragem. O máximo que pode chegar a atuação jurisdicional é avaliar a legalidade da arbitragem (se foram cumpridas as exigências formais da Lei 9307/93), anulando a sentença arbitral ...
	Vale observar que tal invalidação só pode ser feita dentro do prazo decadencial de 90 dias a partir da intimação da sentença emanada pelo árbitro. Vencido este prazo a decisão arbitral torna-se estável e definitiva, não havendo meios possíveis de impu...
	Sobre essa sentença arbitral é necessário mencionar sua força executiva, não sendo necessária a homologação do Judiciário desta decisão que, por si só já nasce com todo o poder coercitivo em que se fundam os títulos executivos.
	PRINCÍPIOS PROCESSUAIS GERAIS
	JURISDIÇÃO (arts. 1º e 2º CPC)
	A. Histórico, Conceito e Finalidade
	Princípio da Inércia ou Princípio da Demanda: (art. 2º CPC) – O Estado não presta de ofício a tutela jurisdicional, ou seja, o juiz tem que ser provocado pela parte ou interessado para poder prestar a jurisdição.
	“Em primeiro lugar, há que se tratar da inércia. O Estado-juiz só atua se for provocado. Ne procedat iudex ex officio, ou seja, o juiz não procede de ofício. Esta regra geral, conhecida pelo nome de princípio da demanda, ou princípio da inércia, está ...
	“O Estado tomou para si a função de resolver a lide. Entretanto, o Estado só exerce a jurisdição quando provocado pela parte interessada, a quem fica facultado agir, buscando a tutela jurisdicional junto ao Poder Judiciário” (ARAÚJO JUNIOR, 2006, p. 14)
	De acordo com o tipo de provimento solicitado pelo autor, bem como da atuação que o Estado-juiz terá frente ao caso concreto, há três espécies de processos previstas no CPC:
	O processo de execução é o que tem por finalidade fazer com que se concretize o direito reconhecido pela lei (título executivo judicial e extrajudicial) normalmente através da expropriação de bens do devedor. Ou seja, são os casos em que se invoca uma...

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