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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ CURSO DE PEDAGOGIA O PAPEL DO PROFESSOR NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO COGNITIVODA CRIANÇA COM SINDROME DE DOWN Fernanda de Souza Fernandes Ribeiro PETRÓPOLIS 2019 O PAPEL DO PROFESSOR NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO COGNITIVODA CRIANÇA COM SINDROME DE DOWN Fernanda de Souza Fernandes Ribeiro Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado Disciplina de TCC, como requisito parcial para obtenção do curso de Licenciatura em Pedagogia da Universidade Estácio de Sá Orientador: Marta Teixeira do Amaral Montes Petrópolis 2019 RESUMO O presente artigo tem como objetivo identificar o papel do professor no desenvolvimento da criança com síndrome de down seus principais desafios a respeito da inclusão, onde alunos com necessidades educativas especiais são inseridos em turmas regulares. O professor pode auxiliar no desenvolvimento integral de uma criança com Síndrome de Down (SD), sugerindo metodologias e atividades de forma a produzir um conhecimento significativo. Para tal buscou-se inicialmente, caracterizar o SD, assim como o desenvolvimento de tal criança, para após se investigar como ocorre o processo educativo integrador de tais crianças na escola observando quais metodologias e estratégias de ensino podem ser eficazes. No trabalho de campo se verificou, se o professor estimula as trocas de experiência, se favorece a aceitação das diferenças, a pesquisa foi feita com um grupo de alunos matriculados no primeiro ano fundamental numa escola da rede particular de ensino. Buscou-se identificar se existem recursos pedagógicos, quais são esses recursos e em que momentos são usados. Assim como a existência de uma equipe multidisciplinar que avalia o aluno portador de SD no que diz respeito ao seu grau de maturidade cognitiva. Palavras-chave: síndrome de down, papel do professor, Inclusão, Educação, Desafio 1. INTRODUÇÃo Muito se fala a respeito de inclusão das crianças com síndrome de down nas classes regulares, porém ainda temos alguns obstáculos a serem vencidos, com a nova compreensão a respeito da inclusão, onde alunos com necessidades educativas especiais são inseridos em turmas regulares, os profissionais de educação precisam de comprometimento e competência para trabalhar de maneira ética com as diferenças, e, assim, auxiliar no desenvolvimento de todas as crianças, inclusive e principalmente aquelas com necessidades especiais. O movimento pela inclusão necessita de ações políticas, culturais, pedagógicas e sociais. É importante que haja na escola um tratamento igualitário a todos, onde não haja preconceito, de maneira que todas as crianças respeitem as singularidades e dificuldades de cada um. Para tal, é necessário um trabalho de integração, onde é feito a preparação para a inclusão tanto do aluno a ser incluído, tanto do grupo social que o recebera. As crianças com síndrome de Down (SD) têm idade cronológica diferente de idade funcional, desta forma, não devemos esperar uma resposta idêntica à resposta das "normais", que não apresentam alterações de aprendizagem. Embora atualmente alguns aspectos da SD sejam mais conhecidos, e a pessoa trissômica tenha melhores chances de vida e desenvolvimento, uma das maiores barreiras para a inclusão social destes indivíduos continua sendo o preconceito. Sabendo das dificuldades encontradas por professores que não estão preparados para trabalhar de forma digna e capacitada com essas crianças, seria conveniente que ele passasse por uma preparação ou treinamento que pudesse exercer de forma mais competente sua função. O objetivo deste trabalho foi perceber como o professor pode auxiliar no desenvolvimento integral de uma criança com Síndrome de Down (SD), sugerindo metodologias e atividades de forma a produzir um conhecimento significativo. Para tal buscou-se inicialmente, caracterizar o SD, assim como o desenvolvimento de tal criança, para após se investigar como ocorre o processo educativo integrador de tais crianças na escola observando quais metodologias e estratégias de ensino podem ser eficazes. Acredita-se que a interação com a família e com os demais profissionais aliados, enfim a afetividade pode ajudar o desenvolvimento. A questão sobre a formação docente surge: atenderia a formação docente à demanda do trabalho a ser realizado junto a tais crianças. A justificativa da escolha do tema foi conhecer uma metodologia didática que atendam em especifico às necessidades de um aluno com SD no processo de apropriação da leitura e da escrita. No trabalho de campo se verificou se o professor estimula as trocas de experiência, se favorece a aceitação das diferenças, a pesquisa foi feita com um grupo de alunos matriculados no primeiro ano fundamental numa escola da rede particular de ensino, durante. Buscou-se identificar se existem recursos pedagógicos, quais são esses recursos e em que momentos são usados. Assim como a existência de uma equipe multidisciplinar que avalia o aluno portador de SD no que diz respeito ao seu grau de maturidade cognitiva. No campo da Pedagogia este estudo é relevante, uma vez que se sabe das dificuldades encontradas por professores que não estão preparados para trabalhar de forma digna e capacitada com a proposta de inclusão, sugere-se que a capacitação de professores seja uma rotina em quaisquer unidades escolar. Cada criança, como ser único que é deve receber atenção da família, de educadores e de outros profissionais para a elaboração de um planejamento de adaptações no currículo de tal forma que incluam e desafiem todos os alunos, formando assim cidadãos que saibam lidar com as diferenças. No presente trabalho foi realizado um levantamento bibliográfico, que se refere aos estudos de autores referenciados, de maneira a aprofundar teorias que possam garantir ampliação do conhecimento sobre a temática em questão, tais como as teorias de desenvolvimento de Piaget. Seguiu-se um trabalho de campo para verificação na prática daquilo apontado pelos teóricos estudados. 2. A INCLUSÃO DO ALUNO COM SÍNDROME DE DOWN NO ENSINO REGULAR E A RELAÇÃO PROFESSOR E FAMILIA 2.1 A SÍNDROME DE DOWN Para conhecer fatos, compreender conceitos e entender algo é preciso averiguar sua história, ou seja, estudar sobre o passado e origens. Logo, verificar como tudo começou: os primeiros relatos e fatos reais. A anomalia genética conhecida por SD, conforme Schwartzman (2003) traz relatos desde as sociedades mais antigas, visto que, em momentos históricos como na Idade Média, crianças nascidas com a anomalia eram consideradas resultado malévolo da união da mulher com o demônio. No período da Renascença eram retratados pelas artes como exemplos de deformidades físicas. Logo, as pessoas que apresentassem essa anomalia estavam sujeitas à morte. Schwartzman (2003) explica também que em 1866 o cientista John Langdon Down, escreveu um artigo em que considerou as pessoas na condição da síndrome como mongoloides e idiotas considerados seres inferiores. Porquanto, somente em 1959 o Dr. Jerome Lejeune descobriu a presença de um cromossomo extra, um erro genético. Portanto, diferenças genéticas em relação às outras pessoas. Foi Lejeune quem nomeou de SD em homenagem a John Langdon Down. Ao longo de muitos anos, a Síndrome de Down foi estudada e continua presente em estudos e trabalhos científicos. Visto que, muito ainda precisa ser conhecido e compreendido acerca da anomalia. Principalmente com os avanços sociais para uma sociedade inclusiva. Por isso, entender a síndrome, como os processos cognitivos ocorrem e como a criança se desenvolve é fundamental para se trabalhar com as crianças SD de forma a ajudá-la a progredir e vencer. Através dos anos e lutas sociais por direitos, pessoas com necessidades especiais passaram a ser vistas de fato como seres humanos. Neste sentido, famílias se conscientizaram e o processo de inclusão se instaurou na sociedade. De maneira tímida e lenta, contudo, decisiva e permanente. Pessoascom Síndrome de Down antes rejeitadas e vistas como deformidades, aos poucos foram conhecidas como pessoas que possuem sentimentos, ou seja, amam, ficam tristes ou alegres, logo são capazes de aprender, desenvolver e de se relacionar com outras pessoas. 2.2 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS Diversas alterações fenotípicas caracterizam a Síndrome de Down, dado que, essas alterações podem ser observadas ao nascimento ou ainda no feto. Contudo, essa observação deve ser considerada em conjunto, e este conjunto de alterações indica a síndrome. Os cromossomos são designados por números, isto é, masculino 46, xy e feminino 46, xx. Então, a trissomia ocorre quando existe a presença de um cromossomo extra no cariótipo do indivíduo. Explica Schwartzman (2003), que quase todos os casos de Síndrome de Down têm sua origem em um erro na divisão celular, ou seja, um erro suficiente para modificar o desenvolvimento embrionário do bebê. A comprovação diagnóstica é feita através de um exame genético: o cariótipo que, logo, confirmará o cromossomo extra no par 21. De acordo com Schwartzman (2003), as características e etiologia da Síndrome de Down são muitas, algumas delas não influenciarão no desenvolvimento da criança. Contudo, cada característica de forma peculiar marca diferenças físicas como: perfil achatado; nariz pequeno e o osso nasal geralmente achatado, sendo em algumas crianças a passagem nasal mais estreita; hipoplasia (diminuição da atividade do tecido27da face); boca e dentes pequenos de forma que a língua pode projetar-se para fora; língua hipotônica, com a diminuição do tônus muscular, a língua pode ficar com estrias; o céu da boca ou palato é estreito; os cabelos são finos e lisos; possuem pregas epicântica ou pregas palpebronasais que se estendem do nariz até a parte interna da sobrancelha cobrindo o canto interno do olho; as orelhas são pequenas com baixa implantação, assim, a borda superior da orelha na sua maioria é dobrada e os canais do ouvido estreitos; prega palmar transversal única; as mãos e os pés tendem a ser pequenos e grossos e existe uma distância entre os dedos dos pés, um espaço maior entre o dedão e o segundo dedo; nas mãos ocorre o encurvamento dos quintos dígitos; a parte posterior da cabeça é levemente achatada, o que é denominado de braquicéfala. Podem ocorrer emqualquer raça, povos negros, amarelos e brancos. 2.3.O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA COM SD. Nos primeiros meses de vida, o desenvolvimento psicológico é observado através das reações motoras, afetivas e pela vocalização. Visto que, crianças com a síndrome apresentam reações mais lentas e a hipotonia interfere no desenvolvimento psicomotor que depende do tônus muscular, como por exemplo: sorrir. Assim, o sorriso é mais curto e menos intenso, e demoram mais para responder a estímulos visuais e auditivos. Existem diferenças quanto à memória auditiva imediata, neste sentido, a criança não conserva informações Logo, retém apenas algumas palavras do que ouve, e isso pode prejudicar o aprendizado da gramática e da sintaxe. “A exploração do ambiente faz parte da construção de mundo da criança, e o conhecimento que ela obtém por meio desse movimento exploratório formará sua bagagem para se relacionar com o meio ambiente”. (Casarin, 2003, p. 277) . A criança utiliza comportamentos repetitivos, estereotipados, exploratórios e desorganizados, e como foi dito, explora menos que crianças sem a síndrome. Dessa maneira, demonstram pouca ligação com o ambiente. Conforme Casarin (2003), o jogo simbólico e atividades de faz de conta também se apresentam mais lentos, com comportamentos de repetição. Dado que, algumas crianças com a SD apresentam ainda déficit de atenção que pode comprometer seu desenvolvimento em tarefas e relacionamentos. Portanto, o distúrbio de atenção dificulta o desenvolvimento social e cognitivo, e as relações entre objetos e eventos. Mesmo nas brincadeiras, tende a explorar menos que crianças sem a síndrome. As atividades lúdicas devem ser de acordo com o nível cognitivo da criança, assim, o professor deve estar atento ao desenvolvimento diário do aluno, e os pais devem também trabalhar essa percepção em casa, para de fato acompanhar todo o desenvolvimento. A estimulação no sentido de favorecer a atividade lúdica e o faz de conta é fundamental. Na idade escolar ocorrerá um maior progresso nas habilidades comunicativas, sendo totalmente possível a alfabetização da criança com SD. Popularmente, os indivíduos com SD são tidos como bem humorados, pessoas afetivas e calmas, com prejuízos intelectuais moderados. Schwartzman (2003) alerta que existe uma grande variação no comportamento dos indivíduos com Síndrome de Down e grande diferença entre eles no que se refere ao potencial genético e as características familiares e culturais. Não há um padrão estereotipado e previsível em todas as crianças afetadas, uma vez que tanto o comportamento quanto o desenvolvimento da inteligência não dependem exclusivamente da alteração cromossômica, mas também do restante do potencial genético bem como das importantíssimas influências derivadas do meio”.(Schwartzman,2003, p. 58). 2.4. A FAMÍLIA COMO PRIMEIRO NÚCLEO SOCIAL DA CRIANÇA. A família constitui o primeiro universo de relações sociais da criança. Então, é no seio familiar que a criança pode encontrar um ambiente favorável de crescimento e desenvolvimento ou um ambiente desfavorável, que na verdade gera dificuldades. Assim, a vida da criança SD pode ser melhor se ela encontrar na sua família apoio e um ambiente favorável. Equilíbrio da família de uma criança SD é variado e depende dos recursos psicológicos de que ela dispõe. Visto que, é muito importante que essas famílias tenham um acompanhamento social, emocional e clínico que vise à qualidade das interações e relações familiares com a sociedade, de maneira a acomodar criança e família à nova realidade. Famílias que conseguem manter a ligação afetiva, estreita e positiva com a criança favorecem a aprendizagem, proporcionando condições de desenvolvimento e segurança para sua independência e autonomia.(VOIVODIC, 2008, p. 54). Conforme Voivodic (2008), o papel da família é de extrema importância nos primeiros anos de vida da criança que constitui um período crítico, cheio de novas informações que interferem no seu desenvolvimento social, afetivo e cognitivo. Neste sentido, a conscientização da família é essencial para que a criança deficiente mental possa adquirir melhores condições de vida. A educação de uma criança inicia no âmbito familiar. Através do relacionamento familiar, a criança adquire conhecimentos básicos para a sobrevivência por meio de uma educação não formal. As relações da criança deficiente com os pais resultam em experiências emocionais e de aprendizagens responsáveis pela formação da identidade da mesma. Visto que, o resultado dessas relações podem ser positivo ou negativo. Por isso, entender a deficiência da criança, conhecer suas capacidades, aceitá-la e amá-la facilitam nos relacionamentos diários e no processo de aprendizagem. É indiscutível que a interação positiva da família da criança com SD auxilia não só no seu desenvolvimento afetivo e social, mas também cognitivamente. De acordo com Voivodic (2008), a intervenção familiar precisa ser orientada para que tudo ocorra com êxito, no sentido de mediar o desenvolvimento e superar obstáculos e problemas que possam surgir. Dado que, a família precisa enfrentar a educação de a criança SD propiciar estimulação sensorial, motora e comunicativa precoce sem abusar de reforços externos para não criar uma dependência com os mesmos, então, utilizar de estimulação contínua e interação de forma natural. Para Voivodic (2008), a aprendizagem de crianças com SD é mais difícil, porque demora desenvolver a linguagem, uma característica marcante na criança com esta síndrome. Portanto, crianças SD necessitam de uma estimulação específica. Vale ainda ressaltar que cada pessoa, com ou sem deficiência tem seu ritmo próprio,cabe à família adequar todas as atividades de acordo com as necessidades de cada criança e respeitar seus limites e potenciais. 2.5. ESCOLA: INCLUSÃO E AMPLIAÇÃO SOCIAL DA CRIANÇA COM SD O sistema educacional também deve se preocupar em incluir-se de acordo com as necessidades que o aluno possui, porque a escola é a ampliação da vida em sociedade das crianças o que não poderia ser diferente com pessoas que nascem com a SD. De acordo com Voivodic (2008), é importante ressaltar que as instituições de ensino não devem privar o deficiente de experiências reais em nenhuma circunstância, pois todas as experiências são úteis para o seu aprendizado e seu ajustamento social. A criança precisa receber estímulos desde bem pequena, para alcançar maior qualidade de vida e o desenvolvimento nas áreas da cognição. É necessário, porém, romper com o determinismo genético e considerar que o desenvolvimento da pessoa com SD3 resulta não só de fatores biológicos, mas também das importantes interações com o meio. (VOIVODIC, 2008, p. 46). Ensinar a turma toda é atender sem discriminações cada aluno e focar no conhecimento para a vida, com o ensino desprendido de grade curricular ou preso a conteúdos didáticos impostos em sua forma padrão, contudo, o professor deve estar ciente do tempo de construção e competências de cada aluno e avaliar cada desempenho. Nesta construção do saber a avaliação deve ser contínua. O desenvolvimento cognitivo da criança com SD fluirá muito mais quando estereótipos e concepções de que são crianças incapazes forem eliminadas, porque, seu desenvolvimento depende de influências externas e de outras pessoas com ou sem a síndrome. Portanto, é preciso acreditar, mediar e instigar a criança SD para que ela avance no conhecimento. O professor responsável pode mudar o quadro do fracasso nas escolas. Dessa maneira, novas metodologias são necessárias para possibilitar a interação entre alunos e professores na construção de conceitos, valores e atitudes, que transformarão a aula antes expositiva para uma aula com qualidade, ou seja, para a turma toda. Conforme Voivodic (2008), a escola especial mostrou que toda criança, mesmo aquelas com deficiência mental podem ser educadas. Visto que, contribuiu também na incorporação de técnicas especializadas e programas de desenvolvimento individual. Desse modo, exigem de professores e pais cuidadosos acompanhamento, o uso de recursos especiais e total interesse no desenvolvimento da criança. Incluir pessoas com deficiência ou com necessidades educacionais especiais no ensino regular é dizer não a segregação, dizer não as diferenças, isto é, sem dúvida um avanço social. Portanto, é preciso estruturar melhor as escolas e rever suas formas de atuação, para de fato oferecer um ensino de qualidade às crianças com necessidades especiais, e conscientizar os demais alunos, para que compreendam e pratiquem a inclusão social. Para Voivodic (2008), o processo do desenvolvimento cognitivo, se dará mais rápido quando a criança for integrada às atividades cotidianas e concretas, sem abstrações, visto que, a família deve acompanhar todo o processo escolar e dar continuidade com atividades diárias em casa. Assim, o desenvolvimento das habilidades e potencialidades acontecerá de acordo com o ritmo da criança e de maneira natural. Considera-se como função da escola inclusiva aproximar as pessoas, a família e a comunidade em todo o processo pedagógico, como redes de relacionamentos e conhecimento. Dentro da proposta inclusiva de educação, não é válido dizer que as dificuldades educacionais são inerentes à condição da criança especial, porque isso reduz a expectativa com relação às potencialidades do aluno e reduz a responsabilidade da escola e da família no processo educacional. Para favorecer a qualidade de ensino considera-se ainda a necessidade do professor se auto-avaliar e também avaliar os recursos e metodologias, bem como avaliar os alunos, a família e todo o contexto em que se desenvolve a aprendizagem. A rede regular de ensino, dentro da proposta de uma escola inclusiva, educa a todos os alunos. Neste sentido, proporciona programas educacionais que visam às reais necessidades existentes e buscam o sucesso da inclusão. Assim, barreiras atitudinais são quebradas e a proposta de inclusão é aceita e O aprendizado destas crianças deve começar a partir do nascimento, continuar na infância e na adolescência, sujeito a adaptações curriculares e metodologias próprias. Envolve não só educadores tecnicamente preparados para lidar com esta população, mas também os pais, profissionais da área de saúde e a sociedade. (MILLS, 2003, p. 261). Para o bom êxito da educação inclusiva é preciso que o trabalho seja em conjunto: diretores, professores, família e sociedade, todos, sem nenhum preconceito com a finalidade de proporcionar qualidade ao ensino e garantir ao indivíduo com necessidades especiais, melhores oportunidades na sociedade. 3-DIREITO DE SER, ESTAR E PERTENCER: AS LEIS 3.1. A EDUCAÇÃO PARA TODOS O direito da criança com SD de frequentar a escola e fazer parte da sociedade dita “normal” tem sido abordado e questionado a ponto de podermos evidenciar avanços, pelo menos no que se trata das leis que asseguram o direito e dever de todos os cidadãos de aprender. Cada criança tem o direito fundamental à educação, e deve ter a oportunidade de conseguir e manter um nível aceitável de aprendizagem; cada criança tem características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que lhe são próprias; os sistemas de educação devem ser planeados e os programas educativos implementados tendo em vista a vasta diversidade destas características e necessidades; as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas regulares que a elas se devem adequar através duma pedagogia centrada na criança, capaz de ir ao encontro destas necessidades; as escolas regulares, seguindo esta orientação inclusiva constituem os meios mais capazes para combater as atitudes discriminatórias, criando comunidades abertas e solidárias, construindo uma sociedade inclusiva e atingindo a educação adequada à maioria das crianças e promovem a eficiência, numa ótima relação custo-qualidade de todo o sistema educativo (BRASIL, 1994, p.8-9) A Declaração enfatiza o direito que toda a criança tem à educação, e isto inclui as crianças com necessidades especiais, ou seja, a educação é um direito previsto para crianças com ou sem necessidades especiais, contudo, deve-se respeitar o ritmo de cada criança e sua maneira de aprender, suas características próprias e suas habilidades. As escolas de ensino regular precisam se adequar com programas educacionais que atenda as exigências de uma educação inclusiva, capaz de satisfazer as necessidades específicas de cada criança, pois educar crianças especiais requer atitudes pedagógicas que as acolham, e que esclareça a diversidade humana e combata qualquer atitude discriminatória. Assim, todo o sistema educacional ganha qualidade e eficiência no ensino. A Organização das Nações Unidas e outros órgãos internacionais iniciaram em 1990 discussões acerca do problema dos marginalizados na educação, ou seja, pessoas com necessidades educacionais especiais que estavam fora do plano nacional de educação. Então, foram apresentadas estatísticas que comprovaram a discriminação e o movimento ficou conhecido como Movimento de Educação para todos. Mills (2003) explica que somente em 1994 com a Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais: Acesso e Qualidade, realizada em Salamanca, Espanha, é que o assunto ocupou lugar de destaque. Atualmente, no ensino regular, a criança deve adequar-se à estrutura da escola para ser integrada com sucesso. [...]”. Nos dias atuais é percebido que o correto dentro da proposta de inclusão é mudar o sistema e não a criança ter que mudar e se adaptar as regras rígidas estabelecidas e inflexíveis. Porque no ensino inclusivo, a estrutura escolaré que deve ajustar as necessidades de todos os alunos, assim, favorecer a integração e o desenvolvimento de todos, crianças com ou necessidades educacionais especiais. (Mills, 2003, p. 253). Especificamente, muitas crianças com SD são privadas do próprio direito à educação, ou seja, segregadas pela própria família que às vezes acreditam não valer a pena expor a criança a situações de aprendizagem. Dessa maneira, muitas crianças não se desenvolvem cognitivamente devido ao envolvimento e comprometimento da família. A escola de Educação Especial não pode ser depositária de alunos que encontram dificuldades no ensino regular, estes devem receber o atendimento na rede regular de ensino. Neste sentido, em seguida será apresentado documentos e leis que garantem esse processo desde a realidade internacional à legislação Brasileira. 3.2 – LEGISLAÇÃO BRASILEIRA. Na educação brasileira, pessoas com necessidades especiais estão amparadas na lei quanto ao direito à escola, saúde, cultura e lazer. Neste sentido, muitas mudanças na sociedade, nos ambientes, nas atitudes precisam ser acertadas, e assim a inclusão de fato acontecer. De acordo com BRASIL (1988), a Constituição Federal Brasileira de 1988 afirma que o acesso à educação é um direito de toda criança, e um dever do Estado e família em parceria com a sociedade, com igualdade nas condições de acesso e permanência, atendimento educacional especializado na rede regular de ensino para pessoas com deficiência e, prevê ainda o atendimento de crianças de zero a seis anos em creches e pré-escolas. Ou seja, está na lei, é um direito e não um favor. Assim, cabe ao Estado, à família e a sociedade fazer cumprir o que está na lei e garantir o desenvolvimento e preparo de cidadãos qualificados para o trabalho. Consta em Brasil (1989), na lei nº 7. 853 o direito a inclusão dentro do sistema educacional, entendido como a rede regular de ensino, à modalidade de Educação Especial para crianças na pré-escola, educação precoce, e quando jovens ou adultos, o direito ao ensino de 1º e 2º graus, visto que, todo esse acesso deve ser preferencialmente gratuito em escolas públicas. Então, a lei assegura a educação das pessoas com necessidades especiais, e mais, oferece programas de educação em unidades hospitalares para àqueles que por algum motivo estiver hospitalizado por um tempo de um ano ou mais. A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade (BRASIL, 1990, p.1). Em BRASIL (1990), o V Capítulo do Estatuto da Criança e do Adolescente especifica o direito à educação, cultura, esporte e lazer. Reafirma a igualdade de condições para o acesso e a permanência do aluno na escola, e estabelece ainda o atendimento da criança com necessidades especiais preferencialmente na rede regular de ensino. A Legislação Brasileira considera ainda a Lei de Diretrizes e Bases da Educação que declara o direito das crianças especiais à educação, entendida como educação especial, mas que exige o atendimento em escolas de ensino regular e escolas ou serviços especializados, com currículos e recursos educativos pedagógicos que atendam as necessidades especiais do aluno, consequentemente as habilidades da criança surgirá e a capacidade do mesmo para se inserir na vida social. A inclusão de crianças na rede pública de ensino regular está na lei brasileira e é um direito adquirido e subjetivo, pois visa à educação, interação social e o pleno desenvolvimento dessas crianças para uma efetiva integração na sociedade, inclusive no que se refere à vida adulta no sentido de despertar alguma habilidade no intelectual ou psicomotor. A luta por uma educação de qualidade para todos passa pela aceitação das diferenças e por um currículo que contemple a diversidade e busque o desenvolvimento das diferentes habilidades. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/96) Art. 58. Entende-se por educação especial, para osefeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. Consta em Brasil (2000), que a Lei 10.098 de 19 de dezembro de 2000 em seu Art. 1º estabelece normas gerais e critérios básicos acerca da acessibilidade de pessoas com deficiência e abrange não só vias públicas, transporte e mobiliário, mas especifica algo também muito importante, a comunicação. Muitas barreiras precisam ser vencidas para que as pessoas com necessidades especiais possam de fato participar da sociedade. Porquanto, vai muito além do que é material. Muitas barreiras estão nas atitudes e na falta de comunicação. Logo, é necessário compreender que pessoas com algum tipo de deficiência, possuem sentimentos, e precisam se expressar e se comunicar. Outra lei que contempla os direitos das pessoas com deficiência é a Lei nº 7. 853 de 24 de outubro de 1989 – CORDE – Coordenadoria para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência que assegura de acordo com o Poder Público e seus órgãos que, as pessoas com necessidades especiais, uma vez que a nomenclatura “portador de deficiência” não é mais utilizada, devem gozar do direito à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à previdência social, à infância, isto é, todos os direitos previstos na Constituição e demais leis. Por conseguinte, esta lei aponta medidas na área da educação, e objetiva o cumprimento da lei com excelência 3.3 – INCLUSÃO ESCOLAR: NOVAS PERSPECTIVAS A inclusão escolar requer mudanças de paradigmas e novas perspectivas educacionais, visto que a segregação de pessoas com necessidades especiais não ocupa mais espaço na atual sociedade. Por conseguinte, surge um novo cenário que possibilita as diversas manifestações e atividades humanas dentro da sociedade. As instituições rotulam seus alunos, intitulam seus professores em especialistas e separam os educandos por modalidades de ensino, porque na verdade as escolas estão marcadas por uma visão determinista, mecanicista, formalista e reducionista. Assim, o objeto de uma ação formadora, global, humana e que respeita as diferenças não será alcançada como propõe a inclusão. Para Mantoan (2006) é preciso redefinir o planejamento educacional para uma educação global, cidadã, sem preconceitos e que perceba e valorize as diferenças, ou seja, uma educação contrária à visão determinista, mecanicista, formalista e reducionista. Desse modo, o paradigma educacional do formalismo da racionalidade será desfeito e surgirão novas possibilidades de educação para todos. A inclusão não pode continuar a ser vista como uma utopia, não é um modismo e não está ligada apenas às escolas. A inclusão é um processo social maior, que engloba a educação inclusiva, e vincula o respeito e direitos humanos. A Pedagogia Institucional foi a primeira a perceber a importância do contexto educacional do aluno, revelando que, dependendo da forma como é visto o trabalho na escola, pode desenvolver-se ou não (VOIVODIC, 2008, p.22). Conforme Voivodic (2008), o termo inclusão apresenta múltiplos significados. Dado que, muitos entendem que incluir é colocar os alunos em uma classe de ensino regular, sem respeitar o grau e tipo de incapacidade do aluno, consequentemente muitos são inseridos nas escolas sem o apoio do ensino especial. Entende-se que é importante diferenciar os termos integração e inclusão. Porquanto, integração significar integrar, formar algo num todo unificado e inclusão significa compreender, fazer parte ou participar de algo. Logo, a inclusão é diferente da integração, uma vez que incluir é fazer parte, e ohomem necessita de participar ou sentir se parte de. O preconceito é uma problemática existente na sociedade desde muito tempo atrás, pois, excluídos,a pessoa deficiente era discriminada e marginalizada, por ser tida como “diferente”. Contudo, com o passar dos anos e por meio de muitos programas de inclusão e de tratamento, a visão sobre a inclusão começa a ter nova forma, é possível contar com a ajuda da sociedade e do governo para diminuir a exclusão dos deficientes. Lutar pela igualdade, qualidade de vida, acesso à escola é direito de qualquer ser humano. Logo, crianças ou adultos com SD participam dos mesmos direitos à educação, ao lazer, saúde e cidadania. A SD não é empecilho para uma vida saudável, útil e feliz, mas é preciso conscientização e responsabilidade social para que esse direito a vida prevaleça. De acordo com Voivodic (2008), hoje é possível identificar na sociedade pessoas com SD que conquistaram espaços, vencendo preconceitos e suas dificuldades. Pois, vencer os desafios é a maior conquista da luta pela inclusão dessas crianças na rede do ensino regular. Entender esse processo de inclusão possibilitará avanços sociais e de transformação. Assim a educação é um meio de transformação social, que visa proporcionar melhores condições de vida e respeito aos semelhantes. As mudanças devem acontecer com objetivo de estabelecer uma escola única e para todos, desse modo, a competição cederá espaço para a cooperação, ou seja, um trabalho de equipe competente para a reconstrução da escola, com um novo olhar para a pedagogia da autonomia, descoberta de talentos, relacionamentos humanitários e o respeito à diversidade cultural, social e humana existente na atual sociedade. Considerações finais No quotidiano das instituições escolares, no âmbito das políticas públicas e em pesquisas acadêmicas. Quando se trata de uma proposta de escola inclusiva, a escola e o educador precisam se adaptar às necessidades dos educandos e oferecer um ensino de qualidade para que de fato a inclusão aconteça, mas para que isso se concretize muitas mudanças precisam ser feitas no ambiente escolar principalmente no currículo, além destes é preciso abranger a formação de educadores que na maioria das vezes é insuficiente para atender as crianças com síndrome de down e outras necessidades especiais. Por isso as políticas inclusivas visam garantir que todas as pessoas com necessidades especiais possuem acesso à educação regular de ensino, contudo, mesmo com a existência das leis que garantam ao aluno com a síndrome de down acesso à escola, é perceptível que as instituições ainda não estão preparadas para recebe-los e que enfrentam muitas dificuldades para realizar a inclusão, e muitas vezes essas dificuldades acaba distanciando o educando do seu aprendizado. Neste contexto os alunos com síndrome de down são marcados por suas dificuldades de interação social e na comunicação possui seu direito por lei de frequentar a escola como qualquer outra pessoa. As características dessas crianças mostram a necessidade de um atendimento especializado que aproveite o maior possível do seu potencial sendo condizente com as leis da inclusão assegurando o seu direito a educação. REFERÊNCIAS BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei Constitucional Federal Brasileira1988. BRASIL, leis. Diretrizes E Bases Da Educação Nacional. Lei n°9394/96 CASARIN, Sonia. Aspectos psicológicos na Síndrome de Down.In: José Salomão Schwartzman. (Org). Síndrome de Down. 2 ed. São Paulo: Memnom: Mackenzie, 2003. p. 263 – 280. MANTOAN, Maria Tereza Egler. Inclusão escolar o que é? por que? como fazer? 2 ed. São Paulo: Moderna, 2006 MILLS, Nancy Derwood. A educação da criança com Síndrome de Down. In: SCHWARTZMAN, José Salomão. (Org). Síndrome de Down. 2 ed. São Paulo: Memnom: Mackenzie, 2003. Cap. 3, p. 232 – 262 SCHWARTZMAN, José Salomão et al. Síndrome de Down. 2 ed. São Paulo: Memnom: Mackenzie, 2003. VOIVODIC, Maria Antonieta M. A. Inclusão escolar de crianças com Síndrome de down. 5 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.