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INSTITUTO ÓLIVER 
 6.000 QUESTÕES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 1. LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 1 
1. INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS 
......................................................................................................................................1 
2. REDAÇÃO, COESÃO E COERÊNCIA .........................................................................................................................38 
3. CONCORDÂNCIA VERBAL E CONCORDÂNCIA NOMINAL ..............................................................................49 
4. ANÁLISE SINTÁTICA 
....................................................................................................................................................62 
5. QUESTÕES COMBINADAS 
........................................................................................................................................73 
 2. RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA 88 
 1. ESTATÍSTICA 
..................................................................................................................................................................88 
 3. DIREITO CONSTITUCIONAL 92 
1. DEFESA DO ESTADO 
...................................................................................................................................................92 
2. TRIBUTAÇÃO E ORÇAMENTO 
..................................................................................................................................94 
3. ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA ....................................................................................................................98 
4. ORDEM SOCIAL 
........................................................................................................................................................102 
5. FAMÍLIA, CRIANÇA, ADOLESCENTE E IDOSO ....................................................................................................107 
6. ÍNDIOS 
........................................................................................................................................................................107 
7. OUTROS TEMAS E TEMAS COMBINADOS ..........................................................................................................108 
 4. DIREITO ADMINISTRATIVO 111 
1. CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ......................................................................................................111 
2. OUTROS TEMAS E TEMAS COMBINADOS DE DIREITO ADMINISTRATIVO................................................113 
3. LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO 
...........................................................................................................................114 
 5. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 115 
1. RECURSOS HUMANOS 
............................................................................................................................................115 
2. GESTÃO E LIDERANÇA 
.............................................................................................................................................118 
3. FERRAMENTAS E TÉCNICAS GERENCIAIS ............................................................................................................119 
4. CULTURA E CLIMA ORGANIZACIONAL ..............................................................................................................120 
 
 
 
5. PROJETOS 
....................................................................................................................................................................121 
6. GESTÃO DE QUALIDADE 
.........................................................................................................................................121 
7. COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO .......................................................................................................................121 
8. ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS 
..........................................................................................................................121 
 6. ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA 124 
1. PRINCÍPIOS E NORMAS GERAIS 
............................................................................................................................124 
2. LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO ......................................................................................................125 
3. LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL – LOA 
.......................................................................................................................125 4. EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA E 
FINANCEIRA ......................................................................................................125 
 5. CRÉDITOS ADICIONAIS ..........................................................................................................................................126 
 7. ARQUIVOLOGIA 127 
1. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUIVOLOGIA .........................................................................................127 
2. O GERENCIAMENTO DA INFORMAÇÃO E A GESTÃO DE DOCUMENTOS: DIAGNÓSTICOS; ARQUIVO CORRENTE E 
INTERMEDIÁRIO; PROTOCOLOS; AVALIAÇÃO DE DOCUMENTOS; 
ARQUIVOS PERMANENTES .....................................................................................................................................127 
3. TIPOLOGIAS DOCUMENTAIS E SUPORTES FÍSICOS: MICROFILMAGEM; AUTOMAÇÃO; 
PRESERVAÇÃO; CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE DOCUMENTOS .......................................................127 
 IV COMO PASSAR EM CONCURSOS FCC – 5ª EDIÇÃO 
8. CONTABILIDADE 128 
1. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE .........................................................................................128 
2. CONTABILIDADE GERAL ..........................................................................................................................................128 
3. CONTABILIDADE COMERCIAL ...............................................................................................................................146 
4. CONTABILIDADE DE CUSTOS ................................................................................................................................149 
5. CONTABILIDADE PÚBLICA .....................................................................................................................................155 
6. ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ...............................................................................................156 
9. CONHECIMENTOS BANCÁRIOS E TEMAS CORRELATOS 160 
1. ABERTURA E MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS ......................................................................................................160 
2. PESSOA FÍSICA E PESSOA JURÍDICA .....................................................................................................................160 
3. CHEQUE 
......................................................................................................................................................................161 
4. SISTEMA DE PAGAMENTOS BRASILEIRO – SPB ..................................................................................................162 
5. ESTRUTURA DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL – SFN .............................................................................162 
6. SISTEMA DE SEGUROS PRIVADOS ........................................................................................................................165 
7. MERCADO FINANCEIRO – MERCADO MONETÁRIO E DE CRÉDITO ............................................................167 8. 
MERCADO DE CAPITAIS ..........................................................................................................................................1699. MERCADO DE CÂMBIO ...........................................................................................................................................173 
10. PRODUTOS BANCÁRIOS.........................................................................................................................................174 
11. ATENDIMENTO ..........................................................................................................................................................180 
12. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA DO BANCO CENTRAL ...............................................................................................185 
13. QUESTÕES COMBINADAS E OUTROS TEMAS ...................................................................................................185 
 
 
10. DIREITO FINANCEIRO 190 
1. PRINCÍPIOS E NORMAS GERAIS ............................................................................................................................190 
2. LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO E PLANO PLURIANUAL – PPA ................................................190 
3. LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL – LOA .......................................................................................................................192 
4. LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL – LRF ............................................................................................................193 
5. RECEITAS......................................................................................................................................................................19
5 
6. DESPESAS 
....................................................................................................................................................................197 
7. EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA, CRÉDITOS ADICIONAIS ..................................................................................199 
8. OPERAÇÕES DE CRÉDITO, DÍVIDA PÚBLICA ......................................................................................................200 
9. PRECATÓRIOS ............................................................................................................................................................200 
10. CONTROLE, FISCALIZAÇÃO, TRIBUNAIS DE CONTAS .....................................................................................200 
11. DIREITO ECONÔMICO 201 
1. ORDEM ECONÔMICA NA CONSTITUIÇÃO. MODELOS ECONÔMICOS ...................................................201 
2. INTERVENÇÃO DO ESTADO NO DOMÍNIO ECONÔMICO ...........................................................................202 
3. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL .......................................................................................................................202 
4. SISTEMA BRASILEIRO DE DEFESA DA CONCORRÊNCIA – SBDC. LEI ANTITRUSTE ...................................203 
5. QUESTÕES COMBINADAS E OUTROS TEMAS ...................................................................................................203 
12. DIREITO PREVIDENCIÁRIO 204 
1. PRINCÍPIOS E NORMAS GERAIS ............................................................................................................................204 
2. CUSTEIO 
......................................................................................................................................................................205 
3. SEGURADOS DA PREVIDÊNCIA E DEPENDENTES ..............................................................................................206 
4. BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS ............................................................................................................................208 
5. ACUMULAÇÃO DE BENEFÍCIOS ............................................................................................................................210 
6. PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES PÚBLICOS ......................................................................................................210 
7. ACIDENTES E DOENÇAS DO TRABALHO ............................................................................................................211 
8. PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ..........................................................................................................212 
9. ASSISTÊNCIA SOCIAL E SAÚDE .............................................................................................................................212 
 
 13. DIREITO INTERNACIONAL E DIREITOS HUMANOS 213 
1. NACIONALIDADE 
......................................................................................................................................................213 
2. COMPETÊNCIA INTERNACIONAL .........................................................................................................................213 
3. EXTRADIÇÃO 
..............................................................................................................................................................214 
4. TEORIA GERAL E DOCUMENTOS HISTÓRICOS .................................................................................................214 5. 
CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS .................................................................................................214 
6. SISTEMA GLOBAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS ......................................................................215 
7. SISTEMA GLOBAL DE PROTEÇÃO ESPECÍFICA DOS DIREITOS HUMANOS ................................................217 
V 
 
 
8. SISTEMA REGIONAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS .................................................................221 
9. DIREITOS HUMANOS NO BRASIL .........................................................................................................................232 
 14. DIREITO AGRÁRIO 246 
1. CONCEITOS E PRINCÍPIOS DO DIREITO AGRÁRIO .........................................................................................246 
2. CONTRATOS AGRÁRIOS 
.........................................................................................................................................246 
3. USUCAPIÃO ESPECIAL RURAL 
...............................................................................................................................246 
4. AQUISIÇÃO E USO DA PROPRIEDADE E DA POSSE RURAL ............................................................................247 
5. DESAPROPRIAÇÃO PARA A REFORMA AGRÁRIA ...............................................................................................247 
6. TERRAS DEVOLUTAS 
.................................................................................................................................................247 
7. TERRAS INDÍGENAS 
.................................................................................................................................................248 
 15. DIREITO URBANÍSTICO 249 
1. NORMAS CONSTITUCIONAIS ...............................................................................................................................249 
2. ESTATUTO DAS CIDADES E INSTRUMENTOS DA POLÍTICA URBANA ..........................................................249 
3. TEMAS COMBINADOS E OUTROS TEMAS ..........................................................................................................250 
 16. FORMAÇÃO HUMANÍSTICA 252 
1. SOCIOLOGIA GERAL E JURÍDICA ..........................................................................................................................252 
2. FILOSOFIA GERAL E JURÍDICA 
...............................................................................................................................254 
17. AUDITORIA 259 
18. LEGISLAÇÃO SOBRE AGÊNCIAS REGULADORAS 2671. TEMAS BÁSICOS DO SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO ........................................................................................267 
 19. DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL 270 
1. PRINCÍPIOS 
................................................................................................................................................................270 
2. OBJETO E FINALIDADE DOS REGISTROS PÚBLICOS ........................................................................................270 
3. FUNÇÃO E FÉ PÚBLICA REGISTRÁRIA ..................................................................................................................270 
4. DELEGAÇÃO E ASPECTO INSTITUCIONAL DOS SERVIÇOS DE REGISTROS PÚBLICOS. .........................271 
5. DEONTOLOGIA: DIREITOS E DEVERES DE TABELIÃES, OFICIAIS DE REGISTRO E SEUS PREPOSTOS. DIREITOS E 
DEVERES PERANTE O CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. DEVERES 
DE LEITURA, ATUALIZAÇÃO, INFORMAÇÕES E DECLARAÇÕES. ...................................................................271 
6. TABELIONATO DE PROTESTO 
.................................................................................................................................272 
7. REGISTRO DE IMÓVEIS 
............................................................................................................................................273 
8. PESSOAS 
NATURAIS..................................................................................................................................................273 
9. REGISTRO CIVIL 
.........................................................................................................................................................274 
10. REGISTRO DE TÍTULOS E DOCUMENTOS ...........................................................................................................274 
11. TABELIONATO DE NOTAS 
.......................................................................................................................................274 
12. TEMAS COMBINADOS DE REGISTROS PÚBLICOS ...........................................................................................275 
 
 
 20. PRINCÍPIOS E ATRIBUIÇÕES INSTITUCIONAIS DA DEFENSORIA PÚBLICA 276 
1. FUNÇÕES E PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS ........................................................................................................276 
2. ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DA DEFENSORIA PÚBLICA .............................................................................277 
3. PRERROGATIVAS 
........................................................................................................................................................282 
 VI COMO PASSAR EM CONCURSOS FCC – 5ª EDIÇÃO 
4. INFRAÇÕES DISCIPLINARES ..................................................................................................................................283 
5. DEFINIÇÃO DE NECESSITADO E DIREITOS DOS ASSISTIDOS .......................................................................283 
6. JUSTIÇA GRATUITA – LEI 1.060/1950 .......................................................................................................................284 
7. COMBINADAS E OUTROS TEMAS ........................................................................................................................284 
21. CONHECIMENTOS GERAIS 287 
1. TEMAS LITERÁRIOS, COMBINADOS E DIVERSOS .............................................................................................287 
2. POLÍTICA INTERNACIONAL....................................................................................................................................287 
3. ECONOMIA ................................................................................................................................................................287 
4. POLÍTICA BRASILEIRA ..............................................................................................................................................288 
22. LÍNGUA ESTRANGEIRA 290 
1. LÍNGUA INGLESA ......................................................................................................................................................290 
2. LÍNGUA ESPANHOLA ...............................................................................................................................................299 
23. ECONOMIA 301 
1. MICROECONOMIA ..................................................................................................................................................301 
2. MACROECONOMIA E ECONOMIA BRASILEIRA ................................................................................................301 
3. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL ......................................................................................................................304 
24. REGIMENTO INTERNO E LEGISLAÇÃO LOCAL 309 
 
1. INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS 
Cada um fala como quer, ou como pode, ou como acha que 
pode. Ainda ontem me divertiu este trechinho de crônica do 
escritor mineiro Humberto Werneck, de seu livro Esse 
inferno vai acabar: 
“– Meu cabelo está pendoando – anuncia a prima, 
apalpando as melenas. 
Tenho anos, décadas de Solange, mas confesso que ela, 
com o seu solangês, às vezes me pega desprevenido. 
– Seu cabelo está o quê? 
– Pendoando – insiste ela, e, com a paciência de quem 
explica algo elementar a um total ignorante, traduz: 
– Bifurcando nas extremidades. 
É assim a Solange, criatura para a qual ninguém morre, mas 
falece, e, quando sobrevém esse infausto acontecimento, 
tem seu corpo acondicionado num ataúde, num esquife, 
num féretro, para ser inumado em alguma necrópole, ou, 
mais recentemente, incinerado em crematório. Cabelo de 
 
 
gente assim não se torna vulgarmente quebradiço: 
pendoa.” 
Isso me fez lembrar uma visita que recebemos em casa, eu 
ainda menino. Amigas da família, mãe e fi lha adolescente 
vieram tomar um lanche conosco. D. Glorinha, a mãe, 
achava meu pai um homem intelectualizado e caprichava 
no vocabulário. A certa altura pediu ela a mim, que estava 
sentado numa extremidade da mesa: – Querido, pode 
alcançar-me uma côdea desse pão? 
Por falta de preparo linguístico não sabia como atender a 
seu pedido. Socorreu-me a fi lha adolescente: 
– Ela quer uma casquinha do pão. Ela fala sempre assim na 
casa dos outros. 
A mãe fi cou vermelha, isto é, ruborizou, enrubesceu, rubifi 
cou, e olhou a fi lha com reprovação, isto é, dardejou-a com 
olhos censórios. 
Veja-se, para concluir, mais um trechinho do Werneck: 
“Você pode achar que estou sendo implicante, metido a 
policiar a linguagem alheia. Brasileiro é assim mesmo, 
adora embonitar a conversa para impressionar os outros. 
Sei disso. Eu próprio já andei escrevendo sobre o que 
chamei de ruibarbosismo: o uso de palavreado 
rebarbativo como forma de, numa discussão, reduzir ao 
silêncio o interlocutor ignaro. Uma espécie de gás 
paralisante verbal.” 
(Cândido Barbosa Filho, inédito) 
(Analista – TRT/1ª – 2012 – FCC) No contexto, as frases “Meu 
cabelo está pendoando” e “pode alcançar-me uma côdea 
desse pão” constituem casos de 
(A) usos opostos de linguagem, já que a completa 
informalidade da primeira contrasta com a formalidade 
da segunda. 
(B) usos similares de linguagem, pois em ambas o intento é 
valorizar o emprego de vocabulário pouco usual. 
(C) intenção didática, já que ambas são utilizadas para 
exemplifi car o que seja uma má construção gramatical. 
(D) usos similares de linguagem, pois predomina em ambas 
o interesse pela exatidão e objetividade da 
comunicação. 
(E) usos opostos de linguagem, pois a perfeita correção 
gramatical de uma contrasta com os deslizesda outra. 
A: incorreta. O uso da linguagem nos dois trechos é idêntico, 
focado exclusivamente na formalidade; B: correta. Nos 
respectivos contextos, os dois personagens querem 
demonstrar o domínio do vocabulário; C: incorreta. As 
construções estão gramaticalmente perfeitas; D: incorreta. O 
uso de palavras pouco conhecidas traz prejuízos à 
objetividade da comunicação, porque aumenta o risco do 
receptor não compreender a mensagem; E: incorreta. Mais 
uma vez, as construções atendem a todos os preceitos da 
gramática. 
(Analista – TRT/1ª – 2012 – FCC) A mãe fi cou vermelha, isto é, 
ruborizou, enrubesceu, rubifi cou, e olhou a fi lha com 
reprovação, isto é, dardejou-a com olhos censórios. 
A expressão isto é, nos dois empregos realçados na frase 
acima, 
(A) introduz a conclusão de que o signifi cado das falas 
corriqueiras se esclarece mediante uma elaborada 
sinonímia. (B) inicia a tradução adequada de um enunciado 
anterior cuja signifi cação se mostrara bastante enigmática. 
(C) funciona como os dois pontos na frase Cabelo de gente 
assim não se torna vulgarmente quebradiço: pendoa. (D) 
introduz uma enumeração de palavras que seriam evitadas 
pela prima Solange, levando-se em conta o que diz dela o 
cronista Werneck. 
(E) inicia uma argumentação em favor da simplifi cação da 
linguagem, de modo a evitar o uso de palavreado 
rebarbativo. 
 
A: incorreta. A expressão “isto é” foi utilizada para indicar a 
correção, a retifi cação pelo autor do uso de uma palavra 
comum, enumerando os sinônimos rebuscados que as 
personagens usariam; B: incorreta. O enunciado anterior é 
bastante claro. Na verdade, trata-se de uma brincadeira do 
autor consistente em transformar um texto claro, com palavras 
usuais, nas construções complexas utilizadas pelas 
personagens; C: correta. Realmente, os dois-pontos têm a 
mesma função da expressão 
* Eloy Gustavo de Souza comentou as questões de Redação; Henrique Subi comentou as questões dos seguintes concursos: Analista 
TRT/2012, BB – Escriturário, CEF – Técnico Bancário e Agente de Polícia; Magally Dato comentou as questões dos seguintes concursos: 
Auditor fi scal, Auditor Tributário, Agente Fiscal, Fiscal de Tributos, Tribunais Técnico e Tribunais Analista; Fernanda Franco e Rodrigo 
Ferreira Lima comentaram as questões dos seguintes concursos: Analista ANS, Analista Bacen, Técnico Bacen e Técnico Legislativo; 
Fernanda Franco e Eloy Gustavo de Souza comentaram as questões do concurso para Ofi cial de Chancelaria. 
1. LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
Eloy Gustavo de Souza, Fernanda Franco, Henrique Subi, Magally Dato e Rodrigo Ferreira de Lima* 
 
 
“isto é”, já debatida nos comentários anteriores; D: incorreta. 
As palavras enumeradas são aquelas que seriam utilizadas 
pelas personagens que preferem o palavreado rebuscado; E: 
incorreta. O efeito é justamente o inverso: as palavras 
enumeradas são mais complexas do que aquelas usadas 
anteriormente, causando uma complicação da linguagem. 
 
(Analista – TRT/1ª – 2012 – FCC) Há uma relação de causa e efeito 
entre estas duas formulações: 
(A) Cada um fala como quer e ou como acha que pode. (1º 
parágrafo) 
(B) para ser inumado em alguma necrópole e incinerado em 
crematório. (7º parágrafo) 
(C) visita que recebemos em casa e eu ainda menino. (8º 
parágrafo) 
(D) achava meu pai um homem intelectualizado e 
caprichava no vocabulário. (8º parágrafo) 
(E) olhou a fi lha com reprovação e dardejou-a com 
A: incorreta. A relação é de alternância (uma coisa ou outra); 
B: incorreta. A relação é de adição (uma coisa e outra); C: 
incorreta. A relação é de temporalidade (a segunda oração 
indica o momento em que a primeira aconteceu); D: correta. 
Realmente, a personagem “caprichava no vocabulário” 
porque achava o outro intelectualizado; E: incorreta. A 
relação é de sinonímia (as palavras têm sentido equivalente). 
Economia religiosa 
Concordo plenamente com Dom Tarcísio Scaramussa, da 
CNBB, quando ele afi rma que não faz sentido nem obrigar 
uma pessoa a rezar nem proibi-la de fazê-lo. A declaração 
do prelado vem como crítica à professora de uma escola 
pública de Minas Gerais que hostilizou um aluno ateu que 
se recusara a rezar o pai-nosso em sua aula. 
É uma boa ocasião para discutir o ensino religioso na rede 
pública, do qual a CNBB é entusiasta. Como ateu, não 
abraço nenhuma religião, mas, como liberal, não pretendo 
que todos pensem do mesmo modo. Admitamos, para 
efeitos de argumentação, que seja do interesse do Estado 
que os jovens sejam desde cedo expostos ao ensino 
religioso. Deve-se então perguntar se essa é uma tarefa que 
cabe à escola pública ou se as próprias organizações são 
capazes de supri-la, com seus programas de catequese, 
escolas dominicais etc. 
A minha impressão é a de que não faltam oportunidades 
para conhecer as mais diversas mensagens religiosas, 
onipresentes em rádios, TVs e também nas ruas. Na cidade 
de São Paulo, por exemplo, existem mais templos (algo em 
torno de 4.000) do que escolas públicas (cerca de 1.700). 
Creio que aqui vale a regra econômica, segundo a qual o 
Estado deve fi car fora das atividades de que o setor privado 
já dá conta. Outro ponto importante é o dos custos. Não me 
parece que faça muito sentido gastar recursos com 
professores de religião, quando faltam os de matemática, 
português etc. Ao contrário do que se dá com a religião, é 
difícil aprender física na esquina. 
Até 1997, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
acertadamente estabelecia que o ensino religioso nas 
escolas ofi ciais não poderia representar ônus para os cofres 
públicos. A bancada religiosa emendou a lei para empurrar 
essa conta para o Estado. Não deixa de ser um caso de 
esmola com o chapéu alheio. 
(Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, 06/04/2012) 
(Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) No que diz respeito ao ensino 
religioso na escola pública, o autor mantém-se 
(A) esquivo, pois arrola tanto argumentos que defendem a 
obrigatoriedade como o caráter facultativo da 
implementação desse ensino. 
(B) intransigente, uma vez que enumera uma série de 
razões morais para que se proíba o Estado de legislar 
sobre quaisquer matérias religiosas. 
(C) pragmático, já que na base de sua argumentação contra 
o ensino religioso na escola pública estão razões de 
ordem jurídica e econômica. 
(D) intolerante, dado que deixa de reconhecer, como ateu 
declarado, o direito que têm as pessoas de decidir sobre 
essa matéria. 
(E) prudente, pois evita pronunciar-se a favor da 
obrigatoriedade desse ensino, lembrando que ele já 
vem sendo ministrado por muitas entidades. 
Sobre o tema, o autor prefere manter uma posição pragmática, 
determinada a partir de sua opção de não usar argumentos 
pessoais baseados em seu ateísmo. Sua visão é de natureza 
objetiva e mensurável, valendo-se de argumentos econômicos 
(custos e administração da receita pública) e jurídicos (direito 
à liberdade religiosa). 
(Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Atente para estas afi rmações: 
I. Ao se declarar um cidadão ao mesmo tempo ateu e 
liberal, o autor enaltece essa sua dupla condição 
pessoal valendo-se do exemplo da própria CNBB. 
II. A falta de oportunidade para se acessarem mensagens 
religiosas poderia ser suprida, segundo o autor, pela 
criação de redes de comunicação voltadas para esse fi 
m. 
III. Nos dois últimos parágrafos, o autor mostra não 
reconhecer nem legitimidade nem prioridade para a 
implementação do ensino religioso na escola pública. 
Em relação ao texto, está correto o que se afi rma em 
(A) I, II e III. 
(B) I e II, apenas. 
(C) II e III, apenas. 
(D) I e III, apenas.(E) III, apenas. 
 
I: incorreta. Para tentar não macular sua análise, o autor 
pretende afastar essas condições, principalmente o ateísmo, 
de sua argumentação; II: incorreta. O autor expõe a profusão 
de mensagens religiosas que nos bombardeia, não sendo 
necessária sua expansão; III: correta. Trata-se da ideia 
principal defendida pelo autor: não cabe ao Estado custear o 
ensino religioso, muito menos diante da situação defi citária 
de outras áreas, como português e matemática. 
 
 
 
3 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Pode-se inferir, com base numa afi 
rmação do texto, que 
(A) o ensino religioso demanda profi ssionais altamente 
qualifi cados, que o Estado não teria como contratar. 
(B) a bancada religiosa, tal como qualifi cada no último 
parágrafo, partilha do mesmo radicalismo de Dom 
Tarcísio Scaramussa. 
(C) as instituições públicas de ensino devem complementar 
o que já fazem os templos, a exemplo do que ocorre na 
cidade de São Paulo. 
(D) o aprendizado de uma religião não requer instrução tão 
especializada como a que exigem as ciências exatas. 
(E) os membros da bancada religiosa, sobretudo os liberais, 
buscam favorecer o setor privado na implementação do 
ensino religioso. 
 
A: incorreta. O autor não entra no critério da qualifi cação dos 
professores de religião, apenas aponta que sua contratação 
não pode ser prioridade; B: incorreta. Em sua fala, Dom 
Tarcísio mostrou-se ponderado, reconhecendo o direito ao 
ateísmo. Não há nada de radical em suas palavras; C: 
incorreta. O autor defende exatamente o oposto: que o ensino 
religioso fi que adstrito aos templos, que já se encontram em 
maior número do que as escolas públicas na cidade de São 
Paulo; D: correta. É o que se depreende da passagem: “Ao 
contrário do que se dá com a religião, é difícil aprender física 
na esquina”; E: incorreta. Não se pode confundir os religiosos 
com os liberais e, além disso, segundo o autor, os primeiros 
conseguiram alterar a legislação para criar a obrigação do 
Estado custear o ensino religioso. 
 
(Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Considerando-se o contexto, 
traduz-se adequadamente um segmento em: 
(A) A declaração do prelado vem como crítica (1º parágrafo) 
= o pronunciamento do dignitário eclesiástico 
surge como censura 
(B) Admitamos, para efeitos de argumentação (2º 
parágrafo) = Consignemos, a fi m de especulação 
(C) sejam desde cedo expostos ao ensino religioso (2º 
parágrafo) = venham prematuramente a expor-se no 
ensino clerical 
(D) onipresentes em rádios (3º parágrafo) = discriminadas 
por emissoras de rádio 
(E) não poderia representar ônus (5º parágrafo) = implicaria 
que se acarretasse prejuízo 
A: correta. Todos os sinônimos atribuídos traduzem 
perfeitamente o trecho original; B: incorreta. “Especulação”, 
nesse caso, é sinônimo de “afi rmação sem fundamento”, o 
que se contrapõe diretamente a “argumentação”; C: incorreta. 
“Prematuro” não é sinônimo de “cedo”, é aquilo que veio antes 
do tempo programado, antes de estar maduro (“pré + 
maturidade”); D: incorreta. “Onipresente” é aquilo que está em 
todos os lugares. “Discriminado” é sinônimo de “especifi 
cado”; E: incorreta. “Ônus” é sinônimo de “dever”, não está 
necessariamente relacionado a “prejuízo”. 
 
Fora com a dignidade 
Acho ótimo que a Igreja Católica tenha escolhido a saúde 
pública como tema de sua campanha da fraternidade deste 
ano. Todas as burocracias – e o SUS não é uma exceção – 
têm a tendência de acomodar-se e, se não as sacudirmos de 
vez em quando, caem na abulia. É bom que a Igreja use seu 
poder de mobilização para cobrar melhorias. 
Tenho dúvidas, porém, de que o foco das ações deva ser o 
combate ao que dom Odilo Scherer, numa entrevista, 
chamou de terceirização e comercialização da saúde. É 
verdade que colocar um preço em procedimentos médicos 
nem sempre leva ao melhor dos desfechos, mas é 
igualmente claro que consultas, cirurgias e drogas têm 
custos que precisam ser gerenciados. Ignorar as leis de 
mercado, como parece sugerir dom Odilo, provavelmente 
levaria o sistema ao colapso, prejudicando ainda mais os 
pobres. 
Para o religioso, é “a dignidade do ser humano” que deve 
servir como critério moral na tomada de decisões relativas 
a vida e morte. O problema com a “dignidade” é que ela é 
subjetiva demais. A pluralidade de crenças e preferências do 
ser humano é tamanha que o termo pode signifi car 
qualquer coisa, desde noções banais, como não humilhar 
desnecessariamente o paciente (forçando-o, por exemplo, a 
usar aqueles horríveis aventais vazados atrás), até a adesão 
profunda a um dogma religioso (há confi ssões que não 
admitem transfusões de sangue). 
Numa sociedade democrática não podemos simplesmente 
apanhar uma dessas concepções e elevá-la a valor 
universal. E, se é para operar com todas as noções possíveis, 
então já não estamos falando de dignidade, mas, sim, de 
respeito à autonomia do paciente, conceito que a substitui 
sem perdas. 
(Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, março/2012) 
(Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Ao mesmo tempo em que 
reconhece a importância de a Igreja Católica ter escolhido 
a saúde como tema da campanha da fraternidade, o autor 
NÃO aprova que o foco das ações deva ser, como propõe 
dom Odilo Scherer, 
(A) o apoio às iniciativas que valorizem sobretudo os 
serviços terceirizados no campo da saúde. 
(B) a franca resistência às iniciativas comerciais que 
subordinam as questões da saúde às leis do mercado. 
(C) a transferência de responsabilidades na área da 
saúde, de modo a privilegiar as empresas mais 
habilitadas. 
(D) a estatização dos serviços essenciais, a fi m de 
harmonizar o interesse público e as leis do livre 
mercado. 
(E) a clara demarcação entre o que compete ao Estado e o 
que compete à iniciativa privada, na área da saúde. 
O autor condena a posição do clérigo de atacar a 
“terceirização e comercialização da saúde”. Isso signifi ca que, 
para a Igreja, os serviços de saúde não podem ser transferidos 
para a iniciativa privada, porque não deveriam se submeter às 
leis do mercado. Para Dom Odilo Scherer, o princípio 
norteador da saúde pública deve ser unicamente a dignidade 
da pessoa, critério combatido pelo articulista. 
 
 
(Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Atente para as seguintes afi 
rmações: 
I. O título do texto é inteiramente irônico, pois ao longo 
dele o autor valoriza, exatamente, o que costuma ser 
defi nido como “a dignidade do ser humano”. 
II. A despeito da pluralidade de crenças religiosas, o autor 
acredita que a base de todas elas está no que se pode 
defi nir como respeito à autonomia do paciente. 
III. O conceito de dignidade é questionado pelo autor, que 
não o acolhe como uma concepção bem determinada e 
de valor universal. 
Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afi rma 
em 
(A) I 
(B) II 
(C) III 
(D) I e II 
(E) II e III 
 
I: incorreta. Não há ironia. O autor pretende justamente afastar 
o conceito vago de “dignidade da pessoa” e reconhecer a 
autonomia do paciente para tomar as suas decisões; II: 
incorreta. Muito ao contrário, o autor critica a pluralidade 
religiosa sob o argumento de que cada uma delas estabelece 
um conceito de “dignidade” e pretende elevá-lo ao patamar de 
verdade absoluta. Como remédio, sugere o critério da 
autonomia do paciente, que não é mencionado por nenhuma 
crença; III: correta. É precisamente sobre esse ponto que se 
assenta a argumentação do autor. 
 
(Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) A frase em que se afi rma uma 
posição inteiramentecontrária às convicções do autor do 
texto é: 
(A) Em virtude de se apoiar na subjetividade humana, o 
conceito de dignidade não se determina de modo claro 
e insofi smável. 
(B) A variedade das reações e interdições que as crenças 
impõem a tratamentos de saúde indica a pluralidade 
dos valores subjetivos. 
(C) Os mais pobres seriam os mais prejudicados, caso se 
levasse a efeito alguma proposta baseada na posição de 
dom Odilo Scherer. 
(D) Ignorar todas as leis de mercado, na área da saúde, 
redunda na impossibilidade de funcionamento do 
sistema. 
(E) Numa sociedade democrática, o gerenciamento de 
custos na área da saúde não pode levar em conta as leis 
do mercado. 
Todas as alternativas são paráfrases do texto, expressando 
ideias que nele são defendidas pelo autor, com exceção da 
letra “E” (que deve ser assinalada). O autor defende que, dada 
a impossibilidade de se reconhecer um critério universal sobre 
a dignidade, cabe ao paciente determinar de forma autônoma 
como, quando e com quem quer se tratar, impondo-se ao setor 
da saúde o respeito às leis da oferta e da demanda. 
(Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Considerando-se o contexto, 
traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em: 
(A) têm a tendência de acomodar-se (1º parágrafo) = 
reiteram uma conciliação 
(B) nem sempre leva ao melhor dos desfechos (2º 
parágrafo) = amiúde vai ao encontro dos seus objetivos 
(C) têm custos que precisam ser gerenciados (2º parágrafo) 
= há os ônus que requerem ratifi cação 
(D) adesão profunda a um dogma (3º parágrafo) = plena 
aceitação de um rígido preceito 
(E) elevá-la a valor universal (4º parágrafo) = reconhecê-la 
como plenamente aceitável 
 
A: incorreta. “Reiterar” é sinônimo de “repetir”; B: incorreta. 
“Amiúde” é sinônimo de “frequentemente”; C: incorreta. “Ratifi 
cação” é sinônimo de “confi rmar”, “atestar”; D: correta. Os 
sinônimos estão perfeitamente empregados; E: incorreta. 
“Elevar” e “reconhecer” não são propriamente sinônimos. 
Porém, em sentido conotativo, a substituição proposta 
manteria o sentido do trecho original a nosso ver. Assim, 
entendemos que ela também deve ser considerada correta. 
 
(Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) É verdade que colocar um preço 
em procedimentos médicos nem sempre leva ao melhor dos 
desfechos. 
O sentido essencial e a correção da frase acima mantêm-se 
na seguinte construção: 
(A) Nem sempre é certo que a melhor fi nalidade se alcança 
através de procedimentos médicos aos quais incorre 
um determinado preço. 
(B) Nada garante, de fato, que estipular um pagamento por 
procedimentos médicos implique a melhor solução de 
um caso. 
(C) Uma ótima conclusão não é simplesmente obtida em 
favor de se haver afi xado um preço aos procedimentos 
médicos. 
(D) A despeito de se estipular um preço para 
procedimentos médicos, não é usual que cheguem a um 
termo satisfatório. 
(E) Pela razão de se taxar procedimentos médicos não 
redunda automaticamente no melhor dos benefícios. 
 
A: incorreta. Houve alteração de sentido na paráfrase. O 
trecho original é mais amplo, fala da precifi cação dos 
procedimentos médicos de forma geral, enquanto a alternativa 
é mais restrita, fala do tratamento com uma determinada fi 
nalidade; B: correta. A paráfrase, além de preservar o sentido 
original, atende a todos os preceitos gramaticais; C: incorreta. 
A redação está incoerente, ela não faz sentido; D: incorreta. 
Houve alteração de sentido na paráfrase. A locução conjuntiva 
“a despeito de” tem valor concessivo, ideia que não está 
presente no trecho original; E: incorreta. A redação está 
incoerente aqui também. Melhor seria dizer: “A taxação de 
procedimentos médicos não redunda...”. 
 
 
 
5 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) No contexto do 4º parágrafo, o 
segmento conceito que a substitui sem perdas deve ser 
entendido mais explicitamente como: 
(A) A dignidade é substituída, sem perdas, pelo conceito de 
autonomia do paciente. 
(B) A dignidade substitui, sem perdas, o conceito de 
autonomia do paciente. 
(C) A autonomia do paciente deve ser substituída, sem 
perdas, pela dignidade dele. 
(D) Substituem-se, sem perdas, tanto o conceito de 
dignidade como o de autonomia do paciente. 
(E) A autonomia do paciente só será substituída sem 
perdas no caso de haver nele dignidade. 
O trecho em destaque indica que, para o autor, a autonomia 
do paciente traz mais vantagens para esse do que a amplitude 
da dignidade. Portanto, a segunda deve ser substituída pela 
primeira. 
O mito napoleônico baseia-se menos nos méritos de 
Napoleão do que nos fatos, então sem paralelo, de sua 
carreira. Os homens que se tornaram conhecidos por terem 
abalado o mundo de forma decisiva no passado tinham 
começado como reis, como Alexandre, ou patrícios, como 
Júlio César, mas Napoleão foi o “pequeno cabo” que galgou 
ao comando de um continente pelo seu puro talento 
pessoal. Todo homem de negócios daí em diante tinha um 
nome para sua ambição: ser − os próprios clichês o 
denunciam − um “Napoleão das fi nanças” ou “da 
indústria”. Todos os homens comuns fi cavam excitados 
pela visão, então sem paralelo, de um homem comum 
maior do que aqueles que tinham nascido para usar coroas. 
Em síntese, foi a fi gura com que todo homem que partisse 
os laços com a tradição podia se identifi car em seus sonhos. 
Para os franceses ele foi também algo bem mais simples: o 
mais bem-sucedido governante de sua longa história. 
Triunfou gloriosamente no exterior, mas, em termos 
nacionais, também estabeleceu ou restabeleceu o 
mecanismo das instituições francesas como existem hoje. 
Ele trouxe estabilidade e prosperidade a todos, exceto para 
os 250 mil franceses que não retornaram de suas guerras, 
embora até mesmo para os parentes deles tivesse trazido a 
glória. Sem dúvida, os britânicos se viam como lutadores 
pela causa da liberdade contra a tirania; mas em 1815 a 
maioria dos ingleses era mais pobre do que o fora em 1800, 
enquanto a maioria dos franceses era quase certamente 
mais rica. 
Ele destruíra apenas uma coisa: a Revolução de 1789, o 
sonho de igualdade, liberdade e fraternidade, do povo se 
erguendo na sua grandiosidade para derrubar a opressão. 
Este foi um mito mais poderoso do que o dele, pois, após a 
sua queda, foi isto e não a sua memória que inspirou as 
revoluções do século XIX, inclusive em seu próprio país. 
(Adaptado de Eric. J. Hobsbawm. A era das revoluções − 1789- 
1848. 7ª ed. Trad. de Maria Tereza Lopes Teixeira e Marcos 
Penchel. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989, p.93-4) 
(Analista – TRT9 – 2012 – FCC) Segundo o autor, (A) a fi gura de 
Napoleão passou a exercer forte apelo no campo do 
imaginário, servindo de modelo de inaudita superação da 
condição social. 
(B) os franceses descartam assumir Napoleão como 
modelo, buscando valorizar tão somente a sua 
participação na revolução de 1789. 
(C) os parentes dos milhares de franceses mortos nas 
guerras napoleônicas relevaram a perda dos familiares 
em função da grande prosperidade trazida por 
Napoleão. (D) a Revolução de 1789 foi um mito menos 
relevante do que o de Napoleão, pois as obras deste 
permanecem vivas e aquela não teria sido mais que um 
sonho. 
(E) os méritos pessoais de Napoleão nada têm a ver com o 
mito que se criou em torno de sua fi gura, surgido 
apenas de sua trajetória casualmente vitoriosa. 
A: correta. A ideia principal do texto é refl etir sobre as razões 
de Napoleão ter se tornado um mito. Segundo o autor, isso se 
deu por força da origem humilde do líder corso, que superou 
essa condição parase tornar comandante de todo o 
continente; B: incorreta. Para os franceses, Napoleão foi o 
mais bem-sucedido governante de sua história; C: incorreta. 
O texto não fala em perdão dos parentes, diz apenas que 
mesmo para os mortos nas guerras Napoleão trouxe a glória; 
D: incorreta. O último parágrafo do texto diz exatamente o 
inverso; E: incorreta. O autor defende que Napoleão teve 
méritos em suas conquistas, porém esses não foram a parcela 
determinante dos resultados. 
 
(Analista – TRT9 – 2012 – FCC) Considerando-se o contexto, o 
segmento cujo sentido está adequadamente expresso em 
outras palavras é: 
(A) partisse os laços com a tradição = quebrasse o condão 
sagrado 
(B) galgou ao comando de um continente = sobrelevou o 
ordenamento europeu 
(C) pela causa da liberdade contra a tirania = pelo motivo 
da insubmissão versus rigorismo 
(D) os próprios clichês o denunciam = os próprios lugares-
comuns o evidenciam 
(E) o mecanismo das instituições francesas = a articulação 
dos institutos galeses 
 
A: incorreta. Melhor seria “histórico” no lugar de “sagrado”; B: 
incorreta. “Sobrelevar” é sinônimo de “suplantar”, “vencer”, ao 
passo que “galgar” é sinônimo de “subir”; C: incorreta. 
“Tirania” é o governo autoritário de uma só pessoa, o que não 
se confunde com o rigor, maior ou menor, com o qualquer 
governo pode tratar seus súditos; D: correta. Os sinônimos 
estão perfeitamente empregados; E: incorreta. “Instituição”, 
sinônimo de “entidade”, não se confunde com “instituto”, 
sinônimo de “ato”, “procedimento”. 
 
Em outubro de 1967, quando Gilberto Gil e Caetano Veloso 
apresentaram as canções Domingo no parque e Alegria, 
Alegria, no Festival da TV Record, logo houve quem 
percebesse que as duas canções eram infl uenciadas pela 
narrativa cinematográfi ca: repletas de cortes, 
justaposições e fl ashbacks. Tal suposição seria confi rmada 
 
 
pelo próprio Caetano quando declarou que fora “mais infl 
uenciado por Godard e Glauber do que pelos Beatles ou 
Dylan”. Em 1967, no Brasil, o cinema era o que havia de 
mais intenso e revolucionário, superando o próprio teatro, 
cuja inquietação tinha incentivado os cineastas a iniciar o 
movimento que fi cou conhecido como Cinema Novo. 
O Cinema Novo nasceu na virada da década de 1950 para a 
de 1960, sobre as cinzas dos estúdios Vera Cruz (empresa 
paulista que faliu em 1957 depois de produzir dezoito fi 
lmes). “Nossa geração sabe o que quer”, dizia o baiano 
Glauber Rocha já em 1963. Inspirado por Rio 40 graus e por 
Vidas secas, que Nelson Pereira dos Santos lançara em 1954 
e 1963, Glauber Rocha transformaria, com Deus e o diabo 
na terra do sol, a história do cinema no Brasil. Dois anos 
depois, o cineasta lançou Terra em Transe, que talvez tenha 
marcado o auge do Cinema Novo, além de ter sido uma das 
fontes de inspiração do Tropicalismo. 
A ponte entre Cinema Novo e Tropicalismo fi caria mais 
evidente com o lançamento, em 1969, de Macunaíma, de 
Joaquim Pedro de Andrade. Ao fazer o fi lme, Joaquim Pedro 
esforçou-se por torná-lo um produto afi nado com a cultura 
de massa. “A proposição de consumo de massa no Brasil é 
algo novo. A grande audiência de TV entre nós é um 
fenômeno novo. É uma posição avançada para o cineasta 
tentar ocupar um lugar dentro dessa situação”, disse ele. 
Incapaz de satisfazer plenamente as exigências do mercado, 
o Cinema Novo deu os seus últimos suspiros em fi ns da 
década de 1970 − período que marcou o auge das 
potencialidades comerciais do cinema feito no Brasil. 
(Adaptado de Eduardo Bueno. Brasil: uma história. Ed. 
Leya, 2010. p. 408) 
(Analista – TRT9 – 2012 – FCC) Depreende-se corretamente do 
texto: 
(A) A estética do Cinema Novo, que marcou época no Brasil, 
contribuiu para que surgisse, na cena musical, o 
movimento conhecido como Tropicalismo. 
(B) Embora o Cinema Novo não tenha conseguido atingir 
suas metas comerciais, a qualidade estética de suas 
obras era superior à das obras produzidas pelo cinema 
comercial. 
(C) A ampliação da televisão no Brasil, cuja audiência foi 
sempre maior do que a do cinema, teve papel 
determinante na derrocada do Cinema Novo. 
(D) Como seus integrantes estavam comprometidos com os 
problemas sociais e políticos do país, o Cinema Novo 
suscitou polêmicas que levaram à volta da censura. 
(E) O Tropicalismo, movimento liderado por dissidentes do 
Cinema Novo, se desenvolveu concomitantemente à 
decadência do teatro nacional. 
A: correta. Podemos extrair essa conclusão principalmente do 
trecho “a ponte entre o Cinema Novo e o Tropicalismo”, fi gura 
que indica a ligação entre os dois movimentos; B: incorreta. 
Essa conclusão não pode ser retirada do texto. O autor nada 
menciona sobre a qualidade dos fi lmes comerciais; C: 
incorreta. Como o autor não aborda a televisão em seu texto, 
essa conclusão não é válida; D: incorreta. Nada se diz sobre 
a censura ou a atividade política dos integrantes do “Cinema 
Novo”; E: incorreta. O Tropicalismo, segundo o autor, não é 
uma dissidência do “Cinema Novo”, mas um movimento 
musical que dele sofreu infl uência. 
 
Fotografi as 
Toda fotografi a é um portal aberto para outra dimensão: o 
passado. A câmara fotográfi ca é uma verdadeira máquina 
do tempo, transformando o que é naquilo que já não é mais, 
porque o que temos diante dos olhos é transmudado 
imediatamente em passado no momento do clique. 
Costumamos dizer que a fotografi a congela o tempo, 
preservando um momento passageiro para toda a 
eternidade, e isso não deixa de ser verdade. Todavia, existe 
algo que descongela essa imagem: nosso olhar. Em francês, 
imagem e magia contêm as mesmas cinco letras: image e 
magie. Toda imagem é magia, e nosso olhar é a varinha de 
condão que descongela o instante aprisionado nas geleiras 
eternas do tempo fotográfi co. 
Toda fotografia é uma espécie de espelho da Alice do País 
das Maravilhas, e cada pessoa que mergulha nesse espelho 
de papel sai numa dimensão diferente e vivencia 
experiências diversas, pois o lado de lá é como o albergue 
espanhol do ditado: cada um só encontra nele o que trouxe 
consigo. Além disso, o signifi cado de uma imagem muda 
com o passar do tempo, até para o mesmo observador. 
Variam, também, os níveis de percepção de uma fotografi 
a. Isso ocorre, na verdade, com todas as artes: um músico, 
por exemplo, é capaz de perceber dimensões sonoras 
inteiramente insuspeitas para os leigos. Da mesma forma, 
um fotógrafo profi ssional lê as imagens fotográfi cas de 
modo diferente daqueles que desconhecem a sintaxe da 
fotografi a, a “escrita da luz”. Mas é difícil imaginar alguém 
que seja insensível à magia de uma foto. 
(Adaptado de Pedro Vasquez, em Por trás daquela foto. São 
Paulo: Companhia das Letras, 2010) 
(Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) O segmento do texto que ressalta 
a ação mesma da percepção de uma foto é: 
(A) A câmara fotográfi ca é uma verdadeira máquina do 
tempo. 
(B) a fotografi a congela o tempo. 
(C) nosso olhar é a varinha de condão que descongela o 
instante aprisionado. 
(D) o signifi cado de uma imagem muda com o passar do 
tempo. 
(E) Mas é difícil imaginar alguém que seja insensível à 
magia de uma foto. 
 
O autor argumenta que o olhar do observador é a única coisa 
capaz de 
“descongelar o tempo” tornado estático pela fotografi a. Essa 
mesma ideia está contida na letra “C”, que deve ser 
assinalada, ressaltando o fi o condutor do texto. 
(Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) No contexto do último parágrafo, 
a referência aos vários níveis de percepção de uma fotografi 
a remete 
 
 
7 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(A) à diversidadedas qualidades intrínsecas de uma foto. (B) 
às diferenças de qualifi cação do olhar dos observadores. 
(C) aos graus de insensibilidade de alguns diante de uma 
foto. 
(D) às relações que a fotografi a mantém com as outras 
artes. 
(E) aos vários tempos que cada fotografi a representa em si 
mesma. 
 
Ao comparar o olhar do fotógrafo com o ouvido do músico, o 
autor quer destacar que, dependendo do conhecimento 
técnico do observador, o resultado da interpretação da 
imagem é diferente porque saber as nuances da imagem que 
outros não enxergam permite aprofundar-se mais em seu 
signifi cado. 
 
(Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) Atente para as seguintes afi 
rmações: 
I. Ao dizer, no primeiro parágrafo, que a fotografi a 
congela o tempo, o autor defende a ideia de que a 
realidade apreendida numa foto já não pertence a 
tempo algum. 
II. No segundo parágrafo, a menção ao ditado sobre o 
albergue espanhol tem por fi nalidade sugerir que o 
olhar do observador não interfere no sentido próprio e 
particular de uma foto. 
III. Um fotógrafo profi ssional, conforme sugere o terceiro 
parágrafo, vê não apenas uma foto, mas os recursos de 
uma linguagem específi ca nela fi xados. 
Em relação ao texto, está correto o que se afirma 
SOMENTE em 
(A) I e II. 
(B) II e III. 
(C) I. 
(D) II. 
(E) III. 
 
I: incorreta. Para o autor, o instante captado pela fotografi a 
pertence, imediatamente, ao passado; II: incorreta. A ideia é 
exatamente inversa: afi rmar que as peculiaridades de cada 
observador são determinantes na interpretação da imagem; 
III: correta. O conhecimento técnico, segundo o autor, permite 
uma análise mais profunda da fotografi a do que aquela 
observada somente por leigos. 
 
Discriminar ou discriminar? 
Os dicionários não são úteis apenas para esclarecer o 
sentido de um vocábulo; ajudam, com frequência, a 
iluminar teses controvertidas e mesmo a incendiar debates. 
Vamos ao Dicionário Houaiss, ao verbete discriminar, e lá 
encontramos, entre outras, estas duas acepções: a) 
perceber diferenças; distinguir, discernir; b) tratar mal ou de 
modo injusto, desigual, um indivíduo ou grupo de 
indivíduos, em razão de alguma característica pessoal, cor 
da pele, classe social, convicções etc. 
Na primeira acepção, discriminar é dar atenção às 
diferenças, supõe um preciso discernimento; o termo 
transpira o sentido positivo de quem reconhece e considera 
o estatuto do que é diferente. Discriminar o certo do errado 
é o primeiro passo no caminho da ética. Já na segunda 
acepção, discriminar é deixar agir o preconceito, é 
disseminar o juízo preconcebido. Discriminar alguém: fazê-
lo objeto de nossa intolerância. 
Diz-se que tratar igualmente os desiguais é perpetuar a 
desigualdade. Nesse caso, deixar de discriminar (no sentido 
de discernir) é permitir que uma discriminação continue (no 
sentido de preconceito). Estamos vivendo uma época em 
que a bandeira da discriminação se apresenta em seu 
sentido mais positivo: trata-se de aplicar políticas afi 
rmativas para promover aqueles que vêm sofrendo 
discriminações históricas. Mas há, por outro lado, quem 
veja nessas propostas afi rmativas a forma mais censurável 
de discriminação... É o caso das cotas especiais para vagas 
numa universidade ou numa empresa: é uma 
discriminação, cujo sentido positivo ou negativo depende 
da convicção de quem a avalia. As acepções são 
inconciliáveis, mas estão no mesmo verbete do dicionário e 
se mostram vivas na mesma sociedade. 
(Aníbal Lucchesi, inédito) 
(Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) A afi rmação de que os dicionários 
podem ajudar a incendiar debates confi rma-se, no texto, 
pelo fato de que o verbete discriminar 
(A) padece de um sentido vago e impreciso, gerando por 
isso inúmeras controvérsias entre os usuários. 
(B) apresenta um sentido secundário, variante de seu 
sentido principal, que não é reconhecido por todos. 
(C) abona tanto o sentido legítimo como o ilegítimo que se 
costuma atribuir a esse vocábulo. 
(D) faz pensar nas difi culdades que existem quando se trata 
de determinar a origem de um vocábulo. 
(E) desdobra-se em acepções contraditórias que 
correspondem a convicções incompatíveis. 
Segundo o autor, a partir do momento em que a mesma 
palavra possui sentidos completamente opostos, seu uso 
intensifi ca as controvérsias sobre o tema, já que, ao menos 
junto ao dicionário, ambos têm razão. 
(Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) Diz-se que tratar igualmente os 
desiguais é perpetuar a desigualdade. 
Da afi rmação acima é coerente deduzir esta outra: 
(A) Os homens são desiguais porque foram tratados com o 
mesmo critério de igualdade. 
(B) A igualdade só é alcançável se abolida a fi xação de um 
mesmo critério para casos muito diferentes. 
(C) Quando todos os desiguais são tratados desigualmente, 
a desigualdade defi nitiva torna-se aceitável. 
(D) Uma forma de perpetuar a igualdade está em sempre 
tratar os iguais como se fossem desiguais. 
(E) Critérios diferentes implicam desigualdades tais que os 
injustiçados são sempre os mesmos. 
 
 
A dedução possível é aquela que percebe a crueldade da 
aplicação de critérios idênticos para pessoas em situações 
diferentes. Escorar-se exclusivamente na igualdade formal 
(tratamento igual para todos, indistintamente) é fugir da 
justiça, que se baseia na busca pela igualdade real 
(tratamento diferenciado para corrigir desigualdades 
anteriores). 
 
(Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) Considerando-se o contexto, 
traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em: 
(A) iluminar teses controvertidas (1º parágrafo) = amainar 
posições dubitativas. 
(B) um preciso discernimento (2º parágrafo) = uma 
arraigada dissuasão. 
(C) disseminar o juízo preconcebido (2º parágrafo) = 
dissuadir o julgamento predestinado. 
(D) a forma mais censurável (3º parágrafo) = o modo mais 
repreensível. 
(E) As acepções são inconciliáveis (3º parágrafo) = as 
versões são inatacáveis. 
 
A: incorreta. “Iluminar” foi usado como sinônimo de “clarear”, 
“destacar”. “Amainar” é sinônimo de “tornar manso”; B: 
incorreta. “Preciso” é sinônimo de “exato”, “objetivo”, e 
“discernimento” é sinônimo de “compreensão”, “raciocínio”. Já 
“arraigada” é sinônimo de “enraizada”, “estabelecida”, e 
“dissuasão” signifi ca “convencer alguém a desistir”; C: 
incorreta. “Disseminar” é sinônimo de “difundir”, “espalhar”, 
que não se confunde com “dissuadir”, verbo relativo a 
“dissuasão”, vocábulo que já exploramos na alternativa 
anterior; D: correta. Todos os sinônimos foram usados 
corretamente; E: incorreta. “Inconciliáveis” são coisas que não 
podem conviver. “Inatacável” é aquilo que não pode ser 
atacado, que não pode ser atingido. 
Atenção: para responder as duas questões seguintes, 
considere o texto abaixo. 
Nas décadas de 1930 e 40, enquanto eu crescia, o 
desenhista de quadrinhos ocupava um lugar na hierarquia 
cultural não muito inferior àquele ocupado pelo ator de 
cinema e pelo inventor. Walt Disney, Al Capp, Peter Arno – 
quem, agora, poderia conquistar tanta fama apenas com 
uma caneta de pena e um tinteiro? 
(John Updike. “A mágica dos quadrinhos”. serrote: uma revista de 
ensaios, ideias e literatura. n. 2, jul 2009. São Paulo: Instituto 
Moreira Salles, p. 17) Obs.: Al Capp e Peter Arno foram 
cartunistas americanos contemporâneos de Walt Disney. 
(TRT/4ª – 2011 – FCC) No excerto acima, o autor 
(A) manifesta que, embora com poucos recursos, os 
desenhistas de quadrinhos de sua infância fascinavam o 
público. 
(B) vale-se de uma pergunta retórica para expressar sua 
crença: atualmente,quem não domina a alta tecnologia 
não consegue distrair a plateia. 
(C) critica o lugar de destaque que, no século passado, era 
concedido aleatoriamente a atores de cinema e 
inventores. 
(D) favorece as lembranças de sua infância em prejuízo de 
considerações sobre os quadrinhos. 
(E) recorre ao ator de cinema e ao inventor para 
demonstrar como desenhistas de quadrinhos foram 
sempre desconsiderados na cultura americana. 
Em resumo, o texto fala que na infância do autor (décadas de 
1930 e 40), os cartunistas com recursos simples (“apenas com 
uma caneta de pena e um tinteiro”) conseguiam ocupar uma 
boa posição na hierarquia cultural. A: é exatamente o que o 
autor diz em sua pergunta retórica “quem, agora, poderia 
conquistar tanta fama apenas com uma caneta de pena e um 
tinteiro”; B: não se pode inferir que a crença dele seja: “quem 
não domina a alta tecnologia não consegue distrair a plateia”, 
como a alternativa diz; C: não existe essa crítica, apenas a 
observação; D: ao contrário do afi rmado, nesse excerto o 
autor favorece as considerações sobre os autores de 
quadrinhos e não suas lembranças de infância; E: é o aposto 
do que se afi rma nessa alternativa, o autor recorre ao ator de 
cinema e ao inventor para mostrar a consideração que os 
cartunistas tinham na cultura americana. 
 
(TRT/4ª – 2011 – FCC) Sobre o que se tem no excerto, é correto 
afi rmar: 
(A) Walt Disney, Al Capp, Peter Arno é sequência que 
descreve a hierarquia cultural citada, do posto mais 
elevado para o menos elevado. 
(B) tanta caracteriza a reputação dos desenhistas citados, 
tal como percebida pelo autor. 
(C) apenas denota que o autor deprecia a produção de 
muitos desenhistas de quadrinhos. 
(D) Nas décadas de 1930 e 40 equivale a “Nas décadas 
precedentes”. 
(E) enquanto eu crescia marca o início da ação de “ocupar”. 
A: não se trata de uma hierarquia, apenas de uma 
enumeração; B: o autor valoriza a reputação dos desenhistas 
citados e usa o termo tanta para intensifi car o substantivo 
“fama”; C: o advérbio apenas não deprecia. Tem as acepções: 
exclusivamente, somente; D: seria “Nas décadas 
precedentes” se no texto houvesse menção à década de 50. 
Não há. Então, a alternativa está incorreta. E: “enquanto eu 
crescia” indica a circunstância do verbo ocupar, que tem como 
sujeito “o desenhista de quadrinhos”. 
[Entre falar e escrever] 
Antigamente os professores de ginásio* ensinavam a 
escrever mandando fazer redações que puxavam 
insensivelmente para a grandiloquência, o preciosismo ou a 
banalidade: descrever uma fl oresta, uma tempestade, o 
estouro da boiada; comentar os males causados pelo fumo, 
o jogo, a bebida; dizer o que pensa da pátria, da guerra, da 
bandeira. Bem ou mal, íamos aprendendo, sobretudo 
porque naquele tempo os professores tinham tempo para 
corrigir os exercícios escritos (o meu chegava a devolver os 
nossos com igual número de páginas de observações e 
comentários a tinta vermelha; que Deus o tenha no céu dos 
bons gramáticos). Mas o efeito podia ser duvidoso. Lembre-
se por analogia o começo do romance S. Bernardo, de 
Graciliano Ramos. O rústico fazendeiro Paulo Honório quer 
contar a própria vida, mas sendo homem sem instrução, 
 
 
9 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
imagina um método prático: contaria os fatos ao jornalista 
local e este redigiria. No entanto... Leiamos: 
O resultado foi um desastre. Quinze dias depois do nosso 
primeiro encontro, o redator do jornal apresentou-me dois 
capítulos datilografados, tão cheios de besteiras que me 
zanguei: – Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o 
troço. Está pernóstico, está safado, está idiota! 
Há lá ninguém que fale dessa forma! 
O jornalista observa então que “um artista não pode 
escrever como fala”, e ante o espanto de Paulo Honório, 
explica: 
– Foi assim que sempre se fez. A literatura é literatura, seu 
Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios 
naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra 
coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia. 
Então Paulo Honório põe mãos à obra do seu jeito, “escreve 
como fala” e resulta o romance S. Bernardo, um clássico de 
Graciliano Ramos. 
(Adaptado de Antonio Candido, O albatroz e o chinês) 
* Ginásio: antiga denominação de período escolar, que hoje 
corresponde às quatro últimas séries do ensino 
fundamental. 
(Analista – TRT/20ª – 2011 – FCC) O autor do texto deixa ver que 
seus professores no ginásio acabavam valorizando, numa 
redação, 
(A) formas concisas de expressão e ousada inventividade 
linguística. 
(B) ostentação retórica e correta abordagem de temas 
educativos e cívicos. 
(C) valores morais edifi cantes e expressões em nível 
bastante coloquial. 
(D) rigorosa correção ortográfi ca e originalidade na 
condução de temas polêmicos. 
(E) o cultivo do pensamento autocrítico e discrição quanto 
ao estilo praticado. 
Reler o trecho: “ensinavam a escrever mandando fazer 
redações que puxavam insensivelmente para a 
grandiloquência, o preciosismo ou a banalidade: descrever 
uma fl oresta, uma tempestade, o estouro da boiada; comentar 
os males causados pelo fumo, o jogo, a bebida; dizer o que 
pensa da pátria, da guerra, da bandeira.” 
(Analista – TRT/20ª – 2011 – FCC) Ao lembrar que o efeito podia ser 
duvidoso, o autor do texto está aventando a hipótese de 
que, nas redações, 
(A) as banalidades decorriam do fato de os alunos não 
terem aceitado as orientações dos professores. 
(B) alguns fracassos originavam-se do fato de que os temas 
eram por demais complexos para a faixa etária dos 
alunos. 
(C) expressavam-se muitas dúvidas quanto a ser mais 
desejável a grandiloquência do que o despojamento da 
linguagem. 
(D) nem sempre era muito positivo o saldo fi nal das 
atividades exercidas pelos mestres e pelos alunos. 
(E) o que parecia ser um defeito ou uma impropriedade 
era, na verdade, o resultado de um excessivo domínio 
da língua. 
 
A alternativa mais correta é “nem sempre era muito positivo”. 
Primeiro Antonio Candido escreve: “ensinavam a escrever 
mandando fazer redações que puxavam insensivelmente para 
a grandiloquência, o preciosismo ou a banalidade” e em 
seguida: “o efeito podia ser duvidoso”. Infere-se que o saldo fi 
nal das atividades nem sempre era positivo. 
 
(Analista – TRT/20ª – 2011 – FCC) Atente para as seguintes afi 
rmações: 
I. Os dois trechos citados de S. Bernardo ilustram posições 
antagônicas quanto a atributos que devem marcar a 
linguagem literária. 
II. A linguagem do primeiro trecho citado de S. Bernardo 
não satisfaz os requisitos preciosistas impostos pelos 
antigos professores de ginásio. 
III. Deduz-se que o jornalista Gondim é um adepto da 
linguagem direta e simples, havendo mostrado um 
estilo “pernóstico” apenas para atender o gosto pessoal 
de Paulo Honório. 
Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afi rma 
em 
(A) I. 
(B) II. 
(C) III. 
(D) I e II. 
(E) II e III. 
 
I: há o antagonismo entre “arranjar palavras com tinta” e 
“escreve como fala”; II: os antigos professores “ensinavam a 
escrever mandando fazer redações que puxavam 
insensivelmente para a grandiloquência, o preciosismo”. O 
primeiro trecho citado de S. Bernardo diz: “– Vá para o inferno, 
Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está 
safado, está idiota!”; III: deduz-se que a linguagem de Paulo 
Honório é direta e simples. 
 
De volta à Antártida 
A Rússia planeja lançar cinco novos navios de pesquisa polar 
como parte de um esforço de US$ 975 milhões para reafi 
rmar a sua presença na Antártida na próxima década.Segundo o blog Science Insider, da revista Science, um 
documento do governo estabelece uma agenda de 
prioridades para o continente gelado até 2020. A principal 
delas é a reconstrução de cinco estações de pesquisa na 
Antártida, para realizar estudos sobre mudanças climáticas, 
recursos pesqueiros e navegação por satélite, entre outros. 
A primeira expedição da extinta União Soviética à Antártida 
aconteceu em 1955 e, nas três décadas seguintes, a 
potência comunista construiu sete estações de pesquisa no 
continente. A Rússia herdou as estações em 1991, após o 
colapso da União Soviética, mas pouco conseguiu investir 
em pesquisa polar depois disso. O documento afi rma que 
 
 
Moscou deve trabalhar com outras nações para preservar a 
“paz e a estabilidade” na Antártida, mas salienta que o país 
tem de se posicionar para tirar vantagem dos recursos 
naturais caso haja um desmembramento territorial do 
continente. 
(Pesquisa Fapesp, dezembro de 2010, no 178, p. 23) 
(Analista – TRE/TO – 2011 – FCC) Em “paz e a estabilidade”, na 
última frase do texto, o emprego das aspas 
(A) indica que esse segmento é transcrição literal do 
documento do governo russo mencionado no início do 
texto. 
(B) sugere a desconfi ança do autor do artigo com relação 
aos supostos propósitos da Rússia de manter a paz na 
Antártida. 
(C) revela ser esse o principal objetivo do governo russo ao 
reconstruir estações de pesquisa na Antártida que 
datam do período soviético. 
(D) aponta para o sentido fi gurado desses vocábulos, que 
não devem ser entendidos em sentido literal, como o 
constante dos dicionários. 
(E) justifi ca-se pela sinonímia existente entre paz e 
estabilidade, o que torna impensável a existência de 
uma sem a outra. 
Releia o último período: “O documento afi rma que Moscou 
deve trabalhar com outras nações para preservar a “paz e a 
estabilidade” na Antártida, mas salienta que o país tem de se 
posicionar para tirar vantagem dos recursos naturais caso 
haja um desmembramento 
territorial do continente.” 
 
(Analista – TRE/TO – 2011 – FCC) Há exemplos de palavras ou 
expressões empregadas no texto para retomar outras já 
utilizadas sem repeti-las literalmente, como ocorre em: 
I. o continente gelado – a Antártida II. 
Moscou – a Rússia 
III. a revista Science – o blog Science Insider 
IV. a potência comunista – a União Soviética 
Atende corretamente ao enunciado da questão o que está 
em 
(A) I e III, apenas. (B) I 
e IV, apenas. 
(C) II e III, apenas. 
(D) I, II e IV, apenas. 
(E) I, II, III e IV. 
I e III: “na Antártida na próxima década. Segundo o blog 
Science Insider, da revista Science [o blog é da revista, não 
se pretende retomar um termo já utilizado], um documento do 
governo estabelece uma agenda de prioridades para o 
continente gelado até 2020.”; II: “O documento afi rma que 
Moscou deve trabalhar com outras nações”; IV: “A primeira 
expedição da extinta União Soviética à Antártida aconteceu 
em 1955 e, nas três décadas seguintes, a potência comunista 
construiu sete estações de pesquisa no continente.” 
Atenção: para responder próximas questões, considere o 
texto abaixo. 
1 Esta é uma história da Bossa Nova e dos rapazes e moças 
que a fizeram, quando eles tinham entre quinze e trinta 
anos. É também um livro que se pretende o mais factual e 
objetivo possível. Evidente 
5 que, tendo sido escrito por alguém que vem ouvindo Bossa 
Nova desde que ela ganhou este nome (e que nunca se 
conformou quando o Brasil começou a trocá-la por 
exotismos), uma certa dose de paixão acabou se 
intrometendo na receita − sem interferir, espero, pró ou 
10 contra, na descrição da trajetória de qualquer personagem. 
 Os seres humanos, assim como os LPs, têm lados A e B, 
e houve um esforço máximo para que ambos fossem 
mostrados. 
 Para compor essa história, as informações foram 
15 buscadas em primeira mão, entre os protagonistas, 
coadjuvantes ou fi gurantes de cada evento aqui descrito, 
citados na lista de agradecimentos. Toda informação 
importante foi checada e rechecada com mais de uma 
fonte. A natureza de certas informações torna 
20 impossível que sejam especificadas como “entrevista 
realizada no dia X, na cidade Y, com Fulano de Tal”, 
porque isto seria a quebra de um preceito ético de 
proteção à fonte. No caso de fontes que não se furtaram a 
ser identifi cadas, estas são mencionadas no corpo do 
25 texto. As histórias aqui incluídas levaram em conta apenas a 
importância que tiveram no desenvolvimento ou na 
carreira deste ou daquele artista ou da Bossa Nova em 
conjunto. 
(Ruy Castro, “Introdução e agradecimentos”. Chega de 
saudade: a história e as histórias da Bossa Nova. São Paulo: 
Companhia das Letras, 1990, p. 15) 
(Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) O autor do texto (A) advoga para 
seu relato a condição de “história”, por cumprir o protocolo 
científi co: absoluta fi delidade na descrição dos fatos, 
dados defi nitivos e cabal objetividade. 
(B) emprega simultaneamente história e histórias, o que 
libera a obra do compromisso com o constatável, como o 
ratifi ca o uso das palavras típicas da fi cção personagem, 
protagonistas, coadjuvantes e fi gurantes. (C) explicita a 
perspectiva adotada na produção da obra referindo-se a si 
próprio predominantemente em terceira pessoa, sem 
deixar, entretanto, em dado momento, de assumir 
diretamente sua voz. 
(D) defi ne o foco da pesquisa que deu origem ao livro: a 
reação de pessoas entre quinze e trinta anos diante do 
desenvolvimento da Bossa Nova. 
(E) assume ter pretendido escrever uma história 
apaixonada sobre a Bossa Nova, o que o leva a pedir a 
indulgência do leitor quanto às inadequações 
decorrentes dessa intenção. 
Reveja trecho: “Esta é uma história da Bossa Nova e dos 
rapazes e moças que a fi zeram, quando eles tinham entre 
quinze e trinta anos. É também um livro que se pretende o 
mais factual e objetivo possível. Evidente que, tendo sido 
escrito por alguém [‘a perspectiva adotada na produção da 
obra referindo-se a si próprio predominantemente em terceira 
pessoa’] que vem ouvindo Bossa Nova desde que ela ganhou 
este nome (e que nunca se conformou quando o Brasil 
começou a trocá-la por exotismos), uma certa dose de paixão 
acabou se intrometendo na receita − sem interferir, espero 
[‘sem deixar, entretanto, em dado momento, de assumir 
diretamente sua voz’], pró ou contra, na descrição da trajetória 
de qualquer personagem.” 
 
 
11 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) Compreende-se corretamente do 
texto: 
(A) a caracterização de entrevista (linhas 20 e 21) prepara o 
leitor para a decodifi cação de certas informações que 
são tratadas de modo cifrado no livro. 
(B) as histórias que compõem o livro (linha 25) não 
possuem relevo próprio, merecendo presença na obra 
unicamente por tangenciarem a trajetória da Bossa 
Nova. 
(C) a comparação entre LPs e seres humanos (linha 11) se 
fundamenta no traço comum “caráter bifronte”. 
(D) ao fazer referência a um esforço máximo (linha 12), o 
autor expressa sua concepção de que a volubilidade 
torna os seres humanos indecifráveis. 
(E) ao referir-se a informações em primeira mão (linha 15), 
o autor informa que os eventos que compõem a história 
escrita por ele jamais tinham vindo a público. 
 
A: as informações não serão tratadas de modo cifrado. Trata-
se de um exemplo do que não se pretende fazer: “impossível 
que sejam especifi cadas como ‘entrevista realizada no dia X, 
na cidade Y, com Fulano de Tal’; B: veja trecho: “Evidente 
que, tendo sido escrito por alguém que vem ouvindo BossaNova desde que ela ganhou este nome (...), uma certa dose 
de paixão acabou se intrometendo na receita”; C: é 
exatamente o “caráter bifronte” que se quer mostrar: “Os seres 
humanos, assim como os LPs, têm lados A e B, e houve um 
esforço máximo para que ambos fossem mostrados.”; D: não 
se pode inferir isso; E: apenas sabemos que o autor conseguiu 
as informações diretamente da fonte. “ 
 
(Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) No primeiro parágrafo do texto, 
(A) os parênteses (linhas 6 a 8) acolhem explicação sobre o 
que ocorreu com a Bossa Nova quando o Brasil 
começou a trocá-la por exotismos. 
(B) a frase quando eles tinham entre quinze e trinta anos 
(linhas 2 e 3) delimita o período da concomitância entre 
a vivência dos jovens e o ato de escrita da obra. 
(C) Esta (linha 1) e a (linha 2) são pronomes que se 
antecipam ao elemento a que cada um deles se refere. 
(D) o segmento introduzido pelo travessão (linha 9) 
expressa um julgamento que traz as marcas de uma 
presunção. 
(E) foram empregados com sentido equivalente os 
segmentos uma história da Bossa Nova (linha 1), um 
livro (linha 3) e escrito (linha 5). 
 
A: os parênteses em “alguém que vem ouvindo Bossa Nova 
desde que ela ganhou este nome (e que nunca se conformou 
quando o Brasil começou a trocá-la por exotismos)” expressa 
uma impressão do autor; B: trata-se apenas da idade dos 
jovens e não se trata do ato de escrita da obra: “Esta é uma 
história da Bossa Nova e dos rapazes e moças que a fi zeram, 
quando eles tinham entre quinze e trinta anos.” D: o autor 
deixa clara sua opinião: “− sem interferir, espero, pró ou 
contra, na descrição da trajetória de qualquer personagem”; 
E: “história da Bossa Nova” e “livro” se equivalem, porém 
“escrito” é, nesse contexto, verbo no particípio e não 
substantivo. 
Da timidez 
Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem 
horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se fi cou 
notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afi nal, 
que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se 
fi cou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se 
enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas 
um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele 
sabe. É como no paradoxo psicanalítico: só alguém que se 
acha muito superior procura o analista para tratar um 
complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir 
inferior é doença. 
Todo mundo é tímido, os que parecem mais tímidos são 
apenas os mais salientes. Defendo a tese de que ninguém é 
mais tímido do que o extrovertido. O extrovertido faz 
questão de chamar atenção para sua extroversão, assim 
ninguém descobre sua timidez. Já no notoriamente tímido 
a timidez que usa para disfarçar sua extroversão tem o 
tamanho de um carro alegórico. 
Segundo minha tese, dentro de cada Elke Maravilha* existe 
um tímido tentando se esconder, e dentro de cada tímido 
existe um exibido gritando: “Não me olhem! Não me 
olhem!”, só para chamar a atenção. O tímido nunca tem a 
menor dúvida de que, quando entra numa sala, todas as 
atenções se voltam para ele e para sua timidez espetacular. 
Se cochicham, é sobre ele. Se riem, é dele. Mentalmente, o 
tímido nunca entra num lugar. Explode no lugar, mesmo 
que chegue com a maciez estudada de uma noviça. Para o 
tímido, não apenas todo mundo mas o próprio destino não 
pensa em outra coisa a não ser nele e no que pode fazer 
para embaraçá-lo. 
* Atriz de TV muito extrovertida, identifi cada pela 
maquiagem e roupas extravagantes. (Luís Fernando 
Veríssimo, Comédias para se ler na escola) 
(Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) Na abordagem da timidez, o autor 
se vale de contradições e paradoxos para demonstrar que 
(A) o comportamento dos extrovertidos revela seu desejo 
de serem notados. 
(B) as atitudes de um tímido derivam de seu complexo de 
superioridade. 
(C) a timidez e a extroversão não podem ser claramente 
distinguidas. 
(D) o tímido opõe-se ao extrovertido porque assim 
ninguém o reconhece. 
(E) os extrovertidos são habitualmente reconhecidos como 
tímidos notórios. 
 
A: é o oposto, segundo o autor “O extrovertido faz questão de 
chamar atenção para sua extroversão, assim ninguém 
descobre sua timidez”; B: o autor se refere ao complexo de 
superioridade não como causadores das atitudes do tímido, 
mas para caracterizar aquele que “procura o analista para 
tratar um complexo de inferioridade”; C: o autor, 
divertidamente, confunde as fi guras do tímido e do 
extrovertido; D: segundo o autor, o tímido quer mesmo é ser 
notado, pois “dentro de cada tímido existe um exibido gritando: 
‘Não me olhem! Não me olhem!’, só para chamar a atenção.”; 
 
 
E: o autor não afi rma isso, mas apenas que “Ser um tímido 
notório é uma contradição”. 
 
(Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) Considerando-se o contexto do 
primeiro parágrafo, deduz-se da frase só ele acha que se 
sentir inferior é doença que, na opinião do autor, 
(A) a timidez leva ao complexo de inferioridade. 
(B) o sentimento de inferioridade não é uma anomalia. 
(C) o complexo de inferioridade não tem tratamento. 
(D) o sentimento de inferioridade é próprio dos tímidos. (E) 
a timidez é um disfarce para os muito extrovertidos. 
A frase indica que o sentimento de inferioridade é algo normal, 
a que as pessoas comuns não dão maior importância, pois “só 
alguém que se acha muito superior (...) acha que se sentir 
inferior é doença.” 
(Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) Reconhece-se como em si mesma 
paradoxal a seguinte expressão do texto: 
(A) retumbante timidez. 
(B) Todo mundo é tímido. 
(C) maciez estudada. 
(D) tem horror a ser notado. 
(E) faz questão de chamar atenção. 
O paradoxo é pensamento ou argumento que contraria os 
princípios básicos que costumam orientar o pensamento 
humano, ou desafi a a opinião compartilhada pela maioria. A 
palavra retumbante tem a acepção daquilo que se refl ete com 
estrondo, grande barulho. Esse signifi cado é paradoxal em 
relação à acepção da palavra timidez. 
 
Atenção: as questões seguintes referem-se ao texto abaixo. 
Duas linguagens 
Na minha juventude, tive um grande amigo que era 
estudante de Direito. Ele questionava muito sua vocação 
para os estudos jurídicos, pois também alimentava enorme 
interesse por literatura, sobretudo pela poesia, e não 
achava compatíveis a linguagem de um código penal e a 
frequentada pelos poetas. 
Apesar de reconhecer essa diferença, eu o animava, sem 
muita convicção, lembrando-lhe que grandes escritores 
tinham formação jurídica, e esta não lhes travava o talento 
literário. 
Outro dia reencontrei-o, depois de muitos anos. É juiz de 
direito numa grande comarca, e parece satisfeito com a 
profi ssão. 
Hesitei em lhe perguntar sobre o gosto pela poesia, e ele, 
parecendo adivinhar, confessou que havia publicado alguns 
livros de poemas – “inteiramente despretensiosos”, frisou. 
Ficou de me mandar um exemplar do último, que havia 
lançado recentemente. 
Hoje mesmo recebi o livro, trazido em casa por um amigo 
comum. Os poemas são muito bons; têm uma secura de 
estilo que favorece a expressão depurada de fi nos 
sentimentos. 
Busquei entrever naqueles versos algum traço 
bacharelesco, alguma coisa que lembrasse a linguagem 
processual. Nada. 
Não resisti e telefonei ao meu amigo, perguntando-lhe 
como conseguiu elidir tão completamente sua formação e 
sua vida profi ssional, frequentando um gênero literário 
que costuma impelir ao registro confessional. Sua resposta: 
− Meu caro, a objetividade que tenho de ter para julgar os 
outros comunica-se com a objetividade com que buscotratar minhas paixões. Ser poeta é afi nar palavra justas e 
precisos sentimentos. Justeza e justiça podem ser irmãs. E 
eu que nunca tinha pensado nisso... 
(Ariovaldo Cerqueira, inédito) 
(Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) O argumento em favor da plena 
compatibilidade entre a linguagem da poesia e a das 
práticas jurídicas está formulado na seguinte frase: 
(A) É juiz de direito numa grande comarca, e parece 
satisfeito com a profi ssão. 
(B) Apesar de reconhecer essa diferença, eu o animava, sem 
muita convicção (...) 
(C) (...) têm uma secura de estilo que favorece a expressão 
depurada de fi nos sentimentos. 
(D) (...) conseguiu elidir tão completamente sua formação e 
sua vida profi ssional (...) 
(E) Justeza e justiça podem ser irmãs. 
A: essa frase não faz referência à poesia; B: o autor expõe, 
nessa frase, dúvida quanto à compatibilidade entre as 
linguagens jurídica e poética; C: a frase refere-se aos poemas 
do juiz, sem referência à linguagem jurídica; D: o autor refere-
se à dúvida quanto ao afastamento da infl uência jurídica 
sobre a obra poética (não se refere à compatibilidade entre as 
linguagens, portanto); E: “Justeza” refere-se à poesia, 
enquanto “Justiça” à linguagem jurídica. A fraternidade 
(podem ser irmãs) indica a compatibilidade entre as 
linguagens poética e jurídica. 
 
(Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) Considerando-se o contexto, 
traduz-se corretamente o sentido de um segmento do texto 
em: 
(A) não lhes travava o talento = não ia ao encontro de seu 
potencial. 
(B) “inteiramente despretensiosos”, frisou = “em nada 
intencionais”, aludiu. 
(C) têm uma secura de estilo = manifestam uma 
esterilidade. 
(D) como conseguiu elidir = como logrou obliterar. 
(E) impelir ao registro confessional = demover o plano das 
confi ssões. 
 
A: ir “ao encontro” é harmonizar-se, enquanto ir “de encontro” 
é confrontar. “Travava o talento” tem o sentido de impedir, 
confrontar, ir de encontro (não ao encontro); B: o termo 
“despretensiosos” indica que o autor das poesias procura 
mostrar humildade, o que não signifi ca falta de “intenção”; C: 
“secura de estilo” parece indicar um texto claro, fl uido, sem 
exageros, o que não signifi ca “esterilidade”, ausência de 
criatividade ou de valor literário; D: “elidir” e “obliterar” têm o 
 
 
13 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
mesmo signifi cado, no contexto, de excluir, eliminar; E: 
“impelir ao registro confessional” signifi ca conduzir, sugerir, 
levar o autor a expressar seus sentimentos íntimos, o que é o 
oposto de “demover”, afastar esse ímpeto confessional. 
 
(Analista – TRT/6ª – 2006 – FCC) Penso também nas nadadoras. Elas 
me assustam. Aqueles ombros enormes. 
As três frases acima estão rearticuladas de forma correta e 
coerente no seguinte período: 
(A) Me assustam também, quando penso nas nadadoras, 
cujos os ombros são enormes. 
(B) Por serem de ombros enormes, penso também 
naquelas nadadoras, quando me assusto. 
(C) Assusto-me com aquelas nadadoras, onde os ombros 
são enormes, quando também penso nelas. 
(D) Assustam-me as nadadoras, quando passo a pensar 
nelas, com seus ombros enormes. 
(E) Me assustam ainda os ombros enormes daquelas 
nadadoras, ao pensar neles. 
Observe, inicialmente, os elementos das três frases: 1) o 
sujeito do verbo pensar é desinencial (1ª pessoa do singular – 
“eu”); 2) o objeto do verbo pensar é “nas nadadoras”; 3) o 
sujeito do verbo assustar é “elas” (as nadadoras). A: o sujeito 
do verbo assustar não está claro; B: o autor se assusta 
quando pensa nas nadadoras e nos seus ombros enormes. 
Não é o susto que faz pensar nelas (as nadadoras é que 
causam o susto, não o contrário); C: “onde os ombros são 
enormes” não faz sentido; D: “Assustam-me as nadadoras” – 
o sujeito do verbo assustar é nadadora. O objeto é “me”; 
“quando passo a pensar nelas” – o sujeito de “passo a pensar” 
corresponde à primeira pessoa do singular. Essas relações 
correspondem à informação fornecida pelas frases originais; 
E: “os ombros” não corresponde ao sujeito do verbo assustar. 
(Analista – TRT/6ª – 2006 – FCC) São os subterfúgios ilusórios que 
nos levam a admirar a imagem nossa construída pelos 
outros. 
Uma outra forma clara e correta de se redigir o que 
expressa a frase acima é: 
(A) É a imagem que os outros constroem para nós com 
subterfúgios ilusórios que nos levam a admirar. 
(B) Haja vista dos ilusórios subterfúgios, levam-nos os 
outros a admirar como foi que se construiu a nossa 
imagem. 
(C) Levam-nos a admirar nossa própria imagem, do modo 
como se construiu os subterfúgios ilusórios dos outros. 
(D) Deve-se aos subterfúgios ilusórios que sejamos levados 
à admiração da imagem nossa que os outros 
construíram. 
(E) Tendo os outros construído nossa imagem, são com 
subterfúgios ilusórios que fazem com que lhe sejamos 
levados a admirar. 
Na oração original, o sujeito do verbo levar é o pronome 
relativo que. Esse pronome tem como referente “os 
subterfúgios ilusórios”. O objeto direto do verbo levar é “nos” 
e o objeto indireto é “a admirar a imagem nossa construída 
pelos outros.” 
 
(Analista – TRT/3ª – 2005 – FCC) A frase cuja redação está 
inteiramente clara e correta é: 
(A) A jovem repórter causou alguma incompreensão tão 
logo ao referir-se a um termo que a todos pareceu ter 
um sentido além do que ele pretendia. 
(B) O autor não hesita em concluir que, diante das 
entusiasmadas adesões à utilização da informática e da 
linguagem que lhe corresponde, o computador já faz 
parte do nosso cotidiano. 
(C) Os programadores de computador, que costumam 
serem mais jovens, provavelmente não lhes fica claro 
aquilo que já signifi cou a expressão fazer um programa, 
desde que o sentido fosse outro. 
(D) O autor sublinha com razão que é comum que os mais 
velhos reajam com desassosego, porque, diante do que 
é mais novo, surge-lhes quase sempre como se fosse 
uma ameaça. 
(E) Quando ele diz que dança quem não souber o que é 
BBS, o verbo que o autor lança mão aqui é um termo de 
gíria, ao qual é mais costumeiro na linguagem dos 
jovens. 
 
Seguem orações corrigidas. A: “A jovem repórter causou 
incompreensão ao se referir a um termo que a todos pareceu 
ter um sentido além do que se pretendia.”; B: está clara a 
redação; C: “Não fi ca claro aos programadores de 
computador, normalmente mais jovens, que a expressão fazer 
um programa já teve outro sentido.”; D: “O autor sublinha, com 
razão, que é comum os mais velhos reagirem com 
desassossego, porque, aquilo que é novo, surge quase 
sempre como se fosse uma ameaça.”; E: “Quando ele diz que 
dança quem não souber o que é BBS, o sentido do verbo que 
o autor utiliza (dançar) é informal, trata-se de uma gíria. Seu 
uso é mais costumeiro na linguagem dos jovens.” 
(Analista – TRT/11ª – 2005 – FCC) Está inteiramente clara e correta 
a redação da seguinte frase: 
(A) Segundo a versão ofi cial, as entradas forçosas da polícia 
em escritórios de advocacia não constituem abuso de 
autoridade, uma vez que são determinadas por ordem 
judicial. 
(B) Os escritórios de advogado aonde funcionam sedes de 
empresas, não confi guram um caso de sigilo profi 
ssional, uma vez que se prestam ao exercício de uma 
função estranha à sua fi nalidade. 
(C) Havendo constrangimento do advogado ao informar 
fatos que só dizem respeito aos seus clientes, traindo 
sua confi ança, fi ca impossível exercerem a profi ssão 
que lhes compete. 
(D) A menos que seja previsto como um caso de exercício 
diverso da advocacia, as situações regulares dos 
escritórios de advogados impõem o respeito ao direito 
de sigilo. 
(E)Note-se que na jurisprudência, do âmbito do Supremo 
Tribunal Federal, tem sido resguardado o sigilo na 
apreensão de documentos, entendida como fraglante 
abuso de autoridade. 
Seguem as demais reescritas corretamente. B: “Os escritórios 
de advogado onde funcionam sedes de empresas”; C: 
 
 
“Havendo constrangimento do advogado ao informar fatos que 
só dizem respeito aos seus clientes, traindo a confi ança 
desses, fi ca impossível o exercício da profi ssão que lhes 
compete.”; D: “A menos que sejam previstas como um caso 
de exercício diverso da advocacia, as situações regulares dos 
escritórios de advogados impõem o respeito ao direito de 
sigilo.”; E: “tem sido resguardado o sigilo na apreensão de 
documentos, entendida como fl agrante abuso de autoridade.” 
 
 
 
15 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) A afi rmação feita pelo juiz de que 
a objetividade para julgar alguém comunica-se com a 
objetividade poética na expressão das paixões salienta sua 
convicção de que 
(A) não há distinção visível entre as duas 
atividades. 
(B) um julgamento é permeado pelos puros 
sentimentos. (C) a oposição entre ambas as situações 
reforça-as mutuamente. 
(D) a linguagem confessional serve a ambas as situações. (E) 
a busca de precisão é indispensável nos dois casos. 
A: “comunica-se” indica que há similitude, não identidade (não 
são conceitos idênticos); B: “objetividade para julgar” opõe-se 
à ideia de que o julgamento possa ser permeado, infl 
uenciado, orientado por sentimentos, pela subjetividade; C: a 
afi rmação não indica oposição entre as situações, mas 
similitude; D: a linguagem confessional refere-se à poesia, 
não à atividade jurisdicional; E: essa é a ideia passada pelo 
uso do termo “objetividade”, comum às linguagens poética e 
jurídica. 
 
Televisão e formação 
O aparelho de televisão está na sala, no quarto, na cozinha 
de pelo menos 92% dos lares brasileiros, segundo dados do 
Ibope. Se a criança é educada por essa mídia – já que passa 
diante dela em média três horas e meia diárias –, a melhora 
na qualidade da programação se impõe como uma 
obrigação ética de toda a sociedade. 
Em estudo feito pela Unesco, o tempo que as crianças 
gastam assistindo à televisão é, pelo menos, 50% maior que 
o tempo dedicado a qualquer outra atividade do cotidiano, 
como ler a lição e casa, ajudar a família, brincar, fi car com 
os amigos, ler. A programação transmitida pela TV acaba 
tornando-se um ponto de referência na organização da 
família, está sempre a disposição, sem exigir nada em troca, 
alimentando o imaginário infantil com todo tipo de 
fantasia. 
A pesquisa brasileira sobre infl uência da mídia eletrônica 
na formação da criança e do adolescente está, no entanto, 
bastante focada nas áreas de educação e psicologia, e 
acaba por contribuir muito pouco como elemento de 
interferência direta na qualidade da produção dos 
programas voltados para a criança. A orientação para os 
produtores e programadores de TV vem, em geral, das 
pesquisas de mercado, que medem a aceitação do público. 
No exterior, a pesquisa acadêmica esta mais focada na 
qualidade das produções e se envolve mais diretamente 
com a produção artística. É um exemplo a ser imitado: não 
basta criticar a distância as distorções da relação 
criança/TV; é preciso que os estudiosos aprendam a 
interferir na criação mesmo dos programas, passando, 
assim, a ter responsabilidade direta na qualidade dessa 
mídia onipresente. 
(B) No Brasil, os adultos reconhecem que a força da TV 
junto às crianças é grande, e se empenham de todas as 
formas para melhorar a programação. 
(C) A Unesco está alarmada com o fato e que o imaginário 
infantil está sendo excessivamente estimulado pelas 
fantasias da TV. 
(D) Os estudiosos brasileiros da programação de TV 
destinada à criança ainda não oferecem contribuição 
efetiva para a melhoria desses programas. 
(E) As estatísticas do Ibope comprovam que o tempo da 
criança está-se dividindo cada vez mais em múltiplas 
atividades, entre elas a concentração diante da TV. 
A autora pretende criticar a forma como as pesquisas sobre a 
infl uência da mídia sobre as crianças são conduzidas no 
Brasil, ao anotar que elas estão focadas exclusivamente em 
critérios de mercado. Com isso, deixam de prestar qualquer 
colaboração para a melhora da qualidade da programação 
apresentada. Correta, portanto, a alternativa “D”. As ideias 
expostas nas demais alternativas não podem ser 
corretamente inferidas do texto. 
 
(CEF – Técnico Bancário/Norte e Nordeste – 2004 – FCC) Atente para as 
seguintes afi rmações: 
I. A frase “se impõe como uma obrigação ética de toda a 
sociedade” indica que esse texto assume um caráter 
crítico e opinativo. 
II. No texto, legitima-se e justifi ca-se a preocupação que 
orienta os produtores da programação infantil da TV. 
III. No texto, recusa-se a ideia de que as pesquisas e 
mercado consigam medir o interesse que tem o público 
pelos programas de TV. Está correto o que se afi rma 
somente em 
(A) II e III. 
(B) I. 
(C) II. 
(D) III. 
(E) I e II. 
 
I: correta. O texto pode ser classifi cado como dissertativo-
argumentativo, porque expõe objetivamente uma questão 
relevante (dissertativo), permeado de opiniões e críticas 
pessoais do autor (argumentativo); II: incorreta. Ao contrário, 
o texto faz uma crítica à atuação desses profi ssionais; III: 
incorreta. Na verdade, o texto anota que as pesquisas 
voltadas unicamente à medição da aceitação dos programas 
 
 
pelo público não contribui para a evolução dos programas 
apresentados. 
 
(CEF – Técnico Bancário/Norte e Nordeste – 2004 – FCC) No contexto em 
que surge, a frase “Se a criança é educada por essa mídia” 
deve ser compreendida como: 
(A) a fi m de que a criança seja educada por essa mídia. 
(B) ainda que a criança fosse educada por essa mídia. 
(C) no caso de a criança vir a ser educada por essa mídia. 
(D) quando a criança for educada por essa mídia. 
(E) uma vez que a criança é educada por essa mídia. 
Modalidades como corridas, arremesso de peso, saltos, 
entre outras, eram praticadas para simularem as condições 
dos campos de batalha. Nos tempos modernos, o esporte 
perdeu essa característica para associar-se à melhoria da 
saúde e do físico, socialização, à diversão e, evidentemente, 
ao jogo e à competição. Na sociedade contemporânea, é 
este o aspecto mais marcante: as competições, onde 
centésimos de segundo ou insignifi cantes centímetros 
podem separar a glória do fracasso. 
Essa busca pelo aperfeiçoamento máximo, já presente nas 
primeiras olimpíadas modernas, em 1896, jamais cessou. 
Hoje, equipamentos e treinamentos avançam sobre seus 
limites, usando a tecnologia e a ciência onde o corpo 
humano já alcançou, aparentemente, o auge de seu 
desempenho físico. Os atletas olímpicos são preparados 
para desafi ar as restrições provenientes da gravidade, do 
tempo e da distância. Encontram suporte nas pesquisas 
aplicadas na área da fi siologia e da medicina esportiva, 
bem como no avanço das técnicas de treinamento e dos 
equipamentos. A ciência permite “construir” um atleta 
para ser recordista olímpico, maximizando suas 
potencialidades físicas por meio do profundo 
conhecimento da fi siologia do movimento. E quando o 
homem esportivo chega ao limite, com o corpo humano no 
máximo da sua capacidade, entra em campo a alta 
tecnologia dos equipamentos e dos materiais a seu serviço 
como na corrida espacial, também as olimpíadas servem 
para avaliar os avanços científi cos que acabam por significar um progresso para a sociedade em geral. 
(Vera Toledo Camargo. Ciência e Cultura. Revista da SBPC. São 
Paulo: Imprensa Ofi cial, ano 56, n. 
2, 2004. p. 12) (CEF – Técnico Bancário – 2004 – FCC) Analisando-se a 
evolução dos jogos olímpicos, desde sua origem, na Grécia 
antiga, até os nossos dias, verifi ca-se que eles 
(A) se modifi caram quanto ao esforço exigido dos atletas, 
agora minimizado em razão da tecnologia esportiva. (B) 
conservaram as características primitivas, apenas 
incorporando algumas conquistas da ciência e da 
tecnologia. 
(C) se modifi caram muito no que diz respeito às 
modalidades, mas conservaram a fi nalidade primitiva. 
(D) perderam a agressividade inicial, pois competir foi-se 
tornando mais importante do que vencer. 
(E) perderam a característica de treinamento bélico para 
virem a se tornar disputas de máxima competitividade. 
O texto trata da mudança de fi nalidade dos esportes 
olímpicos, antes usados como treinamento para os campos de 
batalha e hoje ligados ao bem-estar, à saúde e à competição. 
Sobre esse aspecto, a autora comenta o avançado nível 
tecnológico usado na preparação de atletas de alto nível, 
indicando que, se de um lado os jogos perderam sua razão 
bélica, de outro vincularam-se à extrema competitividade. 
 
(CEF – Técnico Bancário – 2004 – FCC) Considerando-se o contexto, 
traduz-se corretamente o sentido de uma expressão do 
texto em: 
(A) restrições provenientes da gravidade = injunções 
atribuídas à gravidade. 
(B) avançam sobre seus limites = vão além do máximo já 
alcançado. 
(C) desdobramento da preparação, para as guerras = 
técnicas aprendidas nos combates. 
(D) simularem as condições = disfarçarem as operações. 
(E) maximizando suas potencialidades = aproveitando-se 
de sua força. 
Correta a alternativa “B”, por ser a única que apresenta uma 
correspondência que mantém a coerência do texto. Nas 
demais, os sinônimos utilizados não refl etem o sentido que as 
expressões foram utilizadas. 
Várias famílias percorrem dez ou mais quilômetros com 
destino à Serra da Cantareira, mais precisamente à Chácara 
SBPC. São Paulo: Imprensa Ofi cial, ano 56, número 1, 2004, pp. 
55_56) 
(CEF – Técnico Bancário/Norte e Nordeste – 2004 – FCC) A questão central 
tratada nesse texto está resumida na seguinte frase: 
(A) Os critérios em que se baseiam os profi ssionais da TV na 
produção de programas infantis refl etem a crescente 
infl uência dos pesquisadores acadêmicos. 
No contexto apresentado, a conjunção “se” tem função causal 
e pode ser substituída sem alteração de sentido por “uma vez 
que”, sendo o trecho iniciado por “a melhora na qualidade...” a 
consequência necessária para dar coerência ao texto. 
 
Ciência e tecnologia nos jogos olímpicos 
Na Grécia antiga, os esportes olímpicos surgiram como 
desdobramento da preparação para as guerras. 
Este Bônus On-line é parte integrante do livro COMO PASSAR EM CONCURSOS FCC 5ª ed. da Editora Foco. Não é 
permitida a sua venda, divulgação e qualquer forma de reprodução. 
(Adaptado de Wanda Jorge. Ciência e Cultura. Revista da 
 
 
17 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
do Frade, com seus dezessete hectares tomados por alface, 
rúcula, pepino, cenoura e dezenas de outras hortaliças. As 
pessoas caminham entre os canteiros, trocam informações 
sobre o plantio, escolhem o que comprar e levam produtos 
fresquinhos, jamais “batizados” por agrotóxicos. 
Cada vez mais hortas instaladas perto da capital estão 
abrindo suas portas aos visitantes. O proprietário, José 
Frade, lucra com a venda direta. O consumidor, por sua vez, 
garante a qualidade do que está comendo. 
Na Europa, isso é muito comum. Desde a Idade Média, 
durante a época da colheita, as plantações dos vilarejos 
vizinhos às cidades se transformam em verdadeiras feiras 
livres. Por aqui, a onda está apenas começando. Num raio 
de cem quilômetros da capital já existem pelo menos nove 
sítios e chácaras que trabalham nesse sistema. 
(CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Considere as seguintes afi 
rmações: 
I. Muitos consumidores das cercanias de São Paulo 
passaram a cultivar hortas domésticas, em que podem 
colher verduras não contaminadas. 
II. Um hábito da Idade Média inspirou várias famílias que, 
morando nas cercanias da Serra da Cantareira, 
resolveram fazer das hortas comunitárias autênticas 
feiras livres. 
III. A venda de hortaliças diretamente do produtor para o 
consumidor traz, para aquele, vantagens fi nanceiras e, 
para este, a garantia de produtos mais saudáveis. Em 
relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afi rma 
em 
(A) I. 
(B) II. 
(C) III. 
(D) I e II. 
(E) II e III. 
I: incorreta. Os consumidores não passaram a produzir as 
próprias hortaliças, mas a deslocar-se para adquiri-las de 
quem o faz; II: incorreta. A passagem da Idade Média é 
contada no texto a título de ilustração. O autor deixa claro que 
o hábito é incipiente no Brasil, em nada se comparando a 
feiras livres; III: correta. 
 
Os velhos das cidadezinhas do interior parecem muito mais 
plenamente velhos que os das metrópoles. Não se trata da 
idade real de uns e outros, que pode até ser a mesma, mas 
dos tempos distintos que eles parecem habitar. Na agitação 
dos grandes centros, até mesmo a velhice parece ainda 
estar integrada na correria; os velhos guardam alguma 
ansiedade no olhar, nos modos, na lentidão afl ita de quem 
se sente fora do compasso. Na calmaria das cidades 
pequeninas, é como se a velhice de cada um reafi rmasse a 
que vem das montanhas e dos horizontes, velhice quase 
eterna, pousada no tempo. 
Vejam-se as roupas dos velhinhos interioranos: aquele 
chapéu de feltro manchado, aquelas largas calças de brim 
cáqui, incontavelmente lavadas, aquele puído dos punhos 
de camisas já sem cor – tudo combina admiravelmente com 
a enorme jaqueira do quintal, com a generosa fi gueira da 
praça, com as teias no campanário da igreja. E os hábitos? 
Pica-se o fumo de corda, lentamente, com um canivete 
herdado do século passado, enquanto a conversa mole se 
desenrola sem pressa e sem destino. 
Na cidade grande, há um quadro que se repete mil vezes ao 
dia, e que talvez já diga tudo: o velhinho, no cruzamento 
perigoso, decide-se, enfi m, a atravessar a avenida, e o faz 
com afl ição, um braço estendido em sinal de pare aos 
motoristas apressados, enquanto amiúda o que pode o 
próprio passo. Parece suplicar ao tempo que diminua seu 
ritmo, que lhe dê a oportunidade de contemplar mais 
demoradamente os ponteiros invisíveis dos dias passados, 
e de sondar com calma, nas nuvens mais altas, o sentido de 
sua própria história. 
Há, pois, velhices e velhices – até que chegue o dia em que 
ninguém mais tenha tempo para de fato envelhecer. Celso 
de Oliveira (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) A frase “Os velhos 
das cidadezinhas do interior parecem muito mais 
plenamente velhos que os das metrópoles” constitui uma 
(A) impressão que o autor sustenta ao longo do texto, por 
meio de comparações. 
(B) impressão passageira, que o autor relativiza ao longo do 
texto. 
(C) falsa hipótese, que a argumentação do autor demolirá. 
(D) previsão feita pelo autor, a partir de observações 
feitas nas grandes e nas pequenas cidades. 
(E) opinião do autor, para quem a velhice é mais opressiva 
nas cidadezinhas que nas metrópoles. 
A comparação entre os velhos do interior e o velho das 
metrópoles é uma opinião que o autor pretende demonstrar 
por meio de exemplos ao longo de todo o texto, sendo a 
velhice, para ele, mais calma e tranquila longe dos grandes 
centros. 
 
(CEF – Técnico Bancário – 2000– FCC) Considere as seguintes afi 
rmações: 
I. Também nas roupas dos velhinhos interioranos as 
marcas do tempo parecem mais antigas. 
 
 
II. Na cidade grande, a velhice parece indiferente à 
agitação geral. 
III. O autor interpreta de modo simbólico o gesto que 
fazem os velhinhos nos cruzamentos. 
Em relação ao texto, está correto o que se afirma 
SOMENTE em 
(A) I. 
(B) II. 
(C) III. 
(D) I e III. 
(E) II e III. 
I: correta. O exemplo das roupas remete à passagem do 
tempo; II: incorreta. O autor anota exatamente o contrário: o 
velho na metrópole sente-se fora de compasso, como se a 
lentidão do seu corpo não combinasse com o ambiente em 
que está inserido; III: correta, por deixar claro que o gesto 
realizado traz uma vontade íntima de também parar o tempo 
para poder contemplar a velhice. 
 
(CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Indique a afirmação 
INCORRETA em relação ao texto. 
(A) Roupas, canivetes, árvores e campanário são aqui 
utilizados como marcas da velhice. 
(B) O autor julga que, nas cidadezinhas interioranas, a vida 
é bem mais longa que nos grandes centros. 
(C) Hábitos como o de picar fumo de corda denotam 
relações com o tempo que já não existem nas 
metrópoles. (D) O que um velhinho da cidade grande 
parece suplicar é que lhe seja concedido um ritmo de 
vida compatível com sua idade. 
(E) O autor sugere que, nas cidadezinhas interioranas, a 
velhice parece harmonizar-se com a própria natureza. 
 
A única alternativa que traz uma conclusão que não pode ser 
inferida do texto é a letra “B”, porque o autor não pretende 
comparar a longevidade das pessoas. Ao contrário, deixa 
claro que as idades podem ser as mesmas, mas ainda assim 
veremos diferenças marcantes entre os velhos da metrópole 
e do campo. 
(CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) O sentido do último parágrafo 
do texto deve ser assim entendido: 
(A) Do jeito que as coisas estão, os velhos parecem não ter 
qualquer importância. 
(B) Tudo leva a crer que os velhos serão cada vez mais 
escassos, dado o atropelo da vida moderna. 
(C) O prestígio do que é novo é tão grande que já ninguém 
repara na existência dos velhos. 
(D) A velhice nas cidadezinhas do interior é tão harmoniosa 
que um dia ninguém mais sentirá o próprio 
envelhecimento. 
(E) No ritmo em que as coisas vão, a própria velhice talvez 
não venha a ter tempo para tomar consciência de si 
mesma. 
O autor defende que a velhice é a fase do descanso, da 
contemplação, da ausência de estresse e correrias. Com o 
avanço das grandes cidades e de seu ritmo alucinado, 
chegará o dia em que ninguém mais poderá aproveitar dessas 
vantagens da terceira idade, tentando manter-se sempre 
jovem mesmo contra as limitações do corpo. 
 
No início do século XX, a afeição pelo campo era uma 
característica comum a muitos ingleses. Já no fi nal do 
século XVIII, dera origem ao sentimento de saudade de casa 
tão característico dos viajantes ingleses no exterior, como 
William Beckford, no leito de seu quarto de hotel português, 
em 1787, “assediado a noite toda por ideias rurais da 
Inglaterra.” À medida que as fábricas se multiplicavam, a 
nostalgia do morador da cidade refl etia-se em seu pequeno 
jardim, nos animais de estimação, nas férias passadas na 
Escócia, ou no Distrito dos Lagos, no gosto pelas fl ores 
silvestres e a observação de pássaros, e no sonho com um 
chalé de fi m de semana no campo. Hoje em dia, ela pode 
ser observada na popularidade que se conserva daqueles 
autores conscientemente “rurais” que, do século XVII ao XX, 
sustentaram o mito de uma arcádia campestre. 
Em alguns ingleses, no historiador G.M. Trevelyan, por 
exemplo, o amor pela natureza selvagem foi muito além 
desses anseios vagamente rurais. Lamentava, em um dos 
seus textos mais eloquentes, de 1931, a destruição da 
Inglaterra rural e proclamava a importância do cenário da 
natureza para a vida espiritual do O fragmento transcrito 
foi retirado do prefácio de um livro, conforme se nota na 
referência bibliográfi ca. Nele, a autora do trecho 
demonstra que homem. Sustentava que até o fi nal do 
século XVIII as obras do homem apenas se somavam às 
belezas da natureza; depois, dizia, tinha sido rápida a 
deterioração. A beleza não mais era produzida pelas 
circunstâncias econômicas comuns e só restava, como 
esperança, a conservação do que ainda não fora destruído. 
Defendia que as terras adquiridas pelo Patrimônio 
Nacional, a maioria completamente inculta, deveriam ser 
mantidas assim. 
Há apenas poucos séculos, a mera ideia de resistir à 
agricultura, ao invés de estimulá-la, pareceria ininteligível. 
Como teria progredido a civilização sem a limpeza das fl 
orestas, o cultivo do solo e a conversão da paisagem agreste 
em terra colonizada pelo homem? A tarefa do homem, nas 
palavras do Gênesis, era “encher a terra e submetê-la”. A 
agricultura estava para a terra como o cozimento para a 
carne crua. Convertia natureza em cultura. Terra não 
cultivada signifi cava homens incultos. E quando os ingleses 
seiscentistas mudaram-se para Massachusetts, parte de 
sua argumentação em defesa da ocupação dos territórios 
indígenas foi que aqueles que por si mesmos não 
submetiam e cultivavam a terra não tinham direito de 
impedir que outros o fi zessem. 
(CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Ao mencionar, no primeiro 
parágrafo do texto, a inclinação dos ingleses pelo espaço 
rural, o autor 
 
 
19 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(A) busca enfatizar o que ocorre no século XX, em que a 
afeição pelo campo lhe parece ser realmente mais 
genuína. 
(B) a caracteriza em diferentes momentos históricos, 
tomando como referência distintas situações em que 
ela se manifesta. 
(C) cita costumes do povo inglês destruídos pela aceleração 
do crescimento das fábricas, causa de sua 
impossibilidade de volta periódica ao campo. 
(D) refere autores que procuraram conscientemente 
manter sua popularidade explorando temas “rurais” 
para mostrar como se criou o mito de um paraíso 
campestre. 
(E) particulariza o espaço estrangeiro visitado pelos 
ingleses – Portugal – para esclarecer o que os indivíduos 
buscavam e não podia ser encontrado na sua pátria. 
 
A proposta do autor é ressaltar a afeição do povo inglês ao 
campo e esclarecer que tal sentimento possui origens antigas. 
Ao longo de sua explanação, ele contextualiza o contato do 
inglês com as terras rurais em diferentes momentos históricos 
e em situações distintas entre si, mas que sempre realçam o 
amor pela natureza e a qualidade de vida fora das cidades. 
 
(CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Leia com atenção as afi 
rmações abaixo sobre o segundo parágrafo do texto. 
I. Em confronto com o primeiro parágrafo, o autor 
apresenta um outro matiz da relação do espírito inglês 
com o espaço rural. 
II. O autor assinala os pontos mais relevantes referidos por 
G.M. Trevelyan para comprovar a ideia universalmente 
aceita de que o contato com a natureza é importante 
para o espírito. 
III. O historiador inglês revela pessimismo, a cujos 
fundamentos ele não faz nenhuma referência no texto. 
São corretas: 
(A) I, somente. 
(B) III, somente. 
(C) I e III, somente. 
(D) II e III, somente. 
(E) I, II e III. 
 
I: correta. Os fatos narrados no primeiro e no segundo 
parágrafos do texto tem características diferentes, mas ambos 
ressaltam a afeição que dois ingleses tinham pela natureza; II: 
incorreta. Os pensamentos de G. M. Trevelyan traduzem a 
preocupação deste em preservar a natureza, impedindo o 
crescimento desenfreado das cidades; III: incorreta. Não hápessimismo na fala do autor, mas nostalgia: a sensação de 
que, no passado, o respeito à natureza vigorava plenamente 
entre os homens. 
 
(CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) As indagações presentes no 
terceiro parágrafo representam, no texto, 
(A) pontos relevantes sobre os quais a humanidade ainda 
não refl etiu. 
(B) perguntas que historiadores faziam às pessoas para 
convencê-las da importância do culto à natureza. 
(C) os pontos mais discutidos quando se falava do 
progresso na Inglaterra, terra da afeição pelo campo. 
(D) questões possivelmente levantadas pelos que 
procurassem entender a razão de muitas pessoas não 
considerarem a agricultura um bem em si. 
(E) aspectos importantes sobre a relação entre a natureza 
e o homem, úteis como argumentos a favor da ideia 
defendida por Trevelyan. 
A pergunta proposta refl ete um provável argumento de um 
defensor da manutenção da agricultura e demais atividades 
rurais quando questionado sobre sua importância se 
comparada ao avanço das cidades. Trata-se da defesa da 
vida campesina, demonstrando que o trabalho desenvolvido é 
essencial para a própria constituição da civilização. 
 
(CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) No último parágrafo do texto, 
o comentário sobre os ingleses seiscentistas foi feito como 
(A) denúncia dos falsos argumentos utilizados por aqueles 
que ocupam territórios indígenas. 
(B) exemplo do caráter pioneiro dos ingleses na tarefa de 
colonização do território americano. 
(C) maneira de evidenciar a árdua tarefa dos que 
acreditavam na força da agricultura para o progresso da 
civilização. 
(D) confi rmação de que terras incultas são entraves que, 
há séculos, subtraem ao homem o direito de progredir. 
(E) comprovação de que, há poucos séculos, o cultivo da 
terra era entendido como sinônimo de civilização. 
 
A colonização de Massachusetts teve como argumento para 
avançar sobre as terras indígenas, segundo o autor, 
justamente o fato destes não utilizarem-na para o cultivo de 
alimentos, demonstrando que, para os ingleses, a agricultura 
era uma atividade essencial para a constituição de uma nação 
civilizada e, sem ela, os homens que ali habitavam só 
poderiam ser vistos como selvagens. 
 
(CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Assinale a afi rmação 
INCORRETA. 
 
 
(A) Infere-se do texto que as palavras do Gênesis foram 
entendidas por muitos como estímulo a derrubar 
matas, lavrar o solo, eliminar predadores, matar insetos 
nocivos, arrancar parasitas, drenar pântanos. 
(B) O paralelo estabelecido entre o cultivo da terra e o 
cozimento dos alimentos é feito para se pôr em 
evidência a ação do homem sobre a natureza. 
(C) O texto mostra que o amor pela natureza selvagem está 
na base da relação que se estabelece entre cultivo da 
terra e civilização. 
(D) O texto mostra que o amor à natureza selvagem, 
considerado como barbárie, permitiu que certos povos 
se dessem o direito de apoderar-se dela. 
(E) O Gênesis foi citado no texto porque o crédito dado às 
palavras bíblicas explicaria o desejo humano de 
transformar a natureza selvagem pensando no bem-
estar do homem. 
A única alternativa que não apresenta conclusão validamente 
inferida do texto é a letra “C”. Com efeito, o amor à natureza 
selvagem foi usado, na verdade, como argumento para a 
manutenção de espaços naturais intocados, com vistas a 
impedir o avanço desmedido das cidades. 
Será a felicidade necessária? 
Felicidade é uma palavra pesada. Alegria é leve, mas 
felicidade é pesada. Diante da pergunta “Você é feliz?”, dois 
fardos são lançados às costas do inquirido. O primeiro é 
procurar uma defi nição para felicidade, o que equivale a 
rastrear uma escala que pode ir da simples satisfação de 
gozar de boa saúde até a conquista da bem-aventurança. O 
segundo é examinar-se, em busca de uma resposta. 
Nesse processo, depara-se com armadilhas. Caso se tenha 
ganhado um aumento no emprego no dia anterior, o mundo 
parecerá belo e justo; caso se esteja com dor de dente, 
parecerá feio e perverso. Mas a dor de dente vai passar, 
assim como a euforia pelo aumento de salário, e se há algo 
imprescindível, na difícil conceituação de felicidade, é o 
caráter de permanência. Uma resposta consequente exige 
colocar na balança a experiência passada, o estado 
presente e a expectativa futura. Dá trabalho, e a conclusão 
pode não ser clara. 
Os pais de hoje costumam dizer que importante é que os fi 
lhos sejam felizes. É uma tendência que se impôs ao infl uxo 
das teses libertárias dos anos 1960. É irrelevante que 
entrem na faculdade, que ganhem muito ou pouco dinheiro, 
que sejam bem-sucedidos na profi ssão. O que espero, eis a 
resposta correta, é que sejam felizes. Ora, felicidade é coisa 
grandiosa. É esperar, no mínimo, que o fi lho sinta prazer 
nas pequenas coisas da vida. Se não for sufi ciente, que 
consiga cumprir todos os desejos e ambições que venha a 
abrigar. Se ainda for pouco, que atinja o enlevo místico dos 
santos. Não dá para preencher caderno de encargos mais 
cruel para a pobre criança. 
(Trecho do artigo de Roberto Pompeu de Toledo. Veja. 24 
de março de 2010, p. 142) 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) De acordo com o texto, 
(A) a realização pessoal que geralmente faz parte da vida 
humana, como o sucesso no trabalho, costuma ser 
percebida como sinal de plena felicidade. 
(B) as atribuições sofridas podem comprometer o 
sentimento de felicidade, pois superam os benefícios de 
conquistas eventuais. 
(C) o sentimento de felicidade é relativo, porque pode vir 
atrelado a circunstâncias diversas da vida, ao mesmo 
tempo que deve apresentar constância. 
(D) as condições da vida moderna tornam quase impossível 
a alguma pessoa sentir-se feliz, devido às roti-neiras 
situações da vida. 
(E) muitos pais se mostram despreparados para fazer com 
que seus fi lhos planejem sua vida no sentido de que 
sejam, realmente, pessoas felizes. 
 
O autor expressa a difi culdade de se defi nir a felicidade e de 
se alcançá-la de forma plena, considerando que as diferentes 
sensações experimentadas pelas pessoas implicam em 
momentos felizes ou tristes, com grande variação. Porém, a 
permanência da alegria é imprescindível para se falar em 
felicidade. 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) A afi rmativa correta, em relação 
ao texto, é: 
(A) A expectativa de muitos, ao colocarem a felicidade 
acima de quaisquer outras situações da vida diária, leva 
à frustração diante dos pequenos sucessos que são 
regularmente obtidos, como, por exemplo, no 
emprego. 
(B) Sentir-se alegre por haver conquistado algo pode signifi 
car a mais completa felicidade, se houver uma 
determinação, aprendida desde a infância, de sentir-se 
feliz com as pequenas coisas da vida. 
(C) As difi culdades que em geral são encontradas na rotina 
diária levam à percepção de que a alegria é um 
sentimento muitas vezes superior àquilo que se supõe, 
habitualmente, tratar-se de felicidade absoluta. (D) A 
possibilidade de que mais pessoas venham a sentir-se 
felizes decorre de uma educação voltada para a 
simplicidade de vida, sem esperar grandes realizações, 
que acabam levando apenas a frustrações. 
(E) Uma resposta provável à questão colocada como título 
do texto remete à constatação de que felicidade é um 
estado difícil de ser alcançado, a partir da própria 
complexidade de conceituação daquilo que se acredita 
ser a felicidade. 
 
Valem aqui os mesmos comentários dispostos para a questão 
anterior, indicando a impossibilidade de se vincular o conceito 
de felicidade ou infelicidade a apenas um ou outro 
acontecimentorespectivamente bom ou ruim. Conclui-se, 
então, que a busca pela felicidade como entidade plena mais 
atrapalha do que ajuda, diante da difi culdade até mesmo de 
 
 
21 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
defi ni-la basicamente. Não é fácil procurar por uma coisa que 
não sabemos exatamente como é. 
 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) O que espero, eis a resposta correta, 
é que sejam felizes. Ora, felicidade é coisa grandiosa. (3º 
parágrafo) 
Com a palavra grifada, o autor 
(A) retoma o mesmo sentido do que foi anteriormente afi 
rmado. 
(B) exprime reserva em relação à opinião exposta na afi 
rmativa anterior. 
(C) coloca uma alternativa possível para a afi rmativa feita 
anteriormente. 
(D) determina uma situação em que se realiza a 
probabilidade antes considerada. 
(E) estabelece algumas condições necessárias para a 
efetivação do que se afi rma. 
No contexto, “ora” tem função de interjeição, demonstrando 
uma sensação de dúvida, de reserva sobre o que se afi rmou 
anteriormente. 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) Nos pares de frases abaixo, é 
correto afi rmar que o sentido expresso na frase I está 
sendo retomado com outras palavras na frase II APENAS 
em: 
(A) I. O primeiro [fardo] é procurar uma defi nição para 
felicidade... 
II. ...que importante é que os fi lhos sejam 
felizes. 
(B) I. O segundo [fardo] é examinar-se, em busca de uma 
resposta. 
II. O que espero, eis a resposta correta, é que 
sejam felizes. 
(C) I. Nesse processo, depara-se com armadilhas. 
II. ...colocar na balança a experiência passada... 
(D) I. ... até a conquista da bem-aventurança. 
II. Se ainda for pouco, que atinja o enlevo 
místico dos santos. 
(E) I. ... felicidade é coisa grandiosa. 
II. ...que o fi lho sinta prazer nas pequenas coisas 
da vida. 
O único par de expressões que se relacionam corretamente é 
o trazido pela alternativa “D”. “Bem-aventurança” é um termo 
religioso, utilizado para defi nir cada etapa do processo de 
elevação do espírito e a prática dos ensinamentos do messias. 
O alcance pleno das bem-aventuranças é típico dos homens 
tidos por santos. 
Desde o início da evolução humana, buscamos formas 
alternativas para o nosso desenvolvimento, seja por meio 
da fala, de ferramentas ou de associações para superar 
barreiras. Nos últimos tempos, nos acostumamos à 
expressão Tecnologia Social, sem compreender exatamente 
o que isso signifi ca. 
Para a Fundação Banco do Brasil, o conceito de Tecnologia 
Social percorre as experiências desenvolvidas nas 
comunidades urbanas e rurais, nos movimentos sociais, nos 
centros de pesquisa e nas universidades − que podem 
produzir métodos, técnicas ou produtos que contribuam 
para a inclusão e a transformação social, em particular 
quando desenvolvidas em um processo no qual se soma e 
se compartilha o conhecimento científi co com o saber 
popular. 
Muitas experiências foram desenvolvidas no Brasil, nos 
últimos anos, tendo como perspectiva a construção do 
desenvolvimento local, com sustentabilidade. Nesse 
processo, o objetivo é, ao mesmo tempo, dinamizar as 
potencialidades locais e desbloquear aqueles entraves que 
impedem esse potencial de se realizar. Grupos e 
comunidades organizadas, ou em organização, presentes 
em todo o país, buscam levar adiante projetos de geração 
de trabalho e renda nas mais diversas realidades, seja no 
campo, seja nas pequenas, médias e grandes cidades. 
Nos povoados com características do mundo rural, esses 
projetos aparecem em atividades tradicionais que vão do 
artesanato, casas de farinha, criação de galinha caipira, 
produção de rapadura ou de cachaça até às atividades mais 
novas da apicultura, piscicultura, fruticultura. Nas grandes 
cidades, na reciclagem, nos espaços de inclusão digital e nas 
rádios comunitárias, entre outras atividades, milhares de 
pessoas desenvolvem empreendimentos econômicos e 
solidários, dos quais muitos contam com a parceria da 
Fundação Banco do Brasil. 
(Adaptado de artigo de Jacques de Oliveira Pena. http://www. 
fbb.org.br/portal/pages/publico/expandir.fbb?cod Conteudo- 
Log=8577, acessado em 15 de janeiro de 2011) 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) O texto afi rma que (A) as áreas 
rurais, por suas características, têm recebido maior número 
de propostas direcionadas para seu desenvolvimento. 
(B) projetos de desenvolvimento urbano são em número 
reduzido por serem essas áreas já consideradas em 
desenvolvimento. 
(C) as atividades artesanais que se baseiam no saber 
popular nem sempre geram emprego e renda na 
quantidade necessária para as comunidades carentes. 
(D) as atividades econômicas, cujo objetivo está no auxílio 
a comunidades carentes, devem estar vinculadas a 
instituições fi nanceiras. 
 
 
(E) projetos de geração de trabalho e renda surgem em 
todo o país, de acordo com as características e 
necessidades do lugar onde são desenvolvidos. 
O texto afi rma que os investimentos devem ser realizados 
igualmente na área urbana e na área rural, porque ambas são 
potencialmente geradoras de desenvolvimento, guardando, 
cada uma, suas próprias características. 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) A afi rmativa correta, segundo o 
texto, é: 
(A) A organização de grupos voltados para melhorias das 
atividades econômicas esbarra na ausência de 
formação de seus componentes. 
(B) O 2º parágrafo explica claramente o signifi cado da 
expressão Tecnologia Social e seu papel no 
desenvolvimento sustentável de comunidades. 
(C) É difícil determinar, com clareza, quais formas 
alternativas seriam necessárias para o desenvolvimento 
de comunidades. 
(D) A indefi nição sobre o que seja conhecimento científi co 
ou saber popular torna difícil a aplicação de um ou de 
outro nas comunidades mais pobres. 
(E) Nem sempre as experiências programadas para 
determinados lugares apresentam resultados 
satisfatórios, devido à resistência contra inovações no 
modo de vida local. 
 
Correta a alternativa “B”, visto que o parágrafo esclarece 
completamente o conceito de “tecnologia social”, que é o 
fundamento das ações da fundação tratada no texto. As 
demais alternativas apresentam conclusões que não podem 
ser extraídas dos relatos apresentados, por não guardarem 
com eles a necessária correspondência lógica. 
 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) ...que impedem esse potencial de 
se realizar. (3º parágrafo) 
A expressão grifada acima retoma, considerando-se o 
contexto, o sentido de 
(A) busca de formas alternativas. (1º parágrafo) 
(B) compartilhamento do saber científi co. (2º parágrafo) 
(C) conceito de Tecnologia Social. (2º parágrafo) 
(D) construção do desenvolvimento local. (3º parágrafo) (E) 
espaço de inclusão digital. (4º parágrafo) 
“Esse” é pronome demonstrativo que, exercendo função 
anafórica, retoma, no contexto, o termo “construção do 
desenvolvimento local”. 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) Nesse processo, o objetivo é, ao 
mesmo tempo, dinamizar as potencialidades locais e 
desbloquear aqueles entraves que impedem esse potencial 
de se realizar. (3º parágrafo) 
Os dois segmentos grifados acima podem ser substituídos, 
mantendo-se o mesmo sentido, na ordem, por: 
(A) reduzir -equacionar os problemas 
(B) incentivar -afastar os obstáculos 
(C) desconsiderar -libertar os fatores 
(D) diversifi car -identifi car os empecilhos 
(E) valorizar -perceber as difi culdades 
“Dinamizar” é sinônimo de “incentivar”, “acelerar”; 
“desbloquear” remete a “afastar”, “retirar”; “entrave” é 
equivalente a “obstáculos”, “empecilhos”. Correta, portanto, a 
alternativa “B”, que anota os sinônimos corretos para as duasexpressões destacadas. 
Madrugada na aldeia 
Madrugada na aldeia nervosa, com as 
glicínias escorrendo orvalho, os fi gos 
prateados de orvalho, as uvas 
multiplicadas em orvalho, as últimas uvas 
miraculosas. O silêncio está sentado pelos 
corredores, encostado às paredes grossas, 
de sentinela. 
E em cada quarto os cobertores peludos envolvem o 
sono: 
poderosos animais benfazejos, encarnados e negros. 
Antes que um sol luarento dissolva as frias vidraças, e 
o calor da cozinha perfume a casa com lembrança das 
árvores ardendo, a velhinha do leite de cabra desce 
as pedras da rua antiquíssima, antiquíssima, e o 
pescador oferece aos recém-acordados os 
translúcidos peixes, que ainda se movem, procurando 
o rio. 
(Cecília Meireles. Mar absoluto, in Poesia completa. Rio 
de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p.311) 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) Considere as afirmativas seguintes: 
I. O assunto do poema refl ete simplicidade de vida, 
coerentemente com o título. 
II. Predominam nos versos elementos descritivos da 
realidade. 
III. Há no poema clara oposição entre o frio silencioso da 
madrugada e o sol que surge e traz o calor do dia. Está 
correto o que consta em 
(A) I, II e III. 
(B) I, apenas. 
(C) III, apenas. 
(D) II e III, apenas. 
(E) I e II, apenas. 
I: correto. O poema trata das coisas simples da vida no campo; 
II: correto. O texto é eminentemente descritivo; III: incorreta. 
Tal oposição não está clara, mas implícita, sendo inferida a 
leitura do poema. 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) O verso com lembrança das árvores 
ardendo remete 
(A) ao ambiente natural existente em toda a aldeia. (B) à 
queima da lenha no fogão da casa. 
(C) ao costumeiro hábito de atear fogo às fl orestas. 
 
 
23 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(D) ao nascer do sol, que aquece as frias vidraças. (E) à 
colheita de frutas, no quintal da casa. 
A “lembrança das árvores” é o que restou delas, ou seja, seus 
troncos e galhos que, uma vez cortados, servem de lenha para 
o fogão da cozinha. 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) A afi rmativa INCORRETA, 
considerando-se o que dizem os versos, é: 
(A) As cabras e os peixes são considerados animais 
benfazejos, por constituírem a base da alimentação dos 
moradores. 
(B) A velhinha e o pescador oferecem seus produtos ainda 
bastante cedo aos moradores, recém-acordados. 
(C) O silêncio que impera durante a madrugada pode ser 
visto como guardião do sono das pessoas aconchegadas 
em suas camas. 
(D) O último verso deixa evidente o fato de que o pescador 
trazia peixes que havia acabado de pescar. 
(E) A repetição da palavra orvalho acentua a sensação de 
frio e de umidade característicos de uma madrugada de 
inverno. 
 
Todas as conclusões estão corretas, com exceção da 
alternativa “A”. “Animais benfazejos” é expressão utilizada em 
sentido conotativo (fi gurado) para representar os cobertores 
que protegem as pessoas do frio, em referência às peles dos 
animais das quais são feitos. 
 
A multiplicação de desastres naturais vitimando populações 
inteiras é inquietante: tsunamis, terremotos, secas e 
inundações devastadoras, destruição da camada de ozônio, 
degelo das calotas polares, aumento dos oceanos, 
aquecimento do planeta, envenenamento de mananciais, 
desmatamentos, ocupação irresponsável do solo, 
impermeabilização abusiva nas grandes cidades. Alguns 
desses fenômenos não estão diretamente vinculados à 
conduta humana. Outros, porém, são uma consequência 
direta de nossas maneiras de sentir, pensar e agir. É aqui 
que avulta o exemplo de Hans Jonas. 
Em 1979 ele publicou O Princípio Responsabilidade. A obra 
mostra que as éticas tradicionais – antropocêntricas e 
baseadas numa concepção instrumental da tecnologia – 
não estavam à altura das consequências danosas do 
progresso tecnológico sobre as condições de vida humana 
na Terra e o futuro das novas gerações. Jonas propõe uma 
ética para a civilização tecnológica, capaz de reconhecer 
para a natureza um direito próprio. O fi lósofo detectou a 
propensão de nossa civilização para degenerar de maneira 
desmesurada, em virtude das forças econômicas e de outra 
índole que aceleram o curso do desenvolvimento 
tecnológico, subtraindo o processo de nosso controle. 
Tudo se passa como se a aquisição de novas competências 
tecnológicas gerasse uma compulsão a seu aproveitamento 
industrial, de modo que a sobrevivência de nossas 
sociedades depende da atualização do potencial 
tecnológico, sendo as tecnociências suas principais forças 
produtivas. Funcionando de modo autônomo, essa 
dinâmica tende a se reproduzir coercitivamente e a se impor 
como único meio de resolução dos problemas sociais 
surgidos na esteira do desenvolvimento. O paradoxo 
consiste em que o progresso converte o sonho de felicidade 
em pesadelo apocalíptico – profecia macabra que tem hoje 
a fi gura da catástrofe ecológica. [...] Jonas percebeu o 
simples: para que um “basta” derradeiro não seja imposto 
pela catástrofe, é preciso uma nova conscientização, que 
não advém do saber ofi cial nem da conduta privada, mas 
de um novo sentimento coletivo de responsabilidade e 
temor. Tornar-se inventivo no medo, não só reagir com a 
esperteza de “poupar a galinha dos ovos de ouro”, mas 
ensaiar novos estilos de vida, comprometidos com o futuro 
das próximas gerações. 
(Adaptado de Oswaldo Giacoia Junior. O Estado de S. Paulo,A2 
Espaço Aberto, 3 de abril de 2010) 
(BB – Escriturário – 2010 – FCC) A conclusão do texto propõe, em 
outras palavras, 
(A) o respeito aos inúmeros benefícios oferecidos às 
condições de vida moderna pelos avançados recursos 
decorrentes da tecnologia. 
(B) uma atitude comunitária voltada para a prevenção e 
disposta a alterações no modo de vida na Terra para 
evitar a ocorrência de catástrofes ecológicas. 
(C) procedimentos conjuntos entre órgãos ofi ciais e a 
sociedade civil como solução para a correta aplicação 
dos avanços tecnológicos. 
(D) uma preocupação mais ampla com o emprego da 
tecnologia em algumas áreas do conhecimento 
humano, para evitar os atuais abusos. 
(E) uma visão otimista centrada na resolução dos 
problemas oriundos do progresso tecnológico, por 
serem eles relativamente simples. 
 
Parafraseando o autor, ele conclui que a sociedade deve 
alterar suas concepções sobre a prioridade do avanço 
tecnológico no contexto da preservação ambiental. As 
ideologias então vigentes acabarão por causar desastres 
ecológicos cada vez maiores se não forem substituídas por 
uma nova percepção coletiva da importância do meio 
ambiente seguida de alterações signifi cativas no nosso modo 
 
 
de vida de forma a garantir o bem-estar das gerações 
vindouras. 
 
(BB – Escriturário – 2010 – FCC) O paradoxo assinalado no 4º 
parágrafo se estabelece entre 
(A) o desenvolvimento pleno da tecnologia e as infi nitas 
possibilidades de seu uso na melhoria das condições de 
vida no planeta. 
(B) o destemor diante do progresso tecnológico e a 
valorização de suas aplicações na vida humana. 
(C) a ocorrência natural dos fenômenos climáticos 
habituais e a responsabilidade humana determinante 
para seu agravamento. 
(D) os direitos humanos apoiados no uso benéfi co da 
tecnologia e as exigências impostas pela natureza, 
como seu próprio direito. 
(E) a confi ança irrestrita nos avanços tecnológicos como 
solução dos problemas do homem e a tendência para a 
destruição do ambiente natural. 
 
“Paradoxo” é sinônimo de “contradição”, a ocorrência de um 
resultado diferente daquele deduzido pelas regras da lógica. 
Segundo o autor, o ser humano depositou todas a sua confi 
ançano fato de que o avanço tecnológico resolveria os 
problemas da humanidade, porém, (paradoxalmente) ao 
mesmo tempo que ele traz soluções, poderá implicar a 
extinção da raça humana por conta das consequentes 
catástrofes naturais. 
 
(BB – Escriturário – 2010 – FCC) antropocêntricas e baseadas numa 
concepção instrumental da tecnologia – (3º parágrafo) O 
sentido da afi rmativa acima está corretamente 
reproduzido, com outras palavras, em: 
(A) voltadas para o homem e fundamentadas na tecnologia 
como meio de atingir determinados fi ns. 
(B) preocupadas com a relação entre homem e natureza, 
atualmente imposta pela tecnologia. 
(C) determinadas pelo homem e expostas às comodidades 
trazidas a todos pelo progresso tecnológico. 
(D) direcionadas para o bem-estar da humanidade e 
determinadas pelos avanços tecnológicos. 
(E) centralizadas nos avanços tecnológicos, mas 
preocupadas com a vida humana na Terra. 
“Antropocêntrico” é aquilo que coloca o homem (“antropo”) 
como a medida mais importante a ser considerada, o centro 
do raciocínio; “concepção instrumental” signifi ca usar a 
tecnologia como instrumento, como ferramenta para atingir 
determinados objetivos. 
 
(BB – Escriturário – 2010 – FCC) Considerando-se a organização do 
texto, a afi rmativa INCORRETA é: 
(A) O autor toma como base os diversos desastres naturais 
que vêm ocorrendo em todo o planeta para discutir 
aspectos ligados à questão ambiental. 
(B) A retomada das ideias do fi lósofo Hans Jonas constitui 
a base da argumentação necessária para que o autor do 
texto fundamente suas próprias ideias. 
(C) O título da obra O Princípio Responsabilidade remete à 
necessária tomada de consciência dos homens sobre os 
abusos que vêm cometendo contra o meio ambiente. 
(D) A relação de catástrofes ambientais apresentada no 1° 
parágrafo tem por objetivo demonstrar a 
impossibilidade de deter o progresso tecnológico, cujos 
avanços são os principais causadores desses desastres. 
(E) Todo o texto se desenvolve a partir da constatação de 
que o modo de vida atual, voltado para o uso abusivo 
da tecnologia, leva o planeta a uma catástrofe 
ecológica. 
 
Todas as conclusões podem ser corretamente inferidas do 
texto, exceto a constante na alternativa “D”. O autor não reputa 
impossível prosseguir com o avanço tecnológico, apenas 
sugere, baseado na doutrina de Hans Jonas, que ele seja 
buscado respeitando-se o meio ambiente, valendo um como o 
contrapeso do outro, para que não sejamos vítimas de 
catástrofes naturais cada vez mais violentas. 
 
(BB – Escriturário – 2010 – FCC) A ideia central do texto está 
explicitada em: 
(A) Impotência da natureza contra os abusos decorrentes 
da tecnologia. 
(B) Proposição de uma nova ética para a civilização 
tecnológica. 
(C) Aceitação das inevitáveis consequências do atual 
progresso tecnológico. 
(D) Uso limitado dos recursos tecnológicos na vida 
moderna. 
(E) Práticas abusivas contra o meio ambiente, apesar das 
tecnociências. 
 
Ideia central do texto é o argumento principal que o autor quer 
transmitir. É o objeto fundamental da argumentação, do qual 
todos os demais dados, citações e alegações são 
circunstâncias. No caso, o ponto central do texto é ressaltar 
que a humanidade precisa adotar uma nova postura ética 
frente ao avanço da tecnologia, diante dos riscos crescentes 
de calamidades naturais suportados pela civilização. 
(BB – Escriturário – 2010 – FCC) Identifi ca-se noção de causa no 
segmento: 
(A) ... sobre as condições de vida humana na Terra e o 
futuro das novas gerações. 
(B) ... capaz de reconhecer para a natureza um direito 
próprio. 
(C) ... em virtude das forças econômicas e de outra índole 
... 
 
 
25 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(D) ... para que um “basta” derradeiro não seja imposto 
pela catástrofe ... 
(E) ... comprometidos com o futuro das próximas gerações. 
Causa é o fato que, se não ocorrer, não ocorrerá também o 
resultado. Dentre os excertos do texto apresentados, o único 
que traz uma causa é “em virtude das forças econômicas e de 
outra índole”, cujo resultado é a degeneração “de maneira 
desmesurada” do meio ambiente. Para o autor, não havendo 
essas forças, não teríamos degradado tão amplamente os 
recursos naturais. 
 
“O folhetim é frutinha de nosso tempo”, disse Machado de 
Assis numa de suas deliciosas crônicas. E volta ao assunto 
na crônica seguinte. 
“O folhetinista é originário da França [...] De lá espalhou-se 
pelo mundo, ou pelo menos por onde maiores proporções 
tomava o grande veículo do espírito moderno; falo do 
jornal.” E Machado tenta “defi nir a nova entidade 
literária”, procura esmiuçar a “organização do novo 
animal”. Mas dessa nova entidade só vai circunscrever a 
variedade que se aproxima do que hoje chamaríamos 
crônica. E como na verdade a palavra folhetim designa 
muitas coisas, e, efetivamente, nasceu na França, há que ir 
ver o que o termo recobre lá na matriz. De início, ou seja, 
começos do século XIX, “le feuilleton”designa um lugar 
preciso do jornal: “o rez-de-chaussée” - rés-do-chão, rodapé 
-, geralmente o da primeira página. Tinha uma fi nalidade 
precisa: era um espaço vazio destinado ao entretenimento. 
E pode-se já antecipar, dizendo que tudo o que haverá de 
constituir a matéria e o modo da crônica à brasileira já é, 
desde a origem, a vocação primeira desse espaço geográfi 
co do jornal, deliberadamente frívolo, oferecido como 
chamariz aos leitores afugentados pela modorra cinza a 
que obrigava a forte censura napoleônica. (“Se eu soltasse 
as rédeas da imprensa”, explicava Napoleão ao célebre 
Fouché, seu chefe de polícia, “não fi caria três meses no 
poder.”) 
(MEYER, Marlyse, Folhetim: uma história. 2 ed. São Paulo: 
Companhia das Letras, 2005, p. 57) 
(BB – Escriturário – 2006 – FCC) No fragmento acima, (A) nota-se 
que o autor, reconhecendo a autoridade de Machado de 
Assis, acata sua observação explícita de que os 
fundamentos do folhetim devem ser pesquisados na 
própria cultura francesa. 
(B) fi ca evidente que Machado de Assis, nas crônicas 
citadas, trata de assunto relevante - o jornal de sua 
época -, comparando sua organização à estrutura 
original do grande veículo de comunicação de massa 
francês. 
(C) Machado de Assis é citado porque as crônicas desse 
escritor brasileiro constituem o tema central do texto, 
especialmente o caráter recorrente de seus assuntos. 
(D) o autor vale-se das palavras de Machado de Assis para 
introduzir o assunto que pretende desenvolver, 
ressaltando a necessidade de ampliar a perspectiva 
assumida pelo cronista no texto citado. 
(E) está claro que Machado de Assis revela entusiasmo pelo 
jornal e procura defi nir o que seria “o artigo de fundo” 
do novo meio de comunicação de seu tempo. 
O texto trata do folhetim, uma forma de publicação de textos, 
geralmente em forma de crônicas. Machado de Assis tratou 
do folhetim em uma de suas crônicas, por isso é citado na 
introdução, valendo-se o autor do renome do escritor para 
atrair a atenção do leitor. Não obstante, o texto em análise vai 
além, reconhecendo que o termo “folhetim” pode assumir 
diversos signifi cados, anota que seu estudo deve partir de 
uma percepção histórica, mais abrangente do que aquela 
proposta por Machado de Assis. 
 
Em todo o continente americano, a colonização europeia 
teve efeito devastador. Atingidos pelas armas, e mais ainda 
pelas epidemias e por políticas de sujeição e transformação 
que afetavam os mínimos aspectos de suas vidas, os povos 
indígenas trataram de criar sentido em meio à devastação. 
Nas primeiras décadas do século XVII, índios norte-americanos comparavam a uma demolição aquilo que os 
missionários jesuítas viam como “transformação de suas 
vidas pagãs e bárbaras em uma vida civilizada e cristã.” 
(Relações dos jesuítas da Nova França, 1636). No México, 
os índios comparavam seu mundo revirado a uma rede 
esgarçada pela invasão espanhola. A denúncia da violência 
da colonização, sabemos, é contemporânea da destruição, 
e tem em Las Casas seu representante mais famoso. 
Posterior, e mais recente, foi a tentativa, por parte de 
alguns historiadores, de abandonar uma visão eurocêntrica 
da “conquista” da América, dedicando-se a retraçá-la a 
partir do ponto de vista dos “vencidos”, enquanto outros 
continuaram a reconstituir histórias da instalação de 
sociedades europeias em solo americano. Antropólogos, 
por sua vez, buscaram nos documentos produzidos no 
período colonial informações sobre os mundos indígenas 
demolidos pela colonização. 
A colonização do imaginário não busca nem uma coisa nem 
outra. 
(Adaptado de PERRONE-MOISÉS, Beatriz, Prefácio à edição 
brasileira de GRUZINSKI, Serge, A colonização do imaginário: 
sociedades indígenas e ocidentalização no México espanhol 
(séculos XVI-XVIII). 
 
 
(BB – Escriturário – 2006 – FCC) A autora cita as comparações feitas 
pelos indígenas norte-americanos e mexicanos 
(A) como recurso para comprovar que a ruína dos povos 
indígenas tinha sido provocada pela ação das armas dos 
colonizadores espanhóis. 
(B) para benefi ciar-se, na argumentação, de pontos de 
vista divergentes sobre o mesmo processo de 
colonização. 
(C) como recurso para mostrar como a colonização 
europeia agiu de forma distinta em relação a povos 
distintos. 
(D) como exemplifi cação da tentativa dos indígenas de 
compreender o que lhes acontecera pela presença dos 
colonizadores. 
(E) para evidenciar que, em épocas distintas, os nativos só 
poderiam conceber de modo diverso as aproximações 
entre a sua cultura e a do colonizador. 
As citações pretendem demonstrar que, a despeito de 
ocorrerem em momentos e com povos diferentes, as 
colonizações impuseram aos povos originários dos territórios 
explorados uma completa desestruturação de seus costumes 
e de seu povo, obrigando-os a tentar entender as razões e os 
resultados das interferências a que se viam submetidos. 
(BB – Escriturário – 2006 – FCC) Considerado corretamente o 3° 
parágrafo, o segmento grifado em A colonização do 
imaginário não busca nem uma coisa nem outra deve ser 
assim entendido: 
(A) não tenta investigar nem o eurocentrismo, como o faria 
um historiador, nem a presença das sociedades 
europeias em solo americano, como o faria um 
antropólogo. 
(B) não quer reconstituir nada do que ocorreu em solo 
americano, visto que recentemente certos 
historiadores, ao contrário de outros, tentam contar a 
história do descobrimento da América do modo como 
foi visto pelos nativos. 
(C) não pretende retraçar nenhum perfi l - dos vencidos ou 
dos vencedores - nem a trajetória dos europeus na 
conquista da América. 
(D) não busca continuar a tradição de pesquisar a estrutura 
dos mundos indígenas e do mundo europeu, nem 
mesmo o universo dos colonizadores da América. 
(E) não se concentra nem na construção de uma sociedade 
europeia na colônia - quer observada do ponto de vista 
do colonizador, quer do ponto de vista dos nativos -, 
nem no resgate dos mundos indígenas. 
 
O segmento grifado destaca que aquilo que se chama de 
“colonização do imaginário” está estruturado no estudo da 
colonização sob um ponto de vista diferente, que se afasta 
tanto daqueles usados pelos historiadores (a óptica dos 
vencidos ou dos europeus) quanto dos escolhidos pelos 
antropólogos (a compreensão das sociedades indígenas 
através dos documentos da época). 
 
(BB – Escriturário – 2006 – FCC) Considere mais especifi camente o 
segmento em que são citadas as comparações 
estabelecidas pelos dois grupos indígenas e analise as afi 
rmações que seguem. 
I. As expressões que estabelecem o paralelismo 
efetuado pelos índios norte-americanos são “uma 
demolição” e “aquilo”, que remete ao que aconteceu à 
população indígena no processo de aculturação a que 
foram submetidos. 
II. A expressão “uma rede esgarçada” é imagem adotada 
pelos índios mexicanos para expressar os vazios de seu 
tecido social, do qual se retiraram traços signifi cativos. 
III. “demolição” e “transformação de suas vidas pagãs e 
bárbaras em uma vida civilizada e cristã” expressam o 
mesmo efeito que o processo de colonização traz para 
diferentes povos. É correto o que se afi rma APENAS 
em 
(A) I. 
(B) II. 
(C) I e II. 
(D) II e III. 
(E) I e III. 
I: correta. Tais expressões indicam a comparação realizada 
pelos índios ao tentar entender o processo de colonização; II: 
correta. A imagem de uma rede esgarçada, ou seja, da qual 
foram retiradas fi bras do tecido e, portanto, este fi cou frouxo 
e inelástico, transmite exatamente a noção que os índios 
tiveram da colonização pela extirpação de seus costumes 
milenares; III: incorreta. As expressões denotam os efeitos 
opostos que a colonização trouxe aos povos nativos: para 
estes, uma destruição; para os colonizadores, a 
transformação dos selvagens em pessoas civilizadas. 
O exercício da memória, seu exercício mais intenso e mais 
contundente, é indissociável da presença dos velhos entre 
nós. Quando ainda não contidos pelo estigma de 
improdutivos, quando por isso ainda não constrangidos 
pela impaciência, pelos sorrisos incolores, pela cortesia 
inautêntica, pelos cuidados geriátricos impessoais, pelo 
isolamento, quando então ainda não calados, dedicam-se 
os velhos, cheios de espontaneidade, à cerimônia da 
evocação, evocação solene do que mais impressionou suas 
retinas tão fatigadas, enquanto seus interesses e suas mãos 
laborosas participavam da norma e também do mistério de 
uma cultura. 
(GONÇALVES FILHO, José Moura, “Olhar e memória”. IN: O olhar. 
NOVAES, Adauto (org.). 10a reimpressão. São Paulo: Companhia 
das Letras, 2003, p. 97) 
(BB – Escriturário – 2006 – FCC) No fragmento acima, o autor 
considera que 
(A) a memória é exercício restrito aos velhos, cuja presença 
entre os mais jovens é bastante intensa. 
(B) improdutivos é termo que, denotando “o que já 
produziu”, expressa o reconhecimento do valor dos que 
concluíram sua fecunda ação na sociedade. 
 
 
27 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(C) a impaciência e a descortesia são atributos legítimos 
dos mais velhos, que já participaram da construção da 
cultura de seu país. 
(D) o silêncio dos velhos é uma marca salutar dos que 
espontaneamente resolveram dedicar-se ao culto do 
passado. 
(E) o resgate a que se consagram os velhos das experiências 
que mais os comoveram no passado é uma verdadeira 
celebração. 
O texto destaca a importância dos velhos na manutenção da 
memória da sociedade, diante de suas diversas experiências. 
Apesar de passarem a ser tachados de improdutivos e por isso 
serem tratados com impaciência e descortesia, enquanto não 
reduzidos pelo tratamento adverso dos mais jovens tendem a 
fazer do resgate das memórias uma cerimônia, uma 
celebração. 
 
(BB – Escriturário – 2006 – FCC) Observe atentamente os 
segmentos ainda não contidos pelo estigma de 
improdutivos e ainda não constrangidos pela impaciência. 
No contexto, eles 
(A) expressam ideias que estão unicamente justapostas, 
sem nenhuma outra relação entre elas. 
(B) expressam, respectivamente, uma causa e uma 
consequência. 
(C) estão em relação de alternância. 
(D) expressam dois desejos, por isso estão associados como 
se estivessem unidos pela conjunçãoe. (E) expressam 
comparação entre dois fatos. 
Os trechos expressam uma causa (a estigmatização dos 
velhos como improdutivos) e uma consequência (o 
constrangimento dos velhos pela impaciência com que são 
tratados), tanto que são ligados no texto por uma locução 
adverbial causal (“por isso”). 
(CEF – Técnico Bancário/Norte e Nordeste – 2004 – FCC) Transformando-
se para a voz passiva a frase As pesquisas de mercado vêm 
medindo a aceitação do público, a forma verbal resultante 
será: 
(A) Vem sendo medida. 
(B) é medida. 
(C) têm medido. 
(D) estará sendo medida. 
(E) mediu-se. 
A transposição correta para a voz passiva seria: “A aceitação 
do público vem sendo medida pelas pesquisas de mercado”. 
(CEF – Técnico Bancário/Norte e Nordeste – 2004 – FCC) Está clara, 
coerente e correta a redação da frase: 
(A) Quando houver real participação dos pesquisadores na 
programação infantil, é possível que a qualidade dos 
programas atinja um nível bastante aceitável. 
(B) A mídia eletrônica, com sua onipresença, é necessário 
ter sua qualidade controlada, sobretudo quando diz 
respeito a programação dirigida às crianças. 
(C) Tem muita força o que as pesquisas de mercado infl 
uem na programação infantil, ocupando assim o lugar 
das preocupações verdadeiramente educacionais. 
(D) Não obstante os especialistas em educação se 
preocupam com a qualidade da programação infantil, fi 
cam à distância, praticamente sem interferir-lhe. 
(E) É com a responsabilidade da participação direta que os 
pesquisadores se poderão sentir envolvidos com o nível 
em que desejam melhorar os programas infantis. 
 
Todas as alternativas apresentam graves problemas de 
redação: falta de clareza e coerência, não se podendo 
entender seu sentido, concordância e regência verbal e 
nominal, entre outros. A única integralmente correta é a letra 
“A”, que respeita o padrão culto da língua e as melhores 
técnicas de redação. 
(CEF – Técnico Bancário/Norte e Nordeste – 2004 – FCC) É preciso que os 
estudiosos aprendam a interferir na criação mesma dos 
programas, passando, assim, a ter responsabilidade direta 
na qualidade dessa mídia onipresente. 
Caso se construa o período acima, iniciando-o com a frase 
“Os estudiosos passariam a ter responsabilidade direta na 
qualidade dessa mídia onipresente”, uma frase que o 
conclua de forma coerente será 
(A) para que aprendessem a interferir na qualidade mesma 
dos programas. 
(B) caso seja preciso aprender a interferir na criação 
mesma dos programas. 
(C) Uma vez que aprendessem a deixar de interferir na 
criação mesma dos programas. 
(D) Se aprendessem a interferir na criação mesma dos 
programas. 
(E) A menos que aprendessem a interferir na qualidade 
mesma dos programas. 
O futuro do pretérito do indicativo, tempo verbal em que se 
encontra o vocábulo “passariam”, tem valor de condicional. 
Assim, em consagração à coerência, a oração subordinada 
que completa a proposição deve também ter natureza 
condicional. A preposição “se” indica essa função na 
alternativa “D”, que, além disso, está construída corretamente. 
(CEF – Técnico Bancário – 2004 – FCC) 
I. Os gregos antigos criaram as olimpíadas. 
II. As olimpíadas ganharam força nos tempos modernos. 
 
 
III. Nos tempos modernos, a tecnologia é uma aliada dos 
atletas. 
Essas afi rmações articulam-se de modo correto e coerente 
no período: 
(A) Nos tempos modernos as olimpíadas ganharam força, 
apesar de criarem os gregos antigos, e agora a 
tecnologia aliou-se aos atletas. 
(B) Ganharam força as olimpíadas criadas pelos gregos 
antigos nos tempos modernos, porque com a 
tecnologia atual os atletas têm uma aliada. 
(C) Uma vez criadas pelos gregos antigos, as olimpíadas 
ainda assim ganharam força nos tempos modernos, 
onde uma aliada de seus atletas é a tecnologia. 
(D) As olimpíadas, criadas pelos gregos antigos, ganharam 
força nos tempos modernos, quando a tecnologia veio 
a ser uma aliada dos atletas. 
(E) Criadas pelos antigos gregos, as olimpíadas nos tempos 
modernos ganharam força, ainda que sendo a 
tecnologia uma aliada dos atletas. 
A única construção correta e coerente é a alternativa “D”. As 
demais não fazem sentido ou apresentam incorreções 
gramaticais. 
(CEF – Técnico Bancário – 2004 – FCC) Transpondo-se para a voz 
ativa a frase “Os atletas olímpicos são preparados”, a forma 
verbal resultante será 
(A) estão sendo preparados. 
(B) preparou-se. 
(C) prepararam-se. (D) preparam. 
(E) têm preparado. 
A voz ativa correta é formada da seguinte forma: “Preparam 
os atletas olímpicos”. 
(CEF – Técnico Bancário – 2004 – FCC) Está clara e correta a redação 
da frase: 
(A) Já se fala em “construir” um atleta, a tal ponto chegou 
a otimisação que passou a representar para o atleta o 
auxílio das ciências, bem como da tecnologia. 
(B) Nas olimpíadas modernas, a diferença entre o sucesso 
e o fracasso pode estar em pequenas frações de tempo 
ou de espaço, em razão da alta competitividade. 
(C) As diversas modalidades esportivas eram competidas 
na Grécia antiga tais e quais se fossem movimentos dos 
guerreiros praticados nos combates. 
(D) Hoje é muito mais competitivo nas olimpíadas do que 
costumavam ser, a tendência é se explorar todos os 
limites humanos, contando ainda com a tecnologia. 
(E) Não há nada de mal em que a ciência interfi ra nos 
esportes, desde que preserve-se a saúde dos atletas e 
não se esqueça os aspectos da socialização. 
A: incorreta. Há problemas de coerência e ortografi a 
(otimização); B: correta; C: incorreta. A construção correta 
seria “tal e qual fossem”; D: incorreta. Há problemas de 
coerência; E: incorreta. O pronome refl exivo “se” deveria 
estar anteposto ao verbo “preservar” e o verbo “esquecer” 
deveria estar no plural. 
É grave o quadro atual do ensino superior. A greve de 
professores paralisa boa parte das universidades federais. 
As universidades públicas estão amargando uma espécie de 
êxodo de seus melhores profi ssionais. Têm cada vez menos 
condições de competir com os salários pagos pelas 
instituições privadas. 
(CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Indique o período que resume, 
de forma clara e exata, as informações do texto, e que não 
apresenta incorreção gramatical alguma. 
(A) Devido a pagarem mal os professores, estão havendo 
greves nas universidades federais, em que os melhores 
profi ssionais procuram as instituições privadas. 
(B) Os professores do ensino superior oficial estão fazendo 
greve, ou mesmo êxodo para as particulares, já que seus 
salários não são competitivos. 
(C) Como os salários que pagam estão cada vez mais baixos, 
as universidades públicas estão sofrendo greves e o 
êxodo de seus melhores professores. 
(D) As universidades particulares atraem os professores das 
ofi ciais, em virtude dos salários que pagam, e que 
chegam a provocarem greves. 
(E) Há êxodo ou greve dos professores das universidades 
federais para as particulares, onde os salários as tornam 
muito mais competitivas. 
 
A: incorreta. Além da falta de clareza, a locução verbal “estão 
havendo” deveria estar no singular (“está havendo”); B: 
incorreta. Há vício gramatical e falta de clareza em “ou mesmo 
êxodo para as particulares”; C: correta; D: incorreta. A parte fi 
nal não faz sentido (“e que chegam a provocarem greves”); E: 
incorreta, por não reproduzir as ideias do texto (porque êxodo 
e greve têm razões diferentes). 
 
No início do século XX, a afeição pelo campo era uma 
característica comum a muitos ingleses. Já no fi nal do 
século XVIII, dera origem ao sentimentode saudade de casa 
tão característico dos viajantes ingleses no exterior, como 
William Beckford, no leito de seu quarto de hotel português, 
em 1787, “assediado a noite toda por ideias rurais da 
Inglaterra.” À medida que as fábricas se multiplicavam, a 
nostalgia do morador da cidade refl etia-se em seu pequeno 
jardim, nos animais de estimação, nas férias passadas na 
Escócia, ou no Distrito dos Lagos, no gosto pelas fl ores 
silvestres e a observação de pássaros, e no sonho com um 
chalé de fi m de semana no campo. Hoje em dia, ela pode 
ser observada na popularidade que se conserva daqueles 
autores conscientemente “rurais” que, do século XVII ao XX, 
sustentaram o mito de uma arcádia campestre. 
Em alguns ingleses, no historiador G.M. Trevelyan, por 
exemplo, o amor pela natureza selvagem foi muito além 
desses anseios vagamente rurais. Lamentava, em um dos 
seus textos mais eloquentes, de 1931, a destruição da 
Inglaterra rural e proclamava a importância do cenário da 
natureza para a vida espiritual do homem. Sustentava que 
até o fi nal do século XVIII as obras do homem apenas se 
 
 
29 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
somavam às belezas da natureza; depois, dizia, tinha sido 
rápida a deterioração. A beleza não mais era produzida 
pelas circunstâncias econômicas comuns e só restava, como 
esperança, a conservação do que ainda não fora destruído. 
Defendia que as terras adquiridas pelo Patrimônio 
Nacional, a maioria completamente inculta, deveriam ser 
mantidas assim. 
Há apenas poucos séculos, a mera ideia de resistir à 
agricultura, ao invés de estimulá-la, pareceria ininteligível. 
Como teria progredido a civilização sem a limpeza das fl 
orestas, o cultivo do solo e a conversão da paisagem agreste 
em terra colonizada pelo homem? A tarefa do homem, nas 
palavras do Gênesis, era “encher a terra e submetê-la”. A 
agricultura estava para a terra como o cozimento para a 
carne crua. Convertia natureza em cultura. Terra não 
cultivada signifi cava homens incultos. E quando os ingleses 
seiscentistas mudaram-se para Massachusetts, parte de 
sua argumentação em defesa da ocupação dos territórios 
indígenas foi que aqueles que por si mesmos não 
submetiam e cultivavam a terra não tinham direito de 
impedir que outros o fi zessem. 
(CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Leia com atenção as frases que 
se seguem. 
I. Iniciou-se a luta pela conservação da natureza ainda 
não deteriorada pelo homem. 
II. Durante séculos a atividade humana complementou as 
belezas naturais. 
III. Chegou o tempo em que a atividade humana começou 
a degradar as belezas naturais. 
Assinale a alternativa em que as frases acima estão em 
correta relação lógica, de acordo com o texto. 
(A) Chegou o tempo em que a atividade humana começou 
a degradar as belezas naturais, mesmo tendo 
acontecido de, antes, complementá-las, logo que se 
iniciou a luta pela conservação da natureza ainda não 
deteriorada pelo homem. 
(B) Iniciou-se a luta pela conservação da natureza ainda 
não deteriorada pelo homem, quando ocorreu o tempo 
de a atividade humana começar a degradar 
as belezas naturais, visto que, durante séculos, a 
atividade humana complementou as belezas naturais. (C) 
Assim que chegou o tempo de a atividade humana começar 
a degradar as belezas naturais, iniciou-se a luta pela 
conservação da natureza ainda não deteriorada pelo 
homem, à proporção que, durante séculos, a atividade 
humana complementou as belezas naturais. (D) Iniciou-se a 
luta pela conservação da natureza ainda não deteriorada 
pelo homem, embora a atividade humana tivesse, durante 
séculos, complementado as belezas naturais, quando 
chegou o tempo de degradá- 
-las. 
(E) Apesar de, durante séculos, a atividade humana ter 
complementado as belezas naturais, chegou o tempo 
em que ela começou a degradá-las, por isso iniciou-se a 
luta pela conservação da natureza ainda não 
deteriorada pelo homem. 
Com exceção da letra “E”, todas as alternativas apresentam 
redações com falhas em sua estrutura lógica pela utilização 
equivocada das conjunções, tornando-as sem sentido. 
Será a felicidade necessária? 
Felicidade é uma palavra pesada. Alegria é leve, mas 
felicidade é pesada. Diante da pergunta “Você é feliz?”, dois 
fardos são lançados às costas do inquirido. O primeiro é 
procurar uma defi nição para felicidade, o que equivale a 
rastrear uma escala que pode ir da simples satisfação de 
gozar de boa saúde até a conquista da bem-aventurança. O 
segundo é examinar-se, em busca de uma resposta. 
Nesse processo, depara-se com armadilhas. Caso se tenha 
ganhado um aumento no emprego no dia anterior, o mundo 
parecerá belo e justo; caso se esteja com dor de dente, 
parecerá feio e perverso. Mas a dor de dente vai passar, 
assim como a euforia pelo aumento de salário, e se há algo 
imprescindível, na difícil conceituação de felicidade, é o 
caráter de permanência. Uma resposta consequente exige 
colocar na balança a experiência passada, o estado 
presente e a expectativa futura. Dá trabalho, e a conclusão 
pode não ser clara. 
Os pais de hoje costumam dizer que importante é que os fi 
lhos sejam felizes. É uma tendência que se impôs ao infl uxo 
das teses libertárias dos anos 1960. É irrelevante que 
entrem na faculdade, que ganhem muito ou pouco dinheiro, 
que sejam bem-sucedidos na profi ssão. O que espero, eis a 
resposta correta, é que sejam felizes. Ora, felicidade é coisa 
grandiosa. É esperar, no mínimo, que o fi lho sinta prazer 
nas pequenas coisas da vida. Se não for sufi ciente, que 
consiga cumprir todos os desejos e ambições que venha a 
abrigar. Se ainda for pouco, que atinja o enlevo místico dos 
santos. Não dá para preencher caderno de encargos mais 
cruel para a pobre criança. 
(Trecho do artigo de Roberto Pompeu de Toledo. Veja. 24 
de março de 2010, p. 142) 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) O segmento cujo sentido original 
está reproduzido com outras palavras é: 
(A) dois fardos são lançados às costas do inquirido = sérios 
embates se apresentam à questão. 
(B) a rastrear uma escala = a estabelecer um novo 
caminho. 
 
 
(C) depara-se com armadilhas = as interferências são 
enormes. 
(D) assim como a euforia pelo aumento de salário = tendo 
em vista um pagamento maior. 
(E) ao infl uxo das teses libertárias = sob a infl uência das 
ideias em defesa da liberdade. 
 
A: incorreta. “Fardo” é usado no sentido de “peso”, “difi 
culdade”; B: incorreta. “Escala” é usada no sentido de 
“hierarquia”; C: incorreta. Por “armadilhas” devemos entender 
“obstáculos”; D: incorreta. Apesar de equivalente, a 
substituição proposta alteraria o sentido do texto; E: correta. 
 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) Considere as alterações feitas nos 
segmentos abaixo grifados. 
I. Dá trabalho, e a conclusão pode não ser clara. Dá 
trabalho, e a conclusão não pode ser clara. 
II. Nesse processo, depara-se com armadilhas. Depara-se 
com armadilhas nesse processo. 
III. Não dá para preencher caderno de encargos mais cruel 
para a pobre criança. Não dá para preencher caderno 
de encargos mais cruel para a criança pobre. Com as 
modifi cações feitas na 2ª frase, altera-se o sentido do 
que foi afi rmado na 1ª frase em 
(A) II, apenas. 
(B) III, apenas. 
(C) I e II, apenas. 
(D) I e III, apenas. 
(E) I, II e III. 
I: o sentido é alterado. “Pode não ser clara” indica a 
possibilidade de não se chegar a uma conclusão defi nida, 
enquanto “não pode ser clara” impõe a certeza de que não se 
chegará a uma conclusão determinada; II: não há alteração 
no sentido, porque deslocamos apenas a locução adverbial 
para seu lugar naordem direta; III: há o sentido é alterado. A 
posição do adjetivo opera uma mudança semântica na 
expressão. “Pobre criança” é o infanto que em situação que 
gera piedade, ao passo que “criança pobre” é aquela em 
situação fi nanceira desfavorável. 
 
A média universal do Índice de Desenvolvimento Humano 
aumentou 18% desde 1990. Mas a melhora estatística está 
longe de animar os autores do Relatório de 2010. Eles 
argumentam que, embora os números refl itam avanços em 
determinadas áreas, o mundo continua a conviver com 
problemas graves, que exigem uma nova perspectiva 
política. 
O cenário apresentado pelo Relatório não é animador. O 
documento adverte que, nestes 20 anos, parte dos países 
enfrentou sérios problemas, sobretudo na saúde, anulando 
em alguns anos os ganhos de várias décadas. Além disso, o 
crescimento econômico tem sido desigual. Os padrões de 
produção e consumo atuais são considerados inadequados. 
Embora não queira apresentar receitas prontas, o Relatório 
traça caminhos possíveis. Entre eles, o reconhecimento da 
ação pública na regulação da economia para proteger 
grupos mais vulneráveis. Outro aspecto ressaltado é a 
necessidade de considerar pobreza, crescimento e 
desigualdade como temas interligados. “Crescimento 
rápido não deve ser o único objetivo político, porque ignora 
a distribuição do rendimento e negligencia a 
sustentabilidade do crescimento”, informa o texto. 
Um aspecto importante revelado pelo Relatório é que 
muitas das ações para melhoria da saúde e da educação 
não necessitam de grande investimento fi nanceiro. Isso 
está mais presente sobretudo onde os indicadores são ruins. 
“Numa primeira etapa, medidas simples como inclusão do 
soro caseiro e lavagem das mãos já trazem impacto 
relevante”, avalia Flávio Comim, economista do Programa 
das Nações Unidas para o Desenvolvimento. 
(Adaptado de Lígia Formenti. O Estado de S. Paulo, A30 
Vida, 5 de novembro de 2010) 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) De acordo com o texto, o Relatório 
de 2010 
(A) aponta vários problemas de saúde da população 
mundial, com as medidas a serem adotadas para 
resolvê-los. 
(B) deixa de lado a avaliação das causas do crescimento 
econômico desigual, que ocorre no mundo todo. 
(C) mostra preocupação com a persistência de problemas 
no mundo, apesar da constatação de alguns avanços, 
desde 1990. 
(D) assinala algumas divergências, entre os autores do 
documento, em relação às conclusões possíveis a partir 
de seus dados. 
(E) reconhece a importância da intervenção da ação 
pública no controle permanente da economia. 
O relatório de que trata o texto, apesar de apontar um aumento 
geral na média mundial do Índice de Desenvolvimento 
Humano, que mede a qualidade de vida em cada país, grande 
parte dos problemas enfrentados permanecem, indicando 
ainda alguns caminhos possíveis para a solução gradual 
dessas vicissitudes. Dentre eles, a intervenção pública apenas 
em áreas mais sensíveis e de forma pontual. 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) O texto informa claramente que 
(A) muitas ações voltadas para a melhoria das condições de 
vida em situação precária se valem de expedientes 
bastante simples, como a adoção de hábitos de higiene. 
(B) alguns dados estatísticos sobre desenvolvimento 
humano vêm melhorando desde 1990, realçando os 
indiscutíveis avanços em todo o mundo. 
(C) os atuais índices encontrados a respeito de 
desenvolvimento humano demonstram que os 
problemas mais sérios já estão solucionados. 
(D) os grandes investimentos fi nanceiros necessários para 
a solução de problemas mundiais, como as crises 
econômicas, ainda não têm sido sufi cientes. 
 
 
31 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(E) os ganhos em crescimento econômico, cujos resultados 
foram comprovados pelo recente Relatório, foram 
bastante expressivos nas últimas décadas. 
 
A única informação que consta expressamente no texto é a 
letra “A”, como se lê no último parágrafo. As demais não 
podem ser inferidas dos fatos descritos pelo autor, não 
guardando com eles qualquer correspondência lógica. 
 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) Analise: 
(1) Atendendo à solicitação contida no expediente acima 
referido, vimos encaminhar a V. Sa. as informações 
referentes ao andamento dos serviços sob 
responsabilidade deste setor. 
(2) Esclarecemos que estão sendo tomadas todas as 
medidas necessárias para o cumprimento dos prazos 
estipulados e o atingimento das metas estabelecidas. A 
redação do documento acima indica tratar-se 
(A) do encaminhamento de uma ata. (B) 
do início de um requerimento. 
(C) de trecho do corpo de um ofício. 
(D) da introdução de um relatório. 
(E) do fecho de um memorando. 
 
Considerando que o texto indica a existência de um 
documento anterior, que estaria em epígrafe, solicitando o 
encaminhamento de informações sobre serviços e as medidas 
que vêm sendo tomadas em certo caso, notadamente 
estamos falando de um ofício, que foi redigido em resposta a 
outro anteriormente recebido. 
 
(BB – Escriturário – 2010 – FCC) A respeito dos padrões de redação 
de um ofício, é INCORRETO afi rmar que: 
(A) Deve conter o número do expediente, seguido da sigla 
do órgão que o expede. 
(B) Deve conter, no início, com alinhamento à direita, o 
local de onde é expedido e a data em que foi assinado. 
(C) Deverá constar, resumidamente, o teor do assunto do 
documento. 
(D) O texto deve ser redigido em linguagem clara e direta, 
respeitando-se a formalidade que deve haver nos 
expedientes ofi ciais. 
(E) O fecho deverá caracterizar-se pela polidez, como por 
exemplo: Agradeço a V. Sa. a atenção dispensada. 
Nos termos do Manual de Redação Ofi cial da Presidência da 
República, o fecho do ofício deve limitar-se a 
“Respeitosamente”, quando dirigido a autoridades superiores, 
ou “Atenciosamente”, quando destinado a autoridades de 
mesma hierarquia ou inferiores. 
“O folhetim é frutinha de nosso tempo”, disse Machado de 
Assis numa de suas deliciosas crônicas. E volta ao assunto 
na crônica seguinte. 
“O folhetinista é originário da França [...] De lá espalhou-se 
pelo mundo, ou pelo menos por onde maiores proporções 
tomava o grande veículo do espírito moderno; falo do 
jornal.” E Machado tenta “defi nir a nova entidade 
literária”, procura esmiuçar a “organização do novo 
animal”. Mas dessa nova entidade só vai circunscrever a 
variedade que se aproxima do que hoje chamaríamos 
crônica. E como na verdade a palavra folhetim designa 
muitas coisas, e, efetivamente, nasceu na França, há que ir 
ver o que o termo recobre lá na matriz. De início, ou seja, 
começos do século XIX, “le feuilleton” designa um lugar 
preciso do jornal: “o rez-de-chaussée” - rés-do-chão, rodapé 
-, geralmente o da primeira página. Tinha uma finalidade 
precisa: era um espaço vazio destinado ao entretenimento. 
E pode-se já antecipar, dizendo que tudo o que haverá de 
constituir a matéria e o modo da crônica à brasileira já é, 
desde a origem, a vocação primeira desse espaço geográfi 
co do jornal, deliberadamente frívolo, oferecido como 
chamariz aos leitores afugentados pela modorra cinza a 
que obrigava a forte censura napoleônica. (“Se eu soltasse 
as rédeas da imprensa”, explicava Napoleão ao célebre 
Fouché, seu chefe de polícia, “não fi caria três meses no 
poder.”) 
(MEYER, Marlyse, Folhetim: uma história. 2 ed. São Paulo: 
Companhia das Letras, 2005, p. 57) 
(BB – Escriturário – 2006 – FCC) De lá [o folhetinista] espalhou-se 
pelo mundo, ou pelo menos por onde maiores proporções 
tomava o grande veículo do espírito moderno. 
Uma nova redação para a frase acima, que não prejudica o 
sentido originale está em conformidade com o padrão 
culto, é: 
(A) Sendo espalhado [o folhetinista] de lá para o mundo, ou 
a considerar minimamente onde o grande veículo do 
espírito moderno tomava maiores proporções. 
(B) O grande veículo do espírito moderno ganhava boa 
importância pelo mundo e de lá [o folhetinista] estava 
se espalhando, pelo menos por esses certos lugares. 
(C) [O folhetinista] Espalhou-se, de lá, pelo mundo todo, 
ou, quando menos, pelos lugares onde o grande veículo 
do espírito moderno adquiria mais força. 
(D) Salvo os lugares que o grande veículo do espírito 
moderno ganhou terreno, [o folhetinista] chegou a se 
espalhar, de lá, pelo mundo. 
(E) De lá não para o mundo todo, talvez, mas os espaços 
cobertos pelo grande veículo do espírito moderno, 
nestes [o folhetinista] se espalhou. 
As alternativas apresentam, todas, vícios de coerência, não 
guardando sentido com a expressão original. A única exceção 
 
 
é a alternativa “C”, que deve ser assinalada, por parafrasear 
correta e coerentemente o trecho do enunciado. 
Em todo o continente americano, a colonização europeia 
teve efeito devastador. Atingidos pelas armas, e mais ainda 
pelas epidemias e por políticas de sujeição e transformação 
que afetavam os mínimos aspectos de suas vidas, os povos 
indígenas trataram de criar sentido em meio à devastação. 
Nas primeiras décadas do século XVII, índios norte-
americanos comparavam a uma demolição aquilo que os 
missionários jesuítas viam como “transformação de suas 
vidas pagãs e bárbaras em uma vida civilizada e cristã.” 
(Relações dos jesuítas da Nova França, 1636). No México, 
os índios comparavam seu mundo revirado a uma rede 
esgarçada pela invasão espanhola. A denúncia da violência 
da colonização, sabemos, é contemporânea da destruição, 
e tem em Las Casas seu representante mais famoso. 
Posterior, e mais recente, foi a tentativa, por parte de 
alguns historiadores, de abandonar uma visão eurocêntrica 
da “conquista” da América, dedicando-se a retraçá-la a 
partir do ponto de vista dos “vencidos”, enquanto outros 
continuaram a reconstituir histórias da instalação de 
sociedades europeias em solo americano. Antropólogos, 
por sua vez, buscaram nos documentos produzidos no 
período colonial informações sobre os mundos indígenas 
demolidos pela colonização. 
A colonização do imaginário não busca nem uma coisa nem 
outra. 
(Adaptado de PERRONE-MOISÉS, Beatriz, Prefácio à edição 
brasileira de GRUZINSKI, Serge, A colonização do imaginário: 
sociedades indígenas e ocidentalização no México espanhol 
(séculos XVI-XVIII). 
(BB – Escriturário – 2006 – FCC) A autora do fragmento transcrito 
(A) vale-se de estrutura narrativa para apresentar a obra 
que considera polêmica porque seu autor se afasta dos 
procedimentos de análise consagrados. 
(B) utiliza-se de linguagem didática para esclarecer certos 
fatos históricos que serão, na obra que ela mostra ao 
público, negados pelo autor. 
(C) descreve o embate entre distintas culturas para 
introduzir o tema da obra que ela divulga como tendo 
sido produzida por enfoque impreciso, embora 
legítimo. 
(D) expõe uma série de ideias que lhe permitem chamar a 
atenção para a originalidade da perspectiva adotada 
pelo autor na obra que ela apresenta. 
(E) elabora uma argumentação consistente, construída de 
passagens descritivas pontuadas de exemplos extraídos 
da obra apresentada, para atestar sua familiaridade 
com o texto. 
 
O fragmento transcrito foi retirado do prefácio de um livro, 
conforme se nota na referência bibliográfi ca. Nele, a autora 
do trecho demonstra que o escritor do livro (que se chama “A 
colonização do imaginário) foi além das perspectivas 
normalmente utilizadas para estudar o processo de 
colonização da América pelos europeus, afastando-se das 
percepções históricas e antropológicas já consagradas. 
(Analista – ANS – 2007 – FCC) Compreende-se corretamente do 
texto que 
(A) a Norma explora um persistente problema político da 
Itália – o da sua independência e unifi cação nacional –, 
seja considerando a relação entre o país e a Gália na 
Antiguidade, seja transferindo para o quadro de 
dominação austríaca do século XIX esse confronto entre 
o pátrio e o estrangeiro. 
(B) uma parcela considerável das óperas italianas do século 
XIX – inclusive a Norma – organiza-se em torno de uma 
tensão, verifi cada tanto no âmbito pessoal quanto no 
coletivo, entre o avançado e o retrógrado. 
(C) o caráter trágico das óperas italianas contemporâneas 
à Norma advém do embate entre grupos progressistas 
e reacionários, ativado, na maioria das vezes, pela 
emergência de uma causa revolucionária para a época. 
(D) a Traviata, tanto quanto as Vespri siciliani e o Trovatore, 
obedece ao modelo recorrentemente encontrado nas 
composições dramático-musicais do período, isto é, 
apresenta um enredo que incita à irrupção do que 
existe de mais reacionário numa sociedade. 
(E) as causas avançadas defendidas em óperas italianas, 
por estarem circunscritas a grandes temas políticos 
(como os confl itos de classes e a luta pela soberania 
política das nações emergentes), impedem a 
consideração dos dramas e das tragédias individuais. 
 
A única alternativa que analisa corretamente o texto é a B. O 
centro da estrutura da ópera no confl ito entre retrógrado e 
avançado está explicitado no trecho. O confl ito se dá em dois 
planos, o social e o pessoal. Consideremos os equívocos das 
alternativas incorretas: A: incorreta, pois a Norma é 
ambientada na Gália como metáfora para o panorama da Itália 
à época da produção. O texto não estabelece nenhuma 
relação direta entre eles; C: incorreta, pois o texto caracteriza 
a representação das óperas como um elemento sutil de 
análise social. Não há qualquer referência a embates reais ou 
causas políticas que as obras defendam; D: incorreta, pois as 
ópera buscam apresentar o confl ito entre o retrógrado e o 
avançado. Segundo o texto, não há objetivo em privilegiar o 
retrógrado; E: incorreta, pois, segundo o texto, é justamente 
no drama individual que está a força narrativa das óperas. O 
confl ito pessoal é correspondente ao social. 
 
(Analista – ANS – 2007 – FCC) O texto autoriza afi rmar que (A) o 
tratamento da oposição entre o bem e o mal, o 
revolucionário e o retrógrado, é insufi ciente para imprimir 
dramaticidade a uma ópera. 
(B) a Norma, ao tematizar fatos cronologicamente 
distantes, exime-se do compromisso com as questões 
políticas que lhe são contemporâneas. 
(C) o caráter trágico dos textos dramáticos mencionados é 
gerado pela cumplicidade estabelecida entre atores e 
plateia. 
 
 
33 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(D) o específi co poder de comoção das óperas 
mencionadas emerge da contradição que os 
protagonistas passam a viver entre suas convicções e 
sua condição pessoal. (E) o dever cívico e o desejo 
pessoal exercem forças equivalentes sobre os 
indivíduos, motivo de as óperas citadas enfatizarem a 
necessidade de equilíbrio entre um e outro. 
 
A partir da leitura, é possível inferir que os personagens 
buscam socialmente exatamente o oposto daquilo que são, 
como afi rma o item D, e como vemos nos exemplos “o herói 
libertador dos sicilianos nas Vespri é na verdade fi lho ilegítimo 
do governador francês, o trovador, na ópera homônima, é o 
irmão perdido de seu próprio perseguidor e aqui, na Norma, a 
sacerdotiza suprema dos gauleses é amante do chefe 
romano.”. A abordagem dual dos confl itos é o principal 
elemento da dramaticidade, o texto, portanto, nega a análise 
feita no item A, em que o texto ainda afi rma que “É isso o que 
dilaceraa alma, tanto do ator-cantor como do expectador-
ouvinte, e confere a essas óperas seu caráter trágico”. 
Diferentemente do que afi rma o item C, portanto, a relação 
entre o ator e a plateia é consequência da dramaticidade e 
não sua causa. Os exemplos mostram ainda que os 
personagens são comprometidos com aquilo que defendem e 
funcionam como alegorias de um certo pensamento, o que 
mostra que o item B aborda injustamente as óperas como 
despretensiosas. Sobre o item E, deve-se notar que o texto 
analisa as óperas como textos de confl ito, e não de equilíbrio 
entre opostos. 
Atenção: As próximas três questões referem-se ao texto 
transcrito abaixo. 
1 Vários historiadores têm procurado entender a originalidade 
da monarquia brasileira vinculando-a à chegada da família 
real ao Brasil em 1808. De fato, é no mínimo inusitado 
pensar numa colônia sediando a capital 
5 de um império. Chamada por Maria Odila Leite da Silva Dias 
de a “internacionalização da metrópole”, a instalação no 
Brasil da corte portuguesa, que fugia das tropas 
napoleônicas, signifi cou não apenas um acidente fortuito, 
mas um momento angular da história nacional e de um 
10 processo singular de emancipação. Fuga ou golpe político, 
o fato é que com D. João e sua família, e contando com a 
ajuda inglesa, transferiram-se para o país a própria corte 
portuguesa — cujo número estimado de pessoas chegava a 
20 mil, sendo que a cidade do Rio possuía apenas 60 mil 
15 almas — e várias instituições metropolitanas. Mas não era 
só: comerciantes ingleses e franceses, artistas italianos e 
naturalistas austríacos vinham junto com os baús. Difícil 
imaginar choque cultural maior. 
Transformado em reino unido já em 1815, o Brasil 
20 passou a distanciar-se, aos poucos, de seu antigo estatuto 
colonial, ganhando uma autonomia relativa jamais 
conhecida naquele contexto. A partir de então, o Rio de 
Janeiro tornou-se capital de Portugal e de suas possessões 
na África e na Ásia, e os portos brasileiros se abriram ao 
25 comércio britânico (seguindo o acerto feito com a Inglaterra, 
que assegurou o transporte da corte, mas o trocou por esse 
acordo comercial). Tais fatos alteraram radicalmente a 
situação da colônia portuguesa na América. 
(Adaptado de SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do imperador: D. 
Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: 
Companhia das Letras, 1999, p. 35-36.) 
(Analista – ANS – 2007 – FCC) Quanto à organização, afi rma-se 
corretamente que o texto 
(A) mescla narração e dissertação, mas dá relevo àquela, 
uma vez que, para a autora, devem ser destacados os 
acontecimentos e não os comentários avaliativos que 
eles suscitaram. 
(B) descreve o modelo administrativo e a organização 
hierárquica da corte que se transferiu para o Brasil, 
oferecendo detalhado panorama dos aspectos 
burocráticos que redundaram no específi co feitio da 
nação brasileira. 
(C) se restringe à narração do episódio da fuga da família 
real para a América, destacando suas causas, os meios 
pelos quais se efetivou e seu impacto sobre a pátria que 
aqui se formara. 
(D) reúne as datas e os acontecimentos tomados como 
mais relevantes no processo de emancipação do país, 
para defender a ideia de que, na confi guração de um 
dado quadro político, o mais importante são os 
antecedentes históricos imediatos. 
(E) mobiliza dados históricos e outros trabalhos que se 
debruçaram sobre o tema, com o fi to de comprovar a 
hipótese apresentada sobre a formação da monarquia 
brasileira. 
A: incorreta, pois a tipologia predominante no texto é a 
argumentativa. A autora privilegia a análise dos fatos e suas 
causas e consequências a uma descrição minuciosa de como 
os acontecimentos se deram, privilegiando as informações 
relevantes para a formação de sua análise; B: incorreta, pois 
não há no texto qualquer referência ao funcionamento 
burocrático da corte, mas sim do choque entre a chegada dela 
ao Brasil; C: incorreta, pois como afi rmado no item A, o texto 
privilegia a análise dos fatos à sua mera narração; D: 
incorreta, pois o texto analisa e reconhece a relevância do fato 
descrito para a formação da história nacional, no entanto, não 
apresenta especifi camente datas e fatos, mas sim um 
panorama geral, cultural e social, da mudança. Mais do que o 
fato em si, são seus entornos que confi guraram a mudança 
política; E: correta, pois a autora retoma a análise de Maria 
Odila Leite da Silva Dias e refere-se a “historiadores” como 
ponto de partida para sua análise. Para a defesa de seu ponto 
de vista, a autora apresenta também o panorama dos 
acontecimentos da época. 
 
(Analista – ANS – 2007 – FCC) De acordo com o texto, é correto afi 
rmar que 
 
 
(A) a transferência da sede do império para o Brasil se confi 
gurou como experiência insólita e sem precedentes, 
tanto por propiciar o surgimento de um papel político 
inédito, quanto por produzir mudanças concretas em 
diferentes esferas do ambiente colonial. 
(B) a condição administrativa inicial do Brasil se conservou 
mesmo após a fi xação do Rio de Janeiro como capital 
de Portugal, mas o comércio, as artes e as ciências fi 
nalmente se tornaram autossufi cientes. 
(C) o número de almas preexistentes no Rio de Janeiro é 
avaliado, em si mesmo, como bastante expressivo, 
embora, em face da quantidade de migrantes que para 
lá se dirigiram, pareça ínfi mo. 
(D) a internacionalização da metrópole carioca – isto é, a 
vinda de portugueses, franceses, ingleses e austríacos – 
foi decisiva para a confi guração de um processo de 
independência que assumiria características genuínas 
entre as colônias lusitanas. 
(E) a originalidade da monarquia brasileira deve ser 
creditada a contingências históricas exclusivas, como a 
incondicional ajuda britânica concedida a Portugal 
desde o momento da fuga da Europa. 
 
A: correta, pois o texto coloca como “inusitada” a colônia como 
sede da capital. O ponto principal do texto é levantar as 
consequências dessa transferência, políticas e sociais; B: 
incorreta, pois o texto afi rma que o Rio de Janeiro tornou-se 
a capital de Portugal foi parte crucial do processo de 
emancipação do país e alterou completamente a situação da 
colônia na política e administração. Ressalta o choque cultural 
com a arte, ciência e comércio, mas não afi rma autossufi 
ciência em nenhum dos campos; C: incorreta, pois o número 
de novas almas no Rio de Janeiro representa mais de 30% da 
população original. Apesar de reforçar a grande quantidade 
de pessoas que chegaram com a corte, o texto ressalta que a 
cidade tinha, anteriormente, uma população pouco 
expressiva; D: incorreta, pois a internacionalização do Rio de 
Janeiro foi além da presença de estrangeiros. Trata-se de uma 
nova participação da cidade, e do país, em um panorama 
internacional; E: incorreta, pois a condição imposta pela 
Inglaterra para ajudar os portugueses, era que os portos 
brasileiros estivessem abertos ao comércio inglês. Não houve 
apoio incondicional. 
 
(Analista – ANS – 2007 – FCC) Infere-se corretamente do texto que, 
(A) para preparar a expansão de seu prestígio político pelo 
Brasil, a Inglaterra impôs, ainda na Europa, seu 
colonialismo à coroa portuguesa. 
(B) antes da chegada da corte, o comércio, as artes e as 
ciências não faziam parte do cotidiano cultural 
brasileiro. 
(C) embora não haja certezas, existe interpretação 
plausível para as causas da originalidade da monarquia 
brasileira. 
(D) mais do que 1808, 1815 é uma data decisiva para o 
Brasil, pois, apenas quando se torna um reino unido, ele 
se distancia plenamente do estatuto colonial. 
(E) para aautora, o contexto brasileiro não suportou as 
mudanças sociais e administrativas geradas pela 
transferência da corte. 
Inferir signifi ca deduzir por meio de raciocínio algo novo a 
partir das informações apresentadas. Para se inferir algo do 
texto é necessário que o texto traga indícios do que os itens 
apresentam, mesmo que de maneira sutil. A: incorreta, pois 
o texto não comenta a relação entre Portugal e Inglaterra 
anterior à vinda da corte; B: incorreta, pois não há informações 
sufi cientes sobre a situação anterior do Brasil. O texto apenas 
diz que a presença de comerciantes, artistas e cientistas 
causou choque cultural, talvez pela ausência anterior dessas 
práticas, talvez pela diferença de como se fazia; C: correta, 
pois é justamente uma dessas interpretações sem consenso 
(como mostra o primeiro período) que o texto discute; D: 
incorreta, pois o texto diz que a situação da colônia mudou em 
decorrência de todos os fatos. Não estabelece uma data e 
tampouco afi rma que o Brasil e distanciou ali plenamente do 
estatuto colonial; E: incorreta, pois a autora apenas afi rma 
que houve choque social, cultural e administrativo. Não é tão 
categórica em dizer que 
não suportou. 
 
Atenção: As duas questões a seguir baseiam-se no texto 
apresentado abaixo. 
Não é sem motivos que o comércio decidiu alongar os 
prazos de pagamento neste fi m de ano para enfrentar a 
concorrência do comércio popular, que vende itens de 
baixo valor. Em novembro, a taxa de crescimento das 
consultas para vendas à vista superou a expansão do 
crediário, o que não ocorria desde abril. 
No mês passado, o número de consultas para vendas 
quitadas com cheque à vista e pré-datado cresceu 6,1% em 
relação ao mesmo período de 2004, segundo pesquisa da 
Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Enquanto isso, 
o volume de consultas para negócios a prazo aumentou em 
ritmo menor: 3,9% em novembro, na comparação anual. 
Para o Presidente da ACSP, a mudança preocupa por indicar 
uma receita menor para as lojas, já que as vendas fi 
nanciadas geralmente são as de maior valor. Na análise do 
Presidente, o forte movimento registrado nas ruas de 
comércio popular com grande presença de itens 
importados refl ete com clareza duas variáveis que estão 
desajustadas na economia: o juro alto e o câmbio baixo. 
(Adaptado de O Estado de S. Paulo, B4 Economia, 4 
de dezembro de 2005) 
(Técnico – BACEN – 2006 – FCC) A ideia principal do texto está 
expressa em: 
(A) O fi nal de ano garante habitualmente maior volume de 
vendas, tanto à vista quanto a prazo. 
(B) A oferta mais ampla de crediários busca concorrer com 
o comércio popular, identifi cado com as vendas de 
menor valor. 
(C) Negócios realizados a prazo caracterizam as vendas 
específi cas de fi nal de ano. 
 
 
35 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(D) Comerciantes dispensam consultas para a concessão de 
créditos, por serem baixos os valores das compras. (E) 
Cai o volume de vendas, à vista ou a crédito, neste fi nal 
de ano, em comparação com o anterior. 
Ao ampliar os crediários, o comércio proporciona ao cliente a 
compra de itens com valor mais alto, de modo que pode 
competir com o comércio popular, que possui itens de menor 
valor. 
(Técnico – BACEN – 2006 – FCC) Infere-se corretamente do texto 
que, com a expansão do crédito, 
I. há riscos maiores de ocorrer inadimplência de 
consumidores. 
II. a venda de itens de maior valor passa a ser equivalente 
ao volume dos mais acessíveis à população. 
III. com o aumento das vendas à vista diminui a receita no 
comércio, pois o crédito contempla compras de maior 
valor. 
Está correto o que se afi rma SOMENTE em 
(A) I. 
(B) II. 
(C) I e II. 
(D) I e III. 
(E) II e III. 
 
D: correto, pois, ao ampliar a possibilidade de crediários, o 
comércio sofre com o aumento do índice de inadimplência. 
Além disso, os crediários diminuem a receita de vendas à vista 
no comércio, já que esses crediários são empregados para a 
aquisição de itens de maior valor. 
 
Atenção: As duas questões a seguir baseiam-se no texto 
apresentado abaixo. 
As sementes do impulso fundamental da indústria de 
agronegócio nacional foram lançadas quando um núcleo de 
sete especialistas da Embrapa debruçou-se sobre o desafi o 
de tropicalizar a soja. Planta de origem asiática, ela só se 
adaptava bem nos estados mais ao sul do país. “Do Paraná 
para cima, a planta atingia no máximo 15 centímetros, um 
sexto de sua altura normal”, afi rma um dos engenheiros 
agrônomos que fez parte do grupo que tratou do problema 
em meados da década de 70. 
Foram necessários anos de pesquisas num banco genético 
com informações sobre mais de 8.000 tipos de soja até se 
chegar à planta capaz de evoluir bem em regiões mais 
quentes. O impacto da inovação foi formidável. De pouco 
mais de 300.000 toneladas produzidas em 1973, o Brasil 
saltou para 53 milhões de toneladas da safra atual. 
(Exame, 23 de novembro de 2005, p. 32) 
(Técnico – BACEN – 2006 – FCC) As sementes do impulso 
fundamental da indústria de agronegócio nacional foram 
lançadas quando um núcleo de sete especialistas da 
Embrapa debruçou-se sobre o desafi o de tropicalizar a 
soja. 
O sentido da frase inicial do texto está expresso com clareza 
e correção, em outras palavras, da seguinte forma: 
(A) As possibilidades de desenvolvimento da produção 
agrícola brasileira concretizaram-se quando 
especialistas voltaram-se para as tentativas de adaptar 
a soja ao clima tropical. 
(B) Foram vários os tipos de sementes utilizados por 
pesquisadores para descobrir o melhor meio de 
aumentar a importância do agronegócio na região 
tropical. 
(C) A soja é o produto mais valorizado do agronegócio 
brasileiro por apresentar diversidade de tipos de 
sementes que o trópico conseguiu desenvolver. 
(D) Especialistas da Embrapa consideram impossível 
resolver o impasse da soja para ser tropicalizada, no 
importante aumento da indústria do agronegócio 
nacional. 
(E) A indústria nacional de agronegócio cujas as sementes 
foram plantadas para conseguir a tropicalização da soja, 
feitas no desafi o dos especialistas da Embrapa. 
A: pois apresenta a importância das pesquisas realizadas 
pelos especialistas da Embrapa para o desenvolvimento da 
produção agrícola brasileira. 
 
(Técnico – BACEN – 2006 – FCC) O segmento abaixo que indica uma 
razão para a afi rmativa que, no texto, se segue a ele – 
segmento –, é: 
(A) As sementes do impulso fundamental da indústria de 
agronegócio nacional foram lançadas ... 
(B) ... quando um núcleo de sete especialistas da Embrapa 
debruçou-se ... 
(C) Planta de origem asiática ... 
(D) ... a planta atingia no máximo 15 centímetros, um sexto 
de sua altura normal ... 
(E) Foram necessários anos de pesquisas num banco 
genético ... 
 
C: pois o segmento “Planta asiática” é precedido de uma 
explicação: “ela só se adaptava bem nos estados mais ao sul 
do país” acerca de sua difi culdade de cultivo em outras 
regiões do Brasil que não as do estados do sul. 
 
Atenção: A questão a seguir baseia-se no texto 
apresentado abaixo. 
 
 
Não há, com relação a doces, nem com relação a guisados, 
um gosto que, apenas fi siológico, seja especifi camente 
universal: do Homem e não de homens situados; da 
sociedade humana e não de uma sociedade; de todas as 
sociedades e não de umas tantas sociedades. O que Marx 
impugnou em Hegel com relação à Ideia – que seria um 
princípio metafísico ou uma essência – poderia impugnar ao 
teórico do Paladar que o considerasse expressão de um 
princípio apenasfi siológico, independente de 
circunstâncias, em vez de expressão, principalmente, de um 
“princípio social”. Machado acertou. Revelou-se um 
sociólogo dos que opõem à tirania do essencial a validade 
do existencial. Pois a verdade parece ser realmente esta: a 
das nossas preferências de paladar serem condicionadas, 
nas suas expressões específi cas, pelas sociedades a que 
pertencemos, pelas culturas de que participamos, pelas 
ecologias em que vivemos os anos decisivos da nossa 
existência. 
(Gilberto Freyre, Açúcar. Coleção Canavieira n. 2. 
Divulgação do Ministério da Indústria e do Comércio, 
Instituto do Açúcar e do Álcool, 1969, p. 44) 
(Técnico – BACEN – 2006 – FCC) O autor, no texto em questão, 
(A) discute conceitos fi losófi cos amplamente debatidos 
em todas as sociedades, como a noção de verdade. 
(B) ignora a existência de certos princípios norteadores da 
vida social e das diversidades culturais. 
(C) nega as possíveis infl uências que os alimentos possam 
exercer no desenvolvimento de uma cultura. 
(D) condena a preocupação de certos pensadores em 
reduzir a preferência por certos alimentos, como os 
doces, a um hábito social. 
(E) defende uma opinião pessoal, tomando como base 
ideias expostas por fi lósofos e escritores anteriores a 
ele. 
Trata-se de uma dissertação na qual o autor pretende 
defender um ponto de vista a partir de argumentos que 
comprovem sua opinião. 
O segredo da acumulação primitiva 
neoliberal 
Numa coluna publicada na Folha de São Paulo, o jornalista 
Elio Gaspari evocava o drama recente de um navio de 
crianças escravas errando ao largo da costa do Benin. Ao ler 
o texto – que era inspirado -, o navio tornava-se uma 
metáfora de toda a África subsaariana: ilha à deriva, 
mistura de leprosário com campo de extermínio e reserva 
de mão de obra para migrações desesperadas. 
Elio Gaspari propunha um termo para designar esse povo 
móvel e desesperado: “os cidadãos descartáveis”. “Massas 
de homens e mulheres são arrancados de seus meios de 
subsistência e jogados no mercado de trabalho como 
proletários livres, desprotegidos e sem direitos.” São 
palavras de Marx, quando ele descreve a “acumulação 
primitiva”, ou seja, o processo que, no século XVI, criou as 
condições necessárias ao surgimento do capitalismo. Para 
que ganhássemos nosso mundo moderno, foi necessário, 
por exemplo, que os servos feudais fossem, à força, 
expropriados do pedacinho de terra que podiam cultivar 
para sustentar-se. Massas inteiras se encontraram, assim, 
paradoxalmente livres da servidão, mas obrigadas a vender 
seu trabalho para sobreviver. 
Quatro ou cinco séculos mais tarde, essa violência não 
deveria ter acabado? Ao que parece, o século XX pediu uma 
espécie de segunda rodada, um ajuste: a criação de sujeitos 
descartáveis globais para um capitalismo enfi m global. 
Simples continuação ou repetição? Talvez haja uma 
diferença – pequena, mas substancial – entre as massas do 
século XVI e os migrantes da globalização: as primeiras 
foram arrancadas de seus meios de subsistência, os 
segundos são expropriados de seu lugar pela violência da 
fome, por exemplo, mas quase sempre eles recebem em 
troca um devaneio. O protótipo poderia ser o prospecto 
que, um século atrás, seduzia os emigrantes europeus: 
sonhos de posse, de bem-estar e de ascensão social. 
As condições para que o capitalismo invente sua versão 
neoliberal são subjetivas. A expropriação que torna essa 
passagem possível é psicológica: necessita que sejamos 
arrancados nem tanto de nossos meios de subsistência, 
mas de nossa comunidade restrita, familiar e social, para 
sermos lançados numa procura infi nita de status (e, 
hipoteticamente, de bem-estar) defi nido pelo acesso a 
bens e serviços. Arrancados de nós mesmos, deveremos 
querer ardentemente ser algo além do que somos. 
Depois da liberdade de vender nossa força de trabalho, a 
“acumulação primitiva” do neoliberalismo nos oferece a 
liberdade de mudar e subir na vida, ou seja, de cultivar 
visões, sonhos e devaneios de aventura e sucesso. E, desde 
o prospecto do emigrante, a oferta vem se aprimorando. A 
partir dos anos 60, a televisão forneceu os sonhos para que 
o campo não só devesse, mas quisesse, ir para a cidade. 
O requisito para que a máquina neoliberal funcione é mais 
refi nado do que a venda dos mesmos sabonetes ou fi lmes 
para todos. Trata-se de alimentar um sonho infi nito de 
perfectibilidade e, portanto, uma insatisfação radical. Não 
é pouca coisa: é necessário promover e vender objetos e 
serviços por eles serem indispensáveis para alcançarmos 
nossos ideais de status, de bem-estar e de felicidade, mas, 
ao mesmo tempo, é preciso que toda satisfação conclusiva 
permaneça impossível. 
Para fomentar o sujeito neoliberal, o que importa não é lhe 
vender mais uma roupa, uma cortina ou uma lipoaspiração; 
é alimentar nele sonhos de elegância perfeita, casa perfeita 
e corpo perfeito. Pois esses sonhos perpetuam o 
sentimento de nossa inadequação e garantem, assim, que 
ele seja parte inalterável, defi nidora, da personalidade 
contemporânea. 
Provavelmente seria uma catástrofe se pudéssemos, de 
repente, acalmar nossa insatisfação. Aconteceria uma 
queda total do índice de confi ança dos consumidores. 
 
 
37 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
Bolsas e economias iriam para o brejo. Desemprego, crise, 
etc. 
Melhor deixar como está. No entanto, a coisa não fi ca bem. 
Do meu pequeno observatório psicanalítico, parece que o 
permanente sentimento de inadequação faz do sujeito 
neoliberal uma espécie de sonhador descartável, que corre 
atrás da miragem de sua felicidade como um trem 
descontrolado, sem condutor, acelerando 
progressivamente por inércia – até que os trilhos não 
aguentem mais. 
(Contardo Calligaris, Terra de ninguém. São 
Paulo: Publifolha, 2002) 
Nota: O autor desse texto, Contardo Calligaris, é 
psicanalista e foi professor de estudos culturais na New 
School de Nova York. Faz parte do corpo docente do 
Institute for the Study of Violence, em Boston. É também 
colunista da Folha de S. Paulo. 
(Analista – BACEN – 2005 – FCC) Considere as seguintes afi 
rmações: 
I. Tomando como ponto de partida um comentário de 
outro jornalista sobre um fato recente da época, o autor 
dispõe-se a compreender esse fato à luz de uma 
expressão de Marx - “cidadãos descartáveis” -, que já 
previa o processo migratório de trabalhadores no 
século XX. 
II. A expressão “acumulação primitiva” é considerada pelo 
autor como inteiramente anacrônica, incapaz, 
portanto, de sugerir qualquer caminho de análise do 
neoliberalismo contemporâneo. 
III. Acredita o autor que na base do mundo moderno, do 
ponto de vista econômico, está o fi m do feuda-lismo, 
está a transformação dos servos feudais em 
trabalhadores que precisavam vender sua força de 
trabalho. Em relação ao texto está correto SOMENTE o 
que se afi rma em 
(A) I. 
(B) II. 
(C) III. 
(D) I e II. 
(E) II e III. 
O autor destaca a mudança dos servos feudais para os 
trabalhadores que precisaram vender sua força de trabalho 
para não sucumbir à fome, assim como para realizar suas 
ambições de uma vida melhor. 
(Analista – BACEN – 2005 – FCC) O específi co segredo a que se 
refere o autor no título do texto representa-se 
conceitualmente em vários momentos de sua 
argumentação, tal como ocorre na seguinte frase: 
(A) Massas inteiras se encontraram, assim, 
paradoxalmente livres da servidão, mas obrigadas a 
vender seu trabalho para sobreviver. 
(B) O navio tornava-se uma metáfora de toda a África 
subsaariana: ilha à deriva,mistura de leprosário com 
campo de extermínio e reserva de mão de obra para 
migrações desesperadas. 
(C) Para que ganhássemos nosso mundo moderno, foi 
necessário, por exemplo, que os servos feudais fossem, 
à força, expropriados do pedacinho de terra que 
podiam cultivar para sustentar-se. 
(D) Ao que parece, o século XX pediu uma espécie de 
segunda rodada, um ajuste: a criação de sujeitos 
descartáveis globais para um capitalismo enfi m global. 
(E) Trata-se de alimentar um sonho infi nito de 
perfectibilidade e, portanto, uma insatisfação radical. 
A expressão “sonho infi nito de perfectibilidade” é 
representada pelo conceito de “insatisfação radical”, ou seja, 
não há como saciar o anseio pela perfeição senão desejando 
por algo mais. 
(Analista – BACEN – 2005 – FCC) A afi rmação de que As condições 
para que o capitalismo invente sua versão neoliberal são 
subjetivas tem sua coerência respaldada no 
desenvolvimento do texto, já que o autor 
(A) descarta a análise de processos históricos, para melhor 
se apoiar em aspectos da vida privada dos indivíduos 
típicos da era industrial. 
(B) mostra como as exigências de satisfação pessoal vêm 
sendo progressivamente atendidas, desde que o 
homem passou a se identifi car com seu status. 
(C) analisa o funcionamento da máquina liberal e a 
considera uma tributária direta do conhecido processo 
da acumulação primitiva. 
(D) localiza na permanência do sentimento de nossa 
inadequação um requisito com que vem contando o 
neoliberalismo. 
(E) entende que o neoliberalismo assenta sua base no 
princípio de que os sonhos dos cidadãos descartáveis 
devem ser excluídos do pragmatismo produtivista. 
O sentimento de inadequação, na verdade, é um dos 
principais instrumentos do sistema neoliberal para que os 
trabalhadores continuem em busca de uma felicidade que 
jamais irão alcançar, como o próprio autor sugere ao 
denominar essa inadequação como “sonho infi nito de 
perfectibilidade”. 
(Analista – BACEN – 2005 – FCC) Quatro ou cinco séculos mais 
tarde, essa violência não deveria ter acabado? 
 
 
No contexto em que formula a pergunta acima, o autor, 
implicitamente, está questionando a tese de que os 
processos históricos ocorreriam 
(A) como atualização de providências já verifi cadas no 
passado. 
(B) numa escala de progressivo aperfeiçoamento social. 
(C) alternando ganhos e perdas na qualidade de vida dos 
cidadãos. 
(D) de modo a recompensar o esforço das classes 
dirigentes. (E) de modo a tornar cada vez mais nítidas as 
aspirações de cada classe social. 
O autor questiona se essa violência seria um mal necessário 
para o aperfeiçoamento social, entretanto, como podemos 
observar no decorrer do texto, essa violência sofreu um 
“ajuste”, o qual o autor defi ne como “a criação de sujeitos 
descartáveis globais para um capitalismo enfi m global”. 
 
(Analista – BACEN – 2005 – FCC) No contexto em que ocorre a afi 
rmação de que 
(A) deveremos querer ardentemente ser algo além do que 
somos, o autor acusa o processo de despersonalização 
acionado pela máquina neoliberal. 
(B) a “acumulação primitiva” do neoliberalismo nos 
oferece a liberdade de mudar e subir na vida, o autor 
concede em que há uma vantagem real nesse caminho 
econômico. 
(C) Provavelmente seria uma catástrofe se pudéssemos (...) 
acalmar nossa insatisfação, o autor mostra o quanto os 
neoliberais subestimam a força da nossa subjetividade. 
(D) é melhor deixar como está, o autor está tomando como 
pior a situação representada por um trem 
descontrolado, sem condutor. 
(E) esses sonhos perpetuam o sentimento de nossa 
inadequação, o termo sonhos está representando um 
caminho alternativo para as práticas neoliberais. 
 
A máquina neoliberal utiliza-se de artifícios para convencer os 
indivíduos sobre a possibilidade de perfeição, no entanto, ao 
buscar essa perfeição – que jamais poderá ser alcançada por 
estar em constante transformação –, os indivíduos tornam-se 
vítimas de um processo que irá despersonalizá-los. 
 
(Analista – BACEN – 2005 – FCC) Na frase Massas inteiras se 
encontraram, assim, paradoxalmente livres da servidão, 
mas obrigadas a vender seu trabalho para sobreviver, o 
emprego do termo paradoxalmente justifi ca-se quando se 
atenta para a relação nuclear que entre si estabelecem, no 
contexto, os elementos 
(A) massas e livres. 
(B) vender e obrigadas. 
(C) livres e obrigadas. 
(D) viver e vender. 
(E) vender e sobreviver. 
O autor pretende demonstrar a situação paradoxal existente 
entre os trabalhadores (que se julgam livres) e a 
obrigatoriedade do trabalho para a sobrevivência. 
(Analista – BACEN – 2005 – FCC) Para que ganhássemos o mundo 
moderno, foi necessário que os servos feudais fossem, à 
força, expropriados do pedacinho de terra que podiam 
cultivar para sustentar-se. 
Conserva-se, numa outra construção correta, o sentido do 
trecho sublinhado na frase acima, em: 
(A) foi preciso que houvesse a expropriação, à força, do 
pedacinho de terra que os servos feudais podiam 
cultivar para seu sustento. 
(B) fez-se necessário que o pedacinho de terra, cultivado 
para o sustento dos servos feudais, tivesse sido 
expropriado à força. 
(C) foi preciso que se expropriassem dos servos feudais, à 
força, do pedacinho de terra que cultivavam para 
sustentar-se. 
(D) houve a necessidade de se expropriar do pedacinho de 
terra, à força, que os servos feudais cultivavam para seu 
sustento. 
(E) houve a necessidade do pedacinho de terra ser 
expropriado, à força, na qual os servos feudais 
cultivavam para sustentarem-se. 
A frase mantém o sentido do trecho original, pois o 
encadeamento das ideias ocorre da mesma maneira em 
ambas as orações. 
(Analista – BACEN – 2005 – FCC) A expropriação que torna essa 
passagem possível é psicológica: necessita que sejamos 
arrancados nem tanto de nossos meios de subsistência, 
mas de nossa comunidade restrita, familiar e social. 
Na frase acima, e no contexto do parágrafo que ela integra, 
(A) a ação expressa em necessita deve ser atribuída a essa 
passagem. 
(B) a expressão sejamos arrancados tem sentido 
equivalente ao de nos arranquemos. 
(C) a expressão arrancados nem tanto de nosso meios de 
subsistência, mas de (...) , tem sentido equivalente a 
arrancados, menos do que de nossos meios de 
subsistência, de (...). 
(D) o complemento verbal de necessita é expresso por 
nossa comunidade restrita, familiar e social. 
(E) o sinal de dois pontos pode, sem prejuízo para o 
sentido, ser substituído por vírgula, seguida da 
expressão por conseguinte. 
A expressão equivalente ao período original expressa a 
mesma ideia: de que somos “arrancados” muito mais de nossa 
comunidade do que de nossos meios de subsistência. 
Leia o texto abaixo para responder às questões a seguir. 
A população sertaneja é e será monarquista por muito 
tempo, porque no estádio inferior da evolução social em 
que se acha, falece-lhe a precisa capacidade mental para 
 
 
39 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
compreender e aceitar a substituição do representante 
concreto do poder pela abstração que ele encarna, pela lei. 
Ela carece instintivamente de um rei, de um chefe, de um 
homem que a dirija, que a conduza e, por muito tempo 
ainda, o Presidente da República, os presidentes dos 
Estados, os chefes políticos locais serão o seu rei, como, na 
sua inferioridade religiosa, o sacerdote e as imagens 
continuam a ser os seus deuses. Serão monarquistas como 
são fetichistas, menos por ignorância do que por um 
desenvolvimento intelectual, éticoe religioso, insufi ciente 
ou incompleto. 
(Raimundo Nina Rodrigues, As Coletividades 
Anormais, S. Paulo, 1939.) 
(Analista – BACEN – 2002 – FCC) Julgue se as proposições 1, 2 e 3 
expressam a leitura correta do texto, reproduzindo as 
ideias nele contidas sem distorcer e desvirtuar a signifi 
cação textual. Marque, a seguir, a opção correta. 
1. Dada a situação de repúdio às relações sociais do 
homem sertanejo, falece-lhe a capacidade mental 
responsável pelo pensamento abstrato. 
2. No aspecto religioso, a população sertaneja padece da 
mesma inferioridade que demonstra ter em relação à 
representação política. 
3. Menos por ingenuidade e mais por ignorância, a 
população do interior adere instintivamente e se 
submete passivamente ao ideário monarquista. (A) Está 
correta apenas a proposição 1. 
(B) Todas as proposições estão incorretas. 
(C) Estão incorretas as proposições 1 e 3. 
(D) Todas as proposições estão corretas. 
(E) Estão corretas as proposições 1 e 2. 
A proposição 1 está correta, já que, segundo o autor, o 
sertanejo não possui a capacidade mental para aceitar a 
substituição do representante pela abstração que ele encarna. 
(Analista – BACEN – 2002 – FCC) Assinale o parágrafo que, ao dar 
continuidade ao trecho de Raimundo Nina Rodrigues, 
produz uma ruptura na linha de argumentação e de 
desenvolvimento das ideias do texto. 
(A) Consequentemente, o que predomina soberana é a 
vontade, são os sentimentos ou os interesses pessoais 
dos chefes, régulos ou mandões, diante dos quais as 
maiores garantias da liberdade individual ou se 
transformam em recurso de perseguição contra 
inocentes, se desafetos, ou se anulam em benefício de 
criminosos quando amigos. 
(B) O que é pueril é exigir que essas populações 
compreendam que a federação republicana é a 
condição, a garantia da futura unidade política de um 
vasto país que não pode oferecer a centralização 
governamental da Monarquia. 
(C) Todas as grandes instituições que, na civilização deste fi 
m de século, garantem a liberdade individual e dão o 
cunho da igualdade dos cidadãos perante a lei são mal 
compreendidas, sofi smadas e anuladas por essa gente. 
(D) Seria ingênuo esperar que pudesse ser outro o 
sentimento político do sertanejo; seria preciso negar a 
evolução política e admitir que os povos mais atrasados 
e incultos podem, sem maior preparo, compreender, 
aceitar e praticar as formas de governo mais liberais e 
complicadas. 
(E) O que não se pode exigir delas é que perfi lem entre os 
que estão de posse do poder e os que disputam essa 
posse, capitaneados por verdadeiros régulos de que os 
jagunços representavam apenas o exército, a força 
material. 
 
Há uma ruptura na linha de argumentação ao sugerir que a 
população sertaneja é ignorante por causa da opressão dos 
indivíduos que estão no poder, quando, na verdade, a 
ignorância decorre de uma falta de capacidade de abstração 
acerca da substituição dos representantes no poder. 
(Analista – BACEN – 2002 – FCC) Os trechos abaixo constituem um 
texto, mas estão desordenados. Ordene-os e assinale a 
opção que apresenta a sequência que organiza o texto de 
forma coesa e coerente. 
( ) O sucesso está baseado em alguns outros pilares, entre 
os quais está o atendimento sem privilégios, que rompe 
com a cultura do clientelismo e da intermediação. 
( ) Entre 98% e 99% dos usuários classifi caram os serviços 
oferecidos nessas centrais como bons ou muito bons 
nas unidades de funcionamento, que reúnem, num 
mesmo espaço, diversos órgãos públicos de diferentes 
esferas de governo, iniciativa privada, concessionários 
de serviços públicos, associações e entidades da 
sociedade civil. 
( ) A expressão “trata-se de um serviço de primeiro mundo” 
se tornou comum após a criação das centrais de 
atendimento ao cidadão em todo o país, por diversos 
governos estaduais e municipais, com os mais 
diferentes nomes. 
( ) Esse funcionamento efi ciente e contínuo da central 
requer um treinamento especializado dos servidores, a 
rapidez na confecção de documentos e a ausência de 
exigências burocráticas como os velhos formulários de 
papel comprados nas papelarias, agora substituídos 
pelo preenchimento direto dos dados nas telas de 
computador. 
 
 
( ) O acesso direto a tais serviços – que funcionam 
ininterruptamente durante 12 horas por dia de segunda 
a sexta, e seis horas aos sábados – diminui o tempo e os 
custos para o cidadão. 
(Gestão empreendedora: inovar para vencer as difi culdades, 
09/08/2002, www.planejamento.gov.br) 
(A) 5º, 2º, 1º, 4º, 3º 
(B) 1º, 5º, 4º, 2º, 3º 
(C) 3º, 5º, 2º, 1º, 4º 
(D) 2º, 1º, 4º, 5º, 3º 
(E) 4º, 3º, 5º, 1º, 2º 
A: (5) O acesso direto a tais serviços – que funcionam 
ininterruptamente durante 12 horas por dia de segunda a 
sexta, e seis horas aos sábados – diminui o tempo e os custos 
para o cidadão. (2) Entre 98% e 99% dos usuários classifi 
caram os serviços oferecidos nessas centrais como bons ou 
muito bons nas unidades de funcionamento, que reúnem, num 
mesmo espaço, diversos órgãos públicos de diferentes 
esferas de governo, iniciativa privada, concessionários de 
serviços públicos, associações e entidades da sociedade civil. 
(1) O sucesso está baseado em alguns outros pilares, entre 
os quais está o atendimento sem privilégios, que rompe com 
a cultura do clientelismo e da intermediação. (4) Esse 
funcionamento efi ciente e contínuo da central requer um 
treinamento especializado dos servidores, a rapidez na 
confecção de documentos e a ausência de exigências 
burocráticas como os velhos formulários de papel comprados 
nas papelarias, agora substituídos pelo preenchimento direto 
dos dados nas telas de computador. (3) A expressão “trata-se 
de um serviço de primeiro mundo” se tornou comum após a 
criação das centrais de atendimento ao cidadão em todo o 
país, por diversos governos estaduais e municipais, com os 
mais diferentes nomes. 
Em (5) o termo tais funciona como denotativo para o 
substantivo serviços; em (4) o pronome esse explica o 
funcionamento efi ciente demonstrado em (1) e (2); a 
expressão que inicia (3) retoma o treinamento especializado 
dos servidores citado em (4). 
(Analista – BACEN – 2002 – FCC) Ordene os trechos, de modo a 
comporem um único texto que obedeça à seguinte ementa: 
I. Considerações preliminares a respeito da imprecisão 
conceitual de “direitos humanos”; necessidade da 
efetivação dos direitos humanos. 
II. Considerações acerca do signifi cado que se deve 
atribuir ao termo “direitos humanos”. 
III. A emergência dos direitos humanos e a infl uência do 
contexto ideológico na sua caracterização. 
IV. Confusão conceitual vigente no tratamento 
terminológico do tema; diferenciação dos termos. 
V. Concepção de direitos humanos diante da norma 
jurídica e da ordem política. 
( ) Tendo surgido num cenário em que o pano de fundo era 
o surgimento da classe burguesa, os direitos humanos 
foram alvo da crítica marxista, que os acusou de serem 
a manifestação dos interesses e do ideário burguês. Não 
sem razão, a assim chamada primeira geração dos 
direitos humanos, erigida pelo pensamento liberal, 
constitui-se em direitos individuais, como os direitos de 
participação política, as garantias processuais e o direito 
de propriedade. Objetiva e efetivamente, essa primeira 
geração fundamenta-se em um sistema de valoração 
com cariz individualista. 
( ) Não raras vezes, encontramos a expressão “direitos 
fundamentais” como sinônimo de “direitos humanos”. 
Há uma tendência doutrinária em defi nir e denominar 
os direitos humanos como aqueles positivadosnas 
declarações e convenções internacionais. Já a 
terminologia “direitos fundamentais” se aplicaria aos 
positivados internamente por um País. Diante de tantas 
defi nições, destacamos que os direitos humanos 
ultrapassam o sentido estrito de uma ordem jurídica 
escrita; encontram-se numa dimensão superior que lhes 
empresta validade universal e objetiva. 
( ) A problemática dos direitos humanos está presente em 
diversos momentos da nossa vida social 
contemporânea. Mobilizado em várias circunstâncias e 
conclamado sob as mais diversas razões, o termo 
“direitos humanos” tem sido empregado sob o signo da 
confusão que se faz entre sua dimensão conceitual e seu 
fundamento. Tal ocorrência, entretanto, não diminui e 
tampouco debilita a luta, inexoravelmente séria e 
comprometida, a ser empreendida quotidianamente 
pela sua real efetivação. 
( ) Reconhecemos que os direitos humanos assumem a 
posição de princípios ético-normativos. Portanto, 
transcendem ao normativismo-dogmático, alicerçando 
e instituindo materialmente a juridicidade. Outrossim, 
confi guram-se como elementos legitimadores da 
ordem política e fundamentadores da normatividade 
jurídica. Advogamos que os direitos humanos 
constituem postulados éticos, forjados a partir da era 
moderna, componentes da existência do homem como 
pessoa. 
( ) Preliminarmente, temos que os direitos humanos 
referem-se a uma proteção mínima que possa conduzir 
o ser humano a viver dignamente. Constituem uma 
esfera essencialmente indisponível, existente em torno 
do indivíduo, que objetiva o respeito mais profundo à 
pessoa humana. Isso implica que toda e qualquer 
autoridade, todo e qualquer poder político tem a 
obrigatoriedade de os garantir e adimplir. Ressalte-se, 
demais disso, que há de se proteger o indivíduo de 
qualquer tipo de arbítrio, inclusive, mas não 
unicamente, o estatal. 
(Baseado em Plínio Melgaré, Direitos humanos: uma perspectiva 
contemporânea – para além dos reducionismos tradicionais) A 
sequência correta é: 
(A) V, II, III, IV, V 
(B) I, II, III, IV, V (C) V, I, IV, II, III 
(D) III, V, I, II, IV 
(E) II, V, I, III, IV 
 
O item III discute as considerações iniciais acerca dos direitos 
humanos; o item V estabelece um signifi cado ao conceito de 
 
 
41 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
direitos humanos; o item I destaca a emergência dos direitos 
humanos na sociedade e a infl uência do ideário burguês na 
sua caracterização; o item II destaca o equívoco entre “direitos 
fundamentais” e “direitos humanos”; o item IV estabelece uma 
concepção dos direitos humanos diante das normais jurídicas 
e da ordem política. 
 
Leia o texto abaixo para responder às questões a seguir. 
No Sistema de Pagamentos Brasileiro, a tecnologia se 
toma variável crítica e o executivo de negócios e 
planejamento precisa encarar este risco sob a mesma 
ótica que encara os riscos 
5 de crédito e mercado. Doravante um problema tecnológico 
pode interferir diretamente na questão da liquidez da 
instituição, mesmo que por poucos momentos. Trata-se 
de uma questão de continuidade de negócios. 
10 As interrupções no processamento da informação, ou a 
degradação nos sistemas de informação fazem parte da 
rotina nas estruturas de tecnologia de qualquer 
empresa, seja ela fi nanceira ou não. Esses são eventos 
programados 
15 que visam atender a demandas ocasionais do negócio 
ou da tecnologia. 
O que deve preocupar os executivos de uma instituição 
fi nanceira são as interrupções não programadas. 
Problemas que afetam diretamente 
20 a infraestrutura tecnológica. São falhas de hardware e/ou 
sistema operacional, conflitos de aplicações; 
sabotagem; desastres (incêndio, inundação etc.); falha 
humana; corrupção de dados; vírus etc. Estes acidentes 
causam maior 
25 impacto por serem de maior difi culdade de identifi cação 
e recuperação. O seu custo é proporcional ao valor da 
informação afetada e ao volume de negócios 
interrompidos pelo evento. Dependendo da situação, a 
recuperação da estrutura 
30 operacional pode levar algumas horas e, no caso do 
SPB, afetar não só a instituição como eventuais 
parceiros. É importante o planejamento e a 
implementação de uma solução de continuidade de 
negócios. 
35 Os riscos não são desprezíveis. Um estudo feito pela 
Universidade do Texas com empresas que sofreram 
uma perda catastrófica de dados concluiu que 43% 
jamais voltaram a operar, 51% faliram em dois anos e 
apenas 6% sobreviveram. 
40 Entre as empresas vítimas do primeiro atentado a bomba 
no World Trade Center (New York), 50% das que não 
possuíam um plano de contingência faliram em menos 
de 2 anos. 
(Adaptado de BANCO HOJE, março de 2001, p. 63.) 
(Analista – BACEN – 2001 – FCC) Em relação às ideias do texto, 
assinale a opção correta. 
(A) A tecnologia constitui um risco insignifi cante se 
comparado ao risco natural do mercado e do crédito. 
(B) Nenhuma instituição pode apresentar interrupções no 
processamento da informação, mesmo que 
programadas, pois signifi cam perdas irrecuperáveis. 
(C) As interrupções não programadas, que afetam a 
infraestrutura rotineira da empresa, no Serviço de 
Pagamentos Brasileiro, restringem-se à própria 
empresa. 
(D) O custo decorrente de acidentes é calculado a partir do 
valor das informações perdidas e do volume de 
negócios interrompidos pelo acontecimento. 
(E) No Serviço de Pagamentos Brasileiro, as perdas de 
informação ocorridas em uma empresa circunscrevem-
se a ela apenas, sem afetar outras empresas que com 
ela tenham negócios. 
 
O texto destaca a importância da tecnologia e, por 
conseguinte, o valor das informações perdidas, assim como o 
valor dos negócios interrompidos durante quaisquer 
imprevistos que afetem a rede de dados de uma instituição. 
 
(Analista – BACEN – 2001 – FCC) Assinale a opção que constitui uma 
continuação coesa e coerente para o texto. 
(A) Em consonância com essas diretrizes, uma profunda 
transformação tecnológica será promovida nos bancos 
brasileiros para que eles se adaptem às normas 
determinadas pelo Banco Central (BC), que preveem a 
reestruturação do Sistema de Pagamentos Brasileiro 
(SPB). 
(B) Para tanto, os ambientes de 
armazenamento/processamento da informação serão 
responsáveis pela integridade das operações de uma 
instituição fi nanceira, pois, mesmo hoje, as operações 
de bancos de varejo dependem fundamentalmente 
destas estruturas, que são extremamente 
diversificadas, heterogêneas e interdependentes. 
(C) Por outro lado, um ambiente consolidado através da 
implementação de uma infraestrutura de informação, 
com objetivos de proteção, compartilhamento e 
gerenciamento da informação assegurou uma série de 
benefícios. 
(D) Diante de tais evidências, uma metodologia que proteja 
a informação e garanta a continuidade das atividades e 
negócios com um mínimo de impacto, que seja 
independente da arquitetura de sistemas, deixa de ser 
um desejo e passa a ser uma necessidade imperativa. 
(E) Entra em vigor em outubro, quando já deve estar 
funcionando a transferência de grandes valores com 
liquidação bruta em tempo real e o monitoramento on 
line de contas reservas bancárias mantidas no BC, que 
se livrará da obrigação de cobrir os saldos negativos 
deixados pelos bancos nas operações do dia a dia. 
Ao destacar a fragilidade das instituições no âmbito 
tecnológico, é fundamental a criação de um método de 
 
 
proteção para as informações e para o bom funcionamento 
dos negócios. 
Leia o seguinte texto: 
A evolução dos fundamentos ao longo de 1999 não ratifi 
cou as expectativas pessimistasformuladas ao início do 
ano, quando o impacto da crise fi nanceira internacional 
sob a economia brasileira determinou a reordenação dos 
principais condicionantes internos, com o objetivo de 
possibilitar que a condução da política econômica 
preservasse a estabilidade econômica e as condições 
necessárias ao processo do crescimento sustentado. 
(Banco Central do Brasil, RELATÓRIO ANUAL 1999, vol. 
35, p. 9, com adaptações.) (Analista – BACEN – 2001 – FCC) Marque a 
opção que dá uma continuidade coerente e 
gramaticalmente correta ao texto. 
(A) Nesse contexto, a introdução de alterações 
institucionais relevantes marcam, no que se refere à 
política cambial e à política monetária, de forma 
paralela à continuação no empenho governamental na 
realização de efetivo ajuste de contas públicas. 
(B) Dessa maneira, assinale-se que a introdução de 
alterações institucionais signifi cativas, paralelamente à 
continuidade do esforço governamental na promoção 
de efi caz ajuste das contas públicas, no que refere à 
política cambial e monetária. 
(C) Assim, assinalar a introdução de alterações 
institucionais relevantes marcam, no que tange à 
política tanto cambial quanto monetária, de forma 
paralela à solução de continuidade no empenho do 
governo com respeito ao efetivo ajuste das contas 
públicas. 
(D) Assim, deve-se assinalar a introdução de alterações 
signifi cativas institucionais que, no paralelismo entre 
políticas cambiais e políticas monetárias no ajuste 
efetivo da promoção de contas públicas refere-se ao 
empenho do governo. 
(E) Nesse contexto, assinale-se a introdução de alterações 
institucionais signifi cativas, no que se refere às políticas 
cambial e monetária, paralelamente à continuidade do 
empenho governamental na promoção de efetivo 
ajuste das contas públicas. 
As alterações institucionais – políticas, cambiais e monetárias 
– visam à estabilidade econômica citada no texto original e, 
por isso, garantem uma continuação coerente e 
gramaticalmente correta. 
Leia o texto. 
Nas duas últimas décadas, os Bancos Centrais do 
mundo todo têm desempenhado um papel 
importante no sistema de pagamento dos seus 
países em consequência da globalização, do 
5 crescimento das atividades fi nanceiras e da rápida 
evolução tecnológica. 
Por ser a base da infraestrutura necessária para 
suportar as atividades econômicas do país e um 
veículo crítico de penetração em outros mercados, 
10 o Banco Central do Brasil tem se empenhado em 
desenvolver um sistema nacional de pagamentos 
que possa, de uma maneira segura e efi ciente, 
tratar as transferências de grandes volumes 
financeiros. Estamos no caminho 
15 certo e não podemos fi car isolados do resto do mundo. 
(BANCO HOJE, março de 2001, p. 64. ) 
(Analista – BACEN – 2001 – FCC) Em relação ao texto acima, assinale 
a opção correta. 
(A) Depreende-se do texto que globalização e evolução 
tecnológica constituem duas importantes 
consequências do crescimento das atividades fi 
nanceiras dos bancos centrais. 
(B) A expressão “têm desempenhado”(l. 2) pode ser 
substituída, sem prejuízo para a correção gramatical do 
período, por vem desempenhando. 
(C) Infere-se do texto que os bancos centrais têm contado 
com um declínio em sua importância econômico-social, 
paralelamente ao seu incremento tecnológico. 
(D) A articulação entre as ideias dos dois parágrafos pode 
se realizar inserindo-se no início do segundo parágrafo 
a expressão: Em consonância com esta evidência e 
por... 
(E) As formas verbais do último período sintático do texto, 
“Estamos” (l. 14) e “podemos” (l. 15), estão sendo 
utilizadas como reforço estilístico para inserir todos os 
países que têm bancos centrais no esforço da 
globalização. 
 
A expressão Em consonância com esta evidência retoma o 
papel fundamental dos bancos no cenário socioeconômico 
dos países e relaciona tais instituições como suporte dos 
países para o desenvolvimento das atividades econômicas. 
 
Atenção: As questões a seguir baseiam-se no texto 
apresentado abaixo. 
Nas formas de vida coletiva podem assinalar-se dois 
princípios que se combatem de morte e regulam 
diversamente as atividades dos homens. Esses dois 
princípios encarnam-se nos tipos do aventureiro e do 
trabalhador. Já nas sociedades rudimentares manifestam-
se eles, segundo sua predominância, na distinção 
fundamental entre os povos caçadores ou coletores e os 
povos lavradores. Para uns, o objeto fi nal, a mira de todo 
esforço, o ponto de chegada, assume relevância tão capital, 
que chega a dispensar, por secundários, quase supérfl uos, 
todos os processos intermediários. Seu ideal será colher o 
fruto sem plantar a árvore. 
Esse tipo humano ignora as fronteiras. No mundo tudo se 
apresenta a ele em generosa amplitude e onde quer que se 
erija um obstáculo a seus propósitos ambiciosos, sabe 
transformar esse obstáculo em trampolim. Vive dos espaços 
ilimitados, dos projetos vastos, dos horizontes distantes. 
 
 
43 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
O trabalhador, ao contrário, é aquele que enxerga primeiro 
a difi culdade a vencer, não o triunfo a alcançar. O esforço 
lento, pouco compensador e persistente que, no entanto, 
mede todas as possibilidades de esperdício e sabe tirar o 
máximo proveito do insignifi cante, tem sentido bem nítido 
para ele. Seu campo visual é naturalmente restrito. A parte 
maior que o todo. 
Existe uma ética do trabalho, como existe uma ética da 
aventura. Assim, o indivíduo do tipo trabalhador só 
atribuirá valor moral positivo às ações que sente ânimo de 
praticar e, inversamente, terá por imorais e detestáveis as 
qualidades próprias do aventureiro - audácia, 
imprevidência, irresponsabilidade, instabilidade, 
vagabundagem -, tudo, enfi m, quanto se relacione com a 
concepção espaçosa do mundo, característica desse tipo. 
Por outro lado, as energias e esforços que se dirigem a uma 
recompensa imediata são enaltecidos pelos aventureiros; 
as energias que visam estabilidade, paz, segurança pessoal 
e os esforços sem perspectiva de rápido proveito material 
passam, ao contrário, por viciosos e desprezíveis para eles. 
Nada lhes parece mais estúpido e mesquinho do que o ideal 
do trabalhador. 
Entre esses dois tipos não há, em verdade, tanto uma 
oposição absoluta como uma incompreensão radical. 
Ambos participam, em maior ou menor grau, de múltiplas 
combinações e é claro que, em estado puro, nem o 
aventureiro, nem o trabalhador, possuem existência real 
fora do mundo das ideias. Mas também não há dúvida que 
os dois conceitos nos ajudam a situar e a melhor ordenar 
nosso conhecimento dos homens e dos conjuntos sociais. E 
é precisamente nessa extensão superindividual que eles 
assumem importância inestimável para o estudo da 
formação e evolução das sociedades. Na obra da conquista 
e da colonização dos novos mundos coube ao espírito do 
trabalho, no sentido aqui compreendido, papel muito 
limitado, quase nulo. A época predispunha aos gestos e 
façanhas audaciosos, galardoando bem os homens de 
grandes voos. E não foi fortuita a circunstância de se terem 
encontrado neste continente, empenhadas nessa obra, 
principalmente as nações onde o tipo do trabalhador, tal 
como acaba de ser discriminado, encontrou ambiente 
menos propício. 
(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. 2ª ed. Rio de 
Janeiro: José Olympio, 1948, p. 36-39.) 
(Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) É correto 
concluir do texto que 
(A) os ideais de vida cultivados por diferentes tipos sociais 
contribuem para a difi culdade de se justifi car o 
predomínio de certos valores morais em determinadas 
épocase atividades. 
(B) os valores éticos surgem como consequência da 
evolução das sociedades, já que são desnecessários em 
povos primitivos, que se organizam em torno de um 
único ideal. 
(C) as noções divergentes a respeito da ética social 
impelem alguns tipos humanos a posições radicais, de 
oposição a valores cultuados pelos demais, em uma 
mesma sociedade. 
(D) a organização social vigente no mundo contemporâneo 
impede a existência real de certos tipos, especialmente 
daqueles que buscam o sucesso rápido, por meio de 
façanhas e de aventuras. 
(E) o comportamento ético das pessoas é pautado por sua 
própria visão de mundo, admitindo-se, no entanto, 
relações mútuas de convivência e da sua existência 
entre os diversos tipos sociais. 
 
A partir da distinção entre o homem aventureiro e o homem 
trabalhador, é possível concluir que são visões de mundo 
diferentes uma da outra, pautada por uma ética singular, mas 
que se relacionam entre os mais diversos tipos sociais. 
 
(Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) Resume-se 
corretamente o texto da seguinte maneira: 
(A) A organização social estrutura-se a partir de concepções 
éticas específi cas, mesmo que sejam elas individuais e 
aparentemente divergentes. 
(B) O elevado ônus decorrente das aventuras de conquista 
de novos mundos só poderia ser assumido por algumas 
nações, orientadas pela ética do trabalho. 
(C) A descoberta de novos mundos tornou-se possível 
numa época de oposição entre valores éticos vigentes 
nas sociedades em que havia predomínio do espírito do 
trabalho. 
(D) A época das conquistas realizadas por algumas nações 
mundo afora colocou em oposição os ideais de luta e 
perseverança em oposição ao tipo do aventureiro. 
(E) O espírito aventureiro surgiu em circunstâncias 
históricas específi cas, consequência da necessária 
adaptação às condições de vida em mundos novos e 
desconhecidos. 
Ao conceituar o Homem em dois tipos – trabalhadores e 
aventureiros –, o autor visa a estruturar a organização social 
a partir das visões de mundos desses tipos de indivíduos, 
destacando que, mesmo divergentes, relacionam-se em 
diversos níveis sociais. 
 
(Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) O texto 
desenvolve-se como 
 
 
(A) estudo psicológico dos motivos que levam pessoas a 
agir de determinada forma, a reconhecer determinados 
valores e os meios escolhidos para atingir seus 
objetivos. 
(B) apresentação de certos aspectos evolutivos de 
sociedades diversas, cuja discussão se baseia em 
informações de cunho científi co. 
(C) análise de cunho sociológico dos papéis 
desempenhados por certos tipos que marcaram a 
história das sociedades ao longo do tempo. 
(D) visão utópica da formação de uma sociedade, com os 
papéis vividos por tipos considerados ideais, para 
permitir a evolução do todo social. 
(E) informação, com base em dados antropológicos, a 
respeito da evolução dos grupos humanos, desde os 
mais rudimentares, até o aparecimento da agricultura. 
O texto é um estudo sociológico que analisa os tipos de visões 
de mundo e conduta dos indivíduos no decorrer dos séculos 
nas sociedades. 
(Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) A organização 
textual baseia-se nas relações sintático-semânticas de 
(A) tempo e espaço, na indicação dos vários modelos de 
sociedade, desde o início da evolução humana. 
(B) causas e as consequências resultantes da formação das 
sociedades, ao longo do tempo. 
(C) similitude entre organizações sociais, desde as mais 
rudimentares, quanto às formas de evolução. 
(D) simultaneidade entre ações decorrentes de valores 
vigentes em determinada época, em um conjunto 
social. 
(E) oposição entre dois polos divergentes, que marcam as 
atitudes humanas na vida em sociedade. 
Ao distinguir os indivíduos em dois grandes grupos – 
trabalhadores e aventureiros –, o autor destaca uma série de 
oposições acerca das condutas e visões de mundo desses 
tipos de Homem. 
(Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) Esse tipo 
humano ignora as fronteiras. (início do 2º parágrafo) A 
expressão do texto que reproduz o sentido da frase acima 
é: 
(A) a mira de todo esforço. (1º parágrafo) 
(B) todos os processos intermediários. (1º parágrafo) 
(C) as qualidades próprias do aventureiro. (4º parágrafo) 
(D) a concepção espaçosa do mundo. (4º parágrafo) (E) uma 
recompensa imediata. (5º parágrafo) 
Ambas as passagens estão relacionadas à visão de mundo do 
tipo aventureiro e, por isso, reproduzem uma ética e conduta 
desse tipo de indivíduo. 
(Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) Considere as 
afi rmativas a respeito das frases iniciais do 1º e do 6º 
parágrafos: 
I. há evidente incoerência entre ambas, pois no 6º 
parágrafo o autor desmente o que foi afi rmado no 1º. 
II. o 6º parágrafo retoma o núcleo do que foi dito no 1º, de 
forma articulada, dando continuidade à explanação 
textual. 
III. a afi rmativa do 1º parágrafo pressupõe, desde o início 
do texto, o que foi explicitado no 6º, como sua repetição 
enfática. 
Está correto o que se afi rma SOMENTE em 
(A) I. 
(B) II. 
(C) III. 
(D) I e II. 
(E) II e III. 
 
I: incorreta, pois o autor não desmente a presença de dois 
tipos de indivíduos, mas ameniza qualquer radicalismo que os 
diferencie; II: correto; III: incorreto, pois a conceituação 
desses dois tipos, ao contrário do que o leitor possa pensar, 
só existe no plano das ideias, visto que tal análise só funciona 
para demonstrar as diferenças de conduta e ética dos 
indivíduos dentro da sociedade. 
 
(Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) A época 
predispunha aos gestos e façanhas audaciosos, 
galardoando bem os homens de grandes voos. (último 
parágrafo) O sentido contextual do segmento grifado acima 
está reproduzido abaixo, EXCETO em: 
(A) premiando os sujeitos voltados a feitos heroicos. 
(B) valorizando as pessoas capazes de superar obstáculos. 
(C) identifi cando os que enfrentavam enormes 
distâncias. 
(D) distinguindo com honrarias os que ultrapassam limites. 
(E) recompensando grandemente os autores de atos 
excepcionais. 
O autor faz referência às Grandes navegações que ocorreram 
durante o século XVI e identifi ca as grandes distâncias 
percorridas por esses navegadores na procura de novas 
terras. 
Atenção: As questões a seguir baseiam-se no texto 
apresentado abaixo. 
A cultura, e consequente organização social, política e 
econômica dominante na sociedade contemporânea, ainda 
é aquela que começou a nascer no século XVI, quando um 
conjunto de inovações tecnológicas num contexto histórico 
favorável contribuiu para o início do enterro do Antigo 
Regime, no qual a Terra estava no centro do universo, a 
ordem social era imutável e a Igreja, junto com o poder 
absolutista, tinha o monopólio da informação. 
A prensa de Gutenberg estava entre as inovações 
tecnológicas que contribuíram para a ascensão do mundo 
burguês. E os seus principais produtos - o livro e o jornal - 
foram entendidos durante muitos anos pela ordem 
dominante como ferramentas subversivas. Esta subversão 
gestou e gerou o mundo em que vivemos. Um mundo onde 
a iniquidade social ainda incomoda e assusta, mas no qual 
 
 
45 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
todas as barreiras para a geração de riqueza e de 
conhecimento foram derrubadas, num processo que 
também gerou a onda de inovação que estamos vivendo e 
a possibilidade de darmos o próximo salto. 
Não é função da indústria pensar a educação. A missão de 
qualquer empresa é lutar com todas assuas forças para 
crescer e se perpetuar. Mesmo quando isso vai de encontro 
aos interesses da comunidade em que ela está inserida. Ela 
jamais poderá pensar com a devida isenção numa 
plataforma de serviços focada em educação. 
Por isso mesmo, nenhum representante da indústria de 
tecnologia poderia ter sido pioneiro num projeto de 
educação fundamentado nas profundas e dramáticas 
mudanças que a cibernética tem trazido para as nossas 
vidas. 
(Trecho do artigo do jornalista Rodrigo Lara Mesquita. 
O Estado de S. Paulo, A2, 4 de maio de 2007.) 
(Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) É correto 
inferir do texto que seu autor, 
(A) como jornalista que é, questiona a importância do livro 
e do jornal no mundo contemporâneo, como 
instrumentos essenciais para a divulgação do 
conhecimento. 
(B) ao apontar a importância de algumas inovações 
tecnológicas do mundo moderno, reconhece a 
importância da cibernética para os projetos 
educacionais. 
(C) pensando em um projeto de educação efi caz, afasta 
qualquer possibilidade de envolvimento de empresas, a 
despeito do interesse que elas possam demonstrar. 
(D) ao reconhecer a inoperância do empresariado, 
especialmente na área da cibernética, ignora o impacto 
que essa tecnologia poderia causar em um projeto 
educacional. 
(E) como defensor do desenvolvimento tecnológico, 
propõe uma educação voltada especifi camente para a 
indústria da informática, base da integração social. 
A internet demonstrou ser um instrumento fundamental para o 
desenvolvimento de projetos educacionais. Além disso, a 
implantação de internet na rede de escolas proporciona à 
comunidade estudantil a possibilidade de uma melhor 
qualidade de ensino, bem como maior efi ciência na pesquisa 
acadêmica. 
 
(Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) E os seus 
principais produtos - o livro e o jornal - foram entendidos 
durante muitos anos pela ordem dominante como 
ferramentas subversivas. (2º parágrafo) É correto afi rmar, 
a respeito da expressão grifada acima, que o livro e o jornal 
(A) eram temidos em razão da possibilidade de 
disseminação de conhecimentos antes reservados e 
restritos a uma classe privilegiada. 
(B) representavam o pensamento e, portanto, o modo de 
vida da época, com os valores de uma classe 
ascendente, a burguesia. 
(C) eram utilizados pela classe dominante para divulgarem 
as novidades que surgiam, no contexto histórico 
daquele momento. 
(D) deram início a uma série de inovações tecnológicas que 
possibilitaram o avanço social e econômico durante o 
século XVI. 
(E) foram e ainda permanecem como símbolos das 
desigualdades sociais, especialmente decorrentes da 
incapacidade de leitura no mundo contemporâneo. 
Livros e jornais eram temidos por viabilizarem a disseminação 
de novos conhecimentos que eram restritos a apenas uma 
parcela da população. Tais meios de comunicação eram 
vistos como subversivos, pois ameaçavam a ordem vigente. 
 
(Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) Está 
INCORRETA a afi rmação que se faz a respeito dos 
parágrafos do texto: 
(A) O 1º parágrafo traça, de maneira rápida e sintética, um 
painel histórico e cultural existente numa determinada 
época. 
(B) Observa-se, especialmente no 2º parágrafo, emprego 
de palavras que adquirem sentido particular, percebido 
no contexto em que se encontram. 
(C) O 3º parágrafo constitui, em síntese, um argumento 
que justifi ca a opinião que vem exposta no 4º 
parágrafo. 
(D) A articulação sintático-semântica que se estabelece 
entre o 3º e o 4º parágrafos é de causa e consequência. 
(E) No 4º parágrafo o autor defende a ideia de que a 
indústria se torne responsável também por projetos 
educacionais voltados para o desenvolvimento social. 
O autor demonstra que a indústria não se responsabilizará por 
projetos educacionais, pois visa sempre ao crescimento e ao 
lucro. 
2. REDAÇÃO, COESÃO E COERÊNCIA 
Cada um fala como quer, ou como pode, ou como acha que 
pode. Ainda ontem me divertiu este trechinho de crônica do 
escritor mineiro Humberto Werneck, de seu livro Esse 
inferno vai acabar: 
 
 
“- Meu cabelo está pendoando – anuncia a prima, 
apalpando as melenas. 
Tenho anos, décadas de Solange, mas confesso que ela, 
com o seu solangês, às vezes me pega desprevenido. 
- Seu cabelo está o quê? 
- Pendoando – insiste ela, e, com a paciência de quem 
explica algo elementar a um total ignorante, traduz: 
- Bifurcando nas extremidades. 
É assim a Solange, criatura para a qual ninguém morre, mas 
falece, e, quando sobrevém esse infausto acontecimento, 
tem seu corpo acondicionado num ataúde, num esquife, 
num féretro, para ser inumado em alguma necrópole, ou, 
mais recentemente, incinerado em crematório. Cabelo de 
gente assim não se torna vulgarmente quebradiço: 
pendoa.” Isso me fez lembrar uma visita que recebemos em 
casa, eu ainda menino. Amigas da família, mãe e fi lha 
adolescente vieram tomar um lanche conosco. D. Glorinha, 
a mãe, achava meu pai um homem intelectualizado e 
caprichava no vocabulário. A certa altura pediu ela a mim, 
que estava sentado numa extremidade da mesa: - Querido, 
pode alcançar-me uma côdea desse pão? 
Por falta de preparo linguístico não sabia como atender a 
seu pedido. Socorreu-me a fi lha adolescente: 
- Ela quer uma casquinha do pão. Ela fala sempre assim na 
casa dos outros. 
A mãe fi cou vermelha, isto é, ruborizou, enrubesceu, rubifi 
cou, e olhou a fi lha com reprovação, isto é, dardejou-a com 
olhos censórios. 
Veja-se, para concluir, mais um trechinho do Werneck: 
“Você pode achar que estou sendo implicante, metido a 
policiar a linguagem alheia. Brasileiro é assim mesmo, 
adora embonitar a conversa para impressionar os outros. 
Sei disso. Eu próprio já andei escrevendo sobre o que 
chamei de ruibarbosismo: o uso de palavreado 
rebarbativo como forma de, numa discussão, reduzir ao 
silêncio o interlocutor ignaro. Uma espécie de gás 
paralisante verbal.” 
(Cândido Barbosa Filho, inédito) 
(Analista – TRT/1ª – 2012 – FCC) Está clara e correta a redação deste 
livre comentário sobre um aspecto do texto: 
(A) Nem todas as pessoas que utilizam um vocabulário 
rebuscado alcançam por isso qualquer ganho que se 
possa atribuir à seu poder de comunicação. 
(B) O autor do texto acredita que muita gente se vale de um 
palavreado rebuscado para intimidar ou mesmo calar os 
interlocutores menos cultos. 
(C) Ficou evidente que D. Glorinha buscava ilustrar as 
pessoas cujo vocabulário menos reduzido as deixasse 
impressionadas com tamanho requinte. 
(D) O termo “solangês”, tratando-se de um neologismo, 
aplica-se aos casos segundo os quais quem fala de modo 
rebarbativo parece aludir a tal Solange. 
(E) Não é difícil encontrar, aqui e ali, pessoas cujo intento é 
se apoderar de um alto vocabulário, tendo em vista o 
propósito de vir a impressionar quem não tem. 
A: incorreta. Além da falta de clareza e excesso de palavras 
para transmitir a ideia, há erro gramatical na colocação do 
acento grave antes de “seu poder” (não ocorre crase antes de 
palavra masculina); B: correta. A redação está clara, coerente 
e cumpre todas as regras gramaticais; C: incorreta. A redação 
está obscura e incoerente. Ela não faz sentido algum; D: 
incorreta. O excesso de pronomes torna o texto obscuro e 
prolixo; E: incorreta. O uso de palavras em sentido conotativo, 
como em “se apoderar de um alto vocabulário”, compromete 
a clareza da redação. 
 
Economia religiosa 
Concordo plenamente com Dom Tarcísio Scaramussa, da 
CNBB, quando ele afi rma que não faz sentido nem obrigar 
uma pessoaa rezar nem proibi-la de fazê-lo. A declaração 
do prelado vem como crítica à professora de uma escola 
pública de Minas Gerais que hostilizou um aluno ateu que 
se recusara a rezar o pai-nosso em sua aula. 
É uma boa ocasião para discutir o ensino religioso na rede 
pública, do qual a CNBB é entusiasta. Como ateu, não 
abraço nenhuma religião, mas, como liberal, não pretendo 
que todos pensem do mesmo modo. Admitamos, para 
efeitos de argumentação, que seja do interesse do Estado 
que os jovens sejam desde cedo expostos ao ensino 
religioso. Deve-se então perguntar se essa é uma tarefa que 
cabe à escola pública ou se as próprias organizações são 
capazes de supri-la, com seus programas de catequese, 
escolas dominicais etc. 
A minha impressão é a de que não faltam oportunidades 
para conhecer as mais diversas mensagens religiosas, 
onipresentes em rádios, TVs e também nas ruas. Na cidade 
de São Paulo, por exemplo, existem mais templos (algo em 
torno de 4.000) do que escolas públicas (cerca de 1.700). 
Creio que aqui vale a regra econômica, segundo a qual o 
Estado deve fi car fora das atividades de que o setor privado 
já dá conta. Outro ponto importante é o dos custos. Não me 
parece que faça muito sentido gastar recursos com 
professores de religião, quando faltam os de matemática, 
português etc. Ao contrário do que se dá com a religião, é 
difícil aprender física na esquina. 
Até 1997, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
acertadamente estabelecia que o ensino religioso nas 
escolas ofi ciais não poderia representar ônus para os cofres 
públicos. A bancada religiosa emendou a lei para empurrar 
essa conta para o Estado. Não deixa de ser um caso de 
esmola com o chapéu alheio. 
(Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, 06/04/2012) 
(Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Está clara e correta a redação deste 
livre comentário sobre o texto: O articulista da Folha de S. 
Paulo 
 
 
47 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(A) propugna de que tanto o liberalismo quanto o ateísmo 
podem convergir, para propiciar a questão do ensino 
público da religião. 
(B) defende a tese de que não cabe ao Estado, inclusive por 
razões econômicas, promover o ensino religioso nas 
escolas públicas. 
(C) propõe que se estenda à bancada religiosa a decisão de 
aceitar ou rejeitar, segundo seus interesses, o ensino 
privado da religião. 
(D) argumenta que no caso do ensino religioso, acatado 
pelos liberais, não se trata de ser a favor ou contra, mas 
arguir a real competência. 
(E) insinua que o ensino público da religião já se faz a 
contento, por que as emissoras de comunicação 
intentam-no em grande escala. 
 
A: incorreta. O autor cita sua condição de ateu e liberal sem 
misturá-las: a primeira serve para criticar o ensino religioso em 
si, a segunda para afastar a obrigação do Estado de ministrá-
lo; B: correta, nos termos do comentário à alternativa anterior; 
C: incorreta. Não há qualquer proposta nesse sentido no texto. 
Ademais, o autor critica o papel das bancadas religiosas no 
Poder Legislativo; D: incorreta. O autor não afi rma que os 
liberais concordam com o ensino religioso. Ele mesmo, um 
liberal, é contra a imposição dele pelo Estado; E: incorreta. O 
autor não insinua, ele afi rma. Defende abertamente que os 
meios de comunicação e os próprios templos já cumprem o 
papel de expor todos, principalmente as crianças, aos 
conceitos religiosos. 
 
Fora com a dignidade 
Acho ótimo que a Igreja Católica tenha escolhido a saúde 
pública como tema de sua campanha da fraternidade deste 
ano. Todas as burocracias – e o SUS não é uma exceção – 
têm a tendência de acomodar-se e, se não as sacudirmos de 
vez em quando, caem na abulia. É bom que a Igreja use seu 
poder de mobilização para cobrar melhorias. 
Tenho dúvidas, porém, de que o foco das ações deva ser o 
combate ao que dom Odilo Scherer, numa entrevista, 
chamou de terceirização e comercialização da saúde. É 
verdade que colocar um preço em procedimentos médicos 
nem sempre leva ao melhor dos desfechos, mas é 
igualmente claro que consultas, cirurgias e drogas têm 
custos que precisam ser gerenciados. Ignorar as leis de 
mercado, como parece sugerir dom Odilo, provavelmente 
levaria o sistema ao colapso, prejudicando ainda mais os 
pobres. 
Para o religioso, é “a dignidade do ser humano” que deve 
servir como critério moral na tomada de decisões relativas 
a vida e morte. O problema com a “dignidade” é que ela é 
subjetiva demais. A pluralidade de crenças e preferências do 
ser humano é tamanha que o termo pode signifi car 
qualquer coisa, desde noções banais, como não humilhar 
desnecessariamente o paciente (forçando-o, por exemplo, a 
usar aqueles horríveis aventais vazados atrás), até a adesão 
profunda a um dogma religioso (há confi ssões que não 
admitem transfusões de sangue). 
Numa sociedade democrática não podemos simplesmente 
apanhar uma dessas concepções e elevá-la a valor 
universal. E, se é para operar com todas as noções possíveis, 
então já não estamos falando de dignidade, mas, sim, de 
respeito à autonomia do paciente, conceito que a substitui 
sem perdas. 
(Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, março/2012) 
(Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Está clara e correta a redação 
deste livre comentário sobre o texto. 
(A) Presume-se que o autor não defenda a ideia de que deva 
o Estado assumir inteira responsabilidade pela prestação 
de quaisquer serviços públicos de alto custo. (B ) Não seria 
possível, para o autor, que os serviços mais onerosos aos 
cofres públicos compitam ao Estado resolver com seus 
próprios meios. 
(C) Uma vez que se atendam as leis do mercado, até 
mesmo o Estado poderia precaver as ações na área 
da saúde, sem desmerecer uma sociedade democrática. 
(D) Entre o que se prega nas religiões e o que implica as leis 
de mercado, as questões de saúde nada têm a haver 
com a suposta dignidade humana. 
(E) Apenas nas crenças que não operam restrições a 
medidas de saúde, leva-se em conta o valor universal da 
dignidade humana, para ser bem demonstrado. 
 
A: correta. A redação está clara a atende a todos os preceitos 
gramaticais; B: incorreta. Falta clareza na redação. Melhor 
seria retirar o trecho: “resolver com seus próprios meios”, que 
é redundante e não acrescenta nada ao argumento; C: 
incorreta. O trecho é incoerente, porque a conclusão não 
decorre logicamente dos argumentos apresentados. Além 
disso, os verbos “precaver” e “desmerecer” estão “soltos” no 
período, não sendo possível compreender seu uso; D: 
incorreta. Mais uma vez, a conclusão apresentada não guarda 
coerência com as premissas; E: incorreta. Não há vírgula após 
“saúde” e deveria ser suprimida a expressão “para ser bem 
demonstrado”, que está completamente desvinculada do 
texto. 
 
O mito napoleônico baseia-se menos nos méritos de 
Napoleão do que nos fatos, então sem paralelo, de sua 
carreira. Os homens que se tornaram conhecidos por terem 
abalado o mundo de forma decisiva no passado tinham 
começado como reis, como Alexandre, ou patrícios, como 
 
 
Júlio César, mas Napoleão foi o “pequeno cabo” que galgou 
ao comando de um continente pelo seu puro talento 
pessoal. Todo homem de negócios daí em diante tinha um 
nome para sua ambição: ser − os próprios clichês o 
denunciam − um “Napoleão das fi nanças” ou “da 
indústria”. Todos os homens comuns fi cavam excitados 
pela visão, então sem paralelo, de um homem comum 
maior do que aqueles que tinham nascido para usar coroas. 
Em síntese, foi a fi gura com que todo homem que partisse 
os laços com a tradição podia se identifi car em seus sonhos. 
Para os franceses ele foitambém algo bem mais simples: o 
mais bem-sucedido governante de sua longa história. 
Triunfou gloriosamente no exterior, mas, em termos 
nacionais, também estabeleceu ou restabeleceu o 
mecanismo das instituições francesas como existem hoje. 
Ele trouxe estabilidade e prosperidade a todos, exceto para 
os 250 mil franceses que não retornaram de suas guerras, 
embora até mesmo para os parentes deles tivesse trazido a 
glória. Sem dúvida, os britânicos se viam como lutadores 
pela causa da liberdade contra a tirania; mas em 1815 a 
maioria dos ingleses era mais pobre do que o fora em 1800, 
enquanto a maioria dos franceses era quase certamente 
mais rica. 
Ele destruíra apenas uma coisa: a Revolução de 1789, o 
sonho de igualdade, liberdade e fraternidade, do povo se 
erguendo na sua grandiosidade para derrubar a opressão. 
Este foi um mito mais poderoso do que o dele, pois, após a 
sua queda, foi isto e não a sua memória que inspirou as 
revoluções do século XIX, inclusive em seu próprio país. 
(Adaptado de Eric. J. Hobsbawm. A era das revoluções − 1789- 
1848. 7ª ed. Trad. de Maria Tereza Lopes Teixeira e Marcos 
Penchel. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989, p.93-4) (Analista – TRT9 – 
2012 – FCC) Todos os homens comuns fi cavam excitados pela 
visão [...] de um homem comum maior do que aqueles que 
tinham nascido para usar coroas. 
Uma nova redação para a frase acima, em que se preservam 
a correção e a clareza, está em: 
(A) Os homens comuns, quando viam que um homem 
comum como eles era maior do que os nascidos para 
usar coroas, não tendo como não fi car excitados. 
(B) Ver os homens comuns que um homem também 
comum era maior do que os nascidos para usar coroas 
eram o que os deixavam excitados. 
(C) A visão de um homem comum maior do que aqueles 
nascidos para usar coroas, deixavam excitados todos os 
homens que eram tão comuns como ele. 
(D) Não havia homem comum que não fi casse excitado 
pela visão de um homem também comum que se 
tornara maior do que os nascidos para usar coroas. 
(E) À medida em que via um homem comum maior do que 
aqueles nascidos para usar coroas, todo homem 
comum fi cava excitado com a visão que tivesse. 
 
A: incorreta. A redação, além de apresentar repetições 
desnecessárias de termos, está incorreta no último trecho. 
Deveria constar “tinham” em vez de “tenham”; B: incorreta. A 
redação está confusa. Além disso, deveria constar “era” em 
vez de “eram”; C: incorreta. Não deveria haver vírgula após 
“coroas” e o verbo deveria estar no singular (“deixava”); D: 
correta. A redação está clara, mantém o sentido original do 
texto e respeita todos os preceitos gramaticais; E: incorreta. A 
redação está repleta de repetições desnecessárias, tornando-
a prolixa e um tanto confusa. 
Em outubro de 1967, quando Gilberto Gil e Caetano Veloso 
apresentaram as canções Domingo no parque e Alegria, 
Alegria, no Festival da TV Record, logo houve quem 
percebesse que as duas canções eram infl uenciadas pela 
narrativa cinematográfi ca: repletas de cortes, 
justaposições e fl ashbacks. Tal suposição seria confi rmada 
pelo próprio Caetano quando declarou que fora “mais infl 
uenciado por Godard e Glauber do que pelos Beatles ou 
Dylan”. Em 1967, no Brasil, o cinema era o que havia de 
mais intenso e revolucionário, superando o próprio teatro, 
cuja inquietação tinha incentivado os cineastas a iniciar o 
movimento que fi cou conhecido como Cinema Novo. 
O Cinema Novo nasceu na virada da década de 1950 para a 
de 1960, sobre as cinzas dos estúdios Vera Cruz (empresa 
paulista que faliu em 1957 depois de produzir dezoito fi 
lmes). “Nossa geração sabe o que quer”, dizia o baiano 
Glauber Rocha já em 1963. Inspirado por Rio 40 graus e por 
Vidas secas, que Nelson Pereira dos Santos lançara em 1954 
e 1963, Glauber Rocha transformaria, com Deus e o diabo 
na terra do sol, a história do cinema no Brasil. Dois anos 
depois, o cineasta lançou Terra em Transe, que talvez tenha 
marcado o auge do Cinema Novo, além de ter sido uma das 
fontes de inspiração do Tropicalismo. 
A ponte entre Cinema Novo e Tropicalismo fi caria mais 
evidente com o lançamento, em 1969, de Macunaíma, de 
Joaquim Pedro de Andrade. Ao fazer o fi lme, Joaquim Pedro 
esforçou-se por torná-lo um produto afi nado com a cultura 
de massa. “A proposição de consumo de massa no Brasil é 
algo novo. A grande audiência de TV entre nós é um 
fenômeno novo. É uma posição avançada para o cineasta 
tentar ocupar um lugar dentro dessa situação”, disse ele. 
Incapaz de satisfazer plenamente as exigências do mercado, 
o Cinema Novo deu os seus últimos suspiros em fi ns da 
década de 1970 − período que marcou o auge das 
potencialidades comerciais do cinema feito no Brasil. 
(Adaptado de Eduardo Bueno. Brasil: uma história. Ed. Leya, 
2010. p. 408) (Analista – TRT9 – 2012 – FCC) Incapaz de satisfazer 
plenamente as exigências do mercado, o Cinema Novo deu 
os seus últimos suspiros em fi ns da década de 1970 − 
período que marcou o auge das potencialidades comerciais 
do cinema feito no Brasil. 
Uma redação alternativa para a frase acima, em que se 
mantêm a correção, a lógica e, em linhas gerais, o sentido 
original, é: 
(A) Como não fosse capaz de satisfazer plenamente as 
exigências do mercado, o Cinema Novo acabou no fi nal da 
década de 1970: período que se destaca, as potencialidades 
 
 
49 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
comerciais, do cinema feito no Brasil. (B) Conquanto não 
pudesse satisfazer plenamente as exigências do mercado, o 
Cinema Novo terminou no fi nal da década de 1970, período 
que, marcou o auge das potencialidades comerciais do 
cinema feito no Brasil. 
(C) Como não pôde satisfazer plenamente as exigências do 
mercado, o Cinema Novo acabou em fi ns da década de 
1970, período em que as potencialidades comerciais do 
cinema feito no Brasil atingiram o seu apogeu. 
(D) O Cinema Novo, incapaz de satisfazer plenamente as 
exigências do mercado não resistiu e terminou no fi nal 
da década de 1970, onde as potencialidades comerciais 
do cinema feito no Brasil atingiria o seu apogeu. 
(E) O cinema feito no Brasil, atinge o seu potencial 
comercial máximo no fi nal da década de 1970, quando, 
não podendo satisfazer plenamente as exigências do 
mercado terminava o Cinema Novo. 
 
A: incorreta. O erro está no último trecho, onde deveria 
constar: “período em que se destacam as potencialidades 
comerciais do cinema feito no Brasil”; B: incorreta. 
“Conquanto” é sinônimo de “embora”, “não obstante”, ou seja, 
tem valor concessivo. Seu uso indica que, após a enunciação 
de um fato, falaremos de outro que lhe é contrário, que 
aconteceu apesar dos obstáculos impostos pelo primeiro. No 
caso, o fi m do Cinema Novo é consequência de sua 
incapacidade de satisfazer as exigências do mercado; C: 
correta. A redação está clara, coerente e correta, mantendo o 
sentido original do texto; D: incorreta. Aqui, os erros são 
gramaticais. Deveria haver vírgula após “mercado”, deveria 
constar “quando” em vez de “onde” e o verbo “atingir” deveria 
estar conjugado no plural; E: incorreta. Há também diversos 
erros gramaticais. Não deveria haver vírgula depois de “Brasil” 
e faltou o mesmo sinal de pontuação após “mercado”. 
 
Fotografi as 
Toda fotografi a é um portal aberto para outra dimensão: o 
passado. A câmara fotográfi ca é uma verdadeira máquina 
do tempo, transformando o que é naquilo que já não é mais, 
porque o que temos diante dos olhos é transmudado 
imediatamente em passado no momento do clique. 
Costumamos dizer que a fotografi a congela o tempo, 
preservando um momento passageiro para toda a 
eternidade, e issonão deixa de ser verdade. Todavia, existe 
algo que descongela essa imagem: nosso olhar. Em francês, 
imagem e magia contêm as mesmas cinco letras: image e 
magie. Toda imagem é magia, e nosso olhar é a varinha de 
condão que descongela o instante aprisionado nas geleiras 
eternas do tempo fotográfi co. 
Toda fotografia é uma espécie de espelho da Alice do País 
das Maravilhas, e cada pessoa que mergulha nesse espelho 
de papel sai numa dimensão diferente e vivencia 
experiências diversas, pois o lado de lá é como o albergue 
espanhol do ditado: cada um só encontra nele o que trouxe 
consigo. Além disso, o signifi cado de uma imagem muda 
com o passar do tempo, até para o mesmo observador. 
Variam, também, os níveis de percepção de uma fotografi 
a. Isso ocorre, na verdade, com todas as artes: um músico, 
por exemplo, é capaz de perceber dimensões sonoras 
inteiramente insuspeitas para os leigos. Da mesma forma, 
um fotógrafo profi ssional lê as imagens fotográfi cas de 
modo diferente daqueles que desconhecem a sintaxe da 
fotografi a, a “escrita da luz”. Mas é difícil imaginar alguém 
que seja insensível à magia de uma foto. 
(Adaptado de Pedro Vasquez, 
em Por trás daquela foto. São Paulo: Companhia das Letras, 2010) 
(Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) No contexto do primeiro 
parágrafo, o segmento Todavia, existe algo que descongela 
essa imagem pode ser substituído, sem prejuízo para a 
correção e a coerência do texto, por: 
(A) Tendo isso em vista, há que se descongelar essa 
imagem. 
(B) Ainda assim, há mais que uma imagem descongelada. 
(C) Apesar de tudo, essa imagem descongela algo. 
(D) Há, não obstante, o que faz essa imagem descongelar. 
(E) Há algo, outrossim, que essa imagem descongelará. 
 
“Todavia” é sinônimo de “mas”, “porém”, “contudo”, “não 
obstante”. Essa informação é sufi ciente para identifi car a 
alternativa “D” como correta, porque todas as outras trazem 
conjunções que transmitem ideias diferentes. Além disso, nas 
demais alternativas, a alteração dos tempos verbais e da 
colocação dos termos da oração promoveu mudanças de 
sentido. 
 
(Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) Está clara e correta a redação 
deste livre comentário sobre o texto: 
(A) Apesar de se ombrearem com outras artes plásticas, a 
fotografi a nos faz desfrutar e viver experiências de 
natureza igualmente temporal. 
(B) Na superfície espacial de uma fotografi a, nem se 
imagine os tempos a que suscitarão essa imagem 
aparentemente congelada... 
(C) Conquanto seja o registro de um determinado espaço, 
uma foto leva-nos a viver profundas experiências de 
caráter temporal. 
(D) Tal como ocorrem nos espelhos da Alice, as 
experiências físicas de uma fotografi a podem se 
inocular em planos temporais. 
 
 
(E) Nenhuma imagem fotográfi ca é congelada sufi 
cientemente para abrir mão de implicâncias semânticas 
no plano temporal. 
A: incorreta. O vocabulário excessivamente rebuscado e o uso 
das palavras em sentido conotativo comprometem a clareza 
do texto; B: incorreta. A prolixidade do trecho compromete sua 
clareza; C: correta. A redação está clara e respeita todos os 
preceitos gramaticais; D: incorreta. Há erro de concordância 
no trecho. Deveria constar “ocorre” em vez de “ocorrem”; E: 
incorreta. O trecho chega a ser incoerente de tão confuso. Não 
é possível discernir a mensagem que está sendo transmitida. 
 
(Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) É preciso reelaborar, para sanar 
falha estrutural, a redação da seguinte frase: 
(A) O autor do texto chama a atenção para o fato de que o 
desejo de promover a igualdade corre o risco de obter 
um efeito contrário. 
(B) Embora haja quem aposte no critério único de 
julgamento, para se promover a igualdade, visto que 
desconsideram o risco do contrário. 
(C) Quem vê como justa a aplicação de um mesmo critério 
para julgar casos diferentes não crê que isso reafi rme 
uma situação de injustiça. 
(D) Muitas vezes é preciso corrigir certas distorções 
aplicando- se medidas que, à primeira vista, parecem 
em si mesmas distorcidas. 
(E) Em nossa época, há desequilíbrios sociais tão graves 
que tornam necessários os desequilíbrios 
compensatórios de uma ação corretiva. 
Todas as alternativas apresentam redações corretas e claras, 
com exceção da letra “B”, que deve ser assinalada. Há falha 
na escolha das conjunções, as quais tornam o texto 
incoerente, no uso da vírgula e na obscuridade do fecho. 
Melhor seria redigir: “Aqueles que apostam no critério único 
de julgamento para se promover a igualdade entendem que 
não se pode desconsiderar o risco de prejuízo com o uso de 
parâmetros diferenciados”. 
(Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) A frase redigida de modo claro e 
condizente com o padrão culto escrito é: 
(A) Não posso atribuir unicamente a precária condição de 
acesso à Educação a apenas a condição de miscigenação 
dos que desejam ascender à sua dignidade. (B) Os 
resultados da pesquisa científi ca levada a efeito no ano 
passado deve ser aberta àquele núcleo que a instigou, não 
devendo fi car restrito aos especialistas. 
(C) A criação, coordenação e assessoria a cursos profi 
ssionalizantes está a cargo de ambos os formados na 
área, de cujo conhecimento de ponta muito se 
depende. 
(D) Advoguei junto ao chefe do rapaz que sua atuação tanto 
profi ssional como em sociedade não deixava nada à 
desejar, o que lhe ajudou bastante naquela pendência. 
(E) Ele era o único que espontaneamente se dignava de 
ouvir-nos a todos, sem exceção, e consentia prazeroso 
até o depoimento mais insosso ou desajeitado. 
 
A: oração truncada, sem sentido. Há várias possibilidades de 
construção, dependendo do que o autor quer comunicar; B: 
“Os resultados da pesquisa científi ca, levada a efeito no ano 
passado, devem ser abertos àquele núcleo que a motivou. Os 
resultados não devem fi car restritos aos especialistas.” Notem 
que nem sempre é possível omitir termos e tornar a 
construção mais enxuta; C: “estão a cargo”. O sujeito do verbo 
estar é composto: “A criação, coordenação e assessoria”; D: 
um redação possível é “Advoguei junto ao chefe do rapaz. 
Quanto à sua atuação, tanto profi ssional como em sociedade, 
não deixava nada a [não ocorre a crase antes do verbo] 
desejar, fato que o [objeto direto do verbo ajudar] ajudou 
bastante naquela pendência.” 
 
Texto para as próximas duas questões. 
Os homens-placa 
Uma cabeleira cor-de-rosa ou verde, um nariz de palhaço, 
luvas de Mickey gigantescas, pouco importa. Eis que surge 
numa esquina, e replica-se em outras dez, o personagem 
mais solitário de nossas ruas, o homem-placa das novas 
incorporações imobiliárias. Digo homem-placa, não porque 
ele seja vítima do velho sistema de fi car ensanduichado 
entre duas tábuas de madeira anunciando remédios ou 
espetáculos de teatro, nem porque, numa versão mais 
recente, amarrem-lhe ao corpo um meio colete de plástico 
amarelo para avisar que se compra ouro ali por perto. Ele é 
homem-placa porque sua função é mostrar, a cada 
encruzilhada mais importante do caminho, a direção certa 
para o novo prédio de apartamentos que está sendo 
lançado. Durante uma época, a prática foi encostar carros 
velhíssimos, verdadeiras sucatas, numa vaga de esquina, 
colocando o anúncio do prédio em cima da capota. O efeito 
era ruim, sem dúvida. Como acreditar no luxo e na distinção 
do edifício Duvalier, com seu espaço gourmet e seu depósito 
de vinho individual, se todo o sonho estava montado em 
cima de um Opala 74 cor de tijolo com dois pneus no chão? 
Eliminaram-se os carros-placa, assim como já pertencem ao 
passado os grandes lançamentos performáticosdo 
mercado imobiliário. A coisa tinha, cerca de dez anos atrás, 
proporções teatrais. Determinado prédio homenageava a 
Nova York eterna: mocinhas eram contratadas para se 
fantasiarem de Estátua da Liberdade, com o rosto pintado 
de verde, a tocha de plástico numa mão, o folheto colorido 
na outra. Ou então era o Tio Sam, eram Marilyns e 
Kennedys, que ocupavam a avenida Brasil, a Nove de Julho, 
as ruas do Itaim. 
Esses homens e mulheres-placa não se comparam sequer ao 
guardador de carros, que precisa impor certa presença ao 
cliente incauto. Estão ali graças à sua inexistência social. Só 
que sua função, paradoxalmente, é a de serem vistos; um 
cabelo azul, um gesto repetitivo apontando o caminho já 
bastam. 
(Adaptado de: Marcelo Coelho, 
www.marcelocoelho.folha.blogspot.uol.com) 
 
 
51 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) É preciso corrigir, devido à má 
estruturação, a redação da seguinte frase: 
(A) Os homens-placa fi cam ensanduichados entre tábuas 
ou pranchas de metal, transportando-as pelas ruas 
reduzidos à condições de suporte. 
(B) Sensibilizou-se o autor do texto com a condição 
humilhante desses homens e mulheres-placa, tratados 
como se fossem coisas, destituídos de sua humanidade. 
(C) Não se sabe a quem ocorreu a ideia, uma vez que 
condomínios de luxo certamente não combinam com 
sucata, de que usaram como base de anúncio. 
(D) Alguém, num momento infeliz, teve a lamentável ideia 
de usar carros velhos como suporte de propaganda para 
a venda de imóveis de luxo. 
(E) Defi nitivamente, quem procura imóvel com espaço 
gourmet ou depósito de vinho individual não se deixará 
atrair pela propaganda apoiada num velho Opala de cor 
berrante. 
Preste atenção em questões como essa. Logo na alternativa 
A encontramos erro quanto ao uso da crase (“reduzidos à 
condições”), porém o que se pede é correção quanto à 
estruturação da redação. A: quanto ao termo 
“ensanduichados”, embora não haja registro de sua 
ocorrência em dicionários, certamente se trata de um 
neologismo que o autor do texto criou. Nesse momento, 
ignorar o termo “ensanduichados”. Nessa alternativa há 
necessidade de correção em “reduzidos a condições”. O 
termo “reduzidos” exige preposição a, porém a palavra regida 
“condições” está no plural e não há o artigo defi nido feminino. 
A crase não ocorre; B, D e E: redações corretas; C: a 
correlação entre as orações está truncada. Não é possível 
identifi car claramente os sujeitos a que os verbos se referem, 
nem seus complementos. A redação não é inteligível. 
 
(Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) Está clara e correta a redação 
deste livre comentário sobre o texto: 
(A) Quando o corpo humano se reduz em suporte 
exclusivamente material para qualquer coisa, nossa 
dignidade deixa de ter preço. 
(B) Requer-se de um guardador de carros, diferentemente 
do que ocorre com um homem-placa, que tenha 
iniciativa e presença. 
(C) Há momentos onde o afã de se fazer propaganda não 
mede esforços para lançar mão dos mais grotescos 
recursos. 
(D) Ainda se vê em grandes cidades as fi guras antagônicas 
de pobres entalados em cartazes nos quais se diz 
venderem ouro. 
(E) Muitos acreditam ter requinte em morar num edifício 
de nome estrangeiro, além das novidades ligadas à 
onda de gastronomia. 
A: “Quando o corpo humano se reduz a um suporte”; B: 
redação correta; C: “Há momentos em que [usar o pronome 
onde somente quando há referência a lugar]”; D: “Ainda se 
veem (...) as fi guras (...) de pobres entalados em cartazes nos 
quais se diz vender ouro”; E: “Muitos acreditam haver algum 
requinte em morar em um edifício de nome estrangeiro”. O 
período “além das novidades ligadas à onda de gastronomia”, 
parece fora de contexto. 
 
Do homicídio* 
Cabe a vós, senhores, examinar em que caso é justo privar 
da vida o vosso semelhante, vida que lhe foi dada por Deus. 
Há quem diga que a guerra sempre tornou esses homicídios 
não só legítimos como também gloriosos. Todavia, como 
explicar que a guerra sempre tenha sido vista com horror 
pelos brâmanes, tanto quanto o porco era execrado pelos 
árabes e pelos egípcios? Os primitivos aos quais foi dado o 
nome ridículo de quakers** fugiram da guerra e a 
detestaram por mais de um século, até o dia em que foram 
forçados por seus irmãos cristãos de Londres a renunciar a 
essa prerrogativa, que os distinguia de quase todo o 
restante do mundo. Portanto, apesar de tudo, é possível 
abster-se de matar homens. 
Mas há cidadãos que vos bradam: um malvado furou-me 
um olho; um bárbaro matou meu irmão; queremos 
vingança; quero um olho do agressor que me cegou; quero 
todo o sangue do assassino que apunhalou meu irmão; 
queremos que seja cumprida a antiga e universal lei de 
talião. 
Não podereis acaso responder-lhes: “Quando aquele que 
vos cegou tiver um olho a menos, vós tereis um olho a mais? 
Quando eu mandar supliciar aquele que matou vosso 
irmão, esse irmão será ressuscitado? Esperai alguns dias; 
então vossa justa dor terá perdido intensidade; não vos 
aborrecerá ver com o olho que vos resta a vultosa soma de 
dinheiro que obrigarei o mutilador a vos dar; com ela 
vivereis vida agradável, e além disso ele será vosso escravo 
durante alguns anos, desde que lhe seja permitido 
conservar seus dois olhos para melhor vos servir durante 
esse tempo. Quanto ao assassino do seu irmão, será vosso 
escravo enquanto viver. Eu o tornarei útil para sempre a 
vós, ao público e a si mesmo”. 
É assim que se faz na Rússia há quarenta anos. Os 
criminosos que ultrajaram a pátria são forçados a servir à 
pátria para sempre; seu suplício é uma lição contínua, e foi 
a partir de então que aquela vasta região do mundo deixou 
de ser bárbara. 
(Voltaire – O preço da justiça. São Paulo: Martins Fontes, 2001, 
pp. 15/16. Trad. de Ivone Castilho Benedetti) 
 
 
* Excerto de texto escrito em 1777, pelo fi lósofo iluminista 
francês Voltaire (1694-1778). 
** Quaker – associação religiosa inglesa do séc. XVI, 
defensora do pacifi smo. 
(Analista – TRT/23ª – 2011 – FCC) Deve-se CORRIGIR, por defi 
ciência estrutural, a redação deste livre comentário sobre o 
texto: 
(A) O tratamento de vós, que hoje nos soa tão cerimonioso, 
ecoa uma época em que se aliavam boa argumentação 
e boa retórica. 
(B) Voltaire não hesita em lembrar as vantagens reais da 
aplicação de penas que poupam a vida do criminoso 
para que pague pelo que fez. 
(C) Como sempre há quem defenda os castigos capitais, 
razão pela qual Voltaire buscou refutá-los, através de 
alternativas mais confi áveis. 
(D) Note-se a preocupação que tem esse iluminista francês 
em escalonar as penas de modo a que nelas se preserve 
adequada relação com o crime cometido. 
(E) Na refutação aos que defendem a pena de talião, 
Voltaire argumenta que o mal já causado não se sana 
com um ato idêntico ao do criminoso. 
Uma redação possível, menos truncada seria: “Como sempre 
há quem defenda os castigos capitais, refutados por Voltaire, 
que defendia alternativas a esses castigos.” 
Assim como os antigos moralistas escreviam máximas, deu-
me vontade de escrever o que se poderia chamar de 
mínimas, ou seja, alguma coisa que, ajustada às limitações 
do meu engenho, traduzisse um tipo de experiência vivida, 
que não chega a alcançar sabedoria mas que, de qualquer 
modo, é resultado de viver. 
Andei reunindo pedacinhos de papel em que estas 
anotações vadias foram feitas e ofereço-as ao leitor, sem 
que pretenda convencê-lo do que penso nem convidá-lo a 
repensar suas ideias. São palavras que, de modo canhestro, 
aspiram a enveredar pelo avessodas coisas, admitindo-se 
que elas tenham um avesso, nem sempre perceptível mas 
às vezes curioso ou surpreendente. 
C.D.A. 
(Carlos Drummond de Andrade. O avesso das coisas [aforismos]. 
5.ed. Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 3) 
(Analista – TRF/1ª – 2011 – FCC) ...admitindo-se que elas tenham 
um avesso... 
Respeitando a situação em que foi empregada a frase 
acima, a ÚNICA reformulação INCORRETA para o segmento 
destacado é: 
(A) no caso de se admitir que. 
(B) caso se admita que. 
(C) tomando-se como pressuposto que. 
(D) visto que é patente que. 
(E) aceitando como hipótese que. 
 
Pelo contexto: “São palavras que, de modo canhestro, 
aspiram a enveredar pelo avesso das coisas, admitindo-se 
que elas tenham um avesso” vemos que trata-se de uma 
hipótese. A única alternativa que não tem apresenta um termo 
condicional é “visto que é patente que“. 
 
Atenção: a questão seguinte baseia-se no texto 
apresentado abaixo. 
A correspondência ofi cial não dispensa nem os protocolos 
de rigor que lhe são próprios, nem a máxima objetividade 
no tratamento do assunto em tela. Não cabendo o 
coloquialismo do tratamento na pessoa você, é preciso 
conhecer o emprego mais cerimonioso de Vossa Senhoria e 
Vossa Excelência, por exemplo, para os casos em que essas 
ou outras formas mais respeitosas se impõem. Quanto à 
disposição da matéria tratada, a redação deve ser clara e 
precisa, para que se evitem ambiguidades, incoerências e 
quebras sintáticas. 
(Diógenes Moreyra, inédito) 
(Analista – TRT/16ª – 2009 – FCC) A ocorrência de ambiguidade e 
falta de clareza faz necessária uma revisão da seguinte 
frase: 
(A) Causa-nos revolta, a todos, o pouco interesse que ele 
vem demonstrando na condução desse processo – 
razão pela qual há quem peça a demissão dele. 
(B) Conquanto ele nos haja dado uma resposta inconclusiva 
e protelado a decisão, há quem creia que nos satisfará 
o desfecho deste caso. 
(C) Inconformados com a resposta insatisfatória que nos 
deu, reiteramos o pedido para que ele não deixe de 
tomar as providências que o caso requer. 
(D) Ele deu uma resposta insatisfatória à providência que 
lhe solicitamos, em razão da qual será preciso insistir 
em que não venha a repeti-la. 
(E) Caso não sejam tomadas as providências cabíveis, 
seremos obrigados a comunicar à Direção o menoscabo 
com que está sendo tratado este caso. 
O referente do pronome feminino a em “repeti-la” não está 
claro. Trata-se da repetição da “resposta” ou da “providência”? 
Atenção: As próximas duas questões referem-se ao texto 
transcrito abaixo. 
1 Vários historiadores têm procurado entender a 
originalidade da monarquia brasileira vinculando-a à 
chegada da família real ao Brasil em 1808. De fato, é no 
mínimo inusitado pensar numa colônia sediando a capital 
5 de um império. Chamada por Maria Odila Leite da Silva 
Dias de a “internacionalização da metrópole”, a instalação 
no Brasil da corte portuguesa, que fugia das tropas 
napoleônicas, signifi cou não apenas um acidente fortuito, 
mas um momento angular da história nacional e de um 
10 processo singular de emancipação. Fuga ou golpe 
político, o fato é que com D. João e sua família, e 
contando com a ajuda inglesa, transferiram-se para o 
país a própria corte portuguesa — cujo número estimado 
de pessoas chegava a 
20 mil, sendo que a cidade do Rio possuía apenas 60 mil 
 
 
53 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
15 almas — e várias instituições metropolitanas. Mas não era 
só: comerciantes ingleses e franceses, artistas italianos e 
naturalistas austríacos vinham junto com os baús. Difícil 
imaginar choque cultural maior. 
Transformado em reino unido já em 1815, o Brasil 
20 passou a distanciar-se, aos poucos, de seu antigo estatuto 
colonial, ganhando uma autonomia relativa jamais 
conhecida naquele contexto. A partir de então, o Rio de 
Janeiro tornou-se capital de Portugal e de suas 
possessões na África e na Ásia, e os portos brasileiros se 
abriram ao 
25 comércio britânico (seguindo o acerto feito com a 
Inglaterra, que assegurou o transporte da corte, mas o 
trocou por esse acordo comercial). Tais fatos alteraram 
radicalmente a situação da colônia portuguesa na 
América. 
(Adaptado de SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do 
imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. 
São Paulo: Companhia das Letras, 
1999, p. 35-36.) 
(Analista – ANS – 2007 – FCC) Levando em conta as relações de 
sentido estabelecidas no texto, é correto dizer que 
(A) a expressão choque cultural (linha 18) faz referência às 
diferenças de desenvolvimento verifi cáveis entre 
portugueses e outros povos europeus à época. 
(B) o segmento é no mínimo (linhas 3 e 4) equivale a “é pelo 
menos” e empresta tom enfático à avaliação feita. 
(C) o fragmento Mas não era só (linhas 15 e 16) é seguido 
de esclarecimento que contradiz as afi rmações 
anteriores. 
(D) a conjunção mas (linha 9) pode ser substituída, sem 
prejuízo do sentido e da correção do trecho em que 
aparece, por “e sim”. 
(E) o termo então (linha 22) tem como referência o ano de 
1808. 
 
A: incorreta, pois o choque cultural é a aproximação das 
culturas europeia e brasileira com a chegada da corte 
portuguesa ao Brasil. (linhas 11 a 13); B: correta, pois a 
expressão indica que inusitado é apenas uma parte do que se 
pode dizer dos fatos e enfatiza a estranheza dos ocorridos; C: 
incorreta, pois não há contradição e sim complementação. A 
expressão indica que não apenas chegou um grande número 
de pessoas, mas também que essas pessoas eram 
representativas para a mudança do cenário; D: incorreta, pois 
o mas em questão tem valor adversativo, caráter não 
contemplado pela expressão “e sim”, com valor alternativo 
exclusivo; E: incorreta, pois a referência temporal em questão 
é 1815, ano em que o Brasil ganhou o estatuto de Estados 
Unidos. 
 
(Analista – ANS – 2007 – FCC) Respeitado o contexto de ocorrência, 
assinale o fragmento que está corretamente entendido. 
(A) Fuga ou golpe político...(linha 10) = Fosse fuga, fosse 
golpe político. 
(B) ...ganhando uma autonomia relativa... (linha 21) = 
embora ganhasse uma autonomia relativa. 
(C) ...vinculando-a... (linha 2) = quando a vinculam. 
(D) ...e contando com a ajuda inglesa... (linhas 11 e 12) = 
porquanto contavam com a ajuda inglesa. 
(E) ...cujo número estimado de pessoas... (linha 13) = do 
qual o número estimado de pessoas. 
A: correta, pois a conjunção “ou” indica que ambas as 
possibilidades seriam corretas, trata-se de uma conjunção 
coordenativa alternativa inclusiva. A reescrita apresenta a 
mesma possibilidade; B: incorreta, pois a forma do gerúndio 
para o verbo “ganhar” indica no contexto que a autonomia 
relativa foi consequência da distância do estatuto colonial. A 
conjunção “embora” estabelece relação de concessão, ou 
seja, a distância do estatuto colonial não seria favorável à 
autonomia, que mesmo assim se consolidou; C: incorreta, 
pois a vinculação entre a originalidade da monarquia e a vinda 
da família real portuguesa é argumentativa e necessariamente 
direta, sem aspectos temporais, como indica a conjunção 
quando da reescrita; D: incorreta, pois a conjunção 
“porquanto” tem valor semântico de explicação. No texto 
original, a informação sobre a ajuda britânica é introduzida 
pela conjunção “e”, de valor aditivo; E: incorreta, pois o 
pronome relativo “cujo” estabelece entre as partes uma 
relação intermediada pela preposição “de” e substitui o termo 
que ela introduz e concorda em gênero e número com o termo 
que acompanha (número). O signifi cado do trecho é, em 
outras palavras, “o número estimadode pessoas da corte 
chegava a 20 mil”. A reescrita peca por não adequar a 
concordância dos termos. O pronome relativo se refere à 
corte: “da qual o número estimado de pessoas” 
 
Atenção: A próxima questão baseia-se no texto abaixo. 
1 A Norma (1831) é claramente uma ópera que encena, numa 
suposta rebelião gaulesa contra a tutela romana na 
Antiguidade, a desejada libertação dos italianos em face 
das potências estrangeiras – no caso, 
5 certamente a Áustria – que lhes vedam a independência e a 
unidade nacional. Como é de praxe em boa parte das 
óperas italianas do século XIX, ao posicionamento 
progressista nas grandes questões sociais ou nacionais se 
opõe um lastro, geralmente ocultado, que é de 
10 natureza mais propriamente pessoal, e serve de enorme 
peso – inconsciente, posto que até então desconhecido – 
contra aquela tomada de partido em favor [...] do “bem” ou, 
pelo menos, da justiça e do progresso. Esse modelo 
aparece, para citarmos apenas algumas óperas, nas 
15 Vespri Siciliani e no Trovatore de Verdi; poder-se-ia 
argumentar que a Traviata procede do mesmo modo. 
Assim, um recorte se delineia inicialmente, a opor as 
causas progressistas (a pátria livre, seja ela a Gália, a 
Sicília ou qualquer outra; a defesa dos pobres; a união 
20 de quem se ama) ao que existe de mais retrógrado; 
porém, a dramaticidade não procederá do confl ito, num 
mesmo nível, entre progressistas e reacionários, mas da 
 
 
irrupção, no âmago mesmo da causa revolucionária 
avançada, de um elemento pessoal marcado pelo 
25 acumpliciamento secreto, arcaico e culpável com o inimigo. 
Dessa forma, o herói libertador dos sicilianos nas Vespri é 
na verdade filho ilegítimo do governador francês, o 
trovador, na ópera homônima, é o irmão perdido de seu 
próprio perseguidor – e aqui, na Norma, a 
30 sacerdotiza suprema dos gauleses é amante do chefe 
romano. É isso o que dilacera a alma, tanto do ator-cantor 
como do expectador-ouvinte, e confere a essas óperas seu 
caráter trágico. 
(Analista – ANS – 2007 – FCC) Acerca dos recursos de coesão 
textual, é correto afi rmar que 
(A) o advérbio aqui (linha 29), mais que a um espaço, 
reporta-se a um tema, ou objeto de análise, tomado 
como o mais relevante para a organização do texto. 
(B) o expressão Dessa forma (linha 26) introduz um 
comentário de caráter conclusivo, na medida em que 
generaliza a afi rmação feita anteriormente. 
(C) o fragmento aquela tomada de partido em favor do 
“bem” (linha 12) recupera, com o acréscimo de um juízo 
de valor, o segmento a desejada libertação dos italianos 
(linhas 3 e 4). 
(D) o autor inicia o texto com constatações gerais e, em 
seguida, empreende detalhada análise específi ca de 
um caso. 
(E) o pronome isso (linha 31) corresponde a uma síntese de 
tudo o que se afi rmou no texto sobre as óperas e sua 
densidade dramática. 
 
A: correta, pois o advérbio aqui retoma o raciocínio anterior do 
autor e não se refere a um lugar no mundo. Essa função é 
legitimada como elemento de coesão entre as partes do texto; 
B: incorreta, pois a expressão Dessa forma é usada para 
introduzir exemplos das óperas que comprovem a teoria 
apresentada no texto anterior à ela. A conclusão por 
generalização é apresentada pela expressão “é isso” (Linha 
31); C: incorreta, pois o pronome demonstrativo aquela é 
usado para a retomada de trechos em que há dois possíveis 
referentes no mesmo período, sendo que “aquele” retoma o 
mais distante enquanto “esse” retoma o mais próximo. O 
trecho retomado pelo pronome em questão é “o 
posicionamento progressista nas grandes questões sociais ou 
nacionais”; D: incorreta, pois a estrutura argumentativa do 
texto parte de um exemplo específi co, a ópera Norma, para 
após sua breve análise estrutural estabelecer um padrão na 
estrutura geral das óperas da época, e terminar com exemplos 
dos confl itos pessoais e gerais em diversas óperas da época; 
E: incorreta, pois o pronome tem função conclusiva, mas 
retoma especifi camente o confl ito central das óperas e causa 
de sua grandiosidade: a oposição entre situação pessoal dos 
personagens e sua convicção social. 
(Auditor Fiscal/São Paulo-SP – 2007 – FCC) Está clara, coerente e 
correta a redação da seguinte frase: 
(A) Conquanto seja impossível a adesão de todos em que se 
cumpra os princípios de convívio social, ainda assim há 
aqueles que relutam em aceitar tais esforços. (B) À medida 
em que desceu Moisés com os mandamentos do monte 
Sinai, seus seguidores deram-se conta de que alguns deles 
paltavam-se pelo princípio da interdição. 
(C) Para que se mantenha um mínimo equilíbrio nas 
relações sociais, desde que não se pode permitir casos 
de impunidade, onde os infratores ainda pousam de 
vitoriosos. 
(D) Não é mau auferir benefícios pessoais quando estes não 
acarretam, de forma alguma, qualquer tipo de prejuízo 
ou restrição ao pleno exercício dos direitos alheios. 
(E) Embora nem sempre seja de fácil aceitação, nem 
sempre as sanções deixam de ser necessárias, já que 
sem as mesmas correria-se o risco de se voltar ao 
estado da barbárie. 
 
A: o verbo transitivo direto concorda com “os princípios”: “em 
que se cumpram os princípios de convívio social” (B) “À 
medida que [não existe a expressão ‘à medida em que’] 
desceu Moisés (...) seus seguidores deram-se conta de que 
alguns deles pautavam-se [ortografi a] pelo princípio da 
interdição.”; C: “(...) não se pode permitir casos de 
impunidade, cujos infratores ainda pousam de vitoriosos.”; D: 
a oração da assertiva está correta; E: “Embora nem sempre 
seja de fácil aceitação, nem sempre as sanções deixam de ser 
necessárias, já que, sem as mesmas, correr-se-ia o risco (...)”. 
 
(Auditor Fiscal/PB – 2006 – FCC) Leia as frases abaixo: 
I. O leitor perguntaria se as comissões são úteis e 
necessárias. 
II. Com essa CPI, acabaria tudo em pizza, novamente? 
III. Os abusos, embora lamentáveis, são frequentes na vida 
pública, asseverou o colunista. 
Elas se encontram, respectivamente, em discurso 
 
(A) 
(B) 
(C) 
(D) 
(E) 
 
I II III 
direto indireto livre indireto 
indireto livre direto indireto 
indireto indireto livre direto 
indireto direto indireto livre 
direto direto indireto livre 
 
 
55 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
O discurso direto apresenta o personagem em sua voz própria: 
“Os abusos, embora lamentáveis, são frequentes na vida 
pública”. O discurso indireto informa objetivamente o leitor 
sobre o que o personagem teria dito: “O leitor perguntaria se 
as comissões são úteis e necessárias.” Já o discurso indireto 
livre aproxima narrador e personagem. A fala surge no meio 
da narração sem aviso: “Com essa CPI, acabaria tudo em 
pizza, novamente?”. 
 
O fi scal e o menino 
Já pelos meus dez anos ocupava eu um posto na Secretaria 
da Fazenda. A ocupação era informal, não implicava 
proventos ou tempo para a aposentadoria, mas o serviço 
era regular: acompanhava meu pai, que era fi scal de 
rendas, em suas visitas rotineiras aos comerciantes da 
cidade. Cada passada dele exigia duas das minhas, e eu 
ainda fazia questão de carregar sua pasta, pesada de 
processos. Tanto esforço tinha suas compensações: nos 
bares ou padarias, o proprietário lembrava-se de me 
agradar com doce, salgado ou refrigerante – o que confi 
gurava, como se vê, uma espécie de pacto entre 
interesseiros. Outra compensação encontrava eu em 
desfrutar, ainda que vagamente, da sombra da autoridade 
que emana de um fi scal de rendas. Para fazer justiça: 
autoridade mesmo meu pai só mostrava diante desses 
grandes proprietários arrogantes, quese julgam acima do 
bem, do mal e do fi sco. E ai de quem se atrevesse a sugerir 
um “arranjo”, por conta da sonegação evidente... 
Gostava daquele fi scal. Duro no trato com os fi lhos e com 
a mulher, intempestivo e por vezes injusto ao julgar os 
outros, revelava-se um coração mole diante de um 
comerciante pobre e em débito com o governo. Nessas 
situações, condescendia no prazo de regularização do 
imposto e instruía o pobre-diabo acerca da melhor maneira 
de proceder. Ao dono de um botequim da zona rural – 
homem viúvo, carregado de fi lhos pequenos, em situação 
quase falimentar – ajudou com dinheiro do próprio bolso, 
para a quitação da dívida fi scal. 
Meu estágio em tal ocupação também aumentou meu 
vocabulário: conheci palavras como sisa, sonegação, 
guarda-livros, estampilha, mora e outras tantas. A 
intimidade com esses termos não implicava que lhes 
conhecesse o sentido; na verdade, muitos deles continuam 
obscuros para mim até hoje. De qualquer modo, não posso 
dizer que nunca me interessou a profi ssão de fi scal de 
rendas. 
(Júlio Pietrobon das Neves) 
(Agente Fiscal de Rendas/SP – 2006 – FCC) Está clara e correta a 
redação do seguinte comentário sobre o texto: 
(A) Essa pequena crônica é reveladora do modo que 
guardamos as imagens mais intensas da infância, de 
cujos encantos continuam a nos fascinar pelo tempo a 
fora, sobretudo quando se tratam de relações 
familiares. 
(B) Relatos como este vão de encontro à tese de que não 
se perdem em nossas memórias aquilo que realmente 
nos marcou, confi rmando-se assim o poder seletivo 
demonstrado pelas mais fortes lembranças. 
(C) Uma das artimanhas da memória aqui se confi rmam 
por que somos capazes de guardar palavras e detalhes 
reveladores dos tempos da infância, onde nem 
suspeitávamos de quão importantes viriam a ser os 
mais simples elementos. 
(D) Ao deter lembranças de seu pai e dele mesmo, o 
narrador enfatisa nos traços em que melhor se defi nia 
ele, sem forçar qualquer idealização, uma vez que chega 
a salientar no pai seus traços mais duros, de pouca 
animosidade. 
(E) Fica fl agrante a admiração do menino pelo pai, 
conservada no tempo, capaz de estimular uma crônica 
cujo sentimento básico é o de um antigo 
companheirismo, materializado numa rotina de 
trabalho. 
A seguir, transcrevemos os trechos, com correções. A: “do 
modo pelo qual guardamos”, “da infância, [sem o de] cujos 
encantos”, “tempo afora”, “quando se trata”; B: “vão ao 
encontro da tese” [“de encontro” signifi ca contrariamente]; C: 
“Uma das artimanhas (...) aqui se confi rma,”, “da infância, 
quando nem suspeitávamos quão importantes”; D: “enfatiza 
os traços que melhor defi niam-no” [sem o “se”]; E: correto. 
(Agente Fiscal de Rendas/SP – 2006 – FCC) Uma outra redação correta 
do que se afi rma na frase Cada passada dele exigia duas 
das minhas é: 
(A) Duas das minhas passadas exigia cada uma das dele. 
(B) Exigiam-se duas das minhas passadas cada uma das 
dele. 
(C) Era exigido, a cada passada dele, duas das minhas. 
(D) Duas passadas minhas exigiam cada uma das dele. (E) A 
cada passada dele exigia-se duas das minhas. 
 
A oração “Cada passada dele exigia duas das minhas” está 
colocada em ordem indireta preservando seu sentido na 
alternativa A. O sujeito do verbo exigir é “cada passada dele” 
e o objeto direto é “duas das minhas”. A inversão do objeto 
para antes do verbo não altera a fl exão, pois o verbo 
concorda, do mesmo modo, com o sujeito “Cada passada”: 
“Duas das minhas passadas exigia cada uma das dele.” 
 
 
 
(Fiscal de Tributos/Santos-SP – 2005 – FCC) Está clara e correta a 
redação da seguinte frase: 
(A) O cronista não postula a questão de honra como o que 
tem algo a haver com a ferocidade da vida, à qual 
obedece os ditames da nossa natureza e dos nossos 
instintos. 
(B) O legado de pais a fi lhos quase sempre constitue objeto 
de descrença deles próprios, ocorrendo que muitas 
vezes não se tem certeza diante da validade real dos 
mesmos. 
(C) Ao mesmo tempo que se refere ao delicado sentido 
fúnebre do mandamento, o cronista deixa ver que aí 
contém uma mensagem de quando eles já estiverem 
mortos. 
(D) À frieza e à indiferença dos fi lhos, que via de regra 
abandonam os que os geraram, em vez de honrálos, 
respondem os pais com a crueldade dos ensinamentos 
inúteis. 
(E) Fica evidente no texto, a pouca fé que manifesta o 
cronista do reconhecimento fi lial, embora nem todos 
estes retruquem os pais com a dura resposta do 
abandono. 
 
A: “O cronista não postula a questão de honra como o que tem 
algo a ver com a ferocidade da vida, à qual obedece aos 
ditames da nossa natureza e dos nossos instintos.”; B: a 
redação não está clara. Não se sabe a que se refere o 
pronome deles; pode se referir tanto a pais quanto a fi lhos: “O 
legado de pais a fi lhos quase sempre constitui [erro na grafi a 
do verbo constituir] objeto de descrença deles próprios, 
ocorrendo que muitas vezes não se tem certeza diante da 
validade real do mesmo [‘o legado’].”; C: “Ao mesmo tempo a 
que se refere ao delicado sentido fúnebre do mandamento, o 
cronista deixa ver que aí há uma mensagem de quando eles 
já estiverem mortos.”; D: “À frieza e à indiferença dos fi lhos, 
que via de regra abandonam [sujeito subentendido: ‘fi lhos’] os 
que os geraram, em vez de honrá-los, respondem [o verbo 
responder é transitivo direto e indireto. Nessa oração o verbo 
possui como objeto indireto ‘à frieza e à indiferença’. O objeto 
direto do verbo responder é ‘os pais´] os pais com a crueldade 
dos ensinamentos inúteis.”; E: o pronome anafórico estes não 
tinha referente na oração: “Fica evidente no texto, a pouca fé 
que manifesta o cronista em relação ao reconhecimento fi lial, 
embora nem todos retruquem os pais com a dura resposta do 
abandono.” 
(Analista – BACEN – 2005 – FCC) Leia atentamente o texto que 
segue. 
CONSTITUCIONALISMOS PERVERSOS 
Na União Europeia, os franceses e os holandeses, 
recentemente, disseram não a um projeto constitucional 
mais interessado em constitucionalizar o mercado do que a 
democracia. Também os quenianos disseram não a um 
projeto constitucional que nasceu como um dos mais 
progressistas da África, mas que nos últimos anos fora 
totalmente adulterado pelo presidente Kibaki para 
concentrar em si e no governo central poderes excessivos e 
pouco susceptíveis de controle democrático. O fato de 
ambas as tentativas terem falhado é, em si mesmo, 
animador. Signifi ca que, quando o processo constitucional 
é usado para virar a soberania do povo contra o povo e o 
exercício da cidadania contra cidadania, dizer não à 
Constituição é ato de afi rmação democrática. Que isto 
aconteça tanto na Europa como na África é sinal de que a 
globalização dos mercados livres terá de conviver cada vez 
mais com a globalização dos cidadãos livres. 
(Boaventura de Sousa Santos, sociólogo e professor da Faculdade 
de Economia da Universidade de Coimbra) 
[http://agenciacartamaior. uol.com.br - 08/12/2005] 
Redija uma dissertação, na qual você se posicione em 
relação às ideias presentes no texto acima, dando relevo às 
afi rmações que nele se encontram sublinhadas. 
A dissertação deverá ter uma extensão mínima de 20 linhas 
e máxima de 30 linhas. 
 
Uma das funções de uma constituição é proteger o cidadão 
comum contra o poder do Estado e de outros grupos de força, 
como os das entidades econômicas. Quando um político com 
vocação para ditador ou grupos com interesses contrariados 
pelas garantias constitucionais podem suprimir essa proteção, 
nem todos hesitam em fazê-lo. Quando condiçõesvárias não 
permitem essa saída radical, há ainda o recurso de, por 
medidas constitucionais, descaracterizar a constituição nesse 
aspecto: os abusos cobrem-se de uma roupagem legal. O 
sociólogo comenta dois eventos, em que, segundo sua 
análise, essa tentativa ocorreu. Ele também comemora o 
desfecho positivo desses episódios: os cidadãos chamados a 
votar para efetivar o arbítrio tiveram a percepção necessária 
para derrotá-lo. Assim, o processo ardiloso da manipulação da 
opinião revela seu aspecto positivo, em vez da resistência 
armada que um golpe exigiria, nesse caso basta o 
discernimento do que de fato vai ao encontro das aspirações 
democráticas, do que pode se tirar uma conclusão que pode 
ser a tese da dissertação: a necessidade de cultura política 
para se saber o que caracteriza uma democracia de fato. Não 
se pode deixar de comentar que muitos dos grupos de 
interesse econômico a partir da globalização se tornam 
internacionais e potencializam seu poder de atuação desafi 
ando direitos individuais e soberanias nacionais. (Técnico 
Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) Considere as 
informações abaixo: 
O Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, 
Deputado Federal XYZ dos Reis, convocou reunião para as 
15:00 h do dia 04/06/07. Na data aprazada, contou com a 
presença dos Deputados Federais A, B, C, D e E, para tratar 
de questões referentes ao combate à pirataria. 
Assuntos abordados: 
1) avaliação de resultados de medidas em andamento; 
2) criação de campanha educativa; 
3) apoio à tramitação de alterações legislativas 
relacionadas à apreensão de produtos pirateados. 
A reunião foi encerrada duas horas e quinze minutos após 
o início, com impasse surgido na discussão. 
 
 
57 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
O Presidente determinou nova reunião, às 16:00 h do 
próximo dia 14/06, e convocação do Diretor da Fundação 
ICL – Instituto do Cidadão Legal, especialista no assunto, 
para esclarecimentos necessários. 
O Técnico Legislativo, Assistente Administrativo do apoio 
legislativo, Senhor MNO dos Santos, foi designado para 
elaborar o registro dos fatos. 
Redija o documento apropriado, criando uma situação 
compatível com o desenvolvimento da reunião, a partir dos 
dados apresentados. 
A redação deverá obedecer ao limite máximo de 30 linhas 
e respeitar o disposto no Manual de Redação da Câmara 
dos Deputados. 
 
Essa proposta é bastante trabalhosa. Em primeiro lugar, o 
candidato tem que identifi car, com base nos documentos 
administrativos elencados no Manual de Redação da Câmara 
dos Deputados, qual deles é adequado para o tipo de texto 
pedido: trata-se do relatório (8.3.11; pág. 293). Em seguida, a 
partir do seu conhecimento sobre a questão da pirataria, ele 
deve pensar num impasse possível para a reunião do dia 4 e 
no tipo de esclarecimentos que o Diretor da Fundação ICL 
pode prestar à Comissão de Defesa do Consumidor, que 
poderia ser uma solução para o impasse. Depois deve 
elaborar os eventos que marcaram a reunião do dia 14, 
principalmente se o impasse foi resolvido e quais as medidas 
que terão de ser tomadas. Por fi m, deve fazer a redação com 
o registro desses eventos, de acordo com as orientações do 
modelo de relatório. 
(Analista – ANS – 2007 – FCC) Leia atentamente os textos abaixo. 
Texto 1: 
Os transtornos psiquiátricos têm forte impacto sobre o 
indivíduo, a família e a comunidade. Em relação a esta 
última, frequentemente se observam preocupações quanto 
ao custo social da provisão extra de atenção requerida pelo 
paciente e quanto a sua eventual perda de produtividade. 
Há, ainda, a questão da violência associada a certos 
distúrbios. O temor da violência tem sido, com efeito, usado 
como justifi cativa para a postura favorável à internação de 
portadores de alguns tipos de transtornos em 
estabelecimentos específi cos. 
(ZWARTES, Thaís. Transtornos psiquiátricos 
e relações sociais. Disponível em 
www.saudemental.com.br. 
Acesso em 23 de janeiro de 2007). 
Texto 2: 
Não entendo por que é tão difícil conseguir os comprimidos. 
O governo gasta muito mais com a internação do que 
gastaria com o fornecimento regular de medicamentos. 
Com a internação, tem café da manhã, lanche, almoço às 
11h, lanche, jantar às 17h, lanche. E ainda tem a despesa 
com roupa de cama e isso e aquilo. 
(Adaptado de FIGUEIREDO, João Antônio Pereira, 
portador de esquizofrenia, em entrevista a O Estado de 
São Paulo. São Paulo, 13 de fevereiro de 2007, Caderno 
A, p. 14). 
Texto 3: 
Nos casos de internação, acho que ela deveria ocorrer nos 
hospitais gerais. O único paciente que é tratado em um 
espaço separado é o que sofre de doença mental. É 
importante quebrar esse estigma, que ainda é muito forte. 
(BRASIL, Marco Antônio, psiquiatra e professor da UFRJ, em 
entrevista a O Estado de São Paulo. São Paulo, 13 de fevereiro 
de 2007, Caderno A, p. 14). 
Redija uma dissertação em que você exponha e defenda, 
com argumentos pertinentes, um ponto de vista sobre o 
tema comum aos textos acima. 
Sua redação, em prosa, deve ter entre 20 e 30 linhas e 
respeitar a norma culta da Língua Portuguesa. 
 
A proposta é bastante ampla, permitindo abordagens diversas. 
Deve o candidato, contudo, atentar para a identifi cação do 
tema comum aos três textos da coletânea. Eles tratam da 
questão do tratamento dos transtornos psiquiátricos, sendo 
um tópico comum a questão da internação. No primeiro, o 
autor informa, sem emitir claramente juízo de valor, que o 
temor da violência associada a certos distúrbios mentais tem 
sido usado como justifi cativa para a internação; no segundo, 
o depoimento de um portador de esquizofrenia, há uma queixa 
quanto à falta de remédios que seriam distribuídos pela rede 
pública, ele argumenta que os custos com a internação 
superam em muito os da aquisição da medicação; no terceiro, 
pede-se a quebra do estigma do tratamento em espaço 
separado dos doentes mentais. Percebe-se, assim, sugerido 
no primeiro parágrafo e francamente presente nos dois 
últimos, uma postura crítica quanto ao tratamento por 
internação dos portadores de distúrbio mental. Essa seria, 
portanto, uma boa tese para o concursando adotar. Quanto 
aos argumentos, além do custo para a família e para o Estado 
e da discriminação, poder-se-iam destacar questões como a 
necessidade primeira, para se garantir a dignidade do 
indivíduo, de se fazer um esforço de integração do paciente, 
do que se optar pelo mais “fácil” que é a sua exclusão social; 
ou os abusos por vezes noticiados na imprensa de famílias 
que recorrem à desculpa da doença mental para se livrar, às 
vezes por interesse material, de um membro seu. 
(Analista Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) Leia o texto 
cuidadosamente, procurando captar suas ideias essenciais, 
na progressão e no encadeamento em que aparecem. 
 
 
Apresente, com suas próprias palavras, esses pontos mais 
importantes. 
Ao nos depararmos com o tema loucura, temos alguns 
pontos de partida, algumas notas de abordagem, alguma 
compreensão, mas por enquanto é um fenômeno que nos 
aparece e se nos defronta com a máxima agudeza e 
simplicidade, máxima intensidade e mínima mediação. 
Já é abordável, não é mais um mistério total. Estamos 
longe, porém, de poder interferir e prevenir facilmente, 
sabendo que é muito cômodo tentarmos encapsular a 
loucura dentro dos muros de um manicômio da mesma 
forma que tentamos encapsular a marginalidade dentro 
dos muros das prisões e tentamos, enquanto organizados 
como estamos hoje, estabelecer uma espécie de cordão 
sanitário protetor a respeito de um sem-númerode 
assuntos, na ilusão de que somos capazes de remeter para 
uma periferia remota questões absolutamente centrais. 
A partir dos ensinamentos da psicanálise, já estamos 
relativamente habituados ao fato de que todos os 
fenômenos ocorrem com todos. Eventualmente, varia um 
pouco o grau de intensidade, claro que varia de acordo com 
as capacidades, tendências e talentos individuais, mas não 
há um fenômeno humano que se passe com determinado 
homem que seja estranho a outro. 
Assim, podemos deixar a proteção ilusória do cordão 
sanitário. 
Gostaria de realizar um esforço e tentar apreender o 
fenômeno antes de analisá-lo; na medida do possível, sem 
diminuí-lo ou exagerá-lo, mas numa tentativa de observá-
lo. 
O tema nos toca emocionalmente, pois se refere 
inevitavelmente a um sofrimento, não a qualquer 
sofrimento, talvez aos limites do sofrimento humano, 
quando se resolve por uma morte mental num último 
esforço para sobreviver antes de sucumbir também 
biologicamente. 
Como vejo esse sofrimento? E de outra parte, como o 
mundo me aparece a partir desse sofrimento? 
(LANDA, Fábio. “Olhar louco”. In Adauto Novaes (org.). 
O olhar. São Paulo: Companhia das letras, 
1988, p. 425.) 
 
É necessário que o candidato tenha bem claro para si que ele 
não deve expressar suas opiniões sobre o assunto, o texto 
pedido é uma paráfrase e, portanto, o desafi o é compreender 
bem o signifi cado do texto original e conseguir reproduzir com 
outras palavras o seu conteúdo. Ao abordar o tema da loucura, 
o autor mostra que ela não é exclusiva daqueles que são 
chamados de loucos, está disseminada por todos os seres 
humanos, havendo apenas diferenças de grau. Pode-se ainda 
explorar as questões do isolamento dos loucos como uma 
tentativa vã de isolamento da própria loucura, já que, como 
dito, se reconhece que ela está presente também nos 
considerados normais. 
3. CONCORDÂNCIA VERBAL E CONCORDÂNCIA NOMINAL 
(Analista – TRT/1ª – 2012 – FCC) As normas de concordância verbal 
estão plenamente observadas na frase: 
(A) Cabem a cada um dos usuários de uma língua escolher 
as palavras que mais lhes parecem convenientes. 
(B) D. Glorinha valeu-se de um palavrório pelo qual, 
segundo lhe parecia certo, viessem a impressionar os 
ouvidos de meu pai. 
(C) As palavras que usamos não valem apenas pelo que 
signifi cam no dicionário, mas também segundo o 
contexto em que se emprega. 
(D) Muita gente se vale da prática de utilizar termos, para 
intimidar o oponente, numa polêmica, que demandem 
uma consulta ao dicionário. 
(E) Não convém policiar as palavras que se pronuncia numa 
conversa informal, quando impera a espontaneidade da 
fala. 
 
A: incorreta. Deveria constar “cabe” e “parece”, no singular, 
para concordar com “cada um”; B: incorreta. Deveria constar 
“viesse”, no singular, para concordar com “palavrório”; C: 
incorreta. Deveria constar “empregam” para concordar com 
“palavras”; D: correta. As normas de concordância verbal 
foram integralmente respeitadas no trecho; E: incorreta, 
Deveria constar “pronunciam”, no plural, para concordar com 
“palavras”. 
 
(Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) A concordância verbal está 
plenamente observada na frase: 
(A) Provocam muitas polêmicas, entre crentes e 
materialistas, o posicionamento de alguns religiosos e 
parlamentares acerca da educação religiosa nas escolas 
públicas. 
(B) Sempre deverão haver bons motivos, junto àqueles que 
são contra a obrigatoriedade do ensino religioso, para 
se reservar essa prática a setores da iniciativa privada. 
(C) Um dos argumentos trazidos pelo autor do texto, contra 
os que votam a favor do ensino religioso na escola 
pública, consistem nos altos custos econômicos que 
acarretarão tal medida. 
(D) O número de templos em atividade na cidade de São 
Paulo vêm gradativamente aumentando, em proporção 
maior do que ocorrem com o número de escolas 
públicas. 
(E) Tanto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação como a 
regulação natural do mercado sinalizam para as 
inconveniências que adviriam da adoção do ensino 
religioso nas escolas públicas. 
 
A: incorreta. O verbo “provocar” deveria estar no singular 
(“provoca”) para concordar com o sujeito “o posicionamento”; 
B: incorreta. “Haver”, com sentido de existir, é impessoal e não 
se fl exiona mesmo quando acompanhado de verbo auxiliar. 
Com isso, o correto é “deve haver”; C: incorreta. “Consistir” 
deveria permanecer no singular (“consiste”), para concordar 
 
 
59 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
com a expressão “um dos (...)”; D: incorreta. O verbo “vir” deve 
permanecer no singular (“vem”) para concordar com “o 
número”; E: correta. Todos os verbos atendem aos preceitos 
da concordância determinados pela gramática. 
 
(Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) O verbo indicado entre parênteses 
deve fl exionar-se no plural para preencher corretamente a 
lacuna da seguinte frase: 
(A) Nenhuma das concepções de dignidade, postuladas por 
diferentes crenças, ...... (alcançar) uma validade 
efetivamente universal. 
(B) Não se ...... (atribuir) às burocracias, nesse texto, o 
mérito de tomar a iniciativa de atender aos interesses 
públicos. 
(C) A terceirização e a comercialização da saúde, para dom 
Odilo Scherer, ...... (constituir) um profundo 
desrespeito aos mais pobres. 
(D) Raramente se ...... (dispensar) aos mais pobres o 
mesmo cuidado médico das clínicas particulares. 
(E) Quantas vezes já se ...... (aplicar) aos burocratas dos 
serviços essenciais alguma sanção por sua negligente 
abulia? 
A: incorreta. O verbo “alcançar” deve ser fl exionado no 
singular para concordar com “nenhuma”; B: incorreta. O verbo 
“atribuir” deve ser conjugado no singular porque se trata de 
sujeito indeterminado; C: correta. Com efeito, o verbo 
“constituir” vai para o plural para concordar com “a 
terceirização e a comercialização”, sujeito composto; D: 
incorreta. A oração está na voz passiva sintética, cujo sujeito 
é “o mesmo cuidado médico” – singular, portanto; E: incorreta. 
“Aplicar” deve concordar com “alguma sanção”, ou seja, fi ca 
no singular. 
 
(Analista – TRT9 – 2012 – FCC) A frase em que todos os verbos 
estão corretamente fl exionados é: 
(A) Quem se dispor a ler a obra seminal de Hobsbawm 
sobre as revoluções do fi nal do século XVIII à primeira 
metade do XIX jamais protestará contra o tempo gasto 
e o esforço despendido. 
(B) As refl exões sobre a Revolução Francesa de 1789 
requerem muito cuidado para que não se perca de vista 
a complexidade que as afi rmações categóricas tendem 
a desconsiderar. 
(C) Os revolucionários de 1789 talvez não previssem, ou 
sequer imaginassem, o impacto que o movimento 
iniciado na França teria na história de praticamente 
toda a humanidade. 
(D) Se as pessoas não se desfazerem da imagem que 
cultivam de Napoleão, nunca deixarão de acreditar que 
o talento pessoal é o principal ou mesmo a único 
requisito para a obtenção do sucesso. 
(E) Quando se pensa na história universal, nada parece tão 
disseminado no imaginário popular, sobretudo no 
ocidente, do que as imagens que adviram da Revolução 
Francesa de 1789. 
A: incorreta. A conjugação da terceira pessoa do singular do 
verbo “dispor” no futuro do subjuntivo é “dispuser”; B: correta. 
Todos os verbos estão conjugados corretamente nesse 
período; C: incorreta. A conjugação da terceira pessoa do 
plural do verbo “prever” no pretérito imperfeito do subjuntivo é 
“previssem”; D: incorreta. A conjugação da terceira pessoa do 
plural do verbo “desfazer” do futuro do subjuntivo é “desfi 
zerem”; E: incorreta. A conjugaçãoda terceira pessoa do 
plural do verbo “advir” no pretérito perfeito do indicativo é 
“advieram”. 
 
(Analista – TRT9 – 2012 – FCC) As normas de concordância estão 
plenamente respeitadas na frase: 
(A) Cada um dos fi lmes dirigidos por Glauber Rocha 
apresentavam um caráter revolucionário único. 
(B) A maioria dos integrantes do movimento conhecido 
como Cinema Novo estava profundamente interessada 
nos problemas sociais do país. 
(C) Muitas expressões artísticas, como o neorrealismo 
italiano, contribuiu para o desenvolvimento do Cinema 
Novo. 
(D) A maior parte dos cineastas envolvidos com o Cinema 
Novo integravam um grupo que tentavam novos 
caminhos para o cinema nacional. 
(E) O Tropicalismo, em que Caetano Veloso e Gilberto Gil 
se projetou, e o Cinema Novo, cujo principal expoente 
foi Glauber Rocha, se confi gura como movimentos 
artísticos expressivos no século XX. 
 
A: incorreta. O certo seria “apresentava”, para rimar com “cada 
um”; B: correta. Todas as normas de concordância foram 
respeitadas no período; C: incorreta. O certo seria 
“contribuíram”, para concordar com “muitas expressões 
artísticas”; D: incorreta. O certo seria “tentava”, para 
concordar com “a maior parte”; E: incorreta. O certo seria 
“confi guram”, para concordar com “O Tropicalismo (...) e o 
Cinema Novo” (sujeito composto). 
(Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) As normas de concordância verbal 
encontram-se plenamente observadas em: 
(A) A utilidade dos dicionários, mormente quando se trata 
de palavras polissêmicas, manifestam-se nas 
argumentações ideológicas. 
 
 
(B) Não se notam, entre os preconceituosos, qualquer 
disposição para discutir o sentido de um juízo e as 
consequências de sua difusão. 
(C) Não convém aos injustiçados reclamar por igualdade de 
tratamento quando esta pode levá-los a permanecer na 
situação de desigualdade. 
(D) Como discernimento e preconceito são duas acepções 
de discriminação, hão que se esclarecer o sentido 
pretendido. 
(E) Uma das maneiras mais odiosas de refutar os 
argumentos de alguém surgem na utilização de 
preconceitos já cristalizados. 
A: incorreta. Deveria constar “manifesta-se”, no singular, para 
concordar com “a utilidade”; B: incorreta. Deveria constar 
“nota”, no singular, para concordar com “qualquer disposição”; 
C: correta. Todas as normas de concordância verbal foram 
respeitadas no período; D: incorreta. Deveria constar “há”, no 
singular, para concordar com “o sentido”; E: incorreta. Deveria 
constar “surge”, no singular, para concordar com o numeral 
“uma”. 
(Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) A redação correta é: 
(A) Em se cuidando dessa doença no início, não existe 
dúvidas de que haverá cura – é o que os Estados 
Unidos, recentemente, provou ao mundo. 
(B) Desejando intensamente alçar-se diretor e ele passou a 
agir com zelo e discrição, não exitando em exceder suas 
funções e o horário do fi m do expediente. 
(C) A regente insistiu junto à auxiliar que caberia à ela falar 
com a imprensa e nós, não aquiecendo, impusemos que 
a mídia tem de lidar com nós mesmos, os funcionários. 
(D) Diz-se que o tio é mais bom do que preparado, mas o 
convívio com a adolescente tem sido dulcíssimo, em 
que lhe pesem os excessivos maus humores da jovem. 
(E) Pai extremoso, ele soe ser o melhor conselheiro dos 
fi lhos, salvo se o exacerbam os ânimos ao reincidirem 
pela enésima vez no mesmo erro. 
 
A: “não existem dúvidas (...) os Estados Unidos, 
recentemente, provaram ao mundo”; B: “alçar-se a diretor (...) 
não hesitando”; C: “que caberia a ela [não ocorre a crase. O 
verbo regente caber exige a preposição a, porém não há artigo 
antes de pronome pessoal] (...) não aquiescendo [não 
consentindo], impusemos que a mídia teria de lidar”; D: note 
que o vocábulo bom está sendo usado como adjetivo na 
comparação “o tio é mais bom [bondoso] do que preparado”; 
E: o verbo defectivo soer (“ele sói ser o melhor conselheiro”) 
tem a acepção de “habituar, costumar”. É um verbo 
pouquíssimo usado hodiernamente. 
 
(Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) Estão plenamente observadas as 
normas de concordância verbal na frase: 
(A) Ao se revogarem o emprego de carros-placa na 
propaganda imobiliária, poupou-se a todos uma 
demonstração de mau gosto. 
(B) Não sensibilizavam aos possíveis interessados em 
apartamentos de luxo a visão grotesca daqueles velhos 
carros-placa. 
(C) Destinam-se aos homens-placa um lugar visível nas ruas 
e nas praças, ao passo que lhes é suprimida a 
visibilidade social. 
(D) As duas tábuas em que se comprimem o famigerado 
homem-placa carregam ditos que soam irônicos, como 
“compro ouro”. 
(E) Não se compara aos vexames dos homens-placa a 
exposição pública a que se submetem os guardadores 
de carros. 
A: “Ao se revogar o emprego”; “pouparam-se a todos”; B: 
“Não sensibilizava (...) a visão” - o sujeito do verbo transitivo 
direto sensibilizar é “a visão”. Podemos reescrever a oração 
na ordem direta, facilitando a compreensão: “A visão grotesca 
daqueles velhos carros-placa não sensibilizava os [sem 
preposição] possíveis interessados”; C: “Destina-se aos 
homens-placa [objeto indireto do verbo destinar] um lugar 
visível [o verbo concorda com “um lugar visível”] nas ruas e 
nas praças”; D: “em que o famigerado homem-placa se 
comprime”. O sujeito do verbo comprimir é “famigerado 
homem-placa”, sujeito no singular, verbo no singular. E: fi ca 
mais clara a oração da alternativa E se alterarmos a ordem: 
“A exposição pública [a que os guardadores de carros se 
submetem] não se compara aos vexames dos homens-placa.” 
Essa é a alternativa correta. 
Meios e fi ns 
O crítico José Onofre disse uma vez que a frase “não se faz 
uma omelete sem quebrar ovos” é muito repetida por gente 
que não gosta de omelete, gosta do barulhinho dos ovos 
sendo quebrados. Extrema esquerda e extrema direita se 
parecem não porque amam seus ideais, mas porque amam 
os extremos, têm o gosto pelo crec-crec. 
A metáfora da omelete é “o fi m justifi ca os meios”, em 
linguagem de cozinha. O fi m justifi caria todos os meios 
extremos de catequização e purifi cação, já que o fi m é uma 
humanidade melhor – só variando de extremo para extremo 
o conceito de “melhor”. 
Todos os fi ns são nobres para quem os justifi ca, seja uma 
sociedade sem descrentes, sem classes ou sem raças 
impuras. O próprio sacrifício de ovos pelo sacrifício de ovos 
tem uma genealogia respeitável, a ideia de regeneração 
(dos outros) pelo sofrimento e pelo sangue acompanha a 
humanidade desde as primeiras cavernas. Ou seja, até os 
sádicos têm bons argumentos. Mas o fi m das ideologias 
teria decretado o fi m do horror terapêutico, do mito da 
salvação pela purgação que o século passado estatizou e 
transformou no seu mito mais destrutivo. 
O fracasso do comunismo na prática acabou com a 
desculpa, racional ou irracional, para o stalinismo. O tempo 
não redimiu o horror, o fi m foi só a última condenação dos 
meios. 
(Adaptado de: Luis Fernando Verissimo, O 
mundo é bárbaro) 
 
 
61 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) O verbo indicado entre 
parênteses deverá fl exionar-se numa forma do plural para 
preencher adequadamente a lacuna da frase: 
(A) Agrada aos extremistas propagar que, a menos que se 
...... (quebrar) ovos, nunca se fará uma omelete. 
(B) Aos sádicos ...... (dever) agradar ouvir os ovos 
quebrando- se, como preâmbulo de uma omelete. 
(C) Os ovos de que se ...... (compor) a omelete ilustram o 
caso em que a violência de um ato se justifi ca pela 
causa a que serve. 
(D) A todosos meios extremos ...... (costumar) 
corresponder, segundo os radicais, uma justifi cativa 
aceitável. 
(E) Mesmo aos maiores sádicos ...... (poder) ocorrer uma 
certa direção de argumentos para justifi car seus 
horrores. 
 
A: em “a menos que se quebrem ovos”, o verbo transitivo 
direto quebrar concorda no plural com o sujeito da passiva 
(“ovos sejam quebrados”); B: o sujeito da locução verbal “deve 
agradar” é oracional: “ouvir os ovos quebrando deve agradar”. 
O verbo deve permanecer no singular; C: em “de que se 
compõe a omelete”, o verbo transitivo direto compor concorda 
no singular com o sujeito da passiva (“a omelete é composta”): 
“Os ovos de que é composta a omelete ilustram (os ovos 
ilustram)” ou “Os ovos de que se compõe a omelete ilustram”. 
O sujeito do verbo ilustrar é “ovos”; D: “Uma justifi cativa 
aceitável costuma corresponder, segundo os radicais, a todos 
os meios extremos”. A oração foi colocada na ordem direta. 
Veja que o sujeito do verbo costumar é “Uma justifi cativa 
aceitável” e o objeto indireto é “a todos os meios extremos.”. 
O verbo concorda, no singular, como sujeito; E: o sujeito da 
locução “pode ocorrer” é “uma certa direção de argumentos”. 
O núcleo do sujeito é singular, a locução verbal fi ca no 
singular. 
(Analista – TRT/20ª – 2011 – FCC) As normas de concordância verbal 
estão plenamente atendidas na frase: 
(A) Interessava aos antigos professores de português 
suscitar nos alunos o gosto pelos efeitos de retórica nas 
redações. (B) A nenhum dos professores do ginásio 
ocorreriam imaginar que a linguagem falada pode ser um 
registro de alto valor estético. 
(C) Nos dois trechos citados de Graciliano Ramos 
encontram-se elementos da linguagem falada a que não 
faltam vivacidade. 
(D) O autor faz votos de que aos bons gramáticos se 
reservem, por justas razões, acomodação privilegiada 
no céu. (E) Graças às convicções de que Graciliano não 
abriam mão, acabou produzindo uma obra-prima em 
estilo seco e incisivo. 
 
A: o sujeito do verbo interessar é oracional “suscitar nos 
alunos o gosto (...) interessava aos antigos professores”. A 
concordância no singular está correta; B: o verbo ocorrer deve 
fi car o singular, concordando com “A nenhum dos 
professores” (sujeito); C: “a que não falta vivacidade”; o sujeito 
do verbo faltar é “vivacidade”; D: “aos bons gramáticos se 
reserve (...) acomodação privilegiada no céu”; o verbo 
reservar concorda com o sujeito da passiva (“acomodação”), 
no singular; E: o sujeito do verbo abrir é “Graciliano”. Sujeito 
singular, verbo no singular: “de que Graciliano não abria mão”. 
 
(Analista – TRT/23ª – 2011 – FCC) As normas de concordância verbal 
estão plenamente respeitadas na frase: 
(A) Havendo quem vos pretendam convencer de que a 
pena de morte é necessária, perguntem onde e quando 
ela já se provou indiscutivelmente efi caz. 
(B) Entre os cidadãos de todos os países nunca deixarão de 
haver, por força do nosso instinto de violência, os que 
propugnam pela pena de morte. 
(C) Destaca-se, entre as qualidades de Voltaire, suas tiradas 
irônicas e seu humor ferino, armas de que se valia em 
suas pregações de homem liberal. 
(D) Embora remontem aos hábitos das sociedades mais 
violentas do passado, a pena de talião ainda goza de 
prestígio entre cidadãos que se dizem civilizados. 
(E) Opõe-se às ideias libertárias de Voltaire, um lúcido 
pensador iluminista, a violência das penas irracionais 
que se aplicam em nome da justiça. 
 
A: “quem pretenda convencer [a vós] (...) pergunte”; B: deixará 
de haver; C: “Destacam-se (...) suas tiradas”; D: “Embora [a 
pena de talião] remonte”; E: o verbo opor concorda com “a 
violência”, no singular. O verbo aplicar concorda com “penas 
irracionais”, no plural. 
 
(Analista – TRT/24ª – 2011 – FCC) As normas de concordância verbal 
estão plenamente respeitadas na frase: 
(A) No passado, com as qualifi cações escrita, falada e 
televisada pretendiam-se designar toda a abrangência 
das formas de comunicação jornalística. 
(B) A multiplicação de tantos autores anônimos de blogs 
acabaram por representar uma séria concorrência para 
os profi ssionais da comunicação. 
(C) Em nossos dias, cabem a quaisquer cidadãos tomar a 
iniciativa de criar um blog para neles desenvolverem 
seus temas e pontos de vista. 
(D) Já não se opõem, num blog, a instância do que seja de 
interesse privado e a instância do que seja de interesse 
público. 
 
 
(E) Permitem-se aos seguidores de um blog levantar 
discordância quanto às linhas de argumentação 
desenvolvidas por seu autor. 
A: “pretendia-se designar”; B: “A multiplicação (...) acabou por 
representar”; C: “tomar a iniciativa (...) cabe a quaisquer”; D: 
o sujeito do verbo opor é composto “instância do (....) privado” 
e “instância do (...) público”; E: “Permite-se (...) levantar”. 
 
(Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) As normas de concordância verbal 
estão plenamente respeitadas em: 
(A) Costumam haver nas pessoas extrovertidas traços 
marcantes de timidez. 
(B) Não se devem imputar aos muito tímidos a culpa por 
sua notoriedade. 
(C) Não deixam de ocorrer a um tímido as vantagens de sua 
timidez. 
(D) Interessam a certos extrovertidos encobrir aspectos de 
sua timidez. 
(E) O fato de serem tímidas não impossibilitam as pessoas 
de serem notadas. 
 
A: o verbo haver no sentido de existir é impessoal e 
permanece na 3ª pessoa do singular: “Costuma haver”; B: 
“Não se deve imputar” concorda com “a culpa por sua 
notoriedade”, no singular; C: está correta: a locução verbal 
concorda com “as vantagens” no plural; D: o sujeito do verbo 
impossibilitar é singular: “O fato”. 
 
O homem ainda não encontrou uma forma de organização 
social que dispense regras de conduta, princípios de valor, 
discriminação objetiva de direitos e deveres comuns. Todos 
nós reconhecemos que, em qualquer atividade humana, a 
inexistência de parâmetros normativos implica o estado de 
barbárie, no qual prevalece a mais dura e irracional das 
justifi cativas: a lei do mais forte, também conhecida, não 
por acaso, como “a lei da selva”. É nessa condição que 
vivem os animais, relacionando-se sob o exclusivo impulso 
dos instintos. Mas o homo sapiens afi rmou-se como tal 
exatamente quando estabeleceu critérios de controle dos 
impulsos primitivos. 
Variando de cultura para cultura, as regras de convívio 
existem para dar base e estabilidade às relações entre os 
homens. Não decorrem, aliás, apenas de iniciativas 
reconhecidas simplesmente como humanas: podem 
apresentar-se como manifestações da vontade divina, 
como valores supremos, por vezes apresentados como 
eternos. Os dez mandamentos ditados por Deus a Moisés 
são um exemplo claro de que a religião toma para si a tarefa 
de orientar a conduta humana por meio de princípios 
fundamentais. No caso da lei mosaica, um desses princípios 
é o da interdição: “Não matarás”, “Não cobiçarás a mulher 
do próximo” etc. Ou seja: está suposto nesses 
mandamentos que o ponto de partida para a boa conduta 
é o reconhecimento daquilo que não pode ser permitido, 
daquilo que representa o limite de nossa vontade e de 
nossas ações. 
Nas sociedades modernas, os textos constitucionais e os 
regulamentos de todo tipo multiplicam-se e sofi sticam-se, 
mas permanece como sustentação delas a ideia de que os 
direitos e os deveres dizem respeito a todos e têm por fi 
nalidade o bem comum. Para garantia do cumprimento dos 
princípios, instituem-se as sanções para quem os ignore. A 
penalidade aplicada ao indivíduo transgressor é a garantia 
da validade social da norma transgredida.Por isso, a 
impunidade, uma vez manifesta, quebra inteiramente a 
relação de equilíbrio entre direitos e deveres comuns, e 
passa a constituir um exemplo de delito vantajoso: aquele 
em que o sujeito pode tirar proveito pessoal de uma regra 
exatamente por tê-la infringido. Abuso de poder, 
corrupção, tráfi co de infl uências, quando não seguidos de 
punição exemplar, tornam-se estímulos para uma prática 
delituosa generalizada. Um dos maiores desafi os da nossa 
sociedade é o de não permitir a proliferação desses casos. 
Se o ideal da civilização é permitir que todos os indivíduos 
vivam e convivam sob os mesmos princípios éticos 
acordados, a quebra desse acordo é a negação mesma 
desse ideal da humanidade. 
(Inácio Leal Pontes) 
(Auditor Fiscal/São Paulo-SP – 2007 – FCC) A concordância verbal 
estabelece-se plena e adequadamente em: 
(A) Para que o cumprimento de todos os princípios 
fundamentais seja garantido, devem especifi car-se as 
sanções. 
(B) No caso de que se infrinja as normas e os princípios, hão 
de se lançar mão das sanções correspondentes. 
(C) Constituem um dos exemplos de delitos vantajosos o 
caso em que o detentor de um poder abuse de sua 
autoridade. 
(D) Não houvesse sido criadas quaisquer regras de convívio, 
estaríamos todos vivendo sob o comando de nossos 
instintos mais primitivos. 
(E) O que nos mandamentos de Moisés se impõem como 
um dos princípios fundamentais é a necessidade de 
reconhecimento dos nossos limites. 
 
A: a concordância verbal está corretamente estabelecida 
nessa assertiva; B: o verbo infringir deve estar no plural para 
concordar com “as normas e os princípios”. O pronome se é 
apassivador: “No caso de infringirem-se as normas e os 
princípios (...)”; C: o verbo constituir deve se manter no 
singular e concordar com: “o caso em que o detentor de um 
poder abuse de sua autoridade constitui um dos exemplos de 
delitos (...)”; D: a locução verbal “não houvessem sido criadas” 
concorda com o sujeito no plural: “Não houvessem sido 
criadas quaisquer regras de convívio (...)”; E: o verbo impor 
concorda com a palavra que: “O que nos mandamentos de 
Moisés se impõe como um dos princípios fundamentais é a 
necessidade de reconhecimento dos nossos limites. 
 
 
 
63 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(Auditor Fiscal/PB – 2006 – FCC) De acordo com a norma culta, a 
concordância verbal está correta APENAS na frase: 
(A) O autor disse que existe comissões parlamentares 
válidas e competentes. 
(B) Haviam perguntas que não foram respondidas durante 
o interrogatório. 
(C) Em toda a parte do mundo podem haver políticos 
corruptos. 
(D) É necessário reconhecer que algumas atitudes que fere 
os princípios éticos precisam serem punidas. 
(E) Já faz cinco sessões que os deputados não votam 
nenhuma proposta do governo. 
A: O verbo concorda com o sujeito: “O autor disse que existem 
comissões parlamentares válidas e competentes.”; B: Não há 
fl exão do verbo haver no sentido de existir. Nesse sentido, o 
verbo é impessoal e não tem sujeito, por isso, fi ca sempre na 
3ª pessoa do singular: “Havia perguntas que não foram 
respondidas durante o interrogatório.”; C: Novamente aparece 
o verbo haver na acepção de existir (impessoal): “Em toda a 
parte do mundo pode haver políticos corruptos.”; D: Notar que 
o sujeito do verbo ferir é o pronome relativo que (o pronome 
se refere a “algumas atitudes”). O verbo cujo sujeito é o 
pronome relativo que deve sempre concordar com o 
antecedente deste pronome: “É necessário reconhecer que 
algumas atitudes que ferem os princípios éticos precisam ser 
punidas.”. Também não há fl exão do infi nitivo ser; E: Nesta 
oração, o verbo fazer é impessoal e permanece na 3ª Pessoa 
do singular: “Já faz cinco sessões que os deputados não 
votam nenhuma proposta do governo.” 
 
(Agente Fiscal de Rendas/SP – 2006 – FCC) A frase que está 
totalmente de acordo com o padrão culto da língua é: 
(A) Todos reconheceram que Vossa Senhoria, a despeito da 
exiguidade do vosso tempo, sempre recebeu os 
estudiosos do assunto e lhes deu grande apôio. 
(B) Sob a rubrica de “As grandes explorações”, o autor leu 
muito do que lhe sucitou interesse pelo tema e desejo 
de pôr em discussão algumas questões. 
(C) Certas pessoas consideram ultrage a hesitação em 
associar o início da modernidade à Descartes, mas a 
questão não pára por aí: há pontos mais complexos em 
discussão. 
(D) As refl exões do iminente estudioso, insertas em texto 
bastante acessível ao leigo, nada têm daquele teor 
iracível e tendencioso que se nota em algumas obras 
polêmicas. 
(E) Disse adivinhar o que alguns detratores diriam acerca 
de questões polêmicas como a de rever o signifi cado 
assente de fatos históricos: “é mera questão de querer 
auferir prestígio”. 
A: “(...) a despeito da exiguidade [sem trema de acordo com o 
novo acordo ortográfi co da Língua Portuguesa] do seu tempo 
(...) e lhes deu grande apoio [sem acento].”; B: “(...) o autor leu 
muito do que lhe suscitou [ortografi a] interesse (...)”; C: “(...) 
ultraje [ortografi a] a hesitação em associar o início da 
modernidade a [não ocorre a crase] Descartes, mas a questão 
não para [sem acento diferencial de acordo com o novo acordo 
ortográfi co da Língua Portuguesa] por aí (...).” D: “As refl 
exões do eminente [importante] estudioso (...) nada têm 
daquele teor irascível [que se irrita com facilidade] (...)”; E: a 
frase está de acordo com o padrão culto da língua. 
 
(Agente Fiscal de Rendas/SP – 2006 – FCC) A frase que respeita o 
padrão culto no que se refere à fl exão é: 
(A) No caso de proporem um diálogo sem pseudodilemas 
teóricos, o professor visitante diz que medeia as 
sessões. 
(B) Chegam a constituir-se como clãs os grupos que 
defendem opiniões divergentes, como as que 
interviram no último debate público. 
(C) Ele era o mais importante testemunha do acalorado 
embate entre opiniões contrárias, de que adviram os 
textos de difusão que produziu. 
(D) Em troca-trocas acalorados de ideias, poucos se atêem 
às questões mais relevantes da temática. 
(E) Quando aquele grupo de pesquisadores reaver a 
credibilidade comprometida nos últimos revés, 
certamente apresentará com mais tranquilidade sua 
contribuição. 
A: a oração da assertiva A respeita o padrão culto; B: “(...) 
como a que intervieram no último debate público.”; C: Ele era 
a mais importante testemunha [palavra feminina] do 
acalorado embate (...) de que advieram os textos (...)”; D: “(...) 
poucos se atêm às questões (...)”; E: “Quando aquele grupo 
de pesquisadores reouver [futuro do subjuntivo] a 
credibilidade comprometida nos últimos reveses [o plural de 
revés], certamente apresentará com mais tranquilidade [sem 
trema de acordo com o novo acordo ortográfi co da Língua 
Portuguesa] sua contribuição.” 
(Agente Fiscal de Rendas/SP – 2006 – FCC) A frase em que a 
concordância está em conformidade com o padrão culto é: 
(A) Os advogados reclamaram da indecisão do depoente, 
sem perceber que as perguntas que a ele eram dirigidas 
lhes parecia obscura, difíceis de serem compreendidas. 
(B) Era intrincada a associação de ideias do promotor e o 
apelo que fazia aos jurados, o que, consideradas as 
circunstâncias, os conduziram a uma decisão 
questionável. 
(C) É sempre falível, a meu ver, os juízos que se 
fundamentam mais na verve do orador que no 
conteúdo de seu discurso, mesmo quando os ouvintes 
lhe neguem aquele predicado. 
 
 
(D) Suponho que devem existir sérias razões para ele ter-se 
comportado assim: todas as questões que lhe eram 
postas ele julgava irrelevantes. 
(E) O relatório,de cujo dados discordou-se, foi rejeitado 
imediatamente, tendo sido sugerido, em caráter de 
urgência, a sua plena revisão ou até mesmo sua 
substituição. 
 
A: “(...) as perguntas que a ele eram dirigidas lhe [ao 
depoente] pareciam obscuras [as perguntas pareciam 
obscuras] (...)”; B: “Eram [verbo no plural concorda com o 
sujeito composto que tem como núcleos as palavras 
‘associação’ e ‘apelo’] intrincadas a associação de ideias do 
promotor e o apelo que fazia aos jurados, o que, consideradas 
as circunstâncias, os conduziram a uma decisão 
questionável.”; C: “São [verbo concorda com o sujeito ‘os 
juízos’] sempre falíveis (...) os juízos que se fundamentam 
mais na verve do orador que no conteúdo de seu discurso, 
mesmo quando os ouvintes lhe negam aquele predicado.”; D: 
a concordância da oração está em conformidade com o 
padrão culto; E: “O relatório, de cujo dados discordou-se, foi 
rejeitado imediatamente, tendo sido sugerida, em caráter de 
urgência, a sua plena revisão (...) 
 
Ou isto ou aquilo 
Uma pesquisa da revista norte-americana The Economist, 
promovida para saber se os latino-americanos continuam 
acreditando na democracia, incluiu a seguinte pergunta: 
“Em determinadas circunstâncias, um governo autoritário 
pode ser preferível a um governo democrático?” Seria 
lógico pensar assim: os sujeitos que não acreditam mais nas 
virtudes exclusivas da democracia devem ser tentados por 
uma intervenção autoritária. Ou seja, quem não acredita 
mais na democracia sonha com a volta de um regime 
militar. Faz sentido. 
Pois é, os brasileiros deram uma resposta para atrapalhar o 
sono dos pesquisadores. Entre 1996 e hoje, 13% deixaram 
de acreditar na democracia como melhor sistema de 
governo. Ora, o número dos que aceitariam uma ditadura 
no lugar da democracia não aumentou de modo 
correspondente, mas – surpresa – diminuiu 9%. Ou seja, no 
Brasil há menos gente para acreditar na democracia, mas 
também menos gente para esperar que os militares 
resolvam a situação. 
Aplausos para os brasileiros, que não se deixaram capturar 
por uma alternativa forçada. Entendo assim a posição dos 
entrevistados: a democracia não respondeu a nossas 
esperanças básicas, mas nem por isso entregaríamos o país 
ao despotismo. Sobretudo, não aceitamos uma alternativa 
excludente do tipo: “De um lado, há stalinistas, fascistas ou 
militares e, do outro, a democracia. Olhe, escolha e pule pra 
frente.” Os brasileiros pareceram responder: não pulo coisa 
nenhuma, a escolha não é essa.” Minha leitura (otimista) 
do resultado dessa pesquisa do Economist é a seguinte: 
estamos cansados de ver o mundo em preto-e-branco, com 
contraste máximo. 
(Adaptado de Contardo Calligaris, Terra de ninguém. S. Paulo: 
Publifolha, 2004, pp. 240-241.) 
(Auditor Tributário/Jaboatão dos Guararapes-PE – 2006 – FCC) 
Considerando-se a fl exão e a concordância verbais, a frase 
plenamente correta é: 
(A) Há que se notar que não conveio aos brasileiros confi 
rmar a suposta coerência das opções excludentes que 
lhes foram apresentadas. 
(B) Os poucos que aceitariam uma ditadura como solução 
não correspondeu ao índice percentual imaginado 
pelos pesquisadores. 
(C) Não se poupe aplausos aos brasileiros, que interviram 
na pesquisa de modo a confundir as simplórias 
expectativas dos pesquisadores. 
(D) Costumam haver, nas drásticas alternativas, opções que 
se excluem e fazem imaginar que não podemos criar 
uma terceira hipótese. 
(E) Ainda quando não se alenta, numa democracia, as 
esperanças básicas de um povo, a ditadura não deve ser 
vista como solução. 
 
A: “Há que se notar que não conveio [3ª pessoa do pretérito 
perfeito do indicativo do verbo convir] aos brasileiros confi 
rmar a suposta coerência das opções excludentes que lhes 
foram apresentadas.”; B: “Os poucos que aceitariam uma 
ditadura como solução não correspondia [3ª pessoa do 
pretérito imperfeito do indicativo] ao índice percentual 
imaginado pelos pesquisadores.”; C: “Não se [pronome 
apassivador] poupem [o verbo concorda com ‘aplausos’] 
aplausos aos brasileiros, que intervieram [3ª pessoa do plural 
do pretérito perfeito do indicativo do verbo intervir] na pesquisa 
de modo a confundir as simplórias expectativas dos 
pesquisadores.”; D: “Costuma haver [o verbo haver no 
sentido de existir é impessoal. Não se fl exiona nem mesmo 
seu auxiliar. Não há sujeito, desse modo, o auxiliar fi ca na 3ª 
pessoa do singular], nas drásticas alternativas, opções que se 
excluem e fazem imaginar que não podemos criar uma 
terceira hipótese.”; E: “Ainda quando não se alente [presente 
do subjuntivo. O verbo signifi ca encorajar], numa democracia, 
as esperanças básicas de um povo, a ditadura não deve ser 
vista como solução.” 
 
(Analista – TRT/4ª – 2006 – FCC) As normas de concordância verbal 
e nominal estão plenamente atendidas na frase: 
(A) Reservam-se os artistas o direito (ou privilégio?) de 
escolherem o gênero e a forma que lhes pareçam os 
mais adequados ao seu intento de expressão. 
(B) Não se reconhecia na crônica, antes de Rubem Braga, 
quaisquer méritos que pudessem alçá-la à altura dos 
chamados grandes gêneros literários. 
(C) Não cabem aos críticos ou aos historiadores da 
literatura estipular se o gênero de uma ou outra obra é 
maior ou menor em si mesmos. 
(D) Uma vez submetido ao poder de sedução de seu estilo 
admirável, é possível que custassem aos leitores de 
Rubem Braga fi car aguardando a crônica seguinte. 
 
 
65 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
(E) Não lhe bastassem, além do estilo límpido, ter os olhos 
de um grande fotógrafo, Rubem Braga ainda 
frequentava as alturas da poesia lírica. 
 
A: o sujeito do verbo reservar é “os artistas”; B: “Não se 
reconheciam” – o sujeito do verbo reconhecer é “quaisquer 
méritos”; C: “Não cabe aos críticos” – o sujeito do verbo caber 
é oracional (“estipular se o gênero de uma ou outra obra é 
maior ou menor em si mesmos”); D: “que custasse” – o sujeito 
do verbo custar é oracional (“fi car aguardando a crônica 
seguinte”); E: “Não lhe bastasse” – (o sujeito do verbo bastar 
é oracional (“ter os olhos de um grande fotógrafo”). 
 
(Analista – TRT/6ª – 2006 – FCC) As normas de concordância estão 
plenamente respeitadas na frase: 
(A) Costumam ser muito custosos, para todos os indivíduos, 
desviarem-se das tentações do conforto fácil e do 
prestígio rápido. 
(B) Quem aos valores dos outros se submetem sem pensar 
acabam por não encontrar seus valores mais autênticos. 
(C) Não são próprias das regiões mais sombrias do nosso 
ser oferecer-nos as verdades cruas da nossa 
personalidade. 
(D) O que fazem os homens desviar os olhos de sua imagem 
verdadeira são as facilidades de uma imagem já 
fabricada. 
(E) Em geral não nos apetece enfrentar os contornos duros 
do nosso rosto verdadeiro, mais desconfortáveis que os 
do construído. 
A: “Costuma ser muito custoso (...) desviar-se” – o sujeito da 
locução “costumar ser” é oracional; B: “Quem (...) se submete” 
– o sujeito do verbo submeter é o pronome quem; C: “Não é 
próprio (...) oferecer” – o sujeito do verbo ser é oracional; D: 
“O que faz” – o sujeito do verbo fazer é oracional “desviar os 
olhos...”; E: o sujeito do verbo apetecer é “enfrentar os 
contornos...”; a palavra “desconfortáveis” concorda com 
“contornos”. O pronome os se refere a “contornos” e o verbo 
“construído” a “rosto”. 
 
(Analista – TRF/1º – 2006 – FCC) Para que se respeite a 
concordância verbal, será preciso corrigir a frase: 
(A) Têm havido dúvidas sobre a capacidade do sistema de 
saúde cubano. 
(B) Têm sido levantadas dúvidas sobre a capacidade dosistema de saúde cubano. 
(C) Será que o sistema de saúde cubano tem suscitado 
dúvidas sobre sua efi cácia? 
(D) Que dúvidas têm propalado os adversários de Cuba 
sobre seu sistema de saúde? 
(E) A quantas dúvidas tem dado margem o sistema de 
saúde de Cuba? 
O verbo haver no sentido de existir é impessoal e permanece 
sempre na 3ª pessoa do singular: “Tem havido dúvidas”. 
(Analista – TRT/3ª – 2005 – FCC) Levando-se em conta as normas 
de concordância verbal e nominal, a única frase 
inteiramente correta é: 
(A) Se se acrescentar à tribo dos micreiros as tribos dos 
celuleiros, dos devedeiros etc., haverá de se incorporar 
à língua portuguesa muitos outros neologismos. 
(B) Como se não bastassem as difi culdades que muita 
gente vêm demonstrando no uso do vocabulário 
tradicional, eis que novas aquisições se fazem 
necessárias a cada momento, proveniente da 
tecnologia. 
(C) A velocidade com que surgem palavras relacionadas aos 
novos campos tecnológicos fazem com que muitos 
desanimem, confessando-se inábeis para sua utilização. 
(D) Estão entre as características do texto a citação de 
alguns neologismos e o divertido registro de algumas 
situações em que ocorreu ambivalência de sentido, 
testemunhadas pelo autor. 
(E) É costume que se dissemine, sobretudo entre os mais 
velhos, alguns preconceitos contra o universo dos mais 
jovens, contra o vocabulário que entre estes se 
propagam com mais facilidade. 
A: “haverão de se incorporar” – o sujeito do verbo haver é 
“muitos outros neologismos”; B: “vem demonstrando” – o 
sujeito do verbo vir é “muita gente”; C: “A velocidade (...) faz” 
– o sujeito do verbo fazer é “A velocidade”; D: “Estão” o sujeito 
do verbo estar tem dois núcleos: “citação” e “divertido”; E: “É 
costume que se disseminem” – o sujeito do verbo disseminar 
é “alguns preconceitos”. 
 
(Analista – TRT/11ª – 2005 – FCC) As normas de concordância estão 
inteiramente respeitadas na frase: 
(A) Confi gura-se nas frequentes invasões dos escritórios de 
advocacia o desrespeito a prerrogativas constitucionais. 
(B) Não cabem às autoridades policiais valer-se de ordens 
superiores para justifi car a violência dessas invasões. 
(C) Submetido com frequência a esse tipo de 
constrangimento, os advogados se vêm forçados a 
revelar informações confi denciais de seus clientes. 
(D) Tem ocorrido, de uns tempos para cá, inúmeras 
entradas forçosas da polícia em escritórios de 
advocacia. 
(E) Se não lhes convêm cumprir determinadas medidas, 
cabe aos advogados recorrer às instâncias superiores da 
justiça. 
 
 
 
A: o sujeito do verbo confi gurar é singular: “o desrespeito”; B: 
“Não cabe (...) valer-se” – o sujeito do verbo caber é oracional 
“valer-se de ordens superiores para justifi car a violência 
dessas invasões”; C: “os advogados se veem forçados” – o 
sujeito do verbo ver é plural (“advogados”); D: “Têm ocorrido 
(...) inúmeras entradas” – o sujeito da locução é plural 
(“inúmeras entradas”); E: “Se não lhes convém” – o sujeito do 
verbo convir é oracional “cumprir determinadas medidas”. 
 
(Analista – TRT/13ª – 2005 – FCC) Quanto à concordância verbal, a 
frase inteiramente correta é: 
(A) Não costumam ocorrer, em reuniões de gente 
interessada na discussão de um problema comum, confl 
itos que uma boa exposição dos argumentos não 
possam resolver. 
(B) Quando há desrespeito recíproco, as razões de cada 
candidato, mesmo quando justas em si mesmas, acaba 
por se dissolverem em meio às insolências e aos 
excessos. 
(C) O maior dos paradoxos das eleições, de acordo com as 
ponderações do autor, se verifi cariam nos caminhos 
nada democráticos que se trilha para defender a 
democracia. 
(D) Quando se torna acirrado, nos debates eleitorais, o 
ânimo dos candidatos envolvidos, é muito difícil apurar 
de quem provém os melhores argumentos. 
(E) Insatisfeitos com o tom maniqueísta e autoritário de 
que se valem os candidatos numa campanha, os 
eleitores franceses escolheram o que lhes pareceu 
menos insolente. 
 
A: “que uma boa exposição (...) não possa resolver”: o sujeito 
da locução “possa resolver” é singular; B: “as razões (...) 
acabam” – o sujeito verbo acabar é plural; C: “O maior de 
todos os paradoxos (...) se verifi caria” – o sujeito do verbo 
verifi car é singular; D: “de quem provêm os melhores 
argumentos” – o sujeito do verbo provir é “os melhores 
argumentos”; E: o sujeito do verbo valer é “os candidatos”; o 
sujeito do verbo escolher é “eleitores franceses”; o sujeito do 
verbo parecer é a palavra que. 
(CEF – Técnico Bancário/Norte e Nordeste – 2004 – FCC) As normas de 
concordância verbal estão inteiramente respeitadas na 
frase: 
(A) Não basta que se critique as distorções dessa 
programação, é preciso que se saibam corrigi-las. 
(B) Apenas 8% dos lares brasileiros ainda não conta com um 
aparelho de TV, a se darem crédito aos dados do Ibope. 
(C) A qualidade dos inúmeros programas de TV destinados 
às crianças não alcança o nível que seria desejável, na 
opinião dos que o avaliam. 
(D) Repercutem mal, junto aos educadores e psicólogos, o 
fato de que os critérios de avaliação dos programas são 
estritamente comerciais. 
(E) Deveriam caber aos estudiosos acadêmicos 
interferirem mais diretamente na qualidade da 
produção dos programas infantis. 
A: incorreta. O sujeito é indeterminado, portanto o verbo 
“saber” deve fi car no singular: “se saiba corrigi-las”; B: 
incorreta. O verbo “contar” deve concordar com “lares”, indo 
para o plural, e a expressão correta é “a se dar crédito”; C: 
correta; D: incorreta. O verbo “repercutir” concorda com “fato”, 
que aparece depois da vírgula, e deve fi car no singular; E: 
incorreta. Os verbos deveriam estar no singular: “deveria 
caber aos estudiosos acadêmicos interferir mais...”. 
 
(CEF – Técnico Bancário – 2004 – FCC) As normas de concordância 
verbal estão inteiramente respeitadas na frase: 
(A) Não há nenhum absurdo em se aproximar uma 
olimpíada de uma missão espacial, pois ambas 
estimulam a pesquisa científi ca. 
(B) Não houve nenhum, entre os limites já enfrentados, 
que representassem uma barreira defi nitiva. 
(C) A primeira manifestação das competições de que 
derivam as modernas olimpíadas ocorreram na Grécia 
antiga. 
(D) Atualmente, contam-se não apenas com os melhores 
atletas, mas com os mais avançados recursos 
tecnológicos. 
(E) Os desafi os que se deve enfrentar a cada olimpíada 
representa um esforço sempre maior. 
A: correta; B: incorreta. O verbo “representar” deveria estar no 
singular, concordando com “nenhum”; C: incorreta. O verbo 
“ocorrer” deveria estar no singular, concordando com 
“manifestação”; D: incorreta. O sujeito indeterminado deixa o 
verbo impessoal e, portanto, “contar” não deve ser conjugado, 
permanecendo na terceira pessoa do singular; E: incorreta. O 
verbo “representar” deveria estar no plural, concordando com 
“desafi os”. 
Várias famílias percorrem dez ou mais quilômetros com 
destino à Serra da Cantareira, mais precisamente à Chácara 
do Frade, com seus dezessete hectares tomados por alface, 
rúcula, pepino, cenoura e dezenas de outras hortaliças. As 
pessoas caminham entre os canteiros, trocam informações 
sobre o plantio, escolhem o que comprar e levam produtos 
fresquinhos, jamais “batizados” por agrotóxicos. 
Cada vez mais hortas instaladas perto da capital estão 
abrindo suas portas aos visitantes. O proprietário, José 
Frade, lucra com a venda direta. O consumidor, por sua vez, 
garante a qualidade do que está comendo. 
Na Europa, isso é muito comum. Desde a Idade Média, 
durante a época da colheita,as plantações dos vilarejos 
vizinhos às cidades se transformam em verdadeiras feiras 
livres. Por aqui, a onda está apenas começando. Num raio 
de cem quilômetros da capital já existem pelo menos nove 
sítios e chácaras que trabalham nesse sistema. 
(CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) São grandes as vantagens que 
...... da compra direta de hortaliças (ou dos ...... , em geral); 
 
 
67 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
sabem disso aqueles que já se ...... e pensaram nos males 
dos agrotóxicos. 
Completam corretamente as lacunas do período acima: 
(A) adviriam- hortifrutigranjeiros - detiveram 
(B) adveriam - hortifrutigranjeiros - detiveram 
(C) adviriam - hortisfrutisgranjeiros - deteram 
(D) adveriam - hortisfrutisgranjeiros - deteram 
(E) adviriam - hortifrutigranjeiros – deteram 
“Advir”, na terceira pessoa do plural do futuro do pretérito do 
indicativo, conjuga-se “adviriam”. A ortografi a correta é 
“hortifrutigranjeiros”. “Deter”, na terceira pessoa do plural do 
pretérito perfeito do indicativo, conjuga-se “detiveram”. 
(CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Assinale a alternativa que 
apresenta ERRO de concordância. 
(A) Não que os esteja considerando inválido, mas o 
professor gostaria de conhecer os estudos de que se 
retirou os dados mencionados no texto. 
(B) Segundo alguns teóricos, deve ser evitada, o mais 
possível, a agricultura em regiões de fl oresta; são áreas 
tidas como adequadas à preservação de espécie sem 
vias de extinção. 
(C) Existem com certeza, ainda hoje, pessoas que 
defendem o cultivo incondicional da terra, assim como 
deve haver muitos que condenam qualquer alteração 
da paisagem natural, por menor que seja. 
(D) Nem sempre são sufi cientes dados estatisticamente 
comprovados para que as pessoas se convençam da 
necessidade de repensarem suas convicções, trate-se 
de assuntos polêmicos ou não. 
(E) Faz séculos que fi lósofos discutem as relações ideais 
entre os homens e a natureza, questão que nem sempre 
lhes parece passível de consenso. 
A única alternativa que apresenta erro de concordância é a 
letra “A”. Sua redação correta é: “Não que os esteja 
considerando inválidos, mas o professor gostaria de conhecer 
os estudos de que se retiraram os dados mencionados no 
texto”. 
(CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Assinale a alternativa que NÃO 
apresenta erro algum de concordância. 
(A) Já há muito tempo tinha sido feito por importante 
estudioso previsões pessimistas quanto ao destino das 
áreas rurais na Inglaterra, mas muitos não as 
consideraram. 
(B) Às vezes não basta alguns comentários sobre a 
importância do cenário da natureza para a vida 
espiritual do homem no sentido de que se tentem evitar 
mais prejuízos ao meio ambiente. 
(C) Certos argumentos de G.M. Trevelyan tornaram 
vulnerável certas visões acerca do modo como 
deveriam ser tratadas terras incultas. 
(D) Segundo o que se diz no texto, os ingleses havia de 
terem se preocupado com a legitimação de sua tarefa 
de ocupação dos territórios indígenas. 
(E) Quaisquer que sejam os rumos das cidades 
contemporâneas, sempre haverá os que lamentarão a 
perda da vida em contato direto com a natureza. 
 
A: incorreta (“tinham sido feitas por importante estudioso 
previsões pessimistas”); B: incorreta (“às vezes não bastam 
alguns comentários”); C: incorreta (“tornaram vulneráveis 
certas visões”); D: incorreta (“os ingleses haviam de ter se 
preocupado”); E: correta. 
 
(BB – Escriturário – 2011 – FCC) A frase em que a concordância 
verbal e nominal está inteiramente respeitada é: 
(A) Ainda não foi sufi ciente os investimentos na tentativa 
de redução dos índices de pobreza verifi cados em todo 
o mundo. 
(B) Em relação ao poder aquisitivo, ainda se observa da-dos 
assustadores quanto à miséria em que vivem 
populações inteiras. 
(C) São claras algumas implicações políticas na área do 
desenvolvimento humano, pois é imprescindível a ação 
do poder público na erradicação da miséria. 
(D) Deve ser levado em conta a sustentabilidade do 
crescimento econômico, para que se garanta melhorias 
efetivas das condições de vida da população. 
(E) Alguns especialistas tende a atribuir à crise fi nanceira a 
principal razão do retrocesso nos resultados 
satisfatórios que já tinha sido alcançado. 
 
A: incorreta (“não foram sufi cientes”); B: incorreta (“ainda se 
observam dados assustadores”); C: correta; D: incorreta 
(“deve ser levada em conta” e “para que se garantam 
melhorias”); E: incorreta (“alguns especialistas tendem a 
atribuir” e “que já tinham sido alcançados”). 
 
(BB – Escriturário – 2010 – FCC) A concordância verbal e nominal 
está inteiramente correta na frase: 
(A) Cada vez mais se tornam imprescindíveis medidas que 
venham a alterar o relacionamento entre o homem e a 
natureza. 
(B) Quando entra em discussão nos países envolvidos as 
questões sobre responsabilidade climática, difi cilmente 
se chega a um acordo. 
 
 
(C) Chegaram-se a impasses nas negociações sobre a 
sustentabilidade do planeta pela impossibilidade de 
determinar a responsabilidade de cada país. 
(D) Foram detectadas, nas análises mais recentes, a 
presença de partículas de poluentes prejudiciais à 
saúde humana. 
(E) Estão havendo problemas nas negociações sobre o 
clima por falta de consenso entre os países 
participantes. 
A: correta; B: incorreta (“quando entram em discussão”); C: 
incorreta (“chegou-se a impasses”); D: incorreta (“Foi 
detectada”); E: incorreta (“Está havendo problemas”). 
“O folhetim é frutinha de nosso tempo”, disse Machado de 
Assis numa de suas deliciosas crônicas. E volta ao assunto 
na crônica seguinte. 
“O folhetinista é originário da França [...] De lá espalhou-se 
pelo mundo, ou pelo menos por onde maiores proporções 
tomava o grande veículo do espírito moderno; falo do 
jornal.” E Machado tenta “defi nir a nova entidade 
literária”, procura esmiuçar a “organização do novo 
animal”. Mas dessa nova entidade só vai circunscrever a 
variedade que se aproxima do que hoje chamaríamos 
crônica. E como na verdade a palavra folhetim designa 
muitas coisas, e, efetivamente, nasceu na França, há que ir 
ver o que o termo recobre lá na matriz. De início, ou seja, 
começos do século XIX, “le feuilleton” designa um lugar 
preciso do jornal: “o rez-de-chaussée” - rés-do-chão, rodapé 
-, geralmente o da primeira página. Tinha uma fi nalidade 
precisa: era um espaço vazio destinado ao entretenimento. 
E pode-se já antecipar, dizendo que tudo o que haverá de 
constituir a matéria e o modo da crônica à brasileira já é, 
desde a origem, a vocação primeira desse espaço geográfi 
co do jornal, deliberadamente frívolo, oferecido como 
chamariz aos leitores afugentados pela modorra cinza a 
que obrigava a forte censura napoleônica. (“Se eu soltasse 
as rédeas da imprensa”, explicava Napoleão ao célebre 
Fouché, seu chefe de polícia, “não fi caria três meses no 
poder.”) 
(MEYER, Marlyse, Folhetim: uma história. 2 ed. São Paulo: 
Companhia das Letras, 2005, p. 57) 
(BB – Escriturário – 2006 – FCC) E como na verdade a palavra 
folhetim designa muitas coisas, e, efetivamente, nasceu na 
França, há que ir ver o que o termo recobre lá na matriz. 
Substituindo a palavra folhetim, na frase acima, por “as 
palavras”, estará em conformidade com a norma padrão 
culta a seguinte redação do segmento sublinhado: 
(A) há que irem ver o que o termo recobre lá na matriz. 
(B) há que ir verem o que o termo recobre lá na matriz. 
(C) hão que ir ver o que os termos recobrem lá na matriz. 
(D) há que irem verem o que os termos recobre lá na 
matriz. 
(E) há que ir ver o queos termos recobrem lá na matriz. 
A locução verbal “há que ir ver” indica a indeterminação do 
sujeito da oração e, por isso, não se fl exiona, sendo mantida 
na terceira pessoa do singular. A concordância é realizada 
apenas com o objeto direto, que retoma a expressão “as 
palavras”. Assim, temos: “(...) há que ir ver o que os termos 
recobrem lá na matriz). 
Atenção: A próxima questão baseia-se no texto abaixo. 
1 A Norma (1831) é claramente uma ópera que encena, numa 
suposta rebelião gaulesa contra a tutela romana na 
Antiguidade, a desejada libertação dos italianos em face 
das potências estrangeiras – no caso, 
5 certamente a Áustria – que lhes vedam a independência e a 
unidade nacional. Como é de praxe em boa parte das 
óperas italianas do século XIX, ao posicionamento 
progressista nas grandes questões sociais ou nacionais se 
opõe um lastro, geralmente ocultado, que é de 
10 natureza mais propriamente pessoal, e serve de enorme 
peso – inconsciente, posto que até então desconhecido – 
contra aquela tomada de partido em favor [...] do “bem” ou, 
pelo menos, da justiça e do progresso. Esse modelo 
aparece, para citarmos apenas algumas óperas, nas 
15 Vespri Siciliani e no Trovatore de Verdi; poder-se-ia 
argumentar que a Traviata procede do mesmo modo. 
Assim, um recorte se delineia inicialmente, a opor as causas 
progressistas (a pátria livre, seja ela a Gália, a 
Sicília ou qualquer outra; a defesa dos pobres; a união 
20 de quem se ama) ao que existe de mais retrógrado; porém, 
a dramaticidade não procederá do confl ito, num mesmo 
nível, entre progressistas e reacionários, mas da irrupção, 
no âmago mesmo da causa revolucionária avançada, de um 
elemento pessoal marcado pelo 
25 acumpliciamento secreto, arcaico e culpável com o inimigo. 
Dessa forma, o herói libertador dos sicilianos nas Vespri é 
na verdade filho ilegítimo do governador francês, o trovador, 
na ópera homônima, é o irmão perdido de seu próprio 
perseguidor – e aqui, na Norma, a 
30 sacerdotiza suprema dos gauleses é amante do chefe 
romano. É isso o que dilacera a alma, tanto do ator-cantor 
como do expectador-ouvinte, e confere a essas óperas seu 
caráter trágico. 
(Analista – ANS – 2007 – FCC) Está correta a concordância 
estabelecida em: 
(A) Será necessário análises mais detidas de cada uma das 
óperas mencionada. 
(B) Diante das potências estrangeiras que nada lhes 
poderiam facilitar, a Itália deixa manifesto na Norma 
sua ânsia por liberdade. 
(C) Nas óperas românticas, servem de pesos inconscientes, 
postos que até então desconhecidos, laços, geralmente 
ocultados, de naturezas mais pessoais. (D) Deveriam 
haver argumentos para sustentar que a Traviata 
procede do mesmo modo que a Norma. 
(E) Sempre se desejaram pátrias livres, fossem elas Gália e 
Itália ou quaisquer outras. 
 
A: incorreta, pois o sujeito do predicado nominal “Será 
necessário” é o substantivo feminino plural “análises”. Quando 
o sujeito não apresenta determinante, expressões do tipo 
mantém-se no masculino singular. A concordância nesse 
trecho está correta. Já o termo “mencionada” deveria estar no 
plural para acompanhar o substantivo que determina, óperas. 
 
 
69 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
O plural é necessário porque apesar de cada uma ter que ser 
analisada individualmente (daí o uso do singular na expressão 
“cada uma”), várias óperas foram mencionadas; B: incorreta, 
pois o pronome pessoal oblíquo “lhes” tem como referente o 
termo “Itália”, singular. O pronome deve concordar em gênero 
e número com o termo que substitui (importante notar que o 
pronome “lhe” não admite fl exão de gênero). Outro erro 
incorre no termo “manifesto”, predicativo do objeto que se 
refere à expressão “sua ânsia por liberdade”. O termo deve 
ser acompanhar o seu referente, no feminino singular: “A Itália 
deixa manifesta (...) sua ânsia por liberdade”; C: incorreta, 
pois a expressão “posto que” é uma locução conjuntiva de 
forma fi xa, que não possui referente para concordância, e une 
as partes do texto estabelecendo uma relação de causa entre 
o trecho anterior e o que introduz; D: incorreta, pois a locução 
verbal “deveriam haver” tem como verbo principal o verbo 
“haver” no sentido de existir, na forma nominal do infi nitivo. 
Trata-se de um verbo impessoal que não possui referente de 
sujeito e deve manter-se sempre conjugado na terceira 
pessoa do singular. O verbo auxiliar da locução, que 
apresenta as fl exões de tempo, modo, número e pessoa, deve 
ser conjugado de acordo com as regras que orientam o 
principal. A forma correta seria “deveria haver argumentos”; 
E: correta, pois o verbo “desejaram”, acompanhado da 
partícula “se”, está na voz passiva e tem como sujeito a 
expressão no plural “pátrias livres”, com que concorda 
corretamente. As fl exões de número dos termos “fossem” e 
“quaisquer” acompanham corretamente os seus regentes 
“elas” e “outras”, respectivamente. 
 
Leia o Texto. 
A implementação do Sistema de Pagamentos 
Brasileiro - SPB altera todo o processo de 
transferência de recursos através do sistema fi 
nanceiro. 
O Banco Central deixa de ser responsável 
5 pela intermediação das ordens de pagamento, 
transferindo essa atribuição para um conjunto de 
câmaras de compensação e liquidação 
(clearings), que passam a garantir a fi nalização destas 
operações. Algumas destas câmaras já 
10 existem há anos e são responsáveis pelas 
operações de liquidação e custódia de ações, 
ativos e derivativos. No novo cenário, ganham 
autonomia patrimonial, seguros e novos métodos 
de gestão de risco. 
15 O sistema fi nanceiro estará interligado 
eletronicamente, operando, em alguns casos, em 
tempo real. As operações precisam estar 
lastreadas em reservas constituídas pelas 
instituições fi nanceiras no Banco Central. 
20 Todas essas transformações acarretam mudanças 
não só na tecnologia dos bancos, mas também em 
sua gestão de negócios, seus produtos e seus 
controles. 
(BANCO HOJE, março de 2001, p.54.) 
(Analista – BACEN – 2001 – FCC) Em relação ao texto acima, assinale 
a opção incorreta. 
(A) A articulação entre os dois primeiros períodos do texto 
(l. 4) pode ser expressa pela ideia de já que. 
(B) A forma verbal “transferindo”(l. 6) pode ser substituída, 
sem prejuízo para a correção do período, por e 
transfere, eliminando-se a vírgula após “pagamento”(l. 
5 e 6). 
(C) Na linha 8, “que” equivale a as quais. 
(D) De acordo com o sentido do texto, a forma verbal 
“ganham” (l. 12) refere-se a “câmaras” (l. 9). 
(E) A coerência e a coesão do texto estariam prejudicadas 
se a expressão: “Todas essas transformações 
acarretam...”(l. 20) estivesse no singular. 
Se a expressão estivesse no singular Toda essa 
transformação acarreta expressaria uma ideia generalizadora 
(apreende todas as transformações anteriores) das 
transformações citadas no texto. 
O segredo da acumulação primitiva neoliberal 
Numa coluna publicada na Folha de São Paulo, o jornalista 
Elio Gaspari evocava o drama recente de um navio de 
crianças escravas errando ao largo da costa do Benin. Ao ler 
o texto – que era inspirado -, o navio tornava-se uma 
metáfora de toda a África subsaariana: ilha à deriva, 
mistura de leprosário com campo de extermínio e reserva 
de mão de obra para migrações desesperadas. 
Elio Gaspari propunha um termo para designar esse povo 
móvel e desesperado: “os cidadãos descartáveis”. “Massas 
de homens e mulheres são arrancados de seus meios de 
subsistência e jogados no mercado de trabalho como 
proletários livres, desprotegidos e sem direitos.” São 
palavras de Marx, quando ele descreve a “acumulação 
primitiva”,ou seja, o processo que, no século XVI, criou as 
condições necessárias ao surgimento do capitalismo. Para 
que ganhássemos nosso mundo moderno, foi necessário, 
por exemplo, que os servos feudais fossem, à força, 
expropriados do pedacinho de terra que podiam cultivar 
para sustentar-se. Massas inteiras se encontraram, assim, 
paradoxalmente livres da servidão, mas obrigadas a vender 
seu trabalho para sobreviver. 
Quatro ou cinco séculos mais tarde, essa violência não 
deveria ter acabado? Ao que parece, o século XX pediu uma 
espécie de segunda rodada, um ajuste: a criação de sujeitos 
descartáveis globais para um capitalismo enfi m global. 
Simples continuação ou repetição? Talvez haja uma 
diferença – pequena, mas substancial – entre as massas do 
século XVI e os migrantes da globalização: as primeiras 
foram arrancadas de seus meios de subsistência, os 
segundos são expropriados de seu lugar pela violência da 
fome, por exemplo, mas quase sempre eles recebem em 
troca um devaneio. O protótipo poderia ser o prospecto 
 
 
que, um século atrás, seduzia os emigrantes europeus: 
sonhos de posse, de bem-estar e de ascensão social. 
As condições para que o capitalismo invente sua versão 
neoliberal são subjetivas. A expropriação que torna essa 
passagem possível é psicológica: necessita que sejamos 
arrancados nem tanto de nossos meios de subsistência, 
mas de nossa comunidade restrita, familiar e social, para 
sermos lançados numa procura infi nita de status (e, 
hipoteticamente, de bem-estar) defi nido pelo acesso a 
bens e serviços. Arrancados de nós mesmos, deveremos 
querer ardentemente ser algo além do que somos. 
Depois da liberdade de vender nossa força de trabalho, a 
“acumulação primitiva” do neoliberalismo nos oferece a 
liberdade de mudar e subir na vida, ou seja, de cultivar 
visões, sonhos e devaneios de aventura e sucesso. E, desde 
o prospecto do emigrante, a oferta vem se aprimorando. A 
partir dos anos 60, a televisão forneceu os sonhos para que 
o campo não só devesse, mas quisesse, ir para a cidade. 
O requisito para que a máquina neoliberal funcione é mais 
refi nado do que a venda dos mesmos sabonetes ou fi lmes 
para todos. Trata-se de alimentar um sonho infi nito de 
perfectibilidade e, portanto, uma insatisfação radical. Não 
é pouca coisa: é necessário promover e vender objetos e 
serviços por eles serem indispensáveis para alcançarmos 
nossos ideais de status, de bem-estar e de felicidade, mas, 
ao mesmo tempo, é preciso que toda satisfação conclusiva 
permaneça impossível. 
Para fomentar o sujeito neoliberal, o que importa não é lhe 
vender mais uma roupa, uma cortina ou uma lipoaspiração; 
é alimentar nele sonhos de elegância perfeita, casa perfeita 
e corpo perfeito. Pois esses sonhos perpetuam o 
sentimento de nossa inadequação e garantem, assim, que 
ele seja parte inalterável, defi nidora, da personalidade 
contemporânea. 
Provavelmente seria uma catástrofe se pudéssemos, de 
repente, acalmar nossa insatisfação. Aconteceria uma 
queda total do índice de confi ança dos consumidores. 
Bolsas e economias iriam para o brejo. Desemprego, crise, 
etc. 
Melhor deixar como está. No entanto, a coisa não fi ca bem. 
Do meu pequeno observatório psicanalítico, parece que o 
permanente sentimento de inadequação faz do sujeito 
neoliberal uma espécie de sonhador descartável, que corre 
atrás da miragem de sua felicidade como um trem 
descontrolado, sem condutor, acelerando 
progressivamente por inércia – até que os trilhos não 
aguentem mais. 
(Contardo Calligaris, Terra de ninguém. São 
Paulo: Publifolha, 2002) 
Nota: O autor desse texto, Contardo Calligaris, é 
psicanalista e foi professor de estudos culturais na New 
School de Nova York. Faz parte do corpo docente do 
Institute for the Study of Violence, em Boston. É também 
colunista da Folha de S. Paulo. 
(Analista – BACEN – 2005 – FCC) Na proposta de uma nova redação 
para uma frase do texto, cometeu-se um deslize quanto à 
concordância verbal em: 
(A) Não teriam sido sufi cientes quatro ou cinco séculos 
para que se extinguissem de vez as manifestações de 
violência principiadas no século XVI? 
(B) Fez-se necessária não só a criação, mas também a 
multiplicação de sujeitos descartáveis para que se 
caracterizassem as condições de um capitalismo 
globalizado. (C) Vendam-se os mesmos sabonetes ou fi 
lmes para todos, o principal requisito dos 
procedimentos neoliberais vai além disso, e atende a 
exigências que são de alta sofi sticação. 
(D) Devem-se notar, comparando-se as massas do século 
XVI e os migrantes da globalização, um quadro de 
semelhanças que não exclui uma importante diferença. 
(E) Ao nos agraciar com sonhos de perfectibilidade, a 
máquina liberal inclui entre seus segredos estratégicos 
o sentimento da insatisfação radical. 
 
A forma do verbo dever está incorreta, pois, para indicar 
sujeito indeterminado, é possível duas construções: verbo na 
3ª pessoa do singular + índice de indeterminação do sujeito 
(deve-se) ou verbo na 3ª pessoa do plural (devem). 
 
(Analista – BACEN – 2001 – FCC) Assinale a opção incorreta a 
respeito das estruturas linguísticas do texto abaixo. 
Temos uma legislação processual com 
dispositivos que permitem ao devedor, a pretexto de 
questionar uma cláusula contratual ou uma garantia 
dada em uma operação, deixar de pagar 5 o principal. 
O que isso traz de consequência? Traz um aumento 
muito grande de inadimplência, que se traduz em um 
aumento de custo para o tomador. O prejuízo 
operacional sofrido pela instituição financeira, em 
decorrência dessa 
10 inadimplência, faz com que os bons pagadores 
acabem arcando com parte dessa conta, suportando 
uma taxa de juro maior e até desestimulando outros 
tomadores, que gostariam de expandir ou crescer seus 
empreen15 dimentos com apoio no crédito. 
(Gabriel Jorge Ferreira, em entrevista à Resenha 
BM&F, com adaptações.) 
(A) A forma verbal “Temos”, ao iniciar o texto, indica que 
autor e leitores partilham a situação que vem descrita a 
seguir. 
(B) A oração “deixar de pagar o principal” (l. 4 e 5), apesar 
de não ter sujeito gramatical, refere-se 
semanticamente a “devedor”(l. 2). 
(C) O pronome “que”(l. 7) refere-se a “inadimplência” (l. 6) 
e constitui o sujeito da oração em que ocorre. 
(D) A oração reduzida “sofrido pela instituição fi nanceira” 
(l. 8 e 9) corresponde à ideia que também pode ser 
expressa pela oração que a instituição fi nanceira 
sofreu. 
(E) “dessa inadimplência” (l. 9 e 10) constitui o sujeito da 
oração que tem como predicado “faz”(l. 10). 
 
 
71 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 
O sujeito do verbo “faz” é “prejuízo operacional”. 
(Analista – BACEN – 2001 – FCC) Assinale a opção em que o termo 
sublinhado apresenta incorreção gramatical. 
No México e no Chile, persistem expectativas de que a 
distensão(1) característica de suas políticas monetárias 
contribuam(2) para a sustentação do nível de atividade. Na 
Argentina, a operação de troca da dívida exerceu efeitos 
favoráveis sobre a percepção dos investidores, mas ainda 
persistem(3) as incertezas em relação à capacidade de 
retomada do crescimento econômico, para o qual(4) não 
contribuirá o perfi l retrativo(5) da política fi scal. 
(Trecho adaptado do Relatório de Infl ação – Banco Central do 
Brasil, junho de 2001- volume 3, no 2, p. 91.) 
(A) 1 
(B) 2 
(C) 3 
(D) 4 
(E) 5 
A forma verbal correta deveria ser conjugada no singular 
(contribua), já que seu sujeito está no singular (“distensão 
característica”). 
(Analista – BACEN – 2001 – FCC) Assinale a opção em que

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