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INSTITUTO ÓLIVER 6.000 QUESTÕES 1. LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 1 1. INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS ......................................................................................................................................1 2. REDAÇÃO, COESÃO E COERÊNCIA .........................................................................................................................38 3. CONCORDÂNCIA VERBAL E CONCORDÂNCIA NOMINAL ..............................................................................49 4. ANÁLISE SINTÁTICA ....................................................................................................................................................62 5. QUESTÕES COMBINADAS ........................................................................................................................................73 2. RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA 88 1. ESTATÍSTICA ..................................................................................................................................................................88 3. DIREITO CONSTITUCIONAL 92 1. DEFESA DO ESTADO ...................................................................................................................................................92 2. TRIBUTAÇÃO E ORÇAMENTO ..................................................................................................................................94 3. ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA ....................................................................................................................98 4. ORDEM SOCIAL ........................................................................................................................................................102 5. FAMÍLIA, CRIANÇA, ADOLESCENTE E IDOSO ....................................................................................................107 6. ÍNDIOS ........................................................................................................................................................................107 7. OUTROS TEMAS E TEMAS COMBINADOS ..........................................................................................................108 4. DIREITO ADMINISTRATIVO 111 1. CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ......................................................................................................111 2. OUTROS TEMAS E TEMAS COMBINADOS DE DIREITO ADMINISTRATIVO................................................113 3. LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO ...........................................................................................................................114 5. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 115 1. RECURSOS HUMANOS ............................................................................................................................................115 2. GESTÃO E LIDERANÇA .............................................................................................................................................118 3. FERRAMENTAS E TÉCNICAS GERENCIAIS ............................................................................................................119 4. CULTURA E CLIMA ORGANIZACIONAL ..............................................................................................................120 5. PROJETOS ....................................................................................................................................................................121 6. GESTÃO DE QUALIDADE .........................................................................................................................................121 7. COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO .......................................................................................................................121 8. ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS ..........................................................................................................................121 6. ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA 124 1. PRINCÍPIOS E NORMAS GERAIS ............................................................................................................................124 2. LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO ......................................................................................................125 3. LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL – LOA .......................................................................................................................125 4. EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA ......................................................................................................125 5. CRÉDITOS ADICIONAIS ..........................................................................................................................................126 7. ARQUIVOLOGIA 127 1. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ARQUIVOLOGIA .........................................................................................127 2. O GERENCIAMENTO DA INFORMAÇÃO E A GESTÃO DE DOCUMENTOS: DIAGNÓSTICOS; ARQUIVO CORRENTE E INTERMEDIÁRIO; PROTOCOLOS; AVALIAÇÃO DE DOCUMENTOS; ARQUIVOS PERMANENTES .....................................................................................................................................127 3. TIPOLOGIAS DOCUMENTAIS E SUPORTES FÍSICOS: MICROFILMAGEM; AUTOMAÇÃO; PRESERVAÇÃO; CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE DOCUMENTOS .......................................................127 IV COMO PASSAR EM CONCURSOS FCC – 5ª EDIÇÃO 8. CONTABILIDADE 128 1. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE .........................................................................................128 2. CONTABILIDADE GERAL ..........................................................................................................................................128 3. CONTABILIDADE COMERCIAL ...............................................................................................................................146 4. CONTABILIDADE DE CUSTOS ................................................................................................................................149 5. CONTABILIDADE PÚBLICA .....................................................................................................................................155 6. ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ...............................................................................................156 9. CONHECIMENTOS BANCÁRIOS E TEMAS CORRELATOS 160 1. ABERTURA E MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS ......................................................................................................160 2. PESSOA FÍSICA E PESSOA JURÍDICA .....................................................................................................................160 3. CHEQUE ......................................................................................................................................................................161 4. SISTEMA DE PAGAMENTOS BRASILEIRO – SPB ..................................................................................................162 5. ESTRUTURA DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL – SFN .............................................................................162 6. SISTEMA DE SEGUROS PRIVADOS ........................................................................................................................165 7. MERCADO FINANCEIRO – MERCADO MONETÁRIO E DE CRÉDITO ............................................................167 8. MERCADO DE CAPITAIS ..........................................................................................................................................1699. MERCADO DE CÂMBIO ...........................................................................................................................................173 10. PRODUTOS BANCÁRIOS.........................................................................................................................................174 11. ATENDIMENTO ..........................................................................................................................................................180 12. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA DO BANCO CENTRAL ...............................................................................................185 13. QUESTÕES COMBINADAS E OUTROS TEMAS ...................................................................................................185 10. DIREITO FINANCEIRO 190 1. PRINCÍPIOS E NORMAS GERAIS ............................................................................................................................190 2. LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO E PLANO PLURIANUAL – PPA ................................................190 3. LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL – LOA .......................................................................................................................192 4. LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL – LRF ............................................................................................................193 5. RECEITAS......................................................................................................................................................................19 5 6. DESPESAS ....................................................................................................................................................................197 7. EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA, CRÉDITOS ADICIONAIS ..................................................................................199 8. OPERAÇÕES DE CRÉDITO, DÍVIDA PÚBLICA ......................................................................................................200 9. PRECATÓRIOS ............................................................................................................................................................200 10. CONTROLE, FISCALIZAÇÃO, TRIBUNAIS DE CONTAS .....................................................................................200 11. DIREITO ECONÔMICO 201 1. ORDEM ECONÔMICA NA CONSTITUIÇÃO. MODELOS ECONÔMICOS ...................................................201 2. INTERVENÇÃO DO ESTADO NO DOMÍNIO ECONÔMICO ...........................................................................202 3. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL .......................................................................................................................202 4. SISTEMA BRASILEIRO DE DEFESA DA CONCORRÊNCIA – SBDC. LEI ANTITRUSTE ...................................203 5. QUESTÕES COMBINADAS E OUTROS TEMAS ...................................................................................................203 12. DIREITO PREVIDENCIÁRIO 204 1. PRINCÍPIOS E NORMAS GERAIS ............................................................................................................................204 2. CUSTEIO ......................................................................................................................................................................205 3. SEGURADOS DA PREVIDÊNCIA E DEPENDENTES ..............................................................................................206 4. BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS ............................................................................................................................208 5. ACUMULAÇÃO DE BENEFÍCIOS ............................................................................................................................210 6. PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES PÚBLICOS ......................................................................................................210 7. ACIDENTES E DOENÇAS DO TRABALHO ............................................................................................................211 8. PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ..........................................................................................................212 9. ASSISTÊNCIA SOCIAL E SAÚDE .............................................................................................................................212 13. DIREITO INTERNACIONAL E DIREITOS HUMANOS 213 1. NACIONALIDADE ......................................................................................................................................................213 2. COMPETÊNCIA INTERNACIONAL .........................................................................................................................213 3. EXTRADIÇÃO ..............................................................................................................................................................214 4. TEORIA GERAL E DOCUMENTOS HISTÓRICOS .................................................................................................214 5. CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS .................................................................................................214 6. SISTEMA GLOBAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS ......................................................................215 7. SISTEMA GLOBAL DE PROTEÇÃO ESPECÍFICA DOS DIREITOS HUMANOS ................................................217 V 8. SISTEMA REGIONAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS .................................................................221 9. DIREITOS HUMANOS NO BRASIL .........................................................................................................................232 14. DIREITO AGRÁRIO 246 1. CONCEITOS E PRINCÍPIOS DO DIREITO AGRÁRIO .........................................................................................246 2. CONTRATOS AGRÁRIOS .........................................................................................................................................246 3. USUCAPIÃO ESPECIAL RURAL ...............................................................................................................................246 4. AQUISIÇÃO E USO DA PROPRIEDADE E DA POSSE RURAL ............................................................................247 5. DESAPROPRIAÇÃO PARA A REFORMA AGRÁRIA ...............................................................................................247 6. TERRAS DEVOLUTAS .................................................................................................................................................247 7. TERRAS INDÍGENAS .................................................................................................................................................248 15. DIREITO URBANÍSTICO 249 1. NORMAS CONSTITUCIONAIS ...............................................................................................................................249 2. ESTATUTO DAS CIDADES E INSTRUMENTOS DA POLÍTICA URBANA ..........................................................249 3. TEMAS COMBINADOS E OUTROS TEMAS ..........................................................................................................250 16. FORMAÇÃO HUMANÍSTICA 252 1. SOCIOLOGIA GERAL E JURÍDICA ..........................................................................................................................252 2. FILOSOFIA GERAL E JURÍDICA ...............................................................................................................................254 17. AUDITORIA 259 18. LEGISLAÇÃO SOBRE AGÊNCIAS REGULADORAS 2671. TEMAS BÁSICOS DO SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO ........................................................................................267 19. DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL 270 1. PRINCÍPIOS ................................................................................................................................................................270 2. OBJETO E FINALIDADE DOS REGISTROS PÚBLICOS ........................................................................................270 3. FUNÇÃO E FÉ PÚBLICA REGISTRÁRIA ..................................................................................................................270 4. DELEGAÇÃO E ASPECTO INSTITUCIONAL DOS SERVIÇOS DE REGISTROS PÚBLICOS. .........................271 5. DEONTOLOGIA: DIREITOS E DEVERES DE TABELIÃES, OFICIAIS DE REGISTRO E SEUS PREPOSTOS. DIREITOS E DEVERES PERANTE O CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. DEVERES DE LEITURA, ATUALIZAÇÃO, INFORMAÇÕES E DECLARAÇÕES. ...................................................................271 6. TABELIONATO DE PROTESTO .................................................................................................................................272 7. REGISTRO DE IMÓVEIS ............................................................................................................................................273 8. PESSOAS NATURAIS..................................................................................................................................................273 9. REGISTRO CIVIL .........................................................................................................................................................274 10. REGISTRO DE TÍTULOS E DOCUMENTOS ...........................................................................................................274 11. TABELIONATO DE NOTAS .......................................................................................................................................274 12. TEMAS COMBINADOS DE REGISTROS PÚBLICOS ...........................................................................................275 20. PRINCÍPIOS E ATRIBUIÇÕES INSTITUCIONAIS DA DEFENSORIA PÚBLICA 276 1. FUNÇÕES E PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS ........................................................................................................276 2. ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DA DEFENSORIA PÚBLICA .............................................................................277 3. PRERROGATIVAS ........................................................................................................................................................282 VI COMO PASSAR EM CONCURSOS FCC – 5ª EDIÇÃO 4. INFRAÇÕES DISCIPLINARES ..................................................................................................................................283 5. DEFINIÇÃO DE NECESSITADO E DIREITOS DOS ASSISTIDOS .......................................................................283 6. JUSTIÇA GRATUITA – LEI 1.060/1950 .......................................................................................................................284 7. COMBINADAS E OUTROS TEMAS ........................................................................................................................284 21. CONHECIMENTOS GERAIS 287 1. TEMAS LITERÁRIOS, COMBINADOS E DIVERSOS .............................................................................................287 2. POLÍTICA INTERNACIONAL....................................................................................................................................287 3. ECONOMIA ................................................................................................................................................................287 4. POLÍTICA BRASILEIRA ..............................................................................................................................................288 22. LÍNGUA ESTRANGEIRA 290 1. LÍNGUA INGLESA ......................................................................................................................................................290 2. LÍNGUA ESPANHOLA ...............................................................................................................................................299 23. ECONOMIA 301 1. MICROECONOMIA ..................................................................................................................................................301 2. MACROECONOMIA E ECONOMIA BRASILEIRA ................................................................................................301 3. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL ......................................................................................................................304 24. REGIMENTO INTERNO E LEGISLAÇÃO LOCAL 309 1. INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Cada um fala como quer, ou como pode, ou como acha que pode. Ainda ontem me divertiu este trechinho de crônica do escritor mineiro Humberto Werneck, de seu livro Esse inferno vai acabar: “– Meu cabelo está pendoando – anuncia a prima, apalpando as melenas. Tenho anos, décadas de Solange, mas confesso que ela, com o seu solangês, às vezes me pega desprevenido. – Seu cabelo está o quê? – Pendoando – insiste ela, e, com a paciência de quem explica algo elementar a um total ignorante, traduz: – Bifurcando nas extremidades. É assim a Solange, criatura para a qual ninguém morre, mas falece, e, quando sobrevém esse infausto acontecimento, tem seu corpo acondicionado num ataúde, num esquife, num féretro, para ser inumado em alguma necrópole, ou, mais recentemente, incinerado em crematório. Cabelo de gente assim não se torna vulgarmente quebradiço: pendoa.” Isso me fez lembrar uma visita que recebemos em casa, eu ainda menino. Amigas da família, mãe e fi lha adolescente vieram tomar um lanche conosco. D. Glorinha, a mãe, achava meu pai um homem intelectualizado e caprichava no vocabulário. A certa altura pediu ela a mim, que estava sentado numa extremidade da mesa: – Querido, pode alcançar-me uma côdea desse pão? Por falta de preparo linguístico não sabia como atender a seu pedido. Socorreu-me a fi lha adolescente: – Ela quer uma casquinha do pão. Ela fala sempre assim na casa dos outros. A mãe fi cou vermelha, isto é, ruborizou, enrubesceu, rubifi cou, e olhou a fi lha com reprovação, isto é, dardejou-a com olhos censórios. Veja-se, para concluir, mais um trechinho do Werneck: “Você pode achar que estou sendo implicante, metido a policiar a linguagem alheia. Brasileiro é assim mesmo, adora embonitar a conversa para impressionar os outros. Sei disso. Eu próprio já andei escrevendo sobre o que chamei de ruibarbosismo: o uso de palavreado rebarbativo como forma de, numa discussão, reduzir ao silêncio o interlocutor ignaro. Uma espécie de gás paralisante verbal.” (Cândido Barbosa Filho, inédito) (Analista – TRT/1ª – 2012 – FCC) No contexto, as frases “Meu cabelo está pendoando” e “pode alcançar-me uma côdea desse pão” constituem casos de (A) usos opostos de linguagem, já que a completa informalidade da primeira contrasta com a formalidade da segunda. (B) usos similares de linguagem, pois em ambas o intento é valorizar o emprego de vocabulário pouco usual. (C) intenção didática, já que ambas são utilizadas para exemplifi car o que seja uma má construção gramatical. (D) usos similares de linguagem, pois predomina em ambas o interesse pela exatidão e objetividade da comunicação. (E) usos opostos de linguagem, pois a perfeita correção gramatical de uma contrasta com os deslizesda outra. A: incorreta. O uso da linguagem nos dois trechos é idêntico, focado exclusivamente na formalidade; B: correta. Nos respectivos contextos, os dois personagens querem demonstrar o domínio do vocabulário; C: incorreta. As construções estão gramaticalmente perfeitas; D: incorreta. O uso de palavras pouco conhecidas traz prejuízos à objetividade da comunicação, porque aumenta o risco do receptor não compreender a mensagem; E: incorreta. Mais uma vez, as construções atendem a todos os preceitos da gramática. (Analista – TRT/1ª – 2012 – FCC) A mãe fi cou vermelha, isto é, ruborizou, enrubesceu, rubifi cou, e olhou a fi lha com reprovação, isto é, dardejou-a com olhos censórios. A expressão isto é, nos dois empregos realçados na frase acima, (A) introduz a conclusão de que o signifi cado das falas corriqueiras se esclarece mediante uma elaborada sinonímia. (B) inicia a tradução adequada de um enunciado anterior cuja signifi cação se mostrara bastante enigmática. (C) funciona como os dois pontos na frase Cabelo de gente assim não se torna vulgarmente quebradiço: pendoa. (D) introduz uma enumeração de palavras que seriam evitadas pela prima Solange, levando-se em conta o que diz dela o cronista Werneck. (E) inicia uma argumentação em favor da simplifi cação da linguagem, de modo a evitar o uso de palavreado rebarbativo. A: incorreta. A expressão “isto é” foi utilizada para indicar a correção, a retifi cação pelo autor do uso de uma palavra comum, enumerando os sinônimos rebuscados que as personagens usariam; B: incorreta. O enunciado anterior é bastante claro. Na verdade, trata-se de uma brincadeira do autor consistente em transformar um texto claro, com palavras usuais, nas construções complexas utilizadas pelas personagens; C: correta. Realmente, os dois-pontos têm a mesma função da expressão * Eloy Gustavo de Souza comentou as questões de Redação; Henrique Subi comentou as questões dos seguintes concursos: Analista TRT/2012, BB – Escriturário, CEF – Técnico Bancário e Agente de Polícia; Magally Dato comentou as questões dos seguintes concursos: Auditor fi scal, Auditor Tributário, Agente Fiscal, Fiscal de Tributos, Tribunais Técnico e Tribunais Analista; Fernanda Franco e Rodrigo Ferreira Lima comentaram as questões dos seguintes concursos: Analista ANS, Analista Bacen, Técnico Bacen e Técnico Legislativo; Fernanda Franco e Eloy Gustavo de Souza comentaram as questões do concurso para Ofi cial de Chancelaria. 1. LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO Eloy Gustavo de Souza, Fernanda Franco, Henrique Subi, Magally Dato e Rodrigo Ferreira de Lima* “isto é”, já debatida nos comentários anteriores; D: incorreta. As palavras enumeradas são aquelas que seriam utilizadas pelas personagens que preferem o palavreado rebuscado; E: incorreta. O efeito é justamente o inverso: as palavras enumeradas são mais complexas do que aquelas usadas anteriormente, causando uma complicação da linguagem. (Analista – TRT/1ª – 2012 – FCC) Há uma relação de causa e efeito entre estas duas formulações: (A) Cada um fala como quer e ou como acha que pode. (1º parágrafo) (B) para ser inumado em alguma necrópole e incinerado em crematório. (7º parágrafo) (C) visita que recebemos em casa e eu ainda menino. (8º parágrafo) (D) achava meu pai um homem intelectualizado e caprichava no vocabulário. (8º parágrafo) (E) olhou a fi lha com reprovação e dardejou-a com A: incorreta. A relação é de alternância (uma coisa ou outra); B: incorreta. A relação é de adição (uma coisa e outra); C: incorreta. A relação é de temporalidade (a segunda oração indica o momento em que a primeira aconteceu); D: correta. Realmente, a personagem “caprichava no vocabulário” porque achava o outro intelectualizado; E: incorreta. A relação é de sinonímia (as palavras têm sentido equivalente). Economia religiosa Concordo plenamente com Dom Tarcísio Scaramussa, da CNBB, quando ele afi rma que não faz sentido nem obrigar uma pessoa a rezar nem proibi-la de fazê-lo. A declaração do prelado vem como crítica à professora de uma escola pública de Minas Gerais que hostilizou um aluno ateu que se recusara a rezar o pai-nosso em sua aula. É uma boa ocasião para discutir o ensino religioso na rede pública, do qual a CNBB é entusiasta. Como ateu, não abraço nenhuma religião, mas, como liberal, não pretendo que todos pensem do mesmo modo. Admitamos, para efeitos de argumentação, que seja do interesse do Estado que os jovens sejam desde cedo expostos ao ensino religioso. Deve-se então perguntar se essa é uma tarefa que cabe à escola pública ou se as próprias organizações são capazes de supri-la, com seus programas de catequese, escolas dominicais etc. A minha impressão é a de que não faltam oportunidades para conhecer as mais diversas mensagens religiosas, onipresentes em rádios, TVs e também nas ruas. Na cidade de São Paulo, por exemplo, existem mais templos (algo em torno de 4.000) do que escolas públicas (cerca de 1.700). Creio que aqui vale a regra econômica, segundo a qual o Estado deve fi car fora das atividades de que o setor privado já dá conta. Outro ponto importante é o dos custos. Não me parece que faça muito sentido gastar recursos com professores de religião, quando faltam os de matemática, português etc. Ao contrário do que se dá com a religião, é difícil aprender física na esquina. Até 1997, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação acertadamente estabelecia que o ensino religioso nas escolas ofi ciais não poderia representar ônus para os cofres públicos. A bancada religiosa emendou a lei para empurrar essa conta para o Estado. Não deixa de ser um caso de esmola com o chapéu alheio. (Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, 06/04/2012) (Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) No que diz respeito ao ensino religioso na escola pública, o autor mantém-se (A) esquivo, pois arrola tanto argumentos que defendem a obrigatoriedade como o caráter facultativo da implementação desse ensino. (B) intransigente, uma vez que enumera uma série de razões morais para que se proíba o Estado de legislar sobre quaisquer matérias religiosas. (C) pragmático, já que na base de sua argumentação contra o ensino religioso na escola pública estão razões de ordem jurídica e econômica. (D) intolerante, dado que deixa de reconhecer, como ateu declarado, o direito que têm as pessoas de decidir sobre essa matéria. (E) prudente, pois evita pronunciar-se a favor da obrigatoriedade desse ensino, lembrando que ele já vem sendo ministrado por muitas entidades. Sobre o tema, o autor prefere manter uma posição pragmática, determinada a partir de sua opção de não usar argumentos pessoais baseados em seu ateísmo. Sua visão é de natureza objetiva e mensurável, valendo-se de argumentos econômicos (custos e administração da receita pública) e jurídicos (direito à liberdade religiosa). (Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Atente para estas afi rmações: I. Ao se declarar um cidadão ao mesmo tempo ateu e liberal, o autor enaltece essa sua dupla condição pessoal valendo-se do exemplo da própria CNBB. II. A falta de oportunidade para se acessarem mensagens religiosas poderia ser suprida, segundo o autor, pela criação de redes de comunicação voltadas para esse fi m. III. Nos dois últimos parágrafos, o autor mostra não reconhecer nem legitimidade nem prioridade para a implementação do ensino religioso na escola pública. Em relação ao texto, está correto o que se afi rma em (A) I, II e III. (B) I e II, apenas. (C) II e III, apenas. (D) I e III, apenas.(E) III, apenas. I: incorreta. Para tentar não macular sua análise, o autor pretende afastar essas condições, principalmente o ateísmo, de sua argumentação; II: incorreta. O autor expõe a profusão de mensagens religiosas que nos bombardeia, não sendo necessária sua expansão; III: correta. Trata-se da ideia principal defendida pelo autor: não cabe ao Estado custear o ensino religioso, muito menos diante da situação defi citária de outras áreas, como português e matemática. 3 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Pode-se inferir, com base numa afi rmação do texto, que (A) o ensino religioso demanda profi ssionais altamente qualifi cados, que o Estado não teria como contratar. (B) a bancada religiosa, tal como qualifi cada no último parágrafo, partilha do mesmo radicalismo de Dom Tarcísio Scaramussa. (C) as instituições públicas de ensino devem complementar o que já fazem os templos, a exemplo do que ocorre na cidade de São Paulo. (D) o aprendizado de uma religião não requer instrução tão especializada como a que exigem as ciências exatas. (E) os membros da bancada religiosa, sobretudo os liberais, buscam favorecer o setor privado na implementação do ensino religioso. A: incorreta. O autor não entra no critério da qualifi cação dos professores de religião, apenas aponta que sua contratação não pode ser prioridade; B: incorreta. Em sua fala, Dom Tarcísio mostrou-se ponderado, reconhecendo o direito ao ateísmo. Não há nada de radical em suas palavras; C: incorreta. O autor defende exatamente o oposto: que o ensino religioso fi que adstrito aos templos, que já se encontram em maior número do que as escolas públicas na cidade de São Paulo; D: correta. É o que se depreende da passagem: “Ao contrário do que se dá com a religião, é difícil aprender física na esquina”; E: incorreta. Não se pode confundir os religiosos com os liberais e, além disso, segundo o autor, os primeiros conseguiram alterar a legislação para criar a obrigação do Estado custear o ensino religioso. (Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente um segmento em: (A) A declaração do prelado vem como crítica (1º parágrafo) = o pronunciamento do dignitário eclesiástico surge como censura (B) Admitamos, para efeitos de argumentação (2º parágrafo) = Consignemos, a fi m de especulação (C) sejam desde cedo expostos ao ensino religioso (2º parágrafo) = venham prematuramente a expor-se no ensino clerical (D) onipresentes em rádios (3º parágrafo) = discriminadas por emissoras de rádio (E) não poderia representar ônus (5º parágrafo) = implicaria que se acarretasse prejuízo A: correta. Todos os sinônimos atribuídos traduzem perfeitamente o trecho original; B: incorreta. “Especulação”, nesse caso, é sinônimo de “afi rmação sem fundamento”, o que se contrapõe diretamente a “argumentação”; C: incorreta. “Prematuro” não é sinônimo de “cedo”, é aquilo que veio antes do tempo programado, antes de estar maduro (“pré + maturidade”); D: incorreta. “Onipresente” é aquilo que está em todos os lugares. “Discriminado” é sinônimo de “especifi cado”; E: incorreta. “Ônus” é sinônimo de “dever”, não está necessariamente relacionado a “prejuízo”. Fora com a dignidade Acho ótimo que a Igreja Católica tenha escolhido a saúde pública como tema de sua campanha da fraternidade deste ano. Todas as burocracias – e o SUS não é uma exceção – têm a tendência de acomodar-se e, se não as sacudirmos de vez em quando, caem na abulia. É bom que a Igreja use seu poder de mobilização para cobrar melhorias. Tenho dúvidas, porém, de que o foco das ações deva ser o combate ao que dom Odilo Scherer, numa entrevista, chamou de terceirização e comercialização da saúde. É verdade que colocar um preço em procedimentos médicos nem sempre leva ao melhor dos desfechos, mas é igualmente claro que consultas, cirurgias e drogas têm custos que precisam ser gerenciados. Ignorar as leis de mercado, como parece sugerir dom Odilo, provavelmente levaria o sistema ao colapso, prejudicando ainda mais os pobres. Para o religioso, é “a dignidade do ser humano” que deve servir como critério moral na tomada de decisões relativas a vida e morte. O problema com a “dignidade” é que ela é subjetiva demais. A pluralidade de crenças e preferências do ser humano é tamanha que o termo pode signifi car qualquer coisa, desde noções banais, como não humilhar desnecessariamente o paciente (forçando-o, por exemplo, a usar aqueles horríveis aventais vazados atrás), até a adesão profunda a um dogma religioso (há confi ssões que não admitem transfusões de sangue). Numa sociedade democrática não podemos simplesmente apanhar uma dessas concepções e elevá-la a valor universal. E, se é para operar com todas as noções possíveis, então já não estamos falando de dignidade, mas, sim, de respeito à autonomia do paciente, conceito que a substitui sem perdas. (Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, março/2012) (Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Ao mesmo tempo em que reconhece a importância de a Igreja Católica ter escolhido a saúde como tema da campanha da fraternidade, o autor NÃO aprova que o foco das ações deva ser, como propõe dom Odilo Scherer, (A) o apoio às iniciativas que valorizem sobretudo os serviços terceirizados no campo da saúde. (B) a franca resistência às iniciativas comerciais que subordinam as questões da saúde às leis do mercado. (C) a transferência de responsabilidades na área da saúde, de modo a privilegiar as empresas mais habilitadas. (D) a estatização dos serviços essenciais, a fi m de harmonizar o interesse público e as leis do livre mercado. (E) a clara demarcação entre o que compete ao Estado e o que compete à iniciativa privada, na área da saúde. O autor condena a posição do clérigo de atacar a “terceirização e comercialização da saúde”. Isso signifi ca que, para a Igreja, os serviços de saúde não podem ser transferidos para a iniciativa privada, porque não deveriam se submeter às leis do mercado. Para Dom Odilo Scherer, o princípio norteador da saúde pública deve ser unicamente a dignidade da pessoa, critério combatido pelo articulista. (Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Atente para as seguintes afi rmações: I. O título do texto é inteiramente irônico, pois ao longo dele o autor valoriza, exatamente, o que costuma ser defi nido como “a dignidade do ser humano”. II. A despeito da pluralidade de crenças religiosas, o autor acredita que a base de todas elas está no que se pode defi nir como respeito à autonomia do paciente. III. O conceito de dignidade é questionado pelo autor, que não o acolhe como uma concepção bem determinada e de valor universal. Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afi rma em (A) I (B) II (C) III (D) I e II (E) II e III I: incorreta. Não há ironia. O autor pretende justamente afastar o conceito vago de “dignidade da pessoa” e reconhecer a autonomia do paciente para tomar as suas decisões; II: incorreta. Muito ao contrário, o autor critica a pluralidade religiosa sob o argumento de que cada uma delas estabelece um conceito de “dignidade” e pretende elevá-lo ao patamar de verdade absoluta. Como remédio, sugere o critério da autonomia do paciente, que não é mencionado por nenhuma crença; III: correta. É precisamente sobre esse ponto que se assenta a argumentação do autor. (Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) A frase em que se afi rma uma posição inteiramentecontrária às convicções do autor do texto é: (A) Em virtude de se apoiar na subjetividade humana, o conceito de dignidade não se determina de modo claro e insofi smável. (B) A variedade das reações e interdições que as crenças impõem a tratamentos de saúde indica a pluralidade dos valores subjetivos. (C) Os mais pobres seriam os mais prejudicados, caso se levasse a efeito alguma proposta baseada na posição de dom Odilo Scherer. (D) Ignorar todas as leis de mercado, na área da saúde, redunda na impossibilidade de funcionamento do sistema. (E) Numa sociedade democrática, o gerenciamento de custos na área da saúde não pode levar em conta as leis do mercado. Todas as alternativas são paráfrases do texto, expressando ideias que nele são defendidas pelo autor, com exceção da letra “E” (que deve ser assinalada). O autor defende que, dada a impossibilidade de se reconhecer um critério universal sobre a dignidade, cabe ao paciente determinar de forma autônoma como, quando e com quem quer se tratar, impondo-se ao setor da saúde o respeito às leis da oferta e da demanda. (Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em: (A) têm a tendência de acomodar-se (1º parágrafo) = reiteram uma conciliação (B) nem sempre leva ao melhor dos desfechos (2º parágrafo) = amiúde vai ao encontro dos seus objetivos (C) têm custos que precisam ser gerenciados (2º parágrafo) = há os ônus que requerem ratifi cação (D) adesão profunda a um dogma (3º parágrafo) = plena aceitação de um rígido preceito (E) elevá-la a valor universal (4º parágrafo) = reconhecê-la como plenamente aceitável A: incorreta. “Reiterar” é sinônimo de “repetir”; B: incorreta. “Amiúde” é sinônimo de “frequentemente”; C: incorreta. “Ratifi cação” é sinônimo de “confi rmar”, “atestar”; D: correta. Os sinônimos estão perfeitamente empregados; E: incorreta. “Elevar” e “reconhecer” não são propriamente sinônimos. Porém, em sentido conotativo, a substituição proposta manteria o sentido do trecho original a nosso ver. Assim, entendemos que ela também deve ser considerada correta. (Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) É verdade que colocar um preço em procedimentos médicos nem sempre leva ao melhor dos desfechos. O sentido essencial e a correção da frase acima mantêm-se na seguinte construção: (A) Nem sempre é certo que a melhor fi nalidade se alcança através de procedimentos médicos aos quais incorre um determinado preço. (B) Nada garante, de fato, que estipular um pagamento por procedimentos médicos implique a melhor solução de um caso. (C) Uma ótima conclusão não é simplesmente obtida em favor de se haver afi xado um preço aos procedimentos médicos. (D) A despeito de se estipular um preço para procedimentos médicos, não é usual que cheguem a um termo satisfatório. (E) Pela razão de se taxar procedimentos médicos não redunda automaticamente no melhor dos benefícios. A: incorreta. Houve alteração de sentido na paráfrase. O trecho original é mais amplo, fala da precifi cação dos procedimentos médicos de forma geral, enquanto a alternativa é mais restrita, fala do tratamento com uma determinada fi nalidade; B: correta. A paráfrase, além de preservar o sentido original, atende a todos os preceitos gramaticais; C: incorreta. A redação está incoerente, ela não faz sentido; D: incorreta. Houve alteração de sentido na paráfrase. A locução conjuntiva “a despeito de” tem valor concessivo, ideia que não está presente no trecho original; E: incorreta. A redação está incoerente aqui também. Melhor seria dizer: “A taxação de procedimentos médicos não redunda...”. 5 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) No contexto do 4º parágrafo, o segmento conceito que a substitui sem perdas deve ser entendido mais explicitamente como: (A) A dignidade é substituída, sem perdas, pelo conceito de autonomia do paciente. (B) A dignidade substitui, sem perdas, o conceito de autonomia do paciente. (C) A autonomia do paciente deve ser substituída, sem perdas, pela dignidade dele. (D) Substituem-se, sem perdas, tanto o conceito de dignidade como o de autonomia do paciente. (E) A autonomia do paciente só será substituída sem perdas no caso de haver nele dignidade. O trecho em destaque indica que, para o autor, a autonomia do paciente traz mais vantagens para esse do que a amplitude da dignidade. Portanto, a segunda deve ser substituída pela primeira. O mito napoleônico baseia-se menos nos méritos de Napoleão do que nos fatos, então sem paralelo, de sua carreira. Os homens que se tornaram conhecidos por terem abalado o mundo de forma decisiva no passado tinham começado como reis, como Alexandre, ou patrícios, como Júlio César, mas Napoleão foi o “pequeno cabo” que galgou ao comando de um continente pelo seu puro talento pessoal. Todo homem de negócios daí em diante tinha um nome para sua ambição: ser − os próprios clichês o denunciam − um “Napoleão das fi nanças” ou “da indústria”. Todos os homens comuns fi cavam excitados pela visão, então sem paralelo, de um homem comum maior do que aqueles que tinham nascido para usar coroas. Em síntese, foi a fi gura com que todo homem que partisse os laços com a tradição podia se identifi car em seus sonhos. Para os franceses ele foi também algo bem mais simples: o mais bem-sucedido governante de sua longa história. Triunfou gloriosamente no exterior, mas, em termos nacionais, também estabeleceu ou restabeleceu o mecanismo das instituições francesas como existem hoje. Ele trouxe estabilidade e prosperidade a todos, exceto para os 250 mil franceses que não retornaram de suas guerras, embora até mesmo para os parentes deles tivesse trazido a glória. Sem dúvida, os britânicos se viam como lutadores pela causa da liberdade contra a tirania; mas em 1815 a maioria dos ingleses era mais pobre do que o fora em 1800, enquanto a maioria dos franceses era quase certamente mais rica. Ele destruíra apenas uma coisa: a Revolução de 1789, o sonho de igualdade, liberdade e fraternidade, do povo se erguendo na sua grandiosidade para derrubar a opressão. Este foi um mito mais poderoso do que o dele, pois, após a sua queda, foi isto e não a sua memória que inspirou as revoluções do século XIX, inclusive em seu próprio país. (Adaptado de Eric. J. Hobsbawm. A era das revoluções − 1789- 1848. 7ª ed. Trad. de Maria Tereza Lopes Teixeira e Marcos Penchel. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989, p.93-4) (Analista – TRT9 – 2012 – FCC) Segundo o autor, (A) a fi gura de Napoleão passou a exercer forte apelo no campo do imaginário, servindo de modelo de inaudita superação da condição social. (B) os franceses descartam assumir Napoleão como modelo, buscando valorizar tão somente a sua participação na revolução de 1789. (C) os parentes dos milhares de franceses mortos nas guerras napoleônicas relevaram a perda dos familiares em função da grande prosperidade trazida por Napoleão. (D) a Revolução de 1789 foi um mito menos relevante do que o de Napoleão, pois as obras deste permanecem vivas e aquela não teria sido mais que um sonho. (E) os méritos pessoais de Napoleão nada têm a ver com o mito que se criou em torno de sua fi gura, surgido apenas de sua trajetória casualmente vitoriosa. A: correta. A ideia principal do texto é refl etir sobre as razões de Napoleão ter se tornado um mito. Segundo o autor, isso se deu por força da origem humilde do líder corso, que superou essa condição parase tornar comandante de todo o continente; B: incorreta. Para os franceses, Napoleão foi o mais bem-sucedido governante de sua história; C: incorreta. O texto não fala em perdão dos parentes, diz apenas que mesmo para os mortos nas guerras Napoleão trouxe a glória; D: incorreta. O último parágrafo do texto diz exatamente o inverso; E: incorreta. O autor defende que Napoleão teve méritos em suas conquistas, porém esses não foram a parcela determinante dos resultados. (Analista – TRT9 – 2012 – FCC) Considerando-se o contexto, o segmento cujo sentido está adequadamente expresso em outras palavras é: (A) partisse os laços com a tradição = quebrasse o condão sagrado (B) galgou ao comando de um continente = sobrelevou o ordenamento europeu (C) pela causa da liberdade contra a tirania = pelo motivo da insubmissão versus rigorismo (D) os próprios clichês o denunciam = os próprios lugares- comuns o evidenciam (E) o mecanismo das instituições francesas = a articulação dos institutos galeses A: incorreta. Melhor seria “histórico” no lugar de “sagrado”; B: incorreta. “Sobrelevar” é sinônimo de “suplantar”, “vencer”, ao passo que “galgar” é sinônimo de “subir”; C: incorreta. “Tirania” é o governo autoritário de uma só pessoa, o que não se confunde com o rigor, maior ou menor, com o qualquer governo pode tratar seus súditos; D: correta. Os sinônimos estão perfeitamente empregados; E: incorreta. “Instituição”, sinônimo de “entidade”, não se confunde com “instituto”, sinônimo de “ato”, “procedimento”. Em outubro de 1967, quando Gilberto Gil e Caetano Veloso apresentaram as canções Domingo no parque e Alegria, Alegria, no Festival da TV Record, logo houve quem percebesse que as duas canções eram infl uenciadas pela narrativa cinematográfi ca: repletas de cortes, justaposições e fl ashbacks. Tal suposição seria confi rmada pelo próprio Caetano quando declarou que fora “mais infl uenciado por Godard e Glauber do que pelos Beatles ou Dylan”. Em 1967, no Brasil, o cinema era o que havia de mais intenso e revolucionário, superando o próprio teatro, cuja inquietação tinha incentivado os cineastas a iniciar o movimento que fi cou conhecido como Cinema Novo. O Cinema Novo nasceu na virada da década de 1950 para a de 1960, sobre as cinzas dos estúdios Vera Cruz (empresa paulista que faliu em 1957 depois de produzir dezoito fi lmes). “Nossa geração sabe o que quer”, dizia o baiano Glauber Rocha já em 1963. Inspirado por Rio 40 graus e por Vidas secas, que Nelson Pereira dos Santos lançara em 1954 e 1963, Glauber Rocha transformaria, com Deus e o diabo na terra do sol, a história do cinema no Brasil. Dois anos depois, o cineasta lançou Terra em Transe, que talvez tenha marcado o auge do Cinema Novo, além de ter sido uma das fontes de inspiração do Tropicalismo. A ponte entre Cinema Novo e Tropicalismo fi caria mais evidente com o lançamento, em 1969, de Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade. Ao fazer o fi lme, Joaquim Pedro esforçou-se por torná-lo um produto afi nado com a cultura de massa. “A proposição de consumo de massa no Brasil é algo novo. A grande audiência de TV entre nós é um fenômeno novo. É uma posição avançada para o cineasta tentar ocupar um lugar dentro dessa situação”, disse ele. Incapaz de satisfazer plenamente as exigências do mercado, o Cinema Novo deu os seus últimos suspiros em fi ns da década de 1970 − período que marcou o auge das potencialidades comerciais do cinema feito no Brasil. (Adaptado de Eduardo Bueno. Brasil: uma história. Ed. Leya, 2010. p. 408) (Analista – TRT9 – 2012 – FCC) Depreende-se corretamente do texto: (A) A estética do Cinema Novo, que marcou época no Brasil, contribuiu para que surgisse, na cena musical, o movimento conhecido como Tropicalismo. (B) Embora o Cinema Novo não tenha conseguido atingir suas metas comerciais, a qualidade estética de suas obras era superior à das obras produzidas pelo cinema comercial. (C) A ampliação da televisão no Brasil, cuja audiência foi sempre maior do que a do cinema, teve papel determinante na derrocada do Cinema Novo. (D) Como seus integrantes estavam comprometidos com os problemas sociais e políticos do país, o Cinema Novo suscitou polêmicas que levaram à volta da censura. (E) O Tropicalismo, movimento liderado por dissidentes do Cinema Novo, se desenvolveu concomitantemente à decadência do teatro nacional. A: correta. Podemos extrair essa conclusão principalmente do trecho “a ponte entre o Cinema Novo e o Tropicalismo”, fi gura que indica a ligação entre os dois movimentos; B: incorreta. Essa conclusão não pode ser retirada do texto. O autor nada menciona sobre a qualidade dos fi lmes comerciais; C: incorreta. Como o autor não aborda a televisão em seu texto, essa conclusão não é válida; D: incorreta. Nada se diz sobre a censura ou a atividade política dos integrantes do “Cinema Novo”; E: incorreta. O Tropicalismo, segundo o autor, não é uma dissidência do “Cinema Novo”, mas um movimento musical que dele sofreu infl uência. Fotografi as Toda fotografi a é um portal aberto para outra dimensão: o passado. A câmara fotográfi ca é uma verdadeira máquina do tempo, transformando o que é naquilo que já não é mais, porque o que temos diante dos olhos é transmudado imediatamente em passado no momento do clique. Costumamos dizer que a fotografi a congela o tempo, preservando um momento passageiro para toda a eternidade, e isso não deixa de ser verdade. Todavia, existe algo que descongela essa imagem: nosso olhar. Em francês, imagem e magia contêm as mesmas cinco letras: image e magie. Toda imagem é magia, e nosso olhar é a varinha de condão que descongela o instante aprisionado nas geleiras eternas do tempo fotográfi co. Toda fotografia é uma espécie de espelho da Alice do País das Maravilhas, e cada pessoa que mergulha nesse espelho de papel sai numa dimensão diferente e vivencia experiências diversas, pois o lado de lá é como o albergue espanhol do ditado: cada um só encontra nele o que trouxe consigo. Além disso, o signifi cado de uma imagem muda com o passar do tempo, até para o mesmo observador. Variam, também, os níveis de percepção de uma fotografi a. Isso ocorre, na verdade, com todas as artes: um músico, por exemplo, é capaz de perceber dimensões sonoras inteiramente insuspeitas para os leigos. Da mesma forma, um fotógrafo profi ssional lê as imagens fotográfi cas de modo diferente daqueles que desconhecem a sintaxe da fotografi a, a “escrita da luz”. Mas é difícil imaginar alguém que seja insensível à magia de uma foto. (Adaptado de Pedro Vasquez, em Por trás daquela foto. São Paulo: Companhia das Letras, 2010) (Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) O segmento do texto que ressalta a ação mesma da percepção de uma foto é: (A) A câmara fotográfi ca é uma verdadeira máquina do tempo. (B) a fotografi a congela o tempo. (C) nosso olhar é a varinha de condão que descongela o instante aprisionado. (D) o signifi cado de uma imagem muda com o passar do tempo. (E) Mas é difícil imaginar alguém que seja insensível à magia de uma foto. O autor argumenta que o olhar do observador é a única coisa capaz de “descongelar o tempo” tornado estático pela fotografi a. Essa mesma ideia está contida na letra “C”, que deve ser assinalada, ressaltando o fi o condutor do texto. (Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) No contexto do último parágrafo, a referência aos vários níveis de percepção de uma fotografi a remete 7 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (A) à diversidadedas qualidades intrínsecas de uma foto. (B) às diferenças de qualifi cação do olhar dos observadores. (C) aos graus de insensibilidade de alguns diante de uma foto. (D) às relações que a fotografi a mantém com as outras artes. (E) aos vários tempos que cada fotografi a representa em si mesma. Ao comparar o olhar do fotógrafo com o ouvido do músico, o autor quer destacar que, dependendo do conhecimento técnico do observador, o resultado da interpretação da imagem é diferente porque saber as nuances da imagem que outros não enxergam permite aprofundar-se mais em seu signifi cado. (Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) Atente para as seguintes afi rmações: I. Ao dizer, no primeiro parágrafo, que a fotografi a congela o tempo, o autor defende a ideia de que a realidade apreendida numa foto já não pertence a tempo algum. II. No segundo parágrafo, a menção ao ditado sobre o albergue espanhol tem por fi nalidade sugerir que o olhar do observador não interfere no sentido próprio e particular de uma foto. III. Um fotógrafo profi ssional, conforme sugere o terceiro parágrafo, vê não apenas uma foto, mas os recursos de uma linguagem específi ca nela fi xados. Em relação ao texto, está correto o que se afirma SOMENTE em (A) I e II. (B) II e III. (C) I. (D) II. (E) III. I: incorreta. Para o autor, o instante captado pela fotografi a pertence, imediatamente, ao passado; II: incorreta. A ideia é exatamente inversa: afi rmar que as peculiaridades de cada observador são determinantes na interpretação da imagem; III: correta. O conhecimento técnico, segundo o autor, permite uma análise mais profunda da fotografi a do que aquela observada somente por leigos. Discriminar ou discriminar? Os dicionários não são úteis apenas para esclarecer o sentido de um vocábulo; ajudam, com frequência, a iluminar teses controvertidas e mesmo a incendiar debates. Vamos ao Dicionário Houaiss, ao verbete discriminar, e lá encontramos, entre outras, estas duas acepções: a) perceber diferenças; distinguir, discernir; b) tratar mal ou de modo injusto, desigual, um indivíduo ou grupo de indivíduos, em razão de alguma característica pessoal, cor da pele, classe social, convicções etc. Na primeira acepção, discriminar é dar atenção às diferenças, supõe um preciso discernimento; o termo transpira o sentido positivo de quem reconhece e considera o estatuto do que é diferente. Discriminar o certo do errado é o primeiro passo no caminho da ética. Já na segunda acepção, discriminar é deixar agir o preconceito, é disseminar o juízo preconcebido. Discriminar alguém: fazê- lo objeto de nossa intolerância. Diz-se que tratar igualmente os desiguais é perpetuar a desigualdade. Nesse caso, deixar de discriminar (no sentido de discernir) é permitir que uma discriminação continue (no sentido de preconceito). Estamos vivendo uma época em que a bandeira da discriminação se apresenta em seu sentido mais positivo: trata-se de aplicar políticas afi rmativas para promover aqueles que vêm sofrendo discriminações históricas. Mas há, por outro lado, quem veja nessas propostas afi rmativas a forma mais censurável de discriminação... É o caso das cotas especiais para vagas numa universidade ou numa empresa: é uma discriminação, cujo sentido positivo ou negativo depende da convicção de quem a avalia. As acepções são inconciliáveis, mas estão no mesmo verbete do dicionário e se mostram vivas na mesma sociedade. (Aníbal Lucchesi, inédito) (Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) A afi rmação de que os dicionários podem ajudar a incendiar debates confi rma-se, no texto, pelo fato de que o verbete discriminar (A) padece de um sentido vago e impreciso, gerando por isso inúmeras controvérsias entre os usuários. (B) apresenta um sentido secundário, variante de seu sentido principal, que não é reconhecido por todos. (C) abona tanto o sentido legítimo como o ilegítimo que se costuma atribuir a esse vocábulo. (D) faz pensar nas difi culdades que existem quando se trata de determinar a origem de um vocábulo. (E) desdobra-se em acepções contraditórias que correspondem a convicções incompatíveis. Segundo o autor, a partir do momento em que a mesma palavra possui sentidos completamente opostos, seu uso intensifi ca as controvérsias sobre o tema, já que, ao menos junto ao dicionário, ambos têm razão. (Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) Diz-se que tratar igualmente os desiguais é perpetuar a desigualdade. Da afi rmação acima é coerente deduzir esta outra: (A) Os homens são desiguais porque foram tratados com o mesmo critério de igualdade. (B) A igualdade só é alcançável se abolida a fi xação de um mesmo critério para casos muito diferentes. (C) Quando todos os desiguais são tratados desigualmente, a desigualdade defi nitiva torna-se aceitável. (D) Uma forma de perpetuar a igualdade está em sempre tratar os iguais como se fossem desiguais. (E) Critérios diferentes implicam desigualdades tais que os injustiçados são sempre os mesmos. A dedução possível é aquela que percebe a crueldade da aplicação de critérios idênticos para pessoas em situações diferentes. Escorar-se exclusivamente na igualdade formal (tratamento igual para todos, indistintamente) é fugir da justiça, que se baseia na busca pela igualdade real (tratamento diferenciado para corrigir desigualdades anteriores). (Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em: (A) iluminar teses controvertidas (1º parágrafo) = amainar posições dubitativas. (B) um preciso discernimento (2º parágrafo) = uma arraigada dissuasão. (C) disseminar o juízo preconcebido (2º parágrafo) = dissuadir o julgamento predestinado. (D) a forma mais censurável (3º parágrafo) = o modo mais repreensível. (E) As acepções são inconciliáveis (3º parágrafo) = as versões são inatacáveis. A: incorreta. “Iluminar” foi usado como sinônimo de “clarear”, “destacar”. “Amainar” é sinônimo de “tornar manso”; B: incorreta. “Preciso” é sinônimo de “exato”, “objetivo”, e “discernimento” é sinônimo de “compreensão”, “raciocínio”. Já “arraigada” é sinônimo de “enraizada”, “estabelecida”, e “dissuasão” signifi ca “convencer alguém a desistir”; C: incorreta. “Disseminar” é sinônimo de “difundir”, “espalhar”, que não se confunde com “dissuadir”, verbo relativo a “dissuasão”, vocábulo que já exploramos na alternativa anterior; D: correta. Todos os sinônimos foram usados corretamente; E: incorreta. “Inconciliáveis” são coisas que não podem conviver. “Inatacável” é aquilo que não pode ser atacado, que não pode ser atingido. Atenção: para responder as duas questões seguintes, considere o texto abaixo. Nas décadas de 1930 e 40, enquanto eu crescia, o desenhista de quadrinhos ocupava um lugar na hierarquia cultural não muito inferior àquele ocupado pelo ator de cinema e pelo inventor. Walt Disney, Al Capp, Peter Arno – quem, agora, poderia conquistar tanta fama apenas com uma caneta de pena e um tinteiro? (John Updike. “A mágica dos quadrinhos”. serrote: uma revista de ensaios, ideias e literatura. n. 2, jul 2009. São Paulo: Instituto Moreira Salles, p. 17) Obs.: Al Capp e Peter Arno foram cartunistas americanos contemporâneos de Walt Disney. (TRT/4ª – 2011 – FCC) No excerto acima, o autor (A) manifesta que, embora com poucos recursos, os desenhistas de quadrinhos de sua infância fascinavam o público. (B) vale-se de uma pergunta retórica para expressar sua crença: atualmente,quem não domina a alta tecnologia não consegue distrair a plateia. (C) critica o lugar de destaque que, no século passado, era concedido aleatoriamente a atores de cinema e inventores. (D) favorece as lembranças de sua infância em prejuízo de considerações sobre os quadrinhos. (E) recorre ao ator de cinema e ao inventor para demonstrar como desenhistas de quadrinhos foram sempre desconsiderados na cultura americana. Em resumo, o texto fala que na infância do autor (décadas de 1930 e 40), os cartunistas com recursos simples (“apenas com uma caneta de pena e um tinteiro”) conseguiam ocupar uma boa posição na hierarquia cultural. A: é exatamente o que o autor diz em sua pergunta retórica “quem, agora, poderia conquistar tanta fama apenas com uma caneta de pena e um tinteiro”; B: não se pode inferir que a crença dele seja: “quem não domina a alta tecnologia não consegue distrair a plateia”, como a alternativa diz; C: não existe essa crítica, apenas a observação; D: ao contrário do afi rmado, nesse excerto o autor favorece as considerações sobre os autores de quadrinhos e não suas lembranças de infância; E: é o aposto do que se afi rma nessa alternativa, o autor recorre ao ator de cinema e ao inventor para mostrar a consideração que os cartunistas tinham na cultura americana. (TRT/4ª – 2011 – FCC) Sobre o que se tem no excerto, é correto afi rmar: (A) Walt Disney, Al Capp, Peter Arno é sequência que descreve a hierarquia cultural citada, do posto mais elevado para o menos elevado. (B) tanta caracteriza a reputação dos desenhistas citados, tal como percebida pelo autor. (C) apenas denota que o autor deprecia a produção de muitos desenhistas de quadrinhos. (D) Nas décadas de 1930 e 40 equivale a “Nas décadas precedentes”. (E) enquanto eu crescia marca o início da ação de “ocupar”. A: não se trata de uma hierarquia, apenas de uma enumeração; B: o autor valoriza a reputação dos desenhistas citados e usa o termo tanta para intensifi car o substantivo “fama”; C: o advérbio apenas não deprecia. Tem as acepções: exclusivamente, somente; D: seria “Nas décadas precedentes” se no texto houvesse menção à década de 50. Não há. Então, a alternativa está incorreta. E: “enquanto eu crescia” indica a circunstância do verbo ocupar, que tem como sujeito “o desenhista de quadrinhos”. [Entre falar e escrever] Antigamente os professores de ginásio* ensinavam a escrever mandando fazer redações que puxavam insensivelmente para a grandiloquência, o preciosismo ou a banalidade: descrever uma fl oresta, uma tempestade, o estouro da boiada; comentar os males causados pelo fumo, o jogo, a bebida; dizer o que pensa da pátria, da guerra, da bandeira. Bem ou mal, íamos aprendendo, sobretudo porque naquele tempo os professores tinham tempo para corrigir os exercícios escritos (o meu chegava a devolver os nossos com igual número de páginas de observações e comentários a tinta vermelha; que Deus o tenha no céu dos bons gramáticos). Mas o efeito podia ser duvidoso. Lembre- se por analogia o começo do romance S. Bernardo, de Graciliano Ramos. O rústico fazendeiro Paulo Honório quer contar a própria vida, mas sendo homem sem instrução, 9 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO imagina um método prático: contaria os fatos ao jornalista local e este redigiria. No entanto... Leiamos: O resultado foi um desastre. Quinze dias depois do nosso primeiro encontro, o redator do jornal apresentou-me dois capítulos datilografados, tão cheios de besteiras que me zanguei: – Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota! Há lá ninguém que fale dessa forma! O jornalista observa então que “um artista não pode escrever como fala”, e ante o espanto de Paulo Honório, explica: – Foi assim que sempre se fez. A literatura é literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia. Então Paulo Honório põe mãos à obra do seu jeito, “escreve como fala” e resulta o romance S. Bernardo, um clássico de Graciliano Ramos. (Adaptado de Antonio Candido, O albatroz e o chinês) * Ginásio: antiga denominação de período escolar, que hoje corresponde às quatro últimas séries do ensino fundamental. (Analista – TRT/20ª – 2011 – FCC) O autor do texto deixa ver que seus professores no ginásio acabavam valorizando, numa redação, (A) formas concisas de expressão e ousada inventividade linguística. (B) ostentação retórica e correta abordagem de temas educativos e cívicos. (C) valores morais edifi cantes e expressões em nível bastante coloquial. (D) rigorosa correção ortográfi ca e originalidade na condução de temas polêmicos. (E) o cultivo do pensamento autocrítico e discrição quanto ao estilo praticado. Reler o trecho: “ensinavam a escrever mandando fazer redações que puxavam insensivelmente para a grandiloquência, o preciosismo ou a banalidade: descrever uma fl oresta, uma tempestade, o estouro da boiada; comentar os males causados pelo fumo, o jogo, a bebida; dizer o que pensa da pátria, da guerra, da bandeira.” (Analista – TRT/20ª – 2011 – FCC) Ao lembrar que o efeito podia ser duvidoso, o autor do texto está aventando a hipótese de que, nas redações, (A) as banalidades decorriam do fato de os alunos não terem aceitado as orientações dos professores. (B) alguns fracassos originavam-se do fato de que os temas eram por demais complexos para a faixa etária dos alunos. (C) expressavam-se muitas dúvidas quanto a ser mais desejável a grandiloquência do que o despojamento da linguagem. (D) nem sempre era muito positivo o saldo fi nal das atividades exercidas pelos mestres e pelos alunos. (E) o que parecia ser um defeito ou uma impropriedade era, na verdade, o resultado de um excessivo domínio da língua. A alternativa mais correta é “nem sempre era muito positivo”. Primeiro Antonio Candido escreve: “ensinavam a escrever mandando fazer redações que puxavam insensivelmente para a grandiloquência, o preciosismo ou a banalidade” e em seguida: “o efeito podia ser duvidoso”. Infere-se que o saldo fi nal das atividades nem sempre era positivo. (Analista – TRT/20ª – 2011 – FCC) Atente para as seguintes afi rmações: I. Os dois trechos citados de S. Bernardo ilustram posições antagônicas quanto a atributos que devem marcar a linguagem literária. II. A linguagem do primeiro trecho citado de S. Bernardo não satisfaz os requisitos preciosistas impostos pelos antigos professores de ginásio. III. Deduz-se que o jornalista Gondim é um adepto da linguagem direta e simples, havendo mostrado um estilo “pernóstico” apenas para atender o gosto pessoal de Paulo Honório. Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afi rma em (A) I. (B) II. (C) III. (D) I e II. (E) II e III. I: há o antagonismo entre “arranjar palavras com tinta” e “escreve como fala”; II: os antigos professores “ensinavam a escrever mandando fazer redações que puxavam insensivelmente para a grandiloquência, o preciosismo”. O primeiro trecho citado de S. Bernardo diz: “– Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota!”; III: deduz-se que a linguagem de Paulo Honório é direta e simples. De volta à Antártida A Rússia planeja lançar cinco novos navios de pesquisa polar como parte de um esforço de US$ 975 milhões para reafi rmar a sua presença na Antártida na próxima década.Segundo o blog Science Insider, da revista Science, um documento do governo estabelece uma agenda de prioridades para o continente gelado até 2020. A principal delas é a reconstrução de cinco estações de pesquisa na Antártida, para realizar estudos sobre mudanças climáticas, recursos pesqueiros e navegação por satélite, entre outros. A primeira expedição da extinta União Soviética à Antártida aconteceu em 1955 e, nas três décadas seguintes, a potência comunista construiu sete estações de pesquisa no continente. A Rússia herdou as estações em 1991, após o colapso da União Soviética, mas pouco conseguiu investir em pesquisa polar depois disso. O documento afi rma que Moscou deve trabalhar com outras nações para preservar a “paz e a estabilidade” na Antártida, mas salienta que o país tem de se posicionar para tirar vantagem dos recursos naturais caso haja um desmembramento territorial do continente. (Pesquisa Fapesp, dezembro de 2010, no 178, p. 23) (Analista – TRE/TO – 2011 – FCC) Em “paz e a estabilidade”, na última frase do texto, o emprego das aspas (A) indica que esse segmento é transcrição literal do documento do governo russo mencionado no início do texto. (B) sugere a desconfi ança do autor do artigo com relação aos supostos propósitos da Rússia de manter a paz na Antártida. (C) revela ser esse o principal objetivo do governo russo ao reconstruir estações de pesquisa na Antártida que datam do período soviético. (D) aponta para o sentido fi gurado desses vocábulos, que não devem ser entendidos em sentido literal, como o constante dos dicionários. (E) justifi ca-se pela sinonímia existente entre paz e estabilidade, o que torna impensável a existência de uma sem a outra. Releia o último período: “O documento afi rma que Moscou deve trabalhar com outras nações para preservar a “paz e a estabilidade” na Antártida, mas salienta que o país tem de se posicionar para tirar vantagem dos recursos naturais caso haja um desmembramento territorial do continente.” (Analista – TRE/TO – 2011 – FCC) Há exemplos de palavras ou expressões empregadas no texto para retomar outras já utilizadas sem repeti-las literalmente, como ocorre em: I. o continente gelado – a Antártida II. Moscou – a Rússia III. a revista Science – o blog Science Insider IV. a potência comunista – a União Soviética Atende corretamente ao enunciado da questão o que está em (A) I e III, apenas. (B) I e IV, apenas. (C) II e III, apenas. (D) I, II e IV, apenas. (E) I, II, III e IV. I e III: “na Antártida na próxima década. Segundo o blog Science Insider, da revista Science [o blog é da revista, não se pretende retomar um termo já utilizado], um documento do governo estabelece uma agenda de prioridades para o continente gelado até 2020.”; II: “O documento afi rma que Moscou deve trabalhar com outras nações”; IV: “A primeira expedição da extinta União Soviética à Antártida aconteceu em 1955 e, nas três décadas seguintes, a potência comunista construiu sete estações de pesquisa no continente.” Atenção: para responder próximas questões, considere o texto abaixo. 1 Esta é uma história da Bossa Nova e dos rapazes e moças que a fizeram, quando eles tinham entre quinze e trinta anos. É também um livro que se pretende o mais factual e objetivo possível. Evidente 5 que, tendo sido escrito por alguém que vem ouvindo Bossa Nova desde que ela ganhou este nome (e que nunca se conformou quando o Brasil começou a trocá-la por exotismos), uma certa dose de paixão acabou se intrometendo na receita − sem interferir, espero, pró ou 10 contra, na descrição da trajetória de qualquer personagem. Os seres humanos, assim como os LPs, têm lados A e B, e houve um esforço máximo para que ambos fossem mostrados. Para compor essa história, as informações foram 15 buscadas em primeira mão, entre os protagonistas, coadjuvantes ou fi gurantes de cada evento aqui descrito, citados na lista de agradecimentos. Toda informação importante foi checada e rechecada com mais de uma fonte. A natureza de certas informações torna 20 impossível que sejam especificadas como “entrevista realizada no dia X, na cidade Y, com Fulano de Tal”, porque isto seria a quebra de um preceito ético de proteção à fonte. No caso de fontes que não se furtaram a ser identifi cadas, estas são mencionadas no corpo do 25 texto. As histórias aqui incluídas levaram em conta apenas a importância que tiveram no desenvolvimento ou na carreira deste ou daquele artista ou da Bossa Nova em conjunto. (Ruy Castro, “Introdução e agradecimentos”. Chega de saudade: a história e as histórias da Bossa Nova. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 15) (Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) O autor do texto (A) advoga para seu relato a condição de “história”, por cumprir o protocolo científi co: absoluta fi delidade na descrição dos fatos, dados defi nitivos e cabal objetividade. (B) emprega simultaneamente história e histórias, o que libera a obra do compromisso com o constatável, como o ratifi ca o uso das palavras típicas da fi cção personagem, protagonistas, coadjuvantes e fi gurantes. (C) explicita a perspectiva adotada na produção da obra referindo-se a si próprio predominantemente em terceira pessoa, sem deixar, entretanto, em dado momento, de assumir diretamente sua voz. (D) defi ne o foco da pesquisa que deu origem ao livro: a reação de pessoas entre quinze e trinta anos diante do desenvolvimento da Bossa Nova. (E) assume ter pretendido escrever uma história apaixonada sobre a Bossa Nova, o que o leva a pedir a indulgência do leitor quanto às inadequações decorrentes dessa intenção. Reveja trecho: “Esta é uma história da Bossa Nova e dos rapazes e moças que a fi zeram, quando eles tinham entre quinze e trinta anos. É também um livro que se pretende o mais factual e objetivo possível. Evidente que, tendo sido escrito por alguém [‘a perspectiva adotada na produção da obra referindo-se a si próprio predominantemente em terceira pessoa’] que vem ouvindo Bossa Nova desde que ela ganhou este nome (e que nunca se conformou quando o Brasil começou a trocá-la por exotismos), uma certa dose de paixão acabou se intrometendo na receita − sem interferir, espero [‘sem deixar, entretanto, em dado momento, de assumir diretamente sua voz’], pró ou contra, na descrição da trajetória de qualquer personagem.” 11 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) Compreende-se corretamente do texto: (A) a caracterização de entrevista (linhas 20 e 21) prepara o leitor para a decodifi cação de certas informações que são tratadas de modo cifrado no livro. (B) as histórias que compõem o livro (linha 25) não possuem relevo próprio, merecendo presença na obra unicamente por tangenciarem a trajetória da Bossa Nova. (C) a comparação entre LPs e seres humanos (linha 11) se fundamenta no traço comum “caráter bifronte”. (D) ao fazer referência a um esforço máximo (linha 12), o autor expressa sua concepção de que a volubilidade torna os seres humanos indecifráveis. (E) ao referir-se a informações em primeira mão (linha 15), o autor informa que os eventos que compõem a história escrita por ele jamais tinham vindo a público. A: as informações não serão tratadas de modo cifrado. Trata- se de um exemplo do que não se pretende fazer: “impossível que sejam especifi cadas como ‘entrevista realizada no dia X, na cidade Y, com Fulano de Tal’; B: veja trecho: “Evidente que, tendo sido escrito por alguém que vem ouvindo BossaNova desde que ela ganhou este nome (...), uma certa dose de paixão acabou se intrometendo na receita”; C: é exatamente o “caráter bifronte” que se quer mostrar: “Os seres humanos, assim como os LPs, têm lados A e B, e houve um esforço máximo para que ambos fossem mostrados.”; D: não se pode inferir isso; E: apenas sabemos que o autor conseguiu as informações diretamente da fonte. “ (Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) No primeiro parágrafo do texto, (A) os parênteses (linhas 6 a 8) acolhem explicação sobre o que ocorreu com a Bossa Nova quando o Brasil começou a trocá-la por exotismos. (B) a frase quando eles tinham entre quinze e trinta anos (linhas 2 e 3) delimita o período da concomitância entre a vivência dos jovens e o ato de escrita da obra. (C) Esta (linha 1) e a (linha 2) são pronomes que se antecipam ao elemento a que cada um deles se refere. (D) o segmento introduzido pelo travessão (linha 9) expressa um julgamento que traz as marcas de uma presunção. (E) foram empregados com sentido equivalente os segmentos uma história da Bossa Nova (linha 1), um livro (linha 3) e escrito (linha 5). A: os parênteses em “alguém que vem ouvindo Bossa Nova desde que ela ganhou este nome (e que nunca se conformou quando o Brasil começou a trocá-la por exotismos)” expressa uma impressão do autor; B: trata-se apenas da idade dos jovens e não se trata do ato de escrita da obra: “Esta é uma história da Bossa Nova e dos rapazes e moças que a fi zeram, quando eles tinham entre quinze e trinta anos.” D: o autor deixa clara sua opinião: “− sem interferir, espero, pró ou contra, na descrição da trajetória de qualquer personagem”; E: “história da Bossa Nova” e “livro” se equivalem, porém “escrito” é, nesse contexto, verbo no particípio e não substantivo. Da timidez Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se fi cou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afi nal, que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se fi cou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico: só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença. Todo mundo é tímido, os que parecem mais tímidos são apenas os mais salientes. Defendo a tese de que ninguém é mais tímido do que o extrovertido. O extrovertido faz questão de chamar atenção para sua extroversão, assim ninguém descobre sua timidez. Já no notoriamente tímido a timidez que usa para disfarçar sua extroversão tem o tamanho de um carro alegórico. Segundo minha tese, dentro de cada Elke Maravilha* existe um tímido tentando se esconder, e dentro de cada tímido existe um exibido gritando: “Não me olhem! Não me olhem!”, só para chamar a atenção. O tímido nunca tem a menor dúvida de que, quando entra numa sala, todas as atenções se voltam para ele e para sua timidez espetacular. Se cochicham, é sobre ele. Se riem, é dele. Mentalmente, o tímido nunca entra num lugar. Explode no lugar, mesmo que chegue com a maciez estudada de uma noviça. Para o tímido, não apenas todo mundo mas o próprio destino não pensa em outra coisa a não ser nele e no que pode fazer para embaraçá-lo. * Atriz de TV muito extrovertida, identifi cada pela maquiagem e roupas extravagantes. (Luís Fernando Veríssimo, Comédias para se ler na escola) (Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) Na abordagem da timidez, o autor se vale de contradições e paradoxos para demonstrar que (A) o comportamento dos extrovertidos revela seu desejo de serem notados. (B) as atitudes de um tímido derivam de seu complexo de superioridade. (C) a timidez e a extroversão não podem ser claramente distinguidas. (D) o tímido opõe-se ao extrovertido porque assim ninguém o reconhece. (E) os extrovertidos são habitualmente reconhecidos como tímidos notórios. A: é o oposto, segundo o autor “O extrovertido faz questão de chamar atenção para sua extroversão, assim ninguém descobre sua timidez”; B: o autor se refere ao complexo de superioridade não como causadores das atitudes do tímido, mas para caracterizar aquele que “procura o analista para tratar um complexo de inferioridade”; C: o autor, divertidamente, confunde as fi guras do tímido e do extrovertido; D: segundo o autor, o tímido quer mesmo é ser notado, pois “dentro de cada tímido existe um exibido gritando: ‘Não me olhem! Não me olhem!’, só para chamar a atenção.”; E: o autor não afi rma isso, mas apenas que “Ser um tímido notório é uma contradição”. (Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) Considerando-se o contexto do primeiro parágrafo, deduz-se da frase só ele acha que se sentir inferior é doença que, na opinião do autor, (A) a timidez leva ao complexo de inferioridade. (B) o sentimento de inferioridade não é uma anomalia. (C) o complexo de inferioridade não tem tratamento. (D) o sentimento de inferioridade é próprio dos tímidos. (E) a timidez é um disfarce para os muito extrovertidos. A frase indica que o sentimento de inferioridade é algo normal, a que as pessoas comuns não dão maior importância, pois “só alguém que se acha muito superior (...) acha que se sentir inferior é doença.” (Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) Reconhece-se como em si mesma paradoxal a seguinte expressão do texto: (A) retumbante timidez. (B) Todo mundo é tímido. (C) maciez estudada. (D) tem horror a ser notado. (E) faz questão de chamar atenção. O paradoxo é pensamento ou argumento que contraria os princípios básicos que costumam orientar o pensamento humano, ou desafi a a opinião compartilhada pela maioria. A palavra retumbante tem a acepção daquilo que se refl ete com estrondo, grande barulho. Esse signifi cado é paradoxal em relação à acepção da palavra timidez. Atenção: as questões seguintes referem-se ao texto abaixo. Duas linguagens Na minha juventude, tive um grande amigo que era estudante de Direito. Ele questionava muito sua vocação para os estudos jurídicos, pois também alimentava enorme interesse por literatura, sobretudo pela poesia, e não achava compatíveis a linguagem de um código penal e a frequentada pelos poetas. Apesar de reconhecer essa diferença, eu o animava, sem muita convicção, lembrando-lhe que grandes escritores tinham formação jurídica, e esta não lhes travava o talento literário. Outro dia reencontrei-o, depois de muitos anos. É juiz de direito numa grande comarca, e parece satisfeito com a profi ssão. Hesitei em lhe perguntar sobre o gosto pela poesia, e ele, parecendo adivinhar, confessou que havia publicado alguns livros de poemas – “inteiramente despretensiosos”, frisou. Ficou de me mandar um exemplar do último, que havia lançado recentemente. Hoje mesmo recebi o livro, trazido em casa por um amigo comum. Os poemas são muito bons; têm uma secura de estilo que favorece a expressão depurada de fi nos sentimentos. Busquei entrever naqueles versos algum traço bacharelesco, alguma coisa que lembrasse a linguagem processual. Nada. Não resisti e telefonei ao meu amigo, perguntando-lhe como conseguiu elidir tão completamente sua formação e sua vida profi ssional, frequentando um gênero literário que costuma impelir ao registro confessional. Sua resposta: − Meu caro, a objetividade que tenho de ter para julgar os outros comunica-se com a objetividade com que buscotratar minhas paixões. Ser poeta é afi nar palavra justas e precisos sentimentos. Justeza e justiça podem ser irmãs. E eu que nunca tinha pensado nisso... (Ariovaldo Cerqueira, inédito) (Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) O argumento em favor da plena compatibilidade entre a linguagem da poesia e a das práticas jurídicas está formulado na seguinte frase: (A) É juiz de direito numa grande comarca, e parece satisfeito com a profi ssão. (B) Apesar de reconhecer essa diferença, eu o animava, sem muita convicção (...) (C) (...) têm uma secura de estilo que favorece a expressão depurada de fi nos sentimentos. (D) (...) conseguiu elidir tão completamente sua formação e sua vida profi ssional (...) (E) Justeza e justiça podem ser irmãs. A: essa frase não faz referência à poesia; B: o autor expõe, nessa frase, dúvida quanto à compatibilidade entre as linguagens jurídica e poética; C: a frase refere-se aos poemas do juiz, sem referência à linguagem jurídica; D: o autor refere- se à dúvida quanto ao afastamento da infl uência jurídica sobre a obra poética (não se refere à compatibilidade entre as linguagens, portanto); E: “Justeza” refere-se à poesia, enquanto “Justiça” à linguagem jurídica. A fraternidade (podem ser irmãs) indica a compatibilidade entre as linguagens poética e jurídica. (Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido de um segmento do texto em: (A) não lhes travava o talento = não ia ao encontro de seu potencial. (B) “inteiramente despretensiosos”, frisou = “em nada intencionais”, aludiu. (C) têm uma secura de estilo = manifestam uma esterilidade. (D) como conseguiu elidir = como logrou obliterar. (E) impelir ao registro confessional = demover o plano das confi ssões. A: ir “ao encontro” é harmonizar-se, enquanto ir “de encontro” é confrontar. “Travava o talento” tem o sentido de impedir, confrontar, ir de encontro (não ao encontro); B: o termo “despretensiosos” indica que o autor das poesias procura mostrar humildade, o que não signifi ca falta de “intenção”; C: “secura de estilo” parece indicar um texto claro, fl uido, sem exageros, o que não signifi ca “esterilidade”, ausência de criatividade ou de valor literário; D: “elidir” e “obliterar” têm o 13 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO mesmo signifi cado, no contexto, de excluir, eliminar; E: “impelir ao registro confessional” signifi ca conduzir, sugerir, levar o autor a expressar seus sentimentos íntimos, o que é o oposto de “demover”, afastar esse ímpeto confessional. (Analista – TRT/6ª – 2006 – FCC) Penso também nas nadadoras. Elas me assustam. Aqueles ombros enormes. As três frases acima estão rearticuladas de forma correta e coerente no seguinte período: (A) Me assustam também, quando penso nas nadadoras, cujos os ombros são enormes. (B) Por serem de ombros enormes, penso também naquelas nadadoras, quando me assusto. (C) Assusto-me com aquelas nadadoras, onde os ombros são enormes, quando também penso nelas. (D) Assustam-me as nadadoras, quando passo a pensar nelas, com seus ombros enormes. (E) Me assustam ainda os ombros enormes daquelas nadadoras, ao pensar neles. Observe, inicialmente, os elementos das três frases: 1) o sujeito do verbo pensar é desinencial (1ª pessoa do singular – “eu”); 2) o objeto do verbo pensar é “nas nadadoras”; 3) o sujeito do verbo assustar é “elas” (as nadadoras). A: o sujeito do verbo assustar não está claro; B: o autor se assusta quando pensa nas nadadoras e nos seus ombros enormes. Não é o susto que faz pensar nelas (as nadadoras é que causam o susto, não o contrário); C: “onde os ombros são enormes” não faz sentido; D: “Assustam-me as nadadoras” – o sujeito do verbo assustar é nadadora. O objeto é “me”; “quando passo a pensar nelas” – o sujeito de “passo a pensar” corresponde à primeira pessoa do singular. Essas relações correspondem à informação fornecida pelas frases originais; E: “os ombros” não corresponde ao sujeito do verbo assustar. (Analista – TRT/6ª – 2006 – FCC) São os subterfúgios ilusórios que nos levam a admirar a imagem nossa construída pelos outros. Uma outra forma clara e correta de se redigir o que expressa a frase acima é: (A) É a imagem que os outros constroem para nós com subterfúgios ilusórios que nos levam a admirar. (B) Haja vista dos ilusórios subterfúgios, levam-nos os outros a admirar como foi que se construiu a nossa imagem. (C) Levam-nos a admirar nossa própria imagem, do modo como se construiu os subterfúgios ilusórios dos outros. (D) Deve-se aos subterfúgios ilusórios que sejamos levados à admiração da imagem nossa que os outros construíram. (E) Tendo os outros construído nossa imagem, são com subterfúgios ilusórios que fazem com que lhe sejamos levados a admirar. Na oração original, o sujeito do verbo levar é o pronome relativo que. Esse pronome tem como referente “os subterfúgios ilusórios”. O objeto direto do verbo levar é “nos” e o objeto indireto é “a admirar a imagem nossa construída pelos outros.” (Analista – TRT/3ª – 2005 – FCC) A frase cuja redação está inteiramente clara e correta é: (A) A jovem repórter causou alguma incompreensão tão logo ao referir-se a um termo que a todos pareceu ter um sentido além do que ele pretendia. (B) O autor não hesita em concluir que, diante das entusiasmadas adesões à utilização da informática e da linguagem que lhe corresponde, o computador já faz parte do nosso cotidiano. (C) Os programadores de computador, que costumam serem mais jovens, provavelmente não lhes fica claro aquilo que já signifi cou a expressão fazer um programa, desde que o sentido fosse outro. (D) O autor sublinha com razão que é comum que os mais velhos reajam com desassosego, porque, diante do que é mais novo, surge-lhes quase sempre como se fosse uma ameaça. (E) Quando ele diz que dança quem não souber o que é BBS, o verbo que o autor lança mão aqui é um termo de gíria, ao qual é mais costumeiro na linguagem dos jovens. Seguem orações corrigidas. A: “A jovem repórter causou incompreensão ao se referir a um termo que a todos pareceu ter um sentido além do que se pretendia.”; B: está clara a redação; C: “Não fi ca claro aos programadores de computador, normalmente mais jovens, que a expressão fazer um programa já teve outro sentido.”; D: “O autor sublinha, com razão, que é comum os mais velhos reagirem com desassossego, porque, aquilo que é novo, surge quase sempre como se fosse uma ameaça.”; E: “Quando ele diz que dança quem não souber o que é BBS, o sentido do verbo que o autor utiliza (dançar) é informal, trata-se de uma gíria. Seu uso é mais costumeiro na linguagem dos jovens.” (Analista – TRT/11ª – 2005 – FCC) Está inteiramente clara e correta a redação da seguinte frase: (A) Segundo a versão ofi cial, as entradas forçosas da polícia em escritórios de advocacia não constituem abuso de autoridade, uma vez que são determinadas por ordem judicial. (B) Os escritórios de advogado aonde funcionam sedes de empresas, não confi guram um caso de sigilo profi ssional, uma vez que se prestam ao exercício de uma função estranha à sua fi nalidade. (C) Havendo constrangimento do advogado ao informar fatos que só dizem respeito aos seus clientes, traindo sua confi ança, fi ca impossível exercerem a profi ssão que lhes compete. (D) A menos que seja previsto como um caso de exercício diverso da advocacia, as situações regulares dos escritórios de advogados impõem o respeito ao direito de sigilo. (E)Note-se que na jurisprudência, do âmbito do Supremo Tribunal Federal, tem sido resguardado o sigilo na apreensão de documentos, entendida como fraglante abuso de autoridade. Seguem as demais reescritas corretamente. B: “Os escritórios de advogado onde funcionam sedes de empresas”; C: “Havendo constrangimento do advogado ao informar fatos que só dizem respeito aos seus clientes, traindo a confi ança desses, fi ca impossível o exercício da profi ssão que lhes compete.”; D: “A menos que sejam previstas como um caso de exercício diverso da advocacia, as situações regulares dos escritórios de advogados impõem o respeito ao direito de sigilo.”; E: “tem sido resguardado o sigilo na apreensão de documentos, entendida como fl agrante abuso de autoridade.” 15 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) A afi rmação feita pelo juiz de que a objetividade para julgar alguém comunica-se com a objetividade poética na expressão das paixões salienta sua convicção de que (A) não há distinção visível entre as duas atividades. (B) um julgamento é permeado pelos puros sentimentos. (C) a oposição entre ambas as situações reforça-as mutuamente. (D) a linguagem confessional serve a ambas as situações. (E) a busca de precisão é indispensável nos dois casos. A: “comunica-se” indica que há similitude, não identidade (não são conceitos idênticos); B: “objetividade para julgar” opõe-se à ideia de que o julgamento possa ser permeado, infl uenciado, orientado por sentimentos, pela subjetividade; C: a afi rmação não indica oposição entre as situações, mas similitude; D: a linguagem confessional refere-se à poesia, não à atividade jurisdicional; E: essa é a ideia passada pelo uso do termo “objetividade”, comum às linguagens poética e jurídica. Televisão e formação O aparelho de televisão está na sala, no quarto, na cozinha de pelo menos 92% dos lares brasileiros, segundo dados do Ibope. Se a criança é educada por essa mídia – já que passa diante dela em média três horas e meia diárias –, a melhora na qualidade da programação se impõe como uma obrigação ética de toda a sociedade. Em estudo feito pela Unesco, o tempo que as crianças gastam assistindo à televisão é, pelo menos, 50% maior que o tempo dedicado a qualquer outra atividade do cotidiano, como ler a lição e casa, ajudar a família, brincar, fi car com os amigos, ler. A programação transmitida pela TV acaba tornando-se um ponto de referência na organização da família, está sempre a disposição, sem exigir nada em troca, alimentando o imaginário infantil com todo tipo de fantasia. A pesquisa brasileira sobre infl uência da mídia eletrônica na formação da criança e do adolescente está, no entanto, bastante focada nas áreas de educação e psicologia, e acaba por contribuir muito pouco como elemento de interferência direta na qualidade da produção dos programas voltados para a criança. A orientação para os produtores e programadores de TV vem, em geral, das pesquisas de mercado, que medem a aceitação do público. No exterior, a pesquisa acadêmica esta mais focada na qualidade das produções e se envolve mais diretamente com a produção artística. É um exemplo a ser imitado: não basta criticar a distância as distorções da relação criança/TV; é preciso que os estudiosos aprendam a interferir na criação mesmo dos programas, passando, assim, a ter responsabilidade direta na qualidade dessa mídia onipresente. (B) No Brasil, os adultos reconhecem que a força da TV junto às crianças é grande, e se empenham de todas as formas para melhorar a programação. (C) A Unesco está alarmada com o fato e que o imaginário infantil está sendo excessivamente estimulado pelas fantasias da TV. (D) Os estudiosos brasileiros da programação de TV destinada à criança ainda não oferecem contribuição efetiva para a melhoria desses programas. (E) As estatísticas do Ibope comprovam que o tempo da criança está-se dividindo cada vez mais em múltiplas atividades, entre elas a concentração diante da TV. A autora pretende criticar a forma como as pesquisas sobre a infl uência da mídia sobre as crianças são conduzidas no Brasil, ao anotar que elas estão focadas exclusivamente em critérios de mercado. Com isso, deixam de prestar qualquer colaboração para a melhora da qualidade da programação apresentada. Correta, portanto, a alternativa “D”. As ideias expostas nas demais alternativas não podem ser corretamente inferidas do texto. (CEF – Técnico Bancário/Norte e Nordeste – 2004 – FCC) Atente para as seguintes afi rmações: I. A frase “se impõe como uma obrigação ética de toda a sociedade” indica que esse texto assume um caráter crítico e opinativo. II. No texto, legitima-se e justifi ca-se a preocupação que orienta os produtores da programação infantil da TV. III. No texto, recusa-se a ideia de que as pesquisas e mercado consigam medir o interesse que tem o público pelos programas de TV. Está correto o que se afi rma somente em (A) II e III. (B) I. (C) II. (D) III. (E) I e II. I: correta. O texto pode ser classifi cado como dissertativo- argumentativo, porque expõe objetivamente uma questão relevante (dissertativo), permeado de opiniões e críticas pessoais do autor (argumentativo); II: incorreta. Ao contrário, o texto faz uma crítica à atuação desses profi ssionais; III: incorreta. Na verdade, o texto anota que as pesquisas voltadas unicamente à medição da aceitação dos programas pelo público não contribui para a evolução dos programas apresentados. (CEF – Técnico Bancário/Norte e Nordeste – 2004 – FCC) No contexto em que surge, a frase “Se a criança é educada por essa mídia” deve ser compreendida como: (A) a fi m de que a criança seja educada por essa mídia. (B) ainda que a criança fosse educada por essa mídia. (C) no caso de a criança vir a ser educada por essa mídia. (D) quando a criança for educada por essa mídia. (E) uma vez que a criança é educada por essa mídia. Modalidades como corridas, arremesso de peso, saltos, entre outras, eram praticadas para simularem as condições dos campos de batalha. Nos tempos modernos, o esporte perdeu essa característica para associar-se à melhoria da saúde e do físico, socialização, à diversão e, evidentemente, ao jogo e à competição. Na sociedade contemporânea, é este o aspecto mais marcante: as competições, onde centésimos de segundo ou insignifi cantes centímetros podem separar a glória do fracasso. Essa busca pelo aperfeiçoamento máximo, já presente nas primeiras olimpíadas modernas, em 1896, jamais cessou. Hoje, equipamentos e treinamentos avançam sobre seus limites, usando a tecnologia e a ciência onde o corpo humano já alcançou, aparentemente, o auge de seu desempenho físico. Os atletas olímpicos são preparados para desafi ar as restrições provenientes da gravidade, do tempo e da distância. Encontram suporte nas pesquisas aplicadas na área da fi siologia e da medicina esportiva, bem como no avanço das técnicas de treinamento e dos equipamentos. A ciência permite “construir” um atleta para ser recordista olímpico, maximizando suas potencialidades físicas por meio do profundo conhecimento da fi siologia do movimento. E quando o homem esportivo chega ao limite, com o corpo humano no máximo da sua capacidade, entra em campo a alta tecnologia dos equipamentos e dos materiais a seu serviço como na corrida espacial, também as olimpíadas servem para avaliar os avanços científi cos que acabam por significar um progresso para a sociedade em geral. (Vera Toledo Camargo. Ciência e Cultura. Revista da SBPC. São Paulo: Imprensa Ofi cial, ano 56, n. 2, 2004. p. 12) (CEF – Técnico Bancário – 2004 – FCC) Analisando-se a evolução dos jogos olímpicos, desde sua origem, na Grécia antiga, até os nossos dias, verifi ca-se que eles (A) se modifi caram quanto ao esforço exigido dos atletas, agora minimizado em razão da tecnologia esportiva. (B) conservaram as características primitivas, apenas incorporando algumas conquistas da ciência e da tecnologia. (C) se modifi caram muito no que diz respeito às modalidades, mas conservaram a fi nalidade primitiva. (D) perderam a agressividade inicial, pois competir foi-se tornando mais importante do que vencer. (E) perderam a característica de treinamento bélico para virem a se tornar disputas de máxima competitividade. O texto trata da mudança de fi nalidade dos esportes olímpicos, antes usados como treinamento para os campos de batalha e hoje ligados ao bem-estar, à saúde e à competição. Sobre esse aspecto, a autora comenta o avançado nível tecnológico usado na preparação de atletas de alto nível, indicando que, se de um lado os jogos perderam sua razão bélica, de outro vincularam-se à extrema competitividade. (CEF – Técnico Bancário – 2004 – FCC) Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido de uma expressão do texto em: (A) restrições provenientes da gravidade = injunções atribuídas à gravidade. (B) avançam sobre seus limites = vão além do máximo já alcançado. (C) desdobramento da preparação, para as guerras = técnicas aprendidas nos combates. (D) simularem as condições = disfarçarem as operações. (E) maximizando suas potencialidades = aproveitando-se de sua força. Correta a alternativa “B”, por ser a única que apresenta uma correspondência que mantém a coerência do texto. Nas demais, os sinônimos utilizados não refl etem o sentido que as expressões foram utilizadas. Várias famílias percorrem dez ou mais quilômetros com destino à Serra da Cantareira, mais precisamente à Chácara SBPC. São Paulo: Imprensa Ofi cial, ano 56, número 1, 2004, pp. 55_56) (CEF – Técnico Bancário/Norte e Nordeste – 2004 – FCC) A questão central tratada nesse texto está resumida na seguinte frase: (A) Os critérios em que se baseiam os profi ssionais da TV na produção de programas infantis refl etem a crescente infl uência dos pesquisadores acadêmicos. No contexto apresentado, a conjunção “se” tem função causal e pode ser substituída sem alteração de sentido por “uma vez que”, sendo o trecho iniciado por “a melhora na qualidade...” a consequência necessária para dar coerência ao texto. Ciência e tecnologia nos jogos olímpicos Na Grécia antiga, os esportes olímpicos surgiram como desdobramento da preparação para as guerras. Este Bônus On-line é parte integrante do livro COMO PASSAR EM CONCURSOS FCC 5ª ed. da Editora Foco. Não é permitida a sua venda, divulgação e qualquer forma de reprodução. (Adaptado de Wanda Jorge. Ciência e Cultura. Revista da 17 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO do Frade, com seus dezessete hectares tomados por alface, rúcula, pepino, cenoura e dezenas de outras hortaliças. As pessoas caminham entre os canteiros, trocam informações sobre o plantio, escolhem o que comprar e levam produtos fresquinhos, jamais “batizados” por agrotóxicos. Cada vez mais hortas instaladas perto da capital estão abrindo suas portas aos visitantes. O proprietário, José Frade, lucra com a venda direta. O consumidor, por sua vez, garante a qualidade do que está comendo. Na Europa, isso é muito comum. Desde a Idade Média, durante a época da colheita, as plantações dos vilarejos vizinhos às cidades se transformam em verdadeiras feiras livres. Por aqui, a onda está apenas começando. Num raio de cem quilômetros da capital já existem pelo menos nove sítios e chácaras que trabalham nesse sistema. (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Considere as seguintes afi rmações: I. Muitos consumidores das cercanias de São Paulo passaram a cultivar hortas domésticas, em que podem colher verduras não contaminadas. II. Um hábito da Idade Média inspirou várias famílias que, morando nas cercanias da Serra da Cantareira, resolveram fazer das hortas comunitárias autênticas feiras livres. III. A venda de hortaliças diretamente do produtor para o consumidor traz, para aquele, vantagens fi nanceiras e, para este, a garantia de produtos mais saudáveis. Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afi rma em (A) I. (B) II. (C) III. (D) I e II. (E) II e III. I: incorreta. Os consumidores não passaram a produzir as próprias hortaliças, mas a deslocar-se para adquiri-las de quem o faz; II: incorreta. A passagem da Idade Média é contada no texto a título de ilustração. O autor deixa claro que o hábito é incipiente no Brasil, em nada se comparando a feiras livres; III: correta. Os velhos das cidadezinhas do interior parecem muito mais plenamente velhos que os das metrópoles. Não se trata da idade real de uns e outros, que pode até ser a mesma, mas dos tempos distintos que eles parecem habitar. Na agitação dos grandes centros, até mesmo a velhice parece ainda estar integrada na correria; os velhos guardam alguma ansiedade no olhar, nos modos, na lentidão afl ita de quem se sente fora do compasso. Na calmaria das cidades pequeninas, é como se a velhice de cada um reafi rmasse a que vem das montanhas e dos horizontes, velhice quase eterna, pousada no tempo. Vejam-se as roupas dos velhinhos interioranos: aquele chapéu de feltro manchado, aquelas largas calças de brim cáqui, incontavelmente lavadas, aquele puído dos punhos de camisas já sem cor – tudo combina admiravelmente com a enorme jaqueira do quintal, com a generosa fi gueira da praça, com as teias no campanário da igreja. E os hábitos? Pica-se o fumo de corda, lentamente, com um canivete herdado do século passado, enquanto a conversa mole se desenrola sem pressa e sem destino. Na cidade grande, há um quadro que se repete mil vezes ao dia, e que talvez já diga tudo: o velhinho, no cruzamento perigoso, decide-se, enfi m, a atravessar a avenida, e o faz com afl ição, um braço estendido em sinal de pare aos motoristas apressados, enquanto amiúda o que pode o próprio passo. Parece suplicar ao tempo que diminua seu ritmo, que lhe dê a oportunidade de contemplar mais demoradamente os ponteiros invisíveis dos dias passados, e de sondar com calma, nas nuvens mais altas, o sentido de sua própria história. Há, pois, velhices e velhices – até que chegue o dia em que ninguém mais tenha tempo para de fato envelhecer. Celso de Oliveira (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) A frase “Os velhos das cidadezinhas do interior parecem muito mais plenamente velhos que os das metrópoles” constitui uma (A) impressão que o autor sustenta ao longo do texto, por meio de comparações. (B) impressão passageira, que o autor relativiza ao longo do texto. (C) falsa hipótese, que a argumentação do autor demolirá. (D) previsão feita pelo autor, a partir de observações feitas nas grandes e nas pequenas cidades. (E) opinião do autor, para quem a velhice é mais opressiva nas cidadezinhas que nas metrópoles. A comparação entre os velhos do interior e o velho das metrópoles é uma opinião que o autor pretende demonstrar por meio de exemplos ao longo de todo o texto, sendo a velhice, para ele, mais calma e tranquila longe dos grandes centros. (CEF – Técnico Bancário – 2000– FCC) Considere as seguintes afi rmações: I. Também nas roupas dos velhinhos interioranos as marcas do tempo parecem mais antigas. II. Na cidade grande, a velhice parece indiferente à agitação geral. III. O autor interpreta de modo simbólico o gesto que fazem os velhinhos nos cruzamentos. Em relação ao texto, está correto o que se afirma SOMENTE em (A) I. (B) II. (C) III. (D) I e III. (E) II e III. I: correta. O exemplo das roupas remete à passagem do tempo; II: incorreta. O autor anota exatamente o contrário: o velho na metrópole sente-se fora de compasso, como se a lentidão do seu corpo não combinasse com o ambiente em que está inserido; III: correta, por deixar claro que o gesto realizado traz uma vontade íntima de também parar o tempo para poder contemplar a velhice. (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Indique a afirmação INCORRETA em relação ao texto. (A) Roupas, canivetes, árvores e campanário são aqui utilizados como marcas da velhice. (B) O autor julga que, nas cidadezinhas interioranas, a vida é bem mais longa que nos grandes centros. (C) Hábitos como o de picar fumo de corda denotam relações com o tempo que já não existem nas metrópoles. (D) O que um velhinho da cidade grande parece suplicar é que lhe seja concedido um ritmo de vida compatível com sua idade. (E) O autor sugere que, nas cidadezinhas interioranas, a velhice parece harmonizar-se com a própria natureza. A única alternativa que traz uma conclusão que não pode ser inferida do texto é a letra “B”, porque o autor não pretende comparar a longevidade das pessoas. Ao contrário, deixa claro que as idades podem ser as mesmas, mas ainda assim veremos diferenças marcantes entre os velhos da metrópole e do campo. (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) O sentido do último parágrafo do texto deve ser assim entendido: (A) Do jeito que as coisas estão, os velhos parecem não ter qualquer importância. (B) Tudo leva a crer que os velhos serão cada vez mais escassos, dado o atropelo da vida moderna. (C) O prestígio do que é novo é tão grande que já ninguém repara na existência dos velhos. (D) A velhice nas cidadezinhas do interior é tão harmoniosa que um dia ninguém mais sentirá o próprio envelhecimento. (E) No ritmo em que as coisas vão, a própria velhice talvez não venha a ter tempo para tomar consciência de si mesma. O autor defende que a velhice é a fase do descanso, da contemplação, da ausência de estresse e correrias. Com o avanço das grandes cidades e de seu ritmo alucinado, chegará o dia em que ninguém mais poderá aproveitar dessas vantagens da terceira idade, tentando manter-se sempre jovem mesmo contra as limitações do corpo. No início do século XX, a afeição pelo campo era uma característica comum a muitos ingleses. Já no fi nal do século XVIII, dera origem ao sentimento de saudade de casa tão característico dos viajantes ingleses no exterior, como William Beckford, no leito de seu quarto de hotel português, em 1787, “assediado a noite toda por ideias rurais da Inglaterra.” À medida que as fábricas se multiplicavam, a nostalgia do morador da cidade refl etia-se em seu pequeno jardim, nos animais de estimação, nas férias passadas na Escócia, ou no Distrito dos Lagos, no gosto pelas fl ores silvestres e a observação de pássaros, e no sonho com um chalé de fi m de semana no campo. Hoje em dia, ela pode ser observada na popularidade que se conserva daqueles autores conscientemente “rurais” que, do século XVII ao XX, sustentaram o mito de uma arcádia campestre. Em alguns ingleses, no historiador G.M. Trevelyan, por exemplo, o amor pela natureza selvagem foi muito além desses anseios vagamente rurais. Lamentava, em um dos seus textos mais eloquentes, de 1931, a destruição da Inglaterra rural e proclamava a importância do cenário da natureza para a vida espiritual do O fragmento transcrito foi retirado do prefácio de um livro, conforme se nota na referência bibliográfi ca. Nele, a autora do trecho demonstra que homem. Sustentava que até o fi nal do século XVIII as obras do homem apenas se somavam às belezas da natureza; depois, dizia, tinha sido rápida a deterioração. A beleza não mais era produzida pelas circunstâncias econômicas comuns e só restava, como esperança, a conservação do que ainda não fora destruído. Defendia que as terras adquiridas pelo Patrimônio Nacional, a maioria completamente inculta, deveriam ser mantidas assim. Há apenas poucos séculos, a mera ideia de resistir à agricultura, ao invés de estimulá-la, pareceria ininteligível. Como teria progredido a civilização sem a limpeza das fl orestas, o cultivo do solo e a conversão da paisagem agreste em terra colonizada pelo homem? A tarefa do homem, nas palavras do Gênesis, era “encher a terra e submetê-la”. A agricultura estava para a terra como o cozimento para a carne crua. Convertia natureza em cultura. Terra não cultivada signifi cava homens incultos. E quando os ingleses seiscentistas mudaram-se para Massachusetts, parte de sua argumentação em defesa da ocupação dos territórios indígenas foi que aqueles que por si mesmos não submetiam e cultivavam a terra não tinham direito de impedir que outros o fi zessem. (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Ao mencionar, no primeiro parágrafo do texto, a inclinação dos ingleses pelo espaço rural, o autor 19 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (A) busca enfatizar o que ocorre no século XX, em que a afeição pelo campo lhe parece ser realmente mais genuína. (B) a caracteriza em diferentes momentos históricos, tomando como referência distintas situações em que ela se manifesta. (C) cita costumes do povo inglês destruídos pela aceleração do crescimento das fábricas, causa de sua impossibilidade de volta periódica ao campo. (D) refere autores que procuraram conscientemente manter sua popularidade explorando temas “rurais” para mostrar como se criou o mito de um paraíso campestre. (E) particulariza o espaço estrangeiro visitado pelos ingleses – Portugal – para esclarecer o que os indivíduos buscavam e não podia ser encontrado na sua pátria. A proposta do autor é ressaltar a afeição do povo inglês ao campo e esclarecer que tal sentimento possui origens antigas. Ao longo de sua explanação, ele contextualiza o contato do inglês com as terras rurais em diferentes momentos históricos e em situações distintas entre si, mas que sempre realçam o amor pela natureza e a qualidade de vida fora das cidades. (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Leia com atenção as afi rmações abaixo sobre o segundo parágrafo do texto. I. Em confronto com o primeiro parágrafo, o autor apresenta um outro matiz da relação do espírito inglês com o espaço rural. II. O autor assinala os pontos mais relevantes referidos por G.M. Trevelyan para comprovar a ideia universalmente aceita de que o contato com a natureza é importante para o espírito. III. O historiador inglês revela pessimismo, a cujos fundamentos ele não faz nenhuma referência no texto. São corretas: (A) I, somente. (B) III, somente. (C) I e III, somente. (D) II e III, somente. (E) I, II e III. I: correta. Os fatos narrados no primeiro e no segundo parágrafos do texto tem características diferentes, mas ambos ressaltam a afeição que dois ingleses tinham pela natureza; II: incorreta. Os pensamentos de G. M. Trevelyan traduzem a preocupação deste em preservar a natureza, impedindo o crescimento desenfreado das cidades; III: incorreta. Não hápessimismo na fala do autor, mas nostalgia: a sensação de que, no passado, o respeito à natureza vigorava plenamente entre os homens. (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) As indagações presentes no terceiro parágrafo representam, no texto, (A) pontos relevantes sobre os quais a humanidade ainda não refl etiu. (B) perguntas que historiadores faziam às pessoas para convencê-las da importância do culto à natureza. (C) os pontos mais discutidos quando se falava do progresso na Inglaterra, terra da afeição pelo campo. (D) questões possivelmente levantadas pelos que procurassem entender a razão de muitas pessoas não considerarem a agricultura um bem em si. (E) aspectos importantes sobre a relação entre a natureza e o homem, úteis como argumentos a favor da ideia defendida por Trevelyan. A pergunta proposta refl ete um provável argumento de um defensor da manutenção da agricultura e demais atividades rurais quando questionado sobre sua importância se comparada ao avanço das cidades. Trata-se da defesa da vida campesina, demonstrando que o trabalho desenvolvido é essencial para a própria constituição da civilização. (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) No último parágrafo do texto, o comentário sobre os ingleses seiscentistas foi feito como (A) denúncia dos falsos argumentos utilizados por aqueles que ocupam territórios indígenas. (B) exemplo do caráter pioneiro dos ingleses na tarefa de colonização do território americano. (C) maneira de evidenciar a árdua tarefa dos que acreditavam na força da agricultura para o progresso da civilização. (D) confi rmação de que terras incultas são entraves que, há séculos, subtraem ao homem o direito de progredir. (E) comprovação de que, há poucos séculos, o cultivo da terra era entendido como sinônimo de civilização. A colonização de Massachusetts teve como argumento para avançar sobre as terras indígenas, segundo o autor, justamente o fato destes não utilizarem-na para o cultivo de alimentos, demonstrando que, para os ingleses, a agricultura era uma atividade essencial para a constituição de uma nação civilizada e, sem ela, os homens que ali habitavam só poderiam ser vistos como selvagens. (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Assinale a afi rmação INCORRETA. (A) Infere-se do texto que as palavras do Gênesis foram entendidas por muitos como estímulo a derrubar matas, lavrar o solo, eliminar predadores, matar insetos nocivos, arrancar parasitas, drenar pântanos. (B) O paralelo estabelecido entre o cultivo da terra e o cozimento dos alimentos é feito para se pôr em evidência a ação do homem sobre a natureza. (C) O texto mostra que o amor pela natureza selvagem está na base da relação que se estabelece entre cultivo da terra e civilização. (D) O texto mostra que o amor à natureza selvagem, considerado como barbárie, permitiu que certos povos se dessem o direito de apoderar-se dela. (E) O Gênesis foi citado no texto porque o crédito dado às palavras bíblicas explicaria o desejo humano de transformar a natureza selvagem pensando no bem- estar do homem. A única alternativa que não apresenta conclusão validamente inferida do texto é a letra “C”. Com efeito, o amor à natureza selvagem foi usado, na verdade, como argumento para a manutenção de espaços naturais intocados, com vistas a impedir o avanço desmedido das cidades. Será a felicidade necessária? Felicidade é uma palavra pesada. Alegria é leve, mas felicidade é pesada. Diante da pergunta “Você é feliz?”, dois fardos são lançados às costas do inquirido. O primeiro é procurar uma defi nição para felicidade, o que equivale a rastrear uma escala que pode ir da simples satisfação de gozar de boa saúde até a conquista da bem-aventurança. O segundo é examinar-se, em busca de uma resposta. Nesse processo, depara-se com armadilhas. Caso se tenha ganhado um aumento no emprego no dia anterior, o mundo parecerá belo e justo; caso se esteja com dor de dente, parecerá feio e perverso. Mas a dor de dente vai passar, assim como a euforia pelo aumento de salário, e se há algo imprescindível, na difícil conceituação de felicidade, é o caráter de permanência. Uma resposta consequente exige colocar na balança a experiência passada, o estado presente e a expectativa futura. Dá trabalho, e a conclusão pode não ser clara. Os pais de hoje costumam dizer que importante é que os fi lhos sejam felizes. É uma tendência que se impôs ao infl uxo das teses libertárias dos anos 1960. É irrelevante que entrem na faculdade, que ganhem muito ou pouco dinheiro, que sejam bem-sucedidos na profi ssão. O que espero, eis a resposta correta, é que sejam felizes. Ora, felicidade é coisa grandiosa. É esperar, no mínimo, que o fi lho sinta prazer nas pequenas coisas da vida. Se não for sufi ciente, que consiga cumprir todos os desejos e ambições que venha a abrigar. Se ainda for pouco, que atinja o enlevo místico dos santos. Não dá para preencher caderno de encargos mais cruel para a pobre criança. (Trecho do artigo de Roberto Pompeu de Toledo. Veja. 24 de março de 2010, p. 142) (BB – Escriturário – 2011 – FCC) De acordo com o texto, (A) a realização pessoal que geralmente faz parte da vida humana, como o sucesso no trabalho, costuma ser percebida como sinal de plena felicidade. (B) as atribuições sofridas podem comprometer o sentimento de felicidade, pois superam os benefícios de conquistas eventuais. (C) o sentimento de felicidade é relativo, porque pode vir atrelado a circunstâncias diversas da vida, ao mesmo tempo que deve apresentar constância. (D) as condições da vida moderna tornam quase impossível a alguma pessoa sentir-se feliz, devido às roti-neiras situações da vida. (E) muitos pais se mostram despreparados para fazer com que seus fi lhos planejem sua vida no sentido de que sejam, realmente, pessoas felizes. O autor expressa a difi culdade de se defi nir a felicidade e de se alcançá-la de forma plena, considerando que as diferentes sensações experimentadas pelas pessoas implicam em momentos felizes ou tristes, com grande variação. Porém, a permanência da alegria é imprescindível para se falar em felicidade. (BB – Escriturário – 2011 – FCC) A afi rmativa correta, em relação ao texto, é: (A) A expectativa de muitos, ao colocarem a felicidade acima de quaisquer outras situações da vida diária, leva à frustração diante dos pequenos sucessos que são regularmente obtidos, como, por exemplo, no emprego. (B) Sentir-se alegre por haver conquistado algo pode signifi car a mais completa felicidade, se houver uma determinação, aprendida desde a infância, de sentir-se feliz com as pequenas coisas da vida. (C) As difi culdades que em geral são encontradas na rotina diária levam à percepção de que a alegria é um sentimento muitas vezes superior àquilo que se supõe, habitualmente, tratar-se de felicidade absoluta. (D) A possibilidade de que mais pessoas venham a sentir-se felizes decorre de uma educação voltada para a simplicidade de vida, sem esperar grandes realizações, que acabam levando apenas a frustrações. (E) Uma resposta provável à questão colocada como título do texto remete à constatação de que felicidade é um estado difícil de ser alcançado, a partir da própria complexidade de conceituação daquilo que se acredita ser a felicidade. Valem aqui os mesmos comentários dispostos para a questão anterior, indicando a impossibilidade de se vincular o conceito de felicidade ou infelicidade a apenas um ou outro acontecimentorespectivamente bom ou ruim. Conclui-se, então, que a busca pela felicidade como entidade plena mais atrapalha do que ajuda, diante da difi culdade até mesmo de 21 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO defi ni-la basicamente. Não é fácil procurar por uma coisa que não sabemos exatamente como é. (BB – Escriturário – 2011 – FCC) O que espero, eis a resposta correta, é que sejam felizes. Ora, felicidade é coisa grandiosa. (3º parágrafo) Com a palavra grifada, o autor (A) retoma o mesmo sentido do que foi anteriormente afi rmado. (B) exprime reserva em relação à opinião exposta na afi rmativa anterior. (C) coloca uma alternativa possível para a afi rmativa feita anteriormente. (D) determina uma situação em que se realiza a probabilidade antes considerada. (E) estabelece algumas condições necessárias para a efetivação do que se afi rma. No contexto, “ora” tem função de interjeição, demonstrando uma sensação de dúvida, de reserva sobre o que se afi rmou anteriormente. (BB – Escriturário – 2011 – FCC) Nos pares de frases abaixo, é correto afi rmar que o sentido expresso na frase I está sendo retomado com outras palavras na frase II APENAS em: (A) I. O primeiro [fardo] é procurar uma defi nição para felicidade... II. ...que importante é que os fi lhos sejam felizes. (B) I. O segundo [fardo] é examinar-se, em busca de uma resposta. II. O que espero, eis a resposta correta, é que sejam felizes. (C) I. Nesse processo, depara-se com armadilhas. II. ...colocar na balança a experiência passada... (D) I. ... até a conquista da bem-aventurança. II. Se ainda for pouco, que atinja o enlevo místico dos santos. (E) I. ... felicidade é coisa grandiosa. II. ...que o fi lho sinta prazer nas pequenas coisas da vida. O único par de expressões que se relacionam corretamente é o trazido pela alternativa “D”. “Bem-aventurança” é um termo religioso, utilizado para defi nir cada etapa do processo de elevação do espírito e a prática dos ensinamentos do messias. O alcance pleno das bem-aventuranças é típico dos homens tidos por santos. Desde o início da evolução humana, buscamos formas alternativas para o nosso desenvolvimento, seja por meio da fala, de ferramentas ou de associações para superar barreiras. Nos últimos tempos, nos acostumamos à expressão Tecnologia Social, sem compreender exatamente o que isso signifi ca. Para a Fundação Banco do Brasil, o conceito de Tecnologia Social percorre as experiências desenvolvidas nas comunidades urbanas e rurais, nos movimentos sociais, nos centros de pesquisa e nas universidades − que podem produzir métodos, técnicas ou produtos que contribuam para a inclusão e a transformação social, em particular quando desenvolvidas em um processo no qual se soma e se compartilha o conhecimento científi co com o saber popular. Muitas experiências foram desenvolvidas no Brasil, nos últimos anos, tendo como perspectiva a construção do desenvolvimento local, com sustentabilidade. Nesse processo, o objetivo é, ao mesmo tempo, dinamizar as potencialidades locais e desbloquear aqueles entraves que impedem esse potencial de se realizar. Grupos e comunidades organizadas, ou em organização, presentes em todo o país, buscam levar adiante projetos de geração de trabalho e renda nas mais diversas realidades, seja no campo, seja nas pequenas, médias e grandes cidades. Nos povoados com características do mundo rural, esses projetos aparecem em atividades tradicionais que vão do artesanato, casas de farinha, criação de galinha caipira, produção de rapadura ou de cachaça até às atividades mais novas da apicultura, piscicultura, fruticultura. Nas grandes cidades, na reciclagem, nos espaços de inclusão digital e nas rádios comunitárias, entre outras atividades, milhares de pessoas desenvolvem empreendimentos econômicos e solidários, dos quais muitos contam com a parceria da Fundação Banco do Brasil. (Adaptado de artigo de Jacques de Oliveira Pena. http://www. fbb.org.br/portal/pages/publico/expandir.fbb?cod Conteudo- Log=8577, acessado em 15 de janeiro de 2011) (BB – Escriturário – 2011 – FCC) O texto afi rma que (A) as áreas rurais, por suas características, têm recebido maior número de propostas direcionadas para seu desenvolvimento. (B) projetos de desenvolvimento urbano são em número reduzido por serem essas áreas já consideradas em desenvolvimento. (C) as atividades artesanais que se baseiam no saber popular nem sempre geram emprego e renda na quantidade necessária para as comunidades carentes. (D) as atividades econômicas, cujo objetivo está no auxílio a comunidades carentes, devem estar vinculadas a instituições fi nanceiras. (E) projetos de geração de trabalho e renda surgem em todo o país, de acordo com as características e necessidades do lugar onde são desenvolvidos. O texto afi rma que os investimentos devem ser realizados igualmente na área urbana e na área rural, porque ambas são potencialmente geradoras de desenvolvimento, guardando, cada uma, suas próprias características. (BB – Escriturário – 2011 – FCC) A afi rmativa correta, segundo o texto, é: (A) A organização de grupos voltados para melhorias das atividades econômicas esbarra na ausência de formação de seus componentes. (B) O 2º parágrafo explica claramente o signifi cado da expressão Tecnologia Social e seu papel no desenvolvimento sustentável de comunidades. (C) É difícil determinar, com clareza, quais formas alternativas seriam necessárias para o desenvolvimento de comunidades. (D) A indefi nição sobre o que seja conhecimento científi co ou saber popular torna difícil a aplicação de um ou de outro nas comunidades mais pobres. (E) Nem sempre as experiências programadas para determinados lugares apresentam resultados satisfatórios, devido à resistência contra inovações no modo de vida local. Correta a alternativa “B”, visto que o parágrafo esclarece completamente o conceito de “tecnologia social”, que é o fundamento das ações da fundação tratada no texto. As demais alternativas apresentam conclusões que não podem ser extraídas dos relatos apresentados, por não guardarem com eles a necessária correspondência lógica. (BB – Escriturário – 2011 – FCC) ...que impedem esse potencial de se realizar. (3º parágrafo) A expressão grifada acima retoma, considerando-se o contexto, o sentido de (A) busca de formas alternativas. (1º parágrafo) (B) compartilhamento do saber científi co. (2º parágrafo) (C) conceito de Tecnologia Social. (2º parágrafo) (D) construção do desenvolvimento local. (3º parágrafo) (E) espaço de inclusão digital. (4º parágrafo) “Esse” é pronome demonstrativo que, exercendo função anafórica, retoma, no contexto, o termo “construção do desenvolvimento local”. (BB – Escriturário – 2011 – FCC) Nesse processo, o objetivo é, ao mesmo tempo, dinamizar as potencialidades locais e desbloquear aqueles entraves que impedem esse potencial de se realizar. (3º parágrafo) Os dois segmentos grifados acima podem ser substituídos, mantendo-se o mesmo sentido, na ordem, por: (A) reduzir -equacionar os problemas (B) incentivar -afastar os obstáculos (C) desconsiderar -libertar os fatores (D) diversifi car -identifi car os empecilhos (E) valorizar -perceber as difi culdades “Dinamizar” é sinônimo de “incentivar”, “acelerar”; “desbloquear” remete a “afastar”, “retirar”; “entrave” é equivalente a “obstáculos”, “empecilhos”. Correta, portanto, a alternativa “B”, que anota os sinônimos corretos para as duasexpressões destacadas. Madrugada na aldeia Madrugada na aldeia nervosa, com as glicínias escorrendo orvalho, os fi gos prateados de orvalho, as uvas multiplicadas em orvalho, as últimas uvas miraculosas. O silêncio está sentado pelos corredores, encostado às paredes grossas, de sentinela. E em cada quarto os cobertores peludos envolvem o sono: poderosos animais benfazejos, encarnados e negros. Antes que um sol luarento dissolva as frias vidraças, e o calor da cozinha perfume a casa com lembrança das árvores ardendo, a velhinha do leite de cabra desce as pedras da rua antiquíssima, antiquíssima, e o pescador oferece aos recém-acordados os translúcidos peixes, que ainda se movem, procurando o rio. (Cecília Meireles. Mar absoluto, in Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p.311) (BB – Escriturário – 2011 – FCC) Considere as afirmativas seguintes: I. O assunto do poema refl ete simplicidade de vida, coerentemente com o título. II. Predominam nos versos elementos descritivos da realidade. III. Há no poema clara oposição entre o frio silencioso da madrugada e o sol que surge e traz o calor do dia. Está correto o que consta em (A) I, II e III. (B) I, apenas. (C) III, apenas. (D) II e III, apenas. (E) I e II, apenas. I: correto. O poema trata das coisas simples da vida no campo; II: correto. O texto é eminentemente descritivo; III: incorreta. Tal oposição não está clara, mas implícita, sendo inferida a leitura do poema. (BB – Escriturário – 2011 – FCC) O verso com lembrança das árvores ardendo remete (A) ao ambiente natural existente em toda a aldeia. (B) à queima da lenha no fogão da casa. (C) ao costumeiro hábito de atear fogo às fl orestas. 23 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (D) ao nascer do sol, que aquece as frias vidraças. (E) à colheita de frutas, no quintal da casa. A “lembrança das árvores” é o que restou delas, ou seja, seus troncos e galhos que, uma vez cortados, servem de lenha para o fogão da cozinha. (BB – Escriturário – 2011 – FCC) A afi rmativa INCORRETA, considerando-se o que dizem os versos, é: (A) As cabras e os peixes são considerados animais benfazejos, por constituírem a base da alimentação dos moradores. (B) A velhinha e o pescador oferecem seus produtos ainda bastante cedo aos moradores, recém-acordados. (C) O silêncio que impera durante a madrugada pode ser visto como guardião do sono das pessoas aconchegadas em suas camas. (D) O último verso deixa evidente o fato de que o pescador trazia peixes que havia acabado de pescar. (E) A repetição da palavra orvalho acentua a sensação de frio e de umidade característicos de uma madrugada de inverno. Todas as conclusões estão corretas, com exceção da alternativa “A”. “Animais benfazejos” é expressão utilizada em sentido conotativo (fi gurado) para representar os cobertores que protegem as pessoas do frio, em referência às peles dos animais das quais são feitos. A multiplicação de desastres naturais vitimando populações inteiras é inquietante: tsunamis, terremotos, secas e inundações devastadoras, destruição da camada de ozônio, degelo das calotas polares, aumento dos oceanos, aquecimento do planeta, envenenamento de mananciais, desmatamentos, ocupação irresponsável do solo, impermeabilização abusiva nas grandes cidades. Alguns desses fenômenos não estão diretamente vinculados à conduta humana. Outros, porém, são uma consequência direta de nossas maneiras de sentir, pensar e agir. É aqui que avulta o exemplo de Hans Jonas. Em 1979 ele publicou O Princípio Responsabilidade. A obra mostra que as éticas tradicionais – antropocêntricas e baseadas numa concepção instrumental da tecnologia – não estavam à altura das consequências danosas do progresso tecnológico sobre as condições de vida humana na Terra e o futuro das novas gerações. Jonas propõe uma ética para a civilização tecnológica, capaz de reconhecer para a natureza um direito próprio. O fi lósofo detectou a propensão de nossa civilização para degenerar de maneira desmesurada, em virtude das forças econômicas e de outra índole que aceleram o curso do desenvolvimento tecnológico, subtraindo o processo de nosso controle. Tudo se passa como se a aquisição de novas competências tecnológicas gerasse uma compulsão a seu aproveitamento industrial, de modo que a sobrevivência de nossas sociedades depende da atualização do potencial tecnológico, sendo as tecnociências suas principais forças produtivas. Funcionando de modo autônomo, essa dinâmica tende a se reproduzir coercitivamente e a se impor como único meio de resolução dos problemas sociais surgidos na esteira do desenvolvimento. O paradoxo consiste em que o progresso converte o sonho de felicidade em pesadelo apocalíptico – profecia macabra que tem hoje a fi gura da catástrofe ecológica. [...] Jonas percebeu o simples: para que um “basta” derradeiro não seja imposto pela catástrofe, é preciso uma nova conscientização, que não advém do saber ofi cial nem da conduta privada, mas de um novo sentimento coletivo de responsabilidade e temor. Tornar-se inventivo no medo, não só reagir com a esperteza de “poupar a galinha dos ovos de ouro”, mas ensaiar novos estilos de vida, comprometidos com o futuro das próximas gerações. (Adaptado de Oswaldo Giacoia Junior. O Estado de S. Paulo,A2 Espaço Aberto, 3 de abril de 2010) (BB – Escriturário – 2010 – FCC) A conclusão do texto propõe, em outras palavras, (A) o respeito aos inúmeros benefícios oferecidos às condições de vida moderna pelos avançados recursos decorrentes da tecnologia. (B) uma atitude comunitária voltada para a prevenção e disposta a alterações no modo de vida na Terra para evitar a ocorrência de catástrofes ecológicas. (C) procedimentos conjuntos entre órgãos ofi ciais e a sociedade civil como solução para a correta aplicação dos avanços tecnológicos. (D) uma preocupação mais ampla com o emprego da tecnologia em algumas áreas do conhecimento humano, para evitar os atuais abusos. (E) uma visão otimista centrada na resolução dos problemas oriundos do progresso tecnológico, por serem eles relativamente simples. Parafraseando o autor, ele conclui que a sociedade deve alterar suas concepções sobre a prioridade do avanço tecnológico no contexto da preservação ambiental. As ideologias então vigentes acabarão por causar desastres ecológicos cada vez maiores se não forem substituídas por uma nova percepção coletiva da importância do meio ambiente seguida de alterações signifi cativas no nosso modo de vida de forma a garantir o bem-estar das gerações vindouras. (BB – Escriturário – 2010 – FCC) O paradoxo assinalado no 4º parágrafo se estabelece entre (A) o desenvolvimento pleno da tecnologia e as infi nitas possibilidades de seu uso na melhoria das condições de vida no planeta. (B) o destemor diante do progresso tecnológico e a valorização de suas aplicações na vida humana. (C) a ocorrência natural dos fenômenos climáticos habituais e a responsabilidade humana determinante para seu agravamento. (D) os direitos humanos apoiados no uso benéfi co da tecnologia e as exigências impostas pela natureza, como seu próprio direito. (E) a confi ança irrestrita nos avanços tecnológicos como solução dos problemas do homem e a tendência para a destruição do ambiente natural. “Paradoxo” é sinônimo de “contradição”, a ocorrência de um resultado diferente daquele deduzido pelas regras da lógica. Segundo o autor, o ser humano depositou todas a sua confi ançano fato de que o avanço tecnológico resolveria os problemas da humanidade, porém, (paradoxalmente) ao mesmo tempo que ele traz soluções, poderá implicar a extinção da raça humana por conta das consequentes catástrofes naturais. (BB – Escriturário – 2010 – FCC) antropocêntricas e baseadas numa concepção instrumental da tecnologia – (3º parágrafo) O sentido da afi rmativa acima está corretamente reproduzido, com outras palavras, em: (A) voltadas para o homem e fundamentadas na tecnologia como meio de atingir determinados fi ns. (B) preocupadas com a relação entre homem e natureza, atualmente imposta pela tecnologia. (C) determinadas pelo homem e expostas às comodidades trazidas a todos pelo progresso tecnológico. (D) direcionadas para o bem-estar da humanidade e determinadas pelos avanços tecnológicos. (E) centralizadas nos avanços tecnológicos, mas preocupadas com a vida humana na Terra. “Antropocêntrico” é aquilo que coloca o homem (“antropo”) como a medida mais importante a ser considerada, o centro do raciocínio; “concepção instrumental” signifi ca usar a tecnologia como instrumento, como ferramenta para atingir determinados objetivos. (BB – Escriturário – 2010 – FCC) Considerando-se a organização do texto, a afi rmativa INCORRETA é: (A) O autor toma como base os diversos desastres naturais que vêm ocorrendo em todo o planeta para discutir aspectos ligados à questão ambiental. (B) A retomada das ideias do fi lósofo Hans Jonas constitui a base da argumentação necessária para que o autor do texto fundamente suas próprias ideias. (C) O título da obra O Princípio Responsabilidade remete à necessária tomada de consciência dos homens sobre os abusos que vêm cometendo contra o meio ambiente. (D) A relação de catástrofes ambientais apresentada no 1° parágrafo tem por objetivo demonstrar a impossibilidade de deter o progresso tecnológico, cujos avanços são os principais causadores desses desastres. (E) Todo o texto se desenvolve a partir da constatação de que o modo de vida atual, voltado para o uso abusivo da tecnologia, leva o planeta a uma catástrofe ecológica. Todas as conclusões podem ser corretamente inferidas do texto, exceto a constante na alternativa “D”. O autor não reputa impossível prosseguir com o avanço tecnológico, apenas sugere, baseado na doutrina de Hans Jonas, que ele seja buscado respeitando-se o meio ambiente, valendo um como o contrapeso do outro, para que não sejamos vítimas de catástrofes naturais cada vez mais violentas. (BB – Escriturário – 2010 – FCC) A ideia central do texto está explicitada em: (A) Impotência da natureza contra os abusos decorrentes da tecnologia. (B) Proposição de uma nova ética para a civilização tecnológica. (C) Aceitação das inevitáveis consequências do atual progresso tecnológico. (D) Uso limitado dos recursos tecnológicos na vida moderna. (E) Práticas abusivas contra o meio ambiente, apesar das tecnociências. Ideia central do texto é o argumento principal que o autor quer transmitir. É o objeto fundamental da argumentação, do qual todos os demais dados, citações e alegações são circunstâncias. No caso, o ponto central do texto é ressaltar que a humanidade precisa adotar uma nova postura ética frente ao avanço da tecnologia, diante dos riscos crescentes de calamidades naturais suportados pela civilização. (BB – Escriturário – 2010 – FCC) Identifi ca-se noção de causa no segmento: (A) ... sobre as condições de vida humana na Terra e o futuro das novas gerações. (B) ... capaz de reconhecer para a natureza um direito próprio. (C) ... em virtude das forças econômicas e de outra índole ... 25 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (D) ... para que um “basta” derradeiro não seja imposto pela catástrofe ... (E) ... comprometidos com o futuro das próximas gerações. Causa é o fato que, se não ocorrer, não ocorrerá também o resultado. Dentre os excertos do texto apresentados, o único que traz uma causa é “em virtude das forças econômicas e de outra índole”, cujo resultado é a degeneração “de maneira desmesurada” do meio ambiente. Para o autor, não havendo essas forças, não teríamos degradado tão amplamente os recursos naturais. “O folhetim é frutinha de nosso tempo”, disse Machado de Assis numa de suas deliciosas crônicas. E volta ao assunto na crônica seguinte. “O folhetinista é originário da França [...] De lá espalhou-se pelo mundo, ou pelo menos por onde maiores proporções tomava o grande veículo do espírito moderno; falo do jornal.” E Machado tenta “defi nir a nova entidade literária”, procura esmiuçar a “organização do novo animal”. Mas dessa nova entidade só vai circunscrever a variedade que se aproxima do que hoje chamaríamos crônica. E como na verdade a palavra folhetim designa muitas coisas, e, efetivamente, nasceu na França, há que ir ver o que o termo recobre lá na matriz. De início, ou seja, começos do século XIX, “le feuilleton”designa um lugar preciso do jornal: “o rez-de-chaussée” - rés-do-chão, rodapé -, geralmente o da primeira página. Tinha uma fi nalidade precisa: era um espaço vazio destinado ao entretenimento. E pode-se já antecipar, dizendo que tudo o que haverá de constituir a matéria e o modo da crônica à brasileira já é, desde a origem, a vocação primeira desse espaço geográfi co do jornal, deliberadamente frívolo, oferecido como chamariz aos leitores afugentados pela modorra cinza a que obrigava a forte censura napoleônica. (“Se eu soltasse as rédeas da imprensa”, explicava Napoleão ao célebre Fouché, seu chefe de polícia, “não fi caria três meses no poder.”) (MEYER, Marlyse, Folhetim: uma história. 2 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 57) (BB – Escriturário – 2006 – FCC) No fragmento acima, (A) nota-se que o autor, reconhecendo a autoridade de Machado de Assis, acata sua observação explícita de que os fundamentos do folhetim devem ser pesquisados na própria cultura francesa. (B) fi ca evidente que Machado de Assis, nas crônicas citadas, trata de assunto relevante - o jornal de sua época -, comparando sua organização à estrutura original do grande veículo de comunicação de massa francês. (C) Machado de Assis é citado porque as crônicas desse escritor brasileiro constituem o tema central do texto, especialmente o caráter recorrente de seus assuntos. (D) o autor vale-se das palavras de Machado de Assis para introduzir o assunto que pretende desenvolver, ressaltando a necessidade de ampliar a perspectiva assumida pelo cronista no texto citado. (E) está claro que Machado de Assis revela entusiasmo pelo jornal e procura defi nir o que seria “o artigo de fundo” do novo meio de comunicação de seu tempo. O texto trata do folhetim, uma forma de publicação de textos, geralmente em forma de crônicas. Machado de Assis tratou do folhetim em uma de suas crônicas, por isso é citado na introdução, valendo-se o autor do renome do escritor para atrair a atenção do leitor. Não obstante, o texto em análise vai além, reconhecendo que o termo “folhetim” pode assumir diversos signifi cados, anota que seu estudo deve partir de uma percepção histórica, mais abrangente do que aquela proposta por Machado de Assis. Em todo o continente americano, a colonização europeia teve efeito devastador. Atingidos pelas armas, e mais ainda pelas epidemias e por políticas de sujeição e transformação que afetavam os mínimos aspectos de suas vidas, os povos indígenas trataram de criar sentido em meio à devastação. Nas primeiras décadas do século XVII, índios norte-americanos comparavam a uma demolição aquilo que os missionários jesuítas viam como “transformação de suas vidas pagãs e bárbaras em uma vida civilizada e cristã.” (Relações dos jesuítas da Nova França, 1636). No México, os índios comparavam seu mundo revirado a uma rede esgarçada pela invasão espanhola. A denúncia da violência da colonização, sabemos, é contemporânea da destruição, e tem em Las Casas seu representante mais famoso. Posterior, e mais recente, foi a tentativa, por parte de alguns historiadores, de abandonar uma visão eurocêntrica da “conquista” da América, dedicando-se a retraçá-la a partir do ponto de vista dos “vencidos”, enquanto outros continuaram a reconstituir histórias da instalação de sociedades europeias em solo americano. Antropólogos, por sua vez, buscaram nos documentos produzidos no período colonial informações sobre os mundos indígenas demolidos pela colonização. A colonização do imaginário não busca nem uma coisa nem outra. (Adaptado de PERRONE-MOISÉS, Beatriz, Prefácio à edição brasileira de GRUZINSKI, Serge, A colonização do imaginário: sociedades indígenas e ocidentalização no México espanhol (séculos XVI-XVIII). (BB – Escriturário – 2006 – FCC) A autora cita as comparações feitas pelos indígenas norte-americanos e mexicanos (A) como recurso para comprovar que a ruína dos povos indígenas tinha sido provocada pela ação das armas dos colonizadores espanhóis. (B) para benefi ciar-se, na argumentação, de pontos de vista divergentes sobre o mesmo processo de colonização. (C) como recurso para mostrar como a colonização europeia agiu de forma distinta em relação a povos distintos. (D) como exemplifi cação da tentativa dos indígenas de compreender o que lhes acontecera pela presença dos colonizadores. (E) para evidenciar que, em épocas distintas, os nativos só poderiam conceber de modo diverso as aproximações entre a sua cultura e a do colonizador. As citações pretendem demonstrar que, a despeito de ocorrerem em momentos e com povos diferentes, as colonizações impuseram aos povos originários dos territórios explorados uma completa desestruturação de seus costumes e de seu povo, obrigando-os a tentar entender as razões e os resultados das interferências a que se viam submetidos. (BB – Escriturário – 2006 – FCC) Considerado corretamente o 3° parágrafo, o segmento grifado em A colonização do imaginário não busca nem uma coisa nem outra deve ser assim entendido: (A) não tenta investigar nem o eurocentrismo, como o faria um historiador, nem a presença das sociedades europeias em solo americano, como o faria um antropólogo. (B) não quer reconstituir nada do que ocorreu em solo americano, visto que recentemente certos historiadores, ao contrário de outros, tentam contar a história do descobrimento da América do modo como foi visto pelos nativos. (C) não pretende retraçar nenhum perfi l - dos vencidos ou dos vencedores - nem a trajetória dos europeus na conquista da América. (D) não busca continuar a tradição de pesquisar a estrutura dos mundos indígenas e do mundo europeu, nem mesmo o universo dos colonizadores da América. (E) não se concentra nem na construção de uma sociedade europeia na colônia - quer observada do ponto de vista do colonizador, quer do ponto de vista dos nativos -, nem no resgate dos mundos indígenas. O segmento grifado destaca que aquilo que se chama de “colonização do imaginário” está estruturado no estudo da colonização sob um ponto de vista diferente, que se afasta tanto daqueles usados pelos historiadores (a óptica dos vencidos ou dos europeus) quanto dos escolhidos pelos antropólogos (a compreensão das sociedades indígenas através dos documentos da época). (BB – Escriturário – 2006 – FCC) Considere mais especifi camente o segmento em que são citadas as comparações estabelecidas pelos dois grupos indígenas e analise as afi rmações que seguem. I. As expressões que estabelecem o paralelismo efetuado pelos índios norte-americanos são “uma demolição” e “aquilo”, que remete ao que aconteceu à população indígena no processo de aculturação a que foram submetidos. II. A expressão “uma rede esgarçada” é imagem adotada pelos índios mexicanos para expressar os vazios de seu tecido social, do qual se retiraram traços signifi cativos. III. “demolição” e “transformação de suas vidas pagãs e bárbaras em uma vida civilizada e cristã” expressam o mesmo efeito que o processo de colonização traz para diferentes povos. É correto o que se afi rma APENAS em (A) I. (B) II. (C) I e II. (D) II e III. (E) I e III. I: correta. Tais expressões indicam a comparação realizada pelos índios ao tentar entender o processo de colonização; II: correta. A imagem de uma rede esgarçada, ou seja, da qual foram retiradas fi bras do tecido e, portanto, este fi cou frouxo e inelástico, transmite exatamente a noção que os índios tiveram da colonização pela extirpação de seus costumes milenares; III: incorreta. As expressões denotam os efeitos opostos que a colonização trouxe aos povos nativos: para estes, uma destruição; para os colonizadores, a transformação dos selvagens em pessoas civilizadas. O exercício da memória, seu exercício mais intenso e mais contundente, é indissociável da presença dos velhos entre nós. Quando ainda não contidos pelo estigma de improdutivos, quando por isso ainda não constrangidos pela impaciência, pelos sorrisos incolores, pela cortesia inautêntica, pelos cuidados geriátricos impessoais, pelo isolamento, quando então ainda não calados, dedicam-se os velhos, cheios de espontaneidade, à cerimônia da evocação, evocação solene do que mais impressionou suas retinas tão fatigadas, enquanto seus interesses e suas mãos laborosas participavam da norma e também do mistério de uma cultura. (GONÇALVES FILHO, José Moura, “Olhar e memória”. IN: O olhar. NOVAES, Adauto (org.). 10a reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 97) (BB – Escriturário – 2006 – FCC) No fragmento acima, o autor considera que (A) a memória é exercício restrito aos velhos, cuja presença entre os mais jovens é bastante intensa. (B) improdutivos é termo que, denotando “o que já produziu”, expressa o reconhecimento do valor dos que concluíram sua fecunda ação na sociedade. 27 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (C) a impaciência e a descortesia são atributos legítimos dos mais velhos, que já participaram da construção da cultura de seu país. (D) o silêncio dos velhos é uma marca salutar dos que espontaneamente resolveram dedicar-se ao culto do passado. (E) o resgate a que se consagram os velhos das experiências que mais os comoveram no passado é uma verdadeira celebração. O texto destaca a importância dos velhos na manutenção da memória da sociedade, diante de suas diversas experiências. Apesar de passarem a ser tachados de improdutivos e por isso serem tratados com impaciência e descortesia, enquanto não reduzidos pelo tratamento adverso dos mais jovens tendem a fazer do resgate das memórias uma cerimônia, uma celebração. (BB – Escriturário – 2006 – FCC) Observe atentamente os segmentos ainda não contidos pelo estigma de improdutivos e ainda não constrangidos pela impaciência. No contexto, eles (A) expressam ideias que estão unicamente justapostas, sem nenhuma outra relação entre elas. (B) expressam, respectivamente, uma causa e uma consequência. (C) estão em relação de alternância. (D) expressam dois desejos, por isso estão associados como se estivessem unidos pela conjunçãoe. (E) expressam comparação entre dois fatos. Os trechos expressam uma causa (a estigmatização dos velhos como improdutivos) e uma consequência (o constrangimento dos velhos pela impaciência com que são tratados), tanto que são ligados no texto por uma locução adverbial causal (“por isso”). (CEF – Técnico Bancário/Norte e Nordeste – 2004 – FCC) Transformando- se para a voz passiva a frase As pesquisas de mercado vêm medindo a aceitação do público, a forma verbal resultante será: (A) Vem sendo medida. (B) é medida. (C) têm medido. (D) estará sendo medida. (E) mediu-se. A transposição correta para a voz passiva seria: “A aceitação do público vem sendo medida pelas pesquisas de mercado”. (CEF – Técnico Bancário/Norte e Nordeste – 2004 – FCC) Está clara, coerente e correta a redação da frase: (A) Quando houver real participação dos pesquisadores na programação infantil, é possível que a qualidade dos programas atinja um nível bastante aceitável. (B) A mídia eletrônica, com sua onipresença, é necessário ter sua qualidade controlada, sobretudo quando diz respeito a programação dirigida às crianças. (C) Tem muita força o que as pesquisas de mercado infl uem na programação infantil, ocupando assim o lugar das preocupações verdadeiramente educacionais. (D) Não obstante os especialistas em educação se preocupam com a qualidade da programação infantil, fi cam à distância, praticamente sem interferir-lhe. (E) É com a responsabilidade da participação direta que os pesquisadores se poderão sentir envolvidos com o nível em que desejam melhorar os programas infantis. Todas as alternativas apresentam graves problemas de redação: falta de clareza e coerência, não se podendo entender seu sentido, concordância e regência verbal e nominal, entre outros. A única integralmente correta é a letra “A”, que respeita o padrão culto da língua e as melhores técnicas de redação. (CEF – Técnico Bancário/Norte e Nordeste – 2004 – FCC) É preciso que os estudiosos aprendam a interferir na criação mesma dos programas, passando, assim, a ter responsabilidade direta na qualidade dessa mídia onipresente. Caso se construa o período acima, iniciando-o com a frase “Os estudiosos passariam a ter responsabilidade direta na qualidade dessa mídia onipresente”, uma frase que o conclua de forma coerente será (A) para que aprendessem a interferir na qualidade mesma dos programas. (B) caso seja preciso aprender a interferir na criação mesma dos programas. (C) Uma vez que aprendessem a deixar de interferir na criação mesma dos programas. (D) Se aprendessem a interferir na criação mesma dos programas. (E) A menos que aprendessem a interferir na qualidade mesma dos programas. O futuro do pretérito do indicativo, tempo verbal em que se encontra o vocábulo “passariam”, tem valor de condicional. Assim, em consagração à coerência, a oração subordinada que completa a proposição deve também ter natureza condicional. A preposição “se” indica essa função na alternativa “D”, que, além disso, está construída corretamente. (CEF – Técnico Bancário – 2004 – FCC) I. Os gregos antigos criaram as olimpíadas. II. As olimpíadas ganharam força nos tempos modernos. III. Nos tempos modernos, a tecnologia é uma aliada dos atletas. Essas afi rmações articulam-se de modo correto e coerente no período: (A) Nos tempos modernos as olimpíadas ganharam força, apesar de criarem os gregos antigos, e agora a tecnologia aliou-se aos atletas. (B) Ganharam força as olimpíadas criadas pelos gregos antigos nos tempos modernos, porque com a tecnologia atual os atletas têm uma aliada. (C) Uma vez criadas pelos gregos antigos, as olimpíadas ainda assim ganharam força nos tempos modernos, onde uma aliada de seus atletas é a tecnologia. (D) As olimpíadas, criadas pelos gregos antigos, ganharam força nos tempos modernos, quando a tecnologia veio a ser uma aliada dos atletas. (E) Criadas pelos antigos gregos, as olimpíadas nos tempos modernos ganharam força, ainda que sendo a tecnologia uma aliada dos atletas. A única construção correta e coerente é a alternativa “D”. As demais não fazem sentido ou apresentam incorreções gramaticais. (CEF – Técnico Bancário – 2004 – FCC) Transpondo-se para a voz ativa a frase “Os atletas olímpicos são preparados”, a forma verbal resultante será (A) estão sendo preparados. (B) preparou-se. (C) prepararam-se. (D) preparam. (E) têm preparado. A voz ativa correta é formada da seguinte forma: “Preparam os atletas olímpicos”. (CEF – Técnico Bancário – 2004 – FCC) Está clara e correta a redação da frase: (A) Já se fala em “construir” um atleta, a tal ponto chegou a otimisação que passou a representar para o atleta o auxílio das ciências, bem como da tecnologia. (B) Nas olimpíadas modernas, a diferença entre o sucesso e o fracasso pode estar em pequenas frações de tempo ou de espaço, em razão da alta competitividade. (C) As diversas modalidades esportivas eram competidas na Grécia antiga tais e quais se fossem movimentos dos guerreiros praticados nos combates. (D) Hoje é muito mais competitivo nas olimpíadas do que costumavam ser, a tendência é se explorar todos os limites humanos, contando ainda com a tecnologia. (E) Não há nada de mal em que a ciência interfi ra nos esportes, desde que preserve-se a saúde dos atletas e não se esqueça os aspectos da socialização. A: incorreta. Há problemas de coerência e ortografi a (otimização); B: correta; C: incorreta. A construção correta seria “tal e qual fossem”; D: incorreta. Há problemas de coerência; E: incorreta. O pronome refl exivo “se” deveria estar anteposto ao verbo “preservar” e o verbo “esquecer” deveria estar no plural. É grave o quadro atual do ensino superior. A greve de professores paralisa boa parte das universidades federais. As universidades públicas estão amargando uma espécie de êxodo de seus melhores profi ssionais. Têm cada vez menos condições de competir com os salários pagos pelas instituições privadas. (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Indique o período que resume, de forma clara e exata, as informações do texto, e que não apresenta incorreção gramatical alguma. (A) Devido a pagarem mal os professores, estão havendo greves nas universidades federais, em que os melhores profi ssionais procuram as instituições privadas. (B) Os professores do ensino superior oficial estão fazendo greve, ou mesmo êxodo para as particulares, já que seus salários não são competitivos. (C) Como os salários que pagam estão cada vez mais baixos, as universidades públicas estão sofrendo greves e o êxodo de seus melhores professores. (D) As universidades particulares atraem os professores das ofi ciais, em virtude dos salários que pagam, e que chegam a provocarem greves. (E) Há êxodo ou greve dos professores das universidades federais para as particulares, onde os salários as tornam muito mais competitivas. A: incorreta. Além da falta de clareza, a locução verbal “estão havendo” deveria estar no singular (“está havendo”); B: incorreta. Há vício gramatical e falta de clareza em “ou mesmo êxodo para as particulares”; C: correta; D: incorreta. A parte fi nal não faz sentido (“e que chegam a provocarem greves”); E: incorreta, por não reproduzir as ideias do texto (porque êxodo e greve têm razões diferentes). No início do século XX, a afeição pelo campo era uma característica comum a muitos ingleses. Já no fi nal do século XVIII, dera origem ao sentimentode saudade de casa tão característico dos viajantes ingleses no exterior, como William Beckford, no leito de seu quarto de hotel português, em 1787, “assediado a noite toda por ideias rurais da Inglaterra.” À medida que as fábricas se multiplicavam, a nostalgia do morador da cidade refl etia-se em seu pequeno jardim, nos animais de estimação, nas férias passadas na Escócia, ou no Distrito dos Lagos, no gosto pelas fl ores silvestres e a observação de pássaros, e no sonho com um chalé de fi m de semana no campo. Hoje em dia, ela pode ser observada na popularidade que se conserva daqueles autores conscientemente “rurais” que, do século XVII ao XX, sustentaram o mito de uma arcádia campestre. Em alguns ingleses, no historiador G.M. Trevelyan, por exemplo, o amor pela natureza selvagem foi muito além desses anseios vagamente rurais. Lamentava, em um dos seus textos mais eloquentes, de 1931, a destruição da Inglaterra rural e proclamava a importância do cenário da natureza para a vida espiritual do homem. Sustentava que até o fi nal do século XVIII as obras do homem apenas se 29 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO somavam às belezas da natureza; depois, dizia, tinha sido rápida a deterioração. A beleza não mais era produzida pelas circunstâncias econômicas comuns e só restava, como esperança, a conservação do que ainda não fora destruído. Defendia que as terras adquiridas pelo Patrimônio Nacional, a maioria completamente inculta, deveriam ser mantidas assim. Há apenas poucos séculos, a mera ideia de resistir à agricultura, ao invés de estimulá-la, pareceria ininteligível. Como teria progredido a civilização sem a limpeza das fl orestas, o cultivo do solo e a conversão da paisagem agreste em terra colonizada pelo homem? A tarefa do homem, nas palavras do Gênesis, era “encher a terra e submetê-la”. A agricultura estava para a terra como o cozimento para a carne crua. Convertia natureza em cultura. Terra não cultivada signifi cava homens incultos. E quando os ingleses seiscentistas mudaram-se para Massachusetts, parte de sua argumentação em defesa da ocupação dos territórios indígenas foi que aqueles que por si mesmos não submetiam e cultivavam a terra não tinham direito de impedir que outros o fi zessem. (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Leia com atenção as frases que se seguem. I. Iniciou-se a luta pela conservação da natureza ainda não deteriorada pelo homem. II. Durante séculos a atividade humana complementou as belezas naturais. III. Chegou o tempo em que a atividade humana começou a degradar as belezas naturais. Assinale a alternativa em que as frases acima estão em correta relação lógica, de acordo com o texto. (A) Chegou o tempo em que a atividade humana começou a degradar as belezas naturais, mesmo tendo acontecido de, antes, complementá-las, logo que se iniciou a luta pela conservação da natureza ainda não deteriorada pelo homem. (B) Iniciou-se a luta pela conservação da natureza ainda não deteriorada pelo homem, quando ocorreu o tempo de a atividade humana começar a degradar as belezas naturais, visto que, durante séculos, a atividade humana complementou as belezas naturais. (C) Assim que chegou o tempo de a atividade humana começar a degradar as belezas naturais, iniciou-se a luta pela conservação da natureza ainda não deteriorada pelo homem, à proporção que, durante séculos, a atividade humana complementou as belezas naturais. (D) Iniciou-se a luta pela conservação da natureza ainda não deteriorada pelo homem, embora a atividade humana tivesse, durante séculos, complementado as belezas naturais, quando chegou o tempo de degradá- -las. (E) Apesar de, durante séculos, a atividade humana ter complementado as belezas naturais, chegou o tempo em que ela começou a degradá-las, por isso iniciou-se a luta pela conservação da natureza ainda não deteriorada pelo homem. Com exceção da letra “E”, todas as alternativas apresentam redações com falhas em sua estrutura lógica pela utilização equivocada das conjunções, tornando-as sem sentido. Será a felicidade necessária? Felicidade é uma palavra pesada. Alegria é leve, mas felicidade é pesada. Diante da pergunta “Você é feliz?”, dois fardos são lançados às costas do inquirido. O primeiro é procurar uma defi nição para felicidade, o que equivale a rastrear uma escala que pode ir da simples satisfação de gozar de boa saúde até a conquista da bem-aventurança. O segundo é examinar-se, em busca de uma resposta. Nesse processo, depara-se com armadilhas. Caso se tenha ganhado um aumento no emprego no dia anterior, o mundo parecerá belo e justo; caso se esteja com dor de dente, parecerá feio e perverso. Mas a dor de dente vai passar, assim como a euforia pelo aumento de salário, e se há algo imprescindível, na difícil conceituação de felicidade, é o caráter de permanência. Uma resposta consequente exige colocar na balança a experiência passada, o estado presente e a expectativa futura. Dá trabalho, e a conclusão pode não ser clara. Os pais de hoje costumam dizer que importante é que os fi lhos sejam felizes. É uma tendência que se impôs ao infl uxo das teses libertárias dos anos 1960. É irrelevante que entrem na faculdade, que ganhem muito ou pouco dinheiro, que sejam bem-sucedidos na profi ssão. O que espero, eis a resposta correta, é que sejam felizes. Ora, felicidade é coisa grandiosa. É esperar, no mínimo, que o fi lho sinta prazer nas pequenas coisas da vida. Se não for sufi ciente, que consiga cumprir todos os desejos e ambições que venha a abrigar. Se ainda for pouco, que atinja o enlevo místico dos santos. Não dá para preencher caderno de encargos mais cruel para a pobre criança. (Trecho do artigo de Roberto Pompeu de Toledo. Veja. 24 de março de 2010, p. 142) (BB – Escriturário – 2011 – FCC) O segmento cujo sentido original está reproduzido com outras palavras é: (A) dois fardos são lançados às costas do inquirido = sérios embates se apresentam à questão. (B) a rastrear uma escala = a estabelecer um novo caminho. (C) depara-se com armadilhas = as interferências são enormes. (D) assim como a euforia pelo aumento de salário = tendo em vista um pagamento maior. (E) ao infl uxo das teses libertárias = sob a infl uência das ideias em defesa da liberdade. A: incorreta. “Fardo” é usado no sentido de “peso”, “difi culdade”; B: incorreta. “Escala” é usada no sentido de “hierarquia”; C: incorreta. Por “armadilhas” devemos entender “obstáculos”; D: incorreta. Apesar de equivalente, a substituição proposta alteraria o sentido do texto; E: correta. (BB – Escriturário – 2011 – FCC) Considere as alterações feitas nos segmentos abaixo grifados. I. Dá trabalho, e a conclusão pode não ser clara. Dá trabalho, e a conclusão não pode ser clara. II. Nesse processo, depara-se com armadilhas. Depara-se com armadilhas nesse processo. III. Não dá para preencher caderno de encargos mais cruel para a pobre criança. Não dá para preencher caderno de encargos mais cruel para a criança pobre. Com as modifi cações feitas na 2ª frase, altera-se o sentido do que foi afi rmado na 1ª frase em (A) II, apenas. (B) III, apenas. (C) I e II, apenas. (D) I e III, apenas. (E) I, II e III. I: o sentido é alterado. “Pode não ser clara” indica a possibilidade de não se chegar a uma conclusão defi nida, enquanto “não pode ser clara” impõe a certeza de que não se chegará a uma conclusão determinada; II: não há alteração no sentido, porque deslocamos apenas a locução adverbial para seu lugar naordem direta; III: há o sentido é alterado. A posição do adjetivo opera uma mudança semântica na expressão. “Pobre criança” é o infanto que em situação que gera piedade, ao passo que “criança pobre” é aquela em situação fi nanceira desfavorável. A média universal do Índice de Desenvolvimento Humano aumentou 18% desde 1990. Mas a melhora estatística está longe de animar os autores do Relatório de 2010. Eles argumentam que, embora os números refl itam avanços em determinadas áreas, o mundo continua a conviver com problemas graves, que exigem uma nova perspectiva política. O cenário apresentado pelo Relatório não é animador. O documento adverte que, nestes 20 anos, parte dos países enfrentou sérios problemas, sobretudo na saúde, anulando em alguns anos os ganhos de várias décadas. Além disso, o crescimento econômico tem sido desigual. Os padrões de produção e consumo atuais são considerados inadequados. Embora não queira apresentar receitas prontas, o Relatório traça caminhos possíveis. Entre eles, o reconhecimento da ação pública na regulação da economia para proteger grupos mais vulneráveis. Outro aspecto ressaltado é a necessidade de considerar pobreza, crescimento e desigualdade como temas interligados. “Crescimento rápido não deve ser o único objetivo político, porque ignora a distribuição do rendimento e negligencia a sustentabilidade do crescimento”, informa o texto. Um aspecto importante revelado pelo Relatório é que muitas das ações para melhoria da saúde e da educação não necessitam de grande investimento fi nanceiro. Isso está mais presente sobretudo onde os indicadores são ruins. “Numa primeira etapa, medidas simples como inclusão do soro caseiro e lavagem das mãos já trazem impacto relevante”, avalia Flávio Comim, economista do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. (Adaptado de Lígia Formenti. O Estado de S. Paulo, A30 Vida, 5 de novembro de 2010) (BB – Escriturário – 2011 – FCC) De acordo com o texto, o Relatório de 2010 (A) aponta vários problemas de saúde da população mundial, com as medidas a serem adotadas para resolvê-los. (B) deixa de lado a avaliação das causas do crescimento econômico desigual, que ocorre no mundo todo. (C) mostra preocupação com a persistência de problemas no mundo, apesar da constatação de alguns avanços, desde 1990. (D) assinala algumas divergências, entre os autores do documento, em relação às conclusões possíveis a partir de seus dados. (E) reconhece a importância da intervenção da ação pública no controle permanente da economia. O relatório de que trata o texto, apesar de apontar um aumento geral na média mundial do Índice de Desenvolvimento Humano, que mede a qualidade de vida em cada país, grande parte dos problemas enfrentados permanecem, indicando ainda alguns caminhos possíveis para a solução gradual dessas vicissitudes. Dentre eles, a intervenção pública apenas em áreas mais sensíveis e de forma pontual. (BB – Escriturário – 2011 – FCC) O texto informa claramente que (A) muitas ações voltadas para a melhoria das condições de vida em situação precária se valem de expedientes bastante simples, como a adoção de hábitos de higiene. (B) alguns dados estatísticos sobre desenvolvimento humano vêm melhorando desde 1990, realçando os indiscutíveis avanços em todo o mundo. (C) os atuais índices encontrados a respeito de desenvolvimento humano demonstram que os problemas mais sérios já estão solucionados. (D) os grandes investimentos fi nanceiros necessários para a solução de problemas mundiais, como as crises econômicas, ainda não têm sido sufi cientes. 31 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (E) os ganhos em crescimento econômico, cujos resultados foram comprovados pelo recente Relatório, foram bastante expressivos nas últimas décadas. A única informação que consta expressamente no texto é a letra “A”, como se lê no último parágrafo. As demais não podem ser inferidas dos fatos descritos pelo autor, não guardando com eles qualquer correspondência lógica. (BB – Escriturário – 2011 – FCC) Analise: (1) Atendendo à solicitação contida no expediente acima referido, vimos encaminhar a V. Sa. as informações referentes ao andamento dos serviços sob responsabilidade deste setor. (2) Esclarecemos que estão sendo tomadas todas as medidas necessárias para o cumprimento dos prazos estipulados e o atingimento das metas estabelecidas. A redação do documento acima indica tratar-se (A) do encaminhamento de uma ata. (B) do início de um requerimento. (C) de trecho do corpo de um ofício. (D) da introdução de um relatório. (E) do fecho de um memorando. Considerando que o texto indica a existência de um documento anterior, que estaria em epígrafe, solicitando o encaminhamento de informações sobre serviços e as medidas que vêm sendo tomadas em certo caso, notadamente estamos falando de um ofício, que foi redigido em resposta a outro anteriormente recebido. (BB – Escriturário – 2010 – FCC) A respeito dos padrões de redação de um ofício, é INCORRETO afi rmar que: (A) Deve conter o número do expediente, seguido da sigla do órgão que o expede. (B) Deve conter, no início, com alinhamento à direita, o local de onde é expedido e a data em que foi assinado. (C) Deverá constar, resumidamente, o teor do assunto do documento. (D) O texto deve ser redigido em linguagem clara e direta, respeitando-se a formalidade que deve haver nos expedientes ofi ciais. (E) O fecho deverá caracterizar-se pela polidez, como por exemplo: Agradeço a V. Sa. a atenção dispensada. Nos termos do Manual de Redação Ofi cial da Presidência da República, o fecho do ofício deve limitar-se a “Respeitosamente”, quando dirigido a autoridades superiores, ou “Atenciosamente”, quando destinado a autoridades de mesma hierarquia ou inferiores. “O folhetim é frutinha de nosso tempo”, disse Machado de Assis numa de suas deliciosas crônicas. E volta ao assunto na crônica seguinte. “O folhetinista é originário da França [...] De lá espalhou-se pelo mundo, ou pelo menos por onde maiores proporções tomava o grande veículo do espírito moderno; falo do jornal.” E Machado tenta “defi nir a nova entidade literária”, procura esmiuçar a “organização do novo animal”. Mas dessa nova entidade só vai circunscrever a variedade que se aproxima do que hoje chamaríamos crônica. E como na verdade a palavra folhetim designa muitas coisas, e, efetivamente, nasceu na França, há que ir ver o que o termo recobre lá na matriz. De início, ou seja, começos do século XIX, “le feuilleton” designa um lugar preciso do jornal: “o rez-de-chaussée” - rés-do-chão, rodapé -, geralmente o da primeira página. Tinha uma finalidade precisa: era um espaço vazio destinado ao entretenimento. E pode-se já antecipar, dizendo que tudo o que haverá de constituir a matéria e o modo da crônica à brasileira já é, desde a origem, a vocação primeira desse espaço geográfi co do jornal, deliberadamente frívolo, oferecido como chamariz aos leitores afugentados pela modorra cinza a que obrigava a forte censura napoleônica. (“Se eu soltasse as rédeas da imprensa”, explicava Napoleão ao célebre Fouché, seu chefe de polícia, “não fi caria três meses no poder.”) (MEYER, Marlyse, Folhetim: uma história. 2 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 57) (BB – Escriturário – 2006 – FCC) De lá [o folhetinista] espalhou-se pelo mundo, ou pelo menos por onde maiores proporções tomava o grande veículo do espírito moderno. Uma nova redação para a frase acima, que não prejudica o sentido originale está em conformidade com o padrão culto, é: (A) Sendo espalhado [o folhetinista] de lá para o mundo, ou a considerar minimamente onde o grande veículo do espírito moderno tomava maiores proporções. (B) O grande veículo do espírito moderno ganhava boa importância pelo mundo e de lá [o folhetinista] estava se espalhando, pelo menos por esses certos lugares. (C) [O folhetinista] Espalhou-se, de lá, pelo mundo todo, ou, quando menos, pelos lugares onde o grande veículo do espírito moderno adquiria mais força. (D) Salvo os lugares que o grande veículo do espírito moderno ganhou terreno, [o folhetinista] chegou a se espalhar, de lá, pelo mundo. (E) De lá não para o mundo todo, talvez, mas os espaços cobertos pelo grande veículo do espírito moderno, nestes [o folhetinista] se espalhou. As alternativas apresentam, todas, vícios de coerência, não guardando sentido com a expressão original. A única exceção é a alternativa “C”, que deve ser assinalada, por parafrasear correta e coerentemente o trecho do enunciado. Em todo o continente americano, a colonização europeia teve efeito devastador. Atingidos pelas armas, e mais ainda pelas epidemias e por políticas de sujeição e transformação que afetavam os mínimos aspectos de suas vidas, os povos indígenas trataram de criar sentido em meio à devastação. Nas primeiras décadas do século XVII, índios norte- americanos comparavam a uma demolição aquilo que os missionários jesuítas viam como “transformação de suas vidas pagãs e bárbaras em uma vida civilizada e cristã.” (Relações dos jesuítas da Nova França, 1636). No México, os índios comparavam seu mundo revirado a uma rede esgarçada pela invasão espanhola. A denúncia da violência da colonização, sabemos, é contemporânea da destruição, e tem em Las Casas seu representante mais famoso. Posterior, e mais recente, foi a tentativa, por parte de alguns historiadores, de abandonar uma visão eurocêntrica da “conquista” da América, dedicando-se a retraçá-la a partir do ponto de vista dos “vencidos”, enquanto outros continuaram a reconstituir histórias da instalação de sociedades europeias em solo americano. Antropólogos, por sua vez, buscaram nos documentos produzidos no período colonial informações sobre os mundos indígenas demolidos pela colonização. A colonização do imaginário não busca nem uma coisa nem outra. (Adaptado de PERRONE-MOISÉS, Beatriz, Prefácio à edição brasileira de GRUZINSKI, Serge, A colonização do imaginário: sociedades indígenas e ocidentalização no México espanhol (séculos XVI-XVIII). (BB – Escriturário – 2006 – FCC) A autora do fragmento transcrito (A) vale-se de estrutura narrativa para apresentar a obra que considera polêmica porque seu autor se afasta dos procedimentos de análise consagrados. (B) utiliza-se de linguagem didática para esclarecer certos fatos históricos que serão, na obra que ela mostra ao público, negados pelo autor. (C) descreve o embate entre distintas culturas para introduzir o tema da obra que ela divulga como tendo sido produzida por enfoque impreciso, embora legítimo. (D) expõe uma série de ideias que lhe permitem chamar a atenção para a originalidade da perspectiva adotada pelo autor na obra que ela apresenta. (E) elabora uma argumentação consistente, construída de passagens descritivas pontuadas de exemplos extraídos da obra apresentada, para atestar sua familiaridade com o texto. O fragmento transcrito foi retirado do prefácio de um livro, conforme se nota na referência bibliográfi ca. Nele, a autora do trecho demonstra que o escritor do livro (que se chama “A colonização do imaginário) foi além das perspectivas normalmente utilizadas para estudar o processo de colonização da América pelos europeus, afastando-se das percepções históricas e antropológicas já consagradas. (Analista – ANS – 2007 – FCC) Compreende-se corretamente do texto que (A) a Norma explora um persistente problema político da Itália – o da sua independência e unifi cação nacional –, seja considerando a relação entre o país e a Gália na Antiguidade, seja transferindo para o quadro de dominação austríaca do século XIX esse confronto entre o pátrio e o estrangeiro. (B) uma parcela considerável das óperas italianas do século XIX – inclusive a Norma – organiza-se em torno de uma tensão, verifi cada tanto no âmbito pessoal quanto no coletivo, entre o avançado e o retrógrado. (C) o caráter trágico das óperas italianas contemporâneas à Norma advém do embate entre grupos progressistas e reacionários, ativado, na maioria das vezes, pela emergência de uma causa revolucionária para a época. (D) a Traviata, tanto quanto as Vespri siciliani e o Trovatore, obedece ao modelo recorrentemente encontrado nas composições dramático-musicais do período, isto é, apresenta um enredo que incita à irrupção do que existe de mais reacionário numa sociedade. (E) as causas avançadas defendidas em óperas italianas, por estarem circunscritas a grandes temas políticos (como os confl itos de classes e a luta pela soberania política das nações emergentes), impedem a consideração dos dramas e das tragédias individuais. A única alternativa que analisa corretamente o texto é a B. O centro da estrutura da ópera no confl ito entre retrógrado e avançado está explicitado no trecho. O confl ito se dá em dois planos, o social e o pessoal. Consideremos os equívocos das alternativas incorretas: A: incorreta, pois a Norma é ambientada na Gália como metáfora para o panorama da Itália à época da produção. O texto não estabelece nenhuma relação direta entre eles; C: incorreta, pois o texto caracteriza a representação das óperas como um elemento sutil de análise social. Não há qualquer referência a embates reais ou causas políticas que as obras defendam; D: incorreta, pois as ópera buscam apresentar o confl ito entre o retrógrado e o avançado. Segundo o texto, não há objetivo em privilegiar o retrógrado; E: incorreta, pois, segundo o texto, é justamente no drama individual que está a força narrativa das óperas. O confl ito pessoal é correspondente ao social. (Analista – ANS – 2007 – FCC) O texto autoriza afi rmar que (A) o tratamento da oposição entre o bem e o mal, o revolucionário e o retrógrado, é insufi ciente para imprimir dramaticidade a uma ópera. (B) a Norma, ao tematizar fatos cronologicamente distantes, exime-se do compromisso com as questões políticas que lhe são contemporâneas. (C) o caráter trágico dos textos dramáticos mencionados é gerado pela cumplicidade estabelecida entre atores e plateia. 33 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (D) o específi co poder de comoção das óperas mencionadas emerge da contradição que os protagonistas passam a viver entre suas convicções e sua condição pessoal. (E) o dever cívico e o desejo pessoal exercem forças equivalentes sobre os indivíduos, motivo de as óperas citadas enfatizarem a necessidade de equilíbrio entre um e outro. A partir da leitura, é possível inferir que os personagens buscam socialmente exatamente o oposto daquilo que são, como afi rma o item D, e como vemos nos exemplos “o herói libertador dos sicilianos nas Vespri é na verdade fi lho ilegítimo do governador francês, o trovador, na ópera homônima, é o irmão perdido de seu próprio perseguidor e aqui, na Norma, a sacerdotiza suprema dos gauleses é amante do chefe romano.”. A abordagem dual dos confl itos é o principal elemento da dramaticidade, o texto, portanto, nega a análise feita no item A, em que o texto ainda afi rma que “É isso o que dilaceraa alma, tanto do ator-cantor como do expectador- ouvinte, e confere a essas óperas seu caráter trágico”. Diferentemente do que afi rma o item C, portanto, a relação entre o ator e a plateia é consequência da dramaticidade e não sua causa. Os exemplos mostram ainda que os personagens são comprometidos com aquilo que defendem e funcionam como alegorias de um certo pensamento, o que mostra que o item B aborda injustamente as óperas como despretensiosas. Sobre o item E, deve-se notar que o texto analisa as óperas como textos de confl ito, e não de equilíbrio entre opostos. Atenção: As próximas três questões referem-se ao texto transcrito abaixo. 1 Vários historiadores têm procurado entender a originalidade da monarquia brasileira vinculando-a à chegada da família real ao Brasil em 1808. De fato, é no mínimo inusitado pensar numa colônia sediando a capital 5 de um império. Chamada por Maria Odila Leite da Silva Dias de a “internacionalização da metrópole”, a instalação no Brasil da corte portuguesa, que fugia das tropas napoleônicas, signifi cou não apenas um acidente fortuito, mas um momento angular da história nacional e de um 10 processo singular de emancipação. Fuga ou golpe político, o fato é que com D. João e sua família, e contando com a ajuda inglesa, transferiram-se para o país a própria corte portuguesa — cujo número estimado de pessoas chegava a 20 mil, sendo que a cidade do Rio possuía apenas 60 mil 15 almas — e várias instituições metropolitanas. Mas não era só: comerciantes ingleses e franceses, artistas italianos e naturalistas austríacos vinham junto com os baús. Difícil imaginar choque cultural maior. Transformado em reino unido já em 1815, o Brasil 20 passou a distanciar-se, aos poucos, de seu antigo estatuto colonial, ganhando uma autonomia relativa jamais conhecida naquele contexto. A partir de então, o Rio de Janeiro tornou-se capital de Portugal e de suas possessões na África e na Ásia, e os portos brasileiros se abriram ao 25 comércio britânico (seguindo o acerto feito com a Inglaterra, que assegurou o transporte da corte, mas o trocou por esse acordo comercial). Tais fatos alteraram radicalmente a situação da colônia portuguesa na América. (Adaptado de SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 35-36.) (Analista – ANS – 2007 – FCC) Quanto à organização, afi rma-se corretamente que o texto (A) mescla narração e dissertação, mas dá relevo àquela, uma vez que, para a autora, devem ser destacados os acontecimentos e não os comentários avaliativos que eles suscitaram. (B) descreve o modelo administrativo e a organização hierárquica da corte que se transferiu para o Brasil, oferecendo detalhado panorama dos aspectos burocráticos que redundaram no específi co feitio da nação brasileira. (C) se restringe à narração do episódio da fuga da família real para a América, destacando suas causas, os meios pelos quais se efetivou e seu impacto sobre a pátria que aqui se formara. (D) reúne as datas e os acontecimentos tomados como mais relevantes no processo de emancipação do país, para defender a ideia de que, na confi guração de um dado quadro político, o mais importante são os antecedentes históricos imediatos. (E) mobiliza dados históricos e outros trabalhos que se debruçaram sobre o tema, com o fi to de comprovar a hipótese apresentada sobre a formação da monarquia brasileira. A: incorreta, pois a tipologia predominante no texto é a argumentativa. A autora privilegia a análise dos fatos e suas causas e consequências a uma descrição minuciosa de como os acontecimentos se deram, privilegiando as informações relevantes para a formação de sua análise; B: incorreta, pois não há no texto qualquer referência ao funcionamento burocrático da corte, mas sim do choque entre a chegada dela ao Brasil; C: incorreta, pois como afi rmado no item A, o texto privilegia a análise dos fatos à sua mera narração; D: incorreta, pois o texto analisa e reconhece a relevância do fato descrito para a formação da história nacional, no entanto, não apresenta especifi camente datas e fatos, mas sim um panorama geral, cultural e social, da mudança. Mais do que o fato em si, são seus entornos que confi guraram a mudança política; E: correta, pois a autora retoma a análise de Maria Odila Leite da Silva Dias e refere-se a “historiadores” como ponto de partida para sua análise. Para a defesa de seu ponto de vista, a autora apresenta também o panorama dos acontecimentos da época. (Analista – ANS – 2007 – FCC) De acordo com o texto, é correto afi rmar que (A) a transferência da sede do império para o Brasil se confi gurou como experiência insólita e sem precedentes, tanto por propiciar o surgimento de um papel político inédito, quanto por produzir mudanças concretas em diferentes esferas do ambiente colonial. (B) a condição administrativa inicial do Brasil se conservou mesmo após a fi xação do Rio de Janeiro como capital de Portugal, mas o comércio, as artes e as ciências fi nalmente se tornaram autossufi cientes. (C) o número de almas preexistentes no Rio de Janeiro é avaliado, em si mesmo, como bastante expressivo, embora, em face da quantidade de migrantes que para lá se dirigiram, pareça ínfi mo. (D) a internacionalização da metrópole carioca – isto é, a vinda de portugueses, franceses, ingleses e austríacos – foi decisiva para a confi guração de um processo de independência que assumiria características genuínas entre as colônias lusitanas. (E) a originalidade da monarquia brasileira deve ser creditada a contingências históricas exclusivas, como a incondicional ajuda britânica concedida a Portugal desde o momento da fuga da Europa. A: correta, pois o texto coloca como “inusitada” a colônia como sede da capital. O ponto principal do texto é levantar as consequências dessa transferência, políticas e sociais; B: incorreta, pois o texto afi rma que o Rio de Janeiro tornou-se a capital de Portugal foi parte crucial do processo de emancipação do país e alterou completamente a situação da colônia na política e administração. Ressalta o choque cultural com a arte, ciência e comércio, mas não afi rma autossufi ciência em nenhum dos campos; C: incorreta, pois o número de novas almas no Rio de Janeiro representa mais de 30% da população original. Apesar de reforçar a grande quantidade de pessoas que chegaram com a corte, o texto ressalta que a cidade tinha, anteriormente, uma população pouco expressiva; D: incorreta, pois a internacionalização do Rio de Janeiro foi além da presença de estrangeiros. Trata-se de uma nova participação da cidade, e do país, em um panorama internacional; E: incorreta, pois a condição imposta pela Inglaterra para ajudar os portugueses, era que os portos brasileiros estivessem abertos ao comércio inglês. Não houve apoio incondicional. (Analista – ANS – 2007 – FCC) Infere-se corretamente do texto que, (A) para preparar a expansão de seu prestígio político pelo Brasil, a Inglaterra impôs, ainda na Europa, seu colonialismo à coroa portuguesa. (B) antes da chegada da corte, o comércio, as artes e as ciências não faziam parte do cotidiano cultural brasileiro. (C) embora não haja certezas, existe interpretação plausível para as causas da originalidade da monarquia brasileira. (D) mais do que 1808, 1815 é uma data decisiva para o Brasil, pois, apenas quando se torna um reino unido, ele se distancia plenamente do estatuto colonial. (E) para aautora, o contexto brasileiro não suportou as mudanças sociais e administrativas geradas pela transferência da corte. Inferir signifi ca deduzir por meio de raciocínio algo novo a partir das informações apresentadas. Para se inferir algo do texto é necessário que o texto traga indícios do que os itens apresentam, mesmo que de maneira sutil. A: incorreta, pois o texto não comenta a relação entre Portugal e Inglaterra anterior à vinda da corte; B: incorreta, pois não há informações sufi cientes sobre a situação anterior do Brasil. O texto apenas diz que a presença de comerciantes, artistas e cientistas causou choque cultural, talvez pela ausência anterior dessas práticas, talvez pela diferença de como se fazia; C: correta, pois é justamente uma dessas interpretações sem consenso (como mostra o primeiro período) que o texto discute; D: incorreta, pois o texto diz que a situação da colônia mudou em decorrência de todos os fatos. Não estabelece uma data e tampouco afi rma que o Brasil e distanciou ali plenamente do estatuto colonial; E: incorreta, pois a autora apenas afi rma que houve choque social, cultural e administrativo. Não é tão categórica em dizer que não suportou. Atenção: As duas questões a seguir baseiam-se no texto apresentado abaixo. Não é sem motivos que o comércio decidiu alongar os prazos de pagamento neste fi m de ano para enfrentar a concorrência do comércio popular, que vende itens de baixo valor. Em novembro, a taxa de crescimento das consultas para vendas à vista superou a expansão do crediário, o que não ocorria desde abril. No mês passado, o número de consultas para vendas quitadas com cheque à vista e pré-datado cresceu 6,1% em relação ao mesmo período de 2004, segundo pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Enquanto isso, o volume de consultas para negócios a prazo aumentou em ritmo menor: 3,9% em novembro, na comparação anual. Para o Presidente da ACSP, a mudança preocupa por indicar uma receita menor para as lojas, já que as vendas fi nanciadas geralmente são as de maior valor. Na análise do Presidente, o forte movimento registrado nas ruas de comércio popular com grande presença de itens importados refl ete com clareza duas variáveis que estão desajustadas na economia: o juro alto e o câmbio baixo. (Adaptado de O Estado de S. Paulo, B4 Economia, 4 de dezembro de 2005) (Técnico – BACEN – 2006 – FCC) A ideia principal do texto está expressa em: (A) O fi nal de ano garante habitualmente maior volume de vendas, tanto à vista quanto a prazo. (B) A oferta mais ampla de crediários busca concorrer com o comércio popular, identifi cado com as vendas de menor valor. (C) Negócios realizados a prazo caracterizam as vendas específi cas de fi nal de ano. 35 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (D) Comerciantes dispensam consultas para a concessão de créditos, por serem baixos os valores das compras. (E) Cai o volume de vendas, à vista ou a crédito, neste fi nal de ano, em comparação com o anterior. Ao ampliar os crediários, o comércio proporciona ao cliente a compra de itens com valor mais alto, de modo que pode competir com o comércio popular, que possui itens de menor valor. (Técnico – BACEN – 2006 – FCC) Infere-se corretamente do texto que, com a expansão do crédito, I. há riscos maiores de ocorrer inadimplência de consumidores. II. a venda de itens de maior valor passa a ser equivalente ao volume dos mais acessíveis à população. III. com o aumento das vendas à vista diminui a receita no comércio, pois o crédito contempla compras de maior valor. Está correto o que se afi rma SOMENTE em (A) I. (B) II. (C) I e II. (D) I e III. (E) II e III. D: correto, pois, ao ampliar a possibilidade de crediários, o comércio sofre com o aumento do índice de inadimplência. Além disso, os crediários diminuem a receita de vendas à vista no comércio, já que esses crediários são empregados para a aquisição de itens de maior valor. Atenção: As duas questões a seguir baseiam-se no texto apresentado abaixo. As sementes do impulso fundamental da indústria de agronegócio nacional foram lançadas quando um núcleo de sete especialistas da Embrapa debruçou-se sobre o desafi o de tropicalizar a soja. Planta de origem asiática, ela só se adaptava bem nos estados mais ao sul do país. “Do Paraná para cima, a planta atingia no máximo 15 centímetros, um sexto de sua altura normal”, afi rma um dos engenheiros agrônomos que fez parte do grupo que tratou do problema em meados da década de 70. Foram necessários anos de pesquisas num banco genético com informações sobre mais de 8.000 tipos de soja até se chegar à planta capaz de evoluir bem em regiões mais quentes. O impacto da inovação foi formidável. De pouco mais de 300.000 toneladas produzidas em 1973, o Brasil saltou para 53 milhões de toneladas da safra atual. (Exame, 23 de novembro de 2005, p. 32) (Técnico – BACEN – 2006 – FCC) As sementes do impulso fundamental da indústria de agronegócio nacional foram lançadas quando um núcleo de sete especialistas da Embrapa debruçou-se sobre o desafi o de tropicalizar a soja. O sentido da frase inicial do texto está expresso com clareza e correção, em outras palavras, da seguinte forma: (A) As possibilidades de desenvolvimento da produção agrícola brasileira concretizaram-se quando especialistas voltaram-se para as tentativas de adaptar a soja ao clima tropical. (B) Foram vários os tipos de sementes utilizados por pesquisadores para descobrir o melhor meio de aumentar a importância do agronegócio na região tropical. (C) A soja é o produto mais valorizado do agronegócio brasileiro por apresentar diversidade de tipos de sementes que o trópico conseguiu desenvolver. (D) Especialistas da Embrapa consideram impossível resolver o impasse da soja para ser tropicalizada, no importante aumento da indústria do agronegócio nacional. (E) A indústria nacional de agronegócio cujas as sementes foram plantadas para conseguir a tropicalização da soja, feitas no desafi o dos especialistas da Embrapa. A: pois apresenta a importância das pesquisas realizadas pelos especialistas da Embrapa para o desenvolvimento da produção agrícola brasileira. (Técnico – BACEN – 2006 – FCC) O segmento abaixo que indica uma razão para a afi rmativa que, no texto, se segue a ele – segmento –, é: (A) As sementes do impulso fundamental da indústria de agronegócio nacional foram lançadas ... (B) ... quando um núcleo de sete especialistas da Embrapa debruçou-se ... (C) Planta de origem asiática ... (D) ... a planta atingia no máximo 15 centímetros, um sexto de sua altura normal ... (E) Foram necessários anos de pesquisas num banco genético ... C: pois o segmento “Planta asiática” é precedido de uma explicação: “ela só se adaptava bem nos estados mais ao sul do país” acerca de sua difi culdade de cultivo em outras regiões do Brasil que não as do estados do sul. Atenção: A questão a seguir baseia-se no texto apresentado abaixo. Não há, com relação a doces, nem com relação a guisados, um gosto que, apenas fi siológico, seja especifi camente universal: do Homem e não de homens situados; da sociedade humana e não de uma sociedade; de todas as sociedades e não de umas tantas sociedades. O que Marx impugnou em Hegel com relação à Ideia – que seria um princípio metafísico ou uma essência – poderia impugnar ao teórico do Paladar que o considerasse expressão de um princípio apenasfi siológico, independente de circunstâncias, em vez de expressão, principalmente, de um “princípio social”. Machado acertou. Revelou-se um sociólogo dos que opõem à tirania do essencial a validade do existencial. Pois a verdade parece ser realmente esta: a das nossas preferências de paladar serem condicionadas, nas suas expressões específi cas, pelas sociedades a que pertencemos, pelas culturas de que participamos, pelas ecologias em que vivemos os anos decisivos da nossa existência. (Gilberto Freyre, Açúcar. Coleção Canavieira n. 2. Divulgação do Ministério da Indústria e do Comércio, Instituto do Açúcar e do Álcool, 1969, p. 44) (Técnico – BACEN – 2006 – FCC) O autor, no texto em questão, (A) discute conceitos fi losófi cos amplamente debatidos em todas as sociedades, como a noção de verdade. (B) ignora a existência de certos princípios norteadores da vida social e das diversidades culturais. (C) nega as possíveis infl uências que os alimentos possam exercer no desenvolvimento de uma cultura. (D) condena a preocupação de certos pensadores em reduzir a preferência por certos alimentos, como os doces, a um hábito social. (E) defende uma opinião pessoal, tomando como base ideias expostas por fi lósofos e escritores anteriores a ele. Trata-se de uma dissertação na qual o autor pretende defender um ponto de vista a partir de argumentos que comprovem sua opinião. O segredo da acumulação primitiva neoliberal Numa coluna publicada na Folha de São Paulo, o jornalista Elio Gaspari evocava o drama recente de um navio de crianças escravas errando ao largo da costa do Benin. Ao ler o texto – que era inspirado -, o navio tornava-se uma metáfora de toda a África subsaariana: ilha à deriva, mistura de leprosário com campo de extermínio e reserva de mão de obra para migrações desesperadas. Elio Gaspari propunha um termo para designar esse povo móvel e desesperado: “os cidadãos descartáveis”. “Massas de homens e mulheres são arrancados de seus meios de subsistência e jogados no mercado de trabalho como proletários livres, desprotegidos e sem direitos.” São palavras de Marx, quando ele descreve a “acumulação primitiva”, ou seja, o processo que, no século XVI, criou as condições necessárias ao surgimento do capitalismo. Para que ganhássemos nosso mundo moderno, foi necessário, por exemplo, que os servos feudais fossem, à força, expropriados do pedacinho de terra que podiam cultivar para sustentar-se. Massas inteiras se encontraram, assim, paradoxalmente livres da servidão, mas obrigadas a vender seu trabalho para sobreviver. Quatro ou cinco séculos mais tarde, essa violência não deveria ter acabado? Ao que parece, o século XX pediu uma espécie de segunda rodada, um ajuste: a criação de sujeitos descartáveis globais para um capitalismo enfi m global. Simples continuação ou repetição? Talvez haja uma diferença – pequena, mas substancial – entre as massas do século XVI e os migrantes da globalização: as primeiras foram arrancadas de seus meios de subsistência, os segundos são expropriados de seu lugar pela violência da fome, por exemplo, mas quase sempre eles recebem em troca um devaneio. O protótipo poderia ser o prospecto que, um século atrás, seduzia os emigrantes europeus: sonhos de posse, de bem-estar e de ascensão social. As condições para que o capitalismo invente sua versão neoliberal são subjetivas. A expropriação que torna essa passagem possível é psicológica: necessita que sejamos arrancados nem tanto de nossos meios de subsistência, mas de nossa comunidade restrita, familiar e social, para sermos lançados numa procura infi nita de status (e, hipoteticamente, de bem-estar) defi nido pelo acesso a bens e serviços. Arrancados de nós mesmos, deveremos querer ardentemente ser algo além do que somos. Depois da liberdade de vender nossa força de trabalho, a “acumulação primitiva” do neoliberalismo nos oferece a liberdade de mudar e subir na vida, ou seja, de cultivar visões, sonhos e devaneios de aventura e sucesso. E, desde o prospecto do emigrante, a oferta vem se aprimorando. A partir dos anos 60, a televisão forneceu os sonhos para que o campo não só devesse, mas quisesse, ir para a cidade. O requisito para que a máquina neoliberal funcione é mais refi nado do que a venda dos mesmos sabonetes ou fi lmes para todos. Trata-se de alimentar um sonho infi nito de perfectibilidade e, portanto, uma insatisfação radical. Não é pouca coisa: é necessário promover e vender objetos e serviços por eles serem indispensáveis para alcançarmos nossos ideais de status, de bem-estar e de felicidade, mas, ao mesmo tempo, é preciso que toda satisfação conclusiva permaneça impossível. Para fomentar o sujeito neoliberal, o que importa não é lhe vender mais uma roupa, uma cortina ou uma lipoaspiração; é alimentar nele sonhos de elegância perfeita, casa perfeita e corpo perfeito. Pois esses sonhos perpetuam o sentimento de nossa inadequação e garantem, assim, que ele seja parte inalterável, defi nidora, da personalidade contemporânea. Provavelmente seria uma catástrofe se pudéssemos, de repente, acalmar nossa insatisfação. Aconteceria uma queda total do índice de confi ança dos consumidores. 37 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO Bolsas e economias iriam para o brejo. Desemprego, crise, etc. Melhor deixar como está. No entanto, a coisa não fi ca bem. Do meu pequeno observatório psicanalítico, parece que o permanente sentimento de inadequação faz do sujeito neoliberal uma espécie de sonhador descartável, que corre atrás da miragem de sua felicidade como um trem descontrolado, sem condutor, acelerando progressivamente por inércia – até que os trilhos não aguentem mais. (Contardo Calligaris, Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2002) Nota: O autor desse texto, Contardo Calligaris, é psicanalista e foi professor de estudos culturais na New School de Nova York. Faz parte do corpo docente do Institute for the Study of Violence, em Boston. É também colunista da Folha de S. Paulo. (Analista – BACEN – 2005 – FCC) Considere as seguintes afi rmações: I. Tomando como ponto de partida um comentário de outro jornalista sobre um fato recente da época, o autor dispõe-se a compreender esse fato à luz de uma expressão de Marx - “cidadãos descartáveis” -, que já previa o processo migratório de trabalhadores no século XX. II. A expressão “acumulação primitiva” é considerada pelo autor como inteiramente anacrônica, incapaz, portanto, de sugerir qualquer caminho de análise do neoliberalismo contemporâneo. III. Acredita o autor que na base do mundo moderno, do ponto de vista econômico, está o fi m do feuda-lismo, está a transformação dos servos feudais em trabalhadores que precisavam vender sua força de trabalho. Em relação ao texto está correto SOMENTE o que se afi rma em (A) I. (B) II. (C) III. (D) I e II. (E) II e III. O autor destaca a mudança dos servos feudais para os trabalhadores que precisaram vender sua força de trabalho para não sucumbir à fome, assim como para realizar suas ambições de uma vida melhor. (Analista – BACEN – 2005 – FCC) O específi co segredo a que se refere o autor no título do texto representa-se conceitualmente em vários momentos de sua argumentação, tal como ocorre na seguinte frase: (A) Massas inteiras se encontraram, assim, paradoxalmente livres da servidão, mas obrigadas a vender seu trabalho para sobreviver. (B) O navio tornava-se uma metáfora de toda a África subsaariana: ilha à deriva,mistura de leprosário com campo de extermínio e reserva de mão de obra para migrações desesperadas. (C) Para que ganhássemos nosso mundo moderno, foi necessário, por exemplo, que os servos feudais fossem, à força, expropriados do pedacinho de terra que podiam cultivar para sustentar-se. (D) Ao que parece, o século XX pediu uma espécie de segunda rodada, um ajuste: a criação de sujeitos descartáveis globais para um capitalismo enfi m global. (E) Trata-se de alimentar um sonho infi nito de perfectibilidade e, portanto, uma insatisfação radical. A expressão “sonho infi nito de perfectibilidade” é representada pelo conceito de “insatisfação radical”, ou seja, não há como saciar o anseio pela perfeição senão desejando por algo mais. (Analista – BACEN – 2005 – FCC) A afi rmação de que As condições para que o capitalismo invente sua versão neoliberal são subjetivas tem sua coerência respaldada no desenvolvimento do texto, já que o autor (A) descarta a análise de processos históricos, para melhor se apoiar em aspectos da vida privada dos indivíduos típicos da era industrial. (B) mostra como as exigências de satisfação pessoal vêm sendo progressivamente atendidas, desde que o homem passou a se identifi car com seu status. (C) analisa o funcionamento da máquina liberal e a considera uma tributária direta do conhecido processo da acumulação primitiva. (D) localiza na permanência do sentimento de nossa inadequação um requisito com que vem contando o neoliberalismo. (E) entende que o neoliberalismo assenta sua base no princípio de que os sonhos dos cidadãos descartáveis devem ser excluídos do pragmatismo produtivista. O sentimento de inadequação, na verdade, é um dos principais instrumentos do sistema neoliberal para que os trabalhadores continuem em busca de uma felicidade que jamais irão alcançar, como o próprio autor sugere ao denominar essa inadequação como “sonho infi nito de perfectibilidade”. (Analista – BACEN – 2005 – FCC) Quatro ou cinco séculos mais tarde, essa violência não deveria ter acabado? No contexto em que formula a pergunta acima, o autor, implicitamente, está questionando a tese de que os processos históricos ocorreriam (A) como atualização de providências já verifi cadas no passado. (B) numa escala de progressivo aperfeiçoamento social. (C) alternando ganhos e perdas na qualidade de vida dos cidadãos. (D) de modo a recompensar o esforço das classes dirigentes. (E) de modo a tornar cada vez mais nítidas as aspirações de cada classe social. O autor questiona se essa violência seria um mal necessário para o aperfeiçoamento social, entretanto, como podemos observar no decorrer do texto, essa violência sofreu um “ajuste”, o qual o autor defi ne como “a criação de sujeitos descartáveis globais para um capitalismo enfi m global”. (Analista – BACEN – 2005 – FCC) No contexto em que ocorre a afi rmação de que (A) deveremos querer ardentemente ser algo além do que somos, o autor acusa o processo de despersonalização acionado pela máquina neoliberal. (B) a “acumulação primitiva” do neoliberalismo nos oferece a liberdade de mudar e subir na vida, o autor concede em que há uma vantagem real nesse caminho econômico. (C) Provavelmente seria uma catástrofe se pudéssemos (...) acalmar nossa insatisfação, o autor mostra o quanto os neoliberais subestimam a força da nossa subjetividade. (D) é melhor deixar como está, o autor está tomando como pior a situação representada por um trem descontrolado, sem condutor. (E) esses sonhos perpetuam o sentimento de nossa inadequação, o termo sonhos está representando um caminho alternativo para as práticas neoliberais. A máquina neoliberal utiliza-se de artifícios para convencer os indivíduos sobre a possibilidade de perfeição, no entanto, ao buscar essa perfeição – que jamais poderá ser alcançada por estar em constante transformação –, os indivíduos tornam-se vítimas de um processo que irá despersonalizá-los. (Analista – BACEN – 2005 – FCC) Na frase Massas inteiras se encontraram, assim, paradoxalmente livres da servidão, mas obrigadas a vender seu trabalho para sobreviver, o emprego do termo paradoxalmente justifi ca-se quando se atenta para a relação nuclear que entre si estabelecem, no contexto, os elementos (A) massas e livres. (B) vender e obrigadas. (C) livres e obrigadas. (D) viver e vender. (E) vender e sobreviver. O autor pretende demonstrar a situação paradoxal existente entre os trabalhadores (que se julgam livres) e a obrigatoriedade do trabalho para a sobrevivência. (Analista – BACEN – 2005 – FCC) Para que ganhássemos o mundo moderno, foi necessário que os servos feudais fossem, à força, expropriados do pedacinho de terra que podiam cultivar para sustentar-se. Conserva-se, numa outra construção correta, o sentido do trecho sublinhado na frase acima, em: (A) foi preciso que houvesse a expropriação, à força, do pedacinho de terra que os servos feudais podiam cultivar para seu sustento. (B) fez-se necessário que o pedacinho de terra, cultivado para o sustento dos servos feudais, tivesse sido expropriado à força. (C) foi preciso que se expropriassem dos servos feudais, à força, do pedacinho de terra que cultivavam para sustentar-se. (D) houve a necessidade de se expropriar do pedacinho de terra, à força, que os servos feudais cultivavam para seu sustento. (E) houve a necessidade do pedacinho de terra ser expropriado, à força, na qual os servos feudais cultivavam para sustentarem-se. A frase mantém o sentido do trecho original, pois o encadeamento das ideias ocorre da mesma maneira em ambas as orações. (Analista – BACEN – 2005 – FCC) A expropriação que torna essa passagem possível é psicológica: necessita que sejamos arrancados nem tanto de nossos meios de subsistência, mas de nossa comunidade restrita, familiar e social. Na frase acima, e no contexto do parágrafo que ela integra, (A) a ação expressa em necessita deve ser atribuída a essa passagem. (B) a expressão sejamos arrancados tem sentido equivalente ao de nos arranquemos. (C) a expressão arrancados nem tanto de nosso meios de subsistência, mas de (...) , tem sentido equivalente a arrancados, menos do que de nossos meios de subsistência, de (...). (D) o complemento verbal de necessita é expresso por nossa comunidade restrita, familiar e social. (E) o sinal de dois pontos pode, sem prejuízo para o sentido, ser substituído por vírgula, seguida da expressão por conseguinte. A expressão equivalente ao período original expressa a mesma ideia: de que somos “arrancados” muito mais de nossa comunidade do que de nossos meios de subsistência. Leia o texto abaixo para responder às questões a seguir. A população sertaneja é e será monarquista por muito tempo, porque no estádio inferior da evolução social em que se acha, falece-lhe a precisa capacidade mental para 39 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO compreender e aceitar a substituição do representante concreto do poder pela abstração que ele encarna, pela lei. Ela carece instintivamente de um rei, de um chefe, de um homem que a dirija, que a conduza e, por muito tempo ainda, o Presidente da República, os presidentes dos Estados, os chefes políticos locais serão o seu rei, como, na sua inferioridade religiosa, o sacerdote e as imagens continuam a ser os seus deuses. Serão monarquistas como são fetichistas, menos por ignorância do que por um desenvolvimento intelectual, éticoe religioso, insufi ciente ou incompleto. (Raimundo Nina Rodrigues, As Coletividades Anormais, S. Paulo, 1939.) (Analista – BACEN – 2002 – FCC) Julgue se as proposições 1, 2 e 3 expressam a leitura correta do texto, reproduzindo as ideias nele contidas sem distorcer e desvirtuar a signifi cação textual. Marque, a seguir, a opção correta. 1. Dada a situação de repúdio às relações sociais do homem sertanejo, falece-lhe a capacidade mental responsável pelo pensamento abstrato. 2. No aspecto religioso, a população sertaneja padece da mesma inferioridade que demonstra ter em relação à representação política. 3. Menos por ingenuidade e mais por ignorância, a população do interior adere instintivamente e se submete passivamente ao ideário monarquista. (A) Está correta apenas a proposição 1. (B) Todas as proposições estão incorretas. (C) Estão incorretas as proposições 1 e 3. (D) Todas as proposições estão corretas. (E) Estão corretas as proposições 1 e 2. A proposição 1 está correta, já que, segundo o autor, o sertanejo não possui a capacidade mental para aceitar a substituição do representante pela abstração que ele encarna. (Analista – BACEN – 2002 – FCC) Assinale o parágrafo que, ao dar continuidade ao trecho de Raimundo Nina Rodrigues, produz uma ruptura na linha de argumentação e de desenvolvimento das ideias do texto. (A) Consequentemente, o que predomina soberana é a vontade, são os sentimentos ou os interesses pessoais dos chefes, régulos ou mandões, diante dos quais as maiores garantias da liberdade individual ou se transformam em recurso de perseguição contra inocentes, se desafetos, ou se anulam em benefício de criminosos quando amigos. (B) O que é pueril é exigir que essas populações compreendam que a federação republicana é a condição, a garantia da futura unidade política de um vasto país que não pode oferecer a centralização governamental da Monarquia. (C) Todas as grandes instituições que, na civilização deste fi m de século, garantem a liberdade individual e dão o cunho da igualdade dos cidadãos perante a lei são mal compreendidas, sofi smadas e anuladas por essa gente. (D) Seria ingênuo esperar que pudesse ser outro o sentimento político do sertanejo; seria preciso negar a evolução política e admitir que os povos mais atrasados e incultos podem, sem maior preparo, compreender, aceitar e praticar as formas de governo mais liberais e complicadas. (E) O que não se pode exigir delas é que perfi lem entre os que estão de posse do poder e os que disputam essa posse, capitaneados por verdadeiros régulos de que os jagunços representavam apenas o exército, a força material. Há uma ruptura na linha de argumentação ao sugerir que a população sertaneja é ignorante por causa da opressão dos indivíduos que estão no poder, quando, na verdade, a ignorância decorre de uma falta de capacidade de abstração acerca da substituição dos representantes no poder. (Analista – BACEN – 2002 – FCC) Os trechos abaixo constituem um texto, mas estão desordenados. Ordene-os e assinale a opção que apresenta a sequência que organiza o texto de forma coesa e coerente. ( ) O sucesso está baseado em alguns outros pilares, entre os quais está o atendimento sem privilégios, que rompe com a cultura do clientelismo e da intermediação. ( ) Entre 98% e 99% dos usuários classifi caram os serviços oferecidos nessas centrais como bons ou muito bons nas unidades de funcionamento, que reúnem, num mesmo espaço, diversos órgãos públicos de diferentes esferas de governo, iniciativa privada, concessionários de serviços públicos, associações e entidades da sociedade civil. ( ) A expressão “trata-se de um serviço de primeiro mundo” se tornou comum após a criação das centrais de atendimento ao cidadão em todo o país, por diversos governos estaduais e municipais, com os mais diferentes nomes. ( ) Esse funcionamento efi ciente e contínuo da central requer um treinamento especializado dos servidores, a rapidez na confecção de documentos e a ausência de exigências burocráticas como os velhos formulários de papel comprados nas papelarias, agora substituídos pelo preenchimento direto dos dados nas telas de computador. ( ) O acesso direto a tais serviços – que funcionam ininterruptamente durante 12 horas por dia de segunda a sexta, e seis horas aos sábados – diminui o tempo e os custos para o cidadão. (Gestão empreendedora: inovar para vencer as difi culdades, 09/08/2002, www.planejamento.gov.br) (A) 5º, 2º, 1º, 4º, 3º (B) 1º, 5º, 4º, 2º, 3º (C) 3º, 5º, 2º, 1º, 4º (D) 2º, 1º, 4º, 5º, 3º (E) 4º, 3º, 5º, 1º, 2º A: (5) O acesso direto a tais serviços – que funcionam ininterruptamente durante 12 horas por dia de segunda a sexta, e seis horas aos sábados – diminui o tempo e os custos para o cidadão. (2) Entre 98% e 99% dos usuários classifi caram os serviços oferecidos nessas centrais como bons ou muito bons nas unidades de funcionamento, que reúnem, num mesmo espaço, diversos órgãos públicos de diferentes esferas de governo, iniciativa privada, concessionários de serviços públicos, associações e entidades da sociedade civil. (1) O sucesso está baseado em alguns outros pilares, entre os quais está o atendimento sem privilégios, que rompe com a cultura do clientelismo e da intermediação. (4) Esse funcionamento efi ciente e contínuo da central requer um treinamento especializado dos servidores, a rapidez na confecção de documentos e a ausência de exigências burocráticas como os velhos formulários de papel comprados nas papelarias, agora substituídos pelo preenchimento direto dos dados nas telas de computador. (3) A expressão “trata-se de um serviço de primeiro mundo” se tornou comum após a criação das centrais de atendimento ao cidadão em todo o país, por diversos governos estaduais e municipais, com os mais diferentes nomes. Em (5) o termo tais funciona como denotativo para o substantivo serviços; em (4) o pronome esse explica o funcionamento efi ciente demonstrado em (1) e (2); a expressão que inicia (3) retoma o treinamento especializado dos servidores citado em (4). (Analista – BACEN – 2002 – FCC) Ordene os trechos, de modo a comporem um único texto que obedeça à seguinte ementa: I. Considerações preliminares a respeito da imprecisão conceitual de “direitos humanos”; necessidade da efetivação dos direitos humanos. II. Considerações acerca do signifi cado que se deve atribuir ao termo “direitos humanos”. III. A emergência dos direitos humanos e a infl uência do contexto ideológico na sua caracterização. IV. Confusão conceitual vigente no tratamento terminológico do tema; diferenciação dos termos. V. Concepção de direitos humanos diante da norma jurídica e da ordem política. ( ) Tendo surgido num cenário em que o pano de fundo era o surgimento da classe burguesa, os direitos humanos foram alvo da crítica marxista, que os acusou de serem a manifestação dos interesses e do ideário burguês. Não sem razão, a assim chamada primeira geração dos direitos humanos, erigida pelo pensamento liberal, constitui-se em direitos individuais, como os direitos de participação política, as garantias processuais e o direito de propriedade. Objetiva e efetivamente, essa primeira geração fundamenta-se em um sistema de valoração com cariz individualista. ( ) Não raras vezes, encontramos a expressão “direitos fundamentais” como sinônimo de “direitos humanos”. Há uma tendência doutrinária em defi nir e denominar os direitos humanos como aqueles positivadosnas declarações e convenções internacionais. Já a terminologia “direitos fundamentais” se aplicaria aos positivados internamente por um País. Diante de tantas defi nições, destacamos que os direitos humanos ultrapassam o sentido estrito de uma ordem jurídica escrita; encontram-se numa dimensão superior que lhes empresta validade universal e objetiva. ( ) A problemática dos direitos humanos está presente em diversos momentos da nossa vida social contemporânea. Mobilizado em várias circunstâncias e conclamado sob as mais diversas razões, o termo “direitos humanos” tem sido empregado sob o signo da confusão que se faz entre sua dimensão conceitual e seu fundamento. Tal ocorrência, entretanto, não diminui e tampouco debilita a luta, inexoravelmente séria e comprometida, a ser empreendida quotidianamente pela sua real efetivação. ( ) Reconhecemos que os direitos humanos assumem a posição de princípios ético-normativos. Portanto, transcendem ao normativismo-dogmático, alicerçando e instituindo materialmente a juridicidade. Outrossim, confi guram-se como elementos legitimadores da ordem política e fundamentadores da normatividade jurídica. Advogamos que os direitos humanos constituem postulados éticos, forjados a partir da era moderna, componentes da existência do homem como pessoa. ( ) Preliminarmente, temos que os direitos humanos referem-se a uma proteção mínima que possa conduzir o ser humano a viver dignamente. Constituem uma esfera essencialmente indisponível, existente em torno do indivíduo, que objetiva o respeito mais profundo à pessoa humana. Isso implica que toda e qualquer autoridade, todo e qualquer poder político tem a obrigatoriedade de os garantir e adimplir. Ressalte-se, demais disso, que há de se proteger o indivíduo de qualquer tipo de arbítrio, inclusive, mas não unicamente, o estatal. (Baseado em Plínio Melgaré, Direitos humanos: uma perspectiva contemporânea – para além dos reducionismos tradicionais) A sequência correta é: (A) V, II, III, IV, V (B) I, II, III, IV, V (C) V, I, IV, II, III (D) III, V, I, II, IV (E) II, V, I, III, IV O item III discute as considerações iniciais acerca dos direitos humanos; o item V estabelece um signifi cado ao conceito de 41 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO direitos humanos; o item I destaca a emergência dos direitos humanos na sociedade e a infl uência do ideário burguês na sua caracterização; o item II destaca o equívoco entre “direitos fundamentais” e “direitos humanos”; o item IV estabelece uma concepção dos direitos humanos diante das normais jurídicas e da ordem política. Leia o texto abaixo para responder às questões a seguir. No Sistema de Pagamentos Brasileiro, a tecnologia se toma variável crítica e o executivo de negócios e planejamento precisa encarar este risco sob a mesma ótica que encara os riscos 5 de crédito e mercado. Doravante um problema tecnológico pode interferir diretamente na questão da liquidez da instituição, mesmo que por poucos momentos. Trata-se de uma questão de continuidade de negócios. 10 As interrupções no processamento da informação, ou a degradação nos sistemas de informação fazem parte da rotina nas estruturas de tecnologia de qualquer empresa, seja ela fi nanceira ou não. Esses são eventos programados 15 que visam atender a demandas ocasionais do negócio ou da tecnologia. O que deve preocupar os executivos de uma instituição fi nanceira são as interrupções não programadas. Problemas que afetam diretamente 20 a infraestrutura tecnológica. São falhas de hardware e/ou sistema operacional, conflitos de aplicações; sabotagem; desastres (incêndio, inundação etc.); falha humana; corrupção de dados; vírus etc. Estes acidentes causam maior 25 impacto por serem de maior difi culdade de identifi cação e recuperação. O seu custo é proporcional ao valor da informação afetada e ao volume de negócios interrompidos pelo evento. Dependendo da situação, a recuperação da estrutura 30 operacional pode levar algumas horas e, no caso do SPB, afetar não só a instituição como eventuais parceiros. É importante o planejamento e a implementação de uma solução de continuidade de negócios. 35 Os riscos não são desprezíveis. Um estudo feito pela Universidade do Texas com empresas que sofreram uma perda catastrófica de dados concluiu que 43% jamais voltaram a operar, 51% faliram em dois anos e apenas 6% sobreviveram. 40 Entre as empresas vítimas do primeiro atentado a bomba no World Trade Center (New York), 50% das que não possuíam um plano de contingência faliram em menos de 2 anos. (Adaptado de BANCO HOJE, março de 2001, p. 63.) (Analista – BACEN – 2001 – FCC) Em relação às ideias do texto, assinale a opção correta. (A) A tecnologia constitui um risco insignifi cante se comparado ao risco natural do mercado e do crédito. (B) Nenhuma instituição pode apresentar interrupções no processamento da informação, mesmo que programadas, pois signifi cam perdas irrecuperáveis. (C) As interrupções não programadas, que afetam a infraestrutura rotineira da empresa, no Serviço de Pagamentos Brasileiro, restringem-se à própria empresa. (D) O custo decorrente de acidentes é calculado a partir do valor das informações perdidas e do volume de negócios interrompidos pelo acontecimento. (E) No Serviço de Pagamentos Brasileiro, as perdas de informação ocorridas em uma empresa circunscrevem- se a ela apenas, sem afetar outras empresas que com ela tenham negócios. O texto destaca a importância da tecnologia e, por conseguinte, o valor das informações perdidas, assim como o valor dos negócios interrompidos durante quaisquer imprevistos que afetem a rede de dados de uma instituição. (Analista – BACEN – 2001 – FCC) Assinale a opção que constitui uma continuação coesa e coerente para o texto. (A) Em consonância com essas diretrizes, uma profunda transformação tecnológica será promovida nos bancos brasileiros para que eles se adaptem às normas determinadas pelo Banco Central (BC), que preveem a reestruturação do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). (B) Para tanto, os ambientes de armazenamento/processamento da informação serão responsáveis pela integridade das operações de uma instituição fi nanceira, pois, mesmo hoje, as operações de bancos de varejo dependem fundamentalmente destas estruturas, que são extremamente diversificadas, heterogêneas e interdependentes. (C) Por outro lado, um ambiente consolidado através da implementação de uma infraestrutura de informação, com objetivos de proteção, compartilhamento e gerenciamento da informação assegurou uma série de benefícios. (D) Diante de tais evidências, uma metodologia que proteja a informação e garanta a continuidade das atividades e negócios com um mínimo de impacto, que seja independente da arquitetura de sistemas, deixa de ser um desejo e passa a ser uma necessidade imperativa. (E) Entra em vigor em outubro, quando já deve estar funcionando a transferência de grandes valores com liquidação bruta em tempo real e o monitoramento on line de contas reservas bancárias mantidas no BC, que se livrará da obrigação de cobrir os saldos negativos deixados pelos bancos nas operações do dia a dia. Ao destacar a fragilidade das instituições no âmbito tecnológico, é fundamental a criação de um método de proteção para as informações e para o bom funcionamento dos negócios. Leia o seguinte texto: A evolução dos fundamentos ao longo de 1999 não ratifi cou as expectativas pessimistasformuladas ao início do ano, quando o impacto da crise fi nanceira internacional sob a economia brasileira determinou a reordenação dos principais condicionantes internos, com o objetivo de possibilitar que a condução da política econômica preservasse a estabilidade econômica e as condições necessárias ao processo do crescimento sustentado. (Banco Central do Brasil, RELATÓRIO ANUAL 1999, vol. 35, p. 9, com adaptações.) (Analista – BACEN – 2001 – FCC) Marque a opção que dá uma continuidade coerente e gramaticalmente correta ao texto. (A) Nesse contexto, a introdução de alterações institucionais relevantes marcam, no que se refere à política cambial e à política monetária, de forma paralela à continuação no empenho governamental na realização de efetivo ajuste de contas públicas. (B) Dessa maneira, assinale-se que a introdução de alterações institucionais signifi cativas, paralelamente à continuidade do esforço governamental na promoção de efi caz ajuste das contas públicas, no que refere à política cambial e monetária. (C) Assim, assinalar a introdução de alterações institucionais relevantes marcam, no que tange à política tanto cambial quanto monetária, de forma paralela à solução de continuidade no empenho do governo com respeito ao efetivo ajuste das contas públicas. (D) Assim, deve-se assinalar a introdução de alterações signifi cativas institucionais que, no paralelismo entre políticas cambiais e políticas monetárias no ajuste efetivo da promoção de contas públicas refere-se ao empenho do governo. (E) Nesse contexto, assinale-se a introdução de alterações institucionais signifi cativas, no que se refere às políticas cambial e monetária, paralelamente à continuidade do empenho governamental na promoção de efetivo ajuste das contas públicas. As alterações institucionais – políticas, cambiais e monetárias – visam à estabilidade econômica citada no texto original e, por isso, garantem uma continuação coerente e gramaticalmente correta. Leia o texto. Nas duas últimas décadas, os Bancos Centrais do mundo todo têm desempenhado um papel importante no sistema de pagamento dos seus países em consequência da globalização, do 5 crescimento das atividades fi nanceiras e da rápida evolução tecnológica. Por ser a base da infraestrutura necessária para suportar as atividades econômicas do país e um veículo crítico de penetração em outros mercados, 10 o Banco Central do Brasil tem se empenhado em desenvolver um sistema nacional de pagamentos que possa, de uma maneira segura e efi ciente, tratar as transferências de grandes volumes financeiros. Estamos no caminho 15 certo e não podemos fi car isolados do resto do mundo. (BANCO HOJE, março de 2001, p. 64. ) (Analista – BACEN – 2001 – FCC) Em relação ao texto acima, assinale a opção correta. (A) Depreende-se do texto que globalização e evolução tecnológica constituem duas importantes consequências do crescimento das atividades fi nanceiras dos bancos centrais. (B) A expressão “têm desempenhado”(l. 2) pode ser substituída, sem prejuízo para a correção gramatical do período, por vem desempenhando. (C) Infere-se do texto que os bancos centrais têm contado com um declínio em sua importância econômico-social, paralelamente ao seu incremento tecnológico. (D) A articulação entre as ideias dos dois parágrafos pode se realizar inserindo-se no início do segundo parágrafo a expressão: Em consonância com esta evidência e por... (E) As formas verbais do último período sintático do texto, “Estamos” (l. 14) e “podemos” (l. 15), estão sendo utilizadas como reforço estilístico para inserir todos os países que têm bancos centrais no esforço da globalização. A expressão Em consonância com esta evidência retoma o papel fundamental dos bancos no cenário socioeconômico dos países e relaciona tais instituições como suporte dos países para o desenvolvimento das atividades econômicas. Atenção: As questões a seguir baseiam-se no texto apresentado abaixo. Nas formas de vida coletiva podem assinalar-se dois princípios que se combatem de morte e regulam diversamente as atividades dos homens. Esses dois princípios encarnam-se nos tipos do aventureiro e do trabalhador. Já nas sociedades rudimentares manifestam- se eles, segundo sua predominância, na distinção fundamental entre os povos caçadores ou coletores e os povos lavradores. Para uns, o objeto fi nal, a mira de todo esforço, o ponto de chegada, assume relevância tão capital, que chega a dispensar, por secundários, quase supérfl uos, todos os processos intermediários. Seu ideal será colher o fruto sem plantar a árvore. Esse tipo humano ignora as fronteiras. No mundo tudo se apresenta a ele em generosa amplitude e onde quer que se erija um obstáculo a seus propósitos ambiciosos, sabe transformar esse obstáculo em trampolim. Vive dos espaços ilimitados, dos projetos vastos, dos horizontes distantes. 43 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO O trabalhador, ao contrário, é aquele que enxerga primeiro a difi culdade a vencer, não o triunfo a alcançar. O esforço lento, pouco compensador e persistente que, no entanto, mede todas as possibilidades de esperdício e sabe tirar o máximo proveito do insignifi cante, tem sentido bem nítido para ele. Seu campo visual é naturalmente restrito. A parte maior que o todo. Existe uma ética do trabalho, como existe uma ética da aventura. Assim, o indivíduo do tipo trabalhador só atribuirá valor moral positivo às ações que sente ânimo de praticar e, inversamente, terá por imorais e detestáveis as qualidades próprias do aventureiro - audácia, imprevidência, irresponsabilidade, instabilidade, vagabundagem -, tudo, enfi m, quanto se relacione com a concepção espaçosa do mundo, característica desse tipo. Por outro lado, as energias e esforços que se dirigem a uma recompensa imediata são enaltecidos pelos aventureiros; as energias que visam estabilidade, paz, segurança pessoal e os esforços sem perspectiva de rápido proveito material passam, ao contrário, por viciosos e desprezíveis para eles. Nada lhes parece mais estúpido e mesquinho do que o ideal do trabalhador. Entre esses dois tipos não há, em verdade, tanto uma oposição absoluta como uma incompreensão radical. Ambos participam, em maior ou menor grau, de múltiplas combinações e é claro que, em estado puro, nem o aventureiro, nem o trabalhador, possuem existência real fora do mundo das ideias. Mas também não há dúvida que os dois conceitos nos ajudam a situar e a melhor ordenar nosso conhecimento dos homens e dos conjuntos sociais. E é precisamente nessa extensão superindividual que eles assumem importância inestimável para o estudo da formação e evolução das sociedades. Na obra da conquista e da colonização dos novos mundos coube ao espírito do trabalho, no sentido aqui compreendido, papel muito limitado, quase nulo. A época predispunha aos gestos e façanhas audaciosos, galardoando bem os homens de grandes voos. E não foi fortuita a circunstância de se terem encontrado neste continente, empenhadas nessa obra, principalmente as nações onde o tipo do trabalhador, tal como acaba de ser discriminado, encontrou ambiente menos propício. (Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. 2ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948, p. 36-39.) (Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) É correto concluir do texto que (A) os ideais de vida cultivados por diferentes tipos sociais contribuem para a difi culdade de se justifi car o predomínio de certos valores morais em determinadas épocase atividades. (B) os valores éticos surgem como consequência da evolução das sociedades, já que são desnecessários em povos primitivos, que se organizam em torno de um único ideal. (C) as noções divergentes a respeito da ética social impelem alguns tipos humanos a posições radicais, de oposição a valores cultuados pelos demais, em uma mesma sociedade. (D) a organização social vigente no mundo contemporâneo impede a existência real de certos tipos, especialmente daqueles que buscam o sucesso rápido, por meio de façanhas e de aventuras. (E) o comportamento ético das pessoas é pautado por sua própria visão de mundo, admitindo-se, no entanto, relações mútuas de convivência e da sua existência entre os diversos tipos sociais. A partir da distinção entre o homem aventureiro e o homem trabalhador, é possível concluir que são visões de mundo diferentes uma da outra, pautada por uma ética singular, mas que se relacionam entre os mais diversos tipos sociais. (Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) Resume-se corretamente o texto da seguinte maneira: (A) A organização social estrutura-se a partir de concepções éticas específi cas, mesmo que sejam elas individuais e aparentemente divergentes. (B) O elevado ônus decorrente das aventuras de conquista de novos mundos só poderia ser assumido por algumas nações, orientadas pela ética do trabalho. (C) A descoberta de novos mundos tornou-se possível numa época de oposição entre valores éticos vigentes nas sociedades em que havia predomínio do espírito do trabalho. (D) A época das conquistas realizadas por algumas nações mundo afora colocou em oposição os ideais de luta e perseverança em oposição ao tipo do aventureiro. (E) O espírito aventureiro surgiu em circunstâncias históricas específi cas, consequência da necessária adaptação às condições de vida em mundos novos e desconhecidos. Ao conceituar o Homem em dois tipos – trabalhadores e aventureiros –, o autor visa a estruturar a organização social a partir das visões de mundos desses tipos de indivíduos, destacando que, mesmo divergentes, relacionam-se em diversos níveis sociais. (Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) O texto desenvolve-se como (A) estudo psicológico dos motivos que levam pessoas a agir de determinada forma, a reconhecer determinados valores e os meios escolhidos para atingir seus objetivos. (B) apresentação de certos aspectos evolutivos de sociedades diversas, cuja discussão se baseia em informações de cunho científi co. (C) análise de cunho sociológico dos papéis desempenhados por certos tipos que marcaram a história das sociedades ao longo do tempo. (D) visão utópica da formação de uma sociedade, com os papéis vividos por tipos considerados ideais, para permitir a evolução do todo social. (E) informação, com base em dados antropológicos, a respeito da evolução dos grupos humanos, desde os mais rudimentares, até o aparecimento da agricultura. O texto é um estudo sociológico que analisa os tipos de visões de mundo e conduta dos indivíduos no decorrer dos séculos nas sociedades. (Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) A organização textual baseia-se nas relações sintático-semânticas de (A) tempo e espaço, na indicação dos vários modelos de sociedade, desde o início da evolução humana. (B) causas e as consequências resultantes da formação das sociedades, ao longo do tempo. (C) similitude entre organizações sociais, desde as mais rudimentares, quanto às formas de evolução. (D) simultaneidade entre ações decorrentes de valores vigentes em determinada época, em um conjunto social. (E) oposição entre dois polos divergentes, que marcam as atitudes humanas na vida em sociedade. Ao distinguir os indivíduos em dois grandes grupos – trabalhadores e aventureiros –, o autor destaca uma série de oposições acerca das condutas e visões de mundo desses tipos de Homem. (Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) Esse tipo humano ignora as fronteiras. (início do 2º parágrafo) A expressão do texto que reproduz o sentido da frase acima é: (A) a mira de todo esforço. (1º parágrafo) (B) todos os processos intermediários. (1º parágrafo) (C) as qualidades próprias do aventureiro. (4º parágrafo) (D) a concepção espaçosa do mundo. (4º parágrafo) (E) uma recompensa imediata. (5º parágrafo) Ambas as passagens estão relacionadas à visão de mundo do tipo aventureiro e, por isso, reproduzem uma ética e conduta desse tipo de indivíduo. (Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) Considere as afi rmativas a respeito das frases iniciais do 1º e do 6º parágrafos: I. há evidente incoerência entre ambas, pois no 6º parágrafo o autor desmente o que foi afi rmado no 1º. II. o 6º parágrafo retoma o núcleo do que foi dito no 1º, de forma articulada, dando continuidade à explanação textual. III. a afi rmativa do 1º parágrafo pressupõe, desde o início do texto, o que foi explicitado no 6º, como sua repetição enfática. Está correto o que se afi rma SOMENTE em (A) I. (B) II. (C) III. (D) I e II. (E) II e III. I: incorreta, pois o autor não desmente a presença de dois tipos de indivíduos, mas ameniza qualquer radicalismo que os diferencie; II: correto; III: incorreto, pois a conceituação desses dois tipos, ao contrário do que o leitor possa pensar, só existe no plano das ideias, visto que tal análise só funciona para demonstrar as diferenças de conduta e ética dos indivíduos dentro da sociedade. (Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) A época predispunha aos gestos e façanhas audaciosos, galardoando bem os homens de grandes voos. (último parágrafo) O sentido contextual do segmento grifado acima está reproduzido abaixo, EXCETO em: (A) premiando os sujeitos voltados a feitos heroicos. (B) valorizando as pessoas capazes de superar obstáculos. (C) identifi cando os que enfrentavam enormes distâncias. (D) distinguindo com honrarias os que ultrapassam limites. (E) recompensando grandemente os autores de atos excepcionais. O autor faz referência às Grandes navegações que ocorreram durante o século XVI e identifi ca as grandes distâncias percorridas por esses navegadores na procura de novas terras. Atenção: As questões a seguir baseiam-se no texto apresentado abaixo. A cultura, e consequente organização social, política e econômica dominante na sociedade contemporânea, ainda é aquela que começou a nascer no século XVI, quando um conjunto de inovações tecnológicas num contexto histórico favorável contribuiu para o início do enterro do Antigo Regime, no qual a Terra estava no centro do universo, a ordem social era imutável e a Igreja, junto com o poder absolutista, tinha o monopólio da informação. A prensa de Gutenberg estava entre as inovações tecnológicas que contribuíram para a ascensão do mundo burguês. E os seus principais produtos - o livro e o jornal - foram entendidos durante muitos anos pela ordem dominante como ferramentas subversivas. Esta subversão gestou e gerou o mundo em que vivemos. Um mundo onde a iniquidade social ainda incomoda e assusta, mas no qual 45 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO todas as barreiras para a geração de riqueza e de conhecimento foram derrubadas, num processo que também gerou a onda de inovação que estamos vivendo e a possibilidade de darmos o próximo salto. Não é função da indústria pensar a educação. A missão de qualquer empresa é lutar com todas assuas forças para crescer e se perpetuar. Mesmo quando isso vai de encontro aos interesses da comunidade em que ela está inserida. Ela jamais poderá pensar com a devida isenção numa plataforma de serviços focada em educação. Por isso mesmo, nenhum representante da indústria de tecnologia poderia ter sido pioneiro num projeto de educação fundamentado nas profundas e dramáticas mudanças que a cibernética tem trazido para as nossas vidas. (Trecho do artigo do jornalista Rodrigo Lara Mesquita. O Estado de S. Paulo, A2, 4 de maio de 2007.) (Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) É correto inferir do texto que seu autor, (A) como jornalista que é, questiona a importância do livro e do jornal no mundo contemporâneo, como instrumentos essenciais para a divulgação do conhecimento. (B) ao apontar a importância de algumas inovações tecnológicas do mundo moderno, reconhece a importância da cibernética para os projetos educacionais. (C) pensando em um projeto de educação efi caz, afasta qualquer possibilidade de envolvimento de empresas, a despeito do interesse que elas possam demonstrar. (D) ao reconhecer a inoperância do empresariado, especialmente na área da cibernética, ignora o impacto que essa tecnologia poderia causar em um projeto educacional. (E) como defensor do desenvolvimento tecnológico, propõe uma educação voltada especifi camente para a indústria da informática, base da integração social. A internet demonstrou ser um instrumento fundamental para o desenvolvimento de projetos educacionais. Além disso, a implantação de internet na rede de escolas proporciona à comunidade estudantil a possibilidade de uma melhor qualidade de ensino, bem como maior efi ciência na pesquisa acadêmica. (Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) E os seus principais produtos - o livro e o jornal - foram entendidos durante muitos anos pela ordem dominante como ferramentas subversivas. (2º parágrafo) É correto afi rmar, a respeito da expressão grifada acima, que o livro e o jornal (A) eram temidos em razão da possibilidade de disseminação de conhecimentos antes reservados e restritos a uma classe privilegiada. (B) representavam o pensamento e, portanto, o modo de vida da época, com os valores de uma classe ascendente, a burguesia. (C) eram utilizados pela classe dominante para divulgarem as novidades que surgiam, no contexto histórico daquele momento. (D) deram início a uma série de inovações tecnológicas que possibilitaram o avanço social e econômico durante o século XVI. (E) foram e ainda permanecem como símbolos das desigualdades sociais, especialmente decorrentes da incapacidade de leitura no mundo contemporâneo. Livros e jornais eram temidos por viabilizarem a disseminação de novos conhecimentos que eram restritos a apenas uma parcela da população. Tais meios de comunicação eram vistos como subversivos, pois ameaçavam a ordem vigente. (Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) Está INCORRETA a afi rmação que se faz a respeito dos parágrafos do texto: (A) O 1º parágrafo traça, de maneira rápida e sintética, um painel histórico e cultural existente numa determinada época. (B) Observa-se, especialmente no 2º parágrafo, emprego de palavras que adquirem sentido particular, percebido no contexto em que se encontram. (C) O 3º parágrafo constitui, em síntese, um argumento que justifi ca a opinião que vem exposta no 4º parágrafo. (D) A articulação sintático-semântica que se estabelece entre o 3º e o 4º parágrafos é de causa e consequência. (E) No 4º parágrafo o autor defende a ideia de que a indústria se torne responsável também por projetos educacionais voltados para o desenvolvimento social. O autor demonstra que a indústria não se responsabilizará por projetos educacionais, pois visa sempre ao crescimento e ao lucro. 2. REDAÇÃO, COESÃO E COERÊNCIA Cada um fala como quer, ou como pode, ou como acha que pode. Ainda ontem me divertiu este trechinho de crônica do escritor mineiro Humberto Werneck, de seu livro Esse inferno vai acabar: “- Meu cabelo está pendoando – anuncia a prima, apalpando as melenas. Tenho anos, décadas de Solange, mas confesso que ela, com o seu solangês, às vezes me pega desprevenido. - Seu cabelo está o quê? - Pendoando – insiste ela, e, com a paciência de quem explica algo elementar a um total ignorante, traduz: - Bifurcando nas extremidades. É assim a Solange, criatura para a qual ninguém morre, mas falece, e, quando sobrevém esse infausto acontecimento, tem seu corpo acondicionado num ataúde, num esquife, num féretro, para ser inumado em alguma necrópole, ou, mais recentemente, incinerado em crematório. Cabelo de gente assim não se torna vulgarmente quebradiço: pendoa.” Isso me fez lembrar uma visita que recebemos em casa, eu ainda menino. Amigas da família, mãe e fi lha adolescente vieram tomar um lanche conosco. D. Glorinha, a mãe, achava meu pai um homem intelectualizado e caprichava no vocabulário. A certa altura pediu ela a mim, que estava sentado numa extremidade da mesa: - Querido, pode alcançar-me uma côdea desse pão? Por falta de preparo linguístico não sabia como atender a seu pedido. Socorreu-me a fi lha adolescente: - Ela quer uma casquinha do pão. Ela fala sempre assim na casa dos outros. A mãe fi cou vermelha, isto é, ruborizou, enrubesceu, rubifi cou, e olhou a fi lha com reprovação, isto é, dardejou-a com olhos censórios. Veja-se, para concluir, mais um trechinho do Werneck: “Você pode achar que estou sendo implicante, metido a policiar a linguagem alheia. Brasileiro é assim mesmo, adora embonitar a conversa para impressionar os outros. Sei disso. Eu próprio já andei escrevendo sobre o que chamei de ruibarbosismo: o uso de palavreado rebarbativo como forma de, numa discussão, reduzir ao silêncio o interlocutor ignaro. Uma espécie de gás paralisante verbal.” (Cândido Barbosa Filho, inédito) (Analista – TRT/1ª – 2012 – FCC) Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre um aspecto do texto: (A) Nem todas as pessoas que utilizam um vocabulário rebuscado alcançam por isso qualquer ganho que se possa atribuir à seu poder de comunicação. (B) O autor do texto acredita que muita gente se vale de um palavreado rebuscado para intimidar ou mesmo calar os interlocutores menos cultos. (C) Ficou evidente que D. Glorinha buscava ilustrar as pessoas cujo vocabulário menos reduzido as deixasse impressionadas com tamanho requinte. (D) O termo “solangês”, tratando-se de um neologismo, aplica-se aos casos segundo os quais quem fala de modo rebarbativo parece aludir a tal Solange. (E) Não é difícil encontrar, aqui e ali, pessoas cujo intento é se apoderar de um alto vocabulário, tendo em vista o propósito de vir a impressionar quem não tem. A: incorreta. Além da falta de clareza e excesso de palavras para transmitir a ideia, há erro gramatical na colocação do acento grave antes de “seu poder” (não ocorre crase antes de palavra masculina); B: correta. A redação está clara, coerente e cumpre todas as regras gramaticais; C: incorreta. A redação está obscura e incoerente. Ela não faz sentido algum; D: incorreta. O excesso de pronomes torna o texto obscuro e prolixo; E: incorreta. O uso de palavras em sentido conotativo, como em “se apoderar de um alto vocabulário”, compromete a clareza da redação. Economia religiosa Concordo plenamente com Dom Tarcísio Scaramussa, da CNBB, quando ele afi rma que não faz sentido nem obrigar uma pessoaa rezar nem proibi-la de fazê-lo. A declaração do prelado vem como crítica à professora de uma escola pública de Minas Gerais que hostilizou um aluno ateu que se recusara a rezar o pai-nosso em sua aula. É uma boa ocasião para discutir o ensino religioso na rede pública, do qual a CNBB é entusiasta. Como ateu, não abraço nenhuma religião, mas, como liberal, não pretendo que todos pensem do mesmo modo. Admitamos, para efeitos de argumentação, que seja do interesse do Estado que os jovens sejam desde cedo expostos ao ensino religioso. Deve-se então perguntar se essa é uma tarefa que cabe à escola pública ou se as próprias organizações são capazes de supri-la, com seus programas de catequese, escolas dominicais etc. A minha impressão é a de que não faltam oportunidades para conhecer as mais diversas mensagens religiosas, onipresentes em rádios, TVs e também nas ruas. Na cidade de São Paulo, por exemplo, existem mais templos (algo em torno de 4.000) do que escolas públicas (cerca de 1.700). Creio que aqui vale a regra econômica, segundo a qual o Estado deve fi car fora das atividades de que o setor privado já dá conta. Outro ponto importante é o dos custos. Não me parece que faça muito sentido gastar recursos com professores de religião, quando faltam os de matemática, português etc. Ao contrário do que se dá com a religião, é difícil aprender física na esquina. Até 1997, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação acertadamente estabelecia que o ensino religioso nas escolas ofi ciais não poderia representar ônus para os cofres públicos. A bancada religiosa emendou a lei para empurrar essa conta para o Estado. Não deixa de ser um caso de esmola com o chapéu alheio. (Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, 06/04/2012) (Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto: O articulista da Folha de S. Paulo 47 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (A) propugna de que tanto o liberalismo quanto o ateísmo podem convergir, para propiciar a questão do ensino público da religião. (B) defende a tese de que não cabe ao Estado, inclusive por razões econômicas, promover o ensino religioso nas escolas públicas. (C) propõe que se estenda à bancada religiosa a decisão de aceitar ou rejeitar, segundo seus interesses, o ensino privado da religião. (D) argumenta que no caso do ensino religioso, acatado pelos liberais, não se trata de ser a favor ou contra, mas arguir a real competência. (E) insinua que o ensino público da religião já se faz a contento, por que as emissoras de comunicação intentam-no em grande escala. A: incorreta. O autor cita sua condição de ateu e liberal sem misturá-las: a primeira serve para criticar o ensino religioso em si, a segunda para afastar a obrigação do Estado de ministrá- lo; B: correta, nos termos do comentário à alternativa anterior; C: incorreta. Não há qualquer proposta nesse sentido no texto. Ademais, o autor critica o papel das bancadas religiosas no Poder Legislativo; D: incorreta. O autor não afi rma que os liberais concordam com o ensino religioso. Ele mesmo, um liberal, é contra a imposição dele pelo Estado; E: incorreta. O autor não insinua, ele afi rma. Defende abertamente que os meios de comunicação e os próprios templos já cumprem o papel de expor todos, principalmente as crianças, aos conceitos religiosos. Fora com a dignidade Acho ótimo que a Igreja Católica tenha escolhido a saúde pública como tema de sua campanha da fraternidade deste ano. Todas as burocracias – e o SUS não é uma exceção – têm a tendência de acomodar-se e, se não as sacudirmos de vez em quando, caem na abulia. É bom que a Igreja use seu poder de mobilização para cobrar melhorias. Tenho dúvidas, porém, de que o foco das ações deva ser o combate ao que dom Odilo Scherer, numa entrevista, chamou de terceirização e comercialização da saúde. É verdade que colocar um preço em procedimentos médicos nem sempre leva ao melhor dos desfechos, mas é igualmente claro que consultas, cirurgias e drogas têm custos que precisam ser gerenciados. Ignorar as leis de mercado, como parece sugerir dom Odilo, provavelmente levaria o sistema ao colapso, prejudicando ainda mais os pobres. Para o religioso, é “a dignidade do ser humano” que deve servir como critério moral na tomada de decisões relativas a vida e morte. O problema com a “dignidade” é que ela é subjetiva demais. A pluralidade de crenças e preferências do ser humano é tamanha que o termo pode signifi car qualquer coisa, desde noções banais, como não humilhar desnecessariamente o paciente (forçando-o, por exemplo, a usar aqueles horríveis aventais vazados atrás), até a adesão profunda a um dogma religioso (há confi ssões que não admitem transfusões de sangue). Numa sociedade democrática não podemos simplesmente apanhar uma dessas concepções e elevá-la a valor universal. E, se é para operar com todas as noções possíveis, então já não estamos falando de dignidade, mas, sim, de respeito à autonomia do paciente, conceito que a substitui sem perdas. (Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, março/2012) (Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto. (A) Presume-se que o autor não defenda a ideia de que deva o Estado assumir inteira responsabilidade pela prestação de quaisquer serviços públicos de alto custo. (B ) Não seria possível, para o autor, que os serviços mais onerosos aos cofres públicos compitam ao Estado resolver com seus próprios meios. (C) Uma vez que se atendam as leis do mercado, até mesmo o Estado poderia precaver as ações na área da saúde, sem desmerecer uma sociedade democrática. (D) Entre o que se prega nas religiões e o que implica as leis de mercado, as questões de saúde nada têm a haver com a suposta dignidade humana. (E) Apenas nas crenças que não operam restrições a medidas de saúde, leva-se em conta o valor universal da dignidade humana, para ser bem demonstrado. A: correta. A redação está clara a atende a todos os preceitos gramaticais; B: incorreta. Falta clareza na redação. Melhor seria retirar o trecho: “resolver com seus próprios meios”, que é redundante e não acrescenta nada ao argumento; C: incorreta. O trecho é incoerente, porque a conclusão não decorre logicamente dos argumentos apresentados. Além disso, os verbos “precaver” e “desmerecer” estão “soltos” no período, não sendo possível compreender seu uso; D: incorreta. Mais uma vez, a conclusão apresentada não guarda coerência com as premissas; E: incorreta. Não há vírgula após “saúde” e deveria ser suprimida a expressão “para ser bem demonstrado”, que está completamente desvinculada do texto. O mito napoleônico baseia-se menos nos méritos de Napoleão do que nos fatos, então sem paralelo, de sua carreira. Os homens que se tornaram conhecidos por terem abalado o mundo de forma decisiva no passado tinham começado como reis, como Alexandre, ou patrícios, como Júlio César, mas Napoleão foi o “pequeno cabo” que galgou ao comando de um continente pelo seu puro talento pessoal. Todo homem de negócios daí em diante tinha um nome para sua ambição: ser − os próprios clichês o denunciam − um “Napoleão das fi nanças” ou “da indústria”. Todos os homens comuns fi cavam excitados pela visão, então sem paralelo, de um homem comum maior do que aqueles que tinham nascido para usar coroas. Em síntese, foi a fi gura com que todo homem que partisse os laços com a tradição podia se identifi car em seus sonhos. Para os franceses ele foitambém algo bem mais simples: o mais bem-sucedido governante de sua longa história. Triunfou gloriosamente no exterior, mas, em termos nacionais, também estabeleceu ou restabeleceu o mecanismo das instituições francesas como existem hoje. Ele trouxe estabilidade e prosperidade a todos, exceto para os 250 mil franceses que não retornaram de suas guerras, embora até mesmo para os parentes deles tivesse trazido a glória. Sem dúvida, os britânicos se viam como lutadores pela causa da liberdade contra a tirania; mas em 1815 a maioria dos ingleses era mais pobre do que o fora em 1800, enquanto a maioria dos franceses era quase certamente mais rica. Ele destruíra apenas uma coisa: a Revolução de 1789, o sonho de igualdade, liberdade e fraternidade, do povo se erguendo na sua grandiosidade para derrubar a opressão. Este foi um mito mais poderoso do que o dele, pois, após a sua queda, foi isto e não a sua memória que inspirou as revoluções do século XIX, inclusive em seu próprio país. (Adaptado de Eric. J. Hobsbawm. A era das revoluções − 1789- 1848. 7ª ed. Trad. de Maria Tereza Lopes Teixeira e Marcos Penchel. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989, p.93-4) (Analista – TRT9 – 2012 – FCC) Todos os homens comuns fi cavam excitados pela visão [...] de um homem comum maior do que aqueles que tinham nascido para usar coroas. Uma nova redação para a frase acima, em que se preservam a correção e a clareza, está em: (A) Os homens comuns, quando viam que um homem comum como eles era maior do que os nascidos para usar coroas, não tendo como não fi car excitados. (B) Ver os homens comuns que um homem também comum era maior do que os nascidos para usar coroas eram o que os deixavam excitados. (C) A visão de um homem comum maior do que aqueles nascidos para usar coroas, deixavam excitados todos os homens que eram tão comuns como ele. (D) Não havia homem comum que não fi casse excitado pela visão de um homem também comum que se tornara maior do que os nascidos para usar coroas. (E) À medida em que via um homem comum maior do que aqueles nascidos para usar coroas, todo homem comum fi cava excitado com a visão que tivesse. A: incorreta. A redação, além de apresentar repetições desnecessárias de termos, está incorreta no último trecho. Deveria constar “tinham” em vez de “tenham”; B: incorreta. A redação está confusa. Além disso, deveria constar “era” em vez de “eram”; C: incorreta. Não deveria haver vírgula após “coroas” e o verbo deveria estar no singular (“deixava”); D: correta. A redação está clara, mantém o sentido original do texto e respeita todos os preceitos gramaticais; E: incorreta. A redação está repleta de repetições desnecessárias, tornando- a prolixa e um tanto confusa. Em outubro de 1967, quando Gilberto Gil e Caetano Veloso apresentaram as canções Domingo no parque e Alegria, Alegria, no Festival da TV Record, logo houve quem percebesse que as duas canções eram infl uenciadas pela narrativa cinematográfi ca: repletas de cortes, justaposições e fl ashbacks. Tal suposição seria confi rmada pelo próprio Caetano quando declarou que fora “mais infl uenciado por Godard e Glauber do que pelos Beatles ou Dylan”. Em 1967, no Brasil, o cinema era o que havia de mais intenso e revolucionário, superando o próprio teatro, cuja inquietação tinha incentivado os cineastas a iniciar o movimento que fi cou conhecido como Cinema Novo. O Cinema Novo nasceu na virada da década de 1950 para a de 1960, sobre as cinzas dos estúdios Vera Cruz (empresa paulista que faliu em 1957 depois de produzir dezoito fi lmes). “Nossa geração sabe o que quer”, dizia o baiano Glauber Rocha já em 1963. Inspirado por Rio 40 graus e por Vidas secas, que Nelson Pereira dos Santos lançara em 1954 e 1963, Glauber Rocha transformaria, com Deus e o diabo na terra do sol, a história do cinema no Brasil. Dois anos depois, o cineasta lançou Terra em Transe, que talvez tenha marcado o auge do Cinema Novo, além de ter sido uma das fontes de inspiração do Tropicalismo. A ponte entre Cinema Novo e Tropicalismo fi caria mais evidente com o lançamento, em 1969, de Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade. Ao fazer o fi lme, Joaquim Pedro esforçou-se por torná-lo um produto afi nado com a cultura de massa. “A proposição de consumo de massa no Brasil é algo novo. A grande audiência de TV entre nós é um fenômeno novo. É uma posição avançada para o cineasta tentar ocupar um lugar dentro dessa situação”, disse ele. Incapaz de satisfazer plenamente as exigências do mercado, o Cinema Novo deu os seus últimos suspiros em fi ns da década de 1970 − período que marcou o auge das potencialidades comerciais do cinema feito no Brasil. (Adaptado de Eduardo Bueno. Brasil: uma história. Ed. Leya, 2010. p. 408) (Analista – TRT9 – 2012 – FCC) Incapaz de satisfazer plenamente as exigências do mercado, o Cinema Novo deu os seus últimos suspiros em fi ns da década de 1970 − período que marcou o auge das potencialidades comerciais do cinema feito no Brasil. Uma redação alternativa para a frase acima, em que se mantêm a correção, a lógica e, em linhas gerais, o sentido original, é: (A) Como não fosse capaz de satisfazer plenamente as exigências do mercado, o Cinema Novo acabou no fi nal da década de 1970: período que se destaca, as potencialidades 49 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO comerciais, do cinema feito no Brasil. (B) Conquanto não pudesse satisfazer plenamente as exigências do mercado, o Cinema Novo terminou no fi nal da década de 1970, período que, marcou o auge das potencialidades comerciais do cinema feito no Brasil. (C) Como não pôde satisfazer plenamente as exigências do mercado, o Cinema Novo acabou em fi ns da década de 1970, período em que as potencialidades comerciais do cinema feito no Brasil atingiram o seu apogeu. (D) O Cinema Novo, incapaz de satisfazer plenamente as exigências do mercado não resistiu e terminou no fi nal da década de 1970, onde as potencialidades comerciais do cinema feito no Brasil atingiria o seu apogeu. (E) O cinema feito no Brasil, atinge o seu potencial comercial máximo no fi nal da década de 1970, quando, não podendo satisfazer plenamente as exigências do mercado terminava o Cinema Novo. A: incorreta. O erro está no último trecho, onde deveria constar: “período em que se destacam as potencialidades comerciais do cinema feito no Brasil”; B: incorreta. “Conquanto” é sinônimo de “embora”, “não obstante”, ou seja, tem valor concessivo. Seu uso indica que, após a enunciação de um fato, falaremos de outro que lhe é contrário, que aconteceu apesar dos obstáculos impostos pelo primeiro. No caso, o fi m do Cinema Novo é consequência de sua incapacidade de satisfazer as exigências do mercado; C: correta. A redação está clara, coerente e correta, mantendo o sentido original do texto; D: incorreta. Aqui, os erros são gramaticais. Deveria haver vírgula após “mercado”, deveria constar “quando” em vez de “onde” e o verbo “atingir” deveria estar conjugado no plural; E: incorreta. Há também diversos erros gramaticais. Não deveria haver vírgula depois de “Brasil” e faltou o mesmo sinal de pontuação após “mercado”. Fotografi as Toda fotografi a é um portal aberto para outra dimensão: o passado. A câmara fotográfi ca é uma verdadeira máquina do tempo, transformando o que é naquilo que já não é mais, porque o que temos diante dos olhos é transmudado imediatamente em passado no momento do clique. Costumamos dizer que a fotografi a congela o tempo, preservando um momento passageiro para toda a eternidade, e issonão deixa de ser verdade. Todavia, existe algo que descongela essa imagem: nosso olhar. Em francês, imagem e magia contêm as mesmas cinco letras: image e magie. Toda imagem é magia, e nosso olhar é a varinha de condão que descongela o instante aprisionado nas geleiras eternas do tempo fotográfi co. Toda fotografia é uma espécie de espelho da Alice do País das Maravilhas, e cada pessoa que mergulha nesse espelho de papel sai numa dimensão diferente e vivencia experiências diversas, pois o lado de lá é como o albergue espanhol do ditado: cada um só encontra nele o que trouxe consigo. Além disso, o signifi cado de uma imagem muda com o passar do tempo, até para o mesmo observador. Variam, também, os níveis de percepção de uma fotografi a. Isso ocorre, na verdade, com todas as artes: um músico, por exemplo, é capaz de perceber dimensões sonoras inteiramente insuspeitas para os leigos. Da mesma forma, um fotógrafo profi ssional lê as imagens fotográfi cas de modo diferente daqueles que desconhecem a sintaxe da fotografi a, a “escrita da luz”. Mas é difícil imaginar alguém que seja insensível à magia de uma foto. (Adaptado de Pedro Vasquez, em Por trás daquela foto. São Paulo: Companhia das Letras, 2010) (Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) No contexto do primeiro parágrafo, o segmento Todavia, existe algo que descongela essa imagem pode ser substituído, sem prejuízo para a correção e a coerência do texto, por: (A) Tendo isso em vista, há que se descongelar essa imagem. (B) Ainda assim, há mais que uma imagem descongelada. (C) Apesar de tudo, essa imagem descongela algo. (D) Há, não obstante, o que faz essa imagem descongelar. (E) Há algo, outrossim, que essa imagem descongelará. “Todavia” é sinônimo de “mas”, “porém”, “contudo”, “não obstante”. Essa informação é sufi ciente para identifi car a alternativa “D” como correta, porque todas as outras trazem conjunções que transmitem ideias diferentes. Além disso, nas demais alternativas, a alteração dos tempos verbais e da colocação dos termos da oração promoveu mudanças de sentido. (Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto: (A) Apesar de se ombrearem com outras artes plásticas, a fotografi a nos faz desfrutar e viver experiências de natureza igualmente temporal. (B) Na superfície espacial de uma fotografi a, nem se imagine os tempos a que suscitarão essa imagem aparentemente congelada... (C) Conquanto seja o registro de um determinado espaço, uma foto leva-nos a viver profundas experiências de caráter temporal. (D) Tal como ocorrem nos espelhos da Alice, as experiências físicas de uma fotografi a podem se inocular em planos temporais. (E) Nenhuma imagem fotográfi ca é congelada sufi cientemente para abrir mão de implicâncias semânticas no plano temporal. A: incorreta. O vocabulário excessivamente rebuscado e o uso das palavras em sentido conotativo comprometem a clareza do texto; B: incorreta. A prolixidade do trecho compromete sua clareza; C: correta. A redação está clara e respeita todos os preceitos gramaticais; D: incorreta. Há erro de concordância no trecho. Deveria constar “ocorre” em vez de “ocorrem”; E: incorreta. O trecho chega a ser incoerente de tão confuso. Não é possível discernir a mensagem que está sendo transmitida. (Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) É preciso reelaborar, para sanar falha estrutural, a redação da seguinte frase: (A) O autor do texto chama a atenção para o fato de que o desejo de promover a igualdade corre o risco de obter um efeito contrário. (B) Embora haja quem aposte no critério único de julgamento, para se promover a igualdade, visto que desconsideram o risco do contrário. (C) Quem vê como justa a aplicação de um mesmo critério para julgar casos diferentes não crê que isso reafi rme uma situação de injustiça. (D) Muitas vezes é preciso corrigir certas distorções aplicando- se medidas que, à primeira vista, parecem em si mesmas distorcidas. (E) Em nossa época, há desequilíbrios sociais tão graves que tornam necessários os desequilíbrios compensatórios de uma ação corretiva. Todas as alternativas apresentam redações corretas e claras, com exceção da letra “B”, que deve ser assinalada. Há falha na escolha das conjunções, as quais tornam o texto incoerente, no uso da vírgula e na obscuridade do fecho. Melhor seria redigir: “Aqueles que apostam no critério único de julgamento para se promover a igualdade entendem que não se pode desconsiderar o risco de prejuízo com o uso de parâmetros diferenciados”. (Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) A frase redigida de modo claro e condizente com o padrão culto escrito é: (A) Não posso atribuir unicamente a precária condição de acesso à Educação a apenas a condição de miscigenação dos que desejam ascender à sua dignidade. (B) Os resultados da pesquisa científi ca levada a efeito no ano passado deve ser aberta àquele núcleo que a instigou, não devendo fi car restrito aos especialistas. (C) A criação, coordenação e assessoria a cursos profi ssionalizantes está a cargo de ambos os formados na área, de cujo conhecimento de ponta muito se depende. (D) Advoguei junto ao chefe do rapaz que sua atuação tanto profi ssional como em sociedade não deixava nada à desejar, o que lhe ajudou bastante naquela pendência. (E) Ele era o único que espontaneamente se dignava de ouvir-nos a todos, sem exceção, e consentia prazeroso até o depoimento mais insosso ou desajeitado. A: oração truncada, sem sentido. Há várias possibilidades de construção, dependendo do que o autor quer comunicar; B: “Os resultados da pesquisa científi ca, levada a efeito no ano passado, devem ser abertos àquele núcleo que a motivou. Os resultados não devem fi car restritos aos especialistas.” Notem que nem sempre é possível omitir termos e tornar a construção mais enxuta; C: “estão a cargo”. O sujeito do verbo estar é composto: “A criação, coordenação e assessoria”; D: um redação possível é “Advoguei junto ao chefe do rapaz. Quanto à sua atuação, tanto profi ssional como em sociedade, não deixava nada a [não ocorre a crase antes do verbo] desejar, fato que o [objeto direto do verbo ajudar] ajudou bastante naquela pendência.” Texto para as próximas duas questões. Os homens-placa Uma cabeleira cor-de-rosa ou verde, um nariz de palhaço, luvas de Mickey gigantescas, pouco importa. Eis que surge numa esquina, e replica-se em outras dez, o personagem mais solitário de nossas ruas, o homem-placa das novas incorporações imobiliárias. Digo homem-placa, não porque ele seja vítima do velho sistema de fi car ensanduichado entre duas tábuas de madeira anunciando remédios ou espetáculos de teatro, nem porque, numa versão mais recente, amarrem-lhe ao corpo um meio colete de plástico amarelo para avisar que se compra ouro ali por perto. Ele é homem-placa porque sua função é mostrar, a cada encruzilhada mais importante do caminho, a direção certa para o novo prédio de apartamentos que está sendo lançado. Durante uma época, a prática foi encostar carros velhíssimos, verdadeiras sucatas, numa vaga de esquina, colocando o anúncio do prédio em cima da capota. O efeito era ruim, sem dúvida. Como acreditar no luxo e na distinção do edifício Duvalier, com seu espaço gourmet e seu depósito de vinho individual, se todo o sonho estava montado em cima de um Opala 74 cor de tijolo com dois pneus no chão? Eliminaram-se os carros-placa, assim como já pertencem ao passado os grandes lançamentos performáticosdo mercado imobiliário. A coisa tinha, cerca de dez anos atrás, proporções teatrais. Determinado prédio homenageava a Nova York eterna: mocinhas eram contratadas para se fantasiarem de Estátua da Liberdade, com o rosto pintado de verde, a tocha de plástico numa mão, o folheto colorido na outra. Ou então era o Tio Sam, eram Marilyns e Kennedys, que ocupavam a avenida Brasil, a Nove de Julho, as ruas do Itaim. Esses homens e mulheres-placa não se comparam sequer ao guardador de carros, que precisa impor certa presença ao cliente incauto. Estão ali graças à sua inexistência social. Só que sua função, paradoxalmente, é a de serem vistos; um cabelo azul, um gesto repetitivo apontando o caminho já bastam. (Adaptado de: Marcelo Coelho, www.marcelocoelho.folha.blogspot.uol.com) 51 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) É preciso corrigir, devido à má estruturação, a redação da seguinte frase: (A) Os homens-placa fi cam ensanduichados entre tábuas ou pranchas de metal, transportando-as pelas ruas reduzidos à condições de suporte. (B) Sensibilizou-se o autor do texto com a condição humilhante desses homens e mulheres-placa, tratados como se fossem coisas, destituídos de sua humanidade. (C) Não se sabe a quem ocorreu a ideia, uma vez que condomínios de luxo certamente não combinam com sucata, de que usaram como base de anúncio. (D) Alguém, num momento infeliz, teve a lamentável ideia de usar carros velhos como suporte de propaganda para a venda de imóveis de luxo. (E) Defi nitivamente, quem procura imóvel com espaço gourmet ou depósito de vinho individual não se deixará atrair pela propaganda apoiada num velho Opala de cor berrante. Preste atenção em questões como essa. Logo na alternativa A encontramos erro quanto ao uso da crase (“reduzidos à condições”), porém o que se pede é correção quanto à estruturação da redação. A: quanto ao termo “ensanduichados”, embora não haja registro de sua ocorrência em dicionários, certamente se trata de um neologismo que o autor do texto criou. Nesse momento, ignorar o termo “ensanduichados”. Nessa alternativa há necessidade de correção em “reduzidos a condições”. O termo “reduzidos” exige preposição a, porém a palavra regida “condições” está no plural e não há o artigo defi nido feminino. A crase não ocorre; B, D e E: redações corretas; C: a correlação entre as orações está truncada. Não é possível identifi car claramente os sujeitos a que os verbos se referem, nem seus complementos. A redação não é inteligível. (Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto: (A) Quando o corpo humano se reduz em suporte exclusivamente material para qualquer coisa, nossa dignidade deixa de ter preço. (B) Requer-se de um guardador de carros, diferentemente do que ocorre com um homem-placa, que tenha iniciativa e presença. (C) Há momentos onde o afã de se fazer propaganda não mede esforços para lançar mão dos mais grotescos recursos. (D) Ainda se vê em grandes cidades as fi guras antagônicas de pobres entalados em cartazes nos quais se diz venderem ouro. (E) Muitos acreditam ter requinte em morar num edifício de nome estrangeiro, além das novidades ligadas à onda de gastronomia. A: “Quando o corpo humano se reduz a um suporte”; B: redação correta; C: “Há momentos em que [usar o pronome onde somente quando há referência a lugar]”; D: “Ainda se veem (...) as fi guras (...) de pobres entalados em cartazes nos quais se diz vender ouro”; E: “Muitos acreditam haver algum requinte em morar em um edifício de nome estrangeiro”. O período “além das novidades ligadas à onda de gastronomia”, parece fora de contexto. Do homicídio* Cabe a vós, senhores, examinar em que caso é justo privar da vida o vosso semelhante, vida que lhe foi dada por Deus. Há quem diga que a guerra sempre tornou esses homicídios não só legítimos como também gloriosos. Todavia, como explicar que a guerra sempre tenha sido vista com horror pelos brâmanes, tanto quanto o porco era execrado pelos árabes e pelos egípcios? Os primitivos aos quais foi dado o nome ridículo de quakers** fugiram da guerra e a detestaram por mais de um século, até o dia em que foram forçados por seus irmãos cristãos de Londres a renunciar a essa prerrogativa, que os distinguia de quase todo o restante do mundo. Portanto, apesar de tudo, é possível abster-se de matar homens. Mas há cidadãos que vos bradam: um malvado furou-me um olho; um bárbaro matou meu irmão; queremos vingança; quero um olho do agressor que me cegou; quero todo o sangue do assassino que apunhalou meu irmão; queremos que seja cumprida a antiga e universal lei de talião. Não podereis acaso responder-lhes: “Quando aquele que vos cegou tiver um olho a menos, vós tereis um olho a mais? Quando eu mandar supliciar aquele que matou vosso irmão, esse irmão será ressuscitado? Esperai alguns dias; então vossa justa dor terá perdido intensidade; não vos aborrecerá ver com o olho que vos resta a vultosa soma de dinheiro que obrigarei o mutilador a vos dar; com ela vivereis vida agradável, e além disso ele será vosso escravo durante alguns anos, desde que lhe seja permitido conservar seus dois olhos para melhor vos servir durante esse tempo. Quanto ao assassino do seu irmão, será vosso escravo enquanto viver. Eu o tornarei útil para sempre a vós, ao público e a si mesmo”. É assim que se faz na Rússia há quarenta anos. Os criminosos que ultrajaram a pátria são forçados a servir à pátria para sempre; seu suplício é uma lição contínua, e foi a partir de então que aquela vasta região do mundo deixou de ser bárbara. (Voltaire – O preço da justiça. São Paulo: Martins Fontes, 2001, pp. 15/16. Trad. de Ivone Castilho Benedetti) * Excerto de texto escrito em 1777, pelo fi lósofo iluminista francês Voltaire (1694-1778). ** Quaker – associação religiosa inglesa do séc. XVI, defensora do pacifi smo. (Analista – TRT/23ª – 2011 – FCC) Deve-se CORRIGIR, por defi ciência estrutural, a redação deste livre comentário sobre o texto: (A) O tratamento de vós, que hoje nos soa tão cerimonioso, ecoa uma época em que se aliavam boa argumentação e boa retórica. (B) Voltaire não hesita em lembrar as vantagens reais da aplicação de penas que poupam a vida do criminoso para que pague pelo que fez. (C) Como sempre há quem defenda os castigos capitais, razão pela qual Voltaire buscou refutá-los, através de alternativas mais confi áveis. (D) Note-se a preocupação que tem esse iluminista francês em escalonar as penas de modo a que nelas se preserve adequada relação com o crime cometido. (E) Na refutação aos que defendem a pena de talião, Voltaire argumenta que o mal já causado não se sana com um ato idêntico ao do criminoso. Uma redação possível, menos truncada seria: “Como sempre há quem defenda os castigos capitais, refutados por Voltaire, que defendia alternativas a esses castigos.” Assim como os antigos moralistas escreviam máximas, deu- me vontade de escrever o que se poderia chamar de mínimas, ou seja, alguma coisa que, ajustada às limitações do meu engenho, traduzisse um tipo de experiência vivida, que não chega a alcançar sabedoria mas que, de qualquer modo, é resultado de viver. Andei reunindo pedacinhos de papel em que estas anotações vadias foram feitas e ofereço-as ao leitor, sem que pretenda convencê-lo do que penso nem convidá-lo a repensar suas ideias. São palavras que, de modo canhestro, aspiram a enveredar pelo avessodas coisas, admitindo-se que elas tenham um avesso, nem sempre perceptível mas às vezes curioso ou surpreendente. C.D.A. (Carlos Drummond de Andrade. O avesso das coisas [aforismos]. 5.ed. Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 3) (Analista – TRF/1ª – 2011 – FCC) ...admitindo-se que elas tenham um avesso... Respeitando a situação em que foi empregada a frase acima, a ÚNICA reformulação INCORRETA para o segmento destacado é: (A) no caso de se admitir que. (B) caso se admita que. (C) tomando-se como pressuposto que. (D) visto que é patente que. (E) aceitando como hipótese que. Pelo contexto: “São palavras que, de modo canhestro, aspiram a enveredar pelo avesso das coisas, admitindo-se que elas tenham um avesso” vemos que trata-se de uma hipótese. A única alternativa que não tem apresenta um termo condicional é “visto que é patente que“. Atenção: a questão seguinte baseia-se no texto apresentado abaixo. A correspondência ofi cial não dispensa nem os protocolos de rigor que lhe são próprios, nem a máxima objetividade no tratamento do assunto em tela. Não cabendo o coloquialismo do tratamento na pessoa você, é preciso conhecer o emprego mais cerimonioso de Vossa Senhoria e Vossa Excelência, por exemplo, para os casos em que essas ou outras formas mais respeitosas se impõem. Quanto à disposição da matéria tratada, a redação deve ser clara e precisa, para que se evitem ambiguidades, incoerências e quebras sintáticas. (Diógenes Moreyra, inédito) (Analista – TRT/16ª – 2009 – FCC) A ocorrência de ambiguidade e falta de clareza faz necessária uma revisão da seguinte frase: (A) Causa-nos revolta, a todos, o pouco interesse que ele vem demonstrando na condução desse processo – razão pela qual há quem peça a demissão dele. (B) Conquanto ele nos haja dado uma resposta inconclusiva e protelado a decisão, há quem creia que nos satisfará o desfecho deste caso. (C) Inconformados com a resposta insatisfatória que nos deu, reiteramos o pedido para que ele não deixe de tomar as providências que o caso requer. (D) Ele deu uma resposta insatisfatória à providência que lhe solicitamos, em razão da qual será preciso insistir em que não venha a repeti-la. (E) Caso não sejam tomadas as providências cabíveis, seremos obrigados a comunicar à Direção o menoscabo com que está sendo tratado este caso. O referente do pronome feminino a em “repeti-la” não está claro. Trata-se da repetição da “resposta” ou da “providência”? Atenção: As próximas duas questões referem-se ao texto transcrito abaixo. 1 Vários historiadores têm procurado entender a originalidade da monarquia brasileira vinculando-a à chegada da família real ao Brasil em 1808. De fato, é no mínimo inusitado pensar numa colônia sediando a capital 5 de um império. Chamada por Maria Odila Leite da Silva Dias de a “internacionalização da metrópole”, a instalação no Brasil da corte portuguesa, que fugia das tropas napoleônicas, signifi cou não apenas um acidente fortuito, mas um momento angular da história nacional e de um 10 processo singular de emancipação. Fuga ou golpe político, o fato é que com D. João e sua família, e contando com a ajuda inglesa, transferiram-se para o país a própria corte portuguesa — cujo número estimado de pessoas chegava a 20 mil, sendo que a cidade do Rio possuía apenas 60 mil 53 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO 15 almas — e várias instituições metropolitanas. Mas não era só: comerciantes ingleses e franceses, artistas italianos e naturalistas austríacos vinham junto com os baús. Difícil imaginar choque cultural maior. Transformado em reino unido já em 1815, o Brasil 20 passou a distanciar-se, aos poucos, de seu antigo estatuto colonial, ganhando uma autonomia relativa jamais conhecida naquele contexto. A partir de então, o Rio de Janeiro tornou-se capital de Portugal e de suas possessões na África e na Ásia, e os portos brasileiros se abriram ao 25 comércio britânico (seguindo o acerto feito com a Inglaterra, que assegurou o transporte da corte, mas o trocou por esse acordo comercial). Tais fatos alteraram radicalmente a situação da colônia portuguesa na América. (Adaptado de SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 35-36.) (Analista – ANS – 2007 – FCC) Levando em conta as relações de sentido estabelecidas no texto, é correto dizer que (A) a expressão choque cultural (linha 18) faz referência às diferenças de desenvolvimento verifi cáveis entre portugueses e outros povos europeus à época. (B) o segmento é no mínimo (linhas 3 e 4) equivale a “é pelo menos” e empresta tom enfático à avaliação feita. (C) o fragmento Mas não era só (linhas 15 e 16) é seguido de esclarecimento que contradiz as afi rmações anteriores. (D) a conjunção mas (linha 9) pode ser substituída, sem prejuízo do sentido e da correção do trecho em que aparece, por “e sim”. (E) o termo então (linha 22) tem como referência o ano de 1808. A: incorreta, pois o choque cultural é a aproximação das culturas europeia e brasileira com a chegada da corte portuguesa ao Brasil. (linhas 11 a 13); B: correta, pois a expressão indica que inusitado é apenas uma parte do que se pode dizer dos fatos e enfatiza a estranheza dos ocorridos; C: incorreta, pois não há contradição e sim complementação. A expressão indica que não apenas chegou um grande número de pessoas, mas também que essas pessoas eram representativas para a mudança do cenário; D: incorreta, pois o mas em questão tem valor adversativo, caráter não contemplado pela expressão “e sim”, com valor alternativo exclusivo; E: incorreta, pois a referência temporal em questão é 1815, ano em que o Brasil ganhou o estatuto de Estados Unidos. (Analista – ANS – 2007 – FCC) Respeitado o contexto de ocorrência, assinale o fragmento que está corretamente entendido. (A) Fuga ou golpe político...(linha 10) = Fosse fuga, fosse golpe político. (B) ...ganhando uma autonomia relativa... (linha 21) = embora ganhasse uma autonomia relativa. (C) ...vinculando-a... (linha 2) = quando a vinculam. (D) ...e contando com a ajuda inglesa... (linhas 11 e 12) = porquanto contavam com a ajuda inglesa. (E) ...cujo número estimado de pessoas... (linha 13) = do qual o número estimado de pessoas. A: correta, pois a conjunção “ou” indica que ambas as possibilidades seriam corretas, trata-se de uma conjunção coordenativa alternativa inclusiva. A reescrita apresenta a mesma possibilidade; B: incorreta, pois a forma do gerúndio para o verbo “ganhar” indica no contexto que a autonomia relativa foi consequência da distância do estatuto colonial. A conjunção “embora” estabelece relação de concessão, ou seja, a distância do estatuto colonial não seria favorável à autonomia, que mesmo assim se consolidou; C: incorreta, pois a vinculação entre a originalidade da monarquia e a vinda da família real portuguesa é argumentativa e necessariamente direta, sem aspectos temporais, como indica a conjunção quando da reescrita; D: incorreta, pois a conjunção “porquanto” tem valor semântico de explicação. No texto original, a informação sobre a ajuda britânica é introduzida pela conjunção “e”, de valor aditivo; E: incorreta, pois o pronome relativo “cujo” estabelece entre as partes uma relação intermediada pela preposição “de” e substitui o termo que ela introduz e concorda em gênero e número com o termo que acompanha (número). O signifi cado do trecho é, em outras palavras, “o número estimadode pessoas da corte chegava a 20 mil”. A reescrita peca por não adequar a concordância dos termos. O pronome relativo se refere à corte: “da qual o número estimado de pessoas” Atenção: A próxima questão baseia-se no texto abaixo. 1 A Norma (1831) é claramente uma ópera que encena, numa suposta rebelião gaulesa contra a tutela romana na Antiguidade, a desejada libertação dos italianos em face das potências estrangeiras – no caso, 5 certamente a Áustria – que lhes vedam a independência e a unidade nacional. Como é de praxe em boa parte das óperas italianas do século XIX, ao posicionamento progressista nas grandes questões sociais ou nacionais se opõe um lastro, geralmente ocultado, que é de 10 natureza mais propriamente pessoal, e serve de enorme peso – inconsciente, posto que até então desconhecido – contra aquela tomada de partido em favor [...] do “bem” ou, pelo menos, da justiça e do progresso. Esse modelo aparece, para citarmos apenas algumas óperas, nas 15 Vespri Siciliani e no Trovatore de Verdi; poder-se-ia argumentar que a Traviata procede do mesmo modo. Assim, um recorte se delineia inicialmente, a opor as causas progressistas (a pátria livre, seja ela a Gália, a Sicília ou qualquer outra; a defesa dos pobres; a união 20 de quem se ama) ao que existe de mais retrógrado; porém, a dramaticidade não procederá do confl ito, num mesmo nível, entre progressistas e reacionários, mas da irrupção, no âmago mesmo da causa revolucionária avançada, de um elemento pessoal marcado pelo 25 acumpliciamento secreto, arcaico e culpável com o inimigo. Dessa forma, o herói libertador dos sicilianos nas Vespri é na verdade filho ilegítimo do governador francês, o trovador, na ópera homônima, é o irmão perdido de seu próprio perseguidor – e aqui, na Norma, a 30 sacerdotiza suprema dos gauleses é amante do chefe romano. É isso o que dilacera a alma, tanto do ator-cantor como do expectador-ouvinte, e confere a essas óperas seu caráter trágico. (Analista – ANS – 2007 – FCC) Acerca dos recursos de coesão textual, é correto afi rmar que (A) o advérbio aqui (linha 29), mais que a um espaço, reporta-se a um tema, ou objeto de análise, tomado como o mais relevante para a organização do texto. (B) o expressão Dessa forma (linha 26) introduz um comentário de caráter conclusivo, na medida em que generaliza a afi rmação feita anteriormente. (C) o fragmento aquela tomada de partido em favor do “bem” (linha 12) recupera, com o acréscimo de um juízo de valor, o segmento a desejada libertação dos italianos (linhas 3 e 4). (D) o autor inicia o texto com constatações gerais e, em seguida, empreende detalhada análise específi ca de um caso. (E) o pronome isso (linha 31) corresponde a uma síntese de tudo o que se afi rmou no texto sobre as óperas e sua densidade dramática. A: correta, pois o advérbio aqui retoma o raciocínio anterior do autor e não se refere a um lugar no mundo. Essa função é legitimada como elemento de coesão entre as partes do texto; B: incorreta, pois a expressão Dessa forma é usada para introduzir exemplos das óperas que comprovem a teoria apresentada no texto anterior à ela. A conclusão por generalização é apresentada pela expressão “é isso” (Linha 31); C: incorreta, pois o pronome demonstrativo aquela é usado para a retomada de trechos em que há dois possíveis referentes no mesmo período, sendo que “aquele” retoma o mais distante enquanto “esse” retoma o mais próximo. O trecho retomado pelo pronome em questão é “o posicionamento progressista nas grandes questões sociais ou nacionais”; D: incorreta, pois a estrutura argumentativa do texto parte de um exemplo específi co, a ópera Norma, para após sua breve análise estrutural estabelecer um padrão na estrutura geral das óperas da época, e terminar com exemplos dos confl itos pessoais e gerais em diversas óperas da época; E: incorreta, pois o pronome tem função conclusiva, mas retoma especifi camente o confl ito central das óperas e causa de sua grandiosidade: a oposição entre situação pessoal dos personagens e sua convicção social. (Auditor Fiscal/São Paulo-SP – 2007 – FCC) Está clara, coerente e correta a redação da seguinte frase: (A) Conquanto seja impossível a adesão de todos em que se cumpra os princípios de convívio social, ainda assim há aqueles que relutam em aceitar tais esforços. (B) À medida em que desceu Moisés com os mandamentos do monte Sinai, seus seguidores deram-se conta de que alguns deles paltavam-se pelo princípio da interdição. (C) Para que se mantenha um mínimo equilíbrio nas relações sociais, desde que não se pode permitir casos de impunidade, onde os infratores ainda pousam de vitoriosos. (D) Não é mau auferir benefícios pessoais quando estes não acarretam, de forma alguma, qualquer tipo de prejuízo ou restrição ao pleno exercício dos direitos alheios. (E) Embora nem sempre seja de fácil aceitação, nem sempre as sanções deixam de ser necessárias, já que sem as mesmas correria-se o risco de se voltar ao estado da barbárie. A: o verbo transitivo direto concorda com “os princípios”: “em que se cumpram os princípios de convívio social” (B) “À medida que [não existe a expressão ‘à medida em que’] desceu Moisés (...) seus seguidores deram-se conta de que alguns deles pautavam-se [ortografi a] pelo princípio da interdição.”; C: “(...) não se pode permitir casos de impunidade, cujos infratores ainda pousam de vitoriosos.”; D: a oração da assertiva está correta; E: “Embora nem sempre seja de fácil aceitação, nem sempre as sanções deixam de ser necessárias, já que, sem as mesmas, correr-se-ia o risco (...)”. (Auditor Fiscal/PB – 2006 – FCC) Leia as frases abaixo: I. O leitor perguntaria se as comissões são úteis e necessárias. II. Com essa CPI, acabaria tudo em pizza, novamente? III. Os abusos, embora lamentáveis, são frequentes na vida pública, asseverou o colunista. Elas se encontram, respectivamente, em discurso (A) (B) (C) (D) (E) I II III direto indireto livre indireto indireto livre direto indireto indireto indireto livre direto indireto direto indireto livre direto direto indireto livre 55 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO O discurso direto apresenta o personagem em sua voz própria: “Os abusos, embora lamentáveis, são frequentes na vida pública”. O discurso indireto informa objetivamente o leitor sobre o que o personagem teria dito: “O leitor perguntaria se as comissões são úteis e necessárias.” Já o discurso indireto livre aproxima narrador e personagem. A fala surge no meio da narração sem aviso: “Com essa CPI, acabaria tudo em pizza, novamente?”. O fi scal e o menino Já pelos meus dez anos ocupava eu um posto na Secretaria da Fazenda. A ocupação era informal, não implicava proventos ou tempo para a aposentadoria, mas o serviço era regular: acompanhava meu pai, que era fi scal de rendas, em suas visitas rotineiras aos comerciantes da cidade. Cada passada dele exigia duas das minhas, e eu ainda fazia questão de carregar sua pasta, pesada de processos. Tanto esforço tinha suas compensações: nos bares ou padarias, o proprietário lembrava-se de me agradar com doce, salgado ou refrigerante – o que confi gurava, como se vê, uma espécie de pacto entre interesseiros. Outra compensação encontrava eu em desfrutar, ainda que vagamente, da sombra da autoridade que emana de um fi scal de rendas. Para fazer justiça: autoridade mesmo meu pai só mostrava diante desses grandes proprietários arrogantes, quese julgam acima do bem, do mal e do fi sco. E ai de quem se atrevesse a sugerir um “arranjo”, por conta da sonegação evidente... Gostava daquele fi scal. Duro no trato com os fi lhos e com a mulher, intempestivo e por vezes injusto ao julgar os outros, revelava-se um coração mole diante de um comerciante pobre e em débito com o governo. Nessas situações, condescendia no prazo de regularização do imposto e instruía o pobre-diabo acerca da melhor maneira de proceder. Ao dono de um botequim da zona rural – homem viúvo, carregado de fi lhos pequenos, em situação quase falimentar – ajudou com dinheiro do próprio bolso, para a quitação da dívida fi scal. Meu estágio em tal ocupação também aumentou meu vocabulário: conheci palavras como sisa, sonegação, guarda-livros, estampilha, mora e outras tantas. A intimidade com esses termos não implicava que lhes conhecesse o sentido; na verdade, muitos deles continuam obscuros para mim até hoje. De qualquer modo, não posso dizer que nunca me interessou a profi ssão de fi scal de rendas. (Júlio Pietrobon das Neves) (Agente Fiscal de Rendas/SP – 2006 – FCC) Está clara e correta a redação do seguinte comentário sobre o texto: (A) Essa pequena crônica é reveladora do modo que guardamos as imagens mais intensas da infância, de cujos encantos continuam a nos fascinar pelo tempo a fora, sobretudo quando se tratam de relações familiares. (B) Relatos como este vão de encontro à tese de que não se perdem em nossas memórias aquilo que realmente nos marcou, confi rmando-se assim o poder seletivo demonstrado pelas mais fortes lembranças. (C) Uma das artimanhas da memória aqui se confi rmam por que somos capazes de guardar palavras e detalhes reveladores dos tempos da infância, onde nem suspeitávamos de quão importantes viriam a ser os mais simples elementos. (D) Ao deter lembranças de seu pai e dele mesmo, o narrador enfatisa nos traços em que melhor se defi nia ele, sem forçar qualquer idealização, uma vez que chega a salientar no pai seus traços mais duros, de pouca animosidade. (E) Fica fl agrante a admiração do menino pelo pai, conservada no tempo, capaz de estimular uma crônica cujo sentimento básico é o de um antigo companheirismo, materializado numa rotina de trabalho. A seguir, transcrevemos os trechos, com correções. A: “do modo pelo qual guardamos”, “da infância, [sem o de] cujos encantos”, “tempo afora”, “quando se trata”; B: “vão ao encontro da tese” [“de encontro” signifi ca contrariamente]; C: “Uma das artimanhas (...) aqui se confi rma,”, “da infância, quando nem suspeitávamos quão importantes”; D: “enfatiza os traços que melhor defi niam-no” [sem o “se”]; E: correto. (Agente Fiscal de Rendas/SP – 2006 – FCC) Uma outra redação correta do que se afi rma na frase Cada passada dele exigia duas das minhas é: (A) Duas das minhas passadas exigia cada uma das dele. (B) Exigiam-se duas das minhas passadas cada uma das dele. (C) Era exigido, a cada passada dele, duas das minhas. (D) Duas passadas minhas exigiam cada uma das dele. (E) A cada passada dele exigia-se duas das minhas. A oração “Cada passada dele exigia duas das minhas” está colocada em ordem indireta preservando seu sentido na alternativa A. O sujeito do verbo exigir é “cada passada dele” e o objeto direto é “duas das minhas”. A inversão do objeto para antes do verbo não altera a fl exão, pois o verbo concorda, do mesmo modo, com o sujeito “Cada passada”: “Duas das minhas passadas exigia cada uma das dele.” (Fiscal de Tributos/Santos-SP – 2005 – FCC) Está clara e correta a redação da seguinte frase: (A) O cronista não postula a questão de honra como o que tem algo a haver com a ferocidade da vida, à qual obedece os ditames da nossa natureza e dos nossos instintos. (B) O legado de pais a fi lhos quase sempre constitue objeto de descrença deles próprios, ocorrendo que muitas vezes não se tem certeza diante da validade real dos mesmos. (C) Ao mesmo tempo que se refere ao delicado sentido fúnebre do mandamento, o cronista deixa ver que aí contém uma mensagem de quando eles já estiverem mortos. (D) À frieza e à indiferença dos fi lhos, que via de regra abandonam os que os geraram, em vez de honrálos, respondem os pais com a crueldade dos ensinamentos inúteis. (E) Fica evidente no texto, a pouca fé que manifesta o cronista do reconhecimento fi lial, embora nem todos estes retruquem os pais com a dura resposta do abandono. A: “O cronista não postula a questão de honra como o que tem algo a ver com a ferocidade da vida, à qual obedece aos ditames da nossa natureza e dos nossos instintos.”; B: a redação não está clara. Não se sabe a que se refere o pronome deles; pode se referir tanto a pais quanto a fi lhos: “O legado de pais a fi lhos quase sempre constitui [erro na grafi a do verbo constituir] objeto de descrença deles próprios, ocorrendo que muitas vezes não se tem certeza diante da validade real do mesmo [‘o legado’].”; C: “Ao mesmo tempo a que se refere ao delicado sentido fúnebre do mandamento, o cronista deixa ver que aí há uma mensagem de quando eles já estiverem mortos.”; D: “À frieza e à indiferença dos fi lhos, que via de regra abandonam [sujeito subentendido: ‘fi lhos’] os que os geraram, em vez de honrá-los, respondem [o verbo responder é transitivo direto e indireto. Nessa oração o verbo possui como objeto indireto ‘à frieza e à indiferença’. O objeto direto do verbo responder é ‘os pais´] os pais com a crueldade dos ensinamentos inúteis.”; E: o pronome anafórico estes não tinha referente na oração: “Fica evidente no texto, a pouca fé que manifesta o cronista em relação ao reconhecimento fi lial, embora nem todos retruquem os pais com a dura resposta do abandono.” (Analista – BACEN – 2005 – FCC) Leia atentamente o texto que segue. CONSTITUCIONALISMOS PERVERSOS Na União Europeia, os franceses e os holandeses, recentemente, disseram não a um projeto constitucional mais interessado em constitucionalizar o mercado do que a democracia. Também os quenianos disseram não a um projeto constitucional que nasceu como um dos mais progressistas da África, mas que nos últimos anos fora totalmente adulterado pelo presidente Kibaki para concentrar em si e no governo central poderes excessivos e pouco susceptíveis de controle democrático. O fato de ambas as tentativas terem falhado é, em si mesmo, animador. Signifi ca que, quando o processo constitucional é usado para virar a soberania do povo contra o povo e o exercício da cidadania contra cidadania, dizer não à Constituição é ato de afi rmação democrática. Que isto aconteça tanto na Europa como na África é sinal de que a globalização dos mercados livres terá de conviver cada vez mais com a globalização dos cidadãos livres. (Boaventura de Sousa Santos, sociólogo e professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra) [http://agenciacartamaior. uol.com.br - 08/12/2005] Redija uma dissertação, na qual você se posicione em relação às ideias presentes no texto acima, dando relevo às afi rmações que nele se encontram sublinhadas. A dissertação deverá ter uma extensão mínima de 20 linhas e máxima de 30 linhas. Uma das funções de uma constituição é proteger o cidadão comum contra o poder do Estado e de outros grupos de força, como os das entidades econômicas. Quando um político com vocação para ditador ou grupos com interesses contrariados pelas garantias constitucionais podem suprimir essa proteção, nem todos hesitam em fazê-lo. Quando condiçõesvárias não permitem essa saída radical, há ainda o recurso de, por medidas constitucionais, descaracterizar a constituição nesse aspecto: os abusos cobrem-se de uma roupagem legal. O sociólogo comenta dois eventos, em que, segundo sua análise, essa tentativa ocorreu. Ele também comemora o desfecho positivo desses episódios: os cidadãos chamados a votar para efetivar o arbítrio tiveram a percepção necessária para derrotá-lo. Assim, o processo ardiloso da manipulação da opinião revela seu aspecto positivo, em vez da resistência armada que um golpe exigiria, nesse caso basta o discernimento do que de fato vai ao encontro das aspirações democráticas, do que pode se tirar uma conclusão que pode ser a tese da dissertação: a necessidade de cultura política para se saber o que caracteriza uma democracia de fato. Não se pode deixar de comentar que muitos dos grupos de interesse econômico a partir da globalização se tornam internacionais e potencializam seu poder de atuação desafi ando direitos individuais e soberanias nacionais. (Técnico Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) Considere as informações abaixo: O Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Deputado Federal XYZ dos Reis, convocou reunião para as 15:00 h do dia 04/06/07. Na data aprazada, contou com a presença dos Deputados Federais A, B, C, D e E, para tratar de questões referentes ao combate à pirataria. Assuntos abordados: 1) avaliação de resultados de medidas em andamento; 2) criação de campanha educativa; 3) apoio à tramitação de alterações legislativas relacionadas à apreensão de produtos pirateados. A reunião foi encerrada duas horas e quinze minutos após o início, com impasse surgido na discussão. 57 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO O Presidente determinou nova reunião, às 16:00 h do próximo dia 14/06, e convocação do Diretor da Fundação ICL – Instituto do Cidadão Legal, especialista no assunto, para esclarecimentos necessários. O Técnico Legislativo, Assistente Administrativo do apoio legislativo, Senhor MNO dos Santos, foi designado para elaborar o registro dos fatos. Redija o documento apropriado, criando uma situação compatível com o desenvolvimento da reunião, a partir dos dados apresentados. A redação deverá obedecer ao limite máximo de 30 linhas e respeitar o disposto no Manual de Redação da Câmara dos Deputados. Essa proposta é bastante trabalhosa. Em primeiro lugar, o candidato tem que identifi car, com base nos documentos administrativos elencados no Manual de Redação da Câmara dos Deputados, qual deles é adequado para o tipo de texto pedido: trata-se do relatório (8.3.11; pág. 293). Em seguida, a partir do seu conhecimento sobre a questão da pirataria, ele deve pensar num impasse possível para a reunião do dia 4 e no tipo de esclarecimentos que o Diretor da Fundação ICL pode prestar à Comissão de Defesa do Consumidor, que poderia ser uma solução para o impasse. Depois deve elaborar os eventos que marcaram a reunião do dia 14, principalmente se o impasse foi resolvido e quais as medidas que terão de ser tomadas. Por fi m, deve fazer a redação com o registro desses eventos, de acordo com as orientações do modelo de relatório. (Analista – ANS – 2007 – FCC) Leia atentamente os textos abaixo. Texto 1: Os transtornos psiquiátricos têm forte impacto sobre o indivíduo, a família e a comunidade. Em relação a esta última, frequentemente se observam preocupações quanto ao custo social da provisão extra de atenção requerida pelo paciente e quanto a sua eventual perda de produtividade. Há, ainda, a questão da violência associada a certos distúrbios. O temor da violência tem sido, com efeito, usado como justifi cativa para a postura favorável à internação de portadores de alguns tipos de transtornos em estabelecimentos específi cos. (ZWARTES, Thaís. Transtornos psiquiátricos e relações sociais. Disponível em www.saudemental.com.br. Acesso em 23 de janeiro de 2007). Texto 2: Não entendo por que é tão difícil conseguir os comprimidos. O governo gasta muito mais com a internação do que gastaria com o fornecimento regular de medicamentos. Com a internação, tem café da manhã, lanche, almoço às 11h, lanche, jantar às 17h, lanche. E ainda tem a despesa com roupa de cama e isso e aquilo. (Adaptado de FIGUEIREDO, João Antônio Pereira, portador de esquizofrenia, em entrevista a O Estado de São Paulo. São Paulo, 13 de fevereiro de 2007, Caderno A, p. 14). Texto 3: Nos casos de internação, acho que ela deveria ocorrer nos hospitais gerais. O único paciente que é tratado em um espaço separado é o que sofre de doença mental. É importante quebrar esse estigma, que ainda é muito forte. (BRASIL, Marco Antônio, psiquiatra e professor da UFRJ, em entrevista a O Estado de São Paulo. São Paulo, 13 de fevereiro de 2007, Caderno A, p. 14). Redija uma dissertação em que você exponha e defenda, com argumentos pertinentes, um ponto de vista sobre o tema comum aos textos acima. Sua redação, em prosa, deve ter entre 20 e 30 linhas e respeitar a norma culta da Língua Portuguesa. A proposta é bastante ampla, permitindo abordagens diversas. Deve o candidato, contudo, atentar para a identifi cação do tema comum aos três textos da coletânea. Eles tratam da questão do tratamento dos transtornos psiquiátricos, sendo um tópico comum a questão da internação. No primeiro, o autor informa, sem emitir claramente juízo de valor, que o temor da violência associada a certos distúrbios mentais tem sido usado como justifi cativa para a internação; no segundo, o depoimento de um portador de esquizofrenia, há uma queixa quanto à falta de remédios que seriam distribuídos pela rede pública, ele argumenta que os custos com a internação superam em muito os da aquisição da medicação; no terceiro, pede-se a quebra do estigma do tratamento em espaço separado dos doentes mentais. Percebe-se, assim, sugerido no primeiro parágrafo e francamente presente nos dois últimos, uma postura crítica quanto ao tratamento por internação dos portadores de distúrbio mental. Essa seria, portanto, uma boa tese para o concursando adotar. Quanto aos argumentos, além do custo para a família e para o Estado e da discriminação, poder-se-iam destacar questões como a necessidade primeira, para se garantir a dignidade do indivíduo, de se fazer um esforço de integração do paciente, do que se optar pelo mais “fácil” que é a sua exclusão social; ou os abusos por vezes noticiados na imprensa de famílias que recorrem à desculpa da doença mental para se livrar, às vezes por interesse material, de um membro seu. (Analista Legislativo – Câmara dos Deputados – 2007 – FCC) Leia o texto cuidadosamente, procurando captar suas ideias essenciais, na progressão e no encadeamento em que aparecem. Apresente, com suas próprias palavras, esses pontos mais importantes. Ao nos depararmos com o tema loucura, temos alguns pontos de partida, algumas notas de abordagem, alguma compreensão, mas por enquanto é um fenômeno que nos aparece e se nos defronta com a máxima agudeza e simplicidade, máxima intensidade e mínima mediação. Já é abordável, não é mais um mistério total. Estamos longe, porém, de poder interferir e prevenir facilmente, sabendo que é muito cômodo tentarmos encapsular a loucura dentro dos muros de um manicômio da mesma forma que tentamos encapsular a marginalidade dentro dos muros das prisões e tentamos, enquanto organizados como estamos hoje, estabelecer uma espécie de cordão sanitário protetor a respeito de um sem-númerode assuntos, na ilusão de que somos capazes de remeter para uma periferia remota questões absolutamente centrais. A partir dos ensinamentos da psicanálise, já estamos relativamente habituados ao fato de que todos os fenômenos ocorrem com todos. Eventualmente, varia um pouco o grau de intensidade, claro que varia de acordo com as capacidades, tendências e talentos individuais, mas não há um fenômeno humano que se passe com determinado homem que seja estranho a outro. Assim, podemos deixar a proteção ilusória do cordão sanitário. Gostaria de realizar um esforço e tentar apreender o fenômeno antes de analisá-lo; na medida do possível, sem diminuí-lo ou exagerá-lo, mas numa tentativa de observá- lo. O tema nos toca emocionalmente, pois se refere inevitavelmente a um sofrimento, não a qualquer sofrimento, talvez aos limites do sofrimento humano, quando se resolve por uma morte mental num último esforço para sobreviver antes de sucumbir também biologicamente. Como vejo esse sofrimento? E de outra parte, como o mundo me aparece a partir desse sofrimento? (LANDA, Fábio. “Olhar louco”. In Adauto Novaes (org.). O olhar. São Paulo: Companhia das letras, 1988, p. 425.) É necessário que o candidato tenha bem claro para si que ele não deve expressar suas opiniões sobre o assunto, o texto pedido é uma paráfrase e, portanto, o desafi o é compreender bem o signifi cado do texto original e conseguir reproduzir com outras palavras o seu conteúdo. Ao abordar o tema da loucura, o autor mostra que ela não é exclusiva daqueles que são chamados de loucos, está disseminada por todos os seres humanos, havendo apenas diferenças de grau. Pode-se ainda explorar as questões do isolamento dos loucos como uma tentativa vã de isolamento da própria loucura, já que, como dito, se reconhece que ela está presente também nos considerados normais. 3. CONCORDÂNCIA VERBAL E CONCORDÂNCIA NOMINAL (Analista – TRT/1ª – 2012 – FCC) As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase: (A) Cabem a cada um dos usuários de uma língua escolher as palavras que mais lhes parecem convenientes. (B) D. Glorinha valeu-se de um palavrório pelo qual, segundo lhe parecia certo, viessem a impressionar os ouvidos de meu pai. (C) As palavras que usamos não valem apenas pelo que signifi cam no dicionário, mas também segundo o contexto em que se emprega. (D) Muita gente se vale da prática de utilizar termos, para intimidar o oponente, numa polêmica, que demandem uma consulta ao dicionário. (E) Não convém policiar as palavras que se pronuncia numa conversa informal, quando impera a espontaneidade da fala. A: incorreta. Deveria constar “cabe” e “parece”, no singular, para concordar com “cada um”; B: incorreta. Deveria constar “viesse”, no singular, para concordar com “palavrório”; C: incorreta. Deveria constar “empregam” para concordar com “palavras”; D: correta. As normas de concordância verbal foram integralmente respeitadas no trecho; E: incorreta, Deveria constar “pronunciam”, no plural, para concordar com “palavras”. (Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) A concordância verbal está plenamente observada na frase: (A) Provocam muitas polêmicas, entre crentes e materialistas, o posicionamento de alguns religiosos e parlamentares acerca da educação religiosa nas escolas públicas. (B) Sempre deverão haver bons motivos, junto àqueles que são contra a obrigatoriedade do ensino religioso, para se reservar essa prática a setores da iniciativa privada. (C) Um dos argumentos trazidos pelo autor do texto, contra os que votam a favor do ensino religioso na escola pública, consistem nos altos custos econômicos que acarretarão tal medida. (D) O número de templos em atividade na cidade de São Paulo vêm gradativamente aumentando, em proporção maior do que ocorrem com o número de escolas públicas. (E) Tanto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação como a regulação natural do mercado sinalizam para as inconveniências que adviriam da adoção do ensino religioso nas escolas públicas. A: incorreta. O verbo “provocar” deveria estar no singular (“provoca”) para concordar com o sujeito “o posicionamento”; B: incorreta. “Haver”, com sentido de existir, é impessoal e não se fl exiona mesmo quando acompanhado de verbo auxiliar. Com isso, o correto é “deve haver”; C: incorreta. “Consistir” deveria permanecer no singular (“consiste”), para concordar 59 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO com a expressão “um dos (...)”; D: incorreta. O verbo “vir” deve permanecer no singular (“vem”) para concordar com “o número”; E: correta. Todos os verbos atendem aos preceitos da concordância determinados pela gramática. (Analista – TRT/6ª – 2012 – FCC) O verbo indicado entre parênteses deve fl exionar-se no plural para preencher corretamente a lacuna da seguinte frase: (A) Nenhuma das concepções de dignidade, postuladas por diferentes crenças, ...... (alcançar) uma validade efetivamente universal. (B) Não se ...... (atribuir) às burocracias, nesse texto, o mérito de tomar a iniciativa de atender aos interesses públicos. (C) A terceirização e a comercialização da saúde, para dom Odilo Scherer, ...... (constituir) um profundo desrespeito aos mais pobres. (D) Raramente se ...... (dispensar) aos mais pobres o mesmo cuidado médico das clínicas particulares. (E) Quantas vezes já se ...... (aplicar) aos burocratas dos serviços essenciais alguma sanção por sua negligente abulia? A: incorreta. O verbo “alcançar” deve ser fl exionado no singular para concordar com “nenhuma”; B: incorreta. O verbo “atribuir” deve ser conjugado no singular porque se trata de sujeito indeterminado; C: correta. Com efeito, o verbo “constituir” vai para o plural para concordar com “a terceirização e a comercialização”, sujeito composto; D: incorreta. A oração está na voz passiva sintética, cujo sujeito é “o mesmo cuidado médico” – singular, portanto; E: incorreta. “Aplicar” deve concordar com “alguma sanção”, ou seja, fi ca no singular. (Analista – TRT9 – 2012 – FCC) A frase em que todos os verbos estão corretamente fl exionados é: (A) Quem se dispor a ler a obra seminal de Hobsbawm sobre as revoluções do fi nal do século XVIII à primeira metade do XIX jamais protestará contra o tempo gasto e o esforço despendido. (B) As refl exões sobre a Revolução Francesa de 1789 requerem muito cuidado para que não se perca de vista a complexidade que as afi rmações categóricas tendem a desconsiderar. (C) Os revolucionários de 1789 talvez não previssem, ou sequer imaginassem, o impacto que o movimento iniciado na França teria na história de praticamente toda a humanidade. (D) Se as pessoas não se desfazerem da imagem que cultivam de Napoleão, nunca deixarão de acreditar que o talento pessoal é o principal ou mesmo a único requisito para a obtenção do sucesso. (E) Quando se pensa na história universal, nada parece tão disseminado no imaginário popular, sobretudo no ocidente, do que as imagens que adviram da Revolução Francesa de 1789. A: incorreta. A conjugação da terceira pessoa do singular do verbo “dispor” no futuro do subjuntivo é “dispuser”; B: correta. Todos os verbos estão conjugados corretamente nesse período; C: incorreta. A conjugação da terceira pessoa do plural do verbo “prever” no pretérito imperfeito do subjuntivo é “previssem”; D: incorreta. A conjugação da terceira pessoa do plural do verbo “desfazer” do futuro do subjuntivo é “desfi zerem”; E: incorreta. A conjugaçãoda terceira pessoa do plural do verbo “advir” no pretérito perfeito do indicativo é “advieram”. (Analista – TRT9 – 2012 – FCC) As normas de concordância estão plenamente respeitadas na frase: (A) Cada um dos fi lmes dirigidos por Glauber Rocha apresentavam um caráter revolucionário único. (B) A maioria dos integrantes do movimento conhecido como Cinema Novo estava profundamente interessada nos problemas sociais do país. (C) Muitas expressões artísticas, como o neorrealismo italiano, contribuiu para o desenvolvimento do Cinema Novo. (D) A maior parte dos cineastas envolvidos com o Cinema Novo integravam um grupo que tentavam novos caminhos para o cinema nacional. (E) O Tropicalismo, em que Caetano Veloso e Gilberto Gil se projetou, e o Cinema Novo, cujo principal expoente foi Glauber Rocha, se confi gura como movimentos artísticos expressivos no século XX. A: incorreta. O certo seria “apresentava”, para rimar com “cada um”; B: correta. Todas as normas de concordância foram respeitadas no período; C: incorreta. O certo seria “contribuíram”, para concordar com “muitas expressões artísticas”; D: incorreta. O certo seria “tentava”, para concordar com “a maior parte”; E: incorreta. O certo seria “confi guram”, para concordar com “O Tropicalismo (...) e o Cinema Novo” (sujeito composto). (Analista – TRT/11ª – 2012 – FCC) As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas em: (A) A utilidade dos dicionários, mormente quando se trata de palavras polissêmicas, manifestam-se nas argumentações ideológicas. (B) Não se notam, entre os preconceituosos, qualquer disposição para discutir o sentido de um juízo e as consequências de sua difusão. (C) Não convém aos injustiçados reclamar por igualdade de tratamento quando esta pode levá-los a permanecer na situação de desigualdade. (D) Como discernimento e preconceito são duas acepções de discriminação, hão que se esclarecer o sentido pretendido. (E) Uma das maneiras mais odiosas de refutar os argumentos de alguém surgem na utilização de preconceitos já cristalizados. A: incorreta. Deveria constar “manifesta-se”, no singular, para concordar com “a utilidade”; B: incorreta. Deveria constar “nota”, no singular, para concordar com “qualquer disposição”; C: correta. Todas as normas de concordância verbal foram respeitadas no período; D: incorreta. Deveria constar “há”, no singular, para concordar com “o sentido”; E: incorreta. Deveria constar “surge”, no singular, para concordar com o numeral “uma”. (Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) A redação correta é: (A) Em se cuidando dessa doença no início, não existe dúvidas de que haverá cura – é o que os Estados Unidos, recentemente, provou ao mundo. (B) Desejando intensamente alçar-se diretor e ele passou a agir com zelo e discrição, não exitando em exceder suas funções e o horário do fi m do expediente. (C) A regente insistiu junto à auxiliar que caberia à ela falar com a imprensa e nós, não aquiecendo, impusemos que a mídia tem de lidar com nós mesmos, os funcionários. (D) Diz-se que o tio é mais bom do que preparado, mas o convívio com a adolescente tem sido dulcíssimo, em que lhe pesem os excessivos maus humores da jovem. (E) Pai extremoso, ele soe ser o melhor conselheiro dos fi lhos, salvo se o exacerbam os ânimos ao reincidirem pela enésima vez no mesmo erro. A: “não existem dúvidas (...) os Estados Unidos, recentemente, provaram ao mundo”; B: “alçar-se a diretor (...) não hesitando”; C: “que caberia a ela [não ocorre a crase. O verbo regente caber exige a preposição a, porém não há artigo antes de pronome pessoal] (...) não aquiescendo [não consentindo], impusemos que a mídia teria de lidar”; D: note que o vocábulo bom está sendo usado como adjetivo na comparação “o tio é mais bom [bondoso] do que preparado”; E: o verbo defectivo soer (“ele sói ser o melhor conselheiro”) tem a acepção de “habituar, costumar”. É um verbo pouquíssimo usado hodiernamente. (Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) Estão plenamente observadas as normas de concordância verbal na frase: (A) Ao se revogarem o emprego de carros-placa na propaganda imobiliária, poupou-se a todos uma demonstração de mau gosto. (B) Não sensibilizavam aos possíveis interessados em apartamentos de luxo a visão grotesca daqueles velhos carros-placa. (C) Destinam-se aos homens-placa um lugar visível nas ruas e nas praças, ao passo que lhes é suprimida a visibilidade social. (D) As duas tábuas em que se comprimem o famigerado homem-placa carregam ditos que soam irônicos, como “compro ouro”. (E) Não se compara aos vexames dos homens-placa a exposição pública a que se submetem os guardadores de carros. A: “Ao se revogar o emprego”; “pouparam-se a todos”; B: “Não sensibilizava (...) a visão” - o sujeito do verbo transitivo direto sensibilizar é “a visão”. Podemos reescrever a oração na ordem direta, facilitando a compreensão: “A visão grotesca daqueles velhos carros-placa não sensibilizava os [sem preposição] possíveis interessados”; C: “Destina-se aos homens-placa [objeto indireto do verbo destinar] um lugar visível [o verbo concorda com “um lugar visível”] nas ruas e nas praças”; D: “em que o famigerado homem-placa se comprime”. O sujeito do verbo comprimir é “famigerado homem-placa”, sujeito no singular, verbo no singular. E: fi ca mais clara a oração da alternativa E se alterarmos a ordem: “A exposição pública [a que os guardadores de carros se submetem] não se compara aos vexames dos homens-placa.” Essa é a alternativa correta. Meios e fi ns O crítico José Onofre disse uma vez que a frase “não se faz uma omelete sem quebrar ovos” é muito repetida por gente que não gosta de omelete, gosta do barulhinho dos ovos sendo quebrados. Extrema esquerda e extrema direita se parecem não porque amam seus ideais, mas porque amam os extremos, têm o gosto pelo crec-crec. A metáfora da omelete é “o fi m justifi ca os meios”, em linguagem de cozinha. O fi m justifi caria todos os meios extremos de catequização e purifi cação, já que o fi m é uma humanidade melhor – só variando de extremo para extremo o conceito de “melhor”. Todos os fi ns são nobres para quem os justifi ca, seja uma sociedade sem descrentes, sem classes ou sem raças impuras. O próprio sacrifício de ovos pelo sacrifício de ovos tem uma genealogia respeitável, a ideia de regeneração (dos outros) pelo sofrimento e pelo sangue acompanha a humanidade desde as primeiras cavernas. Ou seja, até os sádicos têm bons argumentos. Mas o fi m das ideologias teria decretado o fi m do horror terapêutico, do mito da salvação pela purgação que o século passado estatizou e transformou no seu mito mais destrutivo. O fracasso do comunismo na prática acabou com a desculpa, racional ou irracional, para o stalinismo. O tempo não redimiu o horror, o fi m foi só a última condenação dos meios. (Adaptado de: Luis Fernando Verissimo, O mundo é bárbaro) 61 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) O verbo indicado entre parênteses deverá fl exionar-se numa forma do plural para preencher adequadamente a lacuna da frase: (A) Agrada aos extremistas propagar que, a menos que se ...... (quebrar) ovos, nunca se fará uma omelete. (B) Aos sádicos ...... (dever) agradar ouvir os ovos quebrando- se, como preâmbulo de uma omelete. (C) Os ovos de que se ...... (compor) a omelete ilustram o caso em que a violência de um ato se justifi ca pela causa a que serve. (D) A todosos meios extremos ...... (costumar) corresponder, segundo os radicais, uma justifi cativa aceitável. (E) Mesmo aos maiores sádicos ...... (poder) ocorrer uma certa direção de argumentos para justifi car seus horrores. A: em “a menos que se quebrem ovos”, o verbo transitivo direto quebrar concorda no plural com o sujeito da passiva (“ovos sejam quebrados”); B: o sujeito da locução verbal “deve agradar” é oracional: “ouvir os ovos quebrando deve agradar”. O verbo deve permanecer no singular; C: em “de que se compõe a omelete”, o verbo transitivo direto compor concorda no singular com o sujeito da passiva (“a omelete é composta”): “Os ovos de que é composta a omelete ilustram (os ovos ilustram)” ou “Os ovos de que se compõe a omelete ilustram”. O sujeito do verbo ilustrar é “ovos”; D: “Uma justifi cativa aceitável costuma corresponder, segundo os radicais, a todos os meios extremos”. A oração foi colocada na ordem direta. Veja que o sujeito do verbo costumar é “Uma justifi cativa aceitável” e o objeto indireto é “a todos os meios extremos.”. O verbo concorda, no singular, como sujeito; E: o sujeito da locução “pode ocorrer” é “uma certa direção de argumentos”. O núcleo do sujeito é singular, a locução verbal fi ca no singular. (Analista – TRT/20ª – 2011 – FCC) As normas de concordância verbal estão plenamente atendidas na frase: (A) Interessava aos antigos professores de português suscitar nos alunos o gosto pelos efeitos de retórica nas redações. (B) A nenhum dos professores do ginásio ocorreriam imaginar que a linguagem falada pode ser um registro de alto valor estético. (C) Nos dois trechos citados de Graciliano Ramos encontram-se elementos da linguagem falada a que não faltam vivacidade. (D) O autor faz votos de que aos bons gramáticos se reservem, por justas razões, acomodação privilegiada no céu. (E) Graças às convicções de que Graciliano não abriam mão, acabou produzindo uma obra-prima em estilo seco e incisivo. A: o sujeito do verbo interessar é oracional “suscitar nos alunos o gosto (...) interessava aos antigos professores”. A concordância no singular está correta; B: o verbo ocorrer deve fi car o singular, concordando com “A nenhum dos professores” (sujeito); C: “a que não falta vivacidade”; o sujeito do verbo faltar é “vivacidade”; D: “aos bons gramáticos se reserve (...) acomodação privilegiada no céu”; o verbo reservar concorda com o sujeito da passiva (“acomodação”), no singular; E: o sujeito do verbo abrir é “Graciliano”. Sujeito singular, verbo no singular: “de que Graciliano não abria mão”. (Analista – TRT/23ª – 2011 – FCC) As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas na frase: (A) Havendo quem vos pretendam convencer de que a pena de morte é necessária, perguntem onde e quando ela já se provou indiscutivelmente efi caz. (B) Entre os cidadãos de todos os países nunca deixarão de haver, por força do nosso instinto de violência, os que propugnam pela pena de morte. (C) Destaca-se, entre as qualidades de Voltaire, suas tiradas irônicas e seu humor ferino, armas de que se valia em suas pregações de homem liberal. (D) Embora remontem aos hábitos das sociedades mais violentas do passado, a pena de talião ainda goza de prestígio entre cidadãos que se dizem civilizados. (E) Opõe-se às ideias libertárias de Voltaire, um lúcido pensador iluminista, a violência das penas irracionais que se aplicam em nome da justiça. A: “quem pretenda convencer [a vós] (...) pergunte”; B: deixará de haver; C: “Destacam-se (...) suas tiradas”; D: “Embora [a pena de talião] remonte”; E: o verbo opor concorda com “a violência”, no singular. O verbo aplicar concorda com “penas irracionais”, no plural. (Analista – TRT/24ª – 2011 – FCC) As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas na frase: (A) No passado, com as qualifi cações escrita, falada e televisada pretendiam-se designar toda a abrangência das formas de comunicação jornalística. (B) A multiplicação de tantos autores anônimos de blogs acabaram por representar uma séria concorrência para os profi ssionais da comunicação. (C) Em nossos dias, cabem a quaisquer cidadãos tomar a iniciativa de criar um blog para neles desenvolverem seus temas e pontos de vista. (D) Já não se opõem, num blog, a instância do que seja de interesse privado e a instância do que seja de interesse público. (E) Permitem-se aos seguidores de um blog levantar discordância quanto às linhas de argumentação desenvolvidas por seu autor. A: “pretendia-se designar”; B: “A multiplicação (...) acabou por representar”; C: “tomar a iniciativa (...) cabe a quaisquer”; D: o sujeito do verbo opor é composto “instância do (....) privado” e “instância do (...) público”; E: “Permite-se (...) levantar”. (Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas em: (A) Costumam haver nas pessoas extrovertidas traços marcantes de timidez. (B) Não se devem imputar aos muito tímidos a culpa por sua notoriedade. (C) Não deixam de ocorrer a um tímido as vantagens de sua timidez. (D) Interessam a certos extrovertidos encobrir aspectos de sua timidez. (E) O fato de serem tímidas não impossibilitam as pessoas de serem notadas. A: o verbo haver no sentido de existir é impessoal e permanece na 3ª pessoa do singular: “Costuma haver”; B: “Não se deve imputar” concorda com “a culpa por sua notoriedade”, no singular; C: está correta: a locução verbal concorda com “as vantagens” no plural; D: o sujeito do verbo impossibilitar é singular: “O fato”. O homem ainda não encontrou uma forma de organização social que dispense regras de conduta, princípios de valor, discriminação objetiva de direitos e deveres comuns. Todos nós reconhecemos que, em qualquer atividade humana, a inexistência de parâmetros normativos implica o estado de barbárie, no qual prevalece a mais dura e irracional das justifi cativas: a lei do mais forte, também conhecida, não por acaso, como “a lei da selva”. É nessa condição que vivem os animais, relacionando-se sob o exclusivo impulso dos instintos. Mas o homo sapiens afi rmou-se como tal exatamente quando estabeleceu critérios de controle dos impulsos primitivos. Variando de cultura para cultura, as regras de convívio existem para dar base e estabilidade às relações entre os homens. Não decorrem, aliás, apenas de iniciativas reconhecidas simplesmente como humanas: podem apresentar-se como manifestações da vontade divina, como valores supremos, por vezes apresentados como eternos. Os dez mandamentos ditados por Deus a Moisés são um exemplo claro de que a religião toma para si a tarefa de orientar a conduta humana por meio de princípios fundamentais. No caso da lei mosaica, um desses princípios é o da interdição: “Não matarás”, “Não cobiçarás a mulher do próximo” etc. Ou seja: está suposto nesses mandamentos que o ponto de partida para a boa conduta é o reconhecimento daquilo que não pode ser permitido, daquilo que representa o limite de nossa vontade e de nossas ações. Nas sociedades modernas, os textos constitucionais e os regulamentos de todo tipo multiplicam-se e sofi sticam-se, mas permanece como sustentação delas a ideia de que os direitos e os deveres dizem respeito a todos e têm por fi nalidade o bem comum. Para garantia do cumprimento dos princípios, instituem-se as sanções para quem os ignore. A penalidade aplicada ao indivíduo transgressor é a garantia da validade social da norma transgredida.Por isso, a impunidade, uma vez manifesta, quebra inteiramente a relação de equilíbrio entre direitos e deveres comuns, e passa a constituir um exemplo de delito vantajoso: aquele em que o sujeito pode tirar proveito pessoal de uma regra exatamente por tê-la infringido. Abuso de poder, corrupção, tráfi co de infl uências, quando não seguidos de punição exemplar, tornam-se estímulos para uma prática delituosa generalizada. Um dos maiores desafi os da nossa sociedade é o de não permitir a proliferação desses casos. Se o ideal da civilização é permitir que todos os indivíduos vivam e convivam sob os mesmos princípios éticos acordados, a quebra desse acordo é a negação mesma desse ideal da humanidade. (Inácio Leal Pontes) (Auditor Fiscal/São Paulo-SP – 2007 – FCC) A concordância verbal estabelece-se plena e adequadamente em: (A) Para que o cumprimento de todos os princípios fundamentais seja garantido, devem especifi car-se as sanções. (B) No caso de que se infrinja as normas e os princípios, hão de se lançar mão das sanções correspondentes. (C) Constituem um dos exemplos de delitos vantajosos o caso em que o detentor de um poder abuse de sua autoridade. (D) Não houvesse sido criadas quaisquer regras de convívio, estaríamos todos vivendo sob o comando de nossos instintos mais primitivos. (E) O que nos mandamentos de Moisés se impõem como um dos princípios fundamentais é a necessidade de reconhecimento dos nossos limites. A: a concordância verbal está corretamente estabelecida nessa assertiva; B: o verbo infringir deve estar no plural para concordar com “as normas e os princípios”. O pronome se é apassivador: “No caso de infringirem-se as normas e os princípios (...)”; C: o verbo constituir deve se manter no singular e concordar com: “o caso em que o detentor de um poder abuse de sua autoridade constitui um dos exemplos de delitos (...)”; D: a locução verbal “não houvessem sido criadas” concorda com o sujeito no plural: “Não houvessem sido criadas quaisquer regras de convívio (...)”; E: o verbo impor concorda com a palavra que: “O que nos mandamentos de Moisés se impõe como um dos princípios fundamentais é a necessidade de reconhecimento dos nossos limites. 63 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (Auditor Fiscal/PB – 2006 – FCC) De acordo com a norma culta, a concordância verbal está correta APENAS na frase: (A) O autor disse que existe comissões parlamentares válidas e competentes. (B) Haviam perguntas que não foram respondidas durante o interrogatório. (C) Em toda a parte do mundo podem haver políticos corruptos. (D) É necessário reconhecer que algumas atitudes que fere os princípios éticos precisam serem punidas. (E) Já faz cinco sessões que os deputados não votam nenhuma proposta do governo. A: O verbo concorda com o sujeito: “O autor disse que existem comissões parlamentares válidas e competentes.”; B: Não há fl exão do verbo haver no sentido de existir. Nesse sentido, o verbo é impessoal e não tem sujeito, por isso, fi ca sempre na 3ª pessoa do singular: “Havia perguntas que não foram respondidas durante o interrogatório.”; C: Novamente aparece o verbo haver na acepção de existir (impessoal): “Em toda a parte do mundo pode haver políticos corruptos.”; D: Notar que o sujeito do verbo ferir é o pronome relativo que (o pronome se refere a “algumas atitudes”). O verbo cujo sujeito é o pronome relativo que deve sempre concordar com o antecedente deste pronome: “É necessário reconhecer que algumas atitudes que ferem os princípios éticos precisam ser punidas.”. Também não há fl exão do infi nitivo ser; E: Nesta oração, o verbo fazer é impessoal e permanece na 3ª Pessoa do singular: “Já faz cinco sessões que os deputados não votam nenhuma proposta do governo.” (Agente Fiscal de Rendas/SP – 2006 – FCC) A frase que está totalmente de acordo com o padrão culto da língua é: (A) Todos reconheceram que Vossa Senhoria, a despeito da exiguidade do vosso tempo, sempre recebeu os estudiosos do assunto e lhes deu grande apôio. (B) Sob a rubrica de “As grandes explorações”, o autor leu muito do que lhe sucitou interesse pelo tema e desejo de pôr em discussão algumas questões. (C) Certas pessoas consideram ultrage a hesitação em associar o início da modernidade à Descartes, mas a questão não pára por aí: há pontos mais complexos em discussão. (D) As refl exões do iminente estudioso, insertas em texto bastante acessível ao leigo, nada têm daquele teor iracível e tendencioso que se nota em algumas obras polêmicas. (E) Disse adivinhar o que alguns detratores diriam acerca de questões polêmicas como a de rever o signifi cado assente de fatos históricos: “é mera questão de querer auferir prestígio”. A: “(...) a despeito da exiguidade [sem trema de acordo com o novo acordo ortográfi co da Língua Portuguesa] do seu tempo (...) e lhes deu grande apoio [sem acento].”; B: “(...) o autor leu muito do que lhe suscitou [ortografi a] interesse (...)”; C: “(...) ultraje [ortografi a] a hesitação em associar o início da modernidade a [não ocorre a crase] Descartes, mas a questão não para [sem acento diferencial de acordo com o novo acordo ortográfi co da Língua Portuguesa] por aí (...).” D: “As refl exões do eminente [importante] estudioso (...) nada têm daquele teor irascível [que se irrita com facilidade] (...)”; E: a frase está de acordo com o padrão culto da língua. (Agente Fiscal de Rendas/SP – 2006 – FCC) A frase que respeita o padrão culto no que se refere à fl exão é: (A) No caso de proporem um diálogo sem pseudodilemas teóricos, o professor visitante diz que medeia as sessões. (B) Chegam a constituir-se como clãs os grupos que defendem opiniões divergentes, como as que interviram no último debate público. (C) Ele era o mais importante testemunha do acalorado embate entre opiniões contrárias, de que adviram os textos de difusão que produziu. (D) Em troca-trocas acalorados de ideias, poucos se atêem às questões mais relevantes da temática. (E) Quando aquele grupo de pesquisadores reaver a credibilidade comprometida nos últimos revés, certamente apresentará com mais tranquilidade sua contribuição. A: a oração da assertiva A respeita o padrão culto; B: “(...) como a que intervieram no último debate público.”; C: Ele era a mais importante testemunha [palavra feminina] do acalorado embate (...) de que advieram os textos (...)”; D: “(...) poucos se atêm às questões (...)”; E: “Quando aquele grupo de pesquisadores reouver [futuro do subjuntivo] a credibilidade comprometida nos últimos reveses [o plural de revés], certamente apresentará com mais tranquilidade [sem trema de acordo com o novo acordo ortográfi co da Língua Portuguesa] sua contribuição.” (Agente Fiscal de Rendas/SP – 2006 – FCC) A frase em que a concordância está em conformidade com o padrão culto é: (A) Os advogados reclamaram da indecisão do depoente, sem perceber que as perguntas que a ele eram dirigidas lhes parecia obscura, difíceis de serem compreendidas. (B) Era intrincada a associação de ideias do promotor e o apelo que fazia aos jurados, o que, consideradas as circunstâncias, os conduziram a uma decisão questionável. (C) É sempre falível, a meu ver, os juízos que se fundamentam mais na verve do orador que no conteúdo de seu discurso, mesmo quando os ouvintes lhe neguem aquele predicado. (D) Suponho que devem existir sérias razões para ele ter-se comportado assim: todas as questões que lhe eram postas ele julgava irrelevantes. (E) O relatório,de cujo dados discordou-se, foi rejeitado imediatamente, tendo sido sugerido, em caráter de urgência, a sua plena revisão ou até mesmo sua substituição. A: “(...) as perguntas que a ele eram dirigidas lhe [ao depoente] pareciam obscuras [as perguntas pareciam obscuras] (...)”; B: “Eram [verbo no plural concorda com o sujeito composto que tem como núcleos as palavras ‘associação’ e ‘apelo’] intrincadas a associação de ideias do promotor e o apelo que fazia aos jurados, o que, consideradas as circunstâncias, os conduziram a uma decisão questionável.”; C: “São [verbo concorda com o sujeito ‘os juízos’] sempre falíveis (...) os juízos que se fundamentam mais na verve do orador que no conteúdo de seu discurso, mesmo quando os ouvintes lhe negam aquele predicado.”; D: a concordância da oração está em conformidade com o padrão culto; E: “O relatório, de cujo dados discordou-se, foi rejeitado imediatamente, tendo sido sugerida, em caráter de urgência, a sua plena revisão (...) Ou isto ou aquilo Uma pesquisa da revista norte-americana The Economist, promovida para saber se os latino-americanos continuam acreditando na democracia, incluiu a seguinte pergunta: “Em determinadas circunstâncias, um governo autoritário pode ser preferível a um governo democrático?” Seria lógico pensar assim: os sujeitos que não acreditam mais nas virtudes exclusivas da democracia devem ser tentados por uma intervenção autoritária. Ou seja, quem não acredita mais na democracia sonha com a volta de um regime militar. Faz sentido. Pois é, os brasileiros deram uma resposta para atrapalhar o sono dos pesquisadores. Entre 1996 e hoje, 13% deixaram de acreditar na democracia como melhor sistema de governo. Ora, o número dos que aceitariam uma ditadura no lugar da democracia não aumentou de modo correspondente, mas – surpresa – diminuiu 9%. Ou seja, no Brasil há menos gente para acreditar na democracia, mas também menos gente para esperar que os militares resolvam a situação. Aplausos para os brasileiros, que não se deixaram capturar por uma alternativa forçada. Entendo assim a posição dos entrevistados: a democracia não respondeu a nossas esperanças básicas, mas nem por isso entregaríamos o país ao despotismo. Sobretudo, não aceitamos uma alternativa excludente do tipo: “De um lado, há stalinistas, fascistas ou militares e, do outro, a democracia. Olhe, escolha e pule pra frente.” Os brasileiros pareceram responder: não pulo coisa nenhuma, a escolha não é essa.” Minha leitura (otimista) do resultado dessa pesquisa do Economist é a seguinte: estamos cansados de ver o mundo em preto-e-branco, com contraste máximo. (Adaptado de Contardo Calligaris, Terra de ninguém. S. Paulo: Publifolha, 2004, pp. 240-241.) (Auditor Tributário/Jaboatão dos Guararapes-PE – 2006 – FCC) Considerando-se a fl exão e a concordância verbais, a frase plenamente correta é: (A) Há que se notar que não conveio aos brasileiros confi rmar a suposta coerência das opções excludentes que lhes foram apresentadas. (B) Os poucos que aceitariam uma ditadura como solução não correspondeu ao índice percentual imaginado pelos pesquisadores. (C) Não se poupe aplausos aos brasileiros, que interviram na pesquisa de modo a confundir as simplórias expectativas dos pesquisadores. (D) Costumam haver, nas drásticas alternativas, opções que se excluem e fazem imaginar que não podemos criar uma terceira hipótese. (E) Ainda quando não se alenta, numa democracia, as esperanças básicas de um povo, a ditadura não deve ser vista como solução. A: “Há que se notar que não conveio [3ª pessoa do pretérito perfeito do indicativo do verbo convir] aos brasileiros confi rmar a suposta coerência das opções excludentes que lhes foram apresentadas.”; B: “Os poucos que aceitariam uma ditadura como solução não correspondia [3ª pessoa do pretérito imperfeito do indicativo] ao índice percentual imaginado pelos pesquisadores.”; C: “Não se [pronome apassivador] poupem [o verbo concorda com ‘aplausos’] aplausos aos brasileiros, que intervieram [3ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo do verbo intervir] na pesquisa de modo a confundir as simplórias expectativas dos pesquisadores.”; D: “Costuma haver [o verbo haver no sentido de existir é impessoal. Não se fl exiona nem mesmo seu auxiliar. Não há sujeito, desse modo, o auxiliar fi ca na 3ª pessoa do singular], nas drásticas alternativas, opções que se excluem e fazem imaginar que não podemos criar uma terceira hipótese.”; E: “Ainda quando não se alente [presente do subjuntivo. O verbo signifi ca encorajar], numa democracia, as esperanças básicas de um povo, a ditadura não deve ser vista como solução.” (Analista – TRT/4ª – 2006 – FCC) As normas de concordância verbal e nominal estão plenamente atendidas na frase: (A) Reservam-se os artistas o direito (ou privilégio?) de escolherem o gênero e a forma que lhes pareçam os mais adequados ao seu intento de expressão. (B) Não se reconhecia na crônica, antes de Rubem Braga, quaisquer méritos que pudessem alçá-la à altura dos chamados grandes gêneros literários. (C) Não cabem aos críticos ou aos historiadores da literatura estipular se o gênero de uma ou outra obra é maior ou menor em si mesmos. (D) Uma vez submetido ao poder de sedução de seu estilo admirável, é possível que custassem aos leitores de Rubem Braga fi car aguardando a crônica seguinte. 65 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO (E) Não lhe bastassem, além do estilo límpido, ter os olhos de um grande fotógrafo, Rubem Braga ainda frequentava as alturas da poesia lírica. A: o sujeito do verbo reservar é “os artistas”; B: “Não se reconheciam” – o sujeito do verbo reconhecer é “quaisquer méritos”; C: “Não cabe aos críticos” – o sujeito do verbo caber é oracional (“estipular se o gênero de uma ou outra obra é maior ou menor em si mesmos”); D: “que custasse” – o sujeito do verbo custar é oracional (“fi car aguardando a crônica seguinte”); E: “Não lhe bastasse” – (o sujeito do verbo bastar é oracional (“ter os olhos de um grande fotógrafo”). (Analista – TRT/6ª – 2006 – FCC) As normas de concordância estão plenamente respeitadas na frase: (A) Costumam ser muito custosos, para todos os indivíduos, desviarem-se das tentações do conforto fácil e do prestígio rápido. (B) Quem aos valores dos outros se submetem sem pensar acabam por não encontrar seus valores mais autênticos. (C) Não são próprias das regiões mais sombrias do nosso ser oferecer-nos as verdades cruas da nossa personalidade. (D) O que fazem os homens desviar os olhos de sua imagem verdadeira são as facilidades de uma imagem já fabricada. (E) Em geral não nos apetece enfrentar os contornos duros do nosso rosto verdadeiro, mais desconfortáveis que os do construído. A: “Costuma ser muito custoso (...) desviar-se” – o sujeito da locução “costumar ser” é oracional; B: “Quem (...) se submete” – o sujeito do verbo submeter é o pronome quem; C: “Não é próprio (...) oferecer” – o sujeito do verbo ser é oracional; D: “O que faz” – o sujeito do verbo fazer é oracional “desviar os olhos...”; E: o sujeito do verbo apetecer é “enfrentar os contornos...”; a palavra “desconfortáveis” concorda com “contornos”. O pronome os se refere a “contornos” e o verbo “construído” a “rosto”. (Analista – TRF/1º – 2006 – FCC) Para que se respeite a concordância verbal, será preciso corrigir a frase: (A) Têm havido dúvidas sobre a capacidade do sistema de saúde cubano. (B) Têm sido levantadas dúvidas sobre a capacidade dosistema de saúde cubano. (C) Será que o sistema de saúde cubano tem suscitado dúvidas sobre sua efi cácia? (D) Que dúvidas têm propalado os adversários de Cuba sobre seu sistema de saúde? (E) A quantas dúvidas tem dado margem o sistema de saúde de Cuba? O verbo haver no sentido de existir é impessoal e permanece sempre na 3ª pessoa do singular: “Tem havido dúvidas”. (Analista – TRT/3ª – 2005 – FCC) Levando-se em conta as normas de concordância verbal e nominal, a única frase inteiramente correta é: (A) Se se acrescentar à tribo dos micreiros as tribos dos celuleiros, dos devedeiros etc., haverá de se incorporar à língua portuguesa muitos outros neologismos. (B) Como se não bastassem as difi culdades que muita gente vêm demonstrando no uso do vocabulário tradicional, eis que novas aquisições se fazem necessárias a cada momento, proveniente da tecnologia. (C) A velocidade com que surgem palavras relacionadas aos novos campos tecnológicos fazem com que muitos desanimem, confessando-se inábeis para sua utilização. (D) Estão entre as características do texto a citação de alguns neologismos e o divertido registro de algumas situações em que ocorreu ambivalência de sentido, testemunhadas pelo autor. (E) É costume que se dissemine, sobretudo entre os mais velhos, alguns preconceitos contra o universo dos mais jovens, contra o vocabulário que entre estes se propagam com mais facilidade. A: “haverão de se incorporar” – o sujeito do verbo haver é “muitos outros neologismos”; B: “vem demonstrando” – o sujeito do verbo vir é “muita gente”; C: “A velocidade (...) faz” – o sujeito do verbo fazer é “A velocidade”; D: “Estão” o sujeito do verbo estar tem dois núcleos: “citação” e “divertido”; E: “É costume que se disseminem” – o sujeito do verbo disseminar é “alguns preconceitos”. (Analista – TRT/11ª – 2005 – FCC) As normas de concordância estão inteiramente respeitadas na frase: (A) Confi gura-se nas frequentes invasões dos escritórios de advocacia o desrespeito a prerrogativas constitucionais. (B) Não cabem às autoridades policiais valer-se de ordens superiores para justifi car a violência dessas invasões. (C) Submetido com frequência a esse tipo de constrangimento, os advogados se vêm forçados a revelar informações confi denciais de seus clientes. (D) Tem ocorrido, de uns tempos para cá, inúmeras entradas forçosas da polícia em escritórios de advocacia. (E) Se não lhes convêm cumprir determinadas medidas, cabe aos advogados recorrer às instâncias superiores da justiça. A: o sujeito do verbo confi gurar é singular: “o desrespeito”; B: “Não cabe (...) valer-se” – o sujeito do verbo caber é oracional “valer-se de ordens superiores para justifi car a violência dessas invasões”; C: “os advogados se veem forçados” – o sujeito do verbo ver é plural (“advogados”); D: “Têm ocorrido (...) inúmeras entradas” – o sujeito da locução é plural (“inúmeras entradas”); E: “Se não lhes convém” – o sujeito do verbo convir é oracional “cumprir determinadas medidas”. (Analista – TRT/13ª – 2005 – FCC) Quanto à concordância verbal, a frase inteiramente correta é: (A) Não costumam ocorrer, em reuniões de gente interessada na discussão de um problema comum, confl itos que uma boa exposição dos argumentos não possam resolver. (B) Quando há desrespeito recíproco, as razões de cada candidato, mesmo quando justas em si mesmas, acaba por se dissolverem em meio às insolências e aos excessos. (C) O maior dos paradoxos das eleições, de acordo com as ponderações do autor, se verifi cariam nos caminhos nada democráticos que se trilha para defender a democracia. (D) Quando se torna acirrado, nos debates eleitorais, o ânimo dos candidatos envolvidos, é muito difícil apurar de quem provém os melhores argumentos. (E) Insatisfeitos com o tom maniqueísta e autoritário de que se valem os candidatos numa campanha, os eleitores franceses escolheram o que lhes pareceu menos insolente. A: “que uma boa exposição (...) não possa resolver”: o sujeito da locução “possa resolver” é singular; B: “as razões (...) acabam” – o sujeito verbo acabar é plural; C: “O maior de todos os paradoxos (...) se verifi caria” – o sujeito do verbo verifi car é singular; D: “de quem provêm os melhores argumentos” – o sujeito do verbo provir é “os melhores argumentos”; E: o sujeito do verbo valer é “os candidatos”; o sujeito do verbo escolher é “eleitores franceses”; o sujeito do verbo parecer é a palavra que. (CEF – Técnico Bancário/Norte e Nordeste – 2004 – FCC) As normas de concordância verbal estão inteiramente respeitadas na frase: (A) Não basta que se critique as distorções dessa programação, é preciso que se saibam corrigi-las. (B) Apenas 8% dos lares brasileiros ainda não conta com um aparelho de TV, a se darem crédito aos dados do Ibope. (C) A qualidade dos inúmeros programas de TV destinados às crianças não alcança o nível que seria desejável, na opinião dos que o avaliam. (D) Repercutem mal, junto aos educadores e psicólogos, o fato de que os critérios de avaliação dos programas são estritamente comerciais. (E) Deveriam caber aos estudiosos acadêmicos interferirem mais diretamente na qualidade da produção dos programas infantis. A: incorreta. O sujeito é indeterminado, portanto o verbo “saber” deve fi car no singular: “se saiba corrigi-las”; B: incorreta. O verbo “contar” deve concordar com “lares”, indo para o plural, e a expressão correta é “a se dar crédito”; C: correta; D: incorreta. O verbo “repercutir” concorda com “fato”, que aparece depois da vírgula, e deve fi car no singular; E: incorreta. Os verbos deveriam estar no singular: “deveria caber aos estudiosos acadêmicos interferir mais...”. (CEF – Técnico Bancário – 2004 – FCC) As normas de concordância verbal estão inteiramente respeitadas na frase: (A) Não há nenhum absurdo em se aproximar uma olimpíada de uma missão espacial, pois ambas estimulam a pesquisa científi ca. (B) Não houve nenhum, entre os limites já enfrentados, que representassem uma barreira defi nitiva. (C) A primeira manifestação das competições de que derivam as modernas olimpíadas ocorreram na Grécia antiga. (D) Atualmente, contam-se não apenas com os melhores atletas, mas com os mais avançados recursos tecnológicos. (E) Os desafi os que se deve enfrentar a cada olimpíada representa um esforço sempre maior. A: correta; B: incorreta. O verbo “representar” deveria estar no singular, concordando com “nenhum”; C: incorreta. O verbo “ocorrer” deveria estar no singular, concordando com “manifestação”; D: incorreta. O sujeito indeterminado deixa o verbo impessoal e, portanto, “contar” não deve ser conjugado, permanecendo na terceira pessoa do singular; E: incorreta. O verbo “representar” deveria estar no plural, concordando com “desafi os”. Várias famílias percorrem dez ou mais quilômetros com destino à Serra da Cantareira, mais precisamente à Chácara do Frade, com seus dezessete hectares tomados por alface, rúcula, pepino, cenoura e dezenas de outras hortaliças. As pessoas caminham entre os canteiros, trocam informações sobre o plantio, escolhem o que comprar e levam produtos fresquinhos, jamais “batizados” por agrotóxicos. Cada vez mais hortas instaladas perto da capital estão abrindo suas portas aos visitantes. O proprietário, José Frade, lucra com a venda direta. O consumidor, por sua vez, garante a qualidade do que está comendo. Na Europa, isso é muito comum. Desde a Idade Média, durante a época da colheita,as plantações dos vilarejos vizinhos às cidades se transformam em verdadeiras feiras livres. Por aqui, a onda está apenas começando. Num raio de cem quilômetros da capital já existem pelo menos nove sítios e chácaras que trabalham nesse sistema. (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) São grandes as vantagens que ...... da compra direta de hortaliças (ou dos ...... , em geral); 67 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO sabem disso aqueles que já se ...... e pensaram nos males dos agrotóxicos. Completam corretamente as lacunas do período acima: (A) adviriam- hortifrutigranjeiros - detiveram (B) adveriam - hortifrutigranjeiros - detiveram (C) adviriam - hortisfrutisgranjeiros - deteram (D) adveriam - hortisfrutisgranjeiros - deteram (E) adviriam - hortifrutigranjeiros – deteram “Advir”, na terceira pessoa do plural do futuro do pretérito do indicativo, conjuga-se “adviriam”. A ortografi a correta é “hortifrutigranjeiros”. “Deter”, na terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo, conjuga-se “detiveram”. (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Assinale a alternativa que apresenta ERRO de concordância. (A) Não que os esteja considerando inválido, mas o professor gostaria de conhecer os estudos de que se retirou os dados mencionados no texto. (B) Segundo alguns teóricos, deve ser evitada, o mais possível, a agricultura em regiões de fl oresta; são áreas tidas como adequadas à preservação de espécie sem vias de extinção. (C) Existem com certeza, ainda hoje, pessoas que defendem o cultivo incondicional da terra, assim como deve haver muitos que condenam qualquer alteração da paisagem natural, por menor que seja. (D) Nem sempre são sufi cientes dados estatisticamente comprovados para que as pessoas se convençam da necessidade de repensarem suas convicções, trate-se de assuntos polêmicos ou não. (E) Faz séculos que fi lósofos discutem as relações ideais entre os homens e a natureza, questão que nem sempre lhes parece passível de consenso. A única alternativa que apresenta erro de concordância é a letra “A”. Sua redação correta é: “Não que os esteja considerando inválidos, mas o professor gostaria de conhecer os estudos de que se retiraram os dados mencionados no texto”. (CEF – Técnico Bancário – 2000 – FCC) Assinale a alternativa que NÃO apresenta erro algum de concordância. (A) Já há muito tempo tinha sido feito por importante estudioso previsões pessimistas quanto ao destino das áreas rurais na Inglaterra, mas muitos não as consideraram. (B) Às vezes não basta alguns comentários sobre a importância do cenário da natureza para a vida espiritual do homem no sentido de que se tentem evitar mais prejuízos ao meio ambiente. (C) Certos argumentos de G.M. Trevelyan tornaram vulnerável certas visões acerca do modo como deveriam ser tratadas terras incultas. (D) Segundo o que se diz no texto, os ingleses havia de terem se preocupado com a legitimação de sua tarefa de ocupação dos territórios indígenas. (E) Quaisquer que sejam os rumos das cidades contemporâneas, sempre haverá os que lamentarão a perda da vida em contato direto com a natureza. A: incorreta (“tinham sido feitas por importante estudioso previsões pessimistas”); B: incorreta (“às vezes não bastam alguns comentários”); C: incorreta (“tornaram vulneráveis certas visões”); D: incorreta (“os ingleses haviam de ter se preocupado”); E: correta. (BB – Escriturário – 2011 – FCC) A frase em que a concordância verbal e nominal está inteiramente respeitada é: (A) Ainda não foi sufi ciente os investimentos na tentativa de redução dos índices de pobreza verifi cados em todo o mundo. (B) Em relação ao poder aquisitivo, ainda se observa da-dos assustadores quanto à miséria em que vivem populações inteiras. (C) São claras algumas implicações políticas na área do desenvolvimento humano, pois é imprescindível a ação do poder público na erradicação da miséria. (D) Deve ser levado em conta a sustentabilidade do crescimento econômico, para que se garanta melhorias efetivas das condições de vida da população. (E) Alguns especialistas tende a atribuir à crise fi nanceira a principal razão do retrocesso nos resultados satisfatórios que já tinha sido alcançado. A: incorreta (“não foram sufi cientes”); B: incorreta (“ainda se observam dados assustadores”); C: correta; D: incorreta (“deve ser levada em conta” e “para que se garantam melhorias”); E: incorreta (“alguns especialistas tendem a atribuir” e “que já tinham sido alcançados”). (BB – Escriturário – 2010 – FCC) A concordância verbal e nominal está inteiramente correta na frase: (A) Cada vez mais se tornam imprescindíveis medidas que venham a alterar o relacionamento entre o homem e a natureza. (B) Quando entra em discussão nos países envolvidos as questões sobre responsabilidade climática, difi cilmente se chega a um acordo. (C) Chegaram-se a impasses nas negociações sobre a sustentabilidade do planeta pela impossibilidade de determinar a responsabilidade de cada país. (D) Foram detectadas, nas análises mais recentes, a presença de partículas de poluentes prejudiciais à saúde humana. (E) Estão havendo problemas nas negociações sobre o clima por falta de consenso entre os países participantes. A: correta; B: incorreta (“quando entram em discussão”); C: incorreta (“chegou-se a impasses”); D: incorreta (“Foi detectada”); E: incorreta (“Está havendo problemas”). “O folhetim é frutinha de nosso tempo”, disse Machado de Assis numa de suas deliciosas crônicas. E volta ao assunto na crônica seguinte. “O folhetinista é originário da França [...] De lá espalhou-se pelo mundo, ou pelo menos por onde maiores proporções tomava o grande veículo do espírito moderno; falo do jornal.” E Machado tenta “defi nir a nova entidade literária”, procura esmiuçar a “organização do novo animal”. Mas dessa nova entidade só vai circunscrever a variedade que se aproxima do que hoje chamaríamos crônica. E como na verdade a palavra folhetim designa muitas coisas, e, efetivamente, nasceu na França, há que ir ver o que o termo recobre lá na matriz. De início, ou seja, começos do século XIX, “le feuilleton” designa um lugar preciso do jornal: “o rez-de-chaussée” - rés-do-chão, rodapé -, geralmente o da primeira página. Tinha uma fi nalidade precisa: era um espaço vazio destinado ao entretenimento. E pode-se já antecipar, dizendo que tudo o que haverá de constituir a matéria e o modo da crônica à brasileira já é, desde a origem, a vocação primeira desse espaço geográfi co do jornal, deliberadamente frívolo, oferecido como chamariz aos leitores afugentados pela modorra cinza a que obrigava a forte censura napoleônica. (“Se eu soltasse as rédeas da imprensa”, explicava Napoleão ao célebre Fouché, seu chefe de polícia, “não fi caria três meses no poder.”) (MEYER, Marlyse, Folhetim: uma história. 2 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 57) (BB – Escriturário – 2006 – FCC) E como na verdade a palavra folhetim designa muitas coisas, e, efetivamente, nasceu na França, há que ir ver o que o termo recobre lá na matriz. Substituindo a palavra folhetim, na frase acima, por “as palavras”, estará em conformidade com a norma padrão culta a seguinte redação do segmento sublinhado: (A) há que irem ver o que o termo recobre lá na matriz. (B) há que ir verem o que o termo recobre lá na matriz. (C) hão que ir ver o que os termos recobrem lá na matriz. (D) há que irem verem o que os termos recobre lá na matriz. (E) há que ir ver o queos termos recobrem lá na matriz. A locução verbal “há que ir ver” indica a indeterminação do sujeito da oração e, por isso, não se fl exiona, sendo mantida na terceira pessoa do singular. A concordância é realizada apenas com o objeto direto, que retoma a expressão “as palavras”. Assim, temos: “(...) há que ir ver o que os termos recobrem lá na matriz). Atenção: A próxima questão baseia-se no texto abaixo. 1 A Norma (1831) é claramente uma ópera que encena, numa suposta rebelião gaulesa contra a tutela romana na Antiguidade, a desejada libertação dos italianos em face das potências estrangeiras – no caso, 5 certamente a Áustria – que lhes vedam a independência e a unidade nacional. Como é de praxe em boa parte das óperas italianas do século XIX, ao posicionamento progressista nas grandes questões sociais ou nacionais se opõe um lastro, geralmente ocultado, que é de 10 natureza mais propriamente pessoal, e serve de enorme peso – inconsciente, posto que até então desconhecido – contra aquela tomada de partido em favor [...] do “bem” ou, pelo menos, da justiça e do progresso. Esse modelo aparece, para citarmos apenas algumas óperas, nas 15 Vespri Siciliani e no Trovatore de Verdi; poder-se-ia argumentar que a Traviata procede do mesmo modo. Assim, um recorte se delineia inicialmente, a opor as causas progressistas (a pátria livre, seja ela a Gália, a Sicília ou qualquer outra; a defesa dos pobres; a união 20 de quem se ama) ao que existe de mais retrógrado; porém, a dramaticidade não procederá do confl ito, num mesmo nível, entre progressistas e reacionários, mas da irrupção, no âmago mesmo da causa revolucionária avançada, de um elemento pessoal marcado pelo 25 acumpliciamento secreto, arcaico e culpável com o inimigo. Dessa forma, o herói libertador dos sicilianos nas Vespri é na verdade filho ilegítimo do governador francês, o trovador, na ópera homônima, é o irmão perdido de seu próprio perseguidor – e aqui, na Norma, a 30 sacerdotiza suprema dos gauleses é amante do chefe romano. É isso o que dilacera a alma, tanto do ator-cantor como do expectador-ouvinte, e confere a essas óperas seu caráter trágico. (Analista – ANS – 2007 – FCC) Está correta a concordância estabelecida em: (A) Será necessário análises mais detidas de cada uma das óperas mencionada. (B) Diante das potências estrangeiras que nada lhes poderiam facilitar, a Itália deixa manifesto na Norma sua ânsia por liberdade. (C) Nas óperas românticas, servem de pesos inconscientes, postos que até então desconhecidos, laços, geralmente ocultados, de naturezas mais pessoais. (D) Deveriam haver argumentos para sustentar que a Traviata procede do mesmo modo que a Norma. (E) Sempre se desejaram pátrias livres, fossem elas Gália e Itália ou quaisquer outras. A: incorreta, pois o sujeito do predicado nominal “Será necessário” é o substantivo feminino plural “análises”. Quando o sujeito não apresenta determinante, expressões do tipo mantém-se no masculino singular. A concordância nesse trecho está correta. Já o termo “mencionada” deveria estar no plural para acompanhar o substantivo que determina, óperas. 69 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO O plural é necessário porque apesar de cada uma ter que ser analisada individualmente (daí o uso do singular na expressão “cada uma”), várias óperas foram mencionadas; B: incorreta, pois o pronome pessoal oblíquo “lhes” tem como referente o termo “Itália”, singular. O pronome deve concordar em gênero e número com o termo que substitui (importante notar que o pronome “lhe” não admite fl exão de gênero). Outro erro incorre no termo “manifesto”, predicativo do objeto que se refere à expressão “sua ânsia por liberdade”. O termo deve ser acompanhar o seu referente, no feminino singular: “A Itália deixa manifesta (...) sua ânsia por liberdade”; C: incorreta, pois a expressão “posto que” é uma locução conjuntiva de forma fi xa, que não possui referente para concordância, e une as partes do texto estabelecendo uma relação de causa entre o trecho anterior e o que introduz; D: incorreta, pois a locução verbal “deveriam haver” tem como verbo principal o verbo “haver” no sentido de existir, na forma nominal do infi nitivo. Trata-se de um verbo impessoal que não possui referente de sujeito e deve manter-se sempre conjugado na terceira pessoa do singular. O verbo auxiliar da locução, que apresenta as fl exões de tempo, modo, número e pessoa, deve ser conjugado de acordo com as regras que orientam o principal. A forma correta seria “deveria haver argumentos”; E: correta, pois o verbo “desejaram”, acompanhado da partícula “se”, está na voz passiva e tem como sujeito a expressão no plural “pátrias livres”, com que concorda corretamente. As fl exões de número dos termos “fossem” e “quaisquer” acompanham corretamente os seus regentes “elas” e “outras”, respectivamente. Leia o Texto. A implementação do Sistema de Pagamentos Brasileiro - SPB altera todo o processo de transferência de recursos através do sistema fi nanceiro. O Banco Central deixa de ser responsável 5 pela intermediação das ordens de pagamento, transferindo essa atribuição para um conjunto de câmaras de compensação e liquidação (clearings), que passam a garantir a fi nalização destas operações. Algumas destas câmaras já 10 existem há anos e são responsáveis pelas operações de liquidação e custódia de ações, ativos e derivativos. No novo cenário, ganham autonomia patrimonial, seguros e novos métodos de gestão de risco. 15 O sistema fi nanceiro estará interligado eletronicamente, operando, em alguns casos, em tempo real. As operações precisam estar lastreadas em reservas constituídas pelas instituições fi nanceiras no Banco Central. 20 Todas essas transformações acarretam mudanças não só na tecnologia dos bancos, mas também em sua gestão de negócios, seus produtos e seus controles. (BANCO HOJE, março de 2001, p.54.) (Analista – BACEN – 2001 – FCC) Em relação ao texto acima, assinale a opção incorreta. (A) A articulação entre os dois primeiros períodos do texto (l. 4) pode ser expressa pela ideia de já que. (B) A forma verbal “transferindo”(l. 6) pode ser substituída, sem prejuízo para a correção do período, por e transfere, eliminando-se a vírgula após “pagamento”(l. 5 e 6). (C) Na linha 8, “que” equivale a as quais. (D) De acordo com o sentido do texto, a forma verbal “ganham” (l. 12) refere-se a “câmaras” (l. 9). (E) A coerência e a coesão do texto estariam prejudicadas se a expressão: “Todas essas transformações acarretam...”(l. 20) estivesse no singular. Se a expressão estivesse no singular Toda essa transformação acarreta expressaria uma ideia generalizadora (apreende todas as transformações anteriores) das transformações citadas no texto. O segredo da acumulação primitiva neoliberal Numa coluna publicada na Folha de São Paulo, o jornalista Elio Gaspari evocava o drama recente de um navio de crianças escravas errando ao largo da costa do Benin. Ao ler o texto – que era inspirado -, o navio tornava-se uma metáfora de toda a África subsaariana: ilha à deriva, mistura de leprosário com campo de extermínio e reserva de mão de obra para migrações desesperadas. Elio Gaspari propunha um termo para designar esse povo móvel e desesperado: “os cidadãos descartáveis”. “Massas de homens e mulheres são arrancados de seus meios de subsistência e jogados no mercado de trabalho como proletários livres, desprotegidos e sem direitos.” São palavras de Marx, quando ele descreve a “acumulação primitiva”,ou seja, o processo que, no século XVI, criou as condições necessárias ao surgimento do capitalismo. Para que ganhássemos nosso mundo moderno, foi necessário, por exemplo, que os servos feudais fossem, à força, expropriados do pedacinho de terra que podiam cultivar para sustentar-se. Massas inteiras se encontraram, assim, paradoxalmente livres da servidão, mas obrigadas a vender seu trabalho para sobreviver. Quatro ou cinco séculos mais tarde, essa violência não deveria ter acabado? Ao que parece, o século XX pediu uma espécie de segunda rodada, um ajuste: a criação de sujeitos descartáveis globais para um capitalismo enfi m global. Simples continuação ou repetição? Talvez haja uma diferença – pequena, mas substancial – entre as massas do século XVI e os migrantes da globalização: as primeiras foram arrancadas de seus meios de subsistência, os segundos são expropriados de seu lugar pela violência da fome, por exemplo, mas quase sempre eles recebem em troca um devaneio. O protótipo poderia ser o prospecto que, um século atrás, seduzia os emigrantes europeus: sonhos de posse, de bem-estar e de ascensão social. As condições para que o capitalismo invente sua versão neoliberal são subjetivas. A expropriação que torna essa passagem possível é psicológica: necessita que sejamos arrancados nem tanto de nossos meios de subsistência, mas de nossa comunidade restrita, familiar e social, para sermos lançados numa procura infi nita de status (e, hipoteticamente, de bem-estar) defi nido pelo acesso a bens e serviços. Arrancados de nós mesmos, deveremos querer ardentemente ser algo além do que somos. Depois da liberdade de vender nossa força de trabalho, a “acumulação primitiva” do neoliberalismo nos oferece a liberdade de mudar e subir na vida, ou seja, de cultivar visões, sonhos e devaneios de aventura e sucesso. E, desde o prospecto do emigrante, a oferta vem se aprimorando. A partir dos anos 60, a televisão forneceu os sonhos para que o campo não só devesse, mas quisesse, ir para a cidade. O requisito para que a máquina neoliberal funcione é mais refi nado do que a venda dos mesmos sabonetes ou fi lmes para todos. Trata-se de alimentar um sonho infi nito de perfectibilidade e, portanto, uma insatisfação radical. Não é pouca coisa: é necessário promover e vender objetos e serviços por eles serem indispensáveis para alcançarmos nossos ideais de status, de bem-estar e de felicidade, mas, ao mesmo tempo, é preciso que toda satisfação conclusiva permaneça impossível. Para fomentar o sujeito neoliberal, o que importa não é lhe vender mais uma roupa, uma cortina ou uma lipoaspiração; é alimentar nele sonhos de elegância perfeita, casa perfeita e corpo perfeito. Pois esses sonhos perpetuam o sentimento de nossa inadequação e garantem, assim, que ele seja parte inalterável, defi nidora, da personalidade contemporânea. Provavelmente seria uma catástrofe se pudéssemos, de repente, acalmar nossa insatisfação. Aconteceria uma queda total do índice de confi ança dos consumidores. Bolsas e economias iriam para o brejo. Desemprego, crise, etc. Melhor deixar como está. No entanto, a coisa não fi ca bem. Do meu pequeno observatório psicanalítico, parece que o permanente sentimento de inadequação faz do sujeito neoliberal uma espécie de sonhador descartável, que corre atrás da miragem de sua felicidade como um trem descontrolado, sem condutor, acelerando progressivamente por inércia – até que os trilhos não aguentem mais. (Contardo Calligaris, Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2002) Nota: O autor desse texto, Contardo Calligaris, é psicanalista e foi professor de estudos culturais na New School de Nova York. Faz parte do corpo docente do Institute for the Study of Violence, em Boston. É também colunista da Folha de S. Paulo. (Analista – BACEN – 2005 – FCC) Na proposta de uma nova redação para uma frase do texto, cometeu-se um deslize quanto à concordância verbal em: (A) Não teriam sido sufi cientes quatro ou cinco séculos para que se extinguissem de vez as manifestações de violência principiadas no século XVI? (B) Fez-se necessária não só a criação, mas também a multiplicação de sujeitos descartáveis para que se caracterizassem as condições de um capitalismo globalizado. (C) Vendam-se os mesmos sabonetes ou fi lmes para todos, o principal requisito dos procedimentos neoliberais vai além disso, e atende a exigências que são de alta sofi sticação. (D) Devem-se notar, comparando-se as massas do século XVI e os migrantes da globalização, um quadro de semelhanças que não exclui uma importante diferença. (E) Ao nos agraciar com sonhos de perfectibilidade, a máquina liberal inclui entre seus segredos estratégicos o sentimento da insatisfação radical. A forma do verbo dever está incorreta, pois, para indicar sujeito indeterminado, é possível duas construções: verbo na 3ª pessoa do singular + índice de indeterminação do sujeito (deve-se) ou verbo na 3ª pessoa do plural (devem). (Analista – BACEN – 2001 – FCC) Assinale a opção incorreta a respeito das estruturas linguísticas do texto abaixo. Temos uma legislação processual com dispositivos que permitem ao devedor, a pretexto de questionar uma cláusula contratual ou uma garantia dada em uma operação, deixar de pagar 5 o principal. O que isso traz de consequência? Traz um aumento muito grande de inadimplência, que se traduz em um aumento de custo para o tomador. O prejuízo operacional sofrido pela instituição financeira, em decorrência dessa 10 inadimplência, faz com que os bons pagadores acabem arcando com parte dessa conta, suportando uma taxa de juro maior e até desestimulando outros tomadores, que gostariam de expandir ou crescer seus empreen15 dimentos com apoio no crédito. (Gabriel Jorge Ferreira, em entrevista à Resenha BM&F, com adaptações.) (A) A forma verbal “Temos”, ao iniciar o texto, indica que autor e leitores partilham a situação que vem descrita a seguir. (B) A oração “deixar de pagar o principal” (l. 4 e 5), apesar de não ter sujeito gramatical, refere-se semanticamente a “devedor”(l. 2). (C) O pronome “que”(l. 7) refere-se a “inadimplência” (l. 6) e constitui o sujeito da oração em que ocorre. (D) A oração reduzida “sofrido pela instituição fi nanceira” (l. 8 e 9) corresponde à ideia que também pode ser expressa pela oração que a instituição fi nanceira sofreu. (E) “dessa inadimplência” (l. 9 e 10) constitui o sujeito da oração que tem como predicado “faz”(l. 10). 71 1 . LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO O sujeito do verbo “faz” é “prejuízo operacional”. (Analista – BACEN – 2001 – FCC) Assinale a opção em que o termo sublinhado apresenta incorreção gramatical. No México e no Chile, persistem expectativas de que a distensão(1) característica de suas políticas monetárias contribuam(2) para a sustentação do nível de atividade. Na Argentina, a operação de troca da dívida exerceu efeitos favoráveis sobre a percepção dos investidores, mas ainda persistem(3) as incertezas em relação à capacidade de retomada do crescimento econômico, para o qual(4) não contribuirá o perfi l retrativo(5) da política fi scal. (Trecho adaptado do Relatório de Infl ação – Banco Central do Brasil, junho de 2001- volume 3, no 2, p. 91.) (A) 1 (B) 2 (C) 3 (D) 4 (E) 5 A forma verbal correta deveria ser conjugada no singular (contribua), já que seu sujeito está no singular (“distensão característica”). (Analista – BACEN – 2001 – FCC) Assinale a opção em que