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Direito										 52
Hermenêutica Jurídica			
Profª Dra. Eliane Iunes Vieira. 
Apostila
de
Hermenêutica Jurídica
	
	elaborada pela professora Dra. Eliane Iunes Vieira
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
1. 	Hermenêutica: Aspecto Histórico.
1.1. 	Hermenêutica na Antiguidade Clássica.
1.2. 	Hermenêutica na Idade Média.
1.3. 	Hermenêutica na Idade Moderna.
1.4. 	Escolas de Interpretação.
2. 	Hermenêutica: Aspecto Técnico. 
2.1. 	Funções da Interpretação.
2.2. 	Critérios da Interpretação.
2.3. 	Espécies de Interpretação.
2.4. 	Integração das Leis.
3. 	Hermenêutica: Aspecto Filosófico.
3.1. 	A Hermenêutica em Schleiermacher.
3.2. 	A Hermenêutica em Dilthey.
3.3. 	A Hermenêutica em Heidegger.
3.4. 	A Hermenêutica em Gadamer.
3.5. 	A Hermenêutica Pós-Positivista.
3.6. 	Hermenêutica Constitucional.
4. 	Ciência da Hermenêutica 0Jurídica, Teoria Geral da Hermenêutica e Sistema Jurídico.
4.1. 	Noções de Ordem Propedêutica, de Definibilidade, Terminológica e Objectual.
4.2. 	O Processo de Produção do Conhecimento Jurídico-Científico e a Hermenêutica Jurídica. 
5. 	Análise Teórico-Conceptual e Historiográfico-Descritiva da Hermenêutica Jurídica.
5.1. 	O Direito Romano. 
5.2. 	Os Glosadores e Pós-Glosadores. 
5.3. 	A Escola da Exegese. 
5.4. 	A Escola Histórica. 
5.5. 	A Escola da Livre Investigação Científica. 
5.6. 	A Escola do Direito Livre. 
5.7. 	Jurisprudência dos Conceitos Versus Jurisprudência dos Interesses Versus Jurisprudência dos Valores. 
6. 	Metodologia da Ciência da Hermenêutica Jurídica.
6.1. 	A Problemática da Indiscernibilidade Conceitual: Hermenêutica/ Interpretação/ Integração/ Aplicação do Fenômeno Jurídico.
6.2. 	Principiologia da Hermenêutica Jurídica.
6.3. 	Metodologia Dogmática da Hermenêutica Jurídica. 
6.4. 	Metodologia Zetética da Hermenêutica Jurídica. 
7. 	A Ciência da Hermenêutica Jurídica e o seu Estatuto Teórico Contemporâneo.
7.1. 	As Teorias da Retórica. 
7.2. 	As Teorias da Tópica.
7.3. 	As Teorias da Lógica. 
7.4. 	As Teorias da Argumentação.
7.5. 	As Perspectivas da Racionalidade Jurídica Contemporânea: O Exemplo da Hermenêutica Constitucional.
8. 	A Hermenêutica e a Interpretação do Direito.
9. 	Modos de Integração do Direito.
9.1. 	Analogia.
9.2. 	Costumes.
9.3. 	Princípios Gerais de Direito.
9.4. 	Equidade.
10. 	Antinomias Jurídicas.
11. 	Hermenêutica e Aplicação do Direito.
12. 	Interpretação e Aplicabilidade das Normas Constitucionais e dos Tratados Internacionais.
Hermenêutica Jurídica
Introdução
Conceito:
A Hermenêutica é a teoria científica da arte de interpretar.
Assim, Hermenêutica Jurídica é a teoria científica da arte de interpretar as normas jurídicas.
Por exemplo: no Brasil, não há uma lei específica que regulamente a adoção de criança por um “casal” homossexual.
Mas com base: 
na Constituição Federal (que estabelece que todos são iguais perante a lei e não pode haver discriminação por raça, religião, opção sexual, etc);
no Código Civil (que permite a adoção); e 
no Estatuto da Criança e do Adolescente (que estabelece que deve haver proteção integral à criança);
o Poder Judiciário (a Justiça) decidiu que a sociedade mudou desde que a CF/1988 e essas leis foram criadas e que, mesmo não havendo uma lei específica sobre esses casos, é possível aplicar a adoção aos casos que em os pais formam um casal homossexual.
Nesses casos, adotou-se uma interpretação das leis para adaptá-las a essa nova realidade que a sociedade está vivendo.
Se o objetivo das leis, ao regular a adoção, é buscar a proteção da criança e a garantia de que a nova família proporcione boas condições para o seu desenvolvimento (físico, emocional/afetivo e cultural), esse deve ser o sentido que deve orientar o operador do Direito (juiz/advogado/Ministério Público) na interpretação da lei. 
Dessa forma, esse deve ser o fundamento da decisão judicial para aceitar ou negar o pedido de adoção. 
A interpretação jurídica deve levar em conta os objetivos preconizados pela lei, levando em conta, também, a evolução da sociedade, o desenvolvimento cultural e as exigências e atuais necessidades sociais.
Esses são os temas que estudaremos na nossa disciplina. Ou seja, o objetivo é aprender a interpretar a lei para aplicá-la a casos concretos. 
As leis quando são criadas não tem condição de prever a evolução do mundo e da sociedade. Ou seja, a lei visa os casos gerais que são conhecidos quando da sua criação. Mas o mundo evolui e é necessário conhecer a hermenêutica (ciência da interpretação) para que seja possível aplicar as leis aos novos casos que vão surgindo com o tempo. Caso contrário, em pouco tempo seria preciso alterar quase todas as leis.
Tendo em vista que a sociedade muda com o tempo, o Direito tem que acompanhar essa evolução. Então, o estudo da hermenêutica é fundamental para a aplicação do Direito. 
Nosso curso vai abordar a teoria e as técnicas da interpretação voltadas para o Direito.
Unidade 1
1. Hermenêutica: Aspecto Histórico.
1.1. Hermenêutica na Antiguidade Clássica.
1.2. Hermenêutica na Idade Média.
1.3. Hermenêutica na Idade Moderna.
1.4. Escolas de Interpretação.
Conceito: A Hermenêutica é a teoria científica da arte de interpretar.
- Assim, Hermenêutica Jurídica é a teoria científica da arte de interpretar as normas jurídicas.
Origem do termo "hermenêutica": provém do grego hermeneuein. Tem o significado de declarar, anunciar, interpretar, esclarecer, traduzir. 
- Ou seja, hermenêutica tem o sentido de tornar algo compreensível ou levar à compreensão de alguma coisa. 
- A mitologia grega atribuía ao deus Hermes o papel de mensageiro dos deuses.
- De acordo com a mitologia grega, o deus Hermes, além de mensageiro, era o intérprete das mensagens dos deuses dirigida aos homens.
- Observa-se, então, que a tarefa de interpretar as mensagens dos deuses era considerada uma função muito importante. Tanto que cabia, segundo a mitologia, a uma divindade (ao deus Hermes).
- Com a evolução da civilização, essas atividades passaram a se exercidas por algumas pessoas de alta hierarquia na sociedade.
- Na Grécia antiga, havia os oráculos dos deuses, que eram locais onde os deuses transmitiam mensagens às pessoas, por intermédio de sacerdotes/sacerdotisas.
- Portanto, desde os primórdios da civilização, a função de interpretar as mensagens divinas era considerada de alta relevância, uma vez que, no início (na Era Mitológica), era exercida por uma divindade (o deus Hermes). Em razão disso, os sacerdotes (que interpretavam as mensagens – a palavra – das divindades) sempre ocuparam alta posição na hierarquia social. 
- A Hermenêutica, porém, não ficou restrita à interpretação de textos religiosos. No âmbito do Direito, também, passou a ter grande relevância.
- No Direito Romano, na tarefa de interpretar leis e normas, surgiram grandes personalidades do Direito. Em Roma, esses estudiosos do Direito eram conhecidos como Prudentes. Eram juristas, profundos conhecedores do Direito, que interpretavam, analisavam e explicavam cada parágrafo dos textos jurídicos, buscando o seu significado e os efeitos práticos nas vidas das pessoas. Esse trabalho dos Prudentes era chamado de juris prudentia - originária do latim jus (direito) + prudentia (sabedoria).[1: 	No Direito Romano houve importantes juristas. Os mais famosos são: Ulpiano, Papiniano, Modestino, Paulo e Gaio. Seus trabalhos integram grande parte do Digesto (formado por 50 volumes). O Digesto é parte da grande obra codificada do Direito Romano – Corpus Juris Civilis -, proAs normas jurídicas são criadas para o controle e organização das relações sociais.duzida por ordem do Imperador Justiniano e publicada em 533 d. C. 	É atribuído a Ulpiano o célebre princípio de Direito: “Juris Praecepta Sunt haec: Honeste Vivere, Alterum Non Laedere, Suum Cuique Tribuere”. Ou seja, são os preceitos do direito: viver honestamente, não ofender ninguém, dar a cada um o que lhe pertence.	Segundoo Imperador Justiniano, quando a maioria dos juristas romanos estiverem em desacordo, deveriam prevalecer os pontos de vista de Papiniano.	Gaio, além dos seus trabalhos jurídicos, criou um Manual didático de direito, chamado Institutas de Gaio. ]
- No Direito Romano, o trabalho dos prudentes eram de extrema relevância para o direito e para a sociedade da época e para a ciência do Direito. [2: 	O Direito Romano foi a base do direito de diversas nações, inclusive do Brasil. Nosso direito privado (Direito Civil) tem por o Direito Romano (ex.: direito de família, sucessão, coisas, obrigações ….).	 ]
- A importância da Hermenêutica é evidente, considerando que 
A linguagem (falada ou escrita) pode ser mal interpretada, causando incerteza e insegurança. Portanto, dependendo do intérprete, pode não refletir a real intenção da mensagem;
Então, é importante, para a correta interpretação, o uso de diversos métodos e técnicas de interpretação.
Assim, tanto a linguagem, os textos religiosos, filosóficos, quanto os jurídicos (principalmente as normas jurídicas) dependem de uma correta interpretação;
A linguagem humana (falada ou escrita) é a base das relações sociais, por isso, a correta interpretação das mensagens contribui para minimizar os conflitos sociais; 
A correta interpretação das normas jurídicas também contribui para a estabilidade do ordenamento jurídico.
- Modernamente, com o advento do racionalismo, o estudo da Hermenêutica evoluiu bastante. Destacam-se a contribuição dos seguintes autores: Gadamer (com a obra: Verdade e Método), Heiddeger, Dilthey e Schleiermacher (criaram ama teoria normativa da interpretação), Ferrara, Savigny, Ihering, Jhellinek, Kelsen e Carlos Maximiliano. [3: 	O racionalismo é uma teoria filosófica que dá a prioridade à razão, como faculdade de conhecimento relativamente aos sentidos. Ou seja, todos os fenômenos existentes podem ser explicados pela razão. O racionalismo é a base da ciência.]
2) Diferença entre hermenêutica e interpretação
A interpretação tem caráter concreto. 
A hermenêutica tem caráter abstrato. 
A interpretação é a aplicação prática da hermenêutica. 
A hermenêutica é a ciência que fixa os princípios e os métodos que regem a interpretação. 
Assim a hermenêutica deve ser geral e abstrada e a interpretação, específica e concreta (ligada a um determinado caso concreto)
Carlos Maximiliano afirmava que a hermenêutica jurídica tem por objeto o estudo e a sistematização dos processos aplicáveis para determinar o sentido e o alcance das expressões do direito.
3) A evolução cultural e a interpretação das normas jurídicas.
A norma jurídica sempre necessita de interpretação.
A clareza de um texto legal é relativa. 
Uma mesma disposição pode ser clara em sua aplicação aos casos mais imediatos e pode ser duvidosa quando se aplica a outros casos não previstos.
Por exemplo: o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção de uma criança por um casal homossexual.
Com o tempo e a evolução da sociedade, podem surgir casos que não se enquadrem nas normas. 
Assim a hermenêutica jurídica fornece os métodos e princípios que devem ser adotados para que o operador do Direito busque a solução que atenda aos interesses da sociedade.
O direito deve acompanhar a evolução cultural. Necessariamente, o ordenamento jurídico deve interagir com os acontecimentos sociais, visando a buscar a realização das reais necessidades humanas. 
No estudo do Direito, as doutrinas e teorias jurídicas só têm sentido se estiverem vinculadas às condicionantes sociais e políticas de determinada época. 
Não há como cultivar o Direito, isolando-o da vida. Principalmente em nossa época, visto que a sociedade atual se caracteriza pela rápida mobilidade, determinada pelo progresso científico e tecnológico, pelo crescimento econômico e industrial, pelas novas concepções sociais e políticas e por modificações culturais. 
A interpretação das normas jurídicas deve levar em conta os fins para os quais foram criadas, os precedentes históricos que levaram a sociedade a exigir a sua criação, bem como a harmonização com as novas necessidades que as mudanças da sociedade passem a exigir.
4) Integração e aplicação do Direito
Conceito de lacuna da lei: A lacuna da lei é a inexistência de uma norma jurídica aplicável a um caso concreto. Ou seja, é um vazio legal sobre determinado evento. Ex: casamento homossexual.
A lacuna caracteriza-se quando a lei é omissa ou falha em relação a determinado caso.
Ou seja, essa lacuna ou falha revela que o sistema normativo não se aplica a todos os fatos da vida social (logicamente, no momento da criação da lei, é impossível prever todos os fatos e a evolução da sociedade).
A constatação da existência da lacuna ocorre no momento em que o aplicador do direito vai exercer a sua atividade e não encontra no corpo das leis um preceito que solucione o caso concreto (ou seja, não há um dispositivo legal que se aplique a determinado caso concreto). Neste instante, constata-se a existência de uma lacuna.
Assim, quando o juiz não consegue descobrir uma norma jurídica para decidir determinado caso, deve servir-se de outros meios para a solucioná-lo, uma vez que todo caso concreto posto à apreciação do Judiciário não pode deixar de ser apreciado e resolvido.
O procedimento para preenchimento de lacunas da lei é conhecido como Integração.
Porém, a própria lei põe à disposição do aplicador do direito, os meios dos quais pode se utilizar para o preenchimento da lacuna existente.
Conforme disposição constante do artigo 4º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro – Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 (ainda em vigor): [4: 	Originalmente, chamava-se Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, mas a partir da Lei nº 12.376/2010, passou a se chamar Lei de Introdução à normas do Direito Brasileiro. ]
Art. 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.
Assim, vamos esclarecer,
- Analogia:
é aplicar a um caso não previsto em lei uma disposição legal prevista para um caso semelhante, ou ainda
consiste em aplicar a um caso não previsto de modo direto ou específico, uma norma jurídica prevista para uma hipótese distinta, mas semelhante ao caso não contemplado.
- 	Costume:
é uma norma social que deriva da longa prática uniforme, geral, constante e repetida de dado comportamento sob a convicção de que corresponde a uma necessidade de determinada sociedade. 
São regras não escritas que a sociedade entende como aplicáveis. 
Por exemplo: A lei do cheque (Lei nº 7.357/1985) não prevê a existência de cheque pré-datado, mas o cheque pré-datado é um costume da nossa sociedade. Então, como resolver juridicamente problemas envolvendo cheque pré-datado?
Atualmente, a jurisprudência entende, com base no Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), que o comerciante que recebe o cheque pré-datado tem o dever de respeitar o prazo acordado. 
Se o cheque for depositado antes do prazo e, disso, resultar em prejuízo para o consumidor, o comerciante terá o dever de indenizá-lo. [5: 	No mesmo sentido, se o cheque pré-datado for depositado pelo comerciante antes do prazo e acabar devolvido por falta de fundos, isso não caracteriza crime. ]
- 	Princípios Gerais de Direito
são normas (escritas ou não) de cunho genérico, que condicionam e norteiam a compreensão do ordenamento jurídico, quer para a sua aplicação, quer para a elaboração de novas normas. 
	Exemplos de princípios gerais do direito: 
“a lei deve dar a cada um o que é seu”; 
“a lei não pode permitir o enriquecimento ilícito”;
“todos devem ser tratados como iguais perante a lei; 
“aos acusados em geral devem ser assegurados o contraditório e a ampla defesa”; 
“quem exercitar o próprio direito não estará prejudicando ninguém”; 
“a pessoa deve responder pelos próprios atos e não pelos atos alheios”;
“deve ser maisfavorecido aquele que procura evitar um dano do que aquele que busca realizar um ganho”; 
“ninguém deve ser responsabilizado mais de uma vez pelo mesmo fato”; 
“nas relações sociais se deve tutelar a boa-fé e reprimir a má-fé”; etc...
Miguel Reale destaca que toda a experiência jurídica, e a legislação que a integra, tem por base os princípios gerais de direito. Portanto, os princípios gerais de direito são considerados como o alicerce do ordenamento jurídico.
Clóvis Beviláqua considera os princípios gerais de direito como tendo caráter universal, ditados pela ciência e pela filosofia do direito.
- Então, o juiz, quando se depara com uma lacuna legal (ou seja, verifica que determinado caso concreto não está previsto na legislação), deve decidir com base na analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.
	Deve-se esclarecer que é necessário realizar a integração nesta ordem:
Analogia - primeiro verifica se há alguma disposição análoga;
 
se não houver casos análogos, é necessário pesquisar os costumes;
caso não encontre nos costumes a solução, é necessário pesquisar os princípios gerais de direito, utilizando um dos princípios para solucionar o caso.
Concluindo, 
- A função do Estado é promover o bem comum de toda a sociedade. A finalidade do Direito é alcançar a paz social.
- Ao Estado cabe o exercício da função jurisdicional, exercida pelo Poder Judiciário. 
- Ao juiz compete aplicar o direito a casos concretos que lhe são apresentados, para realizar e manter a paz e harmonia social.
- A aplicação do direito não se resume a um método simples. O juiz deve estar em sintonia não somente com o direito, mas também com a evolução da sociedade. Deve, antes de tudo, ter o julgador um profundo conhecimento da natureza humana.
A propósito, de acordo com o Decreto-Lei nº 4657/42 – Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, 
Art. 5o Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.
- Ou seja, deverá pesquisar quais são as finalidades sociais da lei e as exigências da sociedade (o bem comum). [6: 	 Por exemplo, o ECA tem a finalidade de proteger a criança e o adolescente, assim toda decisão que envolva a aplicação do ECA não pode contrariar essa finalidade.]
- Acrescente-se que o juiz não pode se recusar a aplicar o direito sob a alegação de inexistir norma jurídica cabível para o caso. 
- Todos têm o direito de procurar o Poder Judiciário para defender seus interesses e o Estado tem o dever de prestar a tutela jurisdicional adequada, seja ela favorável ou desfavorável ao postulante (ou seja, dar uma sentença favorável ou desfavorável).
- Diante disso, ainda que não exista norma jurídica aplicável ao caso concreto, o juiz deve servir-se de outros meios para manter a paz social, valendo-se, então, dos métodos de integração da norma jurídica, tais como a analogia, o costume e os princípios gerais do direito.
ANEXO 1
Principais Escolas de Interpretação Jurídica [1]
INTRODUÇÃO
	A tarefa de interpretar o Direito revela o alcance que determinada norma possui e em que sentido deve ser aplicada. Muitas vezes esta atividade pode ser mais complicada do que parece, e por isso ao longo da história surgem diversos modelos hermenêuticos que estudam as formas de interpretação.
	Dessa forma, o estudo da hermenêutica jurídica é de fundamental importância, pois, os operadores do Direito precisam antes de tudo aprender a interpretar e entender o processo de construção de sentido da norma jurídica.
	Vamos, então, analisar brevemente as teorias jurídicas que se preocuparam com o pensamento jurídico enquanto ciência.
1.1 Escola Jusnaturalista:
	Na idade média a teoria Jusnaturalista apresentava conteúdo teológico, pois os fundamentos do direito e da sociedade eram baseados na vontade divina e no credo religioso.
Para Norberto Bobbio, o Jusnaturalismo como corrente do Direito tem a convicção de que "uma lei para ser lei deve ser conforme a justiça" e ainda a teoria do direito natural é aquela que considera poder estabelecer o que é justo de modo universalmente válido.[2]
	Na obra de Paulo Nader ele aponta que jusnaturalismo é a corrente de pensamento que reúne todas as ideias que surgiram, no decorrer da história, em torno do Direito Natural e conceitua:
O raciocínio que nos conduz à ideia do Direito Natural parte do pressuposto de que todo o ser é dotado de uma natureza e de um fim. A natureza, ou seja, as propriedades que compõem o ser define o fim a que este tende a realizar. Para que as potências ativas do homem se transformem em ato e com isto ele desenvolva. Com inteligência, o seu papel na ordem geral das coisas, é indispensável que a sociedade se organize com mecanismos de proteção à natureza.[3]
	Esta Escola tem como ideia principal a existência de uma lei natural, eterna e imutável. E segundo a obra de Bobbio esta corrente se divide em três fases: jusnaturalismo clássico, jusnaturalismo no pensamento medieval e jusnaturalismo moderno, vejamos:
	O clássico é aquele desenvolvido a partir das ideias dos filósofos Gregos (Platão e Aristóteles) e que buscam uma justiça universal baseada na razão natural, eles afirmam que o direito natural está em toda a parte e trata-se de um direito justo e universal. [4]
	No pensamento medieval é desenvolvido um jusnaturalismo fundado nas questões religiosas e que pregava o Direito universal e a busca por uma justiça dentro dos ditames da Igreja.
	Já o jusnaturalismo moderno ou racional é aquele que busca através de uma razão (justa) atingir ideais de moral e justiça respeitando a natureza racional do homem.[5] 	Apresentam as seguintes características: Racionalista no método, subjetivista no critério, anti-histórica nas exigências e humanitária no conteúdo e a grande virtude da escola foi a de considerar a natureza humana como a grande fonte do direito.[6]
	Esta última fase mais racionalista, vigente entre os séculos XVI e XVIII, teve como principais pensadores Hugo Grócio, Hobbes, Spinoza, Puffendorf, Wolf, Rousseau e Kant.
	Ressalta-se que para esta Escola não é necessário um sistema codificado de leis para regrar as condutas da sociedade, pois a ideia central é a existência de uma lei natural baseada em uma ordem pré-existente e de origem divina.
1.2 Escola da Exegese
	A palavra exegese vem do grego ex gestain e significa "conduzir para fora". Para esta escola o papel de intérprete se reduz a aplicar precisamente a regra dita pelo legislador, independente do decurso do tempo.[7]
	Esta Escola surge no século XIX e é seguida na França por diversos juristas como Proudhon, Melville, Blondeau, Bugnet, Delvincourt, Huc, Aubry e Rau, Laurent, Marcadé, Demolombe, Troplong, Pothier, etc.
	A ideia central é um sistema normativo codificado de leis que visam garantir os direitos subjetivos do homem. Ou seja, é o inverso do jusnaturalismo, pois estabelece regras para cada situação e se defende a aplicação da lei para disciplinar as relações de modo geral.
	Para esta Escola o papel do jurista era ater-se com rigor absoluto ao texto da lei e revelar seu sentido. Ressalta-se que o exegetismo não negou o direito natural, pois chegou a admitir que os códigos eram elaborados de modo racional e portanto uma expressão humana do direito natural e por isso a ciência do direito deveria ater-se a mera exegese dos códigos. [8]
	De acordo com Maria Helena Diniz:
Para o exegetismo, se a lei continha todo o direito, se o processo de aplicação era um mero silogismo, e se podia ser superada, segundo alguns de seus sequazes, a ausência de premissa maior pelo procedimento integrativo da analogia, o direito seria certo e completo.[9]
	Em suma, a Escola da Exegese possui as seguintes características: possuir uma concepção estritamente estatal do direito; o fato de focar-se exclusivamente na lei; e interpretar a lei baseando-se na intenção do legislador.
1.3.Escola Histórica
	O conceito da Escola Histórica de Direito surge no século XIX e o seu maior representantefoi Friedrich Carl Savigny (1779-1861).
	A revolução industrial transformou a sociedade e criou movimentos inovadores na ciência jurídica para fazer frente à nova realidade e diante deste novo cenário surge a Escola Histórica.
	Segundo Norbert Horn esta Escola se caracteriza por afirmar que o Direito é parte da cultura de uma sociedade e está submetida a uma evolução devendo corresponder às necessidades que surjam, vejamos:
A Escola Histórica do Direito pode ser caracterizada com as seguintes palavras-chave: O Direito é parte da cultura geral de um Estado e de uma sociedade. Como essa cultura geral, ele se coloca numa continuidade histórica. Somente pode ser entendido a partir de um desenvolvimento histórico. Ao mesmo tempo está submetido a uma contínua evolução, e como esta também vale para a cultura geral. A evolução contínua ocorre conforme as concepções válidas numa cultura, que se desenvolvem continuamente, como condições vitais. O Direito deve corresponder a necessidades que dalí surjam. Os juristas especialistas (ciência jurídica e tribunais) têm o papel principal nessa cautelosa evolução contínua.[10]
	Diante da lei, o intérprete deve observar não só o que o legislador 'quis', mas também o que ele 'quereria', se vivesse no meio atual. Deve 'adaptar-se a velha lei aos tempos novos'. E não abandoná-la. E, assim 'dar vida aos códigos'." [11]
	Ainda, Miguel Reale faz uma explicativa comparação: "Há no fundo da concepção histórica do Direito a ideia fundamental de que o Direito cresce e se desenvolve lentamente como uma árvore, como atualização de forças internas de crescimento espontâneo".[12]
	De forma resumida, podemos afirmar que para Savigny a lei nasce obedecendo certos ditames e determinadas aspirações sociais mas não pode ficar engessada e restrita às suas fontes originárias, devem se modificar conforme a sociedade. E o jurista deve descobrir a mens legislatoris estudando as fontes de que emanam a lei.
1.4.Escola Teleológica
	Esta escola teve como precursor Rudolph Von Ihering, que partiu do pressuposto que o direito se forma sob a determinação de fins precisos e objetivos.
	Nas palavras da professora Dra. Maria Helena Diniz:
Em sua obra, há uma crítica à jurisprudência conceitual, rechaçando o abstracionismo dos conceitos jurídicos e o emprego do método dedutivo silogístico na aplicação do direito, salientando o caráter finalístico das normas jurídicas. A concepção do direito é prática, resulta da vida social e da luta contínua que é o meio de realização do direito; sua finalidade é a paz. Tem uma concepção essencialmente teleológica do mundo jurídico. Logo, para ele, a ciência jurídica deve interpretar normas de acordo com os fins por elas visados. A letra da lei é importante, porém não tem o condão de fundamentar interpretação contrária aos fins visados pela norma. [13]
	Para Ihering deve-se interpretar a norma levando em conta seus fins. A lei só atinge sua destinação quando está a serviço de objetivos sociais e políticos. Ou seja, esta Escola possui um caráter político, e o intérprete deve ajustar suas necessidades, desejos e interesses.
	Ressalta-se que a norma não é um fim em si mesma, mas sim um meio a serviço de uma finalidade, que é a existência da sociedade. Sendo que as leis de determinada época ou de certo local devem ser interpretadas com o conhecimento efetivo das condições sociais de tal povo e de tal época, afinal o real sentido da norma depende destas circunstâncias sociais dentro das quais foi elaborada.[14]
2. Sistemas modernos de investigação
	Insere-se neste sistema duas principais escolas que são: a Escola da Livre Investigação e a Escola do Direito Livre. E por serem o enfoque principal desta pesquisa, será analisada neste tópico em separado.
	Como dito anteriormente este sistema surge contra o legalismo dos sistemas tradicionais que consideravam a lei como única fonte do direito.
2.1. Escola da Livre Investigação
	François Geny foi o grande representante da Escola da Livre Iniciação Científica, suas grandes obras são: Méthode d'interprétation et sources en droit privé positif e Science et technique em droit privé positif.
	O autor afirma que a lei não é obrigatoriamente a expressão de um princípio lógico-racional imposto pela força da razão e sim uma manifestação da vontade do legislador, que nem sempre expressa o que racionalmente deveria exprimir.
	Importante ressaltar que já havia se passado mais de cem anos da Revolução Francesa, diversas gerações de juristas já haviam passado e a França necessitava atualizar suas instituições jurídicas.
	Os juízes que estavam distante da capital começaram a proferir decisões fora do padrão da interpretação restrita do Código, e entre os renomados juristas que clamavam por reforma estava Gény. Para esta Escola nenhuma lei será suficiente para alcançar todo o campo das relações sociais jurídicas, e isto deve ser feito por um magistrado. [15]
	Assim como a Escola da Exegese, acredita-se que a lei é a fonte principal do Direito, mas quando esta for omissa, obscura, insuficiente o intérprete terá que recorrer para as fontes suplementares. A s fontes suplementares serias: o costume, a tradição, a autoridade e a livre investigação.
	A livre investigação significa que o magistrado não fica vinculado ao texto da lei, ele deve tentar compreender a vontade do legislador. Percebe-se que Gény não incluí a jurisprudência como fonte, pois naquela época os julgados não tinham ampla divulgação.
	Sobre a livre investigação científica ensina Maria Helena Diniz:
Essa investigação é livre porque não se submete a uma autoridade positiva e é científica, porque pode dar bases sólidas aos elementos objetivos descobertos pela ciência jurídica. A livre investigação científica deve basear-se em três princípios: a) o da autonomia da vontade; b) o da ordem e do interesse público; c) o do justo equilíbrio ou harmonização dos interesses privados opostos, pois o aplicador deve considerar a respectiva força desses interesses, pesando-se na balança da justiça, para saber a qual deles deve dar preponderância, levando em conta as convicções sociais vigentes, resolvendo de modo que se produza o devido equilíbrio. [16]
	Para esta Escola a norma jurídica possui dois ingredientes, e a atividade do jurista se realiza em um duplo campo de ação, são eles: o dado e o do construído. O dado é o conjunto de elementos que antecedem a norma jurídica, são a realidade social, moral, econômica, etc. 	São realidades existentes em toda sociedade humana por serem norteadoras do comportamento humano.[17]
	Já o construído é um conjunto de normas criadas para atender as condições de segurança social de uma sociedade. A técnica jurídica visa construir meios para que se realizem os fins de direito e esses meios e artifícios é o que François Geny designa de construído. Lembrando que para este autor o direito não está nas leis promulgadas, mas na própria sociedade, ou seja, nos dados normativos existentes na sociedade. [18]
	A função social do Direito realiza-se além da lei (praeter legem) para suprir-lhe as lacunas, mas sem ser contrário à lei (contra legem). Seria uma justiça regida pelo equilíbrio das relações sociais.
	Nas palavras de Paulo Dourado de Gusmão: "O método de Gény só admite interpretação criadora no caso de lacuna (§139), deixando nos demais casos intocável a lei, aplicável na forma prescrita pelo legislador, mesmo quando injusta a sua aplicação [...]."[19]
	Ou seja, a Livre Investigação é possível quando há ausência de lei (lacunas). Quando se trata de casos de obscuridade o jurista deve fazer o uso do costume, da autoridade, tradição, etc. A livre interpretação é o último recurso de que pode se valer o intérprete.
2.2. Escola do Direito Livre
	Outra escola que integra o Sistema Moderno de Investigação é a Escola do Direito Livre, da Alemanha, cujo seu defensor mais conhecido era Hermann Kantorowicz, que em 1906 edita um manifesto intitulado "A luta pela ciência do direito".
Para esta Escola o principal para o direito são asnormas jurídicas que surgem dos grupos sociais de forma espontânea. Vejamos o que diz a doutrina:
O direito livre não é o direito estatal, contido nas leis, mas aquele que está constituído pelas convicções predominantes que regulam o comportamento, em um certo lugar e tempo, sobre aquilo que é justo. Para ele é inaceitável a construção do direito por meio de conceitos abstratos, porque não se funda em realidades concretas, sendo incompatível com a simples necessidade da existência. Logo, condena a elaboração do direito positivo por meio de uma jurisprudência de conceitos. O juiz deve ouvir o sentimento da comunidade, não podendo decidir, exclusivamente, no direito estatal ou com base em lei.[20]
	Toda a técnica jurídica gira em torno da vontade do juiz ou do intérprete da lei, para Kantorowicz a sentença é uma lex specialis. Se difere da Livre investigação científica de Gény, pois aqui se prega o afastamento do legalismo proposto por aquela escola.
	O magistrado busca a justiça e este é o seu compromisso frente à sociedade, ainda que para isso a lei seja ignorada. O juiz deve analisar cada caso concreto e levando em consideração o seu próprio senso de justiça tomar uma decisão, pois, o direito da sociedade deve prevalecer frente ao direito legislado.
	A interpretação jurídica segundo Kantorowicz deve seguir as seguintes diretrizes[21]:
a) Se o texto da lei é homogêneo e não fere os sentimentos do povo, deve aplicá-lo;
b) Se o texto legal conduz a uma decisão injusta o juiz deve ignorar e sentenciar segundo sua convicção e pensando como o legislador ditaria se tivesse pensado no caso;
c) Se o magistrado não conseguir formar uma convicção sobre como o legislador resolveria o caso, deve então aplicar o direito livre de acordo com o sentimento da coletividade;
d) E por último, caso não consiga encontrar este sentimento, deverá decidir de forma discricionária.
	Pode-se dizer que esta Escola admite o julgamento contra a lei se o magistrado entender que vislumbrando o caso concreto o legislador também agiria de outra forma. Além disso, defende que o Direito é lacunoso desde sua criação e para suprir este problema o juiz deve decidir com liberdade.
	Entre os diversos seguidores, um famoso exemplo histórico deste pensamento foi o juiz Magnaud (1889-1904), de Chateau-Thierry, que ficou conhecido como o "bom juiz", pois contrariava muitas vezes os textos legais, amparava mulheres, menores e desculpava pequenos furtos, vejamos as palavras de Carlos Maximiliano sobre o referido magistrado:
imbuído de ideias humanitárias avançadas, o magistrado francês redigiu sentenças em estilo escorreito, lapidar, porém afastadas dos moldes comuns. Mostrava-se clemente e atencioso com os fracos e humildes, enérgico e severo com opulentos e poderosos. Nas suas mãos a lei variava segundo a classe, a mentalidade religiosa ou inclinações políticas das pessoas submetidas à sua jurisdição[22]
	Outra característica marcante desta Escola é a importância do fato social, pois a verdade jurídica está na sociedade e não nos códigos. O entendimento jurisdicional não deve se vincular ao Estado, precisa ser legitimado pela comunidade numa relação associação de tempo e espaço.
	Em suma, Kantorowicz cria uma forma de interpretação voluntarista onde a direito é a vontade do juiz e este deve buscar o sentido de justiça e não apenas aplicar a letra fria da lei. 	O magistrado deve adir não apenas através da Ciência Jurídica, mas também pela sua convicção pessoal, com liberdade.
Conclusão
	A Escola Jusnaturalista encontra seu fundamento na divindade, sendo que o Direito é um conjunto de ideias eternas, imutáveis e outorgados ao homem pela divindade. Os pensadores desta Escola entendem que um sistema codificado de leis é desnecessário afinal a ideia central é a existência de uma lei natural baseada em uma ordem pré-existente e de origem divina.
	Na Escola Exegética a ideia central é um sistema normativo codificado de leis e aqui entende-se que o ordenamento jurídico é perfeito e não existem lacunas. O interprete não possui liberdade, está submisso à letra da lei. Verifica-se uma limitação na interpretação à indagação da "vontade do legislador", o interprete deve ser fiel ao texto da lei.
	Savigny representa a Escola Histórica que surge no século XIX e caracteriza-se por dizer que o Direito faz parte da cultura do povo e assim como a sociedade deve evoluir e acompanhar as transformações sociais. A forma de interpretar deve estar atenda a atualidade, ou seja, não se abanda a lei mas deve-se adaptá-la aos novos tempos.
	Verifica-se na escola Teleológica, cujo seu maior representante foi Ihering, que as leis devem ser interpretadas de acordo com o fim que se destinam e esse fim representa uma forma de preservar um valor. Sendo assim, o intérprete pode dar um significado diferente à lei em virtude da sua compreensão à luz de novas valorações que se modificam ao longo do tempo.
	Quanto à Escola da Livre Iniciação Científica, representada por François Gény, pode-se afirmar que era contra o exagerado normativismo que considerava apenas a lei como fonte do direito. Admite-se a existência de fontes suplementares de investigação, sendo elas: o costume, a autoridade, a tradição e a livre investigação (busca pelas fontes do direito vivo).
	Para Gény o verdadeiro Direito é encontrado fora do ambiente forense, ou seja, nas academias, debates e estudos sobre os julgados. A livre interpretação é a constante adaptação da ordem jurídica às circunstâncias de cada momento histórico e a função social do Direito realizava-se indo além da lei para superar as lacunas existente mas não contra a lei.
	Já para a Escola do Direito Livre (seu criador foi Hermann Kantorowicz), a técnica jurídica depende da vontade do juiz e se este entender que para obtenção da justiça a lei precisa ser ignorada, assim deve ser feito.
	Como bem explicou no seu livro Paulo Dourado Gusmão, o juiz primeiro formula a norma segundo a justiça e depois procura na legislação o texto para fundamentá-la.
	A Escola defende que o Direito por si só possui lacunas desde que a sua criação e a forma de superar este problema é dando maior liberdade para o juiz na hora de decidir.
	Por fim analisou-se dois casos da Justiça do Trabalho que se verifica que os magistrados "ignoram" a lei e decidem de maneira diferente, conforme suas próprias concepções de justiça o que nos leva a concluir que tal sistema encontra-se vigente e é bastante utilizado na atualidade e principalmente no Tribunal de Justiça da 4ª Região.
	Conclui-se afirmando a Ciência Jurídica oferece diversas formas de interpretação do Direito e que inclusive vão mudando ao longo do tempo e cabe aos operadores do Direito a compreensão de cada uma dela.
	O objetivo não é dizer qual está certa ou errada, mas sim conhecer para que se possa fundamentar e desenvolver um raciocínio de forma mais humana e contribuindo para que a sociedade se beneficie destes conhecimentos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BOBBIO, Norberto. Teoria Geral do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
DINIZ, Maria helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. São Paulo: Saraiva, 2005.
ENGISCH, Karl. Introdução ao pensamento jurídico. Tradução de J. Baptista Machado. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001.
FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Introdução ao estudo do direito. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
_____________. Escola da Livre Investigação. Disponível em: <http://www.acmachado.net/unifor/Livre-Investigacao-slides.pdf>. Acesso em: 22/07/16.
GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução ao estudo do direito. 36. ed. São Paulo: Forense, 2003.
HORN, Norbert. Introdução à ciência do direito e à filosofia jurídica. Tradução de Elisete Antoniuk. Porto Alegre: Frabis, 2005.
LARENZ, Karl. Metodologia da Ciência do Direito. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997.
MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação ao Direito. 9. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980.MONTORO, André Franco. Introdução à Ciência do Direito. 30. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012.
NADER, Paulo. Introdução ao Estudo do Direito. 23.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2003.
POLETTI, Ronaldo. Introdução ao direito. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
REALE, Miguel. Fundamentos do Direito. 3.ed. São Paulo: RT, 1997.
Notas:
[1] Baseado no artigo de SILVA, Paula Jaeger da. Principais escolas da interpretação jurídica com enfoque no sistema moderno de investigação e sua utilização na justiça do trabalho. Disponível em: https://www.paginasdedireito.com.br/index.php/artigos/341-artigos-set-2016/7760-principais-escolas-da-interpretacao-juridica-com-enfoque-no-sistema-moderno-de-investigacao-e-sua-utilizacao-na-justica-do-trabalho. Acesso em: 2. jul. 2019.
[2] BOBBIO, Norberto. Teoria Geral do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 35.
[3] NADER, Paulo. Introdução ao Estudo do Direito. 23.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 368.
[4] BOBBIO, Norberto. O Positivismo Jurídico. Lições de Filosofia do Direito. São Paulo: Icone, 1999, p. 17.
[5] BOBBIO, Norberto. O Positivismo Jurídico. Lições de Filosofia do Direito. São Paulo: Icone, 1999, p. 20.
[6] NADER, Paulo. Introdução ao Estudo do Direito. 23.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 369.
[7] MONTORO, André Franco. Introdução à Ciência do Direito. 30. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012, p. 322.
[8] DINIZ, Maria helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 51.
[9] DINIZ, Maria helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 52.
[10] HORN, Norbert. Introdução à ciência do direito e à filosofia jurídica. Tradução de Elisete Antoniuk. Porto Alegre: Frabis, 2005. p.160.
[11] MONTORO, André Franco. Introdução à Ciência do Direito. 30. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012. p. 429.
[12] REALE, Miguel. Fundamentos do Direito. 3.ed. São Paulo: RT, 1997. p. 49.
[13] DINIZ, Maria helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 59.
[14] DINIZ, Maria helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 59.
[15] _____________. Escola da Livre Investigação. Disponível em: <http://www.acmachado.net/unifor/Livre-Investigacao-slides.pdf>. Acesso em: 22/07/16.
[16] DINIZ, Maria helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 63.
[17] DINIZ, Maria helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 64.
[18] DINIZ, Maria helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 65.
[19] GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução ao estudo do direito. 36. ed. São Paulo: Forense, 2003, p. 229.
[20] DINIZ, Maria helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 68.
[21] DINIZ, Maria helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 68.
[22] MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação ao Direito. 9. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, p. 83.
Após a leitura do texto, respondam as seguintes questões:
1) Explique quais os fundamentos da Escola Jusnaturalista.
2) Explique quais os fundamentos da Escola Exegética.
3) Explique quais os fundamentos da Escola Histórica
4) Explique quais os fundamentos da Escola Teleológica
5) Explique quais os fundamentos da Escola da Livre Iniciação Científica
6) Explique quais os fundamentos da Escola do Direito Livre.
UNIDADE 2
2. Hermenêutica: Aspecto Técnico. 
2.1. Funções da Interpretação.
2.2. Critérios da Interpretação.
2.3. Espécies de Interpretação.
2.4. Integração das Leis.
2. Hermenêutica: Aspecto Técnico.
2.1. Funções da Interpretação.
- Como já visto, a importância da Hermenêutica é evidente, uma vez que: 
A linguagem (falada ou escrita) pode ser mal interpretada, causando incerteza e insegurança. Portanto, dependendo do intérprete, pode não refletir a real intenção da mensagem;
Então, é importante, para a correta interpretação, o uso de diversos métodos e técnicas de interpretação.
Assim, tanto a linguagem, os textos religiosos, filosóficos, quanto os jurídicos (principalmente as normas jurídicas) dependem de uma correta interpretação;
A linguagem humana (falada ou escrita) é a base das relações sociais, por isso, a correta interpretação das mensagens contribui para minimizar os conflitos sociais;
A correta interpretação das normas jurídicas também contribui para a estabilidade do ordenamento jurídico. 
2.2. Critérios da Interpretação.
- Há vários critérios de interpretação das leis.
- Contudo, de forma didática, podemos dividi-los da seguinte forma:
Quanto ao agente ou origem de interpretação
(ou seja: quem está interpretando a lei) – nesse caso, pode ser subdividida:
Pública: é a interpretação realizada pelos órgãos do Poder Público (Poder Executivo, Legislativo e Judiciário). Divide-se em:
Autêntica: oriunda do próprio órgão elaborador da norma. Ou seja, no caso de lei, a interpretação autêntica é a do Poder Legislativo que votou e aprovou a lei.
Ex: o art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.906/1994 (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a OAB), que foi votado e aprovado pelo Congresso Nacional (Câmara e Senado – portanto, pelo Poder Legislativo), contém o seguinte:
Art. 1º São atividades privativas de advocacia:
I - a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais; 
[…]
Contudo, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional parte do inciso I, retirando o termo “qualquer”, reduzindo a redação a:
Art. 1º São atividades privativas de advocacia:
I - a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais;
[…]
Ou seja, a interpretação autêntica (do Poder Legislativo) indicava que era atividade privativa do advogado a postulação (capacidade de atuar/requerer/propor ações e defender-se de ações) em QUALQUER órgão do Poder Judiciário. 
Mas o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a palavra “qualquer”, por ser muito ampla, uma vez que há casos em que, para atuar no Poder Judiciário, não é necessário advogado, como por exemplo: Juizado Especial Civil em causas no valor até 20 salários mínimos.
Então, em conclusão:
Embora a interpretação autêntica do Poder Legislativo fosse no sentido que era atividade privativa de advogado atuar em qualquer órgão do Poder Judiciário, isso foi modificado pelo STF – pois há exceções, conforme demonstrado. 
Judicial: realizada pelos órgãos do Poder Judiciário, quando aplicada a lei ao caso concreto. 
Ex: caso do casamento entre pessoas do mesmo sexo e adoção por casal homossexual.
Administrativa: realizada por órgão do Poder Público que não são detentores do Poder Legislativo nem do Judiciário. Pode ser: 
Regulamentar: é a interpretação dada pela administração Pública a normas gerais, como: decretos, portarias, regulamentos, etc.
Ou seja, é a interpretação dos órgãos públicos para as suas normas específicas de seus setores (ou seja, normas internas).
Casuística: esclarece dúvidas especiais que surgem quando da aplicação de decretos, portarias, regulamentos, por parte dos órgãos da administração pública nos casos concretos.
Usual: é a interpretação consolidada pelo costume ao longo do tempo.
Ex: cabe ao comprador do imóvel pagar as despesas de escritura e registro de imóveis e ao vendedor do imóvel cabe arcar com o pagamento ao corretor de imóveis.
Privada (doutrinal ou doutrinária): levada a efeito por particulares, especialmente pelos técnicos da matéria de que a lei trata. Está diretamente ligada à questão do direito científico com forma de expressão do direito. Realizada em livros, pelos autores (juristas/doutrinadores), pelos professores ao estudar a lei em classe, em comentários à lei, ou ainda por meio de pareceres de juristas.
II - Quanto à natureza ou elementos: fundamentado em diversos tipos de elementos contidos nas leis e que servem como ponto de partida para a sua compreensão. São as seguintes:Interpretação Gramatical ou Literal: é a que utiliza o exame do significado e alcance de cada uma das palavras da norma. 
Ou seja, é realizada a análise morfológica e sintática do texto, na verificação do significado das palavras e na sua colocação na frase, segundo as regras gramaticais, para finalmente extrair o pensamento do legislador. 
Atualmente, entende-se que isoladamente esse critério de interpretação é insuficiente para conduzir o intérprete a um resultado conclusivo.
Ex: se a interpretação gramatical ou literal prevalecesse não seria possível ocorrer casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção por casal homossexual. 
Interpretação Lógica ou Racional: exige que se pesquise todos elementos internos da lei para ter a correta interpretação de um artigo, inciso ou parágrafo. Deve-se fazer uma análise completa de todos os elementos da lei, com critérios racionais e lógicos.
Ex: A Lei de falências e recuperação judicial (Lei nº 11.101/2005) estabelece no art. 2º, II:
Art. 2º Esta Lei não se aplica a:
[...]
II – instituição financeira pública ou privada […]
Ou seja, com a análise somente do inciso II do art. 2º poderíamos ter a falsa impressão que a lei de falências não é aplicável a instituições financeiras.
Mas isso não é verdade! 
De acordo com o art. 197: 
Art. 197. Enquanto não forem aprovadas as respectivas leis específicas, esta Lei aplica-se subsidiariamente, no que couber, aos regimes previstos no Decreto-Lei nº 73, de 21 de novembro de 1966, na Lei nº 6.024, de 13 de março de 1974, no Decreto-Lei nº 2.321, de 25 de fevereiro de 1987, e na Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997.
Assim, tendo em vista que a Lei nº 6.024/1974, citada no art. 197, autoriza a falência de instituições financeiras, enquanto essa lei não for alterada, a lei de falências, na verdade, pode ser aplicada a instituições financeiras.
Ou seja, a análise racional e lógica de todos os dispositivos da lei de falências indica que, atualmente, o art. 2º, II, ainda não pode ser considerado aplicável. Dessa forma, é possível a falência de instituição financeira – exatamente o contrário do que consta no inciso II do art. 2º. 
Interpretação Histórica: indaga das condições de meio e momento da elaboração da norma legal, bem como assim causas pretéritas da solução dada pelo legislador. Há subespécies: 
Remota: procura a razão de ser a lei pela origem da mesma.
Ex: O Código de Defesa do Consumidor - CDC foi criado para proteger o consumidor dos abusos dos fornecedores de produtos e serviços.
Antes do CDC era muito difícil para os consumidores fazerem valer seus direitos. 
Próxima: procura a razão de ser a lei como resultado do concurso da sociologia, da economia, da política e de outras ciências afins, para consecução do respectivo escopo. 
Ex.: os debates do Legislativo em torno de leis que alteraram partes do Estatuto da Criança e do Adolescente, como por exemplo a criação dos artigos 190-A, 190-B, 190-C, 190-D e 190-E que tratam da possibilidade de atuação de agentes da polícia infiltrados em organizações que praticam a pedofilia.
Ou seja, com o aumento desse tipo de crime, inclusive com a utilização da internet, foi necessário alterar a lei para permitir que a polícia pudesse investigar e colher provas para coibir essa prática criminosa.
Interpretação Sistemática: ou seja, para interpretar um dispositivo legal é necessário pesquisar outras leis que compõem o ordenamento jurídico. 
O método sistemático é método de interpretação que visa entender a norma jurídica dentro do sistema jurídico. 
O conjunto das normas jurídicas forma um sistema jurídico. Esse sistema deve ser harmônico.
Ou seja, para entender o que estamos falando, vamos fazer uma analogia com o corpo humano. O corpo humano tem vários órgãos e vários sistemas (circulatório, respiratório, digestivo, etc.).
Os diversos órgãos trabalham, individualmente, para o funcionamento do conjunto de cada um desses sistemas e do corpo humano.
Da mesma maneira (analogamente), as normas jurídicas, de forma individual, contribuem para a manutenção de um sistema jurídico.
Assim, a interpretação das normas jurídicas deve levar em conta o sistema jurídico (o funcionamento harmônico do conjunto).
A interpretação das normas isoladamente não é tão completa quanto a análise ocorre levando em conta o sistema jurídico como um todo. Aí sim, poderemos ter o verdadeiro sentido e alcance de determinada norma. 
Por exemplo: 
Todos sabemos que os pais têm o direito de criar os filhos menores.
De fato, o art. 1.630 do Código Civil – Lei nº 10.406/2002- estabelece que os filhos estão sujeitos ao poder familiar, enquanto menores (ou seja, ao poder do pai e da mãe).
Mas este dispositivo interpretado isoladamente pode levar a equívocos, como por exemplo, levar a entender que esse poder dos pais é absoluto.
Analisando o nosso sistema jurídico, vemos que o Estado deve garantir a proteção integral da criança e do adolescente.
Então, de acordo com o ECA – Lei nº 8.069/1990, verificamos que, segundo o art. 24 do ECA, o juiz pode decretar a perda ou a suspensão do poder familiar, por exemplo, em casos de maus tratos e a colocação em família substituta.
Pelo método sistemático, notamos que todos dispositivos legais são interdependentes e inter-relacionados.
Portanto, todo dispositivo legal não deve ser interpretado isoladamente, mas sim levando em conta o conjunto de normas jurídicas (ou seja, o sistema jurídico).
Na prática, devemos tomar cuidado para não nos apegarmos a determinada disposição de algum artigo de lei e acharmos que nada pode contrariar o que ali está estabelecido. 
III - 	Quanto ao fim (à finalidade da lei), a interpretação é chamada de teleológica: procura-se investigar qual é o fim previsto pela lei, para descobrir o sentido e o alcance da mesma. [7: 	Em muitos aspectos, a interpretação teleológica se aproxima da interpretação lógica (que busca a descobrir a razão da existência da lei).]
Por exemplo: vejamos o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990)
Art. 1º - Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente.
Aqui está declarada a finalidade do ECA: a proteção integral à criança e o adolescente. 
Assim, utilizando a interpretação teleológica, qualquer dispositivo do ECA que gere alguma dúvida deve ser interpretado no sentido de favorecer a proteção integral da criança ou adolescente.
Finalmente, devemos esclarecer que, como vimos, há diversos critérios de interpretação.
Mas, devemos utilizá-los de forma conjunta, já que o uso de um método não elimina a aplicação do outro. 
Por exemplo, devemos:
começar pelo o método gramatical (ou literal);
passar ao método lógico;
em seguida, ao método sistemático;
depois, ao método histórico; e
finalmente, ao método teleológico.
Dessa forma, descobriremos o real sentido e alcance da norma.
É sempre conveniente ter em mente que, na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum (de acordo com o art. 5º da Lei de introdução às normas do direito brasileiro – Decreto-Lei nº 4.657/1942). 
Por exemplo: quanto à política de proteção ao consumidor a lei determina que “as cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor” (Lei 8.078/90, art. 47).
2.4 . INTEGRAÇÃO OU APLICAÇÃO DO DIREITO
Com auxílio da hermenêutica, procura-se alcançar o sentido preciso do sentido jurídico da norma e depois aplicá-la ao caso concreto.
Para Alice Monteiro de Barros 
integração é um aspecto da hermenêutica por meio do qual o Juiz preenche as lacunas do sistema jurídico. Nesse processo hermenêutico, o intérprete exerce ‘uma atividade supletiva’ conferida pelo próprio legislador.
Como já visto, 
A lacuna da lei é a inexistência de uma norma jurídica aplicável a um caso concreto. Ou seja, é um vazio legal sobre determinado evento. Ex: casamento homossexual.
A lacuna caracteriza-se quando a lei é omissa ou falha em relação a determinado caso.Ou seja, essa lacuna ou falha revela que o sistema normativo não se aplica a todos os fatos da vida social (logicamente, no momento da criação da lei, é impossível prever todos os fatos e a evolução da sociedade).
A constatação da existência da lacuna ocorre no momento em que o aplicador do direito vai exercer a sua atividade e não encontra no corpo das leis um preceito que solucione o caso concreto (ou seja, não há um dispositivo legal que se aplique a determinado caso concreto). Neste instante, constata-se a existência de uma lacuna.
Assim, quando o juiz não consegue descobrir uma norma jurídica para decidir determinado caso, deve servir-se de outros meios para a solucioná-lo, uma vez que todo caso concreto posto à apreciação do Judiciário não pode deixar de ser apreciado e resolvido.
O procedimento para preenchimento de lacunas da lei é conhecido como Integração.
Porém, a própria lei põe à disposição do aplicador do direito, os meios dos quais pode se utilizar para o preenchimento da lacuna existente.
Conforme disposição constante do artigo 4º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro – Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942: 
Art. 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.
- Analogia:
é aplicar a um caso não previsto em lei uma disposição legal prevista para um caso semelhante, ou ainda
consiste em aplicar a um caso não previsto de modo direto ou específico, uma norma jurídica prevista para uma hipótese distinta, mas semelhante ao caso não contemplado.
- 	Costume:
é uma norma social que deriva da longa prática uniforme, geral, constante e repetida de dado comportamento sob a convicção de que corresponde a uma necessidade de determinada sociedade. 
- 	Princípios Gerais de Direito
são normas (escritas ou não) de cunho genérico, que condicionam e norteiam a compreensão do ordenamento jurídico, quer para a sua aplicação, quer para a elaboração de novas normas. 
	Exemplos de princípios gerais do direito: 
“a lei deve dar a cada um o que é seu”; 
“a lei não pode permitir o enriquecimento ilícito”;
“todos devem ser tratados como iguais perante a lei; 
“aos acusados em geral devem ser assegurados o contraditório e a ampla defesa”; 
“quem exercitar o próprio direito não estará prejudicando ninguém”; 
“a pessoa deve responder pelos próprios atos e não pelos atos alheios”;
“deve ser mais favorecido aquele que procura evitar um dano do que aquele que busca realizar um ganho”; 
“ninguém deve ser responsabilizado mais de uma vez pelo mesmo fato”; 
“nas relações sociais se deve tutelar a boa-fé e reprimir a má-fé”; etc...
- Então, o juiz, quando se depara com uma lacuna legal (ou seja, verifica que determinado caso concreto não está previsto na legislação), deve decidir com base na analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.
	Deve-se esclarecer que é necessário realizar a integração nesta ordem:
Analogia - primeiro verifica se há alguma disposição análoga;
 
se não houver casos análogos, é necessário pesquisar os costumes;
caso não encontre nos costumes a solução, é necessário pesquisar os princípios gerais de direito, utilizando um dos princípios para solucionar o caso.
3. 	Hermenêutica: Aspecto Filosófico.
3.1. 	A Hermenêutica em Schleiermacher.
3.2. 	A Hermenêutica em Dilthey.
3.3. 	A Hermenêutica em Heidegger.
3.4. 	A Hermenêutica em Gadamer.
3.5. 	A Hermenêutica Pós-Positivista.
3.6. 	Hermenêutica Constitucional.
Anexo 2 -
Texto: Hermenêutica – aspectos filosóficos, pós-positivismo e hermenêutica constitucional.
Introdução
Hermenêutica é o campo da filosofia que estuda a interpretação. Envolve a interpretação de textos escritos ou da própria linguagem falada. Tendo em vista que a linguagem é a base das relações sociais, a sua correta interpretação contribui para a evolução e a estabilidade da própria sociedade. Nesse sentido, envolve também a interpretação de normas, leis e da Constituição. 
No campo jurídico, a Hermenêutica é usada para buscar a interpretação fidedigna que permita adequar a norma aos fatos concretos. Com isso, é possível proporcionar uma responsável aplicação do Direito. Em suma, a Hermenêutica Jurídica, latu sensu, divide-se em interpretação, integração e aplicação do Direito.
A Hermenêutica no campo jurídico é empregada para interpretar o sentido da linguagem que consta em normas jurídicas, para que, dessa forma, se obtenha o exato sentido ou o fiel pensamento do legislador. Assim, busca-se a exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos, ou seja, é responsável pelo estudo e sistematização dos processos aplicáveis para determinar o sentido e o alcance das expressões do Direito.
Hermenêutica Filosófica – Schleiermacher
A partir de Friedrich Schleiermacher (1768-1834), a hermenêutica passou por uma reformulação, entrando para o âmbito da filosofia. 
Para ele, a hermenêutica deveria ser capaz de estabelecer os princípios gerais de toda e qualquer compreensão e interpretação de manifestações linguísticas. Onde houvesse linguagem, sempre seria aplicável a interpretação. Ou seja, tudo o que é objeto da compreensão, é linguagem. 
Para Schleiermacher “a linguagem é o modo do pensamento se tornar efetivo. Pois, não há pensamento sem discurso. (...) Ninguém pode pensar sem palavras.”
Dessa forma, a tarefa da hermenêutica se torna universal, uma vez que lança luz ao discurso, revelando o pensamento. 
A hermenêutica, então, é uma análise da compreensão “a partir da natureza da linguagem e das condições basilares da relação entre o falante e o ouvinte”.
Quatro distinções básicas foram estabelecidas por Scheleiermacher:
a) a distinção entre compreensão gramatical, a partir do conhecimento da totalidade da língua do texto ou discurso, e a compreensão técnica ou psicológica, a partir do conhecimento da totalidade da intenção e dos objetivos do autor.
b) a distinção entre compreensão divinatória e comparativa:
c) Compreensão comparativa: Se apoia em uma multiplicidade de conhecimentos objetivos, gramaticais e históricos, deduzindo o sentido a partir do enunciado.
d) Compreensão divinatória: Significa uma adivinhação imediata ou apreensão imediata do sentido de um texto.
Dessa forma, Schleiermacher: 
Deu início a um novo modelo de hermenêutica, utilizando o método histórico-crítico e o conceito de razão histórica. 
Trouxe para a hermenêutica o caráter científico, não só técnico. 
Deu ênfase aos processos mentais do intérprete e do autor, uma vez que é impossível separar o escrito do seu escritor. Ou seja, hermenêutica deve compreender o texto e o autor.
Elaborou uma teoria geral da hermenêutica (não apenas regras), visto que Hermenêutica não é determinada pelas condições do objeto, mas do sujeito. Ou seja, em vez de “como” interpretar, “o que é”, visto que interpretar, falar ou escrever representam o lado externo do pensamento, por isso a hermenêutica tem dois momentos: 1º) interpretar texto e conteúdo e 2º) compreender - repetir na mente do intérprete os processos mentais do autor.
Hermenêutica Filosófica – Dilthey
Wilhelm Christian Ludwig Dilthey (1833, 1911) foi um filósofo hermenêutico, psicólogo, historiador, sociólogo e pedagogo alemão. Seus principais conceitos procuram fundamentar as "ciências do espírito" (ciências humanas) como forma de conhecimento, em oposição às "ciências da natureza".
Dilthey adota como ponto de partida o método de Schleiermacher. Mas tem como objetivo reconhecimento científico da história (historicismo). Com isso, abre o plano da compreensão para o contexto sócio temporal (cultura). Ou seja, entende que é necessário conhecer o contexto histórico e cultural para uma correta interpretação, uma vez que entende que todas as experiências humanas se dão no meio de uma comunidade. 
Chama a atenção para a existência de dois mundos: dado e construído.
O mundo dado é o campo da ciência natural (ciência da natureza);e o mundo construído é baseado na história.
Dessa forma há dois planos: razão científica x razão histórica. 
Propõe a divisão da ciência em dois grupos: ciências da natureza e do espírito
A ciência natural deve ser investigada por um método analítico-esclarecedor (baseado na causalidade). 
A ciência do espírito deve adotar um método compreensivo-descritivo (baseado na compreensão). 
Assim o mundo dado seria distante do homem e o mundo construído seria próximo a ele (porque tem contato direto. 
O objetivo das ciências do espírito é compreender o desenvolvimento histórico da consciência humana.
Portanto, em sua concepção de hermenêutica deve-se analisar o contexto histórico em a linguagem foi produzida e qual a sua finalidade - no caso da hermenêutica jurídica, deveria ser analisado o contexto histórico em que a norma jurídica foi produzida e qual a finalidade pretendida pelo legislador. Ou seja, em qual contexto histórico ela surgiu e qual a finalidade pretendida.
3 Hermenêutica Filosófica – Heidegger
Martin Heidegger (1889, 1976) foi um filósofo alemão reconhecido como um dos mais originais e importantes do século XX. É mais conhecido por suas contribuições para a fenomenologia, existencialismo e hermenêutica filosófica.
Discordou de Scheleiermache e Dilthey, uma vez que, para ele, o objetivo da hermenêutica é a própria compreensão. 
Entendia que o ato de compreensão faz parte da essência do ser humano.
Para ele a Hermenêutica é um esforço de auto compreensão (estudo ontológico). [8: 	 Ontologia é o ramo da filosofia que estuda a natureza do ser, da existência e da própria realidade. A palavra ontologia é formada do grego pontos (ser) e loggia (estudos), e engloba as questões gerais relacionadas ao significado do ser e da existência. Este termo foi popularizado graças ao filósofo alemão Christian Wolff, que definiu a ontologia como filosofia prima (filosofia primeira) ou ciência do ser enquanto ser.	No século XIX, a ontologia foi transformada por neoescolásticos na primeira ciência racional que abordava os gêneros supremos do ser. A corrente filosófica conhecida como idealismo alemão, de Hegel, partiu da ideia de autoconsciência para recuperar a ontologia como "lógica do ser".	No século XX, a ligação entre ontologia e metafísica geral deu lugar a novos conceitos, como o de Husserl, que vê a ontologia como ciência formal e material das essências. Para Heidegger, a ontologia fundamental é o primeiro passo para a metafísica da existência.]
Para estudar a compreensão, é necessário o esclarecimento das condições prévias para que ela se realize, o que ele chama de pré-compreensão. As pré-opiniões ou pré-conceitos provêm das percepções culturais na vida em comunidade e formam o ponto de partida de toda compreensão posterior. 
Cada intérprete, de acordo com essa pré-compreensão, tem uma percepção diferenciada das coisas do mundo e com isso elabora a sua compreensão. Por exemplo: ao ler um texto, o leitor traça algumas expectativas, de acordo com o seu conhecimento prévio do assunto (projeto de leitura). A tarefa principal da compreensão da leitura é a confirmação desse projeto. Cada pessoa humana tem dentro de si uma parcela da racionalidade geral. Isso torna possível a aquisição de novos conhecimentos e a relação com os conhecimentos passados.
Hermenêutica Filosófica – Gadamer
Hans-Georg Gadamer (1900, 2002) foi um filósofo alemão considerado como um dos maiores expoentes da hermenêutica (interpretação de textos escritos, formas verbais e não verbais). Sua obra de maior impacto foi Verdade e Método (Wahrheit und Methode), de 1960, onde elabora uma filosofia propriamente hermenêutica, que trata da natureza do fenômeno da compreensão.
É considerado um dos mais importantes pensadores do século XX, tendo tido um enorme impacto em diversas áreas, da estética ao direito, e tendo adquirido respeito e reputação na Alemanha e em outros lugares da Europa que foi muito além dos limites costumeiros da academia. Os muitos ensaios, palestras e entrevistas de Gadamer sobre ética, arte, poesia, ciência, medicina e amizade, bem como referências ao seu trabalho por pensadores nesses campos, atestam a onipresença e relevância prática do pensamento hermenêutico hoje.
Gadamer foi discípulo de Heidegger.
Gadamer entende a compreensão como um diálogo entre o intérprete e o texto - não interessa muito o autor, mas o texto em si mesmo
O intérprete interpela o texto, que responde, e isso suscita novas perguntas, que se incorporam à mente do intérprete – criando um movimento circular interminável.
Dessa forma, cria o conceito de “círculo da compreensão”: pré-compreensão+compreensão. Ou seja, um texto sempre é lido e compreendido por muitas pessoas, em épocas distintas, formando uma fusão de compreensões que se incorporam a ele. Cada vez que lemos um texto e o compreendemos, estamos colaborando para a continuação desse círculo hermenêutico interminável – assim o texto é inesgotável.
Entende que a atividade própria da compreensão não é apenas teórica, mas teórico-prática. 
Para um melhor entendimento acerca da fusão entre interpretação e compreensão, para que se possa melhor entender o que Gadamer e os demais teóricos da hermenêutica filosófica queriam demonstrar com o círculo hermenêutico: O processo de compreensão, envolto em um diálogo constante de ida e volta entre análises e sínteses voltadas a compreender o todo e as partes. Não se pode evitar o fato de que uma pessoa sempre tem consigo concepções e possui um entendimento sobre o todo e sobre as partes. No entanto, o ser necessita refletir sobre seus pré-conceitos enquanto analisa o objeto a ser investigado. Compreender algo novo é uma dialética contínua que muda de direção constantemente entre o mais local dos detalhes locais e a mais global da estrutura global de modo a induzir que ambos sejam entendidos simultaneamente. Graficamente, o círculo hermenêutico, está demonstrado abaixo:
A Hermenêutica Pós-Positivista e Hermenêutica Constitucional
5.1) Positivismo Jurídico ou juspositivismo (do latim jus: direito; positus (particípio passado do verbo ponere): colocar, por, botar; tivus: que designa uma relação ativa ou passiva) é uma corrente da filosofia do direito que procura reduzir o Direito apenas àquilo que está posto, colocado, dado, positivado e utilizar um método científico (empírico) para estudá-lo. 
Ao definir o direito, o positivismo identifica, portanto, o conceito de direito com o direito efetivamente posto pelas autoridades que possuem o poder político de impor as normas jurídicas.
O juspositivismo nega as teorias dualistas que admitem a existência de um direito natural ao lado do direito positivo. Dessa forma, uma regra pertencerá ao sistema jurídico, criando direitos e obrigações para os seus destinatários, desde que emane de uma autoridade competente para a criação de normas e desde que seja criada de acordo com o procedimento previsto legalmente para a edição de novas normas, respeitados os limites temporais e espaciais de validade, assim como as regras do ordenamento que resolvem possíveis incompatibilidades de conteúdo.
O positivista entende que o juiz ao aplicar o direito deve seguir rigorosamente a lei. 
Caso o juiz, ao julgar, adote convicções pessoais, poderia comprometer a segurança jurídica, uma vez que juízes, com posições diferentes, poderiam decidir de forma distinta casos similares.
Dessa forma, o jus positivismo entende que ao judiciário não seria atribuída legitimidade democrática para criar um novo direito, ainda que “melhor” e mais conexo à realidade social.
5.2) Pós-positivismo: 
Em contrapondo à posição dos juspositivistas, que foi dominante no século XX, surgiu uma nova maneira de se conceber a ciência jurídica, vale dizer, a pós-positivista. 
A teria pós-positivista entende que a atividade jurídica não deva restringir-se à lei e aplicação de leis, havendo de se almejar uma razão prática, imbuída de incessante busca da decisão justa. 
Entende que há outrosinstrumentos jurídicos, além da lei, tais como: proporcionalidade, ponderação de valores e razoabilidade, fazendo-se prevalecer a efetiva operabilidade de um sistema garanta efetivamente a Justiça. 
Assim, uma nova concepção da Constituição e de seu papel na interpretação jurídica evidencia-se. 
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, almejando assim a satisfação dos direitos e garantias dos cidadãos nela compreendidos, impõe uma interpretação do ordenamento jurídico que ultrapassa a fria letra da lei. 
Com esta mudança de paradigma, abandonando-se aquela sistemática lógico-dedutiva, e sendo adotada uma nova forma de interpretação, de enxergar o direito, situou-se o mesmo numa busca a efetividade de suas normas. Ou seja, passou a ser premissa do estudo da Constituição o reconhecimento de sua força normativa, do caráter vinculativo e obrigatório de suas disposições, sendo superada a fase em que era tratada como um conjunto de aspirações políticas e uma convocação à atuação dos Poderes Públicos. Embora se insira no âmbito da interpretação jurídica, as especificidades das normas constitucionais, com seu conteúdo próprio, sua abertura e superioridade jurídica, exigiram o desenvolvimento de novos métodos hermenêuticos de princípios específicos de interpretação constitucional. 
As teorias pós-positivistas argumentam que a regra não deva ser considerada como inquestionável e superior aos valores que a inspiram. Essas teorias chamam a atenção do aplicador do direito para os fundamentos do direito, ou seja, que as regras devam ser interpretadas à luz do alicerce de todo e qualquer ordenamento, os princípios
Os princípios constitucionais encarnam juridicamente os ideais de justiça de uma comunidade, escancarando a Constituição para uma “leitura moral”, pois é sobretudo através deles que se dará uma espécie de positivação constitucional dos valores do antigo direito natural. Os princípios impõem, de modo definitivo, a retomada da racionalidade prática no Direito. O positivismo, tanto na sua vertente mais tradicional da Escola da Exegese, como na mais sofisticada versão Norm ativista de Hans Kelsen e Herbert Hart, rejeitava esta racionalidade, desprezando a possibilidade de argumentação sobre os valores e a justiça.
Os princípios constitucionais encarnam juridicamente os ideais de justiça de uma comunidade, escancarando a Constituição para uma “leitura moral”, pois é sobretudo através deles que se dará uma espécie de positivação constitucional dos valores do antigo direito natural, tornando impossível uma interpretação axiologicamente asséptica da Constituição. 
Os princípios impõem, de modo definitivo, a retomada da racionalidade prática no Direito. O positivismo, tanto na sua vertente mais tradicional da Escola da Exegese, como na mais sofisticada versão Norm ativista de Hans Kelsen e Herbert Hart, rejeitava esta racionalidade, desprezando a possibilidade de argumentação sobre os valores e a justiça. 
Dessa forma, o aplicador do direito deve analisar o caso concreto à luz dos princípios e da abertura axiológica que este lhe concede. Sua atividade não deve restringir-se a simples subsunção do fato a norma, mas sim, corroborada de todas as nuanças que o fato envolve, refletindo-o humanística, técnica e socialmente, com vistas à prolação judicial justa. Não há uma ciência jurídica autônoma, tendo em vista que o direito, além do método tradicional, deve empregar métodos atinentes às ciências sociais.
A teoria positivista do direito o classifica como uma ciência dogmática, de definições e preceitos próprios, sujeitando a atividade do jurista à aplicação e relação entre leis. Excluindo do campo do direito, demais ciências sociais como psicologia, sociologia, história e filosofia do direito. O formalismo exacerbado sustentado pela referida teoria, por meio da suposta neutralidade bem como objetividade do direito, contemplou o magistrado como um burocrático aplicador de leis, que encarava o ordenamento jurídico como “catálogo”, dotado da previsão de todos os fatos ocorridos e que viriam a ocorrer na sociedade, que com sua consecução subsumir-se-iam a ele.
A teoria pós-positivista, consubstanciada no constitucionalismo, promoveu uma mudança de paradigma, evidenciando a força normativa da Constituição e uma nova maneira de encarar e interpretar o direito, na busca por um processo legitimo, eficaz e apto a efetiva tutela dos direitos fundamentais dos cidadãos.
O aplicador do direito deve adequar as normas aos fatos sociais, de maneira a compatibilizar o processo penal com o Estado Democrático de Direito exterminando de uma vez por todas a excessiva formalidade.
O juiz desempenha em nosso tempo, um papel de extrema relevância no que tange a análise de justos critérios de aplicação do direito. À luz da Constituição e dos princípios fundamentais, tem ele uma maior liberdade para desvendar os mistérios do processo a partir de uma efetiva interferência de demais ciências sociais. Este paradigma visa o resgate da esquecida natureza humana do juiz, reconhecendo-se sua imperfeição. A função do juiz no processo é humana, desenvolvida na reconstrução do fato, na produção da prova, na argumentação e na interpretação do direito. 
Dessa forma, o juiz do mundo atual deva incidir sua atividade na permanente afirmação dos direitos fundamentais abarcados na Constituição da República Federativa de 1988. O magistrado encarna um importante papel, assumindo uma postura de procura da verdade, mediante um procedimento equânime, de igualdade de armas, onde deva prevalecer a ampla defesa e o contraditório, para que, ao final do mesmo, tenhamos uma sentença justa. 
O juiz deve sempre, efetivar sua atividade jurisdicional com imparcialidade, no sentido de dar às partes as mesmas oportunidades no desentranhar do procedimento, em respeito ao devido processo legal, ampla defesa e contraditório, para a aplicação da dos direitos fundamentais guarnecidos pela Constituição da República de 1988, pois é ela quem fundamenta todo o ordenamento jurídico. 
O aplicador do direito deve diante de um caso concreto procurar a melhor maneira de sua resolução, em uma leitura eminentemente constitucional, buscando incansavelmente, a garantia dos direitos fundamentais ali apregoados.
Após a leitura do texto, os alunos devem responder as seguintes questões:
Esclareça qual foi a contribuição de Schleiermacher para a hermenêutica.
 Esclareça qual foi a contribuição de Dilthey para a hermenêutica.
Esclareça qual foi a contribuição de Heidegger para a hermenêutica. 
Esclareça qual foi a contribuição de Gadamer para a hermenêutica.
O que é o círculo hermenêutico?
O que é positivismo e quais os fundamentos da hermenêutica pós-positivista?
Esclareça o que é hermenêutica constitucional.
4. 	Ciência da Hermenêutica Jurídica, Teoria Geral da Hermenêutica e Sistema Jurídico.
4.1. 	Noções de Ordem Propedêutica, de Definibilidade, Terminológica e Objectual.
4.2. 	O Processo de Produção do Conhecimento Jurídico-Científico e a Hermenêutica Jurídica. 
4 - Ciência da Hermenêutica Jurídica, Teoria Geral da Hermenêutica e Sistema Jurídico.
4.1 - Noções de Ordem Propedêutica, de Definibilidade, Terminológica e Objectual.[9: 	 	Propedêutica: conjunto de ensinamentos introdutórios ou básicos de uma disciplina; ciência preliminar, introdução.	Definibilidade: qualidade do que é definível.	Definibilidade terminológica: definição dos termos empregados na disciplina.	Definibilidade objectual: definição do objeto da disciplina.]
 
- De acordo com Carlos Maximiliano: 
A Hermenêutica Jurídica tem por objetivo o estudo e a sistematização dos processos aplicáveis para determinar o sentido e o alcance das expressões do Direito”.
A hermenêutica descobre e fixa os princípios que regem a interpretação, podendo ser designada como “[...] a teoria científica daarte de interpretar” .
Então, o objeto da Hermenêutica seria interpretar (fala, escritos, leis – ou ainda toda comunicação transmitida por qualquer meio).
- Podemos concluir, consequentemente, que a Hermenêutica Jurídica é o ramo da Teoria da Geral do Direito, destinado ao estudo e ao desenvolvimento dos métodos e princípios da atividade de interpretação. 
- A finalidade da Hermenêutica Jurídica é:
proporcionar bases racionais e seguras para a interpretação dos enunciados normativos.
- Dessa forma, a Hermenêutica Jurídica busca a interpretação e o entendimento das expressões e dos textos jurídico-normativos, seu sentido e seu valor".
Com isso, a partir da Hermenêutica Jurídica, cria-se a possibilidade de que o Direito, seja um Sistema Lógico Jurídico Interpretativo-Argumentativo. 
Portanto, possibilita que a Ciência do Direito tenha um sentido lógico ao qual podem ser atribuídos valores. Ou seja, a Hermenêutica Jurídica proporciona a atribuição de um significado aos textos jurídicos.
Por exemplo, a quais valores o texto legal procura dar proteção: à vida, à liberdade, à família, à criança e ao adolescente, ao meio ambiente, às minorias, ao trabalho, ao consumidor, aos credores do falido, ao devido processo legal, etc...?
- Tendo em vista que o Direito é um sistema lógico jurídico interpretativo-argumentativo, é importante conhecer, além da interpretação, o que é argumentação e o que é lógica.
- Argumentação é o conjunto de ideias e fatos que constituem os argumentos que levam ao convencimento ou conclusão de (algo ou alguém).
Argumento é aquilo que constitui um assunto.
Argumento também pode ser: 
o recurso para convencer alguém, para alterar-lhe a opinião ou o comportamento; ou
a prova que serve para afirmar ou negar um fato.
Além disso, argumento também é um dos elementos de uma oração em um texto.
O Sujeito, o Objeto Direto e o Objeto indireto são argumentos de uma oração – cada um tem a sua função sintática. 
Os outros elementos da oração são: o predicado (verbais, nominais, verbo-nominal) e os adjuntos adverbiais.
- Ou seja, para saber interpretar (o discurso ou a escrita) é necessário conhecer o que é argumentação e argumento.
- Da mesma forma, para defender uma posição, seja verbalmente em um debate, em forma de texto escrito em um processo ou em uma tese (acadêmica, técnica ou jurídica), é fundamental conhecer o que é argumentação e argumento.
- A Lógica é parte da Filosofia que trata das formas do pensamento em geral.
- A Lógica examina as forma que a argumentação pode tomar e procura identificar o que é válido e o que não é válido na argumentação.
- Ou seja, pela lógica é possível analisar o que é verdadeiro na argumentação e o que é falso. 
- Isso é fundamental, seja para interpretar (fala ou escrita) ou para defender uma posição em um debate/tribunal/tese.
- O primeiro trabalho relevante sobre a lógica foi sistematizado por Aristóteles. Aristóteles fez o primeiro estudo formal do raciocínio.
A lógica estuda e sistematiza a argumentação válida. A lógica tornou-se uma disciplina praticamente autônoma em relação à filosofia, graças ao seu elevado grau de precisão e tecnicismo. 
A lógica elementar é usada como instrumento pela filosofia, para garantir a validade da argumentação.
Com base na lógica, é possível determinar o que é verdadeiro ou não em determinado argumento.
 Ou seja, é com base na lógica que podemos avaliar se uma proposição válida ou inválida, no interior de um argumento.
Assim, por meio da lógica é possível determinar a validade das operações intelectuais (sejam elas verbais ou escritas).
- A lógica utiliza métodos para analisar o pensamento e argumentação (tais como dedução, indução, hipótese, inferência, falácia, sofisma etc.).[10: 	 O termo dedução se refere à demonstração lógica de uma determinada afirmação a partir de suposições já estabelecidas. O procedimento dedutivo parte de uma afirmação geral para chegar a uma afirmação particular. É de grande importância no desenvolvimento da ciência, uma vez que constitui um dos fundamentos do método científico.	O filósofo grego Aristóteles foi o primeiro em abordar a dedução como método.][11: 	 Indução ou raciocínio indutivo é a demonstração lógica de determinada afirmação a partir da observação e casos particulares que podem ser generalizados até a criação de uma regra geral. Assim, na indução, a partir de casos particulares se observa certa regularidade e essa lógica permite extrair uma conclusão geral. Em outras palavras, observam-se fatos concretos de maneira detalhada e, posteriormente, propõe-se uma lei que explica a regularidade desses acontecimentos. O método indutivo é um método científico, desenvolvido a parit das contribuição do filósofo Francis Bacon (século XVII). ][12: 	 A hipótese significa uma suposição no que se diz respeito ao comportamento de algum evento, fato ou objeto.	O método científico consiste justamente na elaboração de uma hipótese que deve ser comprovada por uma pesquisa (através de uma experimentação). Uma hipótese aceita dentro do campo científico é aquela que foi formulada, testada pela experimentação e estas condições podem ser reproduzidas por outras pessoas.][13: 	Inferência é a operação intelectual por meio da qual a verdade de uma proposição pode ser afirmada em decorrência de sua ligação com outras já reconhecidas como verdadeiras. Inferência também é operação que consiste em efetuar generalizações tomando por base amostras estatísticas. ][14: 	Falácia (do verbo latino fallere, que significa enganar) é um raciocínio errado com aparência de verdadeiro. De acordo com a lógica e a retórica, uma falácia é um argumento logicamente incoerente, sem fundamento, inválido ou falho na tentativa de provar eficazmente o que alega. 	Muitas vezes, argumentos falsos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público, porque contém falácias.	Reconhecer as falácias é por vezes difícil. Os argumentos falaciosos podem ter validade emocional, íntima, psicológica, mas não validade lógica. É importante conhecer os tipos de falácia para evitar armadilhas lógicas e para analisar a argumentação de terceiros.	Há diversas categorias de falácias, por exemplo: ambiguidade, preconceito, inversão de causa e efeito, omissão de determinada causa (ou fato) ou supervalorizar determinada causa omitindo outras mais importantes (omissão de causas complexas), distorção de fatos (omissão de dados), etc... ][15: 	Sofisma é argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa. 	Ou seja, é qualquer argumentação capciosa, concebida com a intenção de induzir em erro, o que supõe má-fé por parte daquele que a apresenta]
- A Lógica Jurídica é ligada à ideia que fazemos do Direito, e se adapta a ela. 
Por essa razão, uma reflexão sobre a evolução do Direito depende do exame das técnicas de raciocínio (Lógica Jurídica).
- O Direito depende tanto da interpretação quanto da argumentação. Ou seja, o operador do Direito precisa saber interpretar (fala e escrita) e argumentar para poder justificar a posição que defende.
Dessa forma, a Hermenêutica Jurídica permite aos profissionais do Direito utilizar corretamente suas argumentações para:
Denunciar;
Defender;
Recorrer; e
Sentenciar.
4.2 - 	O Processo de Produção do Conhecimento Jurídico-Científico e a Hermenêutica Jurídica. 
- A Hermenêutica tem por finalidade o estudo e a sistematização dos processos aplicáveis para determinar o sentido e o alcance das expressões do direito.
- Ou seja, hermenêutica é a ciência que forma as regras e métodos para interpretação das normas, permitindo que se conheça o seu sentido e alcance.
- A sociedade está em constante evolução e, em razão disso, a cada dia, há necessidade de regular novas relações jurídicas. 
- Dessa forma, aevolução da ciência do direito é necessária, pois o Direito não pode ficar estático enquanto a sociedade evolui. 
- Em consequência, fica evidente que o legislador não pode prever todas as situações da aplicabilidade de determinada lei que acabou de ser aprovada.
- Nesse sentido, a Hermenêutica Jurídica é utilizada para permitir aos profissionais do Direito alcançar, em qualquer tempo, o real sentido da norma jurídica.
Da mesma forma que a sociedade muda com o tempo, a interpretação da lei também se altera com o tempo. Por exemplo: O Código Civil de 1916 (Lei nº 3.071/1916) previa que o casamento poderia ser anulado, a requerimento do marido se esse ignorasse que a sua noiva não fosse virgem (art. 220). 
No final do século passado, mesmo antes da sua revogação pela Lei nº 10.406/2002 (o atual Código Civil), o Poder Judiciário passou a considerar o artigo inaplicável nesses casos, em razão da evolução da sociedade e que o motivo não justificaria a anulação do matrimônio.
- A constante busca pelo conhecimento e no intuito de aclará-lo no âmbito da ciência jurídica, de acordo com Miguel Reale, torna “insustentável o propósito de uma teoria da interpretação cega para o mundo dos valores e dos fins e, mais ainda, alheia ou indiferente à problemática filosófica”.
- O Direito deve acompanhar as transformações sociais e perceber os anseios da sociedade atual. 
- Além disso, nosso próprio ordenamento jurídico reconhece a necessidade da observância dos clamores sociais, como estabelece o artigo 5º da Lei de Introdução à Normas do Direito Brasileiro "Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.
- Para a produção do processo de conhecimento jurídico-científico é necessário conhecer e utilizar:
Os métodos científicos; e 
Os métodos Hermenêuticos.
- Ou seja, a produção do conhecimento jurídico-científico pressupõe a necessária conjugação da Metodologia Científica com a Hermenêutica Jurídica.
ANEXO
Ciência e Metodologia
Dessa forma, preliminarmente, é importante revisar alguns conceitos fundamentais sobre ciência e metodologia científica.
É fundamental conhecer os processos lógicos para validar a argumentação e corretamente interpretar (fala ou escrito). Isso só é possível se conhecermos:
O que é metodologia científica;
o que é ciência;
o que é conhecimento científico; e
o que é método.
- Vejamos, então, incialmente, as diferenças entre os vários tipos de conhecimento.
Sabemos que há diversos tipos de conhecimento: empírico, científico, o filosófico. Quais são suas diferenças fundamentais?
O conhecimento empírico diz respeito ao conhecimento popular. É o que aprendemos a partir da nossa interação e observação do mundo
não há preocupação em refletir criticamente sobre o objeto em observação
é adquirido por meio de simples deduções e sem provas concretas
é um conhecimento falível e inexato. Porém, pode ser verificado, pois se trata de coisas ligadas ao dia a dia.
Exemplo: Um pecuarista sem estudos sabe como lidar com o gado, porque aprendeu observando seus pais. Aprendeu com os resultados anteriores.
O conhecimento teológico, ou religioso, é o baseado na fé religiosa, acreditando que ela detém a verdade absoluta.
O conhecimento teológico, ou religioso, é baseado na fé religiosa. Assim, acredita-se que a religião é a verdade absoluta e possui todas as explicações para os mistérios que rondam a mente humana.
Não cabe verificação científica para que determinada "verdade" seja aceita sob a ótica do conhecimento religioso. Desse modo, o conhecimento teológico é infalível e exato, pois se trata de uma verdade sobrenatural.
Exemplo: O mundo e os homens foram criados por Deus
O conhecimento filosófico nasce a partir das reflexões que o ser humano faz sobre questões subjetivas.
O conhecimento filosófico é baseado na reflexão e construção de conceitos e ideias, a partir do uso do raciocínio em busca do saber.
O conhecimento filosófico surgiu a partir da capacidade do ser humano de refletir sobre questões imateriais, conceitos e ideias.
Como se trata de teorias que não podem ser testadas, não é verificável. Portanto, é infalível e exata.
Exemplo: A divisão do mundo inteligível e sensível de acordo com Platão.
O conhecimento científico compreende as informações e fatos que podem ser comprovados por meio da ciência
O conhecimento científico está relacionado com a lógica e o pensamento crítico e analítico. 
É o conhecimento sobre fatos analisados e comprovados cientificamente, cuja veracidade ou falsidade podem ser comprovadas.
É racional e verificável, uma vez que provém de resultados científicos.
É um conhecimento factual e está baseado em experiências comprovadas. 
É característica do conhecimento científico ser FALÍVEL e APROXIMADAMENTE EXATO, pois novas ideias podem modificar teorias antes aceitas. 
Exemplo: A descoberta de nos tratamentos para doenças. 
No que se refere ao conhecimento científico, é importante ressaltar alguns conceitos fundamentais. 
Ciência é o conhecimento crítico, gerado por meio da observação metódica, segundo regras específicas.
O que caracteriza a ciência é o método, a forma de observação. 
Ou seja, a observação feita de maneira metódica, segundo regras específicas, acaba por gerar conhecimento que é a base da definição de Ciência.
Em razão disso, 
Ciência é o conhecimento crítico, gerado por observação metódica, segundo regras. 
Método Científico é o conjunto de procedimentos por meio dos quais são atingidas as finalidades, os objetivos daquela ciência (provar determinada teoria).
- Elementos constitutivos da investigação científica
Em qualquer ciência há dois elementos fundamentais: 
o espírito científico e 
o método científico
- O espírito científico é caracterizado pela postura do pesquisador que deve ser livre de tudo que seja subjetividade, de preconceitos, de posição preconcebida. 
Ou seja, o pesquisador deve ser um observador ISENTO.
Não há fato ou posição social que não esteja sujeita a exame ou investigação científica.
- Em razão do método científico, a ciência é:
RACIONAL (sustentada pela razão, pela lógica) e 
SISTEMÁTICA (adota um sistema previsto em um método científico).
Por isso, a CIÊNCIA É VERIFICÁVEL.
Ou seja, todo trabalho científico (experiência científica – teoria científica) pode ter seus resultados verificados por qualquer pessoa (qualquer pesquisador pode repetir a experiência de outro, a partir dos mesmos dados, utilizando o mesmo método científico, e deverá chegar ao mesmo resultado – ou seja, deverá ser capaz de provar a teoria científica).
Por isso, o trabalho científico tem que ser documentado (os dados devem ser guardados, arquivados ou, se pertencerem a terceiros, corretamente referenciados – por exemplo, pelas normas da ABNT.
Mas o conhecimento científico, com o tempo, pode ser superado por novas teorias ou descobertas (fica ultrapassado). 
Portanto, toda ciência evolui com a sociedade (da mesma forma, a Ciência Jurídica).
A pesquisa científica, em geral, envolve três etapas:
 
1) PROBLEMATIZAÇÃO
Primeiramente o pesquisador verifica a existência de um PROBLEMA a ser solucionado. 
2) FORMULAÇÃO DE HIPÓTESE(s)
Para solucionar o problema proposto, o pesquisador enuncia hipóteses.
3) EXPERIMENTAÇÃO 
É a verificação da viabilidade das hipóteses enunciadas como solução do problema proposto.
Os resultados da pesquisa (ou seja, suas conclusões) vão gerar conhecimento, leis, teorias
- Métodos Científicos
- Vejamos alguns métodos científicos:
A·Método Dedutivo, ou Aristotélico: 
Dedução (deduction em latim) é o raciocínio que do geral ao particular, do todo às partes. Parte das leis e teorias para os fenômenos particulares (conexão descendente).
É também chamado método analítico. O processo de dedução representa a análise de um fato ou objeto (a decomposição em todos seus elementos – como, por exemplo, pode se conhecero funcionamento de uma máquina desmontando todas as suas peças).
 
Ex: partindo do conhecimento das leis da física passa-se a estudar determinado fenômeno particular;
B·Método Indutivo:
Sistematizado pelo filósofo inglês Francis Bacon (1561 - 1626). 
Neste caso, o raciocínio vai de um caso particular para a generalização (para o todo, o conjunto, geral). 
É aquele cuja aproximação dos fenômenos caminha geralmente para planos cada vez mais abrangentes (conexão ascendente). 
O método indutivo ou baconiano é o método científico por excelência.
Ex: partindo da observação do comportamento de determinada ave migratória, inicia-se o estudo do movimento migratório de toda uma espécie;
Obs: embora o método dedutivo seja diferente do método indutivo, eles, entretanto, não se contrapõem, pelo contrário são interdependentes.
Em qualquer Ciência podemos utilizar os dois métodos: 
Analisar = Decompor e 
Sintetizar = Compor, Reunir
Dessa forma, indução e dedução são, portanto, métodos de procedimento científico, racionais e organizados.
C. Método Hipotético-Dedutivo: 
É o método no qual é elaborada uma suposição geral sobre o funcionamento de um determinado fenômeno. A partir daí, faz-se a dedução de algumas consequências ou efeitos. 
Assim, por exemplo, se é verdade que a água muda de estado conforme a temperatura que se encontra, deve-se deduzir que outros materiais podem sofrer o mesmo processo. Basicamente, o método hipotético dedutivo consiste em dar uma explicação global de como ocorrem os fenômenos e a deduzir seus efeitos.
Ou seja, partindo-se da percepção de que existe uma lacuna nos conhecimentos formula-se uma hipótese. Então, pelo processo de dedução é feito um teste que verifica essa hipótese, para então confirmá-la. 
Ex.: A pesquisa sobre uma doença desconhecida, na qual se parte de uma hipótese que vai ser testada à luz do conhecimento científico existente.
D· Método Dialético:
É o método que estuda os fenômenos através da sua ação recíproca. Ou seja, estuda fatos que alteram a natureza (e a sociedade) que reage à mudança provocando outras mudanças. Envolvem processos dinâmicos (como a política e a economia, por exemplo).
Ex: a economia é dinâmica, ela afeta a sociedade que reage e altera a situação anterior gerando uma nova, que por sua vez provoca nova reação da sociedade, gerando fatos novos que modificam aquela situação original - é próprio dos processos dinâmicos como os econômicos e sociais. 
Exemplo concreto: aumento de salário que provoca aumento de preços e que vai provocar novo aumento de salário... (processo inflacionário).
- Pesquisa Científica:
É o procedimento racional e sistemático que tem o objetivo de fornecer respostas aos problemas propostos.
A necessidade da pesquisa se apresenta quando não se dispõe de observação, ou esta é insuficiente, ou ainda estão em estado de desordem.
- Tipos de Pesquisa:
A· Bibliográfica: as fontes são secundárias, com levantamento das publicações existentes, como livros, revistas, publicações avulsas, vídeos, etc... (com a finalidade de entrar em contato direto com tudo que já foi escrito sobre o objeto de estudo)
Aqui se inclui a pesquisa jurisprudencial: pesquisa à jurisprudência dos tribunais.
B· Descritiva: são as que descrevem fenômenos, utilizando-se das técnicas de observação direta, sociometria, etc...
C· Experimental: são as que utilizam de experimentos para verificação de hipóteses, como por exemplo as empíricas, com trabalho de campo ou de laboratório.
- Tipos de Trabalhos Científicos
A) MONOGRAFIA
É uma dissertação escrita sobre um assunto específico.
De acordo com a sua destinação, poderá ter diferenciados níveis de aprofundamento.
Pode ter finalidade de:
cumprir exigências do curso de graduação;
	pós-graduação em nível de mestrado (dissertação de mestrado);
	pós-graduação em nível de doutorado (tese de doutorado).
B - INFORME
O informe é muito utilizado no âmbito administrativo ou do judiciário.
O objetivo do informe é indicar ao leitor referências reais, concretas. 
É essencialmente descritivo. Envolve fatos, circunstâncias, cifras.
C - ARTIGO CIENTÍFICO
É um trabalho científico de pequena extensão, contendo a apresentação de resultados de pesquisa ou estudos.
É destinado a jornais, revistas ou periódicos.
E - PAPER - comunicação científica
Trata de informações de pequena extensão. 
Destina-se a apresentação em congressos, simpósios ou reuniões, versando sobre temas atuais ou ainda comunicado de descoberta científica.
F - ENSAIO
Trata-se de uma exposição metódica dos estudos realizados e das conclusões originais após 
exame detalhado do assunto.
5. 	Análise Teórico-Conceptual e Historiográfico-Descritiva da Hermenêutica Jurídica.
5.1. 	O Direito Romano. 
5.2. 	Os Glosadores e Pós-Glosadores. 
5.3. 	A Escola da Exegese. 
5.4. 	A Escola Histórica. 
5.5. 	A Escola da Livre Investigação Científica. 
5.6. 	A Escola do Direito Livre. 
5.7. 	Jurisprudência dos Conceitos Versus Jurisprudência dos Interesses Versus Jurisprudência dos Valores. 
5. 	Análise Teórico-Conceptual e Historiográfico-Descritiva da Hermenêutica Jurídica.
5.1. 	O Direito Romano. 
Nos treze séculos da história romana, do século VIII a.C. ao século VI d.C., assistimos, naturalmente, a uma mudança contínua no caráter do direito, de acordo com a evolução da civilização romana, com as alterações políticas, econômicas e sociais, que a caracterizavam.[16: 	A sociedade romana era dividida entre: •	Patrícios - eram constituídos por uma aristocracia latifundiária, formada pelos descendentes diretos dos fundadores de Roma.•	Plebeus - eram os que não pertenciam às famílias patrícias. 	Os plebeus foram chegando a Roma após a sua fundação. Eram pobres e quase não tinham direitos.•	Escravos - eram compostos por: povos vencidos nas batalhas; e pessoas que acabavam nessa condição porque não conseguiam pagar suas dívidas. Os escravos tinham qualquer direito, eram tratados como objetos (como coisa, res), podiam ser comprados e vendidos. Sofriam toda a sorte de abusos.]
- Roma passou por importantes alterações políticas: 
No início havia reis. Do século Séc. VIII a.C. até 510 a.C., houve sete reis (período da realeza).
De 510 a. C. até 27 a.C, Roma se transformou em uma república (período da república). Havia o Senado e a direção política era conduzida por dois Cônsules que tinham atribuições administrativas, judiciárias e militares. 
Os dois cônsules eleitos tinham poderes iguais, obedecendo a um revezamento (um deles assumia em tempo de paz e o outro em tempo de guerra), tomando sempre as decisões em conjunto e cada um tinha poder de veto sobre o outro.
De 27 a. C. até o século VI d. C, Roma foi um império. Nesse período houve diversos imperadores. 
O primeiro imperador foi Otávio César Augusto, que era sobrinho-neto de Júlio César.
Foi no período do imperador Diocleciano (284 a 305 d. C) que o império romano foi dividido em dois: Império Romano do Ocidente (com sede em Roma) e Império Romano do Oriente (com sede em Bizâncio, que foi depois chamada de Constantinopla e hoje é a cidade de Istambul – na Turquia).[17: 	Júlio Cesar era um Cônsul Romano que foi transformado em Ditador pelo Senado romano. Em Roma, o cargo de Ditador era temporário. Só havia ditadores em situações especiais. O ditador era geralmente nomeado em circunstâncias de perigo extraordinário, seja por inimigos estrangeiros ou revoltas internas.Júlio César foi nomeado ditador romano em 46 a.C., em razão de uma guerra civil contra Pompeu. Em 44 a.C., Júlio César foi nomeado ditador perpétuo (dictator perpetuus). Júlio César foi assassinado em março do mesmo ano. Portanto, Júlio César nunca foi imperador.Após a sua morte, seu herdeiro Otávio César Augusto foi alçado ao poder e transformou-se no primeiro imperador de Roma.][18: 	A partir de 284 d. C, o Império Romano foi dividido, como forma de melhor administrar o poder em Império Romano do Ocidente, tendocomo capital Roma, e Império Romano do Oriente, com Bizâncio (posteriormente, Constantinopla) como capital. ]
Em 476 d.C. ocorreu a queda do Império Romano do Ocidente, após a invasão de Roma pelos povos germânicos (bárbaros). 
O último imperador desse período foi Justiniano (de 527 a 565 d.C.). É de sua autoria, a obra legislativa conhecida como Corpus Juris Civilis (Corpo do Direito Civil), a mais importante obra de codificação do Direito Romano.
Contudo, o Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, perdurou até 1453, quando foi tomado pelos turcos. O nome da cidade mudou de Constantinopla para Istambul.
 
- Para o estudo do Direito Romano, dada a sua extensão e complexidade, é conveniente a divisão didática em fases. Pode-se acompanhar a divisão histórica social e política (período da realeza, período da república e período do império) ou a própria evolução do direito (período arcaico, clássico e pós-clássico).
- Independentemente dessa divisão, é conveniente destacar que a grande obra legislativa empreendida pelo imperador Justiniano – Corpus Juris Civil és – foi responsável pela preservação do Direito Romano para a posteridade.
- O Corpus Juris Civiles é composto por diversos conjuntos de obras:
Código – que corresponde a edição de uma compilação de diversas leis editadas em Roma; 
Digesto (ou Pandectas) – que é composto por 50 livros que contém trechos escolhidos de 2.000 livros de jurisconsultos clássicos romanos (com três milhões de linhas);
Institutas – que é um livro contendo um Manual de Direito para Estudantes; e 
Novelas – que é o conjunto de novas leis baixadas pelo imperador Justiniano.[19: . Justiniano publicou efetivamente um grande número de novas leis (Novellae Constitutiones). Essa coleção de novas leis editadas por Justiniano ficou conhecida como Novelas (Novellae).]
- Contudo, para efeito da nossa disciplina (Hermenêutica), é importante destacar o importante trabalho desenvolvido por juristas em Roma. 
- Inicialmente, em Roma, a interpretação das regras do direito antigo era tarefa importante para a prática cotidiana da cidade e da vida das pessoas (pois as leis eram muito rígidas e até mesmo crueis – por exemplo, quem não pagava suas dívidas poderia se tornar escravo do seu credor). Originariamente, somente os sacerdotes conheciam as normas jurídicas. A eles incumbia o poder de interpretá-las. 
- A partir do fim do século IV a.C., esse tarefa deixou de ser monopólio dos sacerdotes, podendo também ser feita por pessoas de notório saber jurídico (juristas ou jurisconsultos). 
Essas pessoas pertenciam a uma aristocracia intelectual, distinção essa devida aos seus dotes de inteligência e aos seus conhecimentos técnicos e jurídicos.
 
- Os jurisconsultos emitiam pareceres jurídicos sobre questões práticas a eles apresentadas, com o fim de instruir os interessados como agirem em juízo e orientar os leigos na realização de negócios jurídicos. Esse jurisconsultos exerciam essa atividade gratuitamente, pela fama e, evidentemente, para obter um destaque social, que os ajudava a galgar importantes cargos públicos em Roma.
- Foi o imperador Augusto que, procurando utilizar o talento desses juristas, instituiu um privilégio a determinadas pessoas de dar pareceres em seu nome. 
Ou seja, essas pessoas poderiam dar um parecer em nome do príncipe. 
Esse privilégio ficou conhecido como direito de resposta (ou jus respondendi ex auctoritate principis = direito de resposta proveniente da autoridade do Príncipe). 
- Os juristas (ou jurisconsultos) eram conhecidos também como “PRUDENTES” (pudentium, cujo plural em latim é prudentia). 
- Em razão disso, as “respostas dos jurisconsultos” também ficaram conhecidas como “respostas dos prudentes” (responsa prudentia, ou também como interpretação dos prudentes – juris prudentia). 
- Observem que essa interpretação dos juristas (prudentes, ou jurisconsultos) consistia na adaptação das regras jurídicas aos casos práticos que, cada vez mais, devido às novas exigências, em razão do crescimento do império e da sofisticação dos problemas da vida, comportava, também, a criação de novas normas.
Notem que, modernamente, jurisprudência tem sentido diferente. Significa a maneira uniforme pela qual os tribunais interpretam e aplicam normas jurídicas. 
- No sentido atribuído originalmente pelo direito romano, jurisprudência é a atividade dos jurisconsultos (o exercício do direito de responder em nome do Príncipe). 
Nas Institutas do Imperador Justiniano, consta que “jurisprudência é a o conhecimento das coisas divinas e humanas, a ciência do justo e do injusto” (no estudo do direito romano, jurisprudência tem esse sentido).
 
- Esse destacado trabalho dos jurisconsultos romanos (juristas) constitui importante tarefa hermenêutica, visto que consistia na adaptação das regras jurídicas aos casos práticos da vida dos cidadãos romanos que, cada vez mais, devido às novas exigências, em razão do crescimento e sofisticação do império, comportava, também, a criação de novas normas.
- Esse trabalho dos juristas foi compilado pelo imperador Justiniano e constitui o Digesto (com 50 livros) e é parte importante do Corpus Juris Civiles.
5.2. 	Os Glosadores e Pós-Glosadores. 
Introdução 
Na Idade Média, começaram a surgir na Europa as Universidades (no contexto do movimento chamado Renascimento). 
As primeiras universidades da Europa foram fundadas na Itália e na França para o estudo de direito, medicina e teologia. A primeira Universidade europeia foi a Universidade de Bolonha, na Itália, em 1088.
- Foi a partir da Universidade de Bolonha que se iniciou o estudo teórico da ciência jurídica. No contexto do movimento cultural chamado renascimento (valorização da cultura clássica grega e romana), renasceu o interesse pelo estudo do Direito Romano. 
- Dessa forma, a partir do estudo do Corpus Juris Civiles, a influência do Direito Romano chegou a maioria dos países europeus. 
- Assim, a ciência do direito baseada no estudo dos textos romanos, mais especialmente os da compilação realizada pelo Imperador Justiniano (Corpus Juris Civil és), surgiu como importante instrumento de uniformização de conceitos e instituições de direito. 
- Esse direito erudito apresentava diversas vantagens em comparação aos direitos locais adotados na sociedade medieval: [20: 	Na idade média o regime era feudal no qual o poder era do nobre dono da terra. No feudalismo havia o sistema de colonato, um sistema jurídico no qual o colono era obrigado a se fixar na terra, sob a tutela do proprietário. Esse processo dá origem à servidão do colono ao senhor feudal (dono da terra). O senhor feudal administrava a justiça. Por sua vez, a Igreja Católica impunha severa obediência as suas doutrinas. Qualquer desrespeito às doutrinas sagradas era passível de excomunhão. Havia também os tribunais de inquisição que aplicavam severa penas aos hereges. As penas variavam desde confisco de bens e perda de liberdade até a pena de morte, muitas vezes na fogueira, método que se tornou famoso, embora existissem outras formas de aplicar a pena. Adotava-se inclusive a tortura para conseguir confissões ou delações. ]
a)	era escrito; 
b)	era comum aos mestres das universidades; 
c)	era mais completo, portanto pôde desempenhar importante função supletiva, de preencher as numerosas lacunas dos costumes locais e de inspirar os futuros reis legisladores; e
d)	era mais complexo e harmônico, podendo atender a necessidades, presentes e futuras, de um progresso econômico e social.
- O grau de romanização (influência do Direito Romano) variou de país para país. Foi maior na Itália, Península Ibérica (Portugal e Espanha) e Alemanha. Foi menor na França, pequeno nos países escandinavos (Noruega, Suécia, Dinamarca, Finlândia e Islândia) e bálticos (região nordeste da Europa, onde estão localizados atualmente a Estônia, Letônia e Lituânia). Foi quase nulo na Inglaterra, onde se desenvolveu a Common law.[21: 	Commonlaw (do inglês "direito comum") é o direito que se desenvolveu em certos países por meio das decisões dos tribunais, e não mediante atos legislativos ou executivos. Constitui portanto um sistema de direito, diferente do romano-germânico, que enfatiza os atos legislativos (leis). Nos sistemas de common law, o direito é criado ou aperfeiçoado pelos juízes: uma decisão a ser tomada num caso depende das decisões adotadas para casos anteriores (precedente) e afeta o direito a ser aplicado a casos futuros. Nesse sistema, quando não existe um precedente, os juízes possuem a autoridade para criar o direito, estabelecendo um precedente. O conjunto de precedentes é chamado de common law e vincula todas as decisões futuras. Os sistemas de common law foram adotados por diversos países do mundo, especialmente aqueles que herdaram da Inglaterra o seu sistema jurídico, como o Reino Unido, a maior parte dos Estados Unidos e do Canadá e as ex-colônias do Império Britânico.]
- São elementos comuns do Direito Romano presentes até hoje: 
a) terminologia comum dos principais institutos (propriedade, contratos, sucessão, obrigações, etc.);
b) reconhecimento da lei abstrata e geral como norteadora das decisões em cada caso concreto; 
c) concepção de que o direito deve ser justo e razoável; 
d) raciocínio jurídico dedutivo em que a lei (fonte preponderante do direito) e a doutrina (que permite desenvolver o próprio raciocínio) são os instrumentos para a resolução dos litígios.
- Dessa forma, o renascimento do direito romano permitiu a transformação de sistemas jurídicos da Idade Média, em geral, considerados irracionais (e quase sempre cruéis), em um organizado e racional sistema jurídico, baseado na consolidada tradição de jurídica romana.
- As condições políticas para o ressurgimento do direito romano, nas emergentes nações europeias, se devem à adoção de uma economia capitalista baseada na liberdade dos agentes econômicos em contratar e na livre disposição de seus bens, além de um poder político centralizado (na figura do rei). 
- Com a adoção do direito romano na era Moderna, surgiu também uma classe de profissionais do direito, fruto do processo de racionalização das técnicas jurídicas que libertou o direito da religião.[22: 	São marcos do início da Idade Moderna a tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453 e com início das grandes navegações que levaram ao descobrimento da América e a colonização do novo continente.]
5.2. 	Os Glosadores e Pós-Glosadores. 
 Escola dos Glosadores
- Um século após a criação da Universidade de Bolonha (fundada em 1088), surge, no âmbito do curso de Direito, o movimento denominado “Escola dos Glosadores”, ou simplesmente, “Escola de Bolonha”.
Essa escola representa uma corrente de pensamento jurídico que se propunha a interpretar e comentar o Corpus Juris Civilis, oferecendo, assim, esclarecimentos do seu sentido, com vistas a atingir sua compreensão e posterior aplicação.
O nome de glosadores provém do método de ensino utilizado. O professor, após a leitura dos textos de Direito Romano, interpretava-os por meio de uma frase que era chamada glosa. 
Muitas vezes, o professor fazia também um resumo, chamado summa.
Os glosadores examinavam o texto legal sob o ponto de vista gramatical, analisando as palavras e as frases de forma isolada do seu contexto e indiferente às modificações históricas.
- O método dos glosadores era a explicação breve de uma passagem obscura ou problemática do Corpus Iuris Civilis. 
- Esse método era conhecido como GLOSA. Daí provém o termo Escola dos Glosadores.
- Ou seja, a glosa correspondia à explicação de uma parte do texto do Direito Romano (em geral do Digesto (com 50 volumes) – que é parte do Corpus Juris Civiles).
O texto era analisado literalmente, pelo sentido das palavras, uma após a outra. Logo após, o professor escrevia seus comentários entre as linhas do texto original do Direito Romano (glosa interlinear) ou nas suas margens (glosa marginal). 
Com o passar do tempo, em razão do aumento do número de glosas, estas foram transformadas em textos contínuos que receberam o nome de apparatus.
B – O Pós- Glosadores
- Os pós-glosadores, também conhecidos como comentadores, tornaram-se nos grandes conselheiros dos príncipes e de pessoas de alto poder aquisitivo (aristocratas) da Europa. 
- Os comentadores passam a interpretar o Direito, emitindo opiniões e pareceres, e, com isso, ajudam a dar mais um passo na unificação e na harmonização dos direitos das diversas localidades.
- Os comentadores conciliam direitos locais entre si, com base no direito romano erudito e acadêmico. 
- Eles tornaram possível a transição do direito baseado na tradição feudal (da idade média) para as novas tendências da vida europeia (idade moderna): o comércio, a monetarização da vida (com o uso do dinheiro) e o direito das obrigações (por meio de contratos).
5.3. 	A Escola da Exegese. 
5.4. 	A Escola Histórica. 
5.5. 	A Escola da Livre Investigação Científica. 
5.6. 	A Escola do Direito Livre. 
- A matéria já foi abordada no texto - Principais Escolas de Interpretação Jurídica, constante do Anexo 1 (págs. 11-17).
- A Escola da Exegese 
Surgiu no século XIX, tendo como principais defensores: Proudhon, Melville, Blondeau, Bugnet, Delvincourt, Huc, Aubry e Rau, Laurent, Marcadé, Demolombe, Troplong, Pothier, entre outros.
Para a Escola da Exegese o papel do jurista era ater-se ao texto da lei e revelar seu sentido. 
- A Escola Histórica
Surgiu no século XIX e o seu maior representante foi Friedrich Carl Savigny. 
Para Savigny a lei nasce obedecendo certos ditames e determinadas aspirações sociais mas não pode ficar engessada e restrita às suas fontes originárias, devem se modificar conforme a sociedade. Ou seja, a interpretação deve evoluir e se atualizar de acordo com a evolução da sociedade.
- A Escola da Livre Investigação Científica
François Geny foi o grande representante da Escola da Livre Iniciação Científica.
Para a Escola da Livre Investigação Científica, o juiz não fica vinculado ao texto da lei, ele deve tentar compreender a vontade do legislador.
A função social do Direito deve ser realizada além da lei para suprir-lhe as lacunas, mas sem ser contrário à lei. 
- Escola do Direito Livre
Escola do Direito Livre, da Alemanha, tem como seu defensor mais conhecido Hermann Kantorowicz.
Para esta escola o Juiz deve sempre buscar a justiça. Este deve ser o seu compromisso frente à sociedade, mesmo que para isso tenha que ignorar a lei. 
Segundo essa escola, o juiz deve analisar cada caso concreto e levando em consideração o seu próprio senso de justiça tomar uma decisão, pois, o direito da sociedade deve prevalecer frente ao direito legislado.
Pode-se dizer que esta Escola admite o julgamento contra a lei se o magistrado entender que vislumbrando o caso concreto o legislador também agiria de outra forma. Além disso, defende que o Direito é lacunoso desde sua criação e para suprir este problema o juiz deve decidir com liberdade.
5.7. 	Jurisprudência dos Conceitos Versus Jurisprudência dos Interesses Versus Jurisprudência dos Valores. 
- Jurisprudência de conceitos 
É decorrente do positivismo jurídico.
É considerada uma subcorrente do positivismo.
Defende que a norma escrita deve refletir conceitos, quando de sua interpretação.
Características principais: 
o formalismo, com a busca do direito na lei escrita;
a sistematização; e
a busca de justificação da norma específica com base na mais geral (ou seja, o direito deveria ter base no processo legislativo, mas deveria ser justificado por uma ideia mais abrangente ligada a um sentido social).
- Jurisprudência dos Interesses
É considerada uma segunda subcorrente do positivismo
Na jurisprudência dos interesses, interpreta-se a norma, basicamente, tendo em vista as finalidades às quais esta se destina. Ou seja, entre um conflito de interesses devem prevalecer os interesses necessários manutençãoda vida em sociedade. Assim entre o interesse individual e o coletivo, deve prevalecer o coletivo.
- Jurisprudência dos Valores
Jurisprudência dos valores ou jurisprudência dos princípios - esta escola representa para a evolução do direito um passo na superação das contradições do positivismo jurídico. 
É considerada uma segunda subcorrente do positivismo.
Por isso, é considerada por alguns como semelhante à escola do pós-positivismo. 
A jurisprudência dos valores estabelece uma divisão entre regras e princípios. 
Para essa escola há normas jurídicas que representam regras e outras normas jurídicas que representam princípios.
As normas jurídicas que representam regras estabelecem direitos e deveres. Em caso de descumprimento é estabelecida uma sanção. 
Ex: art. 121 do Código Penal Matar alguém. Pena - reclusão, de seis a vinte anos. 
Ou seja, é uma regra que estabelece o direito que as pessoas têm de não serem mortas (direito de permanecer vivo) e o dever de não matar. Em caso de descumprimento, há a sanção que é a pena de reclusão de 6 a 20 anos.
As normas jurídicas que representam princípios remetem a valores. Por exemplo, vejamos alguns incisos do art. 5º da CF/1988: 
todos são iguais perante a lei (caput do art. 5º - princípio da igualdade);
ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II, princípio da legalidade);
é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer (art. 5º, XIII, princípio do livre exercício profissional);
é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional (art. 5º, XIV, princípio da liberdade de informação);
ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente (art. 5º III, princípio do juiz natural);
ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal (art. 5º, LIV, princípio do devido processo legal);
aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes (art. 5º, LV, princípio da ampla defesa e do contraditório).
Assim, havendo conflito entre normas jurídicas é importante destacar:
quando existe um conflito entre regras, aplica-se a mais adequada (estes casos envolvem hierarquia de normas que é um tema a ser estudado em Controle de Constitucionalidade). 
No tocante aos princípios, quando há um conflito entre os mesmos, a solução é ponderá-los. 
Por exemplo: qual princípio é mais importante, o direito à vida ou à liberdade?
Ou seja, a família pode impedir um tratamento de um filho menor alegando liberdade religiosa? E se a falta do tratamento vier a causar a morte da criança?
O juiz pode decidir mandar fazer o tratamento, uma vez que o direito à vida é mais importante que o direito à liberdade religiosa (a vida é mais importante que a liberdade).
Vale frisar que, neste caso, um princípio não deixa de existir, ou seja, ele não some do ordenamento jurídico. Há apenas uma ponderação entre os princípios em conflitos.
- A escola do positivismo jurídico teve três fases: 
a jurisprudência dos conceitos;
a jurisprudência dos interesses; e 
a jurisprudência dos valores.
6.	Metodologia da Ciência da Hermenêutica Jurídica.
6.1. 	A Problemática da Indiscernibilidade Conceitual: Hermenêutica/ Interpretação/ Integração/ Aplicação do Fenômeno Jurídico.
6.2. 	Principiologia da Hermenêutica Jurídica.
6.3. 	Metodologia Dogmática da Hermenêutica Jurídica. 
6.4. 	Metodologia Zetética da Hermenêutica Jurídica.
6.1. 	A Problemática da Indiscernibilidade Conceitual: 
Hermenêutica/ Interpretação/ Integração/ Aplicação do Fenômeno Jurídico.
- Hermenêutica e interpretação
A interpretação tem caráter concreto. 
A hermenêutica tem caráter abstrato. 
A interpretação é a aplicação da hermenêutica. 
A hermenêutica é a ciência que fixa os princípios e os métodos que regem a interpretação. 
A interpretação somente se dá no caso concreto a ser analisado. 
Assim a hermética jurídica fornece os métodos e princípios que devem ser adotados para que o operador do Direito busque a solução que atenda aos interesses da sociedade.
Lacuna da lei é a inexistência de uma norma jurídica aplicável a um caso concreto. 
Ou seja, é um vazio legal sobre determinado evento. Ex: casamento homossexual.
A lacuna caracteriza-se quando a lei é omissa ou falha em relação a determinado caso.
		Ou seja, revela que o sistema normativo não se aplica a todos os fatos da vida social (logicamente, no momento da criação da lei, é impossível prever todos os fatos e a evolução da sociedade).
A constatação da existência da lacuna ocorre no momento em que o aplicador do direito vai exercer a sua atividade e não encontra no corpo das leis um preceito que solucione o caso concreto (ou seja, não há um dispositivo legal que se aplique a determinado caso concreto). Neste instante, constata-se a existência de uma lacuna.
Assim, quando o juiz não consegue descobrir uma norma jurídica para decidir determinado caso, deve servir-se de outros meios para a solucioná-lo, uma vez que todo caso concreto posto à apreciação do Judiciário não pode deixar de ser apreciado e resolvido.
O procedimento para preenchimento de lacunas da lei é conhecido como Integração.
6.2. 	Principiologia da Hermenêutica Jurídica.
- Princípio significa começo, fonte, origem, nascente, nascedouro.
- No Direito, os princípios são normas jurídicas que:
tem a finalidade de apontar ideais a serem perseguidos pelas pessoas e pela sociedade;
não descrevem condutas específicas para atingir esse ideal (não detalha o caminho a forma);
não estabelecem punição específica a quem não os cumpre.
Ex de princípios: todos são iguais perante a lei; a todos é assegurado o direito à informação; ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; etc...
- Os princípios, em resumo, buscam o atingimento de situações ideais. Por isso, os princípios têm alto valor normativo. 
Ou seja, os princípios têm valor superior às normas que estabelecem regras. [23: As normas que estabelecem regras estipulam uma punição (pena) para quem as descumpre.]
Como resultado prático, se houver um conflito entre princípios e normas que estabelecem determinada regra, deve prevalecer o princípio.
Por exemplo: 
Existe uma norma (regra) que estabelece pena para o crime de roubo (Do Código Penal - CP [decreto-lei 2848, de 1940]:
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: 
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. [...]). 
Existe o Princípio do Devido Processo Legal: “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal” (art. 5º, LIV, princípio do devido processo legal).
Assim, se uma pessoa praticou o crime de roubo, ela só pode ser condenada à pena de prisão estabelecida no art. 157 do CP depois do DEVIDO PROCESSO LEGAL (é um princípio que deve ser observado).
Portanto, se, por algum motivo, o processo judicial for considerado ilegal, não pode ser aplicada a pena estabelecida na regra (reclusão, de quatro a dez anos).
6.3. 	Metodologia Dogmática da Hermenêutica Jurídica. 
- Doutrina: 
- Significado de Doutrina: 	
O termo doutrina provém do latim doctrina (doctrinae), que deriva do verbo docére (ensinar).
Conjunto coerente de ideias fundamentais a serem transmitidas ou ensinadas. Conjunto de conhecimentos possuídos; ciência, erudição, saber. 
- Doutrina jurídica:
Conjunto de ideias, opiniões, conceitos que os autores expõem e defendem no estudo e no ensino do direito, os quais servem de sustentação para teorias e interpretaçõesda ciência jurídica; norma interpretativa que a jurisprudência tende a seguir na aplicação de uma lei.
Ou seja, é o conjunto de ideias/opiniões/conceitos defendidos por determinado(s) autor(es) em matéria de direito.
É a opinião de certos juristas (autores estudiosos em direito) que é respeitada e consolidada no tempo.[24: 	Em cada ramo do Direito (Constitucional, Civil, Penal, do Trabalho, Processual, Administrativo, Tributário, Ambiental, etc...) há autores que são reconhecidos como grandes juristas. Em razão disso, suas obras são referências para o estudo das diversas disciplinas. 	Dessa forma, as ideias/opiniões/conceitos por eles defendidos são considerados pelos operadores do direito como base para o entendimento dessas disciplinas. Por isso, todo programa de curso contém uma indicação bibliográfica com os principais autores. 	]
- 	A Doutrina Jurídica é considerada uma importante FONTE DO DIREITO, em razão de sua importância/da qualidade/do reconhecimento do trabalho de grandes juristas.
- Conceito de Dogmática: é exposição intelectual e sistemática dos dogmas e/ou doutrinas.
- Dogmática jurídica: é parte da ciência jurídica que critica e classifica os princípios que constituíram a fonte do direito positivo de determinado país.
A dogmática jurídica é o método de observar, de analisar e de atuar perante o Direito segundo orientações por casos concretos ocorridos anteriormente.
O estudo desses casos anteriores, em geral, foram realizados por juristas (estudiosos do Direito) em diversos trabalhos (livros/obras publicadas/ pareceres, etc) ou por tribunais (jurisprudência).
A dogmática jurídica, uma vez que está baseada em estudos de casos concreto, indica ao operador do Direito possíveis soluções para determinado conflito semelhante a outro que já foi estudado/resolvido (pela doutrina ou pela jurisprudência dos tribunais).
Com isso, a dogmática jurídica orienta a ação para solução de problemas jurídicos. 
Por essa razão, nas petições os advogados (e o Ministério Público) usualmente indicam a posição da doutrina (citação de obras de importantes autores) e da jurisprudência (decisão de tribunais) sobre determinado tema/posição que estão defendendo.
Portanto, a dogmática jurídica (estudo/posição doutrinária ou jurisprudencial sobre determinado assunto/tema) é uma importante base (FONTE) para a solução de questões/controvérsias/problemas jurídicos.
6.4. 	Metodologia Zetética da Hermenêutica Jurídica.
- Zetética: é a metodologia investigativa, indagatória, voltada para a resolução de problemas teóricos.
- A palavra zetética possui sua origem no grego zetein que significa perquirir (indagar, efetuar investigação cuidadosa; inquirir de maneira minuciosa).
- A Teoria Zetética do Direito pode ser entendida como oposição à Teoria Dogmática do Direito (na qual determinados conceitos e fatos são simplesmente aceitos como dogmas). 
- Em oposição à dogmática, a zetética coloca o questionamento como posição fundamental. 
Ou seja, 
qualquer posição já adotada sobre determinado tema (paradigma) pode ser investigado e indagado; 
qualquer premissa tida como certa pela dogmática pode ser reavaliada, alterada e até desconstituída pelo ponto de vista zetético.
- Distinção entre as teorias dogmática e zetética:
enquanto a visão dogmática busca a formação de opiniões, a zetética procura se relacionar com a investigação e com a desconstrução de preconceitos (dissolução), por meio do questionamento, das opiniões já formadas.
- A teoria zetética extrapola as fontes usualmente reconhecidas do direito, tais como as leis, e a jurisprudência, utilizando fontes secundárias como a Sociologia, a História, a Geopolítica, etc.
Em razão disso, muitos consideram esta visão como mais ampla e completa do que as teorias tradicionais. 
- A teoria zetética do Direito tem como fundamento:
o questionamento de pressupostos, 
a dúvida, 
o processo de fundamentação, justificação e questionamento, promovendo a quebra de dogmas. 
A teoria zetética representa a dissolução das opiniões, a especulação explícita e infinita. Preocupa-se com o questionamento dos significados e as ideias preconcebidas.
Ou seja, a teoria zetética procura questionar o que está estabelecido e, a partir de fundamentação sólida, criar novas interpretações e soluções para os crescentes problemas que a sociedade enfrenta. 
7. 	A Ciência da Hermenêutica Jurídica e o seu Estatuto Teórico Contemporâneo.
7.1. 	As Teorias da Retórica. 
7.2. 	As Teorias da Tópica.
7.3. 	As Teorias da Lógica. 
7.4. 	As Teorias da Argumentação.
7.5. 	As Perspectivas da Racionalidade Jurídica Contemporânea: O Exemplo da Hermenêutica Constitucional
7.1. 	As Teorias da Retórica
- Retórica (do latim rhetorica, é uma palavra de origem grega rhêtorikê) que significa a arte/técnica de bem falar (provem do substantivo rhêtôr – que significa orador). Ou seja, é a arte de usar uma linguagem para comunicar de forma eficaz e persuasiva.
- Na Grécia antiga, o poder da persuasão, por meio da linguagem, foi muito valorizado.
A Retórica foi popularizada, na Grécia antiga, a partir do século V a. C., por mestres peripatéticos (professores itinerantes). Esses mestres ficaram conhecidos como "sofistas". Os mais conhecidos destes foram Protágoras (481-420 A.C.), Górgias (483-376 A.C.), e Isócrates (436-338 A.C.).[25: 	O mestres peripatéticos ensinavam de cidade em cidade. Eram chamados de sofistas.][26: 	Os sofistas eram muito criticados pelos filósofos gregos: Primeiro, porque os sofistas cobravam para ensinar (os filósofos não cobravam para ensinar aos seus discípulos e consideravam inconcebível a comercialização do saber). Segundo, porque os filósofos entendiam que os sofistas não buscavam a verdade (ao contrário dos filósofos), porque, segundo seu entendimento, os sofistas buscavam apenas convencer (sair vencedores em uma discussão, disputa judicial, etc...). 	Assim, comiseravam que os sofistas pertenciam a uma categoria bastante inferior aos filósofos (que amavam o saber – philo: amor, sofia: saber).	Em razão disso, surgiu o termo sofisma que quer dizer: argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa. Ou ainda, argumentação que aparenta verossimilhança ou veridicidade, mas que comete incorreções lógicas.]
Os sofistas se compunham de grupos de mestres que viajavam de cidade em cidade realizando aparições públicas (discursos, etc.) para atrair estudantes, de quem cobravam taxas para oferecer-lhes educação. O foco central de seus ensinamentos concentrava-se no “logos” ou discurso, com foco em estratégias de argumentação. Os mestres sofistas alegavam que podiam “melhorar” seus discípulos, ou, em outras palavras, que a “virtude” seria passível de ser ensinada.
Tísias (sofista grego), por exemplo, é tido como autor de diversas defesas jurídicas defendidas por outras personalidades gregas.[27: 	Tísias foi considerado, juntamente com Córax, o primeiro a ensinar, de modo profissional, a arte de falar em público. Eles não eram considerados filósofos, mas sofistas.]
- O grande filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) desenvolveu um tratado a retórica, que ainda é alvo de estudo cuidadoso. 
Aristóteles afirma que "a retórica é a contraparte da dialética". [28: 	Dialética é um método de diálogo cujo foco é a contraposição e contradição de ideias que levam a outras ideias e que tem sido um tema central na filosofia ocidental e oriental desde os tempos antigos. A tradução literal de dialética significa "caminho entre as ideias".	É a arte de, no diálogo, demonstrar uma tese por meio de uma argumentação capaz de definir e distinguir claramente os conceitos envolvidos na discussão. Também conhecida como a arte da palavra.Aristóteles considerava Zenão de Eleia (490-430 a.C.) o fundador da dialética. Outros consideraram Sócrates (469-399 a.C).Dialéticaé a oposição, o conflito originado pela contradição entre princípios teóricos ou fenômenos empíricos.]
Assim, enquanto os métodos dialéticos são necessários para encontrar a verdade em questões teóricas, métodos retóricos são necessários em assuntos práticos, tais como a defesa da culpa ou inocência de alguém, quando acusado perante a lei ou para decidir um curso de ação prudente a ser tomado por uma assembleia deliberativa. Meios de persuasão.
Segundo Aristóteles a persuasão "é uma espécie de demonstração, pois certamente ficamos completamente persuadidos quando consideramos que algo nos foi demonstrado". 
Aristóteles identificou três classes de meios de persuasão (apelos à audiência):
ethos, 
pathos e 
logos.
Ethos: é a forma como o orador convence o público de que está qualificado para falar sobre o assunto, como o seu caráter ou autoridade podem influenciar a audiência. 
Está ligado à credibilidade do orador (as credenciais pessoais, ao currículo, à fama).
Pathos: é o uso de apelos emocionais para alterar o julgamento do público. 
É realizado por meio de figuras de retórica, da analogia, da amplificação, da exemplificação, ao contar uma história ou apresentar o tema de uma forma que evoca fortes emoções na plateia.
Logos: é o uso da razão e do raciocínio lógico (indutivo ou dedutivo), para a construção de um argumento. 
Os apelos ao “logos” ocorrem com o uso da objetividade, estatística, matemática e da lógica para tirar conclusões.[29: Os argumentos logicamente inconsistentes ou enganadores são chamados de falácias.]
- Em Roma destaca-se a obra de Quintiliano (35 - 95) que compilou os aspectos técnicos da arte na obra Institutos de Oratória.[30: Marco Fábio Quintiliano foi um orador e professor de retórica de Roma.]
A partir do Império Romano, passou a haver uma distinção entre retórica e oratória. A retórica era composta de técnicas de contestação (persuasão) e a oratória visava à eloquência. 
- No Brasil, oratória ainda se refere a busca da beleza na fala (estilo), enquanto retórica é definida como a arte da persuasão.
7.2. 	As Teorias da Tópica.
- A tópica é uma parte da retórica conceituada por Theodor Viehweg como uma “técnica de pensar problemas”. [31: 	Theodor Viehweg (1907-1988) nasceu na Alemanha e estudou direito e filosofia. É considerado um dos principais nomes da Filosofia do Direito no século XX.	A tópica jurídica surge através da obra de Theodor Viehweg, sobretudo com a publicação de Topik und Jurisprudenz, em 1953. Resgatando ensino que remonta a Aristóteles, Viehweg defendeu que o pensamento jurídico é tópico, o que revolucionou a discussão acerca da metodologia do direito à época.Trata-se de uma contraposição ao formalismo jurídico, cujo exemplo mais conhecido é o positivismo legalista esboçado pela Escola da Exegese, na França. Entretanto, embora se oponha ao positivismo formalista, não debanda para o jusnaturalismo, nem rechaça radicalmente a sistemática, a metódica e a normatividade do direito.Conforme salienta Paulo Bonavides, “a tópica tem que ser compreendida portanto no quadro das consequências advindas da reação ao positivismo jurídico clássico e no clima de inteira descrença quanto a uma reestruturação jusnaturalista, como a que se intentou na Alemanha no fim da década de 40, após as feridas abertas na consciência do Ocidente pela tragédia da Segunda Grande Guerra Mundial” (BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 13. ed. São Paulo: Malheiros, 2003. p. 497).][32: 	O problema, para Vienhweg, é "toda questão que aparentemente permita mais de uma resposta e que requer necessariamente um entendimento preliminar, de acordo com o qual toma o aspecto de questão que se deve levar a sério e para a qual há que buscar uma resposta como solução”.]
Ou seja, é um estilo de pensamento, uma técnica de interpretação do direito cuja finalidade é indicar meios de como se agir diante de problemas, buscando sempre encontrar uma solução justa para qualquer caso.
A teoria tópica tem como foco de atenção o problema jurídico e não nas normas aplicáveis. [33: 	Os que defendem a teoria tópica destacam que o nazismo e o fascismo se desenvolveram respeitando as leis locais (da Alemanha e Itália). Dessa forma, entendem que o simples cumprimento das normas, por si só, não mais proporciona segurança; não desempenha o papel de garantir resultados jurídicos aceitáveis por uma determinada comunidade.Por exemplo, o Ministro do Supremo Tribunal Federal Luis Roberto Barroso defende que: “Sem embargo da resistência filosófica de outros movimentos influentes nas primeiras décadas do século XX, a decadência do positivismo é emblematicamente associada à derrota do fascismo na Itália e do nazismo na Alemanha. Esses movimentos políticos e militares ascenderam ao poder dentro do quadro de legalidade vigente e promoveram a barbárie em nome da lei. Os principais acusados de Nuremberg invocaram o cumprimento da lei e a obediência a ordens emanadas da autoridade competente. Ao fim da Segunda Guerra Mundial, a ideia de um ordenamento jurídico indiferente a valores éticos e da lei como uma estrutura meramente formal, uma embalagem para qualquer produto, já não tinha mais aceitação no pensamento esclarecido.” (BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e aplicação da constituição. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 351). ]
Na teoria tópica, o sistema de normas e os métodos clássicos de interpretação passam a ser considerados como pontos de vista ou "instrumentos auxiliares” que o intérprete examina para encontrar a solução mais justa.
Os diferentes pontos de vista são chamados de topos ou topoi. [34: Os topoi podem ser compreendidos como "esquemas de pensamento", "formas de raciocínio", "formas de argumentação", "pontos de vista" ou "lugares-comuns".Os topoi são extraídos de princípios gerais, decisões judiciais, crenças e opiniões comuns de juristas, tendo como função intervir, em caráter auxiliar, na discussão em torno de um problema concreto a ser resolvido.Na utilização de múltiplos topoi, tem-se a intenção de produzir uma decisão adequada ao caso concreto, através de um processo aberto de argumentação. A intenção da teoria é buscar a solução para o problema tendo como ponto de partida a compreensão prévia dos fatos e da norma. ]
Dessa forma, com diversos pontos de vista (e também normas), forma-se um “catálogo de topoi” – ou de argumentos/pontos vista/normas.
Utilizando-se dos diversos topoi (argumentos/pontos vista/normas) escolhe-se o mais adequado para dar a solução amis justa para o problema concreto.
Para afastar a insegurança jurídica, Viehweg destaca que devem ser escolhidos os argumentos universalmente aceitos (argumento jurídicos/normas aplicáveis ao caso) e realizar uma dedução lógica para se chegar a uma conclusão para a solução do problema jurídico. 
- Entre os estudiosos do direito há os que defendem e os que combatem a teoria da tópica.
Os que defendem destacam que a teoria é benéfica quando há pontos duvidosos ou não abordados nas leis e essa teoria contribui para a solução adequada. Por exemplo o casamento e adoção por casal do mesmo sexo.
Os que combatem afirmam que a excessiva liberdade de escolha de argumentos/normas e a utilização generalizada dessa teoria pode desestruturar a ordem jurídica, por desrespeitar a hierarquia das normas e colocar em risco o Estado Democrático de Direito.
A crítica à teoria tópica, ou ao método tópico-problemático, aponta para a ausência de uma investigação lógica, científica e sistemática, bem como na possibilidade de ensejar a total discricionariedade na aplicação do direito.[35: 	Discricionariedade é a opção, a livre escolha entre duas ou mais alternativas válidas perante o direito. Ou seja é a liberdade de atuação com base na lei/Constituição, mas de a com a conveniência e oportunidade.]
7.3. 	As Teorias da Lógica. 
- Conforme já enfocamos no item 4.1, a Lógica é parte da Filosofia que trata das formas do pensamento em geral.
- A Lógica examina as formasque a argumentação pode tomar e procura identificar o que é válido e o que não é válido na argumentação.
- Ou seja, pela lógica é possível analisar o que é verdadeiro na argumentação e o que é falso. 
- Isso é fundamental, seja para interpretar (fala ou escrita) ou para defender uma posição em um debate/tribunal/tese.
- O primeiro trabalho relevante sobre a lógica foi sistematizado por Aristóteles. Aristóteles fez o primeiro estudo formal do raciocínio.
A lógica estuda e sistematiza a argumentação válida. A lógica tornou-se uma disciplina praticamente autônoma em relação à filosofia, graças ao seu elevado grau de precisão e tecnicismo. 
A lógica elementar é usada como instrumento pela filosofia, para garantir a validade da argumentação.
Com base na lógica, é possível determinar o que é verdadeiro ou não em determinado argumento.
 Ou seja, é com base na lógica que podemos avaliar se uma proposição válida ou inválida, no interior de um argumento.
Assim, por meio da lógica é possível determinar a validade das operações intelectuais (sejam elas verbais ou escritas).
- A lógica utiliza métodos para analisar o pensamento e argumentação (tais como dedução, indução, hipótese, inferência, falácia, sofisma etc.).[36: 	 O termo dedução se refere à demonstração lógica de uma determinada afirmação a partir de suposições já estabelecidas. O procedimento dedutivo parte de uma afirmação geral para chegar a uma afirmação particular. É de grande importância no desenvolvimento da ciência, uma vez que constitui um dos fundamentos do método científico.	O filósofo grego Aristóteles foi o primeiro em abordar a dedução como método.][37: 	 Indução ou raciocínio indutivo é a demonstração lógica de determinada afirmação a partir da observação e casos particulares que podem ser generalizados até a criação de uma regra geral. Assim, na indução, a partir de casos particulares se observa certa regularidade e essa lógica permite extrair uma conclusão geral. Em outras palavras, observam-se fatos concretos de maneira detalhada e, posteriormente, propõe-se uma lei que explica a regularidade desses acontecimentos. O método indutivo é um método científico, desenvolvido a parit das contribuição do filósofo Francis Bacon (século XVII). ][38: 	 A hipótese significa uma suposição no que se diz respeito ao comportamento de algum evento, fato ou objeto.	O método científico consiste justamente na elaboração de uma hipótese que deve ser comprovada por uma pesquisa (através de uma experimentação). Uma hipótese aceita dentro do campo científico é aquela que foi formulada, testada pela experimentação e estas condições podem ser reproduzidas por outras pessoas.][39: 	Inferência é a operação intelectual por meio da qual a verdade de uma proposição pode ser afirmada em decorrência de sua ligação com outras já reconhecidas como verdadeiras. Inferência também é operação que consiste em efetuar generalizações tomando por base amostras estatísticas. ][40: 	Falácia (do verbo latino fallere, que significa enganar) é um raciocínio errado com aparência de verdadeiro. De acordo com a lógica e a retórica, uma falácia é um argumento logicamente incoerente, sem fundamento, inválido ou falho na tentativa de provar eficazmente o que alega. Muitas vezes, argumentos falsos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público, porque contém falácias.Reconhecer as falácias é por vezes difícil. Os argumentos falaciosos podem ter validade emocional, íntima, psicológica, mas não validade lógica. É importante conhecer os tipos de falácia para evitar armadilhas lógicas e para analisar a argumentação de terceiros.Há diversas categorias de falácias, por exemplo: ambiguidade, preconceito, inversão de causa e efeito, omissão de determinada causa (ou fato) ou supervalorizar determinada causa omitindo outras mais importantes (omissão de causas complexas), distorção de fatos (omissão de dados), etc... ][41: 	Sofisma é argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa. 	Ou seja, é qualquer argumentação capciosa, concebida com a intenção de induzir em erro, o que supõe má-fé por parte daquele que a apresenta]
- A Lógica Jurídica é ligada à ideia que fazemos do Direito, e se adapta a ela. 
Por essa razão, uma reflexão sobre a evolução do Direito depende do exame das técnicas de raciocínio (Lógica Jurídica).
- O Direito depende tanto da interpretação quanto da argumentação. Ou seja, o operador do Direito precisa saber interpretar (fala e escrita) e argumentar para poder justificar a posição que defende.
Dessa forma, a Hermenêutica Jurídica permite aos profissionais do Direito utilizar corretamente suas argumentações para:
Denunciar;
Defender;
Recorrer; e
Sentenciar.
7.4. 	As Teorias da Argumentação.
- A Teoria da Argumentação é o estudo interdisciplinar de como conclusões podem ser alcançadas através do raciocínio lógico.
- A teoria da argumentação surge no mundo jurídico, muito ligada à teoria do discurso, com o objetivo de questionar e expor, que a fundamentação racional do discurso é válida e possível.
- Evoluiu no século XX, sendo que deve ser destaca a participação dos seguintes autores: Alexy, Wittgenstein, Frege, Austin, Hare, Perelman, Apel e Habermas.
- O desenvolvimento de uma teoria da argumentação jurídica se realizou através da contribuição de várias teorias do discurso prático que já haviam sido formuladas. 
Dentre elas, podem ser citadas a ética analítica, a racionalidade e a razoabilidade, além das regras da retórica. 
Ou seja, é uma teoria fragmentária (colhe fragmentos –ou partes - de várias teorias ou correntes).
 
7.5. 	As Perspectivas da Racionalidade Jurídica Contemporânea: O Exemplo da Hermenêutica Constitucional
- A argumentação faz parte do mundo jurídico, que é feito de linguagem, com o uso da racionalidade buscando o convencimento (do juiz, dos jurados, do tribunal, etc...).
- Argumentação é a atividade de fornecer razões para: 
a defesa de um ponto de vista, ou 
o exercício de justificação de determinada tese ou conclusão. 
A argumentação é um processo racional e discursivo de demonstração da correção e da justiça da solução proposta.
Anexo
Os princípios e métodos da Moderna Hermenêutica Constitucional 
Rodrigo Eustáquio Ferreira[42: 	Disponível em: https://jus.com.br/artigos/18341/os-principios-e-metodos-da-moderna-hermeneutica-constitucional-mhc/2# ]
1 Introdução: Da Tradicional à Moderna Hermenêutica Constitucional
Escrever sobre métodos de interpretação e hermenêutica é caminhar por um terreno pleno de incertezas e discussões. Uma análise de cada um dos métodos e correntes hermenêuticas renderia ensejo a um trabalho isolado, razão pela qual não se fará um estudo aprofundado do assunto. O que se objetiva aqui é tão somente demonstrar, brevemente, a evolução pela qual vem passando a hermenêutica constitucional e os mais importantes métodos e princípios que vêm sendo utilizados na moderna hermenêutica constitucional.
Tradicionalmente, não só no ramo da hermenêutica constitucional, como em todos os demais ramos do direito, fez-se uso dos métodos da hermenêutica tradicional, quais sejam o gramatical (filológico), o histórico, o sociológico, o sistemático e o teleológico. A aplicação isolada de tais métodos, contudo, já sofria duras críticas desde a época de seu cultor. Alertava Savigny que tais métodos não eram excludentes, devendo ser aplicados de forma integrada para que se pudesse encontrar o verdadeiro sentido das normas constitucionais.
De toda forma, a aplicação do método hermenêutico-clássico, propugnado por Savigny, e que sofreu forte influência da ideologia liberal da separação absoluta dos poderes (onde o juiz exercia o papel de boca da lei), não foi abandonada por completo, sendo ainda utilizada nos dias atuais. Ocorre que os adeptosdesse método acreditam que a norma possui um sentido inerente, seja ele desejado pelo legislador (mens legislatoris) ou emanado do próprio texto, enquanto objeto de interpretação (mens legis) que pode ser alcançado, revelado pelo intérprete. Afirmam, assim, que o aplicador do direito é capaz, por meio da utilização dos métodos clássicos, de descobrir o verdadeiro significado das normas. Essa pretensão de encontrar o real significado da norma, que obstaculiza a evolução do direito e desconsidera a dinâmica normativa da Constituição e das leis, demonstrou a insuficiência do método hermenêutico clássico e contribuiu para o surgimento de novas teorias da interpretação constitucional, muitas delas baseadas na ideia de concretização, contrária ao padrão hermenêutico clássico.
Importante é relembrar, também, que já se encontra absolutamente superado o velho brocardo in claris cessat interpretatio, que, conforme nos lembra Carlos Maximiliano (2008, p. 27), era disposição especial encontrada no Digesto, relativa tão somente aos testamentos, que foi indevidamente generalizada ao longo dos séculos. Disso decorre que todo texto, e especialmente a Constituição, merece ser interpretado, ainda que, à primeira vista, se mostre claro. É lembrar a lição de Maximiliano (2008, p. 31):
Demais, se às vezes à primeira vista se acha translúcido um dispositivo, é pura impressão contingente, sem base sólida. Basta recordar que o texto da regra geral quase nunca deixa de pressentir a existência de exceções; logo, o alcance de um artigo de lei se avalia confrontando-o com outros, isto é, com aplicar o processo sistemático de interpretação. 
Essa lição, ainda lastreada no método jurídico ou hermenêutico-clássico, já demonstra a importância de se considerar o conjunto da lei (ou, no caso, da Constituição), ao invés de desenvolverem-se interpretações com base em dispositivos isolados do texto. Como se verá adiante, essa é a ideia condutora de alguns dos princípios da moderna hermenêutica Constitucional.
Retornando ao tema da evolução da hermenêutica constitucional, tem-se que o movimento da modernidade, conforme relata Rodolfo Viana Pereira (2007, p. 84), também teve seus reflexos no constitucionalismo. Aquela nova experiência de vida, fundada no racionalismo que se opunha ao Antigo Regime, provocou uma elevação da Constituição a verdadeiro "objeto de libertação geral da humanidade" (PEREIRA, 2007, p. 89), cujo conteúdo era a declaração de direitos e garantias e a limitação do poder político. Em face destas peculiaridades do texto constitucional, não demorou a aflorar o princípio da supremacia da constituição e os mecanismos de controle de constitucionalidade, e a surgirem discussões sobre as diferenças entre os métodos de interpretação da Constituição e da legislação infraconstitucional.
Com relação a este último ponto, três correntes doutrinárias surgiram, buscando estabelecer o status epistemológico da Hermenêutica Constitucional frente à Hermenêutica Clássica: 1) a tese da diferença intrínseca, que pregava serem aquelas duas disciplinas autônomas, de modo que a Hermenêutica Constitucional enfrentava problemas específicos de interpretação, pelas peculiaridades do texto constitucional; 2) a tese da igualdade total, que afirmava inexistir diferença entre a interpretação da Constituição e a das demais leis ordinárias, pois os problemas de interpretação em um ou outro caso eram jurídicos; e 3) a tese da igualdade com particularidades, que defende a existência de uma única disciplina Hermenêutica, geral, mas que abarca como espécie a Hermenêutica Constitucional, esta apta ao estudo de princípios interpretativos próprios para a compreensão do texto constitucional e suas peculiaridades.
Tais peculiaridades da norma constitucional foram enumeradas por Luís Roberto Barroso como sendo 1) sua superioridade hierárquica, confirmada pelos mecanismos de controle de constitucionalidade; 2) a natureza de sua linguagem, que é mais principiológica e abstrata; 3) o seu conteúdo específico, que abarca normas programáticas, além de simples normas de conduta; 4) o seu caráter político, já que representam a juridicização dos valores políticos essenciais da sociedade.
Uma pequena observação se faz necessária quanto a uma das peculiaridades enumeradas acima, que diz conter a Constituição normas de cunho programático. É que, na atualidade, encontra-se sem força a tese de que a Constituição se dividiria em normas autoaplicáveis e não autoaplicáveis. Reconhece-se eficácia a todas as normas constitucionais, ainda que tão somente a eficácia negativa. Esse assunto será mais bem abordado adiante.
Apesar das críticas que são direcionadas tanto à teoria da Interpretação Tradicional quanto às teorias da Moderna Interpretação Constitucional, no sentido de que nenhum esforço hermenêutico será capaz de chegar a uma "verdade absoluta" sobre o conteúdo das normas, fato é que a tese da igualdade com particularidades, capitaneada por Konrad Hesse, vem ganhando cada vez mais força e adeptos, inclusive no Brasil, de forma que seus princípios são sempre relembrados pela doutrina e jurisprudência pátrias que tratam de temas constitucionais. É justamente nesta corrente que se deitam as raízes do que muitos chamam de moderna hermenêutica constitucional, sobre os quais se discorrerá a seguir.
2 Os princípios da Moderna Hermenêutica Constitucional
Os princípios de interpretação constitucional defendidos pela corrente que vê a Hermenêutica Constitucional como espécie da Hermenêutica Geral, originalmente expostos por Hesse e sobre os quais discorrem, dentre outros, Alexandre de Moraes, J. J. Gomes Canotilho e Inocêncio Mártires Coelho, são: 1) a Unidade da Constituição; 2) a Concordância prática (ou Harmonização); 3) a Exatidão Funcional (ou Justeza, ou Correção Funcional, ou Conformidade Funcional); 4) o Efeito Integrador (ou Eficácia Integradora); 5) a Força Normativa da Constituição; 6) a Máxima Efetividade e 7) a Interpretação Conforme.
Cabe tecer breves considerações sobre cada um destes princípios, lembrando sempre que a aplicação dos mesmos não deve, jamais, ser feita de forma isolada, pois eles se completam, permitindo que o intérprete tenha uma melhor compreensão do texto constitucional.
2.1 O princípio da Unidade da Constituição
Este é talvez o mais relevante dos princípios da moderna hermenêutica constitucional. Isso porque esse princípio decorre diretamente do postulado do legislador racional, que proclama que a obra do legislador – e, portanto, do legislador constituinte – é uma obra perfeita, coerente, sem lacunas. Esse postulado – e porque não dizer ficção, já que os legisladores são homens, e, portanto, falíveis – cria a figura de um legislador ideal: singular, justo, consciente, coerente, preciso e operativo. Sua obra, assim como ele, não comporta lacunas, contradições ou redundâncias, e é capaz de, ela mesma, oferecer soluções para os problemas decorrentes de sua interpretação, soluções aquelas advindas do interior do próprio sistema.
Assim, a Constituição é capaz de estender seus preceitos a todas as relações sociais, regulando-as de forma coerente (já que não há conflitos reais em suas normas). Da mesma forma, não há normas sobrando na Constituição, devendo o intérprete delimitar o âmbito de incidência de cada uma, harmonizando-as, ao invés de desconsiderar qualquer uma delas.
O que se expôs acima é exatamente o conteúdo do princípio da unidade da constituição. Esse princípio predica que a Lei Magna deve ser interpretada como um todo interconectado, preservando-se os valores e decisões fundamentais nela expressos. Dentre estes valores pode-se apontar, principalmente, aqueles elencados nos seus artigos 1º a 4º, que enunciam os fundamentos e os objetivos da República, no âmbito interno, bem como os princípios norteadores de sua atuação no âmbito internacional.
Não permite este princípio, por exemplo, que se faça uma interpretação do Capítulo constitucional relativo ao Sistema Tributário Nacional de forma desvinculada dos Títulos relativosaos princípios fundamentais, aos direitos e garantias fundamentais ou à ordem econômica e financeira ou social, por exemplo. Todas as normas contidas nesses Títulos têm a mesma importância e se completam para revelar ao intérprete o que pretenderam os representantes do povo, reunidos em Assembleia Constituinte, ao fundarem a República Federativa do Brasil. Reafirma-se, assim, a lição do jusfilósofo alemão Rudolf Stammler, que, há décadas, já afirmava que quem aplica um artigo do Código, aplica o Código todo.
2.2 O princípio da Concordância Prática (Harmonização)
Nas palavras de Alexandre de Moraes (2009), esse princípio exige "a coordenação e combinação dos bens jurídicos em conflito de forma a evitar o sacrifício total de uns em relação aos outros".
Como se vê, a aplicação deste princípio pressupõe um conflito entre bens protegidos pela Constituição, de modo que, por terem todos a mesma dignidade constitucional (decorrente da unidade da Constituição), devem receber o mesmo grau de proteção, sem que um aniquile ou prevaleça sobre os demais.
Contudo, como nos lembra o professor Inocêncio Mártires Coelho, deve-se alertar a conciliação proposta por este princípio é puramente formal ou principiológica, pois numa demanda real um só dos contendores terá acolhida, total ou parcial, de seu pedido. Se, por exemplo, estiver em jogo, de um lado, o direito da Fazenda cobrar uma determinada exação de imediato, por uma situação de necessidade, e de outro o direito do contribuinte ser tributado conforme sua capacidade contributiva, ausente naquele momento, e o juiz considerar indevida a tributação naquela circunstância, a Fazenda sucumbirá em sua pretensão, naquele caso concreto. Porém, o direito da Fazenda de tributar não restará aniquilado, haja vista que ela poderá exercê-lo normalmente numa outra ocasião, ou na mesma ocasião, em face de contribuintes diversos que demonstrem possuir capacidade contributiva. Em suma, o direito afastado no caso concreto continuará encontrando proteção no texto constitucional.
2.3 O princípio da Exatidão Funcional (Justeza/Conformidade Funcional)
Esse princípio determina que a interpretação da Constituição não pode ser feita de modo a subverter, alterar ou mesmo perturbar o esquema de organização e repartição das funções/competências entre os poderes constituídos. Decorre diretamente do princípio da unidade da Constituição (pois as normas da Constituição se interligam para indicar ao intérprete qual a função/competência de cada ente/instituição/poder) e do próprio princípio da separação dos poderes, enunciado no artigo 2º da Carta Magna.
Embora não seja de aplicação obrigatória (como, aliás, nenhum dos outros princípios interpretativos o é, por não possuírem força normativa), a observância deste princípio demonstra, por parte dos agentes políticos, nítido respeito às decisões políticas tomadas pela Assembleia Constituinte, em nome do povo, e sacramentadas na Constituição. A observância deste princípio preserva, em suma, a própria Constituição, a República e o Estado Democrático de Direito.
No campo tributário, adquire tal princípio especial relevância, pois não é raro observarmos o Legislativo, com suas emendas, o Executivo, com seus decretos e o Judiciário com suas súmulas tentando subverter a organização tributária posta pelo constituinte originário no texto constitucional, como que chamando para si o papel de intérprete oficial da Carta Magna. Ao assim procederem, tais poderes também extrapolam as funções que lhe foram atribuídas, pois é comum o Legislativo se atribuir o papel de constituinte; o Executivo se atribuir o papel de legislador; e o Judiciário assumir ambos os papéis, numa Babel de funções que só será eliminada quando cada um dos poderes reconhecer que a decisão fundamental popular não pode, sob justificativa alguma e em nenhuma circunstância, ser desrespeitada ou amesquinhada.
2.4 O princípio do Efeito Integrador (Eficácia Integradora)
Enuncia este princípio que toda interpretação constitucional deve procurar solucionar os problemas jurídico-constitucionais com base em critérios que favoreçam a integração social e a unidade política, pois o sistema jurídico só se torna viável num Estado em que prevaleça a coesão sociopolítica, e a Constituição busca justamente promover essa coesão.
Mais uma vez buscam-se subsídios na lição do professor Inocêncio Mártires Coelho (2010, p. 178) que, ancorado na doutrina de Konrad Hesse, pondera:
Em que pese a indispensabilidade dessa integração para a normalidade constitucional, nem por isso é dado aos intérpretes/aplicadores da Constituição subverter-lhe a letra e o espírito para alcançar, a qualquer custo, esse objetivo, até porque, à partida, a Lei Fundamental se mostra submissa a outros valores, desde logo reputados superiores – como a dignidade humana, a democracia e o pluralismo, por exemplo –, que precedem a sua elaboração, nela se incorporam e, afinal, seguem dirigindo a sua realização.
Trazendo a aplicação do princípio para o campo tributário, pode-se dizer que a interpretação constitucional da repartição das competências tributárias deve ser feita de forma cautelosa e restritiva, respeitando-se a decisão tomada pelo constituinte originário ao distribuir o poder de tributar entre os entes federados, evitando-se interpretações que favoreçam disputas arrecadatórias e ameacem a harmonia sociopolítica que deve existir num Estado Federado. Da mesma forma, devem ser priorizadas interpretações que tornem efetivos (ou no mínimo possíveis) os objetivos elencados no artigo 3º da Constituição, e que permitam garantir, através da arrecadação e distribuição dos tributos, o desenvolvimento nacional, a construção de uma sociedade justa, a promoção do bem coletivo, a (sic) erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais e regionais. Só então se poderá falar, com um mínimo de coerência e substância, em integração social e unidade política de nosso país.
2.5 O princípio da Força Normativa da Constituição
Este princípio, embora estudado, por parte da doutrina, separadamente do princípio da máxima efetividade, com este se encontra intimamente ligado. Ambos têm seu fundamento na ideia de que as normas constitucionais, como qualquer outra espécie de norma jurídica, precisam de um mínimo de eficácia, sob pena de não adquirirem vigência.
Importante ressaltar, aqui, que cada vez mais perde força a corrente que, tendo por base a doutrina americana, dividia as normas constitucionais, quanto à aplicabilidade, em normas autoaplicáveis (dotadas de plena eficácia jurídica) e normas não autoaplicáveis, cuja aplicabilidade dependeria de regulamentação por lei ordinária.
Na atualidade, a doutrina, capitaneada por José Afonso da Silva, e a jurisprudência majoritárias entendem que todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia, ainda que de eficácia negativa, que impede o Poder Público de dispor contrariamente ao que elas enunciam, sob pena de inconstitucionalidade. Com isso, resta cada vez menos espaço para a tese que sustenta que as normas ditas programáticas não são de observância obrigatória enquanto não houver a atuação do legislador infraconstitucional. É nesse sentido que deve ser entendida a afirmação de Gomes Canotilho [01], ao dizer que "... marcando uma decidida ruptura em relação à doutrina clássica, pode e deve falar-se da morte das normas constitucionais programáticas.".
No campo tributário, inegável a importância desse princípio hermenêutico, principalmente no que diz respeito à interpretação do chamado "Estatuto do Contribuinte" e das limitações constitucionais do poder de tributar. Muito embora estas sejam consideradas garantias individuais e, portanto, tenham aplicação imediata por expresso mandamento constitucional (art. 5º, § 1º da Carta Magna), a aplicação desse princípio espanca qualquer discussão a respeito.
2.6 O princípio da Máxima Efetividade da Constituição
Como restou explicitado acima, esse princípio está diretamente interligado ao princípio da força normativa. Isso porque buscarefetividade nas normas constitucionais pressupõe admiti-las como sendo dotadas de força normativa (como, aliás, todas as normas jurídicas). Esse princípio funcionaria, assim, como um "potencializador" do anterior. Uma vez reconhecido que as normas constitucionais são dotadas de normatividade (ainda que mínima), cumpre ao intérprete expandir e densificar ao máximo essa normatividade, especialmente se a norma interpretada disser respeito a direitos e garantias fundamentais.
Num caso concreto, contudo, a potencialização de uma garantia do contribuinte pode acarretar, na mesma medida, na constrição de um direito da Fazenda, por exemplo. Ocorre que, como a Constituição foi erigida, principalmente, como instrumento orientador e limitador da atuação do Estado (tanto que o poder pertence ao povo – artigo 1º, parágrafo único da Lei Maior) e de promoção dos indivíduos (v.g. artigos 1º a 4º da Constituição, que enunciam os fundamentos e objetivos da República, e que em sua quase integralidade estabelecem normas que favorecem as pessoas naturais), inegável que interpretação constitucional deve sempre priorizar os cidadãos (e o contribuinte). Afinal, interpretações constitucionais que desconsideram direitos e garantias individuais sob a justificativa do "interesse público" nada mais fazem que lesar o próprio interesse público, já que este, em sua essência, nada mais é do que o conjunto dos interesses que os indivíduos têm quando considerados na qualidade de membros da sociedade.
Afinal, o Judiciário ainda é tido como a última esperança de milhares de cidadãos que vêem seus direitos constitucionais serem lesados diariamente, não raro pelo próprio legislativo que deveria agir, ao menos em teoria, em nome destes mesmos cidadãos. Mas seria alguém capaz de negar que, na atualidade, especialmente quando são discutidos assuntos técnicos e complexos (como boa parte dos assuntos tributários), a "maioria parlamentar" que aprova as leis é, na verdade, uma minoria intelectual com forte influência e poder políticos, capaz de persuadir os demais parlamentares leigos? Esse fenômeno foi percebido por Donald P. Kommers [02], quando afirmou que "a democracia não é mais representativa, pois a maioria parlamentar pode legislar de forma tão arbitrária quanto a minoria. Ela se tornou uma democracia constitucional, na qual a atuação das cortes constitucionais é de suma relevância para garantir as minorias" (KOMMERS apud BALEEIRO, 2005, p. 37). Na mesma linha, Ronald Dworkin [03] leciona:
A teoria constitucional na qual nosso governo se apoia não é uma simples teoria majoritária. A Constituição e, particularmente, os direitos fundamentais são feitos para proteger cidadãos individuais e grupos contra certas decisões que a maioria dos cidadãos pode querer tomar, mesmo quando essa maioria age em nome daquilo que é considerado o geral ou o interesse comum (DWORKIN apud BALEEIRO, 2005, p. 37).
2.7 O princípio da Interpretação Conforme a Constituição
Mais do que um princípio, cuida-se aqui, nas palavras de Inocêncio Mártires Coelho (2010, p. 179-180), de "instrumento situado no âmbito do controle de constitucionalidade e não apenas uma simples regra de interpretação", e "uma diretriz de prudência política ou, se quisermos, de política constitucional".
Esse princípio/instrumento deve ser utilizado quando uma norma apresentar um "espaço de decisão", comportando diversas interpretações, umas compatíveis com a Constituição e outras não. Frente a esta situação, o intérprete deve escolher o sentido da norma que melhor se compatibilize com o padrão constitucional, com seus princípios e objetivos e com os direitos e garantias fundamentais.
De toda forma, esse princípio/instrumento hermenêutico não deve ser utilizado a fim de gerar interpretação contrária a texto expresso de lei, ou quando da norma não puder ser extraída nenhuma interpretação em conformidade com a Constituição. Isso significaria permitir que o Judiciário atuasse como legislador positivo, o que é vedado, como visto, por outro princípio hermenêutico, qual seja, o da Exatidão Funcional, que deve ser aplicado simultaneamente ao da Interpretação Conforme.
Esse princípio tem ampla aplicabilidade em inúmeras situações que envolvem matéria tributária, especialmente quando o intérprete e o legislador, desavisados, buscam dar a lei interpretação que não se compadece com a Constituição. Algumas dessas situações serão analisadas ao longo desse trabalho, logo após a exposição dos principais métodos de interpretação apresentados pela moderna hermenêutica constitucional.
3.Os métodos da Moderna Hermenêutica Constitucional
Os principais métodos de interpretação constitucional defendidos pela Moderna Hermenêutica são: 1) Método Tópico-Problemático; 2) Método Hermenêutico-Concretizador; 3) Método Científico-Estrutural e 4) Método Normativo-Estruturante.
Refletindo sobre eles, relembra o professor Inocêncio Coelho (2010, pp. 159-160) que embora disponham de nomes próprios, em rigor não constituem abordagens hermenêuticas autônomas, mas simples concretizações ou especificações, no âmbito do direito constitucional, do método da compreensão como ato gnosiológico comum a todas as ciências do espírito.
3.1 O método Tópico-Problemático
O método tópico-problemático de interpretação constitucional tem por pressupostos: 1) que a Constituição é um sistema aberto de normas, o que significa dizer que cada uma das normas constitucionais admite interpretações distintas, que podem variar no tempo; 2) que um problema é uma questão que admite, também, respostas distintas; 3) que a tópica é uma técnica de pensar a partir do problema.
Inegável, para os defensores desse método, que a hermenêutica clássica (que busca a verdade inerente ao texto da lei – mens legis ou mens legislatoris) não é capaz de lidar com essa nova visão da Constituição, como dotada de estruturas abertas, que exigem soluções direcionadas a problemas específicos.
Esse método, segundo Hesse, citado por Misabel Derzi (2005, p. 30), requer do intérprete, pois, uma atividade de concretização, ou de "reconstrução do Direito aplicável ao caso, à luz do padrão constitucional e através de um procedimento argumentativo e racionalmente controlável" (PEREIRA, 2007, p. 164).
O intérprete deve, primeiramente, analisar o problema e extrair deste os pontos-chave (seus principais aspectos). Com base nestes aspectos, deve buscar a norma aplicável, e ver qual (ou quais) das interpretações possíveis, extraídas do programa normativo abarcado por aquela, melhor se adequam ao problema. Deve fazer isso de forma justificada, demonstrando que o referido programa-normativo da norma [04] a ser concretizada contém a valoração e a ordenação de elementos aptos a solucionarem o problema.
Como observa o professor Inocêncio Mártires Coelho (2010, p. 162), diante das premissas levantadas pelos aplicadores deste método, a Constituição mostra-se, aqui, enquanto objeto hermenêutico, muito mais problemática que sistemática, o que significa dizer que ela abre espaço para dialogar com a comunidade hermenêutica. Em outras palavras, são considerados válidos quaisquer argumentos racionais postos em confronto com as normas constitucionais, de modo que a tese interpretativa final será aquela composta pelo melhor argumento.
Como a comunidade hermenêutica que dialogará com o texto constitucional não deve ser formada apenas pelas instâncias oficiais da interpretação (poderes constituídos), mas por toda a sociedade que vive a norma (a chamada "sociedade aberta dos intérpretes da Constituição", propugnada por Peter Häberle) esse método de interpretação representa uma forma de resguardar e legitimar a Constituição, pois o resultado da interpretação, que decorrerá de um debate aberto e abrangente, será certamente mais facilmente acatado pela comunidade, pois a esta terá sido dada a oportunidade de participar da formação da interpretação definitiva.
Oxalá este método ganhasse força na interpretação das normas constitucionais tributárias, que tanto dizem respeito à vida da comunidade,mas onde essa é não raro esquecida ou ignorada, especialmente quando estão em jogo garantias do contribuinte.
3.2 O método Hermenêutico-Concretizador
Esse método se assemelha ao tópico-problemático no ponto em que também considera que o intérprete deve exercer uma atividade concretizadora ("reconstruir" o Direito no caso prático, a partir de um procedimento argumentativo e racional, ao invés de procurar um sentido "inerente" à norma). Porém, como observa Inocêncio Mártires Coelho (2010, p. 163) 
diferencia-se daquele, por partir do pressuposto de que a leitura de qualquer texto normativo, inclusive do texto constitucional, começa pela pré-compreensão do intérprete/aplicador, a quem compete concretizar a norma a partir de uma dada situação histórica, que outra coisa não é senão o ambiente em que o problema é posto a seu exame, para que ele o resolva à luz da Constituição e não segundo critérios pessoais de justiça. (grifos no original)
Incorpora-se aqui o conceito de círculo-hermenêutico, resultante desse movimento de ir-e-vir ocorrido no diálogo entre o intérprete e a norma. Esse conceito teve suas origens na Antiguidade e foi propagado pela filosofia de Schleiermacher. A ideia básica aqui é a de que a totalidade de uma lei, ou Código, ou a Constituição, só pode ser compreendida a partir da compreensão de suas partes (artigos, títulos). Da mesma forma, as partes também só podem ser compreendidas se houver a compreensão do todo, uma vez que a parte entendida fora do contexto do conjunto textual leva a uma interpretação equivocada. Essas ideias traduzem o que José Afonso da Silva (2007, p. 17) denomina "contexto intratexto", ou contexto no interior do objeto a interpretar (no caso, o contexto constitucional).
Assim, o intérprete dialoga constantemente com o texto da Constituição, fazendo com que seus pré-conceitos venham a auxiliar na construção do sentido da norma. A própria norma, por sua vez, também atua sobre a compreensão do intérprete, fazendo-o modificar seus preconceitos, na medida em que revela novas possibilidades significativas por aquele não avistadas inicialmente.
Resulta disso que o resultado do diálogo intérprete/texto é uma interpretação cada vez mais densa, adequada, coerente, pois que construída após uma refletida análise do todo e das partes textuais, agregados ao entendimento do intérprete. Por isso, alguns autores entendem que o círculo hermenêutico seria, na verdade, uma espiral hermenêutica, que caminha sempre "adiante", permitindo a evolução da compreensão.
O professor Inocêncio Mártires Coelho (2010, p. 163) menciona que seria difícil para este método produzir resultados "razoavelmente consistentes [...], porque a pré-compreensão do intérprete, enquanto tal, distorce desde logo não somente a realidade, que ele deve captar através da norma, mas também o próprio sentido da norma constitucional [...]".
A estas considerações, cumpre opor as ponderações de Joel Weinsheimer, citado por Rodolfo Viana Pereira (2007, p. 39-40), que afirma que o juiz, ao interpretar, não pode fixar seu entendimento fora da lei (no caso, a Constituição), porque ele também se sujeita a ela, em sua vida privada e em seus julgamentos.
Assim, tal qual acontece na chamada discricionariedade administrativa, o juiz, ainda que trazendo seus preconceitos para o processo interpretativo, deverá extrair, ao final, uma interpretação que possa ser enquadrada nos limites impostos pela própria Constituição, sem afrontar seus princípios, fundamentos e objetivos.
3.3 O método Científico-Espiritual
Para os adeptos deste método, capitaneado por Rudolf Smend, a Constituição deve ser vista como um instrumento de integração em sentido jurídico-formal, político e sociológico.
O direito constitucional, por sua vez, é visto como a positivação da realidade espiritual da sociedade. Como essa realidade espiritual é dinâmica e se renova continuamente, também assim deve ser vista a Constituição que, ao fim, é instrumento de regulação daquela realidade. Constituição, Estado e Direito são fenômenos culturais que dependem de integração recíproca para se verem realizados na prática.
Por estas razões, a própria natureza das normas constitucionais exige que sua interpretação seja flexível, aberta, extensiva, independentemente de qualquer ordenação expressa nesse sentido. O intérprete deve buscar os valores intrínsecos à norma constitucional (seu conteúdo axiológico), tendo sempre em consideração que aquelas normas foram cunhadas para servirem de instrumento de regulação de conflitos e de construção e preservação da unidade social. Cada órgão da soberania estatal deve ser analisado não apenas de acordo com a teoria da repartição dos poderes, mas segundo sua participação no sistema integrativo em que se constitui o Estado.
Eventuais excessos do esforço integracionista podem (e devem) ser evitados, como nos lembra Inocêncio Mártires Coelho (2010, p. 166), reafirmando-se a dignidade humana como premissa antropológica do Estado de Direito e valor fundante da experiência ética. A este valor, acrescente-se, como o faz José Afonso da Silva (2007, p. 16) os demais princípios e objetivos elencados nos artigos 1º e 3º da Lei Maior, que formam a concepção básica da Constituição.
3.4 O método Normativo-Estruturante
A premissa básica deste método é a de que existe uma vinculação estreita entre o programa normativo e o âmbito normativo, ou seja, entre o comando do texto e os fatos que ele pretende regular. Tal conexão se dá de tal forma que Friedrich Müller, citado por Inocêncio Mártires Coelho (2010, p. 167), afirma que a normatividade (atributo dos comandos jurídicos, segundo clássica doutrina) não é produzida pelo seu texto, resultando de dados extralinguísticos, como os fatores sociais.
Ainda, aqui se entende que um caso concreto não é regulamentado pelo teor literal de uma norma constitucional, mas sim pela atuação dos órgãos estatais (legislativos, executivos e do Judiciário) – cujas decisões são elaboradas com a ajuda da doutrina, dos precedentes, do direito comparado – e pelo direito consuetudinário, o que demonstra que os cultores desse método também são adeptos da teoria da concretização das normas. O teor literal da norma é só um dos aspectos a serem levados em consideração pelo aplicador na interpretação da Constituição, sendo que o aspecto mais importante é aquele constituído pelas relações jurídicas diárias, pelos casos concretos sobre os quais a norma pretende incidir, pelo que Friedrich Müller denomina "âmbito normativo" (MÜLLER apud PEREIRA, 2007, p. 166) [05] e Miguel Reale, "situação normada" (REALE apud MENDES; COELHO; BRANCO, 2010, p. 168) [06].
Claro fica, pois, a diferenciação que os cultores desse método fazem entre norma e texto da norma. Aquela é bem mais ampla, por abarcar os fatos contidos no âmbito normativo e não dedutíveis do programa normativo. Como se verá adiante, a consideração dessa realidade fática que circunda o texto da norma é de suma importância na interpretação do direito constitucional tributário, especialmente no que diz respeito aos direitos e garantias fundamentais do contribuinte.
4 Conclusão: Uma nova forma de interpretar a Constituição
A análise dos princípios e métodos da chamada Moderna Hermenêutica Constitucional demonstra que o que se busca, cada vez mais, na interpretação da Constituição, é que ela forneça subsídios para a solução dos casos concretos que muitas vezes não encontram resposta pela aplicação simplista do texto constitucional, ou mesmo pela aplicação dos métodos tradicionais de hermenêutica, que acreditam ser possível ao intérprete buscar uma suposta "vontade da lei" (mens legis) ou ainda, o que é pior, a "vontade do próprio legislador" (mens legislatoris).
Aliás, a doutrina hermenêutica há muito já afirma que a lei não tem espírito, sendo este exclusividade dos homens (o que parece lógico). Por isso, e considerando que são os homens e as relações jurídicas das quais participam diariamente que servem de inspiração para a criação e modificação das leis (e daprópria Constituição), nada mais correto que se permitir que essas relações jurídicas possam também ser valoradas no momento de aplicação das mesmas leis e da Constituição.
A figura de um legislador (no caso, constituinte) onividente não mais se sustenta frente às mudanças frenéticas ocorridas no âmbito das relações sociais. Em sendo assim, dois caminhos se fazem possíveis ao intérprete do Direito: pelo primeiro, ele se mantém firme nos tradicionais métodos de interpretação das leis e da Constituição, buscando um sentido predeterminado na norma e fechando os olhos para a realidade social que não se encontra estritamente regrada; e, se for necessário, aguarda a criação de novas leis e (r)emendas constitucionais, estas normalmente elaboradas ao sabor da ocasião política (e em prejuízo da segurança jurídica e de outros valores tão caros a um, assim chamado, Estado Democrático de Direito); pelo segundo, ele busca novas formas de interpretar o direito posto, utilizando-se de novos métodos e cânones hermenêuticos, a fim de, como sugerem várias das propostas da Moderna Hermenêutica Constitucional, "concretizar" o Direito, reconstruindo-o diante do problema concreto e com base no padrão constitucional, permitindo, ainda, que a "sociedade aberta dos intérpretes" tenha voz ativa nesse processo de concretização, legitimando, cada vez mais, a própria Constituição, que foi erigida como documento fundamental "pelo" povo e "para" o povo, titular absoluto do poder (artigo 1º, parágrafo único da Carta Magna).
É nesse contexto que se encaixa a afirmação de Inocêncio Mártires Coelho (2010), quando discorre sobre as diretrizes para uma interpretação estrutural dos modelos jurídicos. Diz o autor:
Pois bem, em razão dessa nova compreensão da experiência normativa, operaram-se radicais mudanças nos domínios da hermenêutica jurídica, abandonando-se os antigos métodos e critérios de interpretação – que aprisionavam o aplicador do direito à estrita literalidade da lei, para se adotarem pautas axiológicas mais amplas e flexíveis, não raro indeterminadas, que permitissem aos operadores do direito ajustar os modelos jurídicos às necessidades de um mundo cada vez mais complexo e, por isso, cada vez menos propício a toda forma de arrumação.
Não se está aqui advogando tese de que os intérpretes teriam liberdade para dizer qual o conteúdo da norma, promovendo verdadeiras mutações constitucionais pela via da interpretação criativa, em detrimento da segurança jurídica e da separação dos poderes. Isso seria negar o próprio princípio da exatidão funcional, tão caro aos cultores da Moderna Hermenêutica. A interpretação constitucional deve estar sujeita a limites, pois a interpretação que promove mudança radical no sentido da norma por certo equivale à inadmissível criação de uma nova norma pelo intérprete, pela "lei do menor esforço".
O que se defende é a possibilidade de uma atuação mais integrada entre o intérprete e a sociedade; uma aproximação maior entre a interpretação oficial e a vida quotidiana, dos fatos que circundam a Constituição, exercendo influência sobre suas normas.
Mas, como garantir que o processo decisório desenvolvido nesses termos seria racional (ou não)? Como seria medida essa racionalidade? A resposta nos é dada por Rodolfo Viana Pereira (2007, p. 170), que afirma que um processo decisório será racional sempre que
[...] consciente do caráter dialógico da compreensão, não estabelece um padrão prévio de verdade, mas admite que a possibilidade de sua correção advém da necessidade de inclusão dos diferentes pontos de vista no processo decisório.
Ou seja, a interpretação será racional sempre que for realizada após o intérprete analisar as peculiaridades do caso concreto (o problema); permitir a discussão de tais peculiaridades com a comunidade hermenêutica (que se expande além dos intérpretes oficiais); e, posteriormente, por meio de uma decisão estritamente motivada, demonstrar como superou os argumentos e teses contrários apresentados, para chegar naquela que considerou a interpretação mais adequada para o caso concreto sub judice.
Deve-se lembrar que os membros do Poder Judiciário, principais intérpretes das leis e da Constituição e responsáveis pela última palavra interpretativa, não são, em nosso sistema, eleitos pelo povo. A legitimidade de suas funções decorre, portanto, de uma atuação séria, escorreita, transparente e plenamente justificável (e justificada) em face das diretrizes constitucionais. Como afirma Sanchís, citado por Pereira (2007, p. 170), 
se o Poder Judiciário não deve ser controlado pela eletividade de seus membros, como garantia da própria constitucionalidade, deve ser controlado em seu exercício: não na designação, mas no comportamento" [07] (SANCHÍS apud PEREIRA, 2007, p. 170 - grifos no original).
Enfim, somente quando se permitir que a sociedade participe da definição dos contornos da Constituição que ela vive em seu dia a dia; e quando os juízes e demais aplicadores do direito compreenderem, de fato, que a Constituição é algo muito mais complexo e dinâmico do que o texto oficial cravado no papel se poderá afirmar que vivemos num verdadeiro Estado Democrático de Direito e, no que diz respeito aos assuntos tributários, que vivenciamos uma sólida cidadania fiscal.
5. Referências Bibliográficas
BALEEIRO, Aliomar. Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar. 7. ed. rev. e compl. à luz da Constituição de 1988 até a Emenda Constitucional nº 10/1996. Rio de Janeiro: Forense, 2005.
HÄBERLE, Peter. Hermenêutica Constitucional: a sociedade aberta dos intérpretes da Constituição – contribuição para a interpretação pluralista e ‘procedimental’ da Constituição. Trad. Gilmar Ferreira Mendes. Porto Alegre: Fabris, 1997.
MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do Direito. 19.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2008.
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 26.ed. São Paulo: Malheiros, 2009.
MENDES, Gilmar; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. 5.ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 24.ed. São Paulo: Atlas, 2009.
PEREIRA, Rodolfo Viana. Hermenêutica Filosófica e Constitucional. 2.ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2007.
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 5.ed. São Paulo: RT, 1989.
______. Comentário Contextual à Constituição. 4.ed. São Paulo: Malheiros, 2007.
Notas
CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito Constitucional e teoria da Constituição. Coimbra: Almedina, 1998, p. 1050-1051.
KOMMERS, Donald P. Der Geichheitssatz: Neuere Entwicklungen in Verfassungsrecht der USA und der Bundsrepublik Deutschland. In: Der Gleichheitssatz im modernen Verfassungsstaat. Symposium zum 80 Geburtstag von Gerhard Leibholz. Baden-Baden, Nomos Verlagsgesellschaft, 1981.
DWORKIN, Ronald. Taking Rights Seriously. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 1977.
Mais detalhes sobre os conceitos de programa-normativo, âmbito normativo, norma jurídica e norma-decisão, conforme a doutrina de Friedrich Müller, podem ser encontrados em PEREIRA, Rodolfo Viana. Hermenêutica Filosófica e Constitucional. 2.ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2007, p. 165-166.
MÜLLER, Friedrich. Discours de La méthode juridique. Trad. Oliver Jouanjan. Paris: Presses Universitaires de France, 1996.
REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 9.ed. São Paulo: Saraiva, 1982, p. 594.
SANCHÍS, Luis Prieto. Ideologia e interpretación jurídica. Madrid: Tecnos, 1993, p. 126.
Após a leitura do texto, os alunos devem responder:
Explique o que é o princípio da Unidade da Constituição.
Explique o que é o princípio da Concordância Prática (Harmonização).
Explique o que é o princípio da Exatidão Funcional (Justeza/Conformidade Funcional).
Explique o que é o princípio do Efeito Integrador (Eficácia Integradora).
Explique o que é o princípio da Força Normativa da Constituição.
Explique o que é o princípio da Máxima Efetividade da Constituição.
Explique o que é o princípio da InterpretaçãoConforme a Constituição.
Explique o que é o método Tópico-Problemático.
Explique o que é o método Hermenêutico-Concretizador.
Explique o que é o método Científico-Espiritual.
	Explique o que é o método Normativo-Estruturante.

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