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As demonstrações contábeis serão amplamente estudadas no próximo capítulo; assim, indicaremos aqui apenas o conceito principal de cada uma. Observe o seguinte: balanço patrimonial: indica a situação econômica e financeira de uma empresa em certo momento, ou seja, o resultado das transações que envolvem seus bens, direitos e obrigações; demonstração de resultado do exercício: indica o resultado do confronto entre receitas, custos e despesas; demonstração do fluxo de caixa: indica informações sobre a movimentação e o saldo de caixa e equivalentes de caixa; demonstração das mutações do patrimônio líquido: indica as variações ocorridas no patrimônio líquido das empresas, bem como a causa delas e o efeito que tiveram sobre esse patrimônio; demonstração do valor adicionado: exigida para empresas de capital aberto, indica o valor da riqueza gerada pela organização e sua distribuição entre os elementos que contribuíram para a geração dessa riqueza; demonstração de resultados abrangentes: indica mudanças no patrimônio líquido, resultado de outras transações. Gastos são todos os consumos de bens e serviços, adquiridos à vista ou a prazo, efetuados pelas empresas. Conforme suas características podem dividir-se em custos, despesas, perdas e investimentos. Em princípio, todo gasto, em algum momento, gera um desembolso. Desembolso deve ser conceituado como a saída de recursos financeiros para aquisição de bens e serviços ou pagamento de obrigações assumidas anteriormente. Custos são os gastos (consumo de bens e serviços) efetuados com o objetivo de gerar bens ou prestação de serviços. Podemos exemplificar como: matérias-primas, mão de obra, custos indiretos etc.; insumos utilizados na produção de bens e serviços e demais insumos, como energia elétrica, depreciações e outros podem ser classificados em estoques, investimentos ou imobilizado; estoques: bens adquiridos ou produtos destinados a revenda; Despesas representam o consumo de bens e serviços, adquiridos à vista ou a prazo, com o objetivo de gerar receitas. Como exemplos, citamos: despesas de vendas, tais como fretes, comissões, propaganda, entre outras; despesas administrativas, tais como salários e encargos do pessoal administrativo, aluguéis; despesas financeiras, tais como juros e encargos; despesas tributárias, tais como imposto de renda e contribuição social; Perdas correspondem aos gastos anormais ou involuntários efetuados pelas empresas que não geram novos bens ou serviços e tampouco receitas. Podem ser citadas a inadimplência de clientes, a perda total de veículos avariados etc.; Investimentos correspondem à aquisição de bens que serão ativados. Como exemplos, podemos citar: bens destinados à geração de renda, tal como aluguéis; imobilizado: bens destinados ao uso nas atividades produtivas (máquinas e equipamentos) ou administrativas e comerciais (móveis e utensílios). Assim, afirma-se que os custos e as despesas são considerados itens referentes a operações continuadas das empresas; as perdas são consideradas operações não continuadas ou descontinuadas. Por outro lado, as receitas representam os valores que uma empresa recebe ou tem direito a receber, provenientes de suas operações de vendas, de prestação de serviços ou de aplicações financeiras. Como exemplos de receitas, podemos citar: receita de vendas de produtos; receita de vendas de serviços; receitas de aluguéis; receitas financeiras. O encontro das receitas com as despesas e os custos gera lucro ou prejuízo, conforme explicitado na demonstração de resultados do exercício. Esse resultado representa a riqueza gerada pela empresa em certo período e irá incorporar o patrimônio líquido, no balanço patrimonial. O balanço patrimonial indica uma equação em que o ativo equivale ao passivo, que é resultado do somatório de passivo e patrimônio líquido. Balanço patrimonial proporciona informações referentes à posição patrimonial e financeira da entidade em uma determinada data, evidencia as fontes de financiamentos representadas pelo capital próprio (capital social mais ou menos o resultado acumulado e pelo capital de terceiros). O capital próprio é representado pelo patrimônio líquido (PL) enquanto o capital de terceiros é representado pelo passivo. Essas fontes dão origem aos investimentos da entidade, ou seja, ao seu ativo. Temos que o balanço patrimonial da entidade é a relação de seus ativos, passivos e patrimônio líquido em uma data específica. (a) ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual se espera que fluam futuros benefícios econômicos para a entidade. (b) passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos passados, cuja liquidação se espera que resulte na saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. (c) patrimônio líquido é o interesse residual nos ativos da entidade depois de deduzidos todos os seus passivos. ATIVO CIRCULANTE esperar realizar o ativo, ou pretender vendê-lo ou consumi-lo durante o ciclo operacional normal da entidade; o ativo for mantido essencialmente com a finalidade de negociação; esperar realizar o ativo no período de até 12 meses após a data das demonstrações contábeis; o ativo for caixa ou equivalente de caixa, a menos que sua troca ou uso para liquidação de passivo seja restrita durante pelo menos 12 meses após a data das demonstrações contábeis. ATIVO NÃO CIRCULANTE A entidade deve classificar todos os outros ativos como não circulantes. Quando o ciclo operacional normal da entidade não for claramente identificável, presume-se que sua duração seja de 12 meses. PASSIVO CIRCULANTE esperar liquidar o passivo durante o ciclo operacional normal da entidade; o passivo for mantido essencialmente para a finalidade de negociação; o passivo for exigível no período de até 12 meses após a data das demonstrações contábeis; a entidade não tiver direito incondicional de diferir a liquidação do passivo durante pelo menos 12 meses após a data de divulgação. PASSIVO NÃO CIRCULANTE Os demais passivos serão classificados pela entidade como não circulantes. Essa demonstração apresentará informações relativas a um determinado período de apuração, enquanto no balanço patrimonial a informação corresponde ao dia da apresentação. Na demonstração do resultado, a informação corresponde ao intervalo de tempo entre os dois balanços. Na DRE, encontraremos todos os elementos que se caracterizam como receitas e despesas reconhecidas dentro do período. O confronto entre as receitas e as despesas evidenciará o resultado da entidade no respectivo momento da apuração. O resultado, quer dizer, o lucro ou o prejuízo do exercício será determinado pela diferença entre as receitas reconhecidas menos as despesas incorridas. receita operacional líquida; custo; lucro bruto; despesas operacionais – necessárias à estrutura de funcionamento da entidade, estão associadas às atividades principais e secundárias; outras receitas e despesas operacionais; resultado financeiro; resultado operacional líquido; outras receitas ou outras despesas; resultado líquido antes da contribuição social e do imposto de renda; contribuição social sobre o lucro e imposto de renda – tributos; participações – distribuição, a quem de direito, da parte que lhe cabe no resultado da empresa; resultado líquido do exercício – representa o lucro líquido da empresa proveniente daquele período de apuração. Por meio da demonstração dos fluxos de caixa, teremos condição de identificar as modificações ocorridas no fluxo de disponibilidades da entidade durante determinado período. É importante lembrar que quando nos referimos a fluxo de caixa não estamos falando somente da conta caixa, mas também dos equivalentes de caixa, como: numerários em mãos, depósitos bancários disponíveis, aplicações de curto prazo e aplicações de alta liquidez. No caso da demonstração das origens e aplicações de recursos, o objetivo era determinar a variaçãono capital circulante líquido de certo período. A demonstração do fluxo de caixa tem por objetivo apresentar os fatos que acarretam modificação no nível de disponibilidade, que é a base para avaliação financeira da entidade e sua capacidade de arcar como os pagamentos das suas obrigações. Será possível identificar: onde a entidade conseguiu captar os recursos; quanto dos recursos financeiros foi gerado internamente; como foi financiada a expansão com a compra de ativos imobilizados; se a entidade está se expandindo em ritmo mais acelerado do que sua geração de recursos; se a política de distribuição de dividendos está em equilíbrio com a geração operacional; quais os movimentos financeiros com os acionistas e os financiadores. Por meio dessa demonstração teremos condições de identificar as modificações ocorridas nos elementos que compõem o patrimônio líquido da entidade, bem como os fatos que as causaram. Os diversos tipos de operações patrimoniais podem afetar ou não o patrimônio líquido. São operações que afetam o total do patrimônio: acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício; redução por dividendo; acréscimo por integralização de capital; acréscimo pelo recebimento de valor que exceda o valor nominal das ações subscritas e integralizadas ou o preço de emissão das ações sem valor nominal; redução por ações próprias adquiridas ou acréscimo por sua venda; acréscimo ou redução por ajustes de exercícios anteriores. São operações que não afetam o total do patrimônio líquido: aumento de capital com utilização de lucros e reservas; redução do saldo de lucros acumulados para formação de reservas, tais como reserva legal, reserva estatutária, reserva para contingência e outras; reversão de reservas de lucros para a conta de prejuízo acumulado; compensação de prejuízos com reservas e outros. PATRIMONIO LÍQUIDO E SUA COMPOSIÇÃO O patrimônio líquido, definido pelo CPC 00 (R1) em seu item 4.4, é o “interesse residual nos ativos da entidade depois de deduzidos todos os seus passivos”. Também pode ser entendido como os recursos dos proprietários investidos na empresa ou, simplesmente, a diferença entre o ativo e o passivo de uma entidade. Pela teoria da entidade contábil, o patrimônio líquido de uma empresa pertence a ela, e não aos sócios, exceto a parte do lucro que é distribuída (dividendos). Essa teoria pressupõe, evidentemente, uma entidade em continuidade, pois na hipótese de descontinuidade o patrimônio líquido pertenceria aos sócios. Capital social Corresponde a todo o investimento realizado na empresa pelos sócios ou acionistas, incluindo o capital inicial e a integralização de novos recursos, bem como a parte do lucro e outras reservas não distribuídas e incorporadas ao capital em virtude de decisões dos sócios. De acordo com o art. 182 da Lei no 6.404/1976, “a conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada”. Capital subscrito é aquele prometido pelos acionistas. No momento em que os acionistas entregam à empresa as parcelas prometidas em bens ou direitos, tem-se a realização ou integralização do capital. Reservas de capital São as que não se originam do resultado do exercício, isto é, não são apuradas e, portanto, não transitam pela demonstração de resultado do exercício. As reservas de capital não decorrem das operações da companhia, mas de operações como o ágio na emissão de ações. A Lei no 11.638/2007 revogou expressamente a possibilidade de classificação, como reserva de capital, das contas que registravam prêmio na emissão de debêntures e também aquelas resultantes de doações e subvenções para investimentos (ver, a seguir, a destinação de parcela do lucro decorrente de doações ou subvenções governamentais à conta de reserva de incentivos fiscais). Reservas de lucros Consistem na retenção de parte do lucro com finalidade específica.Com a alteração realizada pela Lei no 11.638/2007 no art. 199 da Lei das Sociedades por Ações, o saldo da reserva de lucros não poderá ultrapassar o capital social e, uma vez atingido este limite, tal valor deverá ser distribuído como dividendos aos acionistas ou utilizado para integralização ou aumento de capital da companhia, exceto nos montantes aplicáveis às contingências de lucros a realizar e contingências de incentivos fiscais. CRITÉRIOS DA ANÁLISE ECONÔMICA – FINANCEIRA São três os critérios utilizados em análise econômico-financeira: análise vertical; análise horizontal; indicadores econômico-financeiros (indicadores de desempenho). ANÁLISE HORIZONTAL E VERTICAL Análise vertical Trata-se de metodologia de análise que mostra a participação percentual de cada um dos itens das demonstrações contábeis em relação ao somatório de seu grupo. A análise vertical é de grande importância, principalmente quando aplicada à demonstração de resultado do exercício, porque possibilita detectar a composição percentual das receitas, custos e despesas, evidenciando aquelas que mais influenciaram na formação do lucro ou prejuízo. Análise vertical do Balanço Patrimonial No balanço patrimonial, verifica-se o percentual que representa cada conta ou grupo de contas em relação ao ativo ou passivo total. Na demonstração dos resultados do exercício, faz-se a comparação de cada conta de despesa ou subtotal com a receita operacional líquida. Assim, pode-se avaliar a relevância ou representatividade de cada conta ou grupo em relação aos valores totais. Análise vertical da demonstração do resultado do exercício Análise horizontal A análise horizontal é efetuada tomando-se por base dois ou mais exercícios sociais, com a finalidade de observar a evolução ou involução dos componentes. Observe que é na análise horizontal que você pode identificar o comportamento dos diversos itens do patrimônio e, principalmente, dos índices, permitindo a análise de tendência. Segundo Perez Junior e Begalli (1999:195), “a análise horizontal enfatiza as modificações ou evoluções em cada conta das demonstrações financeiras em relação a uma demonstração básica, geralmente a mais antiga da série, a fim de caracterizar tendências. A análise horizontal, representa um critério interessante na análise econômico-financeira, gerando uma informação complementar à análise vertical. A avaliação das modificações das contas poderá ser realizada por meio da comparação com: variações históricas da própria empresa; taxas de crescimento da economia; taxas de crescimento do setor a que pertence a empresa; taxa de variação da inflação oficial; variações nas contas idênticas das demonstrações contábeis de concorrentes. Análise horizontal do balanço patrimonial Análise horizontal da demonstração do resultado do exercício Indicadores econômico-financeiros O nível de segurança que se obtém de um relatório técnico acerca da situação econômico-financeira de uma entidade está intimamente relacionado ao período que se utiliza para avaliação. Isso quer dizer que o gestor deve valer-se das demonstrações contábeis de, pelo menos, dois exercícios sociais, e delas extrair os diversos indicadores que lhe forneçam as informações desejadas.Ao usuário interno (gestor) da empresa importa, fundamentalmente, detectar problemas e pontos fortes existentes para, a partir daí, traçar estratégia no sentido de corrigir as falhas ou aproveitar as oportunidades. Já aos usuários externos (credores, investidores, fornecedores, entre outros) interessa avaliar a viabilidade ou não da aplicação de recursos na empresa, concessão de créditos e captação de recursos. Ou seja, a necessidade de informação do analista é que determinará os indicadores a serem avaliados e os caminhos a serem seguidos. Os índices ou indicadores estabelecem a relação entre contas ou grupo de contas das demonstrações contábeis visando evidenciar determinado aspecto da situação econômico-financeira de uma empresa. No entanto, cabe ressaltar que não é só a análise pormeio de alguns índices que apresenta um resultado final sobre o desempenho da empresa. Para que seja desenvolvido o relatório final, torna-se necessária a utilização de vários componentes de análise específicos sobre a estrutura financeira e econômica da entidade. Dessa forma, o índice não deve ser considerado isoladamente, mas sim pelo aspecto dinâmico e dentro de um contexto mais amplo, onde outros indicadores e variáveis devem ser interpretados. Exemplificando, um elevado grau de endividamento não significa, necessariamente, que a empresa esteja à beira da insolvência. Há empresas que convivem com níveis altos de endividamento sem comprometer sua solvência, já que há outros fatores que podem atenuar essa condição, como uma concentração maior desse endividamento no longo prazo através de fontes menos onerosas de recursos. índices de estrutura de capital – avaliam a segurança oferecida pela empresa aos capitais de terceiros e revelam sua política de captação de recursos, bem como a alocação deles nos diversos itens do ativo; índices de liquidez – medem a posição financeira da empresa em termos de capacidade de pagamento; índices de lucratividade – demonstram as margens geradas sobre o faturamento líquido na avaliação do resultado; índices de rentabilidade – avaliam o desempenho global da empresa no que tange ao retorno gerado aos investidores, análise do custo de oportunidade do capital e determinação de payback; indicadores de prazos médios – revelam a política de compra, estocagem e venda da empresa; necessidade de capital de giro (NCG) – mostra a carência de capital de giro ou folga de caixa da empresa. Índices de Liquidez Os índices de liquidez apontam a capacidade financeira da empresa para honrar os compromissos para com terceiros, ou seja, a capacidade da empresa para liquidar suas dívidas. Evidenciam quanto a empresa dispõe de recursos (capital de giro) em relação às obrigações assumidas no mesmo período. Os índices de liquidez mais aplicados em análise econômico-financeira são: liquidez imediata, liquidez corrente, liquidez seca e liquidez geral. Cada um fornece informações diferentes sobre a situação financeira da empresa. Em geral, presume-se que quanto maior for a liquidez, melhor será a situação financeira da empresa. Entretanto, não podemos aplicar isso como regra. Você deve ter em mente que um alto índice de liquidez não representa, necessariamente, boa saúde financeira. O cumprimento das obrigações nas datas previstas depende de uma adequada administração dos prazos de recebimento e de pagamento (índices de atividade). Assim, uma empresa que possui altos índices de liquidez, mas mantém mercadorias estocadas por períodos elevados, recebe com atraso suas vendas a prazo ou mantém duplicatas incobráveis na conta clientes poderá ter problemas de liquidez, ou seja, poderá ter dificuldades para honrar seus compromissos nos vencimentos. Discriminaremos, a seguir, no quadro 33, os indicadores de liquidez. Liquidez imediata Liquidez instantânea ou imediata mede a capacidade financeira da empresa para honrar seus compromissos de curto prazo contando apenas com suas disponibilidades (caixa e bancos). Recurso disponível / passivo circulante Índice < 1 = é o ideal, pois é comum manter saldo em caixa e bancos em níveis menores Liquidez corrente A liquidez corrente é um dos índices mais utilizados em análise financeira pois indica o quanto a empresa poderá dispor em termos de capital de giro (recursos de curto prazo, como disponibilidades, aplicações financeiras, clientes e estoques) para pagar suas dívidas circulantes (fornecedores, empréstimos, provisões sociais, provisões tributárias, dividendos, entre outras). Ativo circulante / Passivo circulante Índice > 1 = positivo para pagar as dividas circulantes. Liquidez seca Esse índice é uma medida mais rigorosa para avaliação da liquidez da empresa pois indica o quanto a empresa poderá dispor em termos de capital de giro, sem levar em consideração seus estoques, para fazer frente a suas dívidas de curto prazo. Ativo circulante – Estoque / Passivo circulante Índice > 1 = não depende dos estoques para saldar dívidas Liquidez geral A liquidez geral, ou índice de solvência geral, é uma medida da capacidade da empresa para honrar todas as suas obrigações (de curto e longo prazos) contando, para isso, com seus recursos realizáveis em curto e longo prazos. Ativo circulante + Realizável a longo prazo / Passivo circulante + Passivo não circulante Índice < 1 = não é o ideal, pois pode representar que a empresa tem baixa liquidez se analisado isoladamente Índices de estrutura de capital Os índices de estrutura de capital avaliam a segurança que a empresa oferece aos capitais de terceiros e revelam sua política de captação de recursos e de alocação deles nos diversos itens do ativo. O ativo de uma empresa é financiado pelos capitais próprios (patrimônio líquido) e por capitais de terceiros (passivo circulante e passivo não circulante). Quanto maior for a participação de recursos de terceiros nos negócios de uma empresa, maior será o risco ao qual os credores (capitais de terceiros) estarão exposto. Endividamento geral (EG) Esse índice demonstra a estrutura de capital da empresa apontando, assim, seu grau de endividamento. É por meio desse indicador que se identifica se a empresa tem maior dependência por capital próprio ou capital de terceiros no financiamento do ativo. (PC + PNC) / Ativo total x 100 Estes índices representam que a empresa tinha dívidas a curto e longo prazo correspondente à 84,41% do ativo em 2016; e em 2017 houve uma redução para 73,44%. Isto pode indicar a predominância de capital de terceiros ou uma tendência ao financiamento através de capital próprio. Composição do endividamento O índice de composição do endividamento tem o objetivo de demonstrar a política adotada quanto à forma de captação de recursos de terceiros, ou seja, se a empresa concentra a maior parte de suas dívidas no curto ou no longo prazo. Admite-se que quanto maior a concentração de endividamento no curto prazo, maior será o risco oferecido pela empresa a seus credores. Por outro lado, um endividamento com perfil de longo prazo, principalmente para o financiamento do ativo não circulante, propicia à empresa situação mais confortável, podendo sinalizar, portanto, eficiente política de captação de recursos. (PC + PNC) / Ativo total X 100 Com os índices apresentados, a empresa tinha em 2016 40% do seu endividamento no passivo circulante (inferior à 12 meses), e em 2017 houve aumento do endividamento no passivo circulante para 43,19%. Estes índices demonstram que a maior parte do endividamento está concentrado no longo prazo (acima de 12 meses), mostrando uma situação mais positiva. Imobilização do patrimônio líquido (IPL) É importante lembrar que o ativo não circulante é composto por quatro subgrupos: realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. Para esses dois indicadores em questão – imobilização do patrimônio líquido e imobilização de recursos não correntes – não levaremos em consideração o realizável a longo prazo. O índice exprime o quanto dos ativos investimentos, imobilizado e intangível da empresa é financiado pelo seu patrimônio líquido, evidenciando, dessa forma, a maior ou menor dependência de aporte de recursos de terceiros para manutenção de seus negócios. A correta administração dos recursos de uma empresa pressupõe uma adequada relação dos prazos das aplicações dos recursos com os prazos das origens desses recursos. Assim, convencionou-se dizer que os ativos investimentos, imobilizado e intangível são financiados pelo patrimônio líquido ou por financiamentos de longo prazo. Em princípio, o ideal é que as empresas imobilizem a menor parcela possível de seus recursos próprios. Assim, não ficarão na dependência de capitais de terceiros para a movimentação normal de seus negócios. O gestor deve atentar para os casos em que a empresa possui financiamentos de longo prazopara novos investimentos, como expansão ou modernização de seu parque fabril. Nesses casos, o índice de imobilização do capital próprio poderá apresentar-se em níveis muito elevados. A política de obtenção de fontes de longo prazo, porém, revela a decisão gerencial dos gestores. (ANC – RLP) / PL X 100 A empresa em 2016 apresentava imobilização do capital próprio de 270,68%. Em 2017 houve queda considerável para 138,2%. Mas o índice demonstra que ainda existe uma dependência, mesmo que menor, do aporte do capital de terceiros para manutenção dos negócios. Imobilização de recursos não correntes (IRNC) Esse indicador demonstra qual o percentual de recursos não correntes (passivo não circulante e patrimônio líquido) que foi revertido para aplicação nos ativos investimentos, imobilizado e intangível. Na prática, esse indicador tem papel fundamental quando o capital próprio (patrimônio líquido) demonstra-se insuficiente para cobrir as aplicações de recursos efetuadas em investimentos, imobilizado e intangível, o que faz com que a empresa necessite captar recursos de terceiros em longo prazo para financiar tal aplicação. (ANC – RLP) / (PL + PNC) X 100 Nos anos de 2016 e 2017, os índices demonstraram que o capital próprio não (patrimônio líquido) foi suficiente para cobrir as aplicações de recursos efetuadas em investimentos, imobilizado e intangível, o que faz com que a empresa necessite captar recursos de terceiros em longo prazo para financiar tal aplicação. Passivo oneroso sobre ativo (POSA) Esse índice mostra a participação das fontes onerosas de capital no financiamento dos investimentos totais da empresa, revelando sua dependência de instituições financeiras. Supõe-se que todo exigível em longo prazo (passivo não circulante) seja oneroso; caso contrário, deve ser feita a exclusão da parcela não onerosa. Você deve observar que, quanto maior for esse índice, maiores serão as despesas financeiras incorridas, impactando o resultado do exercício (PCF + PNC) / Ativo Total X 100 Esse índice mostra a participação das fontes onerosas de capital no financiamento dos investimentos totais da empresa, revelando sua dependência de instituições financeiras. Portanto estes índices mostram uma elevada dependência de fontes onerosas (passivo não circulante), mesmo em 2017 que houve uma redução. Índices da lucratividade e rentabilidade A partir deste momento, passa-se a utilizar, para a análise aqui realizada, não somente o balanço patrimonial, mas também a demonstração dos resultados do exercício. Os índices de lucratividade têm a finalidade de avaliar as margens auferidas no resultado da empresa, sejam relacionadas ao produto ou à eficiência do negócio. Já os índices de rentabilidade têm por objetivo avaliar o desempenho final da empresa. Todos os índices de lucratividade e rentabilidade devem ser considerados “quanto maior, melhor”. Margem bruta (MB) A margem bruta representa a lucratividade auferida sobre a mercadoria, produto ou serviço comercializado pela empresa. Numa análise complementar, esse indicador revela o percentual remanescente do faturamento líquido após a dedução do custo das mercadorias ou produtos vendidos ou dos serviços prestados para cobrir as despesas operacionais e ainda, se possível, gerar lucro. (Lucro bruto / Receita Operacional líquida) X 100 A margem bruta representa a lucratividade auferida sobre o produto comercializado pela empresa. Esse indicador revela o percentual remanescente do faturamento líquido após a dedução do custo dos produtos vendidos. Portanto nos dois períodos analisados, a empresa possuía 35% do seu lucro para cobrir as despesas operacionais. Margem operacional (MO) A margem operacional avalia o ganho operacional da empresa em relação a seu faturamento líquido. Esse indicador mensura a eficiência operacional do negócio, medido exclusivamente em função das suas operações normais (comerciais, administrativas e financeiras) realizadas para manutenção da atividade-fim. (Lucro operacional / Receita operacional líquida) X 100 A margem operacional avalia o ganho operacional da empresa em relação a seu faturamento líquido. Esse indicador mensura a eficiência operacional do negócio medido em função das suas operações (comerciais, administrativas e financeiras) realizadas para manutenção da atividade-fim. Portanto os índices apresentados pela empresa em 2016 e 2017 são baixos. Margem líquida (ML) A exemplo do índice anterior, a margem líquida é uma medida da lucratividade obtida pela empresa. Entretanto, esse índice demonstra o retorno líquido da empresa sobre seu faturamento líquido, diferindo da margem operacional em função de deduzir do lucro operacional o impacto do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, além das participações no resultado. (Lucro líquido / Receita operacional líquida) X 100 A margem líquida é uma medida da lucratividade obtida pela empresa, e demonstra o retorno líquido da empresa sobre seu faturamento líquido, descontando impostos e contribuição sindical. Os índices apresentados são baixos, apesar do leve aumento em 2017. Giro do ativo (GA) Esse indicador demonstra se o faturamento líquido gerado no período foi suficiente para cobrir o investimento total realizado na empresa. Seu maior objetivo é avaliar quantas vezes a empresa recuperou o montante aplicado no ativo por meio de vendas durante um determinado período. Gitman (1997:115) ressalta que “geralmente, quanto maior o giro do ativo total da empresa, mais eficientemente seus ativos foram usados”. Esse índice é bastante dependente do setor de atuação da empresa, não sendo possível estabelecer padrões, e sua análise deve sempre ser combinada com a análise dos indicadores de lucratividade apresentados anteriormente. Vendas líquidas / Ativo total GIRO DO ATIVO 2016 INDICE 2017 ÍNDICE VENDAS LÍQUIDAS 10.372.345 0,81 11.000.183 0,63 ATIVO TOTAL 12.769.527 17.400.408 Rentabilidade do patrimônio líquido (RPL) A rentabilidade do patrimônio líquido, também conhecida como retorno sobre o capital próprio, mede a remuneração dos capitais próprios investidos na empresa, ou seja, quanto foi adicionado ao patrimônio líquido decorrente do resultado do período. Esse indicador é muito conhecido como return on equity (ROE) e, embora esta seja uma expressão em inglês, por hábito também é utilizada no mercado nacional. Do ponto de vista de quem investe em uma empresa, o RPL ou ROE é considerado o índice mais importante. A rentabilidade do patrimônio líquido permite, além de avaliar a remuneração do capital próprio, analisar se esse rendimento é compatível com outras alternativas de aplicação, como fundos de investimentos, aluguéis e ações de empresas concorrentes. (Lucro Líquido / Patrimônio líquido) X 100 Para os investidores, este é um índice bastante importante. Na avaliação dos períodos, houve queda de 10,6% para 5,1% reduzindo o retorno aos acionistas. Rentabilidade dos investimentos (RI) A rentabilidade dos investimentos também é chamada de return on investments (ROI) ou poder de ganho e reflete o quanto a empresa está obtendo de retorno em relação aos investimentos totais. Conforme cita Ribeiro (2009b:171), “este quociente evidencia o potencial de geração de lucros por parte da empresa”. Por meio desse índice pode-se, também, determinar o payback o negócio, ou seja, em quanto tempo se recuperam os investimentos totais efetuados na entidade. (Lucro líquido / Ativo total) X 100 Nos índices apresentados, demonstrou-se uma queda em 2017, que o lucro líquido representou 1,37 dos investimentos totais. 4