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Direito e Globalização 1 (Direito UNIP)

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acerca das ilegalidades perpetradas contra o meio ambiente e contra as 
populações tradicionais. 
Importante ressaltar ainda que esse movimento da sociedade civil organizada, através 
das associações civis ou dos movimentos das comunidades religiosas, contribuiu para o 
avanço das conquistas sociais que ora se evidenciam na Constituição de 1988. 12
 
2.3 A proteção jurídica do meio ambiente 
 
11 Cf.​ ​WOLKMER, Antônio Carlos & Leite, José Rubens Morato ( Org.). ​Os novos direitos no Brasil:​natureza e 
perspectivas. São Paulo: saraiva, 2003. 
12 Cf​. ​IANNI, Octávio. ​A idéia de Brasil moderno. ​São Paulo: Brasiliense, 2004. 
A preocupação com a proteção jurídica ao meio ambiente, de maneira estrita, é recente 
na histórica do direito. A proteção ambiental se estabeleceu inicialmente a partir da legislação 
do direito internacional, que lentamente começou a ser internalizada pelos Estados nacionais. 
Do ponto de vista histórico a conferência realizada em Estocolmo, que redundaria em 
uma declaração de mesmo nome, em 1972, foi o primeiro documento de direito internacional a 
despertar a consciência ecológica mundial e a relacionar meio ambiente com direitos humanos. 
 13
A Declaração do Estocolmo estabeleceu, no princípio 1°, que: 
 
o homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao desfrute de condições de 
vida adequadas em um meio ambiente de qualidade que lhe permita levar 
uma vida digna, gozar de bem-estar e é portador de solene obrigação de 
proteger e melhorar o meio ambiente, para as gerações presentes e 
futuras. 
 
 
Uma década depois da conferência de Estocolmo, em 1982, a Assembléia-Geral da 
ONU proclamou a Carta Mundial para a Natureza, que foi descrita como um conjunto de 
princípios de conservação pelo qual toda a conduta humana que afetaria a natureza deveria ser 
orientada e sancionada. Os seus princípios recomendavam que a natureza fosse respeitada e 
seus processos essenciais não fossem ameaçados. 14
Em 1987, a Comissão Mundial sobre o ambiente e desenvolvimento ( comissão 
Brundtland) publicou seu relatório, no qual o grupo de especialistas da comissão formulou o 
direito ao meio ambiente nos seguintes termos: todo o ser humano tem o direito fundamental a 
um meio ambiente adequado à saúde e ao bem-estar. 15
Vinte anos depois de Estocolmo foi realizada uma nova conferência para tratar sobre 
meio ambiente. A conferência das Nações Unidas sobre ambiente e desenvolvimento 
celebrada no Rio de Janeiro em 1992, adotou cinco documentos que embora tratem de muitos 
aspectos ligados à proteção ambiental, também se dedicaram a fazer referências aos direitos 
humanos. 16
13 Cf​. ​CARVALHO, Edson Ferreira de. ​op. cit.,​p. 155 
14 Cf​. Id. Ibid.​, p. 157. 
15 Cf. ​Id., Ibid.​, p. 157. 
16 Cf​.​ ​Id. Ibid.​, p. 158. 
De todo modo, consta do texto final da Declaração do Rio, no princípio 1°, que os seres 
humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o desenvolvimento 
sustentável. E têm o direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza. 
Entre os textos produzidos por ocasião do encontro no Rio de Janeiro cumpre destacar a 
Agenda 21 ​, tratado internacional de natureza programática. Trata-se de um texto na qual se 
fizeram parte além dos países que estiveram presentes aquele encontro, o Fórum das 
organizações não-governamentais. 
Seu conteúdo é variado mas sintetiza um conjunto amplo e diversificado de diretrizes 
que, no suceder-se de vários capítulos, faz referências a textos anteriores das Nações Unidas 
e trata das questões relativas ao desenvolvimento econômico-social e suas dimensões, bem 
assim à conservação e administração de recursos para o desenvolvimento. 17
A partir da conferência do Rio e mais especificamente por intermédio da ​Agenda 21 o 
conceito jurídico de desenvolvimento sustentável começou a ser delineado. Ele foi 
conseqüência de uma maturação entre a proteção jurídica ao meio ambiente e a necessidade 
de se garantir aos países periféricos oportunidades de estabelecer bases para um 
desenvolvimento econômico diferenciado. 
Em termos nacionais a tutela jurídica do meio ambiente surge basicamente na década 
de 80 do século passado. 
Com efeito, desde as ordenações do reino havia uma legislação voltada à proteção dos 
recursos naturais, no entanto o fundamento dessa proteção era a preservação do patrimônio do 
Estado e não propriamente a preocupação com o meio ambiente. 
Do mesmo modo, embora fosse possível encontrar normas jurídicas voltadas à tutela 
jurídica, no antigo código civil e nas legislações da década de 60 do século passado tais como, 
lei n° 4.504/64 ( Estatuto da Terra), lei n° 4.771/65 ( Código Florestal), lei n° 5.179/67 ( lei de 
proteção à fauna), Dec.-lei n° 221/67 ( Código de Pesca), Dec-lei 227/67 ( Código de 
Mineração), somente na década de 1980 é que a legislação sobre o meio ambiente passou a 
se orientar como objetivo especifico a tutela ambiental, conhecendo dessa maneira maior 
consistência. 
O primeiro marco legal nesse aspecto é a lei n° 6.938/81, denominada lei da política 
nacional do meio ambiente, que entre outros méritos definiu juridicamente o termo meio 
17 Cf. MILARÉ, Edis. ​Direito do ambiente: ​doutrina – jurisprudência – glossário. 3° Ed. São Paulo: revista dos 
tribunais, 2004,p.67. 
ambiente, instituiu um sistema nacional de proteção, criando condições para a implementação 
de uma política nacional de meio ambiente, e estabeleceu a obrigação de reparar o dano para 
aqueles que causassem a poluição , oferecendo assim um primeiro instrumento efetivo no 18
combate às ameaças ao meio ambiente. 
O segundo marco normativo foi a edição da lei n° 7.347/85 que disciplinou a ação civil 
pública como meio processual para a proteção dos recursos naturais e a defesa dos direitos 
difusos, coletivos e individuais homogêneos. Por intermédio dessa lei a legitimação 
extraordinária para a defesa dos direitos trans-individuais, se dilatou, permitindo-se às 
associações e ao ministério público a possibilidade de pleitear, em juízo, a defesa desses 
direitos. 
No entanto, foi com a Constituição de 1988 que ficou estabelecido de maneira definitiva 
que o meio ambiente ecologicamente equilibrado se torna um direito fundamental e que o 
desenvolvimento econômico deve ocorrer de maneira ambientalmente sustentável. Logo mais 
tentaremos expor as razões desse novo arcabouço jurídico. 
Importante apenas frisar, no momento, que a partir da Constituição de 1988 uma nova 
ordem pública ambiental foi estabelecida, irradiando efeitos para todo o ordenamento jurídico. 
2.4 Do crescimento ao desenvolvimento econômico 
Conforme tentamos demonstrar no primeiro capítulo, a sociedade industrial construiu um 
novo paradigma social. Esse paradigma se alicerça em vários dogmas. Entre os mais 
significativos esta a busca inata pela evolução. Essa evolução se manifesta de diversas 
maneiras, através do acúmulo do conhecimento científico, da melhoria das condições materiais

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