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Direito e Globalização 1 (Direito UNIP)

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termodinâmica que rege a degradação da matéria e da energia em todo processo produtivo, e, 
com isso, os limites físicos impostos pela lei da entropia ao crescimento econômico e à 
expansão da produção . 25
Assim começavam a surgir, ao menos num plano teórico, as idéias que dariam origem, 
mais tarde, ao conceito jurídico de desenvolvimento sustentável. 
Por outro lado, em 1986 seria aprovada a Declaração sobre o Direito ao 
Desenvolvimento das Nações Unidas . Essa declaração afirma que “a pessoa humana é o 26
25 Cf.​: ​LEFF, Enrique, op. cit., p. 134 
26 Cf.​:​CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. ​Direitos humanos e meio ambiente: ​paralelo de proteção 
internacional. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris Editor, 1993, p. 173. 
sujeito central do desenvolvimento e deveria ser participante ativo e beneficiário do direito ao 
desenvolvimento” ( artigo 2) . 27
Buscando efetivar o conceito de desenvolvimento e mais precisamente de 
desenvolvimento sustentável a ONU , através da comissão mundial sobre meio ambiente e 
desenvolvimento, em 1987 patrocinou um relatório, denominado relatório Bruntland no qual 
algumas premissas do desenvolvimento sustentável foram criadas. Segundo Cançado 
Trindade: 
 
O relatório da Comissão Brudtland encontra-se permeado de considerações de equidade [ inter 
– e intra-geracional], justiça social, acesso regulado aos recursos e ao 
desenvolvimento de recursos humanos, participação efetiva comunitária e 
do cidadão, cooperação internacional ampla eficaz ‘para gerenciar a 
interdependência ecológica e econômica’; estabelece diretrizes políticas 
para alcançar o desenvolvimento sustentável em seis áreas, a saber, 
população e recursos humanos, segurança alimentar, perda das espécies 
e recursos genéticos, energia, indústria, e assentamentos humanos ( o 
desafio humano). ​ 28
 
 
Nesse relatório o conceito de desenvolvimento é articulado num capítulo denominado “ 
Nosso futuro comum” , em que surgiri uma definição para o desenvolvimento sustentável: “ a 
capacidade humana de assegurar que o desenvolvimento atenda às necessidades do presente 
sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender as suas próprias 
necessidades.” 29
Assim, o conceito de desenvolvimento ambientalmente sustentável surgiria como forma 
de harmonizar princípios dos direitos humanos com princípios de proteção ambiental. 
A partir da década de 1990, ficou claro que a maneira pelo qual a economia nos países 
capitalistas se mantinha e se desenvolvia não só ameaçava de maneira coletiva a vida de 
outras espécies animais e vegetais, como também estava colocando a própria vida do homem 
em risco. 
Afinal, a sociedade capitalista é intimamente dependente da produção contínua de 
energia. Essa energia é produzida em larga escala através de fontes não renováveis, 
27 Cf:​ ​CANÇADO TRINDADE, ​op. cit​., p. 173. 
28 Ibidem, idem, p. 171. 
29 RIOS, Aurélio Virgílio & Derani, Cristiane. ​Princípios gerais do Direito Internacional Ambiental. ​In: ​O direito e o 
desenvolvimento sustentável​: curso de direito ambiental. Org: Aurélio Virgílio Veiga Rios. São Paulo: Peirópolis, 2005, p. 95. 
principalmente a queima de petróleo e gás natural. Essa queima lança na atmosfera o dióxido 
de carbono. Essa elevação do dióxido de carbono eleva a temperatura da Terra , criando 30
modificações climáticas imprevisíveis. Portanto, a busca do equilíbrio entre desenvolvimento e 
respeito ao meio ambiente, tornou-se não só eticamente importante, mas materialmente 
imprescindível. 
Desse modo, a ONU começou a estimular a produção de acordos internacionais 
capazes de refrear essa danosa conseqüência ao homem. A conferência de Kyoto, realizada 
em 1997, que resultou no protocolo de Kyoto, procurava obter dos países centrais metais de 
redução de dióxido de carbono. Esse protocolo não alcançou os fins desejados pois, os E.U.A., 
responsável por aproximadamente um quarto da emissão de dióxido de carbono na atmosfera, 
 recusaram-se a assiná-lo. 31
Por outro lado, a preocupação entre desenvolvimento econômico e o respeito ao meio 
ambiente uniu definitivamente a maioria dos movimentos ecológicos com a maioria dos 
movimentos que lutavam pelo respeito aos direitos humanos. Afinal, as mudanças climáticas 
patrocinadas pelo próprio homem atingiam as populações de maneira assimétrica. Com efeito, 
boa parte dos desequilíbrios ecológicos atingem de maneira mais acentuada os mais pobres. 
Essas catástrofes ambientais obrigam, às vezes, a grandes deslocamentos humanos, fazendo 
surgir o já denominado refugiado ambiental. 
Dessa forma, conforme já mencionado, a Declaração do Rio de 1992 e a Agenda 21, 
mencionaram expressamente constituir um direito humano inalienável o desenvolvimento 
ambientalmente sustentável demonstrando a inexorável conexão entre proteção ambiental e 
respeitos aos direitos fundamentais. 
A declaração do Rio estabeleceu, em seus princípios, que os Estados, no exercício de 
sua soberania, têm o direito de “ explorar seus próprios recursos naturais”, mas também o “ 
dever de controlar atividades de forma a não prejudicar o território de outros”. Estavam 
lançadas as bases normativas do desenvolvimento sustentável. 
Esse documento, por outro turno, privilegiou a atuação preventiva do Estado de modo 
que se evitasse danos ambientais previsíveis ou possíveis ou prováveis . 32
30 Cf. CARVALHO, Edson Ferreira. op. cit. p. 30. 
31 Cf. ​Id., ibid.​, p. 30. 
32 Cf.​ ​RIOS, Aurélio Virgílio Veiga Rios & Derani, Cristiane. ​op. cit.​, p.89. 
Ademais, recentemente com a publicação do IPCC , painel intergovernamental sobre 33
mudanças climáticas, premiado com o Nobel da Paz, reconheceu-se cientificamente que o 
aquecimento global é fruto da atividade humana e que esse aquecimento trará conseqüências 
climáticas que colocariam em risco milhares de vidas humanas. Nesse documento também 
ficou estabelecido que o Brasil atualmente contribui de maneira significativa para o fenômeno , 34
principalmente através da queima de florestas para sua conversão em pastos e lavouras. 
Aula – Revolução Industrial 4.0 
Indústria 4.0: entenda o que é a quarta revolução industrial 
A expressão criada por Klaus Schwab é uma mudança de paradigma que está transformando a 
forma como consumimos e nos relacionamos – entenda os impactos para o seu emprego e 
para a economia 
A ​quarta revolução industrial ​, ou ​Indústria 4.0​, é um conceito desenvolvido pelo alemão 
Klaus Schwab​, diretor e fundador do Fórum Econômico Mundial. Hoje, é uma realidade 
defendida por diversos teóricos da área. Segundo ele, a industrialização atingiu uma quarta 
fase, que novamente “transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e 
nos relacionamos”. É, portanto, uma mudança de paradigma, não apenas mais uma etapa do 
desenvolvimento tecnológico. 
A revolução informacional – ou ​terceira revolução industrial – trouxe eletrônicos, tecnologia 
da informação e das telecomunicações. Utilizando estas tecnologias como fundação, a 
33 Disponível em ​http://www.ipcc.​ disponível

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