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A MORTE E O PROCESSO DE MORRER A morte e o processo de morrer são fenômenos que geram angústia, medo e ansiedade e, apesar de fazerem parte da vida, ainda são considerados tabus. As atitudes das pessoas em relação à morte são influenciadas por sistemas de crenças pessoais, culturais, sociais e filosóficas que irão moldar seus comportamentos conscientes ou não. No cuidado em saúde, cotidianamente os profissionais se deparam com o sofrimento físico, emocional, social e espiritual das pessoas e, em muitos casos, com situações de difícil resolução. O modelo de atenção à saúde baseia-se em prevenção, diagnóstico, tratamento efetivo e cura de doenças, mas diante da incurabilidade de determinadas doenças esse modelo se mostra ineficaz. Aliviar sintomas, nesse caso, requer medicamentos, mas também abordagens aos sintomas emocionais, sociais e espirituais, bastante complexos de se lidar. Estágios avançados de determinadas doenças, como o câncer, por exemplo, são situações temidas por estarem atreladas ao sofrimento físico e moral, à dor, à mutilação, e à morte. Comumente o sofrimento se estende por toda a família e amigos, gerando medo e insegurança e, geralmente, são poucos os profissionais preparados para lidar com toda a complexidade de um paciente com doença avançada e em progressão. De modo geral, há carência de debates nas escolas de ensino fundamental, médio e superior, demandando ampliação do escopo da educação para a morte, em face da interdição do tema. Na enfermagem, há muitos desafios a serem enfrentados na formação, tais como as limitações nos currículos das escolas sobre o processo de morte e morrer, especialmente em ambientes multiculturais. No que se refere aos modelos de atenção, também há diferentes políticas e práticas nos sistemas de saúde que implicam a aquisição de habilidades profissionais para lidar com as situações de cuidados de fim de vida e morte. A VIDA, O CUIDADO E A MORTE A vida é o grande triunfo do cuidado em saúde e exaltá-la obscurece a visão dos profissionais de saúde, interdita a compreensão de que quando a morte é inevitável, porque o curso na vida foi completado, por adoecimento ou por fatalidade, cuidar de sua morte é uma ação digna e necessária, sendo também uma importante função do profissional de saúde. A morte está presente no cotidiano desses profissionais, mas o preparo formal ainda é insuficiente, com ensino voltado para a tecnociência, mas com pouco espaço para a abordagem dos aspectos emocionais, espirituais e sociais do ser humano. Essa insuficiência gera dúvidas sobre o que fazer nos casos incuráveis que, fatalmente, conduzirão o indivíduo à morte. Mas é preciso considerar que os profissionais também sofrem nesse processo, pois falar de morte e do processo de morrer exige -lhes grande esforço cognitivo e emocional, pois essa linguagem não lhes foi ensinada ou o foi de forma incipiente, no processo pedagógico de formação. Não há investimento adequado e suficiente nas formações, tanto de nível técnico quanto de nível superior que lhes permita interpretar os sentimentos que emergem nesse momento, que é único na vida de alguém. Os profissionais de saúde cuidam da dor do outro, mas não encontram o acolhimento adequado para os seus próprios sofrimentos e muitos adoecem. Poucos profissionais tiveram experiências que pudessem esclarecer os diversos questionamentos que surgem nesse momento inusitado de encontro. E ainda se acrescenta que, sendo o processo de morrer uma vivência subjetiva, os cuidados são singulares e sempre sob demanda, exigindo do profissional uma disposição para cuidar também única, além de capacidade de comunicação verbal e não verbal para estabelecimento de relação humana, tão essencial ao cuidado em saúde. A morte integra o desenvolvimento humano no seu ciclo vital, é uma realidade e, por mais que se tente abstraí-la e torná-la distante, ela estará presente algum dia na vida de todos. Acompanhar a morte de outrem traz à consciência de sua própria condição de mortalidade, gerando ansiedade e desconforto. Essa consciência é que diferencia o ser humano dos outros animais. Negá-la é uma das formas de não entrar em contato com as experiências dolorosas e de se sentir único e inesquecível. Essa idealização ressalta a fragilidade, a finitude e a vulnerabilidade humana. Pensar que um dia todos irão morrer, sem saber de que ou como, gera uma angústia existencial. Por isso é tão comum ocorrer uma postura defensiva de afastar-se da ideia por meio do distanciamento das situações concretas de morte. Afastar- -se gera no imaginário uma forma de autoproteção como se, ao não entrar em contrato com a morte, ela pudesse não existir. Esse afastamento não é só existencial, vai ocorrendo no cotidiano da vida das famílias. Historicamente a morte ocorria no âmbito do lar, com a participação da família, sendo aos poucos institucionalizada e incorporada ao hospital. Essa migração de local alterou toda a percepção sobre o processo de morrer, que se refletiu na postura das pessoas e das famílias diante dela. Não há propósitos e motivações para se participar do processo de morrer dos familiares, ao contrário, há um estranhamento, uma vez que esse processo não foi construído nas mentes desde a infância. Para reverter esse estranhamento, deve-se criar o hábito de pensar, discutir, dialogar sobre a morte e as questões que surgem a partir daí e do momento em que a pessoa decide encarar sua própria finitude. A morte levanta questionamentos sobre a vida: como se está vivendo, quais as escolhas feitas até aquele momento. A morte convida todos a olharem para a vida, em todas as suas nuanças construídas até então. CUIDADOS PALIATIVOS A palavra "paliativo" vem do latim Pallium, que significa pano ou manto que cobre, que esconde. Também é usado metaforicamente como encobrir, disfarçar. Apesar disso, no sentido da saúde, os cuidados paliativos servem para proteger. Cuidados paliativos são um conjunto de cuidados que visam melhorar a qualidade de vida de uma pessoa doente e dos seus familiares, aliviando e prevenindo o sofrimento diante de uma doença que pode por fim à sua vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os cuidados paliativos consistem numa abordagem multidisciplinar para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e seus familiares perante uma doença que ameace a continuidade da vida, através da prevenção e alívio do sofrimento por meio de uma identificação precoce, avaliação impecável, tratamento da dor e outros problemas físicos, psicossociais e espirituais. Os cuidados paliativos buscam promover o alívio da dor e afirmar a vida, considerando o óbito como um processo natural. “Seus princípios são não acelerar nem adiar a morte, integrar os aspectos psicológicos e espirituais no cuidado à pessoa, oferecer sistema de suporte para auxiliar os familiares durante e após a doença e abordagem multiprofissional para focar as necessidades da pessoa enferma”. Além de abordar as necessidades físicas, os aspectos sociais, emocionais e espirituais da pessoa enferma, o cuidado paliativo enfoca, ainda, suas expectativas e desejos. O que é indispensável para a elaboração do plano de cuidado individualizado à pessoa com doença grave, em risco iminente de morte. “A assistência também enfoca as necessidades de seus familiares e cuidadores”. O plano de cuidados individual é elaborado pelo Processo de Enfermagem e tem como base a melhoria da qualidade de vida da pessoa enferma. Os profissionais integram a equipe interdisciplinar de cuidados e desenvolvem um trabalho de escuta sensível e atenta junto à pessoa enferma e seus familiares, permitindo a elesa livre expressão do sentimento, verbalizando o que sentem e suas inquietações. “Os profissionais prestam, ainda, orientações a respeito dos hábitos de sono, alimentação, atividades físicas, tratamento, buscando ajudar a pessoa a encontrar-se no universo da sua condição de estar com uma doença fora de possibilidades de cura atual”. Essa trabalho é de extrema importância, pois objetiva ajudar a pessoa sob os cuidados paliativos e seus familiares a viverem o mais ativamente possível esses últimos momentos, afirmando a vida e percebendo a morte como parte do ciclo vital. “O profissional de enfermagem tem um papel relevante na equipe de cuidados paliativos, considerando sua posição privilegiada de permanecer a maior parte do tempo junto à pessoa enferma e poder prestar a maior parcela de cuidados, além de poder posicionar-se como intermediador entre a pessoa/família e os demais membros da equipe”. TANATOLOGIA Thanatos= morte e Logos= estudo. Ou seja, o estudo da morte e do morrer, especialmente em seus aspectos psicológicos e sociais. Assim, a Tanatologia é a ciência da vida e da morte que visa entender o processo do morrer e do luto. E, simultaneamente, humanizar o atendimento aos que estão sofrendo perdas graves, podendo contribuir dessa forma na melhor qualificação dos profissionais que se interessam pelos Cuidados Paliativos, procedimentos que visam atenuar a dor e o sofrimento e aprimorar a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares diante de uma quadro ou doença terminal. Segundo Kübler-Ross (1992) um paciente em estágio terminal e seus familiares podem passar por cinco fases no processo do morrer: Negação: ajuda a aliviar o impacto da notícia, servindo como uma defesa necessária a seu equilíbrio. Geralmente em pacientes informados abruptamente e prematuramente. O paciente desconfia de troca de exames ou competência da equipe de saúde. Geralmente o pensamento que traduz essa defesa é: "não, eu não, não é verdade". O médico deve respeitar, porém ter o cuidado de não estimular, compactuar ou reforçar a negação. Raiva: o paciente já assimilou seu diagnóstico e prognóstico, mas se revolta por ter sido escolhido. Surgem sentimentos de ira, revolta, e ressentimento e tenta arranjar um culpado por sua condenação. Geralmente se mostra muito queixoso e exigente, procurando ter certeza de não estar sendo esquecido, reclamando atenção, talvez como último brado: Não esqueçam que ainda estou vivo! Nesta fase deve-se tentar compreender o momento emocional do paciente, dando espaço para que ele expresse seus sentimentos, não tomando as explosões de humor como agressões pessoais. Negociação: tentativa de negociar o prazo de sua morte, através de promessas e orações. A pessoa já aceita o fato, mas tenta adiá-lo. Deve-se respeitar e ajudar o paciente. Depressão: aceita o fim próximo, fazendo uma revisão da vida, mostrando-se quieto e pensativo. É um instrumento na preparação da perda iminente, facilitando o estado de aceitação. Neste momento, as pessoas que o acompanham devem procurar ficar próximas e em silêncio. Cabe ressaltar que o termo "depressão" não está sendo utilizado aqui para designar a doença depressiva, mas sim um estado de espírito. Aceitação: a pessoa espera a evolução natural de sua doença. Poderá ter alguma esperança de sobreviver, mas não há angústia e sim paz e tranquilidade. Procura terminar o que deixou pela metade, fazer suas despedidas e se preparar para morrer. No intuito de ajudar o paciente e seus familiares o profissional de saúde pode: • Ajudar a pessoa a enfrentar a crise, auxiliando-a a expressar seus sentimentos. • Ajudar a pessoa a descobrir os fatos, desmistificando fantasias e esclarecendo suas dúvidas, evitando especulações sobre a doença. • Não dar a pessoa uma falsa confiança, oferecendo ajuda e reconhecendo a validade de seus temores. • Não encorajar a pessoa a culpar as outras. • Ajudá-la a aceitar ajuda. • Incentivar e sugerir uma reorganização das tarefas cotidianas, para que a pessoa receba assistência. Não há uma ordem para a ocorrência dessas manifestações, tão pouco uma cronologia, sendo que o paciente pode vivenciar mais de uma destas fases, concomitantemente, num mesmo período ou até mesmo não vivenciar algumas delas. Estas fases são como mecanismos de defesa para enfrentar o processo desconhecido do morrer, em que os conflitos de ordem emocional, material, psicológica, familiar, social, espiritual, entre outros, surgem de forma acentuada. Há um vasto rol de situações de perdas que podem levar ao luto e que segundo Viorst (1998, p.13): TIPOS DE PERDAS: Morte Real: quando acontece a morte de uma pessoa amada ou algo concreto (privação do que foi perdido) há uma ausência física, são perdas tangíveis. Por exemplo: além da morte, perda de um membro ou parte do corpo por amputação ou trauma, separação, divórcio, perda de emprego ou uma posição importante; Morte Simbólica: que são perdas de natureza psicossocial. Tais como: velhice, gravidez e o nascimento do filho, final da infância, o final da adolescência, etc. Morte Domada: é a morte esperada. Geralmente morriam em guerras ou leitos. As pessoas queriam receber homenagens cabíveis. Nesse período existia uma divisão onde o pobre era sepultado no cemitério e o rico nos altares da igrejas. Morte de Si Mesmo: Foi quando as pessoas passaram a se preocupar com que vem depois da morte. Tinham medo de julgamentos, consciência da morte. Nesse período foi onde surgiu os testamentos e tudo era deixado para a igreja. Morte do Outro: é a morte romêntica, onde as pessoas acreditavam que depois que morressem reencontrariam seus amados. Foi quando surgiu a superstição com o medo do retorno, tentativas de contatos com os mortos e crenças em vidas futuras. Morte Invertida: é a morte na qual o indivíduo tem vergonha do fracasso, não aceita a morte e tem raiva. Geralmente acontece nos hospitais por medo de morrer. Para elaborar este processo ocorre o estado de luto, que consiste em uma elaboração da consciência da perda, ou seja, num processo de absorção da experiência e a reestruturação de sua vida (processo que leva o enlutado a uma ação, em outras palavras, a se adaptar a nova realidade a ser vivida). O luto é uma reação natural e saudável à perda. Na maioria dos casos, este é descomplicado, com sinais, manifestações ou expressões de luto saudáveis. Porém, quando este é extensamente prolongado por anos a fio, diz-se que seja um luto patológico, uma vez que a pessoa não se torna capaz de concluir este processo (RANGEL, 2008). As reações consideradas normais no luto são: • Sensações físicas: sensação de vazio no estômago; aperto no peito; nó na garganta; extrema sensibilidade ao barulho; sentimento de irrealidade e despersonalização; respiração curta; falta de ar; fraqueza muscular; baixa energia e secura na boca; • Cognições ou padrões diferentes de pensamento: descrença (reação inicial numa função protetora), confusão, preocupação, sensação de presença e alucinações (ex: ouvir a voz do falecido ou achar ter visto sua imagem); • Comportamentos associados: distúrbios do sono, do apetite, comportamento aéreo, tendência a esquecer das coisas, isolamento social, sonhos com a pessoa que faleceu, evitação de coisas que lembrem o morto, procurar e chamar pela pessoa, suspiros, hiperatividade, choro, dentre outros; • Sentimentos: frustração, dor, sofrimento, revolta, etc. • A insensibilidade pode manifestar-se como um período de indiferença que não deve persistir por mais de duas semanas. Intelectualmente, há uma conformidadecom o que aconteceu, mas sem estar acompanhado de sentimento. A sensação para a pessoa é de um sonho, pois se sente perdida e irreal. Já os indícios de um luto não elaborado incluem: → a pessoa não consegue falar do morto sem se fazer acompanhar de sentimentos intensos; → pequenos fatos desencadeiam intensa reação de luto; → o enlutado não quer mexer com os pertences do morto; → o enlutado apresenta sintomas físicos iguais àqueles que o morto sentia; → o enlutado faz mudanças radicais em seu estilo de vida no pós-perda ou exclui de seu relacionamento pessoas com as quais convivia antes da perda; → o enlutado pode apresentar depressão (doença) ou euforia (extrema reação de bem-estar com ideias ou reações fora da realidade); → como uma compensação pela perda o enlutado, identificando-se com o morto, tem uma compulsão por imitá-lo; → aparecimento de impulsos autodestrutivos numa variedade de situações; → uma tristeza não justificada em datas nas quais o enlutado passava com o morto, como feriados e aniversários; → o enlutado apresenta fobia de alguma doença ou morte relacionada ao acontecimento com o morto; → uma falta de contato com o que cercou a morte, tais como participação em rituais e visitas ao túmulo. Por estas considerações, entende-se que o entendimento sobre o processo da morte ou do morrer é necessário, não apenas, para a visão do profissional da área da saúde, mas também para sua própria vivência pessoal. EUTANÁSIA Etimologicamente, este termo se originou a partir do grego eu + thanatos, que pode ser traduzido como “boa morte” ou “morte sem dor”. A eutanásia é um tema polêmico. Existem países com uma legislação definida especificamente sobre a sua prática, enquanto que outros a refutam categoricamente por diversos motivos, principalmente religiosos e culturais. De modo geral, a eutanásia implica numa morte suave e indolor, evitando o prolongamento do sofrimento do paciente. Mas, por outro lado, a eutanásia também pode ser interpretada como o ato de matar uma pessoa ou ajuda-la a cometer o seu suicídio. O motivo de polêmica consiste justamente no confronto entre essas duas constatações. A eutanásia pode ocorrer por vários motivos: vontade do doente; porque os doentes representam uma ameaça para a sociedade (eutanásia eugênica); ou porque o tratamento da doença implica numa grande despesa financeira para a família, que por sua vez não tem condições de arca-la (eutanásia econômica). Apesar de algumas culturas aceitarem a eutanásia, a maior parte não admite essa atividade. Alguns códigos penais consideram a eutanásia como uma forma de homicídio, mas em alguns países como a Bélgica, Holanda e Suíça, esta é tida como uma prática legal. Atualmente, no código penal brasileiro, a prática da eutanásia não é estipulada. Assim sendo, o médico que termina a vida de um paciente por compaixão comete o chamado “homicídio simples”, indicado no artigo 121, e está sujeito a pena de 6 a 20 anos de reclusão. Isto porque o direito à vida é considerado inviolável de acordo com a Constituição Federal. Apesar disso, este é um tema bastante complexo, e tem sido abordado pela comissão de juristas que trabalha em um novo Código Penal. Mesmo sendo proibida no Brasil, existem algumas situações em que resquícios dessa prática são aplicados. Por exemplo, no estado de São Paulo, a lei 10.241 de 1999, confere o direito ao usuário de um serviço de saúde de rejeitar um tratamento que seja considerado doloroso e que sirva unicamente para o prolongamento da vida do paciente terminal. Existem vários argumentos a favor e contra a eutanásia, sendo que os defensores alegam principalmente que cada indivíduo deve ter direito a escolha entre viver ou morrer com dignidade, quando se tem consciência de que o estado da sua enfermidade é de tal forma grave que não compensa permanecer em sofrimento até que a inevitável morte chegue. Por outro lado, quem condena a eutanásia utiliza frequentemente o argumento religioso de que somente Deus (o “Criador do Universo”) teria o direito de dar ou tirar a vida de alguém e, portanto, o médico não deve interferir neste “processo sagrado”. TIPOS DE EUTANÁSIA QUANTO A AÇÃO Existem duas formas de prática da eutanásia: ativa e passiva. Eutanásia ativa acontece quando se apela a recursos que podem findar com a vida do doente (injeção letal, medicamentos em dose excessiva, desligando ventiladores mecânicos e etc.). Eutanásia passiva, a morte do doente ocorre por falta de recursos necessários para manutenção das suas funções vitais (falta de água, alimentos, fármacos ou cuidados médicos). TIPOS DE EUTANÁSIA QUANTO AO CONSENTIMENTO DO PACIENTE Eutanásia Voluntária: quando a morte é provocada atendendo a uma vontade do paciente. Eutanásia Involuntária: quando a morte é provocada contra a vontade do paciente. Eutanásia não voluntária: quando a morte é provocada sem que o paciente tivesse manifestado sua posição em relação a ela. ORTOTANÁSIA E DISTANÁSIA Ortotanásia Consiste no ato de parar com atividades ou tratamentos que prolongam a vida de forma artificial. Isto acontece em casos que uma pessoa se encontra em coma ou estado vegetativo, não havendo tendência para que recupere. É uma forma de eutanásia passiva. A ortotanásia é contemplada por muitos como uma morte que ocorre de forma mais natural. Distanásia É vista como o contrário da eutanásia, e remete para o ato de prolongar ao máximo a vida de uma pessoa que tem uma doença incurável. Frequentemente a distanásia implica numa morte lenta e sofrida. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO PREPARO DO CORPO APÓS MORTE A preparação do corpo pós-morte começa ainda no hospital, assim que o óbito é declarado. Nesse momento, as equipes de enfermagem precisam realizar uma série de procedimentos que visam reduzir os riscos de contaminação, garantir a integridade do leito para outros pacientes e enviar o corpo de maneira correta até a funerária ou o IML. É importante salientar que essa preparação do corpo pós-morte é algo bastante antigo e que era realizado em civilizações como os egípcios e os gregos, visando, justamente, preservar o corpo por mais tempo para que os rituais de despedida pudessem acontecer. PROCEDIMENTO: Após a constatação do óbito pelo médico, antes de começar qualquer procedimento é importante qua a enfermagem se certifique com a família do paciente se há alguma restrição religiosa, caso não haja deve-se começar o procedimento de preparo. REUNIR OS SEGUINTES MATERIAIS NECESSÁRIOS: 02 pares de luvas de procedimentos 03 etiquetas de identificação de óbito 500g de algodão 01 pinça Cheron 01 jarro com água, sabão líquido (50ml) 01 toalha, fita crepe (50 cm) 03 unidades de atadura de crepe 10 unidades de gaze não esterilizada 02 máscara 01 tesoura 02 lençóis 01 bandeja grande 01 maca sem colchão 02 aventais não esterilizados PRÉ - EXECUÇÃO: Observar constatação de óbito; Preencher a etiqueta de óbito com os dados; Preparar o material; Lavar as mãos. EXECUÇÃO: Checar o nome e o leito do cliente; Calçar as luvas de procedimento, avental e máscara; Desligar os equipamentos; Posicionar o corpo em decúbito dorsal e horizontal; Retirar sondas, catéteres e drenos; Proceder a higiene do corpo e realizar curativo nos locais necessários; Proceder o tamponamento das cavidades corporais com algodão e pinça de Cheron, se necessário utilizar material impermeável; Garrotear o pênis com 01 gaze; Recolocar prótese dentária; Manter decúbito horizontal dorsal com braços fletidos sobre o tórax; Fixar mandíbula, pulsos e tornozelos com atadura de crepe; Proceder a identificação, atando a etiqueta na extremidade do corpo (mãos e pés); Vestir o corpo após a entrega da roupa pela família Forrar a maca com lençol e transferir o corpo; Cobrir o corpo, completamente com lençol e colocar outra etiqueta de identificação; Solicitar abertura do necrotério; Acionar elevador para transportar o corpo; Deixar o ambiente em ordem. PÓS - EXECUÇÃO: Desprezar material utilizado, no expurgo; Realizar limpeza da maca e recolocar o colchão; Lavar as mãos; Realizar as anotações de enfermagem;