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Unidade 6 CLASSIFICAÇÃO DE ROCHAS METAMÓRFICAS Bases para Classificação Classificação Composicional Importante Classificação com Critério “Tipo de Metamorfismo” Classificação Quanto à Origem Bases para Classificação Bases para Classificação As rochas metamórficas são designadas, em geral, por um termo base ao qual podem, e em certos casos devem, ser agregados outros termos antes e/ou após este termo base. Na bibliografia é rara a indicação de regras para a designação das rochas metamórficas havendo, inclusive, controvérsias a respeito de certos termos. Isto é compreensível pois a designação/determinação das rochas metamórficas envolve conceitos poligenéticos, não só os da rocha original, com química, texturas e estruturas variavelmente preservados, como os da evolução transformacional propiciada pelos vários eventos metamórficos. Bases para Classificação Essa complexidade evolutiva pode levar mesmo a formação de rochas semelhantes a partir de protólitos completamente distintos - Ex.g. gnaisse originado de um pelito e gnaisse derivado de um granito. Por outro lado, rochas muito diferentes podem ser formadas a partir do mesmo protólito, dependendo dos fatores de metamorfismo envolvidos, notadamente T, P litostática, P stress ou dirigida, P fluidos (e sua química). - Ex.g. xisto azul, xisto verde, anfibolito e eclogito derivados de basalto. As rochas metamórficas são classificadas e designadas de acordo com vários critérios, notadamente os que envolvem a rocha de origem, a composição - química ou mineral – da rocha, o tipo e grau de metamorfismo e aspectos texturais/estruturais metamórficos. Bases para Classificação Deve se ter em mente que as rochas metamórficas ocorrem sempre com variações laterais e verticais que podem ser bastante bruscas - seja devido as variações originais da composição do protólito seja devido a variabilidade de tensões, fluidos, etc. relacionados aos processos metamórficos impostos e superimpostos as rochas transformadas. Cabe destacar que o ato de aportuguesar-se nomes de rochas e de minerais que tem por radical um nome próprio (pessoa, localidade, país..) é injustificável por criar, desnecessariamente, novos termos os quais, ainda por cima, não têm nenhum significado, como, por exemplo: kimberlito para quimberlito, scheelita para xilita, entre outros. Classificação com Critério Composicional Importante Classificação com Critério Composicional Importante Termos-base A seguir são relacionadas várias rochas metamórficas em que o critério composicional é importante na sua designação, mas não necessariamente o único: ARDÓSIA: grau metamórfico muito baixo; granulação muito fina, pouco brilho, cristalinidade baixa, clivagem ardosiana, ausente ou muito subordinada a segregação metamórfica de quartzo ou carbonatos em charneiras ou em bandas. O protólito geralmente é pelítico e paragênese a base de quartzo, sericita/fengita, clorita, pirofilita. Com aumento de metamorfismo regional transforma-se em filito, xisto e gnaisse. Ardósia Classificação com Critério Composicional Importante FILITO: rocha intermediária entre ardósia e xisto na evolução metamórfica de pelitos. Diferentemente da ardósia, o plano de xistosidade é bem definido e brilhante determinado pela disposição de mica muscovítica. XISTO: rocha de granulação fina-média, mas raramente grossa, com boa estrutura planar e/ou linear (xistosidade). É constituída principalmente por feldspatos (<20%), quartzo e minerais filitosos (micas e cloritas, dominantemente). Se os minerais filitosos somam mais de 50% chama-se de micaxisto. Filito Classificação com Critério Composicional Importante GNAISSE: a textura é variada e composicionalmente diferem dos xistos por serem mais ricos em feldspatos (feldspatos>20%) e terem menos minerais micáceos. Anfibólios e/ou piroxênios são minerais máficos comuns. Usualmente mostram estruturas bandadas, com bandas de "minerais félsicos e máficos". ANFIBOLITO: derivado de rochas básicas ou de rochas sedimentares como calcários impuros; tem a hornblenda e o plagioclásio como paragênese característica de grau metamórfico médio a alto. Pode se apresentar maciço ou bandado. Gnaisse bandado com intercalações de anfibolito Classificação com Critério Composicional Importante ECLOGITO: rocha básica, basalto ou gabro, que sofreu metamorfismo da fácies eclogito, típica de duplicação crustal com pressões maiores do que 10 kbar (>30 km de crosta sobrejacente) e temperaturas variáveis que podem chegar aos 1.000oC, transformando-se em uma rocha, cujos componentes são minerais estáveis às altas P e T: piroxênio sódico, onfacítico, e granada magnesiana, piropo. ESTEATITO ou PEDRA- SABÃO: rocha composta essencialmente por talco ao qual podem se agregar magnesita e quartzo. É derivada principalmente de rochas ígneas ultramáficas. Eclogito Classificação com Critério Composicional Importante GONDITO: rocha metamórfica cujos componentes principais são a granada manganesífera (espessartita) e o quartzo; deriva fundamentalmente de camadas de chert associado com vulcanismo. ITABIRITO: descrita em Itabira, MG, o itabirito é uma rocha bandada, alternando níveis milimétrico/centimétricos de hematita (magnetita) com níveis silicáticos, geralmente de quartzo. Itabirito Gondito Classificação com Critério Composicional Importante MÁRMORE: calcário recristalizado metamorficamente tendo como constituinte importante (>50%) um carbonato, geralmente calcítico ou dolomítico. Ocorre em várias fácies: maciço, bandado, brechóide etc. QUARTZITO: metamorfito cujo componente principal é o quartzo (>75% como ordem de grandeza). Pode derivar de arenitos quartzosos, riolitos silicosos, chert, pods ou veios de quartzo. Quartzito Mármore Classificação com Critério Composicional Importante ROCHA CALCISSILICÁTICA: rocha maciça ou bandada composta por minerais cálcio- silicáticos metamórficos como epidoto, diopsídio, grossulária, escapolita (entre outros) derivada de mármores impuros e/ou metassomatizados. TACTITO ou SKARNITO: rocha calcissilicática que sofreu metamorfismo e/ou metassomatismo de contato. Classificação com Critério Composicional Importante À semelhança do serpentinito ocorrem várias rochas metamórficas maciças com tendência monominerálica em que o mineral predominante, metamórfico, dá o nome a rocha, como: CLORITITO, ACTINOLITITO, TREMOLITITO, EPIDOSITO. Observação: alguns termos como HORNBLENDITO, PIROXENITO, PERIDOTITO entre outros são reservados para rochas ígneas. SERPENTINITO: rocha composta por serpentina predominante, pode ser maciça ou xistosa caso em que pode ser chamada de serpentina xisto. Serpentinito Classificação com Critério Composicional Importante XISTO VERDE: termo especial para designar xisto derivado de rocha máfica, em condições de baixo grau formando minerais verdes como: actinolita, epidoto, clorita, junto com albita e algum quartzo. XISTO AZUL: termo especial para designar xisto derivado de rocha máfica, em condições de baixa temperatura e alta pressão, caracterizando crosta oceânica colisionada com minerais azuis como o anfibólio sódico glaucofano além de lawsonita, epidoto, clorita. Xisto Azul Xisto Verde Classificação com Critério Composicional Importante Uso de nomes de minerais metamórficos antes dotermo base A classificação de uma rocha metamórfica exige, muitas vezes, a utilização de nomes de minerais para a sua perfeita caracterização. Esta necessidade se dá tanto para definir composicionalmente quanto metamorficamente a rocha. Assim, por exemplo, uma rocha pode ter somente 1% de sillimanita, mas a importância do mineral como indicador de condições metamórficas exige o seu nome antes do termo base (Ex.g. sillimanita gnaisse). Classificação com Critério Composicional Importante Vários nomes de minerais podem anteceder, assim, o nome da rocha para a sua perfeita classificação, seguindo-se como regra que os nomes dos minerais mais próximos do nome da rocha correspondem às fases que ocorrem em maior abundância. Por exemplo: uma rocha classificada como cordierita granada biotita muscovita xisto contem mais muscovita que biotita, mais biotita que granada e mais granada do que cordierita. Naturalmente que não são usados nomes de minerais em rochas que já os tem como característicos de sua composição. Por exemplo: hornblenda e plagioclásio em anfibolito; quartzo, até 40 %, em xistos micáceos. Classificação com Critério Composicional Importante Uso de nomes após o termo base, adjetivando-o. Não há regra rígida no uso destes termos que sucedem o nome principal da rocha. Entretanto, o seu uso retrata, muitas vezes, teores menores mas que devem ser realçados tanto para a caracterização mineralógico- petrográfica quanto química e que podem ter implicações genéticas. Veja os exemplos que seguem: Metachert manganesífero / Gnaisse granodiorítico / Xisto máfico Xisto feldspático / Micaxisto granatífero / Xisto calcítico / Xisto grafitoso Classificação com Critério “Tipo de Metamorfismo” Classificação com Critério “Tipo de Metamorfismo” Rochas que sofreram metamorfismo dinâmico CATACLASITO: rocha de metamorfismo dinâmico ou cataclástico em que os componentes minerais tiveram comportamento (reologia) predominantemente rúptil ou quebradiço durante a ação metamórfica, favorecendo a geração de textura com grãos minerais quebrados em grãos menores (sub-grãos), rotacionados, encurvados e com crescimento metamórfico muito limitado ou inexistente. FILONITO: é um milonito estrutural e mineralogicamente semelhante a filito do metamorfismo regional. Cataclasito Classificação com Critério “Tipo de Metamorfismo” MILONITO (to mill = moer): rocha com grãos triturados mas, diferentemente do cataclasito, ocorrem componentes minerais como clorita, sericita que sofreram deformação dúctil, ficando estirados e achatados muitas vezes definindo uma foliação milonítica. A formação de cataclasito ou milonito é comandada pelas propriedades reológicas da rocha que varia, também, com a menor ou maior pressão de H2O (A rocha anidra é geralmente mais quebradiça). Milonito BLASTOMILONITO: rocha polimetamórfica que já foi um milonito mas que hoje encontra-se, em grande parte, recristalizada, seja por metamorfismo de contato, seja por metamorfismo regional. Classificação com Critério “Tipo de Metamorfismo” Os prefixos PROTO e ULTRA para os termos CATACLASITO e MILONITO referem-se, respectivamente, a percentagem menor (10-50%) e maior (>90%) de matriz quebrada/triturada da rocha. Rochas que sofreram metamorfismo de contato predominante HORNFELS ou CORNUBIANITO: rocha com aspecto/textura de chifre, sem orientação preferencial, textura fina e de grãos engranzados, muitas vezes poiquiloblástica e que ocorre nos contatos metamorfizados por intrusões que ascenderam muito quentes. Hornfels TACTITO ou SKARNITO: rocha calcisilicática que sofreu metamorfismo e/ou metassomatismo de contato. Classificação com Critério “Tipo de Metamorfismo” Rochas que sofreram metamorfismo meteorítico ou de impacto predominante IMPACTITO: rocha formada pelo metamorfismo de impacto de meteoros com texturas e estruturas típicas e com mineralogia característica de muito alta temperatura como coesita, stishovita, mullita e vidro. Rochas que sofreram metamorfismo regional predominante Em termos de extensão as rochas de metamorfismo regional são as mais importantes nas áreas continentais. Muitas foram citadas anteriormente. Uma série típica de evolução de grau mais baixo para mais alto neste tipo de metamorfismo é a das rochas pelíticas conforme indicada abaixo: ardósia => filito => xisto => gnaisse => migmatito ou granulito ácido Classificação com Critério “Tipo de Metamorfismo” GRANULITO: rocha de alto grau metamórfico cuja designação é a mesma da fácies metamórfica regional de alta temperatura, elevado grau geotérmico (T/P) e condições anidras (Pcarga>>>PH2O). A classificação da rocha exige a sua caracterização composicional (Ex.g.: granulito ácido; granulito diorítico, granulito ultramáfico. Existem termos específicos para algumas fácies, como leptinito, charnockito, enderbito, São rochas granoblásticas, maciças a foliadas, granulação variável de muito fina (leptinitos, por exemplo) até muito grossa (alguns charnockitos, por exemplo). Classificação Quanto à Origem Classificação Quanto à Origem Uso do prefixo META (indicação do protólito) Quando se tem certeza da rocha de origem, pode-se usar o prefixo META para designar a rocha metamórfica. Exemplos: metabasalto / metagranito / metassedimento / metavulcanito / meta-arenito / metassiltito / metachert / metapelito Observar que o uso do prefixo meta não caracteriza o grau nem a textura e estrutura metamórfica da rocha. Este critério de designação é muito comum em terrenos anquimetamórficos ou de baixo grau onde as rochas originais estão mais bem preservadas. Uso do nome do protólito com sufixo indicativo da rocha metamórfica Alem do prefixo meta, usa-se indicar o nome da rocha original sucedido por termos que indicam a rocha metamórfica atual. Ex: granito gnaisseficado; gabro anfibolitizado. Estas designações implicam em reconhecimento seguro do protólito, muitas vezes devido ao fato de que o metamorfismo não foi pervasivo ou foi parcial na rocha. Classificação Quanto à Origem Classificação Quanto à Origem Uso dos prefixos ORTO e PARA Os prefixos ORTO e PARA antecedem o termo base que identifica a rocha metamórfica (Ex.g. ortoanfibolito, paragnaisse ...) e o uso deles implica em uma identificação genética segura da rocha de origem com o seguinte critério: orto - a rocha original é ígnea, plutônica, hipabissal ou vulcânica. para - a rocha original é sedimentar.