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OFICINA DE 
INSTRUMENTOS 
TÉCNICOS 
OPERATIVOS
Professora Esp. Daniela Sikorski
Professora Esp. Fernanda Carvalho Basilio Hernandez
Professora Esp. Júlia Fernanda Mariotto Casini
Professora Esp. Suzie Keilla Viana da Silva
GRADUAÇÃO
Unicesumar
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário 
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828
Impresso por:
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação 
a Distância; SIKORSKI, Daniela; HERNANDEZ, Fernanda 
Carvalho Basilio; CASINI, Júlia Fernanda Mariotto; SILVA, Suzie 
Keilla Viana da.
 
 Oficina de Instrumentos Técnicos Operativos. Daniela Sikorski; 
Fernanda Carvalho Basilio Hernandez; Júlia Fernanda Mariotto 
Casini; Suzie Keilla Viana da Silva.
 Maringá-Pr.: UniCesumar, 2016. Reimpresso em 2018.
 189 p.
“Graduação - EaD”.
 
 1. Oficina. 2. Instrumentos. 3. Técnicos. 4. EaD. I. Título.
ISBN 978-85-459-0432-8
CDD - 22 ed. 361
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor Executivo de EAD
William Victor Kendrick de Matos Silva
Pró-Reitor de Ensino de EAD
Janes Fidélis Tomelin
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Diretoria Executiva
Chrystiano Minco�
James Prestes
Tiago Stachon 
Diretoria de Design Educacional
Débora Leite
Diretoria de Graduação e Pós-graduação 
Kátia Coelho
Diretoria de Permanência 
Leonardo Spaine
Head de Produção de Conteúdos
Celso Luiz Braga de Souza Filho
Gerência de Produção de Conteúdo
Diogo Ribeiro Garcia
Gerência de Projetos Especiais
Daniel Fuverki Hey
Supervisão do Núcleo de Produção 
de Materiais
Nádila Toledo
Supervisão Operacional de Ensino
Luiz Arthur Sanglard
Coordenador de Conteúdo
Maria Cristina Araújo de Brito Cunha
Designer Educacional
Rossana Costa Giani
Projeto Gráfico
Jaime de Marchi Junior
José Jhonny Coelho
Arte Capa
Arthur Cantareli Silva
Ilustração Capa
Bruno Pardinho
Editoração
Matheus Felipe Davi
Qualidade Textual
Pedro Barth
Gabriel Bruno Martins
Ilustração
Marcelo Goto
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos 
com princípios éticos e profissionalismo, não so-
mente para oferecer uma educação de qualidade, 
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in-
tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos 
em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e 
espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos 
de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 
100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: 
nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, 
Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos 
EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e 
pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros 
e distribuímos mais de 500 mil exemplares por 
ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma 
instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos 
consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos 
educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos educa-
dores soluções inteligentes para as necessidades 
de todos. Para continuar relevante, a instituição 
de educação precisa ter pelo menos três virtudes: 
inovação, coragem e compromisso com a quali-
dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de 
Engenharia, metodologias ativas, as quais visam 
reunir o melhor do ensino presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes 
áreas do conhecimento, formando profissionais 
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento 
de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Pró-Reitor de 
Ensino de EAD
Diretoria de Graduação 
e Pós-graduação
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
profissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu-
nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de 
alcançar um nível de desenvolvimento compatível com 
os desafios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica 
e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con-
tribuindo no processo educacional, complementando 
sua formação profissional, desenvolvendo competên-
cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em 
situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado 
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal 
objetivo “provocar uma aproximação entre você e o 
conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento 
da autonomia em busca dos conhecimentos necessá-
rios para a sua formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cresci-
mento e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. 
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu 
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns 
e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis-
cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe 
de professores e tutores que se encontra disponível para 
sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de 
aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui-
lidade e segurança sua trajetória acadêmica.
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Professora Esp. Daniela Sikorski
Especialista em Política Social e Gestão de Serviços Sociais pela Universidade 
Estadual de Londrina. Possui Graduação em Serviço Social pela Universidade 
Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Tem experiência profissional na área de 
Serviço Social na Educação, Terceiro Setor, Responsabilidade Social e Gestão 
na Área da Saúde. Experiência em Educação a Distância em Serviço Social.
Professora Esp. Fernanda Carvalho Basilio Hernandez
Especialista em EAD e as Novas Tecnologias. Graduada em Serviço Social 
pela Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana (FECEA). 
Atualmente, é professora orientadora da Pós-graduação do Núcleo de 
Educação a Distância - NEAD Unicesumar. 
Professora Esp. Júlia Fernanda Mariotto Casini
Especialista em Gestão da Política de Assistência Social na Perspectiva do 
SUAS pela Faculdade de Paraíso do Norte (FAPAN). Especialista em Gestão da 
Saúde pela Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (UNICENTRO). 
Graduada em Serviço Social pela Faculdade Estadual de Ciências Econômicas 
de Apucarana (FECEA). Foi aluna não-regular do mestrado em Serviço Social 
e Política Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL) – 2015-2016. 
Atualmente, é assistente social do Centro de Referência Especializado para 
População em Situação de Rua (Centro POP), do Município de Maringá – PR.
Professora Esp. Suzie Keilla Viana da Silva
Especialista em Gestão da Política de Assistência Social na Perspectiva do 
SUAS – FAPAN e aluna Não-regular do Curso de Mestrado em Ciências Sociais 
na Universidade Estadual de Maringá – UEM. Bacharel em Serviço Social pela 
Fundação Universidade do Tocantins – UNITINS. Atualmente é Professora 
Mediadora do Curso de Serviço Social no Núcleo de Educação a Distância - 
NEAD Unicesumar. 
SEJA BEM-VINDO(A)!
Olá, caro (a) estudante! É com imenso prazer que apresentamos a você o livro da discipli-
na de Oficina de Instrumentos Técnicos e Operativos. Este material foi produzido a partir 
de um trabalho coletivo de parte da equipe do curso de Serviço Social. 
Nós somos as professoras Fernanda Carvalho Basilio Hernandez, Júlia Fernanda Mariot-
to Casini, DanielaSikorski e Suzie Keilla Viana da Silva, autoras deste livro. Pensamos 
e realizamos esta produção com muito carinho, levando em consideração os aspectos 
mais relevantes que são necessários para o seu processo de formação profissional. Afi-
nal, você é um assistente social em formação! E, portanto, já faz parte da categoria pro-
fissional de assistentes sociais.
Logo mais, você estará inserido nos mais diversos espaços sócio-ocupacionais que ne-
cessitam do exercício profissional do assistente social. Sabe-se que, atualmente, são di-
versificados os espaços nos quais o assistente social se faz presente e impacta, de modo 
positivo, a vida da população usuária, independente da especificidade que a interven-
ção possua. Seja na esfera pública ou privada, o Serviço Social é requisitado para aten-
der demandas que emanam de seu objeto de estudo e intervenção: a questão social. 
Enquanto profissão, inserida na divisão social e técnica do trabalho, os assistentes so-
ciais precisam responder a necessidades sociais. Para tanto, é necessário realizar inter-
venção na realidade social. É a partir da intervenção no tecido social que o assistente 
social pode transformar a realidade social. O processo de trabalho do assistente social 
possui distintas dimensões que se relacionam: teórico-metodológica, ético-política e 
técnico-operativa. A dimensão técnico-operativa do assistente social é a dimensão que 
possibilita o “agir” profissional. É operando que o assistente social realiza intervenções e 
pode transformar a realidade dos sujeitos que atende. 
E é, desse modo, que a dimensão técnico-operativa traduz o agir profissional. Para in-
tervir na realidade o assistente social se utiliza de instrumentos e técnicas. Por isso que 
falamos em “instrumentos técnicos e operativos”. São, portanto, instrumentos de opera-
cionalização da prática profissional do assistente social. Tal dimensão oferece significa-
do ao “operar” do assistente social.
Para operar, para agir, para intervir na realidade social, o assistente social precisa, neces-
sariamente, estar ancorado em uma sustentável base teórico-metodológica e em uma 
base ético-política. Sendo assim, é preciso conhecer a realidade por meio de um méto-
do e de teorias e, ainda, assumir uma posição profissional que esteja ao lado da classe 
trabalhadora. A partir disso, é que a dimensão técnico-operativa ganha sentido. 
Pensando dessa forma, foi que organizamos este livro de modo a contemplar os prin-
cipais pontos, nesta disciplina, que são necessários ao processo de ensino e aprendiza-
gem. 
APRESENTAÇÃO
OFICINA DE INSTRUMENTOS TÉCNICOS 
OPERATIVOS
A unidade I introduzirá a instrumentalidade no Serviço Social e os seus conceitos, 
demonstrando como esse assunto toma corpo no âmbito da profissão. A diferen-
ciação entre instrumento e instrumentalidade e, ainda, as mudanças ocorridas no 
processo de operacionalização da prática.
Na unidade II, vamos discutir a dimensão técnico-operativa do Serviço Social e a 
sua relação com as dimensões teórico-metodológica e ético-política. Veremos que 
a atuação do profissional possui essas dimensões e é preciso que o assistente social 
tenha clareza sobre elas.
Na unidade III, abordaremos os principais instrumentos e técnicas utilizados pelos 
assistentes sociais. Você conhecerá os principais instrumentos e técnicas dos quais 
o Serviço Social se utiliza para intervir na realidade. 
Na unidade IV, vamos trabalhar a questão do registro e da documentação no exer-
cício profissional. Pois, a utilização de um instrumental pressupõe a coleta de infor-
mações para a intervenção no tecido social. Isso, por sua vez, requer registro e docu-
mentação. Sem registrar e sem documentar a prática profissional, não conseguimos 
dar materialidade ao nosso agir.
Por fim, na unidade V, vamos relacionar a importância do conhecimento para a prá-
xis (relação teoria e prática) no Serviço Social. Pois, é o conhecimento que oferece 
sustentação para a intervenção profissional que ocorre por meio da dimensão téc-
nico-operativa e, portanto, a partir da instrumentalidade.
Esperamos que seus conhecimentos possam ser aprimorados por meio das refle-
xões aqui propostas. Lembre-se que nenhum instrumento ou técnica utilizado pos-
sui valor ou materialidade se for desprovido do conhecimento. Desse modo, que-
remos possibilitar que você seja um profissional instrumentalizado e possa estar 
comprometido com a qualidade dos serviços prestados, na perspectiva da garantia 
dos direitos sociais, civis e políticos. 
Bons estudos!
APRESENTAÇÃO
SUMÁRIO
09
UNIDADE I
A INSTRUMENTALIDADE NO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL
15 Introdução
16 Um Breve Resgate Histórico 
18 Conceitos de Instrumentalidade 
21 Diferenças entre Instrumento e Instrumentalidade 
26 A Instrumentalidade como Mediação 
29 A Instrumentalidade no Exercício da Profissão 
31 Instrumentalidade e o Serviço Social 
34 Considerações Finais 
39 Referências 
40 Gabarito 
UNIDADE II
A DIMENSÃO TÉCNICO-OPERATIVA E A SUA RELAÇÃO COM AS 
DIMENSÕES TEÓRICO-METODOLÓGICA E ÉTICO-POLÍTICA
43 Introdução
44 A Dimensão Técnico-Operativa no Serviço Social 
48 A Dimensão Ético-Política no Serviço Social 
50 A Dimensão Teórico-Metodológica no Serviço Social 
52 A Relação entre as Três Dimensões no Serviço Social 
56 Considerações Finais 
SUMÁRIO
10
61 Referências
62 Gabarito 
UNIDADE III
OS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DA INTERVENÇÃO 
PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL
65 Introdução
66 Condições para um Bom Atendimento 
74 Observação e Diálogo 
82 Relacionamento 
88 Investigação 
89 Análise de Conjuntura 
91 Instrumentais Quantitativos 
92 Instrumentais Qualitativos 
94 Diário de Campo 
95 Entrevista 
97 Visita Domiciliar 
106 Abordagem 
107 Reunião 
110 Dinâmica de Grupo 
112 Relatório Social 
115 Estudo de Diagnóstico Pós-Acolhimento 
SUMÁRIO
11
117 Plano Individual de Atendimento (PIA) 
119 Estudo Social 
121 Perícia Social 
122 Laudo Social 
123 Parecer Social 
126 Considerações Finais 
132 Referências 
135 Gabarito 
UNIDADE IV
A RELEVÂNCIA DOS REGISTROS NA DOCUMENTAÇÃO DO COTIDIANO 
PROFISSIONAL
139 Introdução
140 Considerações Acerca da Documentação e Registro da Ação Profissional 
141 Informação, Registro e Documentação Como Instrumento de Trabalho do 
Assistente Social
146 A Documentação do Cotidiano Profissional no Espaço Sóciojurídico 
149 O Sigilo Profissional Acerca do Atendimento e da Documentação 
153 Considerações Finais 
159 Referências 
160 Gabarito 
SUMÁRIO
12
UNIDADE V
O CONHECIMENTO E A SUA IMPORTÂNCIA PARA O SERVIÇO SOCIAL: A 
PRÁXIS NO PROCESSO DE INTERVENÇÃO
163 Introdução
164 Conceitos do Conhecimento e a sua Importância para o Serviço Social 
170 Concepção de Práxis no Serviço Social 
179 A Relação Teoria e Prática no Serviço Social 
180 Considerações Finais 
187 Referências 
188 Gabarito 
 
189 CONCLUSÃO 
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Professora Esp. Fernanda Carvalho Basilio Hernandez
A INSTRUMENTALIDADE NO 
TRABALHO DO ASSISTENTE 
SOCIAL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar o processo de construção, análise e utilização do 
instrumental técnico-operativo do serviço social em concordância 
com o projeto ético-político profissional. 
 ■ Refletir e entender a instrumentalidade do serviço social na prática 
profissional cotidiana.
 ■ Compreender técnica, método, instrumento e instrumentalidade 
enquanto parte da prática profissional do assistente social.
 ■ Discutir a instrumentalidade enquanto mediação das dimensões 
ético-política, teórico-metodológica e técnico-operativa do serviço 
social.
 ■ Apresentar a relevância da instrumentalidade no cotidiano 
profissional.■ Discutir a estreita relação entre a instrumentalidade e a profissão.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Um breve resgate histórico
 ■ Conceitos de instrumentalidade
 ■ Diferenças entre instrumento e instrumentalidade
 ■ A instrumentalidade como mediação
 ■ A instrumentalidade no exercício da profissão
 ■ A instrumentalidade e o serviço social
INTRODUÇÃO
Caro (a) aluno (a), com imensa satisfação este conteúdo foi preparado para lhe 
auxiliar na compreensão do que é instrumentalidade no serviço social, pois muito 
se confunde instrumentalidade com instrumentos e você perceberá que embora 
sejam palavras parecidas, na prática profissional seus significados são diferentes.
Discorreremos sobre a instrumentalidade no serviço social e seus conceitos. 
Faremos um breve resgate histórico para compreendermos o início da profis-
são e as mudanças que ocorreram na forma de se trabalhar, mudanças estas que 
ocorrem até a atualidade, pois como veremos no decorrer desta unidade, cada 
profissional tem sua própria instrumentalidade, já que cada um age a sua maneira. 
Ou seja, mesmo utilizando os mesmos instrumentais, a instrumentalidade muda. 
Dessa forma, também abordaremos as diferenças existentes entre instrumento 
e instrumentalidade, bem como a utilização da mesma no cotidiano profissio-
nal, transformando a prática, a realidade social e o cotidiano das pessoas. Isso 
quer dizer que os assistentes sociais usam e/ou modificam os meios e as condi-
ções, transformando-as, adaptando-as e utilizando-as em benefício próprio a 
fim de atingir seus objetivos e ao transformar a natureza da matéria os homens 
transformam a si próprios.
Parece complicado, não é mesmo? Mas no decorrer da leitura você perceberá 
que é mais simples do que parece! E compreenderá cada vez mais as diferenças 
que tanto falamos entre instrumento e instrumentalidade.
Por fim, falaremos sobre a instrumentalidade na prática profissional, o que 
acaba se tornando um desafio, pois no dia a dia pode predominar a no agir 
profissional, a reprodução automática da prática por si só, o fazer por fazer. 
O desafio é não se deixar paralisar pelo costume de fazer as mesmas coisas do 
mesmo jeito. E também por esse motivo é que a instrumentalidade se torna tão 
importante. Espero que você goste do conteúdo desta unidade e que ele auxilie 
no seu processo de aprendizagem e futuramente no sucesso de sua prática pro-
fissional. Boa leitura! 
Introdução
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A INSTRUMENTALIDADE NO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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UM BREVE RESGATE HISTÓRICO
O Serviço Social enquanto profissão pressupõe no desenvolvimento de suas 
funções algumas atribuições ético-políticas, teórico-metodológicas e técnico-ope-
rativas para trabalhar com as peculiaridades do dia a dia profissional. Portanto, 
para entendermos o que é instrumentalidade, voltaremos um pouco na história 
para entendermos melhor tudo isso. Vamos lá?
Na década de 1950, surgiu na América Latina, junto com a perspectiva 
desenvolvimentista, o Serviço Social de caso, grupo e comunidade. O objetivo 
do desenvolvimento, utilizando-se do capitalismo industrial, era possibilitar a 
transformação dos países subdesenvolvidos em uma potência como os Estados 
Unidos. Partindo desse cenário, os assistentes sociais, que antes analisavam os 
problemas da comunidade de maneira individual diante da concepção desen-
volvimentista, buscam um entendimento das relações sociais. Nesse período, 
constata-se uma tecnificação da ação profissional, junto com um processo buro-
crático intenso das atividades institucionais.
O primeiro estudo em nível de Serviço Social mais diretamente fundamen-
tado nas contribuições marxianas foi publicado na primeira metade dos 
anos 80 do século XX. Trata-se da obra “Relações Sociais e Serviço Social no 
Brasil – esboço de uma interpretação histórico-metodológica” (1985), de au-
toria da assistente social e professora Marilda Vilela Iamamoto, em parceria 
com Raul de Carvalho. 
Fonte: Silva (2007 p. 282). 
Um Breve Resgate Histórico
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Nos anos de 1960, as discrepâncias conjunturais auxiliam para que os primei-
ros questionamentos sejam realizados. Momento da Ditadura Militar, arrocho 
salarial, e outros acontecimentos contribuíram para que o Serviço Social tradi-
cional criasse o conhecido Movimento de Reconceituação.
O serviço social, na década de 1970, era problemático, pois, diante do 
Movimento de Reconceituação e o processo de ruptura com o tradicionalismo 
não foi bem aceito por toda a classe. Somente nos anos 1980 e 1990 é que o pro-
jeto ético-político rompe o tradicionalismo na profissão e constitui uma estrutura 
teórica com base na tradição marxiana.
Diante do breve resgate histórico, podemos compreender a razão, de na con-
temporaneidade, o projeto ético-político do Serviço Social ainda ser fortemente 
marcado pela tradição marxista, e comprometido com a classe trabalhadora na 
árdua luta de interesses travada entre capitalismo e proletariado.
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A INSTRUMENTALIDADE NO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E18
CONCEITOS DE INSTRUMENTALIDADE
Para compreendermos o termo instrumentalidade é preciso compreender o 
sufixo “idade”, que aqui expressa qualidade, peculiaridade ou habilidade de algo. 
Instrumentalidade transmite a ideia de instrumentos necessários ao trabalho do 
profissional, permitindo aos assistentes sociais planejar, delinear seus objetivos 
até chegar a resultados efetivos. Percebemos dessa maneira que a instrumenta-
lidade do Serviço Social não é feita somente de termos teórico-filosóficos, mas 
sim “constituídas de históricos da realidade social, tendo como matéria prima 
sua profissionalidade que está sempre sendo construída, conduzida e reconstru-
ída.” (GUERRA, 1995, p. 13).
Dessa maneira, comprovamos que a instrumentalidade no dia a dia do 
assistente social não é composta por instrumentos técnicos, mas sim por uma 
capacidade de constituir da profissão, no íntimo dos vínculos sociais do desem-
penho profissional, oportunizando a possibilidade de atender às demandas e a 
conquista dos projetos traçados.
Segundo Guerra (2000, p. 2):
Foi dito que a instrumentalidade é uma propriedade e/ou capacidade 
que a profissão vai adquirindo na medida em que concretiza objeti-
vos. Ela possibilita que os profissionais objetivem sua intencionalidade 
em respostas profissionais. É por meio desta capacidade, adquirida no 
exercício profissional, que os assistentes sociais modificam, transfor-
mam, alteram as condições objetivas e subjetivas e as relações interpes-
soais e sociais existentes num determinado nível da realidade social: no 
nível do cotidiano.
Na medida em que os profissionais utilizam, criam, adequam às condições 
existentes, transformando-as em meios/instrumentos para a objetivação das 
intencionalidades, suas ações são portadoras de instrumentalidade. Deste 
modo, a instrumentalidade é tanto condição necessária de todo trabalho 
social quanto categoria constitutiva, um modo de ser, de todo trabalho.
Fonte: Guerra (2000, p. 2).
Conceitos de Instrumentalidade
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Dito isso, perceba que o assistente social dá instrumentalidade ao seu exercício 
quando modifica o dia a dia, tanto profissional quanto das classes sociais que são 
sua demanda, alterando as condições efetivas, as transformando em condições, 
modo e instrumentos capazes de atingir as metas profissionais.
Segundo Iamamoto (2003, p. 62-63):
as bases teórico-metodológicas, são recursos essenciais que o Assisten-
te Social aciona para exercer o seu trabalho: contribuem para iluminar 
a leitura da realidade e imprimir rumos à ação, ao mesmo tempo em 
que a moldam. Assim, o conhecimento não é só um verniz que sobre-
põe superficialmente a prática profissional, podendo ser dispensado; 
mas é um meio pelo qual é possível decifrar a realidade e clarear a con-
dução do trabalho realizado.
O ser social é a base necessária para constatar que além de novos instrumentos, 
o serviço social precisa de racionalidade, como parâmetro e expressão faz teo-
rias e praticas capaz de esclarecer os objetivos. Ou seja, o Assistente Social não 
deve tomar os instrumentos como um fim em si mesmo, e sim entendê-los como 
instrumentalidade necessária para transformar a realidade.
Você pode estar se perguntando: por que a instrumentalidade é requisito para 
que a profissão tenha reconhecimento social? 
A INSTRUMENTALIDADE NO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E20
Vamos lá! Essa exigência ligada ao exercício profissional é transferida pelos 
homens no decurso de atendimentos das demandas materiais, por exemplo, 
comer, beber, dormir, procriar e também as necessidades espirituais, que dizem 
respeito à mente, ao espírito, às fantasias. Essa condição da instrumentalidade é 
construída e reconstruída no dia a dia por seus agentes no decorrer de todo tra-
balho social e suas ramificações, por exemplo, o Serviço Social.
O processo de trabalho proporciona a transformação do homem, dos outros 
e da realidade, e é por esse processo que, segundo Lessa (1999, p. 6), o homem
detém a capacidade de manipulação, de conversão dos objetos em ins-
trumentos que atendam as necessidades dos homens e de transforma-
ção da natureza em produtos úteis (e em decorrência, a transformação 
da sociedade). Mas a práxis necessita de muitas outras capacidades/
propriedades além da própria instrumentalidade.
Partindo desse pressuposto, o processo de trabalho é entendido como uma soma 
de atividades para se atingir o objetivo proposto, os quais advêm à existência e 
estão ligadas a adequação e criação dos modos e condições objetivas e subjetivas.
Em outras palavras, os profissionais usam ou modificam os meios e as con-
dições, transformando, adaptando e utilizando em benefício próprio a fim de 
atingir seus objetivos, e ao transformar a natureza da matéria os homens trans-
formam a si próprios, compondo um mundo necessário a realização do processo 
de trabalho. Conforme Guerra (2000, p. 4), “entretanto, tal conhecimento seria 
insuficiente se a ele não se acrescentasse a operatividade propriamente dita, a 
capacidade de os homens alterarem o estado atual de tais objetos”.
Dito isso, percebemos que por intermédio do trabalho, o homem passa a 
mediar seu relacionamento com os outros, desenvolvendo consciência e conhe-
cimento, pois “(...) o desenvolvimento do trabalho exige o desenvolvimento de 
suas próprias relações sociais e o processo de reprodução social como ser histó-
rico, e, portanto pela própria práxis” (LESSA, 1999; GUERRA, 2000).
Diferenças entre Instrumento e Instrumentalidade
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Veja que a transformação na discussão e na utilização da instrumentalidade se 
insere no cenário da construção e reconstrução da profissão, cenário esse que 
mudou ao longo dos anos, conforme vimos no conteúdo anterior. Agora, caro (a) 
aluno (a), você precisa saber diferenciar instrumentalidade e instrumentos, que 
parecem ser a mesma coisa, mas você verá que não são. Vamos ao próximo tópico!
DIFERENÇAS ENTRE INSTRUMENTO E 
INSTRUMENTALIDADE
Para começarmos a entender a instrumentalidade é necessário distingui-la de 
instrumentos. A autora Guerra (2007, p.1) nos mostra que a instrumentalidade:
No exercício profissional refere-se, não ao conjunto de instrumentos e 
técnicas (neste caso, a instrumentação técnica), mas a uma determina-
da capacidade ou propriedade constitutiva da profissão, construído e 
reconstruída no processo sócio-histórico.
O que é Práxis?
Prática; atividade ou situação concreta que se opõe à teórica. 
Filosofia. Marxismo. Atividade humana concreta que, contrária à teó-
rica, possibilita que alguém trabalhe no cultural, política e socialmen-
te, alterando e modificando as relações entre indivíduos e grupos.  
Tipo de conhecimento que se volta para as relações sociais e para o âmbito 
político, econômico e moral. 
Fonte: Dicionário Práxis1
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A INSTRUMENTALIDADE NO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL
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rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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Perceba que na concepção da 
autora, a instrumentalidade se tra-
duz no modo de ser característico 
do cotidiano do profissional, que 
é delineado tendo como ponto 
de partida as relações sociais. 
Relações estas que são firmadas no 
cerne da conjuntura, tanto obje-
tivas quanto subjetivas, nas quais 
se desenvolvem o cotidiano profis-
sional, e na medida em que viabilizam a efetivação dos objetivos a que se dispõe 
a profissão se firma como “condição concreta de reconhecimento social da pro-
fissão” (GUERRA, 2007, p. 2).
Conforme se compreende que instrumentalidade quer dizer capacidade for-
mada a partir do cotidiano profissional, haverá possibilidade de notar que é essa 
capacidade a viabilizadora para o profissional modificar as condições de traba-
lho que são dispostas em instrumentos e formas que oportunizam a realização 
das suas metas de trabalho. 
Diante disso, Guerra (2000, p. 54) nos diz que:
[...] a instrumentalidade possibilita que os profissionais objetivem sua 
intencionalidade em respostas profissionais. É por meio da instrumen-
talidade que os assistentes sociais modificam, transformam, alteram 
as condições objetivas e subjetivas e as relações interpessoais e sociais 
existentes num determinado nível da realidade social: no nível do co-
tidiano.
Em outras palavras, a instrumentalidade no contexto capitalista se transforma 
em instrumentalização das pessoas que são aproveitadas para se conseguir alguns 
objetivos. Dessa forma, a profissão vem como uma maneira do capital conseguir 
alcançar objetivos político-econômicos, definindo-se como um instrumento a 
favor do capital.
A ação do profissional deve ser mediatizada por referenciais teórico-meto-
dológicos e princípios ético-políticos.
(Guerra) 2012.
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É necessário destacar que mesmo que as solicitações sejam urgentes e de 
cunho instrumental a ação do assistente social não deve ficar presa a elas, pois 
senão o profissional pode se tornar um simples instrumento para obter respos-
tas imediatas.
Iamamoto (2008, p. 20) diz que:
Um dos maiores desafios que o Assistente Social vive no presente é de-
senvolver sua capacidade de decifrar a realidade e construir propostas 
de trabalho criativas e capazes de preservar e efetivar direitos,a partir 
de demandas emergentes no cotidiano. Enfim, ser um profissional pro-
positivo e não só executivo.
Para isso, o assistente social tem que estar disposto a refletir e buscar uma opinião 
e um raciocínio crítico, indo de encontro às práticas cotidianas e ao desaponta-
mento teórico colocado a prova pela prática do dia a dia.
É importantve que o assistente social desenvolva sua instrumentalidade de maneira 
que traga originalidade ao seu cotidiano, sem cessar a habilidade para atender às 
demandas sociais. Sendo assim, é importante que você, caro (a) aluno (a), reflita 
sobre a importância sócia histórica da instrumentalidade do serviço social como 
premissa de oportunidade, e perceba a estrutura das políticas sociais, como área 
de atuação e intervenção.
Falando em políticas sociais, abordaremos agora os vínculos existentes entre 
elas e o Serviço Social, uma vez que a profissão tem utilidade social ligada às 
políticas sociais, a instrumentalidade pode ser vista como:
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IU N I D A D E24
(...) uma condição sócio histórica da profissão em três níveis:
1. Da instrumentalidade do Serviço Social face ao projeto burguês, o 
que significa a capacidade que a profissão porta (dado ao caráter re-
formista e integrador das políticas sociais) de ser convertida em ins-
trumento, em meio de manutenção da ordem, a serviço do projeto 
reformista da burguesia. Neste caso, dentro do projeto burguês de re-
formar conservando, o Estado lança mão de uma estratégia histórica 
de controle da ordem social, qual seja, as políticas sociais, e requisita 
um profissional para atuar no âmbito da sua operacionalização: os as-
sistentes sociais. Este aspecto está vinculado a uma das funções que a 
ordem burguesa atribui à profissão: reproduzir as relações capitalistas 
de produção.
2. Da instrumentalidade das respostas profissionais, no que se refere 
à sua peculiaridade operatória, ao aspecto instrumental-operativo das 
respostas profissionais frente às demandas das classes, aspecto este que 
permite o reconhecimento social da profissão, dado que, por meio dele 
o Serviço Social pode responder às necessidades sociais que se tradu-
zem (por meio de muitas mediações) em demandas (antagônicas) ad-
vindas do capital e do trabalho.  Isto porque as diversas modalidades 
de  intervenção profissional tem um caráter instrumental, dado pelas 
requisições que tanto as classes hegemônicas quanto as classes popula-
res lhe fazem. Nesta condição, no que se refere às respostas profissio-
nais, a instrumentalidade do exercício profissional expressa-se:
2.1. Nas funções que lhe são requisitadas: executar, operacionalizar, im-
plementar políticas sociais; a partir de pactos políticos em torno dos sa-
lários e dos empregos (do qual o fordismo é exemplar) melhor dizendo, 
no âmbito da reprodução da força de trabalho;
2.2. No horizonte do exercício profissional: no cotidiano das classes 
vulnerabilizadas, em termos de modificar empiricamente as variáveis 
do contexto social e de intervir nas condições objetivas e subjetivas 
de vida dos sujeitos (visando a mudança de valores, hábitos, atitudes, 
comportamento de indivíduos e grupos). É no cotidiano — tanto dos 
usuários dos serviços quanto dos profissionais — no qual o assisten-
te social exerce sua instrumentalidade, o local em que imperam as 
demandas imediatas, e consequentemente, as respostas aos aspectos 
imediatos, que se referem à singularidade do eu, à repetição, à pa-
dronização. O cotidiano é o lugar onde a reprodução social se realiza 
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através da reprodução dos indivíduos (NETTO, 1987), por isso um es-
paço ineliminável e insuprimível. As singularidades, os imediatismos 
que caracterizam o cotidiano, que implicam na ausência de mediação, 
só podem ser enfrentados pela apreensão das mediações objetivas e 
subjetivas (tais como valores éticos, morais e civilizatórios, princípios 
e referências teóricas, práticas e políticas) que se colocam na realidade 
da intervenção profissional.
2.3. Nas modalidades de intervenção que lhe são exigidas pelas deman-
das das classes sociais. Estas intervenções, em geral, são em nível do 
imediato, de natureza manipulatória, segmentadas e desconectadas das 
suas determinações estruturais, apreendidas nas suas manifestações 
emergentes, de caráter microscópico.
Nestes três casos (2.1, 2.2, 2.3) são respostas manipulatórias, fragmen-
tadas, imediatistas, isoladas, individuais, tratadas nas suas expressões/
aparências (e não nas determinações fundantes), cujo critério é a pro-
moção de uma alteração no contexto empírico, nos processos segmen-
tados e superficiais da realidade social, cujo parâmetro de competência 
é a eficácia segundo a racionalidade burguesa. São operações realizadas 
por ações instrumentais, são respostas operativo-instrumentais, nas 
quais impera uma relação direta entre pensamento e ação e onde os 
meios (valores) se subsumem aos fins. Abstraídas de mediações sub-
jetivas e universalizantes (referenciais teóricos, éticos, políticos, sócio 
profissionais, tais como os valores coletivos) estas respostas tendem a 
percepcionar as situações sociais como problemáticas individuais (por 
exemplo: o caso individual, a situação existencial problematizada, as 
problemáticas de ordem moral e/ou pessoal, as patologias individuais 
etc.) (GUERRA, 2007, p.10).
Tratamos anteriormente de duas dimensões da instrumentalidade da profissão, 
agora conheceremos uma terceira condição, a instrumentalidade como media-
ção, que é o passar das ações instrumentais para a prática profissional crítica, 
permitindo também o caminho contrário, em que a teoria pode compreender 
as singularidades da prática profissional do dia a dia.
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A INSTRUMENTALIDADE NO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL
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IU N I D A D E26
A INSTRUMENTALIDADE COMO MEDIAÇÃO
Quando se reconhece a instrumentalidade como mediação, toma-se a profissão 
como universalidade formada por várias dimensões, como: “técnico-instru-
mental, teórico-intelectual, ético-política e formativa” (GUERRA, 1997) e a 
instrumentalidade como singularidade e, sendo assim, transforma-se em área 
de mediação que articula as dimensões fazendo-as se tornarem respostas para 
a atuação profissional. 
No exercício profissional o assistente social lança mão do acervo ídeo-
cultural disponível nas ciências sociais ou na tradição marxista e o 
adapta aos objetivos profissionais.  Constrói um certo modo de fazer 
que lhe é próprio e pelo qual a profissão torna-se reconhecida social-
mente. Produz elementos novos que passam a fazer parte de um acervo 
cultural (re) construído pelo profissional e que se compõe de objetos, 
objetivos, princípios, valores, finalidades, orientações políticas, referen-
cial técnico, teórico-metodológico, ídeo-cultural e estratégico, perfis de 
profissional, modos de operar, tipos de respostas; projetos profissionais 
e societários, racionalidades que se confrontam e direção social hege-
mônica, etc.(...) Isso porque, no âmbito profissional, não existem ações 
pessoais, mas ações públicas e sociais de responsabilidade do indivíduo 
como profissional e da categoria profissional como um todo. Para tan-
to, há que se ter conhecimento dos objetos, dos meios/instrumentos e 
dos resultados possíveis (GUERRA, 1997, p.14).
A Instrumentalidade como Mediação
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Nesse contexto, compreendemos que a cultura profissional pega para si as teo-
rias críticas projetivas, e por meio da mediação da cultura da profissão talvez o 
profissional negue a ação que é somente instrumental e a transforme em respos-
tas sócio-profissionais e, dessa maneira, construindo novas legitimidades, com 
respostas qualificadas, a instrumentalidade por si só não é suficiente. 
A partir do momento em que se ultrapassa a ação imediata para uma 
ação mais aprofundada e qualificada, nos deparamos como um campo 
de “mediações” que permite a passagem das ações instrumentais para o 
exercício profissional crítico e competente, possibilitando, desta forma, 
que a profissão dê respostas mais enriquecidas e eficazes. (ALVES, 2012 
p. 103)
Ou seja, é primordial que o profissional saia da falsa concreticidade, buscando 
a natureza dos acontecimentos, ultrapassando o limite do imediatismo, fazendo 
assim a mediação com o concreto pensado. Nesse sentido:
Ao assistente social, no âmbito da sua inserção na divisão social e téc-
nica do trabalho, cabe captar como as diversas expressões da questão 
social se particularizam em cada espaço sócio-ocupacional e chegam 
como demandas que dependem de sua intervenção profissional. As-
sim, entendemos que a clareza acerca de como concebemos a “questão 
social”, ou seja, a partir de que pressupostos teóricos, a percepção que 
temos de suas expressões, tais como: desemprego, fome, doenças, vio-
lência, falta de acesso aos bens e serviços sociais (moradia, creches, es-
colas, hospitais etc.), bem como dos valores que orientam tais concep-
ções, são mediações que incidem sobre os meios e modos de responder 
às demandas profissionais. (GUERRA, 2009, p. 704)
Contra o que muitos podem pensar, quando falamos em mediação não esta-
mos nos referindo somente à mediação de conflitos, problemas, embates, mas a 
mediação discutida aqui é consistente na teoria crítica marxista e só é possibili-
tada por meio da dialética de análise da realidade. 
A INSTRUMENTALIDADE NO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL
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Figura 1 – Mediação em Serviço Social
Assistente
Social
Usuário Instituição
* Bens
* Serviços
* Políticas
Públicas
Fonte: a autora.
DIALÉTICA: a dialética pode ser descrita como a arte do diálogo. Uma dis-
cussão na qual há contraposição de ideias, em que uma tese é defendida 
e contradita logo em seguida; uma espécie de debate. Sendo ao mesmo 
tempo, uma discussão onde é possível divisar e defender com clareza os 
conceitos envolvidos.
A prática da dialética surgiu na Grécia antiga, no entanto, há controvérsias a 
respeito do seu fundador. Aristóteles considerava Zenôn como tal, já outros 
defendem que Sócrates foi o verdadeiro fundador da dialética por usar de 
um método discursivo para propagar suas ideias.
A DIALÉTICA MARXISTA: Karl Marx reformula o conceito de dialética, vol-
tando-o para a sociedade, as lutas de classes vinculadas a uma determinada 
organização social, surgindo assim, a chamada: dialética materialista ou ma-
terialismo dialético.
A dialética materialista une pensamento e realidade, mostrando que a re-
alidade é contraditória ao pensamento dialético. Contradições estas, que é 
preciso compreender para então, transpô-las por meio da dialética. Marx 
fala da dialética sempre em um contexto de luta de classes, diferentes in-
teresses, que geram a contradição. Sendo assim, o materialismo dialético é 
uma das bases do pensamento marxista.
Fonte: adaptado de Borges (2010 on-line).2
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Não restam dúvidas que o saber, o conhecimento, é extremamente necessário 
ao cotidiano de trabalho, pois é ele quem direciona o agir profissional. Vamos 
aprofundar essa discussão no tópico seguinte.
A INSTRUMENTALIDADE NO EXERCÍCIO DA 
PROFISSÃO
Quando se fala de instrumentalidade 
no agir do assistente social logo se pensa 
naqueles instrumentos que os profissionais 
normalmente utilizam para desenvolver seu 
trabalho, pelos quais os profissionais obje-
tivam suas metas em resultados efetivos, e 
como dito anteriormente o sufixo “idade” 
traduz-se em capacidade, qualidade. 
Dessa forma, a instrumentalidade no 
Serviço Social faz referência não ao conjunto 
de instrumentais e técnicas, mas sim a capacidade que a profissão tem de cons-
truir e reconstruir ao longo do processo sócio-histórico. O objetivo aqui, caro 
(a) aluno (a), é fazê-lo (a) pensar na instrumentalidade profissional no coti-
diano do assistente social como um modo definido que a profissão conquista 
no íntimo das relações sociais, no embate entre objetividade e subjetividade do 
cotidiano da profissão. 
O dia a dia profissional é desafiante, pois nele predomina a práxis, a repro-
dução automática da prática por si só. Isso ocorre de maneira natural, pois dá ao 
assistente social o sentimento de confiança, já que ele pode se habituar a trabalhar 
daquela mesma forma. O importante é não se deixar paralisar pelo costume de 
fazer as mesmas coisas do mesmo jeito, sempre, apenas repetindo uma prática, 
sem transformá-la para melhor atender à demanda que carece de sua intervenção.
A INSTRUMENTALIDADE NO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL
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IU N I D A D E30
O cotidiano precisa ser suspendido de forma crítica, ou seja, realizar 
momentos de suspensão, ainda que temporariamente, para assim, re-
fletir e analisar criticamente a situação com a finalidade de mudar a 
rota, a direção da ação, não se trata apenas, por exemplo, de distribuir 
uma cesta básica todo mês para determinada família porque a mesma 
passa fome, mas refletir o “por que” desta situação, não se limitando a 
demanda imediata, mas extrapolando-a, buscando detectar a demanda 
real e nela intervir (GUERRA, 2002 apud ALVES 2012, p. 103).
O assistente social, por meio da capacidade adquirida, consegue mudar, trans-
formar as condições das relações sociais e interpessoais que existem em um 
certo ponto da realidade social. Também é capaz de mudar o dia a dia profissio-
nal e das classes sociais que precisam da sua intervenção; alterando os meios e 
instrumentos utilizados para se alcançar uma meta, os profissionais dão instru-
mentalidade a sua atividade.
Sendo assim, é viável que o profissional pense nas possíveis intervenções, na 
intenção de solucionar ou ao menos abrandar a demanda que lhe é retratada. A 
autora Iamamoto (2008, p. 208) nos mostra que o assistente social:
Requisita um perfil profissional culto, crítico e capaz de formular, re-
criar e avaliar propostas que apontem para a progressiva democratiza-
ção das relações sociais. Exige-se, para tanto, compromisso ético-polí-
tico com os valores democráticos e competência teórico-metodológica 
na teoria crítica em sua lógica de explicação da vida social. Esses ele-
mentos, aliados à pesquisa da realidade, possibilitam decifrar situações 
particulares com que se defronta o assistente social no seu trabalho, 
de modo a conectá-las aos processos sociais macroscópicos que as ge-
ram e as modificam. Mas, requisita, também, um profissional versado 
no instrumental técnico-operativo, capaz de potencializar as ações nos 
níveis de assessoria, planejamento, negociação, pesquisa e ação dire-
ta, estimuladora da participação dos sujeitos sociais nas decisões que 
lhes dizem respeito, na defesa de seus direitos e no acesso aos meios de 
exercê-los.É sabido que para todo tipo de intervenção é necessário que o profissional use 
diversos instrumentos para desempenhar seu trabalho, buscando modificar a 
essência da realidade existente, enfatizando que cada demanda tem suas singu-
laridades. Cabe ao profissional avaliar qual a melhor técnica para suprir ou ao 
menos amenizar as demandas dos seus usuários, conseguindo bom desfecho, 
não somente de imediato, e sim em médio e longo prazo.
Instrumentalidade e o Serviço Social
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Muitos se questionam “qual o serviço do assistente social?” ou “quais as 
ações no dia a dia desse profissional?”. Vemos que aqui se encaixa a prática 
profissional, que representa um componente constitutivo e efetivo a ação 
do cotidiano, isto é, o próprio trabalho. Há de se ressaltar, também, que para 
tal trabalho existir, é preciso meios, matéria-prima e objetos para atuação 
profissional. 
Para Iamamoto (2003, p. 94),
A leitura hoje predominante da “prática profissional” é de que ela não 
deve ser considerada “isoladamente”, “em si mesma”, mas em seus “con-
dicionantes” sejam eles “internos” – os que dependem do desempe-
nho profissional – ou “externos” – determinados pelas circunstâncias 
sociais nas quais se realiza a prática do assistente social. Os primeiros 
são geralmente referidos a competências do assistente social como, 
por exemplo, acionar estratégias e técnicas; a capacidade de leitura da 
realidade conjuntural, a habilidade no trato das relações humanas, a 
convivência numa equipe interprofissional etc. Os segundos abrangem 
um conjunto de fatores que não dependem exclusivamente do sujeito 
profissional, desde as relações de poder institucional, os recursos co-
locados à disposição para o trabalho pela instituição ou empresa que 
contrata o assistente social; as políticas sociais específicas, os objetivos e 
demandas da instituição empregadora, a realidade social da população 
usuária dos serviços prestados etc.
INSTRUMENTALIDADE E O SERVIÇO SOCIAL
Se o agir do Serviço Social for reduzido à dimensão técnico instrumental, ele se 
tornará apenas um meio para se atingir um objetivo, e assim restringir as deman-
das profissionais às condições do mercado de trabalho. Uma vez que as demandas 
trabalhadas pelos assistentes sociais necessitam de mais que ações imediatistas, 
como dito anteriormente, necessitam de atuação que estejam ligadas a projetos 
com referencias teórico-metodológicos e também a concepções ético-políticas.
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A INSTRUMENTALIDADE NO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL
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IU N I D A D E32
Para dar formas às ações realizadas, o profissional recorre a seus conheci-
mentos, capacidade, referência, instrumentos técnicos, sendo esses uma condição 
primordial para o cumprimento da intervenção. Porém, há várias opiniões a 
respeito do “como fazer” da profissão, como Guerra (2007, p. 30) nos mostra:
Para além das definições operacionais (o que faz, como faz), necessi-
tamos compreender “para que” (para quem, onde e quando fazer) e 
analisar quais as consequências que o nível “mediato” as nossas ações 
profissionais produzem.
Na contemporaneidade, o trabalho executado pelo assistente social teve um 
aumento significativo em virtude das demandas vindas da questão social, no 
qual o serviço prestado pelo assistente social procura trazer alterações efetivas 
a quem utiliza seus serviços, de maneira a fortalecer a garantia de seus direitos. 
Para que se efetive esse trabalho, de maneira investigativa e interventiva, é neces-
sário, segundo Netto (2009, p. 693-694):
todo/a assistente social, no seu campo de trabalho e intervenção, deve de-
senvolver uma atitude investigativa: o fato de não ser um/a pesquisador/a 
em tempo integral não o/a exime quer de acompanhar os avanços dos co-
nhecimentos pertinentes ao seu campo de trabalho, quer de procurar co-
nhecer concretamente a realidade da sua área particular de trabalho. Este 
é o principal modo de qualificar o seu exercício profissional, qualificação 
que, como se sabe, é uma prescrição do nosso próprio Código de Ética.
Mais uma vez a instrumentalidade entra em cena, pois mesmo fazendo uso de 
todos os instrumentos, técnicas, teorias disponíveis, o assistente social deve lan-
çar mão da sua instrumentalidade ao realizar a ação proposta pelo autor citado 
antes. Contudo cada profissional agirá a sua 
maneira, dentro do Código de Ética, para se 
chegar ao objetivo proposto. 
Dito isso, compreendemos que por 
intermédio do processo investigativo e da pro-
ximidade com certa realidade o profissional 
produz conhecimento, que acaba por funda-
mentar sua atuação profissional, afirmando 
que sem ele – o conhecimento – não capta-
ríamos as necessidades da realidade social.
Considerações Finais
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Da Assistência Social 
Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, indepen-
dentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: 
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; 
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes; 
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho; 
V - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a 
promoção de sua integração à vida comunitária; 
V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora 
de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à 
própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser 
a lei. 
Art. 204. As ações governamentais na área da assistência social serão rea-
lizadas com recursos do orçamento da seguridade social, previstos no art. 
195, além de outras fontes, e organizadas com base nas seguintes diretrizes: 
I - descentralização político-administrativa, cabendo à coordenação e as 
normas gerais à esfera federal e a coordenação e a execução dos respectivos 
programas às esferas estadual e municipal, bem como a entidades benefi-
centes e de assistência social; 
II - participação da população, por meio de organizações representativas, na 
formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. 
Fonte: Brasil (1988, on-line)3.
A INSTRUMENTALIDADE NO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL
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IU N I D A D E34
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta unidade abordamos o conceito de instrumentalidade e suas aplicabilida-
des, evidenciando que o fazer profissional tem como intuito tentar oportunizar 
uma melhoria, uma transformação no cotidiano do usuário, bem como a ins-
trumentalidade técnico-operativa, baseado nas competências e atribuições que 
constam na Lei de Regulamentação da profissão.
Os instrumentos, como bem vimos, são técnicas operacionais fundamentais 
para a atuação do profissional, visando à intervenção. A instrumentalidade faz 
referência às habilidades, conhecimentos que o (a) assistente social conquista no 
dia a dia, que são capazes de modificar a realidade social do usuário. 
Há que se enxergar como é importante saber o sentido sócio-histórico da 
instrumentalidade, como premissa da atuação profissional e como essa confere 
certas configurações, conteúdos e dinâmicas ao exercício profissional.
Mesmo tendo surgido no mundo das práticas reformistas, o Serviço Social 
ampliou suas atribuições ao longo do tempo até conseguir alcançar a esfera da 
universalização aoacesso a bens, serviços e direitos sociais e humanos. Quando 
ele se desvinculada da teoria de onde surgiu, a profissão se capacita para novas 
habilidades, competências e legitimidades, enriquecendo assim sua instrumentali-
dade e o resultado disso é um profissional apto para trabalhar com o instrumental 
técnico e que investe na criação de alternativas para sua intervenção.
É necessário que o(a) assistente social experimente a construção, recons-
trução e desconstrução de conceitos, de pré-conceitos, traga a experiência para 
a teoria e construa novos conhecimentos, para posteriormente serem substan-
cializados na prática.
Por fim, é preciso reafirmar a indispensabilidade do profissional ir além do que 
é visto, usando a habilidade crítica para compreender e atuar na realidade social.
35 
1. Frente ao conteúdo estudado nesta unidade, diferencie Instrumento de Instru-
mentalidade.
2. Na prática profissional, qual a importância da instrumentalidade?
3. Qual a relação existente entre instrumentalidade e o Serviço Social?
4. O que é práxis profissional e por que ela representa um desafio para os profis-
sionais?
5. Em relação à instrumentalidade no serviço social, pode-se dizer que ela faz refe-
rência a quê? 
36 
Caro (a) aluno (a), a Lei 8.662/93 é a lei que regulamenta a profissão de assistente social, 
leitura obrigatória para todos nós, profissionais e futuros profissionais, pois lá se encon-
tram as informações sobre competências, exercício profissional, conselhos e muito mais. 
Leia um trecho dessa lei, em que há o esclarecimento sobre as competências do assis-
tente social:
Art. 4º Constituem competências do Assistente Social:
I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da adminis-
tração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares;
II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do 
âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil;
III - encaminhar providências, e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à 
população;
IV - (Vetado);
V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar 
recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos;
VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais;
VII - planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da 
realidade social e para subsidiar ações profissionais;
VIII - prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta, 
empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II 
deste artigo;
IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas 
sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade;
X - planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de 
Serviço Social;
XI - realizar estudos socioeconômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços 
sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e 
outras entidades.
Art. 5º Constituem atribuições privativas do Assistente Social:
I - coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, 
programas e projetos na área de Serviço Social;
II - planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de Serviço Social;
III - assessoria e consultoria e órgãos da Administração Pública direta e indireta, empresas 
privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social;
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IV - realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a 
matéria de Serviço Social;
V - assumir, no magistério de Serviço Social tanto em nível de graduação como pós-
graduação, disciplinas e funções que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em 
curso de formação regular;
VI - treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários de Serviço Social;
VII - dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de graduação e 
pós-graduação;
VIII - dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em 
Serviço Social;
IX - elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras de 
concursos ou outras formas de seleção para Assistentes Sociais, ou onde sejam aferidos 
conhecimentos inerentes ao Serviço Social;
X - coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assuntos 
de Serviço Social;
XI - fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regionais;
XII - dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas;
XIII - ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e 
entidades representativas da categoria profissional. 
Fonte: Brasil (1993, on-line)⁴. 
MATERIAL COMPLEMENTAR
Elefante Branco (2012)
Direção: Pablo Trapero
Sinopse: O fi lme retrata a história de uma favela, em Villa Virgem (Buenos 
Aires), onde moram cerca de 30 mil pessoas - base cálculos feita levando em 
consideração os batismos realizados pela igreja. Os protagonistas são o Padre 
Nicolas que fazia um trabalho no Amazonas e que por ser europeu quase foi 
morto nessa missão, a assistente social Luciana, o padre Júlian, que realiza um 
trabalho dentro da favela e sendo responsável por supervisionar a obra dentro 
da comunidade e o Esteban (Macaquinho) um jovem dependente químico e 
que já trabalhou no tráfi co.
 A obra mostra claramente a brutalidade da polícia, a ameaça do tráfi co, a 
indiferença das altas esferas da igreja e o imenso descaso do governo, que 
reprime toda e qualquer revolta que saia dali, mantendo aquela comunidade 
alienada, esfomeada e revoltada à margem de um sistema a qual não escolheram.
Comentário: Esse fi lme é muito interessante para entendermos a prática 
profi ssional do assistente social de forma diferenciada da prática fi lantrópica. 
O Serviço Social ao superar neotomismo e promover a laicização permitiu o 
alargamento da prática profi ssional por meio do redimensionamento do ensino 
a fi m de formar profi ssionais capazes de responder às demandas não somente 
pela execução terminal, mas também por meio da elaboração, organização, 
coordenação, ou seja, por meio de todo o planejamento de políticas públicas. 
Rompendo com o tradicionalismo profi ssional e legitimando a profi ssão no 
mercado. 
REFERÊNCIAS
ALVES, A. P. S. G. A importância do conhecimento para a prática profissional. Saber 
Acadêmico, São Paulo, v. 14, 2012, p. 101-110.
GUERRA, Y. A dimensão investigativa no exercício profissional. In: CONSELHO FE-
DERAL DE SERVIÇO SOCIAL (org.) Serviço Social: direitos sociais e competências 
profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009. 
______. A Instrumentalidade do Serviço Social. São Paulo: Cortez, 1995.
______. A instrumentalidade no trabalho do assistente social. Anais do Simpósio 
Mineiro de Assistentes Sociais, Belo Horizonte, maio 2007, p. 1-35.
______. Instrumentalidade do processo de trabalho e Serviço Social. Serviço Social 
& Sociedade, São Paulo, Cortez, n. 62, 2000.
______. Ontologia do ser social: bases para a formação profissional. Revista Serviço 
Social e Sociedade, São Paulo, Cortez, n. 54, 1997.
IAMAMOTO, M. V.; CARVALHO, R. de. Relações Sociais e Serviço Social no Brasil: 
Esboço de uma interpretação histórico-metodológica. 22. ed. São Paulo: Cortez, 
2008.
IAMAMOTO, M. V. Serviço Social em tempo de capital fetiche: capital financeiro, 
trabalho e questão social. São Paulo: Cortez, 2008.
______. O Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e formação profissio-
nal. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2003.
LESSA, S. O processo de produção/reprodução social: trabalho e sociabilidade. 
Programa de capacitaçãocontinuada para assistentes sociais, Módulo II: Reprodu-
ção Social, Trabalho e Serviço Social. Brasília: CFESS/ABEPSS-UNB/CEAD, 1999.
NETTO, J. P. Introdução ao método da teoria social. Serviço Social: direitos sociais 
e competências profissionais, Brasília, CFESS/ABEPSS, 2009, p. 668-700.
SILVA, J. F. S. Pesquisa e produção do conhecimento em serviço social. Revista Tex-
tos & Contextos, Porto Alegre, v. 6, n. 2 , jul./dez. 2007, p. 282-297. 
Referências On-Line:
1 - Em: <http://www.dicio.com.br/praxis/>. Acesso em: 30 maio 2016.
2 - Em: <http://www.infoescola.com/filosofia/dialetica/>. Acesso em: 30 maio 2016.
3 - Em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado 
.htm>. Acesso em: 30 maio 2016.
4 - Em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8662.htm>. Acesso em: 30 maio 
2016.
39
GABARITO
1. Instrumentalidade no Serviço Social se refere à capacidade, habilidade constitu-
tiva da profissão, ou seja, o conhecimento utilizado como ferramenta de traba-
lho. Já instrumentos se referem à instrumentação técnica, o instrumental utiliza-
do, como entrevistas, relatórios, documentação, entre outros.
2. A instrumentalidade possibilita que os profissionais objetivem sua intenção, por 
meio dessa capacidade, que é adquirida no cotidiano profissional, os assistentes 
sociais transformam as condições, realidade social, relações no cotidiano. E ao 
modificarem o cotidiano eles estão dando instrumentalidade a suas ações. Des-
sa maneira, a instrumentalidade é condição necessária do trabalho social.
3. Ela é entendida como uma propriedade e/ou capacidade que o assistente so-
cial adquire à medida que concretiza objetivos pautados pelas dimensões teóri-
co- metodológicas, ético-políticas e técnico-operativas do trabalho profissional. 
O assistente social insere-se em processos de trabalho voltados diretamente à 
defesa de direitos, ampliação e consolidação da cidadania, diante do processo 
histórico e das contradições que se configuram no interior das relações sociais. 
Essas demandas sociais requerem uma intervenção crítica, criativa, propositiva, 
sensível, que só é possível quando se alia a teoria e a prática, dando instrumen-
talidade a atuação do assistente social, ou seja, o conhecimento aliado à ação 
profissional. 
4. Práxis é o costume de se fazer a mesma coisa do mesmo jeito sempre. É a repro-
dução automática da ação. O risco é o profissional não tentar outras formas de 
atuação por estar acostumado a fazer sempre igual. O problema disso tudo é 
que cada intervenção precisa de uma atuação diferente, pois as demandas não 
são iguais.
5. Faz referência não ao conjunto de instrumentais e técnicas, mas sim a capacida-
de que a profissão tem de construir e reconstruir ao longo do processo sócio-
-histórico.
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Professora Esp. Fernanda Carvalho Basilio Hernandez
A DIMENSÃO TÉCNICO-OPERATIVA E 
A SUA RELAÇÃO
COM AS DIMENSÕES TEÓRICO-
METODOLÓGICA E ÉTICO-POLÍTICA
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Desenvolver a postura crítico-reflexiva sobre as dimensões, saberes, 
habilidades na elaboração da intervenção profissional.
 ■ Desenvolver aprendizagem sobre as dimensões ético-política, 
teórico-metodológica e técnico-operativa da profissão; habilidades; 
atitudes e valores.
 ■ Compreender a relação existente entre as três dimensões, bem como 
sua importância para o Serviço Social.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ A dimensão técnico-operativa no Serviço Social.
 ■ A dimensão ético-política no Serviço Social.
 ■ A dimensão teórico-metodológica no Serviço Social.
 ■ A relação existente entre as três dimensões no Serviço Social.
INTRODUÇÃO
Olá, caro(a) aluno(a)!
Novamente nos encontramos e dessa vez para falarmos sobre as dimensões 
que são partes constituintes da atuação profissional.
Nesta unidade discutiremos as dimensões técnico-operativa, teórico-meto-
dológica e ético-política e a relação existente entre elas, e com isso veremos que 
a atuação do profissional está ligada a essas dimensões. É preciso que o assis-
tente social tenha clareza sobre elas. 
A palavra dimensão nos faz pensar em propriedade de algo, em direção. 
Aqui ela diz respeito aos princípios que colaboram para a efetivação do Serviço 
Social, ou seja, são todos os componentes que constituem e são constitutivos da 
profissão. As dimensões estão interligadas, são interdependentes, complemen-
tam-se, mas têm suas particularidades.
Conforme veremos mais adiante, a dimensão teórico-metodológica propor-
ciona ao assistente social a visão dos processos, a compreensão da importância 
da ação e também a avaliação da realidade. Já a dimensão ético-política engloba 
o projeto da ação levando em consideração os princípios e valores da profis-
são, do local onde ele trabalha e da população envolvida, sendo encarregada de 
analisar os resultados das ações realizadas pelos profissionais. E a dimensão téc-
nico-operativa, é a efetivação da ação, o fazer tudo que se planejou, respeitando 
valores e princípios, finalidades e avaliação da realidade.
Como sabemos, o Serviço Social é investigativo e interventivo, dessa maneira, 
suas pesquisas devem ser elaboradas a partir de situações reais e serem úteis 
para a sociedade em questão. Assim, o saber obtido apenas com finalidade des-
critiva não é interessante aqui, para que tenha utilidade é imprescindível que se 
tenha claro o projeto ético-político, o domínio teórico-metodológico e técnico-
-operativo, firmados em alicerces de saberes e conhecimentos, competências, 
habilidades e comprometimento com o processo de trabalho, onde quer que o 
profissional atue.
Espero que esse conteúdo traga compreensão sobre como é importante as 
dimensões se relacionarem na atuação do assistente social. Bom estudo!
Professora Fernanda.
Introdução
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IIU N I D A D E44
A DIMENSÃO TÉCNICO-OPERATIVA NO SERVIÇO 
SOCIAL
Para iniciarmos esta unidade, discorreremos neste primeiro momento sobre a 
dimensão técnico-operativa do Serviço Social, seus componentes como instru-
mentos e técnicas e suas relações com as demais dimensões.
Diante disso, pode surgir a dúvida: o que são as dimensões de uma interven-
ção? Para que possamos entender vamos nos ater à dimensão técnico-operativa 
para estabelecermos os instrumentos e técnicas como elementos constituintes 
dessa e das demais dimensões.
Para o Serviço Social, dimensões são os princípios contributivos para efeti-
var a profissão, é a sua origem, ou seja, são todas as partes que constituem e são 
características dela.
No caso da dimensão teórico-operativa de uma intervenção, estamos falando 
das teorias que auxiliam na compreensão de uma determinada realidade que o 
profissional vai trabalhar e que está presente no dia a dia, possibilitando que ele 
faça uma análise real, e execute o que foi planejado, ou seja, o conhecimento teó-
rico do assistente social.
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Podemos afirmar que o assistente social precisa ter um grande conheci-
mento para usar os instrumentos técnico-operativos com os objetivos de efetivar 
as ações, e, além disso, é necessário ter técnicas para oportunizar uma atuação 
crítica e eficaz na sua ação profissional juntocom os usuáriose suas demandas.
É essa dimensão que mais se aproxima da prática profissional, por causa da 
sua especificidade, sendo assim, ela expressa e contém as outras dimensões, quer 
dizer que, no agir do profissional, ele expressa as compreensões teórico-metodo-
lógicas e ético-políticas, abrangendo um composto de estratégias e técnicas da 
atuação profissional que demonstram teorias, meios e opinião política.
A dimensão técnico-operativa é formada por objetivos, tentativa de efetivar 
esses objetivos, condições objetivas e subjetivas. Propõe saber quem são os sujei-
tos da intervenção, perfil do usuário, de onde vêm as demandas, qual a realidade 
social, análise das condições subjetivas, entendimento do agir e das competências 
do profissional e também os procedimentos e instrumentais técnico-operativos.
Segundo Lima, Ioto e Dal Prá (2007, p. 36), “essa dimensão é entendida como 
o espaço de trânsito entre o projeto profissional e a formulação de respostas às 
demandas que se impõem no cotidiano dos assistentes sociais”.
A autora Guerra (2012) nos diz que: 
a dimensão técnico-operativa se constitui no modo de aparecer da pro-
fissão, pela qual ela é conhecida e reconhecida. Responde às questões: 
Para que fazer? Para quem fazer? Quando e onde fazer? O que fazer? 
Como fazer?
Tendo essa citação como base, concluímos que não podemos considerar tal 
dimensão como autônoma, uma vez que as demais dimensões estão contidas 
nela. Também não podemos considerá-la neutra, pois tem traços ético-políti-
cos que se sustentam em fundamentos teóricos. A autora julga essa dimensão 
como a base do Serviço Social, sua razão de existir, pois se reporta aos instru-
mentais que legitimam e reconhecem a profissão do assistente social, e é aqui 
que entram os instrumentos e técnicas da intervenção, pois constituem - embora 
não sejam os únicos elementos - a dimensão, pertencendo à esfera de operacio-
nalização da atuação profissional.
A DIMENSÃO TÉCNICO-OPERATIVA E A SUA RELAÇÃO
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E46
Segundo Trindade (2001, p. 66), em relação ao instrumental técnico-ope-
rativo há de se considerar:
A articulação entre instrumentos e técnicas, pois expressam a conexão 
entre um elemento ontológico do processo de trabalho (os instrumen-
tos de trabalho) e o seu desdobramento – qualitativamente diferencia-
do – ocorrido ao longo do desenvolvimento das forças produtivas (as 
técnicas). 
Por serem ligados às técnicas, os instrumentos são continuamente aperfeiçoa-
dos por elas, pois há a necessidade de adaptação frente às mudanças da realidade 
visando o melhor atendimento as demandas existentes. Por esse motivo é que 
esse instrumental tem caráter histórico, porque vem mudando de acordo com a 
realidade da sociedade ao longo do tempo.
Os instrumentos são classificados como resultado da ação do homem em 
busca de se alcançar um objetivo. Há de se ressaltar que a ação que tem o pro-
pósito de se efetivar usando determinado instrumento está relacionada com o 
objetivo pretendido, lembrando que a finalidade está no campo teórico. 
Trindade (2001, p. 396) nos mostra que:
O conteúdo do instrumental técnico-operativo depende da análise da 
realidade, a qual fundamenta a intencionalidade/direção social empre-
endida à ação, pelos sujeitos profissionais.
É essa relação entre a dimensão técnico-operativa com as dimensões teórico-
-metodológica e a dimensão ético-política que possibilita transformar em ação 
os conceitos que norteiam o assistente social, sendo muito importante a escolha 
dos instrumentos e técnicas que serão utilizados para determinada finalidade/
objetivo da profissão.
Devemos ter cautela com os instrumentos de ação. Por serem tidos como 
meios para se alcançar objetivos, o assistente social precisa ter compreensão do 
objetivo que pretende alcançar, se está de acordo com os propósitos do Serviço 
Social e se possibilitará que as finalidades se efetivem.
Por esse motivo, o profissional deve acompanhar as mudanças da sociedade 
e da realidade social, levando em consideração as características dos diversos 
espaços em que atua, tendo sempre como base os fundamentos da profissão e 
também o código de ética que o rege. 
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É extremamente necessário que o assistente social conheça de fato a reali-
dade para que possa escolher o instrumental a ser utilizado. Isso permite que 
ele alcance o resultado esperado, bem como é necessário que ele conheça as exi-
gências de manuseio do instrumento escolhido, fazendo uma avaliação, pois por 
meio dessa ele analisará se as escolhas dos instrumentos estão coerentes às fina-
lidades propostas, e se ele conseguirá instrumentalizar as competências exigidas.
Dito isso, podemos afirmar que cada projeto define tanto uma compreensão da 
realidade quanto o tratamento aos instrumentos e técnicas utilizados pelos pro-
fissionais. Porém, isso não quer dizer que há instrumentos e técnicas destinados 
para cada teoria, ao contrário, não existe ligação entre instrumentos e teorias, 
mas sim, entre método e teoria.
Destaca-se um elemento fundamental no processo de escolha dos instru-
mentos que se refere à autonomia profissional. Aqui é importante levar em 
consideração como desempenhar as atividades determinadas pelas organi-
zações, haja vista que o profissional deve ter autonomia não só para emitir 
sua opinião técnica sobre a situação, mas também de escolher os instru-
mentos que contribuirão para a obtenção desta opinião técnica. O Serviço 
Social atua na satisfação das demandas sociais postas. A forma com que os 
profissionais respondem a essas demandas reflete o seu projeto profissio-
nal.
Fonte: Santos (2013, p. 28).
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A DIMENSÃO TÉCNICO-OPERATIVA E A SUA RELAÇÃO
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IIU N I D A D E48
A DIMENSÃO ÉTICO-POLÍTICA NO SERVIÇO SOCIAL
Caro (a) aluno (a), essa dimensão se fez visível 
no exercício profissional após o Movimento 
de reconceituação início da década de 1980. 
Tal discussão tem duas direções, a rejeição 
do caráter apolítico e neutro e o comprome-
timento com as classes. Isso provocou alguns 
enganos na compreensão, que repercutiram 
na prática profissional. É importante ressal-
tar que tal debate no campo do Serviço Social 
contribuiu na estruturação de um olhar crí-
tico da sociedade e da profissão nela inserida. 
Os questionamentos que surgiram nesse momento fizeram com que as discussões 
sobre a história, a teoria e o método da profissão dessem um salto significativo.
Logo se percebeu que o profissional não poderia ficar neutro, devendo tomar 
uma posição política frente à realidade social, para que possa interferir, tomando 
consciência, então, do rumo a ser seguido, sendo imprescindível a compreensão 
e entendimento do código de ética. 
Diante disso, o Serviço Social transformou sua dimensão ética e o debate: 
elaborou com democracia sua base normativo-teórica, que está expressa na Lei 
da Regulamentação da Profissão, estabelecendo atribuições e competências para 
os assistentes sociais, e expressa também no Código de Ética, que traz os deve-
res e direitos do profissional, destacando:
 ■ O reconhecimento da liberdade como valor ético central, que re-
quer o reconhecimento da autonomia, emancipação e plena ex-
pansão dos indivíduos sociais e de seus direitos; 
 ■ A defesa intransigente dos direitos humanos contra todo tipo de 
arbítrio e autoritarismo;
 ■ A defesa, aprofundamento e consolidação da cidadania e da democra-
cia – da socialização da participação políticae da riqueza produzida; 
 ■ O posicionamento a favor da equidade e da justiça social, que implica 
a universalidade no acesso a bens e serviços e a gestão democrática; 
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 ■ O empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, e a 
garantia do pluralismo; 
 ■ O compromisso com a qualidade dos serviços prestados na arti-
culação com outros profissionais e trabalhadores. (CONSELHO 
FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL, 2012, p. 24).
Essa dimensão refere-se aos diversos compromissos que o Serviço Social pode 
ter como a tomada de decisões e posições, a intenção da ação entre outros. 
Porém, caro (a) aluno (a), lembre-se que tais compromissos têm uma base teó-
rica. Lembre-se sempre que ética é uma visão critica sobre valores evidentes na 
ação, e se a ação exige que se tome partido, lembre-se também que existe uma 
relação estreita entre ética e política. 
A dimensão ético-política compreende o planejar da ação considerando os 
valores e objetivos do assistente social, do local em que ele trabalha e da popu-
lação. Dessa maneira, os profissionais assumem diversos partidos e posições. 
O Serviço Social, de acordo com essa dimensão, compromete-se em defen-
der intransigentemente os direitos humanos, ampliando a cidadania, oferecendo 
serviços de qualidade, lutando contra a injustiça social e em favor da equidade. 
Tais compromissos devem estar presentes no cotidiano dos assistentes sociais, 
para isso precisam priorizar o uso de instrumentos de cunho democrático, glo-
bal, de acordo com a realidade social em que intervirá e o menos burocrático. 
O que é o projeto ético-político do serviço social?
É o nosso projeto profissional que foi construído no contexto histórico de 
transição dos anos 1970 aos 1980, em um processo de redemocratização da 
sociedade brasileira, recusando o conservadorismo profissional presente no 
Serviço Social brasileiro. Constata-se o seu amadurecimento na década de 
1990, período de profundas transformações societárias que afetam a produ-
ção, a economia, a política, o Estado, a cultura, o trabalho. Transformações 
marcadas pelo modelo de acumulação flexível (Harvey) e pelo neoliberalismo.
Para ler o material na íntegra, acesse o link nas referências on-line. 
Fonte: CRESS 17ª região/ES(on-line)1.
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A DIMENSÃO TÉCNICO-OPERATIVA E A SUA RELAÇÃO
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rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E50
É imprescindível que o assistente social tenha entendimento político essen-
cial a sua atuação, pois está aplicado às ligações de poder e força da sociedade. 
Entretanto, a atuação profissional não provém de si mesma e sim das relações 
existentes na sociedade. Dessa maneira, é preciso que o assistente social tenha 
um posicionamento político frente a conflitos da sociedade, organizando sua 
atuação para benefício da sociedade.
Diante disso, podemos afirmar que conhecer a realidade, ter o desejo de 
mudá-la, possuir conhecimento, não é o bastante, pois tudo isso deve ser dimen-
sionado nas oportunidades de atuação na esfera política. 
Sendo assim, essa dimensão deverá respaldar o desenvolvimento de capaci-
dades e competências, fundamentado nos princípios ético-políticos da profissão, 
possibilitando assim que o profissional avalie e problematize limitações e pos-
sibilidades no seu cotidiano.
A DIMENSÃO TEÓRICO-METODOLÓGICA NO 
SERVIÇO SOCIAL
Nesta tópico, abordaremos a dimensão teórico-metodológica, veremos que o 
assistente social deve ir à busca de novas oportunidades para a profissão. Porém, 
existe a necessidade de embasamento teórico-metodológico para tal inovação, e 
é sobre isso que discutiremos adiante.
Para propor tal mudança, o profissio-
nal deve conhecer compreender e dominar 
a teoria crítica, da realidade ou de uma base 
técnico-operativa.
No tópico anterior vimos a importância 
do debate que ocorreu na década de 1980, 
em que foram questionados meios, teo-
rias, instrumentos referentes à prática do 
Serviço Social. A contribuição da técnica 
e dos instrumentos utilizados ao longo do 
A Dimensão Teórico-Metodológica no Serviço Social
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caminho da profissão dá lugar ao cuidado da sua articulação com os fundamen-
tos teórico-metodológicos.
O debate gerou a consciência acerca do tema teórico-metodológico, que 
segundo Iamamoto engloba:
[...] o modo de ler, de interpretar, de se relacionar com o ser social; uma 
relação entre o sujeito congoscente - que busca compreender e desven-
dar essa sociedade – e o objeto investigado. Encontra-se estreitamente 
imbricada à maneira de explicar essa sociedade e os fenômenos parti-
culares que a constituem. Para isso implica uma apropriação da teoria 
– uma capacitação teórico-metodológica – e um ângulo de visibilidade 
na leitura da sociedade, um ponto de vista político, que, tomado em 
si, não é suficiente para explicar o social. (IAMAMOTO 2008, p. 174).
A teoria é capaz de mudar conceitos, porém não a realidade. Entretanto, ela é 
necessária, pois, segundo Sarmento (1994, p. 214), “é a ela que corresponde à 
produção de objetivos e conhecimentos, seu objeto são as sensações ou percep-
ções (subjetivas) e a elaboração de conceitos e representações ideal”.
Por sua vez, a prática pode ser definida pelo caráter objetivo da matéria-
-prima, dos instrumentos com que se trabalha e o resultado obtido. Há de se 
ressaltar que a questão teórico-metodológica ultrapassa a estrutura dos proce-
dimentos técnico-operativos, visto que se refere ao modo de realizar a leitura, 
entender, interpretar, compreender e se relacionar com o ser social.
As atuais Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social no Brasil 
evidenciam como propósito o uso da teoria crítica e do fundamento materialis-
ta-histórico-dialético, como norte teórico- metodológico.
Nessa direção, a ABEPSS diz que:
[...] a capacitação teórico-metodológica é que permite uma apreensão do 
processo social como totalidade, reproduzindo o movimento do real em 
suas manifestações universais, particulares e singulares em seus compo-
nentes de objetividade e subjetividade, em suas dimensões econômicas, 
políticas, éticas, ideológicas e culturais, fundamentado em categorias que 
emanam da adoção de uma teoria social crítica (ABESS, 1996, p. 152).
Lembrando que a teoria em sua natureza se difere da prática, porém “propor-
ciona um conhecimento indispensável para a transformação da realidade, ou traça 
finalidades que antecipam idealmente sua transformação” (VASQUEZ, 1977, p. 
203), possibilitando, assim, mudanças que junto com a prática produzem um 
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A DIMENSÃO TÉCNICO-OPERATIVA E A SUA RELAÇÃO
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novo conhecimento. Ainda em Vasquez (1997, p. 185): “Toda práxis é atividade, 
mas nem toda atividade é práxis”.
Portanto, é preciso que os profissionais imprimam constante e permanen-
temente na atuação e no entendimento da realidade, uma atitude investigativa 
para assegurar mais rigidez e consistência teórico-metodológica no seu dia a dia.
A RELAÇÃO ENTRE AS TRÊS DIMENSÕES NO 
SERVIÇO SOCIAL
Agora que conhecemos as três dimensões, vamos falar da relação que existe entre 
elas, pois a teoria orienta a finalidade, a seleção dos instrumentos a serem utili-
zados, e também oferece seu conteúdo.
Essas dimensões demonstram também nossa cultura, que éformada por 
conhecimentos e saberes (técnicos, teóricos e interventivos) do Serviço Social, 
sendo as dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa 
indispensáveis para que os assistentes sociais reflitam sobre a sua intervenção e 
recusem se for o caso, uma atuação profissional pautada na reprodução automá-
tica de atitudes conservadoras vindas do nosso legado cultural. 
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É necessário ao profissional que ele tenha o conhecimento e a compreen-
são de todo processo histórico da profissão, para que possa entender o atual 
contexto, os desdobramentos teórico-metodológicos, técnico-operativos e éti-
co-políticos que substancializam a ação profissional e o processo de formação 
dos futuros profissionais.
Nesse sentido, a ABEPSS (Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em 
Serviço Social), em 1996, definiu as seguintes diretrizes para os cursos de ser-
viço social:
1. Apreensão crítica do processo histórico como totalidade; 
2. Investigação sobre a formação histórica e os processos sociais con-
temporâneos que conformam a sociedade brasileira, no sentido de 
apreender as particularidades da constituição e desenvolvimento do 
capitalismo e do Serviço Social no país; 
3. Apreensão do significado social da profissão desvelando as possibili-
dades de ação contidas na realidade; 
4. Apreensão das demandas – consolidadas e emergentes – postas ao 
Serviço Social via mercado de trabalho, visando formular respostas 
profissionais que potenciem o enfrentamento da questão social, consi-
derando as novas articulações entre público e privado; 
5. Exercício profissional cumprindo as competências e atribuições pre-
vistas na legislação legal em vigor. (ABEPSS, 1996, p. 7-8)
Isso se torna real quando o profissional articula em suas ações todas essas dimen-
sões da prática profissional e reconhece que a dimensão técnico-operativa não 
é somente um fundamento instrumental, e quando ele se dá conta disso é capaz 
de elaborar e propor melhores respostas para as demandas da sociedade. 
Já a dimensão teórico-metodológica possibilita aos profissionais funda-
mentar sua interpretação da realidade, e quanto maior o conhecimento, maior 
serão as possibilidades de mediações e mais alternativas terão para a interven-
ção profissional. 
Por meio dessa dimensão é possível definir a intenção e a direção social da 
ação, oportunizando assim a seleção de instrumentos e técnicas apropriados para 
substancializar essa intencionalidade, da mesma maneira que o conhecimento da 
realidade dispõe de conteúdo a ser abordado nos instrumentos da intervenção.
A DIMENSÃO TÉCNICO-OPERATIVA E A SUA RELAÇÃO
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IIU N I D A D E54
Vamos exemplificar:
No atendimento à população, que reflexão você poderá trocar com esses 
usuários em uma visita domiciliar? Ou em uma entrevista? 
Tanto o conhecimento teórico quanto os demais conhecimentos sobre tal 
realidade me dão conteúdo a ser trabalhado, e a partir daí, traçarei minha estra-
tégia, escolherei meus instrumentos e realizarei minha intervenção.
Lembrando que os instrumentos serão usados para feedbacks de caráter 
administrativo, por esse a dimensão ético-política está ligada a teórico-meto-
dológica, pois ela é encarregada da escolha dos instrumentos que se confrontam 
com as finalidades e o compromisso do assistente social.
Além dessas dimensões, como vimos, existe a dimensão técnica-operativa, 
que diz respeito à competência do profissional em lidar com os instrumentos de 
trabalho, que traduz a qualidade técnica da ação profissional.
Em suma, os assistentes sociais necessitam obter todas essas habilidades e 
vinculá-las para concretizar as intencionalidades do serviço social no cotidiano 
profissional e assim efetivamente realizar um atendimento com qualidade.
Então, podemos afirmar que os instrumentos e técnicas são componentes dos 
meios de atuação profissional, e entre outros formam a dimensão técnico-ope-
rativa do Serviço Social, esse por sua vez está ligado às outras duas dimensões, 
e apesar da sua especificidade não estão sozinhos no tempo e no espaço e não 
tem um final em si mesmo, pois estão presentes na finalidade que o assistente 
social coloca na sua ação. 
Tomando essa afirmação como pressuposto, podemos concluir que a ação 
profissional deve ser sobrepujada pela reflexão sobre os princípios e valores pre-
sentes nas ações do Serviço Social, sobre as respostas dadas às demandas e sobre 
as direções que norteiam tais demandas.
Ou seja, é preciso ter a compreensão do Serviço Social, de suas condições, 
possibilidades e determinações. São essas reflexões que orientam alternativas de 
ações e a escolha pelos instrumentos e técnicas da intervenção. E é essa compre-
ensão que não deixa o profissional entrar no universo da dicotomia existente no 
campo do Serviço Social, pois muitos profissionais caem no erro de pensar que 
a prática e a teoria são duas vertentes diferentes na prática profissional, o que 
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é extremamente perigoso, pois é dever, obrigação do profissional que passou 
por um tempo considerável de formação, perceber que toda a teoria aprendida 
e saber adquirido toma forma e se efetiva no momento em que se atende uma 
demanda posta. 
Sobre isso, as autoras Gonçalves e Santiago (2012, p. 10)2 dizem que:
Essa dicotomia teoria/prática atribui consequências extremamente ne-
gativas para profissão. Um profissional que acredita que a sua prática 
é suficiente para a efetivação das suas intervenções no que está sendo 
apresentado, contribui para o tratamento pulverizado e naturalizado 
das expressões da questão social. Além de oferecer resultados frágeis 
e insuficientes no atendimento aos usuários. Entretanto, ele também 
não pode cair no erro de pensar que a teoria, é um manual que oferece 
todas as medidas que proporcionam a solução dos problemas sociais 
advindo da ordem capitalista. Todas essas implicações colocam em xe-
que a discussão no interior da categoria de encontrar alternativas que 
possibilitem a desmistificação desse falso dilema.
Diante disso, o que chama atenção é o fato de que o projeto ético-político que os 
profissionais defendem, é uma construção constante, presente no dia a dia das 
instituições e profissionais, sob o ponto de vista ético, teórico e político. 
É o velho discurso de que “na prática, a teoria é outra”, nesse sentido as auto-
ras Santiago e Gonçalves (2012, p. 9)2 nos mostram que:
O cotidiano profissional é permeado por inúmeras armadilhas, sendo 
que o assistente social deve estar apto a identificá-las. Por isso, que o 
profissional deve tomar posse de um conhecimento intelectual e te-
órico que viabilize uma postura criativa, crítica, questionadora para 
execução de suas atividades interventivas. Pois o conhecimento é uma 
alavanca poderosa para aqueles que estudam ou atuam na realidade, 
pois oferece as bases para propostas de mudança e transformação. O 
trabalho profissional muitas vezes, é marcado por distorções influen-
ciadas pela leitura vaga da realidade e a falta de um debate e racionali-
dade crítica para nortear as respostas profissionais.
Sabemos que esse assunto é amplo e não vamos nos aprofundar aqui, apenas 
apresentamos de uma forma sucinta alguns desafios que os profissionais às vezes 
enfrentam na prática profissional,bem como ressaltar a importância de se rela-
cionar sempre as três dimensões aqui expostas.
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rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E56
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No Serviço Social é comum se falar em dicotomia na relação teoria/prática, o 
que acaba revelando traços de uma delicada fundamentação teórico-metodo-
lógica para uma ação efetiva por falta de esclarecimento desses fundamentos 
norteadores da prática, em que predominam certas posturas conservadoras, que 
enfraquecem o projeto ético político que prega o discurso da defesa da liberdade. 
Isso exige do profissional ir além de ser somente executivo, sendo também 
propositivo e implementar políticas sociais e também analisar projetos entre 
outras atribuições, e para isso ele fará uso das três dimensões que estudamos 
nesta unidade, pois ele precisa saber a teoria, saber como fazer e também saber 
o que consta no código de ética da profissão, pois é ele que orienta a prática coti-
diana do assistente social.
Sendo assim, podemos estabelecer que a relação entre as três dimensões é 
constante, uma vez que estão ligadas para o melhor agir do profissional.
Vamos exemplificar: na dimensão teórico-metodológica a teoria é instru-
mento de análise da realidade social, usada para criar estratégias de intervenção 
(dimensão técnico-operativa), estratégias essas que seguem um determinado 
projeto profissional (dimensão ético-política).
O caminho de superação da dicotomia teoria/prática certamente se dará 
por meio de uma relação intrínseca entre as Universidades, docentes, profis-
sionais, supervisores de estágios, estudantes, organizações representativas 
da profissão, espaços sócio ocupacionais, reconhecendo e defendendo a 
necessidade de articulação da teoria com a prática no Serviço Social, para 
que a profissão venha oferecer uma intervenção de qualidade e contribuir 
para a transformação da realidade. Com isso, poderemos sempre reconstruir 
a história da nossa profissão em nosso país e possibilitar o aperfeiçoamento 
da instrumentalidade utilizada pelos profissionais para que a sistematização 
da prática se efetive trazendo respostas eficazes para a população usuária. 
(SANTIAGO; GONÇALVES, 2012, p.12).2
Considerações Finais
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A articulação dessas dimensões é o que caracteriza a atuação profissional 
e acontece perante condições objetivas e subjetivas, demarcadas pela história, 
que marca a indispensabilidade que o Serviço Social tem de atender as deman-
das sociais.
E a dimensão técnico-operativa, que é aquela que mais se aproxima da prá-
tica, se destaca, pois nela estão inseridas as outras duas dimensões, ou seja, as 
ações dessa dimensão expressam as dimensões teórico-metodológica e ético-po-
lítica, envolvendo um agrupado de estratégia, técnicas, instrumentos de ação, 
que consumam a atuação profissional.
Articular essas dimensões é um desafio, porém é fundamental e isso é um 
tema de grande discussão entre profissionais e acadêmicos do Serviço Social: 
a carência da articulação entre teoria e prática, análise e intervenção, pesquisa 
e ação, conhecimento e técnica. Esses fatores não devem ser encarados como 
dimensões separadas – isso pode gerar profissionais desqualificados inseridos 
no mercado de trabalho, assim como lesar os princípios éticos fundamentais que 
norteiam a ação profissional. 
58 
1. Qual a importância da relação entre as três dimensões estudadas nesta unidade?
2. Diante do conteúdo, responda por que a dimensão técnico-operativa engloba as 
dimensões teórico-metodológica e a ético-política?
3. Qual a importância de se relacionar teoria e prática no exercício profissional?
4. Após a leitura e estudo do conteúdo desta unidade, o que você entende por 
dicotomia?
5. A ação profissional deve ser pautada na reflexão sobre os princípios e valores 
presentes nas ações do Serviço Social. O que isso significa?
59 
Caro(a) aluno(a), no decorrer desta unidade estudamos as três dimensões do Serviço So-
cial; vimos que há uma relação entre elas, ou seja, o agir profissional depende de todas 
para acontecer. Dessa maneira, que tal conhecer um pouco mais sobre a Lei que regula-
menta a profissão e também o Código de Ética do (a) assistente social?
Código de Ética - Princípios Fundamentais
I. Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas políti-
cas a ela inerentes - autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos 
sociais; 
II. Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritaris-
mo; 
III. Ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de toda 
sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis sociais e políticos das classes 
trabalhadoras; 
IV. Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização da participa-
ção política e da riqueza socialmente produzida; 
V. Posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure universalida-
de de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem 
como sua gestão democrática; 
VI. Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o res-
peito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à dis-
cussão das diferenças;
VII. Garantia do pluralismo, através do respeito às correntes profissionais democráti-
cas existentes e suas expressões teóricas, e compromisso com o constante apri-
moramento intelectual; 
VIII. Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma 
nova ordem societária, sem dominação, exploração de classe, etnia e gênero; 
IX. Articulação com os movimentos de outras categorias profissionais que partilhem 
dos princípios deste Código e com a luta geral dos/as trabalhadores/as; 
X. Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o apri-
moramento intelectual, na perspectiva da competência profissional; 
XI. Exercício do Serviço Social sem ser discriminado/a, nem discriminar, por questões 
de inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, orientação se-
xual, identidade de gênero, idade e condição física.
Fonte: Conselho Federal de Serviço Social (2012). 
MATERIAL COMPLEMENTAR
Links úteis
Sempre que você tiver dúvidas sobre o Serviço Social, a fonte mais confi ável e atualizada é o site 
do CFESS – Conselho Federal de Serviço Social, para acessá-lo, use o link: <www.cfess.org.br/>. 
Nesse site, é possível encontrar a versão digital atualizada do Código de Ética do (a) Assistente 
Social. Disponível em: <http://www.cfess.org.br/arquivos/CEP_CFESS-SITE.pdf>. Acesso em: 17 
jun. 2016. 
Também o da ABEPSS – Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social utilize o link: 
<www.abepss.org.br/>. Acesso em: 17 jun. 2016.
A Dimensão Técnico-operativa no Serviço Social- desafi os 
contemporâneos
Clauida Monica dos Santos, Sheila Back, yolanda Guerra.
Editora: UFJF - Universidade Federal De Juiz de Fora
Sinopse: Esta coletânea trata de um dos temas mais candentes do Serviço 
Social contemporâneo. Ela materializa o debate sobre a dimensão técnico-
operativa realizado por pesquisadores que, preocupados com os rumos e o 
futuro da profi ssão, buscam explicitar as suas peculiaridades. É uma busca 
pautada na tradição da teoria social crítica e calcada na concepção de que 
a dimensão técnico-operativa só pode ser tratada na sua indissociabilidade 
das dimensões teórico metodológica e ético-política. Por diferentes 
caminhos e com diferentes trajetórias, os autores desta coletânea iluminam 
o debate apresentando diferentes perspectivas analíticase nos instigam a 
participar dele.
REFERÊNCIAS
ABEPSS - Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social. Diretrizes 
Gerais para o Curso de Serviço Social. Rio de Janeiro, 1996.
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Código de ética do/a assistente social. 
Lei 8.662/93 de regulamentação da profissão. - 10. ed. Brasília: Conselho Federal de 
Serviço Social, 2012.
GUERRA, Y. (org.) A dimensão técnico-operativa no Serviço Social: desafios con-
temporâneos. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2012.
IAMAMOTO, M. V. Serviço Social em tempo de capital fetiche: capital financeiro, 
trabalho e questão social. São Paulo: Cortez, 2008.
LIMA, T.; MIOTO R.; DAL PRÁ, K. R. Dal Prá. A documentação no cotidiano da inter-
venção dos assistentes sociais: algumas considerações acerca do diário de campo. 
Textos & Contextos, Porto Alegre, v. 6, n. 1, 2007.
SANTOS, C. M. dos. A dimensão técnico-operativa e os instrumentos e técnicas no 
Serviço Social. Revista Conexão Geraes, Belo Horizonte, ano 2, n. 3, jul. – dez. 2013.
SARMENTO, H. B. de M. Instrumentos e Técnicas em Serviço Social: elementos 
para uma rediscussão. 1994. Dissertação (Mestrado em Serviço Social). PUC/ SP: 
São Paulo, 1994. 
TRINDADE, R. L. P. Desvendando as Determinações Sócio-históricas do Instrumental 
técnico-operativo do Serviço Social na Articulação entre Demandas Sociais e Proje-
tos Profissionais. Revista Temporalis, Vitória, ano 2, n. 4, jul.-dez., 2001.
VÁZQUEZ, A. S. Filosofia da práxis. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.
Referências on-line:
1 Em: <http://cress-es.org.br/projetoetico.htm>. Acesso em: 23 jul. 2016.
2 Em: <http://www.cress-mg.org.br/arquivos/simposio/OS%20DESAFIOS% 20DE%20
EFETIVA%C3%87%C3%83O%20DA%20TEORIA%20NA%20SISTEMATIZA%C3%87%-
C3%83O%20DA%20PR%C3%81TICA%20PROFISSIONAL%20DO%20ASSISTEN-
TE%20SOCIAL.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2016.
61
GABARITO
1. Para que os assistentes sociais reflitam sobre a sua intervenção e recusem se for 
o caso, uma atuação profissional pautada na reprodução automática de atitudes 
conservadoras vindas do nosso legado cultural. Utilizarão as três dimensões na 
articulação entre a teoria e a prática, que vai da investigação até a execução da 
prática.
2. Na dimensão técnico-operativa, que é aquela que mais se aproxima da práti-
ca, estão inseridas as outras duas dimensões, ou seja, as ações dessa dimensão 
expressam as dimensões teórico-metodológica e ético-política, envolvendo um 
agrupado de estratégia, técnicas, instrumentos de ação, que consumam a atua-
ção profissional.
3. O assistente social, por ter uma formação que o permite trabalhar com os ser-
viços sociais em várias áreas, e isso exige do profissional ir além de ser somente 
executivo, sendo também propositivo e implementar políticas sociais e também 
analisar projetos entre outras atribuições, e para isso, ele fará uso das três di-
mensões, pois ele precisa saber a teoria, saber como fazer e também saber o que 
consta no código de ética da profissão, pois é ele que orienta a prática cotidiana 
do assistente social.
4. Podemos resumir dicotomia em pensar que a prática e a teoria são duas verten-
tes diferentes na prática profissional. O velho ditado de que “na prática, a teoria 
é outra!”.
5. Significa que é necessário que se compreenda a profissão, suas condições, pos-
sibilidades e determinações, pois são essas reflexões que norteiam as ações e 
escolha dos instrumentos e técnicas da intervenção. 
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Professora Esp. Suzie Keilla Viana da Silva
Professora Esp. Daniela Sikorski
OS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS 
E TÉCNICAS DA INTERVENÇÃO 
PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar os principais instrumentos do Serviço Social.
 ■ Referenciar os principais modelos de instrumentos técnicos do 
Serviço Social.
 ■ Refletir sobre a importância dos instrumentos e técnicas da 
intervenção profissional.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Condições para um bom atendimento
 ■ Observação e Diálogo
 ■ Relacionamento
 ■ Investigação
 ■ Análise de conjuntura
 ■ Instrumentais Quantitativos
 ■ Instrumentais Qualitativos
 ■ Entrevista 
 ■ Diário de Campo
 ■ Visita Domiciliar
 ■ Abordagem
 ■ Reunião
 ■ Dinâmica de Grupo
 ■ Relatório Social
 ■ Estudo de Diagnóstico Pós-Acolhimento
 ■ Plano Individual de Atendimento (PIA)
 ■ Estudo Social
 ■ Parecer Social
 ■ Laudo Social
 ■ Perícia Social
INTRODUÇÃO
Olá, caro(a) aluno(a)!
O conteúdo apresentado nesta unidade constitui-se em um relevante subsídio 
para que você possa elaborar os instrumentais aqui apresentados. Espera-se que 
ao lidar com estes instrumentais você tenha uma atitude investigativa, conheci-
mento das atribuições privativas contidas na Lei de Regulamentação da Profissão 
- Lei n. 8.662, de 7 de Junho de 1993 e do Código de Ética do/a Assistente Social. 
Esse conhecimento é importante para você, pois, no momento da práxis fará a 
diferença, para ter o domínio sobre quais instrumentais deverão ser utilizados e 
como serão utilizados. Você, acadêmico (a), terá um companheiro; o seu diário 
de campo, em que registrará todas as suas observações durante o estágio supervi-
sionado, fazendo desse instrumental uma ferramenta para sua vida profissional. 
Antes de realizarmos quaisquer intervenções junto do usuário devemos reali-
zar uma análise conjuntural da situação, para tanto, é de fundamental importância 
que o profissional de Serviço Social tenha fundamentação teórica. Veremos nesta 
unidade que, para entrevista, o assistente social deve estar em um ambiente sigi-
loso e seguro para ambas as partes, tendo escuta qualificada, ser observador e 
investigativo, procurando sempre estar aberto para compreender com clareza 
o usuário. Quanto os instrumentais quantitativos e qualitativos utilizamos para 
elaboração de relatórios, projetos e acompanhamentos. A visita domiciliar é fun-
damental para o acompanhamento dos casos (usuários). Portanto, o profissional 
deve estar preparado eticamente para não retornar a atitudes conservadoras do 
passado, estando pautado no Código de Ética e demais Leis de regulamentação. 
Enfim, todos os instrumentais apresentados nesta unidade têm sua relevância 
na práxis e você deve internalizar todo conhecimento passado em nossas aulas. 
Desde já registro os nossos sinceros agradecimentos por estarmos juntos durante 
esta unidade, que possamos agregar conhecimento para utilizar em seu dia a dia! 
Bons Estudos.
Introdução
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OS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DA INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
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IIIU N I D A D E66
CONDIÇÕES PARA UM BOM ATENDIMENTO
Mesmo depois da conclusão do curso de Serviço Social, muitos profissionais 
ainda possuem dúvidas. Isso porque a realidade nos ensina, o exercício da pro-
fissão nos ensina, o cotidiano nos ensina e à medida que vamos desvelando a 
realidade, novos saberes vão se revelando. Sem contar que nossa profissão pres-
supõe contato direto e permanente com o ser humano, e cada pessoa é singular 
e individual, vivendo e apresentando sua vida a sua maneira, com suas angustias, 
seus temores, problemas e medos. Cada indivíduo tem a sua interpretação do 
mundo. Por isso, é impossível prever o comportamento humano, não há como 
saber o que cada um falará, agirá ou reagirá.
Logo, não há como criar uma lista precisa e única de como proceder em 
cada atendimento. Não se desespere! Isso ficará mais claro no decorrer do texto.
É comum que mesmo depois deformado ainda persistam algumas preocu-
pações existentes no cotidiano de muitos assistentes sociais:
Teríamos procedido de maneira certa, deixando o [usuário] à vontade? 
Teríamos sido capazes de fazer com que ele se deixasse conhecer? O 
que faríamos se ele não falasse e, no caso de fazê-lo, estaríamos seguros 
em selecionar os fatos mais significativos, contidos nas suas observa-
ções e no seu comportamento? (GARRETT, 1991, p. 18).
Condições para um Bom Atendimento
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Um modelo para um atendimento perfeito não existe, esse será aperfeiçoado 
pelo próprio profissional ao longo do seu exercício profissional, na medida 
em que se afastarem os receios e as ansiedades frente a cada nova situação. Isso 
ocorrerá na medida em que espontaneamente se é capaz de estabelecer entre 
profissional e usuário, uma “[...] afinidade que permita ao usuário revelar os 
fatos essenciais da sua situação e ao [profissional] tornar-se capaz de auxiliá-lo” 
(GARRETT, 1991, p. 18).
Porém, deve-se ter claro que os instrumentais não são compartimentos 
isolados e muitos deles são utilizados de forma simultânea.
A rediscussão em torno da questão dos instrumentais e técnicas está 
situada no âmbito da formação profissional, pensando-a no aspecto 
da prática profissional que remete-nos diretamente à intervenção pro-
fissional. [...] a discussão acerca da prática profissional não pode ser 
apreendida apenas a partir do seu agir imediato, mas, particularmente 
compreendemos a prática elaborada a partir de um aporte teórico que a 
fundamente. [pois]...os instrumentos e as técnicas não expressam, ob-
viamente, toda a profissão (SARMENTO, 1994, p. 232-251, grifo nosso)
Somado à citação anterior, proponho uma atenção à citação a seguir. Procure 
perceber o impacto que ela tem no que diz respeito ao Serviço Social e ao exer-
cício profissional:
Abandonasse o homem um dia o hábito de rotular as coisas como boas, 
más, desejáveis e indesejáveis e os males, obra sua, produtos de seus 
atos carregados de valores, desapareceriam, e os restantes males natu-
rais não seriam mais vistos como males, e sim como parte inevitável da 
trajetória desta vida. (TZU, 1964, p. 14)
Devemos estar sempre atentos para algumas questões presentes no cotidiano 
profissional. O trato com o usuário, o local, comportamentos, a valorização do 
usuário enquanto sujeito e cidadão de direitos devem sempre estar na mente e 
nas ações do profissional.
Sendo assim, alguns detalhes devem ser observados e colocados em prática, 
algumas precauções devem ser tomadas para que o atendimento tenha os atri-
butos necessários para que alcance seus objetivos. 
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Discutir [os] instrumentos e técnicas envolve o “o que fazer”, o “para 
que fazer”, o “por que fazer”, mas também, o “como fazer”. O cuidado 
com o “que fazer”, com o “para que” fazer e com o “por que fazer” não 
pode excluir o “como fazer”. (SANTOS, 2007, p. 82).
Lembre-se que estamos falando da dimensão prática/técnica da atuação 
profissional, porém essa não é a única, temos ainda a dimensão teórica e 
metodológica, pois se nos determos somente à dimensão prática da profis-
são estaremos sendo imediatistas, desconsiderando o caráter político e de força 
que possui a profissão.
Antes de refletirmos sobre os instrumentais técnicos propriamente ditos, 
nos atentaremos para alguns cuidados técnicos que permeiam e envolvem a 
maioria das ações do profissional.
LOCAL DO ATENDIMENTO
O atendimento deverá ocorrer sempre que possível, num ambiente acolhedor, 
discreto, que lhe transmita um certo grau de reserva e segurança e que permita 
ao usuário sentir-se à vontade (BARDAVID,1987).
Contudo, juntamente aos cuidados com o espaço físico, o acolhimento no 
local é de extrema relevância: o primeiro passo em um atendimento deve ser auxi-
liar o usuário a sentir-se à vontade e confortável. Naturalmente isto será difícil de 
conseguir, a menos que o próprio profissional esteja à vontade (GARRETT, 1991).
Uma boa recepção (acolhimento) mostra ao usuário que ele não deve temer 
o atendimento. A recepção deverá ocorrer da 
forma mais natural possível e o profissional 
não pode ser forçosamente agradável.
Isso pode ocorrer pelo fato do profissio-
nal estar na mesma condição que o usuário 
enquanto ser humano. Ele vive na mesma 
sociedade que aquele que recebe atendimento.
O profissional deve evitar ao máximo 
interrupções e chamados ao telefone. O des-
vio de atenção por parte do profissional pode 
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vir a ser entendido pelo usuário como uma ofensa, ou então pode sentir que o 
profissional faz pouco caso da sua pessoa, desqualificando o atendimento, difi-
cultando, talvez, o fornecimento de informações por parte do usuário.
O espaço físico, se não for adequado, pode comprometer a privacidade do 
indivíduo que está sendo atendido e ele pode não se sentir confortável ao per-
ceber que outras pessoas escutam seus problemas ou coisas afins. Levando em 
conta a singularidade de cada usuário, o espaço físico pode vir a inibi-lo ainda 
mais. Ele pode não conseguir abrir-se com o profissional, omitir ou deturpar 
informações, pois, o ser humano possui mecanismos inconscientes de defesa que 
são acionados quando este se depara com uma situação que o intimida.
Contudo, a falta de estrutura física deve ser contornada pelo profissional, 
não devendo ser desculpa pelo fracasso ou para o não alcance de seus objetivos. 
Muitos profissionais enfrentam esse desafio: desempenhar seu trabalho em con-
dições que não são as ideais, porém, não se deve atribuir somente a esse fator 
a deficiência de sua prática. Certamente ela poderá ser prejudicada, mas se a 
equipe de profissionais tiver clareza dessa situação, é possível que juntos estabe-
leçam uma linha de trabalho que contorne essa questão e que se proporcione, 
mesmo que difícil, um mínimo de privacidade ao usuário.
DURAÇÃO DO ATENDIMENTO
Não é porque um atendimento foi demasiado longo que obteve grande êxito ou 
foi efetivo e resolutivo. O que garantirá o seu 
sucesso será a qualidade da reflexão e enca-
minhamentos realizados.
Bardavid (1987) e Garrett (1991) dizem que 
o tempo de duração de um atendimento varia 
de acordo com o seu objetivo, mas alertam que 
o seu prolongamento pode vir a cansar ambas as 
partes, a não ser quando o atendimento espon-
taneamente se prolonga por ricas informações 
ou quando se faz realmente necessário.
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Um atendimento longo pode indicar que o usuário falou mais do que queria 
ou que foi mal conduzido, gastando o tempo de ambos e não gerando benefícios 
a ninguém. Entretanto, não se pode estipular um tempo máximo ou mínimo de 
atendimento, por não se tratar de uma consulta. O atendimento segue uma sequ-
ência e o tempo será delimitado com base nas questões apresentados pelo usuário.
Pode-se perceber que o fator tempo está ligado à questão do acúmulo de 
usuários a serem atendidos em um único dia. Porém, quando há uma preocu-
pação excessiva com o tempo (em atender muita gente ou de não dar tempo de 
atender atodos), muitas vezes se acaba perdendo a qualidade do atendimento.
O usuário não ficará tão transtornado em esperar pelo atendimento se o 
profissional no momento em que for atendê-lo dispor da mesma atenção e pro-
fissionalismo que foi dispensada ao usuário anterior. O usuário perceberá que 
essa é uma prática comum desse profissional para com todos os seus usuários.
ACEITAR
Compreender as singularidades e particularidades de cada usuário é uma condi-
ção indispensável para um bom assistente social, pois, de acordo com Carvalho 
(1987 p. 39) “cada um deles [usuários] expressa à sua maneira o mundo, os 
outros, a existência, seu desemprego ou sua fome, seu trabalho ou afetos, seu 
desespero ou sua revolta”. 
Quando falamos na subjetividade de cada um, podemos dizer: “[...] nunca 
sei exatamente como você vê a si mesmo e você nunca sabe exatamente como eu 
me relaciono comigo próprio” (MAY, 1987, p. 78). É por essa razão que o profis-
sional deve aprender a controlar-se para que não venha a condenar o usuário por 
este possuir uma conduta que não condiz com seus valores e padrões próprios.
Aceitar o outro, livre ao máximo de preconceito, é fundamental. Isso tam-
bém não quer dizer que o assistente social é aquele que tudo perdoa e que passa 
por cima de tudo quando se trata de falhas, somente para deixar o usuário à 
vontade, pois, aceitar “[...] comportamentos antissociais não é perdoá-los, mas 
sim compreendê-los no sentido de conhecer os sentimentos que expressam” 
(GARRETT, 1991, p. 47).
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O preconceito por parte do profissional é muitas vezes visto por ele mesmo como 
opiniões naturais e não históricas. Outra questão é que se pensa em preconceito 
em níveis mais gerais do tipo racismo, classe social, política, étnica etc., quando 
na verdade o preconceito aparece também em aspectos mais sutis: 
[...] sentimentos de aversão exagerada à indumentária deselegante, ex-
travagante, a pessoas franzinas, gordas, ‘salientes’, homens fracos, mu-
lheres agressivas, moças louras, morenas ou de cabelo vermelho (GAR-
RETT, 1991, p. 43).
Situação que poderá ser superada se o profissional descobrir e tiver consci-
ência dos seus preconceitos, para melhor conhecer o outro. O profissional deverá 
ter consciência de si mesmo, de seus medos, preconceitos e limitações, se per-
ceber enquanto cidadão singular.
Não se guardam valores em casa quando se vai trabalhar, sendo assim o pro-
fissional deve estar atento para não estar reforçando a compartimentalização de 
valores existentes na sociedade atual. Devemos combater essa compartimenta-
lização, pois, o profissional deve buscar cada vez mais a inter-relação e vivência 
desses valores.
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GUIAR 
Compete ao profissional guiar, conduzir o atendimento, não com um caráter 
autoritário de forma a deixar o usuário desconfortável, e sim conduzi-lo de forma 
que as informações essenciais não se percam, e que informações desnecessárias 
não se acumulem devido a um usuário tagarela. O profissional não deve esperar 
que o usuário tome as rédeas da situação, pois correrá o risco de receber aten-
dimento ao invés de atender.
Deve ter claros os objetivos de seu atendimento, ter clareza para saber quando 
deixar o usuário falar, quando interrompê-lo, quando questioná-lo: deve-se ter 
a sensibilidade para poder perceber quando o atendimento tornou-se maçante, 
exaustivo, por excesso de tempo ou pelas condições psicológicas do usuário. 
Também é preciso saber quando é hora de encerrar o atendimento e outros deta-
lhes que devem ser percebidos pelo profissional, a fim de evitar que ambas as 
partes gastem seu tempo, não chegando a lugar algum.
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CLAREZA DE OBJETIVOS
O profissional deve ter claro para si todos os objetivos do atendimento, o porquê 
de cada pergunta a ser realizada no momento do atendimento, pois não se per-
gunta algo apenas por perguntar, por uma simples curiosidade. De acordo com 
Garrett (1991, p. 42), “[...] o primeiro objetivo básico [do atendimento] é obter 
uma compreensão do problema e da situação da pessoa que necessita auxílio”.
Bardavid (apud CARVALHO, 1987), coloca que o atendimento apresenta 
dois grandes objetivos que são: objetivo remoto, que diz respeito à perspectiva 
de realização do ser humano; e o objetivo próximo, que diz respeito à capacita-
ção do usuário considerando seu pedido. 
Nenhum profissional deve realizar um atendimento sem ter claro com que 
objetivos estará realizando tal ação, pois no momento do atendimento:
As pessoas são feridas em sua sensibilidade ao abordarem fatos de sua 
vida pessoal, hábitos familiares, pobreza, erros passados e assim por 
diante. E um questionário direto, aplicado prematuramente, pode afas-
tar o assistido e fazê-lo levantar barreiras protetoras contra o que muito 
pode lhe parecer intrusão indevida (GARRETT, 1991, p. 52).
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IIIU N I D A D E74
Por exemplo: a entrevista trata de informações pessoais dos usuários, logo 
deve ele saber por meio do profissional, de forma clara e direta quais os objeti-
vos daquela entrevista, e que ela possui um caráter confidencial.
É necessário ter claro os objetivos da instituição a qual se representa os 
objetivos de cada setor (se existirem setores), os objetivos da própria profissão 
enquanto especificidade e o objetivo de cada ação efetuada.
O desconhecimento dos objetivos das questões realizadas prejudica o traba-
lho de qualquer profissional. Se este não tiver claro para si mesmo tais objetivos, 
sentir-se-á realmente um “intruso” realizando tais perguntas, pois não saberá 
como trabalhar com as respostas fornecidas pelo usuário, e assim, o profissio-
nal não estará à vontade para perguntar e o usuário à vontade para responder.
OBSERVAÇÃO E DIÁLOGO
Observar, segundo Costa e Sarmento (1989, p. 4) significa: 
[...] aproximar-se da realidade para ver o aparente e ser capaz de ver 
além do que se apresenta, do que é dado ao observador. A observação 
pressupõe observar o que são as inter-relações dos [usuários].
Não é uma ação tão simples quanto parece, 
não basta ver apenas com os olhos é preciso 
ir além, em busca de uma constatação mais 
exata possível acerca do usuário. Se o assis-
tente social não for um bom observador não 
saberá decodificar os diversos sinais e infor-
mações transmitidas pelo usuário, poderá ser 
um exímio técnico, mas apresentará falhas, 
enquanto assistente social, na leitura da vida 
do sujeito.
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Para isso, algumas considerações devem ser levadas em conta:
 ■ Ter cuidado para não fantasiar o que se apresenta, procurar ver as coisas 
como elas realmente são.
 ■ Não se “[...] deixar levar pelas impressões e confundi-las com a observa-
ção” (SARMENTO, 1994, p. 265).
 ■ Olhar o singular da realidade apresentadasem desprezar o geral.
Sarmento (1994, p. 265) ainda complementa:
[...] o assistente social necessita exercer um controle sobre sua atitu-
de de observar, para que tenha plenas condições de constatar as coisas 
como elas realmente são e, efetivar o julgamento, ou seja, ao mesmo 
tempo em que se procura detectar os dados da realidade procura-se 
expurgar os seus elementos de relação com o objeto observado, daí a 
neutralidade como ponto relevante no processo de observação. 
Temos ainda a definição de Souza (2004, p.184) acerca da observação:
A observação consiste na ação de perceber, tomar conhecimento de um 
fato ou acontecimento que ajude a explicar a compreensão da realida-
de objeto do trabalho e, como tal, encontrar os caminhos necessários 
aos objetivos a serem alcançados. É um processo mental e, ao mesmo 
tempo técnico.
A autora citada anteriormente complementa que, sendo a observação um recurso 
técnico, pressupõe alguns pontos de relevância na sua execução: a especificação 
(o que se observará); a quantificação (que tipo de dados é possível observar); e 
objetividade (significado dos elementos observados, objetividade implícita na 
aparência) (SOUZA, 2004).
Logo, podemos afirmar que a observação engloba toda a instrumentalidade; 
não é, em si, uma técnica, no sentido lato da palavra, mas uma potencialida-
de a ser desenvolvida. Nessa linha de pensamento a observação caminharia 
passo a passo com a linguagem, ou melhor, dizendo, com as linguagens. 
Ambas estariam presentes em toda instrumentalidade profissional. 
Fonte: Magalhães (2003, p. 57).
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A observação é uma das formas de coletar dados importantes para o aten-
dimento posterior ao usuário. Garrett (1991, p. 61) diz que “observar [...] certos 
fatos, como tensões do corpo, enrubescimento, excitabilidade, melancolia, [...] 
suplementam e algumas vezes até substituem o quadro esboçado pelas palavras 
do [usuário]”.
A boa observação deve levar em consideração dois aspectos do usuário: 
o físico (seu comportamento, ações e reações) e aquilo que fica subentendido 
por meio das palavras. Somamos a esses outros elementos a serem observados: 
o andar, a postura, o vestuário, a maneira de falar ou de silenciar, o comporta-
mento e as emoções que acompanham a fala.
A observação exige um grau de abertura do profissional, assim como sen-
sibilidade humana a fim de captar com maior fidelidade o que o usuário está 
expressando direta ou indiretamente, pois, “[...] aparecem no atendimento pes-
soas que nem sempre dizem o que pensam ou agem como sentem” (GARRETT, 
1991, p. 64).
O profissional deve estar atento realmente às reações de seu usuário, pois 
a pressão exercida exteriormente sobre o indivíduo, muitas vezes, o faz agir de 
forma que ele ache que as pessoas querem que ele aja, ou então a dar respostas 
que ele acha que o profissional gostaria de ouvir.
Outro fato que deve ser observado é a ansiedade vivenciada pelo indivíduo 
no momento do atendimento. Ele pode estar vivenciando um dos níveis de ansie-
dade: tensão, apreensão ou terror. E em caso extremo, o indivíduo pode ter uma 
crise de ansiedade por estar diante do assistente social pela primeira vez. Muitas 
vezes é normal certa ansiedade diante do novo. Mas se o usuário apresenta sinais 
de ansiedade desproporcional ao momento, o profissional deve voltar à atenção 
primeiramente para essa reação, considerando, dessa forma, o comportamento 
vivenciado pelo usuário naquele momento. 
O bom observador consegue captar aquilo que está oculto no indivíduo e 
que pode vir a ser a chave para o cumprimento do objetivo do atendimento ou 
do problema. Pois, “pessoas são pessoas, onde quer que estejam [para tanto é pre-
ciso] aprender ver a floresta, não só as árvores” (DIMITRIUS; MAZZARELLA, 
2000, p. 25).
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A forma como a observação vai se processando está intimamente ligado ao 
jeito de ser do profissional, pois envolve além de tudo sua subjetividade. Não há 
como se dizer/ordenar: proceda desta ou daquela forma.
Qualquer pessoa que tenha montado um quebra-cabeça aprendeu que 
sem alguma abordagem lógica pode ficar infindavelmente atrapalhada 
com centenas de peças na mesa, antes de conseguir achar um único 
encaixe. Como ponto de partida, a maioria começa a montar as peças 
da borda – não porque elas mostra como será o quebra-cabeças termi-
nado, mas porque são relativamente fáceis de identificar e de juntar. 
Uma vez que a borda do quebra-cabeças esteja completa, nós temos um 
quadro de referência que nos ajuda a determinar como as outras peças 
se encaixam. (DIMITRIUS; MAZZARELLA, 2000, p. 28).
Durante o processo de observação podemos estar atentos a alguns pontos que 
auxiliarão a prática profissional junto com o seu usuário: associação de ideias; 
mudança de assunto durante a conversa e primeiras e últimas palavras. Vejamos 
a seguir cada um deles:
Uma senhora pode estar falando sobre sua dificuldade em continuar 
com seu marido, e passar a falar subitamente sobre a separação de seus 
pais quando era criança e sua infelicidade e vergonha, decorrentes dis-
so. Isso indica que seus problemas atuais não estão isolados, mas rela-
cionados em sua mente com dificuldades semelhantes às de seus pais 
(GARRETT, 1991, p. 101).
Esse tipo de ação por parte do usuário chama-se associação de ideias, quando 
este consegue estar articulando o atual momento de sua vida a outro que o mar-
cou intimamente. A partir disso, o profissional poderá estar encontrando um 
canal para refletir com seu usuário a situação por ele apresentada.
Outra atitude a ser observada é quando o usuário começa a mudar de assunto 
durante a conversa. Isso pode ser um indicativo de que não quer revelar tanto 
sobre si mesmo, “[...] ou talvez o assunto lhe fosse muito penoso para prosse-
guir, ou demasiadamente pessoal, ou ainda passível de censura” (GARRETT, 
1991, p. 101).
Ao perceber que o usuário muda constantemente de assunto, o profissional 
deve estar atento a essas mudanças. Os desvios que ocorrem durante o aten-
dimento devem ser passíveis de receber uma atenção especial. Claro que, por 
vezes, o usuário poderá tecer algum outro comentário complementar, porém se 
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logo retornar ao assunto principal pode ser encarado como uma fuga natural.
Outra maneira de buscar compreender melhor o usuário e como ele está se sen-
tindo é estar atento as primeiras e últimas palavras proferidas. As primeiras nos 
dão a dica sobre o estado de espírito do usuário, como ele apresenta seu problema, 
o que espera do atendimento. A maneira (o jeito) como ele expõe os fatos sempre 
merece um estudo. Já as últimas palavras nos dão a ideia do que ele apreendeu até ali 
e até que ponto o profissional contribuiu para a resolução do problema do usuário.
De acordo com Garrett (1991, p. 105), “[...] é essencial para o profissional 
acostumar-se a ouvir não só o que o assistido diz, mas também a procurar enten-
der o que ele quer dizer”.
Cada profissional, porém, deverá observar seu usuário da forma na qual se 
sinta à vontade e que deixe seu usuário ao mesmo tempo à vontade. Por isso a 
discrição é uma condição fundamental para tal prática.
A observação permeia todo o atendimento, ela inicia assim que o usuário 
chega e perdura todo o atendimento até o momento de ir embora.De acordo com Garrett (1991, p. 67):
Um erro comum dos [...] experientes é embaraçarem-se com as pausa 
do cliente e acharem que devem tomar a iniciativa de fazer pergun-
tas ou comentários [...] Uma interrupção precipitada pode omitir para 
sempre esta importante parte da história. [...] e prolongando-se muito, 
somente atrapalhará a pessoa entrevistada. Em tais casos, uma obser-
vação pertinente, ou uma pergunta, encorajará a mesma a prosseguir. 
Podemos então dizer que é necessário um discernimento para saber: quando o 
silêncio atrapalha; quando o silêncio expressa algo; quando a intervenção sobre 
o silêncio é necessária ou prejudicial. É necessário decodificar o silêncio.
Isso demonstra a interligação dos elementos observação-escuta; pois, somente 
observando os pormenores do usuário teremos condição de analisar melhor as 
suas atitudes. Podendo-se perguntar ao usuário: o que esse silêncio quer dizer?
Relacioná-lo (o silêncio) com o que o usuário falou anteriormente ou as pró-
ximas palavras que proferir é uma forma de se estar interpretando o que esta 
atitude significa naquele momento.
Há momentos em que deixamos que o usuário fale livremente antes da entre-
vista (se houver), isto pode vir a facilitar o atendimento, pode ser que ele venha 
a responder espontaneamente questões que não foram perguntadas e assim nos 
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fornecer a forma de como devemos conduzir o atendimento (GARRETT, 1991). 
São “dicas“ que o próprio usuário fornece e que somente são percebidas por 
um profissional atento. A arte de ouvir com atenção visa à apreensão e a apre-
ciação dos comentários feitos pelo usuário.
Segundo Carvalho (1987, p. 40-41): 
Enquanto escuta e vê, o Assistente Social diz e é ouvido ao mesmo tem-
po, também é fala e fala que é gesto e olhar [...] ouvir aqui não pode ser 
a simples permissão da palavra [...] onde o silêncio não é a cessação da 
palavra, mas a imersão no ser [...].
É um momento de interação, de mútuo comprometimento. 
O profissional deve ouvir, olhando para o usuário não em posição de descaso 
ou falta de atenção. “Escutar a palavra do [usuário] não é ouvir por complacência 
ou misericórdia, não é ouvir mesmo por acaso, ou coincidência, mas é tornar-
-se sensibilidade e intuição” (CARVALHO, 1987, p. 40-41).
Aprender a ouvir é mais difícil do que aprender a fazer boas perguntas. 
[...] Ouvir é essencial, mas como parece passivo, é frequentemente su-
bestimado. (DIMITRIUS; MAZZARELLA, 2000, p. 138)
O ser humano necessita de atenção, precisa ser ouvido, de um espaço em que 
possa desabafar, por para fora suas aflições. O gesto de ouvir dá um real sentido 
ao fazer profissional do assistente social na medida em que esse estará realizando 
um atendimento mais humanizado, pois as questões partirão daquele que neces-
sita do auxílio e não do profissional que, por vezes, pensa saber a solução para 
um problema que ele acha que já conhece o suficiente. 
Existe além de tudo um compromisso 
ético-profissional do assistente social: 
neste é depositado por parte do usuário a 
confiança de seus problemas e de sua vida.
Assim, o diálogo é um elemento 
essencial para um bom atendimento. O 
diálogo pressupõe duas ou mais pessoas 
e também fala e escuta, ordenadamente. E 
esse diálogo tem muito ou até mesmo tudo 
a ver com o processo reflexivo do usuário.
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Poderíamos dizer que o diálogo não é “o que se usa mais”, e sim, o que se 
usa sempre e, ele é fundamental em um atendimento e no processo de reflexão 
junto ao usuário. O profissional precisará estabelecer um bom, agradável e esti-
mulante diálogo, para que o usuário sinta-se à vontade em estar ali. Para que o 
indivíduo sinta-se em condição de abrir-se, o profissional deve deixar-se perce-
ber em condição e posição de escuta.
A primeira regra do bom ouvinte é não interromper. É impossível ouvir 
bem quando você está falado ou planejando o que vai dizer a seguir. [...] 
Quando interrompemos alguém, nós cortamos o fio do pensamento 
dele, mesmo que por um breve momento. A espontaneidade e o ritmo 
da conversa podem ter se perdido quando ele conseguir retomar seus 
pensamentos. (DIMITIRIUS; MAZZARELLA, 2000, p. 139, grifo nos-
so).
De acordo com Paulo Freire (apud KISNERMAN, 1978, p. 24-25), devemos nos 
perguntar sempre como forma de autorreflexão quanto à prática:
[...] Como posso dialogar, se me sinto participante de um ‘ghetto’ de 
homens puros, donos da verdade e do saber para quem todos os demais 
são ‘essa gente’ ou são ‘uns caipiras ignorante’? Como posso dialogar, se 
me fecho para não me dar aos outros? [...] aos quais jamais reconheço 
e até me sinto ofendido pela contribuição que eles, por acaso, me quei-
ram dar? Como posso dialogar, se temo a superação e se só em pensar 
nela sofro e desfaleço? 
É relevante a predisposição permanente a ouvir aquele que vem até ao Assistente 
Social, pois, o simples ato de ouvir com atenção poderá ser o auxílio àquele que 
recorre. O que não ocorrerá se, conforme citação anterior, o profissional assu-
mir uma posição autoritária e de menosprezo, diante do usuário.
Kisnerman (1978, p. 25, grifo nosso), apresenta alguns pontos para que se 
estabeleça um bom diálogo e que facilitam o ouvir mútuo:
a. confiança, compreensão - Não é um amigo, porém um profissio-
nal que efetua o [atendimento] com intenção precisa;
b. não fazer críticas, nem julgar;
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c. analisar exaustivamente a situação para que o [usuário] se escla-
reça;
d. reorganizar o [atendimento] de acordo com a situação e o [usu-
ário];
e. não prometer coisa alguma, não procurar gratificações pessoais, 
não se mostrar onipotente;
f. escutar mais do que falar. Não usar conceitos teóricos que o [usu-
ário] não entenda;
g. não improvisar; formular perguntas diretas e claras de acordo 
com os objetivos e adequadas à situação;
h. se a situação for favorável, anotar apenas os dados importantes;
i. não comentar com outros [usuários] os resultados do [atendimen-
to];
j. ser autêntico; não fazer ostentações nem disfarçar em pobre, ser 
como é comumente;
k. observar todo contexto do [atendimento], pois que tudo tem sig-
nificado.
Conforme citamos anteriormente, ressaltamos a relevância de um profissional 
autêntico. A autenticidade não deve ser qualidade apenas de um ou outro grupo 
social, ela deve estender-se a sociedade como um todo, fazendo parte do coti-
diano dos homens.
Um “jeito forçoso” de ser demonstra que o profissional não é livre interior-
mente, porque situações externas o convencem a agir dessa forma. Como, então, 
o profissional proporcionará ao seu usuário um espaço para reflexão?
As considerações de Kisnermann (1978) sobre a autorreflexão do profis-
sional devem sempre estar presente na prática, a fim de melhor qualificar seu 
trabalho. É bom lembrar que todos esses apontamentos devem ser adaptados ao 
momento, ao usuário, a realidade com a qual se trabalha.
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RELACIONAMENTO
Vamos primeiramente compreender o relacio-
namento no âmbito profissional considerandoo seu processo histórico. Para isso, utilizaremos 
como fonte para nossa análise algumas refle-
xões de Gordon Hamilton (1958).
Período Clássico: 
Mary Richmond é a assistente social artífice do relacionamento, quando siste-
matizou o conhecimento da profissão, trabalhando as relações sociais entre as 
pessoas. Aqui especificamente, relações entre pessoas, que se efetivam na prá-
tica. Para Mary Richmond, todo indivíduo que não consegue dar conta dos seus 
problemas, que tem bloqueios de personalidade, caracteriza-se por caso social 
(o que era trabalhado por assistentes sociais).
Portanto, no início da nossa profissão o relacionamento esteve presente como 
elemento fundamental da prática profissional. Gordon Hamilton (1958), que se 
aproximou da psicanálise, também trabalha o relacionamento:
1. Relações humanas – sua importância, sua dinâmica, sua utilização no 
tratamento.
2. Cada tipo de comportamento é, não só um conjunto de fatos psicológi-
cos e biológicos, um julgamento de valor, pois o comportamento de um 
indivíduo sofre influência do modo de agir de outros.
3. As relações pessoais ativam processos intelectuais e emocionais, formam 
atitudes e socializam o indivíduo.
4. O assistente social deve ser uma pessoa de natureza agradável com jeito 
para fazer amizades, deve estar disposto a entrar em contato com a expe-
riência emotiva do outro, a ouvir o seu ponto de vista a respeito dos seus 
problemas e de palmilhar pacientemente com ele o caminho para a solu-
ção de suas dificuldades.
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O autor Félix Biestek (1960), em seu livro “O relacionamento em Serviço Social 
de Casos”, faz suas considerações e contribuições acerca do instrumental no exer-
cício profissional da época (+- dez. de 60):
1. O elemento relacionamento é uma intervenção de atitudes e emoções do 
assistentes sociais e clientes.
2. O relacionamento entre o assistente social de casos e o cliente é o meio 
pelo qual se usa o conhecimento da natureza humana e do indivíduo: 
apenas o conhecimento é inadequado quando não há relacionamento. O 
relacionamento é mobilização das capacidades do indivíduo e a mobili-
zação dos recursos da comunidade; também por meio dele aparecem as 
habilidades em entrevistas, estudo, diagnóstico e tratamento.
3. O objetivo do relacionamento foi descrito como criador de um ambiente, 
como desenvolvimento de personalidade, como melhor solução para o 
problema do cliente, como meio de realizar um trabalho, uma função 
determinada e focalizando realidades e problemas emocionais, ajudando o 
cliente a fazer um ajustamento mais aceitável de um problema pessoal. O 
relacionamento tem objetivos gerais e específicos. Além disso, em alguns 
casos é a principal forma de tratamento, enquanto em outros é um auxí-
lio para o tratamento.
4. O relacionamento em Serviço Social de casos é a interação dinâmica de 
atitudes e emoções entre o assistente social e o cliente, com objetivo de 
auxiliar o individuo a atingir um ajustamento com seu ambiente.
De acordo com Biestek (2010), ainda é possível elencar alguns princípios para 
individuação, sendo eles:
1. Expressão de sentimentos tendo em vista um objetivo.
2. Envolvimento emociona controlado.
3. Aceitação.
4. Atitudes de não julgamento.
5. Autodeterminação do cliente.
6. Discrição.
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IIIU N I D A D E84
Atualmente:
Neste momento histórico da profissão, em que se valoriza a construção do conhe-
cimento, podemos entender o relacionamento como:
1. Ênfase nas relações interpessoais.
2. Forma privilegiada da ação profissional.
3. Fatores psicossociais.
4. Forma de ação necessária para a concretização dos objetivos profissionais.
5. Relacionamento baseado nos próprios valores do assistente social.
A perspectiva tradicional vê o relacionamento no seu aspecto afetivo, em que 
o problema social necessita da intervenção do assistente social sobre o sujeito, 
porque se ele possuía problema possuía, então, uma relação disfuncional com o 
meio social. Nessa perspectiva, o cliente é visto como necessitado e o assistente 
social deveria escutar o necessitado com agrado e paciência estabelecendo uma 
simpatia com muita compreensão, logo se compreendia o relacionamento como 
um instrumento facilitador da intervenção no plano afetivo, para que o trata-
mento tivesse êxito.
Já na perspectiva crítica, o Serviço Social responde aos problemas do seu 
tempo com a intervenção, ou seja, a partir do relacionamento (ação concreta) ele 
“reconstrói” os campos de mediação (relacionamento entendido como media-
ção profissional). Pois as relações sociais retratam a forma concreta do projeto 
sócio-político dominante, as relações sociais modelam as relações interpessoais.
Nessa perspectiva, o relacionamento tem não apenas dimensão afetiva, mas 
também cognitiva, em que se articulam todas as relações que estão presentes 
entre os indivíduos. O trabalho social está inserido em uma relação contraditó-
ria, pois os problemas trabalhados são expressão da sociedade.
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No trabalho do assistente social com o usuário, estabelece-se uma relação:
Figura 1 - Relação Profissional
Fonte: a autora.
Segundo Sarmento (1994, p. 254), relacionamento é um instrumental facilitador 
da intervenção no plano afetivo e cognitivo, “se apresenta como uma categoria 
fundamental que permeia toda a prática profissional”. Ou seja, não existe prática 
profissional sem que haja um relacionamento entre o assistente social e o usuário. 
A relação entre assistente social e o usuário não se dá na imediaticidade (já, 
agora) e sim na mediaticidade (com o tempo). É um dos instrumentais no qual 
o subjetivo, a personalidade do assistente social tem grande função e influência. 
O relacionamento nesse caso possui um caráter intencional, objetivo o rela-
cionamento entre o assistente social e o usuário possui um caráter profissional, 
consciente e dirigido. Mas isso não significa que o assistente deva demonstrar 
frieza, descaso e menosprezo pela pessoa que a ele se apresenta.
Como acabamos de relatar este instrumental possui um caráter subjetivo, 
assim também pressupõe sensibilidade humana, para que durante a interação 
profissional-usuário, o primeiro seja capaz de avaliar e decodificar os elementos 
que se apresentam por meio das experiências e vivências relatadas pelo segundo. 
Afinal, todo indivíduo chega até o assistente social porque precisa que algum 
tipo de necessidade seja sanada, seja ela uma simples informação ou orientação, 
como um encaminhamento ou algo material.
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É por meio do tipo de relação que se estabelece que se possibilita o tipo de 
solução que se obterá ao fim do trabalho. Sarmento ainda aponta alguns requisi-
tos para que o assistente social estabeleça um bom relacionamento com o usuário:
ausência de preconceitos; conhecimento do comportamento humano; 
habilidades de ouvir e observar; habilidade de seguir o ritmo do [usu-
ário]; habilidade para conservar a perspectiva na condução do relacio-
namento (1994, p. 256).
Deve-se levar em conta que o usuário vem a nós com toda uma história (cole-tiva e individual), valores, e, portanto, não cabe ao profissional questioná-lo ou 
julgá-las.
Ao potencializar o relacionamento é necessário que esteja claro que na inter-
mediação do assistente social com o objeto de seu trabalho são estabelecidas 
as relações de: poder – autoritarismo – autonomia – práxis – relacionamento.
Quando o relacionamento entre assistente social e usuário fica somente no 
nível afetivo, nega-se a dimensão ou caráter político da prática, desencadeando 
relações de dependência, subordinação etc.
Quando se consegue estabelecer o equilíbrio entre o afetivo e o cognitivo, 
assume-se então o caráter político da prática, são trabalhadas as relações de auto-
ridade, poder, liberdade. 
Os instrumentos são os meios pelos quais potencializamos determinada for-
ça, em determinada direção, de determinada forma. Que pode caracterizar 
dominição, poder e coerção, quando não utilizada ética e adequadamente.
Fonte: as autoras.
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Logo, podemos sintetizar:
1. O trabalho social, inserido na ótica das relações sociais contraditórias 
entendidas no contato das relações de classe.
2. Os problemas vividos na prática profissional são resultados de relações 
complexas.
3. Os problemas apresentados são expressão das relações sociais e de 
produção.
4. O problema é sempre um dos pontos de partida.
5. Nessa articulação, é visualizado o encaminhamento da superação.
6. No relacionamento estão presentes as relações globais de força.
Quando o assistente social relaciona-se com um usuário, ele estabelece uma 
dada conexão, que é sempre consequência das relações sociais de produção. O 
relacionamento é essa ação profissional intencional na interação, isto é, o pro-
cesso de mediações sociais.
O relacionamento é a mediação de relações sociais com vistas ao avanço da 
prática social dos segmentos populares.
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INVESTIGAÇÃO
Investigar significa seguir vestígios, indagar, 
pesquisar, inquirir, informar-se a respeito de, 
procurar esclarecimentos, informes que escla-
reçam casos obscuros.
A investigação toma caráter instrumental 
sendo algo incorporado ao que a profissão vem 
desempenhando desde a sua gênese: a prática.
Segundo Battini (1994, p. 144)1 para com-
preender uma situação e intervir nela com 
competência os assistentes sociais precisam:
1. Ter claro o referencial teórico que ilumina 
a leitura que faz da realidade (competência teórica), para a reconstrução 
de conceitos. O assistente social escolhe essas referências segundo sua 
visão de mundo e de como se posiciona no jogo de forças da sociedade, 
junto com aqueles grupos que mais se aproximam da sua ideologia, e 
assim, age coletivamente.
2. Saber desempenhar a função com habilidade, usando instrumental téc-
nico e estratégias adequadas no enfrentamento da questão social objeto 
da sua intervenção (competência técnica).
3. Inscrever-se de modo crítico nas demandas sociais, ter consciência da reper-
cussão da sua intervenção na defesa de um projeto de sociedade (dimensão 
política). A pesquisa é a base para essa competência no sentido da conso-
lidação da mudança com a adoção da atitude investigativa na intervenção 
profissional cotidiana, criando maiores possibilidades de novas explicações.
Logo, a atitude investigativa faz superar a visão pragmática da ação dos assisten-
tes sociais que é centrada na imediaticidade dos fatos e que privilegia sequências 
empíricas de ação.
A investigação privilegia a relação sujeito de prática/objeto real. A atitude 
investigativa faz superar a visão pragmática da ação dos assistentes sociais que 
é centrada na imediaticidade dos fatos que privilegia sequências empíricas de 
ação no exercício profissional, a atitude investigativa desmitificada.
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Análise de Conjuntura
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ANÁLISE DE CONJUNTURA
O profissional de Serviço Social em seu processo de trabalho deve estar articu-
lado com a realidade social e deve compreendê-la como um fenômeno para se 
chegar à essência, isto é, o mais próximo da vida social dos sujeitos, buscando os 
meios necessários para intervir na realidade que está inserido, a partir de uma 
atitude investigativa associando a competência interventiva que conduz à prá-
xis. O assistente social deve ter referencial teórico e técnico para responder às 
demandas sociais oriundas das expressões da questão social, assim identifican-
do-as para enfrentar as correlações das forças sociais, econômicas e políticas, as 
quais se unem por meio das relações de poder. 
De acordo com Perin (2008, p. 2):
A realidade social, por sua vez se traduz a partir de movimentos com-
plexos, os quais nem sempre são possíveis de serem identificados, de 
forma imediata, pois para tal, se faz necessários que possamos alcançar 
o mais próximo possível a vida objetiva do sujeito. É fato que várias 
inter-relações são estabelecidas entre o sujeito e a sua realidade, mas 
nem sempre são identificadas por verbalizações, necessitando dedicar 
atenção ao que não é visível, o que não é dito, o que não está aparente, 
ou seja, que encontra-se latente na vida do sujeito.
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Para se compreender essa realidade multifacetada precisamos fazer uma aná-
lise de conjuntura, uma tarefa muito complexa e difícil, que exige não apenas 
conhecimento minucioso de todos os fatos considerados importantes. Para Souza 
(1984, p. 8), “exige também um tipo de capacidade de perceber, compreender, 
descobrir sentidos, relações, tendências a partir dos dados e das informações”. 
Segundo Alves (2011, p. 1):
A realidade multifacetada muda se a olharmos de prismas diferentes. 
Numa sociedade de classe, composta por grupos que possuem interes-
ses antagônicos no interior do processo produtivo, o ponto de vista de 
classe, não muda a interpretação do real, mas leva a alternativas dife-
rentes de ação e a projetos diferenciados de intervenção social. Isto não 
quer dizer que existam várias realidades, mas sim que existem várias 
alternativas de ação frente a uma determinada realidade. Neste sentido, 
análise de conjuntura deve compreender tanto a análise das fraquezas 
quanto da solidez de cada força que participa da disputa política e eco-
nômica do dia a dia.
A análise não deve se basear apenas em fatos empíricos, que estão à superfície 
de experiências imediatas, os acontecimentos nem sempre tem relevância. Uma 
análise de conjuntura vai além dos limites pertencentes de uma determinada 
situação histórica, deve descortinar as oportunidades oferecidas e as possibili-
dades a cada tempo, em um espaço efetivo e nos processos de modificação, não 
podemos baseá-la em uma visão fragmentada que nos leva a ações inúteis, mas 
devemos integralizar os pontos de vista com a compreensão do todo.
Conforme Souza (1984, p. 9):
Para se fazer análise de conjuntura são necessárias algumas ferramen-
tas próprias para isso. São as categorias com que se trabalha: aconteci-
mentos, cenários, atores, relação de forças, articulação (relação) entre 
“estrutura” e “conjuntura” e analise de fatos tendo como pano de fundo 
as “estruturas”, ou articulaçãoentre estrutura e conjuntura.
A estrutura, por sua vez, está relacionada aos períodos de longo prazo, é a inter-
ligação dos acontecimentos do passado (História) com elementos do presente 
de uma determinada ordem ou organismo, gerando uma determinada conjun-
tura social, industrial, fundiária, entre outras. 
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Instrumentais Quantitativos
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A conjuntura pode ser vista como relativa aos períodos de curto prazo da eco-
nomia e da política (lógica do poder) classe dominante; isto é, refere-se à orga-
nização do modo de produção capitalista, o qual, estabelece diretrizes, ideários 
para seu fortalecimento enquanto modelo econômico. Para isso, as relações 
sociais e políticas são fundamentais para implementação das estratégias adap-
tadas para a subordinação e submissão da classe trabalhadora, bem como dos 
países em desenvolvimento. Exemplos disso são as políticas públicas de transfe-
rência de renda e a expansão do neoliberalismo na América Latina, pois, apre-
sentam-se com o intuito positivo, mas sua verdadeira finalidade é manter as 
amarras de domínio e poder frente a questão social. Também pode ser vista por 
meio dos movimentos sociais e populares, das classes subordinadas que fazem 
oposição à classe dominante.
INSTRUMENTAIS QUANTITATIVOS
Este instrumental refere-se à eficiência e à eficácia 
no acompanhamento dos projetos e programas, 
padronizando informações, objetivos e metas a 
serem cumpridas. O profissional deve interpre-
tar dados mensuráveis e utilizá-los em sua prática 
garantindo a efetividade de suas ações. Exemplos: 
gráficos, mapas, tabelas estatísticas, planejamento 
estratégico, convênios, relatórios quantitativos, 
processos informativos e outros.
Para Martinelli e Koumrouyan, (1994, p. 9):
Os quantitativos são aqueles que garantem o acompanhamento de pro-
gramas, a mensuração dos resultados obtidos e a relação custo/bene-
fício, valorizando a eficiência, a eficácia e a efetividades das ações e 
objetivos, respondendo mais prontamente às exigências técnico buro-
cráticas.
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Observamos, na figura 2, um exemplo dos países mais populosos do mundo.
Figura 2 – Países mais Populosos do mundo
PAÍSES MAIS POPULOSOS DO MUNDO
(em milhôes de hab.)
China
Índia
EUA
Indonésia
Brasil
Paquistão
Nigéria
Bangladesh
Rússia
Japão
1400
1200
1000
800
600
400
200
0
Fonte: adaptado Street (2015, on-line)2
INSTRUMENTAIS QUALITATIVOS
Os instrumentais qualitativos estão ligados aos 
resultados esperados das ações dos profissionais 
como um processo de acompanhamento das 
finalidades e resultados esperados. Necessita-se 
uma ação/consciência crítica para o alcance e 
o uso desse instrumental. Exemplos: Índice de 
Desenvolvimento Humano (IDH), índices de 
analfabetismo, taxa de mortalidade, índices de 
analfabetismo, planejamento estratégico partici-
pativo, relatórios de acompanhamento e outros.
Instrumentais Qualitativos
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Os instrumentais qualitativos direcionam-se mais intensamente para 
o processo e para o produto das práticas profissionais e sociais. Nes-
se sentido, acompanham os processos inovadores engendrados na di-
nâmica societária, estando em permanente construção coletiva. Essa 
construção se objetiva através de indicadores que se constituem em 
referências que permitem acompanhar a evolução da qualidade de vida 
e o desempenho das ações e atividades, produzindo informações para 
sua avaliação. Essas informações são expressas na forma de indicadores 
e índices que são números que procuram descrever um determinado 
ângulo da realidade ou a relação entre seus diversos aspectos. (BATTI-
NI, 2001, p. 10).1
Observamos na figura 3 um exemplo dos números do desenvolvimento humano.
Figura 3 – Números do desenvolvimento humano 
Os números dos desenvolvimento humano
Mudanças no ranking do IDH ajustado à desigualdade
* O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) varia de zero a um. Quanto mais próximo de um, maior é o desenvolvimento. **Em posições no ranking
Variação na classi�cação**
1,0
-13 -1 1 -19 -17 -24 -5 77
0,8
0,6
0,4
0,2
0,718
0,519
0,670 0,687
0,534 0,547
0,392
0,910
0,771
0,897
0,749 0,710
0,479
0,905
0,851
0,882
0,833
IDH* IDH Desigualdade*
0,755
Brasil Rússia China Índia EUA Coreia do Sul Colômbia Suécia Finlândia
Fonte: adaptado de: Costa (2011, on-line).3 
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DIÁRIO DE CAMPO
Este instrumento é necessário no cotidiano do assistente social e é exigido do 
aluno (a) de Serviço Social em estágio curricular. Esses devem observar com 
atenção para conseguir descrever os fatos com precisão. No diário, registra-se o 
processo de trabalho, comentários, observações das falas dos usuários durante 
o atendimento, relatos de discussões de casos com outros profissionais, ativida-
des de pesquisa, um exercício diário com detalhamento das situações, fazendo 
sempre uma ligação entre teoria-prática. 
Para Lewgoy e Arruda (2004, p. 123-124):
O diário consiste em um instrumento capaz de possibilitar “o exercício 
acadêmico na busca da identidade profissional” à medida que, através 
de aproximações sucessivas e críticas, pode-se realizar uma ‘reflexão da 
ação profissional cotidiana, revendo seus limites e desafios’. É um docu-
mento que apresenta tanto um ‘caráter descritivo-analítico’, como tam-
bém um caráter ‘investigativo e de sínteses cada vez mais provisórias e 
reflexivas’, ou seja, consiste em ‘uma fonte inesgotável de construção, 
desconstrução e reconstrução do conhecimento profissional e do agir 
através de registros quantitativos e qualitativos’.
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Entrevista
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Para Falkembach (s.d apud LIMA; MIOTO; DEL PRÁ, 2007, p. 99):
Recomenda que sejam datadas as observações, especificando local e 
hora. Refere ainda que o diário de campo pode ser organizado em três 
partes: (1) descrição; (2) interpretação do observado, momento no qual 
é importante explicitar, conceituar, observar e estabelecer relações en-
tre os fatos e as consequências; (3) registro das conclusões preliminares, 
das dúvidas, imprevistos, desafios tanto para um profissional específico 
e/ou para a equipe, quanto para a instituição e os sujeitos envolvidos 
no processo.
ENTREVISTA
O primeiro instrumental a ser utilizado é a entrevista. O 
profissional deve explicitar seus objetivos buscando uma 
postura horizontal, já que é por meio da entrevista que se 
conhece o usuário em questão, na qual ele irá averiguar 
os fatos que o levaram ao atendimento. A entrevista é 
feita em local sigiloso (Resolução CFESS nº 493/2006)4 
para que o usuário se sinta seguro e estimulado a con-
versar abertamente sobre suas vulnerabilidades. O 
profissional deve estar atento observando aos sinais 
que o usuário expressa por meio de movimentos cor-
porais e ter escuta qualificada.
Aofazer a entrevista, o profissional deve fazer per-
guntas simples bem elaboradas sem sentido duplo, não podemos forçar o usuário 
a responder nossos questionamentos, deixando-o à vontade. A entrevista também 
pode ser utilizada como uma técnica que viabiliza o instrumento. Por exemplo, 
para realizar a visita domiciliar, muitas vezes, a técnica utilizada é a da entrevista.
Cada espaço sócio-ocupacional tem um modelo a ser seguido com ques-
tões estruturadas e não-estruturadas, com sua técnica de registro dependendo 
de sua necessidade. Entretanto, essa prática deixa o atendimento engessado, difi-
cultado o trabalho do profissional. 
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Para Gentilli (2006, p. 64):
A primeira observação que salta aos olhos, ao se analisar os depoimen-
tos dos colegas da prática, é que, por melhores que tenham sido as úl-
timas aproximações entre a produção do conhecimento, a formação 
profissional e o efetivo exercício profissional. Isso se deve ao fato de 
cada um desses espaços de prática - apesar de complementares para a 
formação do profissional - sofrerem mediações diferenciadas das es-
truturas organizacionais em que estão inseridos, possuírem finalidades 
diferentes e desenvolverem dinâmicas próprias. 
A entrevista estruturada tem um roteiro a ser seguido, com questões fechadas, 
sem liberdade de condução do assunto, já a entrevista não-estruturada o profis-
sional consegue chegar ao usuário com mais facilidade, descobrindo quem ele 
é, de onde veio, para onde pretende ir, como pretende chegar e como encami-
nhá-lo. Com a participação do usuário o profissional consegue avaliar, reforçar, 
orientar, permitindo, assim, aprofundar nas questões trazidas pelos mesmos 
como situações conflitantes que o limita enquanto sujeito em situações sociais.
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Visita Domiciliar 
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VISITA DOMICILIAR 
A visita domiciliar é um instrumento de tra-
balho do Serviço Social, utilizada a partir da 
análise principal que é conhecer o meio em 
que o usuário está inserido, as condições de 
vida, situação sociais e culturais sem precon-
ceitos e discriminação, sob a qual esta sob 
sua responsabilidade. O assistente social pos-
sui capacidade teórica e metodológica para 
analisar tal situação, logo, proporciona uma 
aproximação da realidade do usuário com a 
instituição. 
RESOLUÇÃO CFESS nº 493/2006 de 21 de agosto de 2006 
EMENTA: Dispõe sobre as condições éticas e técnicas do exercício profissio-
nal do assistente social. 
Art. 1º - É condição essencial, portanto obrigatória, para a realização e exe-
cução de qualquer atendimento ao usuário do Serviço Social a existência de 
espaço físico, nas condições que esta Resolução estabelecer.
Art. 2º - O local de atendimento destinado ao assistente social deve ser do-
tado de espaço suficiente, para abordagens individuais ou coletivas, con-
forme as características dos serviços prestados, e deve possuir e garantir as 
seguintes características físicas: a- iluminação adequada ao trabalho diurno 
e noturno, conforme a organização institucional; b- recursos que garantam 
a privacidade do usuário naquilo que for revelado durante o processo de 
intervenção profissional; c- ventilação adequada a atendimentos breves ou 
demorados e com portas fechadas d- espaço adequado para colocação de 
arquivos para a adequada guarda de material técnico de caráter reservado.
Para saber mais acesse o link nas referências on-line e leia na íntegra: 
Fonte: Conselho Federal de Serviço Social (2006, on-line).4 
OS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DA INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E98
Ao realizar a visita domiciliar, o profissional deve sempre avisar o usuário 
com antecedência e ao se apresentar informar com exatidão o motivo da visita. 
Não existe um tempo predeterminado para sua realização, mas o profissional tem 
que conseguir ter uma visão concreta dos fatos que o levou a realizá-la, tendo o 
cuidado de não ter interpretações conforme seus conceitos morais e culturais. 
De acordo com Perin (2008, p. 7):
Não se pode esquecer que o local onde se desenvolve a visita domiciliar 
é privativo dos sujeitos, onde a realidade social se apresenta de modo 
diferenciado a como vive o profissional e, ‘capturar a realidade dentro 
de seu quadro social e cultural específico exige do profissional a visão 
de seus elementos difíceis, intrigantes e conflitantes, por mais estra-
nhos que eles possam parecer a nossa razão’. 
Não existe um formulário ou roteiro ideal a ser seguido, por isso alguns pro-
fissionais em seu eixo técnico/operativo usam a entrevista como instrumento, 
construindo um processo de trabalho próprio, utilizado para assimilar a realidade 
social, potencializando a compreensão do cotidiano dos sujeitos, possibilitando 
uma intervenção qualificada que responda às demandas sociais.
Segundo Perin (2008, p. 8):
A visita domiciliar se constitui em um instrumento, que por si só não 
se caracteriza em uma técnica. Para a utilização desta ferramenta se faz 
necessário o emprego de duas técnicas fundamentais, que são a entre-
vista e a observação. A entrevista poderá ocorrer com perguntas aber-
tas ou semiestruturadas, mas direcionada à situação social que indicou 
a necessidade da visita domiciliar. Conjugada à entrevista deve ser uti-
lizada a técnica da observação, que visa apreender o que está à volta, ao 
que não é falado, as relações entre os sujeitos envolvidos.
O profissional deve ter ética e estar pautado nas legislações da profissão princi-
palmente ao sigilo profissional, ter o cuidado para não retornar ao Serviço Social 
conservador, pois muitas famílias ainda confundem o nosso trabalho. 
A seguir será apresentado um modelo de relatório de visita domiciliar, apre-
sentando alguns dados necessários como identificação, composição familiar, 
antecedentes, objetivo da visita, entre outros: 
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MODELO DE RELATÓRIO DE VISITA DOMICILIAR
Identificação
-Data: 17/02/2016
-Horário: 09h30min
-Local: Rua Sem saída, nº 266 – Jardim das Flores.
-Família: Santos
-Nome do Entrevistado: Jandira Pereira Silva
-Visita nº: 3
-Visitadores: Aparecida Maria de Oliveira, Suellen R. Correa, Júlia F. Mariotto 
Casini
Quadro-síntese de composição familiar
Nome Idade Parentesco Escolaridade Ocupação Rendimento
Benedito 
Santos 45 Pai
Ensino 
Fundamental 
Incompleto
Instalador de 
Tubulação R$ 550,00
Jandira 
Pereira 
Santos
42 Mãe
Ensino 
Fundamental 
Incompleto
Desempregada -
Francisco 
Santos 16 Filho
Ensino Médio 
Incompleto 
(cursando)
Estudante -
Bárbara 
Santos 15 Filha
Ensino Médio 
Incompleto 
(cursando)
Estudante -
Jéssica 
Santos 13 Filha
Ensino 
Fundamental 
Incompleto 
(cursando)
Estudante -
OS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DA INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
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IIIU N I D A D E100
Antecedentes
A família foi atendida pelo CRAS – Centro de Referência de Assistência Social, ao 
todo, sete vezes. Em 2008, foram realizados dois atendimentos nos quais houve 
concessão de cesta básica. Em 2009, a família também foi atendidaduas vezes e 
recebeu cestas básicas. Este ano, foram realizados dois atendimentos, nos quais 
em um a família recebeu cesta básica e em outro kit emergencial.
No dia 06 de setembro de 2010, o Sr. Benedito Santos compareceu ao CRAS, 
pela manhã, solicitando uma cesta básica para sua família. Realizou-se, então, 
o segundo atendimento do ano, com o objetivo de explanar acerca das condi-
ções socioeconômicas. 
O Sr. Benedito relatou que necessita de alimentos, pois tinha em sua casa 
somente arroz e a empresa onde trabalha atrasaria o salário. Por meio dos ques-
tionamentos da Assistente Social, ele expôs a situação de sua família, esclarecendo 
que por problemas de saúde (sofre de distúrbio da tireoide), sente-se cansado 
para o trabalho que realiza, pois exige um grande empenho físico, já que o ser-
viço consiste em furar o asfalto para a passagem de tubulação para rede de esgoto. 
O usuário colocou também que, por vezes, fica sem tomar o remédio, por falta 
de recursos financeiros para adquiri-los. Também relatou que sua esposa está 
desempregada e os filhos não trabalham ainda, devido à idade que têm. O Sr. 
Benedito disse que a conta de luz alcança um valor muito alto, em torno de R$ 
120,00 por mês, pois as instalações elétricas não são adequadas e a família não 
possui condições de pagar o conserto. 
Dessa forma, pelas normas da instituição, é realizada, primeiramente, a visita 
domiciliar onde se entrevista a família e, posteriormente, é entregue o encami-
nhamento para que o usuário retire os alimentos no CRAS. A Assistente Social 
explicou, então, que não seria possível conceder a cesta básica sem a realização 
de uma visita domiciliar, pois, são muitas as famílias referenciadas e não há na 
instituição cestas suficiente para todas as que requerem. O usuário foi indagado 
sobre quem estaria na casa, e ele respondeu que a esposa talvez estivesse na UBS 
– Unidade Básica de Saúde, e que não se recorda do número do telefone, para 
que a Assistente Social agendasse a visita. 
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Assim, a Assistente Social, juntamente com as estagiárias, realizaram a visita 
domiciliar, com o objetivo de obter mais dados, que possam subsidiar a decisão 
de concessão ou não da cesta básica. 
Objetivos da visita
Geral:
Coletar dados que subsidiem a intervenção profissional quanto à concessão de 
cesta básica. 
Específicos:
Aproximar o profissional e as estagiárias ao cotidiano de vida do usuário.
Observar as interações familiares.
Conhecer o real contexto socioeconômico e sócio-histórico da família.
Apreender aspectos que, em geral, escaparam à primeira entrevista, no CRAS.
Relato descritivo da situação sócio-econômico-cultural
Chegando ao local da visita, a assistente social bateu palmas e quem atendeu foi 
o filho mais velho (Francisco, 16 anos), então, perguntou se sua mãe estava em 
casa, ele entrou e chamou a mãe, que veio até o portão. A assistente social escla-
receu que o Sr. Benedito, seu esposo, tinha ido até o CRAS pela manhã e que 
se fosse possível, gostaria de conversar com ela, então a Sra. Jandira convidou a 
assistente social e as estagiárias para entrarem. 
Ao ser indagada, Sra. Jandira relatou que o marido está trabalhando há um 
mês e que ainda não recebeu o salário, que a carteira de trabalho está na empresa 
e que não sabe se ele está ou se será registrado. Disse que o esposo trabalha até 
as 20h00min e que, como ele mesmo relatou, por vezes fica sem tomar o remé-
dio devido à falta de dinheiro para comprar. Segundo a entrevistada, a renda da 
família é em torno de R$ 550,00 por mês e ela também relatou sobre a conta de 
luz, que alcança um alto valor e sobre as instalações elétricas da casa. 
OS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DA INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
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IIIU N I D A D E102
A residência da família, segundo Jandira, foi construída pela Companhia 
de Habitação do Paraná - COHAPAR e o material predominante na constru-
ção é alvenaria, contendo quatro cômodos, sendo dois quartos, um banheiro e 
uma cozinha. O quintal não é cimentado e a pavimentação do bairro é precária. 
Os filhos frequentam a escola, porém o Bolsa Família foi cortado, há menos 
de um ano, pelo motivo de que Jandira havia começado a trabalhar, contudo, no 
momento está desempregada e o recadastramento não foi efetuado. 
No momento da visita, o filho permaneceu no quarto e quando a Sra. Jandira 
comentou que sente vontade de voltar a estudar, após ser instigada pela profis-
sional, ele “zombou” da mãe. Ela comentou que não gosta de deixar os filhos 
sozinhos e que talvez esse fosse um fator que a impossibilitaria de retornar aos 
estudos. Disse também que sente vontade de fazer curso de costura. A filha 
(Bárbara, 15 anos) chegou durante a visita, nada disse, permaneceu por pouco 
tempo e saiu novamente. A filha mais nova (Jéssica, 13 anos) não estava em casa 
e por isso não foram envolvidas todas as pessoas da família. 
A entrevistada relatou ainda que está com problemas na coluna e sente 
muitas dores nas costas e que por esse motivo mal consegue dormir a noite, e, 
portanto, foi orientada pela Assistente Social a procurar pela Unidade Básica de 
Saúde (Posto de Saúde) mais próxima. A família veio para a cidade há alguns 
anos e por isso, não há uma rede de apoio na qual a família possa contar com 
familiares, aqui no município. A Sra. Jandira se mostrou “acanhada” ao falar de 
suas reais necessidades, com dificuldades em se expressar. Mostrou-se também 
deprimida e triste com a situação de sua família. 
Análise
Analisando o anteriormente foi descrito, constata-se que a família Santos encon-
tra-se em situação de pobreza. Pobreza, segundo Gomes e Pereira (2005), pode ser 
entendida quando a população não possui a capacidade de gerar renda que possa 
assegurar o acesso a recursos básicos para uma vida digna. As autoras expõem 
ainda que o Brasil possui elevados níveis de pobreza, acentuadas desigualdade 
social e de renda, e que isso afeta as condições de sobrevivência das famílias. 
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Tratando família como um mundo de variedade, ou seja, enxergando famí-
lia distante de um modelo e assumindo-a em suas mais variadas formas de ser, 
nas quais cada uma cria o seu modo de emocionar, de interpretar comunicações; 
Szymanski (2002) coloca que as transformações que ocorrem no mundo inci-
dem na família. Assim, podemos inferir que as transformações que ocorrem no 
mundo do trabalho, das quais Antunes (2000) trata com propriedade, também 
incidem mudanças na família, como o caso da família Santos, em que somente 
um membro possui renda, o vínculo de trabalho não é estável, tem uma grande 
jornada e um salário insuficiente para suprir as necessidades básicas, como a ali-
mentação, por exemplo, e por esse motivo requereu a concessão da cesta básica. 
A partir do observado na visita em relação ao comportamento do filho diante 
do desejo da mãe em retornar aos estudos, percebe-se que, inseridos em condi-
ções sociais de carência, os seres humanos têm suas possibilidades de amar, de 
respeitar o outro bastante ameaçadas, também pelo fato de que, a pobreza, muitas 
vezes, rompe ou faz com que os vínculos se percam e, assim, provoca sofrimento 
e faz com que o indivíduo não acredite nem em si mesmo, tendo a autoestima 
baixa (VINCENT, 1994 apud GOMES; PEREIRA, 2005). 
O fato de Jandira ter se mostrado, a partirda observação profissional, “aca-
nhada” e com dificuldade de expressar suas reais necessidades, também merece 
ser analisado. Grazia (2007), a partir de sua pesquisa, constatou que algumas 
pessoas se sentem dessa forma, diante de algumas situações: “[...] depoimentos 
mostram sentimentos de constrangimento, vergonha e humilhação, resultantes 
da necessidade de pedir, de depender quase que permanentemente da ajuda de 
outros para garantir o primeiro direito básico do ser humano: comer.” É assim 
que se sentiu Jandira, triste e envergonhada diante do pedido pela cesta básica, 
feito pelo esposo.
Contudo, a família acerca da qual se expôs, encontra-se em ausência de 
garantia de direitos, sem acesso à alimentação, a condições de moradia que 
possibilitem uma vida digna – pelo fato de as instalações elétricas não serem 
adequadas, fazendo com que a família dispense boa parte de sua renda mensal 
para o pagamento da tarifa de energia –, sem acesso à garantia plena do direito 
a saúde, uma vez que carece de medicamentos para tratamento. A Constituição 
OS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DA INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL
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IIIU N I D A D E104
Federal de 1988 coloca em seu art. 6º que são direitos sociais a educação, a saúde, 
a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a 
proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, portanto, 
pode-se dizer que o Estado deve cumprir o seu papel perante a família Santos. 
Ainda, a Política Nacional de Assistência Social – PNAS coloca a alimentação 
como direito, a partir do qual, inicia-se a provisão de necessidades humanas, 
portanto, evidencia-se, mais uma vez, que a família Santos encontra-se despro-
vida de seu direito básico, uma vez que solicitou a cesta básica. 
Proposta de Intervenção
A partir da visita domiciliar e análise realizadas, o caminho sugerido pela profis-
sional é que a família Santos receba uma cesta básica, e seja, novamente, inserida 
no Programa Bolsa Família, pois até então recebiam o benefício e, pelo fato de 
a Sra. Jandira ter voltado a trabalhar, a renda per capta foi ultrapassada e, pelas 
condicionalidades do programa, a família não se enquadrava. Assim, foi entre-
gue a Sra. Jandira a requisição para que retire a cesta básica no CRAS e também 
foi instruída quanto aos documentos necessários para a reinserção no Programa 
Bolsa Família, pois no momento a família se enquadra para receber o benefício. 
Também com o objetivo de assegurar os direitos no que diz respeito à saúde, 
a família foi informada quanto ao acesso a medicamentos, explicitando que há 
o direito de solicitar a receita do medicamento, levar até o CRAS e assim obter 
o encaminhamento para retirar a medicação na Autarquia Municipal de Saúde.
Em relação ao alto valor da tarifa de energia, a família foi orientada a pro-
curar pelos serviços da Companhia Paranaense de Energia – COPEL, a fim de 
que coloque sua situação e veja a possibilidade de ser enquadrada no programa 
implementado pela COPEL de troca de geladeira, para que consuma menos 
energia elétrica e, dessa forma, possa ser inserida no Programa Luz Fraterna.
A Sra. Jandira também informada sobre a Oficina da Mulher que oferece cur-
sos gratuitos de costura e também sobre os serviços que são oferecidos pelo CRAS, 
nos quais poderia ser inserida, como oficinas de pintura em tecidos, pintura em 
telas, decoupage em madeiras, bordado em chinelos, biscuit, bijuterias e sabonetes.
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Aponta-se a necessidade de um acompanhamento, no que diz respeito à inser-
ção nos programas sociais e a necessidade de uma nova visita com o objetivo 
de obter informações sobre a situação do problema referente à energia elétrica, 
assim, saber se esse foi solucionado junto a COPEL. 
Avaliação da Intervenção
Embora não se tenha, no momento, os resultados da intervenção de forma a res-
ponder se a família foi inserida novamente no Programa Bolsa Família e se os 
problemas em relação à energia elétrica foram sanados, avaliando a visita rea-
lizada, conclui-se que ela cumpriu com o seu objetivo, pois, por meio dela a 
assistente social e as estagiárias puderam coletar dados que subsidiaram a inter-
venção profissional, dessa forma auxiliando a decisão pela concessão da cesta 
– medida emergencial, porém, necessária –; também porque por meio da visita 
houve a aproximação ao cotidiano de vida do usuário, observaram-se as interações 
familiares, pode-se conhecer o real contexto socioeconômico e sócio-histó-
rico da família e apreenderam-se aspectos que, em geral, escaparam à primeira 
entrevista, no CRAS. Dessa forma, a visita possibilitou com que a família fosse 
informada acerca de seus direitos.
A intervenção se deu na perspectiva da garantia dos direitos, objetivando 
que a família Santos obtenha melhoria da qualidade de vida, tanto em aspectos 
materiais quanto em aspectos relacionados aos seus sentimentos enquanto seres 
humanos possuidores de direitos, os quais devem ser garantidos, de forma que 
possam atribuir, assim, uma maior autonomia a família. 
Fonte: elaborado e cedido por Júlia Fernanda Mariotto Casini, professora especialista e Assistente Social.
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ABORDAGEM
É por meio da abordagem que o profissional desenvolve suas relações com a 
comunidade, por isso, é um processo aparentemente simples, intencional, por-
que possui objetivos já definidos, mediando sempre futuras ações do profissional.
Abordar como o próprio nome já indica, significa achegar-se, aproxi-
mar-se. A abordagem é o próprio ato de abordar. A sua importância 
está no chamar a atenção para o ato de achegar-se ou aproximar-se 
da população. Este ato pode revelar diferentes tendências e objetivos 
e, como tal, marca decisivamente o desenrolar do processo (SOUZA, 
2004, p. 182).
A abordagem é um contato intencional de aproximação, através do 
qual criamos um espaço para o diálogo, para a troca de informações 
e/ou experiências, para a tomada de conhecimento de um conjun-
to de particularidades necessárias à ação profissional e, ainda, para o 
estabelecimento de novas relações (SARMENTO, 1994, p. 281).
A abordagem correta pede atenção, pois alerta para alguns cuidados que devemos 
tomar na hora de colocá-la em prática: não se mostrar autoritário ou discrimi-
nante, não mostrar insegurança, timidez, subserviência e baixa autoestima.
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Reunião
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Devemos buscar a construção de uma relação de cooperação, troca, curio-
sidade, interesse, questionamentos. Deixando e levando indagações. O processo 
de abordagem varia de caso para caso, de comunidade para comunidade. Cabe 
ao profissional adaptá-la a cada situação.
A abordagem intermedia ações, nunca é uma ação em si, finalizada e sim 
algo que prevê uma ação anterior e/ou posterior.
REUNIÃO
Você já participou de uma reunião? Como e por 
quem ela foi conduzida? Você sabia ao certo os 
objetivos da reunião? Se sim, você percebeu se 
eles foram alcançados ou cumpridos? Como 
foi preparada, estava bem organizada? Quais 
os recursos utilizados? Como você foi chamado 
para esta reunião? Foi solicitado que você fizesse 
uma avaliação da reunião?Você pode se expres-
sar ao longo do seu acontecimento?
Bem, vejam quantas perguntas são possíveis de se fazer acerca de uma reu-
nião, com certeza outras podem surgir, e você já deve ter mentalizado algumas 
delas, não é mesmo? A reunião é um instrumento riquíssimo que o profissional 
tem a sua disposição, se bem utilizado e entendido pode gerar resultado mais 
que satisfatórios.
De acordo com Sarmento (1994), reunião seria um meio de aplicar a expe-
riência e os conhecimentos de várias pessoas a um assunto específico. Não se faz 
reunião por fazer, necessita de um objetivo bem definido e um condutor de reu-
nião bem preparado e planejado. A aplicação da reunião tem um caráter muito 
importante: desenvolver capacidades humanas, estudar assuntos de interesses 
comuns, prevenir, incentivar a decisão de problemas sozinhos ou em conjunto. 
A reunião é um espaço concreto onde se reproduzem as relações sociais 
de produção, deixando antever as correlações de força e as estratégias de 
superação da dominação. [...] a reunião é um instrumento utilizado quando 
dados, informações, recursos, etc., necessitam de ser socializados entre pes-
soas envolvidas nas mesmas situações ou interesses comuns.
Fonte: Sarmento (1994, p. 298-299).
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Sobre a reunião, podemos dizer que:
...é instrumento coletivo de reflexão sobre as necessidades, preocu-
pações e interesses comunitários, assim como de organização e ação. 
(SOUZA, 2004, p. 188)
O termo reunião tem o significado de tornar a unir, agrupar, vários 
indivíduos para realizar um objetivo comum, também é reconhecida 
como um meio de interação. Não sendo um encontro casual, a reunião 
é propositada pelos membros ou pelo assistente social. (SARMENTO, 
1994, p. 293)
Antes de iniciar a reunião o condutor deverá preocupar-se com o estado do local, 
os equipamentos necessários, material de apoio, número de participantes etc. 
Ser pontual no iniciar e ao terminar a reunião, não se desviar muito do assunto 
e não esquecer da avaliação final.
Ainda estar apto e ser conhecedor dos diversos tipos de recursos áudio visu-
ais disponíveis, pois por melhor que seja o orador, este deve saber usufruir dos 
recursos audiovisuais existentes, para que as informações sejam melhor assi-
miladas pelos ouvintes. O orador deve sempre valorizar as suas palavras, não 
suprimi-las ou tomar o seu lugar. Os recursos audiovisuais facilitam a mensagem 
ou adicionam valor a elas. Podem ser: cartazes, filmes, jornais, transparências, 
retro projetor, músicas, slides, data show, carta, circular, convites, gráficos, tabe-
las, organograma, modelos, maquetes, objetos, mapas, flip chart, quadros.
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Após o exposto acima ainda se faz necessário abordar algumas questões que 
contribuem para o entendimento da utilização desse instrumento no exercício 
profissional, não são princípios para a sua realização, contudo possibilitarão 
estar indicando algumas maneiras e formas de como poderemos estar repro-
duzindo as relações sociais e fortalecendo a sua não socialização. Os elementos 
que serão compartilhados com você a seguir visam contribuir para a eficácia 
da reunião, indicam “alguns cuidados” de como este instrumento se processa e 
desencadeia a participação e socialização, previstos em seus objetivos e já cita-
dos anteriormente.
Ficou claro e entendido? Então vamos lá, são os elementos: sugeridos por 
Sarmento (1994):
- “ESPELHO” ou as atitudes, postura, e comportamentos dos profissionais 
que são observados, às vezes, copiados como referência, proporcionando 
a reprodução das relações não pelo discurso mas, pela ação concreta.
- Institucionalização das relações, pois, desde que nascemos tais relações 
sociais já existem, focam a reprodução, o voltar-se para a condição de ser 
instituinte dessas relações.
- As situações de conflito, nas quais nos preocupamos com as relações de 
poder, com as mesmas forças internas, sem às vezes nos atentarmos para 
as possíveis resoluções ou como processo de amadurecimento.
- O amadurecimento, enquanto leitura das relações que se constroem, 
despertando para a força do grupo, a tomada de consciência de sua orga-
nização.
- Ruptura, as possibilidades de desvencilharmo-nos da realidade alie-
nante, permitindo, a identidade com o outro e, com a classe.
- O indivíduo, como possibilidade de reconhecimento de sua condição 
de Ser Social, expressando-se como sujeito.
- O objetivo da reunião é fundamental, é preciso clareza do que se quer, 
e o discernimento da condução das atividades, para tal, é imprescindí-
vel objetividade.
- Destacamos também o processo de avaliação, reconhecimento do pro-
duto das relações, dos limites e dos avanços, a condição rela do processo.
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DINÂMICA DE GRUPO
As técnicas de dinâmicas de grupo tornam-se um instrumento valioso e pos-
sibilita um maior aproveitamento dos recursos com que conta cada grupo. A 
aplicação hábil de conhecimento ou técnicas de dinâmicas de grupo pode criar 
condições favoráveis ao descongelamento de ideias antigas e a adoção de novas.
Toda atividade que se desenvolve em grupo (reuniões, workshops, grupos 
de trabalho, grupos de crescimento ou treinamento, plenário/grandes eventos 
etc.) que objetiva integrar, desinibir, “quebrar o gelo”, divertir, refletir, apren-
der, apresentar, promover o conhecimento, incitar à aprendizagem, competir e 
aquecer pode ser denominada Dinâmica de Grupo. Mesmo o simples encon-
tro de pessoas para buscar qualquer objetivo grupal é uma dinâmica de grupo 
(MILITÃO; MILITÃO, 2000).
O aplicador deve sempre: planejar, pesquisar, estabelecer normas, providen-
ciar recursos materiais, facilitar a participação do grupo. A conclusão (finalização) 
do processo de dinâmica de grupo é indispensável. 
Cada grupo vai se constituindo no aqui e agora através das histórias de vida 
e visões de futuro de cada um dos seus participantes, inclusive a do [facilita-
dor]. Mas o grupo vai além das pessoas que o compõem. É algo mais que a 
soma de seus membros. Tem um rosto próprio e uma personalidade única, 
o que permite descrevê-lo como se fosse uma pessoa, um indivíduo. É im-
portante que o [facilitador] vá compreendendo as motivações individuais, 
porém sua ação deve estar sintonizada com a motivação grupal, que ele 
pode perceber a partir do vínculo que estabelece com o grupo.
Fonte: Serrão e Booleiro (1999). 
Dinâmica de Grupo
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Toda aplicação de dinâmica de grupo deve ter início, desenvolvimento e 
fechamento. A avaliação contribui para que o grupo se situe em relação ao que 
foi visto. Para ser bem-sucedido, o aplicador deve constantemente cultivar certas 
qualidades indispensáveis em seu trabalho, entre elas: interesse pelo comporta-
mento humano; bom senso; capacidade de discernimento; controle emocional; 
flexibilidade; compreensão e dedicação; percepção bem desenvolvida; fluência 
verbal, capacidade de comunicação; capacidade de análise e síntese; simpatia; 
discrição; naturalidade; bons conhecimentos gerais; responsabilidade; profundo 
respeito pelo ser humano.
Se bem utilizada, a dinâmica de grupo presta-seprincipalmente ao desen-
volvimento da percepção do indivíduo em relação a si mesmo e aos outros; 
promoção e formação de atitudes adequadas ao grupo; melhoria no relaciona-
mento interpessoal (socialização); aumento da coesão grupal e, em decorrência, 
da produtividade; aumento da participação e motivação do grupo; conceituação, 
análise e solução de problemas; facilitação da criatividade; aquisição dinâmica 
de conteúdos cognitivos, por meio de experiências compartilhadas; avaliação de 
situações de desempenhos; treinamento de profissionais. 
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OS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DA INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
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RELATÓRIO SOCIAL
Este documento é elaborado somente por um (a) assistente social e como qual-
quer outro deve seguir os princípios éticos do Serviço Social no que se refere ao 
sigilo profissional, deve-se ter os devidos cuidados para quem e para onde irá este 
documento, com maior ou menor detalhamento. Trata-se de um relato descritivo/
interpretativo da situação vivenciada pelo usuário em atendimento expressando 
a questão social. Por ele informamos e somos informados da realidade e tem por 
objetivo relatar atividades desenvolvidas como visitas domiciliares, providências 
tomadas, subsidiar decisões judiciais, esclarecer, e encaminhar. O relatório social 
deve explicar as razões das ações e seu conteúdo deve ir além do burocrático.
Via de regra esse documento deve apresentar o objeto de estudo, os sujeitos 
envolvidos e finalidade a qual se destina, os procedimentos utilizados, um 
breve histórico, desenvolvimento e análise da situação. (CFESS, 2007, p. 45).
Relatório Social
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Acompanhe a seguir o modelo simplificado de relatório social:
RELATORIO SOCIAL
Sr. Mário Príncipe, data de nascimento 21/01/1969, filho de João Príncipe e Maria 
Príncipe está sendo atendido por esta instituição desde o ano de 2005, onde faz 
uso do benefício de alimentação, pernoitava algumas noites e retornava para a 
casa de sua mãe em Mandaguaçu, cidade em que reside também suas irmãs Elza 
Príncipe e Aline Príncipe.
A partir do ano de 2009, Sr. Mário passou a permanecer com mais frequên-
cia na Instituição, às vezes visitava seus familiares e logo retornava, uma vez que 
eles não dispunham de condições financeiras e sociais para acolhê-lo.
 No início do mês de fevereiro de 2012, foi encaminhado para consulta com 
Psiquiatra e também ao Instituto de Identificação e CPF, de posse de seus docu-
mentos pessoais e laudo médico foi agendado entrevista no Instituto Nacional 
de Seguridade Social (INSS), onde foi deferido o pedido de benefício de presta-
ção continuada – BPC para pessoa com deficiência.
Sr. Mário Príncipe foi encaminhado dia 17 de junho de 2012, para o Hospital 
Municipal, em seguida foi transferido para o hospital Psiquiátrico com previsão 
de alta hospitalar no dia 14/08/2012. 
No dia 24/07/2012, foi solicitado permissão no Hospital Psiquiátrico para 
que ele fosse até a Agência Bancária do XXXX, onde foi aberta sua conta ban-
cária agência 0999, conta nº 04444-5 – 000 código de segurança do seu cartão.
A Equipe técnica desta Instituição, no dia 09/08/2012, realizou visita domi-
ciliar a Elza Príncipe irmã do Sr. Mário, na qual ficou acordado que após alta 
hospitalar ele poderá retornar à casa de sua mãe Maria Príncipe em Mandaguaçu.
 No dia 17/08/2012, assistente social juntamente com Marcelo (funcionário 
da instituição) foram até Mandaguaçu onde entregaram para Elza:
 ■ Termo de responsabilidade com firma reconhecida e todos os documen-
tos pessoais do Sr. Mário Príncipe;
 ■ Cartão poupança do Banco XXXX e comprovante de depósito no valor 
de R$ 1.264,00, depositado em conta. 
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Nessa mesma data, o funcionário Joaquim acompanhou Sr. Mário Príncipe até 
a Rua Joaquim Ferline nº 189 – Centro, endereço de sua mãe, em Mandaguaçu, 
levando sua bicicleta e demais pertences pessoais. Conforme informações do 
médico e equipe técnica do Hospital Psiquiátrico, Sr. Mário Príncipe está fazendo 
uso de medicação com injeção intramuscular mensalmente, que após alta médica 
deverá dar continuidade ao tratamento. 
Sem mais para o momento, colocamo-nos a disposição para mais 
esclarecimentos.
Maringá, 19 de Agosto de 2012.
_________________________________
Maria Joaquina Silva Santos
Assistente Social
CRESS XXXXXª Região
Observação: todos os nomes usados, bem como o caso exposto, são fictícios.
Fonte: elaborado pelo autor.
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Estudo de Diagnóstico Pós-Acolhimento
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ESTUDO DE DIAGNÓSTICO PÓS-ACOLHIMENTO
Conforme as Orientações Técnicas: 
Serviços de Acolhimento para Crianças e 
Adolescentes (BRASIL, 2009)6, ao acolher 
o público referido a equipe técnica de refe-
rencia (Assistente Social e Psicólogo) deve 
elaborar o estudo quando a criança e o ado-
lescente é acolhido de forma emergencial 
e/ou de urgência, sem o estudo de diag-
nóstico prévio (elaborado pelo Conselho 
Tutelar em conjunto com a Vara da Infância 
e da Juventude). Quando o acolhimento for 
LEI 8.662/93 - CAPÍTULO V 
Do Sigilo Profissional 
Art. 15 - Constitui direito do assistente social manter o sigilo profissional. 
Art. 16 - O sigilo protegerá o usuário em tudo aquilo de que o assistente 
social tome conhecimento, como decorrência do exercício da atividade pro-
fissional. Parágrafo único - Em trabalho multidisciplinar só poderão ser pres-
tadas informações dentro dos limites do estritamente necessário. 
Art. 17 - É vedado ao assistente social revelar sigilo profissional. 
Art. 18 - A quebra do sigilo só é admissível quando se tratarem de situações 
cuja gravidade possa, envolvendo ou não fato delituoso, trazer prejuízo aos 
interesses do usuário, de terceiros e da coletividade. 
Parágrafo único - A revelação será feita dentro do estritamente necessário, 
quer em relação ao assunto revelado, quer ao grau e número de pessoas 
que dele devam tomar conhecimento.
Para saber mais, acesse o código de ética do (a) Assistente Social no link 
correspondente nas referências. 
Fonte: CFESS (2012, p. 35-36, on-line)5.
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rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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emergencial sem a determinação da autoridade competente, esse deve ser comuni-
cado até 24 horas ao Juiz da Infância e da Juventude, sob pena de responsabilidade, 
conforme o Art. 93 do ECA:
Art. 93. As entidades que mantenham programa de acolhimento insti-
tucional poderão, em caráter excepcional e de urgência, acolher crian-
ças e adolescentes sem prévia determinação da autoridade competente, 
fazendo comunicação do fato em até 24 (vinte e quatro) horas ao Juiz 
da Infância e da Juventude, sob pena de responsabilidade.
Parágrafo único. Recebida a comunicação, a autoridade judiciária, ou-
vido o Ministério Público e se necessário com o apoio do Conselho 
Tutelar local, tomará as medidas necessárias para promover a imediata 
reintegração familiar da criança ou do adolescente ou, se por qualquer 
razão não for isso possível ou recomendável, para seu encaminhamen-
to aprograma de acolhimento familiar, institucional ou a família subs-
tituta, observado o disposto no §2º do art. 101 desta Lei. (ECA, 2010 
p. 58-59)
Recomenda-se que o estudo de diagnóstico pós-acolhimento elaborado pela 
equipe técnica da instituição de acolhimento (assistente social e psicóloga), seja 
entregue ao Poder Judiciário/Ministério Público com até 20 dias após o acolhi-
mento, para que se verifique a real necessidade da medida ou a possibilidade do 
retorno da criança e/ou adolescente ao convívio familiar imediatamente.
A situação de todas aquelas crianças e adolescentes já acolhidos deve 
também ser revista, de modo a garantir que todos estejam em acom-
panhamento. Para estas situações deve -se também, na elaboração 
do Plano de Atendimento considerar os motivos do afastamento e as 
intervenções realizadas até o momento, a partir dos quais devem ser 
delineadas outras intervenções n necessárias tendo em vista o alcance 
de soluções de caráter mais definitivo para a criança e o adolescente. 
(BRASIL, 2009, p. 32).6
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Plano Individual de Atendimento (Pia)
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PLANO INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO (PIA)
O Plano tem como objetivo nortear as ações 
de intervenção/estratégias de atuação durante 
o período de acolhimento, elaborado pela 
equipe técnica (Assistente Social e Psicólogo) 
baseado nas circunstâncias coligadas no 
estudo de diagnóstico inicial em conjunto 
com Conselho Tutelar e a rede socioassis-
tencial e poderá contar com a equipe de 
supervisão dos serviços de acolhimento 
do Município (órgão Gestor da Assistência 
Social) e com a equipe interprofissional da 
Justiça da Infância e da Juventude, sempre que possível.
Na elaboração devem-se envolver todos os interessados, familiares e pessoas 
do convívio da criança e do adolescente, ter uma escuta qualificada, tendo o acolhi-
do(a) uma participação atuante nesse processo. Faz-se necessário um levantamento 
das potencialidades e necessidades para a superação dos motivos de acolhimento.
O Estudo Diagnóstico Prévio tem como objetivo subsidiar a decisão acerca 
do afastamento da criança ou adolescente do convívio familiar. Salvo em 
situações de caráter emergencial e/ou de urgência. Esta medida deve ser 
aplicada por autoridade competente (Conselho Tutelar ou Justiça da Infân-
cia e da Juventude), com base em uma recomendação técnica, a partir de 
um estudo diagnóstico, caso a caso, realizado por equipe interprofissional 
do órgão aplicador da medida ou por equipe formalmente designada para 
este fim. Em todos os casos, a realização desse estudo diagnóstico deve ser 
realizada sob supervisão e estreita articulação com Conselho Tutelar, Justiça 
da Infância e da Juventude e equipe de referência do órgão gestor da Assis-
tência Social. Sempre que necessário, o órgão aplicador da medida poderá 
requisitar, ainda, avaliação da situação por parte de outros serviços da rede 
como, por exemplo, da Delegacia de Proteção da Criança e do Adolescente 
e de serviços de saúde. 
Fonte: BRASIL (2009, p. 29, on-line)6.
OS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DA INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL
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Não existe um modelo pronto. O plano é uma construção de cada institui-
ção de acolhimento, conforme acordos com a Vara da Infância e da Juventude e 
equipe de supervisão de acolhimento do Município, mas existem algumas estra-
tégias a serem seguidas, conforme as Orientações Técnicas:
O Plano de Atendimento Individual e Familiar deve orientar as inter-
venções a serem desenvolvidas para o acompanhamento de cada caso, 
devendo contemplar, dentre outras, estratégias para:
· desenvolvimento saudável da criança e do adolescente durante o pe-
ríodo de acolhimento: encaminhamentos necessários para serviços da 
rede (saúde, educação, assistência social, esporte, cultura e outros); 
atividades para o desenvolvimento da autonomia; acompanhamento 
da situação escolar; preservação e fortalecimento da convivência co-
munitária e das redes sociais de apoio; construção de projetos de vida; 
relacionamentos e interação no serviço de acolhimento – educadores/
cuidadores, demais profissionais e colegas; preparação para ingresso no 
mundo do trabalho, etc.;
· investimento nas possibilidades de reintegração familiar: fortaleci-
mento dos vínculos familiares e das redes sociais de apoio; acompa-
nhamento da família, em parceria com a rede, visando à superação dos 
motivos que levaram ao acolhimento; potencialização de sua capaci-
dade para o desempenho do papel de cuidado e proteção; gradativa 
participação nas atividades que envolvam a criança e o adolescente; 
etc. Nos casos de crianças e adolescentes em processo de saída da rua 
deve-se, ainda, buscar a identificação dos familiares, dos motivos que 
conduziram à situação de rua e se há motivação e possibilidades para a 
retomada da convivência familiar;
· acesso da família, da criança ou adolescente a serviços, programas e 
ações das diversas políticas públicas e do terceiro setor que contribuam 
para o alcance de condições favoráveis ao retorno ao convívio familiar;
· investimento nos vínculos afetivos com a família extensa e de pessoas 
significativas da comunidade: fortalecimento das vinculações afetivas e 
do papel na vida da criança e do adolescente; apoio aos cuidados com a 
criança ou adolescente no caso de reintegração familiar ou até mesmo 
responsabilização por seu acolhimento;
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Estudo Social
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. encaminhamento para adoção quando esgotadas as possibilidades de 
retorno ao convívio familiar: articulação com o Poder Judiciário e o 
Ministério Público para viabilizar, nestes casos, o cadastramento para 
adoção. Desde que haja supervisão do Poder Judiciário, uma estratégia 
que pode ser empreendida também pelos serviços de acolhimento, em 
parceria com Grupos de Apoio à Adoção ou similares, diz respeito à 
busca ativa de famílias para a adoção de crianças e adolescentes com 
perfil de difícil colocação familiar. (BRASIL, MDS/2009 p. 33-34).
ESTUDO SOCIAL
Este instrumento é privativo do Serviço Social 
conforme apresentado na Lei Nº 8.662 de 7 de 
junho de 1993. O estudo social é determinado 
ou solicitado aos assistentes sociais nomeados 
como peritos, aos profissionais servidores do 
Poder Judiciário ou a profissionais que atuam 
em instituições que de alguma forma está ligado 
à instituição judiciária. O estudo social respalda 
perícias, pareceres e laudos técnicos ao Poder 
Judiciários, Penitenciário e Previdência Social.
Para Fávero (2009, p. 11):
Assim, ao desenvolver um estudo social e registrá-lo em documento 
pertinente, informações como as descritas dão suporte à sua funda-
mentação. É essa fundamentação que pode fornecer elementos para 
que o magistrado forme seu juízo, de maneira a poder tomar uma de-
cisão justa. Se questionado por meio de recurso (os envolvidos podem 
recorrer à instância superior para revisão da decisão, se a decisão for 
considerada injusta.), o magistrado pode recorrer ao estudo social para 
ratificar a sua decisão. 
OS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DA INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL
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O estudo social não tem um modelo definido, mas algumas informações são 
de grande importância como número do processo, ação, requerente, requerido,histórico do processo, instrumentos utilizados e procedimentos, estudo e desen-
volvimento do caso e por último parecer, conclusão e sugestões. Importante não 
esquecer do local, data, rubricar todas as vias e na última assinar com número 
do registro do CRESS.
Processo metodológico de especificidade do assistente social, ‘...que 
tem por finalidade conhecer com profundidade, e de forma crítica, 
uma determinada situação ou expressão da questão social, objeto da 
intervenção profissional’ (CFESS, 2007, p. 42).
O perito é o sujeito “sábio”, “hábil”, “especialista em determinado assunto”. A pe-
rícia é traduzida como “vistoria ou exame de caráter técnico e especializado”.
(Conselho Federal de Serviço Social). 
Atribuições Privativas ao assistente social no art. 5 ° da Lei de Regulamenta-
ção da Profissão - Lei n. 8.662, de 7 de Junho de 1993.
IV - realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pare-
ceres sobre a matéria de Serviço Social; 
Fonte: Brasil (1993, on-line)7.
Perícia Social
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PERÍCIA SOCIAL
Esse instrumento é realizado com base no estudo social finalizando com a ela-
boração de um laudo e/ou parecer conclusivo ou indicativo, fundamentado em 
estudo rigoroso da situação social analisada.
A perícia, quando solicitada a um profissional de Serviço social, é cha-
mada de perícia social, recebendo esta denominação por se tratar de 
estudo e parecer cuja finalidade é subsidiar uma decisão, via de regra, 
judicial. Ela é realizada por meio do estudo social e implica na elabora-
ção de um laudo e emissão de um parecer para sua construção o pro-
fissional faz uso dos instrumentos e técnicas pertinentes ao exercício 
da profissão, sendo facultado a ele a realização de tantas entrevistas, 
contatos, visitas, pesquisa documental e bibliografia que considerar 
necessárias para análise e a interpretação da situação em questão e a 
elaboração de parecer. Assim, a perícia é o estudo social, realizado com 
base nos fundamentos teórico-metodológicos, ético-político e técnico 
operativo, próprios do serviço social, e com finalidade relacionada a 
avaliações e julgamento. (CFESS,2007, p. 43-44)
A perícia social contribui com o Magistrado para a tomada de decisão. Sempre 
que uma determinada situação necessitar de uma avaliação, exame ou visto-
ria será solicitado um parecer técnico de sua área do conhecimento. A perícia 
é elaborada por um laudo e depois a emissão de um parecer, usando de instru-
mentos do serviço social.
Assistente Social na qualidade de Perito Judicial: uma vez nomeado peri-
to judicial, este profissional do ponto de vista técnico e ético possui inteira 
autonomia e liberdade para conduzir sua atividade profissional, pois se as-
sim não for, não responderá com plenitude por sua conduta ética, estando 
vinculado hierarquicamente somente na via administrativa, diferente da 
relação dos Oficiais de Justiça que tem como atribuição a execução de man-
dados judiciais e são estes quem executam de forma efetiva e material as 
determinações ou ordens emanadas pelos Magistrados.
Fonte: Conselho Regional de Serviço Social – PR (2013, on-line)8
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LAUDO SOCIAL 
Este instrumento é utilizado no meio judiciário a fim de dar suporte às decisões 
judiciais como elemento de prova. Na sua elaboração não é necessário o deta-
lhamento do estudo realizado, exceto quando solicitado para melhor avaliação. 
Esse deve ser elaborado dentro dos princípios éticos do Serviço Social. A termi-
nologia laudo é usada por outras categorias, porém, laudo social é utilizado tão 
somente pelo assistente social contratado como perito social.
Ele possui uma estrutura que geralmente se constitui por uma introdução 
que indica a demanda judicial e objetivos, uma identificação breve dos su-
jeitos envolvidos, a metodologia para construí-lo (deixando claro a especi-
ficidade da profissão e os objetivos do estudo), um relato analítico da cons-
trução histórica da questão estudada e do estado social atual da mesma, e 
uma conclusão ou parecer social, que deve sintetizar a situação, conter uma 
breve análise crítica e apontar conclusões ou indicativos de alternativas, 
do ponto de vista do Serviço Social, isto é, que expresse o posicionamento 
profissional frente à questão em estudo (CFESS, 2007, p. 46)
O laudo social é resultante da perícia social, nele contém a análise realizada e o 
registro das informações mais significativas do estudo, sempre de acordo com as 
diretrizes e princípios éticos do Serviço Social, pois contribui para formação de 
um juízo por parte do magistrado, envolvendo direitos fundamentais e sociais.
Em suma, o “Laudo Social” é um documento escrito que contém parecer 
ou opinião técnica conclusiva do que foi estudado e observado sobre de-
terminado assunto com a finalidade de dar suporte à decisão judicial. Ou 
seja, contribui para a formação de um juízo por parte do Magistrado, dá-lhe 
elementos para o exercício da faculdade de julgar: avaliar, escolher, decidir, 
a partir da área de conhecimento do Serviço Social. Desse modo, oferece 
elementos de base social para a formação de um juízo e tomada de decisão: 
análise dos aspectos socioculturais e econômicos, relacionando-os ao seg-
mento de classe e às medições sociais que as permeiam. 
Fonte: Conselho Regional de Serviço Social – PR (2013, on-line)8.
Parecer Social
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PARECER SOCIAL
O parecer social é elaborado com base no estudo social e deve conter a opinião funda-
mentada do assistente social referente esse estudo, por meio de conhecimento técnico 
e teórico do Serviço Social. O profissional deve evitar dar opiniões próprias que pos-
sam ser interpretadas pela autoridade competente como amparo por um e objeção por 
outro, o que pode comprometer o andamento do caso, mas deve propor um acordo para 
solução do problema, propiciando no momento da perícia o diálogo entre as partes.
No âmbito do Sistema Judiciário, o parecer pode ser emitido enquanto parte 
final ou conclusão de um laudo, bem como enquanto resposta a consulta ou 
a determinação da autoridade judiciária a respeito de alguma questão cons-
tante em processo já acompanhado pelo profissional. (CFESS, 2007, p. 47). 
O estudo social também é utilizado na Previdência Social definido como a opi-
nião profissional do assistente social, por meio da observação e estudo de uma 
conjuntura, fornecendo elementos para concessão de benefícios e viabilizando 
direitos. Principais situações de emissão de parecer social na política previden-
ciária são: Dependência econômica, União estável e Intercorrências sociais que 
interferem na origem, evolução e agravamento de patologias. 
Do ponto de visa legal/institucional, a prática profissional do Serviço 
Social no Instituto de Seguro Social (INSS), instituição responsável 
pela operacionalização da política previdenciária pública brasileira, é 
definida através da Lei nº 8.213, de 24/7/91, onde no seu artigo 88 dis-
põe: ‘Compete ao Serviço Social esclarecer junto aos beneficiários seus 
direitos e os meios de exercê-los e estabelecer conjuntamente com eles 
o processo de solução dos problemas que emergirem da sua relação 
com a previdência social, tanto no âmbito interno da instituição como 
na dinâmica da sociedade’ (CFESS, 2007, p. 54).
Ao elaborar o parecersocial, um instrumento técnico-operativo do processo de 
trabalho do assistente social, o profissional deve agir com responsabilidade, ser 
rigoroso e ético, voltando aos interesses do usuário, estudando a situação e opinar 
de forma a contribuir nas decisões que os envolve, evidenciando fatos e subsídios 
que irão embasar decisões judiciárias mais justas possíveis. Não existe um modelo 
pronto de emissão de um parecer social, existe um compromisso ético entre o 
assistente social, os sujeitos envolvidos e a autoridade competente que o solicitou.
OS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DA INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL
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No quadro 1, Freitas (2005) exemplifica cada instrumental de acordo com 
a compreensão dos autores indicados.
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OS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DA INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E126
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No decorrer desta unidade de estudo foi possível refletir sobre os principais ins-
trumentos utilizados para o trabalho do assistente social, mostrando que um, 
muitas vezes complementa o outro na intervenção profissional. Como profis-
sionais temos que ter claro que a instrumentalidade vem antes do instrumento 
e que a análise conjuntural é essencial para o conhecimento da realidade social 
para um bom atendimento e encaminhamentos. 
O trabalho do(a) assistente social em intervir no cotidiano dos usuários é 
de extrema responsabilidade, por isso, devemos estar pautados nos Princípios 
Fundamentais, Código de Ética do(a) assistente social, Lei 8.662/93 e demais 
resoluções da profissão, procurando sempre se profissionalizar, internalizando 
esses conhecimentos, pois viabilizamos o acesso do cidadão aos direitos sociais.
Espero que o conteúdo desta unidade tenha colaborado para que você conheça 
e entenda cada instrumental. Obviamente, esse tema não se resume ao que foi 
apresentado. Entretanto, o nosso objetivo é que você pesquise mais sobre cada 
instrumental e se capacite para atuação profissional.
É importante que se tenha claro que os instrumentais apresentados nesta 
unidade, bem como na unidade que veremos a seguir, não são manuais a serem 
seguidos à risca, são possibilidades e meios que o(a) assistente possui para ope-
racionalizar e dar vida ao seu exercício profissional.
Dessa maneira, todos os elementos apontados aqui contribuem para uma 
prática qualificada. Sempre que possível e necessário, busque saber mais sobre 
cada um deles, não só nas referências trazidas por autores do Serviço Social, 
mas de outras áreas também. Você poderá buscar informações sobre entrevista, 
visita, diálogo em livros, informes, teses, textos, artigos das áreas de psicologia, 
administração, recursos humanos, ciências sociais, sociologia e outras áreas afins.
Ao observar as referências bibliográficas deste livro, você já estará com uma 
boa lista de sugestões de leitura, sendo assim, aproveite!
127 
1. Qual instrumental é de suma importância para o(a) acadêmico(a) de Serviço So-
cial? 
2. Antes de elaborarmos qualquer relatório e/ou estudos, o profissional de Serviço 
Social deve fazer um retrato dinâmico da situação, do todo. Exemplifique o que 
é análise conjuntural.
3. A perícia social é solicitada pelo judiciário. Nesse caso, qual é a função do perito?
4. Quando a criança e ou adolescente são encaminhados em medida emergencial 
para acolhimento, o profissional elabora um estudo de diagnóstico pós-acolhi-
mento. Quando estas são acolhidas com encaminhamento, quem faz o estudo 
de Diagnóstico prévio e por quê?
5. Ao elaborar um parecer social, o(a) Assistente Social baseia-se em outro instru-
mental, também sendo esse privativo da profissão. Descreva esse instrumental 
relacionando algumas informações de grande importância. 
128 
ALGUMAS CATEGORIAS PARA A ANÁLISE DA CONJUNTURA
a - Acontecimentos
Devemos distinguir fato de acontecimento. Na vida real milhares de fatos todos os dias 
em todas as partes, mas somente alguns desses fatos são “considerados” como aconteci-
mento: aqueles que adquirem um sentido especial para um país, uma classe social, um 
grupo social ou uma pessoa.
Alguém pode cair de um cavalo e isso se constituir somente um fato banal, mas se esta é 
a queda de um presidente, provavelmente será um acontecimento para o país, o nasci-
mento do filho de um operário é um acontecimento para a família. O beijo podeser um 
fato comum, mas o beijo de Judas foi um acontecimento.
Existem ocorrências que se constituem em “acontecimentos” tais como greves gerais, 
eleições presidenciais (principalmente se são diretas…), golpes militares, catástrofes, 
descobertas científicas de grande alcance. Estas ocorrências por sua dimensão e seus 
efeitos afetam o destino e a vida de milhões de pessoas, da sociedade em seu conjunto.
Na análise de conjuntura o importante é analisar os acontecimentos, sabendo distin-
guir primeiro fatos de acontecimentos e depois distinguir os acontecimentos segundo 
sua importância. Essa importância e peso são sempre relativos e dependem da ótica de 
quem analisa a conjuntura, porque uma conjuntura pode ser boa para alguém e péssima 
para outros: um ladrão que chega num lugar policiado vai verificar que a conjuntura está 
ruim para ele naquele dia, a mãe que chega à praça com seu filho vai pensar o contrário.
A importância da análise a partir dos acontecimentos é que eles indicam sempre certos 
“sentidos” e revelam também a percepção que uma sociedade ou grupo social, ou classe 
tem da realidade e de si mesmos.
Identificar os principais acontecimentos em um determinado momento, ou período de 
tempo, é um passo fundamental para se caracterizar e analisar uma conjuntura.
b - Cenários
As ações da trama social e política se desenvolvem em determinados espaços que po-
dem ser considerados como cenários. Ouvimos sempre falar nos cenários de guerra, 
cenários de luta. O cenário de um conflito pode se deslocar de acordo com o desen-
volvimento da luta: passar das ruas e praças para o parlamento, daí para os gabinetes 
ministeriais e daí para os bastidores… Cada cenário apresenta particularidades que in-
fluenciam o desenvolvimento da luta e muitas vezes o simples fato de mudar de cenário 
já é uma indicação importante de uma mudança no processo. A capacidade de definir 
os cenários aonde as lutas vão se dar é um fator de vantagem importante. Quando o 
governo consegue deslocar a luta das praças para os gabinetes já está de alguma forma 
deslocando as forças em conflito para um campo onde seu poder é maior. Daí a impor-
tância de identificar os cenários onde as lutas se desenvolvem e as particularidades dos 
diferentes cenários.
129 
Numa ditadura militar os cenários do poder e da luta contra esse poder serão necessa-
riamente diferentes dos cenários de uma sociedade democrática. Numa, talvez o quar-
tel; noutra, o parlamento, as ruas e as praças.
c - Atores
Outra categoria que podemos usar na análise da conjuntura é a de atores. O ator é al-
guém que representa e que encarna um papel dentro de um enredo, de uma trama de 
relações. Um determinado indivíduo é um ator social quando ele representa algo para 
a sociedade (para o grupo, a classe, o país), encarna uma ideia, uma reivindicação, um 
projeto, uma promessa, uma denúncia.
Uma classe social, uma categoria social, um grupo podem ser atores sociais. Mas a ideia 
de “ator” não se limita somente a pessoas ou grupos sociais. Instituições também podem 
ser atores sociais: um sindicato, partidos políticos, jornais, rádios, emissoras de televisão, 
igrejas.
d - Relação de forças
As classes sociais, os grupos, os diferentes atores sociais estão em relação uns com os 
outros. Essas relações podem ser de confronto, de coexistência, de cooperação e estarão 
sempre revelando uma relação de força, de domínio, igualdade ou de subordinação. 
Encontrar formas de verificar a relação de forças, ter uma ideia mais clara dessa relação é 
decisivo se se quer tirar consequências práticas da análise da conjuntura. Algumas vezes 
essa relação de forças se revela através de indicadores até quantitativos, como é o caso 
de uma eleição: o número de votos indicará a relação de forças entre partidos, grupos e 
classe sociais.
Outras vezes devemos buscar formas de verificação menos “visíveis”: qual é a força de 
um movimento social ou político emergente? Como medir o novo, aquilo que não tem 
registros quantitativos?
Outra ideia importante é a de que a relação de forças não é um dado imutável, colocado 
de uma vez por todas: a relação de forças sofre mudanças permanentemente e é por isso 
que a política é tão cheia de surpresas: um candidato, um empresário, um partido políti-
co podem achar que mantém uma relação de superioridade e quando são chamados a 
demonstrar sua “força” percebem que a relação mudou e que a derrota ou vitória devem 
ser explicadas depois…
130 
e - Análise de fatos, eventos tendo como pano de fundo as ¨estruturas¨, ou 
articulação entre estrutura e conjuntura
A questão aqui é que os acontecimentos, a ação desenvolvida pelos atores sociais, ge-
rando uma situação, definindo uma conjuntura, não se dão no vazio: eles têm relação 
com a história, com o passado, com relações sociais, econômicas e políticas estabeleci-
das ao longo de um processo mais longo. Uma greve geral que marca uma conjuntura 
é um acontecimento novo que pode provocar mudanças mais profundas, mas ela não 
cai do céu, ela é o resultado de um processo mais longo e está situada numa determina-
da estrutura industrial que define suas características básicas, seu alcance e limites. Um 
quadro de seca no Nordeste pode marcar uma conjuntura social grave, mas ela deve ser 
relacionada à estrutura fundiária que, de alguma maneira, interfere na forma como a 
seca atinge as populações, a quem atinge e como.
Fonte: Souza (1984, p. 9 -18). 
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
O Estudo Social em Perícias, Laudos e Pareceres Técnicos: 
contribuição ao debate no judiciário, no penitenciário e na 
previdência social
Conselho Federal de Serviço Social (org.)
Editora: Cortez
Ano: 2007
Sinopse: O aperfeiçoamento do Estudo Social que fundamenta Perícias, 
Pareceres e Laudos Técnicos tem sido preocupação frequente dos (as) 
assistentes sociais que trabalham no Poder Judiciário, na Previdência 
Social e no Sistema Penitenciário. Sensível a essa demanda e cumprindo 
um de seus compromissos com a categoria, que é o de estimular as 
refl exões e debates sobre a qualidade da intervenção profi ssional na 
direção da garantia de direitos, o Conselho Federal de Serviço Social, 
em parceria com a Cortez Editora, traz ao público a contribuição de 
experientes profi ssionais dessas áreas de atuação.
Preciosa - Uma história de Esperança (2009)
Direção: Lee Daniels
Sinopse: Claireece “Preciosa” Jones (Gabourey Sidibe) é uma adolescente 
de 16 anos que sofre uma série de privações durante sua juventude. 
Violentada pelo pai e abusada pela mãe, ela cresce irritada e sem qualquer 
tipo de amor. O fato de ser pobre e gorda também não a ajuda nem 
um pouco. Além disso, Preciosa teve com seu pai uma fi lha apelidada 
de “Mongo”, por ser portadora de síndrome de Down, que está sob os 
cuidados da avó. Quando engravida de seu pai pela segunda vez, Preciosa 
é suspensa da escola. A Sra. Lichtenstein (Diretora da escola) consegue 
para ela uma escola alternativa, que possa ajudá-la a melhor lidar com sua 
vida. Lá Preciosa encontra um meio de fugir de sua existência traumática, 
se refugiando em sua imaginação. O fi lme conta também com Mariah 
Carey que faz o papel de uma assistente social, a Srta. Weiss. Paula Patton 
interpreta a professora de Precious a Sra. Rain, e Lenny Kravitz como John, 
um enfermeiro.
Ao assistir este fi lme faça uma refl exão crítica do atendimento do 
Serviço Social, a profi ssional usou todo seu referencial teórico/
prático? Houve ou não negligência por parte do profi ssional? 
REFERÊNCIAS
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do Mundo do Trabalho. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2000.
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2 -Em: <http://www.admjorgestreet2015.files.wordpress.com/2015/11/grc3a1ficos .pdf>. 
Acesso em: 20 jun. 2016.
3 - Em: <http://www.fernandonogueiracosta.wordpress.com/2011/11/16/idh-ajus-
tado-a-desigualdade/>. Acesso em: 20 jun. 2016.
⁴ - Em: <http://www.cfess.org.br/arquivos/Resolucao_493-06.pdf>. Acesso em: 20 
jun. 2016.
⁵ - Em: <http://www.cfess.org.br/arquivos/CEP_CFESS-SITE.pdf>. Acesso em: 20 jun. 
2016.
⁶ - Em: <http://www.mds.gov.br/cnas/noticias/orientacoes_tecnicas_final.pdf/>. 
Acesso em: 20 jun. 2016.
⁷ - Em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8662.htm/>. Acesso em: 20 jun. 
2016.
⁸ - Em: <http://www.cresspr.org.br/site/wp-content/uploads/2013/10/ORIENTACAO-
-COFI-41.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2016.
REFERÊNCIAS
135
GABARITO
1. Diário de Campo.
2. Análise conjuntural seria a análise de um conjunto de fatos relacionados aos 
casos em questão, a compreensão de partes como um todo. Pesquisas sobre 
situação socioeconômica, familiar, fatos sociais, acolhimentos anteriores, entre 
outros, enfim um diagnóstico da situação estrutural do usuário.
3. A perícia, quando solicitada a um profissional de Serviço Social, é chamada de 
perícia social, recebendo esta denominação por se tratar de estudo e parecer 
cuja finalidade é subsidiar uma decisão, via de regra, judicial.
4. O Estudo Diagnóstico Prévio é elaborado pelo Conselho Tutelar, Justiça da Infân-
cia e da Juventude e equipe de referência do órgão gestor da Assistência Social, 
tem como objetivo subsidiar a decisão acerca do afastamento da criança ou ado-
lescente do convívio familiar.
5. Estudo social - número do processo, ação, requerente, requerido, histórico do 
processo, instrumentos utilizados e procedimentos, estudo e desenvolvimento 
do caso e por último parecer, conclusão e sugestões, não esquecer do local, data, 
rubricar todas as vias e na última assinar com número do registro do CRESS.
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Professora Esp. Fernanda Carvalho Basilio Hernandez
A RELEVÂNCIA DOS REGISTROS 
NA DOCUMENTAÇÃO DO 
COTIDIANO PROFISSIONAL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Verificar os diferentes tipos de documentos pertinentes ao exercício 
profissional, suas diferentes abordagens e registros, bem como sua 
relevância no exercício profissional.
 ■ Compreender a importância de se registrar o cotidiano profissional 
para uso presente e futuro.
 ■ Discutir como a documentação do assistente social pode se tornar 
parte de um processo jurídico e analisar suas consequências.
 ■ Compreender o porquê toda documentação deve ser mantida em 
sigilo, bem como as legislações que garantem tal medida.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Considerações acerca da documentação e registro da ação 
profissional
 ■ Informação, registro e documentação como instrumento de trabalho 
do assistente social
 ■ A documentação do cotidiano profissional no espaço sóciojurídico
 ■ O sigilo profissional acerca do atendimento e da documentação
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a), 
Nesta unidade, discutiremos sobre a importância de se registrar e documen-
tar o cotidiano profissional, bem como aimportância de se manter sigilo sobre 
todo atendimento prestado e toda documentação gerada pelo (a) assistente social. 
Você compreenderá que o sigilo profissional além de dever é um direito do assis-
tente social, e para que possa garanti-lo ao usuário, o assistente social deve ter 
asseguradas, pela instituição em que trabalha, condições e autonomia para exer-
cer suas atividades. Sob o ponto de vista de que o sigilo profissional é um dever, 
para que o assistente social garanta ao usuário que sua privacidade não seja vio-
lada; é necessário que o profissional mantenha o sigilo durante todo o processo 
da ação, desde a escuta nos atendimentos até a elaboração de uma documentação.
Discorreremos também sobre a importância dessa documentação para que 
se possam discutir estratégias, bem como planejar a intervenção. Essa documen-
tação se faz importante também para se produzir conhecimento, pois a análise 
desses registros oportuniza compreender todo o contexto da época de determi-
nado acontecimento/atendimento.
Você constatará que produzir registros e documentação vai muito além de 
mera burocracia da profissão, pois a documentação está sempre em movimento 
e seu uso está ligado aos objetivos do assistente social. O registro e a documen-
tação delimitam as particularidades da intervenção, caracterizam e qualificam 
a atuação profissional, gravam a história do usuário, assim como a da institui-
ção, bem como possibilitam o planejamento de ações inovadoras e a avaliação 
dessas ações, de planos e projetos já existentes.
Ressaltaremos também a importância dessa documentação para o sistema 
sóciojurídico, pois os registros produzidos pelo assistente social, por meio de 
entrevistas, visitas, laudos e outros são utilizados como prova e constituem um 
processo.
Espero que você aproveite ao máximo esta unidade; que ela te traga o conhe-
cimento necessário para que possa exercer sua profissão!
Boa leitura!
Introdução
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A RELEVÂNCIA DOS REGISTROS NA DOCUMENTAÇÃO DO COTIDIANO PROFISSIONAL
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IVU N I D A D E140
CONSIDERAÇÕES ACERCA DA DOCUMENTAÇÃO E 
REGISTRO DA AÇÃO PROFISSIONAL
Caro (a) aluno (a), esta unidade chama a atenção para a relevância de se docu-
mentar e registrar o cotidiano da ação profissional. Isso porque esse processo é 
imprescindível para se obter e analisar dados e informações colhidas para que 
se possa sistematizar a intervenção do profissional, tanto na perspectiva inves-
tigativa da realidade social quanto na perspectiva orientadora para a sua ação. 
Porém, mesmo sendo tão importante, pois é um instrumento que proporciona 
ações de qualidade, ele é pouco explorado pelos profissionais, o que é um erro, 
principalmente, quando se trata do diário de campo, que seu uso tem ficado redu-
zido a descrições, apontamentos e agendamento, registro de funções cotidianas.
Há de se ter claro que as análises e diagnósticos feitos sobre a realidade social e 
suas demandas são extremamente importantes, que é preciso apresentar maneiras 
de planejar e executar as intervenções do assistente social, percebendo os limi-
tes e possibilidades existentes no processo de atendimento. Devemos nos atentar 
para o fato de a documentação ser componente constitutivo do exercício profis-
sional, pois a profissão tem a dimensão técnico-operativa como a definidora da 
sua identidade. Lembrando, mais uma vez, que a documentação é relevante no 
processo de sistematização e conhecimento, planejamento, qualificação do exer-
cício profissional e também base para produzir conhecimento.
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Informação, Registro e Documentação Como Instrumento de Trabalho do Assistente Social
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Diante das reflexões realizadas, observa-se a necessidade de integrar essa 
ação no cotidiano do assistente social, nos mais diversos momentos da inter-
venção profissional.
INFORMAÇÃO, REGISTRO E DOCUMENTAÇÃO COMO 
INSTRUMENTO DE TRABALHO DO ASSISTENTE 
SOCIAL
Como já vimos anteriormente, o registro e a documentação do exercício profis-
sional é extremamente importante, visto que o Serviço Social é uma profissão de 
caráter interventivo, e é sistematizando essa intervenção que são desenvolvidos os 
procedimentos investigativos acerca da realidade, os atores e a atuação profissio-
nal bem como padrões que orientam a atuação do profissional que se articulam 
em diversas maneiras de intervenção, para isso, mais uma vez é válido ressaltar 
a importância da análise e diagnóstico sobre a realidade da população atendida.
Para Lewgoy e Arruda (2004, p. 123-124), ao registrar a ação em um diá-
rio pode-se realizar uma “reflexão da ação profissional cotidiana, revendo seus 
limites e desafios”, ou seja, consiste em “uma fonte inesgotável de construção, 
desconstrução e reconstrução do conhecimento profissional e do agir através de 
registros quantitativos e qualitativos”.
Partindo desse pressuposto, podemos 
afirmar que o registro diário das ações des-
creve e caracteriza as demandas, detalha 
fenômenos sociais ou pode ser analítico-refle-
xivo, quer dizer que por meio da observação 
dos fatos indagações são geradas e o pro-
cesso de reflexão é realizado, buscando a 
compreensão dos significados dos fenôme-
nos sociais e a reflexão é crucial, pois colabora 
A RELEVÂNCIA DOS REGISTROS NA DOCUMENTAÇÃO DO COTIDIANO PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E142
no enriquecimento da intervenção, por meio de tomada de decisão, na teoria 
que pode ser renovada com novas informações sobre a realidade.
Apesar da já sabida importância que o registro diário tem no processo de docu-
mentação da intervenção, alguns profissionais não o fazem, às vezes, por falta de 
tempo, devido às numerosas atividades realizadas/a realizar no dia a dia e o desejo de 
manter-se mais próximo do usuário e acabam por fazer esse registro posteriormente, 
correndo o risco de perder detalhes importantes que podem não ser lembrados. 
Sobre essa realidade as autoras Lima, Mioto e Prá (2007, p. 11) se posicio-
nam contra, afirmando que:
[...] o diário de campo, os relatórios, prontuários, protocolos de serviço 
e de atendimento, enfim, toda a forma de documentação só adquire 
sentido se são úteis tanto para os profissionais quanto para a instituição 
porque, mais do que apenas guardar ou arquivar informações, deve in-
cidir positivamente nos processos de planejamento e avaliação no sen-
tido de facilitar a sua realização. 
Portanto, o registro e a documentação tem papel dinâmico e flexível quando 
suas finalidades são consideradas, como base para a investigação e orientação 
da intervenção do assistente social.
A documentação passa longe de ser um processo burocrático da profissão, 
pois está sempre em movimento e seu uso está ligado aos objetivos do assistente 
social, podendo ser o conhecimento da realidade ou a intervenção, também está 
ligada aos requisitos da ação profissional como o atendimento direto em certas 
particularidades, planejamento e gestão, no suporte a movimentos e organizações.
Atrelado a tudo isso está a realidade de a documentação das ações se con-
vertem em um sistema de informação, se tornando instrumento de avaliação e 
instrumento de planejamento de intervenção. Isso significa que mesmo que toda 
documentação seja subjetiva (que se aplica a certa situação) ela pode passar do 
nível profissionale se transformar em subsidio para avaliação e planejamento 
de políticas sociais em níveis amplos.
O profissional precisa entender que a documentação é dinâmica e pode ser 
modificada, principalmente quando é referente aos cadastros e relatórios de entre-
vistas, reuniões, atendimentos realizados e outros, pois não raro os profissionais 
realizam dois registros, sendo um para a instituição em que trabalha e segue o 
modelo já instituído por ela e outro pessoal, e neste aprofunda as informações.
Informação, Registro e Documentação Como Instrumento de Trabalho do Assistente Social
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Lembrando que tais registros nas documentações devem conter as análises 
que foram realizadas, tanto nos registros da instituição quanto no do profissional 
(aquele que mencionamos acima como sendo pessoal), e não apenas relatos que 
transcrevem os antecedentes do usuário, detalhes do atendimento e objetivos da 
intervenção, devendo ser registradas a descrição da intervenção, procedimentos 
feitos, redes de proteção que foram acionadas bem como os encaminhamentos 
que foram dados.
Esse registro não deve ser feito somente quando solicitado, mas sim diariamente, 
encurtando a dinâmica processual tanto da análise e da demanda atendida, de 
planejamento de ações junto à realidade apresentada, quanto à reflexão desenvol-
vida em relação à realidade social e sua ligação com o trabalho, sempre tomando 
o cuidado de não permitir que as observações feitas deem lugar às descrições 
mecanizadas.
As anotações feitas quando se registra o atendimento podem ser descritivas 
ou analítico-descritivas. As anotações descritivas são aquelas que são realizadas 
no diário de campo e tem como objetivo relatar exatamente os fenômenos sociais, 
necessário na pesquisa qualitativa e na intervenção empenhada não somente 
em ações imediatas, mas sim com o planejamento delas. Por sua vez, as anota-
ções analítico-reflexivas são aquelas feitas por meio da observação dos fatos e 
processos, que mostram quais aspectos devem ser aprofundados, avançando na 
busca de explicação dos fenômenos e na pesquisa. Por exemplo, em atendimen-
tos cotidianos do assistente social.
No dicionário Aurélio documentação “é o conjunto de documentos desti-
nados a esclarecer ou provar determinado assunto ou fato.” De acordo com 
o texto, essa conceituação nos remete ao significado de memória, como o 
conjunto de documentos que servem para lembrar... Esclarecer... Ilustrar... 
Provar, determinado assunto, tempo, existência.
Fonte: SESO em foco (2011, on-line).1
A RELEVÂNCIA DOS REGISTROS NA DOCUMENTAÇÃO DO COTIDIANO PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
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Quando voltamos nossa atenção para o processo de documentação da ação pro-
fissional, precisamos ir além de apenas descrever, precisamos detalhar como foi 
realizado o atendimento (qual demanda atendida, procedimentos e encami-
nhamentos realizados, recursos que foram acionados, relação estabelecida com 
o usuário etc.). 
O profissional deve ficar atento para os contatos institucionais, como a rede 
de apoio, pois podem potencializar as ações do assistente social, uma vez que 
possibilita qual recurso pode dispor os acionar. É importante ressaltar que a aná-
lise realizada engloba tanto a descrição quanto a interpretação prévia, que por 
sua vez estão relacionadas por meio das construções teórico-metodológicas e 
também pelo comprometimento ético da profissão. Sendo assim, são constata-
das demandas postas ao serviço quando se registra o atendimento, cabendo ao 
assistente social caracterizar tal demanda problematizando o contexto que deli-
mita os limites da intervenção, precisando, também, estar atento para as possíveis 
situações que de imediato não se manifestaram.
Esse detalhamento das informações no registro da documentação permite 
a observação e análise crítica de como planejar e executar a intervenção do pro-
fissional, e ainda possibilita que o profissional perceba as dificuldades e limites 
frente ao serviço, como também frente às demandas postas. Quando se registra os 
encaminhamentos, é possível rever os dados, contribuindo assim para aumentar/
modificar as ações com o propósito de se aproximar da resolução das demandas.
Partindo desse pressuposto, o diário de campo, relatórios, protocolos, prontu-
ários e toda e qualquer forma de documentar são extremamente úteis tanto para o 
profissional quanto para a instituição, que devem não apenas arquivar tais registros, 
mas sim utilizá-los nos planejamentos e análises, facilitando assim sua realização.
O assistente social deve registrar todo seu cotidiano profissional, pois tal re-
gistro serve de subsídios para tomadas de decisões, bem como produz co-
nhecimento sobre a demanda e/ou usuário e também se torna um histórico.
Informação, Registro e Documentação Como Instrumento de Trabalho do Assistente Social
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Para finalizar, vamos ressaltar que os profissionais devem reconhecer a impor-
tância da documentação como instrumento de trabalho, que permite qualificar 
as ações e deve ser colocada em seu cotidiano profissional, considerando que a 
documentação é flexível, pode ser adequada à atuação cotidiana, pois quando 
não negligenciada, toda documentação contribui dando destaque e continui-
dade ao trabalho do assistente social.
O registro e a documentação delimitam as particularidades da intervenção, 
caracterizam e qualificam a atuação profissional, gravam a história do usuário 
assim como a da instituição, bem como possibilitam o planejamento de ações 
inovadoras e a avaliação dessas ações, de planos e projetos já existentes.
Como já estudado na unidade anterior, existem diversas maneiras de se re-
gistrar o cotidiano profissional, como por exemplo:
Atas de reunião: é o registro de todo o processo de uma reunião, das dis-
cussões realizadas, das opiniões emitidas, e, sobretudo, da decisão tomada 
– e da forma como o grupo chegou a ela (por votação, por consenso, ou 
outra forma). Geralmente o relator de uma ata de reunião é designado para 
tal. Pode ser um membro do grupo ou um funcionário da instituição. Co-
mumente, as atas de reuniões são lidas ao final da mesma, e, após sua apro-
vação, todos os participantes assinam – com garantia de que a discussão 
realizada assim como a decisão tomada é de ciência de todos.
 Livros de Registro: o Livro de Registro é um instrumento bastante utiliza-
do, sobretudo em locais em que circula um grande número de profissionais. 
Trata-se de um livro em que são anotadas as atividades realizadas, telefo-
nemas recebidos, questões pendentes, atendimentos realizados, dentre ou-
tras questões, de modo que toda a equipe tenha acesso ao que está sendo 
desenvolvido. 
 Fonte: Sousa, (2008, p. 12) 
©shutterstock
A RELEVÂNCIA DOS REGISTROS NA DOCUMENTAÇÃO DO COTIDIANO PROFISSIONAL
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IVU N I D A D E146
A DOCUMENTAÇÃO DO COTIDIANO PROFISSIONAL 
NO ESPAÇO SOCIOJURÍDICO
A atuação do assistente social no âmbito jurídico é de certa forma recente, pois 
foi em 1940 que a primeira profissional conseguiu atuar no campo de intervenção 
direta, no Judiciário paulista. Entretanto, há pouco tempo que as especificida-
des da atuação profissional nessa esfera se tornaram públicas como objeto de 
investigação. 
Tal feito se deu por diversas razões, mas podemos ressaltar:
Ampliação significativade demanda de atendimento e de profissionais 
para a área, sobretudo após a promulgação do ECA; 
Valorização da pesquisa dos componentes dessa realidade de trabalho; 
Maior conhecimento crítico e valorização, no meio da profissão, de um 
campo de intervenção historicamente visto como espaço tão somente 
para ações disciplinadoras e de controle social; 
Compromisso de parcela significativa da categoria com ações na dire-
ção da ampliação e garantia de direitos, e na provocação de alterações 
nas práticas sociais; 
Crescimento do debate público a respeito dos interiores do sistema pe-
nitenciário, do sistema judiciário e do complexo de organizações que 
têm suas ações voltadas para o atendimento de situações permeadas 
pela violência social e interpessoal, cada vez mais presentes no cotidia-
no de trabalho do assistente social. (ROCHA, s/d, p. 5-8)2.
Sendo assim, iremos evidenciar de forma 
breve, mas clara, a importância da docu-
mentação do cotidiano profissional nos 
processos judiciais, processos cujas sen-
tenças mudam a vida das pessoas. O 
conhecimento e/ou informação do (a) 
assistente social quando registrados em 
um parecer, laudo ou relatório se carac-
terizam como provas documentais, são 
partes que constituem o processo. 
A Documentação do Cotidiano Profissional no Espaço Sociojurídico
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Nessa perspectiva, Ferreira (1986 apud FÁVERO, 2009, p. 610) diz que essa 
ação é “a transmissão de conhecimentos, informação ou explicação que se dá com 
vistas em uma finalidade”. Vale ressaltar aqui que as esferas que mais recorrem ao 
conhecimento dos fatos obtidos pelo serviço social são a Infância e Juventude, 
a Família e a Criminal. 
Frente a tudo isso deve se ter muito claro a finalidade do conhecimento que 
se busca, o porquê e o para que ele se faz necessário, devendo ser observado pela 
perspectiva do (a) assistente social, que deve estar compromissado com o pro-
jeto ético-político da profissão.
Quando o Judiciário solicita a realização de um estudo sobre os envolvidos 
em determinada situação ao assistente social, ele tem por objetivo obter ele-
mentos que forneçam o conhecimento sobre o caso e assim possa tomar uma 
decisão justa.
 É essa fundamentação que pode fornecer elementos para que o ma-
gistrado forme seu juízo, de maneira a poder tomar uma decisão justa. 
Se questionado por meio de recurso [...] o magistrado pode recorrer 
ao estudo social para ratificar a sua decisão. (FÁVERO, 2009, p. 617).
Cabe ressaltar aqui que é extremamente importante que o profissional tenha 
conhecimento e compreensão sobre o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), 
a LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social), a PNAS (Política Nacional de 
Assistência Social) bem como o Código Civil, principalmente os artigos que são 
relacionados à família entre outros.
A RELEVÂNCIA DOS REGISTROS NA DOCUMENTAÇÃO DO COTIDIANO PROFISSIONAL
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rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E148
O conhecimento da área do Serviço Social sobre uma determinada circunstân-
cia processual normalmente é repassado ao sistema jurídico por meio do Estudo 
Social, caso este tenha o propósito de disponibilizar elementos para a decisão do 
magistrado pode ser nomeado Perícia Social, quer dizer, o juiz solicita e elege 
um perito, que nesse caso é um profissional com conhecimentos específicos da 
área, ou seja, um assistente social, para que ele realize a perícia social, dando 
suporte à decisão a ser tomada pelo magistrado. Nesse caso, o assistente social 
deverá registrar as informações sobre quais teve conhecimento utilizando alguns 
documentos, como relatórios, pareceres, laudos, entre outros.
A realidade socioeconômica e cultural dos sujeitos que se tornam persona-
gens – ou “partes” das ações processuais – é a base sobre a qual a instrução 
social se apresenta. Assim, desvelar a realidade social em suas conexões e 
determinações mais amplas e em suas expressões particularizadas no dia a 
dia de crianças, adolescentes, adultos, mães, pais, famílias envolvidos nessas 
ações, interpretá-la com o apoio de conhecimentos científicos pertinentes 
à área e tomar uma posição do ponto vista do Serviço Social – portanto, 
de um ponto de vista fundamentado teórica e eticamente – apresenta-se 
como conteúdo central da instrução. Isso significa considerar que a instru-
ção social se dá com base na construção do conhecimento da situação que 
se apresenta como objeto de uma ação judicial, articulada ao conhecimento 
acumulado pela ciência, que vai balizar e referendar uma ação e uma análise 
competente do ponto de vista profissional. Nesse processo de trabalho, o 
estudo social e/ou sua tradução, em alguns espaços do campo sócio jurídi-
co, como perícia social tornam-se procedimento essencial.
Fonte: Fávero (2008, p. 1). 
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O SIGILO PROFISSIONAL ACERCA DO ATENDIMENTO 
E DA DOCUMENTAÇÃO
O conceito e a prática da ética profissional são indispensáveis na atuação do 
assistente social, não só no âmbito jurídico, projetando assim uma direção 
compromissada com a liberdade, doutrina democrática, execução dos direitos 
humanos e sociais e emancipação do ser humano.
Os valores conferidos por outra pes-
soa partindo da sua realidade requer um 
exercício ético pertinente ao empenho e ao 
compromisso de se isolar de todo e qual-
quer preconceito, da trivialização da vida, do 
risco que se corre de ficar totalmente preso 
nas atividades, de condições postas no dia 
a dia sem considerar o distanciamento que 
é preciso para refletir sobre a teoria, ética, 
para consumação da competência técnica, 
ética e política.
Espaços de Atuação Profissional que compõe o campo:
Justiça Estadual e Federal.
Ministérios Públicos. 
Defensorias Públicas. 
Universidades (Escritórios Modelo). 
Execução de medidas socioeducativas.
Execução de penas alternativas. 
Sistemas penitenciários. 
Organizações não governamentais.
Fonte: Rocha (s/d, on-line)2.
A RELEVÂNCIA DOS REGISTROS NA DOCUMENTAÇÃO DO COTIDIANO PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
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IVU N I D A D E150
Quando um assistente social realiza um estudo social, ele consolida uma 
ligação com sujeitos históricos, que vivenciam experiências reais. Sendo assim, 
o Serviço Social se constituem pelas três dimensões, já estudadas anteriormente, 
dimensões essas que se relacionam enquanto mediação da atuação profissio-
nal em diversos ambientes (MARTINELLI, 2005 apud FÁVERO, 2009, p. 624).
Dessa forma, o profissional deve se apropriar de dados referentes à situação 
a ser trabalhada para que possa manter o diálogo seguindo o código de ética. O 
assistente social deve se apresentar a pessoa a ser entrevistada e também comu-
nicar o objetivo da entrevista.
Ética é um fator importante nesse processo de documentação, uma vez que 
as entrevistas, laudos, pareceres e demais documentos contém relatos, histó-
rias reais vividas por pessoas reais, ou seja, isso é confidencial. Observe o que a 
Constituição Federal de 1988 diz a respeito dos registros e da documentação dos 
profissionais no Título II, dos Direitos e Garantias Fundamentais, que afirma, 
em seu artigo 5º, incisos XIII e XIV que:
Art. 5º
[...]
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, aten-
didas as qualificações profissionaisque a lei estabelecer; 
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o 
sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.
[...] (BRASIL, 1988, on-line)3.
Ou seja, entende-se que é direito garantido por lei que as informações obtidas 
pelo profissional, e isso se aplica a qualquer categoria, sejam privativas. Nesse 
contexto, vamos conferir o que o artigo 154 do Código Penal Brasileiro prevê 
como crime de violação de segredo profissional: “Revelar a alguém, sem justa 
causa, segredo, de quem tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou 
profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem”.
Agora vejamos o que diz o Código de Ética do Assistente Social, regula-
mentado pela Resolução CFESS 273/2003, atualizada pela Resolução CFESS 
n.594/2011(on-line, grifo nosso)4:
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Art. 15 - Constitui direito do/a assistente social manter o sigilo profis-
sional.
Art. 16 - O sigilo protegerá o/a usuário/a em tudo aquilo de que o/a 
assistente social tome conhecimento, como decorrência do exercício 
da atividade profissional.
Parágrafo Único: Em trabalho multidisciplinar só poderão ser presta-
das informações dentro dos limites do estritamente necessário.
Art. 17 - É vedado ao/à assistente social revelar sigilo profissional.
Art. 18 - A quebra do sigilo só é admissível quando se tratarem de 
situações cuja gravidade possa, envolvendo ou não fato delituoso, 
trazer prejuízo aos interesses do/a usuário/a, de terceiros/as e cole-
tividade.
Ainda sobre o sigilo profissional, a Resolução n.493/2006(on-line)5 do CFESS 
rege, entre outras determinações, que:
Art. 3º - O atendimento efetuado pelo assistente social deve ser feito 
com portas fechadas, de forma a garantir o sigilo. 
Art. 4º - O material técnico utilizado e produzido no atendimento é de 
caráter reservado, sendo seu uso e acesso restrito aos assistentes sociais. 
Art. 5º - O arquivo do material técnico, utilizado pelo assistente social, 
poderá estar em outro espaço físico, desde que respeitadas as condições 
estabelecidas pelo artigo 4º da presente Resolução.
Vejamos agora um trecho de outra Resolução, a n.556/2009(on-line)6 sobre a 
documentação:
Art. 1º - A lacração do material técnico, bem como o de caráter sigiloso 
do Serviço Social será efetivada por meio das normas e procedimentos 
estabelecidos pela presente Resolução.
Art. 2º – Entende-se por material técnico sigiloso toda documentação 
produzida, que pela natureza de seu conteúdo, deva ser de conheci-
mento restrito e, portanto, requeiram medidas especiais de salvaguarda 
para sua custódia e divulgação. 
Parágrafo Único - O material técnico sigiloso caracteriza-se por con-
ter informações sigilosas, cuja divulgação comprometa a imagem, a 
dignidade, a segurança, a proteção de interesses econômicos, sociais, 
de saúde, de trabalho, de intimidade e outros, das pessoas envolvidas, 
cujas informações respectivas estejam contidas em relatórios de aten-
dimentos, entrevistas, estudos sociais e pareceres que possam, também, 
A RELEVÂNCIA DOS REGISTROS NA DOCUMENTAÇÃO DO COTIDIANO PROFISSIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E152
colocar os usuários em situação de risco ou provocar outros danos.
 Art. 3º – O assistente social garantirá o caráter confidencial das in-
formações que vier a receber em razão de seu trabalho, indicando nos 
documentos sigilosos respectivos a menção: “sigiloso”.
 Art. 4º – Entende-se por material técnico o conjunto de instrumentos 
produzidos para o exercício profissional nos espaços sócio-ocupacio-
nais, de caráter não sigiloso, que viabiliza a continuidade do Serviço 
Social e a defesa dos interesses dos usuários, como: relatórios de gestão, 
relatórios técnicos, pesquisas, projetos, planos, programas sociais, fi-
chas cadastrais, roteiros de entrevistas, estudos sociais e outros proce-
dimentos operativos. 
Parágrafo Único – Em caso de demissão ou exoneração, o assistente 
social deverá repassar todo o material técnico, sigiloso ou não, ao assis-
tente social que vier a substituí-lo. 
Art. 5º – Na impossibilidade de fazê-lo, o material deverá ser lacrado 
na presença de um representante ou fiscal do CRESS, para somente vir 
a ser utilizado pelo assistente social substituto, quando será rompido o 
lacre, também na presença de um representante do CRESS.
Diante do exposto, podemos afirmar que o sigilo profissional diz respeito ao 
cumprimento do Código de Etíca do Assistente Social garantindo a qualidade 
do atendimento e principalemente resguardado o privacidade do usuário.
Considerações Finais
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao final de mais uma unidade, espero que este conteúdo tenha auxi-
liado você a compreender a importância do registro, da documentação e do sigilo 
profissional, referentes à prática da profissão.
Como vimos no decorrer da unidade, essa documentação se faz necessária 
por diversos motivos, desde se registrar o cotidiano do profissional, em detalhes, 
para que nenhuma informação importante, nenhum pormenor passe desperce-
bido, e o mais breve possível, para que não se esqueça de nada, e, assim, servir 
como base para produção de conhecimento. Isso porque como já dito no decor-
rer da unidade, todos esses registros servem de norte para consultas posteriores 
ou como auxílio para se escolher determinado instrumento ou estratégia, com-
por processos judiciais, servindo de provas, bem como construir e reconstruir 
estratégias e planejamento para a intervenção, para a atuação profissional pro-
priamente dita. É a partir das informações e dados obtidos com os diversos 
instrumentos que a profissão utiliza e o registro disso tudo, que o assistente 
social efetiva sua ação.
Vimos também como é importante manter o sigilo de tudo que se toma 
conhecimento nos atendimentos realizados, sigilo esse que é dever e direito do 
profissional e direito garantido ao usuário por lei. Vale lembrar que esse sigilo 
se faz necessário desde a entrevista até o momento da elaboração de documen-
tos, pois se trata de histórias reais, de pessoas reais, situações reais. 
A documentação produzida pelo assistente social além de cumprir a função 
burocrática, como estatísticas, obtenção de dados, conhecimento da realidade, 
também é, como já vimos anteriormente, utilizada como provas em processos judi-
ciais. E não se pode permitir que pessoas alheias tenham acesso a esses registros.
Creio que o conteúdo desta unidade será de grande serventia no seu dia a 
dia profissional, na sua prática profissional. Espero sinceramente que você tenha 
gostado.
Abraço, Professora Fernanda.
154 
1. De acordo com o conteúdo trabalhado nesta unidade, como o registro realizado 
pelo assistente social pode auxiliar na tomada de decisões?
2. Vimos que o registro é um instrumento importante no dia a dia profissional, mas 
percebemos também que muitas vezes os profissionais não o fazem. Por quê?
3. Com base no conteúdo estudado, há a necessidade de se realizar dois registros 
diários? Um pessoal e outro para a instituição em que se trabalha?
4. De que maneira a documentação produzida pelo assistente social pode auxiliar 
em um processo judicial? E como essa documentação é elaborada?
5. Por que o sigilo, que é tido como dever e direito do assistente social, sobre a 
documentação é garantido por lei?155 
RESOLUÇÃO CFESS nº 493/2006 de 21 de agosto de 2006
EMENTA: Dispõe sobre as condições éticas e técnicas do exercício profissional do 
assistente social. 
O CONSELHO FEDERAL DO SERVIÇO SOCIAL - CFESS, por sua Presidente no uso de suas 
atribuições legais e regimentais, 
Considerando o que dispõe o artigo 8º da Lei n° 8.662, de 07 de junho de 1993, que re-
gulamenta o exercício profissional do assistente social e dá outras providências;
Considerando que na qualidade de órgão normativo de grau superior, compete ao Con-
selho Federal de Serviço Social orientar, disciplinar fiscalizar e defender o exercício da 
profissão do assistente social, em conjunto com os CRESS; 
Considerando a necessidade de instituir condições e parâmetros normativos, claros e 
objetivos, garantindo que o exercício profissional do assistente social possa ser executa-
do de forma qualificada ética e tecnicamente; 
Considerando que a ausência de norma que estabeleça parâmetros, principalmente das 
condições técnicas e físicas do exercício profissional do assistente social, tem suscitado 
diversas dúvidas, inclusive, para a compreensão do assistente social na execução de seu 
fazer profissional. 
Considerando a necessidade do cumprimento rigoroso dos preceitos contidos no Có-
digo de Ética do Assistente Social, em especial nos artigos 2º, inciso “d”, 7 inciso “a” e 15; 
Considerando o Parecer Jurídico 15/03, prolatado pela assessoria do CFESS, “que consi-
dera ser competência a regulamentação da matéria pelo CFESS de forma a possibilitar 
uma melhor intervenção dos CRESS nas condições de atendimento ao usuário do Ser-
viço Social”; 
Considerando a aprovação da presente Resolução em Reunião Ordinária do Conselho 
Pleno do CFESS, realizada em 20 de agosto de 2006; 
RESOLVE: 
Art. 1º - É condição essencial, portanto obrigatória, para a realização e execução de qual-
quer atendimento ao usuário do Serviço Social a existência de espaço físico, nas condi-
ções que esta Resolução estabelecer. 
Art. 2º - O local de atendimento destinado ao assistente social deve ser dotado de espa-
ço suficiente, para abordagens individuais ou coletivas, conforme as características dos 
serviços prestados, e deve possuir e garantir as seguintes características físicas: a- ilumi-
nação adequada ao trabalho diurno e noturno, conforme a organização institucional; 
b- recursos que garantam a privacidade do usuário naquilo que for revelado durante o 
processo de intervenção profissional; c- ventilação adequada a atendimentos breves ou 
demorados e com portas fechadas d- espaço adequado para colocação de arquivos para 
a adequada guarda de material técnico de caráter reservado. 
156 
Art. 3º - O atendimento efetuado pelo assistente social deve ser feito com portas fecha-
das, de forma a garantir o sigilo. 
Art. 4º - O material técnico utilizado e produzido no atendimento é de caráter reservado, 
sendo seu uso e acesso restrito aos assistentes sociais. 
Art. 5º - O arquivo do material técnico, utilizado pelo assistente social, poderá estar em 
outro espaço físico, desde que respeitadas as condições estabelecidas pelo artigo 4º da 
presente Resolução. 
Art. 6º- É de atribuição dos Conselhos Regionais de Serviço Social, através de seus Con-
selheiros e/ou agentes fiscais, orientar e fiscalizar as condições éticas e técnicas estabe-
lecidas nesta Resolução, bem como em outros instrumentos normativos expedidos pelo 
CFESS, em relação aos assistentes sociais e pessoas jurídicas que prestam serviços sociais. 
Art. 7º - O assistente social deve informar por escrito à entidade, instituição ou órgão que 
trabalha ou presta serviços, sob qualquer modalidade, acerca das inadequações cons-
tatadas por este, quanto às condições éticas, físicas e técnicas do exercício profissional, 
sugerindo alternativas para melhoria dos serviços prestados. Parágrafo Primeiro - Esgo-
tados os recursos especificados no “caput” do presente artigo e deixando a entidade, 
instituição ou órgão de tomar qualquer providência ou as medidas necessárias para 
sanar as inadequações, o assistente social deverá informar ao CRESS do âmbito de sua 
jurisdição, por escrito, para intervir na situação. Parágrafo Segundo - Caso o assistente 
social não cumpra as exigências previstas pelo “caput” e/ou pelo parágrafo primeiro do 
presente artigo, se omitindo ou sendo conivente com as inadequações existentes no 
âmbito da pessoa jurídica, será notificado a tomar as medidas cabíveis, sob pena de 
apuração de sua responsabilidade tica. 
Art. 8º - Realizada visita de fiscalização pelo CRESS competente, através de agente fiscal 
ou Conselheiro, e verificado o descumprimento do disposto na presente Resolução a 
Comissão de Orientação e Fiscalização do Conselho Regional, a vista das informações 
contidas no Termo de Fiscalização ou no documento encaminhado pelo próprio assis-
tente social, notificará o representante legal ou responsável pela pessoa jurídica, para 
que em prazo determinado regularize a situação. Parágrafo único - O assistente social 
ou responsável pela pessoa jurídica deverá encaminhar ao CRESS, no prazo assinalado 
na notificação, documento escrito informando as providências que foram adotadas para 
adequação da situação notificada. 
Art. 9º- Persistindo a situação inadequada, constatada através de visita de fiscalização, 
será registrada no instrumento próprio a situação verificada. 
Art. 10 - O relato da fiscalização, lavrado em termo próprio, conforme art. 9º, constatan-
do inadequação ou irregularidade, será submetido ao Conselho Pleno do CRESS, que 
decidirá sobre a adoção de medidas cabíveis administrativas ou judiciais, objetivando a 
adequação das condições éticas, técnicas e físicas, para que o exercício da profissão do 
assistente social se realize de forma qualificada, em respeito aos usuários e aos princí-
pios éticos que norteiam a profissão. 
157 
Art. 11- Os casos omissos e aqueles concernentes à interpretação abstrata geral da nor-
ma serão resolvidos e dirimidos pelo Conselho Pleno do CFESS. 
Art. 12- O CFESS e os CRESS deverão se incumbir de dar plena e total publicidade a 
presente norma, por todos os meios disponíveis, de forma que ela seja conhecida pelos 
assistentes sociais bem como pelas instituições, órgãos ou entidades que prestam ser-
viços sociais. 
Art. 13- A presente Resolução entra em vigor, passando a surtir seus regulares efeitos de 
direito após a sua publicação no Diário Oficial da União. 
Brasília, 21 de agosto de 2006.
Elisabete Borgianni Presidente do CFESS
Fonte: Conselho federal de Serviço Social (2006, on-line)5.
MATERIAL COMPLEMENTAR
Neste link, você encontrará um material do CFESS sobre a importância da documentação do 
assistente social no âmbito jurídico.
O título é Atuação de assistentes sociais no Sociojurídico - subsídios para reflexão
Conteúdo rico em informações, vale a pena à leitura. 
Disponível: <http://www.cfess.org.br/arquivos/CFESSsubsidios_sociojuridico2014.pdf>. Acesso 
em: 17 jun. 2016.
REFERÊNCIAS
FÁVERO, E. T. Instruções sociais de processos, sentenças e decisões. Brasília: Con-
selho federal de Assistência Social, 2009. 
LEWGOY, A. M. B.; ARRUDA, M. P. Novas tecnologias na prática profissional do profes-
sor universitário: a experiência do diário digital. Revista Textos e Contextos: cole-
tâneas em Serviço Social, Porto Alegre, EDIPUCRS, n. 2, 2004.
LIMA, T.; MIOTO R.; DAL PRÁ, K. R. A documentação no cotidiano da intervenção 
dos assistentes sociais: algumas considerações acerca do diário de campo. Textos & 
Contextos, Porto Alegre, v. 6, n. 1, 2007.
SOUSA, C. T. A prática do assistente social: conhecimento, instrumentalidade e inter-
venção profissional. Emancipação, Ponta Grossa, v. 8, n. 1, 2008.
Referências on-line: 
1 - Em: <http://sesoemfoco.blogspot.com.br/2011/12/importancia-do-registro-da-
-pratica.html>. Acesso em: 17 jun.2016.
2 - Em: <http://www.depen.pr.gov.br/arquivos/File/ O_trabalho_do_assiste nte_so-
cial_no_ amb ito_sociojuridico.pdf>. Acesso em: 17 jun. 2016.
3 - Em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm>. 
Acesso em 08/02/2016. Acesso em: 17 jun. 2016.
⁴ - Em: <http://www.cfess.org.br/arquivos/CEP_CFESS-SITE.pdf>. Acesso em: 17 jun. 
2016.
⁵ - Em: <http://www.cfess.org.br/arquivos/Resolucao_493-06.pdf>. Acesso em: 17 
jun. 2016.
⁶ - Em:<http://www.cfess.org.br/arquivos/Resolucao_CFESS_556-2009.pdf>. Acesso 
em: 17 jun. 2016.
159
GABARITO
1. Quando se registra todo o seu cotidiano, o profissional está construindo história, 
tanto sobre o usuário/demanda, quanto sobre como a intervenção foi planeja-
da. A documentação auxilia na tomada de decisões, pois com base nos registros 
o profissional consegue planejar ações, escolher instrumentos a serem utilizados 
e efetivar sua atuação.
2. Muitas vezes os profissionais na correria do dia a dia acabam se esquecendo de 
registrar seu cotidiano, e quando o fazem não registram com a riqueza de deta-
lhes que tal ação pede. Ou também por não terem o costume de registrar, quan-
do o fazem deixam passar detalhes que são importantes, pois o registro e a do-
cumentação, como já vimos, serve de base para tomada de decisões, como base 
para se produzir conhecimento e também como provas em processos judiciais.
3. Não, aliás isso é um erro. Pois quando se realiza dois registros, um pessoal e um 
profissional, corre-se o risco de, mesmo que sem perceber, o pessoal contenha 
mais detalhes que o profissional, o que não deve acontecer, pois toda e qualquer 
informação que seja relevante deve ficar arquivada na instituição para utilização 
futura, do profissional que acompanhou o caso ou de outro que venha acom-
panhar.
4. A documentação produzida pelo assistente social pode servir de prova em pro-
cessos judiciais. Essa documentação é obtida por meio de visitas domiciliares, 
acompanhamento do atendimento, registro de encaminhamentos realizados. 
Laudos, estudos e pareceres são documentos que servem como prova em um 
processo judicial.
5. O sigilo profissional, além de dever, é um direito do assistente social, uma vez 
que para que possa garanti-lo ao usuário, o profissional deve ter assegurado 
pela instituição em que trabalha condições desde estrutura física do ambiente 
bem como autonomia para exercer suas atividades. Sob o ponto de vista que o 
sigilo profissional é um dever, para que o assistente social garanta ao usuário 
que sua privacidade não será violada, é necessário que o profissional mantenha 
o sigilo durante todo o processo da ação.
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Professora Esp. Júlia Fernanda Mariotto Casini
O CONHECIMENTO E A SUA 
IMPORTÂNCIA PARA O SERVIÇO 
SOCIAL: 
A PRÁXIS NO PROCESSO DE 
INTERVENÇÃO
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Possibilitar a compreensão acerca do conhecimento no Serviço Social 
e a sua relação com o instrumental técnico e operativo.
 ■ Compreender a práxis social na perspectiva do processo de 
intervenção.
 ■ Estabelecer a relação teoria e prática no Serviço Social. 
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Conceitos do conhecimento e a sua importância para o Serviço Social
 ■ Concepção de práxis no Serviço Social
 ■ A relação teoria e prática no Serviço Social
INTRODUÇÃO
Olá, caro (a) estudante! Você chegou à última unidade do livro da disciplina. 
Até aqui, você estudou os princípios que fundamentam a prática profissional e 
se aproximou aos instrumentos utilizados pelo Serviço Social. Agora, a proposta 
para esta unidade é de enfatizar o conhecimento em Serviço Social, elucidando 
a sua importância para a práxis da profissão. 
Você deve estar se perguntando: qual é a relação entre o conhecimento, os 
instrumentos técnicos operativos e a práxis profissional? Nesta unidade, quero, 
portanto, te ajudar a pensar nessa relação. É importante considerar que o conhe-
cimento possibilita que os profissionais se alimentem teoricamente, na medida 
em que conhecem a realidade social e as suas facetas. Assim, é possível afirmar 
que o (a) assistente social é um intelectual que realiza intervenção na realidade 
social. Porém, só é possível intervir se o profissional conhece a realidade. 
O (a) assistente social, por sua vez, conforme você já estudou nas unidades 
anteriores, para intervir na realidade se utiliza de instrumentos e técnicas. Está 
ficando claro, então, que é necessário estabelecer uma relação entre o conheci-
mento, a práxis e os instrumentos técnicos operativos. Relembrando: assistente 
social é chamado a intervir na realidade social e para tanto faz uso de um instru-
mental. Para utilizar o instrumental e intervir na realidade é preciso conhecimento, 
tanto para desvendar a realidade e as facetas da questão social, bem como para 
a escolha dos instrumentos e técnicas mais apropriados.
Diante de tais apontamentos, esta unidade discute o conhecimento em Serviço 
Social; a práxis, enquanto categoria que articula teoria e prática; e a importância 
dessa articulação para a intervenção profissional, na qual o (a) assistente social 
faz uso do instrumental técnico-operativo. Convido, ainda, você, estudante de 
Serviço Social, que logo mais estará nos campos de estágio, a refletir sobre a rela-
ção teoria e prática no cotidiano profissional, na perspectiva de demonstrar que 
essas duas dimensões não se dissociam. 
Bom estudo!
Introdução
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CONCEITOS DO CONHECIMENTO E A SUA 
IMPORTÂNCIA PARA O SERVIÇO SOCIAL
Em seu exercício profissional, o assistente social atua em uma realidade social 
que está em constante movimento e que é contraditória. Marcada pela questão 
social1, a sociedade não é estática e, portanto, a realidade é apresentada aos assis-
tentes sociais, muitas vezes, de forma inusitada. 
Iamamoto (2009) afirma que os processos existentes na sociedade, em seus 
aspectos econômicos, políticos e sociais, incidem em metamorfoses nos espaços 
de trabalho do assistente social. A autora quer dizer que a sociedade em cons-
tante movimento impacta diretamente o exercício profissional do assistente social. 
Para a autora, “é esse solo histórico movente que atribui novos contornos ao mer-
cado profissional de trabalho, diversificando os espaços ocupacionais e fazendo 
emergir inéditas requisições e demandas a esse profissional, novas habilidades, 
competências e atribuições” (IAMAMOTO, 2009, p. 3).
1 Compreende-se por “questão social” o conjunto de expressões das desigualdades da sociedade capitalista, 
que tem sua gênese na apropriação privada daquilo que é socialmente produzido (IAMAMOTO, 2009). A 
“questão social” constitui o objeto de estudo e intervenção do Serviço Social.
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Portanto, os assistentes sociais são chamados para oferecer respostas às 
demandas que emergem do movimento do real e que, muitas vezes, os surpre-
endem. Desse modo, para compreender a realidade, ir até ela e nela intervir, é 
necessário conhecimento. Guerra (2009a, p. 4), a esse respeito, aponta que “a 
necessidade de atuarmos sobre a realidade é o que nos conduz ao conhecimento. 
Não obstante, para intervir, épreciso conhecer, para o que há que se ter proce-
dimentos adequados.”
Lara (2008), assim como a autora supracitada, reconhece a dimensão interven-
tiva do assistente social e enfatiza que ao passo que as relações sociais acontecem 
na sociedade os assistentes sociais vão adquirindo diferentes preocupações de 
estudo. A partir disso, o autor aponta o que é, para o Serviço Social, o conheci-
mento: “o conhecimento para o Serviço Social não é apenas uma forma de saber, 
mas, principalmente, uma maneira de compreender em primeiro momento 
e, posteriormente, apresentar caminhos seguros para transformar a realidade 
social” (LARA, 2008, p. 40). 
Portanto, o conhecimento está vinculado, no âmbito da profissão, à dimen-
são teórico-metodológica, dimensão na qual o Serviço Social encontra bases 
na teoria de Marx enquanto método de compreensão da sociedade; também à 
dimensão técnico-operativa, por meio da qual o assistente social demonstra o 
“agir” da profissão, por meio de instrumentos e técnicas de intervenção na rea-
lidade; e à dimensão ético-política, por meio da qual o assistente social deve se 
posicionar perante a classe trabalhadora e observar os princípios éticos. Desse 
modo, é possível identificar que o conhecimento perpassa toda a profissão. 
Guerra (2009) compreende o conhecimento como o processo que esclarece 
a realidade. Nesse processo, a autora observa que não se deve desconsiderar a 
historicidade dos processos sociais, a particularidade do conhecimento sobre o 
ser social e o método que possibilita esse conhecimento. A partir disso, a autora 
afirma que existem níveis e graus de abrangência do conhecimento:
O CONHECIMENTO E A SUA IMPORTÂNCIA PARA O SERVIÇO SOCIAL: 
Reprodução proibida. A
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 ■ Conhecimento oriundo da intuição: é o conhecimento que se adquire 
no senso comum. É um nível limitado e preliminar do conhecimento que 
se baseia na ideia de que “só se aprende a fazer fazendo”;
 ■ Conhecimento proveniente do intelecto (formal-abstrato): é o 
conhecimento que possibilita que aceitemos as informações que nos 
chegam no cotidiano. É o conhecimento chamado de entendimento, no 
qual nós acionamos o intelecto para distinguir, comparar, classificar as 
coisas a partir da imagem do real. Este conhecimento é restrito a tornar 
o existente como algo conhecido. É o conhecimento no qual nós enxer-
gamos a realidade através de como ela se apresenta imediatamente, ou 
seja, superficialmente, sem aprofundamentos;
 ■ Conhecimento oriundo da razão dialética: é o conhecimento que supera 
a visão aparente e imediata, indo além. Compreende o objeto em sua total 
dimensão e em sua capacidade de transformação. É o nível mais alto do 
conhecimento (GUERRA, 2009 a, p. 53).
São esses os três níveis de conhecimento existentes. A autora nos traz, ainda, 
que cada um desses níveis de conhecimento permite uma forma de apropria-
ção do mundo, ou seja, quando a busca por compreender a realidade ocorre 
apenas a partir do espírito prático é muito diferente de quando se busca com-
preender por meio de um conhecimento teórico. O conhecimento teórico, para 
Guerra (2009a), é o conhecimento mais completo, o qual, por sua vez, exige rigor 
teórico-metodológico. 
O que é preciso compreender é que a intervenção profissional exige este 
conhecimento mais aprofundado e com rigor científico. Apenas a partir desse 
nível de conhecimento é que o assistente social possui suporte para compreender 
com profundidade os processos sociais e as demandas que emergem da questão 
social e, então, produzir intervenções e oferecer respostas aos usuários, na dire-
ção da garantia do direito e do acesso aos bens e serviços públicos.
Assim, a importância do conhecimento e de sua busca para o Serviço Social 
reside no fato de que, é por meio do conhecimento que o profissional ultrapassa 
o entendimento imediato de uma dada realidade. Mas é a partir dele, que se 
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aprofundará nessa realidade, vai aproximar-se dela e desvendá-la. Esse conhe-
cimento, portanto, deve estar comprometido com as demandas que se colocam 
para a profissão e para o seu enfrentamento.
Guerra (2009a, p. 5) observa:
Ao assistente social, no âmbito da sua inserção na divisão social e técni-
ca do trabalho, cabe captar como as diversas expressões da questão so-
cial se particularizam em cada espaço sócio-ocupacional e chegam como 
demandas que dependem de sua intervenção profissional. Assim, enten-
demos que a clareza acerca de como concebemos a “questão social”, ou 
seja, a partir de que pressupostos teóricos; a percepção que temos de suas 
expressões, tais como: desemprego, fome, doenças, violência, falta de aces-
so aos bens e serviços sociais (moradia, creches, escolas, hospitais, etc.), 
bem como dos valores que orientam tais concepções, são mediações que 
incidem sobre os meios e modos de responder às demandas profissionais.
Assim, é possível afirmar que, no cotidiano profissional, não basta o atendimento 
com benefícios ou provisões. Não se trata apenas da distribuição de cestas bási-
cas, por exemplo, pelo motivo de que determinada família está passando fome; 
não se trata apenas do encaminhamento de um idoso para uma instituição de 
longa permanência porque está vivenciando situações de violência familiar; não 
se trata apenas do encaminhamento e orientações para benefícios previdenci-
ários ou assistenciais porque o usuário sofreu um acidente de trabalho ou está 
passando por complicadores no processo de saúde-doença; não se trata apenas 
do encaminhamento de usuários ou mesmo seu acompanhamento em projetos 
de habitação; não se trata apenas de intervenções para combater a evasão esco-
lar ou o baixo rendimento no contexto escolar, entre outras situações as quais a 
realidade profissional coloca ao assistente social. É preciso refletir o “por que” 
de tais situações e condições. 
Assim, é preciso ir além daquilo que é aparente e que nos chega pela realidade 
imediata. É preciso sempre refletir: o que existe por trás de tais demandas? Qual o 
pano de fundo de tais situações? E, conforme visto anteriormente, isso só é possível 
por meio do conhecimento oriundo da razão dialética. Isso porque a realidade é con-
traditória e nos exige a negação de tal contradição: a contradição capital x trabalho. 
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VU N I D A D E168
A partir dessas incipientes considerações, você consegue visualizar a impor-
tância do conhecimento para o exercício profissional? E, ainda, você consegue 
identificar qual a importância que o conhecimento possui na sua relação com 
os instrumentos técnicos operativos? Enquanto assistente social, ao se deparar 
com algumas das questões dispostas na citação anterior, o conhecimento oriundo 
será importante para analisar com profundidade a situação do usuário atendido, 
fazendo relação do geral para a particularidade, mas também para a escolha de 
qual instrumento se torna mais apropriado para ser utilizado no processo de inter-
venção, ou até mesmo uma combinação de instrumentos e técnicas, estratégias. 
Quando falamos de “demandas”, falamos também em expressão de interes-
ses contraditórios. Elas chegam até o assistente social mediatizadas pelas 
instituições que contratam o profissional e, portanto, são demandas da ins-
tituição que também se tornam demandas da profissão. Deste modo, pode-
mos afirmar que o assistente social, nas políticas públicas, está inserido em 
um espaço de mediaçãode classes. 
Fonte: Guerra (2009b).
O contexto acadêmico é o local onde se enfrenta o desafio de articular a 
produção de conhecimento e a prática profissional (Bourguignon).
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A citação a seguir ilustra claramente a importância da postura investigativa do 
assistente social e a relação com os instrumentos técnicos operativos:
[...] a investigação é inerente à natureza de grande parte das compe-
tências profissionais: compreender o significado social da profissão e 
de seu desenvolvimento sócio-histórico, identificar as demandas pre-
sentes na sociedade, realizar pesquisas que subsidiem a formulação de 
políticas e ações profissionais, realizar visitas, perícias técnicas, laudos, 
informações e pareceres sobre matéria de Serviço Social, identificar 
recursos. Essas competências referem-se diretamente ao ato de inves-
tigar, de modo que, de postura a ser construída pela via da formação e 
capacitação profissional permanente (cuja importância é inquestioná-
vel), a investigação para o Serviço Social ganha o estatuto de elemento 
constitutivo da própria intervenção profissional (GUERRA, 2009, p. 13, 
grifo nosso).
É notório, então, que não há possibilidades de pensar em intervir na realidade 
sem um conhecimento prévio da realidade, um conhecimento durante todo o 
processo de intervenção nessa realidade e, ainda, um conhecimento posterior, 
de modo que o assistente social realize uma reflexão sobre a sua intervenção e 
sobre a própria profissão. É por isso que não há como tratar de intervenção sem 
tratar de conhecimento teórico. E é por esse motivo que é possível falar em práxis. 
Logo você irá entender o porquê. Quero, agora, trabalhar com você, estudante, 
a questão da práxis profissional no Serviço Social. Vamos lá? Espero que apro-
veite mais esta etapa do nosso estudo.
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O CONHECIMENTO E A SUA IMPORTÂNCIA PARA O SERVIÇO SOCIAL: 
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VU N I D A D E170
CONCEPÇÃO DE PRÁXIS NO SERVIÇO SOCIAL
Para Guerra (2009a), práxis pode ser compreendida enquanto campo onde a 
teoria e a prática se articulam e se movimentam, em que a instrumentalidade se 
coloca como uma via. Costa e Madeira (2013) afirmam que podemos entender 
por práxis: atividades, práticas e ações dos sujeitos. Ainda, em outro momento, 
Guerra (2007), diz que a práxis é uma ação transformadora, cujo modelo privi-
legiado é o trabalho e que:
Detém a capacidade de manipulação, de conversão dos objetos em ins-
trumentos que atendam as necessidades dos homens e de transforma-
ção da natureza em produtos úteis (e em decorrência, a transformação 
da sociedade). Mas a práxis necessita de muitas outras capacidades/
propriedades além da própria instrumentalidade (GUERRA, 2007, p. 
3).
Para este momento da disciplina de Instrumentos Técnicos e Operativos é impor-
tante que você entenda que o exercício profissional do assistente social constitui-se 
enquanto práxis por ser ação transformadora. 
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A práxis, necessariamente, exige a articulação entre teoria e prática. A prática 
desarticulada da teoria é a “prática pela prática”, impensada, sem fundamento. Se os 
assistentes sociais prezam pela qualidade de seu serviço prestado aos usuários nos mais 
diversos espaços sócio-ocupacionais, não é admissível que a prática seja impensada. É 
preciso considerar que a instrumentalidade, nessa perspectiva, não diz respeito ape-
nas ao uso dos instrumentos os quais você conheceu nos capítulos anteriores, mas, 
ela diz respeito a uma capacidade e/ou propriedade da profissão (GUERRA, 2007).
A práxis, para a autora, é ação que transforma, também, o cotidiano 
profissional:
Ao alterarem o cotidiano profissional e o cotidiano das classes sociais 
que demandam a sua intervenção, modificando as condições, os meios 
e os instrumentos existentes, e os convertendo em condições, meios e 
instrumentos para o alcance dos objetivos profissionais, os assistentes 
sociais estão dando instrumentalidade às suas ações (GUERRA, 2007, 
p. 2).
Guerra, desse modo, quer dizer que os assistentes sociais podem dar, às suas ações, 
instrumentalidade. Ou seja, o assistente social pode instrumentalizar as ações. 
A instrumentalidade, portanto, vai além da utilização de instrumentos. Nesse 
caso, pressupõe uma qualidade da ação. A autora situa, ainda, a instrumentali-
dade enquanto constituinte e também enquanto uma necessidade do trabalho:
Na medida em que os profissionais utilizam, criam, adequam às condi-
ções existentes, transformando-as em meios/instrumentos para a obje-
tivação das intencionalidades, suas ações são portadoras de instrumen-
talidade. Deste modo, a instrumentalidade é tanto condição necessária 
de todo trabalho social quanto categoria constitutiva, um modo de ser, 
de todo trabalho. Por que dizer que a instrumentalidade é condição de 
reconhecimento social da profissão? Todo trabalho social (e seus ramos 
de especialização — por ex. o Serviço Social) possui instrumentalida-
de, a qual é construída e reconstruída na trajetória das profissões pelos 
seus agentes. Esta condição inerente ao trabalho é dada pelos homens 
no processo de atendimento às necessidades materiais (comer, beber, 
dormir, procriar) e espirituais (relativas à mente, ao intelecto, ao espí-
rito, à fantasia) suas e de outros homens. Pelo processo de trabalho os 
homens transformam a realidade, transformam-se a si mesmo e aos 
outros homens. Assim, os homens reproduzem material e socialmente 
a própria sociedade. A ação transformadora que é práxis (ver Lessa, 
1999 e Barroco, 1999), cujo modelo privilegiado é o trabalho, tem uma 
instrumentalidade (GUERRA, 2007, p. 2-3).
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VU N I D A D E172
Desse modo, é por meio do processo de trabalho que nós, assistentes sociais, 
podemos realizar a intervenção e a transformação da realidade. Mas, como o 
processo de trabalho é compreendido? Guerra (2009b, p. 3) afirma que “neste 
âmbito, o processo de trabalho é compreendido como um conjunto de ativida-
des prático-reflexivas voltadas para o alcance de finalidades, as quais dependem 
da existência, da adequação e da criação dos meios e das condições objetivas e 
subjetivas”.
E é por esse motivo que falamos em práxis, por ser um conjunto de ativida-
des prático-reflexivas que possuem finalidades. E, para as quais serem alcançadas, 
é necessário que haja uma prévia ideação, ou seja, é preciso ter em mente o que 
se espera, o que se construirá. O que é chamado de teleologia. E é necessário, 
portanto, a escolha de meios e instrumentos pelo quais estas finalidades pode-
rão ser alcançadas. 
Na práxis do Serviço Social, como isso se dá? Nós não transformamos a 
natureza, mas possuímos necessidades, diante das quais existem finalidades a 
serem buscadas. A partir de então, realizamos uma prévia ideação (imaginamos 
e construímos em nossa consciência o produto esperado) e, a partir daquilo que 
se apresenta a nós e daquilo que buscamos, iremos materializar a ação a partir 
das escolhas de instrumentos, meios e técnicas que se apresentem mais adequa-
dos para a transformação da realidade. 
O exemplo a seguir auxiliará você a visualizar essa questão:
Imaginemos que alguém tenha necessidadede quebrar um coco. Para 
tanto, há várias alternativas possíveis: pode jogar o coco ao chão, pode 
construir um machado, pode abrir o coco com os dentes, pode queimar 
a casca do coco e assim por diante. Para escolher entre as alternativas 
deve-se imaginar o resultado de cada uma - ou, em outras palavras, 
antecipar na consciência o resultado provável das alternativas. Esta 
antecipação na consciência do resultado provável de cada alternativa 
possibilita às pessoas escolherem aquela que avaliam como a melhor. 
Escolha feita, o indivíduo leva-a a prática - ou seja, objetiva a alternati-
va escolhida. Vamos imaginar que a alternativa escolhida para quebrar 
o coco seja a de construir um machado. Ao construir o machado, o 
indivíduo transformou a natureza: o machado era algo que não existia 
antes. Vejamos o que de fato ocorreu: 1) há uma necessidade: quebrar 
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o coco; 2) há diversas alternativas possíveis para atender a esta neces-
sidade (jogar o coco ao chão, construir o machado etc.); 3) o indivíduo 
projeta, em sua consciência, o resultado de cada uma das alternativas, 
as avalia e escolhe aquela que julga mais conveniente para atender à 
necessidade; 4) escolhida a alternativa, o indivíduo age objetivamente, 
isto é, transforma a natureza e constrói algo novo. Este movimento de 
transformar a natureza a partir de uma prévia ideação é denominado 
por Lukács, depois de Marx, por trabalho (LESSA, 2006, p. 1-2).
Esse exemplo é bastante ilustrativo, na medida em que demonstra que, no pro-
cesso em que emanam necessidades e possíveis estratégias, está sempre presente 
o processo reflexivo. É importante esclarecer, contudo, que o Serviço Social não 
é caracterizado enquanto trabalho, pois não realiza a transformação da natureza. 
Essa é uma ampla discussão no âmbito da profissão. Entretanto, por não ser o 
foco da disciplina, esta unidade também não abordará a temática. É importante, 
por hora, que você saiba que o Serviço Social não se caracteriza como traba-
lho, nos termos que Marx trata, pois não realiza a transformação da natureza. 
Entretanto, é necessário pensar na relação existente entre a dimensão prá-
tica e reflexiva na práxis do Serviço Social: diante das demandas apresentadas ao 
assistente social, há a necessidade de oferecer respostas. Tais respostas são, via 
de regra, para realizar uma transformação social (pois somos profissionais inte-
lectuais que realizam uma intervenção na realidade social). Sendo assim, para 
realizar a transformação, necessariamente, precisamos escolher meios, instru-
mentos ou técnicas que sejam mais apropriadas para cada situação. Desse modo, 
você consegue identificar a práxis?
Para a necessidade de quebrar o coco, o homem projetou em sua consci-
ência as possíveis alternativas e avaliou como melhor alternativa construir um 
machado e, para tanto, o construiu efetivamente, conforme no exemplo anterior. 
E então, te convido a refletir: ao depender da demanda apresentada ao Serviço 
Social, podemos utilizar esse ou aquele instrumento para realizar a intervenção. 
Após idealizarmos as alternativas, fazemos opção por determinados instrumen-
tos e meios. Desse modo, como realizar a escolha de determinados instrumentos 
ou técnicas sem o exercício da reflexão?
O CONHECIMENTO E A SUA IMPORTÂNCIA PARA O SERVIÇO SOCIAL: 
Reprodução proibida. A
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O Serviço Social é uma das profissões que possuem maior proximidade e 
relação com o usuário dos seus serviços. Os assistentes sociais chegam tão próxi-
mos da vida de pessoas, muitas vezes como nenhum outro profissional chegou ou 
chega. Diante disso, possuímos tamanha responsabilidade no processo de aten-
dimento tanto de absorção das demandas trazidas pelos usuários (realizar uma 
escuta qualificada, atenta e sensível é imprescindível para analisar criticamente 
uma situação); tanto de reflexão sobre aquilo que nos é requisitado (reflexão sobre 
a demanda em si, propriamente dita, a busca de um respaldo e suporte teórico 
e legal); e, ainda, muito maior, no processo de intervenção. 
É nesse processo de intervenção que o Serviço Social, por meio da dimensão 
técnico-operativa, na qual utilizamos o instrumental e também possuímos ins-
trumentalidade enquanto qualidade de nossa ação é capaz de intervir e impactar 
a vida dos usuários. É preciso considerar essa importância e, desse modo, com-
preender a necessidade do processo de reflexão. Uma prática irrefletida é uma 
prática pela prática, desprovida de construções teóricas e, certamente, uma prá-
tica que pode impactar negativamente a vida dos usuários. 
É neste sentido que, inserido na divisão sócio-técnica do trabalho, o Serviço 
Social utiliza de um instrumental técnico que, segundo Guerra (2009a), não é 
inteiramente específico ao Serviço Social e é, portanto, comum a outras profis-
sões. Pois, sabe-se que outras profissões fazem uso de um instrumental, exceto 
aqueles que são de uso privativo, que o assistente social também faz. O diferen-
cial está na intencionalidade do profissional ao usar o instrumental de forma 
condizente com os resultados que se espera da sua ação. 
A instrumentalidade possui um significado sócio-histórico na profissão, 
enquanto condição de possibilidade do exercício profissional (GUERRA, 2007). 
É por isso que, como visto anteriormente, a instrumentalidade se configura 
enquanto via para a práxis. Contudo, é importante que você compreenda que 
não se pode reduzir a intervenção à dimensão instrumental e também que é 
um erro pensar que se pode abrir mão de referenciais teóricos e ético-políticos 
(GUERRA, 2007). O trecho a seguir é importante para reafirmar a relação da 
práxis e o exercício profissional:
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Se as demandas com as quais trabalhamos são totalidades saturadas de de-
terminações (econômicas, políticas, culturais, ideológicas) então elas exi-
gem mais do que ações imediatas, instrumentais, manipulatórias. Elas im-
plicam intervenções que emanem de escolhas, que passem pelos condutos 
da razão crítica e da vontade dos sujeitos, que se inscrevam no campo dos 
valores universais (éticos, morais e políticos). Mais ainda, ações que este-
jam conectadas a projetos profissionais aos quais subjazem referenciais te-
órico-metodológicos e princípios ético-políticos (GUERRA, 2007, p. 11).
Portanto, desconsiderar os aspectos teóricos, metodológicos, éticos e políticos 
no processo de intervenção seria banalizar a atuação do Serviço Social enquanto 
profissão. Ou seja, uma prática impensada, irrefletida, desconexa e, assim, uma 
prática não instrumentalizada, perpassa a ideia de que o assistente social pos-
sui “uma simples tarefa”. Contudo, você, estudante de Serviço Social, já deve ter 
identificado o quão árduo é o exercício de aproximação da realidade, de descons-
trução de valores ideológicos, de interpretação de processos sociais e, verá, quando 
se inserir nos campos de estágio o quão desafiador é o processo de intervenção. 
A sociedade, por não ser estática, exige um constante exercício de leitura e 
estudos. Por esse motivo, a dimensão interventiva – que não é a única dimensão da 
nossa profissão, mas possui uma relevância inquestionável – deve, necessariamente, 
estar articulada com referenciais teórico-metodológicos. Na medida em que a prá-
tica está ancorada em bases teóricas, a prática se torna práxis e, portanto,torna-se 
um caminho para a transformação da realidade. Deixa de ser “prática pela prática”. 
Acredito que, ao longo desta unidade, você foi identificando que, definitiva-
mente, não há possibilidades de pensar a intervenção enquanto dimensão que 
impactará positivamente a vida dos sujeitos atendidos pelo Serviço Social sem que 
realizar a articulação entre teoria e prática. A depender da demanda apresentada 
ao Serviço Social, podemos utilizar esse ou aquele instrumento. Como realizar a 
escolha de determinados instrumentos ou técnicas sem o exercício da reflexão?
Imagine que você é assistente social em uma Unidade Básica de Saúde. A 
equipe recebe a demanda de um usuário, diabético, de 55 anos. Em decorrência 
de sua condição de saúde, adquiriu pé diabético e evoluiu para uma amputação 
do membro inferior. A equipe da Saúde da Família irá realizar intervenções sis-
temáticas, inclusive para administrar a verificação do processo de cicatrização, 
medicamentos, entre outras necessidades. Você, enquanto assistente social iden-
tifica, imediatamente, que existem demandas ao Serviço Social nessa situação? 
O CONHECIMENTO E A SUA IMPORTÂNCIA PARA O SERVIÇO SOCIAL: 
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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Pois bem, em um primeiro momento, podemos não identificar o que há, em 
situação como essa, para o Serviço Social. Você pode sim imaginar que existam 
demandas, até mesmo porque a vida é perpassada pelos determinantes sociais e, na 
saúde, isso não é diferente. Desse modo, identificando a realidade vivenciada por 
esse usuário, passando pelos processos de prévia ideação, você precisará realizar 
uma maior aproximação ao usuário e ao seu contexto de vida. Assim, precisará 
escolher alternativas para tanto; precisará analisar e refletir sobre quais os ins-
trumentos se configurarão na melhor alternativa para o processo de intervenção. 
O que você faria? Elaboraria um ofício aos demais profissionais da equipe, soli-
citando maiores informações? Solicitaria que a família viesse, pessoalmente, até a 
unidade de saúde para atendimento? Escolheria utilizar o instrumento de visita 
domiciliar para aproximação ao contexto de vida do usuário, a fim de realizar aproxi-
mações e identificações de demandas? Qual escolha você considera mais apropriada? 
Certamente, levando em conta o que você estudou até aqui, a utilização do instru-
mento de visita domiciliar se demonstraria mais apropriado para esta demanda.
Após decidir pela escolha da visita domiciliar – e aí reside o aspecto da inten-
cionalidade da ação, como você estudou em Guerra (2007), você precisa refletir 
sobre como se dará a utilização deste instrumento – O que você realizaria após 
a escolha do instrumento e como conduziria a intervenção? Pois bem, pensando 
que um processo de saúde-doença implica alterações no cotidiano familiar, tal-
vez fosse interessante conversar com a equipe de enfermagem para identificar os 
horários de realização de procedimentos domiciliares e até mesmo horários em 
que a família esteja auxiliando o usuário com atividades rotineiras, como banho, 
por exemplo. Por quê? Imagine que você esteja muito atarefado em sua casa e 
receba uma visita, você conseguiria realizar as atividades que precisa e, conco-
mitantemente, oferecer a atenção necessária? Muito provavelmente que não.
Portanto, neste caso, agendar um horário com a família, a partir das infor-
mações previamente prestadas por outros profissionais da equipe, se demonstra 
como uma atitude profissional atenta e sensibilizada. Após ter feito isso, seria 
importante que você realizasse alguma leitura, especificamente, sobre o problema 
de saúde vivenciado por este usuário. Talvez buscasse algum artigo científico 
sobre as representações sociais do pé diabético ou outros materiais que fossem 
importantes. 
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Precisará também elencar um instrumento de coleta de dados para utilizar 
durante a realização da visita, para que algumas informações não se percam. 
Talvez um instrumento em formato de questionário, com espaço para as suas 
observações? Para tanto, você deve refletir sobre quais aspectos seriam relevan-
tes para absorção durante a visita domiciliar. 
Quando da realização da visita domiciliar, após todo esse processo, você 
se sentirá mais instrumentalizado para conduzir o atendimento, certamente. 
Você pode ter identificado que a residência da família precisará de adaptações, 
visto que neste momento o usuário está fazendo uso de cadeira de rodas; pode 
ter identificado que sua esposa trabalhava de modo informal e teve que deixar 
o trabalho para cuidar do marido; o filho do casal está desempregado; o usuá-
rio necessita de uma alimentação específica durante o processo de cicatrização, 
mas infelizmente, a família encontra-se sem condições financeiras para adqui-
rir. O usuário estava desempregado desde que começou a ter complicações, mas 
como não também não estava inserido de modo formal no mercado de traba-
lho, encontra-se desprovido de benefícios previdenciários. Além disso, a esposa 
relata estar cansada e desanimada com a situação, queixando de toda a dificul-
dade enfrentada nesse processo. Diante da utilização desse instrumento, reflita: 
quais outras demandas você também pode ter identificado?
E, ainda, após utilizar o instrumento da visita domiciliar, quais outras interven-
ções podem ser realizadas junto a esta família? Talvez uma orientação sobre direitos 
trabalhistas, formas de buscar acesso aos direitos; encaminhamento da demanda ao 
Centro de Referência de Assistência Social para verificar a possibilidade da inserção 
da família no Cadastro Único, para acesso a programas, benefícios, entre outros; uma 
conversa com a equipe de saúde sobre o apoio a ser realizado neste momento, sobre-
tudo com relação ao cuidador (esposa). Enfim, são tantas as possibilidades que surgem 
diante de uma dada situação. Foram apenas exemplos que não esgotam neste capítulo.
Poderíamos abordar muitas outras questões. Porém, o importante é que 
você compreenda e visualize a importância de estar ancorado em processo de 
reflexões teóricas. Posteriormente, você com certeza irá elaborar um relatório de 
visita domiciliar, pois você também já estudou anteriormente, a importância da 
documentação para a sistematização do nosso agir. Sem registro, não consegui-
mos dar materialidade a práxis. Quais referências teóricas seriam importantes 
O CONHECIMENTO E A SUA IMPORTÂNCIA PARA O SERVIÇO SOCIAL: 
Reprodução proibida. A
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você buscar no processo de elaboração deste relatório? Talvez reflexões sobre 
determinantes sociais em saúde? Saúde do trabalhador? Relação entre o mundo 
do trabalho e o processo de adoecimento? Fundamentação legal sobre direitos 
a benefícios quando do processo de adoecimento? Enfim, uma gama de exigên-
cias se abre ao profissional no momento em que ele faz uma opção por utilizar 
um determinado instrumento. Portanto, não existe possibilidade de a práxis se 
efetivar concretamente se não houver, conforme muito já sinalizado, uma inter-
locução com uma base sustentável de reflexão. 
Portanto, para Guerra (2007), a instrumentalidade é, ainda, compreendida 
como mediação, visto que é o cotidiano o espaço para realização das ações ins-
trumentais, permitindo que as ações meramente instrumentais passem para um 
exercício profissional crítico e competente. Assim, 
Como mediação, a instrumentalidade permite também o movimento con-
trário: que as referências teóricas, explicativas da lógica e da dinâmica da 
sociedade, possamser remetidas à compreensão das particularidades do 
exercício profissional e das singularidades do cotidiano. Aqui, a instru-
mentalidade sendo uma particularidade e como tal, campo de mediação, 
é o espaço no qual a cultura profissional se movimenta. Da cultura profis-
sional os assistentes sociais recolhem e na instrumentalidade constroem os 
indicativos teórico-práticos de intervenção imediata, o chamado instru-
mental técnico ou as ditas metodologias de ação (GUERRA, 2007, p. 12). 
Portanto, a instrumentalidade possibilita a relação do referencial teórico com as 
demandas postas ao profissional. Portanto, como falar que a prática e a teoria não 
se combinam? Ou, então, que “na prática a teoria é outra?” Com certeza, você já 
deve ter ouvido ou até mesmo falado isso. A ideia de que a teoria é bonita, mas 
na prática a história é outra é muito presente no imaginário tanto dos estudan-
tes quanto dos profissionais do Serviço Social.
Desse modo, é importante pensar nessa relação, e no esforço de compreender 
que, de acordo com Guerra e Forti (2009) a ideia de que há um distanciamento 
entre o conhecimento teórico e sua capacidade de aplicação é um dos maiores 
dilemas da profissão. A naturalização dessa afirmação é, contudo, para as autoras, 
uma afirmação do senso comum. Portanto, eu quero te ajudar, com base nessas 
autoras, a pensar nessa questão e tentar demonstrar que, de fato, nós, assistentes 
sociais e estudantes de Serviço Social, precisamos romper com essa afirmativa e, 
não apenas, precisamos compreender que ela não é verdadeira.
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A RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA NO SERVIÇO SOCIAL 
Você já viu que a relação entre o conhecimento e o instrumental, no âmbito do 
Serviço Social, é estreita e necessária. A partir disso, confirma-se o que chama-
mos de práxis social. Diante do que estudamos até o momento reforço que essas 
dimensões não são dissociáveis, e este argumento não se sustenta e portanto 
devemos romper com este jargão se, de fato, a nossa intensão é a de superar o 
senso comum.
Ao realizar essa análise, Guerra e Forti (2009, p.3) sinalizam que essa visão 
se sustenta “na concepção de que a teoria tem a possibilidade de ser implemen-
tada na realidade social e/ou tem a capacidade de dar respostas imediatas para 
suas questões”. Desse modo, tal concepção se baseia na ideia de que a teoria deve 
ser possivelmente aplicável na prática. É como se esperássemos modelos, for-
matos e respostas prontas. Para as autoras, essa é uma visão capitalista de uma 
percepção dimensão instrumental da razão e que desconsidera as possibilidades 
de emancipação da razão moderna. Essa é uma visão que supervaloriza resul-
tados voltados ao êxito individual, em 
contraposição, ao processo de apre-
ensão da realidade e identificação de 
respostas coletivas para as necessida-
des sociais. Nessa visão, portanto, as 
teorias que não apresentem respostas 
imediatas são desvalorizadas.
Para Guerra e Forti (2009, p. 
2) essa é uma visão que, no Serviço 
Social, precisa seriamente ser com-
batida, pois: 
Você já ouviu algum profissional ou estudante de Serviço Social dizer que 
“na prática a teoria é outra” Se sim, por quais motivos você acredita que isso 
foi afirmado? 
O CONHECIMENTO E A SUA IMPORTÂNCIA PARA O SERVIÇO SOCIAL: 
Reprodução proibida. A
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VU N I D A D E180
[...] a prática como atividade efetiva que permita transformação na re-
alidade natural ou social não é uma atividade qualquer, mas atividade 
que possibilita ao sujeito reflexão sobre sua ação e revelações sobre a 
realidade — que possibilita decifração das categorias e captação da le-
galidade dos fenômenos. É uma ação capaz de proporcionar conheci-
mentos, transformando e qualificando nossas ideias sobre as coisas, e 
de nos fornecer meios, caso tenhamos intenção de modificá-las.
Desse modo, é possível compreender que a teoria não deve apenas fazer sentido 
para os assistentes sociais, na medida de sua aplicabilidade. A teoria deve nos 
servir para iluminar a prática. Assim, a teoria é uma maneira de se apropriar 
da realidade. Portanto, com tudo o que foi visto, você consegue compreender o 
motivo pelo qual é impossível falar que na prática a teoria é outra? A práxis é, em 
si só, a relação teoria e prática na medida em que não é mera instrumentalidade. 
Essa discussão possui relação com o instrumental técnico-operativo do 
assistente social, visto que é por meio de sua utilização e também da instrumen-
talidade enquanto qualidade da ação, enquanto constituinte da profissão, que o 
Serviço Social realiza intervenção na realidade social. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta unidade, estudamos a importância do conhecimento para o Serviço Social 
e a sua relação com os instrumentos técnicos e operativos. Ressaltamos a impor-
tância do conhecimento oriundo da razão dialética enquanto o nível mais elevado 
e o de maior importância para nós. Não devemos desconsiderar os outros níveis 
de conhecimento. Ao contrário, o conhecimento pode sim ser originado no senso 
comum, mas precisa ser elevado ao nível máximo.
Você aprendeu que o conhecimento é importante na medida em que possibi-
lita o assistente social a compreender a realidade de forma consistente, e que, uma 
vez que a profissão possui caráter interventivo, para responder às demandas que 
se apresentam no cotidiano, é imprescindível o conhecimento crítico da realidade. 
Considerações Finais
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Um referencial teórico é o que oferece suporte ao processo de busca pelo 
conhecimento e, desse modo, você aprendeu que então falamos em práxis social. 
Aprendeu, também, o que é práxis e que a articulação entre teoria e prática está 
muito relacionada ao instrumental técnico e operativo e, portanto, à dimensão 
interventiva da profissão. Porém, a profissão não se restringe a essa dimensão. 
Assim, a instrumentalidade se coloca enquanto uma capacidade e enquanto 
qualidade da ação e, portanto ela é uma via para a práxis, ou seja, possibilita a 
articulação entre teoria e prática. 
Por fim, você aprendeu que o jargão “na prática a teoria é outra” precisa 
ser superado pelo Serviço Social, pois a teoria nos serve para iluminar a prá-
tica. Desse modo, a teoria não pode ser compreendida nos limites da sociedade 
burguesa, enquanto mera dimensão instrumental visando oferecer respostas 
imediatas. Espero que você tenha aproveitado ao máximo esta unidade e que 
possa, de fato, ter compreendido a relação entre o conhecimento, a práxis e a 
relação entre teoria e prática no Serviço Social. Consulte as referências ao final 
da unidade e tente ler os materiais referenciados na íntegra. Isso vai te ajudar a 
apreender melhor o conteúdo. Portanto, caro (a) aluno(a), aproveite ao máximo 
esse momento da graduação, que é o locus privilegiado, e tente reforçar essa arti-
culação quando estiver no campo de estágio. 
182 
1. Para Guerra (2009a), o conhecimento é o processo que leva ao esclareci-
mento da realidade. Levando em conta os níveis e graus de abrangência do 
conhecimento postos pela autora, relacione a segunda coluna de acordo 
com a primeira:
( 1 ) Conhecimento oriundo da intuição
( 2 ) Conhecimento proveniente do intelecto (formal-abstrato)
( 3 ) Conhecimento oriundo da razão dialética
( ) É o conhecimento que supera a visão aparente e imediata, indo além. Com-
preende o objeto em sua total dimensãoe em sua capacidade de transformação. 
É o nível mais alto do conhecimento.
( ) É o conhecimento que se adquire no senso comum. É um nível limitado e 
preliminar do conhecimento que se baseia na ideia de que “só se aprende a fazer 
fazendo”.
( ) É o conhecimento que possibilita que aceitemos as informações que nos 
chegam no cotidiano. É o conhecimento chamado de entendimento, no qual 
nós acionamos o intelecto para distinguir, comparar, classificar as coisas a partir 
da imagem do real. Este conhecimento é restrito a tornar o existente como algo 
conhecido. É o conhecimento no qual nós enxergamos a realidade através de 
como ela se apresenta imediatamente, ou seja, superficialmente, sem aprofun-
damentos.
2. De acordo com o que você leu a respeito da práxis, assinale a alternativa 
correta:
a. A práxis não possui o poder de transformação social.
b. A práxis pressupõe a articulação teoria e prática.
c. A instrumentalidade não é uma via para práxis.
d. A práxis não estabelece relação, no âmbito do Serviço Social, com o instru-
mental técnico e operativo. 
3. De acordo com Guerra e Forti (2009), em que se sustenta a visão de que na 
prática a teoria é outra?
4. Qual a importância do conhecimento e de sua busca para o Serviço Social?
5. De acordo com a autora Lara (2008), o que é o conhecimento para o Serviço 
Social?
183 
Neste artigo, de modo breve e didático, Alves (2012) aborda a questão do conhecimento 
para a prática profissional. Vai te ajudar, de certa forma, a sintetizar o conteúdo trabalha-
do nesta unidade:
O cotidiano é um espaço desafiador visto que nele prevalece a rotina, a reprodução 
da prática por ela mesma. Essa reprodução ocorre naturalmente e, ousamos dizer, que 
possibilita ao profissional uma sensação de segurança, uma vez que esse profissional 
pode se ‘acostumar’ a exercer sua prática naquele espaço sócio ocupacional dessa ou 
daquela forma.
O desafio está no risco de que essa rotina nos ‘engula’ de tal forma que nos leva a um 
engessamento do pensamento e do processo de reflexão. Podemos ficar reféns de nos-
sa rotina.
Berger e Luckmann (1976, p. 40) falam que “a realidade da vida cotidiana” se apresenta 
“como um mundo intersubjetivo” onde participamos em conjunto com outras pessoas. 
Esclarecem que “esta intersubjetividade diferencia a vida cotidiana de outras realidades” 
que temos consciência. Os autores alertam ainda, sobre o fato de admitirmos a reali-
dade da vida cotidiana como “a realidade”, sem questionamentos ou verificações, onde 
é natural a atitude da consciência do senso comum, pois este “é o conhecimento que” 
partilhamos “com os outros nas rotinas normais, evidentes da vida cotidiana” (BERGER; 
LUCKMANN, 1976, p. 40).
Assim, a vida cotidiana pode a ser afirmada como real por meio do pensamento e da 
ação profissional. Isso gera uma zona de conforto ao profissional, entretanto apresenta 
grandes possibilidades de conduzir a uma visão fatalista da sociedade, como se a reali-
dade estivesse dada de modo definitivo, como nos atenta Iamamoto (2007).
O cotidiano precisa ser suspendido de forma crítica, ou seja, realizar momentos de sus-
pensão, ainda que temporariamente, para assim, refletir e analisar criticamente a si-
tuação com a finalidade de mudar a rota, a direção da ação, não se trata apenas, por 
exemplo, de distribuir uma cesta básica todo mês para determinada família porque a 
mesma passa fome, mas refletir o “por que” desta situação, não se limitando a demanda 
imediata, mas extrapolando-a, buscando detectar a demanda real e nela intervir (GUER-
RA, 2002).
A partir do momento em que se ultrapassa a ação imediata para uma ação mais apro-
fundada e qualificada, nos deparamos como um campo de “mediações” que permite a 
passagem das ações instrumentais para o exercício profissional crítico e competente, 
possibilitando, desta forma, que a profissão dê respostas mais enriquecidas e eficazes.
Em outras palavras, é imprescindível que o profissional busque a essência dos fenôme-
nos, ultrapassando os limites da aparência e da pseudoconcreticidade que para Kosík, 
(1976, p. 11) a ela pertencem:
- o mundo dos fenômenos externos, que se desenvolvem a superfície dos processos 
realmente essenciais;
184 
- o mundo do tráfico e da manipulação, isto é, da práxis fetichizada dos homens (a qual 
não coincide com a práxis crítica revolucionária da humanidade);
- o mundo das representações comuns, [...];
- o mundo dos objetos fixados, que dão a impressão de ser condições naturais e não são 
imediatamente reconhecíveis como resultado da atividade social dos homens.
O mundo da pseudoconcreticidade é um claro-escuro de verdade e engano.
Para superar a peseudoconcreticidade é preciso ultrapassar o imediato, a aparência do 
fenômeno para se aproximar da essência. Isto é, fazer a mediação entre a pseudoconcre-
ticidade e o concreto pensado.
Kosík (1976) discute que o fenômeno se dá no imediato de forma explicita, por exemplo: 
o envelhecimento populacional. Porém, ele ao mesmo tempo indica e esconde a essên-
cia, daí a importância do profissional enquanto sujeito pensante em desvelar o que está 
oculto pelo fenômeno (a essência), mas que é em contrapartida, mediado por ele.
O autor afirma ainda que “a destruição da pseudoconcreticidade é o processo de criação 
da realidade concreta e a cisão da realidade, da sua concreticidade” (KOSÍK, 1976, p. 19).
O processo de abstração só é possível por meio do conhecimento que não é algo pronto 
e acabado, mas que faz parte de um movimento de construção e reconstrução.
Desse modo, a prática cotidiana pode nos engessar conforme afirmamos anteriormente. 
Porém, essa mesma prática cotidiana pode nos iluminar ao passo que é nessa realidade 
que se apresentam os fenômenos que por meio de abstrações, do pensamento e, sobre-
tudo do conhecimento, podemos captar a essência.
2.2 O CONHECIMENTO E A INVESTIGAÇÃO NO SERVIÇO SOCIAL
O serviço social é uma profissão que possui um caráter interventivo, isto é, produz uma 
ação em uma determinada situação visando modificar aspectos da mesma, ou a realida-
de em si. Entretanto, essa ação deve ser pautada por um conhecimento e pelo posicio-
namento do profissional.
Nesse sentido,
Ao assistente social, no âmbito da sua inserção na divisão social e técnica do tra-
balho, cabe captar como as diversas expressões da questão social se particulari-
zam em cada espaço sócio-ocupacional e chegam como demandas que depen-
dem de sua intervenção profissional. Assim, entendemos que a clareza acerca de 
como concebemos a “questão social”, ou seja, a partir de que pressupostos teó-
ricos, a percepção que temos de suas expressões, tais como: desemprego, fome, 
doenças, violência, falta de acesso aos bens e serviços sociais (moradia, creches, 
escolas, hospitais, etc.), bem como dos valores que orientam tais concepções, 
são mediações que incidem sobre os meios e modos de responder às demandas 
profissionais. (GUERRA, 2009, p. 704).
185 
Não há duvidas de que o conhecimento é imprescindível ao exercício profissional, uma 
vez que ele pode dar direção a nossa ação profissional.
Guerra (2009, p. 706) esclarece que o conhecimento se dá em vários graus e níveis como: 
o conhecimento oriundo da intuição (relacionado ao senso comum, “à máxima de que 
só se aprende a fazer fazendo”); o conhecimento gerado pelo entendimento, isto é, 
“proveniente do intelecto (formal – abstrato)” que possibilita a distinção das coisas, sua 
determinação, classificação a partir de sua aparência, ou seja, expressa “a realidade tal 
como ela aparece empiricamente”; e por fim o maior nível, o conhecimento originado 
da razão dialética a qual capta a constituição e o movimento do objeto, que “vai além da 
apreensão imediata”.
Embora o conhecimento se apresente diferentes níveis é interessante destacar a sua 
complementaridade, pois ele pode partir simdo senso comum, mas não se limitar a ele, 
precisa ir além da aparência, da imediaticidade, até mesmo do entendimento de uma 
realidade, uma vez que esta está sempre em movimento.
Portanto, para a criação de novas respostas às demandas apresentadas, o profissional 
deve pautar sua ação inspirada pela razão dialética que não se prende no singular, mas 
que se abre para o universal, sempre se questionando o “porquê”, analisando as contra-
dições, as negações existentes naquela realidade.
A ‘humanidade social’ carece de respostas ao conjunto dos ‘problemas econô-
micos, políticos, sociais e culturais’ que a assolam, pois são inúmeros, alguns de 
séculos, como a pobreza e outros contemporâneos, como a sexualidade, a ética 
e tantas outras expressões da ‘questão social’, que o Serviço Social, auxiliado pe-
las ciências sociais, objetiva investigar. (LARA, 2007, p. 75)
Fonte: Alves (2012, p. 101-110).
MATERIAL COMPLEMENTAR
Serviço Social e temas sociojurídicos: debates e experiências.
Valéria Forti e Yolanda Guerra (organizadoras)
Editora: Lumen Juris
Sinopse: A perspectiva crítica que fundamenta esta coletânea de 
textos é tensionada pela denúncia de violação de direitos, posição que 
impulsiona a construção coletiva de possibilidades e de efetivação de 
direitos. Adotando a problematização historicizada, expõe a tendência 
criminalizadora, moralizadora e punitiva da sociedade brasileira, 
exigindo muito mais que as aparentes inovações legislativas e 
“aperfeiçoamento” institucional. Propiciando a visibilidade dos sujeitos 
cujas condições expressam particularidades da violência, potencializa 
a crítica propositiva nesses espaços de afi rmação e negação de 
direitos. Ao enfrentar dialeticamente as violações provocadas pela 
lógica do capitalismo contemporâneo, o conjunto de refl exões adota a 
defesa da liberdade, posição que entendemos dar direção para a busca 
de superação dessa realidade.
COMENTÁRIO: Este livro possui contribuições de Yolanda Guerra 
acerca da relação teoria e prática. Além disso, a editora tem tido 
publicações interessantes no Serviço Social. Vale a pena conferir livros em editoras diferenciadas, 
pois embora a Lumen Juris não seja especifi camente da área do Serviço Social e sim do Direito, há 
importantes produções teóricas. 
A particularidade histórica da pesquisa no Serviço Social
O objetivo deste estudo é trazer uma refl exão sobre a particularidade histórica da pesquisa no Serviço 
Social, bem como sobre os desafi os decorrentes desse conjunto especial de circunstâncias que se 
apresentam no contexto contemporâneo. O estudo percorre e se apoia em três pilares, os quais são 
trabalhados a partir da particularidade da pesquisa para o Serviço Social; da centralidade ocupada 
pelos sujeitos que participam das referidas pesquisas e do retorno e do alcance social procedentes 
desses estudos, para transformações materiais nas condições de existência dos envolvidos, nas ações 
dos profi ssionais e nas organizações sociais. O estudo conclui na reafi rmação de que a pesquisa é 
constitutiva e constituinte da prática profi ssional do Serviço Social, sendo determinada pela sua 
natureza interventiva e pela sua inserção histórica na divisão sócio-técnica do trabalho. 
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rk/v10nspe/a0510spe.pdf>. Acesso em: 17 jun. 2016.
 A perspectiva crítica que fundamenta esta coletânea de 
textos é tensionada pela denúncia de violação de direitos, posição que 
impulsiona a construção coletiva de possibilidades e de efetivação de 
direitos. Adotando a problematização historicizada, expõe a tendência 
criminalizadora, moralizadora e punitiva da sociedade brasileira, 
exigindo muito mais que as aparentes inovações legislativas e 
“aperfeiçoamento” institucional. Propiciando a visibilidade dos sujeitos 
cujas condições expressam particularidades da violência, potencializa 
a crítica propositiva nesses espaços de afi rmação e negação de 
direitos. Ao enfrentar dialeticamente as violações provocadas pela 
lógica do capitalismo contemporâneo, o conjunto de refl exões adota a 
defesa da liberdade, posição que entendemos dar direção para a busca 
REFERÊNCIAS
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Acadêmico, São Paulo, v. 14, 2012, p. 101-110.
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REFERÊNCIAS
GABARITO
1. Sequência correta: 3, 1, 2
2. Resposta correta: alternativa B
3. Resposta esperada: para as autoras, essa visão de sustenta na concepção de que 
a teoria tem a possibilidade de ser implementada na realidade social e/ou tem 
a capacidade de dar respostas imediatas para suas questões. É uma ideia que 
considera que uma teoria deve ser possivelmente aplicável na prática.
4. Resposta esperada: a importância é que é por meio do conhecimento que o pro-
fissional ultrapassa o entendimento imediato de uma dada realidade. Mas é a 
partir dele que se aprofundará nessa realidade, vai aproximar-se dela e desven-
dá-la. Este conhecimento, portanto, deve estar comprometido com as deman-
das que se colocam para a profissão e para o seu enfrentamento.
5. Resposta esperada: o conhecimento para o Serviço Social não é apenas uma for-
ma de saber, mas, principalmente, uma maneira de compreender em primeiro 
momento e, posteriormente, apresentar caminhos seguros para transformar a 
realidade social. 
CONCLUSÃO
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Encerramos o livro da disciplina de Oficina de Instrumentos Técnicos e Operativos. 
Nele, você estudou sobre o instrumental técnico-operativo do assistente social. 
Aprendeu que, para além do uso de instrumentos, meios e técnicas, a instrumen-
talidade constitui uma capacidade do assistente social, ou seja, uma propriedade 
constitutiva da profissão. 
Também, aprendeu os conceitos de instrumentalidade e a diferença entre instru-
mento e instrumentalidade. Estudamos também a relação entre a dimensão técni-
co-operativa com as dimensões ético-política e teórico-metodológica. Você conhe-
ceu os principais instrumentos e técnicas de intervençãodo Serviço Social. Por meio 
dessa discussão, foi possível perceber que os instrumentos não servem apenas para 
que o assistente social realize intervenções, mas também para conhecer a realidade. 
A partir do estudo dos principais instrumentos, você percebeu que há especificida-
des com relação a alguns espaços sócio-ocupacionais. Após conhecer os principais 
instrumentos, você estudou sobre o registro e a documentação, descobrindo a sua 
importância para a sistematização da prática e para a materialidade da ação. 
Estudou a relação do conhecimento com a práxis, na perspectiva de articulação en-
tre teoria e prática no Serviço Social. Nessa discussão, estudou os níveis e graus de 
abrangência do conhecimento. Por fim, você estudou a questão do dilema teoria e 
prática no Serviço Social, verificando que é preciso romper com a ideia de que na 
prática a teoria é outra.
Em suma, é importante que você possa ter compreendido, com esta disciplina, que 
mais importante que qualquer instrumento é a sua capacidade de ser instrumen-
talizado e o compromisso em conhecer a realidade. Sendo assim, você conseguirá 
identificar os instrumentos mais apropriados. 
Esperamos ter contribuído e desejamos muito sucesso profissional e em todos os 
caminhos que percorrer na profissão! Ficamos à disposição!
CONCLUSÃO

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