HEMATOLOGIA CLÍNICA
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HEMATOLOGIA CLÍNICA


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HEMATOLOGIA CLÍNICA
HEMOGLOBINOPATIAS
É a deleção ou mutação nas cadeias globínicas responsáveis pela formação da hemoglobina.
DELEÇÃO: perde o locus gênico.
MUTAÇÃO: mantém o locus mas fica mutado, há alteração gênica na produção das cadeias.
HEMOGLOBINA: Há dois locus em cada hemoglobina: Um vindo da mãe e um do pai. Na vida fetal a cadeia y é trocada no nascimento pela cadeia B.
Vida fetal: \u3b1\u3b3
Vida adulta: \u3b1\u3b2
ANEMIA HEMOLÍTICA
Causada por fatores intrínsecos ou extrínsecos aos eritrócitos.
ANEMIA HEMOLÍTICA INTRÍNSECA: A hemólise se origina de um defeito das hemácias do paciente. As causas são hereditárias e a principal é a ESFEROCITOSE HEDERITÁRIA, onde a hemoglobina anormal forma agregados dentro da hemácia, fazendo com que as células se tornem rígidas e percam a deformabilidade necessária para a sobrevivência na microcirculação (o citoesqueleto das hemácias se alteram, ficam em formato de esfera).
 ANEMIA HEMOLÍTICA EXTRÍNSECA: A hemólise se origina por um fator externo \u2013 as hemácias do paciente são normais. A anemia hemolítica extrínseca é adquirida e frequentemente secundária a uma doença identificável. A causa é por lesão por anticorpos, que podem ser:
- Aloanticorpos: transfusão de sangue incompatível;
- Auto-anticorpo: lúpus, linfoma, leucemias;
- Anticorpos relacionados a drogas (mais comum): pode ocorrer de 3 formas. 
	1ª: a droga recai sobre a membrana da hemácia, onde depois reage com um anticorpo contra a droga (ex: penicilina);
	2ª: a droga estimula a formação de anticorpos conta um determinante antigênico na membrana da hemácia;
	3ª: a droga estimula a formação de auto-anticorpos (ex: metildopa).
	Características clínico-laboratoriais:
	ANEMIA H. INTRÍNSECA:
\u2191 Reticulócitos
\u2191 LDH
\u2191 Bilirrubina Indireta
Hemossiderina urinária: Presente
Urobilinogênio na urina: Presente
Teste de Coombs Direto: Negativo
	ANEMIA H. EXTRÍNSECA:
\u2191 Reticulócitos
\u2191 LDH
\u2191 Bilirrubina Indireta
Hemossiderina urinária: Ausente
Urobilinogênio na urina: Presente
Teste de Coombs Direto: Positivo
	Icterícia, hepatoesplenomegalia. De modo geral, as anemias hemolíticas são NORMOCÍTICAS, ou mais raramente, MACROCÍTICAS. Observa-se ANISOCITOSE pelo \u2191 de RDW.
SÍNDROME \u3b1-TALASSÊMICA
Causada por DELEÇÃO de gene \u3b1.
2.1. PORTADOR SILENCIOSO: É originado pela perda de um único gene alfa. O portador é assintomático.
	Características clínico-laboratoriais:
	Discreta microcitose e hipocromia. Na eletroforese de hemoglobina podem ser notados traços de HbH nos indivíduos adultos.
2.2. TRAÇO \u3b1-TALASSÊMICO: Deleção de dois genes alfa.
Cis: deleção de ambos os genes.
Trans: deleção de um gene materno e um paterno.
	Características clínico-laboratoriais:
	Modificação na morfologia eritrocitária, leve grau de anemia e microcitose. Na eletroforese de hemoglobina, a HbH pode ser observada em concentrações baixas ou estar ausente em indivíduos adultos.
Fraqueza, cansaço, dores nas pernas e palidez.
Número de eritrócitos normal a discretamente elevado.
2.3. DOENÇA DE HEMOGLOBINA H: Deleção de 3 genes \u3b1. É a forma mais grave de alfa-talassemia compatível com a vida.
	Características clínico-laboratoriais:
	Anemia microcítica hipocrômica moderadamente severa (Hb 8 a 10 g/dl).
\u2191 Reticulócitos.
\u2193 VCM (60 a 70)
\u2193 HCM
Células em alvo com pontilhado basofílico, icterícia e hatoesplenomegalia.
2.4. SÍNDROME HIDROPISIA FETAL: Deleção de todos os 4 genes. Produz um natimorto, pois é incompatível com a vida.
SÍNDROME \u3b2-TALASSÊMICA
Causada por MUTAÇÃO dos genes. Uma mutação pode tanto suprimir completamente a síntese de cadeia \u3b2, quanto prejudicar, mas não evitar totalmente a síntese de cadeia \u3b2.
3.1. BETA-TALASSEMIA MAIOR (OU HOMOZIGOTA):
	Características clínico-laboratoriais:
	Anemia grave
\u2191 HbF (se não produz cadeia \u3b2, não tem \u3b1, por isso tem maior produção de \u3b3 \u2013 fetal)
HbA² pode estar normal ou levemente aumentada
Hepatoesplenomegalia
\u2191 Reticulócitos
Eritroblastos presentes na circulação
3.2. TRAÇO BETA-TALASSÊMICO (OU BETA-TALASSEMIA HETEROZIGOTA):
	Características clínico-laboratoriais:
	Não há exclusão da proteína \u3b2², há apenas diminuição na sua produção. Com a quantidade de \u3b2² reduzida, há leve \u2191 de HbF (\u3b1\u3b3)
Não há \u2193 da quantidade de eritrócitos (alguns casos estão até aumentados)
\u2191 de HbA²
\u2193 VCM
\u2193 HCM
Astenia, cansaço, baço palpável
ANEMIA FALCIFORME
As hemácias do paciente homozigoto para o gene da HbS sofrem falcização contínua in vivo. Na cadeia \u3b2 há alteração na trinca de nucleotídeos, substituindo o ácido glutâmico pela valina, com isso altera o citoesqueleto do eritrócito e, em locais onde há \u2193 tensão de O², o eritrócito fica em formato de foice, bloqueando o fluxo sanguíneo nos capilares.
Começa a ter hemoglobina S (\u3b1²\u3b2²S) e aumento de hemoglobina F.
	Características clínico-laboratoriais:
	Anemia grave (Anemia hemolítica crônica)
Eritrócitos falciformes
Começa ter hemoglobina S e \u2191 de HbF
Lesão tecidual por hipóxia resultante da obstrução de vasos sanguíneos em razão do acúmulo de hemácias falcizadas.
4.1. TRAÇO FALCIFORME: Representado por HbAS. Nesta condição ocorre a herança de um gene beta S e outro beta A, resultando na produção de cadeias beta normais (HbA) e beta S (HbS), sempre com predomínio de HbA. O portador é assintomático, não padece de doença e nem possui alterações no número de hemácias.
	Características clínico-laboratoriais:
	\u3b1 e \u3b2 normais, há leve aumento da hemoglobina S
ELETROFORESE DE HEMOGLOBINA
Usada para identificar hemoglobinopatias, através da migração proteica: proteínas menores se deslocam com mais facilidade.
LINFÓCITOS
IL-7 é o principal fator para produção de linfócitos.
Progenitor linfoide > Linfoblasto > Pró-linfócito > Linfócito Maduro (T,B ou NK).
MATURAÇÃO DOS LINFÓCITOS
LINFÓCITOS B: Totalmente na medula óssea e se completa no timo.
LINFÓCITOS T: Inicia-se na medula óssea e migram para órgãos linfoides secundários \u2013 para formar a resposta imune (linfonodos, baço).
MATURAÇÃO DOS LINFÓCITOS T
O timo possui papel ativo na vida fetal até mais ou menos a puberdade, com atividade bastante acelerada. Depois disso, ainda continua com atividade porém mais basal. Na vida fetal até a puberdade a atividade é maior pois precisa maturar mais células T, já na vida adulta, o organismo apenas recircula as células T produzidas.
Células T \u2192 Resposta Específica \u2192 CD4: Auxiliar (suporte).
		 \u2198	CD8: Citotóxico (principalmente infecções virais e céls. Tumorais).
SELEÇÃO POSITIVA: Permite a sobrevivência somente de células T cujos TCR reconhecem como próprias as moléculas de MHC.
O pró-linfócito de célula T sai da medula óssea e vai para o timo. Quando chega não possui nenhum marcador, sendo uma dupla negativa (DN-CD4\u207bCD\u207bCD3/TCR). Ao entrar no córtex do timo, o próprio ambiente induz a se tornar positivo (CD4\u207aCD8\u207a).
O MHC faz a apresentação do antígeno e o linfócito possui o TCR. Se o linfócito com TCR não reconhecer o MHC, significa que a imunidade não irá reconhecer. Se a dupla positiva não tiver interação de TCR com MHC ela será induzida a morte.
SELEÇÃO NEGATIVA: ELIMINA AS CÉLULAS T QUE REAGEM MUITO FORTEMENTE COM O MHC PRÓPRIO OU COM O MHC PRÓPRIO + PEPTÍDEOS PRÓPRIOS.
	Na seleção negativa serão selecionadas células que reagem NEGATIVAMENTE com o MHC. Estas células não podem reconhecer o antígeno próprio. Se a célula T reconhecer o antígeno próprio (ou MHC próprio), ocorrerá a doença auto-imune, portanto essa célula deve ser descartada (apoptose). A seleção negativa ocorre na medula óssea.
	
	Os timócitos que interagem com o MHC classe I tornam-se CD8\u207a e os que interagem com MHC de classe II tornam-se CD4\u207a
	
LEUCEMIAS
Proliferação desordenada de células \u2013 maioritariamente progenitoras, apenas o Linfoma Hodgkin e Não Hodgkin acomete células maduras. A proliferação desordenada faz com que ocorra acúmulo de células no compartimento da medula óssea,