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IDENTIFICAÇÃO
CURSO: 		CIÊNCIAS CONTÁBEIS
DISCIPLINA:		Perícia Contábil
PROFESSOR:	Ana Lúcia Pereira de Oliveira
SÉRIE:		8º Termo
ANO LETIVO: 	2019
CARGA HORÁRIA
CARGA HORÁRIA SEMANAL:		02 horas/aula
CARGA HORÁRIA SEMESTRAL:	 40 horas/aula
OBJETIVOS DA DISCIPLINA
Ao final do curso o aluno estará apto a:
executar procedimentos periciais,
emitir relatórios e Laudos Periciais para subsidiar decisões no processo de prova, para fins judiciais e extrajudiciais.
EMENTA
Revisão e tratamento contábil. Perícia: conceito, evolução no Brasil e principais órgãos contábeis nacionais. Fundamentação da perícia. Normas da perícia. Procedimentos de Perícia. Papéis de Trabalho. Encerramento do Trabalho, Elaboração do Laudo Pericial Contábil.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
1 	FUNDAMENTOS DE PERÍCIA CONTÁBIL
1.1 	Introdução - as tecnologias contábeis
1.2 	Conceito de perícia contábil
1.3 	Fins e provas das perícias
1.4 	Metodologia em perícia
1.5 	Classificação das perícias
1.6 	Qualidade do perito
1.7 	Qualidade do trabalho do perito
1.8 	Escolha do Perito
1.9 	Necessidade de se fazer Perícia
1.10 	Erros e perícia
1.11 	Fraudes e perícia
1.12	 Indícios e perícia
1.13 	Elementos materiais de exame pericial
1.14 	Uso do trabalho de terceiros - auxiliares e especialistas
1.15 	Perícia e auditoria
1.16 	Riscos na perícia
2 	PLANO DE TRABALHO EM PERÍCIA CONTÁBIL
2.1 	Conceito de plano de trabalho em perícia contábil
2.2 	Pleno conhecimento da questão
2.3 	Pleno conhecimento dos fatos
2.4 	Levantamento prévio dos recursos disponíveis para exame
2.5 	Prazo para execução das tarefas
2.6 	Acessibilidade aos dados
2.7	Pleno conhecimento dos sistemas contábeis e confiabilidade documental
2.8 	Natureza de apoios
3	 LAUDOS PERICIAIS
3.1 	Conceito de laudo pericial
3.3 	Estrutura dos laudos
3.4 	Requisitos de um laudo contábil
3.5 	Requisitos das respostas no laudo
3.6 	Tipos de laudos
3.7 	Anexos dos laudos
3.8 	Laudos coletivos
3.9 	Laudo insuficiente
3.10 	Esclarecimento de laudo
3.11 	Entrega de laudos
3.12 	Limites da pertinência da opinião no laudo perícia
4	 PERÍCIA JUDICIAL
4.1 	Preliminares conceituais
4.2 	Ciclo normal da perícia judicial
4.3 	Objetos de perícia judicial
4.4 	Lógica dos quesitos
4.5 	Os peritos em juízo - nomeação, indicação, intimação
4.6 	Recusa e substituição do perito
4.7 	Proposta de honorários - depósito prévio
4.8 	Substituição de perito e desistência
4.9 	Retirada dos autos
4.10 	Início do trabalho pericial e diligências
4.11 	Dificuldades e resistências da parte
4.12 	Comportamento ético entre os peritos
4.13 	Laudos de consenso
4.14	 Laudo discordante ou em separado
4.15 	Uso do trabalho de terceiros e pareceres
4.16 	Requisitos formais do laudo
4.17 	Entrega dos Laudos
4.18 	Esclarecimento sobre a perícia
4.19 	Nova perícia
4.20	Quesitos suplementares
4.21 	Quesitos impertinentes
4.22 	Perícias discrepantes
4.23	Perícia em livros de terceiros
4.24	Perícia em locais diferentes
4.25 	Indeferimento de perícia
4.26 	Sustentação de perícia
4.27 	Responsabilidade criminal do perito
4.28 	Sigilo profissional do peito 
5	APLICAÇÕES IMPORTANTES DA PERÍCIA CONTÁBIL
5.1 	A perícia contábil nas várias causas judiciais
5.2 	Alimentos (ação ordinária)
5.3 	Apuração de haveres
5.4	 Consignação em pagamento
5.5 	Compensações de créditos
5.6 	Falta de entrega de mercadorias
5.7 	Fundo de comércio
5.8 	Trabalhista
6	NORMAS BRASILEIRAS SOBRE PERÍCIAS
7	TRABALHOS PRÁTICOS
7.1 Elaboração de perícia mediante utilização de autos, e elaboração de Laudo.
7.2	Estudo, análise, interpretação e crítica sobre trabalhos periciais executados, transitado e julgado.
PROCEDIMENTOS DE AÇÃO/METODOLOGIA
Aulas expositivas e dialogadas;
Estudo em grupos, coletas de dados e avaliação das informações;
Elaboração de trabalhos práticos;
Atividades extraclasse: Pesquisas e Trabalhos;
Leitura e discussão de textos.
AVALIAÇÃO
Provas escritas bimestrais;
Resultados das Pesquisas cientificas semestrais;
Trabalho individual ou em grupo;
Prova Integralizadora
BIBLIOGRAFIA
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
MAGALHÃES. A. D. F. Perícia Contábil. 4.ed. Rio de Janeiro: Manole, 2004.
ORNELAS, M. M. G. Perícia Contábil. 4.ed. Rio de Janeiro: Manole, 2003.
SÁ, A. L. Perícia contábil. 6.ed. Rio de Janeiro: Manole, 2004.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
ALBERTO, V.L.P. Perícia Contábil. 3.ed. Rio de Janeiro: Manole, 2002.
CRC DF. Perícia Contábil: Laudo Pericial. 1.ed. São Paulo: Lisa S/A, 1998.
SILVA, A. C. M. Perícia Contábil. 1.ed. São Paulo: Lisa S/A, 1998
MAGALHÃES, A.D.F. Perícia contábil - 8. ed. – São Paulo: Atlas, 2017
Ourinhos (SP), fevereiro de 2019.
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Professora: Ana Lucia Pereira de Oliveira
Coordenador: Wainer Albanez
FUNDAMENTOS TEÓRICOS DA PERÍCIA CONTÁBIL
A Contabilidade é uma ciência que estuda e controla o patrimônio, com o fim de oferecer informações sobre a composição patrimonial e também sobre suas variações.
Basicamente a finalidade da Contabilidade é a de garantir o controle do patrimônio da entidade.
Assim, a Contabilidade, como ciência, passou a ser considerada como um conjunto ordenado de conhecimentos com objeto de estudo e campo de aplicação bem definidos. Seu objeto de estudo é o patrimônio, e seu campo de aplicação, o das entidades econômico administrativas.
É importante observar também que a Contabilidade, ao exercer a função de estudar e controlar o patrimônio pratica um papel social. Esse papel social é o resguardar os interesses, não só dos administradores de uma empresa, mas também da sociedade envolvida, de forma direta ou indireta, no processo econômico e patrimonial. Pode-se dizer o mesmo sobre terceiros que têm interesses vinculados ao patrimônio, como investidores, fornecedores, financiadores, governo e, ainda, outras pessoas que mantêm vínculos com a empresa, como funcionários e acionistas. 
Então, a Contabilidade utiliza-se de técnicas específicas para a consecução de sua finalidade e confirma a exatidão dos valores registrados e controlados, por meios que lhe são próprios. 
A Contabilidade, todavia, não se aplica somente às entidades organizadas, chamadas pessoas jurídicas. Pode também ser aplicada ao patrimônio particular das pessoas físicas, como forma de controle. 
A Contabilidade iniciou-se em uma perspectiva geral, voltada aos registros, mas com o tempo foi diversificando suas especialidades, das quais a perícia é uma delas. 
Vale destacar que o avanço das técnicas, na perspectiva contábil, vem acompanhando a evolução do ambiente onde se insere. Entre as tecnologias contábeis estão: a escrituração, a auditoria, a perícia contábil, entre outras.
A perícia é uma tecnologia contábil que tem a finalidade de esclarecer os fatos e/ou diminuir as dúvidas de uma determinada questão ou pendência, facilitando aos árbitros prolatarem (proferirem) suas sentenças sem tendências ou prejuízos para as partes envolvidas. Os fatos estudados devem ser esclarecidos por intermédio das perícias, elaboradas e relatadas por profissional habilitado, com conhecimento suficiente sobre aquilo que esteja trabalhando e sempre pautado na ética, moralidade, imparcialidade e justiça.
Pode-se dizer, portanto, que a perícia contábil é um instrumento de suma importância para a resolução dos fatos referentes a questões judiciais e extrajudiciais. É valiosa também para o aprimoramento de sistemas de controles, quando há entendimento entre as partes, sobre a necessidade de sua realização para salvaguardar o patrimônio pertencente a uma pessoa ou grupo de pessoas ou a uma entidade.
ASPECTOS GERAIS DA PERÍCIA CONTÁBIL
A perícia contábil é apresentada por meio de laudos periciais, elaborados com base em procedimentos técnicos, esclarecendo a verdade de fatos contestados por pessoas interessadas. Os especialistas do assunto examinam os fatos, por meio de suas análises e conclusões expressas no laudo. Normalmente, esseslaudos servem como meio de prova pela qual o Juiz busca conhecer o assunto ou fortalecer sua opinião, para solucionar determinados litígios em processos judiciais e a seguir prolatar sua sentença.
A palavra perícia é de origem latina (peritia). O seu significado é o conhecimento aliado a uma tecnologia. 
Dentro da visão da Contabilidade, a perícia contábil é uma tecnologia contábil, cujos procedimentos se aplicam de acordo com cada caso.
Com base na definição do termo perícia, particularizando, Lopes de Sá explica que: “perícia contábil é a verificação de fatos ligados ao patrimônio individualizado visando oferecer opinião, mediante questão proposta. Para tal opinião realizam-se exames, vistorias, indagações, investigações, avaliações, em suma todo e qualquer procedimento necessário à opinião”.
Percebe-se, portanto, que para a elaboração de perícias contábeis se faz obrigatória a realização de procedimentos técnicos contábeis. Nesses procedimentos busca-se o equilíbrio para estabelecer uma posição justa, alicerçada em comprovações que possam traduzir, efetivamente, um suporte técnico esclarecedor dos fatos, reforçando a opinião do juiz, ou desvendando os mistérios, corriqueiros nos processos judiciais. Feito assim, certamente a sentença será aplicada de forma correta, para que o litígio chegue ao final, praticando-se justiça.
FINS E PROVAS DAS PERÍCIAS
	A perícia pode ser requerida para diversos fins.
	Entre os principais fins estão os de matéria prejudicial, judicial, regimentais, decisões administrativas, decisões de âmbito social e para finalidades fiscais.
	As perícias são desejadas para que se tomem decisões de diversas naturezas (gestão, direito, etc).
	O fim é sempre o de OBTER PROVA COMPETENTE para que se decida, e isto implica responsabilidades sérias para o perito, quer civis, quer criminais.
	Como ela é sempre prova, necessário se faz que se baseie em bases consistentes e de plena materialidade.
	Assim, por exemplo, se um sócio desconfia de outro e entra em juízo para evocar distribuição justa dos lucros, que admite não tenha sido feita, só a perícia contábil poderá dar ao Juiz os meios para que faça o julgamento.
A Contabilidade como instrumento para caracterizar e validar a perícia contábil como meio de prova
A contabilidade, durante sua evolução, agregou “elementos" que possibilitam oferecer aos seus usuários regulamentos, normas e métodos adequados a controlar e analisar o patrimônio quer de pessoa física quer jurídica, colocados sob sua guarda. Nesse sentido, há interligação com o Direito, à medida que um regulamenta os interesses materiais e o outro os controla e supervisiona.
A ação do homem, desenvolvida para a consecução do seu bem-estar, envolve sempre operações de natureza econômica, e, evidentemente, em virtude da divisão geral do trabalho, opera relações entre indivíduos, tornando assim indispensável a distinção entre “o meu e teu", de onde nascem as relações tuteladas pelo Direito. 
Não diremos que o Direito não possa existir sem a Contabilidade, mas podemos afirmar que a justiça em regra não é possível, nem segura, sem o concurso da Contabilidade. Na vida social os fatos econômicos envolvendo interesses de indivíduos e de grupos de indivíduos se sucedem com a velocidade de um verdadeiro turbilhão. E nesse suceder de negócios de relações jurídicas, cada indivíduo, para a sua própria informação e para o esclarecimento das dúvidas eventuais, deve manter registro muito minucioso dos bens que possui, dos seus direitos e das suas obrigações. 
Somente mercê da Contabilidade, os fatos econômicos podem ser devidamente classificados e, por via de consequência, somente com boa Contabilidade a vida social e econômica pode desenvolver-se dentro de um regime de absoluta ordem.
Considerando-se as características peculiares de cada ciência e o seu objetivo comum, que é o patrimônio, infere-se para a perícia contábil que a Contabilidade serve ao Direito, como instrumento de prova, quando se busca o objetivo de identificar naquela, com a certeza requerida, os fatos modificativos, causadores das variações da situação patrimonial, sobre os quais a Contabilidade exerce o domínio e os registros de controle.
Em sendo a prova obtenção da certeza do fato verídico e entendendo-se por instrumento todo meio para se chegar a um objetivo, o resultado a que se propõe o Direito, na aplicação da justiça, numa ação de cobrança, por exemplo, é a garantia de receber o que é devido ao autor da ação, desde que verídica a reivindicação; e o resultado apurado pela Contabilidade, no mesmo exemplo, é a informação documentada do fato que provocou as modificações ocorridas no patrimônio do referido autor, por meio dos registros que possibilitem a análise e a verificação dessas modificações. 
A perícia contábil torna-se, assim, o meio de prova ou o caminho para averiguar a maneira pela qual se alcançará a certeza do fato efetivamente ocorrido; é a Contabilidade o instrumento de que ela, a perícia, se vale para identificar e apurar a veracidade dos direitos pleiteados.
METODOLOGIA EM PERÍCIA
	O método depende sempre do objeto que se examina. Ou seja, de acordo com a matéria que se tem a examinar é que se traça o curso dos trabalhos.
	Quando a matéria é parcial, alcançável, examina-se tudo.
	Quando a matéria é demasiadamente ampla, sem possibilidades de alcançar-se o objetivo pela totalidade, utiliza-se a amostragem.
CLASSIFICAÇÃO DAS PERÍCIAS
É possível classificas as perícias em três grandes grupos de atuação: perícias judiciais, perícias administrativas ou extrajudiciais e perícias especiais.
A perícia judicial tem sua origem em ação posta em juízo (ação judicial), ou seja, origina-se sob a esfera jurídica, podendo ser determinada diretamente pelo juiz dirigente do processo ou a ele requerida pelas partes em litígio. Na perícia judicial, os exames são, na maioria das vezes, específicos e recaem sobre fatos que já se encontram em discussão no âmbito do processo.
A perícia administrativa ou extrajudicial é realizada fora do Poder Judiciário, onde o meio de prova é a sua principal finalidade. Esse tipo de perícia ocorre em casos de sócios, onde um desconfia do trabalho do outro, ou até mesmo entre empregado e patrão, sendo assim, o perito é contratado pelo interessado para descobrir supostas irregularidades, o trabalho é o de investigar as respectivas causas, e desvendar as suposições ocorridas.
A perícia especial é livremente contratada entre as partes e/ou entre particulares, sua origem é a necessidade de uma opinião técnica especializada sobre um fato controverso. Ex, fusões, incorporações, avaliações patrimoniais.
O perito contábil
O perito contábil é um profissional com bacharelado em Ciências Contábeis e devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade de seu Estado, na categoria de Contador. Busca auxiliar o Juiz no que se refere à verificação ou apreciação daqueles fatos da causa que para tal exijam conhecimentos especiais ou técnicos. Deve possuir, além dos conhecimentos teóricos, experiência no campo prático da Contabilidade. Deve estar preparado para efetuar perícias em escritas contábeis e ser especialista da matéria objeto do trabalho.
É imprescindível, pois, que o perito seja um profissional com adequado preparo técnico, com visão de gestão e que tenha domínio profundo do assunto a ser periciado. A par desses conhecimentos técnico-contábeis, o perito contábil só poderá desenvolver a contento o seu trabalho, se estiver inteirado da prática processual.
O laudo pericial contábil a ser preparado requer desenvolvimento da capacidade criativa e do espírito crítico, com base nas experiências passadas do perito contábil e nos fundamentos técnico-científicos. Ainda, deverá o perito contábil dominar o assunto jurídico em várias outras áreas. Dentre elas, destacam-se especificamente: a Matemática Financeira, a Economia, a Administração e o Direito.
A NBC, aprovada pela Resolução CFC n. 857/99, de 21 de outubro de 1999, pelo ConselhoFederal de Contabilidade, em seu item 2.2.1, preocupa-se com tal qualidade e prevê o seguinte:
O Contador, na função de perito-contador ou perito-contador assistente, deve manter adequado nível de competência profissional, pelo conhecimento atualizado de Contabilidade, das Normas Brasileiras de Contabilidade, das técnicas contábeis, especialmente as aplicáveis à perícia, na legislação relativa à profissão contábil e das normas jurídicas, atualizando-se permanentemente, mediante programas de capacitação, treinamento, educação continuada e especialização, realizando seus trabalhos com observância da equidade.
Observa-se que a qualidade dos trabalhos periciais implica conhecer outros campos de formação, que não somente os contábeis. Na área do Direito, onde todas as perícias judiciais são peticionadas e onde os resultados apresentados são apreciados, são revestidas de formalidades exigidas por esse campo de trabalho. Na Lógica, o especialista deve apresentar linha de raciocínio adequada, para entender as razões que levaram as partes a conflitarem. Antes de produzir o laudo ou o relatório, o perito-contador ou perito-contador assistente deverá estar convicto sobre os fenômenos que auxiliarão no desfecho da causa.
O mercado está tornando-se cada vez mais exigente, obrigando os profissionais das diversas áreas a aprimorarem seus conhecimentos técnicos e científicos, a fim de manterem
sua empregabilidade. Não menos importante é hoje a atitude comportamental em relação à questões éticas, o que tem sido um diferencial no desempenho do profissional. A ética é o alicerce para que as pessoas de uma forma geral exerçam sua profissão.
As qualidades obrigatórias do perito contábil
Além dos conhecimentos técnicos de sua especialidade, o perito deve ter um conjunto de qualidades morais e comportamentais que lhe poderão dar a reputação necessária para ser preferido pelas partes interessadas e pelas autoridades judiciais.
Esse conjunto de qualidades fortalece a confiança que a justiça deposita no profissional, elevando o grau de sua aceitação, confiança e também a preferência no momento da definição do nome do profissional selecionado para o trabalho.
	São elas:
a) Competência => A competência é, pois, das mais importantes qualidades que o perito deve possuir. Competência pode ainda ser entendida como a qualidade técnica de uma pessoa, para desenvolver a atividade que lhe fora atribuída, ou seja, a aptidão que a mesma possui, que lhe concede o direito de exercer o trabalho.
b) Diligências => Diligências pode ser analisado como todas as providências levadas a efeito pelo perito contábil para permitir-lhe oferecer o laudo pericial contábil. Podem ser vistas como uma das fases do trabalho pericial, consubstanciada no trabalho de campo, que envolve algumas etapas, nas quais o perito contábil tem como objetivo central a busca dos elementos que vão permitir solucionar as questões contábeis submetidas à sua consideração técnica.
c) Discrição => É uma qualidade que preserva a imagem do perito, ou seja, o faz conduzir-se de modo sereno e prudente, guardar os segredos da profissão, não permitindo que filosofias, crenças e paixões venham influenciar no resultado de um trabalho que exige a imparcialidade absoluta.
A discrição é um dos contornos básicos do perfil do profissional da perícia, é um traço que se pode esperar daqueles que já estão ou vierem a abraçar a função pericial contábil.
d) Imparcialidade => O perito contábil deve ser um profissional imparcial e de postura extremamente ética, possuidor de independência moral e técnica, quando da elaboração de seu laudo. Nesse sentido, não deve emitir opinião pessoal que favoreça uma das partes interessadas. Deve ser justo, fiel à verdade e nunca distorcer a realidade dos acontecimentos, mesmo porque a perícia é, também, uma atividade que responde aos anseios de uma sociedade.
e) Independência => O perito deve ser independente em todos os aspectos sobre o objeto do trabalho. Não pode ser influenciado por fatores externos, por preconceitos ou outros elementos que venham trazer prejuízos efetivos à sua liberdade. Essa independência não se restringe apenas a eventuais interesses financeiros ou vínculos conjugais, parentesco consanguíneo, vínculos empregatícios, mas também a outras situações que possam vir a constranger ou levantar dúvidas em relação à qualidade de seu trabalho.
f) Honestidade => Para desempenhar com rigor os seus trabalhos, exigindo cumprimento das normas, conduta das pessoas que o cercam e ainda daquelas envolvidas no processo, é preciso ser, parecer e comprovar honestidade. O perito muitas vezes, se vê envolvido em litígios de grandes e pequenas quantias e não pode deixar se envolver pelos valores. Um valor pode ser pequeno para uma parte, entretanto, muito grande para a outra. Ser honesto, então, é o caminho correto e seguro para desenvolver uma boa perícia.
g) Justiça => É qualidade inerente ao sentimento de respeito ao trabalho desenvolvido para apoiar o Juiz, a fim de que este não cometa iniquidade, aplicando sua sentença sem o fundamento necessário, 
especialmente transferindo patrimônio indevidamente em função de um posicionamento mal formulado pelo perito. O perito deve manter, como uma de suas principais preocupações, a busca da verdade. Caso contrário, seu trabalho não atenderá ao objetivo final, que é o de apoiar a promoção da Justiça, dando a cada um o que lhe pertence.
h) Paciência => O perito deve ser persistente, saber criar oportunidades que possibilitem a execução de um bom trabalho no tempo determinado pelo Juiz e que satisfaça a atividade pericial de ambas as partes.
i) Perspicácia => O perito deve observar pontos relevantes de forma a não perder tempo com assuntos insignificantes. Para isso precisa estar inteirado e ser conhecedor do assunto em pauta, não se firmando em suposições. Deve sim buscar, de forma concisa, a verdade dos fatos.
j) Respeito => O perito deve ser correto para desempenhar o seu trabalho e para que haja respeito mútuo entre os colegas. Este respeito contribui de modo favorável ao ambiente de trabalho do profissional. Respeitar é atribuir o valor de forma correta à dignidade alheia. É por meio dessa atitude que o perito também se faz respeitar.
Um perito jamais desempenhará bem o seu trabalho se desrespeitar aqueles que o cercam durante a ação pericial, incluindo-se aí os peritos assistentes. 
É necessário enfatizar que o perito contábil, além de ser um profissional legalmente habilitado, precisa ser culto, bem informado intelectualmente e ainda deve possuir e exercer suas virtudes morais e éticas com total compromisso com a justiça e com a verdade. O profissional revestido das qualidades aqui elencadas poderá desenvolver trabalhos de alto nível, carregando consigo o dever de cumprir, com responsabilidade, o encargo que lhe foi atribuído.
ESCOLHA DO PERITO CONTABIL
	O exercício profissional da função pericial contábil realiza-se sob duas formas de atuação técnica.
	A primeira oportunidade surge quando o profissional contábil, de nível superior, ou o equiparado é nomeado pelo magistrado para assumir a função de perito judicial.
	A segunda forma de atuação ocorre quando o profissional contábil é indicado pela parte para funcionar como assistente técnico.
	Nota-se que o magistrado nomeia perito contábil e a parte indica assistente técnico. Isso vale dizer que, do ponto de vista processual, o assistente técnico precisa para funcionar em determinado processo, ser aceito pelo magistrado. Pode, portanto, ser recusado se assim entender o magistrado.
	O momento da nomeação do perito se dá na ocasião que o magistrado avalia a relevância ou a necessidade de se produzir prova técnica contábil. Se as alegações dos fatos possam ser provadas mediante perícia contábil o magistrado ira determinar sua realização e consequentemente nomeara o perito contábil. Neste mesmo ato o magistrado abrirá prazo para as partes indicarem seus assistentes técnicos.
	O perito contábil, na funçãode assistente técnico, pode oferecer colaborações importantes aos advogados, debatendo com os mesmos as possibilidades técnicas quanto ao desenvolvimento da prova técnica contábil.
NECESSIDADE DE SE FAZER PERÍCIA CONTABIL
	As necessidades se manifestam nas imperfeições e inadequações. Essas irregularidades classificam-se em Administrativas e Contábeis.
Irregularidades Administrativas => desenvolve-se por deficiências técnicas, estados psíquicos ou falhas morais. Daí surgem as imperfeições, negligências, infrações, erros, simulações, adulterações e fraudes. Tudo caracterizado como irregularidades administrativas causadoras de danos aos interesses próprios e de terceiros.
Irregularidades Contábeis => concorrem para as falhas de administração e podem causar prejuízos, desde os de menor importância até os que comprometem a estabilidade patrimonial ou a própria reputação do administrador. A organização contábil e respectivas escritas devem assegurar e confirmar a regularidade administrativa. Entretanto, falha administrativa, por sua vez, pode ser causa de irregularidade contábil.
ERROS E PERÍCIA
	O erro é um vício involuntário, de escrituração ou de demonstração contábil. Diferencia-se, pois da fraude. Existem erros de inversões de números, de repetições de registros, classificação de contas, de somas etc.
	Detectado o erro o perito precisa procurar a origem do mesmo e as causas.
	Conforme a relevância do erro, pode ele ter menor ou maior influência na conclusão do perito. Sendo o erro relevante, muitas vezes nem menção merece, se, todavia, influi substancialmente nas conclusões, precisa ser evidenciado e declaradas as influências que provocou.
FRAUDES E PERÍCIA
	A questão relacionada à fraude é sempre grave. Fraude é lesão, o erro premeditado, feito propositalmente para lesar alguém.
	Em qualquer tipo de perícia a fraude é sempre algo que motiva muitos trabalhos de verificação.
	As perícias quando voltadas para a localização de fraudes, devem ter planos específicos com cautelas que envolvem algumas vezes cuidados especiais.
INDICIOS E PERICIA
	Há substancial diferença entre indício e prova. Como a perícia deve ser uma prova, não pode oferecer suas conclusões apenas com base em indícios.
	O indício é um caminho, jamais uma prova.
	Ex. Se uma empresa mantém compras superiores a seus volumes de vendas, há um indício de que possa estar havendo irregularidades nas aquisições, porém não é uma prova.
ELEMENTOS MATERIAIS DE EXAME PERICIAL
	Servem de base para os laudos periciais, em verdade, todos os elementos ao alcance do profissional, preferencialmente os que tenham capacidade legal de prova.
	Por isso, os livros comerciais de registro, os documentos fiscais e legais, são bases fundamentais para verificações.
	Um perito deve-se valer de todos os elementos materiais a seu alcance para que possa chegar às conclusões que levam à opinião.
	A lei define tudo o que tem força de prova.
	Não basta ter as listagens de computador que elaboram o diário; é preciso que estejam encadernadas, numeradas, rubricadas e registradas nos órgãos adequados.
	Um contrato por exemplo, pode ter todas suas formalidades cumpridas, mas se não tiver assinatura das partes, de nada vale; se tiver a assinatura das partes e não tiver registro competente, não tem força de prova perante terceiros.
	Elementos que servem de base para a perícia contábil precisam ser idôneos, validos e com força de prova.
USO DO TRABALHO DE TERCEIROS – AUXILIARES E ESPECIALISTAS
	O perito não transfere sua responsabilidade porque delegou sua tarefa a auxiliares ou outros especialistas.
	Se está comprometido na perícia, se vai emitir opinião, responderá por ela, integralmente.
	Por isso, se precisar utilizar o trabalho de auxiliares ou especialistas (engenheiros, por exemplo), deve certificar-se da capacidade desses.
	É um risco muito grande a delegação de tarefas.
PERÍCIA X AUDITORIA
	Perícia contábil não é a mesma coisa que auditoria.
	Variam quanto à natureza das causas e efeitos, de espaço e de tempo.
	A perícia serve a uma época, a um questionamento, a uma necessidade.
	A auditoria tende a ser a necessidade constante, atingindo um número muito maior de interessados, sem necessidade de rigores metodológicos.
	A auditoria permite muito maior delegação, auditoria é mais REVISAO e perícia é mais PRODUÇÃO DE PROVA., por verificação, exame, arbitramentos (decisões).
RISCOS NA PERICIA
	Os serviços contábeis, como quaisquer outros, possuem suas margens de risco; na perícia, todavia, o risco tem muito mais significação, pois pode levar a uma opinião errônea, produzindo uma falsa prova, com lesão a direitos de terceiros.
	O perito não pode errar; tem para isso que precaver-se de todos os meios a seu alcance.
PLANO DE TRABALHO EM PERÍCIA CONTABIL
	Conhecido o trabalho que deve executar e a opinião que deve emitir, em cada questão ou quesito formulado, deve o perito traçar com antecedência a maneira de executar as tarefas e os pontos que teve focar.
	Essa previsão de tarefas, baseada nas questões propostas, constitui o plano de trabalho.
	Para conseguir tal plano é preciso seguir etapas. Um plano depende de:
pleno conhecimento da questão; (processo)
pleno conhecimento de todos os fatos que motivam a tarefa;
levantamento prévio dos recursos disponíveis para exame;
prazo ou tempo para execução das tarefas e entrega do laudo ou parecer;
acessibilidade aos dados (se depende de muitos locais, com deslocamentos e burocracia);
pleno conhecimento dos sistemas contábeis adotados e confiabilidade de documentação;
natureza de apoios, se necessários;
	É enganoso imaginar que o elenco de quesitos já é um guia; o elenco é a penas o questionamento, ou seja, o que as partes desejam saber ou requerem como opinião do perito.
1) PLENO CONHECIMENTO DA QUESTAO => toda perícia envolve uma questão, ou seja, um pedido de opinião ou informação de quem é competente para a dar. Se a questão está em litígio, em juízo, existem partes que se conflitam – é inequívoco; o autor reclama direitos e o réu defende-se com seus argumentos.
	O perito para participar, deve conhecer tudo sobre o que motivou a questão, os argumentos de cada um, os documentos apresentados, etc. 
2) PLENO CONHECIMENTO DOS FATOS => os fatos que envolvem a tarefa pericial são muitos e não se confundem com o conhecimento da questão; a questão nos da a razão para a metodologia e os fatos nos informam o que já aconteceu e está por suceder.
3) LEVANTAMENTO PREVIO DOS RECURSOS DISPONIVEIS PARA EXAME => para planejar é preciso conhecer os recursos disponíveis, quer humanos, quer materiais, competentes para produzir um laudo de qualidade. Nem sempre os elementos que se encontram à disposição do profissional são suficientes para realizar a tarefa tal como os quesitos ou questões requerem.
4) PRAZO PARA EXECUÇÃO DAS TAREFAS => é comum nas perícias, os juízes ou os interessados fixarem prazos para a realização do trabalho. No caso judicial, os prazos são fatais. A Lei fixa limites de prazos (Lei 8.455).
	É preciso, depois de conhecer as razões, os fatos e os recursos, mensurá-los diante do tempo de que se dispõe.
	O melhor critério é o de realizar um cronograma. Os cronogramas são peças simples, onde de um lado se coloca a tarefa e de outro o tempo previsto.
	Tal hipótese pode fazer com que o perito peça mais prazo ou desista de realizar o serviço para não fazê-lo mal.
	TAREFAS
	TEMPO/HORAS
	QUESITO Nº
	Exame de livros – legalidade
	1
	..........
	Exame pág...... a pág...... Diário
	92
	..........
	Exame Razão conta..........
	19
	..........
	Exame contrato
	2
	..........
	Exame de pagamentos do Sr.....
	450
	..........
	
	
	
	Horas do Prazo
	600
	
	Horas do Cronograma
	564
	
	No caso acima o cronograma acusa que é possível dentro das previsões realizar a tarefa.
	As margens do cronograma devem ser calculadas com segurança, ou seja, sempre além para cobrir osimprevistos que são naturais. 
5) ACESSIBILIDADE AOS DADOS => nem sempre os dados necessários se acham no mesmo local onde reside o perito e às vezes de espalham por regiões até longínquas. Outras vezes esses dados acham-se em mau estado de conservação, demandando grandes esforços para a leitura. Outras vezes dependem de informes de terceiros não implicados na questão e que dificultam ou tendem a dificultar o fornecimento (as vezes até instigados por uma das partes envolvidas no processo).
6) PLENO CONHECIMENTO DOS SISTEMAS CONTABEIS ADOTADOS E CONFIABILIDADE DOCUMENTAL => como existem muitos sistemas de registros contábeis e de arquivos, também o perito precisa conhecer como se processam. O perito precisa ter um conhecimento razoável de sistemas e especialmente em nossos dias daqueles por critérios da informática. 
	Precisa testar a confiabilidade dos sistemas e dos arquivos de documentos, de fitas, discos etc. 
	Para planejar é preciso saber como se chega aos dados e até que ponto é possível confiar neles.
	Não havendo confiabilidade, é preciso encontrar o caminho que a ela conduza, ou então, declarar a impossibilidade de obtenção de elementos que produzam uma opinião de qualidade.
7) NATUREZA DE APOIOS => se o perito sabe com que apoios contar, planejará de acordo com as circunstâncias. Sendo necessário um programa de computador, o perito precisa saber se vai dispor de pessoal da empresa ou se deve contratar. O perito deve fazer um elenco dos apoios de que necessita, para depois realizar o plano.
LAUDOS PERICIAIS
	Laudo Pericial Contábil é uma peça tecnológica que contém opiniões do perito contador, como pronunciamento, sobre questões que lhe são formuladas e que requerem seu pronunciamento.
	Laudo é uma palavra que provém da expressão verbal latina substantivada laudare no sentido de pronunciar.
	O laudo é, de fato, um pronunciamento ou manifestação de um especialista, ou seja, o que entende ele sobre uma questão ou várias, que se submetem a sua apreciação.
ESTRUTURA DOS LAUDOS
	Não existe um padrão de laudo, mas existem formalidades que compõem a estrutura dos mesmos.
	A estrutura de um LAUDO PERICIAL deve conter:
Identificação;
Apresentação; 
O Objeto da perícia;
O Objetivo da perícia;
A Metodologia desenvolvida no trabalho pericial;
Respostas aos quesitos; 
Conclusão/Encerramento e,
Os Anexos.
	A Identificação traz o órgão judicial (Justiça Estadual; Federal ou do Trabalho), a vara, o nº do processo, o nome das partes e dos seus respectivos patronos e um sumário do Laudo; 
	Na Apresentação vem o nome do perito-contador nomeado, o nº do seu CRC e as formalidades de estilo; 
	O Objeto da perícia traz a situação, a coisa ou o fato que foi periciado, que motivou o deferimento da perícia;
	O Objetivo indica o que a perícia deseja provar, constatar ou demonstrar dentro do alcance do seu Objeto;
	Na Metodologia relata-se os exames feitos, as diligências e vistorias realizadas, as indagações elaboradas, dentre outros procedimentos; 
	Nas Respostas aos quesitos elaborados pelo juízo e pelas partes o perito nomeado deve fazer uso de uma linguagem clara, com objetividade, concisão, exatidão e rigor tecnológico; 
	Em sua Conclusão ou Encerramento o perito faz uma síntese da conclusão a que chegou a perícia, emitir sua opinião técnica de forma simples e também com objetividade, ou seja, uma exposição formal de estar encerrando o trabalho pericial contábil, entretanto, admitir possíveis complementações ou 
esclarecimentos que se fizerem necessários, e ainda com o número de páginas do Laudo, de anexos, local, data, nome e assinatura, nº do CRC, e-mail, telefone e função no processo (perito do juízo).
	Os Anexos são os documentos (demonstrações contábeis, atas de reuniões, planilhas, termo de diligência, declarações, fotos etc.) que serviram de base para o trabalho pericial e que o expert os considera como indispensáveis para ilustrar e tornar o Laudo Pericial mais bem entendido.
REQUISITOS DE UM LAUDO CONTÁBIL
	Para que um laudo possa classificar-se como de boa qualidade, precisa atender aos seguintes requisitos mínimos:
Objetividade;
Rigor tecnológico;
Concisão;
Argumentação;
Exatidão;
Clareza.
	A objetividade é um princípio que se firma no preceito acolhido pelas ciências, ou seja, a exclusão do julgamento em bases pessoais ou subjetivas;
	A contabilidade tem seus princípios, suas leis, suas normas, formadas através dos milênios.
	O que a caracteriza como ciência é exatamente o fato da generalidade, da aplicação do conhecimento. A opinião de um contador não é inspirada no que ele supõe, mas no que ele aprendeu ou absorveu como conhecimento.
	Em seu laudo o perito não deve andar sem rumo, mas de forma concreta, ater se a matéria respeitando sua disciplina de conhecimentos.
	O perito precisa ater-se à questão com realidade e dentro dos parâmetros da contabilidade e não deve utilizar expressões como PARECE-ME. Não deve emitir opiniões vagas e imprecisas.
	Um laudo também deve ter rigor tecnológico, ou seja, deve limitar-se ao que é reconhecido como científico no campo da especialidade. Em contabilidade há um número expressivo de doutrinas e de normas em que o perito pode basear-se para emitir suas opiniões.
	A concisão exige que as respostas evitem ser muito longas. Um laudo deve evitar palavras e argumentos inúteis ao caso. Um laudo deve ser bem redigido, mas não uma peça literária, precisa ater-se ao assunto e responder satisfatoriamente.
	No que tange a argumentação, deve o perito alegar porque concluiu ou em que se baseia para apresentar sua opinião. Quando as argumentações forem longas, demandando a evocação de muitos argumentos, o perito pode utilizar-se de anexo para discorrer sobre suas razões, tornando dessa forma mais concisa a resposta.
	No que tange à exatidão, ela é condição essencial de um laudo. O perito não deve supor, mas só afirmar quando tem absoluta segurança sobre o que opina.
	Por isso um laudo não é uma informação, mas uma opinião baseada em realidades inequívocas; havendo insegurança para opinar, o perito deve abdicar, declarando sua impossibilidade para responder.
	Um laudo que se baseie só em depoimentos de testemunhas não é um laudo pericial contábil, pois falta materialidade para concluir. O perito não é um coletor de opiniões de terceiros, mas um emissor de 
opinião própria. Pode até ouvir terceiros, mas apenas como subsídio ou reforço de uma conclusão, a qual já chegou através de investigação contábil.
	No que tange a clareza, ela é importantíssima porque o perito deve entender que o laudo é feito para terceiros, que não são especialistas e que não possuem obrigação de entender a terminologia tecnológica e cientifica da contabilidade.
	Além do mais a clareza envolve frases inequívocas quanto a seu entendimento; deve o perito evitar interpretações do que afirma, deve afirmar claramente.
	Frases vagas, de dupla interpretação, com abuso de terminologia contábil específica, rebuscada demasiadamente impedem a clareza.
TIPOS DE LAUDOS
	Os laudos variam de acordo com suas finalidades, que são muitas.
	No campo Administrativo podem existir laudos para atenderem aos propósitos seguintes:
Desfalques (fraudes);
Corrupção;
Desempenho ou gestão;
Aumentos salariais;
Decisões administrativas diversas.
	Ensejam, pois, perícias casos de vida administrativa onde se faz necessário investigar, por exame contábil específico, um problema sobre o qual a administração precisa inteirar-se para saber como vai proceder.
	No campo judicial também são vários e dependem da natureza das ações judiciais para as quais foram requeridas.
	Por isso, como são muito variadas, podemos pelo menos esclarecer que se referem a trabalhos em processos judiciais de ações de:
* Apuração de haveres;	* Consignação em Pagamento;	* Concordatas;
* Desapropriação;		* Inventário;				* Prestação de contas;
* Rescisórias;		 * Reintegração de Posse;		* etc...
	Os tipos de laudo variam, pois, de acordo com a finalidadea que se aplicam.
ANEXOS DOS LAUDOS
	Os anexos de um laudo pericial, em geral, esclarecimentos ou análises das matérias descritas nas respostas dos quesitos. Visam ensejar que sejam mais concisas as respostas, deixando os detalhes para os anexos, ou apresentar comprovações da matéria que se acha descrita.
	Podem constituir-se de:
	* Extratos de contas; 	 * Balanços;			* Balancetes;
	* Certidões;			* Atestados;			* Inventários;
	* Publicações;		 * Depoimentos;		* Etc...
	O perito todas as vezes que necessitar esclarecer, dar mais força a seus argumentos deve apelar para os anexos.
	Devem-se evitar anexos sobre o obvio ou sobre matéria que já conste do processo.
	Os anexos devem ser numerados, e a referência aos mesmos, no texto dos quesitos será sempre por seu número.
	Na resposta deve constar “conforme anexo nº....”. Preferencialmente, o número dos anexos deve seguir a sequência dos quesitos, ou seja, deve ser em numeração crescente.
	Os anexos são partes do laudo que ao mesmo são adicionados para esclarecer ou comprovar o texto da resposta aos quesitos.
	A quantidade de anexos depende de cada caso; não são elementos obrigatórios de um laudo, mas enriquecem o mesmo e ajudam os esclarecimentos.
	Se o processo, todavia, já tem comprovações anexadas, basta que o perito se refira, em sua resposta, à página em que o documento se acha, evitando novamente anexar o que já está no processo.
	Como o perito deve guardar cópia de seu trabalho (para seu controle), os anexos ao laudo também devem fazer parte de seu arquivo.
LAUDOS COLETIVOS
	Em muitos casos, conforme exigência legal ou interesse de quem requer a perícia, o trabalho é feito por mais de um profissional.
	Nas perícias judiciais são três os peritos, em geral, mas podem ser mais.
	Um é o perito do juiz e dois são assistentes, ou seja, um dos autores e outro dos réus. É habitual, pois, o laudo coletivo ou realizado por uma junta de profissionais.
	Em casos extrajudiciais, como por exemplo avaliação de bens para aumento de capital, a lei obriga que sejam três os peritos.
	Como o trabalho é coletivo, podem ocorrer concordância plena, concordância parcial e discordância total entre os peritos.
	No caso de discordância, o perito que não concorda produz um laudo à parte no qual manifesta seu ponto de vista. É o caso dos laudos em separado.
	Nesse caso o perito, em seu laudo, diz que concorda com os demais em tais ou quais respostas, mas discorda em tal ou qual.
	No caso de discordância, é preciso que o perito não só apresente seu ponto de vista, como também o justifique, argumente porque discorda.
	No laudo, o perito passa então a apresentar os motivos de sua discordância e a resposta que entende como correta.
	Laudos discordantes são naturais, pois podem ocorrer diferenças de ponto de vista em questões polemicas e mesmo em forma de observar os fatos.
	Não há demérito em discordar, mas existe em ofender ou tentar menosprezar um colega no exercício da profissão. Mesmo quando há diferença de experiência e cultura, o respeito é condição essencial.
LAUDO INSUFICIENTE
	Laudo insuficiente é aquele que não esclarece tudo o que dele se espera como meio de atendimento sobre uma questão ou várias que tenham sido formuladas.
	Pode ocorrer que um laudo não satisfaça. Pode ocorrer que seja questionável e omisso.
	Quando ocorre a insuficiência é aconselhável outra perícia.
	As verificações podem ser incompletas, os exames podem omitir ou mal interpretar ou um fato pode passar despercebido.
	Todas essas ocorrências podem suceder, e são de fato, na prática, constatáveis; a própria lei prevê isto para os casos de perícia judicial.
	Na perícia administrativa pode, também, ocorrer que as respostas não sejam tão esclarecedoras como delas se esperava.
	Tudo isso pode ensejar uma segunda perícia sobre os mesmos assuntos. Outro perito pode chegar a conclusões mais amplas e satisfatórias.
	Sendo o laudo uma peça de valia para os fins de decisão, pode ocorrer que uma das partes interessadas o considere lesivo a seus direitos, porque omitiu ou distorceu opiniões.
	As condições de insuficiências dos laudos, todavia, não devem ser tratadas com excesso de rigor.
	Só se deve considerar um laudo insuficiente quando os dados omissos no mesmo ou que estiverem expostos de forma incompleta forem capazes de alterar a decisão do juiz.
	Pequenos erros de cálculos, exclusões de detalhes e documentos irrelevantes, falta de análises de particularidades não decisivas em face do julgamento são imperfeições, mas não insuficiências competentes para que um laudo seja, de fato, considerado defeituoso por insuficiência de dados.
	Entretanto, não escapa ao julgamento de laudo insuficiente aquele que tem como resposta a evasiva ou uma declaração de incapacidade de apuração quando na realidade a apuração era possível.
 
ESCLARECIMENTO DE LAUDO
	Um laudo pode não estar devidamente claro, embora não seja considerado insuficiente.
	Há uma diferença de conceitos; o laudo insuficiente é geralmente o que omite ou distorce; o laudo que enseja esclarecimentos é o que não omite, não distorce, mas permite interpretação duvidosa.
	Existem expressões que podem permitir duplo sentido ou que possam conduzir a entendimentos opostos.
	Assim, por exemplo, a uma pergunta objetiva pode corresponder a uma resposta subjetiva ou duvidosa.
	
Exemplo:
	Quesito => Os anexos do contrato 22 esclarecem sobre a situação da empresa em 03/08/15 e neles consta uma dívida de R$ 1.000,00?
	Resposta => A esse perito não foram apresentados os anexos.
	Resposta clara e precisa => Esse perito não encontrou os anexos a que se refere o quesito e, apesar de serem mencionados no texto do contrato, não se encontram no arquivo da empresa nem foram apresentados, mesmo requeridos, concluindo esse perito por sua inexistência.
	Ocorrendo a necessidade de esclarecimentos, podem as partes e o próprio juiz ficarem satisfeitos com explicações verbais ou adicionais.
ENTREGA DOS LAUDOS
	Os laudos possuem prazos, ou seja, tempo certo em que devem ser produzidos; portanto, para que haja prova de que o prazo se cumpre é preciso formalizar a entrega.
	O perito deve proteger-se com a prova da entrega. A formalização de entrega deve obedecer à natureza e às formalidades de cada caso; nas perícias administrativas, uma carta ou um ofício; nas judiciais a petição ao juiz para anexação aos autos.
O laudo é compromisso em tempo determinado e por isso sua entrega deve ser sempre comprovada.
LIMITE DA PERTINENCIA DA OPINIAO NO LAUDO PERICIAL
	Quando o perito contábil está a serviço do juiz, por ele nomeado, tem por responsabilidade principal orientar a decisão do magistrado.
	Algumas vezes, tal orientação está além do que consta do questionado, ou seja, o laudo pode transcender os limites dos quesitos formulados. Deve o perito, então, por exercício da consciência ética, ir além dos que requerem os temas elaborados pelas partes e acrescentar o que pode contribuir para a decisão e que por ele foi detectado.
	Trata-se de assumir o verdadeiro “espírito de opinião”, ou seja, o que o juiz espera como orientação para proferir sua sentença.
	Se o perito consegue perceber o que não foi perguntado, mas que influi na decisão, deve, a serviço da justiça e da qualidade de seu trabalho, transcender o que foi inquirido.
	É da essência do trabalho do perito do juiz auxiliar o magistrado no sentido de uma decisão adequada. A opinião do perito deve ser dada sempre quando ela puder influir no critério da sentença.
PERÍCIA JUDICIAL
	A perícia judicial é específica e define-se pelo texto da lei. A prova pericial consiste em exame, vistoria e avaliação.
	Ela se motiva no fato de o juiz depender do conhecimento técnico ou especializado de um profissional para poder decidir.
	A perícia contábil judicial é a que visa servir de prova, esclarecendo o juiz sobre assuntos em litígio que merecem seu julgamento, objetivando fatos relativos ao patrimônio aziendal ou de pessoas.CICLO NORMAL DA PERÍCIA JUDICIAL
	Podemos dizer que o ciclo da perícia judicial envolve seu curso, em suas fases: preliminar, operacional e final. Existe, portanto, um conjunto de fases que formam o ciclo da perícia judicial.
	Fase preliminar:
a perícia é requerida ao juiz, pela interessada na mesma;
o juiz defere a perícia e escolhe seu perito;
as partes formulam quesitos e indicam seus assistentes;
os peritos são cientificados da indicação;
os peritos propõem honorários e requerem deposito;
o juiz estabelece prazo, local e hora para o início;
	Fase operacional:
início da perícia e diligências;
curso do trabalho;
elaboração do laudo;
	Fase final
assinatura do laudo;
entrega do laudo ou laudos em caso de separado, mediante comprovante;
levantamento dos honorários;
esclarecimentos (se requeridos);
LOGICA DOS QUESITOS
	Os quesitos devem ser, como já visto, pertinentes a matéria que forma o motivo da ação. Devem ser formulados em sequência lógica de modo a conduzir-se à conclusão que se deseja.
	O advogado, depende muito de seu perito, mas este, para poder executar um bom trabalho para as partes que o elegem, precisa muito bem conhecer os argumentos ou razoes sobre as quais o advogado espera defender seu constituinte.
	Os quesitos devem resultar de um esforço conjunto entre o contador e o advogado, de modo possuírem uma forma lógica competente para se chegar às conclusões desejadas como provas.
OS PERITOS EM JUÍZO – NOMEAÇÃO, INDICAÇÃO, INTIMAÇÃO
	Nas perícias contábeis judiciais, já vimos, três são os peritos: um do juiz e um de cada parte do litígio.
	O perito das partes deve ser indicados no prazo de cinco dias, contados da intimação do despacho de nomeação do perito e no mesmo prazo, os quesitos são apresentados pelas partes.
	Aceita a indicação, o perito do juiz se compromete e pode então comunicar-se com os assistentes indicados.
	O assistente técnico conhece de sua indicação pelas partes em litígio ou pelos advogados, pois não há mais necessidade do que anteriormente se fazia e que era a notificação para que se procedesse à assinatura de termo de compromisso em cartório.
	Os assistentes não se compromissam, mas apenas são indicados e depois avaliam o laudo do perito do juiz.
	Aos assistentes técnicos, cabe a manifestação em forma de parecer do laudo do perito do juiz, no prazo de dez dias da publicação da juntada do laudo nos autos do processo (concordando ou ressalvando).
	Conforme a importância da causa, deve-se escolher a importância do perito. Quanto mais complexa a causa, mais experiência e cultura deve ter o profissional.
	Ao juiz compete também, fixar local, hora e prazo para entrega do laudo pericial.
RECUSA E SUBSTITUIÇÃO DO PERITO
	O perito pode recusar sua indicação por vários motivos.
	A recusa deve ser comunicada ao juiz, por escrito, com a justificativa, quando então será nomeado outro perito para substituir. A escusa deve ser apresentada dentro de até cinco dias da intimação.
	É também, lícito às partes recusar o perito do juiz por suspeição, mas deverá provar os motivos da não aceitação do mesmo.
IMPEDIMENTOS
Impedimentos são situações fáticas ou circunstanciais que impossibilitam o perito-contador e o perito-contador assistente de exercerem, regularmente, suas funções ou realizar atividade pericial em processo judicial, extrajudicial e arbitral.
O perito-contador, nomeado, contratado ou escolhido deve se declarar impedido quando não puder exercer suas atividades com imparcialidade e sem qualquer interferência de terceiros, ocorrendo pelo menos uma das seguintes situações: 
IMPEDIMENTOS LEGAIS
a) for parte do processo; 
b) tiver atuado como perito-contador assistente ou prestado depoimento como testemunha no processo; 
c) tiver cônjuge ou parente seu, consanguíneo ou afim, em linha reta ou em linha colateral até o terceiro grau, postulando no processo; 
d) tiver interesse, direto ou indireto, mediato ou imediato, por si, por seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou em linha colateral até o terceiro grau, no resultado do trabalho pericial; 
e) exercer cargo ou função incompatível com a atividade de perito-contador, em função de impedimentos legais ou estatutários; 
f) receber dádivas de interessados no processo; 
g) subministrar meios para atender às despesas do litígio; e 
h) receber quaisquer valores e benefícios, bens ou coisas sem autorização ou conhecimento do juízo. 
Quando nomeado em juízo, o perito-contador deve dirigir-lhe petição, no prazo legal, justificando a escusa e o motivo do impedimento.
Quando indicado pela parte contratante, não aceitando o encargo, o perito-contador assistente deve comunicar ao juízo e à parte, por escrito, a recusa, devidamente justificada.
IMPEDIMENTO TÉCNICO
Os impedimentos por motivos técnicos a ser declarado pelo perito-contador ou pelo perito-contador assistente decorre da autonomia e da independência que ambos devem possuir para ter condições de desenvolver de forma isenta o seu trabalho. 
São motivos de impedimento técnico: 
a) a matéria em litígio não ser de sua especialidade; 
b) constatar que os recursos humanos e materiais de sua estrutura profissional não permitem assumir o encargo; cumprir os prazos nos trabalhos em que o perito-contador for nomeado, contratado ou escolhido; ou em que o perito-contador assistente for indicado; 
c) ter o perito-contador assistente atuado para a outra parte litigante na condição de consultor técnico ou contador responsável, direto ou indireto em atividade contábil ou em processo no qual o objeto de perícia seja semelhante àquele da discussão.
SUSPEIÇÃO
O perito-contador pode declarar-se suspeito quando, após, nomeado, contratado ou escolhido verificar a ocorrência de situações que venha suscitar suspeição em função da sua imparcialidade ou independência e, desta maneira, comprometer o resultado do seu trabalho em relação à decisão. 
Os casos de suspeição aos quais estão sujeitos o perito-contador são os seguintes: 
a) ser amigo íntimo de qualquer das partes; 
b) ser inimigo capital de qualquer das partes; 
c) ser devedor ou credor de qualquer das partes, dos seus cônjuges, de parentes destes em linha reta ou em linha colateral até o terceiro grau; 
d) ser herdeiro presuntivo ou donatário de alguma das partes ou dos seus cônjuges; 
e) ser empregador de alguma das partes; 
f) aconselhar, de alguma forma, parte envolvida no litígio acerca do objeto da discussão; 
g) houver qualquer interesse no julgamento da causa em favor de alguma das partes; 
h) declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, ficando isento, neste caso, de declinar os motivos.
INDEPENDÊNCIA
O perito-contador e o perito-contador assistente devem evitar e denunciar qualquer interferência que possam constrangê-los em seu trabalho, não admitindo, em nenhuma hipótese, subordinar sua apreciação a qualquer fato, pessoa, situação ou efeito que possam comprometer sua independência.
PROPOSTA DE HONORARIOS – DEPOSITO PREVIO
	Aceita a perícia, o profissional deve requerer seus honorários (fazem parte das custas e quem pede a perícia é quem deve fazer o deposito).
	Toda fixação previa pode, todavia, ser reajustada se o prazo da perícia assim o exigir e nos casos de inflação.
	Em caso de aumento da carga horária de trabalho do perito, mesmo ele tendo fixado previamente seus honorários, pode pedir reajuste.
	Cabe ao autor adiantar as despesas, mas se o réu perder, deverá com as mesmas arcar.
	A proposta pode ainda detalhar mais a natureza dos trabalhos a serem executados, para justificar a previsão.
	Pode ainda requerer o local em que o deposito seja feito a disposição do Meritíssimo juiz a ser levantado quando da entrega dos trabalhos.
	No caso dos assistentes os honorários são ajustados entre as partes.
Portanto:
faz se a proposta e pede-se o deposito prévio em conta e à disposição do MM. Juiz;
Executa-se a perícia e produz-se o laudo;
Entrega-se o laudo e faz-se petição para a liberação do depositofeito em conta que ficou à disposição da justiça
	Essa é a sequência normal, todavia, pode o perito requerer ao juiz parte de seus honorários por antecipação em caso de perícias que levarão tempo para serem concluídas (em geral 50%).
SUBSTITUIÇÃO DO PERITO E DESISTENCIA
	A lei prevê como vimos anteriormente a substituição do perito. 
	Se o perito é intimado e não cumpre sua tarefa em tempo hábil, pode ser substituído.
	Nesse caso, além da substituição o perito é multado pelo juiz em face do valor da causa.
RETIRADA DOS AUTOS
	Para bem conhecer todo o processo e realizar o plano da perícia, o perito precisa conhecer bem os autos; para isso precisa retirá-lo do cartório onde se acha.
	Tal ato também implica em requerimento, ou sendo o perito já bem conhecido é usual que mediante simples controle do cartório lhe é entregue o processo.
	Outras vezes é retirado pelo advogado e cedido ao perito em confiança.
	O perito deve, ao devolver os autos, solicitar baixa da carga mediante protocolo de entrega, para não correr o risco de ser acusado no caso de extravio do processo.
INÍCIO DO TRABALHO PERICIAL E DILIGÊNCIAS
	Em data, hora e local determinados pelo juiz, os peritos devem iniciar seu trabalho. É dever do perito do juiz comunicar-se com os assistentes para comporem a metodologia de seus trabalhos. 
	Devem em tese, estar os três peritos presentes no ato do início das tarefas. Na prática, todavia, e conforme o caso, os assistentes podem combinar com o perito do juiz apenas o exame de seu plano.
DIFICULDADES E RESISTENCIAS DA PARTE
	A parte examinada pode criar obstáculos ao perito, sonegando informações ou complicando o fornecimento de documentos e livros.
	Nesse caso, agindo com habilidade, o perito deve tentar contornar tais obstáculos, fazendo ver os problemas que podem ocorrer.
	Não conseguindo deve imediatamente cientificar ao juiz a resistência e, conforme o caso, requerer a busca e apreensão judicial dos elementos necessários ao trabalho.
	Tal medida, entretanto, só deve ser tomada em casos extremos e depois de esgotados todas as formas amigáveis de conversa.
	O perito tem plenos poderes de investigação, inclusive de produzir os anexos que desejar para ilustrar seu trabalho bem como ouvir testemunhas.
USO DO TRABALHO DE TERCEIROS E PARECERES
	O perito pode necessitar de pareceres de autoridades para fortalecer seu laudo, ou de auxílio de outros especialistas.
	Nesse caso deve acautelar-se quanto a qualidade do especialista.
	Deve também, mencionar no laudo que se fundamentou em tal ou qual opinião.
NOVA PERÍCIA
	Pode também o juiz não satisfeito com o laudo, determinar que seja feita uma nova perícia.
	Nesse caso não se trata de esclarecer um trabalho feito, mas de realizar outro.
	A nova perícia não anula a primeira, ambas são instrumentos validos de apreciação.
	No caso de uma nova perícia o perito vai esclarecer somente as dúvidas que ainda restaram ao juiz e concentrar seu trabalho somente nesses quesitos. Só se justifica uma nova perícia, quando a primeira for considerada insuficiente.
	A insuficiência se justifica por falta de esclarecimento.
QUESITOS SUPLEMENTARES
	Não se trata de um novo exame, mas de adicionar ao já feito elementos que se fazem necessários.
	Após a entrega dos laudos, o juiz abre às partes o exame dos mesmos; então, sim, pode surgir a necessidade de complementar, em razão de as respostas sugerirem novos exames pertinentes.
	O juiz deverá deferir o pedido, pois se não o fizer, ainda que requeridos não serão motivo de trabalho pericial.
	Quando o perito vai realizar seu trabalho com base em quesitos complementares, deve em seu lado identificar que de fato são desta natureza.
	Na pratica há um novo laudo, embora esteja vinculado ao primeiro.
QUESITOS IMPERTINENTES
	O perito pode deixar de responder um quesito se julgar que foge a sua especialidade. Obviamente, o que extrapola ao campo contábil não é responsabilidade do perito contador.
	Assim, por exemplo, se o quesito solicita ao perito a interpretação de um texto de lei, não é ele obrigado a responder, por isso foge aos limites de sua responsabilidade, a menos que o texto se refira especificamente a fato contábil.
	Tais quesitos são ditos impertinentes, ou seja, não se referem a matéria.
	Por isso não é obrigado a responder a tudo o que lhe é perguntado, mas ao que é pertinente a sua especialidade.
PERÍCIAS DISCREPANTES
	Diante de perícias discrepantes, o juiz pode tomar uma média de opiniões; o juiz não é obrigado a limitar-se a um laudo específico.
	Assim por exemplo em um arbitramento de aluguel os laudos podem chegar a valores diversos, mas, sendo todos muito bem fundamentados, pode o juiz optar por uma média de opiniões. 
	O fato de uma perícia discrepar da outra é natural, especialmente em matéria que gera polemica.
	O importante é que cada perito tenha condições de bem argumentar sua conclusão.
PERÍCIA EM LIVRO DE TERCEIROS
	Pode ocorrer, em um processo, que a perícia em uma das partes não seja suficiente, sendo necessária a perícia em outra empresa que não é parte do processo.
	O juiz pode determinar, pois o exame em empresa que não esteja envolvida no processo.
	Assim por exemplo, pode ocorrer a necessidade de verificar contas bancárias particulares de sócios em um banco que não faz parte do processo.
	O perito deve deslocar-se para tal verificação tão logo o juiz expeça o mandato e esteja ele autorizado.
	O perito deve limitar-se, exclusivamente, à matéria que trata o quesito, nada mais.
	Tal procedimento é de máxima ética e preserva a pessoa do perito e da empresa ou terceiro, que, não estando no processo, deve, todavia, ter sua escrita verificada.
PERÍCIA EM LOCAIS DIFERENTES
	Uma perícia pode abranger agencias, filiais, fabricas de uma mesma parte, em diversas localidades do país ou exterior.
	Nesse caso o perito deverá deslocar-se. Tal deslocamento exige cuidados, ou seja, é preciso que o perito, ao chegar ao local, venha munido de identificação e autorização competente para sua verificação.
	Ao realizar a viagem, levará consigo uma correspondência de autorização, seu CRC, os quesitos específicos do local e seu plano de trabalho.
	As despesas de viagem, como passagens, estadia, alimentação, locomoção, não são do perito, mas custas do processo, e o perito deve solicitar o reembolso ou antecipação de numerário.
INDEFERIMENTO DE PERÍCIA
	Confere ao juiz deferir ou indeferir o pedido de perícia. 
	Em geral há indeferimento quando o juiz entende que os documentos apresentados são suficientes, inquestionáveis, formando prova suficiente ou quando este se satisfaz com um parecer técnico ou depoimento de peritos.
	O juiz tem o arbítrio de indeferir, e a parte interessada o de recorrer da decisão do juiz.
SUSTAÇÃO DE PERÍCIA
	Uma perícia pode ser autorizada pelo juiz a ser sustada. O perito precisa conhecer, pois, desse fato.
	Um mandado de segurança pode suspender uma perícia, mesmo determinada pelo juiz, se ela é autorizada por este antes do julgamento das preliminares na contestação da ação.
	
RESPONSABILIDADE CRIMINAL DO PERITO
	O perito pode ser responsabilizado pela inveracidade de seu laudo, se comprovado dolo ou má fé, que em juiz, quer perante os conselhos de contabilidade. Tal responsabilidade envolve:
Indenização à parte prejudicada;
Inabilitação por dois anos para o exercício de uma nova perícia;
Sanção penal por crime;
	Além destas, pode também sofrer as sanções que venham a ser estabelecidas pelo Tribunal de Ética Profissional dos Conselhos de Contabilidade.
	Por isso o perito deve trabalhar com forte dose de cautela. Não deve precipitar-se.
	É preferível omitir uma opinião sobre fatos os quais não se chegou a um convencimento pleno do que lançar qualquer resposta só para satisfazer aos quesitos que foram formulados.
	A pressa é inimiga de um trabalho pericial perfeito.
SIGILO PROFISSIONAL DO PERITO
	O sigilo profissional é um dever ético para qualquer tarefacontábil, mas essencialmente na perícia.
	O profissional tem o dever de nada revelar sobre o que conhece ao elaborar seu trabalho nem deve comentar o que realiza, com terceiros.
	Na busca de um dado, pode-se passar por muitos outros.
	A lei protege o sigilo. A ética impõe o sigilo.
A PERÍCIA CONTÁBIL NAS VÁRIAS CAUSAS JUDICIAIS
	Muitos são os casos de ações judiciais para os quais se requer a perícia contábil.
	Onde se envolvem fatos patrimoniais de pessoas, empresas, instituições, onde esteja o diretor patrimonial está a perícia com o auxiliar de primeira linha nos julgamentos.
ALIMENTOS (AÇÃO ORDINÁRIA)
	A ação ordinária de alimentos deriva da necessidade de apuração de haveres de cônjuge ou responsável pela manutenção de dependentes.
	Busca-se a convicção sobre o que de poder econômico tem uma pessoa para fins de manter aqueles pelos quais é legalmente responsável.
	Movida essa ação, os quesitos apresentados ao perito, direcionam-se no sentido da averiguação de posse material ou patrimonial, ou seja, por exemplo, o potencial de renda de um pai ou uma mãe, para manter seus filhos, visando mensurar uma pensão que será atribuída.
	Tal trabalho pericial pode envolver o exame da escrita contábil de empresa da qual o responsável é titular ou associado, ou mesmo, controlador, ou também, de suas contas bancárias e de títulos, padrão de vida que ostenta.
	Para exame feito na empresa, os quesitos direcionam-se no sentido de apurar-se o que dela aufere como renda tal como: valor das retiradas, retiradas por conta de lucro, salários indiretos etc.
	Como é usual, em todo mundo, a dita economia informal, as perícias podem ser orientadas a examinar o padrão de vida ou os ditos sinais exteriores de riqueza.
	Um advogado astuto, assessorado por um perito competente, pode levantar padrões de vida fora da escrita contábil, com relativa facilidade, obtendo provas em livros de terceiros e até por indagações paralelas.
É habitual também prevendo a separação, o empresário recorrer a simulações como transferências de cotas e ações a terceiros que se prestam a ser seus intermediários; transferir propriedades a preços vis para depois recuperá-los em operações de triangulações etc....
	O perito, no caso procura examinar tais situações por comparações de declarações de bens anteriores, alterações contratuais anteriores, vendas de veículos recentemente operadas, buscando indícios para depois colher provas sobre o desvio de posses para redução de pensões alimentícias.
	Em suma, as investigações devem ser feitas no sentido da apuração da renda do réu para que o juiz tenha condições de determinar a pensão alimentícia a ser atribuída e se o que o réu declara pela empresa é o que movimenta em suas contas. 
APURAÇÃO DE HAVERES
	As causas de apuração de haveres podem dar-se em razão de morte de sócio, morte de mulher de sócio, dissolução da sociedade, em suma nos casos em que se torna necessário apurar os direitos de alguém em uma massa patrimonial.
	O que se busca conhecer são:
Os créditos do sócio, em conta, devidamente atualizados;
Os débitos do sócio, em conta, devidamente atualizados;
O valor de patrimônio líquido real;
As expectativas de lucros da sociedade quando ela vai continuar em funcionamento;
As expectativas de realização do ativo, quando a sociedade vai liquidar-se.
	O exame de apuração de haveres é complexo e não se limita apenas às contas do sócio, mas também as da sociedade em seu comportamento comparativo e prospectivo.
	Os haveres não são só os que friamente se evidenciam nas contas e nos saldos do capital; a escrita contábil é um ponto de partida, mas não o de chegada, pois há muita falsidade na avaliação dos balanços no Brasil.
	É preciso encontrar a essência dos haveres.
CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO
	Tais ações limitam-se, quase sempre, a exames parciais, onde se requer a comprovação de que tais ou quais depósitos se fizeram ou não para garantia de execuções.
	Os quesitos são objetivos e visam, apenas, a rastrear os registros de pagamentos e das sanidades de suas origens, tão como dos registros feitos ou não nas contas próprias.
	O perito já é orientado, objetivamente, sobre o que vai examinar.
	A ação de consignação em pagamento é um procedimento especial e consiste em que o devedor ou um terceiro possa requerer com efeito de pagamento a consignação da quantia, ou da coisa devida.
	O que o perito vai verificar é se foi cumprida a consignação e sob que condições isto foi feito, no interesse da parte reclamante.
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS
	O código civil brasileiro estabelece que se duas pessoas forem, ao mesmo tempo, devedor e credor uma da outra, as duas obrigações extinguem-se até que se compensem.
	Mas a lei também estabelece como a compensação pode operar-se, ou seja, é necessário que as dívidas sejam liquidas, vencidas e de coisas fungíveis da mesma natureza.
	A lei, por conseguinte, coloca condições que motivam, naturalmente, discussões e ensejam perícias para que se estabeleçam as provas da possibilidade, da justiça ou da irregularidade de compensações pretendidas.
FALTA DE ENTREGA DE MERCADORIAS
	Mercadorias, equipamentos, máquinas etc. podem ser encomendados a terceiros, paga uma parte para que sejam produzidos e, depois, o fornecedor faltar seu compromisso de entrega.
	A falta de cumprimento do fornecedor pode gerar causa ou ação ordinária para compelir ao cumprimento do prometido.
	Tais prerrogativas, do comprador, podem gerar processos na justiça, sendo necessária a perícia para comprovar toda a transação.
	A falta de entrega pode gerar sérias perdas ao comprador e como tem ele o direito de delas se ressarcir, mediante indenização que pode obrigar o fornecedor a pagar. O perito em geral é solicitado para calcular as perdas decorrentes.
	Não é só a perda em um lote certo de mercadorias, mas as consequências colaterais e futuras que podem levar uma empresa a sérios prejuízos pela falta de cumprimento da obrigação do fornecedor.
FUNDO DE COMERCIO
	Não há um único conceito suficientemente amplo de fundo de comércio. Para fins práticos, define-se o mesmo como “um potencial de geração de recursos financeiros, de determinado negócio, tendo em vista o conjunto de operações, marcas, patentes, clientes e demais características específicas, fixado em valor presente.”
	Desta forma, sob a ótica de perícia contábil, fundo de comércio é um valor, calculável em função dos lucros futuros de determinado negócio.
	Isto resolve, de forma prática e mais objetiva possível, as dificuldades de cálculo que sempre acompanham a avaliação de fundo de comércio. Mesmo porque, se houver excesso de subjetividade nos cálculos, pode-se chegar a cálculo nenhum.
	Assim, não se trata de calcular quanto vale uma marca, uma patente, a clientela de uma firma etc. e sim, o conjunto de tais recursos e fatores, que resultam um objetivo bastante concreto: o lucro.
	Algumas técnicas recomendáveis e usuais para o cálculo do fundo de comércio são:
HISTÓRICO DE RENTABILIDADE
CRESCIMENTO DE VENDAS
NOVOS NEGÓCIOS
PRAZO DE PROJEÇÃO
DESCONTO A VALOR PRESENTE
CLAREZA E TRANSPARÊNCIA
EXISTÊNCIA DE PREJUÍZOS CONTÍNUOS
PERÍCIA TRABALHISTA
As ações trabalhistas acontecem quando empregados e empregadores, em determinado momento, e, na grande maioria dos casos, no ato da rescisão contratual de trabalho, desacordam entre si quanto ao entendimento pessoal ou coletivo dos direitos que as leis que regem a relação empregado-empregador preceituam a este respeito. 
Sentindo-se lesada, uma das partes propõe litígio à outra parte.
No decorrer da ação trabalhista, o juiz poderá solicitar o auxílio de perito, no qual é determinado que a prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação.
A perícia contábil é ensejada nos processos trabalhistas em duas ocasiões: na apuração de haveres dos empregados retidos junto ao patrimônio dos empregadores, e na análise dos valores patrimoniais dos empregadores, nas ações trabalhistas em que se discute dissídios coletivos.Os caminhos do processo trabalhista e os cálculos
O processo trabalhista possui diversas etapas a serem cumpridas durante a tentativa de solução para o litígio. Estas etapas são compostas de instrumentos específicos, utilizados para assegurar os interesses das partes litigantes.
As etapas do processo trabalhista compreendem, basicamente, a inicial, a contestação, a instrução, o julgamento e a liquidação de sentença.
Quando apresentados na inicial, os cálculos dos haveres pleiteados pelo reclamante estarão presentes e expostos em todas as etapas do desenrolar do litígio. Também poderá, por decisão do juiz, ocorrer a prova pericial quando do ato da liquidação da sentença.
Nos processos trabalhistas, a execução de cálculos para a apuração dos haveres é parte fundamental para ancorar e dar sustentação à sentença que o juiz procederá. Então, estes cálculos devem ser elaborados com um certo rigor técnico, dando-lhes a devida importância que possuem nos processos trabalhistas.
Para isso, deve-se observar, com o mesmo rigor, a competência e qualificação técnico-profissional de quem os elabora, evitando-se, porventura, injustiças em razão de este ter sido apurado por profissional não qualificado ou despreparado para a devida responsabilidade que o mesmo exige.
Cálculo apresentado pelas partes
A CLT, em seu artigo 879, relata que a liquidação poderá ser feita por cálculo, não indicando se este cálculo seria privacidade do contador. Deixa, assim, entender que o cálculo poderia ser elaborado pelas partes, por contador do Juízo ou Tribunal, ou ser apresentado por perito contábil nomeado pelo juiz.
As partes podem apresentar seus cálculos, pois a lei assim permite. Concorda-se com o exposto desde que estes cálculos, e quaisquer outros que venham a fazer parte do litígio nas várias fases que compõem o processo trabalhista, sejam elaborados por contador e apresentados de acordo com o que preceitua o artigo 4º da Resolução CFC nº 560/83.
Quando ocorre nomeação do perito-contador em ações trabalhistas
	
	A participação do perito no processo é compulsória, de acordo com o CPC, art. 145, quando: a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, o juiz será assistido por perito.
	Quando o juiz não possui conhecimentos suficientes sobre o assunto em questão deverá ser auxiliado por pessoa capaz e com conhecimento especial.
	Mas, mesmo que o juiz tenha conhecimentos que não sejam os do direito, deve ser assistido por perito especializado na matéria, para esclarecimento do fato provando.
	Assim agindo, proporcionará oportunidade às partes para que possam criticar o laudo. A presença do perito-contador, em ações trabalhistas, será solicitada sempre que o objeto da perícia envolver conhecimento científico ou técnico sobre a natureza contábil.
 Não existe a Perícia Trabalhista por isso só, sem lhe adjetivar a natureza. No caso de verificação, apuração ou arbitramento de haveres trabalhistas, a perícia é de natureza contábil, por isso é Perícia Contábil.
A Presença do Contador nas Ações Trabalhistas
	Alguns autores tentam desestimular a presença do Contador nos processos trabalhistas. Em alguns casos, chegam a descaracterizar a função do contador, alegando, por vezes, que as provas periciais são denominadas “equivocadamente” de contábeis. Apresentam como desculpa que estas provas se destinam a levantamentos de evolução salarial, eventuais diferenças, apuração de comissões sobre vendas e checagem de documentos pagos a esses títulos e que estes atos não são contábeis.
	Esta argumentação demonstra o desconhecimento dos autores em relação aos aspectos contábeis, inclusive quanto ao objeto da contabilidade. 
	Cabe acrescentar uma reflexão sobre o assunto. Ora, se a lei determina, não se trata de equívoco e, sim, de cumprimento da mesma. Se existem distinções entre as profissões e estas seguem atribuições e prerrogativas estipuladas por lei, então, certas atribuições não são para quem pretende fazer, mas de quem tem competência para fazer.
A lei existe, nesse caso, como uma das formas de evitar que certos trabalhos sejam efetuados por profissionais não habilitados para o ato, mas por profissionais que conheçam as técnicas inerentes à profissão. E, em caso contrário, caracteriza-se exercício ilegal de profissão.
	Quando profissionais de outras áreas, desempenhando o papel de autores ou escritores, os quais não possuem afinidade com a contabilidade, por uma questão lógica – quem entende de contabilidade é o contabilista – tentam utilizar-se de argumentos infundados, chegando a dizer que a presença do contador 
nos processos trabalhistas se dá, em grande parte, pelo fato do excessivo número de arrolamentos de processos nas juntas de conciliação de causas trabalhistas e que os juízes usam do contador para ajudá-los a suprir esta falta de tempo, estes autores demonstram que não estão levando em conta o que está estabelecido em lei quanto à regulamentação e prerrogativas das profissões, demonstrando desconhecer o objeto da contabilidade.
	No cumprimento das prerrogativas de sua profissão, o contador contribui com o judiciário e está presente nos processos trabalhistas sempre que, sob as regras legais, for solicitado, ou quando a situação exigir a sua presença. 
Para que a Justiça resolva estes conflitos de uma forma justa, cabe então ao Juiz, em exercício do Magistrado que lhe cabe, utilizar-se de todas as ferramentas e instrumentos disponíveis para conseguir um acordo entre as partes e elaborar sua sentença. Em alguns casos, o juiz utiliza-se dos préstimos profissionais do contador.

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