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Livro - Gestão Tributária

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( 3 )
competência tributária 
( )
ao entrarmos no capítulo referente à competên-
cia tributária, devemos, inicialmente, esclarecer o signifi-
cado de competência. A competência é um poder conferido 
pelo legislador constitucional aos legisladores infracons-
titucionais para que exerçam, de forma ampla, da ativi-
dade legiferante relativa aos tributos. A competência é 
uma qualidade atribuída aos entes federados e à União 
para legislar sobre matéria tributária. Assim, cabe à União, 
aos estados, aos municípios e ao Distrito Federal o poder 
de legislar sobre matéria tributária no seu âmbito de atu-
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ação. A Constituição Federal de 1988 divide tais compe-
tências, subdividindo os tributos em federais, estaduais e 
municipais. Assim, cada ente possui a capacidade de legis-
lar sobre os tributos que a CF lhe assegura.
Diz o Código Tributário Nacional:
Art. 7º A competência tributária é indelegável, salvo atri-
buição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou 
de executar leis, serviços, atos ou decisões administrati-
vas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurí-
dica de direito público a outra, nos termos do § 3º do artigo 
18 da Constituição [o texto refere-se ao dispositivo da 
Constituição Federal de 1946].
O caput do art. 7° compreende dois comandos distintos. 
O primeiro se refere à competência tributária, enquanto 
a segunda parte trata das questões relativas à capacidade 
contributiva ativa.
Relativamente à competência tributária, a doutrina tra-
dicional apresenta essa competência associada a determi-
nadas características:
Abstração – poder que pode vir a ser exercido;a. 
Permanência – perenidade do poder;b. 
Irrenunciabilidade – não é possível renegá-lo; ec. 
Indelegabilidade – não pode ser transferido.d. 
A atribuição de encargos à pessoa delegada compre-
ende as garantias e direitos de natureza processual. Como 
se vê no “§ 1o do art. 7o do CTN: “§ 1O A atribuição com-
preende as garantias e os privilégios processuais que com-
petem à pessoa jurídica de direito público que a conferir 
[...]”.
O § 2o do mesmo artigo estabelece a possibilidade 
de renúncia unilateral por parte do ente delegante. É 
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resguardo de competência tributária do poder tributante. 
“§ 2o A atribuição pode ser revogada, a qualquer tempo, por 
ato unilateral da pessoa jurídica de direito público que a 
tenha conferido [...]”.
O parágrafo 3o trata da transferência do encargo ou 
função de arrecadar para pessoas de direito privado. A 
transferência não constitui delegação de competência. 
Transfere-se tão-somente a capacidade tributária ativa. “§ 
3o Não constitui delegação de competência o cometimento, 
a pessoas de direito privado, do encargo ou da função de 
arrecadar tributos”.
São espécies de competência tributária, que serão estu-
dadas a seguir:
Privativa; ▪
Residual; ▪
Comum; ▪
Especial; ▪
Excepcional. ▪
(3.1)
competência privativa
É a capacidade legiferante, indelegável, de um ente 
da federação. Por outro lado, as atribuições de arrecadar 
e fiscalizar tributos podem ser delegadas. Dessa forma, o 
não-exercício da competência tributária não a defere à pes-
soa jurídica de direito público diversa daquela a que a CF 
tenha atribuído. Ou seja, a função para arrecadar o tributo 
pode ser delegada, mas a competência nunca. Como diz 
o CTN: “Art. 8o O não-exercício da competência tributária 
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não a defere a pessoa jurídica de direito público diversa 
daquela a que a Constituição a tenha atribuído”.
Uma constituição estadual não pode estabelecer limi-
tes para o aumento dos tributos federais. Isso porque a 
Constituição Estadual não pode retirar o que a CF já esta-
beleceu, pois se trata de competência privativa.
Assim, competência privativa significa que nenhuma 
pessoa jurídica de direito público pode interferir em 
outra pessoa jurídica de direito público quanto à compe-
tência estabelecida pela CF, mesmo que aquela não esteja 
exercendo sua competência legislativa quanto à matéria 
tributária.
Competência privativa da União
São impostos de competência privativa da União (CF, art. 
153): 
II – Imposto de Importação de produtos estrangeiros.a. 
IE – Imposto de Exportação, para o exterior, de produ-b. 
tos nacionais ou nacionalizados.
IR – Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer c. 
natureza.
IOF – Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e d. 
seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários.
ITR – Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural.e. 
IGF – Imposto sobre Grandes Fortunas, nos termos da f. 
lei complementar.
Competência privativa dos estados e do Distrito Federal
São impostos de competência privativa dos Estados e do 
Distrito Federal (CF, art. 155):
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ICMS – Imposto sobre Operações relativas à Circulação a. 
de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de trans-
porte interestadual e intermunicipal e de comunica-
ções, ainda que as operações se iniciem no exterior.
IPVA – Imposto sobre a Propriedade de Veículos b. 
Automotores.
ITCM – Imposto sobre Transmissão c. Causa Mortis e 
Doação de Quaisquer Bens ou Direitos.
Competência privativa dos municípios
São impostos de competência privativa dos municípios (CF, 
art. 156):
IPTU – Imposto sobre a Propriedade Predial e Territo-a. 
rial urbana.
ITBI – Imposto sobre Transmissão b. inter vivos, a qual-
quer título, por ato oneroso, de Bens Imóveis, por natu-
reza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, 
exceto os de garantia, assim como cessão de direitos à 
sua aquisição.
ISS – Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, c. 
excluídos os que constam no ICMS.
Resumindo, tem-se a seguinte situação: 
União e DF 6 impostos
estados e
municípios 
3 cada
Assim, uma empresa pode pagar 12 impostos, depen-
dendo da área de atuação:
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6 para a União 
+
3 para o estado 
+
3 para o município 
=
12 impostos
(3.2)
competência residual
Os tributos de competência residual são outros impostos 
que a União pode vir a instituir, além dos enumerados 
como de sua competência privativa, mediante lei comple-
mentar, desde que:
não sejam cumulativos; ▪
não tenham como fato gerador ou base de cálculo os ▪
próprios dos impostos discriminados na CF.
(3.3)
competência comum
São tributos que podem ser instituídos pela União, pelos 
estados e pelo Distrito Federal ou pelos municípios, cada 
um desses entes dentro da sua área de atuação, com as 
taxas e as contribuições de melhoria sendo cobradas em 
separado ou conjuntamente.
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(3.4)
competência excepcional
Engloba tributos (ou “empréstimos compulsórios”) para os 
casos de guerra, de calamidade pública, de investimento 
público de caráter urgente e relevante para o interesse 
nacional (CF, art. 148).
atividades
Como está dividida a competência tributária no Brasil e 1. 
quais tributos correspondem aos estados, Distrito Federal 
e União?
Pode a União legislar matéria de competência dos estados? 2. 
Justifique.
( 4 )
não-incidência, imunidade, 
isenção, incidência e 
responsabilidade tributária
( )
neste capítulo, estudaremos as situações de não-
incidência, de imunidade, de isenção e de responsabili-
dade tributária. Tais assuntos são de extrema importância 
para o estudo do regime tributário nacional. Esses institu-
tos asseguram ao contribuinte a possibilidade de não reco-
lher tributos (não-incidência), de estar isento da imposi-
ção tributária (isenção), de praticar determinados atos 
que a CF exclui da possibilidade