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TEMA 1 – DEFINIÇÃO, OBJECTO E MÉTODOS DA 
NEUROPSICOLOGIA 
 
I Definição 
 
 Área da psicologia que estuda relações entre a dinâmica funcional 
do encéfalo e o comportamento, estudando ainda a relação 
situação normal/patológica. Em suma, como funciona o cérebro e 
como este produz comportamento. 
 As investigações podem ser básicas (laboratório) ou aplicadas 
(clínica) 
 Utiliza o método científico. 
 Dois modelos: 
 Qualitativo 
 Quantitativo ou psicométrico 
 
 Três áreas de investigação: 
 Funcional 
 Lesional 
 instrumental 
 
 Instrumentos: 
 Técnicas informáticas 
 Electrofisiologia 
 Técnicas neuropsicológicas 
 Técnicas neurofuncionais 
 técnicas neuroanatómicas 
 A Relações cérebro-comportamento 
 Estuda o funcionamento normal e disfuncional 
 Estuda os défices do cérebro, as alterações cognitivas e 
emocionais, transtornos de personalidade, seja por lesão 
cerebral (existe dano sempre que se verifica um transtorno) ou 
por malformação 
 2 
 
II Fundamentos históricos 
 
 A A neuropsicologia tem por base duas grandes hipóteses 
 hipótese do cérebro: parte do princípio que o cérebro é a fonte do 
comportamento (Platão (420 a. C.); Hipócrates (430-379 a. C.: no 
cérebro estão as funções e a inteligência) 
 Frenologia: fenómeno iniciado por Franz Joseph Gall (1758-
1828). Foram pioneiros da cartografia cerebral e neuroimagiologia 
ao elaborarem mapas do cérebro cujas regiões corresponderiam 
a traços de carácter determinados pelo tamanho da respectiva 
área 
 Fenomenologia: divisão do córtex cerebral em zonas (o córtex 
cerebral está formado por células que estabelecem relações com 
as áreas sub-corticais) 
 O cérebro é composto por dois hemisférios simétricos idênticos 
que interagem entre si através do corpo caloso 
 Diferentes áreas corticais têm diferentes funções cognitivas 
 hipótese do neurónio: o neurónio é a unidade funcional e estrutural do 
sistema nervoso 
 Santiago, Ramón y Cajal, Camilo Golgi e D.O. Hebb: estudam 
as funções dos neurónios, a sua estrutura e as redes neuronais 
 o SN é composto por células autónomas independentes que 
interagem mas não estão em contacto físico 
 Estas células compõem uma rede contínua conectada através de 
fibras 
 B Alexander Romanovich (1902-1977) 
 Considerado o pai da neuropsicologia 
 Desenvolveu a teoria da localização sistémico-dinâmica das 
funções = sistema funcional 
 Uma área cerebral está implicada em diferentes funções e uma função 
implica sempre várias áreas cerebrais 
 Usou metodologias qualitativas 
 3 
 
 C Localização da linguagem 
 Paul Broca (1824-1880) 
 Localiza a linguagem no hemisfério esquerdo, 3ª circunvolução 
do lobo frontal inferior 
 Considera a diferenciação hemisférica não inata, produto da 
educação e civilização 
 Danos na área de Broca: ver afasia de Broca 
 Funcionamento deficiente: gaguez 
 Carl Wernicke (1848-1904) 
 Descobriu que uma lesão na circunvolução temporal superior 
no hemisfério esquerdo provoca um transtorno consistente na 
perda da capacidade de compreensão da fala 
 Considera que a linguagem está programada sequencialmente 
 Existe mais de uma área responsável pela linguagem 
 Problemas na área de Wernicke (zona temporal): danos do tipo 
compreensivo - codificação 
 Conceito de desconexão: uma área não funciona porque está 
desconectada 
 
 Antilocalizacionismo 
 Teoria que defende não haver áreas responsáveis por 
determinadas funções 
 Teoria de Goltz 
 O cérebro é mais do que o córtex cerebral 
 Ao retirar uma parte do cérebro a um animal, verificou que este 
só apresentava comportamentos básicos de sobrevivência 
 
 John Hughlins Jackson (1868) 
 O sistema nervoso está organizado hierarquicamente 
 
 
 
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III Metodologias de investigação 
 
 A Três tipos 
 Experimental: aplicada unicamente a animais, porque é necessário 
que as lesões sejam provocadas intencionalmente, observando-se o 
que acontece de seguida 
 Clínica: é o método mais utilizado. 
 Clínico-experimental: combina os dois métodos anteriores, estuda o 
comportamento associado, centrando-se no estudo dos processos 
clínicos complexos, as funções superiores, cognitivas 
 
IV Objectivos gerais em neuropsicologia 
 
 Descrever cientificamente as manifestações de patologias em 
actividades nervosas superiores 
 Conhecer a fisiopatologia das alterações observadas 
 Diagnóstico clínico neuropsicológico e topográfico cerebral (áreas 
afectadas que produzem transtornos do comportamento) 
 Estudar a influência da experiência na aprendizagem e o substracto 
neurofuncional desse processo 
 Representações internas dos fenómenos mentais (neurónio, 
linguagem, movimento) 
 Terapêutica racional e fisiopatológica e reabilitação – abordagem 
terapêutica 
 Elaborar programas de investigação 
 
 
 
 
 
 
 
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TEMA 2 – ESPECIALIZAÇÃO HEMISFÉRICA 
 
 
I Estudos com humanos 
 
 Lateralização das diferentes funções dos processos psicológicos. 
Três grandes aproximações: 
o Sujeitos com lesões cerebrais 
o Sujeitos comisurotomizados 
o Sujeitos neurologicamente normais 
 
II Assimetrias cerebrais 
 
 descobrem-se assimetrias funcionais quando, no séc XIX se descobre, 
no hemisfério esquerdo a linguagem (Broca) 
o A linguagem é uma das funções mais desenvolvidas e 
encontra-se no hemisfério esquerdo 
 de uma maneira geral, o SN é simétrico. Porém, quando o examinamos 
detalhadamente, deparamo-nos com algumas diferenças 
o As diferenças não são anatómicas, mas sim principalmente 
funcionais 
 os hemisférios apresentam diferenças químicas, neuroquímicas e 
bioquímicas 
 
 A Lesões 
 Quando um indivíduo se lesiona no hemisfério esquerdo, notam-se 
alterações directamente observáveis na linguagem, ao passo que nas 
lesões do hemisfério direito, não se notavam alterações a esse nível 
 
 B Corpo Caloso 
 Estabelece a comunicação entre os dois hemisférios 
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 Comissurotomia: técnica que destrói o corpo caloso, para que os 
dois hemisférios funcionem de forma independente 
o Depois da aplicação desta técnica, os dois hemisférios 
funcionavam de forma aparentemente igual 
 
 C Diferenças sexuais e assimetria cerebral 
 Diferença de massa: o cérebro do homem é maior 
 Diferenças funcionais: ex. as mulheres obtêm melhores resultados 
em testes de atenção dividida e os homens em cálculo matemático 
 
III Desconexão Interhemisférica 
 
 Anomia táctil esquerda: por desconexão calosa; os sujeitos não 
podem nomear os objectos situados na mão esquerda; 
 Alexia táctil: incapacidade de nomear letras situadas na mão esquerda 
 Apraxia ideomotora unilateral esquerda: produzida por lesão do corpo 
caloso; incapacidade de conseguir qualquer esboço gestual, 
movimentos inadaptados (parapraxias), perversões do mesmo gesto e 
tentativas vãs de auto-correcção 
 Agrafia esquerda (lesões no corpo caloso): défice de transferência de 
informações visuocinestésicas e linguísticas do hemisfério esquerdo 
donde são organizadas até ao hemisfério direito; caracterizada por letras 
deformadas ou ilegíveis 
 Apraxia construtiva direita: desorganização espacial; a mão direita é 
lenta e desorganizada; afecta a transferência de informações do 
hemisfério direito (centro das capacidades visuoconstrutivas) para o 
hemisfério esquerdo 
 Alexitimia: dificuldades para expressar e verbalizar sentimentos; 
défice de transferência entre o hemisfério direito (função de regulaçãoda 
via emocional) e o esquerdo (linguagem) 
 
 
 
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TEMA 3 - NEUROPSICOLOGIA DAS FUNÇÕES MOTORAS E 
TRANSTORNOS RELACIONADOS 
 
I As apraxias 
 Constituem os transtornos da actividade gestual, tanto de 
“movimentos adaptados a um fim” como da manipulação real ou 
por mímica de objectos, que não se explicam por uma lesão motora, 
sensitiva ou intelectual e que aparecem após lesões em determinadas 
zonas cerebrais 
 
 A Apraxia ideomotora 
 Incapacidade de conseguir qualquer esboço gestual, pela realização 
de movimentos inadaptados (parapraxias), por perversões do 
mesmo gesto e, por vezes, por tentativas vãs de autocorrecção) 
 Pode dissociar-se e aparecer somente sob ordem verbal (apraxia 
verbomotora) ou por imitação (apraxia visuo motora) 
 Pode ser: 
o Bilateral: relacionada com lesões: 
 Parietais, em particular a circunvolução supramarginal 
do hemisfério esquerdo 
 Frontais, ao nível da área motora suplemuitária esquerda, 
observando-se dificuldade na imitação de gestos e 
realização de gestos sequenciais 
 Subcorticais, quando são afectados o tálamo, o núcleo 
lenticular e a substância branca periventricular 
o Apraxia ideomotora unilateral: 
 Frequentemente produzidas por desconexão entre o 
córtex motor associativo esquerdo e direito, cujas fibras 
associativas se distribuem na porção anterior do corpo 
caloso 
 8 
 Podem ser causadas por uma lesão profunda no lóbulo 
frontal 
 A apraxia ideomotora unilateral esquerda pode 
relacionar-se com uma lesão no corpo caloso 
 Afecta os gestos simples 
 Afecta os gestos intransitivos, ou seja, que não implicam a 
manipulação de objectos reais 
 Pode afectar gestos sem significado (gestos arbitrários) ou gestos 
significativos 
o Dois tipos de gestos com intencionalidade funcional 
 Gestos expressivos (enviar um beijo) 
 Gestos que imitam a utilização de objectos: 
 Reflexivos (contra o corpo: beber um copo de 
água) 
 Não reflexivos (girar uma chave na fechadura) 
 Mímicas ou gestos que indicam uma acção (ordem para abrir a porta) 
 Diagnostica-se mediante ordens verbais ou imitações visuais de gestos, 
com ou sem significado 
 
 B Apraxia ideatória: problema de desorganização na planificação mental 
da sequência dos movimentos para a realização da acção projectada 
 Está relacionada com lesões na parte posterior do hemisfério esquerdo 
e em particular na região temporoparietal” 
 Distingue-se da apraxia ideomotora porque envolve somente a 
manipulação de objectos reais (que devem, identificar-se 
perfeitamente) 
 Incapacidade para manipular objectos 
 Dificuldades ao nível das sequências gestuais 
 os gestos são inapropriados, incoerentes, desorganizados 
 
 C Apraxia melocinética: dificuldade na realização de movimentos 
suaves e sucessivos, afectando normalmente pequenos grupos 
musculares. 
 9 
 Aparecem como consequência de lesões na área pré motora.” 
 As dificuldades afectam tanto a mobilidade voluntária como a 
automática 
 Associam-se, segundo Luria, a uma desautomatização dos actos 
motores complexos e dificuldades em pôr em marcha automatismos 
elementares 
 São unilaterais 
 Os movimentos perdem a sua fluidez e aparecem entrecortados, 
sem destreza 
 
 D Apraxia Cinestésica: perda da selectividade dos movimentos 
 Produzida por lesões nas áreas pós-centrais – córtex 
sensóriomotor. 
 Distingue-se da melocinética porque os movimentos isolados 
conservam-se e da ideomotora porque os movimentos automáticos 
conservam-se 
 Os dedos realizam movimentos mal diferenciados, inadaptados ao 
objectivo 
 
 E Apraxia da marcha/ataxia frontal: incapacidade de dispor 
convenientemente dos membros inferiores e de os utilizar de forma 
adequada 
 Pode ser observada em tumores frontais ou frontocalosos, nas 
hidrocefalias ou demências 
 Os sujeitos não conseguem fazer avançar os seus membros 
inferiores alternadamente, ou fazem-no de uma forma rudimentar 
 
 
 
 
 
 
 10 
F Apraxia bucofacial: impossibilidade de gerar voluntariamente 
movimentos com um fim não linguístico, através dos músculos 
responsáveis pela expressão verbal (ex. colocar a língua de fora) 
 Acompanha a suspensão da linguagem no doente anártrico e no 
afásico global, e a desintegração fonética no paciente com afasia de 
Broca 
 Esses movimentos são preservados quando aparecem de forma 
automática 
 
 G Apraxias palpebrais: Concernem ao fecho ou abertura voluntários dos 
olhos. 
 Incapacidade para fechar os olhos: resulta de lesões da 
circunvolução supramarginal do hemisfério dominante ou lesões no 
lobo frontal e em certas apraxias está associado ao atraso mental 
 Incapacidade para abrir os olhos: resulta de lesões corticais 
bilaterais ou só no hemisfério direito e em particular no lobo parietal 
 
H Mãos estranha: incapacidade para reconhecer uma mão quando se 
situa junto a outra, fora do campo de visão, 
 Lesões na parte anterior do corpo caloso e na região frontal, 
incluindo a área motora suplementária, a parte anterior da circunvolução 
cingular e o córtex pré-frontal medial” 
 Indica um transtorno da transferência interhemisférica por secção 
calosa, o que implica a ignorância de um hemicorpo por outro por 
desconexão inter hemisférica 
 a mão afectada costuma ser a dominante 
 
 I Apraxia do vestir: incapacidade de vestir as peças de vestuário 
correctamente, podendo ser associada a uma somatognosia (não reconhecer 
o próprio corpo) e resulta de lesões parietais.” 
 Aparece frequentemente associada à apraxia constructiva 
 11 
 Aparece na ausência de apraxia ideomotora e ideatória; trata-se, 
portanto, de um tipo particular de apraxia reflexiva (o corpo é o 
objecto) que diz somente respeito à actividade de vestir 
 é frequente na doença de Alzheimer 
 
 J Apraxia Construtiva: designa a incapacidade de construir (ex. 
desenhar), mas não de escrever; 
 é uma dificuldade na reacção entre os processos visuais e 
cinestésicos (motores) 
 Reflecte uma lesão parietal que pode afectar os dois hemisférios 
 Quando a apraxia produz uma amputação de uma metade do 
desenho (habitualmente a metade esquerda), é produto de uma lesão 
do hemisfério menor (habitualmente, o direito) 
 O fenómeno de ligação ao modelo, que conduz o paciente a 
inscrever o seu desenho no interior do exemplo (closing in), indica 
lesões no hemisfério esquerdo 
 
 
 
TEMA 4 NEUROPSICOLOGIA DAS FUNÇÕES PERCEPTIVAS E 
TRANSTORNOS RELACIONADOS 
 
I As agnosias 
 Agnosia: ausência de conhecimento 
o Segundo os canais sensoriais: 
 Visual 
 Auditiva 
 Táctil 
 gustativa 
 Olfactiva 
o segundo o material que não pode ser reconhecido: 
 Caras 
 Cores 
 12 
 Objectos 
 Letras 
 Música 
 
 
A Agnosias visuais: designa a incapacidade de aceder ao 
reconhecimento de determinados componentes do mundo visual em 
ausência de qualquer problema sensorial elementar, de afasia ou de 
transtornos intelectuais. 
 “Trata-se de uma percepção desprovida do seu significado” –Teuber 
(1968) 
o Agnosia aperceptiva: designa a incapacidade de aceder à 
estruturação perceptiva das sensações visuais 
 Afecta a percepção dos componentes de um estímulo 
 As lesões observadas são bilaterais e posteriores, 
parietotemporoccipitais 
 Designa a incapacidade de aceder à estruturação 
perceptiva das sensações visuais 
 Traduz-se em problemas na etapa discriminativa da 
identificação visual 
o Agnosia associativa: implica uma dissociação entre o 
percebidoe o seu significado 
 As lesões afectam tipicamente a região posterior do 
hemisfério esquerdo ou dos dois hemisférios 
(occipitotemporoparietal) 
 Os sujeitos não reconhecem os objectos, mas são 
capazes de desenhá-los copiando 
 A designação do objecto pode ser menos correcta do que 
a identificação visual por denominação ou gesto, sendo a 
das imagens mais difícil que a dos objectos 
 Duas vertentes: 
 Sentido estrito: caracteriza-se por erros 
sobretudo morfológicos em denominação visual, 
enquanto que o reconhecimento táctil está 
 13 
preservado e a cópia dos desenhos figurativos é 
possível, embora difícil 
o os objectos reais reconhecem-se melhor que 
as imagens 
 Multimodal: caracterizam-se por erros sobretudo 
semânticos e perseverativos na denominação 
o As lesões expressam uma desactivação da 
área 39 (circunvolução angular esquerda), 
concebida como área de convergência 
polimodal (tratamento de informações 
sensoriais, visuais, auditivas, tácteis e 
verbais) 
o Os objectos, mesmo os quotidianos, não se 
reconhecem e os pacientes não conseguem 
imitar com mímica o uso do objecto, sob 
ordem verbal 
 Afasia óptica: corresponde à etapa visuoverbal do tratamento 
das informações visuais 
o Reconhecem-se os objectos, mas é-se incapaz de nomear o 
objecto, realizando-se substituições semânticas 
 Agnosias categoriais: podem afectar unicamente determinadas 
categorias de objectos visuais 
o É um deficit no tratamento semântico das percepções 
estruturais ou ao nível do acesso a esse tratamento 
 Cegueira cortical: abolição da visão em relação com uma 
destruição do córtex visual occipital. 
o Pode ser: 
 Regressiva 
 Persistente 
 Agnosia das cores: diz respeito à percepção das cores, 
realizando os pacientes bem os teste de Ishihara e o de 
emparelhamentos de cores 
o Acromatopsia 
 14 
o Anomia das cores: incapacidade para denominar ou 
designar cores, ainda que a percepção seja correcta e os 
testes de colorir desenhos e emparelhar cores e objectos se 
realizam bem 
 Poderá relacionar-se com uma desconexão entre as 
áreas visuais e os centros de linguagem, podendo 
implicar o corpo caloso ou a transferência 
intrahemisférica de informações entre o lóbulo occipital 
esquerdo e as áreas de linguagem 
 Prosopagnosia: incapacidade de reconhecer as caras familiares 
o É frequente encontrarem-se lesões temporooccipitais 
bilaterais, embora actualmente se tenha estabelecido que as 
lesões unilaterais direitas da conjunção temporooccipital 
(circunvolução parahipocampica, lingual e fusiforme) 
bastariam para provocar uma prosopagnosia 
o Dificuldades para: 
 Associar caras idênticas vistas em diferentes ângulos 
 Reconhecer o sexo das pessoas em fotografias 
 relacionar caras vistas em diferentes condições de 
iluminação 
 associar expressões emocionais 
 Síndrome de Balint: paralisia psíquica do olhar 
o Apraxia óptica: incapacidade do paciente para fixar o 
olhar num estímulo dentro do seu campo visual periférico, 
podendo ver e reconhecer o objecto para o qual deve olhar: o 
paciente não pode dirigir o seu olhar de um objecto para 
outro 
o Ataxia óptica: incapacidade de alcançar um estímulo no 
seu campo de visão guiando-se pela vista 
o Deficit da atenção visual (desorientação visual): 
incapacidade das estimulações periféricas para solicitar a 
atenção visual; o doente só pode ver um objecto de cada 
vez, seja qual for o tamanho (trata-se de uma simultagnosia) 
 15 
 Os doentes podem ter grandes dificuldades para 
perceber os objectos em movimento 
 As lesões afectam as duas regiões parietooccipitais 
 
 B Agnosias espaciais 
 Desorientação visual de Holme e Horrax: 
o Agrupa os transtornos de localização de objectos 
isolados 
o Os doentes apresentam dificuldades para percepcionar 
o tamanho, a forma e a proximidade dos objectos ou 
podem vê-los de uma forma confusa 
o Os transtornos de percepção espacial estão relacionados 
com lesões posteriores dos hemisférios cerebrais, em 
particular do lado direito 
 Problema do manejo dos dados espaciais e de orientação 
topográfica: Transtorno do tratamento dos dados espaciais 
que se manifesta por problemas no manejo dos dados 
espaciais (como orientar-se num plano) ou de memória 
topográfica (como caminhar numa cidade segundo um itinerário 
definido) 
 Perda da memória topográfica ou desorientação espacial: 
incapacidade em reconhecer lugares familiares (agnosia 
contextual) e de orientar-se neles 
o Lesões na região occipital do hemisfério direito e a 
circunvolução parahipocampica direita, assim como a 
substância branca adjacente ao território da artéria 
cerebral posterior 
 
 C Problemas do esquema corporal ou assomatognosias: a 
representação mental do corpo, denominada esquema corporal elabora-
se progressivamente, graças às aferências sensitivas relacionadas 
estreitamente, desde o início da vida, com a motricidade 
 16 
 O lóbulo parietal tem uma função central na edificação e 
manutenção da imagem corporal, cujos transtornos se podem 
manifestar de maneira uni ou bilateral” 
 Transtornos unilaterais da assomatognosia: apresentam-se 
sob três aspectos 
 Anosodiaforia: designa a indiferença do doente 
em relação à sua hemiplegia 
 Anosognosia: termo que designa a negação de 
uma enfermidade no seu sentido amplo 
 Hemiassomatognosia: sentimento de 
estranheza, de não pertença do hemicorpo 
o As lesões afectam preferencialmente o hemisfério 
direito: lóbulo parietal (particularmente o lóbulo parietal 
inferior) e estruturas subcorticais (tálamo e núcleos 
cinzentos centrais) 
 Transtornos bilaterais da somatognosia 
o Síndrome de Gerstmann: 
 esta síndrome associa tipicamente: 
 Uma agnosia digital: incapacidade para 
designar e distinguir os dedos 
 Uma indistinção direita-esquerda, 
 Uma acalculia: transtorno do cálculo mental 
e escrito com alteração de ordem das cifras e 
disposição mental das operações 
 Agrafia que reflecte por vezes alterações 
apraxicas 
 As lesões afectam a região parietal posterior do 
hemisfério dominante 
o Autopoagnosia: incapacidade para denominar, 
designar ou descrever as diferentes partes do corpo, 
sobre o próprio individuo, em frente a um espelho e sobre 
o examinador 
 
 17 
 D Agnosia auditivas 
 Hemianacusia e surdez cortical 
o A hemianacusia está para a audição como a 
hemianopsia está para a visão. As hemianacusia 
aparecem frequentemente por lesões hemisféricas 
temporais, contralaterais ao ouvido que “falha”. 
o A surdez cortical pode conceber-se como uma dupla 
hemianacusia e deve-se portanto a lesões bilaterais do 
córtex auditivo primário temporal ou a lesões que 
interrompem as vias geniculotemporais 
o Em princípio, a surdez afecta a todo o tipo de sons, verbais 
e não verbais. Está relacionada habitualmente com lesões 
vasculares 
 Agnosia auditiva aperceptiva: o défice afecta o nível 
discriminativo e não permite emparelhar sons idênticos 
 Agnosia auditiva associativa: ainda que sejam capazes de 
emparelhar sons idênticos, não identificam esses sons nem os 
atribuem aos objectos que os produzem 
 As lesões afectam frequentemente aos dois lóbulos temporais” 
 Agnosia dos ruídos 
o Aparece como consequência de lesões no hemisfério 
direito, em particular da região temporal 
 Surdez verbal: incapacidade para compreender a linguagem 
oral, enquanto que o sujeito, sem transtornos de linguagem 
interior, pode ler, falar e escrever 
o Observa-se em lesões corticossubcorticais bitemporais ou 
temporais esquerdas Agnosias da música ou amusias receptivas: incapacidade 
para reconhecer tanto as melodias como as características 
musicais de base, como inventariadas no teste de Seashore: 
tonalidade, intensidade, ritmo, duração, timbre e memória 
melódica 
 18 
 Agnosias paralinguisticas: agrupam as agnosias que não 
afectam as mensagens verbais em si, senão o seu contexto 
afectivo e a identificação do interlocutor 
o Agnosia auditivoverbal ou aprosódia receptiva: 
incapacidade de reconhecer as entoações emocionais 
da linguagem verbal; aparece em lesões do hemisfério 
direito 
o Fonoagnosia: observada em lesões temporoparietais 
está para a voz como a prosopagnosia está para as 
caras 
 
 E Agnosias Tácteis 
 Astereognosia: incapacidade para reconhecer os objectos 
pela palpação e sem ajuda de qualquer outro canal sensorial, 
em particular visual 
 Anomias tácteis 
o Afasias tácteis: aparecem subsequentemente a um 
hematoma parietooccipital esquerdo; o paciente, que 
nomeava correctamente os objectos apresentados 
visualmente não podia nomeá-los tocando-lhes com a mão 
o Anomias tácteis esquerdas: por desconexão calosa 
provocam um quadro diferente de afasia táctil, os sujeitos 
não podem nomear os objectos situados na mão esquerda; 
os objectos reconhecem-se perfeitamente e os pacientes 
podem encontrá-los pelo tacto entre outros objectos ou 
mostrar o seu uso 
 
 
 
TEMA 5 – TRANSTORNOS DA MEMÓRIA 
 
 A activação da memória pressupõe: 
 19 
o Recepção, selecção (consciente ou inconsciente) e, de 
maneira mais geral, tratamento de informações 
recebidas pelos órgãos dos sentidos 
o Codificação e armazenamento dessas informações 
o Capacidade de aceder a essas informações 
o As memórias organizam-se em dicotomias 
I Tipos de memória: 
 A Memória a curto e a longo prazo 
 Memória a curto prazo, imediata ou primária: o material é 
apresentado e logo é invocado sem lapso de tempo 
o Memória de capacidade limitada que engloba a análise 
da informação sensorial a nível das áreas cerebrais 
específicas e a sua recuperação imediata durante um 
tempo de permanência muito breve, de 1 a 2 mins 
o Esta duplicação no acto corresponde a um número restrito 
de elementos que definem o span ou amplitude de 
memória (Ex. o span visual mede a retenção e restituição 
imediata de informações visuais) 
o Esta memória imediata, intacta nos síndromes 
amnésicos, corresponde ao remanescente de 
informação que está à espera de um destino mnésico 
durável 
o Paradigma de Brown-Peterson: o sujeito deve recordar, 
num breve período de tempo (até 20 segs), trigramas 
(séries de três elementos – números ou palavras) 
 Este paradigma permitiu a Braddeley introduzir o 
conceito de memória de trabalho (manipulação 
das informações permitindo a resolução de 
tarefas cognoscitivas -ex, compreensão) 
 Memória de longo prazo/secundária: 
o Permite a conservação duradoura das informações 
graças a uma codificação seguida do armazenamento 
organizado numa trama associativa multimodal 
(semântica, espacial, temporal e afectiva) 
 20 
o Capacidade para invocar o material após um período 
de tempo durante o qual a atenção do sujeito centra-se 
num outro estímulo 
o Tem uma capacidade muito pouco limitada 
o Permite a aprendizagem e as informações entrelaçadas 
são objecto de uma consolidação variável em função da 
sua importância emocional e da sua repetição 
o Sistema distinto do da memória a curto-prazo e repousa 
anatomicamente sobre o circuito de Papez 
 Memória terciária/remota: envolve as memórias mais antigas, 
autobiográficas, da história social do indivíduo e dificilmente se 
vê afectada por danos cerebrais 
 B Aprendizagem e memória 
 Aprendizagem: aquisição de nova informação que pode ser 
utilizada posteriormente 
 Memória: persistência da aprendizagem 
 C Codificação e evocação: se não codificamos, nada fica guardado, 
por isso é impossível evocar 
 Codificação: processo pela qual a informação é convertida 
numa representação mental 
 Evocação: recuperar a informação 
o Processo pelo qual a informação previamente 
armazenada passa a ser consciente 
 D Amnésia retrógrada e anterógrada 
 Amnésia anterógrada: incapacidade de memorização dos 
factos novos 
o Trata-se de um esquecimento progressivo cujo início 
corresponde ao início da enfermidade ou do acidente 
o Altera as capacidades de aprendizagem, assim como a 
codificação em memória dos actos da vida quotidiana 
o nos casos mais graves há desorientação no tempo e 
inclusive no espaço 
 21 
 Amnésia retrógrada: afecta os factos anteriores ao início da 
enfermidade ou traumatismo 
o Os actos mais antigos são os mais memorizados 
 E Interferência pró activa e retroactiva: estas interferências podem 
explicar as dificuldades de memorização num sujeito normal 
 Interferência pró activa: quando uma primeira aprendizagem 
interfere com uma aprendizagem posterior 
 Interferência retroactiva: quando uma segunda aprendizagem 
interfere com uma aprendizagem anterior 
 F Memória declarativa ou explicita e memória não declarativa ou 
implícita 
 Memória implícita: existem três tipos 
o Condicionamento 
o Memória procedimental: habilidades cognoscitivas ou 
perceptivomotoras sem que sejam necessárias 
referências explícitas a uma aprendizagem anterior 
o Priming por repetição (verbal ou perceptivo) 
 Tarefa: consiste em completar trigramas (grupos de 
três letras) 
 Memória semântica ou episódica 
o Episódica/autobiográfica/pura: permite ao sujeito 
recordar factos da sua própria história pessoal, familiar 
ou social 
 Trata-se de uma memória de factos que permite 
ao sujeito actualizar as recordações com uma 
referência espaçotemporal, reconhecendo-os 
como seus e como passados 
 Pode referir-se à memória secundária ou 
terciária 
 Num sujeito com uma síndrome amnésica, a 
alteração da memória episódica é retrógrada e 
anterograda 
 22 
o Memória semântica: corpo de conhecimentos de um 
individuo sem referência espaçotemporal (cultura ou 
competências de um individuo) 
 Memória didáctica que se refere às informações 
cuja evocação está desprovida de toda a 
referência à história pessoal do sujeito 
 Numa síndrome amnésica com esquecimento 
progressivo, o paciente não memoriza o que vive e 
ao mesmo tempo não pode “pôr em dia” a sua 
memória semântica 
 H Memória sectorial: 
o Memória auditiva verbal: lesões retrofrontais do 
hemisfério esquerdo e em particular temporoparietais 
o Memória visuoverbal: altera-se a curto prazo por lesões 
na parte posterior do hemisfério maior 
 Visuoverbal a curto prazo depende de lesões 
temporais ou parietais do hemisfério direito 
 I Memória prospectiva ou memória estratégica 
o Refere-se a capacidades de planificação e de ordem 
temporal necessárias para a optimização de tarefas 
mnésicas 
o Muito sensível a lesões do lóbulo frontal 
 J Memória automática e de esforço e memória incidente e 
intencional 
o Memória automática: memorização efectuada durante 
uma tarefa que não se refere explicitamente a nenhuma 
solicitude de memorização 
 K Memória de actos e memória contextual: reagrupa os atributos 
espaçotemporais da informação ou memória de origem (onde e quando) e as 
modalidades de informação (como) 
 Memória e metamemória 
o Metamemória: consciência que o sujeito tem da sua 
própria memória, o juízo que pode ter sobre as tarefas e 
sobre as estratégias mnésicas que pode activar 
 23 
 
II Transtornos da memória 
 Amnésias: síndromes amnésicos duradoiros por lesões no circuitode Papez 
 O termo síndrome amnésico no seu sentido amplo designa as 
amnésias anterógradas por lesão habitualmente bilateral do 
circuito de Papez 
 As amnésias são acompanhadas de uma lacuna retrógrada 
mais ou menos extensa 
 Quando se associam a fabulações e a falsos reconhecimentos 
fala-se de síndrome de Korsakoff (os síndromes amnésicos 
puros são resultado de lesões hipocampicas, mas o nome de 
síndrome de Korsakoff também pode designar todo o síndrome 
com esquecimento progressivo) 
 A Amnésias hipocampicas 
 O seu núcleo central é a amnésia anterógrada, que se inicia com a 
manifestação clínica da lesão (enfermidade, traumatismo 
craneoencefálico, intervenção neurocirúrgica) 
 As lesões vasculares resultam de infartes duplos hipocampicos por 
obstrução das artérias perfurantes hipocampicas ou de 
obstruções bilaterais das artérias cerebrais posteriores, 
provocando a síndrome de Dide e Botcazo (cegueira cortical e 
amnésia anterógrada de tipo hipocampico 
 
 B Síndrome de Korsakoff: comporta um quadro semiológico de 
quatro sinais: amnésia anterógrada, desorientação temporoespacial, 
fabulação e falsos reconhecimentos 
 As estruturas lesionadas podem ser os corpos mamilares e o 
tálamo, o trígono, o telencéfalo basal, o lóbulo frontal e a 
circunvolução cingular 
 A amnésia anterógrada implica, como a amnésia hipocampica um 
esquecimento progressivo, eliminando a memória explícita em 
algumas dezenas de segundos 
 24 
 Porém, a amnésia anterógrada não se caracteriza sempre por uma 
incapacidade de armazenamento, podendo relacionar-se com um 
transtorno da invocação, sendo um elemento de distinção das 
hipocampicas (os sujeitos podem negar lembrar-se e de seguida 
expressar, de maneira espontânea uma reminiscência 
 A amnésia diencefálica (mamilotalâmica) também teria uma 
evolução do esquecimento mais lento do que a amnésia 
hipocampica 
 Uma lacuna retrógrada cobre alguns meses ou anos 
precedendo o início da enfermidade, frequentemente com um 
gradiente temporal, sendo as recordações menos recentes as pior 
memorizadas 
 Recordações remotas preservadas, mas de forma imperfeita 
 Conhecimentos culturais e didácticos preservados 
 Desorientação temporoespacial consequência da amnésia 
anterorretrógrada 
 Podem produzir respostas de confabulação (narrações de 
riqueza variável que substituem os factos) e aprender a orientar-
se em lugares novos 
 Inteligência e raciocínio preservados 
 Transtornos acompanhados de anosognosia e mais raramente de 
euforia 
 Síndromes de Korsakoff nutricionais estão relacionadas com uma 
carência de vitamina B (alcoolismo) 
 Síndrome de Korsakoff pós traumático detecta-se depois do 
período confusional que se segue ao coma pós traumático 
o Amnésia anterógrada precedida de uma amnésia 
retrógrada que engloba o período comatoso e confusional 
pós traumático atirando o enfermo vários anos para trás no 
tempo 
o Rica actividade de fabulação e de rememoração 
imaginativa ou fantástica, por vezes associadas a 
paramnésias replicativas ou a uma síndrome de Capgras 
 25 
 
 C Amnésias de breve duração: ictus amnésicos e síndromes 
semelhantes 
 Aparição repentina, frequente entre os 50 e 70 anos de idade 
durante 4-6 horas 
 Parece ser precedida de uma emoção (ex. falecimento) 
 Provoca um esquecimento progressivo ao qual se acrescenta 
uma amnésia retrógrada algumas horas ou dias precedentes 
 Não existe desorientação espacial 
 Memória didáctica preservada com comportamento adaptado 
 Por vezes existem cefaleias 
 Um deficit discreto da lembrança verbal pode persistir depois 
do fim 
 Ictus sintomáticos ou secundários podem ocorrer num traumatismo 
craniano, angiografia cerebral como manipulação do bolbo 
cervical ou revelar a curto prazo um tumor talâmico, trigonal ou 
temporal 
 
 D Traumatismos craneoencefálicos 
 Podem provocar lesões com localizações diversas: lesões focais 
lobulares (contusão ou fricção) no ponto de impacto ou no lado 
oposto por contra choque 
 Podem provocar transtornos mnésicos agudos: ictus amnésico ou 
síndrome de Korsakoff 
 Amnésias pós traumáticas: designa o período no qual existe, 
como resultado do coma, uma confusão mental com amnésia 
anterógrada e retrógrada cuja duração é variável, sendo mais 
extensa quanto maior for a duração do coma 
 E Amnésias de envelhecimento e demências 
 F Amnésias afectivas ou psicógenas 
 Amnésias selectivas: o esquecimento pode ter, segundo Freud, 
uma origem psicógena e resultar da rejeição por parte do 
inconsciente de factos insuportáveis para o eu 
 26 
o Explicam-se assim as amnésias que afectam 
selectivamente a uma franja da vida que contém factos 
ou problemas relacionais e desestabilizadores 
 Amnésias de identidade: os sujeitos esquecem o seu nome, 
morada, passado, identidade 
o Pertencem à estrutura neurótica histérica 
o Pode fazer-se acompanhar de uma síndrome de Ganser 
(respostas e actos fora do contexto, sem ter em conta a 
realidade contextual) ou condutas de fuga com 
comportamento adaptado, mas realizadas numa atmosfera 
de despersonalização denominada estado crespuscular 
 G Hipermnesias 
 Hipermnesias permanentes: alguns sujeitos manifestam 
capacidades mnésicas prodigiosas num sector normalmente 
limitado 
o Uns têm uma inteligência superior e utilizam 
procedimentos mnemotécnicos elaborados 
o Outros têm uma debilidade mental e parecem utilizar 
procedimentos mnemotécnicos estereotipados que 
acompanham uma aprendizagem intensiva 
 Hipermnesias breves: dizem respeito aos fenómenos de memória 
panorâmica observados na epilepsia assim como as 
reviviscências mnésicas de períodos mais ou menos importantes 
do passado, desencadeados por emoções intensas e de perigo 
de morte 
 Paramnesias: ilusões de memória que se concebem, segundo 
Delay, como uma liberação da memória autística do “parapeito” 
da memória social 
o ecmnesias: reviver períodos do passado como 
presentes: são alucinações do passado nas quais a 
memória constituída é considerada memória constituinte 
(observam-se na doença de Alzheimer) 
o Fenómenos paramnésicos breves podem observar-se 
durante as crises epilépticas dismnésicas (impressões de 
 27 
dejá vu, já ouvido, vivido) ou o inverso (nunca visto, nunca 
ouvido, nunca vivido 
 
 
TEMA 6 A LINGUAGEM 
 
I Afasias: alteração da linguagem por dano cerebral; segundo a 
localização podem ser: 
 Corticais 
 Subcorticais 
 
A Corticais 
 Afasia de Broca/motora/frontal (problemas na área motora da 
linguagem) 
o Parte inferior da terceira circunvolução frontal 
o Produção linguística alterada 
o Repetição e denominação alteradas 
o Compreensão quase normal 
o Agramatismo 
o Aprosódia 
o Leitura e escrita alteradas (principalmente a escrita) 
o Transtornos sensitivos (perda de sensibilidade da parte 
direita) e paralisia motora direita 
 Afasia de Wernicke (área compreensiva da linguagem) 
o Circunvolução temporal superior 
o Problemas na compreensão da mensagem oral 
o Produção excessiva (logorreia) 
o Parafasias (substituições fonéticas e semânticas 
(principalmente semânticas) 
o Linguagem própria (jergafasia – cada individuo possui 
uma linguagem exclusiva) 
o Implica a modalidade auditiva 
 28 
 Afasia da condução: lesão no sistema de conexões incluído no 
conceito de fascículo arqueado 
o Produção parafásica mas fluida 
o Repetição e denominação alteradas 
o Boa manutenção das capacidades compreensivas 
o Frequentes pausas aparentando fala disprosódica 
o Leitura em voz alta (contaminaçãoparafásica e escrita 
alterada com paragrafias) 
 Afasia global: todas as faculdades relacionadas com a 
linguagem são afectadas (muito rara) 
o Danos graves perisilvianos no hemisfério esquerdo 
o Fala pouco fluida, limitações na compreensão e 
incapacidade para repetir; poça ou nenhuma capacidade 
de denominação e de escrita e leitura 
o De início, o paciente pode apresentar um mutismo total 
o A recuperação dá origem a uma afasia de Broca 
 B Afasias trancorticais: a sua principal característica é a 
preservação da repetição; em alguns casos, o paciente pode ser ecolálico, 
repetindo o que ouve de uma forma literal, embora corrigindo os possíveis 
erros gramaticais ou sintácticos. 
 Afasia motora transcortical: (muito comum à afasia de Broca) 
o Lesão na substância branca anterior à haste frontal do 
ventrículo lateral do hemisfério esquerdo ou na substância 
branca pré-frontal e pré motora 
o Redução importante da fala espontânea que é difícil, 
escassa e disprosódica 
o Compreensão relativamente preservada 
o Denominação conservada embora com ajudas fonémicas e 
contextuais 
o Repetição conservada sem parafasias nem 
agramatismo (principais diferenças com a afasia de 
Broca) 
 Afasia sensorial (semelhante à afasia de Wernicke) 
o Leitura compreensiva e em voz alta afectada 
 29 
o Escrita alienada 
o Repetição conservada 
o Provocada por lesões nos territórios vasculares das 
artérias cerebrais média e posterior do hemisfério 
esquerdo, sendo frequente um deficit nos campos visuais 
 Afasia Mista: congrega elementos das duas afasias anteriores; 
é pouco frequente 
o Patologia vascular nas áreas limítrofes entre os diferentes 
territórios vasculares (artéria cerebral média, anterior e 
posterior) 
o Muito ecolálica (repetição conservada) 
o Fala espontânea pobre e curta 
o Não há compreensão da linguagem oral nem capacidade 
de denominação, leitura e escrita 
 Afasia anómica (pode ser cortical ou transcortical) 
o Lesões parietais e regiões inferiores do lóbulo temporal e 
muitas outras localizações, inclusive no hemisfério direito 
o Todas as faculdades conservadas menos a denominação 
(também na fala conversacional, ainda que por vezes a 
leitura e a escrita possam estar alteradas 
o Tentativas de denominação com circunlóquios 
 
II Transtornos de linguagem escrita -Alexias e agrafias 
 A Alexias: transtornos na capacidade para ler devido a dano 
cerebral em indivíduos que já haviam adquirido a capacidade para 
ler (ao contrário da dislexia que é um transtorno na aprendizagem) 
 Existem três tipos de alexias: 
o Alexia posterior/pré angular/pura/sem agrafia: perda da 
capacidade de leitura mas não de escrita (é a menos 
comum) 
o Causada por acidentes vasculares na artéria cerebral 
posterior esquerda 
o A escrita está conservada mas é imperfeita (melhor 
execução 
 30 
o Pode ser: 
 Literal: incapacidade para ler as letras que 
formam uma palavra, mas não uma palavra 
 Verbal: incapacidade para ler as palavras mas 
não as letras que as formam 
 Global: incapacidade para ler letras e palavras 
 Esplénio-occipital (cegueira verbal pura): 
destruição do córtex calcarino esquerdo 
(hemianopsia direita) e do esplénio (a informação 
visual não chega ao giro angular esquerdo) 
 Subangular: provocada por lesões subcorticais 
inferiores ao giro angular (quadrantanopsia direita 
superior) 
 Hemialexia: provocada por lesões do esplénio que 
provocam uma incapacidade para ler no campo 
visual esquerdo 
 Alexia central/com agrafia: perda total ou parcial da leitura e 
escrita 
o Provocada por danos no giro angular 
o Não só impede o reconhecimento de palavras escritas 
como também o reconhecimento de letras individuais, 
palavras soletradas ou letras apresentadas através de 
outros canais não visuais 
o Escrita paragráfica (substituições fonémicas ou 
semânticas; paralisia grafológica) 
 Alexia anterior: surge da análise de alterações da leitura em 
sujeitos com afasia de Broca 
o Desconexão entre a região angular e as áreas frontais 
provocada por uma lesão da substância branca sob o 
córtex parietofrontal 
o Tendo um défice de fluência, os sujeitos têm 
dificuldade em ler em voz alta; mas a compreensão da 
linguagem escrita está também alterada (se o sentido 
 31 
da frase depende da compreensão de elementos 
gramaticais importantes 
o Por isso é também chamada alexia sintética 
o Maior dificuldade para ler letras do que palavras 
 B Agrafias: perda em maior ou menor grau da capacidade para 
produzir linguagem escrita devida a lesão cerebral 
 Agrafia afásica não fluente: associada a afasias não fluentes 
(afasia de Broca e motora transcortical) 
o Produção escassa; 
o Caligrafia deteriorada; 
o Agramatismo 
 Agrafias afásicas fluentes: associadas a afasias fluentes 
(Wernicke, afasia transcortical sensorial) 
o Produção fácil 
o Letras bem formadas 
o Paragrafias 
o Problemas motores 
o Falta de substantivos 
 Agrafia pura: alteração da linguagem escrita em ausência de 
outros transtornos da linguagem, práxicos ou visuoespaciais 
(alteração muito pouco frequente) 
 Agrafia motora: escrita deficiente devido a um dano cerebral 
na área motora 
o descoordenação entre as funções linguísticas e motoras 
 Agrafia visuoespacial: parecem ser produto de lesões direitas na 
conjunção temporoparietoccipital 
o Caracterizam-se por uma desatenção esquerda, com a 
escritura confinada de forma progressiva ao lado 
direito da página, desvio das linhas e uma má 
organização entre os espaços e os grafemas 
 C Acalculias: perda total ou parcial da capacidade para realizar 
cálculos 
 32 
 Alexia e agrafia para dígitos e números (acompanhada ou não 
de alexia e agrafia para letras e palavras) 
o As operações aritméticas estão alteradas pela 
incapacidade para ler ou escrever os números. 
o Parece ser provocada por lesões temporoparietais 
esquerdas 
 Acalculia espacial: transtorno da organização espacial, não se 
mantendo nem a ordem nem a posição dos dígitos. Está 
associada a lesões do lóbulo parietal direito 
 Anaritmética: alterações da realização de operações 
aritméticas que não se devem a nenhuma das causas 
anteriores. Ex., incapacidade de compreender os dígitos e 
números 
o Provocada por lesões posteriores esquerdas 
 
TABELA 1 – DESCONEXÃO INTERHEMISFÉRICA 
DOENÇAS DEFINIÇÃO CARACTERISTICAS LOCALIZAÇÃO 
DAS LESÕES 
Anomia 
Táctil 
Esquerda 
Incapacidade em 
reconhecer os 
objectos na mão 
esquerda 
 Desconexão 
calosa 
Alexia Táctil Incapacidade de 
nomear letras 
situadas na mão 
esquerda 
 Desconexão 
interhemisférica 
Apraxia 
ideomotora 
unilateral 
esquerda 
Incapacidade de 
conseguir 
qualquer esboço 
gestual 
 Desconexão 
entre o córtex 
motor associativo 
direito e 
esquerdo cujas 
fibras 
associativas se 
distribuem na 
porção anterior 
do corpo caloso 
Agrafia 
esquerda 
Défice de 
transferência de 
informações 
cinestésicas do 
hemisfério 
esquerdo, onde 
Caracterizada por 
letras deformadas ou 
ilegíveis 
Lesões no corpo 
caloso 
 33 
são organizadas 
até ao hemisfério 
direito 
Apraxia 
construtiva 
direita 
Afecta a 
transferência de 
informações do 
hemisfério direito 
(centro das 
capacidades 
visuoconstrutivas 
para o hemisfério 
esquerdo 
A mão direita é lenta e 
desorganizada 
 
Alexitimia Dificuldades para 
expressar e 
verbalizar 
sentimentos 
Défice de 
transferência do 
hemisfério direito 
(centro de regulação 
da via emocional) e o 
hemisfério esquerdo 
(linguagem) 
 
 
TABELA2 – APRAXIAS 
“ TRANSTORNOS DA ACTIVIDADE GESTUAL, TANTO DE MOVIMENTOS 
ADAPTADOS A UM FIM COMO DE MANIPULAÇÃO REAL OU POR MÍMICA 
DE OBJECTOS QUE NÃO SE EXPLICAM POR LESÃO MOTORA, 
SENSITIVA OU INTELECTUAL” 
Apraxia 
ideomotora 
Incapacidade de 
conseguir 
qualquer esboço 
gestual nos 
gestos simples e 
intransitivos e que 
não implica a 
manipulação real 
de objectos 
(gestos sem 
significado e 
expressivos 
reflexivos e não 
reflexivos) 
Movimentos 
inadaptados 
(parapraxias); 
perversões dos 
gestos; tentativas vãs 
de auto correcção. 
Pode manifestar-se 
independentemente 
da forma de 
solicitação do gesto 
ou apenas por ordem 
verbal (apraxia 
verbomotora) ou por 
imitação (apraxia 
visuomotora) 
Bilateral: 
parietal 
(circunvolução 
supramarginal 
esquerda; frontal 
(área motora 
suplemuitária 
esquerda); 
subcorticais 
(tálamo, núcleo 
lenticular e 
substância 
branca 
periventricular); 
Unilateral: 
desconexão 
entre o córtex 
associativo motor 
esquerdo e 
direito, cujas 
fibras 
associativas se 
 34 
distribuem na 
porção anterior 
do corpo caloso; 
lesão profunda 
no lóbulo frontal. 
Apraxia 
Ideatória 
Problema de 
desorganização 
na planificação da 
sequência de 
movimentos para 
a realização da 
acção pretendida 
Distingue-se da 
ideomotora por 
envolver somente a 
manipulação de 
objectos reais; os 
movimentos são 
inapropriados, 
incoerentes, 
desorganizados; 
incapacidade para 
manipular objectos; 
dificuldades ao nível 
das sequências 
gestuais 
Regiões 
posteriores do 
hemisfério 
esquerdo, em 
particular a 
região 
temporoparietal 
Apraxia 
Melocinética 
Dificuldades nos 
movimentos 
suaves e 
sucessivos que 
envolvem 
normalmente 
pequenos grupos 
musculares 
Unilateral; os 
movimentos perdem 
a fluidez, aparecendo 
entrecortados; 
desautomatização 
nos actos motores 
complexos e 
dificuldades no pôr 
em marcha 
automatismos 
elementares; 
afectam a 
mobilidade 
voluntária e 
automática 
Área pré motora 
Apraxia 
Cinestésica 
Perda da 
selectividade dos 
movimentos 
Os dedos realizam 
movimentos mal 
diferenciados, 
inadaptados ao 
objectivo 
Áreas 
póscentrais, ao 
nível do Córtex 
sensóriomotor 
Apraxia da 
marcha 
Incapacidade de 
controlar os 
membros 
inferiores e de os 
utilizar de forma 
adequada 
Também chamada 
ataxia frontal, pode 
ser observada nos 
sujeitos com 
demência, tumores 
frontais, e 
frontocalosos e 
hidrocefalias; 
Os sujeitos não 
conseguem fazer 
avançar 
Lóbulo frontal 
 35 
alternadamente os 
seus membros 
inferiores 
Apraxia 
bucofacial 
Incapacidade de 
realizar 
movimentos com 
um fim não 
linguístico 
utilizando os 
músculos de 
expressão verbal 
Desaparece nos 
movimentos 
automáticos 
 
Apraxias 
palpebrais 
Incapacidade em 
fechar e abrir os 
olhos 
 Incapacidade em 
abrir os olhos: 
lesões bilaterais 
ou só no 
hemisfério direito 
e em particular 
no lóbulo parietal; 
Incapacidade em 
fechar os olhos: 
circunvolução 
supramarginal do 
hemisfério 
dominante ou 
lóbulo frontal 
Apraxia das 
mãos 
estranhas 
Incapacidade em 
reconhecer uma 
das mãos quando 
estas se 
encontram juntas 
e fora do campo 
de visão 
A mão afectada 
costuma ser a 
dominante; 
transtorno de 
transferência 
interhemisférica por 
secção calosa, o que 
implica uma 
ignorância de um 
hemicorpo por outro 
por desconexão 
hemisférica 
Parte anterior do 
corpo caloso e 
região frontal 
Apraxia do 
vestir 
Incapacidade do 
sujeito em se 
vestir 
adequadamente 
 Lóbulo parietal 
Apraxia 
construtiva 
Incapacidade em 
construir 
(desenhar), mas 
não de escrever 
Dificuldade de 
reacção entre os 
processos visuais e 
cinestésicos 
Parte do desenho 
amputada: 
hemisfério direito; 
closing in: 
hemisfério 
esquerdo 
 
 
 
 36 
 
 
 
 
 
TABELA 3 – AGNOSIAS VISUAIS: INCAPACIDADE DE RECONHECER 
DETERMINADOS COMPONENTES DO MUNDO VISUAL EM AUSÊNCIA DE 
QUALQUER PROBLEMA SENSORIAL ELEMENTAR, DE AFASIA, OU 
TRANSTORNOS INTELECTUAIS 
 
Agnosias 
visuais 
Associativas 
Dissociação 
entre um 
estímulo e o 
seu 
significado 
Sentido 
estrito: erros 
morfológicos 
em 
denominação 
visual; 
Multimodal: 
erros 
semânticos e 
perseverativos 
na 
denominação 
Região posterior do 
hemisfério esquerdo ou 
dos dois hemisférios: 
região 
occipitotemporoparietal 
Circunvolução angular 
esquerda (área 39) 
Agnosias 
visuais 
aperceptivas 
Dificuldades 
na percepção 
dos 
componentes 
de um 
estímulo; 
etapa 
discriminativa; 
dificuldade em 
aceder à 
estruturação 
perceptiva das 
sensações 
visuais 
 
 Lesões posteriores 
bilaterais: região 
parietotemporooccipital 
Afasia Óptica Os objectos 
são 
reconhecidos, 
mas não 
nomeados 
Etapa 
visuoverbal do 
tratamento das 
informações 
visuais 
 
Agnosias 
categoriais 
Afecta 
determinadas 
categorias de 
estímulos 
visuais 
 
Cegueira 
cortical 
Abolição da 
visão 
relacionada 
 Córtex visual occipital 
 37 
com a 
destruição do 
córtex visual 
occipital 
Agnosia das 
cores 
Diz respeito à 
percepção das 
cores 
Anomia das 
cores: 
incapacidade 
para denominar 
cores 
Desconexão entre áreas 
visuais e centros de 
linguagem 
Prosopagnosia Incapacidade 
em reconhecer 
as caras 
familiares 
Associar caras 
idênticas vistas 
em diferentes 
ângulos; 
Reconhecer o 
sexo das 
pessoas em 
fotografias; 
Relacionar 
caras vistas em 
diferentes 
condições de 
iluminação; 
Associar 
expressões 
emocionais 
Lesões temporooccipitais 
bilaterais 
Síndrome de 
Balint 
Paralisia 
psíquica do 
olhar 
Apraxia 
óptica: 
incapacidade 
do paciente 
para fixar o seu 
olhar num 
estímulo dentro 
do seu campo 
visual periférico 
Ataxia óptica: 
incapacidade 
de alcançar um 
estímulo no seu 
campo de visão 
guiando-se pela 
vista; 
Défice da 
atenção visual 
(desorientação 
visual) 
Duas regiões 
parietooccipitais 
 
TABELA 4 – AGNOSIAS ESPACIAIS 
Desorientação 
visual de 
Transtornos 
de 
Dificuldade para 
percepcionar o 
Lesões 
posteriores dos 
 38 
Holme e Horrax localização 
de objectos 
isolados 
tamanho, forma ou 
proximidade dos 
objectos ou vê-los de 
forma clara 
hemisférios 
cerebrais 
Problema no 
manejo de 
dados 
espaciais e 
orientação 
topográfica 
 Transtorno de 
tratamento dos dados 
espaciais; Problema 
no manejo de dados 
espaciais 
 
Perda da 
memória 
topográfica ou 
desorientação 
espacial 
Incapacidade 
em 
reconhecer 
lugares 
familiares 
(agnosia 
contextual) 
 Região occipital 
do hemisfério 
direito; 
circunvolução 
parahipocampica 
direita; 
substância 
branca 
subjacente ao 
território da 
artéria posterior 
 
TABELA 5 – ASSOMATOGNOSIAS 
Assomatognosias 
unilaterais 
Problemas 
do esquema 
corporal 
Anosodiaforia: 
indiferença à doença 
Anosognosia: 
negação da doença 
Hemiassomatognosia: 
sentimento de 
estranheza, de não 
pertença do hemicorpo 
Lóbulo 
parietal 
direito 
Assomatognosias 
bilaterais: 
 
 Síndrome de 
Gerstmann 
 Agnosia digital: 
incapacidade para 
distinguir e designar os 
dedos; 
Indistinção direita-
esquerda 
Acalculia: transtorno 
do cálculo mental e 
escrito com alteração 
da ordem das cifras e 
disposição mental das 
operações; 
Agrafia que reflecte 
alterações apraxicas 
Região 
parietal 
posterior 
do 
hemisfério 
dominante 
 Autopoagnosia Incapacidade 
para 
denominar, 
 Região 
parietal 
posterior 
 39 
designar ou 
descrever as 
diferentes 
partes do 
corpo 
do 
hemisfério 
dominanteTABELA 6 – AGNOSIAS AUDITIVAS 
Hemianacusia e 
surdez cortical 
Afecta todo o 
tipo de sons 
 Hemianacusia: 
Lesões 
hemisféricas 
temporais 
Surdez cortical: 
lesões bilaterais do 
córtex auditivo 
primário temporal 
Agnosia auditiva 
aperceptiva 
O défice afecta o 
nível 
discriminativo e 
não permite 
emparelhar sons 
idênticos 
 Lóbulos temporais 
Agnosia auditiva 
associativa 
Ainda que sejam 
capazes de 
emparelhar sons 
idênticos, não 
identificam esses 
sons nem os 
atribuem aos 
objectos que os 
atribuem 
 Lóbulos temporais 
Agnosia dos 
ruídos 
Afecta os sons 
não musicais e 
não verbais 
 Hemisfério direito, 
região temporal 
Surdez verbal Incapacidade 
para 
compreender a 
linguagem oral (o 
sujeito não perde 
faculdades como 
a escrita, a leitura 
ou a fala) 
 Lesões 
corticossubcorticais 
bitemporais ou 
temporais 
esquerdas 
Agnosias da 
música ou 
amusias 
receptivas 
Incapacidade 
para reconhecer 
tanto as melodias 
como as 
características 
musicais de base 
(ritmo, tom, etc) 
 
Agnosias 
paralinguisticas 
Agnosias que 
não afectam as 
Aprosódia 
receptiva: 
Lesões 
temporoparietais 
 40 
mensagens 
verbais em si, 
mas o contexto 
afectivo e a 
identificação do 
interlocutor 
incapacidade de 
reconhecer as 
entoações 
emocionais da 
linguagem verbal; 
fonoagnosia: 
incapacidade 
para reconhecer 
vozes familiares 
do hemisfério 
direito 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TABELA 8 – AGNOSIAS TÁCTEIS 
Astereognosia Incapacidade 
para reconhecer 
os objectos pela 
palpação e sem 
ajuda de qualquer 
outro canal 
sensorial, em 
particular visual 
 
Anomias tácteis Incapacidade de 
nomear os 
objectos 
Afasia táctil: o 
paciente 
nomeava os 
objectos ao olhar 
para eles, mas 
era incapaz de o 
fazer tocando-
lhes com a mão 
Anomia táctil 
esquerda: os 
sujeitos não 
podem nomear os 
objectos situados 
na mão esquerda 
 
 
 
Tabela 9 – AFASIAS CORTICAIS 
Afasia de 
Broca 
Problemas na 
área motora 
da linguagem 
Produção, 
repetição, 
denominação, 
escrita e leitura 
alteradas; 
agramatismo, 
aprosódia e 
transtornos 
sensitivos: 
paralisia 
motora direita e 
3ª 
circunvolução 
frontal inferior 
do Hemisfério 
esquerdo 
 41 
perda de 
sensibilidade 
da parte direita; 
compreensão 
quase normal 
Afasia de 
Wernicke 
Problemas na 
área 
compreensiva 
da linguagem 
Produção 
excessiva, 
parafasias, 
jergafasia 
Circunvolução 
temporal 
superior 
esquerda 
Afasia da 
condução 
Problemas ao 
nível de 
conexão entre 
a área de 
Broca e de 
Wernicke 
Produção 
parafásica mas 
fluida, 
repetição e 
denominação 
alteradas, boa 
manutenção 
das 
capacidades 
compreensivas, 
frequentes 
pausas e leitura 
em voz alta 
com parafasias 
Lesões no 
feixe 
arqueado 
Afasia global Todas as 
faculdades 
relacionadas 
com a 
linguagem 
são afectadas 
Fala pouco 
fluida, 
dificuldades na 
compreensão e 
incapacidade 
de repetir. 
Pouca ou 
nenhuma 
capacidade de 
denominar, ler 
e escrever 
Danos graves 
no hemisfério 
esquerdo 
 
TABELA 10 – AFASIAS TRANSCORTICAIS (a principal diferença em 
relação às corticais é a preservação da repetição) 
 
 
 
 
 42 
 
 
 
preservação da repetição; em alguns casos, o paciente pode ser ecolálico, 
repetindo o que ouve de uma forma literal, embora corrigindo os possíveis 
erros gramaticais ou sintácticos. 
 Afasia motora transcortical: (muito comum à afasia de Broca) 
o Lesão na substância branca anterior à haste frontal do 
ventrículo lateral do hemisfério esquerdo ou na substância 
branca pré-frontal e pré motora 
o Redução importante da fala espontânea que é difícil, 
escassa e disprosódica 
o Compreensão relativamente preservada 
o Denominação conservada embora com ajudas fonémicas e 
contextuais 
o Repetição conservada sem parafasias nem 
agramatismo (principais diferenças com a afasia de 
Broca) 
 Afasia sensorial (semelhante à afasia de Wernicke) 
o Leitura compreensiva e em voz alta afectada 
o Escrita alienada 
o Repetição conservada 
o Provocada por lesões nos territórios vasculares das 
artérias cerebrais média e posterior do hemisfério 
esquerdo, sendo frequente um deficit nos campos visuais 
 Afasia Mista: congrega elementos das duas afasias anteriores; 
é pouco frequente 
o Patologia vascular nas áreas limítrofes entre os diferentes 
territórios vasculares (artéria cerebral média, anterior e 
posterior) 
o Muito ecolálica (repetição conservada) 
o Fala espontânea pobre e curta 
 43 
o Não há compreensão da linguagem oral nem capacidade 
de denominação, leitura e escrita 
 Afasia anómica (pode ser cortical ou transcortical) 
o Lesões parietais e regiões inferiores do lóbulo temporal e 
muitas outras localizações, inclusive no hemisfério direito 
o Todas as faculdades conservadas menos a denominação 
(também na fala conversacional, ainda que por vezes a 
leitura e a escrita possam estar alteradas 
o Tentativas de denominação com circunlóquios 
 
II Transtornos de linguagem escrita -Alexias e agrafias 
 A Alexias: transtornos na capacidade para ler devido a dano 
cerebral em indivíduos que já haviam adquirido a capacidade para 
ler (ao contrário da dislexia que é um transtorno na aprendizagem) 
 Existem três tipos de alexias: 
o Alexia posterior/pré angular/pura/sem agrafia: perda da 
capacidade de leitura mas não de escrita (é a menos 
comum) 
o Causada por acidentes vasculares na artéria cerebral 
posterior esquerda 
o A escrita está conservada mas é imperfeita (melhor 
execução 
o Pode ser: 
 Literal: incapacidade para ler as letras que 
formam uma palavra, mas não uma palavra 
 Verbal: incapacidade para ler as palavras mas 
não as letras que as formam 
 Global: incapacidade para ler letras e palavras 
 Esplénio-occipital (cegueira verbal pura): 
destruição do córtex calcarino esquerdo 
(hemianopsia direita) e do esplénio (a informação 
visual não chega ao giro angular esquerdo) 
 44 
 Subangular: provocada por lesões subcorticais 
inferiores ao giro angular (quadrantanopsia direita 
superior) 
 Hemialexia: provocada por lesões do esplénio que 
provocam uma incapacidade para ler no campo 
visual esquerdo 
 Alexia central/com agrafia: perda total ou parcial da leitura e 
escrita 
o Provocada por danos no giro angular 
o Não só impede o reconhecimento de palavras escritas 
como também o reconhecimento de letras individuais, 
palavras soletradas ou letras apresentadas através de 
outros canais não visuais 
o Escrita paragráfica (substituições fonémicas ou 
semânticas; paralisia grafológica) 
 Alexia anterior: surge da análise de alterações da leitura em 
sujeitos com afasia de Broca 
o Desconexão entre a região angular e as áreas frontais 
provocada por uma lesão da substância branca sob o 
córtex parietofrontal 
o Tendo um défice de fluência, os sujeitos têm 
dificuldade em ler em voz alta; mas a compreensão da 
linguagem escrita está também alterada (se o sentido 
da frase depende da compreensão de elementos 
gramaticais importantes 
o Por isso é também chamada alexia sintética 
o Maior dificuldade para ler letras do que palavras 
 B Agrafias: perda em maior ou menor grau da capacidade para 
produzir linguagem escrita devida a lesão cerebral 
 Agrafia afásica não fluente: associada a afasias não fluentes 
(afasia de Broca e motora transcortical) 
o Produção escassa; 
o Caligrafia deteriorada; 
o Agramatismo 
 45 
 Agrafias afásicas fluentes: associadas a afasias fluentes 
(Wernicke,afasia transcortical sensorial) 
o Produção fácil 
o Letras bem formadas 
o Paragrafias 
o Problemas motores 
o Falta de substantivos 
 Agrafia pura: alteração da linguagem escrita em ausência de 
outros transtornos da linguagem, práxicos ou visuoespaciais 
(alteração muito pouco frequente) 
 Agrafia motora: escrita deficiente devido a um dano cerebral 
na área motora 
o descoordenação entre as funções linguísticas e motoras 
 Agrafia visuoespacial: parecem ser produto de lesões direitas na 
conjunção temporoparietoccipital 
o Caracterizam-se por uma desatenção esquerda, com a 
escritura confinada de forma progressiva ao lado 
direito da página, desvio das linhas e uma má 
organização entre os espaços e os grafemas 
 C Acalculias: perda total ou parcial da capacidade para realizar 
cálculos 
 Alexia e agrafia para dígitos e números (acompanhada ou não 
de alexia e agrafia para letras e palavras) 
o As operações aritméticas estão alteradas pela 
incapacidade para ler ou escrever os números. 
o Parece ser provocada por lesões temporoparietais 
esquerdas 
 Acalculia espacial: transtorno da organização espacial, não se 
mantendo nem a ordem nem a posição dos dígitos. Está 
associada a lesões do lóbulo parietal direito 
 Anaritmética: alterações da realização de operações 
aritméticas que não se devem a nenhuma das causas 
 46 
anteriores. Ex., incapacidade de compreender os dígitos e 
números 
o Provocada por lesões posteriores esquerdas 
 
 
AVALIAÇÃO NEUROPSICOLOGICA 
 
I Aspectos gerais da avaliação neuropsicológica. 
 
II Avaliação neuropsicológica da atenção e orientação. 
 Teste de Orientação Temporal de Benton 
 Toulouse-Pieron (Prova perceptiva e de atenção) 
 Trail Making Test 
 Teste de Atenção e Rastreio Visual (Visual search and attention test) 
 Teste de Cores e Palavras STROOP 
 Subteste de Dígitos (WAIS) 
 Subteste de Codificação (WAIS) 
 Subteste de Letras e Números (WAIS) 
 Subteste de Pesquisa de Símbolos (WAIS) 
 
III Avaliação neuropsicológica da memoria. 
 Escala de Memoria de Weschler III 
 Teste de Aprendizagem audio-verbal de Rey 
 Teste de Retenção Visual de Benton 
 Subteste de Dígitos (WAIS) 
 Subteste de Letras e Números (WAIS) 
 
V Avaliação neuropsicológica das funções verbais. 
 Avaliação da Afasia e Transtornos Relacionados 
 Token test 
 Fluidez Fonémica 
 Fluidez Semántica 
 47 
 Subteste de Vocabulário (WAIS) 
 
IV Avaliação neuropsicológica das funções visuoperceptivas e 
visuoconstructivas. 
 Teste de Reconhecimento Facial de Benton 
 Teste de Reconhecimento de Pantomimas de Benton 
 Teste de Orientação de Linhas de Benton 
 Test de Discriminação Visual de Formas de Benton 
 Test de Copia de uma Figura Complexa de Rey 
 Subteste de Cubos (WAIS) 
 Subteste de Composição de objectos (WAIS) 
 Subteste de Disposição de Gravuras (WAIS) 
 Subteste de Completamento de Gravuras (WAIS) 
 
VI Avaliação neuropsicológica das funções motoras. 
 Purdue Pegboard (Teste de Destreza Manual de Purdue) 
 Tapping Board (Test de Punteado de Purdue) 
 
VII Avaliação neuropsicológica das funções do lobo frontal. 
 Teste de Classificação de Tarjetas de Wisconsin 
 Subteste de Semelhanças (WAIS) 
 Subteste de Compreensão (WAIS) 
 Subteste de Raciocínio de Matrizes (WAIS) 
 Subteste de Disposição de Gravuras (WAIS) 
 Subteste de Letras e Números (WAIS) 
 Test de Cores e Palavras STROOP 
 Trail Making Test 
 Teste de Fluidez Fonémica 
 
 
 
 
 
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