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1 TEMA 1 – DEFINIÇÃO, OBJECTO E MÉTODOS DA NEUROPSICOLOGIA I Definição Área da psicologia que estuda relações entre a dinâmica funcional do encéfalo e o comportamento, estudando ainda a relação situação normal/patológica. Em suma, como funciona o cérebro e como este produz comportamento. As investigações podem ser básicas (laboratório) ou aplicadas (clínica) Utiliza o método científico. Dois modelos: Qualitativo Quantitativo ou psicométrico Três áreas de investigação: Funcional Lesional instrumental Instrumentos: Técnicas informáticas Electrofisiologia Técnicas neuropsicológicas Técnicas neurofuncionais técnicas neuroanatómicas A Relações cérebro-comportamento Estuda o funcionamento normal e disfuncional Estuda os défices do cérebro, as alterações cognitivas e emocionais, transtornos de personalidade, seja por lesão cerebral (existe dano sempre que se verifica um transtorno) ou por malformação 2 II Fundamentos históricos A A neuropsicologia tem por base duas grandes hipóteses hipótese do cérebro: parte do princípio que o cérebro é a fonte do comportamento (Platão (420 a. C.); Hipócrates (430-379 a. C.: no cérebro estão as funções e a inteligência) Frenologia: fenómeno iniciado por Franz Joseph Gall (1758- 1828). Foram pioneiros da cartografia cerebral e neuroimagiologia ao elaborarem mapas do cérebro cujas regiões corresponderiam a traços de carácter determinados pelo tamanho da respectiva área Fenomenologia: divisão do córtex cerebral em zonas (o córtex cerebral está formado por células que estabelecem relações com as áreas sub-corticais) O cérebro é composto por dois hemisférios simétricos idênticos que interagem entre si através do corpo caloso Diferentes áreas corticais têm diferentes funções cognitivas hipótese do neurónio: o neurónio é a unidade funcional e estrutural do sistema nervoso Santiago, Ramón y Cajal, Camilo Golgi e D.O. Hebb: estudam as funções dos neurónios, a sua estrutura e as redes neuronais o SN é composto por células autónomas independentes que interagem mas não estão em contacto físico Estas células compõem uma rede contínua conectada através de fibras B Alexander Romanovich (1902-1977) Considerado o pai da neuropsicologia Desenvolveu a teoria da localização sistémico-dinâmica das funções = sistema funcional Uma área cerebral está implicada em diferentes funções e uma função implica sempre várias áreas cerebrais Usou metodologias qualitativas 3 C Localização da linguagem Paul Broca (1824-1880) Localiza a linguagem no hemisfério esquerdo, 3ª circunvolução do lobo frontal inferior Considera a diferenciação hemisférica não inata, produto da educação e civilização Danos na área de Broca: ver afasia de Broca Funcionamento deficiente: gaguez Carl Wernicke (1848-1904) Descobriu que uma lesão na circunvolução temporal superior no hemisfério esquerdo provoca um transtorno consistente na perda da capacidade de compreensão da fala Considera que a linguagem está programada sequencialmente Existe mais de uma área responsável pela linguagem Problemas na área de Wernicke (zona temporal): danos do tipo compreensivo - codificação Conceito de desconexão: uma área não funciona porque está desconectada Antilocalizacionismo Teoria que defende não haver áreas responsáveis por determinadas funções Teoria de Goltz O cérebro é mais do que o córtex cerebral Ao retirar uma parte do cérebro a um animal, verificou que este só apresentava comportamentos básicos de sobrevivência John Hughlins Jackson (1868) O sistema nervoso está organizado hierarquicamente 4 III Metodologias de investigação A Três tipos Experimental: aplicada unicamente a animais, porque é necessário que as lesões sejam provocadas intencionalmente, observando-se o que acontece de seguida Clínica: é o método mais utilizado. Clínico-experimental: combina os dois métodos anteriores, estuda o comportamento associado, centrando-se no estudo dos processos clínicos complexos, as funções superiores, cognitivas IV Objectivos gerais em neuropsicologia Descrever cientificamente as manifestações de patologias em actividades nervosas superiores Conhecer a fisiopatologia das alterações observadas Diagnóstico clínico neuropsicológico e topográfico cerebral (áreas afectadas que produzem transtornos do comportamento) Estudar a influência da experiência na aprendizagem e o substracto neurofuncional desse processo Representações internas dos fenómenos mentais (neurónio, linguagem, movimento) Terapêutica racional e fisiopatológica e reabilitação – abordagem terapêutica Elaborar programas de investigação 5 TEMA 2 – ESPECIALIZAÇÃO HEMISFÉRICA I Estudos com humanos Lateralização das diferentes funções dos processos psicológicos. Três grandes aproximações: o Sujeitos com lesões cerebrais o Sujeitos comisurotomizados o Sujeitos neurologicamente normais II Assimetrias cerebrais descobrem-se assimetrias funcionais quando, no séc XIX se descobre, no hemisfério esquerdo a linguagem (Broca) o A linguagem é uma das funções mais desenvolvidas e encontra-se no hemisfério esquerdo de uma maneira geral, o SN é simétrico. Porém, quando o examinamos detalhadamente, deparamo-nos com algumas diferenças o As diferenças não são anatómicas, mas sim principalmente funcionais os hemisférios apresentam diferenças químicas, neuroquímicas e bioquímicas A Lesões Quando um indivíduo se lesiona no hemisfério esquerdo, notam-se alterações directamente observáveis na linguagem, ao passo que nas lesões do hemisfério direito, não se notavam alterações a esse nível B Corpo Caloso Estabelece a comunicação entre os dois hemisférios 6 Comissurotomia: técnica que destrói o corpo caloso, para que os dois hemisférios funcionem de forma independente o Depois da aplicação desta técnica, os dois hemisférios funcionavam de forma aparentemente igual C Diferenças sexuais e assimetria cerebral Diferença de massa: o cérebro do homem é maior Diferenças funcionais: ex. as mulheres obtêm melhores resultados em testes de atenção dividida e os homens em cálculo matemático III Desconexão Interhemisférica Anomia táctil esquerda: por desconexão calosa; os sujeitos não podem nomear os objectos situados na mão esquerda; Alexia táctil: incapacidade de nomear letras situadas na mão esquerda Apraxia ideomotora unilateral esquerda: produzida por lesão do corpo caloso; incapacidade de conseguir qualquer esboço gestual, movimentos inadaptados (parapraxias), perversões do mesmo gesto e tentativas vãs de auto-correcção Agrafia esquerda (lesões no corpo caloso): défice de transferência de informações visuocinestésicas e linguísticas do hemisfério esquerdo donde são organizadas até ao hemisfério direito; caracterizada por letras deformadas ou ilegíveis Apraxia construtiva direita: desorganização espacial; a mão direita é lenta e desorganizada; afecta a transferência de informações do hemisfério direito (centro das capacidades visuoconstrutivas) para o hemisfério esquerdo Alexitimia: dificuldades para expressar e verbalizar sentimentos; défice de transferência entre o hemisfério direito (função de regulaçãoda via emocional) e o esquerdo (linguagem) 7 TEMA 3 - NEUROPSICOLOGIA DAS FUNÇÕES MOTORAS E TRANSTORNOS RELACIONADOS I As apraxias Constituem os transtornos da actividade gestual, tanto de “movimentos adaptados a um fim” como da manipulação real ou por mímica de objectos, que não se explicam por uma lesão motora, sensitiva ou intelectual e que aparecem após lesões em determinadas zonas cerebrais A Apraxia ideomotora Incapacidade de conseguir qualquer esboço gestual, pela realização de movimentos inadaptados (parapraxias), por perversões do mesmo gesto e, por vezes, por tentativas vãs de autocorrecção) Pode dissociar-se e aparecer somente sob ordem verbal (apraxia verbomotora) ou por imitação (apraxia visuo motora) Pode ser: o Bilateral: relacionada com lesões: Parietais, em particular a circunvolução supramarginal do hemisfério esquerdo Frontais, ao nível da área motora suplemuitária esquerda, observando-se dificuldade na imitação de gestos e realização de gestos sequenciais Subcorticais, quando são afectados o tálamo, o núcleo lenticular e a substância branca periventricular o Apraxia ideomotora unilateral: Frequentemente produzidas por desconexão entre o córtex motor associativo esquerdo e direito, cujas fibras associativas se distribuem na porção anterior do corpo caloso 8 Podem ser causadas por uma lesão profunda no lóbulo frontal A apraxia ideomotora unilateral esquerda pode relacionar-se com uma lesão no corpo caloso Afecta os gestos simples Afecta os gestos intransitivos, ou seja, que não implicam a manipulação de objectos reais Pode afectar gestos sem significado (gestos arbitrários) ou gestos significativos o Dois tipos de gestos com intencionalidade funcional Gestos expressivos (enviar um beijo) Gestos que imitam a utilização de objectos: Reflexivos (contra o corpo: beber um copo de água) Não reflexivos (girar uma chave na fechadura) Mímicas ou gestos que indicam uma acção (ordem para abrir a porta) Diagnostica-se mediante ordens verbais ou imitações visuais de gestos, com ou sem significado B Apraxia ideatória: problema de desorganização na planificação mental da sequência dos movimentos para a realização da acção projectada Está relacionada com lesões na parte posterior do hemisfério esquerdo e em particular na região temporoparietal” Distingue-se da apraxia ideomotora porque envolve somente a manipulação de objectos reais (que devem, identificar-se perfeitamente) Incapacidade para manipular objectos Dificuldades ao nível das sequências gestuais os gestos são inapropriados, incoerentes, desorganizados C Apraxia melocinética: dificuldade na realização de movimentos suaves e sucessivos, afectando normalmente pequenos grupos musculares. 9 Aparecem como consequência de lesões na área pré motora.” As dificuldades afectam tanto a mobilidade voluntária como a automática Associam-se, segundo Luria, a uma desautomatização dos actos motores complexos e dificuldades em pôr em marcha automatismos elementares São unilaterais Os movimentos perdem a sua fluidez e aparecem entrecortados, sem destreza D Apraxia Cinestésica: perda da selectividade dos movimentos Produzida por lesões nas áreas pós-centrais – córtex sensóriomotor. Distingue-se da melocinética porque os movimentos isolados conservam-se e da ideomotora porque os movimentos automáticos conservam-se Os dedos realizam movimentos mal diferenciados, inadaptados ao objectivo E Apraxia da marcha/ataxia frontal: incapacidade de dispor convenientemente dos membros inferiores e de os utilizar de forma adequada Pode ser observada em tumores frontais ou frontocalosos, nas hidrocefalias ou demências Os sujeitos não conseguem fazer avançar os seus membros inferiores alternadamente, ou fazem-no de uma forma rudimentar 10 F Apraxia bucofacial: impossibilidade de gerar voluntariamente movimentos com um fim não linguístico, através dos músculos responsáveis pela expressão verbal (ex. colocar a língua de fora) Acompanha a suspensão da linguagem no doente anártrico e no afásico global, e a desintegração fonética no paciente com afasia de Broca Esses movimentos são preservados quando aparecem de forma automática G Apraxias palpebrais: Concernem ao fecho ou abertura voluntários dos olhos. Incapacidade para fechar os olhos: resulta de lesões da circunvolução supramarginal do hemisfério dominante ou lesões no lobo frontal e em certas apraxias está associado ao atraso mental Incapacidade para abrir os olhos: resulta de lesões corticais bilaterais ou só no hemisfério direito e em particular no lobo parietal H Mãos estranha: incapacidade para reconhecer uma mão quando se situa junto a outra, fora do campo de visão, Lesões na parte anterior do corpo caloso e na região frontal, incluindo a área motora suplementária, a parte anterior da circunvolução cingular e o córtex pré-frontal medial” Indica um transtorno da transferência interhemisférica por secção calosa, o que implica a ignorância de um hemicorpo por outro por desconexão inter hemisférica a mão afectada costuma ser a dominante I Apraxia do vestir: incapacidade de vestir as peças de vestuário correctamente, podendo ser associada a uma somatognosia (não reconhecer o próprio corpo) e resulta de lesões parietais.” Aparece frequentemente associada à apraxia constructiva 11 Aparece na ausência de apraxia ideomotora e ideatória; trata-se, portanto, de um tipo particular de apraxia reflexiva (o corpo é o objecto) que diz somente respeito à actividade de vestir é frequente na doença de Alzheimer J Apraxia Construtiva: designa a incapacidade de construir (ex. desenhar), mas não de escrever; é uma dificuldade na reacção entre os processos visuais e cinestésicos (motores) Reflecte uma lesão parietal que pode afectar os dois hemisférios Quando a apraxia produz uma amputação de uma metade do desenho (habitualmente a metade esquerda), é produto de uma lesão do hemisfério menor (habitualmente, o direito) O fenómeno de ligação ao modelo, que conduz o paciente a inscrever o seu desenho no interior do exemplo (closing in), indica lesões no hemisfério esquerdo TEMA 4 NEUROPSICOLOGIA DAS FUNÇÕES PERCEPTIVAS E TRANSTORNOS RELACIONADOS I As agnosias Agnosia: ausência de conhecimento o Segundo os canais sensoriais: Visual Auditiva Táctil gustativa Olfactiva o segundo o material que não pode ser reconhecido: Caras Cores 12 Objectos Letras Música A Agnosias visuais: designa a incapacidade de aceder ao reconhecimento de determinados componentes do mundo visual em ausência de qualquer problema sensorial elementar, de afasia ou de transtornos intelectuais. “Trata-se de uma percepção desprovida do seu significado” –Teuber (1968) o Agnosia aperceptiva: designa a incapacidade de aceder à estruturação perceptiva das sensações visuais Afecta a percepção dos componentes de um estímulo As lesões observadas são bilaterais e posteriores, parietotemporoccipitais Designa a incapacidade de aceder à estruturação perceptiva das sensações visuais Traduz-se em problemas na etapa discriminativa da identificação visual o Agnosia associativa: implica uma dissociação entre o percebidoe o seu significado As lesões afectam tipicamente a região posterior do hemisfério esquerdo ou dos dois hemisférios (occipitotemporoparietal) Os sujeitos não reconhecem os objectos, mas são capazes de desenhá-los copiando A designação do objecto pode ser menos correcta do que a identificação visual por denominação ou gesto, sendo a das imagens mais difícil que a dos objectos Duas vertentes: Sentido estrito: caracteriza-se por erros sobretudo morfológicos em denominação visual, enquanto que o reconhecimento táctil está 13 preservado e a cópia dos desenhos figurativos é possível, embora difícil o os objectos reais reconhecem-se melhor que as imagens Multimodal: caracterizam-se por erros sobretudo semânticos e perseverativos na denominação o As lesões expressam uma desactivação da área 39 (circunvolução angular esquerda), concebida como área de convergência polimodal (tratamento de informações sensoriais, visuais, auditivas, tácteis e verbais) o Os objectos, mesmo os quotidianos, não se reconhecem e os pacientes não conseguem imitar com mímica o uso do objecto, sob ordem verbal Afasia óptica: corresponde à etapa visuoverbal do tratamento das informações visuais o Reconhecem-se os objectos, mas é-se incapaz de nomear o objecto, realizando-se substituições semânticas Agnosias categoriais: podem afectar unicamente determinadas categorias de objectos visuais o É um deficit no tratamento semântico das percepções estruturais ou ao nível do acesso a esse tratamento Cegueira cortical: abolição da visão em relação com uma destruição do córtex visual occipital. o Pode ser: Regressiva Persistente Agnosia das cores: diz respeito à percepção das cores, realizando os pacientes bem os teste de Ishihara e o de emparelhamentos de cores o Acromatopsia 14 o Anomia das cores: incapacidade para denominar ou designar cores, ainda que a percepção seja correcta e os testes de colorir desenhos e emparelhar cores e objectos se realizam bem Poderá relacionar-se com uma desconexão entre as áreas visuais e os centros de linguagem, podendo implicar o corpo caloso ou a transferência intrahemisférica de informações entre o lóbulo occipital esquerdo e as áreas de linguagem Prosopagnosia: incapacidade de reconhecer as caras familiares o É frequente encontrarem-se lesões temporooccipitais bilaterais, embora actualmente se tenha estabelecido que as lesões unilaterais direitas da conjunção temporooccipital (circunvolução parahipocampica, lingual e fusiforme) bastariam para provocar uma prosopagnosia o Dificuldades para: Associar caras idênticas vistas em diferentes ângulos Reconhecer o sexo das pessoas em fotografias relacionar caras vistas em diferentes condições de iluminação associar expressões emocionais Síndrome de Balint: paralisia psíquica do olhar o Apraxia óptica: incapacidade do paciente para fixar o olhar num estímulo dentro do seu campo visual periférico, podendo ver e reconhecer o objecto para o qual deve olhar: o paciente não pode dirigir o seu olhar de um objecto para outro o Ataxia óptica: incapacidade de alcançar um estímulo no seu campo de visão guiando-se pela vista o Deficit da atenção visual (desorientação visual): incapacidade das estimulações periféricas para solicitar a atenção visual; o doente só pode ver um objecto de cada vez, seja qual for o tamanho (trata-se de uma simultagnosia) 15 Os doentes podem ter grandes dificuldades para perceber os objectos em movimento As lesões afectam as duas regiões parietooccipitais B Agnosias espaciais Desorientação visual de Holme e Horrax: o Agrupa os transtornos de localização de objectos isolados o Os doentes apresentam dificuldades para percepcionar o tamanho, a forma e a proximidade dos objectos ou podem vê-los de uma forma confusa o Os transtornos de percepção espacial estão relacionados com lesões posteriores dos hemisférios cerebrais, em particular do lado direito Problema do manejo dos dados espaciais e de orientação topográfica: Transtorno do tratamento dos dados espaciais que se manifesta por problemas no manejo dos dados espaciais (como orientar-se num plano) ou de memória topográfica (como caminhar numa cidade segundo um itinerário definido) Perda da memória topográfica ou desorientação espacial: incapacidade em reconhecer lugares familiares (agnosia contextual) e de orientar-se neles o Lesões na região occipital do hemisfério direito e a circunvolução parahipocampica direita, assim como a substância branca adjacente ao território da artéria cerebral posterior C Problemas do esquema corporal ou assomatognosias: a representação mental do corpo, denominada esquema corporal elabora- se progressivamente, graças às aferências sensitivas relacionadas estreitamente, desde o início da vida, com a motricidade 16 O lóbulo parietal tem uma função central na edificação e manutenção da imagem corporal, cujos transtornos se podem manifestar de maneira uni ou bilateral” Transtornos unilaterais da assomatognosia: apresentam-se sob três aspectos Anosodiaforia: designa a indiferença do doente em relação à sua hemiplegia Anosognosia: termo que designa a negação de uma enfermidade no seu sentido amplo Hemiassomatognosia: sentimento de estranheza, de não pertença do hemicorpo o As lesões afectam preferencialmente o hemisfério direito: lóbulo parietal (particularmente o lóbulo parietal inferior) e estruturas subcorticais (tálamo e núcleos cinzentos centrais) Transtornos bilaterais da somatognosia o Síndrome de Gerstmann: esta síndrome associa tipicamente: Uma agnosia digital: incapacidade para designar e distinguir os dedos Uma indistinção direita-esquerda, Uma acalculia: transtorno do cálculo mental e escrito com alteração de ordem das cifras e disposição mental das operações Agrafia que reflecte por vezes alterações apraxicas As lesões afectam a região parietal posterior do hemisfério dominante o Autopoagnosia: incapacidade para denominar, designar ou descrever as diferentes partes do corpo, sobre o próprio individuo, em frente a um espelho e sobre o examinador 17 D Agnosia auditivas Hemianacusia e surdez cortical o A hemianacusia está para a audição como a hemianopsia está para a visão. As hemianacusia aparecem frequentemente por lesões hemisféricas temporais, contralaterais ao ouvido que “falha”. o A surdez cortical pode conceber-se como uma dupla hemianacusia e deve-se portanto a lesões bilaterais do córtex auditivo primário temporal ou a lesões que interrompem as vias geniculotemporais o Em princípio, a surdez afecta a todo o tipo de sons, verbais e não verbais. Está relacionada habitualmente com lesões vasculares Agnosia auditiva aperceptiva: o défice afecta o nível discriminativo e não permite emparelhar sons idênticos Agnosia auditiva associativa: ainda que sejam capazes de emparelhar sons idênticos, não identificam esses sons nem os atribuem aos objectos que os produzem As lesões afectam frequentemente aos dois lóbulos temporais” Agnosia dos ruídos o Aparece como consequência de lesões no hemisfério direito, em particular da região temporal Surdez verbal: incapacidade para compreender a linguagem oral, enquanto que o sujeito, sem transtornos de linguagem interior, pode ler, falar e escrever o Observa-se em lesões corticossubcorticais bitemporais ou temporais esquerdas Agnosias da música ou amusias receptivas: incapacidade para reconhecer tanto as melodias como as características musicais de base, como inventariadas no teste de Seashore: tonalidade, intensidade, ritmo, duração, timbre e memória melódica 18 Agnosias paralinguisticas: agrupam as agnosias que não afectam as mensagens verbais em si, senão o seu contexto afectivo e a identificação do interlocutor o Agnosia auditivoverbal ou aprosódia receptiva: incapacidade de reconhecer as entoações emocionais da linguagem verbal; aparece em lesões do hemisfério direito o Fonoagnosia: observada em lesões temporoparietais está para a voz como a prosopagnosia está para as caras E Agnosias Tácteis Astereognosia: incapacidade para reconhecer os objectos pela palpação e sem ajuda de qualquer outro canal sensorial, em particular visual Anomias tácteis o Afasias tácteis: aparecem subsequentemente a um hematoma parietooccipital esquerdo; o paciente, que nomeava correctamente os objectos apresentados visualmente não podia nomeá-los tocando-lhes com a mão o Anomias tácteis esquerdas: por desconexão calosa provocam um quadro diferente de afasia táctil, os sujeitos não podem nomear os objectos situados na mão esquerda; os objectos reconhecem-se perfeitamente e os pacientes podem encontrá-los pelo tacto entre outros objectos ou mostrar o seu uso TEMA 5 – TRANSTORNOS DA MEMÓRIA A activação da memória pressupõe: 19 o Recepção, selecção (consciente ou inconsciente) e, de maneira mais geral, tratamento de informações recebidas pelos órgãos dos sentidos o Codificação e armazenamento dessas informações o Capacidade de aceder a essas informações o As memórias organizam-se em dicotomias I Tipos de memória: A Memória a curto e a longo prazo Memória a curto prazo, imediata ou primária: o material é apresentado e logo é invocado sem lapso de tempo o Memória de capacidade limitada que engloba a análise da informação sensorial a nível das áreas cerebrais específicas e a sua recuperação imediata durante um tempo de permanência muito breve, de 1 a 2 mins o Esta duplicação no acto corresponde a um número restrito de elementos que definem o span ou amplitude de memória (Ex. o span visual mede a retenção e restituição imediata de informações visuais) o Esta memória imediata, intacta nos síndromes amnésicos, corresponde ao remanescente de informação que está à espera de um destino mnésico durável o Paradigma de Brown-Peterson: o sujeito deve recordar, num breve período de tempo (até 20 segs), trigramas (séries de três elementos – números ou palavras) Este paradigma permitiu a Braddeley introduzir o conceito de memória de trabalho (manipulação das informações permitindo a resolução de tarefas cognoscitivas -ex, compreensão) Memória de longo prazo/secundária: o Permite a conservação duradoura das informações graças a uma codificação seguida do armazenamento organizado numa trama associativa multimodal (semântica, espacial, temporal e afectiva) 20 o Capacidade para invocar o material após um período de tempo durante o qual a atenção do sujeito centra-se num outro estímulo o Tem uma capacidade muito pouco limitada o Permite a aprendizagem e as informações entrelaçadas são objecto de uma consolidação variável em função da sua importância emocional e da sua repetição o Sistema distinto do da memória a curto-prazo e repousa anatomicamente sobre o circuito de Papez Memória terciária/remota: envolve as memórias mais antigas, autobiográficas, da história social do indivíduo e dificilmente se vê afectada por danos cerebrais B Aprendizagem e memória Aprendizagem: aquisição de nova informação que pode ser utilizada posteriormente Memória: persistência da aprendizagem C Codificação e evocação: se não codificamos, nada fica guardado, por isso é impossível evocar Codificação: processo pela qual a informação é convertida numa representação mental Evocação: recuperar a informação o Processo pelo qual a informação previamente armazenada passa a ser consciente D Amnésia retrógrada e anterógrada Amnésia anterógrada: incapacidade de memorização dos factos novos o Trata-se de um esquecimento progressivo cujo início corresponde ao início da enfermidade ou do acidente o Altera as capacidades de aprendizagem, assim como a codificação em memória dos actos da vida quotidiana o nos casos mais graves há desorientação no tempo e inclusive no espaço 21 Amnésia retrógrada: afecta os factos anteriores ao início da enfermidade ou traumatismo o Os actos mais antigos são os mais memorizados E Interferência pró activa e retroactiva: estas interferências podem explicar as dificuldades de memorização num sujeito normal Interferência pró activa: quando uma primeira aprendizagem interfere com uma aprendizagem posterior Interferência retroactiva: quando uma segunda aprendizagem interfere com uma aprendizagem anterior F Memória declarativa ou explicita e memória não declarativa ou implícita Memória implícita: existem três tipos o Condicionamento o Memória procedimental: habilidades cognoscitivas ou perceptivomotoras sem que sejam necessárias referências explícitas a uma aprendizagem anterior o Priming por repetição (verbal ou perceptivo) Tarefa: consiste em completar trigramas (grupos de três letras) Memória semântica ou episódica o Episódica/autobiográfica/pura: permite ao sujeito recordar factos da sua própria história pessoal, familiar ou social Trata-se de uma memória de factos que permite ao sujeito actualizar as recordações com uma referência espaçotemporal, reconhecendo-os como seus e como passados Pode referir-se à memória secundária ou terciária Num sujeito com uma síndrome amnésica, a alteração da memória episódica é retrógrada e anterograda 22 o Memória semântica: corpo de conhecimentos de um individuo sem referência espaçotemporal (cultura ou competências de um individuo) Memória didáctica que se refere às informações cuja evocação está desprovida de toda a referência à história pessoal do sujeito Numa síndrome amnésica com esquecimento progressivo, o paciente não memoriza o que vive e ao mesmo tempo não pode “pôr em dia” a sua memória semântica H Memória sectorial: o Memória auditiva verbal: lesões retrofrontais do hemisfério esquerdo e em particular temporoparietais o Memória visuoverbal: altera-se a curto prazo por lesões na parte posterior do hemisfério maior Visuoverbal a curto prazo depende de lesões temporais ou parietais do hemisfério direito I Memória prospectiva ou memória estratégica o Refere-se a capacidades de planificação e de ordem temporal necessárias para a optimização de tarefas mnésicas o Muito sensível a lesões do lóbulo frontal J Memória automática e de esforço e memória incidente e intencional o Memória automática: memorização efectuada durante uma tarefa que não se refere explicitamente a nenhuma solicitude de memorização K Memória de actos e memória contextual: reagrupa os atributos espaçotemporais da informação ou memória de origem (onde e quando) e as modalidades de informação (como) Memória e metamemória o Metamemória: consciência que o sujeito tem da sua própria memória, o juízo que pode ter sobre as tarefas e sobre as estratégias mnésicas que pode activar 23 II Transtornos da memória Amnésias: síndromes amnésicos duradoiros por lesões no circuitode Papez O termo síndrome amnésico no seu sentido amplo designa as amnésias anterógradas por lesão habitualmente bilateral do circuito de Papez As amnésias são acompanhadas de uma lacuna retrógrada mais ou menos extensa Quando se associam a fabulações e a falsos reconhecimentos fala-se de síndrome de Korsakoff (os síndromes amnésicos puros são resultado de lesões hipocampicas, mas o nome de síndrome de Korsakoff também pode designar todo o síndrome com esquecimento progressivo) A Amnésias hipocampicas O seu núcleo central é a amnésia anterógrada, que se inicia com a manifestação clínica da lesão (enfermidade, traumatismo craneoencefálico, intervenção neurocirúrgica) As lesões vasculares resultam de infartes duplos hipocampicos por obstrução das artérias perfurantes hipocampicas ou de obstruções bilaterais das artérias cerebrais posteriores, provocando a síndrome de Dide e Botcazo (cegueira cortical e amnésia anterógrada de tipo hipocampico B Síndrome de Korsakoff: comporta um quadro semiológico de quatro sinais: amnésia anterógrada, desorientação temporoespacial, fabulação e falsos reconhecimentos As estruturas lesionadas podem ser os corpos mamilares e o tálamo, o trígono, o telencéfalo basal, o lóbulo frontal e a circunvolução cingular A amnésia anterógrada implica, como a amnésia hipocampica um esquecimento progressivo, eliminando a memória explícita em algumas dezenas de segundos 24 Porém, a amnésia anterógrada não se caracteriza sempre por uma incapacidade de armazenamento, podendo relacionar-se com um transtorno da invocação, sendo um elemento de distinção das hipocampicas (os sujeitos podem negar lembrar-se e de seguida expressar, de maneira espontânea uma reminiscência A amnésia diencefálica (mamilotalâmica) também teria uma evolução do esquecimento mais lento do que a amnésia hipocampica Uma lacuna retrógrada cobre alguns meses ou anos precedendo o início da enfermidade, frequentemente com um gradiente temporal, sendo as recordações menos recentes as pior memorizadas Recordações remotas preservadas, mas de forma imperfeita Conhecimentos culturais e didácticos preservados Desorientação temporoespacial consequência da amnésia anterorretrógrada Podem produzir respostas de confabulação (narrações de riqueza variável que substituem os factos) e aprender a orientar- se em lugares novos Inteligência e raciocínio preservados Transtornos acompanhados de anosognosia e mais raramente de euforia Síndromes de Korsakoff nutricionais estão relacionadas com uma carência de vitamina B (alcoolismo) Síndrome de Korsakoff pós traumático detecta-se depois do período confusional que se segue ao coma pós traumático o Amnésia anterógrada precedida de uma amnésia retrógrada que engloba o período comatoso e confusional pós traumático atirando o enfermo vários anos para trás no tempo o Rica actividade de fabulação e de rememoração imaginativa ou fantástica, por vezes associadas a paramnésias replicativas ou a uma síndrome de Capgras 25 C Amnésias de breve duração: ictus amnésicos e síndromes semelhantes Aparição repentina, frequente entre os 50 e 70 anos de idade durante 4-6 horas Parece ser precedida de uma emoção (ex. falecimento) Provoca um esquecimento progressivo ao qual se acrescenta uma amnésia retrógrada algumas horas ou dias precedentes Não existe desorientação espacial Memória didáctica preservada com comportamento adaptado Por vezes existem cefaleias Um deficit discreto da lembrança verbal pode persistir depois do fim Ictus sintomáticos ou secundários podem ocorrer num traumatismo craniano, angiografia cerebral como manipulação do bolbo cervical ou revelar a curto prazo um tumor talâmico, trigonal ou temporal D Traumatismos craneoencefálicos Podem provocar lesões com localizações diversas: lesões focais lobulares (contusão ou fricção) no ponto de impacto ou no lado oposto por contra choque Podem provocar transtornos mnésicos agudos: ictus amnésico ou síndrome de Korsakoff Amnésias pós traumáticas: designa o período no qual existe, como resultado do coma, uma confusão mental com amnésia anterógrada e retrógrada cuja duração é variável, sendo mais extensa quanto maior for a duração do coma E Amnésias de envelhecimento e demências F Amnésias afectivas ou psicógenas Amnésias selectivas: o esquecimento pode ter, segundo Freud, uma origem psicógena e resultar da rejeição por parte do inconsciente de factos insuportáveis para o eu 26 o Explicam-se assim as amnésias que afectam selectivamente a uma franja da vida que contém factos ou problemas relacionais e desestabilizadores Amnésias de identidade: os sujeitos esquecem o seu nome, morada, passado, identidade o Pertencem à estrutura neurótica histérica o Pode fazer-se acompanhar de uma síndrome de Ganser (respostas e actos fora do contexto, sem ter em conta a realidade contextual) ou condutas de fuga com comportamento adaptado, mas realizadas numa atmosfera de despersonalização denominada estado crespuscular G Hipermnesias Hipermnesias permanentes: alguns sujeitos manifestam capacidades mnésicas prodigiosas num sector normalmente limitado o Uns têm uma inteligência superior e utilizam procedimentos mnemotécnicos elaborados o Outros têm uma debilidade mental e parecem utilizar procedimentos mnemotécnicos estereotipados que acompanham uma aprendizagem intensiva Hipermnesias breves: dizem respeito aos fenómenos de memória panorâmica observados na epilepsia assim como as reviviscências mnésicas de períodos mais ou menos importantes do passado, desencadeados por emoções intensas e de perigo de morte Paramnesias: ilusões de memória que se concebem, segundo Delay, como uma liberação da memória autística do “parapeito” da memória social o ecmnesias: reviver períodos do passado como presentes: são alucinações do passado nas quais a memória constituída é considerada memória constituinte (observam-se na doença de Alzheimer) o Fenómenos paramnésicos breves podem observar-se durante as crises epilépticas dismnésicas (impressões de 27 dejá vu, já ouvido, vivido) ou o inverso (nunca visto, nunca ouvido, nunca vivido TEMA 6 A LINGUAGEM I Afasias: alteração da linguagem por dano cerebral; segundo a localização podem ser: Corticais Subcorticais A Corticais Afasia de Broca/motora/frontal (problemas na área motora da linguagem) o Parte inferior da terceira circunvolução frontal o Produção linguística alterada o Repetição e denominação alteradas o Compreensão quase normal o Agramatismo o Aprosódia o Leitura e escrita alteradas (principalmente a escrita) o Transtornos sensitivos (perda de sensibilidade da parte direita) e paralisia motora direita Afasia de Wernicke (área compreensiva da linguagem) o Circunvolução temporal superior o Problemas na compreensão da mensagem oral o Produção excessiva (logorreia) o Parafasias (substituições fonéticas e semânticas (principalmente semânticas) o Linguagem própria (jergafasia – cada individuo possui uma linguagem exclusiva) o Implica a modalidade auditiva 28 Afasia da condução: lesão no sistema de conexões incluído no conceito de fascículo arqueado o Produção parafásica mas fluida o Repetição e denominação alteradas o Boa manutenção das capacidades compreensivas o Frequentes pausas aparentando fala disprosódica o Leitura em voz alta (contaminaçãoparafásica e escrita alterada com paragrafias) Afasia global: todas as faculdades relacionadas com a linguagem são afectadas (muito rara) o Danos graves perisilvianos no hemisfério esquerdo o Fala pouco fluida, limitações na compreensão e incapacidade para repetir; poça ou nenhuma capacidade de denominação e de escrita e leitura o De início, o paciente pode apresentar um mutismo total o A recuperação dá origem a uma afasia de Broca B Afasias trancorticais: a sua principal característica é a preservação da repetição; em alguns casos, o paciente pode ser ecolálico, repetindo o que ouve de uma forma literal, embora corrigindo os possíveis erros gramaticais ou sintácticos. Afasia motora transcortical: (muito comum à afasia de Broca) o Lesão na substância branca anterior à haste frontal do ventrículo lateral do hemisfério esquerdo ou na substância branca pré-frontal e pré motora o Redução importante da fala espontânea que é difícil, escassa e disprosódica o Compreensão relativamente preservada o Denominação conservada embora com ajudas fonémicas e contextuais o Repetição conservada sem parafasias nem agramatismo (principais diferenças com a afasia de Broca) Afasia sensorial (semelhante à afasia de Wernicke) o Leitura compreensiva e em voz alta afectada 29 o Escrita alienada o Repetição conservada o Provocada por lesões nos territórios vasculares das artérias cerebrais média e posterior do hemisfério esquerdo, sendo frequente um deficit nos campos visuais Afasia Mista: congrega elementos das duas afasias anteriores; é pouco frequente o Patologia vascular nas áreas limítrofes entre os diferentes territórios vasculares (artéria cerebral média, anterior e posterior) o Muito ecolálica (repetição conservada) o Fala espontânea pobre e curta o Não há compreensão da linguagem oral nem capacidade de denominação, leitura e escrita Afasia anómica (pode ser cortical ou transcortical) o Lesões parietais e regiões inferiores do lóbulo temporal e muitas outras localizações, inclusive no hemisfério direito o Todas as faculdades conservadas menos a denominação (também na fala conversacional, ainda que por vezes a leitura e a escrita possam estar alteradas o Tentativas de denominação com circunlóquios II Transtornos de linguagem escrita -Alexias e agrafias A Alexias: transtornos na capacidade para ler devido a dano cerebral em indivíduos que já haviam adquirido a capacidade para ler (ao contrário da dislexia que é um transtorno na aprendizagem) Existem três tipos de alexias: o Alexia posterior/pré angular/pura/sem agrafia: perda da capacidade de leitura mas não de escrita (é a menos comum) o Causada por acidentes vasculares na artéria cerebral posterior esquerda o A escrita está conservada mas é imperfeita (melhor execução 30 o Pode ser: Literal: incapacidade para ler as letras que formam uma palavra, mas não uma palavra Verbal: incapacidade para ler as palavras mas não as letras que as formam Global: incapacidade para ler letras e palavras Esplénio-occipital (cegueira verbal pura): destruição do córtex calcarino esquerdo (hemianopsia direita) e do esplénio (a informação visual não chega ao giro angular esquerdo) Subangular: provocada por lesões subcorticais inferiores ao giro angular (quadrantanopsia direita superior) Hemialexia: provocada por lesões do esplénio que provocam uma incapacidade para ler no campo visual esquerdo Alexia central/com agrafia: perda total ou parcial da leitura e escrita o Provocada por danos no giro angular o Não só impede o reconhecimento de palavras escritas como também o reconhecimento de letras individuais, palavras soletradas ou letras apresentadas através de outros canais não visuais o Escrita paragráfica (substituições fonémicas ou semânticas; paralisia grafológica) Alexia anterior: surge da análise de alterações da leitura em sujeitos com afasia de Broca o Desconexão entre a região angular e as áreas frontais provocada por uma lesão da substância branca sob o córtex parietofrontal o Tendo um défice de fluência, os sujeitos têm dificuldade em ler em voz alta; mas a compreensão da linguagem escrita está também alterada (se o sentido 31 da frase depende da compreensão de elementos gramaticais importantes o Por isso é também chamada alexia sintética o Maior dificuldade para ler letras do que palavras B Agrafias: perda em maior ou menor grau da capacidade para produzir linguagem escrita devida a lesão cerebral Agrafia afásica não fluente: associada a afasias não fluentes (afasia de Broca e motora transcortical) o Produção escassa; o Caligrafia deteriorada; o Agramatismo Agrafias afásicas fluentes: associadas a afasias fluentes (Wernicke, afasia transcortical sensorial) o Produção fácil o Letras bem formadas o Paragrafias o Problemas motores o Falta de substantivos Agrafia pura: alteração da linguagem escrita em ausência de outros transtornos da linguagem, práxicos ou visuoespaciais (alteração muito pouco frequente) Agrafia motora: escrita deficiente devido a um dano cerebral na área motora o descoordenação entre as funções linguísticas e motoras Agrafia visuoespacial: parecem ser produto de lesões direitas na conjunção temporoparietoccipital o Caracterizam-se por uma desatenção esquerda, com a escritura confinada de forma progressiva ao lado direito da página, desvio das linhas e uma má organização entre os espaços e os grafemas C Acalculias: perda total ou parcial da capacidade para realizar cálculos 32 Alexia e agrafia para dígitos e números (acompanhada ou não de alexia e agrafia para letras e palavras) o As operações aritméticas estão alteradas pela incapacidade para ler ou escrever os números. o Parece ser provocada por lesões temporoparietais esquerdas Acalculia espacial: transtorno da organização espacial, não se mantendo nem a ordem nem a posição dos dígitos. Está associada a lesões do lóbulo parietal direito Anaritmética: alterações da realização de operações aritméticas que não se devem a nenhuma das causas anteriores. Ex., incapacidade de compreender os dígitos e números o Provocada por lesões posteriores esquerdas TABELA 1 – DESCONEXÃO INTERHEMISFÉRICA DOENÇAS DEFINIÇÃO CARACTERISTICAS LOCALIZAÇÃO DAS LESÕES Anomia Táctil Esquerda Incapacidade em reconhecer os objectos na mão esquerda Desconexão calosa Alexia Táctil Incapacidade de nomear letras situadas na mão esquerda Desconexão interhemisférica Apraxia ideomotora unilateral esquerda Incapacidade de conseguir qualquer esboço gestual Desconexão entre o córtex motor associativo direito e esquerdo cujas fibras associativas se distribuem na porção anterior do corpo caloso Agrafia esquerda Défice de transferência de informações cinestésicas do hemisfério esquerdo, onde Caracterizada por letras deformadas ou ilegíveis Lesões no corpo caloso 33 são organizadas até ao hemisfério direito Apraxia construtiva direita Afecta a transferência de informações do hemisfério direito (centro das capacidades visuoconstrutivas para o hemisfério esquerdo A mão direita é lenta e desorganizada Alexitimia Dificuldades para expressar e verbalizar sentimentos Défice de transferência do hemisfério direito (centro de regulação da via emocional) e o hemisfério esquerdo (linguagem) TABELA2 – APRAXIAS “ TRANSTORNOS DA ACTIVIDADE GESTUAL, TANTO DE MOVIMENTOS ADAPTADOS A UM FIM COMO DE MANIPULAÇÃO REAL OU POR MÍMICA DE OBJECTOS QUE NÃO SE EXPLICAM POR LESÃO MOTORA, SENSITIVA OU INTELECTUAL” Apraxia ideomotora Incapacidade de conseguir qualquer esboço gestual nos gestos simples e intransitivos e que não implica a manipulação real de objectos (gestos sem significado e expressivos reflexivos e não reflexivos) Movimentos inadaptados (parapraxias); perversões dos gestos; tentativas vãs de auto correcção. Pode manifestar-se independentemente da forma de solicitação do gesto ou apenas por ordem verbal (apraxia verbomotora) ou por imitação (apraxia visuomotora) Bilateral: parietal (circunvolução supramarginal esquerda; frontal (área motora suplemuitária esquerda); subcorticais (tálamo, núcleo lenticular e substância branca periventricular); Unilateral: desconexão entre o córtex associativo motor esquerdo e direito, cujas fibras associativas se 34 distribuem na porção anterior do corpo caloso; lesão profunda no lóbulo frontal. Apraxia Ideatória Problema de desorganização na planificação da sequência de movimentos para a realização da acção pretendida Distingue-se da ideomotora por envolver somente a manipulação de objectos reais; os movimentos são inapropriados, incoerentes, desorganizados; incapacidade para manipular objectos; dificuldades ao nível das sequências gestuais Regiões posteriores do hemisfério esquerdo, em particular a região temporoparietal Apraxia Melocinética Dificuldades nos movimentos suaves e sucessivos que envolvem normalmente pequenos grupos musculares Unilateral; os movimentos perdem a fluidez, aparecendo entrecortados; desautomatização nos actos motores complexos e dificuldades no pôr em marcha automatismos elementares; afectam a mobilidade voluntária e automática Área pré motora Apraxia Cinestésica Perda da selectividade dos movimentos Os dedos realizam movimentos mal diferenciados, inadaptados ao objectivo Áreas póscentrais, ao nível do Córtex sensóriomotor Apraxia da marcha Incapacidade de controlar os membros inferiores e de os utilizar de forma adequada Também chamada ataxia frontal, pode ser observada nos sujeitos com demência, tumores frontais, e frontocalosos e hidrocefalias; Os sujeitos não conseguem fazer avançar Lóbulo frontal 35 alternadamente os seus membros inferiores Apraxia bucofacial Incapacidade de realizar movimentos com um fim não linguístico utilizando os músculos de expressão verbal Desaparece nos movimentos automáticos Apraxias palpebrais Incapacidade em fechar e abrir os olhos Incapacidade em abrir os olhos: lesões bilaterais ou só no hemisfério direito e em particular no lóbulo parietal; Incapacidade em fechar os olhos: circunvolução supramarginal do hemisfério dominante ou lóbulo frontal Apraxia das mãos estranhas Incapacidade em reconhecer uma das mãos quando estas se encontram juntas e fora do campo de visão A mão afectada costuma ser a dominante; transtorno de transferência interhemisférica por secção calosa, o que implica uma ignorância de um hemicorpo por outro por desconexão hemisférica Parte anterior do corpo caloso e região frontal Apraxia do vestir Incapacidade do sujeito em se vestir adequadamente Lóbulo parietal Apraxia construtiva Incapacidade em construir (desenhar), mas não de escrever Dificuldade de reacção entre os processos visuais e cinestésicos Parte do desenho amputada: hemisfério direito; closing in: hemisfério esquerdo 36 TABELA 3 – AGNOSIAS VISUAIS: INCAPACIDADE DE RECONHECER DETERMINADOS COMPONENTES DO MUNDO VISUAL EM AUSÊNCIA DE QUALQUER PROBLEMA SENSORIAL ELEMENTAR, DE AFASIA, OU TRANSTORNOS INTELECTUAIS Agnosias visuais Associativas Dissociação entre um estímulo e o seu significado Sentido estrito: erros morfológicos em denominação visual; Multimodal: erros semânticos e perseverativos na denominação Região posterior do hemisfério esquerdo ou dos dois hemisférios: região occipitotemporoparietal Circunvolução angular esquerda (área 39) Agnosias visuais aperceptivas Dificuldades na percepção dos componentes de um estímulo; etapa discriminativa; dificuldade em aceder à estruturação perceptiva das sensações visuais Lesões posteriores bilaterais: região parietotemporooccipital Afasia Óptica Os objectos são reconhecidos, mas não nomeados Etapa visuoverbal do tratamento das informações visuais Agnosias categoriais Afecta determinadas categorias de estímulos visuais Cegueira cortical Abolição da visão relacionada Córtex visual occipital 37 com a destruição do córtex visual occipital Agnosia das cores Diz respeito à percepção das cores Anomia das cores: incapacidade para denominar cores Desconexão entre áreas visuais e centros de linguagem Prosopagnosia Incapacidade em reconhecer as caras familiares Associar caras idênticas vistas em diferentes ângulos; Reconhecer o sexo das pessoas em fotografias; Relacionar caras vistas em diferentes condições de iluminação; Associar expressões emocionais Lesões temporooccipitais bilaterais Síndrome de Balint Paralisia psíquica do olhar Apraxia óptica: incapacidade do paciente para fixar o seu olhar num estímulo dentro do seu campo visual periférico Ataxia óptica: incapacidade de alcançar um estímulo no seu campo de visão guiando-se pela vista; Défice da atenção visual (desorientação visual) Duas regiões parietooccipitais TABELA 4 – AGNOSIAS ESPACIAIS Desorientação visual de Transtornos de Dificuldade para percepcionar o Lesões posteriores dos 38 Holme e Horrax localização de objectos isolados tamanho, forma ou proximidade dos objectos ou vê-los de forma clara hemisférios cerebrais Problema no manejo de dados espaciais e orientação topográfica Transtorno de tratamento dos dados espaciais; Problema no manejo de dados espaciais Perda da memória topográfica ou desorientação espacial Incapacidade em reconhecer lugares familiares (agnosia contextual) Região occipital do hemisfério direito; circunvolução parahipocampica direita; substância branca subjacente ao território da artéria posterior TABELA 5 – ASSOMATOGNOSIAS Assomatognosias unilaterais Problemas do esquema corporal Anosodiaforia: indiferença à doença Anosognosia: negação da doença Hemiassomatognosia: sentimento de estranheza, de não pertença do hemicorpo Lóbulo parietal direito Assomatognosias bilaterais: Síndrome de Gerstmann Agnosia digital: incapacidade para distinguir e designar os dedos; Indistinção direita- esquerda Acalculia: transtorno do cálculo mental e escrito com alteração da ordem das cifras e disposição mental das operações; Agrafia que reflecte alterações apraxicas Região parietal posterior do hemisfério dominante Autopoagnosia Incapacidade para denominar, Região parietal posterior 39 designar ou descrever as diferentes partes do corpo do hemisfério dominanteTABELA 6 – AGNOSIAS AUDITIVAS Hemianacusia e surdez cortical Afecta todo o tipo de sons Hemianacusia: Lesões hemisféricas temporais Surdez cortical: lesões bilaterais do córtex auditivo primário temporal Agnosia auditiva aperceptiva O défice afecta o nível discriminativo e não permite emparelhar sons idênticos Lóbulos temporais Agnosia auditiva associativa Ainda que sejam capazes de emparelhar sons idênticos, não identificam esses sons nem os atribuem aos objectos que os atribuem Lóbulos temporais Agnosia dos ruídos Afecta os sons não musicais e não verbais Hemisfério direito, região temporal Surdez verbal Incapacidade para compreender a linguagem oral (o sujeito não perde faculdades como a escrita, a leitura ou a fala) Lesões corticossubcorticais bitemporais ou temporais esquerdas Agnosias da música ou amusias receptivas Incapacidade para reconhecer tanto as melodias como as características musicais de base (ritmo, tom, etc) Agnosias paralinguisticas Agnosias que não afectam as Aprosódia receptiva: Lesões temporoparietais 40 mensagens verbais em si, mas o contexto afectivo e a identificação do interlocutor incapacidade de reconhecer as entoações emocionais da linguagem verbal; fonoagnosia: incapacidade para reconhecer vozes familiares do hemisfério direito TABELA 8 – AGNOSIAS TÁCTEIS Astereognosia Incapacidade para reconhecer os objectos pela palpação e sem ajuda de qualquer outro canal sensorial, em particular visual Anomias tácteis Incapacidade de nomear os objectos Afasia táctil: o paciente nomeava os objectos ao olhar para eles, mas era incapaz de o fazer tocando- lhes com a mão Anomia táctil esquerda: os sujeitos não podem nomear os objectos situados na mão esquerda Tabela 9 – AFASIAS CORTICAIS Afasia de Broca Problemas na área motora da linguagem Produção, repetição, denominação, escrita e leitura alteradas; agramatismo, aprosódia e transtornos sensitivos: paralisia motora direita e 3ª circunvolução frontal inferior do Hemisfério esquerdo 41 perda de sensibilidade da parte direita; compreensão quase normal Afasia de Wernicke Problemas na área compreensiva da linguagem Produção excessiva, parafasias, jergafasia Circunvolução temporal superior esquerda Afasia da condução Problemas ao nível de conexão entre a área de Broca e de Wernicke Produção parafásica mas fluida, repetição e denominação alteradas, boa manutenção das capacidades compreensivas, frequentes pausas e leitura em voz alta com parafasias Lesões no feixe arqueado Afasia global Todas as faculdades relacionadas com a linguagem são afectadas Fala pouco fluida, dificuldades na compreensão e incapacidade de repetir. Pouca ou nenhuma capacidade de denominar, ler e escrever Danos graves no hemisfério esquerdo TABELA 10 – AFASIAS TRANSCORTICAIS (a principal diferença em relação às corticais é a preservação da repetição) 42 preservação da repetição; em alguns casos, o paciente pode ser ecolálico, repetindo o que ouve de uma forma literal, embora corrigindo os possíveis erros gramaticais ou sintácticos. Afasia motora transcortical: (muito comum à afasia de Broca) o Lesão na substância branca anterior à haste frontal do ventrículo lateral do hemisfério esquerdo ou na substância branca pré-frontal e pré motora o Redução importante da fala espontânea que é difícil, escassa e disprosódica o Compreensão relativamente preservada o Denominação conservada embora com ajudas fonémicas e contextuais o Repetição conservada sem parafasias nem agramatismo (principais diferenças com a afasia de Broca) Afasia sensorial (semelhante à afasia de Wernicke) o Leitura compreensiva e em voz alta afectada o Escrita alienada o Repetição conservada o Provocada por lesões nos territórios vasculares das artérias cerebrais média e posterior do hemisfério esquerdo, sendo frequente um deficit nos campos visuais Afasia Mista: congrega elementos das duas afasias anteriores; é pouco frequente o Patologia vascular nas áreas limítrofes entre os diferentes territórios vasculares (artéria cerebral média, anterior e posterior) o Muito ecolálica (repetição conservada) o Fala espontânea pobre e curta 43 o Não há compreensão da linguagem oral nem capacidade de denominação, leitura e escrita Afasia anómica (pode ser cortical ou transcortical) o Lesões parietais e regiões inferiores do lóbulo temporal e muitas outras localizações, inclusive no hemisfério direito o Todas as faculdades conservadas menos a denominação (também na fala conversacional, ainda que por vezes a leitura e a escrita possam estar alteradas o Tentativas de denominação com circunlóquios II Transtornos de linguagem escrita -Alexias e agrafias A Alexias: transtornos na capacidade para ler devido a dano cerebral em indivíduos que já haviam adquirido a capacidade para ler (ao contrário da dislexia que é um transtorno na aprendizagem) Existem três tipos de alexias: o Alexia posterior/pré angular/pura/sem agrafia: perda da capacidade de leitura mas não de escrita (é a menos comum) o Causada por acidentes vasculares na artéria cerebral posterior esquerda o A escrita está conservada mas é imperfeita (melhor execução o Pode ser: Literal: incapacidade para ler as letras que formam uma palavra, mas não uma palavra Verbal: incapacidade para ler as palavras mas não as letras que as formam Global: incapacidade para ler letras e palavras Esplénio-occipital (cegueira verbal pura): destruição do córtex calcarino esquerdo (hemianopsia direita) e do esplénio (a informação visual não chega ao giro angular esquerdo) 44 Subangular: provocada por lesões subcorticais inferiores ao giro angular (quadrantanopsia direita superior) Hemialexia: provocada por lesões do esplénio que provocam uma incapacidade para ler no campo visual esquerdo Alexia central/com agrafia: perda total ou parcial da leitura e escrita o Provocada por danos no giro angular o Não só impede o reconhecimento de palavras escritas como também o reconhecimento de letras individuais, palavras soletradas ou letras apresentadas através de outros canais não visuais o Escrita paragráfica (substituições fonémicas ou semânticas; paralisia grafológica) Alexia anterior: surge da análise de alterações da leitura em sujeitos com afasia de Broca o Desconexão entre a região angular e as áreas frontais provocada por uma lesão da substância branca sob o córtex parietofrontal o Tendo um défice de fluência, os sujeitos têm dificuldade em ler em voz alta; mas a compreensão da linguagem escrita está também alterada (se o sentido da frase depende da compreensão de elementos gramaticais importantes o Por isso é também chamada alexia sintética o Maior dificuldade para ler letras do que palavras B Agrafias: perda em maior ou menor grau da capacidade para produzir linguagem escrita devida a lesão cerebral Agrafia afásica não fluente: associada a afasias não fluentes (afasia de Broca e motora transcortical) o Produção escassa; o Caligrafia deteriorada; o Agramatismo 45 Agrafias afásicas fluentes: associadas a afasias fluentes (Wernicke,afasia transcortical sensorial) o Produção fácil o Letras bem formadas o Paragrafias o Problemas motores o Falta de substantivos Agrafia pura: alteração da linguagem escrita em ausência de outros transtornos da linguagem, práxicos ou visuoespaciais (alteração muito pouco frequente) Agrafia motora: escrita deficiente devido a um dano cerebral na área motora o descoordenação entre as funções linguísticas e motoras Agrafia visuoespacial: parecem ser produto de lesões direitas na conjunção temporoparietoccipital o Caracterizam-se por uma desatenção esquerda, com a escritura confinada de forma progressiva ao lado direito da página, desvio das linhas e uma má organização entre os espaços e os grafemas C Acalculias: perda total ou parcial da capacidade para realizar cálculos Alexia e agrafia para dígitos e números (acompanhada ou não de alexia e agrafia para letras e palavras) o As operações aritméticas estão alteradas pela incapacidade para ler ou escrever os números. o Parece ser provocada por lesões temporoparietais esquerdas Acalculia espacial: transtorno da organização espacial, não se mantendo nem a ordem nem a posição dos dígitos. Está associada a lesões do lóbulo parietal direito Anaritmética: alterações da realização de operações aritméticas que não se devem a nenhuma das causas 46 anteriores. Ex., incapacidade de compreender os dígitos e números o Provocada por lesões posteriores esquerdas AVALIAÇÃO NEUROPSICOLOGICA I Aspectos gerais da avaliação neuropsicológica. II Avaliação neuropsicológica da atenção e orientação. Teste de Orientação Temporal de Benton Toulouse-Pieron (Prova perceptiva e de atenção) Trail Making Test Teste de Atenção e Rastreio Visual (Visual search and attention test) Teste de Cores e Palavras STROOP Subteste de Dígitos (WAIS) Subteste de Codificação (WAIS) Subteste de Letras e Números (WAIS) Subteste de Pesquisa de Símbolos (WAIS) III Avaliação neuropsicológica da memoria. Escala de Memoria de Weschler III Teste de Aprendizagem audio-verbal de Rey Teste de Retenção Visual de Benton Subteste de Dígitos (WAIS) Subteste de Letras e Números (WAIS) V Avaliação neuropsicológica das funções verbais. Avaliação da Afasia e Transtornos Relacionados Token test Fluidez Fonémica Fluidez Semántica 47 Subteste de Vocabulário (WAIS) IV Avaliação neuropsicológica das funções visuoperceptivas e visuoconstructivas. Teste de Reconhecimento Facial de Benton Teste de Reconhecimento de Pantomimas de Benton Teste de Orientação de Linhas de Benton Test de Discriminação Visual de Formas de Benton Test de Copia de uma Figura Complexa de Rey Subteste de Cubos (WAIS) Subteste de Composição de objectos (WAIS) Subteste de Disposição de Gravuras (WAIS) Subteste de Completamento de Gravuras (WAIS) VI Avaliação neuropsicológica das funções motoras. Purdue Pegboard (Teste de Destreza Manual de Purdue) Tapping Board (Test de Punteado de Purdue) VII Avaliação neuropsicológica das funções do lobo frontal. Teste de Classificação de Tarjetas de Wisconsin Subteste de Semelhanças (WAIS) Subteste de Compreensão (WAIS) Subteste de Raciocínio de Matrizes (WAIS) Subteste de Disposição de Gravuras (WAIS) Subteste de Letras e Números (WAIS) Test de Cores e Palavras STROOP Trail Making Test Teste de Fluidez Fonémica 48