A IMPORTÂNCIA DA DIDÁTICA NO ENSINO SUPERIOR
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A IMPORTÂNCIA DA DIDÁTICA NO ENSINO SUPERIOR


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A IMPORTÂNCIA DA DIDÁTICA NO ENSINO SUPERIOR 
 
Regina Nogueira da Silva 
Professora Universitária 
 
Ernesto Oliveira Borba 
Professor Universitário 
 
RESUMO 
 
Por um longo período prevaleceu no âmbito do Ensino Superior que para se capacitar um bom 
professor neste nível, necessário seria dispor de comunicação fluente e vasto conhecimentos 
relacionados à disciplina que pretendesse lecionar. A justificativa dessa afirmação 
fundamenta-se no fato de o corpo discente das escolas superiores ser constituído por adultos, 
diferentemente do corpo discente do ensino básico, constituído por crianças e adolescentes. 
Desta forma esses alunos não necessitariam do auxilio de pedagogos. Os estudantes 
universitários, por já possuírem uma \u201cpersonalidade formada\u201d e por saberem o que 
pretendem, não exigiriam de sues professores mais do que competência para transmitir os 
conhecimentos e para sanar suas dúvidas. Por essa razão é que até recentemente não se 
verificava preocupação explicita das autoridades educacionais com a preparação de 
professores para o Ensino Superior. A preocupação existia, mas com a preparação de 
pesquisadores, ficando subentendido que quanto melhor pesquisador fosse mais competente 
professor seria. 
Palavras-Chave: Didática, Ensino e Aprendizagem 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 Por um longo período prevaleceu no âmbito do Ensino Superior que para se capacitar 
um bom professor neste nível, necessário seria dispor de comunicação fluente e vasto 
conhecimentos relacionados à disciplina que pretendesse lecionar. 
 A justificativa dessa afirmação fundamenta-se no fato de o corpo discente das escolas 
superiores ser constituído por adultos, diferentemente do corpo discente do ensino básico, 
constituído por crianças e adolescentes. Desta forma esses alunos não necessitariam do auxilio 
de pedagogos. Os estudantes universitários, por já possuírem uma \u201cpersonalidade formada\u201d e 
por saberem o que pretendem, não exigiriam de sues professores mais do que competência 
para transmitir os conhecimentos e para sanar suas dúvidas. Por essa razão é que até 
recentemente não se verificava preocupação explicita das autoridades educacionais com a 
preparação de professores para o Ensino Superior. A preocupação existia, mas com a 
preparação de pesquisadores, ficando subentendido que quanto melhor pesquisador fosse mais 
competente professor seria. 
 Atualmente, as pessoas envolvidas com as questões educacionais que aceitam uma 
justificativa desse tipo. O professor universitário, com o de qualquer outro nível, necessita 
apenas de sólidos conhecimentos na área em que pretende lecionar, mas também de 
habilidades pedagógicas suficientes para tornar o aprendizado mais eficaz. Além disso, o 
professor universitário precisa ter uma visão de mundo, de ser humano, de ciência e de 
educação compatível com as características de sua função. 
 Diante do acima exposto é que a nossa proposta de enfatizar e efetuar a pesquisa sobre 
o assunto proposto no referido trabalho, uma vez que precisamos ter a consciência do papel 
do professor universitário, como também sermos conscientes de que os alunos nos dias atuais 
são \u201ccríticos\u201d e possuem uma visão \u201cholística\u201d de tudo que é apresentado em sala de aula, 
tendo porém, capacidade suficiente, devido a sua experiência no mercado de trabalho de 
discordar de determinadas teorias apresentadas por alguns autores, uma vez, que somentte na 
prática é que realmente tem-se condições de verificar a aplicabilidade das mesmas, portanto, 
podemos perceber de que os professores estão a cada momento sendo \u201cavaliados e 
analisados\u201d pelos alunos. 
 
 
 
A DIDÁTICA NO ENSINO SUPERIOR 
 
 
 Como primeiro passo julgamos oportuno destacar, dos documentos legais, o 
sentido que se desejou imprimir à idéia de Universidade no Brasil desde as suas origens e que 
até hoje persiste como um alvo a ser permanentemente alcançado. 
 Até o advento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em l961, o 
ensino superior estava estruturado, em suas bases fundamentais, sendo os termos dos Decretos 
nr l9.851 (relativo à organização das universidades brasileiras), nr l9.852 (relativo à 
reorganização da Universidade do Rio de Janeiro e do ensino superior brasileiro), e o de nr 
l9.850 (que criava o conselho Nacional de Educação definindo suas funções), sendo todos eles 
de abril de l931, decorrentes de Reforma Francisco Campos1. 
 Das Diretrizes contidas nestes documentos legais destacamos o duplo objetivo 
a ser alcançado pela Universidade: 
\u201c (...) equipar tecnicamente as elites profissionais do país e proporcionar ambiente 
propício às vocações especulativas e desinteressadas, cujo destino, imprescindíveis à 
formação da cultura nacional, é o da investigação e da ciência pura\u201d (CAMPOS, l940, 
apud FAVERO,1977, p.340 
 
 Taís diretrizes ressaltam ainda que o papel da Universidade não pode ser 
restrito ao aspecto didático, mas engloba também o social: 
\u201c(. . . )transcendente ao exclusivo propósito do ensino (é uma unidade social ativa e 
militante, isto é, um centro de contacto, de colaboração e de cooperação, de vontades e 
de aspirações, uma família intelectual e moral, que não exaure a sua atividade no 
círculo dos seus interesses próprios e inéditos, sendo que como unidade viva, tende a 
ampliar no meio social, em que se organiza e existe, o seu círculo de ressonância e de 
influencia exercendo nele uma larga, poderosa e autorizada função educativa.\u201d 
(CAMPOS, L940, apud Fávero, l977, p.. 34). 
 
 
 Segundo observações de Fávero (l977) tais objetivos eram muito amplos e, 
inclusive, demasiado otimistas para uma época em que havia poucas escolas, mesmo para 
atender uma minoria privilegiada, de forma adequada. Ainda que ressaltasse a finalidadede 
social da Universidade, a autora nos adverte de que a escola de nível superior, nas suas 
 
1
 Com a revolução de 30 Getulio Vargas assume \u201cprovisoriamente\u201d o governo da República nomeando os 
ministros das ´varias pastas ficando designado Francisco Campos Ministro da Educação, Empossado, elabora 
uma série de decretos sobre as reformas do ensino secundário, superior e comercial que passam a ser conhecidas 
como \u201cReforma Francisco Campos\u201d. 
 
origens, se apresentava como \u201caltamente hierarquizada, \u201crígida e elitista\u201d, que \u201cpouco se 
comunicava com a sociedade de que em parte\u201d. 
 Estes documentos já evidenciavam a idéia de que o ensino superior deveria 
assumir, de preferências, a forma Universidade (prévia a existência de pelo menos três 
estabelecimentos de ensino superior para a constituição de uma Universidade), podendo 
ainda ser ministrado em estabelecimentos isolados. Este tipo de orientação, seguido, 
posteriormente, da criação em l934 da USP e em l935 da Universidade do Distrito Federal, 
contudo, não foi suficiente para organizar, os moldes universitários, o sistema de ensino 
superior brasileiro. 
 As universidades foram criadas sem reais possibilidades de se desenvolverem a 
partir dos modelos que orientavam estas instituições em nações mais desenvolvidas. 
 Um segundo momento, bastante significativo para o desenvolvimento do 
ensino superior, ocorreu a partir da aprovação da Lei nr 4.024, de 20 de dezembro de l961 \u2013 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional \u2013 LDB, que, através de seu artigo 67 
dispõe: \u201cO ensino superior será ministrado em estabelecimentos agrupados ou não, em 
universidades, com a cooperação de institutos de pesquisa e centros de treinamentos 
profissionais\u201d 
 A LDB, portanto, confirmou a possibilidade do ensino superior efetivar-se em 
estabelecimentos isolados, o que, segundo Fávero (l977) representou um retrocesso para o 
desenvolvimento do sistema universitário brasileiro de forma integrada. 
 Tais orientações legais