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Teoria da Comunicação. Unidade 1: Aristóteles já abordava, propunha e escrevia sobre a comunicação, em obras como Poética (2011) e Retórica (2011). Um dos aspectos centrais das reflexões do filósofo grego foi à formulação de um esquema básico, que considerava três elementos: quem diz (emissor), o que diz (mensagem) e para quem diz (receptor). Uma das ocupações centrais dos pesquisadores desse período foi estabelecer distinções entre as investigações voltadas para a comunicação verbal e a não verbal. As reflexões em torno do assunto contribuíram para a criação de duas áreas inter-relacionadas do conhecimento, que desenvolveram teorias e experimentos tendo em vista perspectivas distintas: (1) a linguística, que trata dos diferentes idiomas, das questões fonéticas, da estrutura das palavras e de expressões idiomáticas, dentre outros aspectos; (2) a semiótica, também conhecida como teoria geral dos signos, cujo interesse não está restrito à língua, mas a toda e qualquer linguagem e considera os símbolos, os sinais, as imagens, os sons, as expressões corporais etc., em que há a preocupação pela representação e construção dos significados. Trataremos de três dos principais pensadores dos estudos da linguagem: Charles Sanders Peirce (1839-1914) e Ferdinand Saussure (1857-1913), que se dedicaram às questões mencionadas no parágrafo anterior, e Roman Jakobson (1896-982), que propunha um olhar mais instrumental, refletindo sobre a estrutura da comunicação e os elementos envolvidos. Comunicação e cultura de massa: A partir do século 18, a Europa Ocidental experimenta transformação acelerada, que teve, como consequência, o êxodo rural e o crescimento desordenado das áreas urbanas. A queda dos governos monárquicos, a expansão da influência da burguesia e o surgimento da classe operária representam os primórdios da sociedade de consumo. Nos anos 1800, com a consolidação das revoluções Industrial e Francesa, as fábricas se espalharam pelo Velho Continente, alcançaram os Estados Unidos e garantiram as bases para o florescimento do Capitalismo. Segundo Meyer (1996), foi nesse século que o jornal se transformou no primeiro meio de comunicação de massa da história, graças à invenção do romance-folhetim. Buscando transformar o meio impresso em um produto rentável e lucrativo, seus donos passaram a publicar, nas edições diárias, capítulos de histórias especialmente produzidas com essa finalidade. Eram narrativas simples – voltadas às classes populares –, consideradas ancestrais das telenovelas e tiveram importante papel no processo de alfabetização das sociedades europeias e norte-americana. Escola de Chicago: a cidade como campo de estudo. A Universidade de Chicago foi criada em 1892 e se destacou como o primeiro centro de estudos sociológicos a desenvolver trabalhos que associavam conceitos teóricos e pesquisa de campo de caráter etnográfico. O principal campo de interesse eram os centros urbanos, isto é, a cidade moderna, marcada pelas massas, pelo choque cultural e pelos crescentes problemas sociais. A Universidade de Chicago experimentou seu auge entre os anos 1910 e 1930. O que são estudos Etnográficos: Estudos etnográficos são técnicas e métodos de pesquisa desenvolvidos pela Antropologia e que têm por finalidade o estudo do “objeto” por vivência direta na realidade em que se insere. Em outras palavras, trata-se de pesquisa por observação, que considera o comportamento espontâneo e natural dos indivíduos. Coube ao sociólogo e jornalista Robert Ezra Park (1864-1944) o desenvolvimento dos primeiros estudos, na Escola de Chicago, voltados ao campo da comunicação. Depois de realizar seu doutorado na Alemanha sobre a “massa e o público”, Park retorna aos Estados Unidos e se torna professor da universidade. Interessado nas relações muitas vezes conflituosas, que marcam a inserção social dos imigrantes, o pesquisador desenvolve trabalhos focados nos jornais impressos publicados pelas e para as colônias estrangeiras. Outro conceito desenvolvido pela Escola de Chicago foi o de Ecologia Humana. Behaviorismo e Teoria da Agulha Hipodérmica: Os primeiros experimentos das pesquisas do comportamento ocorreram na virada do século 19 para o 20, mas foi principalmente nas primeiras cinco décadas dos anos 1900 que o behaviorismo teve ápice. John B. Watson (1878-1958) foi criador e um dos principais nomes dessa teoria, que buscava aproximar a psicologia das ciências naturais. Desenvolvida nos EUA como tentativa de compreender como os meios de comunicação influenciavam no comportamento das pessoas, a também conhecida como teoria da bala mágica apoiava-se na suposição de que todo estímulo causado por uma mensagem terá resposta, sem encontrar resistência do receptor, como a ação de uma injeção. A ideia de passividade do receptor é a principal característica dessa teoria. Unidade 2: Mass Communication Research: O Mass Communication Research era inspirado na sociologia funcionalista, que valorizava a sociedade como um todo e evitava o olhar para as pessoas em sua individualidade. Partia-se do princípio de que a sociedade dispõe de mecanismos de funcionamento e desempenha funções, que garantem a sua estabilidade. Como produto típico das sociedades contemporâneas, os meios de comunicação de massa estariam inseridos nesse contexto. Harold Lasswell e a estrutura da comunicação: Sua principal contribuição está associada ao desenvolvimento de um modelo comunicacional, que se difundiu e foi amplamente utilizado. Lasswell se apoiou nos três elementos propostos por Aristóteles para fundamentar a persuasão retórica e o adequou ao pensamento vigente à época relacionado à sociedade de massa. Nesse contexto, ele formulou o seguinte conjunto de questões: quem (emissor)? Diz o quê (mensagem)? Através de que canal (meio)? E com que efeito (resposta)? Two step flow (duplo fluxo da comunicação): Podemos destacar o sociólogo austríaco radicado nos Estados Unidos Paul Félix Lazarsfeld. Professor da Universidade de Columbia e simpático ao modelo de comunicação de Lasswell, ele sugere um aperfeiçoamento à proposta linear, ao indicar que o receptor não sofre influência exclusiva do emissor, mas também dos “formadores de opinião”. De acordo com as ideias de Lazarsfeld, as mensagens irradiadas pelas mídias nem sempre atingiriam as audiências de forma direta. Outros agentes influenciariam nesse processo, podendo reforçar ou comprometer o sentido original de uma notícia, por exemplo. O papel de formador de opinião (opinion leader) seria exercido por pessoas dotadas de alguma respeitabilidade para os receptores, tendendo a “[...] influenciar de maneira informal atitudes individuais, assim como padrões coletivos de comportamento. A essa instância, Lazarsfeld deu o nome de two step flow of communication.” Teoria da informação: A Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria levaram para outros patamares as lutas por conquistas territoriais até então travadas por tiros e bombardeios, seja por terra, água ou ar. Somada ao desenvolvimento tecnológico, que aumentou o poderio bélico das nações inimigas, a informação assumiu papel estratégico. O principal idealizador desse campo de estudos foi o matemático e engenheiro elétrico Claude Elwood Shannon. ele se notabilizou pelos importantes trabalhos desenvolvidos com criptografia para a empresa Bell System e que foram determinantes nas batalhas de espiões travadas durante a Segunda Guerra Mundial. O que é criptografia? Do grego kryptós (escondido) e gráphein (escrita), é o estudo dos princípios e técnicas pelas quais a informação é transformada de sua forma original para outra, codificada, para que se torne compreensível aos destinatários detentores da “chave secreta”. Em parceria com o colega Warren Weaver, Shannon desenvolveu e aperfeiçoou um esquema linear, que tinha como objetivo a transmissão da mensagem. Apesar de reconhecerem que o “contexto” é determinante nesse processo, os autores valorizavam essencialmente as questões técnicas envolvidas nesse processo, sugerindoque a eficiência da comunicação está diretamente relacionada à capacidade de controlar, minimizar e eliminar o ruído. Sobre os itens do esquema linear: Fonte: Origem da informação. Mensagem: O conteúdo, os dados, as informações que serão transmitidas. Codificador: Dispositivo responsável pela transformação da informação em código. Canal: O meio, o veículo responsável por transportar o código de um ponto a outro. Decodificador: Dispositivo responsável pela transformação do código em informação, dado, conteúdo. Destinatário: Receptor da mensagem. Ruído: Interferência que pode comprometer a qualidade da informação. Cibernética: A publicação do livro Cybernetics or control and communication in the animal and machine, pelo também matemático Norbert Wiener, é uma das pedras fundadoras dos estudos da cibernética. Na esteira da revolução eletrônica que começava a se delinear a partir dos anos 1950 do século XX, os primeiros trabalhos nesse campo de pesquisa buscavam refletir sobre a comunicação e o controle de máquinas, animais e grupos sociais por intermédio de recursos tecnológicos. A principal contribuição da teoria se dá por meio da incorporação do FEEDBACK ao esquema matemático de Shannon. Para Wiener, a interatividade é elemento fundamental do processo de comunicação, que só é completa quando a resposta do receptor é considerada. Escola de Palo Alto: Também conhecido como “Colégio Invisível”, seus estudos tiveram maior repercussão nos anos 1950 e 60. Enquanto a cibernética de Wiener direcionava-se principalmente para a comunicação a partir da mediação maquínica, Palo Alto se caracterizava pela multidisciplinaridade, com a contribuição de pesquisadores originários de áreas as mais variadas: antropologia, linguística, matemática, sociologia e psicologia, entre outros. Seus interesses, portanto, estavam mais associados aos aspectos humanos da comunicação. Dentre seus principais expoentes, destaca-se o antropólogo Gregory Bateson, que argumentava que a comunicação deve ser compreendida a partir da situação global de interação e não apenas estudar algumas variáveis tomadas isoladamente. Fundamentos da Escola de Palo Alto: A comunicação é um fenômeno de interação. Todo o comportamento social tem um valor comunicativo. A comunicação é determinada pelo contexto em que se inscreve. Produção das notícias e os impactos da opinião pública: Um dos fenômenos característicos da sociedade de massa foi a ampliação das relações impessoais. Em um de seus escritos sobre a modernidade, o pensador alemão Walter Benjamin (1991) tratou da experiência contraditória de estarmos só em meio a muitos. Da solidão na multidão. De como passamos despercebidos entre tantos desconhecidos. A passagem de um modelo social em que prevaleciam as relações comunitárias para outro marcado pelo anonimato contribuiu para que os meios de comunicação ocupassem um espaço até então preenchido pelas formas interpessoais de comunicação. As interações diretas foram gradativamente substituídas pelas experiências silenciosas do leitor dos meios impressos, das audiências do rádio e da TV, dos espectadores na penumbra da sala de cinema etc. Newsmaking: Um dos principais nomes dessa teoria é a socióloga Gaye Tuchman. Para ela, o processo de produção da notícia é planejado como uma rotina industrial. Tuchman afirma que, ao contrário do que sugere a teoria do espelho, o jornalismo não reflete a realidade, mas ajuda a construí-la. E, para levar a cabo tais objetivos, os órgãos de imprensa dispõem de um conjunto de critérios, operações e instrumentos para escolher entre inúmeros fatos uma quantidade limitada para se transformar em notícias. Dentre os critérios utilizados no processo de formulação da notícia, estudiosos da comunicação, como Mauro Wolf (1999), destacam os seguintes: A noticiabilidade. Os valores-notícia. Os constrangimentos organizacionais. A construção da audiência. As rotinas de produção. O jornalista, visto como intermediário entre o acontecimento e a sua narratividade, está no centro desses estudos. A análise se concentra na relação entre o profissional e suas fontes e todo o processo de transformação de assuntos do cotidiano em conteúdo noticioso: apuração, produção, edição e veiculação. Teoria do Agendamento: Hipótese desenvolvida pelos professores Maxwell E. McCombs e Donald L. Shaw no final dos anos 1960, que procura discutir como os meios de comunicação tendem a estabelecer uma “agenda” de notícias consideradas relevantes. Admitindo que existe um direcionamento do noticiário, a partir de fontes variadas, eles buscavam entender essa dinâmica. Combs e Shaw tomavam como objeto de estudos a própria produção jornalística. Dentre os aspectos mais importantes dessa abordagem está o aparente valor que damos ao conteúdo jornalístico. Espiral do Silêncio: Seu foco de interesse está associado à participação da opinião pública nesse contexto. O trabalho destacava que os meios de comunicação são eficientes modificadores e formadores de opinião a respeito da realidade, especialmente quando analisados a partir da interação do indivíduo com o ambiente social ao qual ele pertence. Neumann teria identificado uma forte tendência de sermos afetados individualmente em situações nas quais acreditamos haver um consenso por parte da sociedade acerca de determinado assunto. De maneira sintetizada, os pressupostos que sustentam sua teoria são: A sociedade ameaça os indivíduos desviados com o isolamento. Os indivíduos experimentam um contínuo medo de isolamento. Esse medo do isolamento faz com que as pessoas tentem identificar as tendências das opiniões. Os resultados dessa avaliação influenciam nosso comportamento em público. Unidade 3: Escola de Frankfurt: A Escola de Frankfurt tem sua história ligada ao Instituto para Pesquisa Social. Criado em 1924 como um anexo da Universidade de Frankfurt, era formada por um grupo de pesquisadores de origem marxista, que pretendia a renovação da interpretação das ideias do sociólogo alemão. Eles voltaram seus interesses para as transformações nas sociedades do Ocidente a partir do capitalismo. Para os intelectuais da Escola de Frankfurt, os meios de comunicação de massa exerceriam papel de protagonismo neste processo. A formação dos indivíduos nas sociedades de massa desprestigiaria o conhecimento em profundidade, a autonomia e o respeito à singularidade. O incentivo ao consumismo, a veiculação de produtos muito perecíveis, com alta rotatividade, uniformizados e exageradamente simplificados indicariam que a mídia faz perpetuar a falsa ideia de democracia, uma vez que, nestas condições, as classes economicamente desfavorecidas iriam se manter ALIENADAS e submetidas às elites. Indústria Cultural: Os dois teóricos mais destacados da Escola de Frankfurt foram os filósofos e sociólogos Max Horkheimer e Theodor Adorno, que, entre outras coisas, foram responsáveis pela criação do conceito de “indústria cultural”. Para eles, as relações, as produções e manifestações culturais passaram a obedecer às regras do sistema capitalista. Reprodutibilidade técnica: Em sua obra mais famosa, A Obra de Arte na Época da Reprodutibilidade Técnica, o estudioso alemão procurou apontar não apenas malefícios como benefícios das novas experiências comunicativas. De um lado, a possibilidade de reproduzir em série e o caráter fragmentário dos novos aparatos que tendem a fazer com que a arte perca sua aura. De outro, esta mesma possibilidade garantiria não apenas a democratização do acesso, como ofereceria novas experiências perceptivas. Para Benjamin, se, por um lado, a reprodutibilidade técnica banaliza, por outro, ela amplia o acesso, inclusive, para as classes populares. Mídia e mecanismos de controle - Althusser e os aparelhos ideológicos do Estado: Os aparelhos repressivos seriam constituídos pelos instrumentos coercitivos, como a polícia e o exército. Usados para coibir, punir e controlar, limitam-se à manutenção física de qualquer sistema. Se necessário, inclusive, por meio do usoda violência. Os aparelhos ideológicos atuariam no nível das ideias. Dentre eles estariam a família, a escola, a igreja e, é claro, a mídia. Tais aparelhos seriam utilizados para fazer perpetuar pontos de vista e perspectivas que atendem aos interesses das classes dominantes (ALTHUSSER, 1980, p. 44). Foucault, Vigília e autogoverno: Michel Foucault desenvolve amplo trabalho sobre estruturas sociais e relações de poder. Um dos seus principais focos de interesse foi o que ele chamou de sociedades disciplinares. De acordo com o intelectual francês, uma das consequências do crescimento populacional foi o surgimento de mecanismos que permitiam a organização e o controle social. No panoptismo, temos a sensação de sermos vigiados e controlados o tempo todo, sempre sob risco de termos a privacidade violada. Morin e a teoria culturológica: De autoria do sociólogo Edgar Morin, os estudos culturológicos foram introduzidos nos círculos acadêmicos com a publicação do livro Cultura de Massa no Século XX. O trabalho aborda o tema da indústria cultural sob perspectiva distinta daquela que se observou entre os frankfurtianos (fatalistas e críticos em relação aos seus efeitos alienantes) e os funcionalistas (instrumental e focada em suas funções no interior da sociedade). Unidade 4: McLuchan e a comunicação como extensão do homem. Ficou conhecido pela criação de uma série de conceitos de impacto, alguns deles, inclusive, projetando transformações sociais que se confirmaram. O pesquisador canadense se interessava pelos impactos produzidos pelos meios de comunicação nas sociedades contemporâneas. Via neles um amplo potencial transformador e acreditava que, sob seus efeitos, qualquer agrupamento social passa, necessariamente, por mudanças irreversíveis. Galáxia de Gutenberg: Na segunda obra, A galáxia de Gutenberg, McLuhan discute como a sociedade se transformou a partir do surgimento da prensa mecânica e do que denominou homem tipográfico. A nova experiência do conhecimento.Valorizava as relações interpessoais e se servia de artifícios como lendas, histórias e danças, para outra de predomínio da escrita, na qual o impresso registrava saberes, e as bibliotecas eram capazes de armazená-los aos milhares. Esse redimensionamento, se, por um lado, favoreceu o desenvolvimento das ciências e do pensamento complexo, por outro, estimulou uma forma de perceber o mundo menos flexível e mais linear. O meio é a mensagem: A expressão “o meio é a mensagem” está entre as mais populares do pensador canadense. Foi concebida tendo em vista a perspectiva de que as tecnologias teriam assumido papel de centralidade, especialmente a partir do século 20. McLuhan partia do pressuposto de que cada meio tem seus efeitos na percepção humana. Assim, as mídias não poderiam ser encaradas apenas como canais, veículos, transmissores da mensagem. Ao contrário, seriam também a própria mensagem. Meios quentes e meios frios: Uma das ideias mais controversas do pensador canadense tinha como objetivo refletir sobre as possíveis variações e distinções existentes na interação das pessoas com os dispositivos comunicacionais, considerando seus diferentes tipos, formas e linguagens. McLuhan (1974, p. 38) afirma que o meio quente “prolonga um único de nossos sentidos e em ‘alta definição’”. Por esse motivo, não exige e permite menos participação das audiências, que podem consumir as mensagens irradiadas de maneira passiva e com maior propensão à dispersão. Os meios frios, por outro lado, exigem algum nível de participação e limitam o prolongamento dos sentidos dos receptores, que teriam de ser mais ativos no processo de interação. McLuhan cita o telefone e os impressos (livro, jornal, revista...) dentre as mídias com essas características. Convém destacar que os meios frios, por exigirem mais da cognição, estimulariam a reflexão, a atenção e privilegiariam a memória. Os quentes teriam efeito oposto. Meios de comunicação como extensão do Homem: Os dispositivos eletrônicos permitiriam o prolongamento dos sentidos humanos de tal maneira que passariam a se incorporar aos nossos corpos e a serem essenciais. Nesse sentido, o telefone pode ser considerado extensão da audição e da fala, assim como as telas (TV, cinema, computador...) seriam extensão da visão. Das culturas analógicas para as digitiais: Santaella (2003) entende que há uma estreita relação entre comunicação e cultura. Com base nessa premissa e tendo em vista a história da humanidade, a autora propõe uma divisão em “eras culturais em seis tipos de formação: a cultura oral, a cultura escrita, a cultura impressa, a cultura de massa, a cultura das mídias e a cultura digital”. O surgimento das mídias eletrônicas não apenas representa um novo patamar comunicacional, que privilegia a imagem e o som, o audiovisual. Também dão início à cultura de massa, que possui, dentre algumas características marcantes, a popularização do cinema, do rádio e da TV, e de modelos específicos de produção e circulação de conteúdo: em série, padronizado, imediato, perecível, genérico, unilateral, de um emissor para muitos receptores. Com a segunda revolução eletrônica, que resultou no surgimento de novas tecnologias desde os anos 1960, diversos dispositivos com a capacidade de produzir, gravar, armazenar e reproduzir conteúdos comunicacionais foram criados: a câmera portátil, o videotape, a câmera de vídeo, o videocassete, a máquina reprográfica e as câmeras fotográficas instantâneas, o vinil e, depois, a fita cassete etc. As inovações reorganizaram e assimilaram alguns dos elementos da cultura de massa e colaboraram para a transição para a cultura das mídias. Sociedade em Rede: Desde o surgimento da internet, grande parte das interações ao redor do mundo – e de maneira crescente - ocorre por intermédio das redes. A mobilidade e a subversão das experiências relacionais minimizam a importância do aqui e agora frente às múltiplas possibilidades da interação digital. Representam a superação do tempo e do espaço, que antes eram considerados barreiras e limitadores no processo comunicativo. Convergência das mídias: Nessa visão sistêmica e cumulativa em relação às novas mídias, que apresentam uma face informacional, sua capacidade infinita de armazenar conteúdos e a oferta de variadas formas de leitura (hiperlinks aos mecanismos de busca), há outra de caráter integrador e convergente. As transformações introduzidas pelos meios digitais ampliaram o controle das audiências, rompendo de maneira definitiva os limites entre emissor e receptor. Os recursos disponibilizados na atualidade oferecem alternativas para que não somente tenhamos acesso às diferentes modalidades de informações, mas também para que possamos interagir, editar e compartilhar conteúdos. Como afirma Jenkins (2009, p. 29), “as velhas e as novas mídias colidem, onde mídia corporativa e mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor de mídia e o poder do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis”. Por fim, cabe salientar o componente transmidiático da convergência. O desenvolvimento de produtos por uma temática única, mas com formatos específicos para as diferentes plataformas e que se complementam. São incontáveis as experiências, como as de filmes que foram inspirados em histórias em quadrinhos e ganham versões para games, playlists e trilhas sonoras etc. Pierre Levy e a Cibercultura: Costuma-se reconhecê-la como a cultura que surge com a passagem da tecnologia analógica para a digital. Esse fenômeno teve, como consequência, a disseminação, em níveis globais, das redes de computadores, além da ampliação e consolidação das relações mediadas pelos dispositivos comunicacionais. Possibilitaria interconexões múltiplas e generalizadas, mas também privilegiaria a diversidade, a dissonância, criaria entraves para o consenso e seria indiscriminadamente plural. Algo novo, se comparado às sociedades oral, escrita e até ao início da audiovisual. Considerado, por muitos, legítimo representante de uma visão utópica sobre o tema, Lèvy (2010)se refere ao ciberespaço como lugar de potencialização da inteligência coletiva. Na opinião desse pensador, pode ser considerada uma espécie de ecossistema de ideias, em que compartilharíamos dados/informações e favoreceríamos a democratização do conhecimento (ciberdemocracia). Uma escola inglesa: a pluralidade das culturas e a valorização do popular O interesse inicial dos pesquisadores que orbitavam em torno desse núcleo de pesquisa era as relações entre cultura contemporânea e sociedade e buscavam entender as formas, as instituições e práticas coletivas, tendo em vista as interações e as mudanças sociais. Lançando novo olhar sobre a obra de Marx e influenciados, também, por teóricos como Walter Benjamin, acreditavam que a cultura desempenha papel determinante no processo de aquisição de conhecimento, uma vez que aprendemos por meio de elementos de constituição de sentido. Hoggart e a cultura das classes: Richard Hoggart, que foi o primeiro diretor do CCCS (Centre for Contemporary Cultural Studies), concentrou-se nas produções culturais que circulavam especialmente entre as classes populares. Os conteúdos eram amplamente criticados pela própria classe intelectual, especialmente pelas correntes críticas, como a dos frankfurtianos. Enquanto os apocalípticos viam, na cultura de massa, apenas espaço para a alienação, para a manipulação e ignorância, na opinião de Hoggart, seria, também, espaço e oportunidade de resistência, de confronto e insubmissão. Pode-se afirmar que o pesquisador inglês foi precursor dos chamados estudos de recepção. Stuart Hall e as identidades culturais: Stuart Hall esteve à frente do CCCS por uma década e foi um dos responsáveis por articular os diferentes pesquisadores dos Estudos Culturais. Criou condições para que o trabalho desenvolvido pelo grupo ganhasse visibilidade fora da Europa, estimulando o surgimento de correntes científicas como as teorias das mediações e a Educomunicação, ambas na América Latina. As reflexões em torno dos efeitos da globalização na formação das identidades culturais e, de forma específica, nas tradições e singularidades das nações pobres e menos desenvolvidas foram outro legado do pensador jamaicano radicado na Inglaterra. O reflexo desse fenômeno, para Hall (2006), seria duplo e distinto. Em primeiro lugar, provocaria a distorção ou a extinção de práticas e tradições vinculadas às raízes locais e à ideia de pertencimento. Os hábitos e traços de comportamento introduzidos pelas referências estrangeiras fragilizariam os vínculos com as heranças culturais, especialmente se consideradas as gerações mais jovens. Teoria das Mediações: Apesar da nacionalidade espanhola, Jesús Martín-Barbero conduziu sua carreira acadêmica na porção subdesenvolvida das Américas. É considerado um dos precursores, a partir de fins dos anos 1970 e início dos 1980, de uma corrente teórica amplamente utilizada na região até os dias de hoje. Martín-Barbero (2009) toma como referência os Estudos Culturais, para fundamentar suas ideias e percurso teórico. Afirma que as mídias exerceriam papel determinante na mediação das relações entre os membros de dada sociedade. Em outras palavras, aquilo que ouvimos na programação radiofônica, assistimos na TV e acessamos na internet, por exemplo, estaria presente em nossas conversas e em demais formas de interação com os outros indivíduos. Hibridismos Culturais: Com a emergência e a expansão da globalização, que ampliou a influência dos países ricos, muitos pensadores desenvolveram estudos que buscavam discutir os efeitos desse fenômeno em diferentes contextos. A crítica ao eurocentrismo, à dominação do Ocidente e à indústria do entretenimento norte-americana motivaram trabalhos de autores como Immanuel Wallerstein (2007), Edward W. Said (2007) e Octávio Ianni (1976). No centro dos debates, estava a imposição de valores, hábitos, comportamentos e padrões estéticos das nações hegemônicas, que impactariam as sociedades colonizadas, com o desaparecimento e a descaracterização das tradições locais. A evolução das tecnologias de comunicação, desde o início do século 20, teve, como consequência, o barateamento e a expansão dos meios eletrônicos, permitindo o alcance global da imagem e do som irradiados pelos principais centros produtores: os filmes, as músicas, a literatura, as artes plásticas, a moda, a gastronomia etc. As mídias ajudariam a disseminar hábitos culturais e formas de pertencimento nas diferentes populações ao redor do mundo.