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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO- CAMPUS DE BALSAS 
BACHARELADO INTERDICIPLINAR EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUSTENTABILIDADE E URBANIZAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BALSAS/MA 
2018.1 
 
 
LUCIANA PEREIRA BARBOSA 
MARCOS VINICIUS ELIAS MARTINS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUSTENTABILIDADE E URBANIZAÇÃO 
 
 
Trabalho apresentado como requisito 
para obtenção de nota na disciplina de 
Recursos Energéticos e Sustentabilidade 
do curso Bacharelado Interdisciplinar em 
Ciência e Tecnologia. 
 
Professora: Tatiane Carolyne Carneiro 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BALSAS/MA 
2018.1 
 
 
 
SUMÁRIO 
1. INTRODUÇÃO.........................................................................................................04 
1.1 Objetivo Geral...........................................................................................................06 
1.2 Objetivo Específico..................................................................................................06 
2. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: SUSTENTABILIDADE E 
URBANIZAÇÃO EM TODOS OS NÍVEIS...............................................................07 
2.1 Desenvolvimento Sustentável....................................................................................08 
2.2 Cidades Sustentáveis, as Cidades Inteligente............................................................09 
2.3 Paradigmas do Urbanismo Sustentável no Brasil: A Revisão de Conceitos Urbanos 
Para o Século XXI...........................................................................................................10 
2.4 Compreensão da Sustentabilidade Urbana no Contexto Político Atual Brasileiro 
Frente à Globalização......................................................................................................12 
2.5 Urbanização, Dinâmica Migratória e Sustentabilidade no Semiárido Nordestino: O 
Papel das Cidades no Processo de Adaptação Ambiental...............................................14 
2.6 Desenvolvimento Sustentável no Maranhão: a necessidade de integrar inclusão 
social e proteção ambiental ao atual contexto de crescimento econômico.....................18 
2.7 Urbanização e Sustentabilidade: Uma Visão Sistêmica sobre o município de 
Balsas...............................................................................................................................20 
2.8 Métodos para Concepção ou Integração de uma Cidade Sustentável.......................23 
2.8.1. Alta densidade populacional: A Cidade Compacta.................................................24 
2.8.2. Uso Misto do Solo..................................................................................................25 
2.8.3. Água.......................................................................................................................25 
2.8.4. Transporte..............................................................................................................26 
2.8.5. Energia...................................................................................................................27 
2.8.6. Benefícios das cidades ecologicamente inteligentes..............................................28 
2.8.6.1 Sociais..................................................................................................................28 
2.8.6.2. Econômicos.........................................................................................................29 
 
 
2.8.6.3 Ambientais........................................................................................................30 
3. CONCLUSÃO.........................................................................................................31 
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................32 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
 
As cidades desenvolveram-se rapidamente e o crescimento urbano deve continuar 
acelerado nos próximos anos. Nos dias atuais, aproximadamente 54% da população 
mundial vive nas cidades. Estima-se que, na metade no Século XXI, 66% das pessoas 
estarão vivendo em ambientes urbanos (UNITED NATIONS, 2014). Nesse contexto, é 
cada vez maior o interesse no planejamento de cidades mais sustentáveis. 
O aumento da poluição, as elevadas emissões de carbono e a resultante ameaça do 
clima são grandes incentivos para a promoção da sustentabilidade nas cidades em todo o 
mundo (GEHL, 2013). Surgem, portanto, diversos desafios presentes nas agendas de 
desenvolvimento das cidades sustentáveis: a geração de energia mais limpa, a destinação 
adequada dos resíduos sólidos, a mobilidade urbana, incluindo a oferta de transporte 
público eficiente e acessível aos cidadãos, a disponibilidade de áreas verdes, os cuidados 
com a saúde e o bem-estar da população, entre outros aspectos. 
A cidade uma complexa matriz de atividades humanas e efeitos ambientais 
(ROGERS e GUMUCHDJIAN, 2013). Planejar uma cidade sustentável exige uma ampla 
compreensão das relações existentes entre cidadãos, serviços, políticas de transporte e 
geração de energia, avaliando seu impacto total no meio ambiente local e em uma esfera 
geográfica mais ampla. Dessa forma, para o alcance de um desenvolvimento sustentável 
no ambiente urbano, todos esses fatores devem estar entrelaçados. 
A sustentabilidade urbana é central para as mudanças qualitativas necessárias para 
transformar cidades e vidas urbanas, principalmente a vida dos ambientes urbanos mais 
pobres. Isso ocorre porque as cidades sustentáveis são vibrantes e mais propensas a atrair 
as habilidades e fomentar o empreendedorismo, essenciais para o crescimento e a 
prosperidade e tão necessários para a resolução de problemas e desafios urbanos. No 
entanto, isso exige novos arranjos - institucionais, tecnológicos, mecanismos financeiros, 
inovativos e processos de planejamento urbanos flexíveis. Acima de tudo, dependerá de 
compromissos tácitos e vontade política para formular e implementar estratégias e 
políticas adequadas para conduzir a sustentabilidade ambiental e, com isso, atingir a 
prosperidade nas cidades (UN-HABITAT, 2013). 
5 
 
O conceito de sustentabilidade aplicado às cidades é bastante amplo. De acordo 
com Bulkeley e Betsill (2005), apesar do entendimento universal de que a construção de 
cidades sustentáveis é uma meta política desejável, a compreensão do que isto significa 
na prática é menos precisa. Williams (2010) corrobora ao afirmar que o conceito é 
imediatamente atraente, porém complexo e intangível. De acordo com a autora, parte 
desta dificuldade de encontrar uma conceituação para o termo deve-se à característica 
multidisciplinar de seus estudos. 
A partir do contexto apresentado, pode-se observar que as cidades estão no centro 
do debate para a aplicação de conceitos relativos ao desenvolvimento sustentável. A busca 
por alternativas inteligentes e ecologicamente orientadas tem alavancado o surgimento de 
ambientes urbanos mais sustentáveis. Ressalta-se, ainda, o papel do planejamento urbano 
e da gestão pública orientados para a sustentabilidade, a fim de proporcionar a adoção de 
práticas de gestão para o desenvolvimento urbano sustentável, por meio da 
disponibilidade de infraestrutura e mobilidade urbana adequadas, da promoção da elevada 
qualidade de vida e de condições de saúde dos cidadãos, utilizando-se de alternativas de 
menor impacto ambiental (Roberto Schoproni et al, 2017). 
Nesse sentido o presente trabalho visa analisar a relação da sustentabilidade 
direcionadaá urbanização em uma visão sistêmica que engloba o país e reduz-se até 
enfocar no município de Balsas, Ma, trazendo a análise tanto criteriosa como descritiva 
em relação a situação atual e como que tal situação pode ser melhorada, visando o 
desenvolvimento sustentável em todas as suas possíveis formas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
1.1 Objetivo Geral 
 
 
Analisar e mostrar como a sustentabilidade e a urbanização se relacionam e se 
desenvolvem dentro de uma visão sistêmica que leva os conceitos aceitos mundialmente 
realizando um dimensionamento de escala que se inicia com uma abordagem nacional até 
enfocar no município de Balsas, Ma. 
 
 
1.2 Objetivos Específicos 
 
 
• Expor o material que especifique e descreva de forma coesa os principais pontos 
em torno do tema sugerido; 
• Realizar um dimensionamento de escala nacional que se afunila até chegar ao 
município de Balsas, Ma em torno do tema proposto; 
• Mostrar possibilidades de remediação ou inserção no conceito de cidades 
sustentáveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
2. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: SUSTENTABILIDADE E 
URBANIZAÇÃO EM TODOS OS NÍVEIS 
 
 
Assumir o termo desenvolvimento sustentável, atualmente, é adotar como 
premissa básica a inexorabilidade do desenvolvimento capitalista global e dos seus efeitos 
mais aparentes, tais como: poluição transfronteiriça do ar, solo e água; aumento da 
degradação das condições de vida de enormes contingentes populacionais; a dicotomia 
pobreza e riqueza, norte/sul; a perda da biodiversidade mundial e suas potencialidades 
para o avanço das ciências; a desertificação crescente; a escassez de água; os efeitos do 
uso indiscriminado das fontes não-renováveis de energia etc (ALMEIDA, 1998). 
Esses temas têm feito parte não apenas das agendas políticas dos Estados 
nacionais, como também se têm transformado, cada vez mais, em assuntos prioritários 
nas pautas dos acordos internacionais. Dessa forma, observa-se que o termo foi adotado 
pela maioria das nações como uma espécie de panaceia, ou seja, como uma fórmula capaz 
de aliar a ideia de desenvolvimento econômico mundial ad aeternum à superação dos 
efeitos nefastos desse mesmo desenvolvimento. Há mesmo uma vertente, comumente 
aceita, de que um dos principais entraves ao desenvolvimento sustentável seriam a 
pobreza e a miséria dos países em desenvolvimento — aqueles ditos do capitalismo tardio 
—, que poderiam ser resolvidos tão logo esses mesmos países superassem o estágio 
emergente e alcançassem as benesses do grau de produção e consumo das sociedades 
mais avançadas (BAVA, 1996). 
Nos tempos atuais, em que o termo desenvolvimento sustentável parece significar 
um corolário universal, tornando-se, dessa forma, uma espécie de “palavra de ordem” 
aceita mundialmente, os recursos naturais passam a ser considerados como capital 
natural, onde solo, florestas, recursos hídricos etc. são reconhecidos como valores do 
meio ambiente, tendo em vista, evidentemente, a escassez de alguns desses recursos e a 
aceleração da depleção do meio ambiente, no qual recursos ambientais ainda sejam 
predominantemente abundantes. A ótica sobre o meio ambiente, ainda dominante no 
pensamento da elite brasileira (política, econômica e cultural), é de que nosso “capital 
natural” é inesgotável. Isso faz que as questões relativas ao uso social da natureza se 
constituam em retórica de discursos bem intencionados, mas descolados das práticas 
8 
 
sociais efetivas, e, principalmente, com que as ações governamentais e os organismos 
institucionais do meio ambiente operem de forma marginal, e muitas vezes contraditória, 
às macropolíticas econômicas, dissociando, portanto, os problemas ambientais das 
questões do desenvolvimento (CORDEIRO, 1999). 
Crescimento econômico e urbanização intensiva, cabe-nos ressaltar, foram as 
características básicas do processo de desenvolvimento brasileiro que tornou o País a 
oitava economia mundial. Sob a égide desenvolvimentista, englobando o período dos 
anos 50 aos 80, a gestão do território privilegiou os grandes empreendimentos públicos e 
privados que iriam integrar a ocupação produtiva do território nacional. As dimensões 
continentais do País, as disparidades regionais, a predominância de ecossistemas 
diversificados, a ocupação humana rarefeita em algumas regiões, os intensos processos 
de migração entre as regiões marcaram o período e o ideário de sucessivos governos na 
busca da consolidação da apropriação territorial: a constituição da Nação brasileira como 
a potência-líder da industrialização latino-americana. Grandes projetos de 
desenvolvimento econômico foram elaborados e subsidiados em quase todo o território 
nacional. Pólos de desenvolvimento foram incentivados por meio de vários programas 
governamentais, a maior parte deles financiando projetos econômicos, cujas 
características exógenas colidiam com as formas tradicionais de desenvolvimento local 
(DAVIDOVICH, 1995). 
 
 
2.1 Desenvolvimento Sustentável 
 
A definição mais conhecida para desenvolvimento sustentável é a formulada pela 
Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, no 
documento “Nosso Futuro Comum”5, segundo o qual, “o desenvolvimento sustentável é 
aquele capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer as 
necessidades das gerações futuras” (1987, s.d), ou seja, um desenvolvimento consciente 
que não esgote os recursos e nem prejudique os sistemas naturais que mantém a vida no 
planeta. Essa definição foi elaborada em uma tentativa de integrar desenvolvimento 
econômico com preservação ambiental. 
9 
 
Já de acordo com Ignacy Sachs (2008), desenvolvimento sustentável é uma 
abordagem fundamentada na harmonização de objetos sociais, ambientais e econômicos. 
A partir disso se estabelece um aproveitamento racional6 e ecologicamente sustentável 
da natureza em benefício das populações locais, fazendo com que a preocupação com a 
conservação do meio ambiente e da biodiversidade estejam incorporadas aos interesses 
da própria população (SACHS, 2008). 
 O desenvolvimento sustentável contradiz o planejamento urbano moderno 
pautado no crescimento econômico como principal objetivo (SACHS, 2008). Isso 
acontece porque esse conceito parte do pressuposto de que o mundo possui recursos 
naturais finitos que estão sendo utilizados inadequadamente e, portanto, esse 
comportamento deve ser alterado (LEITE, 2012). A partir da perspectiva da 
sustentabilidade, o crescimento econômico de cada país deve considerar os limites de 
consumo dos recursos naturais disponíveis (SACHS, 2008). A economia deveria seguir 
princípios básicos para que haja um desenvolvimento urbano compatível com a 
sustentabilidade (LEITE, 2012). 
 O conceito de desenvolvimento sustentável acrescenta outra dimensão à da 
sustentabilidade social, aquela da sustentabilidade ambiental (SACHS, 2008). Ela se 
baseia na solidariedade para com a geração atual e para com as gerações futuras, buscando 
soluções que não recorrerão às ferramentas da economia convencional, mas sim às 
soluções que não causarão externalidades negativas nas dimensões social e ambiental 
(SACHS, 2008). 
 
 
2.2 Cidades Sustentáveis, as Cidades Inteligentes 
 
 
A cada dia a população se concentra mais nas cidades e o mundo se torna mais 
urbano, essas mesmas cidades consomem muita energia e respondem cada vez mais 
pelas emissões de CO2.Então, para que se verifique uma redução nas alterações 
climáticas, deve-se promover mudanças nas cidades (LEITE, 2012). Portanto, 
visando alterar das mudanças climáticas é necessária a adoção de políticas que 
10implementem cidades sustentáveis que saibam lidar adequadamente com a economia, 
a sociedade e o meio ambiente (SACHS, 2008). 
A cidade sustentável, de acordo com Mark Roseland (1997), é o tipo mais 
durável de assentamento que o ser humano é capaz de construir. É a cidade capaz de 
propiciar um padrão de vida aceitável sem causar profundos prejuízos ao ecossistema 
ou aos ciclos biogeoquímicos de que ela depende. A adaptação de cidades para que 
fiquem mais sustentáveis é um processo de longo prazo que requer um esforço 
partindo também da população. Considerando que a população ao mesmo tempo em 
que é causadora de problemas que afetam as cidades, também é ela quem sofre as 
consequências (LUNDQVIST, 2007). 
Cidades sustentáveis, portanto, buscam a conscientização e o auxílio dos seus 
habitantes por meio de programas que divulguem informações sobre as mesmas, 
assim como por meio de conferências ambientais e por meio da mídia; para que se 
melhore o meio ambiente e a qualidade de vida, ao mesmo tempo em que se 
desenvolve uma economia que sustente a prosperidade dos sistemas humanos e dos 
ecossistemas (PROGRAMA CIDADES SUSTENTÁVEIS, 2012). 
 
 
2.3 Paradigmas do Urbanismo Sustentável no Brasil: A Revisão de Conceitos 
Urbanos Para o Século XXI 
 
 
Em tempos atuais a maioria das sociedades enfrenta a desalentadora e angustiante 
perspectiva de crescente caos urbano, decorrente do obsoleto e contraditório modelo de 
ocupação urbana implementado desde a era industrial. O cenário de acúmulo de riquezas 
sem a necessária distribuição equitativa de benefícios sociais acentuou os conflitos 
interurbanos. Se para Aristóteles a cidade era o lugar para se viver bem, atualmente, esta 
se tornou antônimo à qualidade de vida, desprivilegio não só das cidades latino-
americanas ou de economias de desenvolvimento tardio, como também das cidades ditas 
industrializadas e desenvolvidas (SILVA 2011). 
11 
 
No Brasil, a intensa urbanização pós-moderna das últimas cinco décadas imprimiu 
uma súbita concentração de indústrias, serviços e trabalhadores, que somado à 
mecanização do campo e da cidade transformou, não só o déficit habitacional, como a 
escassez de emprego, nos grandes problemas sociais da urbanidade. O aumento 
exponencial da população, ao passo que se oferece excedentes de mão-de-obra, que são 
bem vindos ao sistema econômico, pois achata o valor do trabalho humano e barateia os 
custos de produção, passou a exercer efeitos sociais contrários à ordem vigente das 
ideologias burguesas. Para Milton Santos (2009), nasce desse fenômeno uma nova forma 
de movimento social para este século, que se apropria dos meios técnicos de informação 
e impõe forte pressão social aos poderes políticos e econômicos nacionais. Partindo desse 
princípio, as ideologias que sustentam “a cidade do pensamento único” (ARANTES, 
VAINER & MARICATO, 2007) passam a sofrer fortes impactos das reações e 
mobilizações sociais em prol de uma sociedade e um mundo menos unilateral, que 
considere as especificidades culturais de cada lugar, bem como priorize o ambiente e a 
equidade social. 
A urbanização brasileira nos últimos 50 anos transformou e inverteu a distribuição 
da população no espaço nacional. Se em 1945, a população urbana representava 25% da 
população total de 45 milhões, em 2000 a proporção de urbanização atingiu 82%, sob um 
total de 169 milhões. Na última década, enquanto a população total aumentou 20%, o 
número de habitantes nas cidades cresceu 40%, especialmente nas nove áreas 
metropolitanas habitadas por um terço da população brasileira (RATTNER, 2009). 
Projeções estatísticas do IBGE (2008: 28) apontam que a população brasileira atingirá o 
ápice com o patamar de 219 milhões de habitantes por volta de 2039, quando, a partir de 
então, a população deverá regredir lentamente. Portanto questiona-se, como será a 
situação das cidades brasileiras frente a essas perspectivas? 
 
 
 
 
 
 
12 
 
2.4 Compreensão da Sustentabilidade Urbana no Contexto Político Atual Brasileiro 
Frente à Globalização 
 
 
Como estudo do contexto político nacional no caminho da sustentabilidade, 
Acselrad (2004) faz uma crítica a partir do documento oficial intitulado de “Riqueza 
Sustentável”, no qual analisa a atuação do governo federal e sua ação político-
administrativa nacional focada na inserção passiva do Brasil no âmbito da globalização 
como um “novo modelo de desenvolvimento”. Não obstante, o autor destaca que tal 
política é uma repetição da estratégia governamental de incentivo ao agronegócio 
exportador com a intenção primária de surgimento de tecnologias competitivas para esse 
mercado. Ainda, contudo, contém traços do termo denominado de “modernização 
ecológica”, ou seja, a referência a um meio ambiente “de negócios” (conceito de 
desenvolvimento já implementado pelo programa Avança Brasil, da gestão presidencial 
de Fernando Henrique Cardoso), ações estas que objetivam a “imagem ecológica 
internacionalmente favorável”. (ACSELRAD, 2004a). 
No contexto de planejamento territorial nacional, os capitais internacionais 
ameaçam se deslocar para outros países caso não obtenham vantagens crescentes, 
liberdade para a remessa de lucros para o exterior, isenções fiscais, estabilidade. 
Pressionando e subjugando os estados e municípios nos quais é menor a organização 
social ou econômica e maior a necessidade de preservação do patrimônio ambiental e 
sócio-cultural, pois nessas municipalidades nas quais as instituições são menos 
participativas e mobilizadas junto à comunidade, tende a haver políticas urbanas e 
ambientais mais permissivas que, consequentemente, podem gerar impactos irreparáveis 
no futuro. Esses capitais internacionais selecionam seus investimentos a partir de 
contrapartidas mais rentáveis (ou melhores propostas ofertadas) como fornecimento de 
terrenos, isenção de imposto por anos ou décadas, vantagens ambientais com a 
flexibilização13 das leis urbanísticas de ordenação do território (SILVA, 2011). 
Diante desse cenário, a sustentabilidade urbana reduz-se a um artifício discursivo 
para dar às cidades um atributo a mais, “ecologicamente correto”, para a atração de 
investimento por meio da dinâmica predatória da competição interurbana (ACSELRAD, 
13 
 
2004b: 35). Dessa forma tem-se um novo modo de regulação do espaço urbano, 
apontando que (Id.: 30-31): 
1. As condições de reprodução do capital são menos coordenadas pelo Estado 
central e os poderes locais assumem papel pró-ativo nas estratégias de desenvolvimento 
econômico. A cidade é aí o elo entre a economia local e os fluxos globais, passando a ser 
assim objeto das pressões competitivas internacionais. 
2. Desenvolve-se uma competição interurbana pela oferta de possibilidades de 
consumo de lugar, pela atração de turistas e de projetos/eventos culturais; 
3. Desenvolve-se competição interurbana pela capacidade de controlar funções de 
comando financeiro e comunicacional; 
4. Os processos econômicos passam a subordinar as políticas sociais e de 
emprego. As políticas sociais são desmanteladas e substituídas por um 
“empreendedorismo urbano” cujo sucesso depende da geração de emprego e renda, 
ficando os problemas da marginalização social na dependência das iniciativas das 
próprias organizações da sociedade; 
5. As novas condições de governo dos processos urbanos passam a envolver 
também atores não-governamentais, privados e semi-públicos. A coordenação dos 
diferentes campos de política urbana pressupõe a instauração de novos sistemas de 
barganha, aparecendo as “parcerias” como mecanismos de apoio aos mercados em 
substituição a políticas preexistentes de ordenamento dos mercados (SILVA, 2011).Nesse contexto, ao se tratar de planejamento urbano e regional integrado, deve-se 
revisar as posturas e processos de legislação do Ministério das Cidades, abordando as 
particularidades de forma distinta, e não impondo modelos ou cartilhas rígidas que não 
se adéquam às conjunturas locais – o que é a antítese da sustentabilidade urbana defendida 
neste trabalho. Deste modo, tratando-se de política urbana, tem-se ainda o fato agravante 
de que a maioria dos Planos Diretores implementados até 2006 (conforme as imposições 
legais do Estatuto da Cidade), não resultaram de ações participativas com a sociedade, ou 
pior ainda, muitas vezes decorreram de um contrato licitatório entre a Prefeitura e uma 
empresa (SILVA & WERLE, 2007). 
A elaboração de um Plano Diretor, a partir dessa relação contratual, é um risco 
alto para um planejamento urbano e regional eficaz; tendo em vista que é feita uma 
Licitação Pública e, assim, ganha a empresa que otimizar melhor a relação de custo-
14 
 
benefício. Em muitos casos não é considerado como pré-requisito, nesse processo, o 
critério de competência técnica e qualidade de serviço comprovadamente atestado, sem 
citar ainda as relações políticas suspeitas entre as empresas e o poder público em cada 
município. Sobre esse aspecto, Silva & Werle (2007) descreve que a ausência de estudos 
técnicos (georreferenciamento, geoprocessamento, cartas geotécnicas, geomorfologia, 
pedologia, estudos hídricos e ambientais diversos, entre outros), acaba por produzir 
planos e legislações incompatíveis com as condicionantes locais das municipalidades, 
tornando-se o planejamento urbano e regional, contraditoriamente, os causadores de 
riscos ambientais potenciais para as cidades no futuro. 
 
 
2.5 Urbanização, Dinâmica Migratória e Sustentabilidade no Semiárido 
Nordestino: O Papel das Cidades no Processo de Adaptação Ambiental 
 
 
Quando se discute a problemática ambiental urbana no Brasil, surge 
imediatamente a imagem de uma grande cidade localizada no contexto de uma região 
metropolitana cercada de poluição, áreas contaminadas, congestionamentos etc. De fato, 
essa é uma realidade de praticamente metade da população urbana brasileira e por essa 
razão, justifica-se todo o investimento e preocupação tanto dos estudos quanto das 
políticas públicas específicas. Entretanto, poucas vezes nos preocupamos com as questões 
ambientais urbanas de algumas regiões do país, tornando tais “problemas” muitas vezes 
invisíveis. Assim, muitas vezes relegamos a população dessas regiões a políticas públicas 
desarticuladas de acordo com as prioridades setoriais e arriscamos aprofundar injustiças 
sociais regionais (SILVA, 2010). 
A região nordeste é uma dessas regiões. Segundo os dados do Censo Demográfico 
2010, é morada de 27,8% da população brasileira (53 milhões de pessoas) e é a segunda 
região em termos populacionais. Proporção que pouco se alterou desde o Censo 
Demográfico de 1980, quando os 34,8 milhões de habitantes da região representavam 
29,3% do total do país. É ainda a região brasileira menos urbanizada (73,1%, em 2010), 
com uma proporção da população vivendo em áreas urbanas um pouco menor do que na 
15 
 
região Norte do país, mas que nos últimos anos tem se urbanizado rapidamente e trazendo 
com isso algumas preocupações (TEIXEIRA, 1998). 
Mas a análise da região Nordeste não pode ser homogênea, pois possui contextos 
muito distintos, desde econômicos até ambientais. Do ponto de vista ambiental, foco 
central deste artigo, a dinâmica da urbanização apresenta situações não apenas distintas, 
mas que podem ser consideradas praticamente antagônicas, pois os desastres naturais ora 
afetam a população nordestina com eventos de extrema precipitação pluviométrica 
(chuvas) concentradas na porção litorânea, enquanto que recorrentemente na região do 
Semiárido o principal desastre natural está associado às estiagens severas e prolongadas. 
Característica esta que costuma ser generalizada para toda região Nordeste no imaginário 
social (RIBEIRO, 2006). 
Quando analisamos a distribuição da população nordestina a partir do recorte 
ambiental, a população residente na região do Semiárido correspondia a 40% do total da 
região Nordeste no ano de 2010. Fato que não deve ser considerado irrelevante em termos 
de população afetada, pois são cerca de 21,3 milhões de habitantes vivendo em um 
contexto ambiental complexo e de extrema fragilidade social e econômica. Tais fatores 
teriam motivado a emigração de grandes contingentes populacionais ao longo dos últimos 
50 anos, entretanto, poucas vezes tais fatores puderam ser devidamente comprovados, 
pois a existência de fatores de atração migratória na região Sudeste do país sempre 
tornavam complexa a análise dos fatores de expulsão da população dessas regiões do 
Semiárido (SANTOS,1990). 
A região Nordeste tradicionalmente é caracterizada como o principal centro 
expulsor da população brasileira. As explicações para essa condição são variadas e vão 
desde os fatores ambientais (estiagens, desertificação, etc.) até os baixos indicadores de 
desenvolvimento econômico como mortalidade infantil, esperança de vida, dinamismo 
econômico, entre outros (Ab’Saber, 1999; Martine, 1994; Camarano, 1997; Oliveira, 
2008; Diniz, 1988; Santos; Moura, 1990; Santos; Moreira; Moura, 1990; Teixeira, 1998; 
Ribeiro; Barbosa, 2006; Fusco; Duarte, 2010). Essa dinâmica das migrações nordestinas 
teve impacto no processo de urbanização da região, mas trata-se de um aspecto que está 
inserido dentro de um contexto mais amplo: uma transição urbana. 
Mas a migração não é o único nem o principal responsável pelo crescimento 
populacional nas cidades. Um exercício de análise a partir das taxas de crescimento da 
população urbana e da taxa de evolução do grau de urbanização elaborado por Tacoli, 
16 
 
McGranahan e Satterthwaite (2008) mostra que, na média mundial, a contribuição da 
migração rural-urbana para o crescimento das cidades é de 40%, sendo que no caso da 
América Latina, entre 1975 e 2000, essa contribuição foi de cerca de 30%. Realizando a 
mesma análise para o Brasil, considerando as grandes regiões, a contribuição da migração 
para o crescimento urbano do Nordeste teria sido de algo em torno de 46% entre 1970 e 
2010. 
Um dos aspectos dos fluxos migratórios nordestinos é o processo de concentração 
da população em algumas localidades, mas que se comparado com o país é bem menos 
polarizado. Podemos ver a partir da Tabela 1 que a região Nordeste ainda concentra a sua 
população em municípios de menor porte populacional. Em torno de 40% da população 
residia em municípios com mais de 100 mil habitantes, enquanto que, no Brasil como um 
todo, essa proporção é praticamente invertida, com 55% nos municípios maiores. Essa 
informação adicionada ao aumento no grau de urbanização da região Nordeste nos leva 
ao fato de que se há 50 anos o Nordeste abrigava a sua população em pequenos municípios 
rurais, hoje ele ainda tem grande parte da sua população em municípios pequenos, mas 
agora com uma população urbana (ARAÚJO, 1997). 
 
Tabela 1- Distribuição da população no Nordeste segundo classes de tamanho da população nos municípios, 
1950-2010 
Classes de tamanho 
da população 
 
1950 1960 1970 1980 1991 2000 2010(NE) 2010(BR) 
 
Até 5.000 0,09 1,22 2,28 1,56 1,06 1,97 1,66 2,29 
 
De 5.001 a 10.000 2,56 5,88 9,01 6,97 5,52 6,06 4,87 4,48 
 
De 10.001 a 20.000 14,04 18,05 22,60 17,70 17,75 17,67 15,81 10.35 
De 20.001 a 50.000 57,76 43,31 32,97 31,03 27,88 24,50 23,69 16,43 
De 50.001 a 100.000 16,36 11,58 11,73 12,97 14,67 13,43 14,05 11,70 
Mais de 100.000 14,18 19,96 21,41 29,77 33,11 36,36 39.92 54,75 
17Uma análise do grau de urbanização por classes de tamanho do município 
confirma essa hipótese, pois podemos verificar que nos municípios nordestinos maiores, 
com mais de 100 mil habitantes, a população já era predominantemente urbana desde a 
década de 1970, pelo menos. Assim, mesmo com uma distribuição relativa de pequenos 
municípios equivalente com outras regiões, o processo de transição urbana é 
relativamente atrasado em relação ao país, pois para o Brasil como um todo os municípios 
menores já atingiam a marca de 50% da sua população urbana em meados de 1991, 
enquanto que na região Nordeste isso ocorre apenas no Censo 2010, como podemos ver 
na Figura 1. 
Figura 1: Crescimento populacional no período de 1970 a 2010. 
 
Fonte: IBGE, Censos Demográficos 1970 a 2010. 
A dinâmica migratória da região Nordeste desempenha, portanto, um papel 
fundamental no processo de urbanização, mas algumas das características mais marcantes 
desse grande contingente de pessoas em movimento pelo país tem apresentado mudanças 
importantes nos últimos anos. Uma dessas mudanças é a direção predominante desses 
fluxos. Por um lado, os fluxos de emigração nas Unidades da Federação (UF) nordestinas 
se mantêm majoritariamente inter-regionais, ou seja, a maior parte das pessoas emigram 
para estados fora da região Nordeste. Mas por outro lado, é importante perceber que entre 
os imigrantes, os últimos anos marcaram uma inflexão, pois se na década de 1970 poucos 
18 
 
dos que chegavam à região Nordeste eram de outras regiões do país, nos anos mais 
recentes já são a maior parte dos imigrantes, superando inclusive o volume das migrações 
entre os estados da própria região Nordeste (BRITO, 2009). 
Figura 2 – Percentual de imigrantes inter-regionais, 1970 a 2010 
 
Fonte: IBGE, Censos Demográficos 1970, 1991, 2000 e 2010. 
Com esse breve percurso da relação entre migrações e urbanização no Nordeste, 
pode-se concluir que, a despeito da pouca atenção dada à relação urbanização e ambiente 
nessa região, a sustentabilidade urbana nesse contexto se torna um elemento central a ser 
melhor analisado. Enquanto se fala em grandes projetos de reuso de água, fontes de 
energia limpa, redução de emissões de gases de efeito estufa, temos cerca de 39 milhões 
de pessoas vivendo em áreas urbanas de uma região que, se não por completo, ainda 
carecem de políticas públicas de acesso a saneamento básico e precisam enfrentar 
estiagens regulares com poucos recursos (ARAÚJO, 2012). 
 
 
2.6 Desenvolvimento Sustentável no Maranhão: a necessidade de integrar a 
inclusão social e proteção ambiental ao atual contexto de crescimento 
econômico e a Realidade Urbana Maranhense 
 
 
O Estado do Maranhão vive, hoje, uma situação de notório crescimento 
econômico. Estatísticas apontam que, dentro do Brasil, é um dos estados que mais tem 
19 
 
crescido nos últimos anos, crescimento este alavancado pela chegada de grandes 
empreendimentos na região, os quais estão geralmente ligados à indústria pesada, tal 
como refino de petróleo, termelétricas, exploração de gás e atividade mineradora. O 
Produto Interno Bruto (PIB) do Maranhão, portanto, tem aumentado vertiginosamente, 
fato que é amplamente comemorado por diversos setores da sociedade. Entretanto, o 
aumento do PIB maranhense não tem significado aumento do Índice de Desenvolvimento 
Humano (IDH) nas regiões onde tais empreendimentos se fixaram, ou seja, não tem 
incrementado a qualidade de vida da população local, existindo relatos, inclusive, de que 
para a população mais humilde a situação tornou-se pior (IMESC, 2010). 
Apesar de ainda ser o Estado brasileiro com o menor percentual populacional 
vivendo em cidades, o Maranhão superou o país no processo de urbanização acelerada 
dos últimos 50 anos. De uma população urbana calculada em 448.509 habitantes em 1960, 
o Estado saltou para 4.143.728 em 2010, um crescimento percentual de quase o dobro da 
Região Nordeste, que no mesmo período cresceu de 7.680.681 para 38.821.246 
moradores urbanos, conforme mostra a figura 1 (IPEA, 2001). 
Figura 3: Tabela - BRASIL, REGIÃO NORDESTE, MARANHÃO: 
POPULAÇÃO RESIDENTE URBANA E RURAL: 1960, 2000, 2010 
 
Fonte: IBGE, censos 1960, 2000, 2010 
Para abrigar este expressivo crescimento populacional, as cidades maranhenses 
também cresceram em quantidade. Dos 91 municípios existentes em 1960, o estado 
passou a contar com 217 em 2000, número que não sofreu alteração em 2010 (MELO, 
2016). 
Tendo em vista que a dimensão populacional tem relação direta com o dinamismo 
econômico de uma cidade, o fato de termos centros mais ou menos populosos resulta em 
20 
 
um papel regional maior ou menor, passando a ser influente ou dependente de outras 
cidades em uma determinada rede urbana, conceito entendido como o conjunto 
funcionalmente articulado de centros urbanos e suas hinterlândias Ainda que exista, entre 
pesquisadores, o consenso quanto ao fato das cidades possuírem distintas funções em uma 
determinada estrutura ou rede urbana, a definição do papel específico do espaço urbano 
exige entendimento do contexto em que se localiza, seja nacional, seja regional. Por tudo 
isso, a dimensão populacional que classifica as cidades deve e precisa ser considerada a 
partir da realidade em que está inserida (CORREA, 2006). 
Desta forma, as populações locais têm suportado o ônus ambiental e social que 
um empreendimento de grande porte traz sem estarem recebendo em troca nenhum tipo 
de real benefício por isso. As razões para esse não beneficiamento da população local são 
muitas. Observa-se, por exemplo, que a baixa qualificação das pessoas da região é um 
impeditivo para que as mesmas ocupem bons postos de trabalho nos referidos 
empreendimentos, os quais, assim, são ocupados por profissionais advindos de outros 
estados e até mesmo de outros países. Ao mesmo tempo, as receitas geradas por tais 
empreendimentos (dentre as quais se inclui as vultosas taxas pagas ao Estado a título de 
compensação ambiental) não estão sendo repassadas e/ou aplicadas nos respectivos 
municípios em reais e estratégicos planos e projetos de desenvolvimento social e proteção 
ambiental. (COSTA, 2015). 
 
 
2.7 Urbanização e Sustentabilidade: Uma Visão Sistêmica sobre o município de 
Balsas 
 
 
O processo de transformação econômica do estado do Maranhão, apoiada nas 
atividades primárias para uma economia alicerçada em alguns pilares da globalização, 
vem promovendo profundas mudanças nas suas estruturas não só econômica, mas 
também políticas, sociais e territoriais, como aquelas vivenciadas no município de Balsas. 
Esse município localiza-se na Mesorregião Sul Maranhense e na Microrregião dos Gerais 
de Balsas, a uma distância de, aproximadamente, 1000 quilômetros da capital do estado, 
São Luís. Possui uma área territorial de 3.141,637 km², apresentando densidade 
21 
 
demográfica de 6,36 hab./ km² e uma população de 83.528 habitantes sendo que 72.771 
vivem na cidade e 10.757 no campo (IBGE, 2010). A cidade localiza-se junto ao rio de 
mesmo nome, único afluente da margem esquerda do rio Parnaíba, com 510 km de 
extensão. As coordenadas geográficas do município são07º31’57” latitude Sul e 
46º02’08” longitude Oeste. 
A referida cidade, a exemplo da região Sul do estado do Maranhão, teve sua 
ocupação inicial vinculada à presença de vaqueiros nordestinos que, fugindo da seca, 
 
 
 
Figura 4: Localização de Balsas-Região Sul do Maranhão. 
 
22 
 
 
cruzaram, principalmente, as terras do estado do Piauí, migrando para terras 
maranhenses. Coelho Neto (1979, p. 103). 
A migração de sulistas em direção ao município de Balsas, especialmente aqueles 
ligadosao setor rural ou agroindustrial, remonta às décadas de 1970 e 1980, isso como 
consequência da concentração da terra e da divisão excessiva dos minifúndios existentes 
nos estados que compunham a região Sul do país. Na discussão quanto à apropriação do 
Cerrado, os gaúchos que migraram em direção às terras maranhenses, assumem o status 
de “agentes” do desenvolvimento local. Desenvolvimento este de cunho capitalista. Dessa 
forma, a dinâmica da migração, associada à agricultura globalizada só traria ganhos aos 
espaços urbanos e rurais do município, cabendo à cidade uma gama maior de novos 
incrementos (ELIAS, 2006). 
Nos dias atuais a cidade de Balsas sofre com um constante problema de 
espaçamento urbano ligado ao setor de transporte, locomoção, propriamente dita, isto se 
deve entre outros fatores a um problema histórico que descende de décadas bem distantes 
quando a cidade ainda estava em processo de emancipação, isso porque naquela época os 
primeiros habitantes não possuíam uma visão futura de como a cidade seria ou que 
consequências tais engajamentos urbanos criados naquele período poderiam criar 
problemas para as gerações posteriores e, deste modo, tem-se o emaranhado distributivo 
mal formado que afeta principalmente o centro da cidade com ruas extremamente estreitas 
e que mesmo em tais condições ( não todas) algumas ainda funcionam com acesso duplo. 
Outro problema agora este último ligado ao quesito sustentabilidade é que um dos 
meios de possível resfriamento que o município encontrou para resfriamento em épocas 
de extremo calor foi o plantio de árvores em vias de acesso duplo tanto no centro como 
em outros bairros, o problema trata-se quanto ao tipo de árvores plantadas, neste caso, 
mangueiras e outras árvores que são de grande porte e que como a cidade não possui uma 
estrutura adequada para o recebimento das mesmas na fase adulta pode então ocasionar 
problemas tanto relacionados a acessibilidade e infraestrutura local. 
 
 
 
 
 
 
23 
 
2.8 Métodos para Concepção ou Integração de uma Cidade Sustentável 
 
 
Feita a apresentação de conferências mundiais que abordaram o desenvolvimento 
urbano sustentável e temas relacionados, é necessário identificar quais são os maiores 
desafios e problemas que as cidades contemporâneas enfrentam, para que se possa 
compreender a importância da sustentabilidade nestas. Em primeiro lugar, é relevante 
mencionar que a própria ideia de desenvolvimento urbano sustentável em si é considerada 
um grande desafio para a sociedade contemporânea. Embora as cidades sejam 
caracterizadas pelo desenvolvimento econômico e por abrigarem serviços públicos como 
a educação, cuidados médicos e transporte, as mesmas não deixam de enfrentar problemas 
relacionados ao meio ambiente, moradia, mobilidade, exclusão social (taxa de pobreza), 
segurança, igualdade de oportunidades e governança (OPEN INNOVATION SEMINAR, 
2012). 
Isso ocorre já que, na maioria das vezes, as cidades se desenvolvem baseadas em 
um modelo insustentável e de uso ineficiente de recursos (LEITE, 2012). Poleros (2011) 
ressalta que o uso exacerbado e ineficiente de recursos naturais significa uma maior 
produção de resíduos e emissão de gases poluentes. Juntamente com essa questão, a 
poluição do ar e da água seriam problemas ambientais nas cidades. Além desses 
problemas, os espaços urbanos ainda enfrentam outros como: a matriz energética baseada 
em fontes não renováveis, a redução de espaços verdes, poluição sonora e problemas 
relacionados ao tráfego de automóveis. Outro desafio a ser superado pelas cidades é a 
grande desigualdade socioeconômica e a consequente exclusão social. Em muitos casos, 
há uma expansão não controlada do espaço urbano, verificada especialmente nas últimas 
décadas. Isso resulta em uma dificuldade de administração e fiscalização do território e 
acarreta na acelerada degradação de zonas preservadas, precariedade na infraestrutura 
urbana, poluição e até mesmo em um aumento da violência (LEITE, 2012). 
Não existe uma fórmula para a promoção da sustentabilidade que seja aplicável a 
todas as cidades. A preocupação em se considerar as particularidades de cada cidade para 
a promoção de um padrão de sustentabilidade é comum entre acadêmicos (LEITE, 2012; 
SACHS, 2008), programas da ONU (PNUMA, 2012, ONU- -HABITAT, 2012a) e 
aparece também em documentos como “O futuro que querermos” (ONUBR, 2012). 
24 
 
Aspectos físicos, econômicos e culturais particulares de cada cidade influenciam a forma 
de urbanização e qualquer plano para promoção da sustentabilidade deve levá-los em 
conta. 
 
 
2.8.1 Alta densidade populacional: a cidade compacta 
 
 
As cidades acomodam o crescimento populacional de três formas: expansão dos 
limites da cidade, criação de cidades satélites ou aumento da densidade (ONU-
HABITAT, 2012a). É importante ressaltar que não são formas mutuamente excludentes, 
uma cidade pode, por exemplo, combinar o aumento de densidade nas áreas já ocupadas 
com expansão do perímetro urbano caso haja grande crescimento populacional. A 
primeira alternativa, a expansão, avança sobre áreas rurais ou, em casos como o da cidade 
de São Paulo, sobre reservas ambientais (LEITE, 2012). 
A segunda alternativa consiste na criação de cidades que, embora possam possuir 
relativa independência administrativa, econômica e social, se conectam a uma cidade 
central de forma a aproveitar os benefícios de uma economia de escala (UN-HABITAT, 
2012a). No entanto, essa estratégia apresenta alguns problemas, como a necessidade de 
deslocamento cotidiano de significativa parte da população entre as cidades e o fato da 
população das cidades satélites não ter acesso aos mesmos serviços que a população da 
cidade central. A terceira alternativa, o aumento da densidade, é comumente indicada 
como o padrão mais sustentável (LEITE, 2012; UN-HABITAT, 2012c). A alta densidade 
é uma das características de uma cidade que contribui para a sustentabilidade. Carlos 
Leite, inclusive, defende que “cidades sustentáveis são, necessariamente, compactas, 
densas” (2012, p. 13, grifo nosso). Isso ocorre porque o consumo per capta de recursos 
diminui com o aumento da densidade (LEITE, 2012; ONU-HABITAT, 2012c). 
 
 
 
 
 
 
25 
 
2.8.2 Uso misto do solo 
 
 
Comumente associado às altas densidades, o uso misto do solo é outra 
característica comum às cidades sustentáveis. As altas densidades não são suficientes para 
promover o uso misto do solo, mas constituem um fator facilitador. O uso misto consiste 
em uma política de uso e ocupação do solo que privilegie o compartilhamento dos usos 
comercial, residencial e de escritórios em uma mesma área (UN-HABITAT, 2012a). 
Nessa forma de ocupação, a distância entre a residência e o trabalho é menor. O que reduz 
a intensidade dos deslocamentos, a dependência e o uso do carro, o que, por sua vez, 
reduz a demanda por infraestrutura de transporte e por áreas de estacionamento (UN-
HABITAT, 2012a). Segundo o ONU-HABITAT (2012a), o uso misto do solo promove 
acesso a serviços a um segmento mais amplo da população, aumenta as opções de 
moradias para diferentes tipos de moradores e, ainda, promove integração social e 
percepção de segurança. A sensação de maior segurança decorre do aumento do número 
de pessoas circulando nas ruas. O programa ainda defende que o uso misto associado à 
alta densidade aumenta a viabilidade do transporte público. 
 
 
2.8.3 Água 
 
 
O ONU-HABITAT (2012d) faz sugestões para a redução no consumo de água em 
dois âmbitos: o próprio uso da água e a cobrança. A principal recomendação no que diz 
respeito ao uso da água pode ser expressa pelo princípio do usodos recursos em cascata 
ou uso sequencial dos recursos. De acordo com esse princípio, a qualidade da água deve 
ser determinada pelo uso que será feito dela (UN-HABITAT, 2012d). Isto é, a água 
potável não deve ser utilizada para todos os usos que se faz da água, já que a usada para 
lavar carros não precisa ter a mesma qualidade da usada para beber ou preparar alimentos. 
A aplicação desse princípio permite, por exemplo, aproveitar a água usada no banho para 
26 
 
a descarga. Seguindo esse princípio, por um lado, reduz-se a demanda por água potável 
e, por outro, a de esgoto a ser tratado (ONU-HABITAT, 2012d). 
 
 
2.8.4 Transporte 
 
 
O setor de transporte consome mais da metade dos combustíveis fósseis e é 
responsável por cerca de um quarto da emissão de CO2 relacionada com energia, 80% da 
poluição do ar nos países em desenvolvimento, 1,27 milhão de acidentes fatais por ano e 
problemas crônicos de congestionamento (PNUMA, 2011). Essas informações apontam 
alguns efeitos de um padrão de transporte bastante comum: individual, motorizado, 
movido, principalmente, por derivados de petróleo. O setor de transporte é, portanto, um 
elemento-chave para tornar-se uma cidade sustentável. A importância do transporte é tal 
que no documento final da Rio+20 consta que “transporte e mobilidade são centrais para 
o desenvolvimento sustentável” (ONUBR, 2012, p. 25). 
Para transformar um sistema de transporte em um que seja sustentável, o PNUMA 
sugere três estratégias: evitar ou reduzir deslocamentos; adotar meios de transporte mais 
sustentáveis; e aumentar a eficiência de todos os meios de transporte (PNUMA, 2011). A 
primeira estratégia é implementada por meio do fomento à compactação das cidades e do 
uso misto do solo, cujas consequências e lógica já foram apresentadas. A segunda, por 
sua vez, inclui tanto estímulo ao uso de meios sustentáveis, como transporte público e 
bicicletas, quanto ao desencorajamento do uso do transporte individual e motorizado. A 
terceira consiste no aprimoramento dos veículos e/ou dos combustíveis com o intuito de 
reduzir o consumo de recursos naturais e evitar a poluição e a emissão de gases que 
causam o efeito estufa (PNUMA, 2011). 
Além do transporte coletivo, há outros meios de transporte que também são 
sustentáveis. Trata-se dos meios não-motorizados, como caminhar e andar de bicicleta, 
os quais, muitas vezes são complementares ao transporte coletivo. A terceira estratégia, 
o aprimoramento de veículos e/ou dos combustíveis, se dá de duas formas: aumentando-
se a eficiência energética dos veículos e/ou dos combustíveis ou substituindo-se os 
27 
 
combustíveis utilizados por opções mais sustentáveis. A substituição de carros 
convencionais por carros elétricos ou híbridos e o uso de combustíveis como o bioetanol, 
o biodiesel e o hidrogênio são exemplos dessa última forma (PNUMA, 2012). No Brasil, 
se desenvolveu uma tecnologia de carros bicombustíveis que operam tanto com gasolina 
quanto com álcool e cujo preço não é muito maior do que o de um carro movido apenas 
a gasolina. A pequena diferença de preços permitiu que a tecnologia fosse disseminada, 
o que fez com que se obtivesse sucesso no estabelecimento do etanol como alternativa à 
gasolina. Os carros 
movidos a hidrogênio, pelo contrário, ainda são muito caros, o que limita a sua 
disseminação e a contribuição que poderiam dar para um mundo mais sustentável. 
 
 
2.8.5 Energia 
 
 
Como já foi dito anteriormente, as cidades são responsáveis por 75% do consumo 
total de energia (UN-HABITAT, s.d. apud MITCHELL; CASALEGNO, 2008). Esse 
dado evidencia a importância de se considerar o consumo de energia urbano. As 
recomendações para a redução do consumo variam em um grande espectro, apontaremos 
aqui as que dizem respeito à cobrança do consumo de energia elétrica e design dos 
prédios. As sugestões acerca da cobrança de água se aplicam também a energia. Além 
dessas, há outra recomendação, específica para o setor energético: tarifação conforme o 
período do dia. Uma tarifa mais cara para o horário de pico faz com que parte do consumo 
seja desviado para outros horários; abrandando, assim, a necessidade de oferta adicional 
durante os horários de pico (ONU-HABITAT, 2012d). Cerca de 60% da energia elétrica 
do mundo é consumida em construções residenciais ou comerciais (ONU-HABITAT, 
2012d). 
 Como muitas das edificações usam a eletricidade para aquecer ou resfriar 
ambientes, a adoção do princípio do design passivo podem reduzir significativamente ou 
até mesmo eliminar essas demandas por eletricidade (UN-HABITAT, 2012d). O design 
passivo tem como objetivo promover um ambiente confortável por meio do 
aproveitamento das características do local, como luz solar e correntes de ventos. O uso 
28 
 
de materiais que retenham temperatura ou, pelo contrário, que contribuem para mantê-la 
baixa, áreas de ventilação e instalação de brises são exemplos de estratégias de design 
passivo. 
 
 
2.8.6 Benefícios das cidades ecologicamente inteligentes 
 
 
Cada vez mais é reconhecida a importância da sustentabilidade e os efeitos 
positivos que esta gera para a sociedade e o meio ambiente. Com isso, é importante 
destacar também que o desenvolvimento sustentável, aliado ao processo de urbanização 
das cidades, geram benefícios de diversos tipos para as pessoas. A urbanização 
sustentável traz, portanto, vantagens de cunho social, como a melhoria da qualidade de 
vida nas cidades; de cunho econômico, refletindo-se na prosperidade da economia local; 
e ambiental, contribuindo para a diminuição do problema de aquecimento global; entre 
outros (PNUMA, 2011). 
 
 
2.8.6.1. Sociais 
 
 
No desenvolvimento de cidades, a conscientização e os hábitos da população 
quanto às práticas sustentáveis produzem um efeito positivo nas relações sociais e mesmo 
na vivência de seus habitantes. Segundo o PNUMA (2011), é inegável a melhoria na 
qualidade de vida da população. A diminuição de poluição sonora pode constituir um 
fator de grande relevância para a satisfação dos indivíduos em uma cidade, por exemplo, 
sendo consequência do desenvolvimento de um transporte ecologicamente correto e 
também da maior utilização de bicicletas (PNUMA, 2011). 
 
29 
 
Da mesma forma, a urbanização sustentável estaria aliada a benefícios sociais tais 
como a criação de empregos em áreas como a agricultura verde urbana e periurbana29, o 
transporte público, a energia renovável, a gestão de resíduos e reciclagem, e a construção 
verde30. A implementação de novas tecnologias e a busca por um desenvolvimento 
sustentável requerem o emprego de profissionais com conhecimento nessas áreas 
(PNUMA, 2011). 
De acordo com o PNUMA (2011), as cidades sustentáveis podem trazer ainda 
certa redução da pobreza e da desigualdade social, uma vez que, incentivando o uso do 
transporte público – e proporcionando sua melhoria através do desenvolvimento de um 
transporte sustentável – se diminuiria a desigualdade no acesso aos serviços públicos. 
Seria possível também, por meio de uma urbanização consciente, contornar, em parte, o 
problema de uma crescente população, que por falta de melhores condições financeiras, 
habita zonas de risco e sem saneamento básico (PNUMA, 2011). A solução de tal situação 
seria a aplicação do design massivo no processo urbanizador, por exemplo (LEITE, 
2012). 
 
 
2.8.6.2. Econômicos 
 
 
Ao se relacionar o processo de urbanização com um desenvolvimento sustentável, 
é recorrente o pensamento da dicotomia entre uma prosperidade econômica e a 
preservação ambiental (HERCULANO, 1992). Tem-se em mente, muitas vezes, que 
certas práticas e princípios sustentáveisnão apresentam nenhuma viabilidade econômica, 
ou não possuem vantagens se comparados a outros meios de produção. Porém, é 
importante ressaltar a importância do processo de urbanização sustentável, uma vez que 
as cidades são o principal locus de produção econômica (LEITE, 2012). 
Como dito anteriormente, as cidades sustentáveis são densas. Isto implica em 
dizer que cidades com maiores densidades urbanas apresentam menor consumo de 
energia per capita e maior otimização de sua infraestrutura. Tal aspecto é ilustrado por 
meio da questão de crescimento urbano, Leite (2012) argumenta que uma forma de buscar 
a sustentabilidade urbana é a reconstrução, ou mesmo a reciclagem, dos espaços na 
30 
 
cidade, e não sua expansão cada vez mais acentuada. Uma urbanização sustentável, dessa 
forma, tem o papel fundamental de promover a eficiência produtiva por meio da 
diminuição dos gastos com transporte e ampliando as redes de comércio, por exemplo 
(PNUMA, 2011). 
O investimento em infraestrutura e o uso de energias renováveis, assim, gerariam 
vantagens econômicas por meio de uma maior utilização dos meios de transporte coletivo 
e de bicicletas, já que é expressiva a redução dos gastos em combustíveis não renováveis. 
Além disso, a promoção de práticas sustentáveis está relacionada a uma diminuição 
substancial dos custos para as cidades e para os próprios cidadãos, tendo em vista o 
dispêndio de tempo em congestionamentos e problemas de saúde decorrentes do convívio 
urbano (PNUMA, 2011). 
 
 
2.8.6.3. Ambientais 
 
 
Os benefícios ambientais advindos do processo de urbanização sustentável são 
variados, influenciando não apenas o próprio ecossistema diretamente, mas também, 
como foi visto anteriormente, as populações residentes das cidades. A implementação de 
um sistema de mobilidade urbana eficiente e mesmo a criação de mais espaços verdes são 
responsáveis por uma redução da poluição do ar (PNUMA, 2011). 
Nesse aspecto, colabora contra os problemas de inversão térmica, ilhas de calor e 
aquecimento global, por exemplo. Outro fator de grande relevância é a utilização do solo, 
uma vez que uma urbanização não planejada e a consequente falta de impermeabilidade 
do solo causada propiciam a essas áreas desflorestadas um risco maior de alagamentos e 
desmoronamentos em caso de desastres naturais (PNUMA, 2011). Assim, “a restauração 
de ecossistemas urbanos é parte do esforço de esverdear a cidade, o que pode reduzir o 
impacto de condições anormais do tempo” (PNUMA, 2011, p. 469, tradução nossa). 
 
 
 
31 
 
3. CONCLUSÃO 
 
 
A melhor forma de lidar com a questão da poluição, da falta de infraestrutura 
adequada, do uso ineficiente de recursos se dará a partir do será solucionada a partir do 
investimento em políticas sustentáveis. Estas incluem o incentivo a inovação, a 
densidades mais altas, a meios alternativos de transporte e de matrizes energéticas. 
Deve haver planejamento a partir de uma lógica que pense na preservação dos 
recursos disponíveis e leve em consideração as futuras gerações. Além disso, as cidades 
sustentáveis trarão benefícios de ordem econômica, social e ambiental para suas 
populações, tais como: aumento da qualidade de vida e da prosperidade econômica, além 
do alívio da questão do aquecimento global, como já argumentado. No entanto, os 
desafios que as cidades enfrentam ao lidar com o crescimento e ao implementar o 
desenvolvimento urbano sustentável também devem ser debatidos. Muitas vezes, a 
escassez de recursos financeiros e a falta de planejamento governamental e de vontade 
política, assim como a ausência de capacidades adequadas nas áreas administrativa e 
técnica barram os investimentos e a implementação de políticas públicas. É nesse ponto 
que a reforma da governança urbana se torna relevante. A governança, da local a 
internacional, é um instrumento viabilizador de políticas sustentáveis. Como foi 
argumentado, há uma necessidade de atuação conjunta entre o público e o privado que 
deve ser incentivada com vistas à promoção de cidades sustentáveis, cidades que lidam 
com a urbanização de forma ambiental, social e economicamente responsável. 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
 
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
UNITED NATIONS. World Urbanization Prospects: revision 2014. United Nations, 
New York, 2014. Disponível em: http://esa.un.org/unpd/wup/Highlights/WUP2014-
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reimpressão. São Paulo: G. Gili, 2013. 
UN-HABITAT. State of the World’s Cities, 2012/2013. Nairobi: UN-HABITAT e 
Routledge: Kenya, 2013. Disponível em: 
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