Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO- CAMPUS DE BALSAS BACHARELADO INTERDICIPLINAR EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA SUSTENTABILIDADE E URBANIZAÇÃO BALSAS/MA 2018.1 LUCIANA PEREIRA BARBOSA MARCOS VINICIUS ELIAS MARTINS SUSTENTABILIDADE E URBANIZAÇÃO Trabalho apresentado como requisito para obtenção de nota na disciplina de Recursos Energéticos e Sustentabilidade do curso Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia. Professora: Tatiane Carolyne Carneiro BALSAS/MA 2018.1 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO.........................................................................................................04 1.1 Objetivo Geral...........................................................................................................06 1.2 Objetivo Específico..................................................................................................06 2. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: SUSTENTABILIDADE E URBANIZAÇÃO EM TODOS OS NÍVEIS...............................................................07 2.1 Desenvolvimento Sustentável....................................................................................08 2.2 Cidades Sustentáveis, as Cidades Inteligente............................................................09 2.3 Paradigmas do Urbanismo Sustentável no Brasil: A Revisão de Conceitos Urbanos Para o Século XXI...........................................................................................................10 2.4 Compreensão da Sustentabilidade Urbana no Contexto Político Atual Brasileiro Frente à Globalização......................................................................................................12 2.5 Urbanização, Dinâmica Migratória e Sustentabilidade no Semiárido Nordestino: O Papel das Cidades no Processo de Adaptação Ambiental...............................................14 2.6 Desenvolvimento Sustentável no Maranhão: a necessidade de integrar inclusão social e proteção ambiental ao atual contexto de crescimento econômico.....................18 2.7 Urbanização e Sustentabilidade: Uma Visão Sistêmica sobre o município de Balsas...............................................................................................................................20 2.8 Métodos para Concepção ou Integração de uma Cidade Sustentável.......................23 2.8.1. Alta densidade populacional: A Cidade Compacta.................................................24 2.8.2. Uso Misto do Solo..................................................................................................25 2.8.3. Água.......................................................................................................................25 2.8.4. Transporte..............................................................................................................26 2.8.5. Energia...................................................................................................................27 2.8.6. Benefícios das cidades ecologicamente inteligentes..............................................28 2.8.6.1 Sociais..................................................................................................................28 2.8.6.2. Econômicos.........................................................................................................29 2.8.6.3 Ambientais........................................................................................................30 3. CONCLUSÃO.........................................................................................................31 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................32 4 1. INTRODUÇÃO As cidades desenvolveram-se rapidamente e o crescimento urbano deve continuar acelerado nos próximos anos. Nos dias atuais, aproximadamente 54% da população mundial vive nas cidades. Estima-se que, na metade no Século XXI, 66% das pessoas estarão vivendo em ambientes urbanos (UNITED NATIONS, 2014). Nesse contexto, é cada vez maior o interesse no planejamento de cidades mais sustentáveis. O aumento da poluição, as elevadas emissões de carbono e a resultante ameaça do clima são grandes incentivos para a promoção da sustentabilidade nas cidades em todo o mundo (GEHL, 2013). Surgem, portanto, diversos desafios presentes nas agendas de desenvolvimento das cidades sustentáveis: a geração de energia mais limpa, a destinação adequada dos resíduos sólidos, a mobilidade urbana, incluindo a oferta de transporte público eficiente e acessível aos cidadãos, a disponibilidade de áreas verdes, os cuidados com a saúde e o bem-estar da população, entre outros aspectos. A cidade uma complexa matriz de atividades humanas e efeitos ambientais (ROGERS e GUMUCHDJIAN, 2013). Planejar uma cidade sustentável exige uma ampla compreensão das relações existentes entre cidadãos, serviços, políticas de transporte e geração de energia, avaliando seu impacto total no meio ambiente local e em uma esfera geográfica mais ampla. Dessa forma, para o alcance de um desenvolvimento sustentável no ambiente urbano, todos esses fatores devem estar entrelaçados. A sustentabilidade urbana é central para as mudanças qualitativas necessárias para transformar cidades e vidas urbanas, principalmente a vida dos ambientes urbanos mais pobres. Isso ocorre porque as cidades sustentáveis são vibrantes e mais propensas a atrair as habilidades e fomentar o empreendedorismo, essenciais para o crescimento e a prosperidade e tão necessários para a resolução de problemas e desafios urbanos. No entanto, isso exige novos arranjos - institucionais, tecnológicos, mecanismos financeiros, inovativos e processos de planejamento urbanos flexíveis. Acima de tudo, dependerá de compromissos tácitos e vontade política para formular e implementar estratégias e políticas adequadas para conduzir a sustentabilidade ambiental e, com isso, atingir a prosperidade nas cidades (UN-HABITAT, 2013). 5 O conceito de sustentabilidade aplicado às cidades é bastante amplo. De acordo com Bulkeley e Betsill (2005), apesar do entendimento universal de que a construção de cidades sustentáveis é uma meta política desejável, a compreensão do que isto significa na prática é menos precisa. Williams (2010) corrobora ao afirmar que o conceito é imediatamente atraente, porém complexo e intangível. De acordo com a autora, parte desta dificuldade de encontrar uma conceituação para o termo deve-se à característica multidisciplinar de seus estudos. A partir do contexto apresentado, pode-se observar que as cidades estão no centro do debate para a aplicação de conceitos relativos ao desenvolvimento sustentável. A busca por alternativas inteligentes e ecologicamente orientadas tem alavancado o surgimento de ambientes urbanos mais sustentáveis. Ressalta-se, ainda, o papel do planejamento urbano e da gestão pública orientados para a sustentabilidade, a fim de proporcionar a adoção de práticas de gestão para o desenvolvimento urbano sustentável, por meio da disponibilidade de infraestrutura e mobilidade urbana adequadas, da promoção da elevada qualidade de vida e de condições de saúde dos cidadãos, utilizando-se de alternativas de menor impacto ambiental (Roberto Schoproni et al, 2017). Nesse sentido o presente trabalho visa analisar a relação da sustentabilidade direcionadaá urbanização em uma visão sistêmica que engloba o país e reduz-se até enfocar no município de Balsas, Ma, trazendo a análise tanto criteriosa como descritiva em relação a situação atual e como que tal situação pode ser melhorada, visando o desenvolvimento sustentável em todas as suas possíveis formas. 6 1.1 Objetivo Geral Analisar e mostrar como a sustentabilidade e a urbanização se relacionam e se desenvolvem dentro de uma visão sistêmica que leva os conceitos aceitos mundialmente realizando um dimensionamento de escala que se inicia com uma abordagem nacional até enfocar no município de Balsas, Ma. 1.2 Objetivos Específicos • Expor o material que especifique e descreva de forma coesa os principais pontos em torno do tema sugerido; • Realizar um dimensionamento de escala nacional que se afunila até chegar ao município de Balsas, Ma em torno do tema proposto; • Mostrar possibilidades de remediação ou inserção no conceito de cidades sustentáveis. 7 2. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: SUSTENTABILIDADE E URBANIZAÇÃO EM TODOS OS NÍVEIS Assumir o termo desenvolvimento sustentável, atualmente, é adotar como premissa básica a inexorabilidade do desenvolvimento capitalista global e dos seus efeitos mais aparentes, tais como: poluição transfronteiriça do ar, solo e água; aumento da degradação das condições de vida de enormes contingentes populacionais; a dicotomia pobreza e riqueza, norte/sul; a perda da biodiversidade mundial e suas potencialidades para o avanço das ciências; a desertificação crescente; a escassez de água; os efeitos do uso indiscriminado das fontes não-renováveis de energia etc (ALMEIDA, 1998). Esses temas têm feito parte não apenas das agendas políticas dos Estados nacionais, como também se têm transformado, cada vez mais, em assuntos prioritários nas pautas dos acordos internacionais. Dessa forma, observa-se que o termo foi adotado pela maioria das nações como uma espécie de panaceia, ou seja, como uma fórmula capaz de aliar a ideia de desenvolvimento econômico mundial ad aeternum à superação dos efeitos nefastos desse mesmo desenvolvimento. Há mesmo uma vertente, comumente aceita, de que um dos principais entraves ao desenvolvimento sustentável seriam a pobreza e a miséria dos países em desenvolvimento — aqueles ditos do capitalismo tardio —, que poderiam ser resolvidos tão logo esses mesmos países superassem o estágio emergente e alcançassem as benesses do grau de produção e consumo das sociedades mais avançadas (BAVA, 1996). Nos tempos atuais, em que o termo desenvolvimento sustentável parece significar um corolário universal, tornando-se, dessa forma, uma espécie de “palavra de ordem” aceita mundialmente, os recursos naturais passam a ser considerados como capital natural, onde solo, florestas, recursos hídricos etc. são reconhecidos como valores do meio ambiente, tendo em vista, evidentemente, a escassez de alguns desses recursos e a aceleração da depleção do meio ambiente, no qual recursos ambientais ainda sejam predominantemente abundantes. A ótica sobre o meio ambiente, ainda dominante no pensamento da elite brasileira (política, econômica e cultural), é de que nosso “capital natural” é inesgotável. Isso faz que as questões relativas ao uso social da natureza se constituam em retórica de discursos bem intencionados, mas descolados das práticas 8 sociais efetivas, e, principalmente, com que as ações governamentais e os organismos institucionais do meio ambiente operem de forma marginal, e muitas vezes contraditória, às macropolíticas econômicas, dissociando, portanto, os problemas ambientais das questões do desenvolvimento (CORDEIRO, 1999). Crescimento econômico e urbanização intensiva, cabe-nos ressaltar, foram as características básicas do processo de desenvolvimento brasileiro que tornou o País a oitava economia mundial. Sob a égide desenvolvimentista, englobando o período dos anos 50 aos 80, a gestão do território privilegiou os grandes empreendimentos públicos e privados que iriam integrar a ocupação produtiva do território nacional. As dimensões continentais do País, as disparidades regionais, a predominância de ecossistemas diversificados, a ocupação humana rarefeita em algumas regiões, os intensos processos de migração entre as regiões marcaram o período e o ideário de sucessivos governos na busca da consolidação da apropriação territorial: a constituição da Nação brasileira como a potência-líder da industrialização latino-americana. Grandes projetos de desenvolvimento econômico foram elaborados e subsidiados em quase todo o território nacional. Pólos de desenvolvimento foram incentivados por meio de vários programas governamentais, a maior parte deles financiando projetos econômicos, cujas características exógenas colidiam com as formas tradicionais de desenvolvimento local (DAVIDOVICH, 1995). 2.1 Desenvolvimento Sustentável A definição mais conhecida para desenvolvimento sustentável é a formulada pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, no documento “Nosso Futuro Comum”5, segundo o qual, “o desenvolvimento sustentável é aquele capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer as necessidades das gerações futuras” (1987, s.d), ou seja, um desenvolvimento consciente que não esgote os recursos e nem prejudique os sistemas naturais que mantém a vida no planeta. Essa definição foi elaborada em uma tentativa de integrar desenvolvimento econômico com preservação ambiental. 9 Já de acordo com Ignacy Sachs (2008), desenvolvimento sustentável é uma abordagem fundamentada na harmonização de objetos sociais, ambientais e econômicos. A partir disso se estabelece um aproveitamento racional6 e ecologicamente sustentável da natureza em benefício das populações locais, fazendo com que a preocupação com a conservação do meio ambiente e da biodiversidade estejam incorporadas aos interesses da própria população (SACHS, 2008). O desenvolvimento sustentável contradiz o planejamento urbano moderno pautado no crescimento econômico como principal objetivo (SACHS, 2008). Isso acontece porque esse conceito parte do pressuposto de que o mundo possui recursos naturais finitos que estão sendo utilizados inadequadamente e, portanto, esse comportamento deve ser alterado (LEITE, 2012). A partir da perspectiva da sustentabilidade, o crescimento econômico de cada país deve considerar os limites de consumo dos recursos naturais disponíveis (SACHS, 2008). A economia deveria seguir princípios básicos para que haja um desenvolvimento urbano compatível com a sustentabilidade (LEITE, 2012). O conceito de desenvolvimento sustentável acrescenta outra dimensão à da sustentabilidade social, aquela da sustentabilidade ambiental (SACHS, 2008). Ela se baseia na solidariedade para com a geração atual e para com as gerações futuras, buscando soluções que não recorrerão às ferramentas da economia convencional, mas sim às soluções que não causarão externalidades negativas nas dimensões social e ambiental (SACHS, 2008). 2.2 Cidades Sustentáveis, as Cidades Inteligentes A cada dia a população se concentra mais nas cidades e o mundo se torna mais urbano, essas mesmas cidades consomem muita energia e respondem cada vez mais pelas emissões de CO2.Então, para que se verifique uma redução nas alterações climáticas, deve-se promover mudanças nas cidades (LEITE, 2012). Portanto, visando alterar das mudanças climáticas é necessária a adoção de políticas que 10implementem cidades sustentáveis que saibam lidar adequadamente com a economia, a sociedade e o meio ambiente (SACHS, 2008). A cidade sustentável, de acordo com Mark Roseland (1997), é o tipo mais durável de assentamento que o ser humano é capaz de construir. É a cidade capaz de propiciar um padrão de vida aceitável sem causar profundos prejuízos ao ecossistema ou aos ciclos biogeoquímicos de que ela depende. A adaptação de cidades para que fiquem mais sustentáveis é um processo de longo prazo que requer um esforço partindo também da população. Considerando que a população ao mesmo tempo em que é causadora de problemas que afetam as cidades, também é ela quem sofre as consequências (LUNDQVIST, 2007). Cidades sustentáveis, portanto, buscam a conscientização e o auxílio dos seus habitantes por meio de programas que divulguem informações sobre as mesmas, assim como por meio de conferências ambientais e por meio da mídia; para que se melhore o meio ambiente e a qualidade de vida, ao mesmo tempo em que se desenvolve uma economia que sustente a prosperidade dos sistemas humanos e dos ecossistemas (PROGRAMA CIDADES SUSTENTÁVEIS, 2012). 2.3 Paradigmas do Urbanismo Sustentável no Brasil: A Revisão de Conceitos Urbanos Para o Século XXI Em tempos atuais a maioria das sociedades enfrenta a desalentadora e angustiante perspectiva de crescente caos urbano, decorrente do obsoleto e contraditório modelo de ocupação urbana implementado desde a era industrial. O cenário de acúmulo de riquezas sem a necessária distribuição equitativa de benefícios sociais acentuou os conflitos interurbanos. Se para Aristóteles a cidade era o lugar para se viver bem, atualmente, esta se tornou antônimo à qualidade de vida, desprivilegio não só das cidades latino- americanas ou de economias de desenvolvimento tardio, como também das cidades ditas industrializadas e desenvolvidas (SILVA 2011). 11 No Brasil, a intensa urbanização pós-moderna das últimas cinco décadas imprimiu uma súbita concentração de indústrias, serviços e trabalhadores, que somado à mecanização do campo e da cidade transformou, não só o déficit habitacional, como a escassez de emprego, nos grandes problemas sociais da urbanidade. O aumento exponencial da população, ao passo que se oferece excedentes de mão-de-obra, que são bem vindos ao sistema econômico, pois achata o valor do trabalho humano e barateia os custos de produção, passou a exercer efeitos sociais contrários à ordem vigente das ideologias burguesas. Para Milton Santos (2009), nasce desse fenômeno uma nova forma de movimento social para este século, que se apropria dos meios técnicos de informação e impõe forte pressão social aos poderes políticos e econômicos nacionais. Partindo desse princípio, as ideologias que sustentam “a cidade do pensamento único” (ARANTES, VAINER & MARICATO, 2007) passam a sofrer fortes impactos das reações e mobilizações sociais em prol de uma sociedade e um mundo menos unilateral, que considere as especificidades culturais de cada lugar, bem como priorize o ambiente e a equidade social. A urbanização brasileira nos últimos 50 anos transformou e inverteu a distribuição da população no espaço nacional. Se em 1945, a população urbana representava 25% da população total de 45 milhões, em 2000 a proporção de urbanização atingiu 82%, sob um total de 169 milhões. Na última década, enquanto a população total aumentou 20%, o número de habitantes nas cidades cresceu 40%, especialmente nas nove áreas metropolitanas habitadas por um terço da população brasileira (RATTNER, 2009). Projeções estatísticas do IBGE (2008: 28) apontam que a população brasileira atingirá o ápice com o patamar de 219 milhões de habitantes por volta de 2039, quando, a partir de então, a população deverá regredir lentamente. Portanto questiona-se, como será a situação das cidades brasileiras frente a essas perspectivas? 12 2.4 Compreensão da Sustentabilidade Urbana no Contexto Político Atual Brasileiro Frente à Globalização Como estudo do contexto político nacional no caminho da sustentabilidade, Acselrad (2004) faz uma crítica a partir do documento oficial intitulado de “Riqueza Sustentável”, no qual analisa a atuação do governo federal e sua ação político- administrativa nacional focada na inserção passiva do Brasil no âmbito da globalização como um “novo modelo de desenvolvimento”. Não obstante, o autor destaca que tal política é uma repetição da estratégia governamental de incentivo ao agronegócio exportador com a intenção primária de surgimento de tecnologias competitivas para esse mercado. Ainda, contudo, contém traços do termo denominado de “modernização ecológica”, ou seja, a referência a um meio ambiente “de negócios” (conceito de desenvolvimento já implementado pelo programa Avança Brasil, da gestão presidencial de Fernando Henrique Cardoso), ações estas que objetivam a “imagem ecológica internacionalmente favorável”. (ACSELRAD, 2004a). No contexto de planejamento territorial nacional, os capitais internacionais ameaçam se deslocar para outros países caso não obtenham vantagens crescentes, liberdade para a remessa de lucros para o exterior, isenções fiscais, estabilidade. Pressionando e subjugando os estados e municípios nos quais é menor a organização social ou econômica e maior a necessidade de preservação do patrimônio ambiental e sócio-cultural, pois nessas municipalidades nas quais as instituições são menos participativas e mobilizadas junto à comunidade, tende a haver políticas urbanas e ambientais mais permissivas que, consequentemente, podem gerar impactos irreparáveis no futuro. Esses capitais internacionais selecionam seus investimentos a partir de contrapartidas mais rentáveis (ou melhores propostas ofertadas) como fornecimento de terrenos, isenção de imposto por anos ou décadas, vantagens ambientais com a flexibilização13 das leis urbanísticas de ordenação do território (SILVA, 2011). Diante desse cenário, a sustentabilidade urbana reduz-se a um artifício discursivo para dar às cidades um atributo a mais, “ecologicamente correto”, para a atração de investimento por meio da dinâmica predatória da competição interurbana (ACSELRAD, 13 2004b: 35). Dessa forma tem-se um novo modo de regulação do espaço urbano, apontando que (Id.: 30-31): 1. As condições de reprodução do capital são menos coordenadas pelo Estado central e os poderes locais assumem papel pró-ativo nas estratégias de desenvolvimento econômico. A cidade é aí o elo entre a economia local e os fluxos globais, passando a ser assim objeto das pressões competitivas internacionais. 2. Desenvolve-se uma competição interurbana pela oferta de possibilidades de consumo de lugar, pela atração de turistas e de projetos/eventos culturais; 3. Desenvolve-se competição interurbana pela capacidade de controlar funções de comando financeiro e comunicacional; 4. Os processos econômicos passam a subordinar as políticas sociais e de emprego. As políticas sociais são desmanteladas e substituídas por um “empreendedorismo urbano” cujo sucesso depende da geração de emprego e renda, ficando os problemas da marginalização social na dependência das iniciativas das próprias organizações da sociedade; 5. As novas condições de governo dos processos urbanos passam a envolver também atores não-governamentais, privados e semi-públicos. A coordenação dos diferentes campos de política urbana pressupõe a instauração de novos sistemas de barganha, aparecendo as “parcerias” como mecanismos de apoio aos mercados em substituição a políticas preexistentes de ordenamento dos mercados (SILVA, 2011).Nesse contexto, ao se tratar de planejamento urbano e regional integrado, deve-se revisar as posturas e processos de legislação do Ministério das Cidades, abordando as particularidades de forma distinta, e não impondo modelos ou cartilhas rígidas que não se adéquam às conjunturas locais – o que é a antítese da sustentabilidade urbana defendida neste trabalho. Deste modo, tratando-se de política urbana, tem-se ainda o fato agravante de que a maioria dos Planos Diretores implementados até 2006 (conforme as imposições legais do Estatuto da Cidade), não resultaram de ações participativas com a sociedade, ou pior ainda, muitas vezes decorreram de um contrato licitatório entre a Prefeitura e uma empresa (SILVA & WERLE, 2007). A elaboração de um Plano Diretor, a partir dessa relação contratual, é um risco alto para um planejamento urbano e regional eficaz; tendo em vista que é feita uma Licitação Pública e, assim, ganha a empresa que otimizar melhor a relação de custo- 14 benefício. Em muitos casos não é considerado como pré-requisito, nesse processo, o critério de competência técnica e qualidade de serviço comprovadamente atestado, sem citar ainda as relações políticas suspeitas entre as empresas e o poder público em cada município. Sobre esse aspecto, Silva & Werle (2007) descreve que a ausência de estudos técnicos (georreferenciamento, geoprocessamento, cartas geotécnicas, geomorfologia, pedologia, estudos hídricos e ambientais diversos, entre outros), acaba por produzir planos e legislações incompatíveis com as condicionantes locais das municipalidades, tornando-se o planejamento urbano e regional, contraditoriamente, os causadores de riscos ambientais potenciais para as cidades no futuro. 2.5 Urbanização, Dinâmica Migratória e Sustentabilidade no Semiárido Nordestino: O Papel das Cidades no Processo de Adaptação Ambiental Quando se discute a problemática ambiental urbana no Brasil, surge imediatamente a imagem de uma grande cidade localizada no contexto de uma região metropolitana cercada de poluição, áreas contaminadas, congestionamentos etc. De fato, essa é uma realidade de praticamente metade da população urbana brasileira e por essa razão, justifica-se todo o investimento e preocupação tanto dos estudos quanto das políticas públicas específicas. Entretanto, poucas vezes nos preocupamos com as questões ambientais urbanas de algumas regiões do país, tornando tais “problemas” muitas vezes invisíveis. Assim, muitas vezes relegamos a população dessas regiões a políticas públicas desarticuladas de acordo com as prioridades setoriais e arriscamos aprofundar injustiças sociais regionais (SILVA, 2010). A região nordeste é uma dessas regiões. Segundo os dados do Censo Demográfico 2010, é morada de 27,8% da população brasileira (53 milhões de pessoas) e é a segunda região em termos populacionais. Proporção que pouco se alterou desde o Censo Demográfico de 1980, quando os 34,8 milhões de habitantes da região representavam 29,3% do total do país. É ainda a região brasileira menos urbanizada (73,1%, em 2010), com uma proporção da população vivendo em áreas urbanas um pouco menor do que na 15 região Norte do país, mas que nos últimos anos tem se urbanizado rapidamente e trazendo com isso algumas preocupações (TEIXEIRA, 1998). Mas a análise da região Nordeste não pode ser homogênea, pois possui contextos muito distintos, desde econômicos até ambientais. Do ponto de vista ambiental, foco central deste artigo, a dinâmica da urbanização apresenta situações não apenas distintas, mas que podem ser consideradas praticamente antagônicas, pois os desastres naturais ora afetam a população nordestina com eventos de extrema precipitação pluviométrica (chuvas) concentradas na porção litorânea, enquanto que recorrentemente na região do Semiárido o principal desastre natural está associado às estiagens severas e prolongadas. Característica esta que costuma ser generalizada para toda região Nordeste no imaginário social (RIBEIRO, 2006). Quando analisamos a distribuição da população nordestina a partir do recorte ambiental, a população residente na região do Semiárido correspondia a 40% do total da região Nordeste no ano de 2010. Fato que não deve ser considerado irrelevante em termos de população afetada, pois são cerca de 21,3 milhões de habitantes vivendo em um contexto ambiental complexo e de extrema fragilidade social e econômica. Tais fatores teriam motivado a emigração de grandes contingentes populacionais ao longo dos últimos 50 anos, entretanto, poucas vezes tais fatores puderam ser devidamente comprovados, pois a existência de fatores de atração migratória na região Sudeste do país sempre tornavam complexa a análise dos fatores de expulsão da população dessas regiões do Semiárido (SANTOS,1990). A região Nordeste tradicionalmente é caracterizada como o principal centro expulsor da população brasileira. As explicações para essa condição são variadas e vão desde os fatores ambientais (estiagens, desertificação, etc.) até os baixos indicadores de desenvolvimento econômico como mortalidade infantil, esperança de vida, dinamismo econômico, entre outros (Ab’Saber, 1999; Martine, 1994; Camarano, 1997; Oliveira, 2008; Diniz, 1988; Santos; Moura, 1990; Santos; Moreira; Moura, 1990; Teixeira, 1998; Ribeiro; Barbosa, 2006; Fusco; Duarte, 2010). Essa dinâmica das migrações nordestinas teve impacto no processo de urbanização da região, mas trata-se de um aspecto que está inserido dentro de um contexto mais amplo: uma transição urbana. Mas a migração não é o único nem o principal responsável pelo crescimento populacional nas cidades. Um exercício de análise a partir das taxas de crescimento da população urbana e da taxa de evolução do grau de urbanização elaborado por Tacoli, 16 McGranahan e Satterthwaite (2008) mostra que, na média mundial, a contribuição da migração rural-urbana para o crescimento das cidades é de 40%, sendo que no caso da América Latina, entre 1975 e 2000, essa contribuição foi de cerca de 30%. Realizando a mesma análise para o Brasil, considerando as grandes regiões, a contribuição da migração para o crescimento urbano do Nordeste teria sido de algo em torno de 46% entre 1970 e 2010. Um dos aspectos dos fluxos migratórios nordestinos é o processo de concentração da população em algumas localidades, mas que se comparado com o país é bem menos polarizado. Podemos ver a partir da Tabela 1 que a região Nordeste ainda concentra a sua população em municípios de menor porte populacional. Em torno de 40% da população residia em municípios com mais de 100 mil habitantes, enquanto que, no Brasil como um todo, essa proporção é praticamente invertida, com 55% nos municípios maiores. Essa informação adicionada ao aumento no grau de urbanização da região Nordeste nos leva ao fato de que se há 50 anos o Nordeste abrigava a sua população em pequenos municípios rurais, hoje ele ainda tem grande parte da sua população em municípios pequenos, mas agora com uma população urbana (ARAÚJO, 1997). Tabela 1- Distribuição da população no Nordeste segundo classes de tamanho da população nos municípios, 1950-2010 Classes de tamanho da população 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2010(NE) 2010(BR) Até 5.000 0,09 1,22 2,28 1,56 1,06 1,97 1,66 2,29 De 5.001 a 10.000 2,56 5,88 9,01 6,97 5,52 6,06 4,87 4,48 De 10.001 a 20.000 14,04 18,05 22,60 17,70 17,75 17,67 15,81 10.35 De 20.001 a 50.000 57,76 43,31 32,97 31,03 27,88 24,50 23,69 16,43 De 50.001 a 100.000 16,36 11,58 11,73 12,97 14,67 13,43 14,05 11,70 Mais de 100.000 14,18 19,96 21,41 29,77 33,11 36,36 39.92 54,75 17Uma análise do grau de urbanização por classes de tamanho do município confirma essa hipótese, pois podemos verificar que nos municípios nordestinos maiores, com mais de 100 mil habitantes, a população já era predominantemente urbana desde a década de 1970, pelo menos. Assim, mesmo com uma distribuição relativa de pequenos municípios equivalente com outras regiões, o processo de transição urbana é relativamente atrasado em relação ao país, pois para o Brasil como um todo os municípios menores já atingiam a marca de 50% da sua população urbana em meados de 1991, enquanto que na região Nordeste isso ocorre apenas no Censo 2010, como podemos ver na Figura 1. Figura 1: Crescimento populacional no período de 1970 a 2010. Fonte: IBGE, Censos Demográficos 1970 a 2010. A dinâmica migratória da região Nordeste desempenha, portanto, um papel fundamental no processo de urbanização, mas algumas das características mais marcantes desse grande contingente de pessoas em movimento pelo país tem apresentado mudanças importantes nos últimos anos. Uma dessas mudanças é a direção predominante desses fluxos. Por um lado, os fluxos de emigração nas Unidades da Federação (UF) nordestinas se mantêm majoritariamente inter-regionais, ou seja, a maior parte das pessoas emigram para estados fora da região Nordeste. Mas por outro lado, é importante perceber que entre os imigrantes, os últimos anos marcaram uma inflexão, pois se na década de 1970 poucos 18 dos que chegavam à região Nordeste eram de outras regiões do país, nos anos mais recentes já são a maior parte dos imigrantes, superando inclusive o volume das migrações entre os estados da própria região Nordeste (BRITO, 2009). Figura 2 – Percentual de imigrantes inter-regionais, 1970 a 2010 Fonte: IBGE, Censos Demográficos 1970, 1991, 2000 e 2010. Com esse breve percurso da relação entre migrações e urbanização no Nordeste, pode-se concluir que, a despeito da pouca atenção dada à relação urbanização e ambiente nessa região, a sustentabilidade urbana nesse contexto se torna um elemento central a ser melhor analisado. Enquanto se fala em grandes projetos de reuso de água, fontes de energia limpa, redução de emissões de gases de efeito estufa, temos cerca de 39 milhões de pessoas vivendo em áreas urbanas de uma região que, se não por completo, ainda carecem de políticas públicas de acesso a saneamento básico e precisam enfrentar estiagens regulares com poucos recursos (ARAÚJO, 2012). 2.6 Desenvolvimento Sustentável no Maranhão: a necessidade de integrar a inclusão social e proteção ambiental ao atual contexto de crescimento econômico e a Realidade Urbana Maranhense O Estado do Maranhão vive, hoje, uma situação de notório crescimento econômico. Estatísticas apontam que, dentro do Brasil, é um dos estados que mais tem 19 crescido nos últimos anos, crescimento este alavancado pela chegada de grandes empreendimentos na região, os quais estão geralmente ligados à indústria pesada, tal como refino de petróleo, termelétricas, exploração de gás e atividade mineradora. O Produto Interno Bruto (PIB) do Maranhão, portanto, tem aumentado vertiginosamente, fato que é amplamente comemorado por diversos setores da sociedade. Entretanto, o aumento do PIB maranhense não tem significado aumento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nas regiões onde tais empreendimentos se fixaram, ou seja, não tem incrementado a qualidade de vida da população local, existindo relatos, inclusive, de que para a população mais humilde a situação tornou-se pior (IMESC, 2010). Apesar de ainda ser o Estado brasileiro com o menor percentual populacional vivendo em cidades, o Maranhão superou o país no processo de urbanização acelerada dos últimos 50 anos. De uma população urbana calculada em 448.509 habitantes em 1960, o Estado saltou para 4.143.728 em 2010, um crescimento percentual de quase o dobro da Região Nordeste, que no mesmo período cresceu de 7.680.681 para 38.821.246 moradores urbanos, conforme mostra a figura 1 (IPEA, 2001). Figura 3: Tabela - BRASIL, REGIÃO NORDESTE, MARANHÃO: POPULAÇÃO RESIDENTE URBANA E RURAL: 1960, 2000, 2010 Fonte: IBGE, censos 1960, 2000, 2010 Para abrigar este expressivo crescimento populacional, as cidades maranhenses também cresceram em quantidade. Dos 91 municípios existentes em 1960, o estado passou a contar com 217 em 2000, número que não sofreu alteração em 2010 (MELO, 2016). Tendo em vista que a dimensão populacional tem relação direta com o dinamismo econômico de uma cidade, o fato de termos centros mais ou menos populosos resulta em 20 um papel regional maior ou menor, passando a ser influente ou dependente de outras cidades em uma determinada rede urbana, conceito entendido como o conjunto funcionalmente articulado de centros urbanos e suas hinterlândias Ainda que exista, entre pesquisadores, o consenso quanto ao fato das cidades possuírem distintas funções em uma determinada estrutura ou rede urbana, a definição do papel específico do espaço urbano exige entendimento do contexto em que se localiza, seja nacional, seja regional. Por tudo isso, a dimensão populacional que classifica as cidades deve e precisa ser considerada a partir da realidade em que está inserida (CORREA, 2006). Desta forma, as populações locais têm suportado o ônus ambiental e social que um empreendimento de grande porte traz sem estarem recebendo em troca nenhum tipo de real benefício por isso. As razões para esse não beneficiamento da população local são muitas. Observa-se, por exemplo, que a baixa qualificação das pessoas da região é um impeditivo para que as mesmas ocupem bons postos de trabalho nos referidos empreendimentos, os quais, assim, são ocupados por profissionais advindos de outros estados e até mesmo de outros países. Ao mesmo tempo, as receitas geradas por tais empreendimentos (dentre as quais se inclui as vultosas taxas pagas ao Estado a título de compensação ambiental) não estão sendo repassadas e/ou aplicadas nos respectivos municípios em reais e estratégicos planos e projetos de desenvolvimento social e proteção ambiental. (COSTA, 2015). 2.7 Urbanização e Sustentabilidade: Uma Visão Sistêmica sobre o município de Balsas O processo de transformação econômica do estado do Maranhão, apoiada nas atividades primárias para uma economia alicerçada em alguns pilares da globalização, vem promovendo profundas mudanças nas suas estruturas não só econômica, mas também políticas, sociais e territoriais, como aquelas vivenciadas no município de Balsas. Esse município localiza-se na Mesorregião Sul Maranhense e na Microrregião dos Gerais de Balsas, a uma distância de, aproximadamente, 1000 quilômetros da capital do estado, São Luís. Possui uma área territorial de 3.141,637 km², apresentando densidade 21 demográfica de 6,36 hab./ km² e uma população de 83.528 habitantes sendo que 72.771 vivem na cidade e 10.757 no campo (IBGE, 2010). A cidade localiza-se junto ao rio de mesmo nome, único afluente da margem esquerda do rio Parnaíba, com 510 km de extensão. As coordenadas geográficas do município são07º31’57” latitude Sul e 46º02’08” longitude Oeste. A referida cidade, a exemplo da região Sul do estado do Maranhão, teve sua ocupação inicial vinculada à presença de vaqueiros nordestinos que, fugindo da seca, Figura 4: Localização de Balsas-Região Sul do Maranhão. 22 cruzaram, principalmente, as terras do estado do Piauí, migrando para terras maranhenses. Coelho Neto (1979, p. 103). A migração de sulistas em direção ao município de Balsas, especialmente aqueles ligadosao setor rural ou agroindustrial, remonta às décadas de 1970 e 1980, isso como consequência da concentração da terra e da divisão excessiva dos minifúndios existentes nos estados que compunham a região Sul do país. Na discussão quanto à apropriação do Cerrado, os gaúchos que migraram em direção às terras maranhenses, assumem o status de “agentes” do desenvolvimento local. Desenvolvimento este de cunho capitalista. Dessa forma, a dinâmica da migração, associada à agricultura globalizada só traria ganhos aos espaços urbanos e rurais do município, cabendo à cidade uma gama maior de novos incrementos (ELIAS, 2006). Nos dias atuais a cidade de Balsas sofre com um constante problema de espaçamento urbano ligado ao setor de transporte, locomoção, propriamente dita, isto se deve entre outros fatores a um problema histórico que descende de décadas bem distantes quando a cidade ainda estava em processo de emancipação, isso porque naquela época os primeiros habitantes não possuíam uma visão futura de como a cidade seria ou que consequências tais engajamentos urbanos criados naquele período poderiam criar problemas para as gerações posteriores e, deste modo, tem-se o emaranhado distributivo mal formado que afeta principalmente o centro da cidade com ruas extremamente estreitas e que mesmo em tais condições ( não todas) algumas ainda funcionam com acesso duplo. Outro problema agora este último ligado ao quesito sustentabilidade é que um dos meios de possível resfriamento que o município encontrou para resfriamento em épocas de extremo calor foi o plantio de árvores em vias de acesso duplo tanto no centro como em outros bairros, o problema trata-se quanto ao tipo de árvores plantadas, neste caso, mangueiras e outras árvores que são de grande porte e que como a cidade não possui uma estrutura adequada para o recebimento das mesmas na fase adulta pode então ocasionar problemas tanto relacionados a acessibilidade e infraestrutura local. 23 2.8 Métodos para Concepção ou Integração de uma Cidade Sustentável Feita a apresentação de conferências mundiais que abordaram o desenvolvimento urbano sustentável e temas relacionados, é necessário identificar quais são os maiores desafios e problemas que as cidades contemporâneas enfrentam, para que se possa compreender a importância da sustentabilidade nestas. Em primeiro lugar, é relevante mencionar que a própria ideia de desenvolvimento urbano sustentável em si é considerada um grande desafio para a sociedade contemporânea. Embora as cidades sejam caracterizadas pelo desenvolvimento econômico e por abrigarem serviços públicos como a educação, cuidados médicos e transporte, as mesmas não deixam de enfrentar problemas relacionados ao meio ambiente, moradia, mobilidade, exclusão social (taxa de pobreza), segurança, igualdade de oportunidades e governança (OPEN INNOVATION SEMINAR, 2012). Isso ocorre já que, na maioria das vezes, as cidades se desenvolvem baseadas em um modelo insustentável e de uso ineficiente de recursos (LEITE, 2012). Poleros (2011) ressalta que o uso exacerbado e ineficiente de recursos naturais significa uma maior produção de resíduos e emissão de gases poluentes. Juntamente com essa questão, a poluição do ar e da água seriam problemas ambientais nas cidades. Além desses problemas, os espaços urbanos ainda enfrentam outros como: a matriz energética baseada em fontes não renováveis, a redução de espaços verdes, poluição sonora e problemas relacionados ao tráfego de automóveis. Outro desafio a ser superado pelas cidades é a grande desigualdade socioeconômica e a consequente exclusão social. Em muitos casos, há uma expansão não controlada do espaço urbano, verificada especialmente nas últimas décadas. Isso resulta em uma dificuldade de administração e fiscalização do território e acarreta na acelerada degradação de zonas preservadas, precariedade na infraestrutura urbana, poluição e até mesmo em um aumento da violência (LEITE, 2012). Não existe uma fórmula para a promoção da sustentabilidade que seja aplicável a todas as cidades. A preocupação em se considerar as particularidades de cada cidade para a promoção de um padrão de sustentabilidade é comum entre acadêmicos (LEITE, 2012; SACHS, 2008), programas da ONU (PNUMA, 2012, ONU- -HABITAT, 2012a) e aparece também em documentos como “O futuro que querermos” (ONUBR, 2012). 24 Aspectos físicos, econômicos e culturais particulares de cada cidade influenciam a forma de urbanização e qualquer plano para promoção da sustentabilidade deve levá-los em conta. 2.8.1 Alta densidade populacional: a cidade compacta As cidades acomodam o crescimento populacional de três formas: expansão dos limites da cidade, criação de cidades satélites ou aumento da densidade (ONU- HABITAT, 2012a). É importante ressaltar que não são formas mutuamente excludentes, uma cidade pode, por exemplo, combinar o aumento de densidade nas áreas já ocupadas com expansão do perímetro urbano caso haja grande crescimento populacional. A primeira alternativa, a expansão, avança sobre áreas rurais ou, em casos como o da cidade de São Paulo, sobre reservas ambientais (LEITE, 2012). A segunda alternativa consiste na criação de cidades que, embora possam possuir relativa independência administrativa, econômica e social, se conectam a uma cidade central de forma a aproveitar os benefícios de uma economia de escala (UN-HABITAT, 2012a). No entanto, essa estratégia apresenta alguns problemas, como a necessidade de deslocamento cotidiano de significativa parte da população entre as cidades e o fato da população das cidades satélites não ter acesso aos mesmos serviços que a população da cidade central. A terceira alternativa, o aumento da densidade, é comumente indicada como o padrão mais sustentável (LEITE, 2012; UN-HABITAT, 2012c). A alta densidade é uma das características de uma cidade que contribui para a sustentabilidade. Carlos Leite, inclusive, defende que “cidades sustentáveis são, necessariamente, compactas, densas” (2012, p. 13, grifo nosso). Isso ocorre porque o consumo per capta de recursos diminui com o aumento da densidade (LEITE, 2012; ONU-HABITAT, 2012c). 25 2.8.2 Uso misto do solo Comumente associado às altas densidades, o uso misto do solo é outra característica comum às cidades sustentáveis. As altas densidades não são suficientes para promover o uso misto do solo, mas constituem um fator facilitador. O uso misto consiste em uma política de uso e ocupação do solo que privilegie o compartilhamento dos usos comercial, residencial e de escritórios em uma mesma área (UN-HABITAT, 2012a). Nessa forma de ocupação, a distância entre a residência e o trabalho é menor. O que reduz a intensidade dos deslocamentos, a dependência e o uso do carro, o que, por sua vez, reduz a demanda por infraestrutura de transporte e por áreas de estacionamento (UN- HABITAT, 2012a). Segundo o ONU-HABITAT (2012a), o uso misto do solo promove acesso a serviços a um segmento mais amplo da população, aumenta as opções de moradias para diferentes tipos de moradores e, ainda, promove integração social e percepção de segurança. A sensação de maior segurança decorre do aumento do número de pessoas circulando nas ruas. O programa ainda defende que o uso misto associado à alta densidade aumenta a viabilidade do transporte público. 2.8.3 Água O ONU-HABITAT (2012d) faz sugestões para a redução no consumo de água em dois âmbitos: o próprio uso da água e a cobrança. A principal recomendação no que diz respeito ao uso da água pode ser expressa pelo princípio do usodos recursos em cascata ou uso sequencial dos recursos. De acordo com esse princípio, a qualidade da água deve ser determinada pelo uso que será feito dela (UN-HABITAT, 2012d). Isto é, a água potável não deve ser utilizada para todos os usos que se faz da água, já que a usada para lavar carros não precisa ter a mesma qualidade da usada para beber ou preparar alimentos. A aplicação desse princípio permite, por exemplo, aproveitar a água usada no banho para 26 a descarga. Seguindo esse princípio, por um lado, reduz-se a demanda por água potável e, por outro, a de esgoto a ser tratado (ONU-HABITAT, 2012d). 2.8.4 Transporte O setor de transporte consome mais da metade dos combustíveis fósseis e é responsável por cerca de um quarto da emissão de CO2 relacionada com energia, 80% da poluição do ar nos países em desenvolvimento, 1,27 milhão de acidentes fatais por ano e problemas crônicos de congestionamento (PNUMA, 2011). Essas informações apontam alguns efeitos de um padrão de transporte bastante comum: individual, motorizado, movido, principalmente, por derivados de petróleo. O setor de transporte é, portanto, um elemento-chave para tornar-se uma cidade sustentável. A importância do transporte é tal que no documento final da Rio+20 consta que “transporte e mobilidade são centrais para o desenvolvimento sustentável” (ONUBR, 2012, p. 25). Para transformar um sistema de transporte em um que seja sustentável, o PNUMA sugere três estratégias: evitar ou reduzir deslocamentos; adotar meios de transporte mais sustentáveis; e aumentar a eficiência de todos os meios de transporte (PNUMA, 2011). A primeira estratégia é implementada por meio do fomento à compactação das cidades e do uso misto do solo, cujas consequências e lógica já foram apresentadas. A segunda, por sua vez, inclui tanto estímulo ao uso de meios sustentáveis, como transporte público e bicicletas, quanto ao desencorajamento do uso do transporte individual e motorizado. A terceira consiste no aprimoramento dos veículos e/ou dos combustíveis com o intuito de reduzir o consumo de recursos naturais e evitar a poluição e a emissão de gases que causam o efeito estufa (PNUMA, 2011). Além do transporte coletivo, há outros meios de transporte que também são sustentáveis. Trata-se dos meios não-motorizados, como caminhar e andar de bicicleta, os quais, muitas vezes são complementares ao transporte coletivo. A terceira estratégia, o aprimoramento de veículos e/ou dos combustíveis, se dá de duas formas: aumentando- se a eficiência energética dos veículos e/ou dos combustíveis ou substituindo-se os 27 combustíveis utilizados por opções mais sustentáveis. A substituição de carros convencionais por carros elétricos ou híbridos e o uso de combustíveis como o bioetanol, o biodiesel e o hidrogênio são exemplos dessa última forma (PNUMA, 2012). No Brasil, se desenvolveu uma tecnologia de carros bicombustíveis que operam tanto com gasolina quanto com álcool e cujo preço não é muito maior do que o de um carro movido apenas a gasolina. A pequena diferença de preços permitiu que a tecnologia fosse disseminada, o que fez com que se obtivesse sucesso no estabelecimento do etanol como alternativa à gasolina. Os carros movidos a hidrogênio, pelo contrário, ainda são muito caros, o que limita a sua disseminação e a contribuição que poderiam dar para um mundo mais sustentável. 2.8.5 Energia Como já foi dito anteriormente, as cidades são responsáveis por 75% do consumo total de energia (UN-HABITAT, s.d. apud MITCHELL; CASALEGNO, 2008). Esse dado evidencia a importância de se considerar o consumo de energia urbano. As recomendações para a redução do consumo variam em um grande espectro, apontaremos aqui as que dizem respeito à cobrança do consumo de energia elétrica e design dos prédios. As sugestões acerca da cobrança de água se aplicam também a energia. Além dessas, há outra recomendação, específica para o setor energético: tarifação conforme o período do dia. Uma tarifa mais cara para o horário de pico faz com que parte do consumo seja desviado para outros horários; abrandando, assim, a necessidade de oferta adicional durante os horários de pico (ONU-HABITAT, 2012d). Cerca de 60% da energia elétrica do mundo é consumida em construções residenciais ou comerciais (ONU-HABITAT, 2012d). Como muitas das edificações usam a eletricidade para aquecer ou resfriar ambientes, a adoção do princípio do design passivo podem reduzir significativamente ou até mesmo eliminar essas demandas por eletricidade (UN-HABITAT, 2012d). O design passivo tem como objetivo promover um ambiente confortável por meio do aproveitamento das características do local, como luz solar e correntes de ventos. O uso 28 de materiais que retenham temperatura ou, pelo contrário, que contribuem para mantê-la baixa, áreas de ventilação e instalação de brises são exemplos de estratégias de design passivo. 2.8.6 Benefícios das cidades ecologicamente inteligentes Cada vez mais é reconhecida a importância da sustentabilidade e os efeitos positivos que esta gera para a sociedade e o meio ambiente. Com isso, é importante destacar também que o desenvolvimento sustentável, aliado ao processo de urbanização das cidades, geram benefícios de diversos tipos para as pessoas. A urbanização sustentável traz, portanto, vantagens de cunho social, como a melhoria da qualidade de vida nas cidades; de cunho econômico, refletindo-se na prosperidade da economia local; e ambiental, contribuindo para a diminuição do problema de aquecimento global; entre outros (PNUMA, 2011). 2.8.6.1. Sociais No desenvolvimento de cidades, a conscientização e os hábitos da população quanto às práticas sustentáveis produzem um efeito positivo nas relações sociais e mesmo na vivência de seus habitantes. Segundo o PNUMA (2011), é inegável a melhoria na qualidade de vida da população. A diminuição de poluição sonora pode constituir um fator de grande relevância para a satisfação dos indivíduos em uma cidade, por exemplo, sendo consequência do desenvolvimento de um transporte ecologicamente correto e também da maior utilização de bicicletas (PNUMA, 2011). 29 Da mesma forma, a urbanização sustentável estaria aliada a benefícios sociais tais como a criação de empregos em áreas como a agricultura verde urbana e periurbana29, o transporte público, a energia renovável, a gestão de resíduos e reciclagem, e a construção verde30. A implementação de novas tecnologias e a busca por um desenvolvimento sustentável requerem o emprego de profissionais com conhecimento nessas áreas (PNUMA, 2011). De acordo com o PNUMA (2011), as cidades sustentáveis podem trazer ainda certa redução da pobreza e da desigualdade social, uma vez que, incentivando o uso do transporte público – e proporcionando sua melhoria através do desenvolvimento de um transporte sustentável – se diminuiria a desigualdade no acesso aos serviços públicos. Seria possível também, por meio de uma urbanização consciente, contornar, em parte, o problema de uma crescente população, que por falta de melhores condições financeiras, habita zonas de risco e sem saneamento básico (PNUMA, 2011). A solução de tal situação seria a aplicação do design massivo no processo urbanizador, por exemplo (LEITE, 2012). 2.8.6.2. Econômicos Ao se relacionar o processo de urbanização com um desenvolvimento sustentável, é recorrente o pensamento da dicotomia entre uma prosperidade econômica e a preservação ambiental (HERCULANO, 1992). Tem-se em mente, muitas vezes, que certas práticas e princípios sustentáveisnão apresentam nenhuma viabilidade econômica, ou não possuem vantagens se comparados a outros meios de produção. Porém, é importante ressaltar a importância do processo de urbanização sustentável, uma vez que as cidades são o principal locus de produção econômica (LEITE, 2012). Como dito anteriormente, as cidades sustentáveis são densas. Isto implica em dizer que cidades com maiores densidades urbanas apresentam menor consumo de energia per capita e maior otimização de sua infraestrutura. Tal aspecto é ilustrado por meio da questão de crescimento urbano, Leite (2012) argumenta que uma forma de buscar a sustentabilidade urbana é a reconstrução, ou mesmo a reciclagem, dos espaços na 30 cidade, e não sua expansão cada vez mais acentuada. Uma urbanização sustentável, dessa forma, tem o papel fundamental de promover a eficiência produtiva por meio da diminuição dos gastos com transporte e ampliando as redes de comércio, por exemplo (PNUMA, 2011). O investimento em infraestrutura e o uso de energias renováveis, assim, gerariam vantagens econômicas por meio de uma maior utilização dos meios de transporte coletivo e de bicicletas, já que é expressiva a redução dos gastos em combustíveis não renováveis. Além disso, a promoção de práticas sustentáveis está relacionada a uma diminuição substancial dos custos para as cidades e para os próprios cidadãos, tendo em vista o dispêndio de tempo em congestionamentos e problemas de saúde decorrentes do convívio urbano (PNUMA, 2011). 2.8.6.3. Ambientais Os benefícios ambientais advindos do processo de urbanização sustentável são variados, influenciando não apenas o próprio ecossistema diretamente, mas também, como foi visto anteriormente, as populações residentes das cidades. A implementação de um sistema de mobilidade urbana eficiente e mesmo a criação de mais espaços verdes são responsáveis por uma redução da poluição do ar (PNUMA, 2011). Nesse aspecto, colabora contra os problemas de inversão térmica, ilhas de calor e aquecimento global, por exemplo. Outro fator de grande relevância é a utilização do solo, uma vez que uma urbanização não planejada e a consequente falta de impermeabilidade do solo causada propiciam a essas áreas desflorestadas um risco maior de alagamentos e desmoronamentos em caso de desastres naturais (PNUMA, 2011). Assim, “a restauração de ecossistemas urbanos é parte do esforço de esverdear a cidade, o que pode reduzir o impacto de condições anormais do tempo” (PNUMA, 2011, p. 469, tradução nossa). 31 3. CONCLUSÃO A melhor forma de lidar com a questão da poluição, da falta de infraestrutura adequada, do uso ineficiente de recursos se dará a partir do será solucionada a partir do investimento em políticas sustentáveis. Estas incluem o incentivo a inovação, a densidades mais altas, a meios alternativos de transporte e de matrizes energéticas. Deve haver planejamento a partir de uma lógica que pense na preservação dos recursos disponíveis e leve em consideração as futuras gerações. Além disso, as cidades sustentáveis trarão benefícios de ordem econômica, social e ambiental para suas populações, tais como: aumento da qualidade de vida e da prosperidade econômica, além do alívio da questão do aquecimento global, como já argumentado. No entanto, os desafios que as cidades enfrentam ao lidar com o crescimento e ao implementar o desenvolvimento urbano sustentável também devem ser debatidos. Muitas vezes, a escassez de recursos financeiros e a falta de planejamento governamental e de vontade política, assim como a ausência de capacidades adequadas nas áreas administrativa e técnica barram os investimentos e a implementação de políticas públicas. É nesse ponto que a reforma da governança urbana se torna relevante. A governança, da local a internacional, é um instrumento viabilizador de políticas sustentáveis. Como foi argumentado, há uma necessidade de atuação conjunta entre o público e o privado que deve ser incentivada com vistas à promoção de cidades sustentáveis, cidades que lidam com a urbanização de forma ambiental, social e economicamente responsável. 32 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNITED NATIONS. World Urbanization Prospects: revision 2014. United Nations, New York, 2014. Disponível em: http://esa.un.org/unpd/wup/Highlights/WUP2014- Highlights.pdf. Acesso em: 04 de junho de 2018. ROGERS, R.; GUMUCHDJIAN, P. Cidades para um pequeno planeta. 1 ed. 6ª reimpressão. São Paulo: G. Gili, 2013. UN-HABITAT. State of the World’s Cities, 2012/2013. Nairobi: UN-HABITAT e Routledge: Kenya, 2013. Disponível em: http://mirror.unhabitat.org/pmss/listItemDetails.aspx?publicationID=3387. Acesso em: 06 de junho de 2018. BULKELEY, H.;BETSILL, M. Rethinking sustainable cities: muilti-level governance and the urban politics of climate change. Environmental politics, v.14, n.1, pp. 42–63. 2005. WILLIAMS, K. Sustainable cities: research and practice challenges. International Journal of Urban Sustainable Development, v. 1, n. 1-2, pp. 128-132. 2010. BICHUETI , Roberto Schoproni et al. Cidades Sustentáveis no Contexto Brasileiro: A Importância do Planejamento para o Desenvolvimento Urbano Sustentável. Universidade Federal de Santa Maria. Santa Maria- Rio Grande do Sul. Dezembro de 2017. ALMEIDA, L. T. Política ambiental – uma análise econômica. São Paulo: Editora Unesp/ Papirus, 1998. BAVA, S. C. Desenvolvimento local – uma alternativa para a crise social? Revista São Paulo em Perspectiva, v.10, n.3, São Paulo, Fundação SEADE,1996. CORDEIRO, B. “Serviços de saneamento ambiental”. Relatório de consultoria. Programa Cidades Sustentáveis. Brasília: PNDU/MMA, 1999. DAVIDOVICH, F. “Considerações sobre a urbanização no Brasil”. Geografia e Meio Ambiente, São Paulo/Rio de Janeiro: Hucitec, 1995. NAÇÕES UNIDAS NO BRASIL (ONUBR), A ONU e o meio ambiente. s.d. Disponível 33 em: <http://www.onu.org.br/a-onu-em-acao/a-onu-e-o-meio-ambiente/>. Acesso em: 12 de junho de 2018. LEITE, C. Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes: Desenvolvimento Sustentável num Planeta Urbano. Porto Alegre: Bookman, 2012. PROGRAMA CIDADES SUSTENTÁVEIS, s.d. Disponível em: <http://www.cidadessustentaveis.org.br/>. Acesso em: 12 de junho de 2018. LUNDQVIST, M.Sustainable cities in theory and practice: A Comparative Study of Curitiba and Portland. 2007. Disponível em: <http://kau.diva-portal.org/smash/get/ diva2:4809/FULLTEXT01>. Acesso em: 21 maio de 2018. SACHS, I. Desenvolvimento: includente, sustentável, sustentado. Rio de Janeiro: Garamond, 2008. ROSELAND, M. Dimensions of the eco-city, 1997.Disponível em:<http://raliberia.org/ ral/Dimensions%20of%20the%20eco-city.pdf>. Acesso em: 14 de junho de 2018. SILVA, Geovany Jessé Alexandre da. Cidades Sustentáveis: Uma Nova Condição Urbana. Universidade de Brasília- Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Brasília-DF. 2011. SANTOS, Milton. A Urbanização Brasileira. – 5ª Ed., 2. Reimpr. – São Paulo: EdUSP, 2009. ARANTES, Otília; VAINER, Carlos; MARICATO, Ermínia. A cidade do pensamento único: desmanchando consensos. 4ª ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2007. RATHBONE, D.B.; HUCKABEE, J.C.. Controlling Road Rage: A Literature Review and Pilot Study. Washington: AAA Foundation for Traffic Safety, June, 1999. Disponível em: <http://www.aaafoundation.org/resources/index.cfm?button=roadrage>. Acesso em: 28 de Maio de 2018. IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Projeção da População do Brasil por Sexo e Idade Para O Período 1980-2050– Revisão 2008. Rio de Janeiro: IBGE, 2008. ACSELRAD, Henri. Desregulamentação, Contradições Espaciais e Sustentabilidade Urbana. Revista Paranaense de Desenvolvimento. Nº.107, p.25-38, jul./dez. 2004. Curitiba: Ipardes, 2004b. 34 SILVA, Geovany J. A., WERLE, H. J. S.. Planejamento Urbano e Ambiental nas Municipalidades: da Cidade à Sustentabilidade, da Lei à Realidade. Paisagens em Debate (FAU-USP), Nº. 5, p.01 - 24, 2007. SILVA, H.; MONTE-MOR, R.L. Transições demográficas, transição urbana, urbanização extensiva: um ensaio sobre diálogos possíveis. XVIII Encontro Nacional de Estudos Populacionais, Anais… ABEP: Caxambu, 2010. TEIXEIRA, P. Mortalidade na infância, relações produtivas e pobreza no Nordeste: um estudo estatístico e sócio-economico. Anais do XI Encontro Nacional de Estudos Populacionais. ABEP: Caxambu, 1998. RIBEIRO; M.N.O.; BARBOSA, L.M. Avaliação das condições de vida da população do Brasil, Nordeste e Rio Grande do Norte. Anais do XV Encontro Nacional de Estudos Populacionais. Caxambu: ABEP, 2006. SANTOS, T.F.; MOREIRA, M.M.; MOURA, H.A. A população do Nordeste em face da transição demográfica. Anais do VII Encontro Nacional de Estudos Populacionais. Caxambu: ABEP. 1990. ARAÚJO, T.B. Herança de diferenciação e futuro de fragmentação. Revista Estudos Avançados, Dossiê Nordeste, São Paulo, v. 11, n. 29, abr. 1997. ARAUJO, T.B. Economia do semiárido nordestino: a crise como oportunidade. Revista Coletiva. Fundação Joaquim Nabuco. Recife, 16/01, 2012. MELO, J. S. Planejamento e gestão urbanos em municípios maranhenses: estrutura institucional, legislação urbanística e capacidade técnica em Afonso Cunha e Chapadinha. Monografia (Graduação) – Curso de Arquitetura, Universidade Estadual do Maranhão - São Luís, 2016. IPEA. Gestão do uso do solo e disfunções do crescimento urbano: instrumentos de planejamento e gestão urbana em aglomerações urbanas: uma análise comparativa. IPEA/INFURB. Brasília: IPEA, 2001. IMESC. Evolução política-administrativa do Estado do Maranhão. Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos. São Luís, 2010. 35 CORREA, R. L. Estudos sobre rede urbana. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. COSTA, M.A, MARGUTI, B.O. (Editores). Atlas de Vulnerabilidade Social dos Municípios Brasileiros. IPEA, 2015 COELHO NETO, E. História do Sul do Maranhão: terra, vida, homens e acontecimentos. Belo Horizonte: Editora São Vicente, 1979. ELIAS, D. Redes agroindustriais e produção do espaço urbano no Brasil agrícola.In: SILVA, B. J. da et al. (Org). Panorama da geografia brasileira I. São Paulo: Anablume, 2006a. p. 221-238.