P Penal 11 1
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INTENSIVO I 
Renato Brasileiro 
Direito Processual Penal 
Aula 11 
 
 
ROTEIRO DE AULA 
 
 
Competência criminal III 
 
10. Justiça política extraordinária 
 
I \u2013 Não tem natureza criminal. 
 
II - Consiste em uma atividade jurisdicional exercida por órgãos políticos, geralmente alheios ao Poder Judiciário, 
quando se trata de crimes de responsabilidade (infrações político-administrativas). 
 
III \u2013 Exemplo: a Presidente Dilma Rousseff foi julgada pelo Senado pela prática de uma infração político-administrativa. 
 
11. Competência por prerrogativa de função (\u201cratione personae\u201d/\u201dratio funcionae\u201d) 
 
I \u2013 Alguns doutrinadores usam a terminologia \u201cforo privilegiado\u201d. A ideia da competência por prerrogativa de função é a 
de que certas pessoas têm o direito de serem julgadas originariamente pelos Tribunais. Portanto, indiscutivelmente, 
trata-se de um privilégio. 
 
No entanto, a expressão \u201cforo privilegiado\u201d deve ser evitada, pois ela não é, tecnicamente, um privilégio. A competência 
por prerrogativa de função foi concebida para a proteção de determinadas funções (exercício funcional). Em outras 
palavras, por exercerem determinadas funções, o melhor é que essas autoridades sejam julgadas originariamente pelos 
Tribunais. Fundamentos: 
 
\u2022 Menor pressão sobre o juiz de primeira instância. 
 
 
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\u2022 Proteção do próprio julgador. 
 
II \u2013 A terminologia \u201cratione personae\u201d também não é adequada, pois ela não existe para proteger pessoa, mas a função. 
Portanto, a expressão mais adequada é \u201cratione funcionae\u201d. 
 
11.1. Regras básicas 
 
1ª \u2013 Investigação e indiciamento de pessoas com foro por prerrogativa de função. 
 
Conforme o STF (Inq. n. 2.411 QO/MT), se durante as investigações de um fato delituoso surgirem indícios do 
envolvimento de uma autoridade que tem foro, o prosseguimento das investigações e o indiciamento da pessoa 
dependem de autorização do relator (Ministro ou desembargador). 
 
2ª \u2013 Arquivamento de inquérito nas hipóteses de atribuição originária do PGR/PGJ. 
 
I - Regra: o arquivamento não precisa ser jurisdicionalizado (decisão administrativa). Na hipótese de inquérito originário, 
caso o PGR ou PGJ entenda por arquivá-lo tratar-se-á de uma decisão \u201cinterna corporis\u201d, pois, ainda que o Tribunal não 
concordasse, ele não teria como aplicar o artigo 28 do CPP, já que a decisão de arquivamento já vem do chefe do 
Ministério Público. 
 
II - Exceção: no entanto, os Tribunais Superiores entendem que quando o arquivamento tiver o condão de produzir 
coisa julgada formal e material, o ideal é que a decisão seja levada à apreciação do Tribunal. Afinal, somente uma 
decisão jurisdicional poderá estar revestida pelo manto da coisa julgada formal e material. 
 
3ª \u2013 Duplo grau de jurisdição. 
 
I \u2013 O duplo grau de jurisdição consiste na possibilidade de se buscar o reexame da matéria de fato, de direito e 
probatória. No âmbito processual penal o recurso que materializa por excelência o duplo grau de jurisdição é a 
apelação. 
 
Duplo grau não é sinônimo de \u201cpoder recorrer\u201d, pois existem hipóteses em que é permitido recorrer, mas não há o 
reexame das matérias enunciadas acima. 
II \u2013 Portanto, acusados com foro não têm direito ao duplo grau de jurisdição, o que, no entanto, não significa dizer que 
não possam recorrer contra decisões dos Tribunais (STF \u2013 RHC n. 79.785). Exemplos: embargos de declaração, REsp e RE 
(não concretizam o duplo grau). 
 
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III \u2013 Atenção para aqueles indivíduos que foram diplomados após condenação em primeira instância. Exemplo: 
indivíduo condenado em primeira instância que, ao apelar, torna-se Deputado Federal antes daquele recurso ser 
julgado. Segundo o Supremo, o mais adequado é que o recurso de apelação seja apreciado pelo Supremo (AP n. 428). 
Fundamento: o direito aplicável aos recursos é o vigente à época em que a decisão foi proferida. 
 
4ª - Regra da contemporaneidade e regra da atualidade 
 
Regra da contemporaneidade: a competência por prerrogativa de função deve ser preservada caso a infração penal 
tenha sido cometida à época e em razão do exercício funcional. A ideia é a do nexo funcional (\u201cpropter officium\u201d). 
 
A regra da contemporaneidade era adotada pelo Supremo: S. 394 STF: \u201cCometido o crime durante o exercício funcional, 
prevalece a competência especial por prerrogativa de função, ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados 
após a cessação daquele exercício. (Cancelada "ex nunc" pelos Inq 687 QO-RTJ 179/912, AP 315 QO-RTJ 180/11, AP 319 
QO-DJ de 31/10/2001, Inq 656 QO-DJ de 31/10/2001, Inq 881 QO-RTJ 179/440 e AP 313 QO-RTJ 171/745)\u201d. 
 
O enunciado acima consagra a regra da contemporaneidade. Ou seja, se o crime foi cometido à época e em razão das 
funções, o agente continuará sendo julgado pelo respectivo Tribunal, mesmo que à época das investigações ou do 
processo, ele não esteja mais no exercício daquela função. 
 
Em 1999 o Supremo entendeu que a S. 394 deveria ser cancelada. O raciocínio adotado pelo Tribunal foi no sentido de 
que se o indivíduo não mais ocupa seu cargo ele não se encontraria mais no exercício funcional. Assim, se a prerrogativa 
de função foi pensada para proteger a função, não haveria razão para manter a competência se o indivíduo não está 
mais no exercício funcional. 
 
No entanto, a regra da contemporaneidade retorna com a Lei n. 10.628/02 (24/12/02) que alterou o artigo 84 do CPP, 
acrescentando a ele dois parágrafos: o § 1º ressuscitou a S. 394 do STF e o § 2º conferiu à improbidade administrativa o 
mesmo tratamento da prerrogativa de função: 
 
CPP, art. 84: \u201cA competência pela prerrogativa de função é do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de 
Justiça, dos Tribunais Regionais Federais e Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, relativamente às 
pessoas que devam responder perante eles por crimes comuns e de responsabilidade. (Redação dada pela Lei nº 
10.628, de 24.12.2002) 
§ 1º A competência especial por prerrogativa de função, relativa a atos administrativos do agente [nexo funcional], 
prevalece ainda que o inquérito ou a ação judicial sejam iniciados após a cessação do exercício da função pública. 
(Incluído pela Lei nº 10.628, de 24.12.2002) (Vide ADIN nº 2797). 
§ 2º A ação de improbidade, de que trata a Lei n. 8.429, de 2 de junho de 1992, será proposta perante o tribunal 
competente para processar e julgar criminalmente o funcionário ou autoridade na hipótese de prerrogativa de foro em 
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razão do exercício de função pública, observado o disposto no § 1º\u201d. (Incluído pela Lei nº 10.628, de 24.12.2002) (Vide 
ADIN nº 2797). 
 
O assunto foi levado ao Supremo através da ADI n. 2.797 e a decisão foi no sentido da inconstitucionalidade dos dois 
parágrafos acima. Argumentos: a) não há nenhuma justificativa para o mantimento do foro se o indivíduo não exerce 
mais sua função; e b) o Congresso Nacional através de uma lei ordinária procurou subverter a interpretação autêntica 
que fora feita pelo Supremo da Constituição Federal. 
 
Em embargos declaratórios na ADI n. 2.797, o STF entendeu que os efeitos da declaração de inconstitucionalidade dos 
dois parágrafos teriam eficácia a partir do dia 15.09.2005. Portanto, o Supremo acabou modulando seus efeitos 
exatamente porque a norma teria vigido por pelo menos três anos criando problemas porque muitas pessoas já tinham 
sido julgadas pelos Tribunais. 
 
Ao julgar a ADI procedente