Processual Penal 2 1
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INTENSIVO I 
Renato Brasileiro 
Direito P. Penal 
Aula 02 
 
 
 
ROTEIRO DE AULA 
 
 
NOÇÕES INTRODUTÓRIA II 
 
5. Princípio do contraditório. 
 
A ideia original do princípio do contraditório era de ciência bilateral dos termos do processo e a possibilidade de 
contrariá-los. 
 
Constituição Federal 
Art. 5º (...) LV \u2013 aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o 
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 
 
Obs.: Nota-se que a Constituição, no dispositivo acima, dispõe que o contraditório vale no processo judicial, e para 
os acusados. Por isso que ainda é dominante, na doutrina e na própria jurisprudência, o entendimento de que não 
há falar em contraditório na investigação preliminar, já que a fase investigatória ainda não é processo propriamente 
dito, mas sim um procedimento preparatório. O inquérito tem como característica o sigilo, a inquisitoriedade, porque 
são elementos necessários para se atingir sua eficácia. Este assunto será melhor abordado quando for estudado o 
tema investigação. 
 
5.1. Conceito. 
 
Consiste na ciência bilateral dos atos ou termos do processo e a possibilidade de contrariá-los. Eis o motivo pelo 
qual se vale a doutrina da expressão \u201caudiência bilateral\u201d, consubstanciada pela expressão em latim audiatur et 
altera pars (seja ouvida também a parte adversa). 
 
5.2. Elementos. 
 
Em sua ideia original, o contraditório trabalhava com dois elementos: ciência bilateral e possibilidade de reação. 
 
Como o passar dos anos, e principalmente no âmbito processual penal, essa possibilidade de reação foi sendo cada 
vez mais questionada. Ex.: Um sujeito está respondendo por crime de homicídio. O juiz manda citá-lo. O sujeito não 
apresenta nenhuma resistência, não contrata advogado (ainda que contratado, a atuação é inexistente) e não 
procura Defensoria. Questiona-se: Será que o ordenamento jurídico se contentaria com uma mera possibilidade de 
reação? Resposta: Não. 
 
 
 
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Hoje, é mais firme, na doutrina, o entendimento de que não basta que esta reação seja possível. Esta reação, 
notadamente no processo penal, deve ser efetiva, real. Não basta a possibilidade de reação. Há que se verificar se 
realmente esta reação estaria presente. Nota-se que é deixada de lado aquela ideia do princípio da isonomia sob um 
ponto de vista formal para que, efetivamente, se trate de maneira desigual aqueles que são desiguais, na medida 
que se desigualam. Essa ideia lembra as lições de Elio Fazzalari quanto à paridade de armas, notadamente no 
processo penal. Assim, ainda que o sujeito não queira exercer a sua defesa, o juiz terá que, obrigatoriamente, nomear 
um defensor para fazer sua defesa técnica. 
 
Súmula 707 do Supremo Tribunal Federal: Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer 
contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo. 
 
Obs.: Nota-se que, na Súmula 707 do STF, o elemento do contraditório que está sendo violado é o elemento da 
ciência bilateral. O acusado tem interesse em que a denúncia \u201ccontinue sendo rejeitada\u201d, ou seja, tem interesse no 
não provimento do recurso. Por isso que, se foi interposto um recurso contra a rejeição da denúncia, o juiz, 
obrigatoriamente, deve dar ciência ao denunciado para que ele constitua um advogado para poder reagir à pretensão 
acusatória. 
 
Obs.: Os conhecimentos adquiridos em processo civil sobre contraditório podem ser trazidos para o processo penal, 
motivo pelo qual não será, tal princípio, abordado aqui de forma mais aprofundada. Ex.: NCPC veda decisões 
surpresas. No processo penal também não podem haver decisões surpresas. Atendendo a pedido da defesa, Juíza 
anula processo, sem antes ouvir a acusação, porque o acusado não foi intimado de audiência realizado em juízo 
deprecado. 
 
5.3. Contraditório para a prova (contraditório real) e contraditório sobre a prova (diferido). 
 
Contraditório para a prova (Contraditório real): Contraditório durante a produção da prova. 
Ex.: Oitiva de testemunha na audiência. O contraditório ali é para a prova (real), pois está sendo observado durante 
a produção da prova. 
 
Obs.: A regra é que os meios de prova sejam produzidos com o contraditório real, com a presença do juiz e com a 
presença das partes. 
 
Contraditório sobre a prova (diferido): Atuação do contraditório ocorre após a produção da prova. O contraditório 
se dá em momento ulterior. No momento inicial em que a prova foi produzida, o contraditório não estava valendo. 
 
Ex.: Provas periciais. Geralmente, as provas periciais são produzidas durante as investigações e o quanto antes 
possível. O investigado e seu defensor não são chamados para acompanhar a prova pericial. Mesmo que o laudo 
pericial seja, futuramente, juntado ao processo e usado como prova, o contraditório não foi observado por ocasião 
da produção da prova, mas será observado de maneira diferida, ou seja, posteriormente à produção, durante o 
processo. Hoje, as partes têm a possibilidade de indicar assistente técnico, a fim de que o expert em determinada 
área contribua para a posterior impugnação do laudo pericial. 
 
Ex.: Interceptação telefônica. A interceptação telefônica é um meio de obtenção de prova que, obviamente, deve 
tramitar em sigilo. Contudo, futuramente, o teor das gravações degravado será juntado ao processo, momento em 
que o contraditório poderá ser exercido (contraditório diferido). 
 
6. Princípio da ampla defesa. 
 
A ampla defesa é um dos princípios mais importantes do processo penal. Ao contrário do contraditório, que vale para 
ambas as partes, a ampla defesa vale apenas para o acusado. Por isso que, às vezes, há violação do contraditório, 
mas não violação da ampla defesa ou vice-versa. 
 
A ampla defesa subdivide-se em: defesa técnica (defesa processual ou específica) e autodefesa (material ou 
genérica). 
 
Leitura obrigatória: Prof. Antônio Scarance Fernandes \u2013 Processo Penal Constitucional 
 
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Constituição Federal 
Art. 5º (...) 
LV \u2013 aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório 
e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 
 
6.1. Defesa técnica (processual ou específica). 
 
É aquela exercida por um profissional da advocacia (OAB). 
 
Esse profissional pode ser um defensor: 
 
 - constituído (geralmente indicado através de procuração. O Código dispõe que pode ser indicado no momento do 
interrogatório) 
 
- nomeado pelo juiz (dativo) 
 
- Defensor Público 
 
Obs.: A Constituição Federal dispõe que, aos necessitados, será assegurada a Defensoria Pública. Há quem entenda 
que necessitado é aquele que não tem condições financeiras de contratar um advogado. Contudo, há quem entenda 
que essa necessidade não deve ser analisada sob um ponto de vista financeiro, mas sim, por exemplo, sob a ótica da 
negativa do sujeito querer contratar um advogado, ou seja, independentemente das condições financeiras do sujeito, 
se ele não quiser contratar um advogado, terá direito a um Defensor Público. 
 
Exemplo de questão de prova: Promotor da Justiça Militar da União (Membro do MPU) está sendo acusado de ter 
praticado um homicídio. Será que ele pode exercer a própria defesa técnica? Resposta: Não, porque Promotor não 
é profissional da advocacia. Seu registro na OAB fica suspenso. 
 
Obs.: A defesa técnica não pode ser exercida por Promotores ou Juízes. 
 
Obs.: Não se admite que a defesa técnica seja patrocinada exclusivamente por estagiários. 
 
Obs.: Não se admite que a defesa técnica seja