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Acidentes por Animais Peçonhentos

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Giovanna de Freitas Ferreira Medicina UFR T5
1
Acidentes por Animais Peçonhentos
A OMS declarou em 201 0 picadas de s erpentes na lista de
doenças tropicais neglig enciadas
Em 2017 houve 2228 acidentes com animais peçonhentos
no MT
1152 era causado p or serpentes
~ 3-4 acidentes por dia
T I P O S E C L A S S I F I C A Ç Õ ES
Serpentes ofidismo fr equente
Escorpião escor pionismo frequente
Ocorrem principalmente no verão período mais
quente + época de reprodu ção
Aranha aran smo frequente
Agua viva celenter ados
Peixes ictismo
Besouros cleóptero s
Abelhas e vespas - himen ópteros
Lagartas e mariposas lepidópteros
Venenoso: p roduzem veneno
Peçonhento : possuir um aparelho inoculador, como presa,
agulhão, ferrão, ...
H I S T Ó R I A D O O F I D I S M O V I T A L B R A S I L
Trabalhou como médico sanitarista em SP com estudos
sobre ofidismo no final do s éculo XIX
Ele demonstrou que soro anti ofídico possui e specificidades
para cada tip o de cobra
Em 1986 cria-se o Programa Nacional de Ofidismo , que
determinou acidentes ofídicos como N otificação
Compulsór ia no SINAN
E P I D E M I O L O G I A
No BR há mais de 250 espécies de serpestes de 75 gêneros
Para interesse médico h á:
Jararaca - both rops 90% dos acidentes
Tem efeitos necrótico s
Presente em todas as regiões do país, p or isso
tem maior incidência
Cascavel crotalus 7,7% d os acidentes
Tem efeitos neurológico s
Mais presente no nordeste, centro oeste, sul e
sudeste
Surucucu lachesis 1,4 % dos acidente s
Mais presente n o norte, na região da amazonia;
incidência na região d e m ata atlântica, pois
essa serpente é típica de hab itar em matas
Acidente chama laquético
Coral micruru s 0,45% dos acidentes
Tem efeitos neurotóxicos
Mais presente em região de mata, como norte,
centro oeste, sul e parte do sudeste
Acidente chama elapídico
Em todo o pais h á cerca de 26000 casos de acidentes
Local da picada
70% pés
13% mão e antebraço
A letalidade tende a aumentar qu ando o tempo de
atendimento ultrapassa 6 horas com o paciente vítima de
acidente com an imais peçonhentos depende sempre da
espécie
Faixa etária mais atingida : 15 -29 anos, com prevalência de
70% no sexo masculino
Na maioria dos acidente s, não se usava E PIs
C A R A C T E R Í S T I C A S D E S E R P E N T E S P E Ç O N H E N T A S
Presença de fosseta loreal órgão termosenssor, que
capta vibrações e gu ia espacialmente a s erpente junto com
a língua
Cabeça destacad a do corpo, com forma trian gular e com
escamas
Pupila em fenda
Hábito notu rno
Cauda:
Mais afilada
Guizo ou chocalho Crotalus
Escamas criçadas Lacbesis
Olhos em forma de fenda
Serpentes Micrurus n ão apresentam fos seta loreal
Características do mecanismo de ação dos venenos
ofídicos
VENENO
ATIVIDADE
EFEITO
LOCAL
EFEITO
SISTEMICO
BOTRÓPICO
Inflamatória
Proteolítica
Hemorrágica
Necrose
Necrose
tecidual e
lesão
endotelial
LAQUÉTICO
Inflamatória
Coagulante
Proteolítica
Hemorrágica
Neurotóxica
Necrose
tecidual e
lesão
endotelial
CROTÁLICO
Neurotóxico
Coagulante
Miotóxico
Ausente
ELAPÍDICO
Neurotóxico
Ausente
A C I D E N T E B O T R Ó P I C O
Q U A D R O C L Í N I C O B O T R Ó P I C O
Local
Processo inflamatório agu do
Dor, edema e equimo se, eritema
Hemorragia
Complicações locais ap x 1-2 4 horas após
Bolhas, necrose, abcesso
Síndrome compartimental, li mitação de mo vimentos
Amputação
Sistêmico
Incoagulabilidade sangu ínea
Sangramentos (gengiva, equ imoses, hematú ria)
Casos graves
Hipotensão arterial e choqu e
Hemorragia intensa
Insuficiência renal
Edema extenso
Fatores de r isco para complicações
Realização de tornique te : pode levar a síndrome
compartimental, exigindo a re alização de fasciotomia
Síndrome comp artimental: ocorre nas primeira s 24
horas após a picad a
Sugar o veneno

Giovanna de Freitas Ferreira Medicina UFR T5
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E X A M E S C O M P L E M E N T A R E S
Exames de coagulação:
Tempo de c oagulação estará aumentad o
Normal: até 9 minuto s
Prolongado: 10-30 minu tos
Incoagulável: >30 minuto s
Plaquetopenia p ode ocorrer
Hemograma:
Leucocitose com aum ento de Neutr ófilos e desvio a
esquerda
T R A T A M E N T O G E R A L
Elevação do membro picad o
Hidratação
Analgesia
Antibioticoterapia se nece ssário
Profilaxia antitetânica
Aplicação do soro an tibotrópico
C L A S S I F I C A Ç Ã O D O A C I D E N T E
Leve
Complicações discretas, como edema pou co intenso,
com ou sem alteração no t empo d e coagulação
Moderado
Dor e edema evidente, sangramento no local, com ou
sem alterações hemorrágica s ou sistêmica s
Grave
Edema local entumecido, intenso e extenso,
atingindo membro picado to do ou não, dor inten sa,
presença de bolhas,...
V E N E N O B O T R Ó P I C O
PROTEÍNA
ATIVIDADE/EFEITO
Metaloproteinase
Mionecrose local, infla matória,
hemorragias
Serinoproteases
Atividade tipo trombina, a tiva
coagulação, degrada proteínas
Fosfolipases
Miotóxica, ação an ticoagulante,
inflamatória
Desintegrinas
Bloqueia as integrina s e
anticoagulante
Miotoxinas
Atua na membrana p lasmática da
fibra
Neurotoxinas
Bloqueia transmissão neuron al
A C I D E N T E L A Q U É T I C O
Local
Dor, edema, eritema, equi mose, bolhas
Sistêmica
Alteração de coagulação, h ipotensão arterial,
bradicardia, có lica abdominal, diarreia
Complicações
Infecções secundarias, necrose, déficit funcional,
síndrome compartimenta l
Manigestações clinicas semelhantes ao acidente botrópico
Colocação alaranjad a, muito grand e (até 2 m)
A C I D E N T E C R O T Á L I C O
Local
Edema e eritema discreto
Parestesia (formigamento , dormência, quei mação)
Não há dor
Efeito neurotóxico
Sistêmico
Fáscie miastênica: pto se palpebral, flacidez dos
músculos da face, oftal moplegia
Turvação visual, diplopia, miose/midríase
Alteração do olfato e pala dar
Mialgia generalizada
Urina escura rabdomiólise decorrente da quebra da
mioglobina, miosina actina no musculo
Sangramento discreto: g engiva, equimose
Complicações
Insuficiência respiratór ia: pa ralisia dos sculos d a
caixa torácica
Insuficiência renal aguda: mioglob inúria
E X A M E S C O M P L E M E N T A R E S
Tempo de coagu lação: alterado em 40% dos acidentes
CPK, DHL, TGO aumentados indicam lise celular e dano
tecidual
Outros
A C I D E N T E E L A P Í D I C O
Local: parestesia
Sistêmico
Vômitos
Fascies miastenica : ptose p alpebral, flacidez dos
músculos da face, oftal moplegia
Turvação visual, diplopia, miose/midríase
Dificuldade para deglutir
Complicação: insufic iência respiratória
S O R O T E R A P I A
Antibotrópico : jararaca
Anticrotálico: cascav el
Antilaquético: surucucu
Antielapidico: corais
Antibotrópoico /crotálico: jaracara + casca vel
Antibotrópico/laqu ético : jararaca + surucucu
F L U X O G R A M A D E A T E N D I M E N T O
Estabilização do paciente (elevar membro + a valiar sinais)
Historia clinica (local do acident e, tempo decorrido,
farrote, outros)
Avaliação de manifestaç ões clinicas
Tratamento:
Higienização do local, sem cu rativo oclusivo
Analgesia e tranquilização do paciente
Coleta de exames
Medicação pré-soro
Administrar de 10-15 minu tos antes do soroterapia
Drogas anti-histamínicas : a ntagonistas H1/H2 via
parenteral
Hidrocortisona IV
Soro específico
Conveniente deixar preparad o o:
Laringoscópio com la minas e tubos traqu eais
Soro fisiológico
Frasco de adrenalina casos de ch oque
Monitoração clinica do paciente a cada 6H e avaliação
laboratorial a cad a 12 horas
Avaliar complicações
Vacinação contra tétan o conforme estado vacinal
S O R O T E R A P I A
Via de administração : intravenosa
Infusão em 20 -60 min so b vigilância médica e da
enfermagem

Giovanna de Freitas Ferreira Medicina UFR T5
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A dose para adulto s é igual a dose para crianças mesm a
quantidad e de ampolas, mas a diluiçã o é diferente, ou seja,
a quantidade de diluente para crian ças é menor p ara evitar
sobrecarga cardíaca
Atenção: possível sob recarga de volume em crianças
e em insuficiência card íaca congestiva
Obj: neutralizar a m aior quantidade possível d e ven eno
circulante, indepen dente do peso do p aciente
Menor frequência de reaç ões quando antiveneno é
administrado diluído
Diluído d o soro antiofídico com soro fisiológico ou
glicosado
R E A Ç Õ E S A D V E R S A S
Precoces: durante a infusão do antiveneno e nas d uas
horas subsequentes
Urticária, tremores, tosse, náuseas, dor abdominal,
prurido e rubo r facial
Reações p recoces graves: quad ro semelhante a
reação anafilática ou an afilactóide
Tardias: doença do soro, ocorrem d e 5- 24 dias após o u so
do soro antiveneno
Febre, artralgia, linfoadeno megalia
Tratamento: corticoide s
O U T R A S M E D I D A S
Não indicad o uso de an tibioticoterapia profilática
Não administrar heparina ou plasma para corrigir
distúrbios de coagulação d ecorrentes do en venenamento
Desbridamento cirúrgico: aspi rar líquido d as bolhas devido
a presença de veneno
Desbridamento após deli mitação da área necró tica
Fasciotomia: trata mento da síndrome co mpartimental;
manter membro abaixo n o nível do coração
E V I T A R
Torniquete
Sucção: co ntamina com a flora bucal humana
Incisão: aumen ta as vias de ace sso de MO ao t ecido
Não colocar remédios ou substancias sobre local da picada
A C I D E N T E S C O M E S C O R P I Õ E S
Principais espécies de inter esse
Gênero Tityu s
Espécies: cambridgel, mentu endus, stigmurus,
bahiensis, serrulatus
Os acidentes ocorrem ma is nos meses qu entes e chuvosos
Local da picada: membros su periores, sendo 65% n a mao
e antebraço
Evolução do caso : maioria benigno s
Letalidade de 0,58% com óbitos principalmente por T.
serrulatus em menores de 14 anos e idosos
Ação do veneno: neurotoxica: dor local e man ifestações
clinicas de efeitos s impáticos e p arassimpáticos
Ativa can ais de Na e despolariza terminações
nervosas
Miotoxica: radmonióli se
Procedência : maior na zona urbana
Não tem parestesia no local d a picad a
F L U X O G R A M A
Identificação + exam e clinico
Suporte clínico
Correção de distúrbios hidr oeletrolíticos e acid o
básicos
bradicardia e baixo DC
hipertensão
analgesia
avaliação da gravidade
Realização de exames, sorote rapia
P R E V E N Ç Ã O D O S A C I D E N T E S P O R E S C O R P I Ã O
Manter a casa limpa, e vitando acúmulo de lixo
Se alimenta de baratas evite bar atas
Tampar buracos e frestas de paredes, janelas, portas e
rodapés
Sacudir roupas, sap atos e toalhas a ntes de usar
Verificar a roupa de cama antes de deitar -se, afa stando a
cama da parede
Preservar os predadores natu rais (sapo s e galinhas)
Diferenciar acidente com
serpentes, aranhas, lagartos,
escorpião, ...
Bibliografia
FUNASA MANUAL DE DIAG NOSTICO E TRATAME NTO DE
ACIDENTES POR ANIMAIS P EÇONHE NTOS - 2001