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Administrativo

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da arbitrariedade. Na 
arbitrariedade o agente atua desatendendo a um dos 
quesitos acima mencionados, sendo ele 
incompetente, inobservando a forma legal correta, ou 
fugindo da finalidade estabelecida em Lei para a 
prática do ato discricionário. 
C) PODER HIERÁRQUICO 
 A Administração Pública, como ocorre em 
qualquer empresa privada, possui estrutura 
hierarquizada. Dessa estrutura hierarquizada nasce a 
relação de subordinação entre os servidores de seu 
quadro de pessoal e entre seus órgãos. 
 O poder hierárquico, segundo Hely Lopes 
Meirelles, “é o de que dispõe o Poder Executivo para 
distribuir e escalonar as funções de seus órgãos, 
ordenar e rever a atuação de seus agentes, 
estabelecendo a relação de subordinação entre os 
servidores do seu quadro de pessoal”. 
 A submissão hierárquica retira do inferior a 
possibilidade de ação política, ou seja, o despe de 
ação de comando e possui os seguintes objetivos: 
a) Ordenação: É a repartição e o escalonamento 
vertical das funções entre os agentes públicos, para 
maior eficiência no exercício das atividades estatais; 
b) Coordenação: É a conjugação das funções, com o 
objetivo de obter harmonia na sua efetivação, resulta 
na perfeita execução dos serviços pertinentes a 
determinado órgão; 
c) Controle: Consiste na fiscalização dos 
subordinados pelos superiores, para que seja 
assegurado o cumprimento das leis e instrução, 
inclusive do comportamento e da conduta de cada um 
deles; 
d) Correção: Os erros administrativos são corrigidos 
pela ação revisora dos superiores sobre os atos dos 
subalternos. 
 Do Poder Hierárquico nascem diversas 
faculdades implícitas à autoridade que se encontra em 
posição de superioridade hierárquica, quais sejam: 
 DIREITO ADMINISTRATIVO – PROF. GIORGIO FORGIARINI 
 Dar ordens (Art. 116, Lei nº 8.112/90): 
Consiste em determinar aos subordinados os atos a 
serem praticados e a conduta a seguir em cada caso 
concreto. Implica também no dever de obediência 
para estes últimos, ressalvadas as ordens 
manifestamente ilegais; 
 Fiscalizar (Art. 53, Lei nº 9.784/99): Trata-se 
da atividade dos agentes ou órgãos inferiores, para 
examinar a legalidade de seus atos e o cumprimento 
de suas obrigações, podendo anular os atos ilegais ou 
revogar os inconvenientes ou inoportunos, seja ex 
officio, seja mediante provocação dos interessados, 
por meios de recursos hierárquicos; 
 Avocar (Art. 15, Lei nº 9.784/99): Significa 
chamar para si atribuições que sejam de seus 
subordinados. No entanto, tal prática só poderia 
ocorrer na existência de razões que a justifiquem, 
posto que a avocação, além de desprestigiar um 
servidor, provoca desorganização do funcionamento 
normal do serviço. Não pode ser avocada atribuição 
que a lei expressamente atribui como exclusiva a 
órgão ou agente, mesmo que inferior. 
 Delegar (Arts. 11 a 14, Lei nº 9.784/99): 
Consiste em atribuir temporariamente competências e 
responsabilidades que sejam suas, porém não lhe 
sejam exclusivas. As delegações são admissíveis 
sempre, desde o inferior delegado esteja em 
condições de exercê-los e que a lei que atribua a 
competência não diga em contrário, sendo esta 
delegação revogável a qualquer tempo. 
 As decisões e os atos praticados por 
delegação devem mencionar explicitamente esta 
qualidade e considerar-se-ão editadas pelo delegado. 
Isso quer dizer que o agente recebeu a delegação 
será considerado como o praticante do ato, devendo 
responder por todos os efeitos que dele provierem. 
 A edição de atos de caráter normativo, a 
decisão em recursos administrativos e as matérias de 
competência exclusiva do órgão ou autoridade não 
podem ser objeto de delegação. 
 Rever (Art. 53 da Lei nº 9.784/99): É a 
atividade de apreciar os atos dos inferiores em todos 
os seus aspectos (competência, objeto, oportunidade, 
conveniência, justiça, finalidade e forma), para mantê-
los ou invalidá-los, de ofício, ou mediante provocação 
de interessado. 
 Pondere-se eis que importante: A revisão 
hierárquica se mostra possível enquanto o ato não se 
tornou definitivo para o particular, ou seja, não gerou 
um direito adquirido para quem a ele se relacionar. 
D) PODER DISCIPLINAR 
 Conforme já ensina Hely Lopes Meirelles, 
“Poder Hierárquico e Poder Disciplinar não se 
confundem, mas andam juntos”. Ou seja, são poderes 
diferentes entre si, mas intrinsecamente ligados, não 
sendo exagero que um é decorrente do outro e, por 
isso andam lado a lado invariavelmente. 
 Tal afirmação é um tanto quanto óbvia. Ao se 
considerar o “controle” pela aplicação de reprimendas 
como sendo um dos objetivos do Poder Hierárquico, 
tem-se que o Poder Disciplinar é decorrente direto e 
imediato daquele Poder. 
 Isso porque Poder disciplinar, é a faculdade 
conferida ao administrador público de reprimir as 
infrações funcionais de seus subordinados, assim 
como outras pessoas ligadas a órgãos e serviços 
administrativos. 
 Não se deve confundir o Poder disciplinar com 
o Poder Punitivo exercido pelo Estado. O Poder 
Punitivo é exercido pelo Estado através do Poder 
Judiciário, mais especificamente da Justiça Criminal e 
tem objetivos sociais mais amplos, visando a 
repressão de crimes e contravenções assim definidas 
nas Leis Penais. 
 O Poder Disciplinar, por sua vez é exercido 
pela própria Administração Pública, internamente 
entre seus servidores, com discricionariedade e o faz 
para o bom andamento da própria Administração 
Pública, de acordo com a conveniência e 
oportunidade da punição do servidor. 
 O Poder Disciplinar tem por característica sua 
discricionariedade, eis que a ele não se aplica o 
“Princípio da Pena Específica”, aplicável no direito 
penal. O Administrador, considerando os deveres do 
infrator em relação ao serviço e verificando a falta, 
aplicará a sanção que julgar cabível, oportuna e 
conveniente, dentre as que estiverem enumeradas em 
Lei ou Regulamento para a generalidade das 
infrações administrativas. 
 O próprio art. 128, da Lei nº 8.112/90, deixa 
clara essa discricionariedade ao dispôr que: “Na 
aplicação das penalidades serão consideradas a 
natureza e a gravidade da infração cometida, os 
danos que dela provierem para o serviço público, as 
circunstâncias agravantes ou atenuantes e os 
antecedentes funcionais.” 
 Tal discricionariedade, no entanto, não pode 
ser confundida com condescendência, eis que tem o 
administrador o Poder-dever de punir a prática de 
conduta ilícita. O não cumprimento desse dever é 
considerado Crime Contra a Administração Pública 
(CP, art. 320). 
 Conforme a gravidade do ato a ser punido, a 
 DIREITO ADMINISTRATIVO – PROF. GIORGIO FORGIARINI 
autoridade escolherá entre as penas legais, a que 
consulte ao interesse do serviço e a que mais bem 
reprima a falta cometida. É aí que entra a 
discricionariedade do Poder Disciplinar. 
E) PODER NORMATIVO OU REGULAMENTAR 
 Conforme se verifica da lição de Hely Lopes 
Meirelles, “a faculdade normativa, embora caiba 
predominantemente ao legislativo, nele não se exaure, 
remanescendo boa parte para o Executivo”. Ou seja, 
ao executivo também cabe expedir normas e 
regulamentos como Poder a si atribuído. 
 Trata-se o Poder Regulamentar da faculdade 
de que dispõem os chefes do Executivo (Presidente 
da República, Governadores e Prefeitos), de explicar 
a lei por meio de decreto para sua correta execução, 
ou de expedir decretos autônomos sobre matéria de 
sua competência ainda não disciplinada por Lei (Art. 
84, IV, CF/88). 
 Trata-se de Poder inerente e privativo do 
Chefe do Poder Executivo, sendo, portanto, 
indelegável a qualquer subordinado. 
 Na doutrina podemos notar dois tipos distintos 
de regulamentos: quais sejam: executivo e o 
regulamento independente ou autônomo. 
 a) Decreto Executivo: É o Poder

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