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Administrativo

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ou nocivos à 
coletividade, como previstos na norma legal. Observe-
se que o mesmo fato, juridicamente, pode gerar 
pluralidade de ilícitos e de sanções administrativas. É 
possível que seja o estabelecimento lacrado. 
Importante: A execução de multa exige a intervenção 
do Poder Judiciário, razão pela qual não é dotada de 
auto-executoriedade. A Administração pode até aplicar 
e notificar o administrado para pagar a multa em sede 
administrativa. No entanto, caso o administrado não a 
pague voluntariamente, a Administração não poderá 
proceder a atos executórios, os quais são exclusivos 
do Poder Judiciário. 
 
DEVERES DO ADMINISTRADOR PÚBLICO 
 Os principais deveres do Administrador 
Público, elencados pela doutrina administrativista 
são: 
I. Poder-dever de agir: Conforme refere Hely Lopes 
Meirelles, “se para o particular o poder de agir é uma 
faculdade, para o administrador público é uma 
obrigação de atuar, desde que se apresente o ensejo 
de exercitá-lo em benefício da coletividade”. 
 Significa que, por ser o poder de agir 
conferido ao administrador público com o objetivo de 
atender a um fim coletivo, esta possibilidade 
representa, também, um dever de agir. Enquanto no 
direito privado o poder de agir é uma mera faculdade, 
no direito público o poder de agir é uma obrigação, 
não cabendo ao agente recusá-lo. 
 Daí, decorrem duas conclusões: 
 a) Os poderes administrativos são 
irrenunciáveis; 
 b) A omissão do gente caracteriza abuso de 
poder. 
 DIREITO ADMINISTRATIVO – PROF. GIORGIO FORGIARINI 
II. Dever de Eficiência: Traduz-se na idéia de que os 
agentes públicos em geral devem atuar de acordo 
com critérios de celeridade, perfeição, técnica, 
economicidade, controle, etc. A eficiência, inclusive, a 
partir da Emenda Constitucional nº 19/98, passou a 
ser um dos princípios constitucionais da 
Administração Pública. 
III. Dever de Probidade: Probidade é um termo que 
foi incorporado ao direito brasileiro por ocasião da 
Constituição Federal de 1988, mais especificamente 
em seu art. 37, § 4º e liga-se à idéia de moralidade 
administrativa, boa-fé, boa administração. Os atos de 
improbidade administrativa serão punidos, conforme 
estipulado pela Lei nº 8.429/92. 
IV. Dever de Prestar Contas: Aqueles que gerem 
recursos públicos, cabe prestar contas ao órgão 
responsável pela fiscalização. 
 
USO E ABUSO DE PODER 
 
 Vimos que os elementos do poder vinculado 
são o agente competente, a forma prevista em lei, a 
finalidade pública, o motivo e o objeto e que no poder 
discricionário, o agente, a forma e a finalidade estão 
previstos na lei, menos o motivo e o objeto, que não 
são regrados, pois, nestes reside a margem de 
liberdade do administrador, que diante de um caso 
concreto, fará uma reflexão de conveniência e 
oportunidade antes da produção de determinado ato. 
 Mesmo não estando na lei, há uma condição 
de legitimidade em relação a produção do ato 
discricionário, através do bom senso, razoabilidade, 
proporcionalidade e de justiça. Quando o 
administrador, ao praticar os atos vinculados ou 
discricionários, fugir do cumprimento da lei ou do 
cumprimento da legitimidade, abusa do poder. 
 A teoria do abuso de poder, que teve a sua 
origem na França, no Brasil foi aperfeiçoada e 
desdobrada em: 
 Excesso de poder – A autoridade que pratica 
o ato é competente, mas excede a sua competência 
legal, tornando o ato arbitrário, ilícito e nulo. 
 Por ex., o Prefeito tem a competência de 
autorizar certa despesa, mesmo que não exista saldo 
na verba orçamentária. Porém, se ele autorizar 
qualquer despesa sem a existência de verba, excede 
a sua competência, pratica uma violação frontal a lei, 
ou seja, pratica ato com excesso de poder; 
 Desvio de poder (ou de finalidade) – ocorre 
quando a autoridade é competente e pratica o ato por 
motivo ou com fim diverso do objetivado pela lei ou 
exigido pelo interesse público, havendo, portanto, uma 
violação moral da lei. 
 Por ex., através do DL 3365/41, o Prefeito 
pode desapropriar determinada área para urbanização 
ou mesmo para a construção de casas populares. 
Quando faz isso, ele usa do poder, ou seja, 
simplesmente cumpre a lei. Entretanto, se usa desse 
poder para desapropriar uma área sobre a qual em 
que não existe nenhuma utilidade, à pedido de um 
amigo, por exemplo, há um desvio de poder, ou seja, 
a finalidade não foi legal. 
REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS 
Para o excesso de poder, temos, de acordo 
com o inc. LXIX do art. 5º da CF, o Mandado de 
Segurança, que é um remédio heróico contra atos 
ilegais praticados por autoridade pública ou 
assemelhados, envoltos de abuso de poder, o qual é 
regulado pela Lei nº 1.533/51. 
 Para desvio de finalidade, temos a Ação 
Popular, prevista no inc. LIII do art. 5º da CF/88 e 
regrada pela Lei nº 4.717/65, que pode ser impetrada 
por qualquer cidadão, contra atos lesivos praticados 
contra o patrimônio público ou entidade em que o 
Estado participe, relacionados à moralidade 
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio 
histórico e cultural. 
 A Ação Popular faz com que o ato lesivo 
praticado seja anulado, ficando os infratores e seus 
beneficiários obrigados a devolverem o dinheiro aos 
cofres públicos. 
ATOS ADMINISTRATIVOS 
 Atos e fatos 
 Antes de se discorrer especificamente a 
respeito dos atos administrativos, importante fazer 
menção, afinal, do que sejam “atos” e o que os 
diferencia de “fatos”. 
 A expressão “ato”, liga-se ao termos “ação”, 
“atitude”, ou ao verbo “agir”. Assim, “atos” nada mais 
são do que ações, condutas ou, ainda, tudo o que se 
faz ou se pode fazer. Assim, um jogador de futebol ao 
chutar uma bola, um professor ao ministrar uma aula 
ou um cozinheiro ao preparar ao prato têm entre si, 
em comum, o fato de praticar atos, uma vez que agem 
voluntariamente ao praticar estas condutas. 
 Por outro lado, “fatos” nada mais seriam do 
que meros “acontecimentos”, “ocorrências” ou, então, 
“eventos” alheios à vontade humana. O aniversário ou 
 DIREITO ADMINISTRATIVO – PROF. GIORGIO FORGIARINI 
o falecimento de uma pessoa, um raio caído sobre o 
telhado de uma casa ou uma forte chuva que assola 
uma região são exemplos típicos de “fatos”, posto 
serem acontecimentos alheios à vontade humana. 
 Atos da Administração Pública: 
 No exercício de suas atividades e para o 
cumprimento das incumbências que lhe foram 
atribuídas por lei, pratica a Administração Pública 
inumeros atos, os quais serão chamados “atos da 
administração”. Maria Silvia Zanella Di Pietro ensina 
que todo e qualquer ato praticado no exercício da 
função administrativa por agente da Administração 
Pública ou por quem atue em seu nome será um “ato 
da administração”. 
 Como se vê, o conceito de “ato da 
administração” é bastante amplo e abrange uma 
grande gama de ações praticadas pela Administração 
Pública, como, por exemplo, a limpeza de uma praça 
por um gari, um cheque assinado por um prefeito 
municipal ou a sanção pelo Presidente da República 
de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional. 
 Assim, os atos praticados pela Administração 
Pública, em sua amplitude toda, poderão ser 
classificados em 5 (cinco) categorias diferentes. Os 
atos administrativos são apenas uma das categorias 
de atos da administração, que podem ser ainda: 
 a) Atos materiais. São aqueles que não 
contém nenhuma manifestação de vontade da 
Administração Pública, mas que são resultado de uma 
manifestação e que podem ser materialmente 
analisados por quem quer que os presencie. 
Exemplos: A varredura de uma calçada por um gari, o 
fechamento de um estabelecimento por servidores da 
Vigilância Sanitária, ou a condução de uma aula por 
um professor da rede pública. 
 b) Atos típicos de direito privado. São aqueles 
atos praticados pela Administração Pública

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