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Parte II – Formas Farmacêuticas Destinadas à Inserção nos Orifícios Corporais. Supositórios, Óvulos e Velas Supositórios • Forma Farmacêutica Sólida destinada à inserção nos orifícios corporais onde se fundem, amolecem ou se dissolvem exercendo efeitos locais ou sistêmicos. • Etiologicamente: Latim→ Supponere – Sup → “sob” – Ponere → “colocar” Supositórios • Possuem diversas formas e tamanhos. • Dependendo da densidade da base e do fármaco neles contido seu peso pode variar. Tipos de Supositórios • Retais • Reto • Vaginais – Óvulos • Vagina • Uretrais – Velas • Uretra (♀e ♂) Tipos de Supositórios • Supositórios retais: destinam-se à aplicação retal, são cilíndricos ou cônicos apontados ou achatados em uma das extremidades. Normalmente pesam de 1 a 1,5 g para uso pediátrico e de 2 a 3 g para uso adulto. • Óvulos ou supositórios vaginais ou pessários: são formas farmacêuticas destinadas à aplicação vaginal, caracterizadas normalmente pela forma ovóide ou globular. Geralmente pesam entre 3 a 5 g não devendo ter peso superior a 15 g. • Supositórios uretrais ou velas uretrais ou bougies: supositórios de uso feminino possuem cerca de 5 mm de diâmetro, 50 mm de comprimento e de 1 a 2 g de peso. Já os supositórios masculinos possui cerca de 5 mm de diâmetro, 125 mm de comprimento e de 1 a 4 g de peso. Mecanismo de Ação dos Supositórios • Ação mecânica: deve-se ao estímulo do reflexo da defecação, decorrente da presença de um corpo estranho no reto, provocando os movimentos peristálticos. – Ex: supositórios laxativos de glicerina. • Ação local: ação tópica a mucosa anorretal. – Ex: supositórios anti-hemorraidários e antiparasitários. • Ação sistêmica: é a mais desejada, o fármaco passa para a circulação geral, produzindo efeitos farmacológicos sistêmicos. Mecanismo de Ação dos Supositórios • Quando é inserido, a base do supositório se funde, amolece ou se dissolve, distribuindo a substância ativa nos tecidos locais. Esse fármaco pode permanecer retido na cavidade e exercer um efeito local ou pode ser absorvido e exercer um efeito sistêmico. Ação Local • SUPOSITÓRIOS RETAIS – Aliviar constipação (glicerina: irritação local das membranas mucosas); – Aliviar a dor; – Irritação; – Prurido; – Inflamação associadas a hemorroidas. – Anti-hemorroidais (anestésicos locais, vasoconstritores, adstringentes, analgésicos, emolientes e agentes protetores). • SUPOSITÓRIOS VAGINAIS = ÓVULOS – Anticoncepcional de apoio: espermicida (nonoxinol-9); – Antissépticos; – Combate a agentes patogênicos (tricomonicidas). Ação Local • SUPOSITÓRIOS URETRAIS – Podem conter Antibacterianos, Fármacos para Disfunção Sexual ou Anestésicas locais para a realização de exames uretrais. • Alprostadil Uso: Disfunção Erétil. Ação Sistêmica • Quando se visam efeitos sistêmicos, a administração via retal apresenta as seguintes vantagens sobre a oral: – Fármacos destruídos ou inativados pelo pH ou pela ação de enzimas no estômago ou intestinos não são expostos a esses meios destrutivos; – Fármacos irritantes para o estômago podem ser administrados por via retal; – Na absorção retal não ocorre destruição pela circulação portal. – Administração de fármacos para pacientes adultos ou pediátricos incapazes ou que não querem engolir a medicação. – Tratamento de pacientes com episódios de vômitos. Ação Sistêmica • EXEMPLOS: – Proclorperazina e clorpromazina (alívio da náusea e do vômito e como tranquilizante); – Cloridrato de oximorfina (analgésico opióide); – Tartarato de ergotamina (alívio da enxaqueca); – Indometacina (antiinflamatório não-esteroidal); – Ondasetrona (alívio da náusea e do vômito). Fatores que Influenciam na Absorção de Fármacos dos Supositórios • Fatores Fisiológicos – Conteúdo do Colón: Maior absorção ocorre quando o reto estiver vazio ao invés de estar distendido com material fecal (contato com a superfície de absorção). – Via de circulação: Veias hemorroidais inferiores que cercam o cólon recebem o fármaco e iniciam sua circulação pelo corpo, evitando o fígado (circulação portal). Fatores que Influenciam na Absorção de Fármacos dos Supositórios • Fatores Fisico-Químicos – Lipossolubilidade e Hidrossolubilidade: Fármaco lipofílico + base lipofílica = menor tendência a escapar para o fluido aquoso que uma substância hidrofílica. – Tamanho de partícula: Para fármacos que não se dissolvem no supositório: influencia na velocidade de dissolução e disponibilidade para absorção. – Natureza da base: A base deve ser capaz de fundir, amolecer ou se dissolver, liberando o fármaco para absorção. A base não deve ser irritante à membrana mucosa. Interações químicas e/ou físicas entre o fármaco e a base devem ser averiguadas. Composição Básica de um Supositório • Fármaco ou ativo. • Agente suspensor (quando o fármaco não é solúvel na base): sílica gel micronizada; • Bases de supositório: manteiga de cacau, glicerina; • Antioxidantes (opcional). Base Ideal para Supositórios • A maioria dos componentes fundem-se a temperatura retal, se a temperatura de fusão for mais alta deve-se utilizar misturas eutéticas; • Atóxica e não irritante; • Ser compatível com uma grande variedade de fármacos; • Possuem propriedades umectantes; • Ser estável durante o armazenamento; • Facilmente “desmoldavel” Base de Supositório • Devem permanecer sólida na temperatura ambiente, mas fundir ou dissolver com facilidade na temperatura do corpo, após a inserção; • Base Hidrofílica: Solúveis em água e com base de Gelatina Glicerinada ou Polietilenoglicol (usada para preparar supositórios vaginais) • Base Lipofílica: Manteiga de Cacau, Óleo de Teobroma, Óleo de Palmiste Fattbase (triglicerídeos do óleo de palmiste e de coco com monoestearato de glicerila), Wecobee (triglicerídeos do óleo de coco) Quando a irritação ou inflamação necessita ser aliviada, a base de manteiga de cacau parece ser a melhor escolha (emoliência e espalhamento). Preparo do Supositório • Moldagem por Fusão: a. Fusão da base; b. Incorporação de substâncias ativas; c. Colocação da base no molde; d. Resfriamento da base e congelamento do supositório; e. Remoção do supositório do molde. • Moldagem por Compressão: – Os supositórios podem ser preparados forçando a passagem da mistura da base e fármaco para dentro de moldes, em máquinas de produção especiais. Método utilizado caso algum dos componentes seja sensível a alteração de temperatura. Moldes de Supositórios • Os moldes comumente usados são constituídos de aço inoxidável, alumínio, latão ou plástico. – Antes de adicionar a preparação os moldes devem ser lubrificados com gelatina glicerinada ou óleo mineral para facilitar a remoção. Controle de Qualidade • Uniformidade de Massa (Peso Médio) – DP ± 5%. • Dureza – Os supositórios devem estar suficientemente duros na temperatura ambiente, permitindo manipulação e seu uso e acondicionamento. • Ponto de Fusão/Tempo de Desintegração – Devem se fundir ou dissolver em até 30 minutos quando submetidos a temperatura de 37ºC • Teor de Princípios Ativos descritos nas monografias. Fim