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tcc - Redução da Maioridade Penal de dy2014 | trabalhosfeitos.com ANHANGUERA EDUCACIONAL CENTRO UNIVERSITÁRIO ANHANGUERA DE SANTO ANDRÉ CURSO DE DIREITO EDNALVA PEREIRA MARTINS DIREITO PENAL REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL SANTO ANDRÉ 2013 EDNALVA PEREIRA MARTINS DIREITO PENAL REDUÇÃO DA MAIORIDADE PANAL Monografia apresentada, como exigência parcial a obtenção do grau de Bacharel em Direito, no Centro Universitário Anhanguera de Santo André, sob a orientação do professor Georges Amauri Lopes. SANTO ANDRÉ 2013 EDNALVA PEREIRA MARTINS DIREITO PENAL REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL Aprovado em ____ de ______ de 2013. ______________________________ Prof. Ms Georges Amauri Lopes Centro Universitário Anhanguera de Santo André ______________________________ Prof. Ms Fabio Leandro Guariero Centro Universitário Anhanguera de Santo André ______________________________ Prof. Ms. Roberto Von Hayden Junior Centro Universitário Anhanguera de Santo André ______________________________ Profa. Ms Maria Cristina Barducco Centro Universitário Anhanguera de Santo André Coordenadora do Curso de Direito SANTO ANDRÉ 2013 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aqueles que direta ou indiretamente, colaboraram para a sua elaboração, em especial à minha querida mãe Carmelina, meu porto seguro. E também à minhaamiga Eliz Regina de C. Castro, profunda gratidão, por todo apoio e incentivo dado em todos os momentos da minha vida, pela imensa paciência, pela longa e provada amizade. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por permitir mais essa vitória em minha vida, aos meus professores que ao decorrer deste curso colaboraram para meu crescimento tanto profissional quanto pessoal. Especialmente ao meu orientador, professor Georges que me ajudou muito para a conclusão deste trabalho. A todos que, de alguma forma contribuíram para que este trabalho fosse possível. Agradeço ainda a minha querida mãe e as minhas irmãs. A todos, meu sincero OBRIGADO. EPÍGRAFE "A base da sociedade é a justiça; o julgamento constitui a ordem da sociedade: ora o julgamento é a aplicação da justiça". Aristóteles RESUMO A presente monografia discute a redução da maioridade penal. A proposta de redução da inimputabilidade penal é amparada por argumentos frágeis, na medida em que distorcem a origem do problema posto na ausência efetiva de Políticas Públicas. Neste trabalho será abordada a discussão a respeito da questão da redução da maioridade penal, no que dedilha às suas possibilidades e efeitos. Será feito ainda uma apreciação das propostas de Emenda à Constituição, apresentadas visando à alteração da maioridadepenal no Congresso Nacional. O presente trabalho busca ainda entender os anseios da sociedade na busca do combate à violência e a causa do sentimento de impunidade na questão da punição ao jovem infrator. Palavra-chave: Direito Penal. Redução da Maioridade Penal. ABSTRACT This monograph discusses lowering the age of criminal. The proposed reduction of criminal unimputability is supported by weak arguments, as distorting the origin of the problem posed in the absence of effective public policy. In this paper the discussion will be addressed on the issue of lowering the age of criminal law as strums his chances and effects. Will be also a consideration of the proposed amendment to the constitution, presented aiming at changing the age of criminal responsibility in Congress. This study also seeks to understand the expectations of society in the pursuit of combating violence and because of the sense of impunity on the issue of punishment to the young offender Keyword: Criminal Law. Reduction of Criminal Majority. LISTA DE SIGLAS CF - Constituição Federal CP - Código Penal ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente CONANDA - Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente PEC - Proposta á Emenda Constitucional OAB - Ordem dos Advogados do Brasil ADIn - Ação Direta de InconstitucionalidadeSUMÁRIO Introdução 11 1. Da Culpabilidade 13 1.1. Desenvolvimento Histórico 13 1.2. Teorias da Culpabilidade 15 1.1.1. Teoria Psicológica 15 1.2.2. Teoria Psicológica Normativa 15 1.2.3. Teoria Normativa Pura 15 1.3. Elementos da Culpabilidade 16 1.3.1. Imputabilidade 16 1.3.2. Potencial Consciência da Antijuricidade 17 1.3.3. Da Exigibilidade da Conduta Diversa 17 1.4. Da Imputabilidade 18 2. Da Imputabilidade do Menor de 18 anos 20 2.1. Da Presunção Absoluta da Inimputabilidade 21 2.2. Do Estatuto da Criança e do Adolescente-Lei 8069/1990 21 2.3. Do Ato Infracional 23 2.4. Medidas Sócio-educativas 24 3. Discussões sobre a Menoridade 25 3.1. Propostas de Emenda à Constituição Federal 26 3.2 Argumentos Favoráveis à Redução da Maioridade Penal no Brasil 27 3.3. Argumentos Contrários à Redução da Maioridade Penal no Brasil 29 3.4. Cláusulas Pétreas 31 4. Considerações Finais 33 Referências 35 INTRODUÇÃO O presente trabalho objetiva arrazoar sobre o assunto da redução da maioridade penal no Brasil, tendo em vista o crescente índice de criminalidade envolvendo menores infratores, o que acarreta a discussão acerca da inviabilidade e inoperância do atual exemplo brasileiro de imputabilidade penal. Acarretando um enorme problema, onde atinge a todos, o que faz com que a sociedade exija dos legisladores uma solução que venha ao embate dos anseios da sociedade. O artigo 27 do Código Penal diz que, “Osmenores de 18 anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial”. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente - (ECA). Traz no seu artigo 121 e seguintes parágrafos: Art. 121. A internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. § 1º Será permitida a realização de atividades externas, a critério da equipe técnica da entidade, salvo expressa determinação judicial em contrário. § 2º A medida não comporta prazo determinado, devendo sua manutenção ser reavaliada, mediante decisão fundamentada, no máximo a cada seis meses. § 3º Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos. § 4º Atingido o limite estabelecido no parágrafo anterior, o adolescente deverá ser liberado, colocado em regime de semi - liberdade ou de liberdade assistida. § 5º A liberação será compulsória aos vinte e um anos de idade. § 6º Em qualquer hipótese a desinternação será precedida de autorização judicial, ouvido o Ministério Público. § 7o A determinação judicial mencionada no § 1o poderá ser revista a qualquer tempo pela autoridade judiciária. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) Isto posto, o adolescente criminoso tem fortalecido em si a sensação de impunidade. Destarte, o assunto deve ser estudado de forma coerente e cautelosa. Assim, busca - se, no transcorrer desta monografia, afundamentação de juristas e demais operadores do direito para alicerçar argumentos acerca do assunto. Contudo, se aterá na questão jurídica do tema em questão, que é também de amplitude polêmica. Juristas e doutrinadores do direito divergem sobre a possibilidade da redução, e também sobre os resultados que seriam alcançados. Será abordada no primeiro capítulo a evolução histórica da imputabilidade penal no Brasil, com referência aos menores infratores na legislação brasileira, trazendo a formacom que era tratado o adolescente, bem como, os avanços e mudanças no decorrer da história até hoje, onde já se pode contar com o Estatuto da Criança e do Adolescente. Será abordado ainda, neste capitulo, a culpabilidade, suas teorias e imputabilidade. No segundo capítulo, será falado da imputabilidade do menor de 18 anos; da presunção absoluta de imputabilidade do menor; dos direitos fundamentais específicos do menor; das medidas sócio-educativas e do ato infracional, onde serão colocados pensamentos divergentes de vários autores Já no terceiro capítulo, apresentam-se os argumentos contra e a favor da redução da maioridade penal, proporcionando, assim, ao leitor uma visão dos dois lados. Será abordado neste também, as discussões acerca das PECs. E por fim, a imputabilidade penal como clausulas pétrea, uma vez que há esse entendimento pela Constituição Federal, de acordo com seu artigo 60, parágrafo 4º, inciso IV, sendo assim, impossível de ser modificada. Porém há outros quedefendem a redução da maior idade penal e que não acham que é clausulas pétrea, e que, portanto pode – se sim ser mudada. Por fim, no quarto e ultimo capitulo, serão colocadas as considerações finais, onde fará um resumo de todas as questões abordadas nesta monografia. Os métodos utilizados na pesquisa serão de fastígio bibliográfico, na análise de obras doutrinárias a respeito do assunto em questão, teses de doutorado, teses de mestrado, artigos científicos, revistas especializadas no assunto. É sabido que o assunto deve ser estudado de forma coerente e cautelosa. Por isso buscou-se, no transcorrer deste trabalho, a fundamentação de juristas e demais operadores do direito para alicerçar argumentos acerca do assunto. 1 DA CULPABILIDADE O crime é um fato típico, antijurídico e culpável. O fato típico está caracterizado pela subsunção do ato concreto ao ordenamento jurídico penal. A antijuridicidade é caracterizada por ser determinada conduta contrária ao Direito. Guilherme de Souza Nucci diz que: A culpabilidade é o juízo de reprovação social, incidente sobre o fato e seu autor, devendo o agente ser imputável, atuar com consequência potencial de ilicitude, bem como ter a possibilidade e a exigibilidade de atuar de outro modo segundo as regras impostas pelo direito (NUCCI, 2009, p. 289). Assim, do ponto de vista jurídico o delito é toda conduta humana que o legislador tornou digna de uma sanção. No entanto, como previsão constitucional “não há crime sem leianterior que o defina”, nem “pena sem prévia cominação legal”, consubstanciando o Estado Brasileiro como um Estado Democrático de Direito. 1.1 Desenvolvimento Histórico A culpabilidade é um instituto que sofreu grandes evoluções. Desde o período em que se considerava somente o nexo de causalidade existente entre a ação e o resultado (responsabilidade objetiva), até os dias atuais em que o referido tema alçou elementos como a imputabilidade, a inexigibilidade de conduta diversa e a potencial consciência da ilicitude. Nos primórdios a reprovação da conduta tinha características de vingança recaindo a sanção no próprio corpo do infrator. Assim, de penas pessoais (lei de Talião), passando pela era da composição (Direito Romano), a pena desligou-se do caráter religioso que possuía. Com o advento da Lei das Doze Tábuas a pena consagrou-se como instituto aplicado ao agressor, e não mais a sua família ou tribo. Isso trouxe a tona o dolo e a culpa como caracterizadores da culpabilidade, foco da responsabilidade subjetiva. Nesta etapa o Direito Romano foi basilar para a evolução de temas como erro, dolo, culpa etc. Apesar disso o povo germânico, não contando com leis escritas, influenciado pelos povos bárbaros, trouxe novamente a pena imposta contra toda a estirpe do agressor, um retrocesso. O período medieval, ao qual se atribuí retrocesso em várias áreas da evolução social, tornou a pena um evento aplicado ao pecador. Já com características atuais, o Direito Penal moderno,influenciado pelo Iluminismo, pregou uma reforma nas leis e na administração da justiça. A obra de delitte e delle pene publicada por Beccaria traçou os primeiros esforços para se mudar o sistema punitivo da época, trazendo uma visão mais humanista às punições estatais. Para escola clássica influenciada por Beccaria e representada por Carrara não bastava apenas o nexo causal entre a ação e o dano, e sim a existência de culpa na conduta praticada. Certamente nossa legislação penal adotou como regra a teoria subjetiva, exigindo-se, na conduta do agente, a culpa em sentido lato, ou seja, o dolo (vontade) ou a culpa em sentido estrito (previsibilidade). É a reprovação da sociedade perante o ato típico e ilícito praticado. Heleno Claudio Fragoso diz que: A culpa não fica reduzida a puro juízo de valor, porque a integra certos componentes fáticos, ou seja, a imputabilidade e a consciência (potencial) da ilicitude. A culpa consiste na reprovabilidade da conduta ilícita (típica e antijurídica) de quem tem capacidade genérica de entender e querer (imputabilidade) e podia nas circunstancia em que o fato ocorreu conhecer a sua ilicitude, sendo lhe exigível comportamento que se ajuste ao direito (FRAGOSO, 2006, p. 240). Assim, perante a teoria normativa da culpabilidade (amparada na teoria finalista), foram retirados os elementos anímicos subjetivos (dolo e culpa stricto sensu) dos elementos do juízo de reprovação, passando aqueles a pertencerem à conduta, ficando a culpabilidade, segundoa teoria em questão, com os seguintes elementos: a) imputabilidade; b) exigibilidade de conduta diversa e c) potencial consciência da ilicitude, que serão analisados no decorrer do trabalho. 1.2 Teorias da Culpabilidade 1.2.1 Teoria Psicológica De acordo referida teoria, o juízo de reprovação é caracterizado pela relação psíquica do autor com o fato praticado. A culpa estaria consubstanciada no nexo psicológico que une o agente ao fato, o dolo (vontade) e a culpa em sentido estrito (previsibilidade) restariam como tipos de culpabilidade. A Teoria Psicológica, embora respeitada, possui algumas incongruências, como no caso de culpa inconsciente, quando o agente pratica o fato delituoso não possui a previsão do resultado em seu psicológico, inexistindo, então, o laço psicológico entre o agente e o resultado. Segundo Guilherme de Souza Nucci: Leva – se em consideração unicamente a capacidade que o agente possui para apreciar o caráter ilícito do fato ou de comportar – se de acordo com esse entendimento (NUCCI, 1999, p 296). 1.2.2 Teoria Psicológica Normativa Aludida teoria trouxe um avanço expressivo no estudo da culpabilidade, pois seus sublimes procuravam um liame normativo entre o dolo e a culpa em sentido estrito, afastando de vez a possibilidade de classificar o dolo e a culpa como espécies de culpabilidade. Dessa forma, Damásio E. de Jesus, menciona estudos de Reinhar Frank, em 1907, p. 13,30 e 35, sua obra Estrutura do conceito de culpabilidade,onde diz que: Ficou provado que o sujeito que age dolosamente ou ao menos com culpa, só será punido se sua conduta for reprovável, ou seja, não haveria outro meio licito de o agente praticar a conduta. Assim a culpabilidade como juízo de reprovação da sociedade frente à determinada conduta típica e ilícita só estaria configurada com a reprovabilidade de tal comportamento (JESUS, 2006, p. 480). 1.2.3 Teoria Normativa Pura Com essa teoria, elaborada a partir de inquietações trazidas pela teoria psicológico-normativa, o dolo não poderia continuar sendo um elemento da culpabilidade, pois o dolo seria um elemento psicológico, enquanto a culpabilidade seria um juízo de reprovação puramente normativo. Sendo assim, foram retirados os elementos anímicos subjetivos (dolo e culpa “stricto sensu”) dos elementos do juízo de reprovação, passando aqueles a pertencerem à conduta, ficando a culpabilidade, segundo a teoria em questão, com os seguintes elementos: a) imputabilidade; b) exigibilidade de conduta diversae c) potencial consciência da ilicitude. 1.3 Elementos da Culpabilidade 1.3.1 Imputabilidade Capacidade psíquica que o agente possui para perceber o que a lei determina, e agindo ele de forma diversa a lei, sofrerá uma sanção, escrita na própria lei. Para Heleno Cláudio Fragoso, "Imputabilidade é a capacidade de culpa constituindo, a rigor pressuposto e não elemento da culpabilidade” (FRAGOSO, 2006, p. 241). Segundo Damásio E. de Jesus, "imputabilidade penal é oconjunto de condições pessoais que dão ao agente capacidade para lhe ser juridicamente imputada a prática de um fato punível”. (JESUS, 2006, p. 469). Ainda existe o sistema biopsicológico, que segundo Guilherme de Souza Nucci, “verifica-se, se o agente é mentalmente são e se possui capacidade de entender a ilicitude do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento”. (NUCCI, 1999, p 297) Em caso negativo, não é inimputável. Caso positivo, será necessário analisar se o indivíduo era capaz de entender o caráter ilícito do fato; será inimputável se não tiver essa capacidade. O Código Penal Brasileiro, em seus artigos 26, caput e 28, §1º, prevê quatro causas de exclusão de imputabilidade, que por consequência excluem a culpabilidade. São elas: a) doença mental; b) desenvolvimento mental incompleto; c) desenvolvimento mental retardado; d) embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou forca maior. 1.3.2 Potencial Consciência da Antijuridicidade A sanção penal só poderá ser corretamente aplicada ao indivíduo imputável que no momento / local da prática da conduta tinha a possibilidade de entender que seu ato era ilícito. A mesma razão que leva a considerar-se inculpável a ação cometida por um inimputável (impossibilidade de entender o caráter criminoso ou de determinar-se de acordo com esse entendimento) deve pesar, também, para impedir que seja movida uma censura a quem, mesmo sendo normal e imputável, age igualmente sem a possibilidade de entender o carátercriminoso do fato, isto é, sem a consciência da ilicitude, embora por deficiências momentâneas e circunstanciais, mas inevitáveis. 1.3.3 Da Exigibilidade de Conduta Diversa Finalizando a tríade de elementos da culpabilidade, surge ao lado da imputabilidade e da potencial consciência da ilicitude, a exigibilidade de conduta diversa. Por essa característica somente se pune o agente, se no momento em que ele praticou o ato existia outra forma, manifestamente licita, de, o praticar. No Brasil, a adoção da teoria normativa da culpabilidade é evidenciada nos institutos da coação moral irresistível e obediência hierárquica, de ordem não manifestamente ilegal. Ambas constituem causas legais de exclusão de culpabilidade, inspiradas na inexigibilidade de conduta diversa, podendo ambas serem aplicadas tanto aos fatos dolosos como também ao culposos. Damásio E. de Jesus diz que: Não é suficiente que o sujeito seja imputável e tenha cometido o fato com possibilidade de conhecer o caráter ilícito para que surja a reprovação social (culpabilidade). Além da imputabilidade e da potencial consciência da ilicitude, exige – se que na circunstancia do fato tenha a possibilidade de realizar outra conduta, de acordo com o ordenamento jurídico (JESUS, 2006, p. 479) 1.4 Da Imputabilidade O nosso Código Penal, a exemplo de outras legislações, não se preocupou em definir a imputabilidade, limitando-se a mencionar os casos em que ela não se verifica (arts. 26 e 27 caputs): Art. 26 - Éisento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). Todavia do conceito de inimputabilidade, formulado pelos arts. 26, caput, e 27 caput, extraem-se indiretamente a sua definição. Segundo Flávio Augusto Monteiro de Barros: Imputável “é a pessoa mentalmente sã, com pelo menos 18 anos, que ao tempo da conduta reunia condições de entender o caráter ilícito do fato e de determinar – se de acordo com esse entendimento, é o homem que, ao tempo da conduta, apresenta maturidade mental para entender o caráter criminoso do fato e determinar-se de acordo com esse entendimento” (BARROS, 2006. p. 124). Damásio Evangelista de Jesus menciona que: Imputar é o ato de atribuir a alguém a responsabilidade de alguma coisa e, define imputabilidade penal, como sendo o conjunto de condições pessoais que dão ao agente capacidade para lhe ser juridicamente imputada a prática de um fato punível (JESUS, 2006 p. 469), A imputabilidade torna o agente responsável pela prática do crime, sujeitando-o à imposição da pena, desde que presentes os demais elementos da culpabilidade. No direito penal, o fundamento daimputabilidade é a capacidade de entender e de querer. Somente o somatório da maturidade e da sanidade mental confere ao homem a imputabilidade penal. Guilherme de Souza Nucci entende por imputabilidade: É o conjunto das condições pessoais, envolvendo inteligência e vontade, que permite ao agente ter entendimento do caráter ilícito do fato, comportando – se de acordo com esse conhecimento (NUCCI, 2009, p. 295). Nucci diferencia a responsabilidade de imputabilidade, onde esclarece que: Responsabilidade é decorrência da culpabilidade, ou seja, trata – se de relação entre o autor e o Estado, que merece ser punido por ter cometido um delito (NUCCI, 2009, p. 295). Por isso, a imputabilidade não se confunde com a responsabilidade penal, que corresponde às consequências jurídicas oriundas da prática de uma infração. 2 DA IMPUTABILIDADE DO MENOR DE 18 ANOS A Imputabilidade penal no Brasil, como já dito antes, começa aos dezoito anos de idade. Pode – se dizer que a imputabilidade ocorre quando o agente pode ser punido perante o Código Penal Brasileiro de 1940, por seus atos. Assim, envolvem muito mais detalhes, podendo citar algumas definições existentes: Há imputabilidade quando o sujeito é capaz de compreender a ilicitude de sua conduta e agir de acordo com esse entendimento. Fernando Capez preconiza que: A Imputabilidade é a capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de determinar – se de acordo com esseentendimento. Onde o agente deve ter condições físicas, psicológicas, morais e mentais de saber que está realizando um ilícito penal (CAPEZ, 2011, p. 331). Fernando Capez diz ainda, “Imputável, é não apenas aquele que tem capacidade de intelecção sobre o significado de sua conduta, mas também de comando da própria vontade, de acordo com esse entendimento” (CAPEZ, 2011, p. 332). Já para Damásio E. de Jesus: “A imputabilidade é o conjunto de condições especiais que dão ao agente capacidade para lhe ser juridicamente imputada a prática de um fato punível” (JESUS, 2006, p. 469). Destarte, se o indivíduo é incapaz de compreender o caráter ilícito do fato em razão de alguma doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, ou até mesmo de uma embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior, não pode responder pelo seu ato praticado, ou seja, não é culpável, vez que, juridicamente, podemos considerá-lo inimputável. A Constituição Federal, promulgada em 05 de outubro de 1988, em seu artigo 228, prevê expressamente a inimputabilidade dos menores de dezoito anos, sujeitando-os apenas à legislação especial. 2.1 Da Presunção Absoluta de Imputabilidade Conforme o tempo de passou, muitas teorias foram desenvolvidas, dizendo que a criança até certa idade não tem um desenvolvimento completo, com isso, tendo direito a um tratamento diferenciado no momento da aplicação da pena por exercício de ato ilícito. Dessa forma, de acordo a essasteorias, presumiu o país, que todos osjovens menores de dezoito anos, se encontrariam ainda em um estágio de desenvolvimento mental incompleto, não afastando esses mesmos jovens da responsabilidade no cometimento de um crime, apenas afastou-os da possibilidade de responderem perante o Código Penal Brasileiro de 1940, estabelecendo através do ECA de 1990, diferentes formas de tratamento, tanto para a criança menor de doze anos, quanto para as que possuem entre doze e dezoito anos. Sendo assim, argumentos embasados no desenvolvimento da sociedade e na maturidade dos jovens, tem sido usado como base para a redução da maioridade penal. Contudo, diante desta suposta aceleração da maturidade, o novo Código Civil Brasileiro de 2002, alterou a idade limite para alcançar a maioridade civil que foi diminuída de 21 anos para 18 e não para 16. 2.2 Do Estatuto da Criança e do Adolescente (LEI 8.069/1990) O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), criado em 1990, estabelecer a responsabilidade penal a partir dos dezoito anos de idade. Este marco foi criado por critérios políticos que se falar a um processo de amadurecimento neurológico e psicológico que depende muito do lugar onde se vive. O ECA tem por desígnio auxiliar as discussões das propostas das emendas constitucionais, sendo que, antes da sua criação não existia em nossa legislação uma política de atendimento que pudesse atender totalmente às necessidades de crianças e adolescentes. Hoje, tornou-se real a existência de umapolítica de Proteção Especial que atende as exigências da sociedade civil constituída para os menores em defesos. O ECA visa principalmente a proteção integral à criança e ao adolescente. Onde, abrange as necessidades de um ser humano para total desenvolvimento de sua personalidade. Dessa forma, às crianças e aos adolescentes devem ser prestadas a assistência material, moral e jurídica, onde o objetivo, como está expresso, é prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade. Ademais, deve – se, dar toda assistência no seio de sua família, se possível à biológica: Art. 25 - Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes. Art. 26 - Os filhos havidos fora do casamento poderão ser reconhecidos pelos pais, conjunta ou separadamente, no próprio termo de nascimento, por testamento, mediante escritura ou outro documento público, qualquer que seja a origem da filiação. Art. 27 - O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo, indisponível e imprescritível, podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros, sem qualquer restrição, observado o segredo de Justiça. Se for, em uma família substituta: Art. 28 - A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda, tutela ou adoção, independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente, nos termos desta Lei. O critério adotado pelo legislador, protegendo a pessoa até os dezoito anos, foi embasado no art. 1º da Convenção sobreos Direitos da Criança, adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em 26/01/1989, assinada pelo governo brasileiro em 26/01/1990: Art. 1° - A Convenção sobre os Direitos da Criança, apensa por cópia ao presente Decreto, será executada e cumprida tão inteiramente como nela se contém. A responsabilidade penal também encontra respaldo no art. 228 da Constituição Federal de 1988: Art. 228 - São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial. E ainda, no artigo 27 do Código Penal Brasileiro: Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. Havendo a modificação da idade penal mínima, estará o Brasil a descumprir o que foi estabelecido no tratado que se comprometeu a cumprir. E o descumprimento promove a responsabilização internacional do Estado violador. Existem três sistemas considerados basilares para sustentação do Estatuto da Criança e do Adolescente, onde são adotados de forma sequencial. Assim, quando a criança ou o adolescente escapar ao sistema primário de prevenção, aciona-se o sistema secundário, onde o agente que entrara em ação será o Conselho Tutelar e, estando o adolescente em conflito com a lei, será acionado o terceiro sistema de prevenção, operador das medidas sócio-educativas, que pode ser chamado genericamente de sistema de Justiça. 2.3 Ato Infracional De acordo com o Estatuto da Criança e doAdolescente, são atos infracionais aquelas condutas descritas como crime ou contravenção penal. O ECA juntou em um só dispositivo a prática de crime ou de contravenção penal, praticado por criança ou adolescente: Art. 104 - São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às medidas previstas nesta Lei. Parágrafo único: Para os efeitos dessa Lei, deve ser considerada a idade do adolescente à data do fato. Entretanto, por ser inimputável, o menor de 18 anos não comete crime, mas ato infracional equiparado a crime. Terão tratamento legal diferenciado, crianças e adolescentes que praticarem atos infracionais em desacordo com a lei, assim como dispõe o artigo 105 do Estatuto da Criança e do Adolescente: Art. 105 - Ao ato infracional praticado por criança corresponderão às medidas previstas no artigo 101. Não se tem culpabilidade no ato infracional, pois não há imputabilidade, ou seja, o menor não tem capacidade psíquica para legitimar a prática do ato ilicito. Uma vez que a Constituição considera inimputável a pessoa menor de 18 anos. 2.4 Medidas Sócio-Educativas Quando ocorre um ato infracional praticado por menor de 18 anos, o Estado se manifesta por meio das medidas sócio-educativas, cuja natureza jurídica é impositiva, sancionatória e retributiva. É preconizado por Heleno Claudio Fragoso que: Embora, na teoria, alega – se que a medida sócio-educativa é instituída em favor do adolescente, ninguém ignora que, na prática, ele é timbrado porinegável característica punitiva (FRAGOSO, 2006, p. 244) Diz ainda: É absurdo que um adolescente seja tratado de modo mais rigoroso que um adulto (FRAGOSO, 2006, p. 244). Estão elas elencadas no art. 112 do ECA: Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar ao adolescente as seguintes medidas: I - advertência; II - obrigação de reparar o dano; III - prestação de serviços à comunidade; IV - liberdade assistida; V - inserção em regime de semi-liberdade; VI - internação em estabelecimento educacional; VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI. § 1º A medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade de cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração. § 2º Em hipótese alguma e sob pretexto algum, será admitida a prestação de trabalho forçado. § 3º Os adolescentes portadores de doença ou deficiência mental receberão tratamento individual e especializado, em local adequado às suas condições. Quando se aplica, ao menor infrator a medida impositiva, não se dá a ele a opção de aceitar ou não a mesma. Já a medida sancionatória, imposta ao menor não se pode ser quebrada a regra de convivência por meio de ação ou omissão do, sendo quebrada, ele responderá por seus atos, de acordo com o que reza o ECA . 3 DISCUSSÕES SOBRE A MENORIDADE O ECA considera, criança a pessoa, que ainda não atingiu o 12 anos, não se lhe impondo nenhuma medida disciplinar. Já, entre os 12 e os 18 anos o menoré considerado adolescente. Neste caso, o ECA prevê varias medidas disciplinares, tendo como a mais severa a internação em estabelecimento adequado que não ultrapassa o prazo máximo de três anos. A lei diz que menores de 18 anos são inimputáveis, ficando sujeitos as normas estabelecidas na legislação especial. Essa norma jurídica doravante tratada encontra-se descrita em três Diplomas Legais: Artigo 228 da Constituição Federal: São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial. Artigo 27 doCódigo Penal Brasileiro dispõe: Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. Artigo 104 caput da Lei 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente que prevê: “São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às medidas previstas nesta Lei. Como já observado, o legislador adotou o critério biológico, justificando que o menor de 18 anos não tem personalidade formada, pois ainda não alcançou a maturidade de caráter, por isso acredita-se que a sua incapacidade para compreender a ilicitude do comportamento e para receber sanção penal. Contudo, em alguns aspectos, pensa diferente o autor Flavio Augusto Monteiro de Barros onde diz que: Há ai, uma presunção absoluta, a de que os menores de 18 anos não reúnem a capacidade de autodeterminação. Trata – se, porem, de mera ficção, pois nenhum critério cientifico pode demarcar o exatomomento em que se dá o pleno desenvolvimento de sua personalidade moral (BARROS, 2006, p. 366). O menor envolto em situação de risco está sujeito à normas estabelecidas na legislação especial, onde, a aplicação cabe ao Juízo da Vara da Infância e da Juventude, uma vez que, o artigo 104 do ECA, tem a mesma norma constitucional. De acordo com o artigo 228 da Constituição Federal é atribuído ao menor de 18 anos, posição jurídica subjetiva de inimputável. Sendo uma posição jurídica fundamental, alicerçada no princípio da dignidade da pessoa humana. No caso especifico da inimputabilidade penal entende-se que esta se constitui na dimensão particular do direito de personalidade. 3.1 Propostas de Emendas à Constituição Federal Existem no Congresso Nacional aproximadamente 50 propostas de emenda à Constituição, visando de alguma forma, a redução da maioridade penal. Oito Propostas de Emenda à Constituição (PECs) tramitam no Congresso Nacional visando alterar a maioridade penal. Na Câmara Federal PEC 279/13: reduz a maioridade penal para 16 anos. PEC 273/13: cria a emancipação de adolescentes com idade entre 16 e 18 anos que cometerem crimes hediondos, para que possam ser responsabilizados criminalmente. PEC 228/12: prevê a responsabilização criminal a adolescentes maiores de 16 anos que cometerem crimes com violência ou grave ameaça, crimes hediondos ou contra a vida. PEC 223/12: considera inimputáveis os menores de 16 anos. Outros 19 projetos de lei tramitam na Câmara dosDeputados visando alterar os períodos de internação e a forma de punição a adolescentes que tenham cometido algum ato infracional. No Senado PEC 90/03: considera penalmente imputáveis os maiores de 13 anos que tenham praticado crimes hediondos. PEC 83/11: estabelece a maioridade civil e penal aos 16 anos, tornando o voto obrigatório a partir dessa idade. PEC 21/13: consideram penalmente inimputáveis apenas os menores de 15 anos, sujeitos à legislação especial hoje estendida a todos os adolescentes menores de 18 anos. PEC 33/12: prevê possibilidade de desconsiderar-se a inimputabilidade penal de maiores de 16 anos e menores de 18 anos. Única com parecer favorável, a PEC 33/2012, do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), estabelece que jovens maiores de 16 anos possam cumprir penas equivalentes às dos adultos em crimes como tortura, terrorismo, trafico ilícito de entorpecentes e drogas afins e os hediondos. A penalidade pode ser imposta ainda em casos de múltiplas repetições de lesão corporal grave ou roubo qualificado. No entanto, o maior rigor na punição só pode ser pedido pelo Ministério Público especializado em questões de infância e adolescência e decidido por juízes também encarregados de cuidar de crianças e adolescentes. 3.2 Argumentos favoráveis à Redução da Maioridade Penal no Brasil O Congresso Nacional quer modificar e reduzir a maioridade penal para 16 anos de idade, tendo assim, se aprovada, a mudança do artigo 228 da Constituição brasileira quedetermina que os menores de 18 anos são penalmente inimputáveis e estão sujeitos às normas da legislação especial. Vários escritores e juristas de reconhecido valor jurídico, sustentam que a mudança iria prevenir a ocorrência de delitos praticados por “menores”, uma vez que imputáveis, estariam inseridos no preceito secundário da norma, ou seja, à punição. Flavio Augusto Monteiro Barros diz que: Nenhum critério cientifico pode demarcar o exato momento em que se dá o pleno desenvolvimento de sua personalidade moral (BARROS, 2006, p. 366) Guilherme de Souza Nucci argumenta ainda que: O menor de 18 anos já não é o mesmo do inicio do século, não merecendo continuar sendo tratado como uma pessoa que não tem noção do caráter ilícito do que faz ou deixa de fazer, sem poder conduzir – se de acordo com esse entendimento. (NUCCI, 2009 p. 302) O juiz Abner Apolinário, hoje titular da 4ª Vara da capital pernambucana, mudou de opinião depois de passar seis anos trabalhando em duas Varas da Criança e da Juventude da Região Metropolitana do Recife: A verdade é que me senti desrespeitado como pai e como juiz quando ouvi um adolescente dizer que já tinha cometido quatro latrocínios (roubo seguido de morte), que é considerado o segundo pior crime pela sociedade, perde apenas para o estupro, revela. (http://especiais.ne10.uol.com.br/por_tras_do_muro/internas/penal.htm). O Promotor de Justiça Cláudio da Silva Leiria, em artigo já citado acima, argumenta com veemência ainstituição da redução da maioridade penal no Brasil: O infrator menor não tem temor da aplicação de uma medida sócio-educativa, e que punição insignificante é sinônima de impunidade. (CARNEIRO. Disponível em: www.revistavirtual.net/index1.asp?qm=p&ed). Preconiza o ECA: “Não atinge uma das suas finalidades que é a intimidação dos jovens que praticam atos infracionais”, e que, ocorrendo a redução da maioridade penal, a legislação poderia prever estabelecimentos diferenciados para cumprimento de pena para infratores entre 16 a 18 anos de idade, não os colocando com os presos de maior periculosidade. Posiciona-se favorável à redução da maioridade penal, o jurista Guilherme de Souza Nucci, defendendo a possibilidade de Emenda à Constituição Federal para redução da maioridade penal: Menores de 16 ou 17 anos, tem plenas condições de compreender o caráter ilícito do que praticam, tendo em vista que o desenvolvimento mental acompanha como é natural a evolução dos tempos, tornando a pessoa mais precocemente preparada para a compreensão integral dos fatos da vida (NUCCI, 2009, p. 301). São muitos os casos de crimes violentos em que os adolescentes são protagonistas, tendo depois de praticado estes, medidas sócio-educativas, por período ínfimo em relação à gravidade de suas condutas delituosas, criando no seu meio uma cultura de impunidade e, na sociedade, uma desconfiança na segurança pública. 3.3 Argumentos contrários à Redução da Maioridade Penal no Brasil No ponto devista de alguns juristas, a redução maioridade penal, somente iria infringir a teoria da proteção integral, adotada pela legislação pátria, além de criar maiores problemas com relação ao encarceramento destes adolescentes, tendo em vista a falta de políticas voltadas à individualização e cumprimento de penas no sistema penitenciário brasileiro. A redução da imputabilidade penal tem sido abordada constantemente, e sempre que acontece um fato de comoção nacional ou local, os defensores dessa corrente aproveitam o momento para responsabilizar os delinquentes juvenis pelo aumento da criminalidade. Muito se discute acerca do tema, sendo que a questão levantada em primeiro plano é a legislação pátria, tanto no Código Penal Brasileiro, como na atual Constituição Federal. A imputabilidade penal amparada pela nossa Carta Magna confirma que o legislador de 1988 seguiu os caminhos e as políticas criminais seguidas pelo legislador infraconstitucional, ou seja, apenas o maior de 18 anos pode ser processado criminalmente. A legislação penal considera a pessoa com idadesuperior a 18 anos apta a responder por seus atos ilícitos, recebendo pena determinada no preceito secundário da norma. O legislador tem se preocupado em diminuir a maioridade penal ou uma penalização maior para o menor infrator, como se isso fosse resolver de uma hora para outra todos os problemas de segurança que se tem no país e consequentemente trazerem mais paz para a sociedade. José Heitor dos Santos preconiza que alegislação atual (ECA), ate hoje não foi aplicada na integra, por isso diz no Boletim do IBCCRIM que: O ECA, ao adotar a teoria da proteção integral, que vê a criança e o adolescente (menores) como pessoas em condição peculiar de desenvolvimento, necessitando, em conseqüência, de proteção diferenciada, especializada e integral, não teve por objetivo manter a impunidade de jovens, autores de infrações penais, tanto que criou diversas medidas sócio-educativas que , na realidade, são verdadeiras penas, iguais àquelas aplicadas aos adultos (Disponível em: Boletim IBCCRIM. São Paulo, v.11, nº 125, p.2, abr. 2003). A alteração da legislação para diminuir a maioridade penal não erradicará o problema da criminalidade no Brasil. Sendo a ressocialização do detento impossível, uma vez que temos um sistema penitenciário precário. Dessa forma, pode não ser a melhor solução, reduzir a idade penal. Para tornar o menor de 18 anos imputável, capaz de ser penalizado conforme nossa legislação criminal. É preciso estabelecer parâmetros entre a questão política voltada aos problemas atuais e originários de noticiários policiais e a probabilidade jurídico-legal de se diminuir a maioridade penal. Pensar em redução da maioridade penal como saída para o aumento da violência cometida ou sofrida por adolescentes além de demagógica é ineficiente. O que percebe – se na maioria das pessoas favoráveis a redução, é que estão sendo influenciados por uma mídia sensacionalista que tem apontado osadolescentes como problema maior. De acordo com o artigo 228 da Constituição Federal, não se pode mudar a idade penal, sendo Cláusula Pétrea. Pois ela é uma cláusula imutável. Para alterar a maioridade penal seria necessário, mudar a Constituição. Zilda Arns, em entrevista ao Portal Terra relata que: A construção da paz e a prevenção da violência dependem de como promovemos o desenvolvimento físico, social, mental, espiritual e cognitivo das nossas crianças e adolescentes, dentro do seu contexto familiar e comunitário. Trata-se, portanto, de uma ação intersetorial, realizada de maneira sincronizada em cada comunidade, com a participação das famílias, mesmo que estejam incompletas ou desestruturadas. A prevenção primária da violência inicia-se com a construção de um tecido social saudável e promissor, que começa antes do nascer, com um bom pré-natal, parto de qualidade, aleitamento materno exclusivo até seis meses e o complemento até mais de um ano, vacinação, vigilância nutricional, educação infantil, principalmente propiciando o desenvolvimento e o respeito à fala da criança, o canto, a oração, o brincar, o andar, o jogar; uma educação para a paz e a não-violência (ARNS. Disponível em: http://www.terra.com.br/jovem/falaserio/2004/08/16/002.htm). O ECA, legislação tida como exemplo para outros países, abarca a questão educacional, trabalhista, protecionista e ressocializadora do menor e proporciona soluções que, segundo estudos e pesquisas, poderiam reduzir drasticamente oscrimes cometidos por adolescentes se aplicadas em sua integra. 3.4 Cláusulas Pétreas As Cláusulas Pétreas são Constitucionais, ou seja, não pode ser alterado nem mesmo por Proposta de Emenda à Constituição (PEC). As cláusulas pétreas inseridas na Constituição Federal do Brasil de 1988 estão dispostas em seu artigo 60, § 4º. São elas: a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes; e os direitos e garantias individuais. Assim sendo, não pode ser objeto de discussão por parte do poder legislativo a redução da maioridade penal, uma vez, que a mesma se trata de cláusula pétrea, não podendo ser assim mudada, do mesmo modo que os direitos e garantias fundamentais do art. 5º da Carta Magna. O jurista Luiz Flávio Gomes e o secretário da Reforma do Judiciário, Pierpaolo Bottini, entendem que a maioridade penal aos 18 anos é uma cláusula pétrea constante na Constituição Federal de 1988, isto é, que não pode ser mudada nem por meio de Emenda constitucional. Guilherme de Souza Nucci discorda com a tese de cláusula pétrea quando diz: Não podemos concordar com a tese de que há direitos e garantias humanas fundamentais soltos em outros trechos da Carta, por isso também Clausulas Pétreas, inseridas na impossibilidade de emendas previstas no art. 60, parágrafo 4º, IV, CF. (NUCCI, 2009, p.302). Discussão aqui abordada deverá, em pouco tempo, ser enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal, órgão que dará a palavra final sobre anatureza pétrea do artigo 228 da Constituição Federal, haja vista a onda de projetos de lei objetivando a redução da maioridade penal. Tais projetos legislativos somente poderão ser aprovados mediante o reconhecimento da constitucionalidade dessa alteração, ou seja, da constitucionalidade de se reduzir uma garantia fundamental individual. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Depois de vista argumentações dos estudiosos no direito, entre juristas e doutrinadores na matéria constitucional e penal, a respeito da redução da maioridade penal ser viável ou não juridicamente, verifica – se, que as divergências prosseguem no nosso assunto atual, não tendo ainda um consenso. Isto posto, pode se dize que a criminalidade do menor infrator ainda é um problema que aflige todo o país. Podendo assim, acreditar na incompetência do Estado em desempenhar políticas públicas imprescindíveis para se exercer o que está previsto na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente. A aprovação da redução da maioridade, talvez não seja a melhor saída para que se diminua a extraordinária onda de violência que vem ocorrendo em nosso País. Não basta a simples redução da maioridade, como se essa fosse a melhor solução para resolver todos os problemas da criminalidade. Deve haver sim, uma influência positiva na formação cultural de cada cidadão, em especial dos marginalizados, promovendo o seu desenvolvimento e a sua integração social. Destarte, o menor infrator sofre sanções chamadas medidassócio-educativas, que se cumpridas de modo previsto na legislação pode solucionar o problema melhor do que a redução da maioridade penal. Melhor seria se o Estado investisse em políticas públicas na área de educação, cultura, saúde e lazer, assegurando os dizeres constitucionais e cumprindo a função de Estado Democrático de Direito. A pessoa molda – se de acordo com o ambiente em que se vive e as circunstâncias de vida que lhes são proporcionadas, ou seja, ninguém nasce criminoso. Essas circunstâncias, contudo, não são motivos para justificar práticas criminosas, porém não devemos esquecer o fato de que grande maioria dos adolescentes que têm ou já tiveram passagens criminosas é a mesma que ocupa os quadros da indigência, da injustiça social. Diante dos acentuados posicionamentos acerca do tema, percebe-se que a discussão culmina num ponto jurídico comum, onde coloca em encarte se a questão da redução da maioridade penal é ou não cláusula pétrea, sendo um dispositivo constitucional sobre a imputabilidade penal. Deste modo, as acaloradas discussões nas demais áreas da sociedade não se sustentam sem se expor primeiramente a questão jurídica. Existem autores defensores da alteração da lei infraconstitucional ou do aumento das punições no presente Estatuto da Criança e do Adolescente que, para alguns seria a solução jurídica, contudo, ainda não são posicionamentos pacíficos e continuarão a ser discutidos. O presente trabalho não se prima por trazer a solução para o problema da imputabilidadepenal ou da redução da criminalidade, mas buscar a reflexão para o tema dentro de suapossibilidade jurídica, analisando ambos os posicionamentos para futuras considerações. REFERÊNCIAS BARROS, Flávio Augusto Monteiro. Direito Penal. 5 ed. São Paulo. Saraiva. 2006. BRASIL, Vade Mecum. Constituição Federal. 1988. 8 ed. São Paulo. Saraiva. 2010. ________. Vade Mecum. Código Civil. 8 ed. São Paulo: Saraiva, 2010. ________. Vade Mecum. Código Penal. 8 ed. São Paulo: Saraiva, 2010. ________. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente. CAPEZ, Fernando. Direito Penal. Parte Geral. 2 ed.São Paulo. Saraiva. 2011. FRAGOSO, Heleno Cláudio. Lições de Direito Penal. Parte Geral, 17. Ed. Rio de Janeiro, Forense, 2006. JESUS, Damásio Evangelista de. Direito Penal. Parte Gerall. 28 ed. São Paulo. Saraiva. 2005. NUCCI,Guilherme de Souza. Manual de Direito Pena. 6. ed. São Paulo,Revista dos Tribunais, 2009. PLACIDO e SILVA. Dicionário Jurídico. 1 ed.. São Paulo. Forense. 2010. Disponível em: . Acessado em 20/08/2013. Disponível em: . Acessado em 15/09/2013. Disponível em: . Acessado em 15/09/2013. Disponível em: . Acessado em 16/092013. Disponível em: . Acessado em 18/09/2013. Disponível em: . Acessado em 25/09/2013. Disponível em: . Acessado em 27/09/2013. Disponível em: . Acessado em 03/10/2013.