MEDRESUMOS 2016 - BIOÉTICA 08 - Terminalidade da vida
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MEDRESUMOS 2016 - BIOÉTICA 08 - Terminalidade da vida


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Arlindo Ugulino Netto \u25cf MEDRESUMOS 2016 \u25cf BIOÉTICA / ÉTICA MÉDICA 
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TERMINALIDADE DA VIDA 
 
 Desde que a medicina se tornou um ato profissional, o tema \u201cterminalidade da vida\u201d tem sido foco de muitos 
debates e estudos, uma vez que, diante de um paciente com quadro patológico, em grande parte das vezes, a morte é 
um desfecho natural. 
 A morte vem sendo relacionada, ao longo dos séculos, a um contexto religioso como consequência do pecado. 
Esse ponto de vista não será abordado no nosso estudo. Do ponto de vista médico, a morte é um processo natural do 
desenvolvimento de patologias. É dever do medico \u2013 ou pelo menos o objetivo dele \u2013 tentar evitar ao máximo, de todas 
as maneiras possíveis (quando existem), esse quadro final. 
 Com os avanços das técnicas de saúde nos tempos atuais e aumento da expectativa de vida, principalmente 
quando se compara às pestes e epidemias da Idade Média, acredita-se que a medicina tornou-se superior à morte. Com 
isso, criou-se o seguinte dilema: a morte é um fracasso da medicina ou do médico? Já houveram muitos casos em que 
familiares de pacientes que evoluíram a óbito denunciaram médicos ao CRM por não conseguirem salvar a vida do seu 
ente, mesmo quando este já estava em estado terminal. 
 A morte, em face desta impressão que se tem de que a medicina alcançou poderes capazes de lutar contra ela, 
põe o médico como um verdadeiro guerreiro e protetor, cujo objetivo é fundamentado no ato de lutar contra a morte e 
evitá-la ao máximo. 
 Porém, nosso estudo aplicará a medicina em um \u201cmeio-termo\u201d: nem admitir que a medicina não é infalível, ou 
seja, há determinadas situações em que ela não terá mais nenhum recurso a oferecer ao paciente (salvo conforto e 
alívio); nem admitir que a morte sempre será um adversário a ser combatido. Observe algumas visões literárias acerca 
da morte, em que o primeiro relata o quão mórbido o assunto \u201cmorte\u201d é tido hoje em dia e, o segundo, relatando a sua 
visão sobre a morte que, no seu caso, viria a ser um alívio. 
 
\u201cAquilo que verdadeiramente é mórbido não é falar da morte, 
mas nada dizer acerca dela, como hoje sucede.\u201d 
(Philippe Ariès) 
 
&quot;Tome Dr. esta tesoura e corte, 
A minha singularíssima pessoa, 
O que me importa que a bicharada roa, 
Todo meu coração depois da morte...&quot; 
(Augusto dos Anjos, A MORTE) 
 
 
TERMINALIDADE DA VIDA 
 Esta questão de terminalidade da vida se coloca, principalmente, diante das seguintes situações: 
\uf0fc Pacientes terminais 
\uf0fc Pacientes em estado vegetativo continuado 
\uf0fc Pacientes em estado vegetativo permanente 
\uf0fc Pacientes em morte encefálica (essa temática não será abordada neste contexto uma vez que, segundo a 
maioria dos autores, a morte encefálica é considerada como um quadro irreversível; não será necessário, 
portanto, tratar os aspectos éticos relativos a terminalidade da vida que, neste caso, já se encerrou). 
 
PACIENTE TERMINAL 
 Como paciente terminal entende-se aquele que não responde mais a nenhuma medida terapêutica conhecida e 
aplicada, sem condições, portanto, de cura ou de prolongada sobrevivência. É terminal, portanto, aquele paciente que 
apresenta duas características fundamentais: a incurabilidade e o fracasso terapêutico dos recursos médicos (Professor 
Genival Veloso de França) de modo que a morte seja um desfecho iminente (deve-se fazer ressalva à morte como um 
quadro quase que inevitável, nestes casos, pois há pacientes que se enquadram nessas características de insucesso 
terapêutico e incurabilidade, mas que não apresentam risco de morte eminente, como, por exemplo, pacientes com 
artrose). 
 Por um conceito mais didático, paciente terminal é aquele que não pode mais ser curado ou salvo ou acometido 
por doença grave e incurável para os conhecimentos médicos atuais, cuja morte se mostra, em face da evolução 
natural do mal, iminente. 
 No caso de pacientes terminais, ocorre uma inversão no quadro de expectativa terapêutica em que, ao invés de 
fazer uso de meios para tratar do alívio dos sintomas do paciente terminal no intuito de levá-lo a cura, deve-se realizar 
apenas um procedimento de alívio do sofrimento do paciente, preparando para um final que, na sua visão, pode não ser 
o agradável ou esperado. 
Arlindo Ugulino Netto. 
BIOÉTICA / ÉTICA MÉDICA 2016 
Arlindo Ugulino Netto \u25cf MEDRESUMOS 2016 \u25cf BIOÉTICA / ÉTICA MÉDICA 
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PACIENTES EM ESTADO VEGETATIVO CONTINUADO 
 Paciente em quadro de estado vegetativo continuado é aquele que apresenta lesões recentes (há quem admita 
que seja em torno de 1 ano) e graves do sistema nervoso central (na região da formação reticular do tronco encefálico 
responsável pela ativação do córtex \u2013 o sistema ativador reticular ascendente), com ou sem diagnóstico definido, mas 
cujo prognóstico é incerto (pode evoluir para a cura ou não). 
 
PACIENTES EM ESTADO VEGETATIVO PERMANENTE 
 É aquele que apresenta lesões antigas e graves do sistema nervoso central, com diagnóstico definido, mas cujo 
prognóstico é reservado, ou seja, dentro dos conhecimentos atuais da medicina, não se têm expectativas de melhoras. 
 
 
MORTE x MORRER 
 No caso de pacientes terminais, não há mais razões para discutir \u201ca morte\u201d (que já é certa), mas sim o \u201cmorrer\u201d, 
ou seja, o processo de como a morte ocorrerá. Neste aspecto, o médico apresenta um papel extremamente 
fundamental, uma vez que ele quem vai conduzir, junto com o paciente e familiares, o morrer. Antes de discutir e 
acompanhar o ato de morrer junto a um paciente terminal, deve-se estabelecer alguns conceitos: 
\uf0b7 Eutanásia (boa morte): em estricto senso, consiste na antecipação da morte do paciente terminal, para aliviar-
lhe de sofrimento (neste conceito, se trata de um paciente terminal). Em lato senso, consiste na antecipação da 
morte do enfermo que padece de intenso sofrimento em face de doença (não necessariamente um paciente 
terminal). Pode se dar das seguintes maneiras: suicídio, suicídio assistido ou eutanásia propriamente dita. No 
Brasil, a eutanásia é proibida. 
\uf0b7 Ortotanásia (morte no momento certo): consiste em permitir que o paciente terminal tenha a evolução para a 
morte determinada pelo avanço irremediável de sua doença, se tratando de uma morte com dignidade (o que 
nem sempre acontece com a dignidade necessária). Em outras palavras, consiste em \u201cdeixar que a morte 
aconteça no momento em que a doença determinar\u201d. Se o paciente já se sente incapaz e pede para que o 
médico não o reanime ou tente o salvar, ainda é enquadrado em ortotanásia. 
\uf0b7 Distanásia (obstinação terapêutica): consiste em utilizar todos os meios cabíveis e possíveis para prolongar a 
vida do doente em fase terminal. Essa conduta não deve ser estimulada pelo médico, porém, é direito do 
paciente, a partir do Princípio da Autonomia, optar por este tratamento. No Brasil, a distanásia é, portanto, 
aceita. 
 
 
LEGISLAÇÃO 
 Diante da questão do morrer, se coloca em face do médico o Princípio da Autonomia do paciente, ou seja, o 
paciente tem o direito de escolher determinadas condutas diante do seu processo de morte. 
 O Código de Ética Médica Brasileiro, como regra, veda ao médico qualquer conduta que resulte na abreviação 
da vida. Todavia, no contexto de quadro de paciente terminal, o artigo que veda estas condutas ao medico perde o 
sentido. Portanto, diante de um quadro iminente de morte, o paciente tem direito de escolher os procedimentos a serem 
ou não realizados. Se o paciente não pode expressar a sua vontade, os familiares o fazem. 
 
CONSTITUIÇÃO FEDERAL BRASILEIRA \u2013 1988 - TÍTULO I - DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 
 
\uf0d8 Art. 1º: A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do 
Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: 
 III - a dignidade da pessoa humana; [A dignidade da pessoa humana é, portanto, um fundamento do 
texto constituicional, sendo aplicada, por via de regra, para toda prática profissional e está presente,