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Escola Municipal Monteiro Lobato 2º Ciclo Intermediário - Português CAIO, O COLECIONADOR Caio adorava colecionar coisas. Uma parte de seu guarda-roupa era para vários objetos: álbuns de figurinhas, selos, chaveiros, pedras, moedas, adesivos. Nem tudo era completo porque ele, às vezes, mudava de vontade. Teve uma época em que estava ligado em guardar botões de camisa: o pessoal de casa teve que se cuidar, as blusas apareceram picotadas de uma hora pra outra. “Será que algum rato passou por aqui?”, perguntava sua mãe. Outra vez, foi a fase de colecionar insetos: pernilongos, muriçocas, besouros, barata e até pulga. Com uma minicesta, dessas de caçar borboletas, pegava os bichinhos vivos e guardava num aquário vazio que tinha no seu quarto, com cuidado de tampar a parte de cima para nenhum sair. Caio tinha um carinho especial por essa coleção em particular. Não deixava ninguém colocar a mão. O pessoal da sua casa encrencava: “Onde você vai parar desse jeito, colecionando esses troços esquisitos?” Mas ele não ligava e continuava com suas caçadas domésticas. Até que tudo acabou no maior bafafá. Era aniversário do seu irmãozinho mais novo. A festa ainda estava no início com os convidados pondo os presentes na cama. Os dois dormiam juntos, então o pessoal sempre achava um jeito de dar uma espiada no aquário: - Olha que gozado! A lagartixa não tem sobrancelha! - Esse pernilongo ta manco... - Caio, você quer trocar sua barata por duas rodas de rolimã? - De maneira nenhuma. A Felismina ( o nome da barata era esse) foi superdíficil de pegar. Estavam nesse bate-papo, quando a mãe apareceu para dizer que já era hora das velinhas. Quando todos cantavam “parabéns pra você”, a coisa aconteceu: o tal do menino que estava a fim de pegar a barata resolveu. Aproveitou a hora em que apagaram as luzes, foi para o quarto, abriu a tampa e.... Parecia a arca de Noé: voou e rastejou bicho para tudo que era lado! As luzes se acenderam, foi o maior quê. A avó do Ricardinho mastigou uma taturana pensando ser um croquete, desmaiando instantaneamente. - Vai buscar um copo d’água pra ela! – Gritava um. - Não posso! – dizia outro – tem um besouro nojento no filtro! A Felismina caiu na coca-cola da Mariana, que, sem perceber, quase a engoliu. - Assassina! – exclamou Caio – devolve a Felismina! - Seu mal-educado! – ele retrucou – coloca barata na coca da gente e ainda reclama! - Não fui eu que coloquei! - Então, quem foi? A mãe do Caio não sabia onde se esconder de tanta vergonha: os pernilongos disputavam as bexigas coloridas, as formigas atacavam a travessa de brigadeiro e aranhas peludinhas subiam pelas pernas das babás. Algumas crianças berravam outras gritavam, correndo atrás dos bichos, talvez com desejo de se tornarem colecionadores também. Caio não viu outra saída: foi até a despensa, pegou o aerosol e.. chhhh. A sala ficou impregnada por uma nuvem e os convidados, como por encanto, foram embora. Nem é preciso dizer a bronca que o Caio levou: “Se não parar com essa mania de coleção, vai ficar sem mesada! FLORA, Anna. Caio, o colecionador. 3. ed. Rio de Janeiro: Salamandra. 1990. p-3-4