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Lembranças Encobridoras
 Freud, enquanto administrava alguns tratamentos psicanalíticos a seus pacientes em casos de histeria, por exemplo, percebeu que alguns pacientes retratavam ter lembranças de algum momento do início de suas vidas, ainda na infância, nos seus primeiros anos. Logo identificou que essas lembranças, assim como outras memórias infantis de seus pacientes, deveriam ter uma importância significativa, pois, já era de seu conhecimento em outros estudos e textos escritos, que comprovavam que boa parte dos sintomas ou doenças ocasionadas na vida adulta, poderiam ter origem de algum acontecimento ocorrido ainda na infância e que para serem lembradas elas deveriam ter causado uma forte impressão na época, do contrário, seriam esquecidas. Ele sabia o quanto era importante destacar a diferença entre o funcionamento psíquico das crianças e dos adultos. Era necessário descobrir quais os motivos que levavam a recordação desses fatos isolados que ocorriam na memória desses adultos, mas que remetiam a uma idade em que ainda não seria possível a organização de suas memórias em uma sequência, o que só poderia ocorrer no sexto ou sétimo ano de vida, em alguns casos aos dez anos.
 A partir de uma pesquisa realizada primeiramente por Victor Henri e Catherine Henri, com o envio de questionários a alguns adultos, que continham perguntas a cerca de suas memórias mais distantes em seus primeiros anos de vida, Freud conseguiu obter um maior número de dados para realizar seu estudo sobre essas memórias, denominando-as de “lembranças encobridoras”. Os resultados constatavam que essas lembranças da infância, nos adultos, ocorriam em sua maioria, aos dois e quatro anos de vida e em alguns casos menos que isso, podendo chegar a um período anterior ao seu primeiro ano de vida. Além disso, foi analisado o fato de que essas pessoas podiam não apenas se recordar de lembranças dos seus primeiros anos de vida, como também de outros momentos que ocorreram ainda na infância, mas com cinco anos por exemplo. Visto que outras pessoas não tinham essas mesmas capacidades e não conseguiam se recordar de nenhuma lembrança ou memória nessa idade, sendo apenas possível lembrar-se de um momento em que já possuíam idade mais avançada, com seus seis a oito anos. Sendo assim, Freud diz que, em alguns casos, toda a função da memória pode ter sido avançada ou retardada. 
 Algumas recordações da infância pareciam não ter causado forte impressão na vida desses adultos, eram lembranças fracas de momentos que muitos não conseguiam reconhecer como uma importante recordação, enquanto alguns conseguiam se lembrar de momentos que lhe causaram dores, sofrimento ou forte emoção como doenças, mortes ou nascimento de irmãos, outros não se recordavam desses fatos, mas tinham recordações de alguns acontecimentos de mesma época, com pouca importância, como se os fatos importantes tivessem sido omitidos da memória ou substituídos pelos mais fracos. Freud então presumiu que existiam duas forças psíquicas que atuavam nesses tipos de lembranças, uma força que foca na importância da experiência com um motivo para procurar lembra-la, enquanto a outra força age como uma resistência, tentando impedir que essa impressão na memória seja recordada, essas duas forças agem com a mesma intensidade, enquanto uma busca a importância da recordação, a outra busca encobrir, colocando no local uma imagem diferente da lembrança que teria uma importância maior. A imagem suprimida agora não consegue ser lembrada, sendo apenas notável a existência de uma lembrança de fraca importância, que ao procurarmos entender, torna-se incompreensível porque ela não remete a uma memória de forte impressão, mas de um momento próximo ao que a verdadeira lembrança, que causou forte impressão podendo, por exemplo, ter causado dor ou forte emoção, que existiu até ser suprimida.
 Com o aprofundamento nesses estudos e investigações, Freud entendeu que algumas dessas lembranças poderiam ter sido geradas de outras maneiras, e que existiam vários significados ocultos atrelados a essas imagens que ocorriam na memória e que pareciam inocentes, mas que na verdade apenas existiam para encobrir outra lembrança ou sentimento que ocorrera em algum momento da vida, sendo assim possível também descobrir que essas lembranças encobridas poderiam ser descritas como regressivas ou progressivas, a depender da existência de uma relação cronológica entre o encobrimento e a coisa encoberta. Com a análise de alguns casos, foi possível atribuir relações entre essas imagens que podiam ser lembradas e aos sentimentos que algumas pessoas apresentaram em algum momento posterior a essas lembranças.

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