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AN02FREV001/REV 4.0 1 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE TÉCNICAS DE VENDAS Aluno: EaD - Educação a Distância Portal Educação AN02FREV001/REV 4.0 2 CURSO DE TÉCNICAS DE VENDAS MÓDULO I Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. AN02FREV001/REV 4.0 3 SUMÁRIO MÓDULO I 1 CONHECENDO SEUS CLIENTES E SEUS NEGÓCIOS 1.1 HISTÓRICO DAS VENDAS 1.2 ERA DAS VENDAS NO BRASIL 1.3 HISTÓRICO DO MARKETING 1.3.1 Precursores 1.4 FILOSOFIAS DE ADMINISTRAÇÃO DE MARKETING 1.5 O PROFISSIONAL DA ÁREA DE VENDAS 1.6 CONHECIMENTO DO PRODUTO QUE VENDE 1.7 CONHECIMENTO DO PÚBLICO-ALVO 1.7.1 Atualização com o mercado 1.8 PLANEJAMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL 1.8.1 Metas e sucesso 1.8.2 Persista, persista até vencer 1.8.3 Mantenha os pensamentos positivos 1.8.4 Concentre o foco de sua atenção no objetivo 1.8.5 Cultive autoconfiança e autoestima 1.8.6 Tenha ações positivas 1.8.7 Acredite e aja positivamente 1.8.8 Procure o crescimento pessoal 1.8.9 Mude para acompanhar o ritmo do universo 1.9 A IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL DE VENDAS 1.10 A IMPORTÂNCIA DE UM BOM ATENDIMENTO 1.11 EMPREENDEDORISMO – CONHECENDO E DESENVOLVENDO SEU PRÓPRIO NEGÓCIO 1.11.1 Intraempreendedorismo 1.11.2 Empreendedorismo no Brasil 1.12 SEGMENTAÇÃO DE MERCADO AN02FREV001/REV 4.0 4 1.12.1 Níveis que podem ser adotados pelas empresas 1.12.1.1 Marketing de massa 1.12.1.2 Marketing de segmento 1.12.1.3 Marketing de nicho 1.12.1.4 Marketing local 1.12.1.5 Marketing individual 1.12.2 Algumas vantagens da segmentação de mercado 1.12.2.1 Tipos de segmentação de mercado 1.12.2.2 Requisitos para uma segmentação eficaz do mercado 1.13 O PONTO DE VENDA 1.13.1 Ações para o PDV 1.14 ENTENDENDO SEUS CLIENTES: COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR 1.14.1 O processo de compra 1.14.1.1 Reconhecimento das necessidades 1.14.1.2 Avaliação das alternativas 1.14.1.3 A decisão de compra 1.14.1.4 Avaliação do pós-compra 1.14.1.5 O processo de tomada de decisão 1.14.1.6 Fatores que influenciam na decisão de compra 1.15 MOTIVAÇÃO DE EQUIPES MÓDULO II 2 COMO CONSEGUIR MAIS CLIENTES E SUPERAR A CONCORRÊNCIA 2.1 INTRODUÇÃO 2.2 PROSPECÇÃO DE CLIENTES 2.3 FIDELIZAÇÃO DE CLIENTES 2.3.1 Criando valor à fidelização 2.3.2 Quanto custa para atrair e manter 2.3.2.1 Dicas para fidelização de clientes 2.4 UTILIZANDO A PROPAGANDA A FAVOR DAS VENDAS 2.4.1 A ação de merchandising 2.5 ESTRATÉGIAS DE COMERCIALIZAÇÃO AN02FREV001/REV 4.0 5 2.6 O MACROAMBIENTE 2.6.1 Ambientes 2.7 MICROAMBIENTE 2.8 ESTUDANDO O NOSSO CLIENTE 2.8.1 Database Marketing 2.8.2 CRM – Customer Relationship Management 2.8.3 Diferenciando clientes 2.8.3.1 Clientes insatisfeitos X clientes inativos 2.8.3.1.1 Clientes insatisfeitos 2.8.3.1.2 Clientes inativos 2.9 O ATENDIMENTO COMO DIFERENCIAL PARA MANTER CLIENTES 2.9.1 Atendimento a clientes 2.9.2 O momento da venda 2.10 ANALISANDO OS CONCORRENTES 2.10.1 Superando a concorrência MÓDULO III 3 O MERCADO, OS VENDEDORES E A EQUIPE – FOCO NO RESULTADO 3.1INTRODUÇÃO 3.2 FOCO NOS RESULTADOS 3.3 INTEGRAÇÃO E PLANEJAMENTO 3.3.1 Planejamento 3.4 LIDERANÇA DE MERCADO E MOTIVAÇÃO 3.5 ESCOLHENDO UMA EQUIPE DE VENDAS 3.6 FERRAMENTAS DO MARKETING PESSOAL 3.6.1 Habilidades e competências 3.6.2 Seu produto de conhecimento 3.6.3 Aspectos visuais 3.6.4 Relações humanas 3.7 FORMAÇÃO DE GERENTES DE VENDAS 3.7.1 Principais atribuições de um gerente de vendas 3.7.1.1 Estruturação da força de vendas: AN02FREV001/REV 4.0 6 3.7.1.2 Motivação 3.7.1.3 Remuneração 3.7.1.4 Avaliar desempenhos constantemente 3.7.1.5 Política comercial 3.7.1.6 Conhecimento do produto 3.7.1.7 Técnica de vendas 3.8 CONTRATANDO PROFISSIONAIS PREPARADOS PARA O MERCADO MÓDULO IV 4 DESENVOLVENDO A CAPACIDADE NEGOCIADORA 4.1 INTRODUÇÃO 4.2 TÉCNICAS DE NEGOCIAÇÃO 4.2.1 Conhecendo as partes da negociação 4.2.2.1 O que está sendo negociado 4.2.2.2 O momento de uma negociação 4.3 O PERFIL DE UM NEGOCIADOR DE SUCESSO 4.4 MARKETING E NEGOCIAÇÃO 4.5 MARKETING PERCEPTIVO 4.6 BOAS VENDAS E BONS RESULTADOS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AN02FREV001/REV 4.0 7 MÓDULO I FIGURA 1 - TÉCNICAS DE VENDAS FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1 CONHECENDO SEUS CLIENTES E SEUS NEGÓCIOS Para que possamos conhecer o negócio de uma forma mais profunda e objetiva, faz-se necessário o conhecimento dos aspectos históricos e comportamentais da área, bem como suas variáveis. Neste capítulo, estaremos dando foco ao estudo da história das vendas e dos elementos que influenciam nesse processo. AN02FREV001/REV 4.0 8 1.1 HISTÓRICO DAS VENDAS Podemos considerar que o comércio entre os povos – ou na forma de troca de mercadorias (escambo) ou envolvendo produtos considerados valiosos, como metais e pedras preciosas – se iniciaram ao mesmo tempo em que a formação da sociedade. No início, tinha como objetivo satisfazer a necessidade de sobrevivência e era totalmente baseado em uma relação de troca. Trocava-se uma pele curtida por dois porcos, etc. O que sobrava pelo que faltava. As trocas também se davam somente no nível familiar e não havia uma organização formal para sua efetivação. Com a formação das vilas e povoados foram aparecendo as feiras, esta sim, já uma forma mais formal de comércio, mas que ainda era personalizada pelos próprios produtores que iam trocar as mercadorias que produziam. Uma característica deste período é que não precisava de vendedores. Simples comerciantes ou até mesmo profissionais de outras áreas habitavam o palco das vendas como personagens que tinham o intuito de trocar, por dinheiro, aquilo que não achavam ser útil para seu usufruto. Com o aparecimento das chamadas “Grandes Civilizações” (egípcia, grega e romana), principalmente, surgiram cidades e toda a estrutura típica de uma grande metrópole, como lojas, armazéns, padarias, etc. Apareceram também necessidades mais sofisticadas, requeridas pelas classes dominantes em cada cultura, como os faraós, suas famílias e sacerdotes, os imperadores, senadores e senhores do poder: Toda uma classe de ricas famílias de políticos e figuras importantes. Iniciou-se então um forte intercâmbio de mercadorias entre as várias partes do velho mundo e a Ásia, especialmente o Egito. Todas as mercadorias eram transportadas por caravanas ou por povos navegadores, como os fenícios. Podemos considerar estes como os primeiros vendedores de fato, comprando e vendendo mercadorias de um lado para o outro. AN02FREV001/REV 4.0 9 Duas características importantes deste momento econômico: Interessante observar que estas duas características perduraram até o início do século XX, nos países desenvolvidos, como Estados Unidos e países europeus. No Brasil, podemos considerar que tínhamos esta situação de mercado até os anos 50, para a maior parte dos produtos manufaturados. 1.2 ERA DAS VENDAS NO BRASIL No último meio século, o Brasil viu e viveu grandes transformações. Não só nos seus limites territoriais, mas no mundo e com uma ressonância direta no âmbito econômico, político e social do País. Na própria década de 50, mais precisamente em 1956, ingressamos na era de Juscelino Kubitschek,que trouxe o audacioso plano de metas para o governo que pretendia fazer o Brasil crescer 50 anos em cinco. FIGURA 2 - REUNIÃO DE EXECUTIVOS FONTE: Arquivo pessoal do autor. A Produção era menor que a Demanda Havia pouca ou nenhuma Concorrência AN02FREV001/REV 4.0 10 Nesse mesmo ano, talvez imerso nesse ambiente de inovação, um grupo de executivos comandados por William James Pepper, um alto executivo da Johnson & Johnson, criou a Associação dos Diretores de Vendas do Brasil, a atual Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB). O objetivo era simples. O Brasil via sua indústria crescer, em especial a dos setores automotivos e eletroeletrônicos, e os conceitos de vendas eram ainda primitivos, os produtos eram lançados sem pesquisa prévia e ignoravam-se por completo as necessidades do consumidor. Na época, não existiam profissionais de marketing. Tudo era feito pelo departamento comercial, composto apenas por vendedores, em sua maioria lapidada pela vivência do dia a dia, sem ênfase em formações acadêmicas. E foi em 1957, quando o Brasil fechava o ano com uma inflação de 22,6% e a Ford instalava a primeira fábrica de caminhões em nossas terras, que a entidade passou a oferecer seus primeiros cursos destinados a vendedores. Vale lembrar que o Marketing era apenas um conceito citado nas aulas de Administração das grandes universidades e uma preocupação distante do nosso mercado. Os assuntos debatidos eram, desde a organização de uma convenção de vendas à definição do território de vendas, retenção de capitais por estabelecimentos bancários e treinamentos a vendedores. Nos anos 60, o Brasil e o mundo eram marcados por crises políticas, como a renúncia de Jânio Quadros à Presidência da República e o Golpe Militar, que colocou no poder o marechal Castelo Branco, além da construção do Muro de Berlim, que dividiu a Alemanha em duas – Ocidental e Oriental. Nessa década, a inflação chega à casa dos 80% ao ano, a nação passa a ter uma nova moeda – o cruzeiro novo. É também criado o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a caderneta de poupança, com juros de 6% ao ano. Já nos anos 70, o Censo Demográfico aponta, pela primeira vez no Brasil, que a população urbana ultrapassa a rural e forma-se um novo consumidor, que investe no controle da natalidade, ou seja, com famílias menores e mais planejadas. O mundo sofre com a segunda crise mundial do petróleo, desta vez ocasionada pela Revolução Islâmica no Irã, e o Brasil produz o primeiro carro movido a álcool, o Fiat 147. AN02FREV001/REV 4.0 11 FIGURA 3 - ÍNDICES FONTE: Arquivo do Portal Educação. Nesse cenário, o marketing toma força, as empresas, em especial as multinacionais, passam a ter profissionais específicos para cuidar dessa área. Os produtos precisam se adequar às mudanças, em especial as comportamentais, que iam desde a revolução feminina iniciada em 1960 até a Ditadura Militar. Um misto de repressão com liberdade. Para incentivar o desenvolvimento do segmento, a ADVB passa a levar seus treinamentos para dentro das empresas, com a criação dos cursos “in company” e a realização, em 1971, do Top de Marketing, um reconhecimento aos melhores projetos do setor. Sua promoção foi inspirada no Top Twenty, que a Sales and Marketing Executives International (SME-I) promovia a cada dois anos para perpetuar as histórias de sucesso em comercialização. Foram dez projetos homenageados. Após meio século, podemos dizer tranquilamente que agora, em pleno século XXI, somos uma democracia, que apesar das suas crises políticas, vive um momento de AN02FREV001/REV 4.0 12 estabilidade econômica. Não a ideal, mas em evolução. Acompanhamos os acontecimentos mundiais com a rapidez de segundos e as culturas se integram por meio da Internet. A Responsabilidade Social traz uma nova consciência, mais cidadã e ética, às empresas e à sociedade. Mas o resultado da evolução dos dois segmentos é bem visível quando analisamos quem são os profissionais que atuam hoje. Só para se ter uma ideia, as lideranças de vendas estão em uma faixa etária acima dos 40 anos, enquanto que na área de marketing, a média é jovem, entre 25 e 39 anos. Isso tudo porque os profissionais de marketing investem mais na formação acadêmica, como pós-graduação e MBA. Os dados foram levantados por uma pesquisa que a ADVB encomendou à Toledo & Associados neste ano. O marketing desmembrou e ampliou com a incorporação de novas áreas, além da propaganda e publicidade. Trabalha mais integrado à área de vendas e vê que o consumidor está mais exigente, procura por melhores preços e produtos diferenciados, como se fossem feitos especialmente para ele. Por incrível que pareça, neste cenário ficou mais fácil falar de vendas, ficou mais fácil falar de marketing. Na verdade, é muito mais gratificante para uma associação ligada a esses segmentos chegar aos 50 anos. AN02FREV001/REV 4.0 13 1.3 HISTÓRICO DO MARKETING FIGURA 4 - APERTO DE MÃOS FONTE: Arquivo pessoal do autor. Apesar de encontrarmos suas raízes ao longo da história da humanidade, na própria gênese do comércio o marketing é um campo de estudo novo se comparado com os demais campos do saber. O estudo do mercado surgiu da necessidade dos industriais de administrar a nova realidade, oriunda da Revolução Industrial, que causou uma transformação de um mercado de vendedores para um mercado de compradores. Nesse estágio, o marketing ainda é inseparável da economia e da administração clássicas, pois inicialmente sua preocupação era puramente de logística e produtividade, para a maximização dos lucros. Os consumidores não tinham qualquer poder de barganha e a concorrência era praticamente inexistente. Tal realidade manteve-se inalterada até fins da Segunda Guerra Mundial, quando então, reagindo ao crescimento da concorrência, mercadólogos começaram a teorizar sobre como atrair e lidar com seus consumidores. Surgiu então a cultura de vender a qualquer preço. P. T. Barnum, autor de “The Science of Getting Rich” e “The Art of Money Getting”, foi um ícone deste período, cheio AN02FREV001/REV 4.0 14 de truques que faziam da arte de vender quase um espetáculo de charlatanice e que faz com que até hoje os profissionais do mercado sejam vistos com desconfiança. Outros autores da época são W. D. Scott, autor de “The Psychology of Advertising”, e H. L Hollingworth, que escreveu “Advertising and Selling”. As técnicas existentes baseavam-se mais na intuição do que na prática. Eram técnicas ingênuas e/ou maliciosas que estavam misturadas a ferramentas eficientes. Lenda e fato se misturavam, mas o mercado não dava muito ouvido à academia. 1.3.1 Precursores Nos anos 40, Robert Bartels, da Ohio State University, defendeu sua tese de doutorado sobre a teoria do marketing, mas até então, raros eram os princípios do Marketing estabelecidos, com exceção de trabalhos como o de Walter Scott, sobre a aplicação da psicologia na propaganda e o de William J. Reilly sobre as leis de gravitação do varejo. A questão crucial era se as teorias de mercado podiam ou não se desenvolver. Autores como Roland Vaile e outros afirmavam que nunca seria possível desenvolver uma teoria mercadológica genuína, pois consideravam esta extremamente subjetiva, quase uma forma de arte. Por outro lado, Bartels e outros começavam a admitir que existia uma potencialidade para a teoria mercadológica se tornar uma ciência. Em 1954, pelas mãos de Peter Drucker, ao lançar seu livro “A Prática da Administração”, o marketing é colocado como uma força poderosa a ser considerada pelos administradores. Questões propostas 1. Como se iniciaram as vendas? 2. Em sua opinião, quais os momentos marcantesdo histórico das vendas? 3. Qual a relação dos processos de vendas do passado com o atual momento? AN02FREV001/REV 4.0 15 1.4 FILOSOFIAS DE ADMINISTRAÇÃO DE MARKETING FIGURA 5 - SETA INDICANDO ESTRATÉGIA FONTE: Arquivo do Portal Educação. Na maior parte das empresas, o marketing ocupava, há 50 anos, apenas um lugar modesto no organograma; o de um serviço comercial, composto por alguns vendedores e empregados e, muitas vezes, estava subordinado ao diretor de produção ou diretor administrativo. Mas aos poucos essa função foi-se alargando progressivamente e colocada no mesmo plano das outras direções de produção, financeira e de recursos humanos. Atualmente, pode-se ver a mesma empresa praticando diferentes filosofias de marketing ao redor do mundo e ver empresas usando filosofias diferentes do marketing em um mesmo mercado: orientação para produção, produto, venda, cliente e sociedade, podendo-se identificar na evolução do marketing as seguintes filosofias para sua administração: a) orientação para produção: A grande questão, para as empresas, era produzir e não vender. O papel do marketing é, essencialmente, entregar produtos em locais onde possam ser comprados; AN02FREV001/REV 4.0 16 b) orientação para produto: Considera que os consumidores preferem os produtos de melhor qualidade, desempenho e aspectos inovadores. Portanto, as organizações deveriam esforçar-se para aprimorar seus produtos permanentemente; c) orientação para vendas: A orientação para venda significa que o propósito da empresa é vender o que fabrica e não vender o que o mercado (o cliente) deseja, ou seja, a preocupação com o curto prazo, não se interessando se o cliente ficou ou não satisfeito; d) orientação para o cliente: A função principal da empresa não é mais produzir e vender, mas satisfazer a clientela, consultando-a antes de produzir qualquer coisa, via estudos de mercado e com base nessa consulta, caso seja favorável, oferecer-lhe produtos/serviços/ideias de qualidade e valor, para que os consumidores voltem a comprar e a falar bem da empresa e de seus produtos; e) orientação para o Marketing Socialmente Responsável ou Marketing Societal: Sustenta que a organização deve determinar as necessidades, desejos e interesses do mercado-alvo e então proporcionar aos clientes um valor superior de forma a manter ou melhorar o bem-estar do cliente e da sociedade. f) orientação para o Marketing Holístico: Nesta abordagem, a empresa deve tentar compreender e administrar toda a complexidade envolvida na gestão de marketing de uma empresa. AN02FREV001/REV 4.0 17 FIGURA 6 - IMAGEM DE PETER DRUCKER FONTE: Arquivo do Portal Educação. Os primeiros passos para a difusão do Marketing foram dados por Peter Ducker, ainda que implicitamente, em 1954, com o lançamento do livro “A Prática da Administração”. Não se tratava propriamente de um estudo detalhado sobre Marketing, mas foi o primeiro registro escrito que cita esta ferramenta como uma força poderosa a ser considerada por administradores focados no mercado. A primeira grande mudança neste cenário veio em 1960 por Theodore Levitt, mais tarde intitulado o pai do marketing. Professor da Harvard Business School, seu artigo na revista Harvard Business Review intitulado “Miopia de Marketing”, revelou uma série de erros de percepções, mostrou a importância da satisfação dos clientes e transformou para sempre o mundo dos negócios. O vender a qualquer custo deu lugar à satisfação garantida. Não é à toa que se assistiu logo após este período um renascimento das marcas como Coca-Cola, Sears, Marlboro, etc. O mundo do marketing começou a borbulhar, artigos científicos foram escritos, pesquisas feitas e dados estatisticamente relevantes traçados. Separaram-se as estratégias eficientes dos achismos e viu-se a necessidade de um estudo sério do mercado. Este conhecimento adquirido ficou espalhado, difuso, muitas vezes restrito ao mundo acadêmico. Em 1967, Philip Kotler lança a primeira edição de seu livro “Administração de Marketing”, onde se pôs a reunir, revisar, testar e consolidar as bases daquilo que até hoje forma o cânone do marketing. AN02FREV001/REV 4.0 18 FIGURA 7 - REUNIÃO DE DEPARTAMENTOS FONTE: Arquivo do Portal Educação. Nos anos 70 destacou-se o fato de surgirem departamentos e diretorias de marketing em todas as grandes empresas. Não se tratava mais de uma boa ideia, mas de uma necessidade de sobrevivência no mercado. São nesta época que crescem de forma assustadora, os supermercados, shoppings centers e franchising. De fato, a contribuição do marketing é tão perceptível no meio empresarial que passa rapidamente a ser adotada em outros setores da nossa sociedade. O governo, organizações civis, entidades religiosas e partidos políticos passaram a valer-se das estratégias de marketing, adaptando-as às suas realidades e necessidades. Em 1982, o livro “Em Busca da Excelência”, de Tom Peters e Bob Waterman, inaugurou a era dos gurus de marketing. Em um golpe de sorte editorial, produziram o livro de marketing mais vendido de todos os tempos, ao focarem completamente sua atenção para o cliente. O fenômeno dos gurus levou o marketing às massas e, portanto, às pequenas e médias empresas, e a todo o tipo de profissional. Talvez por isso, e também por uma necessidade mercadológica, o marketing passou a ser uma preocupação direta da alta direção de todas as grandes companhias, não estando mais restrita a uma diretoria ou departamento. AN02FREV001/REV 4.0 19 O fenômeno dos gurus, entretanto, é responsável pelo posterior descuido com o rigor da investigação científica e uma tendência a modismos. Nesta época floresceram diversos autores que logo caíram no anonimato e outros como Al Ries por definir o conceito de posicionamento, Jay Conrad Levinson por conceituar o marketing de guerrilha e Masaaki Imai, pai do Kaizen, que ganharam reconhecimento no mundo dos negócios e reputação por suas ideias e abordagens originais. FIGURA 8 - AVANÇO TECNOLÓGICO FONTE: Arquivo do Portal Educação. Assim como fez em muitos outros setores, o avanço tecnológico dos anos 90 teve um forte impacto no mundo do marketing. O comércio eletrônico foi uma revolução na logística, distribuição e formas de pagamento. O Customer Relationship Management (CRM) e os serviços de atendimento ao consumidor, entre outras inovações, tornaram possível uma gestão de relacionamento com os clientes em larga escala. E como se isso não fosse o suficiente, a Internet chegou como uma nova via de comunicação. AN02FREV001/REV 4.0 20 É a época do maximarketing de Stan Rapp, do marketing 1 to 1, da Peppers & Rogers Group, do aftermarketing de Terry G. Vavra e do marketing direto de Bob Stone, ou seja, caracterizou-se por uma constante busca pela personalização em massa. FIGURA 9 - MARKETING SOCIETAL FONTE: Disponível em: <http://goo.gl/7miFW>. Acesso em: 7 maio 2013. Outra tendência do período foi o fortalecimento do conceito de marketing societal no qual se tornou uma exigência de mercado haver uma preocupação com o bem-estar da sociedade. A satisfação do consumidor e a opinião pública passaram a estar diretamente ligadas à participação das organizações em causas sociais, e a responsabilidade social transformou-se em uma vantagem competitiva. A virada do milênio assistiu a segmentação da televisão a cabo, a popularidade da telefonia celular e a democratização dos meios de comunicação, especialmente através da Internet. AN02FREV001/REV 4.0 21 FIGURA 10 - A WWW INFLUENCIANDO OS CONSUMIDORES FONTE: Arquivo do Portal Educação. A World Wide Web já estava madura o suficiente e, nos primeiros anos destadécada, surgiu uma infinidade de pesquisas e publicações sobre webmarketing e comércio eletrônico. Mas, mais do que isso, agora o cliente não tinha apenas poder de barganha, tinha também poder de informação. Era de se esperar que isso influenciasse a maneira com a qual os consumidores interagiam com as empresas e entre si. A mídia espontânea, conseguida por esforços de Assessoria de Imprensa, Relações Públicas e Marketing Social, começam a tomar o espaço da propaganda tradicional. Questões para reflexão 1. Qual a importância das estratégias de marketing para a sociedade pós-moderna? 2. De que forma os gurus do marketing contribuíram para o desenvolvimento empresarial? 3. Qual a importância das estratégias de marketing para o Processo de Vendas? AN02FREV001/REV 4.0 22 1.5 O PROFISSIONAL DA ÁREA DE VENDAS FIGURA 11 - PROFISSIONAL DA ÁREA DE VENDAS FONTE: Arquivo do Portal Educação. Com o desenvolvimento do mercado e as constantes transformações políticas, econômicas e sociais, faz-se necessário um novo modelo de profissional para atuar no mercado e manter viva sua empregabilidade. Chamamos de empregabilidade a capacidade que um profissional deve desenvolver para se adaptar às novas exigências do mercado, mantendo-se produtivo e prezando pela qualidade de suas tarefas. No segmento das vendas, muitas peculiaridades chamam atenção e caracterizam o mercado. Veja a seguir algumas das principais características do mercado: O mercado é extremamente dinâmico e passa por constantes mutações; Vendedores, representantes e consultores habitam um mesmo ambiente e adotam filosofias específicas de trabalho; Os empregos estão escassos; AN02FREV001/REV 4.0 23 Os campos de trabalho são abundantes; Muita oferta de trabalho; Grande rotatividade de pessoas; Os serviços representam um grande diferencial da maioria das empresas que se destacam. Entre muitas outras características, é nessa área disputada e extremamente promissora que você está se qualificando para atuar. É preciso muita observação e capacidade de adaptar-se à realidade do mercado. Veja agora algumas características do novo profissional de vendas: FIGURA 12 - FECHANDO UM NEGÓCIO FONTE: Arquivo do Portal Educação. Comunicativo; Perceptivo; Motivado; Educado ; Dinâmico; Persuasivo; Interessado em novas aprendizagens; Compromissado; Conhecedor do produto que vende; Atento a seu público-alvo; AN02FREV001/REV 4.0 24 Atualizado com o mercado. Todas as características anteriormente citadas são de extrema importância para um profissional de vendas, porém, três delas merecem destaque. Atualmente esse profissional precisa ser conhecedor dos produtos que vende, atento a seu público-alvo e atualizado com o mercado. FIGURA 13 - QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.6 CONHECIMENTO DO PRODUTO QUE VENDE Naturalmente, nenhuma pessoa conseguiria vender um produto ou serviço que não conheça, ou que não tenha nenhuma familiaridade, concorda? Vendedores precisam ser profundos conhecedores de suas ofertas e, mais que isso, qualificar seus clientes, tornando-os conhecedores de seus bens e serviços. A qualificação técnica sobre produtos faz-se necessária e, desta forma, as organizações ofertam treinamentos e cursos de aperfeiçoamento profissional, visando promover o conhecimento de seus colaboradores e dando a estes subsídios técnicos para realizarem o processo de vendas com sucesso. AN02FREV001/REV 4.0 25 Os subsídios técnicos variam de acordo com o segmento de mercado no qual o profissional irá atuar, mas existem três ferramentas do processo de venda que são comuns aos mais variados segmentos de atuação, são elas: Características; Vantagens; Benefícios. Chamamos de características todo o conjunto de elementos que compõem bens ou serviço. Ou seja, as características de um carro são formadas pelo tipo de motor, acessórios inclusos (ar condicionado, vidros e travas elétricas), cores, tipo de pintura, entre outros. Vantagens de um produto são todos os elementos ofertados aos clientes no momento da compra. Ou seja, na hora de adquirir um bem ou serviço, as empresas ofertam facilidades, bônus, brindes, descontos, compras parceladas, etc. E os benefícios: podemos dizer que é todo um conjunto de estímulos e situações geradas pelo produto ao cliente. É a satisfação, o bem-estar, reconhecimento, o status, entre muitos outros. ATENÇÃO Dentre os três elementos acima citados, destacamos os benefícios como ferramentas imprescindíveis para vendas. No mundo atual, as pessoas deixaram de buscar bens e serviços e passaram a procurar benefícios, como: segurança, satisfação, felicidade, entre muitos outros. AN02FREV001/REV 4.0 26 1.7 CONHECIMENTO DO PÚBLICO-ALVO FIGURA 14 - HOMEM CORDIAL FONTE: Arquivo do Portal Educação. Conhecer o público-alvo também é fundamental para o sucesso do processo de vendas. Definir bem seu perfil, suas características, desejos e necessidades são técnicas muito utilizadas pelas empresas que desejam comercializar o produto certo para as pessoas certas. Algumas ações são desenvolvidas pelas empresas na tentativa de preparar as pessoas para conhecerem seu target e dar um maior direcionamento a suas atividades. Antes de tudo, faz-se necessário o conhecimento do ambiente interno da organização. Clientes internos e colaboradores de uma mesma organização devem manter entre si um clima cordial e harmonioso que transmita um bom relacionamento e a integração de todos é fundamental para o sucesso. AN02FREV001/REV 4.0 27 A qualidade do trabalho e as relações humanas do ambiente interno são peças fundamentais para que as equipes tenham êxito em suas atividades e consigam conquistar o mercado consumidor. Aliás, esse é o nosso principal objetivo, conquistar clientes e desenvolver com estes um relacionamento duradouro e lucrativo, permitindo ter um conhecimento completo de desejos e necessidades de cada tipo de cliente. Na tentativa de conhecer cada vez melhor os clientes e consumidores, as empresas buscam algumas ações: Investimentos na qualidade do atendimento a clientes; Criação de um banco de dados de clientes; Campanhas e bônus para incentivar as compras; Ações de pós-venda; Marketing de relacionamento; Eventos de confraternização e integralização, etc. Todas as ações são focadas nos seguintes objetivos: Promover a integração entre a empresa e seus consumidores; Desenvolver um relacionamento cordial e harmonioso com clientes e parceiros; Estudar o comportamento dos clientes; Identificar pontos de aceitação ou rejeição de produtos e serviços; Promover novas ofertas; Cativar pessoas; Formar uma rede de clientes que permita a criação de parcerias e de apoio às ações comerciais da empresa. O vendedor moderno deve estar sempre atento às ações, na busca por informações relevantes de seus clientes, e ter a atitude de criar e desenvolver com estes uma amizade, com limites profissionais, a fim de estabelecer contatos que o permitam realizar suas atividades com maior eficácia. AN02FREV001/REV 4.0 28 1.7.1 Atualização com o mercado FIGURA 15 - MUNDO GLOBALIZADO FONTE: Arquivo do Portal Educação. No mundo globalizado e fortemente competitivo, a atualização profissional é uma arma, que diferencia profissionais e os aproxima do resultado esperado. Buscar constantemente uma formação a cada dia mais sólida é a rotina de muitas pessoas no atual mercado. Ter um curso superior e uma especialização deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisitode competitividade. No atual mercado, além da graduação, ou mesmo de uma pós-graduação, os cursos complementares, e de aperfeiçoamento profissional (podemos incluir para algumas áreas os mestrados e doutorados) são fundamentais e agregam atualização ao profissional do terceiro milênio. No setor de vendas as mudanças são promovidas de uma forma muito rápida e, para acompanhar tais acontecimentos, faz-se necessário um programa de aperfeiçoamento contínuo, que agregue qualificação técnica e prática às atividades a serem realizadas. Na era da globalização, onde os veículos de comunicação estão em plena expansão, a atualização do profissional ao mercado não é uma tarefa muito difícil, tendo em vista o grande acervo de informações que os veículos de comunicação promovem na sociedade. AN02FREV001/REV 4.0 29 Veja abaixo alguns dos meios em que o profissional pode adquirir conhecimentos e atualização: Internet; Jornais e revistas específicas (do segmento); Pesquisas e ações mercadológicas; Livros e artigos acadêmicos; Universidades e escolas profissionalizantes (cursos, palestras e workshops); Network (rede de contatos). 1.8 PLANEJAMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL FIGURA 16 - HOMEM DE SUCESSO FONTE: Arquivo do Portal Educação. Pessoas andam nos mais diversos caminhos e trajetórias durante toda sua vida na busca por sucesso profissional e pessoal. Isso, muitas vezes, pode causar satisfação ou constrangimento, dependendo de suas expectativas. Precisamos AN02FREV001/REV 4.0 30 escolher caminhos a serem seguidos que nos tragam desenvolvimento profissional, que é fundamental para a manutenção e ampliação do diferencial competitivo nas organizações modernas. O cenário atual mostra que o constante desenvolvimento tecnológico leva a sociedade a uma complexidade nas suas relações pessoais e profissionais; e as pessoas precisam estar preparadas para estas mudanças. Isso se dá nas organizações, que estão cada vez mais pressionadas pelas pessoas com as quais mantêm suas relações de trabalho, para que invistam no desenvolvimento humano. Dentro deste contexto, buscam contínuo desenvolvimento para manterem suas vantagens competitivas. O resultado desta busca contínua torna-se um desafio em um ambiente tão volátil no qual se vive hoje. Para enfrentar esse desafio, é preciso encontrar referenciais estáveis para balizar o desenvolvimento pessoal, a fim de trazer segurança quanto a sua inserção no mercado de trabalho. FIGURA 17 - CAMINHANDO RUMO AOS OBJETIVOS FONTE: Arquivo do Portal Educação. O ato de planejar induz, propicia e facilita a reflexão, promovendo o conhecimento e o autoconhecimento fundamentais para o desenvolvimento de atividades em qualquer ramo do conhecimento humano. AN02FREV001/REV 4.0 31 Quando nos perguntamos se estamos caminhando para onde queremos, se fazemos o necessário para atingir nossos objetivos, estamos começando a debater o problema do planejamento. A grande questão consiste em saber se somos arrastados pelo ritmo dos acontecimentos do dia a dia, como a força da correnteza de um rio, ou se sabemos aonde chegar e concentramos nossas forças em uma direção definida. O planejamento visto estrategicamente não é outra coisa senão a ciência e a arte de construir maior governabilidade aos nossos destinos, enquanto pessoas, organizações ou países. Observa-se que quando se fala sobre planejamento de carreira deixa-se transparecer as possibilidades de desenvolvimento profissional e aponta-se com certa precisão o horizonte profissional, ou seja, aonde chegar. No começo de suas carreiras, a maioria das pessoas vê à sua frente um caminho tortuoso, com várias alternativas e cheio de incertezas, às vezes causando desilusão no seu planejamento. Mas a sua carreira deve ser pensada como uma estrada que está sempre sendo construída, o caos que terá de ser ordenado e, ao olhar para trás, pode-se contemplar o cenário de uma autoestrada já construída. As próprias pessoas, estimuladas pelas mudanças dos cenários e a necessidade de qualificação, gerenciam sua carreira. Elas precisam se conhecer, ter consciência de seu projeto profissional, reconhecer as oportunidades e exigências do mercado de trabalho. Assim como o planejamento é a reflexão sobre as ações que se pretende realizar para alcançar os objetivos. A gestão é a administração destas ações em nosso cronograma, no tempo e na rotina diária. A gerência do planejamento o mantém constantemente atualizado e em sintonia com as mudanças de nossa realidade, conferindo-lhe maturidade e longevidade. AN02FREV001/REV 4.0 32 FIGURA 18 - HARMONIA ENTRE PROFISSIONAIS FONTE: Arquivo do Portal Educação. Ao observar os profissionais de muitas áreas, imaginamos que uma carreira envolve trabalhar em uma determinada organização na qual o indivíduo tem a tendência de subir de cargo/posição adquirindo mais influência e maiores salários até chegar ao ápice dela, cujo objetivo final será o de comandar, gerenciar ou até mesmo presidir a organização. Tudo isso de uma forma bem definida e cronológica. Mas observa-se que algumas pessoas escolhem vários caminhos para atingir sua ascensão. Nas carreiras, as perspectivas estão ligadas ao modo como as capacidades, os interesses e os desejos dos indivíduos influenciam os padrões de suas escolhas. AN02FREV001/REV 4.0 33 Na realização das atividades, são quatro padrões pelos quais as pessoas percebem suas carreiras, veja abaixo: Carreira linear: o indivíduo escolhe um campo no início da vida, desenvolve um plano para ascender e o executa; Carreira estável: a pessoa também escolhe um campo no início da vida e permanece nele. Embora tenha oportunidade de ascensão, não se preocupa em subir na hierarquia organizacional. Este indivíduo é motivado pela necessidade de segurança; Carreira espiral: por um lado são motivados pelo desejo de crescimento pessoal, dedicam-se arduamente e com bom desempenho, depois passam para outro totalmente novo, que ofereça novos desafios e oportunidade de crescimento; Carreira transitória: mudam de um trabalho para outro sem qualquer padrão especial, sem jamais escolher um campo em particular, apenas ocasional ou temporário. AN02FREV001/REV 4.0 34 FIGURA 19 - MOTIVAÇÃO PROFISSIONAL FONTE: Arquivo do Portal Educação. Para Shein (1985 apud MILKOVICH & BOUDREAU, 2002), é possível acrescentar cinco fatores da motivação na carreira, que são: a competência técnica/funcional, competência gerencial, segurança, criatividade e autonomia. Percebe- se em muitas pessoas, até mesmo de forma natural, certa resistência ao planejamento de carreira, pois encaram o sucesso profissional como algo que se ganha, que é dado por alguém, isso porque não tiveram nenhum estímulo ao longo de suas vidas para este fim. O seu foco apenas se concentra nas pressões externas – como remuneração, status e prestígio –, e se esquecem de suas preferências pessoais. A resistência ao planejamento pode estar com seus dias contados e pode sofrer modificações em função de mudanças na postura e no comportamento AN02FREV001/REV 4.0 35 exigidos pelas corporações e pelas pressões sociais e econômicas. Estas pressões têm estimulado muitas pessoas a planejarem suas carreiras para que se tornem empreendedoras. O projeto profissional minimiza riscos, porque pressupõe um olhar para a sua carreira, tendo como balizador a referência a si própria para desenvolver seu projeto, dando prioridade aos seus pontos fortes e àquilo que gosta de fazer. Observações É com base nisso que devem ser desenvolvidos os objetivos de carreira e o plano de ação,para consecução desses objetivos. Com base nesta correlação será possível identificar as oportunidades de carreira. A implementação é a obtenção da capacitação e acesso às experiências profissionais necessárias para competir pelas oportunidades e para atingir as metas de carreira. A implementação é a obtenção da capacitação e acesso às experiências profissionais necessárias para competir pelas oportunidades e para atingir as metas de carreira. Para Ruiz (2007), tem sido cada vez mais necessário que o profissional trabalhe e desenvolva sua carreira em função de seus objetivos, sejam eles profissionais ou pessoais. Para tanto, é necessário estabelecer um planejamento profissional que possibilite atingir suas metas e, ao mesmo tempo, reavaliar sua atuação de forma constante. Para que possamos ter um mapa claro de carreira, faz-se necessário que o profissional siga alguns passos, veja a seguir: Dutra (2002 apud LONDON & STUMPF, 1982) afirma que as pessoas podem conduzir seu planejamento de carreira de várias formas, mas duas preocupações são essenciais: formar uma visão realista, clara e apurada de suas qualidades, interesses e inclinações pessoais; e estabelecer objetivos de carreira e preferências profissionais. Como ponto de partida a autoavaliação, o autoconhecimento. AN02FREV001/REV 4.0 36 Estabelecer objetivos: quais são seus objetivos pessoais e profissionais, em curto, médio e longo prazos. Esses objetivos devem ter, também, uma forma de medição, para que se possa avaliar, ao final de cada período, se atingiu ou não seu objetivo. E é muito importante que separe o que são objetivos pessoais e o que são objetivos profissionais; Planejar a carreira: após definir os objetivos, deve-se definir quais os passos necessários para atingi-los e em quanto tempo cada passo deverá ser executado; Executar o plano: não deixar o plano no papel. Não espere para iniciar, pense sempre que a hora é agora; Dinheiro e satisfação: quando falamos em objetivos, muitas pessoas pensam logo em quanto dinheiro desejam. Em seu planejamento, deve unir a questão financeira às questões de ordem pessoal para a satisfação do trabalho; Reavaliação constante: de tempos em tempos, refletir sobre quais passos já deu, o que ainda está faltando e quanto ainda falta para atingir seu objetivo. Isso é essencial, pois somente assim será possível ter um quadro claro de seu andamento pessoal e profissional; Checkpoints: ao final de cada ano, fazer uma análise sincera de tudo que realizou, no âmbito profissional e pessoal. Se for necessário, deve rever seus objetivos. Alterações no seu plano podem ser necessárias, pois o planejamento não é isento de erros. AN02FREV001/REV 4.0 37 O mais importante é que o indivíduo, ao executar seu planejamento, passe a ter uma visão clara de como anda sua carreira. Na grande maioria das vezes, as pessoas tendem a se deixar levar pelos acontecimentos e esquecem seus objetivos. Para se justificar, dizem que nada saiu como planejado. Na realidade, se nada sair como planejado, é um sinal de que é preciso repensar sua carreira e o modo como está cuidando de seu crescimento profissional e pessoal. Em todo processo seletivo o que está sendo “comprado” pela empresa é a competência do profissional, que pode ser expressa pela fórmula: COMPETÊNCIA = CONHECIMENTO + HABILIDADE + ATITUDE. Competência: de acordo com dicionário Aurélio versão eletrônica, é a qualidade de quem é capaz de apreciar e resolver certo assunto, fazer determinada coisa; capacidade, habilidade, aptidão, idoneidade. Conhecimento: entende-se por conhecimento a formação acadêmica, participação em cursos, seminários, congressos e também o conhecimento adquirido através da prática profissional. Habilidade: refere-se às características pessoais internas que facilitam exercer determinada atividade. Atitude: é que define a aplicabilidade dos outros dois fatores (conhecimento e habilidade), pois de nada adianta enorme quantidade de conhecimentos se o profissional não os coloca à disposição da empresa em busca de resultados. AN02FREV001/REV 4.0 38 FIGURA 20 - METAS E SUCESSO FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.8.1 Metas e sucesso Alcançar metas e obter sucesso no trabalho é o grande desafio dos profissionais no trabalho e dia a dia um novo desafio é incorporado. A capacidade para assumir desafios é uma atitude importante para o profissional de vendas e deve ser desenvolvida juntamente com o conjunto de qualificações técnicas de colaborador em seu trabalho. Para muitos, o termo META, chega a assustar. Para outros a meta não passa de um resultado a ser alcançado no futuro e devemos desenvolver caminhos, bem planejados, e canalizar esforços para alcançar tal resultado e usufruir dos muitos benefícios que este irá nos trazer. Antes de conceituarmos metas e objetivos, vamos falar dos sonhos. Quem nunca sonhou? Quem sonha todos os dias? O ser humano é movido por sentimentos, principalmente por estímulos emocionais, e nossos sonhos representam uma realização que muito quero alcançar. Então vamos lá, o ponto de partida é o Sonho. Você com certeza sonha com algo, tem planos futuros, tanto para sua vida como para sua profissão. Uma dica: retire esse sonho do departamento de AN02FREV001/REV 4.0 39 algum dia. Isso mesmo, do departamento que guardamos em nosso cérebro, dizendo que em algum dia iremos realizar aquilo que tanto idealizamos. O sonho deixa de ser sonho e se transforma em uma meta quando o retiramos desse departamento (“Algum Dia”). O incorporamos realmente como algo que queremos alcançar e iremos definir caminhos que facilitam a realização do sonho. A esses caminhos damos o nome de estratégias. Veja abaixo algumas definições: Um elemento chamado disciplina é fundamental para a concretização de sonhos, ou mesmo para a realização de metas no trabalho. Ter disciplina é seguir normas, respeitar procedimentos idealizados, sem perder o foco no resultado final. Sonho: é algo involuntário. Um sentimento espontâneo que nos leva a outra realidade (positiva ou negativa) e que nos faz refletir sobre tal; Metas: são resultados que de forma planejada definimos para alcançar ao final de uma jornada (médio e longo prazos); Objetivos: são resultados em curto prazo, que precisamos alcançar para conseguirmos chegar ao resultado final, a meta; Estratégias: são caminhos, métodos ou processos que definimos para alcançarmos objetivos e metas; Plano de Ação: é algo mais complexo e bem elaborado, quando definimos onde queremos chegar e que atitudes precisamos tomar para realizar algo com eficiência e eficácia. Você já pensou em seus sonhos? Suas metas? Quais seus objetivos? Como deseja conquistá-los? AN02FREV001/REV 4.0 40 FIGURA 21 - HOMEM PERSISTENTE FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.8.2 Persista, persista até vencer Imediatamente após tomar a firme decisão de perseguir um determinado objetivo, não volte atrás em sua nova atitude. O universo é rápido e dinâmico e se quisermos estar em sintonia com as forças cósmicas criadoras devemos aprender a cultivar uma fé inabalável na realização dos nossos propósitos. Todas as grandes religiões ensinam isso. A ideologia cristã preconiza que devemos persistir até o fim. O final representa a realização de algo que iniciamos por intermédio de um projeto bem definido. As pessoas que alcançam objetivos são aquelas que, mesmo sabendo da possibilidade da derrota não a temem a ponto de estagnar ou retroceder diante do novo que desponta quando perseguimos um objetivo. Quem realiza sonhos são geralmente aqueles que têm medo de se comprometer,compreendendo que a vitória pertence àqueles que têm a coragem para correr os riscos e com capacidade e responsabilidade para assumir compromissos e lutar por seus objetivos. AN02FREV001/REV 4.0 41 FIGURA 22 - MOÇA COM PENSAMENTO POSITIVO FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.8.3 Mantenha os pensamentos positivos Você não tem total poder sobre o turbilhão de pensamentos que vão e vem. Pensamentos são consequências diretas de nossa interação com o meio em que vivemos e podem ser influenciados pelas pessoas, eventos e circunstâncias, gerando frequências caóticas que se nutrem de nossa energia e dispersam aleatoriamente pelo universo. Se, por outro lado, mantivermos certo controle sobre os nossos pensamentos, concentramos energias poderosas que emitem uma vibração, nos eleva ou nos prejudica, dependendo da natureza de sua origem. Não estamos falando aqui de um pensar metodológico e mecânico, sem uma base sólida e racional. Estamos nos referindo aos pensamentos acreditados, motivados e vividos. Estamos falando de sentimentos. O pensamento trivial convertido em um sentimento emocional profundo e perene pode ser comparado à energia que cria mundos. Pensamentos tornados hábitos por meio da força da emoção têm o poder de transformar a nossa vida. AN02FREV001/REV 4.0 42 FIGURA 23 - FOCO NO OBJETIVO FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.8.4 Concentre o foco de sua atenção no objetivo Ao elaborar uma meta, certifique-se de que a mesma esteja formulada em termos do que você quer e não no que você não quer. Ao se concentrar no que você não quer, você dispensa grande quantidade de energia nisso. E todas as energias que nos circunda (boas e más) são forças inertes até que nos sintonizamos a elas. Energias fluem para onde focamos a nossa atenção. Ao nos concentrarmos em algo com emoção, estamos convidando todas as energias relacionadas a isso para que entrem em nossa experiência. Assim funciona o processo criativo. Quando as pessoas pensam persistentemente no que querem evitar, quase sempre acabam produzindo mais disso em suas vidas, porque nisso concentram todas as suas energias. Pensar, falar e fazer o que você quer, tirando o foco daquilo a que você rejeita pode fazer uma enorme diferença. AN02FREV001/REV 4.0 43 FIGURA 24 - AUTOESTIMA FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.8.5 Cultive autoconfiança e autoestima Confiar em si mesmo, reconhecendo suas falhas e suas virtudes é uma alavanca poderosa que impulsiona todo o seu ser rumo àquilo que planejou com coerência e ponderação. A autoimagem que formamos ao longo de nossa vida, por meio de nosso desenvolvimento cognitivo, nos tornou aquilo que somos hoje. É pela lente imaginária de nossa concepção de mundo que nos vemos a nós mesmos e aos outros. Dependendo da maneira como construímos a matriz dessa lente interna é que enxergaremos a nós mesmos e aos outros. A autoconfiança é, sem dúvida, a melhor maneira de nos relacionarmos com as energias construtivas do universo. Elevar o nosso conceito pessoal ao nível de autoaceitação e autoconfiança é fator primordial para sermos felizes e realizados. AN02FREV001/REV 4.0 44 FIGURA 25 - AÇÃO POSITIVA FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.8.6 Tenha ações positivas Após formular um objetivo, planejá-lo e apresentá-lo ao Universo, espere confiantemente, sabendo que na dança cósmica das vibrações tudo o que emitimos retorna a seu tempo, multiplicado. Acredite que, aquilo que nasce a partir do mundo das ideias, segue seu caminho de gestação, em um processo criativo infalível. Ideias imotivadas são como sementes plantadas no grande jardim cósmico: germinam, crescem, florescem e produzem frutos a seu tempo. Agir positivamente significa cultivar permanentemente a esperança e a certeza da inexorabilidade das Leis Universais. Acreditar que as sementes positivas dos seus nobres ideais não perecerão se encontrarem um terreno fértil. Acredite: você é um semeador, o universo é o grande jardim e a colheita será apenas uma consequência do cultivo persistente, em um solo propício, adubado com esperança e fé. AN02FREV001/REV 4.0 45 FIGURA 26 - HOMEM POSITIVO FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.8.7 Acredite e aja positivamente Fé e ação são os elementos necessários no lento labor daquele que se dedica a semear sonhos e estabelecer metas. Esse verá seus verdadeiros objetivos plenamente realizados. FIGURA 27 - HOMEM PROCURANDO PROFISSIONALIZAR-SE FONTE: Arquivo do Portal Educação. AN02FREV001/REV 4.0 46 1.8.8 Procure o crescimento pessoal Estude coisas novas, analise novas ideias que surgem de diversas correntes de pensamento acerca da condição humana. Leia novos livros e não se prenda a uma ideologia hermeticamente fechada, abra-se para novas experiências, sem medo e sem culpa, reconhecendo que o Universo está em constante mutação e em um processo contínuo de expansão. Tudo aquilo que o prende a um estado de coisas corta o fluxo de crescimento perene do universo. FIGURA 28 - RITMO DO UNIVERSO FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.8.9 Mude para acompanhar o ritmo do universo Todos os dias, ao acordar, você tem a possibilidade de mudar seus padrões de pensamentos, crenças e hábitos ou permanecer como está. A escolha é sua, de ninguém mais. Decida trabalhar em harmonia com o Cosmos: decida pela mudança. Livre-se dos velhos hábitos e preconceitos arraigados em seu inconsciente e comece a eliminar uma a uma todas as barreiras ao crescimento e ao novo, impostas por você ou pelo mundo. AN02FREV001/REV 4.0 47 Há uma grande verdade que preconiza que, se nós conseguíssemos traçar uma reta absolutamente regular e seguíssemos por ela, acabaríamos no mesmo lugar de onde começamos porque a terra é redonda. Não viva em círculos que o levam e trazem sempre ao mesmo lugar. Siga novas trilhas, ancorado em seu conhecimento acumulado, e você será beneficiado sempre com novas paisagens, novas experiências. Só assim você poderá realmente assegurar o crescimento de seu ser, como um todo. De que adiantaria a um homem se ganhasse o mundo inteiro e em consequência perdesse a sua saúde, a paz interior e a alegria de viver? Muitas pessoas ficam tão obcecadas por suas ideias de sucesso, fama e fortuna que se esquecem de cuidar de si mesmas. Isso não é, de forma alguma, uma vitória. Trocar a saúde física, mental ou espiritual por dinheiro e fama é uma grande tolice a que muitos se submetem quase que inconscientemente e, quando percebem o erro, muitas vezes é tarde demais. As grandes dádivas do universo são realmente de graça. Quem pode comprar a saúde perdida ou a paz interior daquele que encontra o bem-estar cósmico dentro de si? Pense nisso Cuide bem desse templo corpóreo com o qual fora presenteado pelo Universo para viver a experiência maravilhosa da existência. É sua obrigação, diante do Cosmos, manter acesa a chama da vida, avivada pela alegria de estar vivo. Manifeste sentimentos de gratidão e viva de modo regrado, reverenciando o seu corpo físico que é, sem dúvida, materialização da vontade do Universo de se expressar, expandir-se e tomar consciência de si mesmo. AN02FREV001/REV 4.0 48 Trabalho prático 1 Em nosso trabalho de desenvolvimento prático, iremos desenvolver um minimapa de sua atual carreira. Veja a seguir alguns quadros, coloque neles suas experiências, qualidades e desejos profissionais e pessoais e os analise traçando um paralelo em três linhas: há tempos, atualmente e no futuro. Descreva abaixo suas qualidades pessoais Descreva suas experiências de trabalho AN02FREV001/REV 4.0 49 Relacione no quadro abaixo seus sonhosPara que possamos transformar sonhos em metas precisamos estabelecer prazos. Lembre-se disso!!! AN02FREV001/REV 4.0 50 Quais ações você está fazendo para transformar sonhos em metas? O que ainda pode ser realizado? Lembre-se: Estratégias são caminhos que precisamos traçar e percorrer para chegarmos aos objetivos e metas preestabelecidos. AN02FREV001/REV 4.0 51 FIGURA 29 - PROFISSIONAL DE VENDAS FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.9 A IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL DE VENDAS A profissão de vendas é uma das mais antigas do mundo. Desde a existência do homem estamos sempre vendendo algum bem ou serviço a alguém. Vender é tão ou mais importante do que produzir, inventar ou criar produtos e serviços. É uma profissão que envolve o domínio e a utilização de uma série de princípios. Há diversos estilos de vendas pessoais, alguns bastante consistentes em relação ao conceito de Marketing e outros que fogem totalmente desse conceito. Houve o tempo em que a profissão de vendedor exigia pouco em função da escassez de recursos, monopólios e ausência de formas eficientes de distribuição dos produtos que temos hoje. Este panorama acarretava o aparecimento de “paraquedistas”, pessoas que, por falta de opção, tentavam atuar como vendedores. Hoje é diferente, o mercado exige o “profissional”. O desenvolvimento pessoal e profissional, assim como a sobrevivência, depende da constante habilidade do vendedor de se motivar, informar e reciclar. Vendas é uma especialidade que exige grande capacidade de negociação, visão estratégica, ambição, formação e “amor” pelo trabalho. AN02FREV001/REV 4.0 52 Neste aspecto, o treinamento é fundamental para colaborar na capacitação do profissional de vendas através de troca de informações, experiências e ideias, na expectativa de um aprendizado mútuo e fornecendo subsídios pertinentes à postura adequada do vendedor, bem como técnicas utilizadas no ato da venda. Segue abaixo um conjunto de qualidades que formam um vendedor: Proatividade; Qualificação; Bom relacionamento interpessoal; Simpatia e cordialiade; Comunicação; Paciência; Ser persistente, nunca insistente; Buscar a produtividade e prezar pela qualidade; Desenvolver parcerias; Zelar pela autoestima; Promover informação; Realizar um bom atendimento a clientes; Buscar a realização de metas; Promover informação; Realizar um bom atendimento a clientes. A postura e a apresentação do vendedor vão pesar na decisão final do cliente. Não se deve invadir o espaço do consumidor, mas é importante mostrar serviço e estar sempre disposto a ajudar. Tratar o cliente pelo nome, saber o que ele quer e oferecer outras possibilidades de compra são pontos que devem ser observados. Uma pós-venda bem feita também é importante, pois pode assegurar uma futura compra. É preciso que ele conheça profundamente o produto/serviço que está sendo oferecido. Saber suas especificações, uso, aplicações e benefícios, assim como seus pontos fracos, é fundamental. Deve-se saber que preço nem sempre é tudo, alguém AN02FREV001/REV 4.0 53 sempre vai ter um preço melhor do que o seu, você deve usar de todo seu talento para encantar o cliente e, o mais importante: tem que ter carisma com o cliente. FIGURA 30 - BOM ATENDIMENTO FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.10 A IMPORTÂNCIA DE UM BOM ATENDIMENTO Atualmente, é fundamental prestar um bom atendimento aos clientes para se manter no mercado. É importante tanto para as empresas, como para os vendedores. Desta forma, chegamos à conclusão que conquistar e manter clientes não é fácil, é preciso muita dedicação, estudos e pesquisas dos clientes e dos potenciais clientes. É imprescindível salientar que um cliente satisfeito conta sobre a empresa e o produto para apenas duas pessoas, já o insatisfeito conta para cerca de dez. Segundo pesquisas realizadas pelas entidades ligadas ao comércio, em todo o Brasil, 68% dos clientes não voltam a comprar determinado produto ou usufruir AN02FREV001/REV 4.0 54 determinado serviço por conta da péssima qualidade do atendimento. Vejam, 68% é um número absurdo e deve ser combatido pelos bons vendedores. Esse número não pode ser algo aceitável. Os vendedores não devem ser vendedores por acaso. Eles devem ver a venda como missão e devem levá-la muito a sério. Trabalhar com vendas não é brincadeira. Não podemos ser amadores nos dias de hoje, pois esses estão com os dias contados. Existem quatro princípios básicos para ser um vendedor de sucesso, são eles: gostar de gente; sentir-se feliz em criar relacionamentos; ser criativo; e trabalhar duro. Se você tem esses quatro princípios, 50% do seu sucesso como vendedor está garantido. O resto é apenas fazer a “lição de casa” corretamente. Para isso, é preciso investir em estudo, treinamento, leitura e conversas com vendedores mais experientes. O vendedor de sucesso nunca pensa que já sabe tudo. Todos os dias, em todas as conversas, ele pode aprender algo novo, ou ratificar os conhecimentos já adquiridos. Vendedor bom é vendedor que aprende sempre! Portanto, os vendedores do novo século são pessoas visionárias, que buscam superar as expectativas dos seus clientes e prestam um serviço decente, sem pensar única e exclusivamente nas comissões do final do mês. Ser vendedor é ser um servidor. E como já dizia Martin Luther King: “Quem não vive para servir, não serve para viver.” AN02FREV001/REV 4.0 55 FIGURA 31 - PRÓPRIO NEGÓCIO FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.11 EMPREENDEDORISMO – CONHECENDO E DESENVOLVENDO SEU PRÓPRIO NEGÓCIO Atualmente, o cenário sofreu muitas alterações; e para sermos competitivos precisamos agregar às nossas carreiras as técnicas de empreendedorismo e gestão de negócios. A existência de pessoas empreendedoras é o requisito básico para o surgimento de qualquer ramo de iniciativa empresarial. Todas as relações humanas surgem pela motivação de pessoas com espírito empreendedor. A criação de novas empresas, a introdução de inovações nas empresas já existentes e mesmo a dinamização de uma instituição depende da forma empreendedora das pessoas. AN02FREV001/REV 4.0 56 Os estudos revelam que as regiões que mais se desenvolveram são aquelas onde se concentram uma maior quantidade de empreendedores. O potencial e as habilidades empreendedoras estão latentes em algumas pessoas que manifestam interesse em empreender, quer seja através da criação de uma nova empresa própria, ou mesmo empreendendo inovações e novos negócios para as empresas em que trabalham. A contribuição ao desenvolvimento econômico e social é dada pelos empreendedores na medida em que criam empregos, geram impostos, fortalecem a concorrência, inovam e produzem riquezas. Por isso são chamados de agentes de desenvolvimento e de mudança. O empreendedor deve estar motivado pela autorrealização, desejo de assumir responsabilidades, independência e novos desafios. O empreendedor considera irresistível ter esta postura pessoal, estando sempre buscando novas ideias, seguidas sempre da ação. As realizações em sua totalidade constroem a ação empreendedora para as pessoas com capacidade de agir, de tomar decisões para que seus sonhos, visões e projetos transformem-se em realidade, utilizam-se da própria capacidade de combinar recursos produtivos – capitais, matéria-prima e Empreendedor é o termo utilizado para qualificar, ou especificar, principalmente, aquele indivíduo que detém uma forma especial, inovadora, de se dedicar às atividades de organização, administração, execução; principalmente na geração de riquezas, na transformação de conhecimentos e bens em novos produtos – mercadorias ou serviços;gerando um novo método com o seu próprio conhecimento. É o profissional inovador que modifica, com sua forma de agir, qualquer área do conhecimento humano. Também é utilizado – no cenário econômico – para designar o fundador de uma empresa ou entidade, aquele que construiu tudo a duras custas, criando o que ainda não existia. AN02FREV001/REV 4.0 57 trabalho – para realização de obras, fabricando seus produtos e prestando serviços destinados a satisfazer necessidades de pessoas. Para que tenhamos uma melhor compreensão das características e do comportamento empreendedor veja os dez mandamentos para empreender com sucesso: 1. Ter ideias e colocá-las em prática; 2. Aceitar desafios; 3. Gostar do que faz; 4. Buscar identificação com o trabalho; 5. Ser produtivo e sustentável; 6. Não temer o fracasso; 7. Ser um gestor do autoconhecimento; 8. Gerenciar com as pessoas; 9. Acreditar no seu potencial; 10. Buscar cativar as pessoas, nunca as vendas!! AN02FREV001/REV 4.0 58 FIGURA 32 - DESAFIOS EMPRESARIAIS DO NOVO MILÊNIO FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.11.1 Intraempreendedorismo O intraempreendedorismo é a versão em português do termo francês intrapreneur, que significa empreendedor interno. O conceito foi estabelecido há duas décadas, mas as empresas não estavam dispostas a dar aos empregados a liberdade para criar e, consequentemente, errar e oferecer-lhes um orçamento para financiar inovação, além do mais não queriam arcar com os custos dos erros que inevitavelmente acontecem no percurso. Hoje esse conceito já está muito difundido e valorizado nas organizações. O intraempreendedorismo é um sistema revolucionário para acelerar as inovações dentro de grandes empresas, através do uso melhor dos seus talentos empreendedores. É um sistema que oferece uma maneira saudável para se reagir aos desafios empresariais do novo milênio. A grande concorrência existente hoje está demonstrando, tanto no país quanto no exterior, que se as empresas não se prepararem para renovação, perderão competitividade. O desafio é conseguir desenvolver os colaboradores, dando-lhes a oportunidade de fazer com que suas ideias se realizem. O empreendedorismo nas organizações é baseado em uma administração empreendedora, onde a organização deve ser receptiva à inovação e enxergar a AN02FREV001/REV 4.0 59 mudança como uma oportunidade e não uma ameaça e que requer práticas específicas, pertinentes à estrutura organizacional, à provisão de pessoal e gerência, e à remuneração, incentivos e recompensas. Uma das grandes diferenças entre o empreendedor e as outras pessoas que trabalham em organizações é que ele define o objeto que vai determinar seu próprio futuro e com frequência é considerado uma pessoa que sabe identificar as oportunidades de negócios, os nichos de mercado e que sabe se organizar para progredir. O empreendedor é proativo, inovador, é motivado pela liberdade de ação; ele arregaça as mangas, colabora no trabalho dos outros. FIGURA 33 - EMPREENDEDORA FONTE: Arquivo do Portal Educação. O empreendedor tem mais faro para os negócios que para habilidades gerenciais ou políticas. Ele tem como centro de interesse, principalmente, a tecnologia e o mercado; o erro e o fracasso são ocasiões para aprender alguma coisa. Ele segue a própria visão, toma suas próprias decisões e privilegia a ação em relação à discussão e, se o sistema não o satisfaz, ele o rejeita para construir o seu. O intraempreendedor é motivado tanto pela liberdade de ação quanto pelo acesso aos recursos organizacionais. Ele é motivado, mas sensível às recompensas organizacionais; quanto às atividades, ele pode delegá-las, mas também coloca a mão na massa quando necessário; quanto à competência, ele é parecido com o empreendedor, mas utiliza certa habilidade política. Ele se interessa por tudo que acontece dentro e fora da empresa e compreende as AN02FREV001/REV 4.0 60 necessidades do mercado, dissimula os projetos de risco para não macular a imagem de qualidade e da empresa. Quanto às decisões, ele é mestre na arte de convencer os outros da boa fundamentação da sua visão; ele é orientado para a ação, mas pronto para o compromisso. E, finalmente, ele acomoda-se ao sistema ou o leva ao curto-circuito sem o abandonar. Para os especialistas ouvidos pelo site Empregos.com, o intraempreendedor é um profissional que apresenta características que o faz diferente dos demais: ele tem atitude de dono na empresa, olhando não apenas para o seu departamento, mas para a companhia como um todo; ele tem paixão pelo que faz, pelo seu trabalho e pela empresa onde trabalha, incluindo acreditar no negócio e ter a sensação de que a experiência está valendo à pena. Ele tem habilidade de implantar projetos com começo, meio e fim; é persistente, sabendo que faz de tudo para que o negócio dê certo e dissemina a ideia para os outros colaboradores, atuando como líder da equipe e encorajando-os a continuar; tem prazer em ensinar aos outros o que sabe, gerando efeito cascata e formando mais executivos empreendedores, pois é quase impossível uma empresa funcionar com apenas um empreendedor. O intraempreendedor, assim como o empreendedor, também é proativo e se antecipa ao futuro; possui a capacidade de ver na crise uma oportunidade de crescimento e aprendizado e, ainda, se excede aos limites, vai além do preestabelecido e realmente faz acontecer. FIGURA 34 - EMPREENDEDORES NO BRASIL FONTE: Arquivo do Portal Educação. AN02FREV001/REV 4.0 61 1.11.2 Empreendedorismo no Brasil No Brasil, o empreendedorismo começou a ganhar força na década de 1990, durante a abertura da economia. A entrada de produtos importados ajudou a controlar os preços, uma condição importante para o país voltar a crescer, mas que trouxe problemas para alguns setores que não conseguiam competir com os importados, como foi o caso dos setores de brinquedos e de confecções, por exemplo. Para ajustar o passo com o resto do mundo, o país precisou mudar. Empresas de todos os tamanhos e setores tiveram que se modernizar para poder competir e voltar a crescer. O governo deu início a uma série de reformas, controlando a inflação e ajustando a economia, em poucos anos, o País ganhou estabilidade, planejamento e respeito. A economia voltou a crescer. Só no ano 2000, surgiu um milhão de novos postos de trabalho. Investidores de outros países voltaram a aplicar seu dinheiro no Brasil e as exportações aumentaram. Juntas, essas empresas empregam cerca de 40 milhões de trabalhadores. As habilidades requeridas de um empreendedor podem ser classificadas em três áreas: Técnicas: envolve saber escrever, ouvir as pessoas e captar informações, ser organizado, saber liderar e trabalhar em equipe; Gerenciais: inclui as áreas envolvidas na criação e gerenciamento da empresa (marketing, administração, finanças, operacional, produção, tomada de decisão, planejamento e controle); Características pessoais: ser disciplinado, assumir riscos, ser inovador, ter ousadia, persistente, visionário, ter iniciativa, coragem, humildade e principalmente ter paixão pelo que faz. AN02FREV001/REV 4.0 62 TABELA 1 - CARACTERÍSTICAS DOS GERENTES, EMPREENDEDORES E DOS INTRAEMPREENDEDORES Características Gerente Empreendedor Intraempreendedor Motivação Poder Liberdade de ação, automotivação Liberdade de ação e recompensa organizacional Atividades Delega a sua autoridade Arregaça as mangas, colabora com os outros Delega, mas colabora Competência Administração, política Negócios, gerência e política Empreendedor com mais habilidade política Interesses Acontecimentosinternos da empresa Tecnologia e mercado Dentro e fora da empresa, mercado Erros Evitar erros Aprendizagem com erros Erros são evitados, mas aprende-se com eles Decisões Interage do assunto para depois delegar Visão e decisão própria, ação versus discussão Fundamentação Sistema Burocracia o satisfaz Se o sistema não o satisfaz, constrói o seu Acomoda-se ou provoca curto-circuito Relações Hierarquia Negociação Hierarquia “amiga” FONTE: autor. AN02FREV001/REV 4.0 63 1.12 SEGMENTAÇÃO DE MERCADO Em princípio, parece uma tarefa fácil segmentar um mercado, mas na realidade existem muitas dificuldades. A empresa deve pensar sempre em uma forma de atuar no mercado. Ao pensarmos em mercado, necessitamos antes de tudo traçar uma definição do que são estes mercados. A empresa conseguirá vender seus produtos aos consumidores, de acordo com alguns requisitos básicos: Deve existir alguma pessoa com necessidade que seja satisfeita com a compra do produto; A pessoa deve ter o poder aquisitivo para comprar o produto; e Disponibilidade para efetuar a compra. FIGURA 35 - SEGMENTAÇÃO DE MERCADO FONTE: Arquivo do Portal Educação. AN02FREV001/REV 4.0 64 Segmentar um mercado significa escolher um grupo de consumidores, com necessidades homogêneas, para o qual a empresa poderá fazer uma oferta mercadológica. O processo de segmentação requer que sejam identificados os fatores que afetam as decisões de compras dos consumidores. Requisitos para a segmentação: o segmento deve ser identificável, mensurável, acessível, rentável e estável. Não é possível para uma empresa satisfazer todos os consumidores de um dado mercado, ou pelo menos, da mesma maneira. Um único composto de marketing raramente é adequado para atender às necessidades e desejos de todo o mercado de um produto. Portanto, as organizações estão segmentando seus mercados para atender seus consumidores de maneira mais eficaz. As organizações segmentam seus mercados, escolhem um ou mais segmentos e desenvolvem produtos melhores – sob medida – para esse segmento que seus concorrentes, pois é uma estratégia mais eficiente em um mundo competitivo onde vivemos. Mas, antes de definir o composto que irá satisfazer as necessidades e desejos dos consumidores, é preciso entendê-los. E este trabalho não é fácil, é o grande desafio para os profissionais de marketing. Antes mesmo que uma empresa possa efetivamente comercializar os produtos delas com os consumidores, ela deve entender plenamente o que você quer e necessita daquele determinado produto. Contudo, o que se deseja de um produto não é o mesmo para todos em um mercado, portanto, existem diferenças reais entre as preferências de produtos. Logo, as empresas devem estar atentas a esses detalhes das diferenças de desejos. Estamos falando sobre segmentação de mercado, mais o que realmente é segmentação de mercado? Para Churchill & Peter (2000), segmentação de mercado é dividir um mercado em grupos de compradores potenciais que tenham semelhantes necessidades e desejos, percepções de valores ou comportamentos de compra. Os mercados se diferem de várias formas, quanto aos desejos, recursos, localidades, atitudes de compra e práticas de compra, enfim, os mercados podem ser segmentados de várias maneiras. Quando uma empresa segmenta o mercado, torna-se mais fácil satisfazer suas necessidades e desejos, pois o composto de marketing será desenvolvido às necessidades específicas daquele segmento. Agora, quando se trata de desenvolver um composto dirigido a grandes mercados, formado por consumidores com AN02FREV001/REV 4.0 65 diferentes necessidades, o trabalho fica bem mais difícil. Por esta razão que a segmentação do mercado facilita a empresa desenvolver e comercializar produtos que se aproximem mais à satisfação das necessidades de seus consumidores. Com a segmentação, a empresa poderá obter muitas vantagens. Poderá fazer melhores trabalhos frente à concorrência, dedicando-se a fatias de mercado que tenham melhores condições de atender. Para tanto, é necessário estimar o tamanho atual do mercado, identificar os concorrentes e as respectivas participações, e o potencial de crescimento deste mercado. Em seguida, é preciso separar os consumidores em grupos, de tal forma que a necessidade genérica a ser atendida tenha matizes específicos, que são semelhantes para os que pertencem ao mesmo grupo e diferentes dos demais grupos. Esta divisão pode ocorrer segundo critérios geográficos, demográficos, psicográficos ou comportamentais. Os segmentos resultantes desta divisão devem ser avaliados segundo o tamanho, potencial de crescimento e atratividade, em relação aos objetivos e recursos da empresa. Finalmente, são escolhidos um ou mais segmentos a serem atendidos – o mercado-alvo, ou target – que serão objeto de estudos, planos e ações de marketing, envolvendo o posicionamento da oferta na mente do consumidor em relação aos concorrentes. A segmentação é um esforço para o aumento de precisão de alvo de uma empresa. Conforme Kotler (1998), as empresas podem adotar cinco níveis: marketing de massa, marketing de segmento, marketing de nicho, marketing local e marketing individual. É importante para as empresas definir segmentos específicos para se direcionar com compostos de marketing customizados, pois, desta maneira, a empresa ganhará vantagem competitiva. AN02FREV001/REV 4.0 66 1.12.1 Níveis que podem ser adotados pelas empresas 1.12.1.1 Marketing de massa A empresa se preocupa em produção, distribuição e promoção de massa de um produto para todos os compradores. A vantagem do marketing de massa é que cria maior potencial de mercado, custos menores e automaticamente margens maiores. Henry Ford é um exemplo bem típico do marketing de massa. Também a Coca-Cola quando vendia seus refrigerantes em apenas uma embalagem. 1.12.1.2 Marketing de segmento Conforme Kotler (1998), segmento de mercado é formado por um grande grupo de compradores identificáveis em um mercado. As pessoas diferem em seus desejos, poder de compra, localizações geográficas, atitudes e hábitos de compra. As empresas estão procurando isolar alguns segmentos amplos que formam um mercado e personalizar seus produtos para este mercado, visto que os consumidores são muito similares em desejos e necessidades, mas não são iguais. O marketing de segmento não é tão preciso quanto o marketing individual, mas é muito mais preciso que o marketing de massa. AN02FREV001/REV 4.0 67 1.12.1.3 Marketing de nicho É o processo de direcionar-se para um segmento de mercado relativamente pequeno com um composto de marketing especializado (PENNY M. SIMPSON, 2001). Nicho é um grupo mais restrito de compradores. As empresas identificam nichos dividindo um segmento em vários subsegmentos. Os nichos de mercado são bem menores. As empresas de nichos conhecem bem melhor as necessidades de seus consumidores. O marketing de nicho exige descentralização em algumas práticas da empresa. 1.12.1.4 Marketing local É o marketing voltado para as características regionais e locais dos consumidores, com programas e produtos preparados sob medida, conforme a necessidade e desejos de grupos de comunidades locais. 1.12.1.5 Marketing individual É o processo de direcionamento a consumidores individuais, onde buscamos personalizar os esforços para cada um deles. Este é o segmento mais subdividido que se possa ter. É o segmento de um comprador, marketing customizado ou marketing um a um. Dentro do marketing individual temos o automarketing, que é uma forma de marketing individual onde o consumidor assume mais responsabilidade para determinar que produtose marcas comprar. Um exemplo é a AN02FREV001/REV 4.0 68 compra pela Internet, na qual o consumidor escolhe quais itens, por exemplo, quer no seu carro. O consumidor desenha o carro que quer, assim assume mais responsabilidade pelo processo de decisão de marketing. Este tipo de estratégia está crescendo, pois em uma sociedade sem tempo e a crescente popularidade de opções de compras interativas, feitas em casa, como aquelas via Internet, estão levando a uma maior personalização ou customização nos mercados; pois, a tendência atual é o direcionamento dos mercados à individualização e personalização. 1.12.2 Algumas vantagens da segmentação de mercado A identificação do mercado permite que a empresa saiba quem analisar nos seus esforços para entender melhor os consumidores; Uma análise e uma compreensão detalhada do mercado permitem que a empresa desenvolva e implemente um composto de marketing detalhado para as necessidades específicas do mercado; A identificação do mercado permite que uma empresa avalie o mercado potencial para os seus produtos; Conhecer o mercado permite às empresas identificar os produtos concorrentes no seu mercado específico e desenvolver posições competitivas; Direcionar-se a segmentos de mercado com um composto de marketing customizado para necessidades específicas aumenta a probabilidade de efetividade de vendas e eficiência de custo na conquista de mercado; Definir e analisar um mercado permite que uma empresa posicione os seus produtos para o mercado baseada nas necessidades e preferências avaliadas; Definir um mercado permite que uma empresa identifique oportunidades. AN02FREV001/REV 4.0 69 1.12.2.1 Tipos de segmentação de mercado Segmentação geográfica: É aquela que propõe dividir o mercado em unidades geográficas diferentes. A empresa pode operar em uma, algumas ou todas as regiões, mas sempre observando as diferenças de cada uma delas. Operando de maneira distinta. Segmentação demográfica: É dividir o mercado baseado em idade, sexo, tamanho da família, ciclo de vida da família, renda, ocupação, formação educacional, religião, raça e nacionalidade. Este tipo de segmentação é o mais comum em razão das preferências e taxas de uso de um produto estarem associadas às variáveis demográficas. Outra razão é que as variáveis demográficas são mais fáceis de serem identificadas e mensuradas. Segmentação psicográfica: Aqui os compradores são divididos em diferentes grupos, com base no estilo de vida, na personalidade e na classe social deles: A classe social exerce forte influência sobre a preferência das pessoas; Os bens que as pessoas consomem expressam seu estilo de vida; A personalidade das marcas corresponde à personalidade das pessoas. Segmentação comportamental: Nesta, os consumidores são divididos em grupos, tomando-se por base seu conhecimento, atitude, uso ou resposta a um produto. AN02FREV001/REV 4.0 70 Segmentação por benefício: Esta é estabelecida em função dos diversos benefícios que o consumidor deseja encontrar no produto; é uma segmentação difícil de fazer, pois um mesmo produto pode apresentar uma série de benefícios diferentes em função do grupo pesquisado. Segmentação por volume: O mercado é dividido entre consumidores de pequeno, médio e grande portes. Este tipo de segmentação é usado nas indústrias e distribuidores para buscar seus clientes. Ocasiões: Os consumidores podem ser diferenciados de acordo com as ocasiões em que sentem uma necessidade, compram ou usam um produto (viagens – férias/negócios); Benefícios: Uma ótima forma de segmentar é classificar os compradores de acordo com os diferentes benefícios que buscam em um produto (pasta de dente – branqueadora/econômica/medicinal); Status de usuário: Segmentar o mercado definindo usuários, não usuários, ex-usuários, usuários em potencial (banco de sangue); Taxa de uso: É segmentar em função de grupos de pequenos, médios e grandes usuários dos produtos; Status de lealdade: Segmentação por padrão de lealdade ao produto; Atitude: Formada por cinco grupos distintos: entusiastas, positivas, indiferentes, negativas e hostis. AN02FREV001/REV 4.0 71 1.12.2.2 Requisitos para uma segmentação eficaz do mercado Mensurabilidade – Deve-se ter um segmento que dê condições de mensuração; Substancialidade – Os segmentos devem ser grandes e rentáveis o suficiente para serem atendidos; Acessibilidade – Os segmentos precisam ser eficientemente atingidos e atendidos; Diferenciabilidade – Os segmentos devem ser conceitualmente distinguíveis e responder diferentemente a diferentes elementos do composto de marketing; Operacionalidade – Programas eficazes podem ser formulados para atrair e atender a segmentos diversos. A classificação da segmentação deve ser útil, para que possamos identificar o consumidor; Homogeneidade (similaridade) – Os consumidores de um segmento devem ser o mais parecidos possível; Heterogeneidade – Os consumidores de segmentos diferentes devem ser o mais diferentes possível. AN02FREV001/REV 4.0 72 FIGURA 36 - PONTO DE VENDA FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.13 O PONTO DE VENDA Com a grande diversificação do mercado e as constantes mudanças nas formas de vendas, os conhecidos PDV, ou Pontos de Vendas, sofreram algumas alterações, buscando sempre adaptarem-se às novas realidades do mercado e às necessidades de seus clientes-alvo. Uma das ações mais complexas e mais investigativas que podem ser realizadas no marketing é voltada ao ponto de venda. Inúmeros são os elementos a serem analisados no momento de empregar projetos de comunicação em meio a um montante de informações e elementos contidos em um estabelecimento. Criar alternativas não é uma tarefa fácil, porém elementos podem ser desenvolvidos e praticados separadamente para cada um dos locais em foco. Sabemos que nenhuma outra mídia consegue alcançar de forma repetitiva a exposição das marcas e produtos como o PDV. Este aspecto é um grande diferencial, pois pesquisas mostram que 85% das compras são decididas dentro da loja e que o mercado brasileiro apresenta hábitos de consumo superiores aos índices mostrados e comparados aos demais países do mundo. Assim, verificamos AN02FREV001/REV 4.0 73 que em levantamentos realizados junto aos pontos de venda o perfil destes clientes/consumidores é, em sua grande maioria, formado por mulheres, casadas, com idade variando entre 30 e 49 anos, de classe socioeconômica B, esclarecidas (bom nível escolar), que costumam frequentar os estabelecimentos no período da tarde, com listas de compras e sempre acompanhadas. Características importantes dos clientes brasileiros, frente aos dos demais países do mundo, são possuir o maior número médio de itens comprados e permanecer no ponto de venda mais do que em qualquer outro lugar, cerca de 77 minutos em média, sendo portanto, o perfil de consumidor que mais percorre os corredores e dependências das lojas. Por fim, este cliente costuma, em mais de 80% dos casos, manter a fidelidade ao estabelecimento, sendo que o fator influenciador na decisão de compra é o preço, já que o bolso do consumidor é muito difícil de enganar. Todos estes elementos têm levado muitas organizações a redirecionarem seus investimentos para as áreas de promoção e merchandising no PDV, pois é fundamental um bom posicionamento do produto nas lojas, para que todo o esforço e empenho dos projetos elaborados não sejam perdidos naqueles instantes finais, que cada consumidor leva para decidir, se comprará seu produto ou o da concorrência. Porém, devemos nos atentar que não só as ações de promoçãoe merchandising é que influenciarão estes consumidores, uma vez que elementos como preço competitivo conjugado com um produto de qualidade é que servirão para incrementar os aspectos indutivos da compra. Relacionado a isto, o ato de comprar está intrinsecamente conexo aos fatores emocionais e sensoriais. Variados são os elementos que poderão despertar estes fatores, como por exemplo, o emprego de determinado aroma no ponto de venda, que poderá favorecer ou prejudicar as vendas. Existem tipos de aromas que são influenciadores e perfeitos para cada tipo e porte de estabelecimento. Assim sendo, podemos citar aromas como o de maçã-verde e pepino, ideais para pontos de venda de pequeno porte, uma vez que possuem propriedades capazes de reduzir os níveis de stress e claustrofobia. Já o cheiro de fumaça de churrasco é indicado para espaços amplos, pois provoca sensação de aconchego, evitando crises de agorafobia (medo de lugares públicos e descobertos). O grau de olfato varia de pessoa a pessoa. As mulheres têm um olfato mais apurado que os homens, principalmente durante a ovulação. Os AN02FREV001/REV 4.0 74 idosos, com mais de 80 anos, apresentam sensível redução na percepção olfativa, assim como os fumantes e as pessoas que trabalham ao ar livre. Como podemos ver, existem inúmeras alternativas para se trabalhar o PDV e estas poderão ser analisadas em outros locais que possuam grande circulação de consumidores. Um exemplo destes locais são os shoppings centers, que possuem o menor custo por mil (CPM – cálculo utilizado para saber o custo de um lote a cada mil) de todos os canais de mídia, pois os consumidores encontram-se a todo o momento com propensão a realizar a compra. Assim, podemos dizer que este tipo de PDV é bastante amplo e possui diferentes locais para o desenvolvimento de ações estratégicas, como por exemplo, as áreas de estacionamento, os espaços de lazer e alimentação, inúmeras vitrines, fachadas dos prédios ou mesmo as sinalizações internas. Além destes elementos, em um shopping center é possível trabalhar o cliente e explorar todos os canais diretos, como pesquisas, levantamento de dados pessoais, características e costumes, realizar um programa de feedback em tempo real, entre outros. Outro exemplo bem atual são os PDVs Virtuais, onde o e-business atua em três áreas básicas: serviços oferecidos aos clientes, o comércio e a colaboração empresarial (ponto este relacionado aos sistemas de interface entre os departamentos de uma organização). Ao contrário dos PDVs convencionais, as lojas virtuais não precisam necessariamente ser chamativas, mas sim funcionais e que alcancem a satisfação dos desejos de cada um dos seus clientes, ou seja, prezar pelo serviço prestado. Isso acaba acarretando em ações fortes e bem estruturadas, pois a rede é muito variada e inúmeros players estão a todo o momento entrando e oferecendo novos produtos e serviços. Os sites devem buscar sempre um plus aos serviços tradicionais, seja no campo físico ou virtual. Com os exemplos acima, verificamos a amplitude de um PDV, que mesmo sem um espaço físico delimitado por paredes e elementos comuns como gôndolas e prateleiras, pode ser trabalhado de forma mais técnica e aprimorada. AN02FREV001/REV 4.0 75 FIGURA 37 - COLABORADORAS NO PONTO DE VENDA FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.13.1 Ações para o PDV Ao iniciar um projeto de promoção e merchandising para um ponto de venda, deve-se aparar todas as arestas que possam interferir no processo. Para isso, as organizações deverão estar muito bem estruturadas para iniciar as operações, de forma a conseguir monitorar as informações e as ocorrências de campo, fornecer todo o material de apoio para o desenvolvimento dos trabalhos das suas equipes, acompanhar e analisar todos os relatórios estatísticos e analíticos mensais, disponibilizar pagers e linhas telefônicas (DDG 0800) exclusivas para as equipes, manter promotores SOS para eventualidades, orientar corretamente a equipe quanto à exposição dos produtos/materiais promocionais, bem como providenciar depósitos para estocagem de todo material promocional envolvido no projeto. AN02FREV001/REV 4.0 76 Além destes pontos, outro aspecto importante que deverá ser observado de forma criteriosa são os profissionais que estarão envolvidos neste processo, no caso, especificamente, os promotores. A estes profissionais cabe: verificar os estoques, acompanhar a falta dos produtos no PDV, manter e ampliar os espaços dos produtos nas gôndolas, confeccionar pilhas e ilhas, fazer pesquisas de preços e ações dos concorrentes, observar o fluxo da loja e aplicar o material de merchandising. Com as informações nas mãos, o departamento de marketing/merchandising das organizações poderá estar constantemente monitorando o desempenho das ações e, principalmente, controlar os índices de resultados ao passo que estes vão se concretizando, podendo então decidir pela continuação ou a interrupção do programa em questão. Analisar, avaliar, adaptar e monitorar são elementos essenciais para a concepção de um projeto de sucesso! AN02FREV001/REV 4.0 77 FIGURA 38 - O CONSUMIDOR FONTE: Arquivo do Portal Educação. 1.14 ENTENDENDO SEUS CLIENTES: COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR Compreender o comportamento do consumidor é essencial para a tomada de decisão quando se trata de definir estratégias de marketing e vendas. Entender os motivos que levam uma pessoa a decidir por um determinado produto ou serviço, em vez daquele oferecido pela concorrência é uma tarefa árdua. Afinal, consumidores podem dizer uma coisa e fazer outra, inclusive porque, no momento da compra, pode surgir um fator que faça com que o comprador mude de ideia. Atualmente, o consumidor desempenha diferentes papéis: usuário, comprador e pagador. Quando ele é o usuário, pode não ter sido necessariamente a pessoa que efetivou a compra. Por exemplo, quantas vezes você já usou as roupas, sapatos ou o xampu que sua mãe escolheu para você motivada pela marca ou pelo preço? Neste caso, sua mãe foi a compradora. Foi ela quem decidiu a compra, não você. Além de decidir sobre a compra dos suprimentos da casa e sua decoração, muitas vezes é também ela quem decide a AN02FREV001/REV 4.0 78 compra do carro da família, o local de viagem nas férias, entre outros. Pagar por estas compras já é outra conversa. Pode ser que sua mãe pague por tudo, sendo a chefe da família. Em outros casos, pode ser que ela divida o pagamento com seu pai e, ainda, pode ser que somente seu pai seja o pagador de todas as despesas da família. Assim sendo, além de observar o comportamento do usuário de determinado produto ou serviço, os profissionais que decidem pela estratégia de marketing de uma organização precisam estar atentos também para aquele que efetiva a compra, bem como para aquele que paga por ela. 1.14.1 O processo de compra O processo de compra começa quando o consumidor reconhece uma necessidade. Na sequência, ele procura informações sobre o produto ou serviço de que necessita; avalia as alternativas disponíveis, ou seja, os fornecedores existentes no mercado, decide pela compra e a efetiva e faz sua avaliação após o uso. Este processo decisório sobre influências de diferentes naturezas pode ser uma influência de marketing, social ou situacional. 1.14.1.1 Reconhecimento das necessidades Quando um consumidor percebe que tem uma necessidade, ele tem também um impulso interior para atendê-la ou não. Este impulso é a motivação. Assim, é importante saber que motivação leva um consumidor a adquirir ou deixar de adquirir o produto ou serviço de sua empresa ou, ainda, saber por que o consumidor prefere aquilo que seu concorrente oferece.Uma teoria muito conhecida sobre a motivação é a de Maslow. Em seus estudos ele definiu a hierarquia das necessidades e explicou sua influência na tomada de decisão das pessoas. O resumo destas necessidades foi compilado na figura conhecida como a “pirâmide de Maslow”, que auxilia o AN02FREV001/REV 4.0 79 profissional de marketing e vendas a entender como produtos e serviços podem ser úteis à satisfação das necessidades das pessoas. Maslow concluiu que em primeiro lugar a pessoa buscará atender às suas necessidades básicas de vida e que estão em um conjunto que ele chamou de “necessidades fisiológicas”, ou seja, a busca por alimento, vestuário, abrigo, por exemplo. TABELA 2 - PIRÂMIDE DE MASLOW FONTE: ARQUIVO DO PORTAL EDUCAÇÃO LTDA Uma vez atendidas estas necessidades, ela se sentirá motivada a zelar pela sua segurança pessoal, a de sua família, de seu patrimônio e assim por diante. Vencidas estas etapas, a pessoa terá então interesse e motivação para atender às suas necessidades sociais e buscará ser amada. Na sequência, virá o atendimento às necessidades de estima, ligadas ao reconhecimento e a busca pelo status. Por AN02FREV001/REV 4.0 80 fim, após todas as etapas anteriores cumpridas, desejará então se autorrealizar por meio do desenvolvimento pessoal e da conquista. Uma vez reconhecida a necessidade, o consumidor buscará informações a respeito das diferentes maneiras de satisfazê-las. Aqui, é importante lembrar que é possível que, por diferentes motivos, a pessoa resolva não satisfazer sua necessidade naquele momento, adiando-a até o momento mais oportuno. Isso ocorre no caso da falta de poder aquisitivo ou de tempo. Conhecer o consumidor é importante inclusive para ajudá-lo a resolver estes impeditivos, facilitando a forma de pagamento ou entregando em casa. Vendas pela Internet cujas entregas são feitas por parceiros em logística é uma boa saída para pessoas sem tempo de ir à loja fazer suas escolhas. Churchil e Peter (2000) apresentam algumas fontes onde o consumidor busca informações: Fontes internas: a própria pessoa tem em sua memória informações que a auxiliam a satisfazer sua necessidade, seja porque já fez isso antes ou porque se lembra de alguém que já tenha passado pela mesma experiência. Compras rotineiras como aquelas de suprimentos para a casa se encaixam neste caso. Serviços como aqueles oferecidos por salões de beleza, alfaiates, dentistas, advogados também entram neste exemplo já que dependem da confiabilidade que inspiram no consumidor. Experiências anteriores bem sucedidas o levam a voltar sempre ao mesmo fornecedor. Fontes de grupos: neste caso, o consumidor consulta outras pessoas buscando referências. Aqui é importante saber que a figura do “formador de opinião” é fundamental para influenciar a tomada de decisão de compra. Para ser aceito por um grupo, o jovem se baseia naquilo que seus amigos vestem, calçam, lugares que frequentam, etc. Fontes de marketing ou fontes comerciais: estas fontes são aquelas oferecidas pelas próprias empresas, por exemplo, a embalagem do produto, a campanha publicitária, os vendedores, o site, etc. AN02FREV001/REV 4.0 81 Fontes públicas: são aquelas independentes da empresa fornecedora, por exemplo, o Instituto de Defesa do Consumidor. A mídia de massa pode ser também uma fonte pública de consulta do consumidor para obtenção de informações. Fontes de experimentação: proporcionam ao consumidor a degustação do produto ou utilização do serviço em caráter experimental. Amostras grátis, test-drive de veículos, utilização de um serviço em telefonia por 30 dias gratuitamente são exemplos destas fontes oferecidas pela empresa fabricante ou fornecedora do serviço. O inconveniente, neste caso, é que o consumidor precisa se deslocar para o local do consumo a menos que a empresa envie para sua residência uma mala-direta proporcionando a experimentação. 1.14.1.2 Avaliação das alternativas Uma vez de posse de informações, o consumidor considera as alternativas de fornecimento do produto ou serviço levando em conta características que para ele são determinantes na escolha. Ao avaliar diferentes faculdades onde fazer um curso de pós-graduação, o aluno pode julgar que a reputação da instituição de ensino é fundamental para decidir sua escolha. Neste caso, é possível que o preço da mensalidade seja um impeditivo, mas ainda sim, é possível que ele opte por uma instituição que cobre mais se, além de uma boa reputação, oferecer também o ensino a distância. Neste caso, o aluno se sentiria mais confortável assistindo às aulas em local próximo à sua residência ou em sua cidade, caso não possa deslocar-se até o prédio onde o curso presencial é oferecido. Este é um exemplo do valor que é gerado por um produto ou serviço. Lembra-se que falamos em valor quando abordamos o conceito de marketing? AN02FREV001/REV 4.0 82 Veja a seguir alguns atributos que podem ser percebidos como valor gerado: Câmeras fotográficas: ajuste, velocidade, tamanho, ser também uma filmadora e preço; Hotéis: localização, limpeza, ambiente, preço da diária; Pneus: segurança, vida útil, preço. 1.14.1.3 A decisão de compra Aparentemente, nesta etapa o consumidor está no ponto de comprar, pois já resolveu sobre como atender à sua necessidade ou desejo, obteve informações a respeito do produto ou serviço e sobre os fornecedores disponíveis no mercado, já se sentiu atraído por determinado valor que este ou aquele produto oferece e, finalmente, pode se dirigir ao local de compra e efetivá-lo. Contudo, ainda é possível que, no último instante, alguma influência faça com que mude de ideia. Como esta é uma ocorrência frequente, é importante que os profissionais de marketing estejam atentos aos movimentos dos consumidores e do mercado. 1.14.1.4 Avaliação do pós-compra Depois de comprar e experimentar o produto ou o serviço, o consumidor faz uma avaliação formal ou informal e, em geral, faz comentários com pessoas de seu convívio. Esta fase é decisiva para os profissionais de marketing, afinal, é neste momento que o consumidor confirmará sua preferência pela marca e passará impressões positivas para outras pessoas ou, ao contrário, terá impressões negativas influenciando as pessoas ao seu redor. AN02FREV001/REV 4.0 83 Com frequência, o consumidor se questiona se tomou a decisão mais acertada. Churchil e Peter (2000), afirmam que, em geral, isto ocorre no caso de compra de itens mais caros como automóveis e imóveis, por exemplo, ou então compras difíceis de desfazer. Estes autores chamam este processo de “remorso do comprador” ou de “dissonância cognitiva”, expressão usada pelos psicólogos para definir as dúvidas sobre a escolha feita. Geralmente estes consumidores buscam confirmação de outras pessoas para se sentirem confortadas em relação à decisão tomada. Neste momento, a atuação do profissional de marketing é fundamental, auxiliando o consumidor por meio do envio de uma carta ou de um telefonema para confirmar a decisão tomada. Os consumidores se baseiam também no valor percebido em relação ao produto ou serviço adquirido. Após a compra, ao perceber que receberam um alto valor proporcionado pelos benefícios do produto ou serviço, ficarão satisfeitos, se mostrarão leais à marca e vão iniciar ou manter um relacionamento de longo prazo. 1.14.1.5 O processo de tomada de decisão Observa-se que nem todos os consumidores seguem o processo de compra descrito há pouco, isto se dá, em parte, pela importância da compra, sua frequência, o preço associado, muitas opções de marcas disponíveis no mercado ou complexidade do produto ou serviço. Ou seja, o consumidor reflete muito mais para escolher um curso de pós-graduação do quepara comprar pão. Na sequência, vamos conhecer os diferentes tipos de tomada de decisão que demandam a atenção do consumidor: decisões rotineiras, limitadas e extensivas. Decisões rotineiras: Trata-se das decisões tomadas diariamente, sobre aquisição de produtos ou serviços conhecidos e de baixo custo. Neste caso, o consumidor compara as marcas disponíveis no mercado, abastece no posto de costume ou recorre à pizzaria que já conhece. Poucos consumidores estão dispostos a ir a mais de um supermercado para comprar frutas e legumes a um AN02FREV001/REV 4.0 84 preço melhor ou, então, a percorrer os postos de combustível do bairro para encontrar melhor preço da gasolina ou álcool. Nestes casos, o consumidor opta em função do benefício oferecido pelo local, por exemplo, um supermercado que seja próximo de sua residência, tenha estacionamento coberto e caixa eletrônico. Decisões limitadas: Este grupo de decisões se refere aos artigos como vestuário ou calçados, por exemplo. O consumidor recorre a diferentes fontes de informação, como amigos, catálogos, propagandas e o preço antes de se decidir. Sem dúvida, os atributos do local para efetivar a compra fazem diferença. Ter que estacionar na rua ou dentro do shopping pode ser um critério de decisão de compra. Decisões extensivas: são tomadas no caso de produtos mais caros e de compras difíceis de serem desfeitas como automóveis, imóveis, seguros. É bem maior a variedade de fontes de informação e requer um alto investimento de tempo e esforço. Neste caso, os profissionais de marketing que atuam em segmentos de mercado atendendo a este tipo de decisão podem facilitar a procura do consumidor colocando as informações necessárias no material de propaganda e formando da melhor maneira possível os vendedores. 1.14.1.6 Fatores que influenciam na decisão de compra Após conhecer o processo de tomada de decisão de compra e os diferentes tipos de decisão que o consumidor pode tomar, vamos entender quais são os fatores que o influenciam a se decidir por um determinado produto ou serviço. Kotler (2002) apresenta quatro grupos de fatores que determinam a decisão de compra do consumidor: culturais, sociais, pessoais e psicológicos. Fatores culturais: formados pelos valores, percepções e preferências de uma pessoa adquiridos durante sua formação em família e em contato com diferentes instituições como escolas, clubes, associações, etc. Estão incluídos neste grupo fatores como a nacionalidade do indivíduo, sua religião, o grupo racial a que AN02FREV001/REV 4.0 85 pertence; as diferentes localidades onde residiu. Pessoas que tenham sido criadas em um ambiente em que existe o contato com expressões artísticas estão mais propensas a se interessarem por livros e pela arte em geral manifestada por meio de shows e exposições, por exemplo. A classe social a que o indivíduo pertence também exerce influência sobre a decisão do consumidor. Lembre-se que classe social não reflete apenas a renda, mas outros fatores como nível educacional, área residencial, orientações de valor e sua profissão. É importante que o profissional de marketing compreenda que as pessoas de uma determinada classe têm comportamentos semelhantes e que diferem de pessoas de outra classe social. Assim, suas preferências por marcas, produtos e serviços tendem a ser as mesmas. Este é um critério determinante para a determinação do segmento em que a empresa vai atuar, definindo o público-alvo e consequentemente, sua estratégia de marketing. Fatores sociais: são os grupos de referência, a família, e se manifestam por meio da posição social do consumidor. O que são grupos de referência? São aqueles que influenciam de alguma maneira nosso comportamento, atitudes, estilo de vida e nosso autoconceito. Quando esta influência é direta, são chamados “grupos de afinidade”. São nossos pais e amigos e colegas de trabalho, entre outros. E o que dizer sobre a influência exercida por grupos dos quais queremos pertencer? Não é verdade que, neste caso, adotamos comportamentos e atitudes para sermos aceitos? Estamos falando dos “grupos de aspiração”. É o caso do jovem que deseja jogar futebol em um grande time. Neste caso, ele se aproxima do clube, procura treinar junto, compra camisetas, enfim, adota um comportamento que permita realizar seu sonho. Existem também os “grupos de dissociação”. São aqueles dos quais procuramos nos afastar por não compartilharmos os pensamentos, a ideologia, os hábitos. Já ouvimos falar dos “formadores de opinião”. São aquelas pessoas envolvidas com a transmissão de informações sobre determinado produto ou serviço. Verifica-se que a família é, sem dúvida, o grupo que exerce mais influência sobre nosso comportamento. AN02FREV001/REV 4.0 86 As empresas procuram identificar os grupos que influenciam seu público-alvo e o nível em que se dá esta influência. Assim, podem criar um composto de marketing (lembram-se dos 4 Ps?) direcionado para este público. No caso da família, as empresas estão interessadas em saber os papéis de influência do marido, da esposa e, é claro, dos filhos. Sabemos que especialmente as crianças exercem grande influência no estilo de vida de seus pais. E é para esta influência que o profissional de marketing deve estar atento. Fatores pessoais: Para cada momento da vida temos necessidades e desejos diferenciados. Influenciam nosso comportamento e nossas atitudes questões como: Idade e estágio em que nos encontramos no ciclo de vida: o comportamento de uma pessoa muda de acordo com o ciclo de vida em que se encontra – um jovem que vive ou não com sua família, recém-casados, sem ou com filhos, casais maduros com ou sem filhos, pessoas divorciadas com ou sem família sob sua guarda, pessoas viúvas; Ocupação: atividade profissional exercida ou aposentadoria com ou sem atividade profissional; Condição econômica: trata-se da renda disponível, patrimônio, dívidas, condições de crédito, atitudes em relação à administração de sua renda; Estilo de vida: representa seu padrão de vida, é a pessoa interagindo com o ambiente. São os consumidores que usam com alta assiduidade os computadores, seja para trabalho ou para lazer; aqueles que frequentam constantemente bares noturnos, restaurantes, que praticam esportes; que viajam para o exterior com regularidade, etc; Personalidade e autoconceito: são os traços de uma pessoa com autoconfiança, domínio, autonomia, sociabilidade, etc. Esta é uma variável AN02FREV001/REV 4.0 87 importante no conhecimento do consumidor e determinante para as decisões das empresas quando definem o composto de marketing. Fatores psicológicos: estão relacionados à motivação do consumidor e que o levam a agir para suprir necessidades ou desejos. Falamos anteriormente da “pirâmide das necessidades de Maslow”, lembram-se? Para Maslow (2008), as pessoas são motivadas a agir para atender a necessidades em ocasiões específicas. Além dele, outros dois pesquisadores abordaram este tema: Freud e Herzberg. Freud assumiu que as pessoas não podem entender plenamente suas motivações. Para ele, estas motivações estão no inconsciente de cada um. Assim, os pesquisadores contratados pelas empresas entrevistam em profundidade dezenas de consumidores até chegar a uma conclusão a respeito daquilo que os motiva a decidirem sua compra. A partir daí, são definidos os apelos a serem utilizados para os produtos ou serviços a serem oferecidos pelas empresas aos seus consumidores. O uísque, por exemplo, pode ser apresentado com o apelo do status e da posição social. Herzberg desenvolveu uma teoria de motivação baseada em fatores satisfatórios e insatisfatórios. Segundo ele, não é suficiente a presença de fatores que tragam satisfação para a pessoa. FIGURA 39 -CLIENTE AN02FREV001/REV 4.0 88 FONTE: Arquivo Portal Educação. É preciso ainda que fatores de insatisfação estejam ausentes. Imagine que você decide pela compra de um eletrodoméstico após ter feito todas as pesquisas de preço e ter consultado as pessoas que, para você, são referência. Você está satisfeito com sua escolha e tem certeza de que toma a melhor decisão. Contudo, ao receber o produto em casa, percebe que o certificado de garantia não veio junto e que, para obtê-lo, precisa entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor da empresa. Este elemento de insatisfação é suficiente para tirar todo o brilho da sua compra e fazer com que se lembre desta experiência negativa por um bom tempo. Além disso, vai comentar o fato com as pessoas que conhece gerando uma onda de impressões negativas a respeito da loja que vendeu o produto. PARA REFLETIR Quem toma as decisões de compra (rotineiras, limitadas e extensivas) em sua casa? Sempre foi a mesma pessoa ou houve uma mudança conforme sua família foi passando por diferentes fases? Se mudou, o que causou esta mudança e que influência teve sobre os hábitos de compra da casa? AN02FREV001/REV 4.0 89 FIGURA 40 - EQUIPE MOTIVADA FONTE: Arquivo Portal Educação. 1.15 MOTIVAÇÃO DE EQUIPES Ter colaboradores motivados e produtivos é o grande desafio de muitas empresas no atual mercado. Desenvolver estratégias direcionadas às pessoas, buscando gerar entusiasmo e alegria em trabalhar tem sido uma técnica muito comum e representado para algumas empresas o sucesso nos negócios. Para que possamos dar continuidade aos nossos estudos e analisar os aspectos motivacionais das equipes, é preciso que tenhamos o conhecimento de dois elementos básicos e que estão inseridos no dia a dia das pessoas no trabalho: Motivação; e Automotivação. AN02FREV001/REV 4.0 90 Podemos dizer que a motivação das pessoas está ligada a um conjunto de elementos que interagem em um mesmo ambiente e acabam gerando estímulos pessoais e/ou profissionais, que permitem ao profissional render mais no trabalho. Fatores como o ambiente do negócio, os colegas de trabalho, os relacionamentos, o reconhecimento pessoal e profissional e as campanhas de incentivo e gratificações, têm um papel fundamental para estimular colaboradores a produzir mais e alcançar melhores resultados. No setor de vendas a motivação é um ingrediente fundamental para o sucesso de uma equipe. Trabalhar a autoestima do grupo e mexer com o entusiasmo das pessoas são atitudes importantes para que se tenha um bom desempenho nas vendas. Uma das premissas motivacionais básicas a um vendedor são seus objetivos de vida. Não só os objetivos profissionais, como metas ou números a serem atingidos, mas principalmente os objetivos pessoais, tais como: família, desejos pessoais, ideias e sonhos a serem realizados. Esse deve ser o foco, sem desconcentrar no trabalho, porém pensando sempre em promover um bom desempenho profissional, que lhe garanta segurança e a realização de metas pessoais. Questões propostas AN02FREV001/REV 4.0 91 FIM DO MÓDULO I 1. Defina Marketing e qual a sua importância para o mercado das vendas? 2. Qual a importância do estudo do comportamento do consumidor? Explique. 3. De que forma o planejamento pessoal pode influenciar no rendimento de um profissional? 4. Qual o perfil ideal de um profissional de vendas? Explique. 5. Em sua opinião, qual a importância do processo de pós-venda? Como ele pode ser decisivo para o faturamento das empresas?