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CETCC- CENTRO DE ESTUDOS EM TERAPIA COGNITIVO-
COMPORTAMENTAL 
 
 
 
CAMILA GOIS DA SILVA 
 
 
 
 
CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA COGNITIVO-
COMPORTAMENTAL PARA O TRATAMENTO DA 
DEPRESSÃO 
 
 
 
 
 
São Paulo 
2019 
CAMILA GOIS DA SILVA 
 
 
 
 
 
 
 
CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA COGNITIVO-
COMPORTAMENTAL PARA O TRATAMENTO DA 
DEPRESSÃO 
 
Trabalho de conclusão de curso Lato Sensu 
Área de concentração: Terapia Cognitivo-Comportamental 
Orientadora: Profa. Dra. Renata Trigueirinho Alarcon 
Coorientadora: Profa. Msc. Eliana Melcher Martins 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
São Paulo 
2019 
 
 
 
 
 
 
 
Fica autorizada a reprodução e divulgação deste trabalho, desde que citada a fonte. 
Silva, Camila Gois 
 
Contribuições da terapia cognitivo-comportamental para o tratamento da 
depressão 
 
Camila Gois da Silva, Renata Trigueirinho Alarcon, Eliana Melcher Martins – São 
Paulo, 2019. 
 
29 f. + CD-ROM 
 
 
Trabalho de conclusão de curso (especialização) - Centro de Estudos em Terapia 
Cognitivo-Comportamental (CETCC). 
 
Orientadora: Profª. Drª. Renata Trigueirinho Alarcon 
Coorientadora: Profª. Msc. Eliana Melcher Martins 
 
1. Depressão, 2. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), 3. Terapia Cognitivo-
Comportamental e Depressão, 4. Técnicas Terapia Cognitivo-Comportamental e 
Depressão. I. Silva, Camila Gois. II. Alarcon, Renata Trigueirinho. III. Martins, 
Eliana Melcher. 
 
 
Camila Gois da Silva 
 
Contribuições da terapia cognitivo-comportamental para o tratamento da 
depressão 
 
 
Monografia apresentada ao Centro de Estudos em 
Terapia Cognitivo-Comportamental como parte das 
exigências para obtenção do título de Especialista 
em Terapia Cognitivo-Comportamental 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
Parecer: ____________________________________________________________ 
Prof. _______________________________________________________________ 
 
Parecer: ____________________________________________________________ 
Prof. _______________________________________________________________ 
 
 
 
 
São Paulo, ___ de ___________ de _____ 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
 
Dedico esse trabalho aos meus pacientes, que diante de seus conflitos e 
angústias me confiaram suas questões mais particulares, dando-me a oportunidade 
de aprender com suas narrativas. Em cada uma das experiências pude assimilar 
aquilo que os livros não ensinaram. Pela possibilidade de participar de seus 
processos de transformação e pela confiança que em mim depositaram, meu muito 
obrigada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
Agradeço aos meus pais e familiares pelo suporte e amor, por acreditarem e 
defenderem minha escolha, esforçando-se junto a mim para que superasse todas as 
dificuldades. Aos meus parentes, amigos e afilhados pela compreensão diante de 
minhas ocasionais ausências e, sobretudo ao meu marido Rodrigo, pelo apoio 
incondicional e encorajamento ao longo desta caminhada. Meu reconhecimento 
também aos mestres e ao CETCC pelo incentivo e conhecimento transmitido e a 
todas as pessoas que contribuíram para meu sucesso e crescimento profissional. 
Sou o fruto do estímulo e da credibilidade de cada um de vocês. 
 
 
RESUMO 
 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2017) a depressão poderá 
incapacitar a população mundial em pouco tempo, destacando-se como um 
transtorno com indicadores preocupantes. Este trabalho objetivou identificar as 
contribuições da terapia cognitivo-comportamental (TCC) para o tratamento da 
depressão. Para tal, foi realizado levantamento bibliográfico de produções científicas 
como periódicos, dissertações e teses, com pesquisa em bases de dados como: 
Google acadêmico, Scielo, Pepsic, Periódicos Capes e BVS. Do mesmo modo, 
foram utilizados livros sobre o tema proposto para fundamentação teórico-
metodológica, sem a finalidade de revisão do estado da arte. Nos quadros 
depressivos há um contraste entre dados objetivos e a imagem que a pessoa tem de 
si e, apesar do sofrimento vivenciado devido à auto depreciação, o indivíduo tende a 
praticar atos que favorecem o aumento de sua angústia. A TCC recorre às técnicas 
nas quais há a combinação do conjunto de procedimentos comportamentais e da 
abordagem cognitiva, visando o alívio dos sintomas como objetivo inicial do 
tratamento, instruindo o paciente a identificar e enfrentar as situações correlatas aos 
sintomas da doença, bem como praticar repertório de habilidades sociais e 
resolução de problemas. O conhecimento empírico e a organização de tais 
informações sobre a TCC diante da depressão têm uma notável relevância na 
compreensão do transtorno, por conseguinte, influenciando diretamente na 
aquisição de comportamentos mais adaptativos, visando oportunizar uma melhora 
na qualidade de vida do sujeito. Com base neste trabalho acredita-se que a TCC 
auxilia os pacientes a entenderem a relação entre seus pensamentos automáticos, 
sentimentos e comportamentos subjacentes. Por meio de estratégias de 
intervenção, estes tendem a sentirem-se melhor, alterando seus padrões 
comportamentais desadaptativos e assimilando seus problemas de modo mais 
pragmático. Por fim, pode-se concluir que os achados obtidos mostraram que as 
práticas da TCC não apenas revelaram contribuições, tal como apresentaram por 
meio de evidências empíricas, efetividade no tratamento da depressão. 
 
 
Palavras-chave: Depressão, Terapia Cognitivo-comportamental (TCC), Terapia 
Cognitivo-Comportamental e Depressão, Técnicas Terapia Cognitivo-
Comportamental e Depressão. 
ABSTRACT 
 
According to the World Health Organization (WHO, 2017), depression can soon 
incapacitate the world population, standing out as a disturbance with worrying 
indicators. This work aimed to identify the contributions of cognitive-behavioral 
therapy (CBT) for the treatment of depression. For that, a bibliographic survey of 
scientific productions such as periodicals, dissertations and theses was carried out, 
with research in databases such as: Academic Google, Scielo, Pepsi, Periodicals 
Capes and VHL. Likewise, the books on the subject proposed for theoretical-
methodological foundation, without a purpose to review the state of the art. In 
depressive scenarios there is a contrast between the objectives and the image that a 
person has of himself and, despite what is experienced due to self-depreciation, the 
person tends to practice acts which are favor the increase of their anguish. CBT 
refers to techniques in which there is a combination of behavioral and cognitive 
approaches, focusing on the occurrence of symptoms such as the onset of the 
process, instructing the patient to identify and cope with the situations related to the 
symptoms of the disease, as well as practice repertoire of social skills and problem 
solving. The empirical knowledge and the organization of such information about 
CBT before the absence have a considerable relevance about the understanding of 
the disorder, consequently, being influenced by a series of more adaptive behaviors, 
an opportunity to improve the quality of life of the subject. Based on this work, it is a 
CBT problem with a relationship between automatic feelings, feelings and underlying 
behavior. Through intervention strategies, they tend to feel better, altering their 
maladaptive behavioral patterns, and assimilating their problems more pragmatically. 
Finally, it can be concluded that the events were constructed based on the practices 
of CBT not only revealed the benefits, as they were promoted through empirical 
indicators, such as the unprotected validity of depression. 
 
 
Keywords: Depression, Cognitive-behavioral Therapy (CBT), Cognitive-behavioral 
Therapy and Depression, Cognitive-behavioral Therapy Techniques and Depression. 
SUMÁRIO 
 
 
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 8 
2 OBJETIVO ..............................................................................................................11 
2.1 OBJETIVO GERAL ............................................................................................. 11 
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................... 11 
3 METODOLOGIA ..................................................................................................... 12 
4 RESULTADOS ....................................................................................................... 13 
5 DISCUSSÃO .......................................................................................................... 20 
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 23 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 24 
 
 
 
 
8 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
 
 O termo depressão tem sido amplamente utilizado na linguagem do senso 
comum para designar estados afetivos de tristeza, e embora abarquem 
similaridades, possuem desigualdades no que diz respeito à consistência, duração e 
intensidade. Pode-se atribuir tal banalização da expressão devido ao fato de o 
transtorno depressivo apresentar-se como um dos grandes distúrbios que acometem 
a humanidade, além de incitar alterações fisiológicas e comorbidades associadas. 
Usualmente, devido aos índices alarmantes, todos nós conhecemos pessoas que 
vivem ou viveram dificuldades relacionadas à depressão. 
 Segundo dados recentes publicados pela Organização Mundial da Saúde 
(OMS, 2017) houve um aumento significativo nos casos de depressão em todo o 
mundo, com estimativas em torno de 322 milhões de sujeitos, sendo a prevalência 
feminina. Já no Brasil, a depressão atinge 11,5 milhões de pessoas. 
 Consoante com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10, 2012), a 
depressão é denominada como episódio depressivo e a classificação, conforme 
gravidade e número dos sintomas, subdividida em três graus: leve, moderado ou 
grave. Para critérios diagnósticos, o indivíduo deve apresentar redução de energia, 
rebaixamento do humor, perda de interesse e prazer, diminuição da concentração, 
alterações de sono e apetite, entre outros. 
 De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 
(DSM-V, 2014), a depressão está associada com alta mortalidade, em boa parte 
contabilizada pelo suicídio, embora não seja a única razão para tal. Ainda segundo o 
DSM-V, é intitulada como Transtorno Depressivo Maior e para o diagnóstico devem 
ser estabelecidos os seguintes critérios: 
a) Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o 
mesmo período de duas semanas e representam uma mudança em relação 
ao funcionamento anterior: pelo menos um dos sintomas é humor deprimido 
ou acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas 
as atividades; alteração do peso sem estar fazendo dieta; insônia ou 
hipersonia; agitação ou retardo psicomotor; fadiga ou perda de energia; 
sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada; dificuldades 
para pensar, se concentrar ou tomar decisões e pensamentos recorrentes 
de morte ou suicídio. 
b) Os sintomas causam sofrimento significativo ou prejuízo em todos os 
contextos da vida do indivíduo. 
c) O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou 
a outra condição médica. 
9 
 
d) A ocorrência do episódio depressivo maior não é mais bem explicada por 
outros transtornos. 
e) Nunca houve um episódio maníaco ou um episódio hipomaníaco. (DSM-
V, 2014, p.161) 
 
 Diversos estudos apontam tratamentos eficazes para a depressão que 
envolvem a psicoterapia associada ao uso de medicamentos. Tal qual discorreu 
Souza (1999), o tratamento para a depressão deve ser compreendido de maneira 
global, levando em conta o sujeito como ser biopsicossocial. Afirma ainda que, 
portanto, o acompanhamento deve utilizar terapia farmacológica, mudanças no estilo 
de vida e psicoterapia. 
 Referindo-se especificamente à Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), 
esta é reconhecida como uma das principais teorias para o tratamento de 
transtornos psiquiátricos, considerando-se uma série de estudos orientados que 
indicam um tratamento eficaz para quadros clínicos como a depressão e outros 
transtornos, além de acrescentar-se ao efeito das medicações no tratamento de 
transtornos psiquiátricos graves (WRIGHT, 2008). 
 De acordo com Beck (2013), a Terapia Cognitivo-Comportamental foi 
desenvolvida por Aaron T. Beck na década de 1960, dando início a “uma revolução 
no campo da saúde mental” (BECK, 2013). Originalmente, o modelo cognitivo – 
conceito de que o pensamento de um indivíduo influencia as suas emoções e seu 
comportamento – foi desenvolvido por Aaron Beck para elucidar os processos 
psicológicos na depressão, em uma investida de explicar a teoria freudiana que 
envolvia a mesma temática. 
 O modelo cognitivo-comportamental, proposto por Aaron T. Beck e 
colaboradores, é uma prática bem fundamentada, com um vasto número de 
evidências de aplicabilidade ao tratamento da depressão (CARNEIRO & DOBSON, 
2016). 
 BECK et al (1979 apud ALMEIDA and LOTUFO, 2003), “definem terapia 
cognitiva como uma abordagem estruturada, ativa, diretiva, limitada no tempo, para 
tratar alguns transtornos psiquiátricos, lidando com as cognições que o indivíduo 
apresenta”. 
 Muito tem se pesquisado sobre a depressão, seus desdobramentos e 
tratamentos. Segundo Carneiro e Dobson (2016), é importante que o profissional se 
atualize sobre estudos de eficácia para saber a probabilidade de sua intervenção 
promover resultados adequados ao paciente, dentro de um tempo oportuno. Nesse 
10 
 
contexto, realizar um levantamento de achados teóricos e protocolos da TCC 
oportuniza que terapeutas possam direcionar seus atendimentos com maior eficácia 
a partir das contribuições da TCC. 
 
11 
 
2 OBJETIVO 
 
 
2.1 OBJETIVO GERAL 
 
Esse trabalho teve como objetivo identificar as contribuições da terapia 
cognitivo-comportamental para o tratamento da depressão. 
 
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
 
1. Contextuar os fundamentos da TCC e da depressão; 
2. Examinar e apreender de que forma a TCC, por meio de protocolos, 
possibilita a melhora sintomática; 
3. Explorar e sintetizar as principais técnicas utilizadas pela TCC para o 
tratamento do transtorno depressivo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
3 METODOLOGIA 
 
 
O estudo foi realizado por meio de levantamento bibliográfico de produções 
científicas como periódicos, dissertações e teses, com pesquisa em bases de dados 
como: Google acadêmico, Scielo, Pepsic, Periódicos Capes e BVS. Do mesmo 
modo, foram utilizados livros sobre o tema proposto para fundamentação teórico-
metodológica, sem a finalidade de revisão do estado da arte. 
Os critérios de inclusão foram publicações que tiveram em vista a 
convergência da aplicabilidade da terapia cognitivo-comportamental no tratamento 
dos transtornos depressivos, a fim de examinar suas técnicas e fundamentos 
teóricos. Foram excluídos os estudos voltados para público-alvo circunscrito, bem 
como textos cuja tônica não correspondia ao conteúdo pretendido. 
As palavras-chave utilizadas para a pesquisa foram: Depressão, Terapia 
Cognitivo-comportamental (TCC), Terapia Cognitivo-Comportamental e Depressão, 
Técnicas Terapia Cognitivo-Comportamental e Depressão; Depression, Cognitive-
behavioral Therapy (CBT), Cognitive-behavioral Therapy and Depression, Cognitive-
behavioral Therapy Techniques and Depression. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
4 RESULTADOS 
 
 
 De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2017) a depressão 
poderá incapacitar a população mundial em pouco tempo, destacando-se como um 
transtorno com indicadores preocupantes. 
 Segundo Coser (2003), é necessário observar as classificações endógenas e 
exógenas da depressão. Dizem respeito aos aspectos endógenos,a hereditariedade 
e alterações hormonais, que resultam em somatizações características do transtorno 
depressivo. Já as questões exógenas referem-se às causas como, por exemplo, os 
fatores ambientais que contribuem para o desencadeamento do quadro. 
 Quando se fala em depressão deve-se considerar a multiplicidade de 
sintomas afetivos, instintivos e neurovegetativos, ideativos e cognitivos, relativos à 
autovaloração, à vontade e à psicomotricidade (DALGALARRONDO, 2008). 
 Consoante com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10, 2012), a 
depressão é denominada como episódio depressivo e a classificação, conforme 
gravidade e número dos sintomas, subdividida em três graus: leve, moderado ou 
grave. Para critérios diagnósticos, o indivíduo deve apresentar redução de energia, 
rebaixamento do humor, perda de interesse e prazer, diminuição da concentração, 
alterações de sono e apetite, entre outros. 
 De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 
(DSM-V, 2014), a depressão está associada com alta mortalidade, em boa parte 
contabilizada pelo suicídio, embora não seja a única razão para tal. 
 Conforme Beck (2013), a terapia cognitivo-comportamental foi elaborada por 
Aaron Beck na década de 60 e lapidada para o tratamento da depressão, uma vez 
que foi entendida enquanto decorrente de pensamentos excessivamente 
consolidados e distorcidos e não de forças inconscientes como alvitrado pela teoria 
de Freud. Ainda segundo a autora: 
“Beck concedeu uma psicoterapia estruturada, de curta duração, voltada 
para o presente, direcionada para a solução de problemas atuais e a 
modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais (inadequados 
e/ou inúteis) ... O tratamento também está baseado em uma conceituação, 
ou compreensão, de cada paciente (suas crenças específicas e padrões de 
comportamento). O terapeuta procura produzir de várias formas uma 
mudança cognitiva – modificação no pensamento e no sistema de crenças 
do paciente – para produzir uma mudança emocional e comportamental 
duradoura.” (BECK, 2013, p.22) 
14 
 
 São características da terapia cognitivo-comportamental a brevidade, a 
praticidade e a orientação A resultados por meio de objetivos definidos. 
Como resultado de uma abordagem focada no problema, a TCC é 
considerada breve por sua natureza. A psicoterapia breve pode ser definida 
como uma intervenção terapêutica com tempo e objetivos limitados, visando 
a diminuição de custos relacionados à intervenção… Os objetivos são 
estabelecidos a partir de uma compreensão diagnóstica do paciente e da 
delimitação de um foco, considerando-se que esses objetivos sejam 
passíveis de serem atingidos em um espaço de tempo limitado (que pode 
ser ou não preestabelecido), por meio de determinadas estratégias clínicas. 
As psicoterapias breves estão, em termos técnicos, alicerçadas em um tripé: 
foco, estratégias e objetivos (MORENO, 2014, p.71). 
 
 Nos quadros depressivos há um contraste entre dados objetivos e a imagem 
que a pessoa tem de si e, apesar do sofrimento vivenciado devido à auto 
depreciação, o indivíduo tende a praticar atos que favorecem o aumento de sua 
angústia. 
 Beck (1997) postula que o modelo cognitivo da depressão se dá a partir do 
prejuízo da tríade cognitiva (onde o paciente apresenta visões negativas de si, do 
mundo e do futuro) e, como consequência, das distorções cognitivas (erros 
sistemáticos de pensamento com falha no processamento das informações). Por 
este motivo, o paciente com depressão tende a elaborar suas experiências de forma 
muito negativa, inflexível e absoluta, resultando em interpretações errôneas de 
situações externas e do próprio desempenho, favorecendo a manutenção de 
comportamentos depressivos, que acabam por corroborar com os sentimentos de 
inadequação, desesperança e baixa autoestima. 
 A origem dos pensamentos distorcidos, também chamados de automáticos, 
segundo Knapp e Beck (2008), está nas crenças centrais ou nucleares e nas 
crenças intermediárias. Tais crenças são entendidas como percepções de verdades 
absolutas e são comumente formadas na infância, sendo globais, 
supergeneralizadas e rígidas. As crenças centrais correspondem ao nível mais 
fundamental do pensamento e estão inseridas em esquemas – elementos 
organizados a partir de experiências passadas que orientam o comportamento do 
indivíduo – influenciados diretamente no entendimento sobre si mesmo, os demais e 
o mundo. As crenças centrais podem ser relativas ao desamparo, desamor e 
desvalor (SILVA, 2014). Já as crenças intermediárias são formadas a partir das 
centrais, em forma de regras, pressupostos e atitudes que regem as condutas 
pessoais. 
15 
 
 Em um primeiro momento, pode-se erroneamente compreender e reduzir a 
TCC a um agrupamento de técnicas a serem aplicadas de modo mecanicista. Para 
assegurar sua eficácia é imprescindível a competência profissional do terapeuta, por 
meio de uma vasta gama de habilidades (KNAPP, 2008) 
 O início do tratamento é realizado com uma entrevista inicial, seguida da 
conceitualização cognitiva, reconhecimento dos pensamentos automáticos e 
comportamentos desadaptativos, e a percepção da crença central (NEUFELD & 
CAVENAGE, 2010). 
 As intervenções da TCC são baseadas em instruir o paciente a identificar e 
enfrentar as situações correlatas aos sintomas da doença, bem como praticar 
repertório de habilidades sociais e resolução de problemas. O objetivo principal é 
modificar alterações comportamentais, valores e crenças relacionados aos 
comportamentos-problema (KNAPP & BECK, 2008; POWELL, ABREU, 2008). 
 A TCC recorre às técnicas nas quais há a combinação do conjunto de 
procedimentos comportamentais e da abordagem cognitiva, visando o alívio dos 
sintomas como objetivo inicial do tratamento. A escolha das estratégias utilizadas é 
determinada de acordo com os comportamentos que se pretende alterar (KNAPP & 
BECK, 2008). 
“As técnicas e estratégias comportamentais mais utilizadas no tratamento 
da depressão são aquelas relacionadas ao automonitoramento (diários), 
reestruturação cognitiva, técnicas de enfrentamento (iniciar ou realizar 
alguma atividade), treino de habilidades sociais e resolução de problemas. 
Essas estratégias têm por objetivo ensinar o indivíduo a identificar 
sentimentos e pensamentos automáticos disfuncionais que estão 
relacionados ao seu sentimento de disforia. Registrar o grau de emoção 
para cada atividade registrada proporciona um autoconhecimento sobre 
seus sentimentos, valores e crenças (Beck, Rush & Emory, 1997; De 
Oliveira, 2008; Powell et al., 2008). O paciente deve registrar tanto 
atividades prazerosas e produtivas quanto aquelas que lhe trazem tristeza 
ou desânimo em realizá-las. As atividades que ajudam o paciente a 
desenvolver um autoconhecimento e monitoramento do seu comportamento 
permitem com que ele entre em contato com as contingências que podem 
estar mantendo o problema. As aplicações dessas técnicas muitas vezes 
são estruturadas em protocolos de atendimento. Esses protocolos tendem a 
delimitar o que será abordado com o paciente a cada sessão. Para o 
tratamento da depressão, o número de sessões pode variar de 12 a 16 
atendimentos. A terapia cognitivo-comportamental tem mostrado resultados 
significativos no tratamento da depressão, tanto na redução dos sintomas 
quanto na prevenção do reaparecimento do problema, comparada com 
outras intervenções breves e com tratamentos medicamentosos (c, 1989; 
Hollon et al., 2005; Robinson, Berman & Neimeyerm 1990; Teasdale et al., 
2000).” (CARDOSO, 2011, p.485) 
 
16 
 
 Existem diversas ramificações da TCC que partilham das características da 
terapia de Beck, embora suas conceitualizações no tratamento possam variar. Ainda 
assim, o modelo de Beck é o mais usual e conhecido. Dentre as particularidades 
semelhantes entre elas estão a média do limite de tempo de tratamento (entre 12 a 
16 sessões, conforme a maior parte dosmanuais para casos sem gravidade), além 
de todas serem designadas para a resolução de problemas ou para o enfrentamento 
de transtornos específicos – transtornos de personalidade ou de maior gravidade 
podem levar até 2 anos de intervenção (KNAPP, 2008). 
Em busca de técnicas para a modificação de crenças disfuncionais e dos 
comportamentos disfuncionais, pesquisadores da TCC foram influenciados por 
teorias distintas. 
Na literatura, as técnicas são explanadas de forma isolada para fins didáticos, 
visto que afetam processos cognitivos e padrões comportamentais. Embora o foco 
deste estudo não seja o aprofundamento nas estratégias propriamente ditas, faz-se 
importante discorrer sobre os procedimentos disponíveis e usuais para o tratamento 
da depressão. 
De acordo com Melo (2014), dentre as estratégias psicoterápicas 
correspondentes à 1ª e 2ª ondas estão a psicoeducação e a reestruturação cognitiva 
– o que representa munir o paciente de informações por meio de leituras, registro e 
categorização de pensamentos disfuncionais, exame de evidências, uso de seta 
descendente, conceituação cognitiva, construção de cartões de enfrentamento, entre 
outros; a entrevista motivacional – que explora a ambivalência e auxilia na redução 
da resistência sobre mudar o comportamento-alvo e ampliar o comprometimento e 
motivação para com o tratamento; o automonitoramento e resolução de problemas – 
para a garantia do empirismo colaborativo e aumento das habilidades 
metacognitivas com registros diversos, uso de balança decisacional, Role-play e 
plano de ação; o manejo da ansiedade e do estresse – com modulação, treino de 
controle, relaxamento muscular progressivo, respiração diafragmática, 
dessensibilização sistemática e exposição diversas; o treino de habilidades sociais – 
apoiado na modelação e modelagem; as estratégias experenciais com foco nas 
necessidades emocionais – com a utilização de imagens mentais e de cartas 
direcionadas; mindfulness – com controle da respiração e técnicas de meditação; e 
a prevenção de recaída – para o oferecimento de recursos capazes de minimizar a 
ocorrência de regressões e recaídas. 
17 
 
Ainda segundo o autor, as abordagens condizentes com a 3ª onda envolvem 
a terapia do esquema – compreensão do processamento de informações não 
disponíveis aos processos conscientes; terapia do esquema emocional – 
compreensão do papel das emoções pela identificação e aceitação; a terapia 
comportamental dialética – compreensão da interpretação das distorções como a 
manutenção da psicopatologia em casos de transtornos de personalidade, por 
exemplo; a terapia de aceitação e compromisso – considerando o sofrimento 
enquanto experiência inescapável, não privilegiando a atenuação dos sintomas 
apontados como queixas; a terapia focada na compaixão – com a remissão do auto 
criticismo e vergonha, tendo com base os conceitos da Psicologia Evolucionista, 
sem estabelecer a disfuncionalidade do pensamento; a terapia cognitiva processual 
– de origem brasileira e análoga a um processo judicial com pressupostos da TCC 
padrão, com modelo de conceitualização próprio voltado ao acúmulo de evidências 
contrárias a visão negativa de si; a terapia de modificação do viés atencional – 
privilegiando a alteração dos automatismos atencionais para vestígios não 
relacionados à queixa em questão; e terapia metacognitiva – focada no treino para 
controle e manejo de cognições a partir da compreensão dos mecanismos 
envolvidos nas operações cognitivas. 
Nos últimos 15 a 20 anos, as terapias contextuais ou de terceira onda, vêm 
recebendo bastante atenção. Características importantes distinguem a TCC de 
terceira geração das mais tradicionais, especialmente a alteração do foco para o 
funcionamento e não mais e somente no conteúdo. 
Com o objetivo de reduzir as distorções cognitivas, a prática de mindfulness, 
por exemplo, vem sendo indicada na prevenção de recaídas, visando a identificação 
e aceitação de emoções desagradáveis de se sentir, proporcionando a 
autoconsciência no momento presente. (CARNEIRO & DOBSON, 2016) 
 A terapia cognitivo-comportamental não é linear cronologicamente. Ao longo 
das três ondas, consideradas enquanto revoluções, visões de mundo diferenciadas 
influenciaram uma diversidade de embasamentos teóricos. O que em um primeiro 
instante pôde aparentar um contratempo epistemológico, contribuiu de modo a 
desenvolver meios de abarcar demandas mais contemporâneas. Assim, primeira, 
segunda e terceira ondas podem ser compreendidas como complementares, a fim 
de oportunizar técnicas eficazes para o tratamento dos mais diversos transtornos 
psíquicos. 
18 
 
“[...] Alguns teóricos definem as diferentes abordagens das terapias 
cognitivo-comportamentais em três “ondas”. Dessa forma, o modelo 
comportamental, calcado nos fundamentos comportamentais de Watson, 
Skinner, Bandura, Wolpe e outros, estariam na chamada primeira onda. A 
segunda onda inclui as terapias cognitivo-comportamentais argumentativas, 
que focam nos elementos cognitivos, tais como a Terapia Cognitiva de 
Beck, a Terapia Racional-Emotiva de Ellis, a Terapia Cognitivo-
Construtivista de Guidano & Liotti, dentre outras. Entretanto, o 
conhecimento não para, e muitas abordagens surgiram, principalmente 
após a década de 1990, quando grandes avanços começaram a se 
desenhar no cenário das psicoterapias baseadas em evidências. A terceira 
onda, então, é definida pelos modelos mais integrativos e conceituais como 
a Terapia Comportamental Dialética de Linehan, a Terapia do Esquema de 
Young, a Terapia de Aceitação e Compromisso de Hayes, a Terapia do 
Esquema Emocional de Leahy, a Terapia Cognitiva Processual de Oliveira, 
a Terapia Focada na Compaixão de Gilbert, a Terapia Metacognitiva de 
Wells, a Terapia de Modificação do Viés Atencional de Rutherford, dentre 
outras abordagens.” (MELO,2014, p.20) 
 
É importante também que o tratamento receba atenção especial na ocasião 
da remissão dos sintomas iniciais da depressão, na medida em que há uma 
tendência de o paciente interromper ou abandonar precocemente seu processo. 
Neste sentido, cientificar o paciente sobre o tempo limitado de seu 
acompanhamento pode ampliar sua autoconfiança. Sendo assim, deve-se privilegiar 
as últimas sessões para a avaliação dos benefícios do tratamento com foco na 
prevenção de recaídas, lançando mão dos indicativos de melhora enquanto recursos 
para o enfrentamento de novas situações. 
“Nesse sentido, vale a pena destacar que é necessário ensinar o paciente a 
lidar com a possibilidade de retorno dos sintomas depressivos. Ruminações 
sobre recorrência de sintomas depressivos e suas implicações aumenta o 
risco de recaída. o aprendizado do paciente como “terapeuta de si mesmo” 
deve facilitar o enfrentamento da recorrência dos sintomas e as sessões 
finais da terapia devem abordar este fator” (POWELL, 2008, p.77) 
 
Como exemplo de dados que possam apontar a eficácia da TCC para o 
tratamento da depressão, em revisão de metanálises os resultados nas intervenções 
realizadas demostraram efetividade (efeito=0.95) em transtornos como depressão 
unipolar de adultos e adolescentes, entre outros transtornos (BUTLER et. al., 2006). 
Já Baptista et. al. (2007) descrevem que embora outras abordagens mostrem-
se eficazes tanto para redução, remissão e prevenção dos sintomas depressivos, 
apenas as técnicas cognitiva, interpessoal e a técnica comportamental são 
recomendadas pelos guidelines existentes. 
Do mesmo modo, Almeida e Lotufo Neto (2003) explanaram que embora os 
resultados devam ser examinados de forma cautelosa, no que diz respeito a 
19 
 
prevenção de recaídas e recorrências de episódios depressivos em tratamentos com 
terapia cognitivo-comportamental, não há mais dúvidas acerca da sua eficiência. 
Em estudos que comparam a terapia cognitivo-comportamental a terapias 
não-diretivas, a TCC pareceu ser mais efetiva para o tratamento de adolescentescom elevado grau de sintomas depressivos (ROBERTS, LAZICKI-PUDDY, PUDDY e 
JOHNSON, 2003). 
McPherson e cols. (2005) avaliaram intervenções psicológicas com pacientes 
depressivos que apresentavam resistência ao tratamento e todos os estudos com 
grupo controle que foram submetidos ao tratamento com a TCC apresentaram 
redução nos escores de depressão. 
 O conhecimento empírico e a organização de tais informações sobre a TCC 
diante da depressão têm uma notável relevância na compreensão do transtorno, por 
conseguinte, influenciando diretamente na aquisição de comportamentos mais 
adaptativos, visando oportunizar uma melhora na qualidade de vida do sujeito. 
Ainda sobre a eficácia da TCC para o tratamento da depressão: 
“Atualmente, conta com mais de 300 ensaios clínicos controlados que 
atestam sua eficácia, sendo a abordagem psicoterápica com maior amparo 
empírico. Assim, a TC, ou TCC tal como desenvolvida por Beck, é a mais 
bem pesquisada forma de tratamento envolvendo qualquer transtorno 
psicológico. Muitos estudos e metanálises indicam que ela é efetiva no 
tratamento da depressão, seja leve, moderada ou grave. Além disso, a 
efetividade da TCC na depressão é tão ou mais robusta do que a 
farmacoterapia ou outros tipos de intervenções psicológicas (por exemplo, 
terapia interpessoal ou tratamento de apoio). A TCC tem tido o benefício 
adicional notado em muitos estudos: provoca resposta mais duradoura em 
comparação com o tratamento farmacológico e pode proporcionar um efeito 
substancialmente protetor quanto às recorrências” (POWELL, 2008, p.77) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
5 DISCUSSÃO 
 
 
Há uma percepção coletiva de que os casos de depressão apresentem 
aumento progressivo, principalmente com as mudanças e exigências sociais 
vigentes. Entretanto, é relevante destacar que o alcance da população aos meios de 
informação, oportuniza que os indivíduos reconheçam os quadros sintomatológicos, 
bem como propicia a inteiração acerca das possibilidades de tratamento. 
De acordo com Rodrigues (2000), houve uma expansão nos trabalhos 
dedicados ao estudo da depressão, especialmente no campo psiquiátrico, bem 
como no surgimento de drogas eficazes produzidas pela indústria farmacêutica. 
Todavia, estudos apontam que intervenções que associam psicofármacos à TCC 
apresentam benefícios maiores em relação à remissão de sintomas, se comparados 
àquelas que preconizam o tratamento exclusivamente medicamentoso. Além disso, 
os materiais levantados mostraram que os protocolos associados à TCC 
apresentaram superioridade em relação à remissão dos sintomas, mais perduráveis 
do que os exclusivamente tratados com medicação. 
A maneira como os pensamentos desenrolam-se, geralmente não são 
conscientes. Sendo assim, a TCC auxilia o sujeito a identificar possíveis distorções e 
a compreender de que modo foram provocados (SILVA 2014). 
Carneiro e Dobson (2016) destacam a importância de conceitualizar o 
contexto em que o paciente se encontra a fim de mobilizar mecanismos que 
reduzam a esquiva e ruminação. Para tal, enfatizam a utilização de técnicas de 
relaxamento acrescidos à combinação de outras estratégias. 
A terapia cognitivo-comportamental pode ser empregada em populações 
variadas, com distintas condições culturais, de etárias e de renda, isso porque: 
“Essas adaptações alteraram o foco, as técnicas e a duração do tratamento, 
porém os pressupostos teóricos em si permaneceram constantes. Em todas 
as formas de terapia cognitivo-comportamental derivadas do modelo de 
Beck, o tratamento está baseado em uma formulação cognitiva, as crenças 
e estratégias comportamentais que caracterizam um transtorno específico 
(BECK,2013, p.23). 
 
Com base neste trabalho acredita-se que a TCC auxilia os pacientes a 
entenderem a relação entre seus pensamentos automáticos, sentimentos e 
comportamentos subjacentes. Por meio de estratégias de intervenção, estes tendem 
21 
 
a sentirem-se melhor, alterando seus padrões comportamentais desadaptativos e 
assimilando seus problemas de modo mais pragmático. Tais modificações ocorrem 
como resultado das atividades propostas nas sessões e nas tarefas de casa – uma 
das chancelas da terapia cognitivo-comportamental. 
As estratégias empregadas no tratamento da depressão apoiam-se 
especialmente na conceitualização cognitiva, no reconhecimento dos 
comportamentos disfuncionais, na investigação dos pensamentos automáticos e na 
certificação da crença central (NEUFELD & CAENAGE, 2010). 
Para além das estratégias das abordagens de 2ª onda, a TCC tem oferecido 
contribuições nos mais diversos campos. De acordo com Clark (2014), são 
consideráveis os aportes de pesquisadores e clínicos brasileiros para a ascensão da 
TCC e suas mais atuais reorganizações em 3ª onda; especialmente nas terapias de 
aceitação e compromisso, terapia comportamental dialética e mindfulness. 
A definição da terceira onda em TCC pode ser compreendida por técnicas 
que utilizam modelos mais conceituais e integrativos, ou seja, que se valham dos 
mesmos propósitos das terapias cognitivo-comportamentais, além de incorporarem 
técnicas de outras abordagens – até mesmo atividades de meditação como o 
mindfulness, enquanto ferramentas adicionais. Sobre a cooperação e incorporação 
de abordagens diversas: 
“Apesar de surgir como um modelo diferente e alternativo ao modelo 
comportamental, rapidamente as técnicas eficazes de tratamento foram 
incorporadas pelos cognitivistas em sua prática clínica. Surgiram então os 
primeiros modelos cognitivo-comportamentais para o entendimento das 
diversas patologias. Atualmente, quando alguém diz trabalhar com terapia 
cognitiva, já está implícito que esse profissional também se utiliza das 
ferramentas da terapia comportamental em sua prática clínica” 
(MELO,2014, p.20) 
 
A respeito da mutualidade e/ou possíveis divergências entre as três ondas da 
TCC: 
“Hayes (2004) afirma que a primeira onda da terapia cognitivo-
comportamental falhou em lidar adequadamente com a cognição e a 
segunda onda lidou com este tópico, porém adotou uma psicologia 
relativamente mecanicista. Este autor critica a ênfase dada pela segunda 
onda à combinação de variáveis que permitem uma previsão, sugerindo que 
se deve enfatizar diferencialmente as variáveis contextuais que podem ser 
diretamente manipuladas no processo terapêutico a serviço da mudança 
psicológica. Em contrapartida, Hofmann (2008) critica a percepção de 
alguns modelos de terceira onda como possíveis substitutos a terapia 
cognitiva, salientando a falta de representatividade em evidências empíricas 
de alguns modelos novos. Este autor salienta que estudos deveriam 
combinar as técnicas de terceira onda com aquelas da terapia cognitiva 
tradicional para aumentar a eficácia dos tratamentos. Hofmann (2008) 
22 
 
também sugere o abandono do termo “terceira onda”, argumentando que a 
ciência é um processo contínuo de crescimento e expansão, que a ciência 
deve ser uma construção coletiva e não o esforço de cientistas em 
contextos isolados.” (BARBOSA; TERROSO; ARGIMON, 2014, p.75-76) 
 
É válido ressaltar que as técnicas levantadas neste trabalho são úteis e 
válidas, contudo, necessitam ser inseridas num enquadramento terapêutico. Desta 
forma, a TCC poderá responder às possíveis críticas disseminadas de que a 
abordagem não possui fundamentação teórico-epistemológica ou é voltada ao 
atendimento da satisfação dos clientes. 
Do mesmo modo, ainda que demonstrem base em experiências clínicas, os 
mais novos protocolos de TCC ainda podem apresentar limitações quando 
submetidos a exames empíricos. Por este motivo, reforça-se a necessidade de o 
terapeuta cognitivo-comportamental trabalhar de forma flexível, por meio de uma 
aliança colaborativa, com a estruturação dos atendimentos e ênfase na participação 
ativa de seus pacientes, fundamentalmente os auxiliando de modo a imprimirem 
suas próprias conclusões com base nos aspectos da psicoeducação.23 
 
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
A TCC evidencia a complexidade de como as crenças cooperam para o 
adoecimento dos indivíduos, apresentando um elaborado protocolo de investigação 
de emoções correlato às cognições. Deste modo, destaca-se a importância do tema 
no que diz respeito à proposição de investimentos na saúde pública enquanto meios 
de prevenção, bem como de novos estudos a serem produzidos. 
Levando-se em conta o aspecto multifatorial do transtorno depressivo, é 
importante salientar que o tratamento da depressão não corresponde somente à 
atenuação dos sintomas incapacitantes, mas, sobretudo, a reestruturação da 
existência dos sujeitos afetados. 
Há evidências da contribuição da TCC no tratamento da depressão, bem 
como avanços nas estratégicas psicoterápicas. No que diz respeito às abordagens 
de 3ª onda, há necessidade do acompanhamento de novos estudos para verificação 
da replicação dos resultados, embora os dados recentes sugiram desfechos 
atrelados à sua eficácia. 
Por esse motivo, faz-se necessária também, a reflexão por parte dos 
terapeutas cognitivo-comportamentais para se adequarem às demandas existentes, 
atuando com competências técnica, teórica e interpessoal; uma vez que a 
depressão pode manifestar-se de diferentes formas, indicando desafios a serem 
superados. Além disso, os profissionais devem buscar aprofundarem-se enquanto 
pesquisadores atuantes, coletando novos dados para a consolidação de uma base 
de evidências que possam orientar especialmente as inovações, implementando 
estratégias inovadoras e mantendo a unidade da teoria e dos princípios da 
abordagem em questão. 
Por fim, pode-se concluir que os achados obtidos mostraram que as práticas 
da TCC não apenas revelaram contribuições, como apresentaram, por meio de 
evidências empíricas, efetividade no tratamento da depressão. 
 
 
 
 
24 
 
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WENZEL, Amy. Inovações em terapia cognitivo-comportamental. Porto Alegre: 
Artmed, 2018. 
 
WRIGHT, Jesse H; BASCO, Monica R. e THASE, Michael E. Aprendendo a Terapia 
Cognitivo-Comportamental. Porto Alegre: Artmed, 2008. 
 
WRIGHT, J. H. et al. Terapia cognitivo-comportamental de alto rendimento para 
sessões breves. Porto Alegre: Artmed, 2012. 
29 
 
ANEXO 
 
Termo de Responsabilidade Autoral 
 
 
 
 Eu Camila Gois da Silva, afirmo que o presente trabalho e suas devidas 
partes são de minha autoria e que fui devidamente informado da responsabilidade 
autoral sobre seu conteúdo. 
 Responsabilizo-me pela monografia apresentada como Trabalho de 
Conclusão de Curso de Especialização em Terapia Cognitivo Comportamental, sob 
o título “Contribuições da terapia cognitivo-comportamental para o tratamento 
da depressão”, isentando, mediante o presente termo, o Centro de Estudos em 
Terapia Cognitivo-Comportamental (CETCC), meu orientador e coorientador de 
quaisquer ônus consequentes de ações atentatórias à "Propriedade Intelectual", por 
mim praticadas, assumindo, assim, as responsabilidades civis e criminais 
decorrentes das ações realizadas para a confecção da monografia. 
 
 
São Paulo, __________de ___________________de______. 
 
 
 _______________________ 
Assinatura do (a) Aluno(a)

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