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CETCC- CENTRO DE ESTUDOS EM TERAPIA COGNITIVO- COMPORTAMENTAL CAMILA GOIS DA SILVA CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA COGNITIVO- COMPORTAMENTAL PARA O TRATAMENTO DA DEPRESSÃO São Paulo 2019 CAMILA GOIS DA SILVA CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA COGNITIVO- COMPORTAMENTAL PARA O TRATAMENTO DA DEPRESSÃO Trabalho de conclusão de curso Lato Sensu Área de concentração: Terapia Cognitivo-Comportamental Orientadora: Profa. Dra. Renata Trigueirinho Alarcon Coorientadora: Profa. Msc. Eliana Melcher Martins São Paulo 2019 Fica autorizada a reprodução e divulgação deste trabalho, desde que citada a fonte. Silva, Camila Gois Contribuições da terapia cognitivo-comportamental para o tratamento da depressão Camila Gois da Silva, Renata Trigueirinho Alarcon, Eliana Melcher Martins – São Paulo, 2019. 29 f. + CD-ROM Trabalho de conclusão de curso (especialização) - Centro de Estudos em Terapia Cognitivo-Comportamental (CETCC). Orientadora: Profª. Drª. Renata Trigueirinho Alarcon Coorientadora: Profª. Msc. Eliana Melcher Martins 1. Depressão, 2. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), 3. Terapia Cognitivo- Comportamental e Depressão, 4. Técnicas Terapia Cognitivo-Comportamental e Depressão. I. Silva, Camila Gois. II. Alarcon, Renata Trigueirinho. III. Martins, Eliana Melcher. Camila Gois da Silva Contribuições da terapia cognitivo-comportamental para o tratamento da depressão Monografia apresentada ao Centro de Estudos em Terapia Cognitivo-Comportamental como parte das exigências para obtenção do título de Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental BANCA EXAMINADORA Parecer: ____________________________________________________________ Prof. _______________________________________________________________ Parecer: ____________________________________________________________ Prof. _______________________________________________________________ São Paulo, ___ de ___________ de _____ DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho aos meus pacientes, que diante de seus conflitos e angústias me confiaram suas questões mais particulares, dando-me a oportunidade de aprender com suas narrativas. Em cada uma das experiências pude assimilar aquilo que os livros não ensinaram. Pela possibilidade de participar de seus processos de transformação e pela confiança que em mim depositaram, meu muito obrigada. AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus pais e familiares pelo suporte e amor, por acreditarem e defenderem minha escolha, esforçando-se junto a mim para que superasse todas as dificuldades. Aos meus parentes, amigos e afilhados pela compreensão diante de minhas ocasionais ausências e, sobretudo ao meu marido Rodrigo, pelo apoio incondicional e encorajamento ao longo desta caminhada. Meu reconhecimento também aos mestres e ao CETCC pelo incentivo e conhecimento transmitido e a todas as pessoas que contribuíram para meu sucesso e crescimento profissional. Sou o fruto do estímulo e da credibilidade de cada um de vocês. RESUMO De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2017) a depressão poderá incapacitar a população mundial em pouco tempo, destacando-se como um transtorno com indicadores preocupantes. Este trabalho objetivou identificar as contribuições da terapia cognitivo-comportamental (TCC) para o tratamento da depressão. Para tal, foi realizado levantamento bibliográfico de produções científicas como periódicos, dissertações e teses, com pesquisa em bases de dados como: Google acadêmico, Scielo, Pepsic, Periódicos Capes e BVS. Do mesmo modo, foram utilizados livros sobre o tema proposto para fundamentação teórico- metodológica, sem a finalidade de revisão do estado da arte. Nos quadros depressivos há um contraste entre dados objetivos e a imagem que a pessoa tem de si e, apesar do sofrimento vivenciado devido à auto depreciação, o indivíduo tende a praticar atos que favorecem o aumento de sua angústia. A TCC recorre às técnicas nas quais há a combinação do conjunto de procedimentos comportamentais e da abordagem cognitiva, visando o alívio dos sintomas como objetivo inicial do tratamento, instruindo o paciente a identificar e enfrentar as situações correlatas aos sintomas da doença, bem como praticar repertório de habilidades sociais e resolução de problemas. O conhecimento empírico e a organização de tais informações sobre a TCC diante da depressão têm uma notável relevância na compreensão do transtorno, por conseguinte, influenciando diretamente na aquisição de comportamentos mais adaptativos, visando oportunizar uma melhora na qualidade de vida do sujeito. Com base neste trabalho acredita-se que a TCC auxilia os pacientes a entenderem a relação entre seus pensamentos automáticos, sentimentos e comportamentos subjacentes. Por meio de estratégias de intervenção, estes tendem a sentirem-se melhor, alterando seus padrões comportamentais desadaptativos e assimilando seus problemas de modo mais pragmático. Por fim, pode-se concluir que os achados obtidos mostraram que as práticas da TCC não apenas revelaram contribuições, tal como apresentaram por meio de evidências empíricas, efetividade no tratamento da depressão. Palavras-chave: Depressão, Terapia Cognitivo-comportamental (TCC), Terapia Cognitivo-Comportamental e Depressão, Técnicas Terapia Cognitivo- Comportamental e Depressão. ABSTRACT According to the World Health Organization (WHO, 2017), depression can soon incapacitate the world population, standing out as a disturbance with worrying indicators. This work aimed to identify the contributions of cognitive-behavioral therapy (CBT) for the treatment of depression. For that, a bibliographic survey of scientific productions such as periodicals, dissertations and theses was carried out, with research in databases such as: Academic Google, Scielo, Pepsi, Periodicals Capes and VHL. Likewise, the books on the subject proposed for theoretical- methodological foundation, without a purpose to review the state of the art. In depressive scenarios there is a contrast between the objectives and the image that a person has of himself and, despite what is experienced due to self-depreciation, the person tends to practice acts which are favor the increase of their anguish. CBT refers to techniques in which there is a combination of behavioral and cognitive approaches, focusing on the occurrence of symptoms such as the onset of the process, instructing the patient to identify and cope with the situations related to the symptoms of the disease, as well as practice repertoire of social skills and problem solving. The empirical knowledge and the organization of such information about CBT before the absence have a considerable relevance about the understanding of the disorder, consequently, being influenced by a series of more adaptive behaviors, an opportunity to improve the quality of life of the subject. Based on this work, it is a CBT problem with a relationship between automatic feelings, feelings and underlying behavior. Through intervention strategies, they tend to feel better, altering their maladaptive behavioral patterns, and assimilating their problems more pragmatically. Finally, it can be concluded that the events were constructed based on the practices of CBT not only revealed the benefits, as they were promoted through empirical indicators, such as the unprotected validity of depression. Keywords: Depression, Cognitive-behavioral Therapy (CBT), Cognitive-behavioral Therapy and Depression, Cognitive-behavioral Therapy Techniques and Depression. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 8 2 OBJETIVO ..............................................................................................................11 2.1 OBJETIVO GERAL ............................................................................................. 11 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................... 11 3 METODOLOGIA ..................................................................................................... 12 4 RESULTADOS ....................................................................................................... 13 5 DISCUSSÃO .......................................................................................................... 20 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 23 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 24 8 1 INTRODUÇÃO O termo depressão tem sido amplamente utilizado na linguagem do senso comum para designar estados afetivos de tristeza, e embora abarquem similaridades, possuem desigualdades no que diz respeito à consistência, duração e intensidade. Pode-se atribuir tal banalização da expressão devido ao fato de o transtorno depressivo apresentar-se como um dos grandes distúrbios que acometem a humanidade, além de incitar alterações fisiológicas e comorbidades associadas. Usualmente, devido aos índices alarmantes, todos nós conhecemos pessoas que vivem ou viveram dificuldades relacionadas à depressão. Segundo dados recentes publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 2017) houve um aumento significativo nos casos de depressão em todo o mundo, com estimativas em torno de 322 milhões de sujeitos, sendo a prevalência feminina. Já no Brasil, a depressão atinge 11,5 milhões de pessoas. Consoante com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10, 2012), a depressão é denominada como episódio depressivo e a classificação, conforme gravidade e número dos sintomas, subdividida em três graus: leve, moderado ou grave. Para critérios diagnósticos, o indivíduo deve apresentar redução de energia, rebaixamento do humor, perda de interesse e prazer, diminuição da concentração, alterações de sono e apetite, entre outros. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V, 2014), a depressão está associada com alta mortalidade, em boa parte contabilizada pelo suicídio, embora não seja a única razão para tal. Ainda segundo o DSM-V, é intitulada como Transtorno Depressivo Maior e para o diagnóstico devem ser estabelecidos os seguintes critérios: a) Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de duas semanas e representam uma mudança em relação ao funcionamento anterior: pelo menos um dos sintomas é humor deprimido ou acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades; alteração do peso sem estar fazendo dieta; insônia ou hipersonia; agitação ou retardo psicomotor; fadiga ou perda de energia; sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada; dificuldades para pensar, se concentrar ou tomar decisões e pensamentos recorrentes de morte ou suicídio. b) Os sintomas causam sofrimento significativo ou prejuízo em todos os contextos da vida do indivíduo. c) O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição médica. 9 d) A ocorrência do episódio depressivo maior não é mais bem explicada por outros transtornos. e) Nunca houve um episódio maníaco ou um episódio hipomaníaco. (DSM- V, 2014, p.161) Diversos estudos apontam tratamentos eficazes para a depressão que envolvem a psicoterapia associada ao uso de medicamentos. Tal qual discorreu Souza (1999), o tratamento para a depressão deve ser compreendido de maneira global, levando em conta o sujeito como ser biopsicossocial. Afirma ainda que, portanto, o acompanhamento deve utilizar terapia farmacológica, mudanças no estilo de vida e psicoterapia. Referindo-se especificamente à Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), esta é reconhecida como uma das principais teorias para o tratamento de transtornos psiquiátricos, considerando-se uma série de estudos orientados que indicam um tratamento eficaz para quadros clínicos como a depressão e outros transtornos, além de acrescentar-se ao efeito das medicações no tratamento de transtornos psiquiátricos graves (WRIGHT, 2008). De acordo com Beck (2013), a Terapia Cognitivo-Comportamental foi desenvolvida por Aaron T. Beck na década de 1960, dando início a “uma revolução no campo da saúde mental” (BECK, 2013). Originalmente, o modelo cognitivo – conceito de que o pensamento de um indivíduo influencia as suas emoções e seu comportamento – foi desenvolvido por Aaron Beck para elucidar os processos psicológicos na depressão, em uma investida de explicar a teoria freudiana que envolvia a mesma temática. O modelo cognitivo-comportamental, proposto por Aaron T. Beck e colaboradores, é uma prática bem fundamentada, com um vasto número de evidências de aplicabilidade ao tratamento da depressão (CARNEIRO & DOBSON, 2016). BECK et al (1979 apud ALMEIDA and LOTUFO, 2003), “definem terapia cognitiva como uma abordagem estruturada, ativa, diretiva, limitada no tempo, para tratar alguns transtornos psiquiátricos, lidando com as cognições que o indivíduo apresenta”. Muito tem se pesquisado sobre a depressão, seus desdobramentos e tratamentos. Segundo Carneiro e Dobson (2016), é importante que o profissional se atualize sobre estudos de eficácia para saber a probabilidade de sua intervenção promover resultados adequados ao paciente, dentro de um tempo oportuno. Nesse 10 contexto, realizar um levantamento de achados teóricos e protocolos da TCC oportuniza que terapeutas possam direcionar seus atendimentos com maior eficácia a partir das contribuições da TCC. 11 2 OBJETIVO 2.1 OBJETIVO GERAL Esse trabalho teve como objetivo identificar as contribuições da terapia cognitivo-comportamental para o tratamento da depressão. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1. Contextuar os fundamentos da TCC e da depressão; 2. Examinar e apreender de que forma a TCC, por meio de protocolos, possibilita a melhora sintomática; 3. Explorar e sintetizar as principais técnicas utilizadas pela TCC para o tratamento do transtorno depressivo. 12 3 METODOLOGIA O estudo foi realizado por meio de levantamento bibliográfico de produções científicas como periódicos, dissertações e teses, com pesquisa em bases de dados como: Google acadêmico, Scielo, Pepsic, Periódicos Capes e BVS. Do mesmo modo, foram utilizados livros sobre o tema proposto para fundamentação teórico- metodológica, sem a finalidade de revisão do estado da arte. Os critérios de inclusão foram publicações que tiveram em vista a convergência da aplicabilidade da terapia cognitivo-comportamental no tratamento dos transtornos depressivos, a fim de examinar suas técnicas e fundamentos teóricos. Foram excluídos os estudos voltados para público-alvo circunscrito, bem como textos cuja tônica não correspondia ao conteúdo pretendido. As palavras-chave utilizadas para a pesquisa foram: Depressão, Terapia Cognitivo-comportamental (TCC), Terapia Cognitivo-Comportamental e Depressão, Técnicas Terapia Cognitivo-Comportamental e Depressão; Depression, Cognitive- behavioral Therapy (CBT), Cognitive-behavioral Therapy and Depression, Cognitive- behavioral Therapy Techniques and Depression. 13 4 RESULTADOS De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2017) a depressão poderá incapacitar a população mundial em pouco tempo, destacando-se como um transtorno com indicadores preocupantes. Segundo Coser (2003), é necessário observar as classificações endógenas e exógenas da depressão. Dizem respeito aos aspectos endógenos,a hereditariedade e alterações hormonais, que resultam em somatizações características do transtorno depressivo. Já as questões exógenas referem-se às causas como, por exemplo, os fatores ambientais que contribuem para o desencadeamento do quadro. Quando se fala em depressão deve-se considerar a multiplicidade de sintomas afetivos, instintivos e neurovegetativos, ideativos e cognitivos, relativos à autovaloração, à vontade e à psicomotricidade (DALGALARRONDO, 2008). Consoante com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10, 2012), a depressão é denominada como episódio depressivo e a classificação, conforme gravidade e número dos sintomas, subdividida em três graus: leve, moderado ou grave. Para critérios diagnósticos, o indivíduo deve apresentar redução de energia, rebaixamento do humor, perda de interesse e prazer, diminuição da concentração, alterações de sono e apetite, entre outros. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V, 2014), a depressão está associada com alta mortalidade, em boa parte contabilizada pelo suicídio, embora não seja a única razão para tal. Conforme Beck (2013), a terapia cognitivo-comportamental foi elaborada por Aaron Beck na década de 60 e lapidada para o tratamento da depressão, uma vez que foi entendida enquanto decorrente de pensamentos excessivamente consolidados e distorcidos e não de forças inconscientes como alvitrado pela teoria de Freud. Ainda segundo a autora: “Beck concedeu uma psicoterapia estruturada, de curta duração, voltada para o presente, direcionada para a solução de problemas atuais e a modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais (inadequados e/ou inúteis) ... O tratamento também está baseado em uma conceituação, ou compreensão, de cada paciente (suas crenças específicas e padrões de comportamento). O terapeuta procura produzir de várias formas uma mudança cognitiva – modificação no pensamento e no sistema de crenças do paciente – para produzir uma mudança emocional e comportamental duradoura.” (BECK, 2013, p.22) 14 São características da terapia cognitivo-comportamental a brevidade, a praticidade e a orientação A resultados por meio de objetivos definidos. Como resultado de uma abordagem focada no problema, a TCC é considerada breve por sua natureza. A psicoterapia breve pode ser definida como uma intervenção terapêutica com tempo e objetivos limitados, visando a diminuição de custos relacionados à intervenção… Os objetivos são estabelecidos a partir de uma compreensão diagnóstica do paciente e da delimitação de um foco, considerando-se que esses objetivos sejam passíveis de serem atingidos em um espaço de tempo limitado (que pode ser ou não preestabelecido), por meio de determinadas estratégias clínicas. As psicoterapias breves estão, em termos técnicos, alicerçadas em um tripé: foco, estratégias e objetivos (MORENO, 2014, p.71). Nos quadros depressivos há um contraste entre dados objetivos e a imagem que a pessoa tem de si e, apesar do sofrimento vivenciado devido à auto depreciação, o indivíduo tende a praticar atos que favorecem o aumento de sua angústia. Beck (1997) postula que o modelo cognitivo da depressão se dá a partir do prejuízo da tríade cognitiva (onde o paciente apresenta visões negativas de si, do mundo e do futuro) e, como consequência, das distorções cognitivas (erros sistemáticos de pensamento com falha no processamento das informações). Por este motivo, o paciente com depressão tende a elaborar suas experiências de forma muito negativa, inflexível e absoluta, resultando em interpretações errôneas de situações externas e do próprio desempenho, favorecendo a manutenção de comportamentos depressivos, que acabam por corroborar com os sentimentos de inadequação, desesperança e baixa autoestima. A origem dos pensamentos distorcidos, também chamados de automáticos, segundo Knapp e Beck (2008), está nas crenças centrais ou nucleares e nas crenças intermediárias. Tais crenças são entendidas como percepções de verdades absolutas e são comumente formadas na infância, sendo globais, supergeneralizadas e rígidas. As crenças centrais correspondem ao nível mais fundamental do pensamento e estão inseridas em esquemas – elementos organizados a partir de experiências passadas que orientam o comportamento do indivíduo – influenciados diretamente no entendimento sobre si mesmo, os demais e o mundo. As crenças centrais podem ser relativas ao desamparo, desamor e desvalor (SILVA, 2014). Já as crenças intermediárias são formadas a partir das centrais, em forma de regras, pressupostos e atitudes que regem as condutas pessoais. 15 Em um primeiro momento, pode-se erroneamente compreender e reduzir a TCC a um agrupamento de técnicas a serem aplicadas de modo mecanicista. Para assegurar sua eficácia é imprescindível a competência profissional do terapeuta, por meio de uma vasta gama de habilidades (KNAPP, 2008) O início do tratamento é realizado com uma entrevista inicial, seguida da conceitualização cognitiva, reconhecimento dos pensamentos automáticos e comportamentos desadaptativos, e a percepção da crença central (NEUFELD & CAVENAGE, 2010). As intervenções da TCC são baseadas em instruir o paciente a identificar e enfrentar as situações correlatas aos sintomas da doença, bem como praticar repertório de habilidades sociais e resolução de problemas. O objetivo principal é modificar alterações comportamentais, valores e crenças relacionados aos comportamentos-problema (KNAPP & BECK, 2008; POWELL, ABREU, 2008). A TCC recorre às técnicas nas quais há a combinação do conjunto de procedimentos comportamentais e da abordagem cognitiva, visando o alívio dos sintomas como objetivo inicial do tratamento. A escolha das estratégias utilizadas é determinada de acordo com os comportamentos que se pretende alterar (KNAPP & BECK, 2008). “As técnicas e estratégias comportamentais mais utilizadas no tratamento da depressão são aquelas relacionadas ao automonitoramento (diários), reestruturação cognitiva, técnicas de enfrentamento (iniciar ou realizar alguma atividade), treino de habilidades sociais e resolução de problemas. Essas estratégias têm por objetivo ensinar o indivíduo a identificar sentimentos e pensamentos automáticos disfuncionais que estão relacionados ao seu sentimento de disforia. Registrar o grau de emoção para cada atividade registrada proporciona um autoconhecimento sobre seus sentimentos, valores e crenças (Beck, Rush & Emory, 1997; De Oliveira, 2008; Powell et al., 2008). O paciente deve registrar tanto atividades prazerosas e produtivas quanto aquelas que lhe trazem tristeza ou desânimo em realizá-las. As atividades que ajudam o paciente a desenvolver um autoconhecimento e monitoramento do seu comportamento permitem com que ele entre em contato com as contingências que podem estar mantendo o problema. As aplicações dessas técnicas muitas vezes são estruturadas em protocolos de atendimento. Esses protocolos tendem a delimitar o que será abordado com o paciente a cada sessão. Para o tratamento da depressão, o número de sessões pode variar de 12 a 16 atendimentos. A terapia cognitivo-comportamental tem mostrado resultados significativos no tratamento da depressão, tanto na redução dos sintomas quanto na prevenção do reaparecimento do problema, comparada com outras intervenções breves e com tratamentos medicamentosos (c, 1989; Hollon et al., 2005; Robinson, Berman & Neimeyerm 1990; Teasdale et al., 2000).” (CARDOSO, 2011, p.485) 16 Existem diversas ramificações da TCC que partilham das características da terapia de Beck, embora suas conceitualizações no tratamento possam variar. Ainda assim, o modelo de Beck é o mais usual e conhecido. Dentre as particularidades semelhantes entre elas estão a média do limite de tempo de tratamento (entre 12 a 16 sessões, conforme a maior parte dosmanuais para casos sem gravidade), além de todas serem designadas para a resolução de problemas ou para o enfrentamento de transtornos específicos – transtornos de personalidade ou de maior gravidade podem levar até 2 anos de intervenção (KNAPP, 2008). Em busca de técnicas para a modificação de crenças disfuncionais e dos comportamentos disfuncionais, pesquisadores da TCC foram influenciados por teorias distintas. Na literatura, as técnicas são explanadas de forma isolada para fins didáticos, visto que afetam processos cognitivos e padrões comportamentais. Embora o foco deste estudo não seja o aprofundamento nas estratégias propriamente ditas, faz-se importante discorrer sobre os procedimentos disponíveis e usuais para o tratamento da depressão. De acordo com Melo (2014), dentre as estratégias psicoterápicas correspondentes à 1ª e 2ª ondas estão a psicoeducação e a reestruturação cognitiva – o que representa munir o paciente de informações por meio de leituras, registro e categorização de pensamentos disfuncionais, exame de evidências, uso de seta descendente, conceituação cognitiva, construção de cartões de enfrentamento, entre outros; a entrevista motivacional – que explora a ambivalência e auxilia na redução da resistência sobre mudar o comportamento-alvo e ampliar o comprometimento e motivação para com o tratamento; o automonitoramento e resolução de problemas – para a garantia do empirismo colaborativo e aumento das habilidades metacognitivas com registros diversos, uso de balança decisacional, Role-play e plano de ação; o manejo da ansiedade e do estresse – com modulação, treino de controle, relaxamento muscular progressivo, respiração diafragmática, dessensibilização sistemática e exposição diversas; o treino de habilidades sociais – apoiado na modelação e modelagem; as estratégias experenciais com foco nas necessidades emocionais – com a utilização de imagens mentais e de cartas direcionadas; mindfulness – com controle da respiração e técnicas de meditação; e a prevenção de recaída – para o oferecimento de recursos capazes de minimizar a ocorrência de regressões e recaídas. 17 Ainda segundo o autor, as abordagens condizentes com a 3ª onda envolvem a terapia do esquema – compreensão do processamento de informações não disponíveis aos processos conscientes; terapia do esquema emocional – compreensão do papel das emoções pela identificação e aceitação; a terapia comportamental dialética – compreensão da interpretação das distorções como a manutenção da psicopatologia em casos de transtornos de personalidade, por exemplo; a terapia de aceitação e compromisso – considerando o sofrimento enquanto experiência inescapável, não privilegiando a atenuação dos sintomas apontados como queixas; a terapia focada na compaixão – com a remissão do auto criticismo e vergonha, tendo com base os conceitos da Psicologia Evolucionista, sem estabelecer a disfuncionalidade do pensamento; a terapia cognitiva processual – de origem brasileira e análoga a um processo judicial com pressupostos da TCC padrão, com modelo de conceitualização próprio voltado ao acúmulo de evidências contrárias a visão negativa de si; a terapia de modificação do viés atencional – privilegiando a alteração dos automatismos atencionais para vestígios não relacionados à queixa em questão; e terapia metacognitiva – focada no treino para controle e manejo de cognições a partir da compreensão dos mecanismos envolvidos nas operações cognitivas. Nos últimos 15 a 20 anos, as terapias contextuais ou de terceira onda, vêm recebendo bastante atenção. Características importantes distinguem a TCC de terceira geração das mais tradicionais, especialmente a alteração do foco para o funcionamento e não mais e somente no conteúdo. Com o objetivo de reduzir as distorções cognitivas, a prática de mindfulness, por exemplo, vem sendo indicada na prevenção de recaídas, visando a identificação e aceitação de emoções desagradáveis de se sentir, proporcionando a autoconsciência no momento presente. (CARNEIRO & DOBSON, 2016) A terapia cognitivo-comportamental não é linear cronologicamente. Ao longo das três ondas, consideradas enquanto revoluções, visões de mundo diferenciadas influenciaram uma diversidade de embasamentos teóricos. O que em um primeiro instante pôde aparentar um contratempo epistemológico, contribuiu de modo a desenvolver meios de abarcar demandas mais contemporâneas. Assim, primeira, segunda e terceira ondas podem ser compreendidas como complementares, a fim de oportunizar técnicas eficazes para o tratamento dos mais diversos transtornos psíquicos. 18 “[...] Alguns teóricos definem as diferentes abordagens das terapias cognitivo-comportamentais em três “ondas”. Dessa forma, o modelo comportamental, calcado nos fundamentos comportamentais de Watson, Skinner, Bandura, Wolpe e outros, estariam na chamada primeira onda. A segunda onda inclui as terapias cognitivo-comportamentais argumentativas, que focam nos elementos cognitivos, tais como a Terapia Cognitiva de Beck, a Terapia Racional-Emotiva de Ellis, a Terapia Cognitivo- Construtivista de Guidano & Liotti, dentre outras. Entretanto, o conhecimento não para, e muitas abordagens surgiram, principalmente após a década de 1990, quando grandes avanços começaram a se desenhar no cenário das psicoterapias baseadas em evidências. A terceira onda, então, é definida pelos modelos mais integrativos e conceituais como a Terapia Comportamental Dialética de Linehan, a Terapia do Esquema de Young, a Terapia de Aceitação e Compromisso de Hayes, a Terapia do Esquema Emocional de Leahy, a Terapia Cognitiva Processual de Oliveira, a Terapia Focada na Compaixão de Gilbert, a Terapia Metacognitiva de Wells, a Terapia de Modificação do Viés Atencional de Rutherford, dentre outras abordagens.” (MELO,2014, p.20) É importante também que o tratamento receba atenção especial na ocasião da remissão dos sintomas iniciais da depressão, na medida em que há uma tendência de o paciente interromper ou abandonar precocemente seu processo. Neste sentido, cientificar o paciente sobre o tempo limitado de seu acompanhamento pode ampliar sua autoconfiança. Sendo assim, deve-se privilegiar as últimas sessões para a avaliação dos benefícios do tratamento com foco na prevenção de recaídas, lançando mão dos indicativos de melhora enquanto recursos para o enfrentamento de novas situações. “Nesse sentido, vale a pena destacar que é necessário ensinar o paciente a lidar com a possibilidade de retorno dos sintomas depressivos. Ruminações sobre recorrência de sintomas depressivos e suas implicações aumenta o risco de recaída. o aprendizado do paciente como “terapeuta de si mesmo” deve facilitar o enfrentamento da recorrência dos sintomas e as sessões finais da terapia devem abordar este fator” (POWELL, 2008, p.77) Como exemplo de dados que possam apontar a eficácia da TCC para o tratamento da depressão, em revisão de metanálises os resultados nas intervenções realizadas demostraram efetividade (efeito=0.95) em transtornos como depressão unipolar de adultos e adolescentes, entre outros transtornos (BUTLER et. al., 2006). Já Baptista et. al. (2007) descrevem que embora outras abordagens mostrem- se eficazes tanto para redução, remissão e prevenção dos sintomas depressivos, apenas as técnicas cognitiva, interpessoal e a técnica comportamental são recomendadas pelos guidelines existentes. Do mesmo modo, Almeida e Lotufo Neto (2003) explanaram que embora os resultados devam ser examinados de forma cautelosa, no que diz respeito a 19 prevenção de recaídas e recorrências de episódios depressivos em tratamentos com terapia cognitivo-comportamental, não há mais dúvidas acerca da sua eficiência. Em estudos que comparam a terapia cognitivo-comportamental a terapias não-diretivas, a TCC pareceu ser mais efetiva para o tratamento de adolescentescom elevado grau de sintomas depressivos (ROBERTS, LAZICKI-PUDDY, PUDDY e JOHNSON, 2003). McPherson e cols. (2005) avaliaram intervenções psicológicas com pacientes depressivos que apresentavam resistência ao tratamento e todos os estudos com grupo controle que foram submetidos ao tratamento com a TCC apresentaram redução nos escores de depressão. O conhecimento empírico e a organização de tais informações sobre a TCC diante da depressão têm uma notável relevância na compreensão do transtorno, por conseguinte, influenciando diretamente na aquisição de comportamentos mais adaptativos, visando oportunizar uma melhora na qualidade de vida do sujeito. Ainda sobre a eficácia da TCC para o tratamento da depressão: “Atualmente, conta com mais de 300 ensaios clínicos controlados que atestam sua eficácia, sendo a abordagem psicoterápica com maior amparo empírico. Assim, a TC, ou TCC tal como desenvolvida por Beck, é a mais bem pesquisada forma de tratamento envolvendo qualquer transtorno psicológico. Muitos estudos e metanálises indicam que ela é efetiva no tratamento da depressão, seja leve, moderada ou grave. Além disso, a efetividade da TCC na depressão é tão ou mais robusta do que a farmacoterapia ou outros tipos de intervenções psicológicas (por exemplo, terapia interpessoal ou tratamento de apoio). A TCC tem tido o benefício adicional notado em muitos estudos: provoca resposta mais duradoura em comparação com o tratamento farmacológico e pode proporcionar um efeito substancialmente protetor quanto às recorrências” (POWELL, 2008, p.77) 20 5 DISCUSSÃO Há uma percepção coletiva de que os casos de depressão apresentem aumento progressivo, principalmente com as mudanças e exigências sociais vigentes. Entretanto, é relevante destacar que o alcance da população aos meios de informação, oportuniza que os indivíduos reconheçam os quadros sintomatológicos, bem como propicia a inteiração acerca das possibilidades de tratamento. De acordo com Rodrigues (2000), houve uma expansão nos trabalhos dedicados ao estudo da depressão, especialmente no campo psiquiátrico, bem como no surgimento de drogas eficazes produzidas pela indústria farmacêutica. Todavia, estudos apontam que intervenções que associam psicofármacos à TCC apresentam benefícios maiores em relação à remissão de sintomas, se comparados àquelas que preconizam o tratamento exclusivamente medicamentoso. Além disso, os materiais levantados mostraram que os protocolos associados à TCC apresentaram superioridade em relação à remissão dos sintomas, mais perduráveis do que os exclusivamente tratados com medicação. A maneira como os pensamentos desenrolam-se, geralmente não são conscientes. Sendo assim, a TCC auxilia o sujeito a identificar possíveis distorções e a compreender de que modo foram provocados (SILVA 2014). Carneiro e Dobson (2016) destacam a importância de conceitualizar o contexto em que o paciente se encontra a fim de mobilizar mecanismos que reduzam a esquiva e ruminação. Para tal, enfatizam a utilização de técnicas de relaxamento acrescidos à combinação de outras estratégias. A terapia cognitivo-comportamental pode ser empregada em populações variadas, com distintas condições culturais, de etárias e de renda, isso porque: “Essas adaptações alteraram o foco, as técnicas e a duração do tratamento, porém os pressupostos teóricos em si permaneceram constantes. Em todas as formas de terapia cognitivo-comportamental derivadas do modelo de Beck, o tratamento está baseado em uma formulação cognitiva, as crenças e estratégias comportamentais que caracterizam um transtorno específico (BECK,2013, p.23). Com base neste trabalho acredita-se que a TCC auxilia os pacientes a entenderem a relação entre seus pensamentos automáticos, sentimentos e comportamentos subjacentes. Por meio de estratégias de intervenção, estes tendem 21 a sentirem-se melhor, alterando seus padrões comportamentais desadaptativos e assimilando seus problemas de modo mais pragmático. Tais modificações ocorrem como resultado das atividades propostas nas sessões e nas tarefas de casa – uma das chancelas da terapia cognitivo-comportamental. As estratégias empregadas no tratamento da depressão apoiam-se especialmente na conceitualização cognitiva, no reconhecimento dos comportamentos disfuncionais, na investigação dos pensamentos automáticos e na certificação da crença central (NEUFELD & CAENAGE, 2010). Para além das estratégias das abordagens de 2ª onda, a TCC tem oferecido contribuições nos mais diversos campos. De acordo com Clark (2014), são consideráveis os aportes de pesquisadores e clínicos brasileiros para a ascensão da TCC e suas mais atuais reorganizações em 3ª onda; especialmente nas terapias de aceitação e compromisso, terapia comportamental dialética e mindfulness. A definição da terceira onda em TCC pode ser compreendida por técnicas que utilizam modelos mais conceituais e integrativos, ou seja, que se valham dos mesmos propósitos das terapias cognitivo-comportamentais, além de incorporarem técnicas de outras abordagens – até mesmo atividades de meditação como o mindfulness, enquanto ferramentas adicionais. Sobre a cooperação e incorporação de abordagens diversas: “Apesar de surgir como um modelo diferente e alternativo ao modelo comportamental, rapidamente as técnicas eficazes de tratamento foram incorporadas pelos cognitivistas em sua prática clínica. Surgiram então os primeiros modelos cognitivo-comportamentais para o entendimento das diversas patologias. Atualmente, quando alguém diz trabalhar com terapia cognitiva, já está implícito que esse profissional também se utiliza das ferramentas da terapia comportamental em sua prática clínica” (MELO,2014, p.20) A respeito da mutualidade e/ou possíveis divergências entre as três ondas da TCC: “Hayes (2004) afirma que a primeira onda da terapia cognitivo- comportamental falhou em lidar adequadamente com a cognição e a segunda onda lidou com este tópico, porém adotou uma psicologia relativamente mecanicista. Este autor critica a ênfase dada pela segunda onda à combinação de variáveis que permitem uma previsão, sugerindo que se deve enfatizar diferencialmente as variáveis contextuais que podem ser diretamente manipuladas no processo terapêutico a serviço da mudança psicológica. Em contrapartida, Hofmann (2008) critica a percepção de alguns modelos de terceira onda como possíveis substitutos a terapia cognitiva, salientando a falta de representatividade em evidências empíricas de alguns modelos novos. Este autor salienta que estudos deveriam combinar as técnicas de terceira onda com aquelas da terapia cognitiva tradicional para aumentar a eficácia dos tratamentos. Hofmann (2008) 22 também sugere o abandono do termo “terceira onda”, argumentando que a ciência é um processo contínuo de crescimento e expansão, que a ciência deve ser uma construção coletiva e não o esforço de cientistas em contextos isolados.” (BARBOSA; TERROSO; ARGIMON, 2014, p.75-76) É válido ressaltar que as técnicas levantadas neste trabalho são úteis e válidas, contudo, necessitam ser inseridas num enquadramento terapêutico. Desta forma, a TCC poderá responder às possíveis críticas disseminadas de que a abordagem não possui fundamentação teórico-epistemológica ou é voltada ao atendimento da satisfação dos clientes. Do mesmo modo, ainda que demonstrem base em experiências clínicas, os mais novos protocolos de TCC ainda podem apresentar limitações quando submetidos a exames empíricos. Por este motivo, reforça-se a necessidade de o terapeuta cognitivo-comportamental trabalhar de forma flexível, por meio de uma aliança colaborativa, com a estruturação dos atendimentos e ênfase na participação ativa de seus pacientes, fundamentalmente os auxiliando de modo a imprimirem suas próprias conclusões com base nos aspectos da psicoeducação.23 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS A TCC evidencia a complexidade de como as crenças cooperam para o adoecimento dos indivíduos, apresentando um elaborado protocolo de investigação de emoções correlato às cognições. Deste modo, destaca-se a importância do tema no que diz respeito à proposição de investimentos na saúde pública enquanto meios de prevenção, bem como de novos estudos a serem produzidos. Levando-se em conta o aspecto multifatorial do transtorno depressivo, é importante salientar que o tratamento da depressão não corresponde somente à atenuação dos sintomas incapacitantes, mas, sobretudo, a reestruturação da existência dos sujeitos afetados. Há evidências da contribuição da TCC no tratamento da depressão, bem como avanços nas estratégicas psicoterápicas. No que diz respeito às abordagens de 3ª onda, há necessidade do acompanhamento de novos estudos para verificação da replicação dos resultados, embora os dados recentes sugiram desfechos atrelados à sua eficácia. Por esse motivo, faz-se necessária também, a reflexão por parte dos terapeutas cognitivo-comportamentais para se adequarem às demandas existentes, atuando com competências técnica, teórica e interpessoal; uma vez que a depressão pode manifestar-se de diferentes formas, indicando desafios a serem superados. Além disso, os profissionais devem buscar aprofundarem-se enquanto pesquisadores atuantes, coletando novos dados para a consolidação de uma base de evidências que possam orientar especialmente as inovações, implementando estratégias inovadoras e mantendo a unidade da teoria e dos princípios da abordagem em questão. Por fim, pode-se concluir que os achados obtidos mostraram que as práticas da TCC não apenas revelaram contribuições, como apresentaram, por meio de evidências empíricas, efetividade no tratamento da depressão. 24 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, Paulo Roberto; ABREU, Juliana Helena dos Santos Silvério. 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Responsabilizo-me pela monografia apresentada como Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Terapia Cognitivo Comportamental, sob o título “Contribuições da terapia cognitivo-comportamental para o tratamento da depressão”, isentando, mediante o presente termo, o Centro de Estudos em Terapia Cognitivo-Comportamental (CETCC), meu orientador e coorientador de quaisquer ônus consequentes de ações atentatórias à "Propriedade Intelectual", por mim praticadas, assumindo, assim, as responsabilidades civis e criminais decorrentes das ações realizadas para a confecção da monografia. São Paulo, __________de ___________________de______. _______________________ Assinatura do (a) Aluno(a)