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Trichomonas vaginalis Histórico, biologia, morfologia parasitária, ciclo biológico, transmissão, imunidade, patogenia, sintomatologia, epidemiologia, diagnóstico, profilaxia e tratamento. Introdução • Cavalier-Smith (2002) apontou a possibilidade de eucariontes serem advindos da transformação evolutiva de eubacterias gram-positivas como a arqueobacteria. • Trichomonas Vaginalis é o causador da doença conhecida como tricomoníase/ tricomonose, uma DST não viral mais importante do planeta. • Estima-se que aproximadamente 250-350 milhões de pessoas estejam infectadas com T. vaginalis no mundo. • Tricomononíase parece conduzir uma predisposição ao HIV, devido a intensa inflamação no epitélio vaginal, exocérvice da mulher e na uretra do homem, causando pontos hemorrágicos na mucosa o que possibilita o acesso do vírus a corrente sanguínea. Classificação • Reino: Protista. • Sub Reino: Protozoa. • Filo: Sarcomastigophora (Axostylata) Protozoários que locomovem por meio de flagelos. • Classe: Zoomastigophorea Organismos dotados de flagelos. • Ordem: Trichomonadida Apresenta 4 - 6 flagelos, dos quais um é recorrente. • Família: Trichomonadidae protozoários flagelados de ciclo de vida simples. • Gênero: Trichomonas. • Espécie: Trichomonas Vaginalis. Parasito - Anaeróbico facultativo Vive sem a presença de oxigênio. - Unicelular e se dividem por divisão binária. - Heterotrófico Não consegue gerar seu próprio alimento (precisa ingerir moléculas orgânicas de outro ser vivo) Captação de nutrientes é feita através da liberação de pseudópodes (fixação em partículas sólidas). Morfologia • Apresenta APENAS o estágio trofozoíto. • TROFOZOÍTO : 9 μm de comprimento por 7 μm de largura fixado e Vivo são maiores. • Célula polimorfa (não possui estruturas de sustentação ou que confira rigidez sobre a membrana); elipsóides ou ovais. • Cinco flagelos – 4 anteriores (Canal periflagelar) e 1 recorrente (membrana ondulante). • A respiração é feita pelos hidrogenossomos, semelhantes as mitocôndrias, porém, não completam o ciclo de Krebs e produzem moléculas de hidrogênio ao invés de oxigênio, são AMITOCONDRIAIS. Biologia HABITAT: Trato genitourinário do homem (uretra e próstata) e da mulher (vagina e endocérvix). REPRODUÇÃO: Divisão binária / Núcleo – Criptopleuromitótica, sendo o cariótipo constituído por 6 cromossomos. FISIOLOGIA: Organismo anaeróbio facultativo, vive em pH : 5 e 7,5 e T: 20ºC e 40ºC. FONTE DE ENERGIA: glicose, maltose, galactose, glicogênio. Ferro Hemácias. Doença sexualmente transmissível (DST) • Via não venérea para explicar infecção em crianças e adolescentes virgens Gotículas de secreção vaginal em toalhas, assento sanitário, água de piscina não clorada, roupas íntimas e toalhas úmidas Incomum. • Parto normal 2 a 17% de meninas recém-nascidas de mães infectada com T. vaginalis podem adquirir infecção no trato urinário ou vagina. Ciclo biológico do tipo monóxeno. Patogênia • Ao invadi o hospedeiro o parasito muda o pH vaginal, promovendo aumento do pH devido a utilização do glicogênio da parede vaginal. O pH da vagina é 5,o, muito ácido para o parasito. • Aumento do pH vaginal promove uma redução de Lactobacillus acidophilus Aumento de bactéria anaeróbicas. • T. vaginalis – Leucócitos Ocorre um aumento da secreção de IL-8, ocorrendo um aumento exacerbado da migração de neutrófilos para o local da infecção Emissão de pseudópodes por neutrófilos Fagocitose Mas os parasitos são grandes, não ocorrendo o processo de apoptose. Patogênia associada a aderência. • T. vaginalis Superfície adesinas (AP120, AP65, AP51, AP33, AP23) Células epiteliais. • Cisteina proteinase e o “cell death factor” (CDF) Escape do sistema complemento Degrada a porção C3 Degrada anticorpos presentes na região uretral (IgA, IgM e IgG). • A expressão dos genes que codificam as proteinases e adesinas Modulado pela presença de cálcio e ferro Durante período menstrual exacerbação dos sintomas. Imunidade • Não confere imunidade duradora (anticorpos não protetores) Anticorpos desaparecem após 6 meses aproximadamente. • Anticorpos impedem adesão, porém cisteína proteinase do parasita degrada IgG. • Imunidade Inata Presença de neutrófilos no local de infecção Apoptose dos neutrófilos (ativação da caspase 3) Ativação da caspase 3 também é modulada pelo aumento de ROS. • Induz liberação de IL-10 por macrófagos Reduzindo uma resposta inflamatória protetora. Complicações • Parto prematuro Ruptura da membrana Baixo peso ao nascer Alguns caso de natimorto e morte neonatal. • Sintomatologia Assintomático ao agudo. • Secreção vaginal fluído amarelo-esverdeada Odor fétido Mais frequente no período pós-menstrual. Prurido ou irritação vulvovaginal de intensidade variável, dor durante o ato sexual, dor ao urinar, pontos hemorrágicos na parede cervical. Sintomas no homem • É comumente assintomática. • Ou pode apresenta-se como uma uretrite com fluxo leitoso ou purulento. • Leve sensação de prurido na uretra. • Pela manhã, antes da passagem da urina pode observado um corrimento claro com desconforto ao urinar Durante o dia a secreção é escassa. • Assintomáticos Na uretra e talvez na próstata (raramente na bexica e na vesícula seminal). • Sintomático Uretrite, prostatite e cistite. Diagnóstico • Clínico Não pode ser usado como fonte segura de diagnóstico • 88% dos casos não seriam diagnosticados corretamente. • 29% seriam diagnosticados com infecção urinária ou outra. • Sx • Laboratorial Coleta de material para os HOMENS: • Não realizar higienização e não urinar antes da coleta. • Centrifugação e análise do sedimento. O parasito é melhor encontrado no sêmen do que na urina ou esfregaços uretrais. • Secreção uretral e material sub-prepucial: swab umedecido em solução isotônica. • • Coleta de material Para mulheres • Não realizar higienização -18 a 24h antes da coleta. • Maior concentração do parasito logo após a menstruação. • Coleta de material através de swab. • Não utilizar nenhum medicamento tricomonicida há 15 dias. Tratamento Metronidazol (2g) e Tinidazol (2g) Oral e pomada. Secnidazol (2g). Gestantes não devem tomar o metronidazol Primeiro trimestre da gestação. T. vaginalis não é sensível a antibióticos. Profilaxia • Diagnóstico em pacientes assintomáticos. • Triagem das mulheres sexualmente ativas. • Tratamento dos doentes (Casal). • Uso de preservativo. • Não compartilhar toalhas de banho com outras pessoas. Referências: Informações retiradas de: NEVES, D. P. PARASITOLOGIA HUMANA. 12ª ed. SÃO PAULO: ATHENEU, 2011. REY, L. PARASITOLOGIA. 4ª ed. RIO DE JANEIRO, GANABARA KOOGAN, 2008.