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REFERÊNCIAS: Neves, DP. Prasitologia Humana, 11ª ed. 
1 Raquel Diniz | Farmácia – 8º P 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES GERAIS 
• Infecção sexualmente transmissível (IST) não-viral 
mais comum no mundo. 
• Tem como agente etiológico a espécie 
Trichomonas vaginalis. 
• Estima-se que ocorram a cada ano 250 a 350 
milhões de casos no mundo. 
• A incidência da infecção depende de vários fatores 
incluindo idade, atividade sexual, número de 
parceiros sexuais, outras ISTs, fase do ciclo 
menstrual e condições socioeconômicas. 
• A prevalência é alta entre os grupos de nível 
socioeconômico baixo, entre as pacientes de 
clínicas ginecológicas, pré-natais e em serviços de 
doenças sexualmente transmitidas. 
• O microrganismo, não tendo a forma cística, é 
suscetível a dessecação e as altas temperaturas, 
mas pode viver, fora de seu hábitat por algumas 
horas sob altas condições de umidade. O T. 
vaginalis pode viver durante três horas na urina 
coletada e seis horas no sêmen ejaculado. 
TAXONOMIA 
• Família – Trichomonadidae 
• Subfamília – Trichomonadinae 
• Ordem - Trichomonadida 
• Classe - Zoomastigophorea 
• Filo - Sarcomastigophora 
• Espécie - Trichomonas vaginalis 
OUTRAS ESPÉCIES ENCONTRADAS NO HOMEM 
→ Trichomonas tenax – vive na cavidade bucal 
humana e também de chipanzés e macacos. 
→ Trichomonas hominis - habita o trato intestinal 
humano. 
→ Trichomonas faecalis - foi encontrado num único 
paciente 
 
 
• 
 
 
ETIOLOGIA E MORFOLOGIA 
• Habita o trato geniturinário do homem e da 
mulher, onde produz a infecção e não sobrevive 
fora do sistema urogenital. 
• Mede cerca 9,7 µm de comprimento por 7,0 µm 
de largura. 
• É uma célula polimorfa, tanto no hospedeiro 
natural como em meios de cultura. 
• Os espécimes vivos são elipsoides ou ovais e 
algumas vezes esféricos ou ainda piriformes; São 
muito plásticos, capacidade de formar 
pseudópodes. 
• Não tem forma cística, somente trofozoítica. 
• Forma variável, tanto nas preparações a fresco 
como nas coradas. 
• A reprodução ocorre por divisão binária 
longitudinal. 
• Organismo anaeróbio facultativo. 
TROFOZOÍTOS 
→ 4 flagelos anteriores, desiguais em tamanho que 
partem do canal periflagelar. 
→ Membrana ondulante – 5º flagelo, recorrente, 
emerge fora do canal periflagelar e fica voltado 
para trás. 
→ Axóstilo - estrutura rígida e hialina que se 
projeta através do centro do organismo, 
prolongando-se até a extremidade posterior; 
conecta-se anteriormente a uma pequena 
estrutura em forma de crescente, a pelta. 
→ Cada flagelo nasce de um blefaroplasto. Este 
situa-se antes do axóstilo. 
→ Núcleo relativamente grande, alongado, e 
situado na metade anterior do corpo celular. 
→ No citoplasma encontram-se inúmeros vacúolos, 
granulações e membranas do retículo 
endoplasmático. 
→ Esse protozoário é desprovido de mitocôndrias, 
mas apresenta grânulos densos paraxostilares 
ou hidrogenossomos, dispostos em fileiras. 
 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Prasitologia Humana, 11ª ed. 
2 Raquel Diniz | Farmácia – 8º P 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HABITAT 
→ T. vaginalis vive habitualmente sobre a mucosa 
vaginal, podendo ser observado em outros 
lugares do aparelho geniturinário. 
→ No homem, já foi encontrado no prepúcio, na 
uretra e na próstata. 
FISIOLOGIA 
• O T. vaginalis é um organismo anaeróbio 
facultativo. 
• Cresce na ausência de oxigênio, em meios de 
cultura com faixa de pH compreendida entre 5 e 
7,5 e em temperaturas entre 20 e 40°C. 
• Como fonte de energia, o flagelado utiliza glicose, 
frutose, maltose, glicogênio e amido. 
• Enzimas glicolíticas - utilização de glicídeos pela 
via d'Embden-Meyerhof ou pela via das pentoses. 
 
 
• O ciclo de Krebs é incompleto e o protozoário não 
contém citocromo. 
• Sendo desprovido de mitocôndrias, o parasito 
possui grânulos densos, os hidrogenossomos, 
portadores da piruvato ferredoxina-
oxidorredutase (PFOR), enzima capaz de 
transformar o piruvato em acetato e de liberar 
adenosina-trifosfato (ATP) e hidrogênio 
molecular. 
• O T. vaginalis é capaz de manter em reserva o 
glicogênio. Ele pode realizar a síntese de um certo 
número de aminoácidos, possuindo uma fraca 
atividade de transaminação. 
TRANSMISSÃO 
• Os mecanismos de transmissão de T. vaginalis 
ainda não estão inteiramente esclarecidos. 
• O homem é o vetor da doença. 
• A propagação pelo coito deve ser a forma mais 
frequente, visto que o parasito infecta facilmente 
o homem, alojando-se na uretra, nas vesículas 
seminais ou na próstata. 
• Possibilidade de transmissão através de roupas de 
cama, assentos de vasos sanitários, artigos de 
toalete, instrumentos ginecológicos 
contaminados e roupas íntimas. 
• Transmissão não-sexual rara – crianças, recém-
nascidos, virgens. 
 
 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Prasitologia Humana, 11ª ed. 
3 Raquel Diniz | Farmácia – 8º P 
CICLO BIOLÓGICO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PATOGENIA 
• O estabelecimento de T. vaginalis na vagina inicia-
se com o aumento do pH, redução concomitante 
de Lactobacillus e um aumento na proporção de 
bactérias anaeróbias. 
• As respostas imunes celular e humoral estão 
presentes em pacientes com tricomonose –
contato entre T. vaginalis e leucócitos resulta em 
formação de pseudópodos, internalização e 
degradação das células imunes nos vacúolos 
fagocíticos do parasito. 
• T. vaginalis promove a transmissão do HIV, é 
causa de baixo peso, bem como de nascimento 
prematuro, predispõe mulheres a doença 
inflamatória pélvica atípica, câncer cervical e 
infertilidade. 
• A infecção por T. vaginalis tipicamente faz surgir 
uma agressiva resposta imune celular local com 
inflamação do epitélio vaginal e exocérvice em 
mulheres e da uretra em homens. Essa resposta 
inflamatória induz uma grande infiltração de 
leucócitos, incluindo células-alvo do HIV, como 
linfócitos TCD4+ e macrófagos, aos quais o HIV 
pode se ligar e ganhar acesso. 
SINAIS E SINTOMAS 
• T. vaginalis apresenta alta especificidade de 
localização pelo trato urogenital humano. 
• Período de incubação varia de 3 a 20 dias. 
• Na mulher, o espectro clínico da tricomonose 
varia de forma assintomática ao estado agudo: 
→ Vaginite caracterizada por corrimento vaginal 
fluido abundante de cor amarelo esverdeada, 
bolhoso, de odor fétido, com mais frequência 
no período pós-menstrual; 
• Tem somente a forma trofozoítica; 
• Transmitido através de relação sexual e, raramente, por fômites); 
• Sobrevive apenas em pH entre 5,0 e 7,0 e temperatura entre 20 0c e 40 0c; 
• Utiliza frutose, glicose, maltose e amido como fonte de energia. 
 
 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Prasitologia Humana, 11ª ed. 
4 Raquel Diniz | Farmácia – 8º P 
→ Processo infeccioso acompanhado de 
prurido ou irritação vulvovaginal de 
intensidade variável e dores no baixo 
ventre; 
→ Dor e dificuldade nas relações sexuais, 
desconforto nos genitais externos, dor ao 
urinar (disúria) e poliúria; 
→ Vagina e cérvice podem ser edematosas e 
eritematosas, com erosão e pontos 
hemorrágicos (colpitis macularis); 
→ Mais sintomáticas na gravidez ou entre 
mulheres que usam anticoncepcional oral. 
 
• Em geral, a tricomonose no homem é 
assintomática. 
→ Alguns casos podem apresentar uretrite com 
fluxo leitoso ou purulento e causar uma leve 
sensação de prurido na uretra; 
→ Pode haver as seguintes complicações: 
prostatite, balanopostite e cistite. 
 
 
DIAGNÓSTICO 
• O quadro clínico não é suficiente. 
• Citologia à fresco sela o diagnóstico: parasita tetra-flagelado em movimento. 
• Citologia corada pelo Gram e Papanicolau. 
• PH acima de 4,5. 
• Cultura em meio específico - Kupferberg, Roiron e/ou Diamond (somente em crianças e nos casos muito suspeitos 
onde o exame citológico é negativo). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Prasitologia Humana, 11ª ed. 
5 Raquel Diniz | Farmácia – 8º PTRATAMENTO 
FÁRMACO MECANISMO DE 
AÇÃO 
DOSAGEM/POSOLOGIA EFEITOS 
COLATERIAIS 
CONTRAINDICAÇÕES INTERAÇÕES 
MEDICAMENTOSAS 
METRONIDAZO
L (Flagyl) 
Age interrompend
o a produção de 
material genético 
do 
microrganismo. 
• 250 mg 8/8 h por 7 dias 
• 400 mg 8/8 h por 7 dias 
• 500 mg 12/12 h por 7 dias 
• 2 g (dose única) 
• 100 mg/g (usar um 
aplicador 1 vez por noite 
durante 10 a 20 dias). 
Náuseas, vômitos, 
vertigens, cólicas, 
gosto metálico, 
erupções e 
leucopenia. 
• Hipersensibilidade 
ao metronidazol. 
• Crianças. 
• Evitar durante a 
gravidez e lactação. 
• Álcool: possibilidade de 
aparecimento de rubor, 
vômito e taquicardia. 
• Anticoagulante oral (tipo 
varfarina): potencialização 
do efeito anticoagulante e 
aumento do risco 
hemorrágico. 
• Lítio: os níveis plasmáticos 
de lítio podem ser 
aumentados. 
• Ciclosporina: risco de 
aumento dos níveis 
plasmáticos de 
ciclosporina. 
• Fenitoína ou fenobarbital: 
aumento da eliminação de 
metronidazol, resultando 
em níveis plasmáticos 
reduzidos. 
• 5-fluorouracil: diminuição 
do clearance do 5-
fluorouracil, resultando 
em aumento da toxicidade 
do mesmo. 
• Bussulfano: os níveis 
plasmáticos de bussulfano 
podem ser aumentados 
pelo metronidazol, o que 
pode levar a uma severa 
toxicidade do bussulfano. 
SECNIDAZOL 
(Secnidal, 
Secnizol) 
Derivado sintético 
da série dos nitro-
imidazóis, dotado 
de atividade 
parasiticida. 
2 g (dose única) 
Náuseas, gosto 
metálico, 
inflamação no 
estômago, 
erupções na pele, 
tontura ou 
dificuldade em 
coordenar os 
movimentos. 
• Hipersensibilidade 
aos derivados 
imidazólicos ou a 
qualquer 
componente do 
produto; 
• Suspeita de gravidez 
e durante esta; 
• Aleitamento. 
 
• Dissulfiram: risco de surto 
delirante, estado 
confusional. 
• Anticoagulantes orais: 
aumento do 
efeito anticoagulante e do 
risco de sangramento por 
diminuição do 
metabolismo do fígado. 
• Álcool: calor, vermelhidão, 
vômito, taquicardia. 
 
TINIDAZOL 
(Amplium, 
Ginometrim, 
Pletil...) 
Penetra no 
interior da célula 
do microrganismo 
→ destruição da 
cadeia de DNA ou 
inibição de sua 
síntese. 
2 g (dose única) 
Ingerir após a refeição 
Semelhantes ao 
do metronidazol 
• Primeiro trimestre 
de gravidez; 
• Lactantes (não 
amamentar durante 
o tratamento e no 
mínimo 3 dias após a 
descontinuação). 
• Anticoagulantes: risco de 
potencialização de efeitos. 
• Dissulfiram: efeitos 
confusionais e delírios. 
OBS: Tratar os parceiros e abstinência sexual durante o tratamento são obrigatórios. 
 
 
 
 
https://consultaremedios.com.br/dissulfiram/bula
https://consultaremedios.com.br/sistema-cardiovascular-circulacao/anticoagulante/c
https://consultaremedios.com.br/aparelho-digestivo/figado/c
 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Prasitologia Humana, 11ª ed. 
6 Raquel Diniz | Farmácia – 8º P 
DIAGNÓSTICO PARASITOLÓGICO 
• O parasita vivo pode ser observado em uma preparação de gota de corrimento ou sobre a lâmina com uma gota 
de solução fisiológica, e pode ser claramente identificável ao microscópio devido a sua motilidade típica. 
• Na coloração de Papanicolau o parasita é dificilmente identificado. Eles se apresentam como um pequeno 
organismo em forma de pêra com núcleos típicos. O flagelo é raramente identificado. A imagem do esfregaço 
mostra grandes células escamosas, geralmente com citoplasma eosinofílico e degeneração dos contornos 
citoplasmáticos. Pequenos halos perinucleares são frequentemente identificados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. T. vaginalis 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Prasitologia Humana, 11ª ed. 
7 Raquel Diniz | Farmácia – 8º P 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. Ectocérvice inflamatória: fundo sujo, infecção por Trichomonas vaginalis (setas: 
parasitas visíveis). (obj. 20x) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. Ectocérvice inflamatória: em grande aumento, presença de Trichomonas 
vaginalis (seta). (obj. 40x) 
https://screening.iarc.fr/atlasglossdef.php?lang=4&key=Trichomonas%20vaginalis&img
https://screening.iarc.fr/atlasglossdef.php?lang=4&key=Trichomonas%20vaginalis&img
https://screening.iarc.fr/atlasglossdef.php?lang=4&key=Trichomonas%20vaginalis&img

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