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Psicologia da Comunicação

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fenômenos psicológicos (STEFENON; GIL FILHO, 2009, p. 3).
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FIGURA 24 - PSICOLOGIA SOCIAL E SUAS INTERAÇÕES
FONTE: Disponível em: <https://svtratamentodq.wordpress.com/psicologia-
social/>. Acesso em: jul. 2016.
PSICOLOGIA
SOCIAL
CIÊNCIAS
POLÍTICAS
PERSONALIDADEFILOSOFIA
SOCIOLOGIA
ECONOMIAHISTÓRIA
Como podemos observar, a Psicologia Social leva em conta inúmeras variáveis para 
traçar seu campo de investigação. Todas elas estão ligadas em uma sincronia sistêmica 
que permite a apropriação do conhecimento de forma unificada. Isso também ocorre nas 
representações sociais, onde o dualismo entre o individual e o coletivo é algo que também foi 
abordado por Moscovici. As RS de determinado objeto não contemplam apenas o indivíduo, 
pelo contrário, são consideradas também suas vivências, suas relações com o meio social, 
tais como afetividade, crenças, conhecimento científico, ideais e cultura. As representações 
sociais apresentam características racionais justamente por serem coletivas. Assim, a dualidade 
estabelecida entre o mundo individual e o social é rejeitada. O que existe, na verdade, é uma 
polarização, onde os fenômenos são marcados pela subjetividade de tal forma a aproximar os 
psicológicos e sociais. 
Moscovici (2004) ainda assevera que as representações compartilhadas garantem 
a coexistência entre individualização e socialização. Tais variáveis são fundamentais na 
compreensão do dinamismo da sociedade e as mudanças que a compõem. Para o pesquisador, 
o fundamento está na interação entre sujeitos e grupos, formando a representação social, 
tornando-se, dessa forma, algo indissociável entre sujeito e sociedade. 
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É necessário acabar com as barreiras entre Psicologia e Sociologia, 
entre o individual e o coletivo, concebendo uma nova abordagem 
na estrutura do pensamento humano. Tal reflexão deve ser 
fundamentada em nova organização social, vislumbrando novas 
possibilidades de contato com lugares diversos e distantes, novas 
culturas e formas de ver o mundo (MOSCOVICI, 1978).
No âmbito da comunicação, o sentido de individual pode ser compreendido como o 
próprio mundo em que vivemos, pois é único e invariável. Já a coletividade é representada 
pelas inter-relações e conexões estabelecidas entre os indivíduos de determinado grupo 
social. Neste sentido, as formas de se comunicar mudaram significativamente nos últimos 20 
anos, contudo, apesar de o instrumento que conecta as pessoas passar por aperfeiçoamento, 
o objetivo comum sempre é o mesmo, ou seja, estabelecer canais que permitam a troca de 
informações. Despertando, dessa maneira, possibilidades infinitas, tais como novas tecnologias, 
novos pensamentos e novos conhecimentos.
FIGURA 25 - O INDIVIDUAL E O COLETIVO PARA A COMUNICAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://mrsaraujo-educao.blogspot.com.br/2012/06/projeto-meios-
de-comunicacao-educacao.html>. Acesso em: jul. 2016.
As representações sociais se formam na vida diária das pessoas, estão presentes 
nos meios de divulgação, através da comunicação, nos costumes e instituições, na herança 
histórica, cultural das sociedades, na abordagem de diversos temas. 
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Através das conversas, dentro das quais se elaboram os saberes populares e o 
senso comum, é possível identificar as representações, pois elas se exprimem 
através da linguagem, da arte, da ciência, religião, assim como nas famílias, 
em suas relações e regras, contemplando também as relações econômicas e 
políticas (OSTI; SILVEIRA; BRENELLI, 2013, p. 54). 
Por fim, a presença da representação social no cotidiano das pessoas é percebida por 
meio de opiniões, valores e ideias, os quais são transmitidos – absorvidos –, retransmitidos 
através dos meios de comunicação, como: televisão, rádio, internet, periódicos ou por meio 
de organizações sociais, como igrejas, partidos políticos, associações de bairro e ou grupos 
sociais. As pessoas recebem a informação, a qual é processada na consciência individual e 
passa a integrar a consciência coletiva, reproduzindo assim uma imagem, um valor (OSTI; 
SILVEIRA; BRENELLI, 2013). 
LEITURA COMPLEMENTAR
A NOVAS RELAÇÕES ENTRE O INDIVIDUAL E O COLETIVO
O seminário do Instituto de Pesquisas Avançadas (IEA) da USP, ‘O Indivíduo e o Espaço 
Público’, com participação das professoras Maria Alice Rezende de Carvalho e Vera da Silva 
Telles, e dos sociólogos Bernardo Sorj e Danilo Martuccelli, abordou questões sobre o indivíduo 
no contexto da modernidade e seu lugar dentro das esferas políticas e nos espaços públicos.
O diretor do Centro Edelstein de Pesquisa Social falou sobre as aspirações, as 
esperanças e frustrações que a vida moderna pode suscitar, bem como as pessoas lidam 
com as pressões sociais. A apresentação fez parte de um ciclo de palestras com o tema ‘Em 
Busca do Sentido Perdido: Diálogos Interdisciplinares sobre Ciência e Transcendência’, que 
tem o objetivo de discutir as mudanças causadas pelo novo contexto sociocultural e as novas 
formas de dominação da cultura ocidental contemporânea. 
Graduado em história e sociologia pela Universidade de Haifa – Israel, Sorj alega 
que as maiores preocupações da sociedade – o sucesso, o status, o consumo – advêm dos 
meios de comunicação ou das redes sociais, que transmitem informações superficiais, não 
promovem (ou promovem pouco) a reflexão e o senso crítico do indivíduo. As informações 
‘esgotam-se em si mesmas’. “Vivemos num mundo no qual a tecnologia permeia cada passo 
de nossas vidas, mas não entendemos como ela funciona”, diz ele. Usamos celulares, tablets, 
computadores, mas não nos perguntamos como aquilo funciona, como foi feito. Fazemos uso 
daquilo que consideramos ‘útil’, muitas vezes sem nem saber a procedência, a origem até sua 
total capacidade. O sociólogo uruguaio e naturalizado brasileiro ainda diz: “A comunicação é 
onipresente, mas seu conteúdo é raso”. 
Conseguimos ter acesso à informação hoje de qualquer lugar. Seja no metrô, no ônibus, 
ela chega por meio de TVs, de celulares, do rádio, mas a pressa da vida cotidiana impede que os 
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assuntos sejam tratados com mais profundidade, com discussão. As informações são passadas 
de forma rápida, vazia, apenas com o intuito mesmo de noticiar um fato. Assim, o sentido da 
vida ficou fragilizado. Segundo Sorj, o individualismo e o consumismo não deixam espaço para 
a busca da transcendência do indivíduo. “O tempo se esgota no presente e na insegurança 
sobre o que o futuro trará”, diz ele. Para o sociólogo Danilo Martuccelli, o amor norteia e se 
torna cada vez mais valorizado na vida das pessoas. Ele é uma promessa de felicidade. ‘Muitos 
estão dispostos a morrer por amor’, diz. Junto com esse sentimento, a religião e as crenças 
são um suporte coletivo e individual para muitos na sociedade moderna, em que a vida privada 
e o individualismo criam uma disputa entre o interesse coletivo e a felicidade pessoal. 
Nesse contexto, a professora Maria Alice fala sobre a interação entre as pessoas e os 
coletivos. A vida passou a ser uma troca igualitária, onde cada uma das partes possui seus 
direitos, mas poucos convergem de verdade. ‘Convergir significa abrir mão de uma originalidade’, 
diz ela. É como se o indivíduo abrisse mão da sua própria capacidade em prol das ideias de 
outro. “A sensibilidade contemporânea é a da singularização”, complemente a professora. A 
história passou a ser uma narração subjetivada do tempo. Antes o tempo estava fora de nós, 
era objetivo, comum a toda a humanidade. O diálogo entre os indivíduos, sejam eles produtores 
de conhecimento científico ou de outras áreas que refletem as condições humanas possui 
esse impasse.
FONTE: Disponível em: <https://cbd0282.files.wordpress.com/2014/08/2relatocritico_patriciabeloni.
pdf>. Acesso

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