Logo Passei Direto
Buscar

NEUROCIENCIA_1

Manual sobre comportamento infantil e saúde mental. Contém técnicas e guias para pais, capítulos sobre autismo (sinais e tratamento), TDAH (tratamento e guia), drogas e cérebro, prevenção de cyberbullying e bullying, transtornos de humor e ansiedade e bibliografia.

User badge image
tizziana

em

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPA ? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 2 
 
DIREITOS AUTORAIS 
 
 Esse material está protegido por leis de direitos autorais. Todos os 
direitos sobre o mesmo estão reservados. 
 
Você não tem permissão para vender, distribuir gratuitamente, ou copiar 
e reproduzir integral ou parcialmente esse conteúdo em sites, blogs, jornais ou 
quaisquer veículos de distribuição e mídia. 
 
Qualquer tipo de violação dos direitos autorais estará sujeito a ações 
legais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 3 
Sobre o Autor 
 
O Dr. Gustavo Teixeira 
estudou nos Estados Unidos, 
graduando-se pela South High 
School, em Denver, estado do 
Colorado, onde aprendeu sobre 
programas escolares de inclusão 
de crianças com necessidades 
especiais. Tornou-se médico aos 
25 anos de idade e continuou seus 
estudos no Instituto de Psiquiatria 
da Universidade Federal do Rio de 
Janeiro. Ele também é pós-
graduado em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo, 
Saúde Mental Infantil pela SCMRJ; e possui curso de extensão em 
Psicofarmacologia da Infância e Adolescência pela Harvard Medical School. 
 
É mestre em Educação pela Framingham State University, nos Estados 
Unidos, e palestrante internacional em inclusão e educação especial, tendo 
apresentado dezenas de workshops em 4 continentes, incluindo países como 
Estados Unidos, Austrália, Coreia do Sul, Áustria, Inglaterra e Suécia, e 
cursos de verão nos Estados Unidos para o Department of Special Education 
na Bridgewater State University, universidade americana localizada no estado 
de Massachusetts, onde é professor visitante. 
 
Dr. Gustavo Teixeira é membro da American Academy of Child and 
Adolescent Psychiatry e da Autism Society of America. 
 
 O autor já vendeu mais de 200.000 exemplares, incluindo os best 
sellers Manual dos transtornos escolares e O reizinho da casa, publicados pela 
Editora BestSeller, entre outros títulos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
O INSTITUTO E OS TREINAMENTOS ONLINE 
 
Em 2016 o Dr. Gustavo Teixeira criou, ao lado do empreendedor João 
Roberto Magalhães, o CBI of Miami (Child Behavior Institute of Miami) e 
em menos de dois anos a instituição se tornou uma das maiores escolas de 
ensino online sobre problemas comportamentais infantis, psicopedagogia e 
neurociências da educação e da aprendizagem do mundo. 
Nossos programas educacionais são destinados a profissionais da 
educação, como professores, orientadores educacionais, mediadores 
escolares; além de profissionais da saúde mental infantil, como médicos, 
psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos e 
familiares de crianças com problemas comportamentais. 
Todos os treinamentos são 100% online, com a metodologia de ensino 
do CBI of Miami e são lecionados pelos principais profissionais de cada 
assunto, trazendo aulas em formato de vídeo, textos explicativos, e bate-papo 
ao vivo com o especialista em formato de videoconferência. 
 
CERTIFICADO INTERNCIONAL DE 
EXCELÊNCIA (CIE) 
 
O Certificado Internacional de Excelência (CIE) emitido pelo CBI of 
Miami é garantia de qualidade para educadores e profissionais de saúde 
mental. 
Para obter a certificação, o aluno deve ter participado de pelo menos 
70% das aulas do treinamento, além de realizar as avaliações de 
conhecimentos básicos que são passadas ao longo do curso. Isso tudo sem 
precisar sair de casa. 
 
Certificação e Regulamentação dos cursos de pós-graduação 
Nossa certificação como pós-graduação Lato Sensu em parceria com 
o Centro Universitário Celso Lisboa é válida de acordo com a legislação do 
MEC. 
 
Certificação e Regulamentação dos cursos de extensão 
Nossa certificação está regulamentada pelo MEC como Cursos Livres 
e somos afiliados e reconhecidos pela ABED (Associação Brasileira de 
Educação à Distância). 
 
 
 
 5 
 
ÍNDICE 
 
TÉCNICAS VENCEDORAS PARA O COMPORTAMENTO DO SEU FILHO …...... 06 
GUIA DOS PAIS PARA O COMPORTAMENTO DO SEU FILHO ...............…........ 26 
SINAIS DE ALERTA! QUAIS SÃO AS CARACTERÍSTICAS DO AUTISMO …….. 33 
COMO É O TRATAMENTO DO AUTISMO? …...........................................….. 41 
COMO É O TRATAMENTO DO TDAH? …...............................................…... 53 
TDAH: GUIA DOS PAIS …......................................................................….. 67 
CÉREBRO E AS DROGAS …...................................................................….. 78 
DROGAS: GUIA DOS PAIS E PROFESSORES ….....…..................................... 86 
CYBERBULLYING: MANUAL DE PREVENÇÃO …................................…....... 103 
BULLYING: MANUAL DE PREVENÇÃO ESCOLAR …...................................... 111 
TRANSTORNOS DE HUMOR NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA …................... 121 
TRANSTORNOS DE ANSIEDADENA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA ….............. 134 
BIBLIOGRAFIA …....................................................................................... 147 
 
 
 
 
 
 
 
 6 
- CAPÍTULO 1 - 
TÉCNICAS VENCEDORAS PARA O 
COMPORTAMENTO DO SEU FILHO 
 
Natural do estado americano da Pennsylvania, B. F. Skinner foi um 
psicólogo influente, defensor de reformas sociais, pesquisador da Harvard 
University e considerado o criador do chamado behaviorismo radical. 
Skinner realizou estudos importantes na área da análise do 
comportamento e descrevia o aprendizado como uma causa desse 
comportamento, considerando a possibilidade de modificá-lo à medida que 
aprendemos. Ele afirmava que essa aprendizagem do ser humano poderia ser 
realizada a partir de estratégias de recompensa e punição para a modificação 
do comportamento, denominado de condicionamento operante. 
Skinner acreditava que o comportamento humano poderia ser modulado 
basicamente por essas estratégias, também chamadas de reforçadores 
positivos, isto é, as pessoas seriam capazes de aprender melhor através de 
recompensas ou premiações por seu comportamento. Defendia também que o 
ser humano ao ser punido, seria capaz de aprender a evitar um determinado 
comportamento, embora acreditasse que reforçadores positivos eram bem 
mais eficientes. 
Seus pensamentos influenciaram consideravelmente a educação e a 
medicina do comportamento, tendo sido inclusive, consultor do U.S. 
Department of Education, órgão americano responsável pelo sistema 
educacional daquele país. 
As técnicas comportamentais abordadas neste E-BOOK são diretamente 
ou indiretamente relacionadas aos estudos realizados pelo professor Skinner e 
 
 7 
sua equipe entre as décadas de 1950 e 1990; repetidas, experimentadas e 
utilizadas até hoje com muito sucesso em todo o mundo. Estudos publicados 
nos Estados Unidos e em países da Europa mostram que há uma redução entre 
50 e 90% dos problemas comportamentais infantis relacionados com 
indisciplina, desafio e oposição às regras com a utilização desses métodos, 
sendo essas intervenções muito eficientes para auxiliar na melhoria do 
comportamento do seu ―reizinho ou rainhazinha da casa‖. 
 
PREMIAÇÃO DE COMPORTAMENTOS POSITIVOS 
Uma primeira regra para estimular o bom comportamento da criança é 
premiar comportamentos positivos. Essa técnica parte do princípio que todo 
comportamento estimulado, elogiado ou reforçado, terá probabilidade 
aumentada de vir a se repetir no futuro. 
Mas quais prêmios ou recompensas podem ser oferecidos às crianças e 
adolescentes? Bem, será muito importante que esse prêmio seja motivador à 
ela e a criança ou adolescente precisa se sentir atraída por essa premiação que 
poderá ser, por exemplo, um abraço, um beijo, um elogio, um carinho ou 
frases de incentivo (―parabéns‖; ―bom trabalho‖ ; ―continue assim‖) 
Certos privilégios ou prêmios poderão ser oferecidos, como: assistir 
televisão por mais tempo,horário extra no computador, sair para comer uma 
pizza, ir ao cinema, ou mesmo um presente, como um brinquedo, jogos, um 
chocolate ou um DVD novo. 
Partindo desse princípio comportamental de que todo comportamento 
estimulado, tem suas chances aumentadas de se repetir no futuro, elogios do 
tipo: ―Parabéns Isabela, você guardou sua mochila no armário!‖ aumentam as 
chances da Isabela guardar sua mochila no dia seguinte, por exemplo. Desta 
forma, o objetivo será elogiar comportamentos positivos para que venham a se 
 
 8 
repetir e passe, no decorrer do tempo, a fazer parte da vida da criança, 
tornando-se um comportamento automático! 
O grande problema é que muitas vezes, pais acabam por ―premiar‖ mau 
comportamentos e depois não entendem o porque da repetição e perpetuação 
dessa conduta. Eis um exemplo: Camila, 7 anos de idade estava assistindo 
televisão e começa a chorar compulsivamente após a solicitação da dona 
Maria, sua mãe, para ir dormir, afinal amanhã é dia de aula e a pequena 
Camila precisa acordar cedo. Nesse momento, dona Maria diz: 
_‖Não precisa chorar desse jeito Camilinha, tudo bem... você pode 
assistir mais 30 minutos de televisão, ok? 
Dessa maneira, a dona Maria está acidentalmente premiando a 
choradeira da pequena Camila. Provavelmente da próxima vez que a criança 
desejar algo, ela repetirá o chororô, comportamento ―premiado‖ com os 30 
minutos extra de televisão anteriormente e o problema poderá se tornar cada 
vez pior com as sucessivas desautorizações da dona Maria. 
 
Método de economia de fichas 
 Uma maneira interessante de aplicar esse conceito de premiação para 
estimular comportamentos positivos na criança é a aplicação da chamada 
―tabela de economia de fichas‖. 
Trata-se de um método comportamental eficiente em que uma tabela 
contendo comportamentos alvos a serem estimulados na criança é criada. Será 
muito importante que os itens da tabela sejam colocados de uma forma 
assertiva e positiva, por exemplo: ―Isabela, mantenha seu quarto arrumado‖, 
ao invés de ―Isabela, não bagunce seu quarto‖. 
Esses comportamentos são colocados em um calendário semanal e cada 
item da tabela receberá uma nota no final do dia: 1 ponto, caso o 
 
 9 
comportamento adequado tenha sido realizado corretamente e 0 ponto, caso o 
comportamento não tenha sido realizado. 
A pontuação pode ser realizada de diferentes formas, por exemplo: 
desenho de um rosto feliz com caneta verde para comportamento positivo e 
rosto triste com caneta vermelha para o não cumprimento do combinado em 
cada item. A tabela contará com os sete dias da semana e a criança que 
alcançar um determinado número de pontos no final da semana, após a 
somatória de todos os itens poderá ser premiada ou não, conforme o 
combinado. 
A tabela pode ser afixada na geladeira de casa, por exemplo e a 
pontuação diária deve ser realizada pelos pais e na presença da criança. Desta 
forma os pais poderão mostrar à criança o motivo para o ganho de pontuação 
ou não de cada item. Essa tabela deverá ser trocada semanalmente. Itens 
poderão ser mantidos, trocados ou acrescentados no decorrer das semanas, 
conforme a necessidade. No Apêndice I vide exemplo de uma tabela de 
economia de fichas. 
Para esse reforçador positivo surtir efeito, a técnica deve ser realizada 
ininterruptamente por pelo menos 6 semanas. Além da possibilidade de 
premiação semanal, a criança que for premiada poderá receber uma ficha de 
plástico no final dessa semana, que poderá ser guardada em um pote, por 
exemplo. Os pais podem combinar que ao adquirir um determinado número de 
fichas, estas poderão ser trocadas por um outro prêmio escolhido dentre 
opções do Menu de recompensas criado pelos pais. Vide no Apêndice II um 
exemplo de Menu de recompensas. 
A técnica de economia de fichas é semelhante à conduta de professores 
que oferecem ―pontos positivos‖ para os alunos que realizam um determinado 
trabalho ou se comportam adequadamente na sala de aula, por exemplo. 
 
 10 
Um mito relacionado com a tabela de economia de fichas 
frequentemente me é indagado no consultório: 
_ ―Doutor, não posso fazer isso com o Marcelo, pois desta forma eu 
estarei comprando meu filho!‖ 
Bem, ao aplicar a tabela de economia de fichas você estará ensinando ao 
Marcelo conceitos importantes de relacionamento e de regras sociais. Nesse 
caso, Marcelo precisa saber que todo comportamento traz consequências e que 
para ser ―premiado‖ precisa colaborar com os pais. Da mesma forma que ao 
conseguir um trabalho quando adulto, o pequeno Marcelo necessitará de 
cumprir suas obrigações para receber no final do mês o tão esperado 
―prêmio‖, seu salário. Para aqueles pais que consideram uma ―compra‖ de 
comportamento, faço a seguinte proposta: aceitariam trabalhar de graça em 
uma empresa? 
 
Erros na aplicação da tabela de economia de fichas: 
Alguns erros frequentes podem inviabilizar o sucesso da técnica, eis os 
principais: 
A criança manipula os pais e recebe pontos por comportamentos não 
cumpridos. 
A criança executa o comportamento desejado parcialmente e recebe o 
ponto ou a metade da pontuação. 
A criança não atinge a pontuação mínima para premiação, entretanto 
recebe a recompensa. 
Os pais não se organizam, não preenchem a tabela corretamente e não 
mostram à criança os motivos do não recebimento dos pontos. 
 
 
 
 11 
Contratos pais-filho 
Muitas vezes quando lido com crianças opositivas e desafiadoras 
costumo propor um acordo escrito entre os pais e a criança. O objetivo do 
contrato é auxiliar na resolução de um problema específico de comportamento 
através de sua documentação utilizando-se uma linguagem objetiva e simples. 
Inicialmente os pais devem se sentar com a criança, conversar e identificar 
uma situação problemática. Essa questão é discutida e a solução do problema 
negociada entre ambas as partes. À partir daí, o contrato poderá ser escrito e 
assinado por todos. 
Evite a escolha de problemas difíceis de ser mensurado, por exemplo: 
―Felipe deve melhorar seu comportamento‖. O problema a ser resolvido deve 
ser específico, por exemplo: ―Marcelo deve manter seu quarto arrumado, 
livros na estante, roupas e brinquedos guardados no armário‖; ou ―Rafael deve 
chegar das festas aos sábados até meia noite‖; ou ainda: ―Ângela deve realizar 
os deveres de casa diariamente às 15 horas‖. 
Da mesma forma, o contrato deve exigir compromissos e deveres de 
ambas as partes. Nos exemplos acima os pais poderiam ter os seguintes 
deveres respectivamente: os pais de Marcelo se comprometem a permitir que 
ele brinque no computador diariamente até às 19 horas; os pais de Rafael se 
comprometem a permitir que ele frequente as festas aos sábados à noite. Os 
pais de Ângela permitem que ela brinque na casa de sua vizinha e escute MP3 
após o horário de estudo. 
O não cumprimento do contrato resultará em penalidades descritas no 
mesmo. Após a assinatura do contrato, mantenha uma cópia com a criança e 
guarde outra em um local de fácil acesso à todos da casa, em um quadro de 
avisos ou afixado na geladeira, por exemplo. 
 No Apêndice III vide exemplo de um contrato pais-filho. 
 
 12 
 
Método de antecipação de problemas 
Uma estratégia importante no manejo de comportamentos ligados à 
indisciplina pode ser a antecipação de maus comportamentos. Uma vez que os 
pais já identificam problemas em situações específicas, eles podem determinar 
regras e alertar a criança ou adolescente sobre isso, antecipando e prevenindo 
futuras situações problemáticas. Por exemplo: 
A mãe de Nicolau, 10 anos de idade, o leva a uma festinha de 
aniversário. Antes de chegar ao local do evento, ela poderá estabelecer regras 
de conduta com o pequeno Nicolau, um plano de comportamento que deverá 
ser compartilhado com a criança sobre como se comportar nesse ambiente, 
antecipando situações problemáticas ocorridas no passado. No caso, Nicolau 
haviabrigado com um aniversariante em uma festa na semana anterior, após 
ter enfiado o dedo indicador no meio do bolo e ainda, por não ter aceitado 
compartilhar brincadeiras com outros colegas durante a mesma festa. 
Assim, a mãe de Nicolau relembrou as situações problemáticas 
ocorridas na última festa, orientou sobre o comportamento esperado do filho 
para esse novo evento e o alertou de que o não cumprimento desse plano 
resultará em consequências, como a utilização de técnicas punitivas, como 
castigo, perda de privilégios ou prêmios. 
Portanto, pais que dialogam com seus filhos de forma clara e objetiva, 
orientando, explicando e estimulando comportamentos desejáveis, aumentam 
as chances de sucesso dessa técnica comportamental! 
No caso de Nicolau, sua mãe o elogiou muito quando foram embora da 
festa, pois nesse dia seu comportamento foi exemplar. 
 
 
 
 13 
MÉTODOS DE PUNIÇÃO COMPORTAMENTAL 
Em algumas situações os pais podem e devem utilizar métodos de 
punição por mau comportamento. Claro que premiar o bom comportamento 
pode parecer mais interessante para muitos pais, entretanto a punição de maus 
comportamentos será necessária e deverá ser utilizada em determinados casos. 
Existem diversos tipos de punições e em nenhum caso será utilizado 
punições físicas, condutas agressivas ou ameaças. Punições físicas apenas 
ensinam às crianças e jovens que todo problema pode ser resolvido com 
violência e esse estilo de comportamento dos pais será ensinado aos filhos. 
Vale a pena lembrar que muitas crianças e adolescentes se mostram agressivos 
e violentos na escola porque aprenderam esse padrão de comportamento com 
os pais. 
Basicamente gostaria de descrever 5 técnicas de punição que podem e 
devem ser utilizadas para a correção de comportamentos desobedientes, 
desafiadores e opositivos. Os estudos científicos demonstram que esses 
métodos são muito eficientes, principalmente se aplicados em conjunto, 
utilizando muito bom senso e seguindo os conselhos e dicas sugeridas no 
capítulo seguinte, o Guia dos pais. 
 
Broncas e desaprovação 
Uma maneira interessante de aplicar disciplina será a utilização de 
punições brandas, como broncas e desaprovando comportamentos errados da 
criança. Muitos pais ao tentar coibir indisciplinas de seus filhos caem em um 
grande erro, se tornam irritados, agressivos e acabam gritando, ofendendo, 
ameaçando ou discutindo com a criança. 
Seja calmo, breve, enfático e objetivo na orientação ao filho ou filha. 
Muitos pais que se propõem a dar uma bronca, iniciam um verdadeiro sermão, 
 
 14 
se transformando em verdadeiros pregadores e passam a reclamar de diversas 
coisas, realizando julgamentos e declamando uma série de queixas que não 
tem nada a ver com o motivo da bronca, como no exemplo a seguir da 
pequena Flávia: 
Flávia, 8 anos de idade brigou com a irmã mais nova, a mãe lhe deu 
uma bronca dizendo: 
_ ―Você brigou com sua irmã, não pode... e olhe seu quarto, está uma 
bagunça, tem roupa para todos os cantos... olhe seus brinquedos, todos 
quebrados porque você é descuidada. Ah, e na hora do banho é sempre a 
mesma coisa, você não me obedece...‖ 
 Esse tipo de bronca não se mostra eficaz, pois prejudica e dificulta o 
entendimento da criança, que no final dessa história nem se lembra do motivo 
inicial da desaprovação. 
 Outra questão importante será enfatizar ao filho que você está 
desapontado ou chateado com o comportamento ou atitude dela e não 
exatamente chateado com ela. Isso, na verdade, tem uma grande diferença, 
pois muitos pais costumam criticar o caráter ou a personalidade da criança, 
prejudicando imensamente sua autoestima. Também evite comparações entre 
irmãos ou com colegas da criança. Eis outro exemplo: 
 Ao invés de dizer: ―Hélcio, você não estudou para prova, só tira nota 
baixa, o Fabiano é melhor que você... você só faz coisa errada‖, diga: ―Hélcio, 
você precisa estudar mais para se dar bem na prova, você consegue!‖. 
 
Consequências naturais por mau comportamento 
Em determinadas situações os pais podem permitir que consequências 
naturais por indisciplina ou desrespeito às regras ocorram e assim, mostre à 
criança o resultado negativo de seu comportamento. Por exemplo, Isabel, 10 
 
 15 
anos de idade, briga com suas colegas durante o treino de futsal; 
provavelmente ela vai experimentar a rejeição das mesmas no próximo 
encontro. 
Fabiano, 9 anos, desmonta e quebra seu videogame intencionalmente; 
ele pode vivenciar a consequência natural de ficar sem o mesmo, sem tê-lo 
substituído pelos pais. João, 15 anos de idade, quebrou o aparelho celular ao 
arremessá-lo contra a parede, durante um momento de raiva e descontrole 
após uma briga com a namorada. Ele vivenciará a consequência natural de 
ficar sem um aparelho celular! 
Portanto pais, não premiem esses comportamentos negativos com outro 
videogame ao Fabiano ou com um novo aparelho celular ao João!!! 
 
Consequências lógicas por mau comportamento 
 Outra forma de punição ao mau comportamento será a aplicação de 
consequências lógicas por atitudes opositivas, desafiadoras e desobedientes. 
Por exemplo, Gustavo, 7 anos de idade, andou de bicicleta na rua, 
desrespeitando a regra de pedalar apenas na calçada; consequência lógica: foi 
proibido de usar a bicicleta por uma semana. Renata, 6 anos, estava se 
recusando a escovar os dentes, foi proibida de comer balas e chocolate até que 
iniciasse o hábito de escovação diário. Eduardo, 9 anos, não aceita comer 
verduras e legumes; consequência lógica: enquanto não se alimentar 
corretamente, não tem direito de comer sobremesa. 
 
Penalidades por mau comportamento 
 Determinadas atitudes da criança podem merecer penalidades 
específicas, mas que não tenham relação direta com o mau comportamento. 
Por exemplo, Rachel, 11 anos de idade, xingou e bateu no irmão mais novo; 
 
 16 
penalidade: Rachel está proibida de assistir televisão por um dia. Aline, 10 
anos, se recusou a arrumar seu quarto, foi penalizada com a proibição de 
brincar na casa de sua amiga, naquela tarde. Roberta, 14 anos, não realizou 
seus deveres de casa; penalidade: seu Ipad ficou retido por um dia. 
 Será muito importante que os pais apliquem penalidades que tenham um 
significado para a criança, pois de nada adiantaria retirar o Ipad da Roberta, se 
ela raramente utiliza esse aparelho, por exemplo. 
Também evite aplicar penalidades do tipo: ―Você está proibido de 
assistir televisão por um ano‖, penalidades devem ter um significado de perda 
imediata para a criança ou adolescente. Provavelmente o jovem esquecerá até 
os motivos da penalidade se esta for aplicada por um extenso período de 
tempo. 
Além disso, muitos pais se desautorizam e ―reduzem‖ a penalidade 
posteriormente, sendo assim, vale dois novos lembretes: nunca se desautorize 
e nunca determine um castigo que você não poderá cumprir. 
 
Canto do castigo 
Essa técnica punitiva significa uma rápida interrupção das atividades 
que estavam sendo realizadas por seu filho. Ele é colocado nesse local ―chato‖ 
imediatamente após o mau comportamento, permanecendo sentado em um 
banquinho, longe da televisão, logicamente, ou de qualquer fonte 
estimulatória, brinquedo ou jogo e deverá permanecer pelo tempo de um 
minuto para cada ano de idade. 
Um despertador deve ser colocado nesse local para cronometrar os 
minutos do castigo e a criança poderá sair do castigo apenas após o disparo do 
despertador. Durante o período em que a criança estiver de castigo, ignore 
seus pedidos, perguntas e reclamações, ela deve aprender que somente 
 
 17 
receberá atenção após o despertador tocar. A técnica mostra-se muito eficaz 
com crianças entre 3 e 11 anos de idade e a criança deve ser estimulada a 
pensar durante o castigo sobre seu mau comportamento e sobre a 
consequência aplicada. 
Caso seja preciso colocar 2 ou mais filhos no canto do castigo 
simultaneamente,em caso de uma briga entre eles, por exemplo, opte por 
locais diferentes, onde um não tenha contato com o outro. Muito importante: 
nunca coloque o canto do castigo no próprio quarto da criança, pois como 
descrito anteriormente, este local deve ser considerado ―chato‖ e ―sem nada 
para fazer‖. 
O canto do castigo deve também ser um local seguro e bem iluminado. 
Me lembro de um caso em que a mãe colocou a filha na garagem escura, 
localizada nos fundos da casa. Bem, o objetivo do canto do castigo não é 
apavorar a criança e sim deixá-la em um local ―chato‖ para interromper 
imediatamente o mau comportamento e para que ela possa pensar sobre o 
ocorrido. 
Para a utilização de qualquer técnica comportamental de disciplina, as 
―regras do jogo‖ devem ser explicadas à criança. Nesse caso, ela deve saber 
como irá funcionar o método, os motivos e objetivos da utilização do canto do 
castigo e sobre o despertador para o controle do tempo. Quando ocorrer o mau 
comportamento, a criança já saberá a respeito da possível conseqüência de seu 
ato, a punição, portanto não grite com a mesma, apenas a encaminhe ao canto 
do castigo. 
O canto do castigo tem 2 objetivos principais: interromper o problema 
comportamental imediatamente e no longo prazo, ensinar a criança a se 
disciplinar. Essa técnica é fácil de ser aplicada pelos pais, trata-se de um 
modelo racional e pacífico, capaz de interromper muitos tipos de mau 
 
 18 
comportamento, favorece o diálogo entre a criança e seus cuidadores, 
promovendo o entendimento e a aprendizagem da mesma sobre regras e 
conseqüências de seus atos. 
O canto do castigo pode ter uma utilização semelhante para interromper, 
por exemplo, a briga entre dois irmãos pela disputa de um brinquedo ou jogo 
de computador. Nesse caso, o brinquedo ou o jogo de computador pode ser 
colocado no canto do castigo. Observe os seguintes casos: 
Letícia, 9 anos e o irmão José Carlos, 6 anos, brigam pela disputa por 
um boneco. A mãe das crianças recolhe o boneco e o coloca em cima da 
geladeira, juntamente com o despertador marcando 9 minutos no cronômetro. 
Ela repetirá essa ação, caso a briga e disputa pelo boneco se repita. 
Anderson, 11 anos e Carol, 10 anos, brigam para jogar o novo vídeo 
game que ganharam da avó. O pai desliga o aparelho e coloca o despertador 
em cima da televisão cronometrando 11 minutos até despertar. Ele poderá 
repetir o procedimento, caso o problema venha a ocorrer novamente. 
 
Erros na aplicação do canto do castigo: 
Erro №1 
Nunca converse ou discuta com a criança durante a aplicação do canto 
do castigo. Imediatamente após o mau comportamento, a direcione ao castigo 
e a ignore até que o despertador toque. Algumas crianças permanecem 
gritando ou chorando durante esse período, na verdade, elas desejam atenção 
do pais, portanto ignore a tentativa de manipulação da criança até o final do 
castigo. 
Erro №2 
Nunca utilize o quarto da criança ou outro local interessante para o 
canto do castigo, opte pelo banheiro, sala ou outro local ―chato‖. 
 
 19 
Erro №3 
Nunca realize ameaças ou intimidações de que a colocará no canto do 
castigo, efetivamente utilize a técnica todas as vezes que o mau 
comportamento ocorrer. 
 
Erro №4 
Nunca utilize períodos muito longos para o canto do castigo, utilize 
sempre 1 minuto para cada ano de idade da criança. 
Erro №5 
Não crie um ambiente hostil para o canto do castigo, ele não é um local 
para amedrontar a criança, é apenas um local ―chato‖ para interromper 
imediatamente o mau comportamento e fazê-la pensar sobre o ocorrido e 
sobre as consequências de seus atos. 
 
Erro №6 
Não se desautorize. Muitas vezes os pais são coagidos a retirar a 
punição por recusa da criança em cumprir o castigo. Por se tratar de crianças 
opositivas, desobedientes e desafiadoras, será possível que a criança se rebele 
contra o canto do castigo e grandes serão as chances dela tentar impedir que 
você seja um pai ou mãe que imponha limites. Portanto, se a criança se recusar 
a ir para o canto do castigo faça o seguinte: para crianças com menos de 4 
anos de idade, carregue-a até o canto do castigo e seja enfático na imposição 
da regra. Caso a criança apresente entre 5 e 12 anos de idade, informe que a 
recusa de ir imediatamente ao canto do castigo resultará no acréscimo de 1 
minuto para cada 10 segundos de demora para o cumprimento da punição. 
Acrescente os minutos de punição e se mesmo assim a criança continuar a se 
recusar a cumpri-la, anuncie que esse comportamento resultará em uma 
 
 20 
penalidade, como descrito anteriormente nesse capítulo. Acrescente a 
penalidade combinada. 
 
Caixa do castigo 
Uma outra estratégia semelhante será a criação de uma ―caixa do 
castigo‖. O objetivo dessa técnica será apreender os objetos pessoais como 
brinquedos, jogos e roupas que a criança deixa espalhados pela casa. Por 
exemplo, Aline, 8 anos de idade, espalhou suas bonecas pela casa toda e 
sempre apresenta dificuldade em guardá-las quando solicitada. A mãe coloca a 
caixa do castigo na sala, próximo às bonecas, posicionando também o 
despertador junto à caixa. Solicita o recolhimento de seus pertences e 
cronometra 2 minutos para que Aline recolha e guarde suas bonecas em seu 
armário. Caso Aline não recolha as bonecas no tempo combinado, a mãe deve 
recolher as bonecas deixadas no chão da sala e as coloca na caixa do castigo. 
Estas são mantidas na caixa do castigo até o domingo, quando poderão ser 
devolvidas à Aline. A conduta da mãe será refeita novamente, caso o 
problema se repita. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 21 
APÊNDICE I - TABELA DE ECONOMIA DE FICHAS 
 
NOME: Maurício, 10 anos de idade 
DATA: Segunda-feira, 13 de novembro de 2017 
 
 DIAS DA SEMANA 
COMPORTAMENTO S T Q Q S S D 
 
1) Manter o quarto arrumado 1 1 1 0 0 
2) Comer toda a salada de seu 0 1 0 0 1 
prato no almoço 
3) Participar adequadamente 1 0 0 1 1 
das atividades propostas pela 
 professora na escola 
4) Ser educado com os colegas 1 1 1 0 1 
da escola 
5) Realizar os deveres de casa 1 0 1 1 0 
às 15 horas 
6) Escovar os dentes 1 1 1 1 0 
 
Comportamento positivo = 1 ponto 
Comportamento negativo = 0 ponto 
Pontos necessários para o prêmio semanal + 1 ficha = 29 pontos 
Prêmio dessa semana: Ir ao aniversário do Rafinha na Lanhouse do tio 
Geraldo 
 
Adaptado de CLARK L. SOS Help for parents, 2003. 
 
 22 
APÊNDICE II - MENU DE RECOMPENSAS 
 
NOME: Maurício, 10 anos de idade 
DATA: novembro de 2017 
 
RECOMPENSA CUSTO EM 
FICHAS 
Ir ao McDonald´s 2 
Ir à sorveteria 2 
Ir à lanhouse 4 
Barra de chocolate 1 
DVD novo 2 
Assistir televisão durante a semana até às 21 horas 3 
Jogar no computador por 2 horas durante a semana 3 
Dormir na casa do Guilherme 2 
Comprar 1 jogo de videogame6 
 
Adaptado de CLARK L. SOS Help for parents, 2003. 
 
 
 
 23 
APÊNDICE III - CONTRATO PAIS-FILHO 
 
Eu, ___Marcelo___concordo em: ___manter meu quarto arrumado, livros 
na estante, roupas e brinquedos guardados no 
armário.___________________________________ 
 
Nós, pai e mãe, concordamos em:___permitir que Marcelo brinque no 
computador diariamente até às 19 
horas._______________________________________________ 
 
Caso __Marcelo não cumpra sua obrigação, ele estará proibido de brincar 
no computador até que cumpra o que foi 
combinado.______________________________ 
 
DATA: 5 de novembro de 2017 
CONTRATO TERMINA EM: 30 de novembro de 2017, podendo ser 
renovado. 
 
 
 
 
 24 
ASSINATURAS: 
 
_________________ 
 (Filho) 
 
 _________________ 
 (Pai) 
 
 _________________ 
 (Mãe) 
 
Adaptado de CLARK L. SOS Help for parents, 2003. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 25 
APÊNDICE IV - DIÁRIO ESCOLAR DE COMPORTAMENTO 
 
Nome: Ricardo, 8 anos 
Data: 31 de novembro de 2017 
Semana: 1 
 NOTAS DA SEMANA 
COMPORTAMENTO S T Q Q S 
Participação em atividades de aula 2 
Qualidade do dever de casa 2 
Respeito às regras na sala de aula 1 
Respeito aos funcionários da escola 3 
Comportamento no recreio escolar 2 
Comportamento com outros alunos 1 
PONTUAÇÃO TOTAL DA SEMANA: 
Excelente = 4 Bom = 3 Regular = 2 Insuficiente = 1 
Nome do(a) professor(a): Maria 
Comentários sobre o comportamento do aluno na semana: 
______________________________________________________________ 
Adaptado de BARKLEY, R.A.; BENTON C.M. Your defiant child, 1998. 
 
 
 26 
- CAPÍTULO 2 - 
GUIA DOS PAIS PARA O 
COMPORTAMENTO DO SEU FILHO 
 
O Guia dos pais é um conjunto de dicas e recomendações para a 
promoção de um ambiente doméstico saudável e acolhedor, visando a 
melhoria da comunicação e a harmonia entre os membros da casa, diminuindo 
assim, as possibilidades do desencadeamento ou piora de comportamentos 
opositivos, desafiadores e desobedientes dos filhos. Devo informar este guia 
não é uma ―receita de bolo‖ com todas as informações possíveis e com a 
solução mágica de questões relacionadas com indisciplina e desrespeito 
realizados pelos filhos, entretanto são ferramentas importantes para ajudá-los 
nessa difícil jornada de orientação e criação. 
Descrevo à seguir as 12 regras do Guia dos Pais: 
 
1) Tenha um ambiente doméstico saudável 
Uma criança que cresce em um ambiente doméstico saudável, 
respeitador, com pais presentes e participativos em sua vida, apresentará 
menores chances de apresentar problemas relacionados com comportamentos 
desafiadores, desobedientes e opositivos. 
2) Estabeleça regras e limites 
Toda criança necessita de regras e limites. Parece óbvio, mas não é 
exatamente o que costumo identificar no consultório em muitos casos, 
principalmente quando falo no transtorno desafiador opositivo. Observo 
diariamente muitos reizinhos, ditadores e pequenos tiranos que dominam, 
manipulam e mandam nos próprios pais. Afinal, quem está no comando? 
 
 27 
Existe uma hierarquia nesse lar? Portanto, estabeleça as regras da família, seus 
filhos precisam saber que o ―rei‖ e ―rainha‖ da casa são os pais. 
Para tanto, famílias que conseguem estabelecer regras claras e objetivas 
de convivência facilitam para o estabelecimento de um ambiente saudável 
entre pais e filhos. Crianças necessitam de regras muito bem estabelecidas 
para estruturarem suas vidas, portanto os pais devem conversar entre si e 
dialogar com seus filhos, estabelecendo regras, limites e consequências de 
mau comportamento ou desobediência. Essas regras podem ser discutidas em 
reuniões de família, envolvendo os pais e os filhos. 
As possíveis consequências por mau comportamento devem ser 
realizadas, quando necessário, como um ato de amor e não como uma simples 
punição. Considerar consequências como atos de ameaça, revanche ou 
punições físicas e morais, como humilhações, devem ser evitadas, pois não 
servem de nenhum propósito. Bater na criança, por exemplo, poderia reforçar 
comportamentos agressivos contra outros colegas na escola. 
 A formação de conceitos éticos e morais através de regras claras e 
objetivas favorecem a formação de habilidades sociais importantes na criação 
do caráter e serão conceitos utilizados por toda a vida. 
 
 3) Realize solicitações claras e objetivas 
 Frequentemente me deparo com pais que se queixam de que seus filhos 
não os obedecem, não cumprem suas solicitações e pedidos, entretanto ao 
questionar por um exemplo de tais pedidos costumo ouvir relatos como este: 
―Doutor, o Bruno tem 10 anos de idade e já cansei de repetir a seguinte 
frase antes de sair de casa:‖ 
―Bruno, quando eu voltar do trabalho, quero ver você de banho tomado, 
ok?‖ 
 
 28 
Nesse caso o problema está na forma como esse comando foi feito, pois 
a mãe de Bruno nunca tem hora para chegar do trabalho, às vezes chega em 
casa às 16h, outros dias chega às 18h e em outros às 21h, portanto realiza a 
solicitação de uma maneira vaga. Ora, Bruno, simplesmente não sabe o 
horário que deve tomar banho! 
A provável solução desse problema de comunicação poderia ser: 
―Bruno, por favor tome banho às 18h.‖ - Informação clara, objetiva, 
enunciado curto e simples. 
Outro exemplo interessante é da mãe que passa informações excessivas 
e desnecessárias à criança, como nesse exemplo: 
―João Paulo, no período da tarde quero que você tome banho no 
banheiro dos fundos, pois o encanamento do banheiro da frente estourou e o 
rapaz vai consertar amanhã. Ah, e não se esqueça do shampoo azul, pois o 
amarelo é o antialérgico do seu irmão, hein...‖ 
Ufa, no final desse pedido o pobre João Paulo não sabe se é para tomar 
banho no banheiro da frente, ou se não é para tomar banho, pois o 
encanamento do banheiro está quebrado, ou porque acabou o shampoo, etc.... 
Muita informação, mãe, simplifique, facilite o entendimento de seu 
filho através de uma solicitação também simples e objetiva. 
―João Paulo, por favor tome banho às 17h no banheiro dos fundos e use 
o shampoo azul.‖ 
 
 4) Pai e mãe devem falar a “mesma língua” 
 Realmente é de essencial importância que ambos os pais concordem na 
maneira de agir e lidar com seu filho. Questões comportamentais de 
indisciplina estão mais presentes, por exemplo, entre filhos de pais que 
discutem, divergem e que não concordam na maneira de educar seus filhos. 
 
 29 
Logo, é de grande necessidade que pai e mãe cooperem e concordem na 
maneira de educar seus filhos. 
 As divergências entre os pais ou cuidadores expõem fraquezas, falta de 
comando e descontrole, permitindo assim que o filho manipule seus pais a sua 
maneira, como melhor lhe é conveniente a cada momento e em cada situação. 
 
 5) Seja um exemplo positivo e pacífico ao seu filho 
Muitos pais confundem limite e monitoramento com intolerância, 
autoritarismo e violência. Na verdade, a família é um grande modelo de 
aprendizagem para a criança, ou seja, todo comportamento apresentado pelos 
pais pode ser aprendido e copiado pelo filho que os observa a todo o 
momento. Pais agressivos, violentos e que realizam ameaças aos filhos estarão 
ensinando esse modelo agressivo ao filho. A criança que apanha dos paise 
escuta ameaças e gritos quando é indisciplinada, por exemplo, pode aprender 
esse comportamento como correto e passar a apresentar a mesma postura na 
escola, entre amigos. 
 
 
 
 6) Seja amigo de seu filho 
O significado de amizade, segundo o Dicionário Aurélio é: ―sentimento 
fiel de afeição, apreço, estima ou ternura entre pessoas‖. Portanto, seja amigo 
e esteja sempre presente na vida de seu filho. Tire um tempo livre diariamente 
para passar alguns momentos com seu filho ou filha. Exerça uma atenção 
positiva, conversando, brincando, praticando esportes, passeando com ele e 
buscando soluções para os mais diversos assuntos. 
 
 30 
Nesse momento, não perca tempo criticando ou dando ordens, apenas se 
divirta e aprecie o momento com seu filho. Em muitos casos de crianças com 
comportamentos opositivos e desafiadores, seus pais não aproveitam o pouco 
tempo que tem ao chegar do trabalho para interagir positivamente com seus 
filhos e acabam por desperdiçar um tempo precioso com brigas, críticas, 
ameaças, reclamações e gritos. 
Pesquisas demonstram que um bom relacionamento entre pais e filhos é 
um importante fator protetor em relação aos problemas de comportamento. 
Neste sentido posso afirmar que uma das funções da família é dialogar, 
esclarecer dúvidas, ensinar limites e ajudar a criança ou adolescente a lidar 
com frustrações. Realize passeios, faça refeições à mesa com toda a família 
sempre que possível. A integração familiar é essencial para auxiliar na 
prevenção e no manejo de problemas de indisciplina. 
 7) Fortaleça a autoestima de seu filho 
 Baixa autoestima é uma das grandes características de crianças e 
adolescentes com sintomas de oposição, desafio ou que se envolvem com 
drogas. Portanto, ajude a criar uma boa autoestima em seu filho exercendo um 
reforço positivo às suas atitudes através de elogios, carinho e atenção. Nunca 
diga coisas do tipo: ―Você não faz nada certo‖ ou ―Você é pior que todo 
mundo na escola‖. 
 
 8) Esteja atento às mudanças da adolescência 
 A adolescência é uma fase de grandes mudanças físicas e 
comportamentais, logo esteja preparado para novos desafios e dificuldades na 
criação de seus filhos. Situações conflituosas, brigas, novas exigências, novas 
amizades e afastamento da família podem ocorrer. Procure dialogar e entender 
a busca por identidade dos filhos adolescentes. 
 
 31 
 
 9) Esteja atento à saúde mental de seu filho 
 Uma parcela importante de crianças e jovens que apresentam 
problemas de indisciplina apresenta transtornos comportamentais como 
depressão, quadros ansiosos, transtorno desafiador opositivo, transtorno de 
conduta ou transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Na presença de 
prejuízos acadêmicos e de relacionamentos sociais procure orientação de um 
médico psiquiatra especialista na infância e adolescência para avaliação 
comportamental completa. Na maioria das vezes uma intervenção precoce 
pode exercer importante papel no tratamento desses sintomas. 
 
10) Ensine sobre as “pressões” da juventude 
A ―pressão‖ que adolescentes vivenciam para serem aceitos em 
determinados grupos é corriqueira e essa influência é determinante em sua 
maneira de agir, pensar, falar, se vestir e se comportar, por exemplo. Essa 
―pressão‖ para ser aceito pode ser positiva (para tirar boas notas no colégio, 
praticar esportes e se tornar membro da equipe da escola), ou negativa 
(―matar‖ aula, fumar cigarro, beber cerveja no boteco após a aula, depredar 
patrimônios públicos ou furtar objetos em lojas). Portanto cabe a você orientar 
seus filhos sobre a importância da individualidade e de saber diferenciar a 
―pressão positiva‖ da ―pressão negativa‖ exercida pelos amigos e colegas. 
 
 11) Estimule a prática de esportes 
A estimulação às práticas esportivas é uma estratégia importante no 
tratamento dos problemas de indisciplina. Através do esporte, conceitos 
básicos de respeito, ética, moral, hierarquia, companheirismo, organização, 
liderança, cooperação, trabalho em equipe, competição, aprendizagem de 
 
 32 
regras, limites, desenvolvimento de habilidades motoras e sociais serão 
estimulados e ensinados. 
Esportes de luta, como judô, capoeira, tae-kwon-do e jiu-jitsu ajudam 
no autoconhecimento, controle das emoções, disciplina e na inclusão social. A 
autoestima da criança será protegida, sendo o esporte considerado um fator de 
proteção também ao envolvimento com álcool e outras drogas. Além disso, 
praticando esportes ao lado de seu filho, seus laços afetivos tornar-se-ão mais 
fortes. 
 
12) Comunique-se com a escola 
A comunicação entre pais e professores é muito importante para a 
identificação e monitoramento do comportamento do estudante. Portanto, 
comunique-se com professores e coordenadores pedagógicos sempre que 
necessário. A experiência diária de professores com o aluno poderá ser de 
grande valia para a discussão e a busca conjunta por estratégias e soluções de 
problemas de indisciplina do estudante presentes tanto na escola, quanto em 
casa. 
A utilização de uma agenda escola-casa pode ser uma estratégia 
interessante de comunicação entre pais e professores. Com a ―correria‖ do dia-
a-dia, muitas vezes pais apresentam dificuldades de estar em contato diário ou 
semanal com o corpo pedagógico da escola e essa agenda pode ser uma bela 
ferramenta de comunicação. 
Uma estratégia interessante para se conhecer e posteriormente 
monitorar o comportamento da criança ou adolescente na escola será por meio 
de um diário escolar de comportamento. O comportamento do estudante será 
estudado com o auxílio do diário e será muito importante para o entendimento 
e o planejamento de estratégias de adequação comportamental no ambiente 
escolar. 
 
 33 
- CAPÍTULO 3 - 
SINAIS DE ALERTA! QUAIS SÃO AS 
CARACTERÍSTICAS INICIAIS DO AUTISMO? 
 
Os transtornos do espectro autista apresentam uma incidência estimada 
de 1% de crianças e adolescentes em todo o mundo, segundo diversas 
pesquisas internacionais realizadas nos Estados Unidos, Europa e Asia. Isso 
representa mais de seiscentos mil de crianças e adolescentes brasileiros 
portadores do transtorno do espectro autista. 
Outro dado epidemiológico importante é que a ocorrência de autismo é 
maior no sexo masculino, afetando cerca de cinco meninos para cada menina 
acometida. Sendo assim, estima-se que ocorra um caso de autismo para cada 
42 nascimentos de meninos, enquanto que para o sexo feminino a relação seria 
de um caso para cada grupo de 189 meninas. 
Vale destacar um grande estudo publicado em 2014 pelo CDC - Center 
for Disease Control and Prevention (Centro de Controle de Doenças e 
Prevenção), órgão governamental americano com sede em Atlanta, Geórgia, 
que divulgou dados impressionantes a cerca da incidência de autismo nos 
Estados Unidos. Segundo o levantamento americano, cerca de 1 para cada 68 
crianças são portadoras de um transtorno do espectro autista. 
Esses dados são resultado do estudo de monitoramento chamado: 
Autism and Developmental Disabilities Monitoring Network, (Rede de 
Monitoramento de autismo e Transtornos do Desenvolvimento) realizado a 
cada dois anos em que são estudadas as prevalências dos transtornos do 
espectro autista em diversas comunidades de todo o país. 
 
 34 
Desta forma, os transtornos do espectro autista ilustram um grande 
problema de saúde pública e que deve ser enfrentado com a participação e 
apoio de toda a sociedade civil, além de representantes do poder público. 
Precisamos desenvolver estratégias e projetos na área da saúde e educação que 
incluam essas crianças e suas famílias. 
 
MILESTONES E A IMPORTÂNCIA DOS MARCOS EVOLUTIVOS 
Preocupados com o comportamento da filha Fernanda de dois anos de 
idade, que ainda não falava, resistia aos cuidados paternos e não interagia com 
outraspessoas, o casal Ricardo e Juliana procuram a ajuda do médico pediatra 
da criança. 
 ―Mãe, não seja ansiosa! Sua filha não tem nada. Clinicamente é super 
saudável, mas ela é mais lenta no desenvolvimento mesmo... ela tem o tempo 
dela, vamos aguardar mais alguns meses e tudo ficará bem, ok?‖ 
Infelizmente, escuto relatos como esse diariamente no consultório. 
Mães que ao identificar comportamentos sugestivos de autismo, levam suas 
dúvidas e angústias ao pediatra da criança e acabam por perder oportunidades 
de iniciar uma intervenção precoce para o tratamento do transtorno do 
espectro autista. 
Vamos deixar claro uma coisa: Não existe essa questão de ―tempo 
dela‖. O que existem são marcos evolutivos importantes do desenvolvimento 
infantil, também chamados de developmental child milestones e que precisam 
ser conhecidos, respeitados e avaliados cuidadosamente, quando alterados. 
Claro que não se trata de uma ciência exata, entretanto, na identificação 
de atrasos importantes do desenvolvimento da criança, precisamos acender o 
sinal de alerta e iniciar uma investigação detalhada. 
 
 35 
Portanto, pais, familiares, responsáveis e pediatras precisam estar 
atentos para alguns sinais de alerta para a possibilidade de um transtorno do 
espectro autista. A presença de um desses sintomas não significa que a criança 
tenha autismo, mas deve sinalizar para a importância de uma avaliação 
comportamental detalhada a ser realizada por um médico especialista em 
desenvolvimento infantil. 
Reforço que o autismo é uma questão de saúde pública visto que a 
incidência dessa condição comportamental é muito elevada. Sendo assim, será 
de fundamental importância que o médico pediatra tenha conhecimento 
psicopatológico para conduzir bem os casos de autismo que diariamente 
aparecem em seus consultórios e ambulatórios médicos. 
 
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS 
Bebês com autismo apresentam grande déficit no comportamento social, 
tendem a evitar contato visual e se mostram pouco interessados na voz 
humana. Eles não assumem uma postura antecipatória; por exemplo, 
colocando seus braços à frente para serem levantados pelos pais, podem ficar 
indiferentes ao afeto e não demonstrar expressão facial ao serem acariciados. 
Outra característica observada em alguns bebês e crianças pequenas 
com autismo é o inicio normal de seu desenvolvimento de habilidades sociais, 
mas de repente esse processo é interrompido e a criança começa a regredir em 
seu desenvolvimento social. Por exemplo: a criança com dois anos de idade 
que para de falar, de mandar tchau e de brincar socialmente, como nos jogos 
do tipo pega-pega. 
Quando crianças, não seguem seus pais pela casa e não demonstram 
ansiedade por se separar dos mesmos. Não se interessam em brincar com 
familiares e há indiferença por jogos ou atividades em grupo. Suas ações 
 
 36 
podem se limitar a atos repetitivos e estereotipados, como cheirar e lamber 
objetos ou bater palmas e mover a cabeça e o tronco para a frente e para trás. 
O interesse por brinquedos pode ser peculiar: a criança pode gostar do 
movimento circular da roda de um carrinho ou do barulho executado por ele, 
por exemplo. Essas alterações estão relacionadas com respostas não usuais a 
experiências sensoriais diferentes vivenciadas pela criança. 
Pode ocorrer fascinação por luzes, sons e movimentos que o despertem 
para um interesse muito grande pelo ventilador de teto ou por uma batedeira 
elétrica, por exemplo. A textura, o cheiro, o gosto, a forma ou a cor de um 
objeto também pode desencadear um interesse específico na criança com 
autismo. 
Essa criança pode se sentir incomodado por pequenas mudanças em sua 
rotina diária, o que pode resultar em violentos ataques de raiva. Também é 
observado que quase a totalidade de crianças autistas resiste em aprender ou 
praticar uma nova atividade, sendo essa uma grande dificuldade para a adesão 
da criança em um programa de tratamento. 
 
TRANSTORNOS ASSOCIADOS 
A inteligência fica comprometida em grande parte das crianças com 
autismo, cerca de 56% desses pacientes apresentam algum grau de deficiência 
intelectual; contudo, muitas dessas crianças podem frequentar escolas e ter um 
desempenho acadêmico regular. 
Outros transtornos associados podem estar presentes e algumas dessas 
principais condições são as epilepsias, o transtorno obsessivo compulsivo, o 
transtorno de ansiedade generalizada, os transtornos de tiques e o transtorno 
de déficit de atenção/hiperatividade. 
 
 37 
Adolescentes autistas podem adquirir sintomas obsessivos, como ideias 
de contaminação e apresentar comportamentos compulsivos e ritualísticos — 
por exemplo, toques repetitivos em certos objetos pessoais, rituais de lavagem 
e repetição de perguntas. 
 
SINAIS DE ALERTA! 
 
AOS 4 MESES DE IDADE: 
Não acompanha objetos que se movam na sua frente 
Não sorri para as pessoas 
Não leva as mãos ou objetos à boca 
Não responde a sons altos 
Não emite sons com a boca 
Não sustenta a cabeça 
Dificuldade em mover os olhos para todas as direções 
Perdeu habilidades que já possuía 
AOS 6 MESES DE IDADE: 
Não tenta pegar objetos que estão próximos 
Não demonstra afeto por pessoas familiares 
Não responde à sons emitidos próximos a ele 
Não emite pequenas vocalizações 
Não sorri ou dá risadas ou expressões alegres 
Perdeu habilidades que já possuía 
 
 
 
 
 38 
AOS 9 MESES DE IDADE: 
Não senta, mesmo com auxílio 
Não balbucia 
Não reconhece o próprio nome 
Não reconhece pessoas familiares 
Não olha para onde você aponta 
Não passa os brinquedos de uma mão para outra 
Não demonstra reciprocidade 
Não responde às tentativas de interação 
Perdeu habilidades que já possuía 
 
AOS 12 MESES DE IDADE: 
Não faz contato visual 
Não engatinha 
Não fica em pé, quando segurado 
Não procura objetos que vê sendo escondidos 
Não fala palavras como ―papai‖ ou ―mamãe‖ 
Não entende comandos como ―mandar tchau‖ 
Não aponta para objetos 
Perdeu habilidades que já possuía 
AOS 18 MESES DE IDADE: 
Não anda 
Não fala pelo menos seis palavras 
Não aprende novas palavras 
Não expressa o que quer 
Não aponta para mostrar algo 
Não se importa se o cuidador se afasta ou se aproxima 
 
 39 
Não copia comportamentos 
Perdeu habilidades que já possuía 
 
AOS 2 ANOS DE IDADE: 
Não fala frases com duas palavras, que não sejam imitação (exemplo: quero 
água) 
Não copia ações ou palavras 
Não segue instruções simples 
Não anda de forma equilibrada 
Não entende o que fazer com utensílios comuns como colher, telefone, escova 
de cabelo. 
Perdeu habilidades que já possuía 
 
AOS 3 ANOS DE IDADE: 
Cai muito ao andar 
Fala muito pobre ou incompreensível 
Não compreende comandos simples 
Não consegue brincar de ―faz de conta‖ 
Não consegue brincar com brinquedos simples (Exemplo: quebra-cabeça, 
Lego) 
Não há interesse em brincar com outras crianças 
Perdeu habilidades que já possuía 
 
AOS 4 ANOS DE IDADE: 
Não brinca com outras crianças 
Interage com poucas pessoas 
Resiste em trocar de roupas 
 
 40 
Não aprende histórias de ―faz de conta‖ 
Dificuldades na fala 
Não entende comandos simples 
Não usa pronomes ―você‖ e ―eu‖ corretamente 
Tem dificuldade em rabiscar um desenho 
Perdeu habilidades que já possuía 
 
AOS 5 ANOS DE IDADE: 
Não demonstra variedade de emoções 
Pouco ativo 
Se distrai facilmente 
Não interage com as pessoas 
Não sabe diferenciar o que é real e imaginário 
Não desenha figuras 
Não consegue escovar os dentes, tomar banho ou se vestir sozinho 
Não conversa sobre atividades ou experiências diárias vividas 
Não consegue falar o próprio nome completo 
Não consegue jogar ou praticar uma variedade de atividades 
Não usa o plural ou o tempo passado corretamente 
Perdeu habilidades que já possuía 
 
 
 
 
 
 41 
- CAPÍTULO 4 - 
COMO É O TRATAMENTO 
DO AUTISMO? 
 
PLANO INDIVIDUAL DE TRATAMENTO 
 Oprimeiro passo para o tratamento do autismo será a criação do Plano 
Individual de Tratamento (PIT). Esse PIT consiste em um projeto de 
tratamento que leva em consideração todas as necessidades individuais da 
criança com autismo. Lembre-se que os transtornos do espectro autista 
englobam uma miscelânea de possibilidades e cada paciente apresenta 
necessidades diferentes um do outro. 
Portanto, saber identificar as necessidades de cada criança com autismo 
será fundamental para criar um plano individualizado e personalizado para que 
todas as potencialidades da criança sejam exploradas. 
Vale destacar que a criação do PIT deve considerar diversos fatores, 
incluindo as necessidades específicas de cada criança, o grau de gravidade dos 
sintomas, a disponibilidade e a adesão familiar ao tratamento. 
 
PLANO INDIVIDUAL DE EDUCAÇÃO 
Tão importante quanto à criação do Plano Individual de Tratamento, 
também será de fundamental importância que a criança esteja inserida em um 
programa educacional que possibilite sua aprendizagem, estimulação e 
desenvolvimento a partir da criação de um Plano Individual de Educação. 
Esse plano educacional levará em consideração as necessidades 
individuais do estudante e objetiva estruturar o ambiente escolar para 
 
 42 
promover a aprendizagem acadêmica e social, sempre respeitando as 
limitações individuais e estimulando as potencialidades da criança. 
A criação do Plano Individual de Educação é de responsabilidade da 
coordenação pedagógica e orientadores educacionais, mas deve contar 
também com a colaboração da equipe terapêutica que acompanha o tratamento 
do jovem estudante. 
A decisão por uma escola de ensino regular ou especial dependerá do 
grau de comprometimento desse aluno e toda equipe terapêutica deve 
participar dessa decisão, orientando a família pela melhor estratégia 
educacional a ser seguida. 
 
JANELAS DE OPORTUNIDADE 
Até poucas décadas atrás, o autismo era um problema comportamental 
identificado apenas por volta dos três ou quatro anos de idade, entretanto, com 
o avanço dos conhecimentos sobre essa patologia, tornou-se importante 
identificá-la o mais precocemente possível, preferencialmente até os dois 
primeiros anos de vida da criança. 
Um dos grandes problemas no tratamento dos transtornos do espectro 
autista é a demora na identificação dos sintomas e o consequente atraso para 
se fazer o diagnóstico e iniciar o tratamento. Hoje sabemos que o autismo é 
um transtorno do comportamento que possui ―janelas de oportunidade‖ para 
intervenção. Isso significa que, se esperarmos para agir, perdemos chances 
ímpares de promover a melhora desse paciente e limitamos a chance dele de 
obter sucesso no tratamento de determinados sintomas. 
 Comumente me deparo com casos em que a família demorou muito a 
procurar ajuda especializada, pois tinha se deparado com profissionais que 
assumiram o seguinte discurso: ―Ele não tem nada, ele tem o tempo dele, 
 
 43 
vamos esperar.‖ Pois enfatizo novamente que existem marcos importantes do 
desenvolvimento infantil que precisam ser respeitados e caso a criança 
apresente atrasos importantes, ela precisa ser avaliada criteriosamente por uma 
equipe médica especializada. 
Logo, a precocidade do diagnóstico e do tratamento é fundamental para 
ajudar no prognóstico e permitir que a criança seja tratada desde a idade pré-
escolar. Quanto mais cedo identificado o problema, melhor! 
 
TRATAMENTO ALTERNATIVO (PERIGO À VISTA!) 
 Esse termo se refere a tentativa de tratamento a partir de métodos 
considerados controversos pela medicina moderna. Algumas das modalidades 
utilizadas são dietas especiais, reposições vitamínicas, homeopatia, 
acupuntura, suplementação com sucos e ervas medicinais, quelação (suposta 
retirada de metais pesados do organismo) ou quaisquer tratamentos que são 
desprovidos de comprovação científica de eficácia. 
Essas tentativas de tratamento podem ser potencialmente perigosas e 
desfocam os esforços terapêuticos para intervenções sem fundamentação 
científica e dependendo da intervenção pode colocar em risco a vida e a saúde 
da criança. 
Essas propostas de tratamento são muito sedutoras. Qual pai ou mãe não 
faria qualquer coisa para ver seu filho ou filha curado do autismo? 
Infelizmente ainda não existe a cura do autismo, portanto desconfie de 
intervenções terapêuticas ―mágicas‖ que prometam a eliminação de sintomas e 
sempre que tiver dúvidas sobre o tratamento, procure orientação do médico 
especialista de seu filho. 
 
 
 
 44 
AS 15 PRINCIPAIS MODALIDADES TERAPÊUTICAS 
O tratamento moderno para os transtornos do espectro autista é baseado 
em estudos científicos controlados e realizados há décadas em diversos 
centros de pesquisa das mais respeitadas e renomadas instituições acadêmicas 
dos Estados Unidos, Canadá e Europa. 
Intervenções conjuntas englobando psicoeducação, suporte e orientação 
de pais, terapia comportamental, fonoaudiologia, treinamento de habilidades 
sociais, medicação, dentre outras modalidades ajudam na melhoria da 
qualidade de vida da criança, proporcionando uma melhor adaptação no meio 
em que vive. 
Destaco à seguir as 15 principais intervenções utilizadas no tratamento 
dos transtornos do espectro autista atualmente. Essa lista é um conjunto de 
referências terapêuticas dos principais guidelines mundiais sobre o tema, além 
das recomendações da Academia Americana de Psiquiatria da Infância e 
Adolescência, Academia Americana de Pediatria e do Centro de Controle de 
Doenças e Prevenção (CDC). 
 
ORIENTAÇÃO FAMILIAR E PSICOEDUCAÇÃO 
 A orientação familiar e oferecimento de material psicoeducativo deve 
ser a primeira intervenção terapêutica. Normalmente, o momento de informar 
sobre o diagnóstico da criança e de conversar sobre o plano individual de 
tratamento é carregado de emoção, preocupações, dúvidas e muita ansiedade 
por parte dos pais. 
 O médico deverá ser acolhedor, atencioso e esclarecer todos os aspectos 
referentes ao diagnóstico e sobre o plano individual de tratamento. 
 
 45 
 Todo universo de dados sobre a psicopatologia envolvendo o autismo 
deve ser explicado. Livros, folhetos, websites e toda forma de conteúdo 
psicoeducacional deve ser fornecido à família da criança. 
 O trabalho psicoeducativo e de orientação aos pais será fundamental 
para aumentar a adesão ao tratamento e para gerar expectativas realistas sobre 
a evolução da criança ao longo do tempo. 
 
ENRIQUECIMENTO DO AMBIENTE 
Essa modalidade de tratamento é baseada em uma intervenção simples, 
mas com resultados muito positivos. Trata-se de expor a criança à um 
ambiente doméstico rico em diferentes estímulos sensoriais. Essa 
possibilidade de estimulação passou a ser estudada após a observação de que 
crianças pouco estimuladas vivendo em orfanatos romenos durante o governo 
do ditador Nicolae Ceaușescu nas décadas de 1970 e 1980 desenvolviam 
alguns sintomas autísticos no que foi chamado síndrome autística pós-
intitucional. 
Estudos com modelos animais também demonstraram que aqueles 
animais que viviam em ambientes ricos de estímulos, se desenvolviam melhor, 
quando comparados com animais privados de estimulação. 
Para esse enriquecimento do ambiente existem alguns protocolos de 
intervenção que incluem, por exemplo: duas exposições diárias (manhã e 
tarde) a diferentes fragrâncias de perfumes; escutar diferentes ritmos musicais 
durante o dia; realizar diferentes atividades motoras e assim por diante. 
Basicamente a criança é estimulada diariamente com pelo menos 30 exercícios 
combinandos com estímulos diferentes envolvendo os cinco sentidos (olfato, 
tato, paladar, visão e audição). 
 
 46 
O que os estudos científicos estão nos mostrando é que esse 
enriquecimento do ambiente através dessa estimulação sistematizada produz 
uma melhora significativa de sintomas autísticos em crianças e adolescentes. 
Importante destacarque essas intervenções apresentam sucesso quando 
realizadas em crianças com até quatro anos de idade. 
 
MEDICAÇÃO 
Não existem medicações que possam tratar especificamente o autismo, 
entretanto algumas medicações podem ser utilizadas quando identificamos 
―sintomas-alvo‖, isto é, alguns sintomas comportamentais que atrapalham o 
funcionamento global da criança e que podem ser melhorados com 
medicamentos específicos. 
Por exemplo, uma criança que apresente comportamentos agressivos, 
auto agressivos, agitada, inquieta, ansiosa, com movimentos repetitivos ou 
estereotipias pode se beneficiar de uma intervenção farmacológica. 
Outras crianças que apresentem diagnósticos associadas como o 
transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno de déficit de 
atenção/hiperatividade, o transtorno de humor, dentre outras também podem 
fazer uso de medicação objetivando a melhoria dos sintomas da patologia 
associada. 
 
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL 
Uma das intervenções mais utilizadas para o tratamento do autismo, a 
terapia cognitivo comportamental ajuda a criança a reconhecer seus 
sentimentos e regular suas emoções; controlar ansiedade, reduzir a 
impulsividade e melhorar seu comportamento social. 
 
 47 
O terapeuta objetiva também reduzir comportamentos repetitivos e 
estereotipados, controlar acessos de raiva e ensinar novas habilidades à 
criança ou adolescente. 
 
TREINAMENTO EM HABILIDADES SOCIAIS 
O treinamento em habilidades sociais é uma modalidade terapêutica 
fundamental para o tratamento do autismo, pois as principais dificuldades 
dessas crianças estão relacionadas com a esfera social. 
O terapeuta tem o objetivo de ensinar e treinar habilidades sociais 
importantes para a comunicação e interação social da criança, como olhar nos 
olhos, reconhecer gestos faciais, iniciar e manter uma conversa, por exemplo. 
Ele pode contar histórias e envolver a criança em situações sociais 
simuladas. Posteriormente a criança poderá treinar o comportamento desejado 
engajando-se em situações reais dentro de um grupo de habilidades sociais 
envolvendo também outras crianças com as mesmas dificuldades. 
Em uma terceira etapa, as crianças podem treinar comportamentos 
sociais em situações práticas do dia a dia, comprando um sorvete na sorveteria 
ou conversando com um novo amigo na escola, por exemplo. 
 
TERAPIA ABA 
Um tipo de tratamento comportamental que tem ganhado destaque 
atualmente pelo sucesso de suas intervenções é chamado Análise do 
Comportamento Aplicado ou ABA (Applied Behavior Analysis). 
A terapia ABA é praticado por psicólogos experientes e consiste no 
estudo e na compreensão do comportamento da criança, de sua interação com 
o ambiente e com as pessoas com quem ela se relaciona. 
 
 48 
A partir do conhecimento e do funcionamento social global da criança, 
são desenvolvidos estratégias e treinamentos específicos para corrigir 
comportamentos problemáticos e estimular comportamentos assertivos e 
práticos. 
A utilização de reforçadores positivos são estratégias amplamente 
utilizadas para auxiliar no sucesso do método e o progresso da criança pode 
ser mensurado e estudado de forma detalhada. 
Dentro da terapia ABA existem diversas técnicas comportamentais que 
podem ser utilizadas, objetivando a aprendizagem, a motivação, estimulando a 
comunicação e o ensinamento de habilidades verbais. 
 
FONOAUDIOLOGIA 
O trabalho do fonoaudiólogo é muito importante na estimulação das 
habilidades de comunicação verbal e não-verbal. Quando corretamente 
estimuladas, essas crianças apresentam ganhos muito significativos fala, na 
linguagem não verbal, na interação social, no ganho de autonomia e melhoria 
de sua qualidade de vida e de sua autoestima. 
 
TERAPIA OCUPACIONAL 
A terapia ocupacional objetiva o ensinamento de habilidades de vida 
diária para tornar a criança mais independente possível. As habilidades 
treinadas podem incluir: se vestir, se alimentar, tomar banho, ensinar a criança 
a pedir auxílio e a se relacionar com outras crianças ou cuidadores. A busca 
por algum grau de autonomia é um dos objetivos da terapia ocupacional. 
 
TERAPIA DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL 
 
 49 
A terapia de integração sensorial objetiva auxiliar a criança à lidar com 
as informações sensoriais do ambiente. Comumente, crianças com autismo 
apresentam dificuldade de lidar com questões sensoriais, como sons, luzes e 
odores. Desta forma, a intervenção poderia ajudar, por exemplo, crianças que 
apresentam dificuldades para lidar com o toque, ou com a textura de uma 
roupa nova, ou que se incomoda com o barulho dos carros na rua ou com o 
perfume da mãe. 
 
MÉTODO TEACCH 
O método TEACCH (Treatment and Education of Autistic and related 
Communication-handicapped Children) ou tratamento e educação de crianças 
com autismo e dificuldades de comunicação é uma metodologia amplamente 
utilizada na aprendizagem de crianças com autismo. O método utiliza pistas 
visuais para o ensinamento de habilidades, por exemplo: cartões ou figuras 
que ensinem a criança a se vestir a partir de informações quebradas em 
pequenos passos e ilustradas em diferentes cartões. 
 
MÉTODO PECS 
O PECS (Picture Exchange Communication System) ou Sistema de 
comunicação por figuras utiliza cartões com símbolos para a aprendizagem de 
habilidades de comunicação. A criança é treinada para usar os cartões para 
perguntar ou responder à perguntas e para manter uma conversação. 
 
MÉTODO FLOORTIME 
 O Floortime foca no estímulo ao desenvolvimento emocional e 
relacional da criança. O método busca entender os sentimentos da criança e 
 
 50 
sua relação com seus cuidadores e também na maneira como a criança se 
relaciona com os órgãos do sentido (olfato, audição, visão, tato e paladar). 
 
MEDIADOR ESCOLAR 
Um profissional importante no tratamento e no processo pedagógico 
dessa criança será o mediador escolar. Ele funcionará de elo entre educadores, 
pais e o estudante. 
Nos Estados Unidos esse profissional é chamado de shadow (―sombra‖ 
em inglês). O motivo dessa denominação é para reforçar que o mediador não 
deve trabalhar como um facilitador de tarefas, e sim como uma sombra da 
criança. 
O mediador escolar trabalhará auxiliando a criança na sala de aula e em 
todos os ambientes escolares, como um ―personal trainer‖, mediando e 
ensinando regras sociais, estimulando a comunicação e sua participação em 
sala, acompanhando a interação social dela com outras crianças, corrigindo 
rituais e comportamentos repetitivos e acalmando o estudante em situações de 
irritabilidade e impulsividade. 
Um ponto importante no trabalho do mediador escolar é que seu 
trabalho deve ocorrer apenas após a intervenção do psicólogo comportamental 
que identificará as limitações da criança, seus potenciais e poderá coordenar e 
orientar o trabalho do mediador escolar. 
A orientação ao mediador escolar proporcionará uma constante 
evolução da criança, atendendo às necessidades do estudante e criando 
oportunidades e metas de desenvolvimento à serem alcançadas. 
O mediador escolar desse ser treinado para documentar diariamente a 
evolução do estudante. Desta forma, pais, psicólogo comportamental e escola 
podem trabalhar juntos na identificação de comportamentos e situações 
 
 51 
problemáticas para realizar adaptações e mudanças de suporte e auxílio para 
nutrir a evolução acadêmica e comportamental da criança ou adolescente. 
Encontros regulares entre o orientador escolar, professores, mediador, 
psicólogo comportamental e pais ajudam na constante elaboração de metas e 
implementação de novas estratégias para ajudar o estudante. 
Lembre-se, o objetivo final do mediador escolar será ensinar a criança 
autista a se tornar independente na escola. 
 
ESPORTES 
As atividades esportivas e de psicomotricidade também merecem 
destaque nas intervenções com crianças e adolescentes com autismo, pois 
melhorama saúde clínica da criança, auxiliam muito no desenvolvimento de 
habilidades motoras e de consciência corporal. 
O esporte pode ser peça fundamental, pois estimula a autoestima, 
facilita a socialização, aumentando assim a inclusão social dessas crianças em 
eventos escolares ou da comunidade em que vive. 
 
GRUPOS DE APOIO 
Os grupos de apoio são formados por pais, profissionais e pesquisadores 
que buscam a divulgação do conhecimento científico sobre o autismo, 
promovendo campanhas e atividades direcionadas a motivar e orientar as 
famílias em sua procura por diagnóstico, tratamento, educação e inclusão 
social. Lutar para eliminar preconceitos e despertar o interesse e a boa vontade 
da sociedade brasileira também é um dos objetivos dessas instituições que 
merecem todo respeito e apoio. 
 
 52 
Ressalto o belo trabalho de duas instituições brasileiras sem fins 
lucrativos: a Associação de Amigos do Autista (AMA) e a Autismo e 
Realidade. 
A AMA foi a primeira associação de autismo no Brasil e surgiu na 
Cidade de São Paulo em 1983 à partir da luta de pais de crianças com autismo 
que desejavam buscar o melhor tratamento possível para seus filhos. Eles 
buscavam conhecimento, pois existia pouca informação à respeito desse 
diagnóstico e deslumbravam oportunidades de amparo à seus filhos e suas 
famílias. 
Após o início dos trabalhos da AMA e do aumento da divulgação de 
informações sobre o autismo na mídia brasileira, novas instituições e grupos 
de apoio foram criados no Brasil, ajudando na desmistificação dos transtornos 
do espectro autista, motivando pais pela busca de apoio e tratamento de seus 
filhos, estimulando profissionais da educação pela busca de conhecimento 
para a inclusão educacional dessas crianças e adolescentes. 
Em 2010 um grupo de profissionais e pais formaram a AUTISMO E 
REALIDADE, objetivando difundir conhecimento científico sobre os 
transtornos do espectro autista, motivar a busca por tratamento, promover 
debates, trocas de experiências, apoiar a formação de profissionais na área da 
saúde e educação, estimular a inclusão educacional e social desse jovem, 
desmistificar, eliminar preconceitos e colaborar para que os direitos legais das 
pessoas com autismo sejam respeitados. 
O modelo de funcionamento e estruturação da AUTISMO E 
REALIDADE foi inspirado na AUTISM SPEAKS, instituição criada nos 
Estados Unidos em 2005 e que se transformou em uma das mais influentes 
organizações de defesa do autismo nos Estados unidos. 
 
 
 53 
- CAPÍTULO 5 - 
COMO É O TRATAMENTO DO TDAH? 
 
O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é um 
problema comportamental de grande incidência na infância e na adolescência. 
Pesquisas internacionais revelam que o TDAH está presente em torno de cinco 
por cento da população em idade escolar. 
 A Associação Americana de Pediatria afirma que o objetivo primário 
do tratamento do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade é melhorar o 
funcionamento da criança em todas as áreas de sua vida, portanto o progresso 
do tratamento deve ser medido pela melhoria no relacionamento com os pais, 
irmãos, professores e amigos; pela diminuição do comportamento opositivo e 
desafiador; pela melhoria de seu desempenho acadêmico, através da melhoria 
de sua capacidade atencional, diminuição da inquietação, agitação e do 
comportamento hiperativo. Outros aspectos relativos ao sucesso terapêutico 
será o aumento da independência nos cuidados pessoais e na execução de 
deveres de casa, por exemplo. 
 Consequentemente, com a melhoria nos aspectos sociais e acadêmicos, 
devemos observar também uma grande melhora na autoestima da criança ou 
adolescente com TDAH. 
 Vale à pena ressaltar também que, uma vez que estamos falando de um 
transtorno comportamental de origem genética, muitas vezes podemos nos 
deparar com pais com o mesmo diagnóstico do filho. Portanto, o tratamento de 
pais portadores do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade também é 
muito importante para o sucesso terapêutico da criança ou adolescente com o 
problema comportamental. 
 
 54 
 Além disso, questões familiares como, conflitos e brigas entre pais, 
abuso de álcool e de outras drogas ou problemas psicológicos identificáveis 
devem ser concomitantemente tratados para favorecer as intervenções na 
criança com TDAH. 
 
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO 
O tratamento com medicamentos para o TDAH são as intervenções 
mais estudadas dentro da medicina do comportamento infantil. Apesar da 
existência de inúmeras pesquisas científicas internacionais comprovando a 
eficiência, a segurança e a necessidade do uso de medicamentos estimulantes 
para o tratamento do TDAH, até cerca de quinze anos atrás existia muita 
polêmica com relação ao melhor tratamento disponível para o transtorno. Para 
esclarecer essa dúvida, um grande estudo denominado MTA foi realizado nos 
Estados Unidos e Canadá. 
 
O QUE É O ESTUDO MTA? 
O estudo MTA (The Multimodal Treatment Study of Children with 
ADHD) ou estudo multimodal de tratamento de crianças com TDAH foi uma 
pesquisa multicêntrica (realizada em seis centros de pesquisa) e envolveu 
inicialmente 579 crianças separadas aleatoriamente em quatro braços de 
pesquisa. O objetivo da pesquisa era determinar qual seria a melhor estratégia 
de tratamento para o problema comportamental. 
Um grupo de crianças receberia apenas o medicamento estimulante 
como forma de tratamento. Um segundo grupo receberia apenas 
acompanhamento psicoterapêutico comportamental. Um terceiro grupo 
receberia medicamento e acompanhamento psicoterapêutico comportamental e 
o quarto grupo receberia o chamado tratamento comunitário. Neste último, as 
 
 55 
crianças eram acompanhadas por médicos não-especialistas e normalmente 
recebiam dosagens medicamentosas consideradas baixas pelos pesquisadores, 
além de não receberem informações psicoeducativas sobre o transtorno. 
Bem, os primeiros resultados publicados há quinze anos revelaram que 
todos os braços de pesquisa evidenciavam alguma melhora nas crianças 
pesquisadas, entretanto o tratamento medicamentoso se mostrou superior 
quando comparados às outras opções terapêuticas. Além disso, uma análise 
posterior, após dois anos do início do estudo identificou que aqueles pacientes 
medicados continuavam apresentando melhores resultados quando 
comparados aos outros grupos de pesquisa. 
Os resultados do estudo MTA não desqualificam as outras estratégias de 
tratamento, mas evidenciam e qualifica a medicação como o principal 
tratamento para o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. O estudo 
valoriza também a importância do tratamento em conjunto com a utilização de 
técnicas comportamentais e medidas psicoeducativas, a que dedico os 
próximos capítulos inteiramente a esses temas. 
 Sendo assim, o tratamento do TDAH deve envolver uma abordagem 
multidisciplinar associando o uso de medicamentos a intervenções 
psicoeducativas e psicoterápicas. 
 
OS MEDICAMENTOS SÃO CONHECIDOS HÁ MUITO TEMPO? 
As medicações de primeira escolha para o TDAH são os estimulantes e 
o primeiro relato na medicina da utilização desses fármacos para o tratamento 
clínico de crianças com hiperatividade foi em 1937, quando o médico 
americano, Dr. Charles Bradley, publicou um artigo em Providence, Estado de 
Rhode Island, reportando sobre um grupo de crianças hiperativas que 
melhoraram a sintomatologia após a utilização do estimulante Benzedrine. O 
 
 56 
metilfenidato, único medicamento estimulante com a indicação para 
tratamento do TDAH existente no Brasil foi desenvolvido em 1950, entretanto 
apenas em 1957 começou a ser comercializado para tratamento da 
hiperatividade. 
Portanto, os medicamentos em uso para esse tratamento existem há mais 
de 60 anos, tendo sido exaustivamente pesquisados durante as últimas décadas 
em mais de 200 estudos controlados nos EstadosUnidos e Europa, 
principalmente. Desta forma, posso afirmar que ao olhar da ciência e da 
medicina moderna, essas pesquisas comprovam a eficácia terapêutica, além da 
segurança e da tolerabilidade de seus efeitos para uso em crianças e 
adolescentes. 
Além dos medicamentos estimulantes, outros fármacos são 
considerados de segunda escolha para tratamento do TDAH como 
antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina e 
antidepressivos tricíclicos, entretanto os resultados terapêuticos não são tão 
satisfatórios como os atingidos pelos estimulantes e dificilmente são 
utilizados. 
 
COMO O MEDICAMENTO FUNCIONA? 
Os medicamentos estimulantes são rapidamente absorvidos após a 
ingestão oral e age no cérebro aumentando as concentrações de dopamina e 
noradrenalina, duas substâncias chamadas também de neurotransmissores e 
que estão diminuídas no cérebro de portadores do TDAH. O aumento da 
concentração dessas substâncias no cérebro promove uma ação estimulatória 
do córtex pré-frontal, região do cérebro responsável pelas funções executivas 
e que não está funcionando corretamente nos portadores de TDAH. A 
 
 57 
medicação provocará uma melhoria na atividade motora, no processamento de 
informações e na percepção de estímulos externos. 
O medicamento tem um início de ação rápido e cerca de 30 minutos 
após a administração, o portador de TDAH já é capaz de perceber os efeitos 
da substância: melhoria da capacidade atencional, diminuição do 
comportamento hiperativo, diminuição da inquietação e da agitação. 
 
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS MITOS SOBRE A MEDICAÇÃO? 
 Um mito importante que deve ser desfeito com relação ao metilfenidato 
é de que a medicação poderia causar dependência. Bem, para que uma 
substância tenha um potencial de causar dependência, normalmente 
identificamos dois fenômenos denominados: tolerância e síndrome de 
abstinência. 
A tolerância é um fenômeno químico em que após repetidas utilizações 
da droga, o usuário necessita de doses maiores para obter as sensações 
prazerosas que sentia inicialmente com uma dosagem inferior. Seria como o 
alcoólatra que na adolescência se sentia embriagado com apenas um copo de 
cerveja e hoje, muitos anos depois precisa de quatro garrafas de cerveja para 
se sentir bêbado. Bem, no caso do metilfenidato, não há tolerância. Isso 
significa que uma vez encontrada a dose ideal para melhoria dos sintomas do 
TDAH, essa dosagem será a mesma ou muito próxima disso no decorrer do 
tempo. 
A síndrome de abstinência é caracterizada pela experimentação de 
sintomas e sensações de desconforto psicológico e fisiológico devido à 
ausência da substância no organismo. Essa síndrome não ocorre com o uso do 
metilfenidato, fato que possibilita que uma grande parcela dos portadores de 
TDAH não realize a utilização do medicamento durante finais de semana ou 
 
 58 
férias escolares, por exemplo. A síndrome de abstinência encontrada nos 
usuários de drogas pode vir acompanhada também da fissura ou craving, 
fenômeno que compreende as sensações de forte desejo pela busca e uso da 
droga, normalmente acompanhado de sintomas ansiosos. Da mesma forma, a 
fissura ou craving são fenômenos inexistentes com o uso do metilfenidato. 
Portanto, pais e professores não devem ficar preocupados com a 
―dependência‖ da medicação, pois isso não passa de um grande mito, sem 
respaldo científico algum. A medicação para tratamento do TDAH se mostra 
eficiente, segura, bem tolerada e sem qualquer risco de dependência aos 
portadores de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. 
Outro mito importante é de que a medicação deverá ser utilizada para 
sempre pela criança ou adolescente. Essa informação não é correta. A ideia da 
medicação é promover a melhoria da sintomatologia provocada pelo TDAH, 
proporcionando qualidade de vida e diminuindo o sofrimento do portador e de 
sua família. 
Durante o processo terapêutico a família, escola, familiares e o próprio 
paciente devem aprender técnicas comportamentais, estratégias de estudo e de 
controle do comportamento para aprender à lidar com o TDAH. No decorrer 
do tempo essa aprendizagem permitirá a interrupção da medicação e o médico 
psiquiatra da infância e adolescência saberá o momento certo de solicitar a 
interrupção de seu uso. 
Posso dizer que, atualmente, o que é preconizado pelas principais 
associações médicas e centros de pesquisas internacionais é fazer o uso da 
medicação durante todo o ano letivo, pois normalmente as crianças e 
adolescentes chegam ao consultório ou ambulatórios médicos com uma 
história de prejuízos acadêmicos intensos. No início do próximo ano letivo 
 
 59 
esse paciente será reavaliado para averiguar a necessidade de continuar ou não 
a medicação. 
 
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS EFEITOS COLATERAIS DA 
MEDICAÇÃO? 
Os principais efeitos colaterais do metilfenidato estão relacionados com 
a diminuição do apetite. Vale lembrar que esses efeitos colaterais ocorrem em 
uma parcela pequena de pacientes que o utiliza e normalmente são sintomas 
presentes apenas nas primeiras semanas de uso. 
 Uma estratégia interessante para evitar esse problema é a administração 
do medicamento junto ou logo após as refeições. Desta forma, a diminuição 
do apetite não irá ocorrer. Entretanto, em alguns casos especiais a ajuda de 
uma nutricionista pode ser de grande valia para não permitir a perda de peso 
desses pacientes. 
Outro efeito colateral que pode ocorrer é a presença de insônia, 
entretanto esse efeito ocorre apenas naqueles portadores que realizam o uso da 
medicação no período noturno. Uma vez que a medicação é administrada 
durante o dia, esse efeito colateral dificilmente ocorrerá, pois no período 
noturno o medicamento já deixou de agir no organismo da criança ou 
adolescente. 
 
EXISTEM TRATAMENTOS ALTERNATIVOS DISPONÍVEIS? 
Ultimamente temos observado na mídia uma série de tentativas de 
tratamento para o TDAH utilizando métodos alternativos que não envolvam a 
medicação, como homeopatia, dietas, suplementos e vitaminas. Infelizmente, 
devo dizer de forma enfática que até hoje não há nenhum estudo científico que 
comprove a eficácia de tais métodos terapêuticos. 
 
 60 
Sendo assim, à luz da ciência, utilizar fórmulas homeopáticas, retirar o 
açúcar e aditivos alimentares da dieta ou ainda, acrescentar suplementos e 
vitaminas à alimentação não provocarão benefícios aos portadores do 
transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. 
Portanto, expor crianças e adolescentes à tratamentos alternativos 
desprovidos de evidências científicas e fomentar falsas crenças terapêuticas é 
um absurdo. Privar esse paciente de ser corretamente medicado, se 
beneficiando de um tratamento médico ético, seguro, moderno e respaldado 
cientificamente se mostra um grande contra censo e um desrespeito ao 
portador do TDAH e seus familiares. 
 
TRATAMENTO PSICOLÓGICO 
A terapia cognitivo-comportamental abrange as principais técnicas 
terapêuticas utilizadas para o tratamento do transtorno de déficit de 
atenção/hiperatividade. A eficácia de suas técnicas é comprovada pelos 
estudos e pesquisas internacionais realizadas no mundo inteiro. 
Um dos focos principais na terapia cognitivo-comportamental será a 
busca pela melhoria dos problemas relacionados com as funções executivas do 
cérebro. Função executiva é um conceito neuropsicológico que se aplica ao 
processo cognitivo responsável pelo planejamento e execução de atividades, 
incluindo iniciação de tarefas, memória de trabalho, atenção sustentada e 
inibição de impulsos, por exemplo. 
O córtex pré-frontal é a principal região cerebral responsável pelas 
funções executivas e são desenvolvidas principalmente nos primeiros anos de 
vida. Quando há falhas dessas funções, frequentemente irão aparecer 
problemas envolvendo planejamento, organização, manejo do tempo, memória 
e controle das emoções, características de portadoresde TDAH. Portanto, o 
 
 61 
TDAH é um transtorno das funções executivas do cérebro e que acaba por 
comprometer o controle inibitório do organismo. 
As funções executivas serão muito importantes nos momentos em que 
crianças e adolescente precisam planejar e executar as mais diversas 
atividades, principalmente nos momentos de tomada de decisões. 
O trabalho em habilidades executivas tem como objetivo ajudar a 
criança ou adolescente à ―regular seu comportamento‖, através de 
organização, planejamento e assim favorecer sua tomada de decisões. As 
maneiras necessárias para se ―regular o comportamento‖ envolvem o uso de 
habilidades que visam a criação de estratégias para a resolução de problemas e 
para atingir determinadas metas. Essas habilidades são: 
Planejamento: Habilidade de criar um caminho para atingir uma meta ou 
completar uma tarefa. 
Organização: Habilidade de se criar uma estratégia para facilitar na execução 
de uma atividade. 
Manejo do tempo: Capacidade de estimar quanto tempo ainda tenho para a 
execução de um dever de casa, de uma prova de matemática ou de um 
trabalho para a escola, por exemplo. 
Memória de trabalho: Habilidade de manter informações na mente, enquanto 
executa tarefas. Utilizar aprendizagens do passado para aplicar na situação 
atual ou criar estratégias de solução de problemas para o futuro. Por exemplo: 
lembrar do conhecimento prévio de álgebra para solucionar o problema de 
matemática que estou realizando. 
Metacognição: Habilidade de se observar, identificando como você resolve 
um problema. Exemplo, pergunto a mim mesmo: ―Como estou indo?‖ ou 
―Como eu fiz esse exercício?‖ 
 
 62 
Essas habilidades nos ajudam a criar uma meta, um objetivo. Num 
segundo momento, para se atingir efetivamente essa meta, precisamos de 
outras habilidades para guiar ou modificar nosso comportamento até se atingir 
o objetivo final. Isso inclui: 
Resposta inibitória: Capacidade de pensar antes de agir. Essa habilidade de 
resistir em dizer ou fazer alguma coisa nos dá tempo para avaliar uma situação 
e decidir se algo deve ou não deve ser dito, por exemplo. 
Autorregulação do afeto: Habilidade de regular as emoções para completar 
tarefas, atingir objetivos e controlar o comportamento. 
Iniciação de tarefas: Habilidade de começar uma tarefa, sem procrastinar. 
Flexibilidade: Habilidade de revisar os planos, na presença de obstáculos, 
erros ou novas informações. Trata-se da capacidade de adaptar-se a condições 
adversas. 
Persistência ao alvo: Capacidade de seguir e executar um plano até completar 
a meta, sem desistir. 
Outro treinamento importante são as estratégias de automanejo, quando 
o terapeuta auxilia o paciente na identificação de seus comportamentos 
inadequados. Desta forma, a criança ou adolescente poderá aprender à 
controlar e modificar comportamentos agressivos, desajustados ou impulsivos, 
por exemplo. 
A aplicação de estratégias de solução de problemas também é muito 
importante. O objetivo dessas estratégias é combater uma das grandes 
dificuldades do portador do TDAH, a impulsividade. O portador deverá 
aprender à ―parar e pensar‖ antes de agir, sendo mais assertivo em suas ações 
e comportamentos. 
Crianças e adolescentes com TDAH apresentam muitos prejuízos nos 
relacionamentos sociais, evidenciados pela dificuldade na manutenção de 
 
 63 
amizades, pelos atritos e brigas com amigos, colegas de sala de aula, vizinhos 
ou nos relacionamentos amorosos. Nesse caso, o treinamento em habilidades 
sociais é muito utilizado objetivando o desenvolvimento de comportamento 
empático. O portador poderá avaliar melhor as situações sociais, controlar a 
impulsividade e entender os sentimentos e necessidades das outras pessoas 
antes de tomar decisões. Sua capacidade de se comunicar de forma mais 
assertiva será enfatizada e a melhoria de seus relacionamentos sociais e 
consequente melhora de sua autoestima também ocorrerá. 
 A dificuldade atencional pode ser treinada também através da terapia 
cognitivo-comportamental. O objetivo será melhorar a capacidade atencional 
dos portadores do TDAH através de exercícios que estimulem o controle da 
atenção. Normalmente são utilizados programas de computadores. 
As técnicas cognitivo-comportamentais também podem ser utilizadas 
para o tratamento de transtornos comportamentais associados como: 
depressão, ansiedade, transtorno desafiador opositivo e transtorno de conduta. 
 
TRATAMENTO PSICOEDUCACIONAL 
Os problemas comportamentais em crianças e adolescentes afetam a 
família toda, portanto intervenções que ofereçam informação e orientação aos 
pais são essenciais para o sucesso terapêutico. 
O tratamento psicoeducacional consiste em um conjunto de ações e 
estratégias que visam o aprendizado de pais e cuidadores sobre o TDAH para 
que possam auxiliar no tratamento de seus filhos e alunos. 
Os treinamentos de orientação de pais e cuidadores, a apresentação de 
palestras psicoeducativas e os grupos de apoio são exemplos de intervenções 
muito importantes no tratamento do portador de TDAH e devem se basear nos 
seguintes princípios: 
 
 64 
1) Informação sobre a natureza do TDAH 
2) Ensinamentos sobre o comportamento da criança ou adolescente. 
3) Ensinamentos sobre a utilização de técnicas comportamentais de reforço 
positivo, como a utilização de um sistema de economia de fichas e 
técnicas de antecipação de problemas. 
4) Ensinamentos sobre a utilização de técnicas comportamentais de reforço 
negativo, como o canto do castigo e outras técnicas de punição branda. 
À seguir descrevo as principais técnicas psicoeducativas utilizadas com 
familiares de portadores do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: 
Orientação de pais 
A orientação de pais é uma intervenção baseada no trabalho com os pais 
ou cuidadores da criança ou adolescente e tem o objetivo de oferecer 
conhecimento, informação e instrução para a aplicação de técnicas focadas nas 
necessidades individuais de cada criança ou adolescente. 
O profissional age como um consultor para ajudar os pais na 
identificação de problemas, podendo assim, auxiliá-los na aprendizagem de 
habilidades necessárias para manejar as dificuldades do paciente. Essas 
intervenções podem favorecer a modificação de atitudes e comportamentos 
que possam estar contribuindo para o problema. 
Outro princípio básico da orientação de pais é ajudá-los à entender 
sobre o desenvolvimento de seu filho ou filha e sobre suas dificuldades e 
necessidades especiais. Informações que podem auxiliar também na 
diminuição de sentimentos de culpa, sentimentos de negação do problema ou 
de preconceito. 
 
 
 65 
Psicoeducação 
A psicoeducação é uma intervenção focada na educação do paciente, de 
seus familiares, amigos e professores objetivando a informação para a 
construção de habilidades que facilite o entendimento do problema 
comportamental para que todos possam aprender a lidar com o problema. 
Isso envolve a aprendizagem sobre o diagnóstico do transtorno, suas 
características, sua incidência, causas, sintomas, fatores de risco, fatores de 
bom e mau prognóstico, evolução natural do problema, seu prognóstico, 
opções de tratamento, medicamentos disponíveis e o manejo de sintomas. 
Enfim, o objetivo final do trabalho psicoeducativo é oferecer 
informação aos pais, demais familiares e profissionais da educação. Todo esse 
trabalho é validado através de diversas pesquisas científicas internacionais que 
comprovam a eficácia da psicoeducação como ferramenta importante para a 
adesão da família e paciente ao tratamento. 
Muitos pais me perguntam se deveriam falar com seu filho ou filha 
sobre o diagnóstico. A resposta é sim, claro que sim! O diagnóstico de TDAH 
é crônico e sendo assim, crianças, adolescentes ou adultos portadores devem 
conhecer o transtorno para aprender estratégias para lidar com os sintomas. 
 
Grupos de apoioOs grupos de apoio são formados por familiares, amigos e portadores de 
TDAH que se juntam para dividir experiências, conhecimentos, criando assim, 
uma rede de apoio social. Médicos, psicólogos, terapeutas familiares, 
fonoaudiólogos e demais profissionais de saúde mental também participam 
dos encontros e reuniões. 
Basicamente pode-se dizer que três características principais movem as 
pessoas para esses grupos de apoio: senso de identificação com o grupo, 
 
 66 
suporte emocional e busca por informação. Desta forma, pais e familiares 
podem ter a oportunidade de discutir com os pais e familiares de outras 
crianças e adolescentes que apresentam o mesmo transtorno comportamental. 
Assim, terão a chance de trocar experiências, receber apoio e informação para 
entender melhor o que ocorre com seus próprios filhos. 
Portanto, o objetivo dos grupos de apoio é ajudar a vida de familiares e 
portadores de TDAH através do oferecimento de informação sobre o 
transtorno, além de suporte emocional. 
Inicialmente criado nos Estados Unidos, esses grupos de apoio aos pais 
e familiares inspiraram a criação de diversos grupos no Brasil, como a 
Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), considerada a maior 
organização brasileira de portadores, familiares e de profissionais da educação 
e da saúde mental compromissados com o transtorno de déficit de 
atenção/hiperatividade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 67 
- CAPÍTULO 6 - 
TDAH: GUIA DOS PAIS 
 
Dedico esse guia à orientar pais e responsáveis sobre estratégias de 
estudo para auxiliar no manejo dos sintomas de déficit de atenção e 
hiperatividade que atrapalham o desempenho acadêmico e social das crianças 
e adolescentes portadores do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade 
(TDAH). 
Bem, para falar sobre desempenho acadêmico, gostaria de iniciar 
abordando o estudo de casa. Trata-se de um momento tão importante quanto o 
período em que o aluno está em sala de aula. Nesse momento ele poderá 
treinar e aprimorar seus conhecimentos que foram introduzidos anteriormente 
na escola. 
Basicamente alguns conceitos que devem ser enfatizados no estudo para 
que tenhamos o sucesso escolar dessa criança ou adolescente com TDAH, 
como a organização, a disciplina e a rotina. 
Os portadores de TDAH apresentam dificuldade nas funções executivas 
do cérebro e por isso suas capacidades de organização, disciplina e de seguir 
rotinas estão prejudicadas. Portanto, será dever de pais e professores auxiliar 
seus filhos e alunos nesses conceitos básicos e essenciais para o sucesso 
acadêmico. 
A organização do estudo baseia-se no planejamento desse momento de 
aprimoramento e assimilação dos conteúdos ensinados na sala de aula. Esse 
planejamento leva em consideração que o aluno deve dedicar um período do 
dia para realizar os deveres de casa e revisar o que foi ensinado no dia de aula. 
 
 68 
Esse estudo em casa será um dos elementos essenciais para o sucesso 
terapêutico e deve respeitar três passos fundamentais: o horário, o local e a 
qualidade desse estudo. 
 
ESTUDO EM CASA 
PASSO 1 - Horário de estudo 
 O horário fixo de estudo é muito importante para o estabelecimento de 
rotinas e para facilitar a organização do aluno. 
 Para o aluno que estuda no período da manhã, deve ser escolhido um 
horário à tarde para o estudo de casa, enquanto que o aluno que vai à escola à 
tarde, deve separar um horário no final do dia para os deveres de casa. Aos 
alunos que estudam em período integral, normalmente a escola oferece um 
período do dia para tal. Nunca o horário de estudo e de realização de deveres 
de casa deve ser no período noturno. A noite é para descanso, uma preparação 
para o dia seguinte de novos afazeres escolares. 
 Eis um exemplo: da mesma maneira que diariamente o aluno João 
precisa estar às 7 horas da manhã na escola, ela precisa saber que entre às 14h 
e 16h é o seu horário de estudo. Esse padrão de comportamento e disciplina 
deve ser enfatizado. Esse horário de estudo pode e deve ser discutido com a 
criança, entretanto após a determinação do horário de estudo, este deve ser 
respeitado sempre. 
 Para ilustrar a importância de uma rotina com um horário fixo de estudo, 
exemplifico o caso de uma paciente de nove anos de idade chamada Clara, que 
atendo no consultório. A mãe de Clara estava muito confusa, pois havia 
encontrado uma professora particular que teria horários disponíveis para 
acompanhar os estudos de casa de sua filha diariamente, entretanto Clara 
 
 69 
continuava apresentando dificuldades nos estudos, sempre cansada e 
desmotivada. 
 Bem, conversei com sua mãe para entender o planejamento desse estudo 
diário e descobri o motivo do cansaço e desmotivação da pequena Clara. 
Apesar do auxílio da professora, Clara continuava desorganizada e confusa, 
pois não existia uma rotina em seu estudo. Cada dia da semana a aula 
particular ocorria em um horário diferente, com duração variável e em locais 
diferentes, ora na casa da criança, ora na casa da professora. Orientei a mãe 
que conversasse com a professora e estabelecesse horários fixos diários para o 
estudo de Clara, além da escolha de um local fixo para esse estudo. Corrigido 
esse problema de organização e rotina o desempenho de Clara melhorou 
consideravelmente. 
 
PASSO 2 - Local do estudo 
 Um local de estudo fixo, para facilitar o estabelecimento de uma rotina 
será necessário. Para aquelas crianças e adolescentes que teimam em estudar 
em seus quartos, deitados, costumo dizer que se deitado fosse uma boa 
posição para o estudo, nas bibliotecas encontraríamos um monte de camas. 
Portanto, um bom local de estudo deve lembrar uma biblioteca: um local 
silencioso, contendo uma mesa, cadeira e abajur. 
 O aluno deve estudar sentado em uma cadeira confortável, apoiado em 
uma mesa limpa, sem outros objetos além do abajur e do caderno, livro, lápis 
e caneta. Um local arejado, bem ventilado, bem iluminado e acima de tudo: 
silencioso. Esse local deve ser longe de janelas, afinal, poucos estímulos 
auditivos e visuais serão imprescindíveis para evitar a distração. 
 
 70 
 Sendo assim, nunca é demais reforçar ao estudante que a televisão, o 
Ipad, o computador, o celular, o telefone fixo e o videogame devem 
permanecer desligados durante todo o tempo de estudo. 
PASSO 3 - Qualidade do estudo 
 A qualidade do estudo é muito importante. Não adianta passar horas na 
frente dos livros pensando no futebol ou no jogo do Playstation 4. Saber 
aproveitar o tempo destinado ao estudo de casa será muito importante e para 
isso teremos que contar mais uma vez com a ajuda dos pais e professores na 
orientação e no monitoramento do estudo de casa. 
 
GUIA DOS PROFESSORES 
 Os professores são peças fundamentais no processo de aprendizagem de 
seus alunos, portanto merecem um capítulo à parte quando o assunto é o 
tratamento do TDAH. 
Vou comentar sobre estratégias à serem adotadas em sala de aula para 
melhorar a capacidade atencional e diminuir os prejuízos decorrentes de 
comportamentos hiperativos, facilitando assim, a aprendizagem. O 
interessante disso tudo é que as estratégias podem ajudar a todos. Tanto alunos 
com TDAH podem se beneficiar dessas estratégias, assim como alunos 
portadores de outros problemas comportamentais e também aqueles que não 
apresentam problema algum. 
DICAS AOS PROFESSORES 
 
1) Estabeleça rotinas: Mantenha a sala de aula organizada e estruturada. 
O estabelecimento de uma rotina diária em sala de aula facilitará o 
entendimento e a aprendizagem de todas as crianças. Estimule que o 
 
 71 
aluno limpe sua mochila semanalmente e a mantenha organizada 
também. 
 
2) Crie as regras da sala de aula: Regras claras e objetivas ajudam na 
manutenção da disciplina em sala de aula. Essas regras podem ser 
fixadas em um painel localizadoem local de fácil visualização pelos 
alunos. Consequências negativas por quebra das regras também podem 
ser fixadas no painel, assim como consequências positivas (prêmios) 
por comportamentos assertivos. 
 
3) Agenda escola-casa: Trata-se de uma estratégia comumente utilizada 
por vocês professores. São as famosas agendas de comunicação entre 
pais e professores. Através dela, informações importantes poderão ser 
trocadas sobre o comportamento do aluno em sala de aula, no recreio 
escolar, ou sobre a execução de deveres de casa e atividades. Enfim, 
pais e professores poderão manter um canal de comunicação para saber 
como está o funcionamento da criança ou adolescente. 
 
4) Sentar na frente da sala de aula: Será mais fácil monitorar e ajudar o 
estudante com dificuldade nos estudos e com um comportamento 
desatento ou hiperativo sentando-o na frente da sala de aula, próximo ao 
quadro e ao professor. Isso irá facilitar o controle e manejo de 
comportamentos inadequados em sala de aula, além de permitir que o 
professor faça intervenções ou elogie boas atitudes desse aluno. 
 
 
 72 
5) Matérias mais difíceis no início da aula: Não apenas os portadores de 
TDAH, mas todos os estudantes estão mais descansados e mais aptos à 
aprendizagem no início do horário letivo. Portanto as disciplinas mais 
difíceis podem ser ―privilegiadas‖ nesse momento, com maiores 
chances de serem assimiladas, enquanto que no final do dia letivo, todos 
estão mais cansados e os conteúdos mais fáceis podem ser ensinados 
nesse momento. 
6) Pausas regulares: Todos nós possuímos uma determinada capacidade 
para permanecermos atentos. Isso significa que após um determinado 
tempo nossa capacidade atencional diminui muito, assim como nosso 
desempenho. Portanto permitir pausas regulares entre as atividades é 
uma conduta importante para que os alunos possam relaxam por alguns 
minutos antes da próxima atividade. 
 
7) Ensine técnicas de organização e estudo: Normalmente, crianças e 
adolescentes apresentam dificuldades para se organizar e planejar os 
estudos. Se esses estudantes forem portadores de TDAH a dificuldade 
será ainda maior. Portanto o professor pode exercer um papel 
importantíssimo no ensinamento de técnicas de organização para 
favorecer o estudo em casa. 
 
8) “Tempo extra” para responder às perguntas: Por que não? Pois 
estamos lidando com um aluno que apresenta dificuldade no controle da 
atenção, desorganizado, mas que se permitido um tempo extra, pode 
atingir os objetivos propostos pelo professor. Logo, permitir um tempo 
 
 73 
extra para responder às perguntas propostas durante a aula ou durante a 
prova pode e deve ser realizado. 
 
9) Questione sobre dúvidas em sala de aula: O professor deve 
questionar o portador de TDAH, assim como outros estudantes que 
apresentem dificuldades acadêmicas, sobre dúvidas em sala de aula. 
Isso ajudará na assimilação de conceitos e favorecerá a atenção do 
aluno. 
 
10) Estimule e elogie: Portadores de TDAH comumente apresentam 
prejuízos em sua autoestima, pois estão constantemente recebendo 
críticas, podendo se tornar desestimulados com a escola. Elogiando e 
estimulando seu esforço, o aluno se sentirá valorizado, sua autoestima 
será protegida e teremos grandes chances de observar um crescimento 
acadêmico desse estudante. Estimule o aluno com palavras de incentivo. 
Faça cartazes para serem colocadas no mural de recados com as regras 
do bom comportamento, recompensas por bom comportamento e 
consequências pelo desrespeito às regras. 
 
11) Premie o bom comportamento em sala de aula: Também 
chamado de reforço positivo. Essa estratégia visa estimular que 
comportamentos assertivos sejam potencializados e o interesse pelos 
estudos aumente, promovendo a melhoria do desempenho acadêmico de 
todos. Implemente um programa com pontuação e recompensas por 
bom comportamento, também chamado de economia de fichas. Você 
pode escrever um contrato entre você e o aluno em que ele concorde em 
 
 74 
realizar seus trabalhos de sala e associá-lo à uma premiação em caso de 
sucesso. 
 
12) Traga a aula para o dia a dia do aluno: Ah, temos mais um 
fator importante para a melhoria acadêmica de qualquer estudante: a 
motivação. Muitas crianças e adolescentes encontram dificuldade para 
entender a importância de algumas disciplinas. Portanto, a 
contextualização da matéria ensinada para aspectos do cotidiano pode 
ser uma boa alternativa para atrair o interesse do aluno em sala de aula. 
Traga a aula para o ―dia a dia do aluno‖. A matemática será muito mais 
interessante, caso o aluno aprenda a utilizá-la concretamente em sua 
rotina diária. O português pode envolver a utilização de recortes de 
jornais e revistas, assim como geografia e história. Enfim, existem 
inúmeras formas de tornar as disciplinas motivantes aos alunos. 
 
13) Seja empático: Costumo me lembrar de meus professores do 
colégio e os melhores eram sempre aqueles dinâmicos, extrovertidos, 
que se movimentavam em sala de aula, motivadores, engraçados e 
chamavam todos os alunos pelos nomes. Oscile a entonação e o volume 
de voz para atrair a atenção de todos a todo o momento. O professor 
pode ser um excelente modelo de comportamento aos seus alunos. 
Portanto, seja empático! 
 
14) Dividir trabalhos por partes: Uma vez que crianças e 
adolescentes com TDAH apresentam dificuldade na organização para a 
execução de trabalhos escolares, ensiná-los a dividir em várias partes 
 
 75 
pode ser uma grande estratégia para facilitar na resolução e conclusão, 
tornando o trabalho menos exaustivo. 
 
15) Agenda e lista de atividades diárias: Atualmente nossas 
crianças e adolescentes apresentam um número enorme de atividades. 
São aulas particulares, aulas de inglês, futebol, judô, etc. Bem, ensiná-
los à utilizar uma agenda ou uma lista de atividades diárias pode 
auxiliar muito na organização e no planejamento de seu tempo. 
 
16) Leitura sobre os transtornos comportamentais: Professores 
devem ter algum conhecimento técnico sobre os problemas 
comportamentais escolares. Portanto, leia bastante sobre o TDAH e 
outras condições comportamentais que acometem crianças e 
adolescentes. 
 
17) Seja assertivo: O professor é figura central e modelo de 
aprendizagem para seus alunos, portanto, seja assertivo em suas 
colocações. Evite críticas, pois o aluno com TDAH normalmente 
apresenta um prejuízo muito grande em sua autoestima. Prefira elogios, 
mas caso a crítica seja necessária, converse separadamente com o aluno 
para evitar expor suas dificuldades acadêmicas e comportamentais aos 
outros estudantes. 
 
18) Esteja alerta e antecipe problemas: Muitas vezes as mudanças 
comportamentais dos alunos seguem um padrão. Identificando 
 
 76 
precocemente esse padrão de comportamento, professores podem 
antecipar situações problemáticas, por exemplo: sempre que um aluno 
começa à levantar da carteira, outros o seguem e em segundos todos 
estão conversando e se distraindo. O professor pode se antecipar e 
combinar que apenas será permitido que o aluno se levante da carteira 
após os exercícios terem sido concluídos e com a sua autorização. 
Lembre os alunos sobre o comportamento esperado para essa ou aquela 
atividade em sala de aula. 
 
19) Faça contato visual: Olhe nos olhos de cada aluno e os chame 
pelo nome periodicamente para atrair e captar a atenção. Desta forma os 
estudantes estarão mais alertas e atentos às suas orientações e 
ensinamentos. 
 
20) Utilize a internet: Alunos que apresentam dificuldade na cópia 
em sala de aula podem se beneficiar da colocação de textos e de deveres 
de casa na internet ou na distribuição de materiais impressos pelo 
professor. 
21) Estimule a prática de esportes: A prática de atividade física 
deve ser estimulada sempre. Aí entra com maior ênfase, o papel do 
profissional de educação física. Crianças e adolescentescom TDAH 
comumente apresentam dificuldades de relacionamento social e são 
estabanadas nas atividades físicas. Esportes coletivos são excelentes 
ferramentas para estimular a socialização, melhorar a autoestima, além 
de ensinar sobre a importância do trabalho em equipe, do respeito às 
 
 77 
regras, de se seguir uma hierarquia de comando e de respeitar a 
autoridade do professor. 
 
Sugestão de premiações escolares: 
Ser o ―ajudante‖ do professor 
Apagar o quadro 
Escrever no quadro 
Buscar equipamento para a aula 
Sair para beber água 
Ponto positivo na média 
Elogio verbal 
Elogio no caderno 
Elogio no caderno de comunicação com os pais 
 
Estratégias para atrair a atenção do aluno em sala de aula: 
Acenda e apague as luzes da sala de aula 
Diga frases do tipo: ―Atenção, todo mundo!‖ ; ―Vamos lá, turma!‖ 
Bata palmas 
Utilize giz ou marcadores coloridos no quadro 
Faça contato visual durante todo o tempo com os alunos, especialmente aos 
mais desatentos 
Utilize recursos de multimídia, como computadores, datashow, 
retroprojetores, vídeos, músicas e internet. 
 
 
 
 
 78 
- CAPÍTULO 7 - 
CÉREBRO E AS DROGAS 
 
Sempre que estou na companhia de pais e professores, durante palestras, 
costumo realizar uma analogia entre uma locomotiva e a infância. Costumo 
imaginar essa locomotiva cruzando territórios desconhecidos à 200 km por 
hora e que pode, a qualquer momento, descarrilar e cursar novos rumos, sendo 
muitos deles perigosos e traiçoeiros. Um desses caminhos desconhecidos são 
as drogas. 
O consumo de drogas é um fenômeno mundial e deve ser encarado 
como um grave problema de saúde pública em todo o mundo. Trata-se de um 
grande desafio aos pais, médicos, educadores e à sociedade de um modo geral. 
Jovens sob efeito de drogas apresentam desinibição comportamental, 
perda do juízo crítico e de reflexos motores, fatos que colaboram para que 
algumas das principais causas de mortes entre adolescentes como acidentes 
automobilísticos, suicídio, afogamentos e mortes por arma de fogo estejam 
relacionados em quase metade dos casos ao consumo recente de bebidas 
alcoólicas e outras drogas. 
Os estudos epidemiológicos sobre o consumo de álcool e drogas 
evidenciam um crescimento assustador nas últimas décadas, sendo que os 
jovens têm tido suas primeiras experiências cada vez mais precocemente, 
ocorrendo normalmente na passagem da infância para a adolescência. 
A grande maioria das pesquisas revelam que a idade da primeira 
experimentação de álcool e tabaco está por volta dos doze anos de idade, 
enquanto o uso de maconha e cocaína encontra-se entre os quatorze e 
 
 79 
quinze anos de idade. Outro dado assustador é a constatação de que a 
experimentação de drogas ilícitas por esses estudantes, excluindo-se álcool e 
tabaco, se situa em torno de 22%. Isso quer dizer que, na média, 
praticamente um em cada quatro adolescentes brasileiros já experimentou 
algum tipo de droga ilícita durante a vida. Outra conclusão importante sugere 
que existe uma grande correlação entre consumo de drogas, faltas escolares, 
baixo rendimento acadêmico e abandono escolar. 
Outra questão importante que favorece o uso e abuso de drogas por 
crianças e adolescentes é a desinformação de pais, a falta de capacitação de 
profissionais do ensino e a inexistência de programas eficientes de prevenção 
ao uso de drogas nas escolas. 
O objetivo desse EBOOK é informar e auxiliar pais, professores, 
amigos, familiares e profissionais da saúde e educação para conhecer e 
identificar os principais problemas relacionados com as drogas, suas 
características, efeitos, consequências e orientar na busca por tratamento. 
 Boa leitura! 
 
O QUE SÃO AS DROGAS? 
Para dar início a leitura desse guia, gostaria de convidá-los a entender 
um pouco mais sobre aspectos neurocientíficos que envolve o problema das 
drogas, como definições e conceitos que serão encontrados no decorrer da 
leitura. 
 
Drogas: Quando falo em drogas, estou me referindo às substâncias que 
exercem ações no cérebro humano capazes de provocar alterações 
comportamentais e químicas no nosso organismo. 
 
 80 
Abuso de drogas: é o consumo de qualquer substância que cause 
consequências adversas ao organismo. 
 
 Adicção: é o padrão de comportamento de abuso da droga 
caracterizado pelo envolvimento irresistível pelo seu consumo, a pessoa não 
consegue resistir ao impulso de utilizá-la repetidamente. 
 
Tolerância: é um fenômeno em que após repetidas utilizações da 
droga, o usuário necessita de doses maiores para obter as sensações 
prazerosas que sentia inicialmente com uma dosagem inferior. Exemplo disso 
são as pessoas que anos atrás necessitavam de apenas um copo de cerveja 
para se sentirem embriagadas e hoje necessitam de beber mais de uma 
garrafa para sentir os efeitos do álcool. 
 
Dependência de drogas: consiste em alterações comportamentais e 
químicas no cérebro do usuário que causa desejo e o leva à busca incessante 
pela utilização da droga. 
 
Síndrome de abstinência: está presente nesses dependentes químicos 
e é caracterizada pela experimentação de sintomas e sensações de 
desconforto psicológico e fisiológico devido à ausência da substância no 
organismo. 
Fissura ou craving: compreende as sensações de forte desejo pela 
busca e uso da droga, normalmente acompanhado de sintomas ansiosos e 
presentes na síndrome de abstinência. 
 
 81 
COMO AS DROGAS AGEM NO CÉREBRO? 
Diversos estudos se propõem a investigar como as drogas agem no 
cérebro. Uma das hipóteses mais aceitas até hoje propõe que a droga ativa o 
chamado sistema de recompensa cerebral. 
Esse sistema compreende algumas regiões do cérebro, localizadas 
dentro do sistema límbico que são responsáveis pelas emoções, sensações de 
prazer e relacionadas também com o problema do uso de drogas. O sistema 
de recompensa cerebral ou circuito do prazer começa na área tegumentar 
ventral, localizada na região cinzenta do tronco cerebral. Impulsos elétricos 
são criados nessa região a partir do uso da droga de abuso e esses estímulos 
atingirão o núcleo accumbens e posteriormente o córtex pré-frontal, região 
responsável pelo comportamento emocional. 
Os neurônios presentes nessa via são chamados dopaminérgicos e 
basicamente o que ocorre é que as drogas de abuso atuam no sistema de 
recompensa cerebral estimulando a produção, a liberação de dopamina, 
substância relacionada com o prazer, aumentando assim sua quantidade no 
cérebro e proporcionando as sensações prazerosas da droga. 
Muito importante salientar que da mesma maneira que a droga é 
capaz de estimular o sistema de recompensa cerebral, aumentando a 
liberação de dopamina nas regiões cerebrais e provocar sensações de prazer, 
outras atividades são também capazes de estimular esse sistema, como por 
exemplo, praticar esportes, sair com amigos, namorar, comer em um 
restaurante, ir ao cinema, assistir um bom programa de televisão, um show 
de rock ou na experimentação de um sorvete, por exemplo. 
 
 82 
Diferentemente de quando a pessoa estimula naturalmente a liberação 
de dopamina, provocando um “alto natural”, o uso de drogas provocará um 
“vício” dos receptores de dopamina no cérebro, fazendo com que o cérebro 
necessite de mais dopamina, forçando assim o jovem a buscar mais droga. 
 
QUAIS SÃO AS CONSEQUÊNCIAS DO USO DE DROGAS NA ADOLESCÊNCIA? 
O uso de drogas na adolescência pode acarretar uma série de 
modificações estruturais no cérebro do usuário. 
Jovens que abusam de drogas apresentam de uma maneira geral 
prejuízos acentuados nos estudos e nos relacionamentos sociais. A 
capacidade de cognição e raciocínio lógico ficam comprometidos, ocorrendo 
lentificação do pensamento, dificuldade de concentração e de retenção de 
informações. Outros prejuízos cognitivos estão relacionados com alterações 
na capacidade de julgamento e juízo crítico, aumento da agressividadee 
impulsividade. 
Esses adolescentes irão se afastar dos outros jovens não usuários de 
drogas e desta maneira, os laços afetivos serão comprometidos. Atividades 
esportivas e recreacionais em grupo serão abolidas, laços de confiança, 
companheirismo, ética e respeito não serão formados, restando ao jovem a 
interação social com outros usuários e baseados na simples relação de 
consumo de drogas. 
Essa relação socialmente pobre e disfuncional lentamente levará o 
adolescente ao padrão comportamental caracterizado por comportamentos 
do tipo: acordar pensando na droga, passar o dia inteiro pensando em 
 
 83 
consumi-la ou em como consegui-la, deixando de lado a família e os amigos. 
Uma realidade triste, mas vivenciada por milhares de jovens todos os dias. 
Desta forma, as alterações químicas e comportamentais produzidas 
por esse consumo de drogas resultarão invariavelmente em graves 
alterações da personalidade desse futuro adulto em formação. 
 
POR QUE TANTOS ADOLESCENTES ABUSAM DE DROGAS? 
Essa é uma pergunta que aflige pais, professores e profissionais da 
saúde mental em todo o mundo. Mas quais são os fatores que colaboram 
para que o consumo de drogas seja um fenômeno da juventude? 
Dificilmente um único fator de risco levará o jovem ao transtorno por 
uso de álcool e drogas. Na verdade, o uso problemático das drogas está 
relacionado a uma série de características, sendo que quanto mais fatores de 
risco este jovem tiver, maiores serão suas chances de envolvimento 
problemático com as drogas. 
 A adolescência é uma fase complicada do desenvolvimento e um 
furacão de mudanças comportamentais e físicas ocorrem no corpo e na 
mente dos jovens, mediada por uma descarga intensa de hormônios que 
passam a modificar completamente seus corpos. 
 O jovem está buscando sua identidade, sua individualidade, fazendo 
novas experiências, questionando, duvidando e muitas vezes brigando e 
lutando por questões que julga importante. Nesta fase o adolescente não 
aceita mais passivamente as determinações e orientações de seus pais, existe 
uma tendência de maior identificação com o grupo de amigos. São mais 
impulsivos, curiosos, mais aptos a seguir as opiniões dos colegas e todos 
 
 84 
esses fatores podem impulsionar o jovem a buscar novas experiências, 
sensações e prazeres. 
Logo, a adolescência é uma fase complexa do desenvolvimento físico e 
mental. Esse conjunto de fatores agregará o que se pode chamar de um 
“ambiente facilitador” para a experimentação das drogas. 
A facilidade com que as drogas são ofertadas no meio acadêmico, nas 
festas e nas próprias ruas, em bares e lanchonetes que vendem álcool e 
cigarros indiscriminadamente para menores de dezoito anos de idade, 
mesmo sendo proibido pela legislação federal, torna o controle ainda mais 
difícil. 
Outro fator importante para o início do uso de álcool e drogas pelos 
adolescentes são as influências dos modismos. A juventude contemporânea e 
nossa própria sociedade encaram o consumo alcoólico durante eventos 
esportivos, como Copa do Mundo, ou eventos sociais a exemplo do carnaval, 
reveillon ou outras festividades, como um comportamento normal, sendo 
praticamente uma regra a presença de álcool nestes momentos. 
Importante ressaltar também a importância do papel da família do 
jovem nessa fase de experimentações. O lar onde esse adolescente está 
inserido pode representar um fator de proteção ou de risco ao envolvimento 
com as drogas. 
Primeiramente temos o fator genético e logicamente imutável: filhos de 
pais dependentes de álcool ou drogas possuem até quatro vezes mais chances 
de se tornarem dependentes, quando comparados com filhos de pais não 
usuários dessas substâncias. Fatores ambientais também são importantes, logo 
filhos vivendo em ambientes domésticos caóticos e doentes, onde convivem 
diariamente com pais alcoólatras, usuários de drogas, agressivos, violentos, 
 
 85 
negligentes, hostis, desafiadores e onde não há diálogo, nem respeito mútuo, o 
risco desse adolescente abusar de drogas e álcool também será maior. 
Portanto, a primeira maneira de prevenir o uso e abuso de drogas por 
seus filhos é através da existência de uma família estável, respeitadora, ética, 
onde um diálogo franco e honesto com seus filhos exista sempre. Uma criança 
que vive em um ambiente doméstico sadio e seguro, onde as normas e regras 
sociais sejam ensinadas por seus pais, conceitos éticos e morais sejam 
passados aos filhos para a formação de um jovem responsável, seguro de seus 
deveres e responsabilidades, sabendo lidar com a questão dos limites são 
maneiras importantes e eficazes para evitar o envolvimento com as drogas. 
Jovens com baixa autoestima, inseguros, tímidos, retraídos e que não 
conseguem se destacar nos estudos, nos esportes, nem nos relacionamentos 
sociais são mais aptos ao envolvimento com as drogas, portanto a 
identificação precoce desses perfis psicológicos e comportamentais serão de 
grande importância para a prevenção ao uso de drogas. 
 
 
 
 
 
 
 
 86 
- CAPÍTULO 8 - 
DROGAS: GUIA DOS PAIS 
E PROFESSORES 
 
AS 17 REGRAS QUE TODOS OS PAIS DEVEM SABER 
O conceito primário de prevenção está ligado na educação emocional e 
na saúde do sistema familiar e escolar. Basicamente pode-se dizer que o 
programa de prevenção ao uso de álcool e outras drogas deve se iniciar ainda 
na infância, pois cada vez mais observamos o início precoce do envolvimento 
com drogas de abuso nessa faixa etária. 
 Envolver toda a comunidade é fundamental para o sucesso do 
programa que deverá contar com a orientação de pais, professores, 
diretores, coordenadores pedagógicos, funcionários da escola, amigos, 
vizinhos, familiares e profissionais da saúde escolar, como psicólogos, 
fonoaudiólogos, assistentes sociais, psicopedagogos, terapeutas 
ocupacionais, dentre outros. 
O acesso à informação através de palestras, reuniões, encontros, 
discussões, literaturas com informações médico-científicas a respeito das 
drogas são peças fundamentais, diria, na verdade, um grande alicerce para 
desmistificar a questão das drogas e desta maneira diminuir preconceitos 
para facilitar o entendimento do problema. 
A prevenção ao uso das drogas deve ser a principal prioridade, mas 
caso essa estratégia falhe e o jovem esteja fazendo uso dessas substâncias, a 
busca por ajuda médica especializada deve ser realizada o mais 
precocemente possível. 
 
 87 
 O objetivo desse EBOOK é orientar os pais sobre como se informar e 
prevenir que seus filhos se tornem usuários de drogas. Devo informar ao 
leitor que este guia não é uma “receita de bolo” com a solução mágica e 
perfeita para evitar que seu filho se envolva com as drogas, entretanto são 
ferramentas importantes para ajudá-los nessa árdua e difícil tarefa de 
orientação e criação. 
Descrevo a seguir as 17 regras dos pais para prevenção ao uso de 
álcool e outras drogas: 
 
1) Não use drogas 
 A primeira regra dos pais parece óbvia, mas constantemente me 
deparo no consultório médico com jovens que simplesmente ridicularizam os 
pedidos de seus pais para pararem de utilizar drogas pelo simples fato de que 
seus pais fazem uso, na maioria das vezes, de tabaco, álcool ou 
medicamentos como calmantes. Como pedir para um filho não usar drogas, 
se o próprio pai o faz? 
 
2) Conheça o inimigo 
O segundo passo para um correto e eficaz trabalho de prevenção ao 
uso de drogas é a informação dos pais com relação ao problema das drogas. 
Afinal, como ser convincente a um filho ou filha pré-adolescente de que as 
drogas fazem mal, se seus pais nem sabem exatamente o que é aquela 
determinada substância. 
Logo, essa é a segunda regra. Leia tudo o que puder sobre cada uma 
das drogas de abuso. Quando falo em “ler tudo que puder” me refiro a 
 
 88 
leitura de textos científicos ou textos escritos por profissionais qualificados 
que realmente conhecemsobre o assunto, pois é corriqueiro a existência de 
“literaturas pró-drogas” facilmente adquiridas na rede mundial de 
computadores, por exemplo, e que tentam de maneira falsa influenciar os 
jovens com propagandas do tipo: “maconha é uma erva natural” ou o 
“ecstasy é a pílula da felicidade”. 
Saiba o que é a droga, os locais e ambientes onde podem ser 
compradas e consumidas pelos jovens, seus sinais e efeitos no organismo, 
suas consequências e riscos a curto, médio e longo prazo. 
 
3) Seja amigo de seu filho 
 O significado de amizade, segundo o Dicionário Aurélio é: 
―sentimento fiel de afeição, apreço, estima ou ternura entre pessoas‖. Portanto, 
seja amigo e esteja presente sempre na vida de seu filho. Converse, brinque, 
pratique esportes, passeie com ele, discuta problemas, busque soluções sobre 
os mais diversos assuntos. 
 Pesquisas demonstram que um bom relacionamento entre pais e filhos é 
um importante fator protetor em relação ao uso de drogas e o envolvimento 
parental na compreensão e conscientização sobre o problema é de extrema 
importância para a prevenção. Neste sentido posso afirmar que uma das 
funções da família é dialogar, esclarecer dúvidas, ensinar limites e ajudar a 
criança ou adolescente a lidar com frustrações. Crescendo em um ambiente 
acolhedor e com regras claras, esses jovens tendem a se tornar mais seguros e 
menos aptos a se envolverem com álcool e outras drogas. 
 
 
 89 
4) Converse sobre as drogas 
Essa regra se refere ao fato de que mantendo um diálogo franco e 
aberto sobre o problema das drogas com seu filho, promoverá maiores 
chances de um resultado eficaz na prevenção às drogas. 
Converse com seu filho sobre o que são as drogas, seus efeitos no 
organismo, suas consequências negativas e riscos. Esclareça dúvidas, discuta, 
argumente e busque respostas com ele. Nesse momento, o vínculo familiar e 
um bom relacionamento entre pais e filhos é muito importante. 
Claro que um argumento simplista que comumente assistimos em 
programas e anúncios de televisão do tipo: “drogas, tô fora”, “drogas, nem 
morto”, “cigarro mata”, não tem efeito nos jovens. É preciso um diálogo 
amplo e se faz necessário que os pais falem, sem preconceito ou hipocrisia, 
dos efeitos nocivos da droga, mas também sobre seus efeitos prazerosos. Se 
você adotar um discurso arrogante e simplista, seu filho não se sentirá 
sensibilizado, podendo esse discurso errático se tornar um forte argumento 
para a experimentação da droga pelo jovem. 
Enquanto os pais adotam um discurso confuso, o filho está sendo 
bombardeado por convites de amigos da escola para que experimente 
cerveja na festa do final de semana, por exemplo. 
Caso os pais, ao explicarem os malefícios relacionados com as drogas, 
não informarem das possíveis sensações prazerosas iniciais do uso da 
substância, como bem-estar, descontração, desinibição, dentre outras, o filho 
pode fazer o uso, pressionado pelos amigos e pode adotar o discurso do tipo: 
_”Estão vendo, meu pai só fala besteira. Fala que bebida não é bom, 
que faz mal! Bebi ontem e fiquei alegrão, feliz da vida”! 
 
 90 
Portanto converse com seu filho de uma maneira franca, livre de 
preconceitos ou hipocrisia, seja assertivo e enfático em suas colocações, mas 
não se esqueça que não há como mantê-lo em uma redoma de vidro. 
Lembre-se: o convite às drogas existirá a todo o momento, seja na 
escola, na rua, no clube, nas festas, na internet ou em qualquer outro 
ambiente social em que o jovem participe. 
 
5) Observe sua própria atitude e comportamento 
Essa regra se refere ao fato de que muitos pais se esquecem que é 
durante os primeiros anos de vida de seus filhos que conceitos éticos e 
morais são formados. 
Logo, é de grande importância que os pais observem seus 
comportamentos e suas atitudes, pois os valores de seus filhos estão sendo 
formados das observações e vivências que fazem do mundo em que estão 
inseridos, sua casa e sua família. 
 
6) Pratique a religião ou espiritualidade 
De fato, a religião ou espiritualidade é um importante fator protetor ao 
uso e abuso de drogas. Diversos estudos apontam que crianças e 
adolescentes inseridos em lares onde existe algum tipo de prática religiosa 
ou espiritual, estes estarão mais protegidos ao envolvimento com drogas e 
possivelmente serão mais habilidosos socialmente para dizer “não” a essas 
substâncias. 
 
 
 
 91 
7) Monitore as amizades 
Em menos de vinte por cento dos casos a criança ou adolescente terá 
sua primeira experiência com drogas através do traficante. Isso significa que 
na maioria das vezes a experimentação de drogas ocorrerá através de 
amigos, colegas de escola, vizinhos ou irmãos e primos mais velhos. 
Portanto, conheça as amizades de seu filho, os convidando para 
almoçar em sua casa ou para um passeio, por exemplo. Caso desconfie que 
um deles esteja envolvido com drogas, investigue e se confirmado, você deve 
conversar com os pais do jovem e orientar seu filho sobre o problema. 
 
 
8) Pratique esportes com seu filho 
A prática esportiva por si só é um grande fator protetor ao uso de 
drogas. Conceitos de disciplina, regras, respeito, hierarquia, companheirismo, 
organização, liderança, cooperação e trabalho em equipe são formados, além 
de colaborar na melhoria da autoestima da criança e na formação de 
conceitos éticos e morais. 
Praticando esportes ao lado de seu filho, seus laços afetivos tornar-se-
ão mais fortes e isso favorecerá os esforços para mantê-lo longe das drogas. 
 
9) Ensine técnicas de recusa às drogas 
 Ensine seu filho a dizer “não” às drogas. Informe que ele tem o direito 
de não aceitar o convite ao álcool e às drogas e que isso significa que ele tem 
sua própria individualidade e personalidade. 
 
 92 
 Explique que ele não será menos importante ou “careta” por esse 
motivo e caso os amigos continuem insistindo para o uso, diga que talvez eles 
não sejam bons amigos. Amigos de verdade sabem respeitar sua decisão e 
sua individualidade. Ajude seu filho a evitar situações de risco, como 
frequentar festas em que a faixa etária é maior do que a idade do 
adolescente. 
 
10) Fortaleça a autoestima de seu filho 
 Baixa autoestima é uma das grandes características de crianças e 
adolescentes que se envolvem com drogas. Portanto, ajude a criar uma boa 
autoestima em seu filho exercendo um reforço positivo às suas atitudes 
através de elogios, carinho e atenção. Nunca diga coisas do tipo: “Você não 
faz nada certo” ou “Você é pior que todo mundo na escola”. 
 
 
11) Pai e mãe devem falar a “mesma língua” 
 Realmente é de essencial importância que ambos os pais concordem 
na maneira de agir e lidar com a questão das drogas quando o assunto 
principal é a saúde de seu filho ou filha. 
 O problema de drogas está mais presente entre filhos de pais que 
divergem na maneira de lidar com situações problemáticas do dia a dia. Logo, 
é de grande necessidade que pai e mãe cooperem e concordem na maneira 
de educar seus filhos. As divergências expõem fraquezas, falta de comando e 
descontrole, permitindo assim que o filho manipule os pais a sua maneira, 
como melhor lhe é conveniente a cada momento. 
 
 93 
12) Participe de ações comunitárias 
 Se envolva em atividades da vizinhança, do condomínio, da 
comunidade. Participe de reuniões escolares e palestras ou programas de 
prevenção ao uso de drogas na comunidade. 
 Crie comitês antidrogas no condomínio, auxilie a escola na criação de 
projetos educacionais de prevenção, denuncie e pressione estabelecimentos 
comerciais que vendem bebidas alcoólicas e cigarros a menores de idade. 
 
13) Estabeleça regras e limites 
 Lares onde as regras são claras e objetivas facilitam a convivência 
saudável entre pais e filhos. Crianças necessitam de regras muito bem 
estabelecidas para estruturarem suasvidas, portanto os pais devem 
conversar entre si e dialogar com seus filhos, estabelecendo regras, limites e 
consequências de mau comportamento ou desobediência. 
 As consequências anteriormente discutidas e concordadas devem ser 
realizadas como um ato de amor e não como uma simples punição. 
Considerar consequências como atos de ameaça, revanche ou punições 
físicas e morais, como humilhações devem ser evitadas, pois não servem à 
nenhum propósito. Na verdade, pode ter um efeito contrário, aproximando o 
jovem das drogas por prejudicar a autoestima e piorar a relação entre pais e 
filhos. 
 Além disso, a formação de conceitos éticos e morais através de regras 
claras e objetivas favorecem a formação de habilidades sociais importantes 
na criação do caráter e serão conceitos utilizados pelo jovem por toda sua 
vida. 
 
 94 
14) Esteja atento às mudanças da adolescência 
 A adolescência é uma fase de grandes mudanças físicas e 
comportamentais, logo esteja preparado para novos desafios e dificuldades 
na criação de seus filhos. Situações conflituosas, brigas, novas exigências, 
novas amizades e afastamento da família podem ocorrer. Não existe uma 
“receita de bolo” para lidar com tais mudanças, mas um bom conselho é 
estar atendo às regras supracitadas. 
 
15) Atenção à saúde mental da criança e do adolescente 
 Grande parte das crianças e jovens que se envolvem com drogas 
apresenta transtornos comportamentais da infância como depressão, 
quadros ansiosos, transtornos disruptivos, como o transtorno desafiador 
opositivo, transtorno de conduta ou transtorno de déficit de 
atenção/hiperatividade. 
 Na presença de prejuízos acadêmicos e de relacionamentos sociais 
procure orientação de um médico psiquiatra infantil para avaliação 
comportamental completa. Na maioria das vezes uma intervenção precoce 
pode exercer importante papel preventivo ao uso de drogas na adolescência. 
 
16) Não estimule a “iniciação” dentro de casa 
Outra consideração importante a ser feita é observar que grande parcela 
dos jovens inicia seu consumo alcoólico dentro do ambiente doméstico. Trata-
se daquele filho que experimenta o primeiro copo de cerveja com o pai e 
posteriormente sairá para beber com o mesmo. 
 
 95 
Hoje sabemos que quanto mais precoce é o início do consumo, maiores 
serão as chances de um envolvimento problemático com o álcool ou outras 
drogas. Portanto nunca é demais afirmar que o consumo de álcool é proibido 
para menores de 18 anos e o exemplo de respeito às leis deve vir de casa. 
 
17) Proíba o uso de drogas 
 Por fim e não menos importante devo dizer que o uso de drogas não 
pode ser tolerado em hipótese alguma. Muitas vezes me deparo com pais 
que adotam a política de “redução de danos”: 
_”Prefiro dar o dinheiro para ele comprar a maconha do que deixar que ele 
roube e seja preso.” 
 Nossa, parece que os próprios pais já estão “doentes” com a evolução 
do problema do filho. Outros ainda afirmam que permitem o uso da droga 
dentro de casa para “protegê-lo” da polícia! Meu Deus, essa postura 
supostamente protetora de muitos pais apenas colabora para um uso cada 
vez mais problemático das drogas por seus filhos. 
 Mostra-se demasiadamente importante que qualquer tipo de droga 
seja proibido de ser utilizada pelos membros da família, seja em casa, na casa 
de amigos, ou em qualquer outro lugar. Obviamente a criança deverá ser 
informada das razões para tal proibição e nesse caso os pais deverão seguir 
as regras supracitadas, como explicar o que são as drogas e responder a 
todos os “porques”. 
 
 
 
 
 96 
12 REGRAS QUE TODOS PROFESSORES DEVEM SABER 
 
1) Estude sobre as drogas 
 Conhecer esse inimigo deve ser o primeiro passo do professor que 
deseja ajudar no árduo trabalho de prevenção ao uso de álcool e de outras 
drogas por seus alunos. Conheça tudo sobre elas e esteja preparado para 
responder sobre as mais diversas perguntas de seus estudantes sobre o 
tema. 
 Lembre-se que você é um grande exemplo aos seus alunos e caso não 
esteja preparado para abordar o assunto, isso poderá transparecer como 
uma fraqueza e os estudantes se sentirão inseguros em debater essas 
questões com você. 
 Outro aspecto importante dessa preparação é que muitas dúvidas de 
seus alunos serão questões consideradas polêmicas pelos jovens, como: 
“Maconha não faz mal à saúde, relaxa, é verdade?” 
 Portanto amigo professor, se capacite, estudando bastante o tema. 
 
2) Esteja envolvido com um programa educacional preventivo 
 O programa educacional preventivo é uma forma eficaz de prevenção 
ao uso de álcool e drogas que pode e deve ser realizado nas escolas. Esse 
programa pode ser implementado desde o jardim da infância até o final do 
ensino médio e baseia-se na aplicação de aulas, leituras, filmes, grupos de 
estudo e apresentações individuais em que o tema drogas é abordado 
continuamente na escola. 
 
 97 
 Além disso, palestras e debates direcionados aos professores, pais e 
aos alunos com educadores, médicos, psicólogos, advogados, conselheiros, 
policiais, líderes comunitários e demais especialistas na área da dependência 
química mostram-se essenciais para a abordagem do tema sob diferentes 
aspectos e pontos de vistas. 
 O objetivo do programa é orientar, informar e mostrar o “mundo das 
drogas” para os alunos, seus familiares e profissionais da educação com a 
intenção de formar opiniões favoráveis ao trabalho de prevenção pelas 
crianças e adolescentes inseridos no ambiente escolar. 
 Essas atividades precisam ocorrer continuamente durante todo o ano 
letivo e envolver professores, orientadores, pais e alunos, pois apenas dessa 
maneira surtirá um efeito positivo de prevenção. 
 
3) Seja habilidoso na comunicação 
Saiba conversar com seus alunos de maneira amigável, mostre-se 
empático, para que o ambiente escolar seja positivo e agradável. Os 
estudantes precisam se sentir seguros para compartilhar experiências com 
você e com o grupo de colegas. 
Evite posturas autoritárias ou aplicações de “sermões”, ou ameaças de 
punições. Esses comportamentos prejudicam a relação professor-aluno, 
dificultam a interatividade em sala de aula e aumentam a possibilidade de 
comportamentos opositivos, desafiadores, desmotivando e muitas vezes 
promovendo o abandono dos estudos. 
 
 
 
 98 
4) Ajude a construir a autoestima dos alunos 
Crianças e adolescentes com baixa autoestima apresentam maiores 
chances de se envolver com drogas, portanto a figura dos professores é 
importantíssima para a “proteção” desse estudante. 
Faça um reforço positivo ao aluno, elogiando, estimulando e 
incentivando, mesmo quando o desempenho está abaixo do esperado. 
Quando precisar criticar, evite expor o aluno diretamente à turma, converse 
separadamente, seja enfático, mas amigável. 
 
5) Não tolere atos de bullying 
O comportamento bullying pode também colaborar para um prejuízo 
na autoestima do aluno e favorecer o envolvimento do jovem com as drogas. 
Não é demais frisar que: é dever do professor zelar pelo ambiente positivo e 
acolhedor dentro da escola! 
 
6) Fique atento aos transtornos comportamentais infantis 
 Uma vez que os transtornos comportamentais na infância e 
adolescência estão presentes em até oitenta e nove por cento dos 
adolescentes envolvidos com drogas, fique atento e na presença de prejuízos 
acadêmicos e de relacionamento social de seu aluno, encaminhe para uma 
avaliação comportamental completa, com um médico psiquiatra infantil. 
 
 
 
 
 
 99 
7) Ensine sobre as “pressões” da juventude 
A “pressão” que adolescentes vivenciam para serem aceitos em 
determinados grupos é corriqueira e essa influência é determinante em sua 
maneira de agir, pensar, falar, se vestir e se comportar, por exemplo. 
Essa “pressão” para ser aceito pode ser positiva (para tirar boasnotas 
no colégio, praticar esportes e se tornar membro da equipe da escola), ou 
negativa (“matar” aula, fumar cigarro, beber cerveja no boteco após a aula, 
depredar patrimônios públicos ou furtar objetos em lojas). Portanto cabe a 
você professor orientar seus alunos sobre a importância da individualidade e 
de saber diferenciar a “pressão positiva”, da “pressão negativa” exercida 
pelos amigos e colegas. 
 
8) Comportamento assertivo 
Para saber dizer “não”, o estudante precisa ser assertivo em suas 
colocações. Desta forma, poderá mostrar a outros jovens que ele não precisa 
usar drogas para ser feliz ou para fazer parte de um determinado grupo de 
alunos. O aluno poderá ser afirmativo em suas colocações, fazendo valer seus 
interesses, sem prejudicar ou agredir os colegas e colocando em prática sua 
individualidade. 
Esse tipo de comportamento assertivo poderá ser ensinado por você 
professor. Mostre a importância de ser enfático, educado para exercer seus 
direitos, sem agredir outro colega, nem acatar ordens indesejadas destes 
alunos, apenas para ser supostamente aceito pelo grupo. 
Ninguém é obrigado a fazer nada contra sua vontade e isso não o fará 
melhor ou pior que os outros. 
 
 100 
9) Aulas sobre drogas 
 Existem inúmeras maneiras de se trazer o assunto drogas para dentro 
da sala de aula. O ideal é que isso ocorra frequentemente e de maneira 
regular para que, aos poucos, seja formado um pensamento corrente de que 
drogas fazem mal e que a prevenção é muito importante. 
 Cada professor pode abordar o tema de formas diferentes e utilizando 
a própria disciplina em que trabalha. Por exemplo, o professor de 
matemática pode abordar o tema falando sobre o gasto financeiro 
desnecessário com cerveja ou cigarro de um usuário adolescente e o 
montante astronômico gasto após um ano de uso da droga. O professor de 
biologia e ciências pode falar sobre os efeitos biológicos deletérios da droga 
no cérebro humano, enquanto em história pode falar das personalidades 
importantes que perderam suas vidas para as drogas. 
 O apelo emocional e simbológico de ícones e ídolos da juventude 
podem sensibilizar bastante crianças e adolescentes. Astros da música 
brasileira e internacional ou ídolos dos esportes que morreram vítimas das 
drogas podem ser bons exemplos para valorizar a importância do problema. 
Nas aulas de geografia ou geopolítica pode ser falado, por exemplo, 
dos prejuízos econômicos gerados a nação e a todos nós, devido às drogas, 
relacionando-os com a violência urbana, criminalidade, pobreza, prostituição 
infantil, corrupção, abandono escolar, desemprego, além de outras infinitas 
questões. Em português, a análise de textos sobre o tema pode ser 
interessante. 
 
 101 
Enfim, existem inúmeras maneiras de se trazer e abordar o assunto 
“drogas” para a pauta escolar. Nos Estados Unidos, por exemplo, já existem 
disciplinas escolares que tratam exclusivamente desse tema. 
 
10) Grupos de estudo e discussões 
 A formação de pequenos grupos de estudo, contando com cinco ou 
seis alunos são importantes ferramentas para o trabalho de prevenção às 
drogas. Cada grupo pode discutir diferentes aspectos ligados às drogas, 
como: definição do que são as drogas, quais seus efeitos, consequências, 
prejuízos e peculiaridades de cada uma. 
O aluno deve ser estimulado à falar, discutir, pensar, racionalizar, 
criticar e questionar. O objetivo do trabalho será formar opiniões pessoais. 
Alguns trabalhos em determinadas escolas não surtem efeitos, pois, 
muitas vezes, convivemos com instituições que “emburrecem” seus 
estudantes. Escolas do tipo “fábricas de decorar” ou “indústrias de 
vestibulandos” colaboram para a formação de adultos imaturos, inábeis 
socialmente e sérios candidatos a se tornar usuários de drogas. 
 A escola deve ser um ambiente onde o jovem seja estimulado a pensar 
e raciocinar para depois agir tendo convicções e opiniões próprias, 
comportando-se assim de maneira habilidosa, consciente e responsável. 
 
11) Role playing 
 O role playing é uma técnica psicodramática que utiliza o teatro como 
uma ferramenta. Os estudantes tentam vivenciar em cena questões 
problemáticas que ocorrem na vida real. 
 
 102 
 Logo, situações de como dizer “não” à experimentação da droga, ser 
assertivo nas colocações, resolver problemas, buscar soluções e alternativas 
ao uso de álcool e outras drogas podem ser encenadas e discutidas após o 
término do exercício. Os próprios alunos devem ser os escritores, roteiristas, 
diretores e atores. 
 Após o término da apresentação, todos os alunos, plateia e atores, 
devem discutir e questionar o que foi apresentado, pensar em soluções 
alternativas, ajustando à sua realidade pessoal, expor dúvidas e debater a 
situação-problema apresentada. 
 
 
 
12) Eduque seus alunos 
 Educar, segundo definição do Dicionário Aurélio é: “promover o 
desenvolvimento da capacidade intelectual, moral e física de alguém ou de si 
mesmo”. 
 Portanto, amigo professor, fica claro que educar é muito mais do que 
ensinar inequações do segundo grau ou conhecer os mártires da 
Inconfidência Mineira e da Revolução Francesa. Educar é ensinar a pensar, 
discutir, questionar, duvidar, raciocinar e desta maneira formar opiniões. 
 Esse treinamento diário em sala de aula, mesmo que não esteja ligado 
diretamente ao tema drogas, já é um mecanismo e uma ferramenta 
importantíssima para o combate, pois cria habilidades sociais e intelectuais 
importantes para que o jovem saiba diferenciar o certo do errado e tome 
suas decisões de forma assertiva e responsável. 
 
 103 
- CAPÍTULO 9 - 
CYBERBULLYING: 
MANUAL DE PREVENÇÃO 
 
O QUE É O BULLYING? 
O bullying pode ser definido como o comportamento agressivo entre estudantes. 
São atos de agressão física, verbal, moral ou psicológica que ocorre de modo repetitivo, 
sem motivação evidente e executada por um ou vários estudantes contra outro, em uma 
relação desigual de poder, normalmente dentro da escola, ocorrendo principalmente na sala 
de aula e no recreio escolar. A palavra bullying é um termo inglês e deriva do verbo to bully 
que significa ameaçar, intimidar e dominar. Não existe uma tradução exata para esse termo, 
mas a expressão resume bem o conjunto de comportamentos agressivos que tanto preocupa 
pais e professores. 
Bullying entre estudantes é um fenômeno antigo. Provavelmente é um problema que 
sempre existiu, entretanto foi a partir dos estudos do pesquisador nórdico Dan Olweus no 
início da década de 1970 que o problema passou a ser estudado com maior interesse pela 
comunidade científica internacional. Entretanto a atenção da população em geral sobre o 
assunto ocorreu pouco mais de uma década depois, em 1982, após um trágico 
acontecimento reportado nos jornais noruegueses da época. Três jovens estudantes, entre 10 
e 14 anos de idade haviam cometido suicídio em consequência de bullying na escola em 
que estudavam. Uma grande comoção nacional tomou conta do país e culminou com uma 
campanha nacional de prevenção ao comportamento bullying, coordenada pelo Ministério 
da Educação norueguês nas escolas de ensino fundamental. 
Todos nós precisamos entender que o bullying tem a ver com poder. Quando 
identificamos, por exemplo, dois estudantes brigando, onde não existe um desequilíbrio de 
forças, isto é, ambos são munidos de capacidades físicas e psicológicas semelhantes e não 
há uma assimetria nessas relações de poder, não estamos lidando com o bullying. 
Então o comportamento bullying sempre segue um padrão, onde teremos uma 
relação desigual de poder em que um ou mais alunos tentam subjugar e dominar outros 
 
 104 
jovens. O estudante alvo de bullying pode ser exposto a diferentes formas de agressão, 
entretanto não é capaz de se defender e esse desequilíbrio de poder determina a repetição e 
a manutenção desse comportamento agressivo de estudantes que tentama todo custo 
dominar e humilhar o outro aluno. 
 
CYBERBULLYING 
Nos últimos anos, a facilidade com que jovens se comunicam pela rede mundial de 
computadores têm ajudado na popularização de um novo fenômeno: o cyberbullying. Trata-
se da versão multimídia dessa violência escolar e que adquire uma distribuição epidêmica a 
cada dia que passa, acompanhando o crescente interesse de crianças e adolescentes pelo 
mundo virtual, se transformado em uma das formas potencialmente mais perigosas e 
traiçoeiras de violência na escola. 
Esses atos de bullying realizados através da internet têm ainda um caráter mais 
perverso, covarde e que torna o cyberbullying uma ferramenta muito poderosa para 
aterrorizar outros estudantes. Trata-se da possibilidade de realização das agressões de forma 
anônima e indireta. Ela permite que seus autores se escondam atrás de identidades falsas ou 
através de mecanismos que os mantenham no anonimato. Desta maneira os alvos podem ser 
repetidamente agredidos, humilhados e ainda assim descobrir quem o agride pode ser algo 
muito difícil de ser realizado. 
Além disso, o anonimato das agressões abre o leque de possíveis autores de 
bullying, pois permite que um número maior de crianças e adolescentes se tornem 
agressores. Jovens que não conseguiriam realizar tais atos cara a cara, enfrentando 
deliberadamente seus alvos, conseguem agredir e ofender escondidos atrás de um 
computador conectado à internet e mascarados por trás de uma identidade virtual falsa, por 
exemplo. Por esse motivo, o cyberbullying tem se popularizado muito no sexo feminino, 
visto a possibilidade de ataques indiretos e a ausência da necessidade de encarar as vítimas 
pessoalmente. 
Para se ter uma ideia de como o cyberbullying tem crescido nos últimos anos, um 
recente estudo publicado na revista médica Pediatrics revelou que o bullying realizado 
através da internet entre adolescentes e pré-adolescentes cresceu cerca de 50% em apenas 
cinco anos. Outro estudo recente publicado por uma organização não-governamental 
 
 105 
inglesa de proteção à infância e adolescência descreve que um de cada quatro jovens são 
vítimas de cyberbullying regularmente. 
Pais, professores e demais profissionais da educação devem aprimorar seus 
conhecimentos sobre os recursos de computação e internet a fim de aprender sobre as 
diversas possibilidades de violência através do mundo virtual. Aumentando nossos 
conhecimentos sobre o cyberbullying permitirá que possamos orientar melhor nossos filhos 
e alunos sobre as formas corretas de se comunicar e de se proteger através do computador. 
As consequências aos alvos do cyberbullying são devastadoras, pois rumores, 
boatos e todo o tipo de agressão enviada pela internet através de textos, fotos e vídeos são 
capazes de alcançar um grande número de pessoas em questão de segundos. 
 
TIPOS DE CYBERBULLYING 
Descrevo abaixo os principais tipos de cyberbullying para que pais, responsáveis, 
professores e coordenadores pedagógicos tenham conhecimento dos métodos cada vez mais 
elaborados de agressão e violência executados por crianças e adolescentes contra outros 
estudantes. 
Bullying direto: Uma das formas mais comuns de cyberbullying é a agressão direta 
mesmo. O autor envia suas ameaças e xingamentos diretamente através de salas de bate-
papo, e-mails, mensagens de texto do aparelho de celular ou através de recados deixados no 
mural da página pessoal de relacionamento da vítima, os famosos recados do Facebook. 
Criação de Websites: hoje em dia é muito fácil a criação de websites. Alguns 
provedores de internet até disponibilizam áreas livres na internet para a criação e 
hospedagem de páginas virtuais. Desta forma, tais páginas podem ser criadas e 
confeccionadas com a intenção de agredir, ofender, humilhar e difamar algum aluno. 
Impersonalização: Ocorre quando uma pessoa se faz passar por outra no mundo 
virtual, seja através da invasão de contas de e-mail ou de perfis nos sites de relacionamento 
como Facebook. O cyberbully enviará ofensas à terceiros, utilizando o nome da vítima, 
como suposta autora das mensagens. O objetivo do agressor é atingí-la indiretamente, 
provocando a ira dos outros alunos contra o suposto autor das mensagens. 
Fórum de discussões: Blogs, sites de relacionamento e páginas na internet podem 
ser utilizadas para fórum de discussões sobre os mais diversos assuntos. Nesse caso são 
 
 106 
verdadeiros grupos de fofocas e difamação, onde um grupo de estudantes denigre a imagem 
da vítima. Esses autores de cyberbullying podem ainda se esconder atrás de apelidos, 
mantendo suas identidades resguardadas. Comumente podem ser identificados fóruns em 
que os estudantes votam na garota ―mais piranha‖ da escola, o aluno mais feio, mais chato 
ou odiado, por exemplo. Esses fóruns podem ser lidos por todos, inclusive pelos alvos do 
cyberbullying. 
Postagem de vídeos e fotos: Nessa modalidade de cyberbullying, vídeos e fotos 
registradas através de máquinas fotográficas, câmeras filmadoras ou mesmo celulares são 
vinculados através de e-mails ou de contas em sites que disponibilizam gratuitamente a 
postagens de vídeos como o Youtube ou mesmo o sistema de comunicação do tipo 
WhatsApp. 
As imagens das vítimas podem ser distribuídas pelo mundo virtual com uma 
facilidade e velocidade incrível, podendo inclusive ser distorcidas e modificadas para 
agredir ainda mais seus alvos. Recursos de edição de imagens, adição de áudio e texto são 
usualmente utilizados pelos autores de cyberbullying. Raramente tomamos conhecimento 
desse tipo de violência, embora seja muito comum. Os exemplos mais frequentes são as 
postagens de vídeos de ex-namorados mantendo relações sexuais com suas ex-namoradas 
ou fotos de momentos íntimos. 
 Outro tipo comum de postagem de vídeo é a gravação de ataques físicos contra os 
alvos de bullying. Normalmente são gravados através de celulares e postados na internet. 
Um exemplo foi o ataque contra um estudante em outubro de 2009, na cidade de Ijuí, Rio 
Grande do Sul. O estudante de quinze anos que desejava aprender uma profissão na Escola 
Técnica Estadual 25 de julho, acabou abandonando os estudos após ser brutalmente 
espancado por um grupo de oito alunos e assistir à surra gravada em vídeo por um aparelho 
celular e enviada à ele por um de seus agressores. O jovem era aluno novo da escola e 
passou a ser assediado pelo grupo de bullies, sendo apelidado de ―playboizinho fraco‖ logo 
nas primeiras semanas de aula. Após o espancamento, o jovem foi questionado sobre os 
motivos de não ter contado a ninguém sobre as ameaças e ele afirmou que vivia inseguro e 
angustiado há meses, mas tinha medo que se contasse à alguém, as agressões pudessem 
piorar. 
 
 107 
Outro caso de cyberbullying que teve repercussão nacional foi o episódio da cidade 
Sul rio-grandense de Carazinho, onde os pais de um adolescente foram responsabilizados 
judicialmente e condenados a pagar uma indenização por danos morais à família de um 
colega de sala de aula pela criação de uma página na internet com a intenção de ofendê-lo. 
Nesse caso o cyberbully criou um fotolog, uma espécie de diário fotográfico 
cibernético e realizou montagens nas quais o rosto da vítima aparecia ligado a um corpo 
feminino, além de postar mensagens agressivas e difamatórias. 
 
FORMAS DE CYBERBULLYING 
Agressão direta 
Criação de websites 
Impersonalização 
Fórum de discussões 
Postagens de vídeos e fotos 
Gostaria de alertar para um posicionamento errado de muitas instituições de ensino 
quando o tema é cyberbullying. Por diversas vezes escutei comentários de coordenadores 
escolares do tipo: ―Ah, se isso ocore na internet, não tem nada a ver com a escola, isso não 
é nossa responsabilidade!‖ 
Bem, não é bem assim, na verdade todas as questões e os problemas relacionados ao 
cyberbullying são responsabilidades de toda a sociedade. A internet será apenasum meio 
de transporte de informação utilizada para agredir o aluno, sendo este ridicularizado, 
humilhado, maltratado e exposto também no ambiente escolar. Desta forma, não existem 
barreiras territoriais, o cyberbullying agride, maltrata e expõe suas vítimas na escola, no 
clube, na festa ou em qualquer outro ambiente. 
 
PREVENÇÃO AO CYBERBULLYING 
Ensinar estratégias de prevenção ao cyberbullying é essencial para o sucesso do 
programa, visto que o bullying cibernético tem crescido assustadoramente entre estudantes 
brasileiros. Essas informações devem ser divididas com os pais das crianças e adolescentes, 
pois eles terão as melhores oportunidades de trabalhar os conceitos de prevenção ao 
 
 108 
cyberbullying. Lembrando que essas informações são também importantes para a 
prevenção de outra epidemia cibernética, a pedofilia infantil. 
Eis as principais dicas: 
Converse sobre cyberbullying com seu filho e sobre suas implicações. 
Monitore o uso do computador e verifique que tipos de websites ele costuma visitar. 
Questione seu filho sobre quem são suas amizades online. 
Ensine seu filho à bloquear bullies e estranhos em redes sociais como Facebook ou 
Instagram. 
Oriente para que ele nunca ofereça suas informações pessoais como número de 
telefone e endereço para estranhos. 
Ensine a criar senhas difíceis de serem descobertas, misturando letras e números 
para dificultar a ação de hackers. 
Oriente para que não forneça sua senha pessoal de e-mails ou páginas de 
relacionamento como Facebook, mesmo que para amigos. 
Não permita que publique fotos muito expositivas (vestindo maiôs e biquínis, ou 
que possa ser a identificado o colégio onde estude ou a residência onde vive). 
Alerte que tudo o que a criança ou adolescente escrever poderá ser copiado e 
enviado pela internet para qualquer pessoa. 
Ensine para que não se comunique ou responda e-mail de desconhecidos. 
Explique que muitas vezes pessoas mentem informações como idade e profissão 
pelos computadores para se aproximar e possivelmente fazer mal a outra pessoa. 
Oriente que desligue o computador caso perceba ou visualize algo considerado 
agressivo ou errado acontecendo online. 
 
SINAIS DE ALERTA: 
Quando suspeitar que um aluno está sendo alvo de bullying? 
Saber identificar crianças e adolescentes vítimas de bullying ou sob risco de se 
tornar alvos dessa violência é muito importante para um trabalho preventivo e de 
intervenção na escola. Para tal, descrevo um guia de identificação de possíveis alvos de 
bullying a partir da observação do perfil psicológico de personagens reais envolvidos no 
 
 109 
problema e atendidos no consultório e a partir das observações do pesquisador noroeguês 
Dan Olweus. 
Se seu filho ou aluno apresenta algumas dessas características, isso não significa 
que ele esteja envolvido com o bullying, entretanto demonstra um perfil comportamental 
que merece atenção. Portanto, prestem atenção à essas pistas: 
Apresenta poucos amigos. 
Passa o recreio escolar sozinho. 
Não possui nenhum melhor amigo. 
Chega em casa chorando, sem explicar o motivo. 
Apresenta medo de ir à escola. 
Chega em casa com o material escolar rasgado ou destruído. 
Tem o dinheiro ou outros pertences roubados repetidamente. 
Evita atividades escolares como grupos de estudo, passeios ou atividades esportivas 
É xingado, ridicularizado ou recebe apelidos pejorativos dos colegas de sala. 
É intimidado, humilhado ou ameaçado por colegas de sala. 
Apresenta machucados, arranhões, roupas rasgadas, manchadas de giz ou riscadas 
de caneta constantemente e sem uma explicação lógica para tal. 
É agredido fisicamente, entretanto não é capaz de se defender. 
Está envolvido em brigas, levando sempre a pior. 
É excluído das brincadeiras ou dos esportes. 
Normalmente é o último atleta a ser escolhido nos times da educação física. 
Apresenta uma queda no rendimento acadêmico. 
Parece estar sempre infeliz, triste e desmotivado na escola. 
Fica inseguro nos momentos que antecede sua ida à escola 
Prefere a companhia de adultos no recreio escolar 
Mostra-se inseguro ou ansioso em sala de aula 
Nunca apresentou algum amigo aos pais. 
Diz preferir ficar sozinho na escola, sem uma explicação convincente. 
Não é convidado para festas de aniversário de colegas da escola. 
Nunca vai à casa de colegas de escola. 
 
 110 
Não deseja realizar sua festa de aniversário, pois acredita que ninguém aceitará o 
convite. 
Dorme mal e queixa-se de pesadelos com a temática escolar 
Desinteresse pelos estudos 
Deseja mudança de escola, sem apresentar um motivo plausível. 
Apresenta queixas físicas como dores de cabeça, enjoos ou indisposição 
antecedendo a ida à escola. 
Escolhe caminhos diferentes para ir à escola, como se estivesse fugindo ou evitando 
alguém. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 111 
- CAPÍTULO 10 - 
BULLYING: 
MANUAL DE PREVENÇÃO ESCOLAR 
 
Esse programa antibullying é baseado em extensa pesquisa que realizei a partir de 
projetos utilizados com muito sucesso em diversos países do mundo, no estudo que 
desenvolvo com meus alunos de mestrado na Bridgewater State University, universidade 
onde sou professor visitante nos Estados Unidos, além de anos de experiência adquiridos 
no consultório e em consultorias para escolas no Brasil. 
O objetivo do programa antibullying é aumentar o conhecimento, alertando e 
capacitando pais, professores, coordenadores pedagógicos, demais profissionais da 
educação e sociedade de um modo geral sobre o bullying e a violência escolar. Além disso, 
visa prevenir o surgimento de novos casos de violência escolar e tratar os casos existentes 
na instituição de ensino. 
Outra questão fundamental do programa é a busca pela melhoria das relações 
sociais entre os jovens, utilizando-se de conceitos de ética e moral para ajudar no 
desenvolvimento de um ambiente escolar saudável, seguro e acolhedor para todos. Isso 
tudo favorecerá a promoção da aprendizagem e estimulará uma cultura pacifista na escola e 
na vida de uma forma geral. 
Divido esse programa antibullying em 15 itens essenciais que devem ser 
implantados na escola para conseguirmos efetivamente combater o bullying escolar. 
Gostaria de lembrar a todos que o programa antibullying tem data de início de sua 
aplicação, mas não tem data de término. Esse projeto de combate ao comportamento 
agressivo entre estudantes deve ser incorporado ao dia-a-dia da escola e de forma 
continuada deverá fazer parte da vida acadêmica de alunos, professores, pais e demais 
profissionais da educação. Isso significa que a implantação do projeto com duração 
limitada de um ou dois meses, por exemplo, não surtirá efeito algum. Portanto, o programa 
será eficiente se for aplicado de uma forma continuada e esse será o modelo ensinado. 
 
 
 112 
 PSICOEDUCAÇÃO 
O primeiro passo para se obter sucesso na implantação de um programa antibullying 
na escola é o trabalho psicoeducativo. Esse trabalho consiste em oferecer informação sobre 
o comportamento bullying aos pais, professores e demais profissionais da escola, incluindo 
todos os funcionários, como pessoal da limpeza, da segurança, da cozinha, dentre outros. 
O trabalho psicoeducativo pode ser realizado através de palestras, cursos, encontros 
de pais e mestres, reuniões e debates. A idéia principal é contextualizar e familiarizar a 
todos sobre o problema, informando o que é o bullying, suas características, causas e 
consequências de curto, médio e longo prazo, enfatizando os possíveis prejuízos 
acadêmicos, sociais e de autoestima na vida dos estudantes. 
Materiais informativos sobre o comportamento bullying devem ser repassados como 
livros, guias, folhetos e cartilhas. Recursos audiovisuais como filmes, vídeos, 
documentários e websites sobre esse tema podem ser indicados também. 
 
PALESTRA INICIAL AOS PAIS E PROFESSORES 
 Quando a instituição de ensino decidir a data de inicio doprograma antibullying 
será uma boa estratégia o oferecimento de uma palestra psicoeducativa inicial aos pais, 
responsáveis, professores e demais profissionais da escola. Durante a palestra devem ser 
explicados todas as etapas e o processo de aplicação do projeto na escola e o convite à 
participação de todos será fundamental para o sucesso na redução de comportamentos 
agressivos entre estudantes. Todos devem se sentir à vontade para elaborar perguntas, 
dúvidas, dividir experiências e sugestões com toda a equipe pedagógica. Ao término da 
palestra todos devem sair com algum grau de conhecimento sobre o tema e 
compromissados com o programa. 
 
PALESTRA INICIAL AOS ALUNOS 
 Obviamente será necessário que os alunos tenham bastante conhecimento sobre o 
bullying e suas consequências. A escola precisa se colocar como parceira e companheira de 
seus estudantes na busca por uma escola segura, pacifica e livre da violência escolar. 
 Uma boa dica será realizar uma palestra inicial separando os alunos por turmas de 
cada ano letivo. A apresentação para um número reduzido de estudantes aumenta o 
 
 113 
interesse e a interação deles para a formulação de perguntas, depoimentos e sugestões de 
estratégias de combate ao bullying. 
 
PROJETO MENTOR 
O projeto mentor é uma estratégia de psicoeducação em que os alunos mais velhos 
são treinados por um professor sobre o bullying. Posteriormente esses alunos vão até as 
salas de aulas de crianças mais novas e oferecem palestras para ensiná-las sobre a violência 
escolar e orientá-las sobre as estratégias de combate desse problema. 
 
 
 
REUNIÕES DE PROFESSORES E COORDENAÇÃO 
 Professores e coordenadores pedagógicos devem se reunir periodicamente para 
discutir a evolução do programa antibullying. Em muitas escolas o corpo docente costuma 
se reunir semanalmente para discutir aspectos pedagógicos. Minha sugestão é reservar 
alguns minutos da reunião pedagógica semanal para debater sobre as políticas antibullying 
implantadas, seus resultados, problemas enfrentados, possíveis soluções e novas estratégias 
a serem desenvolvidas na escola. Representantes de turma podem ser convidados para 
discutir o problema e ajudar na busca por soluções. 
 
DISCIPLINA DE ÉTICA E PROBLEMAS SOCIAIS 
Vivenciei uma experiência interessante no colégio em que estudei nos Estados 
Unidos há mais de 20 anos atrás. A disciplina se chamava Problemas sociais e o objetivo 
era debater e orientar os alunos sobre problemas do nosso cotidiano como drogas, sexo, 
gravidez na adolescência, violência, criminalidade, ética e comportamento bullying. 
Cada vez mais tenho a convicção de que para termos sucesso na aplicação de um 
programa antibullying teremos que criar estratégias de diálogo com o jovem, falar e saber 
ouví-lo. Assim, poderemos discutir, orientar e buscar saídas através da troca de informação, 
pois muitas vezes uma determinada estratégia antibullying pode ser muito eficiente em uma 
escola e pouco produtiva em outra, tudo dependerá de múltiplas variáveis e a única forma 
de conhecê-las será através do diálogo com o estudante. 
 
 114 
Uma disciplina que aborde conceitos éticos relativos aos problemas sociais do dia-a-
dia do aluno pode ser uma forma de identificar situações problemáticas e ajudar na busca 
por soluções práticas e duradouras. 
 
 CAIXA DE RECADOS 
A caixa de recados funciona como um canal de comunicação entre estudantes e 
educadores, onde os alunos podem reportar incidentes, pedir ajuda e denunciar atos de 
bullying, por exemplo. A possibilidade de anonimato pode ser importante em alguns casos 
em que a criança ou adolescente não se sintam confortáveis em falar diretamente sobre o 
assunto com um professor. Essa caixa de recados pode ficar localizada em locais 
estratégicos da escola, como corredores e pátio escolar. Outra opção pode ser a criação de 
uma caixa virtual de recados, utilizando um endereço de e-mail o qual os alunos podem 
utilizá-la com a mesma finalidade. 
 
 
SUPERVISÃO DO AMBIENTE ESCOLAR 
Os estudos indicam que muitos episódios de bullying ocorrem na escola em 
situações em que não existe nenhuma supervisão de um adulto. Por esse motivo, as áreas 
livres como pátios, jardins, quadras poliesportivas e campos de recreação e laser utilizados 
durante os recreios escolares são locais que devem ser bem monitorados por professores ou 
monitores de alunos. 
Essa supervisão será importante e necessária, entretanto esses profissionais 
precisam estar capacitados para saber intervir rapidamente quando presenciarem casos de 
bullying ou mesmo para intervir em situações em que esteja suspeitando que algo possa 
ocorrer. A mensagem que todo monitor deve passar aos estudantes é clara: ―O bullying não 
será tolerado!‖ Um posicionamento firme da escola perante o bullying fomentará a 
descontinuação de comportamentos agressivos de bullies contra outros estudantes e 
mandará uma mensagem clara que a quebra dessa regra representará consequências 
negativas à eles. 
 
 115 
Além de atuar na inibição e interrupção de atos de bullying, a professora dos alunos 
envolvidos deve ser informada, nos casos de alunos do ensino fundamental, enquanto que 
para alunos do ensino médio a referência pode ser a coordenadora pedagógica. 
 
CONSTITUIÇÃO ANTIBULLYING DA SALA DE AULA 
Há um tempo testei uma experiência interessante em uma escola em Petrópolis, 
Estado do Rio de Janeiro. Havia uma turma do sétimo ano do ensino fundamental em que o 
bullying estava ocorrendo em larga escala e como diziam os professores: ―estava 
contaminando toda a escola‖. Então sugeri uma nova estratégia, a criação de uma 
―constituição‖ pelos alunos dessa turma. 
Essa atividade teve início com a professora de história que conversou com os alunos 
sobre o comportamento bullying, suas implicações éticas e os prejuízos que todos estavam 
expostos devido a esse comportamento. Além disso, debateram sobre a importância de 
regras para proteger e fortalecer a democracia e o desenvolvimento da amizade e de uma 
cultura pacifista no mundo. Conflitos étnicos, guerras e combates em diversos países do 
mundo serviram de exemplo para mostrar que a busca por poder a qualquer custo, a 
intolerância, a agressividade, o preconceito religioso ou aversão a estrangeiros por 
exemplo, somados a falta de diálogo trouxeram infelicidade, destruição e morte para muitos 
povos. 
Desse debate foi concluído que algo deveria e poderia ser feito para interromper o 
bullying entre os alunos. Também decidiram que um conjunto de regras criadas e 
desenvolvidas pelos próprios estudantes seria o primeiro passo na busca do equilíbrio e da 
paz na sala de aula. 
A partir daí a professora guiou os alunos no desenvolvimento da “Constituição 
antibullying da turma 704 do sétimo ano” e descreveram 5 regras que deveriam ser 
seguidas: 
O bullying não será tolerado. 
Nós não vamos agredir outros estudantes. 
Vamos ajudar colegas vítimas de bullying. 
Vamos incluir qualquer aluno deixado de lado no recreio escolar. 
Contaremos a um adulto em casa e na escola caso presencie um ato de bullying. 
 
 116 
Além das 5 regras antibullying, os estudantes determinaram que caso algum aluno 
quebrasse as regras, agredindo outro estudante, ele seria julgado e punido pelos próprios 
colegas e mediado pela professora de Daniela que se tornou a coordenadora de assuntos 
relativos ao bullying da turma. Casos graves seriam encaminhados à direção da escola, 
enquanto que casos suaves poderiam ser resolvidos dentro da própria sala de aula. 
Uma carta foi escrita com todos os conceitos, regras e consequências da 
“Constituição antibullying da turma 704 do sétimo ano” e assinada por todos ao alunos e 
pela professora Daniela Além disso, um grande cartaz foi produzido e afixado no mural de 
recados da sala de aula. 
O modelo antibullying criado pelos alunos do sétimo ano fez tanto sucesso que foi 
incorporado à toda escola,tendo servido de modelo inclusive para a aplicação no ensino 
médio da instituição de ensino. Hoje, para todos que entram na escola é possível identificar 
os cartazes antibullying afixados por todo o pátio, banheiros e salas de aula. 
Uma constatação importante foi que quando os alunos participam da discussão dos 
problemas, na criação de regras e consequências por mau comportamento, eles são mais 
aptos a segui-las e mais rígidos nas punições. Portanto sugiro que para toda decisão exista 
um debate e a participação dos estudantes nas tomadas de decisões da instituição de ensino, 
através de reuniões, votações e conversas. Esse exercício democrático favorecerá a tomada 
de decisões mais assertivas pela direção e coordenação pedagógica, promoverá a harmonia 
na escola e será mais uma aula de cidadania aos alunos. 
Como podem notar, os conceitos trabalhados na “Constituição antibullying da 
turma 704 do sétimo ano” não se restringem apenas ao comportamento bullying escolar, 
mas são conceitos éticos e morais que servem de modelo para a formação do caráter e de 
cidadãos responsáveis e promotores da paz, do diálogo, da democracia e do respeito mútuo. 
Afinal, qual é o objetivo da instituição de ensino? Será que é apenas capacitá-los para 
passar na prova do vestibular? Será que esse não é um dos motivos de vivermos em uma 
sociedade violenta, agressiva, individualista e egoísta? 
 
ELOGIOS E PUNIÇÕES 
 Os professores devem elogiar comportamentos positivos de seus alunos quando 
identificam situações em que as regras antibullying são respeitadas, por exemplo: quando 
 
 117 
os alunos demonstram atitudes para incluir colegas que estejam sozinhos no recreio, ou 
quando recriminam um bully que tenta humilhar outro estudante. Um aluno que seja autor 
de bullying pode ser elogiado quando não reage desrespeitando ou agredindo outro colega. 
 Todos nos sabemos que os elogios são excelentes reforçadores de comportamentos 
positivos, entretanto muitas vezes teremos que utilizar técnicas de punição para corrigir e 
interromper comportamentos desarmoniosos e agressivos de alunos. A escolha do tipo de 
punição deve levar em consideração a idade, sexo, personalidade e características de cada 
estudante, assim como a gravidade de seu ato a ser repreendido. 
 Basicamente o estudante deve receber através da punição uma mensagem clara de 
que seu comportamento é inaceitável e o bullying não é tolerado em hipótese alguma. 
Possíveis punições podem ser: conversa individual com o aluno após o horário da aula ou 
durante o recreio; perda de privilégios; perda de parte do recreio escolar; trabalho 
comunitário na escola após o horário de aula; enviar o aluno para conversar com a 
coordenadora pedagógica; enviar o aluno para conversa com o diretor da escola; comunicar 
aos pais do estudante sobre o problema ocorrido na escola; chamar os pais do estudante 
para uma conversa particular com a direção da escola. 
 
ROLE PLAYING 
O role playing é outra técnica que pode ser utilizada no combate ao bullying. 
Consiste na criação de uma mini peça de teatro em que os alunos encenam um tema que 
está relacionado ao bullying como: desrespeito, preconceito, intolerância, agressividade e 
poder. Esse tema pode surgir de exemplos concretos de sala de aula ou situações de 
problemas em geral. Após a encenação, mediados pela professora, os estudantes podem 
debater e discutir aspetos éticos e morais. É muito importante ressaltar que quando os 
alunos se ―escondem‖ atrás de um personagem fictício, ele é capaz de conversar e discutir 
temas considerados tabus. O estímulo ao debate faz parte da aprendizagem e o role playing 
se mostra mais uma ferramenta valiosa no modelo de combate ao bullying escolar. 
 
TRABALHOS EM GRUPO 
Os trabalhos de grupo podem ser uma excelente opção para ensinar e estimular o 
estudo do bullying pelos estudantes. Recordo-me de um colégio que orientei no 
 
 118 
desenvolvimento de um programa antibullying onde os alunos criaram uma cartilha de 
responsabilidades sobre a violência na escola. Outra escola conseguiu motivar seus 
estudantes a partir da elaboração de um concurso para a criação de um pôster do programa 
antibullying liderados pela professora de artes. 
 
ATIVIDADES EXTRACURRICULARES 
Atividades extracurriculares como passeios e visitas a museus ou a uma reserva 
ambiental, por exemplo, podem ter um impacto positivo importante no relacionamento 
social dos estudantes. Conceitos de solidariedade, trabalho em equipe e amizade podem ser 
estimulados e compartilhados entre alunos, professores, coordenadores e monitores, por 
exemplo. Nessas atividades será muito importante que a equipe pedagógica esteja atenta 
para que todos os estudantes sejam incluídos nas atividades e se divirtam! 
 
ESPORTE 
O esporte pode representar um grande fator de inclusão entre todos os alunos. O 
papel do professor de educação física será fundamental para isso. Durante atividades 
esportivas crianças e adolescentes terão a possibilidade de aprender sobre a importância do 
trabalho em equipe e poderão desenvolver conceitos essenciais para a vida adulta como 
disciplina, hierarquia, amizade, ética, respeito, motivação, confiança e equilíbrio 
emocional. 
Para que consigamos desenvolver todas essas habilidades será necessário a presença 
de um professor capacitado e que saiba trabalhar as diferenças de cada estudante para 
incluí-lo de forma adequada ao grupo. 
Pelo estudo dos perfis psicológicos de crianças e adolescentes mais aptos a se 
tornarem alvos de bullying encontramos alunos inseguros, pouco empáticos e inabilidosos 
na comunicação e nos esportes. Por isso, saber identificar estudantes com esse perfil será 
muito importante para que possamos desenvolver suas potencialidades e torná-los mais 
empáticos e habilidosos na comunicação, no relacionamento social e nos esportes. Desta 
forma teremos a chance de diminuir a possibilidade de se tornarem alvos ou vítimas do 
bullying no futuro. Normalmente alunos com essas características são deixados de lado nas 
atividades físicas e nas atividades de grupo são sempre as últimas crianças a serem 
 
 119 
escolhidas para as equipes de esporte coletivo, como futebol, basquete, vôlei ou handball. 
Nessa situação o professor pode utilizar uma estratégia muito simples e igualmente eficaz. 
Quanto tiver que formar dois times, ao invés de escolher aleatoriamente dois 
estudantes para formas as duas equipes, escolhe aqueles menos habilidosos no esporte. 
Você pode ter certeza que esses dois alunos irão escolher os melhores atletas para suas 
equipes, além de estar favorecendo suas interações sociais, estimulando a comunicação, 
mostrando à todos os estudantes que esses alunos também são capazes de exercer certa 
liderança e como resultado final disso tudo estará fortalecendo a autoestima desses 
estudantes em risco para o bullying. 
Já observei muitos casos em que o esporte ajudou com que estudantes alvos de 
bullying dessem a volta por cima, recuperassem sua autoestima e se posicionassem melhor 
contra esse tipo de violência. Costumo dizer que nos esportes ninguém é ruim em tudo. 
Com muito empenho do estudante e do professor de educação física podemos descobrir 
aquele esporte em que ele é mais habilidoso e que pode ser estimulado e reforçado. 
 Todos os esportes podem ser utilizados para o desenvolvimento de habilidades 
atléticas e sociais em crianças e adolescentes vitimas de bullying ou com risco de se 
tornarem alvos dessa violência. O que fará a diferença será quão habilidoso o professor de 
educação física é e qual esporte aquele ou aquela estudante se adapta melhor. 
 Outra questão importante será a possibilidade de ensinar esportes de luta. Além de 
todos os benefícios sociais supracitados de que o esporte é capaz de conquistar, o objetivo 
mais específico dos esportes de luta como judô, caratê, capoeira ou jiu-jitsu, por exemplo, 
não será torná-las aptas àbriga e sim ensinar técnicas de defesa pessoal que fortaleçam 
ainda mais sua autoestima. Lembre-se que o bully estará procurando aquelas crianças ou 
adolescentes que não sabem e não conseguem se defender dos atos agressivos. Nesse caso, 
o bully pensará duas vezes antes de escolher esse estudante como alvo de sua violência. 
Um dado muito importante foi identificado nos estudos do pesquisador Dan Olweus 
com relação à associação entre força física e popularidade entre meninos. Aparentemente 
aqueles alunos fisicamente mais fortes são mais populares na escola e consequentemente 
menos propensos a se tornarem alvos de bullying, enquanto que estudantes mais fracos 
tendem a ser menos populares. Além do fator popularidade, os alunos mais fortes estão 
 
 120 
mais protegidos, pois são vistos pelos bullies como uma opção ruim de ataque, por serem 
garotos capazes de se defender caso sejam atacados. 
 
AMIGOS FACILITADORES 
Toda turma de colégio possui alunos extremamente habilidosos. São líderes na sala, 
comunicativos, tiram boas notas e possuem boa índole. Muitas vezes os professores podem 
contar com uma ajuda informal desses estudantes, solicitando que faça companhia e inclua 
aqueles alunos deixados de lado no recreio ou que sejam vítimas de bullying. Essa atitude 
aumenta as chances do aluno pouco habilidoso e com poucos amigos de ser incluído e de 
fazer novas amizades. Em contrapartida, o bully se sentirá constrangido de atacar um amigo 
do garoto popular da escola. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 121 
- CAPÍTULO 11 - 
TRANSTORNOS DO HUMOR 
NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA 
 
DEPRESSÃO INFANTIL 
Até pouco tempo não se imaginava que um transtorno incrivelmente 
incapacitante e grave como a depressão pudesse acometer crianças e 
adolescentes. Foi quando conheci a pequena Fernanda. Com apenas sete anos 
de idade, a criança fora trazida pela mãe que referia uma grande mudança, 
sem motivo aparente, no comportamento da filha nos últimos meses. 
A alegria e disposição de uma aluna feliz e entrosada fora trocada pela 
tristeza, apatia e isolamento em sala de aula. As notas sofreram queda e sua 
animada fala estava agora tênue e fraca. Seu prazer de viver havia sido trocado 
pela desesperança e seu relato era de que não aguentava mais viver, que a vida 
havia perdido o sentido e que desejava morrer. 
De fato, durante muito tempo acreditou-se que crianças e adolescentes 
não eram afetados pela depressão, entretanto sabemos hoje que estes são tão 
suscetíveis ao transtorno quanto adultos e tal diagnóstico interfere de maneira 
importante em sua vida diária e em suas relações sociais e acadêmicas. 
A depressão infantil atinge aproximadamente 1% das crianças pré-
escolares, 2% das crianças em idade escolar e aumenta para 6% nos 
adolescentes. A distribuição entre os sexos é similar durante a infância, 
aumentando as taxas no sexo feminino em relação ao sexo masculino durante 
a adolescência. 
 
 122 
Crianças e adolescentes com depressão apresentam-se frequentemente 
com tristeza, falta de motivação, solidão e humor deprimido, contudo é 
comumente observado um humor irritável ou instável. Esses jovens podem 
apresentar mudanças súbitas de comportamento com explosões de raiva, 
mostrando-se irritados e podem envolvem-se em brigas corporais no ambiente 
escolar ou durante a prática desportiva. 
A criança pode apresentar dificuldade em se divertir, queixando-se de 
estar entediada ou “sem nada para fazer” e pode rejeitar o envolvimento com 
outras crianças, dando preferência por atividades solitárias. 
Dentro da sala de aula ou no recreio escolar, pode ser sinal de alerta a 
professores uma mudança comportamental de uma criança anteriormente bem 
socializada e entrosada com o grupo e que passa a se isolar. A queda do 
desempenho acadêmico quase sempre acompanha o transtorno, porque 
crianças e adolescentes com depressão não conseguem se concentrar em sala 
de aula, há perda do interesse pelas atividades, falta de motivação, o 
pensamento e o raciocínio se tornam lentificados e o resultado disso tudo é 
observado no boletim escolar. 
Queixas físicas como cansaço, falta de energia, dores de cabeça ou 
dores de barriga são comuns. Insônia, preocupações, sentimentos de culpa, 
baixa autoestima, choro excessivo, hipoatividade, fala em ritmo devagar e de 
forma monótona e monossilábica também ocorre em grande número de casos. 
Os pensamentos recorrentes de morte, ideias e planejamento de suicídio 
podem estar presentes em todas as idades e os atos suicidas tendem a ocorrer 
com maior frequência entre adolescentes. Sabemos que comportamentos de 
risco durante a adolescência são comuns, entretanto estes podem se acentuar 
durante episódios depressivos, como a prática sexual promíscua e sem 
proteção e o abuso de álcool ou outras drogas. 
 
 123 
Os transtornos associados à depressão estão presentes entre 30 e 60% 
dos casos, sendo mais comuns os transtornos ansiosos, o transtorno de déficit 
de atenção/hiperatividade, o transtorno de conduta, o transtorno desafiador 
opositivo e o abuso de álcool ou de outras drogas. 
O transtorno depressivo produz dificuldades sociais e acadêmicas que 
podem comprometer o desenvolvimento e funcionamento social da criança ou 
adolescente. Esses prejuízos podem repercutir durante toda a vida do 
estudante, principalmente quando a depressão não é tratada corretamente. 
Provavelmente muitos episódios depressivos identificados em pacientes 
adultos são, na verdade, episódios recorrentes de um transtorno depressivo 
iniciado na infância ou adolescência. 
 
DEPRESSÃO NA ESCOLA 
 Queda do rendimento escolar. 
 Irritabilidade. 
 Impulsividade. 
 Brigas. 
 Isolamento em sala de aula e no recreio. 
 Tristeza. 
 Falta de motivação. 
 Choro fácil. 
 Fala monótona. 
 Queixas físicas (dores de cabeça, dores musculares). 
 Pensamentos recorrentes de morte. 
 Sentimentos de culpa. 
 
 
 
 124 
Quais são as causas? 
As causas da depressão estão relacionadas com uma origem 
multifatorial. Influências genéticas, associados a fatores bioquímicos, 
hormonais e ambientais estão relacionados ao transtorno. 
Dados epidemiológicos revelam que a história positiva de depressão na 
família é fator de risco para o diagnóstico, sendo que filhos de pais com 
depressão apresentam três vezes mais chances de desenvolver o transtorno 
durante a vida quando comparados a filhos de pais não-deprimidos. 
Alterações de substâncias químicas do cérebro chamadas 
neurotransmissores também estariam alteradas em pacientes com depressão. 
Nesse caso, a principal hipótese está relacionada com o baixo aporte de 
serotonina e noradrenalina na fenda sináptica, área de comunicação entre as 
células nervosas. 
Logo, vale ressaltar, que estou falando de alterações de substâncias 
químicas no cérebro em nível celular, nos neurônios. Portanto a dosagem de 
serotonina no sangue ou através de testagens com fios de cabelo são grandes 
mitos, um absurdo, pois não é possível identificar sua diminuição através de 
exames. 
Outro fator importante para o desencadeamento de episódios 
depressivos é o grau de estruturação familiar e o ambiente doméstico em que 
este jovem estudante está inserido. Crianças e adolescentes vivendo em lares 
hostis, desestruturados, com interações familiares estressantes, convivendo 
com pais agressivos ou negligentes possuem maior chance de desenvolver um 
quadro depressivo. 
Inversamente proporcional a isto, é fato que interações familiares 
positivas podem apresentar uma função protetora para episódios depressivos 
 
 125 
na infância e na adolescência e colaboram para um funcionamento 
comportamental melhor desse estudante em desenvolvimento. 
 
O que fazer? 
O tratamento da depressão na infância e adolescência envolve a 
associação de medicamentos antidepressivos, psicoterapia e psicoeducação 
para orientação de pais e professores.Os antidepressivos mais utilizados são os inibidores seletivos da 
recaptação de serotonina, medicamentos eficientes, modernos, seguros, bem 
tolerados pelos pacientes devido ao perfil leve de efeitos colaterais e não 
possuem qualquer risco de dependência. Ressalto que quadros de depressão 
leve não requerem o apoio medicamentoso, enquanto que quadros moderados 
à graves devem ser tratados com a grande ajuda desses medicamentos. 
A terapia cognitiva-comportamental é considerada a terapia de escolha 
para o tratamento de episódios depressivos em crianças e adolescentes. Além 
disso, a terapia familiar pode ser associada ao tratamento para auxiliar na 
reestruturação da família, que na grande maioria das vezes está comprometida. 
O trabalho psicoeducativo com pais e professores será fundamental. 
Comumente nos deparamos com pessoas resistentes quanto ao diagnóstico e 
quanto à necessidade tratamento da depressão. Informar o jovem, seus 
familiares e professores sobre as características da doença, seus sintomas, 
prejuízos e consequências serão fundamentais para que uma rede de apoio 
social seja formada em benefício da criança ou adolescente. Saber identificar e 
minimizar estressores ambientais faz parte do tratamento e será importante 
para a evolução positiva do quadro depressivo. 
 
 126 
Na presença de outros transtornos comportamentais associados, como 
transtornos ansiosos, TDAH, transtorno desafiador opositivo e transtorno de 
conduta, estes devem ser tratados também. 
 
SUICÍDIO E COMPORTAMENTO SUICIDA 
O comportamento suicida é uma manifestação prevalente entre crianças 
e adolescentes de todo o mundo e pode ser definido como toda preocupação 
ou ato em que o indivíduo tem a intenção de causar lesão ou morte a si 
mesmo. 
Para se ter uma ideia da dimensão desse fenômeno, o suicídio está entre 
as dez principais causas de morte em todo o mundo e entre as três primeiras 
quando se considera a faixa etária entre os 10 e 19 anos de idade, atrás apenas 
de acidentes e homicídios. Nas crianças entre cinco e 14 anos de idade, o 
suicídio é a quinta causa de morte, após acidentes, câncer, anormalidades 
congênitas e homicídio. 
Recentes estudos epidemiológicos realizados com estudantes do ensino 
médio indicam que cerca de 14% dos jovens já pensaram em suicídio e cerca 
de metade deles realizaram pelo menos uma tentativa nos últimos anos. 
Crianças com ideia suicida são três vezes mais propensas a executar 
atos suicidas na adolescência do que crianças sem essa ideia e aquelas que 
tentaram o suicídio na infância apresentam seis vezes mais chances de tentar 
novamente durante a adolescência, quando comparadas com crianças que 
nunca tentaram. 
Mais jovens do sexo feminino pensam e realizam tentativas de suicídio, 
entretanto são os adolescentes do sexo masculino que se matam com mais 
frequência. Um dos motivos se deve ao fato de que as tentativas entre os 
meninos tendem a ser mais agressivas, como através do uso de armas de fogo, 
 
 127 
facas ou enforcamento, enquanto mulheres tendem a abusar de medicamentos 
ou venenos. 
As armas de fogo foram responsáveis por mais de 40% das mortes por 
suicídio entre jovens nas últimas décadas e nesses casos grande parte também 
fizeram uso abusivo de álcool momentos antes do ato suicida. 
 
SUICÍDIO NA ESCOLA 
Vítima de comportamento bullying. 
Tentativa de suicídio anterior. 
Existência de arma de fogo em casa. 
Transtorno depressivo. 
Transtorno bipolar do humor. 
Transtornos ansiosos. 
Alcoolismo. 
Uso de drogas. 
Perda dos pais na infância. 
Instabilidade familiar. 
Violência doméstica. 
Rede de apoio familiar não disponível. 
Vítima de abuso sexual. 
 
Quais são as causas? 
As causas do comportamento suicida não estão bem estabelecidas, mas 
fatores genéticos e alterações de substâncias químicas no cérebro podem estar 
relacionados às causas desse comportamento. 
Jovens com transtornos comportamentais como depressão, transtorno 
bipolar, transtornos ansiosos, transtorno de conduta, esquizofrenia, uso de 
 
 128 
drogas e alcoolismo apresentam índices mais elevados de tentativa de suicídio. 
Dentre esses fatores, o principal preditor para o comportamento suicida na 
adolescência parece ser o transtorno depressivo, principalmente quando o 
primeiro episódio ocorre antes dos 20 anos de idade. Um recente estudo 
identificou que em cerca de 60% dos suicídios envolvendo adolescentes, 
existia uma história de transtorno depressivo no período da morte. 
Eventos de vida estressantes, principalmente antes dos 16 anos de idade, 
também podem contribuir para o comportamento suicida, como morte dos 
pais, instabilidade familiar, violência doméstica, história de depressão ou 
suicídio na família e traços de personalidade com grande impulsividade, 
agressividade e labilidade do humor. 
 
O que fazer? 
O tratamento efetivo das condições ou fatores de risco relacionados com 
o comportamento suicida é medida-chave para a prevenção do suicídio em 
crianças e adolescentes. 
Os transtornos comportamentais, principalmente a depressão infanto-
juvenil devem ser corretamente tratados quando identificados. O tratamento 
deverá abordar concomitantemente o trabalho de informação 
psicoeducacional, envolvendo o paciente, sua família, a escola e toda a malha 
de apoio social em que este jovem está inserido. 
Uma vez que comportamentos suicidas estão intimamente relacionados 
com ambientes familiares desestruturados, a terapia familiar é uma ferramenta 
importante na prevenção do suicídio. Outra técnica muito utilizada é a terapia 
cognitiva-comportamental, segundo o qual cognições disfuncionais e 
comportamentos impulsivos do jovem podem ser tratados. 
 
 129 
Nos casos agudos de tentativa de suicídio a internação hospitalar é 
sempre indicada, mesmo quando não há risco eminente de vida pela tentativa. 
O objetivo, nesses casos, é a investigação das causas e dos fatores de risco 
relacionados que levaram ao ato e para facilitar o vínculo e a adesão do jovem 
ao tratamento. 
Gostaria de elogiar o belo trabalho de apoio realizado pelo Centro de 
Valorização da Vida (CVV). Trata-se de uma organização não-governamental 
fundada em 1962 e que conta com cerca de 2.500 voluntários, divididos em 48 
postos distribuídos pelo país. Seu trabalho é oferecer apoio emocional e 
prevenção ao suicídio através do contato telefônico, por chat, e-mail ou 
pessoalmente nos postos espalhados pelo país. 
 
TRANSTORNO BIPOLAR DO HUMOR 
O transtorno bipolar do humor na infância e adolescência é uma 
condição comportamental grave com repercussões no funcionamento social e 
acadêmico de muitos estudantes brasileiros. 
Esse diagnóstico tem como característica principal a fase maníaca do 
transtorno, apresentando alterações ou oscilações do humor que pode se 
apresentar exaltado ou irritável. Essa mudança súbita de humor comumente 
produz ataques prolongados de raiva ou agressividade, chamado de 
tempestades comportamentais. Também podem ocorrer oscilações com fases 
ou períodos de depressão, quando o estudante apresentará os sintomas 
clássicos da depressão infantil. Aliás, não é incomum encontrar o relato de um 
primeiro episódio depressivo na criança precedendo o surto maníaco. 
As taxas de prevalência para o transtorno bipolar do humor estão em 
torno de 0,5% para a população infanto-juvenil e estimadamente acredita-se 
 
 130 
que exista uma distribuição maior entre os meninos, quando comparados com 
as meninas. 
Durante as tempestades comportamentais ou ataques de fúria, o jovem 
demonstra muita irritabilidade, agressividade e impulsividade, normalmente 
repercutindo em violência física, destruição de objetos, brigas e agressões 
contra amigos e familiares. Esse temperamento agressivo também provoca 
piora dos sintomas opositivos e desafiadores que com frequência estão 
presentes em crianças e adolescentes. 
Na escolaé observada piora no desempenho acadêmico, acompanhado 
de grande dificuldade de concentração, hiperatividade, agressividade, 
labilidade afetiva, com rápidas mudanças de humor, autoestima aumentada, 
excitabilidade, hipersexualidade, presença de piadas e diálogos de caráter 
sexual ou desejos de realização do ato ocorrendo com grande inadequação na 
maneira de agir e pensar. 
Alguns pacientes relatam que não conseguem fazer nada devido a 
pensamentos que não param de “correr em suas mentes”. Há conflito de 
idéias, insônia, envolvimento excessivo em atividades prazerosas que 
apresentam potencial elevado de consequências negativas, como abuso de 
álcool e de outras drogas, além da prática sexual promíscua e sem proteção. 
Pensamentos mágicos com ideias de grandeza, riqueza ou poder podem 
estar presentes. Alguns estudantes relatam que são tomados por sensações de 
que estão tão cheios de energia, se considerando invencíveis, poderosos e que 
se consideram aptos à discutir de igual para igual com pais, professores ou 
qualquer adulto. 
Quando investigamos crianças e adolescentes com o transtorno bipolar 
do humor é comum identificar queixas de que o jovem se sente triste por 
 
 131 
brigar constantemente com outras pessoas, principalmente nas fases que se 
considera mais irritado e agitado. 
O transtorno bipolar na infância e adolescência pode ser confundido 
com outros transtornos psiquiátricos, como o transtorno de déficit de 
atenção/hiperatividade, devido à possibilidade de hiperatividade e agitação 
psicomotora, presente em ambos os casos. No entanto no transtorno de déficit 
de atenção/hiperatividade não há um severo comprometimento do humor e os 
acessos de raiva não são tão violentos e agressivos. 
A utilização de determinados medicamentos como corticoides ou o 
abuso de drogas como a cocaína, anfetaminas e o êxtase podem simular um 
surto maníaco e devem ser afastadas através da avaliação psiquiátrica e 
testagem para drogas de abuso. Transtornos ansiosos também devem ser 
afastados para se fazer o diagnóstico do transtorno bipolar do humor. 
O curso da doença tende a ser crônico, sendo que aproximadamente 20 
a 40% dos pacientes adultos com esse diagnóstico apresentaram os primeiros 
sintomas ainda na infância. 
 
TRANSTORNO BIPOLAR NA ESCOLA 
 Mudanças súbitas de humor. 
 Dificuldades nos relacionamentos 
 Euforia 
 Autoestima aumentada. 
 Hipersexualidade. 
 Grandiosidade. 
 Pensamento e fala acelerados. 
 Distração. 
 Agitação. 
 
 132 
 inquietação. 
 Necessidade de “aparecer e ser o centro das atenções”. 
 Irritabilidade. 
 Instabilidade emocional. 
 Agressividade e acessos de raiva. 
 
Quais são as causas? 
Não existe uma causa específica para o surgimento do transtorno 
bipolar do humor, entretanto as principais hipóteses relacionam fatores 
genéticos ligados a alterações químicas no cérebro dessas crianças, como por 
exemplo, o aumento de substâncias chamadas noradrenalina e dopamina. 
Assim, filhos de pais com esse diagnóstico apresentam maiores chances de 
desenvolver o transtorno quando comparadas com crianças sem história do 
transtorno bipolar do humor na família. 
Outra questão importante são os fatores ambientais que parecem 
participar como “gatilhos” ao transtorno bipolar por potencializar essas 
vulnerabilidades genéticas. Isso significa que estudantes que possuam 
componentes genéticos para o transtorno estarão em maior risco de 
desenvolver a doença se expostos à estressores ambientais como violência 
doméstica, agressividade e negligência parental. Além disso, esses fatores 
ambientais podem potencializar a doença e também interferir em seu 
prognóstico ao longo do tempo, piorando sintomas. 
 
O que fazer? 
Estabelecido o diagnóstico do transtorno bipolar, o tratamento é 
iniciado com uma intervenção farmacológica que envolve a utilização de 
medicamentos estabilizadores do humor como o carbonato de lítio, a 
 
 133 
carbamazepina, o ácido valpróico, a oxcarbazepina, a lamotrigina e o 
topiramato. Outros medicamentos utilizados na fase maníaca do transtorno são 
os neurolépticos, como a risperidona, a quetiapina, o aripiprazol e o 
haloperidol. Na maioria dos casos a utilização da medicação estabilizadora do 
humor deve ocorrer de maneira contínua, dessa forma pode-se evitar recaídas 
e a volta dos sintomas comumente observados durante o curso natural do 
transtorno. 
Internações de curto prazo podem ser necessárias em casos graves em 
que há muita agressão física da criança ou adolescente contra pais e familiares 
ou em casos de risco de autoagressão e suicídio. 
A terapia cognitiva-comportamental é a terapia indicada e deverá ser 
utilizada com esse estudante, além da terapia familiar, pois o apoio 
psicológico será fundamental para todos envolvidos com a criança ou 
adolescente. 
A orientação da escola também será necessária e a participação de 
professores e orientadores pedagógicos será muito importante para o sucesso 
do tratamento. A escola deve participar do tratamento, conhecendo o 
problema, ajudando o aluno em possíveis necessidades educacionais especiais, 
trabalhando estratégias de controle de comportamentos agressivos e 
impulsivos eventuais, estimulando a socialização e adequação comportamental 
do estudante em sala de aula e no recreio escolar. 
O tratamento psicossocial será fundamental e deve ser iniciado com um 
bom trabalho psicoeducacional envolvendo o paciente, pais, familiares e 
escola. Informações sobre os sintomas do transtorno, características, evolução, 
riscos e sobre a importância da manutenção do tratamento serão muito 
importantes para o sucesso na intervenção terapêutica. Uma associação 
brasileira sem fins lucrativos merece todo o destaque pelo belo trabalho 
psicoeducacional de orientação à familiares e portadores de transtornos 
afetivos, a ABRATA (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e 
Portadores de Transtornos Afetivos). 
 
 
 134 
- CAPÍTULO 12 - 
TRANSTORNOS DE ANSIEDADE 
NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA 
 
TRANSTORNOS ANSIOSOS 
Os transtornos ansiosos compreendem condições comportamentais 
diferentes entre si, mas que comumente provocam sensações subjetivas de 
desconforto, inquietação, ansiedade, além de desencadear sintomas somáticos 
como sudorese, boca seca, taquicardia (coração acelerado) e nervosismo, 
dentre outros sintomas. 
O desenvolvimento de transtornos ansiosos em crianças e adolescentes é 
resultado da interação de múltiplos fatores como a herança genética, grau de 
ansiedade paterna, temperamento, tipo de relação e estilo de criação pelos 
pais, além das próprias experiências vivenciadas pela criança. Eventos 
traumáticos como a morte de um parente querido, a própria observação do 
comportamento ansioso dos pais ou o fato de assistirem a situações 
ansiogênicas no noticiário da televisão, por exemplo, podem contribuir para o 
desencadeamento desses transtornos na infância e na adolescência. 
Apesar disso, precisamos estar atentos para situações cotidianas em que 
uma criança experimenta medo, insegurança e ansiedade, sem que isso seja 
uma doença do comportamento. Por exemplo, uma criança de 4 anos de idade 
pode apresentar medo do “bicho-papão”, do “homem do saco” ou medo do 
ladrão e do fantasma embaixo da cama. Essas situações podem ilustrar apenas 
uma fase normal do desenvolvimento da criança e logicamente não deve ser 
considerado um transtorno comportamental da ansiedade. 
 
 135 
Por esse motivo, a avaliação médica comportamental realizada por um 
psiquiatra especialista na infância e adolescência será fundamental para o 
correto diagnóstico dos transtornos ansiosos. 
Nas situações patológicas a intervenção interdisciplinar será muito 
importante será e capaz de auxiliar no manejo dos sintomas ansiosos. O 
primeiro passo no tratamento dos transtornos ansiosos será a psicoeducação, a 
orientação aos pais, professores efamiliares através de materiais informativos 
sobre o transtorno, como livros, guias, textos e folhetos explicativos. Quanto 
mais informação a respeito do diagnóstico, dos sintomas, das características e 
do tratamento, será mais fácil lidar com o problema e teremos sucesso no 
auxilio dessas crianças e adolescentes. 
Atualmente, segundo as principais pesquisas científicas internacionais, a 
terapia cognitivo-comportamental representa uma ferramenta importante e 
necessária no tratamento de crianças e adolescentes com transtornos ansiosos. 
O conjunto de técnicas inclui o reconhecimento dos sintomas, a 
identificação de sentimentos, pensamentos, reações do organismo e de 
possíveis “gatilhos” da ansiedade para que seja possível desenvolver planos 
para lidar com o problema. Além disso, estratégias em habilidades sociais e 
técnicas de relaxamento podem auxiliar no manejo da ansiedade gerada pelo 
transtorno. 
Casos graves de transtornos ansiosos necessitarão de medicamentos que 
objetivam bloquear a resposta ansiogênica do organismo, auxiliando na 
diminuição da ansiedade, dos sintomas de medo, das respostas somáticas e 
relacionadas com o transtorno ansioso. Nessas situações os antidepressivos 
inibidores seletivos da recaptação de serotonina são as primeiras opções de 
medicamentos, devido características de eficácia e segurança para uso 
pediátrico. 
 
 136 
Não posso deixar de destacar o trabalho dedicado e especializado de 
algumas associações de pais e portadores de transtornos ansiosos no Brasil, 
como a ASTOC (Associação Brasileira da Síndrome de Tourette, Tiques e 
Transtorno Obsessivo-Compulsivo) que organiza reuniões de apoio e eventos 
educativos objetivando informar e auxiliar na busca por tratamento e 
qualidade de vida de pacientes e familiares. 
 
 
TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO 
O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) na infância tem início por 
volta dos dez anos de idade, acomete cerca de 1% das crianças em idade 
escolar, sendo mais precoce em meninos do que meninas. Dentre os 
adolescentes aproximadamente 2% apresentam o transtorno. Uma vez que a 
genética é um grande preditor dos transtornos ansiosos, comumente 
encontramos história do transtorno obsessivo-compulsivo ou de transtorno de 
tiques na família do portador. 
O TOC é um transtorno comportamental caracterizado pela presença de 
obsessões e compulsões. Obsessões são pensamentos persistentes, repetitivos, 
intrusivos e sem sentido que “invadem a cabeça” do paciente. A pessoa os 
reconhece como sem sentido, inadequado ou desnecessário, entretanto não 
consegue controlá-los. Podem apresentar-se sob a forma de repetição de 
palavras, frases, pensamentos, medos, números, fotos ou cenas e normalmente 
estão relacionadas com ideias de limpeza, contaminação, segurança, agressão 
ou sexo. 
Compulsões são comportamentos repetitivos (lavar mãos, organizar, 
verificar) ou atos mentais (rezar, contar, repetir palavras, frases, números) que 
a pessoa se sente obrigada a executar em resposta a uma obsessão. Os 
 
 137 
comportamentos compulsivos visam prevenir ou reduzir o sofrimento ou 
evitar algum evento ou situação temida. 
Essas obsessões e as compulsões normalmente consomem tempo (mais 
de uma hora por dia), interferem significativamente na rotina, no 
funcionamento social e acadêmico da criança ou adolescente e logicamente 
provocam muito sofrimento ao paciente. 
Pessoas com o TOC podem apresentar obsessões, compulsões ou 
ambos. O portador normalmente entende que suas compulsões são 
desnecessárias e sem sentido, no entanto apresentam dificuldade em resistir à 
esse comportamento. No caso de crianças pequenas podemos observar 
compulsões sem obsessões e estas podem não as reconhecer como algo 
problemático, apesar de identificarmos claramente os prejuízos emocionais e 
sociais provocados pela doença. Em outros casos, crianças e adolescentes 
podem escondem seus rituais até estes se tornarem tão intensos ao ponto de 
serem descobertos. 
Os sintomas do TOC podem mudar no decorrer do tempo: algumas 
crianças podem apresentar rituais de checagem ou verificação e no decorrer 
dos meses evoluírem para rituais de simetria, por exemplo. 
É muito importante ressaltar que os sintomas não irão embora sem ajuda 
profissional e cerca de 50% dos adultos diagnosticados com o transtorno 
obsessivo-compulsivo tiveram o início dos sintomas ainda na infância ou 
adolescência. 
 
TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO NA ESCOLA 
 Gasto de tempo excessivo na organização do material escolar com rituais de 
simetria. 
 Rituais de repetição na execução de exercícios escolares ou deveres de casa. 
 
 138 
 Perfeccionismo. 
 Releituras de textos inúmeras vezes. 
 Repetições de perguntas ou dúvidas aos pais ou professores. 
 Solicitação por repetição de frases. 
 Repetitivos pedidos de desculpas. 
 Colecionismo de objetos inúteis como jornais e revistas velhas ou papéis de 
bala. 
 Verificação excessiva de fechaduras, portas, janelas, luzes. 
 Banhos prolongados e repetidas vezes ao dia. 
 Lavar mãos ou escovar dentes incessantemente. 
 Lesões no ânus ou mãos por rituais de lavagem excessiva. 
 Trocas frequentes de roupa, com aumento da quantidade para lavar. 
 Gasto excessivo de papel higiênico ou sabonetes. 
 Entupimentos do vaso sanitário pelo uso excessivo de papel higiênico. 
 Preocupações de que algum membro da família possa estar gravemente 
doente ou contaminado. 
 
TRANSTORNO DE ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO 
O transtorno de ansiedade de separação está presente em cerca de 2 à 
5% das crianças em idade escolar, existe uma distribuição relativamente igual 
entre meninos e meninas e normalmente a idade de início do transtorno é por 
volta dos sete anos de idade. 
Essa condição comportamental é caracterizada pelo aparecimento de 
ansiedade excessiva e inapropriada frente à separação de familiares ou 
daqueles em que a criança é apegada. Com frequência apresentam 
preocupações excessivas de que acidentes possam ocorrer a seus pais e que 
causaria sua separação deles. O medo de perder ou de ser separado de seus 
 
 139 
pais está, na maioria das vezes, ligado a preocupações de que a perda ocorrerá 
como resultado de um evento catastrófico como morte, sequestro ou grave 
acidente. 
Sintomas importantes incluem pesadelos relacionados com o tema de 
separação, relutância de se separar dos pais para ir à escola, para dormir 
sozinhos em seus quartos ou para dormir na casa de colegas. Queixas 
somáticas, como dores estomacais e dores de cabeça são muito comuns e o 
objetivo dessas crianças é receber atenção parental e justificar as queixas para 
ficar em casa e não ir à escola ou não permitir que seus pais saiam para 
trabalhar. 
Na escola, além das faltas e dos atrasos para entrada em sala de aula, 
essas crianças evitam participar de atividades extracurriculares como 
atividades esportivas ou grupos de estudo, pois sentem grande ansiedade de se 
distanciar de suas figuras afetivas, como pais ou familiares íntimos. Como 
resultado, essa criança apresentará prejuízo acadêmico, vínculos de amizade 
restritos a poucas crianças ou a nenhuma e comprometimento de sua 
autoestima e de sua maturidade. 
 
TRANSTORNO DE ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO NA ESCOLA 
Muita ansiedade no momento de chegada à escola 
Atrasos para entrada em sala de aula 
Medo de ficar sozinha no recreio escolar 
Medo de ser abandonada pelos pais 
Faltas escolares 
Solicitações para deixar escola 
Prejuízo acadêmico 
Queixas físicas 
 
 140 
Evita participar de atividades extracurriculares 
Dificuldade nos relacionamentos 
Vínculos de amizade restritos a poucas crianças 
Comprometimento de sua autoestima 
 
TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA 
O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) atinge cerca de 3 à 6% 
de crianças e adolescentes em idade escolar e as meninas são mais acometidas 
pelo problema, quando comparadasaos meninos. Outra característica 
epidemiológica importante é que os índices desse transtorno tendem a serem 
maiores na adolescência, quando comparados com a infância. 
O TAG é caracterizado por excessiva preocupação, ansiedade e intensa 
dificuldade para controlá-la, normalmente relacionada com eventos futuros. 
Essas preocupações causam dificuldade no funcionamento social, acadêmico e 
ocupacional dessas crianças e adolescentes. O transtorno está relacionado com 
sentimentos de apreensão e dúvida, cansaço, fadiga, tensão muscular, 
distúrbios do sono, dificuldade de concentração e irritabilidade. 
Crianças com transtorno de ansiedade generalizada apresentam grande 
preocupação frente a situações futuras, relacionamentos com colegas e 
aceitação pelo grupo escolar, por exemplo. Essas crianças encontram-se 
frequentemente preocupadas com múltiplos assuntos, como se o mundo fosse 
repleto de perigos, superestimam situações problemáticas, são negativistas e 
parecem estar sempre aguardando por eventos catastróficos. 
 
TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA NA ESCOLA 
Excessiva preocupação 
Muita ansiedade e intensa dificuldade para controlá-la 
 
 141 
Dificuldade no funcionamento social 
Prejuízos acadêmicos 
Sentimentos de apreensão e dúvida 
Medo 
Cansaço 
Tensão muscular 
Dificuldade de concentração 
Irritabilidade 
Nervosismo 
Preocupação frente a eventos futuros 
Preocupação com múltiplos assuntos 
Superestima situações problemáticas 
Pessimismo 
 
FOBIA ESPECÍFICA 
A fobia específica afeta cerca de 4% das crianças em idade escolar e é 
caracterizada por um medo persistente e exagerado na presença ou 
antecipação de situações ou objetos específicos como animais, insetos, sangue, 
altura, lugares fechados, voar de avião ou elevadores, por exemplo. 
A exposição da criança ou adolescente à situação temida é capaz de 
desencadear uma resposta ansiosa imediata. Essa resposta é considerada 
exagerada e está frequentemente associada a sintomas somáticos como 
nervosismo, choro, ataques de pânico e irritabilidade. 
O comportamento evitativo e a ansiedade antecipatória causadas pelo 
medo de enfrentar as situações temidas interferem significativamente na rotina 
acadêmica, ocupacional e nas relações da criança com sua família, seus 
amigos e colegas de sala de aula. Por exemplo, se a criança ou adolescente 
 
 142 
tem fobia específica de elevador, ela será capaz de subir pelas escadas até o 
vigésimo andar do prédio para evitar entrar no elevador. 
O medo provocado pela fobia específica é irracional e incontrolável. 
Caso o estudante seja exposto ao objeto de medo, ele pode se descontrolar 
completamente, tendo um ataque de pânico ao se confrontar com um inseto 
temido, uma barata, por exemplo. 
 
FOBIA ESPECÍFICA NA ESCOLA 
Medo exagerado na presença ou antecipação de situações ou objetos 
específicos como animais, insetos, sangue, altura, lugares fechados. 
Resposta ansiosa imediata após contato com a situação temida 
Ataques de pânico 
Comportamento evitativo de situações específicas 
Prejuízos acadêmicos 
 
TRANSTORNO DE PÂNICO 
O transtorno de pânico acomete cerca de 3% das crianças e adolescentes 
em idade escolar e é caracterizado pela presença de ataques de pânico 
recorrentes e inesperados. 
Os ataques de pânico são períodos de intenso medo ou desconforto 
acompanhado de sintomas somáticos, como palpitações, sudorese, falta de ar, 
tremores das mãos, dores no peito e na barriga. Os pacientes podem também 
apresentar sensações subjetivas de desconforto e frequentemente relatam o 
medo de estarem morrendo. Esses sintomas relacionados com o ataque de 
pânico duram cerca de trinta minutos e não há risco de vida. 
Outra característica que pode acompanhar o transtorno de pânico é a 
presença de agorafobia. Trata-se da ansiedade ou medo de estar em lugares 
 
 143 
abertos ou cheios de gente. Nessa situação, o estudante tem medo de passar 
mal e não ter ninguém para socorrê-lo e normalmente apresenta um 
comportamento evitativo dessas situações. 
Estudos demonstram que muitos adultos com esse diagnóstico 
apresentaram seus primeiros ataques de pânico ainda na infância ou 
adolescência. Nesses casos o diagnóstico ainda na infância poderia ter 
proporcionado um tratamento precoce e com melhores resultados 
prognósticos. 
 
TRANSTORNO DE PÂNICO NA ESCOLA 
Repetidos ataques de pânico representados por: 
Intenso medo ou desconforto 
Palpitações 
Sudorese 
Falta de ar 
Tremores das mãos 
Dor no peito 
Dor abdominal 
Medo de morrer 
 
FOBIA SOCIAL 
A fobia social ou timidez patológica é uma condição comportamental 
presente em até 4% das crianças e adolescentes em idade escolar e tem início 
por volta dos 12 anos de idade. Esse transtorno ansioso provoca no estudante 
um intenso medo, ansiedade e grande timidez quando ele se expõe em 
situações sociais. 
 
 144 
Na escola, crianças e adolescentes com fobia social apresentam 
comportamento evitativo relacionado com a socialização. São extremamente 
tímidos e retraídos, dificilmente pedem ajuda aos professores quando 
apresentam dúvidas em sala de aula, negam-se a apresentar trabalhos na frente 
da sala, não participam de trabalhos em grupo ou atividades esportivas e 
evitam comparecer a festas de aniversário. Essas crianças comumente evitam 
e relutam a conversar com outros jovens, principalmente do sexo oposto. 
A criança apresenta medo de ser avaliada, julgada ou ridicularizada por 
outras pessoas, temendo se tornar o centro das atenções. O temor desse 
estudante é de acabar sendo considerado estranho, esquisito e pouco atrativo 
pelas outras pessoas, por exemplo. 
Há o medo de que em algum momento possa agir ou dizer algo 
embaraçoso, logo evita falar em público, dialogar com figuras de autoridade, 
como professores, coordenadores e funcionários ou com pessoas estranhas. 
Podem também apresentar dificuldade em comer ou escrever na frente de 
outras pessoas ou utilizar o banheiro da escola. 
Além desses sintomas, crianças e adolescentes com fobia social 
apresentam manifestações somáticas quando expostas às situações sociais 
como rubor facial, sudorese, tremor, coração acelerado e nervosismo. 
Crianças pequenas podem chorar ou se esconder atrás de suas mães 
quando confrontadas com situações sociais que causem medo ou insegurança, 
podendo apresentar dificuldade em frequentar a escola. Adolescentes com 
fobia social apresentam grande dificuldade de se “enturmar” ou de formar 
vínculos de amizade, principalmente com pessoas do sexo oposto. 
Jovens com quadros de fobia social podem iniciar o uso abusivo de 
bebidas alcoólicas, pois percebem que quando bebem tornam-se menos 
ansiosos e inseguros. Esse uso de álcool pode tornar-se frequente, como se 
 
 145 
fosse uma tentativa de “automedicação” contra os sintomas do transtorno e 
isso pode se transformar em uma armadilha, conduzindo o adolescente a um 
quadro de alcoolismo. 
 
FOBIA SOCIAL NA ESCOLA 
medo, ansiedade e grande timidez ao se expor em situações sociais 
comportamento evitativo 
Não pede ajuda aos professores quando apresentam dúvidas em sala de aula 
Nega-se a apresentar trabalhos na frente da sala 
Não participa de trabalhos em grupo ou atividades esportivas 
Evita comparecer a festas de aniversário. 
Evita e reluta a conversar com outros jovens 
Poucos amigos 
Medo de ser ridicularizado por outras pessoas 
Medo de se tornar o centro das atenções 
Evita falar em público 
Evita dialogar com figuras de autoridade, como professores 
Dificuldade em comer ou escrever na frente de outras pessoas 
Quando exposto às situações sociais pode apresentar rubor facial, sudorese, 
tremor, coração acelerado e nervosismo. 
Dificuldade em frequentar a escola. 
Grande dificuldade de se “enturmar” ou de formar vínculos de amizade 
 
MUTISMO SELETIVO 
O mutismo seletivo consiste na incapacidade da criança em falar e se 
comunicarverbalmente em determinadas situações e que acaba por interferir 
 
 146 
em seu funcionamento acadêmico e social. Esse diagnóstico está presente em 
menos de 1% das crianças e os sintomas normalmente iniciam entre os três e 
cinco anos de idade. Comumente os quadros de mutismo seletivo estão 
associados ao transtorno de fobia social. 
São crianças que apresentam sintomas de ansiedade na presença de 
pessoas de fora de seu círculo de confiança. São capazes de conversar 
normalmente com pais ou professores, mas em situações sociais, na presença 
de visitas ou de novos colegas e pessoas desconhecidas, por exemplo, tornam-
se mudas, incapazes de responder a perguntas, incapazes de dialogar. 
Algumas crianças com mutismo seletivo podem se comunicar nessas 
situações utilizando-se de gestos, movimentos com a cabeça ou sussurrando 
no ouvido de sua mãe, que serviria como interlocutor. 
Assim como nos outros transtornos ansiosos, características genéticas e 
temperamento participam ativamente no desenvolvimento do problema e as 
intervenções terapêuticas são embasadas na terapia cognitivo-comportamental, 
psicoeducação e orientação de pais, familiares e professores. 
Um princípio importante na terapêutica é a de que a criança irá se 
comunicar normalmente com todos, quando ela se sentir segura e confortável. 
Muitas vezes a utilização de medicamentos pode auxiliar no tratamento e cada 
caso deve ser avaliado individualmente. 
 
MUTISMO SELETIVO NA ESCOLA 
Incapacidade em falar e se comunicar verbalmente em determinadas situações 
Muita ansiedade na presença de pessoas de fora de seu círculo de confiança 
Torna-se muda na presença de estranhos, incapazes de responder a perguntas 
propostas 
Comunicação utilizando-se de gestos e movimentos com a cabeça apenas 
Utiliza pessoa de seu círculo de confiança para verbalizar por ela 
 
 
 147 
- BIBLIOGRAFIA - 
CAPITULOS 1 & 2 
AMERICAN ACADEMY OF CHILD AND ADOLESCENT PSYCHIATRY. 
Practice parameter for assessment and treatment of children and adolescents 
with oppositional defiant disorder. Disponível em: 
http://www.aacap.org/galleries/PracticeParameters/JAACAP_ODD_2007.pdf 
Acessado em 10/10/2017. 
AMERICAN ACADEMY OF CHILD AND ADOLESCENT PSYCHIATRY. 
Practice parameter for assessment and treatment of children and adolescents 
with conduct disorder. Disponível em: 
http://www.aacap.org/galleries/PracticeParameters/Conduct.pdf Acessado em 
10/10/2017. 
AMERICAN PSYCHIATRIC PUBLISHING. Dulcan´s Textbook of child and 
adolescent psychiatry, 1. ed., Washington, D.C.; American Psychiatric 
Publishing, 2010. 
BARKLEY, R.A.; BENTON C.M. Your defiant child. New York, The 
Guilford Press, 1998. 
BARKLEY, R.A.; EDWARDS G.H.; ROBIN A.L. Defiant teens: a 
clinician´s manual for assessment and family intervention. New York, The 
Guilford Press, 1999 
CLARK L. SOS Help for parents: A practical guide for handling common 
everyday behavior problems. 2
nd
 edition, Parents Press & SOS Programs, 
2003. 
GREENE, R. The explosive child. 1
st
 edition, Harper Collins Publishers, 2005 
 
 148 
LEVY, R.; O`HANLON, B. Try and make me! Simple strategies that turn off 
the tantrums and create cooperation. 1
st
 edition, New American Library, 
2001. 
MACKENZIE, R. Setting limits with your strong-willed child. New York: 
Three Rivers Press, 2001. 
PINTADO, I.S. El niño agressivo. Madrid, Ediciones Pirâmide, 2006. 
PRUITT, D.B. Your adolescent: what every parent needs to know. What’s 
normal, what’s not, and when to seek help, 1.
 
ed., American Academy of 
Child and Adolescent Psychiatry, New York, Harper Collins, 1999. 
____________. Your child: what every parent needs to know about childwood 
development from birth to preadolescence, 1. ed., American Academy of 
Child and Adolescent Psychiatry, New York, Harper Collins, 1998. 
RILEY, D.A. The defiant child: a parent´s guide to oppositional defiant 
disorder. Taylor Trade Publishing, 1997. 
STALLARD, P. Bons pensamentos – bons sentimentos: manual de terapia 
cognitiva-comportamental para crianças e adolescentes. Porto Alegre: 
Artmed, 2004. 
STUBBE, D. Child and Adolescent Psychiatry: a practical guide. 1
st
 edition, 
Philadelphia, PA, Lippincott Williams & Wilkins, 2007. 
TEIXEIRA, G. Terapêutica medicamentosa no transtorno desafiador 
opositivo: Revisão da literatura. Arq Bras Psiq Med Legal vol 100 n 2, 2006. 
 
CAPITULOS 3 & 4 
AMERICAN ACADEMY OF CHILD AND ADOLESCENT PSYCHIATRY. 
Practice Parameter for the Assessment and Treatment of Children and 
Adolescents with Autism Spectrum Disorder. Disponível em www.aacap.org. 
Acessado em 10/11/2017. 
 
 149 
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and statistical 
manual of mental disorders. 5ª ed., Washington, D.C.; American Psychiatric 
Association, 2014. 
AMERICAN PSYCHIATRIC PUBLISHING. Textbook of child and 
adolescent psychiatry, 3ª ed., Washington, D.C.; American Psychiatric 
Publishing, 2004. 
BENDER L. In memoriam Leo Kanner, M.D. June 13, 1894–April 4, 1981. J 
Am Acad Child Psychiatry 21 (1): 88–9. 1982. 
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND 
PREVENTION. http://www.cdc.gov/ncbddd/autism/index.html Acessado em 
10/11/2017. 
COHEN D. et al. Specific genetic disorders and autism: Clinical contribution 
towards their identification. J Autism Dev Disord. 2005; 35(1): 103-116. 
CUMINE, V. et al. Asperger Syndrome: A practical Guide for Teachers. 
David Fulton Publishers. 1998. 
DAVIS, M. R. School success for kids with emotional and behavioral 
disorders. Waco: Prufrock Press Inc., 2011 
DIGUISEPPI C. et al. Screening for autism spectrum disorders in children 
with Down syndrome. J Dev Behav Pediatr. 2010; 31:181-191. 
HALL. S. et al. Compulsive, self-injurious, and autistic behavior in children 
and adolescents with fragile X syndrome. Am J Ment Retard. 2008; 113(1): 
44-53. 
HALLMAYER J. et al. Genetic heritability and shared environmental factors 
among twin pairs with autism. Arch Gen Psychiatry. 2011; 68(11): 1095-
1102. 
HANDLEMAN J.S. et al. Preschool Education Programs for Children with 
Autism (2nd ed). Austin, TX: Pro-Ed. 2000. 
 
 150 
KANNER L. Autistic disturbances of affective contact. Nerv Child 2: 217–50. 
1943. 
KANNER L., EISENBERG L. Early infantile autism 1943–1955. Am J 
Orthopsychiatry 26 (3): 556–66. 1956. 
RONALD A. Genetic heterogeneity between the three components of the 
autism spectrum: A twin study. J. Am. Acad. Child Adolesc. Psychiatry. 2006; 
45(6): 691-699. 
STUBBE, D. Child and Adolescent Psychiatry. Filadélfia: Lippincott 
Williams & Wilkins, 2007. 
SUMI S. et al. Sibling risk of pervasive developmental disorder estimated by 
means of an epidemiologic survey in Nagoya, Japan. J Hum Genet. 2006; 51: 
518-522. 
TEIXEIRA, G. Manual do autismo. Rio de Janeiro: Editora BestSeller, 2016. 
TEIXEIRA, G. Manual dos transtornos escolares. Rio de Janeiro: Editora 
BestSeller, 2013. 
THE AUTISM TREATMENT NETWORK: www.autismspeaks.org. 
Acessado em 10/11/2017 
WING, L. Asperger's syndrome: a clinical account. Psychol Med 11 (1): 
115–29. 1981. 
WOO, C.; Leon, M. Environmental enrichment as an effective treatment for 
autism: A randomized controlled trial. Behavioral Neuroscience, Vol 127(4), 
Aug 2013, 487-497 
 
ZECAVATI N. et al. Neurometabolic disorders and dysfunction in autism 
spectrum disorders. Curr Neurol Neurosci Rep. 2009; 9(2): 129-136. 
 
http://www.mugsy.org/wing2.htm
 
 151 
CAPITULOS 5 & 6 
AMERICAN ACADEMY OF CHILD AND ADOLESCENT PSYCHIATRY. Practice 
parameter for assessment and treatment of children and adolescents with Attention-Deficit 
Hyperactivity Disorder. Disponível em: 
http://www.aacap.org/galleries/PracticeParameters/JAACAP_ADHD_2007.pdf Acessado 
em 17/11/2017. 
AMERICAN PSYCHIATRIC PUBLISHING. Textbook of child and adolescent psychiatry, 
3. ed., Washington, D.C.; American Psychiatric Publishing, 2004. 
BARKLEY, R.A. The Relevance of the Still Lecturesto Attention Deficit Hyperactivity 
Disorder A Commentary. 2006; 10; 137 J Atten Disord. 
DAWSON, P.; GUARE, R. Executive skills in children and adolescents. New York, NY; 
The Guilford Press, 2004. 
DULCAN, M.K. Textbook of Child and Adolescent Psychiatry, 1
st
 edition, Washington, 
D.C.; American Psychiatric Publishing, 2010. 
PARKER, H.C. Problem Solver Guide for Students with ADHD. Specialty Press, Inc., 2006 
PRUITT, D.B. Your adolescent: what every parent needs to know. What’s normal, what’s 
not, and when to seek help, 1.
 
ed., American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, 
New York, Harper Collins, 1999. 
____________. Your child: what every parent needs to know about childwood development 
from birth to preadolescence, 1. ed., American Academy of Child and Adolescent 
Psychiatry, New York, Harper Collins, 1998. 
RUTTER, M; TAYLOR, E. Child and Adolescent Psychiatry, 4. ed., Blackwell Publishing, 
2002. 
SILVERMAN, S.M. School success for kids with ADHD. Profrock Press Inc., 2009. 
STUBBE, D. Child and Adolescent Psychiatry: a practical guide. 1
st
 edition, Philadelphia, 
PA, Lippincott Williams & Wilkins, 2007. 
TEIXEIRA, G. Desatentos e Hiperativos. Rio de Janeiro: Editora BestSeller, 2011. 
 
 
 
 
 152 
CAPITULOS 7 & 8 
ÁLCOOL E DROGAS SEM DISTORÇÃO. Disponível em: 
 http://www.einstein.br/alcooledrogas Acessado em 01/11/2017. 
 
AMERICAN ACADEMY OF CHILD AND ADOLESCENT PSYCHIATRY. Disponível 
em: http://www.aacap.org Acessado em 01/11/2017. 
 
AMERICAN PSYCHIATRIC PUBLISHING. Textbook of child and adolescent 
psychiatry, 3. ed., Washington, D.C.; American Psychiatric Publishing, 2004. 
 
AMERICAN PSYCHIATRIC PUBLISHING. Textbook of substance abuse 
treatment, 3. ed., Washington, D.C.; American Psychiatric Publishing, 2004. 
 
ARANA, G.W. Handbook of psychiatric drug therapy, 4th edition, 
Philadelphia, PA, Lippincott Williams Wilkins, 2000. 
 
CEBRID. Disponível em: http://www.cebrid.epm.br/levantamento_brasil2/ 
Acessado em 01/11/2017_______. Disponível em: 
http://www.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/folhetos/folhetos.htm Acessado em 
01/11/17 
 
DANCE SAFE. Disponível em: http://www.dancesafe.org/ Acessado em 
01/11/2017 
 
 
 153 
LARANJEIRA, R. Usuários de substâncias psicoativas: abordagem, diagnóstico 
e tratamento, 1. ed., Conselho Regional de Medicina do Estado de São 
Paulo/Associação Médica Brasileira, 2002. 
 
MILHORN, H.T. Drug and alcohol abuse – The authoritative guide for parents, 
teachers and counselors. Da Capo Press, 2003 
 
NATIONAL INSTITUTE ON DRUG ABUSE – NIDA Disponível em: 
http://www.nida.nih.gov Acessado em 01/11/2017. 
 
PRUITT, D.B. Your adolescent: what every parent needs to know. What’s 
normal, what’s not, and when to seek help, 1. ed., American Academy of Child 
and Adolescent Psychiatry, New York, Harper Collins, 1999. 
 
____________. Your child: what every parent needs to know about childwood 
development from birth to preadolescence, 1. ed., American Academy of 
Child and Adolescent Psychiatry, New York, Harper Collins, 1998. 
 
STAHL, S.M. Psicofarmacologia-base neurocientífica e aplicações práticas, 2. 
ed., MEDSI Editora Médica e Científica Ltda, 2002. 
 
TEIXEIRA, G. Manual dos transtornos escolares. Rio de Janeiro: Editora Best 
Seller, 2013. 
 
 
 
 154 
CAPITULOS 9 & 10 
Haber, J. ―Bullyproof your child for life: protect your child from teasing, taunting 
and bullying for good‖ 1
st
 ed. Perigee Book, 2007. 
Hoover, J. H. ―The bullying prevention handbook: A guide for principals, teachers 
and counselors‖ 2
nd
 ed. Solution Tree, 2008. 
Lopes, A. A. ―Diga não para o bullying - Programa de redução do comportamento 
agressivo entre estudantes‖ Abrapia, 2003. 
Olweus, D. ―Bullying at school: What we know and what we can do‖ Blackwell 
Publishing, 1993. 
Scaglione, J. ―Bully-proofing children: A practical, hands-on guide to stop bullying‖ 
Rowman & Littlefield Education, 2006. 
Swearer, S. M. et al. ―Bullying prevention & intervention: realistic strategies for 
schools‖ The Guilford Press, 2009. 
Teixeira, G. ―Manual Antibullying‖ Editora BestSeller, 2011. 
Ybarra, M. L. et al. ―Examining characteristics and associated distress related to 
Internet harassment: Findings from the second Youth Internet Safety Survey.‖ Pediatrics 
118 (4): e1169-77, October 2006. 
Nansel, T. R. et al. ―Bullying behaviors among U.S. youth: Prevalence and 
association with psychosocial adjustment.‖ Journal of the American Medical Association 
285 (16): 2094-100, 2001. 
McCabe, R. E. et al. ―Preliminary examination of the relationship between anxiety 
disorders in adults and self-reported history of teasing or bullying experiences.‖ Cognitive 
Behavior Therapy 32 (4): 187-93, November 2003. 
Fekkes, M. et al. ―Bullying behavior and associations with psychosomatic 
camplaints and depression in victims.‖ The journal of Pediatrics 144(1):17-22, January 
2004 
Baldry, A.C. ―Bullying in schools and exposure to domestic violence‖ Child abuse 
& neglect 27(7):713-32, July 2003. 
Klomek A. B. et al. ―Bullying, depression and suicidiality in adolescents‖. Psychiatr 
Danub. 2006 Sep;18 Suppl 1:41. 
 
 155 
Kim Y.S. et al. ―School bullying and youth violence: causes or consequences of 
psychopathologic behavior?‖ Arch Gen Psychiatry. 2006 Sep; 63(9): 1035-41 
 Stein J. A. et al. ―Adolescents male bullies, victims and bully-victims: a 
comparison of psychosocial and behavioral characteristics‖. J Pediatr Psychol. 2006 Aug 8. 
Ivarsson T. et al. ―Bullying in adolescence: psychiatric problems in victims and 
bullies as measured by the Youth Self Report and the Depression Self-Rating Scale‖. Nord 
J Psychiatry. 2005; 59(5):365-73. 
Friedman M. S. et al. ―The impact of gender-role nonconforming behavior, bullying 
and social support on suicidality among gay male youth‖. J Adolesc Health. 2006 
May;38(5):621-3. 
Jerome L. ―Bullying by internet‖. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2003 
Jul;42(7):751. 
 
CAPITULOS 11 & 12 
AMERICAN ACADEMY OF CHILD AND ADOLESCENT PSYCHIATRY. 
Disponível em: http://www.aacap.org Acessado em 02/12/2017. 
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and statistical 
manual of mental disorders. 4. ed., Washington, D.C.; American Psychiatric 
Association, 1994. 
AMERICAN PSYCHIATRIC PUBLISHING. Textbook of child and 
adolescent psychiatry, 3. ed., Washington, D.C.; American Psychiatric 
Publishing, 2004. 
ARANA, G.W. Handbook of psychiatric drug therapy, 4th edition, 
Philadelphia, PA, Lippincott Williams Wilkins, 2000. 
 
 156 
CASH S.J. Epidemiology of Youth Suicide and Suicidal Behavior. Curr Opin 
Pediatr. 2009 October; 21(5): 613–619 
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. 2007 Youth 
Risk Behavior Survey. [6/19/2009]. Disponível em: http://www.cdc.yrbss. 
Acessado em 02/12/2017. 
DAVIS, M.R. School success for kids with emocional and behavioral 
disorders. Waco: Prufrock Press Inc., 2011 
EACON D.K. et al. Youth risk behavior surveillance - United States, 
2007. MMWR Surveill Summ. 2008 Jun 6;57(4):1–131. 
GOLDSMITH S.K. et al. Reducing Suicide: A National 
Imperative.Washington, D.C.: National Academy Press; 2002. 
KAPLAN, H.I. Compêndio de psiquiatria: ciências do comportamento e 
psiquiatria clínica; 7. ed., Porto Alegre: Artmed, 1997. 
PRUITT, D.B. Your adolescent: what every parent needs to know. What’s 
normal, what’s not, and when to seek help, 1.
 
ed., American Academy of 
Child and Adolescent Psychiatry, New York, Harper Collins, 1999. 
____________. Your child: what every parent needs to know about childwood 
development from birth to preadolescence, 1. ed., American Academy of 
Child and Adolescent Psychiatry, New York, Harper Collins, 1998. 
RUTTER, M; TAYLOR, E. Child and Adolescent Psychiatry, 4. ed., 
Blackwell Publishing, 2002. 
STAHL, S.M. Psicofarmacologia - Base neurocientífica e aplicações 
práticas, 2. ed., MEDSI Editora Médica e Científica Ltda,2002. 
STALLARD, P. Bons pensamentos – bons sentimentos: manual de terapia 
cognitiva-comportamental para crianças e adolescentes. Porto Alegre: 
Artmed, 2004. 
 
 157 
STUBBE, D. Child and Adolescent Psychiatry: a practical guide. 
Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2007. 
TEIXEIRA, G. Manual dos Transtornos Escolares. Rio de Janeiro: Editora 
BestSeller, 2013. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 158 
 
 
 
 
 
 
 
CONTATOS 
 
 
www.cbiofmiami.com 
 
E-mail: contato@cbiofmiami.com

Mais conteúdos dessa disciplina